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Revista Brasileira de Geofı́sica (2011) 29(1): 21-41
© 2011 Sociedade Brasileira de Geofı́sica
ISSN 0102-261X
www.scielo.br/rbg

UMA REVISÃO SOBRE A TURBULÊNCIA E SUA MODELAGEM

José Francisco Almeida de Souza1 , Leopoldo Rota de Oliveira2 , José Luiz Lima de Azevedo2 ,
Ivan Dias Soares3 e Mauricio Magalhães Mata4
Recebido em 25 março, 2010 / Aceito em 25 fevereiro, 2011
Received on March 25, 2010 / Accepted on February 25, 2011

ABSTRACT. The movements are characterized by turbulent fluctuations in instantaneous speed, temperature and other scalars. As a consequence of these fluctu-
ations, the turbulent state in fluid contributes significantly to transport momentum , heat and mass. Turbulence is defined as a state of the flow in which the time
dependent variables exhibit irregular fluctuations which are seemingly random such that, in practice, only statistical properties can be recognized and subjected to
analysis. The study of transport phenomena is greatly hampered by the presence of these fluctuations. Any simplification in the analysis of the effects of turbulence is
extremely advantageous in physical, mathematical and numerical terms. The constant search for such simplifications is one of the main goals in the developing of new
models of turbulence. This article aims to review the phenomenon of turbulence and its modeling, focusing on its theoretical foundations and on the main technical
approaches used in the modeling of the phenomenon.

Keywords: turbulence, turbulence modeling, boundary layer, scales of turbulence.

RESUMO. Os movimentos turbulentos são caracterizados por flutuações instantâneas de velocidade, temperatura e outros escalares. Como consequência destas
flutuações, o estado turbulento em um fluido contribui significativamente no transporte de momentum , calor e massa. Define-se turbulência como um estado de
escoamento do fluido no qual as variáveis instantâneas exibem flutuações irregulares e aparentemente aleatórias tal que, na prática, apenas propriedades estatı́sticas
podem ser reconhecidas e submetidas a uma análise. O estudo dos fenômenos de transporte fica dificultado, sobremaneira, pela presença destas flutuações. Qualquer
simplificação na análise dos efeitos da turbulência é extremamente vantajosa do ponto de vista fı́sico, matemático e numérico. A busca constante por tais simplificações
é um dos principais objetivos no desenvolvimento de novos modelos de turbulência. Este artigo tem como objetivo fazer uma revisão sobre o fenômeno da turbulência
e sua modelagem, onde são apresentados os seus fundamentos teóricos e as principais técnicas de abordagem utilizadas na modelagem do fenômeno.

Palavras-chave: turbulência, modelagem da turbulência, camada limite, escalas da turbulência.

1 Universidade Federal do Rio Grande – FURG, Rua Eng. Alfredo Huch, 475, Centro, 96211-900 Rio Grande, RS, Brasil. Tel.: (53) 3233-6876; Fax: (53) 3233-6652

– E-mail: joseazevedo@furg.br
2 Universidade Federal do Rio Grande – FURG, Rua Eng. Alfredo Huch, 475, Centro, 96211-900 Rio Grande, RS, Brasil. Tel.: (53) 3233-6880; Fax: (53) 3233-6652

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3 Universidade Federal do Rio Grande – FURG, Rua Eng. Alfredo Huch, 475, Centro, 96211-900 Rio Grande, RS, Brasil. Tel.: (53) 3233-6874; Fax: (53) 3233-6652

– E-mail: dfsivan@furg.br
4 Universidade Federal do Rio Grande – FURG, Rua Eng. Alfredo Huch, 475, Centro, 96211-900 Rio Grande, RS, Brasil. Tel.: (53) 3233-6879; Fax: (53) 3233-6652

– E-mail: mauricio.mata@furg.br

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22 UMA REVISÃO SOBRE A TURBULÊNCIA E SUA MODELAGEM

INTRODUÇÃO dade para misturar ou transportar propriedades a taxas muito
mais elevadas (várias ordens de magnitude) do que aquelas
Os movimentos turbulentos são caracterizados por flutuações alcançadas pela difusão molecular; (ii) escoamentos turbulen-
instantâneas de velocidade, temperatura e outros escalares. tos são sempre dissipativos e o mecanismo da turbulência ne-
Como consequência destas flutuações, o estado turbulento em cessita de uma alimentação contı́nua de energia para suprir as
um fluido contribui significativamente no transporte de mo- perdas viscosas de modo que, se nenhuma energia for forne-
mentum , calor e massa na maioria dos escoamentos de inte- cida ao escoamento, a turbulência decai rapidamente e (iii) a tur-
resse prático e, por isso, têm uma influência determinante nas bulência é um fenômeno continuum , ou seja, mesmo os menores
distribuições destas propriedades no campo de escoamento. Os vórtices encontrados nestes escoamentos são tipicamente muito
escoamentos em rios e canais, em tubulações, na esteira de um maiores que a escala de comprimento molecular, fazendo com
navio ou avião, na camada limite atmosférica e a maioria das que a Hipótese do Continuum seja válida e o escoamento tur-
correntes oceânicas pertencem a esta categoria de movimento. bulento seja governado pelas equações de Navier-Stokes. Eiger
O “Glossary of Oceanographic Terms ” (Baker et al., 1966 apud (1989) cita que a vorticidade desempenha um papel fundamental
Schwind, 1980) apresenta a seguinte definição para escoamento na análise da turbulência, pois escoamentos turbulentos são sem-
turbulento: “É um estado de escoamento do fluido no qual as pre rotacionais. Isto significa que teorias bem estabelecidas de
velocidades instantâneas exibem flutuações irregulares e aparen- escoamento potencial (estritamente bidimensionais) não se apli-
temente aleatórias tal que, na prática, apenas propriedades es- cam ao estudo da turbulência. Além disso, é possı́vel provar que,
tatı́sticas podem ser reconhecidas e submetidas a uma análise”. para que a turbulência seja mantida, mecanismos tridimensionais
Estas flutuações constituem as principais deformações do escoa- devem estar presentes no escoamento (vortex stretching ). Kundu
mento e são capazes de transportar momentum , energia e outras & Cohen (2002) enfatizam ainda que escoamentos turbulentos
propriedades a taxas muito maiores que aquelas da difusão mo- são altamente não lineares.
lecular nos escoamentos laminares (e.g., Schwind, 1980). Além das citações acima, Tennekes & Lumley (1972),
Muitas teorias e conceitos têm sido formulados na tentativa Schwind (1980) e Kundu & Cohen (2002) salientam que es-
de obter uma descrição universalista para o fenômeno da turbu- coamentos turbulentos são aleatórios e não preditı́veis, por-
lência que seja adequada a qualquer problema de interesse prá- tanto, tornando-se impossı́vel uma abordagem determinı́stica do
tico. Enquanto tal descrição não é alcançada, e há dúvidas se fenômeno (caracterı́stica conhecida como “irregularidade”).
algum dia o será, modelos simplificados têm sido propostos Estes aspectos do movimento turbulento sugerem que mui-
como forma de analisar problemas especı́ficos em cada área de tos escoamentos que parecem “aleatórios”, tais como as ondas
interesse (Eiger, 1989). O certo é que a turbulência é um fator de gravidade no oceano ou na atmosfera e ruı́dos acústicos, por
complicador na análise dos fenômenos de transporte de massa, terem perdas viscosas insignificantes, não são de fato turbulentos
momentum e energia. Em termos práticos, se for possı́vel que (Tennekes & Lumley, 1972; Kundu & Cohen, 2002).
em um determinado problema a influência da turbulência seja Este artigo tem como objetivo fazer uma revisão sobre o fenô-
considerada de forma simplificada, isto será extremamente van- meno da turbulência. Inicialmente é feita uma breve introdução
tajoso do ponto de vista fı́sico, matemático e numérico. Por sobre a turbulência e a sua complexidade. A seguir, são apresen-
exemplo, escoamentos em canais e tubulações são usualmente tados os fundamentos teóricos, conceitos e definições associados
estudados com o auxı́lio da conhecida fórmula universal de perda com a turbulência. Posteriormente, são abordados os aspectos
de carga, a qual descreve satisfatoriamente o escoamento para relacionados à sua modelagem. Finalmente, apresenta-se a dis-
as finalidades a que se propõe. Entretanto, se estivermos inte- cussão e as considerações finais deste trabalho.
ressados em conhecer a distribuição de um poluente no canal ou
tubulação, esta abordagem não será mais adequada, pois não for-
nece detalhes da distribuição das propriedades do escoamento. FUNDAMENTOS TEÓRICOS
A complexidade dos escoamentos turbulentos não permite Esta seção é destinada à apresentação da fundamentação teórica
uma abordagem estritamente analı́tica do problema (e.g., Kundu necessária para a formulação e compreensão dos modelos ma-
& Cohen, 2002), o que já foi destacado por diversos autores. temáticos associados com a turbulência. São descritos aspec-
Tennekes & Lumley (1972) destacam que: (i) uma caracterı́stica tos relacionados com camada limite, tipos de escoamento, es-
muito importante dos escoamentos turbulentos é a sua habili- calas da turbulência, algumas propriedades dos escoamentos

Revista Brasileira de Geofı́sica, Vol. 29(1), 2011

consequentemente. Vol. 1989). é a componente da velocidade do escoamento na direção z. um escoamento turbulento exibe energia. momentum e outras propriedades. 1). Uma “colisão” frequências de flutuação mais baixas e. trocando De acordo com Eiger (1989). que dentre outros. e elemento será estirado (contraı́do) nesta direção. Os vórtices mais energéticos do escoamento turbulento são Uma das caracterı́sticas dos escoamentos turbulentos é a aqueles que. do ponto de vista estatı́stico. Cabe salientar que a turbulência se manifesta minı́stico. dentro do campo turbulento. o que ocorrendo o oposto na situação dos vórtices menores. observáveis nas maiores escalas do escoa. no escoamento em um canal é impossı́vel a existência de tificáveis. os maiores vórtices drenam ener. vórtices de diferen.. ∂w/∂ z > 0(∂w/∂ z < 0). Por exem- quanto moléculas são entidades bem definidas e facilmente iden. as quantidade de diferentes tamanhos presentes no espectro é dire- quais são as entidades fundamentais da bem estabelecida Teoria tamente proporcional ao número de Reynolds do escoamento Cinética dos Gases. Com Consideremos agora um elemento de fluido em rotação ao relação à turbulência podemos desenvolver uma análise similar redor do seu eixo z. vários comprimentos de onda ou frequências) superpostas. A Figura 1 mostra um espectro de potência apresentados nesta subseção. atingindo-se um estado de equilı́brio (Rosman. OLIVEIRA LR. Entre. onde w 1988).g. Ao considerarmos vórtices cada vez menores. trocam massa dade do canal. logo. como ilustra a Figura 2. fluência da geometria do escoamento vai desaparecendo e o nadas com as dimensões caracterı́sticas destes vórtices. devido às limitações computacionais. vado na Figura 1. os menores quando uma luz branca atravessa um prisma. Destaca-se que os vórtices maiores apresentam entre si e são caracterizados por uma orientação. seção transversal no plano x y diminuirá (aumentará) e sua Brazilian Journal of Geophysics. quer pela via experimen. a in- em diferentes escalas de comprimento. por isso possuem ou grandes vórtices. Apesar do estado caótico que ca. Esse processo é conhecido por “cas- Vórtices e isotropia cata de energia” e foi descrito por Kolmogorov em 1941 (e. as quais estão relacio. vórtices (escalas) são incorporados ao modelo numérico após observamos que a luz branca é composta por diversas cores (i. Este espectro é limitado superiormente pelos contornos nos turbulentos.g. Em corpos d’água rasos individualmente. Neste processo. e a equação “pequenos vórtices” não significa o comprimento tı́pico dos maiores vórtices é geralmente muito mais do que aquela parte do movimento turbulento que apresenta maior que a profundidade. ou seja. é um fenômeno muito mais com. vórtices de diferentes tamanhos que interagem entre si. Dentro deste espectro. possibilidade de simular numericamente todos os componentes gia da turbulência é análogo ao espectro de cores que aparece do espectro. tal (e.. 1980). o qual representa a energia racteriza os escoamentos turbulentos. também denominados de estruturas coerentes escoamento e da maneira como são gerados. Entretanto. Ao contrário das moléculas. 1989). É usual tropia é preciso que as escalas envolvidas sejam inferiores a da definirmos o movimento turbulento como uma superposição de profundidade (Rosman. vai em direção a uma escala de tamanhos onde a energia passa a ser dissipada pelas tensões viscosas. o gia do escoamento médio e a transferem para outros menores. tı́pico de escoamentos turbulentos. um espectro contı́nuo de dimensões de vórtices. AZEVEDO JLL. 2011 . possuem as maiores escalas de comprimento. serviu como base para o estudo dos fenôme. padrão do campo turbulento torna-se cada vez mais aleatório tanto. plo. de modo que a A analogia entre estes vórtices e as moléculas de um gás. mais isotrópico. Cria. médio. serem parametrizados pelos chamados modelos de turbulência. da direção z. 29(1). 1989). Na im- vasta gama de escalas temporais e espaciais. evidencia a imperfeição da analogia. vórtices não o são. por exemplo. certos padrões básicos têm cinética turbulenta ao longo das escalas espaciais do escoamento sido identificados quer pela via teórica. caracterı́sticas anisotrópicas e comportamento um tanto deter- mento turbulento. plexo que uma colisão entre duas moléculas (Eiger. O espectro de ener. fı́sicos do escoamento (banda esquerda da Fig. em função da frequência de flutuação. vórtices um vórtice cuja dimensão vertical seja maior que a profundi- exibem dimensões variáveis no tempo e espaço. estiver sujeito à influência de uma deformação linear ao longo tes tamanhos contribuindo para a energia turbulenta total (Stull. Alguns conceitos essenciais para o estudo da turbulência serão Schwind. SOARES ID & MATA MM 23 turbulentos e descrições de regiões especı́ficas do escoamento. e assim sucessivamente. nas pequenas escalas não conseguimos identificar vórtices e. porque en. conforme pode ser obser- entre dois vórtices. se então um processo contı́nuo de transferência de energia. a analogia não é perfeita. O conceito de vórtice está associado a estes Os grandes vórtices dependem fortemente da geometria do padrões básicos. 1989). mais contribuem para presença simultânea de uma grande quantidade de vórtices numa o transporte turbulento de massa. Eiger. a área da sua estes para outros menores ainda.e. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 23 — #3 SOUZA JFA. Se este elemento e identificar. energia e momentum . para haver prevalência da iso- coerência apenas em curtas distâncias (isotropia local)..

os quais também sofrerão variação no seu mo. de a (1 geração) propaga-se para os elementos vizinhos nas direções modo que os vórtices de pequena escala “esquecem” a orientação x e y. duzem estiramentos nas direções y e z e nas direções x e z. 2001). e assim por diante. por exemplo. ela é dissipada em calor. por sua vez. 2011 . indicados nesta figura. este(a) esti. nos menores vórtices de gerações” (Bradshaw. é apresentada conservação do seu momento angular. 1981 apud Rosman. a escala de comprimento ca- Percebe-se. velocidade de rotação aumentará (diminuirá) em virtude da tra a direção destes estiramentos a cada geração. é. e assim por diante o movimento turbulento estão associados com os estiramentos (Zhurbas. tabela da Figura 3. Dentro deste contexto. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 24 — #4 24 UMA REVISÃO SOBRE A TURBULÊNCIA E SUA MODELAGEM Figura 1 – Espectro de energia de um escoamento turbulento (Fonte: Bedford. qualitativamente. isto tas direções (2a geração) que. 1989). Uma “árvore res para os menores vórtices e. tendem à isotropia conforme sugere a tabela da Figura 3. 2001). Com isso. finalmente. 29(1). inicial numa dada direção produz quantidades aproximadamente mento do próprio elemento nas direções perpendiculares (x e iguais de pequenos estiramentos em cada uma das direções x. a energia vai sendo transferida dos maio- respectivamente (3a geração). propagam-se e pro. Vol. Revista Brasileira de Geofı́sica. conforme sugere a Figura 2. que um estiramento ramento (contração) diminuirá (aumentará) a escala de compri. Destaca-se que os vórtices que caracterizam mento angular. y) estirando (contraindo) os elementos de fluido da vizinhança y e z após poucas “gerações” do processo. que mos. preferencial do movimento de larga escala (Zhurbas. Podemos ver. conforme mostra a nestas direções. Figura 2 – Estiramento de um elemento de fluido na direção z produzindo estiramentos menores nos elementos da vizinhança nas direções x e y. Desta forma. na Figura 3. os quais provocarão novos (e menores ainda) estiramentos nos elementos vizinhos não mostrados na figura. 2001). que um estiramento na direção z racterı́stica destes movimentos vai diminuindo a cada geração. produzindo-se então estiramentos de menor escala nes. 1971 apud Zhurbas.

enquanto no escoamento livre será expresso envolvidas nas camadas limite laminar e turbulenta. Estas forças se desenvolve. cidade nas adjacências da superfı́cie. A Figura 4 da Figura 4 (escoamento unidirecional na direção x) a tensão de (lado esquerdo) mostra que uma região laminar se forma na borda Brazilian Journal of Geophysics. na camada limite. 2001). e um limite inferior. turbulento. na ca- as Escalas de Kolmogorov. assim como por ρU∞ . Por exemplo. como alguma medida (transversal) da espessura tendem a ajustar a velocidade do fluido àquela da superfı́cie em da mesma (e. (1) dos pela existência de várias escalas de comprimento. A tensão de cisalhamento. em qualquer es. na vizinhança imediata escoamento na região de interesse. do casco de um navio ou sobre o fundo do oceano.. o sidade. ou seja. 1977). sobre o qual a camada limite das à desaceleração imposta pela placa (ver Fig. Se a placa estiver em repouso o momentum junto à mite. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 25 — #5 SOUZA JFA. Apenas em uma pequena região ad. No caso especı́fico instabilidades fazem com que ela se torne turbulenta. e à análise das escalas superfı́cie será nulo. virtude da condição de “não-deslizamento”. O escoamento na camada limite pode ser tanto laminar como Nesta figura. fluido e u(y) é a função que define o perfil de velocidade do es- Esta subseção é dedicada à revisão do conceito de Camada Li. Tritton. OLIVEIRA LR. Na região além desta camada o efeito da viscosi. tanto as forças de inércia quanto as viscosas são importantes deslizamento”). do fluido sobre uma placa plana. O comprimento ou dimensão caracterı́stica utili- ser obtida analisando-se um escoamento com velocidade uni. Não é de surpreender então que o número de dade é desprezı́vel e o fluido pode ser tratado como não viscoso. Vol. pelo escoamento o restante do escoamento. . denominada camada limite. que atua sobre o perfil de velo- tante o efeito da viscosidade. Este fluido. U∞ representa a velocidade do escoamento li. zado na determinação deste parâmetro é aquele que caracteriza o forme sobre uma placa plana. o fluido em contato direto com a superfı́cie fluido para o mesmo valor daquele do contorno. se faz impor. mada adjacente. de maneira aproximada. Esta camada se desenvolve inicialmente laminar e as vre. mento na direção do escoamento. fica sujeito à ação de forças de cisalhamento devi. mostra que possui a mesma velocidade desta superfı́cie (condição de “não. o movimento ao redor da asa de pode ser analisada pela divisão do escoamento em duas regiões: um avião. po- uma próxima da superfı́cie sólida confinante e a outra cobrindo dem ser representados. Observa-se que. introduzido por Prandtl em 1904. trazendo a velocidade do coamento viscoso. A nomenclatura x yz representa as direções dos estiramentos em cada “geração”. A escala de comprimento diminui de uma geração para outra (Fonte: Bradshaw.g. um déficit de momentum em relação àquele do Prandtl mostrou que a maioria dos escoamentos viscosos escoamento livre. AZEVEDO JLL. as quais possuem um limite superior. longe da influência da superfı́cie. 1971 apud Zhurbas. Reynolds seja importante na caracterização dos escoamentos em Uma melhor visualização da formação da camada limite pode camada limite. 29(1). podendo ser tanto o compri- da superfı́cie. Isto significa que a presença da placa provoca. Camada Limite e escalas associadas cisalhamento τ yx será dada por du τ yx = μ dy Escoamentos com altos números de Reynolds são caracteriza. conhecida como Lei de Newton da Visco- fı́sicas do escoamento (corpo d’água). μ é o coeficiente de viscosidade dinâmica molecular do qual é determinado pela ação difusiva da viscosidade molecular. 2011 . SOARES ID & MATA MM 25 Figura 3 – Representação da “árvore das gerações” mostrando como o estiramento dos vórtices em uma direção produz isotropia nas pequenas escalas. jacente ao contorno. 4). coamento. que é imposto pelas dimensões Na Equação (1).

. atingindo uma região de transição onde o escoamento muda ∂u i uj ∂x j ρ ∂ xi ∂x j∂x j de laminar para turbulento. extensão que começam a predominar os efeitos laminares (visco. é o número de Reynolds. equações de Navier-Stokes na forma1 1 ∂p ∂ 2ui sura. A relação entre estes dois termos. Figura 5 – Subcamada viscosa da camada limite turbulenta. p é a pressão. 2011 . “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 26 — #6 26 UMA REVISÃO SOBRE A TURBULÊNCIA E SUA MODELAGEM Figura 4 – Transição entre o escoamento laminar e turbulento na camada limite. Shames. esta. Um elevado valor de Re indica que o termo viscoso é negli- cionário e com viscosidade constante. (2) dade na direção y. o perfil de velocidade do escoamento dentro da camada limite turbulenta é mais “achatado” que o correspon. Isto sugere que mesmo na camada limite turbulenta se de. pode ser descrito pelas genciável quando comparado com o termo de inércia. v é o coeficiente de viscosidade camada limite a turbulência diminui em direção à parede em tal cinemática e ρ é a massa especı́fica do fluido. Devido às perturbações de veloci. onde senvolve uma fina subcamada laminar. a qual cresce em espes. Revista Brasileira de Geofı́sica. Na região turbulenta da direção xi( j) . esquerda da placa (“bordo de ataque”). Um escoamento laminar viscoso. enquanto o termo de fricção viscosa possui ordem O(vU/L 2 ). timar o termo de inércia como tendo ordem O(U 2 /L). suposto incompressı́vel. dado por Re = U L/v.g. conforme mento do escoamento (na direção paralela à superfı́cie). 29(1). =− +v . onde os efeitos viscosos U e L são as escalas caracterı́sticas de velocidade e compri- (moleculares) predominam sobre os efeitos de inércia. que compara as forças de inércia com as forças viscosas que atuam sobre Camada Limite Laminar (CLL) e escalas associadas o fluido. Vol. 1973). Uma análise de escala aplicada na Equação (2) permite es- sos). Entre- 1 A notação indicial será utilizada em grande parte deste trabalho. respec- mostra a Figura 5 (e. Na Equação (2) u i( j) é a velocidade do escoamento na dente perfil para a camada limite laminar. tivamente.

Möller e Silvestrini. 4) como es- limite laminar ` pode ser relacionada com a escala de compri. No equilı́brio. Este mecanismo garante que os menores vórtices sejam ainda vista que ela está associada à difusão de momentum na direção maiores que as dimensões moleculares. 2002). 1972). é negligenciável quando comparada ao escoamentos turbulentos e a mecânica dos fluidos (Deschamps. Todavia. À medida. A turbulência transfere o déficit de mo. determinadas condições de contorno podem tornar im.. em vista que a ordem do termo viscoso foi agora modificada para ordem O(vU/`2 ). Como os processos advectivo e difusivo ocorrem simulta- possı́vel negligenciar este termo em alguma parte do escoamento. este movimento de pequena escala depende somente da Camada Limite Turbulenta (CLT) e escalas associadas taxa de energia que ele recebe das grandes escalas e da visco- As escalas de comprimento e velocidade na CLT são ilustradas no sidade molecular. do momentum . podemos assumir que estes movimentos são estatisti- do campo de escoamento no qual ela se desenvolve. sendo tão camente independentes da turbulência de larga escala e do esco- menor quanto maior o número de Reynolds do escoamento. A Equação (6) mostra que a escala da espessura da CLT. amento médio. impli- mento do escoamento livre L pela seguinte equação: citamente. o que dá sustentação normal ao escoamento. o tamanho dos vórtices vai diminuindo e outras esca- Uma escala de tempo t. (6) anteriormente os efeitos viscosos são importantes nesta região. conforme a Equação (4). Como os movimentos nas menores escalas tendem a ter Tennekes & Lumley. quando então a energia cinética dos pe- A escala de comprimento `. possui ordem O(L/U ). Entretanto. onde e advectiva na CLL (seção anterior). Destaca-se que esta difusão. Brazilian Journal of Geophysics. podemos escrever t ∼ L/U ∼ `t /u t . neamente.g. na direção à hipótese do continuum . escrever `2 vórtices. (4) superfı́cie. não devemos perder de vista que a viscosidade molecular impõe um limite inferior para a escala dos menores de (3). onde `t é a escala de comprimento as. AZEVEDO JLL. Em escalas muito pequenas a viscosidade molecular se t∼ (5) torna muito efetiva e os termos viscosos previnem a geração de v escalas menores ainda. ReC L . transporte advectivo de momentum nesta mesma direção (e. t é a escala de tempo e u t é a escala versal de Kolmogorov (e. tendo em lar. de ordem (1) . a taxa de suprimento de ener- lado direito da Figura 4. 4). A Equação (4) mostra que a escala escalas de tempo também menores (pois as flutuações ficam mais da espessura da CLL é consideravelmente menor que a escala L rápidas). a escala da espessura da camada Podemos observar que a escolha de `t (ver Fig. estejamos considerando apenas os vórtices de maior 1 escala desta camada. o que permite. gia (oriunda das grandes escalas) tem que ser igual à taxa de mentum . Se esta hipótese é válida. pode-se escrever assim como a da CLL. u  t `t ∼ L Por exemplo. 1972 e Möller das flutuações da velocidade do escoamento dentro da CLT. 29(1).g. 2011 . vL L L ` vU/`2 = = . SOARES ID & MATA MM 27 tanto. comparavelmente mais lentos. o que implica em um número de Reynolds na camada limite. porém.. sobre a qual se baseia a teoria dos paralela ao escoamento. ou. na direção normal ao escoamento. (3) Na Equação (3). dissipação de energia (envolvida com as pequenas escalas) e a uma taxa `t /t ∼ u t . 2004). sido aplicado para encontrar a relação entre as escalas difusiva Pode-se então investigar uma escala de comprimento `. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 27 — #7 SOUZA JFA. Vol. A partir desta equação. quenos vórtices é dissipada antes que atinjam a escala molecu- é transversal à superfı́cie (ver lado esquerdo da Fig.. vos viscosos. é consideravel- mente menor que a escala L do campo de escoamento no qual ela U 2 /L U `2 L    2 ReC L = Re se desenvolve. caracterı́stica dos processos difusi- las menores têm que ser consideradas (e.g. Tennekes & Lumley. O mesmo procedimento seguido aqui para encontrar uma o que sugere a associação destes efeitos com uma nova es- relação entre as escalas difusiva e advectiva na CLT poderia ter cala de comprimento que seja compatı́vel com a camada limite. esta concepção é a base da chamada teoria do equilı́brio uni- sociada à espessura da CLT. cala de comprimento caracterı́stica da CLT faz com que. a partir da superfı́cie. lá preferimos fazer os termos viscosos subsistam e sejam tão importantes quanto uma análise de escala entre os termos advectivo e difusivo na os termos advectivos (inércia). Re é o número de Reynolds no escoamento Escalas de Kolmogorov livre. & Silvestrini. Tendo Equação (2). OLIVEIRA LR. que nos aproximamos da L ` Re1/2 ∼ . associada à espessura da CLL. a partir 2004). no escoamento sobre uma superfı́cie sólida é ne- U cessária a existência de uma “camada limite”. Conforme citado .

pode-se formar ⇒ = Re−3/4 . Para escoamentos completamente de- senvolvidos. ainda constitui parte velocidade da turbulência de larga escala. uma melhor compre. pequenas escalas de Kolmogorov. em analogia com a Lei da Viscosidade de Newton [ver Equação (1)]. que são expres- U 3 Re1/2 sas por: τ= = = ε (12) ⇒ = Re−1/2 . tempo e velocidade das pe- quenas e largas escalas serão. ∂x j ∂ xi 3 0 0 + (14) Assim pode-se escrever Nesta equação. (10) senta a energia cinética turbulenta (por unidade de massa). δi j é o delta de U2 U3 Kronecker (cujo valor é 1. a qual uti- cosa ε puder ser relacionada com as escalas de comprimento e liza o conceito de viscosidade turbulenta. O número de Reynolds formado com estas escalas é ex- presso por Rek (ϑ ∙ λ/v). Escoamentos geofı́sicos. respectivamente. esta diferença ϑ = (vε)1/4 (9) é tão maior quanto maior for o número de Reynolds do escoa- Estas escalas são referidas como microescalas de Kolmo. tempo e velocidade caracterı́sticas do  v 1/2  vL 1/2 1 t movimento associado com as pequenas escalas. Este conceito ensão das diferenças entre os aspectos macro e micro da turbu. se i 6= j) e k repre- t L ε≈ = . que é Observa-se então que a dissipação viscosa pode ser expres. tempo e veloci- Escala de velocidade: dade dos menores vórtices da turbulência são muito menores que aquelas dos grandes vórtices e. o que ilustra que o movimento nas pequenas escalas é viscoso e que a dissipação viscosa se adapta ao suprimento de energia pelo ajuste destas escalas (e. importante da maioria dos modelos de turbulência. λ = 106 L. Escala de comprimento: t τ !1/4 v3 !1/4 vU 3 1 1/4 U λ= (7) L Re1/4 ε ϑ = (vε) = = (13) = Re−1/4 . Viscosidade e difusividade turbulentas Möller & Silvestrini. Neste caso. onde t = L/U .  2 2 2 3 + 02 . seguidos de uma análise dimensional. expressa por 1 1  02 k = u i0 u i0 = u 1 + u 02 u sa em função de grandezas caracterı́sticas do escoamento médio. L λ escalas de comprimento. vt é a viscosidade turbulenta.. velocidade média do escoamento. comumente apresentam números de Reynolds da ordem de 108 . a taxa de dissipação viscosa (nas pequenas esca- las) é igual à taxa na qual a energia. foi introduzido por Boussinesq em 1877 que. Vol. a qual é expressa por (U 2 /t). A mais antiga proposta de modelagem da turbulência. se a taxa de dissipação vis. (7) e (9) observa-se que o número de Reynolds é unitário nas τ = 10−4 t e ϑ = 10−2 U . estabeleceu uma relação entre as tensões turbulentas (−u i u j ) e os gradientes de lência pode ser formada. Com estes novos pa- ε (11) râmetros. 2011 . principalmente. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 28 — #8 28 UMA REVISÃO SOBRE A TURBULÊNCIA E SUA MODELAGEM Esta discussão sugere que os parâmetros que governam o escalas da turbulência: !1/4 !1/4 v3 v3 L 1 movimento nas pequenas escalas devem incluir. por exemplo. a taxa de dissipação de energia por unidade de massa ε(m 2 s −3 ) L U3 Re3/4 λ= = = e a viscosidade cinemática v(m 2 s −1 ). as relações gorov.g. se i = j e 0. em virtude das suas largas dimensões horizontais. Com a utilização das expressões entre as escalas de comprimento. de acordo com a equação 2   ∂u i ∂u j −u i u j = vt − kδi j . (15) Relações entre as pequenas e as grandes escalas A presença do termo que contém o delta de Kronecker A substituição da Equação (10) nas expressões (7) a (9) permite a na Equação (14) é necessária para a correta consideração das obtenção das seguintes relações entre as pequenas e as grandes tensões normais que compõem a diagonal principal do tensor das Revista Brasileira de Geofı́sica. 2004). por unidade de massa. Com base nestes conceitos. é suprida aos grandes vórtices pelo escoamento médio (gran- des escalas). Escala de tempo: U ϑ  v 1/2 ⇒ τ= (8) ε Observa-se que as escalas de comprimento. no mı́nimo. mento médio. 29(1).

ou seja. 2011 . ao contrário da difusividade Embora frágil do ponto de vista fı́sico. Esta concepção de viscosidade turbulenta isotró- Entre a Equação (14) e a equação análoga para as tensões pica é uma simplificação. No movimento uma propriedade qualquer seja proporcional ao gradiente do turbulento. grandes corpos d’água como oceanos. de escoamento. estuários.. 1993). Deve-se observar ainda que.g. observa- se que a Equação (14) introduz um coeficiente de viscosidade ∂u 1 + 2 + 3   u 02 1 + u 2 + u 3 = −2vt = 0 . unidades são m 2 s −1 . quando então i = j. (17) ticas e. OLIVEIRA LR. para uma propriedade recebe a denominação de coeficiente de viscosidade turbulenta ϕ. A analogia de Reynolds entre o transporte de massa/calor as moléculas na Teoria Cinética). na realidade. Rodi. Sabe-se que. (16) ∂ x1 ∂ x2 ∂ x3 ∂u ∂u 02 02 turbulento igual para todas as componentes das tensões de Reynolds τi j . Vamos agora enfatizar o fato de um ponto a outro do escoamento e até mesmo de um escoa- que a viscosidade turbulenta vt é proporcional à escala de veloci. ou seja. intro- ferenciam fundamentalmente. 1989). vt pode va.g. escoamento médio. além do coeficiente de (19) viscosidade turbulenta vt variar de ponto para ponto no campo σt . esta relação pode ser escrita na forma vt D= (Rodi. Isto significa que sob determinadas Com relação à difusividade turbulenta.. como é requerido pela Teoria Cinética Rodi.g. o “livre caminho” e o transporte de momentum sugere que haja uma relação muito dos grandes vórtices não é pequeno quando comparado com o aproximada entre a difusividade e a viscosidade turbulentas (e. ou o número de Schmidt. horizontal e vertical. SOARES ID & MATA MM 29 tensões turbulentas. . Rodi. em contraste duzimos coeficientes de viscosidade turbulentos diferentes para com a viscosidade molecular v.. pelo fato que os vórtices não po. Por isso. forçando então o uso de informações experimentais para que se onde σt corresponde ao número de Prandtl turbulento. Rodi. para que a anisotropia seja considerada. De acordo com a Teoria Cinética dos Gases. a analogia entre os escoamentos lami. para o transporte de calor. 1993). cujo realismo é limitado em escoa- viscosas [ver Equação (1)] existem dois aspectos que as di. será suposto que a difusão turbulenta de valor constante e caracterı́stico para cada fluido. podemos escrever vt e. Note que D e vt têm as mesmas dimensões e suas possa estabelecer esta variação (Eiger. 1993). ainda é a base da maioria dos modelos em uso (e. o coeficiente v mantém um a difusão molecular. terı́stica destas moléculas. Vol. em algumas situações. mento para outro. a viscosidade turbulenta não diferentes direções do campo de escoamento. coamento. domı́nio do escoamento.g. (18) o qual Prandtl denominou “comprimento de mistura”. 1993). o conceito de visco- sidade turbulenta tem demonstrado ser extremamente útil para muitos escoamentos de interesse prático (e. Sendo assim. onde D é a difusividade turbulenta da propriedade considerada. em analogia com condições de temperatura e pressão. σt varia muito pouco ley. Por exemplo. devem ser tratadas como variáveis aleatórias. nem entidades capazes de da viscosidade turbulenta. é comum pende fortemente do estado da turbulência. por analogia. pois de. ou seja. ele tem sido muito bem sucedido e nho médio das moléculas do fluido e a uma velocidade carac. a despeito da fragilidade fı́sica do conceito ficiente de viscosidade molecular é proporcional ao livre cami.. Cumpre salientar que. Caso este termo não Destaca-se que. prescrever coeficientes de viscosidade diferentes para as direções riar significativamente de um ponto a outro no interior do es. a soma das tensões normais escalas ao longo do campo de escoamento que pode ser razoa- seria nula para atender o princı́pio de conservação da massa no velmente bem aproximada (e. rios. AZEVEDO JLL. 29(1). 1988. para o transporte de massa. Tennekes & Lum. de forma que se pode escrever Interpretação estatı́stica da turbulência As variáveis de um escoamento turbulento não são determinı́s- vt ∝ Û ∙ L̂ . turbulenta de momentum e calor ou massa. Como já salientado. o correspondente coeficiente de proporcionalidade valor médio da propriedade. dade Û e de comprimento L̂. ela não é uma propriedade do manter sua identidade no tempo e espaço (como são supostas fluido. ambas caracterizando o movimento turbulento de larga escala. A difusividade turbulenta possui a mesma fragilidade conceitual dem ser considerados corpos rı́gidos. 1989. Além disso. 1972. de viscosidade turbulenta. o coe. mentos mais complexos. como tal. O primeiro é que. isto é feito de forma não previsı́vel teoricamente. em é uma propriedade do fluido e sim do escoamento. 1993). Eiger. Stull. Quanto ao segundo aspecto a ser considerado. é considerado proporcional a uma velocidade −u i0 ϕ 0 = D ∂ xi ∂ϕ e um comprimento caracterı́sticos das flutuações turbulentas. é a distribuição destas duas estivesse incluı́do na Equação (14). De fato. Brazilian Journal of Geophysics. nar e turbulento não é perfeita. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 29 — #9 SOUZA JFA.

w.g. fosse desdobrado em uma componente média (de grande escala) ordenados em relação aos quais a variável foi medida. o processo é dito ho. p. Esta grade permite o estudo da turbulência homo- gênea e isotrópica. foi o primeiro a sugerir que o escoamento instantâneo mogêneo e se forem independentes da orientação dos eixos co. x 0 a sua parte flutuante. (21) Destaca-se que nos escoamentos turbulentos os valores ins- tantâneos das variáveis (u. v. 29(1). 2011 . entretanto.. é justamente no caráter independentes do tempo dizemos que o processo é estacionário. em 1895. e dita x̃ = x + x 0 . Silveira Neto. calor e escalares no interior dos escoamentos ã ∙ ã = (a + a 0 )(a + a 0 ) = a a + aa 0 + a 0 a + a 0 a 0 = a a + aa 0 + a 0 a + a 0 a 0 = a a + a 0 a 0 turbulentos (e. Em ou. Na aplicação da técnica de separação de Apesar da turbulência homogênea e isotrópica ser uma idea- lização. a turbulência será dita homogênea se as estatı́sticas forem invariantes por translação dos eixos coordenados. o valor médio assumido por suas variáveis descriti- Quando os momentos estatı́sticos de uma variável aleatória são vas. Revista Brasileira de Geofı́sica. conforme mostra a Equação (20): tras palavras. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 30 — #10 30 UMA REVISÃO SOBRE A TURBULÊNCIA E SUA MODELAGEM Figura 6 – Turbulência gerada em uma grade (Fonte: Lesieur.. este tipo de escoamento. θ.g. 2002a). o processo e outra flutuante (de pequena escala) pela separação das variá- é considerado isotrópico (e.. no interior de um túnel de vento. x̃ corresponde ao valor instantâneo de isotrópica se invariantes por rotação dos eixos (e. ρ.g. Para maiores detalhes. x à componente média desta variável e 2002a). flutuante destas variáveis que estamos interessados. são coletivamente chamadas momentos estatı́sticos da variável. possibilitando então a determinação de vários parâmetros que governam as taxas de transporte de quantidade aˉ aˉ = a ∙ a aa ˉ 0 = aˉ ∙ a 0 = 0 a 0 ∙ a 0 6= 0 a 0 ∙ b0 6= 0 de movimento.) flutuam. com ã ∙ b̃ = (a + a 0 )(b + b0 ) = ab + ab0 + a 0 b + a 0 b0 certa frequência.. desvio padrão e variância propósitos. em torno de um valor médio. Se eles forem independentes do espaço. conhecer o comportamento médio do escoamento. o escoamento observado na frente de uma “grade de Reynolds a média efetuada sobre as realizações obedece a cer- turbulência” constitui uma boa aproximação experimental para tas regras que são mostradas a seguir. Kundu & Cohen. 1997).. (20) Na Equação (20). é suficiente. As propriedades estatı́sticas média. Reynolds. permitindo que predições teóricas sejam sugere-se a leitura de Stull (1988) e Kundu & Cohen (2002). A comprovadas experimentalmente. uma variável qualquer. Para outros. 2002). S. Para a maioria dos = ab + ab0 + a 0 b + a 0 b0 = ab + a 0 b0 . conforme mostra a a 0 = 0 ã = aˉ + a 0 = aˉ + a 0 = a Figura 6. e. veis. Vol. Silveira Neto. Uma “grade de turbulência” aplicação da Equação (20) a duas propriedades a e b deve obe- consiste de uma grade posicionada transversalmente ao escoa- decer às seguintes regras de promediação: mento. portanto.

tende a representam o primeiro momento estatı́stico. Este tipo de troca ocorre em todo o campo de escoamento mento da parcela de fluido. 2002). no limite. em (22) 1925. produzindo uma interação entre as camadas do fluido (y + `m ) até y. lento real. As barras indicam o módulo de u 0 uma vez que esta flutuação pode ser positiva ou negativa. é expressa por |u 0 | = |u(y + `m ) − u(y)| . 1988).g. A flutuação de velocidade provocada pelo desloca- versa. ela transfere uma segundo momento (e. u 0 > 0. SOARES ID & MATA MM 31 No conjunto de Equações (21) os valores médios a e b bulento real.g. Stull. Note que a flutuação v 0 < 0 provocou o surgimento de ou- O comprimento de mistura de Prandtl tra flutuação. assim como a parcela situada na posição 2 é deslo. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 31 — #11 SOUZA JFA. determinada quantidade de movimento às partı́culas da região y. conforme apre. Deschamps. sentado na Figura 7a. sua flutuação v 0 move a parcela de fluido situada na posição tura”. acelerar e aumentar a velocidade u das partı́culas desta região cias e covariâncias a 0 a 0 . a parcela 1 é substituı́da pela 2 e vice. AZEVEDO JLL. fornece . Prandtl. Assim. que Prandtl chamou “comprimento de mis- nula. Apesar da velocidade v na direção y ser A distância `m . respectivamente. b0 b0 e a 0 b0 são interpretadas como o de uma quantidade u 0 . Dividindo-se a Equação (22) por `m = 1y. é aquela que produz flutuações de velocidade da mesma 1 para cima. Partindo dessa observação. 1y Esta Equação (23).. OLIVEIRA LR. no caso. desenvolveu sua hipótese do comprimento de mistura e propôs um modelo algébrico de turbulência (e. com velocidade u(y). a qual representa o valor de |u 0 | no campo de escoamento real.. conforme a partı́cula se deslo- que para baixo ou para cima. de Reynolds (−u i0 u 0j ). ao chegar à posição y. O produto destas flutuações Considere a situação simples de um escoamento turbulento uni. Em outras palavras. enquanto as variân. em escala macroscópica. A parcela fluida. (u 0 v 0 ) é negativo e representa uma das componentes do tensor direcional na direção x. por unidade de massa. quando se desloca para baixo desde turbulento. resulta |u 0 | |u(y + 1y) − u(y)| = (23) `m . ordem de magnitude que as ocorridas num escoamento turbu- cada para baixo.

du .

.

.

|u 0 | = `m .

.

.

.

Então. o valor médio das flutuações produzidas no entorno da posição y será expresso por 1 . . dy (24) O mesmo resultado seria obtido caso uma partı́cula de fluido se deslocasse para cima desde (y − `m ) até y.

du .

.

du .

.

du .

 .

.

.

.

 .

.

`m .

.

+ `m .

.

= `m .

.

.

.

2 dy dy dy 0 . .

.

.

.

como indicado na Figura 7b. |u | = (25) Prandtl também supôs que o valor médio do módulo das Figura 7 – (a) Troca de parcelas de fluido devido à turbulência e (b) escoamento flutuações v 0 . fosse da mesma ordem de magnitude do módulo das flutuações u 0 . Se du/dy é positiva. então pressa por (25). da outra componente da velocidade. ex- na camada limite turbulenta ilustrando a hipótese do comprimento de mistura. ou seja. as velocidades das partı́culas obedecem a desigualdade u(y + .

dv .

.

du .

.

.

.

.

Será suposto agora que a partı́cula |v | = `m . `m ) > u(y) > u(y − `m ).

.

− c1 `m .

.

.

.

dx dy 0 . .

.

e se desloque para baixo até a camada y. Brazilian Journal of Geophysics. deslocamento `m mede a distância necessária para que a troca O produto ρu i0 u 0j . se de momentum produza flutuações de velocidade u 0 da mesma deve à presença das componentes flutuantes do escoamento. (26) na camada (y+`m ). Este onde c1 é uma constante de ajuste. sofra uma perturbação v 0 < 0 (vertical). não corresponde a uma tensão real do ponto de vista fı́sico. 2011 . que representa as tensões de Reynolds. ou ordem de grandeza daquelas que ocorrem num escoamento tur. seja. Vol. 29(1). devido à turbulência.

assim como as barras. A seguir. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 32 — #12 32 UMA REVISÃO SOBRE A TURBULÊNCIA E SUA MODELAGEM Devido a este fato. A partir das Equações em relação à corrente livre (Versteeg & Malalasekera. quando u 0 é positiva.  du 2 u 0 v 0 = −`2m ∙ (27) dy (33) Conforme mostrado acima. “sublinhado” na Equação (29). uma vez que a presença destes al- tera o comportamento do escoamento e a estrutura da turbulência cujo valor está compreendido entre 0 e 1. obtém-se τ apar = −ρu 0 v 0 . (24) e (26) podemos escrever u 0 v 0 = −c2 |u 0 ||v 0 | A Lei da Parede . onde c2 é um fator de correlação. Prandtl supôs que u 0 v 0 = −c2 |u 0 | |v 0 |. as caracterı́sticas do escoamento próximo a contor- rente de zero e sempre negativo. Em vista disso. nos sólidos serão examinadas. de modo que o produto médio u 0 v 0 será dife. 1995). v 0 é nega- . pode-se escrever derivada é elevada ao quadrado. tiva e vice-versa. são também chamadas de tensões turbulentas. Assim. visto que a aparentes ou fictı́cias.

du .

.

du .

Na região próxima de um contorno sólido ocorre um decréscimo .

.

.

.

= −c2 `m .

.

.

.

∙ c1 `m .

.

.

.

dy dy (28) na transferência de quantidade de movimento entre as camadas .

du .

.

du .

.

.

.

.

ou até suprimida. devido à = −c3 `2m . do fluido. pois a turbulência é inibida.

.

.

.

.

.

.

.

Isto significa que o comprimento de mistura diminui à medida que o contorno Na Equação (28) c3 = c1 c2 . distância normal à parede. e expressar a tensão aparente na `m = κ ∙ y . Uma vez que o valor de `m sólido está mais próximo. Observando isso. (34) . podemos incluir nele o valor da constante c3 . dy dy diminuição da escala de comprimento dos vórtices. conforme mostra a equação fazendo-se c3 `m 2 = `m 2 . . Prandtl fez a hipótese ainda precisa ser determinado a partir de algum experimento ou de que o comprimento de mistura nesta região é proporcional à fórmula empı́rica.

du .

.

du .

forma .

.

.

.

u 0 v 0 = −`2m ∙ .

.

.

.

∙ .

.

.

.

29(1). onde com um gradiente de velocidade u na direção y. du forma A Figura 8 mostra uma camada limite turbulenta sobre uma −u 0 v 0 = vt ∙ dy placa plana. onde U∞ é a velocidade da corrente livre e δ uma . A Equação (31) predomina os efeitos viscosos e a segunda. Como o perfil de velo- envolve o parâmetro comprimento de mistura `m como incógnita cidade é diferente em cada uma destas regiões. que se estende até a fronteira da camada limite. reescrever a Equação (29) na qualquer influência sobre a turbulência local. Substituindo-se −u 0 v 0 de (27) em (31) chega-se reconhecem a existência de uma camada intermediária. a viscosidade turbulenta ao gradiente da velocidade média local e onde predomina os efeitos turbulentos. para um escoamento ria necessária para o ajuste dos diferentes perfis (Shames. 2011 . da Lei da Viscosidade de Newton. as quais pela Equação (1). o dade dinâmico turbulento. o parâmetro μt é o coeficiente de viscosi. serão analisadas abaixo. De acordo com a Lei Revista Brasileira de Geofı́sica.4. Como consequência da condição de nenhum deslizamento. alguns autores (Rodi. 1993). que se- à Equação (32). ou seja. onde vt = μt /ρ. (31) Na Equação (31) vt é o coeficiente de viscosidade cinemática dimensão caracterı́stica do escoamento nesta região. dy dy onde y é a distância perpendicular à parede e κ é a constante (29) Se na Equação (29) for definido que de von Karman. A Equação (31) é uma versão simplificada da Equação a espessura desta camada. denominada subca- é a hipótese do comprimento de mistura de Prandtl. quando então a parede deixa de exercer pode-se. turbulento. que é representada A Figura 8 mostra as diferentes regiões da camada limite. igual a 0. (30) parede e tende para uma dimensão caracterı́stica do escoamento ou para um valor limite. (14) para um escoamento unidirecional que ocorre na direção x A primeira. a qual é composta por duas regiões. Ela relaciona mada turbulenta. (32) Subcamada viscosa da camada limite turbulenta Na Equação (32). apar du = μt ∙ dy τi j . . que representa o análogo. Eliminando-se o fluido é estacionário junto à parede sólida. é chamada subcamada laminar. 1973). com a utilização de (30). A Equação (34) mostra que o tama- nho caracterı́stico dos vórtices cresce quando nos afastamos da −`2m ∙ |du/dy| ≡ vt . Vol. aderida à parede. que pode ser turbulenta.

uma descrição dos métodos numéricos. que é expressa por u ∗ = τo /ρ. v Uma importante relação no estudo da camada limite é a cha. Da Equação (37) conclui. lenta. algumas vezes. as quais descrevem os dois perfis mada velocidade de atrito. u∗ Por isso. (31). 5 ∙ ln + 5. Após cisalhamento permanece constante ao longo de toda a sua espes. turbulenta e zona de ajuste entre os perfis de velocidade (Fonte: Shames. 2002) existe uma região du onde os efeitos de inércia dominam e o escoamento é turbulento. OLIVEIRA LR. integrando-se (35) ao longo desta espessura resulta e (36) obtém-se o perfil de velocidade para a subcamada turbu- numa equação que governa o perfil da velocidade u na subca. u∗ (38) τo u= y. Kundu & Cohen. 4 e C = 5 é uma constante de integração cujo Na obtenção desta equação linear foi considerado que a velo. MODELAGEM DA TURBULÊNCIA A subcamada viscosa é muito fina e se estende da superfı́cie até Esta seção é destinada aos aspectos relacionados com a modela- y + = 5 (e. esta região é também chamada subca.. onde u/u ∗ ≡ u + e τo /ρ/v y ≡ y + definem. a Equação (38) se transforma em u u y  = 2. Assim. valor é obtido experimentalmente (e. a tensão de cisalhamento na superfı́cie Subcamada turbulenta da camada limite turbulenta τo é expressa pela equação: Para y + > 30 (e. Kundu & Cohen. u∗ = (37) viscoso como o turbulento são importantes (região de ajuste dos v dois perfis). 29(1). Vol. o qual tem como equação mada viscosa. gem da turbulência..g. respectivamente. (35) Nesta região. para a velocidade e para a distância normal à parede. As Equações (37) e (39). Com esses valores. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 33 — #13 SOUZA JFA. 2011 . respec- √  tivamente. cidade u é nula em y = 0 (condição de nenhum deslizamento).g. Dividindo-se (36) por u ∗ obtém-se uma relação adimensional são representadas na Figura 9. Kundu & Cohen. dada por u 1 = ∙ ln y + + C . fazendo com que a forma do perfil de ve- Uma vez que esta camada é muito fina supõe-se que a tensão de locidade mude em relação àquele da subcamada viscosa. Brazilian Journal of Geophysics. alguma manipulação algébrica com as Equações (30).g. a velocidade e a distância em termos adimensionais. AZEVEDO JLL. Inicialmente serão apresentadas as principais se que u + = y + . SOARES ID & MATA MM 33 Figura 8 – Subcamadas laminar. 2002). da seguinte Destaca-se que entre a subcamada viscosa e a subcamada turbulenta (5 < y + < 30) existe uma região onde tanto o efeito u forma √ τo /ρ y. κ (36) ρv onde κ = 0. (34) sura. √ de velocidade nas regiões viscosa e turbulenta. a tensão de cisalhamento τ varia suavemente com a distância à parede.. τo = ρv dy . mostrando a relação linear que existe entre os técnicas de abordagem para o estudo da turbulência. seguindo-se adimensionais. ∗ (39) mada linear. 2002). 1973). da Viscosidade de Newton.

numérica e experi. a modelagem numérica é uma das ferramen- disponibilidade de equipamentos e pela escala máxima do mo. frequentemente. as metodologias analı́tica. Os modelos de turbulência baseados na decomposição de Rey- plexidade das equações matemáticas que cada uma pode resolver. mais rápidas e precisas. permite a solução de problemas mais das equações de Navier-Stokes serem decompostas numa parte Revista Brasileira de Geofı́sica. em geral. tas disponı́veis para o estudo da turbulência. por sua vez. práticos do estudo (Yu & Righetto. modelagem numérica e que permitam a obtenção de respostas mental. Técnicas de abordagem da turbulência complexos. Modelos baseados na decomposição de Reynolds renciais que compõem o modelo matemático que descreve o (RANS) fenômeno fı́sico de interesse.e. Os experimen. mesmo delo fı́sico. 1999). especialmente quando não se dispõe de um modelo matemático (ii) de simulação numérica direta e (iii) de simulação das grandes bem estabelecido que represente adequadamente o problema que escalas da turbulência. A simulação closure ). exige geometrias e condições Averaged Navier-Stokes ). visando (single-point closures ) ou modelos de fechamento local (local reduzir a complexidade matemática do problema. A maior vantagem desta as quais serão brevemente descritas a seguir. existem diferentes técnicas de abordagem. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 34 — #14 34 UMA REVISÃO SOBRE A TURBULÊNCIA E SUA MODELAGEM Figura 9 – Perfil de velocidade junto a uma superfı́cie sólida. Grandes esforços têm sido empreendidos para o de- Para o estudo da turbulência estão disponı́veis três metodologias senvolvimento de ferramentas que possam ser empregadas na de abordagem. i. ficam limitados pela infraestrutura do laboratório. modelos de fechamento em um ponto de contorno muito simples e hipóteses simplificadoras. 2011 . As metodologias analı́tica e numérica formam uma classe de métodos teóricos que procuram resolver as equações dife. a qual. Entretanto. Modelagem numérica da turbulência tos. Vol. é inadequada aos objetivos dentro deste enfoque. A diferença entre elas está na com. A metodologia experimental é conduzida em laboratórios de turbulência e apresenta vantagens e desvantagens. Como citado acima. se deseja modelar. Destacam-se os metodologia é poder tratar com a configuração do problema real. métodos: (i) baseados na clássica decomposição de Reynolds. em geral. nolds são também conhecidos como modelos RANS (Reynolds A abordagem analı́tica.. A denominação RANS se deve ao fato das variáveis numérica. 29(1).

O esquema KPP de Large et al. (1994) foi concebido para Dentro desta classe de modelos. O procedimento conduz a um perfil contı́nuo para a visco- em qualquer ponto do escoamento. pode resultar em in- sividade turbulenta e o conceito de Comprimento de Mistura. O primeiro passo é a computacional. 2003). poral extremamente refinada. abaixo dela tos da grade. u i0 u 0j ) é feita através de isso não considera a presença da camada limite de fundo. gradiente do valor médio da variável no mesmo ponto ou local. (40) Durski et al. também das intensidades da tensão do vento e da estratificação da coluna baseados nas equações RANS simplificadas pela aproximação da d’água. caracterizado pela presença de uma introdução da correlação não-local (non-local closure ) entre os mirı́ade de vórtices que ocupam uma larga faixa de escalas de fluxos. O método considera separadamente a região da camada de equações lineares discretizadas a resolver em todos os pon- limite superficial (z > −h) e a região interior. (1994) ele se distingue dos demais modelos empı́ricos. subseção anterior. mistura na camada interior e superficial. tensão de vento atuando na superfı́cie. portanto. Silvestrini. outro esquema de fechamento turbulento ficou na dependência delistas compreende os chamados modelos empı́ricos. SOARES ID & MATA MM 35 média e outra flutuante. O elevado número de graus de liberdade. das estas escalas é requerida uma discretização espacial e tem- Large et al. parametrizados de forma diferente em cada uma destas regiões. ou seja. OLIVEIRA LR. limita assim a utilização desta para a camada limite superficial (z > −h) àquela do oceano metodologia à escoamentos com baixos números de Reynolds interior (z < −h) através de uma função polinomial chamada (Silveira Neto. também. 29(1). O outro se relaciona com o fenômeno da ressurgência costeira induzida pela ação do Modelos empı́ricos vento. Apesar das limitações.. O problema é que o escoamento turbulento é sempre e também de todos os modelos apresentados neste artigo. Maiores detalhes a respeito do modelo KPP podem ser camada limite. Em ambos os estudos o resultado em favor de um ou Uma classe de modelos que vem recebendo a atenção dos mo. o qual corresponde ao número ficial. relacionando-as com pro.g. Brazilian Journal of Geophysics. AZEVEDO JLL. 2011 . A para. Ao contrário dos modelos RANS apresentados na encontrados nas referências citadas. no oceano profundo. Burchard et al. o que demanda um grande esforço K para aplicações no oceano profundo. para números de O esquema KPP consiste em ajustar a taxa de mistura apropriada Reynolds de interesse prático. limite. cujos fluxos turbulentos são modelados com base nas Equações (40). 2008). fundamentada no conhecimento empı́rico Esta técnica de modelagem é conhecida na literatura inglesa dos fluxos na camada limite (e. pela tridimensional e transiente. constitui o mais equações completas de Navier-Stokes para todos os pontos da recente modelo que representa esta classe. ou simplesmente KPP. A segunda e função de forma que faz o ajuste entre as duas na base da camada terceira denominações se devem ao fato da variável turbulenta. para a resolução de to- pontos do escoamento. para que se possa bem caracterizar o escoamento (z < −h) sendo os coeficientes de viscosidade/difusividade (Silveira Neto. aqui a modelagem dos fluxos é condu. conforme já apresentado. Um destes estu- A variável θ representa a temperatura. As tensidades de mistura irreais. e consiste em resolver as metrização do perfil-K. aplicações em modelos globais. 2002b. Vol. e por cógnitas turbulentas (por exemplo. 2002b). ser parametrizada a partir do sidade/difusividade que vai da superfı́cie ao fundo do oceano. (2004) ampliaram o expressões abaixo são exemplos deste tipo de parametrização: campo de aplicação do esquema KPP para a região da plata- u i0 u 0j = vt ∂u i /∂ x j  forma continental estendendo o ajuste entre as taxas de mistu- ra para levar em consideração. a parametrização das in. é o seu alto grau de liberdade. s é a salinidade e D a dos foi o aprofundamento da camada de mistura superficial em um fluido estratificado e inicialmente em repouso sujeito a uma difusividade turbulenta. por direct numeric simulation (DNS). Simulação Numérica Direta (DNS) zida de forma diversa. onde a camada priedades do escoamento médio (normalmente com ∂u i /∂ x j ). Uma caracterı́stica dos escoamentos turbulentos determinação da profundidade (−h) da camada limite super. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 35 — #15 SOUZA JFA. (1994) desenvolveram a parametrização do perfil. limite de fundo pode exercer influência sobre os processos de Estas parametrizações empregam o conceito de viscosidade/difu. aplicação deste modelo à região da plataforma. Durski et al. Introduzido por Large grade e para todas as escalas temporais e espaciais do movi- et al.5 MY82. mento. correlação de fluxos turbulentos em diferentes comprimento e de tempo e. (2004) fizeram estudos comparativos entre o u i0 s 0 = D ∂s/∂ x j . a presença da camada u i0 θ 0 = D ∂θ /∂ x j  limite de fundo.  esquema KPP e o modelo nı́vel 2. A equações algébricas ou diferenciais.

visto que estes modelos são largamente utiliza. Para os leito. torna movimento. técnica DNS. O procedimento tem o objetivo de reduzir o número por isso. que caracterizam a turbulência. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 36 — #16 36 UMA REVISÃO SOBRE A TURBULÊNCIA E SUA MODELAGEM como a DNS resolve diretamente as equações de Navier-Stokes LES recomenda-se a leitura de Silveira Neto (2002b). Silvestrini sem a necessidade de parametrizações. importante ferramenta de análise. adequada entre eles. Tais tro das dificuldades enfrentadas com a técnica da simulação di. Modelos RANS De acordo com Silvestrini (2003) a DNS deve ser interpretada A existência de uma grande quantidade de modelos de tur- como uma ferramenta de pesquisa. Uma equação de vidas.. 2011 . o que significa que não existe transporte da turbu- As pequenas escalas de comprimento e tempo. dade (buoyancy ) e (iv) representem a dissipação (destruição) da res interessados em mais detalhes sobre os modelos DNS e entidade turbulenta nas pequenas escalas (e. é descrever modelos que utilizam o conceito de viscosidade tro que separa as grandes estruturas da turbulência. tanto qualitativa como quanti- tativa. não podem ser utilizados. des” que caracterizam a turbulência. apesar da simplicidade. por exem- técnica DNS. u i0 ϕ 0 . 2002b). ela se constitui em uma (2003) e Martinez (2006). em princı́pio. representadas pelos pe. mas em- Simulação das Grandes Escalas da turbulência pregam equações diferenciais para o transporte de “entida- A Simulação das Grandes Escalas (SGE) ou Large Eddy Si. a partir da qual pode-se obter informações importan. e a modelagem RANS. vt no campo de escoamento. com discretizações espaciais e temporais bastan. te refinadas. foi gerada. inadequados. da transição do escoamento à turbulência.g. utiliza-se um fil. o fazem relacionando este parâ- A simulação das grandes escalas é conduzida tal como a metro diretamente à distribuição da velocidade média. as quais têm um lência (ou da entidade que a caracteriza) no campo de escoa- comportamento mais isotrópico e menos dependente dos contor. modelos estão fora do objetivo deste trabalho. são conhecidas como escalas submalha e são mo. escoamentos com maior número de Reynolds em comparação Os modelos mais simples que adotam uma distribuição para com a DNS. transporte advectivo da entidade através do escoamento médio. cuja finalidade reta. implicitamente. enquanto as flutuações são parametrizadas (e.g. descrita na seção anterior. onde todas as flutuações são. aos gradientes de velocidade média (cisalhamento) ou de densi- dos na modelagem de escoamentos geofı́sicos. 2003). os modelos modelo submalha. alguns fazem uso de uma viscosi- os grandes vórtices que transportam energia e quantidade de dade/difusividade constante que. plo. Rodi. o qual é denominado (ou pela turbulência gerada em tempos pretéritos). Estes modelos. onde somente os valores médios transporte é aquela que contém termos que: (i) representem o são resolvidos. e o fluxo de propriedades escalares associadas ao es- numérica de escoamentos turbulentos. coamento. (ii) representem o transporte difusivo pelo movimento turbu- A seguir. das pequenas estruturas. a técnica LES pode ser situada entre a turbulência. 1993). análoga a um experimento de bulência baseados na técnica de decomposição de Reynolds laboratório. mento. com isso. Nesta técnica. uma vez que simula todas as escalas espaciais e temporais (Martinez. pois não consi- quenos vórtices. Vol. dera sequer as variações locais da estrutura da turbulência e. seja influenciado pela turbulência em outro local do escoamento deladas por um modelo algébrico simples. permitir a simulação de corretamente os detalhes do campo de escoamento médio. turbulenta. a qual vem ao encon. 29(1). onde ϕ representa um escalar qualquer. em LES as pequenas esca. em geral. mais simples. para descrever de graus de liberdade e. mulation (LES) é outra alternativa disponı́vel para a simulação u i0 u 0j . (iii) possam reproduzir a geração de turbulência devido apresentado. ou seja. por exemplo. Para os casos onde o estado da turbulência num ponto nos fı́sicos. que negligenciam o transporte da turbulência. a modelagem da turbulência muito limitada. Revista Brasileira de Geofı́sica. são De acordo com Silvestrini (2003). onde prevalece a isotropia (Silveira Neto. Alguns destes modelos. um maior detalhamento dos modelos RANS será lento. torna difı́cil definir um critério único que permita uma distinção tes para a simulação do movimento turbulento. com o gradiente local desta. Silvestrini. tais como o momentum . Dentre estes. las são pobremente resolvidas de forma que a principal finalidade Modelos que empregam equações de transporte para “quan- da parametrização submalha é extrair energia das grandes escalas tidades” que caracterizem o estado de turbulência do escoamento fazendo o “papel” da cascata de energia. podem ser chamadas “entidades turbulentas”. Estas “quantidades”. onde são resolvidas as equações instantâneas de assumem que a turbulência é dissipada no mesmo local onde Navier-Stokes apenas para as escalas energéticas do escoamento. não utilizam o conceito de viscosidade/difusividade. resol. 2006). Do ponto de vista das foram desenvolvidos para levar em consideração o transporte da flutuações das variáveis.

Equações evolutivas (prog.. faz surgir variáveis médias. Blumberg & Mellor. portanto. os fluxos de calor e sal. fora. caracterı́sticas dos processos de pequena escala e mais alta que a primeira. a velocidade. Um modelo de meia como problema de fechamento. Obviamente. dem do fechamento” adotada. resolveria qualquer equação prognóstica. temperatura e salini- correlações trı́plices (momentos de terceira ordem) como novas dade médias são parametrizadas diretamente em função do espa- incógnitas (u i0 u 0j u 0k . que resolvem duas equações de transporte para duas enti. não devem ser empregados para situações muito dis. por exem- 1982. 1988. 1999. evolutiva (por exemplo. OLIVEIRA LR. pectivamente). Existem concepções de fechamento que utilizam apenas uma parte das equações disponı́veis dentro Classificação quanto à ordem do fechamento de cada categoria. u i0 u 0j θ 0 . Existem modelos. as correlações trı́plices (u i0 u 0j u 0k ) são parametrizadas utilizando- não consideram equações para o transporte destas entidades e. em função da velocidade média. Entre. nesta ordem de fechamento. u i0 θ 0 . 2008). é importante escritas equações diferenciais evolutivas para os momentos de que a turbulência seja vista como uma entidade que pode ser pro. como fluxo turbulento de calor. Neste caso. Este procedimento. 1988). interpretadas como “tensões de Rey. criando-se então a nomenclatura encontrada para Apesar de não haver hoje em dia nenhum interesse em certas formas de classificação dos modelos de fechamento. além de aumen. suponha que as equações do es- Em geral. as equações diferenciais para u i e u i0 u 0j são resolvidas e tanto. nem mesmo para as tar o número de equações diferenciais a resolver. entre outras). quando um escoamento é modelado. Por exemplo. muitos modelos. tais como: (i) u i0 u 0j . Hassid & Galperin. a obtenção deste conjunto de equações incorpora novas segundos momentos restantes. um modelo deste tipo não corresponde número de incógnitas maior que o de equações. b) Modelos de Segunda Ordem – Para estes modelos são Independentemente do critério de classificação. com destaque para aquela com relação à ordem é o número de equações diferenciais parciais a resolver e maior do fechamento. dentro desta classificação. Entre. nósticas) podem ser escritas para que o valor destas incógni. será o custo computacional. supondo que esta enti. a) Modelos de Primeira Ordem – Nestes modelos o sistema dades representativas do estado da turbulência do escoamento de equações escrito para as variáveis médias u. L̂ (Mellor & Yamada. 1989). por exemplo. Vol. Na teoria da turbulência isto é conhecido fato que ignora completamente a turbulência. Brazilian Journal of Geophysics. uma classificação muito frequente. estas novas correlações são zaria apenas alguns momentos de segunda ordem. e nem “não local”. mais complexos ainda. de temperatura e salinidade. Gal. a escala de velocidade V̂ e a escala de vido e as tensões de Reynolds e os fluxos (u i0 u 0j . 2011 . perin et al. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 37 — #17 SOUZA JFA. co. ou duzida. 1983. Um modelo nolds”. Obviamente não seria ceira ordem (segundos momentos ou terceiros momentos. Um modelo de ordem zero. permanecendo nem a um fechamento “local”. chamento (Stull. até que bem sucedidos em alguns casos. Umlauf & Burchard. Destaca-se que o Modelo das Tensões de Reynolds se enquadra tintas daquela para a qual foram validados (Eiger. pelo simples o sistema em aberto. porém mais baixa que a segunda. 1994. os fluxos de calor e sal). ordem. segunda ordem e os terceiros momentos são parametrizados. Neste caso. res. 1987. tem-se um fechamento de ordem incógnitas. (iii) u i0 s 0 . são parametrizados através de uma equação algébrica. AZEVEDO JLL. maior modelos RANS. um modelo de primeira ordem completo. se relações do tipo difusão-gradiente dos segundos momentos. Burchard & Petersen. eles podem ser definidos e já tiveram bastante utilidade. modelos de ordem zero. ordem resolveria as equações do escoamento médio e parametri- Do ponto de vista estatı́stico. dissipada e transportada através do escoamento. 2003. u i0 s 0 ) comprimento caracterı́stica da turbulência. porque representadas por correlações das flutuações das variáveis mé. (ii) u i0 θ 0 . nem todos os momentos de segunda ordem possuiriam equação dias. SOARES ID & MATA MM 37 Alguns destes modelos empregam uma equação de trans. De acordo com essa classificação dade bem represente a intensidade da turbulência (flutuações do são encontrados: campo de velocidade média). mantendo sempre o ço e tempo. não tas possa ser encontrado. mente encontrada na literatura especializada faz referência à “or- porte para a escala de velocidade V̂ . descreve-se o coamento médio sejam resolvidas juntamente com as equações seu comportamento médio através de um conjunto de equações evolutivas para a energia cinética turbulenta e para as variâncias diferenciais parciais escritas para as variáveis médias. A subseção abaixo apresenta as principais classificações dos É claro que quanto mais alta é a ordem do fechamento. deste tipo seria classificado como de uma e meia ordem de fe- mo fluxo turbulento de sal e outras. por exemplo. Kantha & Clayson.. Ilicak et al. parametrizando-se os tanto. v e ω é resol- como. deixando de reconhecidas como momentos de segunda ordem ou de ter. plo. seja. de meia ordem e até mesmo de primeira Baseada nesta explicação. 29(1).

g. Burchard & Bolding. A analogia com a Teoria Ciné- tica dos Gases. Este procedimento não é trivial e ciais necessárias para resolver o problema de fechamento da sua análise será feita em um trabalho futuro. Hassid & compreensão da forma como a turbulência tende à isotropia nas Galperin. enquanto modelos a uma e meia equação utilizam uma Conforme apresentado na seção introdutória. os autores vão obtendo modelos com dife- número suplementar de equações diferenciais ordinárias e par. os vórtices dependem fortemente da geometria fundamentam no conceito de viscosidade turbulenta. de separar o escoamento em uma parte dos objetivos deste trabalho. que foi denominado “árvore de gerações”. tegoria II – dos modelos que partem das equações evolutivas Algumas contribuições se mostraram fundamentais para o para o tensor das tensões de Reynolds e (c) Categoria III – que avanço da modelagem da turbulência. 2008). Igualmente importante. 1988. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 38 — #18 38 UMA REVISÃO SOBRE A TURBULÊNCIA E SUA MODELAGEM Classificação quanto ao número de equações que os autores partem da equação para as tensões de Reynolds e diferenciais utilizadas para o fechamento avaliam o quanto cada termo da equação se afasta da condição de Para os modelos de turbulência centrados na hipótese de Bous.g. a uma DISCUSSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS equação e a duas equações. nas 2003): (a) Categoria I – que reúne todos os modelos que se grandes escalas. ceito de Camada Limite e a chamada Teoria da Camada Limite. por reúne modelos de simulação das grandes escalas da turbulência exemplo. um fenômeno bastante complexo. Para tanto. o mais simples. escalas menores da cascata. respectivamente. concebidos por Deardorff viscosidade turbulenta. Exemplos desta classificação (e. tal como a parametrização do perfil-K (KPP). po- puseram que os modelos fossem classificados por nı́veis de com. sofisticados foram sendo desenvolvidos. dendo ser tratado como invı́scido longe deles. o que é feito da seguinte forma (Fontoura Rodrigues. os quais utilizam. Estes modelos fogem Reynolds. o qual se consti.. pro. uma e duas equações diferenciais parciais (EDP) au. Zhurbas.. tais como os modelos Esta classificação se fundamenta no chamado parâmetro de a uma equação e a duas equações. 2001. 29(1). (b) Ca- do escoamento e exibem um comportamento anisotrópico. média e outra flutuante. Esta tuiu numa referência para a modelagem da circulação oceânica. alegando haver certa confusão na Prandtl. Mo- anisotropia ai j . porém pouco explorado na literatura Entre os nı́veis 3 e 2 desta classificação enquadra-se o conhecido especializada. julga. Fon- toura Rodrigues. Com o avanço dos recursos computacionais. deu um passo importante ao introduzir o conceito de (LES – Large Eddy Simulation ).. Stull. é observável nas pequenas escalas da turbulência enquanto. Eiger. De forma absolutamente simplista. Vol. foi a iniciativa de (1970 apud Fontoura Rodrigues.g. nenhuma. 1987. cujos estudos entre 1904 e 1925. Este trabalho procurou apresentar uma visão geral do fenômeno xiliares na determinação da viscosidade turbulenta.. 1989). Galperin et al. Umlauf et al. Com isso. rentes nı́veis de complexidade. 2003). Blumberg & Mellor. apesar de não ser perfeita. (EDO). enquanto no qual os modelos de turbulência mais simples se baseiam.. 2001). Por exem- Uma classificação menos frequente divide os modelos em ca- plo. em 1895. é aquele apresentado por Bradshaw (1971 apud modelo nı́vel 21/2 de Mellor & Yamada (1982). todos do tipo RANS. Kantha & Clayson. cujo efeito desta última sobre o es- coamento médio é introduzido por meio de modelagem. negligenciando de forma racional os termos sinesq [ver Equação (14)] existe uma classificação baseada no de ordem mais alta. 2003) são os modelos à zero equação. sendo o mais complexo classificado como nı́vel 4. Revista Brasileira de Geofı́sica. Burchard. 2011 . Um recurso valioso. Modelos da turbulência e os vários tipos de modelos de turbulência a meia equação fazem uso de uma equação diferencial ordinária existentes. modelos mais 2001. correspondendo ao modelo das tensões de Reynolds. à Prandtl a introdução do conceito de Comprimento de Mistura. Ilicak et al. turbulência. nı́vel 1. conduziram ao con- nomenclatura adotada para a classificação dos modelos. se pode dizer delos empı́ricos. Também se deve plexidade. 2003. 1994. 1983. representação permite uma visualização da cascata de energia e a e que corresponde a uma simplificação do nı́vel 3 (e. ram conveniente a adoção de uma “nova” nomenclatura para esta evidenciando que o efeito da viscosidade em um escoamento só classificação que fosse semanticamente neutra. é relevante em uma pequena região adjacente aos contornos. permitiu uma me- lhor compreensão do fenômeno e serviu como base para o es- Classificação por categoria tudo e modelagem da turbulência (e. a isotropia que fundamenta o estudo da Teoria Cinética só tegorias. isotropia. corresponderia a um modelo algébrico. Outra A hierarquia de Mellor & Yamada contribuição significativa no estudo da turbulência foi dada por Mellor & Yamada (1974). Boussinesq em 1887. a turbulência é EDP e uma EDO. 1988.

ÖZGÖKMEN TM. p. Rio de Janeiro. o qual pode também ser classificado como um mo. Vertical mixing No HYbrid Coordinate Ocean Model (HYCOM) o modela. BAUMERT H & ISKANDARANI AGRADECIMENTOS M. O Princeton Ocean Second-Moment Turbulence Closure Models for the Oceanic Mixed Layer. 1987. de turbulência a duas equações se constituem na ferramenta mais utilizada na simulação numérica de escoamentos turbulen. 2000a. hoje em dia. MATHIEU primento (e.5 (e.htm. 2001. Maio- tais. GLENN SM & HAIDVOGEL DB. 1–16. os modelos 204. 3. GALPERIN B. p. Observational and numerical modeling methods for quantifying coastal No Regional Ocean Modeling System (ROMS) a parametriza. das Tensões de Reynolds. Washington dem crescente de esforço computacional. (Ed. e em or. Cap. Vol. 10. 109: C01015. 2008.. Kantha & Clay. schemes in the coastal ocean: Comparison of the level 2. 24: tal Universal-2008:474057/2008-9). WELSH DJS & WIJESEKERA HW. PRANDKE H. entre outros. Performance of two-equation turbulence closures in three- Este trabalho é uma contribuição ao Projeto MOVAR (CNPq / Edi. VAN HAREN H.C.org/index.html. P-P. 29(1). dimensional ocean models.php. In: Coleção O modelador pode escolher entre as várias opções disponı́veis de Cadernos de Turbulência. 84–155. Journal of Physical Oceanography. SKYL- son. Comparative Analysis of Four los de turbulência comentados neste artigo. Associação Brasileira de Ciências Mecânicas fechamento turbulento. Progress in Oceanography. In: HEAPS NS. DESCHAMPS CJ. CRAIG PD. 26: 397–412. 2008. Ainda com aplicações limitadas.mohid. Ciências Mecânicas – ABCM. (2004). BURCHARD H & BOLDING K.miami. SMITH WAMN. Escoamentos Turbulentos Parie- duas equações para a parametrização da mistura vertical.aos. um esquema de fechamento turbulento a FONTOURA RODRIGUES JLA. 1. 31: 1943–1968. Maiores detalhes po. entre elas o modelo a duas equações de Mel.. pode-se constatar que. Model (POM). 21: 29–53.g. 1999. dos na modelagem de escoamentos geofı́sicos nas mais di- versas regiões do globo. ser encontrados em: http://www. BURCHARD H. Vol. 101–155. marine environment – A comparative study of two-equation turbulence delo de turbulência a duas equações. KANTHA LH. models.5 Mellor- dor dispõe de uma variedade de submodelos de turbulência Yamada scheme with an enhanced version of the K profile para- para escolha. GEMMRICH JR. por exemplo. Journal of Geophysical Research. 1988.princeton. Vol. OLIVEIRA LR. ocean turbulence and mixing. Models of turbulence in the 1982). ILICAK M. 2. Journal of the Atmospheric Sciences. 2004. 45: 55–62. In: Coleção Cadernos de Turbulência. emprega. 76(4): 399– ção dos processos de mistura vertical pode utilizar um esquema 442. SOARES ID & MATA MM 39 desenvolvido por Large et al.1029/2002JC001702. Modelos de Escoamentos Turbulentos.edu/hycom- EIGER S. Cap. custo-benefı́cio destes modelos a principal razão de seu sucesso em aplicações técnicas e cientı́ficas.). (1994) para modelos globais. p.). “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 39 — #19 SOUZA JFA. Coleção da ABRH – um sistema de modelagem de corpos d’água tridimensionais Associação Brasileira de Recursos Hı́dricos. 1. 153– Finalmente. Blumberg & Mellor. e REFERÊNCIAS a versão KPP de Durski et al.myroms. 2. BURCHARD H & PETERSEN O. 2011 . Maiores detalhes deste modelo podem – ABCM. Three nativas ao modelista. é a relação equilibrium Turbulent Energy Model for Geophysical Flows. Turbulência (LES) e a Simulação Numérica Direta (DNS). modificada para a região BLUMBERG AF & MELLOR GL. sendo uma para a ener. Mais detalhes podem ser encontrados em: LINGSTAD ED. Mellor & Yamada. 2003. A Description of a Three-Dimen- da plataforma. DURSKI SM. Journal of Marine Systems. Ocean Modeling. Journal of Physical Oceanography. In: SILVA RCV model/documentation. RIPPETH TP. Notes and Correspondence. utiliza o conhecido esquema de fechamento turbulento de nı́vel 2. MEIER HEM. a Simulação das Grandes Escalas da BURCHARD H. A Quasi- tos geofı́sicos. Modelos Algébricos e Diferenciais.com/what is mohid. 122–139. AZEVEDO JLL. Associação Brasileira de res detalhes em http://www. se pode citar o Modelo D. Cap. 1989. doi: lor & Yamada (1982) e o modelo KPP. On the q2 L Equation by Mellor & Yamada (1982). dem ser encontrados em: http://hycom.edu/WWWPUBLIC/htdocs. p. empregam um ou outro dos mode. Segundo Fontoura Rodrigues (2003). Rio de Janeiro. Já o MOdel Hydrodynamic (MOHID). American Geophysical Union. 1983. 3. Métodos Numéricos em Recursos Hı́dricos. 2002. gia cinética turbulenta e outra para a macro-escala de com. de fechamento local (em um ponto) ou não local (em dois pontos). Boundary-Layer Meteorology. A Turbulent Energy Model for Geo- physical Flows. dimensional simulations of Red Sea overflow. 1987.pom/.b). http://www.rsmas. 2001. Brazilian Journal of Geophysics. 31: Uma grande variedade de modelos hidrodinâmicos utiliza- 1377–1387. SMYTH WD. também são disponı́veis e constituem boas alter- sional Coastal Ocean Circulation Model.g. meterization. PETERS H. (Ed. HASSID S & GALPERIN B. HASSID S & ROSATI A. Vol.

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Tem especial interesse nos processos interanuais que controlam a formação e exportação de águas de fundo no entorno do continente Antártico. Desde 1992 é professor permanente do Instituto de Oceanografia da FURG. Quı́mica e Geológica nesta instituição. Vol. Trabalhou como docente na área de Fı́sica (4 anos UFPEL/FURG). pela UFRGS (1990). Seus trabalhos cientı́ficos têm ênfase em Oceanografia Fı́sica. Mestrado em Oceanografia Fı́sica pela USP (1995) e Doutorado em Meteorologia e Oceanografia Fı́sica pela Rosenstiel School of Marine and Atmospheric Science – University of Miami. sobre a circulação oceânica de meso e larga-escala. Quı́mica e Geológica pela FURG (2008). USA (2003). Florida. Atualmente é Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Oceanografia Fı́sica. Mauricio Magalhães Mata é graduado em Oceanografia pela FURG (1991) e Mestre em Sensoriamento Remoto pela UFRGS (1996). fluxo de calor superficial para o Oceano Atlântico sudoeste. Quı́mica e Geológica da FURG (2009). 2011 . SOARES ID & MATA MM 41 NOTAS SOBRE OS AUTORES José Francisco Almeida de Souza possui Graduação em Engenharia Civil pela FURG (1979) e Mestrado em Engenharia Civil. Austrália. AZEVEDO JLL. Sua pesquisa atual está direcionada para a modelagem da turbulência com aplicação na formação de plumas flutuantes com a utilização do Princeton Ocean Model (POM). José Luiz Lima de Azevedo possui Graduação em Engenharia Quı́mica pela FURG (1982) e Mestrado em Engenharia Elétrica pela UFSC (1996) e Doutorado em Oceanografia Fı́sica. Tem como área de interesse os aspectos turbulentos da circulação costeira e estuarina. área de concentração de Recursos Hı́dricos e Saneamento. e o estudo de dados climatológicos oriundos dos flutuadores perfiladores do projeto ARGO. 29(1). Quı́mica e Geológica da FURG. Conversões de energia e processos de instabilidade. É professor da FURG e atualmente cursa o Doutorado em Oceanografia Fı́sica. OLIVEIRA LR. com ênfase em correntes de contorno oeste e Oceanografia Antártica. atuando principalmente nos seguintes temas: Variabilidade da Corrente do Brasil e Confluência Brasil-Malvinas. Área de atuação: modelagem numérica de processos costeiros e oceânicos. Sua linha de pesquisa concentra-se na circulação oceânica de meso e larga-escala. Em 2001 tornou-se Doutor em Oceanografia Fı́sica pela Flinders University of South Australia. Leopoldo Rota de Oliveira é graduado em Fı́sica pela UFPEL (1998) e possui Mestrado (2003) e Doutorado em Oceanografia Fı́sica. É professor da FURG desde 1984. Atualmente é professor adjunto IV da FURG. Adelaide. com a utilização do Princeton Ocean Model (POM) e do modelo Bleck & Boudra . Sua pesquisa atual está direcionada para a modelagem analı́tica e numérica do encontro de vórtices anticiclônicos com a borda continental e a respectiva corrente de contorno. “main” — 2011/7/22 — 12:00 — page 41 — #21 SOUZA JFA. Ivan Dias Soares possui Graduação em Oceanologia pela FURG (1986). Brazilian Journal of Geophysics. Tem ainda como áreas de interesse a modelagem numérica.