CASO CAROLINA DIECKMANN E O PÂNICO

O programa humorístico “O Pânico”, da emissora RedeTV!, na tentativa de fazer
com que a atriz, Carolina Dieckmann, participasse do quadro “Sandália da humildade”,
foram, em agosto de 2005, até o condomínio da mesma com um guindaste e um
megafone chamando-a pelo nome e causando grande constrangimento a mesma e ao seu
filho.

A atriz, então, moveu ação judicial na 20º Vara Cível contra o programa,
vencendo tanto na primeira quanto na segunda instância. A indenização por danos
morais fixada na decisão foi de R$ 35.000,00. O programa Pânico na TV também foi
proibido a usar a imagem da autora ou a fazer referência a seu nome.

A emissora, em sua contestação, alegou que o Pânico na TV se caracteriza como
um simples programa humorístico e não houve qualquer intenção de denegrir a imagem
e a honra da atriz, violar sua privacidade, nem de exibir imagens de seu filho. A
RedeTV! disse que a atriz pretende censurar suas atividades.

O juiz desconsiderou a alegação e entendeu que “a natureza do programa não é
jornalística ou informativa, mas essencialmente humorística, conforme a ré esclarece em
sua contestação. Desta forma, a tese defensiva de que devem ser preservados a liberdade
de imprensa não se aplica ao caso”, entendeu Rogério de Oliveira Souza.

É do conhecimento de todos que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer
alguma coisa senão em virtude da lei, conforme dispõe o inciso II do artigo 5º da
Constituição Federal. A Autora não tem nenhuma obrigação de ser simpática com quem
quer seja, eis que não existe nenhuma lei que lhe imponha tal obrigação.

É um caso clássico de colisão de direitos fundamentais:

TJ-RJ – Agravo de instrumento

Acórdão: Liberdade de expressão versus direito à intimidade. Atriz que manifesta
sua vontade de não aparecer, nem participar de brincadeira, a seu ver vexatória, em
programa humorístico. Exposição de sua vida íntima, afetando seu cotidiano, causando
incômodo também a seu filho. Aplicação do princípio do interesse da criança. Interesse
mediato da criança em ter resguardada sua honra e a liberdade de imagem e de
locomoção de sua mãe.

O MP irá intervir na hipótese de haver interesse do menor, sobre a proteção dos
direitos legítimos dessa criança que tem de ser resguardados de quaisquer objetivos de
uma expressão de humor abusivo, desrespeitoso e até grotesco, a agredir sua
personalidade em formação.

Parecer da Procuradora de Justiça:

Os fatos que deram origem aos procedimentos acabaram estendendo seus reflexos
na pessoa do filho da autora agravada, menor impúbere, posto que o local da residência

prepondera-se a intimidade da agravada. não havendo hierarquia entre os mesmos. O menor sofreu consequências emocionais de todo tumulto promovido.foi palco de lastimáveis atos por parte dos atores e equipe de filmagem. na busca de forçá-la a participar do programa televisivo. principalmente a de seu filho deve ser preservada. . Põe-se em xeque a segurança do menor e a vulnerabilidade das liberdades individuais nesse contexto. a sua vida privada e de sua família. pois além de ser atriz e possuir vida pública. No caso. em detrimento da exposição desnecessária. sem intuito jornalístico ou de informação. pois ambos são direitos constitucionais. O direito a intimidade deve ser ponderado com a liberdade de expressão. mas simplesmente humorístico.