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C oleção D ebates

Dirigida por J. Guinsburg

julio cortázar
VALISE DE CRONÓPIO

liquipe de realização - Tradução: Davi Arrigucci Jr. e João A lexandre
lltfb o sa; Organização: Haroldo de Campos e Davi Arriguci Jr.; Revisão:
Ainilton M onteiro de O liveira; Produção: R icardo W. N eves e R aquel
1'iiriMndea A branchcs.

criar uma verdadeira “m áquina”. conheçam coisa alguma de sua obra. E esta concepção tural que continua prejudicando nossos países. o ataque ao leitor” . Valéry o cita ao final da sua Introduction à la m éthode de Léonard de Vinci: “Poe . tal como vimos. Sem frieza mecânica — pois às aparências de certos textos mistificadores se opõe o melhor da sua narrativa e da sua poesia. mente aplicado desde jovem à mecânica do fato lite rário. substituídos 6. que eu me sinta um pouco como um fantasma que lhes vem falar sem essa 146 147 m. às mãos de leitores tão dispostos ação do ser sobre si mesmo. Poe busca essa “atitude central” de que fala Paul Valéry ao estudar Leonardo. O mal disto não na alegre variedade das coisas e dos dias. à técnica da crítica. De toda a sua obra crítica. . sim. lida e incorpora a ela. e sem o pragmatismo indisfar- çável do profissional da literatura. é o modo de Poe conceber a criação de um conto ou de um poema. atitude “ a partir da qual as empresas do conhecimento e as operações da arte são igualmente possíveis”. que parte da consciência de que a rigor é impossível comunicar ao espectador ou ao leitor as imaginações próprias. na proba bilidade dos efeitos. infinita ser excepcionalmente. não tenham chegado. mas. às fórmulas capazes de assegurar o controle sobre a m a téria com que se trabalha m ediante o absoluto domínio dos utensílios mentais que a elaboram . Poe indaga a chave da criação verbal. . à instrumentação poética. em vez de provocar dispõe a trocar idéias acerca do conto sem que seus o processo inverso pelo qual o leitor penetra na coisa ouvintes e seus interlocutores. se entendermos por esta não tanto a passagem que já são uns quantos. pelo que o artista deverá compor. é tanto que os senhores não tenham tido oportunidade de julgar meus contos. O isolamento cul suas próprias tensões deformadoras. a não inconcebível do nada ao ser. que são as provas que contam — . assentou claram ente na psicologia. este verbo que se encarna. ou seja. à injusta incomunicabilidade a que se vê submetida é a melhor coisa capaz de parafrasear o sentido de uma C uba atualmente. Sem aludir explicitamente à noção de originalidade e de poiesis em Poe. Sob a evidente influência das reflexões de Poe. situando-se num plano que recusa simultaneamente a efusão e a montagem. de projetá-la no leitor até Encontro-me hoje. Um contista argentino se mensagem na sua total pureza — . num jogo de mútuos reflexos. que. nas suas muitas figuras. numa si reduzi-lo à passividade — pois só assim o atingirá a tuação bastante paradoxal. salvo algumas exceções. diante dos senhores. têm determinado que meus livros. ALGUNS ASPECTOS D O CONTO por um sistema de movimentos espirituais capazes de dinamizar a obra literária. Valéry atribui a Leonardo um a idéia da realização. criação. . somado ativa e atuante da literatura. mas a admirável. esta busca de um mé todo parece ser o legado mais im portante deixado por Poe às letras universais. e tão entusiastas como os senhores.

embora de carne e osso. não creio que seja assim. tentar uma aproximação apreciadora por falta de nome melhor. como é natural nas literaturas orientadores d a m inha busca pessoal de um a literatura jovens. isto da linguagem. contudo. que ja verdadeiro estudo da realidade não residia nas leis. M oro num país — algo tangível que o devolva por um momento à vida França — onde este gênero tem pouca vigência. irmão misterioso da poesia em outra é. e se opõem a esse falso a esse gênero de tão difícil definição. quer se trate dos temas ou mesmo das formas argentina me assegurou no hotel Riviera que eu não expressivas. para quem o dando ao conto uma importância excepcional. porque nenhuma lando teorias e mantendo exasperadas polêmicas acerca resenha teórica pode substituir a obra em si. porque há alguns dias um a senhora cional. de Mas além desse alto no caminho que todo escritor relações de causa a efeito. dramáticos ou humorísticos. E penso que eu desaparecer na metade de uma frase. dentro de um mundo regido mais ou menos harm o dimensão do tempo literário. De vras qual é a direção e o sentido dos meus contos. se nas idéias que seguem. N ão qualquer modo. Em de cabelos brancos. não me sur talvez seja possível mostrar aqui esses elementos inva preenderei demais. Para conseguir um pouco de tangibi nos últimos anos se note entre escritores e leitores um lidade diante dos senhores. vou dizer em poucas pala interesse crescente por essa forma de expressão. fantásticos cado notavelmente depois desta revelação. vamos acumulando quase que ran narração que me interessa. E o isso. Viver como contista num país onde esta me vou ocupar de alguns aspectos do conto como gê forma expressiva é um produto quase exótico. foram alguns dos princípios a Espanha. e chega o dia em que podemos que escrevi pertencem ao gênero chamado fantástico fazer um balanço. niosamente por um sistema de leis. Pouco a pouco. e no mínimo sairemos todos ga riáveis que dão a um bom conto a atmosfera peculiar nhando. certos derão que minha qualidade espectral se tenha intensifi valores que se aplicam a todos os contos. obriga nero literário. quase ninguém se interessa pela problemá razões são mais importantes do que essa. último caso se poderá dizer que só falei do conto tal e que nunca arredou pé de Buenos Aires. de princípios. creio que esta apresentação de minha era Julio Cortázar. mas mais tivera em outros países latinos como a França ou nas exceções a essas leis. os senhores com preen Tenho a certeza de que existem certas constantes. minhas do romance. doze anos que resido em Paris. e diante de minha estupefação própria maneira de entender o mundo explicará minha agregou que o autêntico Julio Cortázar é um senhor tomada de posição e meu enfoque do problema. e é possível que algumas das minhas forçosamente a buscar em outras literaturas o alimento idéias surpreendam ou choquem quem as escutar. me interessa por diversas razões. muito amigo de um parente dela. e todos os países americanos de língua espanhola estão a fecunda descoberta de Alfred Jarry. N o meu caso. os senhores encontra fato de me sentir como um fantasma deve ser já per rem uma predileção por tudo o que no conto é excep ceptível em mim. Por cedidos pela tarefa cumprida ao longo dos anos. e a qualidade de obra de arte. pa que ali falta. falar do geografias bem cartografadas. a criação espontânea precede quase sempre o 148 149 . e. relativa tranqüilidade que sempre dá sabermo-nos pre à margem de todo realismo demasiado ingênuo. assinalando minha especial corosamente uma enorme quantidade de contos do m aneira de entender o mundo. Entre nós. caracol otimismo filosófico e científico do século X V III. em textos originais ou rece-me de uma elementar honradez definir o tipo de mediante traduções. Afirma-se que o desejo mais ardente de um fan A oportunidade de trocar idéias acerca do conto tasma é recobrar pelo menos um sinal de corporeidade. Como já taz qual eu o pratico. um a vez que de outra ordem mais secreta e menos comunicável. de psicologias definidas. enquanto os críticos continuam acumu o faço por mero prazer informativo. E. tão esquivo nos realismo que consiste em crer que todas as coisas podem seus múltiplos e antagônicos aspectos. Quase todos os contos passado e do presente. tão secreto e voltado para si mesmo. de deve fazer em algum momento do seu trabalho. em última ser descritas e explicadas como dava por assentado o análise. a suspeita conto tem um interesse especial para nós. Um a vez que tica do conto. Se de repente ou realistas.

cos- pouco classificável. uma boa quantidade de literatura que papel. aparente paradoxo: o de recortar um fragmento da rea demasiados mal-entendidos neste terreno. e isso é sempre difícil na medida mente o campo abrangido pela câmara. É preciso chegarmos a ter uma idéia como uma visão dinâmica que transcende espiritual viva do que é o conto. no tempo de leitura. gênero a cavaleiro entre o conto e -se às vezes de m aneira quase que póstuma. um a síntese viva ao mesmo tempo que capazes de atuar no espectador ou no leitor como umii uma vida sintetizada. quantidade de contistas trabalha desde os começos do quando um conto ultrapassa as vinte páginas. Em primeiro lugar. tanto em Cuba como vez. teremos da_obra. por exemplo — fotógrafo utiliza esteticamente essa limitação. for permitido o termo. im posta em parte pelo reduzido dia a dia. Alguma vez faremos as antologias definitivas campo que a câmara abrange e pela forma com que o — como fazem os países anglo-saxões. constantes que dão um a estrutura a esse gênero tão Parã se entender o caráter peculiar do conto. e. porque um conto. na França. sempre me surpreendeu que gênero literário. por sua as suas qualidades. em última análise. e. água dentro de um cristal. já é tempo de se fa modo que esse recorte atue como uma explosão que lar dessa tarefa em si mesma. sem outros li permita indagar e esclarecer o seu desenvolvimento e mites que o esgotamento da matéria romanceada. uma fugacidade num a per exame crítico. portanto. como no romance. romanesca. e que explica também por leis. descobrindo. na medida em que um filme é é útil falar do conto por cima das particularidades na em princípio uma “ordem aberta”. porque é um gênero que entre to que uma fotografia bem realizada pressupõe uma jus nós tem uma importância e uma vitalidade que crescem ta limitação prévia. Mas se não excluem. Só com imagens se pode transmitir essa al pretender que só se devam escrever contos após serem quimia secreta que explica a profunda ressonância que conhecidas suas leis. Se tivermos uma idéia convincente des se expressasse tal como poderia fazê-lo um contista em sa forma de expressão literária. o romance desse panoram a sem coerência suficiente. sem se conhecerem muito entre si. à margem das pessoas e abra de par em par uma realidade muito mais ampla. Por ora se os senhores terão ouvido um fotógrafo profissional não me parece inútil falar do conto em abstrato. e é bom que seja assim. ela poderá contribuir muitos aspectos. se lidade se procede inversamente. não há tais um grande conto tem em nós. Assi é natural que aqueles só entrem em cena quando exista nala-se. por certo. no qual pou e o conto se deixam comparar analogicamente com o cos conhecem a fundo o trabalho dos demais. Nesse sentido. por sua vez. mas também sqiim próprio conto. para a desvi. Não sei e se saberá até onde fomos capazes de chegar. enquan cionais e internacionais. isto é. Ninguém pode manência. uma grande lugar. Fotógrafos da categoria de um Cartier- para estabelecer uma escala de valores para essa anto Bresson ou de um Brassai definem sua arte como um logia ideal que está por fazer. tom a já século. a captação dessa realidade talização do seu conteúdo. N a América. H á demasiada confusão. Enquanto os lidade. creio que cinema e a fotografia. por exemplo. como falar da sua própria arte. em segundo lugar. os teóricos e os tuma-se compará-lo com o romance. algo assim como um trem or de 151 150 . uma síntese que dê o “clímax" não tivermos uma idéia viva do que é o conto. se me imagem ou um acontecimento que sejam significativos. que o romance se desenvolve no já um acervo. o conto parte d a noção de limite. fixando-lhe determinados limites. no máximo cabe falar de pontos de vista. mas de tal contistas levam adiante sua tarefa. e popular. Em face o romance propriamente dito. em primeiro no México ou no Chile ou na Argentina. enquanto que. que atirar para fixá-la e encerrá-la numa categoria. de limite físico. numa fotografia ou num conto de grande qua perdido tempo. gênero muito mais críticos não têm por que serem os próprios contistas. o nome de nouvelle. Enquanto no em que as idéias tendem para o abstrato. mais ampla e multiforme é alcançada mediante o de a vida rejeita esse laço que a conceptualização lhe quer senvolvimento de elementos parciais. das nacionalidades. acumulativos. de tal modo que. e o resultado dessa batalha é o que não só valham por si mesmos. o fotógrafo ou o move nesse plano do homem onde a vida e a expressão contista sentem necessidade de escolher e liniilar umii escrita dessa vida travam uma batalha fraternal. sobre o qual abundam as preceptísticas. de certas que há tão poucos contos verdadeiramente grandes. cinema.

já que até uma não se referem apenas ao tema. muito amigo do admiráveis narrativas de uma Katherine Mansfield ou boxe. O elemento significa tivo do conto pareceria residir principalmente no seu caso. mas ao tratamento lite pedra é interessante quando dela se ocupam um Henry rário desse tema. Penso. Vejamos a questão do ângulo do contista e. no fato de se escolher um acontecimento real ou sunto. ele se assemelham. E as deter com todo o cuidado possível nesta encruzilhada. E. no do literalmente. porque em literatura não sódios similares aos tratados pelos autores citados. E é aqui que. que todos nós já lemos. muitas vezes conformista ou inutilmente re nando já as resistências mais sólidas do adversário. Um contista é um homem que de repente. rodea- 152 153 . Surpre compartilhar com os mais velhos. nas enfadonhas tertúlias que devíamos sua preferência. insignificante mente decorativos. mordente. E isto que assim expresso parece uma m etá alguma coisa estala neles enquanto os lemos. Que há ali que não seja tristemente cotidiano. a pequena. à técnica empregada para desenvol James ou um Franz Kafka. de Tchecov. que não tem o tempo por alia dramas locais. Os senhores já terão perce sados. Por isso teremos de nos primeiras palavras ou desde as primeiras cenas. porque o bom contista é um boxeador tema da maioria das admiráveis narrativas de Anton muito astuto. a há temas bons nem temas ruins. Tam bém não é ruim por cionarmos com as de intensidade e de tensão. da minha própria versão do as lema. o romance ganha sem placável de uma certa condição humana. Dizíamos que o contista trabalha com um material alimento para o esquecimento. e analisem a primeira página. e ver por se verá. a do conto. de angústias à medida de um a sala. mera avós ou nossas tias contar. submetidos a uma alta pressão espiritual e for bido que essa significação misteriosa não reside so mal para provocar essa “ abertura” a que me referia mente no tema do conto. bruscamente. neste que qualificamos de significativo. ou no símbolo pre por pontos. enquanto que o conto deve ganhar por candente de uma ordem social ou histórica. O contista sabe que não pode pro crônica familiar de ambições frustradas. O tem do-nos uma espécie de ruptura do cotidiano que vai po e o espaço do conto têm de estar como que conden muito além do argumento. como forma de vida que é um conto bem realizado. espécie de abertura. de fermento que projete a inteli fictício que possua essa misteriosa propriedade de irra gência e a sensibilidade em direção a algo que vai muito diar alguma coisa para além dele mesmo. belde? O que se conta nessas narrativas é quase o que. contudo. se converta no resumo im um texto apaixonante e o leitor. parecer pouco eficazes quando. na medida em que o romance é significativo quando quebra seus próprios limites com acumula progressivamente seus efeitos no leitor. que já que os personagens careçam de interesse. sim podemos adiantar já que as noções de significação. aparentemente. por exemplo. porque. Tomem os senhores qualquer grande conto que seja de quando crianças. estão mi medíocre. há somente um trata idéia de significação não pode ter sentido se não a rela mento bom ou ruim do tema. os contos ticalmente. se produz a distinção escrito sem essa tensão que se deve manifestar desde as entre o bom e o mau contista. Basta perguntar por que determinado conto é dos contos ruins. a maioria antes. de um chá com doces. Um escritor argentino. enquan essa explosão de energia espiritual que ilumina brusca to que um bom conto é incisivo. e muitos dos seus golpes iniciais podem Tchecov. exprime. Não é ruim pelo tema. o essencial do método. na verdade. na realidade. de do. ver um piano. como ocorre em tantas ou no conto. literário. de modestos ceder acumulativamente. sem trégua mente algo que vai muito além da pequena e às vezes desde as primeiras frases. obrigatoriamente. propon fora. N ão se entenda isto demasia miserável história que conta. escutávamos nossas ender-me-ia se encontrassem elementos gratuitos. contém epi ruim. não passam de tinta sobre o papel. para tratar de entender um pouco mais essa estranha de intensidade e de tensão hão de nos permitir. seu único recurso é trabalhar em profundidade. aproximarmo-nos melhor da própria estrutura que está vivo enquanto outros que. seja para cima ou para baixo do espaço de Katherine Mansfield. dizia-me que nesse combate que se trava entre de um Sherwood Anderson. de modo que além do argumento visual ou literário contido na foto um vulgar episódio doméstico. Um conto é ruim quando é vê-lo. são significativos. É verdade. contudo. Um conto knock-out.

“A M orte de Ivan pelo qual passava e se manifestava uma força alheia. que podemos dizer característica: são aglutinantes de uma realidade infini do tema em si? Por que este tema e não outro? Que tamente mais vasta que a do seu mero argumento. e esse tema vai se puderam esquecer e verão que todos eles têm a mesma tornar conto. astrônomo de palavras. imensa quantidade de noções. um bom tema é como um sol. uma me a árvore gigantesca. ao mesmo tempo um bom tema tem algo de que não há temas absolutamente significativos ou abso sistema atômico. e outras vezes sente como se o tema citar alguns nomes. palpi contém. para sermos mais modestos e mais e deixará indiferente a outro. como se eu não fosse mais que um meio Realizado” de Juan Carlos Onetti. e por razões levam. mas do pela imensa algaravia do mundo. abertura do pequeno para o grande. tenho “Bola de Sebo”. será que um tema deva ser extraordinário. mas não quero dizer com isto momento escolhe um tema e faz com ele um conto. Em suma. de Tolstói. já seja inventado ou escolhido voluntariamente. Essa árvore crescerá em nós. a grande maioria dos meus contos Os pequenos planetas giram e giram: aí está “Uma Lem foram escritos — como dizê-lo? — independentemente brança de N atal”. Poe. e assim poderia continuar um. repito. Às vezes própria coleção de contos? Eu tenho a minha e poderia o contista escolhe. entrevisões. H á tema. não é já como um a propo teriosa e complexas entre certo escritor e certo tema sição de vida. coagula no autor. No meu caso. escolhe um determinado tema e faz com ele um tando em nós. Por ou estranhamento imposto a partir de um plano onde que perduram na memória? Pensem nos contos que não nada é definível. de núcleo em torno do qual giram os lutam ente insignificantes. Os senhores já terão advertido que nem há tema. anos se passaram e vivemos e esquecemos tanto. Todo conto perdurável é como a semente onde dor conexas. Antes que isto ocorra. esses grãos de maior ou menor grau com a realidade histórica que o areia no imenso mar da literatura continuam aí. todos estes contos são obrigatoriamente antológicos. M uito pelo contrário. . como no tado qual será a virtude de certos contos inesquecíveis. um grande contista se sua escolha contiver — às vezes misterioso ou insólito. o impelisse a escre A. um a dinâmica que nos insta a sairmos de num momento dado. essa significação se vê de N a ocasião os lemos junto com muitos outros que in term inada em certa medida por algo que está fora do clusive podiam ser dos mesmos autores. não altera o fato essencial: num momento dado e continuar. E esse homem. Ou então. e tudo isso. e anódino para outro. Esta escolha do tema não é tão simples. de Guy de Maupassant. fora do comum. sentimentos inscreverá seu nome em nossa memória. vê-lo. e mais tarde no leitor. insignificantes contos. de Hemingway. comprometido em esses pequenos. consciente ou inconscientemente. que num determinado é sempre excepcional. um astro em torno do qual gira um sistema planetário de temas significativos. assim como a mesma aliança po nós mesmos e a entrarmos num sistema de relações mais derá logo entre certos contos e certos leitores. O que há é um a aliança mis elétrons. E eis que os 155 154 . caso dos contos de Tchecov. de Jorge Luís Borges. o con isso influíram em nós com um a força que nos faria sus tista a escolher um determ inado tema? peitar da modéstia do seu conteúdo aparente. um bom tema atrai todo um sistema de relações na. Um mesmo tem pa pode ser profundamente signifi que muitas vezes não se tinha consciência até que o cativo para um escritor. do individual e O excepcional reside num a qualidade parecida à do circunscrito para a essência mesma da condição huma ímã. de Trum an Capote. de minha vontade. “Tertius”. que pode depender do temperamento de cada Sonhadores” . um contista. pode tra sem que ele o saiba conscientemente — essa fabulosa tar-se de um a história perfeitamente trivial e cotidiana. é preciso aclarar melhor esta noção de ou n a sensibilidade. por cima ou por baixo de minha “Orbis”. “Um Sonho consciência. de Edgar se lhe impusesse irresistivelmente. Por isso. Tenho “William Wilson” . “Tlõn” . afinal. da brevi Parece-me que o tema do qual sairá um bom conto dade do seu texto. nos revela sua exis mesmo tema despertará enormes ressonâncias num leitor tência. Illich” . “Uqbar” . “Os Mas isto. “Fifty G rand”. pode-se dizer atuais. . complexo e mais belo? M uitas vezes tenho-me pergun quando dizemos que um tema é significativo. e até idéias que lhe flutuavam virtualmente na memória Entretanto. de Isak Dinesen. Não é verdade que cada um tem sua conto.

voltar a pô-lo em contacto com o am respondo que o escritor é o primeiro a sofrer esse efeito biente de uma m aneira nova. Eis aí o contista. de Chegamos assim ao fim desta primeira etapa do todos os recheios ou fases de transição que o romance nascimento de um conto e tocamos o umbral da sua permite e mesmo exige. o elo final do processo criador. tem Aqui me parece oportuno mencionar um fato que me de dar o salto que projete a significação inicial. o estrutura-o em forma de conto. muitas vezes. Já me turno os leitores. O lheu um tema. Todo conto é tornem único. Incorram na ingenuidade daquele presentearam assim com um a porção de temas e sempre que acha belíssimo o próprio filho e dá por certo que respondo amavelmente: “M uito obrigado” . para depois. Mas se obra que tenha um sentido. “Os Assassinos”. minado o conto. à índole do tema. Com o tempo. E o único modo de se poder conse cisamente por isso é um escritor. que esco quecido “O Tonel de Amontillado”. enriquecida. certa vez com os fracassos. se impregnavam de um sentido esse ofício consiste entre muitas outras coisas em con que ia muito além do seu simples e até vulgar conteúdo. ver o conto. o conto. mais tarde. conto tem de nascer ponte. sistível que o tema cria no seu criador. e que pre funda e mais bela. P ara ela no leitor essa comoção que levou a ele próprio a escre esses episódios não eram mais que histórias curiosas. fará reagir o leitor. para comover por seu midável para um conto. projetando-o em último cumprimento ou o fracasso do ciclo. seguir esse clima próprio de todo grande conto. o ataca e situa verbal e estilisticamente. lhe dou de presente”. lhe dêem a reage diante de certos temas. capaz de superar essa pri uma amiga me contou distraidamente as aventuras de meira etapa ingênua. com a sua vontade de fazer uma ele esse tema tem sentido. mais pro indefinível mas avassalador de certos temas. O contista está mos no coração do drama. E é então que o termo em direção a algo que excede o próprio conto. diante desse embrião que já é vida implacável de uma vingança. Assim como para M ar guir esse seqüestro momentâneo do leitor é mediante eei Proust o sabor de um a madeleine molhada no chá um estilo baseado na intensidade e na tensão. até indiferente. e que para mim. ter ou emocionante que possa ser — e outro significativo?. com a sua carga de valores mas que não adquiriu ainda sua forma definitiva. valendo-se dessas sutis antenas capazes extraordinário deste conto é a brusca renúncia a toda de lhe permitir reconhecer os elementos que logo have descrição de ambiente. a forma pela qual o contista. que Por isso. de Edgar Poe. no seu ambiente e no seu sentido primordial. que chamamos de uma conversa. Nenhum dos senhores terá es criação propriamente dita. Os contistas inexperientes costumam cair na ilu ou comovente ou estranho e que. des ocorre com freqüência e que outros contistas amigos coberta pelo autor. O que está antes é o escritor. por algo que está antes e depois do tema. assistindo ao cumprimento diante do seu tema. pela fascinação irre seu tempo. Contudo. dirigindo-se logo ao são de imaginar que lhes bastará escrever chã e fluen contista presente. o fixem para sempre no assim predeterminado pela aura. aprende que em literatura não va uma criada sua em Paris. rentem ente esquecidas. que prende a atenção. É comum que. de pouco serviria. o que está depois é o tra tudo se reduzisse a isso. tem de nascer passagem. lem as boas intenções. da mesma forma que seu forma visual a auditiva mais penetrante e original. a esse extremo mais passivo e menos conhecem tão bem quanto eu. alguém conte um episódio divertido leitor. é necessário um ofício de escritor. esperando o leitor. Descobre que para voltar a criar senti que isso podia chegar a ser um conto. toda vez que m e perguntam : “Como distin obriga a continuar lendo. tem significação. lhe diga: “Aí tem você um tem a for temente um tema que os comoveu. inesquecível. N a terceira ou quarta frase esta rão de se converter em obra de arte. tema em si. de He- 156 . como juiz implacável. Enquanto ouvia a narrativa. O que chamo intensidade num conto consiste na elimi nação de todas as idéias ou situações intermédias. agora. no curso vigilante e. bruscamente. crevi um conto com qualquer deles. o contista. e jamais es os outros o julguem igualmente belo. Para humanos e literários. que guir entre um tem a insignificante — por mais divertido isola o leitor de tudo o que o rodeia. como tamento literário do tema. último termo do processo. um estilo abria subitamente um imenso leque de recordações apa no qual os elementos formais e expressivos se ajustem. de modo análogo o escritor sem a menor concessão. está em face do tema.

que os pais continuam quicos como Ortega y Gasset chamava os mitos. por exemplo — sente-se porque em meu país não deu mais que indigestos volu de imediato que os fatos em si carecem de importância. por isso. oxalá não seja. num a narrativa demorada e caudalosa de Henry contos populares é cultivada em Cuba. entre um mate e outro. de Kafka. ouvidos da boca de velhos gaúchos dos à literatura por razões estéticas ou por imperativos como um Dom Segundo Sombra. alguns se elevam mesmo à os valores. as incorreções gramaticais. No caso de “O Tonel de Amon- vando na medida do possível o tom falado. que que conta. Mas Quiroga. e prefiro dar-lhe o nome de para quem os contistas que todos nós amamos são este tensão. Não sei se essa maneira de escrever troca. os torneios tillado” e de “Os Assassinos”. assim como Homero teve de pôr de lado uma porção de Um exemplo argentino esclarecerá melhor isto. na esmagadora maioria universal. e pensamos mente. isso que cha toda preparação. faça alvo no leitor e crave em sua memória. O que su pulistas. da cidade e do campo. É um a intensidade que se exerce na maneira tas que escreveram para o mero deleite de classes pela qual o autor nos vai aproximando lentamente do sociais liquidadas. Argentina como aqui os bons contos têm sido escritos isto é. Quando os ouvimos da boca de um velho gaúcho. os fatos. em troca. e. que os gaúchos se trans à ressonância de arquétipos mentais. que que tudo está nas forças que os desencadearam. de hormônios psí mitem de noite à roda do fogo. dedica tas vezes tradicionais. Em meu país. longa tradição de contos orais. submetiam-nos a uma for resumem a experiência. Mas tanto nem aos leitores da cidade. se convertem em péssimos contos. Escreviam tensa timos como que um a anulação do tempo. dade é de outra ordem. a intensi de tradições orais. James — “A Lição do M estre”. mingway. enriquecedores. Güi metidos. mas não deixaram de ler bem lidos os clássicos tiva são o produto do que antes chamei o ofício de do gênero. tenho podido ler contos dos mais variados auto um Benito Lynch que. na preferem continuar ouvindo os contos entre dois tragos. quando deveria surgir um Homero tos de Joseph Conrad. Mas pensemos agora nos con M as nesse momento. e é aqui que nos vamos aproximando do final Argentina — tivemos escritores como um Roberto J. um Horacio Quiroga e Cuba. Não há outro modo que também os aedos gregos contavam assim as faça para que um conto seja eficaz. Pois bem. com modalidades típicas de cada um. é outro exemplo de intensidade obtida me diante a eliminação de tudo o que não convirja essen nhas de Aquiles para maravilha de pastores e viajantes. sen fundidade e em altura desses temas. e agora em Payró. além de escolherem cuidadosamente cedeu? As narrativas em si são saborosas. sem preconceitos localistas ou étnicos ou po dos casos. H. e que de repente passam pela pena ga. Em episódios bélicos e mágicos para não deixar senão aque nossas províncias centrais e do Norte existe uma les que chegaram até nós graças à enorme força mítica. o sentido do humor e o fata ma literária. de D. pelos que dominam o ofício no sentido já indicado. conser trair à sua atmosfera. traduzem e os temas de suas narrativas. que fizesse uma Ilíada ou uma Odisséia dessa soma Neles. mostravam intensamente. toda a projeção em pro dimensão trágica ou poética. m alha sutil que os precedeu e os acompanha. despojados de do falar rural. comprometidos ou não compro esse material e torná-lo obra de arte. 158 159 . embora soe a truísmo. em meu país surge um senhor para quem a cultura das cidades é um signo de decadência. partindo também se temas mui res: maduros ou jovens. um Ricardo Güiraldes. saltam sobre nós e nos agarram. Güiraldes e Lynch eram escritores de dimensão de um escritor regionalista e. tanto na raldes e Lynch conheciam a fundo o ofício de escritor. Em compensação — e refiro-me também à escritor. que estarão em franca deca a intensidade da ação como a tensão interna da narra dência. souberam potenciar sociais do momento. mes que não interessam nem aos homens do campo. Lawrence. em mam a cor local. entretanto. Quiro contando aos filhos. todo o fermento. não nos podemos sub registrar por escrito um a narrativa tradicional. deste passeio pelo conto. só aceitavam temas significativos. e esse senhor entende. Ainda estamos muito longe de saber o que vai para escrever um conto a única coisa que faz falta é ocorrer no conto. a única capaz de transmitir ao leitor todos lismo do homem do campo. cialmente para o drama.

O entusiasmo e a boa vontade não bastam por si circunstâncias e convencidos de que seu mundo pessoal só. A sado. Cuidado com a fácil demagogia de exigir as palavras. ” total dessas duas forças. embora psicológicos. ou psicológica. por isso. Jogando um pouco com pertencem. Muitos dos dias que em Cuba seria mais revolucionário escrever que a apóiam não têm outra razão para fazê-lo senão a contos fantásticos do que contos sobre temas revolucio da sua evidente incapacidade para compreender uma li nários. . literatura com isso como há de ser traduzido em grandes contos. a vontade de comunicar a men trário. Contrariamente ao es nos senhores de atuarem. literatura com ensinamento. Repita é. os conflitos de ideologia. porque de volução por não ser acessível a todo o mundo. Essa obra não é alheia à re estético. o escritor revolucionário é aquele em que se fundem por mais simples que seja. a do homem plenamente com E pensemos que não se julga um escritor somente pelo prometido com sua realidade nacional e mundial. não sig Quanto mais alto apontarem os escritores que nasceram nifica. revolução. creio que mas populares. se requer hoje uma fusão sas no céu e na terra do que supõe tua filosofia. É evidente que as possibilidades que a Re ratura fantástica. pelo fato de tido não há engano possível. como também não basta o ofício de escritor por si é o único mundo existente. de caráter. se os seus contos não nasceram de uma pro por mais alheia que esta possa parecer à vista das cir funda vivência. escrever obrigatoriamente para isso. por do escritor lucidamente seguro do seu ofício. na memória de um povo) a mos. mais altas serão as metas finais do povo a que acerca da própria revolução. os diferentes tipos e. e digo-o após ter pesado longamente todos os condição humana que os cubanos se fixaram para admi elementos que entram em jogo. muito mais exigente em matéria espiritual do que tamente o que venho dizendo num terreno mais abs imaginam os escritores e os críticos improvisados pelas trato. num certo sentido. Quanto a mim. Se do circundante e lhe m ostrará outra coisa. de liberdade. em doutrinação ideológica. Pedem clamorosamente te impaciência muito reveladora. distinguirá instintivamente indissoluvelmente a consciência do seu livre compro entre um conto mais difícil e complexo. Aqui. mas produz uma teratura de maior alcance. se se carecer dos instrumentos expressivos. que escrever revolucionariamente. Nesse sen sua presença viva no seio da coletividade. e essa outra soberana liber obrigará a sair por um momento do seu pequeno mun dade cultural que confere o pleno domínio do ofício. Ao con nada valem o fervor. ou voltada para o pas volução oferece a um contista são quase infinitas. aplicando-a ao que nos rodeia em Cuba. Por mais veterano. a luta. Emmanuel Carballo dizia aqui há alguns um a literatura acessível a todo o mundo. dessas metas de cultura. o trabalho. O exemplo que acabo de dar pode ser de interesse esse escritor. seja o que 160 161 . Neste separados que o escritor das metas finais da revolução. entranhável. prova que existe um vasto setor de leitores em sagem. . Mas tudo pedagogia. sua obra não irá além do mero exercício cunstâncias do momento. é também um ato revolucionário. Por certo a frase é exagerada. plexo. que escrever para uma ração de todos os que os amam e os compreendem. responsável e lúcido. estão muito mais lísticos. de pleno gozo da Creio. mais que rável frase de Hamlet a H orário: “H á muito mais coi em nenhuma outra parte. mas que o misso individual e coletivo. se lhe faltar uma motivação insofismável da verdade e da necessidade de sua obra. e seus contos não se ocupem das formas individuais ou tudo isso como que exacerbado pelo desejo que se vê coletivas que adota a revolução. Mas o contrário será ainda pior. o campo. momento estamos tocando o ponto crucial da questão. mas. sim. como crêem muitos. sem suspeitar que muitas vezes o leitor. e a tema de seus contos ou de seus romances. por mais que o compromisso total da sua pessoa é uma garantia hábil que seja um contista. decide escrever lite para Cuba. esti potencial que. a admi grandeza desta Revolução em marcha. de se expressarem. de que as preocupações do só para escrever contos que fixem literariamente (isto momento são as únicas preocupações válidas. um escritor revolucionário tem contos que cheguem ao leitor com a força e a eficácia todo o direito de se dirigir a um leitor muito mais com necessária? É aqui que eu gostaria de aplicar concre. que tornam possível essa comunicação. de se co treito critério de muitos que confundem literatura com municarem como nunca puderam fazer antes. na admiração coletiva. seu ato é um ato de liberdade dentro da revolução cidade.

sim. Mas a admiração que provocam as tragédias gregas ou as de Shakespeare. arroubo diante da tragédia do jovem príncipe dinam ar quês. de homem a homem. como qualquer partidários da mal chamada “ arte popular” suspeita outro conto. por um a irresistível força que existem tais obras. não havia tocado fundo. a emoção. sem sacrificar essa gente não pode compreender muitas coisas que nada a ninguém. o espanto e. literária. algo diferente. em que procuramos mostrar na prim eira parte desta pa último termo. A narra ver como em Cuba os escritores que mais admiro par tiva foi ouvida cortesmente. Os contos sobre temas romances nada simples nem acessíveis. injusta e. importa? Só sua emoção importa. Faz anos tive a prova desta afirmação na A r se se lhe propõe uma literatura que ele possa assimilar gentina. dando o melhor de si mesmos. É certo que recursos de sua arte e de sua técnica. Para mim foi uma experiência reconfortante como dizia o autor. O que é preciso fazer é educá-lo. porque não terão cou.for. seria ingênuo crer que toda grande obra possa ser compreendida e admirada pela gente simples. como quem vai ao cinema tíamos uns quantos escritores. as aparentes tor sentir que deve plasmá-los em contos ou romances possibilidades intelectuais e os interesses patrióticos de ou peças de teatro ou poemas. sua maravilha e seu de mão a mão. O que prova que Shakespeare escrevia verdadei ramente para o povo. mas atingindo um pouco de cada um — e que o tratam ento teatral desse tema tinha a intensidade própria dos grandes escritores. haverá de transmitir ao leitor como se apaixonam os especialistas em teatro isabelino. Seus temas conterão les. ninguém. a essa exigente e difícil mecânica interna rem de que sua noção de povo é parcial. E estou seguro de que o conto gesta revolucionária de hoje. com o vocabulário. apelando para todos os tudos eruditos e de infinitas controvérsias. passivamente. perigosa. mas outra coisa. sua de vinganças diabólicas. o conto justamente famoso de W. Recordo que pas contos e romances que conterá. 162 . baseado num episódio de nossa guerra de independên e isso é numa primeira etapa tarefa pedagógica e não cia. temas nascerão quando for o momento. Mas que transmitem as coisas fundamentais: de sangue a sangue. graças à qual se quebram as barreiras intelectuais aparentemente mais rígidas. e que este. “no nível do camponês”. O interesse. se ou proselitista. sim. Não se faz favor algum ao povo lestra. deve estar tão esquecido como o escritor que o fabri uma mensagem autêntica e profunda. quando o escri fabricado para eles. e os homens se reconhecem e confraternizam num plano que está mais além ou mais aquém da cul tura. numa roda de homens do campo a que assis sem esforço. Seus analfabetos. aras de uma pretensa arte popular que não será útil a Jacobs. na medida em que seu tema era profundamente significativo para qualquer um — em diferentes planos. e que continua sendo tem a de es se imporá ao autor. Alguém leu um conto ver fitas de cowboys. Não tem sentido o interesse apaixonado que despertam muitos contos e falar de temas populares a seco. mas. estético. transmudada ao plano samos o resto da noite falando de feitiçaria. enquanto o conto pretensamente popular. Mas essas obras não terão de Jacobs continua vivo na lembrança desses gaúchos sido escritas por obrigação. deveria fazer os populares só serão bons se se ajustarem. obra difícil e sutil. Eu vi a emoção que entre gente simples provoca sido escolhidos por um imperativo de caráter didático uma representação de Hamlet. W. Por certo. eternizada na dimensão intemporal da arte. finalmente. Um dia Cuba contará com um acervo de o entusiasmo foram extraordinários. por mandado da hora. escrito com uma deliberada simplicidade para pô-lo. não é assim e não pode sê-lo. Em seguida um de nós leu A sem sacrificarem um a parte das suas possibilidades em pata do macaco. de bruxas. mas era fácil perceber que ticipam da revolução.