UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIENCIAS SOCIAIS-UFMA

DISCIPLINA: TOPICOS EM CIENCIAS SOCIAIS II

KESSIA ROSARIA DE SOUSA

RESENHA

OLSON,M. A logica da ação coletiva: os benefícios públicos e uma teoria dos
grupos sociais. Tradução Fabio Fernandes- São Paulo. Editora da
Universidade de São Paulo, 1999.

Mancur Lloyd Olson nasceu em Grand Forks cidade de Dakota do
Norte localizada nos Estados Unidos em 1932. Depois de completar seu ensino
secundário obteve o título de Bacharel em Ciência na Universidade de Dakota
em 1954. Posteriormente, iniciou seus estudos de Pós-graduação em
Economia na Universidade de Oxford , interrompido em 1961-1963 para
cumprimento de serviço militar nas forças armadas dos Estados Unidos. Antes
de obter o doutorado em Economia pela Universidade de Haward, sua tese foi
rejeitada duas vezes pelo professor Thomas Schelling. Tal tese foi base para o
livro, A logica da ação coletiva em 1965. Em 1967 mudou-se para
Waashingyon para exercer o cargo de Secretario do Departamento de Saúde,
Educação e Bem-estar durante a administação Johson. Dois anos depois,
deixou seu posto no governo para ser professor de Economia na Universidade
de Maryland, onde permaneceu até sua morte em fevereiro de 1998.
(BOTTINO, 2009)

Após a segunda guerra mundial, as discussões estavam centradas
como formular uma teoria economica que demonstrasse analítica e
empiricamente que o interesse individual foi à base fundamental da troca entre
os grupos de individuos que permite entender como os preços e as “riquezas
das nações” foram formadas. A Logica da ação coletiva surge nesse contexto
para analisar interesses indiviais e interesses do grupo. (BOTTINO,2009)

uma finalidade básica da maioria das organizações é a promoção dos interesses de seus membros. Teorias Ortodoxas do Estado e das Classes Sociais.” (p. Olson se apoia no conceito de benefício coletivo. O livro está dividido em cinco capítulos: Uma teria dos Grupos Socais e das Organizações. Tamanho de Grupo e Comportamento Grupal. As teorias do “subgrupo” e do “Interesse em Especial”. Para sustentar sua teoria. eles não tem nenhum interesse comum no que toca a pagar o custo do provimento desse benefício. por fim. Embora todos os membros do grupo tenham consequentemente um interesse comum em alcançar esse benefício coletivo. grande ou pequeno. ‘ eles não agirão para atingir seus objetivos comuns ou grupais a menos que haja alguma coerção para força-los a tanto ou a menos que haja um insentivo a parte. aquele que uma vez conquistado por um grupo não pode ser negado a qualquer pessoa desse grupo. A partir da combinação entre interesses individuais e coletivos dos membros sob uma organização é feita uma comparação entre o funcionamento das organizações e uma situação de mercado caracterizada pela concorrência perfeita e sugere um padrão de interação entre os membros das organizações em que os bens organizacionais característicos são coletivos. A ideia central da obra de Olson é que.. “ os individuos racionais e centrados nos proprios interesses não agirão para promover seus interesses comuns ou grupais. “ qualquer grupo ou organização . os indivíduos participam de ações coletivas quando tais ações possam lhes trazer ganhos individuais. isto é.” E ainda destaca que. o autor se contrapõe as teorias dominates do comportamento coletivo formuladas na década de 1950. favorecerá a tods os membros do grupo em questão. A par da existência de interesses exclusivamente pessoais. conhecidas como teorias tradicionais dos grupos sociais. Na introdução da obra o autor aponta que. a constituição de organizações só tem sentido na presença de interesses que aglutinem os membros de um determinado grupo enquanto conjunto de indivíduos que compartilham de algum interesse comum. visto este como indivisível. mesmo que este não tenha se dedicado em sua obtenção. Teorias Ortodoxas dos Grupos de Pressão. O Sindicato e a Liberdade Econômica.14) Desse modo.33) . públicos. diferente da realização do objetivo comum ou grupal. “ (p.. Para Olson.

grupos menores tendem a ter maior adesão de seus membros. o menor tipo de grupo em que “ um ou mais membros ficam com uma fração tão grande do ganho tota que julgam valer a pena fazer com que o benefício coletivo seja provido mesmo que tenham que pagar o custo total sozinhos.” Afirma ainda que.58) tanto nos grupos intermediários e oligopolísticas. “ (p. Os fatores que podem impedir que os grandes grupos de promover seus interesses são: 1.quanto maior o grupo.. (p. “ nenhum benefício coletivo opderá ser obtido sem algum acordo . menor a fração total de ganho que caberá a cada membro (. Quanto maior for o grupo.35) Segundo o autor.quanto maior o grupo. grupos “privilegiado” “e grupos” intermediários”. mais longe ele ficará de atingir o ponto máximo de provimento do benefício coletivo. menor será a probabilidade de interação oligopolistica que poderá ajudar a obter o benefício coletivo.” (p. coordenação ou organização grupal” (p. ou para o ônus ou ganho de qualquer membro do grupo tomado individualmente. 3- quanto maior for o numero de membros. (p.60) O autor faz uma divisão entre grupos “latentes”. mais custosa será a orgaização.Quando trata do tamanho dos grupos o autor ressalta que não se trata somente do numero de individuos mas do benefício coletivo que tem cada individuo no grupo. “cada membro fica com uma porção substancial do ganho total simplesmente porque há poucos membros no grupo.46) Para ele. O grupo latente é caracterizado quando a contribuição de cada indivíduo para a provisão do benefício coletivo não exerce uma diferença perceptível para o grupo como um todo. O grupo privilegiado. mais ele precisa de organização e maior deve ser o numero de membros incluidos nesta. “quanto maior o grupo. tornando-se significativo a cada membro.47). acontece quando o grupo possui no seu interior algum membro . grupos grandes são mais aptos a não atingirem seus objetivos visto que o benefício adquirido será diluido a ponto que os custos de participação são superiores os benefícios adquiridos. menor a fração de ganho total total grupal. devido o fato de o beneficio ser dividido por um número igualmente reduzido de participantes. O autor afirma que para uma organização ou coordenação informal obter benefício coletivo é necessário.) quanto maior for o grupo. 2..

O autor destaca que o incentivo econômico não é o únivo possível. respeito. ao tratar . por sua própria conta. tal sucesso advém do então chamado sindicalismo compulsório baseado na filiação obrigatória e piquetes de violencia e controle dos postos de traballho. no caso do grupo ser "privilegiado". Apontando ainda similaridade entre o Estado e as associações privadas.” (p. grandes sindicatos obtiveram sucesso. “tal perda poderia pesar mais na balança que tal ganho economico. uma vez que nenhum ator desfrutaria de uma parcela tão grande do bem público que lhe compensasse arcar com todos os custos envolvidos na ação coletiva. este embora adquirisse ganhos economicos. Entre tais teorias.72) E se alguns membros do grupo provesse o benefício a custa do outros . Enquanto Ugo Mazolla. Apresenta diversas teorias que abrangem estas noções de Estado e Classes sociais. isto é. ou seja. Através da premissa que “os pequenos grupos podem se prover de benefícios coletivos melhor que os grandes grupos. apresenta a distinção entre empresas publicas e atividades estatais que beneficiam a todos os cidadãos.115) tais teorias segundo o autor foram aperfeiçoadas por outros pensadores .disposto a arcar sozinho com todos os custos da ação coletiva. Os "grupos intermediários" são aqueles que não possuem nenhum membro com interesse em promover. No entanto.” o autor explica o padrão histórico de crescimento dos sindicatos. “a quantidade de benefícios publicos consumida dependia da quantidade de benefícios privados consumidos. No quarto capítulo do livro. em que os serviços estatais básicos beneficiavam a todos. o autor sobre as teorias ortodoxas do Estado e das classes sociais. a de Emil Sax. perderia socialmente com ela.” (p. o benefício coletivo de maneira integral ou simplesmente de forma parcial. os outros membros pegarão "carona" nos esforços do empreendedor.” (p. apontou para uma indivisibilidade dos benefícios publicos .72) e que tais incentivos sociais funcionam somente em grupos de tamanho menor onde há contato face a face com todos os demais. “pois as pessoas se sentem motivadas por desejos de prestigio. amizade e outros objetivos de fundo social e psicológico. havendo ainda uma complementaridade entre benefícios públicos e privados.

os individuos racionais desse grupo também teriam uma razão ou incentivo para apoiar uma organização que trabalhasse pelos seus interesses. as teorias da racionalidade perfeita. No entanto.” (p. Desse modo. “ Mas se individuos em qualquer grande grupo estiverem interessados em seu próprio bem-estar.124) Os grupos de pressão geralmente contrabalanam uns aos outros.”(p. sindicatos e demais organizações contemporâneas. não há um interesse comum na sociedade. isso torna-se injusto para toda a sociedade. eles não irão fazer voluntariamente nenhum sacrifício para ajudar seu grupo a atingir suas metas políticas (públicas ou coletivas. a teoria do subproduto dos grupos de pressão aplicada somente ao grupo grande ou latente. mas sim uma sociedade composta por grupos e interesses distintos. segundo as teorias ortodoxas dos grupos de pressão.” (p. o autor faz uma análise extremamente racional das organizaões e dos interesses grupais.140) O autor então aponta a falácia defendida pelos pluralistas que “ se um grupo tivesse alguma razão ou incentivo para se organizar para promover seus interesses . formação dos grupos e influencia sobre o governo em que. grupos maiores emergem e organizam-se para combater interesses especiais caso haja desvio dos objetivos. compartilham todas da orientação de que o uso do pressuposto da racionalidade para explicar a ação social é válido em contextos fixos ou estáveis. ou seja. Segundo estudiosos. apesar de divergirem em muitos pontos. como aponta Olson. (ZAULI. Segundo Bentley. Trumam aponta relações imediatas guiadas pors causas pelas necessidades dos individuos. o autor aponta incoerencias em que Marx oferece uma teoria baseada “ em um comportamento individual racional e utilitário. trazendo uma melhor visão sobre os jogos de interesses dentro dessas . As incoerencias entre os pluralistas análiticos na afirmação que nos grupos o que tem relevancia é o interesse grupal e que os individuos estão preocupados com seu proprio bem- estar.1995) A obra nos trás ferramentas para analisarmos as ações desenvolvidas entre grupos sociais. se não há um resultado indevidamente favorável para qualquer individuo.sobre a teoria marxista.341) O autor aponta que os lobbies economicos grandes e poderosos são subprodutos de organizações que têm a força e o suporte que têm porque desempenham alguma outra função além de fazer lobby por benefícios coletivos.

bras.M. Zauli. questões emocionais e de defesas de princípios que fazem parte destas organizações. 1997 Bottino. MANCUR LOYD OLSON: UN CIENTÍFICO SOCIAL. (BAET. Ci.1997) BAERT. No entanto. existe um consenso entre teóricos tão diferentes como Parsons. Mesmo teóricos da ação weberiana. Dahrendorf. 35 São Paulo Feb.C.P.Año XIX . trata-se de uma racionalização completa das ações. E. Actualidad Económica . Bourdieu e Giddens com respeito à irredutibilidade da vida social à lógica econômica.Nº 69 . Soc. . deixando de lado.M. 12 n. 1995.Septiembre . Vanguarda Econômica. afastam-se de qualquer tipo de reducionismo economicista. Como aponta Baet. A emergência da teoria da escolha racional no curso dos anos 1980 é nada mais do que “a invasão do homem econômico. Algumas limitações das explicações da escolha racional na Ciência Política e na Sociologia. vol. Garfinkel.organizações (embora focada no ponto de vista meramente economicista e individualista). Grupos de Interesse e Ação Coletiva: uma critica formal a Mancur Olson.Diciembre 2009.” Representa o último assalto imperialista da economia na Sociologia: a subordinação do homo sociologicus ao homo economicus. tradicionalmente hostis a explicações de tipo holístico. Rev.