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Introdução às não-linearidades em

edifícios em concreto ar mado

Índice

1 Objetivo................................................................................................................... 1
2 Análise não-linear .................................................................................................. 2
2.1 O que é? ............................................................................................................. 2
2.2 Importância ........................................................................................................ 4
2.3 Formulação ........................................................................................................ 6
3 Não-linearidade física ............................................................................................ 7
3.1 Análise aproximada ......................................................................................... 10
3.2 Diagrama momento-curvatura ......................................................................... 23
3.2.1 O que é curvatura? ..................................................................................... 23
3.2.2 Relação momento-curvatura ...................................................................... 25
3.2.3 Diagrama momento-curvatura ................................................................... 26
3.3 Diagrama normal-momento-curvatura ............................................................ 31
3.3.1 Exemplo ..................................................................................................... 33
4 Não-linearidade geométrica ................................................................................ 38
4.1 Exemplo ........................................................................................................... 40
5 Não-linearidades nos edifícios em concreto....................................................... 49
6 Considerações finais ............................................................................................ 51

Objetivo

1 Objetivo
O objetivo desta aula é fornecer uma visão básica e introdutória das não-
linearidades presentes em um edifício em concreto armado.

Trata-se de um assunto que dificilmente é abordado durante a graduação em
engenharia civil devido a sua complexidade. É sim, alvo de muitos estudos e pesquisas
durante os cursos de pós-graduação em estruturas.

Por que então estudar este assunto agora?

A razão é muito simples. As análises não-lineares têm se tornado um paradigma
nos dias atuais, influenciando de forma significativa na evolução dos modelos
estruturais usualmente utilizados no cálculo dos edifícios. Os termos “não-linearidade
física” e “não-linearidade geométrica” têm se tornado cada vez mais comuns.

Além disso, os sistemas computacionais atuais destinados ao cálculo de
estruturas dispõem de inúmeros tipos de análises não-lineares, tornando fundamental
a necessidade de um engenheiro estrutural ter uma noção, mesmo que superficial, da
influência dos seus efeitos nos resultados obtidos no processamento.

Não é pretensão deste texto demonstrar com detalhes as formulações que
estão por trás de uma análise não-linear. Seriam deduções bastante complexas, e no
momento, inviáveis de serem apresentadas. Espera-se sim, transmitir os principais
conceitos que envolvem o assunto de forma prática e didática.

Durante esta aula, as seguintes dúvidas serão esclarecidas:

• O que é uma análise não-linear?
• Do que se trata a não-linearidade física?
• Do que se trata a não-linearidade geométrica?
• O que é curvatura e para que serve o diagrama N, M, 1/r?
• Quando é importante considerar as não-linearidades?

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Análise não-linear

2 Análise não-linear
2.1 O que é?
De forma bastante simplificada, pode-se dizer que uma análise não-linear é um
cálculo na qual a resposta da estrutura, seja em deslocamentos, esforços ou tensões,
possui um comportamento não-linear, isto é, desproporcional à medida que um
carregamento é aplicado.

Esta afirmação ficará mais clara através do exemplo a seguir.

™ A NÁLISE LINEAR X ANÁLISE NÃO - LINEAR

Seja uma estrutura qualquer submetida a um carregamento “P”, cujo
deslocamento resultante num determinado ponto é igual a “d”.

Agora, imagine se adicionássemos nesta estrutura mais uma mesma carga “P”,
de tal maneira que o carregamento total ficasse igual a “2.P”.

Pergunta: qual será o deslocamento no mesmo ponto analisado anteriormente?

A resposta para esta questão pode ter dois caminhos distintos.

• Se fosse efetuada uma análise puramente linear, aquela que usualmente
utilizamos durante toda a graduação, com toda certeza, o deslocamento
resultante seria proporcional ao acréscimo de carga, isto é, igual “2.d”. A

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Análise não-linear resposta da estrutura em termos de deslocamentos teria um comportamento linear à medida que o carregamento é aplicado. . na análise não-linear. Numa análise linear. é definido por uma curva. isto é. provavelmente maior que “2. Note que na análise puramente linear.Página 3 . se fosse efetuada uma análise não-linear. seria um valor diferente de “2. Já. ™O QUE PROVOCA O COMPORTAMENTO NÃO . existem dois fatores principais que geram o comportamento não- linear de uma estrutura à medida que o carregamento é aplicado: TQS Informática Ltda. Numa análise não-linear. a resposta da estrutura tem um comportamento desproporcional ao acréscimo de cargas.d”. o diagrama “P x d” ou “forca x deslocamento” é definido por uma reta. • Por sua vez. a resposta da estrutura tem um comportamento proporcional ao acréscimo de cargas.d”.LINEAR ? Basicamente. E mais. o deslocamento resultante não seria proporcional ao acréscimo de carga. A resposta da estrutura em termos de deslocamentos teria um comportamento não-linear à medida que o carregamento é aplicado.

o importante é entender do que se trata uma análise não-linear. praticamente 100% dos projetos de edifícios em concreto armado levam em consideração aspectos relativos ao comportamento não-linear da estrutura. Tanto a não-linearidade física como a geométrica será explicada com maiores detalhes nos capítulos seguintes. Análise não-linear • Alteração das propriedades dos materiais que compõem a estrutura. Eis alguns fatores que tornam as análises não-lineares muito importantes no projeto estrutural de edifícios em concreto armado: • O concreto armado é um material que possui um comportamento essencialmente não-linear. designada “não-linearidade geométrica” (NLG). As análises não-lineares estão cada vez mais comuns no dia-a-dia de um escritório de cálculo estrutural. • Alteração da geometria da estrutura. Além disso. 2. geram uma resposta desproporcional da estrutura à medida que um carregamento é aplicado. diversos sistemas computacionais dispõem de recursos poderosíssimos neste quesito. bem como assimilar que ambas. NLF e NLG.Página 4 . TQS Informática Ltda. sejam de forma simplificada ou de maneira mais refinada. Por enquanto. .2 Importância Atualmente. designada “não-linearidade física” (NLF).

isto onerava demasiadamente a elaboração de um projeto. TQS Informática Ltda. este problema deixou de existir. pois as não-linearidades (física e geométrica) estão presentes na vida real de uma estrutura. devido ao grande avanço da performance dos computadores nas últimas décadas. Porém. de tal forma que as não-linearidades (física e geométrica). • O tempo de processamento de uma análise não-linear é maior do que de uma análise linear. . Quando realizada corretamente.Página 5 . Há tempos atrás. passam a serem preponderantes. hoje. A grande melhoria na velocidade de processamento dos computadores viabilizou as análises não-lineares. Análise não-linear • Através das análises não-lineares é possível simular o comportamento de um edifício de forma muita mais realística. • Os elementos estruturais estão cada vez mais esbeltos. • A consideração das não-linearidades (física e geométrica) tem influência significativa no cálculo dos deslocamentos e esforços em uma estrutura. os resultados obtidos por uma análise não-linear são muito mais realísticos.

3 Formulação As formulações que estão por trás de uma análise não-linear são. descreve-se de forma bastante clara: “A não-linearidade física. É viável somente com o uso de um computador mesmo! O que um engenheiro estrutural precisa é estudar e entender plenamente os conceitos fundamentais que envolvem o assunto.Página 6 . Ninguém faz isto. para que possa analisar os resultados de uma análise não-linear de forma correta. Análise não-linear ™ NBR6118:2003 De uma forma geral. este texto não tem a pretensão de mostrar as fórmulas envolvidas no cálculo não-linear. No item 15. . pode-se afirmar que uma das grandes modificações da nova norma de concreto com relação à antiga NBR6118:1980. Seria um tanto complicado. Em projetos de estruturas em concreto armado é praticamente impossível realizar manualmente as contas envolvidas numa análise não-linear. presente nas estruturas de concreto-armado. 2. Conforme já foi dito logo no início da aula. é a apresentação de maneira mais explícita e incisiva de como as não-linearidades física e geométrica devem ser consideradas na elaboração de projetos estruturais de um edifício. na grande maioria das vezes. complexas. TQS Informática Ltda. deve ser obrigatoriamente considerada”.3 “Princípios básicos de cálculo”. por exemplo.

Não-linearidade física 3 Não-linearidade física Conforme já foi comentada no capítulo anterior. se alteram à medida que o carregamento é aplicado à estrutura. No caso de edifícios em concreto armado. Ou seja.Página 7 . as propriedades dos materiais envolvidos. a resposta do concreto se altera de forma desproporcional. TQS Informática Ltda. a não-linearidade física está relacionada com o comportamento do material empregado na estrutura. É fácil perceber que a relação entre a tensão e deformação não é linear. . concreto e aço. à medida que o carregamento é adicionado e as tensões aumentam. Esta condição fica bastante clara logo que nos deparamos com qualquer diagrama σxε idealizado para o concreto.

A consideração da fissuração do concreto é fundamental no cálculo dos deslocamentos destas peças. o termo “rigidez” é utilizado com bastante freqüência. existe um outro fator relativo ao concreto armado que é preponderante na análise de edifícios: a fissuração. Exemplos: “temos que aumentar a rigidez desta estrutura”.Página 8 . etc. o importante é apenas entender que a fissuração é um dos fatores que geram a não-linearidade física em estruturas em concreto armado. exige que seja considerada a presença de fissuras no concreto no cálculo de deslocamentos. ™ R IGIDEZ Em projetos estruturais de edifícios. a fissuração do concreto é um fator decisivo na resposta não-linear da estrutura.2 “Estado limite de deformação”. Trata-se de um conceito que necessita ser bem entendido para que a influência da não-linearidade física na estrutura possa ser plenamente compreendida. Devido à baixa resistência do concreto à tração. é muito comum o surgimento de fissuras ao longo dos elementos à medida que o carregamento é aplicado à estrutura.3. Em elementos predominantemente fletidos. como as vigas e as lajes. O item 17. Por enquanto. Isto será melhor explicado na aula “análise refinada das flechas em vigas”. . Não-linearidade física ™ F ISSURAÇÃO Além deste comportamento não-linear dos materiais concreto e aço propriamente dito. “aquela viga possui uma rigidez exagerada”. TQS Informática Ltda.

a isto é rigidez perante a atuação do momento torçor. TQS Informática Ltda. • Rigidez axial. todo mundo sabe diferenciar um elemento rígido de um elemento flexível. De forma simplificada. • Rigidez à torção. Note que a rigidez é diretamente proporcional tanto pelo módulo de elasticidade como pela inércia. Isto significa dizer que a rigidez depende do material (E). Não-linearidade física A própria nomenclatura já deixa bem evidente do que se trata a rigidez. É possível associar um tipo de rigidez para cada tipo de esforço: • Rigidez à flexão. a rigidez perante a atuação da força normal. . isto é. a rigidez à flexão de um elemento linear pode ser definida como o produto entre o módulo de elasticidade do material pela inércia à flexão da seção transversal. bem como das dimensões do elemento estrutural (If). a rigidez perante a atuação do momento fletor.Página 9 . intuitivamente. Afinal de contas. isto é.

1 Análise aproximada Uma maneira aproximada para considerar a não-linearidade física em uma estrutura.Página 10 . 3. considerar a variação do comportamento do material à medida que o carregamento é aplicado. TQS Informática Ltda. Também de forma aproximada. menores serão as flechas. Não-linearidade física A rigidez à flexão tem influência direta nas deformações da estrutura. por sua vez. isto é. A rigidez à torção de um elemento linear. . pode-se definir a rigidez axial de um elemento linear como sendo o produto entre o módulo de elasticidade do material e a área da seção transversal. pode ser expressa de forma aproximada pelo produto entre o módulo de elasticidade transversal e a inércia à torção da seção. Exemplo: quanto mais rígida for uma viga. é alterar diretamente o valor da rigidez dos elementos que a compõe.

A NBR6118:2003.3. de tal modo a considerar a não- linearidade física ocasionada predominantemente pela fissuração do concreto. Veja a seguir. através de uma rigidez equivalente (EI)eq.1 “Flecha imediata em vigas de concreto armado”. A fissuração do concreto no cálculo de uma viga.3 “Consideração aproximada na não-linearidade física”. vigas e lajes para simular a não-linearidade física de forma aproximada na análise de estabilidade global de um edifício da seguinte forma: A NBR6118:2003. . pode ser considerada simplesmente reduzindo-se o valor da sua rigidez à flexão. TQS Informática Ltda. Não se pode corrigir o valor da rigidez de forma aleatória. dois exemplos da simulação da não-linearidade física de forma aproximada especificados na NBR6118:2003. define uma correção de rigidez em pilares. permite uma avaliação aproximada da flecha imediata em vigas. Definir o quanto à rigidez necessita ser alterada de modo a simular corretamente a não-linearidade física em uma estrutura envolve estudos e pesquisas bem fundamentadas. item 15. Não-linearidade física A não-linearidade física em uma estrutura pode ser simulada de forma aproximada através de uma correção direta na rigidez de seus elementos.7.Página 11 . por exemplo.2. Note que se tratam de correções diretas no valor da rigidez. É claro que isto é uma simplificação.1. item 17.

20cm X 30cm.Página 12 . O pé-direito entre os pisos é 3. A geometria do pavimento tipo e da cobertura são idênticos. Todos os pilares possuem a mesma dimensão: 30cm X 30cm. TQS Informática Ltda. Trata-se de um edifício hipotético composto por 4 andares. As vigas horizontais possuem seção transversal com dimensão de 20cm X 50cm. Não há lajes definidas. . sendo um pavimento tipo com 3 repetições e uma cobertura.0m. O concreto definido para o edifício inteiro é o C25 (25MPa). Não-linearidade física ™ E XEMPLO Vamos analisar a influência da consideração da não-linearidade física de forma aproximada em uma estrutura calculada por um sistema computacional. conforme mostra a seguir. E as verticais.

Clique para fechar a janela. TQS Informática Ltda. Dê um duplo-clique sobre o arquivo “Aula 12 (A). Clique sobre o botão “Restaurar”. Selecione o edifício “Aula 12 (A)” na árvore de edifícios. Vamos calcular o edifício executando o processamento global. Clique sobre o comando “Processamento global”. . Acesse a pasta “C:\TQSW\USUARIO\TESTE”.Página 13 . Inicie os sistemas CAD/TQS através do atalho na área de trabalho do Windows®. Aguarde até a mensagem de término da restauração. Não-linearidade física Vamos descompactar o arquivo referente ao exemplo.TQS”.

. Selecione o sistema “Pórtico-TQS”.Espacial” Æ “Modelo de Estado Limite Último (ELU)”. e depois confira o módulo de elasticidade e as inércias dos pilares e das vigas. Inicialmente. Não-linearidade física Clique sobre o botão “OK”. vamos verificar a rigidez dos pilares. Aguarde até o final do processamento. acione o comando “Visualizador de pórticos . TQS Informática Ltda. No menu “Visualizar”.Página 14 .

m2 Em seguida.28 x 107tf/m2 (corresponde ao módulo de elasticidade tangente calculado segundo o item 8. Na janela de mensagens inferior. execute o comando “Mostrar seção”.0 tf.25½. TQS Informática Ltda.Página 15 .8 da NBR6118:2003).100 = 0.890. note que: • A dimensão da seção do pilar é de 30cm X 30cm. vamos conferir as rigidezes das vigas horizontais e verticais.3 x 0. E portanto. Não-linearidade física No menu “Visualizar”.28 x 107) x [(0. • O valor do módulo de elasticidade é igual a Eci = 5600.2. a rigidez dos à flexão dos pilares é igual a: EIpilar = (0. .33) / 12] = 1. Clique sobre uma barra que representa um pilar.

m2 TQS Informática Ltda.2 x 0.3 tf.m2 Repita o mesmo procedimento (comando “Mostrar seção” no menu “Visualizar”) para conferir a rigidez das vigas verticais.53) / 12] = 5. note que: • A dimensão da seção da viga horizontal é de 20cm X 50cm.833.33) / 12] = 1. . • O valor do módulo de elasticidade é igual a Eci = 0.28 x 107) x [(0.0 tf.28 x 107) x [(0. a rigidez dos à flexão das vigas horizontais é igual a: EIvigas horizontais = (0. Clique sobre uma barra que representa uma viga horizontal. EIvigas verticais = (0.Página 16 .260. E portanto. execute o comando “Mostrar seção”. Na janela de mensagens inferior.28 x 107tf/m2.2 x 0. Não-linearidade física No menu “Visualizar”.

Feche o visualizador de pórtico espacial. TQS Informática Ltda. Selecione o caso “05”. dê um zoom no topo do edifício.Página 17 . Clique sobre o botão “Deslocamentos”. verifique o deslocamento no topo edifício provocado pela ação do vento frontal (caso 05). . Note que o deslocamento provocado pelo vento frontal foi de 1.7cm. Não-linearidade física Depois. Através da tecla de atalho “F8”.

defina os coeficientes de não-linearidade física para as vigas e pilares.Página 18 . Na janela aberta. execute o comando “Critérios de geração do modelo” Æ “Critérios gerais”. TQS Informática Ltda. processar o mesmo edifício considerando a não-linearidade física de forma aproximada segundo o item 15.3 da NBR6118:2003. reduzindo a rigidez dos pilares e das vigas. Vamos agora. .7. isto é. todo o edifício foi calculado com a rigidez integral dos elementos. Qual será a influência da consideração da não-linearidade física nos resultados? No menu “Editar” do gerenciador. Não-linearidade física Até então.

Defina o coeficiente de não-linearidade física para pilares: “0. Defina o coeficiente de não-linearidade física para vigas: “0. Clique sobre o botão “OK”.8”.Página 19 . . Selecione o edifício “Aula 12 (A)” na árvore de edifícios.4”. Vamos recalcular o edifício executando o processamento global. Clique sobre o botão “OK”. TQS Informática Ltda. Não-linearidade física Selecione a guia “ELU”. Clique sobre o comando “Processamento global”.

TQS Informática Ltda.33)/12] = 0.Página 20 . e depois confira o módulo de elasticidade e as inércias dos pilares e das vigas.Espacial” Æ “Modelo de Estado Limite Último (ELU)”.8 x [(0. • O valor do módulo de elasticidade é igual a Eci = 0.54 x 10-3m4. uma inércia diferente foi definida: Iy = 0. Na janela de mensagens inferior. . note que: • Apesar das dimensões da seção serem 30cm X 30cm. No menu “Visualizar”. Selecione o sistema “Pórtico-TQS”. No menu “Visualizar”.3 . Não-linearidade física Aguarde até o final do processamento. Clique sobre uma barra que representa um pilar. 0. execute o comando “Mostrar seção”.28 x 107tf/m2. acione o comando “Visualizador de pórticos .

0 tf. com a consideração da não-linearidade física de forma aproximada. tornou-se menos rígida. . 0.333.54 x 10-3) = 1.4 x [(0.m2 • Nas vigas verticais: Iy = 0.28 x 107) x (0.28 x 107) x (0.4 x [(0.Página 21 .18 x 10-3) = 504.512.18 x 10-3m4.2 . • Nas vigas horizontais: Iy = 0. a rigidez dos à flexão dos pilares ficou reduzida a: EIpilar = (0.m2 Resumindo a variação das rigidezes: A estrutura. TQS Informática Ltda.2 .28 x 107) x (0.83 x 10-3) = 2. Não-linearidade física E portanto.m2 Repita o mesmo procedimento (comando “Mostrar seção” no menu “Visualizar”) para conferir a rigidez das vigas horizontais e verticais. EIvigas horizontais = (0.83 x 10-3m4.53)/12] = 0.0 tf.33)/12] = 0.3 tf. 0. EIvigas verticais = (0.

Feche o visualizador de pórtico espacial.7cm para 3. Através da tecla de atalho “F8”. verifique como ficou o deslocamento no topo edifício provocado pela ação do vento frontal (caso 05). . Não-linearidade física Finalmente. dê um zoom no topo do edifício. Clique sobre o botão “Deslocamentos”. Selecione o caso “05”.0cm (+76%). TQS Informática Ltda. Note que o deslocamento provocado pelo vento frontal aumentou de 1. devido à consideração da não-linearidade física.Página 22 .

Note que. ela é equivocadamente confundida com rotação. o ângulo definido ao longo dos mesmos é bem diferente. possui uma curvatura maior do que a outra. isto é. é importante compreender este conceito claramente.Página 23 . é possível perceber que um trecho é mais curvo que o outro. foi demonstrado como é possível considerar a não-linearidade física na análise de uma estrutura através da manipulação direta do valor da rigidez dos elementos.1 O que é curvatura? Primeiramente. É possível. obter valores mais precisos de rigidez através de diagramas chamados momento-curvatura. Não-linearidade física 3.2 Diagrama momento-curvatura No item anterior. conforme mostra a figura ao lado. ou “M x 1/r”. Sejam dois segmentos curvos de mesmo comprimento “s”. 3. Intuitivamente. no entanto. Trata-se de uma forma prática e aproximada que pode ser adotada em casos específicos. é necessário entender o que é curvatura.2. . Vejamos um exemplo. apesar dos trechos possuírem o mesmo comprimento “s”. e por isso. Muitas vezes. sem fazer nenhuma conta. TQS Informática Ltda.

Esta definição é bastante importante e confirma que a curvatura do trecho em vermelho (raio maior) é inferior à curvatura do trecho em azul (raio menor).Página 24 . 1 curvatura = . . r Curvatura é o inverso do raio de curvatura. pois (θ1/s) < (θ2/s). TQS Informática Ltda. Com isso. pois (1/r1) < (1/r2). ™ C URVATURA NUMA SEÇÃO EM CONCRETO ARMADO O conceito de curvatura que acabou de ser apresentado pode ser estendido para a seção de uma peça em concreto armado. O raio definido pelo trecho em vermelho é bem maior do que o do trecho em azul. Não-linearidade física Daí vem uma primeira definição: curvatura é a variação do ângulo de rotação ao longo de um segmento. Esta definição confirma que a curvatura do trecho em vermelho (ângulo menor) é inferior à curvatura do trecho em azul (ângulo maior). Observe também o seguinte: os raios formados pelos dois segmentos são bem diferentes. não é rotação. dθ curvatura = ds Curvatura é a variação de um ângulo. vem uma segunda definição (a mais comum): curvatura é o inverso do raio definido por um segmento curvo. e por isso. sendo r chamado de “raio de curvatura”.

2. Note que. é possível calcular a curvatura em uma seção em concreto armado. Não-linearidade física Utilizando o mesmo raciocínio anterior. o que relaciona o momento com a curvatura é exatamente a rigidez EI que utilizamos para considerar a não-linearidade física. A relação entre o momento fletor e a curvatura de uma seção é definida pela rigidez EI. é possível relacionar a curvatura de uma seção com o momento fletor atuante na mesma através da seguinte fórmula. tem uma grande vantagem: permite que a não-linearidade física TQS Informática Ltda. εc e εs.Página 25 . . Porém. 3. e admitindo a manutenção da seção plana após as deformações.2 Relação momento-curvatura De forma aproximada. que freqüentemente nos deparamos durante a graduação. A relação momento-curvatura (M x 1/r) é análoga à expressão que relaciona a tensão com a deformação (σ x ε). é possível obter a seguinte expressão: Através das deformações no concreto e no aço. curvatura = (dθ/ds) = 1/r. e da altura útil d.

Por enquanto. Na análise de edifícios em concreto. 3. obtém-se então o diagrama “M x 1/r”. Veja a seguir.3 Diagrama momento-curvatura Quando a relação momento-curvatura de uma seção é definida para diferentes níveis de solicitação. isto é. é mais comum trabalharmos com momentos fletores ao invés de tensões. leva em consideração a presença de fissuras (momento de fissuração Mr) e os diagramas não lineares nos materiais (fcxεc e fyxεy). . Não-linearidade física seja acoplada aos cálculos de uma forma mais fácil e direta.2. a rigidez EI é variável. Este diagrama “M x 1/r” que acabou de ser mostrado será explicado com maiores detalhes na aula “análise refinada de flechas em vigas”. o importante é ter ciência do seguinte aspecto: • Através de um diagrama “M x 1/r”. O diagrama procura traduzir exatamente o comportamento esperado para o concreto armado. Perceba que a relação momento-curvatura não é linear (uma única reta). é possível definir a variação da rigidez à medida que a solicitação aumenta.Página 26 . o exemplo de um diagrama utilizado no cálculo de flechas em pavimentos em concreto armado. e portanto. TQS Informática Ltda. possibilitando a consideração da não- linearidade física de forma mais precisa.

Acesse a pasta “C:\TQSW\USUARIO\TESTE”. ativando o cálculo por grelha não-linear. Clique sobre o botão “Processamento global”. composto por quatro pilares 20cm X 20cm. Não-linearidade física A utilização de diagramas momento-curvatura “M x 1/r” é muito comum no cálculo de estruturas em concreto armado.TQS”.TQS”. Selecione o edifício “Aula 12 (B)”. ™ E XEMPLO Vamos analisar a influência da não-linearidade física baseada no diagrama “M x 1/r” no cálculo das flechas em um pavimento de geometria bem simples. TQS Informática Ltda. Descompacte o arquivo “Aula 12 (B). . quatro vigas 20cm X 40cm e uma laje de 14cm.Página 27 . Dê um duplo-clique sobre o arquivo “Aula 12 (B). Execute o processamento global.

e depois carregue o visualizador de grelha não-linear. No menu “Visualizar”. Clique sobre o botão “OK”.Espacial". Clique sobre o botão “OK”. Aguarde até o fim do processamento. . Na janela aberta. é possível perceber graficamente que há certas regiões fissuradas (barras vermelhas) e outras não-fissuradas.Página 28 . Selecione a opção “Calcular todas as armaduras durante um pré-processamento linear”. Clique sobre o botão “Param. Selecione o pavimento “Tipo”. Clique sobre o botão “Grelha-TQS”. execute o comando “Grelha não- linear . Não-linearidade física Selecione a opção “Grelha não-linear (flechas)”.”. TQS Informática Ltda.

Verifique como ocorreu a propagação da fissuração à medida que o carregamento foi aplicado à estrutura através de uma animação. TQS Informática Ltda. Clique sobre o botão “Animação”. Não-linearidade física Clique sobre o botão “Flechas totais (imediatas + progressivas)”. Defina o intervalo de “1” segundo. Clique sobre o botão “Animar”.Página 29 . .

Clique sobre o botão “Fechar”.”. No menu “Listar”. TQS Informática Ltda. Defina a barra a ser localizada: “11”. . variaram à medida que o carregamento foi aplicado à estrutura.. e conseqüentemente as suas rigidezes EIy.. Na janela aberta. note que as inércias das barras (Iy). execute o comando “Deslocamentos (flechas).. Clique sobre o botão “Localizar Barra”.. note que o aumento do deslocamento à medida que o carregamento foi aplicado à estrutura não foi linear. Não-linearidade física No menu “Listar”. Na janela aberta. Clique sobre o botão “Localizar”.Página 30 . Trata-se de uma conseqüência direta da consideração da não-linearidade física.”. execute o comando “Inércias.

Perceba também que o deslocamento final obtido pela análise não-linear (curva na cor azul) foi maior do que o obtido pela linear (linha tracejada na cor cinza). 3. Clique sobre o botão “Fechar”.Página 31 . Defina o nó a ser localizado: “350”. Feche o visualizador de grelha não-linear. Porém. bem como sua relação com o momento fletor continuam valendo. Clique sobre o botão “Diagrama”.3 Diagrama normal-momento-curvatura Todos conceitos expostos no capítulo anterior são válidos no que vai ser apresentado a seguir. Trata-se de uma extensão da teoria que foi explicada. A definição de curvatura. Clique sobre o botão “Localizar”. Clique sobre o botão “Fechar”. mais um fator passará a ser considerado na análise: a presença concomitante de uma força normal. TQS Informática Ltda. Não-linearidade física Clique sobre o botão “Localizar Nó”. .

O conceito é exatamente o mesmo: dada uma força normal atuante. M. note que a variação da curvatura (1/rx) à medida que o momento fletor (Mx) aumenta não é linear. Veja a seguir. Através do diagrama “N. M.Página 32 . o exemplo de um diagrama “N. 1/r” é possível definir a rigidez de elementos comprimidos (pilares) de forma mais precisa. A compreensão deste diagrama “N. ou “N. 1/r” é extremamente importante no cálculo de pilares. o diagrama “M x 1/r” passa a ser chamado de normal-momento-curvatura. Não-linearidade física Com a presença da força normal. Esta variação é determinada por uma rigidez EI. . Lembre-se que os mesmos estão submetidos à atuação conjunta de momentos fletores e da força normal de compressão. é uma curva. a curvatura na seção se altera de acordo com o momento fletor solicitante. Para uma dada normal (N = 150tf). 1/r”. M. 1/r” para uma seção retangular (30cm X 60m) e com uma certa configuração de armadura adotada. M. TQS Informática Ltda.

acione o comando “Executar”. N ou As. o diagrama muda. Fazê-la manualmente é praticamente impossível. relação momento- curvatura são imprescindíveis. compreender bem conceitos como rigidez. Digite o comando “C:\TQSW\EXEC\PMCURV. . M. Qualquer alteração em algum destes dois itens. TQS Informática Ltda. 1/r” é montado para uma determinada força normal e configuração de armadura existente na seção. M. Clique no botão “Iniciar”. 3. É importante também ter ciência do seguinte aspecto: o diagrama “N. No menu “Iniciar” do Windows®.EXE”.Página 33 . 1/r” para uma seção em concreto armado somente é viável pelo computador. Cabe ao engenheiro estrutural saber interpretar o diagrama gerado por um sistema computacional. Clique no comando “Executar”. E neste caso. Clique sobre o botão “OK”.1 Exemplo Vamos colocar em prática um pouco da teoria exposta anteriormente.3. Não-linearidade física A montagem de diagramas “N.

1/r”. . fixando uma normal igual à 150tf. • Concreto C20 e aço CA50.Página 34 . TQS Informática Ltda. Clique sobre o botão “Montar diagrama”. Não-linearidade física Na janela aberta. • Armadura composta 16 barras com diâmetro de 20mm. Clique sobre a guia “Diagrama N. M. 1/r” para uma das direções (em torno do eixo de menor inércia). Vamos montar um diagrama “N. M. perceba que já existem os seguintes dados pré-definidos: • Seção transversal com dimensão de 30cm X 60cm.

Não-linearidade física Note que uma rigidez chamada secante. Em seguida. TQS Informática Ltda.791. 1/r” varia de acordo com a força normal “N” é importante ser sempre lembrado e compreendido. M.100). • Porém. 1/r” para uma força normal igual a 300tf.6tf. isto é.20½.m2.m2 = 53%.m para 13.6tf.I Esta redução procura refletir exatamente o comportamento não-linear do concreto armado.170. M. Este conceito.6.1 “Relações momento- curvatura”. 1/r” para a mesma seção e armaduras variou significativamente alterando-se a força normal de 150tf para 300tf: • A rigidez EIsec aumentou de 1.5tf.33/12) = 3.m.380.791. “EIsec”.m2. monte o diagrama “N.1tf. item 15.85.I = (0. a rigidez secante EIsec é bem menor: Ecs. Clique sobre o botão “Montar diagrama”.3. de que o diagrama “N.1tf.m2 para 2. Se comparada com a tradicional rigidez da seção “Ecs.Página 35 .I” que usualmente calculamos (módulo de elasticidade secante multiplicado pela inércia da seção).(0. Digite o valor na normal: 300. M. . que pode ser utilizada no dimensionamento de pilares. fica definida a partir de uma reta.Ecs. Note que o diagrama “N.9tf. EIsec = 1.0.5600. Esta é a rigidez definida pela NBR6118:2003. o momento resistente último Mrd que a seção admite diminuiu de 24.

Não-linearidade física Agora. M. Selecione a bitola: 25. Clique sobre o botão com a “seta”. 1/r”. vamos alterar as armaduras para um diâmetro de 25mm e recalcular o diagrama. . Clique sobre a guia “Diagrama N.Página 36 . Clique sobre a guia “Dados”. TQS Informática Ltda. Clique sobre o título da coluna “Bitola” para selecionar todas as linhas. Clique sobre o botão “Montar diagrama”.

1/r” para uma seção em concreto armado de forma manual é praticamente impossível. E depois. ficaria muito mais complicado compreender os conceitos envolvidos. 1/r” varia de acordo com a configuração das armaduras é importante ser sempre lembrado e compreendido. 1/r”. E é neste contexto que a utilização de sistemas computacionais torna-se fundamental. isto é. M. M. Lembre-se do seguinte: montar um diagrama “N. as armaduras e as resistências dos materiais (fck e fyk) para verificar a influência dos mesmos na rigidez EIsec. de que o diagrama “N. Aproveite a agilidade proporcionada pelo computador para estudar e entender melhor a não-linearidade física. isto era impossível! TQS Informática Ltda. 1/r” variando a força normal. M. Não-linearidade física Note que o diagrama variou significativamente alterando-se as armaduras. M. 1/r” serão apresentados na aula sobre pilares. Através do exemplo que acaba de ser realizado. M. É necessário estudar bastante. monte novos diagramas “N.Página 37 . Sem a presença de um computador. foi possível conhecer alguns dos fatores que influenciam diretamente a montagem do diagrama “N. Este conceito. Maiores detalhes do diagrama “N. feche a janela. Há tempos atrás. Se quiser. Procure adquirir uma certa “sensibilidade” diante dos resultados mostrados na tela. . pois facilita e acelera o aprendizado da teoria. A compreensão de todos conceitos envolvidos neste assunto não é fácil.

tem influência direta na montagem do diagrama “N. M. Não-linearidade geométrica Finalmente. a não- linearidade geométrica também gera uma resposta não-linear de uma estrutura. 1/r”. ™ E FEITOS DE SEGUNDA ORDEM Para que a influência não-linearidade geométrica na análise de um edifício seja plenamente compreendida. bem como a quantidade de armadura. . 1/r”. sempre consideramos o equilíbrio de forças e momentos como uma das condições básicas no cálculo de uma estrutura. M. este comportamento não ocorre mais devido a alterações no material. de tal forma a retratar a não-linearidade física de forma mais refinada. é importante ter ciência dos seguintes aspectos: Através do diagrama “N. São vários exercícios que são resolvidos em que admitimos as seguintes premissas: TQS Informática Ltda. Porém.Página 38 . é possível obter o valor de uma rigidez (EIsec) que pode ser utilizada no cálculo de pilares. Tanto a força normal como os materiais. 4 Não-linearidade geométrica Assim como a não-linearidade física estudada no capítulo anterior. Durante toda a graduação. concreto e aço. é necessário entender antes o que são os efeitos de segunda ordem. mas sim devido a mudanças na geometria dos elementos estruturais à medida que um carregamento é aplicado.

Página 39 . Trata- se do cálculo tradicional que normalmente realizamos durante toda a graduação. . O correto seria considerar o equilíbrio após as deformações geradas pelo carregamento. Pense bem: na realidade. Isto se chama “análise em primeira ordem” e seus efeitos (deslocamentos e esforços resultantes) são denominados “efeitos de 1ª ordem”. Trata-se de uma aproximação que pode ser utilizada em muitos casos. Então. o equilíbrio de uma estrutura sempre se dá numa configuração deformada. admitir o equilíbrio na configuração indeformada é uma simplificação. quer dizer que todo o cálculo que aprendemos durante a graduação na qual consideramos o equilíbrio na posição indeformada está incorreto? Não. e os seus efeitos (deslocamentos e esforços resultantes) são denominados “efeitos de 2ª ordem”. Não-linearidade geométrica A condição de equilíbrio sempre é tomada na sua configuração geométrica inicial não deformada. No entanto. na posição deformada. e facilita enormemente os cálculos. não é bem isso. Isto se chama “análise em segunda ordem”. isto é. muito embora existam situações que a mesma obrigatoriamente precisa ser TQS Informática Ltda. A análise em segunda ordem é bem mais complicada de ser realizada e formulada.

Não-linearidade geométrica considerada. ocasiona uma resposta não-linear de uma estrutura. 4. Um exemplo ilustrará melhor esta afirmação.000MPa. força cortante e momento fletor). chamada de não-linearidade geométrica. na configuração geométrica inicial indeformada. módulo de elasticidade igual a 28. No momento. TQS Informática Ltda. Exemplos: estabilidade global de um edifício.1 Exemplo Seja uma barra vertical engastada na base com comprimento igual a 5m. gerados a partir do equilíbrio na configuração deformada. obtém-se as seguintes reações e esforços (força normal. isto é.Página 40 . conforme mostra a figura a seguir. dimensionamento de pilares. é importante entender o seguinte conceito: O surgimento dos efeitos de 2ª ordem. Estes dois exemplos serão melhores explicados nas aulas seguintes. . Através do cálculo linear tradicional em primeira ordem. submetida a uma força horizontal constante (Fh = 10tf) e a uma força vertical variável (Fv = 0tf a 100tf) em seu topo. com seção transversal quadrada 30cm x 30cm.

e que a flecha de primeira ordem no topo (0. TQS Informática Ltda. porém a força cortante e o momento fletor são constantes e exclusivamente originados pela aplicação da força horizontal (Fh).22m) altera o ponto de aplicação da carga vertical. .Página 41 . Note que os deslocamentos dependem exclusivamente da força horizontal (Fh). A flecha no topo também pode ser obtida utilizando uma fórmula simples (yt). Não-linearidade geométrica Note que a força normal depende da força vertical aplicada (Fv). deslocamentos e reações na barra que dependem do valor da carga vertical aplicada. O cálculo nesta nova posição deformada gera acréscimos de esforços. Os deslocamentos de primeira ordem são obtidos pela equação da linha elástica (obtida através da integração dos momentos fletores). Estes são os famosos efeitos de segunda ordem que devem ser calculados até que a posição final de equilíbrio da estrutura seja encontrada.

e que geram um comportamento não-linear (não-linearidade geométrica).TQS” referente a este exemplo. .TQS”. Acesse a pasta “C:\TQSW\USUARIO\TESTE”. No menu “Processar”.Página 42 . Dê um duplo-clique sobre o arquivo “Aula 12 (C). TQS Informática Ltda. Não-linearidade geométrica Repetindo: os efeitos de segunda ordem são efeitos adicionais à estrutura gerados a partir de suas deformações. Clique sobre o botão “Pórtico-TQS”. execute o comando: “Processamento de esforços” Æ “Análise não linear (P-Delta) – Resolvedor MIX”. ™ D ESCOMPACTANDO EXEMPLO Descompacte o arquivo “Aula 12 (C). Selecione a pasta “Espacial”.

Clique sobre o botão “Carregamentos”. Não-linearidade geométrica Em seguida. . Depois. referente à análise linear. vamos visualizar os resultados graficamente. No menu “Visualizar”. visualize as forças horizontais (constantes) e verticais (variáveis) aplicadas.Página 43 . Perceba que os resultados são idênticos aos valores calculados de forma manual anteriormente. força cortante e momento fletor) e deslocamentos obtidos pela análise linear. Selecione o caso “02”. ™ A NÁLISE LINEAR Na janela aberta. acione o comando “Visualizador de pórticos .Espacial” Æ “Modelo de Estado Limite Último (ELU)”. Clique sobre o botão “Vista frontal”. TQS Informática Ltda. visualize os esforços (força normal.

Não-linearidade geométrica Clique sobre o botão “Forças FX” para visualizar os diagramas de força normal. TQS Informática Ltda.Página 44 . Clique sobre o botão “Forças FY” para visualizar os diagramas de força cortante. .

Clique sobre o botão “Deslocamentos” (valores são mostrados em cm). . Não-linearidade geométrica Clique sobre o botão “Momentos MZ” para visualizar os diagramas de momento fletor. TQS Informática Ltda.Página 45 .

E na análise considerando a não-linearidade geométrica. força cortante e momento fletor) e deslocamentos obtidos pela análise não-linear. Clique sobre o botão “Carregamentos”. Perceba que certos resultados (deslocamentos e momento fletor) são totalmente diferentes dos valores obtidos pela análise linear. Não-linearidade geométrica Foi possível perceber. Selecione o caso “03”. Depois. não variaram com o aumento da carga vertical.LINEAR GEOMÉTRICA Inicialmente. como serão os resultados? É o que iremos verificar agora. na análise linear. referente à análise com a não-linearidade geométrica. que tanto os deslocamentos como os momentos fletores. visualize as forças horizontais (constantes) e verticais (variáveis) aplicadas. visualize os esforços (força normal. São exatamente as mesmas utilizadas na análise linear. . ™ A NÁLISE NÃO . de forma bem clara.Página 46 . TQS Informática Ltda.

TQS Informática Ltda. . Não-linearidade geométrica Clique sobre o botão “Forças FX” para visualizar os diagramas de força normal.Página 47 . Clique sobre o botão “Forças FY” para visualizar os diagramas de força cortante.

. Clique sobre o botão “Deslocamentos”. Não-linearidade geométrica Clique sobre o botão “Momentos MZ” para visualizar os diagramas de momento fletor.Página 48 . TQS Informática Ltda.

. para uma força vertical Fv = 100tf. 5 Não-linearidades nos edifícios em concreto Através dos exemplos analisados nos capítulos anteriores. Não-linearidades nos edifícios em concreto Tanto os deslocamentos como os momentos fletores variaram com carga vertical aplicada no topo. Ambas flagraram situações reais de um edifício em concreto armado que precisam ser levadas em consideração. foi possível distinguir a não-linearidade física da não-linearidade geométrica. através da correção direta de suas rigidezes “EI”. o momento fletor na base da barra foi igual 97.m. Desenhando em gráficos as variações de deslocamentos e momentos fletores em função das cargas verticais aplicadas (Fv). a consideração da não-linearidade física de forma aproximada nas vigas e pilares.m).Página 49 .0tf. Note que. com a influência da análise com a geometria na posição deformada. pois em certos casos. os efeitos de 2ª ordem foram incorporados nos cálculos até que a posição final de equilíbrio fosse encontrada para cada um dos casos. 94% a mais que o esforço obtido pela análise linear (50. resultaram em valores de deslocamentos e esforços bem diferentes. fica evidente a existência do comportamento não-linear da estrutura. ocasionaram um grande aumento na deformabilidade da estrutura. levando a TQS Informática Ltda. Uma está relacionada com o material empregado na estrutura e a outra.0tf. Ou seja. pois na análise não-linear. No primeiro edifício estudado. Vamos recapitular de forma resumida os exemplos até então analisados. isto é.

possuem valores inferiores às rigidezes “Ecs.0cm (+76%). No segundo exemplo.7cm para 3. Neste caso. M. as flechas no pavimento foram maiores quando comparadas com a análise linear tradicional. a presença da fissuração foi preponderante. . Posteriormente. houve também alterações de esforços. através de uma calculadora. TQS Informática Ltda. nas quais rigidezes chamadas secante “EIsec” eram calculadas considerando a não-linearidade do concreto armado. através da consideração da não-linearidade física baseada em diagramas momento-curvatura “M x 1/r”. Não-linearidades nos edifícios em concreto uma elevação da flecha no topo devido ao vento de 1. ou “N. Foi possível perceber que tais rigidezes.Página 50 . foram montados diagramas normal-momento-curvatura. adequadas para o dimensionamento de pilares.I” calculadas de forma usual. Embora não tenha sido verificada. 1/r”.

demonstrou-se a enorme influência que a não-linearidade geométrica pode ocasionar. É necessário estudar. Os deslocamentos e esforços finais obtidos pela análise não-linear foram bem maiores que os valores obtidos pela análise linear tradicional. É importante estar ciente que tanto a não-linearidade física como a não-linearidade geométrica. Nos cursos de pós-graduação em engenharia TQS Informática Ltda. sofre influência tanto da não-linearidade física (alteração no material) como da não- linearidade geométrica (alteração da geometria) simultaneamente. . uma estrutura em concreto armado. através da análise de uma barra vertical engastada submetida a forças horizontal e vertical em seu topo. ao ser carregada. ambas sempre atuam de forma conjunta. E por isso. muito embora a não-linearidade física tenha sido estudada de forma independente da não-linearidade geométrica. Existem diversos livros e apostilas que tratam este tema com bastante profundidade. Considerações finais Finalmente. Nos exemplos anteriores. na vida real.Página 51 . Isto é. torna- se fundamental considerá-las no cálculo da estrutura. Não se esqueça: a análise não-linear é um paradigma nos dias atuais! 6 Considerações finais O tema “análise não-linear” não é fácil de ser inteiramente compreendido logo na primeira vez. estão sempre presentes nos edifícios em concreto armado.

torna-se possível ao menos ter uma noção da influência. O objetivo foi o de demonstrar de forma prática a influência das mesmas na estrutura. da análise não-linear no cálculo de uma estrutura em concreto armado. . Nela. Considerações finais de estruturas. todas as formulações são apresentadas com detalhes. bem como da importância. Com a compreensão dos conceitos apresentados nesta aula. é muito comum ter uma disciplina específica deste assunto.Página 52 . TQS Informática Ltda. O que foi exposto nesta aula é apenas uma introdução básica às não- linearidades presentes num edifício em concreto armado.