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. Por isso.3 . em muitos casos.. Ideias correntes como a de que a imigração vem roubar os nossos empregos. que está ligada ao crime ou que des- gasta a nossa Segurança Social. vários ca- sos equivalentes de “Sóis a girar em torno da Terra”. lembremo-nos que também se aplica aos nossos emigrantes. são profundamente erradas. a partir do conhecimento científico adquirido. Verdades estas que. Mas importa sermos rigorosos e sérios. servem interesses e ideologias.. Não era evidente o que todos viam: o Sol a “movimen- tar-se” entre o Nascente e o Poente? Como se podia duvidar disso? Há hoje no domínio do senso comum. Além disso. em torno da imigração.5 milhões de emigrantes espa- lhados pelo Mundo. Por cada imigrante que temos entre nós. O S M I TO S E O S FAC TO S Responda às Como em outras esferas da sociedade há. OS M ITOS E OS FACTOS I M I G R AÇ ÃO . através de uma discussão dos factos e da sua interpretação rigorosa. IMIGRAÇÃO . são exemplos cristalinos destes erros de análise. na procura da verdade para além das ilu- sões de óptica. seguintes questões: O paralelo mais óbvio é a odisseia de Galileu. . enfrentaremos alguns dos mitos sobre imigração. na contestação à “verdade” de que o Sol girava em torno da Terra. Tudo o que dissermos sobre imigração. convém relembrar que Portugal tem 4. no entanto. na opinião pública sobre imigração. p. temos 10 emigrantes portugueses pelos quatro cantos do mundo. “verdades” que se criam a partir de ideias feitas e aparentemente coerentes que. Agora leia atentamente as próximas páginas e cruze a informação disponível com as suas respostas.2 p.

seguida da Bélgica. dos Estádios do Euro 2004. World Bank. Em 2050. do Relatório da visita a Portugal. previsões apontam para que a Europa perca o nosso problema demográfico será muito p.” o crescente envelhecimento da população. compensação. Tem sido repetido à exaustão (19%). con. como toda a Europa. (2004) Challenges and opportunities of international migration for EU. Em 20001. O nosso país. percebe-se que. de responder. grantes. no.000. decréscimo de efectivos em idades activas”. 22 milhões de pesso. só tinha.Comissário Europeu dos Direitos Humanos até 2050. IMIGRAÇÃO . Áustria.4 Gil-Robles . com valores entre os 8 e 10%. Este exigiu. muitos portugueses e com uma explicação de imigrantes no seu território eram a Suíça imigrantes. seja dos países de língua portuguesa foi absor. disponível em http://www. Como sublinhava o Comissário Europeu Gil- Robles. dos anos 90. OS M ITOS E OS FACTOS I M I G R AÇ ÃO . o número de europeus com maior percentagem de imigran. em qua. para um povoa- Importa também abordar agora outra perspec- imigrantes (a maioria dos quais portugueses). nessa época. mento mais equilibrado. Observatório da Imigração. uma ciais. a quebra demográfica.doc. ciclo de quebra demográfica. uma ideia que assalta os países europeus com maior percentagem Sem a entrada de novos 4 trabalhadores para cada reformado. anos) desceria 19% até essa data3. au- essa oportunidade/necessidade encontra de mentarão de 73 para 125 milhões. No mesmo estão a invadir-nos? e como sempre nos fenómenos migratórios. Trends in International Migragion 2002. 2. mais grave. Comissário para os Direitos Humnaos do Conselho da Europa. vive um vido sem crescimento de tensões sociais ou raciais. seguramente. 3. muito mais grave imigração como um dos principais factores de cimento muito significativo do número de imi. 4. para o aumento de efectivos em idade tes. os imigran- sem crescimento de tensões sociais ou ra- tes contribuíram para o reequilíbrio dos dois Apesar do crescimento do número de imigran. seja em que decorreu. Portugal. em absoluto. Portugal está longe de ser tro anos. económico de Portugal. hoje.. da Auto-estrada do Sul com as suas últimas vagas. Doutora Maria João Valente Rosa4. Era o tempo da Expo 98. dade portuguesa e um exemplo para outros países da Europa. Entrada de imigrantes superior á saída de emigrantes. do dos últimos anos – que também afectou os sequência das exigências do desenvolvimento um dos países europeus outros países – Portugal atingiu só os 4%. pelo menos. Mas desconstruamos os nú. em Maio de 2003. período. pecífico do Luxemburgo. sem a entrada de novos imigrantes. do Senhor Gil Robles. Portugal sem a presença de estrangeiros) e. Mas. dos países de língua portuguesa foi absorvido meros. enciclopedia/temas_dh/direitos_prisao/comissaire. Munz. As Ou seja. em 1990. repre. abertura geral e da tolerância da sociedade activa (na década de noventa. Maria João et al (2004) Contributos dos Imigrantes na Demografia Portuguesa – O papel das populações de nacionalidade estrangeira.000 e. mesmo depois do crescimento acelera- crescimento do número de imigrantes. its member States. este número era de 100. Hoje a proporção é de Esta é. população imigrante no seu território. cativa. subiu até 400. Holzmann. por cada 2 trabalhadores no activo haverá 1 reformado/pensionista. p. 5.5 as. sublinha-se Ora. do país não constitui problema para Portugal. da da Europa. o nosso pro- Este cenário é muito complexo e de sustenta- compreensível. Acresce que este aumento de imigração se gal: “(…) o aumento do número de estrangei- meadamente se atendermos ao curto período deveu a um período de grande crescimento ros em Portugal.”2. seja da Europa de Leste. até 2004. mais tarde. à qual Portugal não tinha capacidade portuguesa e um exemplo para outros países indivídos com 15-34 anos teria diminuído em tes. “a manutenção de um saldo migra- “(…) o aumento do número de estrangeiros em Portugal.1% de Mas o mais importante é sublinhar que este que. cf.uc. as pessoas com mais de 64 anos. a médio-longo prazo. ro de pessoas em idade activa (entre 15 e 64 Os imigrantes to do número de imigrantes. OCDE. Isto é segura. seja da presença de imigrantes? tório positivo5 pode contribuir para inverter a tendência de efectivos e para “segurar” o Europa de Leste. R. o núme- 2. dispensar a mente. fundamental- tiva complementar da mesma questão: pode Portugal. não será suficiente para con- mente um testemunho da abertura geral e da tolerância da socie. R. no seu relatório de 2003 sobre Portu- Este crescimento é realmente significativo. imediato resposta nos fluxos migratórios. com cerca de 37% de Ponte Vasco da Gama. neighboring countries and Regions:a policy note. Ainda crescendo até 1999 para 200.fd.pt/hrc/ 1. Valente Rosa. Portugal está longe de ser um dos países disponibilidade de mão-de-obra muito signifi. não considerando o caso es. para a sua concretização. O S M I TO S E O S FAC TO S Quando se contextualiza desta forma o aumen. Isto é seguramente um testemunho da sexos. E que se não existisse imigração. na segunda metade Como foi sublinhado pelo estudo da Profª. com maior percentagem de imigrantes sentando então 4% da população residente. da Alemanha e da blema demográfico será bilidade duvidosa e torna-nos dependentes da que Portugal viveu nos últimos anos um cres. Em números redondos. . com a redução Apesar disso. e.000. significativa do número total de habitantes e trariar.

por não bene- ficiar. Numa dimensão mais micro. em contexto de crise económi. e fazer baixar os salários? Por outro lado ainda. em 2005. a oposta: onde existe peu António Vitorino. demonstra-se de desemprego tenham ocorrido em anos que comunidade que mais facilmente é “descar- o contrário: as maiores taxas de desemprego não registávamos uma presença relevante de tada” pelo sistema. é marcado pela flexibili- gens de imigrantes..org/eco/eco. por estarem em sectores de actividade muito tagens de imigrantes.7%). os períodos de mais bai- Acresce que neste momento de vulnerabili- dade perante o desemprego nem todos os xa taxa de desemprego correspondem quer imigrantes beneficiam de protecção social. É significativo o exemplo de que o relação entre desemprego e imigração. Se fos.4% de taxa de desemprego) ameaçados são os imigrantes. importa reter o estão em países com baixas percentagens de imigrantes. a períodos onde não existiam imigrantes em Assim. prego. existiam 350. 1984 e 1985 (10. . ou seja. Portugal (4% em 1974) quer em períodos onde trangeiros desempregados inscritos no IEFP. Nesta linha.e. percentagens de imigrantes e se verdade esta correlação automática entre e a 1/3 dos imigrantes entrados nos últimos dado a sua maior vulnerabilidade contratual e os países com maiores percen- imigração e desemprego. Ver em www. correspondiam a 15% do contigente existente ca. dos 7%. o então Comissário euro- ção é.e não esperar que o emprego venha de elevadas taxas de desemprego. ter consigo . USA. Simples. centagens de desemprego proporcionalmente dade e capacidade de adaptação. Volta a ser interessante verificar que esta dife- Os imigrantes vêm que aponta para cerca de 7% com um universo rença é significativamente menor em países “roubar” empregos de cerca de 400. têm taxas uma maior taxa de desemprego nos países sensíveis às crises. ele existe .000 imigrantes que os imigrantes. a taxa actual de desemprego. lizados pela OCDE6 são inequívocos (ver gráfi. onde há baixo desempre- p. em certa medida. 35% dos desemprega- e. foi acompanhada da não renovação que também é evidenciado pelas estatísticas: as maiores taxas de desempre- – e provável saída – de 65. encontraríamos cinco anos. de de trabalhar para ganhar o máximo. são os primeiros a perderem o emprego.“Imigração em Portugal”: destino atractivo para imigrantes.000 tes (Canadá. os mais perfil socio-psicológico do imigrante que.. IMIGRAÇÃO . Isso faz com que exista de desemprego relativamente com maior percentagem de imigrantes. em sessão do Observatório do Emprego e Formação Profissional.695 beneficiavam de subsídio de de trabalho existentes.000 imigrantes. Estes números somente 13. é idêntica à de grande tradição de acolhimento de imigran- dos anos 80/81 em quetínhamos só 58. O S M I TO S E O S FAC TO S Por outro lado. Austrália. óbvio.. Os dados disponibi. É também significativo que os picos de taxa mais uma desvantagem competitiva para esta baixas. dada a grande mobilidade e flexibi. no p. entre 2001 e 2005. imigrantes. como por exemplo. em 28 de Fevereiro de 2005. finalmente. que sofrem per. Gráfico disponível no relatório da OCDE “Trends in immigration and economics consequences” de Coppel et al (2001). a partir de um estudo da OCDE. OS M ITOS E OS FACTOS I M I G R AÇ ÃO . aí está um destino não atrac- da política de imigração na Comissão Euro- tivo para imigrantes. temos um Iº Congresso . De uma forma grosseira. A correla- balhar. afirmava inequivocamente.7 go e oferta de trabalho disponível.. mobilidade para ir à procura de emprego onde grantes num país não é um factor explicativo co na página seguinte). e. com ela.083 beneficiários es- que uma nova mão-de-obra introduzida no mente com os ciclos económicos de desenvol. em 2002. de apoio e protecção social Nos fluxos migratórios de motivação económi- que torne mais rentável permanecer sem tra- ca existe uma natural racionalidade. em regra. crescimento da taxa de desemprego em Por. desemprego7. pela vonta- relativamente baixas (Canadá. esta evolui evidenciam inequivocamente que não há cor. nos anos de quando escasseiam os empregos. 15. expulsará os residentes lidade da mão-de-obra imigrante.. Dados disponibilizados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional. 7. pag. mercado de trabalho competirá pelos postos vimento e. segundo as leis do mercado. falso. Ora. Austrália.). Esta ideia corrente baseia-se na convicção Este potencial de atracção evolui dinamica. A presença de taxas elevadas de imi.6 peia. no imigrantes e os países com maiores percenta. têm taxas de desemprego ou 1987 (8. por regra. pela Suíça).000 imigrantes. 6. tugal.oecd. maiores que os nacionais. responsável pelo dossier desemprego alto. domínio profissional. de 4% para próximo A este ponto importa acrescentar um outro Vejamos porquê. de 21. dos inscritos não recebiam subsídio de desem- lários. fará baixar sa. go estão em países com baixas Comecemos por uma análise macro.

Foi do. Como refere o já citado estudo imigrante é uma fonte de diversidade. indirecta- de contratual e por estarem em mente. na sua maioria. nos imigrantes muito qualifi. é. políticas de ges- os imigrantes. contra aqueles que os contratam e exploram. da crise em torno dos dos impostos. p. Em rela. no balanço que fazem. 9. são os pri. um vamente à mão-de-obra não qualificada. como regra. 16. a imigração legal.a presença de imigrantes irregulares emprego. para a imigração regulada. querem (exigentes. O S M I TO S E O S FAC TO S Curiosamente. com impacto positivo no emprego”9. prego.. obtenha maior rendimento. evitando os custos da Segurança Social e serviços. Não tenhamos qual- os nacionais se recusam a fazer porque não Ou seja. dentistas brasileiros. nem deve fa- zer-se contra os imigrantes irregulares. na redução de salários decorrente da presen- to do mercado de trabalho. reforçarem o negócio de mão-de-obra sectores de actividade muito imigrante indocumentada. são causadoras de graves pertur- dado a sua maior vulnerabilida.. oportunidades de trabalho no social ou pela família por um trabalho que re. como meiros a perderem o emprego.9 – por um lado. 8. a comunidade cados. apesar existência não vai aumentar o desemprego concorrência – os muito pouco qualificados da exploração. a comunida. pag. O grande combate sensíveis às crises à imigração irregular não pode. esta mas vai antes. mercado informal. quer por o horizonte de ção ao trabalho não qualificado. É indiscuti- velmente que a principal causa é a existência velmente positiva. 34. pag. produzidos pela população hóspede. A imi- gração irregular foge a esta regra e constitui No entanto. em contexto de tão de fluxos migratórios muito restritivas. raramente sublinhada. bações no mercado de trabalho por. IMIGRAÇÃO . da OCDE.8 pode ignorar. flexibi. Quando os que zadas na sua esmagadora de um tal apoio8”. OS M ITOS E OS FACTOS I M I G R AÇ ÃO . os que ocupavam irregular. A sua dos segmentos em que pode acontecer essa Para muitos imigrantes irregulares. ibidem.são ambos imigrantes. Em determinados segmentos estes lugares correm sérios riscos de desem.imigrante. salários abaixo do previsto na lei e. “sujas” e mal pagas). é o nosso. quer por não ser possível e colmatar certas falhas sectoriais. a presença de imigrantes enquanto “Do ponto de vista económico. de uma economia informal que precisa . habilitações e são percebidos pelos emprega. Mas importa aí ça dos imigrantes há uma outra abordagem também perceber qual é a causa: indiscuti. p. complementar – que desenvolvem actividades que poucos opção é elegível. exis. o caso. “a imigração cria procura de bens e lidade e inovação que vai permitir suprir as rificar-se pontualmente essa competição. desta forma. pagando consumidores. sobretu. – e em determinadas circunstâncias pode ve. os protagonistas – os que estão e os que che. lacunas no mercado de trabalho. um dos poucos quadros onde se dá quer dúvida: se não existissem compensa trocar o apoio dado pela segurança uma concorrência pelos mesmos empregos. pelo contrário. Mas curiosamente. quer relativa. por exemplo. por outro nos muito pouco qualificados para que.e es. mas É evidente que todo este raciocínio é válido. Actas do Iº Congresso Imigração em Portugal. chegam dispõem de maiores competências e maioria por nacionais. sobre o impacto no desemprego e uma perturbação ao funcionamento correc. países com economia subterrânea forte. mente à mão-de-obra qualificada. dinami- munera tanto ou menos do que o decorrente gam . desenvolvimento económico e criação de timula . quer relati. para a criação de riqueza. ser nulo. explorando o seu trabalho. em crise económica. te uma forte concorrência com mão-de-obra já esperança no seu país de origem de imigrante geralmente faz o trabalho que existente que. que uma análise rigorosa não dores como mais rentáveis. não haveria imigração Há excepções. . relevante.

a nossa segurança social e Receitas 308. a carga fiscal de gerações futuras em blicas.124.e que a opinião pública o saiba . inequívo. É o justo de Opinião Pública da Universidade Católica. Bonin. a imigrantes legalizados (ou em vias de). valores de saldo positivo de 238 milhões de bém em Portugal. Ora. como é p. do Observatório da Imigração . Este fenómeno arrasta a preocupante questão do positivo médio anual entre os 900 milhões Se no denominador considerarmos também da sustentabilidade do sistema de segurança e os 1. quando se procura estudar o contribu.281 183.727. nada a opor. O mesmo estudo para 2002 aponta temos vindo a sentir em toda a Europa. de 323 milhões de nada é oferecido aos imigrantes: os benefí- bem da Segurança Social mais do que o dão”. euros o que equivale a que “cada imigrante le.041.. não sendo a solução completa.). Ao mesmo Em Espanha. adicionais com eles(. portanto a totali.415 Ao nível do apoio social. um sal. OS M ITOS E OS FACTOS I M I G R AÇ ÃO . e só acedem gratuitamente.tempo.288.498 1. exclusivamente a eles destinados. que entra de imediato na vida activa e é contri- buinte líquida. nomeadamente na grande (. Iturbe-Ormaetxe and Valera. grações internacionais que refere: d´Almeida. Migrations.oi.004. e tam- todas as conclusões são convergentes. este montante passa para 1032. A quebra demográfica acentuada que to dos imigrantes para as contas do Estado. World Economic and Social Survey 2004 – International 13. que respondeu “con. por Esta é outra ideia frequente. cum- 178.”11 cts). não só não é um peso.6€ complexidade da análise. (Collado.007.606 328. Social. Se no denominador considerarmos No domínio da Segurança Social. havendo da Universidade Pontifícia de Comillas. este contribuição de mão-de-obra imigrante legal. mas que ainda persiste. Corrêa d´Almeida (2002): 29.963.3 € (128.039 poderem beneficiar de. a Profª. Euros (cerca de 65 milhões de contos). o que cios que podem usufruir decorrem das suas desceu de 42% para 21%. IMIGRAÇÃO .8 cts)”. das Nações Unidas. United Nations. portanto a totalidade dos social.268.395.. em Portugal e noutros países. 2003. desen. Devido à composição etária (279 cts). há ainda sobreposição de diferentes ciclos de vida de favorável. vai agravar-se. em 2002 no montante de 812. ACIME. cada estran. próprias contribuições. Rosa Aparício Gomez. Cálculos da Ale. desenvolvidos em 2002 “Em geral. é potencialmente Português em 2001 no montante de 1391. cal. terá sido um contribuinte líquido do Estado acolhimento.4€ (207 sistema. entre 1996 e 98.11 referir que os imigrantes não beneficiam de da segurança social. que contraria contribuições e de diferentes metodologias de para o sector público pode ser positiva. ao Sistema Nacional de grantes e Nacionais10. o substancial contribuição para aliviar vando o impacto no conjunto das contas pú. indo para Saúde se estiverem inscritos na Segurança e 2004. pelo Centro de Estudos e Sondagens mostrar que os imigrantes dão uma além do sistema de segurança social e obser. uma outra dimensão a sublinhar. em 2001.241. sobre Mi.acime. subsídio de desem- se tem reduzido. estes exercícios tendem a elaborou uma análise mais vasta. O S M I TO S E O S FAC TO S Saldo das Contas para o caso Espanhol 96-98 qualquer subsídio ou apoio so- Os imigrantes vêm desgastar 1996 1997 1998 cial específico. por isso. 12 taxas moderadoras. Apesar da lhadores migrantes.100 milhões de euros. .).325 144. ou com inquéritos sobre Imagens Recíprocas entre Imi.964 225. As suas conclusões apontam para um ciência . São.054. mostram que o seu ganho fis.331 Saldo (cts) 179. galizado (ou em vias de) empregado terá sido um número de beneficiários cada vez maior volveu estudos sobre esta realidade e concluiu um contribuinte líquido do Estado Português e a usufruir de mais tempo de apoio social. 11.. corresponde a que “em média. Disponíveis em www. André Corrêa prego.332. 121.10 Ainda sobre a situação portuguesa.. Mas importa ter cons- número de portugueses.8 cts). importa importante para a sustentabilidade do sistema p.836 viver de subsídios ? Despesas 128. Também em Portugal.que cordo” com a afirmação “os imigrantes rece.718. geiro legalizado (ou em vias de) empregado adquiridos e não benesses da sociedade de Os dados objectivos são. montante passa para 642. direitos manha. mesmo depois de descontar os gastos de). Nos Survey 2004. no entanto. países da Europa com baixa fertilidade saldo positivo.145 914.505 prem os mesmos prazos de garantia que os nacionais para Saldo (Euros) 893. Corrêa D´ Almeida (2002) Impacto da Imigração em Portugal nas contas do Estado. 12.380 403.”13. a esperança de vida alarga-se.gov.1€ (162. a sua média de pagamentos também os não empregados. cos. os não empregados.pt. que em Portugal Comecemos pelo World Economic and Social exemplo. que Espanha obteve. dade dos estrangeiros legalizados (ou em vias o mito de que os imigrantes sobrecarregam o cálculo. Quanto a isto. 10. 2002). princípio da igualdade. pag. decorrente da admissão de traba.

equilibrada no género e de todas as classes Se se corrigirem os universos de comparação. enquanto se mantém nos 11‰ minalidade. sócio-economico médio-baixo. com uma predominância de presença significativa de estrangeiros não p. OS M ITOS E OS FACTOS I M I G R AÇ ÃO . o comparável. a penas mais duras. Mas. como se verifica. da) que a taxa de criminalidade é fatalmente nacionais e estrangeiros estrangeiros. numa viagem de fuga – até à comparação das penas pelo mes- mo tipo de crime. A caracterização demográfica do universo da são estrangeiros. Daqui se conclui. nomeadamente de “correios de 14. mente masculino. Interpretemos melhor estes números. o valor da taxa bruta de cri. Ora. À partida. os es. é o de todos os cidadãos nacionais. na percentagem de aplicação de pena de prisão efectiva por tráfico de droga. Por exemplo. os números confirmam esta sociais e níveis académicos. pessoas sem residência ou teria alguma explicação. Até aqui. por exem- associados ao crime? curta duração.(2005) “Criminalidade de Estrangeiros: um Inquérito científico”. vestigadores Hugo Martinez de Seabra e Tiago Pena de Prisão Efectiva por Tráfico de Droga15 Santos. não é coincidente paração. . Os in. isso não é verdade. .oi.acime.gov. Desta diferença dos universos de mes. cionais e estrangeiros. Disponíveis em www.12 e estrangeiros. H. em média. o são sujeitos. num estudo pioneiro. Sendo uma expli- universos não comparáveis. No Nacionais criminalidade é semelhante para nacionais número de condenados estrangeiros há uma p. O que de Estrangeiros em Portugal: um inquérito as estatísticas da Justiça nos dão é simples- Estrangeiros científico”14 deram passos significativos nesse mente a nacionalidade.esta perspectiva é eminentemente justifica- há diferença na taxa de (onde praticamente já não há criminalidade). NÚMENA/ACIME. fru- Quando se olha as taxas brutas de crimina. bem. T. tiva e pode dar involuntariamente a ideia (erra- criminalidade entre faixas que quase não existem no universo dos trangeiros são sujeitos. minalidade encontrado nos nacionais sobe de especialmente de 2ª geração. IMIGRAÇÃO . são para os estrangeiros. em idade activa. E como ficou ante- referência. chegam à cri- erro de análise. 15. para os mesmos cri. ligação. to de um percurso de discriminação face às lidade e se analisa o grupo de nacionais e o nalidade. Não porque sejam estrangeiros. uma parte não corresponde a imigrantes. resulta. dá-se um enor- me enviesamento: no caso dos nacionais. Mas. Santos. mais pesadas. pois o dos nacio. naturalmente um resultado de a aplicação da prisão preventiva – facto que riormente provado. todos os turistas que nos visitam. os estrangeiros ção a criminalidade. sobre o qual se faz a mesmos crimes. Com efeito. zero o horizonte de futuro . para concluir.alguns imigrantes. se compararmos mas porque são excluídos. ria dos nacionais . no passo seguinte. Isto é. Já o universo equiparando-os. errado. trata-se de mais um de referência dos estrangeiros é maioritaria. plo. entre os anos 1997 e 2003. para os outra perspectiva de abordagem: a exclusão universo de referência. de exclusão social composta por nacionais feita correctamente não 0/16 anos (inimputável) e acima dos 60 anos . ou seja. imigrantes. percentagem para obter a taxa bruta de crimi. a penas social que gera criminalidade. com proporção desvantagem competitiva em relação à maio- primeiros esta é de 7‰ e no segundo 11‰. Isso é evidente des.13 homens. nos meios de comunicação bilitações académicas básicas. pelo maior risco de Os imigrantes estão profissão em Portugal que procuraram intro- duzir droga no nosso país. Finalmente. veremos. dos 0 aos 100 anos. solteiros e com ha. mas não são imigrantes. oportunidades geradas e de uma acentuada grupo dos estrangeiros verifica-se que para os ou seja. poderia ter começado por social. começando pelos universos de com. não há diferença na taxa de cri. o conceito de estrangeiro e de imigrante. maior entre os imigrantes.pt. “Criminalidade Mas há ainda outro factor a considerar. surgem notícias que associam os imi- grantes ao mundo da criminalidade. cação parcial – verídica também para bolsas Se a comparação for nais inclui um peso muito significativo da faixa minalidade entre nacionais e estrangeiros. Recorrentemente. que da taxa bruta de criminalidade nos estrangeiros. distinguindo entre na- objectivo. tudo A desconstrução do mito que associa imigra- Em média. em idade activa e de nível 7‰ para 11‰. A partir do Estudo de Seabra. O S M I TO S E O S FAC TO S droga”.que reduz muitas vezes a Aparentemente.

por exemplo. factores criam condições para que a doença se instale. zem doenças com eles. E se é certo que ao terem origem em económico. as doenças associadas à pobreza painhas para que ninguém se aproximasse. doentes. nomeadamente. têm outros riscos específicos para a enquadramento de apoio na aquisição de me- em relação aos imigrantes. perdem um dia de trabalho e. os que as dificuldades de acesso à saúde – ain- XIV e os estrangeiros. países mais pobres. tra. discriminado ou vítima de actos racistas. dificuldade de integração. dos amigos. agitando cam. ainda outras doenças. Por fim. infectados com em que os mais fracos ficam pelo caminho. más condições de cioso. em saúde. Estes do estado de saúde já débil. O S M I TO S E O S FAC TO S As explicações são várias e bastante consis. Outros. que deveriam. está associada a vários factores de risco. como um grupo particularmente vulnerável. indicadores de saúde do que trangeiro. muitos dos tentação de culpar o estrangeiro. provocam. não tendo que mais discreta. qua- ca16 evidenciaram. que desapareceu em Portugal nais. sofrimento – sín. associadas à saudade e linguísticas criam ainda outras barreiras. Por exemplo. tência física e psíquica. da SIDA. evidenciou que 40% natural que decorre durante o ciclo migratório. a vaguearem de terra em terra. A solidão e a por si mesmos e não cumprem os tratamentos nos ameaçam. Se a situação à chegada desmente este pre. foram-no em Portugal. por um lado. as doenças epidémicas. doenças infecto-contagiosas. Desde as descrições dos leprosos. dia. imigrantes para se deslocarem a uma con- novos males da sociedade. Essa atitude. para comportamentos desviantes que alojamento. Ou seja. por todos os há cerca de cinquenta anos ou as parasitoses excesso de consumo de tabaco. . Vários estudos nos Estados Unidos da Améri. sua saúde. a população residente. Estudos comparativos entre imigrantes latinos e brancos não hispânicos americanos evidenciam que os primeiros têm taxas mais baixas de mortalidade por doenças cardíacas. exactamente como na popu. identificado como “paradoxo hispânico”. Por um lado. o salário associado. imigrantes do sistema nacional de saúde. . que afastam os lado. muitas vezes. em mé. regista-se por outro de casa. intestinais) estes imigrantes vêm encontrar sulta médica. com as tre nós. chegaram p. com episódios em que o imigrante se sente Os imigrantes tentes. não têm meios para os comprar como potenciais portadores de doenças que saúde mental. chegada. tiveram possibilidades de e à exclusão social: a tuberculose e outras Neste domínio. OS M ITOS E OS FACTOS I M I G R AÇ ÃO . por outro. Ora um estudo recente. significativamente a entrada de imigrantes lação nacional com o mesmo contexto socio. sempre se verificou a por exemplo. nomeadamente decorrentes Acresce que estes imigrantes que estão en. nomeadamente os associados à dicamentos. 16. também se verifica hoje. realizado por inves- Dado o processo muito exigente de selecção tigadores portugueses17. no que se refere à SIDA. de estilos de vida pouco saudáveis. as diferenças culturais conceito de que os imigrantes. da família e gumas difíceis de ultrapassar. bem como o alcoolismo e o todos estes riscos. tes. melhores o fantasma da associação entre doença e es.15 barreiras e chegam aos países de acolhimento. nomeadamente com a ses mais ricos já resolveram (como a malária. profissões perigosas ou receio constituem um factor de risco de agravamento de contacto com o sistema de saúde. já no país de acolhimento. Os imigrantes revelam à Desde tempos imemoriais sempre se agitou são os mais saudáveis e com maior resis. grave e de grande Sendo justamente considerados os imigrantes que os imigrantes revelam à chegada. Coordenados por Ricardo Camacho. al- Esse receio é injustificado.14 os imigrantes que conseguem vencer todas as saudáveis e aqui foram infectados com o vírus p.que se acentua – que são os imigrantes que trazem a doença. IMIGRAÇÃO . acidentes de trabalho e as doenças profissio. dos imigrantes estudados. do Laboratório de Virologia do Hospital Egas Moniz. Este quadro arrasta por sua vez. com ele. melhores indicadores de saúde do que a E porquê? droma de Ulisses criou-se na opinião pública a ideia – errada população residente. considerando-os quais não contactavam. em média. 17. por regra. importa também sublinhar até à associação entre as pestes do século contactar com algumas patologias que os paí. da maiores que para os nacionais – agravam perseguição aos judeus. num círculo vi- trazem-nos doenças? como má alimentação. a dureza da vida imigran- te. que a vida dos imigran. HIV. um fenómeno tem elevados riscos para a sua dros de depressão Um argumento ainda. Este facto bloqueia Surgem então. cancro e derrames cerebrais.

nesse contacto personalizado. ou uma ameaça para qualquer um de nós. alguns destes portugueses indocumentados já compraram casa. 2002. acrescidos de barreiras linguísticas e culturais. são factores comuns que. locais de trânsito.” p. A nossa imigração no país de acolhimento. É evidente que se defende a imigração legal. O S M I TO S E O S FAC TO S Como defendem as médicas portuguesas tornam as comunidades imigrantes particular- Domitília Faria e Helena Ferreira18. Esta questão não se esgotou no passado. Mas mais fácil ainda. torizado a permanecer e trabalhar. representava nos anos tem elevados riscos Por isso. bem como o respeito das leis nacionais e in- teremos todos a experiência pessoal de contacto ternacionais. Não se trata. por isso. sustentou. a serem contagiados uma perversa ilusão de óptica na opinião pública cia de imigrantes irregulares. OS M ITOS E OS FACTOS I M I G R AÇ ÃO . em Portugal”. de um perigo para a segurança pública. a quebra de laços familiares. eles são. destino ou os portugueses em iguais circunstâncias retorno à origem. para protecção com muitos imigrantes que estão irregularmente dos próprios imigrantes.” Os imigrantes probabilidade de ser infectados no país de origem. De acordo com António Letra. é que os imigrantes. vivem em Toronto e nos arredores entre oito a dez mil portugueses ilegais e a maioria trabalha na construção civil e limpezas. IMIGRAÇÃO . a dificuldade no acesso aos não tem autorização para permanecer e trabalhar 18. quem é o imigrante “ilegal”? tugal? situdes da sua vida. tal como “ilegais” são perigosos? – país de origem. não estamos perante criminosos! “Muitos dos emigrantes ilegais estão no Canadá há mais de sete anos. por exemplo. vivem na Dundas Street (zona de concentração de portugueses). que tende a olhar estas pessoas . o isolamento e nou o seu país à procura de uma vida melhor.000 a marginalização. um homem ou uma mulher que abando- tualmente. no país de acolhimento. Aliás. assim como com outras doenças. estão mais ex. tão só. Mas não nos deixemos confundir: cebemos quanto é disparatado este receio. em vez de ameaça. A exposição ao VIH pode ocorrer em qualquer das etapas do processo migratório O que se passa com a SIDA. As notícias recorrentes de detenções de imigran.17 Excerto de notícia da Agência Lusa. per. É injusto deportar estes cidadãos que têm contribuído para o futuro deste país”. afirmou. é recordarmos a nossa experiên- A vida de imigrante.16 a viver neste país. mais de metade das saídas: eram perigosos esses emigrantes “ilegais” que partiam de Por- para a sua saúde tudo. que entrem no circui- em Portugal e. Respectivamente Assistente Hospitalar de Medicina Interna – Hospital do imigrantes portugueses ilegais que aí permane- cuidados de saúde.alvos das polí. 18 de Fevereiro de 2005 . discute-se no Canadá. Ou seja. Ac- No entanto. Barlavento Algarvio e Assistente Graduada de Saúde Pública – Comissão Distrital de no país para onde se dirigiu. trabalham e fazem os seus des- contos. que destino falta de recursos económicos. sobre- cias . em comunicação “Infecção VIH e Imigração cem. a É. por via da pobreza.como potenciais perigos para a sociedade. 60. não está au- Luta Contra a Sida/ARS do Algarve. sócio-económicas e culturais. “Actualmente estão a deportar menos portugueses”. A morar em Toronto há mais de sete anos. A comissão de apoio aos portugueses indocumentados surge após a deportação de várias dezenas de famílias portuguesas. Mas. Não é desejável. ou a desenvolver determinadas doenças. da exclusão e de tes “ilegais” em operações policiais estabelece esta realidade. No verão do ano passado estavam a ser deportadas “muitas famílias portuguesas”. to irregular. que depois de serem interrogadas pelos oficiais da imigração eram expulsas por estarem ilegais. “Será in- correcto assumir que os imigrantes têm maior mente vulneráveis a esta infecção. não sabem falar inglês e vieram para o Canadá porque já tinham uma pessoa de família p. “a salto”. referiu sem adiantar o número de portugueses que já foram expulsos do Canadá. já comportamento de risco. mas deve dar o governo de Toronto a cerca de 10. para percebermos melhor postos. vítimas da sua circunstância e das vicis.

não existe. que tentaram pedir um passaporte homens e mulheres em desespero a lançar mão de emigrante. Estas operam – e prosperam tanto mais quan- rejeitam Portugal? to mais restritiva é a política de imigração legal . um imigrante rais e religiosas. quer na expressão irregular dificilmente saí. uma des imigrantes.pode criar. sociedade. fazer notar apreendidos os documentos e. de expedientes e actividades ilícitas. Os imigrantes bros de máfias: são as vítimas das máfias. OS M ITOS E OS FACTOS I M I G R AÇ ÃO . Europa. revolta de alguns jovens imigrantes de 2ª gera- Estas organizações enganam homens e mulhe. após a descodificação desse grito de extorsão mensal de parte significativa do salário. seja quantitativa destas vozes de revolta. O TRÁFICO DE BRANCOS Há.mas também a pobreza e a guetização Atravessar a fronteira pelos montes. entre os quais se conta a imigração mente. O S M I TO S E O S FAC TO S Outra confusão que é feita é entre imigração irregular e máfias. com ati.em todo o mundo. Em Portugal. antes de terem uma resposta. reportando-nos a Portugal. rejeição – real e/ou imaginada .19 emigrantes. que esta é uma atitude reactiva. p. de populações portuguesas . esta questão. fundada na de pagamento. de uma forma explícita. até ao momento que gumas comunidades de matriz islâmica. em si- ção deles. são os da monta- nha. Só que. que pressão.org/sonho_portugues. Importa. com este formato. com toda a sua De uma exposição da Federação das Associações Por- p. Mas nun- 9 de Abril de 1970 ca esquecendo que dentro de um imigrante irregular mora uma Pessoa. tudes estruturadas de rejeição da sociedade ção que repudiam Portugal e os portugueses. Os seus passaportes. becos sem saída que levam Outros. este mito não tem grande ex. Os imigrantes irregulares não são mem. fenómeno merece uma análise aprofundada. introduzem ilegalmente em território nacional.18 tuguesas de França disponível em http://www. Pelo menos. é mais evidente esta cisão. na Holanda ou em França.que sentem que pode ir até ao homicídio. um ano. um alerta que importa fazer. Não é verdade. promovendo verdadeiramente e em “Juri-Press” todas as frentes a imigração legal. no entanto. que no fim é negativa. não podem ir para nenhum lado. Este bretudo. “Muito pobre. Fazem contrabando ou tráfico de pessoas. quer so- estas se considerem satisfeitas. dignidade humana. dizem-lhes. se há uma recusa pois poderá esconder realidades mais comple. A Mais de 66% dos Portugueses que estão em permanência prolongada nos territórios de exclu- França passaram as fronteiras clandestina- são social.htm LUSA . irregular . esperam seis meses. eis a salva. é essencial o combate à imigração Jean Erwan irregular. tuações extremas. Noutros países. e também em Portugal. fundadas em diferenças cultu. imigrantes não querem fazer parte da nossa vez nas malhas destas máfias. é usada uma violência extrema xas que o linear “choque de civilizações”. como se fosse a mesma coisa. res desejosos de encontrar uma oportunidade de maioritária por parte de algumas comunida. “a salto”. É praticada uma na Alemanha. Mas.museu. sem carimbo da fronteira. Procura-se encontrar aí a evidência que os uma vida diferente no nosso país. principalmente do centro da alguns discursos que reproduzem vozes de prometendo muitas vezes uma legalização fácil. nesse contexto. É conhecida a tensão com al. IMIGRAÇÃO . Por isso. Existem sim. revolta.

onde 4 em cada 10 como positivos. outras como negativos. se com p. que nos chegam das mais influências culturais e de tradições que. a nacionalidade portuguesa. o atleta de origem nigeriana deu a volta de honra ao estádio. Para os imigrantes brasileiros o valor é menor: 22 e 24% respectivamente. incorre num triplo erro. nas aculturação. bicionar para si e. nais. em tor. O primeiro erro radica em acreditarmos que. Fiel ao que tactamos diariamente. aqui e outras com que nos fomos cruzan- acarinhado e gostava muito de dar uma alegria aos portugueses”. sobretudo para os seus filhos. Excerto de notícia da LUSA disponível em http://www. se deixarem assimilar totalmente. Fui espectacularmente bem recebido. uma das suas grandes lutas. do pelo mundo. umas vezes opostas. o ele. não é elas soubermos aprender.pt/modules. como foi o Euro 2004. o terceiro erro resulta de uma tugueses. Finalmente. quer consciente. em termos individuais. sem 9. quer inconscien. OS M ITOS E OS FACTOS I M I G R AÇ ÃO . O poder de influência não é quistou a Medalha de ça. um novo estranhas. acenan. a regra. de pertença que todos devíamos respeitar portugueses consideram os imigrantes “muito sobre as minorias imigrantes que se vêem Essa é. É o fruto de Esta vontade vai mesmo ao limite de am- um ciclo vicioso de rejeição/revolta/reforço da rejeição que não termina. por exemplo.”19 importamos permanentemente traços que nos nos fez únicos. Soubemos integrar uma diversidade que tes portugueses. porque mais diversos. Este valor verifica-se para imigrantes africanos e do leste europeu. in Correio da Manhã. sou que a influência dos migrantes com quem con. Esta visão. quero ser culturas e tradições. de pesos relativos na inter-influência entre figuras como Francis Obikwelu assumem nes”. 86 segundos. sê Prata na final masculina siva e de medo. a forma como celebram. tui a referência. Mesmo que não o quiséssemos. Em ter.”20 integramos nas nossas tradições. “Quero fazer tudo é possível não sermos influenciados por outras ser português é o resultado de múltiplas por Portugal. diferentes nos seus usos e costumes” e “na forçadas ou que aderem voluntariamente a forma como educam as suas crianças”21. prometera anteriormente. mobilizada em torno de uma visão defen. Pelo contrário. a festa desportiva em solida- a nossa cultura e as nossas tradições? dos imigrantes quer riedade com todos os nacionais em torno de fazer parte da sociedade grandes momentos. guesa. Na manipulação desta percepção da diferen. dedicou ainda a medalha conquistada aos deficien.php?name=News&file=article&sid=552. IMIGRAÇÃO . estrutura-se um outro mito romano” constitui uma norma tão forte que dos 100 metros dos Jo. análise desajustada da identidade portu- acarinham e torcem por num contexto de mundo aberto e globalizado. Verifica-se no já referido Estudo sobre “Ima.acime.20 símbolo do seu país. 21. no entanto. uma natural percepção da diferença imigrantes e autóctones. mostra evidências de atitudes as suas vitórias defendendo as cores nacio. todas elas mais importantes ao longo de séculos. rável dos media e da sociedade de consumo. aquela que ele afirma ser a sua. do “outro” que se reflecte. com o tempo de das nossas tradições por outras que nos são rem os seus traços identitários próprios. e reforçar. mos a temer do contacto com outras cul- do efusivamente com a bandeira portuguesa. ou. 20. recorde da Europa. em torno da imigração que passa pelo suposto o que se coloca frequentemente é o desafio gos Olímpicos de Atenas risco de “contaminação” da nossa cultura e para as comunidades imigrantes de mante- 2004. sempre mais ricos. . agem tes quer fazer parte da sociedade portuguesa. uma mudança de crescente identificação com a sociedade de acolhimento que consti- “Francis Obikwelu con. Os imigrantes vão colocar em risco A esmagadora maioria mos colectivos. E isto. O segundo erro é o que resulta da inversão portuguesa. não pela homogeneidade influenciam. que o apoiam. nada te- “No final. aliás. 19. 23/8/2994. Os fenómenos de Mas. temente.21 obrigatoriamente negativo. no de tantos “Pais Natais” que assimilamos e turas e tradições. o brio com que gens recíprocas entre imigrantes e autócto. Com a influência impa. O S M I TO S E O S FAC TO S da parte da sociedade portuguesa. minimamente comparável. Tornamo-nos mais “outros”. mas pela miscigenação.gov. se foram cruzando alguém que o ajudou a projectar. O “em Roma. A esmagadora maioria dos imigran. Dedi- cou o resultado aos por. LUSA lembrado no país como diferentes formas. por exemplo. iremos ficando p. evidenciam um sentido e um desejo respostas ao inquérito. Por isso. Somos um povo de fusão. sempre discutidos.

pt Rafael Amor 2. nem perguntes donde venho. Centro Nacional de Apoio ao Imigrante (Porto) Rua do Pinheiro. Não me chames estrangeiro. teu trigo é como o meu trigo.. 22-20 46 11 0 Fax. Não me chames estrangeiro. 22. Não deixe que os preconceitos substituam a verdade dos factos. Não me chames estrangeiro se no amor de uma mãe tivemos a mesma luz nesse canto e nesse beijo com que nos sonham iguais nossas mães contra o seu peito.gov. 21-81 06 11 7 acime@acime. 22-20 46 11 9 Rua Álvaro Coutinho.20 73 81 7 Horário de funcionamento: 8h30 às 14h30 4. CONTACTOS ÚTEIS E verás que sou um homem.22 Horário de funcionamento: 8h30 às 16h30 p. não posso ser estrangeiro” 1. OS M ITOS E OS FACTOS I M I G R AÇ ÃO . 21-81 06 10 0 Fax. o teu fogo como o meu fogo.gov. 22-20 73 81 0 Fax. no 9 4050-484 Porto Tel.. 21-81 06 11 7 p. Centro Nacional de Apoio ao Imigrante (Lisboa) Rua Álvaro Coutinho. se a vida a isso nos obrigasse e se tivessemos coragem e capa- cidade de sacríficio para tal aventura. Não se esqueça que qualquer um de nós poderia (. tua mão é como a minha. no 14 1150-025 Lisboa Tel.) ser imigrante.pt www. do egoísmo e do medo. 21-81 06 10 0 Fax. no 14 1150-025 Lisboa Tel. Não me chames estrangeiro porque foi diferente o seio ou porque ouvi na infância outros contos noutras línguas. é melhor saber onde vamos e onde nos leva o tempo. só porque nasci muito longe ou porque tem outro nome essa terra donde venho. olha-me nos olhos Muito para lá do ódio. Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas Praça Carlos Alberto. Não me chames estrangeiro. Não se deixe dominar por mitos falsos. no 71 4050-157 Porto Tel.23 3. O S M I TO S E O S FAC TO S As respostas às Não me chames estrangeiro seguintes questões são: Não me chames estrangeiro. Não me chames estrangeiro. porque o teu pão e o teu fogo me acalmam a fome e o frio e me convida o teu tecto.acime. Linha SOS Imigrante 808 257 257 . IMIGRAÇÃO . e a fome nunca avisa: vive a mudar de dono.