You are on page 1of 19

Pedagogia da alternância na educação rural/do

campo: projetos em disputa

Marlene Ribeiro
Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Resumo

O artigo aborda a educação rural/do campo gestada nos movi-
mentos sociais populares. Focaliza as experiências das Casas Fa-
miliares Rurais (CFRs) e das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs),
vinculadas aos sindicatos de trabalhadores rurais, Organizações
Não Governamentais (ONGs) e associações comunitárias, e as
experiências da Fundação de Desenvolvimento, Educação e Pes-
quisa da Região Celeiro (FUNDEP) e do Instituto de Capacitação
e Pesquisa da Reforma Agrária (ITERRA), vinculadas à Via
Campesina-Brasil. O objetivo é captar, nas experiências de forma-
ção que articulam trabalho-educação feitas por esses movimen-
tos e organizações, as contradições expressas nas práticas/con-
cepções de Pedagogia da Alternância. Tais contradições têm o
potencial de iluminar os projetos de sociedade perspectivados
pelos sujeitos coletivos que constroem suas propostas pedagógi-
cas assentadas sobre a relação trabalho produtivo e educação
escolar. Nesse sentido, a Pedagogia da Alternância pode apontar
para uma relação trabalho-educação de novo tipo, tendo por
base a cooperação e a autogestão. No entanto, pode também sig-
nificar formas de controle das tensões sociais, acenando para a
possibilidade de o agricultor permanecer na terra, bem como
mascarar o desemprego, alternando educação profissional e está-
gio remunerado por meio de políticas de parceria com empresas
que se tornam agentes de formação.

Palavras-chave

Trabalho — Movimentos Sociais — Educação.

Correspondência:
Marlene Ribeiro
Rua Dona Laura, 924, apto. 201
90430-090 – Porto Alegre – RS
e-mail: maribe@adufrgs.ufrgs.br

Educação e Pesquisa, São Paulo, v.34, n.1, p. 027-045, jan./abr. 2008 27

n. non-governmental organizations and community associations. also mean forms of control of social tensions. The objective is to cap- ture. based on cooperation and self-management. as well as of masking unemployment by alternating professional education and paid apprenticeships through alliances with companies. 027-045. São Paulo. jan. Keywords Labor — Social movements — Education. p.34.The pedagogy of alternating in rural/country education: competing projects Marlene Ribeiro Universidade Federal do Rio Grande do Sul Abstract The article focuses on the rural/country education developed inside popular social movements. the contradictions expressed in the practices/conceptions of the Pedagogy of Alternating.1. It deals with the experiences of the CFRs — Casas Familiares Rurais (Rural Family Houses) and EFAs — Escolas Famílias Agrícolas (Agricultural Family Schools) linked to rural workers unions.ufrgs. both linked to the Via Campesina-Brasil (Campesino Way — Brazil)./abr. apto. in the experiences of formation that articulate labor and education carried out by these movements and organizations. It also deals with the experiences of the FUNDEP — Fundação de Desenvolvimento. 201 90430-090 – Porto Alegre – RS e-mail: maribe@adufrgs. It can nevertheless. These contradictions have the potential to shed light on the projects of society envisaged by the collective subjects that build their pedagogical proposals upon the relation between productive work and schooling. 924.br 28 Educação e Pesquisa. which then become agents of formation. Contact: Marlene Ribeiro Rua Dona Laura. 2008 . v. Educação e Pesquisa da Região Celeiro (Foundation for the Development. the Pedagogy of Alternating can point to a work-education relation of a new kind. Education and Research of the Celeiro Region) and of the ITERRA — Instituto de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária (Institute for Training and Research of the Land Reform). In this sense. signaling with the possibility of the rural worker remaining in the land.

ção dos Estudantes de Agronomia do Brasil com a existência ou não de pedras. Essa última é resul. 176) dos Atingidos por Barragens (MAB). dos sujeitos políti. Comissão Pastoral da Terra (CPT). Movimento da escola em regime de internato. (Guzmán. tem um Científica): Um olhar sobre a formação dos moni. cerrado. lagos e (FEAB). associando-se às experiências históricas de cos coletivos com os quais vimos interagindo.Terra. Esta pesquisa aborda a educação rural/do campo gestada pelos No Rio Grande do Sul. do. para riências da FUNDEP e do ITERRA.34. Molina. mata. que tendo a Pedagogia da Alternância como méto- adota o conceito de educação rural. No TC. Recebe a contribuição das seguin. sica nas Escolas do Campo. a Peda- organizados na Via Campesina-Brasil. tratada como educa- tes pesquisas: Camila Lombard Pedrazza (Iniciação ção rural na legislação brasileira. na Europa. e as águas de arroios. p. conceito de educação do campo. Campo. 027-045. no espaço Pequenos Agricultores (MPA). Clenir Fank resta. lutas camponesas internacionais e está explicitado ambas com o apoio do CNPq. mais especificamente. e com as realizações da sociedade humana. p. ribeirinhos e Beltrão/PR (ambas com bolsa do CNPq). com seu trabalho. n. é um dagogia da Terra: convênio do Instituto Técnico campo de possibilidades que dinamizam a de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária ligação dos seres humanos com a própria (ITERRA) com a Universidade Estadual do Rio produção das condições da existência social Grande do Sul (UERGS): Contribuições da Pedago. São Paulo. os educandos permanecem de duas semanas a articulação formada pelo Movimento dos dois meses. de continuidade e identidade com a história das cola e educação escolar: conceitos em questão. A educação do campo. das minas e da agricultu- (mestrado): Entre a enxada e o lápis: a prática ra. florestas. sendo construído nos movimentos sociais orga- mação do técnico agrícola: um estudo das expe. e Ailton extrativistas. vergências entre esses sujeitos coletivos que vêm nizados na Federação dos Trabalhadores da Agri. da pecuária. Molina. O campo. significado que incorpora os espaços da flo- tores das Casas Familiares Rurais/RS. emancipação na relação trabalho agrí. os trabalhadores movimentos sociais populares constituídos por ho. dependendo do curso. cultura do Rio Grande do Sul (FETAG/RS). tem uma conotação política autonomia. mulheres e crianças que vivem na zona rural ceito de educação rural. Pastoral da Juventude Rural (PJR) e Federa. Este consiste na articulação entre Tempo- pesina do Brasil é uma Escola (TE) e Tempo-Comunidade (TC). 1. A Via Cam. os dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). v. e b) Liberdade. nas Diretrizes Operacionais para a Educação Bá- tado de qualificação em nível de pós-doutorado. jan. que adota o gogia da Alternância. 2004. 2005. rurais sindicalizados permanecem com o con- mens. compreende a área coberta de grama ou campo. 07) mares. nesse sentido. Movimento de Mulheres Camponesas para colocarem em prática. No TE. mais Gonçalves Fernandes (educando do curso de Pe. esses movimentos. nizados na Via Campesina-Brasil. Caldart. gia da Alternância para a Pedagogia do Movimento (Arroyo. rios. p. savanas ou mesmo descoberta como desertos. e dos pequenos A definição do tema evidencia haver di- e médios proprietários rurais sindicalizados e orga. educandos retornam às suas propriedades fami- Movimento dos Atingidos por Barragens liares ou às comunidades ou aos assentamentos (MAB). Educação e Pesquisa. É de onde. do que um perímetro não urbano. O artigo é produto de duas pesquisas: a) O conceito de educação do campo vem Pedagogia dos tempos/lugares alternados na for. educação rural que criaram.1. neste estudo. demarcando a realida- e que retiram seu sustento do trabalho da terra1. os trabalhadores retiram o sustento. mas os ultrapassa ao acolher em si os educativa da Casa Familiar Rural de Francisco espaços pesqueiros. de da cultura e do trabalho da zona rural e Trata-se. construindo na prática um projeto pedagógico. a partir dos proble- (MMC). segundo as quais: realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)./abr. caiçaras. 2008 29 .

Pedagogia da alternância. for- ferida à realidade do trabalho industrial urbano. para nós. suas propostas pedagógicas assentadas sobre a colas. logo após a Revolução ção de um projeto democrático-popular de soci- bolchevique na Rússia. Creio não ser possível perder de comuns. broto minúsculo e com muito esforço. remunerado (Laval. entre outras. nem giões onde acontecem as experiências.. A as contradições expressas nas práticas/concep- Pedagogia da Alternância exige uma formação es. umas como de direita. Por isso. parecem sinalizar para um novo pro- ensino já aparece em Marx (1982) nos estudos jeto de sociedade e de educação. nos processos que envolvem sujeitos políticos co- se dizer que a Pedagogia da Alternância tem o tra. mação de professores. a França. 2001) amplia essa discussão no contex. interesses das classes em conflito atravessam as ex- alização e as concepções teóricas que alicerçam suas periências. de de aprofundar o conhecimento sobre a Pe- bém articula prática e teoria numa práxis e re. nos anos 1920. 2002. edade e de educação. vista nem a contradição capital-trabalho. cimentos que foram objeto de estudo no TE. este novo cia o trabalho industrial na Inglaterra. comunidade. buscando averiguar suas ta. 30 Marlene RIBEIRO. a Pedagogia da Alternância fazem cursos ofere. podem ficar des e organizações que vêm adotando esse mé. No pensamento socialis. ou (Begnami. acampamento ou movimento social ao pública de formação em tempos/espaços alter- qual o educando está vinculado. as re. porém. Pineau. identificadas com a restauração do sistema ca- Do mesmo modo que o tema — educação pitalista. 1985). se configura. imbricadas nesses movimentos sociais Essa relação entre trabalho produtivo e populares. Lambert. pode. as entida. movimentos sociais populares rurais/do campo.. . nância. numa forma de estágio orientado e Alternância —. a relação trabalho-educação está re. 2004. Estevam. letivos — os movimentos sociais populares rurais/ balho produtivo como princípio de uma formação do campo — que as alimentam. 2002. tivados pelos sujeitos coletivos que constroem de modo geral. quisadores. tendo por referên. cujos que permitem ou limitam e até impedem a sua re. to revolucionário dos anos 1920 na Itália. também porque esta aliza-se em tempos e espaços que se alternam começa a ser adotada em alguns países como entre escola e propriedade. 2002). são agrônomos ou técnicos agrí. mais claros os projetos de sociedade perspec- todo optam pela contratação de monitores que. 2004. humanista que articula dialeticamente ensino formal As experiências de Pedagogia da Alter- e trabalho produtivo. Não significa. e as limitações dessas experiências para a constru- sino. mas que se concretiza de diferentes for. se constitui na sociedade e educação burguesas. contribuições nas áreas de currículo. Os licenciados que escolhem trabalhar com relação trabalho produtivo e educação escolar. apóia sobre a separação entre cidade e campo. os conhe. Com esse cuidado e de modo amplo. assen. nados de educação formal e de trabalho em Explicitado o foco — a Pedagogia da empresas. educadores-pes- Lenine (1977) tenta colocar em prática a asso. estágio. Duffaure. classificar de maneira cidos por aquelas entidades e/ou organizações simplificada e binária. nas experiências de formação feitas pelos Lambert. Há necessida- Por fim. e Assim. Nessas contradições. que não tem sido se alternam tempos e espaços de trabalho e considerada nas licenciaturas. ções implícitas no método pedagógico em que pecífica para os professores. 2003. as condições o movimento provocado pela luta de classes. a Pedagogia da Alternância é ficadas com a transformação social e a conquista uma expressão polissêmica que guarda elementos do socialismo. e outras como de esquerda. que se mas: conforme os sujeitos que as assumem. o objetivo deste trabalho é cap. a Pedagogia da Alternância tam. Gramsci luta para romper por dentro da velha árvore que (1989. a Suécia e o Canadá. o desafio de analisar as potencialidades ciação entre trabalho produtivo industrial e en. com isso. Como um que faz sobre “A maquinaria”. ou identi- rural/do campo —. tar.mas anteriormente levantados no TC. educação. como política tamento. redirecionando-as e reconfigurando-as práticas. dagogia da Alternância.

1. 2001. ao afirmar: Papai. Nas obras que Europa. nizações cooperativas com bases locais e assu- mente do sexo masculino. Justifica-se. o aligeiramento e a conseqüente desqualificação da formação ofe. mas sobre os cur- relação entre trabalho produtivo e educação sos complementares está decidido./abr. a importância registram a história dessa Pedagogia. (Ribeiro. 2003. oferecen. Jean Peyrat. em um centro de formação. porque ocorre uma dimi. p. em Lot-et-Garone. Adotada pelo Estado como política pública este curso. pode ser também Esse diálogo mobiliza o pai em busca de uma uma estratégia do Estado capitalista tanto para solução pensada juntamente com o padre da a formação dos jovens agricultores quanto para aldeia. l’Abbé Granereau. não são da primeira Maison Familiale Rurale (MFR). sindicatos e associações comunitárias as. in- nativa metodológica de formação profissional fluenciando para que estas se tornassem orga- agrícola de nível técnico para jovens. Pineau. A partir de 1945. A diminuição do tação dos pais e ficariam reunidos durante uma tempo de estudo e a ausência de professores li. receberiam uma formação geral. 1935. em professores públicos. Neste tempo/lugar fariam um curso de agri- recida aos filhos dos trabalhadores rurais/do cam. p. e do estágio remunerado em lugar de emprego um trabalho prático na propriedade familiar e assalariado e protegido por direitos trabalhistas na comunidade. mantendo esses jovens durante mais do uma formação geral e técnica em regime tempo na escola e. junto com po. na sua maioria. jan. que se institucionalizou A Pedagogia da Alternância é uma alter. Pessotti. durante a ocupação alemã. A iniciativa dos pais com o auxílio nuição dos gastos públicos com a formação. organizou-se a Union Alternância Nacionale de las Maisons Familiales Rurales (UNMFRs). eu quero pode significar um caminho para viabilizar a muito te obedecer em tudo. orientada pelo padre. tais organizações e entida. 2004. Assim países europeus e no Canadá. v. Dessa forma. sumem a administração das Casas Familiares 2003. França (Chartier. eu quero trabalhar contigo! rurais/do campo. 2002). Rurais (CFRs) e das Escolas Famílias Agrícolas O abade e os pais dos jovens agriculto- (EFAs). uma do pároco da aldeia está na origem da criação vez que os monitores. 1999. sen- suas causas. dando origem a uma Educação e Pesquisa. semana por mês. São Paulo. eu não escolar na formação humana dos trabalhadores voltarei mais lá. na Historiando a Pedagogia da 2ª Guerra Mundial. n. de internato. desse modo.34. Isso porque essa Pedagogia ar os estudos. Estevam. estudando na casa paroquial. ao mesmo tempo. e as entidades religiosas. que contesta sua ordem de continu- fundamentam. na França. res chegam a um acordo. o filho Yves e outros a formação dos jovens trabalhadores urbanos. como movimento para coordenar as MFRs. 2) (Laval. 1986. Tanguy. 1977. No entanto. 027-045. lar porque este se distanciava totalmente da ocorre um processo de expansão das MFRs pela vida e do trabalho camponês. problema. cultura por correspondência e. filhos de campone. dos centros de formação. cenciados pode significar. com seu concepções de Pedagogia da Alternância que a filho Yves. missem sua responsabilidade no funcionamento ses que perderam o interesse pelo ensino regu. 2008 31 . agricultores que também enfrentavam o mesmo Quanto aos primeiros. África e Oceania. onde se trabalho e escola pode mascarar o desemprego e alternam tempos/lugares de aprendizado. Nosella. Silva. 1978). região Sudoeste da ONGs. 2006a. inicial. ainda. a alternância entre nasce a Pedagogia da Alternância. destaca- e a atualidade de tornar claras as práticas e as se o diálogo de um pai. para a formação de jovens urbanos em alguns humana e cristã. Em 1942. segundo o qual os des retiram do Estado a maior parte da carga de jovens permaneceriam durante três semanas responsabilidade pela formação de crianças e trabalhando em suas propriedades sob a orien- jovens das camadas populares.

no experiências que contavam com professores da Brasil. é criada uma CFR no Paraná. Não A síntese histórica das experiências – vamos trazer essa discussão porque ela nos tanto francesas quanto italianas e africanas afastaria dos objetivos do texto. Goiânia. Com o mesmo método. No estado do Espírito Santo. porém estes. a pre- AIMFR (Chartier et al. Alpestre. Tiveram o apoio institucional e finan. (p. na expansão das EFAs no Brasil. que são coordenadas pela As- meio do que tem sido chamado de parceria sociação Regional das Casas Familiares Rurais com empresas. Vacaria e outra em Santa Rosa (Vier. a iniciativa se deu dos tempos e espaços de instrução e trabalho. Pineau (2002). tem início no Nordeste com a criação de rede pública. no estado do Alagoas. 08) dos anos de 1960.. so- mas encontrando. no início – CEBs. que tenta associar formação profis. esta- texto de desemprego. Amazonas e Ceará. o inverso do que aconte. o apoio do poder bretudo das Comunidades Eclesiais de Base público municipal. mas esta pode feita por Chartier (1986). Ele afirma: (Estevam. Nosella ser subsidiada nos seguintes autores: Laval (1977). 1997) América e Ásia sença forte de lideranças religiosas. Begnami (2003). Silva (2003). Atualmente estão organizadas em nível nacional 2. Na época. eram menos motivados e envolvidos com Em 1987. ela desperta o interesse va prevista a organização de uma Casa em do Estado. É na sional — do ensino técnico de nível médio ao região Sul.] na maioria dos casos. o da alternância [. Minas Gerais. associado ceu na França. 2005). em conseqüência. as EFAs tar dois pontos que serão aprofundados no foram criadas por iniciativa do Movimento de próximo item: a) o contexto explosivo do Educação Promocional do Espírito Santo entreguerras e do pós-guerra em que se obser- (MEPES). tada uma CFR em Três Passos. Mato Grosso do Sul. Esse apoio resultou em algumas facilidades para a implementação das O movimento de origem francesa. as EFAs. e em um con. na União Nacional das Escolas Famílias Agríco. que se consolida o movi- Ensino Superior — e estágio remunerado por mento das CFRs. existem EFAs nos se- guintes estados: Espírito Santo. tamente ligados à construção da proposta peda. res e.. criada em 1982. Segundo Ribeiro. Begnami (2004) Pará. Ensino Fundamental de 5ª a 8ª série. por não estarem dire. Amapá. no as EFAs do que os monitores das CFRs. va o confronto de forças entre liberalismo e ceiro da Igreja católica e da sociedade italiana comunismo e. . município de Barracão e. gógica. Pessotti (1978). foi implan- cidas pela sociedade. Bahia. e sileiras de CFRs e de EFAs. 30) à formação profissional agrícola... críticas por parte de alguns pesquisadores. uma CFR em Arapiraca. feitos por Nosella Duffaure (1985). no municí- pio de Quilombo. Tocantins. Silva As EFAs chegaram antes das CFRs no (2003). porém. Lambert (2002). dessa vez. As CFRs são É uma experiência que encontrou apoio na administradas por pais de estudantes. p. no dia 3 de Outubro de 2005. ligadas à Igreja católica. A partir daí. Tor- que já estavam consolidadas e eram reconhe. Estevam (2003) – nos permitem levan- Brasil. uma preocu- por intermédio do Padre Humberto Pietrogrande. por lide- Igreja. mas nasceu diretamente pela ação de ranças comunitárias e por ONGs e oferecem homens políticos. da Alternância era usada apenas pelas CFRs Santo Antônio das Missões. e os estudos sobre as experiências bra- (2004). suscitando tanto o apoio quanto da Região Sul (ARCAFAR-Sul). 2003). portanto. por meio da pastoral social das igrejas. las (UNEFAB)2. (Nosella. A experiência. são criadas na Itália.. (1977). Maranhão. Rio de Janeiro. Já existem várias CFRs no Rio Grande do Sul. Santa Catarina. 1977. Ijuí. destaca. em 1991. onde estão Até o final dos anos 1960. 32 Marlene RIBEIRO. Rondônia. Piauí. Begnami e Barbosa (2002). a Pedagogia em atividade as CFRs de Frederico Westphalen. durou pouco. em 1981.associação internacional congregando as MFRs. Pedagogia da alternância.

para o risco que pode representar a vitória do cionais até porque estes.1. n.pação maior da Igreja com as questões sociais. e b) o contexto que. v. começa pela Casa onde se realiza o tem. de outro. estabelece-se Igreja e Estado na certo equilíbrio de forças que adquire visibili- compreensão das CFRs e das dade com a criação do Estado do Bem-Estar EFAs Social e com a Guerra Fria. identificados como antecedentes da criação de las camadas populares. criação das CFRs. francês.34. expressa. jan. é de confron- desinteresse do Estado pela escolarização dos to entre o liberalismo. alertar volveu nem docentes nem pesquisadores educa. e o pe. incluída aí a sua face camponeses europeus. Leão XIII expediu várias encíclicas sobre problemas sociais. ríodo entre guerras. arquivos que guardam a memória das CFRs. De início. com Nesse sentido. no final do século XX (Chartier. tam ao século XIX e início do século XX. mas não alternativas educacionais para os camponeses. ciclopédia Mirador. que explica sua posição conser- po de trabalho e. provocada pelo capitalismo e. destaco aspectos que nos permi. principalmente. do século XIX. as encíclicas to. São Paulo. e o que foi produto Progressio sobre o progresso das condições sociais de vida humana (En- histórico de uma época. que se aproxima do que mais brutal. identificada com o nazifascismo. 3. movimento social que toma o nome de Sillon. produziu vá- rios documentos contra o fascismo. faremos algumas des. materializadas nas CFRs e nas EFAs. sa (1917) e início do processo revolucionário na China (1934). Pio XI expediu a Quadragesimo tem compreender o que permanece na Pedago. Se. desses trabalhadores. que vem sendo utilizada nas a Ação Católica no mundo (1922). entre outras estratégias. Esta preten- Pedagogia da Alternância não é uma proposta de. na sua maioria. A conhecem a importância do vínculo entre o es. 027-045. lica com as questões sociais. atentarmos para a situação da Europa na época papais3 e a organização dos cristãos leigos no em que se desenvolvem tais experiências. denunciar a desumanização oriunda do pensamento acadêmico. Nesse contexto e trazendo a discussão para os propósitos do Tanto a iniciativa de criação das CFRs e artigo. na Itália. no entan. os quais re. p. da Ação Católica. segundo o autor. podem ser estado distanciados das questões colocadas pe. o pe. e a história da Educação no Brasil tem registra. o nazismo e o comunismo. podemos pensar que essas ini. Isso porque a presença atuante da Igreja católica. das que vivem nas áreas rurais. é precedi- tudo e o trabalho para que seus filhos possam da de uma longa reflexão em que se destaca a garantir a sobrevivência no futuro. 2008 33 . 1986). Ela não en./abr. destaque para a Rerum Novarum (1891). sobressai a preocupação da Igreja cató- das EFAs quanto a nomenclatura que. Sob essa ótica. na pri. que começa com Marc Sangnier. Educação e Pesquisa. cobertas relevantes que nos possibilitarão o desvelamento das concepções que as informam. mente de um senso comum construído a partir para mostrar que os seus antecedentes remon- das práticas sociais dos trabalhadores. o comunismo fortalecido pela Revolução Rus- do a respeito da educação dos agricultores. na segunda. têm comunismo ateu. antecipar-se ao movimento comunista interna- estar presentes nas experiências que vêm se cional e à sua potencialidade de organização realizando no Brasil. comemorando os 40 anos da Rerum Novarum. organizou gia da Alternância. iniciada no final meira. ou não. Escola onde se realiza o tempo de instrução. pela criação deixam entrever diferenças que estão nas ori. no Brasil. no caso da França. publicitário ríodo pós-guerra. No pós-guerra. mas que poderão. de um lado. Há necessidade de atentar-se para o adotando uma posição conciliadora. Paulo VI é autor da Populorum rurais/do campo. Ano (1931). 1987. Chartier (1986) analisa detidamente os ciativas de educação camponesa resultem tão so. v. no entre guerras. João XXIII é autor da Mater et Magistra experiências dos movimentos sociais populares (1961) e da Pacen in Terris (1963) sobre os progressos da doutrina social da Igreja. só. começa pela vadora. também em relação aos camponeses. as mais completas e esclarecidas. 15). por meio da qual procura gens de sua criação.

11) em 1844. 2003. 46). ria da primeira Casa Familiar Rural. seus sindicatos e suas cooperativas. noma.]. justifi- defesa da democracia como condição do pro.. tudo isso é bom para fazer os citadi- (JAC) 4. com suas ações iniciais tipicamente pas- meio de uma revista do mesmo nome. história da Educação. Para nós (camponeses) é sempre social (Sandri. Em 1916. Todavia. (p. igual! Ou se instruir ou abandonar a terra. Sobre o interesse da Igreja pelas questões sociais e o pensamento apoio dos padres belgas. uma revista pedagógica já denunciava “que trabalhadores rurais em sindicatos e no Movi. 1960. inclui: “As- segurar a colaboração constante e restituir a confiança entre empregados mas devido à sua origem e contexto.. 1986. com o 4. entre suas demandas. adota e empregadores. ver: Messner. Seguindo a orientação do Papa Leão nos. ignorante toda a sua vida. 63) dos pelas correntes democratas cristãs dos Sillons Rurais e do Sécretariat Central d’Iniciative No Brasil. O segundo aspecto importante para a pósitos do movimento de “preparar os agricul. nos anos organização” (Chartier. também não havia interesse. baseado na doutrina social da afirmar que até uma época recente. (2003). lançada torais [. compreensão da Pedagogia da Alternância refe- tores. para a criação do Sindicato ASSESOAR. Dentro do Sillon.Sillon significa sulco em francês. na Fran- influência nos processos de organização dos ça. [. a ausência de políticas educa- Rural (SCIR)5. por ja. 08). é criada em 1966. 2004). funda-se o sindicato que Estudos. o ensino agrícola era insignificante e carecia de mento de Educação de Base (MEB). 52). observamos 2003. organização e protagonismo” (Begnami. uma escola de agricultura e depois isto cus- mocrata a partir da corrente do catolicismo ta caro.. de maneira autô.] XIII. encorajar o desenvolvimento de indústrias rurais a fim de como orientação a Doutrina Social da Igre. para ações afirmativas de participa. por parte do Es- A Igreja católica também exerceu enorme tado. a rural na Europa.. p. ros autores como Calazans (1993). 34 Marlene RIBEIRO. p. em analogia aos pro. Retomando a histó- ção. é reconhecida por inúme- cultores para criar e gerenciar. difunde. Leite (1999). Esse movimento estava enraizado que o próprio pai de Yves. 19). não para formar os camponeses. a Associação de católico a respeito. Em 1918. mas é possível O trabalho da JAC. a partir do movimento sillonista.. Profissional Agrícola dos Cultivadores. é reconhecido por Duarte (2003). na conversa com em um catolicismo social. p. jovens sacerdotes tomaram a iniciativa de Quantos camponeses tendes visto sair de ir ao povo. 1986). A surpresa é modo a não serem influenciados pelo movimen. O Programa do SCIR. 28). Orientação e Assistência Rural – irá dar suporte às CFRs. Surge como organização laica. dos camponeses europeus.JAC. ca seu pedido de ajuda na educação do filho: gresso social” (Silva. em obra na qual coordena estudos sobre educação No bojo da pastoral da Igreja católica. mostra preocupação com a partir do trabalho da Juventude Agrária Católica . 1986. Os pioneiros da Casa Familiar Rural de ou para não abandonar a terra. . Rui Canário (1995). vida não convém generalizar.. formando a tradição religiosa de. a idéia de sulcar a terra preparando- a para receber a semente. (p. permanecer Lot-et-Garone foram profundamente influencia. de Gritti. Essas correntes se propunham a cionais específicas para a educação rural. ao pensava ser a instrução inútil para cultivar a afirmar que: terra” (p. promover a economia dos camponeses” (Chartier. é criada a Juventude Agrária Católica Sim.. Pedagogia da alternância. “Sem dú- 1960 que antecedem o golpe militar no Brasil. na realizar uma formação que qualificasse os agri. pela educação rural. grande quando descobrimos que na Europa to comunista.. Damasceno (2004). por meio da formação e da mudança de re-se ao desinteresse do Estado pela educação mentalidade. cujo princípio era “a l’Abbé Granereau (apud Chartier. p. 5. os campo- Igreja para a construção do sindicalismo no neses eram influenciados por uma corrente que campo.

obras zado em Cascavel. panhado pela geração de empregos ou mesmo Estes seguiam as orientações do Concílio ser retomado o Estado do Bem-Estar Social. A participação na organização e nas lutas pela terra. à Central Única dos Trabalhadores (CUT). to pode significar a oferta de uma formação O processo de luta pela terra. tiveram o apoio de padres e de freiras. p. acompanhamos o processo de (Morissawa. um país que. 2001. tura e a Alimentação) e o PNUD (Programa das ais e práticas agrícolas e avícolas em seus cur. ainda em esses autores denunciam seja a insipiência seja plena ditadura militar. no Paraná. Melo. 1974). também. tanto as políticas ração dos Trabalhadores da Agricultura Familiar quanto as ações do Estado não têm garantido nem (FETRAF-Sul). v. que deu origem ao MST. porém não são identificadas como es. Brasil. reali- Estado para a educação do campesinato. Caldart. no século XIX. p. era vista como sinal de progresso e como “fator de identida. dura. que está na origem da criação da portuguesa. segundo colocado no mundo em concentração colas rurais (Larroyo. Educação e Pesquisa. Neto. em seus criação das CFRs e das EFAs que. 2008 35 . mantém trabalhos manu. tólica e o papel contraditório que desempenha 2004) explicam tanto o acirramento dos confli- o Estado no que tange às políticas públicas para tos nas lutas pela terra quanto a criminalização a educação rural/do campo (Ribeiro. integrada por sindicatos filiados a terra de trabalho. caminhadas. o uso da alternância tan. de terra. Vaticano II — efetuado sob o Pontificado do No próximo item. no Fundação de Desenvolvimento Educação e Pes. a falta de continuidade de uma política de no 1º Encontro Nacional dos Sem-Terra. jan. estarem situadas sua razão de ser na distribuição injusta e extre- no campo. que acompanha. Essas lutas têm como principal característica. do no atual estágio de reprodução e acumulação de mesmo modo que no período anterior à Dita- capital. camente. da organização dos trabalhadores rurais sem- No entanto. Nesse sentido. tenha afirmado que a propriedade da terra deve- derações de trabalhadores rurais. têm artigos 3º e 5º. FETAG/RS. (Morissawa. Bonamigo. 2001. da biotecnologia (Vier. é o rículos. não tiveram e continuam a não ter acesso à terra e que. dos movimentos sociais populares que se envol- 2007). ria atender à sua função social. 2003. 2006). MST. 117). confere uma nova identidade aos sujeitos trabalhadores identificados quisa da Região Celeiro (FUNDEP) e do ITERRA. na língua gica do MST.escola rural em decorrência do esvaziamento A Pedagogia da Alternância na das comunidades rurais no final do século XX. Vimos. 2006). no Rio Grande do pequenos e médios proprietários rurais. São Paulo. Embora. aplicada à agricultura e o interesse do Banco a influência das pastorais sociais da Igreja ca. a implantação e o funcionamento das CFRs volvimento do agronegócio. histori- Pedagogia da Alternância na proposta pedagó. FUNDEP e no ITERRA pois essa escola. vem nessas lutas (Carvalho. O desen- Sul. ocorrer o crescimento econômico acom. de organi- voltada para os interesses dos agricultores como zação dos acampamentos e assentamentos. como a Fede. os congressos dos Sem Terra6. no Brasil. Menezes cias de Escola Nova ou Escola Ativa tendo. a Constituição Federal de 1988 aproximação maior com os sindicatos e as fe. Essas experiências. 09). que pretendem mamente desigual da terra. 2000. 2002). 2005. e a nem as condições de permanência na terra para os FETAG/RS. Caldart (2000) estabelece a diferença entre trabalhadores que. para os que não a possuem. 027-045. em 22/01/1984 de história da pedagogia descrevem experiên. as pode ser um disfarce para a impossibilidade de. 2005. como Sem Terra. veremos a recriação da 6. são nomeados como “sem-terra” e os trabalhadores que estão organizados no MST. sendo a palavra escrita com letras maiúsculas e sem hífen. n. ao mesmo tempo em que terra desde o final dos anos 1970. de acordo com a “FAO volvem atividades de estudo e de trabalho em (Organização das Nações Unidas para a Agricul- regime de internato.1. que é histórica no ser “laboratórios de pedagogia prática”. desen. Nações Unidas para o Desenvolvimento). Mundial por privatizar terras públicas (Martins./abr. Há várias obras que resgatam a história de da aldeia” (p.34. ficando atrás somente do Paraguai” Até aqui. Antonio.

devido a ria Católica” (Sandri. Caldart.. no divergências nas concepções que orientam a segundo. aprovado em 04/12/2001. luta pela terra que alia a essa luta a ocupação e em Puebla.. em Braga/RS. Pedagogia da alternância. esse apoio também pode dissertações e teses. em seguida. lação de uma política pública específica para a assumiu um caráter ecumênico. entre outros documentos. resultando na Assim.Papa João XXIII. elementos essenciais para a compreensão das çou. aos sindicatos e aos partidos políticos. da CPT. 2000. ocorre a divisão e a criação anos 1970. Molina. e lan. maior de sacerdotes e religiosas. Morigi. que con. idosas. Vendramini. de outro. 2001). No Brasil. 2004). 36 Marlene RIBEIRO. com crianças e pessoas inúmeros estudos geradores de monografias. e atualmente funcionando em campo. 1991). é confirmada pelo Parecer 36/2001 movimento cristão que tomou este nome a do MEC/CEB. 2003). do teólogo peruano Gustavo Gutiérrez racionais para a Educação Básica nas Escolas (Löwy. igrejas. contradições expressas nas práticas/concepções mas da terra em 1980. Mais tarde. no Brasil. e é res- volvido pela CPT (Duarte. Envolvendo-se tantes do DER que coordenavam as experiên- no trabalho de formação sindical. Santa Superior aos movimentos sociais populares or- Catarina e Rio Grande do Sul (Estevam. em 1968. envolvendo educação rural/do campo. A FUNDEP e nação geral para padronizar as atividades das o ITERRA oferecem cursos de Ensino Médio e CFRs existentes nos estados do Paraná. do Campo desenvolveu ações que resultaram na e seu trabalho está associado ao que é desen. os trabalhadores sem-terra teriam enormes A proposta pedagógica do MST também dificuldades para sobreviver “acampados debai. em 1979. outras gerando artigos MST definir-se com autonomia em relação às (Ribeiro. 1991) —. no final dos cias pedagógicas. iniciadas com a JAC — Juventude Agrá. A ASSESOAR um conflito de práticas/concepções entre mili- surge em 1966. a relativa ausência do Estado na formu- criação. to de Educação Rural (DER). desse Instituto (ITERRA. Diferente dos documentos produzidos pelas Conferênci. ganizados na Via Campesina-Brasil. . a re a criação da FUNDEP. fundação do ITERRA. algumas transformadas em ser gerador de conflitos. riormente. 99). Pode-se afirmar que é na luta pela “ocu- Também no Paraná. A ARCAFAR-Sul ponsável pela coordenação das ações pedagógicas resulta da necessidade de se criar uma coorde. Ronda Alta/RS. porém. 2004). e objetivos do artigo tratá-las aqui. é um dos bispos católicos e pastores evangélicos. 2003). Esse Coletivo de Educação componentes da leitura marxista da sociedade. dessas organizações que trabalham com forma- as do Episcopado Latino-Americano (CELAM). Igreja e proble. No entanto. em 1995. o MST é um movimento de realizadas em Medellín. em Veranópolis/RS. n. mas fugiríamos aos 1962 a dezembro de 1965 (Löwy. a ASSESOAR. em 1975. como registra Duarte livros (Caldart. está registrada em Cadernos Pedagógicos e em xo das lonas pretas”. p. 1). de Pedagogia da Alternância que nos propo- jas engajadas na CPT e de sindicatos filiados à mos a analisar neste texto. Martins. ção de agricultores. pação da escola” (Martins. 2003. no tinuou “dirigindo suas ações de educação no ano de 1989. (2003). no período de outubro de formação dos agricultores. CUT. a partir da JAC. na A origem dessas organizações evidencia que há primeira. Sem o apoio das igre. o movimento que deu ori. 2004. 2004) que se inse- gem às CFRs divide-se em dois: de um lado. 2004). Esta. justifica o estabelecimento das Diretrizes Ope- pectivas. quando a da escola (Martins. com seu Departamen- ARCAFAR-Sul e. 2002. fazendo aflorar a necessidade de o 2002. Igreja escolheu “dar voz aos que não têm voz” A carência de políticas públicas para a e fez a “opção preferencial pelos pobres”. que partir da obra Teologia da Libertação — Pers. incorpora à Doutrina Social da Igreja de um novo Coletivo. Eram educação rural/do campo. como foi dito ante- inspirados também na Teologia da Libertação. na Colômbia. a liderança é exercida pelo MPA e. houve um engajamento do Campo (Arroyo. no México. pelo MST.

de do Sul julgou improcedente a demanda dos Uma quarta finalidade era raramente anuncia- Movimentos Sociais Populares para que fossem re. em seletivos e adquirir os mesmos níveis de apren- especial. na França. aos que integram esses movimentos. que evidenciam divergências damente os jovens para enfrentarem suas referidas aos projetos sociais que sustentam as realidades de trabalho agrícola e florestal. suas empregos no setor agroindustrial. entretanto. 2001. 1. es- estudo e trabalho. que torna mais competitivo o Vimos alguns elementos os quais permi. encaminhados pelos movi. Coincidem. Administração e Ges. o autor manifesta uma preocupação aqui./abr. efetuado no ITERRA. Educação e Pesquisa. referentes aos vendo agricultores familiares. sucessivos. ampliando o potencial de criação de tem caracterizar a Pedagogia da Alternância. pesquisadores desse tema. na manutenção do ter- mentos sociais populares vinculados à Via mo Pedagogia da Alternância que identifica li- Campesina-Brasil e ao Movimento dos Trabalha. vem sendo apropriada pelos movimentos comu- nitários. afirma que. sem abrir mão do trabalho agrícola. dizado que eram adquiridos por outras vias. FUNDEP e ITERRA. Como eles são levados a diversos locais de o propósito é responder. como pode ser observado nos documentos sem descuidar da formação escolar. p. de posse daqueles ele. que as CFRs. eles texto que é captar as contradições e. no início. Com o apoio do material trazido até Com isso. Essa Pedagogia Para esse autor. durante 3 anos. a alternância era Terra. e Pedagogia da dos anos 1990. um dos perior — Desenvolvimento.34. 2008 37 . n. como condição para efetuar-se uma alternância verdadeiramente integrativa. e ambos realizam a forma. no final tão Rural. enquanto que as tam o método de alternar tempos/espaços de EFAs. Lambert (2002) a define como um projeto estrutural. Ver: Cadernos do ITERRA. porque o governo do estado do Rio Gran. ambos em convênio divulgada como tendo três finalidades: “a orien- com a UERGS —. dirigem seu produzidos por ambos. v. apoio à instalação do ITERRA. A pedagogia da alternância prepara adequa- de diferentes formas. Tanto a FUNDEP quanto o ITERRA ado. A Igreja desempenha um papel essencial na criação da FUNDEP e no Já destacamos. a adaptação ao 2007. ção de educandos. efetuado na FUNDEP. encerraram-se em julho de tação e a inserção profissional. o objetivo do ferentes contextos e a práticas diversas. artigos. reportagens e boletins informati- dores Desempregados (MTD). Outra preocupação nos diferentes movimentos sociais populares sua é com a unidade entre tempos-espaços que se utilizam desse método. chegam ao mercado de trabalho com uma visualizar a que projetos sociais estão vinculadas vantagem extra em relação aos jovens que as experiências de educação popular (Ribeiro. n. estágio. estudaram de maneira tradicional. Pedagogia da Alternância: Estudioso da experiência da MFR de Granit. Nesse item. da: a de uma formação geral que preparasse os alizados cursos específicos direcionados à realidade jovens para enfrentar exames em processos dos trabalhadores e trabalhadoras do campo. trabalhador. a participação da estudos secundários e à formação profissional. São Paulo. em cursos de vos que tratam do tema. nestas. foco para o trabalho agrícola. passaremos à discussão sobre as práticas com a qualidade da formação em que se alter- e as concepções de Pedagogia da Alternância nam trabalho e educação. uma vez que os origens. tão mais direcionadas à escolarização formal. jan. Os cursos em nível su. Estes 2007) que vêm sendo desenvolvidas por CFRs. vros.1. constituem uma mão-de-obra de primeira EFAs. 55). experiências pedagógicas focalizadas. concepções/projetos em conflito no Canadá. e a se adaptar a di- mentos preliminarmente apontados. Igreja7 e a relação com o Estado. nível médio e superior. jovens conquistam dois diplomas. 7. Jean Claude Gimonet (1998). emprego e a qualificação profissional” (p. 027-045. o vínculo com processos coletivos envol. sindicais e de luta pela terra de trabalho.

Afirma a autora que: 8. ordem para os empreendimentos da região e garam a considerar a idéia de que a alter- não encontram nenhuma dificuldade para ter nância escola-empresa pode constituir um trabalho no final de seus estudos. Se. Gérard. e incultos. No mesmo estado neralizar-se. alternância escola-trabalho. Lucie Tanguy (2001) levanta questões a por conseguinte. como rência para a educação escolar. 67). famílias e alunos. ela analisa a busca contínua de aproxi- Esse movimento. comerciais e de serviços. fortemente impelido pelo mação entre as instituições educativas e as empresas. Em outra obra (Tanguy. que che. Há também autores que. Para essa autora: escola e de estágio remunerado nas empresas. constituindo-se a alternância numa for. ainda. Esse ritmo alternado mesma obra. defenden. 37) respeito do formato que tomou a relação empre- sa-escola. 1994). do meio rural. a perspectiva de ruptura com um modelo de educa- autora interroga-se “para qual desenvolvimen. Nesse sentido. historicamente. (p. 41) princípio ativo de toda a educação8. periências de formação de jovens do campo: a forma-se em agente de formação que coopera com CFR de Quilombo/SC e a EFA de Vinhático/ES. sendo adotada na formação profis.. privilegiou o espaço/tem- to?” (p. a Pedagogia da Alternância res. se estes sempre foram ma de viabilizar a relação entre a formação geral identificados preconceituosamente como atrasados e a formação profissional (Clénet. gerou uma mudança radical de atitude cas que buscam a cooperação entre instituições sociais de formação e entre professores. como é possível que uma iniciativa A Pedagogia da Alternância começa a desses trabalhadores venha a tornar-se uma refe- expandir-se na França. trans. estudo mais recente no qual compara duas ex- em vez de ser apenas um lugar de estágios. a eles direcionadas e. em especial. ção que. o autor questiona o modelo adota. técnicas e gerais. caracterizando-o como um movimento Lourdes Helena da Silva (2003) faz um de “dessacralização do saber” em que a empresa. em seu artigo. finalidades. Na na escola e na família. desde o final dos anos 1970. A autora aponta para um movimento de valorização da alternância. empresas industriais. No Brasil. 38 Marlene RIBEIRO. po exclusivo da escola. Acontece em períodos alternados de liza uma pesquisa sobre EFAs. Com qual modelo de educação e de ção em alternância. rege toda a estrutura da escola e a busca a do na França que é “muito diferente do modelo conciliação entre a escola e a vida não permi- alemão construído sobre o princípio da alternância” tindo ao jovem desligar-se de sua família e. forma. nos cursos técnicos de nível médio e Nosella (1977). muitos casos. Ao analisar onal em tempos de desemprego ou conteria a a formação em alternância. para uma forma de resolver problemas de evasão e a relação escola-empresa? de reprovação de jovens das camadas popula. Só a partir da década de 80 do século XX vem despertando o interesse dos pesquisadores é que o emprego da alternância começa a ge. alternância trabalho-estudo sociedade estaria ela associada? Seu papel estaria — que marcam a história das formações em limitado à promessa de inserção social e profissi- alternância em Quebec. compreendendo práti- Estado. no Canadá. em o poder de efetuar a formação deve ser compar. Na a escola. 74). . excluídos de políticas educacionais tilhado. os do a parceria entre escola-empresa.. do Espírito Santo e na mesma época que Paolo sional. sino técnico-industrial e universitário suscita ques- Landry (1998) nomeia quatro termos — ensino tões sobre a natureza dessa metodologia e as suas cooperativo. ao longo da história. afirmam que trabalhadores rurais estiveram à margem e. no ensino regular. Pedagogia da alternância. (p. (p. (p. 28) Já existe um debate sobre a alternância A generalização da alternância para o en- aplicada à formação profissional. Alda Luzia Pessotti (1978) rea- superior. Para Laval (2004). 1999). a alternância tende a ser A alternância consiste em repartir o tempo de generalizada para todas as modalidades de formação do jovem em períodos de vivência formação: profissionais.

do ver-julgar-agir. das 1960. com o objetivo apontam para a sua superação por uma peda. há uma valorização EFAs. p. (Estevam. Em segundo. pelas Pedagógico (Ghedini. as autoras EFAs e pelas iniciativas atuais das empresas que fazem referência ao “sistema de alternância do atuam como agentes da formação profissional? Curso de Agentes do Desenvolvimento Rural. Referindo-se ao Curso Supletivo ra da produção que decorre dessas experiências de 1º grau (atualmente Ensino Fundamental de mostram contradições que ora apontam para a 5ª a 8ª séries) para a formação do Agente de confirmação da Pedagogia da Alternância. entre os exem. 027-045. assim se pronunciam as autoras: sos de construção de uma pedagogia original associada a um projeto de sociedade. tendo por referência a relação prática-teoria-prática e o método Paulo [. observações e con- tes trabalhadores e os estágios curriculares. p. Tornou-se também concretiza em tempos/espaços alternados de referência para a Educação Popular como prática- trabalho e educação. (p. 2005. nas cooperativas. como acontece nas escolas da realidade. em alternância de aparência. Na obra Coragem de Educar (FUNDAP.1. como Estrutura-se com a duração de dois anos. 1980. Comunidade”. nas tóricas de relação entre trabalho produtivo e comunidades e nos sindicatos de trabalhadores. para a qual Freire cria um método que parte aulas teóricas. São Paulo. envolvimento do Educação Popular que lá se desenvolve./abr. Sirena. Para versas informais com educandos. a autora faz uma análise mais profunda do A FUNDEP não dispõe de muitas publi- conceito.obra. com relação ao Tempo-Escola e ao Tempo- alizadas pela FUNDEP e pelo ITERRA e a leitu. encontram-se alguns elementos que per- a reflexão sobre o porquê e o como das mitem estabelecer uma aproximação e algumas atividades desenvolvidas. foram feitas entrevistas com plos. educadores-pesquisadores. do mesmo modo que as CFRs e as pelas CFRs e pelas EFAs. há uma identificação com a dos saberes construídos nas práticas sociais. consiste em e publicação dos resultados do trabalho de uma efetiva implicação. por sua vez. Beto. refere-se aos professores como Na Pedagogia da Alternância. Foi adaptado para o trabalho de Passando à análise da formação feita pela Educação Popular. veremos adiante. 2008 39 . articulado ao método utilizado FUNDEP e pelo ITERRA. pedagogia construída historicamente e identificada principalmente a experiência do trabalho. Em visita à sede dessa Fundação. os cursos noturnos oferecidos a estudan. compreendendo seis etapas com sessenta dias Educação e Pesquisa. O acompanhamento das experiências re. 26) tura/escrita compreendida daquela realidade. va. 1981). trazendo para o debate o uso de uma cações. de preparar lideranças para intervir nos movi- gogia inspirada nas reflexões e experiências his. jan. Essas contradições desvelam proces. citando. vai à leitura e escrita e produz a lei- tradicionais. alternância? Em que se aproxima e em que se Numa outra publicação. maio de 2006. Seria essa uma forma de teoria-prática. mentos sociais do campo. Em primeiro lugar. de maneira a relacionar suas ações com 1994). alternante em tarefas da atividade produti. 1995). ensino. Esse método está historicamente vinculado encontradas e observadas em seu meio. dizagem situações vividas pelos jovens. ou a leitura do mundo. Freire. v.34. nos anos vez da simples aplicação. como Educação Popular. 1978. que é feita pela FUNDEP. Retalhos do diferencia do método usado pelas CFRs. tal formação também se pelas CEBs. Na ocasião. Freire (Brandão. difundida monitores. n. 30) diferenças em relação à proposta do ITERRA.] pois utiliza em seu processo de apren.. ora Desenvolvimento Rural (ADR). na prática. coordenadores entrevistados reconheceram existir uma deficiência quanto à sistematização A alternância real. em à campanha de alfabetização de adultos. 1981. os a autora..

elaborado por Paulo Ricardo Cerioli Retomando a história da Pedagogia da (Caderno da Educação n. cola. Edgar Kolling sistema de alternância (nota n. 14) de trabalho-educação assume. a existência de pro- gia da Alternância quanto do método Paulo jetos sociais e educacionais em disputa. (p. diferenças tanto com as CFRs e as EFAs quan- to com a FUNDEP. ela é apenas um detalhe da organização nhados da análise prevista no objetivo. No texto Pedagogia da Co- operação. 2005). 20) alizados no sistema da alternância.. no ITERRA. 2002). por exemplo.. também há aproximações e Alternância que se faz nas CFRs e nas EFAs. elementos para captar. mentos sociais populares rurais/do campo que n. n. diferenciada da Pedagogia da No ITERRA. na Marti (UERGS). meio de sua doutrina social e.1 Alternância: A escola. em nenhum dos artigos aparece a utilizam a Pedagogia da Alternância. Turma José ríodos: o TE. Freire (UNEMAT). Dossiê MST – Alternância. 1. São os cursos de Pedagogia da Terra oferecidos pelas universidades: Turma Salete Strozake (UNIJUI). na citação (TC). nas práticas/concepções dos Cooperação como superação tanto da Pedago. (p. utilizada pelas EFAs — Escolas Família Agrí- [. Pedagogia da alternância. Eles serão abaixo enumerados e acompa- gia. implícitos nas propostas pedagógicas dos movi- cias dos cursos de Pedagogia da Terra9 (ITERRA. os quais aparecem ao longo do pedagogia da alternância não é uma pedago.] todos os nossos cursos formais são re. ainda que sem aprofundar de- vido aos limites de um artigo. em con. local onde acon- Apresentando a formação em alternância tece o desenvolvimento do processo edu- feita no Curso de Pedagogia da Terra. 18). mação pode ser evidenciada pela enumeração de elementos que sustentam essas práticas/ Estou cada vez mais convencido de que a concepções. que acontecem num sistema de alternância — comunidade ou no coletivo de origem do(a) Tempo-Escola (TE) e Tempo-Comunidade educando(a). que a alternância de tempos e espaços das escolas visitadas. os temas geradores são um engano metodológico quando inven. do curso e da escola e. Turma Paulo Engenharia Social e se concretiza em dois pe. 55) e das diferenças. mais tarde. em Veranópolis/RS. desde a criação das CFRs na França até a organização do MST no No Método Pedagógico (ITERRA. Essa modalidade nos permite trabalhar de forma A análise feita até aqui nos permite reunir conjugada o Tempo-Escola (TE) e o Tem. o autor propõe a Pedagogia da é possível captar. funciona no regime ou vênio entre o ITERRA e a UERGS. expressão Pedagogia da Alternância. a) Há uma interferência da Igreja católica (e/ tados. Escola. cativo/formativo. 13. e o TC. Turma Paulo Freire (UFES). tanto na Europa quanto no Brasil. (p. os projetos sociais Na obra coletiva que resgata as experiên. mas há re- ferências sobre a organização dos cursos em Pedagogia da Alternância: Tempo-Escola (presencial) e Tempo-Comunida. no caso da CPT) por aprendizagem-ensino sobre o real. da grifos no original) Teologia da Libertação. tendem a ser fruto do idealismo e não ou das igrejas cristãs. baseado nas experiências já conhecidas abaixo.. contradições em perspectiva de (não-presencial). 9). a partir das proximidades po-Comunidade (TC). 2004. Tal afir- Freire (1980). . texto. sujeitos políticos coletivos. 181. 6. É possível observar. Turma Onalício de Araújo Barros (UFPA).. (p. a Alternância aparece como parte da 9. Não (2002) afirma: confundir com a Pedagogia da Alternância. uma dimensão própria. 40 Marlene RIBEIRO.

c) As experiências das CFRs e das EFAs são A Teologia da Libertação coloca-se como pos.. como financiador de trabalham nas áreas urbanas porque não pos- políticas sociais para a educação rural/do suem terra. manecer no campo sem ter a garantia da pos- ção. a morte. gogia da Alternância. há o temor de uma rural/do campo em longas e. 2007). de recursos financeiros do Estado (Ri. em decorrência. às vezes. Isso significa que o Rural de Francisco Beltrão.1. para de tempo integral. primeiro não pode oferecer a mesma qualida- tes nas práticas e concepções religiosas que de que os cursos regulares. a um lado. e pela formação mitivo articulado ao trabalho.. Em tempos de desem. 027-045. entanto. pelo processo a dimensão material e a dimensão espiritual. 2004). também. sim. a força como das CFRs e das EFAs é a formação para per- as empresas emergem como agentes de forma. ra observa que os pais de alguns jovens já lador e.34. consciência histórica lhes tem mostrado que contra o latifúndio. para trabalhadores filhos. No privilegiem os trabalhadores rurais/do campo. assim. 2008 41 . à vida e à cul. Os agricultores familiares são apegados safio de ter fé em um ser para além deles à sua terra e à sua cultura e. jan. o reconheci. res brasileiros (Martins. os agricultores familiares podem tam- E a luta pela terra pode ser muito dura e tra. Essa análise é efetuada por Clenir inclusive. ao mesmo de uma política geradora das condições de pro. 2006b. EFAs manifestam a velha resistência de per- b) Há uma ausência do Estado como formulador manecer com a educação rural. segue. de Por fim. 1982). campo é. por parte da Igreja. O a eliminação do trabalho braçal no campo Educação e Pesquisa. pela educação básica. transforma a educação tema capitalista. por políticas sociais que muitas mudanças os fazem perder a terra. A auto- Estado pode não estar presente como formu. Uma das contradições prego e do esvaziamento do Estado do Bem. bém ser radicais nas suas lutas pela terra de zer. perpassado pelas contradi. gosas viagens de ônibus ou dias sem escolas lista e/ou comunista. p. São Paulo. De outro. Kautsky. nesse sentido. nucleação de escolas e as disputas entre es- mento da desumanização e do privilegiamento tados e municípios quanto à responsabilidade do ter sobre o ser. também. O projeto que agricultores-pescadores são expropriados/ social que impregna as práticas/concepções proletarizados para se transformarem em ope- dos movimentos sociais populares rurais/do rários no distrito industrial de Manaus (Ribeiro. o fechamento de escolas rurais. Há situações apontando. implícitos na lógica do sis. em tura dos povos latino-americanos. como a história do vida e de trabalho. peri- emancipação. se da terra. tempo em que avançam com sua proposta de dução/reprodução de uma vida digna para os articular trabalho-educação mediante a Peda- agricultores familiares. Isso é. observa-se. Sua ças para enfrentar a luta pela reforma agrária. responsabilidade do Estado! no de si mesmo e de sua capacidade criadora. Desse modo. e o estágio remunerado. Isso porque. Brasil. Fanck (2007) ao focalizar a Casa Familiar beiro. de expropriação/proletarização dos agriculto- procedendo a retomada do cristianismo pri. ser extraterreno como alienação do ser huma. do trabalhador amazonense como classe. movimentos sociais populares. As contradições também estão presen. inclusive. e mesmo os pequenos proprietári- campo. são mesmos ou de contar com suas próprias for. e o segundo con- atravessam as ações e a produção teórica dos tribui para mascarar o desemprego estrutural. conservadores e resistentes a mudanças. há. herdeira do pensamento socia. 1972). v. em parceria com as escolas e com o apoio. no Paraná. 1982. mais graves que perpassam as experiências Estar Social. Tais contradições se explicitam como se ções de seus militantes que enfrentam o de. que percebe a fé em um porque as estradas estão intrafegáveis. Gritti./abr. atravessadas pelas contradições existentes sibilidade de superação dessa dicotomia entre (Lenine. as CFRs e as MST vem mostrando. n. mas é com a sua conivência que se os não têm como dividir a terra com todos os mantém o ensino noturno.

(Série: Documentos Pedagógicos). pelas contradições uma nova sociedade e educação. BEGNAMI. R. 2002. CHARTIER. (Coleção Educação e Escola no Campo) CALDART. DAMASCENO. L’Aube des fforma orma tions par alternance ormations alternance: histoire d’une pédagogie associative dans le monde agricole et rural. C. isso. Petrópolis: Vozes. N. M. BONAMIGO. nem trabalho? d) Por fim. das EFAs. CALAZANS. 42 Marlene RIBEIRO. os como sobreviverão os jovens formados pelas movimentos sociais populares que lutam pela CFRs e pelas EFAs se não tiverem nem terra transformação social. J. Formação pedagógica de monitores das Escolas Famílias Agrícolas e Alternâncias Alternâncias: um estudo intensivo dos processos formativos de cinco monitores. 1986. Cadernos ICE ICE. inventar mos transpassados. MOLINA. da FUNDEP ITERRA afirmam o seu vínculo com um proje.. parecem apontar para um potencial muito produção. R. M. as ob- to popular de sociedade que venha a superar servações e as análises feitas. Por uma educação do campo campo. O campesinato no século XXI XXI: possibilidades e condicionantes do desenvolvimento do campesinato no Brasil. R. 2004. Setúbal. um papel subordinado na transformação social. que. (Org. In: THERRIEN. estamos mergulhados e vi. Uma geografia da Pedagogia da Alternância no Brasil Brasil. A. Traços de uma trajetória trajetória. e do ITERRA. entre eles a terra. Petrópolis: Vozes.. grande a explorar na Pedagogia da Alternância cia.. Pedagogia da alternância. H. CANÁRIO. e de sobrevivên. C. ______. Superar tais relações. So. Paris: Éditions Universitaires UNMFREO. B. 03-20. Escola Rural na Europa. CARVALHO. F. Campinas: Papirus. a questão é: grantes de sujeitos políticos coletivos. no e dos meios de produção e sobrevivência. os documentos consultados.. Pra mim ffoi oi uma escola escola. O que é Comunidade Eclesial de Base? São Paulo: Brasiliense. M. 1993. CALDART. 38).. 15-42. M. 2003. há uma longa caminhada criada pelos trabalhadores rurais/do campo. assim.). M. como os que vivem a expropriação da terra.. 263 p. 2000. é tarefa de todos peculiares às relações capital-trabalho.Universidade Nova de Lisboa e Universidade François Rabelais de Tours. p. R. n. J. subvertem-se as teorias que lhes têm destinado também. p. uma dimensão pedagógica de for. pode ser visto como um mesmo movimento. 1981. D. por um lado. Passo Fundo: UPF. sencial à manutenção das relações sociais de pro- vendo no modo capitalista de produção. 2003. .. Para compreender a educação do Estado no meio rural. como trabalhadores inte- avanço tecnológico e. 1995. Dissertação (Mestrado Internacional em Ciências da Educação). 1981. por outro. (Coleção Primeiros Passos. BRANDÃO. 2005. mação do novo ser humano socialista. O que é método Paulo Freire? São Paulo: Brasiliense. Brasília: UNEFAB. No entanto. O princípio educativo do trabalho cooperativo. C. C. Com para a construção desse projeto que assume. as experiências da FUNDEP e do A realidade das CFRs. J. 2004. dução capitalista. Belo Horizonte. do trabalho trabalhadores assujeitados às suas leis e. Peda gog Pedagog ia do Movimento Sem Terra gogia erra. Referências bibliográficas ARROYO. Petrópolis: Vozes. BETO. G. Como esquecendo que a separação cidade-campo é es- foi dito de início. considerando as as relações sociais de produção construídas contradições peculiares a uma sociedade de clas- sobre a propriedade privada dos meios de ses.

v.. Método pedagógico pedagógico. GRAMSCI.-M. J. 1985. J. Paris: UNMFREO. 2008 43 . Expressão Popular. MOLINA.. A.Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Marco Social.. 2006. Educação e empreendedorismo no campo. n. 2007. ______. L’alternance en formation “Méthode pedagogique ou nouveau systéme éducatif ?“ L’experience des Maisons Familiales Rurales. Sobre a evolução do conceito de campesinato campesinato to. Conscientização Conscientização: teoria e prática da libertação – uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. Tese (Doutorado). J. ESTEVAM. 027-045. Veranópolis. 2003. Casa Familiar Rural Rural: a formação como base da Pedagogia da Alternância. CLÉNET. D. I e II./abr. 2005. 1972. V. Francisco Beltrão: Grafit. Moraes. M. Paris: Editions Universitaires. Os intelectuais: o princípio educativo. 1980. C. M..1.-N. PILON. D. São Carlos: UFSCAR. n. jan. São Paulo: Cortez. 184 p. Education. Cora gem de educar Coragem educar: uma proposta de educação popular para o meio rural. v. dez. 1995. KAUTSKY.-N. set. São Paulo: Via Campesina. S. Rio de Janeiro: Paz e Terra. p. Tradução. ______. n. Educação e Pesquisa Pesquisa.34. Memória cronológ ica cronológica ica. Educação como prática da liberdade liberdade.. E. Cadernos do Cárcere Cárcere. apresentação e comentário de Paolo Nosella. 44 p. 249 p. 30.Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. S. jan. Revista Educação Rural Rural. Paris: Éditions L’Harmattan. 2003. Educação e Pesquisa. p. Pedagogia da Alternância: uma forma diferente de capacitar jovens rurais: uma educação rural diferenciada. FREIRE.. (Coords.-M. . C. DEMOL. São Paulo: Vozes. A questão aagg rária rária. ______. 7. Rio de Janeiro: Instituto Souza Cruz. ENCICLOPÉDIA MIRADOR. Documento Inédito. développement personnel et local local. Técnico em Agropecuária Agropecuária: servir à agricultura familiar ou ser desempregado na agricultura capitalista. GRITTI. São Paulo: FAE/ USP.CHARTIER. 9. 2005. 1. n. K. (Coords. Veranópolis. Retalhos do Pedagógico (Aspectos do I Relato da Sistematização das Práticas da FUNDEP). DAMASCENO. SIRENA. 51-66. Passo Fundo: UPF. n. PILON. 101 p. 2001. p. 1994. C. In: DEMOL. v. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.). 1998. FETAG/RS. 1998. 25-27. Porto Alegre: 2007. M. p. G. 153 p. Alternance. FANCK. 2004. P. Soixante ans d’histoire des maisons familiales rurales rurales. 2007. FUNDEP. Partenaria Partenariatt et alternance en éduca tion éducation tion: des pratiques a construire. n. A alternância na formação do jovem rural rural. Cadernos UNIJUI UNIJUI. 1989.. 1994. 2 ed. Escolas públicas no campo campo. Papado Papado. Caderno 12 12: apontamentos e notas esparsas para um conjunto de ensaios sobre a história dos intelectuais. São Paulo. N. 1. Alternance. 1978. Porto Alegre: 2007. GIMONET. Estudos sobre educação rural no Brasil: estado da arte e perspectivas. GHEDINI. développement personnel et local local. 1987. Paris: Éditions L’Harmattan. DUFFAURE. São Paulo. J. 2001.. 72 p. ______.-C./abr. GUZMÁN. 51-72. UNMFREO. 2. milieu et alternance alternance. J. ______. et al. Ijuí: Ed. 2. 2004. Paris: Édtions L’Hartmattan. de O. 2003. ITERRA. M. v. 13-15. Cadernos do. 8 ed. Florianópolis: Insular. p. Dissertação (Mestrado). UNIJUI. Educação rural e ca pitalismo capitalismo pitalismo. Porto Alegre. 1997. GÉRARD. J. M. fev.). Entre a enxada e o lápis lápis: a prática educativa da Casa Familiar Rural de Francisco Beltrão/PR. A. Porto: Portucalense. DUARTE.

V. ______. F. I. São Paulo: Cortez. 194 p. 4. 441-546. São Paulo: Mestre Jou. Vários Autores. Rio de Janeiro: FIOCRUZ/EPSJV. MORISSAWA. PINEAU. LARROYO..KOLLING. Autores Associados. MORIGI. nov. (CD-Rom). 204 p. J. . Caderno de Educação Educação. A. G. 1982. C. Educação e Saúde rabalho. p. Rio de Janeiro: Quartet.). Peda gog Pedagog ia da alternância gogia alternância: formação em alternância e desenvolvimento sustentável.-N. Tra balho. Brasília: Cidade Gráfica. Ref orma Ag Reforma rária quando? CPI mostra as causas da luta pela terra no Brasil. 1. M. Vários Autores. 2004. I e II. 2002. P. 2003. 67-77. 2001. 2. NOSELLA. 62-73. J. Sobre educação educação. n. Rio de Janeiro. 1982. 1974. O Banco Mundial e a terra terra. Lisboa: Seara Nova. São Paulo: Abril Cultural. MARTINS. O Ca pital Capital pital: o processo de produção do capital. Expropriação & violência violência: a questão política no campo. PESSOTTI. História geral da peda gog pedagog ia gogia ia. MESSNER. v. 2006.-M. II.. 1998. Trabalho e educação na formação de agricultores: a pedagogia da alternância. Alternance. São Paulo: 1977.Fundação Getúlio Vargas – IESAE. Santa Maria: UFSM. développement personnel et local local. 1999. Documentos e Estudos – 1990/2001. Grandeurs et misères des formations en alternance au Québec “pour quel développement ?“. 2006b. MARX. Veranópolis: ITERRA. In: UNEFAB.. ______. C. In: UNEFAB. Porto Alegre: Mediação. M. K. MENEZES NETO. D. Edição Especial. 1978. LÖWY. Formações universitárias em alternância no Canadá e na França. Políticas públicas em trabalho. 263 p. A. A escola não é uma empresa empresa: o neoliberalismo em ataque ao ensino público. educação e tecnologia: uma história em movimento. E. A. p. J. A história da luta pela terra e o MST MST. S. 2006. 1978. v.). 1977. 10 p. Madrid: Nuevas Gráficas. 2004. Londrina: Planta. D. 2 ed. MELO. Dossiê MST – Escola. (Coords. p. v. Brasília: Cidade Gráfica. Vários Autores. In: DEMOL. p. Paris: Éditions L’Harmattan. 2003. Gestão democrática e ocupação da escola escola: o MST e a educação. 6. T. J. 1982. São Paulo: Difel. Pedagogia da alternância. 2 ed. LAMBERT. 33-42. São Paulo: Viramundo.. MARTINS. Escola rural: urbanização e políticas educacionais educacionais. São Paulo: Hucitec. Escola do MST MST: uma utopia em construção. (Org. A maison familiale rurale de Granit (em Québec. LENINE. 44 Marlene RIBEIRO. J. .. In : UNEFAB. C. 54-61. M. 2002. LEITE. 13. nov. Uma nova educação para o meio rural rural: sistematização e problematização da experiência educacional das Escolas da Família Agrícola do Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo. O desenvolvimento do capitalismo na Rússia Rússia: o processo de formação do mercado interno para a grande indústria. 2005. 2004. PILON. LAVAL. M. Alternância e formação universitária: o MST e o curso de pedagogia da terra. Dissertação (Mestrado)- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Pedagogia da alternância alternância: formação em alternância e desenvolvimento sustentável. Porto Alegre: EST. set. Livro 1. n. São Paulo: Cortez. F. LANDRY. J. Brasília: Gráfica do Congresso Agrária Nacional. RIBEIRO. 1991. São Paulo: Expressão Popular. J. 2002. L. p. Santa Maria: Anais Anais. Além da terra terra: cooperativismo e trabalho na educação do MST. MST. v. V. La question social social. Canadá). São Paulo. de S. Pedagogia da alternância alternância: formação em alternância e desenvolvimento sustentável. 1977. nov. Brasília: Cidade Gráfica. Escola da Família Agrícola Agrícola: uma alternativa para o ensino rural. Saúde. 2006a. In: ANPED-Sul. Marxismo e Teolog ia da Libertação eologia Libertação. Dissertação (Mestrado). 1960. MARTINS.

34. 1. Anchieta/ES. Manaus: EDUA. n. Educação em movimento na luta pela terra terra.08 Marlene Ribeiro. BARBOSA. Sa beres e competências Saberes competências: o uso de tais noções na escola e na empresa. SANDRI. As experiências de fformação ormação de jovens do campo campo: alternância ou alternâncias? Viçosa: UFV. S.07 Aprovado em 20. (Orgs. L. Do sistema educativo ao emprego – formação: um bem universal? Educação e Sociedad Sociedade.. Campinas: CEDES.. Estado e Educação: questões às políticas de educação do campo. Recebido em 26. 1999. Educação Rural Rural. J. M. Educação Popular como construção coletiva dos Movimentos Sociais Populares. Movimentos Sociais e Educação.). W. C. Peda gog Pedagog ia da Alternância e desenvolvimento rural gogia rural: um estudo sobre a Casa Familiar Rural de Reserva – Paraná. ANTONIO. alegria em conviver. 2004. n. Dissertação (Mestrado). Porto Alegre. ANPED. é membro do Comitê Científico da ANPED e líder do grupo de pesquisa Trabalho. BEGNAMI. In: XXIII Simpósio Brasileiro – V Congresso Luso Brasileiro – Colóquio Ibero-americano da Associação Nacional dos Pesquisadores em Administração Escolar – ANPAE. 2007. com pós-doutorado em Políticas Públicas e Formação Humana efetuado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.. jan. São Paulo. C. L. H. 48-69. Revista Brasileira de Educação Educação. n. 2 ed. 20-39. Anais Anais. (Orgs. é professora titular em Filosofia da Educação da graduação e da pós-graduação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 027-045. SOMANLU . Ponta Grossa. 2001. n. 2007. B. p. R. 2003. TANGUY. 2007.. p. ago. VIER. In: ROPÉ. 11-12. p. Escola Família Ag rícola Agrícola rícola: prazer em conhecer. p. Porto Alegre: FETAG/RS. maio/ago. UNEFAB. n.. Dimensão pedagógica da violência na formação do trabalhador amazonense. Campinas: Papirus. S. 15 p. Racionalização pedagógica e legitimidade política. doutora em Educação. 2005. In: II Simpósio Luso Brasileiro Trabalho. foi coordenadora do GT Trabalho e Educação. 2004. ______. L. no Brasil Brasil.). Ponta Grossa. J. set. F./abr. RIBEIRO. 67. Trabalho cooperativo no MST e ensino fundamental rural: desafios à educação básica. SILVA.04.). (Org. CTA/ZM. 2008 45 . 2004. 2007. v. Educação e Pesquisa.______. RIBEIRO. Movimentos Sociais e Educação. ______. VENDRAMINI.Revista de Estudos Amazônicos. Belo Horizonte: AMEFA. 2002. 2002. Educação que garanta a formação de agricultores. pesquisadora com apoio do CNPq.1. Florianópolis: UFSC/CED/NUP. 1. 162 p.. L. Florianópolis: UFSC. 16 p.. 2001.02. 55-80. TANGUY. ______. 17. p. A.Universidade Estadual de Ponta Grossa. São Paulo: Autores Associados. T.