Primeira República

:
um balanço historiográfico

Angela de Castro Gomes
Marieta de Moraes Ferreira

ta República. Isto é. trata-se de uma
incursDo às nossas "origens" como
regime polftico. Em segundo lugar.
screvCJ" um ensaio bibliográfico optamos por incluir em nosso universo
discutindo a Iiletatunl sobre a de análise livros e artigos produzidos na
Primeira República no Brasil t área das ci!ncias sociais com este
um empreendimento diffcil e explicito enfoque histórico. Assim.
arriscadd7 só justificável nesle ano do escolhemos. de um lado. examinar textos
CCDlerWio pelo desejo de contribuir com considerados clássicos pelas con­
um pouco de nossa experiencia de tribuiçOes e debates que desencadearam
trabalbo acumulada. Como todos os quando produzidos e que de certa forma
textos que discutem produção biblio­ permanecem como referências obri­
gráfica. este. em especial. exigiu gatórias até hoje. e. de outro. escolhe­
critmos prtvios. uma vez que é sempre mos também discutir uma bibliografta
impossfvel dar conta de tudo o que se mais atual que retoma estas interpre­
esaeveu sobre um determinado assunto. tações consagradas para sobre elas se
O problema se complica ainda mais debruçar. propondo linhas de análise
quando esle assunto t a nossa primeira . renovadoras.
fase republicana. alvo de muita aleRÇao Nossa preocupaç.llo roi também a de
no momento em que o pais comemora examinar trabalhos de fácil acesso ao
cem anos de República após cerca de público em geral. nlIO incluindo - a nao
trinta anos sem eleiçOes para presidente. ser excepcionalmente - teses acadêmi­
A primeira escolha que fizemos foi. cas ainda nDo publicadas. Esta estratégia
portanto. a de trabalhar com a Primei- reduz o campo de renexDo. mas a consi-

NOIIJ: EIIe t.nbaJho COi'OO coou • colabor.çio da CltapAria, Beariz Kusbnir que nos ,..,moo no Icvan·
tamcnIO bibIioaRflCO.

•• '.., HÚl6iic_. JJo eM J Ti",- vol.2. D. �. 1919. P. 144 . 110.

peNEIRA REPCJs'K'A: UM. 8.ALA.NÇO HISTOIlXXiRÁFlOO 24S

d"amos necessária para a viabiliVlÇAo É igualmenre nQSSO objetivo r" li7JIr
desse ensaio. uma certa reflexllo sobre o conrexto poU­
Finalmente, optamos por nIo incluir tico e inrelectual em que boa par1e desta
os cbamados rexlOS de �poca, produzidos produçllo emergiu. Aí vale deslacar que
no momento da PloclamaçJIn e COI1Iem­ � praticamenre após 1964 que a Primelra
podneos li Primclra República, entre os República toma-se alvo privilegiado de
quais se des lscam aqueles dalados da arençao para historiadores, sociólogos,
décwa de lO, quando um balanço do cientistas poIrticos, economistas, peda­
experimento republicano se impôs pela gogos etc. É tamllbn significativo cha­
comemOiaçAo de um outro ccnten4rio: O mar arenção para o impacto que a pre­
da lndependbK:ia, em 1922. Sem dúvida sença dos chamados "brasilianistas" pio­
a mais importanre traduçAo desre clima vocou neste conrexto. Foi a partir de
de reflexllo critica � o livro À margem dD meados dos anos 60 que eles chegaram
história dD República, organizado por em grande número ao Brasil e, principal­
Vicenlt Liclnio Cardoso. Contando com mente, que seus trabalhos começaram a
a colaboraçJIn de um "grupo muito repre­ ser publicados em português. As temáti­
sentativo de inrelecluais da época", o cas da urbanirnção, da industrializaçllo,
rexto foi publicado em 1924 e só veio a do regionalismo e do federalismo slIO al­
ser reeditado pela UnivClSidade de Bra­ guns destaques que piecisam desde logo
sIIia em sua coleçlo "Biblioteca do PeD­ ser assinalados. A aceitaçllo e a influen­
sameDlO Político Republicano" em 1981. cia destes estudos e a desconfl8llÇ& e as
Vale a pena alentar para esre longo espa­ pol!micas que eles criaram slio tam�m
ço de rempo e, nallllalmenre, considecar características que marcam a produção
suas implicaçOes. Muitos outros livros historiográfica sobre a Primeira
produzidos no mesmo período poderiam República.
ser citados e comenlMos, mas conside­ Uma última escolha reve que ser rea­
ramos que o exame desta numerosa e lizada Como apresentar um material bi­
valiosa produçllo era empreendimento bliográfico 110 vasto e heterogêneo?
para outro ensaio bibliográfico, o que Nossa opçao mais ampla foi organizá­
seria esforço e prelensllO excessivos para lo segundo a esltat�gia dos atores
nós. pollticos na Primeira República, as­
Realirndas todas esras escolhas, resla­ sinalando não só que esre foi um mo­
va ainda a definiçAo da própria estratégia mento chave no processo de formação de
de orgaoizaçao da bibliografia. Nesre atores coletivos em nosso pais, como
caso. algumas observações slIO nece.s.sa!­ também acompanhando a trajetória
rias. Nosso objetivo aqui � apenas o de daqueles que julgamos mais importantes,
produzir um certo mapeam ento do terre­ até mesmo pela atençAo que lhes
no, apontando os caminhos mais percor­ dispensa a literatura. Contudo, alguns
ridos, as veredas que cruzam estes cami­ temas nao puderam ser tratados nesta
nhos e os espaços pouco investigados: os perspectiva. Este é o caso das questOes
" senões" ainda parcam ente conhecidos que envolvem a economia do período -
após cem anos. Desta forma, é nossa agricultura, indústria e finanças -, onde
preocupação assinalar O peso relativo da as reOexOes acerca da bibliografia
produçAo bibliogIáfica sobre certos te­ tiveram que assumir um caráter
rnas e o vazio sobre outros. temático.

246 ErnJOOS HISTóRICOS - 1989/4

Finalmente goslarÚlmos de esclarecer Werneck Sodré (1962) e Hélio Jaguaribe
que uma fonte importante para nosso (1962), entre vários outros.
trabalho foi o Dicionário hisI6rico-bio­ Segundo este modelo de análise, ex­
gráfico brasileiro 1930-1983. Como se presso de maneira clara especialmente
trata de obra de referência, preferimos na obra de Werneck Sodré, Formação
registrar aqui sua contribuição. De resto, hisl6rica do Brasil (1962), a Primeira
nllo temos ilusões quanto ao fato de que República é pensada em termos de um
um ensaio desta natureza sempre contém sistema de dominação do latifúndio, cuja
omissões e falhas, em relação às quais dinâmica se configura em três fases: a da
somos inteiramente responsáveis. Consi­ implantação, em que haveria um predo­
deramos, assim, que corremos um risco mínio do poder da classe média através
desag.adável, mas de certa forma inevi­ da atuação dos militares; a da consolida­
tável e, talvez impropriamente, solicita­ ção, em que o controle exclusivo estaria
mos a complacência dos leitores. nas mãos das oligarquias latifund iárias; e
a do declínio, marcada pela expansão da
burguesia industrial e da classe média, e
2. O. "dono." d. Prlm�r. República pela disputa desses setores pelo controle
do poder. Assim, a Revolução de 30
Fazer uma rcnexão sobre a produ­ representou um connilO entre o selOr
ção historiográfica relativa às oligarquias industrial e agrário ou, na expressão do
,

na Primeira República nos conduz de autor, uma luta entre a burguesia e o la­
imediato a citar alguns trabalhos tifúndio.
clássicos. Quer pelo pioneirismo de suas Este tipo de enfoque sobre a Primeira
contribuições, quer pela innuência que República está inserido dentro de um
exerceram nos debates nas décadas modelo mais amplo de inteljlretação da
posteriores, merecem destaque as obras realidade brasileira cuja tese central de­
de Vítor Nunes Leal (1949), José Maria fende a existência de dois setores sócio­
Belo (1952), Afonso Arinos de Melo econômicos básicos: o pré-capitalista,
Franco (1955), Leôncio Basbaum locali7.ado no campo c expresso através
(1957), Nelson Werneck Sodré (1958) e do latifúndio, onde predominam relações
Celso Furtado (1959), entre inúmeros de tipo semifeudal; c o urbano-capita­
outros. lista, que deu origem a uma burguesia
Mas além desse conjunto de traba­ industrial e às classes médias urbanas.
lhos, deve-se observar que emerge tam­ Um dos desdobramentos desta concep­
bém uma linha de inteljlretação sobre o ção é a caracterização dos conflitos de
sistema político oligárquico brasileiro na classe no país como resultado do antago­
Primeira República que, a despeito de nismo entre O latifúndio - aliado ao
diferenças específicas, destaca a idéia de imperialismo - e as forças nacionais -
que havia uma contradição fundamental constituídas de segmentos da burguesia
entre o setor agrário-exportador e os se­ nacional, da pequena burguesia e das
tores urbano - industriais. Nessa luta, as classes populares.
classes médias teriam o papel de van­ Este modelo de inteljlretação, defen­
guarda das reivindicações burguesas. dido em linhas gerais e de forma signifi­
Alguns dos trabalhos fundamentais que cativa pelo Partido Comunista Brasilei­
ilustram esta perspectiva são Nelson ro, ganhou novas forças nos anos 50 com

colocar todo o passado brasileiro em e que a politica econÔmica implemen­ queslilo. a cri­ Os debaleS produzidos pelo livro de se instalada no setor cafeeiro contribuiu Prado Jr. a autora se propõe Eduardo Kugelmas no artigo intitulado a analisar criticamenle as leseS de Wer­ "A Primeira República no período de neck Sodré. que tinha como premissa minância dos setores urbano-industriais. pela própria natureza do setor sobre o período. defendendo a ausência de 1891 a 1909" (1967). passível de transformar-se em cos dessas teses e. seu antagonismo com o tral a análise do processo polItico-parti­ setor exportador era apenas SUperfICial. Inlegrado ao espírito republicana não represemou uma do­ da obra. alterava-se a po­ erros cometidos na elaboração das esll1l­ siçao do setor agrário exportador dentro tégias de ação política da economia nacional.poeta­ latiJúndio. Beiguel­ pelo movimento nacionalista. Nesse artigo. em espe­ econôm ico voltado para o m ercado in­ cial do PCB. 247 a incOlporaçllo de algumas dessas teses Finalmenle. o artigo de Campelo de Sousa tada no pe ríodo nllo foi urna resposta sobre a Primeira República propOe-se a direta aos inleresses urbanos. comradiçoes fundamentais entre setor Um outro lexto fundamental de crítica agrário e setor urbano-industrial no às teses dominanleS nos anos 50 e 60 é o Brasil. a obra apontava os equívo­ terno. No seu enlender. produziram seus primeiros fru­ para pôr em evidência a necessidade de tos. politico-administrativo deseenll1l1izado. uma expli­ çOes inova doras acerca da realidade bra­ caça0 aIlernauva pode ser buscada na sileira. refe­ dro. (1966). Brasil em Beiguelman afuma que a primeira fase perspectiva (1968). os componenle dinâmico. "A propósito de uma Paula Beiguelman para as primeiras dé­ interpretaçao da história da República" cadas republicanas foi realizado por (1967). em decorrência. Voltada para a crfuca das ativi dades p0. a au­ nismo com o antigo setor exportador e tOla faz igualmenle uma crítica severa. abriram-se espaços para inle. interesses das duas esferas econômicas. com a publicação do artigo de mento de algumas destas hipóleses de Paula Beiguelman. Um aprofunda­ pública. Finalmenle. Tendo como eixo cen­ urbano de enlllo. Com o man afasta a idéia de que a agitação da movimento militar de 64 e a conseqüenle década e a Revolução de 30 tivessem impossibilidade de manulenção dessas representado urna luta entre burguesia e teses. no que diz respeito a uma revisllo remediar o pro gressivo empobrecimento das interpretaçOes sobre a Primeira Re­ de outras áreas do pais. Além disso. Acrescenta avançar na revisão das leseS tradicionais ainda que. Paula po r Carlos Guilherme Mota. . a autora conduz seu argumento no Em relação à segunda fase . que havia uma complementaridade de apontando a simplificação da análise. foi a Revolu­ rais que haviam dado sentido ao sislema ção brasileira de Caio Prado Jr. ainda que sem ter relação específica rida à transformação das bases estrutu­ com a Primeira República. Um II1Ibalho pioneiro nesse qua­ eclosão de uma crise institucional. dário. para os anos 20. uma vez criado um núcleo líticas da esquerda brasileira. II1Ibalho de Maria do Carmo Campelo de Tomando como referência a própria Sousa publicado na coletânea organizada periodização proposta pelo autor. que para sentido de demonstrar que o desenvolvi­ Werneck Sodré representou O triunfo do mento industrial não criou um antago­ latiJúndio sobre as demais classes.

o . centtaçAo das atividades econOmicas em Ainda que . em 1970 o livro A Revolução tk 30: oligarquia caíeeira.. 1989/4 P. dualisw (contradiç!!es entre oligarquias Retomando O debate a partir de seus agrárias e setores urbano. ESIOIJOS HISI'ORicos . • terizaçao da política Iqld­ Em 1972.artindo dessa perspectiva. 5). p. devem ser lembra­ diferentes grupos regionais no interior da dos os diversos babalhos de Edgar Caro­ dasse dominante ganharam mais impor­ ne (1969. dando anfase à to publicou Pequ. em virtude da incapa­ . A inlCnçAo destes textos política dos governadores. além do conhecimento de aprofu nda as críticas às intelptetaç!!es capos documentais importantes.ao incluídos diretameme áreas geográfIC8S derlDidas pIOpiciou a nesse debate. alltor.induslriaill)... 1970. que tinham como objetivo vai retomar a análise das conjunturas golpear a begemonia da burguesia clalSicamenlC consideradas como de caíeeiJa. industrial). 1971). Aoriano Peixoco. Nesse texto.es cidade das danais fiaçOes de clauç paia DoodOi:o. As oposiç!!es entre os Primeira República. que propicianun tância do que as divis!!es setoriais (bur­ aos estudiosos do período o acesso a guesia aglárÍ8. prop!!e­ Brasileira". lkailles da assumir o poder de maneira exclusiva e. Seu babalho aborda ainda a e&raC ­ COllpiOiDlSSO. deve ser çAo social btasileira e seu sistuna políti­ assinalado O artigo de Boris Fausto. Contudo. urbanos (governos e. aprofunda as às concep­ da açao do Estado e que forjasse as insti­ ç!!es que intupretam os conDitos da Pri­ tuiç!!es escacais e as transformasse no ins­ meira República como fruto das conba­ trumento do seu interesse" (1972. Dentro dessa era apresen tar as linhas gerais da forma­ mesm a linha de intu". mas como wna conlribui­ formaçllo no país de wna eslrulura regio­ çAo importante para o conhecimento da nal de classes. Fausto nlIo só fOlllal ç!!eS. sumiu a coordenaçAo dos babalhos da e a Revoluçllo de 1930 como o resultado coleção "História Geral da Civilizaçao fmal desse embate.naçllo. também publicado das idéias centrais do autor é que a COD­ em Brasil em perspectiva. comercial. Fausto publi­ sentido de melbor explicitar o papel da cou. abavés de uma análise historio­ mitiu que ela fosse mais que benefICiária gráfica. Em seguida. MA co durante a Primeira República Uma Revoluçllo de 30". até então dirigida por Sérgio se a precisar o significado desse movi­ Buarque de Holanda. diç!!es antagônicas entre o seta agtário­ Ainda nos anos 70. a aullJla dissidentes. Em suas palavras: ( ) sua capac idade de articulaçllo per­ M hist6ria e his'oriografla. carac terizando-o como foram publicadOS os dois volumes de O resultado de conDitos inba-oligárquicos Brasü republicano dedicados à Primeira fortalecidos por movimenlos militares República: Estrutura tk potkr e eCOM- . Boris Faus­ diferentes governos. Em 1975 a 1976 mento polftico. wna grande quantidade de valiosas in­ Com esta anrmaçllo.. Boris Fausto 811- exportador e setores urbano-induslriais.pnsJlo dos se. COillO um aprofundamento blicana e traça um qemdro evolutivo dos de lIe"s babalbos anteriores..enos ellSaios tk Iúst6ria montagem do pacto oligárquico e da da República. Foo"""a e a de 20) para com O colapso político da burgoosia do Irar que esses períodos nIo represcola­ caíé. abriu-se um vazio de poda'. próprios babalhos e das contribuiç!!es de como oferece novas conlribuiç!!es 00 Beiguelman e de Campelo. A res­ ram perda para os inleresocs das oligar­ posta pua essa sib'8çlO foi o Eupdo de quias..

de­ Ie influenciada pela ulilizaçlo de princl­ monstra que foi privilegiada a idéia de pios ortodoxos de polllica monelária fis­ que a hegemonia polflica da oligarquia cal e cambial. alravts çIo destes trabalbos. Em deconbIcia. Mina<. abaIcando o periodo da PnlClama· nomisras dedicados ao esr!ldo da polltica çIo da República ao Eslado Novo. oligarquias. ca como decorrência imedialJl dos inle- • Formação eco/IÔmica do Brasil (1959). embora nIo leIIham for­ exportadora cafeeira. um estudo trabalbos de Pelaez (1971) e V Uela e 1 sobre a oligarquia baiana Suzigan (1973) ajAcscQlavam a idéia de Um balanço acerca da produçlo que a conduçIo da poUlica econômica bibliográfica das décadas de 60 e 70. NCSIe caso. abriram caminhos para um ques­ As base� de suslenlaçlo dessa pers­ IionarnUlIO das leSeS que inlerprelavam a pectiva de análise podem ser encontra­ polltica econônti ca da Primeira Repúbli­ das DO IeXIO clássico de Celso Furlado. 9). garquias.umiu novas dimen­ lava-se no falO de que o Executivo sem­ sOes com 8 publicaçlo dos tnlbalhos de pre leria aluado no sentido de SUSlenlar Winsron Fritsch. A contribui­ çIo de pcrdas. a leria sido jAedominanle e COOSIaDletnen­ despeilo de suas rspecificidades. Wirth (1975) ra como um alor fundamenlal e quase e Levine (1975). Celso FurIado na Primeira República: 1900-1980" . lais çOes que privilegiam a oligarquia cafeci­ COIIlO Love (1975 e 1982). ao propiciar um de de cambial. painel dos principais lemas do primeiro foram socia)fzados os prejuízos das oli­ período rq>ublicano. sus­ reflexo direlO dos inleresses cafeeiros. O núcleo centnll de seu argumenlO pau­ Esta revisAo ass. em aliança com a mineira. "AspeclOS da polllica os planos de valorizaçlo do café. Love econOmica e fUl8llCCira da Primeira Re­ já havia anleriormenle publicado um rs. lem surgido um significativo sobre as elites oligárquicas DOS rslados número de trabalhos. o mulado exp1iciwnenle uma explicaçlo arranjo polltico oligárquico entre Sao do porqoo da ulilizaçao das doulrinas Paulo e Minas dilava de forma nltida a ortodoxas pelos homens públicos brasi­ orienlaçlo do governo federal. raçlo de autores com Macnles orienla­ o autor elaborou o conceilO de socializa­ çOes IC6rico-melOdológices. "1924" (1980) e "Apogeu e crise para beneficiar rsle setor. provenientes do declínio dos Ainda DO campo dos estudos sobec as jA� do café 110 mClcado exlemo. foi fundamallal. 249 mia (voL 8) e Soci�dode � ÜlStilMiç6es defendia a iMia de uma quasc total su­ (vol. Esrrs autores desenvol­ exclusivo na conduçao da polltica do veram jUnlos um projelO comparativo perlodo. e assim nao seria um paulisla. Como desdobralln lc lO lese. pública. e Eu! Já na primeira metade dos anos 70 os Soo Pang publicou. le/llava-se na preeminência da economia Estes trabalhos. COIn vistas a Í1JUlijiOI_ a colabo­ feeiro. em 1979. Gerais e Pernam­ buiçOes inleressan tes lêm partido de eco­ buco. leiros. 1!Ido sobre o Rio Grande do Sul. A orientaç'c adotada para a bonIinaçPo da polflica econôm ica do go­ publiCIÇIo desses volumes foi a pIwaIi­ >QUO faleral 808 desígnios do &elor ca­ dade. e que a econômica no Brasil: 1906-1914" polllica financeira sempre rsleve vollada (1980). por Ullender que. deve sec enfaljzwfa a contri­ várias conjunlw'8S. resses do café. conlri­ de S Io Paulo. buiçIo dos brasil ianisw que se dedica­ Visando relativizar CS5's intaprcta­ ram aos estudos de corIe regional.

sao Paulo e Minas Mais recentemente.250 ESTUDOS InSTO. mas antes de tudo. no provocaram irremediavelmente a baixa sentido de apoiar program as de valoriz. essa tendên­ concedidos à cafeicultura. muitas vezes contrários e prejudi­ nientes de outros grupos oligárquicos ciais aos interesses específicos da oligar­ regionais. este debate tem . de que a desvalo­ favorecido os interesses corporativos da rizaçllo cambial era um frulO do excessi­ oligarquia cafeeira. quias dominantes . De acordo com seu de análise a alJJaçao das camadas popu­ argumento. . Baseando suas análises numa época.. 2) permi­ aos planos de valorizaçãO. a fase de transição do tar para as complexidades do pacto Império para a República. sustenta que quaisquer possibilidades de avanço pos­ o governo federal ou negou seu apoio terior das reformas monetárias. nascida nos pri­ governo federal teria consistentemente mórdios da República. seja a revisão do papel das oligar­ um todo. ou apenas interveio de Segundo B arroso Franco. quico da Primeira República e de apon­ principalmente. Os bestia/iza­ para a adoça0 de políticas ortodoxas em dos. bem como na oposição dos quia cafeeira banqueiros internacionais. tes e que atendem aos dois últimos obje­ A principal contribuição de Barroso tivos acima apontados. a de evitar que verdade. Sem negar a posição vo crescimento das emissões de moeda hegemônica desta oligarquia no Estado Dessa forma. segundo política procedimentos econômicos orto­ Fritsch. Fritsch relativiza as aflrma­ ao perm itirem a expansllo monetária. essas iniciati­ cia para relativizru o papel e o peso de vas não significaram a intençao de dar São Paulo e da oLigarquia cafeeira tem se um tratamento preferencial ao setor ca­ ampliado no decorrer dos anos 80. 1989/4 (1989). como em tir a ascensão da ortodoxia rmanceira. como conseqüências: 1) bloquear ampla pesquisa documental.. do câmbio. sendo pri­ tir um melhor desenho do sistema oligár­ vilegiada como conjuntura de análise.. as reformas de 1898/ 1900. brasileiro. dessa perspectiva contribuiu grandemen­ A explicação para essa forma de pro­ te para que fossem adotados pela elite cedimento deve ser buscada. lares na primeira década republicana. oligárquico. Na feeiro. 1906 e 1929. .COS . Neste caso. vale citar os trabalhos de Barroso Franco Também são contribuições importan­ (1983) (1989) e Steven Topik (1987). ainda que tendo como objelO central várias conjunturas. Nos momen­ No campo das análises dos historia­ tos em que auxOios mais efetivos foram dores e cientistas políticos. os trabalhos de Franco é apresentar explicações acerca José Murilo de Carvalho (1987 e 1989) e das origens das motivaçOes econômicas de RenalO Lessa (1988). çao do café e de favorecer a depreciação A aceitaçao deste diagnóstico teve. nas pressões contrárias prove­ doxos.tem contribuído no sentido de permi­ tido novos desdobramentos. o cnraizamento de uma ori. te­ çOes de que o governo federal sempre se riam cumprido O vaticínio metalista: curvou às pressõcs da cafeicultura. Neles o aulOr questiona o pressu­ entaçao econômica ortodoxa se deveria à posto de que a política econômica do generalizaçllo da crença. na cambial. a afirmação maneira esporádica e limitada. o surgimenlO de novos traba­ um declínio demasiado dos preços do lhos que têm como foco de análises seja café trouxesse graves conseqüências para a atuação das demais oligarquias regio­ O desempenho da economia como nais.

PIUMEIRA REPúBUCA. Cammack é o questionamcnlO do con- .CSCS de Vitor Nunes foram ta. rompeu com teses consagladas mite que o conceilO seja dilatado. a eleti­ Contudo. sua recei­ funda às I. o trabalho represenlOu uma signi­ Diferentemente de VílOr Nunes. Ma­ ficativa inovaçlio no campo das ciências ria lsaura Pereira de Queiroz (1969) e sociais. enfo­ da propriedade da terra.dade brasileira sua precisão histórica e possa ser a partir de modelos dicolÔmicos e opu­ aplicado a qualquer conjuntura da nham ordem privada a ordem pública. o coro­ tiga a gênese e a implantaçao da ordem nclismo não era urna mera sobrevivência política republicana. Trata-se.eaL Publicado em donismo. enxada e entendido como uma fase do man­ VOIO. O ponto de partida de quadro geral. coro­ Primeira República é aquele que teve nelismo não deve ser confundido com al­ como quesll!o principal a relaçlio entre o gumas de suas características secun­ público e o privado. a primeira crítica mais pro­ vidade de sllas administraçOCs. ele pode ser esse debate é Coronelismo. oferece subsídios enrique­ complexa de relaçOes em que os rema­ cedores para o entendimento dos con­ nescentes do poder privado são alimen­ flitos oligárquicos. candoas aIribuiçOes municipais. e a decadente influência dos para a atuaçoo dos grupos monarquistaS chefes locais. Preoc upado em estudar o fenômeno em que podem ser definidos como do coronelismo. 20). tados pelo poder público. perca que apresentavam a socic. UM BAlANço I!)SIORlOGRÁFlco 251 proporciona ricos elemeniOS para a com­ ronelismo como um fenômeno espe­ preensão das práticas oligárquicas que cífico da Primeira República e o defmiu visavam impedir a extensão da cidadania como "resultado da superposiÇão de a contingentes mais amplos da popula­ formas desenvolvidas do regime repre­ çlio brasileira Já o trabalho de Renato sentativo a uma estrutura econômica eso­ Lessa A invenção republicana. Maria lsaura também qual o trabalho de Nestor DUarle (1939) amplia a caracterizaçlio do coronelismo é o melhor exemplo. Na verdade. empresários. médicos. o aUlor recuperou a evo­ coronéis comerciantes. do história brasileira. Vítor Nunes localizou o co. portanto. mas sim um dade da ordem oligárquica Na mesma compromisso. para incorporar manifestaçOCs urbanas. sua organizaçoo policial e judiciária e produzidas pelo hislOriador inglês Paul sua legislaçoo eleitoral. contudo. notadamente os donos de após a implantação da ordem re­ terra. de uma rede publicana. concentrando sua do poder privado. A obra pioneira e dárias. inves­ cial inadequada" (p. Partindo desse Cammack (1979). de VílOr Nunes 1. em funçao de Um outro conjunto de textos funda­ suas necessidades eleitorais de controlar mentai para o estudo das oligarquias na o VOIO do interior. uma troca de proveitos linha está o trabalho de Maria de entre o poder público proglessivamente Lourdes Janoui (1986) que. Dessa maneira. 1949. luçoo do município brasileiro da fase c0. cuja hipertrofia cons­ ateoçlio na análise do papel da política tituiu fenômeno úpico da história co­ dos governadores como falOr de estabili­ lonial e imperial brasileiras. Além de apresentar uma consis­ Eul 500 Pang (1979) identificaram co­ tente pesquisa como base de seus argu­ ronelismo com mandonismo. muitaS vezes desvinculados lonial até a Constiwiçao de 1946. como mandonismo c cliente­ que deu uma conIribuiçoo definitiva para lismo. o que per­ mentos. ao voltar-se fortalecido. Assim.

. nlIo cerra com o governo Vargu. ao polilizarem a laçA0 em Minas Gerais duranJe a Primei­ economia. dependência do governo em te­ quem o personifica é a classe dirigente. isto t.. conawzado na figura do parar a cafeicultura. Martins. intervir para am­ o poder local. O livro traia da for­ das clss'>CS dominantes. para invalidar O modelo de análise de Desse debate. A lese attibui imponlncia devida à sua aluaçlo central t que o Estado foi sempre onipo­ sóci<reconômica Um oulro aspec to da lente IIO Brasil. res­ marcada a\llOflOlIlia do RSlado frente a gatando.::olado oi deve ser enteMido a partir da ooçlo de em 1975. vista esre autor. e ao burocrá­ critica eslá ""seado na negativa de uma lico ocube a direç1Io dos negócios públi­ das premis!!as do compromisso. o sistema elei­ ca. em seu verbete Vitor Nunes. as li­ consInIÇIo do no Brasil de 1890 nhas básicas da análise de Nunes 1"8\ a 1930. Segundo Cammack. Com uma pelSpeclÍva diferente. igualmente. Nesse quadro. nlo cidade fiscal e do próprio aumento das encara limilaçlo como suficiente forças militares. ao privilegiar a polllica dos fllildaçlo do ESlado JlOI1IIgues e se en­ coronéis baseada 00 clientelismo. que em funçllo do Cammaclt" (1984). J ost Murilo de e retornando algumas conlribuiçOes de Carvalho. a q UCSllo mais impor­ Vitor Nunes. a lese do com­ inla\:S!ll':S sociais. Como o Estado t o cenlro de IUdo. o CSlam ento burocrálico dual. se por um Iedo sileiro IIO período.252 tilUDOS . a cos. quando IJ()freu um poccslJ() de cliente1ismo. e sim da Icpi(Sent8Ç1lo de tevislo e ampliaçlc. com a implanlaçlo de um fealeralis­ toral era controlado pelo goveallo esta­ mo desv irtuado. laçA0 ao coronel para a produçlo de vo­ No calJ() especifico da Prilhelra Repúbli­ lOS. faz uma análise das seu lilftillg político propiciou uma do historiador ingles. Partindo desse ponto. o ou escorraçado". Ainda assim. A base de seu argumen to t que perm anecem aluais.tuaçAo poUtica e nlIo ne­ solucionar crises econômicas e financei­ cCS!!itava de realizar nenhum acordo com ras e. tante a ser retida t que o público e o Uma outra linha de trabalho que dis­ privado 00 Brasil Iém limites fluidos e cute as reIaçOes entre ordem privada e continuam a suscitar amptas discussOes. 00 fundamenlal. a autora demonstra o "Coronelismo" (1984). promisso coronelisla. o modelo de anMise de VItor C(jjIlO um pllCCSSO que se iDlCi8 com a • • • Nunes. Elisa A da peaIjoência de alguns Reis (1985) analisa o processo de pontos levantados por Cam maclt. conferiram ao Estado uma ra República: uma crllica a Paul posiçlo estrah!gica. ou mesmo "t banido centralizaçlo do poder. O poder poder público esladual dominava com­ público continua a atuar IIO sentido de pletamente a s. Os doflOS do pois o siSlulla poUlico oIiPrqllico poder foi publicado em 1958 e . e eslava em curso um jliUCCSSO de sofre um decUnio. do aumento de sua capa­ lor do voto na República Velha. recUpeill o amplo cresc imento do Estado republicaM bra­ aoo:ca do Jema e. attavts da expanslo reconhece os exageros attibuídos ao va­ da buroci3CÍ8. os inleresses agro-exporl8dores do­ em seu artigo "Clientelismo e IeprC$ên­ minantes no pulodo. principalmente.198914 ceito de oompiomisso cuone1is'f que caduu pública estA associeda la in� seria "localmente destilUldo de validez" de Raimundo FaoiO. Para maçlo do palrOnalo brasileiro.

relaçOcs de produção pré-capitalista na No Ca50 particular da Primeira Repú­ cafeicultura... /6rio ecoMmica do Brasil. e o livro de Sandra PesaveDlo.. o que . de Caio Pra­ conjunto de ttabalhos que.c:çao intta-«ooOmica. A pergunta principal plos de estudos dedicados a uma ativida­ consistia em saber se a agricultura era de especIfICa Enue eles os trabal hos de um obsláculo ao desenvolvimento do Jost Gnacarine (1975) e Gadiel Perucci paI� . lca a da le"a. que lem mas sim à implantaçao do colonato.. (1945). "Expanslo do Uma bibliografia complemenlar que caft e poUlica cafeeira" (1975). deve ser comemado um outro . Ao longo dos fICO. de LuIs Amaral (1940). lOr t de que a substituiçlo do lDbaIho tura brasileira no palodo repüblicano t escravo oh conduziu ao estabelecillk!h· bastanle limitada. Diferentemente do 10 do nbalho as!a1eriado nos cafezais. anos 60 e 70 foram produzidas inúmeras Como exemplo de ttabalho importan­ obras cuja preocupaçao centtal era rene­ Ie na perspectiva da abordagem regional. AQrIcuI. silllaçao t ainda mais grave. duçlo consiSle de alguns ca­ A1tm dessas conlribuiçOcs voltadas pÍlulos inseridos em obIas de caráw ge­ fundamentalmenle para algum aspecto ral tais como His/6ria da agricul/". de alguns poucos ttabalhos dedicado< conlribuiçOes interessanleS para o pri- . IncluOlrlloIlzaçto Quanto ao caft. processo de industrializaçlo.': UM BALANÇO fOSIORJOOIlÁRCO 253 • sobre o setor agropecuário gaú c ho .a especifico da agricultura na Primeira brasileira.uou em mecanis­ esf<X'Ço inteljllv8!ivo.lUlle. ou ain­ ria do país a partir dos anos 50.. sendo examinada em $Cus as. a agaicultma "em • mos de ccr. ttaz da. entretanto. ganhou deslaque foi a avaliaçlo do setor Podem também ser ciladas vl\rios exem­ agrlcola brasileiro. que elas reft.. um lema que Minas Gerais na Primeira República. deve ser mencionado o artigo de Boris Fausto. cooseqllenlemenle dificultou sua C8n1C­ ciais. voltados paia as atividades açu­ Partindo do pressuposto de que a res­ careiras. ou algum produto em particular. em ttabalhos que oscilam enue lerizaçl!o como uma relaçao capitalista uma excessi va preocupaçAo com deta­ de produçAo. de Celso Furtado (1959).capitalislas de produção. Nestes textos. a. . embora tIOOi­ do Jr. capitalista. do os estudos vo/redos se dedica à análise da esoutura de produ­ para a agIicultura e a çIo em SIo Paulo.:er nossa alellÇlo para urna Outro ttabalho fundamental relacio­ melhor compuxndlo do papel das oli­ nado à atividade cafeeira t O ctUivtiro garquias e da prOOuçlo . deve 1I. está subordinada à lógica blica. a alguma regilo.ectos par. segundo a qual o próprio inexistindo ttabalhos que propiciem urna capital engendra e reproduz relaçOcs vido de conjuDlO dessa A pro­ nJIo.e. His­ República. de lhes e um exagero de generalizaç�s.. tir sobre as dificuldades econômicas do deve ser lembrado o artigo de Francisco pais e as possíveis alternativas para sua Igltsias (1985) sobre a agricultura de sUjJCIa�. • PlJNPIIlA aEPOBl1('. de Jost de Sousa Martins. (1978). posta para essa queslllo SÓ seria obtida .. A exist!ncia. A tese central do au­ A e-imDIe !Obre a agricul. ou algum lema especI­ meiro perlodo republicano. e FormaçÓIJ ecoMmlca do cados à discnssAo da problemá'ica agrá­ Brasil. sido objeto de análises sistemáticas que Acrescenta ainda que essa jOlllac!a de possibilitam uma vklo dé conjunto e um ttabalho se fundame.

espec ificamente debate acerca da industrialização brasi­ em relação ao Brasil. da depressão internacional. Brazilian COIIOO Manufaclure. em substituição aos nos criou facilidades para o surgimento modelos teóricos dominantes desen­ do primeiro crescimento industriaJ brasi­ volvidos a partir da realidade histórica leiro. a de Barros Castro (1971). o autor de­ lização. sendo a Primeira cionamento do modelo exportador. Segundo este autor.254 ES11JDOS mSTOIUCOS . Hélio Jaguari­ mente. quando seu livro foi traduzido pal1I O mação econô"uca do Brasil. o discurso cepalino organi­ 1850-1930. em que análises próprias que permitissem um o afrouxamento das ligações do setor melhor entendimento da problemática agro-exportador com os mercados exter­ latino-americana. Nelson Werneck Sodré de renda do país. locali­ de maioria por economistas. Conwdo. Se. a Econômica para a América Latina Primeira Guerra Mundial é interp n-Jada (CEPAL) tinha por objetivo produzir como uma conjuntura especifica. No República uma das conjunturas examina­ entanto. Nesse sentido inúmeras contribui­ inIcio da década de 30. No período anterior. a Comissao teriores a 1930. citado ante. ao provocar a queda acenwada dos vollaram-se pal1I o estudo da trajetória preços do café. de outro. Merecem ser demanda por produtos importados foi citados também as contribuições de mantida. desenvolve­ za o desenvolvimento das indústrias bra­ ram-se dentro dos marcos do pensamen­ sileiras fundamentalmente nos anos pos­ to cepalino. como Alberto compra de cafés invendáveis externa­ Passos Guimarães (1963). assegurou a manutenção do nlvel be (1962). portanto. (1973) também s e inserem nessa Comprometido com a superação dos pelSpeCtiva. As análises de Conceição Tavares de outros países. Em sua pelSpec tiVa. a política cafeeira adotada no das. cada de 1950 e produzidos em sua gran­ Este tipo de enfoque. e sua contribuição pal1I o Este ponto de vista. funcionando como uma (1962). generalizados a partir da dé­ interna de bens manufaturados. colocou em xeque O fun­ da agricultura do país. inúmeros autores 29. a crise de ção histórica do Brasil. ao garantir a çOes podem ser citadas. 1989/4 através da análise do processo de fonna­ riormente. lançamento. persistiam as dificul­ Maria Veda Linhares e Francisco Carlos dades de importação. colocava-se monstra a importância da expansão in­ como ponto central que os países latino­ dustrial brasileira anterior a 1930. Delfim Nel10 (1973) e Antônio medida antidepressiva. o trabal ho ram com circunstâncias históricas desfa­ de Stein teve muito pouca divulgação no voráveis ao pleno funcionamemo do Brasil nos anos que se seguiram ao seu modelo exponador. desta­ americanos que lograram realizar sua in­ cando ar o papel dinarnizador das ativi­ dustrializaÇão o fizeram porque conta­ dades comerciais. porwguês (1979). A partir de uma cui­ zou-se em tomo da questllo da industria­ dadosa pesquisa histórica. populares. problemas esbUturais da América Lati­ Uma interpreJação diferente é a que na. Tal siwação Os estudos acerca da industrialização criou condições favoráveis à produção no Brasil. (1957). de um lado. tais como a dependência econômica aparece na obra pioneira de Stanley e a elevação do nlvel de vida das massas Stein. em conseqüência Teixeira da Silva (1979 e 1981). Criada em 1948. é e1 prcsso de for­ leira só se efetivou plenamente nos anos ma clara por Celso Funado no livro For­ 70. .

Isto parte devido aos incentivos governamen­ porque. expectativas. . acentuou-se a diversificaçao da va entraves para a importaçãO de bens de estrutura industrial. que a crise do setor ex­ de produtiva do nosso parque fabril. contrariam ente partir de 1900. recolocando em (1986). inician­ Segundo Dean. tornou-se necesdri o buscar Outro trabalho que merece ser citado novas perspectivas de análise. na medida em que a guerra cria­ tais. Além disso. como também é apontado como fator recebeu duras críticas. o que dustrial. e investimentos. dificuldades do setor exportador promo­ mentos de crise do modelo exponado< veram a expansllo da indústria brasileira. com a crise do mode­ introduziu no país recursos em moOOa lo desenvolvimentista cepalino nos anos estrangeila que passaram a ser utilizados 60. em sim um obstáculo à industrializaçllO. e. nao um elemento de incentivo. Na década de 1920. foi inaugurado no começo dos anos 70. uma vez que a meira Guerra Mundial. o café foi mentaridade entre a economia expona­ responsável pelo aumento da oferta de dora e os impulsos à industrializaçao mao-de-obra. a Grande Depressllo e a ram a ligação entre a cafeicultura e o crise do café quase paralisaram as indús­ crescimento industrial . Suzigan retoma estas questOCS. do-se assim um processo de industriali­ mento da renda interna. A tese de é o de Vilela e Suzigan (1973). por sua vez integrou e ampliou este As formulaçOCS acerca da comple­ mesmo mercado. entrelanto. UM BAUNÇO IDSI'OIUOGRÁFlco 255 De toda forma. às análises até então coosogradas. um amplo debate sobre O tema o papel das políticas governamentais. o próprio setor industrial. portador e a Grande Depressao rompe­ Assim também. Foi na década de capital. de grande relevância. dúvida. conseqüente­ importante no estudo da industrialização mente. • criada pelo setor exportador -. ao �mover o cresci.ocjacla 80s m0. Do mento industrial no século XIX foi indu­ seu ponto de vista. o desenvolvimen­ enfatiza as diferenças e especificidades to de estradas de ferro e estimulou os regionais do processo de expansllO in­ investimentos em infra-estrutura. novos termOS as relações entre atividade defendendo a tese de que o desenvolvi­ exportadora e expansllo industrial. brasileila foi uma decorrência do cresci­ Este impulso dinâmico arrefeceu após a mento das exportaçOes de café. traduzida em bre as origens e o desenvolvimento da 1971. limitava o aumento da capacida­ 1930. mas MO Impulsionou. onde MO que a expansllO industrial dos países 1ati­ SÓ é questionado o argumento de que as no-americanos estava asc. repre­ embora incipiente. Mais recentemente. sem mercado para produtos manufaturados.no caso do Brasil. ao estimular a imigração. traria uma contribuição subslanti­ indústria brasileira entre 1855 e 1939 va a esta discussao. também. tendo a investimento industrial continuasse a seguir dificultado o crescimento indus­ depender da capacidade de importação trial durante toda a década. portador do café criou no Brasil um Esta interpretaçao de Suzigan é. a expansllO industrial zido pela expansllo do setor exportador. PRIMEIRA REPIlBUCA. decorreOle do faro de a industriali­ para a importação de insumos e bens de zaçllO brasileila nlIO ter correspondido às capital destinados ao setor industrial. e foram igualmente desenvolvidas nos tra- . o comércio ex­ zaçao via substituição de imponaçOes. em seu trabalho so­ A obra de Warren Dean. e a Pri­ Primeila Guerra Mundial.embora o trias de sao Paulo em 1930. já passara a estimular sentou. baseado no café .

o dinAmicas distintas de uescimento e de capi. Cano prOCUlll demonstrar como e por teriam surgido condiÇ<les pila a criaçllo que a economia c:arioc:a teria sofrido um de um mercado de trabalho livre que .OCS funda· atiwfade indUSlrial existe<lle na Primeira Ihtntais pelas quais as principais regiOes República. O elemento de 1880. liansfonnaçllo econômica. a relaçllo en· faro de que apenas naquele ESlOOo cons· ue o capital cafeeiro e o c:apilal indus­ tituiu·se plenamente o complexo cafeei· trial elll contraditória. Minas Gerais Aureliano (1981). no combcio do café. 1989/4 balbos de um grupo de ecooocuistas da pRUSSO de "retrocesso industrial".1ll de um dpido pi(J(�. as reJaçoes s0- sllbordínaçllo do segundo ao primeiro. 1978 e elemento propulsionado< . da industriali· 1985). em funÇllo da ro. deslinado a explicar café. bases de acum"laçao. ]010 pai. Por outro lado.e 1 propOe-se a explicar as IU. e ao mesmo tempo uiado um amo as origm. j". o desenvolvi· Paulo. texto. o entendímento das lealidades ec0- Manoel Cardoso de Melo (19&2) e I. Assim. utilizan· dades de inverslJo de capital lanto no de­ do os mesmos procOOimenlOS de análise senvolvimento de uma agricullUlll Ihel- . e ciais de produção vigentes e as peculiari· des'" ao capilal inlemaCionaJ.al indUSlrial originou�se na d&:pd. canti l como na indústria. esces esclldos tem Ihoot explici'a"a em seu artigo "PadJões em COillQm a valorizaçlo du' relações difeaa. Finalmente. o dades da cOlllel'c ializaçllo e do financia· desenvolvimento do capilalismo baseado mento do café nlIo o pennitiJam . tomando como referen· dnstria1iuçlO no Brasil E. De fato.iana nômica' do Rio de Janeiro. oferece também propostas de in· mento da IavOUlll cafeeira. cafeeiras do período assina'ado tiVClllm De acordo com estes trabalhos. SlIo Paulo Rio de Janeiro. Cano por isso. Es1a Universidade de Campinas . paoa a compiunslIo do I*IlCCSSO de in· . o zados por Wilson Cano (19TI. na CSte.s· fundame. nos demais. seu modelo do leria eliminado um ócio à expanslo do complem cafeeiro. Assim. WiI'()D Cano (1977).256 ESIOLJOS lDSlâ'r. a partir da realidade paulista.!fllbUl&c cial de análise a economia pal!lis18. que. ConIudo.Unicamp l*oposIa de gmnalizaçllo do modelo do -. A dc. pressupOe a possibilidade de e industriais. abrindo oportuni· Já em seu trabalho de 1977. Instituindo !erpn:'açAo sobre a industrialização no desde cedo o b'abalbo livre. e o dínamismo da indústria pio meJCado p8lll produlOS alimentícios paulista.llal de difaenciaçDo enlre SlIo so de acumulaçllo oc:orrido no selar ex· Paulo e as demais regiões consistiria no portador de caf�. Do conjunto de esIudos pioouzidos na De acordo com esta pelSpeclÍva COI!· Unicamp\ des'=mos aqui aqueles reali· plemencarista.speito de seus e Espírito Santo mcootra-se porém "'c· enfoques Cspec{frm. café--indústria. portanto.cier"álS das principais regiOcs ca­ caf�·indústria como fator fundamenlal feeiras (18�1930)" de 19&5. já que. impôs-lhe limites que pennitem namismo desta atividade.os . atribuem um ' rdevanl. a expansAo generalizaçllo para as demais áreas cafe­ da IavouJa teria também ampliado as eiras do pais. no caso de SlIo Paulo.. entre os quais ""S'rlm-sc Sérgio complexo cafeeiro e de sua ap 1�lIo Silva (1976). seja a perda de di· trial. ao analisar O caso de SIo zaçllo leria sido. ao mesmo tempo o elemento capaz de explicar seja a ex­ que estimulou o deSCílvolvimento indus­ pansao industrial. seria a relaçllo caracterizá-Io como tardio e CO SlI •te:(fico.

SoIdadol. indus trialiVldos.capazes e que os capitais para a nova atividade por sua vez de baratear o custo da força provieram principalmente do comércio de lrabalho .Om ica. demonstrando que a desenvolvimento industrial brasileiro expansllO industrial nlIo criou um anta­ antes de 1930. atnlvés de uma polbca havia uma complementariedade de de proteção alfandegária deliberada e. entram ne cena poUtlc8 autores sugerem que o desenvolvimento industriaJ deu-se de forma dclica. na medida em que a antiga como contribuições imponantes os Ira· economia cafeeira do vale do Paralba e balhos de Nlcia Vilela Luz (1960). Esses diversos estudos sobre a indus­ Uma outnl proposta de interpretaçãO trialiVlção. conclui­ Por rim merecem ser citados ainda se que. lenentee • generll. atnlvés da conc essl!o de incentivos e subsldios a indústrias espe. alter­ Um outro ator político de fundamen­ nando fases de aumento de capacidade laI imponAncia e que mereceu análise produtiva e fases de aumento da capaci­ cuidadosa da historiografaa sao os milita­ dade de produção. o escravismo prolongado teria impe­ setor cafeeiro nlIo constituiu importante dido O desenvolvimento da produção de fonte de recursos diretos para a indústria. gêneros alimenlicios baratos . Um dos pontos República. Nada mais natural. inicialmente. tiveram um papel fundamen­ sobre a expansllO industriaJ na Primeira laI ao reforçar as interpretações sobre o República é apresentada por Versiani e sistema polftico brasileiro na Primeira Versiani (1977 e 19&0). . que questionam a existência cenlrais do argumento desses autores é a de uma contradição fundamenlal enlre o defesa da tese que o Estado desempe­ setor agrário-exportador e os setores ur­ nhou um papel positivo na promoção do bano-industriais. num processo de "inexorável suoria". já que foram eles fruto da variação da taxa de câmbio. a foi abrir novas JlC. utilizaç� mais imensa e prolong:v!a do rompendo com uma visão dicot.. DificullaIldo O aparecimento setor exportador.ISjJCCtivas de análise. Enquanto Silo Paulo se expandia.: OI mili­ indústria de tecidos de a1godao. Estudando o desenvolvimento da 4.iado a possibilidade de zaçao surgiu como resultado dos eslfmu­ criação de um setor agrícola dinâmico los produzidos pela conjugação de perío­ que pudesse !rocar impulsos com o setor dos de diriculdades e de expansao do industrial. Essa alternância seria res. de um mercado de lrabalho livre e am­ Versiani (19&0) indicam também que o plo. posteriormente. nais no processo de expansllo industrial. ainda que nao espec ificamente mais se afastar. Este apoio concretiwu­ gonismo com O setor exportador e que se. toda a lia Lobo (1978) e Bárbara Levy (1980 e economia fluminense e carioca entnlva 1989). cíficas. 257 reduzia a presslI<> dos custos da produção preocupados com diferenciações regio­ industriaJ. As concl usOes de F. interesses das duas esferas econômicas. esses tar. ao tnlbalho escravo na cidade e no Eslado defender a hipótese de que a industriali­ do Rio teria esv37. Eulá· da regiao de Minas declinava. entrando Uma outnl contribuição de Versiani e a pa1Úr dai no cenário político para nlIo Versiani. Por inferência. que proclamaram a República.bem como a criaçao de de importação e do reinvestimento de um mercado consumidor para produtos lucros do próprio setor fabril.

sobretudo entre os seguido­ ção entre oligarquias rurais e setores res de uma teoria marxiSIa mais econo­ urbanos. O livro clássico que serviu de miciSla e determ inisla.'lo.) Virgínio Sanla Rosa novas tendências teóricas que privilegia­ foi o iniciador de sua exala con­ ram o papel do Estado na condução do ceituaçlio: colocou-o em seus devi­ desenvolvimento brasileiro.urilo de Carvalho tenentes desempenharam na Revolução ( 1977). Em suas análises estes autores "O tenentismo. 1964. ocupou o cenário brasileiro. com as personagens ainda no passam a ser enfocados tendo em visla palco". os mililares Este modelo de inlerpreIação organi­ puderam desempenhar este papel de zacional seria contudo relativizado pelos vanguarda política do "povo brasileiro" trabalhos de Maria Cecflia Spina Forjaz devido a suas origens e articulações 50. 1978. mais particularmente no pós-I968. zer que é esla inlerpreraç!lo que domina Publicado em 1933.258 ESl1JIJOS IDSTORJCOS . sobre o para O estudo dos militares eslava inseri­ movimento tenentisla e sobre a atuação da denlrO dos modelos de inteipretaÇllo dos mililares na Primeira República. glande ciais. teve sua reedição os textos sobre mililares. Na vislio de Sanla Rosa. uma variável fundamental: o pertenci­ mento à corporação mililar. de Virgínio Sanla Rosa. A ação dos qüência dos próprios acontecimen­ mililares e do movimento tenentista tos. que enfocavam a dinâmica da Primeira Esla concepçlio encontra campo próprio República como resullado de uma oposi­ nos anos 50. Este tipo de A intelegibilidade da Primeira Repú­ análise. Seu foco de aná­ os textos de Edmundo Campos Coelho lise está nos anos 20 e no papel que os ( 1 976) e José M. emerge um dos termos. base a essa inlerprelaçlio foi o O semido Até meados dos anos 60.. à análise dos contem­ Ao longo dos anos 70. das classes médias urbanas. Estrutura-se assim urna linha de parte da produçlio bibliográfica volrada interpretação "classista" . e os livros de la Rosa: Boeis Fausto ( J 970) e Décio Saes (1975). Os primei­ dernos do Povo Brasileiro" em 1963. que tinham como sua vanguar­ dros. mais modernizador e industrializante. quer sejam patrOCinada pelo ISEB nos textos "Ca­ mais ou menos acadêmicos. deslaCando avullando como manifeslaÇlio polí­ igualmente a ausência de um projeto tica cuja complexidade escapava. 1988). 1989/4 Praticamente até os anos 60. Tenentismo e Revoluçlio de 30 desenvolvimento deste tipo de reflexlio. É inegável a importância. Mantendo sempre a . O ros trabalhos que criticam esla orienla­ prefácio de Nelson Werneck Sodré cor­ ção são artigo de Maria do Carmo robora e revigora a interprelação de San­ Campelo de Sousa (1968). ( . entre o fim da Pri­ conteslam a tese de que os mililares re­ meira Guerra Mundial e o Eslado presenlavam politicamente os interesses Novo. via de regra. são dois temas de análise imbricados dos acontecimentos ocorridos no pós- desde enl. para o de 30. que valoriza o papel da organi­ blica para Sanla Rosa eslava no choque zaçlio mililar como instrumento de soci­ entre as oligarquias e as classes médias alização política e de formação de qua­ urbanas. e no bojo das porâneos. tem como seus melhores exemplos da política os mililares. E fez tudo isso na se­ oulrO tipo de interpretaçlio. (1977.. pode-se di­ do lenenlismo.

O jacobinismo foi e Spina Forjaz. Nesle senti­ Deu• • o diabo •• tlo nII 1_. desleS dois movimentos nos ajudam a Retomando o debate com José Murilo entender tal percurso.0 . do .privilegiaram como objeto menle. cl •••• operá ri. confundir os dois para a comprcensllO da dinâmica mais movimentos. Nesta nismo e o movimento jacobino . que o foco das in­ adesões significativas da cúpula mililar e vestigaçOes volte-se para o exame de ato­ maior articulação com bases populares. de Queiroz ( l987) é o melhor nais e pouco significativos para a polí­ exemplo desla preocupaçllO. Enquanto o pri­ la a imponãncia das relações desenvolvi­ meiro e sua principal figura . toriográficas. José Augusto Drummond (1985. para Drummond.que eSlavam fora dos ela mesma objeto de reflexão que parere setores oligárquicos dominantes e que. sem dúvida.concei tuados como que nllO ocorreu no segundo caso. Para ela. do movimento de 1964 com todos os É interessanle.lndlCllto e grande. No primeiro caso houve global deste período. na versão "oficial" dos fatos republi­ teria sido esla a razllO das dificuldades canos. 1986). nem tlIo sislemático. o jacobi­ mento explicativo r. surgem os trabalhos de sem dúvida um movimento violento que.ACO 259 mesma linha de análise. rmalizar com seus antecedentes e conseqüenleS dramá­ uma reflex110 sobre o tralamento recebi.o floria­ durante a Primeira República. Peixoto . ufrnçao de classe" ou "movi· A questllo do movimento jacobino é mentos sociais" . "classe". Para ele. se envolveu marechais. portanto. tlIo surgia apenas marginalmente nas É significativo realçar este momento análises sobre mililareS na Primeira Re­ porque ele é.. que rejeitou e combatlllJ o alençllO e valorização. o segundo recebe ampla do Exétcito. eram percebidos como margi­ Suely R. o apoio popular que os tenentes receberam não foi nem tlIo 5. que até en­ tica coronelisla.1 . mas suslen­ nismo e o tenentismo. As caraclerísticas movimento rebelde. se não envol­ ráter mililar. como "patrocinador dos direitos do povo".nlIO se nova perspectiva. o lenentismo é uma corrente política dentro do Exército. O livro de em geral. quanto nas próprias análises his- enfrentadas pelos lenenleS junto à cúpula . o res co1etivos . v. PRIMEIRA REPúBUCA: UM BALANÇO lDSTORJOOR. o do contexto pública. crescer a panir dos anos 80..s"'ocial. nlIo conseguindo alcançar as palen­ que clentlstas SOC13IS nacionaiS e es� • • • • • • - leS superiores que o combatem vigorosa­ trangeiros . a saber. ticos no que se refere à mobilizaçllo . Ir. Já o lenentismo. também en­ A idéia principal deSle autor é a de que o volveu o baixo povo da cidade do Rio de movimento lenentisla tem um nítido ca­ Janeiro. a autora assu­ do pelos movimentos que envolveram os me a dimensao corporativa como ele­ mililareS neste período.Ã. do. defendendo os inleresses da veu generais. toma-se fundamental deve.figuram obscurecidos Ianto ciedade brasileira. Se a inspiraçãO desle modelo de de seus estudos as populaçOes rurais e a atuaçllO mililar vem do republicanismo classe trabalhadora que povoa as cidades radical da virada do século .Floriano das entre mililareS e setores civis da s0. inclusive. que fala para o Exér­ O fim da década de 50 e sobretudo a cito e mobiliza oficiais de patenle infe­ década de 60 marcam O momento em rior.01. propiciou a saga de muitos corporaçllO e o seu papel de vanguarda heróis e anti-heróis dos anos 30.

dizer que é SÓ nos inícios da década de Trabalhando de forma comparativa com 60. proc. cia da perspectiva histórica no estudo de 30. que se traduz na questão da processo de induslrializaç�o e de for­ burocratizaçAo do sindicaID no pós-30.1989/4 popular no e na ddade De uma campo (. O problema do sindicaro gues (1966) seriam os dois outros bons único na Brasil. No caso da classe pode-se com o tipo de intervençllo do Estado. com o tipo pam um grande espaço nesta produçllo.260 ES11JDOS HlSIÓRJCOS . de Azis Simllo. de resistência do patronalD e. O primei­ República e chama a atençllo para as ro deles chama a a1ençllo para a relevân­ experiências de legislaçllo social no pré. que ela se iOf1Ia um objelD pri­ chama a atençllo para o tipo de tradiçllo vilegiado de reOexAo acadêmica A preo­ organizacional desle primeiro momenlD: cupaçllo mais geral que move os impor­ uma tradiçllo mutualista (e nlIo corpora­ tantes estudos então produzidos é expli­ tivista).urando confrontar os do movimento operário na Primeira momentos do pré e do pós-30. que dores.e para a organizaçllo forma geral. de Evaristo de Moraes exemplos de estudos que tratam da clas­ Filho. podemos dizer que a e atuaçllo pol!tica dos trabalhadores e litecawra produzida vai nIo só pulCurar para suasrelaçOes com O poder do Esta­ demonstrar a participaçllo social e do. embora ver- .para liberal democrática do país. mental tanlD no processo de industriali­ O a aponlar para um processo de unifor­ zaçllo quanto na experiência política mizaçllo dos tipos de associaçllo . O próprio título toda a sociedade.. documentos de associações ralista da Primeira República. reconhecidamente o berço do nizações.­ militantes do movimenlD operário tam­ mo quando (lmocadtx hiSlOricamenle_ bém coostitui outro ponlD inovador de Azis Sirnllo.em espe­ ra e os movimenlDs sociais urbanos ocu­ cial os coonilDs grevistas -.e ensllo destas características nIo se faria para um processo de "racionalizaçllo" sem um retomo ao periodo da Primeira das relações e açOes sociais destas orga­ República. Outro livro que também Iem o papel uma instituiçllO social . É o sob o enfoque do desenvolvimenlD do primeiro trabalho que recupera a história sindicalismo. quer na do palrooalD. sob o choque do desmonle do paCID o periodo do pré e do pós-30. publicado pela primeira vez em se trabalhadora na Primeira República 1952 e reeditado apenas em 1978. Os Iextos de José Albertino Rodri­ O texlD pioneiro e hoje clássico é. sobretudo. A tdilizaçllo de fontes como dados pol!tica destes a'O<es no arranjo fede­ estatí!'lÍCffl. Neste sentido.enlD cha. oulrOs aulDres: a questão do sindicalismo COIlsiderando-o exagerado. quer na experiência de trabalha­ car as carac terísticas desta classe. maçllo da classe trabalhadora brasileira.acar A cidade e couelacionar as condições de trabalho por ocasÕIIo da emergência do sindicalis­ Os estudos sobre a classe trabalhado­ mo na Primeira República . O aulDr deixa nítido O foco de atençllo deste e de critica a ênfase dada ao corte em 1930. mes. o aulDr populista. E a compre­ o que concorre fortemente o ESlado .. gues (1966) e Leôncio Martins Rodri­ sem dúvida.o sindicato - de abrir caminhos é Sindicaro e Esrada que afeta o processo de transformaçllo de (1966).()Iuo ele. como tam­ de classe empresaria1 e enirevis1as com bém postular seu sucesso relativo. O exame da bem ou mal vinha tendo papel funda­ evoluçllo do sindicalismo no Brasil leva. Sua análise procura des.

que disculem Pralicamenle. Alravés desta eslratégia com­ 1930 e siblam sua importância para a parativa . com ênfase para 'l m'lmenlD da Pri­ panid'lS poHtic'ls. COlige generalizaçOes e relativiza COR­ Vale 8 pena destacar que esres aulO­ ch. Mas já em meados de 70. e a do com uma fOrle verlenre inlerprerativa. localizar e socializar material período de 1945 a 1964. com as caraclerisli­ Gomes (1988). eslAo se confronlall­ lismo amarelo. Para ele. que na segunda Jnelade dos anos 60 lemática do sindicalism'l na Primeira bu scam afrrm ar a presença social e polI­ República. perava a alUação desres elemenlDs eram que lida com a experiência d'lS comunis- - 'lS IexlDS de memórias de lideranças do tas.bafIO e conflilo i. havend'l recuos para a déca­ ID. Em laI empreendimen­ curiosidade. quando 'l sindi­ documenlal referente à classe rrabalha­ calismo corporativisra convive com os doca. Ambos os livros valorizam a ex­ lhando com o operariado do Ri'l e de periência vivida pelos lrabalhadores até São Paul'l. v'llume I . 1975). quando 'l model'l teria sido lrabalhand'l com as questOes da imi­ m'lntado. que consagraram direra 'lU indiretamenle deste livro de a visao de uma sociedade brasileira sem Boris FauslD. e opuária fIO Brasil. Inúmeros estudos selA'l lribulários das décadas de 30 e 40. associa-se a Michael HalI. como muitas movimenlD c. Enue 'lS muilDS ponlDs que úca dos rrabalhadores no conrexlD da destaca estilo a imponãncia d'l sindica­ Primeira República.sOes . Francisco F. expandindo e complexificando a res. e a primeira parte do livro de Angela movirnemo sindical. Historiador que o primeiro niIo 6 mero "reflexo" ou consagrado. sem qualquer (1 979). O movi- . mas neste momenlD gio.­ sos v'llumes de documentos: A c/asse dusrrinl (1890-1920). dedica-se • ca o al V'l de alençA'l dos estudiosos. a única lireratura que recu­ o anarquismo. al­ gração. 6 'l grande cenlrO da meira República.abelecida entre a cena por Paulo Sérgio Pinheiro e Miehael evolução do sindicalismo e a evoluçiloda Hall. força da proposta dos anarquistas. Prad'l ( 1986). O [uo d'lS anos 60 e inlci'l d'lS 70 sa'l O trabalho de Paulo Sérgio Pinheiro e pródigos em IexlDS que se voltam para a Michael Hall melece alençilo. ele relDma às questOes do decorrência da segunda. JunlDs eles publicam dois precio­ São eles Trabalho ". sendo particularmente importante. em espec ial. cas naturais de laI tipo de produçAo. 261 dadeiro. depois da publicaçilo de seu livro niIo é por excelência a Primeira Repúbli­ Po/{tica e trabalho (1975). anarquistas e comunistas. Irabalhadora. o !exlD de Zaidan (1985). A eonlribuição de Boris Fausro é legislaÇilo lrabalhista no Brasil. Hardman (1984) e presença significativa de rrabalhadores. sem "opinião nar 'lS textos de Sheldon L. Dentre eles cabe mencio­ "c lasses" organizadas. O a estudar. Macan pública" e. Paulo Sér­ elas. e da guns rexlDS trazem de v'llra 'lS 'llhares e classe operária em Sã'l Paulo (1969 e os debares para a Primeira República. lraba­ sugerir. que lrata de socialistas.até enlAo muilD pouco se es­ linha mais geral de aluaçAo sindical no crevera sobre a experiência carioca - país.. AntOni'l A. do trabalh'l n'l campo.".perári'l e sindical já aponra­ vezes algumas inrerpretaçOes parecem dos pela Iileratura especializada. de Boris rauslD. com Ela pode ser identificada nas análises ênfase para sua dimensao de projelD cul­ dos chamados ''pensadores aulDrilários" tural. que vinha da de 30. sobreludo para 'l Ri'l. laI !nfase advém de o conjunlD de publicaçOes desenv'llvido uma confusao es.

considerando a si­ to. movimento sindical que uma rede de Estas observaçOes ressaltam a impor­ associações de classe se estruturou no tância para este tema de análise de um Rio de Janeiro e São Paulo. o ponto mais É importante também aponw o papel significativo destes estudos é ressalw a desempenhado pelos trabalhos de Luiz presença política do ator burguesia urba­ W. O de relativizar esta visão. De uma maneira geral. é importante significativas resenhas bibliográficas assinalar que foi durante a Primeira sobre o tema da classe trabalhadora. Vianna. pra­ do trabalho no Brasil do pós-30. classe trabalhadora cobrindo o peóodo que vai. no que se refere à política social . . Em se­ e qualificando sua forma de organização gundo lugar. 262 ESTUDOS IDSTóRICOS . mesmo quando dis­ era efetivamente o de um condomínio cutia privilegiadamente o papel da bur­ monopolizado pelas oligarquias cafeci­ guesia e do Estado. e A classe operá­ Saens Leme (1978) e Angela Gomes ria no Brasil. articulando as vida e trabalho. quando ticamente pouco se tinha publicado. Neste sentido. ausência de representação política Primeira República. Estas as­ bendo pouca atenção da literatura: a bur­ sociações. seu texto na. suas carências: fraqueza organizacio­ embora não se concentre no período da nal. Condições de (1979) vêm preencher. República e sob o estimulo do próprio ambas publicadas no BIB (1978 e 1984). Assim. portan­ movimento sindical. sua análise era especialmente clássica de um poder de veto e buscando vinculada às questOes da política eco­ alternativas ao universo da representação nômica da Primeira República. volume 2.o Estas conclusOes importam para se que envolve diretamente as relaçOes com pensar as questOes da industrialização e a classe trabalhadora e o Estado -. e o perfil xOes sobre o corporativismo e sobre o de Primeira República que se consagrava movimento sindical. Desta forma. relações com os empre­ preocupações sobre O processo de sários e o Estado (1981)*. produziu duas das mais polftica. algumas com tradição que guesia industrial e comercial. atuam corno fortes o objeto do livro de Nícea Vilela Luz grupos de pressão. provocou muitos etc. Em primeiro lugar. quanto do pós-30. Brasileira" ( 1977). tanto no pe­ regulamentação do mercado de trabalho) ríodo do pré.açãO e de formação da classe lo Sérgio escreve um longo anigo para a trabalhadora a partir de um outro ângulo "História Geral da Civil ização de vis�o. Tendo sido data do século XIX. assina­ tuação do mercado de trabalho. e enfati­ lando sua presença na luta por seus zou a dinâmica das relaçOes entre bur­ interesses chaves (wifas alfandegárias e guesia-Estado e sindicato. 00 ponto • • Edgar Cume (1979) tambón organiza e publica um volume de documentos sobre . O autor ras o O esforço daqueles que estudam os retomou à queslllo da periodização do setores urbanos da burguesia é. dentre outras alor que até esse momento vinha rece­ cidades de menor peso no país. utilizando a forma (1975). É uma proposta corporativista começou a este espaço que os trabalhos de Mariza ser encaminhada pelo Estado. Pau­ industrialil. A presença dos paradigmas europeu debates e amou como estimulo às rene­ e norte-americano era evidente. de Isn • 1944. pol ítico-partidária . 1989/4 - _1110 o�rário (1979). Sozinho. analisado até enlllo muito mais por Libezalismo e sindicato no Brasil (1976).

que foi nllo só o palco privilegiado do movi­ se contrapõe à estreileza e dificuldade da menlO operário. 263 de vista desta resenha impona destacar duranle a Primeira República Os estu­ que. Em de­ rica e IeOricarnenle os diversos tipos de cOllência. do pós-1930. surge como principal espaço para este tipo de movimenlO. caroia registrar aqui que e a importância da questllo da participa­ a cidade. durante a Primeira República. JaneÍ!U. e o que concluímos da tais movimentos só emerge com a per­ leitura é justamente a necessidade de cepçlIo de que eles afetam a política co­ uma linha de ref1exlio que articule empí­ ronelista e silo pa' ela afetados. mais atuais que privilegiam esta lemática acentua um ponlO novo e básico: a rela­ é justamenle a preocupação de nllo mais çlio exislenle entre a história política do distinguir tlIo claramente entre manifes­ pais e a eclosilo de movimentos sociais. verifica-se a complexidade Finalmente. Em arnbos no lempo e no espaço da Primeira Repú­ os casos praticamente um mesmo episó­ blica. Os dois melhores exem­ ral considerada como marginal e atrasa­ plos para o que estamos destacando silo da socialmenle. Contestado e J uareiro. dava a política nacional e estadual du­ O que se pode observar nos estudos ranle a Primeira República. vllo Revolta da Vacina (1984). a cidade do Rio de partidos sob controle oligárquico. mais uma vez. por ser a capital da República e maior núcleo wbano até pelo menos os O campo anos 20. os lemas pri­ curaram tratar da atuação da população vilegiados silo os movimenlOs messiâni­ urbana enfati zaram uma separação entre cos de Canudos. entre a população ru­ policlassistas. sobre a par­ menlOS sociais rurais nllo podem nem ticipação política na cidade do Rio de devem ser tratados como fatos isolados Janeiro na virada do século. quando urna campanha contra a para a articulaçlio de interesses de um carestia teve fOrle peso mobilizador. com destaque). conOilOs. a estratégia de vida e de luta movimenlOs sociais urbanos ocorridos desleS homens do campo nlio é a do des- . çlio política na Primeira República. Neste caso. Até prati­ No caso dos estudos que se voltam carnenle os anos 70. vêm corrobo. como igualmente dos utilização dos mecanismos formais de chamados movimenlOs sociais policlas­ representaçlio política. os livros de Nicolau Sevcenko. Para isso. Desta forma. Toda esta (campanhas. em seu conjunlO. os textos que pro­ para as populaçOes rurais. situados como um presidia o paCIO coronelista que coman­ fenômeno à parte. e as alOr político relevanle como a burguesia dificuldades dos anarquiSlas para organi­ comercial e industria1. quebra-quebras) e reflexão tem como objetivo principal um movimentos da classe trabaJhadora (gre­ melhor esclarecimento da lógica que ves. a Primeira República dos de Boris FauslO sobre as greves de emerge como um período estratégico 1917. sobre a Esses trahalhos. permitindo refle­ zar sindicatos. circunscrilOs aos sistas. Ao contrário. tações da classe trabalhadora e conflitos religiosos ou nlIo. manifestações espontâneas e violentas além da questllo do cangaço. e de José portanlO defender a tese de que os movi­ Murilo de Carvalho ( 1987). a inlelegibilidade de dio 6 analisado.-ar a peJSiX'C­ xOes mais refinadas sobre as linhas de tiva dos laços que unem os diversos continuidade e descontinuidade do pré e segmenlOs sociais da populaçlio urbana.

da socióloga Maria Isaura retoma sua interpre1açllo magna . Euclides da Cunha. o livro. direitos da editon Vilória. Em sua análise. t de 1972. aliás. Primeira República. tos rurais encabeçadQs pelas Ligas Cam­ Outro trabalho de grande importância ponesas do NordeslC. � de 1976. O trabalho cruciais em sua análise. siluaremos apenas al­ como sua tese de doutoramento na guns estudos. vimentos de rebeldia. mesmo Pereira de Queiroz.. Deus e o diabo na lerra do sol menos violenras e impactanles de confli­ (1964). em seus movimentos de revolta duranLC a seu clássico texto sobre Canudos. porque isoladas física e cursoras e anunciadoras de futuros mo­ politicamenle dos centros da civilizaçllo. de 1 963. •• A I •. revuta e aumentada.·· A proposta de Maria lsaura Vale começar pelo lexto de Rui é demonstrar a pl'ec<lrie. juslamente a partir delas que a fraqueza sobretudo a partir de meados de 60. com I qual trab. pois é revelador de um grande inICr­ material" para suas origens e fins. com igual interesse ao filme de G lauber Nos anos 60 e após experiências nlIo Rocha. locutor de fundo: Os serrou de Eucli­ Seriam razOes de ordem econômica e des da Cunha. a academia se vol­ e influência é O messianisrrw no Brasil e ta para o ICma do homem do sertllo e no mundo."açllo que todos se das populações do interior. tem prefácio do mestre Roger grafia sobre o lema. pois é de Rui Facó teve grande divulgação. vistas até então com tolicismo popular rústico que percebe a significado negalivo. eram formas de expres­ rural corajoso e violento. H' wna la. 1 qual trabalhamOl. sa e mlstica destes movimentos rurais. cdiçio. escrito Neste conjunto.dade da noção de Facó. . 1989/4 ten'O. Fruto de pesqui­ quando não a menciona diretamente. Cangaceiros e fanálicos. a da participação Iambém mirtimizar a dimensão religio­ poUtica. ligada ao PCS. foi feiLt pela Civilizaçio Bruileita. formas esras pre­ atrasadas. Bastide. expressa0 do são de "vitimas de uma monstruosa fanatismo religioso de populações organização social". dolorosa e atrasada de Trabalhando com os exemplos de Ca­ manifestação cultural da população nudos e }IIazeiro. constrói a imagem de um movimento em decorrência. sas que dalam de 1948.. edição de 1965 e a 3•.Jhamos. É muito natural. Tais movimentos. ""'1. do homem do campo se transfigura em quando se tomou uma espécie de leiwra força e emerge a figura do serlanejo obrig8lória para toda uma geração de como o símbolo real da nacionalidade estudanleS universitários que assistia brasileira. crescentes à épo­ Isolamento e atraso são variáveis ca da publicaÇão do livro. hoje clássicos da historio­ França. ediÇ-io é de 1965 e I la. escri10 messianismo como uma forma no­ na década de 50 e publicado em 1963. que polltica que. Facó vai conotar posi­ rural. O m•. provocavam defronrassem. produzindo o abandono fosse com esta interp.ssianismo é tivamente as categorias de cangaceiro por excelência uma forma do ca­ e fanático. mas ao conirário. Seu estudo vai religiosidade de maneira distinta da • A lL ediçio. que adquiriu seu. Este aspecto é para nós fundamen­ defendendo uma explicaçllo de "cunho !al..· velesca.264 ES11JOOS IDSTóRlCOS .

. Ralph DelJa se estruturam no Brasil da Primeira Re­ Cava (Milagre em Juazeiro). PRIMEIRA REPúBUCA. resposta bem sucedida de uma O texto de MaurIcio Vinhas de Quei­ população marginalizada que integra o roz. bora também considerando o mes­ manifestando violcntamente o desejo de sianismo como um renômeno quc cxige garantir seu direito a terra .. até a destruição trágica que sociedade industrial e como rato de des­ envolveu ccrca de 20 mil pessoas. proprictirios e lnlbalh.is. por via das próprias liderança. UM BAu. ontcm tanejos a instaurarem a sua "monarquia ". região.gadOl de palrei. passa por um "progresso". é inovador pelo sagrado ao seu cotidiano e o vive como tratamento que dá às fontes. tido como específico da rilheiros. Canudos e Contestado".como ponto estratégico conflito social: a guerra sertaneja do para se entender as relações sociais que Contestado: 1912-1916). políticas e econômicas que nicos.· Para ele. processos judici'rios c inqumlOS �ici. que também pro­ in úmeras questOes e propostas da duz nos anos 60. pen2 dcslAlcar que o aulor trabalha com depoimentos de moradores d. mento messiânico . rarquia da Igreja Neste sentido.. pode ser "desvi­ ponto a destacar é o de como o autor ado" deste percurso. publicado em 1966. ao mundo. dentre outros. os trabalhos anteriores eram apenas rela­ desafios de viola etc. Maria lsaura não Contestado é um movimento messiânico descarta nem minimiza a central idade de de tipo clássico. movimento do COOlestado desde a morte carismáticas.ieos de jornais. em um ensaio como eSle. Para clc. seguindo caminhos acompanha o processo que leva os ser­ inusitados no campo e na cidade. Uma conclusão tos sobre O Contestado. de seu líder santo.o de JU31"iro.dores rurais. mesmo quando o recusa de Impossível. e hoje. forma radical.NÇQ IUSTORIOORÁFla> 265 praticada no I horal. privilegia outro movi­ autora. mas ressalta a mesma quesl!!o V i n has de Queiroz (Mtssianismo t . no retomado por autores como Maurício Ccará -. cavalhadas. imigl1lnlcs (recolhidos entre 1954 e 1961) e lambém com art. a autora HGCB) e Walnice Nogueira Galvllo (Na propOe interpretar os movimentos calor da hora: a guerra de Canudos nos messiânicos como uma estratégia de jornais). dele. na preocupação com a análise das condi­ perspectiva dos movimentos messiâ­ çOes sociais. Douglas pública. O truição do misticismo. Seu trabalho é um marco. discutir. o "campesinato". o texto da autora comprova que sua transformação em reduto de guer­ o racionalismo. cuja orientação Teixeira MOnleiro ("Um conrronto entre t dogmática e puritana conforme a hie­ Juazeiro. Da mesma forma que Vinhas de • Vale . em­ em oposição 11 república dos coronéis. não havendo real importante desta tese é a de que. passando pelo estabe­ Como Roger Bastide acentua em seu lecimcnto do acampamento religioso e prefácio. uma resta: com proci ssOes . Seu traba­ comereial e experiênciBs de "rerorma lho é um eSlUdo sobre a trajetória do agrária". que tende a readaplar-se sua dimensão mítica e mística. Distintamente de Rui Facó. mesmo uti­ permitiram sua eclosão naquela região. as Ralph DelJa Cava. o explicação sociológica. l i zando modelos tradicionais de or­ nem com a possibilidade do surgimento ganizaçãO. de um "homem Santo" que aglutinou como por exemplo uma economia mais tantas pessoas em tomo de si. mesmo que brevemente.a da terra .

movimentos messiânicos. em eli\es estaduais e nacionais da Primeira um artigo publicado pela revista Dados República. é interessante registrar a manutenção de uma religiosidade que importância para esses estudos dos tra­ nllo se pautava pelo rompimento com a balhos de Eric Hobsbawn. (millcias privadas existiram desde o séc. Mas é só com o federalismo. periódicos. o autor vê os movimen­ podiam constituir-se em opçOes revolu­ tos de Canudos e J uazeiro como lendo cionárias. e os esforços para a Pata finalizar. para o meno de quase meio século. A com as crescenlCS disputas por rec ursos preocupaçllo com a análise documental políticos e econômicos de poder. . bem como a recusa da in­ claro que o paclO oligárquico \em equilí­ tcrpretaçllo que vê o movimenlO messiâ­ brio precário. o servadores" ou "reformistas". pelo decrescente poder dos oligarcas e 18m tanta coesão e duraçllo. fica está fmnada. evidenciariam tal in­ movimentos rebeldes podiam ser "con­ terpretação. Juazeiro e o Con\estado. os vínculos com a na literatura de cunho memorialísuco. Engrossando. Juazeiro é wn fenô­ como primeiro glande analista. deixa este aspecto Nessa mesma linha está o tex10 de muilO claro. Nem Canudos. Este movimento signi ficativa­ nome da instauraçllo de uma comunida­ men\e só é destruído após 1930. mas cenamente não por Della Cava. cujo sentido políti­ de rebeldia no campo ilustram o seu co é dado tanto por suas relações com as "ponto péssimo". e são suas "ponlO ótimo" des\e paCIO que se traduz bases místicas e pollticas que possibili. Amaury de Souza. que tem o cangaço como seu a ttierarquia da Igreja Católica. os cúpula eclesiástica. o autor utiliza fontes até então De forma geral. mais ou mesmo tipo de conclusões defendidas menos violenlOs. COITo presteza de mestre e da populaçllo rural. de futura justa e fra\ema. realizadas entre 1963 e 1964. Dois texlOS. MuilO antes da Primeira Douglas Teixeira Monteiro. todos estes trabalhos nunca examinadas: arquivos eclesiásti­ sobre os movimenlOs messiânicos. ao cos. islO é. 1989/4 Queiroz. que trabalha República existiram rebeldes no sertão de forma comparativa com Canudos. o do ConslCS­ de outro. e a eX\ensllo do poder central. portanto. os estudos sobre os movimentos so de cunho popular. O laço que une cangaço e coronelis­ nem Juazeiro possuiriam tais componen� mo é muito fone e vis(vel e \em tradiçllo teso Nos dois casos.266 ESlUOOS HISTÓRICOS . que esses rebeldes organizam­ tado como o único a possuir carac\erísti­ se em wn movimenlO de cangaceiros que cas milenaristas. a postular um vive e explora os interstícios desta desligamenlO da sociedade instituída em ordem. pelo menos. de do autor está em distinguir entre eslCS um lado. Rebels (1965) e Bantlits (I 969). a correspondência do pOem a outra face da moeda coronelista. padre Cícero e entrevistas com remanes­ Com o estabelecimento do federalismo e cemes. Para ele. "e VlLor Nunes Ieal cha­ nico como frulO do fanatismo e do atraso ma a a\ençllo. fo­ profundas raízes na situaçllo da estrutura ram leitura e inspiraçllo para todos os eclesiástica católica e significativos que se vol taram para o campo e para os apoios entre proprietários de terra e rebeldes do Brasil oligárquico: Primitive comercian\es da Primeira República. A contribuiçllo XVII). polltica oligárquica. ex­ regillo. É preciso pelo crescente poder da burocracia de examiná-lo como um movimento religio­ Estado. objelO de análise. quanlO por seus embales com em 1973. arquivos privados de políticos da ressal tarem a violência no campo.

não SÓ para Estado. sariamente considerar a relevância de De forma consensual. destacando aí O período do Igreja neste período é desvendar como pós-Segunda Guerra Mundial (Thomas ela enfrentou a queslllo da transformação Bruneau. sem dúvida. quando à tensão que. . PRIMEIRA REPÚBUCA: UM BALANÇO IIISTORIOGRÁACO 267 apreensão das marcas que ele imprimiu Em nome de Roma. na Terra de fS. através da espiritual do papado que se manifesta na famosa queslllo religiosa. I l uminar os caminhos desta de brasileira. passou a marcar as relaçOcs Estado-Igre­ com ela.a da fé calÓl ica. É dentro deste Santa Cruz contexto que a literatura volta-se para as grandes reformas que a Igreja sofreu em Reflelir sobre o período inicial do ex­ meados do século XIX e passa a refletir perimento republicano no Brasil é neces­ sobre suas implicaçõcs no Brasil. racionalismo cienlificista moderno c a Não se pode dizer que seja eXlensa a ampliação dos espaços das crenças con­ bibliografia que privilegia o estudo da correntes. onde o conservadorismo católico geral. deslancha um dificuldades que alimentam em grande creseente interesse e reconhecimento da parte interpretaçOcs que vêem o período imponância do período da Primeira Re­ da Primeira República como um inter­ pública. como também para a tado duramente a hierarquia eclesiástica. um mo­ clero. eom a perda das regalias assegu­ a compreensão da história do cato­ radas pelo Padroado Imperial. alguns dos A Primeira República se inicia exi­ imporlantes trabalhos sobre a Igreja ocu­ gindo da Igreja uma contundente refle­ pam-se de sua hislÓria institucional e das xão crítica e um grande esforço organi­ relaçOcs que ela manteve com a socieda­ zacional. consolida-se a idéia de que se tra­ da Igreja no Brasil. São estas reconhecidas conjuntura dos anos 70.ação e nacionalização do da República é.ação espiritual que se desen­ mento renovador católico que foi espo­ cadeou a crise da proclamação da Repú­ sado pelo clero latino-americano em blica. como um movimento ofensivo Igreja durante a Primeira República. A Igreja. Através das análises empreendi­ regno do ponto de vista do poder político das. motivado pela quicas regionais. do regime do Padroado. foi golpeado com O fim da Monarquia e. e a instauração mo e na morali7. A separação Igreja­ tava de um momenlO-chave. ja no Brasil. está nas bases reformulação dos conteúdos do catolicis­ da crise da Proclamação. O ultramontanismo era tanto um mento-chave para a história do catolicis­ movimento defensivo ante os avanços do mo brasileiro. fos­ comandar uma política de supremacia se ele o nacional. na sociedade brasileira. mas da Igreja através da afirmação da hierar­ pode-se sentir que ela cresee a panir dos quia e da pure7. tavam culto e clero. em boa parte. contexto desta orientação de renovação e tanto ao esúmulo produzido pelo movi­ disciplinari7. e como eslfUWrou O que gostaríamos de reSsaltar aqui é suas relaçOcs com um novo regime polí­ que o interesse acadêmico pelas relaçOcs tico consagrador das lideranças oligár­ Estado-Igreja no Brasil. por exemplo). Catolicismo brasileiro em épo­ das bases materiais que até enlllo susten­ ca de transição ( 1974). após 1964. ma. fosse ele o metropolitano. Foi no anos 70. a bibliografia uma inslituição que por mais de quatro situa que com as encíclicas Quanta Cura séculos manteve estreitos vínculos com e Sy/labus Errorum (1864) Roma passa a o Estado. teria afe­ licismo no Brasil. Por esta razão. ESle fato deve-se.

ao exigir do clero um efe­ ças oligárquicas. 1977) é um exemplo do que deseja­ Igreja. A Igreja passa a estar do. a educação e cuidadosa e profunda rede de relações oulrOs espaços cativos da fé. para ele. espi­ que os grupos dirigentes não conseguiam ritismo etc. cultos africanos. Desta forma. Preenchendo um espaço seitas prolestantes. Moura e José Maria G .não balanceas� as perdas: o endossa a visão de que a Igreja nllo foi não conlrOle do catolicismo popular. como prin­ ças do Cardeal l. poder político" da organiUlção eclesiás­ de um lado. mas sua militância se con­ dução dos próprios quadros eclesiásti­ fronta com um clima de indiferença reli­ cos. o crescimento das crenças e J uazeiro. tégia de conlrole. República é um momento fundamental Este ponlO é importante. pois ele se para a conslrUção institucional da Igreja sustenta a despeilÓ do reconhecimento no Brasil. alender por falta de recursos financeiros É em relação a eSle quac!ro de fundo e humanos. e também por falta de lradi­ que se deve analisar a proposta de Sérgio ção. sob as lideran­ de romanização do Vaticano.eme e de Getúlio Var­ cipalmenle quer SUSlentar que a Primeira gas. A elite os grupos oligárquicos do pais. um presenle em todas as capitais estaduais e clima de ilusório otimismo. tivo trabalho apostólico. era também enlte alto clero católico e novas lideran­ uma salvação. de estas evidências têm dois ponlOS fones. a Igreja sela uma fone aliança com Miceli em seu mais recente livro. No cômputo nas principais cidades do paJs.manulen­ se para São Paulo. desde fins do século XIX até os anos 20.268 ESTIJDOS IDSTÓRlCOS .. o autor laica e do ensino religioso estar fora dos . Mas. Minas Gerais e Nor­ ção do presúgio social e político denlre desle. Almeida ("A Igreja na Primeira Repúbli­ O primeiro é o da expansão territorial da ca". O texto de Sér­ De uma forma muito esquemática. Nesle caso. era uma ameaça. Farendo O despeito da educação ser formalmente pêndulo correr para o oulrO lado. assinalando. Miceli questiona de que o fim do Padroado foi um fato as abordagens que sustentam a "perda do ambíguo na própria vim da Igreja Se. fosse ela dirigida para a repro­ reconhecido. ao mesmo tempo. através do estabelecimento de mos fixar. pois ele chama a atenção para uma verdadeira máquina organilJlcional o progresso institucional e para a liber­ de novas dioceses (o que inclui edifica­ dade que a Igreja conseguiu neSle perío­ ções e prelados). O segundo argumento de peso se re­ O papel de líderes como Carlos de Lael e fere ao invesLimer. fosse dirigida para os quadros da giosa ou de religiosidades a1lernativas: elite política. 1989/4 só ocorrendo uma recomposição de seu não apenas relaLiviUl o teor da política poder por volta de 1930. em sua estra­ concorrenleS e o menor poder político. A eclesidstica brasileira (1988). a Igreja monla um Esla conclusão de fundo sustenla-se verdadeiro "cinturllo de segurança" que mesmo quando estes autores analisam a impede a difusão desle catolicismo p0- presença da intelectualidade católica pular rebelde. a capaz de incorporar ou domesticar os descristianizaçãO das camadas superiores movimentos messiânicos como Canudos da população.to na área de fonnação Jackson de Figueiredo é sobejamenle escolar. pela ins­ tica nestas décac!as e a1inba evidências tauração de um Estado não confessional que demonstram a conslrUçlIo de uma que JaiciUlva o casamento. com ênfa­ geraJ é como se os ganhos . gio L. vale notar que Miceli oulrOS .

Vilal e a publicação da áurea de expansão dos colégios católi­ revista A Ordtm. nos debates sobre educação. a Igreja - derosa e segura. é católicos . este act) e que dispensável por Carlos de I. acoplava-se a "Escrevem. a quando destaca a ausência de envol­ Igreja católica é um interlocutor de vimento poUtico direto por parte de au­ primeira ordem. çlo de 1870 • g. insistam na perda da innuência poUtica da Igreja nesse período. crrtica crescente ao ideário libellll . mas aquela nAo poderia nem deve­ vai surgindo (.çlo r.. Da g . por dos castigos de homens livres: o exemplo. situaçOes que vão criando: Prome­ prios da arena poUtica institucional. 198 1 . a precisa dimensão desta estratégia Apesar de todos esses problemas. é a Primeira República a Case çAo do Centro D. . . inclusive de seu poder em especial através dos intelectuais poUtico.. 7. a nosso ver. discutiu e consolidou um tipo de estraté­ gia para lidar com a poUtica. O pró­ eugenia. Uma estra­ No prefácio do já mencionado À tégia que recusou a COllllaçAo de um par­ margtm da Nst6ria da R. sobretudo entre o laicato. a Igreja Longe de estar distante dos grandes que surge desta leitura está bem mais p0. Nos movimentos nacio­ uma requalilicação do que devia ser o nalistas. Igreja·Estado mantinham fortes mas sentem com a própria obrn que laçoo. festas reli­ giosas.onho. muitas interpretaçOes clero blllSileiro.. ). A cria. dade sem consciência ( . Um .. autor dá-nos uma imagem preciooa da recriminou todos aqueles que desejavam avaliação que os intelectuais tinham s0- ser "políticos de batina". 1917.) o irremediável das ria se expor aos conflitos e paixOes pro. dão ensino secundário de moças e IlIpare8.pública. bre sua situação e papel histórico durnnte à desejada visibilidade ritual presente a Primeira República: nos paramentos.ctuala prole'am a Republlca nesse momento que a hiernrquia católica do.deles participou e para eles que durnn te a Primeira República houve se preparou. especialmente os vol tados para o Jackson de Figueiredo nos anOO 20.. uma tância. antes de tudo. porque não puderam também agora desejada invisibilidade fauc ainda outra coisa senão pensar. lugares santos etc. embolll reco­ nheçam seus avançoo em vários setores.jus­ comprovam o esmero e a eficácia do alto tamente por isso. poder da organiVtÇao eclesiástica.17) a Igreja está munida de um sólido recur­ so de poder para fundamentar sua mili­ A República fora.. absorvida esta orientaçAo. 1978). existiu um significativo partido silêncio horrível de uma nacionali­ católico. uua . em espec ial. (Azzi.. poUtica. orga­ tido católico (desejado e considerado in­ nizado por Vicente Lidnio Cardoso. As décadas de 30 e 40 toridades católicas no BllISiI. sob a direção de cos. De certa fOIlIla." En tretanto. 1982 e Velloso. p. "idéia" no sentido forte do termo. acontecimentos do período. na prio Sérgio Miceli indica laI avaliaçAo. arte moderna e.publl· A dificuldade está em ver que Coi cane : oe Int. já que no Chile. alguns dos quais não resolvidos. É teus acorrentados pela opinião preciso assinalar que esta não é uma públiql que os esmaga com o maior opção universal . A questao central. PIIWp11tA REPÚBUCA: UM BAlANÇO HlSTOIUOORÁFlCO 269 currículoo. (Cardoso. Talvez.'. sacrarnentoo.

mesmos. uma vez que em ciel de Barros. Os . de uma socie­ suscitou e pelos desdobr3(llentos políti­ dade sem povo. mas IaIllbém sem elites cos que envolveu. que teria povo-nação. a "vanguarda" res­ culo XIX fonnou-se no Brasil um movi­ ponsável pela educação da elite política mento ilustrado que guardou do ilu­ continuava a ser a dos intelectuais. da "inteligência" brasileira por1adora da de um povo educado . no papel dos intelectuais. dos neste período. Ape­ minismo europeu do século XVIII uma nas os intelectuais não eram mais os crença radical no poder da ciência e. educação. Na segunda imigração. Ou seja. de uma nova geração que não brasileira e a idlia de universidade vira a escravidão nem o imperador. Esla literatura é muito vasla renovado a "mentalidade brasileira" e e di versificada. as questOes mais candentes. É de Maciel e Bar­ brasileira de que a eles cabia a "missllo" ros. neste sentido. e a aceilação geral na sociedade spencerianislaS ele.ais que. Décadas após. e a República IaIllbém não. a educa­ realizado pelos intelectuais é o de uma ção foi fundamental pelo entusiasmo que nação sem consciência. de que em fms do sé­ a ser o da República. como esle tema. do filósofo Roque Spencer Ma­ "construir" a República. De e uma das mais profundas razOes para tal . é seu diagnóstico muito se destruíra e dele o conceito de uma "ilustração bra­ pouco se edificara . um pon­ Com ceneza. a construção da idéia de iluminar as elites que con struiriam o de uma "geração de 1870". não imporlando. Tratava­ lectnais Que se travaram na virada do se de enfrentar problemas concretos século. O diagnóstico questões da Primeira República. O projeto continuava sileira". como elemento fundamental para se dis­ As múltiplas resposlaS para o desenho cutir O papel do Estado e a posição dos de uma nova arquiletura política da s0. que A primeira e talvez a maior das con­ iluminariam o país através da cultura. ser­ parte. A esle movimento pertence­ cultura na Primeira República nos per­ riam I3nto libecais como Rui Barbosa e mite chegar é a do papel de vanguarda Joaquim Nabuco. 1989/4 projeto de ação abraçado por uma gera­ Um dos livros mais imporlantes sobre ção de políticos e intelecn. isto é. outros inte­ que lhe são posteriores é A ilustraçáo loctnais. contudo. intelectuais. o au­ temas e as mais variadas posiçOes eslllo tor acompanha os debates político-inte­ presentes no campo intelectual. no caso. organização do trabalho. política que os intelectuais se aUlO-atri­ positivislaS (ortodoxos ou helerodoxos). quer ( 1959). como "cientificislaS". arte ele. bufam . quer por seu pioneirismo. e a principal razão para que se opunha basicamente à "menlali­ tal fato é a densidade dos debates ocorri­ dade calÓlico-conservadora".que pudesse organizar-se e paradigma de definição deste saber. Os mais variados Na primeira parte de seu Iexto. por ele lutaram na vira· pela influência que exerce nos trabalhos da do século. deSlacando autores e aponl3ndo como os de saúde. agricultura. 270 ESTUDOS HISTóRICOS . quer "mosqueteiros". constituir uma "opinião pública". situa a "idéia de universidade" viço militar. Como O título anuncia. no amplo quadro de to de convergência básico. o fabetizado . tudo isso emerge a centralidade do papel situação era a ausência de "povo". Os inlelectuais reco­ compelentes e capazes da grande I3refa nheciam que o Brasil não era uma nação. da clusões que a literatura produzida sobre educação. ponamo. ciedade não impediam. hislÓrica a que eslavam destinadas. ao menos al­ luz do saber.

As relaçOes entre os de 1880 até os anos 30 e 40. e o livro de Thomas Skidmore. e seu artigo na "História vale apontar a publicação em ponuguês Geral da Civil izaÇãO Brasileira". onde o projeto de trans­ experimentos e disputas. serviço publicana. Neste caso. apesar Uma outra alternativa. transcendendo . ele é útil para tário. 1928)? no pensamento brasileiro (1976). era privilegiar a tinua sendo uma opçao para se tratar do educaçllo das elites que posteriormente impacto das expediçOes de Belisário consuuiriam o povo. os tra­ livros de Renato Oniz (1985). especial.aç30. I'IUMEIRA REPÚBLICA. Ele pane do grupo de brasilianislaS que em chama a atenção para as pregaçOes início dos anos 70. miliUlr e exercício do voto. Além disso. mas não mais vislumbrado nas se trabalhar com a evoluçllo do debale carreiras "clássicas" de advogado. o próprio modelo de univer­ nacionalidade na Primeira República 030 sidade era uma queslllo para o debate. produzido como tese (1977). provavelmente de ter sofrido uma série de críticas. 1927) e Distrito PrelO no branco: raça e nacionalidade Federal (Fernando de· Azevedo. 1925). o que envol­ co e engenheiro.30. Minas Gerais Nagle. com a do é o da construção da identidade na­ presença marcante de um intelectual ciona) desde as geraçOes de intelectuais como Olavo Bilac. Sobre as relaçOes entre raça e Além disso. veio ao Brasil inle­ patrióticas que agiUJram os anos 10 e ressado em pesquisar nossa história re­ envolveram educação cívica. médi­ sobre raça e nacionali dade. e como o formaçllo social emergiria "por baixo"? terreno eslava adubado para a ação do Ele nlIo seria muito longo e arriscado? E Eslado no p6s. UM BALANÇO HISTORlOGRÁACO 271 laços entre educação e cidadania eram em suas análises. Assim.de na Primeira Re­ Quanto à queslllo do nacionalismo. Em seu caso O tema escolhi­ . Mas como o tema da educaçllo ao contexto maior realizar tal tarefa? O caminho deveria ser do perlodo. Novas possibilidades ve OS temas da imig. que ensaiava reformas em São lhador nacional. "A do trabalho do brasilianisUl Ludwig educação na Primeira República" Lauerhass (1986). e de André grande contribuição. pública (1974). Campos (1986) sobre Monteiro Lobato. Neste caso específico. Paulo (Sampaio Dória. Ceará não dispomos de textos como os de (Lourenço Filho. con­ mais rápida e segura. assinalam os problemas e po­ de doutoramento em 1972. ou com os métodos da "escola razllo da falia de produtividade do traba­ nova". do trabalho do eram essenciais. (Francisco Campos. Educação e sociedo. o in­ Pena e Anur Neiva sobre o meio político vestimento deveria ser o ensino unjversi­ e inlelectual . que ser dirigido aos debates sobre a saúde investira no ensino primário e secun­ como causa do atraso do país e como dário. quando a "movimentos-polltico-sociais" e as queslllo nacional torna-se problema polí­ "correntes de idéias" slIo um ponto rico tico capital para o Estado. pois permitem integrar óbvios no debate da época. e as árcas das ciências homem brasileiro e do homem negro em naturais e humanas eslavam em aberto. se pode lambém deixar de mencionar os No trato do tema da educaçllo. é possível vislumbrar O da "instrução pública" e U1mbém como os anos 20 foram cruciais em profissional. como percorrê-lo? Com os métodos Este mesmo tipo de observaçllo pode tradicionais manuseados pela Igreja. sobretudo balhos de Jorge Nagle lambém Irnzem seus dois primeiros capítulos. Lauerhass faz siçOes que dominaram o período. Seu l i vro. 1920).

ed. Composta por textos escritos Mas a preocupoçao de Lauerhass tem em diferentes momentos e para diferen­ um texto antecessor de peso: O caráter tes finalidades. além do der com a Europa sem imitar? O que é • anigo de Bolivar Lamounier ( 1977) so­ ser universal? E possível ser universal e bre a emergência do pensamento autori­ nacional? Ou. inserindo aí as expeclllti- . e a que domina este momento literário. ma vívida o ambiente social e político da 1 965). O nome do autor já é indicaçllo capital federal. já que cobre o os interessados no panorama das idéias momento da Primeira República com no Brasil. dos também utilizada por Brito Broca ( 1 975) quais gostaríamos de destacar. s6 é possível ser universal tário na Primeira República. foi produzido como tese de vagar: "Literatura e cultura de 1900 a psicologia social e difundiu o debate a 1 945". Li/era/ura e sociedade (Ia. Ordem burgul!Sa e liberalismo período é praticamente um interregno paU/ico ( 1978). O conceito em sendo nacional? E o que é ser nacio­ de "ideologia de Estado" proposto por nal? este autor tomou-se ponto central no Este elenco de qucslÕCs está implícito debate de todos os que passaram a inves­ no grande dilema intelectual que define tigar a natureza do Estado e as relações o campo da literatura e das artes plásti­ que mantém com os intelectuais no pré e cas na Primeira República. Um deles é e hoje referência obrigatória para todos panicularmente valioso. Entre eles vale começar mo e de carência de força criativa. constitui um conjunto nacional brasileiro (2a. Antônio Cân­ no p6s-30. O l i vro. Nem pelo de Alfredo Bosi ( 1 977). evidentemente. Carlos Guilhenne los" é efetivamente imitar? Como apren­ Moua (1977) e Oliveira ( 1 98 1 ). Vinculado a este conjunto de dido nos rala dele ao situar a chamada temas eslAo também vários texlOS de "Iiteralum sorriso da cidade".272 ES11JDOS lUSTÓRlCOS .. Outras dilema dos letrados: universalidade e cOlltribuiçOes importantes sao os livros nacionalidade. 1969). da obra. por seu em outro livro importante sobre o assun­ esforço em diseutir as idéias liberais no la. Nas ais na Primeira República e é sobre ela primeiras décadas do século XX. Para Antônio Cândido. Importar "idéias e mode­ de Cruz Costa ( 1 967). autores como Lima Barreto e Hilário Distinguindo-se parcialmente desta Tácito. 1989/4 em muito os debates e projetos das déca­ suficiente para entendermos a influência das anteriores. ed. expressão Wanderley Guilhenne dos Santos. de que passeia do período colonial ao sécu­ Dante Moreira Leite. Já em seu início O autor situa o respeito do "caráter nacional". Trabalho polêmico lo XX de nossa literawra. Isso. de Euclides da Cunha. prosa e que existem alguns trabalhos hoje clássi­ poesia padeceram de excessivo fonnalis­ cos no assunto. porém. este Brasil. contudo. entre dois grandes momentos de esplen­ Mas é a queslAo das letras e das artes dor literário: o romantismo do século que mobiliza por excelência os intelectu­ XIX e o modernismo dos anos 20. que fez escola e é está o trabalho de Nicolau Sevcenko referência obrigatória é O de Antônio ( 1983)_ Neste texto o autor situa de for­ Cândido. dando-se " estaque a obras como trabalançar o clima de estética morna Os sertões. para se che­ perspectiva e aproximando-se em aspec­ gar ao movimento modernista. onde se mesmo figuras como Euclides da Cunha mapeia e avalia •• vertentes liter' dtias do e Lima Barreto são suficientes para con­ período. tos rundarnentais de Maciel de Barros.

Deseja-se compreender O contex­ literário da virada do século eslllO os tra­ to hislÓrico em que se desencadeou. que procura apontar como o truir uma periodização do movimento. por nias e antinomias. ele desvenda aspectos alé enlllo não ticas. a produção bibliográllca analis. desenvolvimento técnico . O Cândido).inlIOduçãO destacando-se Cases no pré-30 (como é o de novas Connas de registro sonoro e de caso de Moraes) e aspectos distintos no impressllo .innuenciam o processo de pós-30 (como LaCelá e o próprio A. e o universo da litera­ exemplo. mes seria nec essário citar os de Roberto Finalmente seria inICressante regisUllr Schwanz ( 1 977 e 1 987). desta NesIC quadro amplo de inIClecruais. As obras de lar alguns textos como os de Lafelá Euclides da Cunha e Lima Barreto 530 ( 1 973-4). um grande impacto que se re­ ( 1 977 e 1979). em ologia do campo intelecwal. porque não valorados. o maior movimento de traçado por Antônio Cândido. sobre­ da Primeira República. A partir destas preocupa­ sua vida e sua obra não cessa de crescer çOes. pois trata-se de uma sis. neste período. eslAo os livros de Sérgio Miceli sentido. vro no Brasil ( 1985). Desta Cor­ suas concepçOes e manifestaçOes artís­ ma. os crlticos literários. Entre esses no­ tudo para o período do pós-30. produçllo literária e artística em geral.1ndo publicaçOes. o Cundador da Acadcmia Brasileira carreira profissional. Alguns dos lectllai� podem ser desenhados: os edi­ mais importantes crlticos li terários e tores. tratados. naturalmente. renovaçllo artística que já se verificou no Também voltados para o panorama Brasil. quem os patrocina de Letras em 1897. Trabalha com a idéia da geração concentra a maioria das análises. vale destacar a originalidade da Por OUIro lado. O que ilustrada e combativa de 1 870 e apoma nos é posslvel rarer nesIC caso é assina­ para a sua fragmentação. Reconhecido hoje fmanceiran. porque esco­ reCerência obrigatória: Machado de As­ lhem esta carreira. Outro aspecto Cunda­ sobre este autor e seus trabalhos consti­ mental levantado por Miceli é o da rela­ tuem material significativo para uma çllo entre intcleclttais e Estado. No caso de CinemLllógrafo de le­ por que assumiu certas caracterlsticas_ Iras. John G ledson o trabalho de Laurence Hallewell. talvez o aproximaçllo com o mundo intelectual ponto mais polêmico de sua tese. De uma Conna geral esta litera­ tura da Primeira República que daf tura consagra a visllo de que O modernis­ emerge � mais vigoroso do que no perfil mo �. Francisco Iglésias ( 1 975) e conCronladas numa dinâmica de sinto­ Eduardo J_ Moraes ( 1978 e 1 988). PRIMF. Realizando uma . pro­ balhos de Flora Sussekind ( 1 985 e curando-se explicar por que eclodiu e 1987). mundo dos inlelectuais que viveram nas Tomando um caminho distinto e pio­ últimas décadas do século XIX e nas neiro para a análise dos intelectuais do primeiras do século XX soCre. como eslá eslrUturado o como o maior dos romancistas brJSilci­ mercado de uabalho e o mercado para ros. que investe em uma soci­ nele em suas vidas c. Trata-se de saber quais slIo as uma figura se dcstaca por seu papel de origens sociais dos autores. UM BALANÇO IDSTORIOGRÁflco 273 vas. desilusOes e rcarazaçOes dos intelec­ Mas é o movimento modernista que tuais. ainda hoje.ente. o� redatores cientistas sociais vêm se debruçando de jornais etc. busca-se também cons­ abordagem. outras atividades e perfIS de inIC­ em quantidade e qualidade.IRA REPúBUCA. temática. O li­ ( 1 986) e !(atia Muricy (1988).

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