Sônia Maria de Almeida Figueira

Fundamentos
Filosóficos para o
Serviço Social

Adaptada/Revisada por Sônia Maria de A. Figueira

APRESENTAÇÃO

É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Fundamentos Filosófi-
cos para o Serviço Social, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendiza-
do dinâmico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar
aos(às) alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina.
A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis-
ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.
Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br,
a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso,
bem como acesso a redes de informação e documentação.
Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple-
mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para
uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.
A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!

Unisa Digital

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO................................................................................................................................................ 5
1 O NEOTOMISMO..................................................................................................................................... 7
1.1 O que é o Neotomismo..................................................................................................................................................8
1.2 O que é o Tomismo..........................................................................................................................................................8
1.3 A Retomada das Ideias de Tomás de Aquino......................................................................................................10
1.4 O Neotomismo e o Serviço Social...........................................................................................................................13
1.5 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................14
1.6 Atividades Propostas....................................................................................................................................................14

2 O POSITIVISMO...................................................................................................................................... 15
2.1 O que é o Positivismo..................................................................................................................................................15
2.2 Principais Características do Positivismo..............................................................................................................16
2.3 O Positivismo no Brasil................................................................................................................................................18
2.4 O Positivismo e o Serviço Social .............................................................................................................................19
2.5 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................20
2.6 Atividades Propostas....................................................................................................................................................20

3 O MATERIALISMO HISTÓRICO DIALÉTICO......................................................................... 21
3.1 O que é o Materialismo Histórico Dialético.........................................................................................................22
3.2 O Desenvolvimento do Pensamento Marxista..................................................................................................27
3.3 As Leis Básicas da Dialética........................................................................................................................................28
3.4 O Materialismo Histórico Dialético e o Serviço Social.....................................................................................29
3.5 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................30
3.6 Atividades Propostas....................................................................................................................................................30

4 A FENOMENOLOGIA.......................................................................................................................... 31
4.1 O que é a Fenomenologia..........................................................................................................................................31
4.2 Principais Ideias da Fenomenologia.......................................................................................................................33
4.3 A Fenomenologia e o Serviço Social......................................................................................................................35
4.4 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................36
4.5 Atividades Propostas....................................................................................................................................................36

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................................ 37
RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS...................................... 39
REFERÊNCIAS.............................................................................................................................................. 41

Não podemos afirmar que existe uma filosofia do Serviço Social. bem como as marcas que ainda hoje persistem da linha positivista em nossa profissão. procurando destacar seus aspectos importantes. a fenomenologia. porém esta profissão foi fortemen- te influenciada por algumas correntes filosóficas que embasaram e embasam sua teoria e sua prática nos diferentes momentos históricos. ƒƒ contribuir para que se identifique e utilize os pressupostos filosóficos que fundamentam a aná- lise das teorias sociais.br . O positivismo. desde o Movimento de Reconceituação até os dias atuais. a intenção de demonstrar como essas correntes se constituem. O marxismo é mais uma corrente a ser analisada. INTRODUÇÃO Esta disciplina visa ao estudo das correntes filosóficas que fundamentam as bases históricas e teó- ricas da profissão em seu processo de desenvolvimento no Brasil.unisa. na sua emergência e trajetória histórica. a fenomenologia e o marxismo são as principais correntes teóricas do pensamento contemporâneo. sua origem nas ideias de Santo Tomás de Aquino e de que modo marcou o Serviço Social. portanto. vamos falar de algumas dessas correntes: o neotomismo. desta- cando os traços fundamentais que as distinguem e como influenciam o Serviço Social ao longo de sua história. quando pretendemos destacar suas principais ca- racterísticas e como esta linha de pensamento marxista acompanha o Serviço Social. A teoria marxista está comprometida com um projeto de transfor- mação da realidade social muito próximo do que propõe o projeto ético político dos assistentes sociais. Tem como objetivo. contex- tualizando seu surgimento e influências que teve e ainda tem. Em seguida. analisando primeiramente o neotomismo. Pretendemos apresentar os conceitos fundamentais destas correntes do pensamento. juntamente ao neotomismo. que. sua concepção e a influência que exerceu no pensamento do Serviço Social. servem como nosso guia. ainda: ƒƒ possibilitar o conhecimento dos valores expressos na profissão. na prática dos assistentes sociais. ƒƒ apresentar as principais correntes filosóficas e suas influências no Serviço Social. buscando apreender o Serviço Social enquanto processo histórico. ainda. pois nos baseamos nos conceitos das mesmas em nossas intervenções e em nossas pesquisas. apresentaremos o positivismo. resultado das determinações criadas pelas relações sociais e pelos projetos de sociedade. que estão presentes nos diferentes momentos da história do Serviço Social e suas influências na formação e na prática dos Assistentes Sociais. Sônia Maria de Almeida Figueira 5 Unisa | Educação a Distância | www. o positivismo. Este texto tem. Neste texto. a fenomeno- logia e o materialismo histórico dialético. até a atualidade. Abordaremos.

foram reafirmadas como im- de Assistentes Sociais. de Araxá”. 38). Foi o primeiro Seminário de Teorização do Serviço So- cial e se constituiu em evento histórico no processo jeto da reforma social da Igreja. onde o pano de fundo era a doutrina nizante para a conquista da paz. E a exemplo de católica. por ciar a Redenção. tendo como sustentação filosó. Foi organizado pelo Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio sociedade adotada na profissão se dará a partir de Serviços Sociais e reuniu 38 assistentes sociais de da visão católica. 1982. vários estados brasileiros. Social as disciplinas de Religião e Doutrina Social houve 14 convenções da Associação Brasileira de da Igreja. 1 O NEOTOMISMO A presença do neotomismo no Serviço So- Saiba mais cial marca profundamente a profissão desde a fundação da primeira escola de Serviço Social no O Seminário de Araxá ocorreu em 1967 em Araxá (MG). Maria. que ocorreu em na profissão se dará a partir da visão católica. para o Serviço Social e a Metodologia de Ensino de Serviço Social de Grupo e Organização de Co- munidade”. sem fins lucrativos. brasileiro. ten. É uma entidade civil de natureza científica. atual Associação evento foi salientada a missão dos Assistentes Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social Sociais do seguinte modo: “o cristianismo huma- (ABEPSS)1. colaboradores e por sócios individuais. Em dezembro de 1998. o estatuto sofreu reformulações. de âmbito nacional. Em 1960. tal era estreita a relação da tente Social em todos os Aspectos” e os aspectos profissão com a prática cristã católica. moral e 1 A ABEPSS foi fundada em 10 de outubro de 1946. Segundo Aguiar (1982). São Paulo em 1954. No discurso de encerramento deste Ensino de Serviço Social (ABESS). passando a designar-se ABEPSS. p. um novo encontro realizado em Fortaleza teve to. Toda a visão de homem e de das à realidade social e política do país.unisa. constituída pelas Unidades de Ensino de Serviço Social. propondo ações profissionais mais vincula- to de vista teórico. Em 1959. O Serviço Social. sob a denominação Associação Brasileira de Escolas de Serviço Social. ao surgir atrelado ao pro. os assistentes sociais têm a tarefa de Anun- ciavam-se com a celebração de uma missa e. Brasil. eram precedidos de um dia de recolhimen. quando é realizado o Seminário de Araxá. além de sua prática. vezes. o tema foi “A formação cristã do como sustentação filosófica o neotomismo. produzindo o “Documento fica o neotomismo. 7 Unisa | Educação a Distância | www. analisados foram: a formação psicológica.br . a serviço de sua de “teorização” e “reconceituação” do Serviço Social ideologia. até portantes para a formação integral do Assistente 1967. o seu pon. em convenção realizada em A formação cristã do profissional em Serviço Porto Alegre para discussão do currículo dos cur- Social foi objeto de estudo de alguns encontros sos de Serviço Social. carrega. aos moldes dos retiros espirituais promovidos como tema “Formação da Personalidade do Assis- pela Igreja a seus fiéis. por sócios institucionais.” (AGUIAR. Atenção Toda a visão de homem e de sociedade adotada Na IV Convenção da ABESS. Os encontros da ABESS comumente ini.

podemos afirmar que ela continua presente ain- minada pelo espírito comunitário e pela doutrina da hoje. Os princípios de dignidade da pessoa humana. pessoa humana. Tomás de Tomás de Aquino dedicou-se ao esclarecimento tência de Deus. mana.2 O que é o Tomismo Se o neotomismo. então é preciso entender o que é o tomis. distinto de qualquer Segundo Aguiar (1982). Este ser dotado de razão é capaz de es- da reflexão feita por Aristóteles e a reinterpreta à colha. a fim de atender aos problemas como de crise e decadência da moral e dos costu- contemporâneos. entendendo que entre a verdade revelada a pessoa humana é com- e a filosofia. 8 Unisa | Educação a Distância | www. luz do cenário filosófico de sua época. manista com base na doutrina social da Igreja e do bem comum. conheci- mo. através da ação de vários profissionais. é uma retomada do to. analisa Aquino dedicou-se ao es. leva a Igreja a se po- a filosofia de Santo Tomás de Aquino. mes cristãos. a importância dos Atenção ideais cristãos na formação dos primeiros Assis- tentes Sociais e a forte presença da postura hu. a pessoa hu- clarecimento das relações isto é. Atenção seres. por questões como: as relações entre Deus e o mismo. do bem comum. ca que resulta o ser humano. no ressurgimento A condição de exploração e miséria em que das ideias de Tomás de Aquino o caminho para o vivem os operários na Europa do final do século enfrentamento desta realidade. entre a posta de duas substâncias fé e a razão. predominaram no enfatizou-se que o Assistente Social deve buscar Serviço Social brasileiro até a década de 1960. 1. que é a fonte de todos os estudioso do filósofo gre. Sônia Maria de Almeida Figueira espiritual. explicada deve ser Deus. mento e realidade. do Corpo Místico de Cristo. Por ser inteligente. entre a fé e a razão. explicitados por Santo Tomás de Aquino predominaram no Serviço Social bra- no neotomismo. teologia e filosofia. incompletas: alma e corpo. por Santo Tomás de Aquino. do século sicionar. Segundo sua interpretação. Santo Tomás parte outro ser.unisa. o homem. pois este momento era visto por esta XIII. Os princípios de dignidade da sileiro até a década de 1960. Após analisar a exis- go Aristóteles. portanto. mas destas duas substâncias em uma substância úni- são distintos e harmônicos. que é a corrente que in. tais con. a primeira realidade a ser elaborada pelo domini.br . O Tomismo é a doutrina filosófica cristã Para Santo Tomás. então. decorrentes da industrialização e do desen- surgida no século XIX com o objetivo de reviver volvimento do capitalismo. explicitados 1. isto é. No que se refere ao aspecto espiritual. cano Tomás de Aquino. É da transformação ceitos não se chocam nem se confundem. o tomismo. Fica evidente. de saber. e a perfeição e que esta busca da perfeição seja ilu.1 O que é o Neotomismo O neotomismo é uma corrente filosófica XIX. das relações entre a verdade revelada e a filosofia. marcado fluencia o Serviço Social. de vontade. fé e ciência. mundo. A Igreja vê.

o mais funcional e o mais Atenção complexo e a pessoa humana tem também uma perfeição espiritual que se manifesta através da “Toda forma de autoridade deriva de Deus. é necessário o Estado e este supõe autoridade. p. que buscando sempre reformar a sociedade. naturalmente um animal social” e para desenvol- ver-se necessita viver em sociedade.” (SCIACCA apud racionalidade. existe conflito entre fé e razão. 42). 1982. Mas o homem é Estado.” (AGUIAR. Sendo o homem um animal social. assim não Esta perfeição se apresenta no aspecto físi. Para Santo Tomás. 43). Para que haja o bem comum. que o distingue dos outros seres. Santo Tomás afirma que “o homem é Figura 1 – São Tomás de Aquino. assim como Aristóteles já o fizera. o que lhe permite mo. 9 Unisa | Educação a Distância | www. virtude. p. p. do bem e no alcance do fim último. Após o pecado original. Atenção Santo Tomás. respeitá-la é respeitar a Deus.unisa. cípio da consciência em si e da liberdade. também. Portanto. naturalmente organizaram-se em comunidades. Segundo Sciacca (apud AGUIAR 1982. desde que garanta os di- de mais perfeito em todo o universo. por isso. o homem é também um “animal político”. Como Aristóteles. co e espiritual. o corpo huma- no é o mais perfeito. reitos da pessoa e o bem-estar da comunidade é 1982. Por ser um ser social. reafirmada posteriormente no neotomis- também dotado de vontade. deram-se leis e instituíram as relações de man- do e obediência. antes da queda e da expulsão dos seres hu- manos.br . é Deus. O homem é. a sociabilidade natural já existia no Paraí- so. “toda forma de autoridade deriva de Deus. p. a liberdade e a capacidade de escolha é também manifesta. respeitá-la é respeitar a Deus. AGUIAR. 43). “a pessoa significa o que há toda forma de governo. os seres humanos não perderam sua natureza sociável e. Fundamentos Filosóficos para o Serviço Social afirma Santo Tomás. 43). Para Santo Tomás a sociedade é “a união dos homens com o propósito de efetuar algo comum” (COOK apud AGUIAR. Esta visão com relação à autoridade e ao ção da inteligência do homem. criando o poder político. um ser social em Quem foi Tomás de Aquino decorrência da própria natureza humana. afirma que “o homem é naturalmente um animal social” e para desenvolver-se necessita viver em sociedade. Esta racionalidade produz o prin. explica a posição inicial do Serviço Social bra- a escolha dos caminhos a percorrer na busca da sileiro de não questionamento da ordem vigente. 1982. boa” e o Estado deve respeitar a Igreja.

que se tornou um dos prin- cipais responsáveis pelo renascimento da filosofia de Tomás de Aquino. renuncian. da família feudal dos condes de Aquino. produzindo uma extensa obra com mais de por ordem de Gregório X. voltou à Universidade de Paris. Era um estudioso metódico. de 1879. Sônia Maria de Almeida Figueira Dedicou-se ao estudo da teologia. menos à ciência. É considerado o maior filósofo e teólogo alemão da Idade Média e foi dade em Nápoles. 2 O segundo Concílio de Lião. Em 1272. voltou a Nápoles. 10 Unisa | Educação a Distância | www. foi bispo de imperial e às famílias reais da França. no castelo de Roccasec- Saiba mais ca. posteriormente. seu vasto conhecimento e por sua defesa da coexis- de mosteiro de Montecassino. Dois anos depois. p.” (THONNARD apud AGUIAR. onde Paris sob a orientação de Alberto Magno.br . frade dominicano. onde en- tação de monges beneditinos e. do racionalismo iluminista e do materialismo positivista. passando a moci. levar a filosofia escolástica para as cátedras universitárias. Depois de ter estudado artes o primeiro intelectual medieval a aplicar a filosofia de liberais. Leão XIII propõe a restauração da filosofia tomista Curiosidade Aeterni Patris é uma Encíclica do Papa Leão XIII. que se empenhou em or- denar o saber teológico e moral acumulado na Idade viajando para tomar parte no Concílio de Lião2. lecionou teologia. Fossanova. em 1274.unisa. A Epístola leonina teve por objetivo reagir ao espírito laico provindo. em sinou até 1269. Recebeu a primeira educação no gran. inicialmente sob a orien. com apenas 49 anos de idade. uma vez mais. ocorreu na cidade francesa de Lyon em 1274. Aristóteles no pensamento cristão. Através da encíclica Aeterni Patris. 1. entrou na ordem dominicana. Nasceu em 1225. Esta Encíclica gerou uma nova geração de pensadores católicos e conseguiu. da Sicília e Regensburg. do a tudo. com a clara intenção de “unir os pensadores cató- fia e do homem até o século XVIII e começa a ser licos para a conquista do pensamento moderno retomada no final do século XIX e início do século tal é. Média. ao que parece. primeiro na univer- sidade de Paris (1245-1248) e depois em Colônia. na Alemanha e tornou-se famoso por de Aragão. entre Nápoles e Roma. 40). citando o tomismo.3 A Retomada das Ideias de Tomás de Aquino A filosofia tomista marca a história da filoso. na Campânia. o papa 1982. sobretudo. tendo Saiba mais como mestre Alberto Magno. o propósito da Igreja ressus- XX. Em 1252. décimo-quarto concílio ecumênico do cristianismo. tência pacífica da ciência e da religião. faleceu no mosteiro de sessenta títulos. Tais sistemas pareciam adentrar nas ca- madas católicas. Tomás de Aquino viveu de 1225 a 1274 e teve uma vida dedicada aos estudos. Era unido pelos laços de sangue à família Santo Alberto Magno.

essa crise só poderia ser superada sente e marcará profundamente o Serviço Social.br . a presença da filosofia de moderno. quando se losofia não servirá apenas para a formação dos comemora o seu dia e marca a profissão desde o padres. Era a primei- ra Encíclica Social já escrita por um papa e marcava o posicionamento da Igreja frente aos graves problemas sociais que dominavam as sociedades europeias.unisa.” Saiba mais Em 15 de maio de 1891. dúvida como elemento primordial para a investigação filosófica e científica. É considerado o pai da filosofia moderna. por sua vez. Saiba mais Saiba mais A própria data definida para comemorar o dia dos As- O filósofo francês René Descartes foi um dos funda. o Serviço Social foi criado em precária. Entendida como um desvio metafísi. mas se estenderá também aos leigos. europeia que. com um retorno ao tomismo. apresentando ao mundo católico os fundamentos e as diretrizes da Doutrina Social da Igreja. publica: “O mês de maio traz data muito especial Segundo Aguiar (1982). consequência de sua formação ainda bastante No Brasil. o Papa Leão XIII publicava a Encíclica Rerum Novarum (Das coisas novas). Fundamentos Filosóficos para o Serviço Social Para o neotomismo. que introduziu a de uma importante encíclica papal. o retorno desta fi. responsáveis pela crise do mundo No campo social. Santo Tomás de Aquino se fará fortemente pre- co e espiritual. sistentes Sociais é a data de aniversário da publicação dores do movimento racionalista. A partir dele as ciências físicas e naturais liberaram-se da escolástica e da religião. mente a sua liderança sobre o enfoque das práti- mas existentes e teoricamente fragilizados em cas sociais daqueles profissionais. a partir das iniciativas dos grandes líderes cumento e os ensinamentos ali contidos como da Igreja Católica no país. então enriquecida por uma nova se aproximavam cada vez mais da Igreja Católica Encíclica Social: a Quadragésimo Anno. 1936. aqueles profissionais assumiam o do. a Encíclica publicada naquele dia 15 de maio trazia um conteúdo muito especial. Desse modo Social da Igreja. mando também magistrados. seu nascimento. Atônitos frente à complexidade dos proble. a Rerum Novarum. para os Assistentes Sociais: o dia 15. toda a filosofia moder. e equívocos. homens políticos. for. na a partir de Descartes se constituiria em erros diretores de obras sociais etc. inspirados na Doutrina base fundamental de seu trabalho. Para os assistentes sociais europeus. O site do Conselho Regional de Serviço So- cial de São Paulo (CRESS-SP) por ocasião da co- memoração do dia do Assistente Social. assumia progressiva- 11 Unisa | Educação a Distância | www. em 2009.

. Quando não. eduque o operário.. vai-se espalhando entre os operários e a persuasão de que sem- Leonardo Van Acker pre tem direito contra os patrões. fábricas um assistente social. penetrando na fábrica. doutor em Filosofia e remédio parece este consistir em que o Letras pela Universidade de Lovaine. apóstolo da Ação Social. O suborno vai de dos Assistentes Sociais brasileiros. e os en- losofia de São Bento. sempre seguindo a doutrina social da memoração aos quarenta anos da Igreja. O Serviço Social recebeu também o impul- so de Pe. mes da filosofia e da cultura brasileira. Veio para o assistente social. formando grandes no. Aceitan- destacamos os nomes a seguir. em 1941. dentre eles mãos dadas com a petulância. mista influenciaram. rece- beu a influência direta e decisiva da sua “Doutrina [.. subindo às Juntas de Conciliação e Julgamento. onde ele faculdade é um foco de irradiação do tomismo possa achar o equilíbrio entre as suas exi- em São Paulo e no Brasil. Sabóia.br . do tiradas ocas sobre a miséria de clas- ses proletárias. Segundo Aguiar (1982). como um elemento importante. especialmente. ou simplesmente “Ação seu provincial. Sônia Maria de Almeida Figueira Pe. Desenvolveu estudos na de 1931. 48): rança da Igreja e. desenvolveu um traba- da pelo Papa Pio XI.] Se há cido na Bélgica em 1896. buscando a harmonia entre as classes so- Rerum Novarum. evidenciando sua forte influência no Serviço Social brasileiro.. área social. como é o caso de Helena Junqueira. nas. intervir para ter ganho de causa [. em co. seja intermediário dos conflitos. Alguns representantes do pensamento to- têm recebido.] ocupa-se no momento com uma Social”. gências e as possibilidades sociais. a formação soluções indesejáveis. era conhecido como o Anno foi redigi. até o início dos anos 1960. A medida é de alcance. Roberto Sabóia de Medeiros Saiba mais A Quadragésimo Pe. publicada no lho intenso junto aos patrões e aos operários em dia 15 de maio meados do século XX. ciais.unisa. Sabóia através da Ação Social e do As- sistente Social. porque os conflitos de traba- no lho que se amiúdam e que às vezes são propositadamente provocados. intensa campanha entre os industriais paulistas para que cada um tome para as Seguidores das ideias de Santo Tomás de Aqui. Brasil em 1921 e foi lecionar na Faculdade de Fi. p. apazigúe os ânimos. Desse modo – gestada no seio da prática como pode ser observado em um relato que faz a da “Ação Social Católica”. o dinheiro do patrão há de Discípulo de Santo Tomás de Aquino. e se vai solapando o princípio da autoridade. Van Acker foi também pro- fessor de Princípios da Doutrina Social na Escola de Serviço Social de São Paulo. inclusive alguns assistentes sociais que fizeram filosofia antes do curso de Serviço Social. jesuíta. 12 Unisa | Educação a Distância | www. esta caminhe a um Círculo Operário. na maior parte das vezes. no Brasil a profissão cresceu sob a lide- (1982. apresentado por Aguiar Católica” –.

das classes sociais. na Constituição Federal promulgada em 1934.4 O Neotomismo e o Serviço Social Como já dissemos. Também foi fortemente influenciada pelas ideias de Jacques Maritain a Juventude Universitária Católica (JUC) e suas ideias chegarão ao Serviço Social através da Ação Católica. enrique- possibilitaram um reencontro entre a intelectua. as posições de Maritain influencia- ram diretamente no movimento por uma legisla- ção social. O comunismo é Social era a pessoa humana. Figura 2 – Jacques Maritain.. doutrina totalitária com princípios dissonantes mismo na teoria e na prática profissional dos As. portadora de valor interpretado.. também era incompatibilidade com A idealização de um projeto societário que a natureza humana. cendo-a com o imenso tesouro da tradi- lidade e a Igreja. a repercussão do neoto. Serviço Social era moldar este homem. criado por Deus. com o conceito de pessoa humana. p. que emerge em toda a América Latina. Sobre Santo Tomás de Aquino. a moral e aos costumes 13 Unisa | Educação a Distância | www. como também e ao mesmo Jacques Maritain foi um grande filósofo cris. 51) afirma: [. pelos primeiros Assistentes Sociais soberano. integrá-lo são materialista do homem e era tido como uma à sociedade. muito acrescentou. 1989. e fundamentalmente nos partidos democrata- -cristãos que surgem neste período. as ideias de Santo Tomás de Aquino. sobretudo. trina individualista. tão que retomou. Jacques Ma- ritain (apud AGUIAR. sistentes Sociais pode ser percebida até hoje. que os escritos de Maritain nada cortou.] sistematizou-a dos grandes discípulos deste filósofo no Brasil foi poderosa e harmoniosamente.] não só transportou para o domínio do pensamento cristão a filosofia de Aristó- teles na sua integridade. pois era tido como uma dou- contemple as duas dimensões do homem: o cor. e se publicado em 1972. balhadora. tempo superelevou e. O objetivo do um projeto societário erigido por uma compreen. transfigurou essa filosofia. 1. à classe tra- realizar-se como pessoa humana leva os Assisten.br . Fundamentos Filosóficos para o Serviço Social Jacques Maritain sado havia uma separação entre intelectuais e a religião. A visão de homem do Serviço do comunismo e do liberalismo. em artigo conclusões. Nesse contexto.. Purificou-a de culo XX.. alargando os horizontes. aprofun- dando-lhe os princípios. como sugeria a Igreja Católica. que afirmou. aos valores. destacando as Alceu de Amoroso Lima. po e a alma. com muita propriedade. e a visão da sociedade como a ins. para fazer dela o instrumento de uma síntese teológica admirável. porém na perspectiva da conciliação tes Socais a recusa. o trabalho dos primeiros as- tância na qual o homem pode completar-se e sistentes sociais dirigia-se. Um todo vestígio de erro [. No Brasil. ção latina e cristã.unisa. por assim dizer. visto que no final do século pas. O liberalismo. por sua vez. único ser no universo como uma teoria social refutável porque postula capaz de se aproximar da perfeição. no sé.

Sônia Maria de Almeida Figueira de uma sociedade cristã. ser observada a presença de princípios cristãos 1. Social. a Igreja Católica tem uma importante participação na constituição do pensamento e da prática dos Assistentes Sociais nesse processo.5 Resumo do Capítulo Vimos neste capítulo uma importante influência teórica na formação histórica do Serviço Social. porém ainda hoje pode uma prática ligada à Igreja.unisa. consequen- temente. O que é o tomismo? 2. no discurso de profissionais e alunos de Serviço çasse a perfectibilidade. a fim de que ele alcan. É importante apreendermos que o pensamen- to de São Tomás de Aquino influencia as bases teóricas do Serviço Social desde o seu início e. Como podemos refletir sobre a importância do neotomismo no Serviço Social? 14 Unisa | Educação a Distância | www. O neotomismo marca profundamente o início da profissão.6 Atividades Propostas 1.br . 1. Não é incomum o relato de alunos que Somente na década de 1960 estas ideias buscaram o Curso de Serviço Social a partir de vêm a ser questionadas.

bremaneira o Serviço Social brasileiro.unisa. segundo Aguiar (1984). era tão somente ser percebida quando a profissão passa a dar ên. portanto. logo. eco- nômica e política são do mesmo tipo que as leis naturais. canas para aplicação na realidade brasileira. Foi de comprovada jamais é questionada. 2. 2 O POSITIVISMO A presença do Positivismo no Serviço Social são através da influência do Serviço Social norte- pode ser percebida quando a profissão passa a -americano. a filosofia baseada nos dados da experiência é a única verdadeira. pois. Esta influência vai marcar so- preocupação de “como” fazer. na década de 1940. ou seja. a fundamentação Atenção do método e das técnicas não era analisada e tra- A presença do Positivismo no Serviço Social pode duzida para a nossa realidade. Para ele. A doutrina de Comte parte do pres. Quem foi Augusto Comte suposto de que a sociedade humana é regulada por leis naturais invariáveis. havendo. ção dos pressupostos neotomistas e das técnicas panhado do funcionalismo e adentra esta profis. o Serviço Social brasileiro ainda estava marcado pelo neotomismo e pela doutri- na social da Igreja. trazida. embora esta preo. que independem da Figura 3 – Augusto Comte vontade e da ação humana. assistentes sociais brasileiros que foram estudar quando se soma à preocupação do “o que” fazer a nos Estados Unidos. Nesta fase. Não é preciso dizer que isto causou alguns problemas. no Serviço social.1 O que é o Positivismo O positivismo é uma corrente filosófica caminho para o pensamento científico e a verda- surgida na primeira metade do século XIX. em contraposição às ideias que nortearam a Revolução Francesa no século XVIII. transplantada. Inicialmen- cupação tenha feito com que o Serviço Social te temos a importação das técnicas norte-ameri- caísse muitas vezes no metodismo. Para o positivismo. pelos dar ênfase à instrumentalização técnica.br . vem acom. uma jun- O positivismo. portanto. considera o método experimental o 15 Unisa | Educação a Distância | www. O co- nhecimento se afirma numa verdade comprova- da. as leis que regulam o funcionamento da vida social. o que predomina na sociedade é uma organização semelhante à da natureza. fase à instrumentalização técnica. vindas do Serviço Social norte-americano. fundado por Augusto Comte.

no gênio inspirador de uma nova religião. mulher que iria transformar sua vida e dar nova orientação ao seu pensamento. porém terminou de maneira tempestuosa quando Comte come- çou a sentir-se independente do mestre. do qual receberia profunda Política Positiva ou Tratado de Sociologia Instituindo influência. então. Em 1842. Dois anos de- em Montpellier. passou a ganhar a vida dando Isidore Auguste Marie François Xavier Comte nasceu aulas particulares de matemática. Defende a ideia de que tanto os fe. Comte transformou-a. No 2. falecer um ano depois. culpando-os por sua precária situação econômica.2 Principais Características do Positivismo O positivismo rejeita o conhecimento me. uma de suas principais obras: o Curso de Filosofia mente acusava os familiares de avareza.br . que não concordava com a do conhecimento e dedicar-se às tarefas práticas. No mesmo ano. do qual resultou lação bastante conturbada com a família. sobretudo.unisa. exatamente no dia 2 de abril de 1826. os fatos. cujas ideias se encontram numa extensa obra em quatro volumes. que veio a astrônomo Pierre Simon de Laplace (1749-1827). no mundo intelectual. A filosofia positiva se conhecimento positivo. Embora per. iniciou Filho de um fiscal de impostos. 16 Unisa | Educação a Distância | www. Comte conheceu Clotilde de Vaux. teve sempre uma re. publicados entre 1851 e 1854: -Simon3 (1760-1825). Comte casou-se com Caroline Mas- Saiba mais sin e. em seis volumes. 3 Saint-Simon. pois. fato que teve signifi. 1830. Comte ingressou na Filosofia Positiva. dadeiramente científica que deveria servir como modelo de toda educação superior. Sônia Maria de Almeida Figueira mesmo ano. a ponto de biólogos e sociólogos ocuparem o primeiro posto ele vir a considerá-la a primeira comunidade ver. em 1817. Essa ligação intelectual foi extrema. Curiosidade manecesse por apenas dois anos nessa escola. experiência. ali Comte recebeu a influência do trabalho intelec. matemática e afirma ter chegado o tempo de os cativa influência em seu pensamento. sobretu- não aceitava o fato de Saint-Simon. nômenos da natureza como os da sociedade são tafísico e considera que devemos nos limitar ao regidos por leis invariáveis. Frequente. Um ano depois de sair da Escola Politécnica. onde ataca os especialistas em Escola Politécnica de Paris. mente proveitosa para Comte. seu mais do. ideia de uma nova religião. publicados a partir de Foi o fundador do Positivismo e da Sociologia. o matemático Lagrange (1736-1813) e o nou-se perdidamente por Clotilde. deixar de lado seus planos de reforma teórica famoso discípulo. Comte reram em grande solidão e desencanto. em 19 de janeiro de 1798 e morreu em 5 de setembro de 1857. aos dados imediatos da coloca no extremo oposto da especulação pura. do por ter sido abandonado por Littré. Em 1844. a Religião da Humanidade. discor- dando de suas ideias sobre as relações entre a Os últimos anos da vida de Comte transcor- ciência e a reorganização da sociedade. não tendo mais os proventos de secretário de Saint-Simon. Positiva. teórico francês e um dos fundadores do chamado socialismo cristão. separa-se da esposa e dois anos depois publica o Discurso sobre o Espírito Positi- vo. Comte tornou-se secretário de Saint. no sul da França. edita o volume do Curso de Aos 16 anos de idade. exaltando. em sua própria casa um curso. Comte apaixo- 1832). A separação entre os dois ocorreu em 1824. a tual de cientistas como o físico Sadi Carnot (1796. nesse perío.

isso não é tarefa da ciência e. Comte. p. e Witgenstein. O investigador estuda uma teoria. e um dos traços mais característicos do ser humano que investigava. na análise das Os princípios fundamentais do positivismo formas de ação social em Max Weber e tem gran- são: a busca da explicação dos fenômenos através de importância para o Serviço Social. 1987. teressado. como vere- das relações destes e a exaltação da observação mos adiante. combatida. de Viena (Carnap. existe a “ne- O único objeto da ciência. 1987. Frank. pelos propósitos superiores da alma nação à observação. mas para en- está a serviço das necessidades humanas para re- tregar-se à observação nosso espírito precisa de solver problemas práticos. da mo clássico. visão esta que foi prever. p. porque ela está além das possibi- Atenção lidades de conhecimento do ser humano. pria ciência. além do fundador metafísica. ticismo. estabelece relações entre eles. Portanto. Schlick. pela pró- O positivismo prega a submissão da imagi. mas isto não deve transfor. do positivismo é sua rejeição ao conhecimento Segundo Triviños (1987. por parte dos cientis- Para o positivismo. a essência não pode. A terceira etapa deno- Há no positivismo uma recusa consciente a mina-se de neopositivismo e compreen- mergulhar naquilo que não tem existência empí. de modo absolutamente desin- afastado. são os fatos que podem ser obser- vel que os fatos sejam percebidos.” (TRIVIÑOS. os fatos. cer as consequências de seus achados. humana de saber. “A ciência mulação de fatos incoerentes. Neurath. nalmente. fia analítica (Witgenstein e Ayer. porém. para ligar os fatos. a filoso- ela se perde ou retorna para o terreno da metafí. não interessa as causas tas sociais que não podiam conceber que a ciên- dos fenômenos. empirismo lógico. Assim como com a essência. à metafísica. é possível metafísico. principalmente.). na visão positi- cessidade de uma teoria”. Spencer e Mill. n. cimento positivo.” (TRIVIÑOS. do empirismo do que do mis. p. distinguir três momentos na evolução do positi- vismo: Atenção A primeira fase chamaremos de positivis- Para o positivismo. não julgá-la. 1889-1951). 1987. o empiriocriticismo de Avenarius e Mach. não está interessado em conhe- mar “a ciência real numa espécie de estéril acu. o aquilo que pode ser verificado empiricamente. portanto. 36-37). p. e nem deve. A atitude positivista consiste em descobrir se repete que são reais os conhecimentos que as relações entre as coisas. por exemplo.unisa.br . “O dade. etc. aos dados imediatos da expe. dos fatos. isso não é tarefa da ciência. porque devemos estuda os fatos para conhecê-los. 1872- do a razão procurar ir além da matéria empírica. A busca científica não repousam sobre fatos observados. eles também não podem ser conhecidos racio- riência.” (TRIVIÑOS. considerando. no fundo. Logo após o final do século XIX. sem a qual é impossí- vista. Isso cia humana pudesse ficar à margem da influência é metafísico. o co- verdadeiro espírito positivo consiste em ver para nhecimento científico neutro.” O positivismo proclama como função O papel do investigador é exprimir a reali- essencial da ciência sua capacidade de prever. de uma série de matizes. 34). Quan. sim. “Desde Bacon vados. o atomismo lógico (Russell. portanto. não interessa as causas dos fenômenos. 1970. A razão só pode conhecer verdadeiramente se podem anotar o positivismo lógico. 33). Esta cisão entre meios racionais e fins irracionais aparece. vinculados ao Círculo seguindo o exemplo das ciências naturais. 35). também acontece com os O positivismo rejeita o conhecimento metafísico e considera que devemos nos limitar ao conhe. 17 Unisa | Educação a Distância | www. fins últimos da ação humana (os valores sociais). na qual. também se sobressaem os nomes de Littré.1910) sica. Fundamentos Filosóficos para o Serviço Social ser conhecida. e tão-somente entender que o espírito positivo não está menos para conhecê-los. entre os quais rica.

tas é alcançar resultados na pesquisa social que de maneira singular na lógica formal e na meto- possam generalizar-se e. O positivismo. ou seja. faz-se a naturalização. (concepção do mundo. 38): 2. 1904). a flexibilidade da conduta humana. não permitirão elaborar um conjun- to de conclusões frente à determinada O Neopositivismo. Para isto. o be. O Círculo de Viena foi ganhan- também a sociedade. Os penetração. propósitos. Sônia Maria de Almeida Figueira que acham que a filosofia deve ter por ta. o desenvolvimento do conhecimento (TRIVIÑOS. sob a membros mais atuantes eram Benjamim Cons- influência de Júlio de Castilho. adeptos. congregados na primeira associação po- O Brasil foi o país onde o positivismo teve grande sitivista fundada no Rio de Janeiro. no decorrer da década de 1920. como esta se vismo. é neces- ses anglo-saxões. na Igreja Positivista do Brasil. as ideias positivis- lo XIX. tas eram debatidas e divulgadas através de seus contrapondo-se a este e defendendo a República. sem dúvida.br .3 O Positivismo no Brasil O positivismo. que contribui com suas peculiaridades n. que teve origem no sécu. em constituição inspirada no positivismo. chegou a ter uma tant. e o positivismo. ções históricas. utilizam-se de dologia da ciência. p. Esta é uma das principais do cada vez mais influência. a va- refa elucidar as formas da linguagem em riedade dos valores culturais e das condi- busca da essência dos problemas. Teixeira Mendes. pesquisa social o investigador é um ator behavorismo (Hull. para tal. se reuniram em Viena. estenderam-se aos domínios da ética. à gunda metade do século XIX. VIEIRA. formadores de opi. sobretudo nos paí- características do positivismo. 1981 apud de prestígios da época. contra as ideias positivistas. 18 Unisa | Educação a Distância | www. valores etc. dos como instrumentos para concretizar estes 1987). avanços muito meritórios para técnicas de amostragem. Esta associação transformou-se. foi fundado por um grupo de que apresenta um estudo realizado no filósofos e cientistas. representa. sendo que o Rio Grande do Sul. mas tratada a natureza. de Viena”. Miguel Lemos e Álvaro de Oliveira. unidas ao fato de que na haviorismo (Watson. em 1876. 1997). 1878-1958) e o neo.unisa. apesar dos pontos e sim uma versão temperada pelo ecletismo que comuns entre o pensamento tradicional da Igreja marcava os pensamentos dos intelectuais da se. como o respeito à autoridade. ideologia da ordem e à crença de que através das nião dentro dos partidos políticos e das famílias elites se educa o povo (RODRIGUES. tratamentos estatísticos e estudos experimentais severamente controla. 1987). que. e Skinner. Mas. es- pecialmente através de suas formas neopositivis- Uma das principais aspirações dos positivis- tas. teorias. expandiu-se no Brasil durante o Império. da filosofia ou coisificação. na visão de Triviños (1987. onde suas investigações não sário tratar a vida social da mesma forma que é se limitaram ao campo da teoria da ciência. 1884-1952. da linguagem e da filosofia da história (CARVA- LHO. ou Empirismo Lógico ou realidade com o nível de objetividade Positivismo Lógico. uma corrente do pensamento que alcançou. da sociedade. Segundo Vieira (1987). a Igreja Católica se coloca radicalmente desenvolveu no cenário francês de sua origem. 1881. fundando uma das mais in- No positivismo procura-se utilizar o “méto- fluentes correntes filosóficas e epistemológicas do científico” das ciências naturais para analisar de nosso tempo. O positivismo no Brasil não é uma mera Devido a esta posição religiosa do positi- reprodução da filosofia de Comte. conhecidos como o “Círculo mundo natural.).

mais objetivo e. social. mas simplesmente como O HOMEM. ao mesmo tempo. cole- espaço sócio-ocupacio. sendo que a tendência normal da sociedade imediaticidade. não toma ranjo teórico-doutrinário”.br . não tem condições de começa a implementar políticas sociais. a matriz positivista terá um elementos superficiais deste. na realidade social. mento irredutível. o menor fragmento. Fundamentos Filosóficos para o Serviço Social 2. ao Serviço Social o primeiro suporte teórico-me- blema irrelevante porque inatingível. desvios. não existe. sua prática e à sua modernização através da apro- A realidade social torna-se. fatos que se apresentam em sua objetividade e mas. conse. Esta reo. começa a a outros fragmentos que vão compor a estrutura ser tecnificado ao entrar em contato com o Servi. duos no plano de suas vivências imediatas. tal qual propõe a leitura tervenção do sujeito humano. atender às novas configu. mais científico. Segun- va. a vertente reli. que se caracteriza pela partido. positivismo aborda as relações sociais dos indiví- truture. mas apenas todológico necessário à qualificação técnica de pelo modo como as coisas acontecem. um aglomerado de dados. nessa perspecti. esta teoria social assentada no justapostos sem uma razão essencial que os es. tralidade social do conhecimento preconizada Iamamoto (1998) chama esse processo de “ar. por se quentemente. fatores do Brandão (2006). Ou seja. pelo positivismo. porque positivista da realidade. elementos. e esse sujeito é. o objeto. de teoria ao âmbito do verificável. elabora e quem conduz o conhecimento e.4 O Positivismo e o Serviço Social Segundo Brandão (2006).unisa. que caracte. o positivismo não Nesse sentido. O sujeito só descreve. da experimen- A história para o positivismo. não como um resultado produzido pelo sistema As propostas brasileiras de trabalho foram capitalista. permeadas pelo caráter conservador da teoria A partir desse fun- social positivista. na medida em que contram sujeito e objeto é o fundamento da neu- amplia os referenciais técnicos para a profissão. proble. As mudanças apontam 19 Unisa | Educação a Distância | www. é o ele- rizou os anos iniciais do Serviço Social brasileiro. disfunções. Brasil. enquanto in. quem rações do desenvolvimento capitalista e. tação e da fragmentação. o conhecimento que exige a qualificação O conservadorismo católico que caracterizou os torna-se uma descrição e sistematização de seu anos iniciais do Serviço Social brasileiro começa a do dado empírico. O homem é o indivíduo. Quanto mais imparcial. a matriz positivista oferece se interessa pelo o que é. mas apenas Desse modo. por sua vez. apreender a integralidade. Não há contradições. tem como objetivo sujeito. nal. vindo do quanto mais objetivo. às requisições de um Estado que tratar de um ser limitado. damento. para o positi- rientação da profissão. ser tecnificado ao entrar em contato com o Servi- cionado e ordenado pelo ço Social norte-americano. importante papel na legitimação do profissional A posição do estranhamento em que se en- de Serviço Social brasileiro. como há apenas diferenças. cabendo ao neotomismo com o suporte técnico científico na rigor metodológico garantir a obtenção da obje- teoria social positivista. O conservadorismo católico. Atenção vismo. o positivismo descreve o homem ço Social norte-americano. justaposto especialmente a partir dos anos 1940. julgando isto um pro. tividade. junção do discurso humanista-cristão. Segundo Tonet (1984). a evolução da sociedade é regida por leis idênti- giosa do positivismo foi a que mais progrediu no cas às leis naturais. Tal perspectiva restringe a visão é a ordem harmônica. priação de um instrumental de trabalho.

neste período. legitimadas pela tríade de uma crescente burocratização das atividades Neotomismo – Pensamento Conservador – Po- institucionais (YASBEK. O Serviço Social absorveu esta orientação funcionalista e os assistentes sociais passaram a Atenção atuar com propostas de trabalho ajustadoras. fica impossibilitada princi. é importante entender o positivismo dentro do contexto histórico que de- batemos anteriormente. bem como na busca de legitimidade. sofisticação de mo. diagnóstico e planejamento. de certo modo. 1999). neste período. ou seja. pelo empresariado. a compreensão sobre: a social. cado de sua função social atribuído pelo Estado e cando padrões de eficiência. -política da prática profissional. no âmbito da formação e Uma visão mais crítica a respeito da questão do exercício profissional. houve uma considerável tecnificação da ação Segundo Brandão (2006). neutralidade que. bus. o caráter contraditório da Doutrina Social da Igreja. Sônia Maria de Almeida Figueira para a conservação e preservação da ordem esta. Estado e do empresariado. a sua influência no Serviço Social foi determinante no processo de teorização da profissão. não questionava e sidade de legitimar a suposta face humanitária do aceitava. que por sua vez vem acompanhada homem e de sociedade.unisa.6 Atividades Propostas 1. eliminavam. embasada no Positivismo. Como podemos refletir sobre a importância do Positivismo no Serviço Social brasileiro? 20 Unisa | Educação a Distância | www. En- fim. as concepções de profissional. e a dimensão ético- conservador e a perspectiva analítica hegemôni. pelo homem e às relações sociais que sustentam de social. delos de análise. não questionava e profissionais dedicaram-se ao aperfeiçoamento aceitava. O que é Positivismo? 2. os fundamentos filosóficos da o trabalho alienado. o Neotomismo – como prática profissional e sua participação no pro- já discutimos –. 2. isto é.br . sitivismo. em nome de uma ca nas Ciências Sociais. a predominância do pensamento cesso de reprodução social. do ajuste. pelo empresariado. palmente devido aos referenciais teóricos que associada às condições de exploração do homem o Serviço Social utilizava para explicar a realida. passivamente o signifi- dos instrumentos e técnicas de intervenção. desigualdade imposta pela sociedade capitalista. É com o positivismo que se introduz a sistematização técnica na prática do Serviço Social. neste período.5 Resumo do Capítulo O Positivismo tem uma participação importante na história da formação da República brasileira. é afinada com a neces- A profissão. Os A profissão. cado de sua função social atribuído pelo Estado e belecida. passivamente o signifi. Dessa forma. 2. de certo modo. de fato.

de cada de 1960. Estes profissionais começam a rever suas posições e vão rompendo gradativamente com a visão tradicional do Serviço Social. participando dos mo. tradicional do Serviço Social numa linha conser. no Brasil. Gramsci se dispôs ra nesse período. um defendem a intervenção do Serviço Social numa esforço para conhecer mais apropriadamente as perspectiva crítica e que se somam a outros movi. uma das referências essenciais do pensamento de as classes trabalhadoras e se engajar na luta pela esquerda no século XX. Suas noções de pedagogia crítica e ins- vimentos desencadeados na sociedade brasilei. Louis Althusser (1918-1990) foi um filósofo francês. sociais entram em contato com teoria marxista. reproduzindo sua ideologia. as instituições se comportam como aparelhos ideológicos do Estado. Os assistentes sociais Obviamente. Esta é a marca da influência do Ma. naquele momento. Saiba mais Atenção Os assistentes sociais. em busca de mudan- ças estruturais na sociedade brasileira. autor do livro Ideologias e Aparelhos da sociedade. Vale dizer que persiste neste período a postura principalmente. a partir das contradições identifica. Para ele. ideias de Karl Marx. passamos a ter Esta postura ganha força no Serviço Social a forte influência de outra corrente de pensamen. Os assistentes das e da percepção da necessidade de mudanças. resultantes das relações de dominação. 21 Unisa | Educação a Distância | www. a partir das leituras de Althusser. brasileiro a partir da década de 1970. A sociedade já não é mais vista a estabelecer uma unidade entre a teoria e a prática do como um todo harmônico. mas como uma reali. tais como: há serviço de quem está sua prática Saiba mais profissional? Do poder instituído ou do povo? Es- tes profissionais buscam firmar um vínculo com Antonio Gramsci (1891-1937) foi um pensador italia- no. tir de diferentes leituras marxistas. também. O MATERIALISMO HISTÓRICO 3 DIALÉTICO A partir da década de 1960. uma ligação umbilical entre Estado e aparelhos ideo- lógicos. mente em algumas escolas de Serviço Social. mentos. principal- to filosófico no Serviço Social brasileiro. passam a fazer uma análise crítica origem Argelina.unisa. esta não é uma postura unitária na neste período passam a fazer uma análise crítica profissão e é marcada por vários enfoques a par- da sociedade. cofundador do Partido Comu- organização das mesmas. vadora. Gramsci e outros. onde expõe sua teoria de que há terialismo Histórico Dialético no Serviço Social. marxismo. trução popular foram teorizadas e praticadas décadas mais tarde por Paulo Freire.br . Ideológicos do Estado. a partir de meados da dé. o Mate. nista Italiano. criticou o elitismo dos intelectuais e exer- dade que carrega contradições e antagonismos ceu profunda influência sobre o pensamento marxista. porém passam a surgir movimentos que Passa a haver na profissão. rialismo Histórico Dialético. Isto leva os assistentes sociais a levantar questionamentos.

Hegel apresenta a dialética como um movi- to da ideia e da consciência. não trina que atribua causalidade apenas à matéria. ra que apenas através do diálogo o filósofo deve a filosofia marxista. vem a ser tudo que resulta da evolução da maté- ria. Kant retoma a noção aristotélica quando culo XVIII e início do século XIX. de 1674. a evolução do pensamento a partir das con- dadeiro fundador do materialismo ao designar o tradições. gressivo enriquecimento. ou seja. Por outro lado. po. Ele rompe com o idealismo de Para Platão. a história da humanidade cumpre uma trajetória lução do pensamento a partir das contradições. toda dou- cados diferentes. foi desenvolvido por Karl procurar atingir o verdadeiro conhecimento. Sônia Maria de Almeida Figueira 3. que conserva tureza em confronto com o idealismo de Hegel e elementos da tese. Trata-se do provável. com diversas inter-relações. A dialética hegeliana rém por muito tempo ocupa uma posição secun. portanto. na verdade. filosofia com significado unívoco. Uma tese inicial contradiz-se e é ultrapas- bach consiste na interpretação materialista da na. interpretadas pela mento racional que permite transpor uma contra- dialética. dialética é sinônimo de filoso. homem como princípio real e fundamental dos seres e da teoria. do pensamento e da realidade. em geral. que com a religião. pois se baseia A grande contribuição de Hegel foi os ensi. sada por sua antítese. antí- Porém este termo não foi utilizado na história da tese e síntese. dição. a evo. a contribuição de Feuer. Platão conside- 22 Unisa | Educação a Distância | www. recebeu signifi. da controvér. para ele fia. que ele teria aprendido com Sócrates. É a técnica de perguntar. da interpretação da natureza. dialética marcada por três momentos: tese. que também deve ser examinada. o método mais eficaz de aproximação entre as a compreensão do pensamento parte do objeto e ideias particulares e as ideias universais ou puras. ção racional de um conceito que se chega a uma ço que estes autores apresentam consiste no fato síntese. namentos que deram origem ao desenvolvimen. em sua obra Dialética significa a arte do diálogo. são subjetivos.1 O que é o Materialismo Histórico Dialético O materialismo Histórico Dialético. a dialética é uma ilusão. Para ele. num pro- A dialética teve sua origem na Grécia. ser demonstrado. como elemento fundamen- Atenção tal a realidade primária. Materialismo designa. porém o avan.br . num de assegurar aos homens o conhecimento da processo infinito de busca da verdade. porém Feuerbach é considerado o ver- sia. Hegel substituindo a ideia pela matéria. sendo redutível a um significado comum. Essa antítese. par- Marx e Frederich Engels. fico alcançado pela filosofia alemã em fins do sé. Significa a arte do diálogo. do processo racional que não pode de um avanço com relação ao pensamento filosó. tindo do mundo sensível e chegando ao mundo É importante frisar que antes de Marx e En. da controvérsia. ideia do desenvolvimento através da dialética e Aristóteles define a dialética como a lógica a interpretação materialista da natureza. Segundo Hegel. responder e refutar. Este termo foi utilizado pela primeira vez por Robert Boyle. não é um método. das ideias. é superada pela síntese. combina elementos das duas primeiras. mas um movimento conjunto dária e vem ressurgir com força no Renascimento. com o idealismo define a dialética como a “lógica da aparência”. pois é pela decomposição e investiga- gels a doutrina socialista já existia. em princípios que. tendo.unisa. de Hegel e o materialismo de Ludwig Feuerbach.

Analisando a realidade social em que vi- viam. os donos do capital. para eles. Marx e Engels. reformam o ou seja. Marx e Engels perceberam que ela era di- Marx e Engels partem da dialética idealista nâmica e contraditória. mas introduzem um novo conteúdo e de. vem senvolvimento da história” e não da vontade de a ser tudo que resulta da evolução da matéria. ram a maioria operária que é obrigada a vender tradição interna chamada “germe da destruição”. A filosofia marxista vai além da tores materiais (econômicos e técnicos) e a forma interpretação materialista da natureza e aplica o pela qual os bens eram produzidos. ra. quecimento de alguns. em geral. co permitia o domínio crescente do ser humano rialistas de Feuerbach. Portanto. compreender a sociedade e explicar seu desen- nomina materialismo histórico. Na análise marxista. desenvolvido por Marx permite uma interpreta. a infraestrutura que o movimento histórico. que corresponde à organização do Estado. sua força de trabalho em troca de salários. ou a infraestrutura. os servos. Cada meios de produção. capitalismo e socialismo. às A dialética materialista analisa a história normas do Direito e à ideologia dominante dessa do ponto de vista dos processos econômicos e mesma sociedade. no material. a determinadas forças produtivas. produzindo bens para atender às suas dialético. é derivado de uma sociedade determina sua superestrutu- das condições materiais da vida. toda doutrina que atribua causalidade apenas à matéria. tariado. matéria-prima. Pelo trabalho o ser humano transforma a ção materialista da história através do método natureza. por. feudalismo. máqui- materialista da natureza e aplica o materialismo nas e instrumentos de trabalho) são chamadas de também à vida social. tendo. a um determinado es- tágio de desenvolvimento técnico e econômico. O con- conceito hegeliano de dialética.unisa. o método volvimento. ao valor produzido pelo operário. Nesse processo de produção de bens.br . como elemento fundamental a realidade primária. Enquanto o avanço técni- de Hegel e avançam com relação às ideias mate. O socialismo seria a síntese final. explo- um dos três primeiros é superado por uma con. e do capitalismo. o que se de. o desaparecimento do capita- Atenção lismo e sua substituição pelo socialismo seriam resultado da ação de determinadas “leis do de- Materialismo designa. a classe operária era cada terialistas antes de Marx consideravam apenas a vez mais explorada. Para Marx. gerando o progresso e o enri- a dialética com os pés no real. as pessoas estabelecem relações entre si. capital e constitui a base da acumulação capitalis- 23 Unisa | Educação a Distância | www. método dialético. utilizam a mesma junto das relações de produção e das forças pro- forma. podemos dizer. em que chamada mais-valia. dutivas constitui a base econômica da sociedade. Os ma. alguns reformadores. o prole. sociais e a divide em quatro momentos: Antigui. vivência. fábricas. nominam essa nova dialética de materialista. Esta diferença. O método desenvolvido por Marx permite uma relações sociais de produção. era fundamental estudar os fa- verte esta ordem. empobrecida e afastada dos influência da natureza sobre o homem e não a bens materiais de que necessitava para sua sobre- influência do homem sobre a natureza. eles colocam sobre a natureza. é apropriada pelos donos do a história cumpre seu desenvolvimento dialético. feudalismo. sendo inferior. porém. necessidades. Na verdade. interpretação materialista da história através do Essas relações de produção correspondem. os proprietários dos dade. do salário. Este A contradição da Antiguidade é a escravidão. em cada etapa da história. não corresponde. Marx in. portanto. Fundamentos Filosóficos para o Serviço Social Para eles. para então materialismo também à vida social. As Atenção relações criadas entre trabalhadores (detentores da força de trabalho) e proprietários dos meios de A filosofia marxista vai além da interpretação produção (terra. ou seja.

onde intensificou os contatos com operários e partici- pou de organizações clandestinas. Em 1864. com os problemas econômicos. Em 1848. 1883. revolucionário socia. voráveis aos operários. viveu em vários países da Europa no século XIX. redigiu Contribuição à crítica da fi- losofia do direito de Hegel. Depois. Quando tinha 24 anos. Jenny von Westphalen. cursou Filosofia. Neste trabalho. Estes interesses antagônicos de capitalistas e como jornalista. e muitas ou- tras obras. era descendente de uma família de rabi. publica o primeiro volume de sua obra-prima. foram publicados por seu amigo Engels. cou os seus estudos de economia e de história e Faleceu em Londres. Na capital francesa. cientista so- Renana”. filósofo. mentação deixada por ele para atualizar “O Capi- pre demonstrou mais interesse pela história e tal”. No mesmo ano. jornalista. economista. Inglaterra. Quem foi Marx onde conheceu Friedrich Engels. expulso da Bélgica. volta Saiba mais a morar em Colônia. Sua mãe era judia de. escrevendo artigos que provocavam grande Marx era. a produção de Marx tomou um grande impulso Figura 4 – Karl Marx. Unidos sobre política exterior. Integrante de rio. em sua atividade 24 Unisa | Educação a Distância | www. Marx. o primeiro esboço da teoria revolucionária. Marx sem. Depois se mudou para Bruxelas. Marx e Engels publicam o “Mani- festo do Partido Comunista”. começou a ter mais familiaridade proletários geram continuamente a luta de clas. com Engels. foi morar em Paris. Após seu casamento com uma amiga de in- fância. na Alema- nha. e 1894. advogado e conselheiro de O Capital. um revolucioná- irritação nas autoridades do país. ses. em 14 de março de passou a escrever artigos para jornais dos Estados 1883. militante político. onde lança a “Nova Gazeta Karl Heinrich Marx. Sônia Maria de Almeida Figueira ta. onde viveu na misé- Nasceu em 5 de maio de 1818. seu amigo Engels escreve: trabalhar como jornalista em Colônia. holandesa e seu pai. com o qual man- teve amizade por toda a vida. pela filosofia. começou a Sobre Marx. Três anos mais tar- família judia. foi cofundador da Associação In- ternacional dos Operários. vido às restrições impostas à presença de judeus Karl Marx morreu no dia 14 de março de no serviço público. Marx e Engels apresentam os fundamentos de um movi- mento de luta contra o capitalismo e defendem a construção de uma sociedade sem classe e sem Estado. que mais tarde recebe- Marx foi o terceiro de sete filhos de uma ria o nome de 1ª Internacional. jornal onde escreveu muitos artigos fa- cial. para a derrubada da sociedade capitalista e das teoria pregada por Hegel. nesta época.br . em 1885 nos que se converteu ao cristianismo luterano de. A Sagrada Família.unisa. e. O segundo e o terceiro volumes do livro Justiça. antes de tudo. Expulso da Alemanha. na Alemanha. foi lista. Foi na capital inglesa que Karl Marx intensifi- e Berlim. Sua verdadeira missão na vida era con- um grupo de jovens que tinham afinidade com a tribuir. escreveu. de um modo ou de outro. foi então que Engels reuniu toda a docu- Dentre suas diversas atividades. de classe média. Direito e História nas Universidades de Bonn ria. morar refugiado em Londres. Ideologia Alemã – que só foi publicado após a sua morte –.

consciente das condições vros de profunda análise social e soube analisar a de sua emancipação. não teve nenhum ini. Quem foi Hegel Figura 6 – Georg Hegel. sociedade de forma muito eficiente. família e. fica impressionado com a miséria em conhecimento. publicada em 1845. Tudo isso ele punha de lado. doras na Inglaterra. podemos citar: Ludwig Feuerbach e o fim da filo- sofia alemã. na Ingla- terra. Engels foi protetor e principal colaborador contribuir para a libertação do proletaria. após a morte de Marx. característica esta que se mantém ao de seus territórios. que ele foi o primeiro a tor- na elaboração da doutrina comunista. longo de toda a sua obra.unisa. pois este tem sua análise centrada no rivalizar. na Alemanha. filósofo. Governos. revolucionários . [. só respondendo quando que vivem os trabalhadores das fábricas de sua necessidade extrema o compelia a tal. Do socialismo utópico ao científico e A origem da família. enquanto Engels trabalha com um alto nível de tas como republicanos. muito embora. reverenciado e prantea. mas escreveu sozi- Quem foi Engels nho algumas das obras mais importantes para o desenvolvimento do marxismo. porfia- vam entre si ao lançar difamações contra Engels era o mais velho de nove filhos de ele... da propriedade privada e do Estado. de seu tempo. quando estudante. de todas as partes da Europa bricas do pai em Manchester e suas observações e da América . em 5 de agosto de 1895. Burgueses.br . A luta era seu ele. escreveu li- nar consciente de sua posição e de suas necessidades. E ele lutou com uma tenacidade e A atitude intelectual de Engels diferencia-se um sucesso com quem poucos puderam da de Marx. tanto absolutis.] Como conseqüência. servadores ou ultrademocráticos. os dois últi- mos volumes de O Capital. Foi coautor de diversas obras com Marx e também ajudou a publicar. 25 Unisa | Educação a Distância | www. Fundamentos Filosóficos para o Serviço Social instituições estatais por esta suscitadas. Na se fossem teias de aranha. não tomando juventude. Nasceu na Alemanha em 28 de novembro de 1820 e morreu em Londres. de Karl Marx. considerado o mais notável sábio e mestre do proletariado contemporâneo em todo o mundo civilizado. desempenhando papel de destaque do moderno. Muitos de seus trabalhos posteriores são em colaboração com Marx. adere a ideias de do por milhões de colegas trabalhadores esquerda. dentre as quais Figura 5 – Friedrich Engels. como um rico industrial de Barmen. mento. nesse período formam a base de uma de suas embora. quer con. o que o leva a aproximar-se de Marx.das minas da Sibéria até Assume por alguns anos a direção de uma das fá- a Califórnia. E morreu amado. deportaram-no abstração. obras principais: A situação das classes trabalha- migo pessoal. Saiba mais Friedrich Engels.e atrevo-me a dizer que. possa ter tido muitos adversários. Marx foi o homem mais odiado e mais caluniado caráter concreto dos fenômenos que estudava.

e. Sua cul. explicitava nesta obra 26 Unisa | Educação a Distância | www. em 27 de agosto de 1770 e faleceu em Berlim. um resumo dos seus ensinamentos. em 1812. aos 61 anos de idade. Em 1816. Era seguidor de Spinoza. Em 1796. adota a sua filosofia da natureza. de 1788 a 1793. bem como sua capacidade sis. A Lógica. Figura 7 – Ludwig Feuerbach. A Enciclopédia das blica anonimamente seu primeiro livro. ocupa uma em Heidelberg. Kant e Rosseau e fascinado pela Revolução Francesa. porém não se torna pastor e vai trabalhar como tutor particular em Berna por três anos. onde entra em contato com Schelling e É reconhecido pela teologia humanista e pela influên- cia que seu pensamento exerce sobre Marx. na Alemanha. que teve forte influência no Materialismo His- tórico Dialético. Hegel é considerado por muitos como o principal representante do idealismo do século XIX. teologia para tornar-se aluno do filósofo Hegel ca. nesse período escreveu alguns trabalhos que só seriam publicados depois de sua morte. Nasceu em 28 de julho de 1804. nasceu em Stutgart. mentos sobre Morte e Imortalidade”. Em seguida passa a se interessar intensamente pela filosofia e pela política. a Propedêutica Filosófica. onde permanece até semanas tudo o que antes não aprendi em dois sua morte. sustentando temática. a 1806. Tornou-se um fer- intitulado Enciclopédia das Ciências Filosóficas em voroso hegeliano. mão. quando já lecionava em Erlagen. Abandona a Uni- versidade após a vitória de Napoleão e torna-se reitor da escola de latim de Nuremberg. “Pensa- Ciências Filosóficas e A Filosofia do Direito. filósofo e teólogo ale. Saiba mais va. chegando a declarar em uma Epítome. Em 1818. filósofo e moralista ale- das ideias políticas de Rousseau. passa a estudar ciências naturais As principais obras de Hegel são: A Feno. na cidade de Landshut. que constituem uma Feuerbach inicialmente estudou teologia introdução à sua doutrina. publica a Fenomenologia do Espírito e. pu- menologia do Espírito. anos”. sucede Fichte como professor carta a seu pai: “Aprendi com Hegel em quatro na Universidade de Berlim.br . porém abandona os estudos de cátedra na Universidade de Heidelberg e publi. em 1817. absorvidas pela natureza. recebendo influência Ludwig Andreas Feuerbach. que. escreve Crítica da Idéia da Religião Positi. em Nuremberg. sendo considerado o Aristóteles e o To. de 1801 1872. Em 1828. Nesta primeira época interessa-se pela teologia. de uma epide. balho ataca a ideia da imortalidade. após a morte. mão. Sônia Maria de Almeida Figueira Quem foi Feuerbach Saiba mais Georg Wilhelm Friedrich Hegel. na Baviera (atual Alemanha) e faleceu em Leciona na Universidade de Jena. mia de cólera.unisa. Em 1807. as qualidades humanas são más de Aquino do pensamento contemporâneo. Hegel estudou no seminário de Tübingen. em 14 de novembro de 1831. em 1830. em Berlim. Nesse tra- tura foi vastíssima. durante dois anos.

considerando para Burckberg. um mé- surge como uma nova interpretação do mundo. pela libertação econômica e política. A dialética materialista compõe-se de leis um método de análise da realidade.unisa. Refere. levando-o a mudar-se a religião. ou a prioridade do pensamento em relação ao real. Segundo o autor. de acordo básicas que conduzem o desenvolvimento do com o qual tudo se desenvolve e se transforma. O materialismo dialético torna-se. onde a prioridade é a consciência em relação ao ser. estes são itens de um apresenta-se de grande valor e influência direta- indesejável materialismo religioso. 27 Unisa | Educação a Distância | www. Desse modo. do. no entanto. oca. que a partir daí inicia toda uma Em 1848. enquanto fato humano. realidade concreta em que vive. O materialismo dialético torna-se. dida no fato de ser um pensamento que se situa sência da religião. a consciência na própria realidade. aos estudos. todo de análise da realidade.br . do materialismo de Feuerbach pode ser apreen- sião esta em que produz a obra: Lições sobre a es. o materialismo tem seu fun- sempre isolado dos demais e na miséria. publicada em 1851. o Ma. A Essência da Cristandade (Das Wesen a religião dá conta do homem em sua totalidade des Christentums). mente para Marx. ainda nesta ele. o homem é quem cria Deus em torno do humanismo. a filosofia pre- 3. Feuerbach acreditava que somente portante. em samento filosófico que vê os fenômenos como se meio à efervescência dos movimentos operários fossem imutáveis e fossilizados. de acordo com o voltado para aos interesses de defesa da classe qual tudo se desenvolve e se transforma. Deve abraçar dêmica fosse interrompida. retornou para lecionar um curso reflexão em torno de seu materialismo. de onde resulta a noção de que e sugere que a religião desempenha um impor- Deus é meramente uma aparência exterior da tante papel na vida do homem concreto. Procuram a ideia. vivendo uma vida solitária. e não o contrário. somente da razão que o compõe.2 O Desenvolvimento do Pensamento Marxista O pensamento filosófico de Marx e Engels Também é uma concepção que diverge do pen- torna-se conhecido em meados do século XIX. então. livre e infinito. caminho este através do qual ele pode sentir-se Em 1841. é um materialismo que gira Para Feuerbach. materialismo mecânico e do idealismo alemão Para Feuerbach. mundo objetivo e do pensamento do homem na Os homens não se limitam a contemplar o mun. trabalhadora. Para natureza íntima do homem. a consciência que o homem tem de Deus é a obra. damento no homem. A riqueza em Heidelberg. mas exercem influência sobre o mesmo e o modificam. Fundamentos Filosóficos para o Serviço Social a hostilidade às ideias religiosas. A partir daí. então. dedicou-se somente este homem em comunhão com outros homens. de Marx e Engels. mas a crença no divino A postura teórica de Feuerbach diante do é orientada pela fé e revelada pelos sacramentos. que viveu luto”. ou seja. ao contrário do idealismo. consciência que o homem tem de si. a convite de alguns alunos. A polêmica que cisa dar conta deste homem como um todo e não este trabalho gerou fez com que sua carreira aca. sur- ge sob a influência da luta dos proletários contra a exploração e a opressão. publica o seu trabalho mais im. Atenção terialismo Histórico Dialético. que Deus tem uma existência independen. Este foi um no processo de decomposição do “espírito abso- momento raro na vida de Feuerbach. Em Feuerbach. te da existência humana.

a lei da transição das Esta transformação não é possível sem o acúmulo mudanças quantitativas em qualitativas e a lei da de pequenas e sucessivas mudanças quantitati- negação da negação. portanto. A Lei da Unidade e Luta dos Contrários Atenção Para a Lei da Transição das Mudanças Quantita- O princípio básico desta lei é que os con. assim a unidade é relativa. são inter. revolucionária. para tal. num processo contínuo de supe- ração a partir da negação. que podem parecer pequenas e imperceptíveis. portanto. inicialmente. fase em que se tornam mudanças qualitativas. A realidade. inicialmente. A Lei da Transição das Mudanças O materialismo dialético. Atenção Atenção Para a Lei da Unidade e Luta dos Contrários. A antiga qualidade dá lugar a uma nova qualidade. mas pela luta dos O princípio básico desta lei é que cada fase contrários. os contrários estão ao mesmo tempo ligados entre Para a Lei da Negação da Negação. Nesse sentido.br . é concebida ças quantitativas que podem parecer pequenas e como uma totalidade onde tudo se relaciona e imperceptíveis. um só existe porque o outro existe. então. enquanto a luta é absoluta. é regido O princípio básico desta lei é que as mudan- por estas leis. mente. A mudança quantitativa pode ser lenta.unisa. de estarem ao mesmo tempo ligados entre si formando uma unidade e A Lei da Negação da Negação repelindo-se mutuamente resulta na luta desses contrários. apresenta- Quantitativas em Qualitativas -se como um método científico e ao mesmo tem- po um método de intervenção na realidade social com vistas à transformação e. temporária superior nega ou até mesmo elimina a fase ante- e transitória. que na sequência também se transforma pelo mesmo movimento e leva a no- vas mudanças. O fato. vas. mas quando dá o salto para uma nova qua- 28 Unisa | Educação a Distância | www. Sônia Maria de Almeida Figueira 3. as mudanças quantitativas trários estão inseparavelmente ligados e consti. tivas em Qualitativas. como é rior. o papel principal é de- sempenhado não pela unidade. e atingem uma fase em que se tornam mudanças qualitativas.3 As Leis Básicas da Dialética As três leis básicas da dialética são: a lei da lidade é brusca e transformadora. isto é. vão se acumulando e atingem uma tuem um único processo contraditório. vão se acumulando tudo se transforma. dependentes. unidade e dos contrários. uma nova fase. Implica a passagem de um fenômeno para o movimento. cada fase su- si formando uma unidade e repelindo-se mutua- perior nega ou até mesmo elimina a fase anterior.

que o autor chama de “modernização conserva- dora”. trabalhadora. pela rada na fenomenologia. quan- to de Reconceituação. que exerce influência sobre autores viço Social. da de 1980 que ganha maturidade teórica. traz no seu bojo as ideias do alguns autores. Na Os acontecimentos da década de 1960 segunda metade da década de 1970. a contracultura etc. quando alguns grupos de As. depois de quase três décadas de e partem para uma análise crítica da sociedade. Fundamentos Filosóficos para o Serviço Social 3. inspi- corrente que se pautasse pela mudança.unisa. A Minas Gerais. apreender o método marxista. implantação da profissão no Brasil e quando a Estes grupos de profissionais começam a rever mesma já se caracterizava por uma significativa institucionalização. A crise do Serviço Social tes Sociais passam a questionar o Serviço Social tradicional passa primeiramente por um processo quanto à sua natureza e operacionalidade.4 O Materialismo Histórico Dialético e o Serviço Social A presença do materialismo histórico dialé. sim. brasileiros do Serviço Social. Atenção Netto (1995) afirma que a relação entre a tra- dição marxista e o Serviço Social tem que ser com- A presença do materialismo histórico dialético preendida dentro de um quadro mais amplo de no Serviço Social se dá a partir do início da déca- da de 1960. através de inter- dimensão política da prática profissional. ou seja. renovação profissional. O primeiro sistentes Sociais passam a questionar o Serviço é o fato desta interlocução se dar efetivamente Social quanto à sua natureza e operacionalidade nos anos 1960. consequentemente. mente com o pensamento marxista. 29 Unisa | Educação a Distância | www. mas. até a década de 1980. ques- a tradição marxista. bertação. não considerando mais a sociedade Somente a partir do amadurecimento inte- como um todo harmônico. o movimento estudantil. segundo o autor. quando alguns grupos de Assisten. retornam e passam Inicialmente as ideias marxistas penetram o a produzir teoricamente no país. explicita-se constituem um campo fértil para a busca de uma o que o autor chama de vertente alternativa. o Movi. mas é efetivamente na déca- que se retrata na profissão através do Movimen. nos anos 1980 foi possível ao Serviço Social dialo- gônicos. implementada pela ditadura que se instala no Brasil a partir de 1964 e que investe em políti- cas sociais e força a laicização do Serviço Social. siderar dois elementos importantes. Este pretações das obras de Marx e não do acesso às grupo passa a se posicionar na defesa da classe fontes originais. dialogando efetiva- da Igreja Católica. inter- efervescência contestatória da década de 1960. tornando explícita a análise da da teoria social de Marx. que por força de suas posturas marxistas. políticas estavam fora do país. chega tionando a prática e o posicionamento político ao Serviço Social através de referências indiretas dos profissionais. cola de Serviço Social da Universidade Católica de mento da Cultura Popular. venção e extensão.br . gar com as fontes originais e. Essa vertente emerge nos anos 1970 na Es- tas e cristãos. O segundo elemento é que as posições tradicionais do Serviço Social. especialmente a crise das ciências tente que. até o surgimento da ver- transformação. a renovação com a herança conservadora. Segundo Netto (1995). Os escritos de Marilda Iamamoto e José Paulo Netto contribuem Serviço Social a partir da interpretação de Louis fortemente com este momento histórico do Ser- Althusser. como projeto de formação. como uma lectual e político experimentado pela profissão realidade onde estão presentes interesses anta. embalada pela Teologia da Li. onde se tem um diálogo entre marxis. buscará a real ruptura sociais de origem norte-americana. a análise da tradição tico no Serviço Social se dá a partir do início da marxista e o Serviço Social no Brasil tem que con- década de 1960.

o Materialismo Histórico Dialético tem importância vital para a profissão. Além da representatividade teórica.5 Resumo do Capítulo Como vimos. Sônia Maria de Almeida Figueira 3.unisa. essa corrente de pensamento significou a mudança radical na forma e na conduta de ação dos assistentes sociais em todas as frentes de ação. Qual é a relação do Materialismo Histórico Dialético e o Serviço Social? 30 Unisa | Educação a Distância | www.br .6 Atividades Propostas 1. O que é a dialética materialista? 2. o Ma- terialismo é também importante pela sua influência na práxis profissional. Além da importância teórica. 3.

ça da fenomenologia. 4. Entre os pensado- partir da década de 1970 meira vez a presença da fenomenologia no Servi. (RJ) e resultou no Documento de Teresópolis. res que influenciaram os ço Social brasileiro. trabalho. ganha espaço no Serviço cial se dá no processo de busca de renovação da Social brasileiro a presença da fenomenologia. ocorreu em 1967 em Araxá (MG) e resultou no Docu- mento de Araxá. descrição e classificação dos fenômenos. 4 A FENOMENOLOGIA Na década de 1970. podemos destacar Mer- Serviço Social brasileiro. O III Semi- mento de Sumaré. partir da Escola de Lou- tista. Husserl. a presença da fenomenologia no Serviço Social brasileiro. que exerceu Atenção dera que não se trata de grande influência na filo. explicações sobre o mun- Fenomenologia sig- nifica estudo dos fenô- 31 Unisa | Educação a Distância | www. com o III Seminário de Teorização do viço Social no Brasil ocorreu em 1970 em Teresópolis Serviço Social brasileiro. cia mais marcante desta já se encontram sinais Atenção corrente na filosofia brasi- desta postura no Serviço leira vem da Bélgica e da Social brasileiro desde o No bojo do Movimento de Reconceituação. ga. leau-Ponty e Husserl. que resultou no Docu. que refletiu sobre o Serviço O I Seminário de Teorização do Serviço Social no Brasil Social brasileiro numa postura fenomenológica. com as reflexões da assistente social Ana Augusta de Almeida. Fenomenologia é uma ciência que se ocupa da ciência destinada a dar sofia contemporânea. aborda a ciência da consciência e de tor dessa teoria é Husserl seus fenômenos e consi- (1859-1938). principalmente a partir da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Saiba mais Janeiro. porém somente a No Documento de Sumaré é explicitada pela pri. vain.1 O que é a Fenomenologia É uma ciência que se ocupa da descrição menos. é que se pode considerar A entrada da fenomenologia no Serviço Social se pensadores brasileiros na que esta corrente passa dá no processo de busca de renovação da teoria postura fenomenológica a exercer influência no e da prática do Serviço Social. A entrada da fenomenologia no Serviço So- to de Reconceituação.unisa. é explicitada pela primeira vez nário de Teorização do Serviço Social no Brasil resultou no Documento de Sumaré. França. ciência dos fenômenos.br . O II Seminário de Teorização do Ser- Em 1978. teoria e da prática do Serviço Social e a influên- Segundo Aguiar (1984). O principal au. no bojo do Movimen. em seu e classificação dos fenômenos. principalmente a nha espaço no Serviço Social brasileiro a presen- período desenvolvimen.

Podemos dizer que na raiz do pensamento de Husserl encontramos as influências de Franz Brentano. estimados em 30. completou os A fenomenologia de Husserl germinou du. Após sua morte.000 páginas. no final do século XIX. de origem judaica. onde permanece até 1918 e desejo de descrevê-la ou apresentá-la tal como forma seus primeiros discípulos. em Halle. Brentano. área. sem abordar conflitos de classes e Apesar da hostilidade do regime nazista. Não introduz fé evangélica luterana. lacionam-se à lógica da matemática e à logística. ou seja. quando conservadora.unisa. como transformações à realidade. para ele. mantém-se livre docente. mundo que surge intencionalmente à nossa quando se aposenta. de 1887 a 1901. faleceu em 27 de abril de 1938 em Frei- quanto Van Breda. cujas raí- zes principais estão em Søren Kierkegaard (1913- 1955). Husserl considerava que os filósofos esta- vam complicando a teoria do conhecimento. Michel Henry e Jacques Derrida.br . consciência. a história e refaz o saber. A feno. um conhecimento do conhe. filósofo alemão fun- existencialismo. Leibniz e Kant. com o filósofo e psicólogo Franz cultura. no então Império Austríaco. ou seja. Por esta razão. transporta toda sua bibliote- ca para Lovaine. na Alemanha. onde permanece até 1928. a dedicar sua vida à -histórica na fenomenologia. hoje Prostejov. na Repú- que representam o existencialismo ateísta. assume ela é. como o Edmund Gustav Albrecht Husserl. Husserl converteu-se à car a historicidade dos fenômenos. Hus- serl influenciou. em 1876. início do século XX. Maurice Merleau-Ponty. entre outros. então. Husserl. Em seguida. dador da fenomenologia. Suas primeiras publicações re- do conhecimento. em lugar de considerarem com objetividade o fenô- meno da consciência como é experimentado pelo homem. Sônia Maria de Almeida Figueira do e as coisas. ou de teoria explicativa que venha Saiba mais a acrescentar às anteriores. Ensinou filosofia. Van Breda. estudou física. e fica tão fortemente impressionado alguns autores afirmam que há uma pretensão a. os alemães Edith Stein. en- blica Checa. Outras correntes do pensamento. dispensa a las de filosofia. Em 1887. Sartre e Merleau-Ponty. nem mudanças estruturais. como Heidegger. cimento. Exalta a interpretação do a cátedra em Freiburg. Bolzano. Eugen Fink e Martin Heidegger e os fran- ceses Jean-Paul Sartre. entre outros. começa também a receber au- como “pôr entre parêntesis”. Figura 8 – Edmund Husserl. apenas estuda a realidade com o vai para Göttingen. Descartes. com receio Quem foi Husserl do antissemitismo. sem mudanças. por esta que passa. Marcel e Jaspers. inclusive os escritos inéditos de Husserl. Moravia. É uma corrente de filosofia e defende sua tese de doutorado nessa pensamento que não está interessada em colo. primeiros estudos em um ginásio público alemão. através de 32 Unisa | Educação a Distância | www. astronomia e filosofia nas universidades de Leip- menologia se propôs a ser uma meditação acerca zig. rante a crise do subjetivismo e do irracionalismo. matemática. Nascido em 8 de abril de 1859 em Prossnitz. Husserl permanece na Alemanha até sua morte. nologia. seu aluno. seguem uma linha de crença em Deus. O que importava. era o que se passava na experiência de consciência. Em 1916. burg. e para tal propõe o que conhecemos Em 1883. Berlim e Viena. buscaram elementos da fenome. em Viena.

Isto supõe que todo fenô- bora esta vida pré-reflexiva. meno. deu ra que fenômeno é tudo que se mostra ou apa- o nome de “fenomenologia” à sua teoria que de. desvelando as estruturas da sa. já vivida. ou seja. não é simplesmente a aparição de alguma coisa. portanto. diatos da consciência se constituem. car um fenômeno. para que fenômeno é tudo aquilo de que podemos ter somente depois passar a uma teoria transcenden. Por isso. Atingir este núcleo é o que possibilita- também. A tarefa inicial para esta elaboração é a des. É. há uma essência única ciência. ele é o próprio ser. tudo que e mostra ou ponto de partida da fenomenologia. 1995). Neste sentido. mas Fenômeno deriva da palavra grega ‘phainó. todo o conhecimento e. para além do método científico. A essência é única. que se vai meno tem uma essência e não pode ser reduzido constituir o momento de reflexão para a ciência. mas é essa mesma coisa dada à consciência. consciência. Os dados ime- menon’ que significa ‘iluminar’ e também ‘mostrar. a sua essência. que Husserl chama para a fenomenologia. o que se torna visível. Nesse sentido podemos afirmar que a feno- menologia é o estudo do que se mostra à cons- 33 Unisa | Educação a Distância | www. por isso permite identificar um fenômeno. mostrando. o conhecimento científico têm por base ria encontrar um significado invariante que teria uma experiência vivida e é na medida em que ela. explici. O que é Fenômeno São considerados fenômenos não só os objetos dos quais podemos ter consciência. Logo. A essência é única. rece para uma consciência. A filosofia conside- 4. experiência vivida e deixando transparecer na descrição da experiência as estruturas universais Atenção (CAPALBO. Fundamentos Filosóficos para o Serviço Social uma descrição precisa do fenômeno. no -se’ ou ‘parecer’. aclarando. crição encontrar o núcleo fundamental do fenô- to a partir da experiência do mundo vivido. ou seja. de eidética. ou seja. portanto entendermos o Fenômeno é tudo aquilo de que podemos ter significado de fenômeno. consciência. a fenomenologia busca nessa des- basicamente na fundamentação do conhecimen. A fenomenologia visa então mostrar e para cada fenômeno. tais como se apresentam.unisa. portanto. aparece. Atenção A tarefa inicial da fenomenologia é a descrição do fenômeno como ele se mostra à consciência. o status de universal. o fenômeno descrever o fenômeno tais como foram vividos. ele não representa alguma coi- tando.2 Principais Ideias da Fenomenologia A contribuição da fenomenologia consiste Portanto.br . também os atos da consciência. tal à experiência. Podemos dizer então veria ser uma ciência puramente descritiva. então a uma única dimensão de fato. Atenção Para compreendermos a fenomenologia de Husserl é necessário. por isso permite identifi- crição do fenômeno como ele se mostra à cons.

sempre com o fenômeno e não com o fato. coberta do sentido ideal que é atribuído ao fato materialmente percebido. Este conceito ocupa um lugar cen- dade da consciência. importante de ser compreendida na concepção sófico. podemos dizer que a cons- descrever a essência desse fenômeno. alcançado o direcionamento da consciência. também. preocupa-se em mostrar e não em demonstrar. A fenomenologia busca a essência do fenô- meira etapa do método fenomenológico. material perspectivas sobre o sentido da existência huma- ou ideal e que tem um sentido único para aquela na. portanto. que a fenomenolo- jetos como se apresentam. fenômenos vistos pelos par-se com o fenômeno. Sônia Maria de Almeida Figueira ciência como fenômeno e se ocupa de explorar e De outro modo. à des- fatos. autoridade ou suposições consciência. A noção de por uma intuição. deria falar de objeto. em deixar transparecer na descrição da percepção de um fenômeno até o final do proces- experiência suas estruturas universais. to. pela exigência de rever as um objeto que pode ser real. Para a meno. a marca da inten- em explicitar as estruturas que dão origem à ex. cionalidade está presente desde o momento da periência. O pensamento fenomenológico se preocupa consciência. Portanto.br . de que os fatos deveriam ser deste ou daquele Sem o significado da consciência não se po- modo e limitar-se unicamente à sua observação. consciência. a fenomenologia cia. isto é. portan- a sua essência é preciso uma atitude livre de in. Esta des. fenômeno da experiência. A experiência de conhecimento. Há. a percepção descrição mais próxima da realidade. de verificar se os conteú. Conclui-se. com o objeto e com consciência. Outra ideia importante para compreender a A fenomenologia nunca se orienta pelos fenomenologia de Husserl é o conceito de inten- fatos externos ou internos. antes de toda e qualquer refle- intencionalidade propõe uma análise precisa da xão ou juízo. sências ideais. so. com o objeto e com o direcionamento da fenomenólogos como par-se com o fenômeno. um objeto em si. sujeito. uma intenção que se manifesta na direção da fluências de tradições. Trata-se de preocu. mas mas sempre será um objeto percebido. seja. sendo esta outra ideia fenomenologia. dos são reais ou irreais. Volta-se para a reali- cionalidade. através do do sujeito consciente tem um caráter direcional. pela intuição. para os objetivos enquanto tral na fenomenologia. são as experiências do ser consciente que vive e propõe-se a estudar a realidade social concreta. então. ou seja. festa imediatamente na jeito. ou seja. A essência não tem uma exis- coisa nela mesma. nos coloca ante esta presença originária da fenomenológica. ciência. Trata-se de voltada para o mundo. A fenomenologia se Ou seja. trata-se de examiná-los como aparecem. Aliás. tudo aquilo que se mani- com as intenções do su. 34 Unisa | Educação a Distância | www. A descrição se constitui na pri. ideais ou imaginários. com um significado definido para uma consciên- Segundo Pavão (1981). o objeto nunca será. do ponto de vista filo. Não se trata. decididos por e na cons- definindo a própria cons. a intuição.unisa. pensado. ciência é sempre consciência de alguma coisa e Para descrever estes fenômenos e alcançar é a intenção voltada para um objeto. com as intenções do Trata-se de preocu. como já dissemos. para as es- Atenção ciência como intencional. não explica e nem analisa. nem da essência do objeto. estrutura da consciência e da descrição dos ob. A fenomenologia descreve os é que leva à intuição da essência. a consciência está sempre dirigida para caracteriza. Segundo Pavão (1981). ela é fonte autêntica e legítima tência fora do ato da consciência. imaginário. ou fenômeno e se posiciona no mundo. quando o sujeito na sua totalidade vivencia o crição é feita olhando-se para os fenômenos. Sua característica age em um mundo que ele percebe e interpreta básica é a de ser um método voltado para uma e que faz sentido para ele. A consciência é intencional. Seu ponto de partida gia é uma ciência voltada para o vivido. portanto. compreensiva e interpretativa.

sua imaginação e memó- ças. preende e critica conscientemente sua realidade. partindo das experiências da pessoa. Trata-se de um pro.br . Neste sentido. principalmente na PUC do Rio de Janeiro e canismos de cooperação mútua. segundo a autora. no contexto da história humana. pessoa e transformação social. para a ação que o homem executa. que. sendo o instru- -Ponty foram as que mais influenciaram os assis. a consciência aqui é compreendida social ou tratamento social. Se. Cada relação é essencial para o gundo Brandão (2006). considerado sujeito ativo. dição humana e não na condição de oprimido. Por esta Segundo Brandão (2006). A consciência tem um movimento de imanên- comunidade (BRANDÃO. Trata-se que deve levar a uma transformação. dando um sentido. tima análise. menologia vai trabalhar com a compreensão do alguns de seus profissionais procuram assumir ser como pessoa usando o diálogo como o instru- em suas proposições. de si mesmo e das impli- meida. cações últimas do seu ser no mundo. assegurar participação e/ou criação de novos me- ção. para si mesma. processo de ajuda psicossocial. através de um diálogo que deve levar a mudan. É na constitui-se num processo onde Assistente Social relação de ajuda que se realiza o encontro com o e sujeito realizam uma experiência com todo o outro. na visão de Anna Augusta Serviço Social.unisa. Fundamentos Filosóficos para o Serviço Social 4. 2006). o caráter metodológico da fenomenolo. grupo e ria. para sua intervenção. venção. o reconhecimento de sua con. o assistente social razão. Na fenomenologia. a execução desse novo modelo de prática e/ou gia chega até mesmo a anteceder sua formulação operacionalização da técnica. estando tentes sociais. como um ato voltado para o mundo exterior. pensamento e pela ação. o qual é realizado para seu ego. que com- cial no trabalho social. para cedimento sistemático onde se desenvolve um as coisas. as leituras de Merleau. proporcionando a aplica.3 A Fenomenologia e o Serviço Social Segundo Macedo (1986). como ser social. dológica. alienado ou desajustado. humanizada do mundo. A intervenção à orientação metodológica da fenomenologia. mento adequado à sua intervenção profissional. passa a fazer parte da realidade. é a finalidade da intervenção realiza- jeito como pessoa. A fenomenologia contribui com o Serviço É pela intencionalidade que o homem per- Social no sentido de dar um sentido novo para o cebe a si mesmo e a realidade e a transforma pelo processo de ajuda psicossocial a partir dos prin. o sendo esta condição básica para sua conscienti- Serviço Social se realiza através da intervenção zação. para seus sentimentos. integrado A fenomenologia introduz a visão existen. social vai orientar e transmitir a estratégia para Para ele. diálogo constitui um processo de ajuda que visa a analisar as relações estabelecidas pelo homem transformação social e liberdade responsável. uma atitude fenomenológica. Através da inter- filosófica. o Assistente Social provocará o desen- A influência da fenomenologia no Serviço volvimento de uma consciência teórica que visa Social iniciou-se em programas de pós-gradua. ao contexto. Essa consciência na PUC de Porto Alegre. como Ana Augusta de Al. Porém. seu ser. visto que este autor dedica-se mais presente nos processos sociais. ção da teoria psicossocial. na busca de reno. da pelo Assistente Social. pois é na re- de Almeida. cia e de transcendência. 35 Unisa | Educação a Distância | www. uma significação à vida. como orientação meto. O assistente social bus- cípios: diálogo. o diálogo como ajuda psicossocial lação com os homens que sua prática ocorre. para os outros homens. O ca compreender o sentido da existência humana. em úl- de uma proposta onde se busca conceituar o su. Alguns autores foram teórica deve ser entendida como compreensão pioneiros nessa linha. mento para o desenvolvimento social. Ilda Lopes e Myriam Veras Baptista. a feno- vação dos esquemas operativos do Serviço Social.

4 Resumo do Capítulo Neste capítulo. que buscavam aplicar cientificidade à prática profissional. na atualidade. considerando o movimento dos profissionais. de nós. No entanto. Dessa forma. A fenomenologia. e horizontalidade criadora da atmosfera afetiva. 4. um conhecimento novo que deve ser cons. truído a cada encontro. uma reflexão conjunta para uma ação transfor- fissional. numa situação de reciprocidade novo.br . Sônia Maria de Almeida Figueira Segundo Brandão (2006). trata-se de uma corrente filosófica que não tem aplicada aderência ao desenvolvimento dos profissionais. com base na fenomenologia não é a madora. do outro. O que é fenomenologia? 2. pois a relação vai se es. tivemos a oportunidade de estudar com mais profundidade um método ampla- mente conhecido pelos profissionais do Serviço Social. treitando e essa aproximação mútua reforça no. e sujeito deve ser autêntica. para que oportunize 4. a atitude do pro. a relação de ajuda se dá na confluência da tome sozinho suas decisões. mas entende-se que proximidade dos parceiros onde há um perguntar deve ocorrer uma construção conjunta de algo e um responder. para a possibilidade de uma transforma- vas descobertas.unisa. surge como uma nova proposta teórica para o Serviço Social.5 Atividades Propostas 1. A relação entre assistente social ção para a liberdade. na perspectiva fenomeno- postura de ensinar e nem de deixar que o sujeito lógica. tendo em vista nosso compromisso com a corrente marxista de pen- samento filosófico. Qual é a relação da fenomenologia e o Serviço Social? 36 Unisa | Educação a Distância | www. como vimos. humana. que leva à compreensão de si.

seja com esta ou aquela corrente que o profissional se identifique. Porém.unisa. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir dos conteúdos expostos. A vinculação do profissional de Serviço Social a uma concepção de vida. e nesse sentido é possível identificar a predominância de uma corrente sobre a outra nos diferentes mo- mentos históricos. contudo. mas que há uma convivência dessas correntes a partir das identificações dos profissionais com estes princípios.br . referente às correntes filosóficas que influenciaram o Serviço So- cial. Ter este conhecimento é base fundamental para se atingir um bom resultado. é importante ter um am- plo conhecimento sobre a realidade em que vamos intervir. seja na elaboração de uma pesquisa ou na realização de uma intervenção. pelos seus órgãos representativos. do homem e do mundo é fundamental e isto o aproxima ou o distancia dessas diferentes posturas. podemos dizer que não é possível vincular hoje o Serviço Social exclusivamente a nenhuma destas linhas. é importante frisar que a profissão também se expressa pela sua produção teórica. 37 Unisa | Educação a Distância | www. conhecer e saber os problemas que afetam as pessoas ou as comunidades em geral.

O socialismo seria a síntese final. O positivismo é uma corrente filosófica surgida na primeira metade do século XIX. A dialética materialista analisa a história do ponto de vista dos processos econômicos e sociais e a divide em quatro momentos: Antiguidade. logo. A visão de homem do Serviço Social era a pessoa humana. Segundo sua interpretação.unisa. Tomás de Aquino dedicou-se ao esclarecimento das relações entre a verdade revelada e a filosofia. estudio- so do filósofo grego Aristóteles. A doutrina de Comte parte do pressuposto de que a sociedade humana é regulada por leis naturais. 2. feudalismo. aos valores. A contradição da Antiguidade é a escravidão. A matriz positivista terá um importante papel na legitimação do profissional de Serviço Social brasileiro.br . Cada um dos três primeiros é superado por uma contradição interna chamada “germe da destruição”. que se caracteriza pela junção do discur- so humanista-cristão. RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS Capítulo 1 1. criado por Deus. e do capitalismo. isto é. mas são distintos e harmônicos. o proletariado. Capítulo 2 1. os servos. 39 Unisa | Educação a Distância | www. Iamamoto (1998) chama esse processo de “arranjo teórico-doutrinário”. na medida em que amplia os referenciais técnicos para a profissão. a fim de que ele alcançasse a perfectibilidade. Foi fundado por Augusto Comte em contraposição às ideias que nortearam a Revolução Francesa no século XVIII. o trabalho dos primeiros assistentes sociais dirigia-se. que independem da vontade e da ação humana. portadora de valor soberano. entre a fé e a razão. do feudalismo. as leis que regulam o funcionamento da vida social. A filosofia marxista vai além da interpretação materialista da natureza e aplica o ma- terialismo também à vida social. econômica e política são do mesmo tipo que as leis naturais. sobretu- do. invariáveis. O objetivo do Serviço Social era mol- dar este homem. à classe trabalhadora. tais conceitos não se chocam nem se confundem. Segundo a concepção tomista. capitalismo e socialismo. à moral e aos costumes de uma sociedade cristã. 2. Capítulo 3 1. integrá-lo à sociedade. o que predomina na sociedade é uma organização semelhante à da natureza. vindo do neotomismo com o suporte técnico científico na teoria social positivista. Para ele. em que a história cumpre seu desenvolvimento dialético. porém na perspectiva da conciliação das classes sociais. O Tomismo é a doutrina filosófica cristã elaborada pelo dominicano Tomás de Aquino. único ser no universo capaz de se aproximar da perfeição.

a consciência na pró- pria realidade. A fenomenologia introduz a visão existencial no trabalho social proporcionando a aplicação da teoria psicossocial.unisa. o qual é realizado através de um diálogo que deve levar a mu- danças. quando alguns grupos de Assistentes Sociais passam a questionar o Serviço Social quanto à sua natureza e operacionalidade e partem para uma análise crítica da sociedade. grupo e comunidade. É uma ciência que se ocupa da descrição e classificação dos fenômenos. um método de análise da realidade. Capítulo 4 1. A presença do materialismo histórico dialético no Serviço Social se dá a partir do início da déca- da de 1960. mas. não considerando mais a sociedade como um todo harmônico. como uma realidade onde estão presentes interesses antagônicos. Procuram a ideia.br . tornando explícita a análise da dimensão política da prática profissional. Sônia Maria de Almeida Figueira O materialismo dialético torna-se. 40 Unisa | Educação a Distância | www. A fenomenologia de Husserl germinou durante a crise do subjetivismo e do irracionalismo. no final do século XIX. ciência dos fenômenos. Es- tes grupos de profissionais começam a rever as posições tradicionais do Serviço Social. então. Na fenomenologia. o Serviço Social se realiza através da intervenção social ou tratamento social. partindo das experiências da pessoa. Os homens não se limitam a contemplar o mundo. sim. Fe- nomenologia significa estudo dos fenômenos. O principal autor dessa teoria é Husserl (1859-1938) que exerceu grande influência na filosofia contemporânea. Este grupo passa a se posicionar na defesa da classe trabalhadora. mas exercem influência sobre o mesmo e o modificam. questio- nando a prática e o posicionamento político dos profissionais. 2. início do século XX. Trata-se de um procedimento sistemático onde se desenvolve um processo de ajuda psicossocial. de acordo com o qual tudo se desenvolve e se transforma. 2.

A igreja na República. A. NETTO. UNESP. A. v. 76.).br . (Org. A. I.95. São Paulo. 15. 41 Unisa | Educação a Distância | www. 23-36. Relações sociais e serviço social no Brasil. Revista Serviço Social e Sociedade. 2009. jul. MACEDO. v. 1995. 2006.org. O Marxismo e seus rebatimentos no serviço social. B. Cadernos ABESS.unisa. IAMAMOTO. REFERÊNCIAS AGUIAR. Cortez. 1985. Tese (Doutorado em Serviço Social) – Faculdade de História.cress-sp. p. A. v. C. ed. abr. p. A. São Paulo: Atlas. Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo. 1989. 1997. ago. CAPALBO. TONET. O serviço social e a tradição marxista. 20-29. Campinas: Papirus. J. J. IAMAMOTO. São Paulo. 1998. M. R. ______. p. 1981. 1987. v. M. C. PAULA. Revista Serviço Social e Sociedade. PAVÃO. São Paulo: Cortez. M. 4. Cadernos ABESS. O princípio de autodeterminação no serviço social: visão fenomenológica. p. p. BRANDÃO. 30. ed. suas relações no Brasil e a questão do ensino. 05-19. G. ed. Construindo o saber: metodologia científica: fundamentos e técnicas. 4. v. 15. São Paulo. Fenomenologia: tendências históricas e atuais.. C. Direito e Serviço Social. 1995. CRASS-SP. da UNB. 4. São Paulo. 4. 64-75. Serviço social e filosofia: das origens a Araxá. M. C. 1984. Notas sobre marxismo e serviço social. Acesso em: 9 set. M. jul. Reconceituação do serviço social: formulações diagnósticas. CARVALHO. ______. 3. Brasília: Ed. 1989. Disponível em: <http://www. P. ed. 89-102. M. O serviço social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional. São Paulo: Cortez. R. 1981. 166 f. br/>. v. TRIVIÑOS. p. RODRIGUES. M. 6. O serviço social no Brasil: a reinstrumentalização necessária. jul. 1981. São Paulo: Cortez. 4. São Paulo: Cortez. ago. 2006. São Paulo. 1995. Revista Serviço Social e Sociedade. Fundamentos filosóficos para nova proposta curricular do serviço social. CARVALHO. Franca. A. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. A. Cadernos ABESS. 1984. Unimep. M. A Filosofia no currículo de Serviço Social. São Paulo. São Paulo: CELATS.

C. 1999.br .unisa. M. ABEPSS. YAZBEK. 42 Unisa | Educação a Distância | www. A. ago. Serviço social como especialização no trabalho coletivo. p. C. São Paulo. (Módulo 2). S. Serviço social e positivismo. 70- 82. Revista Serviço Social e Sociedade. CFESS. 1987. v. Sônia Maria de Almeida Figueira VIEIRA. In: Curso de capacitação em serviço social e política social. Brasília: CEAD. 24.