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ATUALIZAÇÃO TECNOLÓGICA EM ELETROTÉCNICA

FONTES DE
ENERGIA
RENOVÁVEIS

ATUALIZAÇÃO TECNOLÓGICA EM ELETROTÉCNICA

FONTES DE
ENERGIA
RENOVÁVEIS

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI

Robson Braga de Andrade
Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti
Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade
Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti
Diretor Geral

Gustavo Leal Sales Filho
Diretor de Operações

Regina Maria de Fátima Torres
Diretora Associada de Educação Profissional

ATUALIZAÇÃO TECNOLÓGICA EM ELETROTÉCNICA

FONTES
DE ENERGIA
RENOVÁVEIS

Departamento Nacional.311 SENAI Sede Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Educação e Tecnologia do SENAI de Santa Catarina. Departamento Regional de Santa Catarina. somente será permitida com prévia autorização. : il. . . 2015. I. fotocópia. Departamento Nacional Fontes de energia renováveis / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. com a coordenação do SENAI Departamento Nacional. de gravação ou outros. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. SENAI – Departamento Nacional © 2015. por escrito. Energia – Fontes alternativas. SENAI – Departamento Regional de Santa Catarina A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios.: (0xx61) 3317-9001 Departamento Nacional Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www. Título CDU: 621.(Atualização tecnológica em eletrotécnica) Inclui índice e bibliografia ISBN 1. seja eletrônico. .Brasília : SENAI/DN.senai. para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.br .© 2015. 47p. Departamento Regional de Santa Catarina II. SENAI Departamento Nacional Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP SENAI Departamento Regional de Santa Catarina Gerência de Educação e Tecnologia – GEDUT FICHA CATALOGRÁFICA S491f Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. 30 cm. do SENAI. mecânico.

..............................................................................................................................................................................................................................34 Figura 5 -  Actinógrafo...........................................................................................................39 ..................................................................................40 Figura 9 -  Geração armazenamento e distribuição eólica.......................................................................................30 Figura 2 -  Construção da célula fotovoltaica...........Custos iniciais de um projeto eólico.....................................................................................................................................................Distribuição de custos de materiais....................................Lista de ilustrações Figura 1 -  Placas fotovoltaicas....45 Quadro 4 ...............................33 Figura 4 -  Heliógrafo..................................................................................................................................................................................................................46 Quadro 1 .........................................................................Critérios de classificação da ANEEL.37 Figura 8 -  Sistema eólico..........................................................................................14 Quadro 2 .............31 Figura 3 -  Sistema de geração fotovoltaica CA..............................................44 Figura 11 -  Fluxogramas de custos.........................................................................................................................38 Tabela 2 ..........................................45 Tabela 1 ...........................42 Figura 10 -  Velocidade do vento...........................................................................................................................................................Custos de conjuntos eólicos............................................................................................................................................35 Figura 7 -  Planta térmica..............................................................................Distribuição de custos pós-instalação.........................................19 Quadro 3 ............................................Matriz curricular.............................................35 Figura 6 -  Piranômetro.............................................................................................................................................................................................................................................

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...............................................19 3 Viabilidade técnica-financeira de projetos de energia...........................................................................................................................................................................................43 4.36 4...3 Armazenamento...................................................................................3 Vantagens do sistema fotovoltaico.........................................44 4.........................................2..........................................................................1 Energia fotovoltaica.......................................................................32 4........................38 4....................6 Sistemas de ligação.....................................30 4...............................3...........................36 4..................................................................34 4..........................................................................1.......................................................................................3 Tempo de retorno capital..............................................................................1 VPL ..7 Instrumentos de medição.......17 2.....5 Corrente alternada...................13 2 Legislação técnica e ambiental para a implantação de projetos de energia de pequena e média escala....................................................8 Técnicas de medição..........................................2 Lei de betz............................................................................................................................................................1 Custos de instalação....................................26 4 Análise de projetos de energia baseados em fontes renováveis...........................................................................................................................................1..............................................................................................................................................38 4.......................................................................................................1 Energia solar............4 Aplicações.............................................................23 3....41 4........17 2...............................................1.......2 Classificação de viabilidade de implantação...................................................1............................................................................36 4.................................3.....23 3................3.........................................1...2 Custos de operação e manutenção........................................2 Retorno sobre o investimento................................1...............2 Energia térmica solar................1...............43 4........................34 4......................................................3.............9 Vantagens e desvantagens da energia solar.....45 ...................................1 Viabilidade técnica-financeira..........................................43 4...................................................................................................................................................................................29 4......................24 3................................3...........32 4....................................................................................................2......................4 Aplicações.............................................................................................................................................................................3...........................1..................................................25 3.............................................25 3.............................1......................................7 Custo....................................39 4....................................................................................................................................................................................................................................................................................3..........................1 Legislação técnica e ambiental para a implantação de projetos de energia de pequena e média escala......................................2 Células solares.............1......................................1 Sistema eólico......................1........2...............................5 Altura x velocidade do vento..............................2 TIR........................................38 4........................................................44 4......1 Custos........29 4...............................1....................................................................... Sumário 1 Introdução....................................................31 4.......................................1......6 Controle..........3 Energia eólica........30 4......................................

..............................Referências.....53 ...........................................................................51 Índice..................................................................................................................49 Minicurrículo do autor.........................................................................................................................................................................................................................................................................................

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Este fato move um desafio constante. Por fim. assim como o estudo das implantações no Brasil. . assim como aos usuários. retorno de investimento e outros fatores pertinen- tes para que o projeto seja algo que traga benefício a quem implanta. Neste livro estudaremos aspectos significativos para implantação de usinas geradoras de energias renováveis. assim como a preservação do meio ambiente. Introdução 1 A energia está presente no nosso dia a dia. seus principais componentes e funcionamentos. Seja bem-vindo a mais uma etapa em sua formação. No segundo capítulo serão feitos estudos relacionados a viabilidade de implantação. A energia elétrica é mais utilizada no cotidiano da humanidade do que em algumas déca- das anteriores. analisaremos cada uma das fontes de geração de energia cita- das. no terceiro capítulo. autoridades. vivido por cidadãos comuns. buscando cumprir as leis vigentes no país. O primeiro capítulo trará um estudo da legislação que rege esta aplicação a fim de que qualquer projeto seja implantado de maneira correta. esse panorama vem se alterando com o passar dos dias. e assim percebermos que essa energia é um bem indispensável à nossa sobrevivência. com foco na geração de energia elétrica. eólica e solar. Apesar de ainda crítico. Contudo há um número significativo de pessoas que ainda não dispõem deste bem. governos e demais seguimentos da sociedade. pois se encontram em lugares remotos e que não oferecem condições favoráveis à sua instalação. basta olharmos pela janela e nos depararmos com os movimentos incessantes de máquinas e equipamentos. custos e demais presságios destas fontes renováveis.

Na tabela a seguir veja a posição dessa unidade e o caminho a ser percorrido até que você atinja seu objetivo final.Matriz Curricular Fonte: SENAI DN . Atualização Tecnológica em Eletrotécnica MÓDULOS UNIDADES CURRICULARES CARGA HORÁRIA Normas técnicas Nacionais e Introdutório 16h Estaduais Smart Grid 16h Específico Eficiência Energética 28h Fontes de Energia Renováveis 20h Quadro 1 .

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andamento de obras de novas usinas. como a distância. O documento contempla as novas orientações da Resolução Normativa nº 583. indicadores de monitoramento. que alterou os procedimentos e condições para a liberação de operação em teste e comercial dos empreendimentos de geração de energia elétrica (ANEEL. Legislação Técnica e Ambiental para a Implantação de Projetos de Energia de Pequena e Média Escala 2 Certamente você já se perguntou quanto à legislação que rege a implantação de projetos de energias renováveis? Qual o órgão que realiza a fiscalização deste tipo energia? Aqui você encontrará respostas para essas e outras questões. a SFG elaborou do- cumento com o passo a passo do procedimento de solicitação de liberação para operação em teste e comercial. Ao final deste capítulo você terá subsídios para: Compreender questões relativas a legislação vigente de implantação e funcionamento de centrais geradoras de energia renováveis no Brasil. Ela realiza fiscalizações em campo. de 22 de outubro de 2013. Neste modo é possível uma atualização quinzenal da expansão de oferta da geração de energia elétrica (ANEEL. Cada usina. produção de Energia elétrica. . possui um relatório de acompanhamento diferenciado. obrigações contratuais e demais encargos governamentais relaciona- dos à produção de energia elétrica.1 LEGISLAÇÃO TÉCNICA E AMBIENTAL PARA A IMPLANTAÇÃO DE PROJETOS DE ENERGIA DE PEQUENA E MÉDIA ESCALA A superintendência de Fiscalização dos Serviços de Geração (SFG) é o órgão responsável pela fiscalização dos aspectos pertinentes como. 2008). Com o intuito de orientar os Agentes e agilizar o processo de análise. cronograma geral e informações sobre previsão de operação. neste relatório são encontrados dados bá- sicos de identificação do empreendimento. ACOMPANHAMENTO DA EXPANSÃO DA OFERTA DE GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA disponibilizado pela ANEEL. 2008). com o auxílio de agências regulamentadoras estaduais que são conveniadas e consultoria especia- lizada. bem como os critérios básicos observados pelo órgão responsável para viabilizar esse processo. dependendo do tamanho e dos aspectos de geração. Bom estudo! 2.

Re- nato. o sustento dele e de sua família é extraído da produção de leite em seu sítio. • em andamento . Porém. as manutenções e ausência de energia elétrica é constante. . a previsão de início da obra (quando não iniciada). Nesse aspecto. A energia elétrica chegou a poucos anos em sua casa.A fiscalização não constatou o início das obras civis das estruturas principais da usina. para cada empreendimento. embargo ou outro impedimento legal. Para o caso do Sr Adilson não se aplica as condições vistas neste capítulo. a fiscalização apresenta os respectivos indica- dores de monitoramento. CASOS E RELATOS A Necessidade de buscar fontes renováveis de energia no Brasil Senhor Adilson mora em um pequeno município no interior de Santa Catarina.Foi constatado pela fiscalização o início das obras civis das estruturas principais da usina. pois Sr Adilson utiliza a energia gerada para consumo próprio não se tratando de uma usina de geração. Como a região onde residem é rica de dias claros e a radiação solar é incidente. • Situação da obra A fiscalização classifica os empreendimentos segundo a situação da obra com base na verificação do cumprimento ou não do início das obras civis das estruturas. tais como ações judiciais.Foi constatada a paralisação das obras por medida judicial. a fim de amenizar os problemas que sua família vinha sofrendo. como se trata de um lugar de difícil acesso. FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 18 Conforme ANEEL (2008). ou da eventual constatação de paralisação das obras por medida forçosa. esteve fora por alguns anos e dedicou-se ao estudo de fontes de energia renovável. a melhor opção é a instalação de placas solares. graças a alguns programas governamentais. embargos e perda de eficácia de licenças. a classificação da viabilidade da implantação e a última licença ambiental emitida. Um de seus Filhos. • paralisada . o indicador para a situação da obra é classificado da seguinte forma: • não iniciada . demonstrando a situação da obra. a situação da execução do cronograma.

o PL4550 DADES contempla as mudanças necessárias para que a matriz energética brasileira enfrente a crise climática que o planeta vive atualmente e atenda à demanda de eletricidade do país. ou de um grupo de unidades gerado- ras. 2. sendo os empreendimentos classificados da seguinte forma: Usinas com licença ambiental de instalação vigente e obras civis ALTA em andamento. apresentado em dezembro de 2008. a usina não constará mais na ficha de informações individuais e nem na ficha de previsão de operação comercial (ANEEL. 2 LEGISLAÇÃO TÉCNICA E AMBIENTAL PARA A IMPLANTAÇÃO DE PROJETOS DE ENERGIA DE PEQUENA E MÉDIA ESCALA 19 SAIBA Para saber mais sobre energias renováveis acesse o link: http://www. Quadro 2 . Assim. estas não serão contempladas nas fichas individuais e nem na ficha de previsão de operação comercial. como as contidas no projeto CURIOSI de lei 4550. independente da situação da execução do respectivo cronograma de implantação. demandas judiciais ou graves problemas que im- peçam a implantação da usina. não havendo impedimentos para implantação da usina. Para o Greenpeace. 2008).2 CLASSIFICAÇÃO DE VIABILIDADE DE IMPLANTAÇÃO A classificação da viabilidade da implantação é um parâmetro da fiscalização da ANEEL que indica a viabilidade da implantação do empreendimento.gov. Uma vez iniciada a operação comercial de uma unidade geradora. Usinas com suspensão do processo de licenciamento ambiental ou declaração de inviabilidade ambiental.br/ MAIS clima/energia/energias-renovaveis/energia-eolica.mma. Usinas com obras não iniciadas ou com licenciamento ambiental MÉDIA não finalizado. quando todas as unidades geradoras iniciarem sua operação comercial. não havendo impedimentos para implantação da usina. processo de revogação BAIXA em análise.Critérios de Classificação da ANEEL Fonte: Adaptado de ANEEL 2008 O Greenpeace está trabalhando junto à comissão especial de energias renováveis da câmara dos deputados para propor soluções concretas. .

onde para cada tipo de usina são apresenta- dos os tópicos e indicadores de monitoramento. Para Geradoras que utilizam fonte eólica ou solar. licença ambiental. Agora que você já leu o fique alerta vamos ler o recapitulando dessa capítulo. a partir do início dos trabalhos de geração deve ser encaminhado mensalmente o ensaio de desempenho da usina durante dois anos. E o mais importante. O critério da ANEEL poderá prescindir ao ensaio de desempenho ou aos dados de geração. . entre outras. RECAPITULANDO Neste capítulo você entendeu melhor como funcionam os órgãos de fiscalização governamentais que regem o campo de usinas geradoras de energia. A fim de avaliar as características ALERTA de desempenho da operação de geração. serão adotadas as informações do projeto. a usina deverá enviar um relatório técnico contendo os resultados do ensaio de execução em até 24 meses. situação da obra. Se alguns dos itens apresentados não for atendido poderá gerar a paralisação dos trabalhos. como início e término da obra. FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 20 De acordo com os dados contidos na REN 583/2013 a partir do início da operação de FIQUE geração de energia elétrica.

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estabelecer perspectivas relativas ao retorno do capital investido. vários tópicos de investigação e metodologias diferenciadas fo- ram levantados sobre a viabilidade de projetos de Geração e Distribuição. você terá subsídios para: empreender a análise técnica e financeira necessária à implantação de projetos de energias renováveis.1 VIABILIDADE TÉCNICA-FINANCEIRA Ao longo dos anos atuais. . Viabilidade Técnica-Financeira de Projetos de Energia 3 Muitas são as indagações acerca da viabilidade técnica-financeira de projetos para geração de energias renováveis. São frequentes questionamentos como: será que vale a pena investir nesse ou naquele? Em quanto tempo o capital investido retorna? Ao final deste capítulo. FIQUE Pesquisadores brasileiros em energias renováveis defendem. A seguir serão apresentados conceitos e critérios que buscam fundamentar o estudo de um investimento financeiro em um projeto. assim como conhecer as princi- pais variáveis deste processo. econômicos e regulatórios sobre as mais qualificadas premissas. pelo ALERTA governo. Certamente isso é importante para sua formação e interessante saber. Siga em frente e bom estudo! 3. tanto para aspectos técnicos. a criação de linhas de crédito especial para aquisição e instalação de energia solar fotovoltaica em residências.

1 VPL O valor presente líquido (VPL) ou método do valor atual é a fórmula matemático-financeira de se deter- minar o valor presente de pagamentos futuros descontados a uma taxa de juros apropriada. menos o custo do investimento inicial. . o investimento é indiferente. significa que o investimento não é economicamente atrativo. Usando o método VPL. é o cálculo de quanto os futuros pagamentos somado a um custo inicial estaria valendo atualmente (HEINEMAN. Se o VPL for igual a zero. n FCt VPL = Σ t=0 (1 + i)t Onde: t: Tempo em anos n: Duração Total do Projeto i: Custo Capital FC: Fluxo de caixa do período. pois o valor presente das entradas é igual ao valor presente das saídas de caixa. um projeto de investimento potencial deve ser empreendido se o valor presente de todas as entradas de caixa menos o valor presente de todas as saídas de caixa (que iguala o valor presen- te líquido) for maior que zero. FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 24 3. porém resolveu expandir seu capital em algumas usinas eólicas para geração de energia elétrica. Basicamente. antes de mergulhar de cabeça neste novo investimento. Frank é um empresário de sucesso no ramo metalúrgico. No entanto. CASOS E RELATOS Investindo em energia renovável Sr. já que o valor presente das entradas de caixa é menor do que o valor presente das saídas de caixa. buscou auxílio de um consultor a fim de receber instruções e para que fosse realizado um estudo de viabilidade técnica financeira. 2007).1. se o VPL for menor do que zero.

n FC Σ = 0 t=0 (1 + i)t Onde: t: Tempo em anos n: Duração Total do Projeto i: Custo Capital FC: Fluxo de caixa do período. 3. E foi ai que apostou e investiu em um novo parque eólico e esta obtendo um excelente retorno sobre o capital investido. representando uma taxa de juro total. 3 VIABILIDADE TÉCNICA-FINANCEIRA DE PROJETOS DE ENERGIA 25 Assim.2 RETORNO SOBRE O INVESTIMENTO O ROI é utilizado para comparar a eficiência de um investimento. Para os casos em que a TIR é superior ao custo de oportunidade.2 TIR A taxa interna de rentabilidade (TIR) é a rentabilidade gerada pelo investimento. após os estudos e levantamentos Sr. tem-se um investimento atrativo. 2010). ou seja.1. O cálculo deste indicador pode deferir consideravelmente dependendo do caso analisado. O custo de oportunidade é a remuneração obtida em outras alternativas que não as analisadas. Nesse processo descobriu que existiam disponíveis algumas linhas de crédito para este fim. onde o capital investido atingiria precisamente a taxa de idêntica a de rentabilidade final (WOTTRICH. 3. Frank verificou que seria necessário mais capital do que ele possuía no momento. .

. o tempo de vida útil do equipamento.com/eee83/eee83p/viabilidade_energia_ eolica.htm Feitos os cálculos que levam as expectativas de retorno do capital investido. é o tempo necessário para recuperar o investimento inicial também conhecido como “payback”. acessando o link: http://ecen. 3. FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 26 (Ganho sobre investimento . (HEINEMAN. Em termos gerais. T Payback = T quando Σ FC t = i0 t=0 Conheça um pouco sobre o assunto estudado.3 TEMPO DE RETORNO CAPITAL O tempo de retorno refere-se ao tempo decorrido entre o investimento inicial e o momento em que o lucro líquido acumulado se iguala ao valor desse investimento.Custo do investimento) ROI = Custo do investimento NOTA: Se um investimento não tem um ROI positivo.retorno. atentando para a análise de viabilidade SAIBA econômica da unidade de geração de energia elétrica eólica na Lagoa do Patos no Rio MAIS Grande do Sul. em português . ou seja. O tempo de amortização varia com o modelo de aplicação. Quanto menor o percentual de custo mais rápido o investimento será pago. 2007). esteja atento a um aspecto relevante exposto na Curiosidade abaixo. Um investimento é aceitável quando seu “payback” calculado é inferior a algum número pré-determi- nado em anos. então o investimento não deve ser feito.

RECAPITULANDO Neste capítulo foram apresentados os modelos matemáticos e os critérios a serem observados para a análise de viabilidade técnica e financeira. para quem CURIOSI a falta de energia pode significar perdas de produção. . 3 VIABILIDADE TÉCNICA-FINANCEIRA DE PROJETOS DE ENERGIA 27 A energia Solar é auto-suficiente e. Outro uso bastante DADES viável. portanto. principalmente para a iniciativa pública. principalmente para os consumidores corporativos. Agora que você já leu uma curiosidade vamos recapitular o que foi apresentado nesse capítulo. mais segura em termos de abastecimento. com enfoque no retorno do capital investido na implantação de um projeto de geração de energia elétrica renovável. é a eletrificação de comunidades localizadas em regiões remotas.

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cemig. farto em quase todos os lugares da terra. Além destas aplicações hoje se pode encontrar também ambientes climatizados através do pré-aquecimento do ar que entra nas regiões frias de edifícios.aspx. . conhecer mais. Para isto acesse o site MAIS seguinte: http://www. a luz solar que atinge a superfície da Terra é suficiente para abastecer a humanidade durante um ano. Sabia que estes raios de sol além de deixar o seu dia mais bonito também podem deixar sua noite mais bonita? Isso mesmo. SAIBA É sempre bom ir além e estudar mais. a energia do sol pode ser aproveitada para gerar energia elétrica. A cada hora. Análise de Projetos de Energia Baseados em Fontes Renováveis 4 Com certeza você já acordou. esta porém é direcionada ao aquecimento de água. que pode ser armazenada e posteriormente utilizada à noite. você terá subsídios para: Compreender e analisar os projetos de fontes renováveis Eólicas e Fotovoltaicas. 2002). em regiões quentes (PALZ.1 ENERGIA SOLAR A energia solar é um recurso renovável. A energia solar pode ser captada através de módulos fotovoltaicos para pro- dução de energia elétrica. Ao final deste capítulo. e em coletores solares. ou mesmo de resfriamento de ambientes.com. olhou pela janela e observou aquele dia lindo de sol.br/pt-br/A_Cemig_e_o_Futuro/inovacao/ Alternativas_Energeticas/Paginas/default. Bons estudos! 4.

as mais comuns encontradas no mercado são a de silício monocristalino. ocorre o fluxo de elétrons (Corrente elétrica). elétrons são desalojados dos átomos que compõem o material fazendo com que os elétrons se desloquem de um ponto a outro da placa. caracterizando um tipo de “sanduíche” entre os dois semicondutores. Quando as duas superfícies são conectadas através de uma carga externa. Quando os raios de sol incidem sobre a camada superior da placa acontece a liberação de elétrons formando uma carga negativa nesta camada. Quando energia suficiente é absorvida da luz solar pelo material semicondutor. O desequilíbrio de cargas resultante entre a parte frontal e posterior da célula dá origem a uma diferença de potencial como a dos polos positivo e negativo de uma bateria. A partir deste processo surge a corrente elétrica que poderá alimentar a carga acoplada. Elétrons gerados na camada superior de diversas células se movimentam juntos. . onde se realiza a separação destes dois elementos por meio de uma terceira camada.1 ENERGIA FOTOVOLTAICA A energia fotovoltaica é produzida através da conversão de luz solar por meio de painéis fotovoltaicos.2 CÉLULAS SOLARES As células fotovoltaicas são constituídas basicamente de dois materiais especiais chamados semicondu- tores.1. Quando os fótons alcançam o painel fotovoltaico. Existem atualmente diversas tecnologias para a fabricação de células fotovoltaicas. Estes fótons possuem energia. fazendo com que estes se desloquem e viajem através da su- perfície frontal da célula. Estes painéis fotovoltaicos são fabricados com ligas de silício que produzem uma reação ao receber os fó- tons. lacunas são formadas. serem refletidos ou absorvidos. eles podem passar por ele. FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 30 4. Thinkstock ([20--?]) Figura 1 -  Placas fotovoltaicas 4.1. Quando um número expressivo de fótons é absorvido pelo painel fotovoltaico a geração de energia acontece gerando eletricidade. Estes elétrons são atraídos para a camada inferior que é carregada com cargas opostas (positivas). a do silício policristalino e a do filme fino de silício. Quando estes elétrons deixam sua posição original.

• Não tem peças móveis e. .1.3 VANTAGENS DO SISTEMA FOTOVOLTAICO • Não consome combustível. • É silencioso. Em temperaturas menores a tensão é maior e em temperaturas mais altas a tensão é menor. consequentemente maior sua corrente elétrica (VILLALVA. sendo que. portanto. 4 ANÁLISE DE PROJETOS DE ENERGIA BASEADOS EM FONTES RENOVÁVEIS 31 A corrente elétrica fornecida pela placa depende diretamente de sua área e da quantidade de luz absorvida. Luz do sol Julio Cesar Borchers (2015) silício tipo N camada de junção fluxo de elétrons silício tipo P Figura 2 -  Construção da célula fotovoltaica Fonte: Adaptado de CEPEL (2008) FIQUE A temperatura tem influência na tensão que os módulos fotovoltaicos fornecem em ALERTA seus terminais. • Tem uma vida útil superior a 20 anos. exige pouca manutenção (só a limpeza do painel). 2012). • É resistente a condições climáticas extremas (granizo. vento. e consequentemente na tensão fornecida. temperatura e umidade). 4. • Permite aumentar a potência instalada por meio da incorporação de módulos adicionais. quanto maior sua área maior será sua captação de luz. • Não produz poluição nem contaminação ambiental.

entre as baterias e o consumidor é necessário a instalação de um in- versor de corrente com potência adequada. iluminação exterior. já que em residências a maioria dos eletrodomésticos utiliza a corrente alternada. • banco de baterias. O inversor converte a corrente contínua (DC) das baterias em corrente alternada (AC). . TV.luz.5 CORRENTE ALTERNADA Além dos elementos anteriores. comunicações.4 APLICAÇÕES A energia solar ainda não está totalmente difundida. 4. náutica.1.1. eletrificação de cercas. • controlador de carga de baterias. • suportes para os Painéis. Principais Componentes Corrente Contínua 12V: • painéis ou módulos de células fotovoltaicas. FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 32 4. sinalização. Suas principais aplicações são: eletrificação rural . bombeamento de água. rádio. esta forma de energia pode trabalhar de forma autônoma ou compatível com sistemas de produção elétrica convencional. mas está sendo utilizada principalmente em regi- ões afastadas da rede de distribuição elétrica. proteção catódica.

estando em temperatura ideal (25ºC). o dispositivo pode ser considerado uma fonte de corrente constante nesta questão. Com uma irradiância de 1000W/m DADES o módulo é capaz de fornecer a corrente máxima especificada em seu catálogo técnico. 4 ANÁLISE DE PROJETOS DE ENERGIA BASEADOS EM FONTES RENOVÁVEIS 33 LUZ SOLAR INVERSOR DE TELEVISOR CORRENTE CORRENTE ALTERNADA VIDEO PAINEL 220V GRAVADOR FOTOVOLTAICO CORRENTE CONTÍNUA OUTROS REGULADOR 12V LÂMPADA DE CARGA DE BATERIA RÁDIO Julio Cesar Borchers (2015) BATERIA OU VENTILADOR ACUMULADOR QUADRO OUTROS Figura 3 -  Sistema de geração fotovoltaica CA Fonte: Adaptado de SOLARTERRA (2010) A representação que se utiliza para apresentar a característica de saída de um dispositivo fotovoltaico (célula. logo. módulo. A corrente e a tensão em que se opera o dispositivo foto- voltaico são determinadas pela radiação solar incidente. pela temperatura ambiente e pelas características da carga conectadas nele. . sistema) distingue-se pela curva corrente e tensão. A corrente elétrica que um módulo solar pode fornecer depende diretamente da CURIOSI radiação solar que incide sobre suas células. A corrente de saída é praticamente constante dentro da intensidade de tensão de funcionamento.

FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 34 4. Julio Cesar Borchers (2015) Figura 4 -  Heliógrafo Fonte: Adaptado de FADIGAS (2011) .é o sistema mais simples onde a carga (CC) é ligada diretamente no painel fotovoltaico. • módulo-bateria de acumuladores . bateria e controlador .é a configuração utilizada com módulos de 33 ou 36 cé- lulas nos quais se liga o gerador fotovoltaico a uma bateria através de um controlador para que esta não se sobrecarregue. Esta medição pode ser realizada sobre um plano horizontal.1.6 SISTEMAS DE LIGAÇÃO Podemos apresentar os seguintes métodos de ligação de um sistema Fotovoltaico: • diretamente ligados a carga . • bateria-inversor .utiliza-se para a recarga de baterias utilizadas como fonte de ener- gia para carga. Os equipamen- tos de medição solarimétricos mais utilizados são: • Heliógrafo: Mede a duração da insolação.7 INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO Existem alguns equipamentos capazes de medir a incidência de radiação solar sobre uma determinada área. • sistema fotovoltaico.utilizado quando se necessita da produção de energia CA. ou sobre planos inclinados.1. 4.

Julio Cesar Borchers (2015) Figura 6 -  Piranômetro Fonte: Adaptado de FADIGAS (2010) . Julio Cesar Borchers (2015) Figura 5 -  Actinógrafo Fonte: Adaptado de FADIGAS (2010) • Piranômetro Termoelétrico: mede a radiação solar global utilizando pilhas termoelétricas constituídas de termopares em série. 4 ANÁLISE DE PROJETOS DE ENERGIA BASEADOS EM FONTES RENOVÁVEIS 35 • Actinógrafo ou Piranógrafo: Mede a radiação solar global ou seu componente difuso.

). 2. Registra a radiação global e seu componente difusa para. 4. com custos de implementação decaindo gradativamente. que oferecem a cada módulos mais potência. Isto torna a geração de energia solar cada dia mais viável. Além disto. A energia solar é excelente em lugares remotos que ofereçam clima tropical propício. por exemplo. o que obriga a instalação de baterias para armazenamento da produção decorrente do dia. A poluição apenas ocorre no processo de fabricação dos módulos solares. no hemisfério sul estas placas devem ser instaladas com uma inclinação correspondente ao ângulo de latitude acrescido de 15º (quinze graus).2 ENERGIA TÉRMICA SOLAR Nos dias de hoje a aplicação da energia térmica solar é encontrada no aquecimento de água para con- sumo e de piscinas. As formas de armazenamento desta energia são pouco eficientes se comparadas ao armazenamento das demais fontes. FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 36 4. a energia solar oferece baixa manutenção em seus equipamentos. 4.1. • Desvantagens A variação na demanda de energia produzida é uma desvantagem aparente da energia solar (nuvens. chuvas etc.1. os levantamentos para aproveitamento energético utilizam dois tipos de medições: 1. Para cada região do mundo há um método de instalação específico. (VILLALVA. obterem a radiação direta incidente. (VILLALVA. Seu custo ainda é relativamente alto se também comparado ao de outras fontes de energia.9 VANTAGENS E DESVANTAGENS DA ENERGIA SOLAR • Vantagens A principal vantagem da energia solar é que ela não polui durante seu uso. 2012). no período noturno não existe produção alguma. Outra prática bastante utilizada é no aquecimento de ambientes.8 TÉCNICAS DE MEDIÇÃO Geralmente. 2012). . Registra apenas a componente global da radiação. a partir destes valores. Este processo é pos- sível graças a utilização de coletores planos normalmente instalados no telhado de residências e no alto dos edifícios.

principalmente nos horário de pico. ENTRADA D´ÁGUA DA REDE RESPIRO CAIXA D´ÁGUA ÁGUA INCIDÊNCIA DE FRIA RAIOS SOLARES BOILER ÁGUA QUENTE Julio Cesar Borchers (2015) ÁGUA FRIA ÁGUA QUENTE PARA CONSUMO COLETORES SOLARES Figura 7 -  Planta térmica Fonte: Adaptado de SOLARTERRA (2010) Plantas termosolares utilizam os raios de sol para aquecer um fluido. Atra- vés deste circula o fluido que sofre o aquecimento com o passar do tempo. O vapor. e o fluido que per- deu seu calor com o processo retorna a central para reaquecimento (PALZ. por sua vez. Na saída do conjunto o fluido aquecido passa por trocadores de calor que aquecem água para produção de vapor superaquecido. nas tec- nologias convencionais são utilizadas como fonte de energia para aquecimento os combustíveis fósseis. As plantas termosolares são essencialmente as mesmas das tecnologias convencionais. . Nesta produção associam-se várias calhas. já que comumente este processo de aquecimento é realizado utilizando resistências elétricas. Este vapor alimenta grupos turbo geradores convencionais que produzem energia elétrica. Este modelo garante a diminuição do consumo excessivo de energia elétrica. Além desta economia o consumidor garante a amortização no investimento desta aplicação. 4 ANÁLISE DE PROJETOS DE ENERGIA BASEADOS EM FONTES RENOVÁVEIS 37 No Brasil utiliza-se esta prática de instalação de painéis térmicos. Os três tipos de plantas termosolares em uso ou em desenvolvimento são as com calha parabólica. quando o custo da energia é mais eleva- do. refletor solar e torre solar. 2002). exceto que. sendo o calor transferido pelo mesmo. utilizado para produção de vapor. formando um grande conjunto capturador de energia. é convertido em energia mecânica em uma turbina e posteriormente em energia elétrica através de um gerador convencional acoplado à turbina. Plantas termosolares devem mobilizar concentradores devido às elevadas temperaturas do fluido de tra- balho.

FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 38 4. se estas não forem seladas. As características particulares dos equipamentos necessários para atender a demanda energética (com qualidade.1. a disponibilidade local de distribuidores e instaladores dos equipamentos. A distribuição dos percentuais relativos ao custo do projeto está representada abaixo: PERCENTUAL DA DISTRIBUIÇÃO DE CUSTOS DE UMA INSTALAÇÃO FOTOVOLTAICA Mão de obra 15% Painel 30% Bateria 15% Regulador 5% Inversor 15% Instalação elétrica 5% Transporte 15% Tabela 1 . 2010). .2. Normalmente a manutenção dos sis- temas fotovoltaicos não é mais do que a limpeza adequada dos equipamentos. quantidade e capacidade adequadas).2.1 CUSTOS A análise de custos de um sistema solar depende de vários fatores.1 Custos de Instalação Os custos de instalação e equipamentos são aqueles que incidem inicialmente com a compra. A vida útil de um sistema fotovoltaico corretamente instalado e com equipamen- tos de boa qualidade pode atingir de 15 a 25 anos. 2009). Estes custos podem representar de 70 a 75% do custo do sistema ao longo de sua vida útil. a margem de lucro dos vendedores das placas. os cus- tos de manutenção são baixos e representam de 3 a 5% do custo total do sistema ao longo de sua vida útil.2. a distância e facilidade de acesso entre o lugar de venda dos equipamentos e o lugar onde se instalará o sistema. tais como os preços internacionais do mercado fotovoltaico. 4. Devido isto.2 Custos de Operação e Manutenção Os custos de operação e manutenção são aqueles que incidem durante toda a vida útil do equipamento para conservá-lo em boas condições de operação (CUSTODIO.Distribuição de custos de materiais Fonte: Adaptado de HEINEMAN (2007) 4.1. a de- manda energética dos usuários e o tamanho do sistema a ser instalado. transpor- te e instalação dos sistemas fotovoltaicos. são fatores importantes a serem considerados na análise (WOTTRICH. especialmente dos painéis fotovoltaicos e a manutenção do nível de água das baterias.

A fábrica vai gerar 100 empregos diretos. Com pre- visão de início de operações para o início de 2016. (30 de abril de 2015). responsáveis pela conversão de energia solar. a empresa Pure Energy vai produzir painéis foto- voltaicos.3 ENERGIA EÓLICA A energia eólica vem sendo utilizada a milhares de anos. basicamente com as mesmas finalidades: bom- beamento de água e outras funções que necessitam de energia mecânica para o trabalho. 2010). Geralmente isto ocorre depois de 3 a 5 anos de uso e depende em boa medida da manutenção e dos ciclos de carga/descarga aos quais a bateria foi submetida. em Marechal Deodoro. mas apenas no século XX houveram investimentos significa- tivos para apoiar a ideia. Alagoas contará com a primeira fábrica de equipamentos para energia solar do Brasil. PERCENTUAL DA DISTRIBUIÇÃO DE CUSTOS DE UM SISTEMA FOTOVOLTAICO Instalação e Equipamentos 70% 75% Operação e Manutenção 3% 5% Reposição 27% 20% Tabela 2 . 4. A geração de eletricidade se estende do final do século XIX. As obras de construção da fábrica já foram iniciadas em uma área de 80 mil m² no Polo Industrial José Aprígio Vilela.Distribuição de custos pós-instalação Fonte: Adaptado de Hieneman (2007) CASOS E RELATOS Alagoas contará uma fábrica de equipamentos para geração de energia eólica. . Após o início da produção e dos processos de instalação dos equipamentos. Estes custos representam de 20 a 27% do custo total do sistema ao longo de sua vida útil (WOTTRICH. 4 ANÁLISE DE PROJETOS DE ENERGIA BASEADOS EM FONTES RENOVÁVEIS 39 Os custos de reposição são aqueles que incidem quando as baterias chegam ao fim de sua vida útil.

pás do rotor. nacele. já que o consumo nacional anual é de aproximadamente 420 Terawats. FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 40 A geração eólio-elétrica expandiu-se no mundo de forma acelerada ao longo da última década. Um dado bastante relevante. rugosidade e relevo. atin- gindo a escala de Gigawatts. freios. gerador. O potencial eólico no Brasil está situado na costa dos estados do Nordeste onde os ventos superam a velocidades de 7m/s que garantem uma geração anual de aproximadamente 270 Terawats por ano. Parte importante dos registros anemométricos disponíveis é mascarada por ruídos de influências aerodinâmicas de obstáculos. A disponibilidade de dados representativos é funda- mental no caso brasileiro. unidade de controle eletrônico e equipamentos elétricos. Os principais componentes de uma unidade geradora eólica estão descritos na Figura x e são: torre. eixo. controlador. Pás Multiplicador de velocidade Acoplamento elástico Sensores de vento Rotor Gerador Elétrico Sistema de freio a disco Torre de sustentação Controle de giro Sistemas de controle Julio Cesar Borchers (2015) Sistema de freio aerodinâmico Figura 8 -  Sistema eólico Fonte: Adaptado de WOTTRICH (2010) . caixa de engrenagens. que ainda não explorou esse recurso abundante e renovável de forma expressiva. Um dos fatores que limitam investimentos em empreendimentos eólicos no Brasil tem sido a falta de dados consistentes e confiáveis sobre a viabilidade técnica e econômica de cada projeto.

e uma velocidade de 7 a 8 m/s. estações meteorológicas e outras aplicações similares podem fornecer uma primeira estimativa do potencial bruto ou teórico de aproveitamento da energia eólica.é o elemento responsável por transformar a energia cinética do vento em energia mecânica de rotação.este elemento é responsável pelo controle de velocidade do rotor. Para efeito de estudo global da conversão eólica devem ser considerados os seguintes componentes: Vento .3.1 SISTEMA EÓLICO Assim como outro sistema de geração de energia elétrica o sistema eólico e os componentes que o compõem necessitam trabalhar em conformidade de modo a proporcionar um maior rendimento possível. . Rotor . assim como o controle de carga. Transformador . Gerador Elétrico .disponibilidade energética no local onde é instalado o parque eólico.converte a energia mecânica em energia elétrica. Sistema de Armazenamento . Torre . 4 ANÁLISE DE PROJETOS DE ENERGIA BASEADOS EM FONTES RENOVÁVEIS 41 A avaliação do potencial eólico de uma região requer trabalhos sistemáticos de coleta e análise de da- dos sobre a velocidade e o regime de ventos.responsável pelo acoplamento direto entre aerogerador e rede de distribuição elétri- ca. 4.responsável por sustentar e posicionar o rotor na altura conveniente. Geralmente. uma avaliação rigorosa requer levantamentos específicos.responsável pelo armazenamento de energia que posteriormente po- derá ser utilizada na ausência de ventos. A viabilidade de implantação de um parque eólico deve considerar como item primordial uma supera- ção de 500W/m² a uma altura de 50m. Transmissão e Caixa Multiplicadora .responsável pelo aumento de rotações entre o rotor ao gerador elétrico. Mecanismo de Controle . dados coletados em aeroportos.

Com este controle. as pás mudam de posição. Com isto. para um determinado tamanho de rotor e para uma carga pré-fixada. É necessário também. Um exemplo de mecanismo de controle é a utilização de rotores com ângulo de passo variável. de maneira que se tenha um bom acoplamento rotor/carga. variando o rendimento do rotor. pode-se aumentar o intervalo de funcionamento do sistema eólico e ainda manter uma determinada velocidade de rotação. 2009). ter mecanismos de con- trole apropriados para melhorar o rendimento em outras velocidades de vento e aumentar o intervalo de funcionamento do sistema eólico. supõe trabalhar no intervalo ótimo de rendimento do sistema com relação a curva de potência disponível do vento local. Isto requer encontrar uma relação de multiplicação (aumentará a velocidade de rotação). . FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 42 Gerador Hélice Ventoinha Torre Sistema de estocagem Sistema conectado utilizando baterias painel de Caixa de controle fusíveis ou inversor disjuntores síncrono inversor caixa de fusíveis corrente painel de da casa controle banco de baterias corrente da casa Julio Cesar Borchers (2015) sistema de distribuição Figura 9 -  Geração armazenamento e distribuição eólica Fonte: Adaptado de SANTOS (2006) Projetar um sistema eólico. a medida que a velocidade do vento varia. que corresponde a eficiência máxima do gerador (CUSTODIO.

Mas cabe ressaltar que a velocidade ideal está entre 9 e 10m/s. entre outras. Este armazenamento pode ser feito através de baterias ou na forma de energia potencial gravitacional com a finalidade de arma- zenar a água bombeada em reservatórios elevados para posterior utilização. 4. 4 ANÁLISE DE PROJETOS DE ENERGIA BASEADOS EM FONTES RENOVÁVEIS 43 4. locais com valores de velocidades médias anuais superiores a 6 m/s são interessantes. por exemplo.não necessitam de sistemas de armazenamento de energia. armazena-se o ex- cesso de energia durante os períodos de ventos de alta velocidade para usá-la quando o consumo exceder a produção devido aos ventos de menor intensidade. pois toda a geração é entregue diretamente à rede elétrica.3. Estes sistemas representam uma fonte complementar ao sistema elétrico de grande porte ao qual estão interligados. turbinas eólicas.são aqueles que apresentam mais de uma fonte de energia como. . aplica-se aos projetos de geração um sistema de armazenamento a fim de garantir o abastecimento adequado da demanda. Neste caso.4 APLICAÇÕES Um sistema eólico pode ser utilizado em três aplicações distintas: • sistemas isolados . 2006) Grande parte da energia eólica localiza-se acima da velocidade média do vento de projeto. 4. abaixo deste valor já fere a viabilidade desta aplicação.3. • sistemas interligados a rede . Para a pro- dução de energia elétrica em grande escala. Esse excesso de energia pode ser armazenada em baterias. geradores Diesel.utilizam alguma forma de armazenamento de energia.2 LEI DE BETZ A Lei de Betz diz que só se pode converter menos de 16/27 (59%) da energia cinética em energia mecâ- nica ao utilizar um aerogerador (SANTOS.3 ARMAZENAMENTO Como a velocidade do vento apresenta instabilidade.3. • sistemas híbridos . módulos fotovoltaicos.

A extensão pela qual a velocidade do vento aumenta com a altura é governada por um fenômeno chamado wind shear. 4. 2010). ao controle de carga. vento 85% 100% 150 50% 90% 30% 50% 65% Julio Cesar Borchers (2015) Área urbana Subúrbios Litoral Figura 10 -  Velocidade do vento Fonte: Adaptado de SANTOS (2006) A velocidade do vento em um determinado local aumenta drasticamente com a altura. em outras palavras.3. vento altura (m) 450 100% 300 vel. Sempre que a potência nominal do gerador é ultrapassada. ao controle de velocidade. as pás do rotor giram em torno do seu eixo longitudinal. as pás mudam o seu ângulo de passo para reduzir o ângulo de ataque. .3. • Controle de Passo: é um sistema ativo que normalmente necessita de uma informação vinda do con- trolador do sistema. Fricção entre ar mais lento e mais rápido conduz ao aquecimento. A partir da figura apresentada pode-se perceber as va- riações de velocidade do vento em relação à altura do solo (FADIGAS.5 ALTURA X VELOCIDADE DO VENTO 600 velocidade do vento 100% vel. devido à um aumento da velocidade do vento.6 CONTROLE Os mecanismos de controle destinam-se à orientação do rotor. FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 44 4. etc. velocidade do vento mais baixa e muito menos energia de vento disponível perto do solo.

onde cada etapa representa uma fatia significante de custo real do projeto universal. As pás do rotor são fixas em seu ângulo de passo e não podem girar em torno de seu eixo longitudinal.100.3.22 Diversos 1-4 2 .10 Projeto de engenharia 1-8 1-5 Custo de equipamentos 67 . isto pode ser analisado a partir do quadro a seguir.00 Quadro 3 .00 Conjunto eólico com torre de 120 pés $56. 4.00 Conjunto eólico com torre de 100 pés $53.700. o escoamento em torno do perfil da pá do rotor descola da superfície da pá (estol). 2009). reduzindo as forças de sustentação e aumen- tando as forças de arrasto (CUSTÓDIO.26 13 .Custos iniciais de um projeto eólico Fonte: SANTOS(2006) .15 Quadro 4 . Ela é o custo mais impor- tante do projeto. principalmente em grandes projetos.71 Instalações e infra-estrutura 17 .80 14 . O custo mais significativo de um projeto eólico está alocado na turbina eólica.000. pois cada projeto possui etapas de elaboração. sendo um estudo definitivamente particular. 4 ANÁLISE DE PROJETOS DE ENERGIA BASEADOS EM FONTES RENOVÁVEIS 45 • Controle Estol: é um sistema passivo que reage à velocidade do vento. para velocidades de vento superiores a velocidade nominal. O ângulo de passo é escolhido de forma que.7 CUSTO O preço em dólar do conjunto aerogerador é mostrado a seguir: Conjunto eólico com torre de 80 pés $50. CUSTOS INICIAIS DE PROJETOS EM ENERGIA EÓLICA FAZENDA EÓLICA CATEGORIA DE CUSTOS INICIAIS DO FAZENDA EÓLICA DE DE MÉDIO/GRANDE PROJETO PEQUENO PORTE (%) PORTE (%) Estudo de viabilidade menos de 2 1-7 Negociações de desenvolvimento 1-8 4 .Custos de conjuntos eólicos Fonte: FADIGAS (2011) Os custos de implantação de um projeto eólico podem variar amplamente dependo das características de cada empreendimento.

Avaliação ambiental . Basicamente os custos estimados de manutenção e operação são fornecidos pelo próprio fabrican- te.Detalhamento dos custos .Direito ao uso da terra .Investigação do local .Permissões e aprovações .Viagens .Orçamento e contratos de acesso .Outros Figura 11 -  Fluxogramas de custos Fonte: SANTOS (2006) Os custos anuais de manutenção e operação englobam despesas como aluguel de terra.Projetos preliminares .Outros .Projeto gerencial .Instalações .Fundações .Outros Custo de Negociações Despesas diversas equipamentos e parcerias .Contigências .Supervisão de construção .Projeto mecânico .Turbinas eólicas . FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS 46 Detalhadamente um projeto eólico deve conter as seguintes etapas apresentadas no fluxograma: Custos iniciais de projeto Levantamento dos Estudo de custos e Instalação e viabilidade projetos infra-estrutura de engenharia .Relatórios .Transporte . entre outras.Reserva de custo . . seguros.Outros .Suporte legal e contábil Patricia Marcílio (2015) .Power purchase agreement . Estes custos representam a maior parte das despesas anuais de uma fazenda eólica (FADIGAS.Projeto de obras civis .Projeto de financiamento .Construções de vias .Avaliação do potencial eólico .Treinamento .Projeto elétrico .Outros .Outros . 2011).Construção de LT´s .Viagens .

Seu funcionamento é similar a um aerogerador eólico verti- cal. Para ambas apresentamos tópicos relevantes para que você pudesse entender a construção física. 4 ANÁLISE DE PROJETOS DE ENERGIA BASEADOS EM FONTES RENOVÁVEIS 47 CASOS E RELATOS Projeto inovador de gerador eólico Os alunos Alison Alves dos Santos. . Daniel Silva Ramos. Vimos também tópicos importantes que se referem aos custos de implantação e pós-implantação. Agora que você já leu o casos e relatos leia o vamos recapitular o que foi apresentado nesse capítulo. desenvolveram um gerador eólico a partir de tambores metálicos cortados ao meio fixados a uma estrutura metálica. os materiais utilizados para construção. este capítulo apresentou dois tipos de fontes de geração de energia a Solar e a Eólica. O projeto é apena um protótipo e foi acoplado a um mini gerador de 12V. Formandos do Curso de Engenharia mecânica da faculdade de Santa Cecília na cidade de Santos SP. equipamentos utilizados para medições. assim como o funcionamento inicial até a utilização e distribuição da energia gerada. Nilson Tadeu Fernandes dos Santos e Pedro Porto de Oliveira. RECAPITULANDO Como vimos.

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São Paulo -SP: Érica. – Brasília: Aneel. CEPEL.RJ: UFRJ. SOLARTERRA.SP: Universidade de Santa Cecília 2006. . 2010. 2009. Santos. VILLALVA. CUSTÓDIO. Guia Prático. SANTOS. PALZ. Projeto de Geração de Energia Eólica (Trabalho de Conclusão de Curso). Manual técnico. Energia solar princípios e aplicações. VECCHIA. FADIGAS. Alison Alves dos. 2002. Energia eólica. Rodnei. Modelo para a análise econômica e financeira em projetos de geração distribuídas de energia com fontes alternativas (Dissertação de Mestrado). 2011. 1. ed.REFERÊNCIAS ANEEL . 2008.SP: Manole. 2007. HEINEMAN. 2008. Estudo de viabilidade para implantação de um sistema híbrido eólico- fotovoltaico de baixa potência com conexão à rede elétrica (Trabalho de Conclusão de Curso). Rio de Janeiro . Rio de Janeiro (RJ): ELETROBRÁS. Energia solar fotovoltaica: conceitos e aplicação. Curitiba: Hemus. 3. Energia eólica para produção de energia elétrica. Barueri. Energia solar e fontes alternativas. 2012. Energia Solar Fotovoltaica. W. Marcelo Gradella. Jan Thomas. WOTTRICH. São Paulo -SP: Manole. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria. Ronaldo dos Santos. 2010. Breno.Agência Nacional de Energia Elétrica. 2010. Eliane A. Faria Amaral. O meio ambiente e as energias renováveis: instrumentos de liderança visionária para a sociedade sustentável. ed. Atlas de energia elétrica do Brasil.

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para cursos de Aprendizagem Industrial cursos de nível Técnico e Superior em Automação Industrial. com ênfase em Robótica. Trabalha como Docente no SENAI SC de Jaraguá do Sul e Universidade Católica de Santa Catarina. Eletricidade. Tem experiência docente na área de Robótica.Instrumentação. Coordenador dos Cursos Técnicos emEletroeletrônica no SENAI SC em Jaraguá do Sul SC Possui Artigo publicado na Ulbra Torres RioGrande do Sul com o título KIT DIDÁTICO PARA ENSAIOS DE MANUTENÇÃO ELETROPNEUMÁTIACA . Mecatrônica e Automação. Manutenção Industrial e Eletrônica Digital. Pneumática/ Hidráulica Proporcional. Programação de Microcontroladores PIC.MINICURRÍCULO DO AUTOR GENILSON TIBURSKI Possui graduação em Automação Industrial pela Universidade da Região de Joinville (2009) e Pós graduação em Engenharia de Manutenção Industrial pelo SENAI sc em Joinville (2012). Mecatrônica e Automação. ministrando unidades curriculares de Eletrônica Analógica.

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51 Solarimétricos 32.ÍNDICE C Células fotovoltaicas 28. 51 Proteção catódica 30. 51 P Painéis fotovoltaicos 28. 37. 51 . 51 I Irradiância 31. 36. 51 G Greenpeace 17. 41. 30. 51 Plantas termosolares 35. 51 S Semicondutores 28. 51 E Energia cinética 39.

SENAI – DEPARTAMENTO NACIONAL UNIDADE DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – UNIEP Felipe Esteves Morgado Gestor do Projeto Estratégico de Recursos Didáticos Nacionais Waldemir Amaro Gerente Sinara Sant’ Anna Celistre Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros Didáticos SENAI – DEPARTAMENTO REGIONAL DE SANTA CATARINA Mauricio Cappra Pauletti Diretor Técnico Selma Kovalski Coordenação do Desenvolvimento dos Livros Didáticos Genilson Tiburski Elaboração Genilson Tiburski Revisão Técnica Morgana Machado Tezza Coordenação do Projeto Maristela de Almeida Pereira Martins Design Educacional Maristela de Almeida Pereira Martins Revisão Ortográfica e Gramatical Julio Cesar Borches Patrícia Marcílio Ilustrações. Tratamento de Imagens Thinkstock Banco de imagens Sara Costa de Oliveira Apoio Técnico de Avaliação Patricia Marcilio Diagramação .

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