ARTIGO

EXTRAÇÃO DE FERRO DE ESMECTITA BRASILEIRA COM EMPREGO DO MÉTODO
DITIONITO-CITRATO-BICARBONATO

Sidnei Quezada M. Leitea, Carlos Henrique A. Colodete e Lídia Chaloub Dieguez
Núcleo de Catálise - Programa de Engenharia Química - COPPE/UFRJ
Rosane A. S. San Gilb,*
Depto de Química Orgânica - Instituto de Química - UFRJ - 21949-900 - Rio de Janeiro - RJ

Recebido em 19/10/98; aceito em 30/10/99

IRON EXTRACTION FROM BRAZILIAN SMECTITE BY DITHIONITE-CITRATE-BICARBON-
ATE METHOD. A natural clay from Campina Grande region (Paraíba, Brazil), with 8.57% of
Fe 2O 3, was used to study the most appropriate condition to carry out the iron extraction, without
altering the clay structure in a significant way. Samples were treated with the Dithionite-Citrate-
Bicarbonate method (DCB) for 30 and 120 minutes (pH=9.1), and also with citric acid (pH=1.8;
time=15min), at 75°C. Conductivity measurements, X-ray fluorescence, X-ray diffraction, energy-
dispersive spectrometry, electron-diffraction with transmission electron microscopy and textural
evaluation by nitrogen adsorption were done. The treatment in a basic medium was more selective
for iron removal than in acid condition. The time of 30 minutes, with 1.6 g Na 2S 2 O 4 /10 g clay, was
the best condition for the iron extraction.

Keywords: brazilian clay; smectite; iron extraction.

INTRODUÇÃO dependendo das condições de tratamento e do tipo da argila, é
possível que a estrutura seja afetada7,13-15.
A busca de condições operacionais para extração de óxidos No presente trabalho, avaliou-se a influência do tempo e do
de ferro presentes em amostras de solo ou de argila natural, pH no processo de extração de ferro de uma amostra natural de
sem alterar de forma significativa a estrutura dos argilomine- esmectita brasileira, proveniente da região de Campina Grande
rais, tem sido investigado por alguns pesquisadores1-7. Esse (Paraíba, Brasil), empregando-se os métodos DCB e o ácido cítri-
interesse é devido à necessidade de maior confiabilidade nas co. Foram feitas medidas de condutividade e absorção atômica
análises de solos1-4 e à necessidade de purificação de argila das águas de lavagem; as amostras sólidas foram caracterizadas
natural para fins catalíticos5-7. por fluorescência de raios-X (FRX), difração de raios-X (DRX),
Argilas naturais podem conter como impurezas diversos ti- análise química de micro-regiões por espectrometria de energia
pos de óxidos de ferro cristalinos ou amorfos, tais como: dispersiva acoplado à microscopia eletrônica de transmissão (EDS/
hematita (α-Fe2O3), goetita (α-FeOOH) e lepidocrocita (γ- MET) e avaliação textural por adsorção de nitrogênio.
FeOOH), além de outras formas combinadas, como a magnetita
(FeO.Fe2O3) e a ilmenita (FeO.TiO2)1,7,8. No caso das esmec- PARTE EXPERIMENTAL
titas brasileiras, o ferro pode estar presente tanto sob a forma
de óxidos isolados quanto na forma de substituições isomórficas Argila Natural
na rede cristalina. Estas esmectitas têm sido empregadas na
preparação de argilas pilarizadas, as quais são catalisadores Uma amostra de argila natural (ARG-Natural), proveniente
para reações do tipo ácido-base. A presença de ferro na estru- da região de Campina Grande (Paraíba, Brasil), com granulome-
tura da argila leva à diminuição da estabilidade térmica, limi- tria de 200 mesh e capacidade de troca catiônica de 1,0 meq/g,
tando o seu uso para fins catalíticos6,9. foi purificada com o objetivo de minimizar as impurezas nor-
Na literatura estão relatados alguns métodos para extração de malmente presentes, tais como quartzo e feldspato.
óxidos e hidróxidos de ferro de argilas naturais e solos, destacan-
Purificação da Argila Natural
do-se o método de Ditionito-Citrato-Bicarbonato (DCB, a sigla
CBD é também utilizada)7,10. O método DCB utiliza ditionito de Durante 15 dias, 100 gramas de argila natural foram mantidas
sódio na faixa de 0,50 a 1,0 grama para cada 10 gramas de argila, em 1,0 litro de solução de NaCl 2,0% (m/v), realizando trocas
40,0 mL de solução de citrato de sódio 0,30 mol/L e 5,0 mL de diárias desta solução para propiciar a troca dos íons interlamelares
solução de bicarbonato de sódio 1,0 mol/L. Este tratamento é por íons sódio. Após esta etapa, a suspensão foi peneirada (penei-
realizado com controle de temperatura na faixa de 70 a 80oC por ra de 270 mesh) para remoção da fração areia, formada por par-
um período de 15 minutos7,10-12 e foi desenvolvido por Mehra & tículas com diâmetro superior a 74 µm (diâmetro da malha). Em
Jackson11 para remover principalmente ferro sob a forma de óxi- seguida, a fração não retida na peneira foi transferida para uma
do/hidróxido amorfo ou óxido cristalino, sem alterar a estrutura proveta de 1,0 litro para efetuar a separação das frações argila e
do material. No entanto, trabalhos posteriores têm sugerido que, silte por sedimentação. A suspensão foi mantida em repouso por
24 h, para que as partículas com diâmetro superior a 2 µm fossem
sedimentadas, seguida de sucção dos 20 cm superiores da suspen-
a Endereço permanente: Escola Técnica Federal de Química - Rio de são rica em argila. Esta fração foi centrifugada e lavada até uma
Janeiro - RJ condutividade inferior a 30 µS, utilizando-se água destilada e
b Depto Ciências Naturais - CCBS - UNIRIO - Rio de Janeiro - RJ deionizada com condutividade igual a 5 µS, o que resultou na
e-mail: rsangil@iq.ufrj.br amostra de argila purificada denominada ARG-01.

QUÍMICA NOVA, 23(3) (2000) 297

estão presentes 8. e potássico (F). a área específica (SBET) pelo método 0. Na Tabela 1 está apresentado o resultado de análise química A composição química das amostras sólidas foi obtida por da argila natural obtido por FRX. A fim de Figura 2. Figura 1. operando com potência de 40 KV . Difratograma de raios X da amostra natural (ARG-Natu- controlar a extração de alumínio e de ferro.27 Å) e feldspatos cálcico e potássico (d = 3. equipado com elétrons da partícula “P” ressalta a cristalinidade desta partícula.A.80g de ditionito de sódio por umidade e gases adsorvidos fisicamente. gem. as amostras foram centrifugadas e secas à temperatura de 60oC.19 Å e d = 3. Além dos teores de SiO2 e fluorescência de raios X (FRX). utilizando-se um instrumento Philips 1710. quartzo-alfa (d = 3. o que 2000 FX.23 Å)7. valor de t. utilizando equipamento Perkin Elmer modelo 1100B.1).49 Å). micro-difração de elétrons (DE). principalmente. visando uma argila purificada com modificações estruturais minimizadas. com as respec- tivas condições de tratamento e códigos das amostras. ral). foram feitas aná. está assinalada a partícula “P” e a respectiva figura de da suspensão contendo 1. equipado com tubo de Cu. equipado com difração de elétrons (DE) e análise diminui a estabilidade térmica do material.98. A amostra ARG-02. tais como alu- mínio e ferro. As amos- tras ARG-03 e ARG-04 foram obtidas a partir da amostra ARG-02.34 Å e d = 4. mostram como aglomerados folheados e pequenos cristais escuros Os difratogramas de raios X foram obtidos pelo método do (partícula “P”) e claros de formato regular. obtida por dupla cobre. e contribui de transmissão (MET) empregando um instrumento JEOL JEM para o abaixamento da temperatura de desidroxilação. cos. por gotejamento exposição.30 mol/L. Fluxograma do estudo de extração de ferro.5. A água empregada nos ensaios foi destilada e deionizada apre- sentando condutividade na faixa de 5 µS e pH≅6.30 mol/L para cada 10g de argila (pH inicial = 1. utilizando-se um instrumento Al2O3 normalmente encontrados nos argilominerais esmectíti- Philips 1480. Empregou-se o equipa- ciclo de tratamento para cada 10g argila (pH inicial = 9. máxima remoção de ferro. 5.0 mol/L e 0. Portanto. A primeira etapa do tratamento teve como objetivo a retirada de ferro não estruturaèŸ dando origem a amostra ARG-02 que foi o material de partida para o estudo da reti- onde P/Po é a relação entre a pressão do meio (P) e a pressão de rada de ferro estrutural. A micro-difração de pó. Em seguida. tratada com o mé. após pré-tra- de citrato de sódio 0.8). utilizando condutivímetro Orion modelo 115.10. O objetivo foi buscar condições de saturação de nitrogênio (Po) à temperatura de análise (T = 77 K). foi calcula- todo DCB clássico. apresenta uma distância igual a 1.0 mL de ácido cítrico de poros (Vp) a P/Po = 0. as amostras foram lavadas. utilizando-se como forma de para os métodos de DCB refere-se a quantidade de ditionito tratamento dos dados o método t. que é característico de esmectita dioctaédrica7. o mento Micromeritics A. Determinou-se o volume total método de Ácido Cítrico utilizou 40. 2000.S. 23(3) (2000) . quartzo-alfa (Q) e feldspatos cálcico lises químicas por absorção atômica da primeira água de lava.Extração de Ferro tubo de Cu e monocromador de grafite.35 mA.43 Å e d = 4.0mL de solução de bicarbo. Tanto no método de Ditionito-Citrato-Bicarbonato clássico As isotermas de adsorção-dessorção de N2 foram obtidas à quanto no modificado.0 mL de solução temperatura de 77 K (banho de nitrogênio líquido).49 Å. foi obtida a partir da amostra ARG-01. RESULTADOS E DISCUSSÃO controlando-se a condutividade da água de lavagem até um Caracterização da Argila Natural valor de 30 µS. Este teor alto de ferro é As micrografias foram obtidas por microscopia eletrônica característico das argilas esmectíticas do Brasil8. O volume de com as respectivas condições de tratamento empregadas para microporos e a área externa (SEXT) foram estimados a partir da extração de ferro. Na Figura estão assinalados os picos de difração referentes aos padrões de argila esmectita (E). O material foi depositado sobre grades de (ARG-Natural) obtida por MET. O pico de difração situado na faixa de 2Θ igual a 60o. conhecido como “t-Plot”. por metais com carga 3+. tamento a vácuo à temperatura de 60oC por 5 horas para remover nato de sódio 1. que se previamente mantida em ultra-som por 10 minutos. Na Figura 2 está apresentado o difratograma de raios X da argila natural (ARG-Natural). correspondente ao plano de difração (060).P. O de sódio adicionada. O ciclo de tratamento citado na Figura 1 isoterma de adsorção de nitrogênio. Na de BET e o diâmetro de poro (Dp) através da relação entre o Figura 1 está apresentado o fluxograma do estudo realizado volume de poros e a área específica: DP = Vp/4SBET. química de micro-regiões por espectrometria de energia Na Figura 3 está apresentada a micrografia da argila natural dispersiva (EDS). espessura estatística da camada adsorvida. 298 QUÍMICA NOVA. foram utilizados 40. São observadas três fases. de 200 mesh recobertas com Formvar. Ao final de cada tratamento. Caracterização das Amostras Foi feito o acompanhamento da condutividade das soluções resultantes das lavagens das amostras até alcançar o valor de 30 µS.57% de Fe2O3. a camada octaédrica deve ser consti- tuída. que apresentou padrões de argila esmectítica (d = 15. do utilizando a expressão de Harkins & Jura16: Estudou-se a influência do aumento do tempo de tratamento (ARG-03) e da mudança do pH do meio (ARG-04). Na micrografia.0% (m/v) de argila em álcool etílico.

A análise quarta lavagem. V e Fe.05 Figura 5. Figura 6. De um modo geral.TiO2).g. sugerindo maior seletividade para remoção de ferro. Figura 4. QUÍMICA NOVA. Análise química de micro-regiões obtida por EDS/MET da partícula P observada na micrografia da Figura 3. deve ser devido à AgCl. rados de argila. quanto na forma de Desta forma. com os padrões de difração publi. Na Figura está assinalada a partícula P e a respectiva Figura de micro. foram obtidas figuras de difração de elé.53 da argila em substituições isomórficas. pela adição de gotas de solu- ção de AgNO3 (solubilidade do AgCl = 1. O titânio pode estar presente tanto que a condutividade ainda é elevada após a quarta lavagem. FeO.70 A análise mostra a presença de ferro. SiO2 63.8. ou ainda inserido na estrutura da nhamento através das medidas de condutividade apresenta maior argila como substituição isomórfica7. com nove lavagens a condutividade presença de partículas de argila agregadas à partícula “P”. Este resultado sugere a presença de ferro na estrutura Na2O 0. conforme está mostrado na Figura 3. Na Tabela 2 estão apresentados os resultados de análise trons (DE). A detecção dos elemen. A partir da química das soluções resultantes da primeira lavagem dos só- comparação dos planos de difração. TiO2). obtida por EDS/MET. Por Na Figura 4 está apresentada a análise química da partícula este método. Análise química obtida por FRX da argila natural Na Figura 5 está apresentada a análise química dos aglome- (ARG-Natural). Influência do número de lavagens nas medidas de conduti- vidade das águas de lavagem. alumínio. Micrografia da amostra ARG-Natural obtida por MET. Na Figura 6 está apresentada a variação da mostra que a partícula “P” é constituída principalmente por condutividade da água em função do número de lavagens neces- titânio. MgO 4. atinge um valor médio de 30 µS. Com o objetivo de identificar o composto contendo titânio presente na amostra. obtida por EDS/MET. pode-se sugerir que o composto presente clássico (ARG-02) de forma acentuada em comparação com o é o mineral rutilo (TiO2).22 TiO2 1.98 a forma de óxido ou hidróxido nos agregados de argila.Tabela 1. A presença de titânio já havia sido detectada pela análise sário para atingir a condutividade de 30 µS.54 possível que esteja sendo detectado ferro fora da estrutura sob CaO 0.04x10-5 mol/L). Caracterização das Águas de Lavagem Figura 3. silício e alumínio. os resultados mostram que o método de acompa- óxidos mistos (e. O elemento Cu refere-se ao material da grade de suporte da amostra. indicam que há remoção de ferro com o tratamento de DCB cados na literatura17. na forma de óxidos isolados (e. não sendo observada a presença de Fe2O3 8. assinalada na Figura 3.10 P2 O 5 0. Análise química de micro-regiões obtida por EDS/MET da fase argila (aglomerados) observada na micrografia (Figura 3). já que se trata de uma estrutura de baixa cristalinidade. 23(3) (2000) 299 .g. Entretanto. não sendo necessário um nú- mero maior de lavagens. Al. obtidos com o tratamento lidos após os tratamentos para remoção de ferro. além Al2O3 20. Os resultados de dados das figuras de DE. Normalmente. Pode-se observar química por FRX (Tabela 1). não foi observada precipitação de AgCl a partir da “P”. O elemento Cu refer-se ao material da grade de suporte da amostra. é também K2O 0. sensibilidade em comparação com os testes de precipitação com tos Si. o acompanhamento da lavagem para a retirada difração de elétrons (DE) obtida por dupla exposição de íons cloreto na etapa de purificação da argila natural é feito por teste de precipitação de AgCl.18 de cátions interlamelares.57 titânio. com baixa intensidade. É importante citar que não foi possível obter figura de difração de elétrons da fase Componentes Teor (%) argila.

8 0.3 8. Al- guns autores relatam a importância da presença de um agente redutor juntamente com um complexante no processo de remo- ção de ferro. estimados a partir dos difratogramas como cátion trocável. O tratamento da argila ARG-01 pelo método DCB clássico (ARG-02) é. tanto Al Fe Ca Mg a análise da água de lavagem. É verificada uma variação da razão mássica SiO2/Fe2O3 na etapa de purificação da argila (ARG-Natural ∅ ARG-01). Os difratogramas indicam a presença a de esmectita. moída com granulometria de 270 mesh. quanto a razão mássica SiO2/ Al2O3 indicam uma perda de alumínio estrutural. Isto indica que não há ataque ex- de tratamento. Este re- Al2O3. no tratamento realizado em meio ácido. em baixa concentração. Avaliação das Argilas Tratadas Na Tabela 3 estão apresentados os resultados de razão mássica SiO2/Al2O3 e SiO2/Fe2O3 obtidos a partir das análises químicas feitas por FRX das amostras sólidas. após a etapa de troca com NaCl.3 Na Figura 7 estão apresentados os difratogramas de raios X ARG-02∅ARG-03 0. de 15. purificada (ARG-01).6 0. pressivo à estrutura da argila no tratamento feito em meio bá- Etapa de Tratamento Percentual de metal removidoa (%) sico. 300 QUÍMICA NOVA.5 Å. sem retirar o fer.12. quartzo-alfa (Q) e feldspatos (F). ferro.0 ra de 60oC.2 7.1 1. camadas durante a etapa de secagem do material.2 para 14. que pode estar associada à retirada da fração areia (quartzo) e da fração silte (feldspato) da amostra natural. a princípio. é verificada uma maior retirada de ferro e de alumínio em rela- ção ao tratamento em meio básico com maior tempo (120 min. ácido (ARG-04) indicam aumento da remoção de ferro para ambos os tratamentos. Isto pode lavagem. Tabela 3.2 7. secas à temperatu- ARG-03 3. embora modifique seu número de cristalinidade pode ser devida à possível heterogeneidade entre as oxidação15. A pequena queda de ro da estrutura da argila. Amostra SiO2/Al2O3 SiO2/Fe2O3 (massa/massa) (massa/massa) ARG-Natural 3. verifica-se uma pequena razão mássica SiO2/Fe2O3 sem alteração da razão mássica SiO2/ diminuição do espaçamento basal.1 0. purificada e tratadas para re- de troca iônica com sódio (ARG-01). É importante citar que o moção de ferro (Figura 7). adequado. extraídos após cada etapa nio de forma significativa. quartzo e feldspato. o tratamento em meio básico apresenta Tabela 2. cálcio e magnésio maior seletividade para remoção de ferro.7 ARG-02 3. ARG-03 e ARG-04).7 . Na Ta- A presença de magnésio nas águas de lavagem sugere que bela 4 estão apresentados os valores de espaçamento basal parte deste elemento possa estar situado no espaço interlamelar d(001) e cristalinidade.o que está em concordância com a literatura10.2 6. Difratogramas de raios X das amostras. Percentuais de alumínio. o que sugere remoção de alumínio e de silício na mesma proporção. sultado pode ser atribuído ao enriquecimento da intercamada com ver somente remoção de ferro não-estrutural. ser explicado pela condição em que se encontrava a amostra de argila natural. Por outro lado. tratada com DCB clássico (ARG- ARG-04 3. No entanto. enquan- to o tratamento em meio básico utiliza ditionito de sódio. íons sódio. . magnésio deve estar situado preferencialmente na rede cristali- na da argila. purificada e após tratamentos para remoção de ferro. também é observada a remoção de cálcio e magnésio na mentos em meio básico em 120 minutos (ARG-03) e em meio condição de DCB clássico. já que a análise de DRX do material natural indica que se trata de uma esmectita dioctaédrica. É importante ressaltar que o tratamento em meio ácido não contém agente redutor na mistura reacional. tratada com DCB modificado (ARG-03) e tratada com ácido cí- trico (ARG-04). 23(3) (2000) . Por outro Os resultados da razão mássica SiO2/Fe2O3 para os trata- lado.4 0.4 ARG-01 3.2 . . Na figura estão assinalados os picos de difração re- ferentes à esmectita (E). na camada octaédrica. já que há um aumento da Após a purificação da argila natural. embora tenha havido uma etapa anterior das amostras natural (Figura 2). a razão mássica SiO2/Al2O3 não foi afetada. 02. De acordo com a análise das águas de lavagem (Tabela 2). ARG-03). No caso do tratamento em meio ácido (ARG-04). sem remover alumí- presentes nas águas de lavagens. para tornar o meio reacional mais seletivo13-15. mesmo após a etapa de fra- Valores obtidos por absorção atômica da primeira água de cionamento para a purificação da fração esmectita.5 8.6 Figura 7. ARG-01∅ARG-02 0. obtidos para as amostras purificada (ARG-01) e tratadas (ARG- ARG-02∅ARG-04 0. Razões mássicas de SiO2/Al2O3 e SiO2/Fe2O3 obtidas a partir das análises químicas feitas por FRX das amostras sólidas natural.2 02). de Fe3+ para Fe2+. É importante citar que este tratamento deveria promo.

contendo poros com Figura 9.72 ARG-04 13. com DCB modificado (c- d(001) em comparação com a amostra purificada (ARG-01). ARG-03 e ARG-04 em relação ao perfil das amostras natural e ARG-02. Espaçamento basal d(001) e cristalinidade obtidos a partir dos difratogramas das amostras natural. que é alterado do tipo H4 para o tipo H3 após os respectivos tratamentos. Todas as isotermas apresentam perfis do tipo IV. portanto a distribuição original de Fe3+/ Fe2+ não deve ser alterada. Figura 8. O difratograma de raios X da amostra ARG-04 indi- ca que esta é a amostra com menor cristalinidade. verifica-se ros das argilas estudadas como função da espessura de filme t estima- uma mudança no perfil da histerese das isotermas das amostras da pela equação de Harkins & Jura 16. a área específica desta amostra (S BET de 80 para 71 m 2/g). argi- (ARG-03) promovem uma diminuição do espaçamento basal las tratadas com DCB clássico (b-ARG-02).80 g (1. verifica-se que não há variação textural importante poros (cerca de 19%). diâmetro médio de poro (Dp). a amostra ARG-02 praticamente não apresenta mu- dança da cristalinidade em comparação com a amostra purificada (ARG-01). sob condições to em meio ácido.2 0. levando à queda da área específica.8 0. alterando a relação Fe2+/Fe3+ e ca BET (SBET). devido à maior atração com os cátions da intercamada. Na Figura 9 estão apresentadas as curvas de “t-Plot”. determinados a o colapso da estrutura. obtidas a partir das isotermas de adsorção de nitrogênio das amostras estudadas. Este resultado está coerente com o obtido anteriormente por análise química. Isotermas do tipo IV. QUÍMICA NOVA.8 0. Estes resultados são similares aos obtidos por Stucki tratamentos efetuados tanto em meio básico modificado. ARG-03) e com ácido cítrico (d-ARG-04). ticas de tratamento (ARG-02R) foi observado quando foram A análise textural da argila purificada (ARG-01) não apre.Tabela 4. o que sugere que o tratamento feito em meio ácido é mais agressivo à estru- tura da argila em relação aos tratamentos em meio básico. porém não afeta de forma significativa após o tratamento com DCB clássico. 23(3) (2000) 301 .3 0. o que indica microporos. nos tratamen- tos com DCB a redução Fe3+ a Fe2+ pode acarretar na aproxi- mação das lamelas. com histereses do tipo H4 (a) e H3 (B). com DCB modificado (ARG-03) e com ácido cítrico (ARG-04). Já os tratamentos com DCB modificado (ARG-03) e com ácido cítrico (ARG-04) fornecem amostras com maiores perdas de cristalinidade em relação à amostra ARG-02. Este resultado pode ser explicado considerando-se que em meio ácido não há agente redutor. de altas concentrações de ditionito.0% m/v) ao invés de 0. Por outro lado. Na Figura 8 estão apresentadas as isotermas de adsorção- dessorção obtidas para as amostras natural (ARG-Natural).56 a Determinada pela fórmula de Biscaye7. isto é. volume de poros. apresenta 36% de microporosidade em relação ao volume total O tratamento feito na amostra ARG-02 com ácido cítrico de poros.79 ARG-02 12. a redução do ferro presente Na Tabela 5 estão apresentados os valores de área específi. Este modificação da textura com o aumento do tempo de tratamento resultado indica uma mudança na textura do material com os com DCB.5 0. o que causaria diminuição no espaçamento basal. Tabela 5) em condições drás- natural e tratadas. que são característicos de sólidos mesoporosos. Avaliação do volume de nitrogênio adsorvido nos micropo- diâmetros na faixa de 20 a 500 Å.78 ARG-03 11. No caso do tratamento clássico para remoção de ferro não estrutural. purificada e tra- tadas para retirada de ferro. quan. A histerese do tipo H4 é obtida com materiais contendo da área específica (SBET de 80 para 51 m2/g). & Tessier14 e Lear & Stucki15 que observaram. As histereses dos tipos H3 e H4 são Para a amostra tratada com DCB modificado (ARG-03) características de materiais lamelares que possuem poros do tipo verifica-se uma diminuição do volume de microporos e queda fenda16. apresentando valores na faixa de 12 Å. utilizados dois ciclos de tratamento com 1. que é a relação entre a distância do vale ao topo do pico (vale) e a altura do pico à projeção do vale (pico): Cristalinidade = <vale>/<pico>.6 % m/v). na rede cristalina da argila.0 g de ditionito de senta variação em relação à amostra natural. Este fato é menos ex- pressivo no caso do tratamento em meio ácido (ARG-04). tra- tadas com DCB clássico (ARG-02). Por outro lado. poros com diâmetro inferior a 20 Å. que mostra retirada de alumínio. tendo como conseqüência volume de microporos e área externa (SEXT).90 ARG-01 14. Este efeito de diminuição da área espe- partir das isotermas de adsorção de nitrogênio das amostras cífica (SBET de 88 para 3 m2/g. Isotermas de adsorção e dessorção de nitrogênio obtidas a Os tratamentos com DCB clássico (ARG-02) e modificado partir das amostras estudadas: argila natural (a-ARG-Natural). Quando a argila natural é comparada com a amostra (ARG-04) produz uma pequena queda do volume de micro- ARG-02. Amostra Espaçamento basal d(001) Cristalinidadea (Å) ARG-Natural 15. O material natural sódio por ciclo (2.

. 2. volume de poros. W. 134. Hosan A. e não por um mecanismo de lixiviação 59. 9..087 40 0. Stucki. Duarte. S. 575-85. ASTM – Seach Manual – Hanawalt Method for Inorganic O autores agradecem a MPL do grupo UBM. Lisboa 1987 e o tempo de tratamento utilizado para obter uma remoção má. L. já que Actas do XVI Simposio Iberoamericano de Catálisis 1998..0 g de ditionito de sódio por ciclo de tratamento para 10 g de argila purificada (ARG- 01). com trinta minutos e um total de 1. em relação à remoção de 12. J. ferro e magnésio. presentes na argila. 163. C. J. Blesa. M. N. 59. A. E. edição revisada e ampliada. Dieguez. 475. S. 309.O que são e para que servem?. É possível que o pH empregado no tratamento não tenha sido suficiente para pro. Limoeiro Geraldo e Najla M. 302 QUÍMICA NOVA. 17. metais deve ocorrer principalmente através do ataque do 4. mento da bentonita natural. K. J. 16. Gomes. P. 6. 547. G.1. e Matijevic. Pa. P. J... Dieguez. 2045-2050. J. W. A Handbook of Determinative Methods in CONCLUSÕES Clay Mineralogy. W. 19 081.. San Gil. C. 23(3) (2000) . é importante avaliar a quantidade de ditionito de sódio Fundação Caloustre Gulbenkien. 3.. N. S. Leite. M. and Clay Minerals 1994. volume de poros.086 40 0. 40. Gan. Acad.115 89 0. de Materiais/UENF) pelo apoio nas análises de 18. Colloid e tem um agente complexante como contra-íon (o íon citrato). Stucki. área específica BET. Adsorption. Clays and Clay Minerals O tratamento em meio básico empregando o método de DCB 1960. além dos demais parâmetros texturais (volu. Torrones (Eng. Argilas . Applied Clay Science 1987.026 17 ARG-02R* 3 0. volume de microporos). V. R. e Grassi. Gregg. Tanto o M. tais como argilas pilarizadas. Avaliação textural por adsorção de nitrogênio: área específica BET. A. alumínio.002 —- * A amostra ARG-02R foi preparada com 1. ção. R. com dois ciclos de tratamento. San Gil. Interface Sci. 10. xima de ferro. Stucki. W. D. Geochimica et Cosmochimica Acta 1995. London. 5. me de poros. Embrapa – Ministério da Agricultura e do Abaste- tamento em meio ácido afetam a textura e a estrutura da argila.Tabela 5. et al. conforme foi observado por Jovanovic & Janackovic 18. Os tratamentos em meio básico proporcionaram melhores Revista Internacional de Información Tecnológica 1998. O. Rehin. M.. Mello.. O tratamento em meio básico realizado 14. J. C. & Sing. Bailey. argila foi a condição experimental mais adequada para extração 15. dentre outras.017 21 ARG-04 71 0. S. sem alterar de forma significativa a textura e a 2a. J. C. J. J. Soil Science dentre outros. Torres.137. editora Edgard Blücher. Ballesteros.0 mol/L). CNPq pela bolsa de IC e pelo suporte financeiro. Wilson.. amostras de argilas trata. Lear. Estrada (Diquim/CENPES/ das com ácido mineral concentrado apresentam aumento da Petrobrás) pela colaboração nas análises de DRX e FRX.5 a 4.. 1997. É importante ressaltar que o ácido cítrico é um ácido fraco 2... Surface area AGRADECIMENTOS and Porosity. volume de microporos e área externa. J. pelas vol. H. cimento. Q. 122. do que o tratamento feito em meio ácido. A. C.. Clays and Clay Minerals 1989. Leite. 9. J.. que trabalharam com ácido concentrado (na 1. Lucia M.. Ciência e Tecnologia de Argilas. picia a utilização do material tratado com o método DCB na 6. semelhante ao observado nos tratamentos com ácido mineral. REFERÊNCIAS vocar a lixiviação. e ao área específica. III. 0.. A. Desta forma..081 35 0. W. V. pelo forneci.. Compounds. Jovanovic. O. Applied Clay Science 1991. vol. Press.. Rueda. a remoção dos 1998. de.. L. W. Este fato pro. Swarthmore. 37. 1285. E. 1989 estrutura da argila. O aumento da concentração de ditionito de sódio no tratamento 13. Joint Committee on Powder Diffraction Data. o uso destes catalisadores é determinado. aos químicos Dr. 2 ª edi- aumento do tempo de tratamento em meio básico. M. EDS/TEM. 10. é mais seletivo para extração de ferro. P. R.. 7. F.031 24 ARG-01 87 0. 1973. L. F. W. E.. Manual de métodos de Análise de Solo. Blackie & Son Limited 1987. da S. 1601 Park Lane. L. Trolard. quanto o tra. Portanto. 8...6 g de ditionito por 10 g de 39. diâmetro médio de poro. produção de catalisadores.. 417. Torrent. Janackovic. 11. R. A. Souza Santos. o qual complexa com metais como alumínio. propriedades texturais (área específica. Amostra SBET Volume de poros DP Volume de microporos SEXT (m2/g) (cm3/g) (Å) (cm3/g) (m2/g) ARG-Natural 88 0. 1982. Applied Clay para a remoção de ferro com o método DCB provoca queda na Science 1996..031 —. Barrón.. complexante citrato.032 19 ARG-03 51 0. M. Jackson. 1990. H. Mehra. 7. 243. ao professor Luis Augusto H. R. indicativos de manutenção da estrutura da argila. Segundo Jovanovic & Janackovic 18. Clays faixa de 0. seletiva de ferro sem alterações significativas na argila.091 46 0.. M.. Claessen. etc). da S. M.. Paula. M. Clays and Clay Minerals 1991. Tessier.034 19 ARG-02 80 0. Barreto. Q.. Adams. 317. L.. EUA.