UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ - UFPI

GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM GÊNERO E RAÇA – GPP-GeR
MÓDULO 03 – POLÍTICAS PÚBLICAS E RAÇA
PROFESSOR FORMADOR: PROF. DR. BENEDITO CARLOS DE ARAÚJO
JÚNIOR
ALUNO: JOSÉ MAILSON DE SOUSA SILVA

12 ANOS DE ESCRAVIDÃO versus DJANGO LIVRE

Discurtir raça – e seus processos históricos – sempre me atingiu de forma bem
particular. A escravidão, nesse caso refiro-me ao momento histórico, sempre me
comoveu e enfureceu de forma semelhante. É por esse motivo que optei por realizar um
comparativo entre os filmes 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2103) e Django
Livre (Django Unchained, 2012), pois estes trazem protagonistas que sofreram com a
escravidão, mas que reagiram de formas distintas.
No primeiro, somos apresentados a Solomon Northup, um personagem real, que
apesar de ter nascido livre e possuir boa condição financeira, teve 12 anos de sua vida
roubados após ser sequestrado e vendido por um fazendeiro. Já no segundo, somos
apresentados ao anti-herói Django, nascido escravo, mas que se tornou livre sob a tutela
de um caçador de recompensas.
Não podemos negar que são personagens antagônicos, mas apesar dos momentos
distintos em que são ambientados, eles possuem muito mais em comum do que a cor –
fator definidor do seu status de escrado. Dentre essas características estão a
determinação e o instinto de sobrevivência, e a submissão. Quando me refiro a
submissão, pretendo mostrar que, apesar de “livre”, Django não possui o livre arbítrio,
uma vez que ele responde aos desejos do seu tutor alemão.
Apesar desses dois protagonistas se completarem entre si – pois para superar as
opressões é preciso muito mais que “vontade de vencer” (mais marcante em Solomon),
é preciso coragem e confiança em si (características do Django) – me identifiquei mais
com o segundo personagem. Para superarmos momentos de opressão é preciso mostrar
para que viemos. É fato que os métodos utilizados por Django são questionáveis, mas
não podemos negar que ele “honrou” todos os Solomons espalhados por toda a história.
Mesmo distintas, ambas são histórias emocionantes e marcantes, cada uma a sua
maneira. Os diálogos e recortes de cena (fotografia) são inquietantes e questionadores.

Se essas histórias estivessem acontecendo atualmente. no entanto. anseio que a sociedade reflita sobre essa perspectiva e trace novas alternativas de visualizar essa questão. . em que posição nos encontramos: opressor ou oprimido? O que estamos fazendo para mudar? Infelizmente não tenho respostas para essas perguntas.

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