RELATÓRIO

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A apresentadora Daniela Cicarelli e seu então namorado foram filmados em um momento óntimo em
uma praia na Espanha em 2006. Esse vídeo foi publicado no YouTube e disseminou pela internet. Daniela e seu
namorado ingressaram com uma ação inibitória com o propósito de suspender a exibição do filme e de fotos deles
que foram captadas sem o consentimento de ambos.

ARGUMENTOS
Nesse primeiro recurso não foi discutido o direito à indenização, mas apenas se o vídeo poderia ou não
ser exibido. Até então, o desembargador Zuliani já tinha concedido uma decisão liminar que proibia a reprodução
dos vídeos e exigindo a retirada do ar, sob multa de 250 mil diária pelo descumprimento.
Daniela e seu namorado: disseram que ocorreu violação aos direitos da personalidade, como intimidade,
privacidade e imagem. Para eles, o fato das imagens terem sido captadas em um local público não autoriza a
publicidade sem consentimento, como se verificou. Zuliani (relator): o direito de imagem é protegido pela CF e
pelo CC e não há provas de que as imagens foram feitas com o consentimento do casal. Então a intenção de quem
filmou foi apenas expor a intimidade do casal e cabe a Justiça resguardar a vida íntima e imagem das pessoas.
Teixeira Leite: concorda com o Zuliani.
Maia da Cunha (revisor): afirmou que não houve por parte do casal a menor preocupação em preservar o
direito de imagem, pois eles assumiram o risco de exposição e flagra ao agir daquela forma em uma praia. Para ele,
a não divulgação das imagens violaria outro direito fundamental que é o direito à informação. Google: utilizou a
argumentação de que não seria possível controlar e ter dimensão de cada vez que o vídeo foi copiado e publicado
no Youtube.

DECISÃO
Por maioria dos votos nesse primeiro recurso, a 4ª Câmara de Direito Privado do TJ de São Paulo concluiu
que Daniela e seu namorado tem o direito de ter a imagem e privacidade resguardadas.
Cicarelli e Tato alegaram que essa decisão judicial não foi cumprida e queriam receber a multa milionária
que já estava em torno de 96 milhões. Considerando o exorbitante valor, Zualiani deu parcial provimento ao
recurso do Google para determinar do valor da multa. O caso foi parar no STJ e a decisão foi pela redução do valor
da multa. Por unanimidade, os ministros acataram a argumentação da defesa de incompatibilidade do valor com
outras decisões já tomadas pelo STJ.

MARCO CIVIL
Antes do marco civil da internet, existia uma duvida sobre se a empresa provedora de um serviço na
internet deveria ser penalizada caso fosse notificada de algum conteúdo ofensivo ou ilegal publicado em suas
plataformas e não o tirasse do ar. Naquela época, as decisões judiciais diziam que sim e por isso o Google teve que
pagar diversas indenizações por diversos casos. Porém, começaram a aparecer casos muito subjetivos e o Marco
Civil veio para tentar acabar com a preocupação de que os provedores se tornassem um instrumento de censura
privada, porque caberia a eles definir o que é conteúdo ilícito.
A legislação aprovada em 2014 diz que o provedor não seria responsável por algo que foi postado, a não
ser que haja uma ordem judicial que diga que aquele conteúdo é realmente ilícito e este conteúdo deve ser
indicado especificamente. Para garantir essa especificação, o STJ uniformizou a exigencia dos links que levam a
cada foto, vídeo ou página de internet para identificar o conteúdo ilícito.
Se a ação judicial de Cicarelli fosse movida nos dias de hoje, teria que listar os links de todas as
reproduções de vídeos. Isso tira o dever constante do provedor ficar monitorando cada eventual repostagem do
conteúdo.