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g o v e r n o d o e s ta d o d e s ã o pa u l o

Cortador

1

emprego

vestuário

Co r ta d o r

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CIÊNCIA E TECNOLOGIA Rodrigo Garcia Secretário Nelson Baeta Neves Filho Secretário-Adjunto Maria Cristina Lopes Victorino Chefe de Gabinete Ernesto Masselani Neto Coordenador de Ensino Técnico. Tecnológico e Profissionalizante . GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO Geraldo Alckmin Governador SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO.

Gisele Gonçalves. Luís André do Prado. José Luis Hernández Alonso. Olívia Vieira da Silva Villa de Lima. Lucas Puntel Carrasco. Beatriz Blay. Guilherme Ary Plonski Patrícia Maciel Bomfim. Cláudia Letícia Vendrame Santos. Fundação do Desenvolvimento Administrativo – Fundap Geraldo Biasoto Jr. Camila De Pieri Fernandes. Wilder Rogério de Oliveira Maria Regina Xavier de Brito. Clélia La Laina. Rita De Luca e Roberto Polacov Luiz Carlos Gonçalves. José Lucas Cordeiro Paula Marcia Ciacco da Silva Dias e Vagner Carvalheiro Gestão do processo de produção editorial Fundação Carlos Alberto Vanzolini Antonio Rafael Namur Muscat Gestão Editorial Presidente da Diretoria Executiva Denise Blanes Equipe de Produção Hugo Tsugunobu Yoshida Yoshizaki Vice-presidente da Diretoria Executiva Assessoria pedagógica: Ghisleine Trigo Silveira Editorial: Adriana Ayami Takimoto. Carla Fernanda Gestão de Tecnologias aplicadas à Educação Nascimento. Patrícia Pinheiro de Sant’Ana. Hugo Otávio Cruz Reis. Gabryelle T. Sonia Akimoto e Apoio à produção: Luiz Roberto Vital Pinto. Airton Dantas de Araújo. Equipe Técnica Diretor Executivo Ana Paula Alves de Lavos. Maria Isabel Branco Ribeiro e SENAC São Paulo . Maria Helena de Castro Lima. Paulo Coordenação Executiva do Projeto Mendes e Tatiana Pavanelli Valsi Angela Sprenger e Beatriz Scavazza Direitos autorais e iconografia: Aparecido Francisco. Gestão do Portal Priscila Garofalo. Emily Hozokawa Dias e Laís Schalch Lais Cristina da Costa Manso Nabuco de Araújo Superintendente de Relações Institucionais e Projetos Especiais Textos de Referência Coordenação Executiva do Projeto Selma Venco. Lívia Direção da Área Andersen França. Impressão e Acabamento Imprensa Oficial do Estado de São Paulo Agradecemos aos seguintes profissionais e instituições que colaboraram na produção deste material: Denise Pollini. Beatriz Chaves. Ciência e Tecnologia Coordenação do Projeto Equipe Técnica Juan Carlos Dans Sanchez Cibele Rodrigues Silva e João Mota Jr. Célia Maria Cassis.Concepção do programa e elaboração de conteúdos Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Mainã Greeb Vicente. Valéria Aranha e Gestão de Comunicação Vanessa Leite Rios Ane do Valle Diagramação e arte: Jairo Souza Design Gráfico CTP. Feresin.

Hoje. sem dúvida. Até os que estão trabalhando precisam de capacitação para se manter atualizados ou quem sabe exercer novas profissões com salários mais atraentes. Boa sorte e um ótimo curso! Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico. Ciência e Tecnologia . em parceria com instituições conceituadas na área da educação profis- sional. Com a ajuda de educadores experientes. a falta de qualificação é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo desempregado. Temos certeza de que iremos lhe proporcionar muito mais que uma formação profissional de qualidade. Sabemos o quanto é importante a capacitação profissional para quem busca uma oportunidade de trabalho ou pretende abrir o seu próprio negócio. O curso. será o seu passaporte para a realização de sonhos ainda maiores. Ciência e Tecnologia. Os nossos cursos contam com um material didático especialmente criado para facilitar o aprendizado de maneira rápida e eficiente. O Programa é coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Caro(a) Trabalhador(a) Estamos bastante felizes com a sua participação em um dos nossos cursos do Programa Via Rápida Emprego. Foi pensando em você que o Governo do Estado criou o Via Rápida Emprego. pretendemos formar bons profissionais para o mercado de trabalho e excelentes cidadãos para a sociedade.

você se sinta confiante e capacitado a enfrentar novos desafios. São esses detalhes. com o Programa Via Rápida Emprego. mas. pois. O curso terá continuidade com o Caderno 2. A Unidade 3 traça um panorama do mercado de trabalho nessa área. Partindo do princípio de que você já possui diversos conhecimentos e vivências sobre vestuário e moda. como você já deve ter ouvido falar. A Unidade 1 deste Caderno trata da história do vestuário e da moda. A Unidade 4 aborda questões importantes para a preservação da saúde do trabalha- dor. que tratará de assuntos mais especí- ficos da ocupação de cortador. guardando semelhanças entre si. ao final do curso. mas também potencializá-los e ampliá-los. continuam a ser apresentados os estilos que marcaram as diversas décadas. a moda é cíclica – os estilos renascem de tempos em tempos. durante esse período juntos procuraremos não só valorizá- -los. cada uma das funções exercidas pelos especialistas da moda na construção das roupas. uma marca de sua época. Caro(a) Trabalhador(a) Hoje. ainda. bem como os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) mais utilizados na indústria do vestuário. Você sabe que dominar técnicas específicas da ocupação é muito importante para ingressar no mundo do trabalho. os estilos são com- parados com modelos atuais. que este curso lhe proporcionará. Descreve. você iniciará sua trajetória rumo a novos conhecimentos sobre a área de vestuário. Bom curso! . Em alguns momentos. que tem como assunto a moda no século XX (20). discutindo também aspectos da legislação trabalhista. Na Unidade 2. embora apresentem sempre algo novo. para depois se con- centrar especificamente na atividade profissional do cortador. Existem vários outros aspectos que vão além do conhecimento prático da ocupação e que são igualmente importantes para seu futuro profissional. nos dias atuais. isso não é suficiente. analisando brevemente tanto os serviços autônomos possíveis nesse ramo como ocupações existentes na indústria do vestuário para os profissionais da moda. por- tanto. para que. discorrendo sobre sua trajetória ao longo do tempo. Esperamos que você esteja animado para continuar esse caminho.

Sumário Unidade 1 9 História do vestuário e da moda Unidade 2 47 A moda no século XX (20) Unidade 3 85 Mercado de trabalho Unidade 4 105 Saúde e trabalho .

São Paulo: SDECT. il. Título III.Qualificação técnica 3. 2013. Ensino profissionalizante 2.425 646. Secretaria de Desenvolvimento Econômico.4 FICHA CATALOGRÁFICA Tatiane Silva Massucato Arias . Cortador – Roupa: Confecção I. Via Rápida Emprego: vestuário: cortador. Vestuário .(Série Arco Ocupacional Vestuário) ISBN: 978-85-65278-70-6 (Impresso) 978-85-65278-78-2 (Digital) 1.1. São Paulo (Estado).. Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Ciência e Tecnologia. . Série. CDD: 371. Ciência e Tecnologia II. v.CRB-8/7262 .

Unidade 1 História do vestuário e da moda © RMN-Grand Palais/Agence Bulloz/Other Images Peças do vestuário feminino no século XIX (19). França. Paris. Ilustração do barão François-Joseph Bosio para a revista Le bon genre: le volant. © ClassicStock/Corbis/Latinstock © Mark Hunt/Huntstock/Corbis/Latinstock Vestuário nos anos 1950. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 9 . Vestuário nos anos 2000. Museu Carnavalet.

A indústria e/ou o comércio dessa arte: Gos- taria de trabalhar com moda. habitual. 4. Algum de vocês se lembra da gíria bokomoko? É possível que quem tenha vivido os anos 1970 reconheça esse termo. comportar-se. Arte e técnica do vestuário (moda fe- minina). maneira: Preparou a massa à moda italiana. 2. que foi bastante usado naquele período e era um adjetivo para os que estavam “fora de moda” sob diversos aspectos. 3. Restr. voga. tecido macio. Gosto. predominante numa determinada época ou lugar (gíria fora de moda). Maneira. Moda é uma palavra comum em nossa vida. de cada um: Trabalha à sua moda. Por exemplo: vestido O que é moda para você? bonito. vestir. 5. cor berrante. ger. Leia com atenção alguns significados da palavra moda que constam no dicionário: Moda 1. maneira ou modo distinto e pecu- liar. Modo. 10 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Adjetivo: Palavra que dá uma qualidade ao substanti- vo. estilo de viver. pois se re- laciona a vários assuntos. escrever etc.

mais moderno ou apresenta mais recursos.br> Essas definições ampliaram seu conhecimento sobre o que é moda? Com base nelas. mania: Usar telefone celu- lar virou moda. só porque o novo modelo é mais bonito. em sua opinião. pois vai alterando o estilo do que deve ser usado em determinada época. [.com. Ou seja. embora os antigos ainda estejam perfeitos? A moda movimenta o mercado em geral.. “está fora de moda”? Isso é moda. recuperam-se estilos antigos. Uso ou prática corrente. é essencial conhecer mais sobre moda. <www. fixação. para desempenhar melhor a ocupação na qual está se formando. Alteram-se cores.] © iDicionário Aulete. tecidos.. No caso do vestuário. o objetivo do curso de qualificação profissional que você está agora iniciando. celulares. que ganham nova versão. generalizada. 6. Tudo isso aquece o mercado e influencia o consumo.aulete. as novas tendências que vão alterando o estilo do vestuário com o passar do tempo. se a moda não sofresse alterações constantes. E você já parou para refletir quando foi que homens e mulheres começaram a pensar em se vestir? Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 11 . qual seria a diferença entre moda e vestuário? Moda e vestuário Um dos destaques que podemos dar às definições do dicionário é a diferenciação entre moda e vestuário. Qual é o motivo de tantas mudanças na moda? Por que você acha que a moda se altera com tanta frequência? Em sua opinião. Pare e reflita: Já aconteceu de você ou alguém que conhece abrir uma gaveta e pensar “essa roupa está antiquada”. O vestuário é o coração. eletrodomésticos. a indústria têxtil e as confecções sobreviveriam? Pense na moda também como sujeita às exigências do consumo. Quantas pes- soas não trocam móveis. a moda muda a cada estação do ano. Mas.

sol. pois conside. Vestuário na Pré-história Os nômades pré-históricos eram grupos de pessoas que não fixavam residência e se deslocavam continuamente. mesmo sem os registros escritos. fibras de vegetais e pelos prensados. estudá-lo. relacionados ao vestuário. entre eles os escrita não havia história. 12 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . por exemplo. Segundo estudiosos dessas sociedades. O termo Pré-história foi constituindo assim um material parecido com o que criado no século XIX (19) hoje conhecemos como feltro. Mas hoje é possível re. do linho. a fixação do homem à terra. incorporaram à vestimenta peles de animais tro escrito da história. vento. que eram caçados e lhes serviam de alimento – traje constituir esse período e perfeito para proteger o corpo nas regiões frias. homens e mulheres já cobriam o corpo nessa época. tendo confeccionado as primeiras roupas com uma mis- Você sabia? tura de folhas. Finalidades do vestuário O vestuário surgiu com diferentes finalidades: • proteção contra as intempéries: chuva. Coleção particular. para designar o período em que não havia regis. © The Bridgeman Art Library/Keystone Sedentário: Aquele que tem habitação fixa. No entanto. calor e frio. Família na Idade da Pedra lixa e costura peles para fazer vestimentas. e descobertas como essa ram que o termo Pré-his- tória sugere que antes da influenciaram a modificação de costumes. O desenvolvimento da agricultura possibilitou o sem Estado”. cultivo. em busca de caça. Mais tarde. alterou a confecção de referem a esse período como o das “sociedades roupas. Peter Jackson. que permitiu a Há historiadores que se formação de povos sedentários.

Museu de História Natural de Viena. os homens criaram esculturas que representavam o corpo feminino. Trata-se de obras que medem de 10 a 15 centímetros. de Cristo. Áustria.C. Vênus de Willendorf. 1984). Essas esculturas são chama- das de Vênus e foram encontradas em diversas regiões da Europa. Você pode conhecê-lo em quatro filmes: Indiana Jones e os caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark. lações pré-históricas não conseguia explicar a própria reprodução de que o tear teria surgi- nem a fertilidade dos animais. para atrair ou afastar essas forças sobrenaturais. Nesse conflito. com seios. todos dirigidos por Steven Spielberg. 1989) e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull. ninguém conseguia explicar fenômenos da natureza. pensavam. Quando esse fenômeno ocorria. A arqueologia é uma ciência. 2008). Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom. 1981). comprovando que já havia o conceito de entrelaçar fios desde es- sa época. Um arqueólogo famoso no cinema e na televisão é Indiana Jones. Para isso. data de 24000 a 22000 a. como bricados milênios antes as tatuagens etc. grande parte das popu- indícios. Há também Assim como outros fenômenos da natureza. Em épocas mais antigas. era relacionado a alguma força mágica. (antes de Cristo). sentiam e percebiam o mundo que os cercava de maneira bem semelhante. e seu Fotos: © Erich Lessing/Latinstock/Album/Album Art papel é buscar e estudar os hábitos dos povos que viveram em outras épocas. por- tanto. ossos. identificaram tecidos fa- pintura corporal temporária ou permanente. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 13 . homens Você sabia? Achados arqueológicos e mulheres adornavam o corpo com penas. do na Pré-história.. nesses achados. encontrada na Áustria em agosto de 1908. E. África e América. Indiana Jones e a Grande Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade. Isso significa que diferentes povos.• ligação do ser humano com o sobrenatural: tudo aquilo que acontecia em torno das pessoas e para o qual elas não tinham explicação era atribuído ao sobrenatural. ventre e quadril avantajados. Uma das mais importantes e conhecidas esculturas do período pré- -histórico é a Vênus de Willendorf. como o eclipse do Sol. os arqueólogos fazem escavações e tentam encontrar vestígios da vida antiga. embora não tivessem contato uns com os outros. Esculpida em pedra calcária e pintada com pigmento ocre- -avermelhado.

C. os homens já usavam trajes diferentes para marcar os níveis de poder. Diferentes tipos de roupa Em cada período histórico e em cada lugar. ora mais. muitas vezes. usava a pele desse animal como vestimenta. Ao fazer isso. quanto mais detalhes e enfeites possuíam. (antes de Cristo) até 476 d. a roupa foi confeccionada de maneira diferente. evidenciando. Mas o que era e ainda é uma necessidade vital passou a se transformar. Quando um caçador ob- tinha sucesso na captura da presa. Nessa época também uma nova forma de produção começou a se consolidar: o capitalismo industrial. esperteza etc. as formas do corpo das pessoas. A Revolução Francesa é um marco nas mudanças políticas.• demonstração de poder: há estudos indicando que. verifica-se que os trajes usados por homens e mulheres não se diferenciavam muito no modelo – eram quase sempre túnicas soltas. • Idade Média: de 476 d. (antes de Cristo) – quando surgiu a escrita. na época a “entrada” do Ociden- te para o Oriente.C. [antes de Cristo]) e considerada o berço das ci- vilizações –.C. Revolução Francesa é o nome que se dá a um período da história da França no qual a monarquia (os reis). e ainda usar os chifres para adornar o corpo ou criar adereços. maior era o status social de quem as usava. cuja influência se estendeu para quase todo o mundo. (depois de Cristo) até 1453 – da queda do Império Romano à Tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos. agilidade.C. como uma espécie de colar. destreza. • Idade Moderna: de 1453 até 1789 – da Tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos até a Revolução Francesa. presas com cintos.. No entanto.C. Denomina-se Tomada de Constantinopla o momento da história que marca o fim da dominação romana sobre os povos do Oriente. É possível pensar em roupas como uma espécie de preservação da vida: trata-se de uma proteção contra o frio ou o calor. Constantinopla é como se chamava antigamente a cidade de Istambul. em um tipo de identidade pessoal – os ornamentos. econômicas e sociais que aconteceram na Europa na segunda metade do século XVIII (18). passam a ser mais valorizados que a própria vestimenta. desde a Pré-história. • Idade Contemporânea: da Revolução Francesa aos dias atuais. • diferenciação social: na Mesopotâmia – uma das civilizações mais antigas de que se tem conhecimento (cerca de 1700 a. pesquisadores dividiram-na em grandes períodos: • Pré-história ou sociedades sem Estado: da origem do homem até 3500 a. ora menos. Podia também selecionar o seu maior canino para colocar no pescoço. • Antiguidade ou Idade Antiga: de 3500 a. com o tempo. a nobreza e a Igreja perderam poder para dar lugar a uma nova forma de governo – a república. (depois de Cristo) – do surgi- mento da escrita à queda do Império Romano. o homem pré-histórico acreditava atrair para si energias mágicas da natureza ou as qualidades do animal caçado. Para marcar as diferentes etapas do desenvolvimento da humanidade e facilitar o estudo da história. como força. 14 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 .

Junto a seu corpo foi encontrado um machadi- nho. Ela foi apelidada de Ötzi. a parte externa era feita de pele de veado. Se a moda pode ser. durante o período Neolítico. (antes de Cristo). e as calças. Copenhague. que servia para promover o isolamento térmico. alguns pesquisadores acreditam se tratar de uma antiga prática de acupuntura. O casaco usado por Ötzi era feito de hastes longas de capim. confeccionado com pele de urso. e ele ainda trajava restos de sua vestimenta. Seu chapéu. e 1. Foram encontradas em seu corpo 57 tatuagens. costuradas com tendões de animais. dois alpinistas descobriram nos Alpes italianos © Diomedia um corpo que mais tarde se revelou a múmia congela- da mais bem preservada e a segunda mais antiga já encontrada. como você já viu. qual seria então a definição mais apropriada para essa palavra? Quando co- meça a moda? E o que é? Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 15 . Ötzi viveu em 5300 a. por sua localização. O sapato possuía partes interna e externa: na parte inter- na era possível colocar grama. ao morrer.60 metro de altura. Em 1991. portanto. e tinha. Após vários estudos. que.C. possuía duas tiras para amarrá-lo embaixo do queixo. de pele de cabra. compreendida como o estilo do vestuário. Provável aparência de Ötzi. entre 30 e 45 anos. Museu Nacional. Dinamarca. (antes de Cristo). © De Agostini/Getty Images Roupas encontradas em uma tumba de cerca de 1370 a.C. descobriu-se que Ötzi morreu vítima de um ferimento no ombro provocado por uma flecha. devido ao nome dado à região.

nas linhas a seguir. 4. O que há de semelhante e de diferente entre sua resposta e a dele? Anote o que encontrou de comum entre elas. Troque o que escreveu com um colega. Em sua opinião. 10-11) se aproximam das que vocês ela- boraram? Reescrevam a definição da dupla com base na leitura. Forme uma dupla e escrevam um parágrafo a partir da frase: Moda é. resumidamente. Como o texto que fizeram pode ser aperfeiçoado? 16 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Atividade 1 O que é moda? 1. As definições dadas pelo dicionário (p. o que é moda? Escreva. cinco coisas que lhe vêm à mente quando você ouve a palavra moda: a) b) c) d) e) 2. 3...

2013.gov. [antes de Cris- to]). apesar de diferenças específicas que distinguem um país do ou- tro. [antes de Cristo] e 395 d. o que torna nossos costumes e hábitos semelhantes aos de outros países do mesmo hemisfério. 19).C. br/paisesat/main.). Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 17 .C. 8 jan. você poderá obter informações de todos os países (bandeira. Acesso em: Oriental (Oriente).História da moda no Ocidente O Brasil faz parte do Hemisfério Ocidental (Ociden- te). extensão territorial. Durante o Império Romano (entre 27 a. as vestimen- tas ganharam simplicidade e praticidade e se asse- melharam a retângulos de tecido envolvidos ao corpo (veja a ilustração na p. O que permane- ce? O que se alterou? Como as tendências vão e voltam no mundo da moda? Antigo Egito e Império Romano No Antigo Egito (em torno de 4000 a. Cada período foi organizado com uma foto antiga e outra recente. economia etc. A ideia é que você procure observar as características das vestimentas em cada período e como foram reinterpretadas na atualidade. [depois de Cristo]). Para você ter uma ideia melhor.ibge. acesse nossos costumes são diferentes dos da China ou do o link do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). as roupas utilizadas pelos nobres eram fabricadas com fibras de linho. a moda está em contínua mudança – ela se população. Evolução da moda Você verá agora como o vestuário foi se transformando ao longo da história.C. Japão – esses países estão localizados no Hemisfério disponível em: <http://www. mouse pelo mapa-múndi. apenas arrastando o transforma o tempo todo.php>. Para nós. pense em como No laboratório de informática. Nele.

18 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Escultura de mármore. Coleção Cristo]). 171 cm de Desfile da grife Halston. Coleção do Mosteiro Franciscano de Sinj. Luxor. 2011.C. primavera-verão de 2004. [antes de Desfile de alta-costura da grife Dior. Estilo Romano © WWD/Condé Nast/Corbis/Latinstock © The Bridgeman Art Library/Keystone Estátua de Hécate. Egito. Croácia. Detalhe dos afrescos da câmara funerária do túmulo de Nefertari (reinado de Ramsés II [segundo]. Estilo Antigo Egito © The Bridgeman Art Library/Keystone © Stephane Cardinale/People Avenue/Corbis/Latinstock A rainha Nefertari precedida por Ísis. Vale das Rainhas. 1290-1224 a. Coleção outono-inverno de altura.

o mesmo se dando com os camponeses. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 19 . para. 20) foram ganhando. da p. rainhas. Roupas de das sociais definidas com base na condição de nasci. príncipes. eram muito simples. to de moda. prin. Foi uma época de tesanalmente pelos primeiros tecelões e alfaiates pro. © Diomedia Como vestir o chiton. avançar para uma modelagem diferenciada. particularmente no campo da moda. a evidenciar as formas toda a vida. pois foi quando também nasceu o concei- A sociedade na Idade Média era estruturada em cama. permaneceria nobre durante los. eram confeccionados com fibras de linho e asseme- lhavam-se a grandes retângulos costurados que envolviam o corpo. cardeais. A do corpo. Túnicas sobrepostas e acinturadas (chamadas opalandas – veja na imagem As horas muito ricas do duque de Berry. Você sabia? No final da Idade Média e Transformações significativas ocorreram no vestuário início do Renascimento. fissionais e as cores ganharam espaço em sua confecção. arcebispos. bordados etc. Foram criados sapatos de bico cada vez nobreza era formada por reis. cavaleiros. Idade Média No início da Idade Média.. mais fino para evidenciar cesas. o grau de riqueza e nobre- za dos donos. aos poucos. detalhes como barras de seda. impossibilitando totalmente a ascensão social passaram a ter caracterís- ticas próprias e os mode- – quem nascesse nobre. e dividia o poder político com o cle. ro (papa. Os trajes gregos. homens e de mulheres mento. Cha- mados chiton. gótico. em seguida. havia ainda forte influência dos trajes usados pelos romanos. surgiu na Europa o estilo nessa época: as roupas passaram a ser produzidas ar. assim como os romanos. bispos). grandes transformações. marcando a silhueta femi- nina e inaugurando o estilo gótico.

brilhos. Renascimento O período conhecido como Renascimento foi de pro- fundas mudanças na estrutura social e econômica mundial. Guache sobre pergaminho. Chantilly. o termo Renascimento delimita um tes que habitavam as cidades. Museu Condé. na religião. © René-Gabriel Ojéda/RMN-Grand Palais (domaine de Chantilly)/Other Images Estilo Idade Média © WWD/Condé Nast/Corbis/Latinstock Irmãos Limbourg. mangas. Expansão das cidades e das atividades de comércio. 1416. cinturas. Todas essas mudanças no modo de vida das pessoas resultaram em grandes alterações também no vestuário – usavam-se agora tecidos com cores. Como você verá adiante. outono-inverno de 2009. no contexto das mudanças políticas e sociais que aconteceram no período. França. na formar. um Além de se referir ao movimento artístico que aconteceu na Europa novo segmento social ganhou espaço: o dos comercian- entre os séculos XIV (14) e XVI (16). economia e na cultura europeias. Desfile de alta-costura da grife Chanel. punhos. bem como vestidos com modelos de golas. bolsos e barrados diferenciados. que marcou o fim da Idade Média e o começo da Idade Moderna. na política. estas começando a se período de profundas mudanças na sociedade. 20 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Coleção 29 cm x 21 cm. As horas muito ricas do duque de Berry (detalhe). texturas e caimentos diversos. países conquistando novas terras e ampliando seu poder na Europa.

Estilo Renascimento

© Hervé Lewandowski/RMN-Grand Palais (musée du Louvre)/Other Images

© WWD/Condé Nast/Corbis/Latinstock
Antoon van Dyck. Retrato presumido da marquesa
Geromina Spinola-Doria. Óleo sobre tela, 239 cm x Desfile prêt-à-porter da grife Gareth Pugh. Coleção
170 cm. Museu do Louvre, Paris, França. primavera-verão de 2009.

Os babados que você observa ao redor do pescoço em algumas imagens, uma espécie de “colar” de
tecido, são chamados rufos.

Será que eles tinham alguma função na vestimenta ou eram apenas um ornamento?

Possíveis interpretações para o uso de rufos:

© Gérard Blot/RMN-Grand Palais/Other Images
• quanto à higiene: tomar banho não fazia parte dos
hábitos europeus na época do Renascimento. A
princípio, uma forma de se sentir limpo era usando
o que se chama de chemise – um tipo de camisola
larga e comprida, trocada com maior frequência que
as outras peças de roupa. Os rufos tinham a mesma
utilidade, sendo trocados com maior frequência que
as chemises. Usá-los, portanto, era um indício de
limpeza e asseio;

• quanto à posição social: essa interpretação é
fácil de entender. Só quem possuísse certa posição
social poderia usá-los. Você consegue imaginar
alguém com um rufo cortando uma tora de madei-
ra, cozinhando ou limpando o chão, por exemplo?

Não bastasse, ainda combinava com a postura ereta
que essa classe social mais abastada deveria manter,
pois melhorava a postura do corpo, mantendo quem o
Camisola de cambraia com bordados e renda.
usasse com as costas retas. Castelo de Malmaison, Rueil-Malmaison, França.

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Atividade 2
A moda no R enascimento

1. Leia a reportagem a seguir, publicada em 30 de julho
de 2003.

Uma das categorias das premiações
anuais para a produção
cinematográfica – como o óscar – é
concedida ao Melhor Figurino.
Elizabeth: a Era de Ouro (Elizabeth:
the Golden Age, direção de Shekhar
Kapur, 2007) recebeu esse prêmio.
O filme se passa em 1585 e retrata a
história da rainha Elizabeth I
(primeira), apresentando as
dificuldades enfrentadas pela
personagem na luta pelo poder.
Assista a ele e observe bem os
detalhes do figurino. Esse estudo
poderá, além de ampliar seu De volta ao passado
conhecimento sobre o vestuário da
época, lhe dar várias ideias de
modelos e acabamentos. Pesquisadores recriam, do tecido aos bordados,
roupas dos nobres da Itália renascentista.

Bel Moherdaui
© King Studio

Divulgação King Studio

Giovanni Bauhet. Vincenzo Gonzaga, Reconstituição do traje de Vincenzo
IV [quarto] Duque de Mântua, 1587. Gonzaga, duque de Mântua.
Coleção particular, Mântua, Itália.

Fios de ouro, pérolas e pedras preciosas. Pronta-
-entrega, nem sonhando. Só modelos exclusivos,
feitos sob encomenda, um trabalho que podia demo-
rar anos. Assim eram as roupas de cerimônia dos
nobres do Renascimento na Itália: poucas, mas fabu-
losamente requintadas.

22 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1

Embora um número reduzidíssimo de peças tenha
sobrevivido ao tempo, um perseverante grupo de
pesquisadores italianos, armados de documentos,
pedaços de tecidos e pinturas da época, enfrentou o
desafio de reconstituir os suntuosos trajes do perío-
do. “Escolhemos os mais famosos retratos de per-
sonagens italianos com trajes que tivessem uma
Levando em conta que a fotografia
história particular, que fossem capazes de mostrar foi inventada apenas em 1826, como
podemos saber o que as pessoas
aspectos interessantes da vida da corte. Dessa forma, usavam antes disso? Para obter essas
informações, pesquisadores recorrem
explicamos a história de um novo jeito”, conta Faus- a textos, pinturas, esculturas e
gravuras.
to Fornasari, diretor do King Studio, que desenvolve
o estudo. Em catorze anos de trabalho, já foram
reconstituídos cerca de 100 trajes. [...] Entre eles está
o fabuloso traje de Vincenzo Gonzaga na cerimônia
em que assumiu o título de duque de Mântua. O
manto original de arminho na reprodução é de pele
de coelho. A pequena peça acoplada à cintura pare-
ce mas não é uma bainha de punhal: simboliza o falo
ducal. Aparecem também as vestimentas usadas em
seu casamento com Eleonora de Médici e ainda o
vestido de noiva da filha do casal, Eleonora Gonzaga,
quando se uniu a Ferdinando II [segundo], imperador
do Sacro Império Romano do Ocidente, em 1622.
© Diomedia

© King Studio

Agnolo Bronzino. Retrato de Eleonora de Toledo, 1545. Para reconstituir os detalhes da roupa de Eleonora de
Óleo sobre madeira, 115 cm x 96 cm. Galeria degli Uffizi, Toledo foram necessários seis anos de trabalho.
Florença, Itália.

Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 23

Um deles. para chegar ao material mais parecido possível com o original. São fei- tas até trinta provas de tecidos por traje. sempre criando seus trajes e perucas. Era com elas que uma princesa da França. com original e intrincada padronagem em medalhões. de tecido dourado com desenhos róseos. serve para destacar a suntuosa parte de cima. “Os trajes eram vistos como um investimento. O conforto certamente não era uma prio- ridade. não deixavam dúvidas: eram roupas dignas de reis. desenvolvimento de materiais. bordados. vem ainda uma boneca de porcelana vestida com uma miniatura da roupa. a maioria dos trajes está acompanhada de uma reprodução da pintura em que eles aparecem. Entre pesquisa histórica. na reconstituição. traz 3. o no- bre fazia questão de mostrar com a roupa o tamanho de sua ri- queza”. Na exposição. conta Forna- sari. Junto com o ves- tido. Há ainda a reprodução de uma cena de banquete e dois trajes que são a interpretação de vários quadros. O retrato de Eleo- nora de Toledo foi feito pelo mestre Bronzino. cada roupa demora de quatro a cinco anos para ficar pronta. tomava conhecimento do que se usava na corte italiana”. Um dos mais trabalhosos. peles e golas criava roupas sufocantes e pesadas. O vestido em exposição compõe-se de duas peças sobrepostas: a de baixo. demorou seis anos para ficar pronto: dois na pesquisa. Outro destaque é a roupa da marquesa de Mântua. Quando aparecia em cerimônia pública. dois no desenvolvimento do tecido e mais dois no bordado (só uma. 24 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 .000 pérolas e 200 pedras preciosas bor- dadas – imitações. levou o desafio adiante). Importante figura política e patrocinadora das artes. hoje ou quinhentos anos atrás. Mas em qualquer época em que fossem vistas. pedrarias. Isabella d´Este Gonzaga. “Essas bonecas viajavam de corte em corte e funcionavam como uma espécie de revista de moda do Renascimento. em veludo preto recortado e bordado em ouro. o vestido da duquesa Eleonora de Toledo. por exemplo. das dez bordadeiras convocadas. ela própria era uma lançadora de tendências. em tecido vermelho. diz Fornasari. A quantidade de tecidos. testes com teares e a trabalhosa aplicação de joias e bordados.

ed.abril. © King Studio Divulgação King Studio Bartolomé González.com. 2003. MOHERDAUI. e sua filha Anna. 2013. Áustria. Disponível em: <http://veja.br/300703/p_090. Acesso em: 8 jan. Bel. Com base no texto. De volta ao passado. 30 jul. 1605. b) Como eram as “revistas de moda” da época? c) Por que as roupas desse período eram consideradas um investimento (termo que deriva de vestimenta)? Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 25 . Museu Kunsthistorisches. Viena.html>. da Espanha. 1813. Veja. 192 cm x 120 cm. Margarida de Áustria. responda: a) Quais eram as matérias-primas usadas nas roupas na época do Renascimento? Descreva a maneira como eram fabricadas. rainha Espanha. 2. rainha da Reconstituição do traje de Margarida da Áustria.

modelista e desenhista. no século XVIII (18). função de cobrir e proteger o corpo contra alterações condição. O luxo era tamanho e o valor ca em que a moda começou das roupas tão elevado que estas chegavam a ser dei- a surgir. O vestuário passou a ser uma verdadeira disputa entre pois confeccionavam “ves. reserva. a indústria da moda teve data e local de nascimento: surgiu em Paris. da aos homens. Tam. cumprindo tão somente a desenhá-las e costurá-las. por alfaiates e modistas. até 1675. na épo. A mercado e passaram a co. que se perguntavam quem seria aquele que tidos de sonhos”. As costu- reiras eram conhecidas em Paris como “mãozinhas”. cessária muita luta para que obtivessem o direito de feita de forma artesanal. e comerciante que cresceram com o desenvolvimento da moda. que começou na na cerimônia de abertura foi retratada a história do país. e tes com a 1a Revolução Industrial. nos anos 1670. climáticas. na França. as mulheres eram autorizadas a fazer apenas xadas de herança a familiares – embora grande parte ajustes nas roupas. dificuldade de transportar ampla variedade de tecidos mercializar acessórios. Foi ne. As mulhe- res rapidamente criaram se apresentaria com tecidos e modelos mais inovadores. faça uma busca e assista ao vídeo de como era a vida antes dela? abertura. da população contasse apenas com a roupa que vestia. Inglaterra (na Europa). Porém as vestimentas eram caras. capital da Inglaterra. as ocupações de bor- dadeira. em uma técni- ca que hoje é denominada Não foram apenas as ocupações de alfaiate. O surgimento do mercado da moda no século XVII (17) A produção de roupas sofreu alterações e acompanhou o movimento da sociedade. e apenas Você sabia? a nobreza tinha acesso à confecção sob medida feita De acordo com a autora Joan DeJean (2011). decorativos. 26 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Nele você verá uma parte da história aqui relatada. A produção de tecidos. De acordo com a autora Joan DeJean (2011). bem como de confecções de bém enfeitavam roupas com fitas e outros detalhes roupas. Mas No laboratório de informática. Influência da 1ª Revolução Industrial no vestuário Você assistiu à abertura da Olimpíada A produção do vestuário sofreu alterações importan- de 2012? Os jogos foram realizados em Londres. tecidos e armarinhos. costureira customização. os nobres. uma forma de inserção no Esse modo de pensar começou a modificar a moda. a criação de figurinos e mesmo o jornalismo ganharam espaço com o desen- volvimento dessa indústria. fi- cando conhecidas como até onde os nobres estavam levou à criação de lojas de mercadoras da moda.

e a 1992) apresenta um bom retrato das condições de trabalho e de vida ciência progrediu. foi um acontecimento que provocou di- versas modificações sociais. pela qual foi pos- sível que os proprietários dos meios de produção (ferramentas. não havia salário. políticas e econômicas. máquinas.) comprassem as horas trabalhadas de um ou mais trabalhadores. passando da produção artesanal para a industrial. O vassalo devia fidelidade ao senhor feudal. que começaram a se organizar em torno das primeiras fábricas. terra etc. e este lhe oferecia proteção militar e o di- reito de cultivar parte da terra para o consumo da família. chamados suseranos. político e social que antecedeu o capitalismo). Deveres do suserano Deveres do vassalo • Proteção • Auxílio militar ou monetário • Concessão do feudo • Fidelidade e conselho Com o decorrer do tempo.No feudalismo (sistema econômico. O filme Daens: um grito de justiça (Daens. Tal combinação de fatores ficou co. os camponeses. dos trabalhadores na indústria têxtil no século XIX. tratou-se de um momento de grande importância. período nhecida como 1a Revolução Industrial. no entanto. denominados vassalos. mantendo para si apenas uma pequena parte da produção. pois a produção de mercadorias deu um salto significativo. da Revolução Industrial. eram obrigados a trabalhar para os senhores feu- dais. Com o surgimento dos primeiros teares Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 27 . As péssimas condições de vida no campo passaram a motivar camponeses a ir para as cidades. O comércio se expandiu com as grandes navegações. O assalariamento foi uma “invenção” do ca- pitalismo. Em especial para a indústria têxtil. No plano geral. o feudalismo foi se desgastando. Você sabia? © Leandro Robles/Pingado Relação entre o suserano e o vassalo Nessa época. direção de Stijn Coninx.

o salário femini- Manufatura de algodão: mula fiandeira. em geral quadrado. O decote do vestido.4% da recebida. panier (“cesto”. em francês. de acordo com estudos rea- lizados pelo Instituto Bra- sileiro de Geografia e Barroco Estatística [IBGE] em 2011. os teares exigiam manuseio mais delicado. Acesso em: 8 jan. homem). 2013. Rio de Janeiro: IBGE. © Heritage Images/Corbis/Latinstock Você sabia? Durante a 1ª Revolução Industrial. O Em relação às crianças. que se tornaram muito amplas. a destaque para a moda desse período é a ornamentação altura e os movimentos das roupas. fala-se “paniê”). as contratações eram prioritariamente de mulheres e crianças. Quanto ao contingente feminino. as saias passaram a ser ar- Fonte: PNAD 2011. pois As rendas tornaram-se um elemento de diferenciação elas podiam ficar abaixa. o estilo mesma função.ibge.gov. 1830. 28 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Biblioteca fotográfica de Ann Ronan. que teve seu auge entre 1650 e 1750. deixando entrever o saiote. as fábricas conseguiram reproduzir de forma automática determinadas tarefas mais rapidamente. no Brasil. ricamente ornamentado também. Disponível em: <http:// madas por uma estrutura que se assemelhava a um www. social: renda no vestuário significava riqueza pessoal. caracterizando-se pelo uso de formas largas. era ricamente bordado e com rendas. c. das recolhendo as felpas caídas do tear. bordadas com pérolas e pedras preciosas. mecânicos. princi- gar. também conhecida como “anquinha”. chamada por isso de noticia=2222&id_pagina=1>. a remuneração No período do movimento artístico conhecido como das mulheres equivale a 70. A partir de cerca de 1720. em segundo lu. Observe o garoto à direita.php?id_ cesto de pães de ponta-cabeça. ágeis interessavam ao sis- tema de produção.br/home/presidencia/ noticias/noticia_visualiza. 2012. isso se dava por duas razões principais: primeira. empregado no sempre foi menor que para se arrastar debaixo dos fios e varrer o chão. palmente nas saias. o masculino (até hoje. Algumas tinham uma abertura frontal. na Barroco. em forma de V invertido. por um do vestuário feminino sofreu alterações significativas.

A garota caprichosa. so de curvas na forma da letra C. em muitos sentidos. Em Maria Antonieta (Marie Antoinette. Rússia. configurou uma continuidade estética do Barroco. os chamados tons pastel. O Rococó originou-se na França. volumes e exageros nas formas e na or- namentação caracterizaram todos os vestidos dessa época. Coleção primavera- sobre tela. O filme ganhou o óscar de Melhor Figurino natureza. com detalhes deli. São Petersburgo. Museu Hermitage. rendas. no reinado de Luís XV (15). 1718. flores. Babados. você pode observar as roupas do século XVIII (18) desenhadas pela cados. refinamento e valorização da figurinista Milena Canonero. em francês). 2006). em 2007. aproximadamen- te. simulando leveza. Rococó O movimento artístico que sucedeu o Barroco ficou conhecido como Rococó e vigorou de. e o termo é derivado de rocaille (“concha”. direção de Sofia Coppola. -verão de 1996. Estilo Barroco © Alexander Burkatovski/Corbis/Latinstock © Stephane Cardinale/Sygma/Corbis/Latinstock Jean Antoine Watteau. laços. Óleo Desfile da grife Lacroix. Caracterizou-se ainda por utilizar exces. que ganharam também cores mais claras. Ambos seguiam uma lógica semelhan- te: o Rococó. festivos e frívolos nas roupas femininas. plantas e conchas artifi- ciais de tecido. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 29 . porém com detalhes mais graciosos. 1730 a 1790.

permitindo. Óleo sobre tela. assim. Palácio de Versalhes. A sobressaia era cortada de modo que. Maria Antonieta. Comumente ra manter o tronco ereto era bordado com f lores. laços. França. assemelhando- e amarrada nas costas. em português guinte composição: corpete) é uma peça sur- gida no século XIV (14) • na parte superior. frente e costas. 1864. Desfile da grife Saint Laurent. Estilo Rococó © Pierre Vauthey/Sygma/Corbis/Latinstock © Gérard Blot/RMN-Grand Palais (Château de Versailles)/Other Images Jean-Baptiste-André Gautier Agoty. fitas. no for- mato de um V invertido. visua- lizar parte da saia. primavera-verão de 1990. laços. 160 cm x 128 cm. ficasse aberta. apresentava mui- © Victoria & Albert Museum. usada pelas mulheres pa. Coleção Versalhes. fitas. London to volume para os lados (ampliado com o uso de anquinhas ou paniers) e continha bordados de f lores. 30 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . peças presas ao corpete: saia e sobressaia. com formato mais reto na frente. tornan- do-as mais elegantes. pedras preciosas e Espartilho de seda azul rendas na diagonal. reforçado com osso de baleia. Muitos tecidos eram produzidos em seda. © Victoria & Albert Museum. London quando presa ao corpete. rainha da França. corselete é uma espécie de espartilho. usado por • a parte inferior contava basicamente com duas cima da roupa. eram compostos por um corpe- com barbatanas de metal te. pedras preciosas e rendas na horizontal. -se muitas vezes a um casaquinho. rendas e pedras e afinar a cintura. no qual se pregavam as mangas. A sobressaia continha também bordados de flores. A saia. fitas. O preciosas. Os vestidos do Rococó geralmente apresentavam a se- Espartilho ou corset (fala- -se “corsê”. 1775.

Saias amplas. buscando elimi- nar os privilégios da nobreza e do clero. A revolução. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 31 . também os tecidos mais pesados foram abolidos. Madame Pierre Seriziat com seu filho. sendo substituídos pela leveza da musselina e do algodão em roupas que valorizavam as formas naturais do corpo. 1795. cuja data marcante é 14 de julho de 1789 (dia da Queda da Bastilha). 131 cm x 96 cm. acontecimento que marcou o fim da monarquia na França) à influência do Império e da re- gência de Napoleão Bonaparte. Estilo Diretório © The Bridgeman Art Library/Keystone © Andreea Angelescu/Corbis/Latinstock Jacques Louis David. provocou profundas mudanças no país e influenciou toda a Europa com os ideais de Liberdade. uma revisita aos modelos da Antiguidade clássica greco-roma- na – cujo início conviveu com o Rococó –. Ela contou com diversos estilos: • Estilo Diretório (1795-1799): período que se caracterizou como um momen- to de transição – do estilo Luís XVI (16) (rei que foi deposto. A influência atingiu também a moda.Neoclássico A moda neoclássica. que substituiu a monarquia por uma república democrática. Emile. 2007. cinturas marcadas e o uso de corsets e paniers foi abandonado. Óleo sobre painel. Paris. França. Coleção primavera-verão de Museu do Louvre. após a eclosão da Revolução Francesa. surgiu no final do século XVIII (18) e permaneceu durante boa parte do século XIX (19). Desfile de Peter Som. Igualdade e Fraternidade.

Palácio de Fontainebleau. Josefina. passando para baixo do busto. National du Château de Malmaison (Museu Nacional Disponível em: <http://www. 217 cm x 142 cm. Sua esposa. Celebridade em evento de gala. França). Estilo Império © Leon/Retna Ltd. As mulheres jovens usavam cores mais suaves. e as mais maduras. caracterizado pelas obras monumentais que o imperador construiu e por um estilo pessoal que primava pelos adornos no vestuário e pela riqueza de detalhes. As roupas exibem simplicidade e livre caimento. conheça mais o Estilo Império acessando o Uma das moradias do casal foi transformada no Musée site do Musée National du Château de Malmaison. que pode ser visitado virtualmente. 32 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . lembrando os trajes usa- dos pelas mulheres no período greco-romano (toga e chiton). Os trajes utiliza- dos pela imperatriz estão lá expostos. decotes e mangas.fr>. Observe nas fotos a seguir como a linha da cintura se altera. França. Óleo sobre tela. Geralmente. Rueil-Malmaison.chateau- malmaison. os vestidos continham caudas ou barras mais compridas nas costas e bordados em bai- nhas. 2013. da Casa de Malmaison. criou modelos inova- dores de vestidos. cores mais fortes. Fontainebleau. Elisa. 2007./Corbis/Latinstock © RMN-Grand Palais (Château de Fontainebleau)/Gérard Blot/Other Images François Joseph Kinson (atribuído). • Estilo Império (1804-1815): o período marca a as- censão e a queda do Império de Napoleão Bonapar- te. Acesso em: 8 jan. No laboratório de informática.

• Estilo Regência ou Georgiano (1811-1830): o nome “georgiano” faz referência aos reis da Inglaterra George III (terceiro). Coleção outono-inverno Londres. A parte superior do vestido vitoriano era constituída por corpete. estufadas e bufantes eram sustentadas por essa armação. os vestidos ganharam uma armação pesada: a crinolina. Desfile da grife Dior. As cores usadas eram claras para as mulheres mais jovens e escuras para as casadas. Inglaterra. babados e adornos próximos da barra. laços e. Coleção particular. A parte inferior. de 2010. Saias grandes. e as mangas seguiam o mesmo estilo. Após o casamento da rainha. o filho. As saias as- sumiram forma de cone ou de sino. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 33 . 1820. o pai. tornando-se mais pesadas devido a tecidos encorpados. Litografia colorida. Vestido estilo cottage. adornados com rendas. gola. Estilo Regência ou Georgiano © The Bridgeman Art Library/Keystone © WWD/Condé Nast/Corbis/Latinstock Anônimo. Na moda. contando com babados e laçarotes. As mulheres passaram a uti- lizar anáguas. e George IV (quarto). babados. era feita de várias camadas de diferentes tecidos e tons. estruturada pela crinolina. pérolas. • Estilo Vitoriano (1830-1860): esse estilo marcou a ascensão da jovem rainha Vitória ao trono inglês. formadas por várias camadas de tecido. mangas ajustadas ao corpo e punhos. A moda caracterizou-se pela volta gradativa de espartilhos e corpetes. as cores e as estampas das roupas tornaram-se mais sóbrias e escuras. em geral.

Crinolinas eram armações feitas. França. 34 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Desfile de alta-costura da grife Dior.5 cm x 20. Estilo Vitoriano © WWD/Condé Nast/Corbis/Latinstock © Hervé Lewandowski/RMN-Grand Palais (musée d'Orsay)/Other Images Claude Monet. Museu d’Orsay. Paris. a princípio. conferiam ainda mais volume às saias. Litografia colorida. de crina de cavalo entrelaçada (de onde deriva seu nome). Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo (MuCEM). Mulheres no jardim. Coleção 25. passaram a ser produzidas com aço. França. primavera-verão de 2010. presas na cintura. O império da crinolina.4 cm.5 cm. Paris. Óleo sobre tela. que. varetas de bambu ou barbatanas. © Thierry Le Mage/RMN-Grand Palais/Other Images Anônimo. 46 cm x 36. Posteriormente. 1867.

• Estilo Eduardiano (1890-1911) ou Belle Époque,
que estava em seu auge nessa época: sucedeu o
Estilo Vitoriano e trouxe mais mudanças ao mun-
do da moda, que foi então marcado pelo luxo das
roupas, por imensos e detalhados chapéus femi-
ninos, plumas e bordados.
Os vestidos desse período valorizavam ainda mais a Você sabia?
cintura fina e os quadris volumosos. A chamada Belle Époque
é um período da história
Resgatou-se o uso de tecidos leves e cores claras, ren- (aproximadamente entre
das, drapeados e estampas com motivos florais. 1871 e 1914) que trouxe im-
portantes mudanças, es-
pecialmente para as artes.
A parte frontal dos vestidos era exageradamente orna-
Foi uma época do culto ao
mentada, com a utilização de laços e rendas. Essa ca- que era belo, propiciado
racterística da parte frontal, as anáguas e, sobretudo, o por um grande número de
invenções, como o cinema,
espartilho faziam com que as mulheres ficassem com a o telefone, o telégrafo, mo-
silhueta em S, quando vistas de perfil: quadris largos e vimentando o mundo das
busto avantajado pelo exagero de detalhes no tecido. artes e das comunicações.

Estilo Eduardiano ou Belle Époque

© Stephane Cardinale/People Avenue/Corbis/Latinstock
© RMN-Grand Palais (Musée d'Orsay)/Hervé Lewandowski/Other Images

Henri Gervex. Senhora Valtesse de la Bigne,
1889. Óleo sobre tela, 200 cm x 122 cm. Museu Vestido de alta-costura da grife Lacroix. Coleção primavera-
d’Orsay, Paris, França. -verão de 2009.

Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 35

Por baixo dos ornamentos exteriores que completavam
sua toilette, a mulher da moda, no início da década de
1900, era encerrada em várias camadas de roupa de baixo.
Vestir-se e despir-se eram tarefas laboriosas, que levavam
tempo e exigiam a assistência de uma criada de quarto.
Primeiro vinham a chemise e os calções ou combinações
de algodão branco, elaborados com bordados brancos
vazados, adornados com renda e finos cordões de fita.
Em seguida, vinha o espartilho, o componente crítico na
E o vento levou (Gone with the Wind,
direção de Victor Fleming, George
definição da forma, que ditava a postura e as linhas das
Cukor e Sam Wood, 1939) conta a roupas exteriores. As mulheres queixavam-se do descon-
saga de uma família durante a Guerra forto dos espartilhos, e os reformadores da moda, entre
de Secessão nos Estados Unidos da
América. Nele, Scarlett O’Hara é filha eles médicos, deploravam o prejuízo físico que estas peças
de fazendeiros que perdem sua de vestuário infligiam aos ossos e órgãos internos.
propriedade e toda a riqueza durante
MENDES, Valerie; HAYE, Amy de la. A moda do século XX.
a guerra. O figurino do filme ilustra
São Paulo: Martins Fontes, 2009. p. 2.
bem como o espartilho era peça
essencial para a moda de meados
do século XIX (19).

A costura no século XIX (19)
Vimos anteriormente que os profissionais da moda –
alfaiates, costureiros e modelistas – já existiam há algum
tempo. Foram eles que criaram, modelaram, cortaram,
costuraram, adornaram as vestimentas com fitas, rendas,
laços, babados, flores artificiais e até mesmo pedras pre-
ciosas. Pouco se divulgou, no entanto, sobre os profis-
sionais que trabalharam na confecção das roupas.
Um dos primeiros nomes conhecidos nesse ramo é o do
inglês Charles Frederick Worth (1825-1895), considerado
o primeiro costureiro da história a assinar seus modelos.
© The Bridgeman Art Library/Keystone

Retrato de Charles Frederick Worth, 1895.

36 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1

Além de ser o mais famoso costureiro do século XIX
(19), Worth foi também o primeiro a realizar desfiles
de moda. Esse profissional criou a chamada alta-
-costura e estabeleceu um método diferenciado de
trabalho, que contava com um costureiro-chefe e uma
equipe formada por assistentes, modelistas, costureiras,
bordadeiras etc.
Alta-costura: Confecção de
Por volta de 1860, Worth passou a vestir a realeza euro- roupa de maneira artesanal,
peia. Uma de suas clientes mais famosas foi a imperatriz feita de forma única, com cai-
mento perfeito e produzida de
Eugênia de Montijo, casada com o imperador francês acordo com as medidas do
Napoleão III (terceiro). cliente e com as normas da Câ-
mara Sindical da Alta-Costura,
o que eleva o preço final. Na
© Corbis/Latinstock

alta-costura, tudo é minuciosa-
mente perfeito: da modelagem
ao acabamento, passando por
corte, montagem e costura.

Vestido de Worth representado por Franz Winterhalter em
A imperatriz Eugênia, 1854. Óleo sobre tela, 92,7 cm x 73,7 cm.
Museu Metropolitano de Arte, Nova Iorque, Estados Unidos da América.

© The Metropolitan Museum of Art. Foto: Art Resource, NY

Vestidos da Casa Worth (à esquerda, de 1887; à
direita, de 1892) expostos no Museu Metropolitano de
Arte, Nova Iorque, Estados Unidos da América.

Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 37

a maison (como é chamado um ateliê de cos- tura na França. passaram a ser estabelecidas rígidas regras para determi- nar o que seria a alta-costura e quais costureiros poderiam Prêt-à-porter (direção de Robert fazer parte desse grupo seleto. e apresen- tá-las à imprensa duas vezes por ano (primavera-verão e outono-inverno). cada uma com pelo menos 35 modelos originais para o dia e para a noite. A história retrata a Semana da Moda em Paris e a © Stephane Cardinale/People Avenue/Corbis/Latinstock investigação da morte do presidente da Câmara Sindical da Alta-Costura. de 15 a 20 funcionários altamente especializados. Para fazer parte da Câmara Sindical da Alta-Costura. ainda hoje é preciso: • empregar. 1994). A importância de Worth e da concepção de alta-costura para a moda francesa e mundial foi tão significativa que. fala-se “mesom”) deve obedecer também 38 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . • confeccionar todos os modelos à mão. Com isso. Modelo da grife Dior. foi criada a Chambre Syndical de la Haute Couture (Câmara Sindical da Alta-Costura). Além disso. • criar duas coleções. Coleção primavera-verão de 2010. em tempo integral. não sendo acei- to nenhum ponto feito à máquina. Altman. em 1868.

a exigências quanto a sua localização: estar entre as ave- nidas Champs Elysées. em 1862. Vitrine global da fantasia A criatividade e o impacto da alta-costura servem para chamar a atenção do mundo e legitimar os pre- ços do mercado do luxo Flávia Varella. • as máquinas de pregar botões e de corte. dez anos depois. Enquanto a alta-costura se desenvolvia. a máquina de fiar híbrida. Em 1767. e. Os avanços tecnológicos na moda iniciaram-se com o advento da 1ª Revolução Industrial. mas com redução considerável do custo. ção de alta-costura. e ter. ra revolução na história do vestuário. Em trio. pelo menos.porter 1. considerado uma verdadei- -porter (fala-se “prétaportê”). o bastidor hidráulico. que se passou a confeccio- nar roupas em escala indus- Máquinas voltadas para a produção de vestuário passaram trial. “prontas para vestir”. houve maior produtividade no setor com outras invenções importantes: • a máquina de casear. cinco an- dares. sem perda da quali- a ser criadas na metade do século XVIII (18) – início da dade.costura versus prêt. composta por máquina de fiar e bastidor hidráulico. um deles com espaço suficiente para realização dos desfiles de roupas. leiam a matéria publicada em maio de 2005. de Paris Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 39 . Atividade 3 A lta.à . A partir daí. três das mais importantes de Paris. ou seja. em 1875. em 1769. quan- Revolução Industrial. Montaigne e Georges V. pois foi com ele Na Unidade 2. você verá esse assunto com mais detalhes. começou O prêt-à-porter pode ser também a ser fortalecida a produção de roupas prêt-à. com as roupas modeladas diretamente no corpo daqueles que as enco- Você sabia? mendavam e a preços que poucos podiam pagar. foi criada a máquina de do comparado ao da produ- fiar.

bradam os inconformados. A sofisticação. nas revistas. nos jornais de todo o mundo. © Stephane Cardinale/People Avenue/Corbis/Latinstock PICASSO PSICODÉLICO A “noiva africana” de Jean-Paul Gaultier. exemplo da liberdade de arriscar e do virtuosismo dos criadores: “A alta-costura não é feita para vender. mas para encantar e aprimorar a moda”. em janeiro e julho. Ou gritos de incompreensão diante da fantasia desatinada das peças. que parece saída da cabe- ça de um Picasso experimentando substâncias proibidas mas foi ape- nas mais um dos atrevimentos do estilista Jean-Paul Gaultier. a profusão de detalhes e a beleza das roupas arrancam suspiros. vestidos suntuosos e extrava- gantes aparecem na televisão. 40 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . “Para que servem essas roupas?”. Duas vezes por ano. que às vezes beira a provocação pura e simples – como a “noiva africana” na foto a seguir.

se paga. A consultoria americana Right Angle Group calcula que um desfile desses gere uma cobertura nos meios de comunicação que. têm repercus- são planetária garantida. É importante ser admirada da ponta do chapéu ao bico do sapato. industrial e distribuídas nas lojas por todo o mundo. A alta-costura serve para duas coisas: chamar a atenção do mundo todo para determinada marca e atrair a seus ateliês um punhado de clientes afortunadas. legitima seus preços. cosméticos e acessórios. vender bem ou mesmo passar despercebidas. de mostrar manequins com máscaras africanas. Ela teve papel chamam de savoir-faire – é levada ao extremo e pode fundamental na evolução da produção da moda. mostradas sempre em Paris.5 milhões de reais em um desfile de vinte minutos. de esbanjar virtuosis- mo e inventividade. É por isso que seus estilis- tas têm a liberdade de arriscar. tudo a preços olímpicos. Não as de alta-costura. A primei- ra função é de longe a mais importante. As coleções de prêt-à-porter. qualidade e luxo desenvolvidos pela alta- que depois das passarelas são replicadas em escala -costura. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 41 . alimenta-se das pesquisas nos laços. que tem características diferenciadas no corte e no caimento. vestes de faraós egípcios ou em trajes de mendigos. como se diz no jargão do mercado. sairia por oito vezes mais do que o custo do desfile – isso apenas nas revistas dos Estados Unidos. sem grandes consequências. a vitrine global e o momento máximo de au- tocelebração do mundo da moda. nas plumas. podem fazer sucesso. Os desfiles de alta-costura são o ápice da criativi- dade. no bordado. A esta altura todo mundo sabe que as grandes marcas de luxo vivem majoritariamente de vender perfumes. capazes de encomendar vestidos iguais ou inspirados nos dos desfiles. Mas apenas as duas de alta- -costura. e conta com produção em escala industrial. no acabamento. Só nelas a habilidade de fazer uma roupa artesanalmente – o que os franceses A alta-costura não assume apenas essas funções. As grandes grifes costumam apresentar entre seis e nove coleções femininas por ano. É por isso que as maisons chegam a gastar o equivalente a 3. A alta-costura alimenta a imagem de luxo desses produtos e. ressaltar que mesmo o prêt-à-porter. só que feitos sob medida para elas. e do ciclo da exclusividade.

Hoje. um dogma do ofício. em Paris.000 pessoas. a única maneira de garantir que o avesso será tão bonito e bem-acabado quanto o direito. o inglês Charles Frederick Worth abriu um ateliê na Rue de la Paix. Um mesmo vestido terá no máximo duas clientes. mas como geradora de dese- jos e promotora do consumo ela é imbatível”. O termo alta-costura é juridicamente protegido. A maioria sai com alguma coisa nas mãos – no mínimo um batonzinho. mulher de Napoleão III [terceiro]. Worth e seu filho criaram a Câmara Sindical e os requisitos para quem quisesse integrá-la. em Paris. 42 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . uma novidade. “A atividade alta-costura como venda de vestidos caríssimos para bailes que não existem mais é obsoleta. É também exclusiva. Em 1858. No sábado seguinte ao desfile de alta-costura do inverno passado. apenas a butique da Christian Dior na Avenida Montaigne. afirma o consultor de moda francês Jean-Jacques Picart. sempre de continentes diferentes. para ver seus vestidos em modelos de carne e osso. recebeu a visita de 5. criada no século XIX [19]. inventou tanto os desfiles de moda como a alta-costura. Cada peça é inteiramente feita à mão. Só pode dizer que a faz quem atende aos critérios estabelecidos pela Câmara Sindical da Alta-Costura. as maisons devem ter uma cota básica de funcionários fixos que se dedicam apenas à alta-costura e apresen- tar duas coleções por ano com no mínimo 25 modelos cada uma. Agora. Anos depois. Com isso. pedidos atendidos”. © Stephane Cardinale/People Avenue/Corbis/Latinstock ELEGÂNCIA NA ESTREIA Vestido da primeira coleção de alta-costura de Giorgio Armani: “Clientes não compravam porque queriam ajustes de tamanho ou de modelo. e convidou clientes como a imperatriz Eugenia. ou praticamente.

Ao contrário das roupas prêt-à-porter. ambos especializadíssimos e caríssimos. Seguem-se mais duas provas até a roupa ser entregue. como a rainha Sirikit. não há moldes de papel para orientar o corte. Só então o tecido definitivo será cortado e montado pelas costu- reiras. “Metade de nos- sas clientes é do Oriente”.000 reais – muitas vezes não cobre o custo dos materiais e da mão de obra (que inclui o estilista. A alta-costura é deficitária em várias maisons por- que o preço dos vestidos – de 35. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 43 . Pascal Morand. O exemplo mais recente foi o de Christian Lacroix. com 2. diz. “São ‘mãos’ diferentes: a costureira de um ateliê não é capaz de fazer bem uma peça do outro. três dias de recepções e trinta vestidos só para a noiva. em geral. e o tailleur. exis- tem dois ateliês. da Tailândia. A primeira prova é feita com o protótipo. “Se a cliente estiver sempre disponível para as provas”. que atende pessoalmente as 200 clientes habituais da Dior alta-costura. Pouquíssimas são as mulheres que. Mesmo o sucesso nessa área não garante a sobrevivência dessa espécie ameaçada. ele dava prejuízo na área de acessórios e prêt-à-porter e acabou vendido pelo grupo LVMH. podem encomendar 25 trajes num ano. Um tailleur demora 45 dias para ficar pronto. Nas maisons. Em geral.000 convidados. estima que nas poucas empresas em que a alta-costura resiste a atividade represente entre 2% e 3% do faturamento geral. preparado a partir das me- didas precisas da cliente. e vice-versa”. onde são feitos os trajes de noite. diretora de alta- -costura da Dior. sobretu- do vestidos. mãozinhas. que será interpretado pela funcionária chamada première de l’atelier num protótipo feito de tecido comum. economista e diretor do Instituto Francês de Moda. E raras são as oportunidades. chamadas de petites mains. A roupa é cortada e alinhavada di- retamente num manequim de madeira. como o casamento do rei do Marro- cos.000 a 350. o mestre da combinação de padronagens e das cores ibericamente fulgurantes. Embora as encomendas de vestidos de alta-costura fossem consi- deráveis. Ela e suas assistentes viajam constantemente com vestidos e protótipos de prova na bagagem. explica Catherine Rivière. claro). ressalta Catherine. O número de clientes de alta-costura de todas as grifes reunidas não é muito maior do que as 200 privilegiadas que fazem suas encomendas na Dior. o flou. para blusas e saias. a roupa nasce de um croqui.

o número de costu- reiras passa das setenta regulares para 100. a empresa suportou as contas no vermelho durante anos. Ainda assim. um único vestido foi trabalhado durante 450 horas pelas costureiras da casa e consumiu mais 350 para ser bordado no ateliê de monsieur Lesage. mestre das cores exuberantes: no fim da II Guerra. havia mais de 100 maisons que faziam alta-costura. © Philippe Wojager/Reuters/Corbis/Latinstock EXPLOSÃO NA DESPEDIDA O último desfile de Christian Lacroix. a noção de preço não faz parte do jogo. costuma dizer a presidente da Chanel. Nos dois meses que antecedem os desfiles. os ateliês das maisons param com as encomendas para se dedicar às roupas cujo único objetivo é deslumbrar. Ela é um monumento cultural que serve para encantar e aprimorar a moda. houve vinte desfiles em quatro dias. François Lesage. resume: “A alta-costura não é feita para vender. são menos de dez. cuja oficina de borda- do trabalha para os grandes criadores há quase 150 anos. é uma chance poder continuar mostrando toda a habilidade dos ate- liês e realmente deixar a imaginação voar”. Neste ano. aguardando o retorno indireto. No último desfile Chanel. No fim da II Guerra Mundial. Françoise Montenay. hoje. havia 100 casas que faziam alta-costura. “A alta-costura é o que justifica a so- fisticação do nosso prêt-à-porter”. Hoje são menos de dez. dezesseis em três dias. disse John Galliano a Veja. A cada véspera das 44 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Na Dior. só”. Em 2004. “A alta-costura é um laboratório onde testamos a viabilidade de novas ideias e técnicas. Com tantas maisons deixando a atividade.

nes- ta primavera europeia. que haviam sido obrigados a comparecer vestidos de preto. maio 2005. que é dono de sua própria marca. surgiu nas revistas e em outdoors a nova publicidade do per- fume Chanel nº 5. Emanuel Ungaro. bancado pelo grupo Hermès. Lacroix. O estilista italiano.abril. O mais recente membro é Jean-Paul Gaultier. Disponível em: <http://veja. disse que decidiu se lançar na alta-costura porque via vestidos caríssimos e sofisticados não serem vendidos em suas lojas. Donatella Versace. com Nicole Kidman posando de diva. Flávia: Vitrine global da fantasia. que começou a mostrar sua alta-costura em 1997. um colo menos decotado. Hanae Mori. provocaram um tsunami humano para fotografá-la. os pilares do setor são Chanel. E foram muitas recentemente: Yves Saint Laurent. “Elas não compravam porque pre- cisavam de ajustes de tamanho ou queriam uma manga diferente. Os fotógrafos. semanas de desfile. sob medida. E agora. Agora. Givenchy. VARELLA. Acesso em: 8 jan. Além de chamar atenção e despertar desejos consumistas.br/especiais/estilo_2005/p_040. os desfiles servem para apresentar o tema em torno do qual uma grife vai de- senvolver suas linhas de prêt-à-porter e acessórios e até sua estratégia de marketing para a estação. muito provavelmente será o próximo. O desfile de estreia de Giorgio Armani neste ano foi visto como uma lufada de esperança. que faz alta-costura há meio século e é um dos poucos para quem os vestidos sob medida representam uma atividade importante mesmo financeiramente. dentro da visão prá- tica do estilista – custarão. sem nada da “maluquice” das passarelas. Balmain. Karl Lagerfeld convidou Nicole Kidman para assistir ao des- file. Veja: Edição Especial Moda & Estilo. entre 60 000 e 200 000 reais. por exemplo. Pouco depois. Agora faremos como for pedido”. No ano passado. Um bordado em canutilhos e miçangas. 2013.com. elegantes e perfeitamente usáveis”. Cada desistência é contabilizada como uma pá de cal. html>. explicou Arma- ni. mesmo havendo clientes que os adoravam. Os 32 modelos mostrados – na maioria “glamourosos vestidos em rabo de peixe. câmeras e bustos de fotógrafos. as vitrines da loja estão decoradas com uma manequim cercada de flashes. com nova direção. Dior e o italiano Valen- tino. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 45 . Tudo bem pensado e planejado. pode virar uma estampa de blusas prêt-à-porter. assediada por paparazzi (e caída nos braços de Rodrigo Santoro). a imprensa de moda faz reportagens sobre a crise da alta-costura e se pergunta se ela está acabando.

Alta-costura Prêt-à-porter 46 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . por que algumas grandes grifes ainda apostam na alta-costura? c) Escrevam com suas palavras as características da alta-costura e do prêt-à-porter. Terminada a leitura. respondam às questões a seguir. a) Quais são as etapas apresentadas no texto para a criação de peças de alta-costura? b) Na opinião do trio. Nome Como se fala Petites mains Petite mãn Flou Flu Tailleur Taier 2.

Embora cada uma das partes seja inde- pendente. você estudou as diferenças entre o que é moda e o que é vestuário. bordado etc. o estilo permanece”. como você já viu. mas em todas as situações que vivemos e estreitamente ligada aos costumes e aos fatos. grande criadora de moda do século XX (20). modelagem. Atribui-se à estilista a frase: “A moda muda. Podemos também dizer que a moda acompanha pensamentos. Conheceu também a história e a evolução desses conceitos até o final do século XIX (19). Para aprofundarmos a compreensão do que é moda. mas agora discutindo o que é estilo? Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 47 . umas dependem das outras para que o sistema funcione completamente. Isso quer dizer. que a moda se transforma de tempos em tempos em relação ao lugar e às pessoas. desejos e expectativas de determinada época. Unidade 2 A moda no século XX (20) Na Unidade 1. é possível afirmar que ela é: • um sistema composto por várias partes: desenho. definia moda como algo que está presente não apenas nas vestimentas. Mas o que é estilo? Que tal realizar uma atividade semelhante à da Unidade 1. de certo lugar e de um grupo da sociedade. Gabrielle Bonheur Chanel (1883-1971). costura. Por exemplo: não existe a possibi- lidade de costurar uma roupa sem que ela esteja cortada. ou pode ser apenas: • o modelo da roupa que você escolhe de manhã para vestir. sentimentos. conhecida como Coco Chanel. Nesta Unidade será abordada a moda no século XX (20).

. o que é estilo? Escreva. Vamos recorrer ao dicionário para auxiliar na compreensão da palavra estilo: 48 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Em sua opinião. é revelado pela moda e acaba definindo um estilo. O que há de semelhante e de diferente entre sua resposta e a dele? Anote o que encontrou em comum entre elas. o que lhe vem à mente quando ouve a palavra estilo. Forme uma dupla e escrevam um parágrafo a partir da frase: Estilo é. Troque o que escreveu com um colega. Atividade 1 O que é estilo? 1.. em diversos lugares e épocas. 2. 3. Estilo O conjunto de transformações ocorridas em grupos sociais. nas linhas a seguir.

Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 49 ..aulete. um objeto. falando ou escrevendo (esti- lo simples. bordados. estilo machadiano).] © iDicionário Aulete. afinal. 9. preferências etc. pl. o que é estilo? Podemos dizer que estilo é o conjunto de características de uma pessoa. um ritmo etc. e a ênfase pelos modelos que privilegiassem a “silhueta S”. Liter. Modo elegante e correto de escrever: O autor dessa crônica tem estilo. A moda está repleta de exemplos de estilo. Elegância. Maneira pessoal de dançarino. requinte. formas de comportamento. babados. uma música. 11. Modo de se expressar de uma pessoa. motivos florais. destacado apresentar o seu trabalho: o estilo de Tom Jobim. um artista ou determinada época ou movi- mento (estilo barroco. Pode haver um estilo único ou vários estilos em uma roupa. Art.com. tecidos leves.. Arq. próprios de um indivíduo ou grupo: Essa festa não é do nosso estilo. 2.. Conjunto de tendências. de preferência em tons pastel. Conjunto de características que marcam determinada manifestação cultural (estilo funk). 8. <www. estilo elegante). Conjunto de características que identificam e diferenciam uma obra. uma época. jornalista. por exemplo. 10. um lugar. Vamos observar agora os estilos de moda ao longo da história do século XX (20). esportista etc. Mús. charme: Essa roupa tem muito estilo.br> Mas. Estilo 1. [.. Início do século XX (20) As características mais marcantes das roupas das primeiras décadas do século XX (20) sofriam muita influência da Belle Époque (ou Estilo Eduardiano): saias e vestidos longos.] 7. [. cantor.

Nessa época. na opinião do grupo. Casacos de peles. altamente criticados na atualidade em razão dos movimentos de proteção aos animais. caracterizado por elevadas temperaturas? c) O uso de peles é questionado pela sociedade? Por quê? 50 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . observando o roteiro a seguir. Atividade 2 P eles de animais 1. façam uma pesquisa na biblioteca e na internet sobre o uso de peles na moda. o uso de peles é adotado no Brasil. a) Em que período o uso de peles tornou-se moda? b) Por que. há uma popularização do uso de peles de animais. Em grupo de cinco pessoas. que tem um clima tropical. por exem- plo. punhos e forros de mantôs e de casacos. que passam a fazer parte de golas. foram moda e objeto de desejo de muitas pessoas até os anos 1970.

a resposta do poder policial. greve de fome) e. tipo paletó) e por roupas mais práticas. Paris. em consequência. 2004). em busca de emancipa- O filme Anjos rebeldes (Iron Jawed ção e direitos políticos. nome dado às participantes do movi- mento. No Brasil.O movimento sufragista No final do século XIX (19). que retrata a luta das mulheres direito. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 51 . empregadas (passeata. Ilustração publicada em Le Petit Journal. Algumas. apresenta como elas se organizaram. 1908. A toda essa ação deu-se o nome de movimento pelo direito ao voto. foram pioneiras também na moda do período: substituíram vestidos delicadíssimos pelo tailleur (con- junto de saia e casaquinho. começaram a reivin- dicar o direito ao voto e. Como você já observou na Unidade 1. as sufragistas. a moda sempre acompanha os acontecimentos da sociedade. Era um passo para a luta pela igualdade. direção de Katja von Garnier. como Nova Zelândia e Inglaterra. saíram às ruas para exigir esse Angels. no Estado do Rio Grande do Norte. Portanto. procuraram garan- tir maior participação política. em 1927. com isso. mulheres de alguns países. Inglaterra. as estratégias sufragista. o primeiro município a conceder um título de eleitor a uma mulher foi Mossoró. © Heritage Images/Corbis/Latinstock Manifestação de sufragistas em Londres.

dos Unidos da América. lia) e o general Francisco Também na área da indústria e Franco (Espanha). engenheiro mecânico. organização do trabalho. muitos deles contraditórios. Seu pensamento sobre a organização do rioridade marcavam o na. Em resumo: a felicidade era ba- seada no consumo. A prosperidade dos anos 1920 criou um clima de confian- ça na economia tanto nos Estados Unidos da América como na Europa – nesta. a partir de cerca de 1925. A 2ª Guerra Mundial (1939-1945) envolveu Eu- ropa. nasceu nos Esta- ideias de racismo e supe. a Eu- A 1ª Guerra Mundial ropa procurava se recuperar da devastação da 1a Guerra (1914-1918) contou com a Mundial. por isso planejou o primeiro carro popu- lar da história: o Ford T. a disseminação do uso da energia elétrica co. mais o tempo de produção. A década de 1920 foi repleta de acontecimentos impor- flitos armados que aconte- ceram em dois momentos: tantes. mas participaram efetiva- mente do conflito apenas em 1917. Ford constatou. todas elas cronometradas. sofrendo com crises de abastecimento de ali- união de países e impé- rios. de se produzir em menos tempo. De outro. Os Estados Unidos da América alimentavam a em larga escala por indústrias e residências possibilitou guerra com armamentos uma série de inovações tecnológicas e a modernização e outros suprimentos. tendo como repre- sentante Adolph Hitler Essa organização do trabalho. da produção nas fábricas. como a França e os mentos. como você viu. aprimorou sua estratégia ao criar o que seria uma das maiores transformações no mun- do: a ideia do american way of life (estilo de vida americano). Ainda pensando na sociedade de con- sumo. que não adiantaria produzir mais sem aumentar o consumo. no pós-guerra. Ásia e África. trabalho influenciou a sociedade de maneira geral. os países ainda buscavam recuperar sua economia. dida em pequenas tarefas. já que nos primeiros anos da década. O saldo © Bettmann/Corbis/Latinstock seguindo os passos de Taylor. 52 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . De um lado. da guerra foram milhões Henry Ford (1863-1947) criou a de mortos e cidades em esteira mecânica e reduziu ainda ruínas. a produção na indústria que seus investimentos foi profundamente modificada com as novas formas de estavam em risco. ao perceberem Nos Estados Unidos da América. inflação e dificuldade de recuperação econômi- impérios russo e britâni. Anos 1920 Denominam-se Guerras Mundiais os grandes con. buscava o melhor modo (Alemanha). zismo. criada por ele. conhecidas como taylorismo. ca. Cada etapa da produção era divi- com Benito Mussolini (Itá. As Frederick Taylor (1856-1915). no entanto. e o fascismo.

elas perderam valor. altos investimentos em ações na bolsa de valores e lucros exorbitantes com a compra e a venda de papéis – ou seja. assim como a própria experiência da guerra. foi acompanhada de um forte movimento cultural e estético. milhões de ações foram postas à venda. A recuperação econômica da Europa e a consequente prosperidade. eram símbolos da cultura afro-americana. sem pro- duzir bens ou serviços –. como não havia compradores. lançando desespero a vastas camadas da sociedade estadunidense. A miséria atingiu as cida- des e os campos. despedidos. atingindo quase toda a Europa entre 1929 e 1933. nos anos 1920. Na música estaduni- dense. com a redução na produção de aço. como o jazz e o blues. Em 24 de outubro. a economia estadunidense começou a dar sinais de crise. o charleston levou para os salões o despojamento e a liberdade. Na dança. A lógica do consumo desenfreado nos Estados Unidos da América. Embora tenha tido início nos Estados Unidos da América. Muitas empresas foram à falência e milhares de trabalhadores. porém. por exemplo. Tal crise se alastrou dos bancos à produção agrícola e industrial. Iniciou-se uma ampla venda de ações. até então. No início de 1929. a crise se estendeu para vários outros países. mas. forma- ção de novos hábitos e valores nas sociedades – em consequência. novas necessida- des de atividades culturais e artísticas. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 53 . levaram a um período de busca da liberdade. movimento que culminaria na cha- mada Quinta-Feira Negra. Esse perío- do ficou conhecido como a Grande Depressão. levariam a consequências desastrosas. ganharam destaque ritmos que. entre elas a moda. © Bettmann/Corbis/Latinstock Dançarinas de charleston.Nos Estados Unidos da América. embora aparentando um momento de grande progresso. na indústria da construção civil e na venda de auto- móveis. quebrando a bolsa de valores de Nova Iorque.

1930. jornalista. seriam o próprio espírito da era do jazz. direção de Woody Allen. professora. c. espontâ- Gatsby (The Great Gatsby. Surgiu a figura das melin- drosas. as produções de Paul Poiret (1879-1944). por igualdade pelos direitos ao voto e ao divórcio. As mulheres lutaram. Meia-noite consideradas mulheres modernas: fumavam em público. Fotos: © Underwood & Underwood/Corbis/Latinstock Paul Poiret ajustando uma de suas Melindrosas dançam em parapeito criações. uma mulher se destacou nesse período: Patrí- cia Rehder Galvão (1910-1962). escri- tora. Na moda. feminista. de prédio. 54 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . 2011). Nos salões se dançava de maneira descontraída. direção de Michel Hazanavicius. Pagu integrou o movimento antropofágico. No Brasil. a Pagu. ainda que não tenha participado da Semana de Arte Moderna de 1922. apenas 12 anos. mulheres que adotaram essa forma de vestir e Embora inúmeros filmes tenham passaram a usar cores fortes na maquiagem (algo antes retratado esse período. presa diver- sas vezes. direção de Jack Clayton. 2011). tornando-se musa dos modernistas. libertária. então. tradutora. As melindrosas eram Artist. com o movimento sufragista. 1974). você pode assistir a estes: O artista (The restrito a atrizes e prostitutas). pois tinha. nea. Coco Chanel e Jeanne Lanvin (1867-1946) deram origem a um novo conceito. militante do Partido Comunista. diretora teatral. ao lado do casal formado pelo escritor Oswald de Andrade (1890- -1954) e pela pintora Tarsila do Amaral (1886-1973). e O Grande comportavam-se de forma mais livre e natural. com o fim dos espartilhos e do enorme volume dos vestidos. em Paris (Midnight in Paris. e o cinema produ- zido em Hollywood fazia enorme sucesso.

as exposições de obras de arte e os esportes também ganharam projeção e se popularizaram. e a mulher começou a se vestir de forma mais confortável. Com o surgimento dos filmes sonoros e a construção de salas apropriadas. encurtado até os joe- lhos. de 2012. c. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 55 . a chamada sétima arte se popu- larizou. Os tecidos empregados eram leves e com movimento. A liberação do uso de espartilhos pôs fim ao sacrifício imposto pelos trajes. passando a fazer parte da vida de um número cada vez maior de pessoas. o cinema era a principal influência.O cinema. longos colares de contas e cabelos curtos complementavam o visual da moda usada nos salões. 1928. que combinavam com o charleston. Coleção primavera-verão Modelo do estilista Lucian Lelong. A moda nos anos 1920 No mundo da moda. e as roupas não ressaltavam mais as curvas femininas. Outra característica marcante que influenciou a moda foi a emancipação feminina. e as meias cor da pele garantiam o frescor dos trajes. a dança em voga. O comprimento das saias subiu. O padrão de beleza feminino também se transformou: seios e quadris pequenos eram o ideal de beleza. o teatro. Estilo anos 1920 © Condé Nast Archive/Corbis/Latinstock © WWD/Condé Nast/Corbis/Latinstock Desfile da grife Gucci. Chapéu.

Peça de vestuário feita em moulage por Madeleine Vionnet. consistia em modelar Corte enviesado: Corte do o traje diretamente no corpo das clientes ou em bonecas de tecido no sentido diagonal. com que a peça tenha maior © Condé Nast Archive/Corbis/Latinstock elasticidade. foi chamada de “purista da moda”. concedendo à roupa caimento diferenciado. mas faz são até hoje expostas em museus de arte pelo mundo afora. a fim de conferir e garantir o efeito da roupa. Sua criação mais conhecida até hoje é. sempre tendo como referência madeira. o moulage (“mode- lagem”. Os especialistas em confec- ção de roupas consideram que o moulage torna mais fácil a realização do molde bidimensional ou plano. essa razão. fala-se “mulage”). na cor preta. em francês. Madeleine Vionnet Essa estilista inovou com o corte enviesado. Por a ourela. fornecendo um toque de praticidade às vestimentas. Sua técnica. Coco Chanel Essa estilista captou o clima de emancipação feminina presente na sociedade da época. 56 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Duas grandes estilistas marcaram o período: Madeleine Vionnet (1876-1975) e Gabrielle Coco Chanel. pois seus modelos davam maior liberdade de movimento às mulheres. que garantia aos vestidos melhor caimento. região das bordas. provavelmente. o “pretinho básico”: um vestido simples. pois permite perceber an- tecipadamente os proble- mas que a construção da peça pode apresentar. e suas criações Esse tipo de corte consome o dobro de tecido.

você pode conferir a mais famosa adaptação do pretinho básico de Chanel. Modelo vestindo tailleur Chanel em desfile. A ideia original do “pretinho básico” era usá-lo com acessó- rios. Coco Chanel faz ajustes em um modelo. © Douglas Kirkland/Sygma/Corbis/Latinstock Em Bonequinha de luxo (Breakfast at Tiffany’s. 2009).que pode ser usado em diferentes ocasiões. dando-se especial atenção aos decotes nas costas. estrelado por Audrey Hepburn. De 1930 a 1949 Nessa época. Chanel foi tão importante no mundo da moda que foram feitos alguns filmes para retratar sua vida. pelo estilista Givenchy. adaptando-o à ocasião. Coleção outono-inverno de 2011/2012. direção de Blake Edwards. • Coco Chanel & Igor Stravinsky (direção de Jan Kounem. 1961). 2009). direção de Anne Fontaine. o comprimento dos vestidos voltou a ser alterado: saias até o meio das canelas durante o dia e longas à noite. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 57 . 1962. © Condé Nast Archive/Corbis/Latinstock © Hendrik Ballhausen/dpa/Corbis/Latinstock Desfile da grife Chanel por Karl Lagerfeld. Conheça mais sobre essa grande estilista assistindo a: • Coco antes de Chanel (Coco avant Chanel.

duas décadas após o final da 1a Guerra. 58 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Em 1947. voltou a colocar o mundo em estado de apreensão e dificuldade econômica. Coleção outono-inverno de 2009/2010. Em razão disso. esse fato influenciou o surgimento de novos modelos: menos tecidos e aviamentos passam a ditar a moda do período. Christian Dior (1905-1957) criou um conjunto de saia e blusa conhecido como New Look. marcando novamente a cintura e valorizando as formas do corpo feminino. As mulheres foram chamadas para compor o mercado de trabalho e ocupar vagas anteriormente preenchidas por homens. adotavam roupas mais práticas e cores mais sóbrias e escuras. Desfile da grife Chanel. A falta de ali- mentos e outros produtos atingiu também a indústria têxtil. Terminada a 2a Guerra Mundial. sobretudo seios e quadris.O início da 2a Guerra Mundial. Como já era esperado. 1945. Estilo anos 1930 a 1949 © Genevieve Naylor/Corbis/Latinstock © Stephane Cardinale/People Avenue/Corbis/Latinstock Modelos com conjuntos de flanela cinza. a alta-costura voltou a ter espaço.

que iniciava. assinada por Alceu Penna (1915-1980). preci- sava-se de um profissional mais especializado. uma das principais revistas de informação e variedades do País. assim. as maisons prevaleciam no mercado da moda e ampliavam seus domínios desenvolvendo outros produtos. enquanto. Tratava-se da coluna “As garotas do Alceu”. figurinista e ilustrador. como acessórios e perfumes. para a confecção de uma saia. não apenas cores. © Bettmann/Corbis/Latinstock Conjunto criado por Christian Dior em linhas New Look. que se ampliava. que visava reduzir os custos de produção. vivenciando uma significativa contenção do mercado. apresentando desenhos de pessoas vestidas com o que seriam os últimos lançamentos. Para produzir um vestido. era possível ser menos exigente em termos de qualificação profissional. Ao final da guerra. O Cruzeiro. à perfeição. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 59 . iniciou a publicação de uma seção voltada à moda feminina. em 1938. pois era impossível competir com a indústria de confecção. No final da década de 1930. Até esse momento. contudo. mas até mesmo texturas e tramas dos tecidos. desenhista. A criação da moda “duas peças” estava estreitamente ligada ao espí- rito do prêt-à-porter (que você viu brevemente na Unidade 1) e da fabricação da época. Christian Dior foi o primeiro a perceber essas mudanças e transformar seu negócio rapidamente. essas casas especializadas viram seu crescimento desa- celerar. mostrando com seus traços. tal a qualidade de sua arte. uma longa carreira de 28 anos.

recebendo inúmeros prêmios. Croquis. incontáveis ilustrações para capas e artigos de revistas. como política. inclusive para Carmen Miranda (1909-1955). o que levou a publicação a se tornar referência para as jovens mulheres que se carac- terizavam como modernas. Fotos: © Paulo Savala Alceu Penna. Alceu Penna desenhou figurinos e estampas para desfiles realizados no País e no exterior. Con- feccionou ainda fantasias para bailes de Carnaval e figurinos para escolas de samba. cartazes e livros (em particular. os infantis).Ele também abordava na revista outros temas. Alceu Penna. 60 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . esportes e cinema. Coleção Cyro del Nero. Fez cenografia e figurinos para shows e teatro. trabalhando para a indústria têxtil. Croquis. Coleção Cyro del Nero.

no século XIX (19). um jovem imigrante ale- mão que vendia lona para carroças. menos rígida. fibras mais flexíveis. tituído por sarja de algo- dão. aos poucos. tentes. com tingimentos diversos. Ele surgiu • twin-set (fala-se “tuin sét”. © Condé Nast Archive/Corbis/Latinstock © Bettmann/Corbis/Latinstock Você sabia? O jeans está presente ho- Saia lápis. como o godê. cigarrete. je em todos os lugares e praticamente em todas as São também característicos desse período: situações. teve a ideia de usar faroeste (nosso atual jeans). Como você pode observar. e a largura pode variar: da saia lápis. mas não foi sempre assim. mais justa ao corpo. O tecido foi subs- • camisetas. conjunto de blusa e casa. os seios volu- mosos e os quadris são os pontos mais valorizados nesse estilo. capri. a cintura fina e marcada. Saia godê. • lenços na cabeça e no pescoço. deu lugar a • blusões estilo perfecto. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 61 . a lona para confeccionar calças.De 1950 a 1959 A moda do início da década de 1950 foi influenciada pelo estilo New Look. ao sentir que as • blusas frente única e tomara que caia. aos modelos mais amplos. roupas dos mineradores precisavam ser mais resis- • calças de diferentes modelos: corsário. O comprimento da saia é abaixo dos joelhos. quando quinho de mangas curtas. que. de Christian Dior. três-quartos ou compridas).

c. Você. como profissional da moda. Estilo anos 1950 a 1959 © Condé Nast Archive/Corbis/Latinstock © William Perlman/Star Ledger/Corbis/Latinstock Saia rodada com padronagem de inspiração Desfile da grife Oscar de la Renta. É comum na atualidade a promoção de festas e bailes temáticos inspirados nos anos 1960. As mulheres avançavam na conquista de maior liberda- de e igualdade de direitos. © Condé Nast Archive/Corbis/Latinstock © Album/akg-images/Latinstock Calça capri clássica. precisa ficar atento a esses detalhes.Veja a seguir alguns exemplos desses modelos. O mundo vivia a descoberta de novas tecnologias e a conquista do espaço com a chegada do homem à Lua. 62 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . outono-inverno de 2006. e os reflexos foram sentidos na moda. Anos 1960 Essa década transformou costumes e hábitos. Coleção chinesa e casaquinho de cetim forrado. Calça faroeste. 1953.

trazida pela loja inglesa Biba. diz-se que teria sido convidado. Mulheres que costumavam adquirir seus modelos em Paris. que provocou uma verdadeira revolução. tratava-se de uma moda que não retratava a feminilidade tradicional. essas mudanças foram traduzidas em um vestuário de silhueta cilíndrica e um tanto andrógina.Na moda. abrir seu ateliê de costura: Dener – Alta-Costura. um gênio da alta-costura e o primeiro brasileiro a utilizar o próprio nome em sua grife. Embora haja controvérsias a respeito da invenção dessa peça. com André Courrèges (1923. a diversidade na maneira de se vestir deu o tom da moda. Na segunda metade da década de 1960. da estilista Laura Ashley (1925-1985). E. foram utilizadas. Viu-se nesse período uma revitalização de roupas antigas. pela primeira vez. a dirigir a Maison Dior após a morte de seu criador. como idade e físico. Foi também nesse período que se consolidou o prêt-à-porter. • a moda campestre. se não a criou. Com ele. certo teor adolescente. Dener sempre foi original em seus trabalhos. passaram a vir das ruas. com a valorização de brechós (lojas de roupas usadas). ou cópias desenha- das por modistas brasileiros. os anos 1960. nesse período. Muitas referências da moda. Na realidade. tendo concorrido até mesmo com Christian Dior. iniciou-se um estilo próprio da moda brasilei- ra. Todas as cores. passaram a comprá-los do ateliê de Dener. No Brasil. as roupas prontas vendidas em lojas com numeração definida. em vez disso. preto e prata. Surgiram então: • a moda étnica. Ganhador de prêmios nacionais e internacionais.). em pouco tempo adquiriu os conhecimentos dos quais necessitaria para. Detentor de enorme talento para o desenho e a criação de moda. • a moda safári. aliadas ao branco. sem dúvida foi quem a popularizou. roupas baratas e versáteis. do estilista Yves Saint Laurent (1936-2008). as conquistas espaciais inspiraram as coleções de roupas produzidas pelas confecções. e se recusado. foram uma época de ouro para um dos grandes nomes da costura brasileira: Dener Pamplona de Abreu (1936- -1978). e considerando o fato de o Brasil ser um país tropical. ela costuma ser atribuída a Mary Quant (1934.). criando modelos de acordo com as características de suas clientes. A partir de 1964. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 63 . ou seja. Um bom exemplo foi a minissaia. privilegiando. aos 19 anos de idade. em especial as fortes e vibrantes. que. grifes e confecções começaram a pensar em roupas diferenciadas para os jovens. e também a década seguinte.

promoveu desfiles e shows com músicos como Caetano Veloso (1942. com sucessivos lançamentos de coleções. entre eles Aldemir Martins (1922-2006).). Coleção primavera-verão de 2013. decidiu realizar uma série de campanhas para promover seu fio sintético. Reuniu os melhores artistas plásticos brasileiros para a criação de desenhos dos tecidos das coleções. Gal Costa (1945. empresa francesa instalada no País. Paco Rabanne (1934. De outro lado. uma das mais importantes indústrias químicas.).). a Feira Nacional da Indústria Têxtil (Fenit). Ted Lapidus (1929-2008) e Courrèges. o empresário Caio de Alcântara Machado (1926-2003) havia criado. A indústria têxtil Pouco antes da década de 1960. 64 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Desfile da grife Prada. Alfredo Volpi (1896- -1988) e Manabu Mabe (1924-1997). internacionalizando-se e sendo o grande momento da moda.) e Zimbo Trio. Além das feiras. ainda eram feitos editoriais de moda em viagens pelo mundo afora. Seleção Rhodia Têxtil e Brazilian Nature. Estilo anos 1960 © Bettmann/Corbis/Latinstock © WWD/Condé Nast/Corbis/Latinstock A modelo Twiggy. tecidos etc. que se tornou o mais importante evento da indústria têxtil e do vestuário. e também Pierre Cardin (1922. que desenvolveu as linhas Café. Os shows eram apresentados na Fenit como verdadeiras superproduções. Guy Laroche (1921-1989). Para o lançamento de suas coleções. em 1958. Entre os estilistas contratados para a realização dos modelos para os desfiles figuravam Dener. em 1966.

2013. das cores. 71-2.cnv. combatiam o racismo e as guerras. 2013. Sugerimos que você visite o Memorial da Resistência em São Paulo. 2013. Disponível em: <http://www2. torturas e mortes. memorialdaresistenciasp.uol. A imagem vendida do movimento hippie é de jovens drogados. São Paulo: Claridade. pois formaram profissionais. paz e amor.Esses desfiles. sem liberdade de expressão. Acesso em: 8 jan. Breve história da moda. pois o País vivia a ditadura militar. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 65 . poderá realizar uma visita virtual. em Berkeley. que analisa os documentos e fatos desse período. com. eram palavras- -chave desde a década anterior. seu lado mais vigoroso em geral não é ressaltado.br>. artístico e social que envolveu os anos 1960 continuou a in- fluenciar a moda dos anos 1970. Os inte- grantes desse movimento questionavam os valores da sociedade capitalista. presos políticos. Acesso em: 8 jan. © Ted Streshinsky/Corbis/Latinstock Hippies enfrentam a Guarda Nacional no campus da Universidade da Califórnia. sem dúvida. foram da maior importância no desenvolvimento da moda no País. 1969. Disponível em: <http://www. Fontes: POLLINI. Disponível em: <http:// www. Roberto. A moda hippie foi um espelho dessa tendência e abusou da irreverência. afastados dos problemas da sociedade e só pensando em “paz e amor”. PIRES. No entanto. Denise. dos desenhos geométricos e de motivos chamados de psicodélicos nos tecidos. E acompanhe nos jornais os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade. Fenit 40 anos: Deu jacaré na cabeça! Moda Brasil.br/>. Anos 1970 O movimento cultural. desenvolveram talentos e apresentaram soluções estéticas que pavimentaram a história da moda no Brasil. p.org. Liberdade. com forte repressão policial. entre outras.htm>.br/modabrasil/biblioteca/arquivo/fenit/index. a situação era ainda mais grave. Se preferir. 2007. No Brasil. Acesso em: 8 jan.gov.

A década de 1970 foi uma das mais diversificadas quando se pensa em estilos de vestuário. O estilo prático de vida trouxe força para as roupas mais esportivas. túnicas e pantalonas. adaptável ao dia a dia. míni. As saias ganharam todo tipo de comprimento: micro. A moda unissex – modelos iguais para homens e mulheres – ganhou força no guarda-roupa dos jovens. As roupas podiam ter estampas variadas ou mesmo um mix de estam- pas. mídi ou máxi. © Hudson Calasans Micro Míni Mídi Máxi 66 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . As características mais marcantes do período foram a consagração da moda unissex e o prêt-à-porter. que vinham se influenciando. com eles. cada vez mais. pelo estilo das bandas de música e imitando a maneira de se portar e de se vestir dos artistas preferidos. O jeans e a camiseta se popularizaram e.

mas ela jamais conseguiu provar que seu filho havia sido morto sob tortura. fez toda uma coleção de moda tendo como tema a repressão imposta pelos governos milita- res no período. não teve início com o desaparecimento de seu filho. ou Zuzu Angel. Seu filho. Nesse período. onde consolidou a carreira. Entre essas ações. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 67 . mais tarde. primeiro em Minas Gerais e na Bahia e. Ela então iniciou uma incansável busca por presídios e quartéis militares. Ela já estava presente desde quando começara a costurar. políticos e o então secretário de Estado dos Estados Unidos da América. Henry Kissinger (Stuart também tinha cidadania naquele país). além de apelar para a imprensa. Seus desfiles de protesto atraíram a atenção das imprensas brasilei- ra e estadunidense. no Rio de Janeiro. Coleção primavera- (à esquerda) e pantalonas pretas e camisa (à direita). contudo. porém. Na tentativa de resgatar o corpo desaparecido. destacou-se no País uma das principais estilistas da história da moda brasileira: Zuleika Angel Jones (1921-1976). Estilo anos 1970 © Bettmann/Corbis/Latinstock © WWD/Condé Nast/Corbis/Latinstock Modelos usam vestido com estampa de pele de leopardo Desfile da grife Oscar de la Renta. -verão de 2011. Ela mesma faleceu em um suspeito desastre de automóvel. A preocupação de Zuzu Angel em fazer um trabalho que fosse o retrato do Brasil. Nos anos 1970. seu filho Stuart foi preso e torturado por agentes da ditadura militar. ela conduziu uma investigação por conta própria. morreu em consequência da tortura.

Rio de Janeiro (RJ). Mais do que guardar a memória da obra de Zuzu. Disponível em: <http://www. no Rio de Janeiro. Zuzu Angel em seu ateliê. no Rio de Janeiro. cores tropicais e estampas que mostravam características do Brasil (com pássaros e flores). o IZA tem como objetivo divulgar e valorizar a moda brasileira. com. 2013. © Fernando Silveira/Museu de Arte Brasileira – FAAP Para saber mais sobre o IZA. consulte o site do instituto. c. havia criado modelos com rendas ce- © Acervo Instituto Zuzu Angel arenses. 68 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Zuzu Angel (direção de Sérgio Rezende. preso pela ditadura militar. 2006) comenta o trabalho da estilista e também sua luta para Vestido vermelho estampado com andorinhas pretas e bolero denunciar a tortura e a morte do filho com mangas. 1971-1975.zuzuangel. Instituto Zuzu Angel. a jornalista Hildegard Angel. Nos anos 1960. com a criação do Instituto Zuzu Angel (IZA). 1960.br>. em vestidos inspirados nas perso- nagens do cangaço e nas saias largas e coloridas das pessoas que viviam nas áreas rurais do País. bem como chita e fitas. Acesso em: 8 jan. Zuzu Angel. As andorinhas revoam. Sua obra foi imortalizada pela filha.

estilistas orientais. em geral de espuma. futebol. como Yssey Miyake (1938.) e Rei Kawakubo (1942. chamados ombreiras. Estilo anos 1980 © Lawrence JC Baron/Demotix/Corbis/Latinstock © Condé Nast Archive/Corbis/Latinstock Desfile da grife Oscar de la Renta. Yohji Yamamoto (1943. Na Europa. de 2010. Coleção outono-inverno -inverno de 1988. bem como vestimentas usadas por músicos de bandas de rock. Esportes urbanos como basquete. Gravatas e camisas sociais acompanhavam o traje. Nos Estados Unidos da América. A moda para esse grupo era composta por ternos caros de marcas sofisticadas. ou “jovem profissional urbano”).). influenciaram a moda com outra proposta de estilo: roupas desestruturadas. Eles compunham um grupo de pessoas denominadas yuppies – termo que se originou da sigla inglesa YUP (young urban professional. também influenciaram a moda desse período.). surfe e skate. simplificadas e inspiradas em formas geométricas. homens e mulheres de classe média competiam de modo acirrado para ocupar cargos importantes nas empresas. Coleção outono.Anos 1980 A década de 1980 foi rica em descobertas e fatos marcantes que influenciaram a moda. de ombros estruturados com enchimentos artificiais. Desfile de Elio Berhanyer. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 69 .

• desenhem alguns modelos com o estilo predominante e organizem uma exposição para a turma. • apontem qual era a tendência da moda e dos estilos. observem o seguinte roteiro para a pesquisa: • escrevam um pequeno texto sobre os fatos históricos que aconteciam no Brasil e no mundo no período escolhido. organizem o trabalho de modo que cada trio escolha um período dife- rente para ampliar os conhecimentos da turma. Atividade 3 A moda no B rasil e no mundo 1. 2. Inc. © 2001 by Dover Publications. 1901 – Beer 1908 – Paquin 70 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Em trio. Galeria de estilos Início do século XX (20) Ilustrações: © 2001 by Tom Tierney. Escolhido o período.

Inc. © 2001 by Dover Publications. 1922 – Patou 1923 – Madeleine Vionnet 1928 – Gabrielle Coco Chanel Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 71 .Anos 1920 Ilustrações: © 2001 by Tom Tierney.

De 1931 a 1940 Ilustrações: © 2001 by Tom Tierney. Inc. 1931 – Paquin 1934 – Madeleine Vionnet 1937 – Elsa Schiaparelli 1940 – Elsa Schiaparelli 72 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . © 2001 by Dover Publications.

De 1941 a 1950 Ilustrações: © 2001 by Tom Tierney. 1947 – Christian Dior De 1951 a 1960 1952 – Jacques Fath 1953 – Hardy Amies 1958 – Gabrielle Coco Chanel Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 73 . © 2001 by Dover Publications. Inc.

Inc.De 1961 a 1970 Ilustrações: © 2001 by Tom Tierney. © 2001 by Dover Publications. 1965 – Yves Saint Laurent De 1971 a 1980 1975 – Laura Ashley 1977 – Kenzo 74 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 .

De 1981 a 1990 Ilustrações: © 2001 by Tom Tierney. © 2001 by Dover Publications. Inc. 1985 – Gianfranco Ferré De 1991 a 2000 1995 – Thierry Mugler 1997 – Giorgio Armani 1999 – Ralph Lauren Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 75 .

comentando como foi o processo. pesquise. costureiro ou modelista brasileiro. 76 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Recorte ou imprima as imagens. Prepare com os colegas uma exposição dos cadernos criados. em diferentes revistas de moda ou na internet.) • Fause Haten (1972. que tomem emprestadas características de algum estilo e (re)elaborem uma nova concepção para a moda.) • Carlos Miele (1964. Cada trio pesquisará um nome de estilista. Galeria de criadores no Brasil Vimos alguns nomes brasileiros que se destacaram na produção do vestuário. entre eles: • Alexandre Herchcovitch (1971. roupas que possuam alguma referência na história da moda.) • Lino Villaventura (1951. ou seja. costureiros e modelistas se destacaram e vêm se sobressaindo no Brasil e no exterior.) • Reinaldo Lourenço (1960.) • Ronaldo Fraga (1967.) Atividade 5 D estaques brasileiros 1. 2. que poderá ser complementado pelo monitor: a) Qual foi a trajetória profissional de . Com elas. Para ampliar seu conhecimento na área. Atividade 4 C riando seu caderno de estilos 1. observando o roteiro a seguir. como Dener Pamplona de Abreu e Zuzu Angel.) • Jum Nakao (1966.) • Clô Orozco (1950. Forme um trio. Outros estilistas. crie seu acervo pessoal.) • André Lima (1971.

a maior parte é folgada ou justa)? Essas perguntas servem como um primeiro contato com seu estilo. já deu para perceber como a moda é cíclica. Atividade 6 R eflexão sobre estilos 1. no laboratório de informática. Com o que você viu até este momento do curso. quem sabe. Cada trio deverá organizar uma exposição. responda ao questionário a seguir. ou seja. A ideia agora é reforçar ainda mais os conhecimentos sobre estilos. Sim Não Você sempre penteia e corta o cabelo da mesma maneira? Você sempre faz o mesmo caminho para ir aos lugares que conhece? Você sempre usa o mesmo perfume? Suas roupas têm uma cor predominante? Suas roupas possuem o mesmo formato (por exemplo.b) Analisem as produções desse profissional e discutam: • Os modelos que ele produz e produziu sofreram influência de algum período histórico? Qual? • Os modelos sofreram influência de outros estilistas e costureiros? Se sim. Ou ainda. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 77 . Para aprofundar seus conhecimentos sobre estilos. 2. Ela poderá ser elaborada em forma de cartazes ou apresentada no computador. desenvolvido pelo Jornal Hoje. as tendências voltam com o passar do tempo. respondendo às perguntas a seguir. de quais? 2. organizar um desfile com a confecção de algumas peças em papel ou material descartável. Reflita sobre as opções que você faz para compor o próprio estilo.

gosto de qualidade e espero até encontrar o perfeito. adoro lançamentos. feiras de artesanato. nas revistas. 78 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 .. não gosto de perder tempo. gosto de escolher uma cor e variar as diferentes tonalidades dela em roupas e sapatos. independentemente da moda. c) Combinações de tons diferentes de uma mesma cor. O seu estilo pessoal predominante também se revela na hora da compra! Como você gosta de fazer as suas compras? a) Compro quando preciso. c) Compro pensando em atualizar o que já tenho. f) Adoro lugares alternativos. pois adoro o incomum. O seu estilo pessoal predominante se revela nas escolhas de com- binações de cores. gosto de facilidades. 3. f) Não tenho preferência de combinações. não gosto de perder tempo pensando em combinações. 1. b) Faço compras planejadas. brechós. pois não gosto de grandes contrastes. d) Adoro ir às compras. b) Combinações bem certinhas. gosto de qualidade e atualidade. 2. h) Compro só o que me chama a atenção.. h) Faço combinações que chamem a atenção. g) Compro o que está nas vitrines. e) Adoro comprar peças que valorizam o meu corpo independentemente da moda. compro por prazer e adoro tudo que tenha muitos detalhes. cada dia combino de um jeito. Teste de estilo pessoal predominante Assinale uma resposta para cada pergunta. Você escolhe certos tecidos principalmente porque eles. gosto de combinar tudo ao máximo. nas novelas. O seu estilo pessoal predominante se revela nas características do tecido das suas roupas. quais são as suas combinações de cores favoritas? a) Combinações simples. gosto do efeito. Pensando no seu dia a dia. pois gosto de ver meu corpo bonito. e) Combino só o que valoriza o meu corpo. gosto de seguir as tendências. g) Faço as combinações da moda. d) Combinações delicadas em cores suaves. pois gosto de grandes contrastes. conforme o meu estado de espírito.

e) Se ajusta perfeitamente ao meu corpo. b) são de excelente qualidade. cintos. óculos de sol. Como é a sua roupa preferida? a) Prática.. d) Repleta de detalhes delicados. Então. anéis. pulseiras. carteiras. O seu estilo pessoal predominante se revela na roupa que você mais gosta de usar no dia a dia. c) notáveis. f) Diferente. g) O último lançamento da estação. b) Atemporal. gravata.. f) são interessantes. e) são perfeitos no corpo. você diria que eles são em sua maioria. h) causam um efeito poderoso. a) simples. g) são atuais. O seu estilo pessoal predominante também se revela nos seus acessórios (bolsas. lenços. 4. a) são fáceis de cuidar. óculos de grau. 5. b) clássicos. colares. c) são sofisticados. echarpes). Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 79 . d) são delicados. brincos. h) Impactante. se você tivesse que mencionar uma característica para os seus aces- sórios. pastas. c) Clássica renovada.

assim. 80 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . d) São essencialmente mimosos. b) Dou atenção à qualidade e à durabilidade das peças. atualizando tudo. O seu estilo pessoal predominante também se revela na forma como você cuida do nosso planeta. g) São essencialmente lançamentos. ajudo o planeta assim. c) São essencialmente sofisticados. faço doações de boas peças. então. f) diferentes. f) Compro em feirinhas. d) delicados. ajudo o planeta assim. h) São essencialmente divertidos. O seu estilo pessoal predominante se revela também nos calçados que você mais gosta de vestir. b) São essencialmente duráveis. h) impactantes. 6. Como são seus sapatos preferidos? a) São essencialmente confortáveis. e) insinuantes. brechós. 7. e) Procuro manter o meu corpo equilibrado para vestir bem tudo o que tenho. Então pergunto: como você cuida do nosso planeta através das atitudes com o seu guarda-roupa? a) Costumo ter pouca roupa e uso muito tudo o que tenho. f) São essencialmente diferentes. quando compro algo novo. e) São essencialmente perfeitos para o meu corpo lindo. d) Gosto de detalhes. g) atuais. c) Gosto de atualizar. reciclo usando as mesmas peças de forma diferente. invento formas de disfarçar o velho ou o manchado costurando minhas roupas ou fazendo pequenas reformas.

Tecidos: sedas. tecidos sem brilho. bolsas grandes [em] que cabe tudo. A palavra-chave é: atemporalidade. linho. Respostas: Verifique qual a letra que você mais marcou – ela corresponde ao seu estilo pessoal predominante (válido para homens e mulheres): • Letra A – Estilo esportivo • Letra B – Estilo tradicional • Letra C – Estilo elegante contemporâneo • Letra D – Estilo feminino romântico • Letra E – Estilo sexy • Letra F – Estilo criativo • Letra G – Estilo moderno • Letra H – Estilo dramático Conheça um pouco sobre o seu estilo predominante: Estilo esportivo. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 81 . Bolsas e pastas: estruturadas. de couro. caxemira. Bolsas e pastas: mochilas. Sapatos: sempre confortáveis. linha comfort. Peça essencial: uma boa camiseta. alças cruzadas no corpo. a ideia é tudo para durar muito tempo. bege e preto. h) Cuido de tudo o que tenho porque é raro encontrar as peças exóticas que possuo. fibras naturais. Cores: combinações sóbrias – marinho. de exce- lente qualidade. Acessórios: sempre de excelente qualidade. Tecidos: algodão. saltos grossos. mas também pode ser um bom jeans. então faço muitas doações ao longo do ano porque compro sempre muito. crepes. A mensagem básica do estilo: casual. cinza. Cores: cores primárias e combinações simples. Sapatos: tradicional. veludo. a ideia é sempre de praticidade. solado de borracha. de saltos baixos. de mão. sacos. Peça essencial: blazer clássico. Estilo tradicional. gabardines. nada ostensivos. A mensagem do estilo tradicional é: conservadoris- mo. A palavra- -chave: conforto. g) Preciso estar com a última tendência. Acessórios: são simples. nylon.

Estilo sexy. microfibra. Estilo dramático. usa tudo. Aces- sórios: tudo muito tipicamente feminino – laços e flores. cetim. Estilo elegante. sedas. molengas ou estruturadas. verde-clari- nho. Acessórios: tudo impactante. Sapatos: tudo que deixe o corpo bonito. preto com branco. que tenha algo de inusitado. gosta da liberda- de. prateado. vermelho-forte. xantungue de seda. Bolsas: de tecidos. turquesa. dourado. vermelho-escuro. Peça essencial: qualquer coisa que cause um efeito. verde. A mensagem: chamar a atenção sem o apelo sexual. Palavra-chave: teatralidade. Palavra-chave: insinu- ar. saltos altíssimos e pontas. Acessórios: sempre com um toque de exagero e que valorize o corpo. ora! Tecidos: varia conforme o desejo e que ofereça a mistu- ra inusitada. bicolor. Estilo criativo. Peça essencial: camisa branca. Palavra- -chave: delicadeza. molengas. bege. Cores: não se prende a nenhuma cor. étnicos. Bolsas e pastas: enormes – com ou sem detalhes. Palavra-chave: originalidade. Tecidos: algodão natural. marrom. Palavra-chave: sofis- ticação. 82 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . branco. bronze. tamanho médio. diferente. materiais de couro e vernizes. tons de rosa. Peça essencial: jaqueta de couro e salto alto. A mensagem é: refinamento. Acessórios: sempre com um toque notável. A mensagem: usa o que sente vontade conforme o humor do dia. Sapatos: tradicionais com um toque de atualidade. mistura tudo! Sapatos: temáticos. azul-clarinho. brilho. Cores: grandes contrastes para chamar a atenção. A mensagem é: amabilidade. Estilo feminino romântico. Cores: combinações de baixo contraste – cinza. Cores: preto. Bolsas e pastas: vale tudo! Acessórios: têm sempre um toque exótico. crepe. podem ser étnicos e vintages. marinho. monocromáticas. bege. nada estruturadas. Sapatos: tudo com muitos detalhes e variados modelos. Cores: combinações de baixo con- traste. de qualidade. pink. branco. Bolsas e pastas: estruturada. microfibra. Bolsas e pastas: tudo que se molde bem ao corpo. Tecidos: algodão. Tecidos: não há nenhuma preferência. Peça essencial: colar de pérola. seda pura. A mensagem é: valorizar o corpo. funcional. Sapatos: criativos e ousados. crepe-georgete. Tecidos: tudo que valorize o corpo e que o deixe em evidência – lycra. de alças longas e de tamanho pequeno. bordadas. Peça essencial: depende do dia.

Vamos fazer agora uma reflexão sobre a moda contemporânea. 3. Pa- lavra-chave: atualidade. Acesso em: 8 jan. Sapatos. Cores: tudo o que a moda pedir no momento. mudança constante. Procure observar as pessoas na rua. Peça essencial: tudo o que está na vitrine e nas revistas de moda. responda individualmente às perguntas a seguir.html>.com/ jornal-hoje/noticia/2010/05/descubra-seu-estilo-pessoal. 2013. Jornal Hoje. a) Há uma tendência em termos de características e tipos de tecido? b) Há uma tendência em termos de cores e padrões? c) Há estilos predominantes? Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 83 . pastas e acessórios: abso- lutamente tudo o que a moda e a tendência pedirem para o momento! Descubra seu estilo pessoal.globo. Após essa observa- ção. Disponível em: <http://g1. Tecidos: a tendência do momento. bolsas. Estilo moderno. A mensagem: fashionista. olhar vitrines e pesquisar em revistas ou em sites de moda para elaborar um cenário das tendências da moda atual no Brasil.

d) Há o uso predominante de determinadas peças de vestuário? e) O que mais você pode acrescentar a esse assunto? 4. Procurem chegar a um painel que retrate da forma mais fiel possível a moda contemporânea brasileira. 84 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Agora apresente suas conclusões aos colegas.

Antes de discutirmos especificamente sobre a ocupação empreendedor Indivi. um produto e outra pessoa comprando-o. modificação de roupas com novos adereços. O mercado da moda O mercado da moda trabalha com um calendário preciso e ajustado às estações do ano. tudo o que se usa nessa indústria é fa- bricado de acordo com as estações do ano: • primavera. bordados etc.. ou a opção por ser um microempreendedor individual e se beneficiar da Lei do Microempreende- dor Individual (MEI). 2013. Unidade 3 Mercado de trabalho O mercado de trabalho para os profissionais da moda abrange várias áreas: indústrias de confecção. os tra. que você está aprendendo. Disponível em: <http://www. que. • inverno. comércio. modelagem ou. oferece serviços de repa- ros. ou seja. Acesso em: 8 jan. além da venda de roupas.gov. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 85 . • outono. Saiba mais sobre essa condição acessando o No mercado de trabalho. o que imaginamos? Alguém comercializando ria e à previdência social. • verão.portaldo empreendedor. ainda. empreendedor-individual>. Isso quer dizer que toda a cadeia produtiva da indústria da moda. a relação é semelhante: você Portal do Empreendedor. de contribuição ao INSS e ter direito à aposentado- flores etc. Você sabia? Segundo a Lei do Micro. seja ele de frutas. oferece suas qualificações profissionais ao empregador. é preciso entender o que é dual (MEI).br/mei-micro que compra sua força de trabalho. mercado de trabalho. balhadores por conta pró- pria podem recolher Quando pensamos em um mercado. criada pelo governo federal.. o trabalho por conta própria.

A cadeia produtiva da moda envolve: • obtenção. Museu Correr. Itália. • produção. pela indústria química. de fios e fibras. 79 cm x 102 cm. tecidos. está diretamente ligado ao assunto moda. para a posterior fabricação de tecidos. plásticos. © The Art Archive/Alamy/Other Images Você sabia? O nome de nosso País é derivado de pau-brasil. ár- vore cujo pigmento verme- lho é utilizado no processo de tingimento de tecidos. O termo Brasil. de pigmentos para fazer as tintas que tingirão fios. 86 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . 1730 (detalhe). couros. Óleo sobre tela. Insígnia da corporação dos tintureiros. fibras. botões e outros componentes da indústria da moda. Veneza. portanto. por essa indústria. © Salvator Barki/Gallo Images/Getty Images Seção de estamparia e tinturaria em uma fábrica têxtil.

com cores. fivelas etc. rendas. © Massimo Listri/Corbis/Latinstock Croquis com amostras de tecido. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 87 . • fabricação de aviamentos (elásticos.). fitas. texturas e caimentos apropriados para cada estação do ano e de acordo com as necessidades da sociedade em determinado momento. texturas e caimentos apropriados para cada estação do ano e de acordo com as necessidades da sociedade em determinado momento.• fabricação de tecidos. também com cores. pedrarias. • processo de criação das roupas. por Karl Lagerfeld. bordados. linhas. © Udom Jinama/123RF Máquina de tecelagem e urdideira. © Diomedia Fabricação de tecido. botões.

tecidos e roupas 88 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 .• processo de divulgação e comercialização das roupas. É importante perceber que esses números não contabilizam os que trabalham por conta própria ou são microempreendedores individuais. Todas as etapas. As exportações cresceram e as importações diminuíram.7 milhão de empregos diretos em cerca de 30 mil empresas. pois mais de sete em cada dez trabalhadores desse ramo são mulheres (75%). Como entender a indústria de vestuário no Brasil O Brasil é um país com amplo e diversificado território e conta com forte cadeia têxtil. tecidos e roupas.5 bilhões de dólares em 2010 para 67 bilhões de dólares. o fatura- mento da cadeia têxtil e de confecção saltou de 60. de alguma maneira. o investimento na área também foi ampliado. O Brasil ocupa o 21o lugar no mundo entre os expor- tadores de produtos têxteis. em 2012. © Paulo Savala Showroom de uma confecção. estão envolvidos na fabricação. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). que trabalham para o setor. Podemos entender como cadeia têxtil todos os profissionais e as indústrias que. Pode-se afirmar que esse é um setor da economia predominan- temente feminino. no beneficiamento e na venda de fios. além dos 8 milhões de empregos indiretos. do total de 1. Com esses números. as indústrias e todos os profissionais envolvidos na cadeia produ- tiva de moda estão em constante atualização. ou seja. que ofereçam um diferencial no mercado. linhas. e os principais produtos são fios. promovida pela pesquisa e pela busca incessante por produtos inovadores. gerando mais postos de trabalho.

e o quarto maior parque produtivo de confec- ção. Disponível em: <http://www.confeccionados de algodão. (que ocorre duas vezes ao Referências: Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de ano). dos trabalhos dos estilis- tas que serão comerciali- • detentora de grande potencial econômico. e. seguido por Rio de Janeiro. diretos e indiretos. reconhecido é uma semana destinada internacionalmente e gerador de emprego e de renda. banho e malharia do continente sul-americano. Global Language Monitor.asp?id_menu=1&id_sub=4&idioma=PT>. em 2012. sendo o terceiro maior produtor de malhas e o se- gundo na produção de jeans – nessa área. e são da diversidade cultural. a cada temporada Week. 2013. Na região Nordeste. Hoje. estão instaladas as indústrias produto- ras de jeans e de malhas. na cidade de São Paulo. site/navegacao. Acessos em: 8 jan. comporta- mento. à divulgação de tendên- cias de moda. cabelo.com/category/fashion/fashion-capitals/>. cores e formas. a sétima posição na lista mundial de capitais da moda elaborada pela Global Language Monitor (GLM). na região Sul. mais de 5 mil empregos languagemonitor. O País é ainda o quinto maior produtor têxtil do mundo.abit.br/ maior de investimentos. o Brasil despon- ta em pesquisas avançadas de novos tipos e composições. um número cada vez Confecção (Abit). gerando. maquia- • considerada pelo Ministério da Cultura como expres. pelo São Paulo Fashion moda no Brasil e movi- menta. como camisetas e tecidos felpudos. gem. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 89 . a indústria de moda e de confecção no Brasil é: São Paulo Fashion Week • idealizada para ser um grande negócio.org. a cada edição. por exemplo. Minas Gerais e Santa Catarina. zados e divulgados na estação seguinte. mesa. existe uma gran- de quantidade de empresas concentradas no Estado de São Paulo. A cidade de São Paulo conquistou. Disponível em: <http://www. Em São Paulo e no Rio de Janeiro encontram-se as in- dústrias de malharia e fábricas de lingerie (fala-se “lan- gerri”). No segmento da indústria de confecção. O crescimento da indústria de moda e do vestuário pode Esse é o maior evento de ser observado. encontra-se um dos maiores polos de artigos de cama.

Escolha e definição do tema da coleção: baseia-se A definição do tema da coleção na literatura consultada. com cerca de 5% de consumo de produtos de moda. 90 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . a diferença entre os uni- versos masculino e feminino não é tão grande como já foi. estilo e roupas – atendem ao seguinte processo de construção: 1. Processo de construção das roupas Para entendermos melhor o processo de construção das roupas. Quem consome moda no Brasil Quem mais consome produtos de moda são as mulheres. criadores de moda. livros. é importante saber que. desenhistas. sites etc. das estampas etc. lojas etc.). shopping centers. os profissionais da área – estilistas. Pesquisa: pode acontecer de duas formas: • pesquisa bibliográfica (livros. cami- clientela? O que vendeu mais na coleção de verão do ano anterior? O sas. com a Revolução Industrial. saias. jornais. em moda. o processo cria- tivo para desenvolver uma única peça ou uma coleção in- teira é muito semelhante. 2. e a de bebês.). internet. camisetas. Desenvolver uma coleção é sempre baseada na análise de dados de coleções anteriores e a pressupõe a criação de vários produtos para determi- equipe procura respostas para as seguintes questões: Como foi o nada estação do ano. Geralmente. Coleta de informação: busca de informações em re- vistas especializadas. A moda infantil fica com 18%. revistas. Por exemplo: coleção primavera- comportamento das vendas? Houve alteração nas características da -verão – definição de vestidos. 3. catálogos etc. viagens. A concep- ção de que moda é algo destinado às mulheres foi cons- truída a partir do final do século XVIII (18) e início do século XIX (19). CD-ROM. figurinistas. Como percebemos pelos dados. os homens con- somem cerca de 35%. • pesquisa de campo (ruas. Os homens atualmente estão muito mais atentos e acompanham a moda bem mais do que antes. definição das cores. dos padrões que vendeu menos? de tecidos. desfiles. blusas e acessórios. correspondendo a 41% de toda a produção.

desenhos e cores que farão parte da coleção. Painel de apresentação: nessa fase. para enriquecer seu repertório visual e reunir informações im- portantes. o estilista. quantidade de modelos. em seu processo criativo. 8. Uma vez escolhidos os parâmetros da roupa ou da coleção. sensações. cores. que acompanham o protótipo das peças até a aprovação desse produto na coleção. detalhes. a ficha de custos e a folha de operações. elas se transformarão em fonte de inspiração. e transformá-las em novas concepções. tamanhos etc. vai incorporar todas as in- formações que selecionou. • modelos. É nessa fase que se criam. tecidos. avia- mentos. Objetivo do traje ou da coleção: desenvolver uma identidade própria. tecidos.. organiza visual- mente as informações. estampas. • quadro de tendência de moda: imagens das tendências primavera-verão ou outo- no-inverno. de acordo com seu interesse. Depois que essas informações “interagem” com as demais já regis- tradas na memória. juntamente com os modelos. de acordo com seus interesses ou com os da grife e/ou da confecção. qual o objetivo das roupas: • fim artístico: a criação dá vida à roupa como objeto de arte (senso de evento). o painel deve conter: • quadro de inspiração: imagens que serão referência para a criação e o desenvolvi- mento dos modelos. tipos de bolso. que podem incluir outros tipos de fontes de inspiração. aviamentos e detalhes inovadores. • tecidos e aviamentos que serão usados para a confecção dos modelos. formas. Parâmetros do traje ou da coleção: o estilista deve escolher. o estilista começa a relacionar as informações obtidas com a pesquisa de moda ao fim da coleção (se artístico ou comercial). como lugares. • fim comercial: a criação tem a função principal de vestir (senso funcional). ele descarta ou adapta as informações que não se en- quadrarem no objetivo da roupa ou da coleção. escolhendo decotes. ou sua equipe. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 91 . Criação do modelo: o estilista começa a desenhar as roupas. 6. aplicação de cores. sentimentos etc.4. Nessa fase. faz pesquisas a cada coleção. 7. Nesse ponto. para poder aplicá-las na criação das roupas. 5. o estilista. Determina comprimentos. a ficha técnica do produto. Para isso. ou sua equipe. levando-o a criar formas. Reunião dos dados pesquisados: o estilista.

o estilista passa as informações necessárias para Atualmente existem progra- mas de computador que o desenhista de moda. observa o caimento horas à disposição dos olhos atentos de estilistas e mo- do tecido. manhos (P. modificada antes do completo e a necessidade corte para produção em escala. Reunião da coleção: nessa etapa. para calças e outros tipos de roupa). corta Tecmundo. EXG. (ou utilizados manequins não vivos como modelo-padrão). 4 e 5 para camisas. são provadas por modelos profissionais. girá-lo. permitin. que. Comumente. em função de peso. testada e. executa o encaixe e o risco. para que esse profissio- quais se desenha sobre um nal faça os moldes e a diferenciação (graduação) de ta- manequim virtual. Modelagem: geralmente. ou seja. na indústria de moda e con- Modelagem em 3D fecção. de modo a preparar um modelo que muito grande de peças. o tecido e encaminha as peças cortadas para a cos- tecmundo. por meio do desenho técni- permitem a modelagem em co e do preenchimento de fichas técnicas. tura. 2. Com modelagem em 3D. antes da produção em larga escala. de mão de obra e de peças encalhadas com defeitos. Disponível em: <http://www. 3. GG. empresa 11. Em geral. 92 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . do movê-lo em qualquer direção. Tal procedimento é im- de ajustes posteriores. o último momento para cor- confecção em larga escala. 2013. corpo como tabela de medidas). 42 etc. 2011.br/moda/15031- com-modelagem-em-3d. o cortador cria calças jeans que cabem perfeitamente no corpo. 12. É uma reunião importantíssima.com. de ser produzida uma quantidade corpo do cliente. É. recebe os moldes. tureiro-piloteiro executa uma peça-piloto. 13. desconfortos de medidas não adequadas por provada. Fonte: KLEINA. Na indústria de confecção. ou 3D. o profissional denominado cos- visa à perfeição. Essa peça será portanto. M. há um profissional especializado em cada parte do traje. htm>. informa ao três dimensões. que podem gerar modelos nos modelista detalhes sobre a roupa. Com ele. 1. se necessário. desperdício de matéria-prima. o especialista não conhece os outros procedimentos de costura da mesma roupa. a equipe de desen- volvimento de produto reúne todas as peças e analisa o traje individualmente e em relação a toda a coleção. C  orte: após a aprovação da peça-piloto. eliminando. praticamente. antes da delistas. Há também sensores que per. Costura: os profissionais de costura unem todas as peças que foram cortadas separadamente. são contratados modelos profissionais rigir possíveis falhas. a equipe de criação estuda o produto. em que todas as peças Prova da peça-piloto: nessa fase. Coleção pronta: a equipe de desenvolvimento de pro- medidas utilizada pela indústria conforme seu público-alvo (a maioria duto ou de criação separa um ou dois exemplares de das indústrias utiliza a tabela de medidas industriais e raramente as medidas do cada modelo da coleção para documentação ou arquivo. altura e for- portante para evitar erros. Nilton. incliná-lo e 38. 9. 40. Protótipo ou peça-piloto: antes de ser executada em mitem esquadrinhar todo o larga escala. a aplicação dos detalhes. o conforto da peça. modificá-lo livremente. G. cujas medidas estão de acordo com a tabela de 14. mato do corpo. empresa-cria-calcas-jeans-que- cabem-perfeitamente-no-corpo. 10. Acesso em: 8 jan. 4 nov. Estes ficam relacionando-o com o desenho do estilista.

Só no Brasil. Mas fazer com que a roupa esteja pronta não é simples como. século XIX (19). nos quais ratinhos e fadas preparam os modelos ao som de valsas. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 93 . confeccionando-se um book (caderno técnico). Óleo sobre tela. 16. Coleção particular. A aula de costura. fotógrafos e artistas plásticos para registrar a coleção.15. A presentação: representantes da grife ou da coleção reúnem-se com os profissionais da área de propaganda e marketing para escolher formas de divulgação do produto (mais especificamente. Pode ser por meio de exposições. designers. a indústria tem 200 anos. muitas vezes. Imaginar um mundo em que as pessoas nunca tenham posto as mãos em uma agulha é até difícil. filmes. Trabalhos manuais Você já parou para pensar em quantas pessoas de sua família sabem costurar. da coleção). O trabalho requer concentração e esforço para viabilizar o produto final. não é? Isso acontece porque a costura é uma das ocupações mais antigas do mundo. mes- mo que seja apenas pregar um botão ou fazer a barra de um vestido? Quantas vezes você já viu a cena de alguém costurando? © The Bridgeman Art Library/Keystone © Forsterforest/123RF Edward Charles Barnes. D  ocumentação: é comum serem contratados profissionais da área de comuni- cação visual. apresentado em filmes infan- tis. vitrines etc. propagandas em revistas. catálogos. desfiles. Jovem costurando em máquina. em no- velas.

um amigo etc. 1899. França. Litografia colorida. no quadro a seguir. Paris. © The Bridgeman Art Library/Keystone A Costureira. Atividade 1 M omento de reflexão 1 1. Biblioteca de Artes Decorativas. O que precisei fazer? 94 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . mesmo que elas tenham sido por passatempo ou para preparar alguma roupa para um familiar. Indique as experiências que já teve na área da moda. Experiência Bordei uma túnica. Minhas experiências na área da moda Por exemplo: Fiz o molde de uma saia. Reformei um vestido.

toda cheia de si. por meio da história. você deve ter percebido que já fez muita coisa nessa área e. que disse a um novelo de linha: objetivo é demonstrar. mas cujo Era uma vez uma agulha. ficção em que aparecem um narrador e alguns poucos per- sonagens que vivenciam os acontecimentos narrados. – Deixe-me. O con- to se diferencia de outros gê- neros narrativos. cuja inten- ção é narrar fatos atuais de Um apólogo acordo com o que se quer Machado de Assis transmitir. por exemplo. como uma reportagem ou notícia de jor- nal. escri- to com a função de entreter o leitor de forma breve e clara. não tenha se dado conta das facilidades ou dificuldades que teve. Atividade 2 M omento de reflexão 2 Antes de começar a aprender os conhecimentos específi- cos de sua nova ocupação. por meio de um único ou de poucos fatos fictícios. senhora. como um conto. para fingir que vale alguma coisa nes. Minhas experiências na área da moda O que foi mais fácil fazer? O que foi mais difícil fazer? Ao preencher esse quadro. isso. Para – Por que está você com esse ar. por que não ler um conto? Trata-se de um texto do escritor brasileiro Machado de Conto: Tipo de narrativa de Assis. É uma invenção do autor. um ensinamento. pode ou não usar perso- toda enrolada. talvez. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 95 . Os personagens te mundo? podem ser animais (como nas fábulas) ou objetos. nagens reais. Apólogo: Tipo de texto curto. uma lição de vida. chamado “Um apólogo”. sempre com dotes humanos.

– Também os batedores vão adiante do imperador. – Você é imperador? – Não digo isso. ajunto.. e falarei sempre que me der na cabeça. Estavam nisto. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu? – Você fura o pano. – Que a deixe? Que a deixe. 96 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . pegou da agulha. senhora?  A senhora não é alfinete. que tinha a modista ao pé de si. Então os vestidos e enfeites de nossa ama. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa. quem é que os cose. – Mas você é orgulhosa. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno. eu é que vou aqui entre os dedos dela.. E dizia a agulha: – Então. eu é que coso. puxan- do por você. Uma e outra iam andan- do orgulhosas.. ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo. pegou da linha.. quando a costureira chegou à casa da baronesa. ligo. por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim. mas que vale isso? Eu é que furo o pano. Eu é que prendo. unidinha a eles.. vou adiante. Chegou a costureira. é agulha. – Decerto que sou. e entrou a coser. furando abaixo e acima. nada mais.. que era a melhor das sedas. para não andar atrás dela. senão eu? – Você? Esta agora é melhor. vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. vai só mostrando o caminho. – Que cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. entre os dedos da costureira. pelo pano adiante. ágeis como os galgos de Diana – para dar a isto uma cor poética. Agulha não tem cabeça. – Mas por quê? – É boa! Porque coso. pegou do pano. senhora linha. que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando. prendo um pedaço ao outro. – Sim. enfiou a linha na agulha. indo adiante. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros. dou feição aos babados.

abotoando. Parece que a agulha não disse nada. vendo que ela não lhe dava resposta. que não abro caminho para ninguém. a costureira dobrou a costura. perguntou-lhe: – Ora. até que no quarto acabou a obra. agora. não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. E era tudo silêncio na saleta de costura. a linha para mofar da agulha. Machado de. que a ajudou a vestir-se. continuou ainda nesse e no outro. E quando compunha o vestido da bela dama. Acesso em: 8 jan. levava a agulha espetada no corpinho. A linha não respondia nada. e ficou esperando o baile. para dar algum ponto necessário. tola. de ca- beça grande e não menor experiência. como quem sabe o que faz. silenciosa e ativa. quem é que vai ao baile. fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas.br/pesquisa/DetalheObraForm. Faze como eu. Veio a noite do baile. antes de ir para o balaio das mu- camas? Vamos. murmurou à pobre agulha: – Anda. aprende. Disponível em: <http://www. para o dia seguinte. e não está para ouvir palavras loucas. mas um alfinete. e foi andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela. Onde me espetam. no corpo da baronesa. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 97 . 2013.dominiopublico. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida. acolchetando.do?select_action=&co_obra=16978>. ia andando. e a baronesa vestiu-se. diga lá. e puxava a um lado ou outro. abanando a cabeça: – Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária! ASSIS. gov. diga-me. que me disse. calou-se também. Contei esta história a um professor de melancolia. fico. enquanto você volta para a caixinha da costureira. alisando. arregaçava daqui ou dali. A costureira. enquanto aí ficas na caixinha de costura. Caindo o sol. A agulha. “Um apólogo”.

começou a trabalhar vendendo doces. Em sua opinião. cada ferramenta e cada um dos processos na produção de vestuários é extremamente importante. se a linha ou a agulha? Difícil saber quem é mais importante. Com 16 anos. carreira que seguiu depois durante toda a vida. 1. es- tilistas. mas atuam de maneira complementar. A partir dos 19 anos. Cada um deles tem a própria tarefa... cortadores. não é? Pois é assim que acontece na indústria da moda e da confecção. Entre suas obras. Perdeu a mãe. costureiros. e uma etapa depende muito da outra para a plena realização da construção das roupas. e seu pai era operário. 98 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . bordadeiras. modelistas. já trabalhando em jornais no Rio de Janeiro. Era neto de escravos que conseguiram liberdade. podemos destacar: Memórias póstumas de Brás Cubas (1881). Apenas assim as peças de roupa conseguem sair. Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) nasceu em uma família © Acervo Iconographia pobre. das grandes fábricas ou das pequenas oficinas arte- sanais para vestir os consumidores. passou a trabalhar como tipógrafo na Imprensa Nacional e pôde se dedicar mais ao ofício de escrever. prontas. Logo em seguida. Refletindo sobre o texto. teve seu primeiro poema publicado em uma revista. Considerado o criador da literatura realista brasileira. cada componente. Dom Casmurro (1899) e Memorial de Aires (1908). O mesmo se dá com os profissionais que atuam na área: criadores de modelos. Cada elemento. esse apólogo escrito por Machado de Assis no século XIX (19) se relaciona à ocupação que você quer aprender? Por quê? 2. ainda me- nino. Morreu no Rio de Janeiro em 1908. o pai e a única irmã na infância e. Machado de Assis escreveu romances e contos que ficaram conhecidos em vários países. cresceu como escri- tor. você conseguiu chegar a uma conclusão sobre quem é mais importante na costura.

e discutam as questões a seguir: a) O que um cortador deve saber? b) O que um cortador deve saber usar? c) Quais as qualidades que um cortador deve ter? Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 99 . reúna-se com os colegas. Pensando em um profissional que trabalha na área de corte de roupas. formando um grupo de cinco pessoas. Atividade 3 O que faz um cortador de roupas 1.

De Lobo y Negra: Chino. Óleo sobre tela. segundo o Ministério do Trabalho e Emprego © Paulo Savala Cortador em ação. 100 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Museo de America. Agora discutam a seguinte questão: O que vocês esperam aprender neste curso de qualificação profissional básica? Registre no caderno as conclusões a que chegaram. 55 cm x 80 cm. Espanha.2. Madri. A ocupação de cortador. © Mexican School/The Bridgeman Art Library/Getty Images William Richard Eyre. 1995.

br>. organizam as peças acabadas para encaminhá-las à área que cuida da finalização dos produtos para sua comercialização. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Acesso em: 8 jan. gov.mtecbo.O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) possui um documento chamado Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). depois da costura. elabora um rol de funções pertinentes a cada uma delas. com base no relato deles sobre as atividades de cada ocupação no dia a dia. O Ministério determina. Nele. • Coordenar com facilidade seus movimentos. 2013. Disponível em: <http://www. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 101 . Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Você sabia? Veja o que o Ministério indica sobre a ocupação de Você pode consultar a cortador de roupas. Acesso em: 8 jan. ou digital. que seu trabalho seja desempenhado de acordo com as Normas Técnicas de Qualidade. Atitudes e características pessoais • Comprometimento com os objetivos da empresa. preparam lotes e pacotes para o setor de costura de roupas. Também distribuem as roupas cortadas aos costureiros e.br>. Acesso em: 8 jan. enfestam e cortam tecidos e não tecidos. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) na íntegra acessando o site O que fazem os cortadores de roupas? no laboratório de infor- mática.mtecbo.br>. em que uma equipe reúne profissionais da área e. 2013. que você está aprendendo. Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). 2013. • Demonstrar iniciativa e agilidade no desempenho de suas funções.gov. • Ser flexível e trabalhar bem em equipe. Eles programam riscos marcadores por processo manual Disponível em: <http://www. ainda. apresen- tando bom senso visual e tátil. Meio Ambiente e Saúde. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).gov. mais de 2 mil ocupações são descritas por meio de uma metodologia própria.mtecbo. • Trabalhar com atenção e senso de responsabilidade. Disponível em: <http://www.

Então. concentram-se em preparar o corte do tecido. O mercado de trabalho do cortador de roupas O mercado de trabalho para os cortadores é. de serra de fita. substituem as defeituosas e preparam os lotes a serem enviados para costura. e você poderá entender o que faz um cortador no dia a dia de uma confecção. que pode envolver mais ou menos maquinário. porém em grandes confecções encontram-se máquinas de corte vertical. enfestamento e etiquetagem.br>. por outro lado. 2013. À medida que o mercado de moda no Brasil se expande e o número de confecções aumenta. • Cortar tecidos. auxiliares de corte e cortadores de roupas são cada vez mais requisitados. atualmente. enfesto etc. 102 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . geralmente não existem muitas máquinas.mtecbo. visto que verificam as partes cortadas. • Preparar lotes e pacotes das peças já cortadas para costura. encaixe. Se na primeira leitura essas atividades – risco. Os cortadores são responsáveis não só pelo corte das roupas. Disponível em: <http://www. Em grandes confecções. não se preocupe. Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Nas pequenas confecções. os profissionais da área de corte recebem informações sobre as peças do vestuário que serão fabricadas e um conjunto de moldes. • Riscar moldes.gov.Conhecimentos profissionais • Planejar o encaixe de moldes manualmente ou por computador. também operam as máquinas de corte. • Preparar a mesa de enfesto e realizar o enfesto manual ou mecanicamente. apenas as es- senciais para corte. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). – lhe parecerem estranhas. Nas confecções de médio porte. mas também pelo traçado dos moldes e sua conferência. bastante vasto. Os auxiliares de corte. fusionadeiras etc. tendo ainda a responsabilidade de garantir a qualidade do que vai ser produzido. Acesso em: 8 jan. de disco. Elas serão esclarecidas no Caderno 2. iniciam sua parte do trabalho.

Em geral.br>. entre outros. mas vocês podem acrescentar outros itens. pensem no que gostariam de perguntar a esse profissional. • Nome do entrevistado. de um mercado de trabalho mais restrito. • Se costuma fazer cursos de aperfeiçoamento. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). formulando um roteiro de perguntas. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 103 . Trata-se. Disponível em: <http://www. férias. aposentadoria. no entanto. a in- dústria de confecção de roupas e os ateliês de costura? Em grupo de quatro ou cinco pessoas. Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). operador de máquinas de enfestar. Pode ser auxiliar de corte.mtecbo. • Idade. para ajudar costureiros ou modelistas no corte de peças individuais ou peças-piloto. 2013. O impor- tante é cada grupo se organizar e procurar diversificar os locais de visita e as pessoas entrevistadas. ocupado também por outros profissionais da área de costura. o que significa ter acesso aos direitos de trabalho previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): descanso semanal remunerado. e pode acontecer de o horário do cortador ser de dia ou de noite. ateliês de costura também podem contar com cortadores. 13o salário. Atividade 4 E studo de meio 1. Antes de irem para a entrevista. Que tal conhecer um pouco mais sobre os locais de trabalho do cortador. visitem e entrevistem um profissional que atue nessa área.gov. pois há confecções que obedecem a turnos. se ainda estuda ou pretende voltar a estudar. escolaridade. 2. com carteira de trabalho assinada. Esteja atento aos horários de trabalho. cortador etc. profissionais da área de corte trabalham como assalariados. Acesso em: 8 jan. Além das confecções. Seguem aqui algumas suges- tões. • Onde trabalha.

104 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . lembrem-se de levar papel e caneta ou lápis para anotar o que for dito. • Como a aprendeu. • Por que escolheu essa ocupação. Junte-se novamente a seu grupo e comparem os textos. preparem uma apresentação única para a classe. Planeje sua produção escrita antes de colocá-la no papel. Para isso. elabore um texto sobre a entrevista. Depois. • Quais são os pontos positivos e negativos dela na opinião do entrevistado. individualmente. registrem a ocasião com fotos. A gora. procure definir em primeiro lugar: • Qual é a ideia central do texto que vou fazer? • Quais são os argumentos que vou utilizar para sustentar essa ideia? • Quais foram as conclusões a que cheguei com base na entrevista? 4. Se possível.• Se tem um ou mais empregos. 3. • Quais são os conselhos que daria a alguém que está iniciando. para que seja mais fácil realizá-la e também para que faça sentido a quem for ler. No dia da entrevista.

pdf>. Condições de trabalho e saúde Segurança no Trabalho”. um exemplo de fluxograma de como pode ser o processo de produção em uma indústria têxtil: Administração Compras Enfesto e Corte Almoxarifado Fluxograma: Diagrama que representa o fluxo de uma Costura Criação e Modelagem série de operações. Espírito Santo (Ufes). 58.sp. 2013. Neste Caderno. Espírito Santo: Universidade Federal do Disponível em: <http://www. Veja a seguir.gov. no exercício profissional. o maquinário e o ritmo de trabalho é importante para prevenir problemas de saúde. fundacentro. percebendo que ela envolve vários setores.gov. 2013. Acesso em: 8 jan. (Mestrado em Saúde Coletiva). br>. Unidade 4 Saúde e trabalho Você estudou até aqui aspectos que o auxiliarão em sua formação e no exercício de sua futura ocupação. você viu como se dá a produção do vestuá- rio. Acesso em: 8 jan. p. tenha sempre em mente o cuidado com sua saúde. Conhecer o processo de produção. Antônio Carlos. consulte o Caderno do Trabalhador 6 – Conteúdos Gerais – “Saúde e Fonte: GARCIA JÚNIOR. Você poderá dos trabalhadores na indústria do vestuário em Colatina/ES. 2006. Dissertação consultá-lo no site do Programa Via Rápida Emprego. Artesanato Lavanderia Passadoria Acabamento e Etiquetagem Embalagem e Expedição Para saber mais sobre saúde e segurança no trabalho.viarapida. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 105 .br/Anexo/Dissertacao. Porém. Disponível em: <http://sstmpe.

reveja as imagens apresentadas na Unidade 3. o algodão. O processo de tratamento dessas matérias-primas. que devem. A mãe natureza nos fornece muitas coisas para proteger nossos corpos do mau tempo. Traduzido do latim pelo abade Chiari da Pisa sob o título Le malatie degli artefici. RAMAZZINI. e que é importante ter cautela. como se estivessem andando e observan- do cada detalhe. Além de questões como essa.Imagine os profissionais de uma indústria como a apresentada. às quais podemos acrescentar ainda a seda. embora esta seja usada mais para cobrir do que propriamente proteger o corpo de homens e mulheres. de alguns setores dessa indústria. o cânhamo. a) Como é a ventilação? É natural? É um espaço suficientemente arejado para o número de pessoas que trabalham no local? 106 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . em muitas ocasiões. utilizadas nas ves- timentas. Veneza: in Domenico Occhi. 2. Bernardino. pois você pode estar exposto a riscos que venham a afetar sua saúde física e mental. geralmente é nocivo àqueles que o executam. 1745. 1700. o linho. De morbis artificum diatriba. Atividade 1 R efletindo sobre sua ocupação 1. Leia o trecho do livro escrito pelo médico italiano Bernardino Ramazzini em 1700. é preciso estar sempre atento às condições de trabalho. Para auxiliá-lo nessa “visita”. que o trabalho envolve raciocínio e corpo. Tradução do italiano: Rita De Luca. Em grupo de cinco pessoas. imaginem como é o trabalho em uma indústria de confecção e façam uma visita “virtual”. Esse especialista já alertava. no século XVII (17). toda a cadeia sofrerá com esse atraso. como a lã. trabalhar em equipe – se o trabalho de um atrasar.

Condições de trabalho Quais são? Podem mudar? Como? Adequadas Inadequadas Fonte: Educação de Jovens e Adultos (EJA) – Mundo do Trabalho: Geografia.b) E a iluminação? É natural? É possível ver a rua ou a área externa da empresa? Pelas janelas. História e Trabalho: 8º ano do Ensino Fundamental. indicando as condições adequadas e inadequadas. 2012. São Paulo: SDECT. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 107 . Façam um balanço da estrutura física do local analisado e preencham o quadro a seguir. dá para ver árvores e plantas? c) E o mobiliário? Os funcionários se sentem confortáveis na cadeira que usam? A mesa ou a máquina tem altura adequada ao seu corpo? É preciso forçar o corpo em alguma direção para executar melhor o trabalho? 3. bem como propostas de alteração (no caso de situações inadequadas).

Se no trabalho você usa força excessiva. nem por trabalhadores nem. que analisa cuidadosamente as etapas de trabalho em uma indústria de vestuário. mais evidentes. pois a empresa é obri- gada por lei a fornecê-los. muitas vezes. Quais foram as conclusões às quais chegaram? Condições de trabalho Forte ruído de máquinas. que devem ser seguidas pelas empresas.. 108 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Por isso. esses fatores podem também afetar sua saúde. temperaturas altas e ventilação insuficiente para o núme- ro de pessoas que trabalham no mesmo local. tendência da moda e da • Fixação da vista na tela de computador. se há pressão para que a produção seja mais rápida etc. uso ou circulação de produtos quí- micos. Leia o quadro a seguir. como tintas e solventes. conforme • Postura sentada a maior parte do dia. Ocupação Atividade Risco Fisiológicos: Criar modelos novos e desenhá-los. Estilista numeração padronizada. Psíquico: Posto de trabalho: computador e cadeira. o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) criou normas. pelas próprias empresas.4. são alguns indícios de que o ambiente apresenta riscos à saúde. tanto física como mental. • Pressão para criar sempre produtos novos e de aceitação no mercado. se a empresa não oferecer Equipamentos de Proteção Individual. Além disso. Além desses riscos. se seu corpo fica curvado durante horas seguidas. há outros que não são tão valorizados. os chamados EPI. você deve ficar atento e solicitá-los à chefia.

Disponível em: <http://sstmpe. ou riscador modelagem. caseadeira e • Movimentos repetitivos e com precisão. • Exigência de posturas. • Calor. 2006. Acesso em: 8 jan. pp. dando origem Fisiológicos: ao molde padronizado • Postura de trabalho em pé. Fisiológicos: • Postura desconfortável para realização do serviço. Físicos: • Ruído e vibração. por vezes. após o enfesto e a colocação do molde com Químico: o uso de equipamento • Poeira de tecido. Espírito Santo: Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 109 . overloque. reta. Ocupação Atividade Risco Acidente: Responsável por • Perfuração de dedos por agulhas. • Fixação da vista no trabalho de confecção. máquinas de corte de tecido. Antônio Carlos. • Postura sentada o dia todo. costurar os tecidos e adereços para formar as Acidente: roupas. Fonte: GARCIA JÚNIOR. Condições de trabalho e saúde dos trabalhadores na indústria do vestuário em Colatina/ES. Faz a riscagem das peças em papel. desgastantes e inadequadas. pespontadeira. confeccionar a peça- Modelista -piloto da produção em Fisiológicos: série. Posto de trabalho: mesa • Fixação da vista por longo período. • Jornada de trabalho longa. 63 e 66. Costureiro Posto de trabalho: Fisiológicos: máquinas de costura • Posição fixa sentada por longo tempo. • Movimento repetitivo. • Trabalho que exige força no manuseio (trespontadeira). Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva). • Fixação da vista no campo de trabalho por longo período. Cortador elétrico.pdf>. encurvada sobre a mesa de Moldador pela numeração. Acidente: Posto de trabalho: • Corte de dedos e mãos. • Uso de cadeiras sem controle de altura e de encosto ergonômico. • Perfurações com agulhas. Físicos: • Calor.gov. 2013. Faz o corte do tecido • Ruído e vibração. de riscagem.fundacentro.br/Anexo/ Dissertacao. 60. galoneira. Químico: Efetuar o serviço de • Poeira de tecido.

preste atenção às imagens a seguir. Esse é um aspecto que pode causar lesões por esforço repetitivo (LER). Agora. Observe a Figura 1. Além disso. para evitar ferimentos ou acidentes. O uso de EPI é fundamental e obrigatório para evitar acidentes ou futuras lesões em seu corpo. Repare como a trabalhadora está acomodada no posto de trabalho. Você acha que ela possui espaço ou conforto suficientes para a atividade? Repare como o braço direito fica sem apoio para ma- nusear a máquina. que vai trabalhar no setor. Na sua opinião. O ideal seria que fosse usado um calçado que cobrisse ao menos 70% dos pés. Figura 1 © Adma Jussara Fonseca de Paula Agora veja a Figura 2. o calçado está inadequado. Elas mostram alguns riscos aos quais você poderá ficar exposto.Esse quadro é um alerta para você. ela retrata condições mais ou menos adequa- das para a realização do trabalho? Figura 2 © Rubens Chaves/Pulsar Imagens 110 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 .

© Sergey Zavyalov/123RF Protetor auricular.Segundo as normas estabelecidas pela Fundacentro. Para cortadores. é imprescindível o uso de protetor auricular. as empresas deveriam substituir as cadeiras até o final de 2012. © Paulo Savala Óculos de segurança. órgão do MTE. Em uma grande indústria. Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 111 . além de óculos de segurança para a proteção dos olhos. devido ao alto som do maquinário. especialmente. é importante o uso de máscara filtradora contra poeira e partículas. © Paulo Savala Máscara filtradora. Equipamentos de Proteção Individual (EPI) Os EPI podem variar de acordo com o local onde sua ocupação será exercida.

no laboratório de informática. 2. façam um registro fotográfico da exposição. para constar no seu portfólio. que lhes dará uma ideia melhor de como realizar a atividade. Se possível. • Colagem em cartolinas. Etapas • Pesquisa na internet com auxílio do monitor. Vejam o exemplo a seguir. para os cortadores. escolham um tema deste Caderno e elaborem uma apresentação criativa para a turma. © Diomedia Luva de malha de aço. Tema: moda nos anos 1960 Apresentação criativa: cartazes com imagens ou ilustrações da época que retratem o momento histórico vivido no Brasil e como a moda o acompanhava. • Impressão das imagens. 112 A rco Oc upacio nal V e s t uá r i o C o r t a d o r 1 . Em grupo de cinco pessoas.Também é fundamental. Atividade 2 E xposição de ideias 1. o uso de luva de malha de aço inox na mão que conduz o tecido em direção ao corte.

Cortador 1 A rco O c u pac i on a l V e s t uá r i o 113 . Costureiras. Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (SP). 1950. © Romulo Fialdini Tarsila do Amaral. 73 cm x 100 cm. Óleo sobre tela.

br . do vestuário e da moda A moda no século XX (20) Mercado de trabalho Saúde e trabalho www.gov.viarapida. via rápida emprego História do bordado.sp.