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org
ISSN 2177-3548

Procedimento de Resposta de Observação e Comportamento
de Observação
Observing Respose Design and Observing Behavior
Delineamiento de Respuesta de Observación y Comportamiento de
Observación
Candido V. B. B. Pessôa1, Gerson Y. Tomanari2

[1] Paradigma - Centro de Ciências do Comportamento [2] Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo | Título abreviado: Comportamento e
Procedimento de Observação | Endereço para correspondência: Associação Paradigma - Centro de Ciências e Tecnologia do Comportamento, Rua Vanderley,
611, Perdizes, São Paulo/SP | Email: candidopessoa@uol.com.br | DOI: 10.18761/pac.0214

Resumo: A expressão resposta de observação foi criada por Wyckoff (1952) para indicar
respostas que produzem estímulos discriminativos para outras respostas. A análise dessas
respostas esclarece como se dá a discriminação em situações nas quais a exposição aos even-
tos do ambiente que eventualmente se tornarão estímulos discriminativos não é garantida a
priori. Os Estudos de Wyckoff possibilitaram a ampliação das teorias de discriminação ba-
seadas na ação do ambiente sobre os indivíduos. Posteriormente, o procedimento utilizado
pelo autor, conhecido por procedimento de resposta de observação, foi grandemente utilizado
em pesquisas sobre a origem da função de reforçador condicionado. Os requisitos desse pro-
cedimento não podem ser confundidos com o comportamento de observação, sob pena de
dificultar o estudo sobre a instalação do comportamento de observação em situações práticas.
Palavras-chave: resposta de observação; procedimento de resposta de observação; compor-
tamento de observação; atenção
Abstract: The expression observing responses was created by Wyckoff (1952) to indicate re-
sponses that produce discriminative stimuli for other responses. The analysis of these respons-
es clarifies how discrimination occurs in situations that the exposure to environmental events
that may become discriminative stimuli is not assured a priori. Wyckoff ’s studies enabled the
extension of theories of discrimination based on the action of the environment on individuals
to such cases. Subsequently, the design used by the author, known as observing response design,
was largely used in research on the origin of the conditioned reinforcer stimulus function. The
design requirements cannot be confused with the observing behavior itself, otherwise preclud-
ing studies on the installation of behavior observation in practical situations.
Keywords: observing response; observing response design; observing behavior; attention.

Revista Perspectivas 2015 vol. 06 n ° 02 pp. 089-098 89 www.revistaperspectivas.org

com- portamiento de observación. conocido como delineamiento de respuesta de observaci- ón. con el riesgo de dificultar el estudio sobre la instalación del compor- tamiento de observación en situaciones prácticas. fue ampliamente utilizado en investigaciones sobre el origen de la función de reforzador condicionado. 089-098 90 www. Los requisitos de este delineamiento no se pueden confundir con el comporta- miento de observación. Resumen: La expresión respuesta de observación fue creada por Wyckoff (1952) para indi- car respuestas que producen estímulos discriminadores para otras respuestas. atención.revistaperspectivas. Los estudios de Wyckoff permitieron la ampliación de las teorías de discriminación basadas en la acción del ambiente sobre los individuos. El análisis de esas respuestas aclara cómo se da la discriminación en situaciones en las que la exposición a los eventos del ambiente que eventualmente se tornarán estímulos discriminadores no está garantizada a priori. delineamiento de respuesta de observación. el delineamiento utilizado por el autor. Posteriormente. Revista Perspectivas 2015 vol. 06 n ° 02 pp.org . Palabras-clave: respuesta de observación.

 06 n ° 02 pp.. Pessôa. para o controle discriminativo. Revista Perspectivas 2015 vol. Skinner. The role of observing nunca ou raramente é possível afirmar-se que o su. tal contendo um disco que podia ser iluminado de tímulos relevantes à discriminação. indicando a que se re. dados experimentais surgiram par – for baixo porém maior que zero. 089-098 91 www. O Experimento de Wyckoff de: as teorias que formavam a visão da continuidade Para testar as hipóteses propostas. apresentada em jeito foi inquestionavelmente exposto aos estímulos 1951 na Indiana University. a dis. discriminação: as respostas que produzem os estímu- los discriminativos para outras respostas. (b) a probabilidade nação até que alguns desses estímulos adquirissem diminui ou permanece baixa em situações de reforço funções discriminativas e outros se tornasses irre.revistaperspectivas. realizou um experimento em que foram utilizados 20 Spence. Wyckoff no- meia essas respostas de respostas de observação (ROs). Wyckoff (1969)1 (e. espera-se que de forma a fortalecer e enfraquecer ambos os lados a formação da discriminação seja retardada por um da controvérsia (para revisão dos dados existentes tempo e depois aconteça rapidamente. condições de reforço diferencial. Como hipóteses es- e respostas. 1937) apresentavam a discriminação pombos em privação de alimento. veja Bitterman & Coate. à melhoria de técnicas de instalação de compor. 1935/1999c. Contexto Histórico A expressão resposta de observação surge no contex- to de investigação da aprendizagem da discrimina. por Wyckoff em sua tese de doutorado. Wyckoff (1952) que ficou conhecida pelo nome de “continuidade estabelece como hipótese geral de sua pesquisa que ou descontinuidade” instalou-se nessa área. Wyckoff propõe que: (a) a probabilidade contínuo de acúmulo de pequenas diferenças no de emissão das ROs aumenta ou permanece alta sob valor dos estímulos envolvidos em uma discrimi. Essa falta de controle experimental expli- de resposta de observação”. vermelho ou verde.Candido V. pela hipótese da descontinuidade. decide estudar a relevância de uma classe de respostas senvolvimento de um maior número de pesquisas externa à tríplice contingência na aprendizagem da translacionais sobre o assunto. e (d) se em algum até descobrir-se o aspecto relevante do ambiente ponto do experimento o grau de discriminação – i. em situações nas quais procurava-se garantir o con. à época. 1950).g. explicaria a discriminação como um pecíficas. teria efeito reforçador sobre as ROs na extensão em ra: a hipótese da continuidade. testadas depois retornar a um valor alto. baseada das ROs medidas vai decrescer temporariamente e em um repertório de hipóteses do sujeito. desempenho diferencial diante de cada estímulo do das de 1930 e 1950. assim como ao de. Wyckoff (1952) apontou um dos possíveis fatos a gerar dados contrários à hipótese da continuida. 1937/1999c. estabelecida é revertida. A partir da década de 1930. Gerson Y.. Os Objetivos de Wyckoff ção. um comedouro retrátil e satisfaz a ideia da tríplice contingência como uma unidade de seleção. cada pombo foi colocado em uma caixa experimen- tato dos órgãos sensoriais do organismo com os es. como afirma Wyckoff. parte da variabilidade nos fere cada uma dessas expressões na análise do com. 1938/1991. 1936. Tomanari 089-098 O objetivo deste artigo é diferenciar as expressões relevantes antes da resposta que produz o reforço “comportamento de observação” e “procedimento ocorrer. não diferencial. (Essa situação branco. B. caria. baseada em concei. Ao longo das déca. que o sujeito tenha aprendido a responder diferen- tos de associação e de interações entre estímulos cialmente ao par de estímulos.e. Spence a exposição a um par de estímulos discriminativos (1940) sintetiza a controvérsia da seguinte manei. B. Wyckoff (1952) tamento de observação eficaz. (c) quando uma discriminação bem levantes. Intui-se que essa diferenciação possa bém constituiria um limite às teorias de discrimi- facilitar o desenvolvimento de pesquisas que visem nação condizentes com a hipótese da continuidade. uma controvérsia Referindo-se a Skinner (1938/1991).org . primeiramente. 1  A data de 1969 se refere à publicação dos dados obtidos mesmo em situações controladas de laboratório. Durante as sessões. dados obtidos nos experimentos até então e tam- portamento.) Porém. responses in discrimination learning: Part II. Diante das considerações feitas. a probabilidade de emissão criminação ocorreria de maneira discreta.

Após os quatro segundos de acesso cada sessão de cada pombo. 6* denota o fim dos primeiros quinze minutos da sessão 6 com 16 pombos. 06 n ° 02 pp. as cores produzidas pelas pressões nos II–c pedais.revistaperspectivas. então. radamente. os pombos foram divididos em discriminação) diferencial reversão da dois grupos.org . Os pombos do Grupo II-c (n = 5) foram de 15 minutos. vermelho e verde. o seguinte. Comportamento e Procedimento de Observação 089-098 um pedal. O procedimento de Wyckoff consistiu-se foi consistentemente relacionado aos componentes de dois grupos de sujeitos e duas fases experimentais. o disco foi iluminado de verde ou de vermelho rimental) foram divididos em três subgrupos. Os em componentes de 30 segundos. A Tabela 1 sintetiza as condições experimen- (em FI 30. o disco iluminado de vermelho Revista Perspectivas 2015 vol. Foram registradas as frequências das bicadas ao comedouro por quatro segundos e o apagamento diante de cada estímulo (verde e vermelho). e as durações das pressões no pedal de gundos – FI 30). Os e em metade dos componentes em que o disco foi pombos do Grupo II-b (n = 5) foram submetidos a iluminado de vermelho. de verde foi relacionado aos componentes de EXT. sepa- da luz branca (esquema de intervalo fixo de 30 se. a situação mudou após os 15 minutos Na segunda fase (Fase Experimental). As respostas a mais sete sessões de reforço diferencial tal como de bicar o disco foram reforçadas com quatro segun. 089-098 92 www. nutos. apresentados su. com qua. Durante essa fase não hou. assim como para porém. discriminação) não diferencial diferencial a não ser que o pombo emitisse a resposta de pisar n=4 no pedal. Durante essas sessões. É importante salientar Sessões que nada que o pombo fizesse podia alterar a or- Grupo 1–6* 6*–12 dem ou a duração dos componentes ou o número de acessos programados ao comedouro. II–b reforçamento Para testar as hipóteses (a) e (b). Para o Grupo I (controle). componentes submetidos a sete sessões de reforço não diferen- de 30 segundos que poderiam acabar em reforço cial. a depender da emissão de bicadas no tais de cada grupo na Fase Experimental. A primeira bicada no disco equivaler às ROs. pois permitiam o contato com os após decorridos 30 s da apresentação da iluminação estímulos discriminativos para a tarefa (Wyckoff. Para o Grupo II (experimental). da última sessão da fase anterior sem interrupção ramente houve cinco sessões de 75 minutos e uma da sessão. não tinham relação con. Condições experimentais de cada grupo de quais não havia reforço programado para bicadas participantes na Fase Experimental do experimento de Wyckoff (adaptado de Wyckoff. n=6 discriminação tro pombos. (abolição da reforçamento reforçamento não discriminação) diferencial diferencial sistente com a presença ou não de reforço no fim n=6 do componente. no início da (reversão da reforçamento diferencial com Fase Experimental. pombos do Grupo II-a (n = 6) foram submetidos cessivamente em ordem semi-aleatória. essas respostas foram registradas. sete sessões de reforço diferencial com a discrimi- ve contingência programada para pressões no pedal. Durante os primeiros 15 minutos o disco foi Para esse grupo. Durante o tempo em que o pedal estives. ao comedouro. pressões no pedal podiam iluminado de branco. primei. ou do último recebimento de comida produzia acesso 1969). nação revertida. Durante as I (sem reforçamento reforçamento não sessões dessa fase o disco foi iluminado de branco. já vinha ocorrendo na Fase Experimental (comple- dos de acesso ao comedouro em FI 30 em metade dos taram mais 60 minutos restantes da sexta sessão e componentes em que o disco foi iluminado de verde cumpriram mais seis sessões de 75 minutos). 1969) no disco (extinção – EXT). Para esse grupo. em que podia haver reforço e o disco iluminado A primeira fase (Fase Preliminar) durou 45 mi. disco) se alternaram de forma semi-aleatória e sem intervalo com componentes de 30 segundos nos Tabela 1. II–a reforçamento se pressionado o disco era iluminado de vermelho (discriminação) reforçamento diferencial diferencial ou verde pelo tempo que durasse a resposta ou até n=6 continuado o fim do componente em vigor. o disco voltava a ser iluminado com Após os 15 minutos da sexta sessão da Fase a luz branca. os 16 pombos do Grupo II (expe- fase. Durante os 30 minutos restantes dessa Experimental.

Tendo os resultados de Wyckoff como 2008). que a ocorrência de para especificar este segundo comportamento poderiam es- pecificar o comportamento de observação. 2008). também. resposta de produção – é. No presente trabalho. arbitrariamente dos estímulos discriminativos. a proporção de tempo pres. Wyckoff emulou topografias de respos- em algum ponto das sessões a discriminação esti. Esse foi uma resposta que fora do laboratório é muito difícil o desempenho verificado. utilizado foi muito apreciada na pesquisa básica da se (d). 1969) atingisse seu objetivo de am. o tempo de emissão das ROs são de uma resposta de observação que transfor- diminuiu em relação ao tempo de emissão antes da abolição da discriminação. 06 n ° 02 pp. 1969) é reconhecido pela engenho- rariamente quando houvesse a reversão e que depois sidade com que conseguiu facilitar o registro de esse comportamento recuperasse seu valor. para situações em que repostas de observação são 1983. gerado e mantido) pela produção portamento. a expressão “processo comporta- mental” é usada significando mudanças no comportamento (Skinner. A emis- ocorrida no Grupo II-c. após a abolição da discriminação análise experimental do comportamento. aqui. Smith e Viemeister (1969). Ao usar o pedal como resposta de (c). como o caso segundo Wyckoff (1969). confirmando a hipóte. verificou-se que os pombos do 2006). todos os adjetivos usados base. Gerson Y. Já para os pombos do (da resposta de observação) e estabelecimento do Grupo I (controle). 1936. p. Utilizações do Procedimento Esses resultados confirmaram as hipóteses (a) e (b) Experimental de Resposta de feitas por Wyckoff (1952). então. Flint. comportamento – ou suas respostas – controlado pelos es- pliar a generalidade das teorias de discriminação tímulos produzidos pelo comportamento de observação es- tão: respostas alvo (Spence. Tomanari 089-098 Como resultado.e. pois no comportamento de observação os estímulos controles. Essas mudanças são devidas a 2  O nome comportamento de produção é dado apenas como operações tais como reforço (apresentação de um reforçador forma de distinguir os dois comportamentos envolvidos nessa contingente a uma resposta) e extinção (suspensão do reforço). ções. confirmando a hipótese de ser registrada. é importante notar. Comportamento de produção – e instâncias da classe de respostas deste com- selecionado (i. tendo os sujeitos como seus próprios situação. De acordo com a hipótese Observação de Wyckoff na (c).org . 1985). Finalmente. Esses resultados permi- tem afirmar. 2007. discriminações envolve a análise de dois com- portamentos.revistaperspectivas. respostas principais (Pergher. respostas discriminadas (Dinsmoor. com alguns pombos do de controles auditivos em que um indivíduo obser- Grupo II durante as primeiras seis sessões e também va o som do violino em um quarteto de cordas. e comportamento corrente (Strapasson & Dittrich. que ainda não se tem como registrar. ta que são muito sutis para serem registradas. 1937). com a maioria dos pombos do Grupo II-b logo após Uma segunda engenhosidade do procedimento a reversão da discriminação. Revista Perspectivas 2015 vol. criminativos. Como pode ser discutido. requeridas para haver exposição aos estímulos dis. que o comportamento de observação foi discriminativos são. cessos comportamentais3: reforçamento condiciona- -lo quando verde era produzido. 1968/2003b. que os de tempo pressionando o pedal na Fase Experimental estímulos discriminativos produzidos pelas ROs no em relação à Fase Preliminar e passaram a bicar o experimento de Wyckoff fazem parte de dois pro- disco quando vermelho era produzido e a não bicá. 120). 089-098 93 www.Candido V. o comportamento de observação e 3  Processo é uma palavra que comporta diversas interpreta- o comportamento de produção2 (Pessôa & Sério. respostas efetivas baseadas na ação do ambiente sobre as respostas (Wyckoff.. 1969). do controle por estímulos discriminativos ou discri- sionando-se o pedal na Fase Experimental diminuiu minação (no comportamento de produção). A hipótese (d) apenas poderia ser verificada se observação. em relação à primeira fase e não houve responder discriminado das respostas de bicar o disco em rela- ção às cores vermelho e verde na Fase Experimental. pode-se afirmar. Tomanari. utilizado por razões apresentadas em Pessôa e Sério (2006). B. Pessôa. Ainda. como destacam Grupo II (experimental) aumentaram a proporção Dinsmoor. B. Isso ocorreu. produzidos. tais vesse fracamente estabelecida e a probabilidade de como o movimento dos olhos ou mesmo respostas emissão das ROs também fosse baixa. 1952. Wyckoff (1952. era esperado que para os pombos do Grupo II-b Pesquisa Básica o comportamento de observação diminuísse tempo. Os resultados apresentados permitiram que Dentre outros nomes que são utilizados para se referir a este Wyckoff (1952.

portamento de produção. Por que o pombo emitiria esquema múltiplo5 constituiu-se como uma ótima o comportamento de observação? A relativa in- opção ao uso de esquemas encadeados no estudo dependência entre o valor reforçador dos estímu- da aquisição da função reforçadora condicionada. Nesses casos. a relação entre 2008. Comportamento e Procedimento de Observação 089-098 ma momentaneamente um esquema misto4 em um se do comportamento. outro autor que ressalta a im- & Skinner. (Para se entender a diferença entre o procedimen- to de resposta de observação aqui discutido e o A Importância do Comportamento procedimento usado em experimentos envolvento de Observação matching to sample sugerimos a leitura de Pessôa e A importância do comportamento de observação Sério. ção reforçadora condicionada. mais estará assegurado rante sem alterar a programação de reforço desse que o fortalecimento do comportamento de obser- operante. Note-se que no experimento relata. cedimento proposto por Wyckoff. 2010.org . 1968/2003b).432) realça a importância das situações em que ação adiciona. 1994 ). ção de estímulos discriminativos na contingência ca).) não se exaure na utilização do proce- mente a mesma quantidade de alimento emitindo dimento de resposta de observação. 1974). uma resposta de observação é requerida para o estabelecimento de discriminações em situações cotidianas como o primeiro motivo de estudá-las. dois ou mais esquemas simples intercalados em compo- observação é B. 1957/1992. passou a ser conhecido como procedi. 4  i. Tomanari.. 1970. g. discriminativos. Já no pro. em que a de produção for independente do reforço do com- RO produz estímulos discriminativos para um ope. 1961/1999d.) (para a diferença entre resposta de observação e No exemplo fornecido pelo experimento de comportamento de observação consulte Pessôa e Wyckoff (1969). 1957). Skinner.. Por exemplo. Os achados dessas duz uma gota de água no bebedouro. Shahan. sem dúvida. o estímulo produzido pela RO e o reforçador do Nos estudos sobre a origem da função reforça- comportamento de produção não é de contingên. principalmente no con- nentes sucessivos com estímulos que os discriminem (Ferster texto da educação (Skinner 1954/2003a. 1957). 2010.e.e.revistaperspectivas. Silberberg.. Hirota. 2000. antes do os pombos poderiam produzir alimento tanto e depois do estabelecimento da discriminação). pesquisas não são objeto deste texto. F. [2006]. Fantino. Mas. O procedimento de Wyckoff (1969). & Skinner. do estímulo no último elo da cadeia (água) sobre Dinsmoor. resposta de observação favoreceu a utilização desse 1957). mas as prin- o efeito reforçador do estímulo discriminativo (luz cipais contribuições no refinamento do conceito azul) sobre a resposta que o produz (passar pela de reforçamento condicionado que empregam este argola) pode se confundir com o efeito reforçador procedimento são constantemente revisadas (e. Sério [2006]. 1983. Fantino & essa mesma resposta (passar pela argola). 089-098 94 www. 2001. portância de pesquisas sobre o comportamento de 5  i. o pombo poderia receber exata. Essa dupla possibilidade de curso de p. e o valor reforçador dos estímulos que mantêm o dor no último elo da cadeia depende da produção comportamento de produção no procedimento de de cada estímulo intermediário (Ferster & Skinner. ou não a RO. a produção do reforça. Dinsmoor. Gollub. A produção do reforçador no comportamen. resposta de observação a variável dependente me- to de produção não depende da emissão das ROs dida é alguma dimensão da resposta de observação especificadas. antes Revista Perspectivas 2015 vol. diante do estímulo distintivo dos componentes de Quanto mais o fortalecimento das ROs pela produ- FI (luz vermelha) como em sua ausência (luz bran. 1995. em dois momentos diferentes (geralmente. 1985. 1983.g. Williams. 1972. dois ou mais esquemas simples intercalados em compo- nentes sucessivos sem estímulos que os discriminem (Ferster Além de Wyckoff. dora condicionada que utilizam procedimentos de cia. 06 n ° 02 pp. complexidade à análi. los que mantêm o comportamento de observação Em esquemas encadeados. 1977. vação se deu somente pela produção dos estímulos mento de resposta de observação (e. Wyckoff (1952. a resposta de um rato passar procedimento em grande quantidade de pesquisas por dentro de uma argola produz luz azul e apenas que investigaram a origem e a manutenção da fun- diante dessa luz a resposta de pressão à barra pro. 1958/1999a.

O que torna o simplesmente a produção do estímulo caracte. grifos no original). (b) colocando a clarificação do estímulo mesma quantidade de alimento emitindo apro- controlador do comportamento de produção como ximadamente metade das respostas de produção. no caso estímulo. ção do estímulo controlando outra resposta. primeiro investigado por tivos. Assim. o pombo gera um desempenho passando por todos os esquemas e produzindo apropriado ao Esquema A. Sob um terceiro estímulo. construir sequências bem reforçador incondicionado e não de reforçadores complexas de esquemas. 06 n ° 02 pp. Em um a única forma de o pombo receber o alimento é experimento. como dito anteriormente. À primeira vista. Mas. B. Gerson Y.. talvez valha entender os termos da tríplice contingência. o fato de a RO não precisar necessariamente ser de apropriadamente. o desempenho em meia lua (em in- Retorne-se à definição de RO apresentada no glês referido como scallop) característico de esque- início do texto: respostas de observação são aque. do comportamento de observação. condicionados intermediários criados exatamente -las em poucas palavras. “Sequências com- sem o requisito imposto por Wyckoff em seu pro. também. um observando e outro A citação de Skinner (1954/2003a) a Wyckoff sem observar. Tomanari 089-098 de aprofundar esse assunto. Nela podemos perceber que Skinner (a) diferencia a no caso do experimento de Wyckoff. “Clarificar o a ave realiza um desempenho apropriado ao estímulo controlador” é diferente de “produzir o Esquema C no qual o reforço é simplesmente estimulo controlador”. ao ler-se a produção dos estímulos característicos do a definição de Wyckoff (1952) pode-se ter a im- Esquema D. tornando-se assim extremamente nado como esquema encadeado (Ferster & Skinner. plexas” indica que mais de uma tríplice contingên- cedimento. Talvez por isso o 1957). caso do comportamento de observação especial é rístico do Esquema B. Em esquemas encadeados mais de uma con- cuidado de Skinner (1954/2003a) ao apresentar o dição tem que ser satisfeita para se obter o reforço conceito: (o raciocínio lógico aqui é simplificado. Fantino (1977) desta- No caso de (a). estaria se comportando sem estímulos discrimina- Em um caso especial.” (p. 13. Skinner usa a expressão “se. mas dois ou três por conta deste último). uma para a emissão da resposta de produção seria a luz forma objetiva de ‘prestar atenção’ no segundo branca. Na sequência da citação há um ma encadeado se constituiria como uma resposta exemplo do esquema que logo depois será denomi- de observação. por assim dizer. ao qual o pombo respon. B.revistaperspectivas. O termo pombos acesso a um ambiente com densidade “esquemas” se refere a arranjos de relações entre de reforço – ou seja. (1952) foi feita em um contexto de explanação so. mento de observação. o organismo responde a um indivíduo se comporta sem a presença de um SD estímulo no qual o reforço consiste na clarifica. Não é fácil descrevê. ca que o comportamento de observação deu aos quências bem complexas de esquemas”. quantidade de reforços por Revista Perspectivas 2015 vol. pressão de que sem a emissão da RO o indivíduo priadamente [produzindo acesso a comida]. ao qual a ave então responde apro. ou o desempenho bi-tônico las que produzem estímulos discriminativos para (em inglês referido como stop-and-run) caracterís- outras respostas. falando- -se de reforço apenas o caso de produção de um É possível. dizer que ela não altere o ambiente. Jr. Wyckoff. causam desempenhos típicos e diferentes entre si. B. Se olhada apenas nestes termos. 089-098 95 www. cia está em questão. 1938/1991). qualquer resposta em elo de um esque. Pessôa. (Skinner. a emissão resposta de observação de um elo em um esquema das ROs fez com que os pombos obtivessem a encadeado. tico de esquemas em razão fixa. Por exemplo. emitida para a obtenção do reforço. No exemplo de Skinner.Candido V. ampla a definição da resposta.org . No caso de Wyckoff (1969). o indivíduo tem dois cursos de ação. Falando de outra forma. Esses arranjos como Skinner recoloca a definição de comporta. deve-se lembrar que dificilmente um L. o reforçador do comportamento de observação. Novamente. A sem a emissão da RO o estímulo discriminativo primeira resposta se torna. exemplos podem ser mencionados. no qual o reforço é todos os estímulos intermediários. mas em intervalo fixo. A observação não ser imprescindível não quer bre “a ciência da aprendizagem e a arte do ensino”.

A. Fantino. E. 1968/2003b. Se a criança nunca passou por essa ex. na ausência da figura. 357-384). cedimento de resposta de observação. J. Handbook of Operant ela. A. Em figura e. ler ape. & Coate.revistaperspectivas. M. Staddon (Eds. p. pode ser que ela se engaje nos comportamentos Behavior (pp. o conceito pode ampliar a atuação tamento de observação na educação (Skinner. Porém. Stimulus control: part I. no qual nunca ma. 365-381. ao comentar a importância do compor. O mesmo estudante poderia ler o enunciado todo e presente artigo visou diferenciar a utilidade do pro- emitir uma resposta que produzisse a nota máxi. K. J. do comportamento de observação como aquele que mento de observação é reforçado pela clarificação clarifica os estímulos controladores de outra respos- do estímulo controlador de outra resposta. Ele deve Behavior. & ver para o reforçador do comportamento de pro. 123). A. Dinsmoor. (1977). E. criança quando ela lê um texto corretamente pode Dinsmoor. Journal of Comparative and ela aprenda a nadar: “Simplesmente reforçar uma Physiological Psychology. Conditioned Reinforcement -se generosamente respostas corretas a perguntas (pp.. ainda mais dramático da dificuldade que pode ha. no curso normal dos eventos. Viemeister.. The role of observing (p. A. 6. 51-68. A. New necessários para responder corretamente às ques. B. existe a necessidade de se re- ocre. 43. J. Some new observação. 089-098 96 www. entendido assim. D. J. E. do enunciados das questões de uma prova e assim As referências de Skinner mostram como. uma outra figura a J. 198-210. Observing and conditioned ser muito menos efetivo do que contingências es. o que daria acesso a vação. sobre ela. imagine um estudante que lê parte vez de deixá-los ocorrer ao acaso. N. Ressalta-se a importância de não se deixar and attention in establishing stimulus con- o comportamento de observação ser reforçado so.” Dinsmoor. O comportamento de observação nesse caso se deve reforçar diretamente as respostas de obser- seria ler o enunciado todo. Considera-se que. Revista Perspectivas 2015 vol. Honig & sucesso. comportamento de observação. Skinner (1961/1999d. W. Em W. 43. ela provavelmente não terá muito choice and information. clarificar: possibilitar a emissão de uma resposta Ainda procurou mostrar-se como o entendimento de produção mais eficiente. 18. deixar isso acontecer pode experiments on the nature of discrimination ser o mesmo que jogar a criança na água para que learning in the rat. ao emite respostas que produzam uma nota medí. Conditioned reinforcement: periência antes. que talvez leve à necessidade da realização forçar o comportamento de observação diretamente de outra prova para o estudante passar de ano. da utilidade de um conceito específico de um reforço de maior magnitude. Entretanto. Jersey: Prentice-Hall.org . Em outra passagem Dinsmoor. reita ou a ler um bloco de palavras de uma vez. Differential reinforcing dução reforçar o comportamento de observação: effects of stimuli associated with the presence imagine-se uma criança a quem é mostrada uma or absence of a schedule of punishment. 237) fornece um exemplo The Behavior Analyst. reinforcement. P.). Smith.. (1969). ser reforçado explicitamente. (1950). R. Referências dução acaba por fortalecer o comportamento de Bitterman. (1983). ta pode ajudar a entender a importância prática do Voltando às referências de Skinner sobre o comportamento de observação. trol.). o reforço que ocorre no comportamento que aqui chamamos de pro. F. peciais que a induzam a ler da esquerda para a di. Comportamento e Procedimento de Observação 089-098 unidade de tempo – duas vezes maior do que o tões. Flint. Hendry (Ed. Se for mostrada. O e podem surgir problemas por não se fazer isso. então. Mas será uma vantagem para a criança se for ambiente existente sem a emissão das ROs. F. Behavioral and Brain Sciences. do analista do comportamento. menos para esse autor. pp. 313-339). 06 n ° 02 pp. Assim. 693-728. 121-123). Inc. G. assunto. reforça. o autor afirma que. R. ao qual pode ser im- nas parcialmente o enunciado também produziria portante o reforço extrínseco desse comportamento reforço. (1985). IL: Dorsey Press. Homewood. Englewood Cliffs. mais tarde. Possivelmente esse é o sentido do termo em algumas etapas do aprendizado de um indivíduo. Journal of the Experimental Analysis of mente pelas suas consequências naturais. Num ensinado a ela esses tipos de comportamento em caso prático. o comporta. (1995).

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