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Ana Cecília Carvalho

O PROCESSO DE CRIA
Professora no D e p t o do Psicologia
da U F M G , psicanalista, e s c r i t o r a

A
complexidade do tema que tora, de onde eu lhes falaria de
nos reúne aqui hoje para esta dentro do poço secreto de onde
discussão sobre o processo brotam os textos desse "caldeirão
de criação na produção literá- fervilhante", onde paixões e silênci-
ria, tem sido para mim objeto de os misturam-se para deixar escapar
constante reflexão. Descobrir a na- a criação literária. Mas, se assim o
tureza da criação literária, compre- fizesse, o resultado talvez fosse a
ender aquilo que a movimenta e produção da história de uma escri-
sustenta, conhecer as razões do pro- tora, ocupada em escrever sobre
cesso criativo, tudo isso tem sido uma psicanalista que reflete sobre
fonte de uma indagação que uma escritora, que escreve sobre o
frequentemente me provoca uma processo de escrever... Ou seria o
curiosidade e uma inquietação. A contrário? Ficção interessante, mas
necessidade de proceder a um tal mater-nos-ia ignorantes a respeito
exame justifica-se sempre que, di- da química dos ingredientes do cal-
ante desse questionamento, um di- deirão.
lema se coloca: devo falar sobre a Certamente deve haver uma sa-
criação literária como escritora ou ída para esse labirinto borgeano - e
como psicanalista? De qualquer for- esta talvez seja encontrada se nos
ma, prefiro limitar-me nesta oportu- valêssemos do aparelho conceitual
nidade, em trocar com vocês algu- da psicanálise - esse "método que
mas idéias sobre a criação literária - nos permite vislumbrar processos
a título de um depoimento - sem dificilmente acessíveis de outro
pretender dar a esta exposição um modo". O risco aqui infelizmente, é
alcance geral ou genérico a partir reduzir todo o processo de criação
apenas de uma experiência pessoal. literária dentro da série de produ-
Poderia começar esta reflexão ções psíquicas originadas na vida
escolhendo me colocar como escri- inconsciente, que vão desde os lap¬

passando mesmos conflitos que os sintomas indagada sobre questões como as pelos sonhos de toda noite. duas das várias Como há muito tempo esse con. embora o mito familiar formas de destino da pulsão). fora da mente uma barganha . res. sempre que sou deixe escapar de vez em quando a . não seria incorreto afir. ficado de abordar assim o tema análise. divisão interna. cada uma procurando mani¬ deste. como sublimação. Modifi- sublimação. NA PRODUÇÃO LITERÁRIA UM DEPOIMENTO sos de língua mais banais. são muito diferentes. de uma oposição entre duas autor. realidades. ou seja. mecei a ler. Já nos acostu. recomendamos que nossos clientes opostas. não nos surpreenderemos fantasias. e pelas patológicos tentam expressar com de hoje. solução final teria de ser inevitavel. não sabe- mamos a incluir irrefletidamente a não faríamos deles artistas criado. mos no início que história resultará criação artística. res. ção. como analistas. Como muitos escrito- curioso parentesco entre a sublima. nho da formação de sintomas e das que gosto muito: ficar quieta e escu- quicos que enumerei. também faço a sublimação expressa de uma ma. tomando empres- lógicos mais tenazes. o trabalho do analista é mentar que a criação artística. Acontece que sendo uma psica- difere. censura do neurótico . cacoete de psicanalista. conflito. Talvez. até chegar aos sintomas um dispêndio enorme de energia e ao constatar que ele provém de uma mais aborrecidos da clínica cotidia¬ quase sempre voltados ao fracasso. condenados à soli. Mas a autoria é do cliente. só com a permissão expressa dão individual pela vergonha e pela partes. na mesma série psíquica dos "sinto. isto é. colocando-o sob a como o de um "copy-desk". ao lado dos esquecimentos nos levando. posso fazer uma coisa de ma dessas produções ou atos psí. Nesse ponto não seria uma espécie de co-autoria nessa comuns e dos sintomas psicopato¬ descabido pensar. nalista. qual o signi. de nenhu. como simples situação. que é neira mais "feliz". dali. é um sintoma "melhor" forma de um dilema. mesmo se o fizéssemos.uma vez que festar-se de um jeito. como dessa exposição. os flito me persegue. tado a definição de um jornalista em Poderíamos ingenuamente argu. sendo que a Escrevendo ficção. pesso- repressão (reconhecemos aqui o ganhando. vista pela ótica No entanto. resultando em faces na. E. Na clínica. de um cações num texto escrito por outro que os outros. quanto à origem. em vez de escolherem o cami. escrevo estórias desde que co- ção e a perversão. doenças. mas também perdendo as. Sabemos que. Vejam vocês onde o dilema vai embora se possa sempre pensar em mas"1. algo que me agrada muito.cada uma fantasiar. inventar situações. tar histórias. mar que toda criação artística não escolham o caminho da sublima. um pouco. não que. se não são divergentes ou psicanalista.

a melhor maneira de re. assim. ou mesmo identifi- Escrever para mim inicia-se como so paradoxo. inicialmente. Não é se vários campos discursivos. ria a buscar as nuances dessas dife. Lembremo-nos: texto signifi. seria interessante refle¬ tar uma ausência. retomando esse lo completamente"?10. superior que emana de forças psí- organização.é certo também maneira. o escritor pode. riva do fato de que nossa alma é. bem a esta necessidade de "nomear "contar sua própria versão".como ela é na solidão e na privacidade. seus fantasmas. nunca pode ser completamente atin¬ debate. prios segredos e os de outras pesso- produção de discursos muito dife. uma pele simbólica de pala. Só o sões"12. estamos trabalhando com segredo. transicional. de escritor estivesse procurando resta. que se instale uma distância. O escritor criativo é esse que lugar. provocar rentes e com efeitos diversos. assim belecer a mesma situação de falta e como leitores esse reconhecimento como construir "uma pele imaginá. cometer assassinatos. fascinante e mágico de algo profun- ria. Sabemos com Freud2 que ta. ça do escritor que sentiu-se impeli- dividida. a fim de que seja certo fracasso final em compreendê- das como fazendo parte de uma possível sobreviver. levantar interno. alguém. inventar possibilidades. Mas. dando criou dentro de nós. de algo que se é insuportável. À semelhan- mesma estrutura incessantemente outro "de dentro" 5 . a partir desse movimento se. lo que se foi. uma significação. a um isolamento físico e espera quase erótica que nos pren- apagado. assim também o leitor deve não pudesse se manifestar.. mas também dentro de si. mergulhado numa escuri. esse ingrediente na própria constru. em primeiro constituinte que a ausência do outro ra"11. atividade onde não fico nem um vazio qualquer . tência de um tal segredo. rio. paço para inúmeras e incessantes as. de luto . aquelas que apenas sugerem a exis- solver o dilema para mim neste sário. se existe essa ca tecido. fica. Vê-se.. O ver- ação muito pessoal de uma realida. interpretação. muitos escritores se recolhem a um boa obra literária. porque é como se o cação com o personagem sem haver uma tentativa de restauração. Curio. Se o quicas bem mais profundas.. A necessidade de escrever "espaço" físico ou psíquico. indecifrado em sua essência. precisa estabelecer um elo.e convém ressaltar que não si mesmo" de que nos fala Virginia Como se tudo isso não bastasse. do Nele. a fantasia e a criação tanto pode se seguir a uma vivência pode muito bem ser "o quarto para literária e artística. por sua pró- Não fica difícil ver que nessas deciframento de um enigma. se buscamos recomposição de uma falta. mesmo geográfico. deve servir a um propósito também sou professora de psicaná. Não versões. tido? O sem-sentido é freqüente. o levará a recuperar algo ou necessária entre eu e o outro. perda de si mesmo. que fazem depoimento. considerando suas li.isto é. seus pró- a palavra. principalmente a tentativa de ração das rupturas e das perdas 9 . ele mesmo escrever a história à sua ganizar partes díspares não só fora so à linguagem . ou uma dência e de incerteza e com um trabalhando juntas. embora resultando na sua própria natureza. lise. nos permite compartilhar um prazer forma ao que não tem forma. será neces. mos asfixiados.imagem de uma menina que inven. não há lugar para a através dela. exílio7. A produção literária serve desastres. aparece como enigma. para que ele possa "re- de si. ou que faltou. uma ponte simbólica que ele acredi. de dar sentido ao Mas.e sabe. Algo faltou ou foi perdido. gido. uma busca com sua dupla face de evi- uma dessas faces. ou de um mito. outro registro. o inominável". "traumática e estruturante"6. A que precisamos superar essa ferida construir o texto com a sua leitu- criação literária busca. para poderem de na direção de um gozo cuja dão que equivale bem a um abismo escrever. dade de criar. ou a uma expe. vulto dessa coisa perdida nos ocupa dadeiro prazer da obra literária de- de muitas vezes caótica e sem sen. Esse há uma continuidade entre a brinca. dependendo inclusive todo o aces. algo nesse desvelamento renças e nos afastaria do tema em que não tem sentido 4 . segue a uma perda. Não é à toa que damente nosso quando lemos uma vras"3. o silêncio produzido pela distância der a ler. se trata necessariamente de uma Woolf 8. outro fala e a sensação de angústia Se da parte do leitor existe "libe- riência de ausência. aprisionando-nos . fruição de um calou e se foi. é verdade que se trata promessa é anunciada mas suspensa sobre o qual o escritor sente que aqui da busca de um distanciamento ao final do texto. comporta es. dutor da ausência e da presença. de vazio que gerou toda a necessi. onde pode-se reencontrar tava histórias mesmo antes de apren. uma espécie de nome. desvelamento de um não-dito. mas que não Se a perda é inaugural . dela onde ele entra e é fisgado para então criar consiste. Para criar. prazer estético. pois talvez seja da própria tir numa outra ocasião sobre a pro. Ali onde o mistério do outro nos que "as obras mais tocantes são Assim. de substituir aqui. com que o leitor participe dessa mitações. será não privilegiar nem produzir uma palavra . Mas.. de represen. inteiros. entrarei neste terreno que nos leva. que pela de culpa. em or. pois possibilita. é preciso ração de tensões". ou tri-partida. e sim colocá-las tradução. encontrar no texto uma brecha por Penso que a capacidade para ção de um aparelho psíquico. de um pria conta. aceitando-as to. falo bastante. recriar a partir do caos. mas pelo contrá. liberada de certas ten- mente a sensação do vazio que se palavra: tudo está ocupado. perda concreta. E o como a sedução do enigma do outro estético e que libera "um prazer que é um texto literário senão uma sobre o sujeito tem uma dupla face. a elabo- um pouco quieta. que deira infantil. recuperando-o em natureza do enigma permanecer dução da palavra distintamente nes. do a criar por causa do outro enig- funcionaria se uma dessas partes mos o quanto a psicanálise acentua mático. explorar com o mínimo três áreas. mas da captação de lúdico. não podemos respirar.

tra aqui uma vitória. o não nos enganemos a respeito da texto aí está para reparar nele o facilidade com que se cria ou se estrago provocado. tornando-se. cuja função é a num livro. trata bem de reverter relacionada com uma outra verten. anulando as impos- entregá-la ao mundo. realidade difícil ou sem sentido. É comum vivermos que bem quiser. ou sem angústia. pois sabemos como a dor faz filho. doados ao mundo para imaginária. O forma ou de outra não conseguimos escritor.. já que acredi.. ter um dor.o leitor fará de nosso relato o bem próximo. No en. be. para que possam aturar bem as do-o para trás. a morte? Cedemos diante dela. pela sensação de júbilo re. um pai? Derrubar fecho não antecipável. seguir. ele apaga a distância entre encerrada a obra. salva nessa queda é justamente o pois não existe pretensão mais anteparo da rede simbólica tecida narcísica do que a de se imortalizar pelo próprio texto. nesse eterno devir . ao qual ela sibilidades. gesta seus filhos. que é a de reparação 16 . e a perda sas conquistas não visariam na ver- está na base de toda reconstrução dade. nós que de algum modo driblamos tanto. mas um dia final- não vivem o drama que é ter de mente os oferece ao mundo para romper com essa imagem de um que possam seguir seu próprio ca- ideal dentro de si. e ao mesmo escreve. Pois. le outro com o qual rompemos. que nele possam atuar. livro que nos substitui. Todas es- parte de qualquer perda. Quantos escritores agruras da vida. Às vezes o que nos O primeiro. te generosidade tem sua face dupla tamos sermos feitos à imagem e de narcisismo e de capacidade para semelhança desse ideal. a dor já terá sido superada pelo nossa existência torna-se perene no prazer... no sentido preciso de como os filhos. onipotentemente a impotência do te. deve-se doá-la. escritor diante da realidade. ou se o tem. tendo o mente singular de revelar e ocultar escritor. assim esse ideal. e O segundo. "edipianos e par- desbancá-lo do alto de sua posição ricidas"17. no trabalho literário e artísti. trabalha-os sando por ele na estrada e deixan. e dessa forma cair. intrincamento pulsional. Caminho inesperado. Não nos esque- mento. assim como a mãe. já não mais nos perten- que não é fácil. Eros mos- Não sem uma parcela de sofri. pas. Pois ao sabe-se que para criar e dar por escrever. Como os filhos. o impacto *. Essa aparen- tudo isso é perigoso. marcando constituinte da própria escrita15. A criação literária traz a marca do colocamos ali nossa marca registra- trabalho do luto. a escrita criativa está castração. Mas a faria mais prazeroso! E também nos economia desse processo só se salvaria da condenação à morte. como vimos. ele e o mundo. escrever um livro. conce- calar esse outro dentro de nós. Dar por Gilles Deleuze18. na narrativa como o sultão de encerrado um texto significa que Sherazade (o adiamento do clímax o devemos nos dispor dele. seja esse ideal um minho. Livros. e laços com o outro dentro de si. nosso estilo pessoal e absoluta- forma "matado" alguém14. mantém porque se acreditávamos não importa. enxergá-lo como falível. e se ele suportar a castração. um leitor. também visando a além da ultrapassagem do outro restauração narcisista imposta pela dentro de nós. ver!13 Acabamos de escrever um texto. de des- escritor. Quantas vezes é bem na tempo garantir ao escritor outras interdição de um prazer imediato recomposições das quais falarei a que se instala a condição para escre. momentos de "bloqueio". nossa ausência com a concretude da Além da transformação de uma criação literária. arrasta nossa própria imagem serve a quatro propósitos: junto com ele. rompido os os segredos mais inconfessáveis.) . o de eternização. como dirá pertence daí em diante. mas co. já que a culpa ronda ce . Disso tudo não tem que causávamos algum dano àque- consciência o autor. ou sem çamos: plantar uma árvore. se de uma nosso texto um dia vai-se embora. a garantir ao narciso dentro de que a escrita busca refazer. Nos caminhos do de "amor-tecer" o salto. o no entanto. por ter de alguma da.

não seja mesmo nada. mento de que nada mais preenche- dificada quanto à sua natureza e seu ção. estará criando. ou uma multi. já que se perdeu. menos estético. mais é como se o outro (o à toa que ao terminarmos de ler um brarmos no início que a criação autor). ativo. é preciso que o escritor se que no sintoma são visivelmente É verdade que ao escrever. ao mesmo tempo vel. deixando em suspense. criar um texto onde o mundo pareça amento de uma certa tensão agres. Arte. Mesmo que para isso seja necessá- admitiu. para em se. escritores na verdade estão sempre guinte sensação: "está quase tudo va para) um outro desfecho. uma molécula. Ao falar de todos. apro. repartição e pela mesmice . encontra-se esta mento desgastante. típico do de uma análise lhe garantirá. estivesse guardando uma bom conto. o tê-lo pêgo desprevenido ali mesmo Não é novidade ouvirmos que os que provocará o leitor com a se- onde ele imaginava (e já se prepara. no final. cujo original pode-se todos os outros se reconhecerão.ou mentir . ou em primeiro lugar. Se. de seu dia.embora carregue em sem querer. na verdade. descontruí-la.. dito. bordado. nós queremos saber tudo. Vemos sam seus pensamentos culposos investindo um traço de memória. uma outra função para mente nos reconheceremos nas mos o que "nos agrada". falará de si mesmo. tão alheia e estrangeira como fami. essa tensão agressiva se expressar olhando duzentas vezes debaixo da não estaria. como vertente da agressividade. A doença. Assim não nos impor- conflito psíquico inerente à nossa rico ou de um obsessivo. que por um momento ele diferentes. mas sempre de outro não. e ao falar de um. é claro. a criação literária. sabe.que é a produção literária. ali onde o sintoma quer dão. e nenhuma obtenção de prazer . recoberto certamente sentirá que a leitura de ximando as vizinhanças e elimiando pela trama dos fios do texto-tecido. tar sobre o que poderia ter estado lá rio ler de um só golpe. quem letra original. para o psicanalista. A Aquele que se "a-rrisca" a inven- quer instante. cama antes de dormir. Para isso. Lem. que é a de esco. movido pela como aos fazermos um sintoma. para enganar . mas inventa ou inventa o mundo. isto é. um devir. não ser. em sua a característica de fazer com que o forma de prazer. toda a diferença. parece ser movida não pela repeti. a marca da realidade coisa que o escritor não é. A criação literária é um pro- a-dia banal e prosáico. e seu sentido só será decifrável até o que não é possível dizer. apagando pressa-se de modo não compreensí. enigma. a criação formar em inúmeras possibilidades te de possibilidades existenciais artística e literária pode até contar o dentro ou fora de seu tempo. aludi. rem seus conflitos por meio de uma ver é tornar possível a impossibilida- la mesma vivência de perda ou de anestesia sexual. dian. apenas faze- vida mental. Disfarçado no texto literário. um ani. mas dificil. Esse espaço pode apenas dizer que o texto o "atacou". é o de transformação de rea. se metamorfosear em qual. guida. re-escrituras sobre um criativo fala de um. um conto o fascina justamente por os limites. modo. como gica. o escritor. é certo que para impotência onipotente. em que. ao estender si uma marca pessoal. o O escritor criativo poderá fazer um expressar .. Não é escrevendo a mesma história. Escre- siva. inventando em especial no conto. até o final. qualquer O quarto propósito. texto anterior. estará fazendo um sinto- zar para o escritor. país. lítico. muito além da memória. Sublima. até mesmo a criação literária. de. Ou limitadoras e difíceis. gênero literá. um lidades externas e internas quase constrói a subjetividade do autor. tro do prazer. O bebê que alucina o seio. maneiras muito peculiares e estra. a não ser megulhar nessa experiência de uma realidade inexorável e parada no processo 20 . consiste justamente em obter cesso. ma. sempre penosas ou decepcionantes. Podemos até nos identificar rio "re-inventar a linguagem" ou Existe ainda. nos recordamos. provém do reconheci- da. sintoma como qualquer um19. da mesma maneira. Se é verdade sua primeira história21. ao os limites de sua pele. singular. que foi pego de aquele que se defronta com ele. nós nos sentimos como artística e o sintoma são parentes carta na manga". uma folha. ser bordejado. conto. apagando a distância en- surpresa. singular. o de ver alguém livre de um sofri- perdida.. que o leitor nunca poderia é pela escritura que o autor se re. a pela interpretação no trabalho ana. toda arte. tiver a pretensão de escre- ração e da restauração narcisista sentido do enigma de um sintoma e ver um texto idêntico à experiência que o trabalho literário busca reali. cujo trabalho bem-sucedido ao final onde não é possível mais resgatar a Esse "elemento surpresa". No entanto. compartilhável por todos no regis. psíquica e histórica sobre a qual se mal. A criação literária. o prazer de tentar descobrir o contudo. ou quando expres. e trarão. terrivelmente pior do que é.. um mineral.pelo tre ele e o que não é ele? que o "perigo" pode saltar a qual. nos revela que além da repa.feito não queremos saber daquilo que. o qual deixará sempre uma fresta. tornando-se necessá. escrever. Assim. tão mo. Esses são aspectos apenas advinhar. o escritor nal. mas pela transformação. nas séries psíquicas. sua característica como escritor cri. como vimos. já que rá o espaço vazio deixado pelo objetivo.a mesma escritor se desnudará para se trans. coisa. mesmo tema. pelo do ao leitor nenhuma alternativa a júbilo ao compor as várias partes contrário parece ser a interrupção. Terá assim. mas universalmente palimpsestos. provavelmente a partir daque. entanto. No entanto. tentanto re- rio de que mais gosto.está garantida. convém dizê-lo. não deixan. No quer coisa. tamos com a realidade. assim despoje. Sabemos que os textos são todos liar. O que seduziu o escritor na . O conto tem que qualquer sintoma busca alguma cuperar o seio dentro de si. ilusão e má- se tivéssemos "levado um soco". O sintoma. a que já nos sonhos. e assim como leitor sinta. falta de que falava há pouco. transformá-las em uma forma origi. . nhas desses indivíduos expressa. a partir da noção de com a estrutura clínica de um histé. ex.

147-158. Denise.. p.. A Sublimação (Proble- verdade. 8. pois você terá de 21. S. Sintoma. Stories. Ed. 20-27.. cit. mas o jovem recusou. Instituto de Estudos Psicanalíticos (IEPSI). IX. O texto resposta para todos.. In Discussions do. sobre esse enigma estão em algum neios (1908). 1988..tudo Muito espantado. p. cit. 1993. e a impossi. 133-135. Heath and tolerar a incerteza e a ambiguidade. Denise. no IV Encontro de Literatura promovido pela Secretaria Municipal rado. E a terceira 16. p.. LAPLANCHE. Teoria da Sedução Generalizada. mais 17. op. mem muito angustiado. e aí passa a não querer 11. cit. Contam que há certo. já que é mesmo 7. paro. porta a realidade desse enigma e 10. MOREL. p. LAPLANCHE. Virginia.. Denise. vivia em Yedenitz.. Schwartzman pelos comentários e sugestões. principalmente por sua sabedoria. Não é difícil. Nova Fronteira. in Para concluir.Na segunda. In Revista Cadernos de Psicologia da UFMG. já que há sempre o risco perguntou intrigado o ancião.Não se trata de ganhar ou per. 172-173. alimento e calor junto ao ver com a incerteza sobre esse enig. op.disse o rapaz. 1989. diante da inquietação que R E F E R Ê N C I A S BIBLIOGRÁFICAS do. lugar. WOOLF. no dia 27 de outubro de 1993. Ed. cit. onde nasceu . ma. 34. Para uma reflexão detida e minuciosa do concerto de sublima- que aponta sempre para uma outra primeira.. muito tempo. p. N. mas é fácil de se conviver. der . A Sombra de Dom Juan. Renato. prometida. p. no dia 10 de agosto de 1994 e ta me aflige. O Sentimento de viajante cansado e faminto. 200. você aceita convi. Jean. o que aponta para os limites do . op. bilidade. KLEIN. 16-17. in D. Brandão. fazer é esquecer-se disso tudo cons.Rabino. acabará seduzindo também o o enigma sobre o sentido da vida lhe leitor na miragem do texto literário. op. op. Martins Fontes. p. 1963. 108-125.Na terceira. p. p. o rabino solução. In Denise Morel. JARREL. em . Boston. Ed. S.Este trabalho foi apresentado no qual o sentido da vida? Essa pergun. cit.Bem. LOPES. DELEUZE. Morei.. não é muito complicado. você se 12. 11-17. op. junho de 1987. Escuta. Ruth Silviano Brandão. um jovem ho. D. gostaria de lhes basta que você descubra o método Denise Morel: Ter Um Talento.. estará fazen. of the Short Story. ciência! 5. FREUD. minha avó. Tudo que tem a literário como possível do desejo. o que eu quero é que me responda: guntou: NOTA . e não estou certo se consigo . . Denise. isso? em versão modificada. FREUD. op. do mergulho mortífero do autor na auto- destruição. Se assim o fizer. p. . R. você tem três soluções.incompletude imperfeita do mun. cliente de um psicanalista! 13. RJ. MOREL. dade de acolher em sua casa o mas parece tão pobre. 190. obstina. de Cultura de Belo Horizonte e pela Editora respondê-la de maneira correta. você simplesmente não su- 9. tantemente. p. 9. 28. Les Editions de Minuit. Na 1. ANZIEU. lhe abrigo. . me faz sentir desampa.. Era lhoso . Ter Um contar uma história. MEZAN.disse o rabino . aldeia no do. op. cit.Bem. cit. op. no início do século do religião e também estará fazen. Agradeço especialmente à prof.. Escuta. MOREL. 19. . XIX.disse o jovem . p.. 15. já que com a incerteza não ção. cit.É. isso é simples. 1975.. qual é? Solidão. morto do que vivo. escrita como sublimação.Em que posso lhe ser útil? . 172.° 2. cit. Ofereceu. p. Ed.mas este é o ca. Escritores criativos e deva- própria trama encobridora da lin. Gilles. aludida. Imago. p. p.Perguntou.. Vol.. provoca. muito difícil conviver com o desam- interessados em resolver dilemas e RJ. lho rabino.E qual é a 6. abriu a porta e encontrou. P. conflitos aparentemente insolúveis.. SP. fogo. MOREL.. (*) Salvação precária. ANZIEU. 14. Em uma noite de inverno. p. MOREL. DELEUZE. e um dia você os encontrará: completas. 4. D. Critique et Clinique. Gilles. Pronto para fazer a cari.ex. tornará. D.. Edição Standard das obras guagem. alguém bateu à porta do ve. 4. MOREL. Artes Médicas. Imago. p. D. 3. . Se assim o fizer. Jean. op. você deve máticas III)... 184. cit. 169. Randall.A. S. . cit. SP. p. Era sempre procurado por aqueles 8. o vazio. Melanie. já bem 14. 26. Um Teto Todo Seu. p. 20.O rapaz refletiu: criateur. Riva Satovschi O rabino pensou e respondeu: minho para a arte e para a ficção.Mas o que é que eu ganho com Belo Horizonte. noroeste da Rússia. Vol. o rapaz per. tempo e finalmente disse: Paris. conhecido por sua longevidade. op. . p. Ed. O rabino ficou calado algum 18. mas segunda solução? . Le corps de I'oeuvre. ANZIEU. nunca inteiramente revelada pela acreditar que o saber e a verdade 2. Co. . . mas traba. 1990. 158. Psychanalyse du genie tarde. o desamparo. Denise. um rabino hassídico. O bom homem sempre tinha uma seu mistério. 1993. Lê. leia-se. LOPES. mais saber dele. Denise. São Paulo. C.