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ESTUDO DA BIODEGRADAÇÃO DE POLÍMEROS NATURAIS

Antonio Pereira Vinagre


Elisa Espósito
a.vinagre@ig.com.br

1-Resumo

Amostras dos polímeros (PCL e PCL+amido 30%) de aproximadamente 1 cm de


comprimento por 0.5 cm de largura, foram enterrados durante 120 dias à uma profundidade de 3cm
sob condições ambientais, controladas periodicamente quanto ao teor de umidade e temperatura.
A ação da microbiota do solo foi avaliada pela determinação da perda de peso e Microscopia
Eletrônica de Varredura. Todas as amostras testadas sofreram ação microbiana, entretanto a
amostra que apresentou maior taxa de degradação foi aquela enterrada em um solo fértil (TABELA
1). Este solo, coletado na Chácara de São Miguel Paulista (SP), é empregado no cultivo de
hortaliças, sendo periodicamente adubado e enriquecido, em contato com a microbiota indígena
presente, os fragmentos de polímero perderam cerca de 40% do peso inicial (TABELA 2).
A amostra de solo da Chácara William, região de São José dos Campos (SP) também
apresentou bons resultados (TABELA 2) porém aquém aos primeiros aqui citados. Foram
coletadas amostras de solo do aterro sanitário controlado da Volta Fria em Mogi das Cruzes, o qual
será utilizado para isolamento e teste de atenuação natural, a fim de determinar o potencial da
microbiota indígena sobre os polímeros testados. Estão sendo realizadas análises físico-químicas
deste solo a fim de caracteriza-lo. Foi dado início aos testes de biodegradação empregando o
método do “Sturm Test”. Ao final de 45 dias as amostras serão analisadas quanto a perda de peso,
massa molar pela técnica cromatográfica de GPC (gel permeation chromatograph) e Microscopia
Eletrônica de Varredura.
Foram iniciados os testes de “Sturm” com base nas normas da ASTM D-5338. Através da
implementação destes testes pretendemos padronizar a metodologia de biodegradação, medindo
parâmetros como liberação de CO2 durante a atividade microbiana.

TABELA 1. Características físico-químicas dos solos estudados:


Procedência PH Densidade Umidade Matéria Resíduo Nitrogênio Fósforo Enxofre Relação
do solo Total Orgânica Mineral Total Carbono
Total Total Nitrogênio
Chácara São 4,7 0,86 g/cm3 29,95% 11,05% 59,00% 0,20% 0,02% 0,06% 31/1
Miguel
Chácara 4,1 1,01 g/cm3 15,91% 6,55% 77,54% 0,18% 0,05% 0,04% 20/1
William
Aterro Volta
Fria*
*As análises estão em andamento
TABELA 2. Avaliação do processo de biodegradação dos polímeros pela microbiota do solo após
incubação de 120 dias :
Procedência do solo PCL+amido PCL PCL+amido PCL
30% (peso (peso 30% (peso final) (peso final)
inicial) inicial)
Chácara São Miguel 0,0224g 0,0648g 0,0040g 0,0383g
Chácara William 0,0398g 0,0304g 0,0283g 0,0284g
Aterro Volta Fria*
*Em andamento

2-Introdução:

Nos últimos anos, o homem vem descobrindo a necessidade da preservação do


ambiente em que vive. Algumas questões como a produção de grandes quantidades de lixo,
utilização de fontes renováveis e impactos ambientais gerados pelo mal uso dos recursos naturais
tem feito com que pesquisadores busquem soluções e criem novas tecnologias capazes de
resolver estes problemas.
Os polímeros biodegradáveis vem ganhando campo e sendo utilizados em diversos
segmentos da indústria. Há uma busca por materiais que substituem os polímeros derivados do
petróleo afim de reduzir a dependência deste fonte.
Os polímeros biodegradáveis como PHB (poli-β -hidroxibutirato) ou PHB-V (hidroxibutirato-co-
valerato) e o PCL (poli-ε -caprolactona) são sintetizados por bactérias.
Como por exemplo:

Bactérias: Substrato: Principais monômero do PHA


Alcaligenes eutrophus Frutose 3HB
Alcaligenes eutrophus Ácido propiônico 3HB e 3HV
Pseudomonas oleovorans Ácido octánoico 3HHx, 3HO e 3HD
Haloferax mediterranei Amido 3HB e 3HV
Pseudomonas putida Glicose 3HHx,3HO,3HD,3HDD,3HTD,
3HDD∆5 , 3HTD∆7

A síntese de PHAs está associada a capacidade da bactéria sintetizar hidroxiacil-CoA e


da presença da enzima PHA sintase que é responsável na união dos monômeros ao poliéster.
A produção de PHB na célula bacteriana ocorre na via metabólica de degradação do
carboidrato envolvendo também o Ciclo de Krebs como descrito: A β -cetotiolase que catalisa a
reação de duas moléculas de acetil-CoA, resultando na molécula de acetoacetil-CoA, que ser[a
reduzida a D(-)-3-hidroxibutiril-CoA com o auxilio da enzima 3-cetoacil-CoA redutase está
catalisação depende de NADPH. Por fim a enzima PHA sintase cataliza a polimerização da
unidade D(-)-3-hidoxibutiril-CoA a um polímero em crescimento.
A enzima que regula está via metabólica é a β -cetotiolase,que em condições normais de
crescimento bacteriano, onde todos os nutrientes necessários à multplicação celular estão
disponíveis, tem-se altos níveis de coenzima A (CoA) livres isto graças à grande demanda por
grupos acetil pelo ciclo de Krebs para formação de esqueletos carbônicos e a geração de energia.
Supõe-se que as altas taxas de CoA tem efeito inibitório sobre a enzima β -cetotiolase, impedindo
a síntese de PHB. Em excesso de fonte de carbono e energia mas com a limitação de alguns
nutrientes como: nitrogênio, ferro, fósforo, magnésio impedindo a multiplicação da bactéria, a
demanda por acetil diminui, e com isso os níveis de CoA livre se tornam reduzidos, diminuindo a
inibição sobre β -cetotiolase e desencadeando a síntese de PHB.(Gómez e Bueno Neto, 2000)
" Fig 1-:Via metabólica do PHB com ciclo de Krebs"
Nestes microorganismos os polímeros tem função de reserva de energia (carbono). A
biodegradação destes grânulos na bactéria é feita pela enzima PHB despolimerase, no entanto
está mesma enzima não é eficiente na degradação dos polímeros extracelular que são degradados
por bactérias e fungos. A diferença da atuação esta associada a característica dos polímeros
extracelulares que podem ser altamente cristalinos enquanto os grânulos que servem de reserva
na bactéria mantém sempre o estado nativo ou amorfo.
Na verdade a composição dos polímeros bem como suas características físicas tem
grande influencia na degradação, como veremos mais a frente.
Algumas diferenças entre os polímeros sintéticos e os polímeros bacterianos como a
quantidade de unidades repetitivas ao longo da cadeia química ou outras característica morfológica
como o fato de ser hidrofóbicos facilitam a degradação em relação aqueles que são hidrofílicos. A
massa molar também interfere diretamente na biodegradação das cadeias de carbono. Enquanto
cadeias com alta massa molar dificilmente são degradadas as cadeias com massa molar menor
são rapidamente quebradas.(Brandl e col., 1990)
Além é claro de fatores que interferem na degradação de polímeros sintéticos e os
polímeros verdes, como também é chamado o material plástico produzido a partir de
microorganismos. Estes fatores podem ser processos de oxidação promovidos por raios ultra
violeta (UV) ou os raios X (Chandra e Rustgi,1998).
A associação de polímeros com características diferentes (blendas), interferem
diretamente na capacidade deste polímero ser biodegradável.
Em todo o mundo tem havido a preocupação de padronizar e regulamentar o conceito de
biodegradação, seja com publicações de normas, definição dos testes e/ou condições do conceito
para o processo de degradação natural. Mas o que é biodegradação?
A biodegradação é um processo natural em que químicas orgânicas no meio são
convertidas a componentes simples, tais como carbono e nitrogênio, que serão posteriormente
mineralizados e redistribuídos através de ciclos elementares. Podemos dizer também que a
biodegradação dos polímeros é um processo no qual bactérias, fungos e leveduras utilizam suas
enzimas que consomem substâncias destes como fonte de alimento modificando a forma original
do material até seu desaparecimento.(Rosa e col. 2002; Chandra e Rustigi, 1998).
Na tentativa de padronizar os plásticos biodegradáveis, algumas definições foram
publicadas tais como:
- ISSO 472(1988): Um plástico determinado, que sofre alterações na estrutura química, sob
específicas condições ambientais, resultando na perda de algumas propriedades que devem ser
mensuradas por testes com métodos padrão apropriados. Em períodos de tempo pré
determinados, sendo que estás mudanças na estrutura química devem resultar da ação natural
de microorganismos.
- Sociedade de Plásticos Biodegradáveis do Japão (proposta de projeto): Plásticos biodegradáveis
são materiais poliméricos com baixa massa molar que sofrem processo de degradação aos
poucos na presença de microorganismos.
- ASTM(proposta D20.96): Plásticos biodegradáveis são plásticos que sofrem cortes nas ligações
da cadeia do polímero sejam estes cortes químicos, biológicos e/ou por força física no meio
ambiente levando a uma fragmentação ou desintegração do plástico.
A preocupação com o meio ambiente é rota sem retorno, mesmo porque dela depende a
humanidade, e estimando que o petróleo é um bem finito, surge um novo campo com perspectivas
incalculáveis de produção. E neste cenário o Brasil tem posição privilegiada como produtor de
polímeros naturais ou biodegradáveis.

2-Objetivos:

Geral
Estudo dos microrganismos indígenas nos solos compostado testado e quantificação da
degradação dos polímeros naturais.
Específico
Identificação da microbiota indígena nos solos.
Quantificar a degradação dos biopolímeros através da produção de CO2 com o método
de Sturm teste.
Selecionar linhagems com potencial biodegradativo.

3- Materiais e Métodos:

A metodologia do Sturm teste consiste em intercalar 3 erlenmayers adicionando hidróxido


de bário no primeiro e no terceiro frasco enquanto no segundo o polímero é enterrado no solo. Está
seqüência de erlenmayers é interligada por pequenos tubos (FIGURA 1). A aeração será mantida
com um compressor de ar conectado no primeiro recipiente (onde o CO2 contido no ar, fica retido
no hidróxido de bário). O ar isento de CO2 passa para segunda câmara onde os microorganismos
estarão em contato com polímero e a temperatura média de 56°C.
A respiração celular vai produzir CO2, que será transferido pelo fluxo de ar até a próxima
câmara. No terceiro erlenmayer o CO2 da respiração celular reagirá com hidróxido de bário
formando carbonato de bário e precipitando.
Por intermédio de uma titulação com ácido clorídrico a quantidade de CO2 captado neste
ultimo recipiente será determinado.
O isolamento dos microrganismos capazes de degradar os biopolímeros , será feito em
meio de cultura seletivo contendo os biopolímeros em estudo como fonte de carbono. Também
serão feitos isolamentos em meio mínimo, contendo grânulos de PCL (Rossine e col. 2001).
A biodegradação dos polímeros pode ser estimada por microscópia eletrónica de
varredura ou ainda pela observação da massa das propriedades mecânicas e a comparação da
massa molar antes e depois da biodegradação (Kim e col., 1999)(Yuji O. e col., 1995).
Referências Bibliográficas:

1-Gomez, J.g.c. e Netto, CLB. (2001).Produções de poliésteres bacterianos. Em Biotecnologia


Industrial. Volume 3- Processos fermentativos e enzimáticos. Editora Edgard Blücher ltda. 219-248.
2-Brandl H. (1990).Plastic from bacteria and for bacteria:poli(β -hidroxyalkanoaes) as natural,
bicompatible and biodegradable polyesters.Adv. Biochemistry Engineering and Biotechnology.
41,77-93.
3-Chandra, R. Rustgi. 1998). Biodegradable Polymers. Program of Polymer Science, 3: 1273-1335
4-Rosa D. S; Chui Q.S.H.(2002) Avaliação da Biodegradação de poli-β -(hidroxibutirato-co-
valerato) e poli-ε -(caprolactona) em solo compostado. Polímeros: Ciência e Tecnologia, 12 (4),
311-317
5-Rossini C. J.; Arceo J. F.; Mc Carney E. R.; Augustine B. H. (2001).Use of In-situ Atomic Force
Microscopy to monitor the biodegradation of Polyhydroxyalkanoates (PHA) Macromolecular
Symposia (V.V. Tsukruk and N.D. Spencer Eds), 141, 167-173.
6-Kim M-N.; Lee A-R.; Yoon J-S.; Chin I-J.; (2000) Biodegradation of poly(3-hidroxybutyrate), Sky-
Green® and Mater -Bi® by fungi isolated from soils. European Polymer Journal, 36, 1677-1685
(2000).
7-Yuji O.; Hiroyuki A.; Teizi U.; Kenzo T.; (1995) Microbial degradation of Poly(3-hydroxybutirate)
and Polycaprolactone by Filamentous Fungi. Journal of Fermentation and Bioengineering, vol. 80
n:3 265-269 (1995)