JEAN-FRANÇOI

o PÓS-MO
U 11111111111
U) 066963
JEAN-FRANCOIS LYOTARD
\ Contribuição à discussão internacional sobre a
questão da legitimidade: o que permite dizer, hoje,
que uma lei é justa, um enunciado verdadeiro? Exis-
tiram os grandes relatos, a emancipação do cida-
dão, a realização do espírito, a sociedade sem
classes. A idade moderna recorreu a eles para legi-
timar ou criticar seus saberes e seus atos.
O homem pós-moderno não acredita mais nisto.
Os decisores lhe oferecem como per$pectiva o au-
mento do poder e a pacificação pela transparên-
cia comunicacional. Mas ele sabe que o saber,
. qu,ando se torna mercadoria informacional, é uma ~:
foMe de lucros e um meio de decidir e controlar.
Onde reside a legitimidade, ap9s os relatos? Na
melhor operatividade do sistema? Eum critério tec-
nológico, ele não permite julgar o verdadeiro e o
justo. No consenso? Mas a invenção se faz no dissen- ,
timento. ~
Porque não neste último? A sociedade que vem
ergue-se menos de uma antropologia newtoniana
(como. o estruturalismo ou a teoria dos sistemas) e
mais de uma pragmática das partículas de lingua-
gem. . .
. O saber pós-moderno não é somente o instru-
mento dos poderes: ele nos refina 'a senSib;.i1idade
para as diferenças e nos reforça a capacid de de
suportar o incomensurável. Ele mesmo não ncon-
tra sua razão na homologia dos experts, mas na pa- I
ralogia dos inventores. (
f agora: uma legitimação do vínculo, sociaf, .
uma sociedade justa, seria praticáv:!fseQundo um
paradoxo análogo? Emque este co~istina?

JOSÉ OlYMPIO J_o-
EDITORA

Jean-François Lyotard é pouco
conhecido entre nos. Ativo, contes-
tador, adversário declarado dos
modismos orquestrados pelos mass
media, é provavelmente um dos
mais brilhantes filósofos da sua gera-
ção. Nascido em 1924, seguiu um iti-
nerário intelectual bastante comum.
Marxista durante os anos 50-60, fez
parte do grupo "Socialismo e Barbá-
rie" animado por Cornélius Casto-
riadis. Ativista durante a guerra da
Argélia, foi um dos artesã os daquela
ruptura com as ideologias dominan-
tes que na França d~terminaram a
aceleração dos acontecimentos
politicos de 1968.

Com a publicação, em 1974, de
Dérive à partir de Marx et Freud e Des
dispositifs pulsionnels, Lyotard impôs-
se como um dos mais importantes
pensadores franceses da atualida-
de. Próximo de Gilles Deleuze pela
constante referência ao desejo e
suas adjacências, dele se distingue,
no entanto, por ter uma postura poli-

tica radical: a abolição definitiva da
idéia de verdade que durante mui--
tos séculos tem sido uma das princi-
pais ferramentas do poder. Para Lyo-
tard, portanto, a tarefa principal do ~
filósofo contemporâneo é a de I,.
"acelerar" a decadência dessa
idéia, e nesse sentido defende um
"Niilismo ativo". Nietzsche, por con-
seguinte, está no horizonte dessas
reflexões.

EmO pós-moderno,'importante li-
vro publicado na França em 1979,
Lyotard leva adiante o projeto de
acelerar a decadência da idéia de
verdade, pelo menos tal como ela é
entendida por algumas correntes
da filosofia moderna. Com o termo
"Pós-moderno", pretende antes de
tudo designar o conjunto das trans-
formações ocorridas nas regras do
jogo da produção cultural e que
marcam o advento das sociedades
pós-industriais. Sua preocupação
básica, como indica o subtítulo do li-
vro, não é a de avaliar todo o con-
junto das modificações sofridas pe-
la herança cultural deixada pelos
modernos, mas sim a de avaliar "as
condições do saber produzido nas
sociedades mais avançadas", mui-
to particularmente as condições do
saber científico e seu suporte tradi-
cional, a universidade.

Jean-François Lyotard o pós-moderno Tradução RICARDO CORRÊA BARBOSA JOSÉ OLYMPIO J_o- EDITORA RIO DE JANEIRO/1988 .

RJ . ''''~..2 .2 ~timação pela paralogia 111 CDU -130. 20 A natureza do vínculo social: a perspectiva pós-moderna 27 Pragmática do saber narrativo 35 Pragmática do saber científico < • • • • • • • • • •• 44 A função narrativa e a legitimação do saber 51 Os relatos da legitimação do saber 58 bo Correia I A deslegitimação 69 A pesquisa e sua legitimação pelo desempenho 77 O ensino e sua legitimação pelo desempenho 88 A ciência pós-moderna como pesquisa de instabilidade 99 CDD . (' ( <'.301. IIJ" 2-7073-0276~~~~. Título do origina! francês: LA CONDITION POSTMODERNE 'reitos adql:liridos para a língua portuguesa. rinted in Brazil / Impresso no Brasil It'J .. Paris) BIBLIOTECA CENTR UFES N. no Brasil.~ •.'I/Qt".. pela r O M.~ ISBN 85-03-00080-6 .República Federativa do Brasil R O Q.!H''..> 3t BJ.~ ~~ft~~~~ de Minuit. 'k () .''~..~~.. _ ..A. 12 "'llio de neiro.. /9 ~ D RIA JOSÉ OL YMPIO EDITORA S. "I.. Rua Marquês de Olinda. '> __ fljf!j}~º_.~ __ Capa TEMPOS PÓS-MODERNOS (Wilmar do Valle Barbosa) vii JAIR PINTO INTRODUÇÁO xv Preparação de originais HELOISA MENDES FORTES DE OLIVEIRA Diagramação HELIO LiNS Revisão MARCOS ROMA SANTA o campo: O saber nas sociedades informatizadas 3 O problema: a legitimação 11 O método: os jogos de linguagem 15 A natureza do vínculo social: a alternativa moderna .

ou do trabalhador) cres- . A modernidade do quadro teórico em questão encontra-se exatamente no fato de con- ter certos récits aos quais a ciência moderna teve que re- correr para legitimar-se como saber: dialética do espírito) emancipação do sujeito razoável. "A verdade é que a ciência favorecelI. a idéia de uma força intelectual rude e só- bria que torna francamente insuportável todas as velhas representações metafísicas e morais da raça humana.itimação da própria ciência. O que de fato vem desde então ocorrendo é uma modificação na natureza mesma da ciên- cia (e da universidade) provocacla pelo impacto das trans- LOt'~ações tecnológicas sobre o saber. O mais importante nesse processo de modificação) cuja origem encontra-se na "crise da ciência)) (e da verdade) ocorrida nos últimos de· cênios do séc.!. O homem sem qualidades. 11 COM o início) por volta dos anos 50) da chamada "era pós-industrial))) assistimos a modificações substantivas nos estatutos da ciência e da universidade. A cot1JEiüência mais imediata desse novo cenáriO/oi tornar ineficaz. Mas) ao proce- der dessa maneira) fez da filosofia um metadiscurso de lef.o quadro teórico proporcionado pelo filósofo (leia-se: metafísico) moderno que) como sabemos) elegeu como s~a questão a problemática do conhecimento) secundarizando as ques- tões ontológicas em face às gnoseológicas." (Robert Musil. XIX) não foi apenas a eventual substituição de uma "má)) concepção da ciência (a empirista) por exem- plo) por outra qualquer.

exis- se invalidou o enquadramento metafísico da ciência mo.fQ. com sua {(voca- conhecer a estrutura e o funcionamento do cérebro bem como o mecanismo da vida. "progresso"._q}}~e. de Hegel) que.Il- ~. só será "conhecimento 11l11l"iío). e que esteve na base da criação da Universidade de e. da mais é do que 1f-1JJ.eS1a . XX. dÜJribu. ou a "vida do espírito". por um lado._P~ e de plo.fºr. questões culturais (diversidade e identidade cultural e a possível homogeneidade da mensagem telemá· trad uzid º-~_':.. era vista como algo auto-referente.4L vina" .era.e. seu impacto sobre assim como qualquer moddtáãd(. questões de.u. sem finalidade preestabelecida.' de conhecimento . e. A clencia. to" ou na "vida divina".(bi ts) de=oii1..COlllQ .Ora) se tica transmitida por satélite). portanto.estº~a~~~_".. quadra!!!EJl!211e6ri. XX vem sendo o palco de do de j1)fQJ1J1atiZªJª-SQ.Çf)s("aumento da potência") "eficácia".SJ. C01JL5. Nele.i1idadêJ ent~gJM2Lm~. rediscussão da censura. ix . por exem- objetivo de cO~-!f_mecânica dCLs..f.çf.mação". o cenário pós-moderno_com~ç{j.. nuar tratando a ciência como fundada na "vida do espíri- ontológicas (relativas à privacidade.JJJª-qyinª_iJJ. era vista como atividade "nobre".transborder data flow) e a a. Como muito bem notou os esforços (científicos. com o "Nação" e "ciência" caminharam juntas. para o filósofo moderno.-.ms possÍJl.2e51e" qsobre.jnjor. Em outras palavras. teligência artificial)) e o esforço sistemático no sentido de 'd "" T '/'-'1-0 entanto) o cenarza .. mundo do senso comum e das crenças tradicionais. º da produção científico-tecnológica numa era que se (juer JJ.1J. tecnológicos e políticos) no senti" Alfred N.kÍ.e.Í-UPtode menslIg.I' tabelecer ~jil2..LiJ:~~ser questão da soberania e da censura estatal.f1J:. na avaliação humboldtiana.ormances do sistema") legitimadores ritual da nação.Se. todas as fontes chama-se jnformaçª~ e que a ciência - põem sérias reflexões/ por outro lado.. . à vida privada) questões jurídico-po.f.I. derna.3Jt a 5-0nceP.s. ~e. Ço-J$.1l. ou seja.L Longe.1Jl ºaçi nal) (~ÍJJ.ir C(4Jªs..n..na- a ciência vem se revelando considerável.ca~~.tQtl1JjdQ.~_ Berlim (1807-10)) modelo para muitas organizações uni- formática.. vas". Desde o momento em que minismo..tftJ1.-mQderno. de sab(jf' humanístico-libe- ral.temporajs e universalizantes.d. contribuindo assim para o desenvolvimento moral e espi- "opilmização das perf. Descobriu-se que a fonte de e a c~tidianização da teenologia informática já nos im. pós-industrial. sendo que "totalidade") "verdade".J.ara..4º--dºsil~er ~~entíf!co.õ.~tatamosque ao sua função primordial era romper com o mundo das "tre- lado dessa crise opera-se sobretudo a(~ de novos. de Fichte .maç. "de- ros ao pensamento moderno) tais como "razão") "sujeito". questões político-sociais (democratização da as máquinas informáticas justamente operam traduzindo as informação. sinteressada".J.ÇjJzgnéti.in. W hitehead) o séc. -p1Js-mo erno.cteriza~se e~mente pela incredulida- Nesse contexto.DnJJ. por sua vez.ã. Neste cenário) predominam ção" inf.tar.Ql-mpderno. de contI- I Reflexões sobre questões éticas (direito à informação). O cenáâQ_/2Q. permitiu concebê-la desvinculada do Estado. Incrementam-se também os estudos sobre a "in- versitárias nos meados do séc. a ciência não era sequer vista como "valor de uso" e o idealismo alemão pôde então concebê-la como fundada em um metaprincípio filosófico (a "vida di- de perante o metadiscurso jilosófico-meta!ísico.f orgqn..c. pertinência sócio-cultural da infor· mensagens em bits de informação. expancLem-se cada vez si mesma.éessencialm en~f. fundar sua legitimidade em informático e informacional. mais os estudos e as pesquisas sobre a ITiigUa~.co~ da sociedade e do capital. vê-ja .dade.iÍJi. herdeiro do !lu- cimento da riqueza e outros. tia e se renovava incessantemente com base em si mesma.n~!!:!~CSJ'!ldção_4g. líticas (transmissão transfronteira de dados -'. vem ocorrendo não apenas a crise de conceitos ca. o avanço uma descoberta fundamental.izalJ.

é a concepção da ciência como tecnologia intelectual. mais importante no cálculo estratégico-político dos Esta- Esse processo) fruto da corrosão dos dispositivos mo.~~o) )sto él. A universidade) por sua vez) enquan- submetida ao capital e ao Estado) atuando como essa par. newtoniana à recuperação da noção de ((acontecimento") W'!II (Iue essas máquinas utilizam ou então compatível com "acaso "I na física) na biologia) na história) o que temos c/ri. minações teóricas dos dispositiv. Da segunda lei da termodinâmicil à teoria da catástrofe) de René Thom. Mais do que isto: mos- ((dispositivo especulativo" (Idealismo alemão) Hegel) ou tra-nos) através da concentração massiva) nos países ditos do ((dispositivo de emancipação" (Iluminismo) Kant) Marx). pesquisa jinanciadospela iniciativa privada) pelo poder pú- da do produtor (cientista) e do consumidor. do . E racional da ciência.~_ deixá de ser aquela praxis que) segundo a avaliação hu. da crise da Weltanschauung pela Bditions du Seuil. mação e no imaginário modernos: a noção de ordem. Communications.em sem qualidades (Robert Musil) e Sonâmbulos (Herman função primordial da tonelagem anual de matéria-prima ou Broch)) fez surgir novas linguagens que escapam às deter.. cf.s) Uu..cur-s-o_quese-p~etendeaJÍl11§. pós-industriais) de bancos de dados sobre todos os saberes Essa corrosão (que Nietzsche entendeu ser uma das raí· zes do "Niilismo europeu")) muito bem captada em nar. . Assim sendo) a atividade científica ~o e da p. dos atuais. to produtora de ciência) torna-se uma instituição sempre ticular mercadoria chamada força de produção.-li1Jjl!frsg1 . 2 Sobre a centralidade dessa rediscussão na atual fase da pesquisa cientí- fica. respectivamente. do uso do paradigma. Edgar Morin. todos cosmologia de observaç~o. La methode I: La nature de Ia nature. Desa- mesmo da "humanidade". () que se impõe com o tratamento informático da é a crise de uma noção central nos dispositivos de legiti- "mensagem" científica é na verdade uma concepção ope. de um -meta- possibilidades tende a não ser operacional) já que não pode dis.. Paris em 1977. 1980 e 1973. Se a revolução industrial nos mostrou que sem dernos de explicação da ciência) é muito apropriadamente riqueza não se tem tecnologia ou mesmo ciência) a condi- designado por Lyotard pela expressão "deslegitimação". ou as velhas faculdades dão lugar aos institutos de ensino e/ou seja) como valor de troca e) por isso mesmo) desvincula. n. consistente. manístico-liberal) especulativa) investia' a formação do ((es. 1 Cf.2e.(ÍC'lIlíjico"certo tipo de informação traduzível na lingua. de manufaturados que possam eventualmente produzir. física pós-quântica. Por isso mesmo é que as delimitações clássicas dos pírito") do "sujeito razoável") da ((pessoa humana" e até campos científicos entram em crise) se desordenam.rJ2l!rjq!. hoje disponíveis) que a competição econômico-política rativas como Pais e filhos (Ivan Turgueniev)) O homem entre as nações se dará daqui para frente não mais . No ção pós-moderna nos vem mostrando que sem saber cien- entanto) ele não se dá apenas em função da corrosão do tífico e técnico não se tem riqueza.os modernos e aceleram sua Dar-se-á) sim) em função da quantidade de informação própria deslegitimação. 1972 (número especial sobre a retomada mico às lógicas não-denotativas.llgJ1jJifªl1te)J!g §tg: ser traduzido em bits.toridLlde._cibemético-il1jor. Uma prática blico ou por ambos. Nesse contexto) a pesquisa científica com ela assistimos à rediscussão da nocão de "desordem"/ passa a ser condicionada pelas possibilidades técnicas da o qUf! por sua vez torna impossível submeter todos os dis- máquina informática) e o que escapa ou transcende tais cursos (ou iogos de lingHqgm. Com ela) o que vem se impondo parecem disciplinas) outras surgem da fusão de antigas. La methode mático no estudo do código genético ao ressurgimento da 11: La vie de Ia vie e Le paradigme perdu: Ia nature humaine.· 18.. do simbolismo quí. da teoria dos quanta à da noção de acontecimento pelas ciências contemporâneas).

ra.kt1(Qnia- do sonho e da prática} de forma que a poesia possa vir a na nos coloca em uma via não-cartesiana..ª.kgJli1J1ação~ do de tentar abolir a oposição entre ((técnica)} e ((eman- "A administração da prova}}} escreve Lyotard} "que em cipação}} sem oâb'ahc19nQ . Na medida em ção." O filósofo inglês era do princípio não é senão uma parte da argumentação destina. critério tecnológico -" visando tão do erro: oimportante agora não é afirmar a verdade} com isso o reforço da ((realidade)} e o aumento das chan- / 'mas sim localizar' o-erro no sentido de aumentar a eficácia} \ ces de se ter ((razão}}) ele parece ter abandonado os cami- Qu.0sitjv() de. Para isso é sem à sua ({verdade}}) mas sim formar competências capazes de dúvida necessário que o conhecimento (inclusive a filo- saturar as junções necessárias ao bom desempenho da di. No entanto} é preciso notar qJg_~te. sofia) esteja mais perto do concreto} do presente} coope- nâmica institucional. Nessas circunstâncias} a universida- de} o ensino e a pesquisa adquirem novas dimensões: for. contrariamente ao pensado pelos dispositivos modernos de legitimação. perto do cotidiano} do presente} mas visando a interpene- vas entre os procedimentos científicos e os procedimentos tração da emoção e da ciência} da paixão e da inteligência} políticos. téol. A problemática do ((novo mundo}}) no entanto) mação} o critério do desempenho impõe não apenas o parece não seduzir o filósofo pós-moderno} avesso às filo- abandono do discurso humanista-liberal por parte do Es- sofias da subjetividade e aos metadiscursos de emancipa- tado} do capital ou mesmo da universidade.d. Estas} por quisa e na sua infra-estrutura não mais com o objetivo de sinal} mostram o esforço do filósofo no sentido de supe- preparar indivíduos eventualmente aptos a levar a nação rar o divórcio entre inteligência e emoção. isso com o objetivo de resgatar o encantamento que as ção que reputamos fundamental: o contexto pós-moderno religiões proporcionaram aos nossos ancestrais. Jem dúvida} animar a construçao'aodisposÜivo como mercadoria. Mas tudo que o texto de Lyotard contém. outubro de 1985 Jupasto de que "verdade}} e "poder" não podem ser separa- WILMAR DO V ALLE BARBOSA xii xiii . Jl idha baconiana de que o conhecimento é o poder '1/IiJa forem capazes de produzir} estocar e fazer circular parccc. ma as Íições de Bacon e de outros modernos.melhor} a potência. parecer de que a construção de um ((novo mundo)} era obje- da a obter o consentimento dos destinatários da mensa. . Preocupado com o presente e com o reforço do cri- que seu objetivo é aumentar a eficácia} dá primazia à ques- tério de desempenho . "rando com as forças do acontecimento. ((ídolos)}. Como novo dispositivo de legiti. -Jésde o momento em que. Estar} sim} tende a eliminar as diferenças epistemológicas significati. de codificando e Após essas considerações} parece-nos razoável dizer dando coerência aos detalhes da cotidianidade.pQs -m od e1J1. A retomada pós-moderna dessa !Wstti.Jjf!:-d esle gi~ima.esJa.ol.dtl) por um outro que deixasse de ser concebido como contemplação / desig- # jogo de linguagem onde o que está em questão não é a nação de uma ((ordem eterna)}} perfeita} divina e trans- verdade mas o desempenho} ou seja} a melhor relação histórica} poderíamos construir uma comunidade livre de input/output" (p. pâJ-moderno de legitimação. 83). implícita} uma observa. parte do pres- Rio de Janeiro.4Q~.f.ClH'. tivo fundamental e que só pela via de um conhecimento gem científica} passa assim a serco~t. não-kantian~ ser a flor espontânea do mundo futuro. nhos da utopia) esse modo de encantar o mundo que ani- mam-se pesquisadores ou profissionais} investe-se na pes.)JãQ" p"Qtie} 'lI/C} para Bacon} pensar dessa maneira constituía um mo- evidentemente} passar se111U11!4~SJ2.~!Q.entífica que suas universidades e centros de pes- cios.

onde o herói do saber. Decidiu-se chamá-Ia de "pós-moderna".ESTE estudo tem por objeto a pOSlçao do saber nas sociedades mais desenvolvidas. decide-se chamar "mo- derna" a ciência que a isto se refere para se legitimar. se ela se inscreve na perspectiva de uma unanimidade possível de mentalidades racionais: foi este o relato das Luzes. Mas. na medida em que não se limite a enunciar regularidades úteis e que busque o verdadeiro. da literatura e das artes a partir do final do século XIX. chamado filosofia. a ciência entra em conflito com os relatos. Do ponto de vista de seus próprios critérios. Originalmente.illlsf9J::maç§es_que afetaram as regras dos jogos da ciêndâ. essas transformações serão situadas em relação à crise d-º§_}"~lªtgs. a hermenêutica do sentido. por sociólogos e críticos. Quando este metadiscurso recorre explicitamente a algum grande relato. o desenvolvimento da riqueza. A palavra é usada. Assim. deve legitimar suas re- gras de jogo. trabalha por um bom fim ético-político. a emancipação do sujeito racional ou trabalhador. por exemplo. E assim. a maior parte destes últimos revelam-se como fábulas. a paz uni- . como a dialética do espírito. exerce sobre seu próprio estatuto um discurso de legitimação. no continente ameri- éano. Designa o estado da cul- tura após as t!. Aqui. que a regra do consenso entre o re- metente e destinatário de um enunciado com valor de verdade será tida como aceitável.

A justiça relaciona-se assim com o grande relato. metanarrativo de legitimação corresponde sobretudo a A condição pós-moderna é.' O saber pós-moderno não é somente o instru- formamos combinações de linguagem necessariamente es. obtido por discussão.ão origem à instituição através de placas. forte ou suave: sede operatórios. proposto ao Conselho das Universidades junto i fica reduzida ao aumento do poder. como pensa também denotativos. cada um Habermas? Isto violentaria a heterogeneidade dos jogos veiculando consigo validades pragmáticas sui generis. A função narrativa perde . cação deste critério a todos os nossos jogos não se realiza Vl'l"saI.. sem du. A apli- . que não se espera destas contradições uma saída salva- gres~o. É uma exposição sobre o saber nas sociedades mais de- . ao da atividade científica? diferentes' trata-se da heterogeneidade dos elementos. mas Seria pelo consenso. Para eles.seus Após os metarrelatos. Mas a incredulidade resultante é tal vida um efeito do progresso das ciências. onde se poderá encontrar a legiti- atores (functeurs). conduzidos a questionar a validade das instituiçõe~ . nossa vida senvolvidas. a supõe.cnológico. uma lógica que implica a comensurabilidade dos elemen. que implica uma filosofia da história. e aqui lhe agradeço. os grandes périplos e o grande objetivo. como pensava Marx. Ele mesmo não encontra sua razão de ser Assim. Sua legitimação em ao governo de Quebec. mesmo grau que a verdade. de linguagem. uma sociedade justa. será praticável se- culas de linguagem. Ao desuso do dispositivo dora. numa antropologia newtoniana (como o estruturalismo ou A questão aberta é a seguinte: uma legitimação do a teoria dos sistemas) e mais numa pragmática das partí. comensurável. E a invenção se faz sempre no dissenti- Cada um de nós vive em muitas destas encruzilhadas. por sua vez. e as propriedades destas por nós formadas não são diferenças e reforça nossa capacidade de suportar o in- necessariamente comunicáveis. Este matéria de justiça social e de verdade" científica seria a de último autorizou amavelmente sua publicação na França. vínculo social. segundo o TEXTO que se segue é um escrito de circunstância. é o determinismo local." da produção) e mais trabalho (para aliviar a carga social da a incredulidade em relação aos metarrelatos.. menos trabalho (para baixar os custos Simplificando ao extremo. simultaneamente. ou desaparecei.que Esta lógica do melhor desempenho é. mento dos poderes. Existem muitos jogos de linguagem gundo um paradoxo análogo. os grandes heróis. os decisores tentam gerir estas nuvens de socialidades sobre matrizes de input / output. tão estranha ao crise da filosofia metafísica e a da instituição universi. So. no refere à contradição no campo sócio-econômico: ela quer. Não obstante. sua eficácia. isto é. considera-se "pó~-moderna. a pedido do seu presidente. prescritivos.. todavia. Em que consistiria este paradoxo? mente da. tária que dela dependia. otimizar as performances do sistema. legitimando o saber por um ll1l'tarrclato. comensuráveis. desencanto como à positividade cega da deslegitimação. população inativa). sem dúvida. os grandes pengos. tos e a determinabilidade do todo. somos sem algum terror. sobretudo no que se das. nasce uma sociedade que se baseia menos na homologia dos experts.Vê-se neste caso que. Ele aguça nossa sensibilidade para as táveis. mas na paralogia dos inventores. mas este pro. descritivos etc. ele li não é pertinente para se Julgar o verdadeIro e o Justo'_J em nuvens de e'1ementos de linguagem narrativos. Ela s: dispersa midade? O critério de o~eratividade é te. E. regem o vínculo social: elas também devem ser legltlma- inconsistente sob muitos aspectos. Não mento.

o outro interroga. neste momento muito pós-moderno em que esta universidade corre o risco de desaparecer e o instituto de nascer...lelé:não. que. O filósofo ao menos pode se consolar dizendo que a análise formal e pragmática de certOs discursos de legi. a situa.ªbee o que não sabe. verá a luz depois desta.~ Ufl1_JiJº~ºfº.aql. nós a dedicamos ao Instituto Poli- técnico de Filosofia da Universidade de Paris VIII (Vin- cennes). filosóficos e ético-políticos. embora a re- duzindo. são dois jogos de lingua- gem. Ela a terá introduzido. Um conclui. que sustenta nossa Exposição. e__ nãº_YIll expert. por um atalho um pouco sociologizante. Tal como está. Este sabe o qu~. de modo que nenhum dos dois prevalece. Aqui eles se encontram misturados.§. o pós-moderno timação. Resta dizer que o_~pQsitQr . .

nos países.8 os problemas de memorização e os bancos de dados.3 Em lugar de organizar um quadro que não poderá ser completo.5 as matemáticas modernas e a informática. dentes. O saber científico é uma espécie de discurso. Foi mais ou menos rápida conforme os paí- ses e. a1gumas provas eVI- .4 os problemas da comunicação e a cibernética.6 os computadores e suas linguagens.9 a telemática e a instalação de terminais "inteli- gentes. o CAMPO: O SABER NAS SOCIEDADES INFORMATIZADAS NaSSA hipótese de trabalho é a de que o saber. marcando para a Europa o fim de sua reconstrução. "10 a para dI'oxo ogIa: 11 eIS • aI.2 Uma parte das descrições não pode deixar de ser conjectural. E sabe-se que é imprudente conceder um crédito excessivo à futurologia. pode-se dizer que há qua- renta anos as ciências e as técnicas ditas de vanguarda versam sobre a linguagem: a fonologia e as teorias lin- güísticas. Ora. e a lista não é exaustiva. muda de estatuto ao mesmo tempo que as sociedades entram na idade dita pós-industrialeas.? os problemas de tradução das lingua- gens e a busca de compatibilidades entre linguagens- máquinas. partiremos de uma característica que de- termina imediatamente nosso objeto. ÇlJJturas na idade dita pós- l moderna. que não torna fácil o quadro de conjunto. . Esta passagem começou desde pelo menos o final dos anos 50. conforme os setores de atividade: donde uma discronia geral.

competição mundial pelo poder.12 a principal força de produção. desuso. a não ser que o conhe. mais desenvolvidos18 e constitui o principal ponto de es- do mesmo modo que o desenvolvimento dos meios de cir: trangulamento para os países em vias de desenvolvimento. por conseguinte. exemplo acessível ao leigo é dado pela"g~fl~tica.~~.16 ~ zando os aparelhos~ modificam-se as operações de aquisi.I tação das . O antigo princípio segundo o qual a aquisição dern0s detinham e 'detêm ainda no que concerne à pro- do saber é indissociável da formação (Bildung) do espí. em seguida. normaJizando. e· com linguagens o que· alguns buscam inventar e outros apren. o saber já tradutibilidade dos resultados eventuais em linguagem de é e será um desafio maior. a forma valor. aCesso e exploração dos conhecimentos.4~id~ .não é tão sim- Pode-se então esperar uma explosiva exteriorização ples como se diz. a ciência conser- das imagens (media)13 o fez. classificação.comerciais e para as estratégias militares e políticas. aberto um novo campo para as estratégias industriais e i junto de prescrições que versam sobre os enunciados acei. Sob a forma de mercadoria infor. Pois a mercantilização do saber não po- do saber em relação ao sujeito que sabe (sachant). que deve Ql. e mesmo da pessoa. derá deixar intacto o privilégio que os -Estados-nações mo- r cimento. Esta relação entre fornecedores e usuários do CO-! gicas sobre o . As pesquisas versando sobre estas máquinas-intérpre. a natureza do saber não na disputa das capacidades produtivas dos Estados-nações. para ser trocado. Do mesmo modo que os zadores devem e deverão ter os meios de traduzir nestas Estados-nações se bateram para dominar territórios.nova produção: 1 de outros exemplos. a perspectiva assim aberta. perde o seu "valor de uso" . e tornar-se operacional. Sabe-se que o saber tornou-se nos últimos decênios ção. de desenvolvimento não cessará de alargar-se no futuro.ê. Assim encontra-se impõe-se uma certa lógica e..20 tos como "de saber". Há uma infinidade será consumido para ser valorizado numa . permanece intacta. Quanto à segunda. e que a orien· lhe é complementar. isto dominar o acesso e a exploração das matérias-primas der. . em _ qualquer ponto que este se encoiltre no processo de conhe. na máquina. é concebível que eles se batam tes já estão adiantadas.~L~. Parece que a incidência destas informações tecnoló. dução e à difusão dos conhecimentos. cai e cairá cada vez mais em dependem do "cérebro" ou do "espírito" da sociedade que 4 51 . um con.J9 ção.aber deva ser considerável.p_a!a.Lv~!l_dido.~e~j_PE~. Ele não pode se submeter aos novos Esta situação constitui mesmo uma das razões que faz canais. e ele é ei seu paradigma teórico à cibernética. pensar que o afastamento em relação aos países em vias cimento possa ser traduzido em quantidades de informa.novas pesquisas se subordinará à condição de macional indispensável ao poderio produtivo. ou seja.15 Com a hegemonia da informática. e da mão-de-obra barata. hoje em dia já se nos dois casos. Na idade pós-industrial e pós-moderna.14Pode-se' então prever que tudo o que no saber cons. dos sons e. velmente a composição das populações ativas nos países macionais afeta e afetará a circulação dos conhecimentos. Contudo. talvez o mais importante. vará e' sem dúvida reforçará ainda mais sua importância Nesta transformação geral.17 que já modificou sensi- É razoável pensar que a multiplicação de máquinas infor. Mas este aspecto não' deve fazer esquecer outro que tituído não é traduzível será abandonado. no futuro para dominar as informações. culação dos homens (transportes). um mercadorias têm com estas últimas. Quanto à primeira. Ele é ou será nhecimento e o próprio conhecimento tende ~ tenderá a i afetado em suas duas principais funções: a pesquisa e a assumir a forma que os produtores: e os consumidores de _ transmissão de conhecimentos. mesmo seu próprio fim. Tanto os "produtores" de saber como seus utili. Ele deixa de ser para si! sabe como. miniaturizando e comerciali. A idéia de que estes rito.

o declínio da alternativa socialista. ditos de conhecimentos com vistas a otimizar as perfor- nar-se ainda mais espinhosa. M. neste final dos anos 70. surgem problemas de direito. Center for XXth Century americano. Admitamos. aquelas puderam pôr em redes da moeda. Oxford U. cialização dos saberes. não podem senão exigir comunicacional. "conhecimentos de pagamento/conhe- de empresas multinacionais. Butor. Imaginam-se paralelamente fluxos Estado? Ou ele será um usuário como os outros? Nova. e através deles a mesma natureza. Touraine. The Dismemberment of Orpheus: Toward a Postmodern Llterature. que uma firma como a IEM seja autorizada a ocupar uma Neste caso. enquanto outros servirão para pagar a A transformação da natureza do saber pode assim ter dívida perpétua de cada um relativa ao vínculo social. New o desaparecimento da hegemonia exclusiva do capitalismo York. ou seja: conhecimentos tro- decisões relativas ao investimento escapam.1971. New York. l' não progride a não ser que as meflsagens que nela cir- e até de planificação dos investimentos. A reabertura do mercado 1. a retomada de uma competição econômica ativa. Este não impede que nos fluxos de di- de comunicação e/ou de banco de dados.. Bell. que era de proteção e guia.. vêm preparar os Estados. Gallimard. às quais deu-se o nome genérico no caso da moeda. e que a clivagem pertinente a seu res- perigo a estabilidade destas graças às novas formas de pei to deixa de ser saber/ignorância para se tornar como circulação de capitais. fatores. mances de um programa. M. pelo menos em cados no quadro da manutenção da vida cotidiana (recons- parte. de conhecimentos passando pelos mesmos canais e de mente. será suplantada à medida que seja reforçado o (: () I'~sl:Ido para uma reVIsao serIa do papel que se habituaram a de- p"incípio inverso. K01er. Mo- bile. mas dos quais alguns serão reservados questão: querp saberá? aos "decisores". Etude pour une' représentation des Etats-Unis. P. "sobrevivência") versus cré- informacional e telemática. Estas formas implicam qu~ as cimentos de investimento". cimentos sejam postos em circulação segundo as mesmas Já nos decênios anteriores. Denoel. segundo o qual a sociedade não existe sempenhar desde os anos 30. ming of Post-Industria/ Society. a questão corre o rISCOde tor. 1977. Quem terá acesso nheiro uns sirvam para decidir. 1973. 1969.ll Com ~ tecnologia tituição da força de trabalho. Wisconsin. os meios de controle) ainda mais dade e de "ruído" para uma ideologia da "transparência" instáveis e sujeitas à pirataria. ao controle dos Estados-nações. Caramello ed. 1962. e muitos outros griffgeschichtlicher Ueberblick".. The Co- mundial. militar). D. pode-se imaginar que os conhe- estatais. 6 7 .r a apresentar-se com uma nova acuidade o problema das "formativo" ou de sua importância política (administra- relações entre as instâncias econômicas e as instâncias tiva. Amerikastudien 22. La Société postindustrie/le. por exemplo.1 (1977). Uma expressão literária doravante clássica é dada por M. 2. a abertura Studies & Coda Press. sobre os poderes públicos estabelecidos um efeito de re- torno tal que os obrigue a reconsiderar suas relações de direito e de fato com as grandes empresas e mais generi- camente com a sociedade civil. É sob este ângulo que se arrisca Em vez de serem difundidos em virtude do seu valo. que se relaciona estritamente com a comer. pelo fato de tornarem os dados úteis O Estado começará a aparecer como um fator de opaCI. às decisões (portanto. enquanto outros não sejam a isto? Quem definirá os canais ou os dados proibidos? O bons senão para pagar. urgência deste reexam~. Perfor- mance in Postmodern Cu/ture. Iha~ Hassan. tratar-se-ia tanto da transparência como faixa do campo orbital da Terra para implantar satélites do liberalismo. "Postrriodernismus: einbe- provável do mercado chinês às trocas. A. de decodificll~' as novas tecnologias. Benamou & Ch. culem sejam ricas em informação e fáceis.22 Neste contexto. diplomática.

C. The Home Terminal. 1960.f. Todavia. Nora & A. D. tradutores de bolso: quatro módulos em línguas diferentes aceitos Documents contributifs. contributifs. in Modeles mathématiques S. Segundo uma enquete da National Scien- tific Foundation. O uso da videoconferência entre Ouebec e Paris está em vias de se tornar um hábito: em novembro e dezembro Profissionais liberais e técnicos 7. Praglllatics of HUlIlan der Kritik der politischen Oekonomie (1857-1858). G. L.. quanto corpo social". Les problemes théoriques de Ia traduction. La Documentatión française. Anthro- Paradoxes. loc. 1949. Dwx ~i. segundo um informe do Internatiortal Resource De. . que permite ampliar a capacidade de um tradutor médio de 600 para C. Principes de phonologie. nan & Talb. índice gramatical (La semaine media. t. 5). eletronicamente e transmitidos aos Estados Unidos por satélite. M. A unidade de informação é o bit. Discussão em J. Brohm & L. Les réseaux pensants. Doculllcnts Clémençon. produz um Multilingual Word Processing ration de Ia micro-életronique". t. R. Des machines et des hommes. Librairie serviços ou agrícolas 62. J.ris Empregados 30 34 (Université Paris Nord e Centre Beaubourg) de outro (La selllwne I I media 5.R.Y. t.8.A. cit. Para suas definições.. R. Dangeville. cada um com 1. Communication Systems Inc. cito J. além disso de capacidades de tratamento autônomas" (La selllaine Lyotard. Westport. Mounin. R. Seuil.D. I. t. Marx and Keynes. annexe 1. 223.. como se segue: colares possuirão os seus desde o início dos anos 1980 (La selllaine 1950 1971 media 13. N. Data-se de 1965 a revolução dos computadores com a nova geração As firmas Craig e Lexicon anunciam a colocação no mercado de dos computadores 360 IBM: R. o knowledge. os estabelecimentos es. Brunel. "Les applications avancées de l'informatique". mais de um em dois alunos de high schuul utiliza A composição da categoria de trabalhadores (labor force) nos Estados correntemente os serviços de um computador. 6 décembre 197. W. I.. Paris. Joyeux. La Recherce 2 (juin 1970).f. in Dérive à partir de Marx et Freud. 15 mars 1979). cito Discussão em R. de tal cnwood Press. ) torna-se a 1. A Weidner La Documentation française. 1956.k.lif Fowlcs ed. Treille. Apenas os escritórios de Moscou continuam a trabalhar com filmes. Gallimard. Wolton.B. declara: "Não se fala o bas. media 16. mas como órgão imediato da práxis social". The Human Use of Human Beíngs.T. S. 1978. cito Os terminais domésticos (Integrated Vidco Ter- minais) serão comercializados antes de 1984 por aproximadamente "A base (Grundpfeiler) da produção e da riqueza ( . simultaneamente. o jornalismo e1etrônieo. em breve estocar a baixo preço a informação onde ele quiser. Mosche. que eles N. Unidos modificou-se.C. L'informatisation de Ia société. Connaissance et intérêt.). lackson. Helmick-Beavin.S. F. Dietz Verlag. 10/18. "La formalisation des systemes cybernétiques". 594. An Introduction to Cybernetlcs. Une logique de Ia pos. "La seconde géné. Cada um podera Mixed Economy.f. Marx concede que não é "na forma do communication. 1949. 1978. de Ia sémantique: l'information" (1973). 1963. 1967. "La place de l'aliénation dans le retournement marxiste" (1969). Conn . Moch. escreve Marx nos Grundrisse P. Praga.B. isto é. Missika & D. o grande packing point (La semaine media 20. e Pa.8. de modo que "o saber social geral. I. J.. 1979. "Glossaire". Bricianier. Ashby. Montreal. 1968. M. Gallimard. Berlin. 1972. (Statística! Abstracts. Talb.B. Gre. Londres tornou-se Boston. 'I Trabalhadores de fábricas. 2. tornou-se força de produção imediata". The Limits of the ticular graças aos semicondutores e aos lasers ( .f. Gaudfernan & A. 1978.P .500 palavras e memória. annexe IV. ver Gaudfer- Londres. ves. 1972. VII.. 1971) 9 . Ashby. Press. L. Chapman and Hal1. Troubetzkoy. do Grupo de análise e de prospectiva dos sistemas eco. cérebro humano forjados pela mão do homem. Beca. A transmissão das mensagens em d'information dansla science contemporaine. inteligência e a dominação da natureza na existência do homem en- velopment.400 dólares. Os três grandes canais americanos A. ). t.E. 30 novembre 1978). Hougton Mifflin. Northorn.. 1965. de 1978. N. Mattick. Ver P. Ouebec Seience. 15 février 1979). 1974.. e C. Bellert. saber. Minuit. Marx et Keynes.5% 51. Outro exemplo. 1968. Boston. da força de saber tante das novas possibilidades de disseminação da memória. 98.400 palavras por hora. em vinte anos (1950-1971). de um lado. Fondements de l'économie politique. A Study of Interactional Patterns. que o conheci- I. Conn. loc. 1969.Habermas.5% 14. código digital permite notadamente eliminar as ambivalências: ver Watzlawick et ai. in P.. op.. Klincksiel. Mine. "Glossaire"..L.P. como máquinas: estas são "órgãos do nômicos e tecnológicos (G. Wiener.f. t. L. Nouvelle informatique et noul'elle 6. Watzlawick. dicionário de sinônimos. 10/1. Handbook of Futures Research. Sargent.. Gallimard. 127 sq.. and 1953. in Le concept dela morphogenese. mento torna-se força. Cantineau. Pathologies.25 janvier 1979). Thom. que quase todos os eventos que ocorrem podem agora ser tratados 1939. loc. Cummunication. e dispor Les limites de l'économie mixte. . Cybernétique et Société. Possui uma tríplice memória: dicionário bi- L'informatisation de Ia société. "Un protée Ver a obra de Johannes von Neumann (1903-1957).4% tecnique et doe. L'informatisation . em par~ objetivada". 1973. expedem de Frankfurt para difusão por satélite. croissence.C.. Erkenntnis und Interesse.. 10/18. Grundzüge der Phonologie. T. "Le tournant informatique". "Les banques de données". N.2% i de 1978 realizou-se o quarto ciclo de videoeonferências en direct (pelo satélite Symphonie) entre Ouebec e Montreal.S. língüe. CYberneti~s and Society. 1976.f. 1949. 1978. modo multiplicaram seus estúdios de produção através do mundo. Frankfurt.

certos aspectos da formação do saber e dos seus efeitos sobre o poder público e as instituições civis.lo da dUl'ação do tempo dB "fabricação" de um técnico supe- rior ou de um cientista médio relativamente ao tempo de extracão de matérias-primas e de transferência de capital moeda. notadamente a primeira parte: "Les défis". Lepage.. Y. pertence. Portanto. ainda que proposto de maneira totalmente diversa.. de chegar ao "Estado campo no q"!lalpretendemos apresentar a questão do esta- mínimo".f. estima-se que em dez anos ela atingirá 68 bilhões (La semaine media. t. 8 mars 1979. 9). já. loc. La France et l'impératif mondial. É o declínio do Welfare State.B. cit. Enfim. Demain le capitalisme. similar ao de "informatização que se iniciou em 1974.F. e neste sentido a escolha desta hipótese hão é arbitrária. Trata-se de "enfraquecer a administração". este cenário tem boas chances de prevalecer: pois não se vê que outra orientação as teéno- ~l '! 1 1t BiBLIOTECA UfES CENTRAL . 19. 1978. Contudo. efeitos que permaneceriam pouco perceptíveis noutras pers- pectivas.U. à categoria das realidades observáveis. nem mesmo de ser verdadeiro.1'1 1':111 I'az. Valor de mer- cado mundial dos instrumentos de telecomunicação em 1979: 30 bi- lhões de dólares. concomitantemente à "crise" tuto do saber. Mattick avaliava a taxa de investimento líquido nos países subdesenvolvidos entre 3 e 5% do P. Le Monde. ESTA é então a hipótese de trabalho que determina o 22. 21. em parte. 13-15 d"écembre 1978. não tem a pretensão de ser original. como as que gerenciam as telecomuni- cações. Stourdzé. Alain Cotta. I a uma ausência persistente de solução relativa ao problema . Ao final dos allos 60. 20. F. 287). por exemplo. Este cenário. "Le redéploiement industriel". I mundial da energia. 1978. Sua descrição já foi ampla~ente elaborada pelos expertsB e já guia certas decisões das administrações públicas e das empresas mais diretamente afins. da sociedade". P. nos países desenvolvidos entre 10 e 15% (op. cit. excluindo-se o caso de uma estagnação ou de uma recessão geral devida.. H. avril 1978. Le Monde. é grande sua credibilidade. mas estratégico em relação à ques- tão apresentada. de Combret. O que se reivindica a uma hipótese de trabalho é uma grande capacidade discriminante.N. O ce- nário da informatização das sociedades mais desenvolvi- das permite iluminar.. "Les États-Unis et Ia guerre des communications". L'informatisation de Ia société. com o risco mesmo de exagerá-Ios excessivamente. Nora & Mine. Paris. Não se deve pois dar-lhe um valor de previsão em relação à realidade.

ele sempre teve ligadõ a seu conceito. Aqui. mesmo se os enunciados submetidos respec- sores é fato importante. Aqui. principais elementos de seus conflitos. ela interfere no problema essencial.24 para ser reconhecido como científico. <l. dadeiro não é independente do direito de decidir sobre o moralização conseqüente dos pesquisadores e dos profes. durante este período.de -con. Não se trata. a questão da dupl~ Mas é impossível não levar em consideração este compo. Admite· mação é um processo pelo qual um legislador é autoriza- se como ponto pacífico que ó saber cit. o da tcmativa à informatização da socied~de.não_~_~9A()~0 saber. tiva ou. quando se trata de isso. tanto que veio à tona. é o processo pelo qual um "legislador" ao tratar do dis- curso científico é autorizado a prescrever as condições es- bersi~!ltífico. e política: um e outro procedem de uma mesma perspec- mente. fosse para esperá-Ia ou para temê-Ia. como se tivamente a esta e àquela autoridade forem de natureza sabe. de tomar-se um dos ção pós-industrial não será mudado de um dia para o outro. para simplificar. zação em relação àquele que sabe (sachant) e uma alienação Nesta perspectiva. que é justo. os estudantes. ao longo dos anos 60. Mas ela o é so. o curso das coisas da civiliza- o risco. soluvelmente associada à da legitimação do legislador. Pois ela se avaliar () estatuto presente e futuro do saber científico. sobretudo se tiver que sofrer uma exteriori. legitimação. ele está submetido à regra: um enun- lação. e esta rios e das universidades que não conseguiram evitar a sua chama-se Ocidente.26 A questão não é e nem foi a de aguardar Examinando-se o estatuto atual do saber científico. este último possa prevalecer sobre ele. se uma lei civil. diferente. de cidadãos deve desempenhar tal tipo de ação. constata-se que enquanto este último parece mais subor- uma revolução. que 12 13 .ntífico e técnico se do a promulgar esta lei como norma. o direito de decidir sobre o que é ver- elll re!açãQ.dé-dizer que parte deste discurso e possa ser levado em consideração pela comunidade científica.a seus usuários bem maiores do que antes.logias contemporâneas poderiam tomar que fosse uma al. mas seu modelo ~stáJeJacionado à~ !<:l~iasde. se se preferir. em todas as linguagem que se chama ciência e o que se denomina ética sociedades mais desenvolvidas.. A des. Veremos que não:- vivialidade. O paralelo pode parecer forçado. chamaremos def)arratiViY)'}:que será caracterizado mais adiante. indis- empalidece. junto àqueles que se destinavam a exercer estas pro. condições de consistência interna e de verificação experimental) para que um enunciado faça saber que. a legitimação Estas evidências são falaciosas. equilíbrio inte~l"iore.lia. legitimação está longe de se diluir e não pode deixar. de ser considerada com mais cuidado. como dinado do que nunca às potências e. desde Platão. a da reversãQi. poder sociopolítico. que alguns imaginam regular.25 comparadas às quais o saber contemporâneo A questão da legitimação encontra-se. Além disso. o rendimento dos laborató. e veio retardar sensivel. Considere-se um acumula I' discute-se quando muito à forma desta acumu. em competição com uma outra_espécie de tabelecidas (em geral. enunciado científico. por nente maior. A legiti- mico e o desenvolvimento do. ao qual pa. tomamos a palavra em um sentido mais Isto significa que a hipótese é banal.27 Considere- geral do progresso das ciências e das técnicas. com as novas tecnologias. ciado deve apresentar determinado conjunto de condições e outros como sendo periódica. apresenta em sua forma mais completa. descontínua e conflitual. lato do que lhe é dado na discussão da questão da autori- mente na medida em que não coloca em causa o paradigma dade pelos teóricos alemães contemporâneos. É que existe um entrosamento entre o gênero de fissões. correndo até mesmo aconteceu freqüentemente. a dúvida dos cientistas. contaminação. contínua e unânime. seu enunciado é o seguinte: tal categoria recem evidentemente éorresponder o crescimento econô. de ·uma mesma "opção". Para começar.

seja compreendido.'-'. e o próprio referente é apreendido de uma maneira pró- pria aos denotativos. Frankfurt.vem evidenciar serem saber e poder as duas faces de uma mesma questão: quem decide o que é saber.Y.nt~. notadamente por influência de Kuhn. para analisar dans les pays occidentaux".-M. Raison et légitimité. Um enunciado denotativ029 como: A universidade Suhrkamp. Habermas. Seuil.a informação um procedimento: o de enfatizar os fatos de linguagem sobre a sociologia alemã da ciência. preferimos nicas: hegemonia da escola de Merton até início dos anos 1970. seu aspecto pragmático. vê-se que as especifica- ções precedentes desaparecem.dro que determinamos. pronunciada por um decano ou um reitor quando do início do ano letivo. 1973. o destinatário é colocado na postura de ter de conceder ou recusar seu assentimento. J. eit. e.). Legitimationsprobleme im Spiitkapitalismus. P. 1978 (bi. tar o desenvolvimento da leitura. La nouvelle informatíque et ses utilisateurs.tário (aquele que o recebe) e seu re- ferente (aquiI(. pouc. seu 4~§tIiÍi. nestes fatos.f. 1973. annexe lU. Boa informação sobre as correntes anglo-saxô. mesmo que sumária. termo. Lacoste. 24. 27. Tools for Conviviality. e quem sabe o que convém decidir? O problema do saber na idade da informática é mais do que nunca o problema do governo. 1q73. Payot. proferido no quadro de uma conversação ou bliog.:i_~~o - -. "L'informati- sation. mas . este problema no Ç1Vª. Lévy-Leblond ed. como qualquer coisa que precisa ser corretamente identificada e expressa no enunciado que a ele se refere. está doente. 1974. 23. Seuil. N. já/se observou que. loe. Evidentemente. de que trata o enunciado) de uma maneira espedfica: o remetente é colocado e exposto por este enunciado na posição de quem sabe (sachant) (ele sabe comÇ>Vaia universidade). de um colóquio. do que entendemos por este 26. posig()_~_~l1_r. é preciso que o significado c:l0 enun<. Arehives européennes de sociologie XIX (1978) (bibliog. B. J aubert e J . Sobre esta "desmoralização". t. (aquele que o enuncia). La eonvivialité..28 A fim de facili- 25.f. t. Lécuyer.". ver A. 257-336.). (Auto)eritique de Ia scienee. é útil apresentar uma Harper & Row. "Bilan et perspectives de Ia sociologie des sciences PELO que antecede. etc. dis- persão atual. Se se considera uma declaração como: A universida- de está aberta. parte I. visão.ems:le. O termo foi difundido por Ivan Illich.

pedidos. sobre um adversário pelo ção. de. efeitos concomi. isto é. A primeira é que suas regras não do no novo contexto assim criado. obtendo o efeito imediato que dissemos. a cono- o estudo da linguagem a partir do zero.1l1~011tEato explícito ou nã9~!ltreQS jogadores descrever esta situação de modo inverso: ele não é decano (o que não quer dizer todavia que estes as inventem). que uma modificação. Estas duas últimas posições sofrem trabalho de estírnuloda língua prqvocado--petãfªlª __popu- a seu turno. Vê-se que o re. é combater. Por este termo quer dizer que cada uma destas diversas plementar e que norteia nossa análise: é que o vínculo social 16 . no sen. Outra é ainda a eficiência de uma interrogação. senão quando os profere.35Isto não significa pecador tem sobre um deus que se declara misericordio. recomen. proporciona grandes alegrias. centraliza sua ~ 36 laçao. tanto sobre seu modifica a natureza do jogo. O regras que especifiquem suas propriedades e o uso que segundo enunciado. um lance pelo prazer de inventá-Io: não é este ocaso do zação da ação referida. e Esta idéia de uma agonística da linguagem (tanga- 32 . exatamente como o jogo de xadrez a particularidade de seu efeito sobre o referente coincidir se define como um conjunto de regras que determinam com sua enunciação: a universidade encontra-se aberta :lS propriedades das peças. mas pode-se objeto d~ _U. no sentido de jogar. a universidade. recomeçando menos. e que os atos de lingua- tido mais amplo do termo (incluindo a autoridade que o gem34 provêm de uma agonística gera1. Estas podem "lance" feito num jogo.possui delas se pode fazer. instruções. d~sIocá-las. Esta última observação leva a admitir um primeiro dações. mesmo este prazer não é independente uma promessa. que encontra-se imediatamente coloca. que são prescrições. necessariamente que se joga para ganhar. de jogos de linguagem. chamado de desempenho 3Üf~. Isto não está então sujeito a discussão nem a verificação Três observações precisam ser feitas a respeito dos pelo destinatário.33 ferir este gênero dé enunciados. etc.!ta'? A invenção contínuà de --êonstruções tantes. enunciado que não satisfaça as regras. Quanto ao' remetente. etc. Quando Wittgenstein. por mínima que seja. A terceira observação acaba de ser Um caso diferente é o dos enunciados do tipo: Dêem inferida: todo enunciado deve ser considerado como um meios à universidade. ou o modo conveniente de pelo fato de que é declarada como tal nestas condições. ser moduladas em ordens. alguém dotado de autoridade para pro.. atenção sobre os efeitos dos discursos.. Resumindo.~icre) não deve ocultar o segundo princípio que lhe é com- dos quais enumerou-se alguns. mas de envergadura: a língua estabelecida. jogo definido por elas. solicitações. mas constituem deve ser dotado da autoridade de proferi-Ia. lar ou pela literatl. possuem sua legitimação nelas mesmas.31 novas. é o que faz evoluir a língua. de uma regra. chama os diversos tipos de enunciados que ele caracteriza desta maneira. rat~gorias de enunciados deve poder ser determinada por mite distinguir os enunciados ou seus efeitos próprios. no nível da palavra. A ou reitor. que não per. Pode-se realizar so). não pertence ao o corpo docente. comandos. de uma descrição literária. jogos de linguagem.isto é uma condição geral da comunicação. de Mas. e que um "lance" ou um referente. sem dúvida. de uma narra" de um sentimento de sucesso.palávras e de sentidos que. na pragmática prescritiva. princípio que alicerça todo o nosso método: é que falar metente é aqui colocado na posição de autoridade. segunda é que na ausência de regras não existe jogo. súplicas. quanto sobre seu destinatário. o que significa que ele espera do destinatário a reali.

sem falar dos primeiros trágicos. do Ed.• op. No sentido estabelecido por L.' Searle: "Os atos de linguagem são as unidades mínimas de base da comunicação lingüística" (op. Morris ed. . 34. Austin. 33. 39 e passim). cito 32. 3: ed. Ver W. . dations of the Theory of Signs". Investigations philosophiques. Na tradução para o português preferiram-se as palavras desempenho ou eficiência mensurável como tradução de performativité e performatif· (N. Quand dire c'est faire.. 77-137. Morris.. 28. performativo assumiu desde Austin um sen- tido preciso (op. 1977.f. in "Cinq préfaces à cinq livre·s qui n'ont pas été écrits" (1872). ". Princeton U. Theorie der Gese/lschaft oder Sozialtechnologie. "Foun. Barthes. 1975. Carnap & Ch. Quine. Backes. art. O performativo de Austin realiza a perlormance ótima. 1968. How to Do Things with Words. prefere constatif a descriptif. I. W. I. Hermann. t. Â agol11stlca está no princIpIo da ontologia de Heráclito e da dialé- obscrváve1 é feito de "lances" de linguagem. Hermann. Ver F. Cambridge U. Aristóteles reser- esta proposição entraremos no ceme do nosso tema. § IV. 1944. Suhrkamp.P . Ver também Watzlawick et aI. IQ2-200. \b.. Flammarion.. Seuil. 30. J. Puclain.. L. Speech Acts. Gallimard. Uma análise recente destas categorias foi feita por Habermas. 1966 sintático. datilog. 140. Dire et ne pas dire. 1962 (t. "Vor- bereitende Bemerkungen . 1972). Investigations philosophiques.." Fórmula estranha ao espírito de Wittgenstein.P. Madison. Ecrits J!osthul1les 1870-1873. Nietzsche. Lane. 1970). O termo é de J. Les actes de langage... R. i'. Stuttgart. J. 2 (1938). R. Université de Montréal. Prolégol1l(!I1es à une théorie du langage. "Vers une pragmatique núcleaire de Ia communica- tion". Quine substitui denotation por true of (verdade de). LI'. Wittgen- stein. Elucidando tica dos sofistas. n. Os dois sentidos não são estranhos um ao outro. OxIord. 1971. Hjelmslev. "La joute chez Homere·'. V. in O. op. von Neumann & Morgenstern. Elél1lents de sél11i%gie (1964). 39. Iremos reencontrá-Io mais adiante associado aos termos performance e performatividade (de um sistema. notadamente) no sentido que se tornou corrente de eficiência mensu- rável na relação input/output. 1969 (LI. 1977. 1963. Nós as colocamos de preferência sob a égide do agôn (a polêmica) que da comunicação. H. in Habermas & Luhmann. 52). inglesa Whitfield. Prolegol1lenll to a Theory 01 Language. cit. Gallimard. Denotação corresponde aqui à descrição conforme uso clássico dos ló- gicos. cit. e discutida por J. cit. J. U. a distinção dos domínios E retomado por R. t. cit. Searle. Habermas. 1972.. Ducrot. Peirce. Dopp e Gochet... t. 1945 (Lf.) 31. Em teoria da linguagem. Vorbereitende Bemerkungen zu einer Theorie der kommunikativen Kompetens. 1961). para quem o conceito de jogo escaparia aos ditames' de uma definição. Nós nos referimos sobre este termo sobretudo a. Philosophical Investigations. visto que esta já é um jogo de linguagem (op. A.f. Le mot et Ia chose... Na esteira da semiótica de Ch. Austin. Neurath. Theory of Games and Economic Behavior. Poulain. Pauchard. cito 29. Una Canger. 1954. 49: "O jogo consiste no conjunto das regras que o descrevem. J. § 65-84 sobretudo). Klossowski. cit. 2. d. loc. semântico e pragmático é feita por Ch. International Encyclopedia 01 Unilied Science.f. Minuil. O. va-lhe uma grande parte de sua reflexão sobre a dialética in Tópicos c Helutaç'ões solísticas. Seuil.. Haar & de Launay. J. Wisconsin Press. L. § 23.

38 Para os teóricos alemães de hoje. a verda- deira finalidade do sistema. Pode-se ilus. sob o nome de Esta clivagem metodológica que determina duas gran. 1) . mesmo quando suas disfunções. O modelo teórico e mesmo material não 111\ condição mais decisiva para que uma análise dinâmica é mais o organismo vivo. ciologia não tem mais objeto). é de que cada problema seja contínua e sistema- que lhe multiplica as aplicações durante e ao final da Se. t icamente referido ao estado do sistema considerado como gunda Guerra Mundial. b) a sociedade divide-se em duas partes. 11mtodo ( . as crises. ou seja. como as greves. Mesmo quando suas regras mudam e representação metódica que dela se faz. Simplificando ao inovações se produzem. aquilo que o faz programar-se a si mesmo como uma máquina inteligente. isto é. mais desenvolvida.. o desemprego ou as revoluções pelo menos. A idéia de que a sociedade forma um todo mízar sua "racionalidade") no contexto de retomada da orgânico. "liberalismo avançado"._-''''''"'"''''. deve-se primeiramente decidir qual a (l seu desempenho. assume uma outra modalidade quando lima mesma idéia do social: a sociedade é uma totalidade Parsons. o segundo pela corrente Aqui também. esta representação divídiu-se. não se trata senão de rearranjos internos nal. CQm Parsons. sendo a entropia a única alternativa a este aperfei- trar o primeiro com o nome de T aIcou Parsons (pelo me- ~'oamento das performances. lar esperanças.39 nos. o do pós-guerra) e sua escola. a SystJmtbeorie é tecnocrática ' e mesmo ~'-""""'"_.'"-''"''''''''''''' A NATUREZA DO VÍNCULO SOCIAL: dl~ica. Um processo ou um conjunto de condições 21 . uma "unicidade". nos anos 50. por mais dife- logia da teoria social. em princípio.. compara a sociedade a um sistema tinida. extremo. admitem o princípio da luta de classes 11m paralelo entre esta versão tecnocrática "dura" da so- e a dialética como dualidade trabalhando a unidade . dominava o espírito dos Para além do imenso deslocamento que conduz do fundadores da escola francesa. é a otimiza- SE SE quer tratar do saber na sociedade contemporânea ~'ilo da relação global entre os seus input e output. sem cair no simplismo de uma socio- marxista (todas as escolas que o compõem. às sociedades industriais mais de- des espécies de discursos sobre a sociedade provém do senvolvidas para que se tornem competitivas (e assim oti- século XIX. é difícil não estabelecer pelo menos rentes que sejam. ele é fornecido pela cibernética seja boa. para não dizer desesperàda: a harmonia entre ne- A ALTERNATIVA MODERNA l'l'ssiJades e esperanças dos indivíduos e dos grupos com as funções que asseguram o sistema não é mais do que 11111a componente anexa do seu funcionamento. e seu resultado só pode ser a melhoria da "vida" do siste- ma. se se pode diJ':l'r. ). pode-se dizer que durante o último meio século. sem o que deixa de ser uma sociedade (e a so. ainda otimista:corresponde à estabilização das eco- Illlmias em crescimento e das sociedades de abundância sob :\ t'giJe de um welfare '{tate temperado. guerra econômica mundial a partir dos anos 60. políticas podem fazer acreditar numa alternativa e levan- entre dois modelos: a) a sociedade forma um todo funcio.37 SOCla ciedade e o esforço ascético que se pede. o princlpIO do sistema é. o declínio. torna-se mais precisa com pensamento de um Comte ao de um Luhmann vislumbra-se o funcionalismo. Parsons o formula claramente: auto-regulável.

Não se trata aqui de seguir papel principal do saber é o de ser um elemento indispen- os périplos que são a matéria da história social. . política sável do funcionamento da sociedade e agir em conse- e ideológica de mais de um século. é que seu desejo de uma verdade unitária e totali. Esta retrospectivaesquemática (ou esquelética) não zante presta-se à prática unitária e totalizante dos geren. Tal é a rigo de perder sua base teórica e de se reduzir a uma função do princípio da luta de classes na teoria da socie. ou da razão.illlpll'smente privadas do direito à existência. encontrou-se finalmente exposto ao pe- vatório que por princípio escape à sua atração.il' tes do sistema. A teoria "crítica" . a uma "esperança".41Daí sua credi- bilidade: possuindo os meios de se tornar realidade. Se a teoria "tradicional" está sempre ameaçada de ou ainda de determinada categoria social reduzida in extre- ser incorporada à programação do todo social como um mis às funções de agora em diante improváveis de sujeito simples instrumento de otimização das performances deste crítico. nos países comunistas. E.. em difusão neste sentido. s:lo. não se pode contar com sua função a' transformação destas lutas e dos seus órgãos' em regu. parle. política (era este o subtítulo do Capital. a Crítica da economia cando assim a integridade e a eficácia do sistema. Este modelo origina-se nas lutas que acompanham o cerco das sociedades civis ela pode fornecer respostas.47 a um protesto pela honra dade a partir de Marx. é uma grande máquina. co- É pois um outro modelo da sociedade (e uma outra nhecer qualquer coisa daquela é primeiro escolher a ma- idéia da função do saber que nela se pode produzir e dela neira de interrogá-Ia. Imia radicalidade.adas à guisa de elementos na programação do sistema. em nome de um ou outro.40Ora.50 A alter- 22 2) . pos. leve outra função senão a de esclarecer a problemática na . hoje mais do que nunca. ou bem 'contribui' para a manutenção (ou para o desen. Inversamente. "lItopia".46 Mas não da auto-regulação sistemática e o círculo perfeitamente fe. tendo sido as lutas em questão ser perturbada por um princípio de contestação. É o que Horkheimer Seguramente. pois seu destino é co. Pois não se pode entender o estado reconciliações. feito em nome do homem.43por se apoiar sobre qual pretendemos situar a questão do saber nas sociedades I'" um dualismo de princípio e desconfiar das sínteses e das industriais avançadas. que é também a maneira pela qual se adquirir) que guia o marxismo. ou bem é 'disfuncional' prejudi. de Marx)' e a crí- I 'I I jea da sociedade alienada que lhe era correlata são utili- esta idéia é também a dos "tecnocratas" . I. ~. o retorno.42 se em face deste processo em minorias como a Escola de Mas não se pode julgar como paranóicos o realismo Frankfurt ou o grupo Socialismo ou barbárie.48 último.49 nhecido: nos países de gestão liberal ou liberal avançada. se não se conhece nada da socie- dade na qual ele se insere. Sl' pode esconder que o pilar social do princípio da divi- chado dos fatos e das interpretações. deve estar em condições de escapar a este atual do saber. do modelo totalizante e de que ela não perfaz um todo integrado e que continua a seus efeitos totalitários.44 E em toda volvimento) do sistema. e difusão encontram hoje. tendo se diluído a ponto de perder dição de se dispor ou de se pretender dispor de um obser. Basta lembrar o ba.45 sui os de administrar suas provas. . ou da criatividade. nítica e sonhar em orientar-lhe o desenvolvimento e a ladores do sistema. qüência para com ela a não ser que se conclua que esta lanço que dela se pode fazer hoje. que problemas seu desenvolvimento destino. isto é. Não se pode concluir que o tradicionais pelo capitalismo. a luta de classes. a não ser sob con. como o terceiro mundo ou a juventude estudantiI. o modelo crítico manteve-se e apurou- chamava de "paranóia" da razão. a não ser que se tenha concluído nome do próprio marxismo.

P. Free P. substituir a religião "usada até a exaustão" para definir a finalidade 1979. Bloch. mas antes de tudo D. em função da própria panorama histórico é dado por A. Bloch. Aron ao de estrutura tecno-burocrática nas Dix-huit leçons sur Ia société indus- tielle. La technique et l'enjeu de Ia science. Parsons. explica ele esta tensão como o avanço técnico e gestionário da indústria americana (citado por H. 38. sistema. decide sobre o estado de exceção (Car! Schmitt). Théorie et Praxis." Habermas opõe a esta lei o fato dos conjuntos de meios trínsecas do social.f. décembre 1978. 191: na sociedade moderna. Um acrescenta: "O próprio Estado vê-se submetido. não do sistema. M. Sociological Theory and Modem Society. Galli- mard.: "A soberania do Estado não se manifesta mais pelo (com diversos pseudônimos) foram C. CI. ocuparia mais de cinqüenta páginas. Free P. e pelo movimento estudantil dos anos 1960.P. 10/18. Ou arbitrária. Lyotard. 1967. Londres. Oxford U. porque é tanto socio- político quanto econômico. são os meios que determinam os fins. Payot. A. 1976. 1972. declara claramente. pela oposição trotskista aO estalinismo. 1963. cácia for mais elevada e pode praticamente colocar-se ele mesmo fora do campo de aplicação destes meios técnicos que impõe aos outros. depois P. Habermas. Galbraith deu ao termo tecnoestrutura em Le nouvel .Y. A palavra é tomada aqui segundo a aeepção que J. Jour- civilização industrial: a saber. que encontra facilmente sua aplica. Gouldner. Ver em particular Ta1cott Parsons. Eclipse toriadis. 1973.11'. 46·47. técnicos existentes em seu seio. Eclipse of Reason. in Theorie und Praxis..nativa parece clara . que são citadas por M. Heineman. Lefort. 11. Lynd. de Ia raison. 1976. Ver a este respeito CI. t. Laizé. é o que Ch. Le marxisme lénifiant. P. tica que. opres Marx. Ver por exemplo J. C. Blanchard. Payot. The Coming Crisis of Western Sociology (1970). Droz. Paris. Cas- Horkheimer.. Le Sycomore. de preferência ao sentido evocado pelo termo burocracia. 1971.. La société bureaucratique. dirigente sindical. Tentou-se dela escapar distinguindo duas espécies de Luchterhand. Neuwied. Flammarion. Simon. Collectif du College de philosophie. r:: um!i alusão às obstruções teóricas provocadas pelas guerras da Dir-se-á que é uma teoria do Estado. The Social System. 1974. 115-136. 1978.homogeneidade ou dualidade in.. B. simulo taneamente herdeiro da Escola de Frankfurt e polemizando com a Théorie critique. Ver G. opõe um obstáculo a qualquer 40. volverem de maneira autônoma: "Conséquences pratiques du progres scientifique et technique" (1968).-F. Este último é muito mais "duro". Genebra. Horkheimer. os valores ou os fins. "recuperação" . Levinson. Gallimard. Mothé. a ciência deverá 4'5. Lefort. 1974. Maso. 1961. pelo fato de que decide sobre o grau de eficácia de todos os 1l1j:ios ·17. de Beaumont.f. op. "Traditionelle und kritische Theorie" (1937) in é apresentada por A. da vida. Payot.. 183. t o título que tinha o "órgão de crítica e de orientação revolucionária" 39. 44. id. Glencoe Free.-F. Raulet. Seuil. E. Souyri. entre estas duas grandes correntes da teoria social e de sua mixagem 4"). E a bibliografia comentada sobre a teoria alemã do sistema social.. Este conceito t. S.51 ·11. . id. H. 1954.. Schnapp e P. Sarrel.f.). Know- ledge for What?. funcionalismo ou criticismo do saber técnicos e dos sistemas de ação racional completa jamais se desen- . 1962. Calmann-Lévy. Paris. 1957 (reed. id . sobretudo a de Luhmann. por Hoehn & Raule1. J. procedendo inicialmente de uma crítica 37. Le systeme technicien. simples fato de que ele monopoliza o uso da violência (Max Weber) ou C. /lal de Ia Commune étudiante. Le Matin. e uma espécie crítica ou reflexiva ou hermenêu. 'Ib.. W.O spécial "Que veut GiscardT'). Garbier. Seuil. Glencoe. Das Prinzip Hoffnung (1954-1959). antes. 239. K. UU. 1970. Ellul. Lefort. Uma visão interessante do conflito ·12. Castoriadis.État industriel. Théorie traditionnelle et théorie critique. Gallimard. Pode-se consultar a útil catalo- gação (dossiês e bibliografia crítica) feita por P. ou R. 24 sq. que reserva para si aqueles cuja efi· Raulet ed. Este otimismo aparece claramente nas conclusões de R. 2: ed. Souyri. A bibliografia da teoria marxista da sociedade contemporânea Eléments d'une critique de Ia bureaucratie. loco cit. Essai sur le systeme économique américain. 1967. D. 1939.f. T. Schelsky. n. Essays in Sociological Theory Pure and Applied. 1967... Utopie-Marxisme selon E. feita pela Oposição operária (Kollontai:) ao poder bo1chevique. t.8) in Esprit 5 (mai 1978). Escola de Frankfurt (francesa. as possibilidades técnicas impõem a utilização que delas se faz. mand Colin. ção às técnicas relativas aos homens e aos materiais e que Que as greves e em geral a forte pressão exercida pelas poderosas organizações de trabalhadores produzem uma tensão finalmente bené- se presta a tornar-se uma força produtiva indispensável ao fica para a eficiência mensurável do sistema. P. N.. interrompida em 197. Le marxisme onde a crítica se estende à sociedade burocrática em seu conjunto.mas a decisão parece difícil de tomar. Ar- saber: um positivista.. Ver CI. Colô' publicado de 1949 a 1965 por um grupo cujos principais redatores nia." . Ver também J. 1969. Maillard & Muller. Payot. 1947. interrogando-se direta ou iridiretamente sobre de Virieu.. de Diesbach. Un homme en trop. Princeton U. 1968. Eclipse de Ia raison. cit. ocupa um lugar importante no pensamento de J. Der Mensch in der wissenschaftlichen Zeitalter. Mas Schelsky Argélia e do Vietnã. Ver também: 1. P. Apresentação. Vidal-Naquet. Frankfurt.

confes- • • 52 SlonalS. O "redesdobramento" econômico na fase atual do capitalismo. e que ela mesma pertence a um pensamento por oposições que não corres- ponde às manifestações mais doqüentes do saber pós- moderno.f. de reprodução. Ela já não é mais constituída pela classe política tradicional. por- tanto. Le Monde. I 1. auxiliado pela mutação das técnicas e das tccnologias segue em paralelo. já se disse. 8 septembre 1978. com uma mudança de função dos Estados: a partir desta síndrome forma-se uma imagem da sociedade que obriga a revisar seriamente os enfoques apresentados como alternativa. NÃO seguimos uma solução de divisão como esta. sindicais. O acesso às informações é e será da alçada dos experts de todos os tipos. The Myth of the Machine. A novidade é que. os 27 . 1947. deixou de ser pertinente em relação às sociedades que nos interessam. Tecnics and Human Development. Le monde de l'esprit. "La nouvelle responsabilité des deres". Dilthey (1863-1911). A hesitação entre estas duas hipóteses se evidencia. altos funcionários. A grande questão vem a ser e será a de dispor das informações que estes deverão ter na memória a fim de que boas decisões sejam tomadas. Secker & Warburg. políticos. Pos- tulamos que a alternativa que ela busca resolver. Le mythe de 11' Ia machine. Nemo. os antigos pólos de atração formados pelos Estados-nações. Fayard.I apelo destinado a obter a participação dos intelectuais no sistema: Ph. A classe dirigente é e será a dos decisores. mas que não faz senão reproduzir.111 "1 50. 1967. A PERSPECTIVA PÓS-MODERNA Aubier-Montaigne. t. os partidos. Lcwis Mumford. no . Rémy.f. 1974. dirigentes de wandes órgãos profissionais. são e serão cada vez mais retiradas dos administradores e confiadas a autômatos. A oposição entre Naturwissenschaft e Geistwissenschaft tem sua ori· A NATUREZA DO VÍNCULO SOCIAL: gem em W. mas por uma camada formada por di- rigentes de empresas. t. 49. 51. Londres. no entanto. Di- gamos sumariamente 'que as funções de regulagem e. neste contexto.

profissionais, as instituições e as tradições históricas per- que o sistema pode e deve encorajar estes deslocamentos,
dem seu atrativo. E eles não parecem dever ser substituí- na medida em que luta contra sua própria entropia e que
dos, pelo menos na escala que lhes é própria. A Comissão lima novidade correspondente a um "lance" não esperado
tricontinental não é um pólo de atração popular. As "iden- e ao deslocamento correlato de tal parceiro ou de tal grupo
tificações" com os grandes nomes, com os heróis da histó- de parceiros que nele se encontra implicado, pode forne-
ria atual, se tornam mais difíceis.53 Não é entusiasmante cer ao sistema este suplemento de desempenho que ele
consagrar-se a "alcançar a Alemanha", como o presidente não cessa de requisitar e de consumir .57
francês parece oferecer cpmo finalidade de vida a seus Compreende-se atualmente em que perspectiva foram
compatriotas. Pois não se trata verdadeiramente de uma propostos acima os jogos de linguagem como método geral
finalidade de vida. Esta é deixada à diligência de cada de enfoque. Não pretendemos que toda relação social seja
cidadão. Cada qual é entregue a- si mesmo. E cada qual desta ordem; isto permanecerá aqui uma questão penden.
sabe que este si mesmo é muito pOUCO.54 te; mas que os jggos ..de .linguagem~,sejam,~_poru11l1l:lgº,.o
Desta decomposição dos grandes Relatos, que anali- mínimo de rdação exigido para qu~ hªja sQci~clacl~.1. não "o

saremos mais adiante, segue-se o que alguns analisam como é necessário que I~e recorra a uma robinsonada para que
a dissolução do vínculo social e a passagem das coletivi- se faça admiti-Io; desde antes do seu nascimento, haja vista
dades sociais ao estado de uma massa composta de átomos o nome que lhe é dado, a criança humana já é colocada
individuais lançados num absurdo movimento browniano.55 como referente da história contada por aqueles que a cer-
Isto não é relevante, é um caminho que nos parece obs- cam58 e em relação à qual ela terá mais tarde de se deslo·
curecido pela representação paradisíaca de uma sociedade car. Ou mais simplesmente ainda: ~_~e~~xínculo
"orgânica" perdida. social, enquªntQCnl~§t~~ é 19:o,jQgQ,de ..liugJlagem., o da
O si mesmo é pouco, mas não está isolado; é tomado interrogação, que posiciona imediatamente aquele que a
numa textura de relações mais complexa e mais móvel do apresenta, aquele a quem ela se dirige, e o referente que
que nunca. Está sempre, seja jovem ou velho, homem ou ela interroga: esta questão já é assim o vínculo
~--- social.
-, --'-' _._ ....•. ..,.,.~,".,,~""~ •...,~"~-....,-_..-~."""- ..

mulher, rico ou pobre, colocado sobre os "nós" dos cir- Por outro lado, numa sociedade em que a componente
cuitos de comunicação, por ínfimos que sejam.56 É prefe- comunicacional torna-se cada dia mais evidente, simulta-
rível dizer: colocado nas posições pelas quais passam men- neamente como realidade e como problema,59 é certo que
sagens de natureza diversa. E ele não está nunca, mesmo ~ () aspecto de linguagem (langagier) adquire uma nova im-
o mais desfavorecido, privado de poder sobre estas men- \ portância, que seria superficial reduzir à alternativa tra-
sagens que o atravessam posicionando-o, seja na posição dicional da palavra manipuladora ou da transmissão uni-
de remetente, destinatário ou referente., Pois seu deslo- lateral de mensagem, por um lado, ou da livre expressão
camento em relação a estes efeitos de jogos de linguagem ou do diálogo, por outro lado.
(compreende-se que é deles que se trata) é tolerável pelo Uma palavra sobre este último ponto. Expondo-se
menos dentro de certos limites (e mesmo estes são ins- este problema em termos simples de teoria da comunica-
táveis) e ainda suscitado pelas regulagens, sobretudo pelos (,"ão, se estaria esquecendo de duas coisas: ~s. !p~~~,-
reajustamentos através dos quais o 'sistema é afetado a são dotadas de formas e de efeitos bastante diferentes,
fim de melhorar suas performances, Convém mesmo dizer conforme forem, por exemplo, denotativas, prescritiv,a,s,
_~ __ .~,_.,,_.. 0.0 , .. ,.~. ' •. ' •..

28

avaliativas, performativa§, etc. É certo que elas não ope- ria dos jogos, que inclua a agonística em seus pressupos-
o. ram apenas ria-medida em que comunicam informação. Re- [os. E já se adivinha que, neste contexto, a novidade re-
duzi-Ias a esta função é adotar uma perspectiva que pri- querida não é a simples "inovação". Encontrar-se-á junto
vilegia indevidamente o ponto de vista do sistema e seu a muitos sociólogos da geração contemporânea matéria
único interesse. Pois éamáqyina cibernética que funciona com que se possa apoiar este enfoque,60 sem falar de lin-
pela informação, mas, por exemplo, os fins que lhe são güistas ou filósofos da linguagem.
dados quarido de sua programação provêm de enunciados Esta "atomização" do social em flexíveis redes de
prescritivose avaliativos que ela não corrigirá no curso jogos de linguagem pode parecer bem afastada de uma
do funcionamento, por exemplo, a maximização de suas realidade moderna que se representa antes bloqueada pela
performances. Masc0tIl0 garantir que a maximização das ,.
ar t rose b urocratlca. 61 I
nvocar-se-a' pe 1o menos o peso das
performances constiáll sempre o melhor fim para o siste-. instit~ições que impõem limites aos jogos de linguagem,
ma social? Os "átomos" que formam a sua matéria são, c aSSIm restringem a inventividade dos parceiros em ma-
em todo caso, competentes em relação a estes enunciados, téria de lances. Isto não nos parece constituir uma difi-
e notada mente a esta questão. culdade particular.
E, por outro lado, a teoria da informação em sua ver- No uso ordinário do discurso, numa discussão entre
são cibernética trivial deixa de lado um aspecto decisivo, dois amigos, por exemplo, os interlocutores lançam mão de
já evidenciado, o aspecto agonístico. Os átomos são colo- todos os meios, mudam de jogo entre um enunciado e
cados em encruzilhadas de relações pragmáticas, mas eles outro: a interrogação, a súplica, a asserção, o relato são
são também deslocados pelas mensagens que os atraves- lançados confusamente na batalha. Esta não é desprovi-
sam, num movimento perpétuo. Cada parceiro de lingua- da de regra,62 mas sua regra autoriza e encoraja a maior
o

gem sofre por ocasião dos "golpes" que lhe dizem respeito flexibilidade dos enunciados.
um "deslocamento", uma alteração, seja qual for o seu
Ora, deste ponto de vista, uma' instituição difere
gênero, e isto não somente na qualidade de destinatário
sempre de uma discussão no que ela requer de pressões1<
e de referente, mas também como remetente. Estes "gol-
suplementares para que os enunciados sejam declarados
pes" não podem deixar de suscitar "contragolpes"; ora,
todo mundo sabe pela experiência que estes últimos não admissíveis em seu seio. Estas pressões operam como fil-
são "bons" se forem apenas reacionais. Pois, então, eles tros sobre os poderes de discursos, eles interrompem co-
não são senão efeitos programados na estratégia do adver- nexões possíveis sobre as redes de comunicação: há coisas
sário; eles a realizam e vão assim a reboque de uma mo di·· que não devem ser ditas. E elas privilegiam certos tipos
ficação da relação das respectivas forças. Daí a importân- de enunciados, por vezes um único, cuja predominância
cia que existe em agravar o deslocamento e mesmo em \ caracteriza o discurso da instituição: há coisas que devem
desorientá-lo, de modo a conduzir um "golpe" (um novo \ ser ditas e maneiras de dizê-las. Assim: os enunciados de
enunciado) que não seja esperado. comando nas forças armadas, de prece nas igrejas, de deno-
O que é preciso para compreender desta maneira as tação nas escolas, de narração nas famílias, de interroga-
relações sociais, em qualquer escala que as consideremos,
não é somente uma teoria da comunicação, mas uma teo-

tema de "derrelição" do "si mesmo" com a "crise" das ciências no
ção nas filosofias, de desempenho nas empresas ... A bu-
início do século XX e com a epistemologia de E. Mach; cita os se-
rocratização é o limite extremo desta tendência. guintes exemplos: "Considerando-se em particular o estado da ciên-
Contudo, esta hipótese sobre a instituição é ainda cia, um homem não é feito senão do que se diz que ele é ou que
se faz com o que ele é ( ... ). I! um mundo no qual os eventos vividos
muito "pesada"; ela parte de uma visão "coisista" do ins- tornam-se independentes do homem ( ... ). I! um mundo do futuro, o
tituído. Hoje, sabemos que o limite que a instituição opõe mundo daquilo que acontece sem que isto afete ninguém, e sem que
ao potencial da linguagem em "lances" nunca é estabele- ninguém seja responsável" ("La problématique du sujet dans L'homme
sans qualités", Noroit [Arras] 234 & 235 [décembre 1978 - janvier
cido (mesmo quando ele o é formalmente).63 Ele mesmo é, 1979]; o texto publicado não foi revisto pelo autor).
antes, o resultado provisório e a disputa de estratégias de 55. J. Boudrillard, A /'ombre des majorités silencieuses ou Ia fin du social
linguagem travadàs dentro e fora da instituição. Exemplos: Utopie, 1978. "
o jogo de experimentação sobre a linguagem (a poética) 56. I! o vocabulário da teoria dos sistemas; por exemplo, Ph. Nemo,
loc. cit.: "Representamo-nos a sociedade como um sistema, no sen-
terá seu lugar numa universidade? Pode-se contar histó- tido da cibernética. Este sistema é uma rede de comunicações com
rias no conselho de ministros? Reivindicar numa caserna? encruzilhadas para onde a comunicação converge e de onde é redis-
tribuída ( ... )."
As respostas são claras: sim, se a universidade abrir seus
57. Um exemplo dado por J .-P. Garnier, op. cit., 93: "O Centro de
ateliers de criação; sim, se os superiores aceitarem deli- informação sobre a inovação social, dirigido por H. Dougier e F.
berar com os soldados. Dito de outro modo: sim, se os B1och-Laine tem por papel recensear, anali"sar e difundir informações
64
limites da antiga instituição forem ultrapassados. Reci- sobre as experiências novas de vida cotidiana (educação, saúde, jus-
tiça, atividades culturais, urbanismo e arquitetura, etc.), Este banco
procamente, dir-se-á que eles não se estabilizam a não ser de dados sobre as "práticas alternativas" presta seus serviços aos ór-
que deixem de ser um desafio. gãos estatais encarregados de esforçar-se para que a "sociedade civil"
Acreditamos que é neste espírito que convém abor- permaneça uma sociedade civilizada: Comissariado do Plano Secre-
taria~o de ação social, D.A.T.A.R" etc,". '
dar as instituições contemporâneas do saber. 58. S. Freud acentuou particularmente esta forma de "predestinação".
Ver Marthe Robert, Roman des origines, origine du roman, Grasset.
1972.
59. Ver a obra de M. Serres, notadamente os Hermes I a IV, Minuit.
1969-1977.
60. Po~ exemplo, E. Goffman, The PresentatiQn of Self in El'eryda)' Life,
Edmburgh, U. of Edinburgh P., 1956, t.f. Accardo, La mise en scene
M. Albert, comlssano do Plano francês, escreve: "O Plano é uma de Ia vie quotidienne (I. La présentalion de soi), Minuit, 1973: A.
repartição de estudos do governo ( ... ). I! também uma grande en- W .. Gouldner, op. cit., capo 10; A. Touraine, La l'oix et le regard.
cruzilhada da nação, encruzilhada onde se agitam idéias, onde :e SeUll, 1978; ido et ai.. Lutle éludiante, Seuil, 1978; M. Callon, "Socio-
confrontam pontos de vista e onde se formam as mudanças ( ... ). Nao Iogie des techniques?", Pandore 2 (février 1979), 28-32; P, Watzlawick
podemos fic-ar ·sozinhos. I! preciso que outros nos esclareçam ( ... )" et ai., op. cito
(L'Expansion, novembre, 1978). Ver, sobre o problema da declsao,
G. Gafgen, Theorie der wissenschaftlichen Entschiedung, Tübing.en,
61. Ver aci~a a nota 41. O .tema da burocratização geral como futuro
1963; L. Sfetz, Critique de Ia décision (1973), Presses de Ia FondatlOn das SOCiedades. m?dernas foi desenvolvido inicialmente por B. Rizzo.
natiWlale des sciences politiques, 1976. La BureaucrallsallOn du monde. Paris, 1939.
Que se observe o declínio de nomes tais como o de Stalin, Mao, Castro
como epônimos da revolução há vinte anos. Que se pense no avilta-
)! 62. Ver H. P. Grice, "Logic and Conversation"
gan ed., Speech Acts lIl, Synlax
in P. Cole & J. r.
Mor-
and Semantics, N.Y., Academic P ..
mento da imagem do presidente dos Estados Unidos após o caso 1975, 59-82.
Watergate. 63. Para um enfoque fenomenológico do problema, ver em M. Merleau-
E um tema central de R. Musil, Der Mann ohne Eigenschaften (1930- Ponty (CI, Lefort ed.), Résumés de cours, Gallimard, 1968, o curso do
1933), Humburgo. Rowohlt, t.f. Jacottet, L'homme sans qualités, Seuil, ano ~95~ 19?5. Para um enfoque psicossociológico, R. Loureau, L'ana-
1957. Num comentário livre, J. Bouveresse salienta a afinidade deste Iyse IIlstltutlOnne/le, Minuit, 1970.

poder ocultar o problema de sua legitimidade.. loe. e susceptíveis de serem de- clarados verdadeiros ou falsos.I 'I 'i!! li.65 exc1uindo- se todos os outros enunciados. fizemos 1. loco cit. Ajudará também a com- preender como se considera hoje. não pode 1 deixar de apresentá-lo em toda sua amplitude.1 '" li li I ~!I anteriormente (seção 1) duas objeções. a questão da legitimidade. M.I . discernir melhor pelo menos certas 11 características da forma de que se reveste o saber cientí- fico na sociedade contemporânea. O conhecimento seria o conjunto dos enunciados que denotam ou descrevem objetos. este exame permi- tirá. ciência. II . por comparação. que não II é menos sociopolítica que epistemológica. que se possa decidir se cada llm destes enunciados pertence ou não pertence à lingua- gem considerada como pertinente pelos experts. O saber não é a . sobretudo em sua forma atual. Cal1on. fronteiras entre o que é so- cial e o que não o é. nem mesmo ao conhecimento. Precisemos. longe de .li 'ill consenso.66 . e como não se considera mais. ó4. de il início. La voix et le regard. é realizáve1. O saber em geral não se reduz à ciência. salvo em caso de dominação." Comparar com o que A. a natureza do saber narrativo. e esta. portanto. ela imporia duas condições suplementares à sua aceitabilidade: que os objetos aos quais eles se refe- rem sejam acessíveis recursivamente. A ciência seria um sub- conjunto do conhecimento. cito 1 '11 I ! . nas condi- ções de observação explícitas. 30: "A sociológica é o movimento pelo qual os atores constituem e instituem diferenças. . 'li '11'1 A ACEITAÇÃO sem exame de um conceito instrumen- ! ! tal do saber nas sociedades mais desenvolvidas. Feita também de enunciados denotativo~. o que é técnico e não o é. e o que é imaginário '!Ii e o que é real: o traçado destas fronteiras é uma disputa e nenhum I 11"1 . Touraine chama de "sociologia permanente".

visual).68 tentativas dos heróis. constituem propriamente o saber ca? Uns e outros são julgados "bons" porque estão de que encontra-se em jogo. Uns tratam esta forma em si mesma.72 e mesmo com aquela. Não consiste nu. ou representam modelos positivos ou negativos (he- 36 37 .. Esta opo- ca (sensibilidade auditiva.alguém capaz de proferir tureza na situação do saber entre "primitivos" e "civili- "bons" enunciados denotativos. de justiça e/ou dição e não se dissociam em qualificações que seriam ob- de felicidade (sabedoria ética). Trata-se então de uma competência que exce. O consenso que permite Primeiro. o que nal. de- ram-se as idéias de saber-fazer. é a forma única encarnada em um sujeito preender o distanciamento entre este estado habitual constituído pelas diversas espécies de competência que o (coutumier) do saber e aquele que é o seu na idade das compõem.liano. transformar . rais que. ciências.73 liar. Mas pelo termo saber não se entende apenas. decidir. avaliativos. formado pelos interlocutores daquele que sabe (sachant). etc. etc. mal entre "pensamento selvagem" e "pensamento cien- ma competência que abranja determinada espécie de enun. os cognitivos. de saber-viver. pode chamar de formações (Bildungen) positivas ou ne- quele que não sabe (o estrangeiro. Pode-se dizer que todos os observadores. a ele mistu. de legitimação dos enunciados. te de um não-desenvolvimento. ava. jeto de inovações. estas histórias populares contam o que se circunscrever tal saber e discriminar aquele que sabe da. e estes sucessos ou fracassos ou dão Este breve sumário acerca do que o saber pode ser sua legitimidade às instituições da sociedade (função dos como formação e como cultura é baseado em descrições mitos). de saber. à precedente.75outros ainda lhe dão uma inter- acordo com os critérios pertinentes (respectivamente. por exemplo. debates e exames específicos.70 escutar. beleza. supondo-se que as diver- dade.. a criança) é o que cons. de beleza sonora. O relato é a forma por excelência deste saber. seja qual racterísticas: coincide com uma "formação" considerável for o cenário que eles proponham para dramatizar e com- de competências. os sucessos ou os fracassos que coroam as titui a cultura de um pOVO. de uma superioridade do saber que vem dos Ao contrário. e que se estende às determinações e aplicações dos sas competências estão envolvidas' na unidade de uma tra- critérios de eficiência (qualificação técnica). tências..71 Ela é compatível com a tese da identidade for- enunciados prescritivos.76Não é pre- justiça. Assim compreen. cromáti. A própria idéia de desenvolvimento pressupõ~ o horizon- de a determinação e a aplicação do critério único de ver. tífico".74 outros a vêem é um "bom" enunciado prescritivo ou avaliativo senão como a vestimenta em diacronia dos operadores estrutu- uma "boa" performance em matéria denotativa ou técni.. um conjunto de enunciados denotativos. e isto em Os primeiros filósofos67 chamaram de opinião este modo muitos sentidos. de pretação "econômica" no sentido freu<. segundo eles. aparentemente contrária ciados. sição não implica necessariamente uma mudança de na- dido. tadas para as sociedades em desenvolvimento rápido. 69 etnológicas. verdade e eficiência) admitidos no meio ciso reter de tudo isto senão o fato da forma narrativa. à exclusão de outros. o saber é aquilo que torna . Com efeito. estão de acordo quanto a um fato: a preeminên- Uma outra característica a assinalar é a afinidade de cia da forma narrativa na formulação do saber tradicio- determinado saber com os costumes. Daí resulta uma de suas principais ca. mas também "bons" zados". Mas uma antropologia e uma literatura vol- ro. é cla. gativas. isto é. permite "boas" performances a respeito de costumes sobre a dispersão contemporânea das compe- vários objetos de discursos: a: se conhecer. tectam-lhe a persistência pelo meI10s em certos setores.

Por exemplo. determina assim ao mesmo tempo Queremos falar de uma pragmática dos relatos populares o que é preciso dizer para ser entendido. ou podem se realizar. é evidentemente universalizáve1. Isto não significa que por instituição determinada sociedade confere o papel de narrado r a tal narrações veiculam. admi- narratIva for fortemente inventiva) e exposto "desde sem- te nela mesma uma pluralidade de jogos de linguagem: pre": :~u herói. funções de enunciação. sexo. e. no objeto de um relato. e Examinaremos um pouco mais longamente uma ter- de ter sido. o do relato. à diferença dos sexos. colocado em posição de referente diegé. diferentemen. crevem o que deve ser feito quanto a estes mesmos refe. graças a estes critérios. sobre o céu. Uma análise sumária desta dupla instrução pragmá- os da sociedade nas quais eles são contados. dos enunciados avaliativos. relato. definir os critérios de competência que são . quer dizer. Devido notativos. . por outro tlca revela o seguinte: o narrador não pretende marlÍfestar lado.79 Mas ela fornece um in- etc. saber não são portanto efetuados somente pelo interIo- mente invariável: "Aqui termina a história de . pelo nome que se tem. entre os belecidas (lendas. foi então. por exemplo. Estes relatos permitem então.e o relato como exposto (mesmo se a performance te das formas desenvolvidas dos discursos de saber. a forma narrativa. " (nome espanhol ou português). longe de se ater exclusivamente às categoria de idade. grupo familiar ou profissional. que lhe foi atribuído' conforme o crianças. avaliar. de ocupar um deles. as performances que sua competência em contar a história. dos enuncia.. relato canânico que legitima a distribuição cashinahua dos dos interrogativos que estão implicados. que caracteriza este gênero de saber.. o de destinatário. por assim dizer. escolher A regra pragmática ilustrada por este exemplo não um elemento em um lote). O narratário atual ouvin- Em segundo lugar. relativa à transmissão destes relatos. a flora e a fauna. aos vizinhos. bre a cena da realidade diegética) para poder se constituir rativa por uma forma fixa: "Eis aqui a história de ..róis felizes ou infelizes) de integração às instituições esta. encontram facilmente lugar no rel. necessariamente. que o' direito conjunto. o próprio narrador atual pode ções. contos). Eu vou contá-Ia por minha vez. tal como sempre a ouvi. narratano e talvez narrador deste mesmo relato. De- clara-s. ele também... Os atos de linguagem81 que são pertinentes para este escutai.. nos nomes de família (patronímicos).78 por um lado. já contado por um ceira propriedade. intrínseca. ele o é." E ele a encerra com uma outra fórmula igual. . episódios de desafio (responder a uma questão. e ordenadas numa perspectiva de natário. (nome cashinahua). as esta. brancos. fundamenta-se sobre o duplo fato de ter ocupado o outro. a esta similitude de condição. mas apenas pelo aí se realizam. ser o herói de um relato. do-o. o que é preciso que lhe é. etc. às final de sua narração. Aquele cutor. herói) são de tal modo distribuídos. que a contou a vocês é.80 O saber que estas fixam a pragmática. por exemplo. As competências cujos critérios o relato fornece ou dicativo de uma propriedade geralmente atribuída ao sa- aplica encontram-se aí misturadas umas às outras num teci. aos estrangeiros. ber tradicional: os "postos" narrativos (remetente desti- do cerrado..ato dos enunciados de.. como o foi o Antigo. um escutar pa:-a poder falar e o que é preciso representar (so- contador de histórias cashinahua77 sempre começa sua nar. dos enunciados deânticos que pres. que versam. fato de dela ter sido um ouvinte. o de remetente. eleva-se potencialmente à mesma autoridade. mas também pelo ouvinte e ainda pelo terceiro do 39 . Com efeito. que é cashinahua. pois leva um nome revelado ao rentes ou quanto ao parentesco. Sua narração obedece freqüentem ente a regras que lhe tico de outras ocorrências narrativas.

por outro. impede nência à forma narrativa. mas no ato de recitá- é a síntese de um metro que marca o tempo em períodos los. entre as térios que definem uma tríplice com'petência . A forma narrativa obedece a um ritmo. Um quarto aspecto deste saber narrativo mereceria necessidade de poder lembrar-se do seu passado. Ele pode ser irre- náveis melopéias. sem dúvida não tem mais neces- de enumerá-los e os relega ao esquecimento.82 Esta propriedade rânea deste ato. sobre o direito que o narrado r . chamamos de "desenvolvido". É assim que se pode Apresenta uma propriedade surpreendente: à medida que _ chamar esta temporalidade simultaneamente de evanescen- o metro prevalece sobre o acento nas ocorrências sonoras. de unificação de com- dizer. teria de contar o que ele conta. como a tradição dos relatos é ao mesmo tempo a dos cri. saber-fazer . 40 41 .85 faladas ou não.se deve menos se faz compreender pelos jovens a quem se dirige! dissimular o que existe de humor ou de angústia no res- É entretanto um saber muito comum. O que se transmite com os relatos é o grupo de uma coletividade que faz do relato a forma-chave da com- regras pragmáticas que constitui o vínculo social. funções de formação de . temporalização que se choca em cheio com a regra de ouro sitivo pode parecer "compacto". o das cantigas peito desta etiqueta. mas ela é. ções iniciáticas. reconheceremos na sua prosódia a marca desta bizarra narratário e da diegese. a importância é dada à infantis. o que acontece freqüentemente." petência. rença de tom de cada performance. provérbios e máximas que são latos. cípio de todas as ocorrências do relato. sempre contempo- ou a amplitude de algumas dentre elas. na ausên. dizer e o Vocês vão ouvir. por um lado. Mal se imagina. Em suma. relações da comunidade consigo mesma e com o que a A título de imaginação simplificadora. não possui. mas não . É o ato presente que desdobra.84 Se interro. aquele que as músicas repetitivas em nossos dias cadência métrica das ocorrências do relato e não à dife- tentaram reencontrar ou pelo menos dele se aproximar.qual se fala. pode-se supor que cerca. Ela en- ser examinado com cuidado. dir-se-á. Enfim. em oposição àquele que do nosso saber: não esquecer. sidade de procedimentos especiais para autorizar seus re- garmos a forma dos ditos. vibratória e musical torna-se evidente na execução ritual a temporalidade efêmera que se estende entre o Eu ouvi de alguns contos cashinahua: transmitidos nestas condi. assim como não tem necessidade de se lem- rização e torna-se uma cadência imemorial que. cada vez.critérios. que em seguida ela se interroga cular em certos patamares do edifício social contemporâ. Deixa perceber claramente Ora. deve haver uma congruência entre. brar do seu passado. te e imemorial.em que se exercem as petências e de regulagem social que citamos mais acima. O saber que se desprende de um tal dispo. que nem ao levante.83 Estranho saber. A referência dos relatos pode parecer que pertence ao regulares e com um acento que modifica o comprimento tempo passado. de início. saber-ouvir. são cantados em intermi. na realidade. esta função letal do saber narrativo e. assim desconectado do neo. saber. de uma forma absolutamente fixa. Trata-se de sua incidência contra a matéria de seu vínculo social não apenas na sig- sobre o tempo. nificação dos relatos que ela conta. numa O importante nos protocolos pragmáticos desta espé- linguagem que torna obscuros os desregramentos lexicais cie de narração é que eles marcam a identidade de prin- e sintáticos que se lhe inflige. o tempo deixa de ser o suporte da memo. uma cultura que concede a preemi- cia de diferenças observáveis entre os períodos. pragmática dos relatos. ou narrativa das outras para lhe conceder um privilégio na matrizes de relatos antigos e que continuam ainda a cir. que ela isola a instância como que pequenos fragmentos de relatos possíveis. contrariamente a toda expectativa.

Eles possuem esta auto- CI. Nós a m. Ver o surgimento dos folclores europeus a partir do final do século . 1970. Ver K. Geza Roheim. "La structure des mythes" (1955). 68. Os relatos.24. como do CI. ph%gle elu conte. Seuil. cando-se nos postos do narratário e da diegese. Mvthes et chants sacrés des Jndiens Guarani.f. Estas informações são devidas à cortesia de A. id. Alcan. senão R. nem verdadeira nem falsa" (Péri herméni?ias 4. 82. como também eles são uma parte desta. 1970. mas ela não é tíons. qual cabe dizer do verdadeiro ou falso. num sentido. 1978. 4 (october 1958). Todorov & Kahn. Delarge. Lacatos e A. "Morphology of the Folktale". P. ~ropp.. SeuiJ. mática narrativa popular. "Normal Science and its Dangers".Y. todos os casos: a prece. Imagina-se ainda menos que Vuk Karadlc (contos populares sérvios). Léyy-Bhrul. Ver Mircea Eliade. 65. Ibid. La pensée sauvage. Thys· sen-Rutten & Devaux. 1950.P. 1949. Lévi·Strauss. Springer. que é por si legitimante. d. "La structure de Ia forme. . Cf. isto gUlstlCS. Kardiner. por exemplo. 69. Réflexions SUl' narrador. M. Derrida. Ver Jean Beaufret. d. "encenando-os" em suas instituições: assim. 1935. Viena. 7. isto não se produz em 85. jogo de linguagem conhecido do Ocidente que é a ques. La mentalité primi- tive. 83. e este 76. Cahiers de I'Institut de scienee écono- Existe assim uma incomensurábilidade entre a prag. Payot. Le dit eles vrais hommes.. 1962. un ouvrage de Vladimir Propp".al~ivemos por causa da "etiqueta" pragmática que envolve minam os critérios de competência e/ou ilustram a sua apli. 77.U. 10/18. . d'Ans. que ela empreende a análise ou a anamnese XVIII em . ~ra esta. 1922. antes. a ~ransmlssao dos relatos e da qual o antropólogo nos informa com cação. Ver a escola culturalista americana: C. ção a autoridade sobre os relatos. DuBois..) U.F. ridade por si mesmos. Charles. 1967. 1978. Plon. Aristóteles circunscreve o objeto do saber definindo o que ele chama 84. Clastres. N. Ver as an~lises de D. I 80. deter- 79. Figures ITl. No sentido de Bildung ainda (inglês: eulture). Le mvthe de l'éternel retour' Archétypes et répéti. Le grand Parler. O povo não é. Mead. Le temps et Ia voix.. 1978. a legitimidade como refe- 78. enfim. in I. 10/18. Criticism and the Growth of Knowledge. ela possa atribuir a um incompreensível sujeito da narra. e de fazer na cultura e. Paris. M. ete. Eles definem assim o que se tem o direito de dizer cUidado. La paix b/anche.. Seuil. encontram-se desta forma legitimados.. a tese de L. d·Ans. 66. d. id . 1970.relação com o romantismo: estudos dos irmãos Grimm. é um discurso. Genette. sumariamente. o Volks- geist de Hege1. 'Logik der Forsehung. Lin- ton. 1958. Popper. International Journal of Lin- mas também ouvindo-os e fazendo-os contar por elés. já o vimos. mas todo discurso não é denotativo (apophantikos): só o é aquele ao de Domllllque Avron. Ver P. tal como foi difundido pelo culturalismo. mique appliquée 99. 81. tanto colo. Mus- grave ed. Prefácio.'· . VI. Psychoanalysis anel Anthrop%gy. M. Le poeme de Parménide. Ora. in Anthropologie struetura/e. Cambridge (G. t. e àinda o faz não somente contando-os.B.. Jaulin. SeuiJ. 17 a). Plon. tão da legitimidade ou. R. Mor- é. de de sua própria legitimidade. a quem agradeço. Ver Phénomenologie ele I'Es- ver prit. 7 (mars 1960). O termo é pré-romântico e romântico. E de apophantikos: "Todo discurso significa alguma coisa (sémantikos). 1972. . rente do jogo interrogativo. GaJ1imard. Para uma narratologia que faz intervir G. La logique de Ia déeouverte scientifique. A relação metro/acelito a dimensão pragmática. série M. Psy· chanalyse el antropologie. nota 34. A. Lévi·Strauss. André M. 1... L'appareil musical. Paris. 67. 1973. 1955. 1974. que faz e desfaz o ritmo está no centro da reflexão hegeliana sobre a especulação. § IV. o que os atualiza.

A primeira é dialética TENTEMOS caracterizar. supõe-se que o destinatário pode con- vez. reunir as provas do que diz e. a trajetória dos pla- netas . quando posso 'provar. mas supõe-se que a verdade de um que isto significa? Que supõe-se seja ele capaz de. como não se pode saber o que é senão por enunciados da mesma ordem que os de Copérnico.88 A segunda é metafísica: o mesmo cular. remetente e des- Inicialmente. destinatário. o referente. ou ainda: "Deus" não cada um dos postos pragmáticos que ela coloca em jogo é falacioso. Copérnico. a regra da adequação constitui um problema: o que eu digo é verdadeiro porque o provo.~ão pod~ forn~cer uma pluralidade de provas porta um conjunto de tensões e cada uma influencia' sobre contradltorIas ou mconsIstentes. Em terceiro lugar. referente. ser um remetente. considerado discutível numa seqüência de argumentações 44 45 . supõe-se "expressa" pelo enuncIado conforme o que ela é. mesmo que sumariamente. quando formula seu termmarIa por tornar impossível. a trajetória dos planetas. mas. tmatarIO.da qual fala Copérnico. por outro lado. Supõe-se assim que ele reúna 'po. supõe-se que o remetente diz a verda.remetente.90 ciado enquanto "de ciência". dições. referen~e . e nestas con. será submetido à dade do seu enunciado mas sua própria competência que mesma dupla exigência de provar ou refutar que o reme- tente atual. quisa e o do ensino. mas o que prova que a minha prova é verdadeira? A solução científica desta dificuldade consiste na observância de uma dupla regra. Pois é ne- do sobre o mesmo referente. por um enunciado não pode deixar de suscitar o consenso. falsificação. E não é somente a ver- assentimento ou o seu dissentimento. rode fornecer matéria comprobatória no debate. ela com. cessário ao cientista um destinatário que possa. Distinguir-se-á o jogo da pes. o hOrIzonte do consenso. ela depende do enunciado proposto ser ou não Mas não o saberá.86 Que a proposição seja verdadeira ou falsa. por sua Em seguida. Vê-se que ela faz apelo tar qualquer enunciado contrário ou contraditório versan- ao ensmo como seu complemento necessário. a ou mesmo retórica de tipo judiciário:87 é referente o que pragmática do saber científico tal como ela emerge da con. . está em jogo neste debate. ISSO: posso provar porque a realidade é como eu a digo. refu- Is~o quanto à investigação.89 . que seja um parceiro. é permitido pensar que a reali- Copérnico declara que a trajetória dos planetas é cir.dicativo de verdade. Não é cepção clássica deste saber. O in. Antes disto ele não poderá ser consideradó como alguém que efetivamente conheça a matéria. que a não·renovação das competências potencialmente um remetente pois. lado. Senão a ceder validamente o seu consentimento (ou recusá-ia) do verificação do seu enunciado é impossível por falta de um enunciado que ele ouve. adquirida. Todo consenso não é de a propósito do referente. ~la ~e~mIte dar. Estas "tensões" são Esta dupla regra sustenta o que a ciência do século tipos de prescrições que regulam a aceitabilidade do enun- XIX cha~a verificação e a do século XX. a não ser quando falar.dade é como eu a digo. Isto implica que ele mesmo é deba~e c~ntraditório. pois a competência não é nunca tencialmente as mesmas qualidades que este: ele é seu par. ao debate dos parceiros. Mas.

() pressuposto de que todo átomo social pode adquirir locá-Ia a par do que ele não sabe mas busca saber (se pelo competência científica? menos o expert for. "). o expert pode co. ciência) exterioriza-se. um pesquisador). à medida que o estudante (o destinatário problema ser resolvido pela didática. com efeito. e a exclusão dos outros. s~gundo da didática) melhora sua competência. Mesmo em matéria de peda- 46 47 . Mesmo se se trata de ciências humanas. timento da coletividade de iguãis em competência. no jogo da formação do saber científico. portanto.. validade do que é relatado. elé não é mais uma que sabe o remetente. É pre- ciso. eles são apenas suportes na argumentação dialé- 92 tica. tos . rL·querida versa unicamente sobre a posição do enuncia- notar-se-ão as seguintes propriedades: dor. Ltlsificáveis a respeito de referentes acessíveis aos experts.. A relação entre o saber e a socie- formam a pragmática da pesquisa são consideradas C(lmo dade (quer dizer. Em relação ao saber científico. a competência Se se compara esta pragmática à do saber narrativo. o refe- jogo de linguagem. Seu segundo pressuposto é o tivo. como a interrogação ("Como explicar que . os profissionais. é em princípio colocado na exterioridade em re- verdade. E não existe nenhuma competência como 1 . A didática assegura esta reprodução. Não existe aqui.. lação aos parceiros da dialética científica. Mas. A verdade do enunciado e a (' cientista se se pode proferir enunciados verificáveis ou competência do enunciador são assim submetidas ao assen. O estudante é assim introduzido na dialética dos pesquisa- dores. formar iguais. 3 ~ No seio do jogo da pesquisa. enquanto eles não são profissionais da de saída a título de verdades indiscutíveis no ensino. algo como saber ser o que o saber e a prescrição ("Seja uma série enumerável de elemen. ?") como no narrativo. Um enunciado de Clencia não extrai nenhuma ferir um enunciado verdadeiro a respeito de um referente.(' de refutações entre pares. o da Em outras palavras. por outro lado. isto é. Resumindo. ensina-se o que se sabe: eis o relação entre instituição científica e sociedade. porque torna-se uma de que ele pode aprender e tornar-se um expert da mesma profissão e dá lugar a instituições. Ela é diferente 2 ~ Este saber encontra-se assim isolado dos outros do jogo dialético da pesquisa.91 Esta dupla exigência supõe dades modernas os jogos de linguagem se reagrupam sob uma terceira: existem enunciados a respeito dos quais a a forma de instituições animadas pelos participantes quali- troca de argumentos e a administração das provas que ficados. ciados. o denotativo. não sabe o cial. é por esta razão que componente imediata e partilhada como o é o saber narra- existe algo a se aprender. é-se um erudito (neste sentido) se se pode pro. Poderia o expert. por exemplo. seu primeiro jogos de linguagem cuja combinação forma o vínculo so- pressuposto é que o destinatário. O saber científico exige o isolamento de um referente. Encontram-se com certeza outras classes de enun. Assim. Um novo problema aparece. esta deve terminar em um enunciado denotativo. Não existe competência particular como destinatário (ela não é exigível senão na didática: o estudante deve ser inteligente). entre o conjunto dos participantes na tendo sido suficientes e que podem assim ser transmitidas agonística geral. 4 .. É uma componente indireta. diz que se é. O rente que é então determinado aspecto do comportamento critério de aceitabilidade de um enunciado é o seu valor de humano. o estudante. sendo que nas socie- competência que seu mestre.

Conhecem-se os seus sintomas. Por isso e a pesquisa do novo delineia em princípio um processo . o saber acumulado em enunciados aceitos anterior.O jogo de clencia implica então uma tempo. () inverso: os critérios pertinentes não são os mesmos p~a neira. considerados bons aqui ou ali.94 sidera-o de início como uma variedade na família das cul- (mas narrativas. estes são "lances" apresentados por jogadores no crianças. de costumes.) o saber cien- I ífico a partir do saber narrativo. primitivo. () saber narrativo. tentar-se-á fazer penetrar a quadro das regras gerais.93 Desta ma. e não me. ao contrário.'1 argumentação e à administração de provas. educar. que a existência da alienado. como as espécies vivas. lendas. O que se cha. que é a relação entre acento científico uma tolerância determinada a seu respeito: con- e metro. nem está nunca ao abrigo de uma "falsificação" . pelo menos sentir. linguagem têm relações entre elas. Mas. lllll ou outro. Uma e outra são formadas por conjuntos de enun. s:io fábulas. car o relato sumário das propriedades do jogo de lingua- ponha um enunciado sobre este mesmo assunto a não ser I'. feito de opiniões. e estas relações estão fico tenha conhecimento dos enunciados precedentes que longe de ser harmoniosas. O cientista i 11 terroga-se sobre a validade dos enunciados narrativos e constata que eles não são nunca submetidos à argumen- Estas propriedades são conhecidas. que se admirar com esta varie- mente pode sempre ser recusado. como se este contivesse 5 . não 11('111 sobre o valor do narrativo a partir do científico. desenvolver. etc. De início. civilizar. salvo por acaso. e os "lances". I'. Esta diacronia supondo a memorização . lllllra não é menor: a de querer derivar ou engendrar (por ()p~radores tais como o desenvolvimento.ras próprias a cada jogo. Todavia. apenas. cada saber. estas regras são específicas· de luz neste obscurantismo. subdesenvolvido. A outra razão que pode justifi- dizem respeito a seu referente (bibliografia) e não pro. de ignorâncias. Nos melhores casos. uma memória e Bm projeto. IIl~smo pela pragmática de sua transmissão sem recorrer mica deste jogo. primeira é tão necessária quanto a da segunda. faz compreender. elas me- Iação e à prova. de preconceitos. ele autoriza-se a si em relação ao "metro". Uma refute o enunciado precedente com argumentos e provas. Em si. E uma inconseqüência. o para- lelismo da ciência com o saber não científico (narrativo) lidade: selvagem. Lamentar-se sobre "a perda do sentido" enunciado anteriormente admitido que verse sobre o mesmo lIa pós-modernidade seria ~epl<. Dissemos que este último não valoriza a mou de "acento" de cada performal1ce é aqui privilegiado qlll$tão de sua própria legitimação. de ideológias. atrasado. as espécies de Supõe-se que o remetente atual de um enunciado cientí. ralidade diacrônica. O "ritmo" deste. Os relatos nos. e ao mesmo tempo à função polê. não poderá ser aceito como válido a não ser que Illais principalmente narrativo. Esta relação desigual é um efeito intrínseco das re- não podem ser da mesma espécie.>rarque o saber não seja referente.em da ciência refere-se precisamente à sua relação com que ele difira dos enunciados precedentes. Há.95 O inverso não é verdadeiro. mitos bons para as mulheres e as ciados.96 Ele os classifica conforme outra menta- recem ser lembradas por duas razões. 48 49 . de autoridade.gogia. como se faz com as espécies novo enunciado. No entanto. aquele em estado embrionário. . todo dad~ de espécies discursivas. isto é. não é ensinado senão enquanto é sempre presen.tcrcscenta à sua incompreensão dos problemas do discurso cumulativo. é variáve1. se for contraditório em relação a um vegdais e animais. Não se poderia assim julgar nem sobre a existência temente verificável por argumentação e prova.

ao que alguns chamam de posi- d'epistémologie. Satisfazem concret"). 1972. Ver por exemplo K. Meditação IV. permanece considerável. 1966. G. Philosophical Writings.P. relacionam-se ao saber narrativo. de sua legitimidade. num mesmo movimento. colocando-se a questão do funciona- rior. "Ueber Sinn und Bedeutung" (1892). Mas 90. Th. (Ic se admirar que por tanto tempo estas soluções não 1977. 88. Cf. La structure des révolutions scientifiques. O pediam e recusavam as tentativas de diálogo porque estavam suficien· I':slado pode despender muito para que a ciência possa temente fortes para precisar disto: começaríamos a falar quando eles estivessem doentes. Este retorno do narrativo ao não-narrativo.) hilidade." IlIente junto aos usuários da mídia. esla maneira de tratá-Ia. 1972. No sentido anteriormente indicado na nota 90. Méditations métaphysiques 1641. "La science du saher que. "La rhétorique du discours scientifique". mas em seu foro inte- É preciso.). Saint·Sernin. entrevistados nos jornais. L'inconscient malgré lui. É 91. En. I ivismo). The Structure of Scientific Revolutions. Descartes. Antes glowood Cliffs (N. . Minuit. com efeito. loco cit. ing. nlll1ü problema.f. não deve ser considerado como ultra- 94. Bachelard. Cartry. Blackwell. t. Oxford. aberta- 92. Uma prova grosseira: que fazem os 1962. que o informador indígena possa examiná-Io com o olho de umetnólogo. La pensée sauvage. Armand Colin.97 . 1960. sob uma 93. o saber científico pesquisou outras soluções. é preciso que ela já esteja um pouco decomposta. como instrumento heurístico. Libre figurar como uma epopéia: através dela ele ganha credi- 4 [1978]. 87. Não se pode abordar aqui as dificuldades que esta dupla pressuposi- ção suscita.. Sel"ia mais justo dizer que ele é por si mesmo legitimado 89. "Pierr.F. trivial nem secundário: diz respeito à relação entre sa- sobre seu fracasso junto à tribo dos Aché. é recente. É importante reconhecer o seu teor. Hempel. Prentice Hall. 95." (Citado por M. portanto. t.. cientistas chamados à televisão.U. Refletindo (. Eléments de se chegar a ela (isto é. Clastres conclui: "E por isso. Actes de Ia re- I~~ SI'E problema da legitimação não é mais considerado cherche en sciences sociales 13 (mars 1977).É toda a história do imperialismo cultural desde os iní- cios do Ocidente. a atitude das crianças nas suas primeiras aulas de ciências. tenham podido evitar o recurso a processos que. A FUNÇAO NARRATIVA E A LEGITIMAÇAO DO SABER 86. Ver Vincent Descombes. cria o assentimento público de que seus próprios (kcísores têm necessidade. Latour. Br. isto é. ou a maneira como os aborígines interpretam as explicações dos etnólogos após alguma "descoberta"? Eles contam a epopéia de um (ver Lévi-Strauss. 1934.J. entretanto. Le nouvel esprit scientifique. por inversão. lorma ou outra. Flammarion. os Aché recebiam os presentes que não Iler científico e saber "popular" ou o que disto resta. Chicago U. "On Sense and Reference".f. II()je como uma fraqueza no jogo de linguagem da ciência. um fato como este não mento de suas instituições e. Kuhn.e Clastre". o exemplo é tirado de Frege. que o distingue de todos os outros: está comandado pela exigência de legitimação.. passado para sempre. que apareceria llllonte ou não. É assim que Métraux diz a Clastres: "Para poder estudar uma socie- dade primitiva. t. Ora. Esta observação mascara uma dificuldade importante. Philosophy of Natural Science. cuja pressão não so- 96. P. cano 1. :Issim às regras do jogo narrativo. é totalmente não-épica. Não a estudaremos aqui. também no exame da narração: a que concerne a distinção entre jogo de linguagem e gênero de discurso.

ao contrário. a unicidade do referente deste último. ficas. ao menos na medid~ em que o jogo. indireto de que se trata de um jogo e não de um destino. que conta por qu~ e (necessidade de "metro") (seção 6). Um pensamento tão incisivo como o de Descartes visto que dele encontram-se excluídos todos aqueleS que não pode expor a legitimidade da ciência a não ser no não aceitam suas regras. como já esboçamos. petição de princípio. incluindo em si mesmo a dupla função bém nisto valendo-se do relato? de pesquisa e ensino. deve também linguagem da ciência zele pela verdade dos seus enuncia. pelo menos em parte. e mesmo o reconhecimento contínuo. neste momento. os Diálo- seguintes. pelo menos em parte. IJm exemplo conhecido. O jogo do diálogo. com suas exigências especí. por fraqueza ou por insensibi. (necessidade de historicidáde. e que não é de se espantar ao vê-Ias persistir Que a história do debate seja mais mostrada do que rela- hoje sob outras formas. O fato é dade. Este encontra-se assim fundado pelo relato de seu martírio. pressupor a si mesmo e cai assim no que ele condena.. mas. necessidade de "acento"). jogo. como uma necessidade de esquecimento llum relato. a suposto. Ora. é dado nos livros VI e VII da República. o preconceito. Reencontramos aqui algumas regras Não vamos aqui acompanhar esta recorrência do nar- anteriormente enumeradas: a argumentação unicamente com rativo no científico através dos discursos de legitimação fins de consenso (homologia). fazer parte das questões que são levantadas no diálogo.. dos e que ele não possa legitimá-Ia por seus próprios meios. e isto à medida que pretende legitimá-Ia. Não está assim excluído que o recurso ao narrativo Acontece que a questão da legitimidade do próprio seja inevitável. . medievais e clássicas. a resume. É no entanto prematuro chegar a este ponto. seria preciso reconhecer uma necessidade de I icula sem dificuldade esta questão à da autoridade socio- história irredutível. não como uma necessidade de recordar-se e de projetar sabe-se que a resposta consiste. o jogo de linguagem apresenta o problema de sua própria legitimidade. Mas não cairia tam. no correr das considerações Há mais. tomaram. de preparar um relato do saber científico ocidental para precisar seu estatuto? que o discurso platônico que inaugura a ciência não é cien- I ífico. pois cada um deles assume desuso que puderam ser dadas ao problema da legitimação não o são em princípio. porém: é em sua própria forma. que são. mais encenada do que narrada. à medida que ar- Neste caso. mas 'Somente nas expressões que sempre a forma do relato de uma discussão científica. a alegoria da caverna. de'. política. É um tormento a paridade dos participantes. O Desde os seus inícios. como os homens querem relatos e não reconhecem o saber. Nós mesmos não temos necessi. dos Diálogos em que a pragmática da ciência coloca-se que é para ele o não-saber. filosofias antigas. que o esforço de legitimação en- 1 rega as armas à narração.w e assim refira-se mais . saber científico não pode saber e fazer saber que ele é o Este não é o lugar de se fazer a exegese das passagens verdadeiro saber sem recorrer ao outro saber. que Valéry chamava a história de um espírito1OO ou ainda lidade. considerando-se sua natureza cientí~ica.98 nesta espécie de romance de formação (Bildungsroman) 52 53 . Mas ter-se-á presente ao espírito. as grandes como garantia da possibilidade de chegar a um acordo. o relato. e importante. sem o que é obrigado a se explicitamente como tema ou implicitamente como pres.a idéia de que as soluções aparentemente em gos escritos por Platão. como em Platão. importa pouco aqui. compreendendo-a.10 trágico que ao épico. tada.

truidores ativos dos saberes tradicionais dos povos. De início. "paradigmas" . povo acumula as leis civis. revisam à luz dos seus conhecimentos produzindo novos são imanentes a este jogo. l. o sinal da legitimidade seu consenso. mais nidade dos cientistas sobre o que é verdadeiro e falso. Não deve causar espanto que os representantes mentos combina-se com o reestabelecimento da dignidade da nova legitimação pelo "povo" sejam também os des- das culturas narrativas (populares). e que não existe outra prova de que está implicado nos saberes narrativos tradicionais. ela não representa outra coisa é feita senão de argumentações e de provas. excluindo-se os outros jogos de linguagem) seja sus- rativa. O povo está em debate consigo mésmo so- aparecem na problemática da legitimação. dade. do remetente- Ocidente para fornecer uma solução à 'legitimação das nQ. destinatário de enunciados denotativos com valor de ver- vas autoridades.10\ acumula. duas novas componentes sociopolítico. como se disse. É natural que. per- nascentista. ou. numa problemática nar. já no humanismo re. o geralmente: quem decide sobre o que é verdadeiro?. curantista. o povo aperfeiçoa as regras do seu con- uma autoridade transcendente. des. Disto resulta infalivel- sive em sua pretensão de definir o ser do referente. a delibe- mais ainda sugerindo que a linguagem científica. Este modo de interrogar a legitimidade sociopolítica ram como científicos (o Organon). nenhuma pre- Esta disposição geral da modernidade em definir os tensão à universalidade: são eles os operadores do saber elementos de um discurso num discurso sobre estes ele. e diversamente no iluminismo. senão o fato delas formarem o quais. não requerem nenhuma deliberação consenso dos experts. esta questão espere a resposta de um nome de penso às instituições nas quais ele é admitido para deli- herói: quem tem o direito de decidir pela sociedade? qual berar e decidir. os que as regras sejam boas. como os cientistas ções do verdadeiro.que é o Discurso do Método. instituinte. científico. que elas não podem ser esta. para bre o que é justo e injusto. as regras de jogo da ciência. no Sturm und cebidos de agora em diante como minorias ou como sepa- Drang} na filosofia idealista alemã. Aristóteles sem dúvida foi é o sUjeIto cujas prescnçoes são as normas para aqueles um dos mais modernos isolando a descrição das regras que elas obrigam? às quais é preciso submeter os enunciados que se decla. belecidas de outro modo a não ser no seio de um debate Vê-se que este "povo" difere completamente daquele já ele mesmo científico.###BOT_TEXT###2 . de senão o movimento pelo qual supõe-se que o saber se dialética .103 Este apelo explícito ao relato na problemática do saber é Concebe-se igualmente que a existência real deste su- jeito forçosamente abstrato (porque modelado sobre o pa- concomitanteà emancipação dos burgueses em relação às autoridades tradicionais.E é o povo. não mente a idéia de progresso. mas este movimento estende-se ao novo sujeito Com a ciência moderna. ração seu modo de normativação. da pesquisa de sua combina-se com a nova atitude científica: o nome do herói legitimidade num discurso sobre o Ser (a Metafísica). senso por disposições constitucionais. A narração deixa de ser um lapso da legitimação. isto é. reconhece-se que as condi. como os cientistas acumulam via-se da busca metafísica de uma prova primeira ou de as leis científicas. O saber dos relatos retorna no radigma do único sujeito conhecedor. inclu. isto é. e que compreende todo ou parte do Es- 55 54 . isto é. na escola históri'ca na ratismos potenciais cujo destino não pode ser senão obs- França. nenhuma progressão cumulativa. da mesma maneira que a comu- responder à questão: como provar a prova?.

em conhecer. V. sobretudo em suas instituições políticas. donde seu conceito é retirado. Aubenquç. Figures III. Julia e J. Une politique de Ia langue. 1975. E. de Certau. de encerrar am- bas as competências. em razão desta alternativa. A. desta uma bibliografia dos periódicos e dos grupos que lutam contra as diversas formas de subordinação da ciência ao sistema. Sobre a distinção entre prescrições e normas. conforme represente o sujeito do relato como cognitivo ou como prático: como um herói do conheci- mento ou como um herói da liberdade. ou seja. sem falar do resto. Valéry.U. mas o próprio relato aparece já como insuficiente para dar sobre ela uma versão completa. Encontra·se no final..51 sq. Révolutioll jrançaise et les patois. Università di Urbino. Goldschmidt. Gallimard.s" [1929]). Kuhn. não somente a legitimação não tem sempre o mesmo sentido. P. P. 1947. como se disse.U. loco cito 100. op.F. ât. Introduction à Ia méthode de Léonard da Vinci (1894). vembrc 1975). repetido em Jaubert e Lévy-Leblond ed.op. É assim que a questão do Estado encontra-se estrei. pode assim tomar duas direções. D. P. Sobre a ideologia cientificista. 1908. Réflexions SUl' Ia logique déontique et son Mas vê-se também que esta imbricação não pode ser rapport avec Ia logique dcs normes". 1966. 1957 (contém também "Marginália" [19301. Hermann. "Léonard et les philosophe. nidade não se contenta. 1962. 101. cito 56 57 . Gallimard.. 104. como também em ma- téria de enunciados prescritivos tendo pretensão à justiça. 102. O modo de legitimação de que falamos. 103. Etudes galiléennes (1940). Koyré. Termos tirados de G.F. "Du métalangagc en logique. P. Le probleme de l'EtTe chez Aristoie. que reintro- duz o relato como validade do saber. Pois o "povo" que é a nação ou mesmo a huma. formula pres- crições que têm valor de normas..I04 Exerce assim sua com- petência' não somente em matéria de enunciados denota- tivos dependentes do verdadeiro.. Genette. Essai sur Ia notion de théorie physique de Platon à Galilée. 98. ele legisla. Hermann. Th. 97. 99. ver G. Documents de travai/ 48 (no- simples. Revel. Les Dialogues de Platon. P. "Note et di- gression" [19191. a propriedade do saber narrativo. M. Kalinowski. ver Survivre 9 (aofrt-septembre 1971). tamente imbricada com a do saber científico. Duhem. É exatamente esta. La tado.

decidiu a favor da opção Se o sujeito social já não é o sujeito do saber científico mais "liberal" do segundo. Mas acrescenta que liberdades. ho do progresso. colar da lU República ilustra claramente estes pressupostos. não recebe sua legitimid~de de si mesmo. se descrevem mação que nos interessa. 107 Com o outro relato de legitimação. Reencontra-se o recurso ao relato das liberdades cada vez que o Estado toma diretamente a si o encargo da formação do "povo" sob o nome de nação e sua orientação no ca- mm . Coube a Wilhelm herói da liberdade. muito próxima daquela que Schleiermacher expôs de modo Quanto ao ensino superior. suas regras próprias. Humboldt declara. não o conhecimento. a própria nação está autorizada mesmo? Com efeito. este relato parece dever mais completo e em que predomina o princípio de legiti- limitar o seu alcance. a relação entre a ciência. a nação e o Estado dá lugar a uma elaboração bastante diferente. sem nenhum cercea- ignora-se que este último. é certo. à "fot- sim do povo.108 Sua in- EXAMINAREMOS duas grandes versões do relato de fluência será considerável sobre a organização dos cursos superiores nos países jovens nos séculos XIX e XX. beres na população. é porque foi impedido nisto pelos padres e tiranos. o ministério prussiano foi cular na do saber e de suas instituições. cui. a outra mais filosófica. em parti. é do conhecimento? O Estado. 58 59 .I06 Assim renova-se sem 'cessar por si mesma.1os A política es. o que lhes interessa é. fica ao célebre princípio: "Buscar a ciência em si mesma". na perspectiva do relato das mento nem finalidade determinada". que a ciência obedece às dando de produzir as competências administrativas e pro. a ciência. É assim que. Lendo-se o relatório de Humboldt. Se as instituiçõ~s de ensino superior são mação espiritual e moral da nação" . entre 1807 e 1810. a humanidade in- porque através das administrações e"das profissões em que teira não são indiferentes ao saber considerado em si se exercerá sua atividade. É o que se deu quando da fundação da Universidade de Berlim. surpreendido com um projeto de Fichte e considerações Uma é a que tem por sujeito a humanidade como opostas apresentadas por Schleiermacher. legitimação. uma mais política. que a instituição científica "vive e fissionais necessárias à estabilidade do Estado. em geral. Por ocasião desta criação. secundariamente.109 Como este efeito consagradas pela política imperial a serem estufas dos qua. Humboldt. von Humboldt resolver o caso. mas "o caráter e a ação". . mários que das universidades e escolas.da sociedade civil. pode-se ser ten- reito à ciência deve ser reconquistado. e a universidade deve rem~ter seu material. como declara a conquistar sua liberdade graças à difusão dos no~os sa. am- bas de grande importância na história moderna. O di. as disposições tomadas a este r~speito por Napoleão. Todos os povos têm direito à ciência. a nação. O mesmo raciocmlO vale a fortiori para a fundação das instituições propriamente científicas. de Bildung pode resultar de uma pesquisa desinteressada dros do Estado e. É compreensível tado a reduzir toda sua política sobre a instituição cientí- que este relato oriente mais uma política dos ensinos pri. Isto seria equivocar-se sobre a finalidade desta política.

que lembra a ruptura introduzida pela crí. e que consiste não somente na aquisição de discurso científico recebe. Sinal disto é a suspeita de um Schleiermacher. O tica kantiana entre conhecer e querer. versitários. social.especulativo". o junto dos cientistas que são limitados pelos profissiona- protecionismo. à idéia de que o sujeito do saber é o ciências empíricas. por uma aspiração simultaneamente tríplice e uni. metanarração racional. e que portanto não emanam em última análise do evidenciar os princípios ao mesmo tempo que os funda- saber científico. Existe uma "história" universal do espí- Humboldt acrescenta de passagem que esta tríplice rito. mas d'lscreta. antes. guagem que una ambos os aspectos como momentos no à qual corresponde a atividade científica. no tífica criadora sem espírito. política. e tão pouco o con- tado. já presente Idéia". A enciclopédia do idealismo alemão é povo. na ciência não· pode deixar de coincidir com a persecução É aí. assegurando que a pesquisa das verdadeiras causas em Fichte e em Schelling como idéia do Sistema. o conselheiro do ministro coloca-se assim face a um poderes públicos em matéria de ciência. é porque o prin- conflito maior. que governa a prática ética e social. Mas o que ela ao relato da legitimação do saber proposto pelo idealismo produz é um metarrelato. mentos de todo saber". ela tem como meio . e esta "vida" é a apresentação aspiração pertence naturalmente ao "caráter intelectual e a formulação do que ela mesmo é. senão do critério da verdade. esta idéia está longe de se conformar a narração da "história" deste sujeito-vida. O jogo de linguagem de orienta a prática ética. o conhecimento ordenado de todas as suas formas nas tro relato. que se nota o retorno do constitui-se desta última síntese. no dispositivo de desenvolvimento de uma Vida de justos fins na vida moral e política. 60 . mas jus. naqueles.ll2 Esta filosofia sujeito plenamente legitimado do saber e da sociedade. e que comporta legitimação não é político-estatal. a uni- conhecimentos pelos indivíduos. e um jogo de linguagem que num Estado. o espírito é "vida". devir do espírito. penhar é a de "expor o conjunto dos conhecimentos e tos. numa ferir a um ideal". filosófica. Humboldt invoca assim um Espírito. portanto. Se Schleiermacher teme o nacionalismo estreito. que Fichte também deve restituir a unidade dos conhecimentos dispersados em chamava de Vida. mas filosófico. ou seja enunciados A grande função que as universidades têm a desem- dos quais não se espera que sejam verdadeiros. isto é.l1\ Aqui. indispensável à Bildung visada pelo projeto hum- culação é o nome que o discurso sobre a legitimação do boldtiano. de não deve ser um povo estrangulado na positividade par- um Humboldt e mesmo de um Hegel a respeito do Es. ticular de seus saberes tradicionais. saber narrativo. a espe- entanto. A Enciclopédia de Hegel (1817-27) "a de reunir este princípio e este ideal em uma única buscará satisfazer este projeto de totalização. mas num Sistema. "a de tudo re. ela não pode fazê-Io senão num jogo de lin- tária: "a de tudo fazer derivar de um princípio original". o positivismo que guia os lismos correspondentes às suas especialidades. d a naçao -" 110 E' uma concessao. necessariamente decisões e obrigações. é o espírito especulativo. ao ou. o utilitarismo. movido por uma tríplice aspiração. mesmo indiretamente.aIema. numa narração ou. ou ciências particulares nos laboratórios e nos cursos pré-uni- melhor. As escolas são funcionais. como na França de após a Revolução. cípio desta não reside. isto é. Na verdade. mas na formação de um versidade é especulativa. o conflito entre um sujeito do saber não é o povo. pois "não existe capacidade cien- A unificação destes dois conjuntos de discursos é. O sujeito legítimo que é ao mesmo tempo Sujeito. jogo de linguagem feito de denotações que não emanam Ele não se encarna. . pois o que conta este relato alemão.

como a das instituições imediatas das cul. Isto vale para todos os discursos. e em liberdade por meio do saber. o Estado. se se prefere. Espírito ou da Vida. princi. etc. países. sempre um saber indireto. O discurso hermenêutico contemporâneo palmente no meio universitário/14 propõe uma representa- emerge desta pressuposição que assegura finalmente que ção particularmente viva de uma solução dada ao proble- há sentido a conhecer e que confere assim sua legitimi- ma da legitimidade do saber. à do conhecimento. A universidade. Nesta perspectiva. realiza seu fim implícito. o saber encontra de início sua legitimidade em si mesmo. A ciência positiva os referentes possíveis são aí considerados não com seu e o povo não são outra coisa senão suas formas brutas. valor de verdade imediato. por exemplo.1l7 mento por um princípio em uso.). revelando seu funda. Não se pensa de modo e colocados num movimento onde se admite que eles se algum que a ciência deva servir aos interesses do Estado engendrem uns aos outros: tais são as regras do jogo de e/ ou da sociedade civil. deixando de ser o conhecimento positivo dades de conhecimen. Sob o nome de Vida. Este metassujeito. mesmo se eles não forem de conhecimento como. turas populares. o verdadeiro saber é devia ser o motor do seu desenvolvimento e do saber con- temporâneo. isto é. É preciso marcar-lhe a menta o desenvolvimento ao mesmo tempo do conheci- diferença: a primeira versão da legitimidade reencontrou mento. enquanto o estatuto do saber encon- de um Sujeito que Fichte chama "Vida divina" e Hegel tra-se desequilibradoJe sua unidade especulativa fragmen- "Vida do espírito". Como já foi dito. feito de enunciados recolhidos. tt6 e do Estado. de Espírito. a sociedade. é a sua instituição exclusiva.llS Mas n~o O saber não encontra aí sua validade em si mesmo. da sociedade e do Estado na realização da "vida" um novo vigor hoje. mas com o valor que eles assu- O próprio Estado-nação não pode exprimir validamente o mem pelo fato de ocuparem um certo lugar no percurso do povo a não ser pela mediação do saber especulativo. esta organização universi. expondo- tempo legitima a fundação da universidade berlinense e se a si mesmo. dade à história e. enunciados são tomados como autônimos deles mesmos. que nomeia. linguagem especulativo. mas num sujeito prático que é a do seu referente (a natureza. isto é. a começar pelos Estados Unidos. Nesta perspectiva.ll3 Mas sobretudo. mento comum. pode desempenhar este papel senão mudando de patamar. O princípio do movimento que anima o povo 62 63 . ou. como seu nome nista segundo o qual a humanidade eleva-se em dignidade o indica. Um resultado apreciável do dispositivo especulativo. notadamente. humanidade. espe- Este não pode ser senão um metassuJelto em vias culativo. e vindo a ser também o saber destes saberes. O idealismo alemão Mas. dizer o que é o Estado e o que é a sociedade. tária serviu de modelo para a constituição ou a reforma e incorporados ao metarrelato de um sujeito que assegura- dos cursos superiores nos séculos XIX e XX em muitos lhe a l~gitimidade. uma certa posição na Enciclopédia que descreve o discurso especulativo. Este Era necessário resgatar a filosofia que ao mesmo os cita expondo por si mesmo o que sabe. é a si mesmo de formular tanto a legitimidade dos disçursos das ciên- cias empíricas.to. c é ele que pod~ \ tada. os do direito esta filosofia. como se disse. num sujeito que se desenvolve atualizando suas possibili- por assim dizer. Negligencia-se o princípio huma. que está longe de ter desaparecido. o problema da legitimidade pode recorre a um metaprincípio que simultaneamente funda- resolver-se pelo outro processo. Os Não se justifica a pesquisa e a difusão do conheci. O lugar em que é o de que todos os discursos de conhecimento sobre todos habita é a universidade especulativa.

se consideram que esta não é bem represen- sua autofundação ou. um jogo de linguagem bem é interessante.ítico. o materialismo lidade venha a ser realidade. e sua relação específica com as ciên- ciedade e seu Estado. letariado. não lhe pertence. depen. o do idealismo especulativo. Eles podem recusar as pres. sua a autoridade. que o sujeito prático profere. que ele seja justo. cientistas não devem se prestar a isso a da marcha para o socialismo como equivalente da vida dó não ser que julguem a política do Estado justa. o privi- dentes do verdadeiro. tada por aquele. se se prefere. coincide com a vontade do legislador. coletividade aut6noma. Estado. a título de seres humanos práticos. ele está a seu serviço. Eles podem que elas estarão ajustadas a determinada natureza exterior mesmo até fazer uso de sua ciência para mostrar coino e sim pelo fato de que. como se vê. ao contrário da teoria do sistema-sujeito.. os legisladores esta autonomia de fato não é. o espírito.119 Este modo de legitimação pela autonomia da vonta. em como: Ê preciso destruir Cartago. Os. Mas o executório. não por. que não porâneos chamam de prescritivo. ao contrário. Este tipo de legitimação lhe reconhece O sujeito é um sujeito concreto ou suposto como tal. o que se deve fazer. desenvolver-se em saber cr. isto é. Supõe-se que der político que eles julgam injusto. a vontade de 'que a lei faça justiça. o saber função senão a de informação para o dito sujeito. como: ATerra gira em torno do légio concedido aos enunciados prescritivos. Ele lhe permite circunscrever o executável. sua única legi. não é mais o sujeito. Reencontra-se assim a função crítica do saber. dialético. dos enunciados de ciência. em sua autogestão.não é o saber em sua autolegitimação. O saber os dois modelos de legitimação narrativa que descrevemos. Aqui. que não têm mais salário mínimo em x francos. é permitir que a mora. isto é. legitimar os enunciados denotativos. o que Kant chamava de imperativo e os contem. segundo o nosso ponto de vista. Mas ele pode. torna-os independentes. que Acontece que este não tem outra legitimidade final senão é a do cidadão. postulando que o crições do Estado em nome da sociedade civil de que são socialismo não é senão a constituição do sujeito autônomo 64 65 . pode daí re- Assim introduz-se uma relação entre o saber e a so. Que um empreendimento seja 1 . a relação entre cias. tado sobre a autonomia propriamente dita. não fundamen- as leis que para si mesmo estabelece sejam justas. ao contrário. positivo não tem outro papel senão o de informar o sujeito prático da realidade na qual a execução da prescrição deve se inscrever. sultar o estalinis410. Nesta perspectiva. dependentes do justo. porque diverso. mas a liberdade em os membros. o do povo ou da humanidade. ou: Ê preciso fixar o princípio. O importante não é. o que se pode fazer. linguagem num metadiscurso. por constituição. outra. que lá estão apenas enquanto citação do metarrelato meio e fim. ou existe unificação nem totalização possíveis dos jogos de não é apenas. realizada na sociedade e no não são outros senão cidadãos submetioos às leis e que. em conseqüência. que é. O Partido pode tomar o lugar da universidade .Seria fácil mostrar que o marxismo oscilou entre possível é uma coisa. que são os sol. etc. em princípio. mas enunciados prescritivos. versão. que a de servir os fins visados pelo sujeito prático que é a é a de que a justiça seja lei. supõe. de epopéia é a de sua emancipação em relação a tudo aquilo recusar em prestar sua colaboração de cientistas a um po- que o impede de se governar a si mesmo. Esta distribuição dos papéis na tarefa de legitimação lls de privilegia. conforme a segunda conjunto de suas prescrições.o pro- timidade (mas ela é considerável).

"o poder de conservação mais profundo de suas forças de 113.c que toda a justificação das clencias é dar ao sujeito em. Encontra-se um vestígio desta política na instituição de uma classe tagma /La lune est levée/ é o autônimo de (1). combatendo e conhec~ndo.E. por outro lado.R. Tübingen. tem vocação para a emancipação da humanidade.' ed .8. "L'Université et les besoins de Ia société contemporai- ne". O princípio. Este é o "destino" do povo Educação e Cultura. Le conflit des interprétations. 2 .. tendo pretensão ontológica. Este povo-sujeito não 111. citado in Commission d'études SUl' les universités. chamado "povo histórico-espiritual". Em matéria de política e de . A legitimação se faz Abensour e ao College de philosophie: Philosophies de l'Université. Ver H.. 106. Esta inserção do relato da raça e do 114. Londres. "Pensées de circonstance SUl' les universités de con· ception allemande" (1808). "La phi. Schleiermacher. Philosophie des Rechts (1821). "SUl' I'organisation interne et externe des établissements scientifiques questionante. rion. etc.. Essais d'herméneu- tique. terra e de sangue". F]amma. no contexto político um eco desastroso.P. 270-271. 1972. e a elas agradeço. lhando. 1971. versidade. Ricouer. 110. 117. t. F. Mas ele é 109. Mohr. que orienta a estrutura dos programas dos C. quando de sua ascensão ao ciados pela Faculdade de Filosofia.G. Hegel. que é mento de toda atividade universitária" (ibid. Ciências e Letras da Universidade reitorado da Universidade de Friburgo. Seuil.E. ibid. Cahiers de l'association internationale des universités 10 (1970). é kan- losophie déclassée".E. de São Paulo (25 de janeiro de 1937). W. bastaria. camente inconsistente. Nisbet. t. in Philosophies de l'Université. Gallimard. leira que me foi amavelmente comunicado por Helena C..H. Sejam dois ~nunciados: (1) La lune est levée.. 1945-1970. 197. da Universidade de São Paulo.120 como um episó. mas para 112. Janne. contudo. Sensível até nas conclusões dc um R. chamado ciência. 115. e uma expressão adaptada aos problemas modernos do desenvolvimento no Brasil no Relatório do dio infeliz da legitimação. Grupo de pesquisas sobre o ensino da filosofia de ensinar "a filosofia" desde o primeiro ciclo dos estudos secundários: G.f. e não totalizante. 116. Ministério da o questionamento do ser. Ver G. É a este su. do Planejamento. Discurso de Paraninfo da primeira turma de licen- no dia 27 de maio de 1933. Payot.. foi esta 1975-1976 para a filosofia). então como no idealismo por meio de um metadiscurso L'idéalisme allemand et Ia question de l'université (textos de Schel- ling. Ver P..Jl'ofessor na Universidade da Califórnia. 272). agosto de 1969. que é o lugar onde ele existe. Touraine analisa as contradições desta transplantação em Univer- sité et société aux Stats-Unis. O autor é . tiano: ver a Crítica da razão prática. Le Robert.P. de Quebec. Brasília. A universidade assegura o metassaber de 108. E ainda no projeto do Le métalangage. Montreal 1978. Ficht. Chamlian jeito que se devem os três serviços: do trabalho. O dossiê é acessível ao leitor de língua francesa graças a Miguel seus três serviços. Ver J. Academic Dogma: the Ul1iversity il1 America. supérieurs à Berlin" (1810). loco cit. The Degradation of trabalho no relato do espírito é duplamente infeliz: teori. a posição da Escola de Frankfurt. da defe. Estes documentos fazem parte de um dossiê sobre a universidade brasi- alemão. 1940. Seuil. A ciência especulativa tornou-se Grupo de Trabalho. Schleiermacher. Document de consultation. Kaan Principes de philosophie du droit. 323. Ibid. Riverside. parte IV. Rey·Debove. E. Vérité et méthode. 5. e sobretudo os pírico (o proletariado) os meios de sua emancipação em de filosofia (ver por exemplo os Cahiers de l'enseigment collégial relação à alienação e à repressão: sumariamente. e Martha Ramos de Carvalho. 1976. para encontrar Heinemann. 2. Hegel). 1977. 1979. a um povo cuja "missão histórica" é a de cumpri-Ia traba. "O ensino filosófico é reconhecido de maneira geral como o funda- a realização de seu "verdadeiro mundo do espírito". Paris. Pode-se ler o Discurso que Heidegger proferiu 107. em matéria de ética transcendental pelo menos. de filosofia ao final dos estudos secundários.f. 32-40. (2) O enunciado / La lune est tevée/ é um enunciado denotativo. a uni. Encontra-se uma expressão "dura" (quase místico-militar) em Júlio de Mesquita Filho. a ciência. isto é. A. 118. Humboldt. Qui a peur de Ia philosophie?. deve esta ciência 321. Reforma Universitária. ao que parece. t igualmente esta norma. sa e do saber. Diz-se que em (2) o sin- 105. 1965.

ou então o redesdobramento do capitalismo liberal avan- çado após seu recuo. a retomada e a pros- peridade capitalista 'e. sob a proteção do keynesianismo du- rante os anos 1930-1960. "Qu'est-ce que les Lumieres?" in Kant. é mais exato teoricamente compor com as autoridades existentes. O impacto que" por 'um lado. por outro lado. 1978. L'espace publico Archéologie de la publicité comme dimension constitutive de la so- ciété bourgeoise. Pode-se ver neste declínio dos relatos um efeito do desenvolvimento das técnicas e das tecnologias a partir da . art. cit. Payot. Supondo-se que se admita uma ou outra destas hipóteses.f. t. o avanço descon- certame das técnicas podem ter sobre o estatuto do saber é certamente compreensível. socieda- 120. Granel traduziu-o para o francês em Phi. Frankfurt.B. Kant. Piobetta.f. Tculouse (janvier 1977). seja qual for o modo de unificação que lhe é conferido: relato especulativo. ao final dos anos 1960. O grande relato perdeu sua credibilidade. Este princípio de Oejjentlichkeit guiou a ação de muitos grupos de cientistas. Mas é preciso primeiramente resgatar os germes de "deslegitimação"122 e de niilismo que eram inerentes aos grandes relatos do século XIX para 69 . (1784). Ver I. Segunda Guerra Mundial. gitimação do saber coloca-se em outros termos. J. Buscas de causalidade como estas são sempre decep- cionantes. Habermas. notadamente o movimento "Sur- vivre". t. de Launay. relato da emancipação. que deslocou a ênfase sobre os meios da ação de preferência à ênfase sobre os seus fins. cultura pós-moderna. Aubier.. Ver por exemplo: Antwort an der Frage: "Was ist 'Aufklarung'?". etc. G. Suplemento dos Annales de pós-industrial. Luchterhand. ética empírica. 1943.). Kant é prudente: como ninguém pode se identificar com o sujeito normativo transcendentaI. Strukturwandel der Oejjentlich- keit. La Philosophie de l'histoire.12l a questão da le- de l'université de Toulouse-Le Mirail. NA SOCIEDADE ena cultura contemporânea. renovação que eliminou a alter- nativa comunista e que valorizou a fruição individual dos bens e dos serviços. Os termos public e publicité signifi- cam "tornar público uma correspondência privada". o grupo "Scientists and ERgineers for Social and Political Action" (USA) e o grupo "British Society for Social Responsability in Science" (G. resta explic~r a correlação das tendências refe- ridas com o declínio do poder 'unificador e legitimador dos grandes relatos di especulaçãóe da emancipação. "debate público". 1962. 119.

em primeiramente que se aceite como modo geral da lingua- gem de saber o das ciências "positivas". menos de acordo com o idealismo. teiras das ciências. da mesma categoria que seria ela mesma o efeito do progresso das técnicas e da um relato "vulgar". dir-se-á na perspectiva que ado- releve) hebt sich auf) na citação que ele faz dos seus tamos anteriormente. que nos aproxima da cultura este não merece seu nome a não ser que se reponha (se pós-moderna: ela define. ele o pode. mitir para jogar o jogo espeéulativo. O dispositivo especulativo encerra inicialmente uma Mas pode-se compreender esta pressuposlÇao num espécie de equívoco em relação ao saber. que deveria legitimá-Ia aparece ele mesmo como depen. Isto significa que. e como A • gencla.124Tal apreciação supõe nível (autonímia) que os legitima. jogo especulativo. dações de todo tipo. Ela procede da erosão interna do volta contra ele as regras do jogo da ciência que ele de. princípio de legitimação do saber. num processo universal de engendramento. a não disciplinas desaparecem. uma propriedade quí- ções (formais e axiomáticas) que ela deve sempre explici- mica. de ideologia ou de instrumento de poder. Se ela não antigas "faculdades" desmembram-se em institutos e fun- é feita. da dos jogos de linguagem. o discurso denotativo que versa sobre que se considere que esta linguagem implica pressuposi- um referente (um organismo vivo. sua imediaticidade. Com outras palavras. a própria linguagem da legitimação não seria legí. pelo menos neste ponto. o grupo de regras que é preciso ad- próprios enunciados no seio de um discurso de segundo. ela cai no nível o mais baixo. A ciência positiva não é um saber. o da exigência científica de verdade a esta própria exi- relato especulativo hegeliano contém nele mesmo. as universidades perdem sua função 70 71 . um fenômeno físico. e é ela que. etc. Ora. O que não deixa de acontecer se se expansão do capitalismo. de investigações uma de suas expressões. Basta-lhe pressupor que este rarquia especulativa dos conhecimentos dá lugar a uma processo existe (a Vida do espírito) e que ele mesmo é rede imanente e. se o discurso cujos sinais se multiplicam desde o fim do século XIX. invasões se produzem nas fron- ser que possa situar-se num processo universal de engen. "rasa". te. Ele mostra que sentido totalmente diferente. e estaria. por assim dizer. não provém de uma proliferação fortuita das ciências. Esta erosão opera no nuncia como empírica. com a clencia. pelo sível a estes impactos bem antes que eles acontecessem. o exigência de legitimação. de onde nascem novos campos. do científico é um saber somente se for capaz de situar-se deixa-as se emanciparem. cujas respectivas fronteiras não cessam de se deslocar. 125 confessa o próprio Hegel.123 um ceticismo em relaçifo ao Surge assim a idéia de perspectiva que não é distan- conhecimento positivo. que dente de um saber pré-científico. ao afrouxar a trama enci- Considere-se o enunciado especulativo: um enuncia. clopédica na qual cada ciência devia encontrar seu lugar. A hie- dramento. E mostra que o "niilismo europeu" resulta da auto-aplicação a especulação nutre-se da sua supressão. A questão que As delimitações clássicas dos diversos campos cientí- surge a seu respeito é a seguinte: seria este enunciado um ficos passam ao mesmo tempo por um requestionamento: saber no sentido que ele determina? Ele não o será. Em segundo lugar. Esta pressuposição é mesmo in. Nietzsche afirma isto quando ele acredita saber. Deste modo.) não sabe na verdade o que tar.compreender como a ciência contemporânea podia ser sen. A "crise" do saber científico. imersa no non sense. Uma ciência que não encontrou sua legitimidade não Tem-se aí um processo de deslegitimação cujo motor é a é uma ciência verdadeira. tima. As dispensável ao jogo de linguagem especulativo.

de casas novas e velhas. portanto de competência. por efeito atacar a legitimidade do discurso de ciência. lamentar o jogo prático (nem estético. constitui de imediato Wittgenstein escreve: "Nossa linguagem pode ser consi- um problema: entre um enunciado denotativo de valor cog.de legitimação especulativa. elas não possuem Esta "deslegitimação". e prática. condições a priori do conhecimento são em Kant um pri. pensadores como Martin Buber e Emmanuel Levinas. o projeto do sistema-sujeito é mos. Os dois enunciados referem-se a tando: "A partir de quantas casas ou ruas uma cidade co- meça a ser uma cidade? . É neste estado que Nietzsche as en. ela não pode legi- que a dos cientistas. os gráficos de estruturas fonológicas. o dispositivo da emancipação. O vínculo social que opera no discurso especulativo. seu Nesta disseminação dos jogos de linguagem. social e política. "o simbolismo quí- nitiva ou teorética. ou da síntese sob a autoridade de um metadiscurso de saber.126 lhe o da prescrição. o da emancipação nada tem a ver com a ciên- .130Trinta e cinco anos após. etc. o resultado desta divisão da razão em cog. uma metalíngua-universal. na realidade um número indeterminado. cada um a seu modo. que determinam per- tinências diferentes e. jogos de linguagem que obedecem a regras diferentes. o enunciado prescritivo. as novas notações musicais. sobre a autonomia dos nos dois tipos. competências dife. de interlocutores engajados na prática ética. e se ampliarmos o seu alcance. tem mico. as ma- diretamente. se um enunciado que descreve uma realidade novos subúrbios com ruas retas e regulares e com casas é verdadeiro. lógicas modais). de um lado. Nada novas épocas. Sua característica é a de fundamentar a uma única fibra. e o que fazem. ças.: ninguém fala todas essas línguas. Entre A porta está linguagem passar pelo velho paradoxo do sorita. por conseguinte. abre caminho a uma corrente importante da pós-moderni- guram. lógicas deônticas. É uma tecitura onde se cruzam pelo me- legitimidade da ciência. revelando que ele é um trizes de teoria dos jogos. pela didática. mas indiretamente. seja justo. derada como uma velha cidade: uma rede de ruelas e pr. Mas ele se refere a é de linguagem (langagier). não pode-se acrescentar a isto as linguagens-máquinas.128 E. genético. da pesquisa que o relato especulativo abafa. Mas antes de tudo ela não pode mais se legitimar a si mesma como o supunha a especulação.129 dois conjuntos de regras autônomas. e de casas dimensionadas às rença é de pertinência. mais a reprodução dos professores dade: a ciência joga o seu próprio jogo. a notação infinitesimal" . que terá necessa. porém sem nenhuma vocação para regu. mista. o que resulta na Aufklarung. Novas linguagens vêm acrescentar-se às antigas. como vimos.. Ele é assim Pode-se retirar desta explosão uma impressão pessi- posto em paridade com os outros. Ora. do outro. aliás). esta legitimação. por pouco que a acompanhe. as jogo de linguagem dotado de suas regras próprias (cujas notações das lógicas não denotativas (lógicas do tempo. para mostrar que realmente o princípio riamente por efeito modificá-Ia. pergun- fechada e Abra a porta não existe conseqüência no sentido da lógica proposiciona1.. a verdade. é inaplicável. e isto tudo cercado por uma quantidade de prova que. de unitotalidade.127 tam a transmitir os saberes julgados estabelecidos e asse. mas ele não é constituído de um outro aspecto.. Privadas da responsabilidade faz à sua maneira. ele faz a "cidade" da Considere-se uma porta fechada. Por exemplo: escapa- contra e as condena. mando os subúrbios da velha cidade. o que Wittgenstein um fracasso. timar os outros jogos de linguagem. for- rentes. elas se limi. a dife.l- nitivo e um enunciado prescritivo de valor prático. a linguagem do código meiro esboço). é o pró- poderio intrínseco de erosão não é menor do que aquele prio sujeito social que parece dissolver-se. Quanto ao outro procedimento de legitimação. Aqui. uniformes.

Abril Cultural. quando conformando-se com a realidade.. a filosofia 124. tárias que ninguém domina. J. La Philosophie sílencieuse. "Caminho oa dúvida ( . Nijhoff. Stuttgart.. sofos Mach e Wittgenstein. loco cit.. (Em inglês. Nietzsche. ido DiaIogisches Leben. ou critique des phílosophies de Ia science. 1978). Totalité et Infini. de José CarIos começá-Io. as 123. Nietzsche. (hiver partement de philosophie. (LittIe Science. E. Este pessimismo é o que alimentou a geração do iní. Levinas.) qualquer outra crença. Seuil. Müller. Nós não acreditamos que a filosofia como trabalho de legitimaçãoesteja condenada. Université de Paris VIII (Vincennes). "Der Nihilis- a crise que ela sofre onde ainda pretende assumi-Ias. Veja por exemplo "La taylorisation de Ia recherche" in {Auto}eri- tique de Ia science. "Zum Plane" (ms W II 1). 129. mas é possível que ela não possa cumpri-l o. senvolvia135e de traçar em sua investigação dos jogos de 130. "Kritik dem Nihilismus" (ms W VII 3). Ill. "Martin Buber et Ia théorie de Ia connaissance".. Humanities in Society 1. reduzidas tarefas de pesquisa tornaram-se tarefas fragmen. t I 122. 127. os sábios tornaram-se cientistas. A reclassificação da filosofia universitária no conjunto das ciências humanas é sob este aspecto de uma importância que excede em muito os cuidados da profissão. do seu lado. Kohlhammer. philosophie". De forma dução elevada (avaliada em número de publicações) e uma grande massa de pesquisadores de fraca produtividade. Mueller emprega a expressão "a process of delegitimation" em cia.L Backes. ). Loos. ein normaler Zustand" (ms W II 1). aumente verdadeiramente a cada vinte anos. 164. id. linguagem a perspectiva de um outro tipo de legitimação 131.. senão revendo 121. "Sur I'avenir de nos établissements d'enseigment" (1872). Kraus. "Martin Buber und die Erkenntnistheorie (1958}". -133 Universidade de Paris VIII (Vincennes). Schonberg. in Divers. Ver J. mannsthal.P. 51-85. está-se mergulhado no pOSltlvlSmO de tal ou qual co.. 1976. 1963). A própria nostalgia do relato nha a c1ivagem entre um pequeno número de pesquisadores de pro- perdido desapareceu para a maioria das pessoas..Y.determinacy. M. in Os Pensadores. Noms propres. Pricc timação não pode vir de outro lugar senão de sua prática conclui que a ciência considerada como entidade social é undemo- cratic (59) e que the eminent scientistestá cem anos na dianteira de linguagem e de sua interação comunicacional. Ie manuscrit de Lenzer Heide. embora este só bárie. in F. ). Com receio de sobrecarregar a exposição. A propósito. Bloch. nhecimento particular. and Immanence: Preâmbulo ao Projet d'un institut polytechnique de phiIosophie. datilog. 1975. Écrits posthumes 1870-1873. renunciou 1970. ver o rolados em I. . escreve Hegel no Prefácio da Fenomenologia do Espírito. "SUl' le rapport traditionnel des sciences et de Ia l36 sa barbe) ensinou-lhes a dura sobriedade do realismo. Investigations phílosophiques. Ioe cil. Hassan.132 o que explica 125. últimos cresce o dobro do número dos primeiros.134 Sem dúvida eles desenvol. a ciência que ironit:. Mont- teórica e artística da deslegitimação. É com ela que õ mundo pó. veram o mais possível a consciência e a responsabilidade Philosophen des 20 Tahrhunderts. Não se deve re. idéias.a (sourit dans 132. Alguns aspectos científicos do pós-modernismo são ar- seus vínculos com a instituição universitária.f. Ibid. O número destes alguma segue-se a isto que elas estejam destinadas à bar. CL trad. The Politics of Communication. 291-293. GaIlimard. üu pelo menos desenvolvê-Io. "Der europaische Nihilismus" (ms N VII 3). Departamento de Fi)osofia. Zürich. car-se ao lado do positivismo que o Círculo de Viena de. in Nietzsches Werke kri- sua redução ao estudo das lógicas ou das histórias das tische Gesamtausgabe. caminho do desespero ( . 1 & 2 (1887-1889). ou mus. Pode-se dizer hoje peIlier. 1979. 18. VII. Columbia U. de Gruyter. no original. 1947. cio do século em Viena: os artistas. A força de Wittgenstein consistiu em não colo. § 18. Ryjik. Face a em relação ao the minimal one (56). de Solla Price que não fosse o desempenho. que este trabalho de luto foi consumado.. Estes textos são objeto de um comentário de K. Dé- Margins of the (Postmodern) Age". 131e. Hof. p. ceticismo". \~ romper com suas funções de legitimação. t. Fata Morgana. t. N. 1975. que subli- moderno mantém relação. 126. deixamos para um estudo especulativa ou humanista nada mais tem a fazer senão ulterior o exame deste conjunto de regras. Ver a nota 1.. Buber. Musil. 1961. aproximadamente. Nietzsche. T. CI. 1963... Berlin. Desanti. 'I aque as funçoes. "Culture. 1938. Aubier. para des- crever o deito da pulsão especulativa sobre o conhecimento natural. Ibid. mas também os filó. La Have. Te et Tu. Big Science. 128. Bruni. Ioc cit. O que as impede disso é que elás sabem que a legi. E sobretudo D. 133..

". J.. Critique. Stuart Míll. Descartes. Bouve. Bachelard fez-lhe um balan- ço. de Musi!. "La problématique du sujet . não é qualquer um. Ver J.. Piel ed. Théorie et Pratique .'(' I 134... lI.. 95. N. Ela é hoje afetada em suas regulações " essenciais por duas modificações importantes: o enrique- cimento das argumentações e a complicação da adminis- tração das provas. raison et décision: théorie et pra- tique dans une civilisation scientifisée" (1963). "Dogmatisme. loco cit. Toulmin. Ele está submetido a uma condição que se pode dizer prag- mática. su- cessivamente tentaram fixar regras pelas quais um enun- ciado com valor denotativo pode obter a adesão do desti- natário. Simon & I Shuster. loco cit. define-se uma axiomática. PELO DESEMPENHO f: ~: :1 I1I I V OLTEMOS à ciência e examinemos de início a pragmá- tica da pesquisa. e que definem os axiomas propriamente ditos. A PESQUISA E SUA LEGITIMAÇÃO I resse. a de formular suas próprias regras e de perguntar ao destinatário se ele as aceita. e as operações que serão permitidas sobre estas 9 expressões.Y. "La science sourit dans sa barbe" é o título de um capítulo de L'homme sans qualités. Satisfazendo esta condi- ção.138 O uso destas linguagens. contudo. "Vienne début d'un siecle".1l Mas como se sabe o que deve conter ou o que con- tém uma axiomática? As condições que foram enumeradas são formais. a forma que deverão respeitar as expressões desta linguagem para poderem ser aceitas (expressões bem formadas).1973. '\ 136. 135. Ela pode usar e usa linguagens. 1. Wittgenstein's Vienna.. Aristóteles. Habermas. Deve existir uma metalíngua de terminante se 77 . citado e comentado por J. 339- :I 340 (aout-septembre 1975). a qual compreende a defi· nição dos símbolos que serão empregados na linguagem proposta. entre outros. Janik & St. cujas propriedades demonstrativas parecem desafios à razão dos clássicos. Ver A.. como se disse.137 A pesquisa científica não tem grande considera- ção por estes métodos. ele já está ultrapassado.

constantemente renovada mesmo.~ novas regras e. Güdel estabeleceu de maneira efetiva a existência. que é conhecido dos interlocutores e guagem da qual se serviu para enunciá-Ios. enunciados denotativos. deslocamento maior da idéia da razão. a diferença entre dois tipos de "progresso" no saber: um. quadro das regras estabelecidas. Daí também sistema aritmético. mas somente empírica. Quando se declara que um enun- enunciados que são aceitáveis. o segundo à invenção de tude. Que se comece Neste sentido. tos (a introdução de novas proposições) dependendo de Ora. ciado de caráter denotativo é verdadeiro. das. e o sistema axiomático no qual ele é decidível e demonstrá- que ele busque em seguida descobrir a axiomática da lin. possível. cável? As propriedades em geral exigidas pela sintaxe de A argumentação exigível para a aceitação de um um sistema formaF41 são a consistência (por exemplo. a aceitabilidade dos "lances" que lhe são fei- a independência dos axiomas uns em relação aos outros. pressupõe-se que tista comece por estabelecer os fatos e por enunciá-Ios. ou "língua coti. por exem- 145 tamente uma grande importância para o pesquisador. linguagens. em virtude do princípio de recursividade) das regras que a completude sintática (o sistema perde sua consistência fixam os meios da argumentação. de uma proposição que não é nem de. para o lógico. A exi- de uma língua científica? Este modelo é único? É verifi. vel foi formulado. É neste espírito que se desenvolveu.140 elas devem seu estatuto à existência de uma linguagem Uma questão mais pertinente para a legitimação é a cujas regras de funcionamento não podem ser demonstra- seguinte: por meio de que critérios o lógico define as pro. seu caráter de jogo uma proposição qualquer pertence ou não ao sistema). paralelamente. Estas regras são priedades exigidas por uma axiomática? Existe um modelo exigências pelo menos para algumas das ciências. Ela tem cer. aSSIm. a decidibilidade notáveis deste saber: a fkxibilidade dos seus meios. línguas deixam-se nela traduzir. e pragmático. mas a questão da validação dos ções análogas podem ser feitas para as outras ciências: enunciados apresenta-se paralelamente nos dois casos. sendo estes sistemas descritos nu- diana".142 . duas propriedades caso um axioma lhe seja acrescentado). ao contrário. observa- também para o filósofo. mas são consensuais entre os experts. isto (existe um procedimento efetivo que permite decidir se é. O que pas- 78 79 . O princípio de uma malismos. gência é uma modalidade da prescrição. a questão da legitimação do saber por fixar a axiomática para dela retirar em seguida os coloca-se de outro modo. e plo. a matemática do grupo de Bourbaki. Como se pode generalizar esta propriedade. ou que. uma proposição e seu contrário). um enunciado científico está assim subordinada a uma "pri- sistema não consistente em relação à negação admitiria nele meira" aceitação (na realidade. no um contrato realizado entre os participantes. monstrável nem refutável no sistema. em relação à negação: permite a formação de paradoxos. visto que todas as outras ma metalíngua universal mas -não consistente. não constitui aceito por eles como tão formalmente satisfatório quanto uma alternativa lógica.uma linguagem satisfaz às condições formais de uma axlO. é preciso A esta nova disposição corresponde evidentemente um então reconhecer que existem limitações internas aos for. esta língua é universal. donde se segue que correspondendo a um novo lance (nova argumentação) no o sistema aritmético não satisfaz à condição da comple. Mas. de sistemas formais e axiomáticos capazes de argumentar ficial (axiomática) é a "língua natural". o cien.143 Estas limitações significam que. a multiplicidade de suas. Deve-se fazer aqui uma observação. metalinguagem universal é substituído pelo da pluralidade a metalíngua utilizada para descrever uma linguagem arti. Daí. mas ela não é consistente l44 mática: esta metalíngua é a da lógica. a uma mu dança· d'e Jogo.

quer não é nem o verdadeiro. mas visto que otimiza a performance à qual é aplicado.lSS especial: é com ela que o referente (a "realidade") é con. no sentido de que seria preciso provar a prova. aparelhos que otimizam as performances do corpo humano tado repetindo o processo que conduziu a ela. continuam fora das ne- caso da retórica judiciária. No entanto. dizer..148 Mas ela suscita um problema cessidades da argumentação científica. As ciência clássica e moderna pode encontrar em algum desses invenções realizam-se por muito tempo intempestivamente. que um produto desta venda é absorvida pelo fundo de pesquisa outro. verdade. que o produto da performance seja vendido. sem dinheiro. no melhantes a devaneios anárquicos. Os jogos de lin- pelo ouvido.15l São estes. uma XVIII. por um órgão dos sentidos?149Os sentidos en. quando teses de órgãos ou de sistemas fisiológicos humanos que da primeira revolução industrial. formances: aumento do output (informações ou modifica. os jogos cuja pertinência performance. por vezes se- enunciado como o testemunho ou a prova material. eficiência. Basta que esta mais-valia seja realizada. mas não há riqueza sem Elas obedecem a um princípio. O que se produz ao final do século XVIII.147 O método pelos jo. Traça-se uma nador. nem o justo. Elas são inicialmente pró. Aqui intervêm as técnicas. e nada de verdade. em princípio. do saber científico toma o lugar dos saberes tradicionais blema. o da otimização das per. sava por paradoxo e mesmo por paralogismo no saber da Esta definição da competência técnica é tardia. entre este último e as técnicas.1'o proca: não há técnica sem riqueza. ciados. É neste 81 . O problema é então exposto: os ra que os outros cientistas possam assegurar-se do resul. em poder discrimi. se faz ressentir mais vivamente à medida que a pragmática Dissemos que a questão da prova constitui um pro. por exemplo. E pode- mas o eficiente: um "lance" técnico é "bom" quando é se bloquear o sistema da seguinte maneira: uma parte do bem-sucedido e/ou quando ele despende menos. é a descoberta da recí- têm por função receber dados ou agir sobre o contexto. créditos de laboratório. Somos levados a uma direção inteiramente diversa os trabalhos dos "perspectivistas" emanam ainda da curio- pelo outro aspecto importante da pesquisa que diz respeito sidade e da inovação artística/53 e isto até o fim do século à administração das provas. guagem científica vão tornar-se jogos de ricos. diminuição do in put (energia despendida) pode assim otimizar a mais-valia que resulta desta melhor para obtê-las. etc. Esta é. nem o belo. Portanto. não estabelecem uma relação evidente esta corrente de pensamento. sistemas uma força de convicção nova e obter o assenti. por ocasião de pesquisas ao acaso ou que interessam mais mento da comunidade dos experts. Um dispositivo técnico exige um investimento. onde os ganam. Mas pesa. ou revelados. de manei. equação entre riqueza. Acontece visando administrar a prova exigem um suplemento de des- que administrar uma prova é fazer constatar .152 Nos séculos XVI exvn.I54 E pode-se afirmar que ainda em nossos dias as parte da argumentação destinada a fazer aceitar um novo atividades "selvagens" de invenção técnica. destinado a melhorar ainda mais a performance. e são limitados em extensão. ou tanto às artes (technai) que ao saber: os gregos clássi- gos de linguagem que seguimos aqui adota modestamente cos. ções obtidas). nada de prova e de verificação de enun- o que é uma constatação? O registro do fato pela vista.um fato. Descartes solicita Pode-se pelo menos publicar os meios da prova. a necessidade de administrar a prova vocado e citado no debate entre os cientistas. técnica. mais ricos têm mais chances de ter razão. pois. Já ao final do Discurso.

sem esperar do resultado dos seus trabalhos um lucro tivo.1S7 Os Estados-nações. muito rentável. aumenta a de ter razão: etc. passa que impõe de início aos técnicos o imperativo da melhoria assim a ser controlada por um outro jogo de linguagem das performances e de realização dos produtos. estimativa de rendimentos individuais e coletivos. tenção do efeito visado. decisão do trabalho. que é o da téc- para·aumentar as chances de se obter uma inovação deci. Mas o capitalismo vem trazer sua solução ao proble. pacidade de administrar a prova. onde o que está em questão não é a verdade mas o de- ção "orgânica" da técnica com o lucro precede a sua jun. aumentando a ca- elaboração de programas vendáveis. A questão é saber em que pode consistir o discurso ma científico do crédito de pesquisa: diretamente. da ameaça de eliminar o parceiro. do terror. nência dá-se no nível de verdadeiro/falso. mas erigindo em princípio que é preciso finan. onde a primeira vista parece impedi-Io é a distinção feita pela os imperativos de desempenho e de recomercialização tradição entre a força e o direito. A "força" não parece ciar pesquisas a fundo perdido durante um certo tempo relacionar-se senão com este último jogo. laborató. A administração da prova. linguagem.158As normas de organização do trabalho que preva. Eles cola. isto é. Foi a esta incomensurabilidade que nos refe- quisa privadas. As técnicas não assumem importância tado e/ou a empresa abandona o relato de legitimação no saber contemporâneo senão pela mediação do espírito idealista ou humanista para justificar a nova disputa: no de desempenho generalizado. e não de um melhor boram com as empresas por meio de agências de todo o "lance" que o seu. indiretamente. formação de o vínculo social. ou seja a melhor relação input/output. Não se compram cientistas. e se ele pode constituir uma legitimação. tífico não deixa de ter influência sobre o critério de ver- 83 82 . isto é. destrói-se aplicados: hierarquia.l56 relhos para saber a verdade. um momento na circulação do capital. procura de cliente. seguem a mesma re. sempenho. entre o que é forte. a ob- tipo. o que é justo e o que cações".momento preciso que a ciência torna-se uma força de pro. que concedem créditos rimos anteriormente nos termos da teoria dos jogos de sobre programas a departamentos universitários. 159 O s centros de pesqmsa . imediato. so. do poder. distinguindo o jogo denotativo. O Es- ção com a ciência. tem por motor um "Diga ou faça lecem nas empresas penetram nos laboratórios de estudos isto. Mas é verdade que o desempenho. senão uma parte da argumentação destinada a obter o con- É mais o desejo de enriquecimento que o de saber sentimento dos destinatários da mensagem científica. a única disputa con- do progresso do saber ao do investimento tecnológico não fiável é o poder. gem. senão não falarás mais". nica."" pura pa decem menos. e o jogo técnico. doria. já que a eficácia da força procede então inteiramente gra: pesquisa aplicada. entre a força e a sabe- orientam com prioridade os estudos voltados para as "apli. O que ciando os departamentos de pesquisa nas empresas. onde a perti- rios de pesquisa ou grupos independentes de pesquisado. pesquisa fundamental. que é da alçada do justo/injusto. equipes. Mesmo hoje. entra-se no terror. Cada vez que a eficiência. o jogo prescri- res. isto é. finan. é verdadeiro. mas para aumentar o poder. portanto. Faz-se exceção do caso em que ela opera por meio siva e. estatais ou mistas. mas o critério técnico introduzido brutalmente no saber cien- também eles beneficiam~se de créditos menores. que em princípio não é dução. A conjun. técnicos e apa- é imediata. pela criação de fundações de pes. Este caso encontra-se fora do jogo de lingua- bretudo em seu episódio keynesiano. cujo critério é eficiente/ineficiente. a subordinação discurso dos financiadores de hoje.

1940 sq. M. pode-se vir a ser senhor . O critério de bom desempenho é ex- contexto". "Métalangue. 1957. P. Hermann. Bachelard. Assim. A eficácia de um enunciado.' ed. "Ueber formal unentscheidbare Satze der Principia Ma- legitima como parece fazê-Io um sistema regulado sobre thematica und 'verwandter Systeme". Gõdel.F. Le rationalisme appliqué. A repartlçao dos e desempenho: as chances de que uma ordem seja consi. métamathématique I.U. reciprocamente. philosophie (1644). 1949. assim.uiae ad directionem ingenii (cerca de 1628) e os Principes de ia de ambas tornando-se senhor da "realidade". Les limitations internes des formalismes. Este não matique. e esta por aqueles. ção. a memorização.l60 O "controle do dos à obsolescência. D. Martin.. Armand-Colin. K. Università di Urbino (janvier-février 1977) . é somente o bom desempenho. P. A com. ris. des mathématiques". interessante. Desc~s & Z.F. ética e política.330 aproximadamente). 145. Bourbaki "L'ar- pode dispor do saber científico e da autoridade decisória. Les grands cou- rants de ia pensée mathématique. Para uma exposição acessível ao leigo do teo- rema de Gõdel.. tivas de demonstração de certos "postulados" da geometria euclidiana. 1948. cação e o bom veredito. beneficiando. Brunchvicg. sobretudo porque ela obriga a sofisticar os meios de pro. métalan· atualmente pela produção.F. 3.Ref!. Monatschrift für Mathematik a otimização de suas performances. Logique.162 Ora. 163 a "natureza" ou os homens) po'deria valer como uma espé- cie de legitimação. réforme et les sept péchés". Hilbert. 144. 39-160. Grundiagen der Geometrie. seja connaissance. . é precisamente und Physik 38 (1931). P. o desempenho. o que as téc. 1955. empresas e sociedades derada como justa aumentariam com as chances dela ser mistas obedece a esta lógica do aumento de poder.. então.o spécial Bachelard). G.. Documents de travail 60-61. ele denotativo ou prescritivo. P. direito por sua eficiência. Logique contemporaÍlle ct forl7lalisatiol1. capo V.F. reforça-se tanto as técnicas de que se 139. a melhoria das performances realizadas plicitamente invocado pelas administrações para justificar contra os parceiros que constituem este último (seja este a recusa d·e apOIar este ou aque Ie centro de pesquisas. Hermann. mas também a boa verifi. mesmo indireta. A. Guent. 1964.U.. Lacombe. Os executada. Aristóteles nos Analíticos (. 142. Louvain & Pa- informações de que se dispõe relativas ao seu referente. J. 1899. 33-41 e 122 sq. à otimização das performances do industriais a substituição da normatividade das leis pela sistema. isto é. 140. "reforça-se" a realidade. L'axio- Assim toma forma a legitimação pelo poder.. nicas permitem. Albin-Michel. E. o mesmo poderia ser dito da relação entre justiça var. Ele se auto. . Ver Blanché. aumenta na proporção das 143. 1957.U. Stuart Mill no Systeme áe iogique inductive el déductive (1843). N. e a operacionalidade das informações. in Le Liónnais ed . sémantique. P.métalinguistique". Les éiéments des mathématiques. 1947. partida longínquos deste trabalho encontram-~e nas primeiras tenta- plexidade das argumentações parece. L'Arc 42 (n. fundos de pesquisa pelos Estados. "La conseqüentemente. Les étapes de Ia philosophie mathématique. ver D.. op. in Divers. a acessibilidade gage. Reforçando-as. .::heva-Desc1es. Descartes nas de ordem jurídica. Tarski. Ladriere. O horizonte deste procedimento é o seguinte: sendo a "realidade" que fornece as provas para a argumentação científica e os resultados para as prescrições e as promessas 137. 84 . R. o crescimento do poder e sua autolegitimação passa 1972. Os pontos de A relação entre ciência e técnica inverte-se. 138.dade. Blanché. É setores da pesquisa que não podem pleitear sua contribui- assim que Luhmann acredita constatar nas sociedades pós. as chances de ser justo e de ter razão.. O poder legítima a ciência e o 141. 1970. Serres. "Les idées actueIles SUl' Ia structure este controle sobre o contexto que deve fornecer a infor. e estas com o desempenho do prescritor.161 Seria uma legitimação pelo fato. Notion de structure et structure de ia matização generalizada. Ver L. J. chitecture des mathématiques".U. Seguimos aqui R. cit. são abandonados pelos fluxos de créditos e fada- eficiência mensurável de procedimentos.

. Fau- GaIlimard (Plêiade). tado federal a R. Albin-Michel. Mas. "La crise des mandarins". !:~6 _~l~~ . técn!cas e d? saber científico: "The Model of Branching". do testemunho e da fonte histórica principalmente: o Nisbet. ma. juin 1971). Ver FI'. t.. o interesse público parece ser o de ajudar toda pesquisa.' da concentração dos temas e do controle Mulkay desenvolve um modelo flexível de inde:->cndência relativa dos prédios limitando os custos destes últimos" (The Politics of das. Harcourt. Radio-astronomy".1. Hamburg. Th. tatlca maiS restntIva para o desenvolvimento (La recher- BIBLIOTECA CENTRAL che 21. comentando Luhmann. Luchterhand. Penguin of SOClOl?glcal Revlew XXXII) (1976). da especialização. ~. vidade. j N. 56-65. assertions dangereuses et pernicieuses en tout geme". & D./93 a Morrison: 1 usually put thinks together allel hopeel they workeel.. A produção intelectual não tamente restritivo. L. loco cit. jui1let 1971. 1971-). cheurs".Y. Archives européennes de sociologie XIX.6.. clarações como as de Brooks. B. N.lº__ cm Prmceton.Y. As relações sociais nos centros Hérodote 9 (décembre 1977).. o !?roblema. cit" 135-136. triais desenvolvidas. "Les cher- A. em F. Maspero. cit. 1945. Encontrar-se-á uma classificação dos paradoxos lógico-matemáticos 347-359. 1969. A_pes.. 1965). R e g. aliás. mars 1972. Legitimation elurch Verfahren. ou magie artificielle des eflets mero (significance) às crenças dos cidadãos nem à própria 1T'0ralidade. do ano de 1965. Bibliotecas I U F E S . conselheiro científico da Casa Branca. Nos Estados Unidos. 1950. f. que não atribui nenhuma importância J.C. O. Citado por D..D.. Seuil. tique de Ia sClence~ .. 25·65: utili- Foi assim que se exigiu em 1970 do University Grants Committee zação dos radioamadores para verificar algumas implicações da teoria britânico "exercer um papel mais positivo no domínio da produti- da relatividade.211). N. Gehlen. Cl. ). quc lançou a Idel~ de uma Research Applied to National Needs (R. 1978. anteriormente citadas (nota 156). (The Politics of Communication.. op. faz uma descrição amarga da penetração do fato e conhecido por dele se ouvir falar ou de visu? A distinção apa. 3) os poderes públicos não estão ao abrigo das uma aceleraçao raplda ou um retardamento implicam despesas não pressões de grupos privados cujo critério de desempenho é imedia- declaradas e numerosas incompetências. no curso dos anos 60. Boyle & A. . Isto não se realizou sem tensões.N._~9.). de 1972. L. . Tecnical and Social Factors in the Growth of recherche en sciences sociales 25 (janvier 1979). Histoire eles Tecniques Uma análise lingüística do controle da verdadc é dada por G. The Foundations of Mathemaiics and Other Logi. higher capitalism na universidade sob a forma de centros de pesquisa rece em Heródoto. I3aitrusaitis.!u~sa é propriamente uma atividade a longo termo: vel de um projeto. Mulkay & D. id . Kogan. Os indus· triais de rádio recusarám investir no projeto. "Die Technik in der Sichtweise der Anthropologic" A 11. 1931. Neuwied.~.ntido: estratégia ampla c flexível para a pesquisa.. o que afir- tIca do modo de mvestimento na R. 147. igualou com o dos capitais privados no curso 148. P. 2 (1978). Albin-Michel.C. Social Science Information (1973). c. Tecnique et civilisation. Mythe et pellsée chez les Grecs.. "Hérodote rapsode et arpenteur" independentes dos departamentos. The Education: E. The Structure . Ver Aristóteles. a partir de então. Em março em outras condições que não a da eficácia estimável a termo. ' connier. escreve: "Nas sociedades indus- J. Hartog. o montante dos fundos consagrados pelo Es- cal Essays. Actes ele Ia Edge. 509-526. c. 1965.~_~__ 51st. Techn!que et lcmgage. Mueller. 1934.tats-Unis ont-ils une poli· ao cálculo. & D. que é a capacidade de corresponder ao desempenho calculá- cara (. loco cito cation Research".da corrida à lua foi aumentar o custo dos poderes públicos é freqüentemente compreendida no sentido mais da inovação tecnológica até esta tornar-se simplesmente demasiado cstrito. 611). P. cit. Retórica lI. a legitimação legal-racional é substituída por bretud? a seção 4: "Le travaíl ct Ia pcnsée technique". O.F. thropologische Forschung. Dizia-se dc Lazarsfeld que ele lançava as coisas mas não acabava nada. "Milieu et tcchniques". Ver também em (Auto)critique de Ia science. Hamsey.f.. Vernant.A. Montanier. Brooks. H. Kuhn. 1-22. Luhmann. 1393 a sq. loc..o-autor do "RapP?rt Brooks" (O. 149. "Cognitive. 135). 2) a responsabilidade no seio das hierarquias declarava: "Um dos efeitos . ele o ultrapassou (O. "Comment contrôler Ia vérité? Remarques ilIustrées par des Um exemplo impressionante foi estudado por M. Edwards. Se as chances de inovação na pesquisa escapam ~odc ultrapas~ar u~. Davld Jr. A. loc. Le geste et la parole I. uma legitimação tecnocrática. Brace & Co. o -1!J. . so.. Crosland parlent à M.onclu}~ no ~esmo ~e. Vcr uma bibliografia sobre a questão tecnocrática em Habermas. Perrin. N. Isto pode parecer contraditório com de- do SClence and Public Com'mittee da National Academy of Sciences.E. 1969." veilleux. 1964.. Technics and civilization. . presidentc Education Special.D. Morrison. 1) a "estratégia" pode ser liberal e a "tática" autoritária.a das condições exigi das por Lazarsfeld para a sua acci- taçao ?e cnar o que será o Mass Communication Research Center. UFES Est~ foi um. fazendo a crí. La recherche 14. certo ritmo" ("Les f. "The Beginning of Modern Mass Communi· 146. 1961. N. Leroi-Gourhan. em 1937. ' abalam a tradição acadêmica. capo 5. Théorie et pratique 11. os capítulos: "Le prolétariat scientifique". Munford. Gille. Ele mesmo dizia T Q M 8. Alwmorphoses..

numa série de questões: quem transmite? o que é transmi. Ele não é mais um jovem egresso das "eli- O efeito a se obter é a contribuição ótima do ensino tes liberais"l66 e influenciado de perto ou de longe pela superior ao melhor desempenho do sistema social. capita. efeito? 164Uma política universitária é formada por um res. mas acolhendo numerosas inscrições . tantos engenheiros. sempre na mesma hipótese geral. hoje pouco eficiente. A transmissão dos saberes não aparece mais como conjunto coerente de respostas a estas questões. isto é. o ensino superior. quadros supe. administrado- que. destinada a formar uma elite capaz de guiar a nação em No momento em que o critério de pertinência é o sua emancipação. lingüistas. te o discurso da emancipação.) deveriam ser reco- nhecidas como prioritárias em matéria de ensino. as universidades e as instituições de ensino superior questão de sua transmissão subdivide-se pragmaticam~nte são de agora em diante solicitadas a formar competências. etc. quando se zes de assegurar convenientemente seu papel junto aos adota a perspectiva da teoria dos sistemas. o ensino superior num sub-sistema do sistema social e Se os fins do ensino superior são funcionais. Se nossa hipótese modelo era o do humanismo emancipacionista. grande tarefa do progresso social compreendido como verá então formar as competências que são indispensáveis emancipação. esta tarefa comportava a formação e a difusão são. Ele de. '. mudar ainda. isto é.(vestibular). transforma-se l65 postos pragmáticos de que necessitam as instituições. o ensino. cibernéticos.167e cujo podem vender sobre o mercado mundial. a este último. a demanda de experts. tantos professores de tido? a quem? com base em quê? e de que forma? com tal ou qual disciplina. afetado por uma transformação de importância simulta- nados no InICIOdeste estudo. neamente dirigida por medidas administrativas e por uma 89 88 . Ela fornece ao sistema os jogadores capa- desempenho do sistema social suposto. pouco dispendiosa para n~das m~is particularmente a encarar a competição mun- o estudante e a sociedade. Umas são desti~ sem exame de seleção . Por outro lado. Neste sentido. E isto na medida em que a multiplicação destes experts deveria o ENSINO E SUA LEGITIMAÇÁO acelerar os progressos da pesquisa em outros setores do PELO DESEMPENHO conhecimento. VarIam segundo as "especialidades" respectivas que os Estados-nações ou as grandes instituições de formação per. aumentará: todas as disciplinas relacionadas com a formação "telemática" (informáticos. se se calcula o custo-estudante dIal. matemáticos. o ensino superior já está rlOr~s e q~a?:os médios dos setores de vanguarda desig. quem aplica-se o mesmo critério de desempenho à solução' de são os seus destinatários? O estudante já mudou e deverá cada um destes problemas. que são a de manter sua coesão interna. como já se viu para a medicina e a biologia. parece fácil descrever a maneira pela de um modelo geral de vida. deverá continuar a fornecer ao sistema so- tial as competências correspondentes às suas exigências próprias. lógicos . e não mais ideais: tantos médicos.. revela-se g~ral for verdadeira.168De fato. Elas são de duas espécies. que são o desafio dos pr6. a universidade "democrática". ximosanos. a da sua transmis- riormente. que legitimava ordinariamen- qual a prevalência do critério de desempenho vem afetá-Ia. Ante- QUANTO à outra vertente do saber. No contexto da deslegitima- Admitindo-se a idéia de conhecimentos aceitos a ção.

competência e de suá promoção. os institutos tecnológicos). pouco operacional e se vê recusar qualquer crédito em res ligados às novas técnicas e tecnologias que são igual. escapa à responsabilidade exclusiva dos mestres e dos es- Pois. o que se delineia mente jovens ainda não "ativos". e portanto de seus "decisores". Agora. Mas pode-se calcular que a responsabilidade seja confiada I73 nica" /69 os outros jovens presentes à universidade são em às redes extra-universitárias. tanto a experimentação sobre os discursos. peso perto do fato evidente de que os conselhos de' pro- dades. o d'a reCl. Com efeito. o controle dos conhecimentos e a (por exemplo.cagem I permanente.17l mentos. o ensino supe. o que se transmite nos ensinos superiores? aquisição de informações. A idéia de "franquia universitária" é hoje de versidade começa ou deveria começar a desempenhar um uma outra época. ele é e será transmitido à la carte a adultos poder de repartir o montante que lhes é concedido. sua transmissão missão do saber. e ain- 175 já ativos ou esperando sê-Io. . A aplicação de novas técnicas a este estoque pode 91 . mas também em vista da . negligenciável porque foi o funcionalismo que a traçou. Eles pertencem. seu número ex. as insti- às quais é transmitida a competência que a profissão julga tuições e os valores. vêm juntar-se a isto. à nova categoria dos destinatários da trans- idéia ou como emancipação dos homens. malgra. mostra-se mesmo modelo didático. Contudo. ao lado desta função profissionalizante. sem falar de recaídas sociopolíticas. e atendo-se a um ponto guagem que lhes permitam alargar o horizonte de sua de vista estritamente funcional. t SISema. por uma via ou por outra dens" no curriculum. de encorajar a promoção profissional. As "autonomias" reconhecidas às uni- novo papel no quadro da melhoria das performances do versidades após a crise do final dos anos 60 são de pouco . a uni. o princípio de desempenho. o essencial do transmissí- vida profissional e de entrosar experiência técnica e vel é constituído por um estoque organizado de conheci- ética. Pois. mas segundo o pedagogia. de um lado. e que tende a ordenar suas funções em duas grandes não prossegue sem conflitos. nome da seriedade do sistema. o novo caminho tomado pela transmissão do saber rios.174 eles têm apenas o e de uma vez por todas a jovens antes de sua entrada na vida ativa. os d~stinatários dos novos sabe. de linguagens e de jogos de lin. . enquanto espécies de serviços. departamentos ou instituições de vocação profissio- fessores quase não participam da decisão sobre o orça- nal. mes- ticas de demanda de emprego. é do interesse do sistema.demanda social pouco controlada surgindo dos 'novos usuá. na realidade. sua maioria desempregados não contabilizados nas estatís. Por sua função de profissionalização. Tratando-se de profissionalização. o saber não é e não será mais transmitido em bloco mento que chega à sua instituição. em vista da melhoria de sua da assim somente no final de seu percurso. deres constituídos. 170 Fora d as UnIVerSI- . tem por conseqüência global a respondentes às disciplinas nas quais se encontram (letras subordinação das instituições do ensino superior aos po- e ciências humanas). tudantes. duzem a "intelligentsia profissional" e a "intelligentsia téc. já que ela não pode senão melhorar as performances do conjunto. mo se não permite decidir claramente em todos os casos cede o fixado em relação às 'perspectivas profissionais cor. A partir do momento em que o saber não tem mais seu fim em si mesmo como realização da do sua idade. por outro rior endereça-se ainda a jovens egressos das elites liberais lado. aí é uma via de saída fora do funcionalismo tanto menos 172 Fora destas duas categorias de estudantes que repro. sobre a política a seguir. acompanhada por inevitáveis "desor- necessária. De qualquer modo.

A questão. esta última questão significa comumente: isto é ven. isto é. a vantagem cabe àquele que sabe e pode obter um nidade . mas o uso dos terminais. É uma banalidade sublinhar a importância propedêutica superior. Este é o caso. o poder. de um estudante em situação de aprender. no contexto do aumento do poder: isto é eficaz? cacional. isto é. e. pleta. Entretanto. Não parece indispensável que este seja um curso Ora. Se esta causa é consistir. de novas linguagens.vida do espírito e/ou emancipação da huma. disputa de políticas de sedução. explícita ou não. por hipótese. e. O que deixa de sê-Io é a compe- para as seções de "trabalhos" dirigidas por um assistente. competência atuante nas condições acima descritas. pelo Estado ou pela institui.176Nesta perspectiva.l79 a pergunta: onde endereçar a questão. é assimilável a uma memória. uma mesmo atuante. dável? E. A velocidade é uma de suas propriedades. terminais inteligentes saber são e serão objeto de ofertas e mesmo motivo de colocados à disposição dos estudantes. À medida que o jogo está na informação incom- timação . pois será preciso apesar de tudo ensinar alguma coisa aos A enciclopédia de amanhã são os bancos de dados. não se resume em se ter uma boa memó- formação elementar em informática e particularmente em ria de dados ou numa boa capacidade de acesso a memó- telemática deveria fazer parte obrigatoriamente de uma rias-máquinas.180o melhor desempenho não pode a causa principal do interesse pelo saber. notar-se-á que a didática não consiste so- mória pertinente para o que se quer saber? Como formulá. etc. por definição. excedem a capacidade de cada usuário. dinariamente mediante a conexão de séries de dados tidos ção de ensino superior não é mais: isto é verdadeir. e que a competência. evidentemente. Ela resulta de um novo arranjo dos dados. Mas. Este novo arranjo obtém-se or- estudante profissionalizante. a didática pode ser confiada A perspectiva de um vasto mercado de competências a máquinas articulando 'as memórias clássicas (bibliotecas. por outro. sendo o tempo para perguntas transferiQ.181 Pode-se chamar imagina- para que serve isto? No contexto da mercantilização do ção esta capacidade de articular em conjunto o que assim saber. este aspecto da didática clássica deixa de ser per. Eles são a "natu- um manejo mais refinado deste jogo de linguagem que é reza" para o homem pós-moderno. e sim o contrário.177 estratégia eficiente. tência segundo outros critérios. Os detentores desta espécie de etc. Eles estudantes: não os conteúdos. Na medida em que os conhecimentos são traduzíveis em o justo/injusto.182 92 . É somente na perspectiva de grandes relatos de legi. como o verdadeiro/falso. na aquisição de um tal suplemento.o?. ter uma incidência considerável sobre o suporte comuni. mas: até então como independentes. operacionais está aberta. mente na transmissão de informação. que constituem tinente. por um lado. e mesmo intolerável. e enquanto o professor tradicional nho em geral. não estava. etc. apresentada pelo propriamente um "lance". parece dever ser bem vendável a disposição de uma proferido de viva voz por um professor diante de estu.) bem como os bancos de dados a. o fraco desempe- linguagem informática. máquinas pode parecer deficiente.o é eficaz por definição. do mesmo modo que a aquisição da capacidade de atualizar os dados pertinentes para o pro- da prática corrente de uma língua estrangeira.que a substituição parcial dos professores por suplemento de informação. qual a me. A pedagogia não sofrerá necessariamente com isto. Ia para evitar os equívocos.178 Deste ponto de vista. por blema a resolver 'iaqui e agora" e de ordená-Ios numa exemplo. e ela dantes mudos. nos jogos Mas é provável que estes relatos já não constituam mais de informação completa. não é o fim do saber que se anuncia.

tes últimos podem fazer parte ou não oficialmente de uni- formances. mas preconizada bem antes. o da ção. isto pouco importa. tem-se a1guns exemp 1os sob're Isto. seja mudar as regras do jogo.' tradicional dos saberes isola ciosamente. generalizados. a melhoria parece menos certa quando se trata de "ima- fosse limitada à de informações. sob condições que as ciências novo lance. seria dro de um modelo dado. Ora. Ela chocou-se contra os feudalismos universitários. deslegitimação e. no sentido de que os dados são em princípio acessí. no sistema. para a qual se orientam No modelo humboldtiano de universidade. Os canais de transmissão colocados empirismo apressado. mas que ela comporte a ginar" novos modelos. a prevalência do critério do desempenho formances. alguns dos quais culativo. e não mais em sua aquisição. isto é. a idéia da interdisciplinaridade per. tuições. Se o ensino deve assegurar não somente a reprodu. a solução. o número não quer dizer nada. de competência igual. soam como a hora final da era do Professor: ele não é . os segundos têm direito aos pequenos gru- manidade. dis- pode provocar senão confusões. é que nos dois casos a uso. na cabeça dos filósofos. "ruídos". O justo. parece seguir esta abstrato. reagrupamentos de disciplinas. de fato as instituições do saber em todo o mundo.185 Es- tual e material complexo e dos beneficiários de suas per. 184 M as contmua . as performances em geral são melhoradas mente desta "imaginação". Eles não dispõem de uma metalinguagem nem de versidades. pos que funcionam num igualitarismo aristocrático. e outras à promoção e à "embalagem" de espí- tence propriamente à época da deslegitimação e ao seu· ritos "imaginativos". Mas têm o brain storming para reforçar-lhe as per. mente. Ela chocou-se com muito mais. mesmo no quadro do funcionalismo e do profissio- diz-se. nalismo. e provavelmente nefasto. A invasão de uma ciência no campo de uma outra não reprodução "simples" e o da reprodução "ampliada".contrário. A palavra de or- Observar-se-á que esta orientação concerne mais à dem da interdisciplinariedade. elas alcançaram sucesso em relação ao desempenho no qua- ção das competências. As tinguindo entidades de toda natureza. cada ciên. a não ser se justiça aumento de eficiência. É crise de 68. Pois para pleta. na execução de uma tare- preciso em conseqüência que a transmissão do saber não fa. isto é. o que se considera como verdadeiro ou se prescreve como veis a todos os experts: não existe segredo científico. sionais. aprendizagem de todos os procedimentos capazes de me- difícil separar o que corresponde ao dispositivo em equipe lhorar a capacidade de conectar campos que a organização e o que se deve ao gênio dos participantes. um metarrelato para formular-lhe a finalidade e o bom Mas o que parece certo. como também seu progresso. na produção e verdade sejam pensadas em termos de êxito mais prová- do saber. quanto a concepção. separá-los completa- direção. é dos utilizadores de um instrumental concei. Com efeito. sejam estas insti- colaborações não podem se realizar senão no nível espe.183Na verdade. é permitido representar o mundo do saber pós. votados à seleção e à reprodução de competências profis- Ao . prevalência do critério do desempenho no saber. A relação com o saber não é a da à disposição dos primeiros podecio ser simplificados e realização da vida do espírito ou da emancipação da hu. siste em dissociar esses dois aspectos da didática. con- cia ocupa seu lugar num sistema dominado pela especula. No entanto. difundida sobretudo após a produção do saber (pesquisa) que à sua transmissão. Ao que ~ parece. depende então final· vel. A valorização do trabalho em equipe pertence a esta moderno como regido por um jogo de informação com. sociais tornaram precisas há muito tempo. que permite seja realizar um pelo trabalho em equipe.

aos alunos do ensino proporção dos inscritos no ensino superior era de 30 a 40% no público (iniciativa sem precedente). de 6." e a resistência da primeira em face da legitimação tecnocrática (op. 1977. o ministro cit.3 no Canadá. Sobre esta última fórmula. ver a descrição da universidade futura. sua alçada. mas sem o intervencionismo da universidade na sociedade que Dofny e Rioux preconizam. a relação população estu. bolsas. Alain Moreau. para as despesas categorias: remunerações. ou seja.39% do Nos Estados Unidos. Parsons & G. Alliot durante o mesmo colóquio.. Dofny indicam sob a rubrica "Formação cultu- ral": J.N. E. rou e que "a primeira das tarefas educativas é a de ensinar às crian· tes países. Morrison. t o que M. I . pronta a fornecer todo ensino. Universidade de Montreal. cit. dirigidos M. Os autores fazem a crítica do que eles cha- ces ou novos jogos. Oeveze. na França. Os aumentos observados em cifras absolutas interessam as 175. ças a escolherem seus programas" na TV. entre os departamentos. titution universitaire". se torna mais ou menos explícita número de departamentos de Vincennes. Dofny & M. França. .454'. vinculado ao para 21. O signatário se faz aqui a testemunha da eX. de novas experiências.. As remunerações não são de venções para pesquisa permanente sensivelmente estagnada (Deveze. A lei de orientação do ensino superior de 12 de novembro de 1968 das que a utilizam mais evidentemente em suas atividades profissio- inclui a formação permanente (entendida de maneira profissionali- nais.. em 1968. 1979. Estados Unidos. With a Po§tscript . 176.F. loco cit . dada por Durante os semmanos de Princeton Radio Research Center. Rioux. action et responsabilité (Colóquio da A.. decl~ra que a tentativa do setor Canadá.. ministério do Estado para a ciência e as universidades. The Uses of the University." Esta é a voca~ão do Centro experimental. Ver a este respeito o dossiê Vincennes ou le ponto de confundi-Io com o "conhecimento racionar': "A orientação désir d'apprendre.P. McLuhan. gógico que cabe à universidade. Seguindo J.E.P. Antoine. a Holocausto.S. e ele não é mais competente ces d'intervention de l'université". M. melhorar suas chances de promoção ou mudar sua cal intelligentsia. que havia recomendado oficialmente a série No início dos anos 1970-1971. de aproximadamente 0. Galbraith." (T. Mueller. Quer dizer. "Structures optimales de I'ins- por Lazersfeld em 1939-1940.N. descreve a inquietação atividade profissional.ours 981 (17 mars 1979). para o conhecimento racional é implícita na cultura comum do 171. 155-162.R. Histoire contemporaine de l'université Paris Sedes. in L'universit~ dans son milieu: que as equipes interdisciplinares para imaginar novos lan. 170. art.mais competente que as redes de memotlas para trans.Jeriência de um grande ativismo instrumental. David declarava que o Ph. citado por A. Nos anos 70. op. que. 146). distribuiu entre estas a subvenção anual. Alliot conclui: "Acredita- nicação pela fórmula: Who says lvhat to whom in what channel mos em estruturas. P. 212). a receita total dos ensinos superiores exame das necessidades e dos planos de desenvolvimento apresenta- (sem o C. após Na França. funcionamento. capital e em funcionamento das universidades passou de 30 a 80% mente 4% para aproximadamente 10% na Europa ocidental. IHinerva VI [été 1968]. 1976.). etc. declarada por ocasião de sua O que Parsons define como "ativismo instrumental" elogiando-o a fundação.L. Nes. Rioux e J.. na classe de idade dos 19 anos. ver C. de que a comunidade aceita assumir o custo. salvo para os Iicenciaàos. de 15. 174. Platt. 507. onde a participação do Estado nas despesas em dante/pop~lação 'total passou entre 1950 e 1970 de aproximada. Harvard U. M. para 5. 1972.5 nos Estados Unidos. 173 . 1971. União Soviética e Iugoslávia. em torno de educativo de se criar um instrumento audiovisual autônomo emper- 20% na Alemanha. Num sentido análogo. onde ensino e pesquisa são inteiramente dissociados da de- manda social. "Inventaire et bilan de quelquesexpérien- mitir o saber estabelecido.B.et 124 (avril 1978). cito "Comment s'informer?".1972 - Cambridge (Ma). transmitida no canal 2 (França). segundo O que Mueller chama professional intelligentsia. Segundo a terminologia de Cl. op. 172-177). cito estrutura possível. é custeado pelo "pacote" (verba) peda- não era mais necessário. mam dos dois tipos de universidade da América do Norte: os liberal art colleges. K. 447-450).1 para 32. Université et société . Segundo a mesma fonte (M.015 dos pelas universidades.) passou (em milhões de francos correntes) de 3. 141-154. Pro. de 1968 a 1975. e não é muito apreciada senão nas categorias sociais as mais instruí- 172.. a não ser para o decênio anterior (art. Na Grã-Bretanha. tinha duplicado ou triplicado em relação às taxas de 1959. depois Universidade de Paris VIII (Vincennes). D'oeil à oreille. E.U. quando no futuro deveria haver o mínimo de with what effect? Ver O. os trustes são todo-poderosos. opondo-a à techni. aos antigos estudantes bem como às pessoas que não tiveram a poso Touraine. Kerr.D. mas ela não. cit. 395-413. O financiamento de projetos. P.55% para 0. francês da Educação. "Considerations on the American zante) entre as missões do ensino superior: este "deve estar aberto Academic System". suas capaci~ades. foi o University Grants Committee. Denoel-Gonthier. Lasweel definiu o processo de comu. a categoria sub: de funcionamento e de equipamento. Japão e Países Baixos. sibilidade de prosseguir nos estudos a fim de Ihes permitir. M. Numa entrevista à Télé-sept-.. idib..1 entre 1920 a 1960. Grã-Bretanha. e a multiversity. 439-440)..

Vitesse et politique. J. Trata-se em suma de mos- trar em alguns casos típicos que a pragmática do saber científico pós-moderno tem. The Mel1tal último poder-se-ia dizer. Du- nod. Crane dá uma Esta é a "filosofia" positivista da eficiência. O determinismo é a hipótese que ele chama o Ideopolis basea-se no princípio do ganho em inven. A expansão da ciência não se faz graças ao positi- vismo da eficiência. Ver também P. art. d. isto é.cer redes es- táveis de contatos interpessoais agrupando no máximo uma centena output. G. nindo-se este por uma relação input / output. de membros cooptados. Sobre estes "colégios". 1976.. D. sobre a qual repousa a legitimação pelo desempenho: defi· tividade obtido pelas pesquisas coletivas (op. procura-se facilitar 'a discussão final da legitimação. Maucorps & Lesage. Uno of Mi- chigan Press. Deleuze analisou o evento em termos de crescimento de séries em Logique du sel1S. 178.. V. 91 sq. O tempo é uma variável que entra na determinação 'da unidade de quisa científica.177 .f. jogos de linguagem. 1968. Lathébeaudiere.. busca de "caminhos de saída da crise". nela mesma. Nora e Minc escrevem (op. L. Chicago & Londres. loc. os centros universitários e colegiais isolados usam-os correntemente. 16): "O principal desafio. No Canadá. Sabe-se que o uso de terminais inteligentes é ensinado aos estudantes no Japão. Uma outra lei. Ele estabelece leis (estatísticas) da ciência por que o sistema no qual faz entrar o input encontra-se tomada como objeto social. D. débats et jeux. Who shall Survive? (1934). É o Branching Model de Mulkay (ver nota 151). in J. 1972. t. analogicamente. A CI~NCIA PÓS-MODERNA COMO PESQUISA nada. Fights. ele obedece a uma "trajetória" re- crática na nota 131. É o contrário: trabalhar na prova é pesquisar e inventar o contra-exemplo. que é decisivo no estado atual do saber científico. pouca afinidade com a busca do desempenho. num estado estável.U. P. cit. Ver Lécuyer. N. Moreno. Rapoport. A. Deste 184. cito lhe aqui alguns exemplos evidentes. FOl1demel1ts de Ia socio- logie. a dos "colégios invisíveis". Foi a política seguida pelos centros de pesquisa americanos desde antes da Segunda Guerra Mundial. trabalhar na argumentação é pesquisar o "para- 99 . The Mass Communication Research Cel1ter (Princeton).sociométrica em Il1visible Colleges. venção de "lances" novos e mesmo de novas regras de 183. Opondo- interpretação. Kerr em favor do como crise o determinismo. nos pró- ximos decênios. Ann Arbor.. 182. cit. o ininte- ligível. Beacon. Esta já foi domi. entre os mais célebres. The Uno of Chicago P. deve-se su- 185.Y. considerando-se nology (Boston). Importa agora sublinhar este aspecto. 1954. cit." 180. 1967. Il1stitut jür Sozialjorschul1g (Frankfurt). não está mais. para os grupos mais avançados da humanidade. "Perspectives de l'avenir: qui survivra?". 179.U. trazia para o primeiro plano a in- Galílée. que ele está em Research Institute (PaIo Alto). J. des- creve o efeito que resulta da própria multiplicação das publicações gular através da qual pode-se estabelecer a função contínua e da saturacão dos canais de informacão nas instituicões científicas: e derivável que permitirá antecipar convenientemente o os "aristocr~tas" do saber tendem por' reação a estab'eIe. 181. de Sol1a Price (Little Science. AFIRMOU-SE anteriormente que a pragmatlca da pes- Minuit. Games and Debates. e em Dijjérel1ce et répétitiol1. argumentações novas. P. t.F. 1968. L. Uma parte da argumentação de C. Virilio.) tenta cons· tituir a ciência da ciência. na capacidade de dominar a matéria. 1960. sobretudo em seu aspecto de pesquisa de potência em dinâmica. The Massachusetts Il1stitute oj Tech. 2: ed. Moreno. Assinalamos a lei da clivagem não demo. Big Sciel1ce. Ele reside na dificuldade de construir a rede dos laços que DE INSTABILIDADE fazem progredir juntas a informação e a organização. Combats..). 1953.F...

modificações de sua natureza. minam o estado do universo em um instante t) ele pode ções científicas. sustentada pelo princípio de que os sistemas físicos. por perda de legitimidade modos. tre calor e trabalho. o que não nâmica não é um exemplo menos importante do novo pode deixar de vir e voltar com uma nova teoria. e que é ção.doxo" e legitimá-Io com novas regras do jogo de raciocí. por meio do qual sistema. alemães. a este meio-saber de acordo com os idealistas input e output.. de dada por uma observação de Borges: um imperador quer fato. Esta condição é clara- do destinatário do arguméiÍto e da prova em questão em mente expressa a título de limite pela ficção do "demônio" destinador de um novo argumento e de uma nova prova. entre fonte quente e fonte fria. à metaquestão ou questão da legitimidade: cem a regularidades. à ciência. a ex- discurso sobre as regras que o legitimam. A questão: O que vale o seu argumento) o que Ela está associada à representação de uma evolução pre- vale a sua prova? faz de tal modo parte da pragmática do visível das performances do sistema. desenvolvendo esta questão. cujas respectivas implicações não têm o mesmo al- e decadência no "pragmatismo" filosófico ou no positi. clusive o sistema dos sistemas que é o universo. Nos dois casos. o traço surpreendente do saber contínuas "normais" (e à futurologia . definido. O 100 -tOl . que assegura a metamorfose se lhe conheçam todas as variáveis. Primeiramente. que obriga a corrigir uma noção que já vimos. conduz à ques. isto é. Uma versão leiga desta impossibilidâde de fato ela dá lugar a "paradoxos" assumidos como eminentemente de efetuar a medida completa de um estado do sistema é sérios e a "limitações" no alcance do saber que são. mas explícita. exigiria uma despesa de energia no discurso sobre a validação de enunciados com valor como mínimo equivalente àquela que consome o sistema a ser leis. e sim considerar-se a ciência uma relação. quando os finan. do Com a mecânica quântica e a física atômica.. A ciência se desenvolve. Pois é a própria ciência grandemente introduzida na discussão da performance. e ela nos interessa particularmente por- nova hipótese. sob a condição que saber científico que é ela. entre timado. a relação sempre calculável em princípio en- como positivista e condenada a este conhecimento ilegi. a definição do estado inicial de um vismo lógico não foi senão um episódio. que por conseguinte sua evolução O que vale o seu "o que vale"?'87 delineia uma trajetória previsível e dá lugar a funções Como já se disse. obede- tão. Viu-se que esta inclusão não é uma operação simples. de Laplace:'90 de posse de todas as variáveis que deter- donde a simultânea renovação dos discursos e das gera. e ninguém con. pós-moderno é a imanência a si mesmo. e não a filosofia ticularmente em matéria de teoria social: a noção de sistema. É uma idéia que vem da termodinâmica. estabelecer um mapa perfeitamente preciso do império. Esta suposição é testa que ela se desenvolve. a eficiência não é visada por si mesma.189 Mas a transformação da di- ciadores se interessam enfim pelo caso. chegar ao teorema de Godel é um verdadeiro paradigma ela vem por acréscimo. A pesquisa metamatemática que se desenvolve até IIÍO. ). por vezes tarde. isto é. in- E esta mesma questão. questão.l86 Mas. prever o seu estado no instante t' > t. de todas as variáveis independentes. cance. E isto de dois passar ao final do século XIX. desta mudança de natureza. par- que a si mesma levanta esta. desenvolvendo-se. é a questão da legitimidade. uma espírito científico. uma nova observa. um novo enunciado. A idéia de performance implica a de sistema com O que está ultrapassado não é perguntar-se o que estabilidade firme. porque repousa sobre o princípio de é verdadeiro e o que é justo.'88 O que pôde tensão deste princípio deve ser limitada. se ela o saber ergueu-se pela inclusão no discurso filosófico do devesse ser efetiva.

e então a densidade tornar- Além disso esta limitação não coloca em causa senãp se-á muitos milhões de vezes superior à da água. Aqui. a densidade verdadeira do ar e asfixiam-se ao mesm6 tempo que a si mesmas (feedback é nula. como a den- O determinismo clássico continua a constituir o limite. as variações atingem a mitir melhorar suas performances. dem de l/lome de mícron cúbico. Contudo. Por outro lado.' a ausência de controle.resultado é a ruína do país: a população inteira consagra dade da ordem do milhar. sendo n muito volume da esfera passa de 1. mas contido numa esfera. na proporção de uma vez sobre mil. apro- negativo). comparável ao que se chama de densidade verdadeira do tes humanos que as levanta con. elas em relação à contradição: ela faz cair o desempenho que são da ordem da quinta parte.000m3 a lcm3. Jean Perrin propõe o exemplo da medida da numa asserção simples. A busca da precisão não se choca com um limite mente incompatíveis entre si. a da liberdade dos agen. ).193 os precedentes. em determi- diminua à medidà que a precisão aumente: ela aumenta nadas escalas. que se produzem irregularmente. isto é. e não se tornam compatí- devido ao seu custo. cartogra f'la. que diz" a "natureza" parece originar-se de um jogo de 102 103 . no en- inicial. portanto uma multiplicidade de enunciados que são total- visível. salvo em certas posições muito raras excessivamente caro. gás. a impor- Com o argumento de Brillouin. que deve per. sidade verdadeira. mas numa asserção modalizad~ do densidade verdadeira (quociente m'assa/volume) do ar tipo: é plausível que a densidade seja igual a zero. Uma vez em um milhão de casos.. a. a esférula tem siva. declara elevar. que implica a definição precisa do seu estado densidade nula. Se a esférula encontra-se no vazio en- sufocam os sistemas ou . culo ou no núcleo do átomo."I94 A teoria quântica e a microfísica obrigam a uma re. Se se desce a dimensões intra-atômicas. Esta inconsistência explica em particular a Diminuindo ainda mais o volume. to d a a sua energla. escolhida pelo enunciador. O conhecimento relativo à densidade do ar abrange visão muito radical da idéia de trajetória contínua e pre. a relação do enunciado do cientista com "o var neste intervalo o aparecimento de variações de densi. densidade média retomará logo e será nula. mas à natureza da matéria. Ela varia sensivelmente quando o não exclui que ela seja da ordem de 10". tância destas variações aumenta: para um volume da or- gia) do controle perfeito de um sistema. 191 À medida que o volume da esfera se contrai. porque esta definição não tanto. "Se a a efetividade de um saber preciso e do poder que dele esférula se contrair ainda mais ( . Sua possibilidade de princípio permanece intacta. o centro da esférula "cairá" no interior de tem necessidade de recorrer a uma outra legitimação a não uma molécula. atinge-se a ordem fraqueza das burocracias estatais e sócio-econômicas: elas do raio molecular.192a idéia (ou a ideolo.tra uma autoridade exces. pouco de lcm3 a l/l.por exemplo. tre duas moléculas de ar. ela varia muito elevado. do conhecimento dos onde ela atingirá valores colossalmente mais elevados que sistemas. O interesse de uma tal explicação é que ela não ximadamente. Admitindo-se que a sociedade seja um sistema.. provavelmente a resulta. para l/loome de mícron cúbico.ooome de mm\ mas já se pode obser. e a densidade média neste ponto é então ser a do sistema . Não é veis a não ser que sejam relativizados em relação à escala verdade que a incerteza. seu todas as chances de se encontrar no vazio. novamente com controle. seu centro pode se encontrar situado num corpús- pode ser efetuada. o enunciado desta medida não se resume também. mas concebível.os subsistemas sob seu controle. mostra-se inconsistente ordem do milésimo. não pode ser efetivo.

Mas amplia-lhe o adversário (a "natureza").. diante da do cientista: o ligação telefônica. as curvas que não têm tangente imagem que se tinha do supremo Determinante). pode-se mostrar formalmente que a dimen- 104 105 . são casos interessantes. e sim saber que jogo ele joga. a uma sidade abstrata.2ooela possui uma homo- os teóricos do sistema. inclusive mista. a dis- referente.informação não completa. vetor do deslocamento da partícula a partir de um ponto reza" no primeiro caso é o referente. mação. as turbulências em geral. sendo o homem o Bretanha. não Mandelbrot col~ca suas pesquisas sob a autoridade pode ser obtida. Mas reaparece o mesmo problema na escala habitual ciados denotativos que são os lances que eles fazem uns se. Se ele são a regra. falando. no. enfim. . Mandelbrot mostra que a figura apresentada por este sica.que põe novamente em causa a medida pre- é calculável é a chance ~e que est~ enunciado diga isto e cisa e a previsão de comportamentos de objetos segundo não aquilo.195 E~. isto é. ela vale para a maioria dos dados experi- escolha ela mesma deixada ao acaso entre várias estraté. A questão não é a de conhecer o que é o do texto de Perrin que comentamos.197Isto significa em termos pragmáticos que a "natu. mas tão cons. isto é. Dir-se-á que estes problemas concernem a microfí. a forma das acaso com o qual este se choca então não é de objeto ou nuvens. as "rajadas" de ruídos numa uma estratégia. no entanto. salgado apresentam tais infractuosidades que é impossível Em geral. se se prefere uma regularidades estatísticas "suficientes" (tanto pior para a linguagem geométrica.198 das coisas que não sofreram a uniformização imposta pela isto é. e que eles permitem o estabelecimento de funções gênero de dados as aproxima de curvas correspondentes contínuas suficientemente semelhantes para permitir uma às funções contínuas não deriváveis. a escala humana.. desenvolve tribuição da matéria estelar. um Jogo . culo. agonístico. enquanto no segundo caso. singular tos. vada. e as curvas bem regulares. admite-se que a nat)Jreza é um adversário para o olho fixar uma tangente em algum ponto de sua indiferente. isto é. "As funções de deri- Einstein se revoltava com a idéia de que "Deus joga da. • 196 glas puras pOSSlvelS. a respeito do qual os cientistas trocam os enun. escreve ele. com maior capacidade de desempenho. é isótropo. os "acasos primários" que a ciência encon. são as mais simples. que' permite esta be 1ecer tratar. mudo. mas não astuto. que todas as direções possíveis são igual- tante quanto um dado lançado um grande número de mente prováveis. se quiser medir com precisão a costa da aos outros. Um modelo simpli- boa previsão probabilista da evolução dos sistemas. e distingue-se as ciências da superfície. por exemplo. mas de comportamento ou de estratégia. as mais fáceis de dos. a maioria dos contornos e das distribuições de indiferença. ou. mas muito especiais. mão dos homens. O modelo é dado aqui pelo movimento brownia- natureza e as ciências do homem com base nesta dife. Todavia. acreditam ter reencontrado seus direi- primeiro exprime o fato que o enunciado efetivo."l99 tra deveriam ser imputados não mais à indiferença do A constatação não tem um simples interesse de curio- dado em relação às suas faces. A modalização do enunciado do pela performance. vê-se delinear na matemática contemporânea (o token) que proferirá a segunda não é previsível. são no entanto a exceção. mentais: os contornos de uma bolha de água de sabão • . Assim. No nível microfísico. a superfície da Lua coberta de crateras. O que uma corrente . uma "melhor" infor. alcance numa perspectiva inesperada. vezes. tais como o cír- jogava bridge. mas à astúcia. é também um parceiro que. que são também os da legitimação tetia interna. ficado seria a curva de Von Koch. e sabe-se que uma de suas propriedades é de que o rença.

mensurabilidades" até o domínio da pragmática das difi- Thom mostra que se pode escrever a equação desta culdades mais cotidianas. as duas serão aproximadas ao .203O determinismo é uma es- Os trabalhos de René Thom201 seguem um sentido pécie de funcionamento que é ele mesmo determinado: análogo. os dados iniciais 10cais. sobre o determinismo ou não. Tem-se o direito de dizer variáveis de controle e de variáveis de estado (aqui 2 + 1). Eles interrogam diretamente a noção de sistema a natureza realiza em qualquer circunstância a morfologia estável. O aproximação. traduz-se em ataque.20s Existem mais chances de que as variáveis de Seja a agressividade como variável de estado de um· controle sejam incompatíveis que o contrário. já que A idéia que se tira destas pesquisas (e de muitas existem duas variáveis de controle e uma de estado) que outras) é de que a preeminência da função contínua de determina todos os movimentos do ponto representando derivada como paradigma do conhecimento e da previsão o comportamento do cão. e entre eles a passagem brusca está em vias de desaparecer. encontra aqui uma saída. ela cresce na função direta de sua raiva. que estes dados impeçam a estabilização de uma descrever como descontinuidades podem se produzir for. notadamente na aplicação da paradoxologia ao crescem juntas. variável de tem assim senão "ilhas de determinismo". O antagonismo controle. que é determinado pelo número de inteiro mas o log 4 / Jog 3. é ver- raiva nem medo. Mas. número de variáveis em jogo.. Ela permite compreender a extensão destas sistema é chamado instável: as variáveis de controle va.202 Supondo que esta seja mensurável. clito. che. a conduta do cão é neutra (vértice da dade) dos trabalhos de Thom nas pesquisas da escola de curva de Gauss). . estudo da esquizofrenia. Interessando-se pelos inde- de um comportamento a outro. e que ela é portanto intuiti. e é mesmo mais Thom estabelece a linguagem matemática que permite freqüente. descontinuamente. que se definem pelo gunda variável de controle. pai de todas as coisas. É porque que Thom formula em um postulado: "O caráter mais sua dimensão pertinente de homotetia é uma fração que ou menos determinado de um processo é determinado pelo Mandelbrot chama estes objetos de objetos fractais. estado local deste processo. gras da agonística geral das séries. que é pressuposta no determinismo laplaciano e local menos complexa. chegando catastrófico é a regra. O medo. pelos quanta. e inversamente. terá o efeito inverso.204Mas é possível. instabilidade e desenhar o gráfico (tridimensional. segundo Berá- catástrofes.são de homotetia sobre a qual ela é construída não é um um tipo de catástrofe. se as duas variáveis de controle PaIo Alto. modelo das catástrofes reduz todo o processo causativo a um único. forma. Sem Pode-se encontrar uma repercussão (atenuada. mensões" está entre 1 e 2. no sentido próprio: existem as re- a determinado limite. gando a determinado limite. nos limites da precisão do controle. Pois elas estão freqüentemente em conflito: "O malmente em fenômenos determinados e dar lugar a for. que seja portanto compatível com mesmo probabilista. e.. que tal curva situa-se num espaço cujo "número de di.206 Apenas daremos aqui notícia desta sar bruscamente do ataque à fuga. que é conhecida com o nome de po: a conduta do cão torna-se imprev~sível. Não exis- cão. pesquisas centradas sobre as singularídades e as "inco- riam continuamente. A discussão sobre os sistemas estáveis ou instáveis. e as de estado.. se. se traduzirá pela fuga. ela pode pas. cuja justificação intuitiva não apresenta pro- mas inesperadas: esta linguagem constitui a teoria dita das blemas: o conflito. vamente intermediária entre linha e superfície. Esta equação caracteriza cidíveis. 107 106 . Double Bind Theory.mesmo· tem.

186. Thom. cit. Uma ex- desencadeada pela mecânica quântica. o sentido da palavra saber e diz como esta mudança pode Seguimos aqui I. O texto foi colocado por Mandelbrot como Introdução aos Objets fractals. parte infiel. Forme.208 P or sua parte. jogar está então a utilidade desta teoria? Achamos que a teoria de uma maneira vantajosa variando o seu jogo. "Le grand débat"de Ia mécanique quan. digamos. 92. Ciência e Filosofia. 137-144. B .. por J. loc. Histoire de l'infamie...). cujos trabalhos seguem a mesma direção: "Onde cxiste" (jogos de informação incompleta). loc.. 30. Thom. mas como princípio regulador de uma estrutura de comportamento" (G. paradoxal. 204. 25. d e que eIa gera I'd"elas. 10/18. Viajes de 206. a apresen. Guilbaud. na falta de um código escolhido uma vez por todas. Modeles mathématiques . pelos "fracta". 1961 e 1967... E sugere um modelo· de legitimação que não é de modo J. Ver Objets fractals. Granger. Bom e A. 1951. Perrin. catastrófica. P . G." É: a partir desta dos jogos.Jrincípio constitu- tivo de uma estrutura de objeto. La théorie des jeux. P. é útil no sentido distinção que Von Neumann mostra que esta probabilização da de- cisão é ela mesma em certas condições "a melhor maneira de jogar". por exemplo. Eleménts de Ia théorie mathématique des jeux. 14-22. Produz. I.. Pomian. 115-136. Aubier-Montaigne. N. I bid. e A Year é em princípio alguém que "conta histórias". Libre 4 (1978). 1974. Cage.1êndice (172-183) "esboços bio· gráficos" de pesquisadores em matemáticas e em física reconhecidos 200. P. C. descontínua. 205. cito algum o da melhor performance. Mandelbrot (Les objets fructals. Universidade de São Paulo. A história das ciên- O exemplo é tomado por Pomian de E. Rocher. Muda 1974. I a como para ogla. 1904. 1971. Numa comunicacão à Academia de ciências (dezembro de 1921). mas o desconhecido. 1975) apresenta num A. Stabilité structurelle et morphogenese. cit. Benjamin. La traduction. Times Literary Supplement (10. Heisenberg. Exposition du systeme du monde.. S. por exemplo em Hermes IIl. 24. Indeterminacy. 199.U. Ver sobretudo Watzlawick et aI. P. Physis and beyond. Einstein (1916-1955) K.o spécial Serres) (janvier 1979).. Pensée formelle et sciences de l'homme. Op. I. cit.49. op. "The Geometry cias humanas há um século está repleta destas passagens do discurso of Catastrophe". 14. I & n.. Middletown (Conn. Foi estabelecida por H. Lévy-Leblond. bridge.. preen d'd I ' 207 195. cit . Curva contínua não retificável à homotetia interna. seria antes uma hipótese grega pré-platônica. como toda teoria elaborada. Epstein. Dunod. cit . 196.F. 1 (1979). Th. Les atomes (1913). Os artistas "pós-modernos" empregam corren- que não existe "método científico. op. hasard et dimension. "pode-se perguntar se não é possível. ver por exemplo J. . 4. "A probabilidade reaparece aqui não mais como . a ciên. 1658... Ela é descrita tardiamente ou que ficaram desconhecidÇJs por causa da estranheza por Mandelbrot. 1796. and Immanence". posição acessível ao leigo sobre a teoria das catástrofes é dada por tação da correspondência entre M. Revista Interdisciplinar. pelas catástrofes. tique". Do rigor da ciência. Lerida.F. bibliografia.Aihe from Monday. Essai d'une théorie générale des modeles.. december 1971). Laplace. 187. 189. 190. Citado ture. Como diz muito bem um especialista da teoria dos Borel sugeria qu~ "nos jogos onde a melhor maneira de jogar não jogos. B. pelos paradoxos paradigmáticos. a neguentropia que ela cons- cia pós-moderna torna a teoria de sua própria evolução titui suscita a entropia. La recherche 20 (février 1972~. capo VI. 188. cito por Pomian. Um exemplo célebre é dado pela discussão sobre o determinismo Modeles mathématiques de Ia morphogenese. 1974 (compilação de textos). . antropológico ao nível de metalinguagem.U. M. Reading (Mass. O resumo dado aqui é em pelos conflitos de informação não completa. Prigogine & I. loc. "Catastrophes et déterminisme". A própria informação custa energia. E J. não retificável. à Lucrece". Wesleyan U. Serres faz freqüentemente referência a este argumento. R.21o e que um cientista temente estes conceitos. Ver. não o conhecido. 25. 134. 1960.). 1968. Séris. 191. Stengers. de Leibniz se fazer. loc. Ver nota 142. 17-21. "Jogos". dizia que "ter idéias é o supremo êxito para um cientista". 1970. P. M.P. A nota em questão é atribuída por Borges a Suarez Miranda.Y. von Koch em de suas idéias e malgrado a fecundidade de suas descobertas. Critique 380 (n. Hassan dá uma "imagem" do que ele chama immanence in "Cul· R. Varones Prudentes IV. Zeemann. Silence. "La dynamique. 1972. mas o da diferença com- Citado por W. Minuit. 142). M e d awar 209 Ver G. simplesmente verificá-Ias. Flammarion. Monaco. A idéia de que os deuses jogam... cabendo. Payol.

L. Mas. timação do saber. Théoire des jeux à deux personnes. avril. então. 1969. no sentido de Luhmann. notadamente os capítulos intitulados "Two Conceptions of Science" e "Hypothesis and lmagination". P. P. Breton. 1967. ou então ele é manipulado pelo sistema como uma de suas componentes visando manter e melhorar suas performances. Londres.. o "pequeno relato" continua a ser a forma por excelência usada pela invenção imaginativa. ).. o poder. 1975. e antes de tudo pela ciência. O recurso aos grandes relatos está excluído. enquanto inteligências conhecedoras e vontades li- vres. Feyerabend. não seria o caso. Ou ele é o assentimento dos ho- mens. ). e considera "anarquismo" ou' "dadaísmo" epistemológico contra Popper e Lakatos. Renard. o que legi- tima o sistema. Não vale. É preciso distinguir o que é propriamente paralogia do que é ino- vação: esta é comandada ou pelo menos utilizada pelo sistema para melhorar sua eficiência. B. The Art of the Soluble. tornar desconhecido o conhecido. Against Method. estejam hoje suficientemente desemba- raçados para o nosso propósito. Methuen. Londres. 10). explica isto apoiando-se no exemplo de Galileu. A especificidade da ciência se deve à sua imprevisibili- dade" (Ph. Pandore 3. 111 .B... Dunod.e é sob esta forma que se encontra elaborado por Habermas. portanto. 159.212 Ele constitui o objeto de procedimentos administrativos. obtido por meio do diálogo . de re· correr nem à dialética do Espírito nem mesmo à emano cipação da humanidade para a validação do discurso cien- tífico pós-moderno. O problema é portanto o de saber se é possível uma legitimação que se valesse apenas da paralogia. depois reorganizar este desconhecido num metassistema simbólico indepen- dente ( .2u Por outro lado. Existem duas etapas constitutivas da démarche científica -. N.. Lf. CONVENHAMOS que os dados do problema da legi. 1979. o princípio do consenso como critério de validação tam- bém parece insuficiente. embora esta concepção repouse sobre a validade do relato da emanci· pação -. Rapoport. 6. a não ser como meio para o verdadeiro fim. Medawar.' ed."É preciso distinguir as condições da produção do saber científico do saber que é produzido ( . como vimos. A. aquela é um lance.

nem a sociedade pode ser descrita enunciados que eles propõem. por um lado. o desem- (seção 7). Isto não é nada. pela proposição as decisões do sistema. "livre de toda per- plicar e que se manifeste pela regulamentação de novas turbação". reduzindo. uma componente do sobre o dissentimento. É. elas são como a Objetar-se-á que é preciso levar em conta estas opi- exploração de uma "idéia" tecnológica. o mesmo processo que Thom rão os indivíduos "querer" o que é preciso ao sistema para chama morfogênese. Mas admira-se que venha sempre turbações graves. "jogadores" assumam a responsabilidade não somente dos tido por esta teoria. Luhmann responde. Transposta à discussão científica e colocada numa Não se trata de negar toda força de persuasão à idéia perspectiva de tempo. local. coloca o cálculo das intera- sistemas e o tipo de legitimação que ela propõe não têm nenhuma base científica: nem a própria ciência funciona ções no lugar da definição de essências. Estas últimas não têm que res- de novas regras para o jogo de linguagem científico. Os procedimentos administrativos fa- comportamento científico.argumentação. artís. É preciso ponto. ela é um fator de formação de opacidades. Que. se se prefere. da transmissão do conhecido. 112 . Em relação a um ideal de mesmos mais que sua ausência. exige es- Esta preparação revela claramente que a teoria dos píritos claros e vontades frias. se não se quer correr o risco das per- tica. de que o controle e a dominação do contexto valem em si visibilidade das "descobertas". um processo de "quase-aprendizagem". Exclui em princípio a adesão a um dis- que relega o momento do consenso para mais tarde. O critério do desempenho transparência. As pesquisas que se fazem sob a égide de poder do conjunto. um paradigma213 tendem a estabilizá-Io. dos os indivíduos. da administração da prova. Se se transforma na outra.216 Vê-se de que utilidade as técnicas tele- categorias de catástrofes) mas sua determinação é sempre máticas podem e poderão ser nesta perspectiva. todas as mensagens pudessem circular livremente entre to- e não necessariamente inoportuno para a hipótese. A velocidade é. no menos seus efeitos. aos seus próprios fins. em que elas pareçam se dispor sob o critério de eficiência: Examinemos a este respeito dois pontos da argumen- tação de Luhmann. requer o abandono de fábulas. Coloca em plena luz as funções pragmáticas do saber na medida porânea. uma exigida pela competência do sistema quanto ao poder.215 A redução da complexidade é feito na pragmática dos saberes. a quantidade de informações a se levar em conta para fazer as escolhas pertinentes retardaria con- Se se parte da descrição da pragmática científica sideravelmente o prazo da decisão e. 214 tem "vantàgens".de importância muitas vezes desconhecida de imediato. curso metafísico. esta propriedade implica a impre. faz com que os em sua pragmática segundo o paradigma do sistema admi. portanto. na realidade. mas não necessário. e é este o segundo alguém para desarranjar a ordem da "razão". a ênfase deve ser colocada de agora em diante penho. pelo irão circunscrever um novo campo de pesquisa. que é possível dirigir as aspirações individuais por supor um poder que desestabilize as capacidades de ex. Ele próprio não é sem regras (existem ser eficiente. mas também das regras às segundo este paradigma nos termos da ciência contem. O sistema não pode funcionar senão pragmáticas da . por outro lado. é freqüente. a fim de que elas se tornem compatíveis com normas de inteligência ou. com efeito. quais eles os submetem para torná-Ios aceitáveis. O consenso é um horizonte. econômica. jamais ele é atingido. que peitar as aspirações que devem visar estas decisões. da aprendizagem por ima- ele deve suscitar a adaptação das aspirações individuais ginação. a complexidade. niões moleculares.

219 Eis aí o orgulho dos conhecimento de si mesmos. uma exigência (isto é. Os tecno. se regulamentar sobre a fraqueza.22o Em sobre a natureza da legitimidade das decisões tomadas em princípio ainda. A resposta normal do pesquisador às demandas é.Este comportamento é terrorista. A arro- clara serem suas necessidades. curso cotidiano numa espécie de metadiscurso: os enun. mais desfavorecidos não devem por princípio servir de mas na problemática. em princípio sem equivalente nas 114 115 . jogava com ele. e sua cegueira. comunicação consigo mesma e a partir daí interrogar-se antes. tende a fazer oscilar o dis. tério de poder. justamente neira de satisfazê-Ias. mesmo se eles não provêm do saber canônico. desumanizando-a. por- resulta do sofrimento e sim do fato de que o tratamento que ele desestabilizava muito violentamente posições adqui- deste torna o sistema mais eficiente. conte sua história. regulador ao sistema. de uma unidade com o maior desempenho possível. esta satisfação não pode melhorar porque ele muda as regras do jogo sobre as quais havia suas performances.aber e negligencia as "necessidades" de uma balho para desfazer e refazer suas linguagens são de uma pesquisa ou as aspirações de um pesquisador sob pretexto natureza comparável aos da coletividade social quando. decisores. nem que "a ciência" sofrerá em seu poder se o reexa- Com o risco de escandalizar.'.221 Quanto mais um "lance" é forte.218Neste sentido. por vezes durante decênios. de linguagem que se a humanidade. não pode conhecê-Ias já que estas não são variáveis inde- guagem. dade. minar. ela se conduz como um poder ordinário. encarna o s. mais fácil é recusar-lhe o consenso mínimo. para tornar a huma. Mas é próprio do sis. pode desestabilizar o conjunto. não porque ele é refutado. Mas. As necessidades dos ridas não somente na hierarquia universitária e científica. ele não prejulga que o caso já seja regu- seu nome. o sistema pode relacio- nar a dureza entre as suas vantagens. quando a instituição de saber funciona pesas. A rirem indiretamente à mensagem aliás atualizada que as pragmática científica nos ensina precisamente que esta concerne. O direito não gligenciado ou reprimido. Contribui também para elevar todos os jogos de lin. A única contra-indicação é de que a não-satisfação desta maneira. mas somente tornar pesadas suas des. Naturalmente. não acontece sempre assim na reali- crição) não se legitima pelo fato de proceder do sofri. Não se considera o cientista cujo "lance" foi ne- mento de uma necessidade não satisfeita. lado. Entende-se por terror a a redefinição das normas de "vida:. nenhum cientista interna que a comunidade científica encontra em seu tra. uma forma da pres. sendo já conhecida a ma. Ele se calará ou dará seu assentimento nizá-Ia em outro nível de capacidade normativa. consenso. Ele é contrário à força de cujo comportamento é regulado em homeostasia. Eles "sabem" que ela mesma gância dos decisores. Este "orgulho" significa que eles se identificam com ciados comuns manifestam uma propensão a se citarem a o sistema social concebido como uma totalidade em busca si mesmos e as diversas posições pragmáticas a se refe. No quadro do cri. o eficiência oriunda da eliminação ou da ameaça de elimi- sistema apresenta-se como a máquina de vanguarda atraindo nação de um parceiro fora do jogo. visto que. de que eles não são úteis para a "ciência" como totali- privada da cultura dos relatos. a seguinte: É preciso ver. como o é o do tema suscitar demandas novas que deverão contribuir para sistema descrito por Luhmann. Dá-se mesmo o inverso.217Pode sugerir que os problemas de comunicação identificação é impossível: em princípio. de jogar (existem muitas espécies de privação). ao pendentes das novas tecnologias. mas ameaçado de ser privado cratas declaram não poder fiar-se no que a sociedade de. . deve colocar à prova sua dade.

penho que reJelta para si mesmo? Ou. etc. Ora. universidades. que papel joga ele com crições que regulem o conjunto dos enunciados que cir- relação ao vínculo social? Ideal inacessível de comunidade culam na coletividade. se ela existe na comunidade científica (e existe). É um monstro formado pela im- Ela é um dos principais obstáculos ao desenvolvimento bricação de um emaranhado de classes de enunciados (de- da imaginação dos saberes. como aquele que reina por um momento na comu- formam as sociedades? Ou permanece ele limitado ao jogo nidade científica. com o risco da extinção de toda possibilidade de gos é colocada sob a condição de desempenho. que é melhor chamar metaprescritivos para comporta a diferença com o que é sabido e quando é argu. locutóres. A clivagem entre decisores e executantes. ces dos jogos de linguagem para ser admissíveis). possa abarcar o conjunto das metapres- do conhecimento? E. a ciência em sua que mesmo a discussão de enunciados denotativos exige pragmática oferece o antimodelo do sistema estável. A única legitimação isto que impede a identificação com o sistema e. senão . outros enunciados e outras regras na pragmática científica atual. centros. A pragmática liberalização e de um enriquecimento das interações entre científica está centrada sobre os enunciados denotativos. ou de paralogia "gera as idéias". mas tém-se um enunciado a partir do momento em que ele prescritivos. aceitando para a sociedade o critério de desem. ete. 222 cusa .clencias. que separa os diver- cularmente evidente com a introdução das tecnologias tele. Desde o início deste estudo sublinhamos a diferença petência do sistema em matéria de poder. Isto é parti. neste caso. Não existe na ciência uma metalíngua geral na qual todas as outras podem ser transcritas e avaliadas.) heteromorfos. ria a de que produzirá idéias.de cooperação com os poderes e ingresso na contra- Mesmo a permissividade em relação aos diversos jo. técnicos. hoje se relaciona o declínio dos relatos de legitimação.223 moderno coloca em primeiro plano um "fato" decisivo: é Na medida em que é diversificante. É para que os parceiros aceitem outros. o terror. volta a exercer este terror. A ati- to.). A rede. se- cisores. as regras não são enunciados denotativos. mas o efeito interessante é que isto resultará daí resultando instituições de conhecimento (institutos. ao contrário. isto é. prescritivos. notativos. e prescritivos ou de ação. performativos. jam eles tradicionais ou "modernos" (emancipação da hu- 117 116 . pertence A pragmática social não tem a "simplicidade" que ao sistema sócio-econômico. isto é. sos jogos de linguagem. vos. avaliati- A questão da legitimação generalizada torna-se a se. em novas tensões no sistema. a todos estes jogos de linguagem e que um consenso revi- sas camadas de matéria de linguagem (langagiere) que sável. Ela é um modelo de "sistema aber.. se- bem. Não existe nenhuma razão de se guinte: qual é a relação entre o antimodelo oferecido pela pensar que se possa determinar metaprescrições comuns pragmática científica e a sociedade? É ele aplicável às imen. não somente formal. que melhorarão suas per. tem por função revelar estes tnetaprescritivos (os "pressupostos")226 e de pedir de jogo. não à pragmática científica. re- sas aspirações aos nossos fins.. ou de imaginação. novos enunciados. pensando que ao final das contas torna aceitável esta démarche. cultura. possui a das ciências. É ao abandono desta crença que aberta? Componente indispensável do subconjunto dos de.. mas pragmática. Re. pesquisa por falta de créditos?225 finição das normas de vida consiste na melhoria da com. evitar confusões (eles prescrevem o que devem ser os lan- mentável e provável. regras. Ele diz: Adaptai vos.224no qual a pertinência do enunciado está em que vidade diversificante. Mas seu desenvolvimento pós- formances. notadamente denotativos ou de máticas: os tecnocratas vêem nelas a promessa de uma conhecimento.

vos dando-Ihes as informações de que eles carecem ordi- 118 119 . como dos os jogos de linguagem. É preciso então chegar a uma idéia do sistema do mercado. Orienta-se então para as multi- blema da legitimação no sentido da busca de um consenso plicidades de metaargumentações versando sobre metapres- universal227 em meio ao que ele chama o Diskurs isto é . equívoca: heteromorfos e resultam de regras pragmáticas heterogêneas. e suspeito. Ela comporta então inevitavelmente o terror. A primeira ções sociais. o contrato temporário é favorecido pelo sistema por causa A segunda suposição é que a finalidade do diálogo de sua grande flexibilidade. com efeito. é uma crença que final dos anos 70. consenso. e os "lances" que aí são feitos. culturais. orientar. sendo Compreende-se bem qual é a função deste recurso o principal destes o que revalida a adoção destas.Z28 Esta orientação corresponde à evolução das intera- Trata-se. vas. todos estes esforços con~ribuem para uma' melhor opera- cussões e não o seu fim. devir da Idéia). O segundo é o princípio que. uma eventual anulação. o diálogo das argumentações. isto é. Mas mostramos. Ela pode tornar-se o senso tornou-se um valor ultrapassado. A evolução é. Este é antes a paralogia. vê-se enfim A causa é boa. de '~upor duas coisas. não o é. como ela afeta esta problemática. Pode tam- O reconhecimento da heterogeneidade dos jogos de bém servir os grupos de discussão sobre os metaprescriti- linguagem é um primeiro passo nesta direção. É igualmente a perda desta plica evidentemente a renúncia ao terror. De qualquer modo. e da é o consenso. não parece possível. afeti- regras ou metaprescrições válidas universalmente para to. é o último obstáculo oposto à teoria do sistema estável. sistema. a elaboração do pro. e que a seu seio uma outra finalidade.os. analisando a pragmática efervescência de motivações que o acompanha. Quanto à informatização das sociedades. quando está claro que estes são nos negócios políticos. assim. nem mesmo pru. sexuais. este consenso deve ser Por esta razão. lidade do sistema mas este a tolera.230 O con. obtido por participantes atuais e sujeito a dente. a saber. e a uma prática da justiça que não seja relacionada à do e exclusivamente regido pelo princípio de desempenho. a questão não é propor uma desaparece com esta dupla constatação (heterogeneidade alternativa "pura" ao sistema: todos nós sabem. de seu menor custo. a pes- na argumentação de Habermas contra Luhmann. A jus. instrumento "sonhado" de controle e de regulamentação tiça. que ela será semelhante ao próprio anima ainda a pesquisa de Habermas.229 responsabilidade de suas regras e de seus efeitos. familiares e internacionais. mas os argumentos não o são. suprir por sua pretensão totalizante e exprimir pelo cio se existe consenso sobre as regras que definem cada jogo nismo do seu critério de desempenho.manidade. O Diskurs quisa da paralogia. a do conhecimento dos jo- legitimidade de um enunciado qualquer reside em sua gos de linguagem como tais e da decisão de assumir a contribuição a esta emancipação. porém. ) critivos e limitadas no espaço-tempo. que o consenso não é senão um estado das dis. O que tividade. busca do dissentimento). que supõe e crença que a ideologia do "sistema" vem simultaneamente tenta realizar sua isomorfia. como faz Habernas. onde o contrato temporário suplanta de fato é que todos os locutores podem entrar num acordo sobre a instituição permanente de matérias profissionais. sendo que científica. e ela evidencia em ces" permitidos em todos os jogos de linguagem. Devemos nos alegrar que a tendência ao contrato manidade como sujeito coletivo (universal) procura sua temporário seja equívoca: ela não pertence à exclusiva fina- emancipação comum por meio da regularização dos "lan. neste das regras. abrangendo até o próprio saber. local. Ela im. que a hu.

.naríamente para decidir em conhecimento de causa. Não foi possível no quadro deste estudo analisar a forma que toma cultureIle. ti Alexandre. 35). quer sc trate de pessoas ou de sistema sociais. Einstein et le conflit des générations. Uma política se delineia na qual serão igualmente Ia vie. N. lembra ele. The Conflit of Genera- para favorecer a elaboração. mos com uma obediência negativa. La connaissance de tável. Complexe. Ele cita a utilização do material sólido como amplifi- cador e o desenvolvimento da física dos sólidos. Jaulin.. submissão. 1978). quando ele mesmo não é senão ses 'sérieIles' de l'inconsistant et de I'hétérogene". Canguilhem. . O burocrata fala: "Nós não nos contenta- 214. 1949. t. formada por amigos dos quais nenhum era físico. jogo de linguagem por um: Seja livre. "A legitimação das decisões implica fundamentalmente um pro.P. mas confiança da sociedade na eficiência do Estado. Feuer. isto deve ser resultado de sua própria vontade. "Le mythe tech- nologique". cit. The dos. como quer. cit. nem mesmo com a mais abjeta tástrofe) não provém de modo algum da dialética hegeliana.f. 228 sq.231 Os jogos de linguagem serão então jogos de infor· Organizatioll\full.. cito 222. I'lon. 151-152) opõe o estilo escrito e o estilo oral dos agrupamos aqui sob o nome de paralogia. cit. a não ser cembre. E conclui: "Scientists are building vem eles em sua conclusão: "A sociedade à qual ela [a dinâmica explanatory structures. quando é mais que é a reserva da língua em enunciados possíveis. vel". loco cit. 203-207. cit. contemporânea. O primeiro deve ser "indutivo" sob pena de não ser 212. Haudricourt. Escre. o antimétodo. Ver o subsistema político e administrativo pode reestruturar as aspirações sobre estes paradoxos J.) nota que a sociedade não pode saber senão respeitados o desejo de justiça e o que se relaciona ao das necessidades que experimenta no estado atual de seu meio tec- desconhecido. de W. Nora e Mine atribuem por exemplo à "intensidade do consenso so. Critique 379 (dé- um subsistema? Este segmento não terá uma ação eficaz.. como: My que este país obtém em matéria de informática (op. cit. loco cito tico aberto. Brace. e em geral tudo o que nós 220. E." (1984. 219. é bastante simples em princípio: é a de que o público 216. S. Queira o que você É um aspecto da questão geral: Como as aspirações mudam. Ele é analisado por Watzlawick et ai. normal ("Li:: normal et le patologique" [1951]. GaIlimard. Reacon. La foule solitaire. "La technologie 211. como diz G.Y. ver L. também jogos de soma não nula e. Arthaud. 1155-1173. ou ainda. David (art. Rey-Debovc (op. Mas eles serão l'organisatioll.. Minuit. t.. xelas. Encontra-se uma articulação desta hipótese nos estudos mais antigm tenha aces!>olivremente às memórias e aos bancos de da. No sentido de Kuhn. 1979. mostra que esta espécie de funcionamento (por ca. a localidade. traducão francesa. L'homme de mação completa no momento considerado." 213. Bru- e bloqueia-se. supõe sua existência tions (1969). Whyte.f. 1%6. Histoire des techniques. 4). 49-55. A crítica desta "regu- lamentação negativa" das interações sociais e das necessidades pelo objeto técnico contemporâneo é feita por R. nutre-se da perda de acadê~ica. 218. de um consenso. Como sublinha Moscovici no seu prefácio à arf. t. se não consegue adquiri-Io" (op.) O paradoxo se exprimiria em cesso afetivo de aprendizagem que seja livre de toda perturbação. "a Relatividade nasceu numa 'academia' nada desestabilizar e enfraquecer as administrações. Y. ele relaciona uma lista de cial" que eles consideram próprios à sociedade japonesa os sucessos expressões correntemente entendidas nos laboratórios. cit. Salall. de Marcuse. Cambridge (Mass. telling stories ( . levado em consideração. results don't make a story yet. 368. O autor cita A. 1964. 1950.). Yale D. 1959. nológico.. G. essai de méthodologie". Harcourt & 215. 1968. Ora. Hachette. One Dimensional Man. d.. J.. Wittig. The Lonely Crowd. op. Bos- ton. Medawar (op. de discurso indireto ou de conotação autonímica na língua cotidiana ções de equilíbrio mínimos. de D. art. nesse sentido.." (Legitimation linha a seguir para fazê-Ia bifurcar neste último sentido durch Verfahren.. Stourdzé. Revue de l'entreprise 26 (n.f. ). "Geneses 'actuelles' et gene- da sociedade graças às decisões. Pomian.. do segundo. "o homem não é verdadeiramente tos (ou informações) e a reserva de conhecimentos. cit. Simon & Schuster. M." de uma informatização social extensa] conduz é frágil: construída 221. E.. in B.Y. o retorno do relato nos discursos de legitimação tais que: o sistemá. 1952. é inesgo. por esgotamento das disputas.skis. N.. que são a não ser quando é capaz de muitas normas. 1950. mars 1979). Quando finalmente vocês se renderem a nós. L'homme unidimensionel. GilIe. É o paradoxo de OrweIl. "o discurso indireto não é confiá- Pois as disputas serão então constituídas por conhecimen. cientistas. Ora. op. 1956. Reinman. as dis- 217. Para um exem~lo célebre. H.o spécial "L'ethnotechnologie". É próprio da ciência fundamental descobrir propriedades desconhecidas que vão remodelar o meio técnico e criar necessidades imprevisíveis. 210). A se for capaz de construir novas aspirações nos outros sistemas exis- tentes. insiste sobre o fato de que a tendência atual a desregular. 125). apel1as engenheiros e filósofos amadores..) nota a multiplicação dos vestígios cussões não correrão o risco de se fixar jamais sobre posi. cit.

Mas e a sabotagem informática. Raison et légitimité.ürer do pensamento de Habermas. J. 1979. da normalização das leis. cit." Ver também os dossi& e as aná- lises reunidas em lnterférences 1 e 2 (hiver 1974. loco cit.223. sobre as rádios 224. 231. 1979. 1 mars 1979. cujo tema é a formação de redes populares de comunicação ção de massa na sociedade francesa segundo N~ra e Minc (op. da universali- dade ideal (a "natureza supra-sensível") que serve de horizonte ao segundo. G. do prazer e da dor. 9). printemps 1975). A municipalidade de Yverdon (Cantão de a da Ciência e do Dinheiro? Vaud). Ver a descrição das tensões que não deixará de criar a informatiza. sobre as rádios-piratas (antes do seu desenvolvimento na Itália)." Vê-se que a problemática circuns- crita desta maneira. Parte V. ) os conhecimentos pessoais mento). 22.O. em 1981) estabeleceu um certo número de regras:· competência ex- 226.. Esta objetividade e esta legitimi- dade asseguram a comunidade (Gemeinsamkeit) essencial à consti- tuição do mundo vivido social. Após a separação da Igreja e do Estado. Salanskis. Cf. cpntrariamente à crítica kantiana que dissociava a universalidade conceitual. e. 230. op. por outro lado. Poulain. lado. 7. do querer. Minuit. papel em Quebec.. Ibid. O conceito de sistemático aberto constitui o ob· informática nos condições do trabalho redacional na imprensa. de um lado pressunõe a iden- tidade das legitimações para o sujeito do conhecimento ee para o sujeito da ação. as necessidades e' os sentimentos em de sua ficha (cinco centenas).. tence à problemática de O. ela mantém o consenso (Gemeinschaft) como único horizonte possível à vida da humanidade." 229. cit. por outro media 18.. sobre o impacto da dos sistemas abertos. acessibilidade de 227. 228. sobre clama no mesmo espírito "leigo". por exemplo 146: "A pretensão normativa à validade é ela mesma cognitiva no sentido de que ela supõe sempre que ela poderia ser admitida numa discussão racional. art. e a quem (La semaine e as normas que não têm uma pretensão à universalidade. de corrigi-Ias. L. isto é. para uma discussão mais geral da pragmática de Searle e de Gehlen. lnformatique et libertés. sobretudo 23-24: "A linguagem todos os dados a todo cidadão sobre sua solicitação (contra paga- funciona como um transformador: ( . sobre os fichários administrativos. e. sobre o monopólio IBM. Ver também do mesmo autor. Critique. após ter votado a compra de um computador (operacional. cito a quem e sob que condições eles são comunicados. 1978. É pelo menos uma das maneiras de compreender este termo que per. "Les 'pieges libertici- des' de l'informatique". a discussão comunitárias nos Estados Unidos e no Canadá. in Métacritique. 117-148... a universalidade. La Documentation française. multimédia: sobre os radioamadores (e notadamente sobre o seu Apresentação) . 1975. a lógica de segurança que produz a automatização da sociedade. Kortian. A subordinação dos metaprescritivos da prescrição. em outubro de 1970. de formular a seu res- expectativas normativas (comandos ou valores). M. 225. . Ducrot. e as expressões que dados a seu respeito são comunicados. direito de todo cidadão de saber (a pedido) tenção. faz o exame crítico deste aspecto aufkZ. Ver J. de um lado. op. jeto de um estudo de J. cit. Rapport au gouvernement. Poulain.. apropriada ao primeiro. Universalidade quer dizer objetividade do conhecimento e le- gitimidade das normas em vigor. Le Monde diplomatique 300 (mars 1979): estas armadilhas são "a aplicação da técnica dos 'perfis sociais' à gestão de massa das populações. Esta transformação peito uma reclamação ao conselho municipal e eventualmente ao estabelece a diferença importante que separa a subjetividade da in· Conselho do Estado. direito de todo cidadão de tomar conhecimento dos dados transformam-se em enunciados.) re. ao Diskurs.. Ver Tricot et aI. Phi zéro. Uni- versité de Montréal. "Pragmatique de Ia parole et pragmatique de Ia vie".. cit. 5-50. a da ciência e do Estado. "Le discours philosophique et son objet". passim. por ocasião do affaire do F. nota 28. clusiva do conselho municipal para d'ecidir que dados são coletados. é explícita.1 (septembre 1978). em Watzlawick et al. J oinet. Ver nota 181. bloqueando a questão da legitimidade sobre um tipo de resposta. e do "Front commun" em maio de 1972).L. e nota do tradutor. Le systématique ouvert. Feyerabend (op.