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Entre o roteiro e o improviso - (Re)Criando Métodos para

Produzir Vídeos Móbile com Jovens de Periferia

Márcia Gonçalves Nogueira1 (UFPE)
Márcio Henrique Melo de Andrade2 (UFPE)
Edilma Maria Santos Silva3 (UFPE)
Maria Auxiliadora Soares Padilha4 (UFPE)

Resumo:
A produção de conteúdos digitais funciona como mote do Programa de Extensão Proi-Digit@l, da
Universidade Federal de Pernambuco, executando oficinas de áudio, vídeo, blog e animação para
que jovens de periferia usem tecnologias digitais para desenvolver expressividade artística e
intelectual. Para isso, a Oficina de Vídeo desenvolveu uma metodologia linear do processo criativo
(roteiro, gravação e edição), exibindo, contudo, dificuldades que os participantes tinham com a
escrita. Essa situação conduziu para outra metodologia, que priorizava a gravação de imagens sem
um roteiro prévio para posterior roteirização e edição. Ainda assim, estes métodos não favoreciam a
instantaneidade das mídias digitais, o que levou ao terceiro método: a produção de vlogs que
permitiu um maior envolvimento dos sujeitos no processo criativo e uma sensação de interferência
maior dos seus discursos sobre seus contextos. A partir disso, concluiu-se que as atividades que
almejam a inclusão digital por meio do processo criativo precisam se equilibrar entre a criatividade
e a crítica, seguindo a lógica rizomática da cultura digital: de criação contínua, não linear,
hipertextual etc., para favorecer a espontaneidade, o sentimento de pertencimento e autonomia -
aspectos primordiais no processo de inclusão.

Palavras-chave: Produção Audiovisual; Inclusão Digital; Métodos; Jovens de Periferia.

1
Márcia Gonçalves, NOGUEIRA (Mestranda)
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Tecnológica/ Centro de Educação
marciagnog@gmail.com
2
Márcio Henrique Melo de, ANDRADE (Ms.)
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Tecnológica/ Centro de Educação
marcioh.andrade@gmail.com
3
Edilma Maria Santos, SILVA (Mestranda)
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Programa de Pós-Graduação em Administração/ Centro de Ciências Sociais Aplicadas
smsedilm@gmail.com
4
Maria Auxiliadora Soares Padilha (Profa. Dra.)
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Tecnológica/ Centro de Educação
dorapadilha@gmail.com

Universidade Federal de Pernambuco -1-
NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras
CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação

Abstract:

The production of digital content functions as the motto Proi-Digit@l Extension
Program, Federal University of Pernambuco, running workshops for audio, video, blog
and animation for young periphery use digital technologies to develop artistic and
intellectual expression. For this, the Video Workshop developed a linear methodology
of the creative process (script, recording and editing), showing, however, that the
participants had difficulties with writing. This situation led to another approach, which
prioritized recording images without prior script and editing for later. Still, these
methods do not favor the immediacy of digital media, which led to the third method:
the production of vlogs that allowed greater involvement of individuals in the creative
process and a feeling of greater interference of their speeches on their contexts. From
this, it was concluded that the activities that aims to digital inclusion through the
creative process need to balance between creativity and criticism, following the
rhizomatic logic of digital culture: continuous creation, non-linear, hypertext etc. to
promote spontaneity, the feeling of belonging and autonomy - the main aspects in the
inclusion process.

Palavras-chave: Audiovisual production, Digital Inclusion, Methods, Young Outskirts.

Proi-Digit@l - Sobre Objetivos e Métodos

Refletir sobre a inclusão digital orientada para as comunidades de periferia
requer considerar dois aspectos relevantes para se alcançar resultados
satisfatórios: objetivos e métodos; elementos primordiais em qualquer tipo de
projeto ou planejamento de curto, médio e longo prazo. Quando se seleciona um
objetivo, ele, necessariamente, deve guiar os métodos escolhidos, o que, por sua
vez, influencia nos resultados alcançados, sendo esta uma concepção básica,
inclusive, para a realização de pesquisas e projetos científicos. No caso deste
artigo, pretende-se realizar um tipo de meta-pesquisa, ou seja, ao invés de focar
nos objetivos e resultados alcançados, enfatizaremos o desenvolvimento dos
métodos para a criação de oficinas orientadas para práticas de produção
audiovisual e múltiplos letramentos, tendo em vista favorecer o processo de
inclusão digital de jovens de periferia a partir do uso de dispositivos móveis.
O cenário desta pesquisa reside no Programa de Extensão ProI-Digit@l -
Espaço de criação para inclusão digital de jovens da periferia de Recife, Olinda

Universidade Federal de Pernambuco -2-
NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras
CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação

por compreender a mídia como um espaço público “central para a realização da democracia. Rádio e TV e Licenciaturas diversas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). a interpretação. em que circulam ideias e valores e onde a sociedade se apropria da informação e da cultura.2012 e 2013. poderia torná-los produtores de seus próprios conteúdos e contribuir para a inclusão digital destes sujeitos numa perspectiva sociocultural. o projeto conta com professores doutores em Educação. 2011. Administração. Este projeto realiza oficinas com jovens estudantes de escolas públicas e participantes de organizações não governamentais desde maio de 2012. 2008. problematiza as escolhas metodológicas no processo criativo de obras audiovisuais. 72). a leitura. faz-se um recorte para tratar da oficina de vídeo digital. voluntários e bolsistas de extensão das áreas de Design. a produção e o compartilhamento de conteúdos digitais (animação. Quando se menciona que este artigo se trata de uma meta-pesquisa. O intuito destas atividades consiste em fazer com que crianças e jovens que residam nestes espaços possam descobrir formas de participação mais críticas e propositivas na sociedade. que objetiva desenvolver ou ampliar habilidades essenciais à inclusão digital de jovens de periferia . o que. protagonistas em seu processo de desenvolvimento por meio das expressividades possíveis nas mídias digitais.e Caruaru5. ou seja. defende-se a ideia de que o que se pretende nele é discutir a relação entre os objetivos pretendidos pelos criadores das oficinas e os meios empregados por eles 5 Este é um Programa de Extensão da Universidade Federal de Pernambuco aprovado pelo Edital MEC/SESu 2010. áudio. em comunidades da periferia de Recife. mestrandos em Educação Tecnológica. p. que. blog e vídeo). Pretende-se alcançar este objetivo por meio de exercícios de autoria com tecnologias digitais.mais precisamente. compreendendo-as como basilares da compreensão e efetivação da inclusão digital dos participantes das oficinas. Universidade Federal de Pernambuco -3- NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . tornem-se. com continuidade e aprimoramento. Olinda e Caruaru (cidades do estado de Pernambuco). Neste artigo. num processo de constante (re)significação” (BRANT. Pedagogia. Em sua equipe. efetivamente.

de trabalhar com processos de criação procura apontar justamente para este lado da Universidade Federal de Pernambuco -4- NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . sobre suas contribuições naquele universo e assim por diante. aliando as necessidades prosaicas do público alvo às quase infinitas possibilidades de realização de atividades do universo digital. esta entrada no ciberespaço uma finalidade em si mesma. A proposta do Proi- Digit@l . Contudo. WARSCHAUER.e mais especificamente da Equipe da Oficina de Vídeo Digital .para alcançá-los. o que termina tornando. Pouco se questiona sobre as motivações deste sujeito em participar deste espaço de convivência. fazia-se necessário estabelecer bases teóricas que permitissem a definição de indicadores dos resultados esperados tanto no processo em si como nos produtos resultantes. de certa forma. enfatizando a aprendizagem técnica como uma finalidade em si mesma. geralmente. percebe-se que. GUEDES. Criar para se incluir? . estes terminam por considerar aspectos mais técnicos do universo digital. Quando se observa o panorama de atividades que os programas e projetos de inclusão digital realizam.Sobre o processo criativo como estratégia de inclusão digital Como os objetivos da oficina de vídeo digital pretendiam aliar processos criativos à inclusão digital. em um círculo vicioso: o sujeito se sente importante participando do ciberespaço porque é importante participar do ciberespaço. Há certo tempo diversos teóricos (SORJ. 2006. 2005. inconscientemente. porém o que se percebe é que esta participação reside. estas potencialidades esbarram em um questionamento bastante simples. 2002) vem trazendo a necessidade de contextualizar a inclusão digital. distinguindo e problematizando os resultados alcançados à luz de outros teóricos e pesquisadores da inclusão digital. SOARES. assim como vem sendo dito sobre a educação. mas comumente esquecido quando se considera a participação nestes programas: por quê? Os sujeitos costumam aprender a usar o computador e outras tecnologias digitais e se satisfazem em poder fazer parte deste universo ciberespacial.

faz-se necessário práticas sociais de leitura e escrita em diferentes suportes (tela do computador. social. visuais e sonoros. como afirma Lima (2001). permitindo que ambos interfiram na mensagem e produzam seu conteúdo neste espaço colaborativo. ou seja. Para isso. Nesse sentido. propicia o diálogo entre os pólos emissor e receptor da comunicação. fazia necessário criar métodos que privilegiassem os múltiplos letramentos possibilitados pela diversidade da linguagem multimídia. mas também restrita . que. caracterizado através de habilidades e competências necessárias a um processo de Inclusão Digital. Um indivíduo incluído digitalmente pode ser capaz de filtrar as informações contidas no meio a que tem acesso e usar essas informações para construir conhecimento. Esse diálogo demanda. por sua vez.questão: permitir aos sujeitos participantes descobrir seus próprios modos de participação na sociedade digital a partir da descoberta de si mesmo. A partir dos pressupostos acima. além de permitir a combinação de meios textuais. esta proposta parece simples. os oficineiros precisam criar uma oficina suficientemente ampla . econômica e cultural do indivíduo por meio das tecnologias digitais.já que não é possível abarcar infinitas possibilidades em períodos tão curtos de atividades. processo que. Tablet) que oportunizem o desenvolvimento de habilidades e competências Universidade Federal de Pernambuco -5- NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . do receptor um posicionamento diferenciado. já que estão sendo levadas em consideração as buscas individuais de cada participante das oficinas do Proi-Digit@l. em seu sentido literal. e conhecimento depende de um longo processo de socialização e de práticas que criam a capacidade analítica que transforma bits em conhecimento (p 19). Informação só existe na forma de conhecimento.a fim de possibilitar a expressividade dos sujeitos de forma livre -. À primeira vista. convém destacar que para uma efetiva participação dos indivíduos na cultura contemporânea. celular. empregando as tecnologias como meio e não como fins. Sorj e Guedes (2005) apontam que o valor efetivo da informação depende da capacidade dos usuários de interpretá-la. refere-se à possibilidade de inclusão informacional. mas amplia consideravelmente as possibilidades de realização de atividades ligadas à inclusão digital.

que se assuma como ser social e histórico. numa perspectiva de produção autoral. enquanto outros são relegados a serem apenas receptores passivos (WARSCHAUER. transformador. no sentido de filtrar. participativo. ler e conhecer a realidade para transformar-se e transformá-la. autônomo. 2006). sobretudo. incluir-se digitalmente requer apropriar-se da lógica da cultura digital a fim de aprimorar sua criticidade diante do seu próprio contexto. ou seja. o termo letramento é utilizado neste estudo em concordância com Soares (2002). o de apropriação das múltiplas linguagens para a produção de conteúdos midiáticos. requer a capacidade de compreensão das mensagens em linguagens multimodais. político e social do indivíduo nessa nova cultura. dos gêneros emergentes que circulam no meio virtual. midiático. Assim sendo. visual. Neste caso. Portanto. mudando apenas o suporte. solidário. o ser humano pode descobrir formas de se incluir na sociedade ao propor discursos que interfiram em Universidade Federal de Pernambuco -6- NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . digital. ou seja. crítico. capaz de empreender sua própria construção do saber. entre outros. em um cidadão ciente de seus deveres e direitos. como também. denominada de Cultura Digital. o desenvolvimento cognitivo. escrever e interpretar a informação no papel.voltadas para o uso social das tecnologias digitais. assim. que emergem com a Cultura Contemporânea. quando alguns grupos sociais aprendem a se tornar produtores de conteúdo multimídia. A condição de ser letrado digital vai além do domínio instrumental do artefato. experimentar e transformar a informação para e em favor do seu contexto social. cultural. oportunizando. de múltiplos letramentos que se interpenetram em novos arranjos culturais. O potencial das tecnologias digitais deve favorecer a igualdade social e não o oposto.de ler. então. Esse processo não se restringe ao letramento tradicional ou escolar . Trate-se. Para Dionísio (2005). Ao ser compreendido como um ser capaz de criticar. criar e compartilhar seus saberes construídos. pensante. o multiletramento engloba outros tipos de letramentos como: o letramento tradicional. no sentido plural. autônoma e crítica em benefício próprio e da comunidade. Mas.

é desenvolver nos sujeitos uma autonomia de discurso diante da profusão desenfreada de informações na rede.seu contexto social. da concepção à publicação do produto Universidade Federal de Pernambuco -7- NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . aos jovens como protagonistas e atores do seu desenvolvimento. Neste ponto de vista sentido. 75). retomando a proposição de novas questões e elementos de análise sobre determinados contextos. Entretanto. ao invés de se anestesiar e se isolar diante das desigualdades que enfrenta cotidianamente. a cultura não propõe um “despertar” dos sujeitos. em formação para o mercado de trabalho do que propriamente na formação de aspectos cognitivos e culturais. ou seja. formadora do ser humano. econômicos. levando os sujeitos a refletir sobre diversos aspectos políticos. atualmente. na verdade. tanto do ponto de vista pessoal como social (p. Hall (1997) complementa ao defender que. No tocante. observamos que a maioria dos projetos de inclusão digital estão muito mais preocupados com a perspectiva de acesso à computadores e internet e. Nesta perspectiva. consequentemente. A participação é a atividade mais claramente ontocriadora. este enfoque cultural dado à inclusão digital permite estabelecer a relação existente entre sociedade. propõe-se aprofundar as discussões sobre inclusão digital com questões relacionadas à produção cultural como forma de estimular a curiosidade. assim como da própria educação. Relacionando esta discussão às oficinas do projeto de extensão. é imprescindível que a participação do adolescente seja de fato autêntica e não simbólica. Essa dinâmica permite compreender que a cultura media todos os aspectos do cotidiano. além de minar a possibilidade de um convívio autêntico entre eles e seus educadores. Neste sentido. mas a proposição de diversos olhares sobre um mesmo tema. a criticidade e a criação. tecnologia e cultura nas ações propostas pelo projeto. culturais e históricos que fazem parte do seu contexto. a construção de identidades e subjetividades sociais. com o intuito de facilitar as etapas de criação. um dos maiores desafios dos projetos de inclusão digital. formas de não- participação que pode causar danos ao desenvolvimento pessoal e social dos jovens. Essas últimas são. decorativa ou manipulada. Costa (1999) postula que Na perspectiva do protagonismo juvenil.

2008). individual e coletivamente. Ao fazer parte de uma produção cultural criativa. criativo. descobrindo formas de melhorar a qualidade de vida de seus semelhantes. com acesso ao conhecimento tecnológico e qualidade educacional para formação voltada para autonomia e reflexão.Sobre criar e recriar métodos de produção Universidade Federal de Pernambuco -8- NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . já que. estes sujeitos podem aprimorar sua relação com o espaço e com os outros que nele residem. pretendemos desenvolver uma vertente distinta dos projetos que tem sido realizada atualmente. nos anos 70. como os trabalhos desenvolvidos por iniciativas da sociedade civil. movimentos sociais começaram a empregar o vídeo como ferramenta de articulação temática e política (ZANETTI. por exemplo: Auçuba – Comunicação e Educação. ao interpretar o mundo. Este processo inclui a construção de determinadas práticas e identidades sociais pelos participantes. mercantilistas.final nas redes sociais. Roteiro ou Improviso? . o contexto das redes digitais favorece esse tipo de estratégia. na preparação do cidadão crítico. Se. ao narrar sua história e ao construir o seu conhecimento. ao permitir a difusão de visões de mundo dos indivíduos envolvidos. como afirma Freitas (2002). com focos tecnicistas. profissionalizantes. A partir dessa perspectiva. Oi Kabum! etc. experiências baseadas numa formação humana. crítica e colaborativa. interpessoais ou educacionais de forma mais restrita. colaborativa. participativa e crítica. a partir dessa evolução tecnológica. técnica e política tem despertado o interesse dos jovens de comunidades periféricas. Dessa forma. A produção de vídeos digitais pode permitir aos participantes da oficina ampliar suas perspectivas de inclusão digital numa visão mais autoral. os aspectos técnicos e cognitivos que se desenvolvem podem promover nos sujeitos o papel de autores dentro do espaço cultural da comunidade. Estes projetos atendem jovens para usar o vídeo como instrumento transformador.

no caso de Universidade Federal de Pernambuco -9- NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . distintas das necessidades que a inclusão através da dimensão política. optou-se por enfatizar certo equilíbrio entre o aprendizado técnico da produção audiovisual. técnica etc. a equipe da Oficina de Vídeo Digital do Proi-Digit@l. b) Produção – Gravação de Imagens e Sons. econômica. optou um caminho linear. ao receber a tarefa de conceber métodos que favorecessem a criatividade e a criticidade dos sujeitos participantes . o desenvolvimento da criatividade e expressividade e a concepção de um espaço para reflexão crítica sobre a realidade e seus pontos de vista. c) Pós-Produção . Como as atividades desenvolvidas pelo grupo pretendiam viabilizar o acesso tecnológico por meio da produção cultural focado na leitura. informacional. possuem. Após cada uma destas explanações iniciais. os jovens de periferia -. e interpretação de significados a partir de seus próprios contextos. primeiramente. baseadas em exercícios gradativos de improvisação. Estes improvisos eram propostos da seguinte forma: depois que os jovens se dividiam entre si a partir da escolha do formato de vídeo que gostariam de realizar . o que são? A partir das respostas dos estudantes.neste caso. que consistiam em estabelecer direções claras e objetivas para que os jovens pudessem criar suas obras audiovisuais. os oficineiros realizaram uma exposição introdutória a respeito dos processos de criação de vídeos: a) Pré-Produção – Criação Narrativa e Roteirização. os oficineiros reuniam a turma de cerca de vinte (20) jovens e iniciava suas reflexões sobre o processo de inclusão digital a partir de seu próprio ponto de vista: o que é incluir para eles? Já conheciam este termo? Que relações ele tem com o dia a dia? E tecnologias digitais.Edição e Finalização do Material Gravado. Partindo do pressuposto de que a criação para inclusão digital tem demandas específicas. os oficineiros começavam a estabelecer pontos de convergência com possíveis temáticas que eles poderiam trabalhar em suas obras audiovisuais. estes grupos eram reunidos e os oficineiros propunham a cada grupo aos jovens a criação de uma narrativa relacionada ao tema escolhido pelos grupos . Para isso.ficção ou documentário -. os oficineiros propunham atividades práticas aos participantes. produção. Posteriormente.

A partir deste material. lidando com a criação narrativa e com a criticidade. os oficineiros propunham aos jovens que. Como resultado deste primeiro método aplicado em uma escola pública municipal da cidade do Recife. incluindo. cultura pop etc. som e atuações na filmagem. ou seja. exercitando a pré-visualização das mesmas antes da filmagem. gravidez na adolescência. percebeu-se que os jovens apresentavam grande habilidade e interesse no uso das tecnologias .como televisão. Além disso. selecionando-se os melhores resultados obtidos em imagem. Por escolherem tratar de temáticas mais próximas de seu cotidiano na realização dos vídeos . transformavam-se as sinopses e perguntas em um roteiro que descrevesse imagens e sons em uma sequência narrativa. mas também certa superficialidade no tratamento destas questões em suas narrativas. os jovens criavam storyboards das cenas a serem filmadas. as motivações e as consequências do trabalho realizado nas perspectivas de inclusão digital dos participantes. em documentário. foi feita socialização do mesmo em um blog e outras redes sociais. montassem uma sinopse única (para ficção) e uma sequência de três a cinco perguntas (para documentário). músicas. se necessário. citando textos de outras mídias . moda etc. os jovens procuravam “fortalecer” o conteúdo dos seus vídeos com a inclusão de elementos intertextuais. sendo.grupos que escolhessem ficção. eram criadas cinco perguntas por cada membro. em que se capturavam imagens e sons nas locações. Depois desta etapa. mas sentiam muitos entraves no processo de criação em si. a Universidade Federal de Pernambuco . música. -. a partir das sinopses e perguntas criadas. cada membro criava uma sinopse de cinco linhas e. usando recursos materiais e humanos que estivessem disponíveis no local. Após a finalização do roteiro. Durante o processo e produção dos vídeos observou-se a predominância do letramento funcional. ou seja. em seguida. percebia-se certa identificação com as mesmas.como namoro. além de se abrir um debate sobre o processo de criação da obra audiovisual. realizada a edição do material bruto.mesmo quando ela não era necessária -.10 - NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . rock. ou seja. Depois de finalizar o produto. efeitos sonoros e letreiros.

O ponto de partida desta nova versão seria explorar os recursos do celular e incentivar a criatividade. Com a continuidade destes exercícios de reflexão e prática.habilidade em manusear a tecnologia. percebeu-se que esta dinâmica linear não estabelecia um diálogo tão espontâneo e dinâmico com o público alvo da oficina. Contudo. como as atividades do Proi-Digit@l não preveem este acompanhamento contínuo dos frequentadores dos espaços em que são realizadas as oficinas. em detrimento a outros tipos de letramento. preferiu-se por criar outro tipo de dinâmica que favorecesse a continuidade das atividades criativas e críticas dos jovens ao invés de uma dinâmica que favorecesse quaisquer entraves e conflitos que os desestimulassem a fazê-lo. aplicando uma metodologia proposta pela engenharia de produção e pela ciência da informação . a dificuldade apresentada pelos participantes em criar narrativas escritas e escolher suas temáticas levou o grupo de oficineiros a fazer alguns ajustes. O estabelecimento de uma dinâmica linear para incentivar a criação nos participantes da oficina procurou trazer aos jovens certa segurança a partir do estabelecimento de um ambiente familiar e organizado para que os mesmos se sentissem à vontade para desenvolver suas ideias. a partir dos conflitos e dificuldades desenvolvidos no processo. o letramento crítico que exige do sujeito uma maior reflexão e compreensão do que se quer mostrar. pois. transparecer e até mesmo transformar a partir da narrativa audiovisual. procurando focar.a Universidade Federal de Pernambuco .11 - NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . ao lidar com mentes acostumadas à lógica hipertextual rizomática e não linear do processamento de informações. estes jovens passariam também a criar novas dinâmicas de atuação que problematizariam seus processos de subjetivação. a espontaneidade e a liberdade de expressão diante da câmera do celular. Contudo. Porém. seria possível a estes sujeitos refletirem e reelaborem seus papéis críticos e criativos de forma mais contundente. falar. como. propiciando a manifestação de conflitos e dificuldades que travavam tanto a criatividade quanto o exercício da crítica. por exemplo. na narrativa audiovisual antes mesmo da produção escrita. na segunda versão da oficina.

construção da narrativa escrita. Assim. apropriação e uso de tecnologias móveis pelos participantes. Percebeu-se que os jovens realizaram a atividade sem grandes dificuldades. estilos. p. tomando o caminho inverso da primeira que consistia na inicial construção de um roteiro escrito. a produção escrita surgiu logo após esta etapa. p. precisa de modificações para melhor atender seus objetivos. encontradas no primeiro método de realização de oficina. mas que. para explicar a desenvoltura dos jovens com a tecnologia. o grupo pretendia minimizar as dificuldades.12 - NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . sempre relacionados à cultura jovem. inicialmente. demonstrando que os mesmos possuem certo domínio tecnológico com o artefato. Neste caso. A adoção desse método proporcionou uma discussão inicial sobre cultura digital. na criação escrita. roteirização e edição do vídeo. reconhecendo-se pelo conteúdo compartilhado e pelos nomes de identificação dos aparelhos. as gerações nascidas no Universidade Federal de Pernambuco .metodologia da Engenharia Reversa (ER) . Nesse caso. 10). p. hábitos informacionais. A partir desta contextualização. A partir deste método. interesses e valores. segundo Dayrell (2003. 42).que “designa o processo de confecção de um produto já existente” (MURY. buscou-se identificar o uso que eles faziam do seu dispositivo móvel. a partir de indicadores. 2000. a condição juvenil constitui o sujeito e sofre influência do “meio social concreto no qual se desenvolve e pela qualidade das trocas que este proporciona”. desta vez. os participantes criaram suas primeiras ideias já na captura das imagens. seguindo. uma ideia consistente desenvolvida antes da gravação. já que. os participantes tiveram a oportunidade de expor suas ideias. estes passos: gravação espontânea (construção da narrativa audiovisual). Argumenta-se que. propôs-se iniciar os trabalhos testando a tecnologia bluetooth para os jovens trocarem arquivos diversos entre si. 2000. A princípio. a ER torna-se uma “ferramenta de apoio a implementação destas modificações” (MURY. em especial o celular. 22). remodelando um produto desenvolvido da forma padronizada (convencional). através da linguagem audiovisual.

Os oficineiros se apresentaram como facilitadores de um processo mais complexo de captação de imagens: a criação de um vídeo mais extenso e com uma proposta de gravação mais elaborada do que a primeira atividade. cenário. Assim. a atividade seguinte. depois de unir os materiais gravados. registrando imagens de livre escolha. Em seguida. os oficineiros repassam orientações sobre gravação de vídeo (planos cinematográficos básicos. o sentido e as implicações daqueles tipos de produção no cotidiano deles e das outras pessoas. interferência do som externo. A partir das imagens brutas obtidas. novas leituras que permitam a gravação de cenas adicionais. No segundo momento da oficina. além de discutir mais profundamente sobre o que eles queriam expressar ao captar as imagens.13 - NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . a gravação. E. as imagens são apresentadas para todo o grupo. os jovens são levados a refletir sobre técnica e estética em sua própria relação com as tecnologias.contexto da pós-modernidade trazem consigo a capacidade de trabalhar de forma não linear. foi observada com base na primeira atividade. os participantes são orientados a criar uma narrativa escrita que contemple as imagens gravadas e. ou seja. iluminação. de forma simultânea. das dificuldades etc. as imagens gravadas foram projetadas para todo o grupo por meio de um datashow e comentadas em suas intenções de autoria. finalmente. as músicas e/ou efeitos sonoros na etapa de edição. se necessário. A coerência da metodologia da oficina estaria fundamentada na observância da condição do público jovem. menos rígida do que em contextos sócio-históricos anteriores. das relações entre os participantes. Universidade Federal de Pernambuco . os vídeos finalizados são exibidos para a turma. Após a gravação. pessoas e equipamentos envolvidos na criação do vídeo) e motivam os participantes a produzirem imagens em um local diferente ao da oficina. Com o intuito de tornar a experiência de gravar mais dinâmica. solicita-se que os participantes comecem a testar as câmeras dos celulares. das temáticas abordadas. som direto.

assim eles tiveram um intervalo maior para fazer as gravações. Dos três vídeos produzidos. eles usaram o imaginário juvenil para acrescentar uma nova cena e introduzir um hit6 da Internet para finalizar a narrativa. inibiam o processo criativo de construção da narrativa. sendo os demais vídeos gravados na parte externa da escola. A partir da realização deste segundo método com jovens de periferia. Nesse método. divididas em dois momentos.14 - NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação .org/wiki/Gangnam_Style Universidade Federal de Pernambuco . O último vídeo foi uma comédia que nos surpreendeu pela criatividade e hibridização de elementos culturais (local-global). pode-se identificar os diferentes letramentos digitais mobilizados pelos jovens já nas primeiras gravações. ao final do primeiro momento.wikipedia. Dessa forma. os jovens foram orientados a trazer as ideias iniciais já gravadas para serem apresentadas e discutidas no segundo encontro. levando-os a enfrentar os perigos da uma rua bastante movimentada. levando os jovens do método anterior a produzir de forma apressada e conturbada. de certa forma. uma vez que as oficinas são de apenas oito horas. apenas um foi gravado no interior da escola e exibia uma sala de aula onde a turma era bastante inquieta e indisciplinada. Fonte: http://pt. Com isso. comparada ao primeiro método. percebeu-se que as gravações feitas durante a oficina e com a presença dos oficineiros. 6 "Gangnam Style" é um single de K-pop do rapper sul-coreano PSY com mais de 1. este segundo também fez com que os sujeitos trouxessem temáticas que fossem próximas do seu cotidiano. com destaque para o letramento funcional e crítico. Um deles tratava de uma reflexão crítica quanto ao lixo posto na calçada da escola e que impedia a passagem dos pedestres. pois ao mesmo tempo em que o grupo tentou chamar a atenção para o fato de ter um orelhão no meio de uma calçada. A narrativa foi desenvolvida com efeitos de áudio e movimentos de câmera que deram um sentido singular a mensagem que os mesmos queriam transmitir.7 milhões de visualizações no YouTube. mas indo um pouco além do universo escolar.

). Antes de tudo. p.15 - NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . Universidade Federal de Pernambuco .). 192). mas conforme Barreto (2004). escola. assim como escolher as imagens e áudios que seriam usados. foi necessário compreender as particularidades deste gênero em relação a outros tipos de produção audiovisual convencional (curta-metragem. eles tiveram um desempenho melhor. webcam ou celular e um protagonista ou vlogueiro. visto que. os jovens não apresentavam dificuldades com o uso das tecnologias nem com a parte prática da oficina. como já traziam as imagens previamente gravadas (na rua. Segundo definição de Burgess e Green (2009). pareciam desenvolver a narrativa de forma mais criativa e natural. webconferência etc. Neste caso. Já com a criação narrativa escrita. Da mesma forma que no método anterior. o público ou outro vlog pode enviar respostas diretas para o vlogueiro. Barreto (2004). opinião. a ascensão dos vídeos pessoais publicados em plataformas de rede deve estar atrelada ao crescimento da banda larga no país. Assim. tipicamente estruturada sobre o conceito do monólogo feito diretamente para a câmera e produzidos com webcam e com uma edição amadora (BURGESS e GREEN. conceito por meio de um vídeo e que houvesse o diálogo ou interferência de outros atores na ação. e esta de acordo com a proposta da metodologia aqui apresentada. em casa etc. que é aquele que faz a ação. Esta definição ainda perdura. documentário etc. Ainda não está claro na literatura como aconteceu o surgimento do videolog ou vlog. que neste gênero o ator se confunde com o produtor. videoclipe. O terceiro método partiu da inquietação que vem das redes sociais: a necessidade de expressar uma ideia. Para se expressar por meio do vlog é necessário uma câmera.) e típicos do meio digital (videocast. conforme conceito dos autores o vlog (abreviação para ‘videolog’) é uma forma predominante do vídeo amador no Youtube. 2009. trazendo também a intertextualidade que parece caracterizar os jovens desta idade. pois tinham facilidade em aprender os recursos de edição. para justificar o surgimento dos vlogs ou blog com vídeo. o vlog se apresenta como um gênero eminentemente amador.

praticamente estimulando e demandando o diálogo com o público. O vlog diferencia-se dos demais gêneros por ser um vídeo que apresenta uma opinião pessoal ou inquietação de forma bastante direta.16 - NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . de forma alguma. A produção de um roteiro não pretende. cenário e iluminação para que os participantes estejam mais embasados sobre suas escolhas antes da gravação. pode-se escrever sobre o que acontece localmente ou postar notícias de características globais ou apresentar textos atemporais – sendo que este é produzido em formato digital e é exibido em canais da internet como o Youtube. estimula-se os jovens a ensaiar um debate sobre a temática escolhida como forma de desinibi-los antes da gravação acontecer. antes de tudo. No movimento dos videoblogues. porém. mas também visando atingir um público amplo e utilizando instrumentos de gravação diversos. mas hoje adquiriu características diferentes e se apresenta como uma forma livre de se posicionar na rede. muitas vezes. pode-se inferir que o vlog é um gênero relativamente novo nos meios virtuais e é semelhante a um blog – que há muito foi considerado um diário pessoal. Esse gênero se destaca pelo fato de transmitir um posicionamento crítico e. é apresentado o enquadramento de filmagem deste tipo de vídeo digital – o foco é o plano médio –. Assim. como webcam. fazê-los pensar sobre a temática e considerar uma forma de desenvolvê-la. porém. Em seguida. câmera digital ou celular em posição estática. irônico do autor sobre diferentes temáticas que podem ser atuais ou atemporais. Hoje o conceito de vídeoblogue evoluiu para o que conhecemos como vlog. basendo-se no conceito de Barreto (2004). Posteriormente.afirma que o crescimento da banda larga e o barateamento das câmeras digitais impulsionaram o desenvolvimento de blogs com vídeo: videoblogues. mas realiza-se Universidade Federal de Pernambuco . deixando-os livres para seguir outras se considerarem necessário no momento da gravação. travar a espontaneidade e a capacidade de improviso dos jovens. O autor se apresenta como personagem e expõe um pensamento sobre um fato de interesse particular. e por possuir curta duração. a plataforma não se apresentava tão dinâmica quanto a que se tem hoje com o Youtube.

pois deve-se apresentar aos mesmos as implicações de suas falas: pode haver críticas positivas e negativas na rede. após breves explicações sobre o funcionamento do software Openshot.esta atividade com as câmeras ligadas. o que oferece maior liberdade e espontaneidade expressiva aos sujeitos. sendo. No final do processo. realiza-se uma avaliação com perguntas relacionadas ao processo criativo: Como foi a experiência de criar o vlog? No vlog vê-se mais improvisos ou segue-se um roteiro ao pé da letra? Quais os momentos mais difíceis e os mais fáceis? Teve dificuldade? A diferença desta metodologia para as duas primeiras – um caminho linear e um caminho não-linear – está relacionada na forma de criação do vídeo: o roteiro é em formato de tópicos. Ao aplicar o terceiro método com jovens estudantes de ensino médio de uma escola pública estadual. preferem gravar sem este ensaio.17 - NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . pode-se utilizar o vídeo na edição final. nos três métodos. entendendo-o como uma gravação verdadeira que pode ser refeita se acontecer algum imprevisto que se queira descartar. para que. do Youtube e em seguida compartilhado na página no Facebook ou em um blog. práticas de letramento crítico. todos puderam se posicionar criticamente e também falar um pouco do seu cotidiano e subjetividades juvenis. Na realidade. os jovens. necessita apenas de um plano para filmar e um personagem. mas apenas a tópicos de discussão para nortear as falas diante da câmera. indicando. referência ao universo escolar. percebeu-se que a participação do grupo foi mais intensa e participativa quando comparada aos outros métodos. Trabalhar vlog com jovens constitui-se um desafio. O ensaio tem como fim deixar os jovens livres para gravarem o vlog (em casa ou no espaço da oficina) e editarem dentro do período da oficina. tampouco a um roteiro convencional. O gênero vlog não está atrelado a uma narrativa escrita. Os jovens mostraram-se temerosos com as repercussões que o vídeo Universidade Federal de Pernambuco . que deverá ser criado ao término da oficina. publicado em um canal. em seguida. Ao discutirem sobre as temáticas escolhidas. havendo. assim. caso os jovens apreciem sua imagem e palavra. em sua maioria.

175) de sentidos e significados. dificuldades que os participantes tinham com a escrita. exibindo. A primeira metodologia linear em seu processo criativo (roteiro. contudo. da Universidade Federal de Pernambuco e executada junto a jovens de periferia. muitos utilizam gírias e palavrões. característica própria da juventude. O desenvolvimento e conclusão da oficina indicou que os jovens compreendem tanto as normas institucionais que determinam o uso da TICs na escola quanto o seu contexto de uso. gravação e edição). assim “a identidade narrativa é uma construção” (DUBAR. principalmente na forma como se expressam: na formar de narrar. como artefato cultural que possibilita o diálogo com o mundo. de se apresentar para o outro. o que levou ao terceiro método: a produção de vlogs que permitiu um maior envolvimento dos Universidade Federal de Pernambuco . Observou-se durante as gravações uma forte influência da mídia televisiva e dos próprios vlogs que circulam na internet. pois representam categorias criadas e empregadas para narrar suas vivências e posicionar-se sobre o seu próprio eu e o lugar que ocupa no seu eu social.bordão utilizado por uma personagem na novela Salve Jorge. da Rede Globo) e Falsidade. que priorizava a gravação de imagens sem um roteiro prévio para posterior roteirização e edição. ou seja. Adotando a lógica da cultura digital . ao recalque feminino (“Olha o recalque” . já que o vlog tem por característica a contestação e. Foram produzidos três vlogs que apresentaram críticas a postura dos professores em sala de aula (chamado “E fale baixo”). No contexto juvenil.18 - NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . Essa situação conduziu para outra metodologia. além disso. 2006. p.Considerações Finais O trabalho teve como objetivo analisar três metodologias desenvolvidas dentro da Oficina de Vídeo que faz parte Programa de Extensão Proi-Digit@l. Ainda assim. estes métodos não favoreciam a instantaneidade das mídias digitais.poderia causar dentro da escola. as palavras tornam-se identitárias.

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espaço simples. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 1997. Novos Estudos. observando a marcação de negrito específica para os exemplos que seguem. v. ZANETTI. HALL. Campinas. 81. alinhadas à esquerda. Exclusão Digital: problemas conceituais. São Paulo. SORJ. Colóquio Internacional Televisão e Realidade. São Paulo: Editora SENAC São Paulo. Salvador. In: Colóquio Internacional Televisão e Realidade. As referências devem estar em Trebuchet 12. agosto 2002. O cinema e “novas” tecnologias: o espetáculo continua. 22. Mark. CEBRAP. N. Universidade Federal de Pernambuco . Cristiane. 2008. L. A centralidade da cultura: notas sobre as revoluções culturais do nosso tempo. São Paulo. 2002. 2006. SOARES.FREITAS. Educação e Sociedade. Mídia: Teoria e Política. FAMECOS. V. GUEDES.20 - NEHTE / Programa de Pós Graduação em Letras CCTE / Programa de Pós Graduação em Ciências da Computação . Magda. nº18. 2008. Daniela. G. 15-46. n. Porto Alegre. 2. B. LIMA. E. Educação & Realidade. v. Novas práticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura. 2001. WARSCHAUER. Crônicas Urbanas: narrativas em torno de uma produção audiovisual de periferia. junho de 2005. Perseu Abramo. p. S. L. Tese (Mestrado) – Departamento de Engenharia de Produção. 2000. 23. Porto Alegre. 72. Tecnologia e inclusão social: a exclusão digital em debate. n. M. 143-160. Uma metodologia para adaptação e melhoria de produtos a partir da engenharia reversa. MURY. A.. evidências empíricas e políticas públicas. p.