INTRODUÇÃO À ANÁLISE ARGUMENTATIVA Introdução a analise argumentativa.indd 1 08/11/16 15:34 .

indd 2 08/11/16 15:34 . Coleção Lógica • Introdução à análise argumentativa: teoria e prática. Gensler Introdução a analise argumentativa. Harry J. Marcus Sacrini • Introdução à lógica.

indd 3 08/11/16 15:34 . MARCUS SACRINI INTRODUÇÃO À ANÁLISE ARGUMENTATIVA Teoria e prática Introdução a analise argumentativa.

impressão e acabamento: PAULUS Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro. Leitura I.com. SP. Filosofia: Textos: Interpretação 101 2. Marcus. Bibliografia ISBN 978-85-349-4442-7 1. Análise do discurso 2. Direção editorial: Claudiano Avelino dos Santos Coordenação de revisão: Tiago José Risi Leme Capa: Marcelo Campanhã Editoração.: (11) 5087-3700 • Fax: (11) 5579-3627 paulus. Filosofia - Linguagem 4. 229 • 04117-091 – São Paulo (Brasil) Tel.br • editorial@paulus. Interpretação (Filosofia) 5.indd 4 08/11/16 15:34 . Introdução à análise argumentativa: teoria e prática / Marcus Sacrini. 2016 © PAULUS – 2016 Rua Francisco Cruz. – São Paulo: Paulus.com. Série. 16-07302 CDD-101 Índices para catálogo sistemático: 1. 2016. Escrita 3.br ISBN 978-85-349-4442-7 Introdução a analise argumentativa. Textos filosóficos: Interpretação 101 1ª edição. II. Brasil) Sacrini. Coleção Lógica. Título.

para Caetano E. Plastino.indd 5 08/11/16 15:34 . meu professor e amigo Introdução a analise argumentativa.

indd 6 08/11/16 15:34 .Introdução a analise argumentativa.

os alunos conseguem reconhecer os principais conceitos introduzidos pelos autores. a formação acadêmica brasileira em filosofia enfatiza a leitura de autores clássicos. nesse tipo de leitura.indd 7 08/11/16 15:34 . INTRODUÇÃO Este livro tem por base alguns cursos de graduação ministrados por mim no Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo. não se saberá se esses esquemas espontâneos de compreensão são mesmo suficientes. De maneira geral. e os estudantes arriscam-se a passar pela formação acadêmica com grandes deficiências técnicas. Para que os estudantes sedimentem um entendimento razoável da posição filosófica desses autores. porque nunca tiveram a chance de reconhecer e aperfeiçoar. supõe-se que eles possu- am certas habilidades de leitura e análise que os capacitem para tanto. dado algum treino mínimo de leitura desse tipo de texto. metodicamente. seus esquemas de leitura e análise críticas. Contudo. deixa-se de lado um aspecto essencial dos textos filosóficos: os momentos argumentativos. Entretanto. sem treinar explicitamente algumas técnicas de reconstrução e interpretação de textos. em que as teses apresentadas são efetivamente justificadas. faltam técnicas para entender de que forma as teses são legitimadas e para avaliar se essa legitimação foi bem-sucedida. Tratava-se. Esse é sem dúvida o caso do caráter argumentativo dos textos filosóficos. cujas doutrinas os estudantes devem minimamente reconhecer em seus traços gerais. Sem tematizar quais as habilidades efetivamente requeridas para a devida compreensão das posições filosó- ficas. parece-me que um dos traços que permite reconhecer o discurso filosófico no correr dos tempos é o caráter argumentado da defesa das teses apresentadas. Em geral. nesses cursos. bem como localizar as teses centrais ali de- fendidas. Um discurso filosófico expõe uma tese ou um conjunto de teses (uma Introdução a analise argumentativa. não se deve esperar que eles vão além da apli- cação por vezes irrefletida de certos esquemas espontâneos de análise. de oferecer aos alunos ferramentas interpreta- tivas por meio das quais a compreensão dos textos filosóficos avançasse para além daquilo que uma leitura ingênua ou mesmo um mero resumo do movimento expositivo do autor forneceria. os quais muitas vezes são insuficientes para capturar as finuras conceituais das posições filosóficas estudadas. Normalmente. Desse modo.

vou expor vários tópicos voltados ao reconhecimento. nesse sentido amplo. Foram essas técnicas que ensinei nos cursos de graduação que citei há pouco. que os leitores sedimentem as aptidões básicas de compreensão e produção de textos argumentativos. a ênfase maior será dada aos argumentos. insisto apenas em que o entendimento dessa sustentação racional bem como sua avaliação exigem técnicas bastante específicas. por outro lado. reconstrução e avaliação de argumentos. neste livro. Na maior parte do livro. Argumenta-se em muitos outros contextos que não o filosófico e. isto é. assim. O principal instrumento para a progressão das argumentações. tomados como produtos de processos discursivos muito mais amplos. Neste livro. Assim. a análise vai se centrar nos argumentos isolados. abor- Introdução a analise argumentativa. a apresentação de razões que garantam a correção da posição defendida. os debates. e não só naquele das discussões filosóficas. ■ ■ 8 Introdução à análise argumentativa posição) acerca de problemas conceitualmente muito amplos e que não aceitam uma solução empírica simples. bem como algumas de suas formas mais comuns. Essa defesa normalmente envolve uma confrontação lógica entre posições rivais. o que ocorre em diversos tipos de debates. nos quais busquei ensinar técnicas que qualificassem os alunos a compreender mais finamente o discurso filosófico. Os dois ca- pítulos finais tratam justamente de aspectos centrais dessas discussões argumentativas entendidas como ocasiões para a sustentação de posições. Sem prosseguir nessa caracterização geral da filosofia.indd 8 08/11/16 15:34 . ou seja. os quais serão fixados por meio de exercícios apresentados ao final dos capítulos. estruturas discursivas que buscam oferecer razões para teses não imediatamente óbvias. O que marca a defesa filosófica da tese em pauta não é um mero apelo a preferências pessoais ou a au- toridades instituídas. cabem definições mínimas dos seus principais temas. pretendo apresentar a argumentação em seu caráter de atividade discursiva ampla. Para precisar o âmbito deste livro. que excedem o mero trabalho de reconstrução da estrutura expositiva global do texto. Buscarei esclarecer o que são argumentos. quais são seus componentes. Pretendo. são os argumentos. Espero. Entendo por argumentação uma prática social de defesa de teses ou posições não evidentes por meio de justificativas ra- cionais. os discursos filosóficos envolvem aspectos expressivos não necessariamente argumentativos e que contribuem constitutiva- mente para a posição defendida. e sim a construção de uma justificativa racional. dessa maneira. nos quais as argumentações ocorrem. Seja como for. passível de ser exercida em muitos contextos. quase sempre em contraste com posições alheias. seus pressupostos. Mantenho o espírito dos cursos em que me baseei para escrever esta obra. Não me limitarei a uma discussão teórica desses temas. Certamente jamais pretendi reduzir a filosofia à argumentação stricto sensu.

tais como juristas. Considerem os seguintes exemplos: • diversos meios de comunicação promovem debates ou oferecem espaços para que o público expresse sua posição e discuta um tópico. os participantes devem conhecer dados e técnicas específicos da disciplina sobre a qual as discussões ocorrem. é inegável que a argumentação. jornalistas. independentemente do conteúdo teórico específico das discussões. que os testes de validade sejam tais e tais. os eleitores devem saber pesar os prós e contras das propostas apresentadas se almejam votar de modo responsável. cientistas etc. De qualquer modo. há padrões argumentativos gerais cujo domínio tornará mais eficiente o posicionamento dos participantes nesses debates especializados. Do ponto de vista técnico. É verdade que a par- ticipação em discussões ligadas às áreas de atuação desses profissionais exige níveis consideráveis de conhecimento especializado. quais os movimentos argumentativos que constituem a sua dinâmica e como seus resultados devem ser avaliados. Que os argumentos tenham tais estruturas. Em um colóquio científico. quanto a esses capítulos finais. no interior do qual este livro foi gestado. aprender a reconhecer quais são os tipos de contro- vérsias. Introdução 9 ■ ■ dar a argumentação como um tipo de processo. Por sua vez. Em um júri. Introdução a analise argumentativa. • fóruns de discussão on-line estão abertos a contribuições que auxiliem as discussões ali sugeridas a avançar produtivamente. • em assembleias ou reuniões de grupos dos mais variados tipos. Os temas que vou sugerir no correr dos capítulos não interessam só a estudantes de filosofia. é uma atividade facilmente reconhecível fora do domínio acadêmico. • em época de eleições governamentais.indd 9 08/11/16 15:34 . Cabe acentuar que os tópicos gerais deste livro (a estrutura dos argumentos bem como os debates em que são usados) alcançam domí- nios muito mais amplos que aqueles do campo acadêmico de filosofia. Além disso. de modo que conhecer bem as técnicas de reconstrução e avaliação de argumentos capacita os interessados a nelas agir mais lúcida e eficientemente. importa. passíveis (conforme já terá sido visto na primeira parte da obra) de análise isolada. administradores. uma vez que poderiam ser ensinados em outros cursos acadêmicos. promotores e advogados devem conhecer bem os códigos legais vigen- tes para construir a defesa ou a acusação de um réu. a argumentação está presente em diversas situações do convívio social. quais as condições para o seu exercício de modo racionalmente produtivo. os candidatos discutem entre si tentando exibir propostas que sirvam como razões para receber os votos. do qual os argumentos são os produtos. é comum tentar convencer os colegas acerca da importância de uma certa questão ou acerca de qual curso de ação seguir. é algo que serve a especialistas de várias formações. Longe de ser algum tipo de exercício especializado. principalmente em seu caráter de prática discursiva concreta.

Informal Logic. cada uma delas envolve particularidades procedimentais e de interações entre os interessados que exigem um aprendizado específico. SHERRY. p. Em todo caso. quer mesmo para a produção de discursos argumentados nas situações cabíveis. cf. JACQUETTE. (org. p. bem como a participar produtivamente das discussões que lhes interessem. como alguns chamam. isto é. Há um debate bastante complexo acerca das relações entre lógica formal e análise argumentativa não formalizada ou. 3. tal qual a lógica formal. D. vol. 1999. deve-se reconhecer que a análise informal dos argumen- tos não vai se limitar a considerar os conteúdos particulares de cada inferência. “The relation between formal and informal logic”. ■ ■ 10 Introdução à análise argumentativa Esses são só alguns tipos de situações em que pessoas com as mais diversas formações culturais e profissionais se engajam em discussões argumentativas. cabe ainda especificar uma última carac- terística do tipo de análise argumentativa que se vai desenvolver aqui. Inicialmente. in JACQUETTE. evitar falácias. Argumentation. “On the relation of informal to formal logic”. 26. Não é nada disso. ela se constitui como uma abordagem teórica sistemática. a análise argumentativa não formalizada almeja fixar normas e procedimentos gerais acerca da construção e avaliação dos discursos argumentativos. D. 265-274. com as quais os leitores poderiam de fato se envolver conforme suas obrigações profissionais ou suas preocupações pessoais e civis. Não pretendo desenvolver aqui análises históricas sobre a argumentação. responder a objeções. E 1 Para a exposição dos principais temas ligados a esse debate. 199-220. no sentido de saber propor argumentos convincentes. que se distingue consideravel- mente dos métodos desenvolvidos pela lógica formal ou simbólica. Trata-se de uma análise não formalizada. n. nem fixar-me em questões teóricas de lógica. 131-154. Sem dúvida.indd 10 08/11/16 15:34 . n. nelas há núcleos argumentativos similares que podem ser estudados sob uma perspectiva teórica mais ampla. “Formal logic for informal logicians”. D. 2006. Neste livro. mas somente atestar a importância de um estudo não formalizado dos argumentos. De um ponto de vista global. vol. entre outros procedimentos discursivos marcantes da argumentação. a meta do livro será ofe- recer recursos teóricos e técnicos para a compreensão de argumentos e discussões racionais concretas. lançar críticas. A ênfase estará na aquisição de técnicas que contribuam efetiva- mente para um ganho no desempenho voltado quer para a interpretação e avaliação. discutirei os componentes gerais dos argumentos e das discussões argumentativas e espero capacitar os leitores a reconhecer e avaliar os argumentos com que se defrontem. Introdução a analise argumentativa. 1. p.1 Não pretendo retomar em detalhes esse debate. Para realizar tal intento. R. lógica informal. 2007. 13. deixando todos os aspectos gerais e formais dos argumen- tos para a lógica simbólica.) Philosophy of logic. JOHNSON. Amsterdam: North-Holand/Elsevier.

por exemplo. a análise não formalizada dos argumentos. Certamente não é esse o caso. Por sua vez. a lógica formal. a qual em grande medida está ligada às formas dos argumentos e mesmo assim tem bastante pertinência para a análise não formalizada dos discursos argumentativos. abstrai todo o conteúdo material das sentenças para desvelar a sua pura forma proposicional e investigar diferentes tipos de encadeamentos passíveis de se obter en- tre elas. como se qualquer exame dos aspectos formais dos argumentos devesse ser suprimido do escopo temático por ela abrangido. Enfatiza-se nesse estudo a microestrutura lógica das sentenças. é possível. nos idiomas em que as pessoas se comunicam habitualmente. Não se deve. como ficará claro no correr da exposição. revela aspectos da argumentação normalmente não explorados pela análise das formas proposicionais e das suas conexões abstraídas de todo conteúdo situacional. isto é. sem precisar referir-se às circunstâncias concretas de seu uso. portanto. pensar que há uma divisão de tarefas entre lógica formal e informal que corresponderia respectivamente ao estudo da forma e do conteúdo das estruturas argumentativas. ainda que se sirva de métodos não mecanizáveis e que não portam tamanha força preditiva. assim. A análise argumentativa considera os argumentos tais como utilizados na linguagem comum. a sua composição por conectivos. Por meio disso. quantificadores e outros conceitos puramente formais. de vários tópicos concernentes à forma dos argumentos. porém não o faz por meio de linguagens simbólicas artificialmente construídas. Eis uma característica marcante da análise argumentativa: tenta-se clarificar as estruturas argumentativas tais como formuladas em linguagem natural. o que implica levar em conta seus contextos de utilização. e para evitar confusões privilegiarei a expressão “análise argumentativa” para o tipo de trabalho que tenho em vista neste livro. Diferentemente disso. a inserção dos argumentos em amplas contro- vérsias etc. Não é o caso de apontar uma incomen- surabilidade temática entre lógica formal e análise não formalizada dos Introdução a analise argumentativa. antecipar com grande precisão as possibilidades de encadeamentos válidos para certos tipos de formas proposicionais. Essa análise trata. mútua exclusão entre lógica formal e informal. tal como progride a lógica formal. Um exemplo notável disso é a noção de validade das inferências argumentativas. somente na qual seria então possível explicitar as relações inferenciais ali vigentes.indd 11 08/11/16 15:34 . Introdução 11 ■ ■ nessa busca por sistematicidade e generalidade. tal como estabelecida no final do século XIX e início do século XX. Não há. esse tipo de análise trata de aspectos relativos à forma dos argumentos. isto é. sem que seja preciso traduzir essas estruturas para uma linguagem artificial altamente especializada. os critérios de aceitabilidade e relevância ali em vigor. Daí que a expres- são “lógica informal” pode levar a equívocos.

antes. 29-45. mas. Saber técnicas de lógica formal certamente contribui para apreender com clareza as relações inferenciais entre as sentenças. e o explora por meios próprios. a dinâmica das controvérsias em que os argumentos estão inseridos etc. além de permitir uma exploração apro- 2 Conforme sugere Leo GROARKE em “The fox and the hedgehog: on logic. não redutíveis àqueles da análise simbólica. não é impossível alterar alguns parâmetros da lógica formal clássica para que ela abarque os temas acentuados pela análise não for- malizada. vol.indd 12 08/11/16 15:34 . conforme afirmado acima. Nenhum desses temas parece ser exaurível por um estudo das formas proposicionais e de seus tipos de encadeamentos. Exemplos desses aspectos materiais ou contextuais são: os dados relevantes para determinar a aceitabilidade das premissas. eu insisto. Proto Sociology. e não simplesmente suspensos ou abstraídos para que só esses aspectos formais sejam explorados por meio de linguagens artificiais. ■ ■ 12 Introdução à análise argumentativa argumentos. de traduzir as sentenças em linguagem natural para uma linguagem simbólica criada artificialmente. possibilidades de complementação. argument and argumentation theory”. 13.2 Em todo caso. permanece uma diferença metodológica geral. p. Desse modo. há pouco mencionada. De fato. as diretivas intelectuais para exposição e avaliação de argumentos. os quais são tematizados conjuntamente com os aspectos ligados à forma lógica das estruturas argumentativas. Isso quer dizer que a análise argumentativa não formalizada circunscreve um âmbito de atuação mais vasto que aquele que comumente interes- sa à lógica formal (ao menos em sua versão clássica). Introdução a analise argumentativa. o que é bem diferente de uma tradução para uma linguagem simbólica artificial. haverá na análise argumentativa esquematizações dos argumentos a partir da forma lógica de algumas sentenças. Mas trata-se aí somente de recursos para tornar intuitivos as- pectos estruturais dos argumentos analisados. em uma análise argumentativa não formalizada. o caráter apropriado ou inapropriado da linguagem em que o arguidor se comunica tendo em vista o público ao qual se dirige. os pressupostos factuais ou conceituais que operam como premissas implí- citas. conquanto. não há uma oposição entre essas perspectivas teóricas. além de diagramações do movimento inferencial estudado. 1999. recursos que não excluem a avaliação crítica de outros aspectos concretos dos argumentos. em contraste com a análise puramente formal dos argumentos. Com efeito. Em todo caso. Não se trata. não sejam temas completamente estranhos a tal estudo. como se alguns dos tópicos mais explorados nessa última (tais como a noção de aceitabilidade das premissas e a de sentenças implícitas) jamais pudessem ser tratados de modo puramente formal. é a centrali- dade de certos aspectos por assim dizer “materiais” da argumentação. o que marca a especificidade da análise argumentativa.

É imprescindível salientar que o campo de estudos da análise argumentativa é extenso e comporta divergências de interpretação. nem todos plena- mente compatíveis. o que. proponho uma abordagem que julgo pertinente ao menos para salientar alguns tópicos nucleares referentes à argumentação e para descrever procedimentos que auxiliem em seu entendimento. bastaria consultá-lo. Não pretendo com isso esgotar os temas abordados. em seu traçado geral. o conteúdo deste livro não é redutível a nenhum deles. há tal riqueza conceitual inerente aos temas e técnicas da análise argumentativa que o seu estudo comporta vários caminhos exploratórios. se um só dos livros publicados sobre o tema se confirmasse como uma aborda- gem abrangente e definitiva. por sua vez. os quais serão devidamente mencionados no decorrer dos capítulos. familiariza os interessados com alguns aspectos constitutivos da complexidade da atividade argumentativa que normalmente não são tratados pela análise puramente formal. e reflete escolhas teóricas e desenvolvimentos temáticos próprios. sem dúvida. Meu ponto é somente que essas técnicas não esgotam a complexidade nem da argumentação enquanto prática social por meio da qual se tenta justificar teses não óbvias. Tendo me dedicado por um longo período a livros e artigos dessa área. Introdução 13 ■ ■ fundada da sintaxe lógica interna às sentenças. e sim apresentar uma concepção da análise argumentativa capaz de fortalecer as capacidades de compreensão e mesmo de produção de argumentos. Afinal. A análise argumentativa. Porém.indd 13 08/11/16 15:34 . Introdução a analise argumentativa. motivou-me a preparar esta obra. nem dos argumentos como instrumento discursivo central para que as discussões racionais avancem. É claro que minha exposição se servirá amplamente de resultados já estabelecidos em importantes textos sobre o assunto. além de servir como guia para o engajamento produtivo em discussões racionais. Entretanto.