CASO DA ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) nº 2076

Discentes: Adriele Souza, Isadora Magalhães e Rafaela Ferreira

1. RELATÓRIO
O que é uma ADI ou ADIn? Do que se trata? Quem entrou com o pedido?
O requerente foi o Partido Social Liberal (PSL), que entrou com o pedido de Ação Direta
de Inconstitucionalidade alegando que o ato do requerido, a Assembleia Legislativa do
Estado do Acre, de retirar a expressão “sob a proteção de Deus” da Constituição Estadual
do Acre feria um princípio constitucional.
Quais são os votos que constam no inteiro teor?
Em casos como uma ADI, todos os ministros devem votar, porém só consta a transcrição
de três votos no inteiro teor, o do ministro e relator Carlos Velloso e os dos ministros
Sepúlveda Pertence e, o presidente do STF à época, Marco Aurélio.
2. FUNDAMENTAÇÃO
O PSL utiliza como fundamentos para proposição da ação o artigo 102, I, a), CF/88, o
qual versa sobre a competência precípua do STF em guardar a Constituição Federal,
cabendo-lhe processar e julgar, originariamente, a ação direta de inconstitucionalidade de
lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade da
lei ou ato normativo federal e no artigo 103, VIII, CF/88, que preceitua sobre os possíveis
proponentes da ADI ou ADC e, no inciso oitavo, elenca partido político com
representação no Congresso Nacional.
Em defesa da inconstitucionalidade da omissão da expressão “sob a proteção de Deus”
da Constituição Estadual do Acre, o PSL emprega três argumentos:
- a própria legitimidade do partido, baseada no art. 103, VIII da Constituição Federal,
como supramencionado;
- alega ser a omissão dessa expressão uma ofensa ao preâmbulo da Constituição, por
tratar-se de “ato normativo de supremo princípio básico com conteúdo programático e de
observação compulsória pelos estados”. Sendo o preâmbulo parte integrante do texto
constitucional, suas disposições têm verdadeiro valor jurídico;
- o último argumento é de ordem factual, em que o partido alega, à ocasião da Assembleia
Nacional Constituinte, que a emenda que visava suprimir a invocação a deus foi derrotada
na Comissão de Sistematização pela expressiva votação de 74 votos contrários e somente
1 voto favorável à supressão da invocação.
3. DECISÃO
O relator da ADI, ministro Carlos Velloso, traz diversas lições de autores para construir
seu voto. Entre os autores citados, Raul Machado Horta diz que há normas de reprodução
obrigatória, e elas são as "normas centrais", que são as normas dos direitos e garantias
fundamentais, as normas de repartição de competências, entre outras, enquanto a
expressão não seria de reprodução obrigatória.

Ainda no seu voto. dizendo que não se pode exigir.A parte utilizada para afirmar que o Acre seria o único estado-membro que não teria a proteção de Deus é especialmente incoerente e exagerada. sendo que sua não invocação apenas sustenta a liberdade de consciência e crença que constam na Constituição Brasileira. logo tem-se que tal expressão não tem maior relevância. OPINIÃO DO GRUPO . E mais. . tal expressão apenas reflete um sentimento religioso.A construção argumentativa do PSL menciona várias vezes um ponto questionável: será que realmente a supressão da expressão na Constituição estadual indicaria uma real ameaça à ordem local? Nossa equipe acredita que não. O Ministro Sepúlveda Pertence. quando isso. em todas as constituições. a reprodução da expressão citada. acrescenta que Constituições de Estados como França. . também julga improcedente a ação. Julgando. mostrou-se um equívoco.A base do argumento está assentada no preâmbulo como norma constitucional. nem princípio constitucional. assim. pois a carta política se propõe laica e afirma a liberdade religiosa. 4. . improcedente a ação. Itália e Portugal não invocam tal expressão.Somos a favor da constitucionalidade do ato e concordamos com os argumentos levantados nos votos dos ministros. e portanto não tem força normativa. Como curiosidade. . tal expressão não é de reprodução obrigatória. nem relevância jurídica. portanto o mais coerente seria se mostrar neutra em relação às mais variadas possibilidades de crença religiosa e/ou doutrinária. conforme os votos. pela justificativa de que não sendo norma jurídica. Velloso diz que o preâmbulo constitucional não cria direitos. O Ministro Marco Aurélio acompanha o Ministro Carlos Velloso. nem deveres. já que o Estado Brasileiro é laico.