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LOPES, Jorge Antonio Paes. Pesquisa em Direito: metodologia engessada.

Jus Navigandi,
Teresina, ano 19, n. 3907, 13 mar. 2014. Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/26881>.

Entre pavões e pinguins: a questão da metodologia e da pesquisa em
Direito
Resumo: A formação dos estudantes de Direito é o início de um processo de pinguinização, ou
seja, todos devem agir da mesma forma, reproduzindo padrões dogmaticamente estabelecidos
e parafraseando saberes que, em tese, nada têm de novo, de científico. A dogmática jurídica
aparece como pretensa ciência do Direito a partir do momento em que se vê obrigada a
apresentar propostas de solução aos problemas de pesquisa, sem se permitir manter no
campo dos questionamentos apenas e sem dialogar com as outras disciplinas das Ciências
Humanas. A maioria dos trabalhos desenvolvidos no mundo jurídico apresentam respostas
como ponto de partida de uma investigação acadêmica. A partir de dogmas, os juristas passam
a elaborar repetidamente explicações e princípios que justifiquem a existência dessas verdades
indiscutíveis. Aponta-se para uma necessidade de mudança, a fim de inserir o Direito,
efetivamente, no campo das ciências, começando pela abertura de juristas e das Faculdades
de Direito ao diálogo com as outras ciências sociais. A maneira engessada e dogmática como
são formados e como atuam profissionalmente os juristas brasileiros, assim como a
metodologia utilizada nas pesquisas em Direito, é semelhante à forma como agem os pinguins,
todos iguais, agindo da mesma maneira e exigindo que os membros do grupo assim o façam,
sem se permitir questionar o porquê de ser assim. Por outro lado, diferentemente da forma
negativa como é visto pelo senso comum, o pavão, neste contexto, figura como o elemento da
mudança, da abertura às novas possibilidades epistemológicas.

Palavras-chave: METODOLOGIA JURÍDICA – PESQUISA EM DIREITO.

INTRODUÇÃO

Durante as aulas de metodologia jurídica [1], tivemos a oportunidade de refletir
sobre algumas questões bastante interessantes que dizem respeito aos métodos
variados de produção de conhecimento acadêmico. Dentre elas, discutimos categorias
como a dogmática jurídica e a interdisciplinaridade. Discutimos também autores
teóricos contemporâneos de outras áreas como a sociologia e a filosofia e analisamos
a metodologia utilizada em alguns trabalhos acadêmicos de autores diversos, ligados
diretamente à área do direito ou não.

Tudo isso motivou nosso estudo voltado para a questão da metodologia e da
pesquisa em direito, já que muito raramente os estudantes, especialmente na área do
direito, somos levados a pensar criticamente sobre o tipo de conhecimento que se
produz no mundo jurídico. Somos, na maioria das vezes, reprodutores fiéis de uma
metodologia tradicionalmente estabelecida, tanto nos cursos de graduação como nos
de pós-graduação. Neste ponto, somos pinguinizados. Correndo o risco de
incorrermos num radicalismo questionável, comungamos com a idéia de que os
juristas somos iguais na aparência, no modo de falar, no modo de estudar e no modo
de produzir conhecimento jurídico.

Entretanto, eventualmente nos deparamos com alguns pavões pelo caminho
e até nos assustamos com sua postura diferenciada, ousada. Pinguins e pavões são
absolutamente diferentes, embora pertençam ao mesmo grupo animal.

Permitam-nos explicar brevemente o porquê e a origem do uso dessas
metáforas.

assim como a dogmática no campo religioso. Luciano Oliveira. (NOBRE. de qualquer doutrina ou sistema. (ATIENZA. [5] A partir dessas definições. e citou a interessante expressão “processo de pinguinização”. da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ. A dogmática jurídica que nós temos hoje é uma ciência para confirmar. No cristianismo. e. Como pano de fundo. na conclusão de sua obra A ciência do Direito afirma que a dogmática jurídica é um corpo de doutrinas. conseguimos descobrir um livro magnífico chamado “Um pavão na terra dos pinguins”[3]. gozadores de autoridade e fundamento. No sentido figurado. ao tratar da argumentação como um importante ingrediente da experiência jurídica e ao discutir sobre a possibilidade de um ensino científico de Direito e Cristian Courtis ao discutir a questão da pesquisa dogmática na área jurídica. reafirmar insistentemente seus dogmas através de textos doutrinários. muito discutida nas áreas de ciências sociais e administração. p. científico. ao contar uma breve história sobre pinguins e pavões. aquilo que é dogmático é entendido como autoritário. os dogmas da Igreja Católica Apostólica Romana são amplamente reafirmados e explicados através da doutrina. O professor Luiz Alberto Warat. As conexões da “ciência” jurídica com a teologia são bastante claras e não é um bom sintoma observar que alguns juristas não hesitam em qualificar sua atividade como dogmática. utilizaremos essa bela fábula sobre pavões e pinguins para figurar nossas reflexões teóricas sobre a metodologia e a pesquisa jurídicas. A partir do dogma. que recebe os textos e procura racionalmente torná-los utilizáveis. Partindo dessa expressão do professor Warat e seguindo o rastro da provocação que fez na sua falação. podemos perceber que a nomenclatura jurídica possui grande influência teológica. o judaísmo e o islamismo. de teorias que têm sua função básica em um “docere”. passando pela doutrina. por exemplo. ao considerarmos todos esses aspectos motivacionais do nosso trabalho. político. em seu estudo sobre metodologia e pesquisa nos cursos de pós-graduação em direito. 2004. fábula de autores norte-americanos. tem como finalidade. o dogmatismo é a doutrina cujos princípios e proposições são aceitos de modo não crítico. da Universidade de Brasília. como o cristianismo. 1978) A dogmática jurídica. (ensinar)[6] . por extensão. em sua breve análise sobre o processo de formação jurídica. Manuel Atienza. chegamos à dogmática. que conta a história de um pavão que foi trabalhar na terra dos pinguins e teve que submeter-se aos modos e hábitos deles. Os dogmas estão presentes em muitas religiões. é dialogar com os professores Marcos Nobre. em seu estudo sobre o que é pesquisa em direito. palestrou no Seminário Direito e Cinema [2]. por sua vez. criticando a forma unificada e insensível de se produzir o pensamento jurídico e referindo-se à necessidade de se recuperar a sensibilidade na formação dos juristas. por exemplo. que é um conjunto de princípios que servem de base a um sistema religioso. filosófico. 78) O professor Tercio Sampaio Ferraz Jr. A DOGMÁTICA JURÍDICA O dogma é um ponto fundamental e indiscutível duma doutrina religiosa. Luiz Alberto Warat. O que nos interessa. sufocando seus próprios instintos e comprometendo sua criatividade profissional. ao fim e ao cabo. etc. religião mais difundida no Brasil. que tem como objetivo afirmar a existência de verdades certas e que se podem provar indiscutíveis. No Kantismo[4].

que nosso objetivo não é realizar profundas discussões a respeito da dogmática jurídica especificamente. p. no Direito dogmático.34) Frise-se. num dado conjunto de material disponível. Nesta primeira parte. define a dogmática jurídica como uma tautologia imperfeita. um de nossos primeiros questionamentos neste estudo seria se o Direito é ou não uma ciência. mas também das dogmáticas analíticas mal feitas. notadamente o empírico e o hermenêutico.25). A razão para isto é a existência de dogmáticas já estabelecidas em determinadas áreas e raramente postas em xeque. dos juízes. na dogmática jurídica. de uma verdade indubitável. questionado ou modificado. O professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. a princípio. um maior esforço de pesquisa. podemos dizer que a dogmática jurídica difere da dogmática religiosa. pois. incluídos aí o trabalho dos advogados. para. uma reafirmação e explicação do dogma. Neste ponto. dos promotores. Mas há outros campos em que este xeque (imperfeição tautológica) é verificado com maior intensidade – são exatamente os que mereceriam prioridade. em seu estudo. A escolha da subsunção adequada de uma norma ou de um problema em relação a um sistema jurídico seria um enfoque privilegiado para faculdades. filósofo do Direito português preocupado com questões contemporâneas do mundo jurídico. Atienza acredita que nas Faculdades de Direito (salvo raríssimas exceções) não se pratica uma ciência autêntica. 2005. Logo. Para ele. A Constituição. Verificamos o fortalecimento da importância de outros modelos de análise dogmática. cuja aceitação é um pressuposto necessário. a norma jurídica. Ronaldo Porto Macedo Jr. a partir do ensino jurídico tradicionalmente dogmático. por fim. Para Christian Courtis (2006). ou melhor. Mas o que nos interessa mesmo é o fato de que. por exemplo. bem como das demais normas jurídicas. procuramos apresentar brevemente a visão de alguns autores sobre o tema. considerando- se seu aspecto dogmático. se seria possível um ensino científico do Direito. este jamais poderá ser refutado. No caso da Constituição. formular uma tese explicativa. dentre outros. O caráter dogmático do Direito. ou seja. Esta afirmação é corroborada pelo pensamento de Manuel Atienza (1978) que critica a formação acadêmica dos juristas e questiona. p. . dos legisladores. (NOBRE. 1978) ao invés de procurar. a dogmática jurídica é uma pretensa ciência do Direito. (NOBRE. 2005. no modelo Kelseniano (teoria do escalamento do ordenamento jurídico). só então. torna-se um dogma da área do saber jurídico e toda a doutrina hermenêutica que advém do texto constitucional seria considerada dogmática. o jurista procura necessariamente partir. Segundo Castanheira Neves (2008. está no fato de confirmar através de textos doutrinários aquilo que é.90) Para o professor Tércio Sampaio Ferraz Jr. uma vez instituído um dogma religioso. possibilita-se que sejam feitos questionamentos. portanto. apresentado como verdade última e inquestionável numa norma. a imperfeição não decorre apenas das falhas de racionalização. (ATIENZA. um padrão de racionalidade e inteligibilidade. (NOBRE. a dogmática contemporânea se caracteriza por um reconhecimento gradual das afirmações axiológicas a partir das quais são efetuadas tanto a reconstrução do ordenamento normativo como a proposta de soluções interpretativas em casos problemáticos. emendadas ou modificações. objetivando dar autoridade à mesma. 2005). pareceristas.. de um verdadeiro dogma. p. a questão da dogmática não passa de mera técnica jurídica.

Na terra dos pinguins. por exemplo. Aqui lembramos dos nossos amigos da terra dos pinguins quando dizem “Esta é a maneira como nós fazemos as coisas aqui. de uma verdade inquestionável que é a norma jurídica. são admirados e todos querem ser pinguins. pois. sob pena de não serem reconhecidos no grupo. não há que se falar em necessidade de mudança curricular ou de abertura para o diálogo franco com as demais áreas do conhecimento. a sociologia do Direito e a filosofia do Direito. Sob esta lógica. não constitui uma grande preocupação para os sujeitos que participam do processo de ensino-aprendizagem do Direito. na tentativa de alcançar sucesso profissional. Se quiser ter sucesso. Em que pese o reconhecimento por muitos professores da área do Direito dessa necessidade de ampliação de paradigmas.O ENSINO E A PRODUÇÃO ACADÊMICA EM DIREITO: A PINGUINIZAÇÃO. é violar a tradição e a consequência disto será o fracasso profissional. Muitos desses pássaros que aspiravam ascender nas empresas dos pinguins eram encorajados a se tornar. Deixar de usar o terno de pingüim ou ousar andar a passos largos e não curtos. Isso já induz o estudante a ser taxativo e dogmático em sua resposta. ficarem questionando sobre em que momento começarão a estudar Direito de verdade. os estudantes de graduação em Direito são submetidos a uma tradição jurídica igualmente dogmática. os dogmas e sua dogmática jurídica. não há interesse em mudanças. um professor perguntou o seguinte: Um fazendeiro decidiu explorar uma nascente de água mineral e vender aquela água. Haverá incidência de IPI sobre o produto vendido pelo fazendeiro? Primeiramente.”[7] Os graduandos em Direito são pinguinizados logo nos primeiros períodos da faculdade. quando estudam as teorias. usavam ternos de pinguins e seguiam o exemplo de seus líderes pinguins. pois a maneira como o jogo está posto tem garantido a manutenção da autoridade das normas jurídicas. Cabe aqui o relato de uma experiência que tivemos na graduação em Direito. que foi mais ou menos . seja como nós. ou seja. dá-se início ao sonhado processo de pinguinização dos estudantes de direito. E o mais interessante disso é que a maioria deles inicia o curso sedento por experimentar este processo. Assim. É mais ou menos como se as Faculdades de Direito se apropriassem de uma máxima popular que diz que em time que está ganhando não se mexe. o jurista. conforme qualifica Atienza.” Com efeito. Se quiser ter sucesso. dando início ao nosso jogo alegórico. O conselho dado pelos pinguins aos outros pássaros era: “Esta é a maneira como nós fazemos as coisas aqui. afinal. Na avaliação da disciplina Direito Tributário. Mas os pinguins eram respeitados e bem sucedidos e todos os pássaros queriam ser pinguins. as disciplinas que habilitam para o título de bacharel em Direito caem dentro do campo da dogmática jurídica. o “cientista” do Direito. principalmente nos cursos de pós-graduação. não consegue vislumbrar um trabalho possível que não parta de um dogma. os pinguins são superiores. havia várias espécies de pássaros. encurtavam os passos e andavam como pinguins. Decidimos ousar na elaboração da resposta. Diferentemente das outras áreas do conhecimento. seja como nós. na aparência e no modo de agir. Prova disso é o fato de muitos estudantes dos períodos iniciais. que eram três ou quatro. Na sua maioria. o mais próximo possível dos pinguins. Não são poucas as críticas feitas aos métodos utilizados na formação dos juristas e na maneira como produzem conhecimento acadêmico. como os pinguins. O ensino acrítico e dogmático oferecido pelas Faculdades. chamou-nos a atenção a quantidade de linhas para se responder cada questão da prova.

Talvez seja nesta etapa da vida de um estudante de Direito que ele tenha a oportunidade de se deparar com os primeiros pavões. em fazer parte daquele seleto e admirável grupo de empresários bem sucedidos. Vamos expulsá-lo da nossa organização! – bradou um dos pinguins. Mas se a água fosse vendida para grupos religiosos como água milagrosa e com embalagens artesanais. passou a andar com passinhos de pinguim e foi se apresentar ao grupo. Além disso. obviamente seria o caso de incidência do IPI. Mas não . entretanto. O pavão. Até que um dia o pavão decidiu soltar o seu enorme rabo e abri-lo em plena sala de diretores da organização dos pinguins. pois não era para discutir as possibilidades do caso. Resultado: a questão foi considerada errada pelo professor. Se a resposta da questão fosse iniciada com a expressão Segundo o doutrinador fulano de tal. explicando redundantemente aquilo que todos os estudantes já estudaram outrora e discorrendo largamente sobre o significado de princípios e conceitos que são como o bê-á-bá da disciplina e o reverencialismo. também faz parte do processo de pinguinização pelo qual passam os estudantes de Direito. Neste sentido. A águia porém. O sucesso do pavão foi imediato entre os pinguins. este se sentia cada vez mais oprimido e infeliz. o pavão foi convidado por um pinguim para fazer parte de sua equipe. até porque isso pode variar em grande escala. nota-se que até mesmo a pergunta elaborada na prova é um dogma. Vejam. ele não é como nós. O pavão passou então a questionar-se se realmente aquele aparente sucesso profissional era o que ele desejava. o manualismo. o pavão tratou logo de se pinguinizar para seu primeiro dia de trabalho na organização dos pinguins. a tendência a escrever verdadeiros capítulos de manual. sua determinação para o trabalho e suas idéias magníficas. ou seja. Questionar sobre a limitação da resposta e apresentar soluções inovadoras é considerado uma heresia. que se expressa na construção da demonstração a partir do argumento de autoridade. Este desestímulo ao pensamento crítico.. sua criatividade. O espanto foi geral. serve para demonstrar o quanto tem importância o argumento de autoridade dos doutrinadores para os sujeitos envolvidos no processo ensino- aprendizagem do Direito. como todas as outras aves. Este exemplo. Um dia. Tirou o seu terno de pinguim passou a se portar como um exuberante pavão.. Não se trata de criticar os métodos de avaliação dos estudantes nas Faculdades de Direito. Vestiu um elegante terno de pinguim. Todos os pinguins elogiavam a forma elegante como ele se portava.assim: se o fazendeiro comercializasse a água em embalagens rotuladas. tentou convencer os pinguins a darem uma segunda chance ao pavão: Seria o caso de tentar pinguinizá-lo novamente e aproveitar o seu enorme talento. da proximidade com o melhor direito. sonhava em ser pingüim. há muitos anos pinguinizada e adaptada àquela condição.[8] são ingredientes que abundam na formação pinguinizante dos estudantes de Direito. Tudo isso refletirá na maneira como os estudantes de Direito dos cursos de pós-graduação trabalharão em seus projetos de pesquisa. o uso dos manuais. O pavão conquistou o respeito e a admiração dos pinguins. Ele não age como nós. Radiante. mas dizer sim ou não e o porquê breve. Ele não se veste como nós. sem perceber que a hipótese não pode ser tratada como uma tentativa de defesa de uma causa. escondeu seu enorme rabo colorido. à elaboração de idéias com certa autonomia intelectual. não seria o caso de incidência de IPI. Embora os pinguins estivessem muito contentes com o desempenho pinguinizado do pavão. seria bem provável que o professor aceitasse reverencialmente a resposta.

ou a idéia pode não ter sido propriamente de um pinguim. Assim. Nas colônias africanas da França. que se desenvolve a partir de uma perfeita interiorização de uma representação de mundo marcada pela ordem e pela organização de normas jurídicas. perpetuando e autorizando institutos e conceitos existentes. reproduzindo cega e acriticamente o comportamento padrão dos pinguins. Se olharmos somente para o cenário onde o pavão se comporta como pinguim. mais científico sobre o cenário descrito. então. essa naturalização é fundamental para que o mundo possa tornar-se normativamente explicável!” (FRAGALE FILHO. veremos esse todo normatizado e dogmatizado. Mas. Seria o caso. antes mesmo de saber o que é efetivamente feito! Isso é fruto de um normativismo espontâneo. é interessante observar que a alegoria do pinguim aparece sempre associada àquilo que se faz de forma dogmática e acrítica. tendo suas primeiras experiências com pavões. onde os estudos efetuados estão interessados em dizer o que deve ser ou não pode ser feito. portanto. chamam pinguim aos africanos que vão à França formar-se em Direito para voltar às colônias e reproduzir o Direito dos colonizadores. ao invés de reproduzir sistematicamente o comportamento estabelecido pelos pinguins. partindo para além da norma jurídica. ou a uma aparência harmônica. substancializando sua essência. quase axiomáticos. Há pavões. Nesse mesmo sentido. evidenciando a metáfora do pavão na terra dos pinguins. sobretudo na pós-graduação. evidenciar adequadamente a correção de determinada hipótese suscitada. negligenciando toda a sua dimensão construtivista! Deixa-se. No que tange à pesquisa jurídica.[9] Este exemplo do professor Warat difere de certa forma da idéia metafórica que estamos explorando neste estudo. esquecendo-se que tais pressupostos têm sua origem em lugares que podem não ser a terra dos pinguins.adiantou. de perceber que esses conceitos são construtos sociais e. valorizar o talento do pavão apenas porque ele se comporta como pinguim é deixar de perceber as diferentes matizes que devem ser exploradas para evidenciar que o sucesso profissional não está ligado exclusivamente ao seguimento de padrões engessados. Imaginemos o estudante de direito. enfim. de qualquer forma. de se buscar conhecer melhor os institutos e conceitos do campo de estudo jurídico. A norma jurídica não existe porque existe.. . apresentam diferentes matizes que devem (e necessitam) ser exploradas para que se possa adequadamente evidenciar a correção da hipótese suscitada. águias e outras aves nesse contexto.. 2007) Podemos dialogar com o que disse o professor Fragale Filho acima. aos conceitos jurídicos termina por emprestar uma natureza substancialista. assim.. Há elementos sociais que fazem com que ela esteja no mundo. há uma certa tendência a uma “naturalização que conduz a uma aceitação acrítica de institutos e conceitos. Enfim. como ele comodamente acreditava. O pavão preferiu ser pavão e viver em outras terras a submeter-se àquele martírio de ter de ser igual aos outros.. levando-se em conta sua gênese social. Sem dúvida. Mas um olhar mais apurado. a outorga de atributos fixos. Com efeito. já pinguinizado na graduação e até mesmo na pós-graduação. para. tornará possível ver que o sucesso não é algo inerente aos pinguins apenas. Há que se buscar esses elementos também. como ocorre com os juristas que partem dos pressupostos substancializados no direito para elaborar seus estudos. essa perspectiva explica-se pela dinâmica presente no campo jurídico. a aceitação acrítica dos institutos e conceitos no campo do estudo jurídico seria o mesmo que submeter uma gama variada de espécies de aves a aceitarem os padrões estabelecidos pelos pinguins e reproduzi-los acriticamente.

e. ostentando sua conduta exótica e colorida e contribuindo para a organização com seu talento e criatividade. O resultado dessa convivência. dialogando com os pavões e as outras aves. começa a ser alvo de questionamentos somente a partir dos anos 90. tradicionalmente tão isolado das outras ciências. as outras ciências humanas atingiram patamares de excelência internacionais no campo da pesquisa científica. É o caso. certamente. . Há muitos pavões agindo como pinguins no mundo jurídico. Temos que buscar outras concepções de direito que não sejam normativas. numa produção acadêmica mais qualificada. Assim sendo. nos últimos 30 anos. ainda que bastante timidamente. A melhor saída para a crise deve estar na convivência harmônica das diferentes espécies na mesma organização. Os estudos na área do Direito se mantêm apoiados em manuais de 20 ou 40 anos atrás. Se por um lado a pesquisa científica das Ciências Humanas alcançou avanços surpreendentes. O modelo dominante de pesquisa em Direito e alguns aspectos da prática profissional jurídica: a pinguinização insistente. O mais do mesmo. Faz-se necessária uma marcha contra a pinguinização nas Faculdades de Direito. A abertura do Direito. Avanços na área da pesquisa científica do Direito houve sim. passou por um inegável avanço. Pavões podem ser pavões. A solução não parece estar na extinção de uma das espécies para pôr fim ao choque provável entre seres diferentes. facilitará bastante a transformação do ensino jurídico. por outro. denominado por Marcos Nobre (2005) como “visão estreita do direito”. efetivamente como um problema e. o que pode ser considerado um dos fatores de seu atraso. Ora. quando passa a ser visto. resultará mais produtivo e mais rico. o Direito não parece ter vivenciado esta experiência com a mesma intensidade. seguindo sua tradição e. (WARAT. O que fizeram com a mediação? Normatizaram-na. Este fenômeno. se é notória a crise instalada no campo do Direito. como tal. novas concepções de direito. passível de uma tentativa de solução. não há que se falar em fim do manualismo. sobretudo para uma abordagem mais sociológica que puramente dogmática. o ensino do Direito esteve muito mais voltado para a profissionalização. Precisamos recuperar a sensibilidade dos juristas para que seu olhar possa se voltar para outras áreas do conhecimento também. para as outras formas de produção de conhecimento. ao mesmo tempo. Por outro lado. Isso resultará. do reverencialismo. da mediação. Entre os anos 80 e 90 do final do século passado. uma aparente concepção alternativa do direito. A pesquisa em Direito no Brasil. do dogmatismo. por exemplo. o que deve ser feito para ampliá-la? Tanto o ensino quanto a produção acadêmica do Direito estão pinguinizados. mas não como ocorreram com as Ciências Humanas em geral. etc. O atraso do Direito em relação às demais ciências humanas pode estar ligado ao isolamento da disciplina em relação às outras áreas e à confusão resultante da dicotomia entre prática profissional e pesquisa acadêmica. ligando-se diretamente à prática e não à pesquisa. 2006) Somente a partir dos anos 90 é que passou-se a encarar essa “visão estreita do Direito”[10] como um problema. Há um consenso entre muitos professores no sentido de afirmar que o normativismo está em crise. que caminhos devem percorrer aqueles sujeitos envolvidos diretamente com o processo ensino-aprendizagem nas Faculdades? Se a visão do Direito tem sido estreita. logo tratamos de normatizá-las. consequentemente. A concepção tradicional do Direito está em crise. Mesmo quando surgem idéias novas no mundo jurídico. Pinguins podem ser pinguins.

(NOBRE. Apenas seleciona-se o material que interessa para defender o que já se sabia. Além disso. na vã tentativa de convencer o jurisdicionado de que sua decisão é justa: “é assim. para depois formular sua tese explicativa. que abrirá as portas daquela pretensão.. Outra forma de prática profissional discutida por Marcos Nobre é o parecer jurídico que. É um tipo de investigação científica que já possui uma resposta antes de perguntar ao material. p. não procura no conjunto do material um padrão de racionalidade e inteligibilidade. 2005. A pinguinização vai. num parecer. as dissertações de mestrado e as teses de doutorado. na maioria das vezes. ensina-se aos alunos que o mundo se regula pelos manuais de Direito e não o contrário. estes alunos já estarão adaptados à idéia de que o mundo se regula pelos manuais. Isso inclui a maioria dos livros vendidos nas livrarias jurídicas brasileiras. 2005) É o início da pinguinização. decisões. porque é assim que tem que ser” (dogma!). Em geral. 2005. olhando-se a finalidade. etc. é necessário pinguinizar-se. E quem não é pinguim sai insatisfeito e infeliz. O professor Tercio Sampaio Ferraz Jr. é acrítico e dogmático. da mesma forma. (NOBRE. é necessário identificar as causas da extrema distinção que há. que regula até o irregulável. doutrinas. é que força a trazer para a dogmática a especulação que. tem sua origem nesse mesmo contexto do ensino e da teoria. 2005. Desta forma. Quem ousaria ser pavão numa organização tão crente em si mesma e tão poderosa? O que fica para a sociedade neste caso é a resposta do juiz-pinguim. teoria e ensino. não muito diferentemente de uma petição inicial ou de uma peça de defesa. por sua vez. os pinguins iniciados na graduação chegam aos altos postos da organização dos pinguins e reforçam a idéia de que para se alcançar o sucesso. em que pese a existência de uma produção acadêmica diferenciada aqui ou ali. jurisprudência. Nesta. com interesses e estratégia advocatícia definidos. Este. descartando sumariamente aquilo que é contrário.Um dos objetivos do professor Marcos Nobre (2005) ao chamar a nossa atenção para esta visão estreita do Direito é exatamente romper com esse modelo hoje dominante da pesquisa nessa área.) que corrobore seu objetivo na lide. pouco a pouco. são grandes paráfrases da dogmática jurídica pinguinizante. mas toma uma direção peculiar. A resposta. 31 e 32) No âmbito acadêmico do Direito. mas a exigência de se confirmar a sabedoria da Lei. É um notável trabalho de recorte e colagem de idéias até se construir um todo “lógico” que permita alcançar o convencimento daquele que dirá o direito: o juiz.29) A prática jurídica. princípios. como já vimos. Mas passado o primeiro ano. O ensino jurídico. o jurista recolhe o material (teses. a existência de uma sociedade complexa e desconhecendo sua capacidade criativa de direitos. (NOBRE. se torna relevante. autorizadores. atingindo a todos aqueles que lidam com as questões mais fundamentais da vida humana. doutrinas. salvo raras exceções. Não há uma preocupação real com os fatos ou mesmo com o direito em jogo. logo da sociedade. buscará apenas os argumentos já existentes (leis. as produções monográficas de conclusão de curso na graduação. p. (NOBRE.). que abarca tudo. para a sua decisão. como bem exemplifica a forma de se elaborar uma petição inicial ou uma peça de defesa. 79) Nas faculdades de Direito. da Faculdade . há alunos iniciantes que rejeitam a forma dogmática de se ensinar. desconsiderando. jurisprudencial e os devidos títulos legais unicamente em função da tese a ser defendida. recolhe o material doutrinário. Na prática profissional. sendo um mero reprodutor técnico daquilo que já foi decidido ou elaborado dogmaticamente. O que importa é encontrar o texto autorizador. nas mais variadas formas de se exercer o conhecimento jurídico. que são o direito e a justiça. não é o aplicador do Direito que se abre para o fenômeno diante do qual se encontra. p. no mundo jurídico brasileiro. fundado em uma teoria não menos dogmática e acrítica.. etc. de secundária. já está dada de antemão. entre prática.

ainda que gradativa. de acordo com os argumentos de Manuel Atienza. a psicologia. Esta última deve ser desvinculada da obrigatoriedade de unicamente apresentar propostas de solução. É necessário. incluído na área das Ciências Humanas. será o ingrediente indispensável para a manutenção da chamada visão estreita do Direito. a antropologia. tanto no âmbito acadêmico quanto nas carreiras pelas quais podem passar esses profissionais. reproduzindo o modo de ser e de viver dos pinguins. Mas também é o caso de uma necessidade prática. especialmente em pesquisa. O cientista do Direito não se permite apenas colocar questões. então. com base nos argumentos de Marcos Nobre. “É possível realizar reconstruções dogmáticas que não tenham compromisso com soluções e com a decidibilidade.” (NOBRE. ou qualquer outra ave. A metodologia e a pesquisa podem proporcionar meios de incentivar uma Ciência do Direito explicativa. Muitas vezes compra-se um livro com 40% de reprodução de texto legal e o resto aparece em reprodução parafrásica. Ele se sente vinculado na colocação dos problemas a uma proposta de solução possível e viável. dito de outra maneira. a fim de se evitar essa insistente e aparentemente inabalável pinguinização.[11] Isto significa dizer que 100% de uma obra da área do Direito pode ser aquilo que já foi dito. mas que procurem unicamente compreender o estatuto de determinado instituto na prática jurisprudencial. é a pinguinização insistente. p. suspendendo seu juízo. romper de fato esse muro com as outras disciplinas das Ciências Humanas. Oxalá consigamos. neste breve estudo. 36) . Conclusão Não pretendemos. desde a formação acadêmica dos profissionais na graduação até os mais avançados níveis. Isso obviamente se deve ao fato de ser a dogmática o núcleo da investigação científica no âmbito do Direito. ainda. e corroborando o que Marcos Nobre aponta como necessidade para a mudança. mantendo com vigor a distinção entre técnica e ciência. a história. não acompanhou o desenvolvimento. Ou seja. para deixá-las em aberto. Considerando-se essas observações do modo de pesquisar em Direito e das práticas profissionais reprodutoras de padrões e hábitos inquestionáveis e imutáveis. comumente vemos um autor reproduzindo um saber. quanto ao currículo e o modo de fazer e de pensar o Direito. na medida em que a função do jurista é uma função (e o Direito uma realidade) social. é preciso que os juristas e as faculdades de Direito se abram para as outras ciências sociais. 2005. acender uma centelha de reflexão acerca da possibilidade de reconhecimento da necessidade de uma mudança. Dizendo aquilo que já foi dito com outras palavras estaremos sendo pavões. É necessário romper com essa lógica para que se tenha pesquisa em Direito. afirma que. discutir a questão da produção do conhecimento jurídico apontando erros ou dando pretensas soluções para as grandes questões que povoam o universo jurídico brasileiro. Por fim. Essa mesma necessidade deve valer para as questões da prática profissional jurídica. no Brasil.de Direito da USP. para só então elaborar uma investigação corroboradora daquela resposta que se obtém previamente. Trata-se de uma necessidade teórica na medida em que não é possível fazer ciência do Direito sem contar com disciplinas como a sociologia. etc. das outras disciplinas? Por que só a partir da última década do século passado começamos a colocar em xeque o modo tradicional e dogmático da produção do conhecimento jurídico? Por que ainda hoje há quem não admita qualquer alteração curricular na formação dos juristas ou na maneira “estreita” de se produzir conhecimento? Questionamentos na área do Direito exigem respostas. podemos dizer que o modelo dominante de pesquisa em Direito no Brasil é partir sempre de uma resposta dada. sim. que iria para primeiro plano. Nossa conclusão ao realizar este estudo passou por alguns questionamentos iniciais: Por que o Direito. O exercício da paráfrase.

Os franceses. 1978) Mudar o circuito é promover uma marcha contra a pinguinização dos juristas e das faculdades de Direito. pois é assim que tem de ser. contrariando os diretores da organização dos pinguins. as pressões por mudanças no formalismo do ensino do Direito não logram êxito. fez o circuito Elizabeth Arden: Roma – Paris – Londres. O autor da tese estudada por nós. São aqueles que reproduzem tecnicamente saberes em seus estudos. número 5. quando fizemos um estudo crítico de uma tese de doutorado da área do Direito[13]. (WARAT. Mudar o circuito é romper o muro com as outras disciplinas das Ciências Humanas.fgbueno. Ainda na linha das comparações que direcionam nossas conclusões. ficam as possibilidades de escolha: Ser pavão ou ser pinguim? Seguir o exemplo alemão ou o exemplo francês? Fazer o circuito Elizabeth Arden ou o circuito Henna? Bibliografia ATIENZA. sessão. 1978. (NOBRE. Os alemães retornam ao seu país e dão continuidade aos estudos de pesquisa. Ariel Derecho. Por fim. Curiosamente. limitando-se a parafrasear os autores autorizados a opinar sobre determinados assuntos. 2006) Mudar o circuito é ousar ser pavão na terra dos pinguins. São aqueles advogados que conhecem o valor de uma boa teoria pois. Manuel. não puramente dogmáticas. 2006. 2005) Mudar o circuito é fazer com que juristas e as faculdades de Direito reconheçam a necessidade de se abrir para as outras ciências sociais. lembramos das palavras do professor Ribas na nossa 14ª. uma teoria prática e crítica. instalam-se nos escritórios norte-americanos que dominam a advocacia francesa. In: El Basilisco. noviembre-diciembre. ao retornarem ao seu país. dogmático. “Es posible una enseñanza científica del derecho?”. ingressando na carreira acadêmica. que vão à França para se formar em Direito e depois reproduzir em seus países o direito do colonizador.htm> acesso em 15/05/10.Estamos entre pavões e pinguins. acriticamente. Barcelona. Para inovar. Disponível em:<http://www. pois os profissionais mais bem preparados vão para os escritórios norte-americanos.es/bas/bas10502. Já na França. chamam de pinguins aos estudantes das colônias francesas na África. ainda que tenha que retirar seu terno de pinguim e dar passos mais largos. . Os pavões são aqueles autores que insistem em remar na contramão da dogmática jurídica. Ambos têm a oportunidade viver ricas experiências nas Universidades dos EUA. num franco processo de pinguinização. segundo Manuel Atienza. ATIENZA. correndo-se os devidos riscos.[14] Ou seja: mudar o circuito é buscar novas formas de produção do conhecimento em Direito. São aqueles juízes criativos que sabem o valor de uma decisão para cada caso concreto e buscam assegurar e preservar direitos que valorizam a pessoa humana. (ATIENZA. não há nada mais prático que a boa teoria. São todos aqueles que preferem se pinguinizar e passar todos os seus anos de vida profissional dentro de um terno de pinguim e dando passinhos curtos. Marcos Nobre conclui seu texto apresentando duas experiências distintas dos estudantes franceses e alemães que vão aos LLM[12] norte-americanos. Manuel. A consequência disso: na Alemanha há uma produção acadêmica de maior qualidade que a francesa. não aquela que aceita simplesmente o estabelecido. Já os pinguins são aqueles teóricos do Direito explícita e comodamente dogmáticos. buscando meios possíveis de fazer do Direito uma área mais aberta ao diálogo franco com as demais áreas do conhecimento. El derecho como argumentación. mais rica e mais crítica. devemos fazer o circuito Henna: Bombain – Karashi.

Cf. [4] Doutrina de Immanuel Kant (1724-1804).105-156) FRAGALE FILHO. cuja história é narrada em versos que não rimam. 1998 NOBRE. (p. Christian (org. 1998) [8] Cf. NOBRE. 2006. NOBRE. Warren H. do pensamento jurídico. Segundo Marcos Nobre. O que é pesquisa em Direito? São Paulo: Quartier Latin. Marcos et all. Grupo de pesquisa Direito e Cinema da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. [11] Cf.21- 138) OLIVEIRA. Faculdade Nacional de Direito: 2009. Christian. (p. Roberto. Construindo Memória: Seminários de Direito e Cinema 2006 e 2007. Palestra transcrita pelos organizadores do Seminário. Luiz Alberto. La investigación socio- jurídica en los esudios de posgrado en derecho”.asp [6] Este trecho é citado na obra de Marcos Nobre. 2008 (p. Seminários de Direito e Cinema 2006 e 2007. narrações adaptadas baseadas na obra literária (fábula) “Um [7] pavão na terra dos pinguins” (HATELEY. Coordenação Juliana N. “El juego de los juristas. Magalhães.). pelos professores José Ribas Vieira e Luiz Eduardo Figueira. Cf. 2005. São Paulo. A.” In: Magalhães. Vol. da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. ligado à prática dos juristas e não à pesquisa. OLIVEIRA. Ver bibliografia: WARAT. fruto do trabalho do grupo de pesquisa Direito [2] e Cinema. coordenado pela professora Juliana Neuenschwander Magalhães. p.381-411) COURTIS.. In: Courtis. 1998.1. 3.).. NOBRE. Os autores são Bárbara Hateley e Warren de Sam Weiss. 2006. 2002. 2005. Ver bibliografia: HATELEY. Edição. [9] Cf. 2005. Madrid: Trotta. bem ilustrada e dotada de profundos significados. “Conferência de Encerramento – 05/10/2006 – noite. In: Digesta. 114. SCHMIDT. filósofo alemão. ano 2010. Trata-se de uma obra muito [3] singela.277-298) WARAT. 2006.com. p. In: Courtis. Ensayo de caracterización de la investigación dogmática”. Escritos acerca do Direito. a visão estreita do Direito diz respeito a um ensino mais [10] profissionalizante. Coimbra Editora. caracterizada pelo criticismo.br/dicaureliopos/home. p. Juliana Neuenschwander et all.113-121) Notas Faz-se referência à disciplina ministrada no Curso de Mestrado em Teorias Jurídicas [1] Contemporâneas da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Faremos. “Quando a empiria é necessária?” In: Anais da CONPEDI – 2007. . “O sentido actual da metodologia jurídica”. HATELEY. WARAT. [5]As definições dos termos deste parágrafo foram pesquisadas no dicionário Aurélio on line: http://aurelio. Bárbara “BJ”. 3ª. 2005 (p. (p.ig. 33. da metodologia e outros. Observar la ley: ensayos sobre metodologia de la investigación jurídica.CASTANHEIRA NEVES. ao longo do estudo. 2006. Madrid: Trotta. Negócio Editora. 78. Luciano. “No me vengas con el Código de Hammurabi. Cristian (org. Um pavão na terra dos pinguins. Observar la ley: ensayos sobre metodologia de la investigación jurídica.

O circuito Henna. O termo surgiu em referência ao glamour e à elegância da cosmetologista Elizabeth Arden. do dia [13] 29/06/2010. ambas no subcontinente indiano. a [14] produção acadêmica faz sempre o mesmo percurso. . Faz-se referência à aula do PPGD UFRJ. o dogmático. O circuito Elizabeth Arden é utilizado como metáfora para explicar que. foi uma alternativa inventada pelo professor José Ribas para justificar a necessidade de mudança de rota na produção acadêmica em Direito. cujas sacolas de compras estavam sempre repletas das mais renomadas grifes de moda dessas cidades. qual seja. ao que parece. Bombain fica na região metropolitana da Índia e Karachi é uma cidade do Paquistão. da disciplina de Metodologia Jurídica. no Direito.[12] Lower League Manager – o mesmo que Mestrado em Direito.