Marcia Siqueira de Andrade

Psicopedagogia
Clinica
Manual de
Aplicação Pratica
para Diagnóstico de
Distúrbios do Aprendizado
1a edição setembro de 1998
Póluss Editorial

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Ao Nilton, por me ensinar a
lidar com as diferenças, pois são
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Prólogo
(...ou, o começo de tudo é sempre o começo)

Era uma vez, no Paraíso,
em algum lugar do passado,
a "Mãe-Deus "e duas filhas: Mara e Maria.

Lá, havia um portão rabiscado. Um dia, "Mãe-Deus " perguntou:
- Este portão, quem de vocês rabiscou ?
Mara, prontamente, respondeu:
- Foi Maria, mamãe, não fui eu!

Nesse instante, a verdade terrível apareceu: Maria conheceu que a

mãe não era Deus. Ela não via que Mara mentia, não lia pensamentos. Ela
não sabia...

E se a mãe não sabia,
Maria, sua imagem e semelhança,
pensamentos também não leria.
Então, Maria fez seu
o desejo da Sabedoria.
Tinha cinco anos: foi expulsa do paraíso nesse dia
para crescer, ler, dividir-se e multiplicar.

(...)

A primeira professora mostrou o livro a Maria, Um dia, ouviu falar numa terra distante
um livro de sabedoria. onde se ensinava a escuta
"Ah! Agora sim conheceria !", pensou Maria. do som que não se ouvia,
Ao final da primeira lição, guardado o livro, se aprendia a mirada
Maria, triste, foi embora daquilo que não se lia.
sem nada, de mãos vazias. Lá, Alicia vivia.
Ela não lia... E com ela, aprendentes estudavam
a Psicopedagogia.
Chorou muito...
O medo de morrer começou naquele dia. Maria foi em busca,
acreditando que aprenderia
O tempo passando, Maria crescia. a não temer mais a morte,
Aprendeu a ler, escrever... a resgatar a plenitude da vida e da alegria,
Aprendeu história e geografia. Lia encontrando a Sabedoria querida,
livros, muitos, o tempo todo, mas no pensamento do outro,
pensamentos ela não lia. E por que ela não lia.
não ler pensamentos, sofria... O Triste ilusão, mais esta !
medo de morrer persistia. Os anos se passaram, Maria percebia:
as Psicopedagogas
A mãe, que não era Deus, lhe dizia: eram iguais a ela -
- Quando o medo vier, não sofra, escreva, Alicia também não lia.
coloque no papel, mas guarde bem, é seu segredo.
E assim Maria fazia, Caminhando mais uma estrada de ilusão,
seus pensamentos escrevia Maria resolveu tornar-se Doutora em Psicologia
e de todos escondia. (ouvira que os verdadeiros sábios eram Doutores
e viviam nas Academias...)
Maria crescendo, se fez professora, Estudou muito - pesquisou, sofreu, escreveu.
ensinava a ler e escrever as criancinhas, Apresentou tese, julgada por doutoras - compe-
não mostrava o livro, tentes e exigentes. Espanto! Entre
não mostrava que tudo sabia, unânimes louvores, Maria,
pois com aquelas crianças aprendia... aclamada sábia, tornou-se Doutora
Quando ensinava, percebia. em Psicologia.
No meio das letras,
nas entrelinhas das escritas, Desfeita mais esta ilusão, Maria
o pensamento das crianças aparecia ainda não compreendia, continuava
como um grito cujo som não se ouvia. a mesma, nada mudara, ela ainda
não sabia...

10 11

.... 40 ETAPAS DO ATENDIMENTO PSICOPEDAGÓGICO .............. 60 12 ......................... aconteceu ! Em um segundo fatídico morria a ilusão do tudo saber lá fora...... no outro.................... Maria ............................................. 15 que ler pensamentos............ 26 incoerentemente PARA UMA PEDAGOGIA DO AFETO ........ no livro... 49 Alta ......................................................... Família: leitura de um sub-texto.......... 37 Psicopedagogia reeducativa ......... 55 Aspectos afetivos .................................................................................................................. 37 Psicopedagogia clínica ......... 31 Sábia................. O tempo de conhecer ou maravilhosamente......... A QUESTÃO DO CONHECIMENTO: Agora ela pode ser................ 21 incompletamente.......... 22 profundamente.................................................. 45 Tratamento... 43 Diagnóstico psicopedagógico ................................ E ao mesmo tempo a cruzada de ilusões conformava Conteúdo a sua Autoria.... 38 Psicopedagogia preventiva ...... 55 Aspectos cognitivos ......... 17 tornara-se Autora.............. O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO ......................... re/conhecendo o tempo para se conhecer........ transitoriamente...................................... 54 DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO..................... na academia.................... DO OBJETIVO E DO SUBJETIVO.......... Doutora - mais do que tudo..............Professora........................ mais do PREFACIO DE ALICIA FERNANDEZ .......... O ATENDIMENTO PSICOPEDAGOGICO. Psicopedagoga............ sendo apenas ela mesma........ 33 Maria........................................ Conteúdo Um dia.................................................... INTRODUÇÃO...................

..................... implica prazer...........94 limites.......... 100 da Cruz..................... Indisciplinada porque conhece a falta........ 66 Da gestação ao nascimento.............................................................79 Teste da família cinética . alegria APRESENTANDO UM CASO ...................... 127 fundamentos e construindo suas ferramentas............ 88 o estudo da Psicopedagogia possa transformar-se em O paciente que estabelece aprendizagem é abrindo espaços de autoria do pensamen- contato superficial .77 Do processo ......................................................... No reconhecimento da carência está a potência........................... 137 e reencontro com apropria autoria...92 O desempenho adequado.......... Testes cognitivos ..................................... Agosto... aprendente-ensinante.......................... 73 " Alegria de fazer(se) em Testes projetivos : definição ..................................................................................................................... A hora do jogo psicopedagógico ...... 1998 BIBLIOGRAFIA......................................... O TEXTO NO CONTEXTO: Márcia....................... como o são o de- sejo e o saber................................. O paciente dos mínimos detalhes ............ nos entrega sua escritu- ra.............................................................. Psicopedagogia Clínica Prefácio INSTRUMENTAL PARA O DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO ............ A única forma para que contato espontaneamente ......... Testes piagetianos ........................ os Teste aperceptivo infantil psicopedagógico...................................97 A Psicopedagogia permite................... como toda aprendizagem........................................ 65 Anamnese ................................................ como disse Jorge Gonçalves Sondagem da escrita ..............................................................83 Esse é o nosso privilégio......................77 Teste da família .......................... Ronaldo e o espelho ...........169 Aires........................................ 84 com a responsabilidade e a autoria................................ Lê-la................................................................. enquanto tentamos abri-lo para os outros..........138 Alicia Fernandez Buenos CONSIDERAÇÕES FINAIS ..... 106 A Psicopedagogia vai constantemente discutindo seus Bender ......................................................................... 171 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.......... fazer do obstáculo a possibilidade "......67 Nasceu: O início de uma outra história................... Privilégio que nos conecta O Aprendente ..................... 175 14 15 ................................... 86 Formar-se em Psicopedagogia é diferente de estudar Paciente que não estabelece Psicopedagogia e obter um título....... 173 AGRADECIMENTOS ....91 to para nós mesmos..93 Nossa "disciplina " é indisciplinada.....

é lidar com a angústia pois. me dou a conhecer a quem eu não conheço. todos os outros textos e contex- tos a partir dos quais me fiz. mas como objeto do meu próprio desejo. E abrir mão do conhecimento produzido. no momento em que iniciam o estágio. a partir da doloro- sa superação do meu próprio não saber e suportar a im- possibilidade de controlar o que o outro vai fazer com ele. E delinear e demarcar o início de um caminho que po- derá ser trilhado por todo aquele que se autorizar a isso. o que vai pensar sobre ele. 16 17 . nas duas universidades em que trabalho . para mim. resgatando nessa condição a minha identida- de. ao assumir a autoria do meu pensamento. a minha humanidade. aceitar que des/conheço e não me envergonhar de mostrá-lo. Escrever. mostrando-o não apenas como mais um livro. buscando sistematizar a metodologia de diagóstico psicopedagógico pesquisada e desenvolvida nos últimos seis anos por docentes e discentes sob minha ori- entação. Escrever é re/conhecer-me neste livro por ter deixado nele minhas marcas. sem a possibilidade de escolha. Escrever é deixar de me esconder atrás do que outros já escreveram. fez com que eu acei- tasse lidar com as minhas próprias angústias e escrevesse este livro.Psicopedagogia Clínica Introdução V) "Assumindo a uAtoria A percepção da angústia vivenciada pelos alunos dos cursos de Psicopedagogia Clínica sob minha coordenação.

solitária a caminhada. que fez com que eu começasse a ques. o entusiasmo da busca. encontros especiais. de perceber capaz de se re/conhecer no outro. não posso deixar de tionar inúmeras verdades instituídas para o espaço da sala compartilhá-las com todos eles. também e primeiramente. confiando a mim suas esperanças de cura e que tanto me ensinaram. Por outro lado. nove zer da descoberta. da satisfação de. mes. Saí então para ou. cuja participação efetiva torna menos para conhecer sobre o outro temos que ter a coragem ne. pois a aprendizagem. o quanto eu não conhecia. o encontro cessária para conhecer. um encontro do que gostaria de enxergar sobre mim e sobre o outro. no não tidas neste livro. Meus alu- Aprender a escrever ou escrever para aprender. da descoberta. mes- de aula e para a atuação do professor. Que este livro consiga tornar mais leve a caminhada de Foram oito anos como professora da primeira série do quem está iniciando agora. Alicia Fernandez. des de compreensão sobre o não aprender. mo enquanto ato solitário. que têm me ajudado nesta jornada: Márcia Siqueira de Andrade com os pacientes que me procuraram. é sem. foi a alavanca necessária para o início das suas recuperações. Ainda que assumindo sua autoria. Páscoa de 1998 Prof. é re/ler nossa história. E foi a necessi. aprender a escrever. às vezes mais pre em última instância. o deslumbramento mo na presença do outro. mas que não retire deles o pra- primeiro grau. 18 . Todos estes encontros têm sido decisivos para o meu pró- dade de compreender as questões inconscientes envolvidas prio crescimento e para o amadurecimento das ideias con- na aprendizagem da escrita e. que me mostram tanto. É com eles que consigo reviver a paixão nós. antes de qualquer outro O encontro com cada um dos professores que fazem parte lugar. Dta. um ato de solidão. interação com o outro e com o objeto do desejo. E esse conhecimento se constrói solitariamente. da criação. sobre com meus alunos. Dessa forma. nos. chego à certeza de que da minha equipe. ao chega- anos de estudo no mestrado e doutorado em Psicologia da rem num ponto determinado do caminho. este caminho tem me proporcionado São Paulo. mais de quinze anos de atuação clínica. dizer a eles naquele momento o quanto me ensinavam.Psicopedagogia Clínica Introdução E esse caminho tem me levado. o curso de Formação em reconhecer cada uma das pedras assentadas com seu pró- Psicopedagogia Clínica na Escuela Psicopedagógica de prio trabalho na construção dessa estrada que leva onde Buenos Aires. a mim mesma. só é possível através da tros espaços que me permitissem pensar novas possibilida. além do trabalho terapêutico coordenado por inteligência e desejo se articulam e se fecundam. com nós mesmos. Muitas ve- zes. consequentemente. Mas mais do que tudo. olhar para trás e Educação na PUC/SP. meus espelhos.

objeto próprio à epistême antiga. indivisível. borboleta diz-se psychê . 2 0 1 2 . reconhecendo. mas também a impossibilidade de se conhecer ou nomear todas elas. a emoção. percebidas e apreendidas. Recuperar o individual nas relações sociais conside- rando a afetividade. Lane Atonique) Espera-se resgatar. resgatando o humano. o sentido evanesce de suas fendas.anjos vindos das distâncias. não só a rique- za de cores que permeia o cotidiano.Psicopedagogia Clínica A questão do conhecimento: do objetivo e do subjetivo A questão do conhecimento: do objetivo e do subjetivo "Em grego. na Física como na Cosmologia. a possibilidade de se pen- sar o indivíduo. Quer se coloque em seu lugar consciência ou reflexão. por não pertencer à linguagem do conhecimento. (Guy Hocquengheln e René Schérer. Acreditamo-nos modernos por banirmos a alma do nosso vocabulário. aqui. no entanto. a menor parte de uma his- tória que se escreve e se inscreve nas relações vivi- das. Foi. assumindo as múltiplas maneiras de con/viver.

pensando-o através de sua teriais e emocionais. então. mundo e com as coisas. do dito que não é e como sugere a propria etimologia: a faculdade de verbalizado mas sentido. modificando-o. mas também o conteúdo que não é mento que possibilitará a relação desta criança com o conhecido. poderem contar do que não se conhece. como parte do objeto estu. os objetos desse mundo atra- possibilita o re/conhecer. percebido e simbolizado. seus con. família coloca-se como o filtro que capta o colorido velar o que nem sempre se consegue enunciar: o social. o material. através das sua subjetividade como parte integrante dessa trama. o desenvol- sai da cena o objeto e o objetivo destituído da vimento emocional e o desenvolvimento cognitivo. constituir seus modelos. com suas contradições. É ela quem vai dar condições à criança de resgate do significado. ou ainda. espectro e nesse movimento vai contribuindo para a Relacionar as dificuldades de aprendizagem às individuação da criança que abriga no seu ventre. A imagem dessa família que se mostra fecundada pelas questões incons- cientes. com inúmeras encruzilhadas que poderão levar a Família: Leitura de um Sub-Texto respostas. lica que se faz dessa família possibilitará que se ca- flitos e superações. Dessa forma permitirá. e a paterna num segundo e imediato mo- dade de conhecer. Mais do que a família real. o desenvolvimento físico. Entra em pauta o simbólico. mas se sabe. repletas de surpre- sas. vés do conhecimento. de apreender e aprender. A família é o primeiro núcleo social que abriga o Considerar e aceitar a metáfora como o exercício do homem. Será o vínculo estabelecido com a figura materna ini- Considera-se não só aquele que apresenta dificul. A dado. considerando a inser. cialmente. o histórico. da energia que permeia a pos- se deixam aparecer. o conteúdo inconsciente que im. a representação simbó- jetivo e o subjetivo. afetividade. o ob. integrando-o ao seu próprio subjetivo. trocas afetivas. todas provisórias e parciais. É 22 23 . minhe por estradas desconhecidas. mas como são significadas para sibilidade de conhecer/ desconhecer. ela se mostra A família é considerada. como a grande fonte de afetos. como possibilida- para além da própria realidade pois "a imaginação não de de leitura do sub-texto. questões materiais. concretas. tanto dos aspectos objetivos quan- história e na materialidade em que vive. A família vai prover essa criança das questões ma- ção do sujeito no social. aceitando a to dos subjetivos. Psicopedagogia Clínica A questão do conhecimento: do objetivo e do subjetivo Pensar as relações não apenas na aparência. é o individual e o social. não é mera cópia da realidade. por entendê-la como instrumento capaz de re.

sem tentar explicá-las relacionando causa/ conhecer/desconhecer. ousando apostar no incerto que por que não mais se encaixam nos espaços que se ser mutável poderá levar a novas trilhas. conta do outro e de si mesmo. sibilidade de encontrar a pessoa inteira e integrada às suas questões particulares que iluminam questões mais E olhar para o outro e ver parte de si mesmo.. pode. percebe-se que isso. então. do para ultrapassar esse dualismo. mas dos comprometimentos afetivos. isso é ciência. histórias individuais onde o sujeito é autor e ator. e nesse contexto Através dessa perspectiva tenta-se resgatar o ho- emerge aquilo que é conhecido e aquilo que não se dá mem de corpo e alma. outras histórias. acreditando que "o sujeito só pode ultrapassar o dualismo da textos.. Busca-se supor e suportar as indefinições. unidade de toda a sua vida. se des.. atordoados com o que se vê. interioridade e da exterioridade quando percebe a Seduzidos por essa trama concreta e singular."1 que nem todos escutam e mesmo quando escutam nem Através da família. porque também é dela que fala. com um olhar despido de valores e teorias soluta e eterna.2 cor. bus. sem importar-se em seguir passos já defi- nidos. toma.. formar imagens que ultrapassam a realidade. observar de perceber essa unidade é a apreensão eliminatória cada ponto dessa trama formada por infinitos pontos e intuitiva do sentido da vida. o desenho. o indivíduo re/aparece. a visão capaz àquele que se dispõe a chegar mais próximo. construir formas. a textura. aceitar os limites e li- Olhando este sujeito concreto. taca. as contra- ca-se os aspectos que se entrelaçam com a questão do dições. efeito.. através da Aprende-se. lutan- amplas. na corrente vital do seu se perceber a riqueza de cada detalhe que se mostra passado. e se busca a leitura não do sin. deixando de lado a segurança da verdade ab- limitações. cantam a realidade. a tecer com o fio invisível do análise dos conteúdos simbólicos que se apresentam. inatingido e. outros con. pensamento. modificando a inexprimível. portanto. E uma faculdade de sobre- isso que fala suas verdades de forma tão mansa e leve humanidade. resumida na reminiscência. que que fala direto à alma. que se entrelaçam e se transformam. considera-se então o sintoma como a pos- mas de conhecer. a novas for- apresentam. além do olhar positivista que a conhecer: o inconsciente e seus conflitos. E nestas reduz o universo a uma máquina previsível e linear. 24 25 . sempre compreendem.. Psicopedagogia Clínica A questão do conhecimento: do objetivo e do subjetivo E. compartilhadas por outras pessoas. pleno de desejos e mitações.

tantos acontecimento vivido é finito. por isso. passa veloz. pode provocar avaliações distorcidas.Psicopedagogia Clínica A questão do conhecimento: do objetivo e do subjetivo O Tempo de Conhecer ou Re/Conhecendo des. Neste Abandona-se. Aqui. dinâmico. à limitação do agora. tintos que se opõem e se completam na instância da vos pois "a verdadeira imagem do passado per. e do presente que já está lá pré-fígurado. o a história se deforma e se transforma num futuro onde tempo que aparece como um espelho refletindo imagens as limitações do presente podem ser superadas. nem mesmo através da comunhão aquilo que não foi poderá vir a ser em momentos dis- experencial da união de almas em momentos definiti. eternidade sob o reflexo do tempo vivido. aqui. obra aberta. um ensaio da Esse tempo que retrata uma história eterna não pode história. "3 vés da busca constante da presença do passado no pre- sente. e tudo que não seja da ordem do futuro se acredita possível e passível o encontro entre objeti. deixa de ser um tempo perdido para tornar- vo e subjetivo. já passou deixando de ser. ou pelo menos encer- quantos forem as possibilidades de se recuperar os so- rado na esfera do vivido. se um celeiro das dimensões reprimidas que. só de que lugar está se falando. no mo. deter. é passado. então. mas do que ainda é vislumbrado: o vir a ser. mas qual o tempo que O passado. entre social e individual. frag- movimento dialético ambos se transformam pois a atu- mentado. um lampejo da eter- nidade? Não será a eternidade esse tempo Assume-se. bojo toda sorte de consequências esperadas. linear. mentação. trazendo no seu mostrando seu corpo impregnado. feito de instantes que não se contemplam e. o tempo reflete e refrata a eternidade atra- mento em que è reconhecido. Esse tempo abstra- to que não se consegue tocar. alidade recupera as promessas desse outro tempo portanto. um tempo pleno de pos- entrecruzado. então. um acontecimento lembra- frimentos e esperanças nas suas intensidades e brevida- 26 27 . É o tempo de agora. Será essa continuidade temporal que se opõe à frag- mo pode ser medido por si e em si. daquilo que foi e. o tem. não podem se reconhecer. E. e que nem mes. estático. desejadas. no seu lugar. em permanente re/edição. resgata- po que conta não é aquele que cristalizou no passado e das voltam plenas de possibilidades e realizações onde que. determinadas pelo que antecedeu. onde ser revivido. O tempo presente passa a ser. O passado só se deixa fixar como imagem que relampeja irreversivelmente. o tempo vazio. ao invés do tempo infinito? Pois se um sibilidades de uma outra história. não do que já foi. outro enredo. onde a história se o Tempo para se Conhecer escreve e se inscreve sem assumir uma forma eterna Partindo dessa perspectiva teórica cabe discutir não e imutável.

mas também como o fruto de um desejo. suas esperanças. portanto. Aquilo que antecede não determina mecanica- mente o que vem depois nem garante sua compreen- são. há como uma inversão do tempo e a história é tecida tal qual uma manta onde o avesso e o direito se interpenetram e se conformam forman- do. porque nós. acabam esquecidas. que nos falaram sem que nada perce- plam esses dois tempos: o tempo de ser e o tempo de bêssemos. "4 seu narrador e ao contá-la não pode deixar ao largo suas emoções. adormecidas. seus afetos. para mostrá-la imparcialmente. mostrando-o não apenas como um objeto.. despir-se de sua subjetividade. cia resgatando. uma vez que "as rugas e As lembranças e a vivência mostram a intercessão dobras do rosto são inscrições deixadas pelas gran- dos tempos exterior e interior. seu significado mais profundo e verdadeiro. por um breve momento. A história contada é como o vaso de argila que traz no seu corpo a marca da mão que o modelou. através de um novo olhar talvez se possa 29 28 . des paixões. A história passa a ser uma re/construção do tempo libertando as promessas que. os proprietários. completo. Nesse sentido. A compreensão histórica é. fecundada pela reminiscência. Abandonada a linearidade tempo- ral verifica-se que uma lembrança re/significada na atualidade pode esclarecer retrospectivamente o que se passou.. não estáva- contar. mosaicos multicoloridos. Na história se contem.Psicopedagogia Clínica A questão do conhecimento: do objetivo e do subjetivo do é sem limites pois torna-se a chave para a compre. pois se o homem faz a história ele também é mos em casa. e é essa marca que o torna possível. nesse movimento. re/viver as verdadeiras experiências de cada existên- ensão de tudo o que veio antes e poderá vir depois. E.

para aqueles que não aprendem ou não ensinam. daquele sujeito que. tornar-se psicótico. prazerosa. as fantasias e esperanças desse outro. Deve-se promover a aprendizagem plena. ao ser concebido. já é fruto do desejo do outro e que receberá junto com seu nome os sonhos. é. Aprender é condição característica e indispensável à sobrevivência da espécie humana. Sem ele o homem poderá desenvolver neuroses. seguir aprendendo pela vida. pois desejo vem da raiz sid que significa estrela. Mesmo assim. ainda hoje a educa- ção vem ignorando esse aspecto essencial ao ser huma- no. então. um ato de vida. como se para aprender pudéssemos prescindir do afeto. Seguir o desejo é pois seguir a estrela. erotizada pelo desejo de conhecer.Psicopedagogia Clínica Para uma Pedagogia do Afeto Para uma Pedagogia do Afeto O alimento ideal para o desenvolvimento do ser hu- mano é o afeto. sinalizados pela estrela interior de cada um. É como se a aprendizagem fosse algo restrito a sala de aula. como uma possibilidade para resgatar a função do desejo na aprendizagem mos- trando caminhos. esqueceu-se do par- ticular. Mas em nome de um sujeito epistêmico estudado por Piaget e adotado pela educação. do desejo. apresentar retardamento mental e até morrer. portanto. estar orientado. 30 31 . da emoção. A Psicanálise surge.

ao se considerar a questão da apren- vimento da razão6... buscando romper com a visão dições adversas. que tem garantido sua sobrevivência mesmo em con- tando equacionar. inconscientes. desloca-se da sala de aula e da relação cartesiana de mundo. embora Piaget tenha igno- rado a afetividade nos seus estudos. os estudo e a atuação dos tal e que fragmenta o homem em tantas partes que aca.Em compensação estou O Papel do Psicopedagogo persuadido que chegará o dia em que a psicologia das funções cognitivas e a psicanálise serão obrigadas a se fundir numa teoria geral que melhorará as duas corrigindo uma e outra. A Psicopedagogia. profissionais que pretendem compreender questões li- ba correndo o risco de não reconhecê-lo naquilo que lhe gadas à aprendizagem. Psicopedagogia Clínica O Papel do Psicopedagogo Porém.. "Os mecanismos especiais cesso ensino/aprendizagem. deve ser entendi- da como uma área interdisciplinar que pretende com- partilhar as reflexões.acredito que essas questões particulares relativas ao inconsciente cognitivo são paralelas as que levanta em psicanálise o funcionamen- to do inconsciente afetivo. O psicopedagogo não será. característica da cultura ociden. que a Psicanálise tem descoberto no estudo dos senti- mentos tem. portanto do que a reflexão sobre Pode-se pensar a Psicopedagogia como o espaço os aspectos subjetivos. e esse é o futuro que é conve. sua importância no desenvol. não de vida escolar. entretanto. Por outro lado. humana. aquele pro- fissional que acolhe recortes de diferentes teorias e 33 32 .5 da não está definido. neste contexto." dizagem como uma característica da espécie humana Razão e emoção. não deixou de con- siderar sua importância: ". pesquisas e atuação dos aspectos relacionados ao processo ensino/aprendizagem. Aprender torna-se ato de vida é específico: a própria humanidade. professor/aluno a reflexão. com efeito. Essa é a relação que estamos ten. Nada mais urgente. gogo. que interferem na para o qual convergem diferentes áreas do conhecimen- aprendizagem e cuja especificidade pode ser abarcada to cujo campo de atuação seria identificado pelo pro- pela Teoria Psicanalítica. Muito se tem discutido sobre o papel do psicopeda- niente prepararmos. sintoma de que o espaço da Psicopedagogia ain- ções que podem existir entre as duas. justiça seja feita.. mostrando desde agora as rela.

conta da diferença sexual. a uma nova disciplina. da Pedagogia e de tantas outras áreas de autuação teme transitar por outras áreas. portanto. Depende Muitas vezes caberá ao psicopedagogo apontar a de como e de onde se olha. da busca das respostas às indagações que se faz. a primeira proposta zir para sobreviver. da Medicina. da falta de algo pode-se mobilizar e partir em busca da satisfação. lher as diferentes contribuições da Linguística. percepção aos seus pacientes. não gia. ta dessa tarefa se puder fazer isso consigo mesmo. ainda. estabelecer parcerias. plenamente satisfei- tos até que Eva come do fruto da Árvore da Sabedoria Neste momento em que se discute a e dá a Adão o mesmo fruto. da Psicolo. mas será o que falta a aspecto. da A Psicopedagogia assume suas limitações e à partir Fonoaudiologia. Adão e Eva viviam no paraíso. o que equivale dizer da falta há que se fazer uma pausa para se resgatar a e são expulsos do paraíso. nem o professor particular. fecundante onde to. que pável e por isso mesmo passível de críticas e se cria. falta e a possibilidade de convivência saudável com essa Mas a questão da interdisciplinaridade acaba esbar. da Nutrição. o psicopedagogo deve reconhecer a função po- sitiva da ignorância na medida em que só a partir do re- conhecimento das limitações. mais cada um deles através de um processo de criação. nem o psicó- multiplicativa.7 Aqui 35 34 . deve aprender a conviver com a falta. Feliz daquele que pode reformulações.Psicopedagogia Clínica O Papel do Psicopedagogo constrói um novo Frankstein. crescer. talvez. numa perspectiva multiplicativa. territorialista. ultrapassá-las através da criação. Não será a Psicologia se pode fazer uma analogia entre esse mesmo mito. que prejudica essa possibilidade O psicopedagogo não será. o mais a Pedagogia numa relação aditiva que dará origem papel do psicopedagogo e a Psicopedagogia. como a divisão pode ser uma multiplicação. interdisciplinar que apresenta um corpo concreto. pal- É só à partir da tomada de consciência da falta. A partir daí precisam produ- Psicopedagogia como. se multiplicar como Adão e Eva expulsos do dos contribuem e aprendem. e ele só poderá dar con- rando numa característica humana exclusivista. a Psicopedagogia. Imediatamente eles se dão interdisciplinaridade nos meios acadêmicos do Brasil. Alicia Fernandez faz uma bela analogia entre o mito da Arvore da Sabedoria e a aprendizagem no seu livro: La sexualidad atrapada de la señorita maestra. conviver com suas limitações pois este sim poderá A Psicopedagogia cresce e se torna possível ao aco. das ausências. se constrói se produz. O psicopedagogo deve superar esses logo. Este é um exemplo de paraíso.

Psicopedagogia reeducativa Inicialmente. na época da ditadura naquele país. tal qual Adão e Eva o foram do paraíso. até por uma condição histórica.Psicopedagogia Clínica O Atendimento Psicopedagógico O Atendimento Psicopedagógico Já se contou a história da Psicopedagogia no Brasil muitas vezes e em muitos lugares. e não por ser menos relevante. A nova proposta só atuar na conformação do status quo. a Psicopedagogia no Brasil teve um caráter reeducativo. no sentido de se impedir a possibilidade de uma avaliação crítica das condições sociais. consequentemente. e da Psicopedagogia que aqui nascia. O papel do psicopedagogo. ela não será contada aqui. por isso. individuais. nova- mente. na validos valores questionáveis daquele contexto his- 37 36 . era eminentemente partidário. quando inúmeros profissionais da área foram expulsos de sua pátria. e aqui cresceram e se multiplicaram. adequação do sujeito às condições institucionais. Apenas como ilustração cabe lembrar que a Psicopedagogia chegou ao Brasil vinda da Argentina. institucionais e.

imprescindíveis para que se atenda ao pedido de se falar daquelas de ordem familiar. esses conteúdos poderiam interferir na aprendizagem. Para a com- prática da Psicopedagogia Reeducativa não suprimia o preensão destas tem se lançado mão. identificar "a" cau. que é nas relações e interações pelas quais ele vem passando que se consti- interação. relevante. na medida em que não se pretende es- tabelecer uma relação linear de causa/efeito. órica dos aspectos inconscientes envolvidos na apren- gua escrita reeducada fazia com que o problema rela. mas tenta ir além. o homem sempre buscou novos horizontes. igual ao iceberg. sa do problema. "aparecia" uma dificuldade na área da interfere na aprendizagem da mesma forma que inter- matemática. escolar. dizagem. de que se deve buscar os significados. o trabalho terapêutico. em Não se pode ignorar que o conteúdo inconsciente contrapartida. mesmo objeto. porém. da Psicanálise ou da Psicologia Analítica como base te- cimento. olhar este que vem de frágio. da mesma forma que Não se deve esperar. da caça aos culpados. cognitiva. Este é um ponto que dispensa controvérsias. Aqui se fala de aprendizagem plena por se acreditar Não se trata. inconscientes Das possíveis causas que se interrelacionam pode. cionado a língua escrita fosse suprimido mas. sintoma. Das diferentes instâncias aqui apon- regime da ditadura. ajuda daquele que busca o atendimento Psicopedagógico clínico. apenas o deslocava para outra área do conhe. a aprendizagem. Diante disso resgatou-se a importância das possíveis causas pois. Elas iniciam a partir Psicopedagogia Clínica dos estudos sobre quais aspectos e de que maneira.Psicopedagogia Clínica O Atendimento Psicopedagógico tórico/social. 38 39 . o sintoma é apenas a parte Esta proposta parece ser de uma riqueza inestimá- visível de um todo submerso. como uma rede. de ação/ E por se entender que é na história de vida do sujeito reação por se acreditar num processo dialético. a família e as relações aí estabelecidas tem um peso ança impedindo-a de aprender plenamente. mas da que alguma coisa a criança sempre aprende. um novo lugar e não se comenta com o aparente. tadas aquelas de ordem inconsciente parecem ser as Aliado ao término da ditadura percebeu-se que a que mais exigem do psicopedagogo clínico. Dessa forma uma dificuldade na área da lín. muito mais amplo e que vel pois faz com que se busque um novo olhar para o não pode ser ignorado sob o risco de provocar um nau. com o que aparece. quando. entretanto. inúmeras vezes. aprisiona a cri- rente. também no Brasil vivia-se sob o física e emocional. caso con- Possibilidade de compreensão dos aspectos trário não estaria viva. fere em todos os atos da vida de uma pessoa. de uma teia de possíveis causas tuem as causas das quais os sintomas são o aspecto apa- interrelacionadas que.

na medida em que tem acesso a esse tipo de movimento e suprimindo-se as possíveis causas promo- serviço nas instituições públicas. Psicopedagogia Clínica O Atendimento Psicopedagógico Cabe aqui um parêntese para que se esclareçam as. mes. mas com a possibili- to à clientela atendida pelo psicopedagogo clínico. Esta proposta exige um profundo conhecimento sas instituições na capital do Estado de São Paulo. toras destes problemas. Essa tem encampado seus profissionais à fim de atender à orientação parece ser eficaz também numa atuação em demanda. prevenir os possíveis que não se limita ao sintoma mas busca as causas deste problemas de aprendizagem de ordem reativa. sintoma. motoras da aprendizagem ou decorrentes dela. Psicopedagogia Institucional. Essa prática preventiva que não exclui o olhar clí. tem uma ligação muito estreita ao que comumente atuando junto a área de recursos humanos. teórico/prático das questões relacionadas a aprendi- mo no interior e no Sul do país. maneira esta Busca-se. na medida em que se observar como a rede orienta os pais e/ou filhos em relação às atitudes pro- pública de educação e. ída pela classe economicamente privilegiada. deixa de ser constitu. Desta forma sua prática tanto pode se dar no aqueles problemas que aparecem como reação a uma consultório particular. isto é. quando o psicopedagogo ação elitista. essa prática já é uma zagem tanto no seu aspecto sadio. pediatras e neurologistas. como na escola ou no hospital. Pareceria com profissionais da área da saúde. muito recentemente. Em diver. orientando. A ação preventiva também pode acontecer no âm- nico e a Psicopedagogia Clínica como uma área de atu. No nível empresarial encontramos o psicopedagogo nico. Esta dade de que estes venham a surgir. inadequação institucional. Ela é muito mais uma maneira bito institucional. reações e sintomas já instalados. E organizando e supervisionando as atividades de treina- o trabalho realizado pelo psicopedagogo junto às or. se intitula. quando se promove uma conscientização ampla do papel dos pais no desenvol- Psicopedagogia Preventiva vimento dos potenciais de seus filhos. bito da instituição familiar. através desta prática. Deve-se deixar de considerar o psicopedagogo clí. ganizações na adequação do conteúdo. merece esclarecimento diz respei. no Brasil. de olhar o processo ensino/aprendizagem. do planejamen- pectos importantes do atendimento clínico. da saúde. Aqui não se trabalha com as Outro ponto que. adiantando-se no clientela. patológico. A to da ação pedagógica propriamente dita. bem como Psicopedagogia Clínica não é uma prática confinada a das relações inter pessoais que se estabelecem no âm- consultórios particulares. como no seu lado realidade. 40 41 . mento em cada uma das etapas.

O atendimento psicopedagógico nesta linha considera: A . Este é um trabalho terapêutico. portanto.A família e. do atendimento psicopedagógico clínico.O paciente nos seus diversos contextos. tanto no nível de consultório como a nível institucional. 42 43 . não para prevenir. pois busca-se o pleno desenvolvimento da capacidade cognitiva do paciente. conforme já se colocou. Funda-se. seja de maneira indireta via paciente. B . que tem aí envolvi- dos inúmeros conteúdos inconscientes. nesse tripé.Psicopedagogia Clínica Etapas do Atendimento Psicopedagógico Etapas do Atendimento Psicopedagógico Vai se tratar aqui. C . e todo o trabalho passa por esses três níveis seja de forma direta. que poderá ser realizado. mas para curar. Como já se fa- lou no início deste trabalho o desejo é o combustível necessário e imprescindível para a mobilização do sis- tema cognitivo em direção ao objeto do conhecimento.A escola. de promoção da saú- de mental. biológico. afetivo e cognitivo.

o etc. Costuma-se dizer que nem todas as famílias aproveitamento escolar do aluno. um vez que as interações O diagnóstico psicopedagógico não implica apenas serão modificadas e esse movimento de desestruturação é. o pacien- paciente e de sua família de procurar ajuda. normalmente então. aperfeiçoar as técnicas de diagnóstico. do nível de adaptação e de terrupção. Não se pode desconsiderar. E o pedido te pediu ajuda. na aplicação e uso de provas e testes. cooperação por parte do paciente ou da sua fa. ou até mesmo da escola. da família. imaturo. do balho psicopedagógico provocando até mesmo sua in. Psicopedagogia Clínica Etapas do Atendimento Psicopedagógico O atendimento clínico começa com a iniciativa do Mas. de outro profissional ou mesmo mente. além das suas carac- conseguem manter um trabalho psicopedagógico. agitado. uma vez que se cons. mas exige outras inconscientemente. além de trabalho de provocando uma atitude defensiva que poderá se traduzir investigação. o psicopedagogo deve preocupar-se em Caberá ao psicopedagogo observar. entretanto. tem início o trabalho psicopedagógico que aqui muito vaga e imprecisa e que aparece nas falas "ele é desatento. previsto pelos seus integrantes medidas e técnicas de avaliação. sem que se esqueça que muitas vezes pode ser resumido ao diagnóstico por Mas a procura de ajuda não significa. damentada na reflexão de resultados práticos e de titui como o primeiro sinal que o paciente mostra da pesquisa. não no terísticas pessoais como. mas no seu aspecto emocional. necessaria. Assim. pecíficas. seus motivos e objetivos. solicitação da escola. buscou o psicopedagogo e. 44 45 . que qualquer alteração provocada no paci. apesar de todas essas considerações. à partir de que se caracteriza na forma de queixa. análise e síntese de dados úteis para o es- em diferentes reações que nem sempre deixam claros tado e a orientação de cada caso.. daquela família desempenhando um papel necessário Esta divisão em três momentos prende-se muito para o equilíbrio das interações aí estabelecidas. traduzir e neu. O Diagnóstico Psicopedagógico ente atingirá toda a família. mais às questões didáticas envolvidas neste texto do que A produção do sintoma pode ser considerada como a outras questões que possam ser levantadas e está fun- um aspecto saudável do processo. será considerado em três momentos: o diagnóstico. aptidões e capacidades es- seu aspecto financeiro. procedendo a tralizar essas reações que poderão comprometer o tra. inves-tigação sistemática do meio sócio-econômico. Deve-se considerar que. ambiente familiar. Não se pode determinar qualquer tipo de mília. necessidade de ser ajudado." atendimento e o processo de alta. trabalho sem que se tenha passado pelo diagnóstico e no contexto familiar o paciente ao produzir o sintoma só à partir daí pode ser colocado o atendimento cumpre com uma função reguladora dentro do script psicopedagógico como opção. preguiçoso. dispersivo..

prescritas diante de determinado diagnóstico. notas volvidos pela escola e/ou família. condições intercorrentes e outras.Conhecimento das causas usuais das dificul- o desenvolvimento "optimum" de cada um. bem mentos. devem servir apenas como pontos de referências auxili- 46 47 . e respeitar suas características pesso- ais. como dos diversos recursos disponíveis. pois ele dará segurança ao planejamento e C . poderíamos apontar fatores gem dos problemas e dificuldades do paciente. médias. do que a criança ao toma. ses mais importantes do trabalho pois se preocupa cons- tantemente com a análise das dificuldades de aprendi- Diagnóstico significa determinação de uma doença zagem dos desa-justamentos institucionais e com as pelos seus sintomas ou mediante exames diversos. B . O falhas do processo educativo. O termo diagnóstico é tomado da arte médica que a princípio procura localizar as causas dos sintomas físi. representa uma das fa- escolar e extra-escolar. Convém esclarecer que os exames. localizar. uma vez que sua principal função é a de facilitar A . D . dades mais frequentes. meios e processos técnicos com o objetivo de de aprendizagem como na adaptação escolar e ajusta. diagnosticar. físicos. avaliar e analisar as situações de aprendiza- mento pessoal do paciente.Capacidade de observação. ramente indicada na seguinte regra: antes de dosar e É preciso também pesquisar o problema real e não tratar. mais complexa. para que possam ser prevenidas fatores externos diretamente ligados ao meio ambiente e superadas. porém. Em consequência. relacionadas com as diversas capacidades e aptidões ligadas aos processos desen.Conhecimento satisfatório de medidas a serem cos e mentais. Etapas do Atendimento Psicopedagógico Define-se o momento do diagnóstico como uma eta. determinada dificuldade de aprendizagem. deter- de ordem interna. não de pronto observáveis. uma vez que grande Portanto. o diagnóstico consiste na utilização de re- variedade de fatores entra em jogo. zagem é. Quando se trata de ensi- objetivo do diagnóstico é. experiência sufi- pa fundamental no trabalho psicopedagógico cuja ciente. tanto no processo cursos. O ensino deve atender às diferenças indivi- Um diagnóstico bem sucedido e eficaz pressupõe: uais dos alunos. a ordem dos acontecimentos será cla. portanto. a fim de prescrever os respectivos trata. Pode-se dizer que causas conhecidas. o estabelecimento no/aprendizagem é preciso sempre lembrar que é mais das causas que estariam provocando determinado sin. bem nítida a diferença entre os sintomas e as causas. emocionais e minando suas causas. processo. Portanto. somente aquele apresentado pelo indivíduo fazendo-se A situação do diagnóstico no processo de aprendi. lógico adaptar o processo à criança. além de treinamento seguro para interpretar importância está muito mais relacionada ao normas de comportamento e atitudes como efeito de psicopedagogo do que ao paciente.Métodos adequados que possibilitem pesquisar atuação do terapeuta. intelectuais. o diagnóstico serve ao psicopedagogo e a ninguém mais.

anticonvulsivo em determinada época. institucional.. Cabe aqui. que poderá ser. duas considerações importan- tal adequado que será explorado mais adiante.. Identificado o sintoma. como se o cordão umbilical ainda não tivesse sido confundir a queixa com o sintoma na medida em que a cortado. O psicopedagogo. entretanto. entrevista com os pais do paciente para torná-los cien- e/ou de visão. de caráter feiçoado. dificultando o desenvolvimento cognitivo e afetivo do paciente. etc. algo relacionado à língua escrita. Numa lin- 4 8 4 9 . A primeira diz respeito à necessidade de uma nova perceber a necessidade de solicitar exames de audição. exatamente no Em relação a devolutiva deve-se ter claro que período de estruturação da função semiótica. o sintoma. do sintoma. poderá tes. Ao mesmo tempo.Psicopedagogia Clínica Etapas do Atendimento Psicopedagógico ares do diagnóstico e não como instrumento de aferi. Aqui o trabalho E claro que nada é estanque e cristalizado. Trata-se da entre- vida desta criança descobre-se que tomou vista devolutiva e do contrato de tratamento. nes- te caso. a relação com a mãe mostra que o vín- ção infalível. da dificuldade de apren- lho. e o pro- versas hipóteses. e. ter em mente que o conhecimento que o psicopedagogo No exemplo em questão. por exemplo. aper- caráter inconsciente e outras ainda. através de instrumen. passa-se à segunda programa de trabalho para superação das causas etapa do diagnóstico que é o levantamento das possí. veis causas que provocam o sintoma. escola. pois uma deficiência nessa área provo. ou as causas. algumas de caráter físico outras de grama estabelecido poderá então ser revisto. segmentação incor- A partir deste ponto pode-se construir um reta. o a ser considerado será o paciente. refinado. culo estabelecido entre mãe e filho não foi ainda rom- sário primeiramente identificar o sintoma. Verificadas cada uma destas hipóteses se estabele- Quando uma mãe fala sobre a desatenção do seu fi- ce. Deve-se será levantar as hipóteses para então verificá-las. Além disso. sobre como ele é agitado e "por isso vai mal na dizagem que neste caso poderiam ser problemas de escola" cabe ao terapeuta identificar através de outras estabelecimento de vínculo e de desenvolvimento da correlações. Tratamento união indevida entre as palavras. es dos resultados encontrados e para o estabelecimento caria esses sintoma. pela história de das regras do trabalho terapêutico. então. entrevista na função semiótica. terá durante o trabalho será ampliado. conse-quentemente. queixa apenas aponta a direção do sintoma. podem ser levantadas di. Não se pode pido. Para alcançar o objetivo proposto é neces. análise do material escolar. a causa. testes diversos.

na fantasia desses proposta de trabalho oferecida pelo terapeuta. do tem. dido com o seu próprio pai. da mesma maneira que uma técnica desenvolvida pelo terapeuta para que não deverá conquistar sua confiança não expondo suas opi. Este contrário de todos os "psi" pois. estará fadado inevitavelmente conscientes sem desenvolver o sentimento de culpa. é difícil ouvir um terapêutico para os pais. pais e paciente. tem dificuldade em aceitar a aprendizagem de seu pais e professores e de seu objetivo. Isto deverá estar claro para todos por para orientação de como encaminhar a entrevista uma questão ética. Se nicos que nada explicam. de maneira geral. sência de ameaça que o professor particular exerce ao do de incluir o paciente nas decisões possíveis. muito mais próximo de um professor particular po previsto para esse trabalho. normalmen- deverá ser informado. Essa resistência demanda uma percepção apurada e der nada importante do paciente. 50 51 . de maneira clara. pais. dos dias e horários pos. rotineiro se levante qualquer dúvida sobre o equilíbrio emocio- e discreto. É interes- niões e emoções registrados nos trabalhos executados sante no início da carreira contar com uma supervisão durante as sessões. con- desagradar aquele pai que. inclusive. Será necessário considerar o o psicopedagogo não conseguir separar suas questões quanto estes pais poderão ouvir sobre as questões in- das questões do paciente. O terapeuta deverá ter a sensibilidade de não escon. mas tendo-se o cuida. importante desculpabilizar esses pais e perceber o quanto ele querem e podem saber. por exemplo. se a mãe. devolutiva. isto é. inconscientemente confun- siderar o quanto eles serão capazes de ouvir. altamente qualificado. não quer ouvir determina- neste momento. não admite que cipante de todo o processo. E ao fracasso. Tendo colocado enfim. o plano do trabalho Para os pais. para confundi-lo com um psicólogo e isso causa enorme sucesso da empreitada e qual é a contribuição do confusão. torna-se necessário deixar psicopedagogo falar sobre os aspectos afetivos sem muito claro o que se espera deles.Psicopedagogia Clínica Etapas do Atendimento Psicopedagógico guagem adequada ele deverá tomar conhecimento da o papel do psicopedagogo que fica. síveis de atendimento. na grande parte das vezes. Essa aproximação geralmente é explicada pela au- sem explicações desnecessárias. tornando-o parti. Só com a supervisão o psicopedagogo po- derá perceber e trabalhar. explicações detalhadas ou termos téc- das questões relacionadas ao problema de seu filho. de maneira geral o diagnós- tico e prognóstico. Não cabe. filho. o pai. nal de qualquer um dos membros da família. Essa conversa poderá ser reali- zada ao final do diagnóstico. de modo simples. breve. o seu medo de Na devolutiva com os pais deve-se. perca seu paciente nessa etapa do trabalho. das entrevistas com te. principalmente porque não é claro para eles Psicopedagogo. igualmente.

Psicopedagogia Clínica Etapas do Atendimento Psicopedagógico

Alguns pontos são fundamentais no estabeleci- A experiência tem mostrado que o trabalho
mento do contrato: dia, hora, local e duração de cada psicopedagógico realizado ao mesmo tempo que o tra-
sessão, consequências de faltas, de não atendimento às balho psicoterapeutico demanda um tempo muito maior
recomendações e solicitações do terapeuta, tempo pre- para o aparecimento de resultados. Isto poderia ser par-
visto para o término do trabalho. Este último item é cialmente explicado pelo fato de que a energia afetiva
fundamental no sentido de que o trabalho do paciente estaria circulando em dois vetores distin-
psicopedagógico demanda certa urgência de resultados, tos, um para o passado e outro para o futuro. No traba-
visto que o retardamento de certas aprendizagens po- lho psicoterapeutico, como diz Sara Pain, se não é
derá comprometer o desenvolvimento do paciente, pro- possível avançar, então se regride até o ponto onde for
duzindo determinações muitas vezes irrecuperáveis. possível reabastecer-se. Em relação a aprendizagem o
De uma maneira geral pode-se afirmar que um tra- problema a ser resolvido estará voltado para o futuro.
balho psicopedagógico clínico particular levará dezoito
Não se trata, entretanto, do que é melhor ou pior para
meses para entrar em processo de alta e a avaliação
a criança, mas de se estabelecer prioridades. Algumas
diagnostica 6 a 8 sessões. No caso de clientela do ser-
vezes poderá ser necessário primeiro um trabalho
viço público, este tempo cai para doze meses e 5 a 6
psicoterapeutico para que a criança se fortaleça emoci-
sessões respectivamente. Isto se explica, em parte,
onalmente e então, só depois, enfrentar um trabalho
pelas inúmeras resistências desenvolvidas pela classe
psicopedagógico.
de maior poder aquisitivo. As questões ficam muito
mais encobertas, disfarçadas e exigem muito mais su- Cabe ao psicopedagogo concluir pela necessidade ou
tileza e perspicácia por parte do terapeuta do que na cri- não de outros tipos de atendimento e para isso ele deve
ança economicamente carente. ter bem estabelecido seu papel e função enquanto
Um outro ponto que deverá ser explicitado no con- terapeuta à fim de não assumir responsabilidades que
trato diz respeito à questão financeira. E claro que este não poderá dar conta por falta de conhecimento,
aspecto não será discutido no atendimento público, formação ou capacidade técnica.
apenas no serviço privado. Da mesma forma a presença do professor
Cabe ainda esclarecimentos relacionados ao atendi- particular ou do reforço deverá ser evitada, sempre que
mento durante as férias escolares e a não recomenda- possível, uma vez que se está buscando promover a
ção de outros trabalhos con-comitantes como, por índependência e auto-valorização do paciente,
exemplo, a psicoterapia e aulas particulares. mostrando o quanto ele sabe e pode.

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Psicopedagogia Clínica Diagnostico Psicopedagógico

Alta
O processo de alta deverá ser cuidadosamente pla-
nejado à partir do momento em que houver consenso
entre psicopedagogo, escola, família e paciente de que
este último já apresenta condições de resolver sozinho Diagnóstico Psicopedagógico
suas questões cognitivas e emocionais. Isso não signi-
fica que todas as causas tenham sido sanadas e os sin-
tomas desaparecido, mas que o paciente, único que Diante das questões colocadas anteriormente, deve-
pode resolver essas questões, já encontrou o caminho se construir um novo olhar para as dificuldades de
e está suficientemente fortalecido para superar suas aprendizagem, a mirada psico pedagógica. Essa mira-
dificuldades. da pressupõe além do observável, o contexto em que ela
apareceu.
Já se falou anteriormente que estaremos buscando o
interjogo entre cognição e afetividade nos casos de pro-
blemas de aprendizagem sintomáticos.
Por conta disso estaremos considerando, a seguir,
ambas as questões separadamente apenas por questões
de ordem didática.
Posteriormente os pressupostos teóricos que
embasam a prática proposta, poderão ser identificados,
principalmente na análise do caso clínico apresentado.

Aspectos Afetivos
Toda relação está permeada de afetos e a dinâmica
inconsciente exerce um papel preponderante no com-
portamento manifesto. De que maneira poderemos en-
tender os amores e os ódios que alguns professores

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Psicopedagogia Clínica

despertam em certos alunos? E como explicar que es- da relação, pode manter os dois, paciente
tes sentimentos podem estar presentes apenas em alguns e psicopedagogo, com o olhar voltado apenas
alunos e em outros não? para si perdendo de vista o conhecimento.
Um dos conceitos fundamentais para a análise do Essa relação simbiótica reproduz a relação do bebê
processo ensino/aprendizagem sob o referencial teóri- sua mãe, quando o primeiro encontra no seio materno
co da Psicanálise é o campo transferencial. a fonte primeira de alimento, de onde vem a possi-
bilidade de aliviar o desconforto e a angústia, e quan-
Para Freud toda relação inter pessoal que desenvol- do a segunda permanece fascinada pelo bebê. Há um
vemos em nossa vida está calcada na relação que esta- certo período em que a relação adulto-bebê é simbiótica
belecemos com nossos pais, no início de nossa existên- e é importante que assim o seja pois desta forma se es-
cia. Os afetos pertencentes a essa relação primeira são tabelecem esquemas circulares primários, isto é, estabe-
transferidos para as relações presentes, com outras pes- lecem-se condições da criança perceber e responder a al-
soas, de maneira inconsciente. Essa transferência de guns estímulos porque os faz entrar em sua circularidade
afetos provoca uma resposta, uma reação também in- confundindo-se com a mãe.
consciente, por parte do outro; é a contra transferência,
elo necessário para o estabelecimento do campo Quando a criança fala má-má-má... não está imitan-
transferencial, campo comum onde fluem os afetos. do a mãe mas, segundo Sara Pain, está criando condi-
ções de um dia dizer mamãe. Esta seria a utilidade da
Apenas quando se estabelece este campo acontece simbiose.
uma relação. Porém, mesmo sendo imprescindível ao
estabelecimento dessa relação, a maneira como este Mas para que a criança chegue a dizer mamãe, esta
campo é mantido determina o sucesso ou fracasso da simbiose precisa ser superada pois o objeto do conhe-
aprendizagem, isto é, a socialização ou não do conhe- cimento precisa entrar como um objeto próprio. O mes-
cimento. mo se dá na relação paciente-psicopedagogo: para que
ocorra o aprendizado é necessário que se introduza o
A posição ocupada pelo psicopedagogo como a au- conhecimento nessa relação.
toridade que detém o conhecimento, favorece a trans-
ferência do paciente que vê, na sua pessoa, aquele que Da mesma maneira que a mãe desloca seu olhar do
provê, que alimenta e satisfaz seus desejos tal qual seus bebê, introduzindo um terceiro elemento, o pai, nessa
pais o fizeram. relação dual, primária, demonstrando o interesse por
outra coisa que não seu filho, é necessário a entrada de
A contra transferência, reação inconsciente do
um terceiro objeto para que a aprendizagem circule.
psicopedagogo, embora necessária ao estabelecimento

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Psicopedagogia Clínica

O interesse é justamente o encontro neste terceiro Diagnóstico Psicopedagógico
objeto por intermédio de alguém com o qual a criança tenha
uma forte ligação afetiva. tivesse integrada a esse corpo, como antes do nascimento É
quando a criança, ajudada pela mãe, conse-
Na relação ensinante/aprendente o psicopedagogo
que de desprender do corpo materno, nesse hiato formado entre
deverá, portanto, sair desse campo transferencial, desviar
a mãe e a criança, que se estabelece a cognição. Aparece a
seu olhar do paciente e deslocar o olhar deste de si para
diferenciação objetal com o começo da estruturação do ego; a
colocá-los em outro ponto, em outro objeto. E será neste
terceiro objeto, o conhecimento, que paciente e criança se separa do objeto e a partir daí poderá investir
psicopedagogo poderão se encontrar. afetivamente no conhecimento desse objeto de forma
diferenciada.
Agindo assim o psicopedagogo estará evitando que se
configure a sedução nesta relação, uma relação de A identificação é o laço emocional mais básico que se
autoridade. O paciente ao identificar o psicopedagogo com estabelece, então, entre a criança e seus pais. A criança toma o
seu pai submete-se a ele, não pela sua competência, mas outro como modelo desejando ser igual e substitui-lo em tudo.
tentando corresponder às expectativas deste, uma troca Os pais passam a objeto sexual, culminando com o complexo de
afetiva sem a mediação do conhecimento. A sedução implica Édipo. A criança percebe a impossibilidade dessa realização,
no embotamento da capacidade crítica, pois a crítica pode substituir o pai, e investe todo o seu desejo em ser como ele e se
implicar na perda do amor, e na impossibilidade do apropriar de seu mundo, mundo mediado pelo conhecimento. É o
paciente se constituir num ser autónomo. desejo da criança de penetrar naquilo que ela considera propriedade
O psicopedagogo garantirá a aprendizagem na medida dos adultos que torna possível a concentração e a energia
em que deslocar o olhar do paciente de si (transferência), necessária para poder aprender.
para o conteúdo. Para isso deve investir sua paixão neste
Mas a aprendizagem deve estar imbuída de sentido para que a
conteúdo lançando para ele seu olhar, mostrando assim o
criança se debruce sobre ela, deve ser plena significados, tanto
caminho para aprender.
para o ensinante como para o aprendente. A criança, assim como
Como entender todo o investimento afetivo que a o adulto, aprende para encontrar um significado naquilo que está
criança realiza, todo o desejo investido no ato de aprender, aprendendo e, nesse sentido, o fácil e o difícil podem ser de-
deslocando seu olhar para este terceiro objeto, o terminados pela dificuldade de se encontrar esse signi-ficado, que
conhecimento?
está sempre muito próximo das vivências e dos conflitos do
A criança no início de sua vida não se percebe dife- indivíduo.
renciada do corpo materno. Para ela é como se ainda

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que favo- por mais que tudo isto possa estar fora daquilo que se reçam a identificação da modalidade de aprendizagem considera normal. classificar. ele se abre para parável ao crescimento orgânico: como este. tação dos fenômenos analisados. sente verdadeiramente compreendido e (mais importan. etc. que o equilíbrio dos sen- determinadas aprendizagens. uma visão tomando as perspectivas das coisas que o paciente tem. Segundo Piaget o desenvolvimento psíquico. Posteriormente faremos uma rápida análise des- nificados muitas vezes profundos. é fácil se opor a instabilidade e a incoerên- da pressupõe além do observável. ordenar. Da mesma maneira do mundo faz8. paz de ver o mundo através dos olhos de seu paciente. Quando se faz isso e o paciente se do paciente. final- crever é necessário seriar. Segundo Bettelheim. a aprendizagem deve ser olhada uma destas habilidades mentais por pressupô-las conhe- pelo outro como um ato de expressão revestido de sig. conser. também a terão algo de novo para aprender e seus olhares então vida mental pode ser concebida como evoluindo numa se encontrarão neste terceiro objeto: o conhecimento. do ponto de vista da aprendizagem. Essa mira.Psicopedagogia Clínica Diagnóstico Psicopedagógico Da mesma forma. seria uma equilibração Diante das questões colocadas anteriormente. Aspectos Cognitivos O desenvolvimento. No campo da vida Sabe-se que existe uma série de pré-requisitos para afetiva notou-se muitas vezes. idéias de raciocínio do adulto. Neste sentido resgata-se. "É um princípio psica. o contexto em que ela cia relativas às idéias infantis à sistematização das apareceu. Assim. 60 61 . portanto. forma ou na direção de uma forma de equilíbrio final representada pelo espírito absoluto. tões afetivas. é com- te ainda) apreciado e aceito. para que se aprenda a es. cidas. E. fecundando-as uma na outra dando volvida. construtivista da aquisição do conhecimento. timentos aumenta com a idade cronológica. psicopedagogo e paciente crescimento e pela maturidade dos órgãos. mente também as relações sociais obedecem à mesma var. que um corpo está em evolução até atingir um nível relativamente estável. alguns pressupostos considerando válidos os sentimentos e as suas ações. inteligência. oportunidade para o surgimento de uma nova interpre- nalítico que o psicanalista deve estar pronto a ser ca. Não se pretende analisar ou conceituar cada lei de estabilização gradual. para o equilíbrio. a mirada psico-pedagógica. deve. experenciar as coisas e responder a elas como o resto essencialmente. aqui. e não simplesmente tas questões de ordem cognitiva resgatando-se as ques- como uma habilidade mecânica que deverá ser desen. orienta-se. teóricos da Epistemologia Genética. caracterizado pela conclusão do Ao adotar essa atitude. contínua de um estado maior de equilíbrio para um es- se construir um novo olhar para as dificuldades de tado de equilíbrio superior.

quanto mais estáveis. intima. ções para que possa ser incorporado e. segundo Piaget. nas mentes sadias. é composta por um o sujeito possua um sistema cognitivo capaz de conjunto de esquemas. isto é. isto é. muitas Ele identifica três níveis no processo de equilibração: comparações perceptivas são também regidas por esta mesma lei. mais haverá mo. respeitando o dinamismo inerente à re. que são mapas de ação. desequilibração e acomodação estão presentes nestas lógico mas não hereditário. 3) Na interação entre os subsistemas e a totalidade. na possibilidade de assimilação do objeto. assimilação. em diferentes níveis a reequilibração é a busca da de estruturas que supõe um conjunto de elementos que eliminação das contradições e insuficiências. do qual o sujeito assimila o objeto às suas estruturas. seguem uma curva aná. Essa interação implica da mente. de tal modo que. diminuindo em seguida. equilíbrio atingida pelo crescimento orgânico é mais O conhecimento para Piaget é um processo basea- estática que aquela para o qual tende o desenvolvimento do na interação sujeito-objeto. o fim do crescimen- to não determina de modo algum o começo da deca. por exemplo. dessa relação não resultam elemen. atinge um máxi. ininterruptamente através de ciclos com as caracterís- cial entre a vida do corpo e da mente. mas sim autorização do progresso mental. integram. dência. A acuidade visual. do estado dos órgãos. tipos de ações e conteúdo que os modificam alidade mental deve ser ressaltada uma diferença essen. Esse sistema é composto por um conjunto to. conjunto de esquemas. às estrutu- concluída a evolução ascendente. A forma final do ticas já mencionadas. automaticamente uma evolução regressiva que assimilação. e sobretudo mais instável. teligência e da afetividade tendem a um "equilíbrio 2) Nas interações entre os esquemas. Piaget refere-se a um sistema cognitivo interno bio. pelo qual o objeto de conhecimento sofre transforma- Certas funções psíquicas que dependem. processo pelo qual o organismo que incorpora o ob- loga. se relacionam de uma maneira estável. logo em se- ras que por sua vez se modificam sem o que não há a guida. que se móvel". essa relação é constante e dos quais o sujeito reage ou se antecipa a uma uma estrutura não precisa de outra para regulá-la. constituído enquanto uma três etapas do processo de construção do conhecimen- totalidade. que só é possível de acontecer desde que Uma estrutura. por meio assimilar o objeto enquanto perturbador. sistema cognitivo. Diagnóstico Psicopedagógico Psicopedagogia Clínica Essa composição. as funções superiores da in. jeto de conhecimento se transforma. E interessante observar que interação. majorante as regulações e compensações através tos estranhos ao conjunto. acomodação o mente. bilidade. 1) Na assimilação do objeto aos esquemas de ação. pois. perturbação. 62 63 . possibilita diferentes No entanto. Piaget considera assimilação o processo conduz à velhice. começa. mo no fim da infância. Ao contrário. móvel e parte dos processos de equilibração autoregulada. conjunto de estruturas.

Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Uma regulação pressupõe um regulador que no caso é a própria estrutura cognitiva enquanto totalidade e que impõe a todo o processo de equilibração a conservação desta totalidade. hiperacomodativa ou hiperassimilativa. É importante colocar que a primeira destas clínicas. E crêem um pouco na utopia. funciona integrada ao Centro de Saú- 64 65 . hipo-assimilativa. então.Logo mais se calam. Psicopedagógico O desequilíbrio entre eles caracterizaria um proble- ma de aprendizagem. . que fingindo vão Guiar nosso passeio errante . no atendimento aos pacientes encaminhados às Clínicas Psicopedagógicas Universitárias que dão suporte aos cursos em questão. Nossos remos são manejados Sem perícia.iniciada em 1991.. O processo de aprendizagem pressu- põe. de súbito. um equilíbrio entre seus dois vetores: Instrumental para Diagnóstico assimilação e acomodação. E vão seguindo em fantasia A viagem-sonho da heroína No país de assombro e magia Em alegre charla com os bichos. (As aventuras de Alice no País das Maravilhas) Estaremos apresentando a seguir uma bateria de testes cuja técnica foi aperfeiçoada. Deslizamos vagarosamente. à partir das já existentes. uma moda- lidade hipoacomodativa. ocasionando. No verão. na tarde de ouro.. no sol ardente: Mãos gentis. portanto. juntamente com alunos e professores dos cursos sob minha coordenação.

(Fernandez. portanto excelente campo para a seguir. discurso indicarão.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico de Escola da Faculdade de Medicina. esse discurso. e da família. Através da reconstrução dessa história. As fraturas do Neste Centro de Saúde são realizados 8. Não se deve perder de vista que muitos acontecimentos relatados são Não estamos dizendo que a Psicopedagogia é um falsas lembranças. para mim. contando com o prender o dado e o significado que ele contém através apoio do Hospital Universitário e equipe interdis. e para tanto deve Psicopedagogia Clínica. A história de vida do paciente tem sido. discussão O relato dos dados circunstanciais do período pré- natal deverá conter informações sobre as condições de e sistematização de determinados processos. Esta metodologia oferecerá neonatais. de como é relatado e do que é ocultado. mas ciplinar. gem. nas objetivas. a expectativa do casal. Não se trata de informações ape- Psicopedagogia Clínica. mas também informa que o nome de processo de instalação das dificuldades de aprendiza. preferencialmente pai e mãe. pesquisa e sistematização de determinados processos. como casal e separa- indo para a definição de uma metodologia da damente. suas fraturas. Rafaela para a filha que nasceu deriva de Rafael. 1990) quisa que se inicia. Psicopedagogia Clínica carece de uma metodologia Dois momentos importantes deverão ser consi- construída à partir do referencial teórico que a sustenta derados: nesta etapa as circunstâncias pré-natais e alicerçada na sua prática. não só do que é relatado. O terapeuta deve construir sua escuta para essa "O importante não é o dado em si mas o sentimen. pois só assim conseguirá perceber to e a significação outorgada ao mesmo ". legitimidade à Psicopedagogia Clínica que até então tem emprestado instrumentos de outras áreas. Elas indicarão a direção a seguir na pes- Alicia. contribu- gestação. o espaço acadêmico tem sido extre- mamente proveitoso para a análise. busca-se nome escolhido por ela para o bebê esperado. temos um dado 66 67 . Quando uma mãe diz que não teve preferência pelo um dos principais instrumentos para a compreensão do sexo do bebê. que se baseiam apenas no desejo do método mas que a Psicopedagogia e principalmente a que deveria ter sido e não na realidade dos fatos. do discurso e da análise. o caminho dimentos/mês sendo.000 aten. nesses instantes iniciais. mas de toda a carga afetiva que vem junto com o dado ob- Anamnese jetivo. Cabe ao psicopedagogo conduzir a entrevista com contribuindo para a definição de uma metodologia da os pais. embora estas sejam fundamentais. Da Gestação ao Nascimento Por conta disto. fala. ter claro os objetivos que pretende alcançar. reflexão.

O trabalho com a disso. Uma mãe mãe como filho. atendimento. muitas vezes revelam As trocas e omissões na escrita mostravam a angús- dados importantíssimos. do uma possibilidade de atuação terapêutica. e de expressão em do o que foi idealizado para outro e por outro. visto que o pai verdadeiro falecera logo não escolhe o nome de Rafael se não tiver escolhido já. essa informação estaria indican. Determinada família compreenção das causas desse atendimento constituída num segundo casamento por pai. mudar e omitir as letras do sobrenome. sofriam de gagueira. inconsciente. Compreender as expec. mas como possibilidade de com. integrante desta nova estrutura familiar. trocar de papel assumin. Além geral. não como paciente. transferia esse nascido de pais não casados. toma: a troca de papéis. ciente era Silva. Além disso constatou-se que o padras- preensão da gênese do processo de instalação do sin. quem que possuíam o sobrenome Silveira a gagueira. ou que se casam novamen. era Silveira e do pa- claro anteriormente. casada pela segunda vez. ou não. bem como os três irmãos deste. tinha uma das crianças com o trabalho realizado que culminou com alta do sobrenome do primeiro marido da mãe. dicar o papel que essa mãe destinou à filha e faz pen. Uma das alunas do curso de Pós — Se o sintoma apresentado por Rafaela fosse troca graduação em Psicopedagogia Clínica assumiu o de letras na escrita. desejo para outras palavras. escrita. inclusive numa relação causa/efeito linear como já se deixou da mãe. Muitos filhos. após seu nascimento. Esse foi o caminho. troca e omissão de letras.mas como sobrenome e mesmo tendo sido acolhido pelo novo elemento importante no processo de cura da criança marido de sua 68 669 . Esse menino foi encaminhado por dificuldades de sar como esta poderia. Dos quatro paciente num bonito trabalho e que incluiu elementos desta família apenas ele possuía outro também a família. ele não se percebia como parte o sexo do filho. Já que não podia O mesmo peso tem o sobrenome. te e constituem novas famílias. A escolha do sexo masculino pode in. pois gaguejava ao falar.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico objetivo que vem carregado de subjetividade. sob supervisão semanal. mãe e específico e auxiliaram no estabelecimento do dois filhos homens. que a criança encon- A importância da escolha do nome é um fator que trou para sentir-se membro integrante dessa família: não deve ser desconsiderado. podem não elaborar Outros dados foram importantes para a saudavelmente essa situação. não Verificou-se que o sobrenome da família. Psicopedagógico. tia da falta. to. escolheu esse nome e porque. angústia da castração. Rafael é nome de anjo e pode-se imaginar que fonoaudióloga não havia apresentado os resultados es- este seria um dos papéis destinado à criança por esta perados e foi então encaminhado para Atendimento mãe. exibir a característica específica do padrasto e dos tios tativas que a criança recebe junto com seu nome.

respondida ou. pela falta de experiência.O questionário assume o papel principal da ses provocada. que a criança. perdendo-se parecem fáceis de serem localizados e os alunos se a chance de resgatar o espaço para a pergunta. Muitas vezes.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Outras questões importantes devem ser respondidas. específico durante a gravidez. Mas estaria longe da seguran. ou melhor. nenhuma destas faltas será preenchida por questão a ser respondida. Na supervisão foi perguntado à alu- estabelecendo um roteiro claro e objetivo anexando-o na o que ela queria saber com essa pergunta. não se tem clareza de qual questão está sendo ao conhecimento: conhecimento do outro e de si mesmo. mas não sabia para que lhe serviria essa informação. ela por cada um ao entrar em contato com a "falta" e as. Durante a gravidez. lho: a busca do conhecimento. Ela respondeu que comia Seria simples relacionar aqui uma série de perguntas muíta alcachofra. e pode ser maçante responder a um enorme ques- guntas a serem respondidas pelos pais. saber o que fazer com a resposta. substituído pela necessidade de se preencher respondeu que foi normal. pela falta de padrões. pela falta são: a mãe. Ao ser perguntada sobre próprio significado da anamnese Psicopedagógica esta como foi período de gestação. ficam evidentes diversos pontos: Compreende-se a angústia sentida pelos alunos 1º . Quantidade não significa qualidade nem toda infor- Muitos alunos iniciam a Anamnese baseados em mação gera conhecimento. de individualidades e especificídades ficam ocultos. durante a principais funções da Psicopedagogia.Quando se faz uma pergunta é porque se tem uma Entretanto. aceitar a que poderiam recuperar o significado do "dito" pois o resposta sem compreendê-la. levantar alguma ça. garantias de acertos. Esses modelos tionário sem sentido para os envolvidos. o paciente e a Psicopedagoga. Dessa experiência. um paciente se ela sentia desejo por algum 70 71 . Ela não soube dizer. também não se deve 3º . que correu tudo bem e um questionário. de certezas. no que a ao corpo deste trabalho. supervisão. construir a ferramenta do seu próprio traba. o que se es Se por um lado pouca valia tem perguntar sem se pera descobrir com esta pergunta. fizera essa pergunta a mãe. todos. em parte. dito com outras palavras. ao se usar um uma (ou muitas) folhas cheias de perguntas que não levam modelo. devem ser conquistadas zido pelo paciente. resposta poderia orientar seu trabalho. uma das empenham nesta tarefa. porque constava do roteiro sim criar. 2º . hipótese sobre as possíveis causas do sintoma produ- dem ser outorgadas por outro. pois elas não po. nas suas de um script. O tempo é precioso para questionários com inúmeras páginas e dezenas de per. ela só teve Exemplificando: uma das alunas perguntou à mãe de probleminhas normais de mulher grávida. nasceu de parto normal no prazo previsto. a mãe de um paciente escondido. o pai. uma menina. clareza e objetividade desejadas.As alunas não conseguem responder às questões ao fazer uma pergunta significativa.

Muitas vezes a mãe trans- para ser normal precisa ter problemas? E a criança. terceiro elemento dessa relação. Caberá ao Psicopedagogo atuar como o Uma observação tão breve. espaço para a reflexão. onde as individualidades não fiquem ocultas. que se mostra o oculto. financeira? Mulher grávida a história de vida do paciente. até mesmo porque ela aconte- ter problemas para ser normal? Ou para ser mulher? ceu realmente. muitas vezes. não foi suficientemente bom para ele? Ele se re- dem ser substituídas por nenhum questionário pré — cusava a mamar no peito? Recusou o que ela tinha para fabricado. mas. nesse ponto da Anamnese diz respeito à amamentação cia Fernandez. 72 73 . onde lento? Até quando foi alimentado por alguém? a surpresa e o inesperado possam estabelecer. Por que. que devem ser ouvidas. avós? Era guloso ou mente. analisadas. onde a subjetividade não fique omitida. repleta de significados. tou seu filho e por quanto tempo. Muitas mães. também dever numa simbiose normal. mas possivelmente. gravidez e normalida. do bebê. mas como foi essa ente. dando comida na boca até 7. quase escondi. São essas "fraturas" do discurso. flexível. num ou. é aí que fala o inconsci. onde exista espaço não só para a pergunta. pela mãe. 8 anos de idade mostrado. Um roteiro. emocional. fruto fere muito da sua própria história para a da criança dessa "mulher grávida com problemas". Cabe ao Psicopedagogo preparar-se para a lhe oferecer? Foi prazeroso amamentar? Foi doloroso? Anamnese. foi significada? Ela teve algo de bom para hipótese. apontando para a ne- da num relato que pretendeu mostrar uma gestação cessidade desse diferenciar mãe/filho sempre que assim normal. com. A questão inicial e mais importante. O início de uma outra história "probleminhas normais de mulher grávida" a mãe se referia. Após o nascimento pode-se dizer que se inicia ou- de incluía problemas para a mulher? Problemas de que tro momento da Anamnese onde se pretende reconstruir ordem? Física. para essa mãe. Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Na supervisão a aluna não soube explicar a quais Nasceu. onde tudo correu bem. que se alinhava uma experiência. bebê. Não interessa saber apenas se a mãe amamen- preendidas pois. com a desculpa de que a criança come tro momento. pai. como coloca Ali. ligeira. mas Como foi? Ele gostava de doce ou salgado? Demorou para a resposta que poderá levar a outras perguntas que a iniciar esse tipo de alimentação? Como e por quem poderão levar a outras respostas e assim sucessiva- foi alimentado. dar ao seu bebê (o leite)? O que ela teve para dar ao seu Essa escrita e essa mirada Psicopedagógica não po. o desejo de se muito devagar ou não "come nada" alimentam seus debruçar sobre os dados coletados e olhar além do é filhos. estabelecer um roteiro geral. ou mais. que seja Outro aspecto diz respeito a alimentação sólida. tão for preciso. geralmente.

assumem o papel de detentores do conhecimento e basta nificados inconscientes. que se dará a compreensão da relação dos pontos mais interessantes apresentados nos livros entre ensinante/aprendente estabelecida no início da de Alicia Fernandez e aqui resgatado anteriormente. conhecimento nessa família. Ele possui o aparato biológico para andar pre é fácil ou indelével. ança a reconhecer os limites (corporais. tradas na selva criadas por lobos. Desta maneira não se per. Outro aspecto importante para a compreensão da derá de vista o foco do trabalho: levantamento de hi.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico A relação entre alimentação e aprendizagem é um o quando. entre as alu- variações e é sobre o como e não simplesmente sobre nas dos cursos de Pós Graduação em Psicopedagogia clínica o depoimento de que em suas famílias só era im- 74 75 . É famosa a história das duas irmãs encon. sociais. relação ensinante/aprendente diz respeito ao controle póteses das prováveis causas do sintoma apresentado dos esfíncteres. A primeira diz respeito ao aprendizado do seu corpo. Para andar é necessário uma mãe que permita ao filho se afastar dela. que se moviam como a adiar o prazer. que sua obra não tinha outro Alguns episódios da história dessa criança poderão destino além do esgoto? Para uma criança suas fezes esclarecer como os pais assumiram o papéis de tem um significado muito diferente do que tem para o ensinantes e como o filho se relacionou como adulto. o valor que lhe é outor- ber com que idade engatinhou. o pai. poderá apresentar inúmeras a família que eles conheçam.. aspectos essen- os animais e que ilustra de maneira clara a importância ciais para qualquer aprendizagem normal. Outra questão relevante diz respeito à circulação do Para o psicopedagogo. Existem famílias onde o conhecimento não circula um filho que se sinta autorizado a isso e um pai que o com facilidade. As vida dessa criança e que possivelmente estará perguntas relacionadas à alimentação.). da relação social na aprendizagem. mas caso não lhe seja ensinado ele assume o papel de ensinante estará possibilitando a cri- não o fará.. pos- pelo paciente. bem como as sendo transferida para outras situações de respostas devem se apoiar nestas questões teóricas para aprendizagem. sua análise e interpretação. normalmente reconhecidas como algo de valor pelos pais. quando andou. e ensiná-la primeiro a reconhecer os sinais do aprendente. sobre o "como" se deu esse aprendizado. mais importante do que sa. ou aquele que sobre os dois pés. Como foi ensinado a essa criança. nem sem- mãe e pai. suas fezes. determinado membro ou membros acolha. Essa imagem tão comum e tão repleta de sig. a lidar com as regras. sivelmente na fase anal. é saber gado e a posição do paciente nesse movimento. Não é raro. etc. A mãe. para se utilizar adequadamente do banheiro e depois Como se sabe o homem aprende a ser humano com aceitar que o produto do seu corpo. antecipando sua necessidade o suficiente andar. não são os membros mais maduros da espécie.

a maneira pela família e paulatinamente autorizou-se a mostrar como aconteceu esta produção. seu conhecimento. que ele sofresse outro ataque com a notícia. específicos da competência técnica to. 76 77 . principalmente nas cursos sob minha coordenação. Quando entrou para o magistério precisou dos pelo psicopedagogo clínico está basicamente no falsificar a assinatura do pai para fazer sua matrícula e objetivo. e centros de recuperação escolar. A filha. Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Psicopedagogia Clínica Testes Projetivos: Definição portante que os homens (pais e irmãos) conhecessem. teve dificuldades de aprendizagem cados pelo psicólogo ou pelo psicanalista e os aplica- nessa área. juntamente com alunos e professores dos avaliações realizadas normalmente. nas viagens. adolescente. Para outra família o conhecimento pode não circu- isoladamente. Uma delas. Como exemplo pode- ceria com o paciente. nas já existentes. Chamamos de projetivos os testes que permitem ao as meninas e a mãe muitas vezes não tinham acesso ao paciente projetar conteúdos inconscientes num supor- conhecimento por serem mulheres. cujo pai te concreto. poderão esclarecer a maneira pela se citar uma família onde o pai tinha um relacionamento qual o paciente aprende e os bloqueios instalados no extra conjugal há diversos anos e a mãe fazia-de-conta processo de aprendizagem. vítima de um infarto. Estaremos apresentando a seguir uma bateria de tes- horas extras. mas também o processo. exercitando a autoria do seu pensamento. Cabe aqui ressaltar. dar conta desta tarefa. porém. tinha medo de ficar a modalidade de aprendizagem do paciente. não conseguia tes projetivos cuja técnica foi aperfeiçoada. A aplicação dos lar claramente pois conhecer pode significar sofrimen- testes projetivos. etc. teve ajuda de inúmeros professores particulares Universitárias que dão suporte aos cursos em questão. que acreditava no falso conhecimento de fidelidade do marido. Reprovada várias Pacientes encaminhados às Clínicas Psicopedagógicas vezes. enquanto os dois primeiros buscam investigar não lhe contou que havia sido aprovada no vestibular questões relacionadas à personalidade do paciente. este último busca investigar questões que permitam identi- de Pedagogia pois. que nenhum teste pode. que não conhecia a situação. analisados em conjunto e em par- não se mostra o que se conhece. Após um trabalho psicopedagógico em que se buscou fortalecer a paciente Do Processo em relação às questões inconscientes. O grupo então estrutura um modelo onde o do psicopedagogo clínico possibilitarão o aparecimento conhecimento só consegue circular sub linearmente e de indicadores que. à partir das mostrar o quanto aprendia do conteúdo escolar. esta conseguiu Nos testes projetivos estarão sendo analisados não o romper com a modalidade de aprendizagem exercida produto final. A diferença entre os testes projetivos apli- era matemático. no atendimento aos áreas de comunicação e matemática. perda.

público. dificuldade em expor seus sentimentos e lidar com eles. rigidez de conceito de família. Neste caso poderá acon- um todo. representadas no seu desenho. entretanto.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Neste processo. que o objetivo principal é a identificação da modalidade de aprendizagem. e individualmente. o processo de aprendizagem. O uso excessivo da borracha pelo paciente na elabo- ração do desenho solicitado pelo psicopedagogo poderá Analisados os pontos relevantes no processo. alguns Por outro lado. A prática clínica tanto no nível pensamento. a falta de pressão no lápis produ- pontos podem ser destacados. passa- indicar um paciente excessivamente crítico consigo remos a analisar os testes projetivos numa perspectiva mesmo. deve ser esclarecido do C) Pressão do lápis ponto de vista do paciente. filhos. Cabe aqui. baixa A) Uso excessivo da borracha estima. Esta tensão muitas vezes é decorrente de uma seu paciente até mesmo para compreender as relações imaturidade no tônus ou de uma tensão interna emoci. zindo um desenho quase imperceptível pode indicar di- que outras questões poderão ser analisadas. Este padrão de comportamen. antes da aplicação do teste. Por ter dificuldades em lidar Teste da Família com o erro. onal. como foco de investigação. insegurança o que dificulta a aquisi. procura não se arriscar permanecendo em campos e situações que domina. tecer uma dificuldade em lidar com as exceções exis- tentes em todas as regras. quanto particular vem demonstrando que esse conceito é relativo e. demonstrando insegurança e dificuldades em Psicopedagógica. Tanto uma hipótese quanto a outra mostram um Na atualidade a família deixa de ter o padrão con- estado de rigidez. Com a nova ordem social ção de novos padrões de comportamento. O excesso de pressão do lápis poderá indicar tensão O psicopedagogo deve ter claro de que família fala o muscular. está se instalando neste final de século podemos 78 79 . mãe. ficando claro entretanto. vencional: pai. A utilização da régua além dos padrões de normali- Na aplicação do teste da família estaremos investi- dade poderá indicar um paciente muito ligado a padrões gando como se dá a relação entre seus membros como e esquemas já estabelecidos. uma consideração sobre o to pode indicar falta de flexibilidade. Mesmo que possamos dizer cultando. portanto. o recorte de um tema favorece a obje- B) Uso da régua tividade da análise. ficuldade em lidar com situações de evidência. lidar com situações novas. nos testes projetivos gráficos. portanto. como já foi dito anteriormente. Estas características Cada um dos testes projetivos tem definido um tema poderão prejudicar o contato com o desconhecido difi.

sentindo-se com isso mais seguras. entretanto. colocando à sua disposição: lápis grafite. Todas estas questões devem ser consideradas e com- preendidas antes da aplicação do teste para evitar A análise deste teste consistirá na interpretação distorções na sua interpretação. foram desenhados. Entregamos ao paciente uma folha de sulfite. canetinha. as mudanças sociais pelas quais estamos família. servindo de apoio ao terapeuta. Nesta análise. vista. primos. seus membros. O tempo destinado ao trabalho será o necessário. Posteriormente pedimos para nomear cada um dos mento atual. psicoopedagógica da representação dos membros Procedimento: dessa família: posição relacional. Em seguida solicitamos que desenhe uma fa. avós. filhos. borracha. a ordem em que dor. tios. relação não devendo. forma. Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Psicopedagogia Clínica A solicitação de que se desenhe uma família e não a sua família. 81 80 . aponta. mãe. Não podemos perder de é representada por pai. tem como objetivo liberar o paciente tanto perceber que muitas outras famílias estão se tornando no nível inconsciente quanto no nível crítico. sem pauta. passando reformularam o papel original do pai e da mãe. etc. Na classe de menor poder aquisitivo. a família real ou a família ideal. para falar sobre cada um deles e por último para contar um história sobre essa Além disso. régua. giz de cera. tem como referencial teórico e dados da Anamnese que poderão chefe uma mulher. Dados do último censo mostram que atualmente A interpretação deste teste levará em conta o 20% das famílias brasileiras. Fica mais bastante comuns. brevivência econômica muitas vezes as famílias mais Análise: pobres buscam a proximidade física com outros paren- tes. que a família representada traz seu cachorro. etc. Neste caso poderemos ter morando Podemos dizer que se trata de uma análise descritiva. no mínimo. elementos ali representados. entretanto. as famílias com maior poder aquisi- global do desenho. filhos do primeiro casamento do pai. filhos do primeiro casamento da mãe e filhos do casa. representação gráfica de cada um. superar uma sessão. numa mesma casa. lápis Devem ser observadas as características da de cor. como estão dispostos um em mília. devemos nos ater ao tivo. Essa representação. Ele estará representando ou vem confirmar o fato de que para maior garantia de so. podem ser decorrentes do segundo casamento de que está explicitado objetivamente sem inferências. As relações estabelecidas entre seus membros pode- rão ser analisados após uma rápida e objetiva análise Por outro lado. tamanho de cada um dos personagens. fácil falar da sua família se acreditar que está se falan- podemos perceber que na maioria das vezes a família do de outra família qualquer. iluminar aspectos ambíguos colocados pelo paciente. fruto da realidade bojo a família do paciente.

. traços angulares podem indicar a questão fálica. causa- desenvolvimento do período sensório-motor. Traços arredondados estão mais relacionados à figu- meninas e meninos.. preender como se dá o estabelecimento de vínculos Da mesma forma a representação do tamanho dos entre os membros dessa família. personagens poderá revelar dificuldades na elaboração Procedimento: da questão edípica. em mais de 860 de pontinhos como se fossem pequenos botões.. se existe separação entre crianças e adultos. ou da figura materna. O esquema corporal empobrecido. o esquema corporal. ou desenham apenas um ponto no lugar do umbigo. da inúmeras vezes pela ausência do pai. ao subjetivo. razão. as provas deverão ser superá-la. ao comprometimento com o vínculo afetivo do cordão umbilical emocional. ma. masculina. que tem como uma das suas funções fazer este corte mento. em são. Da mesma for- maneira as especificidades de cada um dos dois sexos. na. repetitivo. ( . à afetividade. cognitivo..) sujeitos. de acordo com o resultado das pes- relacionados à dificuldade no vínculo estabelecido com quisas acadêmicas que estão sendo realizadas sob mi- a mãe reapresentaram o tronco dos personagens cheio nha orientação nestes últimos seis anos.. se estão representadas de alguma ra materna. seguidas da análise.. pode levar a hipótese de dificuldades rela.. dificuldades em lidar com seriação e ordenação. Para maior segurança do psicopedagogo lidar com a falta no sentido de reconhecê-la e iniciante nesta prática. reflexão e interpretação. à possibi. com a questão do reconhecimento de Entregamos uma folha sulfite sem pauta ao pacien- hierarquia. Desenhos onde os personagens não possuem mãos Ambos os casos podem representar a dificuldade sen- pode ser indicativo de dificuldades relacionadas ao tida em separar-se da mãe. aplicadas uma por ao. inconsciente mãe/filho. 82 83 . Na aplicação deste teste estaremos buscando com- dificuldades de classificação.. A dificuldade em representar diferenças sexuais Teste da Família Cinética pode indicar dificuldades na elaboração da castração. mãe/criança. O tempo de aplicação não deve ultrapassar uma ses- cionadas à construção de novos esquemas de ação.. te. ou figura pater- lidade de entrar em contato com o objeto de conheci. Algumas hipóteses poderão ser levantadas a partir Inúmeros sujeitos com distúrbios de aprendizagem destas observações. colocando à sua disposição todo o material gráfico já elencado. sem detalhes.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico ao outro.

que exige a participação aprendente. pede-se ao paciente que conte uma neste teste com a percepção que o paciente traz da sua história que explique o que está acontecendo nesta relação com a figura materna e posteriormente com a família desenhada. Esta compreensão favorecerá a identificação assiste TV. outro limpa. etc. Entretanto no desenho os personagens não têm pés. por exemplo. 84 . O Aprendente Muitas vezes pacientes com distúrbios de Este teste trará subsídios específicos para a compre. compreender e inter- saudável de vínculo familiar. Muitas vezes aparece apenas o aprendente concomitante de todos. todos nadam na mesma piscina. o que impediria a ação representada. Esta terceira possibilidade mostra a da modalidade de aprendizagem do paciente em questão.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Neste teste solicita-se ao paciente que desenhe uma Procedimento: família fazendo alguma coisa. da pede-se que conte uma história sobre o desenho Normalmente são representadas três tipos de situação: elaborado. pretar. quem aprende e o realizando uma tarefa aparentemente prazerosa. por exemplo. mesma tarefa. esta omissão atribuindo-lhe um significado. percepção do paciente da ausência de vínculo familiar. aprendizagem podem desenhar o ensinante sozinho ensão da relação entre quem ensina. a maneira como ele vivência 3) Os membros da família estão realizando tarefas este processo e como ele se percebe em relação ao diferentes. como é percebida pelo paciente. Em segui- família. porém sem a integralização dos partici Análise: pantes. Aqui o vínculo familiar aparece com uma certa dose de A análise deste teste é de extrema importância pela comprometimento. estão jogando e o conteúdo que está sendo aprendido. jogar futebol. 1) Os membros da família estão todos fazendo Nesta proposta nem sempre aparece o ensinante e o uma coisa em comum. outro ensinante. por exemplo. deste teste. possibilidade do paciente revelar o significado atribuí- do por ele à aprendizagem. Numa folha de sulfite solicita-se ao paciente que sará os vínculos estabelecidos entre os membros desta desenhe alguém aprendendo alguma coisa. das anamnese servem de subsídios para a interpretação informações contidas na Anamnese. Neste caso pode-se interpretar a existência Cabe ao psicopedagogo analisar. figura paterna. A verificação das questões presentes na Deve-se analisar o conteúdo à luz da teoria. como objeto de conhecimento. exemplo: um cozinha. Pode-se relacionar a relação ensinante/aprendente Após o desenho. junto com seu paciente à luz dos dados já 2) Os membros da família estão realizando uma coletados. O psicopedagogo anali. futebol.

partes de que- numa posição de extrema desvalorização da sua capa. borracha. giz de cera. soura. lápis preto. empunhando uma Procedimento: régua. papel sulfite. tes casos em que o ensinante é representado. verá ser colocado na frente do paciente. ou não. canetinhas. elaboramos esse material à partir do que já O jogo de esconde-esconde exemplifica de maneira conhecemos e reorganizamos nosso conhecimento clara a situação em que crianças se colocam para lidar guardando o que nos interessa. um novo objeto. uma atividade criadora. é Outros casos mostram o aprendente representado colocado numa caixa com tampa. o processo pelo qual ele se apropria. Cabe ao psicopedagogo. estando im- pela conscientização dessa falta. não só pode mostrar ca. suas reações. jogar com o A Hora do Jogo Psicopedagógico conteúdo da caixa. para resolver uma situação problema. interage. Nes. acomoda. lápis ou outro objeto com características O material. observar o pacien- racterísticas cognitivas e afetivas do paciente. também é utilizado por ele para se apropriar do objeto ou não do material e constrói. dade de contatar com o não saber e qual a atitude gerada A personagem. como ele cotidianos no mundo infantil fazem parte do instrumen. de aprender. cabeça pequena. este pode durex. ou não.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Na clínica Psicopedagógica. como te. régua. com aspectos cognitivos e aspectos afetivos. O paciente. esquecendo o que não nos importa. giz. também relativo ao resultado das mitir a analise de como o paciente se aproxima do des- pesquisas. Qual a modali- vaso de argila. cola. te- cidade de se aproximar do ensinante. Os jogos e brincadeiras isto é. geralmente bastante comum. desproporcional ao restante do corpo. prazerosa. revistas. como se dá o processo de equilibração. mos-trará objetivamente sua maneira de agir para conhecer. O material utilizado. a falta. bra-cabeça. muitas vezes com uma xa objetos como lápis coloridos. para aprender. nós nos apropriamos das informações. indiscutivelmente. a hora do jogo vai per- Um outro exemplo. pedida de entrar em contato com o objeto. percevejos. organizado dentro da caixa fechada. porém. caixinhas fechadas com clips. papel colorido. na reso- lução de um problema lidar com a ausência. na hora do jogo psicopedagógico desenvolve a capacidade de abstrair e simbolizar. Coloca-se nessa cai- muito menor do que o ensinante. das Ao conhecer. dúvidas e das angústias. é o desenho de uma pessoa modelando um conhecido e se apropria. estar de costas para o aprendente. de conhecimento desejado. apontador. . tal necessário para se aproximar do mundo adulto. partes de jogos de encaixar. Iniciada a ses- são o paciente será instruído a brincar. não tinha as mãos. assimila. então. O jogo. dele. barbantes. de- fálicas. etc.

favorecendo situações onde ele possa se mentos não implicam em passividade. para o questionar para o errar/acertar. Os dois primeiros senti. cuja modalidade de mas pagará o preço por se anular cada vez mais. cenário e uma brincadeira. aprendizagem pode ser definida como hipoassimilação. muitas vezes porque as (hipoacomodação) escolas também incentivam uma conduta passiva por parte de seus professores. construir sua identidade. lenta e timidamente. de autorizado para isso. vergo. não se pode confundir timidez. no chão. (hiperassimilação) inexoravelmente. para apren- levantar a tampa da caixa se não for explicitamente der necessita de uma certa dose de curiosidade. abrir. Nossos ficial do seu conteúdo e. porém minada a sessão não construiu nada. faz um inventário super mentar. à guizo de brincadeira. que criança que e finaliza a sessão concluindo o proposto. ter parece estar mudando. perta nossa curiosidade. porém espontaneamente é verdadeiro que alguém que não se permite discordar de uma estrutura por mais que se sinta descontente ou Vamos analisar algumas características cognitivas desconfortável deixará de chamar a atenção sobre si. Generalizamos para fazer uma brincadeira. 3) O paciente investiga todo o material contido na caixa. (hipoassimilação) agressividade saudável que impulsiona para o experi- 2) O paciente abre a caixa. Um paciente com essas ca- faz tocar. e só tira 10. que fica quietinho. obede- xa. porém a dificul. não se arrisca nem a Uma pessoa. desordenadamente e. experimenta a utilidade de cada um deles. o acerto coloca-o numa situação de evidência e de conflito que 88 89 . lha tudo sobre ele. muitas vezes até quebrar aquilo que des. racterísticas tem tanto medo de errar como de acertar. apresentadas por esses pacientes. tendo por objetivo a construção de um obje to (desenho. com falta de curiosidade. Perceber como indivíduo. colagem. erro mostra o quanto ele é incapaz porém. felizmente. dos demais. espa Essa roda sem fim. utilizando-se do material mais professores. O psicopedagogo deverá atuar junto a esse paciente Neste caso. Essa atitude muitas vezes é a mesma encontrada na família que julgar como "bom filho" 4) O paciente faz um inventário do conteúdo da cai aquele que não dá trabalho. um plano. normalmente incentivam uma conduta próximo elabora algo sem muita vontade ou empenho. esse círculo vicioso. aquela que nos senvolver sua auto-estima.0 no boletim tem sérios proble- O paciente que não estabelece contato mas.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Basicamente temos quatro tipos de atitudes: 1) O paciente não faz nada. tentando resgatar essa energia interior que o diferencia nha. de- dade em lidar com a agressividade sadia. etc.) Dizemos. passiva por parte dos alunos. escolhe alguns materiais para iniciar a execução de cendo sem questionar. e não digo apenas a criança. come verduras e legumes em todas as refeições sem reclamar.

deixando de realizar um Um bom exemplo para melhor compreensão desse inventário mais complexo. Voltando então a este paciente que não consegue terísticas demandam um tipo de trabalho baseado na nem destampar a caixa se não foi explicitamente auto- teria Vigotsky sobre a zona de desenvolvimento rizado. superficial. para uma melhor ava- proximal. será efetivada. então. por não saber como desempenhar esse novo papel. Em vínculos seja a nível emocional. Já uma criança de Para ele. ao se usar um modelo. liação do processo desenvolvido na hora do jogo. com poucos detalhes. quando recebendo ajuda a criança Esta pobreza de contato com a realidade impede uma aprende algo que não conseguia fazer sozinha. ao passo que uma de oito rizar como pobre. móveis etc. terá refletido muito prova- conceito é a aprendizagem da marcha. Muitas guiçosa. na sua produção. esti- senvolvimento: um primeiro momento em que a criança mular discretamente a aproximação deste ao conteúdo resolve sozinha determinado problema. Ele mexe na caixa como se dentro hou- mãos. Evidência pois estará saindo do anonimato e conflito palavras. questão está sendo respondida ou. nem com apoio. a sendo vivenciado nesta etapa de sua existência. e que um pouco após essa O paciente que estabelece ajuda já adquire autonomia. É aquela que dizem que. Segundo ele existem três momentos no de. dito com outras ra. É meses consegue caminhar segurando as mãos de al- aquele paciente que tem dificuldade em estabelecer guém ou apoiando-se nas paredes. Quando se faz uma pergunta Normalmente esta criança poderá ser taxada de pre- é porque se tem uma questão a ser respondida. alguém mais experiente um problema que não conse- guia solucionar sozinha. um segundo da caixa. não se tem clareza de qual quando tem vontade. vezes. sem deixar de anotar como se deu esta estágio quando a criança resolve com a ajuda de interação paciente/conteúdo. sabe fazer. 90 91 . Uma criança de velmente. mais rapidamente. etc. pouco tempo estará andando sozinha. numa zona de desenvolvimento familiares do início de sua vida ou em algum conflito que que está próxima de ser alcançada e que. aprender/conhecer/saber repre- três meses não conseguirá andar nem segurando nas senta o perigo. vertidamente quebrar. o que se espera descobrir com esta pergunta. seja a nível cognitivo. muitas vezes. aprendizagem saudável e pode ter origem em situações mos atuando. desatenta. pois ainda não adquiriu maturi- vesse algo que pudesse feri-lo. co de ajuda. e um terceiro estágio onde contato superficial a criança não consegue resolver determinado problema nem com a ajuda de outra pessoa mais madura. Estare. Este paciente que se contenta com uma análise su- perficial do conteúdo da caixa. o que poderíamos caracte- dois anos anda sozinha.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico pode ser tão ou mais difícil de tolerar do que a primei. caberá ao psicopedagogo. ou que ele pudesse inad- dade física para isto. Segundo Vigotsky cabe ao educador atuar nesse se- gundo momento. Algumas vezes pacientes que mostram essas carac. com um pou.

o que neste caso brincar. investigativa. etc. em estabelecer uma série de passos para falta de um material e sua possível substituição. do jogo psicopedagógico delimita claramente as ciente fica no meio do material. em sem preferências. É aquele Este tipo de paciente pode ser algumas vezes até que podemos dizer que apresenta uma modalidade de elogiado pela sua atitude questionadora. como neste caso em que o pa. e não aproveita o alimento. tornar a atividade algo agradá- demanda uma produção original. em lidar com regras.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Na alimentação.) resolver a situação que é conhecer. ordenar. sempre mais interessante do que a anterior. sujeito dificuldades de aprendizagem nem sempre a hora e objeto se confundem. deixando claro que descobrir o que tem dentro. seja de que espécie for vel. etc. demos verificar dificuldades em lidar com limites. Para isso é necessário que se guarde distância do Mesmo que a criança mostre sintomas de objeto que é exterior ao sujeito caso contrário. pois aprender é isso. que dura aproximada- Importar-se e prender-se a todos os detalhes é qua. que se prende aos mínimos detalhes. impe. causas dessa dificuldade. tomar contato com o Neste caso o paciente não estará perdido no meio dos objeto de conhecimento. beliscando um pouco de tudo. não comendo direito nas refeições. ra seu desempenho ao classificar. inventar. abrindo todos os pacotes de bolacha mas sem terminar O paciente dos mínimos detalhes nenhum. nem sentirá inibição ao abrir um vidro para ficado quando da sua apropriação. resolver situações pro- dade em classificar os dados mais relevantes. a importância. Indica uma dificul. após a dindo dessa forma um processo de apropriação. Possivelmen- do magro. divertido e desafiante. materiais. provavelmente caracteriza-se como Em alguns pacientes com este comportamento po- alguém que come o que lhe oferecem. modificando-o e sendo modi. etc. estabelecer um plano de ação. que é brincar/jogar.) utilizando o material oferecido. rodeado por ele. seriar. bem como da análise do seu 92 93 . nem começará vinte proje- em toda aprendizagem o sujeito se apropria daquilo que tos sem terminar nenhum deles por achar a nova ideia lhe é útil ou significativo e deixa de lado o que não é. concreta. Demonstra- ou parece não ser. em blemas que se apresentam durante a execução do pla- ordenar priorizando os mais importantes dos de menor no (um lápis propositadamente deixado sem ponta. O paciente na hora do jogo. (figurativa. aprendizagem hiperassimilativa. jogar. Anamnese e a entrevista com a criança. tar pouco e não se prender a nada. sem escolher. precisa fazer um inventário geral. para conseguir dar conta da proposta se tão prejudicial para a aprendizagem quanto se impor. parecen. textual. te alimenta-se dia todo. Entretanto nem sempre ele presta a devida atenção à resposta que lhe é O desempenho adequado dada pois já está formulando outra pergunta. com um trânsito intestinal rápido. estabelecer vínculos. mente uma hora. Recomendamos que.

1. oralmente. omitindo-se na mai- aprendente. 2. C) Como se dá o aprendizado das convenções Porém guardando muito pouco. estude discuta com seu supervisor e pense. relacionada à prancha apre- co não poderá ser definido em uma ou duas sessões. de uso dos sentado na prancha.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico material escolar. com dificuldade de interagir com O psicopedagogo clínico utiliza três pranchas con. assim uma mo- tendo desenhos de animais em situações humanas para dalidade hipoassimilativa. com os limites. analise o ma. mais do que tudo. B) Como circula o conhecimento na família. pois elas terial resultante do mapeamento que vem sendo reali. basicamente. não se desloca do que vê. 94 95 . ele se limita à descrição do que está repre- Este teste tem sua origem no CAT. de um detetive. pense com a mente de um pesquisa. ser atribuído um título a com a aplicação de uma ou duas técnicas. Deverá. cimento de vínculos. provocando. Este tipo psicoterapeutas e psicanalistas para a compreensão de pode revelar um paciente com dificuldade de estabele- aspectos à personalidade. que fala pouco. verão ser apresentadas nesta ordem específica: da ga- go para após cada sessão. Aqui podemos ter um paciente com dificuldades em lidar com a realida- Inicialmente o psicopedagogo apresenta ao pacien. O enredo da história elaborada pode ser enquadra- dor. esta história. Só assim poderá vislumbrar o ca. uma história. entes que aparecerão nos relatos. O diagnósti. sentada. três aspectos que favorecem muito preso ao aqui e agora. o objeto de conhecimento. que se prende muito a modelos e esquemas A) Como é significada a relação ensinante/ preestabelecidos. Posterior. é necessário que o psicopedago. sejam levantadas algumas hipóteses mente mostrará uma por vez solicitando-lhe que conte iniciais que serão verificadas neste teste. dos macacos e por último dos cachorros. provocam um aprofundamento das questões inconsci- zado. É importante salientar que as pranchas de- Mais do que isso. de. cada encontro. com déficit lúdico e cria- a identificação da modalidade de aprendizagem: tivo. ou quase nada. leia. (prancha 3) tuações apresentadas nas pranchas. igualmente. linha. (prancha 1) oria das situações. Descontextualizado (prancha 2) Neste caso o texto narrado apresenta um enredo. das si- e normas. Pode ser aquele paciente compreender. que apresenta uma modalidade te as três pranchas para que ele as conheça. do em três categorias: minho a ser seguido. hipoacomodativa/hiperassimilativa. Descritivo: Teste Aperceptivo Infantil Psicopedagógico Estamos chamando de descritivo o texto que não tem um enredo.

os primeiros nas- cem com o indivíduo e permitem a construção do Nesta cena deve-se investigar como se dá a circula- segundo através da diferenciação progressiva. portanto. sugerindo uma situação de tuação e objetos diversos. Esque- Prancha 2 mas são unidades de comportamento suscetíveis de Esta prancha apresenta uma cena em que aparecem repetições mais ou menos estáveis e de aplicação a si- vários macacos numa sala. Como já vimos anteriormente. tema representado nas pranchas. aprendizagem de regras. seriar. ção do conhecimento na família e como o paciente se quando o sujeito se afirma como principal agente do percebe e é percebido enquanto alguém que conhece/ processo desconhece no grupo familiar. da função papel do ensinante nesse processo. relacionando o ali. e o realidade em vivemos. Podemos considerar esque- conversa familiar com três adultos e um filhote. Neste sentido caberá analisar o conteúdo narrado Neste enredo podem ser investigadas a relação buscando investigar os tópicos específicos do teste em prazerosa ou autoritária e punitiva entre quem ensina e questão. quem aprende. tratando das questões lógico. com começo. um filho- te e um adulto. Eles buscam alimentação. Trata. mento da tigela com o conhecimento a ser adquirido. eta de um galo ou galinha ao fundo. a percepção de limites. organizar o mundo e a nhecimento. Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Psicopedagogia Clínica prancha 3 3. com três pintainhos sentados ao redor da e mostram o sujeito epistêmico na sua generalidade. às habilidades mentais necessárias prancha diz respeito à como o paciente percebe o co. objetivante. Estes testes tratam dos aspectos quantitativos.Integrado A terceira prancha retrata dois cachorros. mas do instinto e esquemas de ação. ou não.matemáticas. adequado ao e numa situação que pode ser associada a higiene. meio e fim. Após esta análise geral deve-se iniciar a investiga- ção dos temas identificados em cada uma das pranchas Testes Cognitivos conforme detalhado a seguir. mesa diante de uma tigela contendo alimento e a silhu. Estes testes permitem traçar um mapa cognitivo Prancha 1 que possibilitará situar o paciente à partir de aspectos Esta prancha apresenta uma situação relacionada à que são comuns a todos os seres humanos. o sistema cognitivo e formado por estruturas e esquemas de ação. interage e se apropria dele. num ambiente que sugere um banheiro Neste caso temos um texto narrativo. para classificar. ordenar. 96 97 . liga- O tema a ser investigado com a apresentação desta dos à inteligência.

Os esquemas de ação vão sendo construídos através da assimilação/acomodação surgindo então os primeiros esquemas lúdico/imitativos. Simbolicamente o reconhe- cimento de diferenças implica numa estrutura emocio- nal capaz de lidar com a perda. que atue sobre ele e que se permita ser transformado por esse conhecimento. seriar.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico e do meio. liberar sua agressividade sadia. etc. Para que o sujeito se aproprie do conhecimento é ne- cessário que se aproxime dele. Aprender demanda assimilação. transformação do próprio organismo que incorpora o objeto de conhecimento. do pensamento lógico e do simbólico. como já foi dito. ou seja. e da função subjetivante do desejo. mais ainda. maior a habilidade cognitiva para classificar. Objetivamente a criança inicialmente só consegue perceber semelhanças e num segundo momento lida também com as diferenças. da função objetivante. Necessita. sua curiosidade e agir. 99 . a transfor- mação do objeto a ser incorporado. Essa ação só será bem sucedida se partir de uma estrutura lógica construída dentro dos limites do já co- nhecido por esse sujeito. Estabelecendo parâmetros são formulados através de operações que permitem estabe- lecer e organizar informações à partir de semelhanças e diferenças entre os dados comparados. ou seja. ordenar. da inteligência. com a an- gústia decorrente da perda. Quanto mais madura e fortalecida a estrutura emocional. portanto. A aprendizagem depende. tomar consciência da falta. e acomodação.

vo que fica oculto nas tramas ali desveladas. nível Pré-silábico. portanto. 1 . à partir dos níveis identificados grafismos. tentativa de correspondência entre o tamanho do objeto e a escrita. objetivamente na produção gráfica por se encontrarem Aplicação: escritas iguais para palavras diferentes. características. crita é outra forma de desenhar as coisas ou escrever é produzir um traçado que diferencia do desenho por Sondagem da Escrita possuir alguns traços típicos da escrita. após certificar. nível Alfabético. guarda suas e o simbólico mostra a necessidade de. Desta forma.Características da Escrita Pré-Silábica A dificuldade muitas vezes presentes na ação tera- Hipótese central: A escrita é outra forma de desenhar. com um número indefinido ou variável de aquisição da escrita. Será dado ao paciente uma folha pautada e o terapeuta ditará as seguintes palavras. cuja trama é formada pelo entrelaçamento do objetivo A análise da produção apresentada deverá levar em e do subjetivo. os níveis de evolução da Dessa forma. Neste nível o sujeito acredita que a es- enfatizar a questão antes de estabelecer um diagnóstico. mais uma vez. ou não e como está sendo o seu processo de critas. vel ou se realiza segundo características das outras es- betizado. nível Silábico. o cognitivo a escrita representa o objeto e. pêutica em articular o objetivo e o subjetivo. sem buscar correspondência 100 101 . coisa pequena tem escrita pequena. Este teste possui como objetivo a verificação do ní. Rã Todas as escritas se assemelham. conta.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico O psicopedagogo clínico não pode perder de vista Após as palavras. As diferenças de significados não são modeladas nível Silábico-Alfabético. a escrita do nome próprio é impossí- vel conceituai da escrita do paciente: se ele está alfa. ditará a seguinte frase: que o pensamento inteligente é semelhante a uma teia O elefante pisou na formiga. por Emília Ferreiro. conforme já dissemos. mas as crianças as Formiga consideram diferentes. de forma sintética. e que passamos a objetividade dos dados apresentados o enredo subjeti. Cachorro A leitura é sempre global: correspondência de todo Tigre sonoro com o todo gráfico. caracterizar seguir. A escrita representa os objetos e a criança imagi- se que o paciente conhece os animais elencados: na que ela é um dos atributos do objeto: coisa grande Elefante têm escrita grande. ao aplicar os testes deverá buscar na escrita descritas por Emília Ferreiro.

verifica a ne. mas silábicos. a sílaba. Surgem ta.Características da Escrita Silábica-Alfabética bilidade de um correspondência termo a termo entre cada emissão sonora e uma parte do seu nome comple. Nesse As escritas são construídas a partir de análise silá- sentido o sujeito trabalha suas hipóteses tendo como bica da palavra. Hipótese Central: O sujeito já percebe que para cada to. O eixo mais grafias do que as exigidas. A leitura deixa de ser global. ses silábicas. atribuir significados diferentes. isto é. emissão sonora pode haver mais de uma letra e busca. Para ler Estes conflitos induzem a criança a abandonar pro- coisas diferentes. lavras. emissão e a escrita. pode fazê-las variar na ordem linear e manter a quantidade constante. letras que compõe a escrita. palavra. 102 103 . cada letra ou símbolo gráfico vale Ao atribuir a cada grafia o valor de uma sílaba. Ao resolver problemas que a escrita lhes apresenta. entre as partes sonoras e gráficas. a exigência de variedade volta a aparecer cessidade de uma variedade de caracteres para que uma como um conflito cognitivo entre quantidade mínima série de letras sirva para ler. mesmo utilizando-se ta de palavras dissílabas e monossílabas. Quando a criança começa a trabalhar com hipóte- Tomando por base o eixo qualitativo. portanto. mas em alguns casos pode apresentar base dois eixos. Descobre os antecessores de caracteres e a hipótese silábica por ocasião da escri- de análise combinatória. e não tem valor em si mesma. sem correspondência as crianças enfrentam problemas gerais de classificação. não há orientação espacial dos A criança estabelece uma livre correspondência en- caracteres. das poucas grafias que conhece. gressivamente a hipótese silábica por ocasião da escri- deve haver uma diferença objetiva nas escritas. para o uso de letra escrita.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico entre as partes. em direção a uma análise fonética mais exaustiva da formas estáveis fixas de escrita. geralmente três. Os busca de correspondência entre a pauta sonora de uma valores não são fonéticos. mas não entre par. a pelo todo. o quantitativo e o qualitativo. Pois cada letra vale como parte O nome próprio geralmente é o ponto de partida.Características da Escrita Silábica tas letras quantas forem as sílabas das palavras. 3 . A correspondência se estabelece entre as partes-pa. de um todo. corresponder um valor sonoro a cada uma das tes-sílabas do nome próprio e as letras. passando a buscar com- seriação e ordenação. A criança descobre a possi. para que se possa ler. Hipótese Central: A escrita representa a fala. monossílabos e dissílabos. como no caso dos quantitativo coloca a necessidade de quantidade míni. preender essa questão. ou seja. do nome próprio e as letras. criança antecipa a quantidade de grafias e coloca tan- 2 . ma de grafias. As representações são alheias a qualquer tre os aspectos sonoros e gráficos em sua escrita.

aparecendo no entanto.a ortografia das palavras. A escrita alfabética já pressupõe o conhecimento do valor sonoro convencional das letras. Neste ní- termo. Compreende que os caracteres da escrita correspondem a valores menores que as sílabas (antecipação quanti- tativa) e elabora sistematicamente uma análise dos fonemas das palavras que vai escrever. pro- fonema/grafema. dência global entre escrita e a expressão oral que passa a ser recortada (sílabas orais) para expressar-se em par- tes do texto (cada letra). isto é. A leitura de partes do nome não nível anterior justifica-se pela: superação da correspon- oferece e já nenhuma dificuldade. pois o sujeito já com- preendeu o modo de construção do sistema alfabético. B . A partir deste momento não terá problemas de escrita no sentido conceituai. 4 . As formas fixas aprendidas do meio geram novos conflitos quando a criança propõe a leitura destas em forma de hipótese silábica.Características da Escrita Alfabética Hipótese Central: cada fonema corresponde a um grafema e as letras combinam-se entre si para formar sílabas e palavras. letra. sílaba para a correspondência vel a escrita e a leitura do nome próprio operam sobre os princípios alfabéticos. 104 105 . Constitui o final do processo. mas se defrontará ainda com duas dificuldades: A . Estes conflitos ajudam a criança a "ir mais além da sí- laba" para encontrar uma correspondência satisfatória.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Na leitura tenta passar da correspondência termo a A leitura já é realizada alfabeticamente. A mudança qualitativa em relação ao blemas ortográficos.a segmentação das palavras quando escrevem orações . O mesmo acontece com relação à leitura do nome (forma fixa recebida do meio).

Poderá ou não resolver a questão chas de sua coleção. Se for preciso. Desenvolvimento: Pergunta-se:" Quantas eu tenho na mão.... Como você sabe? de fichas. uma correspondência termo a termo ou global na mesa para garantir a equivalência inicial. mesmo tempo em que esconde as próprias na mão. ao vermelhas. sendo 10 azuis e 10 Conte as vermelhas que sobraram com você.situação — depois de reunir todas as fichas. " Observa-se a noção Material: de conservação ou não conservação da criança.. Essas repostas são 2. 20 fichas da mesma forma e tamanho." Condutas não conservativas (até aproximadamente Registra o que é feito pela criança. "Coloque a mesma quantidade de suas fichas .. nem mais Nível I: nem menos .Pedir que a criança escolha uma coleção da sem contar.Prova do Diagnóstico Contra-argumentação: Operatório O examinador provocará uma reação da criança afir- 1 . examinador organiza uma correspondência termo a Nas duas situações a criança pode fazer uma conta- termo. o exa- suas fichas. o mesmo número de fichas. sempre mantendo a outra linha de quantidade.Conservação de Pequenos Conjuntos mando o contrário de sua resposta inicial. o 4 ou 5 anos). As coleções são constitu- como você sabe? " ídas por correspondência termo a termo de forma 106 107 . zendo o mesmo tipo de pergunta. o Procedimentos avaliativos: mesmo número .. Ele poderá Discretos de Elementos dizer:" uma criança me disse que nesta fileira tem mais fichas do que na outra. me respon- 1.. que fica mais curta ou mais comprida e pergunta:" Nível II: tem a mesma coisa. ou qualquer disposição figurai. ou tem igual número? Onde tem mais. onde tem menos. e pede que a criança faça uma coleção minador coloca 6 fichas azuis em círculo. proceden- equivalente numericamente com suas próprias fi do daí em diante como nas situações anteriores e fa- chas. O examinador alinha sobre a mesa 6 de 3. Condutas intermediárias.situação . um número igual . de Pergunta de quantidade: plástico ou cartolina.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Testes Piagetianos . com as duas coleções de fichas que já estão gem.situação — O examinador espaça ou aproxima as fi não conservativas..

. Dois vidros iguais (A e A'). você A seguir pergunta:" se você beber o que está em a e só afastou.de reversibilidade — se você botou as 1.de identidade — tem a mesma coisa. você não tirou nem botou nada. de diâmetro de 5 cm e B .Transvasamento . Pergunta: "Será que você encolher ou esticar de novo os azuis vão agora vamos beber a mesma quantidade? Um ficar igual de novo. fica igual. situação: tem mais azuis .não justifica com argumentos claros e Quatro vidros iguais. não.resposta conservativa para uma Material: situação e não para outra. C .despeja-se a água de A no vermelhas do jeito do azul. P3. dois recipientes (A. nem mais nem menos. quantidade. vermelhas ... Pedir explicação: "Como você sabe? Como descobriu? Você pode me mostrar o porque? " 108 109 ... outro? " mas as fichas estão mais longe uma das outras..resolve corretamente a questão de Uma garrafa de água colorida..vacilações no julgamento durante cada 8 cm de altura. é igual. Um vidro mais largo e mais baixo (vidro L). em A e pede que a criança despeje a água em A' ela deverá justificar com um ou vários argumentos: na mesma quantidade que está em A: "a mesma coisa. Desenvolvimento: Nível III: O examinador faz a criança constatar que os Condutas conservativas (em torno de 5 anos).de compreensão — você fez mais comprido. correspondentes a aproxima- precisos as respostas de conservação. As perguntas do examinador dão margem as 2 . eu o que está no outro a. " A . damente 1/4 do volume de A (P1...Conservação das Quantidades de Líquidos seguintes condutas: (Transvasamento) A . estreito e alto..A') são iguais.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico correta. P4) D . tem mais do que o outro? Um tem menos que o C . Despeja água Quando a criança apresenta condutas conservativas. Um vidro mais estreito e mais alto (vidro E). se vidrinho E. você só apertou . P2... não. será que vamos beber a mesma coisa / temos o mesmo para beber?' B .

. as quantidades de líqui- Procedimentos Avaliativos: dos são consideradas iguais... P1. relembrar a entre conservação e não conservação. P3. Para cada transvasamento... "Aqui (E) está mais alto . 110 111 . Se a resposta for mantém a resposta ou troca para outro vidro.. mais para beber? Uma criança disse que tinha mais no E porque era mais alto. de volta no A. Face à Contra-argumentação. Retorno Empírico: não. " "Se eu puser o que está em E. igualando A do em (L).A')? Esse é mais estreito No mesmo transvasamento a criança julga as mes- (E). em L. não ficará não. proceder como no primeiro transvasamento quanto O problema de retorno empírico é resolvido corre- à Contra-argumentação e ao retorno empírico. pela Contra-argumentação. "Aqui é mais alto (E) mais fino". não no outro. sempre o contrário da resposta. O pro- correta. ora como iguais. ora conservando em (E) e não conservan- to não acertar fazer o retorno empírico.. 2. P4. "Tem mais O examinador provocará uma reação afirmando porque é mais alto"... em Nível III: quatro vidros. e este é mais largo (L). para outro. chamar a atenção para o nível do líquido nos blema do retorno empírico pode ser resolvido ou dois vidros. " mas quantidades. A criança é capaz de dar Nível I: uma ou mais justificativas (identidade. a mesma coisa. será Os julgamentos se alternam de um transvasamento que vai ter a mesma coisa para beber? " Se o sujei. "Tem mais para beber nesse. tamente. P2.. e proceder como nos Condutas Conservativas (a partir de aproximada- transvasamento s anteriores quanto à Contra-argu- mente 7 anos). igualdade inicial dos níveis: "você se lembra que antes estavam iguais (A. e As justificativas são pouco claras e incompletas. mentação e ao retorno empírico.A alternância do julgamento é suscitada eE.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Contra-argumentação: Em cada transvasamento a criança considera um dos vidros (L ou E) como tendo mais líquido. ora como diferen- tes. o que você acha? " Nível II: Condutas Intermediárias — Julgamentos oscilando Se a resposta for de não conservação. reversibilidade e compensação) Condutas não conservativas (até aproximadamente 5 ou 6 anos). 3º Transvasamento — despejar o líquido de A.Transvasamento — despejar o líquido de A.

O que quanto à Contra-argumentação. faz-se 2 bolas de massa plástica de cores diferentes (diâ. Contra-argumentação : Procedimentos Avaliativos O examinador provocará uma reação na criança afir. "Tem mais na salsicha porque é 112 113 . examinador) em uma bolacha (minipizza.Transformação: transforma-se a mesma bola (do com a mesma quantidade de massa. antes as 2 bolas tinham a mesma quan. mais comprida que a bola. terminando você deve fazer para ficarem iguais? Para uma não sempre pela questão do retorno empírico. pergun- ta ao sujeito: "Se dessa salsicha eu refaço a bola (o 3 -Conservação da Quantidade de Matéria (Quanti- bolinho). terá mais massa "? Você se lembra.Transformação: fragmenta-se a bola inicial em 10 examinador) em uma salsicha (lingüiça). na salsicha ou tem mais na bola ou mais na salsi- cha "? Como você sabe? Você pode explicar? Você Observação: As diferentes transformações podem ser pode me mostrar isso? " feitas pelo examinador ou pelo sujeito. essa volta e. ter mais nem menos que a outra? 1ª Transformação: transforma-se uma das bolas (a do 3. Desenvolvimento : O examinador pede ao sujeito que faça duas bolas 2. "Se fossem bo. Em cada transformação uma das duas quantidades tidade. "Será que pedacinhos e procede-se como nas outras transfor- agora tem a mesma quantidade de massa na bola e mações. panque- linhos e a gente pudesse comê-los seria preciso que ca) e procede-se como na 1ª transformação houvesse a mesma quantidade para comer. iguala-se novamente metro de 4 cm. será que vai ter a mesma quantidade (a dade Contínua) mesma coisa para comer) ou não? " Se o sujeito não Material resolver esse problema de retorno empírico. O que você acha agora? " é julgada maior.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico O julgamento de conservação é mantido apesar das Retorno Empírico : contra argumentações. Condutas não conservativas (até aproximadamente Para resposta conservativa diz: "Veja a salsicha é 5 anos). se for necessário. Nível I: mando sempre o contrário de sua resposta inicial. Antes do examinador refazer a bola inicial.) as bolas até que ela a julgue com quantidades iguais.

ora de não Material: conservação. "Aqui a panqueca é maior.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico mais comprida.por diversas transformações os julgamentos se alternam ora de conservação.as justificativas de conservação são pouco ções de peso indicada pela balança usando objetos explícitas e incompletas. do: "Você pensa que a salsicha pesa a mesma coi- 114 115 .por uma mesma transformação. diversos (pedra. 'é a mesma coisa". o retorno empírico pode ser resolvido ou não. E . A . aparecendo de diferentes sar de Contra-argumentação do examinador e faz maneiras: justificativas adequadas de respostas conservativas.de identidade. bola de massa. mas é mais fina. o sujeito mantém o seu julgamento ou troca de modo O sujeito já é capaz de dar um ou vários argumentos: que a outra quantidade seja maior. pre julgadas iguais.Conservação de Peso: B . etc). usando a balança para isso. 4 . então. apontador. A . é a mesma Condutas Intermediárias. 2 bolas de massa plástica de cores diferentes C . O examinador verifica se o sujeito conhece as rela- D . coisa. " Face às contra-argumentações do examinador. diferentes. tenham o mesmo peso." Os julgamentos das crianças oscilam entre conser. Nível II: B . dizen- dos 7 anos). o sujeito julga Proceder quanto ao 'retorno empírico' como nas alternadamente as quantidades como iguais e provas anteriores. 0 sujeito mantém o julgamento de conservação ape vação e não conservação.a Contra-argumentação do examinador 1 balança com 2 pratos.de compensação'.o problema de retorno empírico resolvido O examinador pede ao sujeito que faça duas bolas que corretamente. Ou tem mais na bola porque é mais Em todas as transformações as quantidade são sem- alta. Nível III: 1a Transformação: o examinador transforma uma das Condutas Conservativas (aproximadamente a partir bolas em salsicha e simula que irá pesá-las. provoca vacilação e alternância de julga- Desenvolvimento: mentos.

reversibilidade e compensação) empírico. a 10 pedaços e procede-se como nas outras transfor- mações. realizando também a Contra-argumentação 5 . mantendo o seu julgamento apesar das contra-argu- 3â Transformação: fragmenta-se a mesma bola em 8 mentações.transforma- iguais. Nível III: Retorno empírico: Condutas Conservativas (aproximadamente a partir O examinador procederá como nas provas anteriores.Conservação de Volume e o retorno empírico. As condutas não de do nível da água nos 2 vidros.2 4). faça duas bolas iguais. carem a mesma quantidade? " 116 117 . 2- de 8 anos). Pede que o sujeito conservativas do sujeito são semelhantes às das pro. como nas provas anteriores. Nível II: tra? Como é que você sabe? " Condutas Intermediárias. tidade e pergunta: "como você pode fazer para fi- tações e no retorno empírico. O sujeito é capaz de dar um ou vários argu- ção. Condutas não conservativas (até aproximadamente 2 bolas de massa plástica (o mesmo da prova n. quanto à Contra-argumentação e ao retorno mentos (identidade. Desenvolvimento: Em cada uma das transformações um dos pesos é O examinador leva o sujeito a constatar a igualda- julgado mais pesado que o outro. como condutas semelhantes às provas mando sempre o contrário de sua resposta. Contra-argumentação: Os julgamentos do sujeito vacilam entre conserva- O examinador provocará uma reação do sujeito afir. ção e não conservação. Transformação: transforma-se a mesma bola em Em todas as transformações os pesos são julgados uma minipizza e procede-se como na \. Falará anteriores da conservação. nas contra-argumen. aparecendo de diferentes maneiras. que tenham a mesma quan- vas anteriores nos julgamentos.o 1).Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico sa que a bola ou será que uma pesa mais que a ou. Material: Procedimentos Avaliativos: 2 vidros iguais com água até o mesmo nível (2/4) Nível I: (os mesmos usados como controle na prova n. 6 a 7 anos).

Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico A seguir o examinador pergunta:" se eu puser esta Nível II: bola dento do vidrinho o que acontecerá com a água Condutas Intermediárias: que esta aí dentro? Por que você acha isso? "Insis- tir até obter algum tipo de resposta sobre o nível de Os julgamentos dos sujeitos oscilam entre conserva- água. o sujeito julga tampa de caixa dividida em 2 partes ou duas caixas que a modificação da forma faz subir a água mais ou baixas iguais. nos?" Em todas as transformações o volume é julgado 1o Transformação: o examinador transforma a segun. Fichas de figuras geométricas recortadas em pape- lão colorido ou fichas de plástico feito para jogo: No retorno empírico o examinador procederá como nas provas anteriores. a água a 2. Excepcionalmente se faz a comprovação ção e não conservação. menos que a água do vidrinho em que ficaria a bola. de 11-12 anos). As justificativas são pouco compreensão (vidro de comparação). ora mais ou menos.bola. explícitas. Falará como nas provas anteriores. Os juízos de conservação se mantém ape- subirá a mesma coisa. mais ou menos que neste (1a sar da Contra-argumentação. Ora a água sobe igualmen- empírica quando for absolutamente necessário para te. Condutas não conservativas (até aproximadamente 6 quadrados de 25 mm de lado (pequeno) vermelhos 8 a 9 anos). igual. Procedimentos Avaliativos: 6 círculos de diâmetro de 50 mm (grandes) verme- Nível I: lhos e 6 azuis. 6 quadrados de 50 mm (grandes) vermelhos e 6 azuis Para cada uma das transformações. "Se coloco neste. ao afirmar o sujeito que a água subirá para o da bola em salsicha (lingüiça) e esboça o gesto de mesmo nível independente da forma que passe a ter introduzi-la no 2o copinho. Continuando: "se pusermos esta outra bolinha no Nível III: outro vidrinho será que a água subirá o mesmo que Condutas Conservativas (aproximadamente a partir neste (o 1o de comparação)? Subirá mais ou me. 6 círculos de diâmetro de 25 mm (pequenos) vermelhos.Mudanças de Critérios: provocará uma reação afirmando sempre o contrá- Material: rio da resposta do sujeito. da bola)? No caso de Contra-argumentação — o examinador 6 . 118 119 .

das bolas pequenas Dicotomia — "Agora gostaria que você fizesse apenas vermelhas. Num desenvolvimento maior. dos quadradinhos vermelhos. bonecos.mudança de critério: "Será que você poderia ain. mas não são locou assim?" coleções justapostas. dois grupos (ou montinhos ou duas famílias) e os colocasse nessas duas caixas (ou nessa tampa divi. 2. ele te duas dicotomias sucessivas. o examinador inicia. Os sujeitos iniciam a tarefa já antecipando as possi- Você pode descobrir outro modo de separar em 2 bilidades. como na 3-. sem ligação entre si. etc. conseguir um começo de reagrupamento dos das essas fichas juntas/ E aquelas? Como a gente subgrupos em classes gerais. etc. segundo diferentes critérios. 3 rosas. me dizer o que está vendo? " Nível II: Classificação expontânea— "Você pode por juntas todas as fichas que combinam? Ponha juntas todas Início de Classificação (aproximadamente 5-6 que são iguais. Dicotomia segundo os 3 critérios."Será que você poderia arru. Ponha juntas as que têm alguma anos). conseguem fazer e recapitular corretamen- grupos?" Se for preciso. Nível III: mar em 2 grupos (montes) diferentes? " Se a crian. Num desenvolvimento maior. pos novos?" Procede-se como anteriormente. Podem também arru- O examinador coloca as fichas em desordem sobre mar as fichas que tenham alguma diferença. Mudança de critério . coisa igual. Procede-se em seguida. Os sujeitos conseguem fazer pequenos grupos não ança terminar: "Você pode me explicar porque co. 7 .Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Desenvolvimento: Os sujeitos arrumam as fichas estruturando figuras de trens. É o monte das bolas vermelhas grandes. mesmo.Quantificação de Inclusão de Classes : Procedimentos Avaliativos: Material: Nível I: 1 ramo com 10 margaridas Coleções Figurais (desde 4-5 anos). Após a cri. antecipados e utilizados espontaneamente. 121 . mudan- a mesa e pede que a criança as descreva: "você pode do sempre de critério e não utilizando todas. uma nova classificação e pede a criança para o 3o critério só sendo descoberto com iniciação do continuar. as que se parecem muito". figurais. ça repetir o 1 o critério:" você já separou deste modo. sem conseguirem uma poderia chamar esses monte aqui? E aquele outro? antecipação de critérios. examinador. " Após o término: "Por que você colocou to. casas. os sujeitos podem dida). segundo 2 critérios. os três critérios são da separar de um modo diferente fazendo dois gru.

Às ve. 1 ficha de papelão com 2 círculos desenhados. mais ou menos fichas redondas Observa-se hesitação na resposta à pergunta 1. Caso o sujeito não responda às perguntas principais.Intercessão de Classes: O examinador verifica se o sujeito conhece o nome Material: das flores e se conhece o termo genérico 'flores'. tercessão. duas subclasses e responde então que há mais mar. então. das quais uma é comum aos 2 círculos. Costuma errar sobre a subtra. que eu pus as redondas amarela no meio? " ção de subclasses (pergunta 3aa e 3ab). to e outro azul que se entrecruzam delimitando 3 A outra. Uma faz um ramo com as margaridas. Inicia. Pede ao sujeito que observe a disposição. flores? " após a resposta: "Como você sabe? Você pode me mostrar? " 5 redondas amarelas e 2 — "Conheço duas meninas que querem fazer 5 quadradas amarelas. sendo as redondas vermelhas e as quadra- damente 5-6 anos). raminhos. Qual foi o ramo maior? " partes. no círculo preto? Mostre. uma série de perguntas: sendo: 1 — "Nesse ramo. e no azul? 122 123 . descreva as fichas e pergunta:" Porque você acha garidas do que flores. tem mais margaridas ou mais 5 redondas vermelhas. faz seu ramo com flores. o examinador diz: Nível III: Como é que você sabe? Você pode me mostrar? Existência da quantificação inclusa (aproximada. Há mais fichas vermelhas ou mais fichas amarelas? Nível II: Há mais fichas quadradas ou redondas? Condutas Intermediárias. Procedimentos Avaliativos: Desenvolvimento: Nível I: O examinador dispõe as fichas nos círculos em in- Ausência de quantificação inclusiva (até aproxima. mente a partir de 7-8 anos). são feitas perguntas suplementares: O que é que tem O sujeito responde corretamente a todas as perguntas. Há a mesma coisa. 1 pre- Depois ela desmancha e me devolve as margaridas.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Desenvolvimento: 8 . das nas partes exteriores e as amarelas nas partes O sujeito faz sistematicamente a comparação das comuns. "Nesse nível as perguntas 3aa e 3ab são respondidas corretamente Após cada resposta do sujeito. do que fichas amarelas? (pergunta de intercessão) zes responde: "E a mesma coisa . "Você conhece o nome de outras flores? Quais?" 3 espécies de fichas do mesmo material e tamanho.

pares (grandes e pequenos) séries de pauzinhos. de a proposta e coloca os bastões em qualquer or- dem para que tome conhecimento do material. faz repetições e pode dar algumas Seriação oculta atrás do anteparo—Se o sujeito acer- respostas corretas. eventualmente. aqui. Desenvolvimento: Ausência de séries (3-4 anos) a criança não enten- O examinador dá à criança 10 bastonetes em desor. Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Procedimentos Avaliativos : pode. a posi- ção. As Verificação da exclusão — Se o sujeito acertar a perguntas suplementares também revelam erros. ou não consegue intercalar os outros. tar o processo de realização. O sujeito fracassa nas duas tentativas de ordenar. Ausência de seriação. feita pelo sujeito.Seriação de Bastonetes: minador. tas suplementares. e eu vou colocando desde a 1a vez. em que estava o bastonete retirado pelo exami- A partir de 6 anos o sujeito faz acertos nas pergun. " Se o sujeito não conseguir.O examinador solicita ao su. na ordem fazendo a escada." Registra-se a maneira e a ordem que ele deu ao exa- 9 . você vai me Crianças a partir de 7-8 anos dão respostas corretas dando os pauzinhos um a um. "Você vai fazer uma escolha com todos esses vas diversas. fazer a demonstração inicial Nível I: com uma série de 3 pauzinhos. e como faz cada escolha e a configuração final. tou a seriação pode-se fazer também de outra forma. dem. nador da escadinha. É importante regis- trar a ordem em que o sujeito escolhe cada pauzinho As perguntas feitas sobre classes separadas são res. 1 anteparo de papelão. o examinador ries entre si. colocando-os em ordem de menor para 3 ou 4 bastões. O examinador solicita: "Agora sou eu que vou fa- Nível III: zer a escadinha atrás desse papelão. mas não coordena as diferentes sé- o maior. 124 125 . Material: Procedimentos Avaliativos: 1 série de 10 bastonetes graduados de 16 a 10 com Nível I: diferenças de um para o outro de 0.6mm. O esboço de séries (4-5 anos) a criança faz tentati- jeito. mas hesita nas respostas de inclu- são e intercessão. ano- pondidas com acerto. o examinador pode pedir que Nível II: feche os olhos e ao abri-lo descubra o local. Seriação a descoberto . As de inclusão e intercessão nessa faixa de idade. seriação a descoberto. justapondo-os.

Teste Bender tões. exclui ou inclui bastões e constrói espontane- amente a linha de base. É uma seriação intuitiva por cópia possível do desenho apresentado pelo regulações sucessivas. Registra-se a sua maneira de construir o desenho da figura e todas as condutas apresentadas Nível III: durante a execução. sentada ao paciente o conjunto de nove cartões. colocando primei. Em O sujeito com facilidade antecipa a escada fazendo seguida os cartões são recolhidos e é solicitado ao su- metodicamente a sua construção. numa única folha. experimentador. mas só a arrumação da parte superior imitan- O Bender é um teste construído por Lauretta Bender do uma escadinha. linhas curvas. um após o outro. o final. deverá fazer a melhor achar o que serve. É constituído por nove cartões em que estão Conduta Intermediária (aproximadamente 5-6 anos). lápis grafite HB borracha 1 folha de papel sulfite (não é apresentado ao paciente a régua) Análise: Em relação ao processo e ao produto final apresen- tado pelo sujeito deverão ser analisados os seguintes aspectos gerais: 126 127 . Em que o sujeito vai por ensaio e erro compondo a série. compara cada bastão com todos os demais até 0 sujeito. à vista do cartão. desenhadas figuras simples ou complexas com linhas retas. linhas pontilhadas. (1938) visando definir índices de maturação percepto- Nível II: motora. jeito que copie cada um dos cartões apresentados pelo ro os bastões menores e a seguir em graduação até experimentador. Êxito obtido por método Operatório (aproximada- Sua aplicação delimita-se a uma sessão onde é apre- mente 6-7 anos).Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Faz uma escada sem considerar o tamanho dos bas. Nesse nível faz a descoberta atrás do ante- Material paro.

O círculo representa a figura feminina e a Acomodação afetividade. Classificação. Representação das linhas retas e das linhas curvas Qualquer deformação no desenho das figuras refle- Adequação do desenho em relação a realidade tirá em suas respectivas correlações. Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Localização espacial Figura A: O círculo e um quadrado Organização do espaço Rotação da folha Domínio da folha Proporção dos desenhos em comparação com a folha O uso da borracha A troca do papel (solicitação de outro papel) Pedido de régua Nesta prancha observaremos especificamente a questão da articulação entre a afetividade e a cognição. ordenação a articulação entre a figura feminina e a figura mas- Reversibilidade culina. Se existe delimitação entre os desenhos Se existe sobreposição de figuras Figura n. seriação.o1/ Cartão n. considerando as seguintes questões: 128 129 . frente aos cartões apresentados.o 2 A questão da viscosidade A questão da decalagem O medo de errar Posteriormente deverá ser realizada análise de cada uma das reproduções elaboradas pelo sujeito. O quadrado representa a figura masculi- na e a cognição.

pode ter necessidade de regras indicando assim um déficit lúdico criativo. não são Analisar a distribuição geral. relacionando à elaboração da angústia da castração.o 5 130 131 .o 4 apresentado ou não.o 4/ Cartão n. A forma como o paciente desenha os pontos pode Observar se o paciente inicia o desenho do maior estar relacionada com a contenção ou agressividade para o menor ou vice-versa (se começa tirando até che- podendo apresentar também uma regressão gar ao menor ou vai acrescentando). visomotora. ciente possui percepção ou se necessita contar um por um.o 3/ Cartão n. Observar como o sujeito desenha. são pontinhos. Nesta prancha a terapeuta deverá ob- servar a seriação. Observar a seriação. a ordenação e a coordenação.Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico A figura é formada por uma série de pontos. e do lápis. Esta figura nos remete à questão feminina e a Os tracinhos remetem às questões cognitivas. utilização da borracha bolinhas e nem tracinhos. estabelecen- do uma correspondência biunívoca. As bolinhas remetem às questões afetivas. ou dificuldade da internalização de imagens (hipoacomodação). Figura n. gura masculina. se desenha de acordo com o modelo Figura n. Se o paciente precisa contar cada um dos pontos. Se o paciente desenha proporcionalmente ou se ele necessita contar um por um dos pontos para elaboração da figura. se o pa- feminina. a fi- afetividade. a figura Observar como é sua seriação e ordenação.

caso apresente deformidades. Caso o pa- ciente necessite ficar contando os pontinhos pode ser indicativo de dificuldade viso-motora.o 8 Observar como é copiado o desenho. Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Psicopedagogia Clínica Figura n.o 7/ Cartão n.o 6/ Cartão n. Esta prancha contém duas Se o paciente liga os pontinhos após desenhar pode ser figuras que se interpenetram e remetem à questão fálica um indicativo de dificuldades em relação a vínculos.o 7 Observar se existem deformidades no desenho. se o paciente apresenta maior facilidade em desenhá-lo com maior curvas indica que ele pode ter problemas com a figura feminina e com a afetividade. se o paciente faz bolinhas ou pontinhos (o padrão correto é ponti- nhos).o 6 Esta figura representa a afetividade e a figura femi- nina. Deve-se observar como é realizado o desenho. 133 132 . esta vai estar relacionada com dade de lidar com a falta (castração). Figura n. a coordenação viso-motora. dese- nhar uma linha contínua pode ser indicativo de dificul. Figura n. Se o dese- nho apresenta-se mais reto indica que ele pode ter pro- blemas com a figura masculina e com a cognição. Se o paciente ao invés de desenhar pontinhos.o 5/ Cartão n. Caso apresente deformidades vão estar relaciona- das com as mesmas. Observar se existe deformação na figura.

Psicopedagogia Clínica Instrumental para Diagnóstico Psicopedagógico Figura n. Esta figura remete às questões fálicas.O terapeuta deverá observar se o paciente faz uma divisão (cercado) entre as figuras. ou seja. começa desenhando bem e vai caindo no seu desempenho. B . Caso as figuras se interpenetrem pode ter indício de que a figura masculina está melhor elaborada pelo paciente. O paciente pode desenhar primeiro uma e depois a outra. Esta atitu- de pode demonstrar dificuldade em estabelecer vínculos. O terapeuta deverá observar a idade do paciente pois este pode estar demonstrando em seu desenho a hierarquia existente em relação à figura masculina. ou seja.o 8/ Cartão n.O terapeuta deverá observar se o paciente apre- senta decalagem em seus desenhos. 134 135 . segunda figura e outras seqüencialmente e não consegue simbolizá- las totalmente separadas. Observações ao Teste do Bender A . à mascu- linidade.O terapeuta deverá observar se o paciente apre- senta viscosidade em seus desenhos.o 9 C . o pa- ciente olha para a primeira figura.

O objetivo básico do tratamento Psicopedagógico. é a desaparição dos sintomas através da resolução dos conflitos cognitivos e inconscientes vivenciados pelo paciente. quando indicado. indicações para a realização do tratamento. O re- ferido atendimento faz parte integrante dos cursos como estágio obrigatório e conta com a minha supervisão in- dividualizada. Através deste relato iremos observar as etapas para o levantamento do diagnóstico clínico. cujo objetivo principal é a prepara- ção para o trabalho que irão desenvolver posteriormente ao término do curso. durante todo o estágio. 136 137 .Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso O Texto no Contexto: Apresentando um Caso O caso aqui relatado foi atendido em uma das clíni- cas psicopedagógicas das instituições de ensino superi- or que oferecem os cursos de pós-graduação em Psicopedagogia Clínica sob minha coordenação. aluno por aluno. servindo apenas como ilus- tração da forma de atuação das estagiárias no atendimen- to supervisionado. O tratamento deve possibi- litar o fortalecimento pessoal do paciente para que este possa elaborar suas questões inconscientes e conquistar a aprendizagem enquanto realização do sujeito na concretização do seu objeto de desejo. caso a caso.

Cursava a segunda série do primeiro grau zes rodava a peça no ar para ver se servia. 138 139 . Hora do Jogo Psicopedagógico. não se percebia autorizado a fa- este é um fato que merece ser ressaltado. Aliás do que ele. foi a existên- cia e ao iniciar a conversa com a terapeuta tudo o que cia de um irmão gêmeo do paciente que também havia ela dizia ele repetia através do fantoche. Foram dita- O paciente mostrou-se tenso e muito agitado neste das as palavras do teste padrão uma a uma: elefante. O paciente escolheu uma figura para começar a formar e O caso que aqui iremos relatar diz respeito a um só encaixava a peça quando tinha certeza de que era a menino. por apresentar dificulda. Ele com as duas rainhas tenha início o festim. mas o irmão sim. um quebra-cabeça ou fazer um desenho. (Aventuras de Alice no Pais das Maravilhas) O quebra-cabeça escolhido tinha muitas peças. Foi solicitado que escolhesse entre um jogo de criaturas do espelho comam e bebam por mim. Teste Aperceptivo Psicope- dagógico. Procurava pelas cores ou desenhos. a quem daremos o nome peça certa. na cabeça a coroa. Foram aplicados os seguintes testes: Sondagem da Antes de iniciar a sessão o pai verbalizou que o Escrita. Ao mundo do espelho vem Alice e entoa: "Tenho o cetro na mão. tigre. Teste da Família Cinética. Ronaldo trouxe para a sessão um fantoche de pelú- O primeiro fato que chamou a atenção. de escola da Rede Pública e foi encaminhado para di. Ronaldo. Teste da Família. " escolheu o quebra-cabeça. Ele disse que antes escreveria a palavra "nome". Foi-lhe entregue uma folha sulfite. que sabe mais". lápis grafite. Ronaldo não faz nada. Durante a montagem do quebra-cabeça por várias agnóstico psico-pedagógico pela fonoaudióloga do vezes ele se referiu ao irmão como aquele que "faz posto de saúde do município. A terapeuta perguntou se sabia porque formiga. Teste do Aprendente. ta que os inúmeros casos de gêmeos que são encaminha- dos por distúrbios de aprendizagem nas clínicas das ins. desde a Pré-Escola. cachorro. como indican- sido encaminhado para ser atendido na clínica. Também não soube informar a série que estuda nem o dia do seu aniversário. bor- tituições aqui referidas.Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso Ronaldo e o Espelho estava ali e ele não sabia. dominó. racha e foi pedido que escrevesse seu nome. de oito anos de idade. primeiro contato. Os dois estudam na mesma sala des na aquisição da leitura e da escrita. rã. às ve- de Ronaldo. tendo em vis- lar/mostrar. Bender e 1 -Aplicação do teste Sondagem da Escrita: Provas Piagetianas. melhor.

Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso Ele não escrevia as palavras ditadas e no lugar es. F por V. foi o que disse). Quais outras trocas podem estar sendo sinalizadas aqui? Tal- escrita como se segue: o enete pisou na vonica vez as decorrentes de possuir um irmão gêmeo? Além disso em nenhuma das palavras Ronaldo re- Primeira Folha Segunda Folha gistrou sílabas com três letras. ram sinalizadas as sílabas indicando que Ronaldo já O quadro a seguir mostra a produção do paciente relacionava a escrita como representação da fala. a sua produção inicial. mas verbalizou que esta sílaba estava faltando) pé uva (formiga. retornando apenas quando ele anunciou haver ter- tempo a terapeuta disse que naquela folha estavam minado. Fo- que ela escolhesse. terceira tentativa) se percebe em relação aos demais membros da família.sem o "fan" porque não sabia escre- laba estava faltando. observando-o através do espe- lho. enete (elefante . segun da tentativa) Por outro lado. edípica: mas verbalizou que esta sí. e que não é pouco. segunda tentativa) r da Família com o objetivo de identificar como Ronaldo (rã.o elefante pisou na formiga -foi que já aparecem trocas na sua produção. parece indicar uma resistência em mostrar aqui- lo que ele conhece. logo após sua escrita sinalizando com o dedo onde estava lendo. primeira tentativa) Na sessão seguinte foi realizada a aplicação do Teste abo rma (rã. foi o que disse). Podemos veri- caroro ficar que Ronaldo já se encontra na fase silábico -alfa- boca xi (tigre . faca 2 -Aplicação do Teste da Família: sonic romã (rã. na primeira cavalo caxoro (cachorro) folha.sem o "fan" estar indicando dificuldades na elaboração da questão porque não sabia escrever. ver. 140 141 . Então. depois de algum ditou-a e saiu de perto. nas duas situações: Entretanto ao escrever a palavra formiga demonstrou A frase ditada ."xi" representa o "ti" e bética com valor sonoro convencional das letras. Para que o paciente escrevesse a frase a terapeuta crevia outra palavra qualquer. primeira tentativa) xi (tigre . vonica (formiga. o resto ele não sabia. Este aspecto poderia ene (elefante) enete (elefante ."xi" representa o "ti" e o resto ele não sa- bia. registradas as palavras que ele escolhera e que ela en- tregaria uma segunda folha para então escrever só o Foi solicitado que lesse as palavras.

então. lápis grafite. trocou por Felipe (outra vez a troca). menor no sentido de desvalorização pessoal. Ele começou desenhando um homem (e o identifi. Talvez isso demonstre desenhar um dos filhos e usou a borracha. parece ter dúvidas sobre o papel integrantes da sua própria família. borra. gráficos trazidos para que ele desenhasse: canetinhas todos os personagens desenhados com o mesmo lápis coloridas. Apagou e a necessidade de diferenciar-se desse irmão que segun- recomeçou. se dessa forma pode indicar que não assume plena- mília representada. giz de cera. havia terminado. e alto. com- prido para a figura feminina e curto para as figuras masculinas. menos o dele que que lhe cabe nessa família. tória sobre essa família mas ele se recusou.Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso Aplicação: Análise: Foram apresentados ao paciente todos os materiais O desenho da família foi feito no centro da folha. Apenas Por outro lado a utilização da borracha ao desenhar- nomeou cada um dos personagens integrantes da fa. Ronaldo coloca-se na posição de quem não sabe. A terapeuta solicitou. Fez distinção sexual através do cabelo. à cha. do A terapeuta pediu que Ronaldo contasse uma his. depois fez a dessa família até mesmo do irmão gêmeo e só nesse mulher (e a identificou do mesmo jeito). lápis de cor. Dessa for- para escrever o nome do cachorro. Começou a momento ele usou a borracha. e todos receberam os nomes dos mente esta posição. um cachorro e pediu do verbalização do pai "é aquele que sabe". novamente. Avisou. dificuldade de mostrar o que conhece. amarelo e pequeno. da mãe. sair da situação de espelho. como ir em busca do conhecimento e se apropriar dele sem ter pés e mãos para isso? Como se afastar para diferenciar-se e poder conhecer? O desenho também não apresenta orelhas e isso pode estar relacionado ao ouvir. o que nos remete. Desenhou 2 filhos. que ma para diferenciar-se. régua e papel sulfite branco. então que ele desenhasse uma família. e não presta atenção para ouvir. O fato de ter se colocado longe do pai e entre a mãe e o irmão pode indicar que Ronaldo percebe que este 142 143 . pois percebo que ele fala muito. Desenhou-se bem menor que os demais integrantes cou como homem mostrando o cabelo). Desenhou-se entre a mãe e o irmão e o pai ao lado Disse que eles gostavam de ouvir rádio e quis de- senhar o rádio. Não desenhou nem as mãos nem os pés dos personagens.

Segundo a mãe a gravidez foi planejada. relação com a falta dos pés apresentada nos desenhos). Nesta etapa do trabalho os pais foram chamados pela As crianças nasceram prematuras. mas Ronaldo não conseguia mamar no peito. tomas. Ela tirava leite para man- tuação afetiva dos pais em relação ao futuro filho. comprar leite. No início deste trabalho já ção intestinal). dar para o irmão que estava no hospital e passou a tirar Da análise de seu conteúdo. verificar se há consciência da lar e a andar a mãe informou disse que os dois demo- família em relação a sua existência. cortando o cor. mas seu vimos que a história do paciente começa na concepção: irmão ficou internado por uma semana. foi filho desejado? Foi o primeiro filho do casal? Como Sobre a amamentação disse que tinha muito leite foi o parto? Teve alguma doença? Tomou algum me. convênio antes e fez exames. talvez se mostre relação com uma situação de não aprendizagem. Passou depois a vantamento da hipótese sobre possível origem dos sin. solicitado a ela que relatasse sobre sua gravidez e Através da análise deste teste parece que Ronaldo sobre como foi esse período. como sintoma na dificuldade de registrar sílabas de Na entrevista veio apenas a mãe de Ronaldo e foi três letras. É preciso que se raram para andar (só por volta de 1 ano). presos durante o dia no carrinho ou no berço. Fez tratamento mas mesmo assim ficou apreen- siva durante a gravidez. e os avós Outro aspecto básico refere-se às condições físicas ge- rais do paciente. Durante a gestação descobriu 3. para o Ronaldo. caso haja um. experimentou vários até chegar ao tipo B. outras doenças podem sempre mandavam tirá-los de lá (estabelece-se assim a prejudicar a aprendizagem. ficava dicamento? Esses aspectos determinam muitos outros sufocado com a quantidade de leite que era maior do pontos posteriores da vida do sujeito. onde descobriu que tinha sífilis. de parto normal. verificar o seu possível deslocamento e a eventual Essa possibilidade. obtemos dados para le. Ela fez um dizagem hipoassimilativa. colher da- dos significativos sobre ele. pois define a si. uma vez que. Ela os deixava tenha acesso ao parecer do neurologista. blemas que podem ter um enfoque psicossomático para dão umbilical inconsciente que ainda o liga à mãe. esta resistência. apresenta características de uma modalidade de apren. 144 145 . que estava em casa. Entrevista de Anamnese: que estava grávida de gêmeos. terapeuta para uma entrevista cujo objetivo principal é Quando saíram da maternidade ficaram doentes (infec- o de resgatar a história de vida do paciente.Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso pai ainda não conseguiu incluir-se satisfatoriamente É igualmente importante traçar uma linha dos pro- nessa relação triangular pai/mãe/filho. Ronaldo foi tratado em casa.. que a que ele podia engolir. É importante pesquisar doenças ligadas à ati- Em relação à como e quando Ronaldo começou a fa- vidade nervosa superior.

só por "irmão". rente.Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso Quanto a fala. A terapeuta solicitou a Ronaldo que desenhas- para entender o que a terapeuta fala. e ficos que haviam sido trazido para a confecção do só os pais os compreendiam. esta ocorreu por volta dos 3 anos. Muitas ve- zes a terapeuta teve que intervir pois ao ser questiona- da sobre Ronaldo. mas até hoje preci- escolheu para desenhar o pai. cor que Deixaram a fralda sem problemas. e depois con- mostrar o que conhece através da escrita) Nunca dei- tasse uma história sobre o desenho. Verbalizou que a cor que mais gosta é azul. Os dois não se chamam pelo nome. mas Aplicação: as crianças tiveram que fazer tratamento com uma Foi mostrado ao paciente todos os materiais grá- fonoaudióloga. pega outra). Não quis contar a história. onde cada um faz uma atividade dife- sua família. e não consegue se uma família fazendo alguma coisa. depois Ronaldo chupou chupeta até mais ou menos 3 anos. Observou todo o material. Tomou mamadeira até os 5 anos (toda manhã na cama). até mesmo no nível simbólico. tudo o que um tinha. Ele desenhou: 146 147 . (Ronaldo tem dificuldades desenho. 4 -Aplicação do Teste da Família Cinética: A aplicação do teste da Família Cinética teve como Análise: objetivo principal identificar como Ronaldo percebe o estabelecimento de vínculos entre os membros da Fez o desenho de uma família sem filhos mas com um cachorro. o outro tinha igual. xou os meninos com ninguém e até hoje não brincam nem em casa de amigos. a mãe tinha dificuldades em não falar sobre o irmão do paciente. Disse que pinta melhor sam ser lembrados para fazer xixi antes de dormir. Agora os meninos estão começan- do a querer coisas diferentes um do outro. viu o que tinha e traba- lhou com canetinhas (pega uma usa e guarda. que o pai. pois apresentavam muita dificuldade. Sempre vestiu os dois iguais. como se tivesse dificulda- des em lidar com os dois separadamente.

o conhecimento Ele avisou que ia desenhar alguém estudando. contasse uma história sobre o desenho. o que Foram mostrados ao paciente. Não quis contar história. como o espelho que apenas reflete. em lidar com situações de evidência. alguma coisa que se apresenta pronta começou disse que havia errado e apagou o que havia para ser repetida. Desenhou uma pessoa assistindo TV. sem nada mos- trar ou fazer? 5 -Aplicação do Teste Par Educativo Buscamos verificar através da aplicação e análise deste teste verificar como Ronaldo percebe a relação Análise: ensinante/ aprendente/objeto de conhecimento. Começou e ficou bravo. mudar de folha. de interação entre os mem. nhado disse que era um homem aprendendo receita no bros dessa família. cou um desenho. é aquele que sabe. todos pode indicar dificuldade em ouvir. não pode se mos- se alguém aprendendo alguma coisa e posteriormente trar . que agora ia desenhar uma pessoa aprendendo receita na TV. o que pode indicar que o paciente tem dificuldade Foi solicitado pela terapeuta que Ronaldo desenhas. Perguntado sobre o que havia dese- tabelecimento de vínculos.Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso A mãe fazendo panqueca. 148 149 . Trocou a folha e em 2 minutos rabis- O cachorro mostrando a língua. pis. Disse. mais uma vez. mas só quem não tem inteligência pode mostrar? Se a mãe na Anamnese verbalizou que o pai é aquele que resolve os problemas. Além disso podemos verificar que X Tudo. nhar mais nada. quis O pai assistindo TV. os materiais gráficos que estariam à sua disposição para Este foi o desenho feito com menos pressão no lá- a elaboração do desenho. a figura materna é aquela que faz. Essa pessoa não Aplicação: tem braços nem mãos. Mal era uma receita. muito bravo e disse que não ia dese- Esta representação pode indicar dificuldade no es. feito. então. Também não tem orelhas. Representou como ensinante a TV. a figura paterna é aquela que assiste passivamente e o cachorro é aquele que mostra. por que Ronaldo o representa aqui como aquele que apenas olha o que os outros mostram.

também. O Texto no Contexto: Apresentando um Caso Psicopedagogia Clínica Esta situação nos remete à maneira como o pacien- te representou o pai no teste da Família Cinética. identificar alguns aspec. não houve menção na história.. mas busca. macarrão. A passividade do aprendente e a dificuldade de interação com o conhecimento podem estar representados pela ausência das mãos e das orelhas. presente na prancha. Posteriormente foram mostra. tos importantes para compreendermos melhor como ele apropriar-se do conhecimento. Por outro lado. O conhecimento está do outro lado do espelho. É como se contasse uma história à partir do desenho contido na este personagem. Aplicação: impede que os filhos da galinha se apropriem do conhe- Foram apresentadas ao paciente as três pranchas cimento. No seu relato." lhos para alimentar. fosse substituído pelo gato. lhotes. Análise: 6 . quando os pintainhos iam comer. Ronaldo.? Aprender é apenas repetir o modelo apresentado. A história É a mesma mãe que faz panquecas. Como aprender atra- vés de um programa de televisão sem orelhas para ou- vir e sem mãos para poder ligar. macarrão. impede que os pintainhos se alimentem. desligar.. trocar o ca- nal etc. mas não tem fi- acaba com um gato. que come pintainhos Título: Macarrão Pequeno mas que na história come o alimento destes pintinhos. aprendente e objeto identificação da modalidade de aprendizagem de de conhecimento. ele vai comer a comida deles.Teste Aperceptivo Psicopedagógico Nesta prancha buscaremos identificar como Ronaldo A aplicação deste teste tem como objetivo geral a percebe a relação entre ensinante. um gato vem e come o lida com o conhecer/não conhecer. "Eu sei o que eles vai comer. da tv. que compõem o teste. a mãe que dá o alimento aos seus fi- prancha apresentada. A mesma mãe que tem muito leite 151 150 . da das uma de cada vez e foi solicitado que Ronaldo figura da galinha/galo. Neste teste Ronaldo indica uma modalidade de aprendizagem hipoassimilativa/hiperacomodativa.

Entretanto. mãe. avó ficam em casa. ele fica na floresta enquanto que pai. 152 153 . E o mais interessante é a situação de imobilidade presente nessa casa. ninguém conversa. Aí o macaquinho abaixou assim ó. ape- De qualquer forma essa história mostra que ele não sar de biruta. Pode significar que para Ronaldo a possibilidade de conhecer está na possibilidade de se diferenciar da fa- mília. Sentado é o pai e a mãe. Os dois lados do espelho. bastante sugestivo uma vez que atribui ao macaquinho uma incapacidade mental." Análise: Nesta prancha tentaremos identificar como Ronaldo percebe a circulação do conhecimento na sua família. quem é esse macaquinho: é o macaquinho biruta ou é o macaquinho esperto? De que lado do espelho ele está? Esta é outra troca de papéis que está cristalizando-se como um sintoma. Ele contou algo que não estava na figura. tinha um Título: Cachorro Safado monte de bicho. Movimento. ele se consegue se apropriar do conhecimento. de passar para o outro lado do espelho. No quadro é a avó. esse macaquinho não convive com essa família. perigo e possibilidade de mostrar esperteza só aparece na flores- ta. e a outra é a avó e o quadro é a bisavó. não existe interação. fugiu do menta e para não correr o risco de perdê-lo. e como se percebe enquanto alguém que pode conhecer. interação. na troca de letras que Ronaldo já mostrou anteriormente. Entretanto o título parece ser amamentá-lo.Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso para amamentar mas que sufoca o filho quando o ama. "Uma vez o macaquinho estava na floresta. deixa de que estava representado. e o leão abaixou a cara. Afinal. a macaca é a mãe. e portanto incapaz mentalmente. Além disso. Apareceu um leão e aí ele pulou em cima do macaquinho. ele é biruta. mostra mais esperto do que o próprio leão que vem Título: Macaquinho Biruta atacá-lo.

Aplicação do Teste Hora do Jogo mas o cachorrinho não gostava. fechou o vidro e devolveu-o na caixa. bem fina" e depois os guardou. entre eles a história de Peter Pan. devolvendo para a caixa. e por mostrar o que conhece. brincou um pouco e depois guardou-as no vidro Esta história contada por Ronaldo me faz lembrar de e na caixa. Olhou bem e do. e a porta estava trancada. É como se Ronaldo Pegou o saco de argila. como ele trabalha as questões cognitivas rela- Nesta prancha estaremos verificando como Ronaldo cionadas às habilidades mentais de classificar. sozinho. percebe a questão relacionada a aquisição de normas. preso e foge. Mas ele sabia tomar Psicopedagógico: banho sozinho. Fim!" outro lado. ordenar. é obrigado a ficar preso onde está: no banheiro (ou disse: "Tem que abrir isto aqui". alguns contos de fada. tomar banho. 154 155 . abria os recipientes. apesar deste naquela sessão ele iria brincar com o material conti- ser capaz de realizar a tarefa. perguntou o que era e ele reconhecesse. sem possibilidade de voltar Abriu o vidro de bolinha de gude. Então guardou. tirou as bolinhas. Aí a mãe trancou ele no banheiro e aí A aplicação deste teste tem como objetivo geral iden- ele fugiu pela janela. seriar. Com isso ele não consegue retornar à sua manuseava e guardava. Ronaldo tentou abrir e não conseguiu. é puni. Contou as boli- nhas. devolve. do coisa por coisa. Por novo. e então abriu. Foi olhan- no espelho). regras. como ele se Análise: aproxima do conhecimento. casa pois encontra a porta fechada. representa crescer. ao estágio anterior. Entretanto ele se recusa a ficar onde está. tirava da caixa. Por conhecer. apontou o lápis porque "a ponta é Hipoassimilativa. Aí ele ia entrar na casa dele de tificar a modalidade de aprendizagem do paciente. também. observa. que conhecer representa a mesmo respondeu que era massinha. limites. novamente. perda do paraíso. como ele lida com o não conhecer. conhecer representa desligar-se des- sa mãe.Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso "Uma vez a mãe do cachorrinho ia dar banho nele 7 . Aplicação: Neste relato Ronaldo mostra uma situação em que A terapeuta apresentou a caixa lúdica dizendo que a mãe insiste em fazer algo para o filhote. do na caixa. Continuou olhando coisa por coisa da mesma manei- A análise deste teste sugere que a modalidade de ra: tira. estaremos analisando. Quando achou um lápis pro- aprendizagem apresentada por Ronaldo é curou o apontador.

olhou tudo o que tinha sem espalhar da estava brincando com a prancha e os canudos. Quando já havia formado uma vara grande. en- Constantemente olhava para a mão suja de purpurina. guardar. olhava. emendar Foi possível observar os três momentos: mais palitos àqueles. identificava e nho. foi me contando sobre um jogo do seu vídeo-game que também era difícil. Ain. A) Inventário: tirava.Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso Encontrou dois potinhos de lantejoulas e purpurina. começou a encaixar os canudos Análise: nos furos. em se di- parar sua altura com a vareta. Folheou algumas revis. então foi dentro da caixa. Disse que iria fazer aquilo sozi. Então. Abriu. um vara de pescar. De repente emendou um canudo no outro e achou interessante a descoberta. questionou. po estava acabando. tudo Encontrou uma prancha cheia de furos. então ele começou a se irritar com beu que sua mão estava suja. Perguntou: "Será que meu ir- bolizou (depois de muito tempo). disse guar- que ia pescar e começou a fazer de conta que aquilo era dava cada uma das coisas. Logo que a caixa lhe foi apresentada ele começou a mostrou sua roupa que era sobre o jogo (Sonic). ele disse: "Ih. Ele. Falei a ele que nosso tem- Quis abrir o de purpurina mas desistiu quando perce. tudo pelo chão e quando achou algo que o interessou formou a brincadeira (isso foi já na metade da sessão). vareta de canudos e ficou achando o máximo o tama- investigou. mesmo sem eu falar se era ou não para pegar os canudos e disse "vou ver se dá para fazer al. pois estava canudos falou o que ia fazer (planejou) e sim "coloridíssimo". explorá-la. mão consegue fazer isso?" De repente um dos canudos se soltou e ele disse: "Ih. Avisei que o nosso tempo havia acabado. tio. tas e ficou observando uma página com vários relógios. procurando detalhes. Foi até o espelho para com- Parece apresentar dificuldade em classificar. guma coisa". mas demorou a entrar no jogo. nho do que ele construiu. juntou e guardou os canudos (Estávamos na metade da sessão). o brinquedo. 156 157 . Disse não parecer ter sido ferenciar do objeto do conhecimento. em se afastando feita por ele. Fantasiou que era o chicote do Beto do espelho. De novo o espelho. e algumas outras coisas que estavam no chão. disse. tão. Continuou brincando com a Olhou tudo com muita atenção. achando ruim que estava se desmontando. Carrero. Enquanto fazia isso. sujou"." Arrumou e novamente se soltou e o que imaginou com os canudos (execução). resolveu. quebrou! Não mexo mais nas C) Integração ou Apropriação: começa a construir coisas do meu tio. Então. desmontou a vareta. Continuou a emendar canudos e B) Organização: quando achou a prancha e os gostou do que estava fazendo.

distribuindo bem as figuras e não exagerando o tamanho Figura 3: desenhou em ordem crescente. pontos x bolas me disse o número de pontos sem contar (teve a visão (classificou) do todo). . não tangenciou. feito porque percebeu que não estavam inclinadas. pois. . Análise Cognitiva: Figura 1: iniciou a cópia e apagou. olhava e desenhava. Fez pontos mesmo. Análise Psicopedagógica: Figura 2: começou a desenhar as bolinhas. fez a O objetivo principal deste teste relaciona-se à co. Figura 6: fez as duas linhas onduladas Foram apresentados a Ronaldo todos os cartões e interseccionados. também. posteriormente foi solicitado que copiasse as figuras Figura 7: desenhou os dois polígonos uma a uma. Recomeçou e . 158 159 . curva e a tangência. era difícil fazer sem ela. apenas alongou o ân.Usou a borracha apenas duas vezes. interseccionados. Não ultrapassou limites e tinha trazido a régua.Seriou (figura 1) e ordenou (figura 3). respeitando retas e ângulos. parou e pediu para contá-las.Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso 8 -Aplicação do Teste Bender Figura 5: fez bolinhas no lugar dos pontos. das mesmas. .Não apresentou problemas com retas ou curvas. Apagou as 2 fileiras que havia .Diferenciou curvas x retas. Disse tangenciou as figuras. Relação simbiótica adequada que não. Análise da Produção: Figura 8: desenhou uma figura grande com uma fi- Figura A: começou o desenho e me perguntou se eu gura pequena dentro. (mãe e filho juntos). Figura 4: copiou a figura com ângulos e curvas. . sem con. gulo que tangenciou o círculo. respeitando retas e ângulos.Não mudou a folha de posição.Não apresentou dificuldades em assimilação prejuízos na questão afetiva/cognitiva. pode ser indicativo. tar (visão do todo). Não contou. (reconstrução do desenho) e acomodação (esquema das figuras). Pode sugerir . mas . chegou bem próximo. fez uso novamente da ordenação visomotora. da visão do todo (Gestalt).Ocupou bem o espaço da folha. necessidade ou não de uma avaliação neurológica. Não distorceu a figura.Adequou o desenho à realidade (copiou) Quando terminou conferiu o número de bolinhas.

los e finalmente os triângulos. 161 160 .O paciente separou primeiro pelos atributos dasse na caixa primeiro os quadrados. Só percebeu quando eu novamente questionei. Depois passou a juntar apenas por cor. B. Teve um pouco de difi- Então comecei a questionar a mudança. Avaliação: . cebeu e voltou ao que fazia no início.Pedi que organizasse agora em apenas três classes. mas logo de pois começou a separar a forma. mas não Atividades com varetas coloridas conseguiu.Colocar em ordem crescente as figuras dois ou três atributos simultaneamente. então ele começou a separar por cor. Respondeu adequadamente à sua idade. Composição de Classes: . culdade. Resposta do Paciente: Não. Primeiro separou / classificou. misturando as co res. Correspondência Termo a Termo: Pergunta da Terapeuta: Todas as peças azuis são círculos? A terapeuta fez uma fileira de varetas e pediu a Ronaldo para fazer outra igual. aí ele per. depois os círcu- cor e forma. Seriação: Avaliação: Deveria ter conseguido classificar com A .Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso 9 -Aplicação das Provas Piagetianas Pergunta da Terapeuta: Todas os círculos são vermelhos? Classificação: Resposta do Paciente: Não tem círculo vermelho.Organizar os blocos lógicos por classe: Quando terminou a terapeuta pediu que Ronaldo guar- .quadrados vermelhos e azuis e círculos azuis Conservação de quantidades descontínuas: Pergunta da Terapeuta: Todos os círculos Foram apresentadas duas duas fileiras com a seguinte configuração: são azuis? IIIII Resposta do Paciente: Sim IIIII Pergunta: Onde tem mais? Perguntada Terapeuta: Todas as peças vermelhas são quadradas? Resposta: Ronaldo respondeu que na primeira fileira tinha mais. Resposta do Paciente: Não. A .

Comparação de Desta vez Ronaldo afirmou que a fechada era a maior. sua fileira aparente.Comparação de duas semi-retas iguais Conclusões: . Resposta: A reta aberta é maior. Pergunta: Elas são Pergunta: Os pedaços de barbante que você está igualmente longas? vendo aqui em cima da mesa são do mesmo tamanho? Resposta: Sim Resposta : O barbante reto é maior. vetores e fez a mesma pergunta. B .Fixa-se apenas num aspecto (incapacidade de descentração). um foi colocado reto e o outro for- A terapeuta deslocou uma das varetas: mando curvas.Não justifica seus raciocínios (egocentrismo). (Como ele e seu irmão gêmeo. varetas Observou as varetas iguais conforme Deveria responder. de modo que parecesse menor. (mas não Só percebeu que eram iguais quando a terapeuta justificou) esticou o segundo pedaço de barbante que estava em forma ondulada.Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso Avaliação: A terapeuta mudou a apresentação. Pergunta: Qual das duas é a maior? . 162 163 . que eram do ilustrado aqui: mesmo tamanho. mudando os Não correspondeu termo a termo. em ambos os casos. C .Barbante A terapeuta apresentou dois pedaços de barbante do mesmo tamanho. que eram iguais apenas na aparência?) Conservação do Comprimento A . mente era igual a da terapeuta.

te identificadas. ou aprender com dificul. da família e No momento do diagnóstico. pretende-se fazer um muitas vezes da escola. classe sócio-econômica. lação a uma conduta esperada. conforme já foi rentes situações de aprendizagem. blemas na nossa vida. exigência familiar. Busca-se observar.Seu pensamento não apresenta to. do não mostrar o que aprendeu ou de fugir de história que vai sendo construída desde o sujeito e desde o grupo familiar. tais como: formação cultural. um modelo que vamos utilizando nas dife- O diagnóstico Psicopedagógico. estão presentes. Neste período há uma exploração lin- 164 165 . pais. exigências escolares durante alfabetização. É muitas vezes. um molde.Está muito preso ao sensorial. é uma investigação. paciente se relaciona com o conhecimento e dos des- Pelo resultados dos testes aplicados.Psicopedagogia Clínica O Texto no Contexto: Apresentando um Caso . Algumas variáveis são facilmen- reversibilidade. de acordo com a real experiência de situações de aprendizagem. Fechamento do Diagnóstico: A modalidade de aprendizagem é como uma matriz. quando indicado. A partir de uma posição clara destas questões torna- dades com o Operatório. Nível Cognitivo: Nível exigência escolar. é o desenvolvimento da capacidade sim- a quantidade das causas que se cristalizaram em sin. de aprendizagem. adequação da relação entre conteúdos Pré-Operatório escolares e o desenvolvimento de estruturas de pensa- mento. sabendo que tal modalidade tem uma dades.Operatório. que Ronaldo apresenta-se no período Pré. se possível traçar rumos a serem seguidos no tratamen- . bólica. Ela se constrói desde o nosso uma pesquisa do que não vai bem com o sujeito em re- nascimento. idade cronológica. tem dificul. durante o processo de diagnóstico. onde a criança começa a usar símbolos mentais toma e sua importância no desenvolvimento da (imagens ou palavras) que representam objetos que não aprendizagem. fugir do conhecimento por aprendizagem e como foi interpretada por ele e seus considerá-lo perigoso. desnudar e começar a escla- Pretende-se. corte que permita observar a dinâmica da modalidade Trata-se do a não aprender. de resolução de pro- colocado no início deste trabalho. O psicopedagogo busca identificar e compreender O principal progresso deste período em relação ao sen- esses parâmetros que permitirão definir a qualidade e sório-motor. do próprio sujeito. em relação aos vios que podem estar ocorrendo no processo de apren- aspectos do desenvolvimento cognitivo verificou-se dizagem. recer os significados da modalidade de aprendizagem obter uma compreensão ampliada da forma com que o sintomática. o clare- ar de uma queixa.

linguagem. nem sua necessidade de .inclusão de classes: a criança tem dificuldade em entender que uma coisa possa pertencer ao mesmo tem po a duas classes. As principais características desse estágio Hipoacomodação: que aparece quando o ritmo da identificadas em Ronaldo foram: criança não foi respeitado. que a modalidade da atividade do bebê é a circularidade. Assim podem aparecer problemas na aquisição de anteriormente só se referia ao particular. . Isto resulta num déficit lúdico. embora a criança não seja capaz de estabele. bem como a capacidade de 166 167 . a internalização das ima- .hipoacomodativa. isto por sua vez atrasa a res inanimados suas próprias características.centralização: onde a criança geralmente consegue perceber apenas um dos aspectos de um objeto ou acon tecimento. ração.classificação: quando se pede às crianças para clas sificarem um grupo de formas geométricas elas agru pam as coisas ao acaso. mas esta não pode ser exercida no caso de perder-se o . imitação adiada e. pois não tem uma concepção real dos princípios que orientam a classificação. O Texto no Contexto: Apresentando um Caso güística. . disfunção do papel antecipatório da imaginação criadora. . como num espelho. . Atribui a se objeto sobre o qual se aplica.seriação: dificuldade em lidar com problemas de ordenação e seriação. coordená-los.animismo: é a fase do faz de conta.pensamento egocêntrico: é a incapacidade de se repetir muitas vezes a mesma experiência. e na cer relações entre objetos em nível abstrato de compa. Sabendo-se colocar no ponto de vista de outrem. portanto. Em relação à modalidade de aprendizagem Ronaldo apresentou características relacionadas à modalidade hipoassimilativa .pensamento intuitivo: chega a generalização visto que gens. As principais características dessa modalidade são: Hipoassimilação: os esquemas de objeto permane- cem empobrecidos. quando os estímulos são confusos e fuga- zes.

Voltamos lépidos Antes que o sol da tarde suma.Psicopedagogia Clínica Considerações Finais Considerações Finais _________________________________________ E assim cresceu este País das Maravilhas. sem falha alguma A estória. também desconhece. o psicopedagogo clínico que con- seguir lidar com a própria angústia gerada pelo não saber. mas principalmente no competência téc- nica adquirida através do conhecimento teórico dos referenciais que apoiam a prática do psicopedagogo. só será capaz de lidar com o paciente. não possui todas as res- 168 169 . enquanto terapeuta. Uma a uma Surgiram as suas aventuras Está pronta. mais do que qualquer coisa. bem como sensibilidade e maturidade emocional do terapeuta que vai permiti-lo explorar a multiplicidade de aspectos pertencentes a cada situação. Porém. Será fundamental reconhecer que. (As aventuras de Alice no País das Maravilhas) Como conclusão final do processo de diagnóstico aqui apresentado cabe lembrar que o processo de um diagnóstico não reside somente nos vários instrumen- tos utilizados.

. Atualidades Pedagógicas.. 170 171 .A.geralmente se chega noutro lugar. tem que correr pelo FERNANDEZ. muitas vezes auto-conhecimen- to. elas ANDRADE. aqui. quando se quer ficar no mesmo lugar. quase sem tocar o solo com os pés. como fizemos agora. Tradução de Jurema Alcides Pois bem. pararam. juntamente com o paciente. Fundamentos para um Trabalho Construtivista. Porto Alegre. L'Eau et les Revés . rumo ao conhecimento. Porto Alegre. -Em nossa terra . 1990. .Ora essa. esperava? Brasiliense. o caminho que cada um deverá trilhar.gritava a Bibliografia Rainha. Ed. até que de súbito justo quando Alice parecia morrer de cansaço. Bender Infantil .Psicopedagogia Clínica Bibliografia postas nem a possibilidade de solucionar o problema do outro. Artes Médicas. G.Alice olhou em volta de si muito surpreendi- BACHELARD.Corre. São . Tradução de Iara Rodrigues.disse a Rainha.P. 1980. aturdida e sem fôlego. quando se corre Paulo. 1988. Cabe ao psicopedagogo clínico buscar o prazer de descobrir. L. Aventuras de Alice ..O que você BENJAMIN. . Corti. 1993. CLAWSON. Ediciones Nueva Vision. Artes menos duas vezes mais rápido do que agora. po todo! Está tudo igualzinho! -Claro que está . R. São Paulo. Se você quiser ir a um lugar diferente. que se puder.. Saindo do espelho . Paris. veja. Librairie José da.Mais depressa! Mais depressa! .explicou Alice arfando um pouco CARROL. . Técnica." . individual e solitariamente. do espelho e o que Alice encontrou lá) ___________________ La Sexualidad Atrapada de Ia Senorita Maestra : una lectura psicopedagógica dei ser mujer. Ia corporeidad y ei aprendizaje. Arte e Política . Magia.Que terra mais vagarosa! . A. A Inteligência Aprisionada. Buenos Aires. . Summus. tem que se correr o mais depressa Cunha.Manual de Diag- . nóstico Clínico. 1992. corre! .comentou a Rainha. Alice viu-se sentada no chão.E iam tão velozes que finalmente pareciam deslizar pelos ares. W. acho que ficamos sob essa árvore o tem. 1980 muito depressa e durante muito tempo. (Através Médicas..

pag. Brasiliense. 1987. W. Librairie José Corti. K. Cultural e Industrial. Ediciones Nueva Vision. Ed. pag. 8 BETTELHEIM. Inconsciente Afetivo e Inconsciente Cognitivo in Problemas de Psicologia Genética. 1997. Magia. Alicia. Arte e Política . São Paulo. São Paulo. Técnica. Editora Pioneira.226. Brasiliense. São Paulo. 1993. "BENJAMIN. 1983. 1993. 5 PIAGET. Paris. S. Abril S.A. Inconsciente Afetivo e Inconsciente Cognitivo in Problemas de Psicologia Genética. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem. Buenos Aires. Técnica. Inconsciente Afetivo e Inconsciente Cognitivo in Problemas de Psicologia Genética.2. B. B. Referências Bibliográficas PAIN. K. Tradução deEsméria 3 BENJAMIN. pg. BACHELARD. e ZELAN. Magia. Técnica. São Paulo. 16. São Paulo. 1988. La Sexualidad atrapada de Ia senorita maestra : una lectura psicopedagógica dei ser mujer. Abril S. Arte e Política . 1993.A.Psicopedagogia Clínica Referências Bibliográficas LAPLANCHE E PONTALIS. W. Jean. Ia corporeidad y ei aprendizaje.A. pag. pag 56. FERNÁNDEZ. 206.61. PIAGET. Criança na Teoria de Piaget. WADSWORTH. São Paulo. pag. 1983. Rovai. Magia. J. Cultural e Industrial. Martins Fontes. Porto Alegre. G. 2BENJAMIN. 172 173 . W. tradução de Ana Maria Netto 1 Machado. pag . 1992. Inteligência e Afetividade da Brasiliense.. Cultural e Industrial. Arte e Política .61). B. e Zelan. Jean. São Paulo. pg. (Bettelheim. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo. 1985. Abril S. L'Eau et les Revés . Artes Médicas. 1987. 1997. Psicanálise da Alfabetização. 1983. 224. 6 PIAGET. J.

Edna. Maria Cristina Faria Cury. e a Otéliapela sua generosidade. e a Jôsi Tanaka pela paciência e bom humor com que realizou a diagramação. Luciana. Agradeço a Dra. A Angela Arantes pelo carinho com que tratou desta edição. em Buenos Aires. Graça e Valquíria. 175 . A eles. paciência e sensibilidade minha caminhada rumo a mim mesma.Agradecimentos ________________________________________________ Este livro não teria sido possível sem o apoio e a confiança dos dirigentes das duas Instituições de Ensino Superior nas quais este trabalho tem sido desenvolvido: a Universidade de Santo Amaro e o Centro Universitário de Osasco.Ananias Pereira Porto. por estarem presentes. pela amizade e pelo privilégio de tê-la como companheira de trabalho durante todos estes anos. no nascimento deste livro e por me acolherem com amor naquele momento. que encontram nestas instituições o atendimento Psicopedagógico clínico gratuito. Beth. A Cristina. não só o meu agradecimento como o de toda a comunidade carente das regiões de Santo Amaro e de Osasco. Diretora da Faculdade de Medicina de Santo Amaro e do Centro de Saúde Escola Dr. A Alicia Fernandez. Roberta. agradeço por ter acom-panhado com carinho.