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ATUALIZAÇÃO TECNOLÓGICA EM ELETROTÉCNICA

EFICIÊNCIA
ENERGÉTICA

ATUALIZAÇÃO TECNOLÓGICA EM ELETROTÉCNICA

EFICIÊNCIA
ENERGÉTICA

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI

Robson Braga de Andrade
Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti
Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade
Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti
Diretor Geral

Gustavo Leal Sales Filho
Diretor de Operações

Regina Maria de Fátima Torres
Diretora Associada de Educação Profissional

ATUALIZAÇÃO TECNOLÓGICA EM ELETROTÉCNICA

EFICIÊNCIA
ENERGÉTICA

Departamento Regional de Santa Catarina. somente será permitida com prévia autorização. : il. com a coordenação do SENAI Departamento Nacional. de gravação ou outros.: (0xx61) 3317-9001 Departamento Nacional Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www. 48 p.senai. Departamento Nacional Eficiência energética / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. seja eletrônico. SENAI – Departamento Nacional © 2015. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Título CDU: 621. para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância. .Brasília : SENAI/DN. por escrito. SENAI – Departamento Regional de Santa Catarina A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. mecânico.Energia elétrica – Consumo 2. Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Educação e Tecnologia do SENAI de Santa Catarina. Departamento Nacional. I.311 SENAI Sede Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel. 30 cm. Departamento Regional de Santa Catarina II. .Energia – Fontes alternativas.br .© 2015. . 2015. SENAI Departamento Nacional Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP SENAI Departamento Regional de Santa Catarina Gerência de Educação e Tecnologia – GEDUT FICHA CATALOGRÁFICA S491e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.(Atualização tecnológica em eletrotécnica) Inclui bibliografias e índice ISBN 1. do SENAI. fotocópia.

...............................................................................................................................................................................................................................................................Matriz curricular....................................................................................................................................................................................35 Figura 8 -  Energia solar fototérmica.............................30 Figura 4 -  Motor elétrico..........................32 Figura 6 -  Rotor...................................12 Quadro 2 ............................................................40 Figura 10 -  Consumo por eletrodoméstico.............42 Figura 13 -  Ventilação natural.........44 Figura 16 -  Triângulo das potências..........................................................................................................................19 Figura 2 -  Registrador de demanda máxima..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................Grupo “B”.......................................................................................................................................................................47 Quadro 1 .....................31 Figura 5 -  Estator.............................................................................................................................................................................................................................42 Figura 14 -  Barreira verde.............................................................................................46 Figura 18 -  Energia solar fototérmica.36 Figura 9 -  Projeto de edifício..............................................................41 Figura 12 -  Evolução das lâmpadas................................................20 Figura 3 -  Arquitetura voltada à iluminação....................................................................................................................................................................................................................................................45 Figura 17 -  Energia solar fotovoltaica.....22 ..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................40 Figura 11 -  Uso da iluminação natural.........................22 Quadro 3 .............33 Figura 7 -  Compressores de ar condicionado..............................Grupo “A”......................................................................................................................................................................................................................................................................Lista de ilustrações Figura 1 -  Medidor de consumo de energia elétrica..................43 Figura 15 -  Projeto elétrico....................................................

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...........25 2.........................................47 Referências......................51 Minicurrículo do autor..........................31 3...............................................44 4.............................................................................................................................2 Demanda contratada..............................................................................................2 Tarifa de ultrapassagem...........................................................1 Iluminação.............................................................................................32 3...........41 4.........................................................................................................1 Iluminância ...........4............3 Ar comprimido.......................................................... Sumário 1 Introdução..........4..........................21 2.......................................................................................................................................2 Consumo de energia elétrica e demanda contratada..............................................................5 Automação (controle central ou remoto)...1.......................................31 3.........................................................................................4....................................30 3.............................................................................................32 3..............................................18 2.........................................................................................................................................................................1 Consumo de energia elétrica....................................................................................1 Contrato de demanda .............20 2.........15 2.......43 4.................44 4..............................................................................................................................2 Fluxo luminoso..........30 3........37 4 Sistemas de controle de instalação predial...........................................................................3 Aquecedor solar....................................43 4.26 3 Análise de oportunidades de otimização do uso de energia nos sistemas.....................................................................................................................................................................................................................1 Iluminação...................................1.......................................................39 4.........................................................................2.............................................................4 Análise de viabilidade técnica..............39 4.....29 3.... sistemas de aquecimentos (HVAC)..............................................................................4 Gestão energética.................................................1..........................................................................................................................................1..........................................................................................................................................2 Climatização...................................................................3 Modalidades tarifárias...53 Índice.............1 Estator.........3 Proteção solar.................................55 ..................18 2.................3 Eficiência luminosa..................1 Dimensionamento correto das instalações ............................................................................................................2 Força eletromotriz..................................................................34 3.....31 3..........................................................................................1 Definição de eficiência energética..............................................2 Rotor...........................................................15 2.............................................................................42 4..............................................................2............................................................3.................................................................................2..............................3.....................................................................................................................................................1 Iluminação de led............................................................................................................................11 2 Sistema tarifário.........................................................2 Fator de potência.......2............................. ar condicionado...............46 4......

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vai muito além da discussão sobre uma simples substituição de equipamentos ultrapassados por equi- pamentos com melhor rendimento. melhores isolantes térmicos. . além do uso de equipamentos mais eficientes. é imperativo que façamos um amplo diagnóstico dos vários setores onde se podem propor mudanças que tenham por objetivo o uso racional da energia elétrica. deve ser colocado em prática já na elaboração do projeto arquitetônico aproveitando ao máximo a iluminação natural. cor- rigindo corretamente o fator de potência. contratando adequadamente o fornecimento de energia junto à concessionária de energia. destacando-se aqui a indústria e os consumidores residenciais. já que o impacto da redução no con- sumo de energia e o seu uso mais racional pode implicar em adiamento de investimentos de grande porte no setor elétrico. sejam máquinas ou sistemas de iluminação. Introdução 1 Seja bem-vindo ao estudo de Eficiência Energética. que pode contribuir positivamente nesse cenário extrema- mente competitivo que é o setor industrial. destacando-se o uso racional da energia elétrica. seja no setor elétrico ou qualquer outro segmento que tem se mos- trado ineficiente diante da escassez de recursos se comparado à demanda. além de um maior aporte de recursos voltados ao desenvolvimento de fontes de energias renováveis. reduzindo as perdas elétricas na instalação com um correto dimensionamento. é imprescindível uma ampla discussão e análise voltada ao tema eficiência energética nesse setor. economia de recursos naturais. deve-se abranger também um melhor gerenciamento da energia consumida. Para que possamos desenvolver o tema eficiência energética. certamente esse tema será relevante. Na indústria quando se fala em eficiência energética. Considerando o grande impacto que o insumo energia elétrica tem no custo de produção de determinadas indústrias. sistemas de ventilação natural. O objetivo deste livro é levar você ao conhecimento de alguns dos fundamentos que nor- teiam o assunto eficiência energética. entre outros. ao contrário do que possa parecer. evitando ultrapassagens indesejadas de demanda contratada. Se analisarmos o cenário de uma política de governo na área de energia. Esse tema. O planejamento voltado à eficiência energética. Atualmente o tema eficiência tem sido exaustivamente discutido.

aliviando o sistema elétrico nos horários de maior demanda. Esse curso tem por objetivo capacitar profissionais para reconhecer. siga em frente com seus estudos.Matriz Curricular Fonte: SENAI DN . Na tabela a seguir veja a posição dessa unidade e o caminho a ser percorrido até que você atinja seu objetivo final. Além disso. podemos considerar também as ações do governo voltadas a tarifações diferenciadas que possibilitam ao consumidor adaptar sua rotina a incentivos propostos para estimular o consumo em horários diferenciados. Atualização Tecnológica em Eletrotécnica MÓDULOS UNIDADES CURRICULARES CARGA HORÁRIA Introdutório Normas técnicas Nacionais e Estaduais 16h Smart Grid 16h Específico Eficiência Energética 28h Fontes de Energia Renováveis 20h Quadro 1 . avaliar e aplicar as novas tecnologias e tendências de mercado relacionadas à melhoria da eficiência energética dos equipamentos e das instalações elétricas. Para obter sucesso na sua capacitação.

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esteja atento.1 DEFINIÇÃO DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA Eficiência energética sempre foi fonte de discussão. . Bom estudo! 2. evitando assim. à preservação das fontes não-renováveis. que por sua vez levam a desperdícios de energia. respostas para estas e outras indagações. até recentemente este tema estava de certa forma desconectado de sua rotina diária. além do resultado econômico que naturalmente se busca quando da sua aplicação. Para o cidadão comum. você encontrará lendo o conteúdo deste capítulo. ou por desconhecimento da legislação do setor que pode levar a opções tarifárias equivocadas que elevam os gastos com esse tão importante insumo. o que por sua vez pode ser um grande diferencial em um mercado tão competitivo. consequentemente. ou seja. pois não havia outro incentivo a não ser a consciência do uso de uma fonte de energia mais limpa que por sua vez teria um impacto positivo para o futuro do planeta. deve-se destacar o uso racional da mesma. perdas nas instalações internas. Por que ultimamente se discute tanto o tema eficiência energética? O que é eficiência ener- gética? Como é o consumo de energia elétrica? Por que contratar demanda de energia? Fazem parte do dia a dia de muitos profissionais. seja por componentes mal dimensionados que causam aquecimentos. Contudo. Quando se fala em conservação de energia. estimula do uso de sistemas alternativos voltados à conservação de energia e. principalmente nos setores produtivos onde há um grande impacto do insumo energia elétrica no preço final do produto. Sistema Tarifário 2 A eficiência energética proposta. dimensionando corretamente as instalações.

Para isso. autarquia em regime especial vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Você deve considerar o uso da energia elétrica na realização de trabalho. 2 Central geradora de energia elétrica. com menos eficiência. como sendo o conjunto de ações que tem por objetivo obter o mesmo resultado ou produto utilizando menos energia. distribuição e comercialização de energia elétrica no país. autor de centenas de artigos e vários livros nas áreas de automação industrial. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 16 Com a entrada em vigor da Resolução Normativa1 nº 482. encargos. seja no rendimento do compressor ou no isolamento térmico. da Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL. da ANEEL. Esse tipo de ação resulta em grande economia na fatura de energia. eólica. requisitos ou quaisquer direitos e deveres dos agentes e usuários desse serviço público. Como. solar. condições. os programas de eficientização disponibilizados à população onde se facilita a substituição de aparelhos refrigeradores mais antigos. por exemplo. transmissão. de 11 de dezembro de 2012. CASOS E RELATOS Eficiência Energética na Indústria Alexandre Capelli. instrumentação e energia. ou seja. eólica. regras. que entre outras atribuições: Regula a DADES produção. disseminando uma nova tendência no mercado de energia. . alterada pela Resolução Normativa nº 517. limites. seja movimentando máquinas. com potência instalada superior a 100 kW e menor ou igual a 1 MW para fontes com base em energia hidráulica. obrigações. que estabelece as condições gerais para o acesso de microgeração2 e minigeração distribuída3 aos sistemas de distribuição de energia elétrica e para o sistema de compensação de energia elétrica. biomassa ou cogeração qualificada. solar. define-se eficiência energética. procedimentos. CURIOSI A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). biomassa ou cogeração qualificada. iluminando um ambiente ou proporcionando conforto térmico. no seu livro “Energia Elétrica para Sistemas Automáticos da Produção” propôs cinco passos para atingir uma boa eficiência energética: 1 Documento emitido pela ANEEL que tem por objetivo regulamentar e estabelecer diretrizes. 3 Central geradora de energia elétrica. novas regras foram definidas. com potência instalada menor ou igual a 100 kW e que utilize fontes com base em energia hidráulica. de 17 de abril de 2012.

para que. • Identifique oportunidades de economia de custos. a relação custo/benefício do investimento proposto. se possam direcionar as ações a serem tomadas. • Elabore um diagnóstico energético e um plano executivo. 2010. portanto. além da proposta de economia na fatura de energia. a redução da demanda ou o consumo de energia elétrica. consequentemente. com base nesses conhecimentos. 2 SISTEMA TARIFÁRIO 17 • Compreenda seu consumo atual. p. 217). • Entenda como ele é cobrado. é fundamental que se conheça profundamente a composição da fatura de energia elétrica. • Verifique. precisa ser viável economicamente. Para que um projeto de eficiência energética obtenha êxito. Thinkstock ([20--?]) . a rotina de uso da instalação elétrica e as características dos equipamentos utili- zados. mensu- rando os ganhos em eficiência e. por meio de indicadores ou medição direta. (CAPELLI. Todo projeto de eficiência energética deve estar fundamentado em resultados econômicos esperados na fatura de energia elétrica.

luminosa. considerando um intervalo de tempo especificado. energia mecânica. o nível de tensão a que está ligado e da demanda exigida do sistema. consequentemente. ou seja. ou seja. Esse conhecimento é fundamental para quem pretende compreender a composição da fatura e. 4 O consumo se refere ao registro da quantidade mensal de energia elétrica consumida. De posse dessas informações é possível.2 CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA E DEMANDA CONTRATADA Você já parou para pensar como se determina o consumo de energia elétrica? Como é cobrada a fatura de energia elétrica? O consumo de energia elétrica se refere ao registro da quantidade mensal de energia elétrica ativa con- sumida em um determinado período. entre outras. 5 É a relação entre a potência que está em uso em uma determinada instalação e a carga instalada. 2. ou seja. tais como energia térmica.2. a tarifa binômia6 é a tarifa composta por duas parcelas. ou seja. 2.1 CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA A energia consumida é medida através de medidores acumuladores. Por sua vez. é a relação entre a potência ligada e o tempo que ficou ligada. somada a um valor de demanda contratado. seja pela substituição de equipamentos ou pela simples mudança de comportamento dos usuários do sistema. buscar alternativas para um melhor aproveitamento das instalações elétricas. . EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 18 É fundamental um amplo conhecimento das rotinas de uso do sistema elétrico. através de uma gestão energética. sendo expresso em KWh (quilowatts hora). a legislação brasileira permite que as concessionárias de energia calculem as faturas de acordo com o grupo de consumo a que pertence a unidade consumidora. Assim como uma análise das diversas modalidades tarifárias. equipamentos que regis- tram o consumo continuamente. 6 Energia elétrica que se transforma em outras formas de energia para a realização de trabalho. Qualquer instalação elétrica pode apresentar oportunidades para melhoria do uso da energia elétrica. a composição da fatura de energia e os conceitos de consumo4 e demanda5 de energia. sendo uma definida pelo consumo de energia ativa e a outra parcela pela demanda faturável. é a relação entre a potência ligada e o tempo que ficou ligada (o consumo). sendo o consumo em um determinado período obtido pelo cálculo da diferença entre o valor registrado no momento da leitura e o valor registrado na leitura anterior. diagnosticar e propor me- didas que visem racionalizar o uso das instalações elétricas. Com relação as modalidades tarifárias. ou seja é a fatura composta pela energia consumida. sendo expresso em KWh (quilowatts hora). um valor máximo de demanda a ser disponibilizado pela concessionária. das máquinas e insta- lações elétricas.

que tenham um melhor rendimento. Para saber mais sobre o cálculo de consumo de energia elétrica e como economizar SAIBA acesse o site: http://www.aneel. 2 SISTEMA TARIFÁRIO 19 Thinkstock ([20--?]) Figura 1 -  Medidor de consumo de energia elétrica Teoricamente. mudar os hábitos de consumo e/ou usar equipamentos mais eficientes. fica evidente que toda ação sobre o consumo de energia elé- trica deve ser na racionalização de seu uso. sendo 1. MAIS cfm?Identidade=4101&id_area=90 .000 W = 1 KW t: tempo total de consumo em um mês Ao analisar uma fatura de energia elétrica. conforme exemplo a seguir: E=Pxt E = 6 x 30 P: potência elétrica.br/aplicacoes/noticias/Output_Noticias. deve-se fazer o cálculo.000 Watts (W) utilizado durante uma hora todos os dias por um mês (trinta dias). Para calcular o consumo de um chuveiro de 6.gov. em W. Dessa forma é possível realizar a mesma tarefa com uma menor potência ou em menos tempo. o consumo de energia elétrica em uma instalação é obtido multiplicando-se a potência da carga que está ligada pelo tempo de funcionamento dessa mesma carga. ou seja.

As modalidades tarifarias serão estudadas a frente. . Corpus Christi e feriados definidos por lei federal. deve-se fazer um amplo diagnóstico da instalação. exceção feita aos sábados. considerando a curva de carga de seu sistema elétrico e composto por 3 (três) horas diárias consecutivas. sexta-feira da Paixão. 8 Período composto pelo conjunto das horas diárias consecutivas e complementares àquelas definidas no horário de ponta. a potência das máquinas. que são dados necessários para uma simulação dos valores a serem gastos com o consumo de energia elétrica durante um determinado período. os turnos de trabalho. conforme definido em contrato. a correta identificação da demanda a ser contratada e da demanda média. terça-feira de carnaval. Enfim. em disponibilizar energia conti- nuamente no ponto de entrega9. ou seja.2. para que se possa definir uma curva de carga diária e. sob a qual está sendo faturada a unidade consumidora. para a correta contratação da demanda. a modalidade tarifária. consequentemente. Thinkstock ([20--?]) Figura 2 -  Registrador de demanda máxima Agora. 2.2 DEMANDA CONTRATADA A demanda contratada determina a obrigatoriedade da distribuidora. também. é imprescindível que você conheça a rotina de trabalho da empresa. Prossiga com seus estudos para conhecer o que é demanda contratada. 7 Período definido pela distribuidora e aprovado pela ANEEL para toda sua área de concessão. existência de geradores. já que existem modalidades tarifárias com valores distintos para consumos em determinados horários de ponta7 e fora de ponta8. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 20 Além disso. a potência ativa deve ser paga pelo consumidor. 9 É a conexão do sistema elétrico da distribuidora com a unidade consumidora e situa-se no limite da via pública com a proprieda- de onde esteja localizada a unidade consumidora. domingos. sendo ou não utilizada por este. é um fator que incide diretamente sobre o valor gasto com energia elétrica.

preferencialmente em um período de 12 ciclos de consumo. FIQUE Com as bandeiras tarifárias pode ajudar você pode administrar seu consumo de ALERTA modo consciente. Você sabe qual é a melhor opção tarifária? Siga em frente com sua leitura para descobrir a resposta. somadas a uma pesquisa dos valores de consumo e demanda de energia das diferentes modalidades tarifárias. De posse dessas informações. essas simulações serão a base para a opção tarifária mais adequada à empresa. • Industrial. pode ser definida com medições das grandezas elétricas ou no projeto. também. • Serviço público. • Rural. através de resoluções estabelece as Condições Gerais de Fornecimento de Energia Elétrica. • Comercial. terá o valor da tarifa de demanda acrescida. a importância de se contratar corretamente a demanda de potência junto à concessionária. a aquisição de geradores. é fundamental que se conheça as características de cada modalidade. através do conhecimento das atividades a serem desenvolvidas. além da tolerância prevista de 5%. definindo tarifas diferenciadas que variam de acordo com a classe de consumo conforme descrito abaixo: • Residencial.3 MODALIDADES TARIFÁRIAS Para que você faça a escolha mais adequada da modalidade tarifária. que é o gráfico formado pelo registro horário da demanda de uma instalação no período de um dia. também deve ser considerada. assim como. pois se ultrapassar o valor contratado. chegando a duas vezes o valor da tarifa contratada. 2 SISTEMA TARIFÁRIO 21 Observe que. • Consumo próprio . • Poder público. Diante dessa avaliação. 2. as informações do consumo horário da unidade con- sumidora. Cabe res- saltar. • Iluminação pública. A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. para uso no horário de ponta. Essa curva de carga diária. você pode simular os gastos prováveis com energia elétrica nas ins- talações.

correspondente à respectiva classe. atendida a partir de sistema AS subterrâneo de distribuição e faturada no Grupo A excepcionalmente Quadro 2 .3 KV. um valor máximo de demanda a ser disponibilizado pela concessionária. sendo uma definida pelo consumo de energia ativa consumida e a outra parcela pela demanda faturável. a classificação tarifária considera também o nível de tensão de fornecimento da energia.3 a 25 KV Tensão de fornecimento inferior a 2. e grupo “B” – atendidos em tensão inferior a 2. • Tarifa Binômia: é a tarifa composta por duas parcelas.3 KV. nos seguintes casos: . De acordo com a Resolução Normativa nº 414. GRUPO “B” B1 Residencial e residencial baixa renda B2 Rural. ou seja. de 09 de setembro de 2010 da ANEEL.3 KV. alterada pela Re- solução Normativa nº 479. Além da definição de classes e subclasses.Grupo “A” Fonte: do Autor Acompanhe a seguir o quadro do grupo B. divididos em grupo “A” – atendidos em tensão superior a 2. de 03 de abril de 2012.Grupo “B” Fonte: do Autor A tarifa de energia elétrica também pode ser dividida em: • Tarifa Monômia: é a tarifa onde o valor cobrado corresponde exclusivamente ao consumo de energia ativa durante o ciclo de consumo. de acordo com os quadros a seguir: GRUPO “A” A1 Tensão de fornecimento igual ou superior a 230 KV A2 Tensão de fornecimento de 88 KV a 138 KV A3 Tensão de fornecimento de 69 KV A3A Tensão de fornecimento de 30 KV a 44 KV A4 Tensão de fornecimento de 2. sendo a tarifa composta somente por uma tarifa de consumo. Observe que as unidades consumidoras enquadradas no Grupo “A” poderão optar por faturamento com aplicação da tarifa do Grupo “B”. as modalidades tarifárias são as seguintes: • Modalidade Tarifária Convencional Monômia: aplicada a unidades consumidoras atendidas em baixa tensão (grupo B). cooperativa de eletrificação rural e serviço público de irrigação B3 Demais classes B4 Iluminação pública Quadro 3 . independente das horas de utilização do dia. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 22 As classes de consumo se desdobram em subclasses com valores distintos de tarifa.

em R$/KW C – Consumo de energia elétrica no mês. intermediário e fora de ponta. cujas definições você estudará na sequência dos conteúdos. independente dos horários de utilização do dia. b)unidade cuja potência nominal total dos transformadores for igual ou inferior a 112. desde que a carga instalada em projetores utilizados na iluminação dos locais seja igual ou superior a 2/3 (dois terços) da carga instalada na unidade consumidora. Acompanhe a seguir. 2 SISTEMA TARIFÁRIO 23 a)unidade localizada em área de veraneio ou turismo cuja atividade seja exploração de serviços de ho- telaria ou pousada. exceto para o subgrupo B4 a para as subclasses Baixa Renda do subgrupo B1. d)unidade consumidora. • Modalidade Tarifária Horária Azul: aplicada a unidades consumidoras do grupo A. Fa = D x TD + C x TC Onde: Fa – valor da fatura D – Demanda faturada. Esses horários são definidos como horário de ponta. você conhecerá como calcular o valor da fatura de energia elétrica na modalidade tarifária horária azul: . em KWh TC – Tarifa de consumo. quando a potência nomi- nal total dos transformadores for igual ou inferior a 750 kVA. em KW TD – Tarifa de demanda. A seguir. o cálculo do valor da fatura de energia elétrica. Esta modalidade apresenta tarifas de consumo de energia e de demanda de potência com valores diferenciados de acordo com os horários de utilização do dia. independente da potência nominal total dos transformadores. Essa modalidade tarifária aplica tarifas diferenciadas de consumo de energia elétrica de acordo com os horários de utilização do dia. • Modalidade Tarifária Convencional Binômia: aplicada a unidades consumidoras atendidas em mé- dia tensão (grupo A). com instalações permanentes para a prática de atividades esportivas ou par- ques de exposições agropecuárias. sendo composta por uma tarifa de consumo de energia ativa somada a uma tarifa de demanda de potência. c)unidade consumidora classificada como cooperativa de eletrificação rural. em R$/KWh • Modalidade Tarifária Horária Branca: aplicada a unidades consumidoras do grupo B.5 kVA.

em KWh TCp – Tarifa de consumo no horário de ponta. em R$/KWh. em KW TDp – Tarifa de demanda de ponta. • Horário fora de ponta: compreende os horários não definidos nos horários de ponta do grupo A e intermediário. em KWh TCp – Tarifa de consumo no horário de ponta. em R$/KWh Cfp – Consumo de energia elétrica no mês no horário fora de ponta. Esta modalida- de apresenta tarifas de consumo de energia elétrica. em R$/KWh. Compreende uma hora ime- diatamente anterior e outra imediatamente posterior ao horário de ponta. em R$/KWh Cfp – Consumo de energia elétrica no mês no horário fora de ponta. em R$/KW Dfp – Demanda faturada no horário fora de ponta. em KWh TCfp – Tarifa de consumo no horário fora de ponta. • Horário intermediário: aplicado às unidades consumidoras do grupo B. aprovado pela ANEEL para toda a área de conces- são. . definidas pela distribuidora con- siderando a curva de carga de seu sistema elétrico. no caso de unidades do grupo B. em KWh TCfp – Tarifa de consumo no horário fora de ponta. com exceção feita aos sábados. em KW TD – Tarifa de demanda. Conforme destacado anteriormente. em R$/KW Cp – Consumo de energia elétrica no mês no horário de ponta. domingos e feriados. de acordo com os horários de utilização do dia e por uma tarifa única de demanda de potência. A seguir. Esse horário pode ser flexi- bilizado de acordo com legislação específica. Fa = D x TD + Cp x TCp + Cfp x TCfp Onde: Fa – valor da fatura D – Demanda faturada. em R$/KW Cp – Consumo de energia elétrica no mês no horário de ponta. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 24 Fa = Dp x TDp + Dfp x TDfp + Cp x TCp + Cfp x TCfp Onde: Fa – valor da fatura Dp – Demanda faturada no horário de ponta. as modalidades tarifárias que consideram os horários de utilização do dia remetem aos seguintes horários: • Horário de ponta: composto por 3 (três) horas diárias consecutivas. em KW TDfp – Tarifa de demanda fora de ponta. • Modalidade Tarifária Horária Verde: aplicada a unidades consumidoras do grupo A. você conhecerá como calcular o valor da fatura de energia elétrica na modalidade tarifária horária verde. .

Nesse sentido. Para o fornecimento de energia elétrica aos consumidores do Grupo A. II . for inferior a 0. referente aos meses de de- zembro de um ano a abril do ano seguinte. a correta identifica- ção da demanda a ser contratada e da demanda média. 2 SISTEMA TARIFÁRIO 25 • Período úmido: período de 5 (cinco) ciclos de faturamento consecutivos. III . indutivo ou capacitivo. exceto para unidade consumidora da classe rural ou re- conhecida como sazonal. da classe rural ou reconhecida como sazonal. . no caso de unidade consumidora in- cluída na tarifa convencional. deve ser realizado com base nos valores iden- tificados por meio dos critérios descritos a seguir: I . sendo que. enfim. existência de geradores. c) demanda medida no ciclo de faturamento ou 10% (dez por cento) da maior demanda contratada. b) demanda medida no ciclo de faturamento ou 10% (dez por cento) da maior demanda medida em qualquer dos 11 (onze) ciclos completos de faturamento anteriores. se houver. observadas as respectivas modali- dades quando da aplicação de modalidade tarifária horária.1 CONTRATO DE DEMANDA Diante das opções tarifárias disponíveis. no caso de unidade consumidora incluída na modalidade tarifária horária da classe rural ou reconhecida como sazonal. b) energia elétrica ativa medida no período de faturamento. o faturamento de unidade consumidora do grupo A. correspondente ao maior valor dentre os definidos a seguir: a) demanda contratada ou demanda medida. o mesmo deverá ser assinado antes de efetivada a ligação. é interessante que se conheça a rotina de trabalho da empresa. A seguir você terá a oportunidade de aprender o que é contrato de demanda. os turnos de trabalho. é obrigatória a celebração de Contrato de Fornecimento de Energia Elétrica.3. consequentemente. que são dados necessários para uma simulação dos valores a serem gastos com o consumo de energia elétrica durante um determinado período. Essas simulações serão a base para a opção tarifária mais adequada à empresa.92 centésimos. a potência das máquinas. 2. referente aos meses de maio a novembro.Demanda Faturável: um único valor.Consumo de Energia Elétrica Ativa: um único valor. • Período seco: período de 7 (sete) ciclos de faturamentos consecutivos.Consumo de Energia Elétrica e Demanda de Potência Reativas Excedentes: quando o fator de po- tência da unidade consumidora. um amplo diagnóstico da instalação para que se possa definir uma curva de carga diária e. correspondente ao maior dentre os definidos a seguir: a) energia elétrica ativa contratada.

. Além dos consumidores atendidos em tensão superior a 69 kV. Siga em frente. a demanda poderia ultrapassar até uma tolerância de 5%. o cálculo do valor cobrado desconsi- dera a tolerância. terá acréscimo no valor da sua tarifa. o enquadramento na modalidade tarifária horária será obrigatório para demanda con- tratada igual ou superior a 300 kW. você verá o descrito de uma situação de ultrapassagem: TD = Total medido x Tarifa de Demanda + valor ultrapassado x 2 x Tarifa de demanda Uma determinada empresa com contrato de fornecimento na modalidade tarifária horária verde. com o propósito de permitir a adequação da demanda contratada e a escolha da modalidade tarifária. nas se- guintes situações: a) início de fornecimento na tarifa convencional. A seguir.3. d) acréscimo de demanda maior que 5% da contratada. salvo se houver necessidade de investimento por parte da distribuidora para atendimento à carga instalada. Como a ultrapassagem foi acima do valor tolerável. teve uma demanda máxima registrada de 120 KW. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 26 A vigência do contrato será de 12 meses.92/KW. b) unidade consumidora do grupo “A” tarifada como Grupo “B” que retornou para tarifa do grupo “A”. 2. A seguir. onde o prazo poderá ser de até 24 meses. Assim.2 TARIFA DE ULTRAPASSAGEM Cabe ressaltar a importância de se contratar corretamente a demanda de potência junto à concessioná- ria. com demanda contratada de 100 KW. desde que. Veja o cálculo para definir o valor cobrado da parcela de demanda do caso exposto. o consumidor poderá solicitar mudança de enquadramento na modalidade tarifária. chegando a duas vezes o valor da tarifa de demanda contratada. c) migração para tarifação horária azul (segmento de testes será o da ponta). sendo aplicado sobre o total ultrapassado. para os consumidores atendidos em tensões inferiores. sabendo que o valor da demanda contratada é de R$ 8. Como calcular a demanda paga pela empresa? Como vimos. pois a demanda que ultrapassar o valor contratado além da tolerância prevista de 5%. Será concedido um período de teste de três ciclos consecutivos e completos de faturamento. na tarifação horária azul ou verde. você estudará sobre o tema tarifa de ultrapassagem. o enquadramento anterior tenha ocorrido há pelo menos 12 meses.

Existem várias modalidades tarifárias. você pode aprender que eficiência energética é um tema com um vasto campo de aplicação. a concessionária aplicará a tarifa de ultrapassagem sobre a totalidade da demanda medida.92 + 20 X 2 X 8. com o uso mais racional e planejado.427. ou mesmo ações governamentais que estimulem mudanças de hábitos de consumo. pois envolve desde pequenas ações como mudança na rotina de consumo da energia elétrica. . 2 SISTEMA TARIFÁRIO 27 TD = 120 X 8.20 Quando inexistir o contrato por motivo atribuível exclusivamente ao consumidor e.92 TD = 1.070. pois a tarifa ideal para uma determinada empresa pode não ser a mais viável para outra. o fornecimento não estiver sendo efetuado no período de testes.80 TD = R$ 1.40 + 356. cada situação deve ser analisada individualmente. RECAPITULANDO Neste capítulo. O ideal é que se determine o custo anual médio da tarifa de energia elétrica com as diferentes mo- dalidades tarifárias para subsidiar a escolha mais adequada. logo.

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obviamente é o retorno financeiro que será obtido com a economia de energia elétrica. esse resultado também precisa ser demonstrado para que se avalie a implantação das sugestões. Qual o novo cenário? Investir em eficiência energética é um bom negócio? Por que gastar com algo que está funcionando? É possível crescer sem ampliar? Ao final deste capítulo você terá como compreender as questões acima e verá que além da redução dos gastos com a fatura de energia elétrica. Condutores elétricos. Análise de Oportunidades de Otimização do Uso de Energia nos Sistemas 3 A eficiência energética aplicada na indústria pode ser explorada em vários campos. Motores elétricos. por- tanto. logo. O que se espera como resultado de um programa de eficiência energética em uma indús- tria. Fator de potência. é neces- sário conhecer os equipamentos que estão em funcionamento para que se possa analisar a viabilidade da substituição dos mesmos. . Consumo de água. no seu livro “Instalações Elétricas Industriais” (2007). além de uma análise minuciosa das instalações para contratação da tarifação mais adequada. reduzindo também os gastos com manutenção. podendo também ter reflexos na produtividade. João Mamede Filho. um bom programa de eficiência energé- tica agrega novas tecnologias às instalações. além de um melhor uso das instalações e o adiamento de investimentos em ampliação. Este tema está alinhado ao conceito de rendimento em máquinas e equipamentos. entre outros. SAIBA lista as ações que devem ser implementadas nos segmentos de consumo MAIS em uma instalação industrial: Iluminação.

A norma ABNT NBR 5413 recomenda os níveis de iluminância no plano de trabalho que variam de acor- do com a atividade desenvolvida. você deve desenvolver um projeto para o correto dimensionamento da iluminação.000 lux. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 30 3.1. o retorno do investimento. Vamos relembrar alguns conceitos utilizados em projetos de iluminação: Thinkstock ([20--?]) Figura 3 -  Arquitetura voltada à iluminação 3. DADES • Uma noite de lua cheia sem nuvens tem uma iluminância de 0. constitui um segmento com grandes oportunidades de melhoria e.1 ILUMINÂNCIA Corresponde ao fluxo luminoso incidente numa determinada superfície por unidade de área. . é expressa em lux. consequente- mente.1 ILUMINAÇÃO O sistema de iluminação representa cerca de 2% dos gastos com energia elétrica em uma instalação industrial. mesmo assim. Para o correto dimensionamento da iluminação em um ambiente.25 lux. A iluminância é conhecida também como nível de iluminamento. CURIOSI • Um dia de sol de verão apresenta uma iluminância de 100.

João Mamede Filho. 40) 3. que. sendo esse valor sempre menor que unidade. Em todo processo de conversão. Escolha da cor da luz e seu respectivo rendimento. À relação entre a potência mecânica de saída no eixo e a potência de alimentação de um motor se dá o nome de rendimento. MAIS Distribuição espacial da luz sobre o ambiente. (MAMEDE FILHO. essas perdas internas ocorrem em forma de calor gerado pelo aquecimento das bobinas dos enrolamentos e outras. Sua unidade é o lúmen.2 FORÇA ELETROMOTRIZ Como você sabe.1. 3 ANÁLISE DE OPORTUNIDADES DE OTIMIZAÇÃO DO USO DE ENERGIA NOS SISTEMAS 31 3. 2007. no seu livro “Instalações Elétricas Industriais” (2007) fala sobre SAIBA os pontos fundamentais que devem ser adotados para a elaboração de um bom projeto de iluminação: Nível de iluminamento suficiente para cada atividade específica. 3. converte a energia elétrica em energia mecânica.3 EFICIÊNCIA LUMINOSA Eficiência luminosa é a relação entre o fluxo luminoso emitido por uma fonte luminosa e a potência em watts consumida por esta. p. Essa eficiência pode ser influenciada por características da luminária aplicada. existem as perdas inerentes ao processo. o motor elétrico. entre outros. Thinkstock ([20--?]) Figura 4 -  Motor elétrico .1.2 FLUXO LUMINOSO Fluxo luminoso é a potência de radiação emitida por uma determinada fonte de luz e avaliada pelo olho humano. através de princípios magnéticos. no caso dos motores de indução.

Tem por função permitir a fixação das partes fixas e móveis do motor. aço ou alumínio injetado. Sobre esse eixo está o núcleo de chapas sobre o qual estão dispostos os enrolamentos do rotor. • enrolamentos .é o que dá formato ao motor. • núcleo de chapas .2. Thinkstock ([20--?]) Figura 5 -  Estator 3. os motores de indução são constituídos de duas partes básicas: estator e rotor. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 32 Basicamente. no caso dos motores com rotor em gaiola.1 ESTATOR Estator é a parte fixa do motor formada por três elementos: • carcaça . 3. . Essa potência mecânica resulta da interação entre os campos magnéticos gerados no estator e induzidos nos enrolamentos do rotor. no caso dos motores com rotor bobinado ou as barras e anéis de curto-circuito.série de bobinas de material condutor dispostas sobre o núcleo e ligadas à rede de alimentação.2.constituído de chapas magnéticas fixadas ao estator. fabricada em ferro fundido.2 ROTOR O rotor é a parte móvel do motor constituída basicamente por um eixo que transmite a potência mecâ- nica gerada pelo motor. O fluxo magnético gerado a partir dessas bobinas é que determina o funcionamento do motor.

ou seja. perdas magnéticas estatóricas: perdas no ferro. no seu livro “Instalações Elétricas Industriais” (7ª Ed. 3 ANÁLISE DE OPORTUNIDADES DE OTIMIZAÇÃO DO USO DE ENERGIA NOS SISTEMAS 33 Thinkstock ([20--?]) Figura 6 -  Rotor João Mamede Filho. consequentemente. perdas Joule nas bobinas rotóricas: perdas no cobre. prin- cipalmente no que diz respeito à movimentação de cargas com alta inércia.. A passagem da corrente elétrica pelos enrolamentos do motor. que estão acionando uma carga inferior à sua capacidade no- minal. provoca o aquecimento dos mesmos e. as perdas por efeito Joule. Cerca de 50% das cargas elétricas industriais são compostas por motores de indução. e por corrente de Foucault. perdas por ventilação. Motores sobredimensionados. lista SAIBA as perdas verificadas em um motor elétrico: perdas Joule nas bobinas estatóricas: MAIS perdas no cobre. Existem no mercado linhas de motores com alto rendimento que tem por objetivo apresentar uma pro- posta de redução das perdas inerentes ao funcionamento dos motores. ações de conservação de energia nesse tipo de carga resultam em grandes resultados técnicos e econômicos. perdas por atrito dos mancais: perdas mecânicas. porém. sua utilização deve ser precedida de uma análise criteriosa com respeito a sua aplicação. Esse tipo de motor cumpre muito bem a tarefa de reduzir desperdícios de energia. que resultam de correntes induzidas nos materiais magnéti- cos que compõem o núcleo de chapas. que resulta da reorientação do campo magnético no núcleo de chapas. resulta em um baixo fator de potência do motor que acaba contribuindo para a ineficiência da instalação. As perdas magnéticas podem ser por histerese. portanto. perdas magnéticas rotóricas: perdas no ferro. 2007). haja vista que a economia apresentada acaba refletindo em alguns desempenhos inferiores aos motores tradicionais. . podendo chegar a 30% de redução as perdas.

As tomadas de ar devem conter filtros para evitar a entrada de partículas em suspensão. Thinkstock ([20--?]) Você pode reduzir esse desperdício evitando que o ar seja contaminado pelo óleo ou pela água durante o processo. Ar condicionado Os sistemas de climatização são responsáveis por grandes desperdícios de energia elétrica nas instala- ções industriais e comerciais. SISTEMAS DE AQUECIMENTOS (HVAC) Ar comprimido A operação do sistema de ar comprimido é conhecida como uma fonte de desperdício de energia elétri- ca. mesmo que isso resulte em tantas redes de distribuição quantas forem as máquinas com pressões nominais dife- rentes. a pressão imposta deve ser a adequada para cada máquina. aperfeiçoar seu uso é uma grande oportunidade para economizar energia elétrica. Para que a pressão da rede seja mantida. utilize acessórios de boa qualidade. .3 AR COMPRIMIDO. independentemente se são utilizados aparelhos do tipo janeleiro ou sistemas centralizados. pois esse vazamento implicará em redução no nível de pressão. Com relação à rede de distribuição. todo vazamento nos dutos e válvulas deve ser evitado. logo. Assim. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 34 3. AR CONDICIONADO.

Procel Info. regular a temperatura do aparelho para valor não inferior a 23° C. Procel Edifica. Entre as ações desenvolvidas dentro do Procel (Programa Nacional de Conservação SAIBA de Energia Elétrica). bem como. Durante a elaboração do projeto construtivo. merece destaque o subprograma Procel nas Escolas. você pode optar pelo uso de materiais isolantes térmicos nas paredes e telhado. Além da escolha dos aparelhos com melhor rendimento. desligar o aparelho de ar condicionado quando não houver pessoas no ambiente climatizado. . Procel ALERTA Indústria. Procel Sanear. principalmente relacionadas ao comportamento das pessoas que usam o ambiente climatizado: evitar a entrada do ar exterior no ambiente com o fechamento portas e janelas. 3 ANÁLISE DE OPORTUNIDADES DE OTIMIZAÇÃO DO USO DE ENERGIA NOS SISTEMAS 35 Thinkstock ([20--?]) Figura 7 -  Compressores de ar condicionado A eficiência de unidades de climatização pode ser comparada através da verificação do selo PROCEL. estimulando os mesmos a incluírem o tema energia e o combate ao desperdício no plano de curso de sua disciplina. utilizar barreiras verdes (árvores) para proteger a edificação contra a entrada de raios solares nos ambientes dotados de janelas e portas de vidro. sendo os aparelhos com o selo “A” os que apresentam os melhores rendimentos. Procel EPP. Procel Reluz. se possível. manter cortinas e persianas fe- chadas para que as áreas climatizadas não fiquem expostas ao sol. que atribui um conceito de acordo com a eficiência energética do aparelho. várias outras medidas devem ser tomadas. que tem por MAIS objetivo capacitar professores. FIQUE Conheça outros subprogramas contidos no Procel: Procel GEM. Procel Selo. que é uma temperatura agradável ao ser humano.

Caso a indústria necessite da produção de vapor. Outra ação. obviamente que após elaborados estudos de viabilidade técnica e econômica. eliminando a necessidade do uso de chuveiros e torneiras elétricas. que apesar de simples. Thinkstock ([20--?]) Para o aquecimento da água. é o ajuste da temperatura nos aque- cedores de água. reservatórios e demais elementos do sistema de aquecimento. pois a água quente pode ser obtida através de energia solar fototérmica. os sistemas de aquecimento de água apresentam várias pos- sibilidades de ações voltadas a um ganho em eficiência energética. Thinkstock ([20--?]) Figura 8 -  Energia solar fototérmica . destacando-se aqui o isolamento térmico da tubulação. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 36 Aquecimento de Água Assim como nos sistemas de climatização. pode ser recuperado o calor das unidades de refrigeração. principalmente relacionadas à qualida- de da instalação. que deve ser mantido em 55° C. acaba passando despercebida. é conveniente separar a produção de água quente da produção de vapor.

4 ANÁLISE DE VIABILIDADE TÉCNICA Você pode desenvolver inúmeras ações voltadas a uma melhor eficiência operacional na indústria. com a comprovação que haverá redução nos gastos com energia elétrica. 3 ANÁLISE DE OPORTUNIDADES DE OTIMIZAÇÃO DO USO DE ENERGIA NOS SISTEMAS 37 3. sen- do todas viáveis tecnicamente. não se pode deixar de considerar os gastos necessários para a sua aplicação e o quanto essa redução será viável economicamente. Por outro lado. ótimos resultados podem também ser obtidos fazendo-se uma análise criteriosa das diversas modalidades tarifárias existentes. ou seja. seria possível visualizar a economia obtida no período e em quanto tempo o investimento inicial retornaria. . Algumas ações demandam investimentos na instalação elétrica. RECAPITULANDO Nesse capítulo. hidráulica ou predial para que se obtenha um resultado futuro. os gastos anuais considerando a condição atual e quais seriam os valores gastos aplicando a melhoria proposta. vir acompan- hado de uma análise de retorno do investimento para que se avalie a implantação das propostas. No entanto. avaliando se a tarifação praticada atualmente é a mais viável economicamente. você pôde ver como é vasto o campo de oportunidades para se implementar eficiência energética na indústria. toda proposta de adequação das instalações visando o uso eficiente deve ser medida de forma a se encontrar justificativas econômicas para a sua implementação. de maneira bem clara. Para essa análise. Para uma proposta ser atrativa ela deve apresentar um razoável tempo de retorno do investimento. você precisa ter. sen- do que cada caso deve ser analisado individualmente. Nesse caso. A simples mudança de hábitos dos usuários ou nas rotinas de trabalho apresenta um grande po- tencial na economia de energia com seu uso racional. Assim.

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mas principalmente a economia de recursos naturais e menor degradação do meio ambiente. logo. . em sua maioria priorizam a distribuição interna dos cômodos. Logo. a conservação de energia deixa de acontecer exclusivamente por razões econômicas e passa a ser um compromisso de todos com o meio ambiente. por sua vez. Para economizar é necessário abrir mão do conforto? Eficiência energética é aplicada so- mente em instalações prontas e com grande consumo de energia? É possível ser pró-ativo? Após fazermos essas análises. Bons estudos! 4. Nos edifícios. As pessoas estão cada vez mais conscientes de que suas pequenas atitudes podem re- fletir em importantes mudanças em um contexto maior. Sistemas de Controle de Instalação Predial 4 Como você já pôde observar. Felizmente esse comportamento tem mudado muito ultima- mente.1 ILUMINAÇÃO Os projetos prediais. o maior desafio é justamente propor mudanças de comportamento por parte de quem faz uso das instalações. seja para fins comerciais ou residenciais. você vai se surpreender com a quantidade de pequenas ações que são suficientes para obtermos bons resultados nesse tema. buscando ocupar a maior área possível do imóvel construí- do. deixando claro que a economia pretendida não se trata somente de redução no valor da fatura de energia elétrica. na indústria. com grande impacto no preço final do produto e. Ao final do capítulo você terá subsídios para propor mudanças nas instalações elétricas e encontrar alternativas para redução no consumo de energia elétrica. as fachadas. a energia elétrica representa um importante in- sumo na cadeia produtiva. capaz de tornar a empresa mais competitiva no seu ramo de atividade. Por essa razão. é cons- tantemente monitorada pela gerência. entre outras ações voltadas ao conforto e bem estar dos ocupantes.

certamente identificaremos aquelas que são as responsáveis pela climatização dos ambientes. o chuveiro elétrico é responsável por quase a metade do consumo mensal de uma residência com MAIS consumo mensal médio de 220 KWh/mês? A figura a seguir mostra uma estimativa de consumo por eletrodoméstico: Patricia Marcílio (2015) Figura 10 -  Consumo por eletrodoméstico Fonte: do Autor . Thinkstock ([20--?]) Figura 9 -  Projeto de edifício SAIBA VocË sabia que de acordo com informações disponíveis no site da Copel. é fundamental que se dedique atenção no desenvolvimento de ideias arquitetônicas que tenham por objetivo contribuir para o uso mais racional da energia elétrica. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 40 Quando o projeto considera também uma proposta de conservação de energia. Se considerarmos as cargas com consumos expressivos em residên- cias e em edifícios residenciais e comerciais. aquecimento de água e iluminação.

1. que pode representar aquecimento excessivo e. a vida média reduzida e elevados custos de manutenção. consequentemente. Como todo novo produto. já que seria necessário um desembolso razoável na aquisição das lâmpadas fluorescentes com- pactas. Thinkstock ([20--?]) Figura 11 -  Uso da iluminação natural 4. Um grande avanço foi dado com a substituição das lâmpadas incandescentes pelas lâmpadas fluores- centes compactas que usam a mesma estrutura de instalação das incandescentes e são mais eficientes. o preço estabilizou. reduzindo o consumo de energia elétrica com iluminação artificial a base de lâmpadas. Com o tempo. no início o preço se mostrava como fator impeditivo para a substituição das lâmpadas. A iluminação residencial em um passado recente era feita. em sua maioria. cujas principais características são a baixa eficiência luminosa. com lâmpadas incandescen- tes. permitindo a substituição. O uso da iluminação natural não deve expor demasiadamente os cômodos aos raios solares. .1 ILUMINAÇÃO DE LED Considerando que a iluminação é responsável por cerca de 20 % do consumo mensal de energia elétrica em uma residência. fica evidente a importância de segmento em projetos de conservação de energia em residências. maiores gastos com climatização. 4 SISTEMAS DE CONTROLE DE INSTALAÇÃO PREDIAL 41 As formas arquitetônicas devem favorecer o uso da iluminação natural na maior parte possível das ho- ras do dia.

apresentarão melhores resultados no consumo de energia elétrica. Certamente essas vantagens. a verificação do selo PROCEL é um excelente meio para se adquirir equipamentos mais eficien- tes que.2 CLIMATIZAÇÃO Como é de seu conhecimento. consequentemente. uma vida útil superior. o ce- nário é similar. 4. seu valor. aliadas à economia de energia. que são diodos emissores de luz e foi inventado na década de 1960. além de pos- sibilitarem maiores efeitos decorativos. Assim como em qualquer outro apare- lho elétrico. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 42 Thinkstock ([20--?]) Figura 12 -  Evolução das lâmpadas Com as lâmpadas de LEDs. contribuindo significativamente com o projeto de eficiên- cia energética. farão com que aumente a oferta desse produto. Atualmente o valor das lâmpadas tem se mostrado como sendo o maior responsável pela não aplicação desse produto. O uso eficaz da ventilação natural e a aplicação de isolantes térmicos para reduzir a troca de calor do interior da edificação com o ambiente externo. reduz o consumo de energia elétrica com os equipamentos responsáveis pela climatização dos ambientes. Thinkstock ([20--?]) Figura 13 -  Ventilação natural . aparelhos de climatização de ambientes são responsáveis por grande parcela do consumo de energia elétrica em unidades residenciais. principalmente na economia de energia por apresentarem uma eficiência luminosa superior às demais. reduzindo assim. apesar de todas as vantagens conhecidas.

para se fazer uma boa gestão. 4. além da arquitetura voltada a um melhor aproveitamento das condições do ambiente em prol do resultado desejado. desligando os aparelhos quando deixarem o cômodo. 4 SISTEMAS DE CONTROLE DE INSTALAÇÃO PREDIAL 43 Assim como na indústria. quando possível. seja como fonte de aquecimento de água ou geração de energia elétrica fotovoltaica. qualidade da energia nas instalações e um amplo conhecimento das diversas modalidades tarifárias aplicáveis. a energia solar é uma excelente fonte de energia. é necessário que os raios solares sejam bloque- ados para que obtenham melhores resultados. evitando o aquecimento dos ambientes e prejudicando o resultado desejado em termos de conforto térmico. Destaca-se também o uso de películas. com um imenso potencial de exploração para uso nas instalações industriais. comerciais e residenciais. quando se deseja climatizar ambientes.4 GESTÃO ENERGÉTICA Como em qualquer ramo. programando temperaturas agradá- veis. como o dimensionamento correto dos condutores em uma instalação. 23° C. Thinkstock ([20--?]) Figura 14 -  Barreira verde 4. entre outras atitudes racionais no uso da energia elétrica. ligando os aparelhos quando necessário. é imprescindível que se conheça profunda- mente as normas e critérios que norteiam o tema. o uso de barreiras verdes com o plantio de árvores apresenta óti- mos resultados. os melhores resultados serão obtidos com a conscientização das pessoas que farão uso das instalações. para que se possa gerir adequadamente a energia elétrica em uma instalação. Por outro lado. Como já estudado. ou seja.3 PROTEÇÃO SOLAR Como você já estudou. cortinas e persianas. alguns conceitos devem ser relembrados. Logo. .

há um valor a ser cobrado sempre que a unidade consumi- dora estiver com um fator de potência abaixo do valor regulamentado de 0. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 44 4. porém. entre outras consi- derações. como a NBR 5410. que es- tabelece critérios para o dimensionamento de instalações elétricas em baixa tensão e a NBR 5413 voltada ao dimensionamento da iluminação. sistema de aterramento inadequado. Na composição da fatura de energia elétrica.92. sabemos que parte dela acaba sendo necessária para manutenção do campo magnético em máquinas com enrolamentos. Ao fator que determina quanto da potência fornecida está gerando trabalho se dá o nome de fator de potência. .1 DIMENSIONAMENTO CORRETO DAS INSTALAÇÕES Existem normas específicas para o correto dimensionamento das instalações. dutos sobrecarregados. falta de critérios na divisão dos circuitos elétricos da instalação. Thinkstock ([20--?]) Figura 15 -  Projeto elétrico 4. com perdas internas excessivas devido ao di- mensionamento incorreto dos condutores.4. baixo fator de potência. Uma instalação inadequada pode se tornar ineficiente.4.2 FATOR DE POTÊNCIA O ideal seria que toda potência fornecida se transformasse em trabalho.

quando necessário. é a energia reativa a responsável pela manutenção do campo magnético que permite o funcionamento das máquinas que possuem enrolamentos. parte do fornecimento dessa energia se dá pela instalação de capacitores na instalação elétrica da unidade consumidora. pois exige maior potência fornecida pelo transformador e. que ficam aquecidos. já que uma corrente maior provoca uma queda de tensão maior nos circuitos elétricos da instalação. 4 SISTEMAS DE CONTROLE DE INSTALAÇÃO PREDIAL 45 Essa cobrança se dá na forma de reativo excedente. parte da energia reativa necessária é suprida pelo sistema de distribuição da concessio- nária e. . dada em quilowatt-hora e a potência reativa. fazendo com que a tensão que chega até a carga tenha um valor menor se comparada ao previsto para uma instalação com fator de potência adequado. uma maior corrente elétrica circulando pelos condutores. A qualidade da energia elétrica nas instalações também acaba sendo afetada. Dessa forma. VA) ( K nte e ar Potência ap ia reativa nc tê (KVar) Po Patricia Marcílio (2015) φ Potência ativa (KW) Figura 16 -  Triângulo das potências Fonte: Portal Grandes Clientes. DADES consequentemente. 2014 A razão pela qual as concessionárias exigem esse valor de fator de potência é simplesmente porque a potência a ser fornecida pelo sistema elétrico deve ser o resultado da soma vetorial da potência ativa. como os motores elétricos e transformadores. resultando em perdas. Se considerarmos que a potência ativa é a responsável pela realização de trabalho e é a energia cujo consumo compõe a fatura de energia (KWh). como vimos. O baixo fator de potência tem um impacto negativo também nas instalações CURIOSI internas. o ideal seria um fornecimento nulo de energia reativa. dada em quilovolt-ampere reativo. porém.

além de evitar o pagamento de energia reativa excedente fornecida pela concessionária. ou seja. Algumas propostas de instalação não eliminam o chuveiro elétrico.3 AQUECEDOR SOLAR Basicamente são duas as alternativas mais usuais de aquecedores: a gás e uso de painéis solares para uso da energia solar fototérmica. Thinkstock ([20--?]) Figura 17 -  Energia solar fotovoltaica O processo de aquecimento da água com energia solar fototérmica deve funcionar em conjunto com outro sistema de aquecimento. dá-se o nome de energia solar fotovoltaica. . é possível liberar mais carga do transformador. 4. Quando a energia solar é usada para geração de eletricidade. é possível racionalizar o uso do transformador alterando horários de funcionamento de determinadas cargas para horários com menor demanda e. desta forma. sem geração de energia elétrica. Quando o fator de potência de uma instalação é mantido adequado. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 46 Os dispositivos de proteção também são afetados pelo baixo fator de potência. toda a água fria que está na tubulação acaba sendo desperdiçada até a água aquecida chegar ao ponto de consumo. Em uma indústria. aquecimento da água pela ação direta dos raios solares. podem ocorrer desligamentos por sobrecarga nos condutores. quando se visualiza o comportamento diário da instalação elétrica através da ela- boração de uma curva de carga diária. manten- do assim a água aquecida dentro do reservatório isolado termicamente. pois com a água já previamente aquecida. o consumo de energia do chuveiro elétrico também reduziria bastante. Normalmente se instala um apoio elétrico para os dias chuvosos. ampliar a produção sem precisar aumentar a capacidade de transformação na subestação de energia elétrica. além de evitar certo desperdício de água. logo. haja vista sua atuação se dar em função da corrente que circula por eles.4. já que nos sistemas com reservatório de água quente. havendo um aumento do valor da corrente elétrica na instalação.

É importante que uma proposta para implantação de sistemas de aquecimento de água utilizando gás ou energia solar. ou regulando a temperatura do sistema de climatização de acordo com a ocupação do ambiente.5 % é devido ao uso do chuveiro elétrico. venha acompanhada de insumos que auxiliem o proprietário na tomada de decisão. 4. em média. . inclusive os de alta potência. a iluminação é aciona- da na medida em que o cômodo em uso deixa de receber iluminação natural. Logo. Da mesma forma. deve ser prevista também no projeto. 44. 4 SISTEMAS DE CONTROLE DE INSTALAÇÃO PREDIAL 47 Thinkstock ([20--?]) Figura 18 -  Energia solar fototérmica A preparação da instalação hidráulica para uso de sistemas de aquecimento de água alternativos aos sistemas tradicionais que fazem uso da energia elétrica. prin- cipalmente na questão da economia prevista no consumo de energia elétrica e do retorno do investimento. FIQUE Do consumo de energia elétrica em uma residência.5 AUTOMAÇÃO (CONTROLE CENTRAL OU REMOTO) A redução no consumo de energia elétrica em uma residência ou edifício pode ser alcançada através da utilização de programas de gerenciamento de energia que. a gestão sobre esse tema é fundamental quando se ALERTA busca eficiência energética no aquecimento da água. acionando mecanismos de controle de abertura das cortinas. mesmo que a decisão para o uso desses sistemas seja para o futuro. aliado a sensores e atuadores podem otimizar a utilização de todos os equipamentos. softwares monitoram a incidência de raios solares nos cômodos. por exemplo. No caso de residências inteligentes. permitindo um uso mais racional e inteligente da energia.

acionamento de sistemas de uso da água da chuva em residências e instalações prediais. a racionalização no uso da energia elétrica é fun- damental para obtenção de economia dos gastos com energia elétrica e. uma eventual ultrapassagem da demanda contratada. é comum o uso de controla- dores de demanda. preferindo a iluminação artificial . acionamento de apoio elétrico ao sistema de aquecimento solar. o melhor resultado será obtido com a conscientização das pessoas que usam as instalações diariamente. caso contrário. que monitoram a potência máxima absorvida do sistema de distribuição de energia elétrica. a penalidade imposta representa valores expressivos cobrados na fatura de energia elétrica. o conhecimento técnico do dimensionamento das instalações e das normas regulamentadoras do setor também é essencial. em determinadas modalidades tarifárias. o controle da demanda máxima da instala- ção não deve ultrapassar o valor contratado junto à concessionária. Como você sabe. destaca-se o uso da automação como uma excelente ferramenta de gestão e controle da instalação. um projeto arquitetônico que valorize o uso de iluminação natural de nada adiantará se as pessoas que fazem uso das dependências não a usarem. uma das primeiras ações a serem tomadas é trabalhar a mudança de comportamento das pessoas. Diante do cenário atual do setor elétrico no país. entre outros. Aliado a isso. evitando assim. pois. A automação também é uma excelente ferramenta na gestão da energia destinada ao uso de elevado- res em edifícios. que adiciona capacitores à instalação à medida que o fator de potência necessita de correção. Para a correta gestão da energia. com a instalação de banco de capacitores automáticos. principalmente. desligando de maneira automática algumas cargas previamente selecionadas. mesmo existindo opções técnicas que apresentem resultados favoráveis. a aplicação da automação pode ser verificada em mecanismos de controle do fator de potência. RECAPITULANDO Nesse capítulo vimos que muitas das soluções em eficiência energética devem ser planejadas na concepção dos projetos arquitetônicos. Assim. elétricos e hidráulicos. como contribuição para a sustentabilidade do meio ambiente. Porém. Por exemplo. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA 48 Na indústria.

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BOLZANI. Edições Técnicas. 2010. 7. Caio Augustus M. ISBN 858832525x.aneel. Instalações elétricas industriais. 2. 2007.gov.REFERÊNCIAS ANEEL.br . SÁ. Resolução Normativa nº 414/2010. Rio de Janeiro (RJ): LTC. ed. Porto: Publindustria. 2004. ed. São Paulo (SP): Livraria da Física. http://www. 914 p. João. André Fernando Ribeiro de. Residências inteligentes. ANEEL. ISBN 978-85-216-1520-0. MAMEDE FILHO. Guia de Aplicações de Gestão de Energia e Eficiência Energética. 332 p. Resolução Normativa nº 479/2012.

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A. Atua como Engenheiro Eletricista. 2000).MINICURRÍCULO DO AUTOR DANILSON AGNALDO MENDES WOLFF Engenheiro Elétrico Industrial pela Fundação Universidade Regional de Blumenau – (FURB. Atua como Instrutor de Projetos Elétricos Industriais. Projetos Elétricos Prediais. Celesc Distribuição S. 2000). Sistemas de Energia no SENAI de Jaraguá do Sul – SC desde 2003. . Especialista em Desenvolvimento Empresarial pela Universidade Federal de Santa Catarina. (UFSC. desde 1989. Gerente da Divisão de Distribuição na Instituição. Eletricidade.

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48. Estator 32. 26. 35. 25. Eficiência luminosa 43. 46. Horário fora de ponta 24. 30. 57 Fluxo luminoso 30. Tarifária horária verde 24. 23. 31. 49. 33. 15. 24. F Fator de potência 25. Energia solar fototérmica 36. 44. 50. 48. 26. 27. E Eficiência energética 9. 21. M Modalidade tarifária 20. 24. 23. 50. 29. 44. 21. Tarifa monômia 18 Tarifária horária azul 23. Horário intermediário I Iluminância 9. 47. 48. 25. 36. 17. 21. H Horário de ponta 20. . 37. 16.ÍNDICE C Curva de carga diária 20. Motores sobredimensionados 33 T Tarifa binômia 18.

Tratamento de Imagens Thinkstock Banco de imagens Patricia Marcilio Sara Costa de Oliveira Apoio Técnico de Avaliação Ellen Cristina Ferreira Patricia Marcilio Diagramação .SENAI – DEPARTAMENTO NACIONAL UNIDADE DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – UNIEP Felipe Esteves Morgado Gestor do Projeto Estratégico de Recursos Didáticos Nacionais Waldemir Amaro Gerente Sinara Sant’ Anna Celistre Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros Didáticos SENAI – DEPARTAMENTO REGIONAL DE SANTA CATARINA Mauricio Cappra Pauletti Diretor Técnico Selma Kovalski Coordenação do Desenvolvimento dos Livros Didáticos Danilson Agnaldo Mendes Wolff Elaboração Danilson Agnaldo Mendes Wolff Revisão Técnica Morgana Machado Tezza Coordenação do Projeto Ana Balbina Madeira Design Educacional Maristela de Almeida Pereira Martins Revisão Ortográfica e Gramatical Patrícia Marcílio Ilustrações.

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