Eutífron (em grego clássico: Εὐθύφρων; transl.

: Euthuphrōn) é um dos
primeiros diálogos de Platão,1 datando de cerca de 399 a.C. Ele apresenta
o filósofo grego Socrates e Eutifro, conhecido como sendo um esperto religioso. Eles
tentam estabelecer uma definição para piedade sem chegarem a um consenso, ou seja,
trata-se de um diálogo aporético.2

Eutífron conta a Sócrates que processou seu pai em razão de um homicídio. Ele está
convencido em ter o direito ao seu lado e de agir piamente. Sócrates toma esta situação
incomum como oportunidade para induzir Eutífron a um diálogo filosófico sobre a piedade.
Eles tentam conjuntamente definir a piedade. Ao fazê-lo, são expostos a um aspecto
essencial do tema, que é formulado nesta obra pela primeira vez e, em razão disso, é
conhecido até hoje, tanto na Filosofia quanto na Teologia como o Dilema de Eutífron.
Trata-se de saber se (a) aquilo que é correto moralmente deriva sua correção por
corresponder à vontade de um Deus, que põe todas as normas; ou (b) se aquilo que é
moralmente correto tem essa característica em si e, por isso, é desejada pela divindade. A
significância da pergunta pode ser observada nas profundas consequências éticas e
teológicas que surgem da sua resposta. Para ambos os interlocutores, porém, esta
questão não é um problema, pois ambos concordam no fato de o moralmente correto
portar tal característica em si e, assim, agradar a Deus. Refutam, portanto, a tese de que a
correspondência de um comportamento à vontade de Deus é o que torna tal
comportamento correto.

Os interlocutores não logram definir satisfatoriamente a piedade e sua relação com
a Justiça. O diálogo, portanto, conduz a uma aporia, isto é, a um dilema aparentemente
sem solução. Eutífron desiste e interrompe o diálogo.

§Local, época e participantes[editar | editar código-fonte]
Sócrates conta que encontrou Eutífron no pórtico do Archon Basileus 3 , local que abrigava
o Judiciário, onde foi à justiça para acusar o próprio pai por assassinato e expressa
surpresa com isso e quer saber porque um filho faria acusações contra o próprio pai. 4

A não ser por dois outros diálogos platônicos, Eutífron não é mencionado em outras fontes
contemporâneas. Em razão disso, pode-se aventar que seja mera criação de Platão.
Apesar disso, costuma-se considerar que este interlocutor de Sócrates tenha, de fato,
existido5 . No diálogo Crátilo, Platão menciona diversas vezes um homem chamado
Eutífron de Demos Prospalta, de Ática, que compartilhava suas inspirações religiosas com
entusiasmo. Claramente se trata da mesma pessoa que em Eutífron.

Eutífron tem o ofício de vidente6 . Ele poderia ter sido um clérigo outrora, mas isto não é
dito expressamente em nenhuma passagem. Na caracterização de Platão, ele é visto
como alguém marginalizado pelos cidadãos da cidade, que não costumam levá-lo a sério.
Aparentemente, ele defende um conceito religioso tradicional, mas de uma forma estranha.

biblioteca24horas. 696. ISBN 978-85-7430-331-4. do qual constam dois fragmentos9 . deve ter ocorrido . em 405 a.no mais tardar em 404 a. ↑ Yi Yang. O homicídio. encontrou ele a solidariedade de Sócrates.Em razão disso. aos quais pertencia o pai de Eutífron. p. 2002. 39. Eutífron conta. ↑ CLÉVERSON MINIKOVSKY. 2. §Referências 1. Edicoes Loyola. §Transmissão do Texto[editar | editar código-fonte] O documento mais antigo é um papiro datado do século II. ISBN 978-85-15-02826-9. O manuscrito medieval mais antigo foi produzido no ano de 895 por Aretas de Cesareia no Império Bizantino10 . na ilha de Naxos. que. pois os imigrantes atenienses que lá residiam (Clerucos).C. cuja culpa Eutífron impõe ao seu idoso pai. HERACLITO VERSUS PARMENIDES. ↑ Amor scientiae: festschrift em homenagem a Reinholdo Aloysio Ullmann.C. A datação é baseada no fato de já ter sido proposta contra Sócrates o processo que culminaria com seu julgamento e execução. tiveram de deixar a ilha depois que Atenas sofreu uma dura derrota. distinguia-se do restante por chamar a atenção com suas afirmações provocativas e comportamento inusitado7 . 64. na Batalha de Egospótamos8 . p. O diálogo tem lugar no ano de 399 a. por sua vez. enquanto Sócrates conta com 70. EDIPUCRS.C. à época. com 50 anos. Donna West-Stru . 4. Filosofia moral. p. ISBN 978-85-7893-226-8.se tiver veracidade histórica . ↑ NERI. Demétrio. 3.