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Escola Superior de Enfermagem do Porto

Estágio de Saúde Infantil e Juvenil
Ano Lectivo 2007/2008
1º Semestre

PERSPECTIVAS DO
CONCEITO DE PARENTALIDADE

Trabalho realizado por: Renato Nunes, Nº 428.

Docente Orientadora: Professora Paula Sousa

Porto
Outubro de 2007

....................................................................................... Referências Sitiográficas............................................................... Perspectivas de Parentalidade ..................... Conclusão ....................... Bibliografia ........... O Conceito de Parentalidade ...12 7. Considerações Finais ..........6 5...... 0.......................................................... As Funções da Parentalidade ..15 8.......................................................... Referências Bibliográficas ..............................5 4........................14 8...................................................17 2 ........................................................1..........................2.................4 3.......... ÍNDICE 1......................................................15 8....... Novas formas e estruturas de parentalidade ................................................2 2....................................................................8 6.................................. Introdução ............

FERNANDES. segundo o Conselho Internacional de Enfermeiras consiste no: “Conjunto de seres humanos considerados como Unidade Social ou todo colectivo composto de membros unidos por consanguinidade. também o pai pode sentir-se colocado de parte não sabendo como lidar com a situação. que pode estabelecer pela interacção com uma pessoa ou um grupo de pessoas (família ou comunidade). (BRAZELTON. A unidade social constituída pela família como um todo é vista como algo mais do que os indivíduos e as suas relações pelo sangue. O enfermeiro na prática profissional. por LOPES. Trata-se de um termo ambíguo e muitas vezes confundido com conceitos do mesmo campo lexical. que constituem a parte do grupo” (CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMEIRAS. 2005). incluindo as pessoas significativas. a sua actuação e as suas intervenções são geralmente capazes de influenciar os cuidados e o bem-estar da família (LOPES. afinidades emocionais ou relações legais. em que pretendo fazer uma revisão bibliográfica de vários autores acerca da definição de “Parentalidade”. Uma boa relação conjugal é necessária e só o apoio mútuo do casal. implica uma redistribuição de papéis entre os cônjuges. possui vários focos de atenção. que nem sempre é fácil. Desta forma. 2002). podendo provocar uma crise afectiva na mãe que centrando-se na criança. Família. pode menosprezar o pai. 1. ano lectivo 07/08. 2005) ignorando como cumprir os seus papeis de pai e marido. INTRODUÇÃO: Este trabalho é realizado no âmbito do Estágio de Saúde Infantil e Juvenil do 6º Curso de Licenciatura em Enfermagem. afinidades emocionais ou relações legais incluindo as pessoas significativas. A inclusão de uma criança no seio familiar traz importantes mudanças no formato familiar e exige maturidade intelectual e psicológica dos pais. Quando o enfermeiro tem como alvo a família. 1983 cit. FERNANDES. É na 3 . permite o desenvolvimento e crescimento do bebé. Esta adaptação.

prestação dos cuidados à criança. De seguida apresento o conceito de parentalidade e suas funções. viso como objectivos do trabalho:  Enquadrar a parentalidade quanto à sua origem e factores necessários para o seu desempenho. Para atingir os objectivos anteriores dividi o trabalho em oito partes. encontrando pontos comuns e disparidades. segundo a perspectiva de vários autores. seguidas da bibliografia. mesmo quando necessitam de ajuda para explorar essas mesmas capacidades. Para atingir este fim. em que incluo um enquadramento do tema. apresento uma síntese geral do trabalho e a conclusão. A finalidade deste trabalho passa por alargar os conhecimentos relativos ao tema e dar a conhecer as várias perspectivas de parentalidade. Por conseguinte serão exploradas várias definições de parentalidade e os pressupostos que lhe estão subjacentes. seguidas pela explanação de diferentes estruturas de parentalidade.  Relacionar as várias perspectivas. mas entregando a sua individualidade através das características e funções que lhes são inerentes e nas quais são os mais capazes. 4 . satisfazem as necessidades da criança colaborando ambos nas necessidades básicas. sendo constituído pela presente introdução. em que tanto a mãe como o pai. E finalmente.  Definir parentalidade. que os pais são capazes de estabelecer os vínculos da parentalidade necessários.

A esta fase segue-se a fase formal. EVERETT. que se desenvolve ainda durante a gravidez e que evidencia a experimentação do papel parental por parte dos pais. em que Larrousse (1996) procurando apontar para o significado de “Parental”. propriamente dito. O domínio da Parentalidade é ainda bastante recente. quer no que se refere às análises sociológicas do termo. 2002. BULLOCK. pp. Inicia-se com a fase antecipativa. por RELVAS & ALARCÃO. o define da seguinte forma: “Relativo ao Pai e Mãe: autoridade parental” (LARROUSSE. 266). 2005). e das mudanças sociais e psicológicas intrínsecas ao processo. com o nascimento do bebé e o desempenho do papel parental. 2. segundo as 5 . Tornar-se pai requer uma transição para novos papéis e responsabilidades. A Parentalidade tem sido descrita como um dos temas de saúde com maior relevância na sociedade actual. A faceta comportamental da Parentalidade tem sido amplamente estudada e aprofundada no sentido de proceder à identificação do tipo de acções que os pais efectuam. culminando no surgimento de problemas de saúde e sociais significativos (GAGE. 1996 cit. A Parentalidade desenvolve-se por meio de quatro fases distintas. 2005). das condições em que efectuam essas acções e dos factores que possibilitam a diferenciação da acção parental e que constituem aspectos fundamentais para a interpretação e definição do conceito de Parentalidade (CRUZ. denotando-se que a sua ausência ou alteração. 2006). Os primeiros estudos reportam à década de 70. podendo interferir no saudável desenvolvimento físico e emocional da criança. quer no que diz respeito à abordagem psicológica da questão. Sabe-se que o exercício da parentalidade intervêm ao nível da promoção da saúde e bem estar da criança. influencia. O CONCEITO DE PARENTALIDADE “A Parentalidade é porventura a tarefa mais desafiante da vida adulta” (CRUZ.

a criança entra em contacto com o ambiente que a rodeia.“Resposta às necessidades de compreensão cognitiva das realidades extra- familiares”. AS FUNÇÕES DE PARENTALIDADE Inerente à temática em exploração. e traduzindo uma etapa em que os pais adquirem confiança e competência no desempenho do papel e da sua parentalidade surge a fase de identidade do papel (LOPES. 3. . quer socialmente. nomeadamente à Parentalidade surge a importância de efectuar uma alusão às funções da Parentalidade.“Disponibilizar à criança um mundo físico organizado e previsível”. os pais desenvolvem a sua parentalidade de forma única. . Quais as funções da Parentalidade? A que exigências e necessidades da criança deve a Parentalidade atender? Baseando-me em Parke e Buriel (1998). interagindo com o mesmo quer física. denominando-se esta etapa de fase informal.“Satisfação das necessidades mais básicas da criança”: Compreende o conjunto de comportamentos adoptados pelo cuidador no sentido de dar resposta às necessidades mais básicas de sobrevivência e saúde da criança. Através dos pais. os pais funcionam como mediadores e intérpretes do mundo exterior face à criança. 6 . No desenvolvimento da criança. Por fim. procurando adaptar-se às necessidades e exigências inatas à criança. Esta função envolve também a produção de uma variedade de estímulos que visem a criação de um ambiente familiar estimulante. Envolve a organização de espaços. objectos e tempos que permitam a criação de rotinas. são cinco as funções da Parentalidade que passo a enunciar: . Com base nas expectativas dos outros. 2005). FERNANDES.expectativas dos outros.

NOVAS FORMAS E ESTRUTURAS DE PARENTALIDADE A estrutura familiar é composta por pessoas que apresentam um estatuto social e que interagem regularmente. verifica-se uma alteração dessa estrutura e os papéis necessitam ser redefinidos. os filhos podem ainda surgir em casais de lésbicas por fertilização in vitro ou em casais homossexuais através de mães de aluguer (HOCKENBERRY. cit. a família é composta por pares do mesmo sexo. quer sejam adoptados ou acolhidos por estes casais. divórcio. 2006). 1998 cit. por CRUZ. ou morte (…). Quando ocorre o ganho ou perda de membros por casamento. È nesta que vigoram as normas e os valores que caracterizam a comunidade onde a criança se encontra inserida. Revela-se essencial a criação de relações vinculativas entre pais e filhos. possuindo o casal filhos. entre outras) e novas formas de organização familiar foram e vão surgindo. nascimento. Tradicionalmente.“Satisfazer as necessidades de afecto. confiança e segurança”. quer sejam oriundos de um casamento anterior de um dos elementos. 4. Recentemente. 2005). 2006). . 7 . . 2004. a estrutura familiar traduzia-se numa estrutura nuclear ou extensiva. A família constitui o meio pelo qual a criança é integrada na sociedade. sendo portanto os pais os responsáveis pela socialização da criança e pela adaptação da mesma aos diferentes contextos sociais (PARKE & BURIEL. Homoparentalidade é um termo que surgiu em 1997 para designar uma situação em que pelo menos um dos pais se assume como homossexual (DERRIDA & RONDINESCU.“Necessidades de interacção social da criança”. Em determinadas sociedades. novas estruturas ganharam destaque (família monoparental. Uma relação harmoniosa constitui um factor preditivo para a promoção do desenvolvimento infantil. famílias mistas. Na Homoparentalidade. por AMAZONAS & BRAGA.

assume esse papel” (GOMES.2004. por RELVAS & ALARCÃO. necessitando para isso de conseguir exercer os seus papéis e os do outro. a educação e os carinhos a dar aos filhos” (SULLEROT. do modo que entenderem. 2004 cit. Por sua vez. como a maternidade e paternidade simples. a igualdade de géneros. por RELVAS & ALARCÃO. Ambos os pais têm de responder activamente às expectativas dos filhos. 1993 cit. cit. Costa (1994) fala de monoparentalidade. 2002). os cuidados práticos. 1993 cit. por FONTE. viúvos ou divorciados (COSTA. 2002. Evellyne Sullerot (1993) define a Co-parentalidade “como sendo a relação entre os dois pais (pai e mãe). Este tipo de parentalidade permite a ambos os pais serem iguais na criação dos filhos e serem também responsáveis pelos mesmos. podendo agir individualmente ou em conjunto na satisfação dessas necessidades. pp. Na Co-parentalidade preserva-se a presença do pai quando situações de crise culminam em separação ou divórcio. assim como mentalidades e formas de funcionamento familiar vêm sendo modificados. consiste na relação com os filhos por parte de mães ou pais solteiros.:30). isto é. 2004. por AMAZONAS & BRAGA. face às mudanças já vincadas na sociedade como a emancipação da mulher. por FONTE. “é uma situação na qual uma mãe lésbica ou um pai gay elabora o projecto de ter e criar uma criança com um parceiro.: 267). 2006). Para Gomes (2004) descreve monoparentalidade como uma “estrutura familiar onde uma ou mais crianças vivem com apenas um dos progenitores ou alguém. que na qualidade de tutor. uma vez que esta relação é apenas entre pai e filhos ou mãe e filhos (SULLEROT. ocorrer um processo de mudanças profundas. 2002). 2004). a monoparentalidade resulta da fusão dos conceitos de parentalidade e Co-parentalidade. sendo que um é o pai biológico e o outro. pp. Em contrapartida. Cada um dos pais tem de ser um pai completo. a fim de partilharem. os 8 . o pai social que cria a criança” (DERIDA & RONDINESCU. em que ideias e valores inquestionáveis. 1994 cit. de forma a garantir o desenvolvimento ideal da criança (RELVAS & ALARCÃO. Co-parentalidade segundo Derida e Rondinescu (2004). A Monoparentalidade é um tipo de parentalidade que tem vindo a aumentar gradualmente e surge pelo facto de nas sociedades actuais.

tradições. valorizando o papel que cada progenitor tem na educação da criança” (SULLEROT. PERSPECTIVAS DA PARENTALIDADE Abordando a Parentalidade sob o ponto de vista de autores de referência da área da psicologia. utilizando para tal os 9 . por RELVAS & ALARCÃO. a Parentalidade surge no contexto da família como uma prática ancestral.:132). uma maior liberdade sexual e uma vivência mais individualista. De acordo com a psicologia do desenvolvimento. a decisão daquilo que pretende fazer. pp. e traduzindo um pouco o que foi anteriormente referido. em qualquer das situações. 2006). nomeadamente. costumes entre gerações. encontramos segundo Evelyne Sullerot (1993) que a Parentalidade constitui “a relação pai/filho. enquanto principais responsáveis pela criança. no sentido em que se verificam transmissões de crenças. cit. cabendo a cada um. “tendo em vista a análise dos processos através dos quais os pais. 2002. Neste sentido. pp. maior entendimento das necessidades e direitos das crianças. 2005. qualquer que seja a estrutura familiar ou situação doméstica que lhe está subjacente. 267). influenciam o seu desenvolvimento” (CRUZ. respondendo sempre às necessidades da criança e da família (HOCKENBERRY. defendendo uma abordagem à família enquanto contexto primário e fundamental da socialização. 1993. admitindo que a família constitui o pilar básico da sociedade. Os enfermeiros devem ser capazes de satisfazer as necessidades das crianças. a psicologia remete a Parentalidade para “o conjunto de acções encetadas pelas figuras parentais (pais ou substitutos). 5. Deve ser capaz de avaliar esta estrutura familiar e dar o seu contributo na promoção da parentalidade. Todas essas mudanças revolucionaram a percepção do papel que cada indivíduo tem na sociedade. Orlanda Cruz (2005) reforça a ideia anteriormente referida. face às características e capacidades que possui (HOCKENBERRY. 2006). de pais para filhos.progressos tecnológicos. junto dos seus filhos no sentido de promover o seu desenvolvimento de forma mais plena possível. normas.

cit. 2005). não podemos deixar de ter em conta o facto da Parentalidade ser alvo de uma evolução ao longo do tempo.  Experiência: Compreende as funções da Parentalidade e os aspectos a ter em conta no processo de parentalização. sexo. cit. por ALGARVIO & LEAL. Para o psicólogo Houzel (1997). 2004). na mesma medida em que a interacção entre pais e filhos também se vai modificando. Desta forma. qualidade da relação conjugal) e dos factores contextuais e extra-familiares. O mesmo admite que um casal apenas pode desempenhar o exercício da Parentalidade. por ALGARVIO & LEAL. a existência de três dimensões de Parentalidade:  Exercício: Compreende a identificação dos agentes da Parentalidade portadores de direitos e obrigações. pois a Parentalidade induz também alguns conflitos no âmbito da família. Não obstante. classe social. Houzel (1997). defende a presença de um conceito que abrange ambos os pais. dos pais (género. 1997 cit. fora dela. o termo Parentalidade designa o processo através do qual os pais se tornam pais do ponto de vista psíquico. 1997. A criança que chega ao seio de uma família acarreta consigo mudanças organizacionais e adaptativas. admite ainda. exigindo o desenvolvimento de “uma função de pensar parental” (GUILHAUME. despoletados pela necessidade de satisfazer primariamente as necessidades da criança em função das necessidades parentais. por ALGARVIO & LEAL. Houzel. quando adquire a construção psíquica referida. Este desenvolvimento surge de acordo com as características das crianças (idade. 2004). 10 . 2004). na comunidade” (CRUZ.recursos de que dispõe dentro da família e. desenvolvimento e problemas). 1997. dado que esta implica “um duplo investimento na criança através do psiquismo materno e paterno transmitido à criança” (LEJEUNE. 1997. temperamento. ROSENBAUM. designando contudo particularidades específicas de cada progenitor (HOUZEL. Para que se possa falar de uma Parentalidade satisfatória é necessário o equilíbrio nos cuidados à criança.

embora o conceito de Parentalidade ainda não se encontre totalmente e claramente definido. famílias. consistência em comunicar. pp. tendo sempre em conta as dificuldades expressas pelos pais durante o processo de adaptação à parentalidade (GAGE. a enfermagem traduz a Parentalidade como um conjunto de acções físicas e emocionais. deparamo-nos com a seguinte definição de Parentalidade: “Acção de tomar conta com as características específicas: Assumir as responsabilidades de ser mãe e/ou pais. crenças e tradições. EVERETT. de forma a promover o desenvolvimento máximo da criança. BULLOCK. que exigem responsabilidade e que visam promover a incorporação e desenvolvimento do novo membro da família. amigos e sociedade quanto aos comportamentos do papel parental adequados ou inadequados” (CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMEIRAS. nomeadamente. 2004). 1997. interiorização das expectativas dos indivíduos. 2006). Neste âmbito. Se por um lado. a psicologia dá ênfase a um processo de transmissão de saberes. não deixa de ser de extrema relevância apontar o papel do enfermeiro na promoção da Parentalidade. 2005. Desta forma.  Prática da Parentalidade: Compreende as qualidades da parentalidade e os aspectos das relações entre pais e filhos (HOUZEL. comportamentos para optimizar o crescimento e desenvolvimento das crianças. colaborando na resolução de problemas. A conciliação 11 . priorizar a família e a criança e satisfazer as necessidades da criança de forma congruente com as crenças e valores. substituindo os pais na execução de determinadas tarefas parentais como forma de demonstração.: 43) É visível uma certa divergência no que se refere às concepções de parentalidade apresentadas pela psicologia e pela enfermagem. cit. por ALGARVIO & LEAL. comportamentos destinados a facilitarem a incorporação de um recém-nascido na unidade familiar. Cabe ao enfermeiro encorajar os pais na gestão dos seus papéis enquanto cuidadores da criança. foram identificados três processos de Parentalidade positiva. dando seguimento à descrição de Parentalidade apresentada pelo Conselho de Enfermeiras. Dando seguimento à exploração do conceito e citando o Conselho Internacional de Enfermeiras.

e pretendendo apresentar uma visão da sociedade acerca da concepção de Parentalidade. 2004). 2005). É esta que no decorrer do seu desenvolvimento. mas também numa relação. surge a noção de que Parentalidade consiste numa tarefa. Parentalidade constitui o complexo processo psicológico implicado nos vínculos que fundamentam a afiliação.destes três factores permitem inferir acerca da eficácia do processo de Parentalidade de uma família. Procurando efectuar uma abordagem mais efectiva ao conceito em explanação. a relação destes com o passado e presente. Trata-se de uma relação que se desenvolve e transforma de acordo com o desenvolvimento dos membros que a integram e que nela interagem. constrói e parentaliza os seus pais obrigando-os a uma constante auto-redefinição (SILVA. Trata-se de um processo que se pode associar metaforicamente à árvore da vida e que advém da interacção de gerações. Na ausência de harmonia ao nível desta triangulação. envolvendo a preparação e aprendizagem. conforto e de segurança. a intervenção do profissional de enfermagem torna-se importante no sentido de estimular os pais a desenvolverem uma relação afectiva precoce com os seus filhos. na confrontação de novas exigências e necessidades. De acordo com a autora. FERNANDES. Mais uma vez a definição de Parentalidade apresentada pela psicóloga Silva (2004). permanecendo ao longo da vida. 2004). a percepção que os mesmos possuem de si próprios e o tipo de vida que levam actualmente. Esta relação inicia-se antes do nascimento da criança. 1996). 12 . e tornando-se universal na medida em que todas as famílias experienciam o processo de Parentalidade (AUSLOOS. Contudo. elementos fundamentais ao exercício da parentalidade (LOPES. garantindo que além da satisfação das necessidades básicas da criança. não se pode esquecer que o factor mais importante do exercício e desenvolvimento da parentalidade é a criança. pois apresenta por base uma componente psicológica e social (SILVA. sejam também estabelecidos sentimentos de pertença. a Parentalidade advindo desta interacção possui na sua base uma história de vida individualizada de cada um dos pais. vem distinguir-se da que é preconizada pela enfermagem. A Parentalidade segundo Guy Ausloos (1986) estabelece-se entre pais e filhos marcando o ciclo de vida da família. de amor. Neste sentido.

verifiquei que a parentalidade é um conceito que abrange várias dimensões e é estudado por várias ciências sociais. estabelecendo uma relação única e sem comparação. Estas preconizam que pais e filhos constroem uma relação. O exercício da parentalidade exige dos pais uma relação próxima dos seus filhos. assim como pelas expectativas que a sociedade lhes impõe. que têm vindo a realizar estudos. de forma que possam crescer e desenvolver-se de uma forma ideal. mas todas com a mesma forma de acção. Nestas necessidades são incluídas as necessidades básicas/biológicas e necessidades de segurança. 6. tem-se verificado que os pais cada vez mais preocupados em assegurar um futuro e uma boa qualidade de vida para si próprios e para os seus filhos. visando a aquisição de conhecimentos. em que por múltiplas razões. Defende-se que o fundamental e mais importante da parentalidade é assegurarmo-nos que as crianças sejam cuidadas e desejadas e que sintam a presença de alguém que lhes ofereça um lugar. d. afecto e pertença. com base nas necessidades de cada um. uma vez que cada elemento que compõe esta relação é também um ser único. José Caon. Como tem vindo a ser documentado e abordado ao longo do trabalho. cada uma com as suas especificidades. Posteriormente esta relação cresce e progride com o desenvolvimento da criança. esse apoio não surge (CAON.). Tendo em conta o Dr. acabam por manifestar uma maior necessidade de apoio familiar para a prestação de cuidados da criança. várias formas de parentalidade têm surgido. que trazendo novas necessidades. inicialmente orientada pelas vivências pessoais e características dos pais. CONSIDERAÇÕES FINAIS Fazendo uma síntese geral. s. com características muito 13 . que têm necessidades que necessitam ser satisfeitas. que sintam como seu. que permitam facilitar o exercício da parentalidade por parte dos seus agentes que se relacionam com a criança (normalmente os pais). exigem dos pais constantes redefinições das suas prioridades. inclusive a Enfermagem. contudo são muitos os casos.

podem não se sentir capazes de exercer a sua parentalidade. A parentalidade é. de executar as tarefas que permitem satisfazer as necessidades da criança e de transmitir à criança todo um conjunto de valores. A criança vendo as suas necessidades satisfeitas e os pais pela construção de uma relação vinculativa que lhes garante uma satisfação emocional. crenças e costumes que consideram importantes para o desenvolvimento da mesma como pessoa. então. 14 . Os enfermeiros devem ser capazes de avaliar os obstáculos pelos quais os pais estão a passar e ser capazes de dar resposta às mais diversas dificuldades que os pais sentem e auxilia-los a encontrar soluções no sentido de promover uma boa parentalidade. um processo em constante desenvolvimento. uma forma de cada pai ver o seu filho e lhe prestar cuidados e uma relação que se estabelece entre os pais e a criança. isto é. garantindo uma plena realização pessoal de cada um dos indivíduos. No exercício da parentalidade. implica para o casal. um apoio mútuo. pela ternura e amor que dão e recebem. vendo uma parte de si e uma vida a crescer.próprias. cada um dos pais tem de ultrapassar obstáculos para fornecer os seus cuidados à criança. Muitos pais neste processo de desenvolvimento da relação que é a parentalidade. uma vez que a mãe pode subvalorizar o pai e focar-se exclusivamente no bebé e o pai pode sentir-se defraudado e posto de parte e limitado na prestação de cuidados à criança. sem restrições ou condicionalismos. Isto.

verifico a presença de inúmeros autores que abordam a Parentalidade como tema. deparando-me posteriormente com algumas dificuldades no que se refere à articulação da informação pesquisada. um instrumento tão valioso e uma área de interesse tão indispensável. foram algumas as limitações com que me deparei. nomeadamente. procurando obter uma compreensão mais alargada relativamente ao fenómeno da Parentalidade. traduziam-se na dificuldade em aceder a bibliografia específica do tema em causa. No decorrer deste trabalho. face a algumas fontes de referência. 15 . Estes são somente dois dos imensos motivos pelos quais seria importante procurar explorar de forma mais intensiva esta temática. 7. 2005). mas sim dar uma imagem coerente e representativa daquilo que actualmente se sabe sobre Parentalidade e suas componentes. com apresentação de uma visão pessoal sobre o trabalho e sua temática. “A Parentalidade é porventura a tarefa mais desafiante da vida adulta e os pais constituem uma das influências mais cruciais na vida dos seus filhos” (CRUZ. Sendo o Papel Parental. torna-se importante proceder à sua análise detalhada. As principais conclusões inferidas deste trabalho encontram-se integradas na síntese final apresentada nas considerações finais. no sentido de desenvolver conhecimentos adequados. Inicialmente. CONCLUSÃO Após a realização deste trabalho. os comportamentos. não tive como objectivo realizar um trabalho exaustivo. as cognições e os afectos parentais. por forma a dar cumprimento aos objectivos por mim delineados no início deste trabalho. Ao optar pela realização deste trabalho visando uma revisão da literatura sobre Parentalidade. no que se refere aos três componentes da Parentalidade.

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