Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. M.

Marangon

Unidade 01 – Geologia Aplicada à Engenharia

1. 1. - Aplicações da Geologia em Projetos de Engenharia Civil

1.1.1 - Atividades de Superfície :

a) Obtenção de materiais para construções em geral.
b) Construção de estradas, corte em geral e minas a céu aberto.
c) Fundações de Edifícios.
d) Obtenção de água subterrânea.
e) Barragens de terra e aterros em geral.
f) Túneis e escavações subterrâneas.

a) Obtenção de materiais para construções em geral.

A procura de ocorrências naturais (jazidas) de materiais de construção como pedras,
saibros, areia ou cascalho, argilas para exploração, constitue uma das fases importantes do
planejamento das obras civis de vulto. Nas obras situadas nas grandes cidades e nas
proximidades das mesmas, o material de construção necessário poderá ser adquirido de
fornecedores (pedreiras, areais, ...) já instalados. A maioria das grandes obras rodoviárias,
ferroviárias, hidráulicas, habitacionais etc. , no entanto, utiliza jazidas próprias.
A foto aérea abaixo (Jornal Tribuna de Minas – J. Fora/MG) ilustra o aspecto do grande
impacto, face a alteração do relevo, em que implicam algumas obras, em que há grande
movimentação de terra.

Figura 01 - Exemplo de Obra de Terra (Terraplenagem do Carrfour, em Juiz de Fora/MG)

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A localização adequada das jazidas que forneçam materiais de boa qualidade é um dos
fatores que mais influem no custo e no andamento das grandes obras civis.

Identificação de jazidas naturais para exploração de material:

- Pedreiras (Pedra): Utilizadas para confecção de concretos, pavimentação,
revestimentos de fachadas de edifícios ,etc...
- Jazidas de Cascalhos e Areia: Utilizados para revestimento de leitos de estradas,
construção de aterros de terra, concretos, obras de drenagem, etc...
- Jazidas de Argila: para impermeabilização de obras de terra, para cerâmica em geral
(fabricação de tijolos).

A fotografia (figura 02) mostra um exemplo de obra - construção de aterro - em que o
material utilizado na construção é basicamente um solo argiloso (argila) extraído de jazida
(assinaladas com setas) próximo ao local de construção do aterro, com pequena distância de
transporte do material.

Figura 02 - Vista da construção de aterro nas proximidades do Aeroporto de Juiz de Fora

A potencialidade de uma região, quanto à possibilidade de existirem ocorrências
favoráveis para a exploração de jazidas (materiais minerais nobres, como o mármore, granito...)
pode ser verificada facilmente pelo simples exame dos mapas geológicos. O sucesso dessa
verificação dependerá muito da peculiaridade geológica da região e dos detalhes dos mapas
disponíveis.

A utilização das rochas e dos depósitos naturais de sedimentos como materiais de
construção em obras de engenharia são intensas e, normalmente, são utilizadas como: agregados
para confecção de concreto, blocos para revestimento de fachadas de edifícios, proteção de
taludes de barragens, pedra britada para os leitos de ferrovias, aeroportos e rodovias, blocos para
calçamentos de ruas, etc.

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A exploração de uma pedreira ou de um depósito de argila, areia, cascalho, depende de
três fatores básicos:
• Qualidade do material: não deve haver alteração no material pelo intemperismo e
nem o mesmo exibir fraturas demasiadas. Como exemplo, sabe-se que as pedreiras de
basalto e diabásio se prestam para extração de paralelepípedos para calçamento; que as de
calcário e arenito cozido são utilizadas para revestimento de fachadas; que as de mármore
servem para o revestimento de interiores.
• Volume de material útil: este fator é calculado pelos métodos usualmente
empregados em geologia. A investigação de toda jazida é feita através de um
reconhecimento geológico superficial, complementado por prospecção através de
sondagens mecânicas, poços, furos a trado, é até mesmo por métodos geofísicos.
• Localização geográfica da jazida: se as distâncias do depósito à obra ou aos centros
consumidores for considerável, o material pode se tornar anti-econômico.

Obtenção dos materiais de construção
Esses materiais podem ser obtidos de diferentes formas:

• Pedreira: são abertas para a obtenção de pedra britada, a fim de se confeccionar
concreto para pavimentação ou mesmo blocos de revestimentos de fachadas de edifícios. As
pedreiras são, normalmente, localizadas em rochas ígneas ou metamórficas. As especificações
mínimas que uma pedreira deve ter para ser explorada, são as seguintes:
A rocha deve ser durável e estar inalterada.
Apresentar pequena cobertura de solo no local.
Possuir topografia favorável, isto é, encostas ou faces íngremes que facilitem o
desmonte.
Alguns exemplos de cidades brasileiras que possuem pedreiras voltadas para
revestimento de fachadas: Itu e Cachoeiro do Itapemirim (granito), Ubatuba (gabro ou “granito
verde”), Piracicaba (calcários listrados), São Carlos (arenitos róseos), entre outros. Deve-se
também dar um destaque especial ao mármore encontrado, nas mais variadas cores, na Bahia,
Minas Gerais e Ceará.

• Jazidas de aluviões ou de solos residuais: quando o material não é rocha, a
exploração se dá através dos depósitos de aluvião ou dos solos residuais.
Os aluviões são fontes dos seguintes materiais:
Cascalho: para concreto, revestimento de leitos de estradas de terra, etc.
Areia: para confecção de concreto, fundações, filtros de barragem, etc.
Argila: para cerâmica em geral, núcleo impermeável de barragem, etc.
As jazidas de solos residuais (áreas de empréstimo): quando o material é solo (maduro –
argila laterítica – cores em tons de vermelho e laranja) a exploração se dá através dos depósitos
formados pela “capa” de solos residuais. Os solos argilosos (nunca siltosos) são fontes dos
seguintes materiais:
Argila: para construção de aterros em geral.
Argila: Construção de estruturas compactadas com finalidade de trabalhar com
permeabilidade baixa.

Métodos de investigação

• Pedreiras: a seleção preliminar deste tipo de área é feita através de observações em
mapas topográficos, geológicos e por fotografias aéreas. Posteriormente, visita-se o local,
utilizando-se de métodos usuais de investigação, como abertura de poços e trincheiras, execução
de sondagens e até de aplicação de métodos geofísicos (sísmicos e elétricos).
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qualidade. As investigações geológicas para este tipo de ocorrência devem ser feitas. gabro. Métodos de exploração de jazidas 17 . quente e húmido). gabro e diabásio. Condições hidrogeológicas: observação da cota do nível d’água nas diferentes estações do ano. usadas com e sem polimento. como é o caso de gnaisses e quartzitos. levando-se em conta os seguintes pontos: Aspectos topográficos do local do depósito (vale.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. quartzito. mármore. • Solos residuais: são usados normalmente como áreas de empréstimo para aterros. barragens. estimam-se. após a lavagem e seleção por tamanho. o diabásio e o gnaisse. o basalto. Porém. • Solos de aluvião: podem fornecer areia (para concreto. a ocorrência ou não de capa de solo de recobrimento. itacolomito (pedra-mineira). etc): tais informações podem ser obtidas através de mapas plani-áltimétricos. em escalas convenientes. • Paralelepípedos: as rochas mais utilizadas são o granito. usam-se também algumas rochas metamórficas. Rochas e solos mais comuns e sua aplicação • Pedra britada: em construção civil. gnaisses. pois tendem a formar fragmentos em placas. as rochas mais utilizadas são as magmáticas como o granito. a sua composição mineralógica aproximada. pode-se citar o granito. A presença de água poderá exigir o uso de bombas para sua retirada durante a exploração do depósito. diabásio. a natureza das rochas adjacentes. utiliza-se até rochas sedimentares como o calcário e o siltito. a variações locais em granulação. em alguns casos. É necessário conhecer a posição do nível d’água para determinar o tipo de equipamento que vai ser utilizado na extração do material. Normalmente são localizados ao longo de rios. Solos Residuais: são concentrações de solos maduro. Como exemplos. Cubagem e propriedades físicas do depósito (basicamente granulometria): na cubagem. formado a partir de processos de pedogenese (alterações realizadas pelo meio – clima tropical. bem como de sua qualidade. filtro ou fundição). separadamente. Normalmente são localizados ao encostas não muito íngremes. M. sendo que os materiais mais comuns encontrados neste tipo de depósito são as areias. Usam-se também depósitos naturais de cascalho em aluviões. argilas e cascalhos. que são. principalmente nas suas confluências ou em suas planícies de inundação. juntamente com fotos da ocorrência. Eventualmente. menos favoráveis. porém. cascalho (para leitos de estradas e concreto) e argila (para cerâmica). ao invés de equidimensionais. Marangon • Depósitos naturais Aluvião: são concentrações de solos constituídas pela ação da água ou vento. as partes situadas abaixo e acima do nível d’água. etc. entre outros. Geologia do depósito: considerar as características do depósito. terraço. após a ação do intemperismo de solos de alteração de rocha. observando as rochas que o originaram. ardósia. • Revestimentos de fachadas e pisos: as rochas mais comuns são as magmáticas e metamórficas.

Peneiras para seleção dos fragmentos. b) Construção de estradas. dependendo do volume a escavar e da eficiência pretendida para a obra (velocidade do trabalho). • Aluviões: a exploração de um depósito de aluvião para extração de areia. graças à divisibilidade dessa rocha em função da orientação dos seus minerais. a ruptura da fundação. Britadores para fragmentar os blocos de rocha em vários tamanhos menores. • Argila: a exploração de um depósito de argila é igualmente simples. aterros e seus terrenos de suporte. até mesmo. um solo inadequado à construção de aterro que é o silte. Os problemas de fundações de aterros para estradas surgem. Situações como estas em projeto de 18 . na construção de aterros sobre argilas moles ou terrenos pantanosos. Argila: escavadeiras pequenas. Areia: dragas para retirar o material e silos para separar a água da areia. corte em geral e minas a céu aberto. Carregadeiras para transportar o material fragmentado pelas explosões até a central de britagem. além das condicionantes geométricas de traçado. Neste caso. cascalho ou argila é mais simples. M. fundações de obras de arte e dimensionamento dos pavimentos. Para que sejam asseguradas as condições de conforto. em geral. Argila: escavadeiras pequenas ou equipamentos de maior porte.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. Nas rochas metamórficas já se obtêm essas placas. quando então é de se prever o aparecimento de grandes recalques ou. Marteletes para perfuração da rocha e explosivos para serem colocados nestes furos. Lavadores para retirar o pó que se associa aos fragmentos. o material é extraído em grandes blocos (nas rochas magmáticas) e depois é serrado em placas. há que se proceder as investigações de natureza geológica e geotécnica da região a atravessar. as quais constituem os fundamentos dos estudos de drenagem e de estabilidade dos cortes e túneis. Cascalho: escavadeiras ou dragas. segurança e economia na construção de uma rodovia. precisa-se de um lavador e de peneiras para separar o cascalho dos materiais mais finos. Marangon • Pedreiras: a exploração de uma pedreira requer uma série de equipamentos e várias etapas a serem seguidas: Limpeza por tratores do material estéril que recobre a rocha sã. O que deve ser observado é o fato de se encontrar. abaixo da capa de argila – solo maduro. Para a obtenção de placas para revestimento.

sendo estudado neste curso em unidade específica. corte em rocha exemplificando diferentes situações geotécnicas. Observa-se. Vista geral (1995) da construção de uma estrada (Acesso Norte de Juiz de Fora) nas proximidades do bairro Jockei Club II. por exemplo. M. como é o caso das formações de “filito”. A figura acima ilustra (à esquerda) um escorregamento superficial de solo sobre a ocorrência de uma rocha e a outra a diferença de estabilidade dos cortes executados num mesmo vale.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. trecho terraplenado em solo com base do pavimento já contruída e acima na foto. rocha muito comum na região de Belo Horizonte. em que há uma formação de rocha em planos. mais adiante (Unid. 02 – Geotecnia de Fundações – Aterro sobre Solos Moles). Marangon estradas tem uma importância muito grande. c) Fundações de Edifícios 19 . A geologia local pode ser fator determinante para a inviabilização (econômica) de determinados traçados inicialmente idealizados. abaixo na foto.

acompanhado pelo ensaio normalizado de penetração (SPT) ou sondagem de simples reconhecimento do solo (Normas ABNT). Neste caso. neste caso. O método mais comum para investigação geológica da fundação de edifícios é o de sondagem à percussão com circulação de água. Em casas ou construções que aplicam baixa tensão sobre o solo. a profundidade do nível de água estático. M. a experiência do Engenheiro responsável. a sondagem rotativa com broca de diamante e extração de testemunho de sondagem. usa-se outro método de sondagem. Vale. 20 . d) Obtenção de água subterrânea. para estabelecer até onde deve ir a escavação para ser colocada a fundação classificada como “superficial”. os mapas geotécnicos podem fornecer valiosas informações. Para fundações de barragens ou outras obras que exijam estudos especiais usam-se todos os métodos de investigação geológica. A rocha amostrada é descrita e avaliada quanto à resistência. muitas vezes não são realizadas sondagens. Marangon A escolha do tipo de fundação é responsabilidade do engenheiro projetista e é feita baseada nas informações geológicas. A experiência é reforçada pelo conhecimento dos solos da região.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. oferecida na UFJF. ainda. Quando a fundação é rochosa. Condições geológicas desfavorável para fundações superficiais (sapatas). Este assunto é tratado na disciplina “Geotecnia de Fundações”. Pode fornecer. ou parcialmente rochosa. as quais devem fornecer dados sobre o terreno de fundação. ou mesmo construtor. Este método fornece um perfil com a descrição das camadas do solo e a resistência oferecida por elas à penetração de um amostrador normalizado.

São vários os métodos para eliminar a água existente no subsolo. raras vezes. M. interligados. De acordo com o tipo de obra. Ciclo Hidrológico da Água . são totalmente sólidas e maciças. conforme a profundidade alcançada.F. Grande número das obras de Engenharia encontram problemas relativos às águas subterrâneas. Elas contêm numerosos vazios chamados também de interstícios.Infiltração e formação de lençol freático (L.) A utilização da água existente no subsolo é feita através de poços caseiros (exemplo ilustrado abaixo) e profundos. Os casos mais comuns desse tipo de problema são verificados em cortes de estradas. composto de diferentes rochas. normalmente requer escavações abaixo do lençol freático. As rochas que formam o subsolo da Terra. barragens. pontes. fundações para barragens. etc. edifícios. São geralmente. Em consequência da infiltração. permitindo o deslocamento das águas infiltradas. Esta zona é chamada zona saturada. e) Barragens de terra e aterros em geral. poros e fraturas se encontram totalmente preenchidos d’água. escavações de valas e canais. Essa zona é separada por uma linha conhecida como nível freático ou lençol freático. A ação e a influência dessas águas têm causado numerosos imprevistos e acidentes. etc. A construção de edifícios. Marangon O interior da Terra. que variam dentro de uma larga faixa de dimensões e formas.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. a água precipitada sobre a superfície da terra penetra no subsolo e através da ação da gravidade sofre um movimento descendente até atingir uma zona onde os vazios. Tais escavações podem exigir tanto uma drenagem. executa-se um tipo de drenagem ou rebaixamento do lençol freático. túneis. como um rebaixamento do lençol freático.. funciona como um vasto reservatório subterrâneo para a acumulação e circulação das águas que nele se infiltram. deve-se notar que a maioria tem dimensões muito pequenas. Apesar desses interstícios poderem atingir dimensões de uma caverna em algumas rochas. 21 .

suprimento à irrigação e produção de energia elétrica. A escolha do local para implantação de uma barragem é feita segundo um planejamento geral em que interferem as condições geológicas e geotécnica da região e ainda fatores hidráulicos. direta ou indiretamente. previamente. Basta observar que das causas de acidentes de barragens nos Estados Unidos. pelo menos 40% são. proporcionando assim um represamento de água. ser secundado pelo de um experiente geólogo de barragens. Estas são portanto barragens de acumulação. Geológicas: O conhecimento das condições geológicas da região é de importância fundamental. Este assunto será visto de forma mais detalhada na Unidade 04 e 05 deste curso. um levantamento topográfico da região onde deverá ser construída a barragem. com especial atenção quanto aos seus eventuais fendilhamentos. da sua fundação. Marangon As barragens são estruturas construídas em vales e destinadas a fechá-los transversalmente. delineando-se assim a sua bacia de acumulação. A água acumulada por uma barragem é utilizada para as três seguintes finalidades principais: abastecimento de cidades. A prospecção geológica refere-se em particular ao estudo das rochas. hidrelétricos e político-econômicos. As que se destinam ao desvio dos cursos d’água denominan-se barragens de derivação. O trabalho do engenheiro deve. em particular. de grande importância. O estudo de uma barragem e. portanto. 22 .Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. visam a conhecer o regime de águas da região. Hidrológicas: Tais investigações. de ordem geológica. M. requer preliminarmente as seguintes investigações: Topográficas: Cumpre.

Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. Fora/MG 23 . como de abastecimento de populações. rios. Marangon f) Túneis e escavações subterrâneas O objetivo dos túneis é permitir uma passagem direta através de certos obstáculos. canais. São exemplos os túneis ferroviários. de metrôs. que podem ser elevações. com exceção daqueles usados em mineração. a finalidade pode ser tanto para obtenção de energia. etc. São elementos de transporte. M. áreas densamente povoadas. No transporte de água. de transporte de fluídos (água). rodoviários. Exemplo de escavação subterrânea sob a BR040 – Trevo do salvaterra – J.

Marangon 24 . M.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof.

tamanho e forma da seção do túnel são estabelecidos anteriormente ao reconhecimento geológico. Este deve ser o caso dos túneis urbanos. Atividades Especiais: a) Engenharia de Petróleo b) Engenharia Geotécnica em Geral c) Engenharia do Meio Ambiente (armazenamento de produtos radioativos) 25 .Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. nos túneis de condução de água. Este assunto será visto de forma mais detalhada na Unidade 06 deste curso. para seu sucesso. b) Escavações de Minas em profundidade c) Cavernas para hidroelétricas. 1. definição de projeto adaptado as paticularidades local. rodoviários e ferroviários e. mas também pela simplificação da construção e da sua locação topográfica. em certos casos. o traçado.Atividades de Profundidade: a) Abertura (escavações) túneis para uso civil. transporte das águas do reservatório até a casa das máquinas. Marangon Os túneis são também frequentemente usados em barragens como obras auxiliares. pode dar lugar a um novo traçado do túnel. Engenharia Civil . não só por seu percurso menor. nos quais as condições hidráulicas determinam seu tamanho e forma. isto é. também.2 . escolha esta governada primeiramente pelos interesses de tráfego e transporte. Geologia . M. aproveitados posteriormente como túneis de adução. Na maioria dos casos.Fatos determinantes. através dos quais as águas do rio são desviadas a fim de permitirem a construção das estruturas da barragem no leito do rio.1. Os túneis de desvio são. durante o reconhecimento prévio. O encontro de algumas condições geológicas particularmente ruins.Conhecimentos técnicos científicos para a execução da obra de engenharia. Obras civis envolvendo escavações subterrâneas em rochas e solos exigem estudos geológicos geotécnicos detalhados e específicos. A tendência para o traçado de um túnel é mantê-lo o mais reto possível.

Zona de Plasticidade e de Fratura Por plasticidade entende-se uma mudança gradual na forma e na estrutura interna de uma rocha. que se encontra com sua edição esgotada. O efeito da variação de temperatura nas rochas poderá causar deformações elásticas. falhas e diáclases são exemplos das deformações plásticas e de rupturas. Sob enormes pressões e temperaturas que existem nas grandes profundidades da Crosta. como acamamentos das rochas sedimentares ou xistosidade das rochas metamórficas. a) Deformação das Rochas As rochas estão constantemente sob a ação de forças que se originam no interior da Crosta. . etc. causadas por falhas. contudo. as rochas são mais propensas à ruptura. Na zona de plasticidade originam-se dobras. plásticos e por ruptura.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. xistosas. que um corpo experimenta quando sujeito à ação de pressões. todas as rochas experimentam uma tendência maior à plasticidade do que à fratura. Assim os túneis. . o corpo retorna à forma e volume primitivos. M. As estruturas produzidas na zona de fratura são as fraturas. A formação de dobras. Durante este processo não se produz a fusão.Rochas Competentes e Incompetentes 26 . tensões. variações de temperatura. sofrendo ruptura ou fratura. a presença de umidade e a natureza da própria rocha são fatores que influem nesta plasticidade. Nunca é demais insistir na importância dos elementos estruturais numa obra de Engenharia. dizemos que o mesmo sofreu uma deformação plástica. de Nivaldo José Chiossi. Essas forças causam vários tipos de deformações. Será elástica quando. Por deformação entende-se qualquer variação de forma ou volume ou de ambos. não podem ser facilmente observadas. Próximo da superfície. dobras ou fraturas daquelas rochas. que. Uma vez ultrapassado o limite de elasticidade de um corpo e se este não voltar mais a forma e volume primitivos. Outros elementos. estruturas gnáissicas. Se o esforço for tal que é ultrapassado o limite de plasticidade do corpo.Elementos Estruturais das Rochas* *Texto extraído do Livro “Geologia Aplicada à Engenharia”. este se rompe. podemos distinguir na Crosta duas zonas distintas de deformações: uma zona de plasticidade e a grande profundidade e uma zona de fratura próxima à superfície. representadas pelas dobres. A rocha não chega a fundir-se. falhas e fendas. A temperatura e a pressão elevadas. falhas e fraturas. barragens ou cortes rodoviários em determinadas áreas podem encontrar zonas de fraqueza ou ruptura. Marangon 1. etc. As deformações podem ser elásticos. efetuada por reajuste químico e por fraturas microscópicas. enquanto a rocha permanece essencialmente rígida. 2 . já foram considerados no Curso de Elementos de Geologia (Formação das Rochas). Introdução O presente texto fornece noções sobre os elementos estruturais existentes nas rochas. Dessa forma. uma vez cessada a causa que o deforma.

As de origem tectônica resultam mais ou menos diretamente de forças que operam dentro da crosta da Terra. as incompetentes. Por exemplo. Marangon Certas rochas possuem mais facilidade para se dobrarem e transmitirem os esforços recebidos. de grande valia na interpretação da estrutura resultante. enquanto algumas não passam de centímetros. O tamanho das rochas é o mais variado.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. outras atingem grandes proporções com centenas de quilômetros de amplitude. em J. qualquer rocha acamada ou com alguma orientação pode mostrar-se dobrada como acontece com filitos. 27 . Figura – Aspecto de rocha em corte. escorregamentos. Entretanto. rochas competentes são os folhetos e calcários. M. Como exemplo.) sob influencia de gravidade e na superfície terrestre. etc. assim como falhas.Causa dos dobramentos Dobras. de âmbito local. As primeiras são as rochas competentes e as segundas. enquanto as rochas arenosas como o quartzito têm tendência a se fraturarem (incompetentes). nas formações extratificadas. . são frequentemente classificadas em tectônicas e atêctonicas. b) Dobras São aquelas existentes em certos tipos de rochas. As dobras de origem atectônicas são inexpressivas. JK até a BR040. uma vez que. As de origem atectônicas são o resultado de movimentos localizados (deslizamentos. avanço de gelo sobre sedimentos inconsolidados. Fora. acomodações. segundo sua origem. quartzitos ou gnaisse. enquanto outras possuem maior tendência a se fraturarem. em que se observa o efeito de dobramento. no acesso da AV. Deve-se observar ainda que com um dobramento ocorrem também falhamentos de pequena amplitude. como rochas vulcânicas e sedimentares e seus equivalentes metamórficos.

28 . O significado. em grego. os dois flancos mergulharem um em direção ao outro. Significa. em anticlinais simples.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. nos mais simples sinclinais. é “inclinado junto”. M. -Sinclinal: é uma dobra côncava para cima. “inclinado opostamente”. Marangon Exemplo de estrato rochoso dobrado . Refere-se ao fato de. os dois flancos mergulharem em direções opostas. por se referir ao fato de. O conjunto de termos a seguir se refere à atitude dos eixos. em grego.Nomenclatura das dobras A terminologia para se descrever o aspecto geométrico de dobras é a seguinte: -Anticlinal: é uma dobra convexa para cima.

podes-se recompor a superfície dobrada. as inclinações das camadas são mais suaves. entre Perus e São Paulo. da seguinte maneira: O mesmo raciocínio de observação pode ser feito para as amostras de sondagens colhidas no subsolo. Antes e depois desse ponto. os cortes dessa estrada exibem as camadas de filtro nas mais variadas posições: mais ou menos no km 35. numa tentativa de se recompor a geometria da antiga dobra. O processo é idêntico. e onde foram executadas várias sondagens. Num caso como esse. M. 29 . Devem-se levar em consideração vários pontos de observação.: na Via Anhanguera. Marangon . Ex. principalmente quando são de tamanho considerável. as camadas aparecem na posição vertical.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. Imaginemos uma região com dobramentos moderados.Reconhecimento de dobras Não é fácil a observação de dobras no campo. Isso em virtude da ação contínua da erosão.

30 . quanto mais simples for a dobra e maior o número de sondagens. M. Suponhamos que foram encontradas as seguintes posições: S1 – Inclinada para o norte 450 S2 – 400 para o sul S3 – 700 para o norte S4 – 600 para o sul Colocando-se esses valores no perfil. mais exata será a reconstrução da dobra.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. Exemplo de formação montanhosa com dobras visíveis c) Falhas . É óbvio que.Definição Falhas são rupturas e deslocamentos que ocorrem numa rocha ao longo de um plano. A característica essencial é o movimento diferencial de dois blocos ou camadas. ao longo de um superfície de fratura ou fraqueza. pode-se recompor a dobra. e pelo qual as paredes opostas se movem um em relação a outra. Marangon Através da observação das amostras que são retiradas do subsolo. podemos determinar a posição das camadas.

A consolidação desse pó constitui a rocha metamórfica chamada milonito. no sentido do movimento. São cinco os tipos de rejeito: . O bloco acima do plano de falha é chamado capa e o abaixo. lapa. por apresentarem composição mineralógica idêntica à das rochas encaixantes e homogeneidade quanto aos fragmentos. as rochas no plano podem se fraturar e ser. As brechas tectônicas se distinguem das rochas sedimentares. Brechas de Falhas: quando o movimento é forte. Quando o movimento é muito forte. medido com referência ao plano de falha. transformando-se em pó de rocha. cimentadas.Elementos de uma Falha Plano de Falha: é a superfície ao longo da qual se deu o deslocamento. Temos. das falhas podem variar de poucos centímetros até dezenas de quilômetros. no plano de falha. posteriormente. Essa feição permite também deduzir o sentido do deslocamento. . É a superfície polida de uma rocha originada pela fricção dos blocos opostos.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. Espelho de Falhas: originaram-se em conseqüência do deslocamento. Rejeito: é o deslocamento relativo de pontos originalmente contínuos. a rocha. Linha de Falha: é a interseção do plano de falha com a superfície topográfica. uma zona de metamorfismo. Marangon Os deslocamentos. então. M. É óbvio que falhas verticais não terão lapa nem capa. fica moída. Formam-se frequentemente estrias e caneluras.Tipos de Falha Os tipos mais simples de falhas são os seguintes: 31 . A atitude ou posição de uma falha é dada pela medida de sua direção e mergulho. no plano da falha. ao longo do plano de falha.

Falha inversa ou de empurrão: falha em que a capa aparentemente se desloca para o alto.Reconhecimento de Falhas As falhas podem produzir escarpas na topografia. Esta é uma falha de tensão. linha de vegetação. em relação à lapa. Escarpas de falhamento são raras no local onde se deu a falha. Há também escarpas produzidas por erosão diferencial. Com o tempo. Em fotografias aéreas. fontes ou nascentes alinhadas (acompanhando a direção de falhamento). . brechas e milonitos. É muito útil também a observação de espelhos de falhas. pois em breve a erosão vai agir recuando o escarpamento. As falhas podem ser também observadas através de amostras de sondagens. são indícios de falhas. vale lembrar que nem toda escarpa se originou por falhamento. o desvio do curso de um rio.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. “Horst e graden”: um bloco rochoso afundado entre duas falhas constitui um graden. etc. mas não coincidentes nestas. Marangon Falha normal: falha em que a capa (ou teto) se movimenta aparentemente para baixo em relação à lapa (ou muro). O plano de falha mergulha aparentemente para o bloco que se elevou. a erosão destrói toda a evidência de falha e esta só pode então ser reconhecida por meios indiretos: falta ou repetição de camadas.: 32 . e um bloco que se ergueu entre duas falhas é um horst. M. a mudança brusca da cor do terreno. É uma falha de compressão. Ex. contato brusco de dois tipos litológicos. O plano de falha mergulha para o lado que aparentemente se abateu. formando então escarpas ao longo de linhas de falhas paralelas à direção de falhamento. Entretanto. por meio de sua correlação.

As fraturas têm a seguinte nomenclatura: O termo diáclase é reservado para as fraturas ou rupturas de causas tectônicas. As diáclases são fraturas normalmente fechadas. cortando-se em ângulo. Veja que não há “deslocamento”. mas podem ser alargadas pelo intemperismo químico. Ex. Caracterizam-se por superfícies planas e ocorrem na forma de sistemas. A foto mostra um gnaisse. M. típico do litoral do Rio de Janeiro.Tipos a) As diáclases originadas por esforços de compressão são mais freqüentes e são provocadas principalmente por esforços tectônicos. Trata-se de um plano que separa em duas partes um bloco de rocha ou de uma camada. e ao longo do qual não se deu deslocamento. podem se desenvolver diáclases paralelas `a estrutura ou ainda obliquas a ela. Quando a estrutura da rocha (metamórfica ou sedimentar) for inclinada. Marangon d) Fraturas . . folhelhos. São comuns nas partes côncavas dos anticlinais e nas convexas dos sinclinais. xistos. O espaçamento entre as diáclases de um bloco rochoso pode variar de metros até poucos centímetros. com uma fratura que foi preenchida por uma formação mineral que permitiu o afastamento dos planos formados.Definição É uma deformação por ruptura. enquanto o termo junta restringe-se a fraturas cuja origem é a contração por resfriamento.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. 33 .: gnaisses.

. Tais diáclases são chamadas preferencialmente de juntas. Caracterizam-se em geral por superfícies não muito planas. caracterizando-se por vários sistemas entrecruzados. c) Em Geologia Econômica: aproveita-se das fraturas das rochas para a obtenção de lajes. a existência de fraturas nas rochas deve ser observada cuidadosamente. 34 . o exemplo da importância das fraturas é bastante significativo. M. Ibitinga. Ex. no Paraná. Outro exemplo típico é o das barragens localizadas em derrames de basalto. barragens. os basaltos necessitam de injeções de cimento para vedar as fraturas. Fraturas são elementos estruturais de grande importância em geologia. Promissão. Contração: ocorrem tanto em rochas ígneas como em sedimentares. Salto Osório. formando colunas prismáticas. etc. etc. Exemplo: Urubupungá. exigiu intenso uso de injeções de cimento nas fundações. para impor a sua direção.: diáclases de contração do basalto. usados como materiais de construção. muitas das quais ao longo de suas camadas.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. no Estado de São Paulo. estradas. Marangon b) As diáclases de tensão se formam perpendicularmente às forças que tendem a puxar opostamente um bloco rochoso. a barragem de Jaguará. Assim. Duas origens são invocadas para as diáclases de tensão: Tectônica: são freqüentes nos anticlinais e sinclinais.. b) Cursos dos Rios: os cursos d`água aproveitam essas zonas de fraqueza. etc. Via de regra. no Rio Grande. Essa rocha exibe normalmente um fraturamento semi-horizontal associado a uma série de fraturas tanto horizontais como verticais e inclinadas. Na construção de barragens. situada em quartzitos. blocos retangulares. uma vez que a rocha apresentava uma série de fraturas. como por exemplo: a) Em Geologia Aplicada: na construção de túneis.

GRANULAÇÃO FINÍSSIMA. 2. GRUPO II 35 . Maciça. branca. Cores diversas Idem. Feldspato e Basalto Magmática verde-escura. 1. Não Mica (sericita) Ardósia Metamórfica efervesce com HCl Quartzo Odor de argila ausente ou fraco. Piroxênio Claras: róseas. Não efervesce com HCl. quando molhada (moringa).Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. Risca o vidro. marrom. creme. SEM ORIENTAÇÃO PREFERENCIAL. DUREZA: RISCÁVEL PELO AÇO Descrição Composição Rocha Origem Cheiro de moringa quando molhada. PELO AÇO Descrição Composição Rocha Origem Muito duras. DUREZA: RISCÁVEL PELA UNHA Descrição Composição Rocha Origem Odor característico. GRUPO I ROCHAS COM ESTRUTURA MACIÇA. Efervescente somente a quente. Sem odor característico de Calcedônia Sílex Sedimentar argila. Quartzo Quartzito Metamórfica Duras. Não efervescem. Não efervesce Argila Argilito Sedimentar com HCl. Marangon * IDENTIFICAÇÃO MACROSCÓPICA DOS PRINCIPAIS TIPOS DE ROCHAS As rochas desta tabela estão dispostas em quatro grupos diferentes. facilmente pelo canivete e dificilmente pelo canivete. OU DIFICILMENTE. O critério de subdivisão dos dois primeiros grupos são 3 graus de dureza: riscável pela unha. M. Cores: pretas. Macia ao tato. NÃO SE OBSERVAM MINERAIS. Dolomita Dolomito Sedimentar 3. Densas. Forte Calcita Calcário Sedimentar efervescência com HCl. DUREZA: NÃO RISCÁVEL. de cordo com sua granulação e tipo de estrutura.

Basaltos Cores escuras Magmática Piroxênio (Básicas) Feldspatos Nefelina- Cores médias a escuras Fêmicos (sem sienitos Magmática quartzo) (Alcalina) GRUPO III ROCHAS ORIENTADAS EM PLANOS OU LINHAS.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. Cores claras. Cores diversas. Quartzo Feldspatos e Aplito Magmática comum. SÃO OBSERVADOS CRISTAIS. Granulação fina a Sedimentar Dolomita Dolomito grossa. Granitos Cores claras Magmática Quartzo (Mica) (ácidas) Feldspato. M. Cores diversas. SEM ORIENTAÇÃO PREFERENCIAL. Risca o vidro. Quartzo Feldspatos e Granito Magmática comum.) 2. 36 . Marangon ROCHAS COM ESTRUTURA MACIÇA. Anfibólios Anfibolito Metamórfica b) Textura ineqüigranular (minerais de diferentes tamanhos) Descrição Composição Rocha Origem Feldspato. Granulação milimétrica e Nefelina- Feldspato Magmática superior. (met. Cores claras. Efervesce a quente. (met. sienito (Fêmicos) Quartzito. Granulação milimétrica. Micas Feldspato e Cores escuras. DUREZA: FACILMENTE RISCÁVEL PELO AÇO Descrição Composição Rocha Origem Efervescem com HCl. 1. Magmática Quartzo Arenito Formada de fragmentos. claras. Granulação milimétrica. em tons róseo e cinza. Cor verde e preta. Granulação ligeiramente Piroxênio Diabásio Magmática menor. Granulação finíssima. Piroxênio Gabro Magmática (magnetita) Feldspato e Cores escuras. (Sedimentar) silicificado Cores escuras. DUREZA: DIFICILMENTE OU NÃO RISCÁVEL PELO AÇO a) Textura eqüigranular (minerais com tamanho semelhante) Descrição Composição Rocha Origem Quartzo. Granulação fina a Sedimentar Calcita Calcário grossa. em tons róseo e cinza. Cores diversas. (magnetita) Nefelina e Cor clara. Micas Quartzo. GRANULAÇÃO MÉDIA A GROSSA.) Efervescem com HCl.

FRIÁVEIS. quando molhada. Dolomita Dolomito Sedimentar Efervescente somente a quente 37 . Divisibilidade em Micas Ardósia Metamórfica placas. cimentados por material Conglomerado Sedimentar limonita. por vezes angu- losos. Descrição Composição Rocha Origem Fragmentos ou seixos de tamanho maior que Cascalho e 2mm.01mm. etc. Cores diversas.Cor variada. (xistos) Cores claras. Grandes cristais de feldspato. Grãos semi-arrendondados. Macia ao tato. ESTRATIFICADAS. áspera ao tato.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. ligados por material Brecha Sedimentar material cimentante. M. Feldspato Gnaisse Metamórfica Riscável pelo aço. Branca ou creme. Risca o vidro. Granulação média a finíssima. ásperas ao tato. Forte Calcita Calcário Sedimentar efervescência com HCl. Odor de argila ausente ou fraco. GRANULAÇÃO VARIÁVEL. em fragmentos angulares. Marangon Causadas Por Estrutura Gnaissica ou Xistosa Descrição Composição Rocha Origem Cores claras. Cores diversas. com (Mica) (micáceo) micas. Cor cinza. Transição entre arenito e argilito. com grãos entre 0. quando molhada (moringa). Odor característico. média a escura. Não efervesce Argila Folhelho Sedimentar com HCl. Odor de argila ausente ou fraco. cimentante Fragmentos ou seixos de tamanho maior que Fragmentos e 2mm. por vezes angu- losos. cimentante Grãos semi-arrendondados. Cores claras a média. friáveis. dificilmente Silte Siltito Sedimentar distingüíveis a olho nu. Divisibilidade em placas. Minerais placóides de (Fêmicos). CLÁSTICAS. argila. Granulação grossa a média.1mm Areia grossa Arenito Sedimentar (visíveis a olho nu). às vezes Areia média estratificada. Às vezes.1mm e 0. Quartzo Quartzito Metamórfica às vezes boa. semi-arredondados. Micas mica. Cor cinza-esverdeada. Cores variadas. com tamanho entre 2mm e 0. GRUPO IV ROCHAS COM CAMADAS PRÓXIMAS DA HORIZONTAL. Filito Quartzo e Sericita Metamórfica Tato macio de pote. Quartzo.

6. presença de vesículas. A seguir. 2. 4. ROTEIRO PARA IDENTIFICAÇÃO DAS ROCHAS 1. Tipo da rocha – Justificar. b) Rochas sedimentares 1. Fósseis. Estrutura em camadas. Outras observações – elementos como: eventual fratura. marcas de ondas. compacta. grossa. com exceção das micáceas e carbonatadas. facilmente pelo canivete e dificilmente pelo canivete. embora não seja muito importante. 10. 3. 2. Paralelismo dos minerais. 4. Nome da rocha – Justificar. como as sedimentares.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. 2. Marangon RESUMO PARA IDENTIFICAÇÃO MACROSCÓPICA DO TIPO DA ROCHA (principais características) a) Rochas magmáticas 1. a cor pode variar no sentido horizontal e vertical. a cor é relativamente homogênea. média. orientada ou estratificada. M. ligeiramente. No campo. etc. de animais. Estrutura orientada. etc. Minerais presentes – depende de um maior conhecimento do indivíduo. Conclusão: verificar a qual dos grupos anteriores pertence. No campo. Estrutura – resume-se em: maciça. Estrutura maciça. Granulação – importante: muito grossa. a cor pode variar. de chuva. 3. complementa-se a identificação com os seguintes elementos: 7. 3 – Mapas Geológicos 38 . Dureza baixa. Dureza média a elevada. Dureza – sua avaliação é dada por: riscável pela unha. 1. Graus de alteração – classificam-se em: inalterada ou sã. 3. 2. Dureza média a elevada. fina ou finíssima. medianamente ou bastante alterada. do gelo. No campo. 5. 3. 9. 8. Estruturas sedimentares típicas: estratificação cruzada. Cor – deve ser referida. c) Rochas metamórficas 1.

que se encontra com sua edição esgotada. interessa conhecer apenas certos aspectos da Geologia Prática. um mapa geológico precário que permita a sua execução. e ao próprio engenheiro .. 7-Exercício sobre túneis. Marangon *Texto extraído do Livro “Geologia Aplicada à Engenharia”. mostrando aerofotogrametria e fotointerpretação. de um túnel ou de uma barragem.Interpretação de mapas geológicos considerando três situações básicas: 4. no qual são colocados os dados geológicos. falhas.3. uma vez que.Revisão de conceitos topográficos.). Poderão ser vistas no LaGetec – Laboratório de Geotecnia.Caracterização de uma camada inclinada a partir de três pontos de sondagem. 3. Ex.Rochas com camadas inclinadas. ou a partir de fotografias aéreas. A existência de um mapa geológico facilita enormemente um projeto de engenharia. no tocante às formas topográficas. 8-Exercícios com fotografias aéreas. 4. de Nivaldo José Chiossi. existe uma grande deficiência de mapas geológicos.2.Traçar num mapa topográfico os limites de uma camada inclinada a partir de três pontos de ocorrência.camadas inclinadas. 4. as quais são chamadas linhas de contato. Representação 39 . Mapas Geológicos Definição Mapa geológico é aquele que mostra a distribuição dos tipos de rochas e das estruturas geológicas como fraturas. o que obriga certos projetos prioritários a executarem a curto prazo.1. para os quais não havia mapas geológicos adequados. Estudar basicamente dois aspectos: 5. M. Construção Um mapa geológico pode ser construído ou a partir de um mapa topográfico. No Brasil. dobras. posição das camadas.1. será possível antecipar certos problemas. por exemplo. ou vistas em museus. é separado de outro por linhas cheias.Elaboração e interpretação de perfis geológicos com base em sondagens. 5. 2. o projeto do metrô de São Paulo. 5. etc.Identificação de amostras de minerais e rochas mais comuns. 4. para um traçado de uma rodovia. até o momento.camadas horizontais. por simples consulta ao mapa antes mesmo da ida dos geólogos e engenheiros ao campo. 6-Exercício sobre barragens. A nosso ver (baseado em Chiossi) esses aspectos se resumem nos seguintes: 1. Introdução: Ao estudante de engenharia.2. Destacar dois pontos: os limites entre as camadas e os elementos estruturais (falhas. etc.camadas verticais. etc. aos mapas e perfis topográficos. dobras.: as barragens construídas ultimamente no país. da UFJF.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. Cada tipo de rocha existente numa determinada área ou grupo de tipos de rochas.

dos quais os mais comuns são os seguintes: direção e mergulho das camadas (35º). Marangon A representação dos tipos de rochas num mapa geológico pode ser feita através de símbolos adequados ou cores apropriadas.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. Quando a separação é duvidosa. Direção de uma camada é a linha resultante da interseção do plano da camada com um plano horizontal. como por exemplo. dobramentos. através do inclinômetro. A separação entre cada tipo de rocha é feita através de linhas cheias. como por exemplo. anticlinais ( ). 40 . verticais ( ┼ ) ou mostrando o deslocamento relativo (N⁄O) de um falhamento Dois elementos geológicos estruturais bastante importantes nos mapas geológicos. são a direção e o mergulho das camadas. caracterizando assim uma formação com características particulares. face a não homogeneidade dos maciços. Plano abcd = camada Plano abef = horizontal A figura abaixo mostra uma formação de relevo em que são identificadas rochas com planos de formação (camadas inclinadas). A determinação da direção de uma camada no campo é feita por meio da bússola e do ângulo de mergulho. falhas. Mergulho de uma camada é o ângulo formado pelo plano da camada com o plano horizontal. M. Os elementos estruturais são representados também por símbolos. usa-se linha tracejada.

camadas verticais. três casos são possíveis: camadas horizontais. isto é. que interceptam as curvas de nível. camadas inclinadas. M. camadas de rocha que possuam mais ou menos a mesma espessura e com mergulho constante. possuem contorno paralelo ou coincidente com as curvas de nível. 41 . Assim considerando. essas camadas são delimitadas no mapa geológico por duas retas paralelas.: Mapas geológicos com camadas verticais Nesse caso.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. Mapas geológicos com camadas horizontais Nesse caso. Marangon Figura – Formações de rochas com planos inclinados Tipos de Mapas Geológicos Em nosso curso estudaremos somente mapas geológicos com camadas homogêneas. os limites ou contatos entre as diversas camadas. Ex.

Marangon Mapa geológico com camadas inclinadas Esse caso não é tão elementar como os dois anteriores. Os contatos ou limites entre as camadas interceptam as curvas de nível segundo linhas irregulares (seu contorno nunca é representado por retas paralelas).Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. 42 . M.

areia. a ser construída uma barragem de terra segundo o eixo longitudinal MN. Marangon 1.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. 43 . discuta: O que é mais viável ? A execução (estrutura temporária) de um “corta rio” ou um túnel de desvio ? 2) Qual o percurso melhor e mais curto para um túnel de desvio (permanente). Pergunta-se: 1) Para o desvio da água da área de fundação da barragem (15m de altura e aproximadamente 180m de comprimento). M. 7) Explicar a estrutura geológica da área.Exercícios Práticos de Geologia de Barragens e Túneis *Adaptado de Chiossi 1O ANÁLISE – GEOLOGIA APLICADA A BARRAGENS Considere a região mostrada no mapa abaixo. cascalho. sabendo-se que o piso inicial do túnel está na cota 460 ? Este poderia ser aproveitado como túnel de adução (geração de energia hidráulica) ? 3) Quais as condições geológicas a serem encontradas no percurso do túnel do ítm anterior ? 4) O que você sugere com relação ao talus e à aluvião como materiais de fundação? 5) Onde você sugeria a pesquisa de materiais de construção? Marque no mapa ou descreva (pedreira. 6) Construir o perfil geológico MN com sobrelevação 5. 4 . áreas de empréstimo).

0 . pede-se 1) Escolher o melhor local para barragem com 55m de altura. com sobrelevação 5. referente à geologia do estado de São Paulo (formações em paralelo e horizontal). Rio Tietê .0 .Três Irmãos. a representação gráfica do corpo da barragem.0 . areia e cascalho. 2) Construir o mapa geológico da área.000 Dados das sondagens executadas: Cota do leito do rio: 265. a) de fundação b) das ombreiras da barragem c) do corpo da barragem 5) Localizar locais prováveis para pedreiras. Local .Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. M.0 e 320. com folga. Paulo EH = 1:10.0 e 300.Est. discutindo a viabilidade de tal obtenção. S. sobre a percolação de água através dos 3 maciços abaixo.basalto vesícular entre as cotas 300. 4) Discuta sobre a permeabilidade.0: basalto maciço entre as cotas 265.0 – aluvião e cotas 280. considerando a largura da crista com a possibilidade de passagem de 1 veículo pesado. Lançar. áreas de empréstimo.0 abaixo da cota 265. Marangon 2O ANÁLISE – GEOLOGIA APLICADA A BARRAGENS A partir do mapa abaixo.arenito Bauru 44 . e conseqüentemente. em planta.basalto maciço acima da cota 320.0 e 280. 3) Construir o perfil geológico do eixo selecionado. após o enchimento do reservatório a ser formado.

5) Analisar as condições geológicas teóricas para cada tipo de rocha. Pede-se: 1) Locar o eixo de um túnel horizontal.Tópicos em Geotecnia e Obras de Terra Prof. Marangon 3O ANÁLISE – TÚNEIS E MAPA GEOLÓGICO No mapa anexo. com 600m de comprimento e direção S 80ºW. 3) O perfil geológico dos túneis.é. seguindo por um trecho com 500m de comprimento. Os pontos M e N. abaixo da cota 780. 45 . i. e porque. se a rocha é favorável ou não para túneis. Colocar os túneis no perfil. entre as cotas 825 e 780. foram encontradas as seguintes condições geológicas: acima da cota 825. calcário. igual a 760m. direção N 65ºW e uma inclinação de 5º. M. com direção N 20ºE. folheto. 4) O volume de escavação em cada tipo de rocha. partindo de A.. 2) Construir o mapa geológico. representam os extremos de um afloramentos de diabásio. com S = 5. arenito. sabendo ser o diâmetro de 10m e a cota do teto no ponto A.