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O PREQUESTIONAMENTO NO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 1

PREQUESTIONAMENTO: EVOLUÇÃO HISTÓRICA, CONCEITO E TIPOS ............ 2

A JURISPRUDÊNCIA E O PREQUESTIONAMENTO .................................................. 6

O CPC/1973 E A NOVA ORDEM SUGERIDA PELO CPC/2015 ................................. 14

CONCLUSÃO .................................................................................................................. 24

RESUMO

O presente estudo objetivadefinir o que seja prequestionamento e seus
respectivos efeitos, notadamente à luz do Código de Processo Civil de
2015 – CPC/2015 e sob enfoque histórico e jurisprudencial. Pretende-
se suscitar as principais alterações e consequências atinentes às novas
possibilidades interpretativas, sem se olvidar da função constitucional
do Supremo Tribunal Federal – STF e do Superior Tribunal de Justiça
– STJ como agentes uniformizadores da interpretação das leis.

PALAVRAS-CHAVE: recurso especial;
cabimento;prequestionamento; conceito; história; tipologia:
prequestionamento explícito, implícito e ficto; jurisprudência.

INTRODUÇÃO

Dentro do universo jurídico processual dos recursos excepcionais (extraordinário

e especial), as hipóteses de cabimento ocupam espaço de efetiva importância na consolidação

dos objetivos constitucionais relacionados ao Supremo Tribunal Federal – STF e ao Superior

Tribunal de Justiça – STJ, como agentes uniformizadores da interpretação da lei

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constitucional e da lei federal, respectivamente, conforme preceituam os arts. 102 e 105 da

Carta Magna.

O prequestionamento revela-se como um dos mais relevantes pressupostos

necessários ao conhecimento do recurso especial. O termo "causas decididas" bem define a

competência dosTribunais Superiores como órgãos jurisdicionais de revisão. Daí nasce a

compreensão de que a insurgência apresentada em sede de recurso excepcional deve ter sido

prévia e oportunamente suscitada pela parte interessada, a fim de que tenha havido a

necessária apreciação do tema pelo Tribunala quo, para, então,viabilizar o exercício da

atividade uniformizadora.

Após delimitação histórica e conceitual do prequestionamento, o presente estudo

reflete sobre a complexa evolução jurisprudencial sobre o tema, definindo o entendimento

consolidado tanto no âmbito do STF quanto no do STJ, na vigência da legislação processual

de 1973, e em face da nova ordem imposta pelo Código de Processo Civil de 2015 –

CPC/2015.

PREQUESTIONAMENTO:EVOLUÇÃO HISTÓRICA, CONCEITO E TIPOS

O prequestionamento surge inicialmente como necessidade de manifestação das

partes no tempo adequado, ou seja, um questionamento prévio, com o objetivo de que o órgão

jurisdicional competente realize juízo acerca do ponto controvertido relevante para o

julgamento da lide e cuja interpretação pretende-se pacificar.

Essa atividade das partes foi incorporada ao texto constitucional brasileiro na

Constituição de 1891, inspirada no direito norte-americano que, a partir da Lei Judiciária de

1789 (JudiciaryAct), instituiu a possibilidade da interposição de recurso para a Corte Suprema

Min. Recurso Extraordinário e a nova função dos Tribunais Superiores no direito brasileiro. 1 MANCUSO. no diploma constitucional de 1891. sobre cuja a aplicação se haja questionado”. a admissibilidade do apelo perante a Corte Suprema no Brasil abrangia não somente o prévio questionamento das partes sobre o tema. motivo pelo qual parte da doutrina defendeu que a exigência do prequestionamento teria sido superada. 101. 101.705. e a decisão do tribunal do Estado for contra ella”. 76. O Prequestionamento nos Recursos Extraordinário e Especial. 4 ed. § 1º. 216. III. Recurso Extraordinário e Recurso Especial. 3 contra decisão exarada pela Justiça Estadual que se manifestasse sobre a questão federal suscitada pela parte interessada (writ oferror)1. Ocorre que. pois o Supremo Tribunal Federal orientou-se no sentido de que “a exigência do prequestionamento estaria implícita na referida Constituição Federal e as decisões proferidas a partir da mencionada Constituição passaram a referir-se ao prequestionamento como a manifestação. da Constituição de 1937: “quando a decisão for contra a letra de tratado ou lei federal. 59. 76. III. “a”)6. sobre cuja aplicação se haja questionado”. 337. 11 ed. “a”. “Apesar de . São Paulo: Revista dos Tribunais. 101. Recurso Especial. p. III. 4 Art. III. Lafayette de Andrada. III. também e cumulativamente. no Brasil. 7 WAMBIER. da Constituição da República de 1934: “quando a decisão for contra literal disposição de tratado ou lei federal. contudo. 2010. mas. pelo Tribunal recorrido. Rel. É certo que o texto atual não fala expressamente sobre esse ponto. “a”. 2 Art. p. Rodolfo de Camargo. da Constituição de 1946: “Ao Supremo Tribunal Federal compete julgar em recurso extraordinário as causas decididas em única ou última instância por outros Tribunais ou Juízes quando a decisão for contrária a dispositivo desta Constituição ou à letra de tratado ou lei federal”. Bruno Dantas. de discussão – essa exigência está implícita” (STF. mas. III. Na Carta Política de 1946. 2005. acerca da questão de direito”7. 101 da Constituição exige sempre o prévio questionamento da lei. “a”. RE 13. “a”)5. 3 MEDINA. O argumento. “a”. São Paulo: Revista dos Tribunais. também. 2016.3 Essa compreensão do prequestionamento manteve-seincontroversanas Constituições de 1934 (art. p. não foi acolhido jurisprudencialmente. 101.162). por sua vez. a manifestação do Tribunal de origem2. o prequestionamento passou a ser entendido não só pela mera invocação do direito pelas partes. No mesmo sentido quanto ao prequestionamento na Constituição de 1946. 1. 5 Art. 275. p. São Paulo: Revista dos Tribunais. Por isso. o verbo "questionar" foi suprimido do texto (art. excertos dos seguintes julgados do STF: “Entendo que o recurso extraordinário com fundamento na letra “a” do inciso III do art. 6 Art. José Miguel Garcia.“a”)4ena de 1937 (art. Teresa Arruda Alvim. mas é ineludível que a lei tenha sido objeto de exame. da Constituição da República de 1891: “quando se questionar sobre a validade de leis ou a applicação de tratados e leis federaes. pela efetiva apreciação da matéria na decisão recorrida. DJ de 11 de abril de 1950.

4 Na Constituição Federal de 1988. Min. 105. Mário Guimarães. São Paulo: Revista dos Tribunais. ” (STF. Rodolfo de Camargo. “a”. III. em decorrência da ausência do requisito processual do prequestionamento. DJ de 17 de novembro de 2000. em única ou última instância. DJ de 8 de setembro de 1950. 102. precipuamente. da Constituição de 1988: “Compete ao Supremo Tribunal Federal. a redação do dispositivo constitucional relativo ao recurso extraordinário continuou a mesma (art. Min. 11 Art. “Não se conhece do recurso extraordinário na hipótese em que a questão constitucional não foi ventilada no acórdão recorrido. 102. . a atividade jurisdicional de revisão da aplicação e da interpretação da lei nos moldes do original JudiciaryAct apenas foi dividida institucionalmente entre a Suprema Corte (uniformização das normas constitucionais) e o STJ (uniformização das leis federais). do Distrito Federal e Territórios. Rel. cabendo-lhe julgar. “a”)11 com aquela relativa ao recurso extraordinário. Aldir Passarinho.809. RE 14619. Min. concebido em razão da necessidade de um Tribunal Superior – ante a sobrecarga da Corte Suprema – responsável pelo julgamento de recursos extraordinários relativos à uniformização do direito federal10. III. a guarda da Constituição. 13. p. Rel. pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados. AgRg no RE 267499. quando a matéria constitucional suscitada não tiver sido apreciada pelo acórdão recorrido. Maurício Corrêa. Afinal. ou negar-lhes vigência”. 11 ed.312). p. Rel.914. como em outros votos tenho procurado mostrar. DJ de 4 de novembro de 1954. DJ de 24 de novembro de 1989. 9 “Prequestionamento do tema embasador do extraordinário: necessidade. as causas decididas. nota-se uma forte identidade entre a redação constitucional relacionada ao cabimento desse apelo (art. p. não aludir a Constituição vigente a esse requisito do recurso extraordinário. o prequestionamento. Firmou-se a jurisprudência do STF no sentido de que o tema que dá base ao recurso extraordinário. assim como o entendimento segundo o qual o prequestionamento constitui requisito implícito ao cabimento do recurso extraordinário e traduz-se na manifestação do órgão jurisdicional sobre a questão constitucional controvertida9. Rel Min. DJe de 11 de fevereiro de 2016). da Constituição de 1988: “Compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar. ainda que de natureza constitucional. Edson Fachin. III. 2010. 17496). quando a decisão recorrida contrariar dispositivo desta Constituição”. “ (STF. 515). 27). Orozimbo Nonato. Rel. deve ser objeto de exame no acórdão recorrido. AI 16. ” (STF. “No recurso extraordinário não é lícito matéria que não foi objeto de exame pelo acórdão recorrido. Min. 10 MANCUSO. Recurso Extraordinário e Recurso Especial. Ainda no que se refere à Carta Magna de 1988. p. ” (STF. quando a decisão recorrida contraria tratado ou lei federal. A respeito do recurso direcionado ao Superior Tribunal de Justiça. 105. as causas decididas em única ou última instância. “É inadmissível o recurso extraordinário. em recurso especial. 8 Art. 8. ” (STF. creio que sua exigência deriva da índole mesma deste recurso. III. p. AgRg no AI 127. 96-97. “a”. mediante recurso extraordinário. “a”)8. AgRg ARE 923585. é importante destacar a criação do Superior Tribunal de Justiça.

julgado em 10/04/2012. por exemplo. Rel. julgado em 13/12/1989. de modo expresso. A doutrina majoritária e a jurisprudência dos Tribunais Superiores estabelecem que o prequestionamento pode ser explícito. a míngua do indispensável prequestionamento (STJ. DJe 12/02/2016) 13 No que diz respeito aos tipos de prequestionamento. “O recurso especial. tem como pressuposto de admissibilidade a circunstância de haver a questão jurídica que da norma exsurge sido objeto no julgamento recorrido. Primeira Turma. Diante desse contexto histórico. p. A . DJ 12/02/1990. Definidas o atual conceito do instituto. é necessária e indispensável a oposição de embargos de declaração para suprir a omissão” (STF. art.035. 731). caso a questão constitucional não tenha sido apreciada pelo Tribunal de origem. Rel. 12 “Se na decisão recorrida não foi ventilada a questão de ordem legal suscitada no apelo extremo. implícito e ficto. Se o Tribunal de origem não adotou entendimento explícito a respeito do fato veiculado nas razões recursais. pelo Tribunal a quo. inviabilizada fica a análise sobre a violação dos preceitos evocados pelo recorrente.a sua necessidade e a sua importância. ” (STJ. 5 Sob esse ponto de vista. somente considera prequestionada a questão constitucional quando tenha sido enfrentada. STF e STJ em certos momentos expuseram entendimentos diferentes acerca da conceituação de cada um dos tipos de prequestionamento. sendo certo que. a Corte Suprema. Com efeito. seguem os seguintes trechos de julgados do STF e do STJ: “Entendimento sedimentado na Corte no sentido de não admitir o chamado prequestionamento implícito. III. julgado em 17/12/2015. DJe-092 de 10-05-2012).quese perfaz a partir da efetiva apreciação pelo órgão julgador do tema constitucional ou infraconstitucional a ser pacificado– atividade cognitiva que ocorre a partir da provocação da parte interessada no momento oportuno (questionamento prévio). não merece ser conhecido o recurso. DJ 08/03/2000. Rel. AgRg no AREsp 797. Dias Toffoli. “Esta Corte não tem procedido à exegese a contrario sensu da Súmula STF 356 e. Sobre o tema. Ministro Vicente Leal. toda a construção doutrinária e jurisprudencial até então consolidada acerca do conceito e da necessidade do prequestionamento são também aplicáveis ao recurso especial12. REsp 233.855. enquanto o Superior Tribunal estabelecia de maneira mais delimitada a diferença entre esses tipos13. 105. passa-se ao estudo dos tipos de prequestionamento. fundado na alegação de afronta a preceito de lei federal – CF. ou seja. 176). REsp 238. Ministro Geraldo Sobral.em hipóteses similares. julgado em 15/02/2000.” (STJ. por consequência. “A configuração do prequestionamento pressupõe debate e decisão prévios pelo colegiado. p. emissão de juízo sobre o tema. Relator(a): Min. conforme aprofundado abaixo. prevaleceu na jurisprudência brasileira a orientação de que o prequestionamento é requisito obrigatório de cabimento dos recursos excepcionais. a –. AI 735115 AgR. tratava os prequestionamentos implícito e ficto como sinônimos. Ministro Humberto Martins.

julgado em 20/08/2013. a evolução jurisprudencial acerca do prequestionamento ensejou a ediçãodos seguintes enunciados sumulares no ano de 1963: mera oposição de embargos declaratórios não basta para tanto. 6 No presente estudo.094. tanto no STF quanto no STJ. Ministro Benedito Gonçaslves. Ministro Sérgio Kukina. Logo.514. Relator(a): Min. Isso implica. b) implícito – a Corte a quo debate o tema.383. que se daria com a mera oposição de aclaratórios. sem que oTribunal a quo tenha efetivamente emitido juízo de valor sobre asteses debatidas" (STJ. AgRg no REsp 1. coube à jurisprudência do STF e do STJ definiros limites interpretativos do instituto. No âmbito da Suprema Corte. A conceitual dos tipos de prequestionamento é fundamental para a compreensão da evolução jurisprudencial sobre o instituto. de forma que se possa reconhecer qual norma direcionou odecisum objurgado" (STJ. . sem absolutamente nenhum enfrentamento da tese pelo Tribunal de origem. considero as seguintes definições sobre os tipos de prequestionamento: a) explícito – o Tribunal de origem trata do tema e menciona os dispositivos legais apontados como violados. também.” (ARE 707221 AgR. A JURISPRUDÊNCIA E O PREQUESTIONAMENTO A partir da conclusão no sentido de que o prequestionamento prévio é pressuposto constitucional para a abertura da atividade uniformizadora. DJe de 21/06/2016). AgRg no REsp 1.611. "O Superior Tribunal de Justiça aceita o prequestionamento explícitoe implícito. as modalidades ditas implícita e ficta de prequestionamento não ensejam o conhecimento do apelo extremo. definir a extensão da atividade cognitiva desenvolvida pela Corte a quono acórdão recorrido necessária para o conhecimento dos recursos excepcionais. contudo. não admite o chamado 'prequestionamentoficto'. sem abordar expressamente as normas infraconstitucionais indicadas no recurso e c) ficto – hipótese em que há mera alegação da parte na instância ordinária.DJe de 03/09/2013). "Somente se poderá entender pelo prequestionamento implícito quando a matéria tratada no dispositivo legal for apreciada e solucionada pelo Tribunal deorigem. Rel. Rosa Weber. DJe-173 de 03-09-2013). Rel.

defendeu a necessidade do prequestionamento explícito para conhecimento do apelo. Rel. “Por último. Sobre o assunto. é importante destacar a relevante discussão empreendida pelo Ministro Marco Aurélio de Mello. data de julgamento: 22/08/1963). na decisão recorrida. quanto a essa matéria. surgiu a necessidade de se discutir com maior profundidade a questão do prequestionamento e sua extensão para conhecimento dos recursos extraordinários. O ponto omisso da decisão.”(STF. no âmbito do STF. sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios.055. Com efeito. Com o tempo e diante da complexidade das demandas. em diversos julgados. Súmula 356. no que se refere à Súmula n. Os precedentesque deram origem ao enunciado sumularconsignam que a impossibilidade de conhecimento do apelo decorre do fato de que o recurso extraordinário não é sucedâneo de embargos de declaração14. assim. Victor Nunes. tão- somente afirmam que é imprescindível que a tese tenha sido apreciada pelo acórdão recorrido. Os julgados nem sequer apresentam análise acerca da profundidade do juízo de valor sobre a matéria. Não é admissível apelo extremo quando não ventilada. que. defendeu o julgador reiteradas vezes 14 “O recurso extraordinário não é meio processual hábil para suprir embargos de declaração” (STF. que deveriam ter sido opostos no caso presente. RE 53484. 356/STF. por faltar o requisito do prequestionamento. a questão federal suscitada. Faltou. os precedentes que ensejaram a edição das súmulas são bastante objetivos em afirmar a necessidade de manifestação pelo Tribunal de origem sobre a questão constitucional controvertida para conhecimento do recurso extraordinário. Rel. RE 47. . data de julgamento: 09/08/1963). sua interpretação era simples no sentido de que não seria conhecido o recurso extraordinário em que. pela imprescindibilidade de apreciação da tese pelo acórdão recorrido como também do dispositivo constitucional supostamente violado. pois o recurso extraordinário não é substitutivo dos embargos declaratórios. Pedro Chaves. os defeitos formais do termo de renúncia à herança não foram apreciados no acórdão recorrido. o indispensável pré- questionamento. a parte não teria oposto embargos de declaração para fins de prequestionamento. A propósito. ou seja. Min. 7 Súmula 282. a despeito da omissão do acórdão recorrido. não pode ser objeto de recurso extraordinário. A esse respeito. Min.

para o que conta com os embargos declaratórios” (AI 264709. o recurso poderá ser examinado quanto ao julgamento dos embargos.1994). DJ 06-06-1997 PP-24874.639/RS. Rel. Min.”(STF. julgado em 04/04/2000. Relator Min. “Interpostos embargos de declaração do acórdão do STJ. 208. PP . RE 210638. Segunda Turma. RE 226072. omissões. Rel Min Ellen Gracie.” 17 “O que. MARCO AURÉLIO. atendida está a Súmula 356/STF. Segunda Turma. A parte contrária. p. 356/STF teria instituído a possibilidade de conhecimento da questão constitucional não apreciada pelo acórdão recorrido quando a parte já tivesse utilizado todos os instrumentos processuais para que a tese fosse apreciada pelo Tribunal de origem – prequestionamento ficto17. Relator(a): Min. RE 225590 ED. julgado em 10/08/1999. contradições e obscuridades. prequestionada no próprio voto do recurso especial. embargou do acórdão em recurso especial a fim de que houvesse o prequestionamento de tese constitucional. A esse respeito. o Tribunal Estadual julgou a controvérsia com fundamento em preceitos de ordem constitucional e infraconstitucional. de Relatoria do Ministro Nelson Jobim. mesmo rejeitados os embargos de declaração. Relator Min. que não se manifestou sobre a questão constitucional antes debatida. Relator Min. de manifestação sobre ela. DJ de 23/3/2001. 16 Na hipótese. então. tendo uma das partes interposto recurso especial que foi provido a partir da análise da legislação infraconstitucional. Forense. devendo a parte interessada em ver o processo guindado à sede excepcional procurar expungir dúvidas.. Relator Min. MARCO AURÉLIO. E em alguns outros julgados prevaleceu o entendimento de que a Súmula n. No julgamento do recurso extraordinário prevaleceu a tese de que a questão constitucional estaria aludida e. v. Rel. aduziu o Ministro relator trecho da obra de Moniz de Aragão: “. 326. o que lhe foi negado. indevidamente omitido pelo acórdão. de logo. O conhecimento do recurso extraordinário não pode ficar ao sabor da capacidade intuitiva do órgão competente para julgá-lo. Por outro lado. AI 182692 AgRg. portanto. somente então. Daí a necessidade de o prequestionamento ser explícito. 8 que “o conhecimento do extraordinário não pode ficar ao sabor da capacidade intuitiva dos que integram o órgão competente para julgá-lo”15. viabilizando o acesso à Suprema Corte.interpor recurso extraordinário sobre a matéria dos embargos de declaração e não sobre a recusa. . MARCO AURÉLIO. RE 195821. DJ de 19/6/1998. Segunda Turma. não obstante. DJ 19-02-1998 PP 00037. no julgamento deles. nada mais se pode exigir da parte. 12. DJ 09-06-2000 PP-00032. julgado em 06/10/1998. mas. a teor da Súmula 356.”(STF. não foi objeto de embargos de declaração.julgado em 07/11/2000. DJ 22-11-1996 PP- 45703. por entendê-la inexistente. à omissão formal não corresponde efetivamente lacuna substancial. Min Sepúlveda Pertence. AI 136383 AgR. em que a complexidade processual do caso resultou na aplicação do prequestionamento implícito para o conhecimento do recurso extraordinário16. Rev. faço destaque ao rico debate empreendido no julgamento do RE n. opostos esses.. Relator Min MARCO AURÉLIO. MARCO AURÉLIO. DJ 16-02-2001 PP-00121. se recusa o tribunal a suprir a omissão. Segunda Turma. permitindo-se-lhe. MARCO AURÉLIO. concluir-se pelo enquadramento do extraordinário no permissivo constitucional. RE 117969. não ficará somente na apreciação da recusa de suprir-lhe a apontada omissão (in Pré-questionamento. se da análise da deliberação recorrida defluir que.00011). 47. RE 242640. DJ 15-10-1999 PP-00026. Segunda Turma. se reputa carente de prequestionamento é o ponto que. MARCO AURÉLIO. se. PP – 00095). 15 “A razão de ser do prequestionamento está na necessidade de proceder-se a cotejo para. DJ 06-09-1991 PP-00221).

p. DJ de 23/6/2006. RE 233. existia orientação jurisprudencial no sentido de que eventual alegação de violação dos arts. seja quando da oposição de embargos de declaração– e o Tribunal de origem tenha permanecido silente19. 5º. publicado no DJ de 19/06/98: 18 “Alegada afronta aos arts. Entretanto. Moreira Alves. Na ocasião. M. em que o colegiado deliberou com profundidadesobre o tema. Min. não foi apreciada pelo Tribunal a quo”). LV. 19 “Os embargos de declaração apenas suprem a falta de prequestionamento quando a decisão embargada haja sido efetivamente omissa a respeito de questão antes suscitada. DJ de 29/11/2001.638. RT. PP 00051. PP . Rel. II. LIV. XXXV. Analisei a questão a partir do acórdão da Segunda Turma. RE 505816 AgR. o que ocorre em momento processualmente adequado. 2ª ed. DJ de 6/8/1999. IX. no entanto.” (STF. fiel aos precedentes que embasaram a Súmula 356 conforme consignei na ementa do RE 210. onde não têm guarida alegações de ofensa reflexa e indireta à Carta Magna. que consagrava o entendimento agora reiterado por S. ou 93. a despeito da ausência de manifestação do acórdão recorrido acerca do tema controvertido. “O cumprimento do requisito do prequestionamento dá-se quando oportunamente suscitada a matéria constitucional. 5º. da Constituição Federal. julgado em 24/04/2007. Ricardo Lewandowski. Cármen Lúcia. Primeira Turma. A inovação da matéria em sede de embargos de declaração é juridicamente inaceitável para os fins de comprovação de prequestionamento. A propósito. Ilmar Galvão.934. DJe-018 17-05-2007). 290). No mesmo sentido: STF. O Prequestionamento nos Recursos Extraordinário e Especial. nos termos da legislação vigente. julgado em 14 de abril de 1998. que a consagrou na Súmula 211/STJ (“Inadmissível recurso especial quanto à questão que.800.00051). 1999.961 ED. julgado em 06/04/2010. 219. Alegação insuscetível de ser apreciada senão por via da legislação infraconstitucional que fundamentou o acórdão.: mantive-me.” (STF. procedimento inviável em sede de recurso extraordinário. STF. Min. Relator Ministro Octavio Gallotti. trago à baila o emblemático debate ocorrido no julgamento do RE n.” (STF. DJe-076 29-04- 2010) . IX. XXXV. na doutrina. Relator(a): Min. a evolução jurisprudencial da Suprema Corteconsolidou entendimento de que o requisito do prequestionamento estaria preenchido quando.. Primeira Turma. CARLOS BRITTO. PP – 00019. da Constituição Federal. AI 547. Rel. a mesma tese veio a receber a defesa vigorosa de excelente monografia de um jurista do Paraná (J. Garcia Medina. defendeu o Ministro Sepúlveda Pertence: A opinião expendida pelo eminente Ministro Marco Aurélio é hoje jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Rel. 9 Naquele momento. da lavra do Ministro Marco Aurélio. a parte houvesse suscitado a questão em momento oportuno – seja nas razões do recurso principal. AI 38720. a fim de defender a negativa de prestação jurisdicional. Min. a despeito da oposição de embargos declaratórios. LV e. Relator(a): Min. 93. E. Exa. revelava-se reflexa ao texto constitucional e não merecia acolhimento18. RE 598123 AgR.

Sálvio de Figueiredo. opostos esses. do CPC. nada mais se pode exigir da parte. Ministro EDUARDO RIBEIRO. em 1989. p. no julgamento deles. de logo. Rel. interpor recurso extraordinário sobre a matéria dos embargos de declaração e não sobre a recusa. que se admite seja implícito” (STJ. no entanto. “A matéria abordada pelos preceitos de lei federal invocados pela recorrente não foi objeto de análise no Tribunal de origem. se reputa carente de prequestionamento é o ponto que. julgado em 17/04/1990. julgado em 08/02/2000. 184. sem definir a extensão do efeito devolutivo do acórdão recorrido para fins de conhecimento do recurso especial21. DJ 16-02-2001 PP-00140 21 Confira-se. Rel. transcrito no informativo 157. permitindo-se-lhe. 10 “EMENTA: I.639. 5362). RE: prequestionamento: Súmula 356. REsp 2. 3220). I. mediante a aplicação das Súmulas n. firmou-se posição de que o prequestionamento necessário ao conhecimento do recurso especial é aquele que revela a apreciação do tema controvertido pelo acórdão recorrido. Min. “Como requisito do recurso especial.579/RS. parágrafo 1. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS. Min. do autorizativo constitucional”. exigir. Rel.20 No âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Importa que a questão jurídica. se recusa o Tribunal a suprir a omissão. 356. 7348). “Na hipótese.. violou a literalidade do art. neste sentido. 12359). não é indispensável que a decisão recorrida haja mencionado os dispositivos legais que se apontam como contrariados. norma infraconstitucional.983. na egrégia Segunda Turma. mas. a reafirmar a doutrina da Súmula 356. nesse caso. não obstante. ao concluir pela intempestividade dos embargos. de ofício ou implicitamente que seja”. DJ 6/8/1990. José Dantas. DJ 13/03/2000. Primeira Turma. Rel. analisavam a temática da mesma forma com que procedia o Supremo Tribunal Federal à época. p. Octavio Galloti. porquanto implícito o seu prequestionamento. tenha sido versada”. 282/STF e 356/STF. não foi objeto de embargos de declaração. (REsp 149. julgado em 14/06/2000. 22 “O recurso especial reclama. assim. os primeiros julgados. REsp 10. DJ 21/6/1993. Min. a maioria também se alinhou ao mesmo entendimento da Primeira. 169).” (STJ. o acórdão recorrido. p. que se pretende por eles regulada. os excertos dos seguintes julgados do STJ: “Para que a matéria tenha-se como prequestionada. que o Plenário esteja. a interposição de embargos declaratórios para prequestionar a aplicação do citado dispositivo processual constitui demasia. prequestionamento. Com o amadurecimento das discussões sobre o tema e pelo fato de que o manejo dos aclaratórios tinham – e tem – fundamento legal no Código de Processo Civil. REsp 1. que chegou a perfilhar a tese do Ministro Marco Aurélio. Relator Min. ainda que implicitamente22. por entende-la inexistente.” Noto que. É oportuno. (REsp 3. se.304/SP. de uma maneira mais genérica. p. no RE 208. a teor da Súm. indispensável ao conhecimento do recurso interposto pela alínea "a".. p.201/PR. Rel. (STJ. de estreita fidelidade à Súmula. DJ 23/04/1990. neste julgamento.871/RJ. pela sua natureza. 20 RE 219934. após a tese do Ministro Nelson Jobim. Antônio de Pádua Ribeiro. ou seja. DJ de 11/6/1990. O que. restando inobservado o requisito do prequestionamento. . indevidamente omitido pelo acórdão. o prequestionamento se basta compreendido pela matéria versada no acórdão. de manifestação sobre ela.

o prequestionamento não é um requisito . então. a fim de anular o acórdão recorrido – proferido em julgado dos embargos declaratórios –. Afinal. A partir desse entendimento. A jurisprudência do Superior Tribunal foi. 211: Inadmissível recurso especial quanto à questão que. a Súmula n. Portanto. respectivamente. 98 da Corte Superior: Embargos de declaração manifestados com o notório propósito de prequestionamento não tem caráter protelatório. ainda que persistisse a omissão do Tribunal. o particular deveria opor embargos de declaraçãoprequestionadores que. não foi apreciada pelo tribunal a quo. de modo a inviabilizar a interposição de recurso especial sobre a questão federal controvertida. 535 do Código de Processo Civil de 1973 – CPC/1973. em 1994. mas deve ser possível inferir da fundamentação a análise da matéria – prequestionamentos explícito e implícito. observa-se que em sede de recurso especial não havia espaço para acolhimento da tese de prequestionamento ficto. construída a partir do entendimento de que o acórdão recorrido deveria efetivamente tratar da questão federal supostamente violada. a solução seria a interposição do apelo por violação do art. Surgiu. pois a sistemática processual da época dispunha do procedimento aplicável a fim de preencher a lacuna jurisdicional e abrir a via do especial. 11 Assim. para que o Tribunal de origem fosse instado a manifestar-se sobre a tese omitida. a despeito da oposição de embargos declaratórios. caso não houvesse a prestação jurisdicional adequada na origem a fim de prequestionar a matéria e abrir a via do recurso especial. Nada obstante. foi editada em 1998 a Súmula n. por sua vez. Ou seja: pode-se até não fazer menção ao dispositivo de lei federal. não poderiam ser considerados protelatórios. então.

DJ 29/06/2007. 23 “Nos termosdas Súmulas 282 e 356/STF. Incide. 708). mas sim um pressuposto constitucional imprescindível ao conhecimento do recurso especial23.”(AgRg no AREsp 357. de Relatoria do Ministro Demócrito Reinaldo. A esse respeito. sua consequência concreta. Jorge Mussi. 211/STJ. Ministro HERMAN BENJAMIN. 12 meramente formal. Abordando questão paralela. haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Rel. de lei que fundamentam a decisão. Ministro GILSON DIPP. Min. o AG n. a despeito da oposição de Embargos de Declaração.” (REsp 1520200/PR. . pois se assim procedesse estaria vulnerando o princípio das instâncias recursais. de modo que somente tal questão revelar-se-ia controvertida e capaz de ser pacificada por meio da interposição de recurso especial. Rel. a Súmula 211/STJ. um dos precedentes que ensejou a edição da Súmula n. DJe 12/09/2016). 67820.” (AgRg no REsp 884. DJ de 25/9/1995. 31089. Min. DJe 14/8/2014). p. Rel. 24 AgRg no AG 67820/SP. A supressão de instancia. principalmente no que concerne ao direito de defesa24. é inviável em sede de recurso especial a apreciação de matéria cujo tema não fora objeto de discussão no acórdão recorrido. abordou justamente a natureza constitucional do prequestionamento: Com efeito. na espécie. julgado em 17/05/2007. Rel.037/SP. é defeso a esta Corte debruçar-se sobre tema não examinado pelo acórdão recorrido. tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal a quo. constitui gravíssimo atentado contra as garantias processuais das partes. Demócrito Reinaldo. A questão federal somente ventilada no voto vencido não atende ao requisito do prequestionamento Esse posicionamento consubstancia-se no entendimento de que a posição majoritária do Tribunal de origem somente foi explicitada no voto vencedor. julgado em 21/05/2015. p.811/DF. que limita a amplitude do efeito devolutivo. “O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável o conhecimento do Recurso Especial quando os arts. tendo em vista a exigência do indispensável prequestionamento. uma vez que cabe ao Tribunal a quo manifestar-se sobre o tema. sem a explícita indicação dos arts. É bem verdade que esta Corte permite também o prequestionamento implícito nas hipóteses em que as questões debatidas no recurso especial tenham sido decididas no acórdão recorrido. a mais recente súmula do STJ relacionada ao prequestionamento foi editada em 2005 e teve como fundamento jurisprudência já consolidada no sentido de que o voto vencido do acórdão recorrido não seria suficiente para atender ao requisito do prequestionamento: Súmula 320. “o prequestionamento é requisito indispensável para o conhecimento do recurso especial e significa a emissão de juízo de valor pelo Tribunal a quo sobre a questão levada a discussão nesta instância extraordinária.

RE 678. ou seja. A mera oposição de embargos declaratórios não basta para tanto”. portanto. sem o efetivo debate acerca da matéria versada pelos dispositivos constitucionais apontados como malferidos. em sede de recurso extraordinário. somente considera prequestionada a questão constitucional quando tenha sido enfrentada. o indicou mudança de entendimento. julgado em 09/11/2016. Primeira Turma. seja possível inferir da sua fundamentação (prequestionamento implícito). julgado em 20/08/2013. sem embargo da importância da atuação das próprias partes que provocam a manifestação jurisprudencial sobre a matéria. O instituto visa o cotejo indispensável a que se diga enquadrado o recurso extraordinário no permissivo constitucional” (ARE 943190 ED-AgR. Rel.139.(RE 967443 AgR. j. julgado em 13/09/2016. caso não conste. Min. (ARE 707221 AgR. 25 “O prequestionamento não resulta da circunstância de a matéria haver sido arguida pela parte recorrente. somente considera prequestionada a questão constitucional quando tenha sido enfrentada. de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem. 6/8/2013).“Esta Corte não tem procedido à exegese a contrario sensu da Súmula STF 356 e. 13 Percebe-se. Relator(a): Min. 17/4/2012). Relator(a): Min. Primeira Turma. Rel. Min. não é necessário que o acórdão recorrido tenha tratado explicitamente dos dispositivos constitucionais invocados pela parte recorrente. ROSA WEBER. (STF. 25 Essa orientação jurisprudencial afasta a possibilidade de conhecimento do recurso quando o Tribunal de origem não houver apreciado a matéria – prequestionamento ficto –.521. de modo expresso. porém. pelo Tribunal a quo. “O requisito do prequestionamento é indispensável. mais recentemente. que o Superior Tribunal consolidou o seu entendimento no sentido de que a apreciação do tema pelo Tribunal de origem é pressuposto imprescindível ao cabimento do recurso. de modo expresso. A simples oposição dos embargos de declaração. PROCESSO ELETRÔNICO DJe-250 DIVULG 23-11-2016 PUBLIC 24-11-2016). RE 661. por consequência. na esteira do que vinha decidindo o STJ. É necessário. DJe-173 03-09-2013). de modo a evidenciar que o recurso extraordinário será conhecido quando a norma constitucional supostamente violada constar expressamente no acórdão recorrido (prequestionamento explícito) ou. por consequência. “O requisito do prequestionamento obsta o conhecimento de questões constitucionais inéditas. que o referido acórdão tenha versado inequivocamente sobre a matéria neles abordada”. não supre a falta do requisito do prequestionamento. O STF. emissão de entendimento. por isso que inviável a apreciação. A configuração pressupõe debate e decisão prévios pelo Colegiado. j. DIAS TOFFOLI. Esta Corte tem procedido à exegese a contrario sensu da Súmula 356 e. Relator(a): Min. pois alguns julgados defenderam que o prequestionamento teria mais relação com a apreciação do tema controvertido pelo Tribunal de origem do que com a atividade das partes perante o órgão jurisdicional. de modo que a total ausência de manifestação do juízo a quo acerca do tema inviabilizaria o seu conhecimento. viabilizador da abertura da instância extraordinária” (STF. . A mera oposição de embargos declaratórios não basta para tanto”. 1ª Turma. “Para se considerar que houve prequestionamento. 1ª Turma. MARCO AURÉLIO. pelo Tribunal a quo. Luiz Fux. Segunda Turma. DJe- 232 28-10-2016). Rosa Weber.

mas. Curso de Direito Processual Civil. 131 e 458. buscou regular o procedimento a fim de garantir ao cidadão os instrumentos necessários a uma prestação jurisdicional eficaz. o que é extremamente importante para que haja o prequestionamento das teses e a abertura da via dos recursos extraordinários. forte preocupação na construção da jurisprudência aplicável às questões relacionadas ao prequestionamento. 102 e 105. São Paulo: Editora JusPodium. replicou a necessidade constitucional da fundamentação da decisão judicial nos arts. o que viabiliza o controle da decisão por meio dos recursos cabíveis26. A exigência da motivação do órgão jurisdicional tem dupla função: a) extraprocessual. e queexiste em razão da própria natureza revisional da atividade judicante dos Tribunais Superiores. justamente em razão da repercussão do tema no objetivo fundamental dos recursos excepcionais. previstos constitucionalmente nosarts. uma vez que a exposição dos motivos que ensejaram a conclusão do magistrado demonstra a apreciação apurada da controvérsia. IX). por meio de seus dispositivos. Paula Sarno Braga. 93. 2. Nesse sentido. 26 DIDIER JR. Com efeito. ficou evidenciado que o prequestionamento é um instituto diretamente relacionado aos recursos excepcionais. assim. e b) endoprocessual. 2015. 315 . Rafael Alexandria de Oliveira. OCPC/1973 não tratou especificamente do instituto. v. art. 14 Observa-se. a existência do prequestionamento e a consequente realização prática dessa atividade jurisdicional uniformizadora passa pela garantia constitucional de fundamentação das decisões judiciais (CF/88. p. O CPC/1973 E A NOVA ORDEM SUGERIDA PELO CPC/2015 Nas linhas acima. Fredie. que oportuniza o controle da decisão por meio da sociedade (democracia participativa).

afastada27. Com isso. procedendo-se. O CPC/2015.. já que a outra. Sobre o assunto. algumas decisões judiciais ainda eram proferidas de maneira incompleta. quaestio iuris consistente em qualificar erradamente os fatos da causa. seria demonstrada a relevância do ponto omisso no julgamento do feito e suscitada a declaração de nulidade do acórdão que julgou os aclaratórios. Recurso Extraordinário e a Nova Função dos Tribunais Superiores no Direito Brasileiro. Teresa Arruda Alvim. seria necessária a interposição de recurso especial por violação do art.Quando ocorria a negativa de prestação jurisdicional em sede de julgamento de apelação no Tribunal de origem e a lacuna mantivesse-se. ao retorno dos autos ao juízo a quopara realizar o efetivo pronunciamento sobre o comando normativo suscitado. efetivo e em tempo razoável. embora a lei se sirva da expressão “argumentos”. diante da crescente quantidade de demandas ajuizadas. é possível afirmaro papel relevante da fundamentação das decisões na construção do prequestionamento. São Paulo: Revista dos Tribunais. Todavia. Bruno Dantas. se se tem o quadro completo dos fatos. Já sustentamos que se trata de elementos de fato e de direito. 345-346. então. consta da decisão. os instrumentos disponibilizados pela sistemática de 1973 não mais se revelavam hábeis a conferir celeridade ou economicidade à jurisdição. pois. No que se refere à problemática do 27 WAMBIER. Assim como. em tese possível. só pode ser percebida. 3ª ed. instituiu novo regramento permeado de valores que denotam o espírito cooperativo da novel legislação processual em busca do provimento jurisdicional justo. . p. por sua vez. mesmo após a oposição dos embargos de declaração. 15 Nesse contexto. 535 do CPC/1973. 2016. de reavaliar a “subsunção” (termo aqui utilizado apenas facilitatis causa). essa inovação facilita a percepção do tribunal ad quem no sentido de que a solução normativa encontrada está equivocada. devidamente rebatida. para que a questão federal esteja presente. Recurso Especial. Entretanto. muito comumente. Essa exigência facilita a atividade. e que não foi levado em conta como base da fundamentação. afirmam Teresa Arruda Alvim Wambier e Bruno Dantas: O Tribunal deve abordar todos os elementos que em tese seriam capazes de levar à conclusão diferente daquela a que chegou. que hoje é mais do STJ que do STF. inclusive daqueles considerados relevantes por uma das partes (a ponto de influir no teor da decisão). é claro.

José Miguel Garcia. . 1. indica as hipóteses em que a decisão judicial não é considerada fundamentada e.. Curso de Direito Processual Civil. ao determinar que o voto vencidointegrao acórdão para fins de prequestionamento. § 3º. infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Novo Código de Processo Civil Comentado. p. 39.. ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos 28 MEDINA. 2015. 941. em tese. a novel legislação processual reposicionou o dever de fundamentação. esse novo espírito possui forte relação com a primazia da análise do mérito recursal. ainda que inadmitidos ou rejeitados– previstas no art. 13ª ed. Leonardo Carneiro da Cunha. v. superou-sea Súmula n. Outro tema que apresenta mudança significativa relacionada ao prequestionamento está previsto no art. ao privilegiar a análise do mérito e dispensar a necessidade de devolução dos autos ao Tribunal de origem para sanar eventual omissão. O último e mais controverso tema a ser tratado neste estudo diz respeito às novas possibilidades interpretativas do prequestionamento –quando opostos embargos de declaração. pois. 887. § 1º. Diante dessa previsão. p. 489. São Paulo: Revista dos Tribunais.025 do CPC/2015: Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou. 320/STJ. para que passasse a compor os elementos essenciais da sentença (decisão judicial latu sensu). DIDIER JR. diferentemente do que acontecia na vigência da legislação processual de 197328. Nesse sentido. Essa novidade legislativa vai ao encontro dos novos princípios processuais. Fredie. para fins de pré-questionamento. estáa necessidade de enfrentamento de todos os argumentos deduzidos no processo capazes de. ao prever que a completude da fundamentação abrange o voto vencedor e o voto divergente. Ademais. 2016. entre elas. O art. São Paulo: Editora JusPodium. 16 prequestionamento. alguns doutrinadores alertam quanto à importância da primeira parte do dispositivo. do CPC/2015. eis que confere maior celeridade e eficiência. 3.

v. 13ª ed. bastando a oposição de embargos de declaração (prequestionamento ficto). caso o tribunal superior considere existentes erro.1. Novo Código de Processo Civil Comentado. que o prequestionamento exerce papel fundamental na afirmaçãodas Cortes Superiores como órgãos jurisdicionaisque buscam unificar a interpretação da lei. com o máximo respeito a esse posicionamento. Novo Código de Processo Civil Anotado.025. Leonardo Carneiro da Cunha. 2015. Com efeito. bem como a tese a ele atrelada. o dispositivo em referência pretende que se considere inserido no acórdão recorrido o ponto omisso sobre o qual o Tribunal de origem manteve-se silente mesmo após a oposição de embargos declaratórios. 932. como bem delineado. Fredie. MEDINA. pois. 2016. .. primordialmente como agentes uniformizadores da interpretação da legislação federal e da Constituição Federal. as hipóteses de cabimento ocupam espaço de efetiva importância na consolidação dos objetivos constitucionais relacionados à atividade do STJ e do STF. 2015. 17 ou rejeitados. Entretanto. Cassio Scarpinella. DIDIER JR. fossem apreciados pelo Tribunal de origem29. p. José Miguel Garcia. de modo que seria cabível o recurso especial ou extraordinário sem que o comando normativo indicado como violado. São Paulo: Editora JusPodium.. Curso de Direito Processual Civil. 661-662. Vê-se. omissão. 3. sob o fundamento de que seria possível o conhecimento do apelo mesmo quando inexistente a apreciação da questão constitucional pelo Tribunal de origem. deve-se proceder à interpretação do art. a função jurisdicional do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça 29 Nesse sentido: BUENO. Significativa doutrina entende que houve a positivação do prequestionamento ficto. 284. A respeito do tema. Com efeito. 1. p.comparando-o com a flexibilização do prequestionamento nos mesmos moldes já compreendidos pelo Supremo Tribunal Federal ao aplicar a Súmula n. contradição ou obscuridade. desde que satisfeitos alguns requisitos. p.Afinal. 356. muito se discute sobre a abrangência dos efeitos do art. São Paulo: Saraiva.025 cum grano salis. São Paulo: Revista dos Tribunais.

p. Bruno Dantas. Como cediço. 18 não pode ser confundida com mais um grau de apelação. em que o rigor na observância dos requisitos de ordem meramente processual pode ser o próprio algoz do exercício da atividade uniformizadora. Por isso. . autorizada em outro fundamento legal. São Paulo: Revista dos Tribunais. confirmando-a ou infirmando-a. Não se pode olvidar que o prequestionamento é requisito extraído da própria Constituição Federal. podendo representar disparidade de tratamento de situações 30 WAMBIER. Isso porque tais Tribunais. e avançando sobre aquela apenas na medida em que questões de direito constantes da decisão se revelem aptas ao exame nas vias excepcionais”30. o que certamente confrontaria o próprio respeito à jurisprudência e a racionalização da prestação jurisdicional. 2016. reitera-se a abrangência do prequestionamento implícito que não exige uma manifestação absolutamente exauriente sobre todas as possibilidades interpretativas daquele comando normativo. os Tribunais Superiores – STF e STJ – necessitam que o ponto sobre o qual o recorrente pretende reforma esteja contido no bojo da decisão recorrida. que não aquele cuja violação busca-se reconhecer. 102 e 105 da Carta Magna. Recurso Extraordinário e a nova função dos Tribunais Superiores no direito brasileiro. Recurso Especial. 341. ou seja. já que é possível considerar prequestionada a matéria quando a rejeição dos embargos de declaração deu-seporque a tese controvertida fora analisada sob outra perspectiva. Teresa Arruda Alvim. Não se desconhece a existência de casos peculiares.“não examinam diretamente a lide. norma suprema que rege a interpretação de toda a legislação federal. Nesse sentido. mas a decisão recorrida. em sede recursal. entendo como temerária a afirmação de que a novel legislação tenha provocado a total perda de eficácia do termo “causas decididas” presente nos arts.

. 1025 também não é capaz de evitar esse tipo de impasse processual. [. constituem um primeiro passo para a flexibilização do prequestionamento nos processos cujo tema de fundo foi definido pela composição plenária desta Suprema Corte.011/RS: Esses julgados.025 condiciona expressamente a superação do vício formal e a inclusão da matéria para fins de prequestionamento apenas se. pelo fato de um deles restar vencedor na sua demanda.] Lembro que estamos a tratar de uma lide envolvendo inúmeros servidores do Município de Porto Alegre e causa espécie a possibilidade de alguns deles saírem vitoriosos. omissão. para corrigir o vício. Ademais. omissão. 1.. É preciso valorizar a última palavra – em questões de direito – proferida por esta Casa. obscuridade ou contradição deve ocorrer antes de se adentrar no mérito recursal32. contradição e/ou obscuridade. a via extraordinária também estaria. Teresa Arruda Alvim. Novo Código de Processo Civil Comentado. em virtude da falta de prequestionamento da matéria constitucional suscitada no RE da municipalidade.025 somente será útil ao conhecimento do apelo extraordinário se a parte recorrente cumprir os requisitos necessários ao reconhecimento do vício apontado – erro.O art. aplicou- se a orientação do Supremo Tribunal Federal e rejeitou-se a sua pretensão. segundo entendo. enquanto que o outro. “o tribunal superior considere existentes erro. e somente se. 3ª ed. o mister do dispositivo é evitar que o Tribunal ad quem dê provimento a recurso apenas para determinar a volta dos autos ao Tribunal de origem. Recurso Extraordinário e a Nova Função dos Tribunais Superiores no Direito Brasileiro. p. Sérgio Cruz Arenhart. 19 idênticas. Esta Corte não pode admitir tal disparidade de tratamento de situações idênticas 31. caso não haja a oposição de aclaratórios. em cujo processo estava atendido tal requisito de admissibilidade do apelo extremo. Daniel Mitidiero. 340. a despeito da inconstitucionalidade das leis municipais nas quais basearam sua pretensão. em que entre dois funcionários que trabalhem lado a lado e exerçam iguais atribuições existe diferença de vencimento [s]. Com efeito. São Paulo: Revista dos Tribunais. Isso porque estaríamos diante de uma situação anti- isonômica. Bruno Dantas. Luiz Guilherme. p. 2015. 31 WAMBIER. 375. Desse modo. 32 MARINONI. Todavia.. é certo que o disposto no art. a Ministra Ellen Gracie manifestou-se no julgamento do Agravo Regimental no AgInn.. 1. o texto do art. é possível concluir que a análise acerca da existência ou não de erro. obstada. contradição ou obscuridade”. Nesse sentido. omissão. com o fim de impedir a adoção de solução diferentes em relação à decisão colegiada. a rigor. pois. 2016. 957. São Paulo: Revista dos Tribunais. Recurso Especial.

de direito local ou de matéria constitucional (esta última sob a perspectiva do STJ. mesmo assim. DJe 6/9/2016). a melhor técnica recomenda a elaboração de pedidos sucessivos no recurso especial: que se considere sanado o vício ou que se determine a remessa dos autos ao juízo a quo. ocorre violação ao art. 2ª Turma. caracterizando. expressamente. que os embargos de declaração somente são admitidos quando for evidenciada a relevância do tema para o deslinde da controvérsia. pela parte recorrente. 2ª Turma.025. Afinal.025. . intolerável inovação recursal. mas também requeira a aplicação do art. também. Recurso Especial. Ministra Assusete Magalhães. Isso porque há casos em que a própria natureza do recurso não admite a apreciação direta do tema pelas Cortes Superiores. pois. Bruno Dantas. São Paulo: Revista dos Tribunais. 20 Assevera-se. p. “A tese suscitada pela parte foi deduzida somente em Embargos de Declaração. Trata-se da hipótese em que a questão controvertida não apreciada pelo Tribunal a quo suscitar o prequestionamento dematéria de fato. Ministro Herman Benjamin. é apenas uma possibilidade. a fim de evitar que o Tribunal ad quem dê provimento ao recurso apenas para determinar a volta dos autos ao Tribunal de origem.. Recurso Extraordinário e a Nova Função dos Tribunais Superiores no Direito Brasileiro. mesmo que invocada a título de prequestionamento” (EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 1555452/SP. Ou seja. 34 WAMBIER. Teresa Arruda Alvim. para que sejam julgados os embargos de declaração34. Rel. Rel.se a matéria a que se pretende manifestação não for imprescindível ao julgamento do feito. 1. por isso. questões relevantes ao julgamento da causa. é possível reconhecer a negativa de prestação jurisdicional relacionada a tema constitucional). não tendo sido objeto de recurso em momento oportuno. É importante que a parte interessada indique não somente a negativa de prestação jurisdicional com fundamentação adequada. não se fala em cabimento de embargos de declaração prequestionadores. suscitadas. o Tribunal de origem tenha se mantido silente. DJe 16/6/2016). quando suscitado no momento oportuno e reiterado em sede de aclaratórios e. 2016. oportunamente. 1. apesar do recurso especial não servir à interpretação da Constituição Federal. 422. 535 do CPC/73 quando o Tribunal de origem deixar de enfrentar. tampouco se constituir inovação recursal33. Além disso.” (AgRg no AgRg no REsp 1199921/RJ. a incidência dos efeitos do art. 33 Essa é a jurisprudência predominante no STJ: “Na forma da jurisprudência dominante do STJ. 3ª ed.

levando em conta todas as considerações já expendidas acerca da função constitucional dos Tribunais Superiores. e não são admitidos. pode analisar os fatos descritos no julgado impugnado a fim de confirmar ou infirmar o direito aplicado. no julgamentodo especial. como bem especificado na Exposição de Motivos do Anteprojeto do Código de Processo Civil de 2015: Significativas foram as alterações. de forma plena. foi editada a Súmula n. Acontece.108/DF. que a Corte Superior pode proceder ao que se convencionou chamar de revaloração da prova. se os embargos de declaração são interpostos com o objetivo de prequestionar a matéria objeto do recurso principal. salvo.DJe 27/9/2016).gov. prática francamente aceita em sede de recurso especial” (REsp 1584404/SP. é claro. no acórdão. 36 Anteprojeto do Novo Código de Processo Civil – Senado Federal. que leva ao aproveitamento do processo. a teor da Súmula n. Inviável é ter como ocorridos fatos cujaexistência o acórdão negou ou negar fatos que se tiveram comoverificados.] Há dispositivo expresso determinando que. A decisão recorrida deve. no que tange aos recursos para o STJ e para o STF.025 quando a questão de direito depender da valoração de questão de fato não descrita na decisão impugnada. 21 No que se refere à matéria de fato.. 28 (https://www.. se se tratar de recurso que pretensa a inclusão. Assim. A esse respeito. contém regra expressa. Rel. 279/STF. devendo ser decididas todas as razões que podem levar ao provimento ou ao improvimento do recurso. p. 1. desde que não seja necessário o reexame das provas em si mesmas. Rel. considera-se o prequestionamento como havido. "Não ofende o princípio da Súmula 7 emprestar-se. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. portanto.pdf). Corte Especial.36 35 Entendimento consolidado no âmbito do STJ: “A revaloração da prova consiste em atribuir o devido valor jurídico a fato incontroverso. da descrição de fatos. 7/STJ que. Ministro Eduardo Ribeiro. p. é entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça a impossibilidade de revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos em sede de recurso especial. 3ª Turma. não é possível admitir a aplicação do art."(AgRg nos EREsp 134. . prevê: “a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”. significado diverso aos fatos estabelecidos peloacórdão recorrido. sobejamente reconhecido nas instâncias ordinárias.senado. 36). ou seja. DJ 16/8/1999. O Novo Código. conter a descrição dos fatos para viabilizar a emissão de novo juízo de valor sobre o direito supostamente violado35. todavia. [.br/senado/novocpc/pdf/Anteprojeto.

uma vez que continua refletindo regra atinente à boa técnica na elaboração dos recursos. 280 pelo STF em 1963: “por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário”. motivo pelo qual. Diante dessas considerações. tanto o recurso extraordinário como o recurso especial não se prestam à unificação interpretativa de lei local –que abrange leis estaduais. em caso de omissão da tese controvertida. a teor do disposto no art. Após. reitera-se a importância do disposto no art. do CPC/2015.025 aplica-se quando a questão controvertida. como também a ausência de cotejo entre a incidência das normas e as peculiaridades do caso concreto. Em segundo lugar. o que não retirou a aplicabilidade do enunciado. 489. . Com efeito. municipais. o mesmo raciocínio acerca dos limites do art.025 nos casos em que seja necessária a apreciação do direito local. 102 – e do recurso especial – art. é certo que a análise de insurgência recursal perante o Superior Tribunal de Justiça não pode suprir a necessária manifestação acerca de tese constitucional. decretos locais. 1. 102 da Constituição Federal. 105 –. Esse entendimento existe há bastante tempo e foi consolidado com a edição da Súmula n. Finalmente. regimentos internos etc. pois não só a ausência da manifestação jurisdicional sobre o direito aplicável à espécie pode ensejar a anulação do julgado por ausência de fundamentação. pois o efeito devolutivo do recurso especial não permite a análise sobre temas constitucionais sob pena de usurpação de competência da Suprema Corte. seja federal ou constitucional. no tocante à matéria constitucional. com a vigência da Constituição Federal de 1988. a impossibilidade de análise do direito local passou a decorrer da interpretação dos dispositivos relativos ao cabimento do recurso extraordinário – art. § 1º. exigir o conhecimento e análise de lei local. 22 A propósito. 1. seria imprescindível o retorno dos autos ao Tribunal de origem. conclui-se pela impossibilidade de aplicação dos efeitos do art.

legislação federal. REsp 71. julgado em 25/04/2001. 185). Rel. p. Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA. REsp 146. ainda que as mesmas tenham natureza constitucional. Portanto. “Decisão que não aprecia os dispositivos legais infraconstitucionais ou constitucionais invocados desafia embargos de declaração que. para que o Tribunal Estadual profira novo julgamento dos embargos declaratórios. julgado em 01/08/2006. 219). II. Garcia Vieira. Ministro Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região). se no julgamento destes. há entendimento jurisprudencial dominante quanto à possibilidade de reconhecimento da alegada violação ao art.183/RS. também será necessário o retorno dos autos ao Tribunal de origem37. julgado em 10/12/2003. “Se a prestação jurisdicional do Tribunal de origem não foi completa quando da análise de controvérsia constitucional. e pode pedir a anulação do acórdão proferido nos embargos de declaração com base no art. 225). DJ 27/09/2004. p.” (EREsp 325. julgado em 13/12/2000. DJ 9/4/2001. por violação ao art. quando a decisão dos embargos declaratórios persistir na omissão quanto às questões invocadas. Assim. do Código de Processo Civil. Ministro LUIZ FUX. e uma vez identificado pelo relator originário que as questões constitucionais suscitadas nos embargos de declaração deixaram de ser enfrentadas. Hipótese em que. DJ 27/08/2001.“Admitida pela Primeira Seção a relevância de omissão relativa à matéria de natureza constitucional. TERCEIRA SEÇÃO. todos os órgãos do Poder Judiciário. examinar possível violação ao art. p.”(STJ. Ministro ARI PARGENDLER. 42104). nos exatos limites de sua competência. e não apenas o Supremo Tribunal Federal.” (STJ. revela-se mister o conhecimento do recurso especial. 338). a parte prejudicada tem direito à prestação jurisdicional completa. “Diferentemente do consignado pelo acórdão embargado. na condição de Corte Superior de Direito Federal. Rel. acarretam violação ao art. 1ª .629. sem que isso implique em penetrar na matéria afeta ao Supremo Tribunal Federal. sob pena de prejudicar a parte diligente no cumprimento dos requisitos essenciais à admissão dos recursos destinados às Cortes Superiores. 535. PRIMEIRA SEÇÃO. PRIMEIRA SEÇÃO. p. 535 do CPC. (AgRg no REsp 856. há orientação consolidada no sentido de que é possível o reconhecimento de omissão da questão constitucional. 535 do CPC. a omissão do acórdão quanto a menção a normas constitucionais pode frustrar-lhe o conhecimento. nada importando que tivesse condições de interpor recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Min. exigindo o prequestionamento explícito.tendo havido a interposição desse recurso. cabe declara a nulidade do acórdão. p. Rel. DJ 17/6/2002.765/PR. sem que se manifeste sobre a matéria neles versada. estar-se-á impedindo às partes o acesso à via do extraordinário. verificar se a Corte a quo incorreu nas pechas de omissão. 23 Entretanto. Rel.963/DF. Ari Pargendler. com o retorno dos autos à origem. a fim de anular o acórdão que julgou os aclaratórios opostos na origem com o objetivo de que seja apreciada questão constitucional suscitada e sobre a qual o juízo a quo manteve-se silente. em que pese a impossibilidade de manifestação sobre tema constitucional em sede de recurso especial. Min. para que outro seja proferido e suprida a omissão. 535 do CPC . dependendo do julgamento.835. Eliana Calmon. pois.607/PR.957. Rel.”(REsp 415. Rel. 535 do CPC.022 do atual CPC/2015 –. caso haja necessidade de exaurimento do provimento jurisdicional com relação à determinada tese constitucional. Rel. Min.” (EREsp 250. 1. DJe 06/03/2008). “Opostos embargos de declaração. mesmo em sendo o tema de fundo eminentemente constitucional. de outra forma. “Fundando-se o recurso especial unicamente na potencial violação de legislação infraconstitucional. DJ 4/12/1995. “Se o tribunal local deixa de enfrentar a questão constitucional suscitada. o Tribunal deorigem faz simples referência sobre determinados dispositivos legais e constitucionais.425/RS. DJ 05/03/2001. 535 do CPC/1973 –art. 37 “O colendo Supremo Tribunal Federal é rigoroso no exame da admissibilidade do recurso extraordinário. Ministro FRANCIULLI NETTO. impor-se-ia o provimento do recurso especial. Rel. 126). devem exaurir a jurisdição provocada pelas partes”(EREsp 505. CORTE ESPECIAL. compete ao STJ. p. caso permaneça a omissão apontada. obscuridade ou contradição.” (EREsp 162. o art. cabe a este Sodalício. in casu.

corre-se o risco de transformá-los em cortes de terceira instância. eficaz e proferida dentro de um prazo razoável. DJe 5/8/2015). que. de fato. a fim de que o cidadão tenha acesso a uma decisão justa. 1. conferiu ainda maior relevância à necessidade de fundamentação das decisões. é possível notar que o Código de Processo Civil de 2015 busca a instituição de um espírito cooperativo. destacou-se no presente estudo o art. apesar de reproduzir norma constitucional. não se pode olvidar que os Tribunais Superiores foram criados para unificar a interpretação das leis. § 1º. Por outro lado. revelam-se como instrumentos à desburocratização do processo judicial: art. Com efeito. há dispositivos do CPC/2015 que devem ser interpretados com parcimônia.pois. Turma. Esse tipo de interpretação ensejaria o estímulo a interposição de recursos e uma sobrecarga ainda maior do que a já existente. eis que. caso contrário. impor-se-ia o provimento do recurso especial. “Admitida pela Primeira Seçao a relevância de omissão relativa à matéria de natureza constitucional. e uma vez identificado pelo relator originário que as questões constitucionais suscitadas nos embargos de declaração deixaram de ser enfrentadas. entendo que algumas alterações na legislação processual devem ser celebradas. 24 CONCLUSÃO Diante do exposto. Claro. com devolutividade desmedida. Todavia. Rel. sobre o qual ainda remanesce grande espaço para reflexões. A propósito. para que não sejam subvertidos os conceitos e construções jurisprudenciais e doutrinárias que balizam a própria razão de ser dos Tribunais Superiores.607. para que o Tribunal Estadual profira novo julgamento dos embargos declaratórios. Olindo Menezes – Desembargador convocado. . que impõe regras e princípios necessários à efetivação dos objetivos fundamentais da República. suas disposições devem ser interpretadas à luz da Constituição Federal.025. 489. Min. DJe 5/8/2015). com o retorno dos autos à origem.” (AgRg no REsp 856.

Entretanto. Não se olvidando dos demais requisitos necessários à aplicação da regra disposta no art. motivo pelo quala compreensão do prequestionamento. Fredie. v. MEDINA. São Paulo: Editora JusPodium. 13ª ed. DIDIER JR. MANCUSO. 2015. MEDINA. é por meio do processo que a jurisdição é prestada..025. . DIDIER JR. Paula Sarno Braga. o texto constitucional é claro ao afirmar que o cabimento dos recursos excepcionaisocorre a partir de “causas decididas”. São Paulo: Revista dos Tribunais.e a vedação ao revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos. como: a necessária demonstração da relevância da tese. O Prequestionamento nos Recursos Extraordinário e Especial. 2015. Curso de Direito Processual Civil. Fredie. 2016. Cassio Scarpinella. à análise de lei local e análise de matéria constitucional (no STJ). Novo Código de Processo Civil Comentado. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2. Sérgio Cruz Arenhart. v. São Paulo: Editora JusPodium. 4 ed. Rafael Alexandria de Oliveira. São Paulo: Saraiva. este existe para viabilizar o alcance do bem jurídico tutelado por aquele.. afinal. Curso de Direito Processual Civil. Rodolfo de Camargo. Recurso Extraordinário e Recurso Especial. Daniel Mitidiero. 2010. José Miguel Garcia. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2015. Novo Código de Processo Civil Comentado. sua evolução histórica e jurisprudencial é primordial à reflexão da abrangência da novel legislação. São Paulo: Revista dos Tribunais. Luiz Guilherme. 1. José Miguel Garcia. É certo que o procedimento não pode se sobrepor ao direito material. 2005. 25 Como afirmado no estudo. 3. REFERÊNCIAS BUENO. Novo Código de Processo Civil Anotado. de modo que a sua importância é diretamente relacionada com a duração razoável do processo e com a real eficácia da decisão. MARINONI. 11 ed. 2015. Leonardo Carneiro da Cunha.

Recurso Especial. Aspectos Polêmicos e Atuais dos Recursos Cíveis e de Outras Formas de Impugnação às Decisões Judiciais. 26 NELSON NERY JR. 2001. 4. Revista dos Tribunais. Recurso Extraordinário e a nova função dos Tribunais Superiores no direito brasileiro. Bruno Dantas. WAMBIER. . V. Teresa Arruda Alvim. 2016. Teresa Arruda Alvim Wambier. São Paulo. São Paulo: Revista dos Tribunais.