UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA – UFBA

TEORIA DA CONSTITUIÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO ESTADO – DIRA79
CASOS JURISPRUDÊNCIAS
Discentes: Francine Ribas, Odair Morais, Thauana Guedes
Docente: Gabriel Marques
TEMA: GREVE DOS SERVIDORES PÚBLICOS – MANDADO DE INJUNÇÃO
(MI 670/ES, MI 708/PB, MI 712/PA) – STF

 DEFINIÇÃO DE MANDADO DE INJUNÇÃO (MI)
O mandado de injunção (MI) tem previsão legal no Art. 5º, inciso LXXI,
da CF/88 e tem como objetivo combater a omissão normativa quando essa
lacuna torna inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Alguns
autores consideram o MI um remédio constitucional, outro instrumento
semelhante é a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) contido
no Art. 103, §2º (Ver caso do Imposto sobre Grandes Fortunas). Recentemente
foi criada a Lei nº 13.300 de 23/06/2016 que disciplina o processo e o julgamento
dos mandados de injunção individual e coletivo.

 DESCRIÇÃO DOS FATOS – MI 670/ES, MI 708/PB, MI 712/PA
Os mandados foram impetrados pelo Sindicato dos Servidores Policiais
Civis do Espírito Santo (SINDPOL) para o MI 670, em 2003, pelo Sindicato dos
Trabalhadores em Educação de João Pessoa (SINTEM) para o MI 708, em 2007,
e pelo Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário do Pará (SINJEP) para
o MI 712, em 2006. O Congresso Nacional apareceu como impetrado nos três
mandados de injunção, que tinham como objetivo o reconhecimento e a
efetivação de direito de greve das categorias, com base na Lei Federal 7783/89
e na norma inscrita no artigo 37, inciso VII da Constituição do Brasil.
No mandado de injunção 670, esclarece-se que a greve se deu devido
ao fato de terem sido feitas muitas tentativas infrutíferas de negociações com o
Governo do Estado, que se recusou a atender as reivindicações mínimas da
categoria, fazendo com que essa se visse obrigada a declarar um movimento
grevista. Entretanto, o Juiz da Vara de Feitos da Fazendo Pública Estadual
deferiu tutela antecipada em ação ordinária (Processo 024.010.028918),
impedindo o exercício do direito constitucional de greve por parte dos associados
da categoria, que estiveram sob ameaça de prisão, pagamento de multa diária e
corte do ponto.
Já no mandado de injunção 708, o impetrante alega que o indicativo de
greve se deu, principalmente, pelas péssimas condições de trabalho a que
estariam submetidos os servidores. A entidade sindical argumenta que, em 8 de
junho de 2004, informou à Secretaria de Educação do Município de João
Pessoa/PB que a partir do dia 05 de julho do mesmo ano os professores
municipais entrariam em greve por período indeterminado, solicitando uma
audiência ao Prefeito de João Pessoa/PB na tentativa de negociar a situação e
evitar a paralisação. Com nenhuma das reivindicações atendidas, nem mesmo
o pedido de audiência, deflagrou-se o movimento grevista.Com a paralisação, a
Administração Pública Municipal requereu e teve deferida a declaração de

sem prévia comunicação e em desacordo com a solicitação de reajuste de 105%. que regula a greve no setor privado. o ministro Eros Grau era o presente relator do mandado de injunção 712 impetrado e expôs seu voto para conhecimento dos outros ministros. o qual antes era inviabilizado por falta de norma regulamentadora sobre a interpretação da omissão legislativa do direito de greve dos servidores públicos civis e aos poucos foi sendo aceito pelo Congresso Nacional. liberdades e prerrogativas asseguradas pela Carta Federal. onde Gilmar Mendes também foi relator do processo e reiterou sua posição no MI 670. Com o pedido de vista do ministro Gilmar Mendes a sessão prosseguiu no ano de 2006. solicitando a garantia do direito de greve na forma da Lei 7783/89.ilegalidade da greve. O Poder Judiciário nos limites do mandado de injunção não pode garantir ao impetrante o direito de greve. este sendo agora relator do pedido. Em 2007 foi impetrado o pedido do MI 708. com a declaração de ilegalidade da greve. com antecipação de tutela e desconto no salário com relação aos dias não trabalhados. referindo- se à possibilidade de as instâncias ordinárias aplicarem subsidiariamente as .  DECISÃO DO STF O Ministro Maurício Corrêa inicial relator do MI 670 impetrado pelo Sindicato dos Servidores Policiais Civis do Espírito Santo (SINDPOL) em 2003. Celso de Mello. Gilmar Mendes reconheceu o mandado de injunção 670 com limitação do direito de greve pelo controle judicial nas instâncias apropriadas. Enquanto isso. todo serviço público é essencial. a direção do TJ/PA determinou a suspensão dos pontos e desconto dos dias parados. para que se aprovasse a revisão anual de remuneração dos servidores. O senhor Ministro Gilmar Mendes apresentou a evolução da jurisprudência do STF quanto ao mandado de injunção.O impetrante ressaltou que. pois cabe ao STF somente verificar se há mora ou não da autoridade ou poder de que depende a elaboração de lei regulamentadora do texto constitucional. para determinar a aplicação da Lei de Greve nº 7. que regula o movimento grevista no setor público. Sepúlveda Pertence. cuja lacuna torne inviável o exercício dos direitos. no mandado de injunção 712. inciso VII. reconheceu em parte o mandado de injunção. acrescentando apenas algumas especificações sobre o processamento do dissídio de greve. Carlos Britto. onde concedia aos servidores um reajuste de 9%. da Constituição Federal. Então. Todos os mandados de injunção citados alegaram a mora legislativa como dificultadora da garantia de direito de greve e a inviabilização do exercício do direito por falta de norma e regulamentação do artigo 37. No mesmo ano dessa sessão. O Ministro Gilmar Mendes foi relator dos MI 670 e 708 enquanto o Ministro Eros Grau do MI 712. o impetrante alega que a greve parcial se iniciou pois não houve apreciação de mandado de segurança que a entidade sindical impetrou contra ato da Presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Pará. Cármen Lucia e Cezar Peluso também conheceram e julgaram procedente o mandado de injunção.783/89. ressaltando a abrangência geral da decisão do STF em seus efeitos erga omnes. de modo que não se deve transigir às expensas do princípio da continuidade do serviço. Ele destacou e insistiu que para efeitos da aplicação de disposições da Lei de Greve. o Pleno do Tribunal de Justiça do Pará publicou a Resolução 009/2004.

Relator: Ministro Gilmar Mendes.gov. Tendo em vista a situação jurídico-políticas que demandam a concretização do direito de greve a todos os trabalhadores.016/2009. é possível a Corte Constitucional atuar também nos casos de inatividade ou omissão legislativa.  CONSIDERAÇÕES DA EQUIPE Todos os integrantes do grupo concordaram com a decisão final do STF. Promulgada em 5 de outubro de 1988. Impetrante: Sindicato dos Trabalhadores em Educação de João Pessoa. Constituição da República Federativa do Brasil. 2017.jsp?docTP=AC&docID=558553>. valem as regras previstas para o setor privado (Lei nº 7. Diante da falta de lei para regular a greve no serviço público. 25 de novembro de 2007.br/ ccivil_03/constituicao/constituicao.  REFERÊNCIAS BRASIL. antes desta decisão o STF apenas declarava a mora legislativa. Portanto. Acesso em: 08 jun. Supremo Tribunal Federal.jus.jsp?docTP=AC&docID=55855 1>. Disponível em < http://redir.jus. Na época dos três pedidos impetrados ao Supremo Tribunal Federal foi utilizada para disciplinar sobre o mandado de Injunção a lei do mandado de segurança lei nº 1. Distrito Federal. Supremo Tribunal Federal. BRASIL.br/paginadorpub/paginador.br/paginadorpub/paginador. 2017. apesar de acreditarmos que a melhor solução seja a elaboração futura de norma específica para os servidores públicos pelo Congresso Nacional. Supremo Tribunal Federal.701 sobre especialização de órgãos colegiados na justiça do trabalho. 25 de novembro de 2007. Acesso em: 08 jun. visto que a CF/88 previu o mandado de injunção como remédio para a proteção de direitos e liberdades constitucionais.br/paginadorpub/paginador. Relator: Ministro Eros Grau. 670-9 ES. Mandado de Injunção nº.htm >. . BRASIL. A decisão do STF sobre estes três MI’s veio a dar materialização a esse importante instrumento ao adotar as regras previstas para o setor privado para regular as greves dos servidores públicos. 2017.jsp?docTP=AC&docID=5585 49>. Relator: Ministro Gilmar Mendes. o grupo entende que com esta decisão o STF preencheu esta lacuna normativa sobre a regulação da greve dos servidores públicos.stf. este instituto foi previsto para combater a omissão normativa. 25 de novembro de 2007. 708 PB. Distrito Federal. Disponível em: http://www. Disponível em<http://redir. 712-8 PA. Mandado de Injunção nº. enquanto não for elaborada tal regulamentação. Acesso em: 08 jun. Distrito Federal.jus.stf. o STF não podia mais se abster de reconhecer que. assim como o controle judicial deve incidir sobre a atividade do legislador. Mandado de Injunção nº. 2017. Disponível em:<http://redir.stf. Impetrante: Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário do Pará.783/89).planalto. BRASIL. o Supremo Tribunal Federal decidiu que. Acesso em: 08 jun.533/51 revogada pela lei nº 12.disposições da lei nº 7. Impetrante: Sindicato dos Servidores Policiais Civis do Espírito Santo.