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UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA - UFV CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES- CCH DEPARTAMENTO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA - UFV CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES- CCH DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - DCS Disciplina: Sociologia Brasileira (CIS310) Semestre 2016-II Professor: Victor Mourão

Discentes: Camila Olídia Teixeira Oliveira João Lopes Neto Luis Gustavo de Paiva Faria

Atualização 31/08/2016

Texto de Referência: PRADO Jr, Caio. Introdução, Sentido da Colonização e Organização Social. In: Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

1. Economia colonial, economia nacional e economia atual

Em sua Introdução à obra, Caio Prado Jr. (2011) expõe a ideia de que o Brasil de

seu tempo, década de 1930, sofreu influências de diversos aspectos de um processo de

três séculos, sendo o processo de colonização um dos principais períodos de formação

das esferas social, política e econômica do país. Dentre os aspectos econômicos citados,

o autor enfatiza a noção de que o desenvolvimento da economia brasileira se deu de

modo a valorizar o mercado externo, sendo o Brasil exportador de produtos primários

para o mercado europeu, ficando subordinado e dependente de economias externas.

Nesse sentido, o autor traz a tese de que, para economia brasileira se desenvolver

plenamente, seria necessário investir no mercado interno. Feito esse ajuste, a economia

deixaria para trás seus traços coloniais (mercado externo exportador de insumos

primários) e se consolidaria como uma economia nacional (mercado interno plenamente

desenvolvido de modo que as desigualdades sociais sejam substancialmente

diminuídas). Nas palavras do autor: “O mesmo poderíamos dizer do caráter

fundamental da nossa economia, isto é, da produção extensiva para o mercado do

exterior, e da correlata falta de um largo mercado interno solidamente alicerçado e

organizado. Donde a subordinação da economia brasileira a outras estranhas a ela

[…] Numa palavra, não completamos ainda hoje a nossa evolução da economia

colonial para a nacional” (PRADO Jr, 2011, p.10).

Nossa proposta, se utilizando de matérias de jornais variados, é verificar se ainda

existe essa noção de dependência da economia brasileira em relação a outras economias,

além dos índices e importação e exportação do país. Com a ressalva, entretanto, de que

não afirmamos a permanência do país num mesmo estado econômico. Pelo contrário,

sabemos do esforço na Era Vargas, por exemplo, em desenvolver a industrialização e

consolidar o mercado interno e empreendimentos posteriores. O que pretendemos

verificar é se há, ainda hoje, resquícios dessa economia dependente com traços

coloniais, conforme traz Caio Prado Jr.

O que verificamos, em linhas gerais, é que ainda perdura a noção de que a

economia brasileira é, predominantemente, exportadora de produtos primários (dentre

os principais estão a soja, a carne e o minério de ferro) e dependente de economias

outras. Veículos de comunicação como Folha, Carta Maior e Brasil de Fato trouxeram

dados semelhantes em relação à economia. Pretendemos apresentar tais dados seguidos

de alguns gráficos.

Fontes consultadas:

BRASIL DE FATO. A dependência da economia ao capital estrangeiro. Disponível em: http://antigo.brasildefato.com.br/node/11145. Publicado originalmente em 14/11/2012; acesso em 25/08/2016.

CARTA MAIOR. Crise atual reflete dependência estrutural da economia brasileira. Disponível em: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/Leda-Paulani-crise-atual- reflete-dependencia-estrutural-da-economia-brasileira/7/34150. Publicado originalmente em 03/08/2016; acesso em 25/08/2016.

FOLHA DE S. PAULO. Exportações superam importações e Brasil tem superávit

em:

em

de

US$

19,7

bilhões

Disponível

Publicado

originalmente

14/01/2016; acesso em 25/08/2016.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. Mercado Interno. Disponível em http://www.agricultura.gov.br/vegetal/mercado-interno. Acesso em 25/08/2016.

2. Trabalho Escravo colonial e contemporâneo

No capítulo „Organização social‟, Caio Prado Jr. inicia dessa maneira:

“Naturalmente, o que antes de mais nada, e acima de tudo, caracteriza a sociedade

brasileira de princípios do século XIX, é a escravidão. Em todo lugar onde

encontramos tal instituição, aqui como alhures, nenhuma outra levou-lhe a palma na

influência que exerce, no papel que representa em todos os setores da vida social.”

(PRADO Jr, 2011, p.285). A partir dessa assertiva, o autor desenvolve a maneira pela

qual a escravidão influenciou toda a esfera social do período colonial, sendo um dos

fatores da tríplice que formam o sentido da colonização: a) exportação; b) monocultura

e c) trabalho escravo. A partir desses três fatores pôde se formar a sociedade colonial

brasileira. O escravo, os negros escravos, trabalhavam nas monoculturas de cana, por

exemplo, formando as grandes lavouras, com fins de exportação.

Nossa atualização, nesse tópico, pretende verificar em que medida ainda existe

trabalho escravo, em linguagem jurídica: trabalho análogo ao escravo, de modo que

ainda perdure, dada suas proporções, a escravidão em grandes lavouras em regiões de

plantio. E em que medida esse trabalho escravo contemporâneo pode influenciar

extratos sociais específicos da sociedade brasileira e perpetuar uma situação colonial,

num processo de quarto séculos.

Verificamos, em linhas gerais, que o trabalho escravo ainda perdura, e se

encontra na zona rural, especialmente em atividades de desmatamento e pecuária,

conforme o gráfico disponível na primeira matéria citada abaixo. Pretendemos exibir

um vídeo retirado do YouTube, além dos gráficos presentes em uma matéria da revista

do senado Em Discussão.

Fontes consultadas:

EM DISCUSSÃO. Trabalho escravo se concentra na zona rural. Disponível em

Acesso em 25/08/2016.

EM DISCUSSÃO. Direitos Humanos: A escravidão que precisa ser abolida. Revista de audiências públicas do Senado Federal. Ano 2 nº 7 maio de 2011. Disponível em

FOREST COMUNICATION. Trabalho Escravo - Ação Integrada. Disponível em

2013. Acesso em 25/08/2016.

3. A Bancada Ruralista e a Bancada Evangélica

Duas das classes analisadas por Caio Prado Jr. em „Organização Social‟ diz

de

Publicado

em

16

de

maio

respeito aos senhores de engenho, isto é, aos grandes proprietários, e ao clero,

ressaltando, contudo, muito mais os primeiros do que o segundo. Em sua exposição, o

autor cita o envolvimento de ambas as classes com a política dos tempos coloniais,

colocando os grandes proprietários como a classe mais influente do período por abrigar

nas „casas grandes‟ quase todo o contingente social da Colônia e o clero como a elite

intelectual constituinte da sociedade em questão, citando a tomada de cargos políticos

por padres e eclesiásticos à época da Independência do Brasil. Nas palavras do autor

sobre a segunda classe citada: “Ele [o clero] foi assim, durante a nossa fase colonial, a

carreira intelectual por excelência, e a única de perspectivas amplas e gerais; e

quando, realizada a Independência, se teve de recorrer aos nacionais para preencher

os cargos políticos do país, é sobretudo nele que se recrutarão os candidatos” (PRADO

Jr, 2011, p 298); assim como sobre os grandes proprietários: “Abre-se assim um

) os

primeiros serão os dirigentes da colonização nos seus vários setores” (Ibid, p.298).

Nossa proposta é verificar (através de veículos de comunicação) em que medida

essas duas classes, os grandes proprietários e os religiosos, ainda influenciam ou estão

presentes na política brasileira contemporânea, atentando para sua influência social e

política em projetos de lei e predominância na Câmara dos Deputados.

De acordo com dados oferecidos pela Agência Pública, verificamos o número de

Deputados na Câmara que representam, respectivamente, os grandes proprietários

(Bancada Ruralista) e os religiosos (Bancada Evangélica): 207 na primeira Bancada e

197 na segunda. Coexistindo com outras bancadas, essas duas citadas são duas das mais

organizadas dentro da Câmara. A Bancada Ruralista, inclusive, procurou abrandar a

definição de trabalho escravo quando da votação do projeto de lei (matéria nas fontes),

tópico citado anteriormente. As duas bancadas, nesse sentido, podem ser lidas como

possibilidade de intervenção na política desde o período colonial, conforme citamos em

Caio Prado Jr.

Fontes consultadas:

ÂGENCIA

publicado em 18/02/2016. Acesso em 27/08/2016.

BRASIL DE FATO. A bancada ruralista e o Congresso do capital. Disponível em http://antigo.brasildefato.com.br/node/30142. Primeiramente publicado em 14/10/2014. Acesso em 29/08/2016.

em

vácuo imenso entre os extremos da escala social: os senhores e os escravos. (

PÚBLICA.

As

bancadas

da

Câmara.

Disponível

CARTA

CAPITAL.

Salvo

conduto

para

o

trabalho

escravo.

Disponível

em

escravo-1589.html. Primeiramente publicado em 25/04/2015. Acesso em 29/08/2016.

CARTA

MAIOR.

Bancada

ruralista:

tudo

pela

terra.

Disponível

em

terra/4/29182. Primeiramente publicado em 13/10/2013. Acesso em 29/08/2016.

UOL.

Conheça

as

11

bancadas

mais

poderosas

da

Câmara.

Disponível

em

da-camara/. Primeiramente publicado em 19/02/2016. Acesso em 29/08/2016.

4. Caio Prado Jr. e o senso comum

Em nosso último tópico, realizamos uma pequena pesquisa, através de entrevistas informais, procurando investigar se as teses de Caio Prado Jr. sobre a colonização e a formação do Brasil contemporâneo foram, em alguma medida, incorporadas ao senso comum e ao imaginário da população brasileira. Não se detendo apenas em Caio Prado, também abrimos possibilidades de incorporação de outros autores já trabalhados, como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Hollanda, considerados os grandes três intérpretes do Brasil em início do século XX. A pesquisa, embora não possua nenhum rigor estatístico nem compromisso empírico em estabelecer uma percepção geral da população nacional ou local, tem um caráter focado na formação dos estudantes e na discussão teórica dos autores mencionados.

Metodologia: Abordamos as pessoas nos apresentando enquanto estudantes de Ciências Sociais da Universidade Federal de Viçosa. Perguntamos a disponibilidade para responder uma pergunta relacionada ao período da colonização no Brasil. Sendo positiva, fizemos apenas uma pergunta, sendo ela “Quando se fala em colonização brasileira, vem algo à sua mente?”, ficando aberto à resposta dessa primeira pergunta a outras possíveis, como você acredita que existem resquícios do período colonial na atualidade brasileira?. A entrevista se desenrolou de maneira aberta e informal, num tom de conversa. Transcrevemos as palavras-chaves e/ou ideias dos entrevistados a respeito da pergunta inicial (anexo 1).

Abaixo, os dados através de gráficos feitos a partir da interpretação dos dados produzidos.

Gráfico 1 - Divisão por gênero

50% 50%
50%
50%

Feminino (10)Gráfico 1 - Divisão por gênero 50% 50% Masculino (10)

Masculino (10)Gráfico 1 - Divisão por gênero 50% 50% Feminino (10)

Gráfico 2 - Divisão por idade 40% 60%
Gráfico 2 - Divisão por idade
40%
60%

< a 40 anos (8)Gráfico 2 - Divisão por idade 40% 60% > ou = a 40 anos (12)

> ou = a 40 anos (12)Gráfico 2 - Divisão por idade 40% 60% < a 40 anos (8)

Gráfico 3 - Divisão por escolaridade

30% 30% 40%
30%
30%
40%

Ensino Fund. (completo ou incompleto) - 6Gráfico 3 - Divisão por escolaridade 30% 30% 40% Ensino Med. (completo ou incompleto) - 8

Ensino Med. (completo ou incompleto) - 8Divisão por escolaridade 30% 30% 40% Ensino Fund. (completo ou incompleto) - 6 Ensino Sup. (completo

Ensino Sup. (completo ou incompleto) - 6Divisão por escolaridade 30% 30% 40% Ensino Fund. (completo ou incompleto) - 6 Ensino Med. (completo

Gráfico 4 - "Quando se fala em colonização brasileira, vem algo à sua mente?"

16% 26% 19% 26% 13%
16%
26%
19%
26%
13%

Associa. Escravidão (5)vem algo à sua mente?" 16% 26% 19% 26% 13% Associa. Exploração (6) Associa. Miscigenação (4)

Associa. Exploração (6)mente?" 16% 26% 19% 26% 13% Associa. Escravidão (5) Associa. Miscigenação (4) Associa. Política negativamente

Associa. Miscigenação (4)26% 13% Associa. Escravidão (5) Associa. Exploração (6) Associa. Política negativamente (8) Não soube responder (8)

Associa. PolíticaAssocia. Escravidão (5) Associa. Exploração (6) Associa. Miscigenação (4) negativamente (8) Não soube responder (8)

negativamente (8)

Não soube responder (8)13% Associa. Escravidão (5) Associa. Exploração (6) Associa. Miscigenação (4) Associa. Política negativamente (8)

Entrevistado 1

Anexo 1

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

F

28

Pós-Graduação

Centro

Resposta: Escravidão; D. Pedro I e II; Cana-de-açúcar; Ouro Preto. Portugueses vieram para explorar as riquezas naturais do Brasil; não eram como os ingleses. Ainda perduram resquícios da colonização, os „bandidos‟ vindos de Portugal deram origem à corrupção do povo brasileiro; somos preguiçosos por conta dos Índios; não temos o espírito capitalista por conta do catolicismo; economia portuguesa era exploradora em seu sentido primário-exportador. Nunca leu Caio Prado Jr.

Entrevistado 2

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

F

26

Superior Completo

Clélia Bernardes

Resposta: ‘É uma pena que tenhamos sido colonizados pelos portugueses, e não pelos ingleses‟. Associação entre colônia de exploração e colônia de povoamento, encaixando o Brasil no primeiro tipo. Os portugueses, se aproveitando do clima e das riquezas naturais, utilizaram a terra e os recursos brasileiros com fins de exploração econômica. Não houvesse exploração por parte dos portugueses, o Brasil poderia ter sido uma grande potência, como os Estados Unidos. Citou a ideia de que a economia brasileira é agrária e exportadora: „Nós não transformamos a matéria-prima em produtos finais‟. Nunca leu Caio Prado Jr.

Entrevistado 3

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

M

53

Ensino Fundamental incompleto

Maria Eugênia

Resposta: „[A colonização] foi por um lado boa, por outro lado ruim‟. A escravidão foi um dos pontos ruins citados. Considera que ainda temos resquícios da colonização na sociedade.

Entrevistado 4

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

F

66

Superior Completo

Acamari

Resposta: „Demos azar por ser colônia portuguesa, não por outros europeus‟, „mas é engraçado, porque eu sou filha de português‟ Escravidão: libertação (abolição) da escravidão, mas sem efetividade em termos sociais, pois os negros continuaram e continuam sendo predominantemente pobres e de classes baixas. Racismo: existe racismo atualmente, „eu não sou racista, inclusive tenho grandes amigos negros, mas eu não me casaria com um negro, porque teria filhos horrorosos e complexados, nasceriam com cabelo pixaim‟. „O próprio negro tem preconceito, os que melhoram de vida não casam com outros negros‟. „No sul do país quanto

mais branco, mais aceitação tem‟. „Então eu sou racista, preconceituosa, mas quem não é?‟. „Joaquim Barbosa ficou recalcado por ser negro‟. „Tem aquela coisa de negro de alma branca‟. „Os escravos trabalharam como cachorros‟; „Tudo de ruim veio para o Brasil‟. Cotas: não é a favor porque acha ser discriminação, mas é a maneira que o governo tem achado de incluir os negros na universidade; ingressam, no entanto, despreparados. „Políticos são vagabundos‟. (Para a entrevistada, percebemos a miscigenação vista como algo ruim). Não sabemos se leu Caio Prado Jr.

Entrevistado 5

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

M

40

Ensino Fundamental incompleto

Lourdes

Resposta: „Vem de Portugal‟ [definição do entrevistado para colonização]; „Estados Unidos e outros países tem uma legislação mais rígida, porque um amigo foi para a Suíça e quase foi deportado‟; „Não entendo muitos dessas coisas, mas acho o Brasil mais relaxado em questão leis‟.

Entrevistado 6

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

F

46

Ensino Médio completo

Estrelas

Resposta: Dificuldade e falta de emprego relacionada a colonização. A entrevistada, a princípio, não soube o que responder: „Não lembro, estudei isso faz muito tempo‟. Relacionou também a questões políticas e do voto à colonização, mas não explicou sua associação.

Entrevistado 7

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

M

16

Ensino Médio em andamento

Manhuaçu-MG

Resposta: Não soube responder.

Entrevistado 8

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

F

28

Ensino Médio completo

Santo Antônio

Resposta: Associa a portugueses quando perguntada sobre o período colonial, mas disse “não vir nada à cabeça”.

Entrevistado 9

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

M

58

Ensino Médio Técnico

Paraíso

Resposta: „O Brasil já foi colonizado. Portugueses levaram tudo nosso, tudo de bom, levaram nosso ouro, levaram pau-brasil, e deixaram tudo de ruim. Tinha que levar os índios também‟. „Isso reflete na nossa política, nos nossos bens naturais, nas privatizações desde Cabral até D. Pedro ladrão também‟. „Importamos [sic] tecnologia, em medicina o Brasil é um país de ponta‟.

Entrevistado 10

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

M

36

Superior Completo

Raul Soares-MG

Resposta: „A colonização teve um lado bom, tirando a roubalheira, pois juntamos várias raças:

Ásia, Holanda, Itália, e os portugueses principalmente, e conseguimos conviver‟; „Não tem outro país no mundo que tenha tido tantas raças misturadas, o Brasil é único‟. [Miscigenação vista pelo entrevistado como positiva para a sociedade brasileira].

Entrevistado 11

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

F

30

Ensino Médio completo

Violeira

Resposta: Não soube responder.

Entrevistado 12

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

M

47

Ensino Fundamental incompleto

Bom Jesus

Resposta: O Entrevistado só entendeu do que se tratava a pergunta quando falamos em “descobrimento do Brasil” e não soube responder.

Entrevistado 13

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

M

63

Ensino Fundamental incompleto

Santo Antônio

Resposta: “Não sei responder, trabalhei só na roça e não sei o que é”.

Entrevistado 14

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

F

31

Superior Completo

Fátima

Resposta: “Abrangeu várias raças. A miscigenação influenciou o Brasil. Pessoas como eu sofrem muito preconceito. Através da miscigenação temos desigualdade”.

Entrevistado 15

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

F

47

Ensino Médio completo

Santo Antônio

Resposta: A entrevistada apresentou dificuldades para responder. Apresentado apenas algumas palavras. “Benefícios claros, descobertas, invenções e mudanças na cultura”.

Entrevistado 16

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

M

43

Ensino Fundamental incompleto

Bela Vista

Resposta: Não soube responder.

Entrevistado 17

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

F

27

Ensino Médio completo

Centro

Resposta: “Veio um pessoal rico e descobriram o Brasil achando que era uma ilha. Hoje tá uma merda, eles [políticos] não utilizam bem o poder”.

Entrevistado 18

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

M

62

Ensino Superior incompleto

Centro

Resposta: “[A colonização] adiantou pouco, as coisas não melhoraram. Se tivéssemos sido [colonizados] por outras nações seria melhor, como os ingleses. Os Estados Unidos estão bem melhor. Até hoje não temos uma democracia plena, nossa democracia é fajuta. Outras nações colonizadas na mesma época que a nossa estão bem melhores”.

Entrevistado 19

Sexo

Idade

Nível de escolaridade

Bairro onde mora

M

82

Ensino Fundamental incompleto

Centro

Resposta: O entrevistado associou a colonização não ao período colonial, mas a colônias “vilas” dentro de fazendas no segundo período de imigração europeia no Brasil, isto é, primeira metade do século XX. Afirmou também: “A escravidão continua do mesmo jeito com o patrão e o empregado, o preconceito do branco contra o negro e hoje o preto não gosta de branco; sou casado com uma preta e sei bem do que estou falando, mas hoje [racismo] é considerado crime. Mas a gente tem preconceito contra gay e prostituta, e tem também os casos de violência contra a mulher”. O entrevistado associou esses preconceitos citados como resquícios da colonização, que ele identificou tanto como o período colonial como moradia dos imigrantes europeus no século XX.

Entrevistado 20

Sexo

Idade

F 41

Nível de escolaridade

Ensino Médio completo

Bairro onde mora

Ervália-MG [município]

Resposta: Não soube responder.