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SOCIOLOGIA GERAL E JURÍDICA

Profa. Rita Andrade
TEXTO 2
Um toque de Clássicos – idéias e contexto da sociologia e do direito – parte 1

Introdução
A partir da Introdução da obra “Um toque de Clássicos: Marx, Durkheim, Weber (QUITANEIRO;
BARBOSA; OLIVEIRA, 2009) faremos uma breve reflexão sobre as origens e a natureza da vida social, bem como,
as mudanças trazidas pela industrialização que marcam de forma decisiva as formas de produzir os meios materiais
de vida.
Nesse contexto surge na Europa a Sociologia [e a Antropologia] como campo delimitado de saber científico
(Séc. 19). No momento em que importantes correntes de pensamento estabeleceram os elicerces da modernidade
européia, quais sejam, o racionalismo, o empirismo e o iluminismo. Num contexto em que a marca dessa Europa
moderna era as instabilidades e crises de diversas ordens – vida material, cultural, política, moral e religiosa. “Foi no
cerne dessas dramáticas turbulências que nasceu a Sociologia.” (QUITANEIRO, et all., 2009, p. 9).
Esse contexto e idéias não influenciaram apenas no surgimento de uma nova ciência mas marcou também
as bases teóricas e conceituais de todas as outras áreas de saberes, bem como as concepções de mundo, de política
e do direito, concepções estas possíveis de serem observadas até hoje.
Para este percurso sócio-histórico seguiremos o roteiro e cronologia definidos pelos autores da obra em
comento, que começa com as mudanças provocads pela industrialização.

1 Mudanças resultantes da industialização
“Grandes transformações sociais não ocorrem de maneira busca”. [p. 10] Porém, o avanço do capitalismo
como modo de produção dominante desenstruturou com velocidade e profundidades variáveis os fundamentos da
vida material, bem como as crenças, os princípios morais, religiosos, jurídicos e filosóficos até então válidos naquele
momento.
As dinâmicas do desenvolvimento capitalista provocaram o enfraquecimento e depois o desaparecimento
de estamentos tradicionais como a aristocracia e o campesinato e das instituições feudais: a servidão, a propriedade
comunal, as organizações corporativas artesanais e comerciais.
A capitalização e modernização da agricultura geraram o êxodo de milhares de famílias, acelerado pela
imposição da “Lei de Fechamento de Terras” instituída na Inglaterra, forçando de forma mais rápida a migração dos
indivíduos para as cidades. Estas cresceram de forma acelerada e desordenada, sem nenhuma estrutura urbana. No
contexto social e político a cidade acenava para a promessa de maior liberdade, proteção, ocupação e melhores
ganhos materiais, que porém, não se cumpriram para a grande maioria dos camponeses que para lá migraram. Como
descreve Quitaneiro (2009, p. 10) “no carregado ambiente urbano, a pobreza, o alcoolismo, os nascimentos
ilegítimos, a violência e a promiscuidade tornavam-se notáveis e atingiam os membros mais frágeis do novo sistema,
particularmente os que ficavam fora da cobertura ds leis e instituições sociais.”
A agromeração e condições sanitárias a que estavam submetidas aa populações urbanas, especialmente
os miseráveis, além da fome, da falta de esgotos e de água corrente nas casas, do lixo acumulado e as precárias
regras de higiene contribuiram para proliferação de doenças e epidemias, gerando altíssimas taxas de mortalidade
principalmente infantil. [p. 11]
No Século 18, as revoluções industrial e agrícola na Inglaterra geram relativa abundância de alimentos,
melhoria das condições de higiene, redução da mortalidade e aumento da população, porém ainda assim as
condições eram desumanas. Na França no início do Século 19 a expectativa de vida média era de 38 anos e apenas
7% da população chegavam a 60 anos, sendo que 44% das pessoas não passavam dos 20 anos.
Não existinha nenhuma legislação de garantia ou proteção do trabalho, o Estado liberal vigente seguia a
regra do “laissez-faire”, expressão simbólica do liberalismo econômico que marcava a época. Ou seja, o
entendimento de um Estado mínimo que não interferia da economia deixando o mercado absolutamente livre para
definir as regras das relações sociais de produção.

substituídas por correntes de pensamento de base individualista. Tem-se a ideia de progresso como uma lei inevitável que governaria as sociedades (Comte). obrigações. p. Antes o infanticídio era secretamente praticado e moralmente admitido. o das mulheres a quarta parte e o das crianças…já se pode imaginar. o tempo passa a ser definido e regulado pelos ritmos da produção. fundando os argumentos1 e o consequente ditanciamento do raciocínio hipotético-dedutivo. 12]. Só em 1833 é que surgiu alguma limitação para a exploração do trabalho infantil. Desenvolvimento também ocorreu no universo das relações afetivas. porém esse processo ocorreu através de conflitos e lutas muito sangrentas. o clima. 2009. com a valorização do conhecimento histórico e empírico. Nas comunidades medievais o nome e fortuna marcavam os destinos e as escolhas pelos parceiros. uma vez que. Atribui-se à Revolução Francesa alentada pelas ideias da “Ilustração” o extraordinário impulso no modo sociológico de investigar e interpretar a realidade social. passa a determinar também o tempo de toda a vida social. Na Revolução Industrial. as marés. conquista de direitos. que. O status da mulher começa a mudar em algumas esferas.” (QUITANEIRO. Ação racional traria ordem ao mundo e a superação da “desordem” resultado da ignorância. A Reforma Protestante. Na modernidade reconhece-se o amor romântico. A crença de que a razão é capaz de captar a dinâmica do mundo material e de que a lei natural. ou seja. A construção de saberes autônomos. e novos direitos foram sendo aos poucos conquistados e acrescentados à legislação social e trabalhista em diversos países. embora ainda que parcial. O salário dos aprendizes era metade do que se pagava aos operários. 13). Temas como liberdade. Tem-se a deterioração de velhos princípios de autoridade (divina) mantidos até então pela Igreja Católica. Surge uma forte confiança na razão como meio para levar a humanidade ao progresso. A industrialização modificou também a percepção do tempo. inscrita no coração dos homens. com a introdução de novas tecnologias de organização e divisão do trabalho e da produção. quando foi definida a proibição da jornada de mais de nove horas para as crianças de 9 a 13 anos e as jornadas superiores a doze horas para aqueles entre 13 e 16 anos. . do racionalismo cartesiano e avanço das ciências experimentais (empíricas) que caracterizaram a Era Moderna. A ideia de liberdade confere o impulso de emancipação do indivíduo da autoridade social e religiosa. direito. p. 13). Concomitantemente ao progresso tecnológico e de ordem socioeconômica. o casamento por escolha mútua [p. foi árdua. dominante na Antiguidade e no período Medieval. A emergência do empirismo. depois ampliadas até 18 horas quando a iluminação à gás tornou-se disponível. algumas delas foram a mudança na natureza das relações pessoais e jurídicas entre eles. com alguns avanços no que se refere ao status de seus membros segundo sexo e geração (idade). motivada por laços afetivos. mudanças culturais contribuiram para a superação de uma concepção orgânica. o dia e a noite. e autonomia frente às instituições. organizados em disciplinas específicas envolveu a redefinição de questões fundamentais como a da liberdade e a da razão. como na Antiguidade Clássica. característico 1 Montesquieu (1689-1755). filósofo e político de grande impacto sobre as Ciências Sociais. As condições de trabalho e de vida no período da Revolução Industrial eram assustadoras. Um novo jeito de pensar o mundo começa a se instituir. 11). por sua vez. Como a possibilidade do controle de propriedade por parte das mulheres. e a instituição da estrutura nuclear de família. para a conquista da natureza e para o alcance da felicidade na terra – o Iluminismo. Tem-se também o reconhecimento da infância e da adolescência enquanto fases peculiares da vida. quanto menos os povos dependem da tecnologia mais o tempo social é regulado pelos fenômenos da natureza: as estações do ano. […] “A luta por melhores condições de trabalho. “Educados os seres humanos seriam bons e iguais. 2 Antedecentes intelectuais da Sociologia Até o Século 18 os campos de conhecimento.” (QUITANEIRO. moral. “Convicção de que o destino dos homens também depende de suas ações” (p. pode ser descoberta espontaneamente. com o reconhecimento da igualdade civil entre os sexos. no Século 16. autonomia relativa dos filhos e abolição do direito de progenitura. com a instituição do livre exame faz da consciência individual o principal nexo com a divindade. leis. Jornadas diárias de 12 a 16 horas. 2009. Ocorrem também mudanças na instituição da família. na Europa como na América. autoridade e desigualdade ganham destaque e passam a fazer parte do elenco de questões da Sociologia. dependiam de critérios estamentais. era parte integral de grandes sistemas filosóficos.

“Enfim. Na concepção de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) existiria um “estado de natureza” onde não existiriam desigualdades e tão pouco moralidade. p. Foi um período fortemente marcado pela incerteza. Desse contato Montaigne escreveu um dos seus ensaios sobre o canibalismo no qual assim comentava sobre os costumes dos Tupinambás: Não me parece excessivo julgar bárbaros tais atos de crueldade. 14). Surgiram os preconceitos contrários à razão. 13) Uma de suas contribuições mais importantes foi sua concepção de leis como relações necessárias que derivam da natureza das coisas”. aplicado ao estudo das sociedades e das suas instituições. E na medida em que a lei em geral é um princípio da razão. Passam a fazer parte de um rebanho chamado sociedade que uniformiza de forma desprezível e enganosa. O movimento Iluminista depositava fé na capacidade da humanidade utilizar-se da razão e assim progredir. sujeitos às paixões. p. Joseph de Maistre (1754-1821) e Louis de Bonald . contradições. evolução A Revolução Francesa e o seu ideário de liberdade. 14) Este é o “Espírito das Leis”. o ódio e a competição. portanto. Tem-se o projeto da enciclopédia – “quadro geral dos ‘esforços da mente humana’:” (p. 2006. da raça e dos costumes de cada povo. “o direito de fazer tudo quanto as leis permitirem. Rousseau prolonga a tradição contratualista. cujo coração está em paz e o corpo com saúde”. “as leis que governam os homens não são sempre obedecidas por estes. construindo um ponto de vista comparativo. Rousseau expressa uma visão evolucionista e crítica ao processo civilizatório. 14). p. 2009. Em seu estado primitivo. expresso em sua obra clássica “O Espírito das Leis”. (QUITANEIRO. atendendo às particularidades do clima. como não somente o lemos mas vimos ocorrer entre vizinhos nossos conterrâneos. Com a formação da sociedade e das leis os seres humanos perdem liberdade e os direitos naturais. O “estado civil” além de um artifício. o individualismo e o anticlericanismo presentes no pensamento iluminista inspiraram reação conservadora do pensamento social. Fonte dos males deveu-se ao aumento das comodidades. índios brasileiros). porém. mas também as do oriente (turcos. (p. a injusta distribuição da propriedade e da riqueza. “mundo inteligente” não seria tão bem governado quanto o mundo físico (da natureza). isto é. O gênero humano ficou submetido ao trabalho. leituras e contatos com povos de outros continentes. cabendo ao intelecto humano descobri-las. 16) e no primeiro momento não colocando nada no lugar. e se um cidadão pudesse fazer o que elas proíbem. mas que o fato de condenar tais defeitos não nos leve à cegueira acerca dos nossos. Estimo que é mais bárbaro comer um homem vivo do que comer depois de morto. e é pior esquartejar um homem entre suplícios e tormentos e o queimar aos poucos. modifica o conteúdo e o sentido do “Pacto Social” entendendo que ao se fazer surgir o poder da lei legitimou-se também a desigualdade. Montesquieu (1689-1755) passa a construir um saber adquirido a partir de suas viagens. O comércio internacional se intensificou com a expansão colonial na África e Ásia. segundo o pensador iluminista. Institui-se aí o entendimento de Montesquieu. persas. deve-se procurar que as leis positivas. não teria mais liberdade porque ou outros teriam idêntico poder”.dos contratualistas. um ato de associação é o resultado de um processo histórico. p. Expressa o interesse da sociedade na divulgação de conhecimentos científicos e práticos como via desse progresso. à felicidade e à virtude e se institui o despotismo.” (IDEM. Ibdem. as leis políticas e civis. de que a liberdade seria. 2009. (MONTAIGNE. sendo assim. cujo estabelecimento é o primeiro progresso da desigualdade instituída. a pretexto de devoção e fé. ou entregá-lo a cães e porcos. da geografia. 15) Diderot e D’Alembert. o novo modo de produzir instalava-se jogando por terra a sociedade feudal e suas instituições. à ignorância e ao erro. 3 As primeiras sociologias: ordem. “A vida civil e a dependência mútuas criam entre eles laços de servidão”. à servidão e à miséria. “Profetas do passado” como Edmund Burke (1729-1797). Essas ideias vão se construíndo num contexto sócio-econômico em que os avanços técnicos e o desenvolvimento industrial permitiu o aumento da produção gerando demanda por novos mercados e matérias primas. sejam [ou deveriam ser] harmônicas com essa ordem maior [da natureza]. caos. Preeminência da sociedade sobre o indivíduo. primeiras expressões de um relativismo cultural. Males estes efeitos da propriedade privada.” (QUITANEIRO. não apenas a de origem européiade tradição cristã-ocidental. apud LARAIA. o ser humano seria “um ser livre.

Rejeitava a ideia de revolução por promover o progresso às expensas da ordem. e de seu papel enquanto agentes transformadores da sociedade. Indivíduos associavam-se pelo autointeresse. este já reconhecia a existência de classes sociais dotadas de interesses conflitantes. As teorias evolucionistas exerceram forte influência sobre a Sociologia e a Antropologia. Herbert Spenser (1820-1903) difundiu o darwinismo social – teoria do evolucionismo aplicada à compreensão dos fenômenos e das desigualdades sociais. ela se vincula à produção e ao trabalho. Karl Marx (1818-1883) lançou as bases para explicar a vida social a partir do modo como os homens produzem socialmente sua existência por meio do trabalho. fundada em valores familiares. 19] Tratava-se de conhecer as leis sociais para poder prever racionalmente os fenômenos e agir com eficácia. Institui-se uma Filosofia positiva – sistema geral do conhecimento humano – pretenção de organizar a sociedade. na sociedade industrial. A característica fundamental da sociedade moderna era a ideia de progresso. Destruídas pelo novo modo de produzir e pela urbanização descontrolada e desordenada. A ordem baseia-se em um consenso moral. anônimo. inclusive do social. Ainda assim. Conhecimentos fundados na observação. Sociedade vista como sistema vivo. na autoridade. Saint-Simon acreditava no industrialismo. A construção de uma Sociologia científica apoiou-se em modelos de investigação e de demonstração já consagrados nas ciências físicas e naturais. Algumas das preocupações de Comte centravam-se nas questões da desorganização social. seleção natural. Essa percepção impacta a produção sociológica especialmente no que se refere a temas como coesão e solidariedade. a sociologia assume e incorpora os valores da modernidade e acredita no progresso como uma tendência inexorável. sendo o tipo de ordem de carater utilitária. Augusto Comte (1798-1857) cunhou o termo Sociologia e foi o grande divulgador do método positivo de conhecimento das sociedades.(1754-1840) anciavam por uma sociedade estável. como a Igreja e as associações de ofícios. O modelo de relações caracterizava-se agora pelo contrato. e pela técnica. na coesão e na autoridade. Para esse processo de reorganização social seria necessário reconstituir as opiniões e os costumes por meio da sistematização dos pensamentos humanos. Na análise sociológica de Saint-Simon. evidencia o predomínio do coletivo. As idéias saint-simonianas tiveram vigosoro impacto sobre a obra de Marx e Engels e de Durkheim. bem como na ordem. Traz de volta ao centro do debate político e intelectual o tema da desigualdade. “ninguém possui o direito senão de cumprir sempre o seu dever”. Tinham a ideia de um homem alienado. através de conceitos como: evolução. Comte afirmava que tudo que é humano deriva da vida social. As Teorias Sociais avançam rapidamente na França – Saint-Simon (1760-1825). Essa crença na necessidade de uma “nova moralidade” teve seguimento na obra de Durkheim. religiosos e comunitários. Para ele o individualismo é construção do pensamento pré-positivo. Comte e Saint-Simon defendiam a necessidade da criação de uma [nova] “religião”. luta e sobrevivência. A lei do progresso orgânico [biológico / natural] seria a lei de todo progresso. permitindo uma organização racional da sociedade. dar-se conta da inutilidade da aristocracia na nova sociedade. explicar e antever […] necessidades simultâneas de ordem e progresso – condições fundamentais da civilização moderna. Para cada tipo de estrutura social corresponderia uma moral e. Tinha-se as analogias entre sociedade e organismo. desprovido de virtudes morais e espirituais – rejeição do moderno e glorificação da tradição. . Uma ciência social positiva revelaria as leis do desenvolvimento da história. hierarquizada. Reconhece que a base da sociedade é a produção material. Movimento crítico do antigo regime carecia de uma filosofia adequada como bases da regeneração social. a divisão do trabalho e a propriedade. bem como sobre o Direito. Esta seria a tarefa do Positivismo. Criticavam a própria modernidade que destrói a nostagia de uma vida familiar e comunitária. Para tanto o princípio dinâmico do progresso deveria estar subordinado ao princípio estático da ordem. [p. uma moralidade consistente que fundamentasse a nova ordem social. da moral e das ideias. Pensadores conservadores consideravam que o caos e a ausência de moralidade e solidariedade nas sociedades nascidas nas duas revoluções (Francesa e Industrial) era resultado do enfraquecimento de antigas instituições protetoras. Tem-se portanto o poder teológico substituído pela capacidade científica positiva (a razão). No Século XIX.

All. os povos ‘não-civilizados’. enfraquecida pelas divisões políticas. a violência. Estendida à “nação” alemã. p. Cultura: um conceito antropológico. LARAIA. que se sente mais ou menos alijada do poder e das honras e que procura para si uma outra forma de legitimidade social. revelava a dimensão temporal (histórica) dos fenômenos e dispunha-se a interferir no seu curso. Tinha-se a urgente necessidade de se descobrir novas fontes de solidariedade e de consenso para fortalecer a coesão social entre seus membros. Tania. A idéia alemã de cultura é criada pela classe média que duvida dela mesma. p. sob rígido sistema de hierarquia e autoridade. 2002. As etapas do pensamento sociológico. 2003 (Coleção tópicos) CUCHE. REFERÊNCIAS ARON. Denys. Das Idéias. decadente. a França e a Inglaterra em particular. (Coleção Aprender). Tradução: Sérgio Bath. o poder. (CUCHE. 2. Compreender o que poderia ser tratado como “social”.. “A Sociologia sofre continuamente as influências de seu contexto. burocratizada e desencantada. Ed. conflitos e paixões presentes na sociedade e que permearam a produção sociológica. as religiões. 2 ed. Industrialização retardatária. ideologias. a democracia e o poder… Absorveu em sua produção a crença de que a razão era a luz que orientava sábios e ignorantes em direção à verdade. Bauru-SP: EDUSC. mas assumem hoje outros significados. Ou seja. QUITANEIRO. Revisada e atualizada. 2009. da sociedade racionalizada. et. Dedicou-se a refletir sobre temas como: o Estado. corrupta. alienação – não desaparecem. 22) Por inspirar-se na vida social não poderia ela própria estar livre de contradições e até mesmo de suas paixões humanas. ela participa da mesma incerteza. Belo Horizonte: Editora UFMG. A noção de cultura nas ciências sociais. Durkheim viveu na terceira república francesa (1870-1940). igualdade. ao contrário da posição de alguns filósofos da época. num período de grande instabilidade política e guerras civis. Sociologia. Ed. Weber tinha outra situação social e política. 26-27) Weber era um crítico do capitalismo. Um toque de clássicos: Marx. ausência de uma burguesia economicamente forte e com prestígio social e de uma aristocracia. A “Cultura” como marca distintiva da burguesia alemã do séc. a família e a sexualidade. O Positivismo de Comte – corrente de pensamento – teve forte influencia no método de investigação que ele elegeu. 2009. Diante do poder dos Estados vizinhos. XVIII passa a ser a marca da nação alemã inteira – noção particularista que se opõe à noção francesa universalista de “civilização”. Tradução: Viviane Ribeiro.” (QUITANEIRO. Na Alemanha. a “nação” alemã. direitos individuais. Durkheim e Weber. . que dedicaram-se a definir as basas conteudísticas e metodológicas da sociolofia. 6. Antigos temas – liberdade. 2002. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. Roque de Barros. O processo de unificação da Alemanha (Bismarck) foi marcado por uma burocracia forte. Raymond. São Paulo: Martins Fontes. esfacelada em múltiplos principados. Teve uma atitude resignada diante dos processos que considerava inevitáveis instituindo uma visão de um “anticapitalismo romântico”. A sociedade européia era marcada por contradições de diversas ordens. os modos de produzir. racionalmente organizada nos moldes do exército prussiano. o industrialismo e a modernidade. 2005. valores. A Sociologia consolida-se enquanto disciplina acadêmica com rigosoros procedimentos de pesquisa a partir das reflexões de Émile Durkheim (1858-1917) e de Max Weber (1864-1920). ela é a expressão de uma consciência nacional que se questiona sobre o caráter específico do povo alemão que não conseguiu ainda sua unificação política. procura afirmar sua existência glorificando sua cultura. fortemente influenciada pela cultura francesa e com baixo compromisso com a Alemanha.