Superior Tribunal de Justiça

HABEAS CORPUS Nº 418.986 - MT (2017/0255471-0)

RELATOR : MINISTRO RIBEIRO DANTAS
IMPETRANTE : JERFERSON SANTANA DA SILVA E OUTRO
ADVOGADOS : VICTOR THIAGO MARQUES OCHIUCCI - MT014495B
JEFERSON SANTANA DA SILVA - MT019102
IMPETRADO : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO
PACIENTE : AIRTON BENEDITO DE SIQUEIRA JUNIOR (PRESO)

DECISÃO

Trata-se de habeas corpus , com pedido de liminar, impetrado em favor de
AIRTON BENEDITO DE SIQUEIRA JUNIOR, em que se aponta como autoridade
coatora o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso.
Consta dos autos que o paciente teve sua prisão preventiva decretada pelo
Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, em decisão monocrática do
Desembargador Relator Orlando de Almeida Perri, na data de 27/09/2017, no âmbito dos
Autos de Representação de Prisão Preventiva e Busca e Apreensão nº. 121010/2017 – Apenso
aos autos de Inquérito Policial nº 87.132, em continuação das operações relativas ao
Grampolandia Pantaneira (e-STJ, fls. 126-285).
Neste writ, alegam os impetrantes:
a) ausência concreta dos requisitos legais: inexistência de gravidade concreta
do crime; inexistência de risco à instrução processual: fundamentação genérica e abstrata:
violação ao art. 93, IX, da CF/88: revogação imperiosa da ordem prisional.
b) ausência de deferimento da utilização de prova emprestada –
Compartilhamento de Provas – Requerimento da Autoridade Policial – Não análise do Poder
Judiciário.
c) ausência da manifestação do Ministério Público em pedido em autos de
Inquérito Policial – Ilegalidade – Alteração legislativa.
Aduzem que o paciente é funcionário público Oficial da Policia Militar do
Estado de Mato Grosso há mais de 23 anos, sendo que em todo o seu período como servidor
público, nunca teve nenhuma advertência que pudesse desabonar sua vida funcional, pessoal
ou sua honra. Destacam que ele possui em sua vida funcional 07 Elogios, 08 Medalhas, 07
Moções de Aplausos, sem ter nenhuma punição ou fato desabonador em sua ficha.
Ressaltam que "o crime, em tese, praticado pelo paciente não comporta a grave
ameaça e violência, sendo assim, que tais fatos não se deram, pelo próprio tipo do crime,
dessa forma, as consequências concretas do delito não exorbitaram dos limites normais, não
se tendo verificado qualquer incremento negativo e assaz reprovável" (e-STJ, fl. 19).
Salientam que o coronel da policia militar Airton Benedito Siqueira Junior
encontra-se afastado das funções de Secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos de
Mato Grosso. "Assim, inexistem, realmente, elementos concretos indicativos de que a
concessão da liberdade colocará em risco a incolumidade social local, bem como a
credibilidade do Poder Judiciário" (e-STJ, fls. 31-32).
Pugna, liminarmente, pela imediata soltura do paciente. Subsidiariamente, seja
revogada a preventiva, substituindo-a por medidas cautelares alternativas.
No mérito, requer "a concessão da ordem para o fim de revogar a prisão
preventiva do paciente, confirmando-se o mérito da demanda pela ausência dos requisitos
ensejadores da prisão preventiva, com a confirmação da medida liminar e de seu alvará de
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soltura" (e-STJ, fl. 74).
É o relatório.
Decido.
A concessão de liminar em habeas corpus constitui medida excepcional, uma
vez que somente pode ser deferida quando demonstrada, de modo claro e indiscutível,
ilegalidade no ato judicial.
Na espécie, sem qualquer adiantamento do mérito da demanda, não vislumbro,
ao menos neste instante, a presença dos pressupostos autorizativos da tutela de urgência.
De início, verifico que o exame e reconhecimento da nulidade apontada se
confunde com o próprio mérito do mandamus , razão pela qual deverá ser analisada em
momento oportuno, quando serão minuciosamente examinados os fundamentos embasadores
da pretensão.
Na decisão impugnada, a prisão cautelar do paciente foi decretada sob a
seguinte motivação:

Apesar de não denunciado pela prática dos crimes militares, há indícios
fortíssimos da participação do Cel. PM Aírton Benedito de Siqueira Júnior
na organização criminosa.
Consoante destaquei no voto proferido nos autos da Ação Penal n.
87031/2017 - durante o recebimento da peça acusatória a situação do Ccl.
PM Siqueira Júnior se afigura idêntica à do Ten. CeL PM Januário Antônio
Edwiges Batista, uma vez que foi ele quem arregimentou a 3o Sgt. PM
Andréa Pereira de Moura Cardoso para aluar no fictício Núcleo de
Inteligência da Polícia Militar, onde serviu por um ano.
Enfatizo, também, que a referida graduada - quando chamada para atuar na
inteligência da Polícia Militar, sob a chefia do Cel. PM Zaqueu Barbosa e
orientação do Cb. PM Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior exercia suas
funções no CIOPAER (Centro Integrado de Operações Aéreas), sob O
comando e subordinação do Cel. PM Siqueira, que a convocou para a
missão.
Há nos autos, ainda, indícios seguros de que o Cel. PM Siqueira Júnior não
apenas sabia da existência do inventado Núcleo de Inteligência da Polícia
Militar, como dele participou com a cessão da Sgt. Andréa, para ficarmos no
mínimo dos mínimos.
Esse fato tem indicação nas palavras da própria Sargento Andréa, ao revelar
que, sendo recrutada para o Núcleo de Inteligência ainda no ano de 2014,
nele permaneceu até novembro de 2015, "guando recebeu uma ligacão de
Gerson e este disse para a declarante se apresentar na CASA MILITAR, na
pessoa do Cel. PM Siqueira Júnior, então Secretário-Chefe da Casa Militar;
que após a apresentação o Cel. PM Siqueira Júnior disse à mesma que o
serviço que a mesma estava desenvolvendo, de inteligência, estava
encerrado, e iria designar para trabalhar internamente na Casa Militar" [fls.
885/888 dos autos do Inquérito Policial Militar n. 66673/2017].
Essa contundente afirmação mostra, a quem quiser ver, que o Cel. PM
Siqueira não apenas sabia da existência do Núcleo, como dele participou
com a cessão da militar que estava sob suas ordens e subordinação.
Daí a afirmação da Sgt. Andréa, no sentido de que ele [Cel. PM Siqueira]
lhe disse que o serviço que a mesma estava desenvolvendo, de inteligência.
estava encerrado. e iria designá-la para trabalhar internamente na Casa
Militar".
E mantendo-a sob suas asas, poderia controlá-la, como, aliás, fizeram com a
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Cap. PM Cláudia Rodrigues Gusmão, ouvida às fls. 2214/2215 do IPM n.
66673/2017, que serviu na Casa Militar no período de janeiro a outubro ou
novembro de 2015, e que foi interceptada ilegalmente entre os meses de
julho, agosto e setembro de 2015 - logo após a saída do Cel. PM Ribeiro
Leite da Chefia da Casa Militar, ocorrida em agosto de 2015 -, com a
finalidade de saber se ela tinha conhecimento do esquema de grampos ou se
ela estava repassando informações sigilosas para terceiros.
Temos, ainda, a situação da Mai. PM Valéria Fleck [fls. 2216/2218 - IPM n.
66673/2017], que trabalhou no GAECO no período de dezembro de 2011 a
fevereiro de 2016, e foi interceptada em setembro de 2015. Ela trabalhou
diretamente com o Ch. P Gerson e com o Cb. PM Torezan de 2014 até sua
saída, e seu "pecado" - para ser interceptada clandestinamente - ao que
parece, foi apontar erros grosseiros na documentação produzida pelo Cb.
PM Gerson e, de modo peremptório, ter aludido à diversas faltas ao trabalho
do Cb. PM Gerson, que nessa época se dedicava, em tempo integral, ao
serviço do fictício Núcleo de Inteligência da PM MT.
Não podemos olvidar, ainda, que a cessão da Sgt. Andréa deu-se para
atender a demanda do refalsado Núcleo de Inteligência.
E sabia ele que os serviços foram suspensos, porque houve necessidade de
se desmontar o Sistema, em razão de o esquema criminoso haver sido
descoberto, como veremos adiante.
O interessante, para não dizer surreal, é que foi o Cb. Gerson quem
determinou que a Sgt. Andréa se apresentasse à Casa Militar - já comandada
pelo Cel. Siqueira Júnior -, e não mais à CIOPAER, onde estava
originariamente lotada.
Tudo isso ocorreu em ocasião próxima à suspensão do funcionamento do
Sistema Sentinela na Empresa Titânia - ocorrida em outubro de 2015 - após
o Promotor de Justiça Mauro Zaque anunciar ao Cel. PM Siqueira e ao Cel.
PM Zaqucu, em sua residência, saber da existência da "grampolândia
pantaneira". quando pediu-lhes que solicitassem exoneração de seus cargos
em razão do envolvimento deles nas interceptações telefônicas clandestinas.
Parece, entretanto, que havia um propósito claro e inequívoco do grupo em
não incriminar o Cel. Siqueira Júnior, que deveria permanecer não apenas
fora de qualquer investigação, mas em liberdade para que, como Secretário
de Estado, homem forte do Governo pela importância da pasta que ocupa,
ficar com as mãos livres para articular em nome e em favor da organização
criminosa.
E isso transparece nitidamente no testemunho do Ten.Cel. Soares, que
revelou que o simples indiciamento do Cel. PM Siqueira, iria "fragilizar o
grupo", e que a prisão dele "não poderia ocorrer de forma alguma ", tanto
que recebeu a seguinte ordem imperativa do Cel. PM Lesco: "faça o que
tiver que ser feito, mas não deixe acontecer".
Tão evidente foi a participação do Cel. PM Siqueira na organização
criminosa que até o Ten.-Cel. Soares, iletrado no mundo jurídico, viu
efetivos elementos da participação dele na organização criminosa.
Todos viram elementos para o indiciamento e denúncia, inclusive o Cel.
Catarino, Encarregado do IPM, que pediu ao Ten. Cel. Soares que
formalizasse uma representação pela prisão do Cel. PM Siqueira. Contudo,
em razão da ordem enfática do coator Lesco, o coagido "enrolou" c fez o
pedido cair no esquecimento.
Todos viram, menos o Ministério Público.
A tudo isso acresce ainda o diálogo - gravado em áudio - entre o Ten.-Cel.

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Soares e o Cel. Lesco, onde este, falando sobre o inquérito suplementar, que
aprofunda no recolhimento de provas no IPM, diz abertamente que ELE
(Cel. Siqueira) tem participação e por isso deve ficar... uma viagem muito
psicodélica, né cara", em referência ao deslocamento do Cel. Catarino para
Rondonópolis, onde auscultaria vários policiais militares.
[...]
No dizente aos atuais Secretários de Estado de Segurança Pública, Rogers
Elizandro Jarbas e de Justiça e Direitos Humanos, Cel PM Airton Benedito
Siqueira Júnior, a prisão se patenteia imprescindível para a garantia da
ordem pública, pois, permanecendo no exercício dos seus cargos, por certo
continuarão a praticar os mesmos e outros delito.
Não é por outra razão a preocupação do grupo com uma provável prisão do
Cel. PM Siqueira, que, já salientado algures, precisa livrar-se solto para
atuar em favor dos integrantes que estão com a liberdade de locomoção
cerceada ou limitada, conforme seguinte passagem, que torno reproduzir:
“QUE LESCO perguntou sobre a prisão do CEL SIQUEIRA; que também
LESCO solicitou que não houvesse novos indiciamentos, que dizia que isso
iria fragilizar o grupo; Que o depoente disse que o CEL Catarino havia
pedido para começar a fazer essa representação de prisão, tendo Lesco dito
que essa prisão não poderia ocorrer de forma alguma; Que dizia: “faça o que
tiver eu ser feito, mas não deixe acontecer [...]; Que o depoente se recorda
que em uma das conversas que teve com o Cel Lesco, ele deixou bem claro
que não poderia sair a prisão do Cel PM Siqueira, que o depoente deveria
fazer o que pudesse para evitar essa prisão, dando a entender que o Cel
Siqueira também fazia parte do grupo [...]”.
A toda evidência, a expressão “enfraquecer o grupo” somente pode ser
compreendida como perda do poder, da influência exercida pelo Cel PM
Siqueira, que, como Secretario de Estado, diretamente ligado ao Governador
do Estado, teria toda liberdade e poder para determinar os rumos da
organização criminosa, blindando-a de possíveis represálias que possam vir
a sofrer, inclusive, a partir de investigações policiais.
A propósito, pelo que se extraem dos documentos encartados aos atos, o Cel
PM Siqueira incorporou o cargo ostentando, chegando a dizer, em
determinada situação, que, por ser do Governo, estaria imune a qualquer
tipo de penalidade ou represália, consoante se infere do depoimento
prestado pelo Ten-Cel Aluisio Metelo Junior:
“Que com relação ao noticiado na imprensa de Barra do Garças referente a
uma noticia onde ‘DOIS OFICIAIS DE ALTA PATENTE DA POLICIA
MILITAR TERIA SE ESTRANHADO; esclarece que o fato ocorreu entre
Cel Airton Siqueira e o depoente [...] Que Cel Siqueira insistia em dizer que
o depoente deveria procurar seu irmão e conversar para que eles alinhassem
os depoimentos, pois temia que esta investigação [Lucas do Rio Verde]
pudesse não acabar bem; Que o depoente pedia para ele se afastar pois Cel
Siqueira conversava de forma próxima ao depoente; Que o depoente insistia
que não tinha conhecimento dos fatos e que não iria se envolver; Que o Cel
Siqueira começou a se exaltar dizendo ‘ a gente vai ser dar mal nessa
história, mas eu sou do Governo e vocês vão quebrar a cara’; Que o
depoente respondeu que também fazia parte do Governo, e que não estava
entendendo o que ele estava dizendo com “EU SOU DO GOVERNO”; Que
neste momento o depoente percebendo que o Cel Siqueira estava se
exaltando, pediu para que ele ligasse direta mente para seu irmão quando o
mesmo respondeu que ‘VOCÊ NÃO ESTÁ ENTENDENDO, EU ESTOU

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NO GOVERNO, É ELE QUEM DEVE ME PROCURAR, SENÃO EU
VOU FUDER ELE [...]. [DOC 5].
Não pertencesse ele ao grupo, por certo que não haveria preocupação em
livrá-lo até do indiciamento no IPM.
Percebe-se que a posição ocupada pelo Cel. PM Airton Benedito Siqueira
Junior é estratégia para o sucesso da organização criminosa, uma vez que
está a frente de uma das principais pastas do alto escalão do Governo do
Estado, no caso, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos.
Seria mesmo trágico para o grupo que a Justiça manietasse o Cel. PM
Siqueira, o que provavelmente impossibilitaria ou dificultaria as suas ações,
inclusive relacionada a obstrução da justiça.
[...]
Além do risco concreto de reiteração na prática de delitos, entendo que a
prisão preventiva dos envolvidos se patenteia igualmente imprescindível
para assegurar a integridade física e moral não só da testemunha, Ten-Cel
José Henrique Costa Soares, como também de seu filho, porquanto há base
empírica a comprovar que o grupo sabe que ela não está interessada em dar
continuidade ao plano outrora arquitetado, consoante se extrai de seu
depoimento gravado pelo sistema áudio visual, em 18/09/2017:
“não se pode perder de vista que se tratam de pessoas com grande poder de
influência dentro das forças do Estado, uma vez que ocupam, por si e por
longa manus, cargos de maior relevância no atinente à segurança pública.
Estamos a falar de Secretário de Segurança Pública; de Secretário de Justiça
e Direito Humanos, Ex-Secetário-Chefe da Casa Militar,
Ex-Secretário-Chefe da Casa Civil, Ex-Comandante da Policia Militar,
pessoas ligadas ao GAECO, etc.
A força de intimidação é clara e manifesta.
Veja o exemplo do Major Barros e do Cabo Raphael que foram intimidados
e ameaçados porque depuseram contra os interesses do Cel Siqueira e de
Paulo Cezar Zamar Taques, no episódio de Lucas do Rio Verde.
[...]
Por isso, há indicações fortes no sentido de que agiram em desforra e
ameaça às declarações que o Maj. PM Barros e o CB PM Raphael prestaram
no Inquérito nº. 87.131/2017.
E mais uma vez, formularam denúncia diretamente ao Secretário de
Segurança Pública, Rogers Elizandro Jarbas – e não à Corregedoria-Geral da
Policia Militar de ato Grosso – que determinou apuração dos fatos.
[...]
E tem ainda a contumélia, a patranha, a pantomima farfalhada no Inquérito
Policial Militar, onde o Cel PM Siqueira, lançou-me a assacadilha de
também haver feito “barriga de aluguel” na minha passagem pela
Corregedoria-Geral de Justiça.
A intenção foi claramente provocar minha suspeição no processo, quando
não, constranger-me a continuar na direção das investigações.
[...]
O comportamento do Cel. PM Siqueira é bem retratado pela autoridade
policial na sua representação, verbis:
"Ainda, logo após esse episódio, durante oitiva no Inquérito Policial Militar,
o investigado CEL. AÍRTON BENEDITO DE SIQUEIRA JÚNIOR lança
diversas acusações em relação a terceiros, inclusive no intuito de macular
imasem do Desembargador ORLANDO PER RI, tentando imputar-lhe um
fato criminoso. E mais, lança mão de expediente no intuito de desacreditar

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policiais militares, particularmente o MAJ. BARROS, o qual trouxe
elementos a uma suposta interceptação clandestina que teria ocorrido
durante as últimas eleições municipais em Lucas do Rio Verde, também
ressaltamos que tais fatos são objeto de outro inquérito policial. Ressalta-se,
aqui, o advogado do CEL. SIQUEIRA, à época desse depoimento, era
PAULO TAQUES, que inclusive o acompanhou nessa oitiva.
Nesse episódio, não é demais trazer à baila o ocorrido no município de
Barra do Garças, onde CEL. SIQUEIRA teria tentado recrutar o CEL. PM
ALOÍSIO METELLO, dizendo que ele (SIOUElfLA) e o irmão de
ALOÍSIO ICÉSAR GOMES METELLO] deveriam talinhar' os depoimentos,
momento em que teria surgido um atrito entre ambos em razão do CEL. PM
ALOÍSIO METELLO demonstrar não comungar de referido expediente ".
Outro ponto que demonstra o poderio e a influencia do grupo criminoso, é a
relação de proximidade entre o Cel. PM Siqueira e o atual Corregedor da
PM, Cel. PM Carlos Eduardo Pinheiro da Silva, já destacada linhas atrás.

Em princípio, a decisão constritiva está devidamente fundamentada consoante
determina o art. 312 do CPP, pois foram indicados elementos concretos que demonstram a
necessidade do acautelamento social, bem como a conveniência da instrução criminal.
Vale lembrar, ainda, que, ao paciente foi atribuída a prática, em tese, dos
Crimes de organização criminosa [art. 2º, da Lei n. 12.850/2013], de embaraço à investigação
de infração penal que envolva organização criminosa [art. 2º, § 1°, da Lei n. 12.850/2013], de
coação no curso do processo [art. 344, CP], de corrupção ativa [art. 333, CP], de denunciação
caluniosa, em sua modalidade tentada [art. 339, CP], cujas penas máximas somadas
ultrapassam quatro anos de reclusão, sendo admitida a decretação da prisão cautelar nos
termos do art. 313, I, do CPP.
Assim, indefiro o pedido de liminar.
Solicitem-se, com urgência, informações à autoridade apontada como coatora,
bem como senha processual, preferencialmente por meio eletrônico, no prazo de 5 dias.
Após, encaminhem-se os autos ao Ministério Público Federal.
Publique-se. Intimem-se.
Brasília, 03 de outubro de 2017.

Ministro RIBEIRO DANTAS
Relator

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