Ministério da Saúde
Secretaria de Políticas de Saúde
Fundação Nacional de Saúde

Ações de Controle de Endemias
Malária

Manual para Agentes Comunitários de Saúde
e Agentes de Controle de Endemias

Série A. Normas e Manuais Técnicos

Brasília – DF
2002

© 2002. Ministério da Saúde.
É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.
Série A. Normas e Manuais Técnicos
Tiragem: 1ª edição – 2002 – 51.000 exemplares

Ministro de Estado da Saúde
Barjas Negri
Presidente da Fundação Nacional de Saúde
Mauro Ricardo Machado Costa
Secretário de Políticas de Saúde
Cláudio Duarte da Fonseca
Diretor do Centro Nacional de Epidemiologia/FUNASA
Jarbas Barbosa da Silva Júnior
Diretora do Departamento de Atenção Básica
Heloiza Machado de Souza

Elaboração, distribuição e informações:
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Políticas de Saúde
Departamento de Atenção Básica
Esplanada dos Ministérios, bloco G, sala 718
CEP: 70058-900, Brasília – DF
Tel.: (61) 315 2542
E-mail: psf@saude.gov.br

FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE
Centro Nacional de Epidemiologia
Assessoria de Descentralização e Controle de Endemias
Gerência Técnica de Malária
Setor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bloco N, 7° Andar, Sala 711
CEP: 70.070-040 - Brasília - DF
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Elaboração do texto base: Elza Alves Pereira
Revisão e ampliação: Equipe da Funasa: Vanja Sueli Pachiano Calvosa, Izabel Cristina Ponçadilha Barata, Lubélia Sá
Freire da Silva, Romeo Rodrigues Fialho, José Lázaro de Brito Ladislau, Carlos Catão Prates Loiola, Pedro Luiz Tauil
Equipe do DAB/SPS: Afra Suassuna, Ângela Cristina Pistelli Ferreira, Graciene Silveira, Maria Angélica Cúria Cerveira,
Maria Rita Coelho Dantas, Sônia Rocha
Colaboradores: Flane Lany Valente, Adelaide Borges, Dalva Ione
Fotos: Romeo Rodrigues Fialho e Arquivo DAB/SPS
Ilustrações e diagramação: Rodrigo Mafra e Eduardo Trindade

Elaborado com recursos do Projeto Unesco 914/BRZ-29 – Atenção Básica no Brasil
Impresso com recursos da Funasa
Impresso no Brasil/Printed in Brazil

Catalogação na fonte – Editora MS
Ficha Catalográfica

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Fundação Nacional
de Saúde.
Ações de controle de endemias: malária: manual para agentes
comunitários de saúde e agentes de controle de endemias / Ministério da Saúde,
Secretaria de Políticas de Saúde, Fundação Nacional de Saúde. – Brasília:
Ministério da Saúde, 2002.

104 p.: il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)

ISBN 85-334-0555-3

1. Malária – prevenção e controle. I. Brasil. Ministério da Saúde. II.
Brasil. Secretaria de Políticas de Saúde. III. Brasil. Fundação Nacional de Saúde.
IV. Título. V. Série.

NLM WC 765

Desenvolvendo ações de prevenção. 70. Competências dos médicos e enfermeiros das equipes de Saúde da Família e da Unidade Básica de Saúde. 43. Fluxos de encaminhamento para diagnóstico e tratamento. Ficha de notificação de caso – Malária. 7 Como o Ministério da Saúde está enfrentando este desafio. CAPÍTULO 5 Trabalhando em equipe no controle da malária. 49. 53. Informando os casos de malária. 73 Anexo I. Em quanto tempo a malária se manisfesta. CAPÍTULO 2 Aprendendo sobre malária: conceito. Descentralizando o controle das endemias e reorientando os serviços. Competências dos Agentes de Controle de Endemias. 25. Mobilizando a comunidade para a promoção da saúde. Sumário Carta aos Agentes. tratando e notificando casos de malária. 44. O que causa a malária. Tratando a malária. de 03 de janeiro de 2002. 22. transmissão. 29 A malária no Brasil. 27. 103 . 24. Portaria nº 44/GM. 35. Combatendo o mosquito. Competências da equipe de Saúde da Família. 15. Aprendendo sobre o agente transmissor. Atenção Básica à Saúde. causa. Como a malária é transmitida. Referências bibliográficas. 8. 30. 12. 56. Coleta do sangue e preparo da lâmina. 19 O que é a malária. de 15 de dezembro de 1999. CAPÍTULO 4 Diagnosticando. CAPÍTULO 1 Atividades de controle da malária nas ações básicas de saúde. 64. 21. 11 Construindo uma nova prática na atenção à saúde. Portaria nº 1399/GM. 54. Competências dos Agentes Comunitários de Saúde. Colhendo o sangue para exame e fazendo o diagnóstico laboratorial. Como identificar e proceder frente a um caso de malária grave. 5 Controle da malária: mudando o foco. 68. CAPÍTULO 3 Medidas de prevenção e controle da malária nas regiões endêmicas. 61 Competências das Unidades Básicas de Saúde. Quem pega malária. 100 Anexo V. 39 Identificando uma pessoa com malária. 65. 32. O Sistema Único de Saúde – SUS. 63. período de incubação. 92 Anexo III. 95 Anexo IV. 14. 55. 20. 75 Anexo II. Como proceder com gestante e crianças menores de cinco anos. 46.

.

de natureza exuberante e com fatores ambientais que dificultam e inviabilizam ações radicais. Assim é o caminho da saúde: uma vigilância constante. ampliando seus conhecimentos. de tratamento e notificação dos casos confirmados. como a região amazônica. como parte da atenção integral. N este momento em que o Ministério da Saúde enfrenta o desafio de apoiar e desenvolver o Sistema Integrado de Controle da Malária. Nos seus depoimentos. com competências seme- lhantes. as ações que vêm sendo desenvolvidas precisam estar integradas às ações das Unidades Básicas de Saúde/Unidades de Saúde da Família. Barjas Negri Ministro da Saúde . Vocês. Desde 1999. agentes. que vivem o dia-a-dia das populações. É uma tarefa que exige a participa- ção de todos em uma região desafiadora. têm sido de grande ajuda neste controle. com a certeza de que podem ajudar as pessoas a entenderem a cadeia de transmis- são da malária e as medidas para interrompê-la. pode-se ver a dedicação com que vocês enfrentam as dificuldades. que estão nas áreas rurais e urbanas. convivem com os seus problemas e sentem de perto as dificuldades em lidar com as endemias. Nestes quase três anos de trabalho sob esse novo enfoque. Tenho certeza que vocês ao receberem esse manual vão estar encontrando muitas informações. Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Endemias. Sobretudo vocês. de diagnóstico precoce e preciso. com ênfase nas ações de prevenção. sem perder o entusiasmo. Caros Agentes. o Minis- tério passou a ampliar a cobertura da atenção aos doentes de malária nas áreas endêmicas. juntos. os resultados já demonstram que a estratégia adotada é capaz de reduzir os índices de malária e controlar essa doença. É preciso que a população e os profissionais de saúde. desenvolvam ações capazes de controlar a malária. ao adotar a estratégia de Controle Integrado da Malária. Controlar a malária não é uma tarefa fácil.

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Mesmo na região amazônica. realizada em 1992. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a malária um grande problema de Saúde Pública nos países em desenvolvimento. desde 1889. mais ou menos 50% dos casos. situados principalmente na faixa entre os trópicos do globo terrestre. Na Conferência de Amsterdã. 7 Controle da Malária: mudando o foco A malária. ainda hoje. em que o foco da ação passou a ser o homem e não mais o mosquito. cerca de 99. . onde a doença é considerada endêmica. foram 103 anos de ações voltadas para a eliminação da doença. de regulamentação dos serviços de saú- de dos portos para o controle de endemias. é uma das doen- ças com ocor- rência em cer- ca de 90 paí- ses. prevenir os casos graves e as mortes causadas pela doença passou a ser o grande desafio. e a região amazônica é responsá- vel pela quase totalidade dos casos de malária. De 1889 a 1992. Existem registros. Na região das Américas. o Brasil é o País que mais registra casos de malária. foi adota- da uma nova estratégia de luta. na Holanda. a malária não se transmite com igual rapidez ou intensidade. sempre tendo como objetivo a erradicação do mosquito vetor. Estima-se que 300 a 500 milhões de pessoas sejam infectadas a cada ano e que nos países da África estão concentradas 90% dessas pessoas. Assim.7%.

precisa contar com profis- sionais de saúde bem capacitados. mediante as recomenda- ções da Conferência de Amsterdã. de dezembro de 1999 (Anexo I). precisam estar qualificados para: l identificar casos suspeitos de malária. Em 1999. cada um dentro das suas competências. os Agentes Comunitários de Saúde e os Agentes de Controle de Endemias. o Ministro de Estado da Saúde publicou a Portaria n° 44/GM. o governo bra- sileiro.8 Como o Ministério da Saúde está enfrentando este desafio Primeiramente. definindo as atribuições dos Agentes Comunitários de Saúde no controle da malária (Anexo II). As Unidades Básicas de Saúde. que envolve ações de controle dessa endemia em todos os níveis de atenção à saúde. l realizar ou providenciar a realização do diagnóstico precoce. dentre elas a malária. a necessidade de incorporar as atividades desenvolvidas pelas estratégias PACS e PSF às ações de vigilância. nas suas disposições gerais. A estratégia do Controle Inte- grado da Malária busca fortalecer o Sistema Local de Saúde e desenvolver as ações de controle dessa endemia em todos os níveis de atenção. introduzindo a nova es- tratégia do Controle Integrado da Malária. de prevenção e controle das endemias. publicou a Portaria n° 1. um esforço conjunto do governo e da sociedade para a eli- minação ou redução dos riscos de adoecer ou morrer dessa doença. . adotou a recente orientação sobre a doença.399/MS. Assim. O Controle Integrado da Malária. as equi- pes de Saúde da Família. o Ministério da Saúde decidiu ampliar a cobertura da atenção aos doentes de malária nas áreas endêmicas e reforçar o controle da trans- missão da doença. que descreve. Em 2002.

temos os Círculos Polar Ártico (ao norte) e Antártico (ao sul). onde os raios de sol batem com muito pouca intensidade. caracterizando o clima quente e vegetação abundante. no Capítulo 5. onde os raios solares incidem com maior intensidade. Um pouco mais afastado. o contexto ambiental em que ela ocorre. Dentre as linhas traçadas no sentido leste-oeste. ampliando-se a capacitação desses agentes no desenvolvimento de ações de informação. úmida e quente o ano inteiro. Elas servem para facilitar a localização de lugares e regiões no mapa ou no globo. Glossário Trópicos: Se você olhar um mapa mundi ou um globo terreste. l desenvolver ações educativas e de mobilização social que possam ga- rantir as medidas de controle individuais e coletivas. com impacto na melhoria das situações identificadas. É interessante observar que o Brasil tem a maior parte do seu território entre estes dois Trópicos. suas cau- sas e as medidas de prevenção. . Para orientar cada um dos profissionais en- volvidos no controle da malária. Mais próximo aos extremos do globo terrestre. diagnóstico. As regiões que ficam entre os Trópicos de Câncer e de Capricórnio são chamadas de tropicais. Este manual traz contribuições para essa ca- pacitação: informações básicas sobre a malária. O trabalho que vocês. sendo assim uma floresta equatorial. temos a linha zero. dos profissionais das equipes de Saú- de da Família e das Unidades Básicas de Saúde. ou a Linha do Equador. prevenção e assistência à população das comuni- dades em que atuam. irá perceber um conjunto de linhas que cortam o globo no sentido leste-oeste e no sentido norte-sul. as competências dos Agentes Co- munitários de Saúde. estão definidas. que marcam a transição da área de clima quente para o chamado clima temperado. algumas são utilizadas para demarcar as áreas que possuem climas e vegetações diferenciados. já vêm realizando junto aos doentes de malária deve ser o ponto de partida para uma atenção integral de saúde mais efetiva. que caracterizam as regiões mais frias do planeta. educação. 9 l instituir o tratamento adequado e imediato e/ou acompanhá-lo. com a floresta amazônica próxima à linha do Equador. tra- tamento e notificação para o controle da doença. dos Agentes de Controle de Endemias. temos o Trópico de Câncer (no hemisfério norte) e o Trópico de Capricórnio (no hemisfério sul). Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Controle de Endemias. Assim.

Porto Velho – Rondônia .

vocês vão conhecer mais sobre a nova prática na atenção à saúde. com ações e serviços satisfatórios e resolutivos para os usuários. que envolve o compromisso com a saúde como direito social. reorientando os serviços e mobilizando a comunidade para a promoção da saúde. com a descentralização do controle das endemias. 11 CAPÍTULO 1 Atividades de controle da malária nas ações básicas de saúde Neste capítulo. .

cultu- ral e ambiental. (Gilmar.12 “Acho que o Programa de Controle da Malária está partindo de um ponto que tem tudo para dar certo. assim como todos os outros profissionais assumam o compromisso com a promoção da saúde. Acre) Construindo uma nova prática na atenção à saúde Na construção de um novo modelo de atenção à saúde. que diz: . que enxergue o indivíduo como um ser humano integral. dentro de uma comunidade. no artigo 196. a prevenção de agravos. na saúde. Agente Comunitário de Saúde da equipe de Saúde da Família. Essa nova prática requer uma compreensão do homem e sua família em função das suas realidades. conseqüentemente. mas de toda a coletividade. vivendo dentro de uma família. Partindo da capacitação dos ACSs. dos fatores que interferem de maneira positiva e/ou negativa em suas vidas e. Com isso. Rio Branco. é preciso que os profissionais da saúde construam também uma nova prática. dentro de um contexto socioeconômico. A gente vai trabalhar muito sobre a questão da prevenção”. é preciso que você. e a forma de entender este direito está na Constituição Federal. Para que essa nova prática apresente resultados satisfatórios. Bairro Cidade Nova. saúde é um direito social. o trata- mento e a reabilitação não só da pessoa. vamos poder identificar os casos e promover a saúde primária com mais segurança. agente. Como você já sabe.

mas como cidadãos lutem por ele com as famílias que vocês trabalham. não só como agentes. opinar e se envolver nas questões de saúde. que deve exercer no município o controle social do SUS. na unidade de saúde e na comunidade. 13 “A saúde é direito de todos e dever do Estado. não só como usu- ários. mas como membros potenciais do Conselho Municipal de Saúde. proteção e recuperação”. garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção. no artigo 198 da Constituição Federal. Esse artigo constitucional garante a cada brasileiro o direito à saúde*. é preciso que vocês. Esse princípio exige a democratização do conhecimento do processo saúde/doença e dos serviços. É preciso que as ações e serviços possam ser satisfatórios e resolutivos para os usuários. É uma responsa- bilidade compartilhada entre os serviços de saúde e a comunidade. Para garantir esse direito foi criado o Sistema Único de Saúde – o SUS –. * Saiba mais sobre o SUS e a Atenção Básica à Saúde nos textos que integram os anexos III e IV deste manual. Nele estão também a garantia de acesso universal (a todos) e igualitário (da mesma forma). . Para que esse direito seja garantido. l a resolutividade das ações: exercendo a capacidade de resolver ações de forma integral. l a participação popular: estimulando as pessoas da comunidade a ob- servar. Há alguns pontos importantes que vocês precisam conhecer bem e lutar para que eles possam estar presentes na sua Unidade Básica de Saúde: l a humanização do atendimento: criando e estreitando o vínculo entre as equipes de profissionais de saúde e a população. possibilitando um acolhimento positivo em todos os níveis da atenção. no domicílio.

e tra- tamento imediato e adequado. por exemplo. adotando-se a es- tratégia de Controle Integrado da Doença. com prioridade no cuidado ao indivíduo com diag- nóstico precoce e preciso. reduzindo custos e evitando duplos gas- tos para o mesmo objetivo.14 l a intersetorialidade: desenvolvendo ações integradas entre os serviços de saúde e outros setores públicos e privados. de organização dos serviços de forma hierarquizada e da integralidade da atenção. o Ministé- rio da Saúde e a FUNASA transferiram a responsabilidade da execução das ações de controle das endemias para os estados e municípios. tecnológicos. a mu- dança no enfoque do controle da doença. Ficou também comprovado que as ações executadas em forma de cam- panha e planos emergenciais foram incapazes de controlar a malária ao longo dos anos em algumas áreas da Amazônia. pela Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (SUCAM) e pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). ma- teriais e humanos disponíveis. ocorreram algu- mas reformulações significati- vas. Para atender às diretrizes do SUS de descentralização. inicialmente pelo Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERU). que provou ser difícil no contexto amazônico. Abandonou-se a es- tratégia de erradicação. com a finalidade de arti- cular políticas e programas de interesse para a saúde e estabelecer parcerias para potencializar os recursos financeiros. como. seguido pela Companhia de Erradicação da Malária (CEM). Descentralizando o controle das endemias e reorientando os serviços Historicamente. Após 1992. as ações de controle da malária foram executadas pelo governo federal. As ações eram planejadas de forma centralizada e executadas por equipes especializadas dessas instituições. .

A responsabilidade pela promoção da saúde. Todos juntos precisam ajudar a criar as condições para que o Sistema de Saúde ofereça um acolhimento e um aten- dimento adequado. é preciso que as pessoas tenham a oportunidade de aprender assuntos de saúde e de refletir sobre os fatores que afetam a sua vida e a da sua comunidade. discutindo as necessidades de suas comunidades e as ações que podem ajudar ou não a população. passa a ser responsabilidade da Unidade Básica de Saúde e toda a sua equipe. a participa- ção da população está garantida no Sis- tema Único de Saúde e essa participa- ção tem de ser efetiva. a comunidade. eficiente e resolutivo. é possível reverter o quadro da malária na Amazônia Legal. os profissionais de saúde e o Sistema de Saúde. humanizado. Nos municípios que já implantaram o Programa Saúde da Família. participar dos Conselhos de Saúde e das Conferências de Saúde. nos serviços de saúde. . incluindo as equipes de controle vetorial e as equipes de Saúde da Família. melhorando sua qualida- de de vida e se organizando para exigir das autoridades competentes – prefeitos. o controle da malária. enquanto ação básica de saúde. Para que possam exercer esse direito. com ênfase na atenção básica. possibilita à comunidade exercer maior controle sobre sua própria saúde. inseridas nos serviços de saúde. vereadores e conselhos de saúde – a ga- rantia dessas condições. sobre o meio ambiente em que ela vive e suas condições de trabalho e moradia. precisa ser compartilhada com as pessoas. O aprendizado. através de entidades representativas. Mobilizando a comunidade para a Promoção da Saúde Na Constituição Federal. as ações serão compartilhadas entre as Unidades Básicas de Saúde. individual e coletivo. secretarias de saúde. Assim. a fim de que as pessoas possam. 15 Todas as tentativas do passado têm demonstrado que só através de ações contínuas.

como resultado da organização da popu- lação. e sobretudo o fato de que o ser humano é agora o foco da atenção. a função do mosquito transmissor. a sua família e a sua comunidade. l tomar decisões. estando ele infectado. produzir mudanças nos hábitos e atitudes das pessoas em relação à doença e ainda interferir nas decisões das instituições. pode. É necessário informar à comunidade sobre a doença. assim como medidas que organizam e protegem o meio ambiente. mediante medidas de proteção individual e coletiva. Nas ações de controle da malária. mas refletir com cada uma delas a possibilidade de inserir mudanças capazes de melhorar a sua condição de vida e de saúde da comunidade. . realizando o tratamento ade- quado e imediato. as medidas de prevenção e contro- le. É preciso que as pessoas compreendam que elas são capazes de quebrar o elo dessa cadeia. e l implementar ações. as- sim. É necessário que a comunidade tenha conhecimento prático para par- ticipar das ações de proteção e controle do mosquito transmissor e. reduzir o contato do homem com o mosquito. beneficiando a si próprios. mantém-se a cadeia de transmis- são funcionando. buscando-se intensificar o apoio social e a ajuda mútua. uma vez que.16 A promoção da saúde pode ser desenvolvida. É importante garantir e preservar a identidade antropológica e cultu- ral de cada comunidade. mediante ações comunitá- rias concretas efetivas. a participação da comunidade me- diante mobilização social. O d e s e n vo l v i m e n t o desse trabalho envolve a participação de todos para refletirem sobre os recur- sos humanos e os recursos materiais disponíveis na comunidade. suas causas. l definir estratégias. mobilizando e estimulando a população a: l estabelecer prioridades.

No depoimento abaixo. isto é. A capacitação orienta os agentes como chegar às casas das pessoas. sobre a capacitação dos Agentes Comunitários de Saúde: “A educação dos agentes tem de ser continuada. as pessoas passaram a identificá-la pelo apelido afetu- oso de “flor de maracujá”. pois era assim que o senhor a chamava quando ela chegava”. 17 Os atores sociais. as lideranças comunitárias. Todos os dias ela o visitava e encaminhava o que era necessário. Esses dois depoimentos demonstram a necessidade de criar e manter o vínculo entre o Agente Comunitário de Saúde e as famílias de sua microárea. profissional de Informação. há o relato sobre o laço afetivo criado entre um doente de malária e um ACS: “Uma agente comunitária de saúde relatou que identificou um caso de malária. Ou- tro ponto importante é a discus- são sobre o papel dos profissio- nais na Atenção Básica e a rela- ção dos agentes com a Unidade Básica de Saúde”. encaminhou para exame. e sobre- tudo desenvolver a percepção do que está ocorrendo naquelas ca- sas. com aquelas pessoas. recebeu os medicamen- tos e acompanhou o tratamento de um senhor na área rural. constituem apoio fundamental no planejamento e na execução das ações. Após o tratamento. entender o momento de cada uma. capacitando-os para unir o criativo ao disponível em suas comunidades. Educa- ção e Comunicação. . o nível de informação que a comunidade tem sobre malária. ouvir muito. da Secretaria do Estado de Saúde do Acre. com várias técnicas. Observe o comentário de Roseli. falar com elas. Esse vínculo é a demonstração de uma nova prática de saúde. as pessoas e instituições que atuam nas áreas social e política.

Rio Javarí – Amazonas .

o agente causador infeccioso. onde se desenvolvem. o tempo que a malária leva para se manifestar. 19 CAPÍTULO 2 Aprendendo sobre malária: conceito. o agente transmissor. como se pega a malária e como se transmite e. . causa. período de incubação Neste capítulo vamos aprender sobre malária: o conceito. como se comportam. ainda. seu ciclo de vida. transmissão.

im- paludismo. havia um grande foco de malária. no bairro de Cadeia Velha. febre palustre. Eu sabia que havia um criadouro na área em que eu morava. Acre) O que é a malária A malária é uma doença infecciosa aguda e se manifesta através de alguns sintomas que podem aparecer isoladamente ou em conjunto. maleita. Entrei em contato com a FUNASA e descobrimos o criadouro. febre quartã. sezão. no Brasil. É um trabalho eficaz que depende de conhecimento e persistência”. Agente Comunitária de Saúde há sete anos. febre terçã. Rio Branco. em Cadeia Velha.20 “Anos atrás. . Era preciso fazer a água escorrer para drenar o criadouro. módulo Saúde da Família. é conhecida por nomes diferentes: paludismo. Eu teimava que tinha e o proprietário da área não admitia. (Clisete. tais como: l calafrio l febre alta l dor de cabeça l suor abundante Como a malária é conhecida nas diferentes regiões do País A malária. caladinha. A comunidade ajudou a limpar a área e acabamos com o problema. febre palúdica. tremedeira.

l Plasmodium malariae. conforme mostra a ilustração acima. . 21 O que causa a malária O que causa a malária é a presença na pessoa de um agente infeccioso. l muriçoca. l Plasmodium ovale (este não existe no Brasil). um parasito chamado plasmódio. Esse parasito é o agente causador da malária. l pernilongo. l carapanã. O mosquito anofelino também é conhecido como: l mosquito prego. l Plasmodium falciparum. A expressão “mosquito prego” é usada em algumas regiões em função da forma como ele pousa. transmitido por um mosquito chamado anofelino. ou l suvela. Existem 4 espécies de plasmódios e os seus nomes científicos são: l Plasmodium vivax.

Como se comportam Durante o dia. Do entardecer ao amanhecer. sombreadas ou com pequena movimentação. O Anopheles aquasalis é o transmissor na faixa litorânea da Amazônia e deposita seus ovos em água salobra. mitem a malária na Amazônia es- tão o Anopheles darlingi e o Anopheles aquasalis. sem muita luz. Os machos se ali- mentam de seiva de plantas e flores. A fêmea do Anopheles darlingi. os mosquitos fêmeas picam as pessoas em busca de sangue para amadurecer os ovos. em geral. põe seus ovos em águas para- das. . tam-se de seivas das plantas.22 Aprendendo sobre o agente transmissor Somente os mosquitos Mosquitos vetores anofelinos fêmeas Entre os mosquitos que trans. l Mosquitos fêmeas alimentam-se de l Mosquitos machos alimen- sangue para amadurecer os ovos. transmitem a doença. os mosquitos procuram abrigo em locais úmidos. limpas.

lagoas e riachos. l os OVOS dão origem às LAR- VAS (cabeças de prego). Como já vimos antes. chamados artificiais. com o objetivo de quebrar o ciclo de transmissão da doença. Criadouros Os locais onde os mosquitos depositam seus ovos e onde eles se desen- volvem até a fase adulta são chamados de CRIADOUROS. Alguns deles podem ser limpos e drenados. l as LARVAS viram PUPAS. mediante medidas que envolvem diagnóstico precoce e tratamento adequado e imediato das pessoas infectadas. Como você pode ver. pois dá continuidade à espécie do mosquito. 23 Como se reproduzem O mosquito anofelino tem um ciclo evolutivo que compre- ende as seguintes fases: l as fêmeas põem seus OVOS na água. são inúmeros os criadouros naturais de mosquitos. recomeçando o ciclo reprodutivo. com seus rios. Por outro lado. igarapés. desenvolvendo outros criadouros. o combate ao mosquito é muitas vezes de difícil execução. os mosquitos abandonam a água e vão em busca de alimentação. Quando adultos. . Somente as fêmeas vão em busca de sangue para amadure- cerem os seus ovos. fican- do assim mais vulnerável ao mosquito. esse sangue é vital. esses locais são de natureza bem diversificada. Assim. Pela exuberância da floresta amazônica. Essas dificuldades levaram as autoridades sanitárias a priorizar a atenção no ho- mem. l as PUPAS se desenvolvem tornando-se mosquitos ADULTOS. o homem vem ocupando parte das florestas. outros são de difícil acesso. matas e outras áreas.

deixando de malária podem passar produzir para a família e para o País. que acumulam água em suas folhas (criadouros mais comuns no sul do Brasil). para que possam entender a gravidade do problema. l açudes e represas. precisa ser refletido por você. na lava- gem de roupas e louças. remanso dos rios. que representa dificuldades para a família. valetas. na pesca. As pessoas mais expostas são as que pegam malária com mais freqüên- cia. l reservatórios de água salobra. A malária traz prejuízos para a economia. na agropecuária. . já que as pessoas doentes podem passar em torno Pessoas doentes de de sete dias ou mais sem trabalhar. jun- tamente com os familiares e a comunidade. na construção de estradas. Quem pega malária Todas as pessoas que são picadas por mosquitos fêmeas infectado com plasmódio podem pegar malária. lagoas. no banho. garimpos). l algumas plantas. l córregos. Os homens e mulheres em idade produtiva pegam malária por estarem mais expostos: nas atividades extrativistas (se- ringais. nos assentamentos.24 Locais que podem ser criadouros do mosquito anofelino: l igarapés. escavações. a exemplo de bromélias ou gravatás. Esse con- em torno de sete dias ou mais sem trabalhar ceito de prejuízo. etc. nas hidroelétricas.

25

Adoecer de malária afe-
ta a vida de quem adoece,
da sua família e de toda a
comunidade.

Vocês, agentes, preci-
sam estar atentos a esse
problema, desenvolvendo a
compreensão de que se al-
guém morre de malária,
significa que alguém falhou
no sistema de saúde. As-
sim, cada um dos profissio-
nais e o sistema de saúde
têm o compromisso de evi-
tar as mortes por malária.

É preciso também con-
tar com o apoio de cada um
dos membros da família e da comunidade, para que os casos suspeitos da
doença sejam diagnosticados corretamente e o mais depressa possível, e
tratados adequadamente. Só assim será possível controlar a malária no
País, já que não se pode erradicar a doença, uma vez que as condições
ecológicas, geográficas não permitem.

Como a malária é transmitida
A transmissão da malária depende da presença e da
interação dos seguintes fatores:

l o agente l o agente transmissor l o receptor:
causador: (vetor): fêmea infectada a pessoa
o plasmódio do mosquito anofelino exposta

26

Existem várias modalidades de transmissão da malária:

l picada da fêmea do
mosquito anofelino
infectado;

l transfusão com
sangue contaminado;

l perfuração acidental com estiletes, agulhas
e seringas com sangue contaminado;

l contaminação do filho pelo sangue da mãe
com malária, por ocasião do parto.

Dessas, a mais comum é a transmissão da doença de uma pessoa
infectada para uma pessoa sadia através da picada do mosquito anofelino
fêmea. Observe a cadeia de transmissão:

O mosquito fêmea O mosquito fêmea A pessoa sadia fica infectada
sadio pica a sadio fica infectado e o ciclo continua. É preciso
pessoa doente. e pica a pessoa sadia. interromper este ciclo!

Como interromper o ciclo da malária

Primeiro, é necessário estar consciente de que o plasmódio é o agente
causador e o mosquito é o agente transmissor. O plasmódio está:

l na pessoa l no mosquito
infectada fêmea infectado

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Por essa razão, a pessoa infectada e o mosquito são os pontos centrais
do programa de controle da malária. A mudança de enfoque centrada no
homem é um desafio que deve ser enfrentado, pois combater unicamente o
mosquito tem demonstrado ser uma ação de controle pouco eficaz.

Assim, se reduzirmos os casos tomando medidas preventivas essenci-
ais, diagnosticando e tratando precocemente as pessoas, estaremos inter-
rompendo o ciclo de transmissão.

Em quanto tempo
a malária se manifesta
Após a picada do mosquito fêmea,
infectado pelo plasmódio, pode levar vários dias
até aparecerem os primeiros sintomas da malária.

O PERÍODO DE INCUBAÇÃO é o espaço de tempo
entre a picada do mosquito e o aparecimento dos pri-
meiros sintomas. Esse período de incubação varia com a
espécie de plasmódio.

Após o período de incubação, a pessoa começa a apresentar calafrio,
febre e dor de cabeça.

.

. 29 CAPÍTULO 3 Medidas de prevenção e controle da malária nas regiões endêmicas Este capítulo apresenta as competências dos profissionais de saúde e dos serviços no desenvolvimento das ações de controle da malária em áreas urbanas e rurais: Unidades Básicas de Saúde. Agentes Comunitários de Saúde. Agentes de Controle de Endemias e profissionais das equipes de Saúde da Família.

médio e baixo risco em relação à ocorrência de malária. O mapa abaixo indica essas quatro situações. especialista em malária. cientista.3% nas demais regiões brasileiras. (Dr. CEPEM – Porto Velho) A malária no Brasil Estudos mostram que 99. O Brasil apresenta regiões de alto.7% das notificações de malária no Brasil ocor- rem na Amazônia Legal. os restantes 0.30 “A malária é uma doença ardilosa e temos que manter técnicos e sociedade vigilantes. em estado de alerta todo o tempo”. . e uma grande área sem transmissão da doença. Luiz Hildebrando Pereira.

Por essa razão. É preciso que cada um e todos juntos se empenhem em cumprir as metas de redução da malária. que dificultam o controle da malária. rios. Sem o seu trabalho. junto às famílias. é necessária a vigilância efe- tiva de todos vocês. a região amazônica é exuberante. seringais. mas também com assentamen- tos. . sendo sempre objetivos e persistentes. 31 Como vocês sabem. Como vocês podem ver. seus igarapés. garimpos. o número total de casos no País é um desafio para as autoridades e trabalhadores da saúde. bus- cando solucionar os problemas gerados no ecossistema. seria impossível conhecer os casos de malária na sua comunidade. Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Controle de Endemias. assim como para a população. Esses números foram coletados por trabalhadores de saúde. como você. com suas matas.

os sinais de malária e. Todos precisam conhecer como iden- tificar. o mais rápido possível. como também reduzir a incidência. imediatamente. mas um compromisso de cidadania que precisa ser desenvolvido por toda a população. e l a relação do comportamento hematófago (que se ali- menta do sangue) do anofelino com as atividades que os homens desenvolvem. é preciso conhecer: l as alterações ambientais. O trabalho de busca ativa realizado por vocês é uma vigilância não só da saúde. dentro do seu lar. como ocorre e esses dados irão ajudar no planejamento das ações de controle da malária. Quando vocês notificam corretamente um ou mais casos. O seu trabalho de identificação é fundamental para que as pessoas se- jam encaminhadas para a confirmação do diagnóstico. Desenvolvendo ações de prevenção Para a implementação das medidas de prevenção. com a ajuda das famílias da sua microárea. estão contribu- indo para que se conheça mais sobre a doença. pois permite não só evitar que os casos se multipliquem. l os locais onde as pessoas vivem. para que os microscopistas pos- sam confirmar o diagnóstico e que o trata- mento seja iniciado com o medicamento correto no prazo e tempo adequados. com a identificação correta do plasmódio. trabalham e dormem. É uma busca que precisa ser contínua e persistente. e o tratamento imediato e correto da doença. iden- tifiquem precocemente um caso suspeito e que este seja encaminhado. onde ela ocorre.32 O mais importante é que vocês. buscar a sua ajuda. em relação a florestas ou outros locais em que os anofelinos se abrigam. .

l usar mosquiteiros ou cortinados. . pescar ou tomar banho de rio do anoitecer ao amanhecer. 33 No capítulo anterior. individual e coletiva. Medidas de proteção individual e familiar As medidas de proteção pessoal são várias e têm a finalidade de prote- ger a pessoa. quais são as suas defesas. sua família e/ou a comunidade. onde ficam seus criadouros. qual seu ciclo evolutivo. penetrar na mata. e l evitar construir casas muito pró- ximas à mata e coleções de água. para cada uma das situações que possam surgir. Esse conhecimento é importante para que se possa escolher medidas de proteção. você já aprendeu como os mosquitos se comportam. l o uso de roupas e acessórios de proteção. Constituem medidas de proteção: l o uso de repelentes. l evitar ficar ao relento. Nem sempre elas são fáceis de serem implementadas. l construir casa com paredes com- pletas.

São encontrados em forma de líquidos. A questão é saber como se proteger”. do Bairro Cidade Nova. toalhas limpadoras e recipientes sob pressão. loções. Ele me aconselhou a orientar as pessoas a se protegerem”. As medidas restritivas dependem de cada pessoa. em Rio Branco. Disse que nas horas em que o mosquito costuma picar. Acre: “Nós orientamos as pessoas a fecharem suas portas e se protege- rem. sobre as medidas tomadas por um seringueiro: “Quando eu comecei a trabalhar como agente. É uma dificuldade para o agente.34 Observe um depoimento da Agente Comunitária de Saúde. cremes. no Acre. . espumas. Maria de Lurdes. ao anoitecer e ao amanhecer. e assim se livrava da malária. São recomendados para uso durante as atividades noturnas ex- tradomiciliares e mesmo domiciliares. mas é difícil ficar preso dentro de casa. Os repelentes são substâncias químicas e são aplicados diretamente sobre a pele ou a roupa. ele vestia camisa de mangas compridas. eu identifiquei al- guns casos de malária e conheci um senhor que me disse que nunca pegou malária. Uma pes- soa não vai deixar de pescar por causa do mosquito. Rio Branco. não ficava exposto. Veja agora este depoimento do agente Gilmar. da equipe de Saúde da Família.

e devem ser realizadas sempre que possível. l limpeza de valas. É conveniente que se estabeleçam serviços permanentes de manuten- ção de pequenas obras de saneamento. igarapés ou outras coleções de água. Es- ses serviços podem ser: l aterro e drenagem de criadouros realizados por órgãos públicos ou pri- vados. Essas medidas envolvem: l manter os igarapés desobstruídos para liberar os cursos d’água. em 1999. através da borrifação. l realizar drenagem ou aterro de pequenos criadouros. No planejamento e na execução dessas medidas. que podem contribuir para comba- ter o mosquito e. . Há duas atividades que são usadas como medidas preventivas: o combate às larvas com medidas de saneamento e o combate ao vetor adulto. publicado pelo Ministé- rio da Saúde. interferir no controle da doença. é importante que a comunidade seja envolvida desde o primeiro momento e que sua participa- ção seja valorizada. um guia para uso no município. conseqüentemente. Atividades de saneamento do meio ambiente . 35 Combatendo o mosquito Os meios de combater o mosquito de- vem ser adequados a cada situação ou realidade local. com a participação da comunidade. pelos próprios moradores. É interessante que vocês possam ler a publicação “Controle Seletivo de Vetores da Malária”.combate às larvas As obras de saneamento são medidas de eficácia indiscutível no controle da malá- ria.

. l a sensibilidade do anofelino ao inseticida aplicado. precisa conversar com o Agente Comunitário de Saúde sobre a necessida- de de se realizar uma borrifação seletiva e cada vez mais cuidadosa. A borrifação só vai ser executada em locais previamente selecionados pela entomologia.combate ao vetor adulto Para combater o mosquito anofelino adulto. O Agente de Contro- le de Endemias. e l o efeito tóxico do inseticida. usam-se dois tipos de bor- rifação com inseticidas químicos: a) borrifação intradomiciliar (dentro de casa). Todo o trabalho de controle da malária tem de ser integrado e as ações devem ser discutidas por todos os envolvidos. levando-se em conta: l o hábito do mosquito. respon- sável pela aplicação cui- dadosa da borrifação. através da utilização de equipa- mentos apropriados. l a eficácia do efeito residual do inseticida.36 Borrifação . As borrifações intra e extradomiciliares de- vem ser aplicadas pelos Agentes de Controle de Endemias. b) borrifação extradomiciliar (fora de casa).

37 Borrifação intradomiciliar É a aplicação de inseticidas químicos de ação/efeito residual nas paredes internas das casas. . do chão até o teto. com a finalidade de atingir e matar principalmen- te os mosquitos infectados e. mas somente quando indicadas pela entomologia e obedecendo-se aos critérios estabelecidos por ela. nas áreas externas. ATENÇÃO As aplicações espaciais de inseticidas devem ser utilizadas em áreas com alto risco de transmissão de malária. Glossário Borrifar: umedecer ou molhar. evitar que transmitam a malária. Mesmo assim. feita através de Termo- nebulização (fumacê) ou aplicação de Ultra Baixo Volume (UBV). semi-urba- nas e rurais em casas de paredes completas. assim. onde as casas não têm paredes suficientes para serem borrifadas. Borrifação extradomiciliar É a aplicação de inseticida fora da casa. ela só pode ser feita quando recomendada pela entomologia e precisa ser aceita pela comunidade. segundo utilização de equipamentos e técnicas apropriadas. aspergindo ou dispersando gotículas de uma substância. Essa borrifação é recomendada para áreas urbanas. Entomologia: ramo da zoologia que estuda os insetos.

Manaus – Amazonas .

tratando e notificando casos de malária Este capítulo aborda a importância de se realizar o diagnóstico precoce e preciso da malária. 39 CAPÍTULO 4 Diagnosticando. os procedimentos para a coleta e exame de sangue para detecção de malária. os esquemas de tratamento recomendados pelo Ministério da Saúde. . assim como o tratamento imediato e correto. e os fluxos para encaminhamento de casos identificados de malária para diagnóstico e tratamento.

Assim. a ser realizada pelo micros- copista ou até por vocês. para que ela também possa fazer a identificação. em áreas de difícil acesso aos ser- viços de saúde. Outra ação é o encaminha- mento para a coleta de san- gue na Unidade Básica de Saú- de. A maior contribuição dos ACSs é a identificação precoce e o repasse desse conhecimento para a população. e o tratamento adequado e imediato. quan- do treinados para tal ação. identificar preco- cemente os casos suspeitos de malária passa a ser uma ação fundamental no seu trabalho. O tratamento é bem mais fácil de ser conduzido quando se identifica a malária o mais cedo possível. as estratégias principais são o diagnóstico precoce e preciso. Gerente Nacional do Programa de Controle Integrado da Malária) No capítulo 3. de sua vida diária. . Isso evita que a pessoa tenha de se afastar do seu trabalho.” (Romeo Rodrigues Fialho.40 “No Programa de Controle Integrado da Malária. vocês enten- deram que o foco do processo de controle da malária encon- tra-se agora no ser humano e não somente no mosquito.

ca- noas. Assim. vocês precisam desenvolver habilidades como a paciência. para poder identificar não só os ca- sos de malária na comunidade. utilizando-se de ca- minhadas. a persis- tência. um olhar diferenciado. caminhos difíceis e longos. etc. para enfrentar chuvas. . uma observação mais detalhada. a criatividade. motocicletas. como Agentes Comunitários de Saúde ou como Agentes de Controle de Endemias. a capacidade de resolver pro- blemas. precisam desenvolver algumas habi- lidades para enfrentar as inúmeras dificuldades que surgem. a responsa- bilidade. sim. o compromisso e a ética. mas para buscar as situações que propi- ciaram o surgimento desses casos. alimenta- ção precária e descontínua. bicicletas. vocês que atu- am com as famílias. barcos. cavalos. Diante de tantas questões e afir- mações. possibilitando o tratamento ime- diato e correto. sol escaldante. É preciso. 41 O sangue coletado e exami- nado pelo microscopista leva ao di- agnóstico preciso da doença e à identificação do tipo de plasmódio. atoleiros. vocês podem estar se per- guntando se é preciso tudo isso. Para que esse trabalho de iden- tificação. a calma. diagnóstico. tratamento e notificação apresente os resul- tados desejados.

uma Agente Comunitária de Saúde do módulo de Saúde da Família. respon- sabilidade sanitária para levar o caso até um resultado adequado. Ele me ouviu. pois controlou a situação e usou de seu poder de convencimento para impedir que a pessoa infectada voltasse ao trabalho sem tratamento. no Acre: “Na minha área. por meio do mosquito. em bairro de Rio Branco. Foi feito o diagnós- tico. além do empenho em descobrir a causa do problema para enfrentá-lo com segurança. essa agente. Já fazem três anos que ele não tem malária”. Portou-se com ética. tinha um caso de malária num quarteirão. Como vocês puderam perceber nesse depoimento. pois podia transmitir a doença para elas. Fui fazer a investigação. paciência para lidar com as dificuldades. pois tratou do problema com a família. eu trouxe a medicação e eu mesma dava os remédios a ele.42 Veja o depoimento de Clisete. Quando ele chegou. capacidade de resolução. para eu descobrir de onde estava surgindo a doença. A investigação era muito importante. Conversei com os parentes e pedi que me avisassem quando ele vol- tasse. Eu tive de usar de autoridade para que ele ficasse na casa dos parentes. . informando a situação de forma discreta respeitando suas diferenças e notificou o caso corretamente. Fiz a busca ativa e descobri que a pessoa infectada já tinha ido em- bora para a co- lônia. quando ele estava bom. teve persistência na busca. Eu disse para ele que ele estava pondo em risco a própria vida e a das outras pessoas. eu acompanhei o tratamento e só o liberei para voltar para a colônia. eu disse que ele precisava fazer o exame e levei-o para o Centro de Referência.

laboratorial). anemia e diarréia. trabalha de sangue doença ou veio de região endêmica (diagnóstico (diagnóstico (diagnóstico epidemiológico). dor no corpo. . Os principais sintomas da malária são: l febre + calafrio e suor abundante. Podem ocorrer também: l dor de cabeça. é necessário: l observar os l pesquisar a procedência da l fazer o exame sintomas da pessoa – se mora. 43 Identificando uma pessoa com malária Para identificar uma pessoa com malária. clínico). vômitos.

Os exames mais usados são os da Técnica da Gota Espessa e o Tes- te Imunológico. ficando assim com a infecção. podendo levá-la à morte. . Colhendo o sangue para exame e fazendo o diagnóstico laboratorial O exame laboratorial é importante. utilizando-se: l Técnica da Gota Espessa. Os sintomas podem não estar pre- sentes. l Técnica do QBC. e a pessoa pensar que está curada. l Teste Imunológico. o plasmódio ata- ca basicamente os glóbulos vermelhos (células do sangue). Nas duas situações. O exame pode ser realizado. facilitando assim a escolha do tratamento adequado. e quan- do picado pelo anofelino o infectará. falciparum ou malariae) que está causando a doença. ou desaparecer. tornando a pessoa anêmica (amarela). que varia de acordo com o tipo do agente causador. Situação 2. pois permite identificar a espécie do Plasmodium (vivax. as se- guintes situações podem ocorrer: Situação 1. que serão descritos a seguir.44 Se a pessoa com malária não for tratada. podendo as- sim transmitir a malária a outras pessoas sadias. Os acessos repetidos vão enfraque- cendo a pessoa por causa da anemia. No ser humano. deve-se fazer o diagnóstico rápido e tratar de forma adequada.

pois ele identifica o tipo de plasmódio existente no sangue daquela pessoa. Materiais necessários para a coleta de sangue l Lâminas de vidro comple- tamente limpas l Algodão l Álcool l Lancetas ou estiletes em suas embalagens originais l Etiquetas para identifica- ção da lâmina l Luvas cirúrgicas l Recipiente adequado para lancetas contaminadas l Saco de lixo para o material não perfurante l Papel para embalagem l Lápis/caneta l Ficha de notificação . 45 Técnica da Gota Espessa É a técnica mais utilizada e continua sendo o melhor método para con- firmação do diagnóstico específico da malária. Com os resulta- dos fornecidos pelo microscopista. Quem faz a leitura é o microscopista. pode-se iniciar o tratamento correto. Sua leitura é feita através do microscópio. um profissional de importância fundamental para o diagnóstico e tratamento da malária.

pode ser colhido do dedão do pé ou calcanhar. alguns procedimentos devem ser observados. 4.46 Coleta do sangue e preparo da lâmina Para a coleta do sangue e preparo da lâmina. Coloque luvas descartáveis. 1. Nas crianças. 2. O sangue pode ser colhido do dedo indicador da mão esquerda ou do lobo (da ponta) da orelha. Se o local escolhido for o dedo indicador. 6. Retire a lanceta da embalagem original. furar a parte lateral ao invés da polpa. Segure-as pelas bordas com os dedos indicador e polegar para evitar contato com a superfície da lâmina. Aperte a ponta do dedo e pique-o com a lanceta. Separe duas lâminas e limpe-as com algodão ou gaze. 3. Limpe a área do dedo que vai ser puncionada (furada) com água e sabão e/ou algodão embebido em álcool. 5. Registre na ficha de notificação os dados necessários para identificação. .

Se o sangramento não parar. sem que o dedo do doente encoste na lâmina e com cuidado para que a gota se situe em um dos terços da lâmina. enquanto ela estiver secando. 13. Encaminhe ao laboratório. 8. Segure a lâmina pelas bordas e coloque-a levemente em contato com o sangue. Limpe o local da picada com algodão embebido em álcool. . Limpe imediatamente a lâmina usada para espalhar o sangue. 47 7. Remova a primeira gota de sangue com gaze ou algodão. 11. sem fechar o ponto da picada de modo a obter uma nova gota de sangue. formando um quadrado de 1. o doente deve pressionar o local com uma gaze seca ou algodão limpo.5 cm. Cuidado para moscas ou outros insetos não pousarem sobre a lâmina. Espalhe a gota de sangue com outra lâmina. Aperte novamente o dedo. Embale as lâminas adequadamente para envio ao laboratório junto com as fichas de notificação (Anexo V). 10. 12. 9.

2. É necessário cuidado es- pecial em todo e qualquer procedimento que envolva manipulação de sangue. alguns cuidados precisam ser tomados. evitando assim que sejam reutilizadas. l evitar que o trabalhador de saúde seja infectado com sangue contaminado. em re- cipientes apropriados. l acondicionar todo material usado no procedimento de coleta. evitando conta- to direto com o mesmo. pois há doenças como hepatite e aids. As seguintes precauções devem ser conhecidas e seguidas por to- dos os trabalhadores que possam ter contato com sangue ou outras secreções humanas: l lavar as mãos antes e depois de qualquer contato com os doentes. que podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado. l ter todo o cuidado na manipulação do lixo contaminado. l usar sempre luvas durante o procedimento de coleta de sangue e preparo da lâmina. providenciando um destino final adequado. l evitar ferir-se com agulhas ou lancetas. Esse cuidado especial tem dois objetivos: l evitar que os procedimentos possam contaminar um doente. 1. l usar roupas protetoras (jalecos) quando for coletar lâminas ou tra- balhar com sangue. l usar uma única vez agulhas ou lancetas para punção ou injeção e descartá-las imediatamente em recipiente adequado.48 Na manipulação do sangue. entre outras. .

Quando se demora a fazer o diagnósti- co e o tratamento. a pessoa pode ficar em situação grave e até morrer. já estão sendo avaliados os testes para Plas- modium vivax. pelo pouco tempo que leva para sua realização (cerca de 15 minutos). . Tratando a malária A malária é uma doença que tem cura. No entanto. após o diagnóstico precoce e preciso. tendo por base a densidade dos mesmos. pode ser a solução para o diagnóstico de doentes que vivem em áreas isoladas e/ou de difícil acesso. em uso temos apenas um teste específico para o Plasmo- dium falciparum. Técnica do QBC Método utilizado para identificação dos plasmódios. 49 Teste Imunológico Também chamado de Teste Rápido. É raramente utilizado. Atualmente. Para se tratar a malária é neces- sário. iniciar o tratamento o mais rápido possível de forma adequada.

Isso porque cada tipo de plasmódio re- quer um esquema de tra- tamento diferente. à duração correta do tratamento. ao intervalo entre as doses e ao tipo de parasito encon- trado no exame de sangue. Para o diagnóstico ser preciso. a família ou a comunidade reconhe- cerem os sintomas da malária. O que significa diagnóstico precoce e preciso? Significa que quanto mais cedo (precoce) o Agente Comunitário de Saú- de. com o esquema terapêutico adequado à ida- de do paciente. O que significa tratamento imediato e eficaz? Significa o tratamento que se inicia logo após o di- agnóstico. . é fundamental identificar o tipo de plasmó- dio causador da malária na- quela pessoa. mais precoce- mente será tratada. sua recuperação será mais rápida impos- sibilitando assim. que mais mosquitos sejam infectados. o Agente de Controle de Endemias. Dessa forma. mais cedo a pessoa será encaminhada para realização do diagnóstico laboratorial e. conseqüentemente. l tratamento imediato e eficaz.50 Esta é a fórmula de sucesso na cura de uma pessoa com malária: l diagnóstico precoce e preciso.

Orientações importantes que vocês precisam repassar para os doentes de malária l Seguir as suas recomendações l Não tomar quanto ao uso o remédio correto e completo em jejum. durante o tratamento. isto é. conforme a estratégia local. l Alimentar-se normalmente. . sob a respon- sabilidade sanitária da Secretaria de Saúde do Muni- cípio. definidos pela FUNASA. ATENÇÃO Para crianças que não possam engolir os comprimidos. os Agentes Comunitários de Saúde e os Agentes de Controle de Endemias devem seguir as orientações dadas pelas suas Unidades de Saúde. do remédio. pode-se quebrá-los e dar com água ou leite. l Evitar o uso de bebidas alcoólicas. estão disponíveis nas Unidades de Saú- de. Assim. 51 Esquemas de tratamento recomendados pelo Ministério da Saúde Os esquemas de tratamento de malária.

52 Uma pessoa pode vir a ter outro episódio de malá- ria nas seguintes situações: l o plasmódio é l a medicação resistente ao não foi medicamento tomada de usado. l a pessoa é novamente picada por uma fêmea de anofelino infectada. a pessoa precisa repetir ou adequar o tratamento de forma apropriada. forma correta e completa. Tanto na recaída como na recrudescência. Recrudescência É o reaparecimento. O reaparecimento da doença pode se dar em forma de recaída ou recrudescência. das manifestações clínicas de uma infecção malárica. Ocorre nas infecções por Plasmodium vivax e Plas- modium ovale. provavelmente causada pela sobrevivência de parasitos no sangue. das manifesta- ções clínicas de uma infecção malárica. . a curto prazo. Recaída Recaída é o reaparecimento. a médio e longo prazo. Pode ocorrer com a infecção causada pelas quatro espécies de Plasmodium. provavelmente causado por uma nova invasão das hemácias (células do sangue) por formas de plasmódio de origem exoeritrocitária.

l encaminhar o doente para a Unidade de Refe- rência com a maior urgência possível. Sinais de perigo l Vômitos repetidos l Fraqueza intensa l Icterícia (pele amarelada) l Urina escura e pouca l Desidratação grave l Pressão baixa l Convulsões l Confusão mental l Sonolência l Coma Como proceder diante de um caso grave Se vocês estão diante de uma pessoa com um ou mais sinais de perigo: l colher amostra de sangue para exame. . l se possível. iniciar o esquema de tratamento. l se possível. o que requer cuidados imediatos. pois a vida do doente pode estar em risco. 53 Como identificar e proceder frente a um caso de malária grave É importante reconhecer precocemente os sinais e sintomas da malária grave. tratar alguns sintomas.

o qual deverá enca- minhar a criança à Unidade de Referência para as me- didas adequadas de controle.54 Como proceder com gestantes e crianças menores de 5 anos Gestantes As gestantes com malária devem ser encaminhadas imediatamente para a unidade de saúde. se surgir um caso em crianças menores de 5 anos. a doença é mais grave e apresenta risco de vida para a mãe e para o feto. É preciso informar ao enfermeiro instrutor/supervisor sobre essa ocorrência. Vocês devem estar atentos para a ocorrência de casos de malária em crianças menores de 5 anos. Crianças menores de 5 anos A conduta deverá ser a mesma. . que é um indicador para uma forte suspeita de transmissão intradomiciliar. porque nesse caso.

que fica com a unidade de saúde do município e outra que fica com o paciente. é utilizada a Ficha de Notificação de Malária que deve ser preenchida por vocês ou outro membro designado pela equipe. registrar. pois seu trabalho está ajudando as autori- dades sanitárias a planejarem as ações de controle da malária. Para isso. Para o registro das informações. analisar e enviar as informações. . Vocês. agentes. os Agentes de Controle de Endemias e todos os outros profissionais da área da Saúde estejam capacitados e motiva- dos para coletar. A programação e execução de medidas que venham a di- minuir e/ou acabar com os casos de malária de uma localidade só será possível mediante o conhecimento de informações que possam responder às seguintes indagações sobre a ocorrência da malária na comunidade: l Onde está ocorrendo? l Quando está ocorrendo? l Quantos casos estão ocorrendo? l Por que está ocorrendo? l De que forma está ocorrendo? Essas perguntas exigem que os Agentes Comunitários de Saúde. 55 Informando os casos de malária Por que informar? Quando informar? Como informar? Informar é preciso. Assim. precisam preencher a ficha corretamente. precisam ler com cuidado cada um dos itens dessa ficha para que possa preenchê-la corretamente. Esse instrumento contém duas partes: uma. e encaminhada ao setor competente para o seu processamento. Qualquer desatenção pode destruir o seu trabalho. anotando os dados com cuidado. o Ministério da Saúde criou um instru- mento de notificação de casos (Anexo III). No momento em que vocês notificam um caso de malária. a fim de que as informações sejam verdadeiras e possam ajudar no planejamento das ações. é preciso ficar atento.

com o apoio direto de uma enfermeira. eles se sentem mais seguros. l diagnóstico ambulatorial. As pessoas que vão coletar essas informações. inclusive vocês –. Agora. Tenho muito cuidado em fazer a notifica- ção dos casos que identifico”. A informação precisa estar disponível em tempo hábil e ser corretamente utilizada. l tratamento hospitalar. chamadas notificantes – que são todos os trabalhadores da saúde. São ações voltadas para: l informação. precisam estar conscientes da sua importância e comprometidas na operacionalização do sistema de informação. Outro depoimento sobre a identificação de casos: “Geralmente quando a gente chega em uma casa e vamos conversando. as ações desenvolvidas envolvem a promoção da saúde. além de treina- das. l tratamento ambulatorial. e acompanha todo o tratamento. o tratamento e a recuperação. no Saúde da Famí- lia. . a pessoa fala que fulano está com malária. a prevenção. Só assim será capaz de contribuir para a melhoria da atenção aos doentes de malária e de definir medidas preventivas mais adequadas. l controle de vetores. chegou da colônia assim. A gente encaminha para o exame. Fluxos de encaminhamento para diagnóstico e tratamento No Programa Integrado de Controle da Malária.56 Observe este depoimento de uma enfermeira sobre a busca ativa: “Os ACSs já estão conscientes de que são responsáveis pela busca ativa. educação e comunicação. Faço visitas com eles e durante as visitas eles vão aprendendo a identificar os problemas nas famílias”.

é preciso enviar a amostra de sangue até o serviço para que se possa fazer o diagnóstico. precisam identificar o fluxo da sua área e agir com o cuidado necessário para alcançar um resul- tado satisfatório. como ausência de microscopistas disponíveis para o di- agnóstico e de agentes capacitados para coleta e diagnóstico. o procedimento idealizado (fluxo A) representa o padrão de procedimento da Unidade Básica de Saúde e/ou Saúde da Famí- lia. nem todas as localidades da Amazônia Legal possuem serviço que o usuário vá até ele para receber diagnóstico e tratamento ambulatorial. falta de estradas. A existência de diferentes estratégias se deve às diversidades existentes na região amazônica em relação à dificuldade de acesso aos serviços de saúde. mostrados a seguir. Atendendo às realidades de cada município Devido às diferentes realidades de cada município. . refletem o extremo entre encaminhar o caso suspeito e pro- videnciar o diagnóstico e medicamentos para o tra- tamento. provocada pelas barreiras físicas como distância. Vocês. tempo de viagem. mais distantes e isola- das. mesmo nas condições mais difíceis. com seus respectivos passos. Os Fluxos A e B. e por barreiras humanas. foram definidos pro- cedimentos específicos para áreas urbanas e para áreas rurais. Entre- tanto. o desenvolvimento das ações com continuidade. onde não há Unidades Básicas de Saúde. eficiência e resolutividade depende das estratégias definidas pelas Secreta- rias Municipais de Saúde. mei- os de transporte. de acordo com as estruturas de serviços de saúde de cada localidade. Para as áreas urbanas. Para áreas rurais. 57 A identificação dos sinais da malária e o encaminhamento dos casos sus- peitos para as Unidades de Saúde e/ou Centros de Referência é importante medida para a realização do diagnóstico precoce e preciso da malária. Em muitos casos. Dessa forma. agentes. foi definido um procedimento (Fluxo B) adequado a esta realidade. prescrever o medicamento e enviar o resultado de volta ao local onde se encontra a pessoa doente.

para que não seja interrompido e possa alcançar o resultado esperado no domicílio e na Unidade Básica de Saúde. O agente identifica o caso suspeito. 6. Na unidade de saúde é feita a coleta de sangue. A pessoa volta para casa com o tratamento prescrito e com os medicamentos. um caso suspeito de malária. Se for positivo. O agente acompanha o tratamento. imediatamente. O agente orienta as pessoas da comunidade a tomar medidas preventivas e a avisar. 3. 4. . quando necessário. O agente encaminha a pessoa à Unidade Básica de Saúde.58 Fluxo A Passos do Procedimento Padrão 1. Faz-se o diagnóstico. 5. o plasmódio é identificado e é dado o medicamento adequado para o tratamento que deve começar imediatamente (esquema de tratamento). 2.

O agente identifica o caso suspeito. O Agente Comunitário de Saúde coleta a Lâmina para Verificação de Cura (LVC) após a conclusão do tratamento e encaminha a lâmina para leitura. Recebe o resultado da Lâmina de Verificação de Cura (LVC) e. para o laboratório da unidade de saúde ou para o microscopista mais próximo. 5. se for positiva. O agente entrega o medicamento ao doente. com a notificação correta. 59 Fluxo B Passos do Procedimento Variável 1. Em caso positivo. 4. enviando o medicamento pelo agente. O laboratório/microscopista faz o diagnóstico. O agente coleta sangue. identifica o plasmódio e providencia o tratamento adequado. faz a lâmina e a envia. providencia para que o doente repita o tratamento. em caso de suspeita de malária. . 7. 6. 3. acompanhando o seu tratamento juntamente com o apoio da equipe de saúde da Unidade Básica de Saúde/Unidade de Saúde da Família. para que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível. 2. conforme estratégia local. Orienta as pessoas da comunidade a tomar medidas preventivas e a avisar imediatamente.

Rio Camaipi – Amapá .

Agentes Comunitários de Saúde. Agentes de Controle de Endemias e profissionais das equipes de Saúde da Família. 61 CAPÍTULO 5 Trabalhando em equipe no controle da malária Este capítulo apresenta as competências dos profissionais de saúde e dos serviços no desenvolvimento das ações de controle da malária em áreas urbanas e rurais: Unidades Básicas de Saúde. .

orientados pelos seus enfermeiros/supervisores. . têm todas as condições de trabalhar de forma integrada com os Agentes de Controle de Endemias. para o diagnóstico ambulatorial. ele já pode encaminhar essa pessoa para os exames”. envolvendo a prevenção das doenças. outras instituições de saúde existen- tes. Quando se falava em malária. que envolve ações voltadas para a informação.62 “Foi muito importante a inserção do PACS e PSF nas ações de controle das endemias. dizer que vai buscar alguém para resolver aquele problema. é um problema de todos. Esse sistema envolve as Secretarias Estaduais e Muni- cipais de Saúde. as ações de controle da malária têm de estar integradas às demais ações de saúde. de média e alta complexidade. para o controle de vetores. Mesmo que ele não tenha ainda todo o conhecimento. e a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). as Unidades Básicas de Saúde se integram ao Sistema de Controle Integrado da Malária. Não dá pra um ACS entrar nas casas e não perceber que a pessoa tem malária. Agora. (Adriana. Coordenadora do Programa Saúde da Família. No SUS. pensávamos: isso é com a FUNASA. a promoção da saúde. o trata- mento e a reabilitação. educação e comunica- ção. Os profissionais atuando nas Unidades Básicas de Saúde e nas unidades de Saúde da Família precisam planejar em conjunto suas ações para que os resultados apareçam e o controle das endemias se estabeleça de forma positiva. entre elas o controle da malária. Articulando-se com os demais níveis. e para o tratamento ambulatorial e hospitalar. a atenção básica é responsável pelo primeiro nível de atenção à saúde. no Acre) Na atenção básica. os Agen- tes Comunitários de Saúde. Na equipe de Saúde da Família. dengue e não tomar uma providência.

l Encaminhar os casos graves para a Unidade de Referência quando necessário. 63 Competências das Unidades Básicas de Saúde Na prevenção da malária e promoção das condições ambientais l Desenvolver ações educativas e de mobilização da comunidade relati- vas ao controle da malária na sua área de abrangência. l Identificar sinais e sintomas da malária grave e complicada. l Solicitar ao órgão competente o envio das infor- mações epidemi- ológicas referen- tes à malária para acompanha- mento da preva- lência da doença na sua área de atuação. con- forme indicado no Manual de Terapêutica de Malária. l Tratar o doente de malária com o esquema terapêutico adequado. no diagnóstico. após o término do tratamento. No atendimento. . l Orientar o paciente quanto à necessidade do tratamento completo e medidas de prevenção. l Realizar o diagnóstico precoce. no tratamento l Atender o paciente suspeito de malária. elaborado pela FUNASA/MS. l Solicitar Lâmina de Verificação de Cura (LVC). l Estimular ações intersetoriais que possam contribuir no controle da doença.

. l Realizar reuniões para discussão de casos. tratamento.64 ATENÇÃO A equipe da unidade deve ser sempre atualizada quanto ao manejo do paciente. e ações relativas à vigilância epidemiológica da malária no seu nível de atuação. Na notificação l Preencher adequadamente e encaminhar as fichas de notificação para o setor competente. Competências da equipe de Saúde da Família No desenvolvimento das ações de controle da malária l Planejar as ações de promoção. inclusive de casos graves. proteção e recuperação da saúde. na análise de dados e na notificação l Registrar as informações e analisar os relatórios consolidados. no que se refere a diagnóstico. l Planejar e desenvolver ações de educação em saúde e mobilização social na sua área de atuação. No registro. l Definir estratégias para acompanhamento e continuidade da atenção. No planejamento e na avaliação l Participar das reuniões de planejamento e avaliação dos resultados das ações de controle da malária no seu município. l Preencher adequadamente e encaminhar as fichas de notificação para o setor competente.

bus. nos horários que vivem. Caso isso não seja possível. sível os sintomas de malária nas pernas e cabeça. quando de Saúde. com o objetivo de fazer o controle de vetores. interior das dades Básicas casas. l Orientar as pessoas para o uso de medidas de proteção individual e familiar na prevenção da malária como: » Trazer » Queimar deter- limpas e minadas cascas de drenadas árvores e cupinzei- as áreas em ros. » Permitir a tamente com borrifação do você. l Mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de manejo ambiental. até o teto. usar rou- » Exercer vigilância sobre sua pas e chapéus para proteger as par- própria família e vizinhança. jun. . como braços. 65 Competências dos Agentes Comunitários de Saúde Em área urbana Na prevenção da malária e na promoção das condições ambientais l Realizar ações de educação em saúde e de mobilização social. cons- quitos costumam truindo paredes picar as pessoas. » Proteger-se dentro de suas casas. utilizando » Evitar sair de telas nas jane- casa nos horários las. tes do corpo que ficam mais cando identificar o mais cedo pos. em que os mosqui- tos costumam picar as pessoas. pessoas e procurando auxílio imediato. nas Uni. usando mos- em que os mos- quiteiros. indicada. expostas.

para diagnóstico e tratamento. » roupas e acessórios apropriados para diminuir o contato do homem com o mosquito. l Orientar o uso de medidas de proteção individual e familiar para a pre- venção da malária como: » repelentes. l Orientar o paciente sobre a necessidade de concluir o tratamento. investigar a existência de outros casos na comuni- dade e encaminhar o suspeito para a unidade de saúde. » mosquiteiros. no encaminhamento.66 Na identificação. Quando identificar um caso de malária. conforme a estratégia local. l Acompanhar os pacientes em tratamento. No planejamento e na avaliação l Participar das reuniões de planejamento e avaliação dos resultados das ações de controle da malária no seu município. l Mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de manejo ambiental com o objetivo de fazer o controle de vetores. . l Orientar a comunidade quanto ao uso de medidas de proteção na prevenção da malária. na orientação e no acompanhamento l Identificar sinais e sintomas de malária e encaminhar o suspeito para a unidade de saúde. Em área rural Na prevenção da malária e na promoção das condições ambientais l Realizar ações de educação em saúde e de mobilização social. Na notificação l Preencher e encaminhar ao setor competente a ficha de notificação.

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» cortinas, impregnadas ou não com inseticidas;
» telas nas portas e janelas das casas.

Na identificação, no encaminhamento,
na orientação e no acompanhamento

l Identificar sinais e sintomas de malária.

l Realizar diagnóstico por meio de imunotestes, conforme orientação do
supervisor. Quando não for possível a realização do imunoteste, encami-
nhar a pessoa suspeita de malária para Unidade de Referência.

l Colher lâminas com pessoas suspeitas de malária e encaminhá-las para
leitura conforme estratégia local. Quando não for possível a realização
da coleta de lâmina, encaminhar a pessoa suspeita de malária para
Unidade de Referência.

l Receber o resultado e realizar o tratamento imediato e adequado con-
forme tabelas de tratamento.

l Receber o resultado e instituir o tratamento conforme tabelas de trata-
mento.

l Orientar o paciente sobre a necessidade de concluir o tratamento.

l Acompanhar os pacientes em tratamento.

l Coletar Lâmina para Verificação de Cura (LVC) após a
conclusão do tratamento e encaminhá-la para leitu-
ra conforme estratégia local.

l Receber o resultado da Lâmina de Verificação de
Cura (LVC) e se for positiva repetir o tratamento.

Na notificação

l Preencher e encaminhar ao setor compe-
tente a ficha de notificação, conforme a
estratégia local.

No planejamento e na avaliação

l Participar das reuniões de planejamento
e avaliação dos resultados das ações de
controle da malária no seu município.

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Competências dos Agentes
de Controle de Endemias

Na prevenção da malária e na promoção
da melhoria de condições ambientais

l Realizar ações de educação em saúde e de mobilização social.

l Mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de manejo
ambiental, com o objetivo de fazer o controle de vetores.

l Orientar o uso de medidas de proteção individual e familiar na preven-
ção da malária como:

» Trazer » Queimar deter-
limpas e minadas cascas de
drenadas árvores e cupinzei-
as áreas em ros, nos horários
que vivem. em que os mosqui-
tos costumam picar
as pessoas.
» Proteger-se dentro de suas
casas, utilizando
» Evitar sair de
telas nas jane-
casa nos horários
las, usando mos-
em que os mos-
quiteiros, cons-
quitos costumam
truindo paredes
picar as pessoas.
até o teto.
Caso isso não seja
possível, usar rou-
» Exercer vigilância sobre sua pas e chapéus para proteger as par-
própria família e vizinhança, bus- tes do corpo que ficam mais expos-
cando identificar o mais cedo pos- tas, como braços, pernas
sível os sintomas de malária nas e cabeça.
pessoas e procurando
auxílio imediato, jun- » Permitir a
tamente com borrifação do
você, nas Uni- interior das
dades Básicas casas, quando
de Saúde. indicada.

69

l Realizar e/ou orientar a comunidade quanto ao uso de medidas de pro-
teção individual e ordenamento do meio ambiente para combater o vetor
na fase imatura:

» drenagem de pequenos criadouros;

» aterro de criadouros;

» aumento do fluxo da água;

» limpeza da vegetação aquática.

l Realizar a aplicação de larvicidas químicos e biológicos, quando indicado.

l Realizar borrifação intradomiciliar de efeito residual, quando indicado.

l Realizar aplicação espacial de inseticidas através de nebulizações tér-
micas (fumacê) e Ultra Baixo Volume (UBV) quando indicado no guia de
controle seletivo de vetores da malária.

Na identificação, no diagnóstico e no tratamento

l Identificar sinais e sintomas de malária.

l Realizar o diagnóstico precocemente com os imu-
notestes. Quando não for possível a realização
do imunoteste, encaminhar a pessoa suspeita
de malária para Unidade de Referência.

l Colher lâminas de pessoas suspeitas de ma-
lária, residentes em áreas endêmicas de di-
fícil acesso e encaminhar para leitura con-
forme estratégia local. Quando não for pos-
sível a realização da coleta de lâmina, en-
caminhar a pessoa suspeita de malária para
Unidade de Referência.

l Receber o resultado e providenciar o tra-
tamento imediato e adequado conforme
tabelas de tratamento.

l Orientar o paciente sobre necessidade de
concluir o tratamento.

l Acompanhar os pacientes em tratamento.

No planejamento e na avaliação l Participar das reuniões de planejamento e avaliação dos resultados das ações de controle da malária no seu município.70 l Coletar Lâmina para Verificação de Cura (LVC) após a conclusão do tra- tamento e encaminhá-la para leitura. l Receber o resultado da Lâmina de Verificação de Cura (LVC) e adotar a conduta recomendada pelo supervisor. Competências dos médicos e enfermeiros das equipes de Saúde da Família e da Unidade Básica de Saúde Na identificação.conforme estratégia local. l Solicitar e orientar o paciente para retorno após o término do esquema de tratamento. l Realizar tratamento imediato e adequado dos casos conforme o Manual de Terapêutica de Malária – FUNASA/MS. . l Realizar diagnóstico precoce. Na notificação e controle l Preencher e encaminhar ao setor competente a ficha de notificação. conforme a estratégia local. l Orientar o paciente quanto à necessidade de concluir o tratamento. no diagnóstico e no tratamento l Identificar casos suspeitos de malária. l Solicitar a Lâmina de Verificação de Cura (LVC) após a conclusão do trata- mento. l Preencher adequadamente e encaminhar ao setor com- petente o Boletim de Atividade Diária (PCIM – 02) – Anexo II.

ATENÇÃO Os profissionais devem solicitar ao setor competente que as informações epidemiológicas. Na capacitação e orientação dos Agentes Comunitários de Saúde e auxiliares de enfermagem l Capacitar os Agentes Comunitários de Saúde e auxiliares de enfermagens nas ações de controle da malária. semanalmente. No planejamento e na avaliação l Participar das reuniões de planejamento e avaliação dos resultados das ações de controle da malária no seu município. visando à adesão ao mesmo. sejam disponibilizadas. l Orientar o ACS para acompanhamento dos casos em tratamento. 71 Na notificação l Preencher adequadamente e encaminhar as fichas de notificação para o setor competente. para as necessárias análises e intervenções. . referentes à malária na área de atuação da equipe.

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Diagnóstico de malaria. Malária: manual do colaborador voluntário. BRASIL. Manual de terapêutica de malária. ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. 1993. Secretaria de Assistência à Saúde. Brasília: Ministério da Saúde. 1998. 4. Avanços para a municipalização plena da saúde: o que cabe ao município. Guia de vigilância epidemiológica.]. Ministério da Saúde. BRASIL. INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. 1994. BRASIL. Brasília: Ministério da Saúde. 13. 1986. Ministério da Saúde. Diretrizes técnicas do progra- ma de controle da malária no estado do Pará. Diretrizes para o controle de malária no Brasil. 10. 1977.]. 1993. Ministério da Saúde. ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD. Fundação Nacional de Saúde. LEÃO. 1994. Incentivo à participação popular e controle social do SUS. Brasília: Ministério da Saúde. ______. Brasília: Ministério da Saúde. 2000. BRASIL. 73 Referências bibliográficas 1. Brasília: Ministério da Saúde. Schmunis (Editores). Brasília: Ministério da Saúde. 8.n. Belém: [s. ______. p. L. 2. O Trabalho do agente comunitário de saúde. 12. Brasília: Ministério da Saúde. R. Controle seletivo de vetores da malária. Q. ______. 1994. 6. 1992. Brasília: Ministério da Saúde. . 1995. Antunãno. Rio de Janeiro: [s. 14. F. n. 1996. BRASIL. Ministério da Saúde. J.n. Coordenação de Saúde Comunitária. Diagnóstico e tra- tamento no controle da malária: manual para pessoal de nível médio. Núcleo estadual de endemias: manual do agente comunitário de saú- de. Brasília: Ministério da Saúde. 5. (Publicación Científica. 2000. A Saúde no municí- pio: organização e gestão. Departamento de Atenção Básica. 512). Enfoque Amazônico. Belém. 11. BRASIL. 15. ______. ______. 1999. ______. Brasília: Ministério da Saúde. 9. N. Saúde da família: uma estratégia para reorientação do modelo assistencial. 7. 1997. Secretaria Executiva de Saúde Pública. Ministério da Saúde. Doenças infecciosas e parasitárias. 645-670. 3. Superintendência de Campanha de Saúde Pública.

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define a sistemática de financiamento e dá outras providências. resolve: Capítulo I Das Competências Seção I Da União Art. no uso de suas atribuições. municípios e Distrito Federal. no que se referem à organização do Sistema Único de Saúde . a Gestão do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica e Ambiental em Saúde no âmbito nacional. das responsabilidades e requisitos de epidemiologia e controle de doenças. de 19 de setembro de 1990. O Ministro de Estado de Saúde. em sua Reunião Ordinária de 09 e 10 de junho de 1999. considerando a aprovação desta Portaria pela Comissão Intergestores Tripartite.SUS e às atribuições do Sistema relacionadas à Epidemiologia. Regulamenta a NOB – SUS 01/96 no que se refere às competências da União. pelo Conselho Nacional de Saúde. por intermédio da Fundação Nacional de Saúde – FUNASA.399/GM. estados. Prevenção e Controle de Doenças. e tendo em vista as disposições da Lei nº 8. e considerando a necessidade de regulamentar e dar cumprimento ao disposto na Norma Operacional Básica do SUS de 1996. no dia 25 de novembro de 1999.080. considerando a aprovação. de 15 de dezembro de 1999. 1º Compete ao Ministério da Saúde. compreendendo: . 75 Anexo I Portaria nº 1. na área de epidemiologia e controle de doenças.

excepcionalmente. c) meios de diagnóstico laboratorial para as doenças sob monitoramento epidemiológico (kits diagnóstico). VI . b) consolidação dos dados provenientes dos estados.assistência técnica a estados e. incluindo a: a) normatização técnica. c) retroalimentação dos dados. com definição de instrumentos e fluxos. VII . com ênfase naquelas que exigem simultaneidade nacional ou regio- nal para alcançar êxito. de forma complementar à atuação dos estados. Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações – SI-PNI e outros sistemas que venham a ser introduzidos. b) inseticidas. IX .76 I . IV . Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos – SINASC. de forma suplementar. V . Sistema de Informação so- bre Mortalidade – SIM.coordenação nacional das ações de Epidemiologia e Controle de Do- enças. II .execução das ações de Epidemiologia e Controle de Doenças. III . a municípios.provimento dos seguintes insumos estratégicos: a) imunobiológicos.definição das atividades e parâmetros que integrarão a Programa- ção Pactuada Integrada – PPI-ECD para a área de Epidemiologia e Controle de Doenças.participação no financiamento das ações de Epidemiologia e Con- trole de Doenças. VIII . . quando constatada insuficiên- cia da ação estadual. em caráter excepcional.execução das ações de Epidemiologia e Controle de Doenças. conforme disposições contidas nesta Portaria.gestão dos sistemas de informação epidemiológica. Sistema de In- formação sobre Agravos de Notificação – SINAN.normatização técnica.

XIII .coordenação da Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Pública – RNLSP. envio e transporte de material biológico) e credencia- mento das unidades partícipes.fomento e execução de programas de capacitação de recursos humanos.definição de Centros de Referência Nacionais de Epidemiologia e Controle de Doenças. XIV . fluxos técnico- operacionais (coleta.coordenação técnica da cooperação internacional na área de Epide- miologia e Controle de Doenças. XVIII . em articu- lação com as Secretarias Municipais de Saúde – SMS e Secretarias Estadu- ais de Saúde – SES. das atividades de prevenção e con- trole de doenças. de pesquisas epidemiológicas e operacionais na área de prevenção e controle de doenças e agravos.promoção. XVII . com definição e estabelecimento de normas. educação e comunicação – IEC.divulgação de informações e análises epidemiológicas. em situações específicas. incluindo a permanente avaliação dos sistemas estaduais de vigilância epidemiológica e ambiental em saúde.coordenação do Programa Nacional de Imunizações incluindo a definição das vacinas obrigatórias no País. direta ou indireta. XIX . 77 X . supervisão e controle da execução das ações de Epidemiologia e Controle de Doenças programadas na PPI-ECD. coordenação e execução. quando direcionadas às populações indígenas. nos aspectos relativos à vigilância epidemiológica e ambiental em saúde.coordenação e execução das atividades de informação. XX . XI . . as estratégias e normatização técnica sobre sua utilização.execução. de abrangência nacional.fiscalização. XII . XVI . XV .assessoramento às Secretarias Estaduais de Saúde – SES e Se- cretarias Municipais de Saúde – SMS na elaboração da PPI-ECD de cada estado.

conforme disposições contidas nos artigos 14 a 19 desta Portaria. IV . da Programação Pactuada Integrada – PPI- ECD para as ações de Epidemiologia e Controle de Doenças. VII . quando constatada insuficiência da ação municipal. de forma suplementar. 2º Compete aos Estados a gestão do componente estadual do Sis- tema Nacional de Vigilância Epidemiológica e Ambiental em Saúde.assistência técnica aos municípios. em conjunto com os gestores municipais. e e) equipamentos de aspersão de inseticidas. VI . com- preendendo as seguintes ações: I .definição.participação no financiamento das ações de Epidemiologia e Controle de Doenças. c) seringas e agulhas. b) equipamentos de proteção individual.execução das ações de Epidemiologia e Controle de Doenças. com ênfase naquelas que exigem simultaneidade estadual ou microrregional para alcançar êxito. d) óleo de soja.execução das ações de Epidemiologia e Controle de Doenças.execução das ações de Epidemiologia e Controle de Doenças.provimento dos seguintes insumos estratégicos: a) medicamentos específicos. em conformi- dade com os parâmetros definidos pela FUNASA. nos termos pactuados na CIT. VIII . em municípios não certificados nas condições estabelecidas nesta Portaria.coordenação e supervisão das ações de prevenção e controle. na Comissão Intergestores Bipartite – CIB. de forma complementar à atuação dos municípios. III . . V . II .78 Seção II Dos Estados Art.

divulgação de informações e análises epidemiológicas. e d) retroalimentação dos dados. XIII .coordenação da Rede Estadual de Laboratórios de Saúde Pública – RELSP. XVIII . nos aspectos relativos à vigilância epidemiológica e ambiental em . incluindo: a) consolidação dos dados provenientes de unidades notificantes e dos municípios. programa- das na PPI-ECD. XVI . SINAN. por meio de processamento eletrônico. X . do SIM.coordenação das ações de vigilância ambiental de fatores de risco à saúde humana. b) envio dos dados ao nível federal. regularmente dentro dos prazos estabelecidos pelas normas de cada sistema.capacitação de recursos humanos. incluindo a permanente avaliação dos sistemas municipais de vigilância epidemiológica e ambiental em saúde. como os agrotóxicos.execução das atividades de informação. XVII . inclusive com abastecimento dos municípios. SI-PNI e outros sistemas que venham a ser introduzidos.gestão dos estoques estaduais de insumos estratégicos. XV .normatização técnica complementar à do nível federal para o seu território.gestão dos sistemas de informação epidemiológica. XII . incluindo o monitoramento da água de consumo humano e contaminantes com importância em Saúde Pública. educação e comunicação – IEC de abrangência estadual. XI . XIV . mercúrio e benzeno.definição de Centros de Referência Estaduais de Epidemiologia e Controle de Doenças. no âmbito esta- dual. 79 IX . c) análise dos dados. supervisão e controle da execução das ações de Epi- demiologia e Controle de Doenças realizadas pelos municípios.fiscalização. SINASC.

provimento da realização de exames laboratoriais para controle de doenças.busca ativa de Declarações de Óbito e de Nascidos Vivos nas unida- des de saúde. . esquistossomose. na rede esta- dual de laboratórios de Saúde Pública. V .coordenação das ações de vigilância entomológica para as doenças transmitidas por vetores. inclusive laboratórios. surtos e óbitos por doenças específicas. Seção III Dos Municípios Art. II . XXI . com- preendendo as seguintes atividades: I . 3º Compete aos municípios a gestão do componente municipal do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica e Ambiental em Saúde.provimento de diagnóstico laboratorial das doenças de notificação compulsória e outros agravos de importância epidemiológica. em articulação com Secre- taria Estadual de Saúde. incluindo a realização de inquéritos entomológicos. triatomíneos. surtos e agravos inusitados. creches e instituições de ensino. entre outros.notificação de doenças de notificação compulsória. IV . cartórios e cemitérios existentes em seu território. credenciamento e avaliação das unidades partícipes. VI . conforme normatização federal e estadual.investigação epidemiológica de casos notificados. fluxos técnico- operacionais.coordenação do componente estadual do Programa Nacional de Imunizações. entre outros a serem definidos pela PPI-ECD.provimento da realização de exames laboratoriais voltados ao diag- nóstico das doenças de notificação compulsória. como os de malária.busca ativa de casos de notificação compulsória nas unidades de saúde. XIX . domicílios. existentes em seu território. III . com definição e estabelecimento de normas. XX .80 saúde.

divulgação de informações e análises epidemiológicas. XIII . conforme disposições contidas nos artigos 14 a 19 desta Portaria. apreensão e eliminação de animais que represen- tem risco à saúde do homem. no âmbito municipal. IX . dentro dos prazos estabelecidos pelas normas de cada sistema. b) envio dos dados ao nível estadual. XVI . químico e bacte- riológico de amostras. XII .registro. incluindo ações de coleta e provimento dos exames físico. e d) retroalimentação dos dados. SINASC. regularmente.ações de controle químico e biológico de vetores e de eliminação de criadouros. incluindo a vacinação de rotina com as vacinas obrigatórias. incluindo: a) coleta e consolidação dos dados provenientes de unidades notificantes do SIM. XV .gestão dos sistemas de informação epidemiológica.monitoramento da qualidade da água para consumo humano. como campanhas e vacina- ções de bloqueio. c) análise dos dados. SINAN. SI-PNI e outros sistemas que venham a ser introduzidos. identificação e levantamento do índice de infestação. XIV . captura. . VIII .participação no financiamento das ações de Epidemiologia e Controle de Doenças. 81 VII .acompanhamento e avaliação dos procedimentos laboratoriais rea- lizados pelas unidades públicas e privadas componentes da rede municipal de laboratórios que realizam exames relacionados à Saúde Pública. XI . em conformidade com a normatização federal. as estratégias especiais.vigilância epidemiológica da mortalidade infantil e materna. X .captura de vetores e reservatórios. e a notificação e investigação de eventos adversos e óbi- tos temporalmente associados à vacinação.coordenação e execução das ações de vacinação integrantes do Programa Nacional de Imunizações.

em cará- ter nacional. especificadas para cada Unidade da Federação. inclu- sive com abastecimento dos executores das ações. simultaneamente. II . nas condições pactuadas na CIB.as atividades e metas estabelecidas servirão de base para que as Comissões Intergestores Bipartite – CIB de todas Unidades da Federação . em conjunto com os demais gestores municipais e Secretaria Estadual de Saúde. na definição da Programação Pactuada Integrada – PPI-ECD para a área de Epidemiologia e Controle de Doenças. que será elaborada a partir do se- guinte processo: I . as atri- buições referentes a estados e municípios. 5º As ações de Epidemiologia e Controle de Doenças serão desen- volvidas de acordo com uma Programação Pactuada Integrada de Epidemi- ologia e Controle de Doenças/PPI-ECD.capacitação de recursos humanos. no que couber. XX . As competências estabelecidas neste artigo poderão ser executadas em caráter suplementar pelos estados ou por consórcio de municípios. Capítulo II Da Programação e Acompanhamento Art. XIX . na Comissão Intergestores Bipartite – CIB. em conformidade com os parâmetros definidos pela FUNASA. Parágrafo único.a FUNASA estabelecerá as atividades a serem realizadas e metas a serem atingidas na área de Epidemiologia e Controle de Doenças.participação. XVIII .coordenação e execução das atividades de IEC de abrangência municipal.82 XVII .gestão dos estoques municipais de insumos estratégicos. 4º A gestão das ações de Epidemiologia e Controle de Doenças no Distrito Federal compreenderá. Seção IV Do Distrito Federal Art.

aprovada na CIB. estabelecidos pela FUNASA. 7º São condições para a certificação dos estados e Distrito Federal assumirem a gestão das ações de Epidemiologia e Controle de Doenças: a) formalização do pleito pelo gestor estadual do SUS. MS e órgãos de fiscalização e controle todas as informações relativas à execução das ativi- dades em questão. Art. envolvendo aspectos epidemiológicos e operacionais. Plena da Atenção Básica – PAB ou Plena de Sistema Municipal – PSM. c) comprovação de estrutura e equipe compatíveis com as atribuições. . aprovada na CIB. As atividades e metas pactuadas na PPI-ECD serão acompanhadas por intermédio de indicadores de desempenho. solicitarão a certificação de gestão das ações de Epidemiologia e Controle de Doenças mediante: a) formalização do pleito pelo gestor municipal. b) comprovação de estrutura e equipe compatíveis com as atribuições. Parágrafo único. 8º A solicitação de certificação dos Estados e Distrito Federal. Capítulo III Da Certificação Art. e d) comprovação de abertura de conta específica no Fundo Estadual de Saúde para o depósito dos recursos financeiros destinados ao Teto Financei- ro de Epidemiologia e Controle de Doenças. Art. 83 estabeleçam a PPI-ECD estadual. especificando para cada atividade propos- ta o gestor que será responsável pela sua execução. b) apresentação da PPI-ECD para o estado. 9º Os municípios já habilitados em alguma das formas de gestão do sistema municipal de saúde. 6º As Secretarias Estaduais de Saúde – SES e Secretarias Munici- pais de Saúde – SMS manterão à disposição da FUNASA. Art. será avaliada pela FUNASA e encaminhada para delibe- ração na CIT.

Pernambuco. desta Portaria e será estabelecido por portaria conjunta da Secretaria-Exe- cutiva do Ministério da Saúde e da Fundação Nacional de Saúde. Rondônia. Capítulo IV Do Financiamento Art. c) Estrato III . Art. Pará.CIT. do Capítulo I. Paraná e Rio Grande do Sul.84 c) programação das atividades estabelecidas pela PPI-ECD sob sua res- ponsabilidade. Art. b) Estrato II – Alagoas. Mato Grosso do Sul. 10 A solicitação de certificação dos municípios será analisada pela Secretaria Estadual de Saúde e encaminhada para aprovação na Comissão Intergestores Bipartite . Rio Grande do Norte e Sergipe. 13 O Teto Financeiro de Epidemiologia e Controle de Doenças - TFECD de cada unidade da federação destina-se. Santa Catarina. Paraíba. Maranhão. Art. Art. exclusivamente. 12 Quando julgado necessário. . Amazonas. para efeito de certificação. ao finan- ciamento das ações estabelecidas nas Seções II.CIB. Piauí. III e IV. Goiás. a FUNASA poderá efetuar ou solici- tar a realização de processo de vistoria in loco. Minas Gerais. e d) comprovação de abertura de conta específica no Fundo Municipal de Saúde para o depósito dos recursos financeiros destinados ao Teto Financei- ro de Epidemiologia e Controle de Doenças. São Paulo. Mato Grosso.Distrito Federal. Rio de Janeiro. Amapá. Espírito Santo. 14 As unidades da federação serão estratificadas da seguinte forma: a) Estrato I – Acre. Bahia. Ceará. Roraima e Tocantins. 11 As solicitações de municípios aprovadas na CIB serão encami- nhadas para análise da FUNASA e posterior deliberação final da Comissão Intergestores Tripartite .

desta Portaria. será acrescido ao valor definido pela CIB. não poderão perceber valores per capita inferiores a 60% (sessenta por cento) daquele atribuído à unidade da federação correspondente. que após aprovação. conforme o caso. o montante a ser repassado a cada Município para execução das ações pro- gramadas. das atividades de que trata o artigo 3º. no mínimo. 85 Art. Parágrafo único. c) contrapartidas do estado e dos municípios ou do Distrito Federal. Art. desta Portaria. respectivamente. observado o estrato a que pertença. 30% e 40% cal- culadas sobre o somatório das parcelas definidas nas alíneas “a” e “b” e da parcela de que trata o § 1º do artigo 17. 15 O TFECD de cada unidade da federação. § 1º Como estímulo à assunção. 16 A Comissão Intergestores Bipartite. Art. 9 a 11. na forma definida no artigo 13. desta Portaria. será estabelecido. § 1º As contrapartidas de que trata a alínea “c” deverão ser para os estratos I. 17 Os municípios certificados na forma estabelecida nos arts. b) valor por quilômetro quadrado multiplicado pela área de cada unida- de da federação. observado o estrato a que pertença. 20%. O repasse de que trata o caput deste artigo somente será efetivado se o município encontrar-se certificado nos termos dos arti- gos 9 a 11. um valor per capita que multiplicado pela população do muni- cípio. pelos municípios. desta Portaria. . § 2º Para efeito do disposto neste artigo os dados relativos à população e área territorial de cada unidade da federação são os fornecidos pelo Insti- tuto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. baseada na PPI/ECD e ob- servado o TFECD estabelecido. será obtido mediante o somatório das seguintes parcelas: a) valor per capita multiplicado pela população de cada unidade da fe- deração. providenciará o seu repasse por intermédio do Fundo Nacional de Saúde. informará à Fundação Nacional de Saúde. II e III de.

conforme o caso. observado os procedimentos defi- nidos no parágrafo anterior. por intermédio do Fundo Nacional de Saúde para os Fundos Estadu- ais e Municipais de Saúde. IV . em conta específica. 18 O repasse dos recursos federais do TFECD será feito. As atividades que são concentradas em determinada época do ano. Parágrafo único. SI- PNI e outros que forem pactuados). mensal- mente. § 2º O cancelamento da certificação. § 3º As atividades de Epidemiologia e Controle de Doenças correspon- dentes serão assumidas: . § 1º Após análise das justificativas eventualmente apresentadas pelo gestor estadual ou municipal.falta de comprovação da contrapartida correspondente. 19 O cancelamento da certificação com a conseqüente suspensão do repasse dos recursos de que trata o artigo anterior será aplicável nos seguintes casos: I . e ouvida a CIB.86 § 2º O Distrito Federal fará jus ao incentivo de que trata este artigo a partir da data de sua certificação.falta de comprovação da regularidade e oportunidade na alimenta- ção dos sistemas de informação epidemiológica (SINAN. II .emprego irregular dos recursos financeiros transferidos. com base em parecer técnico fundamentado. terão os recursos correspondentes repassados integralmente junto com a parcela do segundo mês imediatamente anterior. também. Art. a exemplo das campanhas de vacinação. poderá. III . submeterá a proposta de can- celamento à CIT. vedada sua utilização para outros fins não previstos nesta Portaria. SIM.não cumprimento das atividades e metas previstas na PPI-ECD. ser solicitado pela CIB. SINASC. Capítulo V Das Penalidades Art. a FUNASA.

instauração de tomada de contas especial.comunicação à Câmara Municipal. conforme o caso. da Fundação Nacional de Saúde – FUNASA. III . d) Febre Amarela e Dengue. para os estados. Capítulo VI Das Disposições Gerais Art.comunicação ao Tribunal de Contas do Estado ou do Município. .comunicação ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal. de outras medidas. de acordo com as disposições estabelecidas nesta Portaria. municípios e Distrito Federal.comunicação à Assembléia Legislativa do Estado. Art. para instauração de inquérito. VI . a execução das ações de Epidemiologia e Controle de Doenças definidas como atribuições específi- cas desses níveis de gestão do Sistema Único de Saúde – SUS. c) Esquistossomose. os gestores estarão sujeitos às penalidades previstas em leis específicas. IV . sem prejuízo. II . se for o caso. b) Leishmanioses. 20 Além do cancelamento de que trata o artigo anterior. Parágrafo único. 21 Será descentralizada.comunicação aos Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde. em caso de cancelamento da certificação de município. 87 a) pelo estado. V . como: I . Incluem-se no disposto no caput deste artigo as ações relativas às doenças abaixo especificadas: a) Malária. ou b) pela FUNASA. em caso de cancelamento da certificação de estado. se houver.

evitando-se a separação entre atividades de vigilância epidemiológica. orçamentária e financeira para a gestão de recursos. vigilância am- biental em saúde e operações de controle de doenças.organizar estruturas específicas capazes de realizar todas as ati- vidades sob sua responsabilidade de forma integrada.88 e) Tracoma. 22 Para maior efetividade na consecução das ações de Epidemiolo- gia e Controle de Doenças. g) Peste. municípios e Distrito Federal. h) Filariose. integrada aos Sistemas Estadual e Municipal de Saúde II – integrar a rede assistencial. Capítulo VII Das Disposições Transitórias Art. prevenção e controle da área de epidemiologia e controle de doenças às atividades desenvolvidas pelo Pro- grama de Agentes Comunitários de Saúde – PACS e Programa de Saúde da Família – PSF. Art. preferencialmen- te que esta estrutura tenha autonomia administrativa. f) Doença de Chagas. IV – integrar as atividades laboratoriais dos Laboratórios Centrais – LACEN e da rede conveniada ou contratada com o SUS. recomenda-se às Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde: I . serão observadas as seguintes regras: . por parte dos estados. i) Bócio. até ser completada a descentra- lização das ações atualmente executadas pela FUNASA. nas ações de prevenção e controle de doenças. às ações de epidemiologia e controle de doenças. conveniada ou contratada com o SUS. 23 Durante o período de transição. III – incorporar as ações de vigilância.

as instala- ções e equipamentos atualmente utilizados nessas atividades.a programação de atividades em controle de doenças transmitidas por vetores deverá ser elaborada em conjunto entre a FUNASA e a Secreta- ria Estadual de Saúde. com participação da FUNASA. de acordo com definição conjunta entre a FUNASA e cada SES. para os municípios que discorda- rem da avaliação da SES. que apresentará um Plano de Descentralização detalhado para o estado. uma Comissão para Descentralização das Ações de Controle de Doenças Transmitidas por Vetores. os seguintes aspectos: a) cronograma de descentralização das atividades. contem- plando. Art. c) bens móveis e imóveis a serem transferidos. b) quantitativo e alocação de recursos humanos. quais sejam. 25 A FUNASA repassará para a Secretaria Estadual de Saúde ou Secretaria Municipal de Saúde. para uso espe- cífico nas atividades de Epidemiologia e Controle de Doenças. dentre outros. o Conselho Estadual de Saú- de e a CIT. e aprovada na CIB. ficam estabelecidos aqueles definidos para as demais pendências ordinárias. . Os atuais Distritos Sanitários da FUNASA serão compatibilizados com as estruturas regionais existentes nas SES para garanti- rem a continuidade do funcionamento quando suas instalações e equipamentos forem repassados. conforme deliberado na CIB. preservando as insta- lações necessárias para o desempenho das atribuições que continuarão com as Coordenações Regionais. a não ser em questões excepcionais de natureza técnico- normativa. em cada unidade da federação. SES e COSEMS. II . em que a Fundação Nacional de Saúde se caracterize como melhor árbitro.será constituída. Parágrafo Único. 89 I . Capítulo VIII Das Disposições Finais Art. 24 Como instâncias de recurso. a ser aprovado na CIB.

que poderá ser revogada. visando adequá-los às suas novas atribuições. estarão disponíveis para serem cedi- dos à SES ou SMS. § 1º No período de 5 (cinco) anos. de forma a garantir a continui- dade das atividades transferidas para os estados e municípios. b) incorporação de atividades ao PACS e PSF. incluindo os Distritos Sanitários. . em caráter temporário. a análise da evolução da força de trabalho alocada a cada unidade da federação. estabelecerá as medidas necessárias para o ajuste do quantitativo da força de trabalho. a redução real do quantitativo de pessoal inicialmente alocado. As convocações superiores a 90 (noventa) dias. considerados. 28 A FUNASA. § 2º Caso seja constatada. considerados os fatores de que trata o pará- grafo anterior. que executam ações de controle de doenças transmitidas por vetores. a FUNASA submeterá a avaliação da CIT. realizará capacitação de todos os agentes de controle de endemias. pela FUNASA. em conjunto com as SES. inclusive aquelas efeti- vadas por intermédio dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas. os seguintes aspectos: a) aposentadoria de servidores. dentre outros. incluindo conteúdos de vigilância epidemiológica e ambiental em saúde e execução de prevenção e controle de doenças com importância nacional e regional. até o final do ano 2000. excetuando-se o quan- titativo definido como necessário para as atividades que permanecerão exe- cutadas pelas Coordenações Regionais da FUNASA.90 Art. conforme deliberado na CIB. iniciado a partir de 1º de janeiro de 2000. bem assim a prorrogação do prazo inicial deverão ser autorizadas pela CIT. Parágrafo único. em caráter suplementar e excepcional às SES. independentemente da sua situação de cessão atual. na primeira reunião de cada ano. pelo prazo máximo de 90 (noventa) dias. quando esta estiver executando ações de prevenção e controle de doenças. por proposta da FUNASA. 27 Os recursos humanos cedidos para as SES e SMS poderão ser convocados. c) aumento de produtividade em função da otimização de processos e incorporação de novos métodos de trabalho. 26 Os recursos humanos lotados nas Coordenações Regionais da FUNASA. Art. a CIT. Art. nos termos do caput deste artigo.

31 Fica delegada competência ao Presidente da FUNASA para edi- tar. normas regulamentadoras desta Portaria. a título de parcela variável. José Serra . para utilização nos termos pactuados na CIB. à apreciação da CIT. o valor excedente será incorporado ao TFECD. a FUNASA realizará o pagamento devido. Art. 32 Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. que estiverem realizando ações de controle químico ou biológico. quando couber. § 1º Mediante o envio pela SES da relação dos servidores que fazem jus à indenização de campo. quando necessário. Art. 30 A FUNASA estabelecerá critérios e limites para o pagamento da indenização de campo dos seus agentes de controle de endemias. ficando revogadas as disposições em contrário. 91 Art. 29 As SES serão responsáveis pela realização de exames de contro- le de intoxicação para os agentes de controle de endemias cedidos. § 2º Caso o limite fixado seja superior à despesa efetivada. Art. subme- tendo-as.

22 da Portaria no 1. Art. interino.886. de 15 de dezembro de 1999. l a importância do trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde na pre- venção e controle dessas doenças.399. 1o Definir as atribuições do Agente Comunitário de Saúde – ACS – na prevenção e no controle da malária e da dengue. que estabelece como atividade do ACS.92 Anexo II Portaria no 44/GM. l as normas e diretrizes dos referidos Programas. b) orientar o uso de medidas de proteção individual e coletiva. definidas na Portaria 1. . l a importância de transmitir à população conhecimentos básicos quanto à prevenção e ao controle da malária e da dengue. de 03 de janeiro de 2002. resolve: Art. no uso de suas atribuições. de 18 de dezembro de 1997. l a incorporação das ações de vigilância. l a necessidade da mobilização social para implementar e conferir sustentabilidade às ações de prevenção e de controle da malária e da dengue. 2 o Estabelecer as seguintes atribuições do ACS na prevenção e controle da malária: I. prevenção e controle da malária e da dengue nas atividades desenvolvidas pelos Programas de Agentes Comunitários de Saúde e de Saúde da Família de que trata o inciso III do Art. a orientação às famílias e à comunidade para a prevenção e o controle das doenças endêmicas. O Ministro de Estado da Saúde. em zona urbana: a) realizar ações de educação em saúde e de mobilização social. considerando: l a necessidade da inclusão das ações de epidemiologia e controle de doenças na gestão da atenção básica de saúde.

d) coletar Lâmina de Verificação de Cura – LVC – após conclusão do trata- mento. 3o Estabelecer as seguintes atribuições do ACS na prevenção e no controle da dengue: a) atuar junto aos domicílios informando os seus moradores sobre a doen- ça – seus sintomas e riscos – e o agente transmissor. para identifi- car locais de existência de larvas ou mosquito transmissor da dengue. conforme orientação da coordena- ção municipal do PACS e PSF. b) informar o morador sobre a importância da verificação da existência de larvas ou mosquitos transmissores da dengue na casa ou redondezas. encami- nhar as pessoas para a unidade de referência. de acordo com as orientações da Secretaria Muni- cipal de Saúde da Fundação Nacional de Saúde – FUNASA. c) vistoriar os cômodos da casa. d) identificar sintomas da malária e encaminhar o doente à unidade de saúde para diagnóstico e tratamento. além das atribuições relacionadas no item I deste artigo: a) proceder a aplicação de imunotestes. em área rural. . f) investigar a existência de casos na comunidade. c) receber o resultado dos exames e providenciar o acesso ao tratamento imediato e adequado. encaminhá-la para leitura. b) coletar lâminas de sintomáticos e enviá-las para leitura ao profissional responsável e. g) preencher e encaminhar à Secretaria Municipal de Saúde a ficha de notificação dos casos ocorridos. ressaltan- do a importância de sua conclusão. a partir de sintomático. de acordo com a estratégia local. e) promover o acompanhamento dos pacientes em tratamento. Art. II. acompanhado pelo morador. quando não for possível esta coleta de lâmina. 93 c) mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de manejo ambiental para o controle de vetores.

e) promover reuniões com a comunidade para mobilizá-la para as ações de prevenção e controle da dengue. de acordo com as orientações da Secretaria Municipal de Saúde. Art. f) comunicar ao instrutor supervisor do PACS/PSF a existência de criadou- ros de larvas e/ou mosquitos transmissor da dengue. da interferência da vigilância sanitária ou de ou- tras intervenções do poder público. Barjas Negri . 4o Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação. Que dependam de tratamento químico.94 d) orientar a população sobre a forma de evitar e eliminar locais que pos- sam oferecer risco para a formação de criadouros do Aedes aegypti. g) encaminhar os casos suspeitos de dengue à unidade de saúde mais pró- xima.

2000. Por outro lado. indepen- dente de sua condição social. ou então pagava médicos particulares e. Para equilibrar estas desigualdades. inspirado em expe- riências de outros países e nas discussões que aconteceram na Confe- rência de Alma-Ata (veja Texto de Apoio nº 2).conjunto de parlamentares que escreveu a nova Constituição. aos ambientes em que as pessoas vivem e a comportamentos e respostas dos indivíduos a situações do dia-a-dia. em casos de internação também pagava pelo serviço. no artigo 196: * Texto de Apoio integrante do Capítulo 1 do Manual O Trabalho do Agente Comunitário de Saúde. e que a saúde deveria fazer parte da polí- tica nacional de desenvolvimento e não ser vista apenas pelo lado da previdência social. com os preparativos para a elaboração da Constituição Federal. Para quem não tinha emprego ou não podia pagar um médico. que tem a ver com seu nível de educação. o Movimento de Reforma Sanitária ganhou força e muitos de seus integrantes fizeram parte da Assembléia Nacional Constituinte . o jeito era recorrer às Santas Casas de Misericórdia ou os postos de saúde municipais. esta nova maneira de entender saúde está incluída na Constituição Federal. A partir de 1985. Quem tinha emprego possuía assistência médica através das Caixas de Previdência. Brasília. que tem a ver com seu trabalho. 95 Anexo III O Sistema Único de Saúde – SUS* Até uns trinta anos atrás. portanto. começou a surgir um movimento de Reforma Sanitária no Brasil. que passou a valer a partir de outubro de 1988. editado pelo Departamento de Atenção Básica/Secretaria de Políticas de Saúde/ Ministério da Saúde. . Este Movimento defendia que todos deveriam ter amplo acesso aos serviços de saúde. que viviam sempre lotados. a idéia de saúde estava associada a ausên- cia de doenças. Desta forma. e assim por diante. a assistência à saúde da população estava limitada à condição de trabalho. entendida como resultado de um conjunto de fatores: acesso a saneamento básico. que tem a ver com sua renda. que tem a ver com a condição social das pessoas. Depois começou-se a perceber que as doenças estavam associadas aos hábitos de vida. A idéia de saúde passou a ser.

organizado de acordo com as seguintes diretrizes: I. A lei 8.142 fala sobre a participação da comunidade no acompanhamen- to das políticas e ações de saúde. publicadas em 1990. proteção e recuperação da saúde. Ministério da Saúde.080 e 8. atendimento integral. III.96 A saúde é direito de todos e dever do Estado. pois detalha a organização do SUS. e . enfermeiros. descentralização. empresas de planos de saúde. Os conselhos de saúde são grupos formados por repre- sentantes de diversos setores da sociedade. e trata das condições para a promoção. sem prejuízo dos serviços assistenciais. A lei 8.associações de médicos. profissionais de saúde . Estes três princípios formam a base do Sistema Único de Saúde. foi criado o Sistema Único de Saúde . II. criando os conselhos de saúde e as con- ferências de saúde.SUS. Para promover este acesso universal e igualitário. que devem promover o atendimento integral à população. que foram detalhados nas leis 8. Todas as políticas e ações que tratem de saúde devem incluir estes três princípios. conforme indicado no artigo 198 da Constituição Federal: As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único. com direção única em cada esfera de governo. proteção e recuperação. Descentralização.142.080 é conhecida como Lei Orgânica da Saúde. garantido mediante polí- ticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção. atendimento integral e participação da comunidade. com prioridade para as atividades preventivas. prestadores de serviços de saúde .Secretarias de Saúde.hospitais e clínicas particulares. que se baseia na descentralização das ações e políticas de saúde. trabalhadores de saúde de nível médio. participação da comunidade. os segmentos: governo . psicó- logos e assistentes sociais.

de portadores de doenças crôni- cas. pouco a pouco o Sistema Único de Saúde foi deixando de ser um conjunto de leis e princípios detalhados no papel para começar a se transformar em realidade. É preciso muita calma para que as pessoas comecem a ouvir o outro como também perceber que podem trabalhar juntas mesmo tendo muitas outras opiniões diferentes. a participação da comunidade nos conselhos de saúde está mais forte. mais organizada. Os conselhos de saúde atuam na “formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde” de acordo com o nível de gover- no que representa. ou anda mais devagar. instituições de pesquisa. e isto vai se refletir na atuação destes conselhos. de deficiências físicas e mentais. Estes representantes são os membros dos conselhos e são escolhidos por voto ou por indicação. pois as instituições do segmento usuários (associações de moradores. junto ao Ministério da Saúde. o Conselho Estadual de Saúde atua junto à Secretaria Estadual de Saúde. deficientes físicos e/ou mentais. As conferências devem acontecer a cada quatro anos e são convocadas pelo dirigente da saúde. Hoje.associações de moradores. de acordo com o nível de governo. 97 usuários . as conferências de saúde reúnem também os representantes dos diversos setores da sociedade. entre outros) possuem a metade do número de . Assim como os conselhos. gru- pos de portadores de doenças crônicas. começou também a municipalização. a Conferência Estadual pelo Secretário Estadual de Saúde. e o Conselho Municipal de Saúde atua junto à Secretaria Municipal de Saúde. A Conferência Naci- onal de Saúde é convocada pelo Ministro da Saúde. Isto porque. Assim. instituições de pesquisa. E a população. de acordo com suas realidades. às vezes pára um pouco. através dos representantes reunidos no Conselho Muni- cipal de Saúde. pelo Secretá- rio Municipal de Saúde. foi preciso que as comunidades começassem a se organizar. Para que esta participação começasse a acontecer. De 1990 para cá. o Conselho Nacional de Saúde realiza este traba- lho no nível federal. com a descentralização das ações. passou a poder participar da definição das ações e das políticas de saúde. o dinheiro federal começou a ser repassado diretamente aos municípi- os que passaram a decidir onde utilizá-lo. e a Conferência Municipal. ou seja. etc. junto com o Secretário Municipal de Saúde. Esse processo leva tempo: às vezes vai avan- çando bem. E isto não acontece como num passe de mági- ca.

o movimento pela reforma sanitária defendia que todas as pessoas. e assim por diante. Formado por estudantes de Medi- cina. sociólogos e antropólogos. independente da classe social. E assim. em 1923. Em 1930. surgido a partir de 1960 e que aos poucos foi ganhando força como movimento social. que eram organizados de acordo com as cate- gorias de profissões. acompa- nhando estas pessoas durante seu tratamento na unidade de saúde. ou seja. onde as desigualdades sociais sejam menores. a comuni- dade passa a ter um papel ativo não só no acompanhamento e das políticas e ações de saúde mas também a ter a oportunidade de se fazer ouvir e representar na definição destas políticas e ações. profissionais de saúde e prestadores de serviços. discu- tindo com elas sobre os problemas de saúde da comunidade e as soluções possíveis. Através dos conselhos de saúde e das conferências de saúde.98 lugares existentes nos conselhos. o pessoal do comércio com o IAPC. você vai escrevendo uma parte da história da imple- mentação do Sistema Único de Saúde no Brasil! Glossário Caixa de Previdência – Cooperativas de trabalhadores que tinham como objetivo garantir uma pequena aposentadoria a trabalhadores aci- dentados ou pensões a suas famílias. fazendo com que mais e mais pessoas possam ter acesso a informações e orienta- ções sobre como cuidar de sua saúde e da saúde de sua família. professores universitários. Ela acontece também no dia-a-dia de seu trabalho como agente de saúde em sua comunidade. Por exemplo. As primeiras cooperativas foram cria- das. Reforma Sanitária – Movimento que tinha uma proposta de mudança do sistema de saúde no Brasil. Ao exercer este direito de cidadania. o pessoal que trabalhava na indústria contribuía com uma parte de seu salário para o IAPI (Instituto de Aposenta- dorias e Pensões da Indústria). Mas a participação da comunidade não acontece somente no conselho de saúde ou na conferência de saúde. passa a perceber a sua responsabilidade na construção de uma sociedade com maior eqüidade. A outra metade é dividida entre os repre- sentantes do governo. foram criados os Institutos de Aposentadorias e Pensões. deveriam receber assistência médica sempre que necessitas- . pela Lei Eloy Chaves. onde todos os indivíduos possam exercer seu direito de cidadania.

quais as áreas de risco para a saúde das comunidades etc. dos mais simples até aqueles que necessitam de tratamentos mais complexos. como também do dinheiro que arrecada com os impostos municipais. Com a municipalização da saúde. as ações de saúde e a prestação de serviços em seu território. discutindo as prioridades e fiscalizando a utiliza- ção do dinheiro público destinado para a saúde. Qualquer pes- soa tem o direito de ser atendido de maneira integral nas unidades de saúde: desde receber informações sobre como cuidar de sua saúde e como se preve- nir de doenças até receber assistência para problemas de saúde. O atendimento é gratuito e o tipo de assistên- cia a ser recebida vai depender da gravidade da doença que a pessoa tiver. Os conselhos e as conferên- cias de saúde são instrumentos de controle social. . em condições iguais. nas unidades públicas de saúde. Controle social – É o controle que a sociedade tem com o poder públi- co. 99 sem e que o governo precisava garantir ações para a prevenção de doenças assim como proporcionar a melhoria das condições de saúde da população. Atendimento integral – É outro princípio básico do SUS. Descentralização – É um dos princípios básicos do Sistema Único de Saúde: é a prefeito e a secretário de saúde quem vão decidir sobre a políti- ca local de saúde: onde e como usar os recursos que existem. Acesso universal e igualitário – Significa dizer que todos os cidadãos brasileiros têm o direito de receber assistência. o município passa a ser o responsável pelo dinheiro depositado pelo Ministé- rio da Saúde e pelos estados em sua conta. quando participa do estabelecimento das políticas de saúde e controla a execução dessas políticas. Municipalização – Transferência para os municípios do direito e da responsabilidade de controlar os recursos financeiros.

se apresentam algum sintoma fora do habitual. l Assistência de acordo com a gravidade da doença que essas pessoas apresentem. verificando se estão com as vacinas em dia. as pessoas que você encaminha são examinadas. você leva informações sobre como prevenir doen- ças.100 Anexo IV Atenção Básica à Saúde Em seu trabalho. ou atenção primária. ou aten- ção secundária ou média complexidade. na unidade de saúde. sofrem pequenas cirurgias como retirada de sinais da pele. l Atendimento a todas as suas necessidades de saúde. Um dos objetivos do Sistema Único de Saúde é fazer com que as pesso- as possam contar com: l Amplo acesso aos serviços de saúde. entre 80 e 85 dessas pessoas vão precisar de cuidados que podem ser prestados naquela unidade. Por outro lado. fazem exa- mes como o preventivo de câncer de colo do útero. a 80-85% das necessidades de saúde de uma comunidade. em média. e aquelas cirurgias para trans- plante de coração. A Conferência de Alma-Ata aponta que a atenção primária à saú- de é a chave para que a meta de Saúde para Todos seja atingida com justiça social. unhas encravadas. ou de outros órgãos. ou atenção básica. a cada 100 pesso- as que procuram uma unidade de saúde (posto ou centro de saúde). ou seja. e dependendo do caso. As ações mais complexas são chamadas de segundo nível de assistência. etc. rins. sempre que haja necessidade de atendimento. Estas ações são exemplos do que chamamos de primeiro nível de assistência ou assistência primária. . e acompanha a saúde das pessoas e famílias. pesando crianças. recebem medicamentos. se as gestantes estão com- parecendo ao pré-natal. desde uma orien- tação sobre como prevenir uma doença até o exame mais complexo. exames em equipamentos caros e de alta precisão constituem os grupos de ações de atenção terciária ou de alta complexidade. Isso porque essas ações correspondem.

foi uma das primeiras estratégias para se começar o modelo de assistência à saúde. mas daí a pouco estavam doentes de novo. tenha um papel funda- mental na orientação das famílias. em outra era por conta do hábito de não proteger adequadamente as caixas d’água. 575 pessoas. do auxiliar de enfermagem e de outros profissionais.000 de pessoas acompanhadas. em média. o trabalho dos primeiros agentes contribuiu para que os serviços de saúde pudes- sem oferecer uma assistência mais voltada para a família.250. de um jeito onde você. numa comunidade. recebiam remédio. pelo Ministério da Saúde. visitando as casas. a incidência de diarréia acontecia por conta da água do poço que estava contaminada. ou seja. o número de agentes comunitário de saúde. a comunidade e a unidade de saúde. Por exemplo. até o ano 2.002. melhor dizendo. Agente Comunitário de Saúde. de acordo com a realidade e os problemas de cada comunidade. A proposta do Ministério da Saúde é ampliar para 20 mil o número de equipes do PSF e. observando os hábitos de vida e identificando os fatores de risco. o médico tem atribuições na equipe que só ele pode fazer. 101 A criação do PACS. a forma como os serviços de saúde estão organizados e como a população tem acesso a esses serviços. O PACS e o Programa de Saúde da Família (PSF) já vêm mostrando isso no Brasil e por essa razão são considerados estratégias para a organização da atenção básica nos municípios. Essa equipe tem o compromisso de organizar o serviço de saúde. Essa equipe da qual você faz parte também é responsável pelo seu treinamento e pela divisão do trabalho. Ao percorrer as casas para cadastrar as famílias e identificar os seus principais problemas de saúde. A partir do trabalho de agentes comunitários de saúde como você. Já pensou? . as diferentes causas para o mesmo problema de saúde puderam ser identificadas e o proble- ma foi resolvido. no encaminhamento de problemas que não pode resolver e na sua atuação em situações que sinta segurança e capacidade para intervir. Você é o elemento da equipe que realiza a vigilân- cia à saúde. o mesmo acon- tece em relação ao trabalho do enfermeiro. é a ponte entre as famílias. para 150 mil. As pessoas procuravam o posto de saúde ou iam direto ao hospital para se tratar. serão 86. Por exemplo. Um outro aspecto importante para a mudança do modelo de assistencial à saúde é o envolvimento da equipe de saúde como dia-a-dia da comuni- dade. Levando-se em conta que cada agente atende.

Para promover a organização da atenção básica no País. de forma permanente e pela mesma equipe (criação de vínculos).102 Em muitos municípios. isso tudo representa um movimento novo. recebem orientações sobre cuidados de saúde e são mobilizados (incentivo à participação popular) sobre como manter a sua saúde. uma vez que com seu trabalho. firmando um grande pacto para acompanhar os resultados alcançados. as pessoas já não falam mais PACS ou PSF. Um importan- te instrumento para este acompanhamento é o Manual para a Organiza- ção da Atenção Básica. . pois faz parte do sis- tema municipal de saúde. mas Saúde da Família. com igualdade de direitos para todos (eqüidade). Estados e governo federal vêm definindo suas responsabilidades. está envolvido neste amplo movimento de mudança. municípios. Isto porque Saúde da Família vem demonstrando ser o modelo de assistência à saúde que mais se aproxima nos princípios indicados na Constituição Federal (Volte lá no Capítulo I e releia o texto O Sistema Único de Saúde): todas as pessoas cadastradas são atendidas na unidade de Saúde da Família (universalidade). elaborado em conjunto pelo Ministério da Saúde e por Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. Dessa forma. que vem unindo os três níveis de governo em torno de um compromisso voltado para a qualidade de saúde e de vida da população. de suas famílias e de sua comunidade. E você. agente. recebendo assistência naquilo em que necessita (integralidade). pode contribuir e muito nesse processo. Como você pode perceber. compreendendo a rela- ção entre as doenças e estilos e hábitos de vida.

103 Anexo V .