AS PARÁBOLAS DO REINO DE DEUS

Jesus usou muitas parábolas – pequenas estórias que
simbolizam determinadas verdades – nas suas
pregações. As parábolas de Jesus cobrem os mais
diversos assuntos e variam muito no tamanho e
complexidade.

Ele falava sobre o mesmo tema em diferentes
momentos e lugares, contando parábolas diferentes.
Mas a mensagem de fundo era a mesma. Por causa
disso, as suas parábolas podem ser agrupadas por
assunto – p. exe. Salvação e Reino de Deus – que é a
melhor forma de estudá-las, pois uma estória ajuda a
explicar e iluminar a outra.

O Reino de Deus foi um dos assuntos preferidos de
Jesus. E o que é isso? O Reino de Deus é todo local
e/ou circunstância onde a vontade d´Ele é feita.
Simples assim. Isso está bem claro na oração do Pai
Nosso, onde Jesus nos ensinou a pedir: “…venha a
nós o teu Reino e seja feita sua vontade assim na terra
como nos céus…” (Mateus capítulo 6, versículo 10).
Em outras palavras, Jesus devemos pedir que o Reino
de Deus se faça presente nas nossas vidas, e quando
isso acontecer, sua vontade será feita aqui na terra da
mesma forma como já é feita nos céus.

A Bíblia relata no livro de Atos dos Apóstolos (capítulo
2) a chegada do Reino de Deus, a partir da descida do
Espírito Santo durante a festa de Pentecostes. O
mesmo evento também marcou o início da Igreja

Por isso várias parábolas desse grupo temático apontam para o juízo final. contada a uma multidão (Mateus capítulo 13. Assim. quando todos os salvos estarão enfim reunidos. contada aos discípulos (Marcos capítulo 4. Jesus deixou claro que embora o Reino de Deus tenha chegado com a descida do Espírito Santo e venha frutificando ao longo da história humana. O amigo que pede ajuda. contada aos discípulos (Mateus capítulo 13. contada aos discípulos (Lucas capítulo 11. O juiz iníquo. versículos 2 a 8). contada a uma multidão (Mateus capítulo 13. A rede. O grão de mostarda. depois do julgamento final. contada a uma multidão (Mateus capítulo 13. O fermento. contada a uma multidão (Mateus capítulo 13. é possível dizer que a história da Igreja relata a implantação do Reino de Deus na terra. Há pelo menos oito parábolas de Jesus onde Ele tratou do Reino de Deus: A semente. versículos 3 a 9). O semeador. versículos 5 a 10). versículos 24 a 30). versículo 33). versículos 31 e 32). Nas suas parábolas. somente vai alcançar sua plenitude no final dos tempos. O joio e o trigo. . versículos 26 a 29). contada aos fariseus (Lucas capítulo 18.Cristã. versículos 47 a 50).

gerando crescimento do Reino aqui na terra. mas a conversão não é obra dele(a) e sim do Espírito Santo. Isso quer dizer que o(a) pregador(a) deve passar a mensagem para as pessoas. como também o resultado a ser obtido por Deus no final dos tempos. a semente precisa ser enterrada e morrer. logo o semeador é aquele(a) que prega o Evangelho de Jesus. A semente é a Palavra. Para a planta frutificar. dominada pelo pecado. em Jesus Cristo. fruto das suas boas obras. .Vamos ver em algum detalhe o que cada uma dessas oito parábolas diz: 1. E ao agricultor. É exatamente a mesma coisa simbolizada no batismo: a velha natureza humana. O crescimento da planta é desenvolvimento da fé nos corações das pessoas e sua mudança de vida. uma vez feita a semeadura. Jesus contou essa parábola porque seus discípulos lhe cobravam ação mais concreta porque tinham a ideia errada que o Messias seria como Moisés. A colheita tanto é o resultado que essas pessoas convertidas geram na sociedade onde vivem. só resta aguardar as plantas germinarem. A definição do Reino de Deus (parábola da semente) Jesus usou uma imagem rural – o agricultor que lança uma semente na terra e espera o crescimento da planta – para descrever como é o Reino de Deus. morre e “nasce” uma nova pessoa.

mas da escravidão do pecado – seu Reino era espiritual e não material. a semeadura em solo ruim representa as pessoas não receptivas à mensagem do Evangelho – com elas nenhum resultado é gerado. as plantas não germinavam ou logo morriam. Lembrando que a semente é a Palavra de Deus e a planta que cresce são as pessoas que se convertem e passam a andar nos caminhos de d´Ele. Jesus veio sim libertar seu povo. uma vez que a semeadura tenha sido feita. sem dúvida. 2.000 anos atrás. quando eram lançadas em solo bom. Quando caiam em solo ruim. Hoje.cabendo-lhe libertar fisicamente o povo judeu da opressão do Império Romano. Assim. Resultado diferente acontece quando a pregação é feita para pessoas receptivas ao Evangelho. elas caiam em todo tipo de solo. aí sim produziam bom resultado. Tudo sempre irá ocorrer de acordo com os planos de Deus. o semeador saia a semear e jogava as sementes por onde ia passando. Essa parábola procura passar confiança para os(as) ouvintes: o resultado final (a colheita) virá. Mas época de Jesus. A chegada do Reino (parábola do semeador) As técnicas usadas para semear hoje em dia são muito diferentes e mais eficazes do que as de 2. E essa diferença no resultado é normal pois as pessoas têm livre arbítrio. o agricultor estuda previamente o solo onde vai plantar para ver onde as sementes devem ser jogadas. .

camponeses pobres. O ensinamento aí é que o potencial de crescimento do Reino é gigantesco: poucas pessoas. . Já a parábola da mostarda fala de uma semente muito pequena que cresce até virar uma enorme árvore. A consolidação do Reino (parábolas do fermento e do grão de mostarda) Essas parábolas responderam uma pergunta importante: será que as pessoas que Jesus convertia – pescadores. dentre outras – poderiam consolidar o Reino de Deus? Ou seria preciso pregar para as elites econômicas e religiosa? A parábola do fermento enfatiza o poder transformador da Palavra de Deus: uma pequena quantidade de fermento leveda toda a massa (símbolo do povo.Essa parábola foi usada por Jesus para tirar dúvidas quanto ao resultado do seu ministério. mesmo as mais simples. 3. versículo 60) e até inimizades foram geradas (Marcos capítulo 3. Nem sempre as pessoas se convertiam (Mateus capítulo 6. versículo 5). E foi exatamente isso que aconteceu na história do cristianismo. dedicadas realmente a difundir a palavra podem causar um enorme impacto na sociedade. versículo 6). como em Romanos capítulo 11. prostitutas. Muitas vezes havia descrença (João capítulo 6. versículo 6).

O joio é o(a) cristão(ã) não sincero e o trigo o(a) cristão(ã) verdadeiro(a). sem danificar as boas. é difícil destruir as plantas ruins. Ambos(a) podem frequentar a mesma igreja e participar das mesmas cerimônias. Ou seja. vai errar e cometer injustiças. E olhadas de fora. o lavrador poderia atear fogo à plantação e acabar com o joio. consegue fazer isso. Em outras palavras. o pastor do rebanho bobeou e deu margem à ação do Inimigo que fez um estrago na plantação. E será preciso ter paciência – deixar as plantas crescerem – para poder separar a coisa boa da ruim. Os perigos para o Reino (parábolas do joio/trigo e da rede) Uma plantação que mistura trigo (planta boa) e joio (ruim) corre risco E como o joio venenoso é muito parecido com o trigo em grão. Somente Deus.4. antes mesmo das . Perceba também que o joio é poupado por causa do trigo. a comunidade cristã nunca vai conseguir diferenciar bem um caso do outro – se tentar. quando as plantas são pequenas. que conhece o interior das pessoas. eles(as) podem ser muito parecidos(as). Daí. passa a ser necessário deixar as plantas crescerem para poder separar o joio do trigo. O Inimigo (Diabo) somente semeou o joio (a mensagem ruim) porque quem devia cuidar da plantação estava dormindo. comportando-se nelas de forma muito semelhante. Assim.

A parábola da rede trata do mesmo tema. A separação dentre os peixes na margem é como a separação das plantas na colheita. Os peixes ruins têm o mesmo papel do joio e os bons do trigo. Basta lembrar que quando a parábola foi contada. Somente quando chegava ali conseguia identificar os peixes que lhe interessavam.plantas crescerem. é contada a estória de uma viúva que procurou por um juiz incansavelmente. dos(as) cristãos(ãs) sinceros(as) que Deus tem paciência com as plantas ruins. versículos 21 a 23). E por causa do trigo. mas a imagem usada é outra – uma rede cheia de peixes. Trata-se do mesmo ensinamento. 5. mas aí mataria também as plantas boas. O mar (lago) da Galileia tinha 24 espécies de peixes. o pescador lançava a rede e arrastava para a margem tudo que conseguia pegar. versículo 10). pedindo-lhe que julgasse sua causa – como ela se . Judas Iscariotes ainda fazia parte do grupo de apóstolos. Assim. sendo que várias delas não podiam ser comidas pelos judeus (Levítico capítulo 11. Jesus sabia que o joio se encontra em todo lugar – mesmo sua pequena comunidade de discípulos não era homogênea na sua sinceridade (Mateus capítulo 7. Por que podemos confiar? (parábolas do juiz iníquo e do amigo que pede ajuda) Na parábola do juiz iníquo.

daí o ensinamento sobre a perseverança A outra parábola fala de um amigo que pede ajuda. . neste caso. Ao que pede. Mas ainda assim a ajuda foi fornecida. num único cômodo. assim só lhe restava incomodar o juiz. quem bate tem a porta aberta. quando todos estavam deitados. inclusive as crianças pequenas. versículos 9 e 10): quem pede. e atender o amigo que solicitava ajuda significava acordar a todos. Essa parábola foi dirigida a alguns discípulos que ficaram angustiados quando Jesus começou a contar sobre os sofrimentos pelos quais haveria de passar. Ora. a família dormia toda junta. já tarde da noite. provocada pela confiança (fé) n´Ele.dirigia ao juiz e não ao tribunal devia ser um assunto de dinheiro. E ele só julgou a causa logo para ficar livre da amolação. naquela época. Deus dá. O ensinamento. Deus é o juiz e a mola que move sua ação é a perseverança da pessoa. porque tinha necessidade real e imediata. A discussão entre os discípulos era sobre quem conseguiria se manter firme. segundo os costumes da época. está no final da parábola (Lucas capítulo 11. recebe. A viúva era pobre e não tinha como dar “presentes” para acelerar seu processo. o que era um grande incômodo.