SECAGEM DA MADEIRA

Para obtenção de sucesso no processo de tratamento preservativo, que visa o uso
correto e durador da matéria-prima na construção civil, é importante observar os
procedimentos adotados para cada método e tecnologia empregada.

O processo de secagem tem o inicio na colheita arbórea, onde os teores de umidade
costumam assumir valores maiores do que 100% na base seca.

A água possui duas formas de distribuição no interior da madeira:

Água livre: Que preenche os vazios das células vegetais (lumens), pois não está
ligada a madeira por forças de natureza química ou física;

Água de ligação: Conhecida como higroscópica, encontra-se no interior da parede
celular, geralmente formando pontes de hidrogênio com os polímeros naturais que a
constituem.

Ilustração da estrutura anatômica da madeira e a localização da água capilar e da água higroscópica

Após a colheita da árvore, a madeira vai perdendo água livre para o meio ambiente, até
que o lúmen das células fique completamente vazio, situação conhecida como ponto de
saturação das fibras (p.s.f.). Esse ponto de saturação ocorre entre 25% e 30% de
umidade. A secagem da madeira busca o equilíbrio de umidade com o meio ambiente.
Durante esse período de perda de água livre, a madeira não apresenta qualquer tipo de
variação dimensional.

Esquema demonstrativo do fluxo de água livre através das pontoações, até atingir a superfície de evaporação.

onde: Ue = umidade de equilíbrio da madeira. Entretanto. abaixo do ponto de saturação das fibras. de troca de moléculas de água entre a madeira e o meio ambiente. Umidade de equilíbrio estimada para algumas cidades do Brasil (Galvão e Jankowsky. 1985) . Ur = umidade relativa do ar. ou seja: Ue = Ur / 5. Trata-se de um processo dinâmico. Efeito das variações de umidade nas propriedades da madeira Quando a madeira é colocada em um ambiente de maior umidade relativa. podendo inchar até chegar ao ponto de saturação das fibras. até atingir o ponto de equilíbrio da umidade relativa do ar que corresponde a 20%. o processo se reverte. o que corresponde a 12%. que continua até 0% de umidade. no equilíbrio terá um teor de umidade aproximadamente igual a 60/5. começa a perda de água de ligação. Uma peça de madeira colocada num ambiente com 60% de umidade relativa. continuando o processo de secagem. acompanhada de contração da madeira.

Nessas condições: U = Pu – Ps / Ps x 100 Esse teor de umidade. é designado como “teor de umidade na base seca”.  Diminui a ocorrência de falhas como empenamentos e fendilhamentos. pessoal especializado.  Para a impregnação industrial da madeira.  Abaixo do ponto de saturação das fibras. a madeira torna-se mais resistente á ação de fungos e de alguns insetos. Deve-se registrar a pesagem inicial da madeira como “peso verde” (Pv). Por isso seu uso fica mais restrito a trabalhos acadêmicos e á aferição de outros equipamentos. uma balança analítica compatível com a massa da amostra de madeira. sobretudo as que apresentam elevado coeficiente de retratibilidade volumétrica. IMPORTÂNCIA DA SECAGEM DA MADEIRA É possível obter ganhos importantes na qualidade da madeira com a secagem correta:  A perda de água reduz peso de um carregamento de madeira e. parafusos e conectores do tipo “gang-nail”. longo tempo e dificuldade na execução com um número mais significativo de amostras. Em seguida. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE UMIDADE DA MADEIRA Em laboratório: É necessária uma estufa de secagem. decorrentes da utilização de madeira com teores de umidade inferiores ao ponto de saturação das fibras. Deve-se anotar o valor pesagem como “peso seco” (Ps).  Abaixo do ponto de saturação das fibras ocorre um aumento das propriedades mecânicas das madeiras. sofrem variações com maior intensidade. coloca-se a madeira na estufa a 102° C. Normalmente. muito usado em tecnologia da madeira. até que a diferença entre duas pesagens consecutivas seja muito próxima de zero. Algumas espécies. para que existam espaços internos a serem preenchidos pela solução preservativa. além de um dessecador para o transporte da madeira entre a estufa e o local de pesagem e vice-versa. melhorando a fixação de conectores como pregos. Apesar de ser uma metodologia inconteste quanto ao resultado obtido.  Para a colagem das peças é necessário que a madeira esteja abaixo do ponto de saturação das fibras. faixa em que ela sofre variações dimensionais. permitindo que ocorram as reações de fixação. como consequência o custo do frete. . os fabricantes de cola costumam indicar quais os teores máximos de umidade para a obtenção de uma colagem aceitável. por ser um ensaio destrutivo. é fundamental que esteja abaixo do ponto de saturação das fibras. apresenta algumas desvantagens: exigência de equipamento especial.

Apesar da simplicidade. Há medidores elétricos de umidade dos seguintes tipos:  Resistência. alguns cuidados devem ser tomados com relação ao estado da bateria e á fixação dos cabos elétricos flexíveis.  Perda de Potência. Apresentam as seguintes vantagens: Ø Resultados imediatos. Também têm algumas desvantagens: Ø Menor precisão.  Capacitivo. Ø Calibração constante. Ø Maior amostragem. Ø Necessita correções em função de temperatura e espécie da madeira. Ø Utilização entre 5% . Com medidores elétricos: Estas medições baseiam-se nas variações das propriedades elétricas da madeira com a umidade. temperatura e variação de espécies geralmente são fornecidos pelos fabricantes.30% de umidade. Ø Trabalho reduzido. Os medidores elétricos do tipo resistência são os mais comuns. RAZÕES PARA SECAR A MADEIRA As principais são: . Ø Acompanhamento da secagem. Ø Há portáteis. Legenda: Ø = ângulo de fase? ou diâmetro? Acima de 30% de umidade esses aparelhos são muito imprecisos e sob essas condições o seu uso deve ser evitado. Os demais ajustes como calibração inicial. Ø Não destrutivo.

 Aumentar a estabilidade dimensional da madeira. ou então. que ao depender das condições atmosféricas torna o processo lento. permanecendo de 30 cm a 40 cm do solo. podendo durar muitos meses. para garantir a sanidade biológica das peças até que elas atinjam um equilíbrio em torno de 20% de umidade. As pilhas devem ser dispostas perpendicularmente aos ventos dominantes da região. A madeira deve ser empilhada com espaçamento entre ás peças feito por meio de tabiques de alta durabilidade natural. que sofre contramão com a perda de água. são apresentados exemplos de formas corretas e incorretas de empilhamento num pátio de secagem. Nas fotos que se seguem. Por isso ela deve ser seca antes de chegar ás suas dimensões finais. Este espaçamento proporcionará a livre circulação do ar que permitirá a remoção da água. O primeiro diz respeito á escolha do pátio de secagem. adequadamente tratados. Dependendo da espécie de madeira que está sendo seca. Deve ser um local alto e plano. formando um arruamento que facilite a operação de empilhadeiras e caminhões de carga e descarga. mas demanda grandes espaços. TIPOS DE SECAGEM Existem dois tipos de secagem: a natural ou feita ao ar livre e a artificial ou forçada.  Melhorar as propriedades de isolamento térmico e elétrico do material.  Maior eficiência na impregnação com preservativo em processos industriais.  Melhorar as condições de colagem. realizada em secadores projetados para otimizar o processo. As diversas pilhas de madeira devem ser colocadas no pátio. Alguns cuidados devem ser tomados para sua execução. pois quando o teor de umidade fica abaixo de 20% a madeira não é atacada por esses microorganismos.  Aumentar as propriedades mecânicas da madeira. . Não há necessidade de mão-de- obra especializada. com boa drenagem do solo.  Reduzir o apodrecimento ou fungos manchadores. Secagem natural: É um processo simples de retirada de água da madeira através da circulação natural de ar entre as peças. poderá ser necessário um pré-tratamento.  Reduzir o peso gerando economia no transporte. sem a proximidade de vegetação capaz de facilitar a propagação de microorganismos.

Esses controles fazem com que a secagem da madeira ocorra com mais rapidez e precisão do que em condições ambientais. formas de aquecimento. circulação e umidade relativa do ar. . Empilhamento em forma de tesoura (madeira serrada) Empilhamento em forma de gaiola (dormentes) Exemplos de empilhamento de madeira inadequados Secagem artificial: Realizada em câmaras fechadas onde são controladas as condições de temperatura. tipos de umidificação. entre outros aspectos. Pode-se promover a secagem até um teor de umidade pré-determinado em alguns dias ou semanas. circulação do ar. Os secadores variam dependendo dos materiais construtivos empregados.

baixa ocorrência de defeitos na madeira. muito usados para a secagem de lâminas de compensados. Baixa temperatura: Operam na faixa de 30° C a 50° C. Sua temperatura de operação é da ordem de 55° C a 60° C e serve para operações de pré-secagem. A secagem artificial ou forçada também tem vantagens e desvantagens. Esquema de um secador solar *** Para maior eficiência. TIPOS DE SECADORES Existem no mercado.5 m/s. Sua principal vantagem é o aproveitamento de energia solar. Encontram-se secadores por desumidificação e solares. dois tipos de secadores. Nos secadores por desumidificação a água é removida por condensação em serpentinas. basicamente. não necessita de grandes espaços. abundante em países como o Brasil. Os secadores solares são simples. como na secagem natural. o ângulo de inclinação do coletor solar deve ser igual ao da latitude do local de secagem. onde os ventiladores fazem a circulação e mantêm a velocidade do ar em torno de 2. Por exemplo. . os de baixa temperatura e os convencionais. Esse sistema apresenta bom controle. e estacionários que são os mais usados na indústria madeireira deixando a matéria-prima confinada numa câmara de secagem. baratos e com um nível de complexidade que os tornam indicados para operações de pequeno porte. mas exige maior investimento inicial.Há dois tipos de secadores: contínuos. porém seu custo é elevado.

3 m/s. com o aumento gradativo da temperatura e diminuição da umidade relativa do ar no interior da câmara. A operação deste tipo de secador exige conhecimento teórico e prático sobre as características das madeiras sobe secagem. É o tipo mais comum de secador utilizado pela indústria madeireira. para evitar o aparecimento de defeitos e depreciação econômica do lote que está sendo seco. T.4 m/s e 2. Conforme indicações na tabela abaixo: . as madeiras devem ser secas até um teor de umidade final em função do tipo de aplicação a que se destinam. R. Ponto final da secagem: Segundo o Manual de Secagem do IPT (Ponce. & Waitai. L. também sendo possível ter acesso a programas similares em literatura técnica e na internet. Desenho esquemático de um secador convencional Esse conjunto de etapas constitui o programa de secagem. com velocidades de ar entre 1. H. O processo deve ser conduzido com cuidado e em etapas sucessivas. – 1985).Secadores convencionais: Operam em temperaturas que podem chegar a 90° C. A maioria dos fornecedores deste tipo de equipamentos realiza a entrega aos clientes com programas de secagem compatíveis para as principais madeiras brasileiras.

I. superando a contração radial. Os empenamentos são distorções das peças de madeira quando tomados como referência os planos de suas faces. mas também importantes e decorrentes do emprego de temperaturas elevadas e de processos rápidos de secagem. (Fundamentos de Secagem de Madeira – ESALQ – 1990) outros defeitos menos comuns que os empenamentos. Ilustração dos tipos de empenamentos da madeira e denominações Segundo Jankowsky. o colapso e as rachaduras em favo: . As rachaduras são consequências da maior contração da madeira na direção tangencial. Teor de Umidade Final recomendado para certos produtos de Madeira DEFEITOS DE SECAGEM Pode ocorrer devido ás tensões na madeira durante o processo de secagem quando conduzido de maneira inadequada. são o encruamento.

Se as camadas externas da madeira secarem antes da parte central. Quando a parte central seca. Esse tipo de defeito aparece normalmente associado ao colapso e ao encruamento. as tensões serão aliviadas e poderão ocorrer distorções. Se a madeira for usada nestas condições o encruamento não é um problema sério. a tensão das camadas internas impede sua contração. como consequência das tensões de tração no interior das peças.  Colapso: Segundo Jankowsky. elas são impedidas de contrair e permanecem num estado de tensão. O colapso é basicamente ocasionado por forças geradas durante a movimentação da água livre. O seu aparecimento pode ser prevenido ao evitar as altas temperaturas até a remoção de água livre do interior das peças em secagem. ao terem excedido a resistência da madeira no sentido perpendicular ás fibras. O colapso aparece quando a tensão desenvolvida.” Ilustração da aparência da madeira em colapso.  Rachaduras em Favo: Ainda. que deformam as células. Entretanto. Encruamento: Causado por secagem rápida e não uniforme. supera a resistência da madeira á compressão”. . segundo Jankowsky: “esse é um defeito típico da secagem artificial que se caracteriza por rachaduras no interior da peça. a peça pode apresentar-se sem alterações. “o colapso caracteriza-se por ondulações nas superfícies da madeira. podendo apresentar-se bastante distorcida. Onde exteriormente. se a madeira for serrada novamente. durante a saída de água livre.

pelo menos. M. P. duas regras são comuns a ambas: 1ª) Sempre devem ser processadas madeiras da mesma espécie. Nobel. próximas. 1985. I. Secagem Racional da Madeira. A.Regras de Ouro da Secagem da Madeira: Embora secagem e preservação de madeira sejam processos inversos. . 112 p. & Jankowsky. Leitura Complementar: Galvão. 2ª) As peças processadas devem ter as mesmas dimensões ou.

montana.com. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Fonte: http://www.br/Guia-da-Madeira/Tratamento/Secagem-de-madeira Fonte: http://www.pdf .br/Guia-da-Madeira/Tratamento/Secagem-de- madeira/Razoes-para-secar-a-madeira Fonte: http://www.montana.pimads..org/documento_atividades/Apostila%20- %20Secagem%20de%20Madeiras.com.