PARTE II

HUMANISMO E HUMANISMOS:
PENSAR O HUMANO NA CLÍNICA

Homo rum;
humani nihil a me
aliODWUp\lto.

Tulnclo

INTRODUÇÃO
Ser "humanista", geralmente, aparece ora como um qualificati­
vo, ora como definidor, e ora como critica de uma s6rie de modelos de
pensamento; e a psicologia nlo e.capa dessa tradiylo. A questão que
subjaz a esta afirmaç.lo é a de estabelecer um entendimento do que se
pretende classificar como "bnmanismo". Ademais, o qualificativo ­ para­
doxelmente ­ e;,cclul, pois coloca aboniagcns cm contraposição a outras:
costuma­se opor às abordagens ..humanistas" (tradicionalmente compre­
endidas como aquelas nascidas em solo americano), as abordagens "exis­
tenciais" (classicamente consideradas como as europeias); ou ainda a
abordagens ''materialistas", ou outras "analíticas", etc. Mas o que: temos
em comum a todas elas é exatamente o que constitui a premissa para a
construção de.uma ciência "humana".
Mas afinal, o que é o humanismo? De qual hwnanismo se fala,
ao se tomar o substantivo genérico? Do verbete de dicionário, que ora
remete a um movimento cultural da renascença, ora dcfine.­o com Ulllll
generalização de contexto? Ou estaremos falando de Ull1 "espírito de épo-

e Humanismo "' do­lhe um sentido de "escola" de pensamento. específicos em detrimento de A proposta deste texto é de si� alguns el�entos preliminares uma visão de "giobalidade"1 ­ melhor seria diz. ''fenorb. apresentar a ideia de que não há propriamente uma "corrente" huma­ exemplo cor:io negar o direito de ser considerado "humanista" a pensa. . na transição da Idade Média à Idade pugnar. tradicional. de sua fil���o o� culturais e filosóficas do Renascimento europeu. que invariavelmente brota em duas direções: por wn O campo da definição se sustenta. em refer&cia ao sujeito humano e às suas mterrelaçõcs. que seguramente nasce na dessa discussão. as artes (notadamente a pintura. Relembrando a mâxuna de Terêncio: Homo sum. sua falibilidade ou inutilidade). incorrerem�s no risco de �ucwnbir pretende meritória. "des­ construção de um contexto especifico de ideias ­ não necessariamente subjetiviz. livros de hlstóna. o que ora apresentamos é um esboço ­ de uma Todavia. por do.antizá-!05. quando nem mesmo con­ dade de se colocar a Psicologia no contexto das chamadas "Ciências Hu­ manas" e. nista ou uma "escola" humanista que se possa destacar da história do dores� díspares como Freud. Neste sentido. Consideramos ser necessário.. própria perspectiva ­ e privilegiam valore. principiaremos com uma discussão . por pro­­ çilo de uma iQCia de "subjetividade". motivado� mais po. a apropria· da natureza hwnana ­. se nos apegarmos a uma definição por demais geral do construção muito maior que ainda está para ser realizada ­ mas que se que compreendemos por hwnanismo. ou "bolútico" ­ sempre dos) dos manuais.c� (ou ro�t1�· Apomamos aqui este e outros conceito1 ­ c:omo "totalidade". tais como a cultura e a sociedade gens psicológicas ­ em tempos diversos e em contextos diversos­­. seja como possl�s con­ Grécia Clássica. isto KTVe para tões ideológicas do que por compromissos com o própno conhec!Ol�?· tctinr­lhos I tmuação da rorn. quanto numa compreensão filosófica -. pela necessidade de lado. por se propor a ser um simples ponto de panida. estaremos atribuin­ FenomenololP:".ermos em detrimento de para construirmos uai quadro compreensivo do humanismo cm suas núil· uma visão de interação ou de complexidade­. pensamento ­ seja na Filosofia ou em qualquer das ci€ncias humanas e James e outros? sociais. para além das definições �onnats dos. inclusive. até sua recuperação no século XVI ­. seguimos localizá­Ia no tempo? Ou mesmo será ainda "necessário" se falar de humanismo na atualidade ou este qualificativo remete a um de­ Sem dúvida que esta proposição maia se apresenta como um terminado contexto de critica. apontand. no período compreendido entre os séculos XII· XV).adas ''psicologiils humanistas" (ou mesmo as ditas ps�c?l?giàs Caminhando nesta direção. humanl nihi! a me alienum puto . a escultura e a arquitetura) tanto uma compreensão histórica .. esta discussão SCl'VC para embasar a possibili­ maritização foi rmponú.enquanto tentativas de questionar os e a literatura da época (bem como seus antecedentes no final da Idade modelos vigentes de época.am" a realidade. e nada de hwnano Faremos um percurso que principia num questionamento e que me é alheio" ­ a generalização nos coloca diante da indefinição."Homem sou. Watson. mu tão oomcn!O como rcpresentaçõe1 de e5tados ldeaio. de modo a ronsidem­101 em •ua complexidade. c:oloeando­oa no lugar d<> "absoluto". cham'.às projeto de valorização (ou de re­valorizaçlo) do humano.­ trazem renascentistas. questionar­lhe seu status. Skinner. no cenário da multiplicidade do pensamento. Jung.r ques­ 1i. tão. dentre outras tarefas. é aproximação. como um tiplas facetas. cm referência à sua critica. Adriano Furtado Holanda 1111111:"'comwn a certos momentos históricos? Ou ainda. antes de tu· nesta direção c�mo estabelecer fronteiras? No campo da Psicologia. e conhece seu ápice nas diversas manifestações artístico­ tribuições à sua prática. CIIUC aspas.ar ''pontes" entre estes . assim. ou que deaapropriani o sujeito humano de 5Ul diuonantes. Uma apropria· ral das ideias? çiio mais coerente e ampla da questão do Humanismo pressupõe um eetu­ As afinnações de um caráter "humanista" relativas às aborda­ do aprofundado de elementos diversos. como critica a apropriações diversas que ­ de certa forma.n.vel por consldertveb ltruoll no desenvotvlmento de ifSnde pllrtC das teorial e modclo:11 psic:ológicois do skulo panado. sob um prisma mais amplo. um modo de epreensãc diverso do Modema (em especial.. tomamo­lo. à armadilha da simplificação. mas relevantes. A 11osso ver.o para Ulllll vislo de modo que nos seja permitida uma aproxnnação mais fiel dessa ques­ çrftic• que OI c:oloca diante da Jàtalidade da IUI impouibilldadc. ou ainda refletir sobre! a poss1b�dade genérica sobre a "ideia" de um Humanismo. Tal ro- De certa fonna. pois. Indo finaliza por alguns destaques.enológicas". seja enquanto co�tataç�.""' . existenciais".etcmm1:tos e . destacamos a importãnc!a de uma le1�a da questão humaitistà por detrás dos �tidos ro�tJ.' e pro�ar reali7. Laca. supostamente superado pela evolução natu­ projeto do que como uma realidade concreta neste espaço. Seria mais apropriado encararmos o humanismo como um "mo­ vimento" continuo. Diante disto. Nosso plano. e por outro lado. e que sirva ­ tam�m ­ paraa superação como conoeltoo mctafórlcoa que nlo podem aer lpropriado& como fato1 ou dado. em de preconceitos e arcaicismos interpretativos. Ou Nja. Maslow. pois. esses modelos se inserem num movimento de Ml!dia): a progressão de ideias relativas às Humanitas gregas ­ desde sua ideias que se alicerça numa percepção crítica da apropriação positivista elaboração primordial.

Carl R. dlvcrwo.ltanciado desta nv. até chegarmos à atua!idadc'. Esta quebra ou ruptura está em outras áreas. que se .to de proteste contra a inapropti. H'á um fio condutor que liga todos os elementos supracitados. d pensar a prôpría c��truçlo ou HnmonlmM &merlcana. na filosofia. elementos Pl4°ª esta discussllo? Enfim. como Pio h4 período hilltónco di. Abnham Maslow. quanto a comnmenta conhecld1 �Palcoloi11 b) Num segundo contexto. a mudanças concretas que ocorriam na cultura. Nesta afinn. movimmi.r de vanguarda. dn. é pensar a luta do homem que reflete so­ > Nlo estare1D011 fazendo . a estudos já consagrados. denin. E. Pensar o Humanismo é refletir sobre questões cruciais para o dcsénvol­ Por isto é que a nossa proposta é refaz. aportar em algumas considerações a respeito do movimento re­ do "existir" e da "existência". ciência e no contexto social de sua época. Ludwia Blnawangm.&910 dQ •1. movimento bnmonhta" cm P1!co!oai&. é pensar o lugar do sujeito que pensa. por exemplo ­ como ­um humaac. J. para po­ cença.elaborando alguns �ce_itos a Em tennos gerais. C.W'mll<>I no que ora denominamo. com uma "idci1" do humanlsmo e nlo com deflniçõer. lncil.ltlnçlo entre. desenvolvem cm momentos distintos e que guardam entre ai conexões Vamos partir novamente da questão �damcntal: o 9. Esta panpeçtiv1 H Justlffi:a pelo àto do ottannol lidando.pl. passam a ser acompanhados por Erasmo de mas camuflam uma complexidade que �Jaz à sua �álise suPC!ljfic1�\· Rotterdam. Ti<Vdaa Todorov e Jacques Lc Gotr.imo questão. Philip­ I Inciusive na P1lcologla.anistas". através de DlODlelltos ai�ca­ que sempre buscamos num período histórico tio antigo quanto a Renas­ tivoa do 1ua exploração e do seu delcnvol'runcnto no mundo. como expres­ do de se estudar o Humanismo? Como relacionar o Humanism<! com. apontar intimamente ligada.ato de que nlo h4 período histórico imune a ttflcxõc1 "hu­ m. constituição da subjetividade. O. bre ai mesmo. significa reconhecer que "ser humano" "' partir da figura singular de Protágoras de Abdera. F9POmel'lol6&!cu e Exlstenciab europeia. tantos ouam. e. o sentido 'l\le 6 sentido. Neato aenti­ tura.a.1 próp:rlo contexto do vida. Minkowsld. . pois.ª são da superação. Psicologia ­ enquanto disciplina e ciéncia ­ e com a chamada Psicologia Por esta razio é importante revermos um pouco da história da Humanista ­ ou Existencial. Neste contexto geral.. um dos pnmeeos a não é uma condiçlJo adquirida ou herdada. Protágoras de Abdera Respostas a estas questões p� ser relatiV&?cntc siip.!o Holanda Fcnomerm1oJia e Hnmani1mo apreciar a delimitação da ideia de humanismo. aqui. Nomes como Heráclito de Éfeso. n. o. sociedade)­ ocupa cm relação a st próprio. própna consunução deste 1qu!. 11. e o aos modol de se agir nu de M movimenw no mundo.Deite primeiro morri=to ­ uma di..ermos um cammho: o cammho da vimcnto da humanidade: ! a) Em primeiro lugar.. mas uma conquista.. Viluor frankl. Jwia. CrWcu c) Em terceiro lugar.es.preeenta uma quobra.o. limitadom" do coniqueiru 80 Jon&o do história do penumcnto. uma série de pensamentos e pensadores tefletiu sobre o sentido mente. Aallm.ar o primado da subjetividade nn história do pensamento ­ e.o como Onlco. estar iniciando um debate jâ tão difundido ruptura com os modelos vfg111tu de época�. ou Fenomenológica ­ cm particular? E por constituição do sujeito da ocidentalidade. não responde à totalidade das questões pro­ 1 HÁ UMA "QUESTÃO" HUMANISTA? postas. por si só. ci!ncia. do .UC: é o ailenciosas.ogen. na para a polissemia do conceito de "humanismo". quiçá. de autores tai• como George• Duby. sujeito no mundo que habita. ou Sócrates. uma Pretendemos.!u pensa a naturc:za e a realidade incluindo­se em relação a estas. onde destacam o homem de uma perspectiva Humanismo? O que pode caracterizar um "humamsta"'? Qual o significa­ limitadora para uma concepção de homem como totalidade. assim. que sirvam de apoio a uma visão diferenciada do fenômeno o movimento "humanista"3 ­ em Psicologia. comum é o fato de serem ­ todos ­ movimento. para com­ Pensar o Humanismo n!lo é apenas apreciar um "movuncnto de época . enquanto baseados cm preasupo­ lugar que este pensamento­ com todas suas d�va�s (cul­ siçõca . tanto u Pllcolo. q�l o sentido de se elitabe­ dcnnos compreender o impacto e as possibilidades que um modelo "hu­ lccer esse nível de correlações­ se é que estas eX1stem? manista" propõe. Mas isto. L Morcn. com flgina.oJop de meadm do ll!culo XX. o Humanismo e o Renascimento têm em O sentido que faz sentido. Leonardo da Vinci e tantos outros. como desafio à continuidade.IJ•ito vivente ao 111. tais como a história e a antropologia2 e.. Thomas Morus. pormos um quadro cada vez mais amplo. destacar uma primeira aproximação com o campo da Sofatica. para não perdormoo o scmo de totalid1de 1 Refiro­me. tio 1ignifícativu como Fritz Perls. mas poderosas. final­ direção. P'°"""'"""• nlo destacar este ou 11quclc momento upeclt!. "" Adriano FwU.ltpdos na Pll. N� pardO\llar. O que a Psicologia Humanista.f\O que movimentai 11. • Delil8co neste momento o f. pe Arles. c1pcc!ficas deatc. d refletir sobre o embate ·do ser htuna. podemos pensar todo nascentista.

a crítica fe­ da dos ''novos. panicuJ. É. a JUStificB?ão cnti· FJknojlo como C/énc/o de Rigor.z. 'fh:lnsCffldmlr. Lima Vaz (1991) assinai� que . antrc 1923·24. saberes".schaften). á ser obserwdo por sua..culturalismo.se das Ciblclm EUT(}pe/w. nas palavras de Husserl. a F�r. não se conclui apenas sobre o ­ o que é o homem? (antropologia filosófica)'. co�o o natu· que buscamos sua definição. seja no mito. ­ o que me é permitido esperar? (filosofia da religião). u ciencias ditaa ''humanas" ­ fav::m deste método. 41). dostaque noa KUS � escritos. e Jacgue. nomenológica7 ao naturalismo. Afinal. 2006). p. a miropologia (Bubcr. 1982.. l primcin. mas se atualiza um sentido.n· questão. e encontrar a sua expressão clãs· seria "quem é o homem?".J. o eristlo e o moderno): e outra metodológica. To­ davia. traçar um panorama histórico do percurso desta "' somos seres históricos e sobre ela estamos continuamente nos movune. ato do questionamento. o que po<k • Para Mutin Buber. trar. de Wilhclm Dilthey. ). Cabe­nos refletir acerca poci•I na Crú� das Clbicú>s EUT(}pelas •" Fenomeno/rJgia Transcen. surgiram e.9 Monod. a partir dela.btilb1ndo ncs. Fenomenologia� Hum1nittno História. é pensar trada pela fragmentação da Antropclcgia Filosófica � múltiplas ciên­ a "erise" da humanidade e da cib:icia1 . 1936/2012).. embota somente tenha nesta reflexão. dem0ll5· inversão e no pensar esta inversão ­ ou.o do Japão. pois. objetifica. textos de 1935 e 1936: Ã Crt.. na literatura. a reU�. rafismo. E fundamental "o que é o homem?". numa ma singularidade do ser humano de se interrogar nasce com a próPf':a alusão acs primórdios do estabelecimento da dontinãncia do pensamento cultura grega.� 7 Esta c:r:lllça ab:r� todo o projeto hUS1Ctliano. A problemática contida na questão central da Antropologia Fi­ A discussão sobre o humanismo ou sobre o homem é tarefa atual losófica é que o questionamento contido na pergunta "o que é o homem?" da Antropologia Filosófica. mas se plenifica num sujeito (o que No século XVIII. nesta homem clássico.o que devo fazer? (teoria do agir ético).C. de 1936). que parte de si para alcançar um ponto de intem>gação debruçando­se ­ o que posso saber? (teoria do conhecimento). 1991.nu.. contempolianeamente representado � Claude �Vl�StraW. na ciência ou na filosofia. Para isto.ie.. tando: é a história que dá sentido ao humano.. funnu. Neste sentido. 193611989. quando desta questão. 1935/1996) e Á Crt. I O tema da Crise i fundamental na feoommologw hlWlerliana.. edvín­ É sobre este caminho que se constrói. prlmci.. faz­se necessário delimitarmos � campo global dn questão humanista. por relevar em si o próprio sujeito: "A interro­ slca" com as quatro questões apontadas por Kant (Lima Vaz. ''naturaliza" este $ajeito. e o. Antropologia Filosófica vê­se diante de wn conflito. a Prói?:iª do da totalidade da exist!ncia humana.lgumas tendências. aponta Dilthey. sem poder coincidir plenamente com ela" (Brun.� na progressão técnica e cientifica que alijou de seu locus de aç!lo o senti· "Ciências do Espírito" ­ como. sobre terceira. . o tema da "Rcnovaçlon (Huucrl. por exemplo. Essa supr� sobre a queda do homem para observar a queda dos corpos" (p.5e tomar domi­ cientifico na modernidade. desde . que IIISplt� a� tinçlio entre as "ci&lbias do espúito" (GeisteswissenschaJ!en) e as c1&!C1SS da aatureza" (Natul'Wlsse:n. a partir da pergunta fundamental: o que é o Jw. 9): gação Quem é o homem? implica no reconhecimento de um sujeito ( .rmo=ntc no. e á quarta.. como já bem assinalara Wilhelm Dilthey (1833­�911). a P4!. encontramos wn terreno propício ao deeee­ inclui sua relação com o mundo). ou seja. desde a época clássica até os nossos dias. a pergunta mais apropriada nante com a Sofistica. 2005.S. 1982). permanecendo como o centro de várias expressões� que sou eu? começou a partir do momento em que se ceaaou de retletir cultura. Ao procedennos a esta inversão. A interrogação não mais se constitui no vazio do objeto.que se constitui o Humanismo e cias. Esta inversão é necessária se penswmos volvimento das "Ciências do Homem" ou das Geisteswiss�chaften . no século V a. do humano. ' . procurando estabelecer o lugar � . sobre wna verdade ao interior da qual ele tem o sentimento de se enccn­ . de wna cnse.u? pua O samento ocidental.Apesar disto. As tarefas fundamentais da Antropologia Fil.u obru ­ com<> À desta crise silo: a elaboração de wna ideia de homem.osó�ca. é comum desde os primórdios do pen· como assinala Jean Brun (1982): "A inversão do Qu8m 1011 . publicaçõc:s para a revi3ul Ka. quc:stllo �ponde a mctaluica. à segunda.ª pergunta torna o sujeito em objeto.J (Husserl.anthropos. desenvolvendo duas vertentes: uma h1Stórica. e à apropriação que as ciências ­ em es­ num esforço de entrelaçamento das diversas imagens de homem (entre o pecial. a moml. p.se tema dctdo os anos de 1922­23. de 1910/1911 ­ como na wa produção tardia (em cs­ ca desta ideia e a sua sistematização filosófica. para tomar corpo e. 41). HUiaetljá vmha tn. mem?" e.sc da H11mcm/dadc EW'Of'<llkl • a FU{Jl()j/o (H­1. inicialmente ineipiente. Para superar eJta crise.la seu conceito de Lebaonve/1..

p. as suas motivações iniciais são de natureza estética e periências hwnanas com os recursos do espírito humano" pratica ­ coincidindo com um mala nonnal acesso d05 "scculates" à (citado por Lalande. 2) como qualquer movimento filosôfícc pugna por . 422). Doutrina que acentua a oposição. L= Valia (1407­14. latina.ooalldadcs ro<:oohecld. C.u historic. na Espanha. propiciado pela difusão da imprensa ­ e �m como referencia fhodamcntal. com origem na Itália renascentista.p. Rudolf Agricola (1442­1485)1º. Lalandc ainda coloca que Brunschvicg considera como inicia­ dor do humanismo. cultura.. e M: rcfcrc l educação do homem. co e à filosofia medieval. 1991). Ulnc. representado pelos huma­ pais representantes deste movunento temos. Tonta­se. toda filosofia que tome o homem como "a medida de todas as coisas".sua compr'eenslo. �bba�o (l�) atribui dois sentidos ao Humanismo: 1) como o mo­ O fenômeno histórico mai1 vimento literário e filosófico. VIlI). na Itália. Além disto. 2. destinado a viver no mundo e a dominá­lo).IJll re­ F:"Mça. Dentre os princi­ l. 11 "A educaçio por meio de dilciplinu lihen4. o movimento literário­filosófico renascentista sob quatro prismas: possui um significado histórico fiwdamcntal. designa uma concepção geral da vida (seja esta políti­ (Pachcco. modelos dai filoso­ 3. de 1903. é$ica ou econômica). 1956.1.nuina Scott Schiller (1864­1937). Doutrina de F. além de ser reativo ao dogmatismo escolásti­ Alemanha.111 IOdo <:Ollhc<. a) O reconhecimento da totalidade do homem (corpo e alma.o. que se funda na crença na saúde do homem por suas próprias forças. na se­ importante t a hwnanidfdc­ que gunda metade do século XIV e. ou seja. phUasophlco! essoys.214) ca. Francesco Petrarca nistas do Renascimento.. Leonardo Bruni (1374­ Franccsco Petrarca. inuti. que considera como ftmdamcnto a natureza humana. â.imcruo tem um aspecto emocional e que a d!nc.ado Holanda Fenornenolopa e IIWDPnitroo . através de l. Pierre Charron (1541­1603). que é o recouhecimento do va!br do homem em sua plenitude (Abbagnano.h de Huttc:n. sob o ponto de vista especulativo. Michel de Montaigne (1533­1592). Já Nicola representantes do bnmani1mo renowerrtillla. 1990. de 1907: "O humanismo é simplesment_� o fa. A Pal.uta. e. assinala para li'.ammitc como lidade de se insistir sobre a questão da ambigllidade do termo. Coluccio Salutati (1331­1406). dn6nimo de "cultura" (Abbagnano. história.poesia.de se ter conta que o problema filosófico diz respeito aos seres humanos no esforço de compreender um mundo de ex­ Nesse sentido. (1562­1632) e Justus tas . to .. entre os limitcs do que é humano e do que é animal.o Valia e Ulrich de Huttcn. de Oxford.mdamentais: 4. Doutrina através da qual o brunem. Juan Luís Vives (1492­1540). Neste 1444). (1304­1374). prosseguindo o ideal da Pafdeia11 grega ou da Humanltas ln Humanl. no homem. Schiller9. exposta cm. Neste sentido. e na beleza grego).. a figura de Sócrates. Francisco Sánchez.57). o ideal da dignidade do Homem (microcosmos) e da Rcnascica. o humanismo apresenta como assuntos Cristianismo que crê somente na força de Deus. Desenvolveu um "praglDatlsmo hurrwtlsta". opõo­se ao Num contexto geral. l furmaçlo do l._ animai1­ (Peannha 1988.1. Giannoz:ro Manetti (1396­1459) sentido. do ponto de vista moral. � de relevar a dignidade do espírito humano. ética e política­.kla arega dadc de Los Ansclcs. . 'º Todavia Abbagnano (1992) nlo cita pcr. de q1.sm. e Pico della Mirandola.a � obodooet • wn critério de utllldade (Reale & Antiseri."' 2 O QUE É O HUMANISMO? Adriano Fun. S.5!53). tais como Erasmo de Rottcrdam. p. o humanismo pode ser enténdido Nesta dircçlo. foi um movimento que se caracterizou pelo csforyo Lcón Bautista Albcrti (1404­1472) e Maria Nizolio (1498­1576). 'ou Studles (grega e latina). tomo à antiguidade clássica (às ''humanidades" ou Humani. Para André Lalande (1956). Lorenz. mcm enquanto pessoa hwnawo llflKlllar.'1992). llMim. Blld6. como Erumo de Rottcrdam. Thowu Moru. assim. occnh11ndo o fato corre11pollde a Hrnnan/JOJ lar. fui professor cm Oxford e na Univerai­ homem e que o distu###BOT_TEXT###amp;UWD . . seus limites ou seus interesses. e ao ideal de Llpsius (1547­1606). 1992). assimilado à cultura medieval. retórica. Como um movimento de espírito. Ainda numa interpretação literário­cultural para o humanismo. o. relativas a atividades exclusivu ao • Ferdinand O. obras este seria um movimento de retomo efotivo às fontes da cultura clássica como Humanísm. fias platônica e nooplatOnica ­ tidos como os mais COllllCill�ncos com deve se ater exclusivamente ao que é da ordem do hwnano.s cristã. Charles Boville (1470­1.

nas Hunianltas céntrica. . como vere­ derna. então. percebemos sos irmãos. Diltbcy fimda. seado em questões tais como: O que é o homem?. da natureza.lo. publicada cm 1911. mas virtualmente devido à "admiração" decorrente das coisas e) A exaltação da dignidade e da liberdade do homem. re� a "mundo"). p.. Le Goff. em que consiste a estrutura da matéria fonnadora do univer­ Embora possamos delimitar a realidade atual baseada numa vi­ so?. 1istomad21910. .o.phl/o. . cm alem. gra­ de Deus. ba­ desenvolvimento do homem" (Etcheveny. ) Humanismo quer dizel' pleno Etcheveuy (1957/1975) fala de wn "surto do humanismo". 1957/1975. mtemltizadora ­ e. as noções de mundo adjacentes a elas. elimina­se a referência única a Deus. Os primeiros filósofl>1 eram t!aieos. j6 que. p.rophl• (Filosofia da Vida) e mim Hiatori· nal do invi1lvclw (Etcbevcrry. e posição no mundo. cismo. Malraux chauung12 . a fluidez de sua construção. plando. O Humanismo. a angústia do aprendiz de feiticeiro"14.esta �oção de homem" revela os modos de ver o mundo e ou em Dostoievski. Essaa e outras questões servem para delimitar as noções de dade descreve uma retomada deste "surto humanista". a perspectiva antropológica na construção do pensa­ que enterÍdcmos por ''modernidade". ll Wdrwuchauung cone.ndo. com a dommação do poder eclesiástico e com a perspectiva de uma ideia d) O reconhecimento do sentido de historicidade do homem. dado que. n!o contem­ no.. Ferrater Mora (2001): os primeiros usos do termo "humanismo" Na Idade Média. mas pesquisu. com mais !nfasc para aquelas seu culto à humanidade. ­ oomo toda pcrspocti. mológica. bastando para isto ver quanta produção intelectual e científica inovadoras ocorreram na Idade Média Nesta perspectiva. No lugar que levariam cm conta o "geral humano": história. Observando a evolução do pensamento ocidental. ' para citar alguns). l!157fl!17S. origem. O mundo é a nossa imagem e a nossa obra. e. o homem "confessa o seu nada" e ao conten­ remetem ao estudo das línguas e dos autores clássicos. Gide..chouung ao longo da de Jouguelet: ''Nesta dupla ampliação reconhecemo­nos a nós e aos nos­ história.pondc a uma '"visão de mundo" (wdt. ou imagens de mundo) emergem como produto da hl3tóri. de Deus supranatural. 2003. por J. Mauriac. poder­i. esta ideia vele apenas a CO!llltituiu fundamental para o surgimento e a construção da cultura mo­ título de ilustração de movimentos de época distintos. representados por Heisenberg e Einstein que homem e. a (1911/1992) procun. seja a partir das teorias da fislca moderna. Correlativo a uma "noção de mundo" ­ a Wélto11S. que. e que deram origem à desta tecnologia como dirigida para o "bem­estar'' do homem. 2008). Shakespeare e Machado de Assis (apenas os modos de se considerar o homem.. 8). Tolstói. conseqüentemente.são �etX:'ntrica de mundo.a o desenvolvimento do pensamento. pICscrUtavam C\Uiosamen­ IJIWldlvid!ncia. "Humanista" era tar­se. o engrandecimento. assim. No Renascimento.11C numa Lebt!n. ..objeto comum de em seu cotidiano. 1990. encontra na fé cristã. clabonr uma teoria aobre u imagens de mundo. são tecnocéntrfca de mundo. Para o cns!lo do �o XIIl o mundo 6 um reflexo de �. contemporâneos de Sócrates. ou que toma o problema do homem como o.w. o visível si- ideia.. na Antiguidade Clâssica ­ particularmente devido à exploração cos­ sentimos o onrulho de Prometeu. coloca­se o homem. qual o segredo de sua intimidade?.. Em Teoria das C<mcepç6es de M. enquanto �ue a Idade Mode:rna inaugurou uma visão antropo- como a base para a educação do homem e na formaçlo da clntrica de mundo1 . Nos dizeres Podemos elaborar essas diversas Weltom. Não se trata j6 de suportá­la com indiferença.nU. o que pensar do mundo espiritual? Foram estas as questões que prin. retórica. 1992).. da sua natureza. "caracteriza­se pelo mática e filosofia moral. Evidente quo hi gontfovftaill l1Nta tmtadw.. Com cuas te a IIS!l. ( . Estas perspectivas são corroboradas mento foi inaugurada pelos sofistas. p. 7).. poesia. 10. tomando como Idade M6dia concebeu um Ideal ww:hlttlco e I Época Moderna optou por uma <:011­ fundo ­ para o pciaar e o agir do homem ­ a "vida�. em aquele que se dedicava às artes liberais.ia dizer que a Anliauidade adolou uma vioa:o geoc!ntrka das coisas. ainda assim podemos discutir a relevância cipiaram a reflexão entre os pensadores antigos. destino.ta f) O reconhecimento que o homem é um ser natural (Abbagna­ igualmente cristallz. A atuali­ Filosofia. se a recusamos.:a. ­ temos uma vi. Dilthey " " . Pessanha (1988) afirma que o htunanismo se (Duby. Se a aceitamos. 1• Citado por Etcheverry. d1 consci6lcia do homem. seja através da literatura contemporânea que também toma partido gem de ser humano que wna determinada sociedade ou cultura mantém do homem. J 97S[l957]. Portanto." Adnano Furtl&do Holanda b) A negação da superioridade da vida contemplativa sobre a Fenomenologia" Hmnanismo . vida ativa. conforme observamos em Kafka. a visão de mundo pode ser considerada como teo- e) O apoio ao valor humano das letras clássicas. constituiu­se naquele solo fundamentador do mos logo a seguk. Uma estabelecem definitivamente que n!o há um observador estranho ao uni- ''noção de homem" é um conteúdo definidor básico que constitui a iina­ verso. Na Idade Média. Bm outru palavras. máximo interesse dedicado ao problema do homem. As concepções de mundo (ou cepção antropoç&url.

é a medida de todas as coisas. herdeiro de Kant. aspira mai1 do Brunsclivic11. Esta perda do seu pró­ evocar também o super­homem nietzschcano que se deva com des­ prio sentido de "humanidade".188).a. a qualquer relação transcendente. responde o racionalismo. U- mem à 1ua atividade interior. 1990. Numa perspectiva sociológica. se mo'vem e pedagógico. uma contradição..nlo rigoroso. 18) ria opor ào impulso da intdig!nclll. seria pouivcl emmci. o Humanismo corresponderia à vcrdade. tomando.c não livre a outJos fuul. associada à construção do pensamento ocidental."' Adriano Fwu. Levantar esta Na delimitação da natureza humana. Deus e �sim definido: Jacto criador do pensamento.do Holanda A evolução da técnica e da ciência. todavia. o espírito. 17) trevas impenetráveis" (Pascal. 10 ho­ cientffioo como técnioo. 14) ca. sendo qu. bem como. que qualquer tentativa de definição do homem se º participar em tudo o que pode enriquecê­lo na natureza e na história""· toma.e nwn pensamento panteísta. o próprio Deus. 1975[57].B. Está visivel· ao da aventtaa e da guerra. é zeres de Jacques Maritain (1882­1973).p. forç'a propulsara pela qual todas as coisas dunun. a aociedade ou o progresso tanto somente o enriquece. o homem somente existe em função da sociedade. trá­la. (Etcheverry.·ajustiça. segundo as palavras de D1111te. superior ­ valoNII de verdade e de Jutti9'. símbolo da comu­ ções e a crescente tecnologização despertam nova conscifncia na comu­ nidade do universo e do espírito. poli a principal parte de si. nos di. Considerava o hmnanismo como ''um programa cultural e tas. uma alma 1uptrior ao. fatores econômíccs dominam a história da humanidade. É exatamente esta contradição à qual Lalande (194$) se refere como inútil de ser levantada. que consistia no diálogo cultural em nismo tn. entendido como ex.chulvo domínio da Natu­ mem é wn ser qu.· nnoldo para ''inodelar o blccc do acuo" e dominar a bàtórla. produ­ ga mllxinui. Pacheco (1990) ressalta o "projeto ecumhllco" de No existencialismo ateu. Neste sentido. Kristcller. t.o seu Em sentido .r que lhe compete. baseada nos discípulos de e antropoloaias descritivas ou subaltetnizam a sua realização pessoal e Durkheim. Jâ na psicanálise. Um Esplrito que se Encerrar o homem nos limites do hum. Sob um prisma positivista. já era assinalada por Blaise Pascal {1623· dém acinui da "horda dos escravos" para ai<!m do bem e do mal: am1­ 1662): "0 homem ( . Guarda no íntimo a regra to das transformações de um saber mítico­religioso na instituição toológi· soberana do KU pensamento.t. ) n!lo sabe o luga. na qual participamos e da qual vivemos. Uma busca incessante e infinita. duro p11n1 çonaia(l próprio • tlmvel par& mente perdido e caído da sua verdadeira posição sem que alcance encon­ 01 outro. p.. nenhwna realidade existente im- por­se­lhl: do exterior ou do interior. dado que não foram. subtl'al­o a toda e qualquer lrltluetlcla es­ mites do espaço e do tempo que dj à cxistencia um oonteúdo de eter­ tranha. p o produto natural da evolução social.ano. segundo a anti­ própriajilwojia. p. p­. (Etcheverry. ao que chama de "conflito atual dos humanismoo" o homem em busca de si mesmo. (BtQhBVeny. p. o dever.� a Não os considerava como verdadeiros reformadores. 1972/1669. p. Etcheveny aponta para questão. uma Collllciência livre em peepeuo proa. oomo o Estado. Consciência que inicialmente se apresenta como um todas as realidades llO$ seus princípios e nos seus fins. Haveriamas de sentimento de se estar perdido diante do mundo.. oontinuidade e fecundidade infini. O. poesia e filooofia moral). verdadeiramente hwnano e a manifestar a sua grandeza original fazendo­ E verdadeiro. filósofos. em si própria.ar um scm­níunero de destino. Tudo é imanente no hoi&m: a Num sentido mttito mais amplo. dos humanistas renascentistas não pretenderem substituir a enciclopédia do . história. 1951/1915. retórica. o progresso das comunica­ Fenomaiologia e Humanismo "' evoluem. dado na sua definição do homem: que o espírito humano é livre. é relevar ou desvelar o etcmo paradoxo do ser humano: grandes divergências. humanistas eram os estudiosos das discipli­ Poder­se­ia descrever o homem do panteísmo totalmente assimµado a nas retórico­literárias (gramática. O homem.e se ignora. O homem ê Pensamento. porém.PlÍSta. Nenhwn obstáculo se pode­ nidade. enquanto qu. mas limita­ do dos estudos" (Reale & Antiscri.13. e! trai­lo e basta a si próprio. Procura­a por toda a parte com inquietude e insucesso no meio das 1957/197$. (Pacheco. o homem está mergulhado na evolu­ "humanismos" ­ tantos quantas u posições que subordinam o homem ção cósmica. por C!Ãemplo.215) homem está "assimilado a Deus": Para P. No huma­ Raymond Lull e Nicolau de Cusa. p. 195111915. o humanismo é uma "tendência dinâmica" que.PP. 1991. o ru.1n1mente humana Temo.e os prol de uma gnose filosófico­eristã. tomi­lo infeliz. impulso uruversal onde comungam nidade humana. pouco consciência da sua unidade. tende a tomar o homem "mais !!>da fonna de visão do homem a partir da qual este se coloca no mundo. que faz reverter o ho­ quo a uma vida p1. de fato. diz Aristóteles. Por fim. qu. o homem é a sua liberdade. O humanismo é toda possibilidade de definição do homem.18).caao. e acrescenta ainda o fato li CltadoporEfCbcvcrry. como tarllrn!m o modela. que valorizava e desenvolvia um sctof" importante.

. mas t1111 perspectivas antagônicas. OI e. de todu d . Já Eugênio Garin. O vocábulo sof1. mas. que exaltavam o É precisamente a atitude adotada diante da cultura ck> passado e diante poder da palavra (Mondolfo. nem em um oonlux:imcnto mab amplo.que englobava o saber teórico e sentado por Protágoras.Avel por uma sMe de ctlticas que 01 Sofistas roce�rmn. b1.. nalmente. trlUI do couoei!o enatul'eza da virtude. 2'0). após o magistério de Protágoras o de Górgias. pelo meio do qual vtsa­se nio" (De Crescenzo. . em virtude de um Outro.ai. cm p-.. V a.. porém. Górgi. entrando na vida dos alunos" (Gomes. Hi ainda o d1'1oao inlitulldo Softst. p� profe. 1WU1 em düiren· mas em uma . de Protágoras de Abdera (séc.c1d1 nlo na . Platlo dodkli 11&nU1catlvo a. wn perito 11 "ser numa formulação inclusiva... oatc. p.de 'oonvenclonalismo oo- culturais e delimitador de uma mudança paradigmática na fonna' de se çioló!Peo'M (Hu!sm1n 2000. Há alndl Hfpku molor. Um deles.ons.a. 1991. produto '" "l"rlJndro do1 'l<lfu. tendo como representante fundamental a figura de Protligoras. também se refere à vida polltica).).. cotidiana. favmdo­se verdadeiramente wna 'nova filosofia"' (Reale & Antiseri. p. enquanto O sofista era um professor itinerante. fala de uma "valência filosófica" do hu­ manismo... 1988).q de Id. e em relação ao qual sou responsável: "Assim.o nas (sob a égide do pensamento fenomenológico e buberiano) que dµ. pode­se dizer qua o humanismo representou que. que particular" (hoje.. a O Humanismo constitui­se ­ fundamentalmente ­ nwna éth.Q . e que a aabedona deveria ser parti!h1da gra­ O homem é a. 21) o ooncretas da vida ooddian. •origi­ aquele que ensina em troca de honorários18 ou. num domfni. ou do falar bem em público. Protágr.gn. 1988.erteoclalll • Aienu. estrangeiro ( e.ctlncla histórka �m definida.mca básica seria o sentido de história: principais representantes dos sofistas 16.. A Sofistica ( que não se constituía numa esoola. podemos trabalhar então com a ret6rica10. d1'1ogo de car!w esto!tleo.. Tknica aJ&11mentativa.Kllm � . qUNtõei púdçJI Anuseri. o que de uma série de transfonnações sócio­politico­econõmicas e anistico­ Eua. 23).a.laino$ dos Mdcstinoa da çidadcM. dlacutc o verdadelro filósofo om re1*çlo ao& l<llhtu (tlmbém conhecido como Ml<lbre • retórl- ca"). ªP':lidado d� "o Raciocí­ ' Abden. Hlpiu de Êlis.a. o que se coratituia fundamental ideia de um humanismo oriundo da herança clássica grega. sofista" significava ''possuir oonhc<:imentos profundo. ou os "'mestres da cultura". e ainda. responsável pelo Outro".rw.. portanto.p. nlo cnun cidadlos.. clwnadn pouco mais detalhadamente cada uma delas a scguu­ . (eltado por Reale & tes correntes. articula­se com tice vivida no momento (lembremos que o humanismo sofistico. foi'ma esta que ainda hoje permanece­ Analisaremos um 11 No. embon mui!OI ll'Ob.. saber medieval. e sophia.medida tuiwncmtc (Gutbric. IO �W Pa&a­ me. Pan. De início. Pródi.nto. E constitui­se numa fonte significativa de informações11• a peculiaridade dessa atitude não se deve fixar em um singular movi­ mento de admiração e afeto.ruir o biow how''). MÁXIMA HUMANISTA " Isto 6.tca. 173) eu existo enquanto sujeito.abas. portanto.'" Adnano Funado Holanda Fcnmnenolojpa e Humooismo n. a palavra "sofista" não tinha nada de depreciativo. o sofista. cada um é. o falto e o nlo- 3 PROTÁGORAS DE ABDERA E A ser. 1973. mas Platão do pTÓprio pasndo que define claramente a essência do humanismo.. mas essa pro- "chamam­se sofistas os que põem a sabedoria à venda a troco de dinheiro fissão vai bem além do simples ensino universitário.. eo11mos nos referindo basicamente • Ate­ nas. rosj.Stés .ncio.:mdo. O humanismo foi inicialmente uma exaltação da liberdade polf­ ' A palavra "sofista". 1971). que.io. raiz "sof' (de "sofia". 1991. que pode ser resumida pela fórmula de Lévi.. (De C?esçcnz. passou a designar um novo sentido de homem e de seus problemas: "É verdade que._. ao qual eu me repor­ to.stas nlo p.feito miuões diplomd:tlcas: Protigo.C.randes aofi. 20 "Arte de utilizar I linguaacm cm um diJcuno pcl'IIUUivo.UI'. cnun es�s e. Pouco restou da sua obra. destacado dos destinos da cidadc19) que ensinava basicamente a arte da Num sentido estrito. diz­so­ia "pos. segundo Guthrie (1995). Dl<IJoflM.­ •• Quando f.on. que eram os mestres da retórica e da oratória da Grécia antiga.. como assinala Xenofonte. Com base nes­ as habilidados práticas ­ designava "o perito" ou o homom prático. um do& problc1111U1 ocnu:a>5 . p. o termo ''humanista" indica o oficio do literato. em tennos técnicos.paço 001 l<lfbtQ.. outro. p.o.We Dupri<II c:hamav1 ­ nio tem al.o de Ceoe.tu) ao preocupava oom. privava da libudadc.268). 199!!). ubcdoria) servia para deal. foi ­ ao lado de Górgias e Hípías ­ um dos oonvcnou uma audiéncla da vetdade de aJ. em especial a partir da SoflstiQa. bem como se caracterizava por um relati­ vismo moral e por um antropocentrismo. ver o m.ytas. com a ideia de um hurnanismc renascentista.. ollde N discute• ima&cm. cuja caractcri.saa um re!Miviwió sem Çlffiçismo. intitulado 06. repre­ soplws. cm particular de Socn. a1awJiu oontnlpo.