Esta comunicação tem como propósito discutir o discurso de transição da missão presbiteriana no Brasil

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objeto de nossa pesquisa de doutorado. Os primeiros missionários presbiterianos a trabalharem no
Brasil fundaram, em 1864, o primeiro jornal protestante brasileiro, a Imprensa Evangélica, foco de nossa
dissertação de mestrado. Por este canal, os presbiterianos divulgaram a mensagem evangélica de
doutrina reformada, por vezes, confrontando os dogmas católicos; além de se posicionarem
politicamente, dialogando com políticos liberais e defendendo a ampliação dos direitos civis. Pela análise
dos discursos produzidos no jornal nas décadas de 1860 e 1870, também se percebe uma simpatia para
com os maçons, durante a Questão Religiosa, e um silêncio com relação à escravidão. No entanto, nas
duas últimas décadas do século XIX com o crescimento quantitativo das lideranças nacionais, ocorreu
uma transição. Em 1886, pela primeira vez é publicado um opúsculo protestante presbiteriano contra a
escravidão de autoria de Eduardo Carlos Pereira. Posteriormente, é fundado o jornal O Estandarte, em
1893. Por meio desse jornal, algumas lideranças nacionais começam a combater a associação entre
evangélicos e maçons. Diante de uma conjuntura de secularização da sociedade e laicização do Estado,
queremos analisar a transição do discurso político e religioso do presbiterianismo brasileiro. Quais
teriam sido as causas para a mudança de discurso? Como referencial teórico, partimos dos conceitos de
campo religioso de Pierre Bourdieu. Como referencial metodológico, partimos das orientações do
contextualismo linguístico de John Poccock.