CAPÍTULO I

LINHAS INTRODUTÓRIAS

1- DIREITO PROCESSUAL PENAL
1.1 CONCEITO E FINALIDADE

Frederico Marques – “é o conjunto de princípios e normas que regulam a
aplicação jurisdicional do direito penal, bem como as atividades persecutórias da
Polícia Judiciária, e a estruturação dos órgãos da função jurisdicional e respectivos
auxiliares”.

O processo penal deve ser compreendido de sorte a conferir efetividade ao
direito penal, fornecendo os meios e o caminho para materializar a aplicação da pena ao
caso concreto. Deve-se ter em vista que o jus puniendi concentra-se na figura do
Estado. Essa característica não se modifica quando se cuida de ação penal privada, eis
que aqui o querelante passa a figurar como substituto processual.

No que tange à finalidade do direito processual penal, ela pode ser dividida em
mediata e imediata: aquela diz respeito à própria pacificação social obtida com a
solução do conflito, enquanto a última está ligada ao fato de que o direito processual
penal viabiliza a aplicação do direito penal, concretizando-o.

2- ENTENDENDO O TEMA

2.1 INTERESSE

É o desejo, a cobiça, a vontade de conquistar algo. O interesse indica uma
relação entre as necessidades humanas (que são de variadas ordens) e os bens da
vida aptos a satisfazê-las.

2.2 PRETENSÃO

É a intenção de subordinar interesse alheio ao próprio.

2.3 LIDE

A lide surge do conflito de interesses qualificado pela pretensão resistida. No
embate criminal, teremos, de um lado, a pretensão do Estado de fazer valer o direito
material, aplicando a pena ao caso concreto, e, de outro, o status libertatis do imputado,
que só pode ser apenado após o devido processo legal. Pressupõe-se, portanto, uma
resistência necessária do réu.

É bastante controvertida a questão sobre a existência de lide no processo penal.
Isso porque a presença de interesses antagônicos seria precipitada, já que a acusação e a
defesa estariam em busca do mesmo interesse, que é a realização da justiça. No
processo criminal a figura do Ministério Público, preocupada com o justo provimento,

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e não com a condenação desmedida, estaria no mesmo sentido da pretensão defensiva,
buscando a adequada aplicação da lei penal.

Em razão da nulla poena sine iudicio, o processo penal é ferramenta necessária
e incontornável, já que os interessados têm no judiciário o órgão canalizador da
aplicação do direito punitivo, e a “necessidade do contraditório como meio mais
eficiente para a descoberta da verdade” acaba por ratificar a dependência processual
para resolver a pretensão que nasce insatisfeita. Por essa razão, a ação penal é uma
ação necessária, quando se pensa na efetivação da pretensão punitiva.

O réu não pode voluntariamente submeter-se à pretensão acusatória, ressalvada a
possibilidade da transação penal, no âmbito da justiça consensual. Da mesma maneira,
se o réu confessar o crime, ou se o Ministério Público requer a absolvição, isso não é
suficiente para que o processo chegue ao seu final de maneira precipitada. É necessário
cognição exauriente do manancial probatório para formação do convencimento do
julgador, já que estamos diante de bens jurídicos indisponíveis, e a lide deve ser
vista de forma acidental, secundária, e despicienda para o exercício jurisdicional
em matéria criminal. Não é outra a posição de Afrânio Silva Jardim, que entende que a
lide é prescindível ao processo; o que é indispensável é a pretensão do autor
manifestada em juízo, exteriorizada pelo pedido e delimitada pela causa de pedir.

2.4 AÇÃO

Na senda da doutrina processual majoritária, Antônio Paganella Boschi sustenta
que “a ação é o direito subjetivo público de mover a jurisdição”, explicando que o
poder de mover a jurisdição pode ter natureza de direito subjetivo público, nas ações
de iniciativa privada ou de dever jurídico, nas ações públicas.

2.5 PROCESSO

É o instrumento de atuação da jurisdição. Contempla um elemento constitutivo
objetivo, qual seja, o procedimento, que é a seqüência de atos concatenados a um
objetivo final. O provimento jurisdicional e um elemento constitutivo subjetivo, que é
a relação jurídica processual entre os sujeitos que integram o processo.

2.5.1 Pressupostos processuais

a) Subjetivos:

 Relativos ao juiz:

 Investidura: é a necessidade de estar investido no cargo em conformidade
com a Constituição e a legislação em vigor;
 Competência: é o limite legal dentro do qual o órgão jurisdicional poderá
atuar;
 Ausência de suspeição: é a imparcialidade necessária para o exercício da
jurisdição.

 Relativo às partes:

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 Capacidade de ser parte: é a capacidade de contrair obrigações e exercer
direitos. Para haver capacidade de ser parte passiva no processo penal, é
preciso que o agente tenha idade igual ou superior a 18 anos, considerada à
época da ocorrência dos fatos narrados na denúncia;
 Capacidade de estar em juízo sozinho: refere-se a necessidade de
assistência e representação daqueles que não gozam da plena capacidade.
 Capacidade postulatória.

b) Objetivos:

 Extrínsecos: ausência de fatos impeditivos para o regular tramitar
procedimental.
 Intrínsecos: regularidade formal.

3- SISTEMAS PROCESSUAIS

3.1 SISTEMA INQUISITIVO

 Concentra em figura única (juiz) as funções de acusar, defender e julgar;
 Não há contraditório ou ampla defesa;
 O procedimento é escrito e sigiloso;
 O julgador inicia de ofício a persecução, colhe as provas e profere decisão;
 O réu, mero figurante, submete-se ao processo numa condição de absoluta
sujeição.

3.2 SISTEMA ACUSATÓRIO

 É o adotado no Brasil.
 Tem por características fundamentais: separação entre as funções de
acusar, defender e julgar, conferidas a personagens distintos.
 Os princípios do contraditório, ampla defesa e da publicidade regem todo o
processo;
 O órgão julgador é dotado de imparcialidade;
 O sistema de apreciação das provas é o do livre convencimento motivado;

É de se ressaltar, contudo, que não adotamos o sistema acusatório puro, e sim o
não ortodoxo, pois o magistrado não é um expectador estático na persecução, tendo,
ainda que excepcionalmente, iniciativa probatória, e podendo, de outra banda,
conceder habeas corpus de ofício e decretar prisão preventiva.

IMPORTANTE!!! É de se destacar que a existência do inquérito policial não
descaracteriza o sistema acusatório, pois se trata de uma fase pré-processual, que visa
dar embasamento à formação da opinio delicti pelo titular da ação penal, onde não há
partes, contraditório ou ampla defesa.

3.3 SISTEMA MISTO OU ACUSATÓRIO FORMAL

Tem raízes na Revolução Francesa. Caracteriza-se por uma instrução
preliminar, secreta e escrita, a cargo do Juiz, com poderes inquisitivos, no intuito da

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colheita de provas, e por uma fase contraditória (judicial) em que se dá o julgamento,
admitindo-se o exercício da ampla defesa e de todos os direitos dela decorrentes.

Dissecando toda a persecução no sistema misto, temos:

 Investigação preliminar, a cargo da polícia judiciária;
 Instrução preparatória, patrocinada pelo juiz instrutor;
 Julgamento: só este último, contudo, sob o crivo do contraditório e da ampla
defesa.

4- FONTES
4.1 CLASSIFICAÇÃO

a) Fonte de produção ou material – é aquela que elabora a norma. No Brasil, a
competência para legislar sobre direito processual penal é da União. Contudo, o
paragrafo único do art. 22 da CF, permite que através de lei complementar seja
atribuída aos Estados-membros à competência para legislarem sobre processo penal, em
questões específicas de direito local.

Obs. Já em relação ao direito penitenciário e procedimentos, a competência para
legislar é concorrente da União, Estados e Distrito Federal.

Vale destacar ainda que o Presidente da República pode legislar, via Decreto
sobre o indulto, sendo-lhe vedado, entretanto, por medida provisória, legislar
acerca de direito penal e processual penal.

#E se o Presidente, ignorando a imposição constitucional, editar medida provisória
em favor do réu? Nesse caso, consoante LFG, tal hipótese deve se aplicar normalmente
o novel diploma, rejeitando somente a medida provisória em desfavor do imputado. Na
realidade, a idéia de que todo e qualquer fato deve ser interpretado favoravelmente ao
acusado é um dogma que tem a pretensão de suplantar a efetividade da Constituição e
que confunde vigência com validade. Se um enunciado normativo é promulgado em
descompasso com aquela, é porque é inválido, não obstante vigente.

b) Fonte formal ou de cognição – é aquela que revela a norma.

 Imediata ou direta – leis e tratados.

Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem
aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos
votos dos respectivos membros, serão equivalentes as emendas constitucionais.

 Mediatas, indiretas ou supletivas – desdobram-se em costumes e princípios
gerais do direito.

Costumes – é o que se costuma chamar de praxe forense. É uma regra de
conduta praticada de modo geral, constante e uniforme, com a consciência de sua
obrigatoriedade. É justamente a consciência da obrigação de cumprimento que
diferencia o costume do mero hábito.

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Os costumes classificam-se em:

 Secundum legem – ratificam e sedimentam o disposto em lei.
 Praeter legem – viabilizam a supressão de lacunas na lei.
 Contra legem – são aqueles que contrariam a lei. Em outras palavras, o
costume passa a considerar a lei revogada. Lembre-se, contudo, que o
costume, apesar da classificação esboçada, não tem o condão de revogar
dispositivos legais.

Princípios gerais do direito – são premissas éticas extraídas da legislação e do
ordenamento jurídico em geral. São estabelecidos de acordo com a consciência ética do
povo.

No processo penal, o princípio geral favor rei possibilita a construção indutiva
de regras gerais para a solução de casos não regulados expressamente.

5- ANALOGIA
5.1 CONCEITO

A analogia é forma de auto-integração da lei. Pela analogia, aplicamos a um
fato não regido pela norma jurídica, disposição legal aplicada a fato semelhante (ubi
eadem ratio, ubi idem ius). Afinal, onde existe a mesma razão, deve ser aplicado o
mesmo direito.

IMPORTANTE!!! Ao contrário do que acontece no direito penal, no âmbito do qual
não pode ser utilizada em prejuízo do réu, na esfera processual ela goza de ampla
aplicação.

Todavia, deve-se interpretar com reservas a admissibilidade da analogia quando
se trata da restrição cautelar da liberdade, ou quando importe em flexibilização de
garantias, o que seria intolerável à luz da Constituição Federal.

5.2 ESPÉCIES

 Analogia legis – em face da lacuna da lei, aplicamos a norma positivada
que rege caso semelhante;
 Analogia iuris – são aplicados princípios jurídicos ante a omissão da lei.

IMPORTANTE!!! Interpretação progressiva, adaptativa ou evolutiva. O direito é
dinâmico e os fenômenos sociais não estão estanques, exigindo do intérprete o esmero
na atualização dos diplomas normativos, pois a realidade o impõe, dando-se efetividade
à norma não trabalhada ou não modernizada pelo legislador.

6- A LEI PROCESSUAL PENAL NO TEMPO
A lei processual penal, uma vez inserida no mundo jurídico, tem aplicação
imediata, atingindo inclusive os processos que já estão em curso, POUCO
IMPORTANDO SE TRAZ OU NÃO SITUAÇÃO GRAVOSA AO IMPUTADO,
em virtude do princípio do efeito imediato ou da aplicação imediata. Destarte, os atos

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anteriores, em decorrência do princípio do tempus regit actum, continuam válidos
e, com o advento de nova lei, os atos futuros realizar-se-ão pautados pelos ditames
do novo diploma. Por imperativo constitucional, há de ser respeitado o direito
adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.

#E se a lei for híbrida, trazendo preceitos tanto de direito processual quanto de
direito material? Como não pode haver cisão, deve prevalecer o direito penal. Se
este for benéfico, a lei será aplicada às infrações ocorridas antes da sua vigência. O
aspecto penal retroage, e o processual terá aplicação imediata, preservando-se os atos
praticados quando da vigência da norma anterior.

Já se a parte penal for maléfica, a nova norma não terá nenhuma incidência aos
crimes ocorridos antes de sua vigência e o processo iniciado, todo ele, será regido pelos
preceitos processuais previstos na antiga lei.

IMPORTANTE!!! Ab-rogação é a revogação total de uma lei por outra. Derrogação é
a revogação parcial.

Obs. A lei pode ser revogada ainda que esteja em curso o período de vacatio legis.

7- A LEI PROCESSUAL PENAL NO ESPAÇO

A aplicação da lei processual penal pátria é informada pelo princípio da
territorialidade absoluta. Logo, tem aplicação a todos os processos em tramite no
território nacional (locus regit actum).

Excepcionalmente, porém, a lei autoriza a incidência de outros diplomas
normativos:
I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional;

Os tratados, as convenções e as regras de direito internacional – hipótese de
exclusão da jurisdição pátria, dando prevalência à própria ordem internacional, onde
infrações aqui ocorridas não serão julgadas em território nacional, como acontece com a
imunidade diplomática, positivada na Convenção de Viena.

Obs. Agentes diplomáticos aqui acreditados, como embaixadores, secretários de
embaixada, bem como seus familiares, além dos funcionários de organizações
internacionais, tal qual a ONU, terão a aplicação da lei material do seu respectivo
país, e por via de conseqüência, o processo lá tramitará.

Já o cônsul, segundo entendimento do STF, só tem direito a imunidade se os
fatos delitivos decorrerem do desempenho de suas funções.

IMPORTANTE!!! Tribunal Penal Internacional. Tem jurisdição subsidiária,
apenas quando o país competente não faça valer a lei penal, especialmente nos crimes
de guerra e contra a humanidade.

Para o autor, a entrega ao TPI não se confunde com a extradição, já que esta
última é a entrega da pessoa ao país estrangeiro com jurisdição para imprimir a
reprimenda ao caso concreto, por ter atribuição para tanto. Já o TPI integra a própria

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arts. indicando vasta doutrina. Jurisdição política – os crimes de responsabilidade invocam. ainda que pendente recurso especial e/ou extraordinário. contudo. III . Contudo. a lei processual brasileira não tem. Antes deste marco. Não podemos desmerecer. sendo que a necessidade/utilidade do cárcere cautelar pressupõe devida demonstração. quais sejam: 1. Vale destacar ainda que o princípio da presunção da inocência tem sido encarado como sinônimo de presunção da não-culpabilidade. cabendo à acusação o ônus probatório desta demonstração. como instância última. firmou o entendimento de que o status de inocência prevalece até o trânsito em julgado da sentença final. apreciação na esfera do Poder Legislativo. Neste diapasão. e 100). São expressões equivalentes. deve figurar como medida de estrita exceção. dos ministros de Estado. somos presumivelmente inocentes. que por sua composição plenária. Cabe ao senado federal julgar. 2. como regra. Não é outro o entendimento do STF. a regra é a liberdade. extraterritorialidade (art. ao contrário do que ocorre com a lei penal. Em havendo autorização de um determinado país.os processos da competência da Justiça Militar. sendo um órgão especial da tessitura do nosso Judiciário.as prerrogativas constitucionais do Presidente da República. 89. Aplicação da lei processual brasileira em território nullius. 3. e dos ministros do Supremo Tribunal Federal. antes de transitar em julgado a sentença condenatória. Tourinho Filho. além do que o cerceamento cautelar da liberdade só pode ocorrer em situações excepcionais e de estrita necessidade. § 2o. Justiça Militar e Eleitoral – especializadas.PRINCÍPIOS PROCESSUAIS PENAIS 9. que em face da redação 7 .Justiça brasileira. 86. Nos casos de território ocupado em tempo de guerra. É de se destacar que. Obs. Esta é a posição do autor. possuem codificação próprias.7º CP). aponta exceções a esta possibilidade. II . e o encarceramento. para que o ato processual a ser praticado em seu território o fosse de acordo com a lei brasileira. como professa a Constituição Federal. nos crimes de responsabilidade (Constituição. pelo princípio adotado (territorialidade estrita). pois a previsão do artigo 7º do ADCT (relativa ao tribunal internacional de direitos humanos) consubstancia a criação de um órgão que passa a integrar a estrutura judiciária brasileira. 9. nos crimes conexos com os do Presidente da República.1 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA OU DA NÃO- CULPABILIDADE O reconhecimento da autoria de uma infração criminal pressupõe sentença condenatória transitada em julgado.

esboçada no inciso LVII do art. os desiguais devem ser tratados desigualmente. poderia ter tratamento similar àqueles já definitivamente condenados. e de respaldo constitucional. que “no processo penal. 5º da CF. Isso não induz que o juiz se abstraia de seus valores para que exerça seu mister. Após. O que deve prevalecer é a chamada igualdade material.2 PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE DO JUIZ A imparcialidade é entendida como característica essencial do perfil do juiz consistente em não poder ter vínculos subjetivos com o processo de modo a lhe tirar o afastamento necessário para conduzi-lo com isenção. não podemos admitir uma distinção dessa ordem. Ainda assim. a culpa não se estabelece. de maneira honesta. que pode optar por permanecer inerte. A imparcialidade preconizada pelo ordenamento jurídico implica na postura de um magistrado que cumpra a Constituição. O STF consagra na Súmula 523. a falta de defesa constitui nulidade absoluta. prolatando decisões suficientemente motivadas. 9. consagra o tratamento isonômico das partes no transcorrer processual. ao tratar da defesa técnica. Em síntese. e não sua inocência. Na atual ordem constitucional. A própria instauração do processo criminal autorizava que se presumisse a culpa do imputado. o STF. 9. A primeira é sempre obrigatória. 8 . A segunda está no âmbito de conveniência do réu. àqueles que ainda não estejam definitivamente condenados. desde que exista sentença condenatória em que só a defesa tenha recorrido. como a progressão de regime. na medida de suas desigualdades. invocando inclusive o silêncio.3 PRINCÍPIO DA IGUALDADE PROCESSUAL Também tratado com princípio da paridade de armas.4 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO OU BILATERALIDADE DA AUDIÊNCIA Traduzido no binômio ciência e participação. leia-se. Enquanto não transitar em julgado a sentença condenatória. 9. impõe que às partes deve ser dada a possibilidade de influir no convencimento do magistrado. o réu. admite a aplicação dos benefícios da LEP. 9.5 PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA A defesa pode ser subdividida em defesa técnica (efetuada por profissional habilitado) e autodefesa (realizada pelo próprio imputado). a presunção de inocência duraria até o início do processo. na Súmula nº 716. É o que se tem chamado de execução provisória. mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu (nulidade relativa)”. em face do lastro probatório contra si angariado. ensaiou-se uma distinção entre presunção de inocência e presunção de não culpabilidade. oportunizando-se a participação e manifestação sobre os atos que constituem a evolução processual.

É de se observar. é. em troca do não início do processo. isto é. 9. em homenagem ao status libertatis. no intuito da obtenção do provimento jurisdicional. 9. nas infrações de menor potencial ofensivo. desempenhando suas atividades ex officio. A persecução criminal é de ordem pública. e não cabe juízo de conveniência ou oportunidade. em verdade. como se dá na ação penal pública condicionada à representação da vítima ou à requisição do Ministro da Justiça. em termos absolutos. O magistrado pauta o seu trabalho na reconstrução da verdade dos fatos como forma de exarar um provimento jurisdicional mais próximo possível do ideal de justiça. como regra. cabe às partes a provocação. sempre que tenham notícia de que exista ameaça ou lesão à liberdade de locomoção. nada impede que os juízes e tribunais concedam habeas corpus de ofício. prescinde de qualquer condição para agir. estão obrigados a atuar. exercendo o direito de ação. DEMANDA OU INICIATIVA DAS PARTES Sendo a jurisdição inerte.9. ocorre sem necessidade de autorização. IMPORTANTE!!! Vale ressaltar que a lei 9099/95 instituiu uma contemporização ao princípio da obrigatoriedade. IMPORTANTE!!! Mesmo diante da inércia jurisdicional. numa sala de audiência. a possibilidade da oferta da TRANSAÇÃO PENAL.8 PRINCÍPIO DA OFICIOSIDADE A atuação oficial na persecução criminal.10 PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE Os órgãos incumbidos da persecução criminal.7 PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE Os órgãos incumbidos da persecução criminal são órgãos oficiais por excelência. a submissão do suposto autor da infração a uma medida alternativa.6 PRINCÍPIO DA AÇÃO. Excepcionalmente pressupõe autorização do legítimo interessado. não se admite mais que nas contravenções a ação penal tenha início por portaria baixada pelo delegado ou pelo magistrado (que se chamava de processo judicialiforme). pode se revelar intangível. dentro do fórum. que a verdade real. daquilo que ocorreu muitas vezes anos atrás. que ganhou o nome de princípio da obrigatoriedade mitigada ou da discricionariedade regrada. 9. Afinal. 9. contudo. a revitalização no seio do processo. a materialização formal daquilo que se imagina ter acontecido. Neste contexto. não privativa de liberdade. que nada mais é que. 9 . em estando presentes os permissivos legais.9 PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo penal não se conforma com ilações fictícias ou afastadas da realidade. ou seja.

é informada pelo princípio da indisponibilidade. ou seja. desde que o faça de forma motivada. Uma vez expirado esse prazo sem que tenha ocorrido revogação da suspensão.Obs. os órgãos incumbidos da persecução criminal não podem deles dispor. poderá propor a suspensão do processo. cabe ao magistrado velar para que o mesmo chegue ao seu final. mas se recorrer não pode desistir do recurso. a vítima ou o seu representante podem dispor da ação iniciada. trazendo o instituto da SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO. desistir da mesma. por 2 a 4 anos. pela absolvição do imputado. é dizer. pelo que. IMPORTANTE!!! A lei 9099/95 também mitigou o princípio da indisponibilidade. conquanto não esteja regida pelo princípio da obrigatoriedade.13 PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES Trata-se de autêntica garantia fundamental. 9.12 PRINCÍPIO DO IMPULSO OFICIAL Uma vez iniciado o processo. 9. não poderá dele desistir. caso o órgão ministerial tenha apresentado recurso. nos crimes com pena MÍNIMA não superior a um ano. Não se pode olvidar que nas ações de iniciativa privada. como guardião da sociedade e fiscal da justa aplicação da lei. seja perdoando o autor da infração. após a instrução probatória. 9. Lembrar!!! O MP não é obrigado a recorrer.11 PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE O princípio da indisponibilidade é uma decorrência do princípio da obrigatoriedade. da inocência do réu. Caso o membro do MP esteja convencido. será declarada extinta a punibilidade. Assim. rezando que. seja pela ocorrência da perempção.14 PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE 10 . em sede de alegações finais. com o recebimento da inicial acusatória. O juiz é livre para decidir. sob pena de nulidade insanável. preenchidos os requisitos legais. o que não significa disponibilidade do processo. o MP ao oferecer denúncia. o da oportunidade. o que leva ao reconhecimento de que o princípio reitor é o da disponibilidade. Nos crimes de ação penal privada o que vigora é o princípio oposto. IMPORTANTE!!! É de se destacar que a fase recursal iniciada pelo parquet. decorrendo da fundamentação da decisão judicial o alicerce necessário para a segurança jurídica do caso submetido ao judiciário. uma vez iniciado o inquérito policial ou o processo penal. Obs. impulsionando o andamento do próprio procedimento. 9. deve manifestar-se.

impedimentos. o promotor natural há de ser. Impede a criação casuística de tribunais pós-fato. que pode atingir toda a persecução penal. pelo Chefe da Instituição. Entendem os autores que o referido Pacto. sempre. dentro das várias exceções existentes no sistema de decisões simplesmente irrecorríveis. englobando dados. Esta última é que encontra mitigação pelas exceções postas no texto constitucional. de forma a não expor a vítima aos meios de comunicação. aviva que “a exigência de promotor natural está relacionada com a necessidade de preservação da independência funcional e da inamovibilidade dos membros do Parquet” de sorte “a impedir toda e qualquer substituição e/ou designação que não atendam a critérios fundados em motivações estritamente impessoais. Deve-se distinguir a publicidade relativa às partes.17 DO PROMOTOR NATURAL OU DO PROMOTOR LEGAL Este princípio veda a designação arbitrária. e a relativa ao público em geral. A publicidade dos atos processuais é a regra. através do sistema recursal. encontrando-se. depoimentos e demais informações constantes dos autos. haja vista que processos existem sem que esse duplo grau incida. contudo. de promotor para patrocinar caso específico. já que o direito ao recurso não pode ser enquadrado como expressão de direito fundamental. aquele previamente estatuído em lei (critérios legais prévios). neste ponto. assegurando-se ao advogado. Todavia. onde as decisões do juízo a quo podem ser reapreciadas pelos tribunais. é recebido como lei ordinária. Todavia. Pacelli. 9. a exemplo daqueles de competência originária do STF. o caso do 11 . rodízio na distribuição de tarefas. O duplo grau de jurisdição não é um enunciado normativo que incide indistintamente em todos os processos penais. licenças. Já quanto ao IP. é possível a decretação judicial do segredo de justiça. o Pacto de São José da Costa Rica dispõe acerca do direito de recorrer das decisões judiciais. suspeições. por seu turno. é regido pelo princípio da sigilação. a consulta aos autos correspondentes. interessa sublinhar que o duplo grau de jurisdição não é princípio contemplado na CF. o sigilo é admissível quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem. fragilizado. a chamada publicidade interna ou específica.15 PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO Este princípio assegura a possibilidade de revisão das decisões judiciais. Por sua vez. ou publicidade externa. e desde que em situações previstas em lei”.16 DO JUIZ NATURAL Consagra o direito de ser processado pelo magistrado competente e a vedação constitucional à criação de juízos ou tribunais de exceção. a exemplo “de férias. 9. por consequência. vale dizer. 9. para apreciar um determinado caso. por se tratar de fase pré-processual. Obs. Para preservar o ofendido.

entendeu pela inexistência do princípio do promotor natural. 9.19 PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL O devido processo legal é o estabelecido em lei. etc”. reclama. notadamente quando nomeações casuísticas comprometem decisivamente a atuação técnica. Sob outra vertente. sem a supressão e/ou desvirtuamento de atos essenciais.art. PROCESSUAL. 9. Portanto. atendendo assim aos ditames constitucionais. sob o argumento de que tal princípio é incompatível com o da indivisibilidade do Ministério Público.20 PRINCÍPIO DO FAVOR REI OU FAVOR RÉU Na ponderação entre o direito de punir do Estado e o status libertatis do imputado. 9. não basta só a boa preleção de normas. O devido processo legal deve ser analisado sob duas perspectivas: a primeira. uma atuação substancialmente adequada. consagra- se a necessidade do processo tipificado. que assegura a tutela de bens jurídicos por meios do devido procedimento (procedural due process). este último deve prevalecer. É de se ressaltar. 28 do CPP. 12 . É também fundamental um adequado instrumento para a sua aplicação. correta.21 PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL Deve-se buscar a efetividade. devendo traduzir-se em sinônimo de garantia. Trata-se de uma proteção contra o arbítrio em razão da possibilidade de nomeação de defensor dativo por parte do juiz ou contra designações do defensor público geral que desatendam as normas que traçam as atribuições das defensorias públicas. na súmula 523. já que segundo o STF. no campo da aplicação e elaboração normativa. o processo jurisdicional. cujos membros são revestidos de inamovibilidade. recusando a validação de defesas deficitárias. MATERIAL. Com isto. a noção de um “defensor natural” implica o reforço da defesa do acusado. contrariando julgamentos anteriores do próprio Pretório Excelso. que o STF. a deficiência da defesa leva à nulidade (relativa) do processo. 9. isto é. O promotor natural é a proibição do promotor ou acusador de exceção. razoável (substantive due processo of law). com a produção da menor quantidade de atos possível. a segunda.18 DO DEFENSOR NATURAL A idéia do defensor natural consiste na vedação de nomeação de defensor diverso daquele defensor público que tem atribuição legal para atuar na causa. em julgamento que teve como relatora a Ministra Ellen Gracie.

o ideal é que a instrução probatória seja patrocinada perante o magistrado. a reflexão é salutar e necessária à justa composição das lides. Obs.23 PRINCÍPIO DA AUTORITARIEDADE O princípio da autoritariedade consagra que os órgãos incumbidos da persecução penal estatal são autoridades públicas.464/07 os crimes hediondos passaram a admitir liberdade provisória. inseriu o §2º ao art.24 PRINCÍPIO DA DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO O direito à celeridade pertence tanto à vítima como ao réu. Lembrar!!! Aplica-se o art. por intermédio da lei 11. Tal súmula perdeu utilidade. é que a regra poderá ser excepcionada. pois com a lei 11. reconhecendo expressamente a identidade física do juiz. afinal. para que o mesmo possa colher todas as impressões na formação do seu convencimento. Pelo princípio da imediatidade. aposentadoria. Já a concentração é o desejo de que os atos da instrução centrem-se em uma só audiência. 9. falecimento. que simboliza. por ele. exoneração do órgão julgador. eis que a Súmula 697 reconheceu que “a proibição de liberdade provisória nos processos por crimes hediondos não veda o relaxamento da prisão processual por excesso de prazo”. no mais das vezes. Objetiva-se assim evitar a procrastinação indeterminada de uma persecução estigmatizadora e cruel. o magistrado que conduziu a instrução deve obrigatoriamente julgar a causa. de sorte que “O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença”. 399 do CPP. Desse princípio decorre a nota distintiva da decisão judicial em relação aos demais atos do poder público. 9.22 PRINCÍPIO DA ORALIDADE Prevalência à palavra falada. Do princípio da oralidade decorrem os princípios da imediatidade. imprimindo também celeridade.25 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE 13 . Quanto ao princípio da identidade física do juiz. A razoável duração do processo implica decisivamente na legalidade da prisão cautelar. entendimento consagrado inclusive no âmbito do STF. consistente na aptidão de poder prevalecer contra a vontade de seus destinatários. como promoção. de sorte a assegurar o real contado do juiz que irá proferir sentença com o material probatório produzido nos autos. Só nos casos devidamente justificados. 9. O legislador. 9. verdadeira antecipação de pena. 132 do CPC ao processo penal. dentre outros. A celeridade não pode se afastar da qualidade na prestação jurisdicional. o excesso prazal da custódia provisória leva à ilegalidade da segregação.719/08. afinal. da concentração e da identidade física do julgador.

de origem germânica. vedando-se a atuação abusiva do Estado ao encampar a bandeira do combate ao crime. contornam a diferença entre um fenômeno de aplicação do direito que requer o perpassar por três etapas (proporcionalidade = necessidade. já que os fins da persecução penal nem sempre justificam os meios. tal como se dá na disciplina legal da validade da prova. Por sua vez. Deve-se destacar ainda outra modalidade do princípio da proporcionalidade. o princípio da proporcionalidade. A origem histórica da utilização do princípio da proporcionalidade em matéria probatória pode ser encontrada nos Estados Unidos da América. Há entendimento de que o princípio da proporcionalidade não se identifica com o princípio da razoabilidade. Proteção à intimidade versus quebra de sigilo). especialmente no Brasil. no hc 80949/RJ. O campo de proteção do cidadão deve ser visto de forma ampla. não obstante a Corte Suprema brasileira tenha admitido. situação que deve ser considerada tendo em conta o caso concreto”. a possibilidade remota de sua aplicação “em caso extremo de necessidade inadiável e incontornável. o que ensejou a “teoria da exclusionary rule” e suas respectivas exceções. Enquanto o princípio da razoabilidade é denominação que representa uma norma jurídica consistente em um cânone interpretativo que conduza o jurista a decisões aceitáveis. limitando os arbítrios da atividade estatal. O princípio da proporcionalidade tem especial aplicação no direito processual penal. Tem-se admitido que ele deve ser tratado como um “super-princípio”.26 PRINCÍPIO DA INEXIGIBILIDADE DE AUTO-INCRIMINAÇÃO (NEMO TENETUR SE DETEGERE) 14 . representa um procedimento de aplicação/interpretação de norma jurídica tendente a concretizar um direito fundamental em dado caso concreto. dentre elas. como visto acima. contra os arbítrios do próprio Estado. O campo de atuação do princípio da proporcionalidade é polarizado. Os que entendem razoabilidade e proporcionalidade como expressões sinônimas. haja vista que tem o condão de orientar o intérprete a não aceitar como válidas soluções jurídicas que conduzam a absurdos (razoabilidade). e a “proteção horizontal”. deve ser visto também na sua faceta de proibição de excesso. Existe a “proteção vertical”. evitando-se assim excessos. talhando a estratégia de composição no aparente “conflito principiológico” (Ex. Ainda cabe frisar que o princípio da proporcionalidade não pode ser invocado para se sobrepor a garantias e direitos individuais do acusado. adequação e proporcionalidade em sentido estrito). em razão da inexistência de regramento na Constituição daquele país sobre a regra de exclusão das provas obtidas ilicitamente e as que dela são derivadas. que é a garantia contra agressões de terceiros. “o princípio da proporcionalidade ou balancing test”. 9. que é a proibição de infraproteção ou proibição de proteção deficiente. de outro fenômeno que assim não exige. impedindo tais agressões. no qual o Estado atua como garante eficaz dos cidadãos.

a falta de defesa constitui nulidade absoluta. SÚMULAS APLICÁVEIS  STJ 21. 716. fica superada a alegação de constrangimento por excesso de prazo. Não constitui constrangimento ilegal o excesso de prazo na instrução. 15 . É direito do defensor. 64. mas a sua deficiência só o anulará se houver prova do prejuízo para o réu. antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. 523. 697.  STF Vinculante 14. Transitada em julgada a sentença condenatória. fixada em sentença não transitada em julgado. 717. A idéia é a limitação do poder de punir do Estado. compete ao juízo das execuções a aplicação da lei mais benigna. Pronunciado o réu. ter acesso amplo aos elementos de prova que. no interesse do representado. fica superada a alegação de constrangimento ilegal da prisão por excesso de prazo na instrução. Assegura que ninguém pode ser compelido a produzir prova contra si mesmo. 52. Não impede a progressão de regime de execução de pena. provocado pela defesa. Encerrada a instrução criminal. Tem pontos de contato com o princípio da presunção de inocência e com o direito ao silêncio assegurado pela Constituição. já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária. Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imediata do regime menos severo nela determinada. A proibição de liberdade provisória nos processos por crimes hediondos não veda o relaxamento da prisão processual por excesso de prazo. No processo penal. 611. digam respeito ao exercício do direito de defesa. o fato de o réu se encontrar em prisão especial.

impedir a ocorrência de infrações. contribuindo para a formação da opinião delitiva do titular da ação penal. dirigidas por delegados de polícia de carreira.POLÍCIA JUDICIÁRIA E POLÍCIA ADMINISTRATIVA a) Polícia administrativa ou de segurança De caráter eminentemente preventivo. Incumbirá ainda à autoridade policial fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos. visa. a fim de que o titular da ação penal possa ingressar em juízo. A segunda. 144. realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo MP. A segurança pública. preliminar. dever do Estado. submissa ao contraditório e à ampla defesa. 3.A PERSECUÇÃO CRIMINAL A persecução criminal para a apuração das infrações penais e sua respectiva autoria comporta duas fases bem delineadas. presidido pelo delegado de polícia. no intuito de identificar o autor do ilícito e os elementos que atestam a sua materialidade. ressalvada a competência da União. 2. INQUÉRITO POLICIAL 1. inquisitiva. é o inquérito policial. que age. visando angariar elementos para apuração da autoria e constatação da materialidade delitiva. A primeira. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.às polícias civis. se necessário for. com o seu papel ostensivo de atuação. é denominada de fase processual. em regra.CONCEITO E FINALIDADE DO IP É o conjunto de diligências realizadas pela Polícia Judiciária para a apuração de uma infração penal e sua autoria. preliminar. onde o magistrado pode tomá-lo como base 16 . incumbem. as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais. através dos seguintes órgãos: § 4º . exceto as militares. pela decretação de prisão cautelar. b) Polícia judiciária De atuação repressiva. fornecendo elementos para convencer o titular da ação penal se o processo deve ou não ser deflagrado. após a ocorrência de infrações. O IP vem a ser o procedimento administrativo. ou seja. Art. direito e responsabilidade de todos. Vale ressaltar que o inquérito também contribui para a decretação de medidas cautelares no decorrer da persecução penal. cumprir os mandados de prisão e representar.

a decretação de prisão preventiva ou a determinação de interceptação telefônica.  Inquérito judicial – tratado na antiga Lei de Falências. bancárias. documentos e informações fiscais. associação ou organização criminosa de qualquer tipo. O inciso III do art. 2. bando. A nova Lei de Falências. pois as investigações vão 17 .  Inquérito civil – é presidido pelo MP e objetiva reunir elementos para a propositura da ação civil pública. revogando parcialmente o dispositivo. não há mais a figura do juiz inquisidor no combate ao crime organizado. julgou o pedido parcialmente procedente. Existe a possibilidade do desenvolvimento de procedimentos administrativos.  Inquéritos parlamentares. destinados à apuração das infrações penais e que podem perfeitamente viabilizar a propositura da ação criminal. preparatório da ação penal. encontra-se sepultado para o autor em razão dos seguintes fatores: 1. autorizando que as diligências investigatórias no âmbito das organizações criminosas fossem realizadas diretamente pelo magistrado. como por exemplo. 2º autorizava o acesso a dados. Logo.INQUÉRITOS NÃO POLICIAIS A titularidade das investigações não está concentrada somente nas mãos da polícia civil. a LC nº 105/01 disciplinou completamente a matéria. 3.1 NATUREZA JURÍDICA DO INQUÉRITO O inquérito é um procedimento de índole eminentemente administrativa. Nada impede que sejam requisitados à polícia civil e respectivas repartições técnicas pesquisas e os exames necessários a subsidiar o inquérito militar. fulminando por completo o que restava do dispositivo. contudo. fora da seara policial. Consistia em um procedimento preparatório para a ação penal. não disciplinou o instituto.  Inquéritos policiais militares – estão a cargo da polícia judiciária militar. composta por integrantes da carreira. o inquérito judicial encontra-se revogado pela nova Lei de Falências. Nessas hipóteses. 4. Já quanto aos dados fiscais e eleitorais. É de se ressaltar que o art.  Investigações envolvendo autoridades que gozam de foro por prerrogativa de função. Para o autor. Quanto aos dados bancários e financeiros. instaurando a figura do juiz inquisidor. para apuração dos ilícitos praticados por quadrilha. Pode perfeitamente embasar ação de âmbito criminal.para proferir decisões ainda antes de iniciado o processo. financeiras e eleitorais. o delegado de polícia NÃO poderá indiciá-las nem instaurar inquérito para apuração de eventual infração. o STF apreciando ADI nº 1. presidido pelo juiz de direito. de caráter informativo. e irrigado pelo princípio do contraditório e da ampla defesa.570/04. Rege-se pelas regras do ato administrativo em geral. patrocinados pelas CPIs. 3º da lei do crime organizado. revogando o diploma anterior.

caso os dois primeiros emitam requisições ao último. as investigações vão se desenvolver sob a presidência de um Ministro do STF. Perceba que não se deseja a presidência do inquérito policial pelo MP. promotores e delegados. neste caso. O que se pretende. 9o Todas as peças do inquérito policial serão. dentro das suas atribuições. e colher os elementos que repute indispensáveis.3 SIGILOSO 18 .2 ESCRITO O IP. quem tem atribuição constitucional para exercer a ação. este será obrigado a atender. deve ser escrito. fazendo um juízo de conveniência e oportunidade quanto à relevância daquilo que lhe foi solicitado. para viabilizar a propositura da ação penal. IMPORTANTE!!! Sempre é bom lembrar que apesar de não haver hierarquia entre juízes.1 DISCRICIONARIEDADE A fase pré-processual não tem o rigor procedimental para a persecução em juízo. tramitar perante o tribunal onde a referida autoridade desfruta do foro privilegiado. Poderia assim o promotor de justiça instaurar o procedimento administrativo investigatório. nos quais as investigações são presididas pelos órgãos de cúpula de cada carreira. que podem embasar a ação penal. sendo plenamente possível por decorrência do texto constitucional. as decisões mais recentes da Suprema Corte parecem ter consolidado o entendimento favorável à iniciativa investigativa do MP. afinal. Ex: caso um senador venha a praticar uma infração penal. por imposição legal. O delegado de polícia conduz as investigações da forma que melhor lhe aprouver. num só processado. a colheita de material probatório para viabilizar o futuro processo. Só não poderá indeferir a realização do exame de corpo de delito. por exigência legal. 5. pois isto. quando a infração praticada deixar vestígios.  Inquéritos por crimes praticados por magistrados ou promotores. rubricadas pela autoridade. 5.CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO POLICIAL 5. reduzidas a escrito ou datilografadas e. é a possibilidade do órgão ministerial promover. Art. por reclamo constitucional. 5. por força própria. é atribuição da autoridade policial. Pode atender ou não aos requerimentos patrocinados pelo indiciado ou pela própria vítima.  Investigações a cargo do MP – é perfeitamente possível ao MP a realização de investigações no âmbito criminal. Em que pese a divergência no próprio STF. também deve possuir as ferramentas para levantar os subsídios para esse mister (teoria dos poderes implícitos).  Investigações particulares.

o STF editou o enunciado nº 14 de sua súmula vinculante. Art. que já faz parte dos autos do inquérito. caso se possa constatar. Este sigilo não pode se estender ao magistrado nem ao MP. 5. mesmo que indiretamente. sendo procedimento essencialmente sigiloso. o ministério do STJ. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. autoridade que preside o IP. quaisquer outras informações de inquéritos em curso só serão certificadas se requisitadas por magistrado. autoridade policial ou agente do Estado. que muitas vezes não se sustentam na fase processual. Já o advogado do indiciado pode consultar os autos do inquérito policial. Súmula Vinculante 14. Assim. Ao contrário do que ocorre no processo. afora as condenações definitivas. Neste sentido. membro do Ministério Público. Havendo arbítrio por parte da autoridade. Sendo assim.4 OFICIALIDADE O delegado de polícia de carreira. preconiza o parágrafo único do art. da reclamação constitucional ao STF (para fazer valer o mandamento da súmula vinculante) e até mesmo de habeas corpus. explicitando o uso do documento. com a publicação de informações prelibatórias. 20 do CPP que “nos atestados de antecedentes que lhe forem solicitados. ter acesso amplo aos elementos de prova que. sem prejuízo da responsabilidade por abuso de autoridade. A preservação do estado de inocência está a exigir esta conduta. 5. já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de política judiciária. constitui-se em órgão oficial do Estado. a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes à instauração de inquérito contra os requerentes. Objetiva-se assim o sigilo aos terceiros estranhos à persecução e principalmente à imprensa. Pacificando a matéria. salvo no caso de existir condenação anterior”. admite-se o manejo do mandado de segurança. e consagrando o acesso do advogado aos autos do procedimento investigativo. 20. risco de ofensa à liberdade de locomoção do indiciado. o inquérito não comporta publicidade. no intuito de serem evitadas condenações sumárias pela opinião pública.5 OFICIOSIDADE 19 . Como decorrência do sigilo. digam respeito ao exercício do direito de defesa. É direito do defensor. em pedido devidamente motivado. no interesse do representado. não há razão para impedir o acesso. havendo documentação do material probatório.

se terceiro for à delegacia no lugar do ofendido. Contudo.6. INDISPONIBILIDADE A persecução criminal é de ordem pública. NÃO poderá a autoridade policial iniciar o inquérito sem a prévia autorização da vítima. O inquérito deve funcionar como procedimento de filtro. sua atuação decorre de imperativo legal dispensando. Art. IMPORTANTE!!! Se diante de uma circunstancia fática. Em havendo crime de ação penal pública incondicionada. ou conferir-lhe o próprio direito de ação. pois incorreria em clara violação ao texto constitucional. presidente do IP. viabilizando a deflagração do processo quando exista justa causa. o inquérito não será deflagrado. atenuar o contraditório e o direito de defesa na fase preliminar.7 INQUISITIVO O inquérito é inquisitivo: as atividades persecutórias ficam concentradas nas mãos de uma única autoridade e não há oportunidade para o exercício do contraditório ou da ampla defesa. valer-se exclusivamente do inquérito para proferir sentença condenatória.8 AUTORITARIEDADE O delegado de polícia. mas também contribuindo para que pessoas nitidamente inocentes não sejam processadas. o delegado percebe que não houve crime. instaurando o inquérito e apurando prontamente os fatos. como no inquérito para a decretação da expulsão de estrangeiro e aquele instaurado para apurar falta administrativa. 5. Já nos crimes de ação penal privada e ação penal pública condicionada. deve levá-lo até o final. Vale destacar. na hipótese. haja vista que. por suas próprias características. qualquer autorização para agir. como não houve a participação do indiciado ou suspeito no transcorrer do procedimento. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito. 5. não pode significar integral eliminação. pois. defendendo-se e exercendo contraditório. não poderá o magistrado. A inquisitoriedade permite agilidade nas investigações. não deve iniciar o IP. é autoridade pública. uma vez iniciado o procedimento investigativo. Contudo. Da mesma forma. na fase processual. NÃO PODENDO ARQUIVÁ-LO. 5. Obs. otimizando a atuação da autoridade policial. Para o autor. Havendo delação anônima em crime de ação penal privada. existem inquéritos extrapoliciais onde a defesa é de rigor. 20 . que ainda que de forma excepcional. e uma vez iniciado o inquérito. a autoridade policial deve atuar de ofício. não pode o delegado de polícia dele dispor. o legislador achou por bem condicionar a persecução criminal a autorização da vítima. 17.

PRAZOS 7.2 PRAZOS ESPECIAIS a) Inquéritos a cargo da polícia federal – se o indiciado estiver preso. A não contaminação do futuro processo não é obstáculo ao combate do inquérito irregular. Contudo. o que nos leva a crer que esta pode se dar pela frequência e pelo tempo necessário. temos a segmentação da atuação da polícia. 7.5. Critério em razão da pessoa – leva-se em consideração a figura da vítima.1 REGRA GERAL Como regra geral. Não se fez previsão quanto à prévia oitiva do MP para que haja ou não prorrogação. estando satisfeito com os elementos até então colhidos. furtos e roubos. deverá acompanhar a inicial acusatória apresentada. tais como as delegacias da mulher. delegado com atribuição é aquele que exerce suas funções na circunscrição em que se consumou a infração. será de 30 dias (prorrogáveis). estando o indiciado preso. dentre outras. do idoso. por desrespeito à fixação da atribuição. para os crimes da atribuição da polícia civil estadual. e de 30 dias. etc. poderá impetrar habeas corpus para trancar o inquérito que tramita irregularmente. a violação dos critérios de atribuição não tem o condão de macular o futuro processo. prazo este improrrogável. o prazo é considerado único. afinal. entretanto.COMPETÊNCIA (ATRIBUIÇÃO) Critério territorial – por este critério. IMPORTANTE!!! É MERA IRREGULARIDADE o fato do inquérito tramitar em local diverso do da consumação da infração. do turista. Entendem os autores que o titular da ação deve ser ouvido.9 DISPENSABILIDADE O inquérito não é imprescindível para a propositura da ação penal. afinal. se o agente enfrenta o inquérito solto. 21 . a exemplo das delegacias especializadas em homicídios. 7. desde que haja autorização judicial para tanto. b) Crimes contra a economia popular – 10 dias (como a lei não faz distinção entre indiciado preso ou solto. não especificando a lei qual o tempo de prorrogação nem quantas vezes poderá ocorrer. O advogado do indiciado. sem a necessidade de maiores delongas. se for a base para a propositura. não contemplando prorrogação). Critério material – por este critério. pressupondo autorização judicial. prorrogável por igual período. 6. com delegacias especializadas na investigação e no combate a determinado tipo de infração. a requerimento do delegado e mediante autorização do juiz. entorpecentes. poderá de pronto deflagrar a ação. o prazo para a conclusão do IP é de 15 dias. o prazo para a conclusão do inquérito é de 10 dias. Este último prazo comporta prorrogação. Circunscrição significa a delimitação territorial na qual o delegado exerce as suas atividades. Estando solto o indiciado.

afinal as delegacias de polícia atuam em sistema de plantão. 10 DO CP. de 15 dias para manter o suposto autor do fato preso. 7. que lida com o direito à liberdade. mas o promotor oferte a denúncia em 2 dias. juntos. sem fazer distinção entre indiciado preso ou solto. reputam os autores que SE O INDICIADO ESTIVER PRESO. solto: 40 dias. também duplicáveis. estando o indiciado preso. leia-se. levando em conta o prazo de que dispõe o MP para ofertar denúncia. Assim. 8. por deliberação judicial. EM ESTANDO SOLTO. Não é outra a posição de Nucci.c) Lei antitóxicos – 30 dias. desde que não estejam concluídos exames ou perícias já iniciados. é de ver que a admissão de tal ordem de compensação equivale à permissão de flagrante violação dos prazos legais. ou haja necessidade de diligências indispensáveis à elucidação do fato. 10 não admite a prorrogabilidade do prazo para conclusão do inquérito quando o indiciado estiver recluso. logo. o inquérito terá o seu início imediatamente. O PRAZO DO INQUÉRITO DEVE SER CONTADO NA FORMA DO ART. ou seja. quando em seu art. dando margem a interpretação distanciada do CPP. apesar de dispor de 5 dias. não há de se falar em constrangimento ilegal a viabilizar o relaxamento da prisão. caso o delegado. pois carece de confirmação por outros elementos colhidos durante a instrução processual. em estando o indiciado preso.3 CONTAGEM DO PRAZO Mirabete entende que o prazo deve ser contado atendendo aos ditames do CPP. É que os elementos probatórios. ouvindo-se o MP. salientando que se cuida de norma processual penal material. excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o último dia. IMPORTANTE!!! Não obstante. se solto estiver. assim como se a prisão em flagrante ocorreu no final de semana. mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.798 DO CPP. incluindo-se o dia do começo e excluindo-se o do vencimento. concluindo que o Estado-investigação e o Estado-acusação dispõem. reunidos na fase pré-processual devem ser repetidos na fase processual. duplicáveis. e 90 dias. IMPORTANTE!!! A jurisprudência pátria tem admitido um sistema de compensação caso haja o excesso prazal na conclusão do inquérito. colhidos perante o magistrado.VALOR PROBATÓRIO O inquérito policial tem valor probatório relativo. ou seja. conclua o inquérito em 12 dias. NÃO cabe falar-se em prorrogação para o primeiro dia útil subseqüente. em prejuízo do imputado. d) Inquéritos militares – indiciado preso: 20 dias. não deixa de ter cristalino fundo de direito material. prorrogáveis por mais 20 pela autoridade militar superior. SEGUE-SE A REGRA INSCULPIDA NO §1º DO ART. Se o prazo do inquérito encerrar-se em dia onde não há expediente forense. numa instrução 22 . Sem embargo.

perante o magistrado. formular quesitos aos peritos. quando da produção de exames periciais. interceptações telefônicas. também serão aproveitadas na fase processual. não podendo fundamentar sua decisão EXCLUSIVAMENTE nos elementos informativos colhidos na investigação. dando nova redação ao art. têm sido comumente utilizadas na fase processual como prova de valor similar às colhidas em juízo. como já tem sido implementado. As cautelares determinadas na fase inquisitorial e que permitem a produção probatória. quando serão submetidos à manifestação da defesa. e hajam indícios a demonstrar que o perecimento da mesma é provável. têm sido valorados na fase processual. que tais elementos ganham o status de prova a ser valorada na sentença após a submissão ao 23 . Como então equalizar tal situação? Além de ser recomendável que a autoridade policial. a exemplo das perícias. sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. Da mesma forma. também chamadas de não renováveis. de forma a prejudicar substancialmente a demonstração da verdade. desde que determinada prova seja imprescindível para a prolação de futura sentença. porém de forma minoritária. pois caso contrário perecerão e não poderão mais ser produzidas. como a medida de busca e apreensão ou a interceptação telefônica. com a participação das futuras partes do processo. que devem ser realizadas imediatamente. asseverou que: “O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial. se justificam por sua necessidade e urgência. Existem PROVAS NÃO-REPETÍVEIS. Advirta-se. a lei 11. sobretudo pela isenção e profissionalismo atribuídos aos peritos. autorize fundamentadamente que o indiciado e/ou seu advogado acompanhe a produção da prova não-repetível. objetos conseguidos mediante busca e apreensão. em que ainda durante o inquérito. como aquelas obtidas através de exame pericial cujos vestígios tendem a desaparecer.690/08. pois só então poderão embasar uma sentença condenatória. em tais casos. num contraditório diferido ou postergado. e por isso a impossibilidade do seu refazimento. a solução encontra guarida no incidente de produção antecipada de prova. não repetíveis e antecipadas”. por oportuno. os documentos colhidos na fase preliminar. que durante o inquérito fosse permitido ao defensor do indiciado. sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. Já as provas irrepetíveis.dialética. Por sua vez. instaura-se um procedimento. Calha por fim destacar que as provas de caráter eminentemente técnico realizadas na fase de inquérito. ressalvadas as provas cautelares. Melhor seria. para que os elementos não venham a se esvair.155 do CPP. no intuito da demonstração de fatos relevantes à futura tese defensiva.

Havendo prisão em flagrante ilegal durante o inquérito. algo que não é essencial ao processo.1 CONCEITO É o conhecimento pela autoridade. Ex. na fase processual (contraditório diferido ou postergado). Não podemos deixar de destacar. uma confissão mediante tortura. sendo o inquérito dispensável. todas as provas obtidas em virtude da ilicitude precedente deverão ser reputadas inválidas. a ser aproveitada na fase processual. havendo assim clara influência na fase processual. o ato deverá ser repetido e excluída a respectiva peça que o materializa. todavia. reconhecendo a possibilidade de contaminação do processo pelos vícios ocorridos no inquérito policial. Já o incidente de produção antecipada de prova. a sua valoração na sentença ensejará a nulidade do processo. pela ausência de lastro probatório mínimo e idôneo ao início do processo. ainda que por impossibilidade. isto é. o que se dá. 9. de um fato aparentemente criminoso. sem levar à nulidade processual. com fundamento no art. é de se reconhecer a aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada ou da ilicitude por derivação. deve tramitar perante o magistrado. contaminar a ação penal. Tem prevalecido tanto nos tribunais como na doutrina que.NOTITIA CRIMINIS (NOTÍCIA DO CRIME) 10. e. e dela decorra todo o material probatório em detrimento do suposto autor do fato.VÍCIOS IMPORTANTE!!! Os vícios ocorridos no inquérito policial NÃO atingem a ação penal. principalmente pelo mau vez de alguns magistrados em valorar os elementos colhidos no inquérito como prova em suas sentenças.contraditório e a manifestação da defesa. 10. este fato não leva à nulidade do futuro processo contra o suposto autor do fato. 24 . espontâneo ou provocado. Exige-se do juiz uma diligência tal na condução do processo que o leve a verificar se. todavia. sob pena de contaminação dos atos que dele derivem. III. Verificada. IMPORTANTE!!! A despeito desta divergência. diga-se. como uma busca e apreensão na residência do confitente. A irregularidade ocorrida durante o inquérito poderá gerar a invalidade ou ineficácia do ato inquinado. apreendendo-se drogas. ela deve ser relaxada. as lições de Aury Lopes Jr. no curso do IP. com a presença das futuras partes. em regra. por exemplo. por conseguinte. não tem o condão de. assegura-se ao material colhido o justo título de prova. uma vez viciado. do CPP. Caso o ato não seja repetido. deverá ser rejeitada por falta de justa causa. contudo. não foi cometida alguma nulidade absoluta ou relativa (quando alegada). podemos facilmente concluir que caso a inicial acusatória esteja embasada tão somente em inquérito viciado. apesar de posição francamente minoritária. Já se durante o inquérito obtivermos. 395.

IMPORTANTE!!! A chamada delação apócrifa ou notitia criminis inqualificada é o que vulgarmente chamamos de denúncia anônima. se a autoridade é estadual. b) Provocada (cognição mediata) – é o conhecimento da infração pela autoridade mediante provocação de terceiros. é dizer.  Requerimento da vítima – a vítima da infração ou o seu representante legal noticiam o fato a autoridade policial através de requerimento. ao membro do MP ou ao magistrado. 10. contudo. diante de notícia crime que contenha em si elementos suficientes revelando a autoria e a materialidade. ou seus sinais característicos e razões de convicção de ser o mesmo o sujeito ativo do delito. Já o magistrado. diante do fato aparentemente típico que lhe é apresentado. entendimento do STJ. oferecendo de pronto a denúncia. O MP. Caso o delegado de polícia indefira o requerimento do ofendido para instauração do inquérito policial. ou o TRF. porém. devendo a autoridade dar início ao inquérito policial. afinal. A posição francamente MAJORITÁRIA tem se inclinado pela 25 . Neste sentido. devendo. Caberá ao delegado. o que vai direcionar a competência para apreciar eventual HC trancativo. para providências cabíveis.2 ESPÉCIES a) Espontânea (cognição imediata) – é o conhecimento direto dos fatos pela autoridade policial ou através de comunicação informal (pela imprensa. Se o procedimento instaurado é visivelmente arbitrário. poderá remetê-la ao MP. devendo conter a narração dos fatos e suas circunstâncias. o TJ. não há de ser falar de violação a direito líquido e certo da vítima a dar ensejo à impetração de mandado de segurança. Certo é que a polícia deve acautelar-se diante da notícia anônima. PODE DAR ENSEJO À INSTAURAÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL. a autoridade requisitante deve ser indicada como coatora (juiz ou promotor). não deixando de atuar. a individualização do suposto autor da infração. São elas:  Requisição do juiz ou do MP – neste caso. em face da notícia crime que lhe é apresentada. se é federal. restaria ao eventual prejudicado o manejo do recurso administrativo à instância superior da polícia. dispensará a elaboração do inquérito. iniciar as investigações. e convencendo-se o delegado de que o fato é atípico. com indicação da profissão e das respectivas residências. Normalmente é endereçada à autoridade policial. ou requisitar a instauração do inquérito policial. o enquadramento legal é feito pela autoridade policial. a nomeação de testemunhas. a autoridade proceder com a cautela devida para evitar eventual arbitrariedade. IMPORTANTE!!! Restaria ainda a provocação acerca da possibilidade ou não da autoridade policial invocar o princípio da insignificância para deixar de instaurar o inquérito policial. por exemplo). requisição é sinônimo de imposição. e proceder às investigações com cuidado redobrado.

contudo. deve o delegado instaurar o IP. afinal é latente a violação de direito líquido e certo do ofendido de não ver iniciada a investigação sem sua autorização. em face 26 . o inquérito não poderá ser instaurado. e por até 3 dias. apresentada pelo Ministro da Justiça. pode.PEÇAS INAUGURAIS DO INQUÉRITO POLICIAL O auto de prisão em flagrante. Nos demais casos. e sim uma mera autorização para o início da persecução criminal em algumas infrações que a exigem. já que a insignificância demonstrada é fator que leva a atipicidade da conduta. porém. evitando. já que nestas hipóteses o inquérito. pressupõe manifestação do legítimo interessado. 21 do CPP contempla a possibilidade de decretação da incomunicabilidade do preso durante o IP. nos crimes de ação penal pública incondicionada. por conveniência da investigação ou quando o interesse da sociedade o exigisse. c) Notícia crime revestida de forma coercitiva – é aquela apresentada juntamente com o infrator preso em flagrante. Esta.  Representação da vítima (delatio criminis postulatória) – nos crimes de ação penal púbica condicionada à representação.  Requisição do Ministro da Justiça – em alguns crimes. este dispositivo. concluí-lo e encaminhá-lo ao juízo. ao contrário da requisição emanada dos juízes e promotores. dando ensejo à instauração do inquérito. pois estaria movido pelo princípio da obrigatoriedade. teria maiores elementos para promover o arquivamento. diante do constrangimento ilegal. e sem ela. A representação funciona como verdadeira CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE.INCOMUNICABILIDADE O art.IMPOSSIBILIDADE do delegado de polícia invocar o princípio da insignificância para deixar de atuar.  Delação – qualquer do povo. a autoridade policial baixa uma portaria para o início do procedimento. com base no inquérito elaborado. Assim. possa o suposto autor da conduta insignificante. E se for? A vítima poderá impetrar mandado de segurança para trancá-lo. validamente. o indiciamento. que na hipótese. por deliberação judicial. que instaurado o inquérito policial. mediante requerimento da autoridade policial ou do MP. noticiar o fato delituoso à autoridade policial. impetrar habeas corpus para trancar o procedimento investigatório iniciado. 11. as requisições e os requerimentos se materializam na peça inaugural do inquérito policial. Esta não tem cabimento nos crimes de ação privada e pública condicionada. Ocorre que. não é sinônimo de ordem. para ser iniciado. A análise crítica quanto à insignificância da conduta caberia ao titular da ação penal. Nada impede. ditos de ação pública condicionada. a persecução criminal está a depender de autorização do Ministro da Justiça. através da delação. 12. também chamada de requisição.

como forma de evitar distorções entre aquilo que foi dito pelo suspeito e o que ficou registrado pelo escrivão. IV. Ora. mesmo antes da instauração do respectivo inquérito. a realização do ato.PROVIDÊNCIAS Dirigir-se ao local dos fatos. Colher todas as provas – como norma genérica. devidamente notificado a comparecer para ser ouvido. que não admite a incomunicabilidade até mesmo durante o Estado de Defesa. Poderá o causídico orientar o seu assistido a acompanhá-lo durante todo o feito. se em momentos de grave instabilidade institucional. da CF. e sim expediente administrativo para a boa condução carcerária. Ademais. Caso o ofendido de instauração a investigação ou processo a pessoa sabidamente inocente. 13. ensejadores da decretação do Estado de Defesa. 136. a autoridade policial poderá apreender os objetos relacionados com a infração. dando tratamento carcerário mais áspero a delinqüentes que incorram em uma das situações que autorizam a inserção de tal ordem de exceção. Ouvir o ofendido – se o ofendido. regularmente constituídos nos autos da ação penal ou processo de execução criminal. isolando a área para atuação dos peritos – só após a liberação dos peritos. único. e por até duas horas. apenas consagrando que as visitas semanais serão de duas pessoas. 201 parag. não tendo o cunho de descredibilizar. não é testemunha. O termo de oitiva do indiciado será assinado por duas testemunhas que tenham ouvido a sua leitura. não o fizer. Ouvir o indiciado – a presença do advogado é facultativa. A omissão desta formalidade acarreta mera irregularidade. ficando a critério da autoridade policial oportunizar os esclarecimentos formulados ao seu constituinte. O regime disciplinar diferenciado (RDD). CPP). poderá ser conduzido coercitivamente à presença da autoridade (art. quiçá nos períodos de normalidade (Tourinho). §3º. na presença do indiciado.do disposto no art. é recomendável que a autoridade policial esteja atenta para que não venha a perecer os elementos necessários a elucidação dos fatos. 27 . sem contar as crianças. não poderá ser determinada a incomunicabilidade. afinal. ele poderá responder por denunciação caluniosa. por si só. NÃO FOI RECEPCIONADO PELA CARTA MAGNA. Agendamento e organização das visitas não significa incomunicabilidade. conforme o caso”. não justificando a ausência. os Estados e o DF poderão regulamentar o RDD para “disciplinar o cadastramento e agendamento prévio das entrevistas dos presos provisórios ou condenados com seus advogados. é que os objetos poderão ser apreendidos e a cena do crime poderá ser alterada. não prevê a incomunicabilidade dos presos imersos em tal regime. O ofendido não é compromissado a dizer a verdade. Apreender objetos – segundo o STJ. inclusive o aconselhando a ficar calado.

independentemente de representação do delegado de polícia ao juiz. O estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais. Obs. O documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação.  As hipóteses de admissibilidade. que torna sem propósito a condução daquele que não deseja participar do interrogatório. A seu turno. não será identificado criminalmente. 3. O indiciado portar documentos de identidade distintos. ser conduzido coercitivamente à presença da autoridade. Principais pontos da lei 12. do MP ou da defesa. mercê da previsão da garantia fundamental ao silêncio. ainda que autorizada pelo juiz. consoante posição majoritária da jurisprudência. DE REGRA. Perceba-se que NÃO SE FEZ A ESCOLHA CASUÍSTICA DE DELITOS que por sua especial gravidade obrigariam a identificação criminal. acrescido do fato de que este passou a ostentar prevalentemente caráter de meio de defesa. que podem dar margem à identificação criminal. com informações conflitantes entre si. A identificação criminal for essencial às investigações policiais. não se justificando a condução coercitiva. Constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações. em tese. 4. melhor é que se entenda pela necessidade de autorização judicial para a condução coercitiva. poderá. IMPORTANTE!!! A condução coercitiva do indiciado é medida de duvidosa constitucionalidade. nem justifique sua ausência. tendo cabimento nas hipóteses expressamente autorizadas pela legislação. 5. Contudo. que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade policial. 2. Ordenar a identificação datiloscópica do indiciado e fazer juntar sua folha de antecedentes – com a atual CF. Obs. O documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado. 6. deve a autoridade conceder prazo razoável 28 . para o autor. segundo despacho da autoridade judiciária competente. a identificação criminal é exceção.037/09:  O civilmente identificado. mesmo diante da apresentação de documentação civil (cuja cópia necessariamente será anexada aos autos do procedimento). Caso o indiciado não atenda à notificação para comparecer. caso o indiciado ou o capturado em flagrante não esteja com o documento de identificação civil em mãos. Realização do exame de corpo de delito e outras perícias – a autoridade policial NÃO poderá negar a realização do exame quando o crime deixe vestígios. passam a ser as seguintes: 1.

só cabe falar em indiciamento se houver um lastro mínimo de prova vinculando o suspeito à prática delitiva. enquanto não transitar em julgado a sentença condenatória. pois não pode ser compelido a auto incriminar-se. em atenção à determinação da autoridade policial. a condução coercitiva para fins de identificação datiloscópica em face de recusa imotivada do indiciado em se identificar não constitui constrangimento ilegal. juízes e delegados.054/00 falava em 48 horas. Se feito sem lastro mínimo. mesmo não desejando participar.para que o apresente. uma vez preclusa a decisão judicial nesse sentido. Neste sentido. como membros do MP. também não há de estar presente. obriga-se. já que a imediata identificação criminal seria precipitada. desde que apresente a competente identificação civil. entendem os autores que o prazo deve ser mantido. Não obstante. a comparecer no dia e hora aprazados.  A determinação da identificação sem amparo legal caracteriza abuso de autoridade. como forma de preservação da imagem. Logo. poderá ingressar com mandado de segurança. 13. Em último caso. Segundo o STF. Há ainda previsão de identificação criminal desconsiderando a existência da identificação civil. O comparecimento poderia desaguar num constrangimento ilegal de caráter acusador. contudo. milita o STF.  Como é presumivelmente inocente. sob pena de condução coercitiva.2 INDICIAMENTO Conceito – é a cientificação ao suspeito de que ele passa a ser o principal foco do inquérito. arquivamento de IP ou rejeição da petição inicial. Apesar de sua revogação. o indiciado (ou réu) poderá requerer a retirada da identificação fotográfica dos autos da persecução. 13. Cabe ao delegado o ato de indiciar. a condução coercitiva figuraria como ferramenta válida a trazer o indiciado para identificação. se não há obrigação de participar. dando ensejo à impetração de HC para ilidi-lo ou até mesmo para trancar o inquérito policial iniciado.1 REPRODUÇÃO SIMULADA DOS FATOS O indiciado não está obrigado a participar desta. a identificação não constará de certidões ou atestados de antecedentes. que também é de duvidosa constitucionalidade. no que se refere às pessoas envolvidas com a ação praticada por organizações criminosas. ressalvadas as requisições emanadas das autoridades que integram a persecução penal. Havendo denegação. Sobrevindo absolvição. ou para que pessoa de sua confiança o traga. Segundo Capez. 29 . é ilegal. Saímos do juízo de possibilidade para o de probabilidade e as investigações são centradas em pessoa determinada. A lei 10. Não é adequado que o ato de indiciar seja requisitado pelo juiz ou pelo MP.

2. Indiciado menor – com a revogação de dispositivo do CPP que preconizava a necessidade de curador ao menor de 21 anos e maior de 18 para o ato de interrogatório perante o juiz. ao entender. É possível também que o desindiciamento ocorra de forma coacta. Realizadas as diligências. integrados com o relatório. 14. poderá o delegado requerer à autoridade judicial a devolução dos autos para ulteriores diligências. para que a distribuição seja realizada diretamente ao promotor com atribuição para atuar no caso. e não ao delegado de polícia. seja no transcurso do feito. oferecendo denúncia no intuito de que o processo criminal se inicie. abre-se a oportunidade da requisição de novas diligências. Deverá o MP exercer a ação penal. Em alguns Estados da Federação. Sendo o fato de difícil elucidação e estando o indiciado solto. que a pessoa indiciada não está vinculada ao fato. e justificando eventualmente até mesmo aquelas que não foram realizadas por algum motivo relevante. que serão utilizadas no prazo designado pelo magistrado. já que seguimos o sistema presidencialista. IMPORTANTE!!! Não deve a autoridade policial esboçar juízo de valor no relatório. trazendo um esboço das principais diligências realizadas na fase preliminar. serão remetidos ao Judiciário. no transcurso das investigações.ENCERRAMENTO O inquérito policial é encerrado com a produção de minucioso relatório que informa tudo quanto apurado. ressalva feita à Lei de Tóxicos. ou no relatório de encerramento do procedimento. Chegando ao juízo os autos do inquérito. a jurisprudência e a legislação processual penal no sentido de ser desnecessária a nomeação de curador ao indiciado menor de 21 anos. os autos serão remetidos às centrais de inquérito. promova o desindiciamento. onde na elaboração do relatório deve a autoridade policial justificar as razões que a levaram à classificação do delito. teremos o seguinte:  Crimes de AÇÃO PENAL PÚBLICA 1. retornam ao magistrado. que terão por finalidade complementar o material que já foi colhido. a opinião delitiva cabe ao titular da ação penal. uniformizou-se a doutrina. vinculadas ao MP. Caso o inquérito não tenha apurado os elementos que o MP repute imprescindíveis ao oferecimento da denúncia. e deve ser remetida à autoridade policial com prazo para cumprimento. Desindiciamento – nada impede que a autoridade policial. Essa requisição passa pelo juiz. que deverá abrir vistas ao promotor. afinal. IMPORTANTE!!! #Pode o magistrado indeferir as diligências requisitadas pelo MP por entender que as mesmas são protelatórias ou desnecessárias? A resposta 30 . pela procedência de HC impetrado no objetivo de trancar o inquérito em relação a algum suspeito. É peça essencialmente descritiva. Os autos do inquérito. para que sejam acessados pelo titular da ação penal.

a legítima defesa exclui a ilicitude e por conseqüência. A título ilustrativo. de forma que. 3. por previsão constitucional (art. deverá. para o autor as hipóteses que autorizam a absolvição sumária. afinal. se o membro do parquet vislumbra. nas hipóteses do art. aguardando então o surgimento de novos elementos a justificar a propositura da inicial acusatória. pela análise dos elementos que lhe são trazidos pelo inquérito ou por quaisquer outras peças de informação. IMPORTANTE!!! Vale destacar que as diligências complementares só poderão ser requisitadas se o suspeito estiver solto. São elas:  Existência manifesta de causa excludente de ilicitude. se ainda não existem elementos para a propositura da denúncia. se pelos elementos colhidos no inquérito. devem também ser invocadas para lastrear o pedido de arquivamento. salvo a inimputabilidade. é o Ministério Público. se é caso de rejeição da denúncia. o promotor não deveria tê-la oferecido.  Existência de causa extintiva da punibilidade.  Faltar justa causa – é a necessidade de lastro probatório mínimo para o exercício da ação. ou até mesmo a existência de alguma infração. ainda que com a reforma do CPP passou-se a admitir o JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. dando ensejo ao cabimento do recurso de correição parcial. Caso o mesmo esteja preso. o promotor estiver convencido de que o agente atuou amparado pela legítima defesa. torna-se inviável qualquer pretensão acusatória. a própria infração penal.  Existência manifesta de causa excludente de culpabilidade.129. o 31 . Logo. Ora. afinal. O magistrado que indefere o pleito ministerial está tumultuando arbitrariamente o procedimento. Advirta-se que o entendimento aqui esposado é francamente MINORITÁRIO. cabendo ao órgão ministerial o juízo quanto à necessidade ou não de diligencia complementar.negativa se impõe. afinal. requerer o arquivamento. IMPORTANTE!!! Advirta-se. que está demonstrada HIPÓTESE AUTORIZADORA DE ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA. a sua colocação em liberdade é de rigor. Sem os indícios de autoria e da materialidade. se cabalmente demonstradas ab initio. não deve promover a denúncia.  Faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal. deve promover o arquivamento. com muita razão não há lastro para a manutenção da prisão. o titular da ação penal.  Fato evidentemente não constitui crime. #Quais são as hipóteses que autorizam o pedido de arquivamento? São os casos de rejeição da denúncia. Já se entender que não é caso de oferecer a denúncia. Tem prevalecido a tese de que a interpretação deve ser restrita às hipóteses de atipicidade. 397. ao invés de denunciá-lo. pela absoluta ausência de elementos mínimos a indicar a autoria ou a materialidade delitiva. Havendo excludente de ilicitude ou de culpabilidade. I). sob a justificativa de que o processo deve ser deflagrado para que o réu seja absolvido.

Para os autores. IMPORTANTE!!! Também não há de se falar em ação privada subsidiária da pública se houve manifestação pelo arquivamento. contemplando o recurso em sentido estrito para combater decisão de arquivamento da representação nas contravenções do jogo do bicho e de aposta de corrida de cavalos fora do hipódromo. requerendo o promotor o arquivamento. nem mesmo se surgissem novas provas por ofensa à coisa julgada material. propício o arquivamento. e se o promotor requereu o arquivamento. contudo é proferida ainda na fase pré- processual. declare expressamente a extinção da punibilidade. não assistiria razão para que terceira pessoa recorresse. ela só tem cabimento nas hipóteses de INÉRCIA do MP. seja quando presente a prescrição. de forma excepcional. em ato que desafia correição parcial.508/51. sendo a ação pública privativa do MP. certificar-se o direito com a sentença absolutória. ou qualquer outra causa semelhante.adequado seria o oferecimento da denúncia. o referido dispositivo não foi recepcionado pela CF. ou seja. Neste raciocínio. IMPORTANTE!!! Arquivado o IP ou as peças de informação. estando presente causa extintiva da punibilidade. a decisão. afinal o direito de punir não mais poderá ser efetivado. se o arquivamento é realizado com base na PROVA DA ATIPICIDADE DO FATO.7º da Lei 1521/51. nada impede que em momento posterior haja o oferecimento da denúncia acerca daquele mesmo fato desde que surjam novas provas. não certificando o direito e por consequência não faz coisa julgada. Obs. É o posicionamento do STF. afinal. Por sua vez. FAZ COISA JULGADA MATERIAL. Há também a previsão do art. Ocorrendo divergência do magistrado quanto ao pedido de arquivamento – incorporando a função anômala de fiscal do princípio da obrigatoriedade da ação 32 . sem requerimento ministerial. estando o promotor convencido de que existe lastro suficiente que faça concluir que o fato é atípico. A decisão homologatória do pedido de arquivamento é irrecorrível. para iniciado o processo. não haveria razão alguma para o exercício da ação penal. Por sua vez. ao invés de simplesmente arquivar o inquérito ou as peças de informação. prevendo o recurso de ofício da decisão que arquivar o inquérito nos crimes contra a economia popular e contra a saúde pública. O mais adequado é que o magistrado. estará tumultuando arbitrariamente o procedimento. já que emana do magistrado. e se o pedido for homologado nestes exatos termos. IMPORTANTE!!! A homologação do arquivamento tem natureza administrativo- judicial. certamente não está sendo desidioso. A exceção é tratada pelo art. elementos até então desconhecidos que revelem a autoria ou a materialidade da infração. IMPORTANTÍSSIMO!!! É importante salientar que segundo o STF. 6º da lei 1. não havendo contemplação legal de recurso para combatê-la. não será admissível denúncia. afinal. se o magistrado promove o arquivamento ex officio. Logo.

afinal atua por delegação (longa manus) do Procurador Geral. pode o delegado de policia validamente colher qualquer elemento que possa simbolizar a existência de prova nova. para que a deliberação final seja dada por órgão superior do próprio Ministério Público. determinar que outro promotor promova a denúncia. incorrendo o processo iniciado em nulidade manifesta. estará obrigado a promover a denúncia. invocando o artigo 28 do CPP. sem a necessidade de intervenção judicial. Decorre nesta última hipótese. Enquanto o IP estiver arquivado. na esfera federal). Poderá ocorrer o arquivamento implícito ainda. insistir no arquivamento. percebendo o magistrado a omissão ministerial. vinculando assim o magistrado à homologação do pedido. deixando de se manifestar em relação aos demais. Arquivamento IMPLÍCITO – é o fenômeno de ordem processual decorrente do titular da ação penal deixar de incluir na denúncia algum fato investigado (arquivamento implícito objetivo) ou algum dos indiciados (arquivamento implícito subjetivo). oferece denúncia. É a aplicação do princípio da devolução. Da mesma forma. 28. 28 com relação ao que foi omitido na peça acusatória. onde o magistrado remete a solução da divergência quanto à propositura da denúncia ou à efetivação do arquivamento a órgão do próprio Ministério Público. lacunoso. Poderá então o PGJ (ou a respectiva Câmara de Coordenação e Revisão. deve o magistrado. Caso o magistrado não invoque o art. Este arquivamento se consuma quando o juiz não se pronuncia na forma do art. quando em momento posterior o promotor deseje aditar a denúncia para lançar o terceiro criminoso ou a infração não contemplada. sem expressa manifestação ou justificação deste procedimento. de um arquivamento expresso falho. IMPORTANTÍSSIMO!!! Desarquivamento – O desarquivamento é ATO PRIVATIVO DO MP. convencido da existência de novas provas (súmula 524 STF). Destarte.penal pública. contudo. acatando as alegações do magistrado. O outro órgão designado. Melhor seria dizer arquivamento tácito. invocando o art. ocorrendo quando o promotor. exercendo a ação penal. exige-se a existência de prova nova. 33 . oferecer ele próprio a denúncia. na condição de PGJ. remetendo-os rapidamente ao magistrado. e remeta os autos para que outro promotor ofereça a denúncia. respeitando assim a independência funcional do membro da instituição que requereu o arquivamento. Poderá diretamente. ou ainda. quando o promotor requeira o arquivamento expresso em razão de algumas infrações ou de alguns criminosos. O ato jurídico do desarquivamento ocorreria com o oferecimento da denúncia. haverá frontal violação ao princípio do promotor natural e ao devido processo legal. que está condicionada ao surgimento de novas provas. 28. É nascido em razão da omissão ministerial que passa despercebida pelo magistrado. acatando as alegações do promotor de justiça. remeterá os autos ao Procurador Geral. remeter os autos ao PGJ.

Caberá ao Colégio de Procuradores. restaria. Em situações drásticas. Arquivamento INDIRETO – o que se tem chamado de arquivamento indireto nada mais é do que a HIPÓTESE DO MP DEIXAR DE OFERECER DENÚNCIA POR ENTENDER QUE O JUÍZO É INCOMPETENTE. remetendo os autos ao Procurador Geral. afinal. o STJ sustenta que o silêncio do parquet no que toca a acusados cujos nomes só aparecem em momento subseqüente ao aditamento da denúncia não importa em arquivamento quanto a eles. encerrado o inquérito policial e remetido a juízo. oferecer a ação sem o inquérito. NEM PELA JURISPRUDÊNCIA. Caso o magistrado discorde do pleito ministerial. que se retrata antes da denúncia ser oferecida. e volte a representar. 28. a vítima decairá do direito de representação. Restaria ao Colégio de Procuradores de Justiça. como no caso da vítima de crime de ação pública condicionada à representação. deve-se aguardar a iniciativa da vítima. Subsiste. nos termos da Lei Orgânica. decisão de arquivamento de inquérito policial ou peças de informação determinada pelo PGJ. para evitar a decadência.  Crimes de AÇÃO PENAL PRIVADA Nos crimes de ação penal privada. deliberar se designa outro membro da instituição para oferecer denúncia. nos casos de sua atribuição originária. NEM PELA DOUTRINA. 28 do CPP. SÓ SE CONSIDERANDO ARQUIVADO O PROCESSO MEDIANTE DECISÃO DO JUIZ. assim que concluído. invocar o art. provocado administrativamente. e a possibilidade da realização do desarquivamento irá desaparecer. resta à vítima. por traslado. justamente por ausência de disciplina legal. nas ações em que o mesmo atue originariamente. por analogia. sejam entregues ao requerente. para que este delibere a respeito. requerendo ao juízo que seja ele lançado aos autos. Se isso não ocorrer. O que era provisório passará a ser então definitivo. não há como o relator no Tribunal invocar o art. Nada impede que os autos do inquérito. Neste sentido. Arquivamento ORIGINÁRIO – se o requerimento de arquivamento parte direto do Procurador Geral. aguardando que eventualmente a vítima se arrependa. o pedido já emana do próprio Procurador-Geral. para que acesse os autos da investigação que estão disponíveis em cartório. através do seu advogado. no intuito de oferecimento da queixa-crime. como via única. Arquivamento PROVISÓRIO – é possível que o arquivamento se origine da ausência de uma condição de procedibilidade. Restaria ao MP promover o arquivamento. majoritariamente. requerendo a remessa dos autos ao órgão competente. 34 . em substituição ao Procurador Geral. mediante requerimento do legítimo interessado. a homologação. O ARQUIVAMENTO IMPLÍCITO NÃO TEM SIDO ACEITO. ou se mantém o arquivamento. rever.IMPORTANTE!!! Cumpre destacar que. se o inquérito não estiver concluído. como não há como obrigar o promotor a oferecer denúncia. IMPORTANTE!!! A pendência do inquérito policial NÃO prorroga o prazo que a vítima dispõe para exercer a ação.

no art. aos Juizados Especiais Criminais. não cabe ao magistrado esse papel. Mas IMPORTANTE ressaltar que esse controle nada tem a ver com subordinação hierárquica. os crimes com pena máxima não superior a dois anos e todas as contravenções penais comuns.2 CONTROLE EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL Caberá ao MP exercer o controle externo da atividade policial. 69. razão pela qual entendem os autores que a previsão é flagrantemente inconstitucional. Caso a mesma. 15. 15. Por sua vez. a substituição do inquérito policial pela confecção do termo circunstanciado de ocorrência (TCO). ultrapassado o prazo de seis meses. incontinente. inadvertidamente. a Lei de Tóxicos prevê a presidência da lavratura do TCO pelo magistrado.1 TERMO CIRCUNSTANCIADO Nos crimes de menor potencial ofensivo. opera-se a DECADÊNCIA. SÚMULAS APLICÁVEIS  STJ 234. e com isso. visando imprimir celeridade. contendo breve e sucinta narrativa que descreve sumariamente os fatos e indica os envolvidos e eventuais testemunhas.CONSIDERAÇÕES FINAIS 15.  STF 35 . Obs. a lavratura será realizada pela autoridade policial. nos delitos de porte para uso de substância entorpecente e cultivo ou semeio para consumo. na forma da lei complementar. Na falta do magistrado. requeira o arquivamento do inquérito. Não há que se falar em arquivamento do inquérito nos crimes de iniciativa privada. Se a vítima não deseja oferecer a ação. o legislador. como regra. quais sejam. tratados pela lei 9099/95. que é uma peça despida de rigor formal. prevê. É mera irregularidade a realização de inquérito policial ao invés de termo circunstanciado. e por conseqüência dando ensejo à extinção da punibilidade. de iniciativa dos respectivos Procuradores Gerais da União e dos Estados. estará renunciando ao direito de ação. Na atual ordem constitucional. O controle da atividade policial judiciaria pelo MP prescinde de qualquer vinculação administrativa ou hierárquica entre as duas instituições. A participação de membro do MP na fase investigatória criminal não acarreta seu impedimento ou suspeição para o oferecimento de denúncia. devendo ser remetido. basta ficar inerte.

não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas. Arquivado o inquérito policial.397. 524. em caso de crime cometido nas suas dependências. consoante o regimento. compreende. por despacho do juiz. a requerimento do promotor de justiça. O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. 36 . a prisão em flagrante do acusado e a realização do inquérito.

o direito de ação terá sido exercido. resta aos interessados. De pronto. 3. Sendo a jurisdição inerte. Quanto ao interesse-necessidade. b) Abstrato – independe do resultado do processo. através do exercício do direito de ação. sendo como regra o MP e excepcionalmente a própria vítima ou seu representante legal. devendo a inicial acusatória ser rejeitada. com o exercício da ação criminal. AÇÃO PENAL 1. c) Subjetivo – o titular do direito é especificado na própria legislação. por outras formas de contenção de conflitos. incompatibilizando-se com uma aferição da própria tipicidade. e estando a autotutela banida. e) Instrumental – é o meio para se alcançar a efetividade do direito material. se o fato narrado na inicial evidentemente não constituir infração penal. 37 . que surge com a ocorrência da infração penal. d) Público – a atividade provocada é de natureza pública. pedido possível é aquele. em tese. com respaldo legal.CARACTERÍSTICAS a) Autônomo – o direito de ação é preexistente à pretensão punitiva do Estado. do ordenamento jurídico. adequação e utilidade. Assim.1 CONCEITO São os requisitos necessários e condicionantes ao exercício regular do direito de ação. 2. provocar a jurisdição no intuito de obter o provimento jurisdicional adequado à solução do litígio. Mesmo que a ação tenha sido julgada improcedente.CONCEITO É o direito público subjetivo de pedir ao Estado-Juiz a aplicação do direito penal objetivo ao caso concreto. sendo a ação exercida contra o próprio Estado. o que se objetiva identificar é se a lide pode ser resolvida na seara extrajudicial. b) Interesse de agir – materializa-se pelo trinômio necessidade. não será possível instaurar a ação penal. a) Possibilidade jurídica do pedido – exige-se que a providência requerida pelo demandante seja admitida pelo direito objetivo. ou se é necessário o uso das vias regulares.CONDIÇÕES DA AÇÃO 3. O direito de ação não se confunde com o direito material. como regra.

afinal. esta eleição do mecanismo a ser empregado é vital ao preenchimento da condição da ação em estudo.234/2010 deu o primeiro passo para fulminar a prescrição 38 . IMPORTANTE!!! Em que pese a coerência da prescrição virtual. afinal. ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada”. ainda que. 383 do CPP. o mesmo só existe se houver esperança. sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa. em conseqüência de definição jurídica diversa. fazer justiça com as próprias mãos caracteriza infração penal (art. Na seara criminal o interesse-necessidade é presumido. 383. desejando a parte trancar a persecução penal iniciada para apurar infração apenada tão somente com multa. antecipada ou em perspectiva. Neste sentido. aduzindo que “não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa. O juiz. ao sentenciar. o juiz procederá de acordo com o disposto na lei. houver possibilidade de proposta de suspensão condicional do processo. Já quanto ao interesse-utilidade. a Lei 12. Em relação ao interesse-adequação. e não o HC. CP). valendo-se do art. Art. em conseqüência. Poderíamos imaginar a hipótese do membro do Ministério Público deixar de promover a ação penal. da realização do jus puniendi estatal. § 1o Se. é incompatível com a concepção da pessoa jurídica a liberdade de locomoção. sendo fundamental a solução da lide no seio do judiciário. tenha de aplicar pena mais grave. corrigi-lo. De fato. em face da possível pena que será aplicada na sentença final. provavelmente operar-se-á a prescrição retroativa – prescrição virtual. cominando- se apenas multa. o erro quanto ao tipo de reprimenda requerida não impede o recebimento da petição inicial. com a aplicação da sanção penal adequada. Eugênio Pacelli aponta a absoluta inutilidade do interesse-adequação nas ações penais de caráter condenatório. No mesmo raciocínio. a este serão encaminhados os autos. como a solução do litígio vazado em juízo pressupõe a entrega ao julgador de meio hábil a solucioná-lo. mesmo que remota. antecipada ou em perspectiva (reconhecimento da carência de ação pela falta de interesse-utilidade). não há o risco de restrição à liberdade de locomoção. pois. a súmula 693 do STF. pautando sua fundamentação na inutilidade da demanda. o meio adequado é o mandado de segurança e não a ação de habeas corpus. A seu turno. requerendo o arquivamento. poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa. pois a matéria estaria melhor vinculada à forma do que propriamente ao interesse do demandante. Importa salientar a crítica doutrinária quanto ao tratamento da adequação na perspectiva do interesse de agir. § 2o Tratando-se de infração da competência de outro juízo. pois. o equívoco na escolha do meio não significa que o demandante não tenha interesse. cabendo ao magistrado. Valendo-nos de um elucidador exemplo. se a pessoa jurídica figurar como indiciada ou ré na demanda penal. a ação de impugnação hábil a socorrê-la é o mandado de segurança. 345. afinal.

O STJ por sua vez sumulou a matéria. independentemente da existência ou sorte do processo penal. CPP). d) Justa Causa – a ação só pode ser validamente exercida se a parte autora lastrear a inicial com um mínimo probatório que indique os indícios de autoria. Reduziu-se assim o âmbito da aferição do instituto. Causas objetivas de punibilidade 39 . Neste sentido manifesta-se o STJ. No pólo ativo deve figurar como regra o MP. titularizando as ações de iniciativa privada. estando a pessoa jurídica no polo ativo da ação. As fundações. da materialidade delitiva. já que a prescrição virtual esta diretamente ligada a provável incidência da prescrição retroativa. Condições genéricas Condições específicas Condições de procedibilidade  Legitimidade ad causam  Representação  Interesse de agir  Requisição do Ministro da Justiça  Possibilidade jurídica do pedido  Justa causa.virtual dizendo que A PRESCRIÇÃO NÃO PODE TER POR TERMO INICIAL DATA ANTERIOR A DENÚNCIA OU QUEIXA CRIME. devendo ser representadas por quem os respectivos contratos ou estatutos designarem ou. associações ou sociedades legalmente constituídas poderão exercer a ação penal. lançando-se no pólo passivo. e) Condições específicas – a exemplo da representação da vítima ou da requisição do Ministro da Justiça. ou o particular (querelante). pelos seus diretores ou sócios- gerentes. É o fumus commissi delicti (fumaça da prática do delito) para o exercício da ação penal. titular exclusivo da ação penal pública. É importante destacar que segundo a atual ordem constitucional. a pessoa jurídica pode figurar no pólo passivo da demanda criminal. Art. sem nenhum critério. no silêncio destes. De acordo com o art. mas também contra a pessoa física responsável pela administração da mesma. tem sido aplicada a TEORIA DA DUPLA IMPUTAÇÃO. 37. e a ação deve ser manejada não só em face da pessoa jurídica infratora. Resumindo!!! Pessoa jurídica pode figurar tanto no polo ativo quanto no polo passivo da ação penal. IMPORTANTE!!! Na responsabilização criminal da pessoa jurídica. pleiteando em nome próprio direito alheio (o ius puniendi pertence ao Estado). chancelando a inadmissibilidade da extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com fundamento em pena hipotética. São as condições de procedibilidade e as causas objetivas de punibilidade. qualquer pessoa. c) Legitimidade – pertinência subjetiva da ação. 395. ela será representada por quem os respectivos contratos ou estatutos designarem. não se pode permitir que a ação seja uma aventura irresponsável. e da constatação da ocorrência de infração penal em tese (art. 37 CPP. porém na condição de substituto processual. III. Como a instauração do processo já atenta contra o status dignitatis do demandado.

extinguindo então o processo sem enfrentamento meritório. no julgamento do Presidente da República. o processamento ocorreu em face de alguém que não participou da infração penal. 3. Ex: ficando demonstrado cabalmente ao final da instrução que a imputação feita na inicial se deu em detrimento de pessoa diversa. 420. deve o magistrado absolvê-lo. após a pronúncia.  Sentença que decreta a falência. do CPP. levaria fatalmente à extinção do processo sem julgamento do mérito. o que levaria à carência da ação e extinção do processo sem exame do mérito. 40 . tal expediente pode nos levar a situações de absoluta perplexidade. do autor de crime praticado no estrangeiro. Enquanto isso não ocorria. é dizer. Contudo. ao fundamento de que AS CONDIÇÕES DA AÇÃO DEVEM SER AFERIDAS DE ACORDO COM A NARRATIVA CONSTANTE NA INICIAL ACUSATÓRIA. Nos crimes inafiançáveis de competência do Júri. será intimado por edital.  Ingresso no País. afirma que a demonstração das condições da ação comporta inclusive a dilação probatória para convencer o magistrado da presença ou não das mesmas. A segunda. pela Câmara dos Deputados. por ausência de uma das condições da ação penal? Divide-se a doutrina em duas correntes: uma primeira. titularizada por Liebman. a necessidade do agente recobrar a higidez mental nas hipóteses de insanidade superveniente. Com a nova previsão do art. pois. o que em última análise. como condição de prosseguibilidade. pela pendência de um ato processual sem o qual o processo não podia prosseguir. Obs. o processo fica paralisado. defendida por Barbosa Moreira. É mais um caso de crise de instância. Ex. Condições de prosseguibilidade – esta seria uma condição para continuidade da ação já deflagrada.  Declaração da procedência da acusação. entretanto.2 OPORTUNIDADE PARA VERIFICAÇÃO DAS CONDIÇÕES DA AÇÃO Valendo-nos por analogia ao art. no crime de induzimento a erro no matrimônio. §3º. Era a CRISE DE INSTÂNCIA. IMPORTANTE!!! Pode-se cogitar. se o pronunciado solto não for encontrado. 267. o feito ficava paralisado. do CPC. ou reconhecer que se operou a ilegitimidade passiva ad causam. levaria à aplicação da TEORIA DA ASSERÇÃO OU PROSPETTAZIONE. o processo só prosseguia após a intimação pessoal do réu daquela decisão. parágrafo único.  Sentença anulatória do casamento. Alexandre Freitas Câmara. concluímos que a ausência das condições da ação pode ser reconhecida a qualquer tempo. enfrentando o mérito. e a prescrição corre normalmente. ilidindo-se assim a paralisação do procedimento. enquanto isso não ocorre.

24.1 AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA 4. a provocação do Ministério Público por qualquer do povo. quando a lei o exigir. esta será promovida por denúncia do Ministério Público. IMPORTANTE!!! Por esta segunda posição. em troca do evitamento do processo. a ação penal será pública. IMPORTANTE!!! Art. meramente superficial. afinal. O chamado processo judicialiforme (ou ação penal ex officio). Superada esta fase. ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. este analisaria a presença ou não das condições da ação de acordo com aquilo que foi narrado pelo autor da demanda. aquilo que anteriormente tratamos como condição da ação deve ser reputado MATÉRIA DE MÉRITO. a possibilidade da OFERTA DA TRANSAÇÃO PENAL. Apresentada a inicial ao magistrado. Constitui a regra em nosso ordenamento. medida alternativa. mas dependerá. 129 da CF. nas infrações de menor potencial ofensivo. 4. 41 . ofertando denúncia para que o processo seja iniciado. o MP está obrigado a patrocinar a persecução criminal. quando praticado em detrimento do patrimônio ou interesse da União. Não cabe ao MP o juízo de conveniência e oportunidade. cabendo ao juiz absolver ou condenar o réu. § 2o Seja qual for o crime. Obs. não privativa de liberdade. do art. encontra-se revogado pelo inciso I. No transcorrer deste. o momento oportuno para a discussão acerca das condições da ação seria o da admissibilidade da inicial. a titularidade da ação penal pública foi conferida ao MP.1. O CPP autoriza. Estado e Município. resta ao magistrado o enfrentamento meritório. sendo impensável o exercício da ação por iniciativa do delegado ou do magistrado.1 Princípios informadores a) Da obrigatoriedade – estando presentes os requisitos legais. prevendo a possibilidade de. encampado pelos artigos 26 e 531 do CPP.1 Conceito e titularidade É titularizada pelo MP e prescinde de manifestação de vontade da vítima ou de terceiros para ser exercida. o início da ação ocorrer através de auto de prisão em flagrante ou por portaria emanada da autoridade policial ou judiciária. Nos crimes de ação pública. IMPORTANTE!!! Princípio da obrigatoriedade mitigada ou da discricionariedade regrada. Concluindo que estão atendidas as condições da ação por esta análise prelibatória. deve receber a inicial dando início ao processo. fornecendo informações sobre a possível infração ocorrida.1.CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES 4. nos crimes de ação penal pública. em algumas infrações. Nada mais é do que. de requisição do Ministro da Justiça. 4.

uma vez proposta a ação. Apesar de não poder dispor da ação. etc. Contudo. c) e desde que também presentes os requisitos que autorizem a concessão de sursis. autorizando que. pleitear a absolvição do réu. o MP. Percebe-se que o MP não é obrigado a recorrer. b) Da indisponibilidade – como decorrência do princípio da obrigatoriedade. não poderá desistir do recurso manejado. distinguindo-se da transação norte-americana (plea barganing). o MP não pode dela dispor. 42 . f) Da indivisibilidade – a ação penal deve estender-se a todos aqueles que praticarem a infração criminal. A transação penal brasileira NÃO implica o reconhecimento de culpa nem importará em reincidência. nas infrações com pena mínima não superior a um ano. como os autores. Tourinho Filho. o juiz declarará extinta a punibilidade.Obs. posição contrária a aqui esboçada. e até recorrer para beneficiá-lo. o MP é movido pelo princípio da obrigatoriedade. desistir do recurso interposto. sequer. Assim. entretanto. Esta posição tem prevalecido dentro do STF e do STJ. não havendo de se falar em renúncia ao direito de ação. IMPORTANTE!!! Cumpre ainda observar que o MP não é um colecionador de condenações. assumindo o relevante papel de guardião da sociedade e fiscal da lei. qual seja. Neste sentido. a doutrina majoritária: LFG. e) Da oficiosidade – deve o MP atuar ex officio. Não pode o órgão ministerial. o processo poderia ser desmembrado. ao argumento de que. Mesmo para aqueles que defendem o princípio da indivisibilidade. a fase recursal é um desdobramento do direito de ação. Passado o período de prova e não descumpridas as condições especificadas na proposta. utilizando-se o promotor do aditamento da denúncia para posteriormente lançá-los aos autos. o parquet tem o dever de ofertar a denuncia em face de todos os envolvidos. filiando-se ao princípio da divisibilidade. pode validamente. afinal. é ponto pacifico que a oferta da denúncia contra parte dos delinquentes não impede o aditamento para lançamento dos demais réus incidentalmente descobertos. São requisitos da suspensão condicional do processo: a) período de suspensão de 2 a 4 anos. Há. seja proposta a SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO. optando o MP por angariar maiores elementos para posteriormente processar os demais envolvidos. onde a composição pressupõe a assunção da culpa pelo transacionado. afinal. A ação penal pública incondicionada não carece de qualquer autorização para instaurar-se. IMPORTANTE!!! A lei 9099/95 também trouxe uma mitigação ao princípio da indisponibilidade. em sede de alegações finais. se o fizer. d) Da autoritariedade – o promotor de justiça é autoridade pública. impetrar habeas corpus em favor deste. b) o réu não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime. c) Da oficialidade – a persecução penal in juízo está a cargo de um órgão oficial.

ainda. caso a vítima apresente queixa-crime por equívoco. Assim. trata-se de ação pública. pode ser destinada à autoridade policial. Obs. afinal.2 AÇÃO PÚBLICA CONDICIONADA 4. estejam obrigados a indenizar a vítima pelos danos causados pelo delito. permissivo este tecnicamente denominado representação. ao Ministério Público ou ao próprio juiz. por seu representante ou por procurador com poderes especiais (não precisa ser advogado).1 Conceito e considerações A ação penal pública condicionada é também titularizada pelo MP. Nestas duas últimas hipóteses. O importante é que a vítima revele o interesse claro e inequívoco de ver o autor do fato processado. Entretanto.g) Da intranscendência ou da pessoalidade – a ação só pode ser proposta contra quem se imputa a prática do delito. De acordo com o STJ. imaginando tratar-se de crime de iniciativa privada. a permissão. que o magistrado remeta a mesma diretamente ao MP. quanto perante o magistrado ou membro do Ministério Público. 4. ofertada pela vítima. e pode ser apresentada oralmente ou por escrito.  Os destinatários – a representação. tanto na delegacia. O falecimento do autor da infração não impede que os herdeiros. dentro das forças da herança. Nada impede que em havendo lastro probatório embasando a representação e apto a viabilizar o exercício da ação. e também não pode sequer ser iniciado o IP. ser dada na forma de requisição oriunda do Ministro da Justiça por uma opção cabalmente política. para o seu exercício válido. o legislador optou por condicioná-la a um permissivo externado por esta ou seu representante legal.2. nem mesmo o auto de prisão em flagrante poderá ser lavrado sem que a vítima autorize.  Ausência de rigor formal – é peça sem rigor formal. Sem ela a persecução penal não se inicia. Muitas vezes o constrangimento de reconstruir os fatos já passados e expor a intimidade em juízo ou na delegacia é mais desgastante do que a própria impunidade do criminoso. Pode. caberá a promoção do arquivamento da representação. porque há ofensa à vítima em sua intimidade. É um pedido autorizador feito pela vítima ou por seu representante legal. será remetida a autoridade policial para que esta proceda o inquérito. A demanda não pode prejudicar terceiros que não tenham concorrido de alguma forma para o cometimento da infração.  REPRESENTAÇÃO É uma CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE para que possa instaurar-se a persecução criminal. Não pode haver a propositura da ação. Já se o parquet entende que evidentemente não se trata de infração penal. a mesma pode validamente 43 . a exemplo das ações deflagradas com o propósito de apurar crime cometido contra a honra do Presidente da República e de chefe de governo estrangeiro.

deve a vítima apresentar a representação à autoridade que esteja de plantão.  Menor representado – integralizando 18 anos. que começou a correr do conhecimento da autoria da infração. restaria como solução sugerida por LFG.  Ausência de vinculação do Ministério Público – a representação é uma autorização e um pedido para que a persecução seja instaurada. nos casos de ausência de representante legal dos menores. no prazo de seis meses DO CONHECIMENTO DA AUTORIA (e não do cometimento do crime) da infração penal. O prazo decadencial só passa a contar a partir do evento da maioridade. afinal. quando da elaboração do termo circunstanciado (TCO). inclui-se o dia do início e exclui-se o do vencimento. poderá representar? Não. ascendentes. Neste caso. IMPORTANTE!!! É sempre bom frisar que o curador não está obrigado a representar.  A sucessão processual – em caso de morte ou declaração de ausência da vítima. Por ser prazo de NATUREZA DECADENCIAL. não haverá prorrogação para o primeiro dia útil subsequente. O curador é verdadeiro substituto processual. nitidamente desnecessário.  Prazo de sua contagem – a representação deve ser ofertada. como regra. Cabe a ele ponderar a conveniência ou não da representação em face dos interesses da vítima. Assim. contudo. descendentes ou aos irmãos. #E se for emancipado. o direito de representar passa ao cônjuge (incluída a companheira). uma vez frustrada a composição civil dos danos. O risco. ainda na delegacia de polícia. ou seja. a prudência exige que a autoridade policial. Caso se encerre em final de semana ou feriado. evitando-se a frustração da representação pelo decurso do tempo. a representação da vítima. não há mais de se falar em representante legal àquele que por lei. isto é. quando só então poderá representar.ser encarada como representação. ou aguardar o mesmo completar 18 anos. Tal é o desapego ao formalismo. em havendo a constatação de que na verdade se trata de crime de ação pública condicionada. é a ocorrência da prescrição. não é ordem nem vincula o promotor de justiça. que pode. de quando a vítima toma ciência de quem foi o autor do crime. A lei 9099/95 prevê que a representação será apresentada oralmente na audiência preliminar. Contudo corre-se o risco desta audiência ser realizada após o decurso do prazo decadencial de seis meses. O código prevê a figura do curador especial para oferecer a representação. já colha. é contado na forma do artigo 10 do CP. em sua peça acusatória enquadrar a conduta delituosa em dispositivo legal diverso 44 . atuando em nome próprio. ordem preferencial e taxativa. não se suspende nem se prorroga. em se tratando de retardados mentais e pessoas mentalmente enfermas ou quando os interesses do representante legal colidirem com o do menor. Obs. na defesa de interesse alheio. inclusive. Este prazo também não se interrompe. é absolutamente capaz. ou nomear-se curador especial.

o MP pode. ANTES DO RECEBIMENTO (ou seja. Deverão apenas ser respeitados o prazo decadencial de seis meses e o oferecimento da denúncia. IMPORTANTÍSSIMO!!! Em julgado recente.  IMPORTANTE!!! Eficácia objetiva – se a vítima indica na representação apenas parte dos envolvidos.  Retratação – enquanto não OFERECIDA a denúncia (o seja. Para a doutrina majoritária. dando interpretação conforme a CF. até o oferecimento da denúncia). 45 . Ex: crimes cometidos por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil.340/2006). Permanecendo a omissão. a exigência da representação é tão somente para constatação de que a vítima deseja ver processados os infratores. deve o Ministério Público provocá-la a se manifestar quanto ao co-réu ou partícipe não indicado. ofertar denúncia contra os demais co-autores ou partícipes. porém mais acertada. que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. daquele eventualmente apontado pela vítima. promover o arquivamento. ou até mesmo. de pronto.  Requisição do Ministro da Justiça É um ato de conveniência política. OPERADA A MANIFESTAÇÃO DE VONTADE. até o recebimento) da denúncia e ouvido o MP – intuito de inibir eventual coação à mulher agredida para que retire a representação. em assim entendendo. mormente em decorrência do princípio da indivisibilidade da ação penal. entendendo que a retratação da representação implicaria em renúncia ao direito de representar e conseqüente extinção da punibilidade. Em que pese esta ser a posição francamente majoritária tanto na doutrina quanto na jurisprudência. sem a necessidade de nova manifestação de vontade da mesma. Para Tourinho Filho a denúncia poderá ser apresentada em relação aos demais partícipes do mesmo fato. como a persecução penal é pública. CABE AO PARQUET DELINEAR OS LIMITES SUBJETIVOS DA DENÚNCIA. a vítima pode retratar-se e reapresentar a representação quantas vezes entender conveniente (cabe retratação da retratação). inibindo o início do processo. Em posição francamente minoritária. em audiência especialmente designada com tal finalidade. deve ser reconhecida a renúncia ao direito de representar. a vítima pode retratar-se da representação. a cargo do Ministro da Justiça. Afinal. cabe ressaltar a posição minoritária. decidiu que o crime de lesão leve contra a mulher (lei Maria da Penha) é de ação penal pública incondicionada. o que operaria a extinção da punibilidade em benefício de todos os envolvidos na infração penal – LFG. prevê que só será admitida a renúncia à representação perante o juiz. encontra-se Tourinho Filho. IMPORTANTE!!! A Lei Maria da Penha (11. autorizando a persecução criminal nas infrações que a exijam. no sentido de que caso a vítima represente apenas elencando parte dos envolvidos. o STF.

enquanto a infração não estiver prescrita. ou a punibilidade não estiver extinta por qualquer outra causa. a crítica à manutenção das ações de iniciativa privada. A atuação subsidiária do Direito Penal. o sofrimento causado pela exposição ao processo é maior do que a própria impunidade do criminoso. denunciar os que não foram enquadrados. caso entenda que não existe justa causa para o início da demanda. se não forem contemplados todos os criminosos. em analogia à representação. sem a necessidade de aditamento pelo Ministro da Justiça. que só pode ser acionado como ultima ratio. na figura do Procurador Geral. assim como imprimir definição jurídica diversa daquela que foi apresentada. Não existe prazo decadencial para apresentar a requisição. entretanto. podendo a vítima optar entre expor a sua intimidade em juízo ou quedar-se inerte. Sendo o objetivo a proteção da vítima em face do strepitus iudici (escândalo do processo).  Prazo para oferecimento – pode ser ofertada a qualquer tempo. 5. o entendimento majoritário é no sentido de que a requisição ministerial também goza de eficácia objetiva. pois esta revelaria fragilidade do Estado brasileiro (Tourinho Filho). É crescente. admitindo-se o seu desfazimento (retratação). Pode o órgão ministerial propor o arquivamento do feito.  Destinatário – será endereçada ao Ministério Público. o MP continuaria como titular da ação.1 CONCEITO E CONSIDERAÇÕES O fundamento é evitar o constrangimento do processo. havendo forte posição no sentido da admissibilidade de retratação da requisição até o oferecimento da denúncia.AÇÃO PENAL PRIVADA 5. que exige serenidade e ponderação antes de ser apresentada. não cabe retratação da requisição. e por ser um ato de natureza política a cargo do Ministro da Justiça. o mais adequado é que os delitos de iniciativa privada migrem para o âmbito das ações públicas condicionadas à representação. dependendo da manifestação de vontade do legítimo 46 .  Retratação – por ausência de previsão legal. nos permite concluir que o interesse público na punição estará sempre presente. pois muitas vezes.  Ausência de vinculação do MP – a requisição não vincula o MP. Contudo. ao fundamento de que a requisição é acima de tudo um ato administrativo de cunho político. como admitem os atos administrativos em geral. em razão da necessária seletividade dos bens jurídicos fundamentais. não é sinônimo de ordem. a doutrina está longe de pacificar o tema. de pronto. poderá o MP.  Eficácia objetiva – assim como a representação. e por conseqüência. Desta forma.

a mesma estende-se a todos. A mera cordialidade e atos de boa educação. requerendo ao magistrado que o IP seja apenso ao processo assim que concluído. assim como aceitar indenização cível pelos danos causados pelo delito.015/09 seguiu esta tendência. No caso de morte ou declaração de ausência da vítima. descendentes e irmãos.3 PRINCÍPIOS a) Da oportunidade ou conveniência – por este princípio. não implicam em renúncia. a lei 12. migrando a persecução para iniciativa pública. restaria ao querelante propor a demanda sem o IP. 47 . A lei não faz previsão da promoção de arquivamento do inquérito policial pela vítima. deu novo tratamento à matéria.2 TITULARIDADE Cabe ao ofendido ou ao seu representante legal. A renúncia é pré-processual e irretratável. de representação do ofendido. ascendentes. Não querendo exercê-lo. Para não decair do direito. 5. 74 da lei 9099/95. IMPORTANTE!!! Se a renúncia for ofertada em benefício de apenas uma parcela dos infratores. IMPORTANTE!!! A pendência de IP inconcluso apurando infração de caráter privado não possibilita a dilação do prazo para a vítima ofertar a ação. pode ficar inerte e deixar transcorrer in albis o prazo decadencial de seis meses (contados a partir do conhecimento da autoria) para ofertar a queixa ou. que de regra eram de iniciativa privada. movida pelo desejo de não processar o infrator conhecido. e excepcionalmente. Ao que parece.  Renúncia Opera-se pela prática de ato incompatível com a vontade de ver processado o infrator. é facultado à vítima decidir entre ofertar ou não a ação. dependente. Se ela o fizer. todavia. 5. nas infrações de menor potencial ofensivo de iniciativa privada. a COMPOSIÇÃO CIVIL DOS DANOS LEVA À RENÚNCIA AO DIREITO DE AÇÃO. assistindo em contrapartida a impunidade do seu algoz. se assim o desejar. prevendo que. ou através de declaração expressa da vítima neste sentido. iniciando-se incondicionalmente. pois ela. A exceção encontra-se no parágrafo único do art. este ato implicará em renúncia tácita ao direito de ação. tendo por conseqüência a extinção da punibilidade. é a titular do direito. nesta ordem preferencial. por permissivo legal.interessado. renunciar a este direito de forma expressa ou tácita. o direito de ação transfere-se ao cônjuge (incluída a companheira). como cumprimentar o infrator. e tratando dos crimes contra a dignidade sexual. já que em razão dela o direito de ação não mais poderá ser exercido. contudo. a quem cabe dosar o que é mais conveniente: expor-se ao processo ou preservar a intimidade.

É incabível o somatório dos atrasos para o reconhecimento da sanção. IMPORTANTE!!! Havendo co-réus. seja pelo advento da perempção. sem motivo justificado. o demandado será intimado para dizer se concorda. Hipóteses: I – quando. o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 (trinta) dias seguidos – os atrasos justificados não devem implicar em perempção. o silêncio implica em acatamento. O perdão pode ser ofertado até o trânsito em julgado da sentença final. poderá o particular desistir da mesma. III – quando o querelante deixa de comparecer. A exigência de aceitação do perdão se deve ao fato da possibilidade de o réu desejar provar a sua inocência.b) Da disponibilidade – uma vez exercida a ação penal.  Perempção Esta revela a desídia do querelante que já exerceu o direito de ação. ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais. Isso porque a ação penal privada é indivisível. e não meramente a extinção da punibilidade. O perdão tácito admite todos os meios de prova. 48 . o advento de casamento entre os mesmos. qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo. para prosseguir no processo. podendo eventualmente até mesmo processar o querelante por crime de denunciação caluniosa. mediante declaração ofertada pelo querelante dentro ou fora dos autos. contudo PRECISA SER ACEITO PELO IMPUTADO (ATO BILATERAL). dentro de três dias. ou sobrevindo sua incapacidade. Uma vez oferecido o perdão mediante declaração nos autos. iniciada esta. Obs. senão não operará efeitos. seja perdoando o acusado. ressalvado o disposto no art. II – quando. objetivando obter uma sentença absolutória. sendo uma sanção processual ocasionada pela inércia na condução da AÇÃO PRIVADA (e somente esta). o prazo se inicia da morte ou do reconhecimento da incapacidade do querelante. o perdão oferecido a apenas um aproveitará aos demais.36 – não é necessária a intimação pessoal dos mesmos para seguirem no feito. desaguando na extinção da punibilidade. dentro do prazo de 60 (sessenta) dias. Portanto. O perdão poderá ser expresso. como por exemplo. ou tácito. a qualquer ato do processo a que deva estar presente. falecendo o querelante. não comparecer em juízo. com a prática pelo querelante de ato incompatível com a vontade de continuar processando o réu.  Perdão da vítima O perdão tem por conseqüência a extinção da punibilidade. Se nada disser.

manifestar-se para que o querelante se posicione quanto a sua omissão. sendo o querelante pessoa jurídica. admite a possibilidade de aditamento da queixa pelo promotor de justiça. Ausência justificada ilide a perempção. não se deve reconhecer a perempção. Quanto ao pedido de condenação nas alegações finais. como fiscal do princípio da indivisibilidade. Percebendo o órgão ministerial que o particular omitiu-se dolosamente em processar todos os envolvidos. em face da omissão do querelante. pode ocorrer perempção em face de apenas algumas delas. IV – quando. O MP. não pode aditar a queixa crime. o feito segue o seu curso regular. exige-se bastante cautela para o reconhecimento da perempção nestes casos. Promovendo o aditamento. incorrerá em renúncia. a perempção em razão de parte deles não prejudica os demais. afinal. d) Da intranscendência ou da pessoalidade – a ação só pode ser proposta contra a pessoa a quem se imputa a prática do delito. 60 do CPP.Obs. manifestar-se pela extinção da punibilidade. titular do direito de ação. Já quanto à existência de vários querelantes. lançando co-réu. Caso a presença do advogado possa substituir a do querelante. pois lhe falta legitimidade ativa ad causam. c) Da indivisibilidade – deve o particular. ao optar pelo processamento dos autores da infração. fazê-lo em detrimento de todos os envolvidos. estará renunciando ao direito de ação quanto àqueles que deixou de processar. esta escolha. IMPORTANTE!!! Havendo concurso de infrações. É da vítima. resta ao MP. É certo que o MP pode aditar a ação privada. cabendo a ele a opção entre aditar ou não a queixa crime. Tourinho Filho. não há de se falar em perempção. O ADITAMENTO DO MP RESTRINGE-SE A CORREÇÕES DE ORDEM FORMAL. o que desaguará na extinção da punibilidade. dispondo de 3 dias para fazê-lo. Não o fazendo. 49 . ainda em parecer. #E se o querelante for omisso na apresentação das alegações finais? Se esta omissão implicar na paralisação do processo por 30 dias seguidos. resta. Se da narrativa feita em alegações finais deduzir-se o desejo de condenação. esta se extinguir sem deixar sucessor. Já se a omissão do querelante foi involuntária. deve ser reconhecida a perempção com base no inciso I do art. mesmo sabendo da existência de outros e tendo elementos para processá-los (justa causa). Os autores não concordam. mas isso não lhe dá o direito de inserir outros réus na demanda. contrariando o aqui esboçado. em parecer. lançando novos réus ao processo. quando o querelante ajuíza a ação lançando no pólo passivo apenas parte dos envolvidos.

o direito de ação só poderá ser exercido pela vítima. Lembrar!!! O MP só não pode aditar a queixa para lançar co-réu em ação exclusivamente privada (ou personalíssima). restará o reconhecimento da extinção da punibilidade. iniciados. já que o adultério. não se manifestando pelo arquivamento dos autos do inquérito policial. que. descendentes e irmãos. c) Subsidiária da pública ou supletiva – encontra previsão constitucional expressa. ou seja. gozando como regra do prazo de seis meses. nos prazos legais. O único exemplo no ordenamento de infração sujeita à ação personalíssima é o crime de induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento ao casamento. em sendo o caso. não requisitando novas diligências. É uma mera faculdade. em última análise. deixa de atuar. não promovendo a denúncia ou. É uma forma de fiscalização da atividade ministerial. evitando eventuais arbítrios pela desídia do parquet. ascendentes. seja pela perempção. b) Personalíssima – nela. Não pode haver intervenção do representante legal e nem sucessão por morte ou ausência.4 ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL PRIVADA a) Exclusivamente privada ou propriamente dita – é aquela exercida pela vítima ou por seu representante legal. a depender da existência ou não de prisão. e estando no título reservado aos direitos e garantias fundamentais. normalmente cinco ou 15 dias. não pode ser suprimida do ordenamento nem por emenda constitucional. ATÉ MESMO PARA LANÇAR CO-RÉU. trata-se de crime de ação pública (ação penal privada subsidiária da pública – não pode na ação privada). foi revogado. seja pela decadência.  Atuação do MP Figura como interveniente adesivo obrigatório. atuando em todos os termos do processo. cabendo ao particular optar entre manejar ou não a ação. Se a vítima for menor de 18 anos. terá de aguardar completar a maioridade para exercer a ação. afinal. 50 . Esta ação caracteriza-se pela possibilidade de sucessão nos casos de morte ou ausência da vítima pelo cônjuge (incluída a companheira). que também servia como exemplo. Tem cabimento diante da INÉRCIA do MP. Se doente mental. ou ainda. Enquanto isso. terá de recobrar a sanidade. sob pena de nulidade. contudo. sendo verdadeira cláusula pétrea.5. caso a ação ainda não tenha sido exercida. Caso o ofendido venha a falecer. caso a demanda já esteja em curso. o prazo decadencial não estará correndo. Caberá ao MP dentre outras atribuições:  Aditar a queixa. do encerramento do prazo que o MP dispõe para atuar.

deverá se manifestar pela rejeição da inicial pelo magistrado. ou seja. já se tem precedente pela admissibilidade dos mesmos nas ações de iniciativa privada. 6. Restará ao querelante afastado habilitar-se como assistente de acusação. oferecendo em substituição denúncia (denúncia substitutiva).QUESTÕES COMPLEMENTARES 6. Este último. contudo. Os absolutamente inimputáveis devem ser absolvidos. obrigando-se ao querelante vencido o pagamento de honorários ao causídico que defendeu o querelado. no caso de negligência do querelante. se entender que o autor não foi desidioso. Entendemos que o MP tem que fundamentar o repúdio. O HC tem natureza de ação penal. Caso o MP entenda que a ação proposta pelo particular não atende aos mínimos requisitos legais. atuando o querelante em substituição ao órgão ministerial. Quanto às custas. A ação privada subsidiária é indisponível. 51 . Na ação privada subsidiária da pública.  Fornecer elementos de prova. poderá receber a queixa-crime. Restará ao parquet impetrar HC em favor do réu. em ação destinada a aplicar-lhes medida de segurança. as custas devem ser depositadas como pressuposto para a realização do ato ou diligência. sempre que verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal à liberdade de locomoção. contudo.  Repudiar a queixa-crime apresentada. Obs. a previsão é dada pelo art. para trancar o processo iniciado. Temos. 806 do CPP. e nas hipóteses de querelante ou querelado pobres. superando a divergência acadêmica. retomar a ação como parte principal. contudo.  Interpor recurso. valendo ressaltar. é desprovida de justa causa.2 AÇÃO PENAL EX OFFICIO O processo judicialiforme é a faceta não recepcionada da chamada ação penal ex officio. sendo assim a vertente legal da chamada ação ex officio no âmbito criminal. que é aquela iniciada sem provocação da parte.1 AÇÃO DE PREVENÇÃO PENAL É aquela iniciada com o fito de aplicar exclusivamente ao demandado medida de segurança. subsumindo-se ao texto constitucional. não vinculado ao parecer ministerial. 6. conceder habeas corpus ex officio.  A todo tempo. dando assim início ao processo. que é espécie do gênero sanção penal. NÃO há de se falar no pagamento de custas ou demais despesas processuais. Afora estas exceções. que alguns Estados da Federação dispensam as custas no âmbito do processo criminal. a possibilidade dos juízes e tribunais. Já em relação aos honorários advocatícios.

provocar o Colégio de Procuradores no seio do MPE. não poderá dar ensejo à atuação do PGR. a serem apreciadas pelos órgãos de jurisdição política. Obs. 6. Com isso. Ora. e sob pena de colocar em cheque a independência funcional do MPE. Ministros de Estado. ou ainda. Questão interessante seria a hipótese do funcionário público representar e o órgão ministerial. para a ação penal nos crimes contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções.6. e do Ministério Público. ao invés de ofertar a denúncia.É CONCORRENTE a legitimidade do ofendido. perda de cargo público e proibição do seu exercício por determinado período.3 AÇÃO PENAL PÚBLICA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA Diz-se pública subsidiária da pública a ação intentada pelo Ministério Público Federal. 2º do referido diploma preconiza que “se as providências para a abertura do inquérito policial ou instauração da ação penal não forem atendidas pela autoridade policial ou pelo MP estadual. diga-se. Com efeito. condicionada à representação do ofendido. A única ação penal popular em vigor. notadamente do PGJ no âmbito de apuração dos crimes praticados por prefeito. IMPORTANTE!!! Na verdade a denúncia tratada pela lei deve ser interpretada como notícia da infração. é o habeas corpus. não haveria nenhuma incompatibilidade com a atual ordem constitucional. frente à inércia do Ministério Público Estadual nos crimes definidos no Decreto-lei nº 201/67. com permissivo no art. praticados por prefeito.5 AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A HONRA DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO Súmula 714 do STF . Os crimes de responsabilidade em verdade são infrações de caráter político. 29 do CPP. Ministros do STF. mediante queixa. que o dispositivo não foi recepcionado pela CF. por absoluta ausência de atribuição do mesmo para atuar. PGR e Governadores de Estados e seus secretários. objetivando a apuração da mesma e o julgamento político dos eventuais envolvidos. diante da letargia do PGJ. com reprimenda da mesma natureza. o §2º do art.4 AÇÃO PENAL POPULAR A lei nº 1. portanto. 6. poderão ser requeridas ao Procurador-Geral da República”.079/1950 contempla a possibilidade de qualquer cidadão oferecer denúncia nos CRIMES DE RESPONSABILIDADE praticados pelo Presidente da República. #Seria possível ao funcionário contratar advogado para promoção da ação privada? Para os autores. dar início a ação penal privada subsidiária da pública. a inércia do MP Estadual. em razão da ampla legitimidade para propositura. Ver também os crimes eleitorais. Temos. a jurisprudência sumulada é clara quando professa ser a legitimidade 52 . porém sem natureza condenatória. promover o arquivamento. Restaria.

É o que acontece.015/09. a ofertar a ação privada. para que represente se desejar. a ação passa a ser pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça. por exemplo. de sorte que a súmula 608 do STF não tem mais aplicação. 53 .1 Direito intertemporal Entendem os autores que a norma tem natureza híbrida. Por essa razão. secundariamente. retroagindo.6 AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL IMPORTANTE!!! Com o advento da lei 12. contados da respectiva notificação.6. operando-se a extinção da punibilidade. desde que atendido o prazo decadencial. Ao representar. Obs. os portadores de enfermidade ou doença mental que não possuem discernimento para a prática do ato. 6. como as que se encontram entorpecidas.  Ação pública condicionada – é a REGRA GERAL. Vulnerável é o menor de 14 anos. temos o que a doutrina chama de ação penal secundária. tratando-se do Presidente. a não ser que ocorra inércia do MP. 91 da lei 9099/95. com a calúnia contra o Presidente da República.7 AÇÃO PENAL SECUNDÁRIA Quando as circunstâncias aplicadas ao caso fazem variar a modalidade de ação a ser intentada. a posição do STF.concorrente e não subsidiária. o funcionário não se despiu da legitimidade. será aplicada apenas para os crimes ocorridos após a sua entrada em vigor. sendo “norma processual com conteúdo material ou norma mista”. substituída pela vulnerabilidade.  Ação pública incondicionada – quando a vítima é menor de dezoito anos ou PESSOA VULNERÁVEL. todavia. É que. nos pontos em que for benéfica. os crimes contra a honra são de ação privada. quando então terá cabimento a ação privada subsidiária da pública. como no exemplo típico dos crimes contra a honra. #E qual o prazo que terá que representar? Por analogia ao art. 6. A pobreza não foi contemplada como elemento para o condicionamento do exercício da ação pública. mesmo quando ocasionem lesão corporal grave ou morte. Não o fazendo. reservando-se neste caso. e as pessoas que por qualquer outra causa não podem oferecer resistência. Logo. os crimes contra a dignidade sexual passam a ter tratamento uniforme. nas hipóteses em que a ação cabível era pública incondicionada e passa a ser condicionada à representação. 6. caso a manifestação ministerial pelo arquivamento seja contrária às suas pretensões. Portanto. decairá do direito. as regras passam a ser as seguintes:  Ação privada – NÃO MAIS SUBSISTE. deve haver notificação do ofendido ou do seu representante legal nos processos já existentes. 30 dias. Percebe-se claramente que não se fez referência à expressão violência presumida. Neste sentido. de regra. Todavia.

a injúria consistente na “utilização de elementos referentes a raça. 7. nos casos onde houver hipótese de CONEXÃO OU CONTINÊNCIA entre crimes de ação penal de iniciativa pública e de ação penal de iniciativa privada.INICIAL ACUSATÓRIA 7. contudo o mesmo já existia desde o oferecimento da inicial. o processo já existe mesmo que a denúncia seja rejeitada. 6. como informa o STF. Portanto. desta forma. passou a ser de ação pública condicionada à representação. o processo se inicia pelo recebimento da inicial acusatória. a nova disciplina legal será aplicada aos delitos ocorridos após a entrada em vigor da Lei nº 12.8 AÇÃO PENAL ADESIVA IMPORTANTE!!! É a possibilidade de militarem no pólo ativo. 54 . origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”. a bagagem principiológica também foi alterada. já que tais hipóteses de extinção da punibilidade não têm mais aplicação. Acreditam os autores que.10 AÇAO PENAL DE SEGUNDO GRAU São as ações diretamente intentadas perante o tribunal. Aquele se dá com o oferecimento da peça acusatória”. o da reunião das demandas. da atuação do juiz singular (ações originárias).1 CONCEITO Segundo o STF. distantes. A INTEGRALIZAÇÃO PROCESSUAL OPERA-SE COM A CITAÇÃO. como lembra LFG. a nova redação do art. 363 do CPP assevera que o processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado. ou do recebimento da denúncia. Tourinho Filho alerta que “não se deve confundir início da ação com seu ajuizamento. portanto. Por sua vez. bastam dois requisitos: órgão jurisdicional e demanda. Neste mesmo prisma. e.9 AÇÃO PENAL NA INJÚRIA POR PRECONCEITO Com a alteração promovida pela lei 12. portanto. Com a modificação do legitimado ativo da demanda. surgindo assim um litisconsórcio (impróprio) em momento ulterior. A regra é que haja a propositura de denúncia pelo parquet e a de queixa pela vítima do delito conexo. como defende LFG. cor. já que a ação pública é movida pelo princípio da indisponibilidade. etnia. antes passível de ação de iniciativa privada.033/09. o Ministério Público e o querelante. ou seja. qual seja. enquanto o último “se dá quando o juiz profere despacho determinando a citação”.033/09. para a existência de um processo. não abrangendo os delitos já praticados. não comportando perdão ou perempção. o tratamento processual passa a ser mais gravoso ao réu. tendo natureza híbrida.6. Contudo. religião. em conjunto. 6.

o que se pode questionar. e a material. 41. É inviável essa modalidade de 55 . § 4o Comparecendo o acusado citado por edital. a insegurança quanto ao posicionamento frente ao processo é gritante. segundo o STF. havendo posições divergentes dentro do STF e do STJ. e caso seja recebida. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso. a partir de então. e não mais a denúncia que deu ensejo à mesma. A acusação certa e delimitada é condição necessária para o exercício do direito de defesa. mas esta não interrompe a prescrição. 394 e seguintes deste Código. pois o réu se defende dos fatos. IMPORTANTE!!! Imputação alternativa. Art. que é a ausência de elementos probatórios mínimos para o início da ação penal. Advindo sentença. merecendo ser rejeitada. quando necessário. § 1o Não sendo encontrado o acusado. por falta de justa causa. A questão está longe de ser pacífica. 7. apesar de sensivelmente ter prevalecido a admissibilidade da denúncia genérica. o rol das testemunhas. denúncia genérica afronta o princípio constitucional da ampla defesa. Lembrar!!! O processo terá completado sua formação com a citação. com todas as suas circunstâncias. o processo observará o disposto nos arts. Obs. em qualquer tempo. será procedida a citação por edital.41 do CPP. A expectativa é que durante a instrução processual tais elementos possam ser colhidos. 363. a falta de especificação dos fatos é de prejuízo evidente à atuação defensiva. acarreta nulidade do feito.  Descrição do fato. É a possibilidade de se imputar alternativamente uma infração a pessoas diversas (imputação alternativa subjetiva) ou várias infrações alternadas a pessoa especificada (imputação alternativa objetiva). Para os autores. é a própria decisão condenatória. O processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado. em flagrante instabilidade a prejudicar a atuação da defesa. a classificação do crime e. Existem duas modalidades de inépcia: a formal. seria possível a imputação genérica. a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo. sem especificar exatamente a conduta de cada agente para o deslinde da infração penal. A imputação alternativa torna fluida e variável a acusação. a inépcia da inicial só pode ser suscitada até antes da prolação da sentença. se até aquele momento não se conseguiu apurar tais circunstâncias. com todas as suas circunstâncias Inicial acusatória com descrição fática deficitária ou ausente é petição inepta. afinal. Contudo. pela ausência dos requisitos essenciais do art. IMPORTANTE!!! O STF já se manifestou no sentido de que nos crimes de autoria coletiva. e se estes não estiverem especificados.2 REQUISITOS FORMAIS Art. notadamente nos societários e multitudinários (sob influência de multidão).

não há razão plausível para. como a prévia realização do incidente de insanidade mental durante o IP. Se já existirem elementos que façam concluir ser o agente absolutamente inimputável.  Qualificação do acusado ou fornecimento de dados que possibilitem sua defesa. É de rigor que se faça o enquadramento legal.  Nome e assinatura A ausência de assinatura pode levar à própria inexistência do ato. deve fazer sua opção antes do oferecimento. teremos a possibilidade da inicial requerer a absolvição imprópria. assinando-a e nela fazendo constar que está oferecendo denúncia. indicando-se o artigo de lei aplicável ao caso concreto. Assim. O momento adequado para o magistrado corrigir eventual erro quanto à tipificação é quando da prolação da sentença. Se o órgão acusatório está em dúvida quanto a determinado fato ou quanto à classificação que mereça. apesar de não ter subscrito a peça acusatória. valendo-se do instituto da emendatio libelli. pois. seja aplicada medida de segurança. Caso contrário. e se não for apresentada quando do oferecimento da inicial pelo órgão acusador. onde deverá aplicar a norma que entende coerente ao caso concreto. para que ao final do devido processo legal.  Classificação do crime Não basta apenas fazer referência ao nome do crime. podendo o mesmo defluir do contexto da imputação feita na inicial. mesmo que discorde da capitulação apresentada na inicial. passa a mera irregularidade. estará se imiscuindo arbitrariamente na atribuição legal do órgão acusador. se o promotor. em excessivo apego ao formalismo.  Endereçamento O erro quanto ao endereçamento não enseja a inépcia da inicial. o réu se defende dos fatos.denúncia ou queixa. se assim proceder. lançou cota nos autos. revelando-se ocasional esquecimento.  Outros requisitos 56 . não poderá alterá-la no momento em que recebe a denúncia ou a queixa-crime. o que acarretaria então mera irregularidade. Havendo esquecimento. O magistrado. opera-se a preclusão. afinal. caracteriza mera irregularidade. anular o processo. mas certificando-se a real autoria.  Rol de testemunhas A prova testemunhal é facultativa.  Pedido de condenação É possível que haja o pedido expresso de condenação.

2 Início da contagem do prazo e o seu encerramento A DATA DO TERMO DE VISTA PESSOAL do MP fixa o marco inicial. Consequências: 57 . 7. com uma descrição sucinta e direta do acontecimento delitivo. o mesmo será prorrogado para o primeiro dia útil subsequente. terá 15 dias para denunciar. para crime eleitoral. se o infrator estiver solto. 7. A nova lei de falências permite. Obs. §1º do CPP. o prazo deve ser contado como se todos estivessem presos. tem entendido que os defeitos podem ser sanados até a sentença. Pedido de citação do demandado – não é essencial.3. Eventuais defeitos da procuração estarão supridos se o querelante assinar a acusatória juntamente com o advogado. 7. Apresentado o relatório. Fora isso. apontando as causas e eventuais circunstancias que conduziram a falência. As omissões da denúncia ou da queixa poderão ser supridas a todo tempo. Deve conter ainda a menção ao fato criminoso. Já as omissões formais da procuração poderão ser sanadas enquanto não esgotado o prazo decadencial. o prazo será o normal. QUINZE DIAS.3 Desatendimento do prazo A perda do prazo pelo promotor para oferta da inicial não impede que a mesma seja apresentada a destempo.798. para crime de abuso de autoridade. A regra em comento é especial em relação ao art. antes da sentença. O STF. 5 e 15 dias.3.  10 dias. 7. para crimes contra a economia popular. se solto.3 PRAZOS PARA OFERTA DA DENÚNCIA CINCO DIAS.  2 dias. se o denunciado estiver preso. que o promotor aguarde a apresentação do relatório pelo administrador judicial.  48 horas. sendo uma decorrência implícita da própria inicial. pra tráfico de drogas.1 Prazos especiais para oferta da denúncia  10 dias. A queixa crime deve estar acompanhada da respectiva procuração com poderes especiais.3. uns presos e outros não. contudo. Encerrado o prazo em final de semana ou feriado. já contado com o primeiro dia para a oferta da denúncia. Já se existirem vários denunciados em situação diversa. Obs. não servindo a mera cláusula ad juditia.

é solar a não recepção do art. incluindo-se o primeiro dia e excluindo-se o do vencimento. o prazo se inicia. Encerrando-se em finais de semana ou feriados. Sendo este prazo de ordem decadencial.  Crime contra a propriedade imaterial que deixem vestígios – 30 dias. no cível. Conhecendo o ofendido o autor do crime contra a propriedade imaterial. A perda do prazo para o oferecimento da queixa-crime leva à extinção da punibilidade. do CONHECIMENTO DA AUTORIA. pouco importando quando cessará a permanência. passa. 7.  Dá ensejo à oferta da ação penal privada subsidiária da pública. não se suspende nem se prorroga. IMPORTANTE!!! Nos CRIMES PERMANENTES. a dispor de 30 dias para ofertar a inicial acusatória. não se interrompe. deflagra-se o prazo decadencial de seis meses para o exercício da ação.4 PRAZOS PARA OFERTA DA QUEIXA-CRIME SEIS MESES. IMPORTANTE!!! Já a pendência de inquérito policial inconcluso não tem o condão de elastecer o prazo para a oferta da inicial privada. anule o casamento. Já no crime continuado. não se dilata para o primeiro dia útil subsequente.  Relaxamento da prisão cautelar eventualmente existente. Restaria ao promotor desidioso ser responsabilizado administrativamente perante a corregedoria do Ministério Público. caso tenha agido dolosamente. Prazos especiais:  Crime de induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento ao casamento – 6 meses após o trânsito em julgado da sentença que.  Responsabilização criminal do promotor desidioso por prevaricação. a contagem prazal se dá isoladamente em razão do conhecimento da autoria de cada conduta delitiva cometida. 58 . contados do CONHECIMENTO DA AUTORIA DA INFRAÇÃO. atendendo a regra geral. 7. contando-se na forma do art. Perda de vencimentos – não tendo o judiciário função correicional em face do MP. Iniciadas as diligências investigatórias e concluído o laudo. caso o excesso seja desarrazoado. a partir daí. contados da homologação do laudo.10 do CP.5 ADITAMENTO DA QUEIXA Prazo de 3 dias. 801 do CPP pelo texto constitucional.

Se é certo que tais hipóteses não são tão corriqueiras. E se não o fez. pois condutas bagatelares levam à própria atipicidade do fato. (Hipóteses de absolvição sumária)  Existência manifesta de causa excludente de ilicitude. ininteligíveis. Diga-se o mesmo quando estivermos diante do princípio da insignificância. que estará integralizado com a realização da citação. também é verdade que não se deve exigir que o processo comece para que então o suposto infrator seja absolvido. a refutação da denúncia ou da queixa-crime.6 REJEIÇÃO DA DENÚNCIA OU QUEIXA O despacho do juiz. o Estado perde a possibilidade de aplicar sanção em face do fato ocorrido. desaguando em fundamento idôneo para a rejeição da inicial.Lembrar!!! Falta ao MP legitimidade para aditar a queixa no intuito de lançar novos acusados na ação privada exclusiva (somente irregularidade formal).  Estiver extinta a punibilidade. se cabalmente demonstradas desde o início. também podem ensejar. entendem os autores que todas as hipóteses que autorizaram a absolvição sumária também justificam a rejeição da inicial. a critério do magistrado. caberá ao magistrado rejeitar a inicial.  Faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal  Faltar justa causa – esta é a necessidade de lastro mínimo de prova para o exercício da ação. e numa visão ampliativa. Já na subsidiária da pública. 59 . atestando a perfeição técnica da inicial acusatória. inclusive. formaliza o início do processo penal (STF). Por outro lado. uma vez extinta a punibilidade. Da mesma forma. o MP dispõe de ampla liberdade no aditamento. Fatos intricados. notadamente. podendo. contraditórios. A demonstração cabal de que não houve infração penal implica no refutamento da inicial acusatória. pela debilidade ou ausência de narrativa fática. ressalvada a inimputabilidade. Hipóteses que autorizam o magistrado a não receber a petição:  For manifestamente inepta – a inépcia estará caracterizada pelo desatendimento dos requisitos essenciais à petição. incluir co-réus IMPORTANTÍSSIMO!!!! 7. a inicial deve ser rejeitada. Em situações como estas deveria o parquet ter se manifestado pelo arquivamento. é dizer. indícios de autoria e da materialidade. e por sua vez.  Fato narrado evidentemente não constitui crime.  Existência manifesta de causa excludente de culpabilidade.

algumas podem ser excluídas. ausência de condição da ação ou pressuposto processual e justa causa). teríamos o cabimento do recurso de apelação para a decisão de rejeição.4 Recurso para combater a rejeição Recurso em sentido estrito. onde. fazendo coisa julgada. que tem a rejeição e o não recebimento como expressões sinônimas. 7. 395 do CPP (inépcia. ao passo que o mero não recebimento não seria um obstáculo para a repropositura da ação. principalmente pela regra da superficialidade dos elementos probatórios colhidos até esta fase da persecução penal. Já se a inicial for recebida. estritamente vinculadas ao mérito.6. sem se imiscuir nas atribuições do órgão acusador. não tendo o condão de justificar a rejeição da inicial (STJ).6. havendo forte posição no sentido de que as excludentes de ilicitude e de culpabilidade. podendo o réu valer-se do HC para tentar trancar o processo iniciado. Nada impede que o juiz rejeite parcialmente a inicial para excluir um ou alguns imputados. A referida distinção não encontra ressonância na doutrina majoritária.3 Rejeição parcial Acreditam os autores ser possível ao magistrado. devem ser analisadas no momento da sentença. normalmente não há recurso.2 Rejeição X não recebimento A rejeição equivaleria ao próprio julgamento de mérito antecipado. rejeitar parcialmente a inicial acusatória.6.6. 7. uma vez satisfeita a condição que o motivou. O mesmo raciocínio pode ser seguido na hipótese de pluralidade de infrações objeto de uma mesma denúncia. O mesmo se diga quanto às qualificadoras ou causas de exasperação de pena. afinal ela satisfaz o próprio mérito. Com isso. É verdade que uma demonstração como esta encontra dificuldades. 7.1 Repropositura da ação Como as hipóteses regulares de rejeição da inicial estão listadas no art. uma vez superado o defeito que motivou a rejeição.  Lei 9099/95 – a rejeição da inicial acusatória é combatida com APELAÇÃO. quando não haja lastro probatório mínimo vinculando-os aos fatos. 7. IMPORTANTE!!! A posição defendida pelos autores está longe de ser pacífica. 60 . em não havendo justa causa. nada impede a repropositura da ação. ao passo que o recurso em sentido estrito se destinaria ao combate do não recebimento.

AO RECEBER A DENÚNCIA OU QUEIXA. recebendo ou rejeitando a inicial. NÃO PRECISA FUNDAMENTAR A DECISÃO. desde logo. apenas. Também se tem admitido. não teria natureza decisória. pois esta. é possível o ingresso com recurso extraordinário ou especial. IMPORTANTE!!! A fundamentação é exigida. o recebimento tácito da inicial. quando a mesma era a alçada do relator. acarretando nulidade). entretanto. Por esta posição. e a fundamentação seria uma antecipação indevida ao exame de mérito. Nesse sentido a Súmula 709 do STF. o acórdão que provê o recurso contra a rejeição da denúncia vale. na análise dos requisitos legais para o início do processo. inciso IX da CF.6. e com isso. quando o juiz. obrigatoriamente deve ser fundamentada. implicitamente. afinal estamos no início do processo. uma vez que a instrução probatória ainda está por vir. a procedência do recurso implicará na devolução dos autos para que o juízo a quo profira uma nova decisão. trilha outro caminho. e o magistrado não pode antecipar um juízo de mérito acerca da lide. quando o juiz rejeita a denúncia ou a queixa. a admissibilidade já implicaria. Os honorários advocatícios não podem ser fixados em salários-mínimos. Efeito do julgamento do recurso – havendo error in procedendo (de ordem processual.5 Fundamentação do recebimento e recebimento tácito Trata-se de uma autêntica decisão judicial. 93. A reconsideração do recebimento da inicial não encontra guarida legal. 7.  STF 61 . que havendo violação à CF ou norma infraconstitucional. o recebimento da inicial teria natureza de mero despacho. pelo recebimento dela”. o acórdão proferido no julgamento já funcionará como decisão de recebimento. Não há de se exigir uma fundamentação detalhada e profunda. e por força do art. SÚMULAS APLICÁVEIS  STJ 201. ainda que sob tal ótica. Advirta-se.  Procedimento originário dos Tribunais – tanto o recebimento quanto a rejeição da inicial não comportam mais qualquer recurso ordinário. indicando que O MAGISTRADO. Apesar da posição defendida pelos autores. a jurisprudência majoritária. Já se admitiu agravo regimental. determina de pronto a citação do réu e data para a realização do interrogatório. dentro do STF. Obs. já que a decisão será proferida pelo tribunal. inclusive dos Tribunais Superiores. Já em se tratando de error in judicando (de ordem material na apreciação do fato). sem ao menos proferir o despacho de recebimento. aduzindo que “salvo quando nula a decisão de primeiro grau.

693. pelo recebimento dela. 714. o acórdão que provê o recurso contra a rejeição da denúncia vale. para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções. Não cabe HC contra decisão condenatória a pena de multa. 62 . e do Ministério Público. Salvo quando nula a decisão de primeiro grau. condicionada à representação do ofendido. mediante queixa. É concorrente a legitimidade do ofendido. 709. ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada. desde logo.

AÇÃO CIVIL EX DELICTO

É inegável que uma conduta tipificada como penalmente, também pode se
caracterizar em ilícito civil, trazendo para a vitima, se identificada, pretensões de cunho
indenizatório.

O art. 91 I, do CP, assevera que a sentença condenatória penal torna certa a
obrigação de reparar o dano pelo crime, sendo titulo executivo judicial, carecendo
de prévia liquidação.

1- LEGITIMIDADE ATIVA E PASSIVA
A legitimidade ativa é da vítima, seu representante legal (no caso de menor
de 18 anos ou doente mental), e em havendo óbito ou ausência, passa para os herdeiros.
O rol, portanto, é mais extenso (vai além do CADI).

Lembrar!!! Não só a vítima tem legitimidade ativa (e vai além do CADI)

IMPORTANTE!!! Por sua vez, sendo a vítima pobre, a ação de conhecimento ou a
execução será promovida, a seu requerimento, pelo MP, que atua como substituto
processual. Nesse sentido o STF admite a inconstitucionalidade progressiva daquele
dispositivo, condicionada a implementação das defensorias em todo o país, quando
então a atividade do parquet nesse mister estará definitivamente sepultada.

Já no pólo passivo irá figurar o autor do crime, sem prejuízo do
processamento do responsável civil.

IMPORTANTE!!! O responsável civil só poderá ser sujeito passivo da ação de
conhecimento, não se admitindo a execução da sentença penal condenatória em seu
detrimento, afinal, não foi parte no processo penal, não servindo o título contra aquele
que não figurou no pólo passivo da demanda.

Nos Juizados Especiais Criminais, o responsável civil é notificado para
comparecer à audiência preliminar, e se ele fizer parte do acordo de composição civil
dos danos, a sentença homologatória será título executivo válido contra sua pessoa
(arts. 72 e 74).

Questão polêmica é a seleção do que pode ser arguido em favor do responsável
civil em sua defesa.

#Será que na ação de conhecimento, o responsável civil pode rediscutir a autoria e
a materialidade do crime, que já ficaram definidos em sentença penal
condenatória transitada em julgado?
Pacelli se manifesta pela impossibilidade do responsável civil trazer a tona tais
discussões, pois já decididas no processo penal, e que “por força do disposto
expressamente no art. 933 do CC, onde se estabelece a responsabilidade objetiva –
independentemente de culpa – do empregador e do comitente, por ato ilícito praticado
por seus empregados, serviçais e prepostos, a matéria de defesa reservada ao terceiro,

63

responsável civil, na hipótese de já haver decisão condenatória em face do agente do
delito, será unicamente aquela atinente à existência, ou não, de relação jurídica
(contratual ou legal), entre ele e o agente do crime. A questão relativa à existência e
autoria do fato estará fora de seu alcance, desde que passada em julgado a sentença
condenatória”. Ressalva apenas a possibilidade da ação civil ser intentada antes do
trânsito em julgado da sentença penal, quando então o responsável civil poderá
ventilar toda matéria em seu favor. É também a posição dos autores.

IMPORTANTE!!! A segunda posição, que tem prevalecido (MAJORITÁRIA),
admite que o responsável civil invoque todo argumento que lhe for conveniente dentro
da ação indenizatória, pois não pode ser prejudicado por decisão emanada do
processo penal em que não foi parte.

2- COMPETÊNCIA NA AÇÃO REPARATÓRIA
Primeira posição – lugar do ato ou fato.

Segunda posição – cabe à vítima optar entre ajuizar a ação civil em seu
domicílio ou no local do fato. Nada impede que opte por ajuizar a ação no domicílio do
réu (MAJORITÁRIA).

3- SISTEMAS PROCESSUAIS
a) Sistema da confusão – nele, temos as duas pretensões, civil e penal, desenvolvidas
em ação única no juízo criminal. O pedido engloba ao mesmo tempo a condenação e a
reparação dos danos.

b) Sistema da solidariedade ou da união – aqui, teremos as duas ações, civil e penal,
se desenvolvendo em processo único. Podem ser movidas por pessoas distintas, contra
responsáveis diversos. Teremos duas pretensões e dois pedidos, tramitando no mesmo
feito.

c) Sistema da livre escolha – a parte opta pelo pleito reparatório na esfera cível ou na
penal. Dentro da discricionariedade do demandante, as ações podem tramitar em
conjunto na Justiça criminal, ou em separado.

d) Sistema da separação ou independência – era até então o adotado no Brasil, onde
cada ação tramitará na competente Justiça.

No entanto, hoje em dia, temos matéria cível que se desenvolve de forma
excepcional, perante o juízo criminal, como acontece com a Lei Maria da Penha que
prevê o acúmulo de competência cível e pena nas varas criminais.

É também o que ocorre nos Juizados Especiais Criminais, na realização da
composição civil dos danos, objetivando ressarcir os prejuízos da vítima, a ser
homologada pelo juiz penal.

IMPORTANTE!!! A Lei 11.719/08 contempla a fixação do valor mínimo da
indenização a ser estabelecido na sentença condenatória, considerando-se os danos
sofridos pelo ofendido, de sorte que o quanto indenizatório já estaria certificado,

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bastando que o legitimado execute o título, que neste ponto é líquido na esfera cível. O
que se percebe é uma tentativa de adoção do sistema da confusão, onde a pretensão
condenatória e indenizatória estariam veiculadas na mesma demanda. Até porque, não
acreditam os autores que o magistrado possa reconhecer o pleito indenizatório sem que
haja requerimento neste sentido.

O magistrado não pode julgar extra petita, de sorte que só estabelecerá o valor
da indenização se tal requerimento lhe foi apresentado (POSIÇÃO QUE
PREVALECE É QUE O MAGISTRADO PODE ARBITRAR O VALOR DE
OFÍCIO).

#Quem tem legitimidade para requerer a indenização?
Nas ações privadas, não teremos maiores problemas, já que o ofendido é o próprio
titular da ação. O problema se avizinha no âmbito das ações públicas: estará o MP
legitimado para requerer indenização em favor do ofendido? Entendem os autores
que não, já que uma tal pretensão exorbitaria o âmbito de sua atribuição. No máximo,
sendo a vítima pobre, e se na comarca não há defensoria, assistiria ao MP requerer
a indenização em favor do hipossuficiente, por analogia ao art. 68 do CPP. Nos
demais casos, restaria ao ofendido devidamente identificado habilitar-se como assistente
de acusação, para só assim apresentar sua pretensão indenizatória.

IMPORTANTE!!! Demonstração probatória do valor da indenização. Devemos
interpretar o dispositivo de sorte a que este se compatibilize com a nova rotina dos
procedimentos, que passaram a ser mais escorreitos e concentrados, em busca de uma
pretensa celeridade, e também com a própria CF, que assegura a razoável duração do
processo. Se a questão cível for tão ou mais complexa que a criminal, de sorte a
tumultuar a evolução do procedimento, deve o magistrado criminal remeter as partes à
esfera cível. Nada impede que o ofendido guarde a eventual sentença condenatória, e
posteriormente promova a competente liquidação, e posterior execução. Restaria,
portanto, a discussão do quanto indenizatório na esfera penal naquelas situações de
evidente aferição, quando a complexidade é mínima ou inexistente, e até mesmo
quando as partes cheguem a um denominador, cabendo ao magistrado verdadeiramente
homologar.

De toda sorte, teremos a mitigação do sistema separatista, com a possibilidade
de adoção do sistema da confusão, se este for adaptável ao caso concreto, isto é, o
pleito indenizatório da parte tem que ser compatível á realidade do procedimento,
cabendo ao juiz determinar se é ou não possível que o processo penal abarque tal
hipótese, ou se as partes devem ir ao cível.

4- SUSPENSÃO DA DEMANDA CÍVEL
4.1 REGIME LEGAL DA SUSPENSÃO

Mesmo que a ação penal ainda não tenha se iniciado, a ação civil poderá ser
suspensa. Neste caso, se a ação penal não for deflagrada no prazo de trinta dias,
contados da intimação do sobrestamento da demanda cível, o feito irá prosseguir.

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#E se as ações tramitam paralelamente, por quanto tempo a ação civil ficará
sobrestada? Para os autores a suspensão não poderá exceder o prazo máximo de um
ano, por aplicação do art. 265, §5º, CPC.

Obrigatoriedade da suspensão – para Tourinho Filho a suspensão seria
impositiva, evitando-se as consequências desastrosas de se abrir o flanco e oportunizar a
existência de decisões contraditórias.

Facultatividade** – entendem os autores que a suspensão da demanda cível é
uma faculdade da autoridade judicial. É possível que a instrução do feito cível já
permita ao magistrado aquilatar as repercussões jurídicas daquela conduta, sem a
necessidade de aguardar o deslinde da causa penal (Pacelli e STJ**).

5- EXECUÇÃO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA PENAL
Se o magistrado teve condições de estabelecer o valor da indenização, a
sentença, na sua parte líquida, será de pronto executada no cível. Como o valor
estabelecido é o mínimo da indenização, nada impede que a parte, entendendo que o
numerário fixado pelo magistrado criminal é insuficiente, liquide a sentença
condenatória penal, e na sequência a execute, para se ressarcir integralmente.

Caso o juiz penal fixe o quanto da indenização e o réu condenado tenha
prestado fiança, entendem os autores que excepcionalmente a execução pode ser feita
na própria esfera penal, bastando ao ofendido requerer ao próprio juízo criminal o
levantamento do valor da fiança para satisfação do seu direito.

IMPORTANTE!!! Já a sentença concessiva do perdão judicial, segundo o STJ, na
súmula 18, é considerada como meramente declaratória, SEM OS
CONSEQUENTES EFEITOS PENAIS TÍPICOS DE UMA DECISÃO
CONDENATÓRIA, de sorte que, em tese, não poderia ser executada.

Todavia, entendem os autores de forma diversa. Afinal, o perdão judicial se dá
em circunstâncias excepcionais, onde não haja a necessidade de aplicação de pena ao
infrator. O dano, contudo, subsiste reconhecido judicialmente.

IMPORTANTÍSSIMO!!! Havendo a extinção da pretensão punitiva, pela prescrição
ou por qualquer outra causa, não há, a priori, que se falar em título executivo. Já se
houver extinção da pretensão executória, os efeitos secundários da sentença serão
preservados, mantendo-se o título intacto para efeitos da pretensão indenizatória.

6- SENTENÇA ABSOLUTÓRIA E SUBORDINAÇÃO TEMÁTICA
I – absolvição pela prova da inexistência do fato – se ficar demonstrado
categoricamente a inexistência do fato, não há de se falar em responsabilidade civil,
afinal, se a infração inexistiu, não houve dano. A absolvição com este fundamento
tranca as portas da esfera cível, fazendo coisa julgada.

Obs. Já se o MP requerer o arquivamento do inquérito policial ou das peças de
informação, nada impede a propositura da ação civil competente.

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II – não houver prova da existência do fato – nada impede que se renove a
discussão na esfera cível, tentando-se provar a existência do fato e os danos por ele
ocasionados.

III – não constituir o fato infração penal – a ação indenizatória terá cabimento.

IV – estar provado que o réu não concorreu para a infração – certeza da
negativa de autoria irá trancar as portas da ação indenizatória.

V – não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal – a
instrução probatória foi deficitária, de sorte que a dúvida implica em absolvição. Nada
impede que o ofendido ingresse no cível, para que lá demonstre o vínculo do suposto
infrator com o fato, na expectativa de viabilizar a indenização.

VI – existir circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena, ou
mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência – o reconhecimento das
excludentes de ilicitude no âmbito penal faz coisa julgada no cível.

IMPORTANTE!!! Excepcionalmente, mesmo a conduta estando justificada na seara
penal, subsiste a indenização. Se a pessoa lesada ou o dono da coisa destruída não
for o causador do perigo, terá direito à indenização. Nesse caso, aquele que atuou
em estado de necessidade e foi absolvido na justiça penal, terá de indenizar, assistindo
ação regressiva contra o causador do perigo para reaver aquilo que pagou.

Da mesma forma, havendo legítima defesa putativa, em erro plenamente
justificável, a indenização terá cabimento, ou ainda, em ocorrendo erro de alvo
(aberratio ictus).

VII – não existir prova suficiente para a condenação – não impede o manejo da
ação civil reparatória.

IMPORTANTÍSSIMO!!! A despeito de o tema suscitar acalorado debate doutrinário,
impera nos concursos públicos que A SENTENÇA ABSOLUTÓRIA IMPRÓPRIA
NÃO PRODUZ EFEITOS NA SEARA CIVIL, por não apresentar natureza
condenatória.

7- REVISÃO CRIMINAL E AÇÃO RESCISÓRIA
Havendo o ajuizamento da revisão criminal, e sendo julgada procedente, o
título materializado na sentença condenatória transitada em julgado desaparece,
impedindo-se o início da execução no âmbito cível ou eliminando-se aquela já iniciada.
Se o pagamento já tinha ocorrido, abre-se a possibilidade de ação de restituição, para
reaver o que se pagou.

Pode ocorrer ainda o trânsito em julgado da sentença cível assegurando a
indenização. Se posteriormente, advier no âmbito penal sentença absolutória
reconhecendo a inexistência do fato, admite-se agora, na esfera civil, no manejo da ação
rescisória.

8- PRAZO PRESCRICIONAL

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Com o advento da sentença penal transitada em julgado, o prazo prescricional
para a ação civil começa a correr. A prescrição em tal caso ocorrerá com o decurso do
lapso de TRÊS ANOS.

SÚMULAS APLICÁVEIS
 STJ

18. A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da
punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório.

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f) Correlação ou relatividade – o magistrado está adstrito àquilo que lhe foi pedido. sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa.JURISDIÇÃO 1. como função. “é toda aquela diligência do Juiz dentro no processo objetivando a dar a cada um o que é seu’. correções quanto ao mero equívoco da tipificação esboçada na inicial. “é aquela incumbência afeta ao Juiz de. Admite-se. como atividade. onde há a prática de atos processuais por um outro magistrado.1 CONCEITO Na visão de Tourinho. aplicar a lei aos casos concretos” e. afirma que jurisdição é “a função atribuída a terceiro imparcial (a) de realizar o Direito de modo imperativo (b) e criativo (c). e) Inevitabilidade – a jurisdição não está sujeita a vontade das partes. Exceções!!! Precatórias e cartas de ordem. Para Didier. fracionando o conceito.  Emendatio libeli Art. d) Inafastabilidade – a LEI não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. a jurisdição. mesmo que jurisdicional. JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA 1. LIII (“ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”) e XXXVII (“não haverá juízo ou tribunal de exceção”). 69 .2 PRINCÍPIOS a) Investidura – deverá o magistrado estar devidamente investido na função. Deve haver correspondência entre a sentença e o pedido feito na inicial acusatória. por meio do processo. em decisão insuscetível de controle externo (f) e com aptidão para tornar-se indiscutível”. b) Indelegabilidade – a regra é que a função jurisdicional não pode ser delegada a um outro órgão. e até mesmo a adequação da acusação em razão da modificação dos próprios fatos imputados ao réu. em razão das provas colhidas no transcorrer da instrução processual. O juiz. Não pode haver julgamento extra. ultra ou citra petita. c) Juiz natural – art. Impõe-se. no MOMENTO DO JULGAMENTO. 1. 5º. 383. reconhecendo/efetivando/protegendo situações jurídicas (d) concretamente deduzidas (e). poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa. que não o originariamente competente (há divergência doutrinária quanto a esse posicionamento do autor).

se necessário for. em conseqüência. declarados nulos. deve o magistrado proceder na forma do art. em face do crime ter pena mínima de até um ano. inclusive no momento da admissibilidade da inicial. afinal. tenha de aplicar pena mais grave (no momento da sentença). oportunizando o MP a operacionalização da proposta. De ofício. entendem os autores que antevendo o magistrado que em razão da emendatio ele não é competente. “O juiz. o Ministério Público deverá aditar a denúncia 70 . aplicando a lei ao caso concreto. 384. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. em regra. ou porque a incompetência é latente. os autos lhe devem ser remetidos. IMPORTANTE!!! O momento adequado para corrigir os equívocos de tipificação é o da prolação da sentença. Esta é a regra. Ao receber a inicial acusatória. dando início ao processo. seja porque tem cabimento a suspensão. se entender cabível nova definição jurídica do fato. sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa. fará o magistrado o enquadramento típico. jura novit cúria (o juiz conhece o direito). não há de se falar em prejuízo. se em razão do novo enquadramento. poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa. § 1o Se. estará se imiscuindo arbitrariamente nas atribuições do órgão acusador. a este serão encaminhados os autos. o juiz procederá de acordo com o disposto na lei. Se em conseqüência da nova definição jurídica. havendo restrição apenas se implicar em reformatio in pejus. pois ao juiz. tenha de aplicar pena mais grave”. caberá o devido enquadramento legal.  Mutatio libelli Art. IMPORTANTE!!! A emendatio libelli tem cabimento até mesmo no segundo grau de jurisdição. Encerrada a instrução probatória. ainda que. em conseqüência. houver possibilidade de proposta de suspensão condicional do processo. Se o fizer. houver a possibilidade de oferta de suspensão condicional do processo. na sentença. dentro do livre convencimento motivado. ainda que. Pouco importa a tipificação esboçada na inicial acusatória. deve invocar o instituto imediatamente. não pode o magistrado alterar a tipificação esboçada na denúncia ou na queixa-crime. os atos praticados por magistrado incompetente serão. para evitar a prática de atos inúteis. ou aflora a possibilidade da suspensão condicional do processo. Como o réu se defende dos fatos. Por sua vez. 89 da lei 9099/95. mesmo que o novo enquadramento importe na imposição de pena mais severa. percebe-se que a infração é de competência de outro juízo. afinal. § 2o Tratando-se de infração da competência de outro juízo. em casos evidentes. IMPORTANTE!!! Em que pese o instituto da emendatio libelli ser idealizado no Título reservado à sentença. em conseqüência de definição jurídica diversa.

em virtude de circunstância elementar não contida explícita ou implicitamente na denúncia ou queixa”. I). cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. cabendo condenar ou absolver o réu em face dos fatos trazidos com o aditamento. § 1o Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento. Nada impede. novo interrogatório do acusado. o processo prosseguirá. § 5o Não recebido o aditamento. 28 do CPP. adstrito aos termos do aditamento. remetendo os autos para deliberação do Procurador Geral. será intimada. inaugurando-se em segunda instância a discussão de fatos que não foram objeto de debate em primeiro grau de jurisdição. entretanto. e terá 5 dias para se manifestar. 28 deste Código § 2o Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o aditamento. 383 ao caput deste artigo. realização de debates e julgamento”. novo interrogatório do acusado. retomada a instrução e percebendo o magistrado que os fatos realmente ocorridos eram os originariamente narrados. Havendo inércia ou negativa do MP quanto ao aditamento da inicial. o juiz. com inquirição de testemunhas.“Não se aplicam à segunda instância o art. Recebido o aditamento. que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso. resta ao magistrado receber ou não o aditamento. ficando o juiz. Tem cabimento quando os FATOS (não é a tipificação) narrados na inicial são dissonantes daqueles apurados na instrução criminal. reduzindo-se a termo o aditamento. com inquirição de testemunhas. § 4o Havendo aditamento. na sentença. A partir de agora. Com isso. Com o juízo positivo de admissibilidade quanto ao aditamento. podendo também indicar até 3 testemunhas. que disporá de 5 dias para fazê-lo. designará dia e hora para continuação da audiência. Autos conclusos. irá oportunizar o aditamento por parte do MP. pouco importa se são mais ou menos graves do que os inicialmente idealizados. IMPORTANTE!! O JUIZ ESTÁ ADSTRITO AO ADITAMENTO. Súmula 453 do STF . percebendo o magistrado que os FATOS realmente ocorridos são diversos dos narrados na inicial. o magistrado “a requerimento de qualquer das partes. podendo indicar até 3 testemunhas. em razão de eventual absolvição pelos fatos 71 .581. a defesa poderá manejar HC. pois nesta hipótese haveria flagrante supressão de instância. no prazo de 5 (cinco) dias. ou queixa. IMPORTANTE!!! O instituto da mutatio libelli não terá cabimento na fase recursal. 384 e parágrafo único do CPP. assim que realizado o aditamento. designará dia e hora para continuação da audiência. não poderá revitalizar os temos iniciais da denúncia. aplica-se o art. A defesa. a requerimento de qualquer das partes. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. por falta de justa causa ou qualquer outro motivo relevante. quando feito oralmente. Caso venha a rejeitá-lo esta decisão desafia recurso em sentido estrito (art. na expectativa de que os novos elementos lançados aos autos sejam afastados. que o membro do MP. cabe ao juiz invocar o art. realização de debates e julgamento § 3o Aplicam-se as disposições dos §§ 1o e 2o do art. no prazo de 5 (cinco) dias.

COMPETÊNCIA 2. caso não provada a qualificadora e reste patentemente provado o delito na sua forma simples. E nem se diga que este ato fere a coisa julgada material.3 CARACTERÍSTICAS Inércia – em regra. a exemplo da revisão criminal pro réu. salvo em casos excepcionais. Lide – o entendimento majoritário pressupõe a existência de lide para o exercício jurisdicional (existe controvérsia). com o aditamento. deve desacolher a acusação no que toca ao aditamento (qualificadora). e para as ações privadas subsidiárias. sempre que os juízes ou tribunais tenham conhecimento do risco a liberdade de locomoção. os órgãos jurisdicionais são inertes. aos crimes de ação pública. não podendo ser modificado. IMPORTANTE!!! A mutatio libelli não tem aplicação nas ações de iniciativa privada exclusiva e personalíssima. Ressalve-se. o juiz não ficará adstrito ao aditamento no sentido de que só pode condenar pelo crime em sua forma qualificada. isto porque. que a incidência da parte final do enunciado do §4º do art. Substitutividade – como a autotutela foi banida. salvo exceções. entretanto. cabe ao Estado. a imputação original foi substituída. mas. resolver os litígios. g) Devido processo legal 1. o exercício da jurisdição deságua em provimento final (sentença). apresente nova denúncia. Imutabilidade – no intuito de fortalecer os laços e tranqüilidade social.apresentados com o aditamento. conferindo base descritiva para a classificação do crime em seu tipo fundamental e de suas circunstâncias qualificadoras. portanto. condenando o acusado pelo crime simples. Portanto. nos mesmos moldes daquela que foi equivocadamente superada pelo aditamento. substituindo a atividade das partes. que se reveste de imutabilidade após o seu trânsito em julgado. a coisa julgada advinda em face da sentença está adstrita aos termos do aditamento. dependem de provocação. pois estas são movidas pelo princípio da disponibilidade e oportunidade. caso o aditamento se refira ao acréscimo de circunstância que qualifica o crime descrito na forma simples na petição inicial acusatória. Porém – e isso precisa ficar bem claro –. Resta. 384 ocorrerá quando o fato definido no aditamento suplantar inteiramente os fatos narrados na denúncia. a ordem de HC pode ser concedida de ofício.1 CONCEITO 72 . Atuação do direito – a atividade jurisdicional tem por objetivo aplicar o direito ao caso concreto. 2. Todavia.

é o “âmbito. há uma distribuição de tarefas na decisão das várias questões trazidas durante o processo. 73 . Critério ratione loci – visa identificar o juízo territorialmente competente. Critério ratione personae – leva em consideração a importância das funções desempenhadas por determinadas pessoas. 2. como por exemplo.2.3. 2. É a medida ou delimitação da jurisdição ou nas palavras de Tourinho Filho. Objeto do juízo – por este critério.1 Justiça comum estadual É a justiça residual por excelência. Ex: júri. considerando como parâmetros o local da consumação do delito. dentro do qual o órgão exerce o seu Poder Jurisdicional”.2 Justiça comum federal  Os crimes políticos – soma-se à necessidade de contemplação legal instituindo o crime político.3 COMPETÊNCIA RATIONE MATERIAE 2. além do domicílio ou residência do réu.2 Competência funcional Leva-se em conta como elemento de distribuição os atos processuais praticados. e um outro a quem incumbirá a fase de execução. Grau de jurisdição – é a chamada competência funcional vertical.2.1 Competência material Leva em conta as características da questão criminal. legislativamente delimitado. 2.2 CRITÉRIOS 2. 2. abrange todas as infrações que não sejam da alçada da justiça especializada ou da justiça comum federal. a intenção de atentar contra a soberania nacional e a estrutura política brasileira. Fase do processo – normalmente um só juiz é competente para praticar todos os atos do processo. um juiz que vai instruir e sentenciar a causa criminal. levando em conta a natureza da infração. pode haver segmentação. Ex: cabe à Justiça Eleitoral o julgamento dos ilícitos criminais eleitorais. Contudo. e deve ser estudada sobre três aspectos principais: Critério ratione materiae – objetiva identificar qual a Justiça competente e os critérios de especialização.3.

excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral.  Infrações penais praticadas em detrimento de bens. na medida em que são indispensáveis à administração da Justiça. Entes não englobados – sociedades de economia mista. que exercem função constitucionalmente privilegiada. 147. 165. empresas públicas. todavia. serviços ou interesses da União ou de suas entidades autárquicas. O julgamento de contravenção que afete ente federal será de competência dos juizados especiais na esfera estadual. Os dois últimos não atraem. o crime de estelionato. a competência para a JF. por falta de previsão constitucional. 73. sindicato. Obs. Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes praticados contra funcionário público federal. Compete à Justiça Estadual processar julgar o crime de falsa anotação na CTPS. Obs. atribuído à empresa privada. IMPORTANTE!!! Tão somente os CRIMES são apreciados pela JF. Súmulas aplicadas: 42. A competência para o processo e julgamento por crime de contrabando ou descaminho define-se pela prevenção do Juízo Federal do lugar da apreensão dos bens. em tese. e por conseqüência. 151. 104. 62. da competência da Justiça Estadual. sem. Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento dos crimes de falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino. quando relacionados com o exercício da função. concessionárias de serviço público. a competência da esfera federal volta a ser a regra. afastou o STF a sujeição da OAB ao regime das autarquias no tocante à vinculação à Administração. assim como os crimes em detrimento de entidade particular de ensino superior. dentre eles exatamente o da competência da Justiça Federal (Renato Brasileiro). ter a Suprema Corte afastado as prerrogativas e privilégios. 74 . A utilização de papel-moeda grosseiramente falsificado configura. Conselhos de fiscalização profissional – voltaram a ter a natureza de autarquia. Compete à Justiça Federal processar e julgar crime de falso testemunho cometido no processo trabalhista. Por se ocupar de atividades atinentes aos advogados. Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento.

208. sendo a competência federal de ordem material. o incidente protetivo perante o STJ. em qualquer fase do inquérito ou do processo. a internacionalidade da conduta é requisito objetivo para a fixação da competência federal. e por conseqüência absoluta. incidente de deslocamento de competência para a JF. em que pese a existência de tratado ou convenção internacional. poderá suscitar. como forma de preservar a competência da JF. sempre que estiverem diante de infração que afete direitos humanos contemplada em tratado internacional que o Brasil seja signatário. ao PGR.200. Como a referida súmula não fazia esta distinção. prevendo que os crimes contra a fauna seriam julgados pela justiça federal foi cancelada. se a infração limitar-se às fronteiras brasileiras. é essencial que a infração praticada transcenda as fronteiras de mais de um país. IMPORTANTE!!! A súmula 91 do STJ.  Os CRIMES previstos em tratado ou convenção internacional. ou seja. perante o STJ. esta ferramenta seria apenas mais um instituto para se assegurar a manutenção do juiz natural. declinar de sua competência e atribuição respectivamente. Além da existência do tratado ou convenção. o Procurador-Geral da República. no entanto. Compete à Justiça Estadual processar e julgar prefeito por desvio de verba transferida e incorporada ao patrimônio municipal. Caso não o façam. haveria o condicionamento à 75 . Pois a 9. com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte. remetendo os autos para a esfera federal.605/98 prevê infrações penais contra a fauna que são da competência da justiça estadual. afinal o próprio magistrado deveria declarar-se ex officio incompetente. o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro. iniciada a execução no País. a competência será de regra da Justiça Estadual. Portanto. de ofício. Entende o STJ. seria necessário que a polícia ou justiça estaduais não cumprissem o seu mister. Compete à Justiça Federal processar e julgar prefeito municipal por desvio de verba sujeita a prestação de contas perante órgão federal. Resumindo!!! Em regra. O Juízo Federal competente para processar e julgar acusado de crime de uso de passaporte falso é o do lugar onde o delito se consumou. 209. abre-se então. ela foi cancelada. Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos. quando.  As causas relativas a direitos humanos §5. ou seja. crimes contra a fauna são da competência da justiça estadual. que além da violação de direitos humanos e da existência de tratados ou convenção internacional. ou reciprocamente. Para os autores. os juízes e delegados de polícia estadual deveriam. Logo.

76 . e as pessoas a elas equiparadas. disciplinando a infração. o porte e a autonomia são irrelevantes para a definição da competência federal.  Crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves. como manda o inciso VI do art.137/90 e 8. tendo natureza de infração de cunho administrativo. Obs. O que será apreciado na Justiça Criminal Federal são as infrações penais perpetradas para a consecução da permanência ou do ingresso irregular no Brasil.  Crimes contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira Crimes contra o sistema financeiro nacional – o SFN é composto pelas instituições financeiras públicas e particulares. o entendimento de Didier. contudo. Ordem econômica – da mesma forma. que dificultasse ou impedisse o êxito das investigações ou do processo. Navio – necessária aptidão à realização de viagens internacionais e grande porte (transnacionalização). serviços ou interesses de ente federal. em si mesma não é tipificada como crime. Restaria assim o julgamento na seara federal quando estas infrações afetarem bens. a merecer reprimenda desta natureza. ressalvada a competência da Justiça Militar. por ausência de previsão nos respectivos textos. No mesmo sentido do STJ.existência de algum obstáculo na esfera estadual. pois a autoridade era competente. Mesmo com a aeronave em solo a competência é da JF. O julgamento do STJ é fato superveniente que altera a competência absoluta ex nunc.  Disputa sobre direitos indígenas – afetação da COLETIVIDADE indígena. Não basta que a conduta afete o SFN. preveja expressamente a competência federal. As Leis 8.109 da CF. Como a CF usou a expressão genérica aeronave.109 da CF.  Crimes contra a organização do trabalho – ofensa à coletividade de trabalhadores. por aplicação do inciso IV do art. STJ Súmula nº 140 Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime em que o indígena figure como autor ou vítima. os atos até então praticados são válidos. sem fazer distinção. Para que a competência seja da esfera federal. As infrações ocorridas em embarcações de pequeno calado serão apreciadas na esfera estadual. os crimes nelas previstos serão apreciados em regra na JE. Obs.176/91 tratam da matéria. necessita-se de previsão expressa na legislação ordinária. é fundamental que a lei ordinária.  Os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro A conduta de ingressar ou permanecer ilegalmente no país. fazendo uma advertência: acolhido o pedido de deslocamento da competência.

Eventuais recursos serão endereçados ao TRF competente. Contudo. IMPORTANTE!!! Era o que ocorria com o tráfico internacional de drogas.343/06 (nova lei anti-drogas). ou seja. No ASPECTO PROCESSUAL. se um militar. passando para a Justiça Comum.  HC ou MS em matéria criminal – é por demais importante dar enfoque a autoridade coatora. dentro da competência do júri. os militares vão a júri quando invistam dolosamente contra a vida de civil. 2. levam-se em conta as características de quem se desejava atingir. deveriam ser julgados na alçada militar. havendo vedação expressa nesse sentido (art. IMPORTANTE!!! Os crimes dolosos contra a vida praticados por militar contra civil foram retirados da alçada militar. #Afinal. e havendo PREVISÃO LEGAL. Portanto. erra o alvo e acerta um civil. o importante é definir a pessoa realmente atingida. O abuso de autoridade é crime comum. Questão interessante é a existência de aberratio ictus. Se o crime é culposo. e se praticado por militar. na fixação da pena. de forma a uniformizar a matéria. não irá à justiça especializada.  Competência territorial da Justiça Federal Nas comarcas que não forem sede de vara federal. estaduais ou federais. subsiste a competência da Justiça Militar. desejando matar outro militar. 70 deu tratamento diverso à matéria.3 Competência da justiça especializada militar A Justiça Castrense não aprecia qualquer outra infração que não aquelas ditas militares. a autora da ilegalidade ou abuso de poder a ensejar a impetração do HC ou do MS. com o advento da lei 11. consoante entendimento do STJ. onde será julgado? Para EFEITOS PENAIS. se por erro na pontaria o civil foi atingido. Ao que parece. Obs.3. o paragrafo único do art. assumindo o entendimento de que os militares federais. Neste sentido: 77 . versando que “os crimes praticados no Municípios que não sejam sede de vara federal serão processados e julgados na vara federal da circunscrição respectiva”. não é este o entendimento trilhado pelo STF e pelo STJ. 90-A). o militar vai a júri. sendo que nenhum instituto da Lei 9099/95 é aplicável à Justiça Militar. O Superior Tribunal Militar já declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. de fixação da competência. 9º do CPM. Todavia. poderá ocorrer o processamento e julgamento de crime federal perante a própria justiça estadual. mesmo quando praticam crime doloso contra a vida de civil.

de regra. que tem aplicação aos delitos com pena mínima de até um ano. dentro do respectivo procedimento eleitoral. determinada pelo LUGAR EM QUE SE CONSUMAR A INFRAÇÃO. ainda que o delito tenha sido praticado em outra unidade federativa”. aquelas disciplinadas na legislação eleitoral. É também cabível a suspensão condicional do processo. No mesmo raciocínio. a súmula nº 75 do STJ: “compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar o policial militar por crime de promover ou facilitar a fuga de preso de estabelecimento penal”. leia- se. Como órgão de instância superior. 2.4 COMPETÊNCIA RATIONI LOCI Art. a súmula 53 do STJ: “Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar civil acusado de prática de crime contra instituições militares estaduais”. tendo competência para apreciar os crimes militares praticados por policiais militares e bombeiros militares. no caso de 78 .“compete à Justiça Comum processar e julgar militar por crime de abuso de autoridade. ADMITE-SE a aplicação dos institutos despenalizadores da Lei 9099/95. pelo próprio TJ. ao passo que a súmula nº 6 indica que “compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar delito decorrente de acidente de trânsito envolvendo viatura de polícia Militar. como a composição civil e a transação penal. é crime comum. ou por TJ Militar nos Estados em que o efetivo seja superior a vinte mil integrantes. 2. Competência territorial da Justiça Militar Estadual – súmula 78 do STJ: “Compete à Justiça Militar processar e julgar policial de corporação estadual. as que lhes sejam conexas. e além deles. não julga civil. 70. Justiça Militar Federal – é composta pelos Conselhos de Justiça. Súmula 172 do STJ . ainda que praticado em serviço”. Neste sentido. especial e permanente. e além delas. Justiça Militar dos Estados – é constituída pelos juízes de direito e pelos Conselhos de Justiça e em segundo grau. salvo se autor e vítima forem policiais militares em situação de atividade”. Logo. A competência será. ou. A Justiça Castrense Federal tem competência para julgar os membros das Forças Armadas. em entendimento consolidado pelo STJ. temos o STM. não sendo apreciado pela Justiça Militar. sendo órgão colegiado que atuará nas sedes das Auditorias Militares.3. IMPORTANTE!!! Se a infração eleitoral ou aquela comum que lhe seja conexa estiver dentro do patamar de menor potencial ofensivo. O crime de tortura. os civis que incorram em crime militar.4 Competência da justiça especializada eleitoral A Justiça Eleitoral tem competência para apreciar as infrações eleitorais.

2 Critério subsidiário E se. além de desconhecido o local da consumação. determinada pelo lugar em que se consumar a infração. ou seja. que são aqueles em que os atos executórios se iniciam no Brasil e o resultado. além da resposta à comunidade que reside onde ocorreu a ofensa ao bem jurídico tutelado. o que primeiro recebe a inicial acusatória dando inicio ao processo. TEORIA DO RESULTADO – (teoria prevalente) consumação do delito. PREVENÇÃO é sinônimo de antecipação. É aplicada nos crimes à distância. de regra. pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. IMPORTANTÍSSIMO!!! Quando o réu possui mais de uma residência ou domicilio (a). ocorre ou deveria ocorrer no Brasil. 2. havendo pluralidade de réus com diversos domicílios (b). A competência será. quando incerto o limite territorial entre duas ou mais comarcas ou quando a infração foi tentada ou consumada na divisa entre elas (c) e nos crimes continuados ou permanentes ocorridos em duas ou mais comarcas (d) a competência se definirá pela PREVENÇÃO. Isso pela facilidade da colheita probatória no lugar em que os atos executórios se desenvolveram. É adotada nas hipóteses de crime tentado e também nos Juizados Especiais Criminais.4. tentativa. optar por propor a ação no domicílio ou residência do réu. antecipando-se aos demais. o querelante pode. Teoria da atividade – a competência será fixada pelo local da ação ou omissão. leia-se. 2.4. o STJ tem construído sólida jurisprudência no sentido de que a competência é fixada pelo local da ação. ou. juiz prevento é aquele que primeiro toma contato com o fato e atua.1 Domicílio ou residência do réu Se não for conhecido o local da consumação do crime. pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. mesmo que parcialmente. e não do resultado. desde que um ou outro aqui ocorram. mesmo sabido o local da consumação. IMPORTANTE!!! No crime de homicídio. Teoria da ubiquidade (mista ou eclética) – a competência territorial no Brasil seria estabelecida tanto pelo local da ação quanto pelo do resultado. IMPORTANTE!!! Nas AÇÕES EXCLUSIVAMENTE PRIVADAS. Não tem cabimento nas ações penais privadas subsidiárias da pública. são também desconhecidos a residência e o paradeiro do réu? Será competente o juiz que primeiro tomar conhecimento do fato. ou o magistrado que ainda na fase do IP. já esta tomando medidas cautelares referentes ao futuro do processo. 79 . no caso de tentativa.

caso venha a ocorrer um crime em seu interior. Nestas hipóteses. mesmo reconhecendo que a infração ocorreu em território nacional.3 Crimes praticados a bordo de navios ou aeronaves Se uma embarcação estrangeira está apenas passando por águas territoriais brasileiras. 2. Senadores.4. ou seja. Advogado-Geral da União.  Presidente do Banco Central. a solução será dada pela distribuição. sob a modalidade de emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos. Súmulas aplicadas: Súmula 521 do STF: O foro competente para o processo e julgamento dos crimes de estelionato. Súmula 244 do STJ: Compete ao foro do local da recusa processar e julgar o crime de estelionato mediante cheque sem provisão de fundos. Legislativo:  Membros do Congresso Nacional: Deputados Federais.2. sem reflexos externos. o juízo competente será o da Capital do Estado onde por último tiver residido o acusado. 2. e caso o mesmo nunca tenha residido no Brasil. 80 .4. Se aplica também as aeronaves privadas e estrangeiras que estão no espaço aéreo do Brasil. não atingindo a paz. A prerrogativa é estabelecida em razão da função desempenhada.6 COMPETÊNCIA RATIONE PERSONAE Visa evitar pressões indiretas que poderiam ocorrer se as diversas autoridades fossem julgadas pelos juízes de primeiro grau. em atenção ao DIREITO DE PASSAGEM INOCENTE. será julgado na Capital da República.  Controlador-Geral da União. É conferido à lei de organização judiciária o estabelecimento da divisão de trabalho. o Brasil não irá julgá-la.5 COMPETÊNCIA PELA NATUREZA DA INFRAÇÃO Em comarcas onde diversos magistrados possuem competência plena. o que é razoável. a segurança e a boa ordem brasileira. é o do local onde se deu a RECUSA do pagamento pelo sacado.  Ministros de Estado. 2. STF: Executivo:  Presidente e Vice-Presidente. sendo aplicado a infrações consumadas no estrangeiro. não havendo em que se falar em violação ao princípio constitucional da isonomia.4 Crimes praticados no exterior O Código Penal brasileiro goza de extraterritorialidade.

Judiciário: Juízes federais. dos TRE.  Chefes de missão diplomática permanente STJ: Executivo: Governadores. Tribunais de Justiça: Executivo: Prefeitos. Judiciário:  Membros dos Tribunais Superiores: STF. Outras autoridades: membros do MP Estadual.1 Prerrogativa de função e manutenção do cargo ou mandato Atualmente. DF e Municípios. TST. Tribunais Regionais Federais: Executivo: Prefeitos. MP do DF). 2. não há mais de se falar em manutenção do foro privilegiado uma vez encerrado o cargo ou o mandato (salvo se já iniciado o julgamento perante o STF). Judiciário: Juízes de Direito. Juízes militares da União. STJ. TSE. Outras autoridades:  Procurador-Geral da República. Estas últimas. dos TJ e dos TRT. nem muito menos em prerrogativa de função para as ações de improbidade administrativa. Juízes do trabalho. Legislativo: Deputados estaduais. Legislativo: - Judiciário: membros dos TRF. STM. MPM. pouco importa se 81 .6. Outras autoridades: membros dos Tribunais de Contas dos Estados.  Comandantes das Forças Armadas.  Membros do Tribunal de Contas da União. Legislativo: Deputados estaduais. Membros do MP da União que atuam perante Tribunais. após a apreciação de ADIN’s. Outras autoridades: Membros do MP da União (MPE. MPT.

caso incorram em crime doloso contra a vida.2 Prerrogativa x tribunal do júri As autoridades com foro privilegiado estatuído na Constituição Federal NÃO irão a júri. Obs.4 Foro privilegiado (por prerrogativa de função) e deslocamento 82 . Os autores aplicam também este entendimento aos Deputados Estaduais. não tem o condão de ilidir a manutenção do foro privilegiado. Diante do verbete citado acima. nos demais casos. suas autarquias e empresas públicas. à época Advogado- Geral da União. Assim. irão a júri. QUE FRUSTRARIA AS REGRAS CONSTITUCIONAIS E NÃO APENAS AS REGRAS DE COMPETÊNCIA”. sendo julgadas pelo respectivo tribunal competente. por maioria. Súmula 721 do STF: “a competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição Estadual”. que a ele compete julgar ação por ato de improbidade administrativa movida “contra atual Ministro do STF. muito recentemente. como normalmente ocorre com os vice-governadores e defensores públicos. 2. e 12. I e II. na qual se lhe imputam a suposta prática dos crimes previstos nos artigos 11. da Lei 8429/92”. relativamente aos demais acusados”. Por essa razão.6.6. nos crimes contra a União. o Pretório Excelso “determinou o arquivamento da petição. a matéria está bem distante de ser pacificada. sendo manejadas perante o juízo de primeiro grau. e a descida dos autos ao mencionado juízo de 1ª instância. Deveras. a renúncia ao mandato na iminência de ser julgado. o TRE. IMPORTANTE!!! A questão da renúncia ao mandato como forma de se eximir ao julgamento perante o tribunal a priori competente. forçando a remessa dos autos ao juízo de primeiro grau foi apreciada pelo plenário do STF. III.3 Prerrogativa funcional dos prefeitos Súmula 702 do STF: “a competência do TJ para julgar prefeitos restringe-se aos crimes de competência da Justiça comum estadual. Na ocasião a suprema corte entendeu que o ato caracterizaria “INACEITÁVEL FRAUDE PROCESSUAL. e nos crimes eleitorais. Ao final. entendeu o STF “que distribuir competência para juiz de 1º grau para julgamento de ministro da Corte quebraria o sistema judiciário como um todo”. quem julgará o prefeito é o TRF.a autoridade continua ou não exercendo as funções. em relação ao referido Ministro desta Corte. entendeu-se que a renúncia ao mandato na iminência do julgamento importaria abuso de direito. Nessa linha. Já aquelas com foro por prerrogativa de função previsto na Constituição estadual.6. haja vista o fato de ele não mais ocupar o cargo de Advogado-Geral da União. Todavia. 2. inconcebível na atual ordem constitucional. 2. e outros. o STF decidiu. a competência originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau”. são destituídas de foro privilegiado.

ou não possui residência. Em se tratando de incompetência relativa. O critério territorial de fixação de competência é relativo.8 PREVENÇÃO Prevenção significa antecipação. sob pena de preclusão. mas estão situados em foros diferentes. poderá se afastar até a absolvição sumária. a competência territorial é firmada pelo domicílio ou residência do réu. Juízes igualmente competentes são aqueles que possuem mesma competência material e territorial. não só os atos decisórios mas também os instrutórios devem ser reputados imprestáveis. e a infração tenha sido praticada em suas divisas. Não firma prevenção a atuação do magistrado em escala de plantão. Já o juiz.7 COMPETÊNCIA ABSOLUTA X RELATIVA Tanto a incompetência absoluta como a relativa podem ser declaradas de ofício (há divergências quanto incompetência relativa). prevalente é aquele que primeiro pratica atos do processo ou medidas relativas ao mesmo. ainda que anteriores ao oferecimento da denúncia ou queixa. a competência é firmada pela prevenção. apreciação de habeas corpus. dez dias. e concorrendo dois ou mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa. Da mesma forma. IMPORTANTE!!! Hipóteses de estabelecimento da prevenção:  Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições.IMPORTANTE!!! Sempre que a autoridade que goza de foro privilegiado incorrer em infração penal. é que se aproveitam os atos de prova. Obs.  Não sendo conhecido o local da consumação do delito. em se tratando de incompetência absoluta. há de se reconhecer que em se tratando de incompetência absoluta. acreditam os autores que a defesa. 2. impetrado ainda na fase do inquérito tendo o delegado como autoridade 83 . Na incompetência relativa. Se a incompetência é meramente relativa. será julgada perante o tribunal de origem. ou é desconhecido o seu paradeiro. Se ele tem mais de uma residência. poderá declinar do feito a qualquer momento. deverá sinalizar no prazo de apresentação da defesa preliminar. Lembrar!!! Nas ações penais privadas. 2. Os demais são de ordem absoluta. IMPORTANTE!!! Em que pese a lei não ter feito distinção entre competência absoluta ou relativa. Já os magistrados com competência cumulativa possuem idêntica competência material. em razão da natureza excepcional do serviço prestado. qual seja. restando imprestáveis os atos decisórios. que se estenda pelo território de mais de uma jurisdição.  Tratando-se de crime continuado ou permanente. o autor pode escolher entre o local do fato e o domicílio do réu (não e aplica as ações privadas subsidiárias da pública). mesmo que esteja fora da jurisdição territorial do respectivo tribunal.

embora diverso o tempo e o lugar. o crime é único. Ex: torcedores enfurecidos que depredam estádio de futebol. merecendo. no caso. Ex: comparsa que mata o outro para ficar com todo o produto do crime. 84 . IMPORTANTÍSSIMO!!! É bom lembrar que o crime de rixa não serve de exemplo para caracterizar a conexão por reciprocidade. homicida que além da vítima. obrigatoriamente devem existir duas ou mais infrações vinculadas. em prol da celeridade do feito e para evitar decisões contraditórias.  Conexão intersubjetiva – duas ou mais infrações interligadas. 2. Há. 2. material. apreciação em processo único. ou para conseguir impunidade ou vantagem. significando a repartição dos processos entre juízes igualmente competentes. e sim de modificação da mesma. umas contra as outras.  Instrumental ou probatória – ocorre quando a prova de uma infração ou de suas elementares influir na prova de outra infração. c) Conexão intersubjetiva por reciprocidade – ocorre quando várias infrações são praticadas. nas mesmas circunstâncias de tempo e de espaço. atraindo para um determinado juízo os crimes ou infratores que poderiam ser julgados separadamente. Ex: gangue que pratica vários delitos em determinada cidade. b) Conexão intersubjetiva concursal – ocorre quando várias pessoas. portanto. não fixa a prevenção do magistrado para o futuro processo a ser iniciado. por diversas pessoas. Sendo o HC ação autônoma de impugnação. por várias pessoas reunidas. sem estarem previamente acordados. praticadas ao mesmo tempo. Na rixa. praticam várias infrações.1 Conexão Infrações conexas são aquelas que estão interligadas.10. não vai se prestar a instituir tal vínculo. pois. mata a única testemunha para ficar impune. pluralidade de criminosos. teleológica ou finalista – ocorre quando uma infração é praticada para facilitar ou ocultar outra.10 CONEXÃO E CONTINÊNCIA Não são bem um critério de fixação de competência.  Conexão objetiva. porém em bairros diversos. praticadas por duas ou mais pessoas. para dificultar o trabalho da polícia. por órgãos diversos.coatora. a) Conexão intersubjetiva por simultaneidade – ocorrem várias infrações. 2.9 DISTRIBUIÇÃO Instituto disciplinador de serviços. previamente acordadas. para haver conexão.

devendo-se. contudo. desde que conte com a autorização judicial. deverá ocorrer a separação de processos. Se houver concorrência entre o júri e crime de competência da justiça federal. pois este é o prevalente. ou a reunião de várias infrações em um só processo por decorrerem de conduta única. quanto a esta última.11 FORO PREVALENTE IMPORTANTE!!! Caso a reunião em um só processo implique violação das regras de competência fixada na CF. IMPORTANTE!!! Havendo concorrência entre crime doloso contra a vida e infração de menor potencial ofensivo. contudo. Se a audiência for frustrada. deve ser realizada audiência preliminar. resultarem de concurso formal de crimes. não vai haver a reunião de inquéritos em razão da conexão.  Continência por cumulação objetiva – implica na reunião em um só processo de vários resultados lesivos advindos de uma só conduta. Lembra Nucci. devendo cada um tramitar separadamente na circunscrição em que houve a consumação de cada infração. restará impossibilitada a junção. Acreditam os autores que.2 Continência É o vínculo que une vários infratores a uma única infração.  Conexão na fase preliminar investigatória – a priori. 2.10. pode-se providenciar a sua união em uma só delegacia ou departamento policial. ambos serão apreciados pelo Tribunal Popular. oportunizar-se a transação penal e a composição civil dos danos.  Concurso entre júri X jurisdição comum ou especial Se um crime doloso contra a vida for conexo a um crime comum.  Continência por cumulação subjetiva – ocorre quando duas ou mais pessoas concorrerem para a prática da mesma infração. antes do processo se iniciar regularmente. ambos serão apreciados dentro do júri a ser realizado na esfera federal. ambos irão a júri. neste caso. ou seja. ouvindo-se antes o Ministério Público. que sendo útil ao esclarecimento e busca da verdade real. seja ela militar ou eleitoral. malogrando a composição civil ou a transação. IMPORTANTE!!! Já em havendo a concorrência entre o júri e crime de competência da jurisdição especial. para que a tentativa de composição civil e de transação penal seja efetivada em prol da infração de menor potencial ofensivo. de sorte que a separação processual será a única saída. 2.  Concurso entre jurisdições de diversas categorias 85 . é que as infrações tramitarão juntas no processo. Obs.

a. não se aplicando a regra do art. pois a aplicação das regras de foro prevalente. impõe-se a separação de processos. ambos serão julgados. aduzindo: “o tribunal de maior hierarquia sempre preencherá os requisitos pelos quais se instituiu a competência daquele que lhe é inferior”. 5º. da ampla defesa e do devido processo legal a atração por continência ou conexão do co-réu ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados’. reunindo-se. contudo. não foi o entendimento adotado pela Suprema Corte. desaguaria na violação a própria Carta Magna. não havendo que se falar em prejuízo ao imputado. do CPP”. II. IMPORTANTE!!! Se a autoridade com foro estatuído na CF incorrer em crime doloso contra a vida juntamente com outrem que não possui tal prerrogativa. contudo.  Concurso entre jurisdição comum X especial Na concorrência entre a Justiça comum e a especializada. que se ambos os infratores possuem foro privilegiado previsto na CF. prevalecerá a federal. É a posição que tem prevalecido. Súmula 704 do STF: “não viola as garantias do juiz natural. É também a posição de Pacelli. Órgãos de hierarquia distinta – prevalecerá a de maior graduação. A título de exemplo: se um Deputado Federal comete infração em concurso com cidadão comum. no tribunal mais graduado. em havendo conexão entre um crime eleitoral e um comum.Prevalecerá o LOCAL DA CONSUMAÇÃO DA INFRAÇÃO MAIS GRAVE. resta a conclusão de que haverá separação de julgamento. Concorrendo a justiça comum estadual com a federal. afinal. ao consagrar que a concorrência numa mesma infração de membro do STJ e do TRF levaria a que todos fossem julgado perante o STF. 86 . perante o STF. XXXVIII. Este. qual seja. ao passo que as demais pessoas. Logo. ambos serão apreciados perante a justiça especializada eleitoral. Havendo conexão entre crime militar e qualquer outra infração que não seja militar. em razão da continência por cumulação subjetiva. portanto. Atentar para o fato de que o STF já julgou em sentido diverso. IMPORTANTE!!! A presente regra NÃO se aplica à justiça especializada militar. da CF. o seu juiz natural para os crimes dolosos contra a vida. órgão naturalmente competente para julgar o Deputado. resta a separação de processos. Súmula 122 do STJ: “compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado os crimes conexo de competência federal e estadual. esta só aprecia infrações militares. IMPORTANTE!!! Acreditam os autores. pois aqueles que possuem foro privilegiado consagrado na CF não irão a júri.78.  Concurso entre jurisdições de mesma categoria IMPORTANTE!!! 1ª . esta última prevalecerá. o tribunal popular. em razão da conexão ou continência. em que pese ambas serem comuns. têm consagrado no art.

a regra do foro prevalente será solucionada pela PREVENÇÃO. já na fase de execução. o objetivo é que lhe seja aplicada pena. afinal não se cogitaria da possibilidade do juiz prevalente modificar a sentença proferida em processo que tramitou perante outro órgão. mesmo havendo conexão ou continência. pelo acréscimo do parágrafo único ao art.12 SEPARAÇÃO DE PROCESSOS 2. 60 da lei 9099/95.12.  Fuga do co-réu – em havendo fuga. não comparecer e nem nomear advogado.1 Separação obrigatória  Concurso entre jurisdição comum e MILITAR. pois o procedimento irá evoluir apenas em razão do imputável. quanto a ele. impedindo a avocação de processos que se encontrem na fase recursal. e advindo a insanidade em razão de um deles. e estará suspenso também o curso do prazo prescricional. cabendo. a prolação de sentença definitiva. restará a separação de processos. uma vez iniciado o processo. mas que pode ainda ser passível de recurso. entretanto. é possível que o processo fique suspenso. Repise-se que mesmo fora dos juizados. A expressão sentença definitiva deve ser interpretada como a sentença que encerrou a primeira fase processual.Já se as infrações forem em igual gravidade e quantidade. deve ser oportunizado para a infração de menor potencial ofensivo a transação penal e a composição civil dos danos. aguardando-se que seja ele encontrado. Essa regra será aplicada. não há de se falar em avocatória. os processos tramitarem separadamente.  Superveniência de doença mental – caso um imputável venha a praticar infração penal e após este evento ocorra a inimputabilidade. 87 . Se os processos correram separadamente. prevalecerá o juízo do local da consumação do MAIOR NÚMERO DE CRIMES. 366 do CPP: se um dos co-réus for citado por edital. este ficará SUSPENSO (correndo normalmente a prescrição). Em havendo co-réus. 2. IMPORTANTE!!! Se. salvo se já tiver. aguardando que o infrator recobre a sanidade. 3ª . e como à época do fato era imputável. 2ª . o processo. a autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os processos que corram perante os outros magistrados. É o que ocorre pela leitura do art. em razão da impossibilidade do julgamento à revelia. Esta conclusão é a mais adequada. a junção posterior para efeito de soma ou unificação das penas. afinal. ficará suspenso. mesmo que a infração de maior gravidade seja conexa com uma outra que tenha o status de menor potencial ofensivo. no processo desgarrado.  Concurso entre a jurisdição comum e o JUÍZO DE MENORES. já que está impossibilitado de exercer a autodefesa. advindo sentença naquela que tramitou distante do juízo prevalente.Se as infrações interligadas tiverem igual gravidade.

e recusado pelo colega. e o outro o aceite. Procedimento do júri: 88 . e o réu não encontrado será julgado a revelia. Lembrar!!! A justiça eleitoral não separa os processos. não haverá separação dos processos pela discordância. se os defensores optarem por fazer suas recusas individualmente. IMPORTANTE!!! Com a alteração do art. Art. pela não obtenção do mínimo de sete jurados para composição do Conselho de Sentença. 366. não comparecer. 2. nem constituir advogado. haverá a intimação editalícia. em havendo reunião de infrações e/ou infratores pela conexão ou continência. se for o caso.  Qualquer outro motivo relevante. continuará competente para julgar as demais. de sorte que o desmembramento não irá se operar pela ausência.13 PERPETUATIO JURISDICIONIS A perpetuação da jurisdição é o reconhecimento de que. 312.  Número excessivo de acusados – o número excessivo de réus pode ocasionar uma imoderada dilação processual. Se o acusado. Cabe ao magistrado de oficio ou por provocação. haveria obrigatoriamente a separação de julgamentos. 420 CPP. CITADO POR EDITAL. havendo dois advogados. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional. caso a acusação também o aceitasse. analisar a conveniência de manter o processo uno ou determinar a separação. Desta forma.2 Separação facultativa  Infrações praticadas em circunstância de tempo ou lugar diferente – quando conveniente para a captação probatória. pois o jurado estará automaticamente afastado por ter havido uma recusa. Também de acordo com a reforma. 2. estando. desaguando na extensão desproporcional do tempo de prisão cautelar. mas sim atrai para si. este será afastado do julgamento. não sendo possível a INTIMAÇÃO PESSOAL DA DECISÃO DE PRONÚNCIA. mesmo que venha a absolver ou desclassificar a infração que determinou a atração.12. de sorte que o júri só será adiado se não ficarem aos menos sete jurados para composição do conselho de sentença. O máximo que poderá ocorrer é o adiamento. o juiz prevalente. suprimida a separação. caso apenas um deles não aceite o jurado. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. nos termos do disposto no art. caso apenas um deles recuse o jurado sorteado. o não comparecimento de um dos corréus (solto) implica no seu julgamento a revelia.  Recusas no júri – sendo sorteado jurado que é aceito por um dos defensores. Com a reforma. portanto. decretar prisão preventiva. o julgamento (lembrar que justiça especial atrai a competência da comum quando conexos).

Resumindo!!! Na segunda fase do júri vai depender da decisão dos jurados. se eles desclassificarem a infração (reconhecem sua incompetência). continuam competentes para apreciar as infrações conexas. DESCLASSIFICANDO a infração. Da mesma forma. devem ser remetidos a esfera federal.1 Surgimento de nova vara #Os processos que versem sobre crime que passam a ser de competência da nova vara. Ora. o julgamento. Todavia. b) alteração da competência em razão da matéria. o julgamento fica afeto ao juiz presidente. caso o magistrado impronuncie o réu ou o absolva sumariamente. mas também dos crimes conexos. entendendo que não se trata de crime doloso contra a vida. se os jurados desclassificam o crime doloso contra a vida. #Os processos iniciados na esfera estadual. e por isso continuam aptos para apreciar as infrações conexas. devem ou não ser remetidos ao novel órgão jurisdicional? Tanto na doutrina quanto na jurisprudência.13. A primeira fase funciona como filtro para identificar quais as infrações que encontram ou não substrato mínimo pra julgamento pelo Conselho de Sentença. em plenário. 2. por força da analogia. não só deste.  Se ao final da PRIMEIRA FASE o juiz desclassificar a infração. havendo infrações conexas. tem-se admitido a aplicação. serão remetidas ao juízo competente. 89 . sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas em momento posterior. a matéria esta longe de ser pacificada. c) alteração da competência em razão da hierarquia. Já se os jurados ABSOLVEREM o réu pelo crime doloso contra a vida. se eles absolverem (reconhecem sua competência). 87 do CPC. que de forma singular apreciará e julgará a infração desclassificada e as conexas. ficando o julgamento afeto ao juiz presidente. remeterá os autos ao juízo competente. salvo nas seguintes hipóteses: a) supressão de órgão jurisdicional. estão reconhecendo que são competentes. de forma que a competência é determinada na propositura da ação. em face da nova previsão (que determina que a JF é competente para julgar o trafico internacional de drogas)? Os autores entendem que não. fica afeto ao juiz Presidente do Júri.  Já na SEGUNDA FASE. nos permite concluir que o processo foi iniciado perante o juízo competente. estão reconhecendo sua incompetência. Diante da ausência de vara competente quando do início da ação penal. quando da vigência da antiga lei de drogas (que permitia o julgamento do trafico internacional pela justiça estadual). do art. se o corpo de jurados reconhece que não houve dolo de matar.

dependendo da existência da questão principal e devendo ser sempre decidida no mesmo processo ou procedimento onde é julgada a questão principal. que tratam de aspectos processuais. da inquirição das testemunhas e de outras provas de natureza urgente. QUESTÕES E PROCESSOS INCIDENTES 1. ou simplesmente preliminar.QUESTÕES PREJUDICIAIS A questão prejudicial se caracteriza por ser um antecedente lógico e necessário da questão prejudicada. 92 do CPP explicita a ideia de questão prejudicial. 90 . enquanto que as preliminares são absolutamente dependentes e sempre serão julgadas pelo juízo criminal. O art. 92. Parágrafo único. existindo independentemente da questão principal. Em face da necessidade lógica de ser apreciada em primeiro lugar. eis que o exame da lide. processual ou de mérito. ou seja. sem prejuízo. Distinguem-se das preliminares. podendo ser resolvidas pelo próprio juiz criminal. Com o intuito de não criar tumulto na lide. Se for o crime de ação pública. quando necessário. há uma dependência lógica entre as duas questões. 2. cuja solução condiciona o teor do julgamento desta. é o fato. via de regra. ao passo que os processos incidentes. não sendo autônoma. dependerá do seu desfecho. que impede que o juiz aprecie o fato principal ou a questão principal (a infração penal). que o juiz repute séria e fundada. o Ministério Público. impedem a apreciação do mérito. o curso da ação penal ficará suspenso (obrigatoriamente) até que no juízo cível seja a controvérsia dirimida por sentença passada em julgado. a questão preliminar. Se a decisão sobre a existência da infração depender da solução de controvérsia. Art. entretanto. As questões prejudiciais são as que devem ser resolvidas previamente porque se ligam ao mérito da questão principal. e uma vez reconhecidas.CONSIDERAÇÕES INICIAIS Questão incidente é o fato que pode acontecer no curso do processo e que deve ser decidido pelo juiz antes de adentrar no mérito da causa principal. promoverá a ação civil ou prosseguirá na que tiver sido iniciada. stricto sensu. sobre o estado civil das pessoas. dizem respeito ao processo. Caracterizam-se também por sua autonomia e pela possibilidade ou não de serem julgadas pelo juízo criminal. as questões incidentes serão apreciadas em autos apartados. normalmente apensos ao principal. trazendo ainda consigo a possibilidade de se constituir em objeto de processo autônomo. com a citação dos interessados. Enquanto a questão prejudicial é autônoma. Mirabete divide os incidentes em questões prejudiciais e processos incidentes. diz-se que a questão incidente é prejudicial.

a exemplo da investigação de paternidade em relação ao inventário. Diante de tal hipótese. cabendo ao juiz decidir se suspende ou não o processo. qualificadoras. sem prejuízo. ela é dita parcial. da realização de providências urgentes. quando o réu afirma que a coisa lhe pertence. 2. No âmbito penal podemos exemplificar com a exceção da verdade no crime de calúnia. atenuantes. na esfera crime. limitando-se a questão prejudicial ao reconhecimento de circunstâncias (agravantes. A prejudicial facultativa ganha forma quando o reconhecimento do crime depende de solução de QUESTÃO DIVERSA DO ESTADO CIVIL DAS PESSOAS. são enviadas para conhecimento e solução em outra esfera jurídica.1. Ao passo que.4 Prejudicial devolutiva e não devolutiva (princípio da suficiência) São devolutivas as questões prejudiciais que transbordem os limites da jurisdição da questão prejudicada. deixando incólume a existência do crime. por exemplo. As heterogêneas. É a relação jurídica civil que condiciona a existência da infração penal que o juiz esta julgando. jurisdicionais ou perfeitas são as prejudiciais que transbordam os limites da jurisdição da causa prejudicada (causa principal) e vão produzir efeitos em outras esferas do Direito. necessariamente tiver que suspender o processo prejudicado até o deslinde da questão prejudicial. considerando a questão prejudicial séria e fundada. 2. a título de exemplo. 91 . etc). situação que ocorre diante de QUESTÃO ATINENTE AO ESTADO CIVIL DAS PESSOAS. até o transito em julgado da decisão no cível. o reconhecimento da invalidade do casamento anterior fará com o crime de bigamia.3 Prejudicial total e parcial Será total se a solução da questão prejudicial tiver o condão de fulminar a existência do crime. como. a teor do art.2 Prejudicial obrigatória e facultativa Será obrigatória se o juiz.1 Prejudicial homogênea ou heterogênea São ditas homogêneas. ou no mesmo ramo do Direito. 2.1. na discussão sobre a titularidade do bem no delito de furto.1. Não devolutivas são aquelas que são conhecidas e solucionadas no mesmo ramo do Direito que trata da questão principal. 92 do CPP. em virtude de sentença penal condenatória tem o dever de indenizar a vítima. juntamente com o curso do prazo prescricional. comuns ou imperfeitas as questões prejudiciais que pertencem e podem ser resolvidas na mesma jurisdição.1. como o faz a repercussão no espólio (jurisdição cível) daquele que. a questão prejudicada. Caberá ao juiz decidir se suspende ou não o processo. o processo criminal ficará suspenso.1 CLASSIFICAÇÃO 2. em tese defensiva que almeja o reconhecimento da atipicidade do fato alegado na denúncia. A suspensão não é obrigatória. para que a matéria fique esclarecida no cível. É o que ocorre.2. portanto.

Logo. sem prejuízo. A prescrição também fica suspensa. Depende. a ação penal é suficiente para tanto. mister se faz que a questão seja remetida ao juiz especializado. 2.4 PROCESSAMENTO DA PREJUDICIAL OBRIGATÓRIA E DA FACULTATIVA Prejudicial obrigatória – NÃO precisa ter havido o início da ação cível para que ocorra a suspensão do processo criminal. haverá intervenção do MP na esfera cível.2 NATUREZA JURÍDICA Apesar da divergência doutrinária. O nosso CPP não prevê expressamente a idéia de suficiência da ação penal. se a ação já estiver iniciada. há de se reconhecer que as prejudiciais são uma forma de conexão. Se a decisão sobre a existência da infração depender da solução de controvérsia. prestar a tutela jurisdicional. 2. Prejudicialidade facultativa – deve levar em conta a prevalência cível ou criminal sobre a questão sob apreciação. orienta que a decisão sobre as prejudiciais pode caber tanto ao juízo cível quanto ao criminal. 92 . 2. isto é. ou. entretanto. Sendo o crime de ação penal pública. do disciplinamento legal aplicável à situação posta para o magistrado. conhece da exceção. significando dizer que a ação penal é apta para. o juiz criminal é competente para solucionar a questão principal e eventualmente as prejudiciais que surjam ao longo do processo. por si só. Entretanto. em não havendo ação em tramite. utilizando-se o juiz criminal da decisão do cível. sobre o estado civil das pessoas (suspensão obrigatória). quem conhece da ação. haja vista que. Existe entre elas um nexo necessário. esse princípio decorre do sistema. da inquirição das testemunhas e de outras provas de natureza urgente. sem a necessidade de propositura de outras demandas para resolução de questões prejudiciais que surjam no curso do processo penal. 92. MISTO OU ECLÉTICO – ADOTADO NO BRASIL. tão somente. existe a possibilidade de uma ação penal ser suspensa até que seja resolvida uma questão prejudicial no juízo cível. Art. De regra. estaria evitando decisões contraditórias. para dar celeridade ao feito. o curso da ação penal ficará suspenso até que no juízo cível seja a controvérsia dirimida por sentença passada em julgado (não precisa ter havido o início da ação civil).3 SISTEMAS DE SOLUÇÃO Predomínio da jurisdição penal – aqui se argumenta que. que o juiz repute séria e fundada. o juiz criminal seria o competente para decidir a prejudicial. o próprio MP poderá propô- la. Como exceção ao princípio da suficiência da ação penal. Separação absoluta ou prejudicialidade obrigatória – nessa linha de pensamento.

3. Sendo o crime de ação penal pública. fixando prazo. o MP deve intervir na seara cível. O MP NÃO poderá propô-la. e tratando-se de crime de ação pública. sem que o juiz cível tenha proferido decisão.  Vinculação temática: ocorrendo a suspensão do processo em virtude da prejudicial. 93. O JUIZ CRIMINAL ESTARÁ VINCULADO AO QUE FOI DECIDIDO EM ESFERA CÍVEL.1 CONCEITO É uma forma de defesa por meio da qual o acusado objetiva a extinção do processo sem o julgamento do mérito. Manifesta-se na forma de exceção de suspeição.EXCEÇÕES 3. incompetência. Parágrafo único. Prejudicial facultativa – desde que já exista ação que trata da questão tramitando no âmbito da jurisdição cível. para suspensão. Art. após a inquirição das testemunhas e realização das outras provas de natureza urgente. que poderá ser razoavelmente prorrogado. 2. Obs.  A suspensão pode ser decretada de ofício ou a requerimento das partes. se a demora não for imputável à parte. retomando sua competência para resolver.  Não poderá ocorrer nos casos em que a lei civil limite a prova. findo o qual dará andamento ao processo. incumbirá ao Ministério Público intervir imediatamente na causa cível. desde que essa questão seja de difícil solução e não verse sobre direito cuja prova a lei civil limite. de fato e de direito. Da decisão de determina a suspensão do processo cabe RSE. mas não propor. promoverá a ação civil ou prosseguirá na que tiver sido iniciada. decidindo toda a matéria. e se neste houver sido proposta ação para resolvê-la (AÇÃO EM ANDAMENTO). Se for o crime de ação pública. § 3o Suspenso o processo. da competência do juízo cível.5 RECURSOS O despacho que nega a suspensão do processo criminal para a solução da prejudicial na esfera extrapenal é irrecorrível. com a citação dos interessados. o juiz criminal PODERÁ. prorrogável. suspender o curso do processo. com o propósito de imprimir maior rapidez. quando necessário. Se o reconhecimento da existência da infração penal depender de decisão sobre questão diversa da prevista no artigo anterior. ilegitimidade de 93 . uma vez que a ação deve estar em curso). o juiz poderá suspender o processo criminal. sendo indiferente tratar-se de prejudicial obrigatória ou facultativa. § 2o Do despacho que denegar a suspensão não caberá recurso. § 1o O juiz marcará o prazo da suspensão. para o fim de promover-lhe o rápido andamento (poderá intervir. ou apenas a procrastinação do feito.  Não cabe prejudicial no inquérito policial. eis que a ação já deve estar tramitando no cível. o Ministério Público. Expirado o prazo. o juiz criminal fará prosseguir o processo. toda a matéria da acusação ou da defesa.

parte. poderá ser recusado por qualquer das partes: I . Destas. coisa julgada. corrigindo o defeito. Daquelas. seu cônjuge. pode o indiciado recorrer administrativamente ao chefe de Polícia. Levam questões atinentes aos pressupostos processuais e às condições da ação. IV . objetivando retirá-lo do caso. Art. A exceção de suspeição deve preceder às demais. podendo ainda ser apresentada por procurador com poderes especiais.2. subjetivos ou objetivos. declarar-se suspeita. acionista ou administrador de sociedade interessada no processo. II . quando presente algum motivo legal. salvo se o motivo for superveniente. ou parente.se for sócio. que prorrogam o curso do processo. Por analogia. Vl . tutor ou curador. sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia. consangüíneo. podemos citar a litispendência e a coisa julgada. que. podem afetar a imparcialidade do julgador na apreciação do caso concreto. se não o fizer. 94 . Deve vir acompanhada de prova documental e rol de testemunhas. interpretes. procrastinando-o. 254. de alguma maneira. o processo continua ou poderá ser iniciado novamente com os verdadeiros legitimados. inclusive. afinal. V .1 Exceção de suspeição Os casos de suspeição do juiz (e também os de impedimento) dizem respeito a fatos e circunstâncias. de qualquer das partes.2 AS ESPÉCIES DE EXCEÇÕES E SEUS PROCESSAMENTOS 3. O juiz dar-se-á por suspeito. sendo o caso. Deverá. que extinguem o processo sem julgamento do mérito. seja a ad causam ou ad processum. IMPORTANTE!!! A autoridade policial nunca assume a condição de excepto. d) Procedimento – sendo excepto o órgão do MP. c) Petição – a petição deve ser assinada pela própria parte ou por procuradores com poderes especiais. e. Se necessário admitirá a produção de provas no prazo de 3 dias.se for credor ou devedor. ascendente ou descendente. b) Arguição – ex officio ou arguida pelas partes através da competente exceção. ou afim. sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes.se tiver aconselhado qualquer das partes. peritos. o JUIZ decidirá depois de ouvi-lo. membros do MP. até o terceiro grau. Ex: magistrado. estiver respondendo a processo por fato análogo.se ele. Quanto a ilegitimidade. temos a incompetência e a suspeição. serventuários e jurados.se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles. litispendência. a) Excepto – é a pessoa em face de quem se alega uma exceção. 3. Nada impede que a ferramenta seja também utilizada pela acusação.se ele. entendem os autores que se trata de mais uma exceção dilatória. entendem os autores que se o delegado não se afastar. funcionários as justiça. seu cônjuge. III . Podem ser peremptórias ou dilatórias.

desde que estejam presentes os requisitos específicos para serem conhecidos. a aplicação da CF no tocante às disposições dos recursos especial (ao STJ) e extraordinário (STF). III. de recurso extraordinário para o STF. Se o substituto legal entender que o colega reconheceu de ofício a suspeição sem amparo legal. até para que não sejam praticados atos que possivelmente serão anulados. Caso a suspeição seja do membro do MP. deverá ser imediatamente comprovada. CPP. 581. 104 do CPP não afasta o cabimento. poderá arguir conflito negativo de competência. pode o tribunal suspender o curso do processo aguardando-se o julgamento da suspeição. Incidindo a suspeição sobre o juiz. só ocorrerá nulidade processual se houver demonstrado prejuízo. suspende a marcha processual e remete os autos a seu substituto legal. funcionários. intérpretes e os serventuários da justiça. Da mesma forma. à vista da matéria alegada e prova imediata. a suspeição dos jurados deverá ser arguida oralmente perante o presidente do Tribunal do Júri. oferece sua resposta no lapso de três dias. em tese. autoriza o entendimento favorável a admissão deles. NÃO SUSPENDE o andamento da marcha processual. deve o juiz pagar as custas do processo. 95 . ressalvando a de suspeição. IMPORTANTE!!! A exceção de suspeição. e) Recursos – inexiste recurso apropriado para combater o reconhecimento da suspeição. Entretanto. f) Efeitos – sendo arguida em face de magistrado e uma vez reconhecida. reconhecendo-se suspeito. Se negada pelo excepto. serventuários ou de auxiliares da justiça. além de serem declarados nulos os atos do processo a partir do motivo causador da suspeição. É plausível sustentar que a parte prejudicada pela decisão a seu respeito pode impetrar habeas corpus ou mandado de segurança. ordena que seja autuado a petição em apartado. caso as duas partes que litigam no processo entendam que o magistrado é suspeito. Caso não aceite a alegação de suspeição. Incidindo a suspeição sobre os peritos. relevando notar que o art. atuando de má-fé para livrar-se do processo. De toda forma. ele suspende imediatamente o processo. Em caso de erro. COMO REGRA. sob pena de ser recusada a alegação de suspeição. remetendo os autos ao seu substituto. Escoado esse prazo o juiz determina a remessa dos autos dentro de 24 horas para o tribunal decidir. Nesse sentido. podendo instrui-la e oferecer testemunhas. estabelece que contra a decisão que julgar PROCEDENTE as exceções caberá RSE. o juiz singular. a ser dirimido perante o tribunal. Por seu turno. o STF decidiu que a inexistência de recurso ordinário no art. quando o magistrado reconhece de ofício a suspeição. a exceção de suspeição gera o afastamento do magistrado e remessa dos autos ao substituto legal. o juiz decidirá de plano. apresentada a exceção.

não poderá ser declinada de ofício. pelo que pode ser ratificado no juízo competente. não sendo esta arguida no prazo da defesa preliminar. diante da incompetência absoluta. 3.2. tratando da mesma causa de pedir e tendo a mesma parte ré. Caso seja reconhecida a incompetência ou julgada PROCEDENTE a exceção cabível será a interposição de RSE. d) Efeitos – julgada procedente a exceção. Não obstante a divergência. Da mesma forma. a) Arguição – a competência penal é questão de ordem pública. Nos casos de incompetência absoluta. c) Recurso – não cabe recurso da decisão que julgar IMPROCEDENTE a exceção de incompetência. IMPORTANTE!!! Tratando-se de incompetência relativa. b) Procedimento – NÃO suspende o curso do processo e deve ser oposta junto ao juiz da causa e autuada em apartado. a suspeição não poderá ser declarada nem reconhecida. doutrinadores consagrados entendem que a parte autora pode alegar a exceção de incompetência. Tal posição está longe de ser pacificada. tem aplicação apenas nos casos de nulidade relativa.2. Obs.3 Exceção de litispendência É a situação que ocorre quando duas ações estão em curso ao mesmo tempo. em que pese o silêncio da lei. STJ Súmula nº 33 . quando a parte injuriar o juiz ou de propósito der motivo para criá- la.A incompetência relativa não pode ser declarada de ofício. Norberto Avena entende que a incompetência relativa não pode ser declarada de ofício pelo juiz. pois ninguém pode se valer da sua própria torpeza para conseguir afastar o magistrado da causa.2 Exceção de incompetência É conhecida como declinatória fori. os autos são remetidos ao juízo competente. todos os atos devem ser reputados imprestáveis. inclusive a chamada incompetência relativa (territorial). a título de exemplo. anulando-se os atos decisórios e aproveitando-se os instrutórios. apesar de ter carga decisória. pois. superado o prazo da defesa prévia. Extingue o processo sem julgamento meritório (absolvição de instância) e o ponto fundamental a ser indagado 96 . Obs. que o STF entende que o recebimento da denúncia. pelo que deve ser reconhecida de ofício. valendo registrar. Esta disposição. ocorre a preclusão. a alegação e o reconhecimento pode se dar a qualquer momento. 3. tratando-se da competência territorial. não é propriamente ato decisório.IMPORTANTE!!! Ademais. podendo ser ajuizado habeas corpus ou arguida a matéria em preliminar de futura apelação.

parte legítima é o detentor da relação jurídica de direito material.4 Exceção de ilegitimidade de parte Ordinariamente. anula-se todo o processo. o recurso cabível para guerrear a decisão é a apelação. cabe RSE. É uma exceção peremptória. cabe recurso em sentido estrito. b) Recursos – a decisão que rejeita a exceção de litispendência é irrecorrível. Já se for afirmada de ofício. que abrange a ilegitimidade ad causam (condição da ação) e a ilegitimidade ad processum (pressuposto processual). própria da legitimação ordinária. Deve ser afirmada no segundo processo. A exceção de litispendência não suspende o curso do processo e deve ser oposta junto ao juiz da causa e autuada em apartado.para seu reconhecimento são os FATOS ATRIBUÍDOS AO RÉU. Na hipótese de ser instaurado apenas um novo inquérito policial. A inobservância de tal requisito leva a ilegitimidade de parte. De outra banda. que diz respeito aos pressupostos de constituição e desenvolvimento regular do processo. e. a nulidade pode ser sanada. 3. não há específico recurso para combater a decisão. c) Recursos – da decisão que reconhece a exceção de ilegitimidade provocada pela parte. eis que falece a alguém a autorização legal para ser parte na relação jurídica que se estabeleceu. a) Arguição – pode ser declarada a qualquer tempo. pois equivaleria a um não recebimento da denúncia ou queixa a posteriori. inclusive declarada de oficio. verbalmente ou por escrito. Porém. Todavia.2. do art. 581. portanto. pois o titular do direito de punir não é o MP. do reconhecimento da exceção de litispendência arguida pela parte. do CPP. por faltar-lhe justa causa. 97 . se o juiz reconhece de ofício a ilegitimidade da parte. b) Efeitos do reconhecimento – em se tratando de ilegitimatio ad causam. pouco importando a qualificação jurídica dada aos mesmos. mercê da falta de previsão específica. há posição doutrinária em sentido contrário. Contudo. Na ilegitimatio ad processum. podendo ser interposto habeas corpus. este deve ser trancado através de habeas corpus. a) Procedimento – pode ser arguida a qualquer tempo. mediante ratificação dos atos já praticados. não há a coincidência entre o legitimado e o titular da situação jurídica litigiosa. sendo Tourinho Filho partidário do cabimento do RSE com base no inciso I. no intuito de trancar o novo processo. a legitimidade ativa para a propositura da ação penal é extraordinária.

Contra a decisão que julgar a exceção de impedimento ou incompatibilidade NÃO CABE RECURSO (ASSIM COMO A DE SUSPEIÇÃO). e que leva à extinção do processo sem julgamento de mérito (absolvição de instancia). O reconhecimento do impedimento tem efeito retrooperante. b) Natureza jurídica – a coisa julgada. Pode-se utilizar. Da exceção de suspeição e impedimento não cabe recurso (não cabe RSE porque é julgado pelo tribunal). podendo- se utilizar o HC como sucedâneo recursal ou mesmo fazer consignar alegação da matéria em preliminar de apelação. um atributo. os atos praticados pelo magistrado serão invalidados.INCOMPATIBILIDADES E IMPEDIMENTOS Enquanto a suspeição advém do vínculo ou relação do juiz com as partes do processo. pouco importando a tipificação jurídica dada aos fatos. A coisa julgada deve ser vista como a “imutabilidade do comando emergente da sentença”. o recurso cabível é a apelação. através da estabilidade das relações jurídicas. no princípio do non bis in idem. não cabe recurso algum. dos MESMOS FATOS já discutidos na lide com sentença transitada em julgado. configurada na mesma pessoa que foi réu na demanda com decisão passada em julgado.5 Exceção de coisa julgada Seu fundamento é encontrado. Pode ser coisa julgada formal (imutabilidade dentro do processo) e coisa julgada material (inalterabilidade que transcende o processo). c) Requisitos – só pode ser oposta em face do fato principal da lide. o HC ou alegar a matéria em preliminar de apelação. via de regra. 98 . não constitui efeito da sentença. normalmente as decisões que julgam improcedente cabe HC. especialmente. o impedimento revela o interesse do juiz em relação ao objeto da demanda. 4. mas uma qualidade. em nova demanda. Lembrar!!! Das decisões que julgar procedente as exceções cabe RSE.2. Se for reconhecida de ofício. sem possibilidade de serem sanados. haja vista que. a) Funções e espécies – a doutrina costuma dizer que o objetivo da coisa julgada é a pacificação social. Do não reconhecimento da ilegitimidade. por impedir a jurisdição. e a incompatibilidade geralmente encontra guarida nas Leis de Organização Judiciária. d) Recursos – da decisão que julgar PROCEDENTE a exceção de coisa julgada arguida pela parte. segundo Liebman. um modo de se manifestarem e se produzirem os efeitos. porém. a discussão. 3. Não há recurso próprio para combater a decisão que não acolhe a exceção arguida. Mister se faz provar que existem. e suas causas são amparadas em razões de conveniência. simultaneamente: uma ação anterior com decisão transitada em julgado. cabe RSE. parte ré em lide nova.

por qualquer dos juízes ou tribunais em causa. o conflito negativo. Fala-se em conflito de jurisdição quando a divergência se estabelece entre órgãos de categorias jurisdicionais distintas. ressalvada a competência do STF. os magistrados julgam-se incompetentes. entre os tribunais superiores. a depender do interesse versado na alegação. nas hipóteses de conexão ou continência. III . 115. 99 . e entre estes e qualquer outro tribunal. 5. é admissível a impetração do mandado de segurança como sucedâneo recursal. não tem qualquer utilidade prática. junção ou separação de processos. Ler exceção de suspeição. ao passo que o conflito de competência seria aquele firmado entre juízes pertencentes à mesma jurisdição. embora facilitando a compreensão das apontadas categorias jurídicas. podem suscitar o conflito: Art. Na primeira espécie temos dois ou mais juízes que se julgam competentes para conhecerem do fato. nem pode ser extraída da redação do nosso ordenamento processual”. como entre juiz estadual ou outro federal.1 ESPÉCIES E COMPETÊNCIA O conflito de jurisdição pode ser positivo ou negativo.De todo modo. ressalvada a competência do STF. contemporaneamente. 115 CPP. Na segunda. competentes ou incompetentes para tomar conhecimento do fato delituoso. O conflito poderá ser suscitado: I . II . como aponta Pacelli. IMPORTANTE!!! Mesmo procedimento da exceção de suspeição. Para os autores. Vejamos as principais regras para apreciar o conflito: a) Compete ao STF julgar os conflitos existentes entre o STJ e quaisquer tribunais. proferida por um dos juízos conflitantes. IMPORTANTE!!! Não há conflito de competência se já existe sentença com trânsito em julgado. 5. Também se manifesta o conflito se existe controvérsia sobre a unidade de juízo.CONFLITO DE JURISDIÇÃO Ocorre quando dois ou mais juízes se consideram. c) Cabe ao TRF apreciar conflitos entre juízes federais da mesma região. e entre juízes vinculados a tribunais diversos. ou de HC. bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados. De acordo com o art. podemos utilizar indistintamente qualquer das expressões.pela parte interessada. b) Cabe ao STJ julgar os conflitos entre quaisquer tribunais.pelos órgãos do Ministério Público junto a qualquer dos juízos em dissídio. afinal. “a distinção.

Se a decisão rejeitar a exceção de incompetência. ou entre as deste e da União.2 PROCESSAMENTO Poderá o conflito negativo ser suscitado nos próprios autos. IMPORTANTE!!! Conflito entre juizado especial federal e juiz federal será dirimido pelo TRF. dirimido por aquele. 6. II). a seu turno. 5. sem a intervenção da autoridade judiciária. órgão que estariam afetos os magistrados. Tratando-se de conflito positivo. Em segunda instância. O STF poderá se valer do incidente da avocatória para restabelecer sua competência. Sem embargo. sem prejuízo da possibilidade de impetração de habeas corpus (se envolver crime com pena privativa de liberdade) ou de mandado de segurança (se o delito não contiver abstratamente pena privativa de liberdade). não cabe recurso.1 COMPETÊNCIA PARA DIRIMIR O CONFLITO A CF estabelece a competência do STJ para processar e julgar originariamente os conflitos de atribuição entre autoridades administrativas e judiciárias da União. ao menos no início. em primeiro grau de jurisdição. o acórdão que julgar conflito de competência estará sujeito aos recursos especial ou extraordinário previstos constitucionalmente. resolvidos. De todo modo. cabível também o RSE contra a decisão que julga a exceção. é cabível o recurso em sentido estrito (art. faz previsão de outra ferramenta. 6. que também pode ser utilizada pelo STJ. denominada reclamação.3 RECURSOS Contra a decisão de concluir pela incompetência do juízo. 100 .d) Cabe ao TJ apreciar conflitos entre juízes estaduais de primeiro grau que lhe sejam vinculados. 5. 581. ou entre órgãos não jurisdicionais. ou entre autoridades judiciárias de um Estado e administrativas de outro ou do DF. STJ Súmula nº 428 Compete ao Tribunal Regional Federal decidir os conflitos de competência entre juizado especial federal e juízo federal da mesma seção judiciária. A CF.CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES É o conflito que se estabelece entre o órgão do Poder Judiciário e o órgão de outros Poderes (Executivo ou Legislativo). as ações autônomas de impugnação referidas poderão ter lugar sempre que não houver previsão de recurso específico. sempre que exercida por qualquer outro órgão jurisdicional. como sucedâneo recursal. o relator pode determinar que seja suspenso o processo.

mediante termo nos autos do IP ou do processo penal. desde que consistam em coisas cujo fabrico. 7. Obs. b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso.RESTITUIÇÃO DE COISAS APREENDIDAS 7. desde que consistam em coisas cujo fabrico. porte ou detenção constitua fato ilícito.1 INTRODUÇÃO Para instruir o inquérito policial. IMPORTANTÍSSIMO!!! O STF assentou. 7. mais recentemente. porte ou detenção constitua fato ilícito. os objetos poderão ser destruídos. serão eles leiloados e o valor depositado em favor do juízo de ausentes. a autoridade policial deve apreender os instrumentos do crime e objetos outros que tenham relação com o fato criminoso. As coisas apreendidas. alienação. A apreensão pode ocorrer durante a busca pessoal ou domiciliar. 91 . f. Uma vez confiscados. A deliberação do delegado de polícia está circunscrita aos casos de direito induvidoso e quando a coisa não for apreendida em poder de terceiro de boa-fé. A restituição nesse caso será efetivada pelo delegado ou pelo juiz. da CF.4 PROCEDIMENTO DA RESTITUIÇÃO O pedido de restituição pode ser acolhido de imediato. ou recolhidos ao museu. uso. 7.  Do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso.São efeitos (genéricos – não precisa ser motivado na sentença) da condenação: II . ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: a) dos instrumentos do crime. que a ele compete tanto dirimir conflito negativo de atribuição entre representantes do MP de Estados diversos. alienação. Tratando-se de objetos não reclamados. 7. uso. de regra. que. não poderão ser devolvidas antes de transitar em julgado a sentença final. mediante a aplicação do artigo 102.a perda em favor da União. Compete ao PGJ julgar conflitos relativos a membros do MP do mesmo estado. 101 . enquanto interessarem ao processo. I. quanto resolver conflito negativo de atribuição entre o MPF e o MPE.3 CONFISCO Hipóteses de confisco previstas no CP: Art.2 AUTORIDADE RESTITUINTE O delegado ou o juiz. vendidos em leilão. depende de mandado judicial.  Dos instrumentos do crime. por seu turno. que não sejam passíveis de confisco.

a ordem de seqüestro deve permitir conhecer o motivo pelo qual o objeto ou os objetos que carecem da cautela estão vinculados à atividade ilícita. pelo indiciado ou acusado. 8. 8. 7. COM OS PROVENTOS DA INFRAÇÃO. sua importância como prova. bastará a existência de indícios veementes da PROVENIÊNCIA ILÍCITA dos bens. IMPORTANTE!!! Pode ser proferida pelo juiz. que será intimado para alegar e provar o seu direito. assinando-se ao requerente o prazo de 5 (cinco) dias para a prova.1. No entanto. Têm caráter de instrumentalidade e se destinam a evitar o prejuízo que adviria da demora na conclusão da ação penal. dois dias para arrazoar. tendo um e outro. cabe APELAÇÃO. ou mediante representação da autoridade policial. só o juiz criminal poderá decidir o incidente. Obs.” O incidente autuar-se-á também em apartado e só a autoridade judicial o resolverá. ordenando o depósito das coisas em mãos de depositário ou do próprio terceiro que as detinha. recaindo sobre imóveis adquiridos. em prazo igual e sucessivo ao do reclamante. ainda que já tenham sido transferidos a terceiro. Inscrição no registro de imóveis – cuida-se de uma forma de tornar pública a restrição. Para a decretação do seqüestro.1 SEQUESTRO DE BENS IMÓVEIS 8.1 Cabimento O seqüestro de bens imóveis pode ser determinado tanto no INQUÉRITO QUANTO NO PROCESSO. se as coisas forem apreendidas em poder de terceiro de boa-fé. 102 . Porém.MEDIDAS ASSECURATÓRIAS As medidas assecuratórias visam garantir o ressarcimento pecuniário da vítima em face do ilícito ocorrido. bem como indicar precisamente qual o alcance do sequestro. além da possibilidade de impetração de mandado de segurança. o juiz remeterá as partes para o juízo cível. “o pedido de restituição autuar-se-á em apartado. se for pessoa idônea. além de obstar o locupletamento ilícito do infrator. assegurando a eficácia do provimento condenatório final.5 RECURSO Da decisão acerca do pedido de restituição. Em caso de dúvida sobre quem seja o verdadeiro dono. Servem também para pagamento de custas e de eventual multa. Em tal caso. a requerimento do MP ou do ofendido. Obs. de ofício. se duvidoso o direito alegado pelo reclamante. bem como protegendo direito de terceiros contra eventual evicção.

2 SEQUESTRO DE BENS MÓVEIS Quando os bens móveis não estiverem sujeitos à busca e apreensão. Esses embargos serão julgados pelo juízo criminal. Parágrafo único. ou ainda se houver sentença absolutória ou extintiva da punibilidade. 130. ou seja. 8.1.1. 103 .1. 8. recolhida ao Tesouro Nacional. sendo a quantia arrecadada. II . 8. Têm.8. após o trânsito em julgado do processo principal.4 Levantamento O seqüestro não subsiste se a ação criminal não for intentada em 60 dias. mas sim PROVENTOS do mesmo. Com efeito. sob o fundamento de não terem os bens sido adquiridos com os proventos da infração. no que não couber ao lesado ou ao terceiro de boa-fé. de outro. O seqüestro autuar-se-á em apartado e admitirá embargos de terceiro. de um lado permite-se ao acusado provar que o bem não foi adquirido com os proventos da infração e. portanto. Art. fundamentação vinculada aos limites legais.1 Cabimento Pode ser determinado tanto no IP quanto no processo.pelo terceiro.5 Destinação ao final do processo Transitada em julgado a sentença condenatória o juiz determinará a avaliação e venda dos bens em leilão público. a quem houverem os bens sido transferidos a título oneroso. 8. estarão sujeitos a sequestro.2 Embargos A medida cautelar de seqüestro admite procedimento contraditório através de uma ação autônoma. Obs. contados da data em que for concluída a diligência (e não do efetivo registro no cartório imobiliário) ou se o terceiro prestar caução.3 Recurso Da decisão que concede ou nega o pedido de seqüestro. cabe apelação.pelo acusado. autoriza-se o terceiro a demonstrar que o bem foi adquirido onerosamente e de boa-fé. quando não forem produto do crime. sob o fundamento de tê-los adquirido de boa-fé. 8. Não poderá ser pronunciada decisão nesses embargos antes de passar em julgado a sentença condenatória.2. Art. que são os embargos. O seqüestro poderá ainda ser embargado: I .1. 129.

4 Levantamento O sequestro não subsiste se a ação criminal não for intentada em 60 dias. sendo a quantia arrecadada. 8. no que não couber ao lesado ou ao terceiro de boa-fé.3 Recursos Da decisão que concede ou nega o pedido de sequestro cabe apelação. de propriedade do acusado. contados da data em que for CONCLUÍDA A DILIGÊNCIA (e não do efetivo registro no cartório imobiliário) ou se o terceiro prestar caução. Pedida a especialização mediante requerimento.3 HIPOTECA LEGAL 8. 8. § 1o A petição será instruída com as provas ou indicação das provas em que se fundar a estimação da responsabilidade.2. além dos indicados no requerimento. sendo-lhe facultada a consulta dos autos do processo respectivo.5 Destinação ao final do processo Transitada em julgado a sentença condenatória o juiz determinará a avaliação e venda dos bens em leilão público. § 2o O arbitramento do valor da responsabilidade e a avaliação dos imóveis designados far-se-ão por perito nomeado pelo juiz.1 Cabimento A hipoteca legal é medida assecuratória que recai sobre IMÓVEIS DE ORIGEM LÍCITA.8. 8. recolhida ao Tesouro Nacional.2 Procedimento Art. poderá corrigir o arbitramento do valor da responsabilidade. que correrá em cartório. § 4o O juiz autorizará somente a inscrição da hipoteca do imóvel ou imóveis necessários à garantia da responsabilidade. 8.2. e com os documentos comprobatórios do domínio. ouvidas as partes no prazo de dois dias.2. e designará e estimará o imóvel ou imóveis que terão de ficar especialmente hipotecados.2. desde que haja certeza da infração e indícios suficientes da autoria. se outros tiver.2 Embargos Aplica-se o relativo ao sequestro de bens imóveis. 8. onde não houver avaliador judicial. § 3o O juiz. 104 . em que a parte estimará o valor da responsabilidade civil. o juiz mandará logo proceder ao arbitramento do valor da responsabilidade e à avaliação do imóvel ou imóveis.3. com a relação dos imóveis que o responsável possuir. 135. se Ihe parecer excessivo ou deficiente. ou ainda se houver sentença absolutória ou extintiva da punibilidade. Sua decretação SÓ É CABÍVEL DURANTE O PROCESSO.3. Tem o fito de viabilizar a reparação do dano causado pelo crime.

§ 6o Se o réu oferecer caução suficiente. por sentença irrecorrível.4. mormente quando:  Tiver o objetivo de garantir a satisfação de indenização futura. ou em havendo. razão pela qual este arresto é subsidiário e complementar. e designará e estimará o imóvel ou imóveis que terão de ficar especialmente hipotecados. pelo valor de sua cotação em Bolsa.3.5 Destinação ao final do processo Os autos de hipoteca legal devem ser remetidos ao juiz cível. sendo prioridade a hipoteca legal (sobre bens imóveis). pelo valor de sua cotação em Bolsa. 8. pode ser cancelada no caso de oferecimento de caução pelo acusado.  Haja prova do crime e indícios de autoria. o juiz poderá deixar de mandar proceder à inscrição da hipoteca legal.3. 8. 8. Antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. o juiz poderá deixar de mandar proceder à inscrição da hipoteca legal.  O acusado não dispuser de imóveis suficientes para garantir a indenização.4 Levantamento A hipoteca legal será cancelada se.3. mediante autorização judicial. sendo invocado quando não existam bens imóveis de origem lícita. A especialização de hipoteca legal ocorre mediante requerimento em que a parte estimará o valor da responsabilidade civil. o réu for absolvido ou julgada extinta a punibilidade. Se o réu oferecer caução suficiente.4 ARRESTO DE BENS MÓVEIS 8. Como a sentença condenatória penal é titulo executivo judicial na esfera cível. sejam insuficientes para viabilizar a indenização dos danos causados pela infração. a hipoteca legal cuja a inscrição tenha se consumado. em dinheiro ou em títulos de dívida pública.1 Cabimento Será admissível na forma como é facultada a hipoteca legal. § 5o O valor da responsabilidade será liquidado definitivamente após a condenação. podendo ser requerido novo arbitramento se qualquer das partes não se conformar com o arbitramento anterior à sentença condenatória. IMPORTANTE!!! O arresto de moveis é medida residual.3 Recurso Apelação. 8. Obs. 105 . em dinheiro ou em títulos de dívida pública. as pretensões de ressarcimento serão resolvidas neste juízo.

é mister que se demonstre a existência de infração penal e indícios suficientes de autoria. em momento ulterior. 8.3 Levantamento Se. será ele revogado. com preferência sobre estas a reparação do dano ao ofendido. 9. 8. à hipoteca legal. Para ser cabível o arresto de imóvel. que é resolvido no próprio juízo penal.5.5. o réu for absolvido ou julgada extinta a punibilidade.4. Para a viabilidade do arresto de imóvel. Ao caso.4 Destinação ao final do processo Os autos do arresto devem ser remetidos ao juiz cível diversamente do que ocorre com o seqüestro. razão pela qual é plausível admitir a impetração de mandado de segurança como sucedâneo recursal. IMPORTANTE!!! Enquanto a inscrição de hipoteca legal deve ser proposta durante o processo. razão pela qual é plausível admitir a impetração de mandado de segurança como sucedâneo recursal. Cuida-se de uma providência puramente cautelar dos direitos do lesado. alcançando também as despesas processuais e as penas pecuniárias.INCIDENTE DE FALSIDADE 106 . 8. a serem submetidos. a cautelar preparatória dela – o arresto .1 Cabimento Cuida-se de medida cautelar preparatória de especialização de hipoteca legal superveniente. em face do perigo da demora na especialização da hipoteca legal.2 Recurso Da decisão que decreta ou denega o arresto não cabe recurso específico. a medida cautelar de arresto objetiva garantir o ressarcimento do dano. 8. 8. deve este ser de origem lícita e de propriedade do acusado.4.4.pode ser movida também durante o inquérito policial.8. por sentença irrecorrível.2 Recurso Da decisão que decreta ou denega o arresto não cabe recurso específico.5 ARRESTO DE IMÓVEIS É medida assecuratória que recai sobre imóveis de origem lícita. Caso não seja promovido o procedimento de especialização da hipoteca no prazo de 15 dias da determinação do arresto.

mandará autuar em apartado a impugnação.3 PROCEDIMENTO DO INCIDENTE O incidente deve ser dirigido ao juiz de forma escrita.assinará o prazo de três dias. o juiz observará o seguinte processo: I . Ademais. poderá ordenar as diligências que entender necessárias. especialmente porque o incidente pode evidenciar indícios de crime de quem apresentou o documento e. e em seguida ouvirá a parte contrária. Qualquer que seja a decisão. com os autos do processo incidente. pode indicar delito cometido pelo arguente.9. A seu turno. o meio hábil para desentranhá-lo dos autos é a instauração do incidente de falsidade. a contrario sensu. IMPORTANTE!!! Qualquer que seja a decisão. feita por procurador. 145. mandará desentranhar o documento e remetê-lo. no prazo de 48 horas. não entendem os autores aplicável a previsão do §3º do art. a confissão da parte contrária não é capaz de impedir que o juiz determine diligências de ofício. 148. a compelir o magistrado a enviar cópia dos autos ao MP. exige poderes especiais. Dessa forma. 157 do CPP. Em face do interesse que permeia a arguição.conclusos os autos. oferecerá resposta. com graves prejuízos para a administração da justiça – e. IMPORTANTE!!! A arguição. II . se improcedente. sucessivamente. É que pode estar em jogo a presença de crime de falso lógico ou material.1 INTRODUÇÃO Havendo dúvidas acerca da idoneidade de um determinado documento. para prova de suas alegações. NÃO fará coisa julgada em prejuízo de ulterior processo penal ou civil. ao determinar que a 107 . Art. 9. é importante destacar que o documento reconhecidamente falso não deixa de ser enquadrado no conceito de prova ilícita. para tanto. IV . Art. ao Ministério Público. a cada uma das partes. será instaurado um processo especialmente estabelecido para averiguação da pretendida falsidade para resolver tal questão incidental. 9. por escrito. III .se reconhecida a falsidade por decisão irrecorrível. Entendem os autores que também o assistente de acusação tem legitimidade para ingressar com a arguição de falsidade. Tem ele a finalidade de retirar dos autos o documento sob o qual recai suspeita quanto a sua seriedade e sinceridade – evitando que o juiz seja levado a cometer erro. NÃO fará coisa julgada em prejuízo de ulterior processo penal ou civil. se entender necessário. a falsidade de documento constante dos autos. Argüida. o juiz pode reconhecer de ofício a falsidade documental. que.2 LEGITIMIDADE O incidente de falsidade documental pode ser suscitado pelas partes.

mas suspende o processo penal. 145. Esse recurso não é dotado de efeito suspensivo. IV. quando determinar o exame.1 INTRODUÇÃO Pairando dúvidas sobre a higidez mental do autor do ilícito. subindo ao tribunal de segunda instância nos próprios autos do incidente. mas tão-somente formal. o documento é retirado do processo. do defensor.4 EFEITOS O incidente de falsidade só produzirá seus efeitos no âmbito do processo penal relativo ao documento questionado. Qualquer que seja a decisão. de ofício ou a requerimento do MP. A argüição não implica coisa julgada material. com a remessa dos autos do incidente ao MP. na fase processual. eis que é o órgão que detém eventual opinio delicti. Uma vez reconhecida a falsidade. seja este submetido a exame médico-legal. o incidente de falsidade desafia RSE.2 PROCEDIMENTO  O juiz baixa portaria. FICANDO SUSPENSO O PROCESSO. correndo-se o risco de não ter como responsabilizar aquele que produziu o documento material ou ideologicamente falso.INCIDENTE DE INSANIDADE MENTAL 10. Pode ter lugar também em virtude de representação da autoridade policial (IP). 10. 148. este não é suspenso. 9. uma vez retirada dos autos. do curador.prova ilícita. Lembrar!!! Não suspende o IP. descendente. 108 . o juiz nomeará curador ao acusado. 9. irmão ou cônjuge do acusado. deve ser instaurado o incidente de insanidade mental. NÃO fará coisa julgada em prejuízo de ulterior processo penal ou civil. instaurando o incidente. já que para os documentos temos regra própria. em primeira instância.5 RECURSO A decisão que RESOLVE (PROCEDENTE OU IMPROCEDENTE). O juiz ordenará. CPP. podendo ocorrer DURANTE O INQUÉRITO OU NO PROCESSO. Art. do ascendente. A posição assumida se deve não só pelo princípio da especialidade. IMPORTANTE!!! Se o juiz determinar a instauração do incidente na fase do inquérito. 10. Por outro lado. salvo quanto às diligências que possam ser prejudicadas pelo aditamento. mas também pelo fato de que a destruição da prova ilícita acabaria por eliminar a própria materialidade que demonstra a ilegalidade na sua produção. deve ser destruída. se já iniciada a ação penal. estampada no art.

prorrogáveis a critério do juiz. Contudo. para determinar o recolhimento do acometido em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico. 41 do CP. A PRESCRIÇÃO CONTINUARÁ CORRENDO NORMALMENTE.  As partes ofertam quesitos. deve determinar a intimação do advogado do suspeito para que apresente os quesitos que entender pertinentes.  Os autos. que enquanto isso. e só então o processo poderá prosseguir. que determina que o juiz poderá determinar a substituição da pena por medida de segurança. se estiver seguro de que o transtorno mental do condenado é definitivo. que o 109 . a expectativa é de que o transtorno seja apenas provisório. Havendo periculosidade. deve agir segundo o art. 183 da LEP. É um caso típico de crise de instância.3 RECURSO A decisão que determina a instauração do incidente é irrecorrível. e se esta chegar ao seu final. Todavia. sem ser extinto. o juízo das execuções poderá valer-se do art. 10. em outro estabelecimento adequado. é possível o ajuizamento de mandado de segurança como sucedâneo recursal. aguardando que ele recobre a sanidade. Tanto é verdade. Neste caso. Salvo ilegalidade manifesta. 152 do CPP. sem prejuízo da realização de diligencias urgentes. ele deve ser libertado. exercendo plenamente a auto-defesa. são apensados aos principais 10.  O curador é nomeado. isto porque o expediente objetiva a detecção da higidez mental que irá refletir na postura a ser assumida em razão da sanção cabível. que corriam em apartado. notadamente quando exista intervenção familiar. Para os autores. pois só assim poderá defender- se. Já no que concerne à decisão que rejeita o incidente¸ cabível é a impetração de habeas corpus contra ela.5 INSANIDADE SUPERVENIENTE Se no transcorrer da persecução lhe sobrevém a inimputabilidade.  Os peritos se manifestam até 45 dias.4 INSANIDADE QUE SE MANIFESTA NO CUMPRIMENTO DA PENA Advindo a inimputabilidade na fase da execução da pena. IMPORTANTE!!! No período da suspensão. Prevê o §1º do art. o magistrado poderia determinar a internação do acusado em manicômio ou estabelecimento congênere. que durante a internação o indivíduo continua cumprindo a pena. ou na sua falta. onde o processo fica paralisado. como é o magistrado que tem legitimidade para determinar o incidente. o processo ficará suspenso. 10. ainda que na fase pré-processual. onde seria aventável o mandado de segurança. nada impede. o agente não pode negar-se a se submeter ao incidente. (Nucci) Para os autores esta previsão fere a presunção de inocência. afinal haveria antecipação da medida que só pode ser estabelecida com a sentença definitiva.  O PROCESSO PRINCIPAL É SUSPENSO e A PRESCRIÇÃO CORRE NORMALMENTE.

interditado ou até mesmo internado em medida extra-penal. 110 . Não há conflito de competência se já existe sentença com trânsito em julgado. SÚMULAS APLICÁVEIS  STJ 59.demandado seja submetido a tratamento psiquiátrico. proferida por um dos juízes conflitantes.

pois convencidas daquilo que ficou demonstrado no processo. mas de forma indireta.TEORIA GERAL DA PROVA 1. PROVA 1. 1.1 CONCEITO E FINALIDADE Existem três sentidos para o termo prova: Ato de provar – é o processo pelo qual se verifica a exatidão ou a verdade do fato alegado pela parte no processo (ex: fase probatória). ou seja. tais alterações terão incidência instantânea. aceitarão com mais tranqüilidade a decisão.3 NATUREZA JURÍDICA É verdadeiro direito subjetivo com vertente constitucional para demonstração da realidade dos fatos. Nesta ótica: 111 . É a coisa. tendo aplicação imediata. Já as normas atinentes às provas são de natureza processual. a fim de que possa emitir um juízo de valor. Resultado da ação de provar – é o produto extraído da análise dos instrumentos de prova oferecidos. 1. Objeto DE prova – diz respeito ao que é pertinente ser provado. abarcando os processos já em curso. o fato. Objeto DA prova – o foco são os fatos relevantes. que formará o seu convencimento pelo material que é trazido aos autos. o acontecimento que deve ser conhecido pelo juiz. demonstrando a verdade de um fato. Meio – trata-se do instrumento pelo qual se demonstra a verdade de algo (ex: prova testemunhal). Os crimes ocorridos antes da vigência da lei poderão ser demonstrados pelos novos meios de prova. aquilo sobre o que o juiz deve adquirir o conhecimento necessário para resolver a demanda. ou altera as normas já existentes.2 DESTINATÁRIOS O destinatário direto da prova é o magistrado. Se o legislador disciplina um novo meio de prova.4 OBJETO É o que se deve demonstrar. As partes também são destinatárias da prova. 1.

Ex: testemunha visual. como no caso da decapitação. Atualmente.  Os fatos inúteis também não carecem de prova. consuetudinário e alienígena. como acontece com as presunções absolutas. ou dispensam a produção de prova. por ilação. como regra.5 CLASSIFICAÇÃO DA PROVA  Quanto ao objeto: É a relação ou incidência que a prova tem com o fato a ser provado. ele é inimputável. Ex: não adianta o MP tentar demonstrar que um menor de 18 anos tinha capacidade de entender e querer à época do fato delitivo. nos leva ao fato principal.  Os fatos axiomáticos ou intuitivos são aqueles que se auto demonstram. São também chamados de verdade sabida. os fatos incontroversos. não precisa ser provado. 1.  Direta – refere-se diretamente ao fato probando.  Os fatos notórios são aqueles de domínio de parcela significativa da população informada. fala-se em estupro de vulnerável. por si só demonstrando.162 dispensa o exame cadavérico. já se admitia prova em sentido contrário para descaracterizar a infração. pois. Ex: um álibi.  Quanto ao efeito ou valor 112 . a despeito das posições em sentido contrário. alínea a do CP. pois são irrelevantes para a persecução penal. têm força probatória própria. que as relações sexuais com menor de 14 anos levariam ao estupro. quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte. 224. ou invertem o ônus da prova.  Já as presunções legais. com o advento da Lei nº 12. Ex: o art.  O direito.  Indireta – refere-se a um outro acontecimento que. englobando o ato de manter relação sexual com o menor de 14 anos. sendo conclusões extraídas da própria lei. o fato é atípico. que uma vez demonstrada a capacidade de entender as conseqüências do ato sexual. Ao contrário do Processo Civil. municipal. que são aqueles alegados por uma parte e reconhecidos pela outra.015/09. 27 do CP. carecem de demonstração probatória. De qualquer sorte. na antiga redação do art. como acontece com as presunções meramente relativas. continuam os autores a entender. Eventualmente será necessário provar a existência e a vigência do direito estadual. por presunção insuperável do art. e também não dependem de prova. Já quanto à presunção de violência nos crimes contra os costumes (atualmente crimes contra a dignidade sexual). apesar de a lei presumir.

etc.  Documental – é o elemento que irá condensar graficamente a manifestação de pensamento. no seu parágrafo único. Ex: contrato. 155 do CPP. imprimindo no julgador um juízo de certeza quanto ao fato apreciado. LVI. direta ou indiretamente. das provas obtidas por meios ilícitos. 1. Ex: exame de corpo de delito.  Não plena ou indiciária – é a prova limitada quanto à profundidade. permitindo. 1. desde que moralmente legítimos e não afrontadores do próprio ordenamento. permite a utilização de meios probatórios não disciplinados em lei. O CPP não traz de forma exaustiva todos os meios de prova admissíveis. etc. independente se é tecnicamente testemunha ou não. testemunha. A CF.  Plena – é aquela necessária para condenação. a decretação de medidas cautelares. por exemplo. etc.  Testemunhal – é expressa pela afirmação de uma pessoa. consagrando a inadmissibilidade. no seu art. Ex: confissão. iluminando a persecução criminal.7 VEDAÇÃO PROBATÓRIA O princípio da liberdade probatória não é absoluto. instrumento do crime. Ex: fotografia. pegadas. O princípio da verdade real. Esta não-taxatividade pode ser extraída do art.6 MEIOS DE PROVA É tudo aquilo que pode ser utilizado.  Pessoal – é a que decorre do conhecimento de alguém em razão do thema probandum. 5º.  Quanto á forma ou aparência É a maneira como se revela no processo. traz o principal obstáculo.  Material – simboliza qualquer elemento que corporifica a demonstração do fato. É o grau de certeza gerado pela apreciação da prova. para demonstrar o que se alega no processo. serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil.  Quanto ao sujeito ou causa  Real – é aquela emergente do fato. 113 . no processo. quando assevera que somente quanto ao estado das pessoas.

como na condenação de um inocente. por analogia ao art. que imprimiu a reforma no sistema probatório brasileiro. e não menos importante. Detectando-se o vício na prova enquanto tal ou no procedimento de confecção. As provas irregulares – seriam aquelas permitidas pela legislação processual. A lei 11. 145. 157. ela exige. Provas ilegítimas – violam normas processuais e princípios constitucionais da mesma espécie. que houvesse remessa do feito ao MP. O autor discorda da utilidade dessa terceira classificação. a CF não fez referência distintiva entre provas ilícitas ou ilegítimas. deve o magistrado. Ex: laudo pericial subscrito por apenas um perito não oficial. facultando-se às partes acompanhar tal expediente. deixando-se a prova ilícita em total sigilo. em última análise. devem ser desentranhadas dos autos. também não fez qualquer diferenciação. e. haverá a destruição da prova ilícita. por conseqüência. não só porque a destruição da prova ilícita pode implicar na eliminação da materialidade de algum crime cometido para realizá-la. São espécies de prova vedada: Provas ilícitas – são aquelas que violam disposições de direito material ou princípios constitucionais penais. as provas ditas irregulares estariam. embora seja prova admitida. desentranhada dos autos.690/08. A prova é taxada de proibida ou vedada toda vez que sua produção implique em violação da lei ou de princípios de direito material ou processual. determinar o desentranhamento e a destruição após o trânsito em julgado da decisão final. caso haja equívoco judicial na aferição da falsidade. Embora a lei processual admita (não proíba) um determinado tipo de prova. pela eliminação do material probatório reputado equivocadamente ilegal. 114 . reputando na nova redação dada pelo art. que. as formalidades legais não são atendidas. violando normas de caráter processual. para empreender a responsabilidade pela prática de eventual infração perpetrada na produção. mas também. determinar que a mesma seja desentranhada. ao tratar do incidente de falsidade documental. ouvindo as partes. caput. Ex: confissão obtida mediante tortura. Deve-se interpretar tal medida com bastante cautela. o cumprimento de determinadas formalidades que não são cumpridas (Paulo Rangel). e uma vez preclusa de decisão. para sua validade. Alheia à classificação doutrinária. e logo seriam ilegítimas. Ex: busca e apreensão domiciliar. 243 do CPP. porque com o ato. corre-se o risco de perpetuar-se a injustiça. ou então. do CPP. como a falsificação de documento público ou uma falsa perícia. Melhor seria que uma vez preclusa a decisão declarando a falsidade probatória. ou a absolvição de réu culpado. interceptação telefônica realizada sem autorização judicial. IV. Obs. como ilícitas aquelas provas obtidas em violação a normas de caráter constitucional ou infraconstitucional. o mandado não atenda aos requisitos formais do art. afinal. mas na sua produção.

assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. Este é o entendimento. seguindo os trâmites típicos e de praxe. inclusive. LVI.1 Teoria dos frutos da árvore envenenada (fruits of the poisonous tree) Por esta teoria. e faltando-lhe lastro probatório mínimo. São inadmissíveis. as demais provas dela derivadas. estarão maculadas no seu nascedouro. § 2o Considera-se fonte independente aquela que por si só. salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras. havendo posição no sentido contrário. Assim. 115 . a extensão do dano. cujas informações deram margem a uma busca e apreensão formalmente íntegra. seja o HC. de origem na Suprema Corte norte-americana. Deverá o juiz. ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. O tema por sua vez não é pacífico. declarar-se suspeito. tem o condão de contaminar todas as provas dela decorrentes (frutos).8. Existindo prova ilícita. resta a utilização de ações autônomas de impugnação. identificando. já que também são imprestáveis. Art. só vedou a admissibilidade das provas ilícitas. Se é certo que as provas derivadas da ilícita sofrem o mesmo apelo de exclusão. faltará verdadeira justa causa para a deflagração da ação penal. afastada estará a ilicitude. mesmo que formalmente perfeitas. é imperioso reconhecer que esta busca e apreensão está contaminada. diante de uma confissão obtida mediante tortura. prova embrionariamente ilícita. de sorte que a inicial acusatória deve ser rejeitada caso os elementos informadores sejam contaminados pela extensão da prova ilícita. se a contaminação probatória for ampla. Como não foi contemplado recurso específico para combater o desentranhamento. pois o coligido está contaminado. a prova produzida (árvore). seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. do STF.8 TEORIAS SOBRE O TEMA “PROVAS ILÍCITAS” 1. com o fito de trancar o procedimento iniciado. afastando-se do caso. Com a adoção da referida teoria. as provas ilícitas. 1. no seu art. Afastado o nexo. ao fundamento de que a CF. não dispondo acerca das provas ilícitas por derivação. § 1o São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas. pois decorreu de uma prova ilícita. próprios da investigação ou instrução criminal. por outro lado. 5º. em razão de cerceamento do direito de defesa ou de acusação ocasionado pelo desentranhamento da prova supostamente ilícita. despindo-lhe da necessária imparcialidade para o exercício jurisdicional. Deflagrado o processo. que está ligado ao grau de vínculo existente entre a prova antecedente e a conseqüente. devendo ser desentranhadas do processo. o remédio é o habeas corpus. seja o mandado de segurança. ao perceber que o acesso à prova ilícita o atingiu diretamente. Nada impede também que a matéria seja discutida em preliminar de futura apelação. 157. no caso concreto. deve o magistrado dar os limites desta contaminação.

analisando as circunstâncias do caso concreto. não existe liame entre a prova ilícita e as demais. É dizer. A inevitabilidade da descoberta leva ao reconhecimento de que não houve um proveito real. reconhece a teoria da descoberta inevitável. por fontes independentes. ainda assim seria produzido dentro da lei. de alguma maneira. não seria propriamente uma exceção aos efeitos da teoria dos frutos da árvore envenenada. mesmo que a ilicitude não se operasse. 116 . partindo-se de pressuposto de que. seria conseguida de qualquer maneira. nem em aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada. ou se a prova ilícita trouxe. no vício de contentar-se com a mera possibilidade das provas derivadas serem produzidas de outra maneira. não havendo vínculo entre as provas. tornando frágil e por demais insegura a abrangência da mácula. ela será aproveitada. para que a contaminação seja afastada. Na descoberta inevitável. ou por fruto de investigações ou fontes de produção autônomas.  Descoberta inevitável (inevitable discovery) Se a prova.8. não há de se falar em prejuízo. A evidente dificuldade é que caberá ao magistrado. incorrendo. Ex: não se deve reconhecer como ilícita as declarações de testemunha que foi descoberta mediante interceptação telefônica sem autorização judicial. Era apenas uma questão de tempo. A prova absolutamente independente. e sim uma teoria coexistente. a prova ilícita não terá o condão de contaminar as demais. Se a prova ilícita é isolada. não vinculadas à interceptação. mas não é decisivo. de forma cabível. e as demais provas obtidas independem da sua contribuição. É que na prova independente. permitindo justamente a devida integração. em face da interligação entre outras provas. 157. não há de se falar em contaminação. se esta pessoa foi indicada por várias outras.2 Teorias decorrentes  Prova absolutamente independente Se existirem provas outras no processo independentes de uma determinada prova ilícita produzida. ou limitação da fonte independente (independent source limitation). por atos de investigação válidos. mesmo que a ilicitude não tivesse acontecido. esta deve ser encarada como uma fatalidade. A reforma. em não havendo vinculação nem relação de dependência. um fator contributivo para descortinar as demais provas que surgiram. eliminando-se a contaminação.1. entretanto. e o vínculo entre a prova originária e a derivada não deve levar a mácula desta última. pois a prova derivada. é que o encontro dos demais elementos probatórios era uma questão insofismável. o nexo existe. inserindo o §1º ao art. pois. se uma determinada prova viria aos autos de qualquer maneira. não há de se falar em reflexos irradiando contaminação àquelas provas que não derivaram da ilícita. que circunstancialmente decorre de prova ilícita. O que se deve demonstrar. com a violação legal. definir se realmente a inevitabilidade da descoberta existiria. como testemunha do fato.

como daquele que armazena em casa substância entorpecente para comercialização. entendem os autores. sendo a prova utilizada. Nos demais casos. estará constitucionalmente autorizada a intervenção não em razão do mandado que tinha outro objetivo. Nesse sentido. Para os autores o princípio da proporcionalidade deve ser invocado. Na 117 . A boa-fé. e sim por força do art. que objetiva demonstrar sua inocência. caso os agentes de polícia ou da persecução penal como um todo. A ausência de dolo por parte do agente não ilide a contaminação. tenham atuado destituídos de dolo de infringir a lei. que é o atendimento da lei na produção do manancial probatório. com a ordem judicial expressa. Esta seria expungida. pautados verdadeiramente em situação de erro. na sua essência. por exemplo. uma ampliação do mandado. em seu benefício. É o caso.  Boa-fé Objetiva-se aqui evitar o reconhecimento da ilicitude da prova. XI. não pode sozinha retirar a ilicitude da prova que foi produzida. não vislumbram os autores guarida a esta teoria. 1. da CF. quando. preservando-se a licitude da prova derivada. e do outro o status libertatis do réu. para que se efetive a prisão em flagrante. posto que estamos a exigir não só a boa-fé subjetiva. mas acaba apreendendo computadores que poderiam revelar um esquema de sonegação fiscal. porém acaba sendo tão insólito que é irrelevante. este último bem deve prevalecer. deve a autoridade envolvida na diligência provocar o juiz para que se obtenha. Perceba-se que a ausência de vínculo não é absoluta. se de um lado está o jus puniendi estatal e a legalidade na produção probatória. chegue-se à conclusão que a exclusão da prova ilícita levaria à absoluta perplexidade e evidente injustiça. Ela existe. não há discrepância doutrinária ou jurisprudencial (concepção da prova ilícita utilizada pro reo). que autoriza o ingresso domiciliar. mas também a objetiva. possibilitando assim. em razão dos novos elementos eventualmente descobertos.  Contaminação expurgada ou conexão atenuada É possível que o vínculo entre a prova ilícita e a derivada seja tão tênue ou superficial que acabe não havendo contaminação.5º.3 Princípio da proporcionalidade ou razoabilidade (balancing test) Funcionam como regra de exclusão à inadmissibilidade das provas ilícitas. para preservar os interesses do acusado. IMPORTANTE!!! Caso sejam encontrados elementos que caracterizem crime em situação de flagrância. sopesando o caso concreto. mesmo que ilícita. Nas exceções trazidas com a reforma. da polícia que cumpre mandado de busca residencial para apreender animais silvestres mantidos irregularmente em cativeiro. Nesta linha. a qualquer hora do dia ou da noite. O conflito entre bens jurídicos tutelados pelo ordenamento leva o intérprete a dar prevalência àquele bem de maior relevância. capturarem-se os demais elementos. como se conclui.8.

ou seja.  Os requisitos formais de produção probatória tenham sido atendidos no processo emprestante.8. quando estritamente necessária. 1. aparentemente ilícita. Havendo justificativa plausível. não cabendo a utilização desta prova para demonstrar a culpa de outrem. deve ser reputada como válida. Para os autores não se justifica a quebra de garantias constitucionais. 1. contudo. que já se tem invocado o princípio em exame para tutelar os interesses da acusação (pro societate). Pode ser patrocinado o empréstimo probatório. Percebe-se que a ilicitude é apenas aparente. São requisitos para o empréstimo da prova:  Mesmas partes. o estado de necessidade etc. até mesmo de um processo cível a um criminal. 118 . A eficiência da instrução criminal e a colaboração da justiça levam à admissibilidade do empréstimo probatório. pois a legítima defesa.4 Teoria da exclusão da ilicitude da prova Informa que a prova. autorizariam a medida.  O contraditório no processo emprestante deve ter sido respeitado – não há empréstimo de prova de um inquérito a um processo. só se justifica para manutenção do status de inocência. cumpra o papel de inibir condenação descabida. não pode servir para prejudicar terceiros. afinal o procedimento investigativo preliminar é regido pela inquisitoriedade. o empréstimo será oportunizado. (causas justificantes). a violação legal para produção probatória. a norma que rege a produção da prova deve ter sido rigorosamente respeitada para que se possa falar em empréstimo. na busca do combate ao crime. IMPORTANTE!!! A prova ilícita utilizada para demonstrar a inocência. num Estado fora da lei.9 PROVA EMPRESTADA É aquela produzida em um processo e transportada documentalmente para outro. de sorte a evitar-se uma limitação na utilização de prova que.  Mesmo fato probando. pois seria verdadeira PROPORCIONALIDADE ÀS AVESSAS.ponderação axiológica. Os efeitos são limitados à obtenção da inocência. ficta. no mesmo ou em outro processo. amparada pela proporcionalidade. mesmo produzida ao arrepio da lei. A proteção da sociedade está melhor amparada pela preservação do núcleo básico de garantias de todos. quando a conduta do agente na sua captação está amparada pelo direito (excludentes de ilicitude). a prova ilícita poderia ser utilizada em favor da inocência. Flexibilizar os direitos de alguns é abrir caminho para o desrespeito à segurança de todos. O empréstimo é entre processos. Desta maneira. Sabe-se.

Já a defesa estaria preocupada na demonstração de eventuais excludentes de ilicitude. a posição em contrário tem prevalecido. É necessário que enxerguemos o ônus da prova em matéria penal à luz do princípio da presunção de inocência. Se a defesa quedar-se inerte durante todo o processo. a prova estará viciada. por si só. e os efeitos do vício podem se refletir ao processo emprestado.11 INICIATIVA DO JUIZ A verdade formal é a verdade dos autos. já que aquele que não foi exitoso em provar. 1. atribuindo-se o ônus de provar por completo à acusação. se a mesma foi valorada e se refletiu na decisão. possivelmente não terá reconhecido o direito pretendido. 1. Questão interessante é saber quais os reflexos no processo que recepciona a prova emprestada. 567 do CPP. e se tem indicado que a divisão do ônus da prova entre acusação e defesa levaria a que a primeira demonstrasse a autoria. já que a dúvida milita em favor do demandado. tendo pífia atividade probatória. Imaginemos que o processo cedente tenha sido anulado em razão de incompetência relativa do juízo. a prova emprestada será válida. não havendo razões apriorísticas para desprivilegiá-la. não existindo hierarquia entre as provas. Já se a nulidade do processo emprestante é absoluta. facilitando a atividade judicial no momento da decisão. Por força do art. vinculada aos fatos. caso o processo emprestante seja declarado nulo. e o processo que a recebeu estará intacto. e também do favor réu. ao final do feito. Nesse cotejo. só os atos decisórios serão imprestáveis. Para os autores. 119 . A prova da alegação é incumbida a quem a fizer. A responsabilidade probatória é integralmente conferida à acusação. ao passo que a verdade material lhe é antecedente. Apesar da posição aqui assumida ser a mais consentânea com a atual ordem constitucional. estando o magistrado em dúvida. DISTRIBUINDO-SE O ÔNUS DA PROVA ENTRE ACUSAÇÃO E DEFESA. ele deve absolver o infrator. à realidade. Mirabete se inclina no sentido de ser insuficiente a prova emprestada. assumindo a parte omissa as conseqüências de sua inatividade. Basta indagar se a nulidade contaminou ou não a instrução do processo onde a prova foi produzida. é a verdade empírica. dolo ou culpa e eventuais circunstancias que influam na exasperação da pena. aproveitando-se os instrutórios. A mesma deve estar corroborada pelos demais elementos probatórios existentes nos autos.10 ÔNUS DA PROVA O ônus da prova é o encargo atribuído à parte de provar aquilo que alega. causas de extinção da punibilidade e circunstancias que venham a mitigar a pena. uma prova emprestada pode ser tão importante quanto qualquer outra. atingindo inclusive a instrução. de culpabilidade. para fundamentar condenação. materialidade (existência da infração). A demonstração probatória é uma faculdade.

trazendo ao processo os seus pré-conceitos e crenças pessoais. Não se deve admitir que a verdade processual seja distanciada do conceito de verdade material. a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes. estabelecendo inclusive hierarquia entre estas. travestindo-se em juiz inquisidor e perdendo a necessária imparcialidade para apreciar o feito. O material colhido por iniciativa do magistrado. das regras legais ou da prova tarifada A lei estipula o valor de cada prova.12 SISTEMAS DE APRECIAÇÃO DA PROVA 1.12. porém. É visivelmente uma atuação secundária à das partes. na atuação dos jurados. 156. sob pena de estar maculado subjetivamente.12. em medida de cautelaridade extrema. que a busca da verdade. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer. entretanto. cabendo ao magistrado total liberdade. assumindo este ponto aproximativo. na expectativa de consolidar a dinâmica do convencimento. processual ou material. construir por força própria todo o manancial probatório que é levado aos autos. 1. a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. para dirimir eventual dúvida acerca de ponto relevante. determinar a produção das provas reputadas urgentes. estando dispensado de motivar a decisão. pois estes votam os quesitos sigilosamente. poderá o magistrado determinar a produção probatória de ofício. de certa forma. O sistema acusatório atribui ao titular da ação a diligência necessária na produção probatória. sendo. Não se deve descurar. É o sistema que rege. permitiu ao magistrado. Se não pode o magistrado fechar os olhos à verdade. no curso da instrução. ou antes de proferir sentença. adequação e proporcionalidade da medida. 120 . adequação e proporcionalidade da medida.2 Sistema da certeza moral do legislador. os julgamentos pelo Tribunal do Júri em sua segunda fase. no curso do processo. Art. aniquilando praticamente a margem de liberdade apreciativa do magistrado. observando-se a necessidade. Pode utilizar o que não está nos autos. ou que esta não permeasse o processo. dando nova redação ao art. mesmo antes de iniciada a ação penal. 1. fazendo valer o contraditório. na expectativa de que não haja perecimento. sem fundamentar. despido de quaisquer amarras. não pode levar o magistrado a refugar o seu papel constitucional. A reforma do CPP. facultado ao juiz de ofício: I – ordenar. ainda no curso do inquérito policial.1 Sistema da certeza moral do juiz ou íntima convicção O juiz está absolutamente livre para decidir. obrigatoriamente deve ser submetido à apreciação das partes. A lei não atribui valor às provas. também não poderá. II – determinar. Da mesma forma. 156. observando a necessidade. A proatividade do julgador em determinar a produção de provas encontra limites na imparcialidade exigida para o julgamento do feito.

as testemunhas podem ser utilizadas. Se a parte deseja desistir de prova que tenha proposto. Quanto aos elementos informativos colhidos na fase preliminar. não foram passíveis de contraditório nem ampla defesa. através do incidente de produção antecipada de provas.13 PRINCÍPIOS DA PROVA a) Princípio da auto-responsabilidade das partes – as partes assumem as consequências de sua inação. em atenção ao princípio da comunhão. Caso não seja possível a realização da perícia. A peculiaridade da investigação e os efeitos deletérios que o decurso do tempo poderia causar. sendo que tal incidente tramita perante o magistrado. NÃO REPETÍVEIS E ANTECIPADAS. se a parte contrária insistir na oitiva. não servindo a confissão para suprir eventual omissão. É o que ocorre com a previsão do art. nos crimes de deixam vestígios. que a materialidade seja provada com a realização de exame de corpo de delito. a realização de medidas cautelares como a busca e apreensão ou a interceptação telefônica. para que os elementos não se venham esvair. na fase processual. que não podem ser refeitas na fase processual por impossibilidade material. 158 do CPP. em razão da necessidade e urgência. 1. ainda. A exceção se deve as PROVAS CAUTELARES. de forma excepcional. com a colaboração efetiva das futuras partes. será transplantada para o processo. 121 . as provas irrepetíveis. evitar o perecimento probatório. Não existe hierarquia entre as provas. não devem ser valorados na sentença.3 Sistema do livre convencimento motivado ou persuasão racional É o sistema reitor no Brasil. com oportunidade de manifestação da parte contrária. ao contraditório (diferido) e a manifestação da defesa. como a perícia em vestígios que facilmente irão desaparecer. e sequer estão no altiplano das provas. Por esse sistema. c) Princípio da aquisição ou comunhão – a prova não pertence à parte que a produziu e sim ao processo. Da mesma forma. 1. a testemunha deve ser ouvida. fazendo-se antecipada distinção qualitativa entre as provas. b) Princípio da audiência contraditória – toda prova produzida deve ser submetida ao crivo do contraditório. ainda assim o magistrado poderá determinar de ofício a realização da prova. pode se estabelecer a prova adequada para demonstrar determinado fato ou ato. ao exigir. Busca-se. Em havendo aquiescência. afinal. a confissão jamais. autorizam. cabendo ao juiz imprimir na decisão o grau de importância das provas produzidas. IMPORTANTE!!! Advirta-se que tais elementos só ganham status de prova quando submetidos. estando o juiz livre para decidir e apreciar as provas que lhe são apresentadas. Apesar da omissão legal.12. a parte contrária deve obrigatoriamente ser ouvida. desde que o faça de forma motivada.

de regra. com as partes tomando contato e participando ativamente do que é produzido. Recebida a denúncia ou queixa. do Ministério Público e. b) Admissão – é nesta etapa do procedimento que a autoridade judicial autorizará a realização das provas requeridas. Deverá ainda afastar as provas ilícitas ou ilegítimas. A demonstração da verdade e o bom senso acabam prevalecendo.1 EXAMES PERICIAIS 122 . 1. ordenando a intimação do acusado. averbou-se no ordenamento o princípio da identidade física do julgador. Além deles. em regra não é preclusiva. o juiz designará dia e hora para a audiência. c) Produção e contraditório – à produção segue-se o contraditório. Art. havendo. e) Princípio da publicidade – a regra é a publicidade dos atos. e o princípio da imediatidade.d) Princípio da oralidade – deve haver predominância da palavra falada. em evidente error in procedendo. Do princípio da oralidade. dará ensejo à reforma da decisão na fase recursal. ou o magistrado determine a sua realização de ofício. d) Valoração – caberá ao magistrado no decisum manifestar-se acerca de todas as provas produzidas. determinando o desentranhamento. buscando-se centralizar a produção probatória em audiência única. de sorte que o magistrado que preside a instrução é necessariamente aquele que irá julgar o processo. caracterizado o error in judicando. de seu defensor. do querelante e do assistente § 2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. ou a introdução aos autos das pré-constituídas. contudo. com as provas produzidas perante a autoridade.14 PROCEDIMENTO PROBATÓRIO a) Proposição – normalmente o requerimento de produção probatória é apresentado na inicial acusatória. mesmo que a parte não tenha arrolado a testemunha. dentre outras (art. As limitações a essa liberdade são exceção. 399. oportunamente. Ainda assim. que deve ser indicada na inicial ou na defesa preliminar. aposentadoria. o magistrado. Caso venha a amparar a decisão em prova que contraria a lei. Se valorar mal. salvo as exceções legalmente contempladas. Essa oportunidade. para o Ministério Público ou na resposta preliminar para o querelante. desde que o faça de forma motivada. pois a omissão levaria à preclusão. ou no menor número delas. haverá nulidade manifesta. se for o caso. aproximando o magistrado do contexto probatório. a exemplo do que ocorre com a prova testemunhal. pode optar por ouvi-la como testemunha do juízo. possibilidades excepcionais de sigilação. 2. como promoção.PROVAS EM ESPÉCIE 2. decorre o princípio da concentração. entretanto. Nada impede que no curso do processo as partes requeiram a produção das provas. f) Principio do livre convencimento motivado – permite ao magistrado liberdade para decidir. 132 do CPC). revelando o porquê do seu convencimento.

caso o laudo preliminar já seja elaborado por perito oficial. dispensa-se a elaboração de um novo laudo (definitivo). é dizer. contudo cada um atuando individualmente na sua zona de domínio. Nessa hipótese. Mesmo se tratando de lei especial.2 Assistente técnico 123 . Vale destacar que a referida nulidade assume caráter meramente relativo. e o mesmo não ficará impedido de participar da elaboração do laudo definitivo. sendo mera irregularidade. a investidura do expert é dada por lei. será necessária a realização do laudo definitivo. e a exigência de dois peritos fica suprimida. A ausência da colheita do compromisso é mera irregularidade. os peritos serão nomeados no juízo deprecado. 2. aduzindo que “no processo penal. cada um em sua respectiva especialidade. passam a ser realizadas por UM perito oficial. A parte que se sentir prejudicada deve argui-la oportunamente. de sorte que na concepção macro teremos mais de um perito. na diligência de apreensão”. também pela autoridade. como regra. Lei de Tóxicos – elaboração do laudo preliminar ou de constatação. aplicando-se apenas às perícias não oficiais. o escrivão lavrará o auto respectivo. Nada impede que atuem dois peritos oficiais em conjunto para elaboração do laudo. salvo nos crimes de ação penal privada. anteriormente. o laudo será firmado por UM SÓ PERITO. não tendo o condão de macular o laudo.1 Considerações gerais As perícias. a autoridade pode valer-se dos PERITOS NÃO- OFICIAIS ou juramentados. isto é. entretanto. com apuração técnica necessária para identificação da substância entorpecente. Para que ocorra condenação. é nulo o exame realizado por um só perito. e portador de diploma de curso superior.1. os peritos podem ser nomeados pelo órgão deprecante.1. Na ausência de perito oficial. Quanto ao número de peritos participantes. O laudo preliminar serve para dar viabilidade ao início da persecução penal. pessoas idôneas. sendo o exame requisitado ao diretor da repartição. portadoras de curso superior. Na atuação dos peritos leigos. O perito oficial também não será compromissado pela autoridade. e independe da nomeação pela autoridade policial ou judiciária. é possível a atuação de mais de um perito oficial. Estes continuam sendo em número de DOIS. com a participação de dois peritos. a assunção do compromisso se deu quando foi empossado no cargo. OFICIAL OU NÃO. pessoa que integra os quadros do próprio Estado. se presente ao exame. Na perícia oficial. Sendo perito oficial é necessário apenas um profissional para análise do caso e elaboração do laudo. devendo demonstrar a ocorrência de prejuízo. afinal. que será assinado pelos peritos e. Nas perícias por precatória. Sendo a perícia complexa. aduzindo que o perito oficial atuará isoladamente. o STF editou a súmula 361. juntando-se ao processo o laudo assinado pelo perito. considerando-se impedido o que tiver funcionado.2. que. entendem os autores que pela nova disposição do artigo 159 do CPP. em havendo acordo das partes. abrangendo mais de uma área do conhecimento.

intimando as parte da sua decisão. e APÓS a elaboração do laudo pelos peritos oficiais. As conclusões do assistente serão vazadas em parecer técnico. em que pese a infeliz redação do art. O magistrado. as partes podem indicar mais de um assistente técnico. de sorte que cabe ao juiz. Ao que tudo indica. após o ingresso do laudo oficial nos autos. sob o fundamento de que nesta fase não há contraditório ou ampla defesa. e com muita razão. dando a entender que a nomeação do terceiro perito seria obrigatória. Logo. que envolva mais de uma área de conhecimento especializado. Os quesitos podem ser formulados até o ato da diligência. nomeando a autoridade um terceiro perito para apreciar a matéria. Surgindo divergências entre os peritos. Tratando-se de pericia complexa. E isso se deve ao fato da liberdade do juiz para apreciação da prova. poderá o magistrado determinar a realização de um novo exame. Na fase do inquérito policial. Em que pese ser esta posição prevalente. se haverá reflexo na futura situação jurídica do suposto autor do crime. não se deve esquecer que as perícias realizadas no inquérito são normalmente aproveitadas na fase processual. A atuação do assistente ocorrerá na fase processual. o que não afasta a possibilidade do mandado de segurança (ou habeas corpus) manejado como sucedâneo recursal. 2. é uma mera faculdade a nomeação do terceiro perito ou a determinação de outra perícia. a ser apresentado em prazo estabelecido pelo magistrado. Divergindo este dos outros dois. deve-se oportunizar ao mesmo a formulação de quesitos em qualquer fase da persecução penal. 180 do CPP. havendo requerimento nesse sentido. A atuação do assistente se efetiva quando a perícia oficial já foi concluída. comportando prorrogação. que não pode ser denegado quando a infração deixe vestígios. ex officio ou por provocação. por outros peritos. Os assistentes também poderão ser inquiridos na audiência de instrução e julgamento. A perícia poderá ser autorizada pela autoridade policial ou judiciária. que é irrecorrível. podendo cada um elaborar separadamente o seu próprio laudo. se não necessárias ao esclarecimento da verdade. deliberar pela admissibilidade ou não do assistente técnico indicado. desde que motive sua decisão.3 Realização das perícias A realização da perícia vai culminar na elaboração do laudo. se convencido do acerto de um dos peritos. em casos excepcionais. que deve ser produzido no prazo de dez dias. poderá afastar o laudo oficial e valer-se do parecer do assistente para lastrear a decisão. tem sido predominante a negativa de oportunidade ao advogado do indiciado para formulação de quesitos. devem estas ficar consignadas no auto do exame. poderão ser indeferidas pela autoridade. as demais perícias. IMPORTANTE!!! Ressalvado o exame de corpo de delito. se assim estiver convencido.1. mesmo presente a divergência 124 .

apontada, nada lhe obriga a nomear um terceiro expert, o que importaria inclusive na
procrastinação do feito.

2.1.4 Apreciação dos laudos periciais

#Pode o magistrado julgar contrariamente às conclusões periciais?
O sistema liberatório adotado pelo ordenamento pátrio confere liberdade ao julgador na
análise do laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte, afinal, o juiz é
livre para decidir, desde que o faça motivadamente. Pode até mesmo, como já
afirmado, acatar o parecer técnico do assistente, que é meio de prova, afastando as
conclusões do laudo oficial.

2.1.5 Exame de corpo de delito

Corpo de delito é o conjunto de vestígios materiais deixados pela infração
penal, a própria materialidade, em suma, aquilo que pode ser examinado através dos
sentidos.

Exame de corpo de delito direto é aquele em que os peritos dispõem do
próprio corpo de delito para analisar.

Já o exame de corpo de delito indireto é realizado com a ajuda de meios
acessórios, subsidiários, pois o corpo de delito não mais subsiste para ser objeto do
exame. Ex: vítima de lesões que tenha comparecido meses depois, quando então os
hematomas já estavam sanados. Resta a tentativa de elaboração do laudo por outros
meios, como a utilização de fotos que tenham sido tiradas à época da agressão,
prontuários médicos, dentre outros.

IMPORTANTE!!! Em não sendo possível a realização do exame, seja o direto ou o
indireto, podemos nos valer da prova testemunhal para atestar a materialidade
delitiva. A confissão não se presta a esse propósito, por expressa vedação legal.

Obs. Para os autores o exame de corpo de delito, seja o direto ou o indireto, contará
com a atuação dos peritos e com a confecção de laudo. Esta também é a posição de
Nucci.

IMPORTANTE!!! Tem prevalecido o entendimento de que o exame indireto careceria
de qualquer rigor formal, dispensando a elaboração de laudo e figurando, em alguns
casos, como sinônimo de oitiva da prova testemunhal. Essa é a posição de Tourinho
Filho, do STF e do STJ, sagrando-se prevalente.

Interessante é a posição conciliadora de Denilson Feitosa, concluindo que o
exame indireto poderá contar com a participação dos peritos, que elaborarão o laudo
pela análise dos elementos acessórios; ou poderá resumir-se a uma apreciação judicial
sobre outras provas que demonstrariam a materialidade, como a oitiva de testemunhas
em audiência.

2.1.6 Necessidade do laudo

125

A não realização da perícia implica NULIDADE ABSOLUTA do processo, a
teor do CPP, com a ressalva da possibilidade de utilização de testemunhas. Tal a
saída do código, que não parece aos autores, a mais adequada, contudo, para todos os
casos. No transcorrer do processo, percebendo o magistrado a ausência do exame, a
determinação ex officio supriria a omissão. Em não sendo possível a realização do
exame, e percebendo que a materialidade não ficou demonstrada, a alternativa é a
absolvição do réu, e não o reconhecimento da nulidade do processo.

Já quanto à admissibilidade da inicial acusatória, nada impede, nas infrações que
deixam vestígios, que a denúncia ou a queixa sejam recebidas sem estar acompanhadas
pela prova pericial. Isso se deve porque o exame pode ser realizado no curso do
processo. Contudo, se a lei exigir como condição de procedibilidade ao início do
processo a prévia realização do laudo, a sua presença lastreando a denúncia ou a queixa
será obrigatória. Caso contrário, a exordial deve ser rejeitada. É o que ocorre com as
infrações contra a propriedade imaterial que deixam vestígios. O mesmo acontece
com a lei de tóxicos, onde o laudo de constatação é requisito essencial para a
lavratura do flagrante e para a deflagração da denúncia.

2.1.7 Outras perícias

 Exame necroscópico – é o exame realizado em cadáver, objetivando a
indicação da causa morte.

Deve ser realizado pelo menos 6 horas depois do óbito. Contudo, havendo
evidência da morte, não haverá necessidade de aguardar tal lapso temporal.

O exame, como regra, envolve a análise interna e externa do cadáver.
Excepcionalmente, a mera análise externa é suficiente. É o que ocorre nos casos de
morte violenta (não natural), a exemplo do suicídio, e não reste dúvida que não houve
algum crime relacionado ao evento.

Quando as lesões externas permitirem identificar a causa da morte e não haja
necessidade do exame interno para identificar alguma circunstancia relevante, este é
dispensado.

 Exumação – exumar significa desenterrar o cadáver, contrapondo-se à
inumação, que é o enterro ou o sepultamento do mesmo. É medida que
necessita de justa causa.

A determinação da exumação compete à autoridade policial ou judiciária.
Acreditam os autores que o MP também poderá fazê-lo, afinal, se o promotor pode
requisitar diligências diretamente ao delegado, também poderá, em interface direta com
o instituto de criminalística, requisitar exumação. A diligência, no entanto, será
conduzida pela autoridade policial, da qual será lavrado termo circunstanciado.

 Exame de lesões corporais – as lesões corporais são classificadas em leves,
graves e gravíssimas. Se o primeiro exame pericial tiver sido incompleto ou
insuficiente para precisar num primeiro momento a real gravidade da lesão, pela
impossibilidade de se aferir as conseqüências reais da agressão, será patrocinado
o exame complementar de lesões corporais, dispondo os peritos do auto de

126

corpo de delito anteriormente realizado. O objetivo é aferir com segurança o
nível da lesão, complementando-se (não substituindo) o laudo anterior.

IMPORTANTE!!! Tratando-se de lesão corporal grave por ocasionar a
impossibilidade para o desempenho das ocupações habituais por mais de 30 dias,
logo que completado o referido lapso temporal, deve ser realizado novo exame,
para atestar justamente a gravidade da lesão. Se não houver o exame
complementar, haverá a desclassificação da infração. O exame realizado antes de
30 dias é ineficaz. Feito de forma intempestiva, quando a pessoa já estava recuperada, é
considerado como perícia não realizada.

O exame complementar pode ser determinado de ofício, pelo juiz ou delegado,
ou a requerimento do MP, ofendido, acusado, ou do defensor. Sua não realização, por
terem desaparecido os vestígios, pode ser suprida por prova testemunhal.

 Exame grafotécnico – inicialmente, deve haver a intimação da pessoa a quem
se atribui o escrito para que compareça ao ato. O indiciado ou réu também deve
ser intimado para acompanhar o feito, mesmo que o escrito não lhe seja
atribuído. Havendo vários infratores, todos devem ser intimados, ainda que o
escrito seja imputado a apenas alguns deles. Na fase processual, a ausência de
intimação do réu implica em nulidade da prova colhida. Se o réu é revel, a
intimação estará restrita ao advogado.

Se o material for insuficiente para a realização do exame, a autoridade mandará
que a pessoa escreva o que lhe for ditado, como forma de serem colhidos elementos
suficientes para a realização da perícia. Advertimos que a contribuição é facultativa,
pois ninguém está obrigado a produzir prova contra si mesmo. A omissão em
fornecer o escrito para a comparação não pode levar à presunção de culpa em desfavor
do imputado, nem desaguar na responsabilização por desobediência. Afinal, é ato
inerente à autodefesa. Nesse sentido posicionou-se o STF. Da mesma forma, caso o
réu disfarce a letra no momento do escrito, ou se diga canhoto quando na verdade é
destro, para dificultar a perícia, não estará incorrendo em nenhuma infração.

 Exame nos instrumentos da infração – os instrumentos utilizados para a
consecução dos fins delitivos devem ser periciados não apenas para identificação
da natureza, leia-se, a espécie, o tipo de objeto; como também quanto à
eficiência, da aptidão para provocar o resultado lesivo, até porque, se o meio
empregado é absolutamente ineficaz, poderá caracteriza crime impossível,
ilidindo qualquer responsabilidade penal.

A perícia nos instrumentos do crime, sempre que possível, deve ser realizada,
mas sua ausência não implica em nulidade do processo, podendo na espécie ser
suprimida por outros meios de prova.

 Exame na destruição ou rompimento de obstáculo e na escalada – havendo
destruição ou rompimento de obstáculo, para a caracterização da qualificadora
do furto a realização da perícia é obrigatória, podendo ser suprimida pela
prova testemunhal, apenas se os vestígios tiverem desaparecido.

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Já em relação à escalada, ela pode ou não, deixar vestígios. Na primeira
hipótese, a realização da perícia é obrigatória para a caracterização da qualificadora. Em
não deixando vestígios a escalada, a demonstração de que esta existiu será realizada
através de testemunhas ou de outros meios probatórios (ex: câmeras de segurança).

 Exame de embriaguez ao volante – QUALQUER CONCENTRAÇÃO DE
ÁLCOOL por litro de sangue sujeita o indivíduo às MEDIDAS
ADMINISTRATIVAS, caracterizando infração gravíssima, com aplicação de
multa, suspensão do direito de dirigir por doze meses, além da apreensão do
veículo até a apresentação de condutor habilitado, sem prejuízo do recolhimento
da CNH.

Já para a caracterização da infração criminal (embriaguez ao volante), o
condutor deve trafegar estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou
superior a seis decigramas, ou sob a influência de qualquer outra substância
psicoativa que determine dependência.

O condutor que se envolver em acidente automobilístico ou for alvo de
fiscalização de trânsito, havendo suspeita de estar dirigindo sob influência de álcool (ou
substancia entorpecente, tóxica ou de efeitos análogos), será submetido a testes de
alcoolemia, exames clínicos, perícia ou outro exame que, por meios técnicos ou
científicos, em aparelhos homologados pelo CONTRAN, permitam certificar seu
estado.

Se o condutor recusar-se à submissão ao procedimento, as penalidades e
medidas administrativas lhe serão aplicadas. Perceba que não se presume a
embriaguez, e a sanção, de caráter visivelmente administrativo, se deve pela recusa
a submissão do procedimento.

A infração de embriaguez ao volante poderá ser caracterizada pelo agente de
trânsito mediante a obtenção de outras provas em direito admitidas, acerca dos notórios
sinais de embriaguez, excitação ou torpor apresentados pelo condutor. Tal previsão
legal se deve ao fato de ninguém ser obrigado a colaborar na produção de prova para
auto-incriminação. Nessa ordem, o agente de trânsito deverá relatar outros elementos
que atestem o estado de embriaguez do motorista, o que será descrito na ocorrência ou
em termo específico com esta finalidade. Deve também relatar a recusa do condutor a se
submeter ao exame.

As vítimas fatais serão obrigatoriamente submetidas ao exame de alcoolemia.

2.2 INTERROGATÓRIO DO ACUSADO

2.2.1 Conceito e natureza jurídica

É a fase da persecução penal que permite ao suposto autor da infração esboçar a
sua versão dos fatos, exercendo, se desejar, a autodefesa.

Quanto à natureza jurídica do ato, à essência do instituto, destacam-se as
seguintes posições:

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a) Interrogatório como meio de prova – é o tratamento dado pelo Código, ao
enquadrá-lo no Capítulo III do Título VII, destinado às provas em espécie.

b) Interrogatório como meio de defesa – notadamente porque o réu pode invocar o
direito ao silêncio, sem nenhum prejuízo à culpabilidade. Ademais, o interrogatório é o
momento para o réu, em desejando, esboçar a versão dos fatos que lhe é própria, sendo
expressão da autodefesa. Pode até mesmo mentir para livrar-se da imputação. Neste
sentido Ada Pellegrini, Tourinho, Nestor Távora e Pacelli. O interrogatório pode
funcionar até como fonte de prova, mas não deve ser enquadrado na vala comum dos
meios de prova.

Conseqüências processuais de considerar o interrogatório como meio substancial
de defesa:

 Impossibilidade de haver prejuízo ao imputado por ter invocado o
direito ao silêncio;
 Impossibilidade de condução coercitiva daquele que mesmo citado
pessoalmente, deixa de comparecer ao ato. A ausência deve ser encarada
como expressão da autodefesa.
 Impossibilidade de decretação da revelia do réu ausente, pois o não
comparecimento não poderá trazer prejuízos processuais.

c) Interrogatório como MEIO DE PROVA E DE DEFESA, INDISTINTAMENTE
– é a corrente que tem prevalecido. O interrogatório tem natureza jurídica híbrida
ou mista, pois tanto é um meio de defesa, em razão das incontestáveis prerrogativas
dadas ao réu pela legislação, como também é meio de prova. O material eventualmente
colhido servirá na formatação do convencimento do julgador.

Esse é o entendimento de Mirabete, Denilson Feitosa, STF e STJ.

d) Interrogatório como meio de defesa, primordialmente, e como meio de prova, de
forma subsidiária – Nucci. O interrogatório é, fundamentalmente, um meio de defesa,
pois a CF assegura ao réu o direito ao silêncio. No entanto, caso opte por falar, abrindo
mão do direito ao silencio, seja lá o que disser, constitui meio de prova inequívoco, pois
o magistrado poderá levar em consideração suas declarações para condená-lo ou
absolvê-lo.

2.2.2 Necessidade e reinterrogatório

Durante toda a persecução penal, deve ser obrigatoriamente oportunizada a
realização do interrogatório.

Não é tecnicamente adequado falar em interrogatório na fase pré-processual.
Nesta etapa, o indiciado ou o preso em flagrante prestará declarações perante a
autoridade policial. Interrogatório é o ato realizado perante a autoridade judicial, e
enquanto a sentença não transitar em julgado, sempre que possível, deve ser realizado,
sob pena de nulidade.

IMPORTANTE!!! A nulidade ocorre não pela não realização efetiva do ato, e sim
por sua supressão arbitrária. Sendo o réu intimado regulamente e não comparecendo

129

à audiência de instrução e julgamento, frustrando a realização do interrogatório, não há
de se falar em nulidade.

No júri, admite-se o pedido de dispensa de apresentação do réu preso para a
sessão de julgamento, de sorte que o interrogatório na segunda fase ficará suprimido,
pressupondo-se pedido assinado pelo réu e por seu defensor. Para o autor o pedido
de dispensa de apresentação é cabível aos demais procedimentos, por analogia à
disciplina do Tribunal Popular.

Ressalte-se, contudo, que na legislação eleitoral, o interrogatório pode ser
substituído pela contestação escrita da inicial acusatória.

Negando-se o interrogatório, quando o mesmo é possível, a nulidade é de
natureza absoluta, sendo o prejuízo evidente e o vício insanável. Afinal, a ampla defesa é
ferida de morte, além da mácula ao devido processo legal. Nesse sentido Pacelli.
Para o STF, Mirabete e Nucci a nulidade é de NATUREZA RELATIVA, obrigando
a defesa a argui-la no momento oportuno, sob pena de preclusão, além da necessidade de
demonstração de prejuízo. É a posição prevalente.

Ainda é usual a condução coercitiva para a efetivação do interrogatório, caso o
réu não compareça nem justifique a ausência, o que é de duvidosa constitucionalidade,
notadamente ao adotarmos a posição que o interrogatório é meio de defesa.

IMPORTANTE!!! Pode o interrogatório ser realizado a qualquer momento, e a todo
tempo o magistrado poderá proceder a novo interrogatório, ex officio ou a
requerimento das partes. Até mesmo na pendência do julgamento da apelação, poderá
o tribunal, câmara ou turma proceder a novo interrogatório.

2.2.3 Formalidades do interrogatório

 É ato público – deve ser realizado a portas abertas. Excepcionalmente a
sigilação pode ser necessária, em havendo risco de escândalo, inconveniente
grave ou perturbação da ordem.

 É ato personalíssimo – Não pode ser realizado por interposta pessoa. Nem a
presença do advogado supre a ausência do réu. Interrogatório da pessoa
jurídica: para comparecer ao interrogatório, será designada pessoa por
instrumento de preposição.

Obs. Interrogatório por videoconferência ou on line – o STJ admitiu a realização do
instituto dentro da excepcionalidade, quando o perigo, a ordem pública e a
preservação da segurança o justificarem.

O STF, por seu turno, reconheceu a inconstitucionalidade de lei paulista que
autorizou a realização do instituto, por violentar as regras do justo processo legal,
ferindo ainda as normas ordinárias do local da realização dos atos processuais, além de
violentar a ampla defesa, a igualdade e a publicidade.

130

2. mas também sentir o comportamento deste. do surdo ou do surdo-mudo será feito pela forma seguinte: I . e não sendo hipótese de realizar-se o ato por videoconferência.ao mudo as perguntas serão feitas oralmente. haverá nulidade. mesmo que o réu.4 Procedimento a) Preliminares – o interrogado tem o direito de entrevistar-se reservadamente com seu defensor caso isto ainda não tenha ocorrido. respondendo-as por escrito. cabendo a demonstração do prejuízo.2. Art. desde que exista sala própria. estejam garantidas a segurança do juiz e auxiliares. a presença do defensor e a publicidade do ato. contudo meramente relativa. serão interrogados separadamente. pessoa habilitada a entendê-lo. a nulidade é insanável. 192 CPP. que ele responderá oralmente.  Judicialidade – o ato será realizado pela autoridade judicial que preside o processo. Caso o interrogando não saiba ler ou escrever.  Oralidade.  Espontaneidade – o interrogatório deve ser livre de pressões ou constrangimentos. II . Se isso ocorrer. Não havendo a possibilidade de realizar-se o interrogatório no estabelecimento prisional.ao surdo serão apresentadas por escrito as perguntas. Parágrafo único. o que não prejudica o ato. 192. A intimidação pelo juiz ou órgão acusador não é admitida.ao surdo-mudo as perguntas serão formuladas por escrito e do mesmo modo dará as respostas. Não são admitidos detectores de mentira. levaria o magistrado a realizar o interrogatório onde se encontra detido o infrator. Obs. se o magistrado advertir que o silêncio será interpretado em prejuízo do interrogado. como intérprete e sob compromisso.  Individualidade – havendo co-réus. Obs2. A expectativa é não só extrair as informações colhidas com as respostas às perguntas do réu. O interrogatório é ato de fundamental importância na construção do convencimento do julgador. O interrogatório do mudo. Ida do magistrado ao estabelecimento prisional para realização do interrogatório. intervirá no ato. Pode o interrogado consultar breves apontamentos. por ausência dos requisitos legais. a simples existência da prisão. o preso será conduzido ao fórum. 131 . aceite se submeter a tal constrangimento. Assim. III . Art. sob pena de invalidação do ato. mediante prévia requisição da autoridade judicial. Da mesma maneira. sempre que o réu estiver preso – a lei não se referiu a presos perigosos nem estabeleceu motivação específica para que o magistrado se desloque até o local em que se encontra o preso. de sorte que uns não assistam previamente o depoimentos dos outros.

Nela o réu poderá aceitar como verdadeira ou negar a imputação que lhe é feita. mas também dos peritos. Caso a autoridade negue a entrevista preliminar. sem o obstáculo judicial. e as reperguntas são feitas por intermédio do magistrado. Os elementos que caracterizam a qualificação podem vincular o interrogado a outras infrações. que serão formuladas ao interrogado se o juiz entender pertinente e relevante. este indagará à acusação e ao defensor se restou algum ponto a ser esclarecido. a negativa ficará consignada no termo de audiência. entende o autor que tal previsão deve se estender a todas as inquirições. e caso confesse o crime. O silêncio não importa em confissão nem pode ser interpretado em prejuízo da defesa. relatando. 191 CPP. dando ensejo à correição parcial. já que suas omissões em promover política social levam a propensão ao crime daqueles que estão na qualidade de excluídos. 132 . na aferição das circunstâncias judiciais. e a segunda tratando dos fatos que lhe são imputados. mas também para extrair do interrogatório a co- CULPABILIDADE SOCIAL pela situação de delinqüência do interrogado. O autor não concorda. Findas as perguntas do juiz. Estará o magistrado tumultuando arbitrariamente a evolução procedimental. individualizando-o. É a etapa de mérito. podendo incorrer em sanção penal (desobediência ou falsa identidade). para eventual alegação posterior de nulidade por cerceamento do direito de defesa ou de acusação. b) Conteúdo – o interrogatório está subdividido em duas partes: a primeira focando a pessoa do acusado. em razão da ausência de defesa técnica. o prejuízo é presumido. apesar da alteração do art. Esses elementos são importantes não só para a dosimetria da pena. o magistrado vai procurar conhecer o interrogado. que o magistrado consigne no termo de audiência as perguntas que deixaram de ser respondidas pelo interrogado. sob pena de nulidade absoluta do feito. Seguimos o sistema presidencialista. Com a lei 11. inclusive com o teor da pergunta apresentada. Caso o magistrado negue a pergunta formulada. O interrogado não poderia calar-se e estaria obrigado a dizer a verdade. Na primeira etapa.690/08 admitindo a interpelação direta das testemunhas. será indagado sobre os motivos que o levaram ao delito. Tem prevalecido o entendimento de que o direito ao silêncio não abrange a qualificação. se o imputado desejar. não só do interrogado. ocorrendo vício insanável do ato. Já a segunda etapa destina-se à aferição dos fatos apurados no processo. é claro que o interrogado não pode ser repreendido por se negar a fornecer os elementos acerca da sua real identidade. A ele é inexigível conduta diversa. IMPORTANTE!!! A presença do advogado passou a ser obrigatória. Nada impede. se ninguém está obrigado a se auto incriminar. Ora. e o fundamento da denegação. os motivos invocados para permanecer calado. Esta nada mais é do que a co-responsabilidade da coletividade pela atividade criminosa. e se outras pessoas participaram. além das circunstancias do fato. o que oportuniza a realização de reperguntas.

e) Compatibilidade com o inquérito policial – a oitiva do indiciado será realizada nos moldes (no que couber) do interrogatório judicial. c) Formalidades – se o interrogado não souber escrever. pelo fato do interrogado possuir entre dezoito e vinte e um anos na data do seu interrogatório. Havendo interferência do juiz presidente. mera irregularidade. por decisão suficientemente motivada. estas serão feitas sem intermédio do juiz presidente. encontra-se revogado tacitamente. O delegado não está obrigado a aguardar a presença do advogado para ouvir indiciado. Caso haja cerceamento da acusação ou da defesa. IMPORTANTE!!! No plenário do júri. apesar da inquisitoriedade da fase preliminar. ou assegure a entrevista preliminar reservada. devendo a parte demonstrar o prejuízo. este permanecerá durante a oitiva. que o delegado admita reperguntas. tolhidas da atuação plena no júri. quanto às perguntas das partes e do assistente. excepcionalmente. poderá ocorrer de ofício ou a requerimento de qualquer das partes. atender os ditames da lei e da ordem. contudo se o mesmo se fizer presente à delegacia com o causídico. deixando ao largo os direitos e garantias processuais constitucionais. possa realizar o interrogatório do réu preso por sistema de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real. independentemente do procedimento a ser seguido. e para aqueles que não tenham plena capacidade. o que vai agregar valor ao ato. por conduta do magistrado que centraliza o encaminhamento das perguntas. A designação de interrogatório ‘eletrônico’. por absoluta ausência de previsão legal. “economia” e “celeridade”. Não se deve usar o famigerado expediente de colheita de impressões digitais. tal fato deve ser consignado no termo.assistentes. por ser deficiente físico. haverá. sustentando-se no discurso que enfatiza a necessidade de “segurança”. por ser analfabeto. e) Interrogatório por videoconferência – a tendência reformista do CPP veio consagrar a polêmica possibilidade de interrogatório por videoconferência. farão perguntas por meio do magistrado que preside o julgamento. mediante a edição de lei de constitucionalidade material duvidosa. A lei 11. numa interação direta entre o réu e os interpelantes. superando-se o sistema presidencialista. nesses termos. além de coibir excessos. Busca-se. o magistrado. prevendo a nomeação de curador durante as declarações do indiciado na fase do inquérito policial quando este tenha entre dezoito e vinte e um anos incompletos. É ato de bom senso. em regra. vítima. d) Interrogatório do réu menor de 21 anos – não há mais de se falar em curador. 133 . Ainda subsiste o curador para os inimputáveis por doença mental. Da mesma forma. além do evidente constrangimento. ou não quiser fazê-lo. por sua vez. o art. haverá nulidade (relativa).900/09 trouxe a previsão de que. Nada impede. Os jurados. primordialmente. afinal tais indivíduos são absolutamente capazes. 15 do CPP. não puder assinar. apesar de ser ato discricionário da autoridade policial.

admissível para a demonstração da verdade dos fatos. no caso de o acusado ameaçar influenciar o ânimo de testemunha ou da vítima. Entendem os autores que a previsão. a aplicação dos enunciados será inconstitucional toda vez que se revelar desnecessária. e sim auto-acusação. com sua natureza jurídica de meio de defesa. em abstrato. ou ainda perante outras autoridades. Inexiste confissão. é preponderantemente inconstitucional. 2. mormente quando alusiva ao interrogatório.3.1 Conceito e objeto É a admissão por parte do suposto autor da infração. deve ser priorizada a oitiva destas por videoconferência.3. isto é. no processo penal. 134 . Quanto aos efeitos:  Simples – é o reconhecimento puro e simples da imputação. No plano concreto.3 Espécies Quanto ao local ou autoridade perante a qual é feita:  Judicial – realizada perante o magistrado competente. dever ser prioritariamente realizado pessoalmente com o juiz. O STF já teve oportunidade de se manifestar sobre a validade do interrogatório por videoconferência. como dentro de procedimento administrativo correicional ou perante CPI. 2. O reconhecimento da infração por alguém que não é sequer indiciado não é tecnicamente confissão. Tanto isso é verdade que. Como o réu defende-se dos fatos. o que atentaria contra a segurança do princípio da presunção de inocência. isto é. Confessar é reconhecer a autoria da imputação ou dos fatos objeto da investigação preliminar por aquele que está no pólo passivo da persecução penal. É possível que seja realizada perante autoridade incompetente para o julgamento do processo. sempre que se mostra possível a produção da prova como meio de contato pessoal com o juiz. 2. de fatos que lhe são atribuídos e que lhe são desfavoráveis. A aplicação do dispositivo é medida extrema. como na hipótese de carta precatória (confissão jurídica imprópria).2 Natureza jurídica Meio de prova como outro qualquer. ao invés do primeiro.3. o interrogatório.  Extrajudicial – realizada no transcurso do inquérito policial ou fora dos autos.3 CONFISSÃO 2. Terá que ser reproduzida no processo para surtir efeito na esfera penal. feita por preposto ou mandatário. estes é que podem ser objeto de confissão. bem como também o será quando os motivos sustentados para a realização do interrogatório por videoconferência não sejam verificados ou quando não atendam ao critério da proporcionalidade.

que a confissão tácita não tem aplicação na esfera criminal. poderá constituir elemento para a formação do convencimento do julgador não tem mais aplicação. entretanto.3.  Clareza  Persistência – é a segurança transmitida pela repetição do fato. agregando novos elementos para excluir a responsabilidade penal.  Qualificada – o réu confessa o fato.  Certeza – provocada no julgador. pela presunção de inocência. Em o fazendo. ao dispor que o silêncio não pode ser interpretado em desfavor da defesa. Para o STF. 198 do CPP. de culpabilidade etc. Quanto à forma:  Expressa – é aquela produzida através da palavra falada ou escrita. a confissão de uns não vincula os demais. admitindo que o silêncio.  Ser expressa  Ser feita à autoridade competente  Ser livre e voluntária  Higidez mental do confitente. 2. Formais – questões de ordem procedimental:  Pessoalidade – a confissão tem que ser feita pelo próprio réu. Retratabilidade – admite a lei que o réu venha a desdizer o que afirmou como verdade anteriormente. formando um todo indissolúvel.4 Requisitos Intrínsecos:  Verossimilhança – deve ser aferido se é factível. quando se trate de prova única. a confissão pode ser incindível.5 Peculiaridades Divisibilidade – o teor da confissão pode ser desmembrado. é dizer. já que o magistrado pode se convencer de parte do que foi admitido e desconsiderar o restante.  Complexa – quando o réu reconhece vários fatos criminosos que são objeto do processo. como exceção. Em havendo co-réus. apesar de não significar confissão. pois está tacitamente revogado. Evidente. onde indubitavelmente o agente reconhece os fatos que lhe são imputados. Da mesma forma. como excludentes de ilicitude. a previsão da parte final do art. provável que o fato tenha ocorrido da forma como confessado.  Tácita ou ficta – é a decorrente da não impugnação da inicial acusatória. não pode o magistrado negar a realização de 135 .3. em face da nova redação do paragrafo único do art. tomado em partes.  Coincidência – é a compatibilidade com os demais elementos probatórios existentes nos autos. 186. 2.

notadamente quando corroborada pelos demais elementos colhidos na instrução. levar ao esclarecimento de infrações e sua autoria. Ele deve ter o espírito. IMPORTANTE!!! Lembramos que se o crime deixar vestígios. Contudo. É causa obrigatória de redução de pena.6 Valor probatório A confissão perdeu o status de prova absoluta. pois esta se caracteriza pela mera ausência de coação. A RETRATAÇÃO NÃO VINCULA O JULGADOR. que serve validamente como prova. A delação pode levar ainda a obtenção de benefício por parte do delator. e como as demais.7 Delação e delação premiada É possível que no transcorrer do interrogatório. será necessário o ingresso com ação de revisão criminal para que o benefício da redução da pena seja efetivado. além de confessar a infração. oportunizando-se ao advogado do delatado que faça reperguntas no transcorrer do interrogatório. já que a materialidade estará a depender da realização de perícia. a materialidade não pode ser provada pela confissão. desde que a delação seja realmente eficaz. até mesmo após o trânsito em julgado da sentença. para que obtenha o status probatório. 2. No direito civil a confissão é irretratável. é possível que a retratação não convença o juiz.3. Nestas hipóteses. admite-se a marcação de novo interrogatório. Esta é a delação. É a delação premiada ou benéfica. Neste caso. para que se oportunize a participação do defensor do delatado. Na ausência deste. prestando esclarecimentos para desvendar o delito. na decisão. independentemente de qual o motivo que levou o agente a contribuir. pois é necessária a realização do exame de corpo de delito. Em razão do livre convencimento motivado. A delação pode ocorrer a qualquer momento. o desejo próprio de colaborar. a prova testemunhal suprirá a omissão. Obs. sem ter havido interferência de terceiros. adstritas ao conteúdo da delação. que. Distingue-se da voluntariedade.novo interrogatório para esta finalidade. 136 . a confissão servirá para demonstrar a autoria. que se veria estimulado a entregar os demais comparsas. cabendo ao juiz a justa valoração. 2. o seu valor é relativo.3. colaborando espontaneamente. sendo a iniciativa para colaborar do próprio autor. Desta forma. A delação deve ser espontânea por exigência legal. o interrogado decline o nome de outros comparsas. tendo nexo causal entre as informações prestadas e o esclarecimento do crime. deve se submeter ao contraditório. I) Lei 9034/95 (crime organizado) – a pena será reduzida de 1/3 a 2/3. Se necessário for. Obs. ou até mesmo se foi aconselhado pela autoridade ou terceiros a fazê-lo. poderá tomar como verdade a confissão anteriormente apresentada. se o agente.

gravidade e repercussão social da infração. convivendo harmonicamente com as demais normas que tratam da matéria. circunstâncias. o agente deve colaborar espontaneamente com a autoridade.. Não atendendo o delator aos requisitos anteriores. direitos ou valores objeto da lavagem. desde que o delator. CP) – havendo concurso de infratores.  Na recuperação total ou parcial do produto do crime. III) Extorsão mediante seqüestro (art. possibilitando com isso a libertação do seqüestrado.14 – prevê a redução da pena de 1/3 a 2/3. ainda. Não precisa haver cumulatividade. personalidade favorável etc. o que leva a extinção da punibilidade. Basta a obtenção de um deles. colabore de maneira efetiva e voluntária com a investigação e o processo criminal. ou a localização dos bens. iniciando o agente o seu cumprimento no regime aberto. Está restrita ao crime de quadrilha ou bando. O nexo entre as informações e a libertação é obrigatório. como primariedade. 137 . no parágrafo único. com sua integridade física preservada. V) Lei 9613/98 (lavagem de capitais) – possibilidades ao magistrado: a) reduzir a pena de 1/3 a 2/3. resultando:  Na identificação dos demais co-autores ou partícipes. c) aplicação do perdão judicial. sendo primário. 13 – admite o perdão judicial em face da delação. §4º. ou por requerimento das partes. possibilitando que sejam desmantelados. O magistrado poderá concedê-lo de ofício. tendo a pena reduzida.II) Lei 8072/90 (crimes hediondos) – o participante ou associado que delatar à autoridade quadrilha ou bando.  Delação do art. constituídos para a prática de crimes hediondos e assemelhados. para que o instituto seja aplicado. 159. que para a concessão do perdão judicial o magistrado leve em conta a personalidade do agente.  Delação do art. Para tanto. b) substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. poderá enquadrar-se no dispositivo em exame. não abrangendo as demais infrações praticadas pelo grupo. prestando esclarecimentos que conduzam à apuração da infração com a respectiva autoria. a pena será reduzida de 1/3 a 2/3. terá a pena reduzida de 1/3 a 2/3.  Na localização da vítima. Exige-se. já que a delação ineficaz pode militar apenas como atenuante genérica. o concorrente que venha a delatar os demais à autoridade. IV) Lei 9807/99 (proteção a vítimas e testemunhas) – admite a delação premiada sem preestabelecer a infração praticada. além da natureza.

Basta que os demais co-autores ou partícipes sejam identificados (a captura não foi exigida). Estes fatores. Se dentro do sigilo do crime ele desconhece o inteiro teor da ramificação criminosa. podendo ser responsabilizado. Também não poderá invocar o direito ao silêncio. 2. nos crimes cometidos por quadrilhas ou em co-autoria. Já o produto do crime é a substância entorpecente e sua apreensão total ou até mesmo parcial satisfaz a exigência legal. Não se exigiu expressamente a identificação dos demais co-autores ou partícipes nem a recuperação do produto do crime.4 PERGUNTAS AO OFENDIDO O ofendido é o titular do direito lesado ou posto em perigo. para o agente que confesse espontaneamente a infração. 2. e caso falte com a mesma. que não é testemunha. é a vítima.  Voluntariedade do agente (a lei não exigiu espontaneidade). VIII) Lei 8137/90 (crimes contra a ordem tributária) – possui a mesma previsão aplicada aos crimes contra o sistema financeiro nacional. têm natureza probatória.  Obtenção dos seguintes resultados.4. indicando a versão que lhe cabe dos fatos.492/86 (crimes contra o sistema financeiro nacional) – prevê a redução de pena de 1/3 a 2/3. podem ser sopesados na determinação do quanto de redução da pena. de forma cumulativa: identificação dos demais infratores e recuperação total ou parcial do produto do crime. São necessários:  A existência de inquérito instaurado com o respectivo indiciamento.343/06) – no caso de condenação. terá a pena reduzida de 1/3 a 2/3. 138 .VI) Lei de tóxicos (11. ou processo criminal já deflagrado. não será compromissado a dizer a verdade. revelando toda a trama delituosa à autoridade policial ou judicial. contudo. não incide em falso testemunho. sendo que suas declarações. ainda assim será beneficiado. salvo se suas declarações puderem incriminá-lo ou por medo de eventual retaliação.2 Repercussões processuais O ofendido. em dando ensejo à instauração de inquérito ou processo contra pessoa sabidamente inocente. pelo crime de denunciação caluniosa. Deve-se ter em conta a vontade de colaborar quando o agente delata os comparsas a ele ligados e todos os outros que chegaram ao seu conhecimento. VII) Lei 7.

nos crimes sexuais. por exemplo. Tourinho. pois caso contrário. Da mesma forma. tal previsão deve ser aplicada. como. Esta é a posição dominante na doutrina (ex. que o farão diretamente. devendo a parte que se sentir prejudicada demonstrar a ocorrência do prejuízo. com o objetivo de que o ofendido tenha o mínimo de contato com o agressor. nesta ordem) poderão formular reperguntas. em atenção ao princípio constitucional do contraditório que não poderá ser afastado na fase judicial. 473 do CPP prevê no procedimento do júri. O art. evitando-se que fique no mesmo ambiente do ofendido. inclusive assegurando-se a possibilidade de interpelação direta. O ofendido é ouvido por iniciativa das partes ou por determinação de ofício da autoridade. Nucci. Entendem os autores que o ofendido está obrigado a comparecer sempre que devidamente intimado para o ato. No mesmo sentido.  Retirada do réu da sala para que o ofendido preste declarações livre de qualquer desconforto psicológico.  Lugar separado antes da audiência e durante sua realização. mas também pelas partes. O imputado assistirá ao ato por videoconferência. as partes (acusação e defesa. Ao final das perguntas formuladas pelo magistrado ao ofendido. aos demais procedimentos. 2. sem intermédio do magistrado. não só pelo juiz presidente. fundamentais em crime de pouca visibilidade. Tourinho Filho). admitindo a condução coercitiva. 139 . e desde que fique reconhecido na mesma como parte do valor mínimo indenizatório. Contra. 2. por partir de pessoa diretamente interessada. Sendo possível. haverá nítida violação ao princípio da presunção de inocência. deve ser ouvido.4.  Encaminhamento judicial a atendimento multidisciplinar – as expensas do acompanhamento só poderão ser suportadas pelo ofensor após o trânsito em julgado da sentença condenatória. a tomada de declarações do ofendido. quando possível. A ausência injustificada pode implicar em condução coercitiva determinada pelo magistrado ou pela autoridade policial. recomenda certa cautela.3 Valor probatório das declarações do ofendido O conteúdo das declarações do ofendido. não há duvidas que tais declarações são meios de prova. Enquanto isso. caberá ao Estado prover o atendimento da vítima. A não realização do ato implica em nulidade meramente relativa. Contudo. além de eventual responsabilidade por desobediência. sob o fundamento de que não há previsão expressa no CPP para a retaliação criminal pelo não comparecimento injustificado. Mirabete.4 Prerrogativas do ofendido  Comunicação dos atos processuais relativos ao ingresso e à saída do acusado da prisão. mas negando a incidência da desobediência. à designação de data para audiência e à sentença e respectivos acórdãos que a mantenham ou modifiquem.4. por analogia.

b) Oralidade – prevalece a palavra falada. ainda que desquitado. 2. 206. a mãe. 2. não terá tal prerrogativa. o irmão e o pai.5. por outro modo. ainda assim o réu será retirado da audiência. em face das percepções colhidas sensorialmente.1 Conceito e natureza Testemunha é a pessoa desinteressada que declara em juízo o que sabe acerca dos fatos. salvo quando inseparáveis da narrativa dos fatos. que a testemunha faça breve consulta a apontamentos. evitando-se que as testemunhas ainda não ouvidas tenham contato com o depoimento das outras. em sendo ouvido na condição de Presidente do Congresso. Art. como acontece nas CPI’s. lhes serão transmitidas por ofício. d) Individualidade – devem ser ouvidas de per si. formuladas pelas partes e pelo juiz. toda e qualquer pessoa poderá figurar como testemunha. da Câmara dos Deputados e do STF. testemunha é aquela pessoa que presta o seu depoimento perante o magistrado. prosseguindo-se com a presença do defensor. Pessoas que podem recusar-se a contribuir com o testemunho: pessoas que gozam de parentesco próximo com o réu. quando então as perguntas a serem respondidas. nem o do Congresso Nacional. Em que pese este último se o próprio presidente do Senado. e) Retrospectividade – a testemunha vai narrar os fatos de que já teve contato. Poderão. A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. entretanto. Não sendo possível a videoconferência. recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente. 140 . o cônjuge. É mais um meio de prova. como as funções são distintas. Existe a prerrogativa de algumas autoridades. sem emitir opinião pessoal. separadamente. salvo quando não for possível. ou o filho adotivo do acusado. deve ser reproduzida na fase processual. notadamente pela inexistência em tais procedimentos de contraditório ou ampla defesa. 2. o afim em linha reta. A lei não contemplou o presidente do STJ.5 TESTEMUNHAS 2. que podem optar por prestar o depoimento por escrito.2 Características da prova testemunhal a) Judicialidade – tecnicamente.5.5. A oitiva perante o delegado ou outras autoridades. São elas: Presidente e Vice-Presidente da República. obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias. além dos presidentes do Senado.3 Recusa e impedimento Como regra. c) Objetividade – deve a testemunha cingir-se a declarar aquilo que apreciou. Nada impede. pela ausência dos recursos tecnológicos necessários. contudo.

multada.4 Demais vedações Os advogados estão impossibilitados de figurar como testemunha. ofício ou profissão. Co-réu também não pode ser testemunha em relação ao seu comparsa. como regra. os parentes do réu estarão obrigados a colaborar. é compromissada a dizer a verdade. nem sobre pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações. 2. Art. Já os parentes da vítima estão obrigados a depor sob compromisso. e caso mintam. pois não há previsão desta ordem no CPC. São proibidas de depor as pessoas que.5. 2. devam guardar segredo. incorrem em falso testemunho. profissão ou em razão de função. salvo se. poderão recusar-se. é necessária previsão legal expressa neste sentido. Em não havendo outra prova do crime. devem guardar segredo. e caso mintam. praticam crime. Os magistrados e promotores estão impedidos de atuar na persecução penal e figurar como testemunha concomitantemente. ministério.  Compromisso com a verdade – a testemunha. quiserem dar o seu testemunho.5. Tais pessoas. poderá ser conduzida coercitivamente. São aquelas pessoas que pelo desempenho de ministério. não prestarão compromisso de dizer a verdade. em razão de função. salvo quando desobrigadas pela parte interessada. estão impossibilitadas por vedação legal. afinal podem dispor da prerrogativa que lhes é facultada. e faltando com a verdade. serão compromissadas. Já a testemunha que no processo civil se faz ausente. mesmo que desejem. ofício. Ainda assim. estarão obrigados a testemunhar como qualquer outra pessoa. não praticam falso testemunho. Em o fazendo. Se o conhecimento apreendido não se deve ao exercício funcional. IMPORTANTE!!! Para a incidência do crime de desobediência. o que é dado pelos arts. negar ou calar a verdade. desobrigadas pela parte interessada. irão depor se desejarem. responsabilizada pelo crime de desobediência. não incorre em desobediência. Os deputados e senadores não estão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas no exercício do mandato. e caso venha a fazer afirmação falsa. 342 do CP (falso 141 . ou sendo o testemunho fundamental para integrar aquelas até então colhidas. incide nas penas do art. contudo. 219 e 458 do CPP. além da ausência injustificada. Pessoas impedidas.5 Deveres da testemunha  Comparecimento – caso não compareça nem justifique a ausência. 207. e mesmo quando autorizados pelo interessado. além do pagamento das custas da diligência para trazê-la coercitivamente.

que são aquelas referenciadas por outra testemunha.  Segunda fase do júri – 5 testemunhas. É o que pode ocorrer com as testemunhas referidas. f) Testemunhas da coroa – são os agentes infiltrados. 142 . c) Informantes – não prestam o compromisso de dizer a verdade. não são compromissadas. b) Extranumerárias – são aquelas ouvidas por iniciativa do juiz.5. integrando o número legal. os doentes e deficientes mentais também não são compromissados. e) Laudadores – são as pessoas que prestam declarações acerca dos antecedentes do infrator.6 Número de testemunhas Este número deve ser contado em atenção a CADA RÉU. instrumentária ou fedatária – presta depoimento sobre um ato da persecução criminal. em sendo imputada a prática de mais de uma infração. É o que ocorre na busca e apreensão domiciliar. pois não possuem a devida noção da importância e das repercussões do ato de testemunhar. além dos menores de 14 anos. 219 do CPP. acerca dos fatos delituosos. eventual mudança de residência. São as pessoas do art.5. dentro do período de um ano contado do seu testemunho.  Procedimento comum ordinário – 8 testemunhas. testemunho). 206 do CPP. Caso abonem a sua conduta pretérita. são chamadas de testemunhas de beatificação. incorrendo nas consequências do art. será tratada como testemunha faltante. e são de regra compromissadas. e para CADA FATO DELITUOSO. pelos laços de proximidade e parentesco com o réu. Não o fazendo. Não são inseridas no número legal.7 Classificação a) Numerárias – são as arroladas pelas partes e compromissadas.  Procedimento sumaríssimo – 3 testemunhas. no caso de concurso de pessoas. onde o auto de formalização da diligência será assinado por duas testemunhas presenciais. As pessoas indicadas no art.  Tóxicos – 5 testemunhas. caso precise ser novamente ouvida e não seja encontrada. 206 do CPP.  Informação para fácil localização – a testemunha ainda é obrigada a informar o juiz. d) Imprópria.  Procedimento sumário – 5 testemunhas. 2. Da mesma forma. ou seja. 2. os menores de 14 anos. dos doentes e deficientes mentais. d) Própria – é ouvida sobre o thema probandum.

§2º. permitida a presença do defensor e podendo ser realizada. Isso se deve para coibir uma praxe indigesta da parte que indicava 143 . contados da devida intimação. 2. o STJ editou a súmula 273: “intimada a defesa da expedição da carta precatória. poderia ser substituída. não contemplando. Neste sentido. 461. será nomeado defensor ad hoc para acompanhar o ato. inclusive. não será computada como testemunha.5. Os militares são requisitados ao superior. apesar da intimação pessoal ser obrigatória. no intuito de viabilizar a continuidade do serviço público. É dado prazo razoável.g) Inócua – a pessoa que nada souber de aproveitável à elucidação da causa.10 Procedimento para tomar o depoimento Se a testemunha não fosse encontrada. mesmo após o julgamento. e antes de esgotado este. tendo a parte 3 dias para indicar a nova testemunha. A presença do réu na audiência perante o juízo deprecado é facultativa. Resumindo!!! Funcionário público é intimado pessoalmente. se possível. têm a expedição do mandado comunicada ao chefe da repartição. é possível a oitiva das testemunhas por videoconferência. e caso o advogado também não compareça. A ausência de intimação implica em nulidade relativa. IMPORTANTE!!! A PRECATÓRIA NÃO SUSPENDE O CURSO DO PROCESSO. providenciando-se. 2. mas tem comunicação ao superior. é juntada aos autos. a audiência será realizada. torna-se desnecessária a intimação da data da audiência no juízo deprecado”. IMPORTANTE!!! As partes são intimadas da expedição da carta. O art. portanto.9 Testemunho dos militares e funcionários públicos Os militares serão requisitados ao seu superior hierárquico. não vai haver julgamento. Também para evitar a emissão de carta precatória. CPP.5. havendo certidão do oficial de justiça neste sentido.8 Lugar do depoimento e precatória Residindo a testemunha em outra comarca. durante a realização da audiência de instrução e julgamento. Uma vez devolvida a carta.5. averba que se a testemunha não for encontrada. a substituição do funcionário que naquele dia não irá trabalhar. 2. A substituição da testemunha simplesmente não possui mais disciplina legal. IMPORTANTE!!! Não há nulidade por ausência de intimação da data da audiência no juízo deprecado. será ouvida através de carta precatória. pois estará depondo. que trata do procedimento do júri. oportunidade para indicar testemunha em substituição. ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real. Já os funcionários públicos.

2. A contradita é julgada na audiência. mesmo sem previsão legal neste sentido. mantendo-se a realização do depoimento. ou simplesmente de não tomada de compromisso. Ao que parece. a parte contrária (cross-examination). 342 do CP (falso testemunho). o fato deve ser encarado como mera irregularidade cabendo ao magistrado deixar consignado no termo esta circunstância. Havendo assistente 144 . A testemunha NÃO poderá invocar o direito ao silêncio. mesmo com a nova redação do art. oportuniza-se a contradita. independente de qualquer formalidade. e em seguida. acreditando que o crime em espécie seria o de falsa identidade. 212 o magistrado faria suas considerações ao final. se eventualmente descobrir algo que macule a pessoa por ela arrolada. como ocorre no júri. caput. as partes vão reperguntar. Obs. e havendo certidão de que a testemunha não foi encontrada. ou seja. a impugnação da testemunha a ser ouvida. Se elas tiverem conversado entre si. para dar a devida valoração ao depoimento. No mesmo sentido. chegando ao seu conhecimento. Antônio Magalhães Gomes Filho. responde por falso testemunho. Obs. Para o autor a qualificação integra o ato. a testemunha contraditada. entendem os autores que a parte deve ser intimada.11 O depoimento Terminada a inquirição pelo magistrado. o magistério de Guilherme Nucci. para dar a devida valoração às declarações prestadas.testemunha inexistente pra procrastinar o feito ou ganhar tempo para indicar o rol verdadeiro de testemunhas. Nada impede que a parte que arrolou a testemunha apresente contradita. Estes elementos. Após a qualificação. evita-se a procrastinação processual. que nada mais são do que uma forma de impugnação. 212. respeitando-se tanto o direito da acusação quanto da defesa. afinal o falso também se caracteriza quando alguém cala à verdade. e o farão diretamente à testemunha. após a atuação das partes. ou que faleceu ou viajou. ao argumento de que na nova sistemática do art. o juiz continua perguntando em primeiro lugar. e se o fizer. CPP. ou não deve ser admitida a prestar compromisso. e depois decidir se é caso de exclusão da testemunha. reservando-se espaços separados para que não tenham contato entre si. Contra. Rogério Sanches e Ronaldo Batista Pinto. a testemunha substituta para audiência de instrução. e poderá trazer. Contra. Entretanto. tanto que as testemunhas não devem saber nem ouvir os depoimentos das outras. servem para alertar o magistrado de quem seja aquela testemunha. Fala-se agora em verdadeira incomunicabilidade. é evidente que não se pode presumir a má fé da parte. A parte que arrolou a testemunha repergunta em primeiro lugar (direct- examination). As partes podem alegar ainda circunstâncias ou defeitos que tornem a testemunha suspeita de parcialidade ou indigna de fé.5. incorrerá nas sanções do art. Desta forma. A exceção se dá quando o fato possa incriminar a própria testemunha. É o que ocorre se a pessoa está impedida de depor. devendo o magistrado ouvir a parte contrária. que não estará obrigada a se auto-incriminar. e se a testemunha falta com a verdade. LFG.

Para que o processo pelo falso seja sentenciado.13 Competência para julgamento do falso testemunho É o do local da consumação do delito. pois se a testemunha se retratar dentro do processo em que tenha mentido e antes da sentença ser proferida. cabe ao magistrado. oferecerá. uma vez proferida sentença e constatada tal circunstância. este faz suas perguntas após o MP. a competência firma-se no juízo deprecado. nada poderá ser feito contra a testemunha. cale ou negue a verdade. Plenário do júri – neste caso. salvo se puderem induzir resposta. deve ser realizado quesito específico aos jurados acerca do falso testemunho. #Em que momento será instaurada a apuração do falso testemunho? Consoante entendimento do STJ.12 Falso testemunho e prisão em flagrante Caso a testemunha faça afirmação falsa. prevê o parágrafo único do art. declarando a verdade antes de a sentença ser prolatada. 2. É de bom tom. pois o titular da ação. haverá a extinção da punibilidade.5. Se a testemunha é do Juízo. O juiz não indefere perguntas das partes. em estando convencido. denúncia. sendo desnecessária a instauração do inquérito. Já quanto à prisão em flagrante da testemunha. objetivando evitar a prescrição deste delito. para que só então as providências sejam tomadas. de plano. Corre-se o risco. e isto por um simples motivo: pra que o crime se caracterize.5. IMPORTANTE!!! Se a testemunha se retratar no processo em que tenha mentido. para que se instaure inquérito. portanto. quando. após prestado o depoimento. e que o mesmo toque em ponto relevante do processo. a defesa repergunta por último. contudo. 2. antes de remeter cópia do depoimento da testemunha ao delegado. abra vistas ao MP. admite-se a apuração do falso paralelamente à instauração do inquérito e até mesmo do processo em que este se deu. IMPORTANTE!!! Se o depoimento é prestado por carta precatória. que o magistrado. Se eles negarem a ocorrência do crime. é necessário que o magistrado ou o tribunal reconheçam o depoimento como inverídico. haverá a extinção da punibilidade. a decisão do processo for proferida em audiência. deve-se aguardar o deslinde daquele processo em que a testemunha tenha mentido (decisão transitada em julgado). 211 do CPP esta possibilidade. eis que após a sentença a testemunha não mais poderá se retratar. não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida. remeter cópia do depoimento à autoridade policial. de que o esforço seja em vão. 145 .de acusação.

Já no falso praticado perante a Justiça do Trabalho. Filiando-se ao texto legal.do ato de reconhecimento lavrar-se-á auto pormenorizado. quando pela autoridade policial. se possível. evitando-se qualquer comunicação entre elas. será colocada. tendo natureza jurídica de meio de prova. pois violaria ao princípio da publicidade. cada uma fará a prova em separado. Essa estratégia não se aplica em juízo. Il . não diga a verdade em face da pessoa que deve ser reconhecida. não diga a verdade em face da pessoa que deve ser reconhecida.se houver razão para recear que a pessoa chamada para o reconhecimento.6. além de espancar a ampla defesa e o contraditório. III . em ato processual praticado diante de autoridade policial ou judiciaria. inadmitindo tal expediente na instrução processual ou em plenário de julgamento. 2. O reconhecimento deve ser o mais livre possível. Quando houver necessidade de fazer-se o reconhecimento de pessoa. por efeito de intimidação ou outra influência.2 Reconhecimento de pessoas Tem por finalidade identificar o acusado. 2. Havendo receio de intimidação. É também a posição dos autores. subscrito pela autoridade. IV .6 RECONHECIMENTO DE PESSOAS OU COISAS 2. de acordo coma forma especial prevista em lei. ao lado de outras que com ela tiverem qualquer semelhança. 2.se houver razão para recear que a pessoa chamada para o reconhecimento. Se várias forem as pessoas chamadas a efetuar o reconhecimento de pessoa ou de objeto. a autoridade providenciará para que esta não veja aquela.14 Valor probatório Relativo. tanto pelo magistrado.6. 226. competirá à Justiça Federal. o ofendido ou testemunhas.5. cujo reconhecimento se pretender. Art. por efeito de intimidação ou outra influência.a pessoa.Obs. Obs. a) Procedimento – o reconhecimento pode ser determinado na fase preliminar ou processual. Art. proceder-se-á pela seguinte forma: I . com pessoa ou coisa que já viu. pela pessoa chamada para proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais. a autoridade providenciará para que esta não veja aquela.1 Conceito e natureza jurídica É o ato pelo qual alguém identifica e confirma a identidade da pessoa ou coisa que lhe é mostrada.a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento será convidada a descrever a pessoa que deva ser reconhecida. convidando-se quem tiver de fazer o reconhecimento a apontá-la. 227 III . Magalhães Noronha e Tourinho. Parágrafo único. que conhece. 228. Intimidação. 146 . O disposto no no III deste artigo não terá aplicação na fase da instrução criminal ou em plenário de julgamento. Art. a autoridade providenciará para que o reconhecendo não veja o reconhecedor.

É meio de prova. aqueles que sustentam que mesmo na fase processual o reconhecedor fique às escondidas. Há assim.1 Conceito e natureza Acarear ou acaroar é pôr em presença. em face de sua precariedade. ainda. 2. proceder-se-á com as cautelas estabelecidas no artigo anterior (reconhecimento de pessoas).7 ACAREAÇÃO 2. caso alguma testemunha esteja ausente. É admitida durante toda a persecução penal. Reconhecimento pela voz (clichê fônico) – deve ser encarado como prova inominada. Retrato falado – em razão de sua evidente fragilidade. A diligência só deve ser realizada quando não importe demora prejudicial ao processo e caso o magistrado entenda relevante.3 Reconhecimento fotográfico ou fonográfico É prova inominada. e suas declarações divirjam das de outra pessoa. objetivando esclarecer a verdade. e segundo o STF. Não se deve olvidar que o reconhecimento acaba sendo um ato de coragem e extrema exposição. desde que corroborado por outros elementos de prova. uma da outra. 2. 227. 2. pode ser utilizado.2 Pressupostos  As pessoas já devem ter prestado declarações.  Pode ocorrer tanto na fase do inquérito quanto no processo.6. Tem valor probatório relativo. fazendo um reconhecimento informal. no intuito de eliminar as contradições.4 Reconhecimento de coisas Art. a possibilidade de acareação por precatória (art. pessoas cujas declarações são divergentes. e que funcionaria como prova.7.  Mister haver divergência no relato das pessoas. despido das exigências legais. pela dificuldade e precariedade em se assegurar a integridade física daqueles que se arriscam no ato de reconhecimento. 147 .7. servindo apenas para auxiliar as investigações. sobre fatos ou circunstâncias relevantes. No reconhecimento de objeto. podendo ser determinada de ofício ou por provocação. 2. Ocorre entre testemunhas. face a face. no que for aplicável. 230 do CPP). não é meio de prova. Guilherme Nucci. Existe.6. acusados e ofendidos. Neste sentido. afigurando-se o reconhecedor como verdadeira testemunha.

9. 148 . 297 § 2º . ser entregues à parte que os produziu. IMPORTANTE!!! Veda-se o lançamento aos autos das cartas particulares interceptadas ou obtidas por meios criminosos. De acordo com o art. IMPORTANTE!!! Art. públicos (é o documento elaborado por funcionário público no exercício funcional) ou particulares. Pública-forma – é uma cópia de escrito avulso. Já a presunção é o conhecimento daquilo que normalmente acontece.9 INDÍCIOS E PRESUNÇÕES 2. que uma vez positivada em lei. estabelece como verídico determinado acontecimento. como os contratos. Só terá valor quando conferida com o original. remontando a década de 40. poderão. 238: Art. por indução.8 DOCUMENTOS Conceito – para o CPP. Os documentos originais. autoriza. e ouvido o Ministério Público. Como regra. que tendo relação com o fato.Para os efeitos penais. Já os instrumentos seriam os documentos confeccionados com o intuito de fazer prova (documentos pré-constituídos). dando-se ciência à parte contrária. Já o destinatário da carta poderá exibi-la em juízo para defesa do seu direito. a ordem normal das coisas. os documentos podem ser apresentados em qualquer fase do processo. mediante requerimento. caso a parte queira apresentar documento no plenário de julgamento. quando não exista motivo relevante que justifique a sua conservação nos autos. independente da aquiescência do remetente. Já na concepção ampla. o título ao portador ou transmissível por endosso.2. concluir-se a existência de outra ou outras circunstancias. equiparam-se a DOCUMENTO PÚBLICO o emanado de entidade paraestatal.1 Conceito O indício é a circunstância conhecida e provada. ficando traslado nos autos. IMPORTANTE!!! Já no procedimento do júri. seriam documentos os escritos em papel. que é a atual. 2. juntos a processo findo. extraída por oficial público. 238. deverá providenciar a juntada dos autos com antecedência de três dias úteis. é qualquer objeto representativo de um fato ou ato relevante. na segunda fase (judicium causae). na presença da autoridade. A interceptação da correspondência caracteriza prova ilícita. os livros mercantis e o testamento particular. as ações de sociedade comercial.

a prova em contrário do fato estabelecido como verídico. 2. com o fim. a busca e apreensão. extraindo-se da lei a constatação da veracidade. Ele ratifica a tese sustentada. 2. CAUTELAR.3 Valor probatório Estamos diante de prova indireta. não é prova. são inimputáveis. Nada impede que exista busca sem apreensão e vice-versa. como MEIO DE PROVA. Ex: não adianta tentar provar que o menor de 18 anos tinha capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de acordo com este entendimento. não é admitida. indiretas ou não. ou como MEDIDA INSTRUMENTAL. da vida cotidiana. 149 . É o exemplo do álibi. ao contrário. ontologicamente.2. Contudo. apesar do CPP a classificar como meio de prova. entendem os autores que a busca e a apreensão tanto pode figurar. esta presunção pode ser ilidida. cada uma de per si. Juris ou legal – é aquela que está normatizada. Quanto à natureza jurídica. Indício negativo (contra-indício) – alimenta a impossibilidade lógica do fato alegado e que se deseja provar. com finalidade de preservar elementos probatórios ou assegurar a reparação do dano proveniente do crime. a depender da finalidade pretendida com o ato. pois por presunção legal absoluta. os institutos são tratados pela legislação como meio de prova.2 Classificação Indício positivo – indica a presença do fato ou elemento que se quer provar. mas nem por isso de menor importância do que as demais provas. portanto. de assegurar a utilização do elemento probatório no processo ou evitar o seu perecimento.9. ao passo que a apreensão é a medida que a ela se segue. Infirma uma determinada tese.10. Quanto às presunções: Homnis – é a presunção ordinária. Tem valor relativo como todas as demais. Neste cotejo.9. que exige uma ilação para que se chegue à determinada conclusão. tendo.10 BUSCA E APREENSÃO 2. Esta por sua vez pode ser:  Presunção relativa (iuris tantum) – admite prova em contrário. a natureza jurídica de medida cautelar que visa à obtenção de uma prova para o processo.  Presunção absoluta (jures et de jure) – de modo inverso.1 Conceito e natureza jurídica A busca tem por objetivo encontrar objetos ou pessoas.

4 Momento Pode ocorrer antes do início formal da persecução penal (sem sequer ter sido instaurado o IP). abertas ou não. em razão da blindagem prevista no art. no curso da instrução processual. 2. destinadas ao acusado ou em seu poder.2 Iniciativa Poderá ser determinada de ofício pela autoridade ou a requerimento das partes. Já as cartas lacradas. IMPORTANTE!!! A busca e apreensão domiciliar está adstrita a cláusula de reserva jurisdicional. O STF.10.10. salvo em caso de flagrante 150 . contudo.10. já admitiu a violação da correspondência dos presidiários pela administração penitenciária.  Apreender pessoas vítimas de crime.  Apreender instrumentos de falsificação ou contrafação ou objetos falsificados ou contrafeitos. no julgamento da apelação.10. Já a busca e apreensão pessoal objetiva apreender arma proibida. ressalvados o primeiro e o sétimo.  Descobrir objetos necessários à prova da infração ou à defesa do réu.  Apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos.3 Objeto A busca e apreensão domiciliar se presta para:  Prender criminosos. além de se estender a todos os itens anteriores. onde o tribunal. como na hipótese da busca pessoal. da CF. 5º.  Apreender cartas.2. que poderá ser determinada pela autoridade policial. poderá determinar a realização da medida. não podem ser passíveis de tal medida. não havendo possibilidade de violação domiciliar. ou até mesmo na fase executória. na fase recursal. instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a fim delituoso. instituindo a inviolabilidade do sigilo da correspondência. XII. durante a investigação preliminar. cabendo privativamente ao judiciário a expedição do mandado. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador.  Apreender armas e munições.5 Espécies I) Busca domiciliar XI . outras autoridades podem determinar a medida.  Colher qualquer elemento de convicção. quando haja suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato. Afora esta hipótese. 2.a casa é asilo inviolável do indivíduo. sob o fundamento que o direito ao sigilo não pode ser invocado para a prática de infrações por parte daquele que está preso. 2.

clubes. a) Requisitos do mandado A medida de busca e apreensão domiciliar só poderá ser determinada quando fundadas razões a autorizarem. ou. dispensando-se a apresentação do mandado. soma-se a possibilidade do cumprimento do mandado judicial. fere de morte o sistema acusatório. boates. 241 do CPP a possibilidade de a medida ser realizada diretamente pela autoridade judicial ou policial.  Desastre. durante o dia. Desta forma. b) Execução da medida Prevê o art. além das tavernas. neste caso. Tourinho Filho.  Para prestar socorro. Já quanto ao delegado.  Compartimento não aberto ao público. como também aos locais susceptíveis de invasão. além de por em descrédito a própria imparcialidade do julgador. declarar previamente sua qualidade e o objeto da diligência. sendo necessário lastro mínimo indicando que os objetos ou pessoas estão realmente na casa passível da medida.  Na hipótese de flagrante. o que não se coaduna com a nova ordem constitucional. ressaltam que a possibilidade do magistrado realizar ou acompanhar diretamente a diligencia tem sido amplamente aceita. que é o intervalo que vai das 6 às 18 horas. salvo se devidamente ocupadas. casas de jogo e congêneres. a estalagem ou qualquer outra habitação coletiva. Está vinculada aos limites estabelecidos pelo juiz. entendem os autores que o referido artigo não foi recepcionado pela CF. desde que sejam facilmente supríveis. enquanto abertas. Contudo. além das hipóteses anteriores. dentre outros. 151 . Deve. pois a tutela constitucional do domicílio assim o exige. estará obrigado a apresentar o mandado. delito ou desastre. O trabalho do magistrado de estabelecer os limites da diligência não pode ser delegado à autoridade policial. Eventuais lacunas no mandado podem existir. bingos. A expressão casa compreende:  Qualquer compartimento habitado. não só quanto aos objetos ou pessoas procuradas. e não saiam do controle judicial. Neste sentido. ou para prestar socorro. onde alguém exerce profissão ou atividade.  Aposento ocupado de habitação coletiva. Estão excluídos do conceito a hospedaria. como num mandado que não consta o nome do dono da residência. Já durante o dia. o mesmo. como casas de espetáculo. Durante a noite admite-se o ingresso domiciliar:  Com o consentimento do morador. ao executar o ato. Quanto ao magistrado executando diretamente o ato. por determinação judicial. que é usada como ponto de prostituição.

desde que a sua interrupção signifique prejuízo substancial ao ato. poderá estender-se. Não estando presente o morador. A diligência será encerrada com a lavratura de auto circunstanciado. como um contrato falsificado ou um cheque “clonado”. nas hipóteses que prevêem a convocação do mesmo. a ser cumprido na presença de representante da OAB. não figuram como testemunha. desde que relativas ao exercício da advocacia. de seus arquivos e dados. veda a apreensão de documentos em poder do defensor do acusado. Da mesma forma. cujo controle é de outro magistrado. como a Corregedoria Geral de Justiça. a autoridade judiciária competente poderá decretar a quebra da inviolabilidade em decisão motivada. apenado com detenção ou reclusão. não há ilicitude. Neste caso.IMPORTANTE!!! Dispensa-se também o mandado nas hipóteses de flagrante admitindo-se a invasão a qualquer hora do dia ou da noite. notadamente quanto tais documentos podem servir de prova a subsidiar a tese defensiva. caso o advogado seja co-autor ou partícipe da infração. de sua correspondência e de suas comunicações. assim como serão utilizados os meios necessários para a pronta localização. Por sua vez. Da mesma forma. assinado pelos executores. para além das 18 horas. se presentes indícios de autoria e materialidade da prática de crime por parte de advogado. poderá ter documentos vinculados ao ilícito apreendidos. Deve para tanto. não poderão ser utilizados como prova. como no caso de menores de idade ou doentes mentais. Caso o material apreendido diga respeito a clientes que não figuram como co-autores ou partícipes do advogado. mesmo que situada em Estado diverso daquele onde a autoridade desempenha as suas funções. c) Situações especiais Duração da diligência – se a busca domiciliar for iniciada durante o dia. Se a OAB for cientificada e não indicá-lo. específico e pormenorizado. deve ser intimado um vizinho para acompanhar a diligência. justamente para que se permita defesa efetiva. Escritório de advocacia – É direito do advogado a inviolabilidade do escritório ou local de trabalho. a diligência não ficará frustrada. Os executores. expedindo mandado de busca e apreensão. Havendo recusa. naturalmente. caso estritamente necessário. sendo possível. se as pessoas presentes em casa não tiverem capacidade para consentir. 243 do CPP. poderá ser apreendido. do art. deve a este solicitar que se busque e entregue o necessário. Diligência em território diverso da autoridade . Ressalte-se que se o documento constituir corpo de delito. apresentar-se a autoridade 152 . A porta poderá ser arrombada. Repartição pública – se o juiz precisa autorizar uma busca em uma Vara ou ofício judicial. por duas testemunhas presenciais e eventualmente por um vizinho. inclusive telefônicas ou afins. crêem os autores que o mandado de busca deve ser expedido por órgão superior.A diligência poderá adentrar por território de outra comarca. O crime pode ser doloso ou culposo. A ausência de testemunhas presenciais é mera irregularidade. O §2º.

possibilitando assim.  Havendo fundadas suspeitas de o indivíduo portar arma. exigindo provas para que se esclareçam eventuais dúvidas. era um cativeiro de seqüestro? Entendem os autores que deve a autoridade tomar as providências necessárias para fazer cessar a infração. por exemplo. Não estará. em flagrante ou por ordem judicial. especulação. mas sabendo. mesmo sem o conhecimento da autoridade. II) Busca pessoal Se o automóvel não é apenas um meio de transporte. notadamente quando simbolizarem a existência de crime permanente. assim como a diligência não serve como meio de prova idôneo.local competente. que está sendo removida ou transportada em determinada direção. alguns barcos. sendo utilizado como residência. sem. ou da legalidade do mandado.O ingresso pela autoridade em domicílio alheio fora das formalidades e finalidades legais caracteriza crime de abuso de autoridade. contudo. justificando a medida. Se a autoridade local suspeitar da ilegitimidade da autoridade que conduz a diligência. plausível.  No transcurso de busca domiciliar. antes ou depois da diligência. como ocorre com o trailer. embora depois a percam de vista. com aquele que armazena substância entorpecente em casa. instaurando até mesmo inquérito policial para que se proceda à devida apuração. Deve-se então provocar o juiz. A exceção diz respeito aos elementos que autorizem a prisão em flagrante. Desvio de finalidade . captarem-se os mesmos. forem ao seu encalço. plantonista ou não. contudo. a seguirem sem interrupção. a parte traseira do interior da boléia do caminhão. Entende-se que a autoridade está em seguimento de pessoa ou coisa quando:  Tendo conhecimento direto de sua remoção ou transporte. descaracterizado o abuso de autoridade. Todo aquele que é preso. deve acercar-se das cautelas necessárias. Deve haver algum elemento sólido. por informações fidedignas ou circunstâncias indiciárias. É o que ocorre. com a ordem judicial expressa.  Ainda que não a tenham avistado. será revistado. frustrar a diligência. Obs. A busca pessoal dispensa a expedição de mandado:  Quando da realização de prisão. para que se obtenha uma ampliação do mandado. objetos ou papéis que componham o corpo de delito. #E se existirem drogas na residência ou esta. o tratamento é o mesmo dado à busca e apreensão domiciliar. 153 . IMPORTANTE!!! Descoberta de outros elementos de prova – O mandado de busca e apreensão deve ser interpretado de forma restrita. em razão dos novos elementos eventualmente descobertos. Fundada suspeita não pode ser mera conjectura.

anteriormente. 273. A busca em mulher. 154 . 352. A busca pessoal realizada em festas. é nulo o exame realizado por um só perito. Obs. Intimada a defesa da expedição da carta precatória. na diligência da apreensão. boates. para evitar constrangimento. Para efeitos penais. É relativa a nulidade do processo criminal por falta de intimação da expedição de precatória para inquirição de testemunhas. tem a opção de não se valer do serviço ofertado ou simplesmente não frequentar o estabelecimento. Estão afetas ao lado contratual. Não é nulo o processo penal por falta de nomeação de curador ao réu menor que teve a assistência de defensor dativo. quando importar retardamento ou prejuízo para a diligência. aeroportos. Compete à Justiça Federal processar e julgar crime de falso testemunho cometido no processo trabalhista. considerando-se impedido o que tiver funcionado. 165. o reconhecimento da menoridade do réu requer prova por documento hábil.  STF 155. será realizada por outra mulher. devendo atender à razoabilidade e respeitar a intimidade. 361. não têm tratamento pelo CPP. No processo penal. Aquele que não desejar se submeter à mesma. torna-se desnecessária intimação da data da audiência no juízo deprecado. salvo. SÚMULAS APLICÁVEIS  STJ 74.

poderá ser recusado por qualquer das partes: I . II . IV . esta sujeita a preclusão temporal. inclusive. como defensor ou advogado. sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes. pronunciando-se. 155 . IV . sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia. auxiliar da justiça ou perito. tendo. de fato ou de direito.se ele. SUJEITOS NO PROCESSO PENAL 1.tiver funcionado seu cônjuge ou parente.se for credor ou devedor. sobre a questão. e. III . se não o fizer. Já a suspeição.se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles.se ele. até o terceiro grau. tutor ou curador. ou afim. consangüíneo. seu cônjuge. O juiz estará impedido de atuar no processo que: Art. inclusive. III . ascendente ou descendente. Não é possível. inclusive. 2. O juiz dar-se-á por suspeito quando: Art.ele próprio ou seu cônjuge ou parente. acionista ou administrador de sociedade interessada no processo. O juiz dar-se-á por suspeito. 254.se tiver aconselhado qualquer das partes. for parte ou diretamente interessado no feito.tiver funcionado como juiz de outra instância. autoridade policial. O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que: I . ou parente. consangüíneo ou afim. como uma vedação de sustentação de teses desprovidas de plausibilidade. em linha reta ou colateral até o terceiro grau. para tanto. pois. abstrair os valores que cada membro do MP ou do Judiciário traz consigo como fruto de sua formação de vida. consangüíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau. órgão do Ministério Público. de qualquer das partes. 252.se for sócio.ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha. seu cônjuge. os poderes de requisitar força pública. estiver respondendo a processo por fato análogo.JUIZ É o juiz que caberá manter a ordem dos atos processuais. Vl . II . As causa de impedimento podem ser alegadas a qualquer tempo pelas partes.MINISTÉRIO PÚBLICO Atuação parcial ou imparcial – seria possível uma atuação imparcial? O que se quer efetivamente é que os órgãos públicos que atuam no processo ajam com honestidade: imparcialidade seria assim lida como honestidade. V .

esta o princípio da independência funcional. será sempre exercida através de manifestação fundamentada. aferida pela pertinência da imputação de determinado crime a alguém. A contagem de qualquer prazo do defensor público é feita em dobro. 3. No processo penal o defensor é uma garantia impostergável do acusado. bem como da existência de lastro probatório mínimo para fundamentar a acusação (justa causa). quando não existam elementos legais para tanto. na qualidade de advogado. para impor condenação. a menos que esteja se defendendo em causa própria. aferida com o fato de ser sujeito de direitos e obrigações. Art. não esta obrigado a oferecer denúncia ou a pedir a condenação do acusado. a missão do MP é promover a acusação de forma eficiente. A defesa técnica. por exemplo. mas órgão legitimado para a acusação nas ações penais. salvo nos casos de impedimento e suspeição) e da independência funcional (o membro do MP não fica. 261. o promotor não pode dela dispor). independente e desprovida de qualquer sentimento que não seja o de Justiça. não estando excluída a pessoa com deficiência mental.ACUSADO E DEFENSOR Obs. 156 . da irrecusabilidade (o promotor não pode ser recusado. quando realizada por defensor público ou dativo. o promotor não deixa de ser um fiscal da lei. apenas lhe sendo lícito promover denúncia se estiver convencido da criminalidade. tem o dever de atuar no processo em benefício do réu. assim como. ainda que ausente ou foragido. Ao lado dessa ilação. no processo. sujeito a ordem de ninguém). obtendo prova da inocência do acusado ou discordando da pena imposta pelo juiz. sendo decorrência o fato de que a sua confissão não seja suficiente. O acusado não pode dispor do seu direito de defesa. Para que alguém seja sujeito passivo da relação processual. por si só.  Capacidade processual ou capacidade para estar em juízo em nome próprio (legitimatio ad processum). O MP no âmbito da ação penal condenatória. O MP não é órgão de acusação. condicionada ou não. Mesmo que não queira defensor. A atuação do MP é regida pelos princípios da indisponibilidade (como titular da ação penal pública. No campo penal. porquanto mesmo acusando crimes. A noção de imparcialidade do Ministério Público é assim atrelada ao seu interesse pela busca da verdade e pela realização da Justiça. Parágrafo único. buscando a correta aplicação da lei. que no processo penal advém com a idade de 18 anos. será processado ou julgado sem defensor. ao réu será nomeado um. Nenhum acusado. é preciso o preenchimento de alguns requisitos:  Capacidade para ser parte. embora necessite de curador.  Legitimidade passiva ad causam.

Outra. § 1o A audiência poderá ser adiada se. para que tome as devidas providencias. Não o fazendo. o que repugna a consciência social e moral (Lenio Luiz Streck). Para tanto. competente e eficiente na representação social que lhe incumbe. Cabe-lhe desse modo. como no interrogatório. sem prejuízo das demais sanções cabíveis. não sendo outro constituído pelo réu. o que ocorrerá somente uma vez. com prazo de dez dias para que o defensor tome conhecimento do processo. § 2o Incumbe ao defensor provar o impedimento até a abertura da audiência. que pode se desenvolver ao seu lado no processo. por motivo justificado. O defensor não poderá abandonar o processo senão por motivo imperioso. vê que o interesse do assistente não deve ser aferido só pela finalidade indenizatória. sob pena de multa de 10 (dez) a 100 (cem) salários mínimos. Parte da doutrina entende que seu interesse de participação no processo é legitimado pela necessidade que o ofendido tem de obtenção de reparação em eventual ação civil ex delicto. No que concerne a execução penal. sendo que. (2) o processo transforma-se em instrumento de vingança particular. Limitando o interesse do assistente ao de reparação de danos em ação ulterior. 4. de forma individual e coletiva. devendo ser exercido ainda contra a vontade do acusado ou na sua ausência. mas também pelo fato de que o ofendido tem direito de ver aplicada adequadamente a pena. Essa autodefesa do acusado. para a defesa dos necessitados em todos os graus e instâncias. o defensor não puder comparecer. 265. IMPORTANTE!!! Art. No júri. especialmente como órgão acusador. para o fim de majorar a 157 . que é facultativa¸ consiste na participação do réu em quase todos os atos do processo. no processo executivo e nos incidentes da execução. devendo nomear defensor substituto. interessando esclarecer que a defesa técnica obrigatória é complementada pela autodefesa. inclusive com a possibilidade de apresentar alegações. o juiz não determinará o adiamento de ato algum do processo. a falta injustificada do advogado implica adiamento da sessão. Digna de registro também é a posição minoritária de parcela da doutrina e da jurisprudência que reputa a figura do assistente do MP incompatível com a CF sustentando: (1) que o MP nacional é. que será marcado para o primeiro dia útil desimpedido. comunicado previamente o juiz. a DP tem a atribuição de velar pela regular execução da pena e da medida de segurança. não teria ele interesse de recorrer de sentença condenatória. oficiar.ASSISTENTE DO MINISTÉRIO PÚBLICO Não são todos os crimes que admitem assistente do Ministério Público. um ofendido. o fato será comunicado ao presidente da seccional da OAB. A representação no processo penal tem um caráter especial já que o direito de defesa é indisponível. indiscutivelmente. respaldada em tendência jurisprudencial. o crime deve ter um sujeito passivo determinado. ainda que provisoriamente ou só para o efeito do ato. A DP também será intimada para o novo julgamento.

 Formular reperguntas às testemunhas. O assistente poderá requerer o desaforamento. para o fim de ver a aplicação de uma pena que. Daí a tendência em ver que o assistente pode interpor recurso inclusive contra a sentença condenatória. não estando habilitado. se da sentença não for interposta apelação pelo Ministério Público no prazo legal. O prazo para interposição desse recurso será de quinze dias e correrá do dia em que terminar o do Ministério Público. na falta. IMPORTANTE!!! É de ver que. 270) Sobre o pedido de habilitação do assistente nos autos. 430 do CPP. 598. devendo necessariamente ser intimado. sem embargo do dever de “constar dos autos o pedido e a decisão”. O co-réu no mesmo processo não poderá intervir como assistente do Ministério Público. 31. ou. O assistente será admitido enquanto não passar em julgado a sentença e receberá a causa no estado em que se achar (Art. o ofendido ou qualquer das pessoas enumeradas no art. 31 (Art. o ofendido ou seu representante legal. a CF não teria assegurado o exercício de ação penal privada subsidiária da pública como garantia fundamental (que é o plus). leia-se. porém. através do assistente – que é o menos –. 269). IMPORTANTE!!! Nos termos do art. o prazo para apelação é aquele previsto no parágrafo único do art.  Aditar articulados. Obs. Parágrafo único. efeito suspensivo. estando o assistente habilitado. por ter sido aplicada em limite aquém do razoável. cinco dias. como assistente do Ministério Público. para se tornar habilitado no procedimento do júri. Não obstante não caiba recurso dessa decisão. sob a alegação de equívoco na sua individualização. Sustentar que à vítima não interessa a aplicação de pena é posição tendente à mecanização do direito. Art. não é despropositado vislumbrar a possibilidade de mandado de segurança contra a decisão sobre o pedido de assistência. NÃO cabendo recurso contra a decisão que o admitir ou não. É permitido ao assistente:  Propor meios de prova. sendo tal dispositivo importante justamente porque a sentença da segunda fase do júri é proferida ao final da sessão plenária. 158 . poderá intervir.pena. 268). o assistente somente será admitido se tiver requerido em até 5 dias da data da sessão na qual pretenda atuar. não havendo intimação. ou do juiz singular. Nos crimes de competência do Tribunal do Júri. redundaria na prescrição da pena em concreto. 598 (15 dias). Se a ela não coubesse pelo menos auxiliar o MP. (Art. que não terá. qualquer das pessoas mencionadas no Art. será ouvido o MP. desde que presentes os seus requisitos legais e constitucionais. a partir de quando se inicia o prazo recursal. Em todos os termos da ação pública. vê-se que subsistiria o interesse de recorrer visando um agravamento na dosimetria da pena. o prazo para recurso de apelação é o mesmo assegurado ao MP. Já no caso contrário. ainda que não se tenha habilitado como assistente. poderá interpor apelação.

de decisão concessiva de habeas corpus. leva-nos à conclusão de que o mesmo figura como verdadeiro assistente de defesa. 159 . nos casos dos arts. inclusive extraordinariamente. O assistente do MP NÃO pode recorrer. tendo repercussão direta na situação jurídica do infrator. SÚMULAS APLICÁVEIS  STF 208.  Recurso extraordinário (não o pode na hipótese de decisão concessiva de HC). e 598 do CPP. 5.  Apelação da sentença absolutória.  Participar do debate oral. inclusive contra as sentenças de impronúncia e contra a sentença de absolvição sumária.  Carta testemunhável. O assistente do MP pode recorrer.  Arrazoar os recursos interpostos pelo MP ou por ele próprio e contra-arrazoar os interpostos pela defesa. extraordinariamente. na ação penal.  Interpor RSE da sentença que decretar a extinção da punibilidade e da decisão que denegar ou julgar deserta a apelação interposta por ele próprio. 584. 210.ASSISTENTE DE DEFESA A efetiva atuação do responsável civil. conduzindo a composição para a satisfação dos interesses patrimoniais da vítima. §1º.  Embargos de declaração.

de 2011). outras medidas cautelares (art. só podendo dela ausentar-se com autorização judicial.403. no prazo e nas condições fixadas pelo juiz. A prisão processual passou a ser apenas uma das espécies do gênero medidas cautelares. com a finalidade de resguardar determinado resultado útil e futuro.maior de 80 (oitenta) anos. pois. PRISÕES 1. 317 e 318 do CPP).403.comparecimento periódico em juízo. por circunstâncias relacionadas ao fato. o título IX do livro I do CPP passou a se chamar “Da Prisão. aplicada apenas no caso de trânsito em julgado de sentença condenatória e regulada. Das Medidas Cautelares E Da Liberdade Provisória”. (Incluído pela Lei nº 12. A segunda é a prisão provisória ou cautelar ou processual (prisão sem pena). I .proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando. (Redação dada pela Lei nº 12. IV . que é decretada antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. A prisão domiciliar consiste no recolhimento do indiciado ou acusado em sua residência. Há duas espécies de prisão. IMPORTANTE!!! Foi criada uma nova modalidade de prisão processual.extremamente debilitado por motivo de doença grave. sendo regulada pelo CPP. A primeira delas é a prisão penal (prisão pena).403.403. Parágrafo único. (Incluído pela Lei nº 12. O CPP passou a disciplinar também. 319. de 2011). de 2011).403. é o encarceramento. de 2011). (Incluído pela Lei nº 12. I .imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência. (Incluído pela Lei nº 12. de 2011). Art.NOÇÕES GERAIS SOBRE PRISÃO E MEDIDAS CAUTELARES A prisão é o cerceamento da liberdade de locomoção. a chamada prisão domiciliar (arts. pelo CP.403. de 2011). tidas como quaisquer medidas decretadas judicialmente de forma antecipada. Após a reforma de 2011. o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste artigo. pena privativa de liberdade. de 2011). Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: (Redação dada pela Lei nº 12. deva o indiciado ou acusado 160 . (Redação dada pela Lei nº 12. de 2011). de 2011). 318. São MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO: (Redação dada pela Lei nº 12.gestante a partir do 7o (sétimo) mês de gravidez ou sendo esta de alto risco. desde que presentes os requisitos do fumus boni iuris e do periculum in mora. Art. 319 do CPP). III .403.403. II . 317.403. II . Art. Para a substituição. que consiste em uma sanção penal. (Incluído pela Lei nº 12. para informar e justificar atividades.

de 2011). de seu assistente ou do querelante. 282 do CPP traz os requisitos para a concessão de medida cautelar. § 1o As medidas cautelares poderão ser aplicadas ISOLADA OU CUMULATIVAMENTE. de 2011). 282. (Incluído pela Lei nº 12. As medidas cautelares previstas neste Título deverão ser aplicadas observando-se a: (Redação dada pela Lei nº 12. por representação da autoridade policial ou mediante requerimento do Ministério Público. permanecendo os autos em juízo. de 2011). determinará a intimação da parte contrária. acompanhada de cópia do requerimento e das peças necessárias. (Incluído pela Lei nº 12.recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos. (Incluído pela Lei nº 12. de 2011). impor outra em cumulação. III .403. § 4o No caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas. poderá substituir a medida. podendo ser cumulada com outras medidas cautelares. (Incluído pela Lei nº 12. deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante. VI . o juiz. (Incluído pela Lei nº 12. de ofício ou a requerimento das partes ou. para a investigação ou a instrução criminal e. 161 .fiança.monitoração eletrônica. VIII .proibição de manter contato com pessoa determinada quando. (Incluído pela Lei nº 12.proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução. por circunstâncias relacionadas ao fato. de 2011). nos casos expressamente previstos. de 2011). evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial. para assegurar o comparecimento a atos do processo.403. o juiz. de 2011). de ofício ou mediante requerimento do Ministério Público.403.403. de 2011). de 2011). (Incluído pela Lei nº 12. de 2011). V . de 2011). (Incluído pela Lei nº 12. de 2011).403. VII . (Incluído pela Lei nº 12. (Incluído pela Lei nº 12.403.internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça. § 3o (Revogado pela Lei nº 12. (Redação dada pela Lei nº 12.403. quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. § 2o (Revogado pela Lei nº 12. IX .403.403.suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais. § 1o (Revogado pela Lei nº 12. I .403. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração. II .403. § 2o As medidas cautelares serão decretadas pelo juiz.403. Art.403.403. EM ÚLTIMO CASO. (Incluído pela Lei nº 12. § 3o Ressalvados os casos de urgência ou de perigo de ineficácia da medida. para evitar a prática de infrações penais. IV .403. (Redação dada pela Lei nº 12.403. de 2011).403. § 4o A fiança será aplicada de acordo com as disposições do Capítulo VI deste Título. (Incluído pela Lei nº 12. nas infrações que a admitem. de 2011).403. circunstâncias do fato e condições pessoais do indiciado ou acusado. O art.adequação da medida à gravidade do crime. ao receber o pedido de medida cautelar. de 2011). quando no curso da investigação criminal. permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações. de 2011).necessidade para aplicação da lei penal. ou. de 2011). de 2011).

§ 4o)” As medidas cautelares podem ser decretadas pelo juiz. Dispõe o § 3o do art. O § 6o do art. § 6o A prisão preventiva será determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida cautelar (art. 319). de 2011). IMPORTANTE!!! Por fim. (Incluído pela Lei nº 12. dispõe o § 1o do art. por representação da autoridade policial ou mediante requerimento do MP. de 2011). estando. decretar a prisão preventiva (art. permanecendo os autos em juízo. bem como voltar a decretá-la. não na fase da ação penal. 283 do CPP: 162 .403. (principio do contraditório e ampla defesa) De acordo com o § 5o.403. As medidas cautelares (gênero) poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente. de ofício ou a requerimento das partes (MP. submetidas a cláusula rebus sic stantibus: a que decreta é valida enquanto há necessidade desta medida. 282 do CPP: § 3o Ressalvados os casos de urgência ou de perigo de ineficácia da medida. O juiz é a única autoridade com competência para decretar medidas desta natureza (cláusula de reserva de jurisdição). parágrafo único). poderá substituir a medida. Já o § 4o determina que “No caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas. de seu assistente ou do querelante. Obs. pois. Lembrar!!! A autoridade policial somente possui legitimidade para representar pela aplicação da medida cautelar na fase de investigação criminal. (Incluído pela Lei nº 12. impor outra em cumulação.403. 312. em último caso. de ofício ou mediante requerimento do Ministério Público. 282. a que revoga persiste enquanto não houver mais esta necessidade. ou. (Incluído pela Lei nº 12. IMPORTANTE!!! A prisão é medida extrema. de 2011). § 5o O juiz poderá revogar a medida cautelar ou substituí-la quando verificar a falta de motivo para que subsista. acompanhada de cópia do requerimento e das peças necessárias. determinará a intimação da parte contrária. 282 diz que “a prisão preventiva será determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida cautelar”. Obs. 312 parágrafo único que “a prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares (art. ao afirmar no art. quando no curso da investigação criminal. decretar a prisão preventiva” IMPORTANTE!!! A reforma de 2011 acabou criando uma nova hipótese de cabimento de prisão preventiva. ao receber o pedido de medida cautelar. o juiz. as decisões de decreto e de revogação da medida cautelar são sempre provisórias. Obs. O indiciado ou réu da ação penal pode requerer o arbitramento de fiança. querelante e assistente da acusação) ou. o juiz. se sobrevierem razões que a justifiquem.

 O descumprimento da medida cautelar pode gerar a sua substituição por outra medida. aplicando-se a medida cabível e proporcional ao indiciado ou réu. submetem-se a dois elementos essenciais: necessariedade e adequabilidade.  A prisão preventiva passa a ter o caráter subsidiário.  As medidas cautelares. o interessado apresente os argumentos defensivos que tiver.  Facilita-se a transmissão da ordem de prisão. entrando em confronto com o princípio constitucional da presunção de inocência. desde que certificada a origem autentica da medida. b) querelante (ação privada). podem ser decretadas pelo juiz. O juiz NÃO pode decreta-las de oficio. Os requisitos da adequabilidade são cumulativos: devem ser analisados os três em conjunto. ainda que não haja prova inconteste da materialidade e indício suficiente de autoria. dando margem ao seu cumprimento por qualquer autoridade policial. a decretação da preventiva. pressupõe um mínimo de provas colhidas.  A decretação de medidas cautelares. Nada impede que.  Em casos de urgência ou perigo na demora.1 RESUMO DO NUCCI SOBRE O CAPÍTULO APÓS REFORMA  As novas medidas cautelares. buscando a sua revogação. § 1o As medidas cautelares previstas neste Título NÃO SE APLICAM à infração a que não for isolada.  São três os requisitos da necessariedade: a) assegurar a aplicação da lei penal. Pode o juiz decretá-las de ofício. pois são afetados direitos individuais.  Cabe a decretação de medidas cautelares ISOLADAS OU CUMULATIVAS. diversas da prisão. a cumulação com outra restrição ou. 1. b) autoridade policial (por representação). c) assistente de acusação (ação pública).  Cria-se um banco de dados nacional. b) circunstâncias do fato.  Podem pleitear as medidas cautelares. este deve ser intimado a se manifestar em relação ao pedido formulado pela parte. durante o processo: a) MP. em plena harmonia com o Direito penal da intervenção mínima. EM ÚLTIMO CASO. contendo o registro de todos os mandados de prisão expedidos. Podem requerer as medidas cautelares. esteja onde estiver o procurado. b) conveniência da investigação ou instrução criminal e c) evitar a prática de infrações penais. 163 . alternativas à prisão. pode-se decretar a medida cautelar sem prévia oitiva do indiciado ou réu.  A adequabilidade das medidas cautelares equivale a individualização da pena.  São três os requisitos da adequabilidade: a) gravidade do crime. administrado pelo CNJ. cumulativa ou alternativamente cominada pena privativa de liberdade. após a decretação. c) condições pessoais do indiciado ou acusado. alternativas à prisão. no caso concreto.  Os requisitos da necessariedade são alternativos: é suficiente a presença de apenas um dos três. valendo como ultima ratio. Do contrário. permitindo-se a utilização de qualquer meio de comunicação. durante a investigação criminal: a) MP.

converter a prisão em flagrante em preventiva.  As pessoas presas provisoriamente ficarão sempre separadas das que estiverem definitivamente condenadas. sob pena de cometimento de crime de abuso de autoridade. de 2011). no prazo máximo de 30 dias. § 3o A prisão será imediatamente comunicada ao juiz do local de cumprimento da medida o qual providenciará a certidão extraída 164 . O juiz competente providenciará o imediato registro do mandado de prisão em banco de dados mantido pelo Conselho Nacional de Justiça para essa finalidade.O JUDICIÁRIO COMO FISCAL DA LEGALIDADE DA PRISÃO Toda prisão processual deve ser fielmente fiscalizada pelo juiz quanto a sua legalidade. de 2011). III . mediante termo de comparecimento a todos os atos processuais. Art. de 2011). (Incluído pela Lei nº 12. fundamentadamente. em seguida. exige-se que toda prisão seja devidamente comunicada ao magistrado. A reforma de 2011 criou um verdadeiro cadastro nacional de mandados de prisão. Por conta disso. § 2o Qualquer agente policial poderá efetuar a prisão decretada. de 2011). que o agente praticou o fato nas condições constantes dos incisos I a III do caput do art. para que este possa analisar a legalidade da mesma. ou (Incluído pela Lei nº 12. 310 do CPP.403.conceder liberdade provisória. Se o juiz verificar.403. (Incluído pela Lei nº 12. pelo auto de prisão em flagrante. o juiz deverá FUNDAMENTADAMENTE: (Redação dada pela Lei nº 12. 289-A. ainda que sem registro no Conselho Nacional de Justiça. o registro do mandado na forma do caput deste artigo. ou (Incluído pela Lei nº 12. devendo este providenciar. De outro lado. de 2011).Código Penal.  Fixa-se como responsabilidade do juiz processante a remoção do preso em comarca distinta da sua.403. conceder ao acusado liberdade provisória. 310. § 1o Qualquer agente policial poderá efetuar a prisão determinada no mandado de prisão registrado no Conselho Nacional de Justiça. 2. (Incluído pela Lei nº 12. Em constatando que a prisão é legal. IMPORTANTE!!! De acordo com o art. Art.relaxar a prisão ilegal.848. (Incluído pela Lei nº 12. e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão. a homologação de uma prisão em flagrante precisa ser fundamentada. com ou sem fiança. de 2011). I . sob pena de revogação.403. Ao receber o auto de prisão em flagrante. 23 do Decreto-Lei no 2. quando presentes os requisitos constantes do art. II .403.403. adotando as precauções necessárias para averiguar a autenticidade do mandado e comunicando ao juiz que a decretou. Parágrafo único. poderá. 312 deste Código. deverá o magistrado relaxa-la. se percebe que a prisão é ilegal. de 2011). ainda que fora da competência territorial do juiz que o expediu. deverá o juiz homologa-la.403. de 7 de dezembro de 1940 .

IMPORTANTE!!! Não caracteriza infração penal a negativa do morador em permitir o ingresso da autoridade no período noturno. que o réu entrou ou se encontra em alguma casa. definidos em lei.a casa é asilo inviolável do indivíduo. se preciso.1 MANDADO DE PRISÃO É a ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária.2 RESTRIÇÃO DE HORÁRIO E INVIOLABILIDADE DOMICILIAR A prisão poderá ser realizada durante o dia (período entre as 6 e as 18 horas) ou noite. por determinação judicial. o executor. ou para prestar socorro. 3. 5o da Constituição Federal e. o morador que se recusar a entregar o réu oculto em sua casa será levado à presença da autoridade. 165 . ou por qualquer outra infração realizada para impedir a concretização da diligência ou para facilitar a fuga. depois da intimação ao morador. ou. caso a prisão já tenha sido efetivada. ressalvadas as exceções constitucionais em que a mesma poderá adentrar independente do consentimento. caso o autuado não informe o nome de seu advogado. (Incluído pela Lei nº 12. respeitando-se apenas as restrições relativas à inviolabilidade domiciliar. Não havendo lastro legal para a negativa. à vista da ordem de prisão.FORMALIDADES E EXECUÇÃO 3. Será assinado pela autoridade. de 2011). o morador será intimado a entregá-lo. sendo dia. 5ª XI . O morador estará no exercício regular do direito. § 6o O Conselho Nacional de Justiça regulamentará o registro do mandado de prisão a que se refere o caput deste artigo. nos termos do inciso LXIII do art. sendo noite. CF Art. Poderá inclusive ser preso em flagrante. aplica-se o disposto no § 2o do art. § 5o Havendo dúvidas das autoridades locais sobre a legitimidade da pessoa do executor ou sobre a identidade do preso. Se não for obedecido imediatamente. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. seja pelo favorecimento pessoal. arrombando as portas. para que se proceda contra ele como for de direito. § 4o O preso será informado de seus direitos. Art. Obs. entrará à força na casa. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. que obrigatoriamente deve ser a competente. com segurança. Não é preciso mandado de prisão em caso de flagrante. (Incluído pela Lei nº 12. impedindo a caracterização do crime de favorecimento pessoal.403. 290 deste Código. sob pena de ilegalidade manifesta da prisão. de 2011). (Incluído pela Lei nº 12. o executor convocará duas testemunhas e. durante o dia. se não for atendido. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. do registro do Conselho Nacional de Justiça e informará ao juízo que a decretou. 293.403.403. Se o executor do mandado verificar. será comunicado à Defensoria Pública. de 2011). 3.

para que se proceda contra ele como for de direito. em tal ou qual direção. passar ao território de outro município ou comarca. que. ela se refere ao flagrante próprio. há pouco tempo. poderão pôr em custódia o réu. observar-se-á o disposto no artigo anterior. quando: a) tendo-o avistado. for perseguindo-o sem interrupção. havendo dolo. embora depois o tenha perdido de vista. se for o caso. impreciso. só é possível o ingresso no domicílio alheio se o proprietário autorizar. 294. § 2o Quando as autoridades locais tiverem fundadas razões para duvidar da legitimidade da pessoa do executor ou da legalidade do mandado que apresentar. O mandado de prisão acabaria se transformando em algo vago. como meio para que seja ele cumprido”. Parágrafo único. 3. sendo um cheque em branco autorizando o ingresso em qualquer domicílio. OU em caso de flagrante delito. incorrerá. 166 . apresentando-o imediatamente à autoridade local. No caso de prisão em flagrante. Entendem os autores que o mandado de prisão deve se fazer acompanhar por autorização judicial para o ingresso domiciliar. 290. seja para que se efetue a transferência ao lugar de origem da expedição do mandado. tornando a casa incomunicável. depois de lavrado. O morador que se recusar a entregar o réu oculto em sua casa será levado à presença da autoridade.Entender-se-á que o executor vai em perseguição do réu. que o réu tenha passado. Havendo perseguição. § 1o . até que fique esclarecida a dúvida. o executor poderá efetuar-lhe a prisão no lugar onde o alcançar. realizando a diligência sem estribo nas formalidades legais. no que for aplicável. pelo lugar em que o procure.3 PRISÃO EM PERSEGUIÇÃO Dispõe o art. fará guardar todas as saídas. Para o ingresso em residência alheia durante a noite exige-se certeza da situação de flagrante. seja para a lavratura do auto de flagrante. Em sentido contrário. por indícios ou informações fidedignas. entendendo que por “força do próprio dispositivo. desastre ou para prestar socorro. Não bastaria a mera ordem prisional para que o domicílio pudesse ser invadido. o auto de flagrante. Se o réu. Quando a CF menciona “flagrante delito”. b) sabendo. arrombará as portas e efetuará a prisão. no crime de abuso de autoridade. nada impede que a mesma se estenda a outro Município ou Estado. Consagrada a prisão. logo que amanheça. e. providenciará para a remoção do preso. IMPORTANTE!!! No período noturno. Já quanto ao executor. for no seu encalço. realizando-se a prisão em comarca diversa da originária. 290 do CPP: Art. Art. o mandado de prisão pressupõe a autorização judicial para a entrada na casa. Mirabete. na suposição de que o infrator lá esteja homiziado. o preso será apresentado a autoridade local. durante o dia. sendo perseguido.

O status de preso especial confere ao detento (PRIMEIRO EFEITO da prisão especial) o recolhimento em local distinto da prisão comum. pois. Mesmo após o transito em julgado da sentença. dele ou de terceiro. e não havendo estabelecimento específico para o preso especial. por deliberação do magistrado. deve a polícia esperar o dia raiar para entrar.4 PRISÃO ESPECIAL É destinada as pessoas mencionadas nos arts. em sendo dia. e diante da situação de flagrância. ficará em dependência separada. por autorização constitucional. Durante a noite. ao tempo do fato. 295 e 296 do CPP. Só após. a princípio. o ingresso domiciliar ocorreria para concretizar o flagrante. Súmula 717 do STF: não impede a progressão de regime a execução de pena. Já se a perseguição iniciou-se para cumprir mandado prisional. os autos e o preso serão remetidos à comarca originária. Se em razão da perseguição. por não ter havido a interrupção da perseguição. a autoridade do lugar da prisão procederá à lavratura do auto. para aferição da legalidade do ato. sendo dia ou noite. 3. De resto. Assim. o agente vier a adentrar numa casa. magistrados e membros do MP. Não havendo estabelecimento adequado para a efetivação da prisão especial. 300 do CPP: 167 . o mandado deve conter especificamente a autorização para o ingresso domiciliar. tendo assim pleno cabimento. Obs. mas sim de recolhimento em cela distinta do mesmo estabelecimento. o preso poderá ser colocado em prisão provisória domiciliar. remetendo o mesmo ao juiz local. O SEGUNDO EFEITO da prisão especial consiste no fato de que o preso especial não será transportado conjuntamente com o preso comum. os demais direitos e deveres do preso especial serão os mesmos do preso comum. Dispõe o art. o mesmo ficará em cela separada dentro do estabelecimento penal comum. IMPORTANTE!!! O preso que. o fato de o réu se encontrar em prisão especial. a separação perdurará. era funcionário da Administração da Justiça Criminal. ouvindo-se o MP. adentrando o perseguido numa residência. sempre com a necessidade de mandado específico com esta finalidade. Em sendo caso de flagrante. a qual é aplicada apenas as prisões processuais (até o trânsito em julgado da sentença condenatória). fixada em sentença não transitada em julgado. não havendo cela especial no estabelecimento. não é caso de colocação imediata do preso em regime de prisão domiciliar. o executor poderá adentrar na residência.

Só é lícito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia¸ por parte do preso ou de terceiros. Art. o ato processual praticado com o uso arbitrário das algemas será reputado nulo. sob pena de responsabilidade civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou de ato processual a que se refere. já que elas nitidamente impressionam os jurados. o uso de algemas no Júri não constitui constrangimento quando necessárias à ordem dos trabalhos e à segurança dos presentes.5 EMPREGO DE FORÇA E USO DE ALGEMAS Ganha relevo a discussão quanto ao uso de algemas durante o julgamento perante o Tribunal do Júri. As pessoas presas provisoriamente ficarão separadas das que já estiverem definitivamente condenadas. o prejuízo ao réu não tem como ser mensurado. fazer constar no mandado de prisão a necessidade do uso de algemas. STF Súmula vinculante 11 . contemplando a responsabilidade disciplinar civil e criminal. Como julgam de acordo com a íntima convicção. neste caso. de 2011). Não se deve interpretar a disposição sumular como obstáculo à efetividade do ato. após a lavratura dos procedimentos legais. As algemas afrontam nitidamente a dignidade do réu e a presunção de inocência. caracterizada tanto pela ausência de justificação como pela fundamentação inconsistente. já que são o símbolo visível da condenação. 3. (Redação dada pela Lei nº 12. Por sua vez. necessidade de indenizar em face dos danos materiais e morais eventualmente ocasionados. caberá ao condutor justificar o emprego das algemas. podendo implicar até em nulidade do julgamento em plenário do Júri. justificada a excepcionalidade por escrito. nos termos da lei de execução penal. mesmo que de forma inconsciente. Segundo o STF e o STJ. de 2011). Nada impede que delegue à autoridade policial executora da medida tal análise. sendo. que é de todo pertinente. como ida ao fórum. A necessidade de justificação passa a ser da essência do ato. cabendo ao próprio magistrado.403. será recolhido a quartel da instituição a que pertencer. Parágrafo único. Na ausência de manifestação judicial. principalmente com a execração pública na exposição do algemado à imprensa ou expediente degradante similar. que podem ser influenciados diretamente. no que tange aos atos processuais. sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. além da ilegalidade da prisão efetivada. Não se deve desconsiderar a responsabilidade do Estado pelo ato do servidor incauto. seja por caracterizar abuso de autoridade. O militar preso em flagrante delito. a súmula traz conseqüências do descumprimento das formalidades da medida. mesmo antes do advento da sentença. (Incluído pela Lei nº 12. sem prejuízo do respectivo procedimento administrativo perante a corregedoria da instituição. Entendem os autores que a sanção de nulidade. 300. quando já identificada a periculosidade do indivíduo. Ademais. ou nas hipóteses de flagrante ou de mero deslocamento de presos nos atos de rotina. nem como pedra de toque para uma interminável discussão acerca da presença ou não dos fundamentos da medida. de natureza objetiva. terá cabimento quando haja 168 . onde ficará preso à disposição das autoridades competentes.403.

tendo caráter eminentemente neutralizador. aguardando-se a definição do juiz competente quanto a inserção ou não no RDD. dependerá de despacho do juiz competente. no interesse da disciplina e da averiguação do fato. deliberação judicial no prazo máximo de 15 dias. ou seja. que acabam. desde que motivadamente. Secretário de Segurança Pública). 169 . sem contar crianças. O instituto foi inserido na subseção “faltas disciplinares” da LEP. Tem cabimento. por deliberação do administrador prisional. como na realização de audiências. tirando suas impressões da cena.6 REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO (RDD) O RDD foi inserido pela lei 10. tanto aos presos provisórios como definitivos. quadrilha ou bando.  Saída da cela por duas horas diárias para banho de sol. Permitir que a inserção no RDD se dê pela prática de crime doloso. que nova prisão cautelar seja decretada. no júri ou não. a qualquer título. MP. De outro lado. O RDD perdurará pelo período de 360 dias. É o que impropriamente se tem chamado de RDD cautelar. sendo que a inclusão do preso no RDD. na realização da prisão cautelar. respeitado o limite de um sexto da pena aplicada. sem prejuízo de repetição da sanção em havendo nova falta grave da mesma espécie. de algum modo. em organizações criminosas. como também ao próprio magistrado. testemunhas. 3. Não tem cabimento ex officio. com prévia manifestação do MP e da defesa. A colocação no RDD pressupõe requerimento circunstanciado (fundamentado) elaborado pelo diretor do estabelecimento ou outra autoridade administrativa (autoridade policial.  Visitas semanais de duas pessoas.792/03. materializando falta grave. em que a má impressão ocasionada potencializa o prejuízo não só em relação aos jurados. dando tratamento carcerário mais áspero a determinado indivíduos estereotipados com o rótulo de perigosos. o isolamento prévio. A colocação no RDD implica nas seguintes conseqüências:  Recolhimento em cela individual. com o uso desnecessário das algemas. sendo verdadeira sanção disciplinar. sem o julgamento definitivo da infração fere de morte a presunção da inocência. vítima. havendo elementos que justifiquem a medida. com duração de duas horas.  Presos que apresentem alto risco para a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade. nas seguintes hipóteses:  Prática de crime doloso constituindo falta grave e ocasionando subversão da ordem ou da disciplina interna do estabelecimento.  Recaindo fundadas suspeitas de envolvimento ou participação. não impedirá. Admite-se ainda que a autoridade administrativa decrete o isolamento preventivo do preso faltoso pelo prazo de até 10 dias. implicando no relaxamento prisional.prejuízo ao imputado. a ilegalidade do procedimento na utilização do uso de algemas.

simbolizando falta grave. do qual deverá constar o motivo da prisão. Se eventualmente o envolvimento nestas organizações era pretérito. § 3o O juiz processante deverá providenciar a remoção do preso no prazo máximo de 30 (trinta) dias. de 2011). Quando o acusado estiver no território nacional. quadrilha ou bando também merece reparos. Já a inserção no RDD pelas fundadas suspeitas de participação em organização criminosa. fora da jurisdição do juiz processante. e não do fato. bem como o valor da fiança se arbitrada. 170 . e sim certeza deste envolvimento. onde nada é permitido. E o que seria este alto risco? A sanção seria motivada por aquilo que o preso representa. de 2011). Afinal. a temporária NÃO PODE SER DECRETADA DE OFÍCIO PELO JUIZ. contados da efetivação da medida.403. pressupondo provocação. de 2011). e não mais teríamos fundadas suspeitas. O RDD peca por imprimir ao infrator uma sanção estática. será deprecada a sua prisão. 4. § 1o Havendo urgência.403. em verdadeiro direito penal do autor. Por sua vez. 4. deve estar caracterizado na sentença condenatória. etc.1 CONCEITO É a prisão de natureza cautelar. permitir o RDD em razão de o detento representar alto risco para a segurança do estabelecimento ou da sociedade é imputar o ônus da falência do sistema prisional exclusivamente ao preso.2 DECRETAÇÃO Ao contrário do que acontece com a prisão preventiva. e não pelo que realmente ele fez. quadrilha ou bando. seja ou não com envolvimento em organização criminosa. CABÍVEL EXCLUSIVAMENTE NA FASE DE INQUÉRITO POLICIAL. a caracterização de novas infrações. devendo constar da precatória o inteiro teor do mandado. (Incluído pela Lei nº 12. objetivando o encarceramento em razão das infrações seletamente indicadas na legislação. de 2011). 289. leitura. ressaltado pela LEP foi esquecido. prevê o art. (Redação dada pela Lei nº 12. com prazo preestabelecido de duração. 289 do CPP: Art. já foi tratada acima. (Incluído pela Lei nº 12.403. percebem os autores que o ideal ressocializador. § 2o A autoridade a quem se fizer a requisição tomará as precauções necessárias para averiguar a autenticidade da comunicação. Já quanto às conseqüências da submissão ao RDD. 3. trabalho. esportes. (Incluído pela Lei nº 12.7 PRISÃO EM TERRITÓRIO DIVERSO DA ATUAÇÃO JUDICIAL De acordo com a reforma de 2011.PRISÃO TEMPORÁRIA 4. o juiz poderá requisitar a prisão por qualquer meio de comunicação (não mais por telegrama). jogos.403.

4. a saída. 159. 148. h) rapto violento (art. 223 caput. caput. 158. caput. 157. sendo a temporária ínsita à fase do inquérito. pois estes elementos é que podem denotar a necessidade da prisão. caput. no interior do país. Segundo Nucci. e sua combinação com o art. e seus §§ 1°. e seus §§ 1° e 2°). como na hipótese de o delegado perceber que prendeu a pessoa errada ou não sendo mais necessária a custodia cautelar.IMPORTANTE!!! A lei não contemplou a vítima como legitimada a requerer a temporária. 213. caput. 171 . A lei também não tratou do assistente de acusação. f) estupro (art. e parágrafo único). o que é comum. e sua combinação com o art. § 1°). se em liberdade. pois a sua liberdade é um risco ao sucesso das diligências.  Imprescindibilidade para as investigações do inquérito policial (inciso I) Não é mera conveniência. i) epidemia com resultado de morte (art. é possível a colocação do investigado em liberdade pela própria autoridade policial. Quanto à ausência de elementos para a identificação civil.  Indiciado não tem residência fixa ou não fornece elementos para sua identificação (inciso II) A justificação da prisão temporária neste caso só é possível se houver um risco efetivo do indivíduo fugir. 2° e 3°). caberá ao delegado representar pela medida na fase do inquérito por crime de iniciativa privada. e sua combinação com o art. c) roubo (art. Obs.3 CABIMENTO É essencial a presença do fumus comissi delicti e do periculum libertatis para que a medida seja decretada. como também pelo fato da figura do assistente só existir na fase processual. b) seqüestro ou cárcere privado (art. caput. 121. d) extorsão (art. 223. caput. de autoria ou participação do indiciado nos crimes relacionados (inciso III) São os seguintes crimes previstos no inciso III: a) homicídio doloso (art. e seu § 2°). de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal. com famílias inteiras sem nenhum documento de identificação. caput. caput. e sim a essencialidade da medida para que as investigações possam lograr êxito. g) atentado violento ao pudor (art. e parágrafo único).  Quando houver fundadas razões. será um obstáculo ao desvendamento integral do crime. 223. e) extorsão mediante seqüestro (art. caput. e seus §§ 1° e 2°). 219. e seus §§ 1°. 267. dada pela lei é a realização da identificação criminal e não a prisão. 214. já que o indiciado. sem necessidade e de autorização judicial. não só porque dentro de suas atribuições ele não pode requerer decretação de nenhuma modalidade prisional. e parágrafo único). 2° e 3°).

 2ª posição – LFG: os indícios I e III sempre deveriam estar presentes. pois ele materializaria a fumaça do bom direito para a decretação da medida (fumus comissi delicti). por exigir os indícios da concorrência nas infrações acima aludidas. de 21 de outubro de 1976). há entendimento no sentido de que os incisos isoladamente autorizariam a medida (Mirabete). quais sejam. de 16 de junho de 1986). 1°. 2° e 3° da Lei n° 2. ou não fornece elementos para a sua identificação. uma das hipóteses dos incisos I ou II: ou é imprescindível para as investigações.368. PRORROGÁVEIS POR MAIS 30. tráfico. l) quadrilha ou bando (art. ou o indiciado não possui residência fixa. tem um defeito de forma insuperável. 172 .  4ª posição – os três dispositivos deveriam ser conjugados conjuntamente. admite a temporária com base no inciso III obrigatoriamente.  5ª posição – Vicente Greco: a temporária só poderia ser decretada em situações que autorizariam a decretação da preventiva. A zona da temporária é por demais fluída. o que pode ser facilmente demonstrado pela diversidade de posições quanto a sua admissibilidade.492. Na prorrogação. Resumindo!!! Para ser decretada a temporária é preciso que seja imprescindível para as investigações policiais ou que o réu não tenha endereço fixo ou não se identifique (pode ser um ou outro). 288). de 1° de outubro de 1956).4 PRAZOS Regra geral – 5 DIAS. 12 da Lei n° 6.889. deve o magistrado ouvir o MP quando o pedido for realizado pela autoridade policial. Neste sentido.j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte (art. o) crimes contra o sistema financeiro (Lei n° 7. m) genocídio (arts. Crimes hediondos e assemelhados. PRORROGÁVEIS POR MAIS 5 DIAS em caso de comprovada e extrema necessidade. combinado com art. caput. 4. todos do Código Penal.  3ª posição – como o texto legal não fez restrições. e que haja fundadas razões que tenha praticado um dos crimes previsto na lei (quesito obrigatório). terrorismo e tortura – 30 DIAS. que é o nascedouro do instituto através de medida provisória. 285). 270. e além dele. Não cabe prorrogação de ofício. n) tráfico de drogas (art. Aliado a isso. Nucci e Antônio Scarance Fernandes. em qualquer de sua formas típicas.  1ª posição – francamente majoritária.

o delegado ganha mais 30 dias para concluir o inquérito. que estará encerrado no tempo máximo de 50 dias. a liberdade é de rigor. em que o prazo para o de extrema e comprovada necessidade. se o indiciado está solto numa investigação por crime hediondo. devendo haver pelo juiz.PRISÃO EM FLAGRANTE 5. a mesma perdura pelo prazo restante ou estará automaticamente encerrada? Para os autores. em sendo a mesma decretada. tem 24 horas para. Não é possível a sua decretação de É possível a sua decretação de ofício ofício pelo juiz. e a autoridade policial. Há prazo fixado em lei para sua Em regra. ação penal. representa pela temporária. A título de exemplo. dentro da perspectiva de tratamento do indiciado preso. podendo ser previsto em lei. não há prazo de duração duração: em regra.5 PROCEDIMENTO O juiz. Por exigência legal. 5 dias.1 CONCEITO 173 . a liberdade é imediata. em caso de extrema e comprovada necessidade. 30 dias.IMPORTANTE!!! O prazo da temporária será somado ao prazo que a autoridade policial desfruta para concluir o inquérito policial. vamos a 80 dias. quando o réu estiver hediondo ou equiparado. encerramento para a instrução criminal Quando a prisão decorrer de crime será de 81 dias. o preso temporário deve permanecer obrigatoriamente separado dos demais detentos. prorrogáveis por mais 30 dias. requerimento do MP ou representação da autoridade policial. somando-se mais 30 dias. Se houver prorrogação. o prazo é de preso. não necessitando o delegado de alvará de soltura para liberar o indiciado. após 20 dias de investigação. Decorrido o prazo legal.6 DIFERENÇAS ENTRE PRISÃO TEMPORÁRIA E PREVENTIVA PRISÃO TEMPORÁRIA PRISÃO PREVENTIVA Somente pode ser decretada na fase de Pode ser decretada na fase do IP ou da IP. 4. afinal os próprios fundamentos da temporária estão ligados ao êxito das investigações. salvo no caso de crimes prorrogado por outros 5 dias. 5. se no curso da ação penal. ouvindo para tanto o MP. apreciando o pleito. #E se a autoridade policial concluir o inquérito antes de esgotado o prazo da temporária. por força da lei. em despacho fundamentado. finalizando o inquérito antes do prazo de encerramento da prisão. 4. como a temporária é ínsita à fase inquisitorial. decidir sobre a prisão. em caso organizados. enviando os autos a juízo.

5. passa a ser ele a autoridade coatora. que não exige ordem escrita do juiz. de ordem administrativa. facultando- se a qualquer do povo a sua realização. IMPORTANTE!!! A prisão em flagrante. é aquele que está sendo cometido ou acabou de sê-lo. pois. IMPORTANTE!!! Se alguma ilegalidade da prisão em flagrante for detectada antes de o juiz se pronunciar a respeito da mesma. não se admite que a autoridade policial deixe de efetivar a prisão em flagrante com base nesse motivo. para ser efetivada. com a prática da infração penal. Já o periculum in mora dessa prisão é presumido. pois. b) de quem é preso quando acaba de cometer a infração. quando a homologação ou manutenção ou transformação da prisão somente deve ocorrer se presente um dos fundamentos para a decretação da prisão preventiva (seria assim. que diz respeito à prisão-captura. A doutrina não é uniforme no que toca à natureza jurídica da prisão em flagrante. É uma forma de autopreservação e defesa da sociedade. estão sendo lesadas a ordem pública e as leis de um modo geral. porque o fato ocorre de inopino. exige apenas a aparência de tipicidade. ato administrativo na origem. No entanto. se o juiz homologa uma prisão ilegal. Flagrante é o delito que ainda queima. embora o princípio da insignificância retire a tipicidade do crime. Destarte. São basicamente três correntes:  Ato administrativo (Walter Nunes da Silve Júnior). Temos duas situações contempladas nesta modalidade: a) daquele que é preso. sendo judicializado ao final). e a segunda. de natureza cautelar e caráter eminentemente administrativo. É uma medida restritiva de liberdade. o habeas corpus eventualmente interposto para ataca-la deve ser interposto perante o juiz e tendo como autoridade coatora o delegado. que se estabelece no momento em que se faz a comunicação ao juiz.2 ESPÉCIES DE FLAGRANTE FRAGRANTE PRÓPRIO (propriamente dito. pois tal princípio deve ser analisado exclusivamente pelo magistrado. que reclama pronunciamento judicial acerca de sua manutenção (Afrânio Silva Jardim). 174 . devendo o HC ser dirigido ao tribunal a que ele pertence. real ou verdadeiro) – neste o agente é surpreendido cometendo a infração penal ou quando acaba de cometê-la. de natureza processual. nenhuma valoração sobre a ilicitude e a culpabilidade. A tipicidade é o fumus boni iuris desse tipo de prisão.  Ato complexo (Tourinho Filho e Nestor) – possui duas fases bem distintas: a primeira. não se exigindo. é uma das espécies de medidas de natureza acautelatória.  Ao lado da preventiva. ainda na execução da conduta delituosa.

Diferente ocorre se a policia realizar bloqueio em vias públicas com a finalidade de fiscalização (blitz) e encontrar o agente em procedimento de fuga ou com instrumentos do crime. Durante as férias. licenças. for no seu encalço. pois a prisão decorre do encontro do agente com os objetos que façam a conexão com a prática do crime. (NUCCI) FLAGRANTE COMPULSÓRIO OU OBRIGATÓRIO – alcança a atuação das forças de segurança. e a obrigatoriedade cede espaço à mera faculdade. os policiais atuam como qualquer cidadão. Entendem os autores que esta obrigatoriedade perdura enquanto os integrantes estiverem em serviço. A expressão “logo após” abarca todo espaço de tempo que flui para a polícia chegar ao local. FLAGRANTE PRESUMIDO (ficto ou assimilado) – nele o agente é preso. pelo lugar em que o procura. O lapso temporal consegue ainda ter maior elasticidade. fazendo campana (tocaia). Portanto. estaremos diante de flagrante delito. FLAGRANTE FACULTATIVO – é a faculdade legal que autoriza qualquer do povo a efetuar ou não a prisão em flagrante (exercício regular de um direito). em situação que faça presumir ser o autor do delito. e realizando a prisão quando os atos executórios são deflagrados. Não havendo solução de continuidade. tendo ciência de que a infração ocorrerá. objetos ou papéis que presumam ser ele o autor da infração. colher as provas do delito e iniciar a perseguição do autor. mesmo que dure dias ou até mesmo semanas. por indícios ou informações fidedignas. há pouco tempo. e.  Sabendo. que o infrator tenha passado. se a perseguição não for interrompida. logo após a infração. folgas. o contato visual não é elemento essencial para a caracterização da perseguição. sai na frente. Entende-se que estará em perseguição a autoridade que:  Tendo avistado o infrator. FLAGRANTE ESPERADO – aqui temos o tratamento da atividade pretérita em que a polícia antecipa-se ao criminoso. FLAGRANTE IMPRÓPRIO (irreal ou quase flagrante) – o agente é perseguido. Já os integrantes da guarda civil metropolitana não estão obrigados à realização da prisão em flagrante. em havendo êxito na captura do perseguido. com instrumentos. IMPORTANTE!!! Não se permite o flagrante presumido quando a polícia está apenas realizando investigações costumeiras após a prática de um delito e acaba encontrando o agente em situação que presuma ter cometido tal delito. Não existe um limite temporal para o encerramento da perseguição. Obs. 175 . sempre que a hipótese se apresente (estrito cumprimento do dever legal). isto é. Esta espécie não exige perseguição. em tal ou qual direção. sendo mera faculdade. embora depois o tenha perdido de vista. logo depois de cometer a infração. armas. for perseguindo-o sem interrupção. Estas têm o dever de efetuar a prisão em flagrante.

Nada impede que o flagrante esperado seja realizado por particular. aguardar o início dos atos executórios para prender em flagrante. se a pessoa abordada serviu de ferramenta para a obtenção do entorpecente. que em nada contribuiu para que o delito começasse a ser praticado. Esta vontade de deflagrar o inquérito policial com o suspeito já preso e com vasta documentação da atividade delitiva já conseguida. tendo que empreender esforços para consegui-la pela solicitação do suposto usuário. I. tem prevalecido o entendimento sumular do STF. Se o traficante já tinha a droga consigo. pois o indivíduo será preso cometendo a infração. o que distinguirá a prisão válida da inválida é o móvel do delito tentado pelo agente. e realizada a prisão. acaba sendo preso em flagrante. não pode endossar condutas não ortodoxas onde os fins justifiquem os meios. FLAGRANTE PREPARADO OU PROVOCADO – o agente é induzido ou instigado a cometer o delito. ou em estoque. Resumindo!!! Na realidade. validamente. amolda-se à aplicação da Súmula 145. FLAGRANTE PRORROGADO (postergado. retardado. já que em ambos. de sorte que não estará caracterizado o flagrante provocado. Para o Supremo como não poderá haver consumação. que poderá. independente da abordagem da polícia. eventual inquérito ou processos iniciados devem ser trancados via habeas corpus. Por conseqüência. se a motivação do cometimento do fato típico for externa (provocação pela polícia) inexistirá crime punível. IMPORTANTE!!! Flagrante provocado na hipótese de crime permanente (flagrante comprovado) – se o delito já vinha se consumando quando incidentalmente ocorreu a provocação. o crime de tráfico já estava se consumando. neste momento. O clássico exemplo é o do traficante de drogas abordado por policial disfarçado de usuário. pois a autoridade policial tem a 176 . Encontramos forte posição contrária à adoção das conseqüências do flagrante preparado. como também a responsabilidade penal da conduta é de todo cabível. afinal não houve infração. diferido ou ação controlada) – é um flagrante de feição estratégica. em regra. Por sua vez. e. sabendo que a infração irá ocorrer. 302. já que esta é obstada pela realização da prisão. estaríamos diante de verdadeiro crime impossível. a atuação da polícia se daria para evitar a consumação do delito (Pacelli). enquadrando-se na hipótese do art. posto que não tinha a droga. de sorte que não só a prisão será válida. restará verificada conduta punível. Uma vez iniciada a atividade criminosa. sendo apenas fator de constatação do crime que preexistia. de verdadeiro flagrante próprio. sob o fundamento de que não existiria diferença de fundo entre o flagrante esperado e o provocado. ao passo que se a polícia simplesmente espera a prática de um crime planejado pelo sujeito ativo. isto é. esta não será decisiva para a caracterização da infração. Sem embargo. estaremos diante. Súmula 145 do STF: “Não há crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação”.

pois do ponto de vista estratégico. que em si não representa infração penal. Neste caso.3 FLAGRANTE NAS VÁRIAS ESPÉCIES DE CRIME  Crime permanente Enquanto não cessar a permanência. Organizações criminosas – NÃO é necessária autorização judicial nem prévia oitiva do MP. ainda que sua atitude implique na postergação da intervenção. onde o único infrator é o agente forjador. não será autuado. Esta hipótese não se confunde com a do flagrante esperado. prévia oitiva do MP. do ponto de vista da investigação criminal. Obs. FLAGRANTE POR APRESENTAÇÃO – quem se entrega à polícia não se enquadra em nenhuma das hipóteses autorizadoras do flagrante. Já no flagrante diferido. estará obrigada a realização da prisão. no momento em que surpreende o infrator.  Crime habitual Para os autores NÃO CABE flagrante nas infrações habituais. Não obstante. além do conhecimento do provável itinerário da droga e dos eventuais agentes do delito ou colaboradores. exige-se autorização judicial. também abuso de autoridade. mesmo presenciando o crime. que pratica o crime de denunciação caluniosa. e sendo agente público. realizado para incriminar pessoa inocente. Também foi contemplado na lei de drogas. A medida tem cabimento quando estiver em desenvolvimento a atuação de uma organização criminosa. se existe ou não a habitualidade. se estiverem presentes os requisitos legais. não cabendo interpretação extensiva para abarcar a atividade das quadrilhas ou bandos. 177 . pois neste a polícia aguarda o início dos atos executórios. 5. porém. colocando-se como expectador. a prisão em flagrante poderá ser realizada a qualquer tempo. fabricado. O crime habitual só existe pela reiteração de condutas. esta é a melhor opção. e. FLAGRANTE FORJADO – é aquele armado. É uma modalidade ilícita do flagrante. afinal.faculdade de aguardar. a polícia deixa de efetivar a prisão. Tourinho Filho. e a prática isolada de um ato é em regra fato atípico. objetivamente o delegado não teria como precisar. A prisão em flagrante retrataria o ato isolado. o momento mais adequado para realizar a prisão. Assim. mesmo que para tanto seja necessário o ingresso domiciliar. a qualquer hora do dia ou da noite. poderá a autoridade policial representar ao judiciário pela decretação da prisão preventiva. No mesmo sentido. uma vez iniciados. cabendo à autoridade policial administrar a conveniência ou não da postergação.

exasperada de um sexto a dois terços. salvo se for admitido a prestar fiança. documentando o ocorrido em boletim de ocorrência.  Crime continuado Na hipótese de continuidade delitiva. Mirabete adverte que não é incabível a prisão em flagrante em ilícitos habituais se for possível. mas para a lavratura do auto. 178 .  Infração de menor potencial ofensivo São os crimes com pena máxima de até dois anos. por ter sido conduzida ao hospital ou por qualquer motivo relevante. no ato. o processo deverá ser instaurado em cinco dias. 321 do CP. por uma ficção jurídica. teremos a realização do TERMO CIRCUNSTANCIADO. várias condutas. ou se puder livrar-se solto. e as contravenções penais. sob pena de o agente infrator ser colocado em liberdade. contudo. pois não haverá prisão nem instauração de inquérito policial. Como existem várias ações independentes. será conduzido coercitivamente à delegacia. a aplicação da pena de um só crime (teoria da ficção jurídica do crime continuado ou teoria da unidade fictícia limitada. Por sua vez. Em havendo manifestação do ofendido ou de seu representante legal. albergada pela legislação brasileira para fins exclusivos de imposição da sanção penal). quando devidamente notificado. caso a vítima não emita autorização. simbolizando várias infrações. deverá haver a manifestação de vontade do respectivo legitimado (não é necessário queixa crime ou representação). para efeitos de praxe. sem nenhuma formalidade. a possibilidade de se efetuar a prisão em flagrante por cada uma delas. comprovar-se a habitualidade. irá haver. Obs. Obs. É o que se chama de flagrante fracionado. temos. Caso contrário. devendo a autoridade policial liberar o ofensor. Basta a sua aquiescência ainda que informal. indubitavelmente. pois a agressão deve cessar. irá incidir. o auto será lavrado. Lá. aí sim está obstaculizada a lavratura do auto. se o agente é surpreendido em flagrante. nas infrações que a comportem. Em posição contrária a aqui defendida. na sentença. dentro das hipóteses do art. se a vítima não puder imediatamente ir à delegacia para se manifestar. poderá fazê-lo no prazo de entrega da nota de culpa.  Crime de ação penal privada e pública condicionada IMPORTANTE!!! Nada impede a realização da prisão em flagrante nos crimes de ação privada ou pública condicionada. Ao invés da lavratura do auto de flagrante. cumulados ou não com multa. Na ação penal privada não se exige que o ofendido manifeste seu intento de maneira expressa e sacramentada para que a prisão em flagrante seja devidamente realizada. Naturalmente. recolhendo-se o mesmo ao cárcere. desde que o infrator seja imediatamente encaminhado aos juizados especiais criminais ou assuma o compromisso de comparecer. isoladamente.

I. Só na ausência do juiz. pode ser qualquer pessoa. mesmo que desempenhando as funções relatadas. ao invés do termo circunstanciado. peremptoriamente.IMPORTANTE!!! A lei de drogas assevera que na posse para uso de substâncias entorpecentes e condutas assemelhadas NÃO SE LAVRARÁ O AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE. para que seja realizada a lavratura do TCO. o parlamentar continuará fazendo jus à imunidade.  Membros do CN – só podem ser presos por crime inafiançável. 98. Obs. para que.  Sujeito PASSIVO É aquele detido em situação de flagrância. pelo voto da maioria de seus membros. diante de uma infração de menor potencial ofensivo. se não há perda do mandato. É verdadeira hipótese de liberdade provisória incondicionada. recolhendo o agressor ao cárcere. Em regra. da CF. 5. Pode ser qualquer pessoa. a prisão do usuário de substância entorpecente. pelo texto da lei. excepcionar o mandamento constitucional. Lembrar!!! Lesão corporal abarcada pela Lei Maria da Penha é de ação pública incondicionada. no local em que se encontrar. independentemente da pena prevista. nem sempre correspondendo àquela que efetuou a prisão. o tratamento das infrações de menor potencial ofensivo emana diretamente da Carta Magna. ou licenciado pelas hipóteses constitucionais. os autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva. Nestas hipóteses. IMPORTANTE!!! Percebe-se que mesmo que o agente se negue a assumir o compromisso de comparecer aos juizados. Assim. 179 . deve a autoridade policial lavrar o auto de prisão em flagrante. Exceções:  Presidente da República – não poderá ser preso cautelarmente. é que as providências serão tomadas diretamente pelo delegado. realizando-se o termo circunstanciado. IMPORTANTE!!! Investidos em outros cargos ou licenciados – com muita razão. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher. a depender dos tratados e convenções internacionais. VEDANDO-SE A DETENÇÃO DO AGENTE. obstando a lei. não se aplica a lei 9099.4 SUJEITOS DO FLAGRANTE  Sujeito ATIVO É aquele que efetua a prisão.  Diplomatas estrangeiros – podem desfrutar da possibilidade de não ser presos em flagrante. Já o condutor é a pessoa que apresenta o preso à autoridade que presidirá a lavratura do autor. O usuário de drogas será então conduzido à presença da autoridade judicial. de forma casuística. resolva sobre a prisão. Acreditam os autores que o referido dispositivo atenta contra o art. afinal. não podendo a lei ordinária. ainda assim não será detido.

Se no local onde foi realizada a mesma não houver autoridade policial. o funcionário deverá encaminhar o preso à autoridade competente para o inquérito”.  Autoridade competente A autoridade policial da circunscrição onde foi efetuada a prisão é.  Vereadores – podem normalmente ser presos em flagrante. quando do exercício de suas funções. sendo que a autoridade fará a imediata comunicação e apresentação do magistrado ao Presidente do respectivo Tribunal. etc). Deputados estaduais – têm a mesma prerrogativa. também podem conduzir a elaboração do auto de prisão em flagrante. a prisão em flagrante e a realização do inquérito. Nesta hipótese. 180 . Súmula 397 do STF: o poder de polícia da câmara dos Deputados e do Senado Federal. Todavia. consoante o regimento. entendem os autores que os membros do MP. 307 do CPP. durante o exercício funcional.5 PROCEDIMENTOS E FORMALIDADES  A autoridade. A autoridade policial não detém exclusivamente a atribuição de presidência da lavratura do auto. ou contra esta. antes de lavrar o auto.  Membros do MP – também só poderão ser presos em flagrante por crime inafiançável. em determinadas situações e no exercício de suas atribuições. como o inquérito civil. nem lhe será exigida fiança. no caso de crime inafiançável. e não a qualquer um. quais sejam. restringindo a prerrogativa à autoridade policial e judiciária. por motivo de exercício da profissão. de determinar. deve comunicar à família do preso ou pessoa por ele indicada a ocorrência da prisão. ainda que seja autoridade (poder de requisitar. poderiam encampar a lavratura do ato. sendo que a autoridade fará em 24 horas a comunicação e apresentação do membro do MP ao respectivo PGJ. a que possui atribuição para presidir a lavratura do auto. e se deparando com situação de flagrância. compreende. ao presidirem inquérito. É possível ainda que o crime seja praticado na presença da autoridade. Adverte Mirabete que tal permissão “só se refere às pessoas que podem presidir inquéritos ou ações penais. manifestando-se favoravelmente à perda da imunidade. em caso de crime cometido nas suas dependências. sendo que Heráclito Mossim afasta veementemente a atribuição dos membros do MP. a matéria está longe de ser pacífica. via de regra. o capturado deve ser apresentado à do lugar mais próximo. Outras autoridades.  Magistrados – só poderão ser presos em flagrante por crime inafiançável.  Motoristas – quem presta pronto e integral socorro à vítima de acidente de trânsito não será preso em flagrante. na presença de representante da OAB. 5.  Advogados – somente poderão ser presos em flagrante. na dicção do art. atendidos os requisitos objetivos.A Corte Suprema encampou entendimento distinto do aqui defendido. Portanto. crime praticado na presença da respectiva autoridade ou contra esta.

Se eventualmente só existir uma testemunha do ocorrido.  Oitiva da vítima. Obs. além dos motivos da mesma. salvo se não tiver atribuição. IMPORTANTE!!! Relaxamento da prisão em flagrante pela autoridade policial. quando possível. testemunhas e conduzidos) prestará o seu depoimento e imediatamente depois será liberado. se houve algum excesso. caso o mesmo tenha conhecimento das circunstâncias do fato. e ao mesmo será entregue cópia do termo e recibo de entrega do preso. que o conduzido concorreu para a mesma e que se trata de hipótese legal de flagrante delito. Já se não existirem testemunhas. convencida a autoridade que a infração ocorreu.  Nota de culpa A nota de culpa se presta a informar ao preso os responsáveis por sua prisão. é factível que a autoridade policial relaxe a prisão. Se não o fizer. determinará ao escrivão que lavre e encerre o auto de flagrante. quando então remeterá os autos ao órgão competente. como a hospitalização do suspeito. Neste caso serão utilizadas duas pessoas que tenham testemunhado a apresentação do preso à autoridade (testemunhas instrumentais ou indiretas).  Oitiva do conduzido – admite-se a presença do advogado. contudo a mesma não é imprescindível para a lavratura do auto. colhida a assinatura. deverá a autoridade policial instaurar o IP.  Oitiva de testemunhas – não há proibição de que policiais sirvam como testemunhas para a lavratura do auto de flagrante. Nesses casos.  Oitiva do condutor – suas declarações serão reduzidas a termo. Nada impede que o delegado autorize a realização de reperguntas. É possível que o interrogatório não seja realizado por circunstâncias de força maior. ainda assim não haverá impedimento para realização do auto de prisão em flagrante. não necessitando aguardar o término do ato. afinal nesta fase impera a inquisitoriedade. contendo o nome do condutor e das testemunhas. Assim. não havendo contraditório ou ampla defesa. Cada pessoa envolvida na lavratura do auto de prisão em flagrante delito (condutor.  Ao final. Não assiste razão para a autoridade determinar a lavratura do auto se não houver lastro legal para tanto. sendo assinada pela autoridade. devendo até mesmo apurar a responsabilidade do condutor. nada impede que o condutor funcione como a segunda. liberando o conduzido e deixando de proceder à lavratura do auto. 181 . prosseguindo a autoridade nos demais atos da persecução. não há ilegalidade. Advirta-se também que nesta fase não há contradita. Também não permanecerá preso o conduzido que livrar-se solto ou se for admitido prestar fiança. o que não viciará o flagrante.

ou conceder a liberdade provisória. com o motivo da prisão. o nome do condutor e os das testemunhas.403. mediante recibo. 304. se essa comunicação (caput) ocorrer de forma tardia ela não invalidará o auto de prisão em flagrante. não é necessário que o magistrado fundamente a manutenção do flagrante. Obs. Posicionamento antes da reforma. Em 24 horas da realização da prisão. a nota de culpa. 306. quando então a denegação do pleito deverá ser fundamentada. de 2011). ou (Incluído pela Lei nº 12. em que pese resoluções dos Tribunais de Justiça fazerem previsão neste sentido. cabendo ao magistrado. de 2011). que por analogia do §3º do art. o juiz deverá FUNDAMENTADAMENTE: (Redação dada pela Lei nº 12. I .6 CONTROLE JURISDICIONAL DA PRISÃO EM FLAGRANTE Dispõe o art. caso o autuado não informe o nome de seu advogado. devendo este dar vista ao MP em 24 horas. será encaminhado à autoridade judicial competente o auto de prisão em flagrante. sem prejuízo da evolução do competente inquérito policial. assinada pela autoridade. 306 do CPP com redação dada pela reforma de 2011: Art. Na lei de tóxicos. salvo se o defensor do preso tiver peticionado neste sentido. Segundo o STF. o juiz deve. Obs. desaguando em relaxamento. será entregue ao preso.403. de 2011). cópia integral para a Defensoria Pública. será encaminhado ao juiz competente o auto de prisão em flagrante e. § 1o Em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão. entendem os autores. (Redação dada pela Lei nº 12. 310. relaxar a mesma.relaxar a prisão ilegal. É de se frisar que para o STJ. 5. decidir sobra a prisão (contrariando o entendimento acima do STF). sem justificativa razoável. § 2o No mesmo prazo. Ao receber o auto de prisão em flagrante. Percebe-se que a lei não fala em vistas do auto de flagrante ao Ministério Público. de 2011). implica na ilegalidade da prisão. Caso o preso se negue a assinar o mesmo. Será entregue em 24 horas da realização da prisão. 310 do CPP (redação dada pela reforma de 2011). caso entenda que não é caso de relaxamento ou de liberdade provisória. O objetivo é que se estabeleça o controle judicial da prisão. 182 . cópia do auto de flagrante será remetida ao magistrado imediatamente. (Redação dada pela Lei nº 12. contudo. em sendo o caso.403.403. IMPORTANTE!!! A entrega da nota de culpa é de vital importância para a validade da prisão. a utilização de duas testemunhas continua sendo a solução. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente. mediante recibo. A não entrega ou a sua entrega a destempo. Posicionamento após a reforma. Art. ao MINISTÉRIO PÚBLICO (incluído pela reforma) e à família do preso ou à pessoa por ele indicada. FUNDAMENTADAMENTE. De acordo com o art.

312 deste Código. de 2011).  O flagrante pode ser: a) Próprio. ouvindo-se o condutor. e sim naquele que não tem advogado. logo depois. quando presentes os requisitos constantes do art. por não estar presentes um dos motivos do art. III . pela vítima ou qualquer pessoa. pois há o direito ao silencio. da análise do caso concreto. Desta forma. fundamentadamente. quando o agente é encontrado. com ou sem fiança. Nesse exemplo o juiz poderá decretar a prisão em flagrante se entender cabível. 5. Assassino cruel que logo depois de matar 20 pessoas com a roupa de suja de sangue se entrega a policia. e o indiciado. de 7 de dezembro de 1940 . 302 do CPP. Mas não se pode permitir que a apresentação espontânea sirva de pretexto para evitar a apresentação da prisão em flagrante em todos os casos. a apresentação espontânea pode evitar a prisão em flagrante. a serem depositados em fundo em favor da Instituição. poderá. No silencio da lei. em situação que o faça presumir ser autor do delito.403. Obs. 183 . Parágrafo único. ou (Incluído pela Lei nº 12. a doutrina tem se inclinado para deixar a questão em aberto. que cópia integral do auto de flagrante será encaminhada à Defensoria Pública. 306. conceder ao acusado liberdade provisória. c) Presumido. 23 do Decreto-Lei no 2. (Incluído pela Lei nº 12. Ex. armas. sob pena de revogação. quando o sujeito está cometendo a infração penal. e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão. 317). caso o preso não indique o nome do seu advogado.8 RESUMO DO NUCCI SOBRE O CAPÍTULO APÓS REFORMA  Mantém-se a disciplina da prisão em flagrante. se quiser manifestar-se.403. b) Improprio. e objetos ou papéis. pelo auto de prisão em flagrante. pela autoridade. Se o juiz verificar. Assim. com instrumentos. que façam presumir ser ele o autor da infração.Código Penal. deve o juiz arbitrar honorários. quando há perseguição ao agente. (assim como não possui para a preventiva.  Formaliza-se a prisão em flagrante diante da autoridade competente. permitindo-se que qualquer pessoa do povo a realize e constituindo obrigação da autoridade policial. pois. 5. logo após. atuando a Defensoria Pública e apurando-se posteriormente que o preso tem condição financeira. Prevê ainda o art.848. mediante termo de comparecimento a todos os atos processuais. dependendo. §1º. que o agente praticou o fato nas condições constantes dos incisos I a III do caput do art. as testemunhas.converter a prisão em flagrante em preventiva. II . A lei não fala em preso pobre.7 APRESENTAÇÃO ESPONTÂNEA E PRISÃO EM FLAGRANTE O CPP não possui qualquer dispositivo legal disciplinando a possibilidade ou não de prisão em flagrante em caso de apresentação espontânea do agente delitivo.conceder liberdade provisória. de 2011). uma vez que a reforma de 2011 alterou o art.

Com a reforma de 2011. não sendo mais cabível. caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz. além do nome da autoridade. a prisão preventiva pode ser decretada de ofício pelo juiz. a sua decretação de modo automático ou de forma obrigatória.  Sempre que for constatada a possibilidade de ocorrência de alguma excludente de ilicitude. Se não indicar advogado. determinando a soltura do indiciado. 184 . desde que o atendimento aos requisitos legais seja demonstrado por outros elementos indiciários. o estigma do encarceramento cautelar é por demais deletério à figura do infrator. contendo o resumo da acusação. O preso deve receber nota de culpa em 24 horas (contado da prisão). respeitados os requisitos estabelecidos por lei. devendo ser encarada restritivamente. A preventiva é medida de exceção. de ofício. na fase de investigação policial. que apenas pode ser decretada na fase de IP. pode: a) relaxa-lo. como os extraídos de procedimento investigatório extrapolicial. por reputa-lo legal. FUNDAMENTADAMENTE. ao contrário da prisão temporária. deve o juiz conceder a liberdade provisória sem fiança.  Comunica-se a prisão ao juiz competente. Art. cópia do auto será enviado a defensoria pública (não fala em preso pobre).1 CONCEITO A prisão preventiva é uma medida cautelar de constrição a liberdade do indiciado ou réu. conforme o caso. a família do preso ou a quem ele indicar. ou a requerimento do Ministério Público.PRISÃO PREVENTIVA 6.2 MOMENTO DE DECRETAÇÃO E PRAZO Quanto ao momento. afinal. Prisão tipicamente cautelar. a prisão preventiva pode ser decretada em QUALQUER FASE DA INVESTIGAÇÃO POLICIAL OU DO PROCESSO PENAL. ou por representação da autoridade policial. o juiz. para compatibilizá-la com o princípio da presunção de inocência. por razões de necessidade. se presentes os requisitos do art. IMPORTANTÍSSIMO!!! Diferentemente da temporária. do querelante ou do ASSISTENTE. pois. 312 do CPP e não cabível nenhuma outra medida cautelar alternativa (caráter subsidiário da preventiva). b) mantê-lo. não sendo admissível em nenhuma hipótese. se no curso da ação penal. b. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal. tanto nos crimes de ação penal pública quanto nos de ação penal privada. do condutor e das testemunhas. optando por: b. com ou sem fiança. ao MP (incluído pela reforma). 311 do CPP SOMENTE PERMITE O DECRETO DA PRISÃO PREVENTIVA DE OFÍCIO PELO JUIZ NO CURSO DA AÇÃO PENAL.1) converter a prisão em flagrante em preventiva.  Recebido o auto de prisão em flagrante. por considera-lo ilegal. a atual redação do art. 6. 6.2) conceder liberdade provisória. IMPORTANTE!!! É possível a fixação da custódia cautelar mesmo sem a instauração do IP. 311.

6. Com relação ao prazo. é necessário que se apresente o fator de risco a justificar a efetividade da medida. Ela determina que o prazo do encerramento da instrução criminal será de 81 dias. 185 . fica superada a alegação de constrangimento por excesso de prazo. Obs. simbolizada pela presença obrigatória destes dois elementos acima. perdurar até quando haja necessidade. revelando a veemência da MATERIALIDADE. Tourinho Filho – para o ilustre autor a preventiva fundamentada na conveniência da ordem pública é incompatível com a CF.4 AS HIPÓTESES DE DECRETAÇÃO Além da fumaça do bom direito (justa causa). Observar as súmulas do STJ: STJ SÚMULA Nº 21 . devendo. e 120 dias quando o réu estiver solto. provocado pela defesa. Obs. em lídima antecipação de pena. As hipóteses de decretação da preventiva dão as razões para a deflagração da medida. STJ SÚMULA Nº 64 .Pronunciado o réu.3 PRESSUPOSTOS Para a decretação da preventiva é fundamental a demonstração de prova da existência do crime.Não constitui constrangimento ilegal o excesso de prazo na instrução. não há prazo fixado em lei. ou ainda mediante representação da autoridade policial.IMPORTANTÍSSIMO!!! Pode ainda ser decretada com base em requerimento do MP ou do querelante ou do ASSISTENTE (este ultimo passou a ter legitimidade após a reforma de 2011). Há uma única hipótese prevista em lei em que se fixa o prazo de duração da prisão preventiva (lei do crime organizado). fica superada a alegação do constrangimento ilegal da prisão por excesso de prazo na instrução.Encerrada a instrução criminal. sendo verdadeira cláusula aberta. e indícios suficientes de AUTORIA ou de participação na infração (fumus comissi delicti). 6. ferindo a presunção de inocência. A ordem pública é expressão de tranqüilidade e paz no seio social. STJ SÚMULA Nº 52 . Fundamentos legais para a preventiva que se consubstanciam no periculum in mora:  Garantia da ordem pública Objetiva evitar que o agente continue delinqüindo no transcorrer da persecução criminal. quando o réu estiver preso. observando-se sempre a proporcionalidade e a razoabilidade desta duração (princípio da duração razoável da prisão cautelar). porém.

não impedem o decreto de prisão preventiva. por si só. IMPORTANTE!!! Data vênia. ameace testemunhas. não autoriza a decretação da preventiva. não é motivo que legitima o decreto da custódia cautelar. em prol da falaciosa sensação de segurança que o encarceramento imprimiria. ou da frieza com que atua. impedindo que o agente destrua provas. poderiam. como residência fixa e ocupação lícita. A imagem do Judiciário deve ser preservada. tem a autoridade à sua disposição a condução coercitiva. IMPORTANTE!!! A mera ausência do réu no interrogatório. fatores suficientes para arregimentar a prisão. com a condução justa do processo. impedindo o sumiço do autor do fato. autorizar a segregação cautelar. O STJ entende que as circunstâncias pessoais favoráveis do acusado. mesmo que não justificada. ou comprometa de qualquer maneira a busca da verdade. IMPORTANTE!!! Advirta-se. e a periculosidade do infrator. que a preventiva NÃO poderá ser decretada para preservação da integridade do próprio suspeito. colocando em cheque a própria credibilidade do judiciário. isoladamente. ou a possibilidade em razão da condição econômica do réu. o que se pode aferir da ficha de antecedentes.  Garantia de aplicação da lei penal Evita-se aqui a fuga do agente. emprestando interpretação diversa. A mera conjectura. a gravidade da infração. que deseja eximir-se de eventual cumprimento da sanção penal. se houver motivos concretos para esta medida cautelar. não são. Obs.  Conveniência da instrução criminal Livre produção probatória. A fuga do réu do distrito da culpa. por si só. 186 . por fim. continue a praticar novas infrações afetando a ordem econômica. por medo de que o mesmo seja linchado ou assassinado por familiares da vítima. a repercussão que a mesma possa atingir. com a indignação social e a comoção pública. ou seja. Para trazer o réu que não deseja comparecer. não cabendo ao réu suportar este ônus com a sua liberdade. evitar que o indivíduo. Nucci. se solto estiver. daquela que por si só é um risco. A política de “boa vizinhança” com a opinião pública ou com a imprensa não pode levar ao descalabro de colocarmos em tábula rasa as garantias constitucionais. em conjunto ou separadamente. assevera que a garantia da ordem pública deve ser visualizada pelo trinômio gravidade da infração + repercussão social + periculosidade do agente. Assim. a repercussão do crime e a opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não seriam fundamentos idôneos à decretação prisional. conforme entendimento pacificado o STJ. por si só.  Garantia da ordem econômica Visa coibir os abusos à ordem econômica. a gravidade da infração.

Código Penal. 313 E 314 DO CPP) O art. Nos termos do art. 312 do CPP.403. 187 .se tiver sido condenado por outro crime doloso. poderá substituir a medida. esta hipótese prisional ainda subsiste. 313 do CPP. IV . § 4o) Novidade acrescentada pela reforma de 2011. de 7 de dezembro de 1940 . (a proteção não se restringe mais a vítima do sexo feminino.403. III . decretar a prisão preventiva (art. afinal. enfermo ou pessoa com deficiência). idoso.Obs. 313. quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. Agora. com a redação dada pela reforma de 2011. de 2011). Apenas evidencia o caráter cautelar da prisão preventiva. bem como destaca que essa prisão é a ultima ou extrema ratio dentre todas a demais medidas cautelares. 312. que é consequência do crime e não justificativa prisional. de seu assistente ou do querelante. que o fundamento não se sustenta. impor outra em cumulação.  IMPORTANTÍSSIMO!!!! Descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares. Parágrafo único.403. (Redação dada pela Lei nº 12. adolescente. criança. 312. ou para assegurar a aplicação da lei penal. de 2011). em sentença transitada em julgado.NOS CRIMES DOLOSOS PUNIDOS COM PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE MÁXIMA SUPERIOR A 4 (QUATRO) ANOS. I . de 2011). (Redação dada pela Lei nº 12.403. 64 do Decreto-Lei no 2. abarca também criança. II .403. como ocorria antigamente. Ao que parece. em último caso. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública. (Redação dada pela Lei nº 12. (Incluído pela Lei nº 12.se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher. A prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de DESCUMPRIMENTO DE QUALQUER DAS OBRIGAÇÕES IMPOSTAS POR FORÇA DE OUTRAS MEDIDAS CAUTELARES (art. afora as hipóteses previstas no art. idoso. de ofício ou mediante requerimento do Ministério Público. enfermo ou pessoa com deficiência.5 CIRCUNSTÂNCIAS LEGITIMADORAS E CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DA PRISÃO PREVENTIVA (ART. ou. o juiz. ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 282.848. (Redação dada pela Lei nº 12. Art. de 2011).403. da ordem econômica. de 2011). parágrafo único). por conveniência da instrução criminal. em razão da magnitude da lesão causada pela infração. Todavia. 282 CPP § 4o No caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas. Crimes contra o sistema financeiro nacional – a lei prevê que a preventiva poderá ser decretada. de 2011). 6. trata das CIRCUNSTÂNCIAS LEGITIMADORAS da prisão preventiva: Art. será admitida a decretação da prisão preventiva: (Redação dada pela Lei nº 12. adolescente. coadunando o entendimento majoritário. nos tribunais. a necessidade do cárcere não pode estar pautada na magnitude da lesão.(Revogado pela Lei nº 12. para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. de 2011).403. Art. 312 deste Código.

se atendidas todas as exigências para a decretação da medida. não cabendo trocar uma medida por outra. 314 do CPP trata da CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS da prisão preventiva: não será decretada a prisão preventiva se houver prova nos autos de que o agente praticou o fato sob o MANTO DE UMA CAUSA EXCLUDENTE DE ILICITUDE. de 7 de dezembro de 1940 . contudo. sempre com base nos motivos cautelares anteriormente analisados (necessidade). 23 do Decreto-Lei no 2. 6. a exemplo de NUCCI. se o relaxamento do flagrante se deu por excesso prazal. 93. Art. que seja decretada. Parcela da doutrina defende que a causa de exclusão da culpabilidade também impediria o decreto da custodia cautelar. pelo não enquadramento da situação fática em uma das hipóteses legais. de 2011). 6. IMPORTANTE!!! A preventiva é absolutamente incompatível com o instituto da liberdade provisória. ou pelo desatendimento das formalidades essenciais na lavratura do auto. Já o art. com a redação dada pela reforma de 2011. SENDO CABÍVEL A LIBERDADE PROVISÓRIA É PORQUE NÃO ESTÃO PRESENTES OS REQUISITOS DA MEDIDA CAUTELAR. seja ela com ou sem fiança.403. A prova da excludente não precisa ser cabal (juízo de certeza). IMPORTANTE!!! Em sendo a prisão preventiva decretada ou se o juiz negar a revogação da mesma (decisões desfavoráveis ao status libertatis). será possível o manejo do recurso em sentido estrito. de 2011). (Redação dada pela Lei nº 12. o tempo de encarceramento cautelar é que passou a ser decisivo para a ilegalidade. deve haver fundamentação da decisão que decretar. IX. (Incluído pela Lei nº 12. substituir ou denegar a prisão preventiva. desatendo requerimento do MP ou do querelante. Se o juiz se negar a decreta-la. A prisão preventiva em nenhum caso será decretada se o juiz verificar pelas provas constantes dos autos ter o agente praticado o fato nas condições previstas nos incisos I. permite-se a impetração de habeas corpus.6 FUNDAMENTAÇÃO Como toda decisão judicial (art. 315 do CPP.403. na sequência. devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação. ou resolver revoga-la (decisões favoráveis ao status libertatis). nos termos do art.848. Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la. sendo suficiente a presença de indícios a esse respeito (fumus boni iuris). 314. afinal. Obs. Parágrafo único.Código Penal. a preventiva. salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida. A medida não poderá ser executada até cinco dias antes e quarenta e oito horas depois das eleições. Não há razão. Obs. CF) . 188 . II e III do caput do art.6 DECRETAÇÃO E SISTEMA RECURSAL Nada impede que uma vez relaxada a prisão em flagrante.

nada obsta a que o juiz a decrete novamente. se é provável a absolvição. apresentar o recurso cabível à espécie. mas nunca lacônica.7 REVOGAÇÃO É movida pela cláusula rebus sic stantibus. uma vez presentes novamente os permissivos legais. quantas vezes se fizerem necessárias. a preventiva não será decretada. 6. Deve o magistrado revogar a medida. E se a prisão em flagrante for ilegal. revelando que a medida não é mais necessária. Obs. O promotor apenas será intimado da decisão judicial. Lembrar!!! Preventiva pode ser decretada de ofício. de ofício. IMPORTANTE!!! O remédio cabível contra uma prisão preventiva legal e que se torna desnecessária é a sua revogação. Se o crime foi cometido mediante coautoria ou participação. por se conformar com as informações prestadas pela autoridade coatora. a revogação é obrigatória.8 PREVENTIVA X EXCLUDENTES DE ILICITUDE Se pela análise dos autos percebe-se que o agente atuou sob o manto de uma excludente de ilicitude. no curso da apreciação do HC. entendemos que as causas que afastam a culpabilidade também obstariam a segregação cautelar preventiva. Todavia. sem a necessidade de oitiva prévia do MP. Não é necessário um juízo de certeza quanto à presença das excludentes. assim. o remédio cabível é o relaxamento dessa prisão (embora também seja possível falar em relaxamento da prisão preventiva ilegal. Não só as excludentes de ilicitude previstas na parte geral do Código Penal estariam elencadas. A fundamentação deve existir no momento em que a preventiva foi decretada. o prejuízo é presumido. afinal. mas também. mas desde que este último esteja devidamente fundamentado e que o julgado se utilize do mesmo como forma de ilustrar o seu próprio raciocínio. não há razão para o cárcere. em razão da presença das justificantes ou das dirimentes. que ocorre quando há excesso de prazo para a formação da culpa). temporária não. para se desejar. não haverá a convalidação da preventiva e supressão da omissão pelas informações prestadas pela autoridade ao Tribunal. ao passo em que o remédio aplicado a uma prisão em flagrante legal e desnecessária é a liberdade provisória. por analogia as previstas na parte especial e na legislação extravagante. 189 . exige-se do juiz a análise pessoal e individualizada da situação de cada um dos agentes. Faltando fundamentação e uma vez impetrado HC. e nos valendo mais uma vez da analogia. se a situação da coisa se alterar. É até possível o magistrado fazer menção ao parecer do MP. 6. ou por provocação. De lege ferenda. Não havendo. não podendo o Tribunal manter a medida. Bastariam apenas indícios (fumus boni iuris) que convencessem o julgador. Essa fundamentação pode ser sucinta.

substitui ou revoga a preventiva. o que deve ser analisado para fins de decreto da prisão preventiva é a presença de motivos cautelares. 190 . asseverara que a apresentação espontânea do acusado a autoridade não impediria a decretação da prisão preventiva nos casos em que a lei autorizasse. conveniência da instrução criminal. garantia da ordem econômica. idoso.  Restringem-se as hipóteses admissíveis para a preventiva: CRIMES DOLOSOS COM PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE MÁXIMA SUPERIOR A QUATRO ANOS.9 APRESENTAÇÃO ESPONTÂNEA DO ACUSADO O antigo art. do ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO (incluído pela reforma) ou por representação de autoridade policial.  Mantêm-se os mesmos requisitos para a preventiva: materialidade + indícios suficiente de autoria + elemento alternativo: garantia da ordem pública. independente se ocorreu ou não a apresentação espontânea do acusado.  Estabelece-se uma prisão preventiva utilitária. 7. quando houver suspeita de prática do fato sob o manto de qualquer excludente de ilicitude. Ocorre que a reforma alterou este dispositivo. Tal medida consiste no recolhimento do indiciado ou acusado em sua residência. só podendo dela ausentar-se com autorização judicial. ela pode ser decretada de ofício pelo magistrado. assegurar a aplicação da lei penal. 317 E 318 DO CPP) A reforma de 2011 acrescentou ao CPP mais uma modalidade de prisão processual. que decreta. Desse modo. reincidência dolosa e violência familiar (mulher. do querelante. assim que tal objetivo for atingido. entendo eu. criança e etc. 6. deve ser motivada. solta-se o preso. não regulando mais este tema.10 RESUMO DO NUCCI SOBRE O CAPÍTULO APÓS REFORMA  A prisão preventiva pode ser decretada em qualquer fase da investigação ou do processo.PRISÃO DOMICILIAR (ARTS. porém. cuja finalidade é permitir a apuração da identidade civil do indiciado ou réu. Acrescenta-se a possibilidade de sua decretação pelo descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares. 317 do CPP. conforme requerimento do MP.  Não se decreta a prisão preventiva. Em juízo.6. antes da reforma de 2011.  Toda decisão.). que a apresentação espontânea jamais pode ser utilizada como subterfugio para impedir a decretação da prisão preventiva.  O juiz só pode decretar a preventiva DE OFÍCIO durante o processo penal (durante o IP não). IMPORTANTE!!! É preciso registrar. Obs. Esse raciocínio é também válido para a prisão temporária. a chamada prisão domiciliar.

Deve o juiz. atendendo as peculiaridades do caso concreto. ao decretar a prisão. o art. Para a substituição. 7. III . assim como em qualquer outra etapa da persecução. deverá fundamentar o porquê da sua manutenção. (Incluído pela Lei nº 12. durante as 24 horas do dia. enseja relaxamento.1 RESUMO DO NUCCI SOBRE O CAPÍTULO APÓS REFORMA  A prisão domiciliar é uma forma alternativa de cumprimento da prisão preventiva. Anulada a pronúncia. diversos do que estão elencados. estendendo-se a outros presos. b) estar o agente extremamente debilitado por motivo de doença grave.extremamente debilitado por motivo de doença grave.gestante a partir do 7o (sétimo) mês de gravidez ou sendo esta de alto risco. centraliza-se a base na prisão preventiva.  Cuida-se de uma faculdade do juiz. II . de 2011).imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência. (Incluído pela Lei nº 12. (Incluído pela Lei nº 12. em lugar de se manter o preso em cárcere fechado. O que prepondera é que no momento da pronúncia deve o juiz analisar. 318 do CPP assevera que o juiz poderá substituir a prisão preventiva anteriormente decretada pela domiciliar quando o agente for: I . (Incluído pela Lei nº 12.PRISÃO DECORRENTE DE SENTENÇA CONDENATÓRIA RECORRÍVEL 191 . de 2011). acabou.403. expressamente.403.PRISÃO DECORRENTE DA DECISÃO DE PRONÚNCIA A prisão decorrente de pronúncia. de 2011). de 2011). o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste artigo. ressalvada a hipótese de decretação da preventiva m nova deliberação. De outro lado. informando quais os motivos que o convenceram da necessidade do cárcere.403. (Incluído pela Lei nº 12. devendo a prisão ser prontamente relaxada. se a prisão é ou não necessária. desaparece o título prisional. em evidente ilegalidade.403. 8. 9. de 2011). propriamente dita. Ainda que venha a ratificar a prisão previamente existente.403. e sua ausência ou deficiência. c) ser o agente imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de seis anos ou com deficiência e d) ser gestante a partir do sétimo mês de gravidez ou sendo esta de alto risco. obrigatoriamente fundamentar a medida.maior de 80 (oitenta) anos. 318 do CPP. nos inciso I a IV do art. é inserido em recolhimento ocorrido em seu domicilio.  A prisão domiciliar não pode ser banalizada. e em caso positivo. A fundamentação é da essência do ato. desde que respeitados algum dos seguintes requisitos: a) ser o agente maior de 80 anos. IV . Parágrafo único.

no que diz respeito a pena. eis que afronta o principio da não culpabilidade. resolveu por bem encerrar qualquer polêmica decidindo que A EXECUÇÃO PROVISÓRIA É INCONSTITUCIONAL. há um teto máximo para a sanção penal. de 2011). Sendo a Constituição enfática de que só cabe prisão. toda prisão anterior ao trânsito em julgado da sentença condenatória (prisão cautelar) é excepcional. por circunstâncias relacionadas ao fato. 10. II . o que já se extraía da Súmula 347 do STJ. sem prejuízo do conhecimento da apelação que vier a ser interposta. 12. implicava no arrebatamento de pessoas pelos órgãos de investigação. 312 do CPP. O grande mérito dessa importante decisão do STF é deixar claro. imposição de prisão preventiva ou de outra medida cautelar. transitou em julgado para o MP.403. dessa forma.comparecimento periódico em juízo.proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando. Essa possibilidade somente está presente quando a decisão condenatória. e agora do parágrafo único do art.INCONSTITUCIONALIDADE DA EXECUÇÃO PROVISÓRIA OU ANTECIPADA DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE Entende-se como execução provisória ou antecipada da pena privativa de liberdade a possibilidade de que o condenado a esta modalidade de pena execute antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. no art. caracterizando abuso de autoridade. por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente. pois. 319 E 320 DO CPP) Além das modalidades de prisão cautelar.OUTRAS MEDIDAS CAUTELARES (ARTS. para que esta não se transmude em ilegal. sobre a manutenção ou. deva o indiciado ou acusado 192 . fundamentadamente. se for o caso. para aferir a vinculação das mesmas a uma infração. no prazo e nas condições fixadas pelo juiz. 11. Em julgamento histórico. o CPP. que. Deve o magistrado expressamente revelar a justificativa da prisão. após a reforma de 2011. e não há deserção pela fuga do apelante. somente podendo ser decretada por razões de necessidade. (Redação dada pela Lei nº 12. O recolhimento do réu ao cárcere não é requisito objetivo para o conhecimento do recurso de apelação. quais sejam: I . que eram literalmente presas. Na sentença condenatória o juiz decidirá. aqueles mesmos relativos a prisão preventiva e estampados no art. o tribunal pleno do STF. 319. de uma vez por todas. a prisão para averiguação é de todo ILEGAL. ou para investigar a sua vida pregressa. 387 do CPP. passou a elencar também outras medidas cautelares diversas da prisão. em face do princípio da presunção da inocência. para informar e justificar atividades. desafiando relaxamento.PRISÃO PARA AVERIGUAÇÕES Instrumento utilizado como forma manifesta de constrangimento. afora o flagrante e as transgressões militares.

de 2011). 193 . de 2011).proibição de manter contato com pessoa determinada quando. A novidade trazida pela reforma de 2011 diz respeito a POSSIBILIDADE DE CUMULAR ESTA MODALIDADE DE LIBERDADE PROVISÓRIA SEM FIANÇA COM AS MEDIDAS CAUTELARES diversas da prisão elencadas pelo art. (Redação dada pela Lei nº 12. no prazo de 24 (vinte e quatro) horas. 320: Art. § 4o A FIANÇA será aplicada de acordo com as disposições do Capítulo VI deste Título.403. de 2011). A proibição de ausentar-se do País será comunicada pelo juiz às autoridades encarregadas de fiscalizar as saídas do território nacional. 321 do CPP assevera que: Art. (Incluído pela Lei nº 12.403. (Incluído pela Lei nº 12. por circunstâncias relacionadas ao fato. IMPORTANTE!!! A fiança. pode ser cumulada com outras medidas cautelares. (Incluído pela Lei nº 12. VIII . IX . VII . permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações. as medidas cautelares previstas no art.monitoração eletrônica. PODENDO SER CUMULADA com outras medidas cautelares. (Redação dada pela Lei nº 12. (Incluído pela Lei nº 12.403.403. se for o caso. 319 do CPP. de 2011).fiança.internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça. V . de 2011). E de acordo com o art. de 2011).recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos.suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais. para assegurar o comparecimento a atos do processo. de 2011).403. Ausentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva. 321. VI . nas infrações que a admitem. deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante. IV .403. de 2011). (Incluído pela Lei nº 12. quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (art. o art. A prisão administrativa encontra-se expressa e definitivamente revogada do ordenamento jurídico brasileiro após a reforma. de 2011). IMPORTANTE!!! Revogação da prisão administrativa. (Redação dada pela Lei nº 12. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração. (Incluído pela Lei nº 12. intimando-se o indiciado ou acusado para entregar o passaporte. 320.403. o juiz deverá conceder liberdade provisória. 319 deste Código e observados os critérios constantes do art. de 2011).proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução. III . evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial. E por fim. (Incluído pela Lei nº 12. impondo.403.403.403. 282 deste Código. medida cautelar indicada no inciso VIII. IMPORTANTÍSSIMO!!! É hipótese de liberdade provisória sem fiança.

 Instaura-se a monitoração eletrônica como medida cautelar. por exemplo. Havia lacuna nesse sentido. deixando de ser somente uma garantia real. dilatando. antes restritas as saídas temporárias de presos no regime semiaberto e as prisões domiciliares. que permite o recolhimento cautelar de enfermos e perturbados mentais. 397.  Varias delas já são conhecidas como condições para o gozo do sursis.  A mais importante novidade diz respeito a INTERNAÇÃO PROVISÓRIA. inclusive. em caso de crime cometido nas suas dependências. passível de cumulação com outras medidas provisórias. alternativas prisão preventiva. consoante o regimento. sobremaneira.1 RESUMO DO NUCCI SOBRE O CAPÍTULO APÓS REFORMA  Elimina-se do cenário processual penal qualquer modalidade de prisão administrativa. a monitoração eletrônica. como. Não há crime. o fato de o réu se encontrar em prisão especial. quando possível a substituição. pois a medida de segurança provisória foi revogada pela LEP. 194 . livramento condicional ou regime aberto. O poder de polícia da câmara dos deputados e do senado federal. 717. para muitas delas. Há. medida cautelar utilizada como pena alternativa.12. fica superada a alegação do constrangimento ilegal da prisão por excesso de prazo na instrução.  STF 145. compreende.  Criam-se várias medidas cautelares. caso da proibição de frequentar lugares. Não impede a progressão de regime de execução da pena. fixada em sentença não transitada em julgado. aplicada na concessão de liberdade provisória. a sua relevância. a prisão em flagrante do acusado e a realização do inquérito. quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação. em forma de recurso estatal. Pronunciado o réu.  A fiança é ampliada. SÚMULAS APLICÁVEIS  STJ 21.  O sucesso ou fracasso das novas medidas cautelares dependerá de dois fatores preponderante: a) a efetiva aplicação pelos juízes. e b) o apoio. que tenham cometido fato criminoso grave. sob suspeita de reiteração. para tornar-se medida cautelar.

1 LIBERDADE PROVISÓRIA OBRIGATÓRIA Trata-se de direito incondicional do infrator. 195 . obstando qualquer modalidade de liberdade provisória. O INSTITUTO DA LIBERDADE PROVISÓRIA SE PRESTA PARA COMBATER A PRISÃO EM FLAGRANTE LEGAL. como acontece por comando da própria CF. 2. Por sua vez. que determina que a lei considerará os crimes hediondos e assemelhados (tráfico. mesmo tendo sido surpreendido em flagrante. 2.ESPÉCIES 2. a vedação legal absoluta da liberdade provisória é inconstitucional. As restrições podem existir. encerrado este.3 LIBERDADE PROVISÓRIA VEDADA É vedada quando couber prisão preventiva e nas hipóteses que a lei estabelecer expressamente a proibição. 2. que ficará em liberdade. vedação absoluta. ela deve ser revogada. ferindo a presunção de inocência e retirando do magistrado a atividade que lhe é peculiar na gestão da conveniência da medida.2 LIBERDADE PROVISÓRIA PERMITIDA É admitida quando não estiverem presentes os requisitos de decretação da preventiva. vai se livrar solto. LIBERDADE PROVISÓRIA 1. Quanto à temporária. foge ao razoável. ela estará automaticamente revogada. não se submetendo a nenhuma obrigação para fazer jus a este direito. Lembrar!!! Incompatibilidade entre os institutos da prisão preventiva e liberdade provisória. Contudo. ou seja. Já quanto à preventiva. sendo a única prisão cautelar que tem prazo preestabelecido em lei. tortura e terrorismo) inafiançáveis. se a lei expressamente autorizar.RESTRIÇÕES Para os autores. se o flagrante for ilegal. caberá relaxamento. 3. verificando o juiz que os requisitos que a fundamentavam desapareceram.CONCEITO A liberdade provisória deve ser entendida como medida de contracautela pela qual determinado agente deverá ser colocado em liberdade. e quando a lei não vedar expressamente.

por envolverem enriquecimento ilícito. Não foi outro o entendimento do STJ. alterando a lei de crimes hediondos. fazendo materialmente desinfluente a questão da revogação ou não. Ora. deve haver o mesmo direito. Crimes contra a economia popular e de sonegação fiscal – estas infrações. o mesmo STJ. lei especial. Destarte. no caput do art. Crimes hediondos e assemelhados – não admitem a prestação de fiança. onde há a mesma razão. É que a lei 11. fundamento suficiente por se tratar de norma especial especificamente em relação ao parágrafo único do art. O interessante é que o crime de tortura. que disciplina o tráfico e condutas assemelhadas. 4. contudo admitem a prestação de fiança. já comportava liberdade provisória sem fiança. do art. com ou sem fiança.LIBERDADE PROVISÓRIA SEM FIANÇA 4.434/06. Entretanto. Contudo. mesmo sendo lei especial.464/07 passaram a admitir liberdade provisória sem fiança. não comportam liberdade provisória sem fiança. é incompatível com a lei e com a CF a interpretação que conclui pela admissibilidade.464/07. por si. A PROIBIÇÃO DA LIBERDADE PROVISÓRIA A ACUSADOS PELA PRÁTICA DE CRIMES HEDIONDOS DERIVA DA INAFIANÇABILIDADE DOS DELITOS DESSA NATUREZA preconizada pela Constituição da República e da Lei 11. apreciando ação direta de inconstitucionalidade.343/06. Mas mesmo assim. O STF. comércio ilegal de arma de fogo. decorre. assim se manifestou: “a proibição da liberdade provisória. que é assemelhado ao hediondo. 44 da nova lei de Tóxicos.1 LIBERDADE PROVISÓRIA SEM FIANÇA E SEM VINCULAÇÃO 196 . acreditam os autores que houve revogação tácita com o advento da lei 11. primariamente. com ou sem fiança. da própria Constituição Federal. Já quanto ao tráfico de drogas. por força da lei 11. No primeiro caso. Crime organizado e lavagem de dinheiro – vedam qualquer modalidade de liberdade provisória. em decisão diametralmente oposta. declarou tal vedação incompatível com o texto constitucional. há decisões reconhecendo a inconstitucionalidade desses diapositivos. 310 do CPP. Estatuto do desarmamento – o art. tráfico internacional de armas. 21 vedava a concessão de liberdade provisória aos seguintes crimes: posse ou porte ilegal de arma de uso restrito. da conversão da prisão cautelar decorrente de flagrante delito em liberdade provisória”. 44 veda a fiança e a liberdade provisória sem fiança a tais infrações. Afinal. no caso de qualquer desses crimes. que é. “aos agentes que tenham intensa e efetiva participação na organização criminosa”. IMPORTANTE!!! O STJ tem posicionamento mais firmado no sentido de ACEITAR A CONSTITUCIONALIDADE DA VEDAÇÃO DA LIBERDADE PROVISÓRIA. a questão exige bom senso.

sem a necessidade do pagamento de fiança. sem necessidade de realizar nenhum implemento pecuniário. 4. se prestar pronto e integral socorro”. o usuário de drogas. Art. Como forma de estimular o socorro às vítimas. que o agente praticou o fato nas condições constantes dos incisos I a III do caput do art. não ultrapasse a três meses. Já na lei de tóxicos. Ocorre naquelas situações em que a liberdade provisória será concedida compulsoriamente. Se o juiz verificar. sob pena de revogação (com vinculação). Temos ainda mais uma hipótese de liberdade provisória sem fiança e sem vinculação prevista no art. O beneficiado apenas irá se comprometer ao comparecimento a todos os atos do inquérito e do processo. Ele apenas se livra solto (goza de liberdade provisória obrigatória). Não é necessária a certeza da excludente. 197 . conceder liberdade provisória. mesmo não se comprometendo.  Nas infrações cujo máximo de pena privativa de liberdade. de 7 de dezembro de 1940 . 301 do CTB. IMPORTANTE!!! Contudo. cumulada ou alternada. sem nenhuma imposição ao beneficiado. Contudo.Código Penal. pela leitura do auto. Caberá ao juiz. ouvindo previamente o MP. 321 do CPP. para os quais seja devidamente intimado.2 LIBERDADE PROVISÓRIA SEM FIANÇA E COM VINCULAÇÃO O infrator permanecerá em liberdade. com a colheita do respectivo compromisso de comparecimento. mediante termo de comparecimento a todos os atos processuais. será encaminhado à presença do juiz para a lavratura do TCO.  Nas infrações cuja pena de multa é a única cominada. aduzindo que “ao condutor do veículo. nem se exigirá fiança. a lei de trânsito instituiu mais uma hipótese de liberdade incondicional de todo salutar. depois de lavrado o auto de prisão em flagrante. 309. (Redação dada pela Lei nº 12. conceder ao acusado liberdade provisória. seja isolada. Art.403. tratado no âmbito dos Juizados Especiais. 310 CPP Parágrafo único.848. Bastam indícios suficientes neste sentido. não há duvidas de que resta prejudicada essa espécie de liberdade provisória sem fiança. registre-se que a reforma de 2011 revogou expressamente os incisos I e II do art. submetendo-se às exigências legais. nos casos de acidentes de trânsito de que resulte vítima. não se imporá a prisão em flagrante. de ofício ou por provocação. de 2011). deverá ser posto em liberdade. 23 do Decreto-Lei no 2. Se o réu se livrar solto.  Auto de flagrante x excludentes de ilicitude Percebendo o magistrado. é sinal da probabilidade da ausência de crime. pelo auto de prisão em flagrante. fundamentadamente. que o infrator atuou amparado por uma excludente de ilicitude. ainda assim está vedada a sua detenção. poderá. Por esse motivo.

o juiz. se for o caso. Da mesma forma. qualquer das obrigações ou medidas impostas. poderá conceder-lhe liberdade provisória. sujeitando-o às obrigações constantes dos arts. 327 e 328 deste Código e a outras medidas cautelares. poderá conceder-lhe liberdade provisória. Parágrafo único. mediante a devida intimação. o MP deve ser previamente ouvido. se for o caso. as medidas cautelares previstas no art. sujeitando-o as obrigações constantes dos arts. Se pela leitura do auto o juiz entende que não há risco à ordem pública. 282 deste Código. 321.403. de 2011). IMPORTANTE!!! A novidade trazida pela reforma diz respeito a possibilidade de o juiz cumular com essa liberdade sem fiança outras medidas cautelares diversas da prisão elencadas no art. Obs. verificando a situação econômica do preso. 198 . 282 do código. Os autores entendem que caberia também a liberdade provisória sem fiança se configuradas causas excludentes de culpabilidade e extintivas de punibilidade. pois o indivíduo não apresenta risco à livre produção probatória. nem há risco de fuga. Não existe mais tal proibição. 319 deste Código e observados os critérios constantes do art. IMPORTANTE!!! A reforma de 2011 revogou expressamente a vedação da liberdade provisória prevista no art. 282 deste Código.403. Somente poderá ser concedido pelo juiz. 319 do CPP.  Quando o réu for pobre e não puder arcar com o valor da fiança Art. sem a necessidade de fiança. Não existe mais tal proibição. de 2011). sem motivo justo.403. assumindo o beneficiário apenas o compromisso de comparecer a todos os atos da persecução penal. econômica. Nos casos em que couber fiança. 327 e 328 do CPP e a outras medidas cautelares. verificando a situação econômica do preso. Se o beneficiado descumprir. 310 aos casos de prisão em flagrante pela prática de crimes contra a economia popular ou de crime de sonegação fiscal. o juiz deverá conceder liberdade provisória. se for o caso. exigindo-se a prévia oitiva do MP. de ofício ou por provocação. 350. (Redação dada pela Lei nº 12.Obs. não se faz conveniente à instrução criminal. (Redação dada pela Lei nº 12. impondo. observados os critérios constantes do art.  Auto de flagrante x inexistência de hipótese autorizadora da prisão preventiva Art. Nos casos em que couber fiança. de 2011). aplicar-se-á o disposto no § 4o do art. IMPORTANTE!!! A reforma de 2011 revogou expressamente a vedação da liberdade provisória prevista no art. (Redação dada pela Lei nº 12. 310 aos casos de prisão em flagrante pela prática de crimes contra a economia popular ou de crime de sonegação fiscal. Ausentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva. deve haver a concessão da liberdade provisória. o juiz.

ela tem dupla finalidade: a) assegurar a liberdade provisória do indiciado ou réu. da indenização do dano causado pelo crime (se existente). 336. impor outra em cumulação. Parágrafo único. desde que preenchida determinadas condições. cabendo o socorro à ação de habeas corpus. se o réu for condenado. 6. não haverá lavratura do termo circunstanciado e sim de auto de prisão em flagrante delito. da prestação pecuniária e da multa. da prestação pecuniária e da multa (se forem aplicadas). Art. Já a denegação do instituto curiosamente é irrecorrível. decretar a prisão preventiva (art. ou.403. sem motivo justo. Art. 199 . se o réu for condenado.1 FIANÇA X LIBERDADE PROVISÓRIA MEDIANTE FIANÇA A FIANÇA é uma garantia real. de 2011). 336 caput do CPP após a reforma de 2011. No processo penal. 5. parágrafo único). 282 § 4o No caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas. da indenização do dano. Este dispositivo terá aplicação ainda no caso da prescrição depois da sentença condenatória (art.69 parágrafo único da lei 9099) É hipótese de liberdade provisória com vinculação porque o agente deverá comparecer ao juizado especial criminal. Para tais crimes. de 2011).403.SISTEMA RECURSAL Da concessão da liberdade provisória sem a prestação de fiança cabe o recurso em sentido estrito. o que passou a estar expresso no art. (Redação dada pela Lei nº 12. de seu assistente ou do querelante. o juiz. aplicar-se-á o disposto no § 4o do art.LIBERDADE PROVISÓRIA COM FIANÇA 6. de ofício ou mediante requerimento do Ministério Público. para assegurar o direito de permanecer em liberdade. não se aplica o disposto na Lei 9099. de 2011). em último caso. recolhendo- se o agente delitivo ao cárcere. O dinheiro ou objetos dados como fiança servirão ao pagamento das custas. 282. b) possibilitar o pagamento das custas (quando houver). (Incluído pela Lei nº 12. 110 do Código Penal). Se o beneficiado descumprir. qualquer das obrigações ou medidas impostas.403.  Quando a infração for de menor potencial ofensivo e o agente comparecer imediatamente ao juizado especial criminal ou se comprometer a ele comparecer (art. Lembrar!!! Nos crimes praticados mediante violência doméstica ou familiar contra a mulher. consistente no pagamento em dinheiro ou na entrega de valores ao Estado. enquanto decorre o IP ou o processo criminal. no transcurso de um processo criminal. (Redação dada pela Lei nº 12. poderá substituir a medida. 312.

2 OBJETIVOS DA FIANÇA Obter a presença do agente a todos os atos da persecução penal. de 2011). apenas o magistrado poderá conceder fiança. Parágrafo único. pois. isso se aplica mesmo aos crimes inafiançáveis. e de eventual multa aplicada na sentença condenatória. pois é autorizada a liberdade provisória sem fiança se ausentes os motivos da prisão preventiva. que atenda aos requisitos legais e assuma as respectivas obrigações.403. Por consequência. Obs. É uma contracautela destinada ao combate de algumas prisões processuais.Lembrar!!! A fiança é um instituto de pouca utilização.  É possível a concessão de fiança pelo delegado nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 anos. o valor prestado ainda vai servir para um nobre papel. o valor da fiança seguirá este destino (parágrafo único). que decidirá em 48 (quarenta e oito) horas. Se sobrar algo. IMPORTANTÍSSIMO!!! Após a reforma é possível a concessão de fiança pelo DELEGADO nos casos de INFRAÇÃO CUJA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE MÁXIMA NÃO SEJA SUPERIOR A 4 ANOS (antigamente o delegado só poderia conceder fiança se o crime fosse punido com detenção ou prisão simples). que é a indenização da vítima. evitando-se os efeitos deletérios do cárcere preliminar. IMPORTANTE!!! Ocorrida condenação. 6. (Redação dada pela Lei nº 12. Art. A liberdade provisória mediante fiança é o direito subjetivo do beneficiário. será devolvido àquele que prestou a fiança. o pagamento das custas processuais. se houver condenação. Lembrar!!! Só pode ser decretada a prisão preventiva nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos. Vantagens práticas da liberdade provisória com fiança. além de se constituir em abuso de autoridade. em juízo. imprimindo uma implementação financeira e condicionando o beneficiário a uma série de imposições. dá ensejo a constrangimento ilegal sanável pelo remédio heróico do HC. IMPORTANTE!!! A possibilidade de concessão da fiança pela autoridade policial só deve incidir na fase do IP. Nos demais casos. a fiança será requerida ao juiz. de permanecer em liberdade durante a persecução penal. Mesmo que ocorra a prescrição da pretensão executória. objetiva-se também garantir a execução da pena.  A oitiva do MP é posterior ao decreto judicial que a concede. A AUTORIDADE POLICIAL somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE MÁXIMA NÃO SEJA SUPERIOR A 4 (QUATRO) ANOS. 322. 200 . Negada arbitrariamente.

Já o art. IMPORTANTE!!! A respeito do valor da fiança. c) circunstâncias indicativas de sua periculosidade. de 2011). quando o máximo da pena privativa de liberdade cominada for superior a 4 (quatro) anos. Entretanto.3 VALOR DA FIANÇA Dispõe o art. § 1o Se assim recomendar a situação econômica do preso. de 2011). 6. (Redação dada pela Lei nº 12.403.403. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins.403. 325.dispensada.de 1 (um) a 100 (cem) salários mínimos. 201 . 6. (Incluído pela Lei nº 12.nos crimes de racismo.000 (mil) vezes.403. III .403.403.403. com redação dada pela reforma de 2011: Art. (Redação dada pela Lei nº 12.403. I . Lembrar!!! A autoridade policial somente pode arbitrar fiança nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 anos. II . 325 do CPP. Da mesma forma.reduzida até o máximo de 2/3 (dois terços). NÃO SERÁ CONCEDIDA FIANÇA: (Redação dada pela Lei nº 12.nos crimes de tortura. (Redação dada pela Lei nº 12. de 2011). não for superior a 4 (quatro) anos. de 2011). b) condições pessoais de fortuna e vida pregressa do acusado. d) bem como a importância provável das custas do processo. a fiança poderá ser: (Redação dada pela Lei nº 12. Art. II . insta salientar que a REDUÇÃO da fiança pode ser realizada pelo juiz ou pela autoridade policial. quando se tratar de infração cuja pena privativa de liberdade. I . a NÃO APLICAÇÃO da fiança para o agente pobre e o AUMENTO da fiança para o agente rico somente podem ser feitos pelo juiz. de 2011). de 2011). 326 do CPP estabelece os critérios para a fixação desse valor: a) natureza da infração. Em havendo absolvição.aumentada em até 1.(Revogado pela Lei nº 12. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. de 2011). de 2011).403.403.nos crimes cometidos por grupos armados. se ocorrer a extinção da punibilidade ou pedido de arquivamento do inquérito policial.403. terrorismo e nos definidos como crimes hediondos. I . haverá pronta e integral devolução. II .4 HIPÓTESES QUE VEDAM A FIANÇA São inafiançáveis os crimes previstos nos arts. de 2011). 323. de 2011).de 10 (dez) a 200 (duzentos) salários mínimos. no grau máximo. na forma do art. de 2011). de 2011). até final julgamento. 350 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12. sem abatimento. civis ou militares. IV . O valor da fiança será fixado pela autoridade que a conceder nos seguintes limites: (Redação dada pela Lei nº 12. III . (Incluído pela Lei nº 12. ou (Redação dada pela Lei nº 12. 323 e 324 do CPP (redação dada pela reforma de 2011). (Incluído pela Lei nº 12.403.

não se imporá a prisão em flagrante. nem se exigirá fiança.em caso de prisão civil ou militar. nem se exigirá fiança. após a lavratura do termo circunstanciado. Veda também a imposição de flagrante (e qualquer outra modalidade de prisão) para o autor do crime de uso de entorpecentes.403. tiverem quebrado fiança anteriormente concedida ou infringido. como outrora fazia) (Redação dada pela Lei nº 12.6 FIANÇA DEFINITIVA A fiança hoje é sempre definitiva. 324. em caso de condenação. Em caso de descumprimento de quaisquer dessas condições. a fiança será tida como quebrada. IGUALMENTE. o beneficiado ficará submetido a algumas condições. de 2011).403.  Não mudar de residência sem prévia permissão da autoridade processante. (Redação dada pela Lei nº 12. IMPORTANTE!!! Os valores dados como fiança servirão ao pagamento das custas.403.5 CONDIÇÕES DA FIANÇA Em caso de concessão da liberdade provisória com fiança. for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer. Isso não impede o reforça da fiança. IMPORTANTE!!! Para as infrações penais de menor potencial ofensivo. de 2011). se prestar pronto e integral socorro a vítima. tais como:  Comparecer perante a autoridade. sem comunicar aquela autoridade o lugar onde será encontrado. (Redação dada pela Lei nº 12. no mesmo processo. V .(Revogado pela Lei nº 12.  Não praticar outra infração penal.aos que. de 2011). mesmo que não compareça ao juizado especial criminal. não se imporá prisão em flagrante. III . da prestação pecuniária e da multa. IV . 327 e 328 deste Código.403. de 2011). Art. de 2011). CONCEDIDA FIANÇA: (Redação dada pela Lei nº 12. 312).(Revogado pela Lei nº 12.403. salvo motivo justo. da indenização do dano. I . as quais são de competência do juizado especial criminal. sem motivo justo. em qualquer situação. (o dispositivo não mais se refere aos termos “prisão disciplinar” e “prisão administrativa”.quando presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva (art. no sentido de que não se exige mais verificação posterior do seu valor. nos casos de acidente de trânsito de que resulte vítima. ou ausentar-se por mais de 8 dias de sua residência. qualquer das obrigações a que se referem os arts. 6. Essas disposições terão aplicação ainda no caso de prescrição depois da sentença condenatória. ao autor do fato que. 6. 202 . II . Lembrar!!! Ao condutor do veiculo. de 2011). todas as vezes que for intimado para os atos do IP e da instrução criminal e para o julgamento.403. NÃO SERÁ.

federal. de 2011). (Incluído pela Lei nº 12. por simples petição. dispensando-se a prévia oitiva daquela autoridade. STJ SÚMULA Nº 332 . de 2011).403.resistir injustificadamente a ordem judicial. I . de 2011). Dispõe o art. 330 do CPP: Art. objetos ou metais preciosos. (Incluído pela Lei nº 12. será possível o oferecimento de HC junto ao respectivo tribunal. IV . consistirá em depósito de dinheiro.praticar nova infração penal dolosa. III . devendo o magistrado avaliar a necessidade da prisão preventiva.deliberadamente praticar ato de obstrução ao andamento do processo. Se houver demora ou recusa por parte da autoridade judiciaria. 6. 330. sem motivo justo. O quebramento injustificado da fiança importará na perda da metade de seu valor. V . a decretação da prisão preventiva (se houver necessidade para tanto) – não é caso mais.403. 341. Lembrar!!! Na liberdade provisória com fiança. portanto. 203 .regularmente intimado para ato do processo.403. o MP só será ouvido após a concessão da fiança. se for o caso. para que o faça. o preso. desde a prisão em flagrante até o trânsito em julgado da decisão condenatória.A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia. cabendo ao juiz decidir sobre a imposição de outras medidas cautelares ou.7 CONSEQUÊNCIAS POSSÍVEIS DA FIANÇA  Quebra da fiança É a sanção processual imposta apenas pelo Judiciário àquele que rompeu com o laço de confiança. de 2011). ao invés de oferecer HC. o afiançado deve ser ouvido. no prazo de 48 horas. se houver recusa ou demora na sua fixação. de 2011).403. pedras. que será sempre definitiva. ou alguém por ele.403. títulos da dívida pública. (Incluído pela Lei nº 12. de 2011). estadual ou municipal. Para os autores. IMPORTANTE!!! A fiança poderá ser concedida a qualquer tempo.descumprir medida cautelar imposta cumulativamente com a fiança.403. As hipóteses de quebra da fiança foram ampliadas com a reforma de 2011: Art. A fiança. deverá provocar o juiz. (Incluído pela Lei nº 12. de imediato recolhimento do agente a prisão. II . Julgar-se-á quebrada a fiança quando o acusado: (Redação dada pela Lei nº 12. Nos casos em que a autoridade policial pode fixar a fiança (pena privativa máxima não superior a 4 anos). ou em hipoteca inscrita em primeiro lugar. (Incluído pela Lei nº 12. IMPORTANTE!!! Súmula 332 do STJ. deixar de comparecer. hipótese em que poderá pugnar pelo reforço da fiança ou oferecer RSE contra a concessão.

que já serviu para pagar as custas. que tenha repercussão. sendo canalizado ao Fundo Penitenciário Nacional. sendo interlocutória. o valor remanescente da fiança.  Cassação da fiança Em regra. ou depreciação dos metais ou pedras preciosas. no quantitativo da fiança. a fiança volta a subsistir em todos os seus efeitos. comporta recurso em sentido estrito. comporta recurso em sentido estrito. uma vez julgado procedente. em razão da alteração da pena. por equívoco. afinal não houve nenhuma falta do afiançado. seja porque ela foi tomada. a fiança será restaurada. comporta recurso em sentido estrito. Uma vez cassada a fiança. e por conseqüência. Se o fizer. privativa do juiz. tem efeito suspensivo quanto à destinação do valor remanescente. A decisão pela quebra da fiança. Da mesma forma. Não pode frustrar a efetivação da punição. a fiança será julgada perdida. Esse recurso pode ser interposto até mesmo pelo terceiro que prestou fiança em favor de outrem. independentemente do regime. Só o Judiciário pode determinar a cassação (nunca pela autoridade policial). Caso o tribunal de provimento ao RSE. Admite-se ainda a cassação. ou daquela que foi evitada com a prestação da fiança. nas mesmas condições anteriores. reconhecendo-se a existência de infração inafiançável. se a fiança foi 204 .  Perda da fiança Uma vez transitada em julgado a sentença condenatória que imprima ao réu pena privativa de liberdade. A cassação pode até mesmo ocorrer na fase recursal. sem efeito suspensivo. com o conseqüente recolhimento ao cárcere. Da mesma forma. que nada mais é do que o restabelecimento da prisão anteriormente existente. e cobrir eventual multa. Se o reforço não for realizado. A decisão que decreta a perda. A decisão de cassação da fiança. quando ocorrer a depreciação material ou perecimento de bens hipotecados ou caucionados. sendo que. que terá efeito suspensivo apenas quanto ao perdimento da metade do valor prestado em fiança. O recolhimento ao cárcere é imediato (se for decretada a prisão). em valor insuficiente. dizemos que a mesma foi julgada inidônea. indenizar a vítima. expedindo-se para tanto mandado de prisão. colocando-se imediatamente o agente em liberdade. O bem caucionado será devolvido integralmente.  Reforço da fiança O reforço é a necessidade de implementar a fiança. fiança a ser cassada é aquela concedida por equívoco. ou quando for inovada a classificação do delito. o condenado terá que se recolher ao cárcere para iniciar o cumprimento da pena. caso ocorra uma inovação na tipificação do delito. não será devolvido. tendo natureza interlocutória. a fiança vai ser julgada sem efeito (ato do juiz).

b) em caso de prisão civil ou militar. a prisão processual obrigatória. afinal. Com o advento do trânsito em julgado da sentença condenatória. se pode ser dispensado do todo. indenizar a vítima. para propiciar o pagamento das custas. A dispensa não é uma discricionariedade do magistrado. Enquanto não transitar em julgado a sentença.  Proíbe-se a fiança: a) a quem tenha anteriormente quebrado. 6. admite-se o arbitramento de fiança.  A revogação do art.10 OUTRAS ALTERAÇÕES ADVINDAS DA REFORMA DE 2011  Não há. cabe ao juiz.8 PROCEDIMENTO A fiança poderá ser concedida a qualquer momento da persecução penal. havendo tal exigência. d) nas hipóteses previstas na CF. os bens dados em garantia devem ser convertidos em dinheiro.  Todo valor de fiança a ser restituído fica sujeito a atualização monetária. No mais.  Há novos valores para a fiança (até 4 anos – até 100 SM. e quitar eventual multa.9 RESUMO DO NUCCI SOBRE O CAPÍTULO APÓS REFORMA  A fixação da fiança pode ser feita pela autoridade policial para os casos de infrações cuja pena máxima privativa de liberdade não ultrapasse quatro anos. dispensá-la ou aumentar seu valor máximo em até mil vezes. dependendo da situação econômica do preso (o delegado só pode reduzir o valor). A decisão que julga sem efeito a fiança comporta recurso em sentido estrito. c) quando presente os requisitos da preventiva. como efeito obrigatório da sentença condenatória. 6.prestada sem autorização de um dos cônjuges.  Dispensa da fiança A prova da condição de pobreza pode ser feita por qualquer elemento idôneo.  O jurado mantém o direito a prisão especial com base no art. o agente não tem condições de reforçar a fiança por ter passado a ser excessivamente onerosa em razão da exigência do reforço. 295 X do CPP. mais de 4 anos – até 200 SM)  O JUIZ pode reduzir a fiança mínima em 2/3. implica em ineficácia total da garantia (Súmula 332 do STJ). 205 . e sim um direito do beneficiário. poderá ser dispensado do mesmo. 595 do CPP consolida o entendimento de que o conhecimento da apelação do réu não se vincula a sua prisão processual. 6. nada impede que o juiz o dispense do complemento. permanecendo assim em liberdade. com pleno efeito da fiança prestada. até mesmo da pendência de recurso especial do STJ ou de extraordinário do STF. IMPORTANTE!!! Se em face da situação de pobreza. 439 do mesmo código. sem efeito suspensivo. embora revogada a segunda parte do art.

ATOS DE COMUNICAÇÃO PROCESSUAL

1- FORMAS DE COMUNICAÇÃO PROCESSUAL
Enquanto a citação visa dar ciência de imputação ao acusado, chamando-o a se
defender, a intimação é a comunicação à parte de que foi praticado um ato no processo.
A notificação, a seu turno, é a comunicação para que a parte ou o interessado adote uma
conduta positiva, ou seja, realize uma atividade, um fazer necessário ao andamento
regular do processo.

IMPORTANTE!!! O Código de Processo Penal ADMITE a CITAÇÃO POR
HORA CERTA.

2- CITAÇÃO
2.1 CONCEITO

A citação tem supedâneo no princípio da ampla defesa. É o ato pelo qual o réu
toma ciência dos termos da acusação, sendo chamado a respondê-la e a comparecer aos
atos do processo, a começar, via de regra, pela resposta preliminar à acusação. Agora,
o processo penal não será iniciado pelo ato de interrogatório do acusado, salvo em rito
especial que ainda o preveja expressamente (ex: militar).

A falta de citação importa na sanção de nulidade. O ato pelo qual se julga nula
ou de nenhuma eficácia a citação é chamado de circundução, e, quando anulada diz-se
que há citação circunduta. A citação deficiente ou incompleta, por sua vez, acarreta
nulidade relativa.

IMPORTANTE!!! O processo terá completada a sua formação quando realizada a
citação do acusado.

IMPORTANTÍSSIMO!!! Diferentemente do processo civil, A CITAÇÃO NO
PROCESSO PENAL NÃO É CAUSA INTERRUPTIVA DA PRESCRIÇÃO,
NEM PREVINE A JURISDIÇÃO. O recebimento da denúncia ou da queixa é
que é causa interruptiva e a prevenção se dá com a distribuição, nas comarcas com
pluralidade de varas.

2.2 ESPÉCIES

A citação pode se classificar em real (pessoal) ou ficta (presumida). A citação
real ocorre através de oficial de justiça, enquanto a citação ficta pode ser tanto a
editalícia quanto a por hora certa.

206

IPORTANTE!!! NÃO É VÁLIDA A CITAÇÃO PELO CORREIO, pois não foi
contemplada no âmbito do CPP e de suas posteriores reformas. Tampouco existe
previsão de citação por e-mail ou por telefone. Mas é válida a citação por hora certa.

2.2.1 Citação pessoal

A citação por mandado é a regra geral do CPP. A citação por mandado é
realizada pelo oficial de justiça.

Quanto ao horário para a realização da citação, qualquer dia e hora são
admissíveis, não se realizando durante a noite, se o réu estiver em seu domicílio, por
conta, inclusive, da inacessibilidade garantida, constitucionalmente, ao local, pouco
importando, fora dessa hipótese, se noite ou dia, dada à urgência da citação criminal.

IMPORTANTE!!! Não há ressalvas no CPP, como as preconizadas pelo art. 217 do
CPC.

IMPORTANTE!!! A citação pode se dar por carta precatória. Cuida-se das
hipóteses onde o réu residir em comarca distinta da jurisdição do juiz do processo-
crime.

Em casos de urgência, é plausível que seja admitida a precatória telegráfica ou
por meios eletrônicos. Se o juízo deprecado não tiver jurisdição sobre o local da
residência do citando ou se este mudou de residência para localidade conhecida, a
precatória ganhará contornos itinerantes, ou seja, bastará que o juízo deprecado remeta
a precatória para o juízo com competência para fazer a citação, comunicando ao
deprecante, se ainda em tempo hábil para ser cumprida. Da emissão de carta
precatória, deve ser intimado o acusado e o seu defensor.

A citação do militar dar-se-á por intermédio do chefe do respectivo serviço,
devendo o militar ser requisitado quando estiver fora de sua sede. A citação, também
nessa hipótese, será, em regra, para que o acusado ofereça resposta á acusação, em dez
dias. Isso se deve em homenagem à hierarquia militar e a inviolabilidade do quartel.

IMPORTANTE!!! Se o acusado estiver preso, a sua citação será feita pessoalmente,
com a comunicação da audiência ao diretor do estabelecimento prisional. Averbe-se,
portanto, que O PRESO SERÁ CITADO PESSOALMENTE, e não por meio do
diretor do estabelecimento prisional.

Por sua vez, O FUNCIONÁRIO PÚBLICO DEVE SER CITADO
PESSOALMENTE, por mandado, com a comunicação – quando, para a hipótese
concreta, o CPP não preconizar a prévia resposta escrita à acusação – do dia
designado e o juízo não só a ele, mas também ao chefe de sua repartição, em prol da
continuidade do serviço público, para que o superior providencie a substituição do
funcionário que irá faltar no dia da audiência.

O réu no estrangeiro ou em legação estrangeira, em lugar sabido, será citado
por carta rogatória, com a suspensão do prazo prescricional até o seu efetivo
cumprimento, seguindo-se as vias diplomáticas. Já se o infrator está no estrangeiro em
endereço desconhecido pela autoridade, será citado por edital.

207

Quando o processo criminal tramitar em tribunal, a citação será efetivada
mediante carta de ordem que é uma forma de citação, semelhante à precatória, que
ganha esse nome em face da superioridade do grau de jurisdição do órgão colegiado ad
quem.

2.2.2 Citação por edital

A citação por edital (natureza ficta e excepcional) deve ocorrer em situações
excepcionais, decorrentes da impossibilidade de encontrar o réu. O sistema processual
penal brasileiro NÃO presume a ciência da imputação pelo acusado citado por
edital.

IMPORTANTÍSSIMO!!! O desenvolvimento do processo é OBSTADO se o
acusado não comparecer a ele, nem constituir advogado, desaparecendo a
presunção absoluta de que o réu tem conhecimento da acusação. O processo, no
entanto, voltará a correr se o réu citado por edital, em qualquer tempo (limitado
evidentemente por causa extintiva da punibilidade), comparecer.

IMPORTANTE!!! Súmula 415 do STJ. “O período de suspensão do prazo
prescricional é regulado pelo MÁXIMO DA PENA COMINADA”. Assim, citado
por edital, se o réu não comparece, suspende-se o processo e o curso do prazo
prescricional pelo tempo abstratamente fixado para o delito prescrever (art. 109,
CP). Transcorrido o prazo, e mantida a ausência do imputado, o processo seguirá
suspenso, mas o prazo prescricional voltará a correr normalmente.

Vale acrescentar, por oportuno, que sobre a matéria, os Tribunais Superiores têm
entendimentos diametralmente opostos: para o STF “a Constituição Federal não proíbe
a suspensão da prescrição, por tempo indeterminado, na hipótese do art. 366 do CPP”;
já o STJ, recentemente, ao aprovar a súmula 415, ratificou seu entendimento de muitos
anos.

Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem
constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do
prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção
antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso,
decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312.
(Redação dada pela Lei nº 9.271, de 17.4.1996) (Vide Lei nº 11.719,
de 2008)

Art. 367. O processo seguirá sem a presença do acusado que,
citado ou intimado pessoalmente para qualquer ato, deixar de
comparecer sem motivo justificado, ou, no caso de mudança de
residência, não comunicar o novo endereço ao juízo. (Redação
dada pela Lei nº 9.271, de 17.4.1996)

A produção antecipada de provas, autorizada excepcionalmente em casos de
citação por edital, deve ocorrer com a prévia intimação do MP, do querelante e do
defensor público ou dativo, na falta do primeiro, designado para o ato. Realizado o ato
processual urgente, o processo permanecerá em estado de suspensão, evidenciando o
que se denomina crise de instancia.

Por sua vez, segundo o STJ, na súmula 455:

208

Súmula 455 – “A decisão que determina a produção antecipada de
provas com base no artigo 366 do CPP deve ser concretamente
fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso do
tempo”.

A urgência deve embasar a medida, notadamente nas hipóteses de iminente
perecimento ou desaparecimento da prova que se pretenda produzir, o que exige devida
motivação, evitando assim uma regular instrução enquanto pende a suspensão do
processo, agravada pela ausência do réu. A deliberação judicial autorizando ou
denegando a antecipação de prova desafia correição parcial, além da possibilidade de
HC ou MS.

Todo edital tem um prazo de dilação. Prazo de dilação é o tempo que deve
correr entre a publicação do edital e a data em que se considera efetivado o ato
processual. Vale dizer, a citação não está perfeita com a simples publicação do
edital.

IMPORTANTE!!! A regra geral é a de que se o réu não for encontrado, será citado por
edital, com o prazo de 15 dias. A ocultação do acusado para frustrar a citação pessoal
não mais autoriza citação por edital, com prazo de cinco dias, porém CITAÇÃO COM
HORA CERTA.

Com o advento da lei 11.719/08, não fala mais o Código em citação do réu por
edital quando inacessível, em virtude de epidemia, de guerra ou por outro motivo de
força maior, o lugar em que estiver o réu, e quando incerta a pessoa que tiver de ser
citada, caso em que o prazo era estabelecido entre 15 e 90 dias. Não obstante, entende-
se que tais hipóteses persistem no ordenamento jurídico, mormente na nova redação do
§2º do art. 363, CPP, que afirma que não sendo encontrado o acusado, será
procedida a citação por edital.

A prova da publicação em jornal é feita pela juntada da página onde ele se acha,
aos autos, ou pela certidão do escrivão em que constará a página e a data da publicação.

É inconcebível dúvida quanto a individualização do acusado para fins de citação
por edital. Já a incerteza de localização do acusado, leva a realização de citação edilícia.

O edital em suma, deve ser o mais completo possível, de preferência com a
transcrição da narrativa da denúncia. Todavia, a jurisprudência tem se contentado com a
simples indicação do tipo penal no qual se encontra incurso o acusado, dispensada
menção a síntese fática da peça acusatória.

Súmula 366 STF - Não é nula a citação por edital que indica o
dispositivo da lei penal, embora não transcreva a denúncia ou a
queixa, ou não resuma os fatos em que se baseia.

De outro lado, deve ser constatada a efetiva necessidade da citação editalícia,
fazendo-a preceder, com cautela, de diligências, para que não seja ela realizada quando
possível citação pessoal ou com hora certa. Nesse sentido, o enunciado 351, da Súmula
do STF, estatui que:

Súmula 351 STF - É nula a citação por edital de réu preso na mesma
unidade da Federação em que o juiz exerce a sua jurisdição.

209

IMPORTANTE!!! NOS JUIZADOS ESPECIAIS NÃO É ADMITIDA CITAÇÃO
POR EDITAL, pois esta é incompatível com a idéia de celeridade do
procedimento. Se o infrator não for encontrado para ser citado pessoalmente, ou se o
ato não é realizado no próprio juizado, os autos serão remetidos ao juízo comum. Já a
citação por hora certa guarda compatibilidade com o rito dos juizados especiais
criminais, eis que foi instituída para conferir efetividade a princípios como o da
celeridade e o da economia processual, também sufragados na lei 9099. Todavia,
percebendo-se que o ato pode ocasionar procrastinação do procedimento, deve-se
remeter os autos ao juízo comum.

2.2.3 Citação por hora certa

A teor do art. 362 do CPP, se o oficial de justiça verificar que o réu se oculta
para não ser citado, deve certificar a ocorrência e proceder à citação com hora certa,
nos termos do estatuído nos artigos 227 a 229 do CPC. Uma vez completada a citação
com hora certa, se o acusado não comparecer, ser-lhe-á nomeado defensor dativo.

Art. 362. Verificando que o réu se oculta para não ser citado, o
oficial de justiça certificará a ocorrência e procederá à CITAÇÃO
COM HORA CERTA, na forma estabelecida nos arts. 227 a 229 da
Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil.
(Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008).
Parágrafo único. Completada a citação com hora certa, se o
acusado não comparecer, ser-lhe-á nomeado defensor
dativo. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

CPC Art. 227. Quando, por três vezes, o oficial de justiça houver
procurado o réu em seu domicílio ou residência, sem o encontrar,
deverá, havendo suspeita de ocultação, intimar a qualquer pessoa da
família, ou em sua falta a qualquer vizinho, que, no dia imediato,
voltará, a fim de efetuar a citação, na hora que designar.

CPC Art. 228. No dia e hora designados, o oficial de justiça,
independentemente de novo despacho, comparecerá ao domicílio ou
residência do citando, a fim de realizar a diligência.
§ 1o Se o citando não estiver presente, o oficial de justiça procurará
informar-se das razões da ausência, dando por feita a citação, ainda
que o citando se tenha ocultado em outra comarca.
§ 2o Da certidão da ocorrência, o oficial de justiça deixará contrafé
com pessoa da família ou com qualquer vizinho, conforme o caso,
declarando-lhe o nome.

CPC Art. 229. Feita a citação com hora certa, o escrivão enviará ao
réu carta, telegrama ou radiograma, dando-lhe de tudo ciência.

A citação com hora certa tem por pressuposto três tentativas frustradas de
encontrar o réu no domicílio ou residência e mais a suspeita de estar-se ele
ocultando para frustrar diligência. Deve o oficial intimar qualquer pessoa da família
– ou, em sua falta, algum vizinho capaz de transmitir ao citando o aviso – de que voltará
no dia seguinte, em hora fixada, a fim de efetuar a citação, quando poderá citar
pessoalmente o acusado ou, não o encontrando, informar-se das razões da ausência.

IMPORTANTE!!! Feita a citação com hora certa, o escrivão enviará ao réu carta,
telegrama ou radiograma, dando-lhe de tudo ciência e reduzindo as chances de revelia,

210

eis que, nessa hipótese, O PROCESSO NÃO SE SUSPENDE como se dá em casos de
citação por edital. Se o réu, citado por hora certa, não apresentar defesa preliminar, ser-
lhe-á nomeado defensor dativo, e o processo seguirá à revelia.

3- INTIMAÇÃO E NOTIFICAÇÃO
Intimação pressupõe fato processual já consumado e cuja ciência ao interessado
é reclamada para o fito de serem produzidos validamente seus efeitos legais.

A notificação, distintamente, é a ciência que é dada ao interessado de seu dever
ou de seu ônus de praticar um ato processual ou de adotar determinada conduta,
pressupondo um fazer, um comportamento positivo.

A falta de intimação da prática de algum ato processual pode dar azo à nulidade,
com a impetração de habeas corpus ou mandado de segurança. Contudo, o CPP seguiu
a orientação da instrumentalidade das formas, buscando sempre prestigiar a
conservação dos atos processuais, de molde que não haverá nulidade se o ato atingiu
seu fim, bem como se não houve prejuízo para a parte interessada, nem alegação
oportuna.

IMPORTANTE!!! As intimações do MP e da Defensoria Pública são PESSOAIS.
Leva-se em conta o volume de trabalho desses órgãos para se respaldar o tratamento
diferenciado de maneira a atender o princípio isonômico. Não obstante, uma diferença
há na intimação pessoal do Ministério Público – que é procedida mediante a entrega
dos autos (com carga) para a intimação da DP que, conquanto pessoal, é feita por
mandado, sem carga dos autos. Já com relação ao advogado dativo, este também será
intimado pessoalmente. Por sua vez, a intimação do advogado constituído, pelo réu ou
querelante, e do assistente, será feita pela imprensa (Diário Oficial). Nas comarcas onde
não exista tal recurso, a intimação será realizada por mandado, por via postal, ou
qualquer outro meio idôneo.

Súmula 310 STF - Quando a intimação tiver lugar na sexta-feira, ou a
publicação com efeito de intimação for feita nesse dia, o prazo judicial
terá início na segunda-feira imediata, salvo se não houver expediente,
caso em que começará no primeiro dia útil que se seguir.

IMPORTANTÍSSIMO!!! Os prazos processuais são contados diferentemente dos
lapsos penais, EMBORA CORRAM DA INTIMAÇÃO. É que sempre se exclui, no
âmbito processual penal, o dia do início, para se considerar realizada a intimação no dia
seguinte, incluindo, por decorrência, o dia do termo final. Acrescente-se, ademais, que
os prazos processuais penais fluem a partir da efetivação, consoante o teor da súmula
710, do STF, que aviva que “NO PROCESSO PENAL, CONTAM-SE OS PRAZOS
DA DATA DA INTIMAÇÃO, e não da juntada aos autos do mandado de intimação
ou da carta precatória ou de ordem”.

Por derradeiro, impende observar as regras especiais de intimação, que podem
ser realizadas inclusive no curso de férias forenses. O CPP manda aplicar, no que
couber, a disciplina dos atos citatórios, razão pela qual se entende possível a intimação
por hora certa no processo penal, a teor do art. 362. Aliás, no rito do júri, a intimação
da pronúncia do acusado solto poderá ser efetivada inclusive por edital, evitando a
crise de instância (suspensão do processo) que acontecia antes da nova sistemática.

211

designado para o ato. sob pena de nulidade relativa. que tiver sido regularmente intimado” – caso em que ocorrerá o julgamento sem a sua presença. citado ou intimado pessoalmente para qualquer ato processual. 212 . do assistente ou do advogado do querelante. IMPORTANTÍSSIMO!!! Se a revelia ocorrer depois de efetiva citação pessoal. então. não se aplica a suspensão do processo e do prazo prescricional. Lembrar!!! Durante a suspensão do processo. Em casos devidamente justificados. o condão de eliminar os fatos processuais já produzidos sem a sua presença: o acusado passará a participar do processo. não tendo. regularmente intimado. não sendo exigida intimação da designação de audiência perante o juízo deprecado. Sem embargo. não sendo mais intimado dos atos processuais subseqüentes. intimado. Uma vez declarada a revelia. ordenará a antecipação. o comparecimento do réu em momento ulterior faz cessar os efeitos da revelia. passará novamente a ser intimado dos atos seguintes. na hipótese de alteração de residência. contudo. quando o acusado. Lembrar!!! A intimação do réu preso deve ocorrer PESSOALMENTE.REVELIA E SUSPENSÃO DO PROCESSO PENAL Diz-se que o réu que não atende ao chamado do juízo é revel. que será produzida com previa intimação do MP. sem prejuízo. na falta do primeiro. A revelia implica o quebramento da fiança. conforme o estado em que se encontre. ressalvada a sentença. deixava de comparecer. é necessário a intimação do acusado (pessoalmente ou por hora certa) e do seu defensor. porém. nem obsta que o acusado participe. adequação e proporcionalidade da medida. quando o réu. o acusado sofrerá seus efeitos. quando. eis que o novo texto aviva que “o julgamento não será adiado pelo não comparecimento do acusado solto. de seu interrogatório ao final da instrução ou em grau de recurso. depois. não comunicar o novo endereço ao juiz. do defensor público ou dativo. Basta a intimação de que foi expedida carta precatória para a oitiva das testemunhas. a partir de um critério de necessidade. o juiz. a regra é de que não seja antecipada a produção probatória. intimando-se desta o acusado.  Em todo caso.IMPORTANTE!!! Já para a intimação por carta precatória. 4. deixar de comparecer sem motivo justificado ou. devendo prosseguir o processo até a sentença. Porém. dos demais atos processuais. deixar de comparecer à sessão de julgamento – não ocorrendo mais a crise de instância consistente na suspensão do processo do acusado solto que. é contumaz. mas dando- se ciência ao diretor do estabelecimento onde se encontre. com vistas a providenciar a presença do acusado aos atos do processo (assim como a citação). não importa confissão ficta. O CPP prevê a revelia nas seguintes hipóteses:  No âmbito do júri.

é considerada realizada no dia em que o intimado efetivar a consulta eletrônica ao teor da intimação. realizada em conformidade com suas disposições.INFORMATIZAÇÃO DO PROCESSO JUDICIAL A lei 11. na data do término de tal prazo decenal. Eis a tendência de maximizar o princípio da economia e da celeridade processuais. é considerada realizada se a consulta não for realizada em até dez dias corridos contados da data do envio da informação. em caso de suspensão do prazo prescricional decorrente do acusado citado por edital que não comparece nem constitui defensor. 312 e 313 do CPP. serão. IMPORTANTE!!! A CITAÇÃO eletrônica não é aplicável ao processo penal. Os prazos processuais terão início no primeiro dia útil que seguir ao considerado como data da publicação.IMPORTANTE!!! A decretação da prisão preventiva. automaticamente. exigem intimação ou vista pessoal. com a emissão de protocolo eletrônico. sendo as petições consideradas tempestivas se apresentadas até às vinte e quatro horas do último dia. à exceção dos casos que. certificando-se nos autos a sua realização. 213 . não deve ocorrer de forma automática. expedidas por meio eletrônico. 5. A intimação. IMPORTANTE!!! Os atos processuais por meio eletrônico são considerados praticados no dia e hora do seu envio ao sistema do Poder Judiciário. Ela deve ser motivada de acordo com os arts. substitui qualquer outro meio de publicação oficial. As cartas precatórias. As intimações serão feitas por meio eletrônico em portal próprio aos que se cadastrarem. nessa esteira. de forma preferencial. A publicação eletrônica. comunicação de atos e transmissão de peças processuais. Todavia. para quaisquer efeitos legais. É considerada como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no DJ eletrônico. por lei. A intimação. rogatórias e de ordem – bem como as comunicações oficiais entre órgãos do Poder Judiciário e entre este e os demais Poderes – contudo.419/06 admite o uso de meio eletrônico na tramitação de processos judiciais. São consideradas pessoais para todos os efeitos legais. carece de anuência da parte interessada. de outro prisma.

exigindo um pronunciamento decisório sem penetrar no mérito da causa. Isso evidencia que não é plausível assimilar a noção de sentença ao ato de encerramento do processo. 269. cabível quando houver indícios veementes de que bens foram adquiridos com os proventos da infração pelo indiciado.232/2005.CLASSIFICAÇÃO DAS SENTENÇAS A sentença declaratória não necessita de providência ulterior. no tocante as sentenças definitivas (que apreciam o mérito). A sentença mandamental pode ser encontrada também em ação de habeas corpus. simplesmente. no âmbito do processo condenatório. que o processo será extinto. retratando um pronunciamento judicial que consubstancia uma ordem. por encobrir sua natureza que é a de definir o direito.NOÇÃO DE SENTENÇA O CC a partir do advento da Lei 11. passou a preconizar que “sentença é o ato do juiz que implica algumas das situações previstas nos arts. quando termina com a emissão de um alvará de soltura ou de um salvo-conduto. 214 .” Por sua vez. Sentença penal condenatória – tem lugar quando reconhecida a procedência da inicial acusatória. Para que haja cumprimento. que corre em autos distintos daqueles da ação penal condenatória. Outras classificações esposadas pela doutrina: Mirabete:  Decisões interlocutórias simples – dirimem questões emergentes relativas à regularidade ou marcha do processo. É o caso da medida assecuratória de sequestro. por conter a declaração de situação tendente a absolver o acusado. tem como eficácia preponderante a modificação de situação jurídica. porém. 2. A eficácia executiva é depreendida pela autorização de venda dos bens inscritos no Registro de Imóveis após a sentença condenatória transitada em julgado. em seu art. “com julgamento de mérito”. contendo uma força preponderantemente de declaração. que “haverá resolução do mérito”. por sua vez. tal como ocorre com aquela que declara reabilitado o apenado. É também declaratória. SENTENÇA 1. A sentença constitutiva. estando inserida nessa classificação a sentença de habeas corpus que invalida inquérito policial em curso. 267 e 269 do CPC. o CPC não fala mais. Existe possibilidade de sentença executiva no processo penal. A sentença constitutiva não impõe ação de execução subsequente. a sentença que julga improcedente a denúncia. com o seu conseguinte trancamento. é necessária a instauração de um processo de execução penal.

Encerram uma etapa do procedimento ou a própria relação processual.  Sentenças condicionais – carecem de um acontecimento futuro e incerto. As sentenças ainda podem ser classificadas como:  Sentenças executáveis – podem ser executadas de plano. Ex: decisão de recebimento da denúncia. no segundo. absolutórias e terminativas de mérito.  Decisões interlocutórias mistas – também chamadas de decisões com força de definitiva. Nucci:  Sentenças materiais – são aquelas que decidem o mérito da causa.  Sentenças não executáveis – pendentes de recurso com efeito suspensivo. e que são nulas ou podem ser corrigidas por embargos de declaração.  Sentenças formais – são aquelas que decidem questões meramente processuais. denominadas de interlocutórias mistas não terminativas¸ como ocorre com a pronúncia e.  Sentenças vazias – decisões passíveis também de anulação por falta de fundamentação. sem o julgamento do mérito da causa. podendo colocar fim ao processo ou à instância. a exemplo do que se dá com a rejeição da denúncia. Ex: impronúncia. podendo se apresentar como condenatórias.  Sentenças subjetivamente simples – proferidas por órgão singular. de interlocutórias mistas terminativas.  Sentenças simples – são as proferidas por juízo singular. sendo.  Sentenças subjetivamente complexas – as que são proferidas por órgãos colegiados.  Definitivas ou sentenças em sentido próprio – solucionam a lide.  Sentenças suicidas – em que há uma contradição entre a parte dispositiva e a fundamentação. 215 . decisão que decreta a prisão preventiva. Ex: condenação ou absolvição. tal como se dá com os sursis penal e o livramento condicional.  Sentenças subjetivamente plúrimas – emanadas de órgão colegiado homogêneo. no primeiro. como o júri ou tribunais. julgando o mérito da causa.

Destarte. mas declara extinta a punibilidade¸ como ocorre com o perdão judicial. poderá atribuir- lhe definição jurídica diversa. não há que se falar em prejuízo. a exemplo do Tribunal do Júri. não se confundindo fundamentação sucinta com falta de fundamentação. Daí a imposição da fundamentação das sentenças. sem necessidade de provocação das partes. nas sentenças. DEVENDO REALIZAR O DEVIDO ENQUADRAMENTO TÍPICO NA PROLAÇÃO DA SENTENÇA. 3. Os meros erros de ordem material devem ser corrigidos de oficio. Art. de forma compreensiva. III) Dispositivo ou conclusão (onde consta o núcleo da decisão). O juiz. Obs. Como o réu se defende dos fatos e não da mera tipificação legal. 383. poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa. como decorrência do due processo of law. IMPORTANTE!!! O acusado se defende dos fatos e não da capitulação legal dada a eles pelo Ministério Público. Não cabe ao magistrado fazer esta correção no momento do recebimento da inicial acusatória. A garantia do devido processo legal não se restringe a garantir um processo devidamente ordenado. motivação ou fundamentos (são as razões de decidir). em conseqüência. 216 . A emendatio libelli pode ser aplicada até mesmo na fase recursal.  Subjetivamente complexas – proferidas por órgão colegiado heterogêneo. porém também abarca a necessidade de que as regras de direito material sejam razoáveis e não arbitrárias. II) Fundamentação. tenha de aplicar pena mais grave (emendatio libelli). cuja falta implica nulidade absoluta. vigorando o princípio da correlação. tenha de aplicar pena mais grave.  Sentença autofágica – reconhece a imputação. desde que NÃO implique em reformatio in pejus. sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa. De uma maneira geral.FUNDAMENTAÇÃO E ESTRUTURA DAS SENTENÇAS É com a fundamentação da sentença que são explicitadas as teses da acusação e da defesa. ainda que. sendo. ou seja. como especial parâmetro para o controle da concretização das garantias fundamentais no processo penal. sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa. causa de nulidade absoluta a sua falta nos demais procedimentos e nem sempre gerando nulidade a sua deficiência). pode ser visualizada a seguinte estrutura: I) O relatório. em consequência. o juiz. uma congruência lógica entre o que lhe foi apresentado e a sentença. traduzindo-se num resumo do processo (sendo dispensado nos procedimentos dos juizados especiais criminais. É preciso que dela constem o enfrentamento dos fatos. as provas produzidas e as razões do convencimento do juiz. ainda que. contudo.

ser invocada na fase recursal. IMPORTANTE!!! Se a definição jurídica diversa implicar possibilidade de proposta da suspensão condicional do processo. há o indicativo de necessidade de aditamento. já que ao juiz não é dado promover a ação penal e. o juiz dará vista dos autos ao MP para que este a ofereça e. Na doutrina. 217 . 384. o magistrado procederá nos termos do art. CPP. O novo enunciado assim dispõe: “encerrada a instrução probatória. O novo texto do art. 28 do CPP. seja em razão de elemento explícito ou implícito. Mutatio libelli – aqui se tem a hipótese de se verificar que durante a instrução existe elementar ou FATOS DIVERSOS dos narrados na peça acusatória. § 1o Se. a este serão encaminhados os autos. 384 do CPP – era bastante criticada. Se o novo enquadramento importar em modificação de competência. pelo que sempre o delito será mais grave. Entendem que o aditamento será sempre necessário. A sentença deve abranger os fatos narrados na denúncia ou queixa. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. por se assimilar a uma postura inquisitiva. o juiz procederá de acordo com o disposto na lei. se entender cabível nova definição jurídica do fato. em conseqüência de definição jurídica diversa. houver possibilidade de proposta de suspensão condicional do processo. 384 e de seus parágrafos trouxe solução que mais se coaduna com o sistema acusatório. Não concordam os autores com essa posição. não se exigindo aditamento se o fato novo importar enquadramento que preveja pena igual ou menor. o Ministério Púbico deverá aditar a denúncia ou queixa” pelo lapso de 5 dias. a atuação positiva do juiz em substituição ao MP – tal como preconizada pela anterior redação do art. não fez referência literal à necessidade de aditamento para definir juridicamente “fato menos grave ou de gravidade igual” que o narrado inicialmente na denúncia (como era previsto no texto revogado). A nova redação do art. os autos serão encaminhados ao juízo respectivo. § 2o Tratando-se de infração da competência de outro juízo. e que é dever do MP aditar espontaneamente a denúncia. IMPORTANTE!!! A mutatio libelli só tem cabimento nas ações públicas ou privada subsidiária. Se outros estiverem presentes no processo. pois haveria supressão de instância. Há quem entenda que só cabe o aditamento agora para acrescer “elemento” ou “circunstância”. ademais. não podendo. ele percebe uma elementar ou fato que não tenha sido fustigado pelo MP (sequer em sede de alegações finais). Uma observação cabe ser enfatizada. caso haja negativa deste. o magistrado não poderia se colocar no lugar deste órgão. se quando da sentença.

por dois fatos delituosos (objetivamente). Caso o aditamento se refira ao acréscimo de circunstância que qualifica o crime descrito na forma simples na 218 . novo interrogatório do acusado. quando concederá o prazo de cinco dias para que o MP (o querelante não. o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa. Em verdade. Afrânio Silva Jardim entende possível. com inquirição de testemunhas. por lhe faltar legitimidade) ofereça o aditamento. que este não existiu. realização de debates e julgamento. tal como se dá com um crime simples e outro delito qualificado pela inclusão de elementar (restritamente no que concerne a esta circunstância elementar). seja o inverso. 384 ocorrerá quando o fato definido no aditamento suplantar inteiramente os fatos narrados na denúncia. no prazo de 5 (cinco) dias. 384 do CPP nos da o procedimento da mutatio libelli: Art. se entender cabível nova definição jurídica do fato. após a instrução acerca de elementar incluída na mutatio. quando feito oralmente. Não procedendo o órgão do MP ao aditamento. 383 ao caput deste artigo. adstrito aos termos do aditamento. no prazo de 5 (cinco) dias. 28 deste Código. na sentença. § 2o Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o aditamento. depois do aditamento (supervenientemente à peça acusatória). o juiz. 28 do CPP. de forma alternativa com o primeiramente definido na denúncia). onde não há espaço para a discricionariedade. designará dia e hora para continuação da audiência. a dicção do dispositivo põe ênfase ao princípio da obrigatoriedade da ação penal pública. sustentando a existência. ficando o juiz. depois de aditada a denúncia com esteio no enunciado que permite a mutatio libelli. só podendo se prolatar sentença condenatória com base no aditamento. reduzindo-se a termo o aditamento. § 4o Havendo aditamento. por ter ficado convencido. O juiz só provocará o MP em caso de inércia deste. aplica-se o art. IMPORTANTE!!! Ponto interessante é o de se o juiz. § 5o Não recebido o aditamento. § 3o Aplicam-se as disposições dos §§ 1o e 2o do art. no processo penal brasileiro. Encerrada a instrução probatória. 384. ao mesmo tempo em que não afasta o juiz da função de controle de exercício da ação penal pública. a requerimento de qualquer das partes. onde o acusado passa a responder por uma nova acusação (imputação de novo fato. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. O art. seja situação que implique crime mais grave. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em CRIME DE AÇÃO PÚBLICA (ou subsidiaria da pública). pode condenar o acusado pelo crime definido originariamente na denúncia. o processo prosseguirá. a incidência do §4º do art. cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. conferindo base descritiva para a classificação do crime em seu tipo fundamental e de suas circunstâncias qualificadoras. aplica-se o art. § 1o Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento. da denominada IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA OBJETIVA SUPERVENIENTE RESTRITA. Uma leitura apressada do dispositivo pode fazer concluir pela impossibilidade de se condenar o acusado pela definição da denúncia. De outro giro. mas tão somente o que foi descrito na peça acusatória tal como proposta.

SENTENÇAS EM PROCESSO PENAL CONDENATÓRIO E SEUS EFEITOS IMPORTANTE!!! Fixação de valor mínimo para a reparação dos danos causados pela infração – a opinião majoritária tem se posicionado pela FIXAÇÃO DESSE QUANTUM DE OFÍCIO PELO JUIZ. na forma sustentada por Afrânio Silva Jardim. como a mutatio libelli implica conversão do julgamento em diligência. condenando o acusado pelo crimes simples. É o caso de surgir a dúvida de que o crime de subtração de coisa alheia móvel. Da mesma forma. entendem os autores que ainda subsiste a IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA OBJETIVA SUPERVENIENTE RESTRITA. A menção a emendatio libelli deve constar expressamente da motivação da sentença. porém por mandado (sem carga nos autos). compondo sua estrutura. a exemplo de um aditamento que adiciona uma elementar que modifica o crime de furto simples para qualificado. ao final. O aditamento pode se referir a circunstância elementar que. CPP. a sentença superveniente aludirá a este fato. o advogado dativo. que é pelo crime de furto simples. o juiz poderá proferir sentença condenatória. 384. A Defensoria Pública também é intimada pessoalmente. deve desacolher a acusação no que toca ao aditamento (qualificadora). embora nenhuma tenha sido alegada. furto (já provado cabalmente no momento em que o juiz percebeu a necessidade de nova definição jurídica do fato). evidentemente. mas. o juiz explicitará que o enquadramento dado aos fatos pelo MP ou querelante ocorreu equivocadamente. podendo. Desse modo. principalmente do contraditório. Não concordam os autores com essa idéia. 392 dispõe que será ela feita: 219 . caso não provada a qualificadora e reste patentemente provado o delito na sua forma simples. sendo necessário. Nos crimes de ação pública. a enfrentar as alegações da defesa. modifica a classificação do próprio crime. acrescida ao fato inicialmente enquadrado. como influência e não-surpresa. A seu turno.petição inicial acusatória. e o princípio da ampla argumentação. a partir dai. ainda que o MP tenha opinado pela absolvição. no relatório e. condenar o réu pelo crime qualificado ou absolvê-lo. bem como reconhecer agravantes. e fará de oficio a correção. teria sido ou não cometido com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa. o art. malgrado o teor do novo § 4º do art. 4. por entenderem que a fixação do valor ex officio viola o sistema acusatório adotado pelo modelo constitucional de processo penal. sendo este um dever estabelecido legalmente. No tocante a intimação da sentença ao acusado e ao seu advogado. mediante protocolo. Se for oferecido o aditamento para incluir esta elementar. passando. por relevante. Obs. o juiz não ficará “adstrito” ao aditamento no sentido de que só pode condenar pelo crime em sua forma qualificada. condenar o acusado pelo menos (se houver juízo de certeza sobre a elementar). isto é. também na fundamentação. não deve ficar o juiz adstrito apenas a. O Parquet será considerado intimado pessoalmente com a entrega dos autos na repartição do respectivo órgão.

a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso IV do caput do art. e assim o certificar o oficial de justiça. e assim o certificar o oficial de justiça.mediante edital. previamente destacar a 220 . for feita a intimação por qualquer das outras formas estabelecidas neste artigo. § 2o O prazo para apelação correrá após o término do fixado no edital. Quando o caso tem mais de um réu e mais de um fato criminoso. antes de se elaborar o relatório. Antes deste marco. IMPORTANTE!!! Art. O STF preconiza na Súmula nº 716 que se admite “progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela determinada. afiançável. nos casos do no III. há posições no sentido da possibilidade de execução penal provisória. nos outros casos. quando sustenta que tal proceder é mais favorável ao acusado. o status de inocência só se encerra com o trânsito em julgado da sentença condenatória. não for encontrado. sendo aplicáveis as disposições da LEP ao preso cautelar. salvo se.ao réu. ou. a infração. 5. VI . expedido o mandado de prisão. ou não. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido. antes do trânsito em julgado da sentença condenatória”. se este. é indispensável observar os seguintes aspectos mínimos para a elaboração da sentença penal condenatória: 1.ao defensor constituído pelo réu. e assim o certificar o oficial de justiça. III . Transitada em julgado a sentença condenatória. nos casos do no II. o STF preconiza na súmula 716 que se admite “progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imediata do regime menos severo nela determinada. no curso deste. quando se livrar solto. se tiver sido imposta pena privativa de liberdade por tempo IGUAL OU SUPERIOR a UM ANO. A intimação da sentença será feita: I . Não obstante. Interpretação desta natureza não teria respaldo constitucional. 392. ou ao defensor por ele constituído. e de 60 dias. 63 Parágrafo único. II . se o réu e o defensor que houver constituído não forem encontrados. pessoalmente. IV . e assim o certificar o oficial de justiça. § 1o O prazo do edital será de 90 DIAS. não tiver sido encontrado. se estiver preso. tal como alvitrado por Afrânio Silva Jardim.TÉCNICA DA SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA Em linhas gerais. se o réu. sendo afiançável a infração.mediante edital.mediante edital. Isso não significa banalizar o cárcere como efeito automático da sentença que ainda é passível de recurso.ao réu. De acordo com o STF. se o defensor que o réu houver constituído também não for encontrado. Neste sentido. o encarceramento deve estar pautado nos fundamentos de cautelaridade. O objetivo é viabilizar a aplicabilidade de alguns institutos da fase executória. não tendo constituído defensor. antes do trânsito em julgado da sentença condenatória”. é recomendável. V . pessoalmente. mesmo antes do trânsito em julgado da decisão. Art. tiver prestado fiança.

crime por crime relativamente a cada réu). (2) o acusado “Y” (. para cada um dos crimes isoladamente. 6. estabelecida a tipificação. da parte geral. para então estabelecer a pena definitiva deste crime. o juiz passa a “dosar a pena”.. julgo procedente (em parte) a imputação para: (I) condenar (1) acusado “X”. Depois de todo o exame fático-probatório. Se houver mais de um crime. 10. Ao final.. segue-se o mesmo critério trifásico (para cada um separadamente. a exemplo da tentativa e da continuação delitiva). 4. seguindo o critério trifásico: (1) circunstâncias do art. 59. Após a finalização da dosimetria. isto é. Em seguida. restringindo a imputação ao artigo pertinente à conduta do acusado (em relação a cada réu. caberá a emendatio libelli depois das preliminares. O relatório é elaborado com a menção dos fatos relevantes ocorridos durante o processo. sendo importante a abordagem específica de cada uma delas. 8. a técnica de se expor os capítulos da sentença por delito (quando há mais de um crime) é mais favorável para tornar a argumentação consistente.. com fundamento no art. cuja técnica requer a descrição da tipificação antes da fundamentação.. tal como foi tipificada pelo Ministério Público ou querelante resumidamente com o enquadramento típico. Caso os fatos descritos pelo MP ou querelante estejam tipificados de forma equivocada. com ênfase na motivação consistente e coerente. (2) eventual existência de agravantes e atenuantes.. Por exemplo: “Pelo exposto. deve o juiz indicar o regime inicial de pena aplicável. deve-se verificar a possibilidade de substituição por pena restritiva de direito.). importa verificar se é o caso de fundamentar a necessidade/desnecessidade de prisão preventiva. como incurso nas penas dos artigos (. 3. pelo que majora.. A motivação da aplicação dos princípios penais referentes a conflito aparente de normas penais é indispensável. Totalizada a pena do réu. 13. Caso haja co-autoria. Em seguida. 5. mitiga ou mantem a pena (critério da proporcionalidade). se for a hipótese). 9. inciso (. Somado o total da pena de um acusado. c/c os artigos 29 (co-autoria e participação) e 69 (concurso material). de forma exauriente. primeiro serão apreciadas as questões processuais (preliminares).). 386. conduta de cada agente. 11. aplicam-se as regras de concurso de crimes para fins de somatório ou exasperação da pena. Ao iniciar a fundamentação.). procede-se da mesma maneira para o segundo. 12. o juiz deve enfrentar as teses de acusação e da defesa. depois. 7. São providências finais da sentença: 221 . acusado por acusado. sem ser repetitiva e com o acolhimento/afastamento das teses da partes. 2. é o momento de iniciar a parte dispositiva. (3) aplica as causas de aumento e de diminuição (primeiro as constantes na parte especial do CP e. 14. (3) e absolver o acusado “Z”. e assim por diante. Estabelecida a pena definitiva.

(Redação dada pela Lei nº 11. impedindo que o suposto ofendido ou o Estado (para o caso de agente funcionário público) tome providências contra o réu através de ação indenizatória ou de providência disciplinar respectivamente. II . é necessário que se tenha juízo de certeza. 387. pôr o réu em liberdade. O juiz absolverá o réu. De acordo com o CPP. 26 e § 1 o do art. ser considerada a estrutura do art.  Fixação de custas ex lege (a execução das custas por sucumbência na justiça criminal é de difícil ocorrência. Quando a absolvição ocorrer em face de insuficiência de provas ou de reconhecimento de atipicidade.estar provada a inexistência do fato. Para que haja condenação criminal. mencionando a causa na parte dispositiva. todavia. (Redação dada pela Lei nº 11. (Redação dada pela Lei nº 11.690. 6. Na sentença absolutória. de 2008) VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. As hipóteses de reconhecimento de inexistência do fato e de negativa de autoria fazem coisa julgada na esfera cível. o juiz: I . 20. desde que reconheça: I .mandará. especialmente porque a maioria dos acusados é pobre). A indicação do motivo na sentença é importantíssima. de 2008) III . notadamente diante da possibilidade de fixação de valor mínimo para fins de indenização da vítima do crime. IV – estar provado que o réu não concorreu para a infração penal.  Determinação do juiz para que o lançamento do nome do acusado no rol dos culpados só se dê após o trânsito em julgado.690. 386. pois ela demarca os efeitos que dela decorrerem. o juiz absolverá o réu nas hipóteses do art. 22.aplicará medida de segurança. ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência. Entendem os autores. 386: Art. 222 . II – ordenará a cessação das medidas cautelares e provisoriamente aplicadas.não constituir o fato infração penal.690. dentre outras possibilidades em conformidade com a legislação específica.690. 28. A posição que vem prevalecendo é a de que este valor possa ser fixado de ofício. de 2008) Parágrafo único. que só deve ser fixado se houver pedido expresso nesse sentido. todos do Código Penal). se cabível. 21.SENTENÇA ABSOLUTÓRIA A absolvição do acusado poderá ocorrer por diversos motivos. o resultado no âmbito criminal não faz coisa julgada na esfera cível ou administrativa. em grau distinto do que se dá na esfera cível e na disciplinar.  A determinação de perda dos instrumentos do crime cuja detenção seja ilícita. de 2008) VII – não existir prova suficiente para a condenação.não haver prova da existência do fato. se for o caso. ademais. (Redação dada pela Lei nº 11. (Incluído pela Lei nº 11. III . Deve. de 2008) V – não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal. 23. CPP.690.

são aplicáveis os enunciados dos artigos 91 e 92. mas também de quem desencadeou a situação excludente. Daí que A SENTENÇA ABSOLUTÓRIA IMPRÓPRIA:  Tornará “certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime”. quando o juiz reconhece exclusão de culpabilidade por inimputabilidade (ressalvada a menoridade. ou seja. ENTENDE-SE AQUI QUE A SENTENÇA ABSOLUTÓRIA IMPRÓPRIA É TÍTULO EXECUTIVO EQUIPARÁVEL À SENTENÇA CONDENATÓRIA. que tem conteúdo que reconhece a prática do fato e. Nessas hipóteses. exercício regular de um direito e estrito cumprimento do dever legal) tiver atingido terceiro inocente ou. uma situação de excludente de criminalidade. já que seria equiparável a um título executivo judicial. malgrado as controvérsias doutrinárias. a incidência da coisa julgada criminal no civil. dependerá. na esfera disciplinar. por sua gravidade autorize a aplicação de sanção disciplinar (advertência. demissão. IMPORTANTE!!! Sendo assim. a sentença em que concede o perdão judicial é condenatória. Esta sentença disfarça uma “condenação”.IMPORTANTE!!! É relevante perceber que a declaração judicial de que o fato não constitui infração penal (atipicidade). por exemplo. No que for compatível. mas por um terceiro. notadamente por terem acertado a controvérsia fática. O que não poderá ocorrer. haja vista que foi constatada pela justiça a atipicidade do fato. Desse modo. valendo também como título executivo (apesar do STJ afirmar que tal sentença é declaratória da extinção da punibilidade). se não tiverem sido desencadeados pela pessoa ofendida. O agente absolvido. Daí que. 223 . Da mesma forma. que dispõem sobre os efeitos da sentença penal condenatória. não só de qual hipótese se trata. do CP. dão lugar ao que se tem por sentença absolutória imprópria. aplica medida de segurança. as sentenças absolutórias impróprias – fundadas no reconhecimento da inimputabilidade por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado que implique na incapacidade de entendimento do fato ou de determinação de acordo com esse entendimento – produzem efeitos nas órbitas civil e administrativa. obstando a indenização. por ser remetida ao juízo da infância e juventude). conforme orientação do STF. não afasta a possibilidade de que aquele fato subsista como ilícito civil ou administrativo. legitima defesa. se o fato praticado em situação de excludente de criminalidade (estado de necessidade. a vítima não fica impedida de acionar o agente absolvido. de sorte a autorizar ação indenizatória ou procedimento administrativo disciplinar. ao final.  Sentença que absolve o réu por reconhecer excludente de culpabilidade – as hipóteses de isenção de pena. não obstante contenha dispositivo absolutório. etc). A sentença absolutória poderá reconhecer circunstância que exclua o crime. poderá intentar ação regressiva contra o terceiro que deu causa à excludente de ilicitude criminal. desde que observado o devido processo legal administrativo. é a demissão do servidor em virtude de ter cometido um determinado crime. Isso não impede que subsista INFRAÇÃO DISCIPLINAR RESIDUAL ou subjacente cometida no contexto dos fatos que. uma vez acionado pelo ofendido.

afinal deságua na extinção da punibilidade. a exemplo da punição disciplinar por falta residual ou subjacente ao fato definido. mas que não têm a força de coisa julgada. a rigor. é preciso que o ofendido ajuíze uma ação de conhecimento para que obtenha um título executivo. 9. a declaração de extinção da punibilidade tem o condão de retirar a qualidade de título executivo daquela. de modo a impedir a reabertura de novas indagações acerca da matéria nela contida. serem arguidas outras razões não debatidas na esfera criminal. Por seu turno. Coisa julgada. por si só. “ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé”. havendo previsão de lapsos diferenciados. Pode-se dizer que a coisa julgada não é um efeito. do art. Já quando a declaração da extinção da punibilidade em sede de execução penal. É denominada de terminativa de mérito ou de definitiva em sentido estrito. excepcionalmente. seja mesmo com base no dispositivo que autoriza o reconhecimento da prescrição da pretensão executória. pura e simplesmente. na coação irresistível ou obediência hierárquica. uso. As absolvições fundadas no chamado erro de direito (erro inevitável sobre a ilicitude do fato. tornando-o imutável. Nem mesmo a prescrição penal tem a ver com a prescrição preconizada pela lei civil. CP). Podendo. com julgamento da pretensão punitiva em seu mérito. 21. possibilitando. no curso do processo penal condenatório ou de execução. SENTENÇA DECLARATÓRIA DE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE Essa sentença aprecia o mérito da demanda. a preclusão se dá de diferentes maneiras. e na embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força maior NÃO IMPEDEM QUE O ACUSADO SEJA ACIONADO CIVILMENTE. Diverso é o caso da sentença que reconhece a prescrição da pretensão punitiva. especialmente sobre as decisões ou “sentenças” que encerram uma fase processual. fabrico. eis que se julga o mérito. no âmbito da demanda.  A adoção de medidas administrativas que decorram do reconhecimento do cometimento do fato.  Determinará “a perda em favor da União” dos produtos do crime cujo porte. se 224 . Contudo.COISA JULGADA E PRECLUSÃO Coisa julgada e preclusão se distinguem. notadamente porque seu conteúdo não afeta o mérito propriamente dito da demanda penal (sem aplicação de pena). em tese. A decisão que reconhece. como crime. não obsta a produção dos efeitos civis da sentença condenatória proferida anteriormente e transitada em julgado. a prescrição da ação. NÃO produz qualquer efeito civil. objetivando afastar a responsabilidade civil. mas uma qualidade da sentença da qual não caiba mais recurso. ou seja. é a imutabilidade da sentença. ocorre para situações onde há sentença propriamente dita. porém não da forma exauriente. mas não se condena nem absolve o acusado. alienação ou detenção constitua fato ilícito. As sentenças declaratórias de extinção da punibilidade podem advir em momentos variados. 7. A coisa julgada se agrega à parte dispositiva de um julgado. Se já houver sentença condenatória proferida.

mitiga parcialmente a qualidade da coisa julgada de sentença penal condenatória. já que poderá ser requerida a qualquer tempo. parecendo mais adequado reputar que aquela sentença se sujeita à preclusão. a coisa julgada em matéria penal reveste a sentença de uma qualidade que firma o limite além do qual é vedada a intervenção punitiva estatal: é uma espécie de teto. O mesmo se diga em relação às decisões que extinguem a punibilidade. se ajuizada em favor do réu – podendo ser promovida. o ATO É INEXISTENTE. dentro da sistemática do CPP. rediscussão da matéria. pelo MP –. Segundo o STF. Não há revisão criminal de sentença absolutória ou condenatória transitada em julgado quando ajuizada pro societate. se em alguns casos pode-se dizer que a “sentença” de pronúncia passa em julgado. inclusive. Não concordam os autores com tal entendimento. 225 . restando a responsabilização criminal daqueles que concorreram para a falsificação documental. não menos exata é a assertiva de que circunstância superveniente (tal como ocorre com a morte da vítima de homicídio tentado. Transitada em julgado a decisão. dessa maneira. Dessa maneira. a matéria não mais poderia ser revista (soberania da coisa julgada pro reo). de forma indefinida no tempo. Destarte. A coisa julgada tanto pode recair sobre a sentença condenatória quanto sobre a absolutória. a sentença absolutória passada em julgado não pode ser objeto de revisão criminal (coisa soberanamente julgada). com reapreciação pelo juiz. enquanto a sentença condenatória está sujeita à revisão criminal. nesta hipótese. não podendo a situação do acusado ser agravada em decisão criminal superveniente. decidindo a causa. A revisão criminal tem o fito de só beneficiar a defesa e. Questão interessante ocorre com a declaração de extinção da punibilidade pautada em atestado de óbito falso. modificando-o para consumado em decorrência da ação do agente) evidencia que a “coisa julgada” na pronúncia é mais fraca do que a da sentença condenatória.verificada circunstância superveniente. cabendo ao juiz retomar o processo de onde parou. com a maximização do princípio da vedação da reformatio in pejus. O que se coloca como nota distintiva é que.

2 PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO Oferecida a denúncia ou a queixa. 396. se não a rejeitar liminarmente. de prerrogativa de função do agente). A rejeição da denúncia desafia recurso em sentido estrito (apelação no juizado especial). O texto constitucional será o indicativo principal. 1. Não é só o fato de ser o crime apenado com pena máxima abstrata igual ou superior a 4 anos que fixará. havendo. IMPORTANTE!!! Havendo concurso de crimes. em regra. Na esfera do procedimento comum.PROCEDIMENTO COMUM O procedimento em matéria processual penal poderá ser comum ou especial. se não a rejeitar liminarmente. o juiz. o rito comum ordinário. Devem também ser levadas em conta as qualificadoras e as causas de aumento. recebê-la- á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação. por exemplo. Do seu recebimento não cabe recurso. não obstante tenham suas disposições aplicação subsidiária aos demais procedimentos. Nos procedimentos ordinário e sumário. Assim. o juiz. por escrito. O rito comum ordinário não será o adequado a depender do crime ou da competência do órgão julgador. Art. possibilidade de manejo do habeas corpus para o fim de trancar a ação penal em hipóteses como a de falta de justa causa para a demanda penal. poderá ser recebida ou rejeitada.  Procedimento COMUM SUMÁRIO – quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima seja INFERIOR A 4 ANOS de pena privativa de liberdade. ela. recebê-la-á 226 . PROCEDIMENTOS 1. são aquelas cuja pena máxima abstrata não excede 2 anos. serão encontradas três categorias de procedimentos:  Procedimento COMUM ORDINÁRIO – quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada for IGUAL OU SUPERIOR A QUATRO ANOS de pena privativa de liberdade. oferecida a denúncia ou queixa. os crimes de competência do tribunal do júri. todavia. no prazo de 10 dias.  Procedimento COMUM SUMARÍSSIMO – para as infrações de menor potencial ofensivo. Oferecida a denúncia ou queixa. que. a tendência natural é que as penas sejam somadas como indicativo do procedimento a ser seguido. estas tomadas com a exasperação da fração máxima. os crimes militares e os crimes dos tribunais (em virtude. naturalmente. sem outras indagações. não seguirão completamente o procedimento comum ordinário.

397 do CPP. ou se o acusado. o juiz nomeará defensor para oferecê-la. § 2o Não apresentada a resposta no prazo legal. no prazo de 10 (dez) dias. Na resposta. na expectativa de convencer o magistrado de que a lide deve chegar ao fim com um julgamento. o juiz deverá ABSOLVER SUMARIAMENTE o acusado quando verificar: I . é que a defesa tem a possibilidade de investir na apresentação de todos os argumentos fáticos e jurídicos que militam em favor do imputado. 396-A. No caso de citação por edital. o juiz deve abrir vista à parte contrária (MP ou querelante) para se manifestar sobre preliminares e documentos acostados. no prazo de 5 dias. Como se vê possibilidade de uma decisão extintiva da punibilidade estatal caso esteja presente algumas das hipóteses do art. qualificando-as e requerendo sua intimação. oferecer documentos e justificações. o juiz tem autorizativo legal expresso para JULGAR ANTECIPADAMENTE O MÉRITO PENAL quando estiver comprovada situação fática ou jurídica que autorize provimento que rejeite o pedido condenatório. Não obstante os artigos que regulamentam o procedimento ordinário não digam para dar cumprimento ao contraditório. com resolução de mérito. o enunciado do art. concedendo-lhe vista dos autos por 10 dias. por analogia. citado. 409 do CPP (incidente no rito do júri). o juiz nomeará defensor para oferecê-la. 227 .a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato. 95 a 112 deste Código.que o fato narrado evidentemente não constitui crime. O que se percebe claramente. recomenda-se que o magistrado não surpreenda o autor da demanda com um provimento a ele desfavorável com base em argumento não conhecido quando do ajuizamento da ação penal. num julgamento antecipado favorável a defesa. Não apresentada a resposta no prazo legal. § 1o A exceção será processada em apartado. por escrito.extinta a punibilidade do agente. salvo inimputabilidade. se faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal ou. Agora. especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas. nos termos dos arts. quando necessário. II . Art. não constituir defensor. III . concedendo-lhe vista dos autos por 10 (dez) dias. ou IV .a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente. 396-A. o prazo para a defesa começará a fluir a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído. e parágrafos. ou se o acusado. Art. deste Código. ainda. se faltar justa causa para o exercício da ação penal – suporte probatório mínimo para a demanda penal. Não tem similitude com a defesa prévia antes regrada pelo CPP. A resposta à inicial acusatória é peça obrigatória. e ordenará a citação do acusado para responder à acusação. o acusado poderá argüir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa. 397. Após o cumprimento do disposto no art. citado. Daí que tem compatibilidade aplicar. A denúncia ou a queixa poderá se rejeitada se inepta. Parágrafo único. que não tinha outra utilidade senão a de apresentar o rol de testemunhas. não constituir defensor.

A Audiência de Instrução e Julgamento deverá ser realizada no prazo máximo de 60 dias. II) Serão ouvidas as testemunhas primeiro da acusação e depois da defesa (ressalvada a possibilidade de oitiva posterior de depoente que não se fizer presente oportunamente ou que dependa de emissão de carta precatória). Após as perguntas do magistrado. vale dizer: I) Tomadas as declarações do ofendido. 399. admitindo-se o manejo do habeas corpus. Se o magistrado nega a absolvição sumária. IMPORTANTE!!! A reforma contemplou o princípio da identidade física do juiz no direito processual penal brasileiro. 396 e outros na hipótese do art. 228 . sendo verdadeira sentença. a decisão que a reconhece ou nega comporta recurso em sentido estrito.  Na existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente. salvo inimputabilidade (o processo deve seguir o seu curso regular quanto aos inimputáveis. recurso não há. o juiz designará audiência de instrução e julgamento (princípio da concentração dos atos processuais em audiência). portanto o sistema presidencialista de inquisição. sendo que o MP e o defensor também poderão reperguntar. Para provimento desta espécie. No aspecto recursal. É na AIJ que as provas deverão ser produzidas. pelo juiz. Não sendo o caso de rejeição da denúncia ou da queixa ou de julgamento antecipado da lide penal. Uns entendem que o recebimento da inicial acusatória ocorre na hipótese do art. é necessário juízo de certeza. com o objetivo de trancar o processo. Com a resposta à acusação e devidamente cumprida as providências exigidas pelo art. 132 do CPC). e o farão diretamente. restando consagrado o JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE PENAL com fundamento:  Na existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato. contados do recebimento da denúncia. que abrevia sobremodo o rito processual penal. IMPORTANTE!!! POLÊMICO.  Na extinção da punibilidade do agente. O juiz que presidir a instrução DEVERÁ proferir a sentença (aplicam-se as exceções previstas no art. a decisão que absolve sumariamente desafia o recurso de apelação. abre-se a oportunidade para que o juiz absolva sumariamente o acusado. tratando-se de causa extintiva da punibilidade. Por sua vez. a acusação e o defensor poderão perguntar diretamente.  Evidentemente o fato narrado não constituir crime. O número máximo de testemunhas será 8. abandonando-se. 396-A. Este princípio tinha aplicação no direito processual civil. em analogia ao que ocorrer com as testemunhas. para ao final ser-lhes aplicada medida de segurança).

acareação. as partes apresentarão. no prazo de 10 (dez) dias. poderão requerer diligências cuja necessidade se origine de circunstancias ou fatos apurados na instrução (esta etapa é meramente complementar. Ordem na AIJ: declarações do ofendido. não deve ser deferida). já que a regra são os debates orais em audiência. reconhecimento e interrogatório.Obs. o acusado será interrogado. conceder às partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de memoriais. INTERROMPE O PRAZO PRESCRICIONAL e fixa a prevenção. Obs. prorrogáveis por mais 10 minutos. considerada a complexidade do caso ou o número de acusados. respectivamente pela acusação e pela defesa. As alegações escritas passam a ser exceção. se a diligencia já poderia ter sido requerida e não o foi por displicência da parte. a audiência será concluída sem as alegações finais. acareações e o reconhecimento de pessoas ou coisas. a diligência determinada. Ordenado diligência considerada imprescindível. Seguidamente o juiz proferirá sentença em audiência. prorrogando-se em igual prazo o tempo da defesa. 229 . E de acordo com o art. Encerrada a produção probatória.1 Questões complementares a) Natureza jurídica e efeitos do recebimento da petição inicial – o RECEBIMENTO DA DENÚNCIA OU DA QUEIXA não só deflagra o processo.1. Nesse caso. 2. 404. Realizada. que o interrogatório foi deslocado para o final da instrução. serão abertos os debates. III) Na sequência serão procedidos os esclarecimentos dos peritos. mas também transforma até então quem era mero suspeito em acusado. a seguir o acusado. no prazo sucessivo de 5 (cinco) dias. IV) Por derradeiro. em seguida. 403 § 3o: Art. de ofício ou a requerimento da parte. portanto. o querelante e o assistente e. 403 § 3o O juiz poderá. ao final da AIJ. suas alegações finais. o juiz proferirá a sentença. terá o prazo de 10 (dez) dias para proferir a sentença. por memorial. sendo adequado que a parte contrária seja ouvida acerca da dispensa. ou sendo indeferido pelo juiz. Caso não haja pedido de diligências. Parágrafo único. Mas de acordo com o art. 404 CPP: Art. com o oferecimento de alegações finais orais por 20 minutos. O assistente terá 10 minutos. Percebe-se. perito. testemunha. Esse tempo será individual para cada acusado na hipótese de mais de um réu. logo após o MP. e. o MP. A parte pode desistir da inquirição de qualquer testemunha.

6º. prosseguirão. até para que o magistrado não adentre prematuramente no mérito. Assim. Nessa ótica. cabe sublinhar que o art. os ritos especiais que preconizem a realização inicial do interrogatório não estão derrogados em abstrato. CPP. sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior”) ou o art. se o interrogatório deve ser realizado (e mesmo repetido. no curso da instrução. Não obstante permaneça formalmente em vigor.719/08) ao final de todo e qualquer procedimento especial. Se o contexto fático-probatório não se alterou ao final da oitiva das testemunhas. Esta. Inconstitucionalidade haverá se não for dada prevalência ao direito de defesa. 2º. contudo. advier conhecimento de fatos que não foram indagados do acusado. Agora. desnecessária é a sua renovação. A oitiva das testemunhas arroladas pela acusação precede à das testemunhas arroladas pela defesa. ao considerar o recebimento da inicial mero despacho. A questão suscitou dúvidas na vida forense. Desse modo. acreditam os autores tratar-se de verdadeira decisão judicial (interlocutória). Ocorrendo inversão. devendo incidir imediatamente. A compreensão do direito processual penal deixa de se assentar na mera escolha da letra do Código. a merecer argumentação. com o rito estabelecido na lei anterior”). em que já se tenha iniciado a produção de prova testemunhal. não é imperiosa sua nova realização. CPP (“a lei processual penal aplicar-se-á desde logo. Admite-se a realização do ato no estabelecimento prisional tomada as devidas medidas de segurança. o debate entre qual artigo de lei deveria ser aplicado: o art. Interessa saber.719/08. para enfatizar um aspecto constitucional: o princípio do contraditório e da ampla defesa. caput. no caso de processos pendentes regidos pelo rito comum antes da vigência da Lei 11. Tal proceder não é inconstitucional por si só. e isso se deve quando ele se convence que os requisitos de admissibilidade da demanda estão presentes. 6º. deve o juiz demonstrar por que recebeu a inicial. não é a posição prevalente no âmbito do STF. Todavia. b) Interrogatório – Realizado no final da AIJ. dispensando motivação. salvo se. caso o interrogatório já tenha ocorrido antes da vigência da Lei 11. destacando-se. inclusive. desde que não tenha havido má-fé da parte que a arrolou. c) Testemunhas e diligências – não sendo encontrada alguma testemunha. tal dispositivo não tem incidência no contexto atual da nova reforma processual penal. Contudo. da Lei de Introdução do CPP (“as ações penais. o juiz deve oportunizá-lo toda vez que o contexto probatório indicar necessidade do exercício pessoal do contraditório por parte do acusado. 2º. até a sentença de primeira instância. poderá ser deferida sua substituição. trata-se 230 . o art. Primeiramente. nessa altura. tem aplicação integral. Não é necessária fundamentação profunda. mas depende da forma como que concretizado. da LICPP tem aplicação restrita aos processos iniciados antes da vigência do CPP/41. com a previsão do interrogatório ao final. O requerimento de substituição deve ser feito em até três dias da respectiva intimação à parte de que a testemunha não foi encontrada.

 Citação por EDITAL***: deve o magistrado. o processo continuará suspenso. e a falta deles poderá ensejar nulidade insanável. o magistrado irá decretar a revelia. o que vai desaguar na extinção da punibilidade. mas o prazo prescricional voltará a tramitar regularmente. trilhou entendimento inverso. Mas o juiz. Desta forma. súmula 415). d) Defesa preliminar – temos que pensar nas conseqüências processuais da ausência de resposta preliminar. IMPORTANTE!!! Lembrar das súmulas 415 e 455 do STJ. Se o réu comparece. da mesma forma. invocar o art. considerando a complexidade do caso. ao argumento de que o processo e o lapso prescricional ficariam suspensos indefinidamente. Nas ações penais públicas. Art. à perempção. Nas ações privadas. furtando-se a defesa em apresentar a preliminar. a omissão do MP equivaleria. SUSPENDER O PROCESSO E O PRAZO PRESCRICIONAL***. Como isso não pode ocorrer. caso o réu não compareça. Tais debates são obrigatórios. dará causa. remetendo os autos ao Procurador Geral. Já se o querelante deixa de requerer a condenação nas alegações orais ou no memorial. Superado o lapso e mantida a ausência do réu. nem constitua advogado. poderá oferecer prazo de 5 dias para a apresentação de memoriais escritos (exceção). para que este supra a omissão. por analogia.de nulidade meramente relativa. indiretamente. até o comparecimento do acusado. deve o magistrado assim proceder:  Citação pessoal: nesta hipótese. A prescrição deve ficar suspensa tomando-se como base o tempo abstratamente fixado para a infração (STJ. deve o magistrado. o que não significa imprescritibilidade.  Citação com hora certa: da mesma forma. a depender da modalidade de citação que tenha sido implementada. já que a citação é o ato que completa a formação processual (mas não interrompe a prescrição). 231 . não a justificando unicamente o mero decurso do tempo. a volta da contagem do prazo prescricional estaria condicionada a evento futuro e incerto (comparecimento do réu). ou designando outro membro do MP para fazê-lo. nomeando-lhe defensor para apresentar a defesa preliminar. oferecendo o memorial. STJ Súmula 455: A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no artigo 366 do CPP deve ser concretamente fundamentada. 403 CPP). cabe ao juiz decretar a revelia do réu. nomeando defensor para suprir a omissão. devendo haver demonstração de prejuízo e alegação imediata. com a devolução do prazo. e a sanção é a declaração da perempção. Se a acusação é omissa em apresentar o memorial. contudo. 28 do CPP. d) Debates orais e sentença – Ao final da AIJ as partes oferecerão alegações finais orais (Regra. a uma desistência da ação. STJ Súmula 415: O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da pena cominada. o processo seguirá o curso regular. a não apresentação de memorial vai implicar em desídia do querelante. com a paralisação do processo pela pendência do ato. teremos conseqüências diversas a depender da titularidade da ação. por sua vez. O STF.

nem constituindo defensor. devendo o magistrado oficiar a OAB. intimando-se o réu e o seu defensor do respectivo despacho. nomeará defensor para a prática desse ato. princípio da concentração (já que os atos de instrução serão concentrados numa só audiência). deve-se oficiar ao Defensor Público Geral. este será imediatamente substituído. deverá absolver o réu. 232 . sentença. (f) requerimento de diligências. (d) acareações. se não requeridas diligências ou se indeferidas. o juiz nomeará defensor para oferecê-la. nesta ordem: (a) Declarações do ofendido. Na audiência serão realizados os seguintes atos processuais. Na hipótese de não apresentação de memorial pelo defensor constituído pelo réu. suspende-se o processo e a prescrição. já que é ele quem vai proferir a decisão). 132 do CPC por analogia). Diligências. a ser realizada no prazo máximo de 60 dias. e o principio da identidade física do juiz (o magistrado que preside a instrução é aquele que irá decidir. No caso de o acusado ser citado por edital. Resposta à acusação. Recebida a inicial será determinada a citação do acusado para responder a demanda em 10 dias. citado por hora certa ou pessoalmente. Contudo. 6. sobre preliminares e documentos apresentados na resposta. quando devem estar concluídas as diligências requeridas pelas partes. 5. prorrogando-se tal prazo para a defesa). principio da imediatidade (onde a instrução probatória irá tramitar perante o juiz que preside o feito. 4. Exceção é o art. Manifestação do querelante ou MP em cinco dias. Se a omissão persistir. e não apresentar resposta. (c) esclarecimentos dos peritos. 2. assistente do MP: 10 minutos.1. a absolvição do réu? A grosso modo. seria mais uma hipótese de perempção. Já se a omissão é do defensor público. Não comparecendo. e vinculado ao desejo do titular da ação privada. Audiência de instrução e julgamento. em alegações finais orais ou em memorial. para que se inicie o devido procedimento sancionador. 3.#E se o querelante requerer. (e) interrogatório do acusado. 2. principalmente quando levamos em conta as repercussões na esfera cível e na imagem do infrator. entendem os autores que o magistrado irá prosseguir o feito. prorrogáveis por mais 10. Recebimento ou rejeição da denúncia ou queixa-crime. pois para este é mais benéfica a sentença absolutória do que a decisão de extinção da punibilidade. o prazo começa a fluir do seu comparecimento pessoal ou do seu defensor constituído. sobretudo quando se conclui que os debates orais passam a ser regra). Oferecimento da inicial acusatória. Se. 7.2 Sequência: 1. (g) alegações finais orais (debates – 20 minutos. reconhecimento de pessoas e coisas. Se a omissão é do advogado dativo. o juiz deve notificá-lo para contratar outro advogado. (b) inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa. f) Tessitura principiológica – ganha força os princípios da oralidade (vislumbra-se um forte apego a palavra falada. Remessa e distribuição do IP ao Judiciário. 8.

sentença em 10 dias. podendo. quanto ao número de testemunhas arroladas por cada parte (cinco testemunhas). Lembrar!!! Possível citação por hora certa no juizado especial. quando a investigação regular (inquérito) será instaurada para apuração da autoria. serão apresentados memoriais em cinco dias. 9. Não há previsão legal de oferecimento de memoriais escritos no rito comum sumário. O procedimento comum sumário não se distingue substancialmente do ordinário. quando o juizado especial criminal encaminhar ao juízo comum as peças existentes para a adoção de outro procedimento. 2. O desatendimento das regras do rito sumário para possibilitar o oferecimento de razões escritas não ensejará reconhecimento de nulidade.2 PROCEDIMENTO COMUM SUMÁRIO O rito será COMUM SUMÁRIO toda vez que não houver previsão de procedimento especial e o processo tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a quatro anos de pena privativa de liberdade. poderá ser realizado. §3º). autorizar relaxamento de prisão ou providências correicionais. cuja pena máxima não exceda dois anos. quanto a regra de que a audiência de instrução e julgamento seja realizada no prazo máximo de 30 dias e por NÃO prever o CPP requerimento de diligências em face do fato surgido na audiência. Encerrados os debates. e eventualmente com a juntada 233 . prorrogáveis por mais 10 (art. quando a complexidade da causa assim determinar ou quando o acusado não for encontrado para ser citado pessoalmente ou por hora certa. Não é possível a citação por edital. O encaminhamento de peças do juizado especial criminal pode acontecer. por exemplo. 2.1 Fase preliminar Constatado o cometimento de delito de menor potencial ofensivo. deve ser prolatada a sentença. eis que a citação editalícia não é compatível com aquele juízo.3. Não há que se falar em IP para crimes de menor potencial ofensivo. nem de conclusão dos autos para sentença. a autoridade policial deverá proceder à lavratura de termo circunstanciado de ocorrência. I. IMPORTANTE!!! Nas infrações de menor potencial ofensivo. contudo. ou se não for conhecido o agressor. O TCO consiste em uma investigação simplificada. Em situação de complexidade. com o resumo das declarações das pessoas envolvidas e das testemunhas. observar-se-á o procedimento sumário. O inquérito.3 PROCEDIMENTO COMUM SUMARÍSSIMO (JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS) 2. em face da conexão com outro delito que não seja de menor potencial ofensivo. 800. não obstante estatua a possibilidade de aditamento excepcional de ato processual quando imprescindível a prova faltante. todavia. salvo quanto à pena máxima prevista para o crime (menor que 4 anos privativa de liberdade).

devendo seguir para o juízo competente. já que a pena mínima da lesão culposa não é superior a um ano. o delegado tomará o compromisso do autuado de comparecer ao juizado especial em dia e horário designados previamente. a transação e o condicionamento à representação. mesmo tendo pena de até dois anos. 291. mediante indenização ou retratação formulada pelo autor do fato. IMPORTANTE!!! Se o crime for de ação penal privada ou de ação penal pública condicionada à representação. passando ao juízo comum. em sua antiga redação – tratando da embriaguez ao volante. como se infere. por lei ordinária. por ter pena mínima não superior a um ano. Tratando-se de delito de trânsito. Por sua vez caberá flagrante. não atraindo a competência dos juizados e nem se submetendo às benesses típicas de tais infrações. cuja pena máxima era e continua sendo de três anos. que é infração de menor potencial ofensivo e continua se submetendo ao regime dos juizados especiais criminais. Quanto à embriaguez ao volante. tratando apenas da lesão corporal culposa ao volante. O juiz dará vista dos autos ao órgão do MP que. e ao invés de termo circunstanciado. admite-se a suspensão condicional do processo. Com a “Lei Seca”. em via pública. e subsiste a suspensão condicional do processo. será elaborado inquérito policial. Se for obtida composição dos danos civis em crime de ação penal pública incondicionada. disputa ou competição automobilística (.. Tal disposição é de duvidosa constitucionalidade. excepcionando a definição de crime de menor potencial ofensivo no que tocava ao critério da pena máxima não excedente a dois anos. pois excepciona. de corrida.de exame de corpo de delito para os crimes que deixam vestígios. Nos autos do termo circunstanciado de ocorrência. prossegue-se com os demais termos do procedimento. c) transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em 50 Km/h. sugerirá que as partes se conciliem. a lei 9. o art. b) participando. IMPORTANTE!!! Não pode a autoridade policial arquivar o TCO (assim como o IP). 2. requererá o arquivamento.2 Audiência preliminar O juiz estimulará a composição dos danos civis. por imperativo legal. 234 . afastando-se a composição civil. SALVO se o agente estiver: a) sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa. do seu art. de natureza irrecorrível. Objetiva-se. Entretanto. será lavrado o acordo e homologado por sentença. além da lesão culposa e da participação em competição não autorizada –. ainda que de forma simplificada. não há enquadramento no conceito de infração de menor potencial ofensivo. a composição dos danos civis equivale à renúncia ao direito de queixa ou representação. 291 ganhou nova redação.).3.. se entender pela atipicidade do fato. a competência dos juizados especiais. isto é. coligir elementos que atestem autoria e materialidade delitiva.503/97 autorizava o oferecimento de transação penal para os crimes que mencionava no parágrafo único. IMPORTANTE!!! Nestas hipóteses a lesão culposa sai da esfera dos juizados. Uma vez obtida a composição. com a conseguinte extinção da punibilidade.

Daí que o parquet NÃO está obrigado a oferecer transação penal independentemente da provas constantes do TCO. Caso ela seja oferecida. não obtida a composição dos danos civis é prudente que o juiz suspenda a audiência advertindo a vítima da necessidade de oferecer queixa-crime antes do decurso do prazo decadencial. De outro lado. (3) oferecer transação penal. Contudo. 235 . o faça). prejudicada restará a queixa-crime. Sendo o crime de ação penal pública (condicionada ou incondicionada). propor transação penal. como o limite máximo de 4 anos. se entender que não se trata de infração de menor potencial ofensivo. por entender não recomendável para o autuado. Com essa cautela. em face de não estarem presentes requisitos objetivos e/ou subjetivos. com todos os seus institutos. Ao revés. No que compete ao delito de participação em competição não autorizada. fazendo. por intermédio de seu advogado. sendo reduzida a termo. na própria audiência. ou seja. fundamentadamente. como a transação penal é ação penal tendente à aplicação imediata da pena – a aplicação da pena em si é privativa do Estado – é adequado que. ele poderá: (1) requerer diligências complementares. Nada impede que a queixa-crime seja oferecida na própria audiência. Alias. é imprescindível a existência de suporte probatório mínimo. seguindo o regime dos juizados. possibilita o procedimento previsto na lei 9. (5) recusar. abre a possibilidade de oferecimento de transação penal. com a proposta de aplicação imediata de medida restritiva de direitos. que o próprio querelante. caso o delito tenha pena máxima superior a dois anos. em seu artigo 94. uma vez verificada a propositura da queixa (com a potencialidade do desencadeamento da ação penal privada). a não obtenção de composição prévia dos danos ou de conciliação. pelo órgão do MP (segundo os autores. (2) requerer o arquivamento do TCO por atipicidade ou mesmo por falta de condição de procedibilidade (inviabilidade probatória). a proposta de denúncia oral. segue a designação de audiência com a possibilidade de oferecimento prévio de transação penal. sem as benesses da composição civil e da transação penal.099 para os crimes nele previstos. em decorrência. (4) requerer a remessa dos autos ao juízo competente. que haja indícios de autoria e materialidade delitiva no que tange ao delito de menor potencial ofensivo. antes do recebimento da peça acusatória. oralmente. Aceita a transação pelo querelado. para que seja a transação penal proposta regulamente. entendem os autores que no caso oportuniza-se a aplicação do procedimento sumaríssimo. que é mais célere. Essa possibilidade evita que ao autuado por crime de ação penal privada seja oferecida transação penal antes de se certificar do efetivo desejo da vítima de ajuizar a ação penal privada. objetivando uma resposta mais rápida em crimes de tal natureza. não há nenhum obstáculo que o próprio ofendido faça a proposta da transação penal. Por ter o objetivo de proteger mais eficazmente a pessoa idosa. ao MP seja assegurada a proposta de transação penal também no crime de ação penal de iniciativa privada. está garantido tratamento isonômico dos autuados. Em se tratando de crime de ação penal privada. por meio do advogado. antes aconselha. IMPORTANTE!!! Também o ESTATUTO DO IDOSO. nada impede. este se enquadra no conceito de infração de menor potencial ofensivo.

por dois a quatro anos. Lei 9. ou se a mesma não tiver cabimento. A única restrição para quem aceita a transação penal é a consistente em não poder aceitar outra transação penal por outro crime pelo prazo de cinco anos. A solução encontrada – ou o artifício que se tem utilizado – na praxe forense foi a dos juízes consignarem na sentença uma homologação condicionada ao cumprimento da proposta fixada na transação aceita. ao oferecer a denúncia. ou até mesmo fazer contra-proposta. 2. O sursis processual foi assim sufragado para que o processo criminal com denúncia recebida com PENA MÍNIMA NÃO SUPERIOR A UM ANO.3. 236 . presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. Uma vez aceita a transação penal. é indispensável a presença do ofendido na audiência. verificando a regularidade de sua propositura (autoria e materialidade delitiva). o juiz. prossegue-se com os demais termos do procedimento. o Ministério Público. quando será decidido sobre o recebimento da denúncia. será proferida sentença de extinção da punibilidade. Se a vítima não comparecer. nova audiência será designada. a composição dos danos civis equivale à renúncia ao direito de queixa ou representação. oitiva de testemunhas e interrogatório. não é admissível a sua intimação.3 Procedimento sumaríssimo O procedimento sumaríssimo dos juizados especiais criminais apresenta institutos que acabaram por se aplicar em processos de competências de outros juízos. Se houver impulso processual da vítima antes do decurso o prazo decadencial (em regra seis meses a contar do fato delituoso). abrangidas ou não por esta Lei. será designada nova audiência. Se for obtida composição dos danos civis em crime de ação penal pública incondicionada. proferirá sentença homologatória. desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime. mas tão somente o aguardo do prazo decadencial. podendo recusá-la. com a conseguinte extinção da punibilidade. citação do acusado. Cumprida a transação penal. em caso de descumprimento da medida aplicada. A homologação impede o oferecimento de denúncia ulterior.099 Art. 77 do Código Penal). poderá propor a suspensão do processo. será ele informado de que a transação penal NÃO IMPLICA reconhecimento de culpa ou reincidência. Nos crimes em que a PENA MÍNIMA cominada for igual ou inferior a um ano. 89. de instrução e julgamento. nem deixa antecedentes criminais. IMPORTANTE!!! Nos crimes de ação penal privada ou de ação penal pública condicionada à representação. ficasse suspenso por um período de prova de dois a quatro anos. IMPORTANTE!!! O autor do fato não é obrigado a aceitar a proposta de transação penal.Lembrar!!! Se o crime for de AÇÃO PENAL PRIVADA ou de AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO. Se o autuado recusar a proposta. e contra ele for oferecida denúncia oral – ou já constar queixa crime dos autos –. Todavia.

podendo ser lastreada por boletim médico ou correlato. mercê da vedação expressa no art. A suspensão condicional do processo não ficou restrita ao âmbito dos juizados especiais. por petição escrita. A inicial. com o estabelecimento das condições legais e extralegais. IV . caberá RSE. o acusado poderá aceitá-la ou recusá-la. § 4º A suspensão PODERÁ ser revogada se o acusado vier a ser processado. § 6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo. será declarada extinta a punibilidade. Desse modo. 90-A. § 3º A suspensão SERÁ revogada se. § 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor. sob as seguintes condições: I . é cabível o oferecimento da suspensão condicional do processo.reparação do dano.proibição de ausentar-se da comarca onde reside.comparecimento pessoal e obrigatório a juízo. o que não impede. Não comparecendo o autor do fato à audiência preliminar. ou descumprir qualquer outra condição imposta. mesmo em processo-crime eleitoral. a exceção daqueles que tramitam na Justiça Militar. este. se a infração deixou vestígios. desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado. ficando com ela citado e ciente da designação de audiência de instrução e julgamento. no curso do prazo. § 5º Expirado o prazo sem revogação. a substituição pela utilização da prova testemunhal. II . no curso do prazo. o Juiz declarará extinta a punibilidade. NÃO TEM CABIMENTO CITAÇÃO POR EDITAL.proibição de freqüentar determinados lugares. mensalmente. Uma vez recebida. poderá suspender o processo. Se aceitar a suspensão. terá que ser citado pessoalmente. restando a remessa dos autos ao juízo comum. sendo tal exame necessário para eventual condenação. desde que preenchidos os requisitos objetivos e subjetivos legais. tendo os vestígios desaparecido. NÃO precisa vir acompanhada pelo exame de corpo de delito. se tiver sido oferecida suspensão condicional do processo. IMPORTANTE!!! REJEITADA A DENÚNCIA. a reparação do dano. salvo impossibilidade de fazê-lo. da lei 9099. recebendo a denúncia. Ela tem aplicação junto aos processos de todos os outros juízos. o beneficiário vier a ser processado por outro crime ou não efetuar. sem autorização do Juiz. na presença do Juiz. findo o qual. § 7º Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo. 237 . para informar e justificar suas atividades. em 10 dias. Obs. o processo ficará suspenso pelo período de prova (de dois a quatro anos). § 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão. Não sendo encontrado. submetendo o acusado a período de prova. A única exceção é a justiça militar. sendo a pena mínima do crime imputado igual ou inferior a um ano. Lembrar!!! Rejeitada a denuncia no procedimento comum ordinário. caberá APELAÇÃO. III . Ao acusado será entregue cópia da denúncia ou da queixa antes mesmo do seu recebimento formal. sem revogação. por contravenção. o processo prosseguirá em seus ulteriores termos. sem motivo justificado.

IMPORTANTE!!! Entendem os autores que não seria necessário uma nova defesa preliminar após os recebimento da inicial. 394 § 4º do CPP. por motivo justificado. por força do art. Lembrar!!! ED no procedimento comum ordinário tem prazo de 2 dias e interrompe o prazo para outros recursos. isto já ocorreu naquela mesma sessão. minutos antes da admissibilidade da inicial acusatória. Da sentença. ainda que não regulados neste Código. ou seja. 397 CPP). CPP. 238 . que são cabíveis embargos de declaração no âmbito do juizado. 3. A sentença. Obs. caberá apelação. o rito a ser seguido não será o dos artigos 513-518 do CPP. pois nos juizados. 395 a 398 deste Código aplicam-se a todos os procedimentos penais de primeiro grau. ressalvados o MP e a DP (e o advogado dativo) que tem prerrogativa de intimação pessoal. Da sessão de julgamento do apelo.1 CRIMES AFIANÇÁVEIS IMPUTADOS A FUNCIONÁRIO PÚBLICO O procedimento especial para CRIME AFIANÇÁVEL imputado a funcionário público permanece regrado pelos artigos 513 a 518. com o efeito de suspender o prazo recursal para os demais recursos a serem interpostos da decisão declarada. é de se observar normas específicas.PROCEDIMENTOS ESPECIAIS 3. Anote-se. A aplicação das disposições do procedimento comum ordinário. só terá lugar após o recebimento da denúncia. necessitar aprofundar sua cognição acerca do fato. IMPORTANTE!!! A denúncia ou queixa deve vir instruída com a documentação que confira lastro probatório mínimo à acusação. que o magistrado absolva sumariamente o réu (art. Entende-se que o numero máximo de testemunhas seria 3 para acusação e para defesa. 394 § 4o As disposições dos arts. Art. em tese. que será dispensada de relatório. será proferida na própria audiência. Se for o agente titular de cargo ou função com foro privilegiado. podendo o juiz determinar a conclusão dos autos se. Quando o processo deve correr perante tribunal. no prazo de cinco dias. “com documentos ou justificação que façam presumir a existência do delito ou com declaração fundamentada da impossibilidade de apresentação de qualquer dessas provas”. pela peculiaridade do procedimento e concentração da audiência. as partes serão intimadas pela imprensa. por último. Recebida a denúncia. no prazo decenal. a competência para processo e julgamento é do juiz de primeiro grau. Quando o funcionário não é titular de prerrogativa inerente à função ou ao cargo que exerce. é possível. sendo o recorrido intimado para apresentar contra-razões em dez dias.

1 Peculiaridades do procedimento a) Obrigatoriedade da defesa preliminar – a apresentação da primeira defesa preliminar é mera faculdade. A defesa preliminar deve ser vista como ato útil a levar ao magistrado elementos que o permitam realizar um juízo mais equilibrado de admissibilidade da inicial. sendo estratégia a ser utilizada ou não pela defesa. é a fase que precede o recebimento da denúncia. não há expedição de precatória nem notificação por edital. 239 . independente da quantidade de pena cominada. por serem infrações inafiançáveis. É também o entendimento do STF. É ato que NÃO EXIGE CAPACIDADE POSTULATÓRIA. como peça facultativa. entendem os autores que a notificação para a sua apresentação é obrigatória. O STJ. asseverando que: “é desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 do CPP. De outro lado. b) Capacidade postulatória – a defesa preliminar. Esta. o magistrado ordenará a citação do acusado. Desta forma. O juiz. naquelas infrações apenadas com reclusão cuja pena mínima não exceda a dois anos (crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral). ela continua valendo. Contudo. à imputação que lhe é feita. Apenas o excesso de exação e a facilitação de contrabando ou descaminho não se enquadram. Não se pode suprimir um ato de defesa pelo simples fato da inicial estar embasada em inquérito. no prazo de 15 dias. partidário da tese de que o fato da denúncia estar acompanhada por inquérito policial não dispensa a notificação para apresentação da defesa preliminar.1. o procedimento a ser seguido será o ordinário. é meramente relativa. com o recebimento da inicial. carecendo de demonstração de prejuízo. seguindo-se o rito comum ordinário. Os autores são veementemente refratários a este entendimento. pode ser apresentada pelo próprio denunciado ou por seu advogado. Esta resposta antecede o recebimento da peça acusatória. Se o funcionário público não for encontrado para ser notificado. por sua vez. seguirão o procedimento comum ordinário. Daí que o juiz – se se convencer dos argumentos do acusado e de seu defensor concernentes à inexistência do crime ou à improcedência do pedido condenatório – poderá rejeitar a queixa ou a denúncia fundamentadamente. Desta forma. editou a súmula 330. ou seja. na ação penal instruída por inquérito policial”. determinará a notificação do funcionário para responder por escrito. Superada esta etapa. o que faz a lei tratar esse procedimento como especial. A especialidade do rito aparecerá quando o crime imputado a funcionário público for AFIANÇÁVEL (nos inafiançáveis segue o rito ordinário). sob pena de nulidade. ser-lhe-á nomeado defensor para a prática do ato. ou estando fora da jurisdição. mandando autuar a denúncia ou queixa que esteja em sua devida forma. contudo. Logo. 3. se resolver pelo recebimento da denúncia ou da queixa. Lembrar!!! Enquanto a súmula não for revogada.

contados da citação do réu. IMPORTANTE!!! A questão. ter sido exonerado ou estar aposentado. em seu art. a posição em sentido contrário. de sorte que a rejeição teria força de mera interlocutória terminativa. em razão da sua complexidade. prevalecendo a posição de que. Este fato deve ser constatado na fase procedimental adequada. no quantitativo máximo da pena em abstrato. de maneira restrita. Pacelli. entretanto.259/01. e) Efeitos da rejeição da inicial – para os autores. assentou recentemente que NÃO cabe a defesa preliminar prevista no art.g. Dessa forma. já que a regra é que tais infrações sejam processadas no seio dos Juizados Especiais. deve o magistrado reconhecer tais circunstâncias. Por seu turno. Nesse sentido. como fazia a lei 9099. de sorte de definir no mérito a questão. onde não se tem um juizado especial eleitoral. exclusivamente. a rejeição da inicial acusatória terá o status de decisão definitiva. fazendo coisa julgada material. suprimindo-se a especialidade do procedimento. a depender dos elementos trazidos na defesa preliminar. a doutrina e a jurisprudência majoritária passaram a entender que a definição de delito de menor potencial ofensivo é baseada. 3. Prevalece. apresentada no prazo de 10 dias. ao ser seguido o procedimento comum ordinário. não mais terá direito à defesa preliminar. Nesse sentido. teremos uma segunda defesa preliminar. por v. pois. c) se o fato. quase todos os delitos contra a honra passaram a ser processados perante os juizados. de status constitucional. 514 do CPP se a denúncia imputa ao agente público crime funcional e crime não-funcional. em verdadeiro julgamento antecipado do feito. 514 do CPP se a denúncia imputar ao agente público crime funcional e crime não-funcional. 240 . Dessa forma.c) Perda da condição de funcionário público – se o funcionário público perde o status. não permitir o oferecimento da inicial dos juizados. 61. a primeira defesa preliminar só será oportunizada àqueles que estejam na condição de funcionário público. b) dos crimes contra honra perpetrados por agente com prerrogativa de função. provada de forma inconteste a atipicidade da conduta ou demonstrada desde logo a extinção da punibilidade. o que permitirá ou não a ocorrência de absolvição sumária. com algumas exceções: a) dos crimes eleitorais. d) Concurso de infratores e infrações – havendo mais de um réu. o STF e o STJ assentaram recentemente que NÃO caberá a defesa preliminar prevista no art. por ser incompatível com o rito sumaríssimo. NÃO deve haver defesa preliminar para nenhuma delas. o STF e o STJ que. Tourinho Filho. No mesmo sentido. uma vez recebida a inicial. contudo.2 CRIMES CONTRA A HONRA Com a promulgação da lei 10. não é pacífica. no caso do concurso de infrações. O que levou à consolidação dessa posição foi a noção de isonomia. que instituiu os juizados especiais federais. seguindo o primeiro. havendo concurso de crimes. esta de natureza obrigatória. O procedimento especial para os crimes contra a honra sobejou. quando o magistrado for determinar a notificação para o ato. Em razão da reforma. d) havendo necessidade de citação por edital. não se excepcionando mais a especialidade do rito.

IMPORTANTE!!! Não há que se falar em audiência de conciliação se a ação é titularizada pelo MP. o que levaria à extinção da punibilidade. Já a ausência do querelado poderá desaguar em condução coercitiva. não se lavrando termo. ou. na sua presença. recebendo-se ou não a queixa-crime. Apresentada ou não a exceção. afinal. 520 do CPP não implica ocorrência de perempção visto que esta pressupõe a existência de ação penal privada em curso. ao passo que a EXCEÇÃO DE NOTORIEDADE intenta demonstrar que as alegações são de domínio público. implicaria na análise de imediato quanto à admissibilidade da inicial. a exemplo do que ocorre nos crimes contra a honra do funcionário público vinculado ao exercício funcional.IMPORTANTE!!! Este rito se particulariza notadamente pela previsão de tentativa conciliatória que deverá preceder o recebimento da QUEIXA (ação penal privada). Verificando a possibilidade de conciliação. onde as partes serão ouvidas separadamente. o que se dá apenas com o devido recebimento da inicial acusatória”. 241 . o rito comum. em substituição as da petição acusatória. o fato objeto do processo passa a ser atípico. Oferecida a exceção da verdade ou da notoriedade do fato imputado. Não havendo conciliação em audiência designada para este fim. o juiz. tem-se entendido pelo reconhecimento da perempção. 3. seguindo-se. No STJ. CPP. com a possibilidade de inquirição de testemunhas arroladas na queixa ou de outras indicadas na exceção ou mesmo na contestação. Se o ofendido goza de foro privilegiado. Acabam funcionando como uma questão prejudicial (homogênea) ao andamento do processo. como sanção processual pela ausência do ofendido a um ato da persecução penal. devendo o demandado ser absolvido. Recebendo-a. sem a presença dos seus advogados. IMPORTANTE!!! A EXCEÇÃO DE VERDADE objetiva demonstrar que os fatos atribuídos ao indivíduo são verdadeiros. será dada oportunidade para o querelante apresentar contestação em dois dias.3 ENTORPECENTES Os delitos de consumo de entorpecentes continuam regidos pelo rito da lei 9099/95. por serem de menor potencial ofensivo. se estiver presente. avivando que “o não comparecimento do querelante à audiência de conciliação prevista no art. por estar ligada diretamente ao mérito da demanda. promoverá entendimento entre elas. 396. Já se o querelante não comparece à audiência de conciliação. a exceção de verdade será julgada perante o respectivo tribunal. o juiz receberá ou rejeitará a queixa-crime. bem como outra. nos termos do art. em senda oposta. o procedimento seguirá. para aqueles que a admitem. existe posição nesse sentido. devendo ser resolvida. o rito comum sumario. se procedente a exceção. depois de ouvi-las em separado. caso o magistrado dela não se valha. ou por mandado) para responder a acusação em 10 dias. a partir daí. será citado o acusado (em audiência. e com esses traços distintivos. nos demais termos.

Trata-se de CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE para o início da persecução penal. ou à indicação dos bens. nenhuma medida poderá ser adotada. sucessivamente. NÃO SE IMPORÁ PRISÃO EM FLAGRANTE AO USUÁRIO. 242 . ou que figurem em seu nome. Esses prazos poderão ser duplicados. Para que se garanta o cumprimento das medidas. de forma a indicar a materialidade delitiva. justificando as razões que a levaram à classificação do delito. Na fase investigativa. com a lavratura do termo circunstanciado de ocorrência nos moldes da lei dos JEC. firmada por perito oficial ou. livrando-se solto. não foi descriminalizado. III – medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. Conclusão do inquérito – trinta dias se o indiciado estiver preso ou noventa dias se solto. será remetida ao DP. “laudo de constatação da natureza e quantidade da droga. caso o infrator se negue injustificadamente a cumpri-las. pela autoridade policial. por pessoa idônea”. mediante autorização judicial e ouvido o MP. É o flagrante postergado ou diferido. cópia do auto. a conduta. a qualificação e os antecedentes do agente”. Se o agente negar-se a assumir o compromisso. na falta deste. onde o delegado “relatará sumariamente as circunstâncias do fato. afinal. ao menos. Perceba-se a inovação com a apresentação do usuário diretamente à autoridade judicial. Frustrada a transação penal. caberá ao magistrado. gozando neste caso de liberdade provisória incondicionada. que deverá ser encaminhado ao juízo competente ou tomado seu compromisso de a ele comparecer. imprimir admoestação verbal ou pagamento de multa. independente da devolução dos autos ou prorrogação prazal. não havendo evidência que se trata de substância entorpecente. indicando a quantidade e natureza da substância ou do produto apreendido. segue-se o procedimento regular dos Juizados Especiais. a infiltração de agentes policiais e a não-autuação imediata de portadores de entorpecentes com o fito de identificar e responsabilizar maior número de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas. IMPORTANTE!!! A lavratura do auto de prisão em flagrante requer. ainda assim não ficará detido. O porte para uso. O perito que subscrever o laudo provisório NÃO FICA IMPEDIDO de participar da elaboração do definitivo. é possível. o local e as condições em que se desenvolveu a ação criminosa. Só se o magistrado estiver ausente. também em 24 horas. as circunstâncias da prisão. como se infere. Se o preso não tem advogado. a prisão em flagrante deverá ser comunicada imediatamente. Transação penal – o MP poderá propor: I – advertência sobre os efeitos da droga. direitos e valores de que seja titular o agente. O inquérito será encerrado com a elaboração do relatório. Para as infrações que envolvam consumo. Nada impede. A autoridade deverá indicar no relatório o porquê do enquadramento típico. é que o encaminhamento será à autoridade policial. com a assunção do compromisso de comparecimento aos Juizados. II – prestação de serviços à comunidade. desde que sejam necessárias ou úteis à plena elucidação do fato. para a lavratura do TCO. que o delegado continue realizando diligências complementares. Quanto ao tráfico e condutas assemelhadas. ao juiz competente e ao MP. encerrado o inquérito.

que permite ao denunciado exercer contraditório e ampla defesa antes de o magistrado receber a inicial. que o interrogatório passou para o final da instrução. por escrito. Esta defesa é verdadeira defesa preliminar. ao MP (20 minutos +10) e ao defensor do acusado (20+10). devendo ser remetidas ao juízo competente até três dias antes da audiência de instrução e julgamento. o juiz mandará notificar o denunciado para que. com oportunidade para esclarecimento de fatos apontados pelas partes. como ocorre no procedimento dos crimes funcionais. até mesmo pela desclassificação do tráfico para o porte para uso. Na sentença (prolatada pelo juiz em 10 dias). por incineração. quando será ordenada a realização de avaliação e. é que será nomeado defensor. Na denúncia poderão ser arroladas até cinco testemunhas. ressalvada a hipótese de dúvida quanto à dependência de drogas pelo acusado. Após a conclusão da produção probatória. em dez dias. sucessivamente. interrogado o acusado. Não sendo encontrado. pensam os autores ser adequado que se proceda da mesma forma no procedimento especial de tóxicos (STF também pensa assim). primeiro a acusação e depois a defesa. e o fato da inicial estar acompanhada por inquérito não ilide sua apresentação. tentando convencê-lo de que a peça deve ser rejeitada por qualquer fundamento defensivo relevante. SEM DIFERENCIAÇÃO QUANTO A INDICIADO PRESO OU SOLTO. ofereça defesa prévia. será dada a palavra. controvérsia sobre a natureza ou a quantidade do entorpecente apreendido ou sobre a regularidade do laudo de constatação. Serão ouvidas as testemunhas em seguida (acusação e defesa nessa ordem). e refletindo melhor. Lembrar!!! No rito comum ordinário o prazo é de 5 dias se o réu estiver preso e 15 dias se estiver solto. inicialmente. Prazo para o MP oferecer denúncia – 10 dias. no curso do processo. apresentem alegações por escrito. IMPORTANTE!!! A apresentação da defesa preliminar é OBRIGATÓRIA. A audiência de instrução e julgamento deve ser realizada dentro dos trinta dias seguintes ao recebimento da peça acusatória. concedendo-se prazo para que as partes. de conseguinte. ANTES de receber a denúncia. Na audiência será. Nada impede que os debates sejam substituídos por memoriais. Percebe-se. para sustentação oral. admite-se a notificação por edital. após a reforma do procedimento comum. 243 . quando após a rejeição deve o magistrado remeter os autos aos Juizados Especiais.Tais diligências não possuem prazo preestabelecido de duração. Exige-se CAPACIDADE POSTULATÓRIA. devendo o denunciado ser NOTIFICADO PESSOALMENTE. Essa medida não será adotada quando tiver ocorrido. o juiz decidirá sobre a destruição da substância entorpecente apreendida. na mesma audiência. a audiência será designada no prazo de noventa dias. e em face da omissão da apresentação. que será efetivada no prazo máximo de trinta dias.

Na regra atual. 3. que tratam do antigo procedimento falimentar. §1º. seguir o procedimento comum SUMÁRIO. por ocasião da decretação da mesma. requisitará a abertura de inquérito policial. promoverá imediatamente a competente ação penal ou. o que se revela pela presença dos requisitos que autorizariam a preventiva. determine a prisão preventiva do falido ou de seus administradores. o magistrado. cabendo. paragrafo único. A nova lei prevê a possibilidade de ação penal subsidiária da pública. entendendo necessário. em entendimento corredio no STF. guardam ultratividade. têm aplicação quanto aos 244 . Obs. segue-se agora o PROCEDIMENTO COMUM SUMÁRIO. o recolhimento ao cárcere não condiciona o conhecimento do recurso de apelação. a contar da configuração da inércia do MP nos termos do art. O MP. com prazo decadencial de seis meses. IMPORTANTÍSSIMO!!! Uma vez recebida a denúncia ou a queixa (ação subsidiária). se o infrator estiver preso. havendo prova da prática de crime falimentar. concedida a recuperação judicial ou homologado o plano de recuperação extrajudicial. embora tenham sido revogados. A denúncia será oferecida em cinco dias. isto é. Os maus antecedentes ou a reincidência não são mais fundamentos para decretação de prisão cautelar. A prisão só poderá ser decretada na sentença se for estritamente necessária. admite-se que o juiz da falência.4 PROCEDIMENTO ESPECIAL PARA OS CRIMES FALIMENTARES IMPORTANTÍSSIMO!!! Tais crimes são de AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA e seu julgamento compete ao juízo penal da jurisdição onde tenha sido decretada a falência. não precisa fundamentar o recebimento da inicial. independentemente do quantum cominado abstratamente ao crime falimentar (ressalvada a competência dos juizados especiais). a ser exercida por qualquer credor habilitado ou pelo administrador judicial. IMPORTANTE!!! O IP não é imprescindível. Além disso. 394. de sorte a extrair maiores elementos para embasar a inicial acusatória. A nova lei não prevê o inquérito judicial. e desde que presentes os requisitos de admissibilidade desta medida cautelar. do CPP. Neste último caso. Como se trata de lei especial. CPP.101/05. se solto estiver. aquela disposição afasta os critérios do art. decretada prisão na sentença condenatória (se estiverem presentes os requisitos da preventiva). Os artigos 503 a 512. quando – ao saber da sentença que decreta a falência ou concede a recuperação judicial – verificar a ocorrência de qualquer crime previsto na lei 11. Apesar da competência para apreciar a admissibilidade da inicial acusatória e prosseguir nos demais termos do processo criminal ser do juízo penal territorialmente competente. pode o MP aguardar a apresentação do relatório circunstanciado pelo administrador judicial. ou em 15. 184. denotando-se assim a restrição do rol de legitimados a estas figuras.

O relator terá as atribuições que a legislação processual confere aos juízes singulares. apresentarem. 192 do novo diploma. se for o caso. se o agente estiver preso. Depois do oferecimento das alegações finais. 3. de pronto. Uma vez recebida a petição inicial acusatória. o prazo de ajuizamento da denúncia será de 5 dias e não haverá interrupção prazal por eventual requerimento de diligencias complementares. O interrogatório e os demais atos instrutórios poderão ser delegados pelo relator a juiz ou membro de tribunal.  Decretar a extinção da punibilidade. Pode até mesmo. Cumpridas as diligências ou não sendo requeridas nem ordenadas pelo relator. quando o requerer o MP. o Tribunal passará a proferir o julgamento. A instrução do processo penal de competência originária do STF e do STJ será realizada pelo relator. podendo haver deferimento de diligências complementares pelo relator. com a interrupção desse prazo. escolhido na forma regimental. nos casos previstos em lei. em verdadeiro julgamento antecipado do mérito. IMPORTANTE!!! Uma vez oferecida a denúncia ou a queixa ao Tribunal. salvo se o relator. serão intimadas a acusação e a defesa para. ao deferi-las. mandando citar o acusado ou querelado e intimar o órgão do MP. sendo competência sua:  Determinar o arquivamento do inquérito ou de peças informativas. A acusação e a defesa terão. o relator designará dia e hora para o interrogatório. serão as partes intimadas para. assegurado ao assistente ¼ do tempo da acusação. na forma determinada pelo regimento interno. no prazo de 15 dias. Após a oitiva das testemunhas. determinar o relaxamento da prisão. Porém. nessa ordem. requererem diligências. mediante carta de ordem. bem como o querelante ou o assistente.crimes ocorridos antes da vigência da nova lei. alegações escritas. deliberar pela improcedência da ação. o que imprime coisa julgada material.5 PROCEDIMENTO CRIMINAL DA AÇÃO PENAL ORIGINÁRIA DOS TRIBUNAIS O MP terá o prazo de 15 dias para oferecer denúncia ou pedir o arquivamento do IP ou das peças informativas. Encerrados os debates. Terminada a instrução. o relator pedirá dia para que o Tribunal delibere sobre o recebimento. ou submeter o requerimento à decisão competente do Tribunal. em cinco dias. o prazo de 1 hora para sustentação oral. será notificado o acusado para oferecer resposta no prazo de 15 dias. no intuito de convencer o tribunal que a inicial acusatória não merece acatamento. já que este só se aplica aos crimes ocorridos em sua vigência. sucessivamente. a rejeição da denúncia ou da queixa. o relator poderá determinar de ofício a realização de provas reputadas imprescindíveis para o julgamento da causa. por expressa disposição do art. o Tribunal procederá ao julgamento. Ato contínuo. É mais um procedimento que oportuniza a defesa preliminar. sucessivamente. 245 .

Dispõe o art. estatui que não será admissível queixa-crime. o laudo pericial será apresentado dentro de 3 dias após o encerramento da 246 . A materialidade delitiva é. fica restrita à possibilidade de re-interrogatório do acusado. Isso equivale dizer que.6 PROCEDIMENTO PARA OS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL IMPORTANTE!!! O prazo decadencial para o início da ação penal privada por crime contra a propriedade imaterial que deixe vestígios é peculiar. 3. A aplicação subsidiária do procedimento comum do CPP. pois. quando não tiver sido o caso de apreensão pela autoridade policial. que é de seis meses. perícia sobre todos os bens apreendidos e elaborado o laudo que deverá integrar o inquérito policial ou o processo. que excepcionalmente poderá ter cabimento. é deflagrado o prazo decadencial de seis meses. qual seja. #E se o laudo fosse homologado 5 meses e 20 dias após o conhecimento da autoria? Restaria à vítima a propositura da ação no tempo restante. conhecido o infrator. Desta forma. O procedimento criminal nas ações penais originárias dos tribunais não sofreu alteração pela reforma. Ficando pronto o laudo. indispensável para tornar possível o recebimento da denúncia ou da queixa. o juiz nomeará dois peritos com a incumbência de verificarem “a existência de fundamento para a apreensão. O laudo pericial dos objetos que constituam o corpo de delito deve acompanhar a denúncia ou a queixa que narra crime contra a propriedade imaterial sempre que a infração for daquelas que deixem vestígios. será realizada. com a respectiva homologação. ou. 530-D. com fundamento em apreensão e em perícias. que não. Para tanto. depois de transcorridos TRINTA DIAS da homologação do laudo. poderá ser requerida busca e apreensão dos objetos relacionados com o crime. contados do conhecimento da autoria da infração. para que o prazo dos trinta dias possa ser deflagrado. sendo o laudo verdadeira condição de procedibilidade sem a qual a inicial não será recebida. É assim que o art. nos dez dias. por perito oficial (um apenas). a exigência do laudo será despropositada. nos delitos transeuntes (que deixam vestígios). Para a realização dessa diligência. 530-D do CPP: Art. Tem prevalecido o entendimento que a previsão do procedimento especial deve ser compatibilizada com a regra geral para a propositura da ação privada. Entendem os autores que deve haver a notificação da vítima quanto à homologação do laudo. por pessoa tecnicamente habilitada (um apenas). para que não ocorra a decadência pelo decurso dos seis meses. 529 do CPP. na falta deste. se o crime não deixar vestígios. É como se o prazo geral fosse limitado pela homologação do laudo. terá então a vítima no máximo trinta dias para deflagrar a ação. Subseqüente à apreensão. nas hipóteses de modificação da situação fático-probatória relativamente ao primeiro interrogatório. e quer esta se realize.

ao prolatar a sentença condenatória. O juiz. ainda que os autos se tenham extraviado na segunda em grau de recurso. Com a CF/88. Vale dizer que a restauração de autos terá seu curso perante o órgão jurisdicional competente originariamente para processar e julgar o feito criminal extraviado. Prescreve o art. ao passo que a última é uma faculdade do imputado. a maior parte da doutrina indica como raiz do tribunal do júri a Magna Carta da Inglaterra. #E se o réu. bem como seu antecedente mais recente. Da sentença que julgar o processo de restauração de autos caberá apelação. que deverá destruí-los ou doá-los aos Estados.2 PRINCÍPIOS REITORES a) Plenitude de defesa – revela uma dupla faceta. poderá determinar a destruição dos bens ilicitamente produzidos ou reproduzidos e o perdimento dos equipamentos apreendidos. 3. Não assim da sentença de mérito. que não poderão retorná-los aos canais de comércio. a Revolução Francesa de 1789. 4. Municípios e Distrito Federal. entendem os autores que se o perito é oficial. desde que precipuamente destinados à produção e reprodução dos bens. de natureza obrigatória.1 FUNDAMENTOS DO TRIBUNAL DO JÚRI De lado as controvérsias sobre a origem. não sendo mais necessária a participação de dois experts. por economia ou interesse público. a defesa está dividida em técnica e autodefesa. afinal.PROCEDIMENTO ESPECIAL DOS CRIMES DOLOSOS CONTRA A VIDA 4. em favor da Fazenda Nacional. no interrogatório em plenário. o tribunal popular é órgão com competência para julgar crimes que afetam determinados bens jurídicos. a instituições públicas de ensino e pesquisa ou de assistência social. 159 do CPP. ao patrimônio da União. bem como incorporá-los. O apelo só pode cuidar da restauração propriamente dita. apresenta tese defensiva distinta do seu advogado? 247 . atuará sozinho. os crimes contra a vida. desde a Constituição Imperial de 1824. o tribunal do júri foi confirmado como direito e garantia fundamental. de 1215.diligência”. é exercida por profissional habilitado. 4. A primeira. 530-G. No Brasil. 530-G: Art. que pode valer-se do direito ao silêncio. É caso de nulidade a restauração realizada sem a prévia citação das partes.7 PROCEDIMENTO PARA A RESTAURAÇÃO DE AUTOS EXTRAVIADOS A restauração será realizada na primeira instância. Em razão da alteração propugnada no art. em especial.

estabelecem que: (1) a resposta negativa. Contudo. será atraída ao procedimento escalonado do tribunal popular. será formulado quesito com a seguinte redação: “O jurado absolve o acusado?”. Advirta-se que o genocídio. e mesmo que a infração conexa seja de menor potencial ofensivo. admitindo-se que o TJ absolva de pronto o réu condenado injustamente pelo júri em sentença transitada em julgado. apesar do STF já ter se manifestado que devem ser quesitadas apenas as teses sustentadas pela defesa técnica. Para assegurar o sigilo – e cumprir a Constituição –. dos quais sete compõem o Conselho de Sentença. d) Competência para o julgamento de crimes dolosos contra a vida – além no núcleo básico constitucional. o quesito obrigatório sobre se o réu deve ser absolvido findou por abranger tanto a tese do acusado quanto a do seu advogado. com a presença das pessoas indispensáveis a esse ato processual.Entendem os autores que as duas devem ser levadas à votação dos jurados. não irá a júri.3 CARACTERÍSTICAS  Órgão heterogêneo – sua composição é formada por um juiz-presidente e por VINTE E CINCO jurados. do art. vão também a júri as infrações comuns conexas aos crimes dolosos contra a vida. a qualquer dos quesitos relativos à autoria e à materialidade delitiva encerra a votação e implica a absolvição do acusado. b) Sigilo das votações – envolve tanto o voto e o local do voto. as decisões estão assim classificadas: 248 . Os jurados julgam os fatos. Esse julgamento não pode ser modificado pelo juiz togado ou pelo tribunal que venha a apreciar um recurso. Daí que em hipótese de julgamento manifestamente contrário à prova dos autos. a apelação provida terá o condão de nulificar o julgamento e mandar o acusado a um novo júri. Nesse sentido. O juiz-presidente aplica o direito de acordo com os fatos que são julgados pelos jurados. dando evidente prevalência a esta última. as novas redações dos §§1º e 2º. Já quanto ao julgamento dos fatos pelos jurados. em prol da inocência. por ser crime contra a humanidade. não cabe ingerência pelo órgão de segundo grau de jurisdição. Com a recente reforma do procedimento do júri. é adequado que o juiz se acautele para suspender a divulgação dos demais votos assim que se definir a votação unânime. que é crime contra o patrimônio. para majorar ou minorar a pena por ele aplicada. outros crimes comuns que não os dolosos contra a vida podem ser apreciados pelos jurados. desde que exista conexão. (2) respondidos afirmativamente por mais de 3 jurados tais quesitos. 4. c) Soberania dos veredictos – a soberania dos veredictos alcança o julgamento dos fatos. no âmbito de ação de REVISÃO CRIMINAL. tal princípio não é absoluto. não vigora o princípio da soberania dos vereditos. pelo que o tribunal pode reformar sua sentença. da mesma forma que o latrocínio. As votações ocorrem em uma sala especial. de mais de 3 jurados. Desta forma. Impende destacar que quanto a composição do órgão jurisdicional. 483. Sobre aquele.

Turma recursal. juiz de primeiro grau. juízo de acusação ou judicium accusationis. É possível ainda que exista verdadeiro litisconsórcio ativo entre o MP e o querelante. ou seja. por escrito. 406 do CPP: 249 . ordenará a citação do acusado para responder a acusação. O órgão do MP poderá arrolar até 8 testemunhas. II) Decisões subjetivamente plúrimas – emanadas de órgão colegiado homogêneo. Dispõe o art. e a conjugação de esforços faz a harmonia do tribunal. e não da juntada. ao receber a denúncia ou a queixa.  Órgão temporário – a reunião do júri é o período do ano em que o mesmo opera. Têm funções diversas. depois da produção de prova testemunhal. O PRAZO NÃO É CONTADO A PARTIR DA JUNTADA AOS AUTOS DO MANDADO. se admitida a acusação. no que se chama de AÇÃO PENAL ADESIVA. 4. com a prolação de um juízo de admissibilidade positivo pelo juiz sumariante (juiz singular): denomina-se judicium causae ou juízo de mérito.4 RITO ESPECIAL DO JÚRI Primeira fase – chama-se juízo de admissibilidade. Segunda fase – só ocorrerá se pronunciado o acusado. onde os fatos serão apreciados pelos jurados. os prazos são contados da EFETUAÇÃO DA DILIGÊNCIA. Júri.4. Ex. Lembrar!!! Via de regra. no CPP.  Decisões por maioria de votos – basta a obtenção de quatro votos num determinado sentido. O interrogatório é o ultimo ato da instrução. MAS DA REALIZAÇÃO DA DILIGÊNCIA (diferente do processo civil). 4. para que se tenha a majoritariedade na votação de cada quesito. O juiz.  Órgão horizontal – não há de se falar em hierarquia entre o juiz presidente e os jurados. sob a presidência do juiz-presidente do tribunal do júri. sumário de culpa. pericial e demais diligencias. podendo ser recebida ou rejeitada. contudo antes dos debates finais orais. na hipótese de conexão entre um crime doloso contra a vida e outro de iniciativa privada. então.1 Judicium accusationis (sumário da culpa) A primeira fase. Ex. será inaugurada com a denúncia ou a queixa subsidiária. Ex. no prazo de 10 dias.I) Decisões subjetivamente simples – são aquelas proferidas por órgão singular. III) Decisões subjetivamente complexas – exaradas por órgão colegiado heterogêneo. ao passo que a sessão do júri concentra a realização do julgamento.

quando necessário. § 6o Ao assistente do Ministério Público. em até dez dias. após a manifestação deste. § 5o Havendo mais de 1 (um) acusado. O momento preclusivo para a conclusão da instrução da primeira fase é a audiência de instrução. o juiz proferirá sua decisão imediatamente. concedendo-se a palavra. para apresentação nos nomes das testemunhas que irão depor em plenário. O juiz. A pronúncia passou. o acusado poderá argüir preliminares e alegar tudo que interesse a sua defesa. (4) desclassificar a infração dolosa contra a vida. preclusa a pronúncia. do acusado ou de defensor constituído. pelo prazo de 20 (vinte) minutos. no caso de citação inválida ou por edital. 406. Art. então. § 2o A acusação deverá arrolar testemunhas. o juiz nomeara defensor para oferecê-la. até o máximo de 8 (oito). A pronúncia. prorrogáveis por mais 10 (dez). o magistrado adotar as seguintes posturas: (1) pronunciar o réu. 411 § 4o As alegações serão orais. no caso de queixa. então. delimita a acusação. por si só. o CPP não fala mais em abertura do prazo para o oferecimento do libelo-crime acusatório. na denúncia ou na queixa. A vantagem da desnecessidade do libelo-crime acusatório é a de sua falta ou deficiência não redundar mais em nulidade processual. a conclusão dos autos. ou o fará em dez dias. (3) absolvê-lo sumariamente. para tanto. O procedimento deve ser concluído no PRAZO MÁXIMO DE NOVENTA DIAS. determinará a intimação do órgão do Ministério Público ou do querelante. 250 . até o máximo de 8 (oito). As agravantes poderão ser debatidas em plenário. por escrito. ordenará a citação do acusado para responder a acusação. abrindo-lhe vista dos autos. Pode. qualificando-as e requerendo sua intimação. ao receber a denúncia ou a queixa. respectivamente. Com a reforma processual penal. O desfecho do judicium accusationis acontecerá após as alegações orais (foram suprimidas as alegações escritas). (2) impronunciá-lo. o juiz. e do defensor. Agora. o tempo previsto para a acusação e a defesa de cada um deles será individual. a ser o referencial para a delimitação da acusação. em juízo. que deve concentrar todos os atos e diligências pendentes. no prazo de cinco dias. prorrogando-se por igual período o tempo de manifestação da defesa Encerrados os debates. ordenando. especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas. Caso não seja apresentada a defesa no prazo legal. Art. serão concedidos 10 (dez) minutos. oferecer documentos e justificações. no prazo de 10 (dez) dias § 1o O prazo previsto no caput deste artigo será contado a partir do EFETIVO CUMPRIMENTO do mandado ou do comparecimento. já que a peça é de natureza obrigatória. à acusação e à defesa. § 3o Na resposta.

o juiz. Enquanto não ocorrer a extinção da punibilidade. nesta fase.689/08 trouxe algumas inovações ao CPP. Enquanto para o recebimento da denúncia se faz preciso um suporte probatório mínimo. a lei 11. consoante o novo rito. salvo ser for apresentado pedido de dispensa de comparecimento subscrito por ele e seu defensor. impronunciará o acusado. pois o relatório estará exarado nos autos previamente à sessão. Tem a natureza de decisão interlocutória mista não terminativa.1. não será mais impositivo que o juiz faça a sua leitura durante a sessão de julgamento em plenário. Vigora. Durante o período em que permanecer no plenário do júri. A sentença de pronúncia fixa os limites da imputação para que tenha início a segunda fase a partir de sua preclusão. preclusa ficará a oportunidade para produção de prova oral testemunhal pelas partes em plenário. O sorteio dos sete jurados que comporão o Conselho de Sentença se fará entre vinte e cinco jurados (não mais vinte e um jurados) com dezoito ou mais anos de idade. É mista porque encerra uma fase sem por fim no processo e é não terminativa por não decidir o meritum causae (se julgasse o mérito seria definitiva). Não se convencendo da materialidade do fato ou da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação. à segurança das testemunhas ou à garantia da integridade física dos presentes.4. bastará sua intimação da data do julgamento. fundamentadamente. Se estiver solto. devendo o juiz declarar o dispositivo legal em que se julgar incurso o acusado e especificar as circunstâncias QUALIFICADORAS e as causas de AUMENTO DE PENA (não agravantes. Para a sessão plenária. atenuantes e causa de diminuição de pena). poderá ser formulada nova denúncia ou queixa se houver prova nova. Com a previsão de lançamento de relatório prévio nos autos. não será permitido o uso de algemas no acusado. Apenas há um juízo de admissibilidade da acusação. o juiz 251 . Parágrafo único. 414 CPP: Art. salvo se absolutamente necessário à ordem dos trabalhos. A presença do acusado é obrigatória na sessão de julgamento quando estiver preso. 414. caso em que a sessão pode ser adiada. para a pronúncia se requer um suporte probatório mais robusto. médio. Decorrido in albis o prazo de cinco dias para apresentação do rol de testemunhas. a regra do in dúbio pro societate: existindo a possibilidade de se entender pela imputação válida do crime contra a vida em relação ao acusado. 4. Dispõe o art.1 “Sentença” de pronúncia A pronúncia conterá fundamentação que se limite à indicação da materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação. O processo não mais será relatado pelo juiz.

O tipo qualificado ou a circunstância qualificadora tem limites penais expressos e envolvem fatos distintos ou que acrescem o tipo simples fundamental. sem contar que significaria uma intromissão indevida no mérito da causa. abrir vista ao MP para que adite a inicial. antes de proferir a pronúncia. são admitidas. o juiz não está descendo à matéria de individualização da pena. Também as causas que permitem a aferição do tipo penal por extensão. caberá ao magistrado corrigi-lo no momento da pronúncia. assegurando o cumprimento da Constituição. e na sequência. o juiz estaria a fundamentar a pronúncia de molde a influenciar os jurados. atenuantes ou agravantes. Diferentemente. como a descoberta de qualificadora não contemplada na descrição da inicial. nem tampouco privilégio que reduza a pena (apenas qualificadora e causa de aumento). O magistrado fará menção da viabilidade da imputação e da impossibilidade de se acolher naquele momento. A sentença de pronúncia não deve apreciar circunstâncias judiciais. deve o magistrado. dando margem à nulidade absoluta do processo. As qualificadoras são enfrentadas. 7º da Lei de Introdução ao CPP é expresso ao vedar na pronúncia causa especial de diminuição de pena. Nesse ponto. uma excludente de ilicitude restou configurada. salientando a possibilidade do júri acolhê-la ou rejeitá-la. ao pronunciar o réu. a sentença de pronúncia conterá um relatório e uma fundamentação que aprecie as provas. circunstâncias ou causas de aumento específicas.deve admitir a acusação. Destarte. Já se os fatos revelados na instrução da primeira fase forem distintos dos narrados na denúncia. que reservou a competência para o julgamento de delitos dessa espécie para o tribunal popular. previstas no próprio tipo penal. É o júri o juiz dos fatos e a pronúncia fará um recorte deles. valendo-se do instituto da emendatio libelli. em seus parágrafos. Acolhendo circunstâncias dessa qualidade. o concurso de pessoas e as hipóteses de omissão penalmente relevante são admitidas. para. Também não pode emitir juízo de certeza quanto à culpabilidade. admitindo os que se sustentam e recusando aqueles evidentemente improcedentes. Desta forma. o juiz não declara que a tese é sem cabimento: antes. dando a estes o enquadramento adequado. se não houver certeza de que. o art. As teses de defesa são enfrentadas. razão pela qual deve ser assegurado o julgamento do réu pelo tribunal popular. como a tentativa. por exemplo. por exemplo. As teses da acusação e da defesa não são rechaçadas na totalidade. compondo o próprio tipo base. Acatada a imputação do crime contra a vida. 252 . ao final. Não deve tecer valorações subjetivas em prol de uma parte ou de outra. em até 5 dias. IMPORTANTE!!! Se ocorrer erro de tipificação dos fatos narrados na inicial acusatória. A seu turno. oportunizar que a defesa se manifeste. A pronúncia é uma decisão com fundamentação técnica. admitir a acusação. sem aprofundar qualquer juízo de condenação. mas fatos que compõem a tipicidade. não pode o julgador. pois estaria se intrometendo indevidamente em matéria que será apreciada futuramente pelo corpo de jurados. a tese de legítima defesa. contudo. deve ele afirmar que a dúvida que recai sobre a tese não autoriza seu acolhimento imediato. pois não são circunstâncias agravantes. em sendo o caso de pronúncia. afastar de forma taxativa as teses sustentadas pela defesa na primeira fase. o juiz examinará o suporte probatório dos crimes conexos.

Trata-se de uma nova decisão de pronúncia do acusado. Caberá ao MP aditar a denúncia. cabe no rito do júri a emendatio libelli e a mutatio libelli. a defesa deve se manifestar. Obs. 253 . apresenta efeitos preclusivos de natureza processual. Não é o réu pronunciado pelos crimes conexos. desde que exista lastro probatório em razão de todos eles. para que esta seja adequada aos novos fatos. portanto. A inclusão de eventual circunstância agravante é encargo do Ministério Público ou do querelante. A pronúncia tem uma técnica específica. uma vez não recorrida pelos interessados. o réu é pronunciado pelo crime contra a vida ou pelos crimes contra a vida. ao MP e ao defensor público. devem ser previamente ouvidos o MP e a defesa. não havendo a crise de instância). A intimação da pronúncia será feita:  Pessoalmente – ao acusado. em substituição àquela superada pelas novas circunstâncias. a súmula deve ser afastada. Constatada situação tendente à modificação da pronúncia. a intimação procede-se por edital. cuja vítima morre dias depois em decorrência da conduta criminosa. o instituto da mutatio libelli. De mais a mais. afinal. A rigor. É o caso do acusado pronunciado por homicídio tentado. e então o magistrado irá proferir uma nova pronúncia. aplicando-se. a sentença de pronúncia e a decisão confirmatória de pronúncia proferida pelo tribunal em segundo grau de recurso causam a interrupção da prescrição da pretensão punitiva. o juiz declarará levados ao júri. uma vez mantida a prisão com base na presença dos requisitos da preventiva. se o tempo do cárcere cautelar não é razoável. Se o acusado é pronunciado pelo crime contra a vida e foi denunciado também por outro crime àquele conexo. denotando abuso. o que deve ser tomado com reservas. por ocasião dos debates orais em plenário. IMPORTANTE!!! Há possibilidade de CORREÇÃO da pronúncia. A sentença de pronúncia. ao defensor nomeado. Portanto. e o relaxamento prisional é de rigor. por conseqüência. Em seguida. devem ser dela intimados o MP. é a superação da alegação de constrangimento ilegal por excesso de prazo. ante a imutabilidade de sua afirmação sobre a admissibilidade da acusação que encaminha para decisão final pelo tribunal do júri. e o processo evolui normalmente. Prolatada a pronúncia.  Por publicação no órgão incumbido da publicidade dos atos judiciais da comarca – ao defensor constituído. notadamente porque um dos efeitos da pronúncia. ao querelante e ao assistente do MP.  Por edital – ao acusado solto que não for encontrado (IMPORTANTE!!! Não sendo o réu encontrado. exarada em decorrência de circunstância ulterior não conhecida ou não ocorrida no momento da decisão judicial. o acusado e seu defensor. os delitos conexos.podendo indicar até 3 testemunhas para combater os fatos novos. mesmo sem menção expressa. a teor da súmula nº 21 do STJ.

Por fim. Haverá despronúncia pelo juiz que prolatou a decisão quando ele se retrata ao apreciar a admissibilidade de RSE interposto. fundamentadamente. alterando sua decisão de pronúncia para impronúncia. ainda que pelos próprios fundamentos nela lançados. que. IMPORTANTE!!! Essa advertência é ligada ao que a doutrina veio chamar de despronúncia. Não se convencendo da materialidade do fato ou da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação. Em face de se cuidar de uma espécie de coisa julgada secundum eventus litis – que não tem o condão de imunizar o acusado contra uma nova denúncia com novas provas –. poderá ser formulada nova denúncia ou queixa se houver prova nova. A despronúncia pode se dar pelo juiz de primeiro grau ou pelo tribunal.5 SENTENÇA DE ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA A absolvição sumária do crime contra a vida julga o mérito da ação penal.2 Impronúncia A decisão de impronúncia NÃO julga o mérito de denúncia. inicialmente. sendo o réu primeiramente pronunciado. em momento antecipado. e a nosso ver. A impronúncia deve ocorrer em situações excepcionais. IMPORTANTE!!! Para combater a impronúncia será cabível APELAÇÃO. 4. A denúncia é julgada improcedente e. tendo. pois.4. Caso o juiz não se retrate e resolva sustentar sua decisão. É autêntica sentença porque encerra o processo. DESPRONÚNCIA equivale a impronúncia de um acusado que. Enquanto não ocorrer a extinção da punibilidade. apreciando o mérito do recurso em sentido estrito pode reconhecer que não foi correta a pronúncia. embora não aprecie os fatos com profundidade por deficiência probatória. despronunciando (ou impronunciando) o réu. podendo o juiz constatar seu equívoco e resolver por impronunciá-lo. só terá cabimento o encarceramento se estiver presentes os requisitos da prisão preventiva. conteúdo terminativo. havia sido pronunciado. há possibilidade de reabertura do processo criminal. Diferentemente. A impronúncia encerra o judicium accustionis sem inaugurar a segunda fase. por força da coisa 254 . O recurso de apelo não tem o chamado efeito regressivo (aquele que autoriza o juiz prolator da decisão se retratar e modificar o mérito do julgado). especialmente no plenário do julgamento. Não deve ir a júri fato que não esteja sustentado por prova apta à condenação do acusado ou que não tenha indicativo de possibilidade de seu reforço probatório ulterior. 4.1. A regra que vigora no sumário da culpa (judicium acusationis) é o in dubio pro societate. contra essa decisão será cabível recurso em sentido estrito. impronunciará o acusado. o juiz. destacando-se sua natureza de sentença terminativa. na pronúncia deve o magistrado decidir se o réu enfrentará a segunda fase de julgamento em liberdade ou não. encaminhará os autos ao tribunal ad quem.

IMPORTANTE!!! Só a absolvição sumária de crime doloso contra a vida é que dá ensejo à remessa necessária. afinal. quando:  Provada a inexistência do fato – historicamente. IMPORTANTE!!! Se o IP estampa cabalmente um fato praticado em legítima defesa. no correr da instrução. advertindo-se ainda que a absolvição sumária com tal fundamento tranca qualquer pretensão indenizatória. crê o autor que a manutenção da prisão na pendência do reexame necessário não subsiste. o que não certificava o direito. o horizonte atual tende a centrar mais confiança na magistratura de primeiro grau. aquele decreto não promove coisa julgada material. entendendo que o recurso de ofício 255 . se a excludente de ilicitude for reconhecida em sede de arquivamento de IP. Lembrar!!! Na dúvida o réu é pronunciado. fundamentadamente (grau de certeza). salvo quando esta for a única tese defensiva).julgada material formada. mas de decisão de arquivamento do procedimento preliminar. a prova da inexistência do fato levava à impronúncia. inviabilizando eventual ação civil ex delicto. por não se tratar de absolvição sumária. notadamente quando se observa um consenso doutrinário em considerar absurda a atribuição de efeito suspensivo a absolvição sumária para o fim de desautorizar a revogação da prisão preventiva do réu. CABE REEXAME NECESSÁRIO. dando espaço a uma absolvição sumária. Lembrar!!! A sentença de impronúncia não julga o mérito. Não obstante tenha sido revogada a redação anterior do art. em caso de absolvição sumária. não havendo indicativo de situação contrária. também. 26 do CP. Pode o MP. absolverá desde logo o acusado. evidenciando a desnecessidade de controle do reexame necessário. fique patente que realmente a conduta foi cometida em legítima defesa. ou seja. De outro lado. a ação civil ex delicto. Desta forma. Por sua vez. Ao revés.  Demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime (não será o caso de se absolver sumariamente em caso de inimputabilidade prevista no art. DA SENTENÇA QUE ABSOLVE SUMARIAMENTE O ACUSADO NO RITO DO JÚRI. 411. o que não impede que. II. que previa que. interpor apelação. Tal inserção. 575. CPP. para o autor. forçoso é reconhecer que ele permanece no sistema.  O fato não constituir infração penal. é de todo oportuna. se não estiver clara a situação excludente. em face do enunciado do art. a denúncia deve ser apresentada e recebida.  Provado não ser ele o autor ou partícipe do fato – obstaculiza. O juiz. contra a decisão de absolvição sumária. e veio em boa hora. o pedido de arquivamento (do IP) formulado pela acusação deve ser acolhido pelo juiz. não caberá a interposição de recurso de ofício. não pode ser reiniciada demanda penal pelos mesmos fatos narrados na peça acusatória. PORTANTO. o juiz devia recorrer de ofício de sua decisão e que “este recurso terá efeito suspensivo e será sempre para o Tribunal de Apelação”.

e na sequência. 4. seja imediatamente. Em verdade. na fase de prolação de sentença. Havendo alteração fática. 384 do CPP. o processo não segue de imediato para o juiz declinado ou para o setor de distribuição criminal. IMPORTANTE!!! A desclassificação tem. tal como ocorre com a elementar “subtração” junto com o fato “matar alguém”. indicando provas.6 DECISÃO DE DESCLASSIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO PENAL CONTRA A VIDA O magistrado. a natureza de uma decisão interlocutória modificadora de competência (cabe RSE). ou seja. nessa nova hipótese. IMPORTANTE!!! Havendo crimes conexos. para quem foram remetidos os autos. IMPORTANTE!!! Ponto controvertido é saber se o juiz que receber os autos com decisão de desclassificação preclusa pode ou não arguir conflito de competência. reconhecerá que o crime ali descrito é diverso de quaisquer tipificações de delitos contra a vida. as razões que entendeu inexistente a subtração tendente a colmatar o conceito de crime de latrocínio.contra a absolvição sumária foi simplesmente revogado pela lei 11. se deparar. Prolatada a decisão desclassificatória. não é o júri competente para apreciar o processo. apreciando os fatos. por se cuidar de decisum que conclui pela incompetência do juízo a teor do art. É que pode o magistrado singular. Antes. A solução que se propõe é que ao juiz singular seja possível simplesmente devolver os autos ao juiz sumariante. se o juiz que recebeu os autos não dispunha de elementos aptos para recusar a competência. Contra a decisão de desclassificação é cabível o recurso em sentido estrito. Rogério Sanches e Ronaldo Batista. encontram-se Nucci. são os autores partidários que deve ser aplicado. o art. é aguardado o decurso do prazo de recursos. instaurar o conflito: o juiz da vara do júri. Portanto.689/08. permitindo-se que a acusação adite a inicial. com decisão fundamentada que indique. que levou a desclassificação do homicídio para o latrocínio. quando seria inadmissível a arguição do conflito com base naquele contexto processual. II. com a respectiva remessa dos autos. 581. uma decisão declinatória. deve haver manifestação 256 . verbi gratia. Note-se bem que O JUIZ NÃO DEVE DIZER O TIPO QUE ENTENDE ENQUADRADA A CONDUTA DESCRITA. Infere-se assim que há inversão do juiz que terá o ônus de. É uma decisão que assenta a incompetência do júri. não é de se afastar a instauração de conflito. sendo remetido ao juízo criminal competente ou ao setor de distribuição. só depois de preclusa a decisão de desclassificação do crime doloso contra a vida que o processo deixa a vara do tribunal do júri. que trata da mutatio libelli. CPP. A opinio delicti é do MP. o juiz que absolver sumariamente o acusado deve determinar a extração de cópias dos autos. ou em momento ulterior. remetendo-as ao juízo competente. com a não comprovação da elementar que seria apta a desclassificar o delito contra a vida. portanto. Ele deve apenas afirmar que não se trata de crime contra a vida e que. a ser interposto tanto pela acusação quanto pela defesa. por tal razão. como defende Nucci.

O TRIBUNAL. com a urgência necessária. Por último. com produção probatória. mas só um deles recorre em sentido estrito.7 RITO ESPECIAL DO JÚRI: JUDICIUM CAUSAE A preclusão da pronúncia é pressuposto para o início da segunda fase do rito do júri.defensiva. motivadamente. poderá determinar o desaforamento do julgamento para outra comarca da mesma região. nos termos da Constituição. mantendo-a ou relaxando-a. do querelante ou do acusado ou mediante representação do juiz competente. do assistente. Tal precaução é imprescindível especialmente porque o envio dos autos a outro juízo leva tempo. no juízo competente. Agora. 257 . não haverá aditamento à inicial. enfim. tais como: (1) o juiz pode pronunciar apenas um acusado e impronunciar o outro. interrogatório do imputado. a requerimento do Ministério Público. prolação de sentença. Se o INTERESSE DA ORDEM PÚBLICA o reclamar ou houver DÚVIDA SOBRE A IMPARCIALIDADE DO JÚRI ou a SEGURANÇA PESSOAL DO ACUSADO. entretanto. Por outro lado. as partes devem se manifestar. o que pode fazer com que uma prisão legal se resvale em ilegal. 4. Com a preclusão da pronuncia haverá possibilidade de oferecimento do rol de testemunhas pelas partes. o juiz declinante deve comunicar imediatamente essa decisão ao juízo ou setor de distribuição destinatário dos autos. ambos recorrem. agora em razão dos novos fatos. 419. mas apenas novo enquadramento legal. não tendo havido alteração fática. para que a instrução seja retomada. o prosseguimento do processo pode se tornar diferenciado em relação a eles em virtude de fatores também distintos. CPP. será intimado por edital o acusado solto que não for encontrado. e. 427. 4. para que o contraditório seja respeitado. evitando que alguém permaneça preso sem a ciência da autoridade judicial competente.8 DESAFORAMENTO IMPORTANTE!!! Art. calha chamar a atenção para o fato de que se o acusado estiver preso quando da emissão de decisão de desclassificação – e sem prejuízo do disposto no parágrafo único do art. Note-se que se houver mais de um acusado. independentemente da natureza do crime doloso contra a vida. (2) dois acusados são pronunciados. deve o juiz declinante manifestar-se expressamente sobre a segregação cautelar. preferindo-se as mais próximas § 1o O pedido de desaforamento será distribuído imediatamente e terá preferência de julgamento na Câmara ou Turma competente. onde não existam aqueles motivos. oportunizando a desclassificação. (3) dois acusados são pronunciados. e após a instrução e debates. terá cabimento a sentença. porém um o faz intempestivamente. IMPORTANTE!!! Não há mais distinção de tratamento entre acusados por crime afiançável ou inafiançável. que impõe que o acusado preso fique à disposição do juízo recebedor dos autos –. debates. podendo inclusive indicar provas e requerer diligências. evitando a indesejável crise de instância. até o numero de 5 para cada. Se for a hipótese de manutenção da prisão cautelar.

a suspensão do julgamento pelo júri. O requerimento. qual seja: quando o julgamento não se realizar no prazo de seis meses contado do trânsito em julgado da decisão de pronúncia. Não é o desaforamento admitido na pendência de recurso contra a decisão de pronúncia ou quando efetivado o julgamento. IMPORTANTE!!! O desaforamento tanto pode se dar por iniciativa da parte. Advirta-se. § 1o Para a contagem do prazo referido neste artigo. neste último caso. quanto a fato ocorrido durante ou após a realização de julgamento anulado. poderá o relator fundamentadamente determinar a suspensão do julgamento. Não há recurso acerca da admissibilidade ou não do desaforamento. nesta última hipótese. diligências ou incidentes de interesse da defesa. ouvidos o juiz presidente e a parte contrária. IMPORTANTE!!! Existe ainda um outro motivo de desaforamento que NÃO pode se dar a pedido do magistrado. Permeia a interpretação/aplicação do art. Excepcionalmente. em razão do comprovado excesso de serviço. se o julgamento não puder ser realizado no PRAZO DE 6 (SEIS) MESES. 428. CPP. contado do trânsito em julgado da decisão de pronúncia. § 2o Sendo relevantes os motivos alegados. como consectário lógico. 427. fundamentadamente. § 3o Será ouvido o juiz presidente. A idéia que norteia o desaforamento é a de que o júri não possa ser realizado no local do cometimento do delito sem que haja risco para o julgamento. § 2o Não havendo excesso de serviço ou existência de processos aguardando julgamento em quantidade que ultrapasse a possibilidade de apreciação pelo Tribunal do Júri. IMPORTANTE!!! O desaforamento. não se computará o tempo de adiamentos. Art. como no caso da parcialidade do corpo de jurados. O desaforamento também poderá ser determinado. quanto a fato ocorrido durante ou após a realização de julgamento anulado. É o deslocamento da competência do processo de crime doloso contra a vida para a comarca mais próxima. seja quanto à segurança do acusado. prejudicando a sua apreciação pelo tribunal. via de regra. admitindo- se a possibilidade da impetração do HC. não goza de efeito suspensivo. havendo motivo relevante. seja no tocante à parcialidade do júri. nas reuniões periódicas previstas para o exercício. mas tão somente das partes ou do assistente. em si. não se admitirá o pedido de desaforamento. SEMPRE PERANTE O TRIBUNAL DE SEGUNDA INSTÂNCIA ao qual está vinculado o juízo. o acusado poderá requerer ao Tribunal que determine a imediata realização do julgamento. salvo. quando a medida não tiver sido por ele solicitada. a atenção para o clamor público e para a possível influência do poder econômico ou político existente no foro competente. o que pode desaguar na realização do julgamento antes da apreciação do desaforamento. que a suspensão não tem cabimento quando o pedido de desaforamento está 258 . só pode ocorrer após a preclusão da pronúncia do acusado. salvo. § 4o Na pendência de recurso contra a decisão de pronúncia ou quando efetivado o julgamento. o relator poderá determinar. notadamente quando os motivos possam levar a nulidade do feito. quanto do juiz. do assistente.

O serviço do júri é obrigatório. Algumas pessoas. possível. aqueles que estiverem há mais tempo na prisão. terão preferência: (1) os acusados presos. quais sejam: Art. são isentas do serviço do júri. os precedentemente pronunciados. Ressalvado motivo relevante que autoriza alteração na ordem dos julgamentos. função pública. Todavia. do sorteio e da convocação dos jurados para a reunião periódica ou extraordinária. cabendo-lhe retirar as cédulas até completar o número de 25 jurados. em face da preclusão. A inclusão ou a exclusão de algum nome na lista geral poderá ser combatida por intermédio da reclamação (endereçada ao juiz do júri) e RSE (cabível após a apreciação da reclamação. será elaborada a listagem geral de jurados. afinal. 437. 259 . o STF assevera. 4. d) Função de jurado Dispõe o art. O assistente somente será admitido se tiver requerido sua habilitação até cinco dias antes da data da sessão na qual pretenda atuar. se no foro de destino sobrevierem motivos para que o processo seja reaforado e se no de origem as razões tiverem cessado. O óbice subsiste mesmo se desaparecida a razão que determinou o deslocamento da competência. b) Organização da pauta – a organização da pauta do júri pressupõe o alistamento dos jurados em uma lista geral (cidadãos maiores de 18 anos de notória idoneidade). excepcionalmente.embasado na demora da realização da sessão. (2) dentre os acusados presos. em razão do exercício de cargo. a decisão é nula. ao presidente do TJ). em regra. IMPORTANTE!!! Uma vez desaforado o julgamento. o reaforamento – com retorno do processo ao foro original – é. que se for determinado o desaforamento sem prévia oitiva da defesa. Obs. não cabe. para a reunião periódica ou extraordinária.9 INSTALAÇÃO DA SESSÃO DO JÚRI a) Alistamento dos jurados – antes da organização da pauta. mandato eletivo ou por situações particulares justificáveis. Obs. O alistamento compreenderá os cidadãos maiores de 18 (dezoito) anos de notória idoneidade. na súmula 712. Assegurando o contraditório e a ampla defesa. reaforamento. o que se deseja é justamente a imediata apreciação do processo. c) Sorteio e convocação dos jurados – esse sorteio é presidido pelo juiz e será feito a portas abertas. com a indicação das respectivas profissões. 436. 436 do CPP: Art. Estão isentos do serviço do júri: I – o Presidente da República e os Ministros de Estado. (3) em igualdade de condições.

260 . aquelas que não tragam prejuízo para a defesa ou para a acusação de forma irremediável devem ser aduzidas no momento oportuno. sob pena de suspensão dos direitos políticos. filosófica ou politica. A recusa do serviço do júri quando fundada em convicção religiosa. das cédulas com os nomes dos vinte e cinco jurados sorteados dias antes. e designar-se-á nova data para a sessão do júri. X – aqueles que o requererem. que houve o comparecimento de pelo menos quinze deles. consignando-se em ata. Dispõe também os arts. preferência. IV – os Prefeitos Municipais. de cargo ou função pública. IX – os cidadãos maiores de 70 (setenta) anos que requeiram sua dispensa. Os jurados excluídos por impedimento ou suspeição serão computados para a constituição do número legal. Daí que assim que o juiz constatar o comparecimento de 15 jurados. O exercício efetivo da função de jurado constituirá serviço público relevante. e) Reunião e sessões do tribunal do júri A instalação da sessão de instrução e julgamento do júri – dia do julgamento de um processo com um ou mais acusados da prática de crime doloso contra a vida – é iniciada com a conferência. Constitui também direito do jurado. mandando que o oficial de justiça faça o pregão quando verificar. proceder- se-á ao sorteio de tantos suplentes quantos necessários. 439 e 440 do CPP: Art. estabelecerá presunção de idoneidade moral e assegurará prisão especial. As partes devem estar atentas ao andamento da sessão. tem incidência para o fim de sanar nulidades que não sejam absolutas. do Ministério Público e da Defensoria Pública. em igualdade de condições. Caso não haja o número de quinze jurados. nas licitações públicas e no provimento. VI – os servidores do Poder Judiciário. 440. São desses 25 jurados que serão sorteados os sete que farão parte do conselho de sentença. com a abertura da sessão. em regra. 439. V – os Magistrados e membros do Ministério Público e da Defensoria Pública. Sobre ela o juiz decidirá. bem como nos casos de promoção funcional ou remoção voluntária. até o julgamento definitivo. 439 deste Código. III – os membros do Congresso Nacional. A preclusão. enquanto não prestar o serviço imposto. pela chamada feita com base na lista dos vinte e cinco jurados. na condição do art. demonstrando justo impedimento. Art. pelo juiz-presidente. em caso de crime comum. VII – as autoridades e os servidores da polícia e da segurança pública. VIII – os militares em serviço ativo. a parte interessada terá o ônus de alegar a nulidade que entender ser arguida em seu favor. isto é. das Assembléias Legislativas e das Câmaras Distrital e Municipais. sob pena de não ser permitido mais fazê-lo. II – os Governadores e seus respectivos Secretários. mediante concurso. importará no dever de prestar serviço alternativo.

Nessa hipótese. na oportunidade de que trata o art. se assim for certificado por oficial de justiça. 457. sua ausência pode determinar sua condução coercitiva ou o adiamento da sessão. impõe o adiamento para a data mais próxima. 422 deste Código. só há obrigatoriedade de comparecimento do acusado intimado se este estiver preso. O julgamento não será adiado pelo não comparecimento do acusado solto. Art. § 2o O julgamento será realizado mesmo na hipótese de a testemunha não ser encontrada no local indicado. intimada. Prescreve o art. Já a ausência injustificada do defensor constituído e do membro do MP.10 FORMAÇÃO DO CONSELHO DE SENTENÇA Comparecendo as partes. 448 do CPP: Art. No que toca ao querelante. II – ascendente e descendente. 4. 448. Caso o réu esteja solto. do assistente ou do advogado do querelante. 461. 461 do CPP: Art. será realizado o sorteio dos sete jurados que formarão o conselho de sentença. III – sogro e genro ou nora. ordenando a sua condução. que tiver sido regularmente intimado. São impedidos de servir no mesmo Conselho: I – marido e mulher. sem que seja ele adiado. cabíveis são as providências disciplinares junto aos órgãos de corregedoria das respectivas instituições. caso não seja possível encontrá-la no dia do julgamento. o juiz presidente suspenderá os trabalhos e mandará conduzi-la ou adiará o julgamento para o primeiro dia desimpedido. é possível não só a realização do julgamento sem a sua presença. declarando não prescindir do depoimento e indicando a sua localização. Quanto às faltas injustificadas. sua ausência enseja perempção caso se trate de ação penal de iniciativa privada. a testemunha não comparecer. como também sua intimação por edital. 261 . com a menção de seu caráter de imprescindibilidade. que tiver sido regularmente intimado. deve o parquet retomá-la para o fim de ser realizado o júri. Para que a falta de testemunha ao plenário seja capaz de adiar o julgamento a parte deve arrolá-la no momento adequado. com a observação de que antes de constituído o Conselho de Sentença. O julgamento não será adiado se a testemunha deixar de comparecer. mediante requerimento dele e de seu advogado. Ainda assim. § 1o Se. do assistente ou do advogado do querelante. O julgamento NÃO SERÁ ADIADO pelo não comparecimento do acusado solto. Se a ação penal privada for subsidiária da pública. IMPORTANTE!!! Agora. pode ser dispensada sua presença. Prescreve o art. salvo se uma das partes tiver requerido a sua intimação por mandado. as testemunhas e o número mínimo de jurados – estando em ordem a sessão já instalada –. as testemunhas serão recolhidas a lugar onde umas não possam ouvir o depoimento das outras.

durante o cunhadio. Se.11 ATOS INSTRUTÓRIOS Não é mais o interrogatório do réu o primeiro ato instrutório a ser realizado. O jurado que compôs o conselho de sentença do júri anterior do mesmo processo – julgamento. não for obtido o número mínimo de sete jurados para compor o Conselho de Sentença. a parte que recusar o jurado será instada pelo juiz a apresentar prova de sua alegação. será julgado em primeiro lugar o acusado a quem foi atribuída a autoria do fato ou. em razão das recusas. 262 . com a convocação de suplentes e possibilidade de separação de processos. madrasta ou enteado. V – tio e sobrinho. depois. o assistente. a separação dos julgamentos somente ocorrerá se. Da mesma forma. VI – padrasto. no caso de pluralidade de réus. o querelante e o defensor do acusado tomarão sucessiva e diretamente. podem ocorrer recusas justificadas. Todavia. O interrogatório do acusado será tomado ao final. em caso de co- autoria. sob pena de nulidade (súmula 206 do STF). Será iniciada. anulado pelo tribunal por ter se dado de forma contrária à prova dos autos – estará impedido de participar da nova sessão. o MP. Nesse caso. não restar o número de jurados para compor o conselho de sentença. acontece o que se chama de estouro de urna. já que estão vinculadas às hipóteses de suspeição e de impedimento. marcando-se nova data para o julgamento de um ou mais dos acusados. § 1o O mesmo impedimento ocorrerá em relação às pessoas que mantenham união estável reconhecida como entidade familiar. ela só será reconhecida se o voto de um jurado tiver sido definidor do resultado do julgamento. se possível. não poderá servir o jurado que tiver manifestado prévia disposição em absolver ou condenar o acusado. primeiro pela defesa e. podendo o magistrado aceitar as razões ou rejeitá-las. Determinada a separação dos julgamentos. em face das recusas. as recusas poderão ser feitas por um só defensor. então a instrução plenária no momento em que o juiz presidente. IMPORTANTE!!! Se forem dois ou mais os acusados. as declarações do ofendido. Além das recusas peremptórias. Para a oitiva das testemunhas arroladas pela defesa. por exemplo. O Código estabelece o número de até três recusas sem motivação. para inibir que o estouro de urna não ocorra novamente. Houve inversão do rito. O sorteio dos sete jurados se dá nome por nome. Por sua vez. por intermédio do juiz presidente. IV – irmãos e cunhados. As recusas justificadas não têm número de limitação legal. com possibilidade de manifestação de recusa. isto é. as chamadas recusas peremptórias. o defensor do acusado formulará as perguntas antes do MP e do assistente. aplicar-se-á o critério de preferência do art. 429. porém antes dos debates orais. Já os jurados só poderão formular perguntas ao ofendido e às testemunhas. para enfatizar o direito à ampla defesa e ao contraditório. da acusação. e inquirirão as testemunhas arroladas pela acusação. se for realizada a sessão com tal nulidade. 4.

malgrado esteja limitado pela pronúncia.Obs. o MP. para que o réu esclareça algum ponto de suas declarações. Obs. Os jurados recebem cópia do relatório judicial sobre o processo. Não há mais a possibilidade de requerimento de leitura de todas as peças do processo. Note-se que o Parquet. sendo consignada sua qualidade de informante. São ouvidas primeiro as testemunhas arroladas pela acusação. a teor do art. sendo acrescida de uma hora se mais de um acusado estiver sendo julgado. sem prejuízo da possibilidade de reinquirição dos depoentes durante a sessão plenária. É possível a oitiva de pessoas que não tenham o dever de dizer a verdade. 4. fazer referências: (1) à decisão de pronúncia. Sendo vários os defensores.terá até uma hora e meia (e não mais duas horas) para produzir a acusação. Ao final do interrogatório. Caso se trate de ação penal de iniciativa privada. se houver . eles combinarão entre si a divisão do tempo. falará em primeiro lugar o querelante e. salvo se este houver retomado a titularidade da ação. serão tomados os respectivos depoimentos de modo que uma não ouça o depoimento da outra. Sob outro prisma.12 DEBATES E PODERES DO JUIZ Depois de concluído os atos de instrução. Caso deseje ler alguma peça processual. Deve-se permitir que sejam feitas diretamente. O advogado do acusado responderá a acusação. os jurados podem solicitar que seja tomado por termo o depoimento de pessoa não arrolada expressamente no requerimento que inicia a 2ª fase de julgamento. sendo aumentada de uma hora quando existir mais de um réu. (2) ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatório por falta de requerimento. a parte deverá assim proceder durante a sustentação oral. além da cópia da pronúncia. às decisões posteriores que julgaram admissível a acusação ou à determinação do uso de algemas como argumento de autoridade que beneficiem ou prejudiquem o acusado (é vedada a leitura da pronúncia com o objetivo de influenciar os jurados como se ali tivesse contido juízo de valor para o julgamento absolutório ou condenatório do réu). não está impedido de pedir menos do que nela contido ou de requerer a absolvição. Nessa hipótese. O interrogatório será o último ato instrutório. sem o intermédio do juiz presidente. definindo a tese de defesa. A defesa seguirá com sua sustentação. a começar pela acusação. No entanto. Obs. Havendo testemunhas a serem ouvidas. se este interceder. 481 do CPP. IMPORTANTE!!! Durante os debates as partes não poderão. sob pena de nulidade. em caso extremo. cujo nome tenha surgido durante a sessão. pelo prazo de uma hora e meia. 263 . serão iniciadas as sustentações orais. em seu prejuízo. em seguida. O promotor de justiça – dividindo o tempo com o assistente de acusação. é possível inclusive a suspensão do julgamento para que seja diligenciado o paradeiro do depoente e. as partes podem fazer reperguntas. haverá mera irregularidade. é admissível a dissolução do conselho de sentença se persistir a necessidade do jurado em ouvir a pessoa apontada.

abrirá a defesa o direito a tréplica. pois os fatos já estão suficientemente comprovados”. Negada a existência de delito contra a vida. pelo prazo máximo de até três minutos para cada aparte requerido. Havendo réplica. começará pela do crime contra a vida. passando esta ao juiz-presidente. Havendo mais de um crime. O juiz disciplinará os apartes quando a parte contrária estiver com a palavra. pelo tempo de uma hora (não mais de trinta minutos).  O francês.  Se o acusado deve ser absolvido. dois sistemas de quesitação são conhecidos:  O inglês. poderá haver réplica por parte do MP. o conselho de sentença pode pedir esclarecimentos. há um questionário específico. O CPP brasileiro passou a adotar um modelo híbrido. o juiz indagará se os jurados estão aptos a julgar os fatos. A elaboração dos quesitos. acrescendo o tempo da parte que teve sua sustentação interrompida. cabendo ao juiz togado a atribuição de qualificar o fato delituoso e graduar a pena. descabe a acusação. a defesa poderá apresentar tréplica (resposta à réplica). elevado esse tempo ao dobro se existir mais de um réu. a regra é a do modelo francês. sendo duplicado se o julgamento for de mais de um acusado. Daí a relevância de se saber a ordem dos quesitos. IMPORTANTE!!! Não pretendendo replicar. Encerrados os debates. mediante quesitos que lhe são apresentados. cessa a competência do júri. resolvem se o réu é ou não culpado (guilty or not guilty) do crime de que o acusam. que proferirá a sentença de imediato. A existência de crime contra a vida é pressuposto da competência dos jurados. em que os jurados. 4. sem que lhes sejam formulados quesitos. para cada um deles haverá uma série de quesitos. Para cada acusado (em hipótese de co-autoria e participação). Os quesitos serão formulados na seguinte ordem e perguntando precisamente sobre:  A materialidade do fato (descrição do crime). pelo mesmo tempo de uma hora. com modificações inspiradas no sistema inglês. com desclassificação para outro delito.  A autoria ou participação – se o acusado executou a ação ou para o seu resultado concorreu. em que os jurados. pois se fizer. em caso de mais de um crime. querelante e/ou assistente. tão logo indagado pelo juiz a respeito. tecer comentários tais como “não é necessário. 264 . Após sua oratória. isto é.13 FORMULAÇÃO DOS QUESITOS E VOTAÇÃO Levando em consideração o momento do veredicto final. decidem acerca do fato criminoso e suas circunstâncias. Nesse momento.

Sustentada a desclassificação da infração para outra de competência do juiz singular. 265 . IMPORTANTE!!! Não há mais espaço para indagações sobre circunstâncias agravantes ou atenuantes. Também se sustentada a tese de ocorrência do crime na sua forma tentada ou havendo divergência sobre a tipificação do delito. deve consignar os seus protestos de imediato na ata. Antes de ser formulada a pergunta subseqüente. a desclassificação é imprópria.  Se existe causa de diminuição de pena alegada pela defesa. o juiz assim os declarará. Encerrada a votação do crime doloso contra a vida será seguida a sequência da votação dos crimes conexos. De outra vertente. para ser respondido após o segundo ou terceiro quesito. respondidos afirmativamente por mais de três jurados os quesitos relativos aos incisos I e II será formulado quesito com a seguinte redação: “O jurado absolve o acusado?”. a desclassificação é denominada doutrinariamente de própria. para que reitere em eventual apelação.14 SENTENÇA E ATA DA SESSÃO Todas as ocorrências da sessão deverão ser registradas em ata. enquanto se o júri indicar o crime que foi cometido – como se dá com o reconhecimento de culpa no homicídio –. Lembrar!!! As causas de diminuição. deverá o próprio juiz presidente do júri. encerra a votação e implica a absolvição do acusado. A tomada dos votos ocorrerá quesito por quesito. Se o juiz tiver maior liberdade para definir juridicamente os fatos. pergunta esta que abrange todas as teses de defesa. Caso não haja reclamação oportuna. será formulado quesito a respeito. 69 e seguintes da lei 9099/95. o juiz formulará quesito acerca destas questões. a qualquer dos quesitos nos incisos I (materialidade) e II (autoria ou participação). 4. a votação será tomada a começar pelo que teve participação de maior importância. proceder a aplicação dos arts. Em caso de mais de um acusado. que depende de alegação intempestiva. Verificado que restaram prejudicados os quesitos subseqüentes. aumento e qualificadora são quesitadas. Desclassificação do crime doloso contra a vida – o juiz-presidente terá a competência para julgar os fatos de forma mais ou menos ampla a depender da forma do quesito cuja resposta ensejou a desclassificação. será apurado o resultado da questão que lhe antecede. para ser respondido após o segundo quesito. Caso a desclassificação implique no reconhecimento que se trata de infração de menor potencial ofensivo. A parte interessada ou que entender prejudicada por alguma decisão do juiz-presidente. sendo a apreciação destas de competência do juiz- presidente por se tratar preponderantemente de matéria de direito. haverá preclusão sobre o ponto. notadamente quando se cuidar de nulidade relativa. sendo este da competência do tribunal do júri. A resposta em sentido negativo de mais de três jurados.  Se existe circunstância qualificadora ou causa de aumento de pena reconhecidas na pronúncia ou em decisões posteriores que julgaram admissível a acusação.

É absoluta a nulidade do julgamento. para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções. onde esta será lida pelo juiz. 603. 415. 524. A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no art. pois cabe ao juiz presidente elaborar a sentença de acordo com a votação efetuada pelos jurados. A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz singular e não do tribunal do júri. SÚMULAS APLICÁVEIS  STJ 330. saindo as partes já intimadas para apresentação de eventual recurso. 712. 514 do CPP. Acabada a sentença. 714. 366 do CPP deve ser concretamente fundamentada. que se considera interposto “ex lege”. É concorrente a legitimidade do ofendido. por despacho do juiz. mediante queixa. sem novas provas. A decisão no júri é subjetivamente complexa. É desnecessária a resposta preliminar de que trata o art. encerrando-se a sessão de julgamento. sendo decisão de um órgão colegiado heterogêneo.  STF 156. Não transita em julgado a sentença por haver omitido o recurso “ex officio”. por falta de quesito obrigatório. condicionada à representação do ofendido. não a justificando unicamente o mero decurso do tempo. na ação penal instruída por inquérito policial (crimes afiançáveis cometidos por funcionário público). todos voltarão ao plenário. 266 . a requerimento do promotor de justiça. não pode a ação penal ser iniciada. e do ministério público. pelo júri. 455. Arquivado o inquérito policial. É NULA a decisão que determina o desaforamento de processo da competência do júri sem audiência da defesa. O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da pena cominada. 423.

não tendo natureza recursal as hipóteses de reexame necessário de determinada decisão do tribunal. o esclarecimento ou a reforma da decisão impugnada. afirmar que se trata de ação um ato processual que se interpõe em ação já em curso. A finalidade recursal é a invalidação. como o provimento jurisdicional obtido em primeiro grau. no recurso. 1. sim. a sua invalidação. a falibilidade humana do julgador e as razões históricas do próprio direito. 1. a integração. o direito com base num fato.1 CONCEITO Recurso é algo naturalmente voluntário. sob o argumento de que as pretensões são diversas: na ação. sendo o direito recursal verdadeiro direito potestativo. com a desconstituição do processo ou da decisão de modo a exigir a renovação do ato na mesma instância recorrida. mas. Seria uma continuidade da relação jurídica processual que ainda persiste. É um desdobramento do direito de ação ou de defesa. RECURSOS 1. ou a sua substituição. encobre a essência do recurso em si. O recurso é admitido dentro da mesma relação jurídica processual.3 FUNDAMENTOS E O DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO A doutrina processual aduz. quase que de maneira unânime. 267 . No entanto.TEORIA GERAL DOS RECURSOS 1. quando este organiza o Poder Judiciário em duplo grau de jurisdição com a atribuição primordialmente recursal dos tribunais. como o habeas corpus. Terceira corrente – vê o recurso como qualquer meio destinado a obter a reforma de uma decisão. que é o desdobramento de relação preexistente. salientando que a existência dos recursos tem sua base jurídica no próprio texto constitucional. elemento ou modalidade do próprio direito de ação e de defesa. agora em fase recursal. o que retira da condição de recursos as ações autônomas de impugnação. sendo um desdobramento ou continuidade da relação iniciada em primeiro grau. com fundamento numa sentença que ataca.2 NATUREZA JURÍDICA Primeira corrente – MAJORITÁRIA. Segunda corrente – defende ser o recurso uma nova ação dentro do mesmo processo. ou de ambas. que os recursos têm por fundamentos a necessidade psicológica do vencido. o mandado de segurança e a revisão criminal. e não a deflagração de uma nova ação. pelo inconformismo de uma das partes. Não se deve esquecer que é possível também que com o recurso se pretenda não a reforma da decisão. O recurso é aspecto.

b) Taxatividade – não há de se falar em recurso inominado ou recurso de improviso. em regra. A previsão legal é condição necessária para que a decisão seja recorrível. O que se tem apelidado equivocadamente de recurso de ofício nada mais é do que uma CONDIÇÃO SEM A QUAL A DECISÃO NÃO TRANSITA EM JULGADO. tem que submetê-la obrigatoriamente a uma reapreciação do tribunal. por exemplo. Obs.IMPORTANTE!!! Uma correção de rume se faz preciso: o duplo grau de jurisdição não é princípio sufragado na Constituição. O magistrado não precisa fundamentar o ato. sendo ônus da parte escolher o recurso adequado para que haja seu reexame. ou seja. 1. 268 . Da mesma forma. remetendo imediatamente a decisão ao tribunal assim que ultrapassado o prazo para os recursos voluntários. mesmo que as partes não recorram. c) Unirrecorribilidade – cada espécie de decisão judicial. II) Da absolvição sumária no rito do júri (POLÊMICO – Nucci e Rogerio Sanches entendem que essa hipótese de reexame necessário foi revogado pela atual reforma do CPP). V) Do indeferimento liminar pelo relator. quando o pedido não estiver suficientemente instruído. da ação de revisão criminal. IV) Da decisão que concede a reabilitação criminal. não é necessário intimar as partes para contra-razões. tais como aqueles de competência originária do STF. e para que o recurso exista. o magistrado. Há processos penais onde esse duplo grau inexiste. Caberá reexame necessário nas seguintes hipóteses: I) Da sentença que conceder Habeas Corpus (da DECISÃO DO JUIZ SINGULAR que conceder HC). Excepcionalmente uma mesma decisão pode comportar mais de um recurso. É o que ocorre. com a possibilidade do manejo simultâneo do recurso especial ao STJ e do extraordinário ao STF. comporta um único recurso. NÃO havendo que se falar em recurso de oficio da deliberação do tribunal acerca do HC.4 PRINCÍPIOS RECURSAIS a) Voluntariedade – refere-se ao fato de o recurso ser um ato processual decorrente da manifestação de vontade da parte que queira ver reformada ou anulada uma decisão. no tribunal. ao proferir a decisão. III) Da sentença de absolvição ou a deliberação que arquiva os autos do IP nos crimes contra a economia popular e saúde pública.

em sentido amplo. a exceção ao princípio da unirrecorribilidade referida por Tourinho Filho é meramente aparente. Salvo a hipótese de má-fé. devendo o juiz. ou seja. com viabilidade de maiores vantagens. tendo a acusação se conformado com o provimento jurisdicional. Parágrafo único. Se o juiz. d) Fungibilidade ou teoria do recurso indiferente ou teoria do “tanto vale” – entendida pelo fato de que não havendo erro grosseiro ou má-fé na interposição de um recurso equivocado. na pior das hipóteses. enquanto a incidência da convolação pressupõe acerto da impugnação. desde logo. mandar processá- la em conformidade com o rito do recurso que seria cabível. Obs. Se só a defesa recorre. a situação do réu não poderá ser piorada. cada recurso será interposto contra capítulo diverso da decisão judicial penal. ou seja. se o recurso foi exclusivo da defesa. em virtude de decisão superveniente que reforme o julgado recorrido. a parte não será prejudicada pela interposição de um recurso por outro. É citado por Tourinho Filho. e sendo atendido o prazo limite do recurso que seria cabível. que venha a reconhecer a impropriedade de uma impugnação recursal. a hipótese de acórdão ser formado de uma parte unânime e de outra não unânime. É o que se chama de proibição da reformatio in pejus DIRETA. mandará processá-lo de acordo com o rito do recurso cabível. e) Princípio da convolação – consiste na possibilidade de que um recurso manejado corretamente seja convolado em outro em virtude de se revelar mais útil ao recorrente. Embora se trate de ações autônomas de impugnação. na relação recursal. f) Vedação da reformatio in pejus – proibição de mudança para pior da situação jurídica do recorrente. Não pode haver modificação para pior da situação do acusado em recurso seu. permitindo a interposição simultânea de recurso extraordinário (ou especial) e de embargos infringentes. IMPORTANTE!!! A convolação se diferencia da fungibilidade porque para a aplicação deste princípio é necessário que o recurso tenha sido interposto erroneamente. Art. a argumentação do exemplo é válida se levarmos em consideração que essas demandas funcionam. Segundo os autores. especialmente se for considerado que cada um dos recursos simultâneos atacará objeto distinto da decisão judicial. por se este mais célere e dispensar formalidade relativamente à primeira. 579. reconhecer a impropriedade do recurso interposto pela parte. a parte não será prejudicada pela interposição de um recurso por outro. Norberto Avena exemplifica esse princípio com o caso em que uma revisão criminal manejada corretamente contra uma decisão condenatória transitada em julgado é recebida como HC. mesmo no caso de correção de erro material que incremente a pena. como sucedâneos recursais. a situação do réu permanecerá como está. como exemplo de exceção à unirrecorribilidade. 269 .

admitindo-se. 270 . em recurso promovido pela defesa. Obs. Contudo. o órgão a quo. este remeterá o processo. havendo a remessa ao órgão competente. caso reconheçam apenas a mesma qualificadora anterior. aplicar pena maior do que a da sentença que foi anulada. imaginemos que o MP tenha ofertado denúncia. deve haver a renovação do prazo recursal para a apresentação de novo recurso. por maioria. manifesta-se o STJ. g) Princípio da conversão – se a parte interpuser um recurso para determinado órgão jurisdicional que não é o competente para conhecê-lo. mesmo que tenha que julgar extra petita. que não há que se falar em reformatio in pejus. ao elaborar a sentença. não pode o juiz presidente do júri. imputando duas qualificadoras ao réu. portanto a reformatio in melius. mesmo que por recurso exclusivo da defesa. pois estes. IMPORTANTÍSSIMO!!! O princípio em exame não é aplicado aos jurados no âmbito do tribunal do júri. podendo piorar a situação do réu. reproduzindo os mesmos termos do primeiro julgamento. Dessa forma. caso a acusação tenha recorrido. este não estaria adstrito aos limites da primeira decisão. não poderá o tribunal reconhecer nulidade contra o réu que não tiver sido suscitada. IMPORTANTE!!! Caso o tribunal anule a decisão anterior.IMPORTANTE!!! O STF reputou. a pena total aplicada tenha sido mantida inalterada. A parte não será prejudicada pelo endereçamento errado do recurso. em virtude do exercício de retratação pelo juiz. implicando a remessa do demandado a outro plenário. não poderá piorar a situação do demandado. como de provimento de outro recurso. SALVO nas hipóteses em que haja recurso de ofício. Tem-se entendido. por recurso exclusivo da defesa. Desta sorte. recebendo os autos para proferir nova decisão. nada impede que agora reconheçam as duas qualificadoras originariamente imputadas. que se a anulação do primeiro julgado se deu em face da incompetência absoluta do juízo. Caso o julgamento seja anulado. com a participação de outros jurados. tanto em razão de correção de erro material. os jurados reconheceram apenas uma delas. pois neste caso. aplicando-lhe inclusive pena maior. gozam de soberania. adequado às modificações operadas na nova decisão. IMPORTANTÍSSIMO!!! No mesmo raciocínio. indiretamente estaria exasperando a situação do réu. Já se o tribunal está apreciando recurso exclusivo da acusação. a ele é aplicada a proibição de reforma para pior. poderá melhorar a situação do réu. pois se pudesse fazê-lo. Nas hipóteses em que o juiz alterar a decisão que repercuta nos fundamentos do recurso que já tinha sido interposto. Neste sentido. quando só a defesa tenha recorrido. h) Princípio da complementariedade dos recursos – é possível que haja integração do recurso já interposto toda vez que a decisão recorrida for modificada supervenientemente. também está vedada a REFORMATIO IN PEJUS INDIRETA. em razão da soberania que lhes é peculiar. sendo que. quando ao final da fundamentação para a definição da pena base e de aplicação de causa de diminuição de modo divergente na instancia ad quem. (Em julgado de 2010 o STJ admitiu o vínculo do juiz competente ao quantitativo de pena fixado pelo seu antecessor). nos veredictos. contudo. no primeiro julgamento.

for cabível mais de uma modalidade recursal. IMPORTANTE!!! A disponibilidade não é característica ou princípio recursal porquanto não tem incidência em toda e qualquer hipótese. Obs. argumenta-se que teria havido preclusão consumativa das vias recursais. REQUISITOS E/OU CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL Antes de enfrentá-los. solicitando que o recurso cesse seu trâmite. mantendo-se intocado o mandado prisional.6 PRESSUPOSTOS. suficiente a acarretar a perda da faculdade processual já exercida. pelo juízo competente. que deveria estar recolhido à prisão para recorrer. ou quando deixa de pagar às custas devidas ou não providenciar o traslado de peças dos autos. deve a defesa ser admitida a complementar o recurso que já tinha sido apresentado. para a aludida decisão. consistindo em ato unilateral. excepcionalmente. e (2) o juízo de mérito (ou de delibação) é o fundamento que se alega para fins de reforma ou anulação da decisão e que quase sempre (embora nem sempre) coincide com o mérito da ação penal. ou seja. incidindo a regra da suplementariedade. È um fato extintivo ao direito de recorrer. o seu recebimento. A fuga não impede a tramitação do recurso. O STF. proferida a decisão e uma vez interposto o recurso contra a mesma. b) Renúncia – manifestação da parte no sentido de que não deseja recorrer da decisão. adaptando-o a nova realidade.IMPORTANTE!!! Ocorrendo a alteração da sentença em face dos julgamentos dos embargos declaratórios. quando.5 IMPEDIMENTOS São fatos alheios aos pressupostos de admissibilidade que obstam o recebimento ou a tramitação regular do recurso: a) Desistência – verifica-se quando o réu. é preciso consignar que o juízo recursal é dividido em juízo de admissibilidade e juízo de mérito: (1) o juízo de admissibilidade (ou o juízo de prelibação) consiste na aferição. 271 . após a apreciação dos embargos. A desistência não pode ser exercida pelo MP. antes mesmo de interpor a impugnação cabível (ao MP é vedada a renúncia). das condições de admissibilidade da espécie de impugnação recursal apresentada pela parte (recorrente) contra a decisão a ela desfavorável (sucumbência). c) Deserção – quando o réu. 1. Não depende de aceitação da parte contraria. dando nova roupagem à matéria. eliminou a deserção penal pela fuga. já que ao MP não é permitido desistir do recurso já interposto. não mais deseja persistir no inconformismo. entretanto. foge. acompanhado de seu defensor. 1. i) Princípio da suplementariedade ou a suplementação dos recursos – possibilidade de renovação da iniciativa recursal já manifestada. e com muito mais razão. entendendo que nestas hipóteses o recurso deve ser processado regularmente.

1 Pressupostos objetivos de admissibilidade recursal a) Previsão legal ou cabimento – é pressuposto atrelado a característica dos recursos conhecida por taxatividade. quando a decisão afeta apenas uma das partes. a forma do recurso deve ser aquela prevista em lei. Quando é o juiz de primeiro grau que verifica a ausência de pressuposto recursal.É inadmissível o recurso especial interposto antes da publicação do acórdão dos embargos de declaração.  Interesse  Legitimidade  Previsão legal  Forma prescrita em lei  Tempestividade  Adequação Além desses pressupostos. fala-se que ele nega seguimento ao recurso interposto. Obs. decidiu por não conhecer do recurso. sem posterior ratificação. A sucumbência pode ser: a) única. quando o pedido é rejeitado integralmente. quando atinge interesse opostos. existe um pressuposto fundamental de todo e qualquer recurso: a sucumbência. sem apreciar o mérito do recurso. b) paralela.6. Os recursos são aqueles expressamente previstos na lei processual penal.). se só parte do pleito for acolhido. e) reflexa. 272 . c) recíproca. 1. isto é. monocraticamente. completar as razões já oferecidas. não havendo possibilidade para outros. IMPORTANTE!!! A interposição do recurso antes de o prazo recursal ter expirado implica em preclusão consumativa. Súmula 418 STJ. Súmula 418 STJ . por unanimidade ou por maioria. b) Observância das formalidades legais – para que seja recebido. Já quando a decisão é proferida pelo órgão colegiado. HC e etc. por exemplo. a parte que já exerceu o ato não pode tornar a praticá-lo com o fito de. quando repercute em pessoas fora da relação jurídica processual. sentença ou acordão publicado. quando a decisão provocada afeta interesses idênticos. Isso não impede que a parte se valha do manejo de sucedâneos recursais (MS. c) Tempestividade – o prazo é contado a partir da data em que se considera intimada a parte interessada da decisão. f) total. Quando se trata de membro de tribunal que decide. d) direta. o termo técnico a ser usado é o de que o órgão. diz-se que ele não recebe o recurso. g) parcial. Sucumbência é a existência de um prejuízo que a parte entenda ter-lhe produzido a decisão contra a qual recorre. quando fere o direito de uma das partes da relação processual.

a) Interesse – é inferido pela necessidade de que a parte tem na modificação da decisão que lhe foi desfavorável.) e a motivação (que é excepcionada em algumas hipóteses). IMPORTANTE!!! Todavia. estando capacitado a fazê-lo.2 Pressupostos subjetivos de admissibilidade São pressupostos subjetivos:  O interesse da parte. Pacceli acresce. porquanto se entende que ele pode recorrer em favor do acusado com base no perfil constitucional conferido à instituição pelo art. a regra da sucumbência não tem aplicação integral no MP. Os legitimados podem ser gerais ou especiais: 273 . 127 da CF (garantidor dos ditames da ordem jurídica e dos direitos individuais indisponíveis).6. embora seja ela condenatória”.  A legitimidade. IMPORTANTE!!! Observa Tourinho que. haja vista que o art. a depender da situação. deve ser assegurado a ele o direito de recorrer em favor do réu. 1. malgrado aqui não se apresente com nitidez o pressuposto fundamental da sucumbência. acrescendo. Sobre a sucumbência do MP – ponto relevante na configuração dada à instituição pela CF – Mirabete pontifica que “sendo patente a desconformidade entre o que foi pedido na denúncia e o que ficou decidido na sentença. o acusado pode ter interesse em recorrer de sentença que o absolveu. a súmula 216 preconiza que a tempestividade é aferida pelo registro no protocolo da secretaria e não pela data da entrega na agência do correio. a parte deve manejar o recurso apropriado. b) Legitimidade – o recurso precisa ser oferecido por quem é parte na relação processual. Daí o interesse recursal do acusado relativamente à sentença que o absolveu por insuficiência de provas. Às vezes uma sentença absolutória não impossibilita o ofendido de mover em relação ao réu ação civil para satisfação do dano. desistência e etc. que ele “tem sempre interesse na exata aplicação da lei” e. ainda que parcialmente. ou quando a lei expressamente autorize a interposição por terceiros. como requisitos objetivos. Obs. mesmo no pólo ativo da ação penal. No âmbito do STJ. quando deseja que o fundamento se modifique para negativa de autoria ou inexistência do fato. A adequação não é um pressuposto/condição inafastável. d) Adequação – dentre os recursos previstos na lei processual penal. ainda. tem ele legítimo interesse em recorrer. 579 do CPP sufraga o princípio da fungibilidade recursal. a inexistência de fatos impeditivos (renúncia.

IMPORTANTE!!! O provimento do recurso significa o reconhecimento da procedência da impugnação. de dois deles ou de todos. O efeito suspensivo não recai sobre a tramitação do processo: não há suspensão do andamento do processo em face do efeito suspensivo.6. ser entendida como requisitos de validade da decisão. Já a anulação equivale à desconstituição da decisão anterior. reiterativo ou diferido. Em seguida. A primeira é referente ao conhecimento do recurso. São feitas duas votações no órgão colegiado. salvo se houver impossibilidade lógica ou previsão legal expressa no tocante a determinado ato. em caso de recebimento do recurso. em SUBSTITUIÇÃO àquela objeto do recurso. 1. deve indicar. também.3 Juízo de admissibilidade e competência recursal A competência para julgar o recurso não se trata de condição de admissibilidade recursal. exerça 274 . iterativo. renovando-se a competência do juiz para novo julgamento. MP ou o querelante. consoante o caso legal. dos requisitos ou das condições de admissibilidade do recurso. O juiz. lato sensu. O juízo de admissibilidade é feito pelo próprio órgão recorrido.I) Gerais: Acusado ou o defensor do acusado. (2) suspensivo. (3) regressivo. quando é aferida a presença dos pressupostos. O que tecnicamente ocorre é a suspensão da produção dos efeitos da decisão impugnada. reiterativo ou diferido) é verificado nos recursos que a lei autoriza que o mesmo órgão que proferiu a decisão judicial. podendo. com a reforma ou a anulação do julgado anterior. quando se falará que o órgão deu provimento (integral ou parcial) ou negou provimento ao recurso (questões de mérito). O efeito regressivo (iterativo. a exemplo do recurso em sentido estrito contra decisão de pronúncia que suspenderá tão-somente o julgamento. passa o tribunal a examinar o seu conteúdo. O efeito devolutivo significa que o recurso entrega (“devolve”) a matéria recorrida para ser apreciada pelo órgão com grau de jurisdição superior. se conhecido o recurso. A reforma implica substituição integral da anterior decisão pela nova. e. (4) extensivo (5) translativo. na instância recursal. Um recurso pode ser provido de apenas um desses efeitos. II) Especiais: Assistente da acusação (legitimado em caso de inércia do MP – legitimidade subsidiária ou supletiva – e de forma restrita aos casos previstos no CPP) ou o assistente de defesa. 1. ao exercer seu juízo de admissibilidade. valendo esclarecer que a confirmação de parte do julgado não significa substituição parcial: a decisão do tribunal configura nova solução da matéria. devendo o processo seguir seus trâmites normais.7 EFEITOS RECURSAIS Os recursos podem ter os seguintes efeitos: (1) devolutivo. os efeitos que são a ele atribuídos.

mormente quando a decisão do recurso interposto por um dos réus. O efeito translativo consiste na devolução. Em outras palavras. se fundado em motivos que não sejam de caráter exclusivamente pessoal. uma vez interposto. possui efeito translativo o recurso que. seu defensor e curador.  Desistência – faculdade concedida ao réu. por exemplo. aproveitará os outros. modificando-a. ao órgão ad quem. É possível perceber a existência desse efeito nos recursos interpostos exclusivamente pela acusação. cujo julgamento pode se estender ao comparsa do impetrante. o agravo em execução e a carta testemunhável são providos desses efeitos. O efeito extensivo também pode ser aplicado às ações autônomas de impugnação. 275 .juízo de retratação. confere ao tribunal julgador o poder de adotar qualquer decisão em favor ou contra qualquer das partes no processo criminal. 1.8 EXTINÇÃO DOS RECURSOS  Deserção – falta de preparo ou pagamento das despesas exigidas por lei. porque não vigora para ela o princípio tantum devolutum quantum apelatum. de toda matéria não atingida pela preclusão. É que o tribunal pode. O RSE. ao querelante e ao assistente. reconhecer nulidades não arguidas pela acusação em seu recurso toda vez que forem benéficas ao acusado. IMPORTANTE!!! O efeito extensivo se dá em hipótese de concurso de agentes.

A extensão do recurso é medida pela petição de interposição. diante de uma sentença. 593 do CPP (enfoque subsidiário da apelação). não se exigindo. podendo o tribunal analisar todo o julgado. Obs. demonstrando o desejo do recurso. IMPORTANTE!!! No caso do júri.1 NOÇÕES O jurista deve. IMPORTANTE!!! Eventual nulidade absoluta em favor do acusado é reconhecível de ofício pelo tribunal. O STJ afirmou que o prazo do recurso a ser interposto contra a sentença proferida no plenário do tribunal do júri começa a fluir da data da respectiva sessão de julgamento. na Súmula 713. presume-se que a parte apelou de forma ampla. para a apresentação das razões. nas apelações do júri. entretanto. 1. não modificando o que foi decidido pelos jurados. capacidade postulatória. O próprio réu poderá apelar por termo. mesmo que não seja objeto do apelo. bastando que o recorrente revele o seu inconformismo com a decisão. Apelação plena e apelação limitada – as apelações poderão ser interpostas quer em relação a todo o julgado. Porém. o STF preconiza. que o efeito devolutivo está adstrito às razões de interposição IMPORTANTE!!!. antes. portanto. quer em relação a parte dele. deixando intocado a soberania dos vereditos no que concerne ao mérito da demanda penal. RECURSOS EM ESPÉCIE 1. A divergência entre o réu e o defensor sobre o desejo de apelar resolve-se pela prevalência da manifestação de quem queira recorrer devendo o juiz nomear defensor para oferecer as razões recursais na hipótese de discordância do procurador constituído pelo acusado quanto à vontade de recorrer do acusado. sendo aferida sua tempestividade pela data de interposição. sendo-lhe vedado limitar o apelo nas razões. A apelação por termo é aquela desprovida de rigor formal. o tribunal ad quem se restringirá a reformar a aplicação do direito que foi dado pelo juiz presidente do tribunal popular. 276 . Quando for hipótese de modificação do que o júri afirmou. se certificar de que não caiba recurso em sentido estrito. para dai recorrer aos casos do art. no prazo de cinco dias.2 INTERPOSIÇÃO Por petição escrita ou por termo nos autos. o tribunal deverá cassar a decisão do júri para mandar o acusado a novo julgamento. que será necessária. Não fazendo a prévia delimitação.APELAÇÃO 1.

Obs. Para aquelas decisões proferidas quando vigentes os enunciados que 277 . IMPORTANTE!!! O prazo. como as contravenções.3 CABIMENTO Nem sempre. supletivamente. IMPORTANTE!!! Nos juizados especiais. A interposição poderá ser acompanhada de razões ou não. em regra. (d) a decisão dos jurados contrariar manifestamente a prova dos autos. começa a correr imediatamente após o transcurso do prazo do MP. Todavia. que também o será para o caso da existência de assistente da acusação. em cinco dias:  Das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular.  Contra sentença de impronúncia ou de absolvição sumária. Caso o processo seja de contravenção. no caso de assistente não habilitado nos autos. Súmula 448 STF o prazo para o assistente recorrer. Obs. Caberá apelação. As razões poderão ser oferecidas no prazo de oito dias. Não fica prejudicada a apelação entregue em cartório no prazo legal. proferidas por juiz singular. o prazo será contado após a expiração do lapso conferido legalmente ao parquet. ou com força de definitivas. embora despachada tardiamente (súmula 428. será de 15 dias contados da expiração do prazo de recurso do MP. e já será apresentada com as razões. Se o assistente já estiver habilitado nos autos.  Das decisões definitivas. STF). 1. o prazo passa a fluir a partir da intimação. o prazo para o apelo é de dez dias.  Das decisões do tribunal do júri quando: (a) advier nulidade subseqüente à pronúncia. Se intimado após o decurso prazal do promotor. (c) ocorrer equívoco ou injustiça na imposição de medida de segurança ou de pena. de sentença caberá apelação. quando não for comportável recurso em sentido estrito. Sublinhe-se que será cabível apelação contra as sentenças de impronúncia ou de absolvição sumária prolatadas na data em que já em vigor o referido enunciado normativo. em matéria criminal. não sendo necessária sua apresentação no ato de interposição do apelo. Temos que fazer a seguinte distinção: se o assistente for intimado antes ou simultaneamente ao MP. bastará simples manifestação do desejo da parte em recorrer do julgado contra o qual caiba a apelação. (b) a sentença do juiz-presidente contrariar dispositivo legal expresso ou a decisão dos jurados. o prazo para arrazoar será de três dias. Para apelar. e a petição já se faz acompanhar das razões. lá. pois contra algumas sentenças o recurso adequado é o stricto sensu. a apelação terá o prazo de dez dias. o seu prazo para apelar será de cinco dias. em qualquer hipótese. são apreciadas nos juizados especiais.

serão atribuídos. examinadas isoladamente. Não se admite.preconizavam o RSE. tanto para a acusação quanto para a defesa. No que atine às sentenças prolatadas no âmbito do tribunal do júri. seriam recorridas em sentido estrito). Estando a apelação acompanhada das razões. Quando forem dois ou mais os apelantes ou apelados. remeter o réu a novo julgamento pelo tribunal popular. o tribunal ad quem se lhe der provimento. Sem embargo. IMPORTANTE!!! Quando cabível a apelação. Em hipóteses como esta. segunda apelação. o órgão de segundo grau não poderá adentrar em matéria fática. não poderá ser usado o recurso em sentido estrito. devendo-se. 1. ainda que em curso o respectivo prazo recursal. Cuida-se de diferimento do processamento da apelação. entendem os autores que as razões são obrigatórias. Lembrar!!! O apelante poderá afirmar que suas razões serão apresentadas em segunda instância. De tal forma NÃO se admite que o tribunal reconheça qualificadoras não acatadas pelos jurados. Faltaria aí título legítimo para a manutenção da prisão do agente. Obs. pelo mesmo motivo. resta o reconhecimento que a decisão dos jurados foi contrária a prova dos autos. porém. os efeitos devolutivo e suspensivo. a apelação da sentença absolutória não impedirá que o réu seja posto imediatamente em liberdade. salvo para o MP e para defensoria (que a vista é com carga dos autos). os prazos serão comuns. em regra. Apesar da previsão legal de que a apresentação de razões seria uma mera faculdade. de outro lado. intimará o apelado para oferecer contra razões no mesmo prazo de 8 dias (ou de três dias se for caso de contravenção). que ocorra reforma da decisão do júri quanto à matéria fática certificada. em virtude de que as providências concernentes à intimação para razões e contra-razões serão adotadas pelo membro do tribunal relator do recurso. será este o recurso cabível. ressalvada a fundamentação na sentença em sentido contrário. Se a sentença do juiz-presidente for contrária à lei expressa ou divergir das respostas dos jurados aos quesitos. o tribunal ad quem fará a devida retificação. 278 . Interposta a apelação com fundamento em erro ou injustiça na aplicação da sanção penal. ainda que somente de parte da decisão se recorra (quando no bojo de uma sentença forem decididas outras questões que. em sendo o caso. retificará a aplicação da pena ou da medida de segurança. não admitindo.4 PROCESSAMENTO Recebida a apelação pelo órgão de primeiro grau.

o MP terá vista dos autos para exarar parecer. câmara ou turma proceder a novo interrogatório do acusado. pelo não conhecimento. A apresentação intempestiva de razões ou contra-razões de recurso. 1. Com efeito. e sim. Os tribunais superiores. Caberá então ao juiz. a falta de possibilidade de manifestação do acusado sobre o parecer eventualmente desfavorável. não deve implicar o seu desentranhamento. na falta de contra-razões pelo defensor constituído. invocar o art. 279 . CPP. em prol de um resultado justo. remetendo os autos para que o procurador geral supra a omissão. na segunda instância. ser-lhe-á nomeado advogado ad hoc para a prática do ato. Já em se tratando da defesa. as razões são expressão do princípio da ampla defesa. do devido processo legal e da ampla defesa. reinquirir testemunhas ou determinar outras diligências. Não parece infirmar essa conclusão. como verdadeiro juiz. deve ser notificado para contratar outro. ao chegarem ao tribunal. no prazo de cinco dias. entretanto. havendo inércia. tido por essencial ao direito de defesa). em matéria criminal. da isonomia. sem embargo de poder ser considerado esse fator para fins de apreciação de matéria que careceria de alegação oportuna. IMPORTANTE!!! No julgamento das apelações poderá o tribunal. 28.Obs. Não o fazendo. sem prévia intimação ou publicação na pauta. Obs. nomeará defensor público ou dativo para a pratica deste ato. têm se manifestado pela facultatividade da medida (todavia. a ausência de razões implica desistência do recurso pelo querelante. No que concerne ao MP. Na segunda instância. Tratando-se de ação privada. a ausência de razões implicaria desistência indireta do recurso. A atuação do MP nessa instância é apontada por Rômulo de Andrade Moreira como violadora do contraditório. Os autos. o que não lhe é dado fazer. provimento ou não provimento da apelação. assegurando-se a apresentação das razões. serão distribuídos a um relator. tão-somente. por analogia. o juiz intima o acusado para que ele constitua outro advogado e. salvo em habeas corpus (súmula 431 STF). Se o réu tem advogado constituído. O parquet poderá opinar pelo conhecimento. indica um desequilíbrio processual. porquanto não se abre nova oportunidade para o acusado falar por derradeiro. em decisões mais recentes. seguindo o texto legal.5 JULGAMENTO A competência para julgar a apelação é do tribunal ao qual está vinculado o juiz prolator da sentença. É uma atuação como custos legis. É nulo o julgamento do recurso criminal. o argumento que sustenta que o MP aí está a atuar não como órgão estatal em busca da pretensão punitiva.

Podemos definir RSE como a impugnação voluntária. do art. mercê de ter sido a apelação interposta exclusivamente pelo acusado. com a nova redação dada ao §1º. se a sentença do juiz tiver sido anulada para que ele profira outra em seu lugar. 581 do CPP. para tanto subindo os autos principais ou mediante traslado. 586. em rol TAXATIVO. Tal enunciado autoriza o entendimento de ser também proibida a reformatio in pejus indireta.1. Já a emendatio libelli (simples correção de tipificação de fato criminoso ou de elementar delituosa já contida na acusação) é perfeitamente possível. Obs. do art. ou seja. abrir-se-á prazo para apresentação de razões escritas (DOIS dias). que não admite ampliação sem lei expressa autorizativa. se for constatado fato delituoso não contido na denúncia ou na queixa. tem- se entendido que o prazo para o oferecimento das razões e contra-razões será contado a partir da intimação com vista dos autos. 426. 2. CPP. Isso implicará que. a nova sentença não poderá extrapolar o limite estabelecido na anterior. Lembrar!!! Prazo de apresentação das razões e contra razões em:  Apelação: 5+ 8 dias. sequer implicitamente. IMPORTANTE!!! A reformatio in pejus é vedada. Todavia. ou pelo tribunal ad quem. CPP. o prazo de interposição era de vinte dias quando o recurso em sentido estrito fosse manejado contra decisão que incluísse jurado na lista geral ou desta o excluísse. manifestada pela parte interessada e prejudicada por decisão judicial criminal que se amolde a uma das situações dispostas no art. 280 . quando se quiser impugnar a decisão que excluir ou incluir jurado na lista geral. em primeira instância. CPP. mediante julgamento pelo seu órgão com competência criminal. será intimado do prazo na pessoa do defensor.IMPORTANTÍSSIMO!!! Caso se trate de apelação contra sentenças prolatadas em processo por delito a que a lei comine PENA DE RECLUSÃO. dirigida ao próprio juiz. em juízo de retratação. nos termos da redação dada ao paragrafo único. Para evitar dúvidas quanto ao prazo. IMPORTANTE!!! Não há possibilidade de aplicação da mutatio libelli pelo órgão de segunda instância. INTERPOSIÇÃO Prazo de cinco dias. Se o recorrido for o réu. Antes.RECURSO EM SENTIDO ESTRITO O que vai delinear o RSE é a previsão dos casos de cabimento no art. cabendo agora reclamação de qualquer do povo. 2. quando a lei assim o determinar. sejam adotadas as providências que a mutatio libelli requer. há necessidade de um membro do tribunal como REVISOR. para fim de vê-la modificada pelo juiz de primeiro grau. Uma vez interposto o recurso em sentido estrito. em caso de provimento de apelação. é a de anular a sentença para que. por petição ou por termo. aquele dispositivo foi revogado tacitamente. 581. a solução a ser dada pelo tribunal.

II . 581. XVI . nos casos do art. no todo ou em parte. de 2008) V .que ordenar a suspensão do processo. X .que incluir jurado na lista geral ou desta o excluir. XXIV . Lembrar!!! Via de regra. POR OUTRO MODO. VI .que DECIDIR (procedente ou improcedente) o INCIDENTE DE FALSIDADE. XIII .que converter a multa em detenção ou em prisão simples. Art.que julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor.que decidir sobre a unificação de penas. despacho ou sentença: I .689. os prazos processuais no processo penal começam a contar a partir da efetivação da diligência e não da juntada do mandado (processo civil). XIV . depois de transitar a sentença em julgado. IV – que pronunciar o réu.que conceder. XV . de 2008) VII . XVII . (Redação dada pela Lei nº 11.2 CABIMENTO Os casos de cabimento de recurso em sentido estrito são fechados.que indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição ou de outra causa extintiva da punibilidade.que conceder ou negar a ordem de habeas corpus. 774. Contra despacho ou decisão que NÃO RECEBER a denúncia ou a queixa. XII .que decretar medida de segurança. Não há possibilidade de ser ampliada a sua enunciação.que conceder. IX .  RSE: 5+ 2 dias. sem que haja modificação por via legislativa.que conceder. da decisão.que denegar a apelação ou a julgar deserta. em virtude de questão prejudicial. salvo a de suspeição (que é julgada pelo tribunal). III .que concluir pela incompetência do juízo. Caberá recurso.que mantiver ou substituir a medida de segurança.que DECRETAR A PRESCRIÇÃO OU JULGAR. negar ou revogar a suspensão condicional da pena. arbitrar. no sentido estrito.que anular o processo da instrução criminal. negar ou revogar livramento condicional. XIX .que não receber a denúncia ou a queixa. XXIII . 2.que impuser medida de segurança por transgressão de outra.que revogar a medida de segurança. XXII .  Apelação em contravenção: 5+ 3 dias.que julgar PROCEDENTES as exceções. negar.689. cassar ou julgar inidônea a fiança. XX . 281 .que deixar de revogar a medida de segurança. indeferir requerimento de prisão preventiva ou revogá-la. XVIII . XI . XXI . nos casos em que a lei admita a revogação. VIII . EXTINTA A PUNIBILIDADE (cabe RSE e não apelação).(Revogado pela Lei nº 11. conceder liberdade provisória ou relaxar a prisão em flagrante (tudo relativo a fiança).

cassar ou julgar inidônea a fiança. Contra as decisões que concluírem pela incompetência do juízo. O recebimento da peça acusatória é irrecorrível. IMPORTANTE!!! Enquadra-se nessa hipótese. a decisão desclassificatória do rito do júri quando o juiz entender que o crime narrado não é da competência do tribunal popular. É uma decisão interlocutória mista não terminativa. o fato alegado será apreciado pela instância superior. ex officio. mas o réu pode manejar habeas corpus para trancar a ação penal cujo crime comine pena privativa de liberdade ou mandado de segurança para o mesmo fim quando o crime não preveja pena de tal espécie. não cabe recurso em sentido estrito. IMPORTANTE!!! Como o efeito regressivo é inerente ao RSE. da súmula do STF averba que “constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contra-razões ao recurso interposto da rejeição da denúncia. o juiz pode. O dispositivo se refere às exceções de incompetência do juízo. calha repisar que o verbete nº 707. São IRRECORRÍVEIS as decisões que REJEITAM tais exceções. a rejeição da inicial acusatória desafia recurso de apelação. Contra decisão que conceder. não a suprindo a nomeação de defensor dativo”. salvo a de suspeição. Contra a decisão que JULGAR PROCEDENTE as exceções. litispendência. IMPORTANTE!!! Nos juizados especiais criminais. legitimidade de parte e coisa julgada. O RSE é cabível quando o juiz aceita essas exceções. Contra decisão que pronunciar o réu. A sentença de pronúncia encerra a primeira fase do rito escalonado do júri e dá início à segunda etapa. Quanto à rejeição (não recebimento) da peça acusatória. sem prejuízo da utilização do HC como sucedâneo recursal. quando a mesma for desprovida de justa causa. entende que não tem atribuição para atuar no caso. indeferir requerimento de prisão preventiva ou revogá-la. porquanto. se este não a aceitar. 282 . impronunciando o acusado (DESPRONÚNCIA). negar. ao receber o recurso. quando o magistrado. arbitrar. São as decisões comumente chamadas de “declinatória de competência”. conceder liberdade provisória ou relaxar a prisão em flagrante. julgando-as PROCEDENTES. retificar sua decisão. por decorrência do processamento da exceção. IMPORTANTE!!! Como a exceção de suspeição (que engloba as hipóteses de impedimento) tem previsão de julgamento pelo tribunal ao qual está vinculado o juiz.

ilidindo o início da execução da pena. devolvendo-se a outra metade a pessoa que tiver recolhido a fiança e decretando-se a prisão do acusado. Admite-se. Obs. mas também de sua decretação/deferimento. A decretação da prisão será imediata. Contra decisão de primeiro grau de jurisdição que: 283 . A decisão que reconhece a prescrição ou que julga extinta a punibilidade no processo de conhecimento. qual seja. Igual disciplina – de cabimento de recurso em sentido estrito durante o processo penal condenatório – incide sobre a decisão que indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição ou de outra causa extintiva da punibilidade. diante da urgência da tutela em matéria de liberdade de locomoção. Desse modo. têm como regra a recorribilidade stricto sensu quando sejam favoráveis à liberdade. IMPORTANTE!!! Nas duas hipóteses. No DL 201/67. o recurso terá efeito suspensivo apenas para impedir a implementação da sanção pecuniária. Contra a decisão do JUIZ DE PRIMEIRO GRAU que CONCEDER OU NEGAR a ordem de HC. O quebramento significa a perda da metade do valor prestado a título de fiança. no caso da perda. considerando inclusive que o processamento do recurso em sentido estrito pode demorar mais do que o ajuizamento de uma nova medida contra o ato do magistrado que passou a ser a autoridade coatora. toda vez que o acusado tiver sua pretensão de soltura cautelar indeferida. porém o HC como sucedâneo recursal. são agraváveis (agravo em execução). pagamento das custas e de eventual multa). As decisões que firam matéria sobre fiança são recorríveis em sentido estrito. Já a perda da fiança ocorre pela fuga do réu após o trânsito em julgado da sentença condenatória. Impende vincar bem que as decisões declarem a extinção da punibilidade em processo de execução penal ou a prescrição da pretensão executória. a destinação de metade do valor da fiança para os cofres da União no caso da quebra. que dispõe sobre os crimes comuns e de responsabilidade dos prefeitos. e a integralidade do valor remanescente (após a indenização da vítima. com esteio no princípio da celeridade. Já aquelas decisões que sejam relativas à prisão cautelar do acusado. existe previsão específica que autoriza o RSE não só contra a decisão denegatória de prisão preventiva. cabível não é o recurso em sentido estrito. contudo. não sendo eficaz nesta parte o efeito suspensivo. Julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor. que seja ajuizado habeas corpus substitutivo contra o ato do juiz que o denegou no juízo a quo.

3 PROCESSAMENTO A idéia que norteia a disciplina legal é a da necessidade ou não de que os autos continuem em primeiro grau de jurisdição. geralmente. IMPORTANTE!!! O recurso da pronúncia subirá em traslado. a demonstração do prejuízo em desfavor do recorrente. Diferentemente das exceções. IMPORTANTE!!! O RSE. que pronunciar o acusado. decisão ou sentença que não receber a denúncia ou a queixa. sem prejuízo da possibilidade de impetração de HC no tribunal. porquanto os casos de incidência de efeito suspensivo estão no texto legal. negar. havendo dois ou mais réus. Julgar o INCIDENTE DE FALSIDADE DOCUMENTAL IMPORTANTE!!! PROCEDENTE OU IMPROCEDENTE. O RSE deverá subir com os autos originais quando:  Houver reexame necessário. conceder liberdade provisória ou relaxar a prisão em flagrante” e contra decisão “que conceder ou negar a ordem de HC”. 2. no todo ou parcialmente. o processo. terão suas razões dirigidas ao próprio juiz de primeiro grau. a petição do recurso em sentido estrito é dirigida ao juiz de primeiro grau e as suas razões (e contra-razões) ao tribunal ou ao órgão julgador ad quem. Entrementes. qualquer deles se conformar com a decisão ou todos não tiverem sido ainda intimados da pronúncia. Suspender o processo em face de questão prejudicial. cassar ou julgar inidônea a fiança. a partir da instrução criminal. Vier a anular. com competência para apreciá-los. há situações em que o recurso não pode subir nos autos originais. 284 . que negar ou conceder a ordem de HC. os recursos em sentido estrito contra decisão que “conceder. Lembrar!!! Contra decisões em fase de execução cabe agravo em execução e não RSE. arbitrar.  Não prejudicar o andamento do processo. que decretar a prescrição ou julgar extinta a punibilidade e. para que o recurso seja admissível. NÃO o suspensivo. Como regra geral. Vale dizer. tem os efeitos devolutivo e regressivo. indeferir requerimento de prisão preventiva ou revogá-la. quando. que so cabe RSE no caso de serem julgadas procedentes. sendo necessária. que julgar procedentes as exceções (salvo a de suspeição). Não receber a apelação ou julgá-la deserta.  For o caso de despacho. notadamente quando o processo deve permanecer tramitando no juízo a quo. segundo o texto legal.

seguida de não recebimento desse recurso. embora admitido. determinar o processamento do recurso paralisado indevidamente em primeira instância. no prazo de 48 horas contadas da intimação do despacho denegatório do recurso ou da ciência do seu não processamento regular. por ser impertinente se cotejado com as hipóteses de seu cabimento. tal como se dá com casos restritos de apelação contra decisão em processo penal por crime apenado com reclusão. portanto. Havendo esta interposição. por simples petição. Não suspenderá eventual ordem de prisão dela decorrente. decretada no corpo da decisão.2 INTERPOSIÇÃO Através de petição.1 NOÇÃO Tem a finalidade de que o órgão jurisdicional de segundo grau. tão somente no que concerne à metade do seu valor) e de deserção ou de denegação da apelação. atentando-se que se o juiz reformar o despacho recorrido. em virtude de procedimento ilegal do juízo de primeiro grau e. A carta testemunhável É DIRIGÍVEL CONTRA DECISÃO DENEGATÓRIA DE RECURSO ou contra a que IMPEDIR O PROCESSAMENTO DO RECURSO que. 2. secundariamente. em sede de recurso em sentido estrito. conquanto não seja impossível a conversão de julgamento em diligências em casos devidamente justificados (assim como na apelação). 613 do CPP. é. 3. poderá recorrer da nova decisão. aprecie o mérito do recurso anteriormente interposto contra uma decisão.Obs. eis que não é aplicável o enunciado normativo do art. IMPORTANTE!!! O juízo de retratação só pode ser realizado uma única vez relativa a mesma decisão judicial. não tenha sido remetido ao tribunal. O fito da carta testemunhável. Para exemplificar. se couber recurso. não sendo mais lícito ao juiz modifica-la. no caso de quebramento da fiança. Os recursos terão EFEITO SUSPENSIVO nos casos de perda da fiança (com eficácia suspensiva. Não é possível. ao qual o juiz a quo está vinculado. primariamente. tem-se que contra o não recebimento da apelação pelo juízo recorrido cabe interposição de recurso em sentido estrito. o CPP não prevê outra impugnação específica. o de provocar o reexame da decisão antes objurgada por recurso não recebido e/ou sem seguimento regular.4 JULGAMENTO IMPORTANTE!!! Não cabe falar na figura do revisor em sede de recurso em sentido estrito. 3. recurso subsidiário. 285 . a parte contrária.CARTA TESTEMUNHÁVEL 3. Cabível é então a carta testemunhável. realizar o interrogatório do acusado. O recurso da pronúncia suspenderá tão somente o julgamento.

por excelência. que comporta agravo de instrumento. a natureza jurídica de recurso. no prazo de cinco dias. haja vista que este é dirigido e julgado pelo próprio órgão prolator da decisão embargada. de grau superior ao juízo recorrido. 3. não é dirigida ao juiz. pelo que faltaria o pressuposto de se tratar de obstrução de recurso que seria processado e julgado por instância diversa. por ser dotado o recurso denegado também desse efeito (EIS QUE A CARTA DEVE SEGUIR O PROCEDIMENTO DO RECURSO OBSTADO). hipótese de sua admissibilidade. que tem como recurso adequado o em sentido estrito. Ela é sempre cabível contra o não recebimento de recurso em sentido estrito. como é o caso do não recebimento de recurso em sentido estrito. É cabível carta testemunhável:  Da decisão que denegar o recurso. mas ao escrivão de vara estadual. Obs. Por derradeiro. mas só devolutivo. O seu cabimento depende da inexistência de previsão de outro recurso. Caso haja possibilidade do juízo de retratação. observe-se que não é cabível também a carta testemunhável em razão do não recebimento de embargos de declaração. certificando a interposição da carta testemunhável. em essência. diretor de secretaria de vara federal ou secretário do tribunal. e a denegação do recurso especial e extraordinário. que é.  Da que. IMPORTANTE!!! Como a correição parcial não tem.4 PROCESSAMENTO IMPORTANTE!!! A petição recursal. obstar à sua expedição e seguimento para o juízo ad quem.3 CABIMENTO A carta testemunhável é recurso subsidiário. fará entrega da carta devidamente conferida e concertada. o escrivão ou o secretário do tribunal. sustentando sua decisão ou se retratando. não cabe. Contudo. O recibo e a carta instruída conferem ao 286 . pode ser que tenha efeito regressivo para o fim de possibilitar juízo de retratação. A carta testemunhável é recurso que não tem efeito suspensivo. o funcionário deve fazer conclusão dos autos para que o juiz se manifeste. especialmente quando se dirigir contra decisão que negou seguimento a impugnação que era dotada desse efeito. admitindo embora o recurso. Obs. carta testemunhável. destaque-se. Após entregar recibo à parte. ela é incabível da rejeição da apelação. 3. contra a sua denegação. Como é pressuposto da carta testemunhável a não existência de recurso específico contra a decisão denegatória. Resumindo!!! SÓ CABE carta testemunhável contra não recebimento/processamento de RSE.

que causem inversão tumultuária do processo. que conterá certidão circunstanciada e as peças trasladadas. o entendimento mais razoável é o de que não há um prazo específico para sua apresentação. mas colima a aplicação de sanção disciplinar. 4. constantes das leis específicas e dos respectivos regimentos internos. o limite para seu ingresso é encontrado na prolação da sentença. mormente diante de matéria de ordem pública.CORREIÇÃO PARCIAL 4. Com efeito. A natureza da correição parcial é controvertida na doutrina. Visa impedir ou corrigir atos judiciais abusivos. por vezes com o nome de reclamação. se o juízo de primeiro grau persistir em negar seu processamento. que não é sanada pela preclusão. Os legitimados para sua interposição são o Ministério Público. Embora se tenha como prazo para sua interposição o de cinco dias a contar do ato causador da inversão. Daí também ser de pouca aplicabilidade o art.interessado a condição de testemunhante. interposto exclusivamente contra ato do juiz. malgrado produza efeitos no processo. mediante protocolização diretamente ao tribunal. 645. tem o fito de assegurar ao interessado a possibilidade de reclamar/representar. 4. CPP. a entrega da carta. São basicamente duas as posições que se opõem: (1) a que vê a correição parcial como autêntico recurso residual. e.3 CABIMENTO 287 . A previsão de recurso de agravo interno no âmbito dos tribunais.2 INTERPOSIÇÃO A correição parcial deve ser interposta por petição diretamente no órgão com competência para examiná-la. sendo aferida a legitimação pela idéia de sucumbência. 4. (2) a que a concebe como espécie de providência administrativo- judiciária prevista normalmente pelos regimentos internos dos tribunais inferiores. É a posição dos autores. o assistente de acusação (não obstante tenha divergências) e o acusado. com cunho preponderantemente administrativo. tornou ociosa a disciplina da carta testemunhável contra decisão denegatória de membro de órgão colegiado. pois não visa reexaminar matéria decidida em dado processo. que aviva que o processo da carta testemunhável na instância superior seguirá o processo do recurso denegado. Corrige o processo naquela parte que consubstancie erro grave de procedimento e contra o qual não caiba qualquer recurso. com o encaminhamento à instância ad quem. o querelante. praticado com error in procedendo.1 NOÇÃO A correição parcial NÃO É RECURSO. Todavia.

sendo oponível contra decisões dos tribunais. contados da ciência do julgado. suspensivo ou regressivo. Para que caiba correição parcial. contradição ou omissão. não obstante possa o julgador. não tem incidência o princípio da fungibilidade. por seu turno. do CPC ou sobre a incidência do rito do recurso em sentido estrito. quando demonstrada a existência do periculum in mora ou dano irreparável. O segundo recurso (embargos de declaração) equivale ao primeiro. pedir ao juiz que declare a sentença. 4.1 NOÇÃO “Embarguinhos” – qualquer da partes poderá. Obs.2 INTERPOSIÇÃO A oposição dos embargos de declaração se dá mediante petição dirigida ao mesmo órgão que proferiu a decisão a qual se atribua ambigüidade.EMBARGUINHOS E EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 5. Partindo do pressuposto de que a correição parcial não tem natureza recursal. ambiguidade.3 CABIMENTO 288 .4 PROCESSAMENTO O processamento da correição deve ser o disciplinado por cada legislação ou pelo regimento do tribunal correspondente. A idéia que deve nortear a correição parcial é a de que seja formado um instrumento que propicie diretamente a outro órgão com competência para examiná-la uma cognição ampla dos abusos imputados ao juízo a quo. pela parte prejudicada. sempre que nela houver obscuridade. O prazo para o seu ingresso é de dois dias. o efeito suspensivo pode ser obtido mediante mandado de segurança. Como a correição parcial não tem natureza recursal. sanar de ofício a inversão tumultuária do processo. tem prevalecido. 5. 5. omissão ou obscuridade. Todavia.5 JULGAMENTO Pode desaguar em imposição de sanção disciplinar. Não é ela admissível contra ato administrativo. com a retificação dos atos prejudiciais ao direito da parte que a interpôs. 4. é mister que NÃO haja previsão de recurso específico para a hipótese e que se trate de ato judicial exarado na persecução penal. que. contradição. não há que se falar em efeitos devolutivo. A doutrina debate sobre a adoção do rito do agravo de instrumento. uma vez tomando ciência do ingresso da correição parcial. 5. bem como produzirá efeitos processuais. no prazo de 2 dias.

cabe interpor o recurso de agravo (inominado ou regimental). o prazo para os demais recursos será integralmente devolvido. IMPORTANTE!!! Sendo os embargos evidentemente protelatórios e declarados como tal. cabendo ao órgão julgador de pronto deliberar. por exemplo – são sanáveis a qualquer tempo.4 PROCESSAMENTO Os embargos de declaração são julgados pelo próprio órgão prolator da decisão objurgada. deve ser intimada a parte contrária para falar sobre seus fundamentos. de ofício pelo juiz. quiser ver seu pleito apreciado pelo órgão colegiado. independentemente de qual tenha interposto o recurso. Essa interrupção do prazo recursal é para ambas as partes. Por derradeiro. em efeito modificativo ou infringente dos embargos de declaração em casos excepcionais.5 JULGAMENTO A partir da intimação da sentença ou da decisão em embargos de declaração. em cinco dias. IMPORTANTE!!! Já nos embargos declaratórios versados nos Juizados Especiais Criminais. Cabe contra sentenças. Impende avivar que não é necessária a oposição dos embargos de declaração para corrigir simples erro material. 5. além do prazo de interposição ser diverso (5 dias). haverá suspensão do prazo para o manejo dos demais recursos enquanto pendente de apreciação os embargos de declaração. 6. Não há efeito regressivo ou suspensivo da decisão embargada. Fala-se. Os erros materiais – incorreção da grafia do nome da parte. A regra é a de que os embargos de declaração são via inadequada para a reforma ou para o reexame do mérito. malgrado o prazo para apresentação dos demais recursos em razão da decisão embargada seja interrompido. contudo. 5. Obs. se não preenchidas as condições enumeradas. releva anotar que o CPP autoriza que o relator indefira monocrática e liminarmente os embargos de declaração. contudo. em dois dias. Os embargos de declaração são cabíveis contra ato judicial com conteúdo decisório. Se a parte. NÃO se abre vista para a parte contraria responde-lo.AGRAVO REGIMENTAL 289 . caso o embargante pretenda conferir efeito infringente (ou modificativo) ao julgado. ou por simples petição. IMPORTANTE!!! Uma vez apresentado os EDs. o prazo para a interposição de outro recurso não se interrompe ou suspende. acordão ou decisões interlocutórias. No entanto.

EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE 7. de forma não exaustiva. 6.1 NOÇÃO Visam ao reexame de DECISÕES NÃO UNÂNIMES proferidas em SEGUNDA INSTÂNCIA e DESFAVORÁVEIS AO ACUSADO. no prazo de cinco dias.3 CABIMENTO No processo penal. processual. não há necessidade de resposta à petição do agravante.  Despacho do Presidente do STF ou do STJ que conceda suspensão de execução de liminar ou de decisão concessiva de mandado de segurança. contra:  Decisão monocrática do relator. que cause gravame à parte. 6. que ocasionarem gravame a um dos interessados. no âmbito do STF ou do STJ. ao interpor agravo contra decisão monocrática pretende que a matéria ali julgada por um só membro seja reexaminada por todos os membros do órgão colegiado com competência para apreciá-la. pois já está suficientemente instruído o processo. De outro lado. Os embargos serão infringentes quando a não unanimidade recair sobre o mérito da APELAÇÃO ou do RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. de revisão criminal proposta perante o tribunal competente. IMPORTANTE!!! Sua noção é de ser fixada como RECURSO PRIVATIVO DA DEFESA. pelo relator. visando à reforma do julgado anterior. voltado a garantir uma segunda análise da matéria decidida pela turma 290 . ou seja. 7. objetivando nulificação do julgamento anterior. 6. a serem apreciadas no âmbito do próprio tribunal julgador. A parte.1 NOÇÃO É a impugnação dirigida contra decisões monocráticas proferidas por membro de tribunal.4 PROCESSAMENTO Como se trata de simples pedido de submissão da matéria apreciada monocraticamente a plenário.  Indeferimento liminar. serão denominados embargos de nulidade quando impugnarem a discrepância de votação no que concerne à matéria de admissibilidade recursal.6. o cabimento do agravo (inominado ou regimental) pode ser verificado.2 INTERPOSIÇÃO O agravo inominado ou regimental será interposto por simples petição.

 A decisão decorra de julgamento de APELAÇÃO ou de RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. IMPORTANTE!!! O MP pode ser legitimado a interpor embargos infringentes e de nulidade caso o faça em FAVOR DA DEFESA.  A petição de embargos infringentes obedeça à delimitação recursal constante da divergência parcial da votação. quando não houver unanimidade e for o acusado sucumbente na parte objeto da divergência. porquanto só a defesa tem legitimidade para ingressar com eles. Diante da possibilidade de modificação do julgado. 7. não sendo admissível de decisão de turma recursal no âmbito dos juizados especiais criminais IMPORTANTE!!!. NÃO se admitem embargos infringentes. 7. por ter havido maioria de votos e não unanimidade.  O acórdão seja proferido por TRIBUNAL. em pedido de desaforamento.julgadora. Obs.2 INTERPOSIÇÃO Serão interpostos por petição.Nas decisões por maioria. acompanhada de razões. em reexame necessário. sendo rejeitados se extrapolam a extensão do voto vencido na apelação. é preciso que:  A decisão NÃO seja unânime (DECISÃO MAJORITÁRIA) não satisfazendo esse pressuposto a fundamentação divergente de votos no mesmo sentido. em agravo regimental e em sede de MS. Obs. buscando a absolvição. quando aquele cinge à desclassificação do delito. É recurso privativo da defesa e tem como pressuposto que o réu tenha recorrido em sentido estrito ou apelado da decisão de primeiro grau de jurisdição. ampliando-se o quorum do julgamento. Para que seja admissível a interposição dos embargos infringentes. em embargos infringentes. e que o voto discrepante seja favorável ao acusado. Súmula 390 STJ. no prazo de 10 dias. a contar da publicação do acórdão. Súmula STJ 390 .3 CABIMENTO IMPORTANTE!!! Caberão embargos infringentes e de nulidade de decisões proferidas em sede de apelação e de RSE. HC. Lembrar!!! Embargos infringentes no processo penal é RECURSO EXCLUSIVO DA DEFESA. deve haver intimação da acusação para contra-arrazoar os embargos no mesmo prazo de dez dias. 291 . IMPORTANTE!!! NÃO CABEM embargos infringentes em revisão criminal.

4 PROCESSAMENTO Deve ser seguido o rito dos recursos de apelação e em sentido estrito. outro dando provimento integral e um terceiro dando provimento parcial.2 INTERPOSIÇÃO No prazo de 5 dias. entre ambas. 8. pode ficar com os votos vencedores ou com os vencidos (ou vencido) ou adotar uma terceira solução intermediária. devendo prevalecer este último “como voto médio”.5 JULGAMENTO O julgamento dos embargos infringentes e de nulidade pode dar azo ao que a doutrina convencionou chamar de voto médio. partidário de que são eles cabíveis. Sobre o cabimento dos embargos infringentes e de nulidade em sede de agravo em execução. sob o fundamento de que este recurso veio substituir o recurso em sentido estrito. 292 . tal como se dá quando há um voto negando provimento ao recurso. É inadmissível recurso especial quando cabíveis embargos infringentes contra o acórdão proferido no tribunal de origem (súmula 207). Se houver empate. Não tem efeito suspensivo. Da decisão que se seguir ao julgamento de constitucionalidade pelo tribunal pleno. O tribunal.1 NOÇÃO O agravo de instrumento em matéria criminal é aquele manejado contra decisão denegatória de recurso especial ou de recurso extraordinário exarada pelos presidentes dos tribunais regionais federais ou pelos presidentes dos tribunais de justiça. ao apreciar os embargos. São súmulas do STF sobre o tema: São inadmissíveis embargos infringentes contra decisão em matéria constitucional submetida ao plenário dos tribunais (súmula 293). em matéria criminal. A interposição será feita perante o presidente do tribunal a quo que não poderá negar processamento ao agravo.AGRAVO DE INSTRUMENTO 8. existe entendimento de Paulo Rangel. 8. para o STJ ou para o STF. É a posição prevalente na doutrina. a solução mais favorável ao acusado. deve prevalecer. 7. 7. são inadmissíveis embargos infringentes quanto à matéria constitucional (súmula 455). porém. É na instância a quo que será o agravado intimado para contra-arrazoar o recurso.

8. em agravo regimental. que são visualizados através da ideia de sucumbência. ou mesmo quando ocorrer retardo injustificado. 9. O embargado será intimado para apresentar contra-razões no mesmo prazo.4 JULGAMENTO A divergência pode ocorrer: 293 .EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA 9. acompanhada das razões. da seção.4 JULGAMENTO Da decisão do relator que negar seguimento ou provimento ao agravo de instrumento caberá agravo para o órgão julgador no prazo de 5 dias. decide recurso especial. é exigível legitimidade e interesse do recorrente. Ao lado desse requisito. 9. 8. ainda que referente a causa instaurada no âmbito dos juizados especiais. do órgão especial ou do pleno. o condão de levar a matéria não admitida ou denegada ao órgão colegiado com competência para analisá-la. Lembrar!!! Só cabem embargos de divergência contra decisões do STJ ou STF. no âmbito do STF ou do STJ. Súmula 316 STJ. 9. cujo teor seja divergente do julgamento de outra turma. Súmula 316 STJ Cabem embargos de divergência contra acórdão que. em matéria criminal. Eles têm a finalidade de uniformização da jurisprudência desses tribunais.2 INTERPOSIÇÃO No prazo de 15 dias.3 CABIMENTO É aferido quando se tratar de decisão proferida em sede de recurso especial ou extraordinário.1 NOÇÃO São recursos admissíveis no âmbito do STF e do STJ. 9. é verificado quando se tratar de despacho denegatório de recurso especial ou extraordinário. A petição recursal. Necessariamente os autos devem subir ao tribunal ad quem. será dirigida ao relator da causa.3 CABIMENTO O cabimento do agravo de instrumento. não podendo o magistrado deixar de encaminhar ao STF o agravo de instrumento interposto da decisão que não admite recurso extraordinário. Obs. portanto. para ser proferido despacho sobre a admissibilidade de recurso de competência do STF. superior a trinta dias. Podem ser interpostos quando se verificar decisões destoantes ENTRE ÓRGÃOS DO MESMO TRIBUNAL. O agravo (inominado ou regimental) terá.

 No STF – entre as Turmas. tais como: 1. 2. sem efeito suspensivo.2 INTERPOSIÇÃO O agravo em execução deve ser interposto por petição ou por termo nos autos.  No STJ – entre turmas. 4. que serão sempre da competência do Plenário.1 NOÇÃO O agravo em execução é o recurso cabível no processo de execução penal.3 CABIMENTO O recurso de agravo em execução será admitido contra toda e qualquer decisão proferida pelo juiz no processo de execução. conquanto deva o juiz. 10.AGRAVO EM EXECUÇÃO 10. cabe ao Pleno o conhecimento do recurso. Decisão que revogar medida de segurança. o juiz deve dotar o rito do recurso em sentido estrito. Decisão que autoriza saída temporária. Decisão que concede ou nega prisão domiciliar. segundo o entendimento dominante. que causem prejuízo a acusação ou a defesa. ou seja. o mesmo poderá interpor o agravo ainda que desacompanhado de advogado. de imediato. seguidamente. mesmo que sem advogado constituído ou nomeado. e. providenciar que o sentenciado escolha um profissional ou. A vítima. 6. o agravado. 10. em igual prazo. é reconhecida ao executado capacidade postulatória no processo de execução penal. 10. entre Seção e Pleno. e 9. nem tem interesse em nele intervir. no prazo de 5 dias. Decisão que unifica as penas aplicadas em processos condenatórios distintos. 8. 3. não o fazendo. A legitimidade para a interposição é do MP ou da defesa. entre Turma e Seção. 7. é dirimida pela Seção. Sentença que declara extinta a punibilidade pelo cumprimento da pena ou pelo reconhecimento de prescrição da pretensão executória. Havendo interposição sem as razões recursais. não é parte no processo de execução penal. cabe a este dirimir a divergência. Decisão que converte a pena em medida de segurança. 5. encaminhe o apenado à Defensoria Pública ou mesmo nomeie um defensor dativo. intimando o agravante para oferecê-las em 2 dias. 10. Sem embargo. Decisão que defere ou indefere livramento condicional.4 PROCESSAMENTO 294 . Das decisões proferidas pelo juiz da execução penal. Decisão que defere ou indefere progressão de regime. Decisão que reconhece indulto. caberá recurso de agravo.

o recurso do MP devesse merecer efeito suspensivo. SÚMULAS APLICÁVEIS  STJ 7. 10. como prazo limite de sua interposição. todavia. Sobre a inexistência de efeito suspensivo de forma ampla no recurso de agravo em execução. 197 da LEP. Sergio Hamilton entende equivocada a opção do legislador adotada no art. quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida. contra a lista geral publicada em 10 de outubro de cada ano. A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. tem cabimento. sem necessidade de novas razões. Para o autor. O agravo em execução é de ser recebido só no efeito devolutivo. porém preconiza. o rito do recurso em sentido estrito deve ser adotado com as cautelas de não se estender ao agravo em execução penal. indiretas e seu trâmite ocorre em âmbito diverso do processo penal. em algumas hipóteses. Suas repercussões processuais são. 295 . Não se conhece de recurso especial pela divergência. podendo o magistrado se retratar da decisão antes proferida. portanto. 83. caberá reclamação interposta por qualquer do povo e dirigida ao juiz presidente do tribunal do júri.5 JULGAMENTO Se houver retratação. Há divergências doutrinárias sobre o rito a ser seguido para o agravo em execução. data da publicação definitiva da lista geral.1 NOÇÃO Agora. não é de se reputar cabíveis embargos infringentes e de nulidade contra decisão não unânime proferida pelo tribunal em recurso de agravo em execução. razão pela qual é razoável entender a possibilidade de sua impugnação até o dia anterior à data de sua publicação final. a opção errônea da lei decorre do fato de que no caso da execução penal o acusado tem contra si uma sentença condenatória transitada em julgado. sustentando que.RECLAMAÇÃO CONTRA A LISTA GERAL DE JURADOS 11. 11. O efeito regressivo. a parte prejudicada pela modificação da decisão poderá recorrer por simples petição. o dia 10 de novembro. O CPP não estabelece prazo para o ingresso da reclamação. Sem embargo. A reclamação tem natureza de recurso administrativo. Na linha desse raciocínio. providências com ele incompatíveis ou que legitime ampliação das possibilidades recursais.

na ação penal. contra o réu. Cabem embargos de divergência contra acórdão que. 208. 281. O conhecimento de recurso de apelação do réu independe de sua prisão. ressalvados os casos de recurso de ofício. 584. É inadmissível o recurso extraordinário. a questão federal suscitada. a despeito da oposição de embargos declaratórios. É inadmissível recurso especial quando cabíveis embargos infringentes contra o acórdão proferido no tribunal de origem. 211. não foi apreciada pelo tribunal a quo. 279. por si só. quando couber na justiça de origem. É inadmissível o recurso extraordinário. nos casos dos arts. O assistente do Ministério Público pode recorrer. É inadmissível o recurso extraordinário. quando não ventilada. É nula a decisão do tribunal que acolhe. O assistente do ministério público não pode recorrer extraordinariamente de decisão concessiva de ‘habeas corpus’. e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário. quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional.86. 280. Inadmissível recurso especial quanto à questão que. 347. decide recurso especial. ou não. 126. 284. 216. com o exame dos seus pressupostos gerais e constitucionais. A tempestividade de recurso interposto no STJ é aferida pelo registro no protocolo da secretaria e não pela data da entrega na agência do correio. É inadmissível recurso especial.  STF 160. inclusive extraordinariamente. o recurso especial deve ser fundamentada. É inadmissível o recurso extraordinário. 123. quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. para mantê-lo. §1º e 598 do CPP. 210. A decisão que admite. 296 . nulidade não arguida no recurso da acusação. 207. Cabe recurso especial contra acórdão proferido no julgamento de agravo de instrumento. 282. Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário. em agravo regimental. quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. qualquer deles suficiente. 283. 316. recurso ordinário da decisão impugnada. Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. na decisão recorrida.

Não fica prejudicada a apelação entregue em cartório no prazo legal. 453. ainda que não seja a melhor. não pode ser objeto de recurso extraordinário. A apelação despachada pelo juiz no prazo legal não fica prejudicada pela demora da juntada. 448. O ponto omisso da decisão. 428. Não transita em julgado a sentença por haver omitido o recurso “ex officio”.286. É de cinco dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do juiz da execução penal. 640. começa a correr imediatamente após o transcurso do prazo do Ministério Público. ou quando for evidente a incompetência do tribunal. não autoriza recurso extraordinário pela letra “a” do art. O prazo para o assistente recorrer. 423. por culpa do cartório. da CF. por violação de lei federal. na denúncia ou queixa. Não se conhece do recurso extraordinário fundado em divergência jurisprudencial. Não cabe recurso extraordinário. Não terá seguimento pedido ou recurso dirigido ao STF. 319. sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios. O prazo para interposição de agravo. embora despachada tardiamente. 322. 369. que se considera interposto “ex lege”. não se aplicando o disposto a respeito nas alterações da Lei 8950/94 ao CPC. Julgados do mesmo tribunal não servem para fundamentar o recurso extraordinário por divergência jurisprudencial. 384 (mutatio libelli) e parágrafo único do código de processo penal. é de 5 dias. 700. 101. 320. quando manifestamente incabível. quando a ofensa alegada for a regimento de tribunal. 356. III. É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de primeiro grau nas causas de alçada. em virtude de circunstância elementar não contida. 297 . 399. supletivamente. O prazo do recurso ordinário para o STF. 400. em ‘habeas corpus’ ou mandado de segurança é de 5 dias. por faltar o requisito do prequestionamento. Não se aplica à segunda instância o art. ou apresentado fora do prazo. quando a orientação do plenário do STF já se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida. 699. explícita ou implicitamente. em processo penal. que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso. ou por turma recursal de juizado especial cível e criminal. Decisão que deu razoável interpretação à lei. de acordo com a lei 8038/90.

manifestada sem a assistência do defensor. Não pode o magistrado deixar de encaminhar ao STF o agravo de instrumento interposto da decisão que não admite recurso extraordinário. 727. Não cabe reclamação quando já houver transitado em julgado ato judicial que se alega tenha desrespeitado decisão do STF. 734. não impede o conhecimento da apelação por este interposta. 298 . A renúncia do réu ao direito de apelação. ainda que referente a causa instaurada no âmbito dos juizados especiais.705. 713. O efeito devolutivo da apelação contra decisões do júri é adstrito aos fundamentos da sua interposição.

imponha a necessidade de provocação das partes. diz. c) Sistema misto – tido.NULIDADE PROCESSUAL EM GERAL 1. A nulidade no processo penal não é automática. bem como se o ato imperfeito resultou prejuízo para as partes. o órgão judicial não poderá decretá-la. investigar se o ato influenciou na verdade substancial ou na decisão da causa. as hipóteses passíveis de nulidade não representam rol taxativo. ser declarado inválido. o juiz deve investigar se o ato é atípico e se merece ser invalidado. A sua imposição terá lugar toda vez que o desatendimento de norma processual penal cause prejuízo a direito das partes ou quando haja presunção legal de tal prejuízo por se cuidar de formalidade essencial. O juiz tem liberdade de decidir se o ato imperfeito deve. b) Sistema da instrumentalidade das formas – adotado pelo CPP. ao mesmo tempo. apesar de. mesmo não estando previsto no art. não dando a ele discricionariedade para que possa perquirir se realmente o ato deva ser invalidado. ou seja. 564 atesta a natureza aberta do sistema).2 SISTEMAS DE NULIDADES: ROL EXEMPLIFICATIVO X ROL TAXATIVO a) Sistema privatista – caracterizado por deixar a critério das partes reclamar a invalidade que só será decretada quando do ato resultar prejuízo e a parte apontá-la.1 NOÇÃO DE NULIDADE Nulidade é a sanção aplicada pelo juiz em razão da verificação de um ato processual defeituoso. mas EXEMPLIFICATIVO (o inciso IV do art. expressamente. O CPP brasileiro adotou um sistema eclético (com características dos sistemas legal e judicial/instrumental). porquanto é preciso que o juiz se manifeste expressamente para que cessem os efeitos do ato processual viciado. desconfiado do juiz. Classificação de Paulo Rangel: a) Sistema da certeza legal – é aquele em que o legislador. em quais casos haverá a aplicação da sanção de nulidade. NULIDADES 1. 299 . No caso de inércia da parte. de molde a autorizar o juiz a perquirir a lei (se a mesma diz que o ato é inválido) e. 1. realmente. b) Sistema legalista – consiste na adstrição do juiz à dicção da lei. A nulidade processual só ocorrerá após um ato judicial que decrete que o ato processual inquinado não pode gerar os efeitos a que se destinava. c) Sistema judicial – (também denominado instrumental): é o que autoriza que o juiz valore a essencialidade do requisito não observado do ato processual. como o adotado pelo CPP. em alguns casos. Consiste na mescla dos sistemas da certeza legal e da instrumentalidade das formas. 564. Para os autores. pela maior parte da doutrina.

independentemente do eventual prejuízo às partes. o ato é realizado sem observância das exigências legais e/ou constitucionais. 1. Atípico e ineficaz é o ato nulo.4 TIPICIDADE E ATIPICIDADE DO ATO PROCESSUAL Tipicidade do ato processual é a qualidade consistente em sua prática em compasso com todas as disposições constitucionais e legais que o regem. ao revés. Atípico e eficaz é o ato irregular.3 FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL As nulidades processuais devem ser encaradas como sanções estabelecidas legalmente para o fim de assegurar as garantias fundamentais processuais penais dispostas na CF. Atipicidade e ineficácia são conceitos que não se implicam necessariamente. Por exemplo: (1) a hipótese de nulidade do processo por incompetência do juízo visa assegurar o princípio do juiz natural. 1.5 ELEMENTOS E FORMALIDADES DO ATO PROCESSUAL PENAL A doutrina costuma bipartir os atos processuais em essenciais e acidentais. IMPORTANTE!!! Nenhum ato será declarado nulo.1. A nulidade recairá sobre o ato processual atípico. Os vícios dos atos processuais acidentais geram nulidade relativa. para ser declarada a nulidade. se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. já que este se presume. que pode ser sanada. A ausência ou inexistência desses atos estruturais implica nulidade absoluta do processo. Isso quer dizer que toda tipificação de ato defeituoso no CPP é baseada em uma garantia fundamental de uma das partes. (2) o caso de falta de citação do acusado tem o objetivo de assegurar o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa. Por seu turno. As nulidades processuais penais típicas (previstas expressamente no CPP) e atípicas (implícitas no sistema acusatório) têm a natureza de garantia constitucional. será a sanção aplicada pelo juiz quando o ato processual for praticado em desconformidade com as leis processuais penais e/ou com a CF. 300 . a invalidade processual decorrente do vício que recaia sobre ato processual acidental “é sanção que somente pode ser aplicada se houver a conjugação do defeito do ato processual (pouco importa a gravidade do defeito) com a existência de prejuízo”. Ambos têm a ver com a regularidade do ato processual. isto é. Ou seja. tem que ter havido prejuízo. porém só as formalidades essenciais independem de demonstração de prejuízo para a acusação ou para a defesa. Isso quer dizer que a atipicidade do ato NÃO implica automaticamente sua nulidade. como por igual tipicidade e eficácia. Atipicidade do ato processual penal ocorre quando.

porém que não sofreu sanção de nulidade.  Nulidade relativa – a que somente é decretada se houver prejuízo e. Paulo Rangel:  Ato inexistente ou ato juridicamente inexistente – aquele que não produz qualquer eficácia e. há prazo para ser declarada. por excelência. para a doutrina majoritária.  Nulidade absoluta – é a que pode ser decretada de ofício. ou seja. a sanção que se aplica ao ato viciado. sob um aspecto. mas de todo e qualquer acusado. que sofreu a sanção de nulidade.CLASSIFICAÇÃO DAS NULIDADES IMPORTANTE!!! Relativização das nulidades processuais. o prejuízo é presumido (evidente). Tratando-se de nulidade absoluta. portanto.PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DAS NULIDADES a) Pas de nullité sans grief (princípio da transcendência) – nenhum ato será declarado nulo se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa.  Ato irregular – consiste no ato defeituoso. podendo ser definida como a inobservância de exigências legais ou uma falha ou imperfeição jurídica que invalida ou pode invalidar o ato processual ou todo o processo. Pacelli:  Atos inexistentes – não produzem efeito algum. 3. mas sim. ao contrário dos atos nulos.  Nulidades relativas – é onde. independe de decisão judicial declarando sua invalidade.  Atos nulos – diferentemente dos inexistentes. vício. sob outro. o estado do ato após o reconhecimento judicial de invalidade. produzem efeitos até serem anulados. 301 . Tramitação indevida de processo penal em segredo de justiça.6 CONCEITO DE NULIDADE a) Paulo Rangel – nulidade não é o vício que inquina o ato. haverá preclusão. embora ai se esteja diante de desatendimento de ditame constitucional. não convalesce e. que produzem efeitos até serem anulados.1.  Nulidades absolutas – afetam não só o interesse de algum litigante. portanto. independentemente de manifestação das partes. atípico. viciado. bem como implicam consequências jurídicas mesmo após o reconhecimento de sua nulidade. em todo e qualquer processo. permanecendo válido. não implica nulidade se não decorrer prejuízo advindo do sigilo. fica situado o interesse prevalecente das partes.  Ato nulo – é o ato defeituoso. isto é. com violação ao principio da publicidade. se não arguida no momento oportuno. sanção. b) Mirabete – nulidade é. não necessita demonstrar prejuízo. 2. em desconformidade com a lei. a nulidade é consequência da prática do ato em desconformidade com a lei e não a desconformidade em si.

bem como o princípio de que a parte deve ter interesse na declaração da nulidade. mesmo com a nulidade decorrente de incompetência do juízo. autoriza a ratificação dos atos instrutórios. devendo o processo. do CPP. o art. Nenhuma das partes poderá argüir nulidade a que haja dado causa. assegura que a nulidade por ilegitimidade do representante da parte poderá ser a todo tempo sanada. c) O art. 566). por sua vez. a demonstração deve ser feita pelo interessado. quando for declarada a nulidade. Nenhum ato será declarado nulo. sustentam que ele permite a ratificação de atos não decisórios. devendo o processo. Art. ou para que tenha concorrido. Outros. e) Princípio da convalidação dos atos processuais – está ligado aos princípios da economia processual. se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. decisório ou não. deveria ser absoluta. 565. 566. ser remetido ao juiz competente. estatui que nenhuma das partes poderá argüir nulidade a que tenha dado causa. ou referente a formalidade cuja observância só à parte contrária interesse. d) Princípio da instrumentalidade das formas – a nulidade de ato processual não será declarada quando não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa (art. O princípio da instrumentalidade das formas é depreendido de tal enunciado normativo ao lado do princípio da verdade real que deve nortear o processo penal. Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa. 569 averba que as omissões da denúncia ou da queixa. na esfera de proteção às garantias fundamentais. Alguns autores sustentam que a nulidade por incompetência da autoridade judiciária em processo criminal. isto é. Art. quando for declarada a nulidade. ainda que praticados posteriormente ao ato nulo. Nessa esteira. da razoável duração do processo e da conservação dos atos processuais. 568 do CPP. ou referente a formalidade cuja observância só à parte contrária interesse. mediante ratificação dos atos processuais e o art. 565. 567. no âmbito do processo penal. O enunciado consagra o princípio de que não é dado a ninguém se beneficiar da própria torpeza. 566. O processo demanda tempo e custo. por se cuidar de violação à Constituição. b) Princípio da conservação dos atos processuais – a incompetência do juízo anula somente os atos decisórios. 563. concordando com o enunciado do art. 567. Na nulidade relativa. Os princípios da economia processual e da celeridade (ou da razoável duração do processo) também permeiam a incidência normativa do art. A incompetência do juízo anula somente os atos decisórios. ser remetido ao juiz competente. da 302 . O reconhecimento judicial de nulidade deve se lastrear na ideia de necessidade.dispensando demonstração. Art. não se aproveitando todo e qualquer ato processual. Art. ou para que tenha concorrido.

logo depois de anunciado o julgamento e apregoadas as partes (art. 572. salvo os dos Capítulos V e Vll do Título II do Livro II. e IV. d e e. antes da sentença final. que respaldam a dicotomia das nulidades absolutas e relativas.representação são supríveis a todo tempo. Art.as da instrução criminal dos processos da competência do júri. o ato tiver atingido o seu fim.as ocorridas posteriormente à pronúncia.as do julgamento em plenário.as da instrução criminal dos processos de competência do juiz singular e dos processos especiais. 572 e 573 do CPP. nos prazos a que se refere o art. VIII . § 2o O juiz que pronunciar a nulidade declarará os atos a que ela se estende. a suspensão ou o adiamento do ato.se. se verificadas depois desse prazo. embora declare que o faz para o único fim de argüi-la.se não forem argüidas. na forma dos artigos anteriores. em tempo oportuno.as do processo sumário. considerar-se-ão sanadas: I . nas razões de recurso ou logo depois de anunciado o julgamento do recurso e apregoadas as partes. Completam o sentido do princípio da conservação. Art. 406. segunda parte. Também o art. Ill. VI . O juiz ordenará. logo depois de aberta a audiência. causará a dos atos que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. não pode descurar das garantias processuais do acusado relativas à ciência da imputação formulada claramente. de acordo com o disposto no artigo anterior. da finalidade e da convalidação dos atos processuais os arts. V . da intimação ou notificação estará sanada. III . nos prazos a que se refere o art. em audiência ou em sessão do tribunal. logo depois de aberta a audiência e apregoadas as partes. Art. contudo. ainda que tacitamente. A falta ou a nulidade da citação. III . As nulidades previstas no art.as de instrução criminal dos processos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais de Apelação. 573. no prazo a que se refere o art. Art. logo depois de ocorrerem.DA INEXISTÊNCIA DOS ATOS PROCESSUAIS 303 . II . 447). A aplicação desse artigo. tiver aceito os seus efeitos. 500. Os atos. quando reconhecer que a irregularidade poderá prejudicar direito da parte. serão renovados ou retificados. 570.se verificadas após a decisão da primeira instância. 571. ou. todavia.as do processo regulado no Capítulo VII do Título II do Livro II. 537. antes de o ato consumar-se. 564. 570 CPP consagra o princípio da convalidação dos atos processuais. 571. g e h.se a parte. § 1o A nulidade de um ato. nos prazos a que se refere o art. desde que o interessado compareça. 500. (defesa preliminar) II . praticado por outra forma. 4. cuja nulidade não tiver sido sanada. IV . As nulidades deverão ser arguidas: I . VII . uma vez declarada.

Não é necessária provocação da parte interessada. art. Se não houver arguição tempestiva. é que dirá se o ato defeituoso é passível ou não de convalidação. como relativa. que veicula pretensão atrelada ao estado de liberdade da pessoa humana. ser caracterizada. que será considerado sanado. Um caso de nulidade que. O caso concreto. 304 . Em processo penal. se não preclusa a matéria. Se o ato processual. abstratamente. com a possibilidade de produção de efeitos jurídicos. se insanável. As NULIDADES RELATIVAS devem ser arguidas no primeiro momento em que a parte tiver oportunidade de falar nos autos. o reconhecimento de vício processual. Entrementes. a regra é a de se operar a preclusão sobre o ato viciado. em processo penal – que lida com direito indisponível que é a liberdade do réu –. pode. deve resvalar em nulidade. no prazo das alegações finais. II) Da instrução criminal dos processo de competência do juiz singular e dos processos especiais. logo que aberta a audiência ou até o momento das alegações finais orais. nas razões do recurso ou logo depois de anunciado seu julgamento e apregoadas as partes. a regra é a de se operar a preclusão sobre o ato viciado. no processo penal.1 A ARGUIÇÃO DE NULIDADE A doutrina costuma bipartir as nulidades em abstrato. no momento dos debates orais finais). Como se vê. no prazo de resposta a acusação (dez dias. A inexistência processual não é relevante. IMPORTANTE!!! DECORAR!!! O art. podendo ocorrer de ofício pelo juiz. que será considerado sanado. sendo as hipóteses de nulidades divididas em absolutas e relativas. VI) Verificada após a decisão de primeira instância. em sua singularidade. seja absoluta. alguns vícios não poderão ser considerados sanados. 396 CPP) ou. 571 indica os prazos em que as nulidades deverão ser alegadas: I) Da instrução criminal dos processos de competência do júri (até o encerramento da instrução. logo depois que ocorrerem. logo depois de anunciado o julgamento e apregoada as partes. III) Da instrução criminal no processo sumário. em audiência ou em sessão do tribunal. é porque adquiriu relevância. IV) Ocorrida após a pronuncia. carecer de pronunciamento judicial sobre seu vício.NULIDADES ABSOLUTAS E RELATIVAS 5. V) Da instrução criminal dos processos de competência dos tribunais. se verificadas depois. Se não houver arguição tempestiva. A regra geral é de que a NULIDADE ABSOLUTA pode ser arguida a qualquer tempo. 5. no encerramento da instrução quando das alegações orais ou apresentação de memoriais (alegações finais). no plano concreto. as nulidades relativas devem ser arguidas no primeiro momento em que a parte tiver oportunidade de falar nos autos. tido por inexistente. judicialmente. VII) do julgamento em plenário.

em conformidade com a nulidade processual declarada. Com a reforma processual prevendo a apresentação de defesa preliminar (apresentação obrigatória) que enfrenta matéria processual e de mérito.HIPÓTESES PASSÍVEIS DE RECONHECIMENTO JUDICIAL DE NULIDADE 6. IMPORTANTE!!! Em compasso com o princípio da causalidade ou da consequencialidade. A nulificação de ato processual pode produzir o especial efeito de que os atos sejam renovados ou mesmo retificados. em regra. a omissão na apresentação de razões finais orais ou de memoriais pela defesa pode implicar nulidade que. ao pronunciar a nulidade. declinar os atos a que ela se estende. de mais a mais. a ausência de oportunidade para tanto ou o seu não oferecimento pelo advogado constituído pelo acusado caracteriza vício passível de declaração de nulidade pelo juiz. É de ver. Em suma. pode ser suficiente à consumação da prescrição. no processo penal. Da mesma forma. cabendo ao magistrado a cautela de. a falta de defesa.2 EFEITOS Além dos efeitos no processo penal. uma vez declarada. por força do princípio da causalidade. a nulidade de um ato.1 FALTA OU DEFICIÊNCIA DE DEFESA Não é admissível. pode ensejar a extinção da punibilidade do agente. o processo poderá retomar seu curso com o aproveitamento de atos processuais já praticados ou mesmo poderá ser encerrado. O reconhecimento de nulidade que importe. também não é mais justificável admitir. o reconhecimento judicial de nulidade implica efeitos penais. toda vez que não for possível a sanação do vicio. que verbera que “no processo penal. a solução legal é a renovação ou retificação do ato. causará a dos atos que dele diretamente dependam ou sejam consequência. a falta de defesa constitui nulidade absoluta. com o arquivamento dos autos. será absoluta. no processo penal. 6. a deficiência de defesa. 305 . que. 5. A crítica aqui é feita contra o teor do enunciado 523 da Súmula do STF. desde que sejam respeitadas as garantias processuais constitucionais e penais. Com a institucionalização das Defensorias Públicas. uma vez nulificada. a nulificação da pronúncia do réu. O juiz deve declarar precisamente a extensão dos efeitos de seu decreto de nulidade. mas a deficiência só o anulará se houver prejuízo para o réu”. porquanto a causa interruptiva que antes produzia o efeito de servir de marco a novo curso do prazo prescricional da pretensão punitiva. Os atos cuja nulidade não tiver sido sanada serão renovados ou ratificados.

o reconhecimento da nulidade é de rigor. 2) a capacidade processual para estar em juízo. pois caso contrário. Enquanto os pressupostos processuais são os requisitos para a constituição do processo de forma válida e regular. Haverá colidência também quando defesa técnica e acusado divergem sobre a interposição de recurso. o prejuízo para o réu. o que haverá é a consagração do sistema inquisitório. Um exemplo passível de ocorrer é a de indivíduos homônimos. Não há possibilidade de convalidação de ato processual quando a parte que vier a responder ao processo não seja a mesma que faça parte da relação jurídica material criminosa. para sua declaração. Diante do prejuízo evidente. Comprovada a ilegitimidade do réu. Nem sempre a deficiência de defesa deve ser considerada nulidade relativa. por sua vez. de forma absoluta.2 ILEGITIMIDADE DE PARTE Pressupostos processuais não se confundem com condições da ação. 306 . Na atual jurisprudência do STF. 3) capacidade postulatória. Obs2. Entendem os autores que esse prejuízo só não estará presente se a sentença for absolutória. Legitimidade processual é pressuposto processual que se divide em três aspectos: 1) a capacidade para ser parte – ser pessoa física ou jurídica. não sendo raro que requeira. caso que se entende prevalecer à posição da defesa técnica. Legitimidade para a causa é condição da ação penal que deve ser compreendida a partir da relação jurídica de direito material que no processo penal condenatório é o fato criminoso. 6. as condições da ação são os requisitos para que o titular da ação a promova eficazmente. notadamente quando se cuidar de réu pobre. existe a tendência de relativizar as nulidades absolutas. Obs1. mais benéfica ao réu. Nesse caso se deve evitar que a divergência entre as defesas possibilite a apresentação de quesitos contraditórios para os jurados (no caso do júri). é inconcebível. Colidência entre defesa de co-réus – ocorre quando a nomeação de um só defensor para acusados que apresentem versões conflitantes. Colidência entre defesa técnica e autodefesa – acontece quando a defesa técnica e a autodefesa seguem linhas diversas e que não são nem alternativas nem cumuláveis. A legitimidade da parte pode figurar como condição da ação (legitimidade ad causam) ou como pressuposto processual (legitimidade ad processum). integrante dos quadros da Defensoria Pública. mas incompatíveis. A falta de defesa. O reconhecimento judicial de nulidade por falta ou deficiência de defesa deverá ser esposado suficientemente pelo magistrado. mercê de a ele ser garantido pela Constituição o patrocínio por advogado concursado. a sanção a ser aplicada é de nulidade absoluta.

3 INCOMPETÊNCIA DO JUÍZO A garantia constitucional do juízo competente não pode redundar em invalidade de todo o processo. Se for absoluta. admitindo convalidação. o recebimento da denúncia por juiz incompetente não interrompe a prescrição. Ou seja. IMPORTANTE!!! Portanto. com o aproveitamento de todos os atos já realizados. é natural que nenhum ato seja aproveitado. o STF reafirmou sua posição. 6. Essa posição. bem como decisão judicial também motivada do juiz competente. mesmo que o ato de recebimento tenha sido realizado por órgão absolutamente incompetente. É hipótese de ilegitimidade ad processum. é essencial a indicação de qual a incompetência que recai sobre o magistrado. nem os instrutórios. nem os decisórios. pois todos terão que ser refeitos perante o juízo competente. contudo. uma vez reconhecida a incompetência relativa. Já se a nulidade é relativa. A nulidade por ilegitimidade do representante da parte poderá SER A TODO TEMPO SANADA. o único efeito é o deslocamento do processo ao juízo competente. Como o ato de recebimento da denúncia é causa interruptiva da prescrição. IMPORTANTE!!! Entendem os autores que o recebimento da inicial acusatória só deve operar efeitos jurídicos se realizado por magistrado competente. não é a que tem prevalecido na jurisprudência dos tribunais. Contudo. 568. O STF entende que a nulidade em face de incompetência absoluta implica nulidade dos atos decisórios e que a incompetência relativa não importa em nulidade de qualquer ato já praticado. Questão interessante dentro das ações públicas é a prática de atos por promotor que originariamente não deveria atuar no caso. ao destacar que a sua jurisprudência atual admite a ratificação dos atos decisórios praticados por órgão jurisdicional absolutamente incompetente. forçoso é o reconhecimento de que a decisão de recebimento perante o órgão judicial competente é que terá o condão de produzir esse efeito. admite-se o aproveitamento dos atos de prova. Os atos processuais praticados por representante não constituído pela parte podem ser convalidados mediante manifestação expressa ou tácita do procurador legítimo. tem prevalecido o entendimento de que pode haver ratificação perante o juízo competente. mediante ratificação dos atos processuais. vem se entendendo possível a (re) ratificação dos atos praticados pelo órgão sem atribuição legal. Nessa esteira. Art. Quando se trata de órgão do MP. Obs. IMPORTANTE!!! Todavia. sendo nulos os de caráter decisório. com esteio nos princípios da unidade e da indivisibilidade da instituição. Em outros termos. não é dispensável manifestação expressa e fundamentada do membro do Parquet. mas apenas dos atos decisórios ou dos instrutórios que restaram comprometidos em virtude do vício de competência. 307 .

SUSPEIÇÃO OU SUBORNO DO JUIZ A noção de incompatibilidade é genérica relativamente à de suspeição e à de impedimento. há forte posição (na doutrina e na jurisprudência) de que a suspeição é causa de nulidade absoluta. portanto. III . incompatibilidade é gênero do qual suspeição e impedimento são espécies. O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que: I . em linha reta ou colateral até o terceiro grau. inclusive. 254. V . como defensor ou advogado. estiver respondendo a processo por fato análogo. 6. O juiz dar-se-á por suspeito.tiver funcionado seu cônjuge ou parente.se ele. sob pena de preclusão. Nos juízos coletivos. II . sobre a questão. órgão do Ministério Público. consangüíneo ou afim. A suspeição tem a ver com situações mais subjetivas.se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles. e. de fato ou de direito.se ele. Em julgado de 2011 (Info. IV .tiver funcionado como juiz de outra instância. tutor ou curador. se não o fizer. 626). seu cônjuge. O impedimento trata-se dos casos em que há proibição do exercício de jurisdição. Na origem do termo. Art. ou parente. seu cônjuge. Art. IV . de qualquer das partes. poderá ser recusado por qualquer das partes: I . consangüíneo. Todavia. sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia. 253. não poderão servir no mesmo processo os juízes que forem entre si parentes.se for credor ou devedor. auxiliar da justiça ou perito. Art. ou afim. aludem algumas situações que são mais difíceis de comprovação pela parte. em linha reta ou colateral até o terceiro grau. até o terceiro grau. inclusive. O termo incompatibilidade deve ser reservado as relações de parentesco do juiz com os demais juízes nos órgãos colegiados.ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha. consangüíneos ou afins. pronunciando-se. 252.4 INCOMPATIBILIDADE. consangüíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau. sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes. inclusive. III . 308 .Obs.se tiver aconselhado qualquer das partes. o STF disse que o recebimento da denúncia por juiz absolutamente incompetente NÃO interrompe a prescrição.se for sócio.ele próprio ou seu cônjuge ou parente. IMPEDIMENTO. admitindo- se. Vl . inclusive. for parte ou diretamente interessado no feito. autoridade policial. II . As hipóteses de suspeição devem ser alegadas no primeiro momento que se seguir ao seu conhecimento pela parte interessada. ascendente ou descendente. SUSPENSÃO. acionista ou administrador de sociedade interessada no processo. que a parte aceitou tal condição.

que havendo representação tempestiva. Já se a omissão é na ação privada subsidiária.5 INEXISTÊNCIA OU DEFEITO DE PEÇA ACUSATÓRIA OU DE REPRESENTAÇÃO Os vícios da inicial serão arguidos até a prolação da sentença. iniciando-se tudo novamente. e este deve ser extinto sem julgamento de mérito. em regra a nulidade será absoluta. NÃO admitindo que a vítima supra a omissão representando no transcurso do processo. intimado. mas lhe falta uma formalidade que. O membro do MP. Nada impede. pode ser corrigida antes de decorrido o prazo decadencial. (3) se houver anuência do parquet e da defesa. pela desnecessidade de seu comparecimento em determinado ato processual. 6.6 AUSÊNCIA DE INTERVENÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO Havendo ausência de intervenção do MP nas ações públicas. quando esta tiver interesse. não obstante essencial. Diversa é a hipótese de vício/defeito/omissão na representação. Aqui a representação existe. os vícios existentes passam a ser deste ato decisório. a simples ausência do Parquet não equivale e nem se confunde com a dispensa de comunicação processual. eis que se embasou em denúncia ou queixa-crime inepta. É o caso da representação (que é regrada pela informalidade) ser apresentada por vítima menor de 18 anos sem a anuência de seu representante legal. Proferida decisão. ou. Nulidade absoluta poderá haver se tiver efetivamente ocorrido impedimento de participação do MP (não intimação do MP). por ausência de condição específica da ação. 309 . deve ser oportunizado seu interrogatório. pode entender. 6. 6. As hipóteses de impedimento e as de suborno subsistem durante todo o trâmite processual. recaindo sobre aquele eventual reconhecimento de nulidade processual penal. sob pena de nulidade absoluta. Suborno é corrupção pelo recebimento ou promessa de recebimento de vantagem pecuniária ou não pecuniária por parte do juiz. normalmente essa nulidade será considerada sanada: (1) se não for argüida no tempo oportuno. justificadamente.7 AUSÊNCIA OU DEFEITO DE CITAÇÃO E DO INTERROGATÓRIO DO RÉU O acusado deve ser interrogado (sob pena de nulidade absoluta). IMPORTANTE!!! Contudo. (2) se o ato processual tiver atingido sua finalidade. Daí que se o réu for localizado antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. especialmente quando se segue a tendência de considerar tal ato processual autêntico meio de defesa. que haja nova denúncia. IMPORTANTE!!! A ausência de representação leva à nulidade insanável. pois não desaparecem com o decurso do tempo.

 Menção a agravantes ou atenuantes (só pode ter qualificadora e aumento de pena). No que toca ao comparecimento do MP.  Aplicação de regras de individualização da pena. a ausência deve ser considerada como expressão do direito de defesa. se for o caso. IMPORTANTÍSSIMO!!! Por seu turno. tal como as de concurso de crimes.8 SENTENÇA DE PRONÚNCIA DEFEITUOSA A sentença de pronúncia NÃO pode conter:  Argumentação que favoreça uma das partes. O vício da pronúncia compromete a isenção do julgamento pelos jurados. na forma simples ou qualificada e. agravantes e causa de diminuição de pena). se devidamente convocado. o desatendimento de suas normas essenciais determina o reconhecimento de nulidade absoluta.  Ordem para inserção do nome do réu no rol dos culpados. Só não será caso de nulidade se a sentença final tiver sido favorável ao acusado. sob pena de nulidade absoluta. embora declare que o faz para o único fim de argui-la. A sentença de pronúncia se limita a admitir a acusação. pronunciando o réu pelo crime contra a vida. Art. para não influenciar o ânimo dos jurados. de situação de privilégio ou de continuação delitiva. IMPORTANTE!!! O comparecimento do advogado ou a designação previa de defensor para assistir o réu é indispensável. não suprida por estagiário autorizado. tratando-se de nulidade relativa a sua ausência ao interrogatório do acusado. a ausência ou o defeito de citação pode importar em nulidade relativa (se o réu comparece oportunamente ainda que tão-somente para suscitá-la) ou em nulidade absoluta (se houver prolação de sentença condenatória com esse vício). 6. voluntariamente não comparecer. Todavia. a jurisprudência segue a tendência de considerar suficiente sua intimação. desde que o interessado compareça antes de o ato consumar-se. Pela importância da pronúncia. levando.9 NÃO INTIMAÇÃO DO RÉU DA DATA DE JULGAMENTO 310 .  Juízo de mérito. a falta ou a nulidade de citação. não ocasionando nulidade. os demais crimes conexos a júri. da intimação ou notificação estará sanada. 6. devendo o juiz declarar o dispositivo legal em que julgar incurso o acusado e especificar as CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICADORAS E AS CAUSAS DE AUMENTO DE PENA (não pode especificar atenuantes. Como se infere. 413 § 1o A fundamentação da pronúncia limitar-se-á à indicação da materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação. indicando condenação ou absolvição do acusado.

a presença de pelo menos 15 para abertura da sessão plenária é indispensável. É imprescindível que tenha sido o réu intimado da data do seu julgamento para que este se dê de forma válida ou. se o acusado estiver preso e não tiver solicitado dispensa de comparecimento ao plenário em petição subscrita por ele e por seu defensor. seguindo-se ao sorteio dos sete jurados que comporão o conselho de sentença. no entanto. seja pela incidência do principio “pás de nullité sans grief” Impende. Não havendo prejuízo. ainda que tal ato processual tenha que ser viabilizado por edital. tomou por empréstimo de outro plenário quatro jurados. No caso. Obs. seja pela citada regra do art. Contudo. que sejam emprestados jurados de improviso de uma vara à outra. por suplentes do mesmo tribunal do júri. Se isso acontecer. A falta do acusado solto não é mais óbice à realização válida do julgamento. a posição jurisprudencial dominante é no sentido inverso. nenhum deles veio a integrar o conselho de sentença. A nulidade por ausência do acusado intimado para a sessão de julgamento pelo tribunal do júri após a reforma decorrerá. 311 .11 CONCESSÃO DE PRAZOS PROCESSUAIS É defeito processual sanável. nulidade absoluta. visando complementar o quórum legal. Entende-se.” 6. a nulidade também será absoluta. não deve ser decretada a nulidade. todavia. o Presidente do júri. o que faz essa nulidade se assemelhar à nulidade relativa. A atipicidade processual relativa a concessão de prazos processuais não implicará obrigatoriamente decreto de nulidade.10 PRESENÇA DE PELO MENOS QUINZE JURADOS PARA O JÚRI Dos 25 jurados sorteados. para integrar o número mínimo legal. uma distinção. O comparecimento do réu não intimado para o julgamento supre eventual vício do ato processual. que seja o acusado intimado da sentença para que esta produza efeito. Caso o julgamento de dê em violação a tais normas. Não se deve admitir. consoante o caso. em tese. que se o resultado da decisão dos jurados for de absolvição. principalmente nas capitais onde haja mais de uma vara do júri com julgamentos simultâneos. haja vista que o caso concreto pode indicar a desnecessidade dessa providência. a falta de concessão implica. em regra. Todavia. o vício pode ser convalidado. mercê da inexistência de prejuízo para a parte a quem aproveitaria. a nulidade é absoluta. 572 do CPP. Quando o ato a ser praticado é essencial ao direito de defesa. O STJ decidiu recentemente que: “Não enseja nulidade à complementação do número regulamentar mínimo de 15 jurados. 6. O sorteio realizado quando não estiverem no plenário ao menos 15 dos 25 jurados é vício que causa nulidade absoluta.

alegando-o oportunamente nos autos (nulidade relativa). a relevante fase procedimental das alegações finais defensivas”. encontramos o entendimento da sua Segunda Turma. por verificar a desnecessidade de sua oitiva. razão pela qual a sua falta importa nulidade absoluta. à altura. 6. em face do princípio da ampla defesa”. assinalando que a falta de apresentação de razões recursais não implica nulidade se o tribunal apreciou adequadamente o recurso. por exemplo. a jurisprudência majoritária é firme no sentido de autorizar o julgamento da ação penal uma vez esgotado o prazo para cumprimento da carta precatória. Embora haja divergência. De ver que na hipótese de trânsito em julgado de sentença absolutória. a instrução não se suspende enquanto se aguarda a devolução da precatória. o interessado deve comprovar o prejuízo. a impossibilidade de revisão criminal em favor da sociedade é óbice à nulificação do feito. diante da possibilidade de violação ao contraditório e à ampla defesa. o STJ reiterou que “a ausência de juntada aos 312 . importante é destacar que no STF existem decisões relativizando algumas das nulidades aqui debatidas. haverá possibilidade de invalidação processual se não for determinada a sua condução coercitiva e se as partes não anuírem com a sua dispensa. De todo modo. sobretudo em relação à defesa.12 FALTA DE INTIMAÇÃO DE TESTEMUNHAS Impõe a renovação do ato processual. o caso de faltar à defesa concessão de prazo para apresentar alegações finais. Outrossim. Se não for oportunizada às partes a produção de prova testemunhal. insanável. tal como pode ocorrer com o juiz que veda a intimação das testemunhas arroladas na denúncia/queixa e/ou na defesa preliminar do acusado. É. É nesse sentido que se deve entender a afirmação de Pacelli consistente em que “a falta de intimação ou ainda a supressão de prazos para as partes serão também causa de nulidade absoluta do processo. Assim. haverá nulidade absoluta. Com essa posição. Em tal hipótese para o reconhecimento do vício. De outro prisma. na senda de que os defeitos no tocante à concessão de prazos processuais são relativos. IMPORTANTE!!! A carta precatória deve ser expedida com prazo razoável para seu cumprimento. que avivou recentemente que “a simples apresentação de contra-razões ao recurso de apelação acusatório não tem a força de substituir. A posição dos autores é no sentido de que as formalidades atinentes a concessão de prazos para o exercício do contraditório e da ampla defesa são essenciais. No entanto. Questão específica é a referente ao retorno de carta precatória emitida com a finalidade de se tomar o depoimento de testemunha. na esteira da jurisprudência do STF. se a testemunha regularmente intimada faltar à audiência. é possível que o juiz entenda por indeferir o pedido de condução coercitiva do depoente faltoso.

Sendo imprescindível o caráter de seu depoimento. a parte interessada deve se acautelar para que ela compareça à sessão. Obs. aplicáveis à instrução perante o juiz singular. não havendo a concordância da parte contrária e mesmo assim o juiz acolher o pedido de desistência. que também devem ser consultados. a nulidade da hipótese em tela é de natureza absoluta. 6. Se for o caso de crime não transeunte (que deixa vestígios) e. Entretanto. sem a necessidade de intima-la da designação de audiência no juízo deprecado. ressalvada justificativa plausível da impossibilidade de sua realização. todavia. na fase de diligência. Para viabilizar sua oitiva. mesmo tendo deixado vestígios. sendo impossível. desde que a parte interessada na oitiva respectiva tenha requerido o depoimento em caráter de imprescindibilidade. Logo.autos de carta precatória expedida para inquirição de testemunha não tem o condão de obstar o encerramento da ação penal”. radical. quando deverá ser suprido por prova testemunhal (a confissão não serve para esse fim). Essas são as regras gerais. haverá nulidade. o juiz deve suspender os trabalhos e determinar a condução coercitiva da testemunha ou. É possível também a inquirição prévia mediante a emissão de carta precatória. De todo modo. é possível que a parte que arrolou a testemunha pleiteie a desistência de sua oitiva.É relativa a nulidade do processo criminal por falta de intimação da expedição de precatória para inquirição de testemunha. 313 .13 FALTA DE EXAME DE CORPO DE DELITO NOS CRIMES QUE DEIXAM VESTÍGIOS O exame de corpo de delito é indispensável nos crimes que deixam vestígios. é passível de decretação de nulidade absoluta a realização da sessão de julgamento sem que tenha ocorrido a intimação das testemunhas arroladas pelas partes. o júri não é suspenso em razão da sua ausência ao plenário. Súmula 155 STF. ainda que requerida sua intimação com caráter de imprescindibilidade. ordenará o adiamento da sessão de julgamento para o primeiro dia desimpedido determinado as providências para conduzi-la. requerida. IMPORTANTE!!! No caso de testemunha que reside em outra jurisdição. para que seja juntada aos autos antes do julgamento pelo júri. Em regra. IMPORTANTE!!! Com efeito. Súmula nº 155 STF . a parte só deve ser intimada da emissão da carta precatória para a oitiva da testemunha pelo juízo deprecante (cuja a falta gera nulidade relativa). o magistrado somente deve deferir o requerimento caso haja concordância da parte contrária e dos jurados. Quando da segunda fase do rito escalonado do tribunal do júri.

15 DEFEITO OU CONTRADIÇÃO NA QUESITAÇÃO E NAS RESPECTIVAS RESPOSTAS NO JÚRI Cabe ao juiz zelar para que não haja contradição não só nas perguntas.14 IRREGULARIDADE NO SORTEIO E INCOMUNICABILIDADE DOS JURADOS Não obstante se cuide de nulidade absoluta. Obs. por exemplo. Quando se cuidar. de imediato. Outrossim. Se estas se opuserem. A pergunta do jurado dirigida diretamente ao promotor de justiça ou ao defensor não implica nulidade se. poderá indicar que a nulidade não deve ser decretada. a nulidade é de ser reconhecida. Com efeito. a nulidade é absoluta. não sendo o caso de vício que enseje falta de quesito ou cause perplexidade nos jurados. mas cujo voto não se fez decisivo. 6. mas prova indireta. a nulidade será relativa. tal como se dá com o resultado amplamente majoritário em determinado sentido. da não participação de dois peritos ad hoc portadores de diploma de curso superior (nomeados na falta de perito oficial). em cotejo com o conjunto probatório. da súmula do STF. cuja aferição seja objetiva. é possível que o contexto indique a não incidência da nulidade. Se o Parquet for impedido. A falta de acusação nem sempre é motivo para anulação. De todo modo. o juiz presidente interfere. ou mesmo quando o fato indicador de quebra da incomunicabilidade não se mostrar relevante para a invalidação do julgamento. de exercer sua sustentação oral.16 IRREGULARIDADES SURGIDAS NOS DEBATES PERANTE O TRIBUNAL POPULAR A falta de defesa é motivo para reconhecimento de nulidade absoluta do julgamento. não se prescinde de decisão judicial suficientemente motivada. a exemplo do menor de idade (com menos de 18 anos). 6. tal defeito procedimental pode ser causa de nulidade. de natureza relativa. Da mesma forma. a dispensar irregularidade no tocante a participação de jurado sorteado sem atender os requisitos legais. mas também nas respostas. a ausência de quesito obrigatório é causa de nulidade absoluta nos termos do enunciado nº 156.não tenha sido realizado exame de corpo de delito na época própria. orientando que as duvidas seja sanadas por seu intermédio. a leitura do dispositivo não pode autorizar que o juiz 314 . A deficiência de defesa – o que. de algum modo. deveria implicar nulidade absoluta – abre oportunidade para nulificação se demonstrado o prejuízo e alegação em momento oportuno. obrigando-se à realização de novo júri. No entanto. dependendo de protesto oportuno durante a sessão e de comprovação de prejuízo. a falta de compromisso do perito não oficial constitui mera nulidade relativa. que não poderia participar do júri. o resultado do julgamento. para os autores. 6.

quando discordar da sustentação oral do membro do MP. não paira mais dúvida acerca do princípio da independência funcional que norteia a atividade ministerial. e  Ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatório por falta de requerimento. poderão ensejar nulidade. que a parte prejudicada proteste oportunamente e solicite a consignação na ata do júri da ocorrência do vício. as referências durante os debates:  Á decisão de pronúncia. e mesmo assim o julgador tenha se reportado a ela para fundamentar a sentença. é nulidade relativa. por sua vez. haverá nulidade absoluta. ou (2) extrínsecos: que decorrem de vício no curso do processo que acabou sendo chancelado pela sentença. por ser a fundamentação “a vida da sentença como ato processual”. porém porque a sentença não extirpou uma nulidade em matéria probatória (vício extrínseco. em seu prejuízo. para nulificação do julgamento em segunda instância. tal como ocorre com a sentença com motivação deficiente (vício intrínseco). 478. A omissão ou dúvida quanto ao nome do réu.17 VÍCIOS NA SENTENÇA Os defeitos na sentença penal podem ter origem nela própria ou no trâmite do processo. quando inviabiliza irremediavelmente a sua identificação em um processo com vários acusados. a ser reconhecida pelo juiz. podem ser: (1) vícios intrínsecos: quando as sentenças são defeituosas em si mesmas. às decisões posteriores que julgaram admissível a acusação ou à determinação do uso de algemas como argumento de autoridade que beneficiem ou prejudiquem o acusado. sem valoração suficiente da prova produzida. pois. implica nulidade absoluta. CPP. é causa de nulidade. A motivação deficiente. com o advento da Constituição do Brasil. A deficiência do relatório (em juízo diverso dos juizados especiais). haverá nulidade absoluta da sentença não porque a motivação foi deficiente ou inexistente. nos juizados especiais. 6. eis que são defeitos que reclamam decreto de nulidade de cunho relativo. IMPORTANTE!!! A ausência de relatório. A ausência de motivação da sentença é entendida pela maioria da doutrina como caso de inexistência de sentença.presidente declare indefesa a sociedade. A falta de relatório. Caso a prova seja inválida. Importa frisar que nessas hipóteses é indispensável. ou seja. 315 . Se o defeito macular essencialmente esse ato processual. nos demais ritos importa nulidade absoluta. não é sequer irregularidade. em face de vício na instrução). Segundo o art.

especialmente quando se tem em vista a individualização da pena. A omissão de artigos que devem ser referidos no dispositivo só implica nulidade (relativa. mas apresentar parte dispositiva condenatória com dosimetria da pena inadequada. A falta de data é simples irregularidade. nova sentença será prolatada. mas os efeitos da primeira (que seriam afastados se a nulidade não tivesse sido provocada pelo acusado). A nulidade será total quando. por exemplo. por exemplo. a motivação da sentença é deficiente. e sanável via embargos de declaração) se ensejar dúvida a respeito da decisão/sentença. razão pela qual não haverá nulidade se o juiz condenar o acusado com simples retificação da tipificação dada pelo MP. o acusado formule sua defesa e seja realizada instrução probatória sobre os novos fatos. 28 deste Código. aplica-se o art. reduzindo-se a termo o aditamento. entende-se que o réu se defende dos fatos e não da capitulação legal. Encerrada a instrução probatória. não devem ser afastados. o ato seria juridicamente inexistente. 384. depois do aditamento. Obs. precisa de atenção. especialmente da sentença penal condenatória. IMPORTANTE!!! Nos casos de emendatio libelli. Outro aspecto. Art. Se não houver dúvida quanto à autenticidade da sentença. não será reconhecida nulidade. especialmente concernentes à interrupção da prescrição na data do decisório anterior. o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. em quatro laudas”. A sentença criminal condenatória pode ser nulificada integral ou parcialmente. ou. é necessária a aplicação da regra do art. tal como se dá quando anteceder a sentença despacho do juiz afirmando que “segue sentença. No que se refere à incidência do princípio da correlação (ou da congruência). 384 do CPP. a sentença será absolutamente nula toda vez que impor condenação por fato não narrado na denúncia (ou em aditamento) ou na queixa. via de regra. 316 . quando feito oralmente. sendo suprida pela certidão de juntada ou de publicação da sentença. se entender cabível nova definição jurídica do fato. § 1o Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento. Quanto a mutatio libelli. na qual há modificação substancial fática concernente ao elemento do tipo ou a circunstancia. no prazo de 5 (cinco) dias. como garantia constitucional. IMPORTANTE!!! Quando o acusado tenha dado causa a nulidade insanável. Já a falta de assinatura do juiz pode ensejar nulidade absoluta. oportunizando-se que. mas declarado sanado o vício. Haverá nulidade parcial no caso da sentença conter relatório e fundamentação consistente. para parte da doutrina. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública.

 Da absolvição ou do arquivamento dos autos do inquérito policial nos crimes contra a saúde pública e contra a economia popular. com inquirição de testemunhas. 383 ao caput deste artigo.  Do indeferimento liminar pelo relator. 6. realização de debates e julgamento. o processo prosseguirá. pois estas são movidas pelo princípio da disponibilidade e oportunidade. Lembrar!!! A mutatio libelli não tem aplicação nas ações de iniciativa privada exclusiva e personalíssima.19 FALTA OU IRREGULARIDADE NA INTIMAÇÃO DE ATOS PROCESSUAIS 317 . no tribunal. aos crimes de ação pública. da ação de revisão criminal. cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas. pelo juiz sumariante (em que pese a doutrina majoritária entendê-la revogada – Nucci e Rogério Sanches). Lúcio Santoro de Constantino sublinha que o que se tem não é propriamente nulidade. na sentença. no prazo de 5 (cinco) dias. quando o pedido não estiver suficientemente instruído.  Da sentença que conceder habeas corpus (juiz de primeiro grau de jurisdição). novo interrogatório do acusado. § 3o Aplicam-se as disposições dos §§ 1o e 2o do art. § 5o Não recebido o aditamento.  Da decisão que conceder a reabilitação. As hipóteses de reexame necessário em matéria penal são:  Da sentença de absolvição sumária no rito do júri. ficando o juiz. o juiz. as providências subsequentes a decisão não transitada em julgado serão passiveis de nulidade absoluta. duplo grau de jurisdição obrigatório ou remessa necessária é providência necessária para que a decisão ou sentença seja chancelada pela preclusão ou pelo trânsito em julgado. portanto. a requerimento de qualquer das partes. Resta. 6.  Da sentença concessiva de mandado de segurança que veicule matéria criminal. adstrito aos termos do aditamento. § 2o Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o aditamento. Em tal situação. mas falta de condição de eficácia da decisão que não está revestida pelo manto da coisa julgada. e para as ações privadas subsidiárias.18 DESCUMPRIMENTO DE DISPOSIÇÃO QUE PRECONIZA REEXAME NECESSÁRIO O reexame necessário. IMPORTANTE!!! Não transita em julgado a sentença que a lei submete ao reexame necessário e que tal comando não é obedecido pelo juiz. Daí que haverá nulidade absoluta da sentença toda vez que não forem observadas as determinações do enunciado que disciplina a mutatio libelli. § 4o Havendo aditamento. designará dia e hora para continuação da audiência.

por exemplo. razão pela qual deve ser declarado nulo o julgamento realizado sem que seja dada aquela oportunidade (nulidade absoluta). 6. é presumido. “não há nulidade a ser sanada quando o defensor constituído pelo réu. o art. nem desentranhamento da peça processual dos autos. IMPORTANTE!!! No entanto. de forma inapropriada. CPP. em caso de decisão desfavorável ao acusado. a regra é a de que seja garantido o direito de defesa da parte. tiver o ato típico atingido sua finalidade e se a parte tiver aceitado os seus efeitos. não o faz no prazo legal”. possibilitando que a nulidade em tela seja sanada quando não levantadas em momento hábil. 318 . Essa é a regra. que a apresentação de contra-razões intempestivas não acarreta nulidade absoluta. Daí que a nulidade por falta de intimação do defensor sobre a data do julgamento de apelação criminal é absoluta. na esteira das garantias processuais constitucionais. por duas vezes. mediante entrega dos autos com vista. e o prejuízo. A previsão de sanção de nulidade para esse defeito processual decorre do princípio da comunicação dos atos processuais. A ausência ou defeito na intimação da sentença é óbice à preclusão temporal ou ao trânsito em julgado para a parte não intimada. caracterizando mera irregularidade. De outro lado. IMPORTANTE!!! Caso seja necessário a intimação do defensor público. por se referir a elemento ESSENCIAL do ato processual. seria absoluta. redundando em caso de declaração judicial de nulidade absoluta. desaguando em nulidade absoluta ou relativa. em todo processo e grau de jurisdição com a contagem em dobro de todos os prazos. Sob outra vertente. QUANDO NECESSÁRIO. 572. 6. a sua intimação deve ser pessoal e. em compasso com o caso concreto. É diante desse contexto. a falta de intimação do acusado para constituir novo defensor antes de ser julgada sua apelação importa prejuízo à defesa. sem haver que exigir que ele prove essa situação.21 OMISSÃO DE FORMALIDADE ESSENCIAL DE ATO PROCESSUAL A nulidade. A intimação é o pressuposto necessário para o decurso válido do prazo para as partes. vista essa previsão legal isoladamente. na esteira do STJ.20 DESCUMPRIMENTO DO QUORUM LEGAL DE JULGAMENTO DOS TRIBUNAIS O desatendimento do quórum legal compromete a legitimidade do julgamento. regularmente intimado para apresentação de contra- razões à apelação interposta pelo MP. não se reportando aos elementos acidentais que requerem a comprovação de prejuízo e a alegação em tempo oportuno. expressamente relativizou esse vício processual. Como se infere.

pelo júri. a falta da defesa constitui nulidade absoluta. 706. 351. É NULA a citação por edital de réu preso na mesma unidade da federação em que o juiz exerce a sua jurisdição. É nulo o julgamento de recurso criminal. sem prévia intimação. Não é nula a citação por edital que indica o dispositivo da lei penal. mas a sua deficiência só o anulará se houver prova do prejuízo para o réu. por ausência de concessão de prazo para prática de ato essencial e impostergável à defesa ampla. 431. salvo em habeas corpus. No ponto. embora não transcreva a denúncia ou queixa. É relativa a nulidade do processo criminal por falta de intimação da expedição de precatória para inquirição de testemunha. É absoluta a nulidade do julgamento.  Não apresentação de contra-razões de parte regularmente intimada com advogado constituído – nulidade relativa. SÚMULAS APLICÁVEIS  STF 155.  Não apresentação de contra-razões por defensor dativo ou defensor público – nulidade absoluta. 572 e das noções de prejuízo e de interesse na alegação. 707. ou não resuma os fatos em que se baseia. foi tratado o vício como caso de nulidade relativa. não a suprindo a nomeação de defensor dativo. Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contra- razões ao recurso interposto da rejeição da denúncia. ou publicação da pauta. 366. 156. 206. No processo penal. 319 . na segunda instância. embora se cuide de formalidade essencial. Cabe distinguir então os casos distintos:  Contra-razões intempestivas – irregularidade. É RELATIVA a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por prevenção. a teor do art. 523. por falta de quesito obrigatório. É nulo o julgamento ulterior pelo júri com a participação de jurado que funcionou em julgamento anterior do mesmo processo.  Falta de intimação para apresentação de contra-razões – nulidade absoluta.

708. É nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos da renúncia do
único defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir outro.

709. Salvo quando nula a decisão de primeiro grau, o acórdão que provê o recurso
contra a rejeição da denúncia vale, desde logo, pelo recebimento dela.

712. É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da competência do
júri sem audiência da defesa.

320

AÇÕES AUTÔNOMAS DE IMPUGNAÇÃO

As ações autônomas de impugnação podem ter o objetivo de rever decisão
criminal condenatória transitada em julgado ou de servir de sucedâneo recursal nas
hipóteses em que não houver recurso específico para o reexame de decisão judicial que
cause gravame a uma das partes do processo penal.

1- HABEAS CORPUS
É uma ação constitucional de NATUREZA PENAL destinada especificamente
à proteção da liberdade de locomoção quando ameaçada ou violada por ilegalidade ou
abuso de poder. Sua origem no Brasil está no código de processo criminal de 1832,
vindo a ter assento constitucional com a CF/1891.

A CF/88 prevê o HC como garantia fundamental.
Art. 5º LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém
sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua
liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

Qualquer pessoa, física ou jurídica, pode ajuizá-lo sem que precise seguir uma
forma definida nem recolher custas processuais.

O HC pode ser impetrado em caráter preventivo ou repressivo.
Preventivamente será ajuizado quando o cerceio de liberdade estiver em vias de se
concretizar. Repressivamente, quando a violação da liberdade de locomoção já tiver se
concretizado.

Condiz com o HC os princípios da celeridade, gratuidade e informalidade. Não é
necessário que o impetrante seja advogado. Qualquer pessoa, física ou jurídica, pode
ajuizá-lo sem que precise seguir uma forma definida de recolher custas processuais.

O HC é uma ação penal não condenatória. Além de sua natureza de demanda
para proteger especificamente a liberdade de locomoção, a praxe forense tem admitido
o seu uso como sucedâneo recursal, ou seja, como uma forma de impugnar decisões
que causam gravame à parte durante o trâmite de um outro processo, condenatório, cuja
pena do delito prevista em abstrato seja privativa de liberdade.

Obs. Súmula 693 STF.
Súmula 693 STF Não cabe "habeas corpus" contra decisão
condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso por
infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.

Como sucedâneo recursal, a decisão em HC produzirá efeito em outro processo.
A regra é a de que ele tenha esse condão quando o processo penal condenatório não
tenha se encerrado. Caso haja sentença condenatória, com trânsito em julgado, a via
adequada é a revisão criminal. No entanto, em hipótese de error in judicando ou in
procedendo comprovado de plano por prova pré constituída, o HC é admissível, por ser
dotado de rito mais célere que a revisão criminal.

321

O resultado da ação de HC é o de uma ordem judicial. Naturalmente, expede-se
um alvará de soltura ou um salvo-conduto. Em tais casos, o remédio heróico e sua
sentença têm natureza preponderantemente mandamental. Sem embargo, o HC pode se
destinar a trancar uma ação penal em relação a algum acusado ou mesmo a trancar o
inquérito policial quando a apuração, por si só, representar ameaça à liberdade de
locomoção. Aqui, a natureza constitutiva se agrega à mandamental, preponderando
aquela, porque visa, especialmente, desconstituir o inquérito policial ou a ação penal.
Também como sucedâneo recursal o writ assume caráter prevalentemente constitutivo.

1.1 CABIMENTO

1.1.1 Violação da liberdade de ir e vir

Em poucas palavras, a causa de pedir do habeas corpus é a violação à
liberdade de ir e vir do indivíduo tutelada pelo ordenamento jurídico.

O cabimento do HC está atrelado à necessidade de prova pré-constituída, cuja
apresentação é ônus do impetrante.

Obs. A liberdade de locomoção é assegurada até mesmo em perspectiva, ou seja, a
impetração do HC é admitida quando o IP ou o processo penal vise a apuração de delito
que tenha cominação em abstrato, dentre suas penas previstas, de privação de liberdade.

Dispõe o art. 648 do CPP:
Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal:
I - quando não houver justa causa;
II - quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a
lei;
III - quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-
lo;
IV - quando houver cessado o motivo que autorizou a coação;
V - quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em
que a lei a autoriza;
VI - quando o processo for manifestamente nulo;
VII - quando extinta a punibilidade.

Obs. Súmula 695 e 694 STF.
Súmula 694 STF - Não cabe "habeas corpus" contra a imposição da
pena de exclusão de militar ou de perda de patente ou de função
pública.

Súmula 695 STF - Não cabe "habeas corpus" quando já extinta a
pena privativa de liberdade.

IMPORTANTE!!! O cabimento do HC esta atrelado a necessidade de prova pré-
constituída.

1.1.2 Habeas corpus preventivo, repressivo e suspensivo

O HC repressivo é o conhecido como liberatório, visando à soltura de quem se
encontra preso de forma ilegal.

322

O preventivo dá azo à emissão de salvo-conduto.

Obs. O HC preventivo poderá se transformar em HC liberatório se no curso da demanda
se efetivar a ameaça de locomoção. Isso ocorre em decorrência do principio da
fungibilidade.

Por fim, ainda se fala em HC suspensivo que ocorre quando já existe
constrangimento ilegal, mas o sujeito ainda não foi preso. Nesse caso, emite-se
contramandado de prisão, haja vista que se cuida de uma ameaça efetiva à liberdade,
mas o sujeito não está preso.

1.1.3 Crime com pena privativa de liberdade

Quando o processo se referir a delito que imponha pena restritiva de direitos,
tal como ocorre com os crimes imputados a pessoa jurídica, ou naqueles que tenham só
a pena de multa como possível, não cabe a demanda de HC. O mandado de
segurança será a via adequada.

Não cabe, assim, HC para trancar procedimento administrativo que não veicula
conteúdo tendente a cercear a liberdade de ir e vir.

IMPORTANTE!!! Tem decidido o STJ que cabe HC em sede de execução penal toda
vez que se queira como resultado prático o combate a limitação indevida da liberdade
do apenado. Apesar de a execução penal ter recurso próprio (agravo na execução).

1.1.4 Transgressão disciplinar

Se a punição disciplinar é aplicada dentro dos limites legais e
regulamentares, a propositura do HC é vedada.

No entanto, no caso de punições disciplinares que extrapolem os parâmetros do
permitido a autoridade competente, com cerceio indevido a liberdade de locomoção,
cabível é o HC.

Obs. O HC impetrado em favor de militar dos estados tem seu processamento e
julgamento afeto a justiça militar estadual.

Resumindo!!! Quando a punição disciplinar militar não envolve a liberdade de ir e vir
não comportaria jamais o HC, devendo ser esgotada a instância administrativa e, caso o
militar punido não esteja satisfeito com a finalização dos seus recursos, deve socorrer-se
do Poder Judiciário na órbita comum. De outro lado, quando a sanção importa em
prisão disciplinar contra militar, conquanto se cuide de uma das modalidades de
exclusão da esfera do HC, deve ser ele admitido em situações excepcionais, tais como
nos casos de incompetência da autoridade, falta de previsão legal para a punição,
inobservância das formalidades legais ou excesso de prazo de duração da medida
restritiva da liberdade.

1.2 PROCESSAMENTO E JULGAMENTO

1.2.1 Competência

323

A competência para o julgamento da ação de HC é definida em conformidade
com a qualidade da pessoa que seja responsável pelo ato coator ou com a qualidade
da pessoa que esteja sofrendo a lesão ou ameaça de lesão a sua liberdade de
locomoção.

Súmula 690 STF Compete originariamente ao STF o julgamento de
HC contra decisão de turma recursal de juizados especiais criminais.

IMPORTANTE!! A partir do julgamento do HC 86.834/SP, o STF passou a estatuir a
competência do TRIBUNAL DE JUSTIÇA do Estado ou do DF ou do TRF
respectivo, para processar e julgar o HC impetrado contra ato emanado de turma
recursal de juizados especiais criminais. Por sua vez, se o coator é o juiz singular dos
juizados especiais, o HC será apreciado pela própria turma recursal.

 Competência do STF:
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a
guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
d) o "habeas-corpus", sendo paciente qualquer das pessoas
referidas nas alíneas anteriores; o mandado de segurança e o
"habeas-data" contra atos do Presidente da República, das Mesas
da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de
Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio
Supremo Tribunal Federal;

II - julgar, em recurso ordinário:
a) o "habeas-corpus", o mandado de segurança, o "habeas-data" e o
mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais
Superiores, se denegatória a decisão;

 Competência do STJ:
Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
I - processar e julgar, originariamente:
c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das
pessoas mencionadas na alínea "a", ou quando o coator for tribunal
sujeito à sua jurisdição, Ministro de Estado ou Comandante da
Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da
Justiça Eleitoral;

II - julgar, em recurso ordinário:
a) os "habeas-corpus" decididos em única ou última instância pelos
Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do
Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória;

No âmbito da Justiça Federal, os TRFs tem competência para processar e julgar,
originariamente, os HCs quando a autoridade coatora for juiz federal, bem como o
recurso de decisão de HC julgada por juiz federal. É de competência do juiz federal
processar e julgar os HCs em matéria criminal de sua competência ou quando o
constrangimento provier de autoridade cujos atos não esteja diretamente ligados a outra
jurisdição.

IMPORTANTE!!! A justiça militar, eleitoral e dos estados, tem competência para
processar e julgar o HC.

324

Obs. A justiça estadual tem competência residual em matéria criminal.

IMPORTANTE!!! Sendo a autoridade coatora promotor de justiça, a competência é
originaria do TJ, bem como que, sendo o coator procurador da república, a
competência para processar e julgar o HC é do TRF.

1.2.2 Legitimidade ativa e passiva

O impetrante ou autor é a pessoa que intenta a ação processual. O paciente é a
pessoa em favor de quem o HC é ajuizado. O impetrado, parte passiva ou demandado é
a pessoa – AUTORIDADE OU NÃO – responsável pelo ato apontado como lesivo à
liberdade de locomoção. O impetrante e o paciente podem coincidir na mesma pessoa.

Não é exigível ao impetrante a capacidade postulatória.

Qualquer pessoa física ou jurídica, ciente da violação à liberdade de locomoção
de alguém, pode mover essa ação. Inclusive o MP.

Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer
pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério
Público.

IMPORTANTE!!! A pessoa jurídica NÃO pode ser paciente, porquanto, não esta
sujeita a pena privativa de liberdade (mas pode figurar no polo ativo do HC como
impetrante).

Lembrar!!! Para figurar no polo passivo do HC, não é necessário que seja autoridade.
Ex. Casa de internação que feri a liberdade de ir e vir do paciente.

IMPORTANTE!!! Outrossim, O HC PODE TER LUGAR EX OFFICIO, isto é, o
juiz ou o tribunal pode concedê-lo sem que haja necessidade de propositura prévia.

A legitimidade passiva do HC recai sobre a pessoa responsável pelo ato ilegal e
lesivo a liberdade de ir e vir da pessoa física. Não é necessário que o sujeito passivo
seja autoridade (como no MS).

IMPORTANTE!!! O HC tem essência de ação criminal, mas pode ser dirigido
contra ato de juiz com competência civil, quando a prisão decorre, por exemplo, de
inadimplência de prestação alimentícia. De todo modo, importa notar que toda vez
que o ato ilegal cometido por uma pessoa for ratificado pela autoridade com
competência para apreciar a lesão, esta passará a ser parte legítima passiva, para fins de
ajuizamento de outro HC, substitutivo, perante o órgão judiciário de grau de jurisdição
superior. Ex. Juiz nega HC de ato emanado de delegado de policia. Nesse caso o juiz
passa a ser autoridade coatora, sendo o TJ competente para julgar o HC substitutivo.

1.2.3 Forma de propositura

A forma de propositura do HC é livre. Pode até ser deferido de oficio.

Dispõe o art. 654 § 1o :

325

e a designação das respectivas residências.4 Rito processual O rito do HC é disposto no CPP. com ou sem a oitiva prévia da autoridade coatora. em caso de simples ameaça de coação. De mais a mais. IMPORTANTE!!! Possiblidade de apresentação de parecer do MP em HC. ou de alguém a seu rogo. § 1o A petição de habeas corpus conterá: a) o nome da pessoa que sofre ou está ameaçada de sofrer violência ou coação e o de quem exercer a violência.2. c) a assinatura do impetrante. Pode o juiz lançar mão de prazo para que sejam preenchidas a formalidade legais e regularizados o pedido. coação ou ameaça. 1. a petição deve ser acompanhada de prova pré-constituída.  O rito do HC é sumário e tem prioridade de julgamento em relação a outras contendas. b) a declaração da espécie de constrangimento ou. o remédio heróico tem prioridade de julgamento em relação às outras contendas. Observações pertinentes acerca do rito do HC:  A autoridade judiciária competente poderá conceder liminar em HC. A jurisprudência e a doutrina majoritária posicionam-se pelo NÃO CABIMENTO de qualquer colheita de prova testemunhal ou pericial. as razões em que funda o seu temor.  A petição do HC pode ser rejeitada liminarmente pelo juiz quando não preenchidos seus requisitos. bem como quando houver carência da ação. É preciso distinguir se o writ é de competência de tribunal ou de juiz de primeira instância. IMPORTANTE!!! A ação de HC é de rito abreviado e de cognição sumária. (vide quadro na página seguinte) 326 . As informações da autoridade coatora poderão ser requisitadas ou não. independentemente de ser o órgão jurisdicional competente juiz ou tribunal. O rito da ação de HC deve ser sumário. quando não souber ou não puder escrever. Decerto.

Ele apenas é intimado da decisão tomada em sede de cognição sumária. podendo recorrer (pode até impetrar HC. Se o fato. é preciso. ainda assim. ademais. Isso decorre da própria finalidade do instituto: urgência em face da alegada ameaça ou constrição em prejuízo da liberdade de locomoção. por exemplo. que não haja previsão de recurso específico contra o ato violador ou ameaçador da liberdade de locomoção. autorizar a propositura de HC substitutivo no Tribunal. pena privativa de liberdade. não impedirá que este seja renovado. fato que não encontre tipicidade nas leis penais. do processo ou do termo circunstanciado de ocorrência A ausência de previsão de recurso específico contra certo ato exarado em procedimento criminal pode ensejar a admissão do HC com natureza jurídica de sucedâneo recursal. especialmente considerando a natureza da função dos órgãos do MP que funcionam junto aos colegiados.5 Trancamento do inquérito. Exige-se que o feito a que aludir o ato guerreado seja apto a aplicar. existe posição no sentido de que se deve ouvir o MP sobre o HC. sem qualquer alegação de invalidade nesse proceder. Para que seja cabível o HC. 327 . O trancamento de um processo penal pode ser decorrente da nulidade da peça acusatória. Porém. isso poderia ser usado como argumento para reforçar a alegação de constrangimento ilegal e. desse modo. 1. consoante diplomas normativos. especialmente regimentos internos. com possibilidade de um desfecho cerceador da liberdade de ir e vir. PERANTE O JUIZ DE 1º GRAU: não há previsão legal de abertura de prazo para parecer do Parquet. for delituoso. No entanto.2. O que importa é que a causa petendi seja alusiva à falta de justa causa em virtude da existência do feito ameaçar a liberdade de locomoção em face de apurar. sendo reconhecida sua legitimidade para tanto em favor do acusado). há situações onde o Promotor de Justiça oferece parecer em HC em primeiro grau de jurisdição. mesmo perante o primeiro grau de jurisdição (corrente minoritária). Na praxe forense. mercê de inépcia por narrar fato atípico. a concessão do HC em virtude da nulidade do processo.PERANTE OS TRIBUNAIS: há oportunidade para manifestação do MP. como o fato de possibilitar que o Parquet ofereça parecer importa demora maior na solução do HC. é necessária então a presença do que se entende por constrangimento ilegal. É uma questão de política “legislativa”. ao final. Para que a ação de HC seja viável. desta feita tendo o juiz como autoridade coatora (pois não seguiu o rito preconizado legalmente e agravou o constrangimento do indiciado).

MANDADO DE SEGURANÇA 2. liberdade provisória e relaxamento de prisão O chamado HC de ofício é uma medida para o relaxamento da prisão. independentemente da modalidade. porquanto este tem lugar toda vez que alguém estive preso ilegalmente. Art. 654 § 2o Os juízes e os tribunais têm competência para EXPEDIR DE OFÍCIO ordem de habeas corpus. Caberá recurso ordinário a estes tribunais superiores. Entretanto. contra a efetivação de prisão ilegal ou a manutenção dessa prisão a partir de quando tenha se tornado indevida.7 Recursos em HC IMPORTANTÍSSIMO!!! Da sentença do juiz singular que CONCEDER OU NEGAR a ordem de HC. no caso de decisão denegatória proferida pelos tribunais.2. IMPORTANTE!!! Impende sublinhar. Não se tranca ação penal ou inquérito policial. pressupõe prisão legal. o CPP prevê hipótese de reexame necessário. à margem da legislação. de ofício ou a pedido.Obs. obscuridade ou contradição do julgado. caso ocorra omissão. a linguagem forense consagrou. Outrossim.2. pelo paciente ou pelo MP. 1. quando no curso de processo verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal. É um modo de colocação do infrator em liberdade para que ele responda à persecução penal. O trancamento não encontra menção na legislação. proferida pelos TJs ou pelos TRFs. não se restringindo à hipótese de flagrante delito. 2. A expressão relaxamento quer significar unicamente uma via de controle da legalidade da prisão. será cabível recurso especial ao STJ e/ou recurso extraordinário ao STF. caberá RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. pois estes só cabem em sede de apelação e RSE) poderão ter lugar no processo de HC.1 FUNDAMENTOS 328 . Enquanto o HC de ofício é mais abrangente – recaindo tanto sobre o ato que efetive coação ilegal quanto sobre o ato que ameace a realização desse constrangimento –. o relaxamento da prisão é providência a ser tomada pelo juiz. diferentemente. 1. de mais a mais. porém se arquiva o inquérito ou se extingue o processo com ou sem resolução de mérito. A liberdade provisória. Lembrar!!! Da decisão CONCESSIVA de HC (MS também). contra a decisão concessiva de HC. o termo. a ser interposto pelas partes do processo penal condenatório. que os embargos declaratórios (não os embargos infringentes ou de nulidade.6 HC EX OFFICIO.

LXIX . quando a providência não favorecer o réu ou. II) O impetrante deve evidenciar a existência de direito líquido e certo. MS para assegurar a aplicação da lei processual penal. Obs. não amparado por HC ou habeas data. portanto. quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. Será concedido para proteger direito líquido e certo. não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data". O mandado de segurança. eis que aquela coisa julgada não exauriu todo o âmbito do direito deduzido em juízo. conquanto faça coisa julgada material relativamente à porção conhecida naquela demanda. a denegação do writ. por prova documental pré- constituída. IMPORTANTE!!! Diversamente do HC – que admite sua propositura contra ato de particular – o MS pressupõe ato de autoridade pública ou de pessoa no exercício de função pública. Lembrar!!! O HC também requer prova pré-constituída. não amparado por HC ou por HD. em essência. Pode ser impetrada repressiva ou preventivamente. em abstrato. 329 . Em matéria penal.2 CABIMENTO Ele será ajuizado quando não for caso de propositura de HC (subsidiário). quando o beneficiar. Caso a prova documental não evidencie o direito do impetrante. O MP pode mover. é preciso que estejam presentes seus requisitos específicos: I) O ato impugnado tem que ser de autoridade ou de pessoa no exercício de atribuição do poder público. O autor deve. É ação de cognição sumária. Pode ter efeito meramente declaratório ou constitutivo. A idéia que norteia o mandado de segurança é de que tenha um rito abreviado. quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. O MS é ação subsidiaria em relação ao HC e o HD. o MS servirá como sucedâneo recursal. mercê da técnica de sumarização da ação de segurança. Para que seja admitido o MS. 2. a lesão ou a ameaça de lesão a direito seu. demonstrar. pena privativa de liberdade. o crime não estabeleça. não é ação penal. não o impedirá de ajuizar ação de cognição mais ampla. mas ação de natureza cível. no ato de interposição.conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo.

 Da DECISÃO JUDICIAL DA QUAL CAIBA RECURSO COM EFEITO SUSPENSIVO. quando um juiz determina a soltura de um réu. Na prática forense. bancário ou de outros dados. A exemplo do HC. contudo. do poder público. De mais a mais. em situações que a jurisprudência vem rotulando de teratológicas. independente de caução. já que inviável o HC quando o Parquet estiver agindo pro societate. sem qualquer motivo justificado. nos casos de violação a direito líquido e certo. 330 . apesar de não caber mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição. quando o assistente da acusação for impedido de ingressar nos autos pelo juiz. tem-se admitido o mandado de segurança em matéria criminal:  Quando o recurso cabível não tem efeito suspensivo.  Quando do ato impugnado advenha dano irreparável cabalmente demonstrado. O MS é um mecanismo de controle incidental das ações e omissões do poder público. o cabimento do MS ficará postergado até a resolução daquele). normativa ou não normativa.  Pela acusação. ingressando com o recurso administrativo com efeito suspensivo. mas somente estar presente).  Pelo ofendido.  Quando se pretende dar efeito suspensivo ao recurso interposto.  Para permitir o acesso do advogado aos autos. pois se discute prerrogativa do advogado. para que seja cabível o mandado de segurança é exigida a produção de efeitos concretos.  Para assegurar a presença do advogado durante a produção de alguma prova na fase inquisitorial (não significando que o defensor possa manifestar-se. o mandado de segurança em matéria criminal tem sido admitido:  Para impedir a injustificada quebra do sigilo fiscal. não sendo obrigatório.  Da DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ainda que o inquérito ou o processo tramite em segredo de justiça. que o prejudicado tenha de exaurir as vias administrativas (todavia. Não se concederá MS quando se tratar:  De ato que caiba RECURSO ADMINISTRATIVO COM EFEITO SUSPENSIVO. Trata-se de uma admissibilidade excepcional. decorrente de ato ou omissão total ou parcial. Outrossim. agindo contra expressa disposição legal. o mandado de segurança pode ser utilizado como recurso para provocar o reexame de uma decisão ou ato judicial. não sendo admitido contra lei em tese.

eleitoral e dos estados julgar seus HC.  Para entrega de aeronave apreendida. pelo que as informações serão prestadas pelo juiz que passou a exercer o cargo ocupado pelo primeiro. o querelante. 331 . Compete a justiça militar. enquanto para examinar HC. Como a decisão do writ tem a possibilidade de afetar a esfera jurídica do acusado nessa hipótese.  Para oferecer quesitos em prova pericial. IMPORTANTE!!! Destaque-se ainda o cabimento de mandado de segurança para trancamento de IP ou do processo tendo como indiciada ou ré a pessoa jurídica. até porque é uma medida sumária.  Para obter restituição de coisas apreendidas. a competência. b) Legitimidade ativa e passiva – pode ser impetrante o acusado. é a pessoa que sofre o constrangimento ilegal. o impetrante ou sujeito ativo. devendo estar representada por advogado. de regra.  Para evitar desentranhamento de documentos. Em outras palavras.  Contra fechamento de estabelecimento de diversões públicas. IMPORTANTE!!! Havendo substituição da pessoa do juiz criminal. através do assistente da acusação. Tanto isso é exato que a autoridade coatora não se confunde com a pessoa que ocupa o cargo ou função em razão do qual foi editado o ato vergastado. o MP. Obs. o defensor (para defender prerrogativas da advocacia) e o ofendido. é a do órgão de grau de jurisdição mais elevado. não referente à liberdade de locomoção.3 PROCESSAMENTO E JULGAMENTO a) Competência – a distinção da competência dos tribunais para processar e julgar o mandado de segurança em relação ao HC. destaca-se no que toca a competência para julgar ato imputado a membro de órgão colegiado ou a tribunal: em tal caso a competência para processar e julgar o mandado de segurança é do próprio tribunal. é obrigatória a citação do réu como litisconsorte passivo. Súmula 701 STF No mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público contra decisão proferida em processo penal. a autoridade coatora em mandado de segurança não segue o substituído. O entendimento ajustado às características da demanda é o de que não há propriamente uma legitimidade passiva.  Contra apreensão em excesso para fundamentar ação penal por crime contra a propriedade industrial.  Para obter o advogado vista dos autos inclusive de inquérito policial. que não enseja contestação por parte da autoridade coatora. a citação dele é condição de eficácia da sentença. mas simples informações sobre os motivos da prática do ato. podendo ser física ou jurídica.  Contra medida de seqüestro.  Para o advogado comunicar-se pessoal e reservadamente com seu cliente. 2.

que será o Estado (causas estaduais) ou a União (nas causas perante os órgãos judiciários da União ou que tramitam nos tribunais superiores e no STF). em litisconsórcio necessário:  A autoridade coatora – se identificando com o ocupante do cargo ou da função pública. Contudo. o órgão acusatório. como litisconsorte necessário.  Quando o réu ajuizar mandado de segurança no Tribunal. três sujeitos passivos.  O acusado – quando o mandado de segurança for ajuizado pelo MP ou querelante. Não é possível juntada posterior de documentos ou dilação probatória não compatível nesta via. por exemplo. como litisconsorte necessário. será ouvida a Procuradoria-Geral de Justiça. quando poderá exarar parecer. para tanto. como custos legis. é obrigatória a citação do réu como litisconsorte passivo. serão visualizadas. ressalvado o poder geral de cautela do órgão julgador. e o representante do MP. no entanto. IMPORTANTE!!! Contra decisão que conceda ou denegue liminar cabe agravo de instrumento nos moldes do processo civil. IMPORTANTE!!! Tratando-se de MS indeferido por juiz de primeira instância será cabível recurso de apelação cível (embora se cuide de matéria criminal). c) Procedimento no MS – É ônus do impetrante instruir documentalmente o MS quando do seu manejo. A liminar de suspensão do ato impugnado pode ser deferida com ou sem a oitiva prévia a autoridade impetrada e. é possível que o juiz ou tribunal ordene diligências para serem cumpridas em dez dias. a depender da hipótese e do impetrante. deve ser requerida pelo autor. Súmula 701 STF No mandado de segurança impetrado pelo ministério público contra decisão proferida em processo penal. importa distinguir as diversas formas que assume a intervenção do MP:  Se o réu impetrar MS contra ato de delegado. Lembrar da súmula 701 STF. não tem sentido ser ele ouvido. especialmente diante de seu dever de prestar informações. caberá o julgamento ao juiz e será ouvido. quando se tratar de mandado de segurança em matéria criminal. como custos legis. Findo o prazo para a apresentação das informações. se o documento necessário a prova do alegado se encontrar em poder do impetrado ou de órgão que recuse seu fornecimento.  Sendo a acusação patrocinada pelo MP. contra ato do juiz. e  A pessoa jurídica de direito público interessada. não obstante as inconsistências de ordem técnica. novamente. ouve-se este. 332 . será o Ministério Público ouvido em cinco dias. não havendo necessidade de ser litisconsorte o representante do MP de primeiro grau. Desse modo. Obs.  Se a acusação for promovida pelo ofendido. Contudo. como custos legis.

Contra essa decisão nos autos do pedido de suspensão da segurança. Embora sujeita a uma condição suspensiva de seu trânsito em julgado. 333 . IMPORTANTE!!! Da sentença do MS. d) Julgamento – ressalvada a ação de HC. Na ação de MS não se admite condenação em honorários advocatícios. negando ou concedendo o mandado. competente para julgar recurso especial ou recurso extraordinário. que deverá ser obrigatoriamente prolatada no prazo de trinta dias. Acresça-se que quando o mandado for concedido e o Presidente do Tribunal. seja no sentido de concedê-la ou de negá-la. dá-se o mesmo: será ouvida a Procuradoria. ao qual competir o conhecimento do recurso. como custos legis. são aplicáveis no que couber. Súmula 169 STJ . no prazo de 5 dias. podendo a autoridade coatora dela recorrer. as disposições do CPC. contra ato do juiz.  Se o autor do mandado de segurança for o promotor ou procurador da república. conforme o caso. proferida pelo tribunal.São INADMISSÍVEIS embargos infringentes no processo de mandado de segurança. a sentença sujeita à remessa necessária pode ser executada provisoriamente. Ao processo de MS. a sentença concessiva do mandamus fica sujeita ao duplo grau de jurisdição. Caso o julgamento seja originário de tribunal. os processos do MS terão prioridade sobre todos os atos judiciais. para sentença. seja em virtude do indeferimento da inicial. IMPORTANTE!!! Em sendo o julgado proferido por juiz de primeiro grau. IMPORTANTE!!! Súmula 169 STJ. os autos serão conclusos ao magistrado. caberá recurso ordinário constitucional (se denegatória a decisão). ou recurso especial ou extraordinário (se concessiva a decisão). desse seu ato caberá agravo regimental para o Tribunal a que presida. cabe apelação. Com ou sem parecer do MP. seja em face da sentença final. ordenar ao juiz a suspensão da execução da sentença. caberá novo pedido de suspensão dirigido ao tribunal imediatamente superior.

todavia. que deverá se manifestar em 72 horas. caracterizando-se como demanda para o resgate do status dignitatis do acusado. ou por organização sindical.  Não é necessária autorização especial dos eventuais beneficiados pela sua decisão.  A liminar só poderá ser concedida depois da oitiva do representante judicial da pessoa jurídica de direito público. Não há. assim. 3. segundo os autores. Poderíamos imaginar.1 FUNDAMENTOS Tal demanda tem o condão de excepcionar a coisa julgada em matéria criminal. IMPORTANTE!!! Além de se dirigir naturalmente contra sentenças condenatórias. não guarda pertinência com a matéria criminal. porém os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante do MS individual caso ele não requeira a desistência dessa demanda no lapso de trinta dias contados da ciência comprovada do ajuizamento do MS coletivo. mas tão-somente quando seu manejo é permeado pelos princípios do favor rei e da verdade real (verdade processual). com uma só demanda. Mandado de segurança coletivo O MS coletivo. pelo que só se permite seu ajuizamento quando em favor do sentenciado. O MS coletivo se distingue do MS individual pelas seguintes particularidades:  A legitimidade ativa é restrita a partido politico com representação no Congresso Nacional.  A sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante.REVISÃO CRIMINAL 3. não se coaduna com o sistema processual brasileiro e tem o inconveniente de abstrativizar o MS coletivo relativamente ao processo de execução. A vantagem que se vislumbra. revisão criminal pro societate. dispensando a interposição de seguidos recursos de agravo em execução penal (economia processual). defender direitos coletivos ou individuais homogêneos dos apenados. no entanto. é a de racionalizar decisões que seriam discrepantes nas diversas ações individuais de execução penal.  Sua interposição não implica litispendência para as ações individuais. no entanto. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento a pelo menos um ano (na forma de seus estatutos e desde que pertinente a suas finalidades – pertinência temática). há entendimento crescente no sentido de admitir revisão criminal contra sentenças 334 . no sentido de ser viável sua utilização. a princípio. o seu uso em sede de execução penal. Esse modo de entender. para. que prestigia a individualização do apenado no cumprimento da ação penal.

É cabível contra toda e qualquer decisão condenatória. distinguindo-se assim o que se conhece por juízo rescindens. Com efeito. daquele denominado juízo rescisorium. A ação de revisão criminal envolve a rescisão da sentença. por exemplo. CPP. de plano. 3.3 PROCESSAMENTO E JULGAMENTO a) Competência – com base no princípio da simetria e em conformidade com as constituições estaduais e com as leis de organização judiciária. IMPORTANTE!!! O judicium rescindens pode se dar isoladamente ou cumulativamente com o judicium rescisorium: aquele nulifica o feito e manda o acusado a novo julgamento. após a sentença. o princípio da soberania dos vereditos e mesmo a garantia do próprio tribunal do júri para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida foram instituídos em favor dos interesses da defesa. não é admitida revisão criminal tendente a reexaminar decisão absolutória ou que reconhece a prescrição. enquanto o último autoriza o tribunal a. IMPORTANTE!!! Não há prazo estipulado para a propositura de revisão criminal. mesmo aquelas proferidas pelo tribunal do júri. 621. com vistas. a ver reconhecido motivo de absolvição mais benéfico ao acusado.  Quando.  Quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos. taxativo. quando temos a denominada “reabilitação da memória”. 3. no âmbito estadual. A soberania dos veredictos não é invocável para vedar a revisão criminal contra os seus julgados. Tem natureza preponderante de ação constitutiva negativa. De mais a mais.2 CABIMENTO  Quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal ou à evidência dos autos. exames ou documentos comprovadamente falsos. para proferir um novo julgamento em substituição ao anterior. compete aos Tribunais de Justiça processar e julgar originariamente as revisões 335 . é. O primeiro tem o fito de nulificar o processo e o segundo de julgá-lo pelo mérito. Seu manejo se dá contra sentença condenatória eivada de vício de procedimento ou de julgamento. se descobrirem novas provas de inocência do condenado ou de circunstância que determine ou autorize diminuição da pena. O rol das hipóteses de revisão criminal previsto no art. a revisão criminal pode ser pleiteada em MOMENTO POSTERIOR A EXTINÇÃO DA PENA pelo seu cumprimento e. especialmente porque a medida de segurança aplicada tem o condão de sancionar o sentenciado absolvido. DEPOIS DA MORTE DO RÉU. exarar a decisão absolutória ou condenatória mais benéfica ao acusado em substituição da rescindida. portanto. Outrossim. inclusive. haja vista que a própria CF conferiu status constitucional à ação de revisão criminal.absolutórias IMpróprias.

não sendo possível sua propositura depois da morte. pois a legitimidade não é em favor do condenado. IMPORTANTE!!! A reabilitação. a semelhança do que ocorre no HC. razão pela qual pode ele. atuando. A posição aqui esboçada. 127. isto é. descendente ou irmão. b) Legitimidade ad causam – a revisão poderá ser pedida pelo próprio réu ou por procurador legalmente habilitado ou. a favor da reintegração do ordenamento jurídico agredido com o erro judiciário. pelo teor do seu art. a competência para o processamento da ação de revisão criminal é do tribunal prolator da decisão final que tenha apreciado o mérito da demanda condenatória ou do recurso respectivo ou ainda do tribunal ao qual seja vinculado diretamente o juiz que proferiu a sentença passada em julgado. c) Propositura – a revisão deve ser ajuizada. A doutrina e jurisprudência majoritária admitem a postulação leiga para a ação revisional. não há mais cabimento em se admitir ação proposta por representante do MP. a propositura de revisão criminal. por petição. ascendente. A legitimidade passiva é do Estado ou da União consoante se cuide de decisão proferida na esfera estadual ou federal. propor revisão criminal. O relator deve oportunizar para que a parte possa sanar as irregularidades. transitada em julgado a sentença. Os sucessores têm interesse na revisão criminal. De acordo com Nucci: “finda a relação processual. contudo. prevendo o CPP a abertura de vista dos autos para que seja exarado parecer. por ausência de previsão legal. só pode ser movida pelo réu. Embora o CPP não faça referência. Perdeu o interesse. O mesmo raciocínio é aplicável à Justiça Militar e à Justiça Eleitoral. entende-se que a CF autoriza o MP. diferentemente da revisão criminal. forçoso é reconhecer a legitimidade passiva de um desses entes – e não do parquet –. NÃO é necessário que o apenado seja representado por advogado para que sua revisão seja processada. em verdade. sendo o requerimento instruído com a certidão de haver passado em julgado a sentença condenatória e com as peças necessárias à comprovação dos fatos arguidos. só indeferindo a PI quando a parte permanecer inerte com o decurso do prazo assinado. Daí que como a revisão criminal pode ensejar pedido de indenização pelo seu autor contra o Estado ou a União. como fiscal da lei. visto inexistir direito de punir do Estado nessa ação”. de acordo com a hipótese. Dessa maneira. No mesmo sentido. mas também diante do apreço familiar relativamente ao condenado falecido. Paulo Rangel pontifica que o Parquet tem legitimidade ativa ad causam para requerer a revisão criminal em favor do restabelecimento da ordem jurídica violada com um erro judiciário. 336 . no caso de morte do réu. desde que o faça em favor do acusado. está longe de ser pacífica.criminais contra seus julgados e os dos juízes de direito. mas. O MP não é citado para contestar a demanda. pelo cônjuge. havendo forte entendimento de que AO MP NÃO ASSISTE LEGITIMIDADE. pessoalmente. perante o tribunal competente. não só pelos efeitos patrimoniais decorrentes de sua acolhida. sim.

 Reforma do julgado. Como se infere. mas com diminuição da pena aplicada (judicium recisorium). quando o processo poderá ser reiniciado contra o acusado (judicium rescindens). cogita-se de outro. merc