MODERNISMO NO BRASIL - Primeira geração - 1922 a 1930

Exposição de Anita Malfatti O homem amarelo A mulher de cabelo verde
 Principal antecedente da Semana da Arte Moderna.
 Arte julgada “esquisita” por Lobato.
 Propagação da arte vanguardista.
 Eixo cultural muda do Rio para São Paulo.

Paranoia e Mistificação

“Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que veem normalmente as coisas e em consequência disso fazem arte pura, guardados os
eternos ritmos da vida, e adotando para a concretização das emoções estéticas os processos clássicos dos grandes mestre.”

“A outra espécie é formada pelos que veem anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz das teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de
escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva.” - Monteiro Lobato

A SEMANA DE ARTE MODERNA – 1922 (11 a 18 de Fevereiro)

 Centenário da Independência política do Brasil. Projeto Literário da 1ª geração
 Mecenato paulista (termo que indica o incentivo e patrocínio  Inovação linguística.
de artistas e literatos, e mais amplamente, de atividades  Culto ao progresso.
artísticas e culturais).  Autenticidade da obra de arte.
 O espanto do público.  Publicação de “Klaxon” - Lançada em São Paulo no mesmo ano
 Mário de Andrade publicou “Pauliceia desvairada”. que se realiza a Semana de Arte Moderna, Klaxon (1922-1923) é
 Oswald de Andrade publicou “Memórias sentimentais de a primeira revista modernista do Brasil.
João Miramar”.  Modernismo toma conta do centro político e econômico do país.
 Manuel Bandeira apresentou “O ritmo dissoluto”  Não havia apoio popular.

OS SAPOS
(...) Vai por cinquenta anos  O texto inicia-se com uma referência do
O sapo-tanoeiro, Que lhes dei a norma: poetas parnasianos.
Parnasiano aguado, Reduzi sem danos  E ironiza o modo perfeito de se fazer arte.
Diz: - "Meu A fôrmas a forma. “Vede como primo
[cancioneiro Em comer os hiatos!
É bem martelado. Clame a saparia Que arte! E nunca rimo
Em críticas céticas: Os termos cognatos.”
Vede como primo Não há mais poesia,  Logo, o poema “Os sapos” faz uma crítica
Em comer os hiatos! Mas há artes poéticas..." contundente ao parnasianismo de modo
Que arte! E nunca rimo irônico e sarcástico, valendo-se do tema e
Os termos cognatos. Urra o sapo-boi: da própria forma poética na construção
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!" poética.
O meu verso é bom - "Não foi!" - "Foi!" –
Frumento sem joio. "Não foi!".
Faço rimas com (...) Manuel Bandeira
Consoantes de apoio.

Os Manifestos:

 1924 – Manifesto pau-brasil (Oswald de Andrade). – poesia ingênua, primitivista.
 1927 –. Manifesto do verde-amarelismo (Menotti del Piccha) – nacionalismo ufanista.
 1928 – Manifesto antropófago (Oswald de Andrade) – Oswald propugnava uma atitude brasileira de devoração ritual dos valores
europeus.

Oswald de Andrade
Poesia:
 Ironia
 Humor
 Crítica e imenso amor ao país
 Irreverência e concisão.
 Linguagem simples e ágil (também na prosa)
Prosa:
 Linguagem cinematográfica (Memórias Sentimentais de João Miramar)

sou filho da eu ir!] na palmeira. intenção não é mais a de exaltação da pátria. I . um intertextual consiste em reproduzir um intertextualidade ocorre quando um exemplo de citação: texto ou parte dele explicitamente. _________________________________________ [Conheces o país onde florescem as Onde é tudo belo laranjeiras? BRASIL e fantástico. E quase que mais amores nossas frutas mais gostosas Minha terra tem palmeiras. Sem que volte para lá satiriza o texto original de Gonçalves Dias. Ouro terra amor e rosas verdade Que tais não encontro eu cá.Canção do exílio natal. à noite. texto. Onde canta o Sabiá. sozinho. na tirinha a seguir. sem que a ideia original texto já existente. Nossa vida mais amores. o texto original é Murilo Mendes retomado. para lá quisera (Um sabiá. . para introduzir o seu seja alterada. Sem que volte pra São Paulo podemos dizer que a paródia é a intertextualidade Sem que eu volte para lá. Esse tipo de relação escrita”. com autor recorre a algum trecho de um outras palavras. dahin! e o maior amor. que significa a repetição = posição superior”. Im dunkeln die Gold-Orangen O céu cintila glühen. Goethe Só. seria feliz. blühen. Os passarinhos daqui Gioconda. Kennst du es wohl? — Dahin. Manuel Bandeira: na palmeira. Normalmente. e ouvir um sabiá com certidão de idade! Em cismar – sozinho.) Morte Teterê tetê Quizá Quizá Quecê! Ainda um grito de vida e Goethe Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu! voltar O negro zonzo saído da fornalha . na noite. Nossas várzeas têm mais flores. Dessa forma. com versos de um na palmeira. Vejam. longe. As aves. “graphé = um texto ao longo de outro. Os poetas da minha terra Onde canta o Sabiá. ziehn. E perguntou pro guarani da mata virgem ouro. A Nova Canção do Exílio . Minha terra tem mais rosas Nossas flores são mais bonitas Mais prazer eu encontro lá. O Zé Pereira chegou de caravela Ardem na escura fronde os frutos de só. Onde canta o Sabiá.. são pretos que vivem em torres de ametista.Não. longe. Não cantam como os de lá Eu morro sufocado em terra estrangeira. à noite– Eu quero tudo de lá Mais prazer eu encontro lá. marcada normalmente de uma sentença. seria feliz: Tradução da epígrafe feita pelo poeta um sabiá. Intertextualidade Visão ufanista e saudosista da terra  PARÓDIA II . Sou bravo. a Minha terra tem macieiras da Califórnia paródia apresenta um tom crítico. de forma que seu sentido Canção do exílio . Sem qu'inda aviste as palmeiras. longe. Minha terra tem mais terra Ai quem me dera chupar uma carambola de Minha terra tem primores. o Não permita Deus que eu morra sentido original foi alterado.. Minha terra tem palmeiras. Minha terra tem palmares com os oradores e os pernilongos. onde cantam gaturamos de Veneza.Canto de regresso à pátria os sargentos do exército são monistas. Não permita Deus que eu morra Reparem como a paródia de Murilo Mendes Minha terra tem palmeiras. Não permita Deus que eu morra.Drummond famosa “Canção do exílio” possui Um sabiá uma epígrafe. escritor alemão – Wolfgang Goethe: Estas aves cantam Kennst du das Land. sobre flores úmidas.. Onde gorjeia o mar Os sururus em família têm por testemunha a Nossos bosques têm mais vida. Esse tipo de pelo uso de aspas. muitas vezes.Sois cristão? Conhecê-lo? Para lá. A Onde canta o Sabiá. Möcht ich. na noite. É um trecho introdutório para outro que venha a ser produzido. A gente não pode dormir Nosso céu tem mais estrelas. .ROMANTISMO No caso da paródia. cubistas. wo die Citronen um outro canto.Gonçalves Dias passa a ser alterado. Não gorjeiam como lá. Sem que desfrute os primores E o progresso de São Paulo Que não encontro por cá. Sem que veja a Rua 15 das diferenças. sou forte. Vozes na mata. Minha terra tem mais ouro mas custam cem mil réis a dúzia. Oswald de Andrade os filósofos são polacos vendendo a prestações.. que aqui gorjeiam.  PARÁFRASE  EPÍGRAFE  CITAÇÃO O vocábulo “paráfrase” vem do grego O termo “epígrafe” vem do grego “epi A citação acontece quando há uma transcrição de “para-phrasis”. . Em cismar. marcado por ironia.

em oposição ao texto A. São Paulo: Cfrculo do Livro.] Ouro terra amor e rosas d) o texto B. ou seja. enfocam o mesmo motivo poético: a Canção do exílio Minha terra tem palmares paisagem brasileira entrevista a distância. Rio de Janeiro: Aguilar. coisa ruim. que é uma palavra que vem do grego e designa obras tais como a Ilíada e a Odisseia de Homero. Mário de Andrade Poesia Amar. Fräulein Elza (o grande medo de ”Amar. [. Minha terra tem mais rosas b) a exaltação da natureza é a principal característica do Nosso céu tem mais estrelas.TEXTO A TEXTO B . Onde canta o Sabiá. Deus que eu morra brasileira. belos e perfeitos e já em Macunaíma... Sem que eu volte para lá. com tom profético ironizando. Dessa forma. Dessa forma. s/d. O. perdoai!  Caricata Flores me são teus lábios. de crítica. a alternativa que melhor se Sem que desfrute os primores adequa à resposta da questão acima é a letra “C”. Sem que volte pra São Paulo o texto B revisita de forma crítica o texto A. Eu quero tudo de lá distanciamento geográfico do poeta em relação à pátria. desde eu menino. Não permita Deus que eu morra Comentário: Apesar da abordagem de um mesmo tema. Mais prazer eu encontro la.Sim pela graça de Deus a palmeira. mais evidentes do que as suas qualidades.. libertação Em que melhor se beba O bálsamo do amor? . o verbo Defesa dos falares regionais "amar" é transitivo direto e não intransitivo. no caso.  Morte como (. E o progresso de São Paulo uma paródia. falar do imigrante Em que melhor se leia linguística Foi-se-me um dia a saúde. Macunaíma Macunaíma" é fruto do conhecimento reunido por Mario de Andrade acerca das lendas e mitos indígenas e folclóricos. Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum! o longe. Seu pai. é sobre a iniciação sexual Liberdade formal do protagonista. E quase tem mais amores texto B. Não permita e) ambos os textos apresentam ironicamente a paisagem Em cismar . se seu filho tivesse sua iniciação num prostíbulo.Canto de regresso à Pátria Os textos A e B. ANDRADE. Analisando- Minha terra tem palmeiras. como o texto A. contrata uma profissional para isso.sozinho. revela Minha terra tem primores. atitude de quem se orgulha As aves. o sabiá.. mas por outro lado tem "Herói de nossa gente". D. que significa o grande mal. verbo intransitivo” Sousa Costa é que. Oficialmente. G. Carlos Alberto. Manuel Bandeira Alcântara Machado  Melancolia TESTAMENTO  Prosa urbana Livros e flores Proximidade com a (. Não permita Deus que eu morra. ela entra no lar burguês de Higienópolis para ser governanta e ensinar alemão aos quatro filhos do casal Sousa Costa. Se isto já não bastasse. Poesia e prosa completas.) Onde há mais bela flor.)  Inovação com Teus olhos são meus livros. Cademos de poesia do aluno Sem qu'inda aviste as palmeiras Oswald. Sem que volte para lá Minha terra tem palmeiras Onde canta o Sabiá. morte Criou-me. mas sem perder a visão crítica da realidade brasileira. classificada como idílio pelo próprio autor.. os seus defeitos estão mais exaltados. verbo intransitivo Apego a São Paulo O romance apresenta no próprio título uma contradição gritante. italiano A página do amor? Descrição do cotidiano Fiz-me arquiteto? Não pude!  Cotidiano retratado Evocação do passado Sou poeta menor. ainda recebe Reflexão sobre nacionalismo uma curiosa classificação: é apresentado na capa como Idílio. Laura. se revestem os dois textos. Nossos bosques tem mais vida. pois a caracterização dos heróis em outras obras são lindos. Gonçalves Dias. que valoriza a paisagem tropical realçada no Nossas várzeas tem mais flores. E fizeram o Carnaval. afinal. 1998. DIAS. Nossa vida mais amores.. reprodução do Que livro há aí melhor. pode- se dizer que a obra é uma rapsódia. pois Cristo é o salvador. Minha terra tem mais terra c) o texto B aborda o tema da nação. Os passarinhos daqui a) o ufanismo. O nome Macunaíma. Isso aparece como um visão de um herói pícaro ou de um herói às avessas. (ENEM 2009) . a noite . Sousa Costa. Onde gorjeia o mar os.. Que não encontro por cá. conclui-se que: Onde canta o Sabiá. e o tom de que Não gorjeiam como lá. Que tais não encontro eu cá. escritos em contextos históricos e culturais diversos. Simplicidade Para arquiteto meu pai. Obsessão pela língua “brasileira” A história. Sem que eu veja a rua 15 estabelecendo-se uma relação intertextual. preocupado em prepará-lo Prosa para a vida. já é o primeiro dado da sátira. Minha terra tem mais ouro texto A.. para onde é tudo belo Notem como há uma relação Tomou a palavra e respondeu e fantástico: temática entre a epígrafe e o texto de . que aqui gorjeiam. poderia ser ”Macunaíma” explorado pelas prostitutas ou até se tornar toxicômano por influência delas). Não cantam como os de lá excessivamente do país em que nasceu.

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