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A DAMA DE XANGAI
N.º 5 v Maio 2010 www.exameangola.com 700 kz

É o maior investimento de
sempre, para a maior exposição
de sempre. A antiga ministra
dos Petróleos explica o que
Angola vai ganhar com a
exposição mundial
ALBINA
ASSIS,
comissária
nacional
da Expo
Xangai 2010
Entrevista Muhammad Yunus v Imobiliário 10 milhões por um duplex v Marketing Luxo verde
ESPECIAL
MICROCRÉDITO
Como o Banco Sol, BPC
e BAI Micro Finanças
querem dinamizar
o sector
maio 2010 | 3
CartadoDirector
CréDito a quem
não tem CréDito
a
banalização do crédito bancário é uma
das imagens de marca da sociedade con-
temporânea. Apesar da crise fnanceira
que assolou o planeta, anúncios cor-de-rosa con-
tinuam a prometer-nos dinheiro para comprar
este mundo e o outro. Casas, mobílias, electro-
domésticos, carros ou férias de sonho estão à dis-
tância de uma simples visita à agência bancária
mais próxima.
Se nos dias que correm, em quase todo o mundo, obter crédito para comprar
não importa o quê é fácil, por vezes demasiado fácil, as franjas mais vulneráveis
da sociedade que recorrem aos bancos para pedir um pequeno empréstimo
para criar ou manter o seu próprio emprego esbarram com um sem-número
de obstáculos. Se, além de pobre, quem necessitar do crédito for mulher, as
coisas pioram.
Sem acesso aos bancos, muitos dos muito pobres que precisam de meia dúzia
de tostões para trabalhar acabam por cair nas mãos de agiotas sem escrúpulos
que cobram juros exorbitantes.
A ausência de garantias e o facto de os empréstimos envolverem quantias
muito baixas — que não cobrem sequer os custos com a papelada — são as
duas principais razões que fazem com que os bancos rejeitem dar a mão a pes-
soas a quem a vida virou as costas.
Para quebrar este ciclo vicioso em que milhões
de pobres não têm acesso ao crédito, porque são
pobres e não conseguem sair da pobreza porque
ninguém lhes dá crédito, Muhamad Yunus criou,
em 1974, no Bangladesh, seu país natal, um novo
modelo de negócio bancário. Trata-se do mi-
crocrédito, que consiste em emprestar pequenas
quantias a pessoas com competências profssio-
nais para criarem o seu próprio emprego, mas
que por alguma razão não têm acesso aos canais
bancários tradicionais.
Ao longo de quase 40 anos, o trabalho de Yu-
nus, laureado em 2006 com o Prémio Nobel da
Paz, provou que emprestar dinheiro aos pobres
numa óptica comercial é possível. Os pobres que
benefciam do microcrédito sabem que o auto-emprego é o passaporte para
saírem da pobreza e por isso são os primeiros interessados em pagar os emprés-
timos que obtêm. Esta é a principal garantia para quem lhes concede crédito.
O pai do microcrédito esteve em Luanda, no fnal de Abril, para partilhar
com os angolanos a sua experiência e deixar uma mensagem muito clara: o
acesso ao crédito é um direito de todos e não um privilégio de alguns consu-
mistas compulsivos. Como prova o especial que publicamos nesta edição, a
semente lançada por Yunus começa a dar frutos em Angola. Ainda bem! b
O acesso
ao crédito
é um direito
de todos e não
um privilégio
de alguns
consumistas
compulsivos
carlos rosado de carvalho
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carlos rosado de carvalho
Director:
Carlos Rosado de Carvalho
(carlosrosado@exameangola.com)
Director Executivo: Jaime Fidalgo
(jaimefdalgo@exameangola.com)
Editores: Faustino Diogo
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Assistente de Redacção: Ninette Figueiredo
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Herculano Coroado, Manuel Cruz, Mário Paiva (texto)
António Martins (revisão); Kamene Traça (fotografa),
Jorge Ribeiro e Frederico Fernandes (infografa)
e Horácio Dá Mesquita (caricatura)
Colaboraram nesta edição: Camila Fusco, Felipe Carneiro,
Giulliana Napolitano, João Wenger Grando, José Roberto
Caetano, Luiza Dalmazo, Mariana Barbosa, Tatiana Gianini
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nEGÓCIOS
34 Imobiliário A Torre Ambiente tem 120 metros de altura e uma vista
magnífca sobre Luanda. O T5 duplex custa 10 milhões de dólares
40 EstratégiaHá 18 anos tinha apenas duas empresas. Hoje, o
Progroup tem 11 fliadas, entre as quais, a mediadora Proimóveis
GlObal
46 Índia Os irmãos Ambani são dois dos homens de negócios mais
ricos do mundo. A zanga entre os dois é igualmente lendária
50 Europa Em 2005, eram conhecidos como os “Tigres do Báltico”.
Hoje, Estónia, Letónia e Lituânia ainda estão a braços com a crise
GEStãO
54 Microcrédito/Seminário Muhammad Yunus, Nobel da Paz, veio
a Luanda explicar como o conceito já tirou milhões da pobreza
62 Microcrédito/Entrevista O novo livro de Yunus é sobre a chegada
dos negócios sociais. A Danone e a Adidas são dois casos pioneiros
72 Microcrédito/BPC Em parceria com a World Vision, o BPC criou
bancos comunitários que já mudaram a vida de 5 mil famílias
78 Microcrédito/SOLFoi a primeira instituição de microcrédito do país.
Este ano tem 20 milhões de dólares para apoio aos pequenos negócios
80 Microcrédito/BMFNasceu em 2009, fruto da parceria entre o maior
banco a operar em Angola, o BAI, e a maior petrolífera, a Chevron
markEtInG
82 Consumo A McDonald’s já não quer ser associada ao fast-food.
Agora oferece lojas e serviços diferenciados para cada mercado
84 Ecologia As marcas do luxo — como a Cartier, a Louis Vuitton ou
aBentley — renderam-se ao marketing verde para conquistar clientes
fInançaS
90 Perfl Chamam-lhe “a Oprah das fnanças”. Suze Orman ensina às
mulheres os segredos do investimento e tornou-se uma celebridade
tECnOlOGIa
92 Twitter Dizem que é uma espécie de SMS da internet. A rede social
tem 105 milhões de utilizadores e quer bater o Google e o Facebook
lIvrOS
96 Petróleo Peter Maas explica o que é a “maldição do ouro negro”
SECçõES
Editorial 3
Cartas 8
Primeiro Lugar 10
Grandes Números 18
Mundo Plano 44
Gestão Moderna 53
Gestão 2.0 70
Dinheiro Vivo 88
Exame Final 98
REVISTA mEnSAl — AnO 1 — n.
O
5 — mAIO DE 2010
TIRAGEm DESTA EDIÇÃO: 10000 EXEmPlARES — FOTO DE cAPA:kaMEnETraça
62
Muhammad
Yunus gostava
de abrir um
Grameen Bank
em Angola
40
João Venichand
e José Luis de
Carvalho: capital
100% angolano
72
Microcrédito:
as mulheres
são mais sérias
e gerem melhor
as poupanças
maio 2010 | 5
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20
As esculturas
do Mestre
Makiese têm
lugar de honra
no pavilhão
Capa
20 aLBInaaSSISA comissária nacional acredita que esta vai ser
a melhor participação de Angola numa exposição mundial.
Conheça a equipa que está a zelar pela imagem do país
30 EXPOXanGaIDizem que Xangai é a sala de visitas da China.
Saiba o que mudou na cidade, devido à organização deste evento
30
A expo Xangai
já é a maior de
sempre. Q uer
ter 70 milhões
de visitantes
J
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Cartas&e-mails
Quero dar os parabéns a toda a vossa equipa
pelo excelente trabalho que estão a fazer
na revista EXAME. O mercado angolano
estava ávido por um periódico com a qua-
lidade apresentada e que já pode ser con-
siderado um sucesso.
António Botto
Escritor/Jornalista
Felicito-vos pela revista EXAME, uma ini-
ciativa de grande relevância para o jorna-
lismo económico em Angola.
Carlos José Silva
CEO do Banco Privado Atlântico
Publicação de referência
Os maiores votos de sucesso para a revista
EXAME. Acredito que rapidamente se tor-
nará, uma publicação de referência no meio
empresarial angolano.
Ricardo Silva
Chairman Zenki Group Angola
Os nossos sinceros parabéns, pelo lança-
mento desta importante revista de econo-
mia e negócios em Angola.
Luís Lélis
Banco BAI
Para a equipa e para a revista votos de sucesso
Emídio Pinheiro
Presidente do BFA
Desejos do maior sucesso neste novo lan-
çamento da revista EXAME.
Munir Aly
Comandante Gika
A edição angolana da EXAME só vem con-
frmar a qualidade da revista que todos nós
conhecemos, mas, agora com o nosso cunho
e sobre a nossa economia e mercado. Esta-
mos todos de parabéns. Ganhou a revista,
os leitores e, sem dúvida, ganhou o país.
Inokcelina dos Santos
Directora coordenadora do BAI
Estou certo de que a revista EXAME será
um êxito em Angola.
Mario Plácido Cirilo de Sá Ita
Adorei a revista. Notei algumas, ligeiras,
confusões de nomes. Votos de muitos suces-
sos neste novo empreendimento.
Teresinha Lopes
FBSL – Advogados
Estou certo do maior sucesso da EXAME,
num mercado em que somos cada vez mais
interpelados para a qualidade.
Manuel Gonçalves
Presidente da ENSA
Ler com um sorriso
Li com um sorriso no rosto a “nossa” revista
EXAME. Os meus parabéns, pela edição
de algo mais do que uma revista, mas, sim,
um merecedor destaque para o sector fnan-
Parabéns, pela excelente iniciativa que tiveram em representar e publicar
a realidade económica angolana e não só, nesta que é já há muito e em bons
lugares como uma das melhores vias de informação (a revista ExamE).
a maneira como os assuntos têm sido expostos é espectacular, a linguagem
é tecnicamente clara e digerível para quem a lê. O nível de qualidade também
está num excelente patamar. Espero que, tal como sucedeu até agora, todas
as edições do vosso bom trabalho se continuem a pautar pela imparcialidade
e pela crítica racional. Espero num futuro próximo poder ser assinante desta
vossa revista e recebê-la sempre “quentinha”.
Josino Samora
Licenciado em Relações Internacionais
SEMPRE “QUENTINHA”
DinheiroVivo
Conselhos e diCas que interessam à sua Carteira
RANKING DOSBILIONÁRIOS
todos os anos a revista Forbes divulga a lista dos homens mais
ricos do mundo. invariavelmente Bill Gates e Warren Buffett
alternam-se na liderança. mas, na última listagem, relativa a
2009, ambos foramultrapassados pelo empresário mexicano
Carlos slim, que construiu umimpério na telecomunicações.
a sua fortuna ultrapassa o PiB de mais de 100 países no mundo
(igual ao de angola em2007). os investimentos mais sonantes
de Carlos slimhelú são as empresas telmex e américa móvil.
nos dez primeiros estão dois indianos, mukesh ambani, líder
da maior empresa do país, a reliance industries, e lakshmi
mittal, fundador da arcelor mittal, a maior empresa de aço do
mundo. lawrence ellison, o presidente da oracle, caiu para
o sexto lugar. Provando que o sector do luxo é imune às crises,
o presidente da lVmh, Bernard arnault, dona de marcas como
Os homens mais ricos do mundo…
Mukesh AMbAni
Fortuna: 29 mil milhões
Sector: Petroquímica, petróleo e gás
Idade: 52 anos
Nacionalidade: indiana
Residência: Bombaim (Índia)
Estado civil: Casado, três filhos
… e as dez mulheres
mais afortunadas
WArren buffett
Fortuna: 47 mil milhões
Sector: Fundo de investimento
Idade: 79 anos
Nacionalidade: norte-americana
Residência: omaha (nebraska)
Estado civil: Viúvo, três filhos
bill GAtes
Fortuna: 53 mil milhões
Sector: informática (microsoft)
Idade: 54 anos
Nacionalidade: norte-americana
Residência: medina (Washington)
Estado civil: Casado, três filhos
Warren
buffett
47
mIl mIlhõES
3.º
bill
Gates
53
mIl mIlhõES
2.º
4.º
Valores emdólares. Fonte: revista Forbes.
lAkshMi MittAl
Fortuna: 28,7 mil milhões
Sector: aço
Idade: 59 anos
Nacionalidade: indiana
Residência: londres (inglaterra)
Estado civil: Casado, dois filhos
birGit rAusinG
Fortuna: 13 mil milhões
Sector: embalagens (tetra laval)
Nacionalidade: sueca
AbiGAil Johnson
Fortuna: 11,5 mil milhões
Sector: seguros (Fidelity)
Nacionalidade: norte-americana
iris fontbonA
Fortuna: 11 mil milhões
Sector: mineiro (antofagasta)
Nacionalidade: Chilena
Anne Cox ChAMbers
Fortuna: 10 mil milhões
Sector: Media e telecom (Cox)
Nacionalidade: norte-americana
susAnne klAtten
Fortuna: 11,1 mil milhões
Sector: automóvel (BmW)
Nacionalidade: alemã
JACqueline MArs
Fortuna: 11 mil milhões
Sector: alimentar (mars)
Nacionalidade: norte-americana
sAvitri JindAl
Fortuna: 20 mil milhões
Sector: aço e energia (Jindal Group)
Nacionalidade: indiana
bernArd ArnAult
Fortuna: 27,5 mil milhões
Sector: luxo (lmVh)
Idade: 61 anos
Nacionalidade: Francesa
Residência: Paris
Estado civil: Casado, cinco filhos
AMAnCio orteGA
Fortuna: 25 mil milhões
Sector: Vestuário (Zara)
Idade: 74 anos
Nacionalidade: espanhola
Residência: la Coruña
Estado civil: Casado, três filhos
kArl AlbreCht
Fortuna: 23,5 mil milhões
Sector: distribuição (aldi)
Idade: 90 anos
Nacionalidade: alemã
Residência: mulheim an der ruhr
Estado civil: Casado, dois filhos
eike bAtistA
Fortuna: 27 mil milhões
Sector: minérios e petróleo
Idade: 53 anos
Nacionalidade: Brasileira
Residência: rio de Janeiro
Estado civil: divorciado, dois filhos
lAWrenCe ellison
Fortuna: 28 mil milhões
Sector: informática (oracle)
Idade: 65 anos
Nacionalidade: norte-americana
Residência: Califórnia
Estado civil: Casado, dois filhos
5.º
4.ª
5.ª
7.ª
9.ª
6.ª
8.ª
10.ª
7.º
9.º
10.º
6.º
8.º
Christy WAlton
Fortuna: 22,5 mil milhões
Sector: distribuição (Wall mart)
Nacionalidade: norte-americana
1.ª
lilliAne bettenCourt
Fortuna: 20 mil milhões
Sector: Cosmética (l’oréal)
Nacionalidade: Francesa
3.ª
AliCe WAlton
Fortuna: 20,6 mil milhões
Sector: distribuição (Wall mart)
Nacionalidade: norte-americana
2.ª
76 | www.exameangola.com abril 2010 | 77
Omeu objectivo é destronar o Bill Gates emcinco anos.
OBrasil temser o número umda lista da Forbes.
Eike Batista, na altura da divulgação da listagemda revista Forbes de 2009
a louis Vuitton, dior e moet &Chandon, subiu oito lugares e
ocupa a sétima posição, à frente do milionário brasileiro eike
Batista, dono da empresa de petróleo e gás oGX. os veteranos
amancio ortega, fundador do grupo galego inditex (que,
entre outras, detéma Zara) e o alemão Karl
albrecht, da grossista aldi, completam
a lista de 2010. CArlos sliM
Fortuna: 53,5 mil milhões
Sector: telecomunicações
Idade: 70 anos
Nacionalidade: mexicana
Residência: Cidade do méxico
Estado civil: Viúvo, seis filhos
Carlos
slim
53,5
mIl mIlhõES
1.º
luis aCosta ©aFP
diVulGação
Carlos Barria ©reuters
maio 2010 | 9
ceiro com o relevo que merece no nosso
país após provas dadas de recuperação.
Alexandre Diniz
Think Positive
Os meus calorosos parabéns. EXAME
Angola fcou linda, interessante, empol-
gante, fruto do competentíssimo trabalho de
todos vocês. Desejo sucesso na trajectória.
Cláudia Vassalo
Directora da EXAME Brasil
Os maiores sucessos à empreitada da
revista EXAME e à sua liderança do mer-
cado. Como angolano, sinto-me honrado
pelo surgimento de iniciativas que digni-
fquem o nosso país, trazendo boas práti-
cas e métodos ao nosso mercado.
Mário Cruz
Director do BPA
Irmã brasileira e portuguesa
Apreciador da revista EXAME, tanto da ver-
são brasileira, quanto da portuguesa, fco
satisfeito com o arrojo do grupo MediaNova
em lançar a edição angolana. Demonstra
a viabilidade do mercado e a necessidade
de diversifcar a oferta.
Norberto Benjamim
Funcionário Público
Parabéns, pela revista EXAME. Está mesmo
muito boa, editorialmente, comercialmente.
Ian Levy
Founder, CEO
TailorMade Media
Parabéns, por terem trazido a revista
EXAME para Angola!
Abigail Dressel
Chefe do Gabinete de Imprensa e Cultura
Embaixada dos
Estados Unidos da América
A sua opinião é importante!
Envie as suas sugestões e críticas para:
info@exameangola.com
O consultor
Vicente Falconi
EspEcial—amãE dE todas as bolhas vEmporaí?
www. exame. com. br
O guru do Brasil
EDI ÇÃO 957 Nº- 23 2/12/2009 ANO 43 R$ 12,00
JAmIE DImON,
o maior banqueiro
da atualidade, fala a
EXAmE: “Emergente?
Não. O Brasil já
emergiu”
Edição Quinzenal
Bomsenso, metas, resultados, meritocracia. Comuma fórmula óbvia —mas
efciente —, o consultor Vicente Falconi se tornou uma espécie de oráculo de
alguns dos maiores empresários do país. Entenda por que Jorge Paulo Lemann,
Jorge Gerdau e Pedro moreira Salles escutamquando ele fala
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PrimeiroLugar
angola essencial. pequenas notícias sobre um grande país
A marca de cerveja já existe há 34 anos e é
das que têm maior notoriedade em Angola.
A cerveja é produzida na Huíla, sendo uma
referência no sul de Angola, onde estão os
consumidores mais fieis. Segundo eles a
N’Gola é uma cerveja especial porque é
produzida com a água captada na nascente
da fenda da Tundavala.
Foi decerto a pensar nisso que os donos –
o grupo sul-africano Sabmiller, um dos
maiores do mundo, detentor, entre outras,
das cervejas Miller, Castle, Peroni e Grolsch
– decidiram apostar forte na N´Gola e
transformar a marca regional em nacional.
Segundo os responsáveis, a fórmula da
cerveja manteve-se inalterável. O que
mudou foi a embalagem e o logotipo.
O objectivo é, numa primeira fase, ganhar
quota de mercado em Luanda e nas
províncias do Norte. Numa segunda fase
chegar a todas as províncias. Faz
igualmente parte dos planos de expansão
da Sabmiller a internacionalização da marca
para os países vizinhos.
A festa de apresentação da nova imagem,
decorreu no Chill na Ilha de Luanda e contou
com as actuações da cantora Pérola e de um
grupo de 60 bailarinos que animaram a
noite com exibições de kuduro, kizomba e
semba. A sessão de boas vindas ficou a
cargo de Samuel Jerónimo, presidente
executivo da Sabmiller Angola, e de Luís
Fernandes, director de marketing.
A dupla fez a apresentação da nova garrafa
de 330 ml assim como do restyling do
logótipo e do rótulo. “A N´Gola é uma marca
jovem. Tem um logotipo elegante, moderno
e apelativo. E a garrafa, não retornável, tem
curvas sexy”, afirmaram divertidos.
Durante a festa foi também apresentado o
video promocional, sofisticado a nível
tecnoloógico, da cerveja que apela ao
coração dos angolanos (de referir que
“N´Gola” é a antiga designação bantu de
“Angola”). A promoção da marca está a ser
apoiada por uma forte campanha de
marketing e publicidade, que inclui
televisão, rádio, imprensa e outdoors.
consumo
N’Gola superstar
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A festa da N´Gola
foi ao estilo de
Hollywwod.
“N´Gola é Angola”
é o slogan
Jacques Diouf, director-geral da FAO durante a 26ª Conferência Regional realizada em Luanda
O baixo investimento na agricultura foi a principal
razão para a fome e a má nutrição em África
Paul Krugman é um economista que desperta amores e ódios na Academia.
No plano profissional, Krugman foi consultor do Banco da Reserva Federal de
Nova Iorque, do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional, das Nações
Unidas e da Comissão Europeia. Actualmente é professor de Economia e Rela-
ções Internacionais na Universidade de Princeton. Foi galardoado, em 2008,
com o Prémio Nobel da Economia “pela sua análise dos padrões do comércio
e da localização das actividades económicas”. Virá a Luanda para animar um
seminário no dia 24 de Junho no Centro de Convenções de Talatona, organi-
zado pelo FACIDE e em que a revista EXAME é media partner. Estarão tam-
bém presentes neste Fórum de Estratégia e Competitividade, o
Ministro da Coordenação Económica, Manuel Nunes
Júnior; o presidente da ANIP Aguinaldo Jaime
e os professores universitários Manuel Alves
da Rocha, Carlos Rosado Carvalho e Jorge
Vasconcellos e Sá. Imperdível.
Mais um Prémio Nobel em Angola
Krugman
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Krugman gosta de ir
“contra a corrente”.
Foi critico de Bush e
da “nova economia”
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PrimeiroLugar
Banco
Caixa Totta quer estar nos dez maiores
cária privada mais antiga do pais, com 11
agências (sete das quais em luanda). registou
no ano passado um crescimento de 35,76% em
depósitos (que corresponde a uma quota de
mercado de 1,7%) e 8,15% no crédito a clientes
(quota de 1,3%). o banco encerrou o ano pas-
sado com um activo total de 768 milhões de
dólares e um resultado líquido de 45 milhões
(aumento 63% face ao ano anterior). com a nova
marca, a intenção é posicionar o bct no top ten
dos bancos angolanos. durante este ano, o número
de agências crescerá para 21 e a rede comercial
abrangerá todas as províncias. laranja, amarelo
e azul são as cores do bct que traduzem os valo-
res da nova instituição: tradição, rigor e con-
fiança. “uma conduta, uma
voz, uma identidade, um
objectivo e uma ambição”
são os pontos-força do bct.
“Os Grandes Desafios da Nova Cons-
tituição de Angola” foi o tema esco-
lhido para a primeira conferência
realizada pela firma angolana de advo-
gados LCF e a portuguesa SRS que
juntou no Hotel de Convenções de
Talatona os especialistas do ramo.
O evento teve como principal ora-
dor o constitucionalista português
Marcelo Rebelo de Sousa, que salien-
tou ser importante que a nova Cons-
tituição angolana não se transforme
num factor de discórdia, “O grande
desafio é não se começar a falar já da
revisão da Constituição”, esclareceu.
Durante a sua intervenção, Marcelo
Rebelo de Sousa argumentou ainda
que entre os desafios mais imedia-
tos na aplicação da Lei Magna estão
a estabilidade constitucional, a legi-
timação, a concórdia institucional e a
pedagogia. O evento contou com a
presença do procurador-geral da
República, João Maria de Sousa, o con-
selheiro do Tribunal Constitucional,
Anofre dos Santos, o bastonário da
Ordem dos Advogados, Inglês Pinto,
entre outras figuras.
conferência
Constituição
em debate
O professor
Marcelo Rebelo
de Sousa diz que
a Constituição
é ambiciosa
Nuno Serôdio, administrador da Fil — Tubos Angola (à esquerda): “Queremos exportar para África”
o banco caixa totta (bct) resulta da reestrutu-
ração do banco totta de angola (bta). com 109
milhões de dólares de capital social, a nova ins-
tituição conta com a participação da sonangol,
ep (24%), da sonangol Holding, lda. (1%) e da
partang (51%), uma empresa detida pela caixa
geral de depósitos e pelo banco santander, em
partes iguais. antónio mosquito e Jaime Freitas
também participam na estrutura accionista, cada
qual com 12%. daniel chambel lidera a comissão
executiva, constituída por santos domingos
(vice-presidente), mário nélson e Valentim bar-
bieri. recorde-se que o bta é a ins-
tituição ban-
indústria
Fábrica de tubos plásticos de parabéns
o vice-ministro de geologia, minas e indústria,
Kiala gabriel, e o coordenador da agência nacio-
nal de investimento privado, aguinaldo Jaime,
visitaram a fábrica de tubos plásticos Fil — tubos
angola (foto acima), localizada na zona industrial
do município de Viana, que começou a ser erguida
em 2008, numa área total de 80 mil metros qua-
drados, com um investimento de 20 milhões de
dólares e serve o mercado nas áreas da constru-
ção civil, infra-estruturas e rega agrícola.
a Fil — tubos angola, que apenas tem pos-
tos de distribuição em luanda e no lobito, pre-
tende expandir para as outras províncias do país
e exportar para mercados em África. recorde-
-se que a empresa angolana é uma filiada do
grupo Fersil, que emprega 300 pessoas em por-
tugal e espanha. o grupo ibérico tem uma fac-
turação anual de 120 milhões de dólares. a Fil
— tubos angola conta com 100 trabalhadores,
dos quais 80 são angolanos e 20 estrangeiros.
O banco vai abrir mais dez
agências ao longo de 2010
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As decisões que se tomam em cada dia exigem que o corpo e a mente estejam em plena forma. Por isso a qualida-
de do sono de cada noite é determinante para a performance do dia seguinte.
As camas Hästens – integrando já os respectivos colchões – são únicas a garantir a melhor qualidade de sono pos-
sível, quer pelo conforto que a sua concepção estrutural da sustentação multidimensional do corpo proporciona,
quer pela saúde que asseguram através da exclusiva utilização de materiais naturais na sua construção.
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PrimeiroLugar
os ministros da agricultura de África estiveram
reunidos, em luanda, na 26.ª sessão da confe-
rência regional da Fao, na busca de estratégias
para o desenvolvimento da produção agrícola e
da segurança alimentar no continente. questões
como as mudanças climáticas, a reforma do
comité de segurança alimentar, o grau de cum-
primento das recomendações da última confe-
rência que se realizou em nairobi, quénia,
mereceram a atenção dos cerca de 400 partici-
pantes que se deslocaram ao nosso país.
sob o lema “investir na agricultura em África
para uma segurança alimentar sustentada”, a
conferência de luanda serviu também para
angola assumir, durante os próximos dois anos,
a presidência regional do Fundo das nações uni-
das para a alimentação e agricultura (Fao). o
seu director-geral, o senegalês Jacques diouf,
alertou na abertura da conferência, para o facto
de apenas nove países africanos terem atribuí-
do 10% do orçamento ao sector agrário, um com-
promisso assumido pela união africana em 2003.
os responsáveis do sector imobiliário estiveram
em peso na primeira edição do salão imobiliário
de angola (sima), que decorreu nas instalações
da Filda, em luanda. co-organizado pela asso-
ciação dos profissionais imobiliários de angola
(apima) e a Feira internacional de luanda (Fil),
o sima decorreu de 6 a 9 de maio e contou com
a participação de 103 expositores. no final do
evento, a organização distinguiu as melhores
participações no certame. Foram premiadas as
empresas do sector imobiliário escom (melhor
stand sima 2010); a lr grupo (melhor projecto
social) e a província de benguela (melhor repre-
sentação provincial). Foram distinguidos com
menções honrosas os governadores das provín-
cias do Kwanza-norte, Huambo, benguela e de
luanda, Henriques Júnior, Faustino muteka,
armando da cruz neto e Francisca do espírito
santo, respectivamente.
fao
sima 2010
Fome de soluções
Os vencedores são...
Matos Cardoso: presidente da Fil, em luanda
empresários sul-africanos estiverem
a debater, em luanda, as oportuni-
dades de investimento em diferentes
sectores da económia angolana, numa
iniciativa da parceria de infra-estru-
turas para o desenvolvimento afri-
cano (ipad). segundo o secretário de
estado para a indústria, Kiala gabriel
“os 11 pólos industriais do país esta-
rão abertos ao investimento privado
e contribuirão para o desenvolvimento
das regiões onde estão inseridos”. o
director executivo da câmara do
comércio África do sul/angola, roger
ballard-tremeer, disse que “os empre-
sários sul-africanos estão especial-
mente bem preparados para investir
na exploração de petróleos e energia
eléctrica. recordou que existem par-
cerias em curso entre os dois países
como a indústria de tubos e a fábrica
que fornece gás industrial. o desen-
volvimento da cooperação regional,
assim como o papel dos corredores
logísticos na promoção do comércio,
foram outros temas em foco durante
o 2.º Fórum ipad.
ipad
Mais parcerias
com África do Sul
Kiala Gabriel,
secretário
de Estado
para a indústria
Conferência no Belas: Angola vai assumir a presidência regional da FAO, nos próximos dois anos
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PrimeiroLugar
luANdA
HOSpiTAl dO CAxiTO RECupERAdO
a construtora edifer angola e o cisa
(centro de investigação na área da
saúde em angola) formalizaram um
acordo para a reconstrução do
laboratório do Hospital do caxito,
localizado 60 quilómetros a norte de
luanda, avaliada em 500 mil dólares.
HuílA
MAiS HOTéiS NO luBANGO
o ministro da Hotelaria e turismo,
pedro mutindi, anunciou, na cidade do
lubango, a construção de 14 hotéis,
com 50 quartos cada um, nos
municípios que compõem a província
da Huíla, no âmbito do programa
de expansão da rede hoteleira
que o governo pretende
implementar ate 2012.
luNdA-Sul
pREçO dO QuilATE SOBE
a sociedade mineira de catoca (smc)
registou um aumento entre 49 e 70
dólares no preço de venda do quilate
de diamantes, informou director-
geral da empresa, José manuel ganga
Júnior, que falava no acto provincial
alusivo ao dia nacional do
mineiro e das festividades
do 15.º aniversário da empresa.
NAMiBE
uM pORTO dE diAMANTE
o porto do namibe foi distinguido,
este mês, com o international star
aword for qualitiy, na categoria de
diamante, pela business initiative
directions (bid). o prémio, atribuído
anualmente, destina-se a reconhecer
a excelência empresarial e foi
entregue em paris.
CURTAS
o rei pelé voltou a angola para promover o complexo habita-
cional bem morar, dirigido à classe média, que foi inaugu-
rado em benfica. o astro não é apenas o rosto do
marketing da empresa build brasil. ele é também um dos
investidores, o que justificou o facto de ter sido recebido,
com pompa e circunstância, pelo presidente da república, José
eduardo dos santos, no palácio presidencial. aguinaldo Jaime,
coordenador da comissão de reestruturação da agência nacional
de investimento privado (anip), que acompanhou pelé e a delegação bra-
sileira à cidade alta, disse que angola está a ter uma preciosa ajuda da estrela do
futebol. “quando pelé vem a angola e aceita emprestar o seu nome a vários pro-
jectos, está a fazer a promoção da marca angola em todo o mundo”, afirmou. no
dia 21 de maio, no Huambo, será lançado o segundo condomínio “bem morar”.
solidariedade
mundial de futeBol
... Zidane em Benguela...
Messi no Lubango...
Os amigos de Akwá, ex-capitão dos Palancas
Negras, e do internacional português Luís Figo
vão realizar uma partida de carácter solidário
na província de Benguela, no próximo dia 15 de
Maio, em saudação ao 393.º da cidade. A receita
do jogo, que vai contar com a participação de
antigas estrelas do futebol como Romário, Zidane,
Frank Rijkaard, Desailly, Chiquinho Conde, Abel
Xavier, entre outros, vai reverter a favor de um
lar da terceira idade e da Aldeia CS Criança.
a cidade do lubango foi o palco escolhido pela
selecção da argentina para o seu último estágio
antes da participação no mundial da África do sul,
que começa a 11 de Junho. segundo o encarre-
gado de negócios da embaixada da África do sul
em angola, a selecção azul-celeste optou pela
província da Huíla dado que a cidade de Joanes-
burgo, onde jogará na primeira fase, tem caracte-
rísticas semelhantes às do lubango ao nível da
altitude. outra razão é a qualidade das infra-estru-
turas já testadas durante o can. messi e compa-
nhia vão ter à sua disposição o novo estádio da
tundavala construído de raiz para o can, e ainda
uma rede hoteleira renovada à altura das neces-
sidades dos pupilos de diego armando maradona.
imoBiliÁrio
... Pelé na Cidade Alta
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GrandesNúmeros
para saber ler os sinais de uma economia em mudança
Os campeões da liberdade económica
angola registou uma ligeira melhoria e está no 154.º lugar entre 183 países no ranking da liberdade
económica da Heritage Foundation. a nível continental ocupa o 33.º lugar entre 46 nações
ACIMA DA MÉDIA
LIberDADe FIsCAL 85,1
expLICAção as receitas fiscais
representam 6,2% do pib.
os impostos individuais são baixos
(máximo 15%). os que incidem sobre
empresas são altos (max:35%)
eM LINHA CoM A MÉDIA *
GAstos Do GoverNo 62,8
expLICAção Gastos representam
35,2 do pib o que é um valor aceitável
LIberDADe CoMÉrCIo 70,4
expLICAção restrições
às importações e os custos
de desalfandegamento
AbAIxo DA MÉDIA
LIberDADe MoNetárIA 62,6
expLICAção Taxa de inflação
média foi de 12,5 entre
2006 e 2008
LIberDADe FINANCeIrA 40
expLICAção inauguração da bolsa
de luanda continua adiada
LIberDADe INvestIMeNto 35
expLICAção as restrições
ao investimento estrangeiro
ainda são elevadas
LIberDADe De trAbALHo 45,2
expLICAção leis do trabalho
restritivas e elevado custo
dos despedimentos
LIberDADe NeGóCIos 43,4
expLICAção criar um negócio
demora 68 dias versus a média
mundial de 35 dias.
DIreItos De proprIeDADe 20
expLICAção o sistema legal
e judicial é ineficiente.
registo de propriedade é caro
NíveL De Corrupção 19
expLICAção o próprio presidente da
república já alertou para o problema
* Quando o desvio é inferior a cinco pontos.
As notas de angola
a escala vai do 0 aos 100 (nota máxima)
Liberdade fiscal 85,1
Gastos do Governo 62,8
Liberdade de comércio 70,4
Liberdade monetária 62,6
Liberdade financeira 40
Liberdade de investimento 35
Liberdade detrabalho 45,2
Liberdade de negócios 43,4
20 Direitos de propriedade
19 Nível de corrupção
Melhores do mundo
maurícias são um paraíso africano, Hong-Kong é a mais livre do mundo
rANkING áFrICA rANkING MuNDIAL
MAurICIAs 76,3 HoNGkoNG 89,7
botswANA 70,3 sINGApurA 86,1
MADAGásCAr 63,2 AustráLIA 82,6
áFrICADosuL 62,8 NovAZeLâNDIA 82,1
uGANDA 62,2 IrLANDA 81,3
NAMíbIA 62,2 suIçA 81,1
CAboverDe 61,8 CANADá 80,4
GANA 60,2 estADosuNIDos 78,0
burkINAFAso 59,4 DINAMArCA 77,9
ruANDA 59,1 CHILe 77,2
angola obteve a classificação geral de 48,4 , o que representa uma subida de 1,4
pontos face ao ano anterior. a melhoria mais significativa ocorre na liberdade de
investimento. a corrupção continua a ser a principal causa do mau desempenho
Fonte: The Heritage Foundation (www.heritage.org).
+9,7
-2,4
-3,8
-8
-8,5
-14
-16,9
-21,2
-21,5
-21,5
Desvio
faceà média
MÉDIA
dezembro 2009 | 19
capa Expo xANGAI
D
ia 30 de Abril de 2010. Abertura ofcial
do Pavilhão de Angola, na Expo Xangai.
Abrimos as portas do pavilhão às 11h30
e demos assim início à maior participa-
ção de sempre de Angola em exposições mundiais.
O pavilhão fechou por volta das 21h30, com o registo
de 2750 visitantes. No dia seguinte, recebemos 8890
visitas, mais do triplo das verifcadas no dia anterior.
O espaço Angola 4D continua a ser a atracção mais
procurada pelo público, registando grandes flas de
espera. Os shows foram superanimados. Os visitantes
gostaram da música e fcaram muito interessados em
aprender as nossas danças. Ontem, foi aberta a expo-
sição do artista plástico angolano Leutério Sanches,
que também foi muito apreciada.”
Este foi o relatório enviado à EXAME pela equipa
angolana que está no terreno, durante 148 dias, a dar o
seu contributo para que a presente Expo seja a melhor
de sempre. A julgar pelo que aconteceu nos primeiros
dias, esse objectivo deverá ser atingido. Os visitantes
têm elogiado a arquitectura moderna e arrojada do
pavilhão, inspirada na planta do deserto Welwitschia
mirabilis, espécie rara e endémica do Sul de Angola.
Recorde-se que a construção do pavilhão foi entregue
à Spice Idea, ao passo que a decoração esteve a cargo
da Lunatus, de Barcelona. A empresa catalã é também
a responsável pelo Angola 4D acima referido. Trata-
-se de uma sala para 24 pessoas, onde está a ser exi-
bido um flme a três dimensões sobre as paisagens de
Angola, que narra a história de um casal chinês que
ganha uma viagem turística ao país como prenda
de casamento. “Chamamos-lhe Angola 4D porque a
quarta dimensão é a sensorial. O espectador imagina
que está no local. Por exemplo, quando surgem as ima-
gens das quedas de Kalandula, as cadeiras tremem e
os espectadores sentem as gotas de água”, diz Albina
Assis, comissária nacional para a Expo Xangai 2010.
angola
SEDUZ china
Jaime Fidalgo
Fruto da relação de amizade e cooperação com os chineses,
Angola investiu cerca de 10 milhões de dólares na Expo Xangai.
Albina Assis, a comissária nacional explica por que valeu a pena
‘‘
GUIA PRÁTICO
LocaLização do PaviLhão
Zona C (ao lado dos pavilhões da Argélia e Nigéria)
Área 1000 metros quadrados
investimento 10 milhões de dólares
número de visitantes estimado 4,8 milhões
número de visitantes (1.º dia) 2750 visitantes
datas da exPosição 1 de Maio a 31 de Outubro
ParticiPações de angoLa Sevilha, Espanha (1992),
Lisboa, Portugal (1998), Nagoya, Japão (2005),
Saragoça, Espanha (2008), Xangai, China (2010)
20 | www.exameangola.com
albina assis
africano:
“temos a
obrigação
de fazer melhor
do que em 2008,
em saragoça”
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capa Expo xANGAI
A componente dos negócios não foi esquecida. O
pavilhão tem um business center, construído em par-
ceria com a ANIP — Agência Nacional de Investi-
mento Privado e a Associação Industrial de Angola,
onde o visitante encontrará documentação actuali-
zada sobre oportunidades de negócios em todas as
províncias do país. Os potenciais investidores têm a
oportunidade de ver vídeos promocionais que espe-
lham o crescimento económico de Angola e as priori-
dades em termos de parcerias, nomeadamente no que
diz respeito à indústria, agricultura, turismo e ener-
gias renováveis. Como o tema desta Expo é dedicado
às cidades sustentáveis (“Better City, Better Life” —
“Melhores Cidades, Melhor Qualidade de Vida”) a
comunicação dá ênfase ao sector imobiliário. Para
dinamizar os investimentos estrangeiros no sector
foi elaborada uma brochura em três línguas — por-
tuguês, inglês e chinês — com toda a legislação ango-
lana sobre urbanismo e habitação.
Uma montra mundial para a cultura angolana
A cultura é, no entanto, o principal ingrediente das
exposições mundiais. Tal preocupação é visível logo
à entrada do Pavilhão de Angola, onde surgem as
imponentes colunas com estátuas da Rainha Ginga
e do Rei do Congo, da autoria do artista angolano
conhecido como Mestre Makiese (veja caixa “Visita
guiada”). No interior do pavilhão, a primeira área, inti-
tulada “Angola Antiga”, procura mostrar ao mundo
que o país já detinha cidades organizadas e um povo
com uma cultura forte e diversifcada, antes da che-
gada dos colonizadores portugueses. Destacam-se as
imagens de arte rupestre e a réplica da igreja ancestral
erguida em Mbanza Kongo, a actual capital da pro-
víncia do Zaire. “Trata-se da representação exacta da
primeira igreja erguida a sul do Equador, na África
Negra”, esclarece Albina Assis.
No átrio seguinte, num contraste de belo efeito visual,
surge a área “Angola Moderna”, onde são expostas as
grandes construções e infra-estruturas, muitas delas
feitas em parceria com técnicos chineses, tais como
pontes, estradas, portos, aeroportos e hospitais.
Angola já tinha
cidades organizadas
e uma cultura rica
antes da chegada
dos colonizadores
VIsITA GUIAdA
O recinto ocupa 1000 metros quadrados, prevendo-se que possa
ser visitado por cerca de 5 milhões de visitantes. A construção
foi entregue à Spice Idea e a decoração foi da responsabilidade
da Lunatus, uma empresa especializada de Barcelona, Espanha.
exterior do PaviLhão
A arquitectura, moderna e arrojada, onde pontificam os folhos coloridos, é
inspirado na Welwitschia mirabilis, um símbolo de Angola. A entrada tem
um painel gigante com imagens das dunas no deserto e da própria planta.
Mas a grande referência são as duas colunas com as imponentes estátuas
da rainha Ginga e do rei do Congo.
catedraL do
kuLumbimbi
A réplica das
ruínas de uma das
catedrais mais
antigas de África,
localizada no
M’Banza Congo,
assinala a entrada
na área da “Angola
Moderna”.
3
2
1
angoLa antiga
O visitante pode
observar painéis
que arte rupestre
que provam que
Angola é habitada
desde há milhões de
anos. Destaque para
os reinos antigos,
em especial o Congo
e o NDongo.
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zona institucionaL
Inclui os dados
essenciais sobre o país
e os seus principais
órgãos de soberania,
em particular,
o Presidente
da república.
camPo e cidade
O constraste
entre a Angola rural
e a urbana, um tema
em foco na presente
edição da Expo Xangai
dedicada à qualidade
de vida nas cidades.
12
natureza e ecoLogia
Destaque para os esforços feitos para salvar
a palanca negra gigante, símbolo nacional
e uma espécie que corre risco de extinção.
15
Área desPortiva
Imagens dos atletas
mais conceituados
(caso dos campeões
africanos de
basquetebol) e
dos quarto novos
estádios de futebol.
6
Área económica
A descrição
das principais
riquezas do país
desde a indústria,
à agricutura,
transportes,
pescas e turismo.
7
animação 4 d
Chama-se Angola 4D porque, além da
passagem de um filme sobre as belezas
naturais de Angola em 3D, o visitante terá
uma dimensão adicional: a de se imaginar
dentro do filme e de sentir as experiências
como se estivesse realmente no local.
14
bar e
restaurante
Espaço de
degustação de
comida angolana
preparada pelo
chefe do Miami
Beach.
PaLco de
diversões
vários artistas
nacionais vão
animar este
espaço de festa
e divulgação
da cultura
angolana.
9
business center
Construído com a colaboração da Agência Nacional de Investimento
Privado e da Associação Industrial de Angola, fornece documentação
actualizada sobre as oportunidades de negócios em todas as províncias.
10
11
resPonsabiLidade
sociaL
Painel sobre
o que as empresas
fazem de positivo
pelos trabalhadores.
história da moeda
Do zimbo (búzio
do tamanho de um
bago de café, que
serviu como moeda)
à macuta (moeda de
cobre), ao angolar, ao
escudo e, finalmente,
ao kwanza.
stands sonangoL e endiama
As maiores empresas nacionais
nos dois sectores importantes
da economia — petróleo e
diamantes – têm direito a uma
zona própria. No pavilhão da
Sonangol pode ficar a saber tudo
sobre petróleo. No da Endiama
a atracção é o diamante virtual.
13
gaLeria de arte
Obras variadas,
em particular
a pintura e
escultura,
da autoria
de artistas
angolanos.
24 | www.exameangola.com
capa Expo xANGAI
Mais uma vez a cultura não foi esquecida. Existe
uma galeria de arte, onde serão expostas várias peças
de artes plásticas, fotografa e artesanato. Há ainda um
espaço dedicado ao entretenimento, um restaurante de
pratos típicos de Angola e o Mussulo Bar no qual está
montado um palco. O “prato forte” serão as actuações
musicais ao vivo. Haverá animações permanentes por
parte de artistas angolanos que vão actuar no pavi-
lhão por um período de 15 a 20 dias. Nos dias espe-
ciais (veja caixa “Angola dá show”) haverá “caravanas
artísticas” com shows ao vivo dos melhores músicos
angolanos da actualidade. A primeira dessas carava-
nas vai actuar já este mês.
Para comemorar o Dia de África (25 de Maio) está
agendada a actuação de Paulo Flores, Big Neto, Tito
Morais e Manecas Gomes. Lina Alexandre, Pérola,
Gabriel Xiema, as Gingas, a Orquestra Sinfónica das
Crianças, Bonga, Nanutu, Agre G, Yuri da Cunha,
Margareth do Rosário são outros dos artistas con-
vidados. “Estarão presentes os principais nomes do
semba e do kuduro. Há que divulgar os kuduristas,
um estilo que nasceu em Angola e está a conquistar
os mundo”, diz a comissária nacional com indisfar-
çável orgulho.
No seu conjunto, o recinto de Angola ocupa 1000
metros quadrados (o dobro da Expo de Saragoça, em
2008), prevendo-se que possa ser visitado por cerca
de 4,8 milhões de visitantes (um acréscimo de 20%
face aos 4 milhões registados em Espanha). O valor
do investimento, segundo confdencia Albina Assis,
deve rondar os 10 milhões dólares.
ANGOLA dÁ sHOW
25 de maio — dia de ÁFrica
A primeira caravana de artistas que participarão na
Exposição Mundial de Xangai vai exibir-se de 18 a 29
deste mês para assinalar o Dia de África (25 de Maio).
Será composta pelos músicos Paulo Flores, Big Nelo, Ary,
Nanutu, Agre G, o grupo Kituxi e ainda o cabo-verdiano
tito Paris e o guineense Manecas Costa.
1 de Junho — dia da criança
Está prevista uma delegação de músicos infantis,
que integrará o pequeno kudurista Alegria, os grupos
de violinos Kapossoka, da Samba, Malta da Paz e da Alegria,
Young Game, Helga Santos e Milu.
31 de JuLho — dia da muLher aFricana
Para comemorar a efeméride, o certame vai contar
com a presença da ministra da Família e Promoção
da Mulher, Genoveva Lino. A caravana cultural inclui
as cantoras Pérola, Yola Semedo, Patrice Ngangula, Noite
e Dia, Gabriel tchiemba, Matias Damásio, Semba Muxima
e o grupo feminino de precursão da Celamar.
26 de setembro — dia de angoLa
Estarão presentes os músicos Bonga, Yuri da Cunha,
Margareth do rosário e Danny L, o grupo de dança
Kilandukilo, As Gingas do Maculusso, os modelos
da agência Step Models e a estilista Lucrécia Moreira.
imagens do dia
da abertura da
exposição, onde
o Pavilhão de
angola recebeu
2750 visitantes
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24 de Junho | Centro de Convenções do Talatona
fórum
estratégia e
competitividade
fec
Professor Paul Krugman
Prémio Nobel da Economia
Um dos mais aclamados top contributors das políticas económicas
mundiais, líder em economia internacional.
- Professor de Economia da Universidade de Princeton
- Vencedor da medalha John Bates Clark da American Economic As-
sociation para “Melhor economista com menos de 40 anos“
- Nomeado “mais importante colunista americano”pela Washington
Monthly e “Colunista do ano” pela Editor and Publisher magazine.
- Membro do President’s Council of Economic Advisors.
Professor Manuel Alves da Rocha

Conferencista; Investigador e consultor económico; Professor
Associado na Universidade Católica de Angola; Licenciatura em
Economia (ISEG), Pós-graduações (modelos económicos e práticas
económicas restritivas - França).
Carlos Rosado de Carvalho

Docente na Universidade Católica de Angola,
Director da revista EXAME, Luanda.
Jorge A. Vasconcellos e Sá

MBA Drucker School
PhD Columbia University
Cátedra Jean Monet
Dr. Aguinaldo Jaime
Presidente da Agência Nacional para o Investimento Privado
Ex Governador do Banco Nacional de Angola e Ministro das
Finanças
Professor Manuel Nunes Júnior

Ministro da Coordenação Económica
Professor de Economia da Universidade Agostinho Neto
Ph.D em Economia pela York University - UK
Mestre em Economia Internacional pela Universidade de Essex
key note speakers
programa
9hoo :
CRESCiMENTo
VS DiSTRibUição Do RENDiMENTo
Key Note Speaker: Professor Manuel Alves
da Rocha
9h40 :
AbC. PolíTiCA ECoNóMiCA ANgolANA:
AS liçõES DA CRiSE
Key Note Speaker: Professor Carlos Rosado
de Carvalho
10h20 :
oN CARViNg SUCESS oUT of ThE CRiSE.
“ WhAT PETER DRUCKER WoUlD hAVE
TolD US”
Key Note Speaker: Jorge Vasconcellos e Sá

11h45 :
Questões e Respostas
12h30 :
Apresentação da obra “Drucker on Carving
Sucess out of the crise. What Peter Drucker
would have told us” de
Jorge Vasconcellos e Sá
11h45 : Almoço

14h00 :
CoMPETiTiViDADE NACioNAl
Conferência i
Key Note Speaker :
Dr. Aguinaldo Jaime
15h30 :
CoMPETiTiViDADE NACioNAl
Conferência ii
Key Note Speaker : Professor Manuel
Nunes Júnior
16h00 :
Questões e Respostas

16h40 – 18h30
CoMo CoNSTRUiR UMA ECoNoMiA foRTE
Key Note Speaker :
Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia
e autor de “The Returnof Depression
Economics and the crisis of 2008”
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26 | www.exameangola.com
capa Expo xANGAI
Aos que julgam ser um valor elevado, Albina Assis
responde: “Não creio que seja caro. Na Expo do Japão,
em 2006, Angola estava num pavilhão comum, ao passo
que a Nigéria, por exemplo, construiu um recinto pró-
prio no valor de 40 milhões de dólares. Em Saragoça,
em 2008, já construímos um pavilhão individual que
custou cerca de 4 milhões de dólares. Agora, na China,
numa altura em que o país tem uma economia mais
forte e que está a ganhar outra projecção internacional
nós tínhamos de fazer mais e melhor.” A comissária
explica porquê: “A China é um parceiro privilegiado
de Angola. As relações de amizade e cooperação com
os chineses têm produzido resultados visíveis. A Expo
Xangai é uma grande oportunidade para dar a conhecer
o país na vertente cultural, económica e social e para
promover a riqueza e a diversidade do seu povo.” Os
benefícios ao nível da imagem externa também foram
enfatizados por Albina Assis. “Não podemos esque-
cer que hoje Angola tem responsabilidades acrescidas
ao nivel de África e do mundo. A título de exemplo,
a SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da
África Austral) pediu-nos para sermos nós a organi-
zar o dia dessa instituição”, justifca.
Apesar de se estar a entregar ao projecto de alma e
coração, Albina Assis confessa que organizar a pre-
sença numa exposição mundial é uma tarefa muito
exigente. “Nem tudo corre como planeado. É pre-
ciso ser determinado, persistente e um bom negocia-
dor. Mas, por vezes, também é preciso ter paciência
e saber lidar com as adversidades”, diz. O relaciona-
mento como a organização nem sempre é fácil. “Mui-
tos países têm feito queixas devido aos problemas na
concessão de vistos, ao excesso de zelo relativamente
à segurança e ao elevado preço das construções. Mas
é visível que o governo chinês está fortemente empe-
nhado no sucesso desta exposição”, esclarece.
Falta de patrocinadores e apoios fnanceiros
Angola sentiu difculdades acrescidas porque não pla-
neou a participação no evento com a antecedência
devida. “Fizemos a inscrição tardia. Para mais, desta
vez , não era suposto eu ser a comissária nacional. Só
que os prazos começaram a derrapar e eu lá acabei
por ser nomeada novamente. Só entrei ofcialmente
em funções em Julho de 2009, ou seja, dez meses antes
da inauguração, o que é um prazo muito curto para
planear todos os detalhes.” Apesar de, a nível insti-
tucional, a Comissão incluir representantes de vários
organismos públicos, a equipa que trabalha no terreno
(ver foto à esquerda) é composta maioritariamente
por jovens dedicados e entusiastas. “Há 30 pessoas
a trabalhar na Comissão. Curiosamente, o director
do nosso pavilhão é um angolano que vive na China.
Também vamos ter de recorrer aos serviços de profs-
sionais chineses para a tradução”, esclarece.
Paralelamente, Albina Assis queixa-se que tem tido
difculdades em honrar os compromissos fnanceiros.
“Temos algumas dividas por pagar a fornecedores.
Ainda só nos disponibilizaram 50% do orçamento”,
lamenta. Os apoios também escasseiam por parte dos
privados. “Apenas recebemos patrocínios fnanceiros
da Sonangol e da Endiama, que, aliás, têm um espaço
próprio no interior do pavilhão. Foram solicitados
pedidos de patrocínio a outras entidades e empresas
privadas que não tiveram resposta.” Outro ponto que
Albina Assis critica é a falta de pacotes de viagens a
preços acessíveis. “Gostava de ver mais angolanos a
visitar a Expo. Infelizmente, a Taag subiu o preço das
tarifas. As agências de viagens têm de se entender com
a Taag de modo a oferecer pacotes atractivos para os
visitantes angolanos”, argumenta.
Tais problemas serão decerto esquecidos fnda mais
uma exposição mundial onde Angola terá deixado a sua
marca de originalidade e riqueza cultural. A próxima
será realizada na Coreia. Com Albina Assis? “Quem
sabe”, diz a comissária com um sorriso largo. b
Temos de ter uma
presença condigna.
Hoje, Angola tem
responsabilidades
acrescidas no mundo
a jovem equipa
de albina assis
está confiante:
“será a melhor
participação
de sempre”
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capa Expo xANGAI
A dAMA dE XANGAI
Os engenheiros são conhecidos pelo seu rigor e paixão pelos números.
Albina Assis é engenheira de formação e passou grande parte da sua
carreira no sector dos petróleos. No início da sua carreira foi
professora de Físico-Química. Esteve oito anos no Laboratório
Nacional de Saúde Pública. E foi engenheira da refinaria de
petróleos da antiga Fina (hoje total), onde trabalhou
durante dez anos. O seu talento não passou
despercebido à Sonangol, onde chegou a presidente
do conselho de administração em 1991. Em
Dezembro do ano seguinte, foi nomeada ministra dos
Petróleos, cargo que exerceu durante seis anos. Foi a
primeira mulher nomeada ministra para uma área
técnica. No ano 2000, passou a assumir a tutela da
Indústria e a partir daí tornou-se conselheira do
Presidente da república para a Integração
Económica e regional.
A par dos cargos públicos, Albina
Assis nunca abandonou o seu
vínculo ao mundo académico.
Estudou a fundo as matérias
relacionadas com o
petróleo. Defendeu, com
veemência, o
aprofundamento das
relações de cooperação
com a Noruega, pais
que é considerado um
caso exemplar de
boa gestão dos
recursos petrolíferos.
“A minha tese de
mestrado, desenvolvida
na universidade Getúlio
vargas, no Brasil, foi
sobre a gestão
sustentável do petróleo
bruto angolano. Foi escrita
em 2005, quando o caso da
Noruega ainda não era tão
conhecido. Os noruegueses
colocam parte das receitas do
petróleo num fundo soberano que
reverte para as gerações futuras. tantos anos, depois Angola vai
finalmente seguir esse exemplo”, diz satisfeita. Exemplo que a
Nigéria, por sua vez, não tem seguido. O país que parecia estar
em vias de se tornar uma potência económica regional está hoje
mergulhado em dificuldades económicas e conflitos violentos.
Com tal currículo sempre associado a áreas técnicas, parece
estranho que Albina Assis tenha sido nomeada comissária
nacional para as últimas três exposições mundiais em que
Angola participou: Japão, Espanha e agora China. A ligação
à cultura não é, no entanto, estranha a Albina Assis,
conhecida pela simpatia, profissionalismo e frontalidade
com que encara os desafios. A própria confessa que
gosta de poesia e chegou a fazer teatro na
juventude. também gosta muito de música.
“Sou fã de Carlos Burity”, confessa.
A sua entrada no mundo das
exposições sucedeu por acaso. “Fui
visitar a Expo de Hanover, na
Alemanha, como ministra da Indústria
e fiquei chocada pelo facto de Angola
não estar representada.” A primeira
Expo, sob a sua liderança, foi a do
Japão. “Apesar de estarmos num pavilhão
comum, tudo correu muito bem. A
interacção com a organização foi muito
fácil.” A melhor, no entanto, terá sido,
segundo Albina Assis, a de Saragoça.
“tivemos imensa sorte. Ficámos numa
zona movimentada em frente à entrada
principal, por isso, registámos 4 milhões de
visitantes. Claro que havia muitos angolanos,
muitos deles vindos de Lisboa, mas a maior
parte dos visitantes eram estrangeiros. recordo
que houve angolanos que choraram quando
visitaram o nosso pavilhão”, conta. Albina
Assis gosta do trabalho que faz,
embora se queixe de algum
cansaço. “Já não estava à espera
de ser nomeada para este cargo.
tivemos muito pouco tempo para
preparar uma presença condigna.”
A sua determinação é elogiada pelos
membros da sua equipa que destaca
as suas artes de negociadora e a
capacidade para obter consensos. Mas
Albina Assis também não receia dizer o
que pensa e exercer a sua autoridade.
recorda, por exemplo, uma célebre
greve na refinaria que teve de gerir com
pulso e mão de ferro. Sobre os alegados
gastos excessivos de Angola na Expo
Xangai, limita-se a desdramatizar.
“Angola tem de estar presente nos
grandes eventos internacionais.
A China está na moda e Xangai é
uma cidade cosmopolita.
Chamam-lhe a sala de visitas
da China. Não podíamos
ficar de fora do evento”,
justifica.
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capa Expo xangai
Xangai
no centro do mundo
Jaime Fidalgo
Já começou a maior exposição mundial de sempre dedicada ao tema
das cidades sustentáveis. Uma oportunidade de ouro para a cidade
de Xangai se posicionar como uma grande metrópole mundial.
maio 2010 | 31
o
s chineses já habituaram o mundo à sua
capacidade de mobilização para os grandes
eventos. Os Jogos Olímpicos de Pequim de
2008 foram unanimemente considerados
um dos melhores jamais organizados. O mundo tão
cedo não esquecerá a monumental cerimónia de aber-
tura no Estádio Olímpico, conhecido como o “Ninho
de Pássaro”, obra de grande complexidade técnica que
demorou três anos e meio a concluir. O ano de 2010
vai ser inesquecível para os chineses devido à realiza-
ção da Expo Xangai, que já entrou na história como a
maior exposição mundial de sempre. Os chineses pul-
verizaram todos os recordes ao nível da área edifcada
(525 hectares), do número de visitantes (esperam-se 70
milhões) e do orçamento. Os números ofciais dizem
que o governo investiu 4,2 mil milhões de dólares (o
dobro do que foi gasto com os Jogos Olímpicos). A
imprensa diz, no entanto, que os verdadeiros custos
são de 58 mil milhões de dólares, incluindo os inves-
timentos em infra-estruturas.
A MAIOR EXPO
DE TODOS OS TEMPOS
184
dias de Expo
(até 31 de Outubro)
70 000 000
de visitantes esperados
(estimativa)
58 000 000 000
de dólares investidos
(estimativa)
525
hectares de
área ocupada
190
países
participantes
22
dólares custa um bilhete
para um dia normal
20 000
espectáculos
previstos
13
portas de entrada
no recinto
55 000
táxis a
circular na cidade
420
quilómetros de linhas
de metropolitano
13 000
jornalistas registados
para cobrir o evento
1 700 000
voluntários treinados
para a Expo
LOGóTIPO
A imagem com três pessoas abraçadas
simboliza a grande família humana em
harmonia e felicidade. É inspirada no carácter
chinês que significa “mundo”.
MASCOTE
Inspirado num carácter chinês que significa
“pessoa”, a mascote chama-se Haibao (cuja
tradução é “Tesouro do Mar”). O nome é fácil de
decorar e, segundo a tradição chinesa repleta
de superstições, é portador de boa sorte.
A cerimónia
de abertura,
cujo anfitrião foi
o Presidente Hu
Jiantao, encheu
os chineses de
orgulho no país
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Entre elas destaca-se a construção da maior rede
de metropolitano do mundo, de dois novos termi-
nais de aeroportos e da requalifcação da nova “mar-
ginal” junto ao rio Huangpo. Subordinada ao tema
“Melhor Cidade, Melhor Qualidade de Vida”, o slogan
da Expo 2010 é baseado na ideia de espaços urbanos
mais humanos e sustentáveis, com melhores acessos,
maior efcácia energética e menos poluição. Ninguém
discute a pertinência do tema. Afnal, segundo dizem
os especialistas, 55% da população mundial vivem
em cidades, um número que não cessa de aumentar.
A exposição mundial é também uma oportunidade
de ouro para a cidade de Xangai, tida como a mais
cosmopolita da China, assumir a sua “candidatura”
à posição de uma das grandes metrópoles mundiais.
Com 18 milhões de habitantes, Xangai é uma das dez
maiores cidades mais populosas do mundo. De Maio a
Outubro, deverá receber 70 milhões de visitantes, em
148 dias (dos quais, segundo as estimativas, apenas
um quinto será de estrangeiros) e um “exército” de 70
mil voluntários com a missão de orientar os turistas.

A Expo Xangai ocupa mais de 5 quilómetros quadra-
dos (é 20 vezes maior do que a realizada em Saragoça,
em 2008), ao longo das margens do rio Huangpo. No
centro, está o monumental Pavilhão da China, o maior
e o mais alto de toda a Expo, designado por “Coroa
Oriental”. É uma estrutura inspirada na arquitectura
imperial, de cor vermelha, a mesma da Cidade Proi-
bida, em Pequim. Os restantes pavilhões estão divi-
didos pelas cinco primeiras letras do alfabeto. África
está na zona “C” (Angola tem um pavilhão próprio,
ao lado dos da Argélia e da Nigéria).
No total haverá pavilhões de 190 países (onde se
incluem estreantes como a Coreia do Norte e Timor-
-Leste) e de várias organizações internacionais. Existi-
rão ainda cinco pavilhões temáticos ligados às cidades,
ao urbanismo e ao desenvolvimento sustentável. Outro
recorde importante é do número de presenças africa-
nas (43 nações), uma prova das boas relações entre a
potência asiática e os países do continente. Cada qual
terá direito a escolher o seu dia nacional de celebração
(o de Angola será no dia 26 de Setembro).
O Presidente Hu Jintao fez a abertura da Expo, onde
estiveram presentes, entre outros, o líder francês Nico-
las Sarkozy e o presidente da Comissão Europeia,
Durão Barroso (que fez questão de visitar o Pavilhão
de Angola). A cerimónia foi apresentada pela cantora
chinesa Song Zuying e pelo actor Jackie Chan. A pia-
nista Lang Lang e o cantor Andrea Bocelli foram alguns
dos artistas convidados. Mas o verdadeiro espectáculo
realizou-se no exterior, com um espectacular fogo-de-
artifício (arte em que os chineses são exímios), fontes
de água dançantes e raios laser. Os chineses dizem com
orgulho que foi o maior espectáculo do mundo. b
A cosmopolita Xangai
é a sala de visitas
da China. Tem uma
população de 18
milhões de habitantes
A Expo Xangai
é a maior em
termos de área
ocupada, de
orçamento
e de número
de visitantes
capa Expo xangai
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uem vem da marginal de Luanda e se dirige ao
Largo do Ambiente poderá ver à sua esquerda
a discreta Igreja de Nossa Senhora da Nazaré.
Construída em 1664, é a mais antiga de Luanda
e, para muitos, a mais carismática. O templo
era um lugar de peregrinação para os “caluenses” (gen-
tes do mar). Monumento nacional, a igreja é conhecida
pelos seus belos painéis de azulejos e pela “santa negra”,
Santa Ifgénia da Etiópia. A madre Catarina, senhora de
rosto vivido, olhar alegre e sorriso aberto, afrma-nos que
a veneração a Nossa Senhora da Nazaré — Mama Nasi
como é conhecida entre os crentes — tem aspectos mira-
culosos que nunca reconheceu noutros cultos à Virgem
Mãe, seja em Fátima (Portugal) ou Guadalupe (México).
Longe vão os tempos em que o templo era banhado pelas
águas da baía. Hoje, totalmente em terra frme e vários
metros do mar, mantém-se como um refúgio espiritual
da cidade. “À Mama recorrem pessoas com e sem fé, de
várias confssões religiosas. Até os maldosos chegam a
visitar-nos antes de cometerem o crime”, refere a madre
divertida. “Nossa Senhora da Afição”, “Nossa Senhora da
Fecundidade”, são outros nomes que os crentes adoptam
conforme o problema que apresentam à virgem. “Há tam-
bém os que a Ela recorrem por causa dos negócios”, diz-
-nos lembrando-se de que está a falar para a EXAME.
Um novo templo da arquitectura moderna
A alusão ao mundo dos negócios é justifcada por outra
razão. É que a poucos metros da pequena igreja salta à vista
um edifício imponente com 28 andares que se erguem
a 120 metros de altura, encimados por um heliporto. O
contraste é evidente entre as linhas arredondadas da torre
sineira e as linhas mais duras e contemporâneas de um
arranha-céus, com 40 mil metros quadrados de área bruta,
que marca o perfl de Luanda. A nova “catedral” do imo-
biliário em Luanda chama-se Torre Ambiente, nome que
a promotora, a CR Roca, foi buscar ao largo. Esta empresa
é constituída por três empresários com provas dadas no
mercado angolano: José Cristóvão, proprietário do conhe-
cido Hotel Presidente; Carlos Serralheiro, ligado do sec-
tor de transporte e logística; e Rogério Leonardo, homem
relacionado com construção civil, e promotor do Edifí-
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NeGÓcioS IMOBILIÁRIO
Uma torre com
ambiente de luxo
ToTal 28 pisos
inauguração início de 2011
alTura 120 m
Área bruTa 40 mil m
2
ProMoTora cr rOca (detida por José cristóvão,
carlos Serralheiro e rogério Leonardo)
arquiTecTo Luís Marvão
HeliPorTo
T5 DuPlex
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e 1167 m
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de Luanda e a cidade
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Área ToTal 21 900 m
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(apartamentos de luxo)
aParTaMenToS T4 - 30, T3 - 16, T2 -24, T1 – 16)
ÁreaS DoS aParTaMenToS entre 93 m
2
e 1167 m
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Preço Por MeTro quaDraDo 10 mil dólares
SéTiMo PiSo
Área 1100 m
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DeScrição restaurante e esplanada com deck
de madeira, piscina exterior, ginásio e Spa
eScriTórioS
PiSoS 6
Área 12 000 m
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e quatro elevadores exclusivos
Preço Por MeTro quaDraDo 8 mil dólares
coMércio
PiSoS 2
Área 2800 m
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loJaS cinco, com áreas que variam entre 222 m
2
e 1111 m
2
.
abaixo Do Solo
caveS 5
DeScrição para estacionamento, com capacidade
para 300 automóveis
O apartamento mais
barato, um T1, custa
930 mil dólares.
Os mais caros, T5 Duplex,
começam nos 9,95 milhões
comércio,
escritórios
habitação de
luxo, com SPa,
health club,
restaurante
e piscina
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38 | www.exameangola.com
cio Rey Katyavala. Marco Cardoso, director comercial
da CR Roca, salienta que “o empreendimento pretende
ser uma referência na cidade em termos de arquitectó-
nicos, qualidade de construção e localização”.
Os traços do edifício saíram do estirador do arquitecto
Luís Marvão, autor de projectos de referência noutros
países tal como o Hotel Mirage, em Cascais, Portugal.
“A Torre Ambiente é um edifício marcante. Destaca-
se pela qualidade de construção, porte e presença no
skyline de Luanda”, afrma Luís Marvão que acrescenta:
“A sua forma permite a integração no local e um diálogo
estreito com o meio envolvente.” A este propósito Marco
Cardoso salienta: “Os arquitectos souberam tirar par-
tido de uma localização única e de uma vista exclusiva.”
Além dos átrios amplos e altivos, uma das característi-
cas mais apreciadas do edifício é a ausência de paredes
exteriores. “A alvenaria foi substituída pelo vidro, o que
permite aos seus futuros habitantes desfrutarem cons-
tantemente da vastidão do horizonte e garante lumino-
sidade natural no interior dos apartamentos”, destaca o
responsável comercial do empreendimento.
Entrega no primeiro semestre de 2011
No total, a Torre Ambiente é constituída por 90 fogos
com tipologias de T1 a T5 Duplex e áreas diversifcadas,
entre 93 e 1167 metros quadrados. No total, o edifício
possui 21 900 metros quadrados dedicados à habitação
de luxo (19 pisos), assim distribuídos: 4 duplex T5, 30
apartamentos T4, 16 de tipologia T3, 24 fogos T2 e 16
do tipo T1. Os seis primeiros pisos da Torre Ambiente
destinam-se a escritórios, num total de 12 mil metros
quadrados, com entrada independente e quatro eleva-
dores exclusivos. O metro quadrado custa 8 mil dólares
(ao passo que a habitação é cerca de 10 mil).
Essa não é, no entanto, a norma do mercado, dado que
geralmente os escritórios têm um custo mais elevado do
que as habitações. Prevê-se que a construção da Torre
Ambiente possa estar terminada no início do próximo
ano. “Neste momento, cerca de 40% do edifício já estão
vendidos”, esclarece Marco Cardoso.
Mas a “imagem de marca” da Torre Ambiente são os
luxuosos T5 Duplex com áreas que variam entre 995 e
1167 metros quadrados, com piscina, terraços e uma vista
soberba sobre a baía de Luanda. O preço de venda des-
tes apartamentos (quatro no total) é de 9,995 milhões de
dólares e ocupam os 26.º, 27.º e 28.º andares. A este pro-
pósito, Marcos Cardoso sublinha que “o preço do metro
quadrado está dentro do mercado para a habitação de
luxo. O que os distingue são as suas grandes áreas, o que
faz subir o preço de venda”.
Quanto custa...
T5 DuPlex 26.º andar
Preço 9,95 milhões de dólares*
Área 995 m
2

DeScrição cinco suites, quarto de serviço, sala comum
com 175 m
2
, dois terraços (o maior com 283 m
2
), piscina
e vista para a marginal.
T4 18.º andar
Preço 3,86 milhões de dólares*
Área 386 m
2
DeScrição Duas suites, dois quartos, quarto de serviço,
sala comum com 109,35 m
2
, dois terraços
(um com 10,60 m
2
, outro com 64,65 m
2
)
T1 11.º andar
Preço 930 mil dólares*
Área 93 m
2
DeScrição uma suite, sala comum, cozinha e um terraço
com 22 m
2
.
* 10 mil dólares por metro quadrado.
entrada para
os pisos de
escritório é
independente.
Preço é 8 mil
dólares por
metro quadrado
NeGÓcioS IMOBILIÁRIO
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maio 2010 | 39
O apartamento mais barato situa-se no oitavo andar.
Trata-se de um T1 com 93 metros quadrados que custa
930 mil dólares. Os valores são comparáveis aos dos edi-
fícios mais caros do mundo tais como o Donald Trump
Building, em Manhattan (veja comparativo abaixo).
No 7.º piso, entre a área de escritórios e habitação,
existe um plateau com restaurante panorâmico, espla-
nada, um ginásio, um SPA e piscina exterior. Trata-se
de uma área com 1100 metros quadrados, “um espaço
exclusivo de lazer com ambiente seleccionado e distinto”,
segundo Marco Cardoso. A esplanada tem um deck de
madeira com vista para a baía de Luanda.
Ao nível da rua grandes montras marcam o espaço.
No total são 2800 metros quadrados, vocacionados para
o comércio. Abaixo do solo, a Torre Ambiente dispõe de
cinco caves para estacionamento, com capacidade para
300 automóveis. Os promotores prevêem a entrega do
imóvel durante no primeiro semestre de 2011. “O edi-
fício ganhará vida própria e vai responder aos desafos
do século em termos de qualidade de vida, tecnologia
e segurança”, refere Marco Cardoso com orgulho. b
... com esse dinheiro compra-se...
a localização
mesmo em
frente à baía,
a luminosidade
e a vista são
argumentos
de venda
o apartamento de ToM cruiSe, na Donald
Trump Building, em nova iorque, com
terraço, quatro quartos, seis casas de
banho, biblioteca, vista panorâmica
sobre Manhatan
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de Janeiro, com quatro suites, cinco
casas de banho e acesso ao clube de
golfe com piscina, Spa, sauna e ginásio
ou...
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ao de MaDona e JeSuS luz, no upper
east Side Building, em nova iorque,
totalmente equipado com móveis
armani, um terraço e jacuzzi privativo.
Fonte Semanário económico
O preço por metro quadrado
está dentro dos valores
de mercado para a habitação
de luxo. cerca de 40%
do edifício já está vendido
40 | www.exameangola.com
Negócios estratégia
A
história do Progroup é
mais um exemplo do
espírito empreendedor
e da capacidade de adap-
tação dos empresários nacionais que,
de acordo com as circunstâncias do
mercado, vão criando novos produ-
tos e serviços inovadores. O Progroup
é um grupo empresarial de capital
angolano, com o objectivo de se tor-
nar líder de mercado nos segmentos
em que actua — desde o imobiliário,
limpeza, segurança, consultoria, for-
mação, alimentação, petróleo e cons-
trução — e uma referência no mercado
internacional. “Este crescimento só foi
possível porque as pessoas acredita-
ram em nós”, diz José Luís de Carva-
lho, fundador e principal accionista.
O grupo tem 4 mil funcionários
(90% dos quais são nacionais) distri-
buídos por quase todo o país e gasta
cerca de 1 milhão de dólares em des-
pesas com o pessoal. José Luís de Car-
valho sustenta que a aposta no capital
humano é a prioridade número um
da empresa. Esse esforço é promo-
vido através do seu “braço” ligado à
formação, a Proforma.
“Os nossos técnicos são, na sua
maioria, angolanos e treinados para
resolver os problemas dos clientes”,
reforça João Venichand, o director-
-executivo do grupo.
Limpeza a bordo dos aviões da TAAG
A qualidade do serviço é outra ban-
deira do Progroup, que se orgulha de
ter a primeira empresa angolana no
ramo da limpeza com a certifcação
de qualidade ISO 9001-200, a Pro-
meteus. Garantia que fez com que a
TAAG lhe adjudicasse a responsabi-
lidade de limpar as suas aeronaves.
A ProGroup ambiciona terminar
igualmente o processo de certifca-
ção ICAO, o que não impede que
alguns aviões voem já com o brilho
Prometeus. Paralelamente, a Pro-
tector (empresa de segurança) tam-
bém adopta as melhores práticas do
programa ISO 9001, tendo ganho,
em 2004, o Quality Award Century
Quality Era — Business Initiative
Directiones, atribuído na Suíça. O
plano de desenvolvimento da Pro-
group para este ano requer um inves-
timento de 11 milhões de dólares.
Um grupo
de prós
Faustino Diogo
Há dezoito anos tinha apenas duas empresas:
na área de protecção pessoal e na de limpezas.
Hoje, é uma holding com 11 filiadas. Entre elas,
destaca-se a Proimóveis, que, segundo os
responsáveis, é líder em mediação imobiliária
maio 2010 | 41
Data De FunDação 1991
trabalhaDores 4 mil (90% nacionais)
Capital 100% angolano
sóCio Maioritário José Luís de Carvalho
investiMento previsto para 2010 11 milhões de dólares
Carteira diversifcada
O Progroup criou 11 empresas nos últimos18 anos.
Protector
seCtor Segurança
Criação 1991
Foi a primeira empresa do
grupo e é 100% angolana. Os
serviços de segurança pes-
soal e patrimonial correspon-
dem a 80% do vol ume de
trabalho. As escoltas, trans-
porte de valores e aluguer de
viaturas representam os res-
tantes 20%.
Prometeus
seCtor Limpeza
Criação 1991
É uma das primeiras empre-
sas privadas a oferecer solu-
ções completas no sector de
limpeza industrial, higiene e
conservação de imóveis e
áreas públicas. É responsável
pela produção de mais de dez
produtos químicos, específi-
cos para cada tipo de limpeza.
technoil
seCtor Serviços para
petrolíferas
Criação 2005
A Technoil oferece diversos
serviços de assistência téc-
nica e suporte para a indús-
tri a petrol í fera, desde o
fornecimento de mão-de-
-obra especializada até ao
transporte e o al uguer de
longa duração de viaturas.
Proimóveis
seCtor Imobiliário
Criação 2006
A empresa actua em todas as
áreas do segmento de imó-
veis: venda e arrendamento
de imóveis de particulares;
cadastros actualizados das
lojas disponíveis em Luanda;
assessoria a empresas.
A Proi móveis faz também
estudos de viabilidade para
a construção de empreendi-
mentos.
inforgestão
seCtor Consultoria
e formação
Criação 2007
Foi criada inicialmente para
atender as empresas do grupo
e agora oferece um serviço
de consultoria especializada
nas áreas administrativa e de
informática. É a represen-
tante do software Primavera,
o mais utilizado pelas médias
e grandes empresas no país.
Pronutry
seCtor Restauração
Criação 2007
É a proprietária do Restau-
rante Mamma Mia, no Bellas
Shopping.
Premium
seCtor Gestão de
condomínios
Criação 2010
Foi criada como marca de um
serviço da Progroup para a
gestão de condomí nios. A
adesão por parte dos clien-
tes justificou a criação de um
negócio independente.
Procerâmica
Fabricação de tijolos para
construção civil.
acróPole
Promoção imobiliária.
renaissance
Prestadora de serviço de
catering.
Proforma
Prestação de serviço e
formação.
noMe JOSÉ LuíS dE CARVALHO
Cargo PCA – Fundador do grupo
e sócio maioritário
naCionaliDaDe Angolana
estaDo Civil Casado
noMe JOãO VEnICHAnd
Cargo CEO - director-executivo
iDaDe 37 anos
naCionaliDaDe Luso-moçambicana
estaDo Civil Casado
42 | www.exameangola.com
Dentro das participadas do grupo, uma
das empresa que tem revelado maior dina-
mismo é a mediadora imobiliária Proimó-
veis. Foi fundada em 2006, depois de os
responsáveis do grupo terem verifcado que
estavam a nascer diversos projectos habita-
cionais faltando, porém, quem os pudesse
promover e comercializar de forma pro-
fssional. A empresa foi liderada, desde o
início, pelo brasileiro Cleber Corrêa, 43
anos, com formação em Direito. Ele traba-
lha no sector desde os
13 anos, altura em que
se juntou ao pai para se
dedicar ao comércio de
casas na metrópole de
São Paulo. “É impos-
sível uma empresa ou
um estrangeiro vir para
Angola sem contar com
o capital nacional”, diz Cleber, recordando
o início dessa aventura empresarial.
Numa primeira fase, o grupo apostou na
mediação de imóveis novos. Depois, passou
para os usados, o mercado de arrendamento
e a avaliação e venda de terrenos. A equipa
de mediadores é formada por 19 assalaria-
dos — 15 dos quais angolanos — aos quais
se juntam 25 comissionistas (que não têm
salário mensal — só ganham comissões
sobre as vendas). Os próprios garantem
que a falta de um salário no fnal do mês
em nada prejudica a motivação. “Ganham
uma comissão que vale a pena”, justifca
Cleber Corrêa. É necessário, no entanto,
saber gerir os rendimentos das comissões
porque há períodos bons e outros menos
bons. “Anos de grandes lucros como os
de 2007 e 2008 muito difcilmente se vol-
tarão a repetir”, sustenta o director-geral.
Casas acessíveis à classe média
Tal como sucede na casa-mãe, a Proimó-
veis procura apostar a fundo na formação.
“O trabalhador é fel à empresa se sen-
tir que ela está a apostar em si. Por outro
lado, uma pessoa bem preparada desem-
Negócios estratégia
a empresa
investe na
formação
como forma
de fidelizar
os melhores
mediadores
Vende-se...
Aluga-se...
Segundo os responsáveis,
a Proimóveis é a maior
empresa de gestão e mediação
imobiliária a operar em Angola.
Está presente nos segmentos:
• Venda de lançamentos;
• Aluguer e venda de imóveis de
particulares;
• Gestão de património imobiliário;
• Atendimento individualizado para
empresas e repartições;
• Cadastros actualizados de lojas;
• Assessorias a empresas;
• Estudo de viabilidade para a
construção de empreendimentos.
Saber mais:
www.proimoveis.com
Quinta Das Mangueiras
lançaMento novembro de 2009
target Classe média-alta
loCalização Benfica
preço A partir de 398 mil dólares.
DesCrição Condomínio fechado, com apartamentos T4
e coberturas dúplex, segurança 24 horas e o conforto de dois
lugares de estacionamento por apartamento e arrecadação. Está
localizado numa das áreas mais valorizadas da cidade, com forte
grau de crescimento e alta rentabilidade nos investimentos.
ville verMont
lançaMento Junho de 2010
target Classe média-alta
loCalização Benfica
preço A partir de 600 mil dólares.
DesCrição Condomínio fechado,
segurança 24 horas. Possui
vivendas (T4 e T5), cada uma com
anexos, piscina, dois lugares para
viaturas e cozinha completa.
maio 2010 | 43
penha melhor as suas actividades. Logo, a
formação é um bom negócio para ambos.
Quanto mais se preparam as pessoas, mais
as empresas fcam competitivas. Mesmo
que essa pessoa saia e vá para a concorrên-
cia será sempre alguém que saiu do nosso
seio. Você sabe que essa pessoa é um bom
profssional e que pode contar com ela para
fazerem negócios juntos”, justifca.
Cleber Corrêa acredita que o mercado
imobiliário está a mudar devido a dois
factores principais: “ao mesmo tempo que
existe menos liquidez no mercado, têm sur-
gido projectos com um menor custo por
metro quadrado, que permitem à classe
trabalhadora comprar imóveis mais bara-
tos”. A Proimóveis atenta a essa “demo-
cratização” do mercado já está a trabalhar
nesse segmento. Trabalha, por exemplo, na
comercialização de 2800 apartamentos na
zona do Camana e de
400 apartamentos em
Viana, onde uma casa
com 120 metros qua-
drados de área vai cus-
tar 168 mil dólares. Há
ainda outras 500 casas,
também em Viana, com
preços entre 75 mil e 80
mil dólares cada uma. A novidade é que o
comprador poderá dispor da chave antes
de ter pago a casa, o que não acontecia até
aqui. “Estamos a propor aos promotores
algo inusitado, que ainda não existe, que
é o cliente pagar a casa depois que entra
nela. Porquê não apostar na honestidade
das pessoas e dar um voto de confança”,
questiona Cleber Corrêa.
Para os profissionais da mediação a
mudança é positiva. “Hoje, os imóveis já
começaram a baixar os preços, o que faci-
lita a compra de uma casa. Antigamente,
os bancos, em muitos casos, não conce-
diam empréstimos devido aos altos valo-
res das habitações que, infelizmente, ainda
se vão praticando na nossa praça”, diz Isa-
bel Almeida, uma mediadora que está na
profssão há dois anos. Antes era técnica
média de construção civil, mas desde
muito cedo se mostrou interessada em
contribuir para que o sonho da casa pró-
pria, comum à maioria dos jovens ango-
lanos, se tornasse uma realidade. Hoje, a
venda de casas entrou no roteiro de vida
de Isabel. “É uma alegria quando ajuda-
mos alguém a concretizar o seu sonho.” b
Cleber
Corrêa,
director-geral
da proimóveis:
“apostamos
na honestidade
das pessoas”
Estamos a propor
algo que é novo
no mercado. O cliente
pode receber a chave
antes de pagar a casa
QueDas De KalanDula
lançaMento Outubro de 2008
target Classe alta
loCalização Talatona
preço A partir de 923 mil dólares
DesCrição O mais vantajoso e aconchegante
condomínio de vivendas no coração do Talatona.
um clube privativo com diversas opções de lazer,
como campos de ténis, piscina e salão de festas.
terraço com churrasqueira para todas as unidades.
eDiFíCio são paulo
lançaMento Outubro de 2009
target Classe alta
loCalização Centro
preço A partir de 990 mil dólares
DesCrição Situado em pleno coração
de Luanda, na Avenida Ho-Chi-Min,
o Edifício São Paulo ergue-se com uma
área de contrução de 14 000 m
2
.
São 54 apartamentos de luxo T3 e T4.
44 | www.exameangola.com
MundoPlano
Tendências que marcam a agenda do gesTor global
Coca-Cola
na China: um
símbolo dos
novos tempos
China
Coca-Cola cresce
a todo o gás
Nos próximos dez anos, a Coca-Cola quer duplicar a sua facturação, atingindo
os 200 mil milhões de dólares de receitas anuais. Para o objectivo ser alcançado,
a empresa americana vai colocar em acção um plano para triplicar as suas
vendas na China. Potencial não falta. Cada chinês consome hoje uma média
de 28 garrafas de refrigerante por ano, o mesmo que a média africana.
O plano de expansão inclui o aumento da rede de distribuição do produto
no país, com a criação de quase 5 milhões de novos pontos
de venda. Actualmente, a Coca-Cola é líder na China, com
quase 15% do mercado de bebidas gaseificadas.
im
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h
in
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desde 2008 que a maioria dos países sofre os
efeitos da bolha imobiliária. nalguns deles, como
o dubai, muitas obras estão paradas. há outros,
porém, onde a procura está mais efervescente
do que nunca. Por incrível que pareça é o caso
de cabul, a capital do afeganistão? os analis-
tas dizem que está a formar-se uma bolha imo-
biliária, improvável num país assolado por
guerras e pobreza, no mercado afegão. de acordo
com corretores locais, os preços de casas e
apartamentos nalguns bairros da cidade subi-
ram 75% no último ano. a alta ocorreu graças
ao aumento da procura por parte dos estran-
geiros e dos afegãos ricos que costumavam
investir em dubai, mas que agora migraram para
cabul. a verdade é que a cidade de 3 milhões
de habitantes ficou pequena para tanta procura.
aFEGaniSTÃO
A bolha improvável
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Cabul: casas mais caras, apesar da guerra
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A nova versão de We Are the World: uma das campeãs do iTunes
LíbanO
A conquista
das passarelas
Desfile
em Beirute:
alta-costura
árabe está
na moda
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Vivendo um período de
estabilidade política desde
2008, o líbano vê
finalmente a sua
economia a prosperar.
o crescimento do Pib em
2009 foi de 7%, segundo
os dados do Fmi.
um dos sectores em
ascensão é a moda. na
capital do país, beirute, é
cada vez maior o número
de lojas de alta-costura
de estilistas libaneses
consagrados, como
georges chakra,
georges hobeika
e elie saab. as suas
criações estão na
moda e já foram
usadas pelas
estrelas angelina
Jolie e beyoncé.
Para uma indústria que já tinha perdido 9,4 mil milhões
de dólares no ano passado, esta crise é devastadora.
Giovanni Bisignani, presidente da Associação Internacional de Transportes Aéreos,
sobre o caos nos aeroportos provocado pela erupção do vulcão na Islândia
marrOCOS
Um pecado tolerado
Para os muçulmanos, o consumo de
álcool é considerado um haram (pecado,
em árabe). mas, em marrocos, a tole-
rância religiosa tem permitido à indús-
tria do vinho prosperar. no ano passado,
o país produziu 35 milhões de garrafas
de vinho. os produtores vendem ape-
nas para o exterior e aos comerciantes
marroquinos autorizados pelo estado,
que podem revendê-los aos turistas.
Degustação
de vinho:
35 milhões
de garrafas
produzidas
por ano
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lançada no mês passado, a nova ver-
são do video We Are the World, liderada
por artistas como quincy Jones, Tony
bennett e barbra streisand, já entrou
para a lista de músicas mais vendidas
do iTunes. a receita reverte em bene-
fício das vítimas do terramoto que devas-
tou o haiti em Janeiro. os autores
esperam que a nova versão supere rapi-
damente a marca de 60 milhões de dóla-
res, quantia amealhada pela primeira
versão da música, produzida há 25 anos.
haiTi
Uma ajuda de 60 milhões de dólares
46 | www.exameangola.com
global índia
J
untos, os irmãos indianos Mukesh
Ambani, de 51 anos, e Anil, de
49, controlam uma fortuna de 85
mil milhões de dólares. É mais
do que têm Carlos Slim, Warren Bufett
ou Bill Gates, os três homens mais ricos
do mundo segundo a revista Forbes. Tal
como sucede nos dramas familiares do
cinema, os Ambani, unidos para sempre
por laços de sangue, estão separados pela
ambição, pelo ressentimento e pelas lutas
do poder.
Os problemas de relacionamento entre
Mukesh e Anil tornaram-se públicos em
2002, ano da morte de Dhirubhai Am-
bani, patriarca da família e fundador do
grupo Reliance, um dos maiores con-
glomerados empresariais da Índia, com
mais de 100 empresas. Na altura, fcou
claro que os irmãos não se entenderiam e
o grupo foi dividido em dois. A Mukesh,
o primogénito, coube a gestão da área in-
dustrial, a Reliance Industries Limited.
Anil passou a controlar os bancos e as
empresas de telecomunicações.
Seguindo a tradição de uma socieda-
de patriarcal como é a indiana, as duas
flhas de Dhirubhai — Deepti e Nina —
permaneceram alheadas dos negócios.
A divisão do grupo, porém, não foi suf-
ciente para selar a paz entre os herdeiros
varões. Mukesh (4.º) e Anil (36.º), dois
dos homens mais ricos do mundo, se-
gundo o ranking da Forbes, continuam a
lutar — publicamente e na Justiça.
A mãe é a mediadora do confito
Anil tem em curso um processo judicial
contra o irmão mais velho por difamação.
O motivo da acção foi uma entrevista que
Mukesh concedeu ao jornal americano
Te New York Times. Onde, o empresá-
rio insinua que Anil fazia “jogo sujo” nos
negócios, liderando uma rede de lobistas
e espiões para ser benefciado nos acor-
dos com o governo indiano e prejudicar
as actividades dos concorrentes. Inconfor-
mado com as declarações, Anil foi para os
Tatiana Gianini
Os irmãos indianos Mukesh e Anil Ambani estão entre os homens mais ricos do planeta.
Controlam impérios empresariais e lideram uma das maiores guerras familiares do mundo
ambani x ambani
Mukesh:
dono da maior
empresa
privada da Índia
MAnAnVATSYAYAnA ©PHOTO
maio 2010 | 47
tribunais, exigindo uma indemnização de
2 mil milhões de dólares e um pedido of-
cial de desculpas do irmão.
Essa não foi a única batalha entre os
dois que foi parar à Justiça. Outro pro-
cesso, também em curso, envolve uma
disputa pela distribuição de gás de um
campo controlado por uma das empre-
sas de Mukesh. No acordo, que resultou
na divisão do grupo Reliance, Mukesh
comprometeu-se a fornecer gás ao irmão
a um preço determinado, que Anil agora
alega ser impraticável.
Devido à frequência com que os Ambani
comparecem nos tribunais, um juiz ape-
lou a Kokilaben, a matriarca da família,
para que ela se tornasse a mediadora de
um novo acordo entre os seus flhos. Na
altura da morte do fundador do grupo, foi
Kokilaben que ajudou a convencer Mukesh
e Anil de que a divisão do Reliance seria a
melhor solução para os negócios.
A Reliance Industries Limited, a parte que
coube à Mukesh Ambani, é hoje a maior
empresa privada da Índia, com uma fac-
turação que corresponde a cerca de 3% do
PIB do país. O grupo de empresas regis-
tou um volume de negócios de 34,7 mil
milhões de dólares e um lucro de 6 mil
milhões, o que representa, em ambos os
casos, um aumento de 27% em relação ao
ano anterior. As suas áreas de actuação vão
da exploração de petróleo e gás à produ-
ção de petroquímicos, produtos têxteis e
distribuição. Em Agosto de 2007, o grupo
empresarial liderado por Mukesh abriu o
seu primeiro hipermercado — e o maior
da Índia —, o Reliance Mart, na cidade de
Ahmadabad, no Norte do país. Até ao fnal
deste ano, outros 500 hipermercados com
a bandeira do Reliance deverão ser inau-
gurados na Índia.
Família em confito
Quem são Anil e Mukesh Ambani, os irmãos que hoje administram os negócios da família
mais poderosa da Índia, dona do grupo Reliance
Fonte: Forbes
Mukesh Ambani
IDADE 51 anos

ForTunA pEssoAl 43 mil milhões de dólares
FAMÍlIA Casado, três flhos
nEGócIos
Reliance Industries Limited, que reúne
a carteira de investimentos do grupo nas áreas
de exploração e produção de petróleo e gás,
petroquímicos, têxtil e distribuição.
ForMAção Licenciado em Engenharia Química, pela
Universidade de Bombaím, na Índia.
Anil Ambani
IDADE 49 anos
ForTunA pEssoAl 42 mil milhões de dólares
FAMÍlIA Casado, dois flhos
nEGócIos
Reliance ADA Group, que abrange negócios
de telecomunicações, infra-estruturas, energia
e entretenimento, entre outros.
ForMAção Licenciado em Ciência, pela Universidade de
Bombaím, e pós-graduado em Administração pela escola
de administração Wharton, da Universidade da Pensilvânia.
Anil:
dono da maior
produtora de
Bollywood
PUnIT PARAnjPE/LAnDOV
48 | www.exameangola.com
Entre os negócios de Anil estão empre-
sas de telecomunicações, infra-estrutu-
ras, energia e entretenimento. O seu grupo
controla uma das maiores produtoras de
Bolly wood, a emergente indústria cinema-
tográfca indiana. Os planos agora são ainda
mais ambiciosos: entrar em Holly wood.
Em Outubro do ano passado, a Reliance
fechou um acordo com o famoso realiza-
dor Steven Spielberg para criar um novo
estúdio na meca americana do cinema.
Anil investirá 550 milhões de dólares
nesta parceria. A Reliance Communica-
tions, a sua principal empresa, facturou no
último ano fscal 4,8 mil milhões de dóla-
res, o que representa um crescimento de
31,8% em relação ao ano anterior.
Os irmãos têm estilos opostos — embora
ambos amem o poder e tenham lutado por
ele. Mukesh é introspectivo. Nas horas
vagas, passa o tempo com os seus três flhos
e a mulher assistindo a jogos de críquete
do Mumbai Indians, equipa que comprou
por 112 milhões de dólares, ou assistindo a
flmes de Bollywood (vê cerca de três por
semana no seu cinema privado). Mukesh,
porém, é um típico bilionário, ávido por
impressionar a sociedade em que vive e
— talvez ainda mais — o irmão rival.
Em 2007, presenteou a sua mulher com
uma aeronave Airbus A319 de 70 milhões
de dólares. Em breve, a sua família deve
mudar-se para uma mansão de 27 pisos e
167 metros de altura, erguida numa das
ruas mais sofsticadas de Bombaim. Orçada
em 2 mil milhões de dóla-
res, a nova mansão dos
Ambani terá nove eleva-
dores, parque de estacio-
namento para 168 carros,
cinema com capacidade
para 50 pessoas e um heli-
porto com espaço para três helicópteros.
Anil aprecia a fama e os holofotes
Anil casou-se com a ex-estrela de Bollywood
Tina, de quem teve dois flhos. Adora rou-
pas de estilistas famosos e, nas horas vagas,
corre maratonas — sempre seguido por
seguranças. “Os dois são muito diferen-
tes. Mukesh sempre foi mais tímido e tra-
dicional, e nos negócios gosta de saber
os detalhes do chão da fábrica. Já Anil é
sociável, adora conhecer pessoas e era a
face pública da empresa.”
O império Reliance
nasceu nos anos 50.
Vindo de uma casta de
mercadores, Dhirubhai
Ambani estabeleceu,
em 1958, a Reliance
Commercial Corpora-
tion, pequeno escritório em Bombaim
que começou por exportar especiarias
para o Iémene e importar de lá fbras de
poliéster. Dhirubhai percebeu que fca-
ria rico se as conseguisse produzir na
Índia. Menos de uma década depois,
montou um moinho têxtil, em Naroda
— perto da cidade de Bapunagar —, e criou
a famosa marca de tecidos Vimal.
Dhirubhai prosperou e expandiu-se para
outras áreas. Ao morrer, tornou-se uma
lenda dos negócios. O seu funeral levou às
ruas de Bombaim milhares de indianos.
Nas fotos da cerimónia, Anil e Mukesh
aparecem lado a lado, à frente do cortejo,
carregando o corpo do fundador. Foi uma
das últimas vezes em que foram vistos jun-
tos. Como na obra-prima de Dostoievski,
os irmãos Ambani encontram a sua pró-
pria maneira de ser infelizes. b
Mukesh tem
o negócio da
distribuição,
uma tradição
da família
os negócios
na área das
comunicações
ficaram a
cargo de Anil P
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global índia
Anil é sociável. Casou
com uma ex-estrela
de cinema. Mukesh
é mais introspectivo.
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50 | www.exameangola.com
Global europa
Felipe Carneiro
Antes chamavam-lhes os “Tigres do Báltico”.
Mas a crise desfez o sonho da Estónia, da Letónia
e da Lituânia, cuja retoma ainda parece distante
E
m Novembro, a União Europeia
anunciou ofcialmente a sua saída
da recessão. Apesar dos vaticí-
nios tenebrosos dos analistas, a
União Europeia (com 27 países) apresen-
tou, nesse trimestre, um crescimento eco-
nómico de 0,2%, apesar de ter terminado
o ano com um decréscimo de 4,2%.
Essa sensação momentânea de alívio,
porém, ainda não chegou — cinco meses
depois — à emergente região do mar Báltico,
berço de três países que, até pouco tempo,
eram conhecidos por “tigres”, numa refe-
rência ao crescimento brutal das nações
asiáticas durante a década de 90. Os cida-
dãos da Lituânia, da Estónia e da Letónia
comprovam hoje, na vida real, o que pen-
sadores como Keynes já diziam no passado
— há muito de imponderável na economia.
E o que era uma maravilha ontem pode
tornar-se um pesadelo amanhã.
O pesadelo já chegou para estes três paí-
ses. As suas economias terminaram 2009
com as maiores taxas de contracção do PIB
da Europa: –14,1%, –18% e –15%, respec-
tivamente. Em Abril, um em cada cinco
letões estava desempregado. As lojas e os
restaurantes estão “às moscas” nas capi-
tais desses países, onde se tornou comum
encontrar construções interrompidas. São
obras começadas no início desta década,
quando esses países cresciam acima da
média europeia. Em 2007, a maior dessas
economias, a Estónia, com 1,4 milhões de
habitantes, cresceu mais de 7%.
A palavra-passe para o progresso foi
dada nos anos 90, quando essas ex-repú-
blicas soviéticas atingiram uma certa esta-
bilidade política e conseguiram realizar
reformas fundamentais — desde a priva-
tização das velhas empresas públicas até à
abertura ao capital externo. O novo cená-
rio atraiu várias empresas da Europa Oci-
dental, em busca de mão-de-obra barata.
Os turistas, travados no passado pela “Cor-
tina de Ferro”, descobriram atracções como
o esplendor barroco de Vilnius, capital da
Lituânia. A adesão do trio à União Euro-
peia, em 2004, só fez aumentar a euforia
em torno dos Tigres do Báltico.
Salvem os felinos
Aos poucos, porém, esses países começaram
a envenenar-se com as mesmas substân-
cias tóxicas que abalaram as outras grandes
economias, como a endividamento exces-
sivo, o consumo desenfreado e a especu-
lação imobiliária.
os tigres
perderam
os dentes
No auge desse processo, o preço do metro
quadrado nas capitais destes países supe-
rou o das ricas Copenhaga ou Estocolmo.
“Quando a crise global chegou, as eco-
nomias da região entraram em colapso e
fcaram sem armas para reagir”, afrmou à
EXAME Viktor Trasberg, coordenador do
Centro de Estudos Bálticos da Universidade
de Tartu, na Estónia. Na fase mais aguda
da recessão, os investimentos estrangeiros
fugiram e as exportações caíram. O Parex,
maior banco privado letão, foi nacinalizado
em Novembro de 2008 para evitar a ban-
carrota e a possível contaminação de todo
o sistema fnanceiro. No mês seguinte, o
governo pediu um empréstimo de 11 mil
milhões de dólares ao FMI.
Com a deterioração da economia, o
primeiro-ministro Ivars Godmanis não
resistiu aos maiores protestos populares
desde o fm da era soviética e demitiu-
-se no início de 2009. Hoje, enquanto o
resto da Europa inicia o processo de retoma,
os Tigres Bálticos estão longe de ver a luz
ao fundo do túnel. Uma das medidas mais
urgentes, a desvalorização das moedas
nacionais, que poderia estimular a recupe-
ração das exportações, tem sido adiada. Os
governos temem que uma queda na cota-
ção terá um impacte imediato nas dívi-
das nacionais, todas elas cotadas em euro.
Enquanto não resolvem o dilema cambial,
os países adoptaram medidas de emergên-
cia, como cortes nos gastos públicos em
40%. A expectativa é que essas políticas
suavizem a queda, a tempo dos grandes
da União Europeia terem força sufciente
para tirar os ex-Tigres do fundo do poço. b
Crise no Báltico
Depois de um período de euforia,
os países da região registam algumas
das piores taxas de crescimento
da Europa (crescimento do PIB)
2005
2006
2008
2007
2009
7,8%
7,8%
9,8%
2,8%
-15%
Lituânia
2005
2006
2008
2007
2009
10,6%
12,2%
10%
-18%
-4,6%
Letónia
9,4%
10%
7,2%
2005
2006
2008
2007
2009 -14,1%
-3,6%
estónia
Fonte: EurosTATs.
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Comércio em
Riga, capital
da Letónia: um
em cada cinco
habitantes está
desempregado
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SEMANÁRIO ECONÓMICO 6A
maio 2010 | 53
O painel de bordo
dos executivos
GestãoModerna
ideias para gerir a sua empresa, negócio ou carreira
C. K. Prahalad, guru da estratégia falecido no dia 22 de Abril
O mal dos gestores não é a falta de recursos.
O problema está na falta de imaginação.
Guru das fnanças
nOme david norton
experiência prOfissiOnal Fundador e presidente
da consultora palladium group e co-fundador da Balanced
scorecard collaborative
fOrmaçãO Licenciatura em engenharia eléctrica pelo
Worcester polytechnic institute, mBa pela Florida state
university e doutoramento em gestão pela Harvard
Business school.
livrOs co-autor de cinco livros que venderam um milhão
de cópias e estão traduzidos em mais de 23 idiomas.
The Balanced scorecard (1996)
The strategy-focused Organization (2000)
strategy maps (2004)
alignment (2006)
The execution premium (2008)
Tal como os pilotos controlam o avião através da leitura dos intrumentos que
estão no cockpit, também os gestores podem reunir num único painel os
indicadores-chave da sua empresa. o método chama-se balanced scorecard
e um dos seus autores, david norton, veio a Luanda explicar a metodologia.
no passado, cerca de 80% do valor de mercado das empresas era relativo
aos seus activos tangíveis (edifícios, máquinas e capital) e 20% a intangíveis
(marca, pessoas ou talento). Hoje a relação é inversa: 80% intangíveis versus
20% tangíveis. essa nova realidade é o pesadelo dos gestores financeiros,
habituados a compilar os mais diversos indicadores sobre o desempenho
económico e financeiro da sua empresa – desde os rácios mais simples, até
aos mais sofisticados. só que essa informação incide apenas sobre o passado
e o património quantificável da empresa. mas como contabilizar activos que,
como o próprio nome indica, não são mensuráveis? e como tornar o
somatório dessas informações num auxiliar para a gestão estratégica?
É essa a especialidade de david norton, que esteve em Luanda no passado
dia 20 de abril, para animar um seminário sobre a metodologia do balanced
scorecard, da qual é autor, juntamente com robert Kaplan. o conceito
significa, em termos simplistas, quantificar o desempenho da empresa
através de indicadores quantitativos que fazem o balanceamento entre
quatro perspectivas: financeira; processo interno; cliente; aprendizagem e
crescimento. segundo Kaplan e norton, o balanced scorecard reflecte o
equilíbrio entre os objetivos de curto e longo prazo, entre medidas financeiras
e não-financeiras, entre indicadores de tendências e ocorrências e, ainda,
entre as perspectivas interna e externa de desempenho. dessa forma
contribui para que as empresas acompanhem os seus resultados actuais,
monitorando, ao mesmo tempo, a aquisição dos activos intangíveis
necessários para o crescimento futuro. ou seja, permite que as empresas
tenham simultaneamente um “pé” no presente e outro no futuro.
recorde-se que a ferramenta do balanced scorecard foi escolhida pela
prestigiada revista Harvard Business Review como uma das práticas de
gestão mais importantes e revolucionárias dos últimos 75 anos. david norton
já escreveu cinco livros sobre o tema (ver lista à direita). o seminário foi
organizado pela empresa especializada em formação e eventos iir que, em
novembro de 2008, já tinha convidado Tom peters (ver EXAME n.º1).
saber mais www.iirangola.com
David norton,
co-autor
do conceito
de balanced
scorecard
em luanda
54 | www.exameangola.com
gestão microcrédito
A bAncA Dos PobRes
maio 2010 | 55
A bAncA Dos PobRes
Imagine ser dono de um banco que cobra taxas de juro acima do
mercado e em que 99% dos clientes pagam a dívida a tempo e horas.
Esse banco existe, nasceu no Bangladesh e chama-se Grameen
Bank. Muhammad Yunus, o fundador, é considerado o pai do
microcrédito, uma ideia que tirou milhões de pessoas da pobreza,
O Nobel da Paz esteve em Angola para partilhar a sua experiência
Jaime Fidalgo
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56 | www.exameangola.com
gestão microcrédito
e
ra grande a expectativa. Não é
todos os dias que Angola tem
a honra de receber um Prémio
Nobel. O evento começou atra-
sado. Muhammad Yunus foi chamado à
Cidade Alta para uma audiência com o
Vice-presidente de Angola, Fernando da
Piedade Dias dos Santos, na qual o con-
vidou a visitar o Bangladesh e a conhecer
como funciona o microcrédito.
Regressado ao Centro de Convenções de
Talatona, surge um novo momento que fez
as delícias da comunicação social. Ana Paula
do Santos, primeira-dama de Angola, iria
fazer a intervenção de abertura do semi-
nário. Caso para dizer que, ainda antes
de começar, este evento já era um grande
sucesso mediático. Ana Paula dos Santos
confessou ser uma admiradora de Muham-
mad Yunus que já conhecera na Cimeira
de Microcrédito de 1997, em Washington.
A primeira-dama recordou, cronologica-
mente, as principais iniciativas já realiza-
das em Angola e colocou especial enfâse
nas instituições de responsabilidade social
a que preside. É o caso do Fundo de Soli-
dariedade Social Lwini — que apoia, entre
outros, as vítimas de minas e os portado-
res de defciência — e do Comité Nacional
para a Promoção da Mulher Rural.
Da mesma forma que abriu, a conferência
também terminou de uma maneira insti-
tucional, com o discurso de Manuel Nunes
Júnior, ministro de Estado e da Coordena-
ção Económica. O responsável salientou
as virtudes do microcrédito: “Uma pode-
rosa ferramenta de combate à pobreza e
da prossecução dos objectivos do milénio,
relativos à redução da pobreza até 2015.”
De salientar ainda a presença na audiência
de representantes do Governo, das autori-
dades provinciais e de organismos públi-
cos que aproveitaram o período de debate
para colocar questões, mais de ordem prá-
tica do que flosófca, ao palestrante.
Talvez a presença mais notada tenha
sido a comitiva de cinco compatriotas de
Yunus que não escondiam a emoção de
estar na sua companhia. “Muhammad é
um herói nacional. Alguns habitantes do
Bangladesh podem não saber quem é o
Presidente actual, mas todos conhecem
Yunus”, salienta Isahaque Ali, director-
-geral da Golfrate, que produz e comercia-
liza em Angola algumas marcas da multi-
nacional Unilever, como o Omo, Sunlight,
Skip ou Dona Xepa. Através do vibrante
grupo fcámos a saber que existem cerca
de 200 naturais do Bangladesh a trabalhar
em Angola. No dia seguinte ao evento, a
comunidade recebeu a visita de Yunus
e fez questão de homenagear o distinto
compatriota. “Ele é uma pessoa simples
e encantadora. Todos o adoram”, confes-
sou Clotilde Saraiva, líder da Internatio-
nal Talents, que organizou a conferência
e que teve a EXAME como media partner.
Uma ideia que nasceu no Bangladesh
E foi precisamente a falar da sua terra natal
que Muhammad Yunus, Nobel da Paz em
2006, começou a sua palestra. O “guru”
confessou, numa expressão bem ango-
lana, que “viver no Bangladesh é com-
plicado”. O país tem uma população de
150 milhões de pessoas (a sétima maior
do mundo) e uma área de 144 mil quiló-
metros quadrados. Logo, é a nação com
a maior densidade populacional do pla-
neta. A economia é rudimentar. O Ban-
gladesh tem um PIB per capita de apenas
1300 dólares (o 153.º em 181 países). Não
tem quaisquer recursos naturais e a agri-
cultura, a principal actividade, é prejudi-
cada pelas catástrofes naturais.
Devido a estar localizado próximo do
Trópico de Câncer, o Bangladesh tem um
clima de monções, caracterizado por chu-
vas intensas, temperaturas moderadamente
quentes e uma elevada humidade. O país é
afectado por ciclones a uma média de 16 por
década. Em Maio de 1991, um deles matou
136 mil pessoas. Outras calamidades como
as inundações são normais todos os anos.
“Quando chega a época das chuvas o país
pára. Se as águas chegam ao nível do solo
das casas, a vida continua sem sobressal-
ANA PAulA dOs sANtOs “Yunus é uma inspiração para o combate à pobreza”
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maio 2010 | 57
tos. Se chega ao nível das camas as pessoas
são obrigadas a dormir no telhado e mui-
tas crianças escorregam durante a noite e
morrem. Quando as chuvas chegam aos
telhados, as pessoas perdem tudo e têm de
recomeçar a vida do zero”, conta Muham-
mad Yunus, Prémio Nobel da Paz, numa
das partes mais comoventes da sua apre-
sentação realizada no dia 30 de Abril, no
Centro de Congressos de Talatona.
Muhammad Yunus não viveu sempre
no Bangladesh. Em 1965, ganhou uma
bolsa de estudo e foi estudar para os Esta-
dos Unidos, país onde se licenciou e tirou
um mestrado em Economia. Regressou a
“casa” em 1971, logo após a independência
face ao Paquistão. O jovem Yunus estava
cheio de esperança de ser útil à jovem
nação e participar no esforço de recons-
trução nacional. Dava aulas de Economia
na Universidade de Dhaka. “Nas aulas eu
dizia aos alunos que a economia resolvia
todos os problemas do mundo, mas depois,
quando saía à rua, via as pessoas a mor-
rer de fome e sentia-me impotente. Tinha
de fazer algo. Passei a ir às aldeias onde,
todos os dias, procurava ajudar uma pes-
soa. Essa era a minha meta: auxiliar uma
pessoa por dia”, recorda. Foi numa dessas
visitas à aldeia de Jobra, que Yunus veri-
fcou que havia agiotas que emprestavam
dinheiro, cobrando juros altíssimos. No
total, eram 41 aldeões que deviam ape-
nas 47 dólares. “Resolvi pagar as dívidas
do meu próprio bolso. Passados uns dias,
recebi o dinheiro de volta”, sublinha.
O banco é que vai ter com o cliente
Animado com a experiência, foi pergun-
tar ao banco mais próximo porque é que
eles nunca tinham pensado em emprestar
dinheiro aos aldeões. A resposta foi des-
concertante: eles não podiam emprestar
dinheiro aos pobres. Devido à insistência
do professor Yunus o pedido foi remetido
à sede que, oito meses depois, continua-
va sem dar resposta. Até que o econo-
mista decidiu oferecer-se como avalista
do empréstimo. Passados dois meses veio
fnalmente o parecer favorável.
Nos primeiros anos, foi assim que o
microcrédito se desenvolveu no Bangla-
desh. Mas o verdadeiro impulso só sur-
giu quando se criou o Grameen Bank,
uma instituição totalmente vocacionada
para os pequenos empréstimos dirigidos
aos pobres. Nascido em 1976, só ganhou
formalmente o estatuto de banco em 1983,
através de uma lei especial. Essa legislação
especifca faz sentido porque o Grameen
Bank difere, em quase tudo, da banca tra-
dicional. “É como o futebol na Europa e
nos Estados Unidos. A palavra é a mesma,
mas as regras são totalmente distintas.”
De facto, enquanto para a banca tradi-
cional quanto mais rico é o cliente, melhor;
para o microcrédito é o inverso — quanto
mais pobre, melhor. No Grameen Bank o
banco é que se desloca até ao cliente e não o
contrário. Por fm, são os benefciários que
detém a propriedade. “Se o banco der lucro,
esse montante é distribuído pelos clientes
sob a forma de dividendos”, afrma. Uma
das diferenças mais importantes é o facto
MANuEl NuNEs JúNIOr “Microcrédito tem potencial de crescimento em Angola”
Os ricos não
podem ganhar
dinheiro à custa
dos pobres.
Foi para lutar
contra os agiotas
que criei o
Grameen Bank
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58 | www.exameangola.com
de trabalhar essencialmente com mulheres.
“Elas eram uma classe ignorada pelos ban-
cos. Quando começámos o banco eu colo-
quei como objectivo ter 50% de mulheres.
O problema é que as aldeãs não queriam
essa responsabilidade. A maioria nunca
tinha tocado em dinheiro e recusava-se a
conversar comigo. Tive de usar as minhas
estudantes como intermediárias. A pouco e
pouco fui ganhando a confança”, recorda.
Valeu a pena o esforço. As mulheres
revelaram-se excelentes empresárias e hoje
representam 99% dos clientes do Grameen
Bank. “Quando as mulheres têm sucesso
no negócio isso refete-se imediatamente
na família. Os flhos vão à escola e estão
melhor alimentados e vestidos. Nos homens
não vemos o mesmo progresso”, diz. Essa
mudança teve refexos na própria organi-
zação social do Bangladesh. “Há 25 anos
as mulheres tinham seis flhos, em média,
hoje têm apenas três”, revela.
Hoje, o Grameen Bank empresta cerca
de 100 milhões de dólares por mês. Esse
capital não vem do governo ou do sistema
fnanceiro. Vem dos depósitos dos clientes
e dos juros dos empréstimos. O fnancia-
mento também não vem da sede. “Cada
agência actua localmente e é auto-suf-
ciente”, afrma.
Filhos dos benefciários têm de ir à escola
As taxas de juro são diferenciadas consoante
a natureza da operação. Os empréstimos
são remunerados a uma taxa superior à do
mercado, mas, em contrapartida, o crédito
à habitação e à educação são sujeitos a uma
taxa inferior. Yunus justifca: “Uma das con-
dições que colocamos a quem emprestamos
dinheiro é que os flhos vão à escola. Pelo
menos que tenham a instrução básica. O
banco encarrega-se de fnanciar os estudos.
Hoje, já temos famílias que recorreram ao
microcrédito e cujos flhos são estudantes
gestão microcrédito
COMPAtrIOtAs dE YuNus “Existem cerca de 200 naturais do Bangladesh a trabalhar em Angola. Para nós, Muhammad é um herói nacional”
todas as pessoas,
ricas ou pobres,
com ou sem
instrução,
podem ser
empreendedoras.
todas merecem
uma oportunidade
maio 2010 | 59
de mestrado. Quando vejo uma flha uni-
versitária ao lado de uma mãe sem instru-
ção, penso sempre que a diferença entre elas
é apenas uma: a sociedade nunca deu uma
oportunidade à mãe. A pobreza resulta da
falta de oportunidades”, resume.
Yunus acredita piamente que todas as
pessoas, ricas ou pobres, com ou sem ins-
trução, podem ser empreendedoras. A
prová-lo está o facto de há quatro anos o
Grameen Bank ter começado a emprestar
dinheiro (sem juros) aos pedintes. “Demos-
-lhes dinheiro para eles comprarem fruta,
bebidas, doces e brinquedos. As coisas cor-
reram tão bem que a maioria tornou-se
vendedor porta a porta. Apesar de nunca
terem estudado marketing eles sabem seg-
mentar os clientes por produto.”
Outro desafio foi ajudar os cegos.
“Quando percebemos que eles, em regra,
pediam dinheiro em locais estratégicos
— debaixo de árvores em ruas de grande
circulação — resolvemos emprestar-lhes
dinheiro, também a fundo perdido, para
montarem uma pequena banca de comér-
cio. Mais uma vez funcionou. Recorde-se
que nós não damos qualquer formação. Só
emprestamos dinheiro. Eles sabem, melhor
do que nós, o que fazer com ele”, esclarece.
Clientes são perdoados, as dívidas não
Outra razão de orgulho para Muhammad
Yunus é o facto da taxa de reembolso dos
empréstimos ser de quase 100%. Para o
Nobel de Paz a explicação está na meto-
dologia do Grameen Bank que tem sido
testado em todo o mundo com a mesma
taxa de sucesso. A instituição é gerida de
uma forma que faz inveja aos gigantes do
sector. Os trabalhadores estão motivados.
Os salários são similares aos dos bancos do
Estado. A diferença é que as reformas são
melhores. A partir dos dez anos de “casa”
o trabalhador é livre de partir e acumu-
lar o rendimento com outras actividades.
Os funcionários benefciam de seguros
de saúde e planos de pensões. As promo-
ções são atractivas e inteiramente justif-
cadas pelo mérito. Cada agência é avaliada
segundo o sistema de cinco estrelas (veja
caixa à direita). Cada empregado é avaliado
segundo o mesmo sistema. Logo é promo-
vido quem tiver mais estrelas.
UMA IDEIA QUE MUDOU O MUNDO
SEdE Bangladesh
FundAção 1983
AgênciAS 2564
LocALidAdES 81 351 aldeias e vilas
EMPréStiMoS 9,09 mil milhões de dólares (97% taxa de recuperação)
cLiEntES 8,07 milhões (97% dos quais são mulheres)
PEdintES 111 713 (19 193 tornaram-se vendedores porta a porta)
BoLSAS dE EStudo 2,12 milhões de dólares (para 113 643 crianças)
FuncionárioS 23 133 funcionários remunerados
SABEr MAiS www.grameen.com
Quanto cobra...
Grameen Bank só ganha dinheiro com os empréstimos
20% Empréstimos
15% taxa de juro do mercado
10% remuneração dos depósitos
8% Crédito à habitação
5% Crédito à educação
0% Apoio social (pedintes, deficientes, etc.)
... Máximo tolerável...
um spread superior a 15% não é moralmente aceitável
1
VErdE Até 10% acima da taxa de juro do mercado
1
AMArELo Até 15% acima da taxa de juro do mercado
1
VErMELho Acima dos 15% já não é microcrédito
... Agências cinco estrelas
Como o Grameen BanK reconhece e premeia o mérito
b
EStrELA AzuL Agência lucrativa
b
EStrELA VioLEtA Com mais dinheiro em caixa do que empréstimos
b
EStrELA VErdE 100%de taxa de reembolso
b
EStrELA cAStAnhA 100% clientes estão na escola
b
EStrELA VErMELhA 100% famílias deixaram de ser pobres
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gestão microcrédito
Outra máxima de Yunus é que as dívidas
nunca são perdoadas. “Se alguém não con-
seguir pagar o empréstimo nós não accio-
namos qualquer processo legal. Se a pessoa
voltar será recebida de braços abertos. Mas
terá de pagar o que deve.” Nem as catás-
trofes naturais são motivo para excepção.
“Todos os gastos são apontados. Quando a
tragédia passa as pessoas têm de restituir
o dinheiro, sem juros. O montante não vai
para a agência, mas, sim, para um fundo
de emergência. Nessa altura, a principal
missão das agências passa a ser a de sal-
var pessoas”, diz.
Alerta contra os tubarões do crédito
O problema é que há quem se aproveite das
fraquezas alheias. “O conceito foi criado
para combater os tubarões do crédito, não
para os benefciar”, justifca. Um dos casos
de abuso mais mediáticos foi o do banco
Compartamos, no México, que cobrava
taxas de juro astronómicas e acabou por
se tornar uma estrela de Wall Street. “O
microcrédito não pode ser uma forma dos
ricos lucrarem com os pobres”, diz acres-
centando: “Qualquer banco que cobre
juros superiores a 15% acima do preço do
mercado já não é microcrédito”, sentencia
Muhammad Yunus.
As estatísticas provam que ainda há
muito trabalho a fazer. Yunus recorda que
dois terços da população mundial ainda
não têm acesso ao sistema bancário. “No
início havia apenas 7 milhões de pessoas
abrangidas pelo microcrédito, das quais 5
milhões estavam no Bangladesh. Na altura
eu disse que queria chegar a 2015 com 100
milhões de pessoas abrangidas. Todos jul-
garam que eu era louco.”
A ONU deu uma ajuda considerando
2005 como o ano Mundial do Microcré-
dito. “Não conseguimos chegar lá, mas fcá-
mos muito perto”, recorda. O objectivo foi
atingido dois anos depois, em 2007. No ano
anterior, em Halifax, no Canadá, já tinha
sido defnida uma nova meta ambiciosa
— 175 milhões de famílias abrangidas até
2015. Nesse mesmo ano pretende-se que
100 milhões de famílias passam a ganhar
mais de 1 dólar por dia. Utopia? Yunus já
nos habituou a ter uma taxa de 100% no
cumprimento de objectivos difíceis. b
ricos Pobres
Homens Mulheres
Cidades Aldeias
Garantias reais Não há garantias
Burocracia Não há papéis
Cliente vai ao escritório Escritório vai ao cliente
Há créditos malparados taxa de reembolso é quase de 100%
É detido pelos accionistas É detido pelos clientes
Baseado em contratos Baseado na confiança
Visa maximizar o lucro Visa tirar pessoas da pobreza
Bancos
tradicionais
Microcrédito vs
MICROCRÉDITO
EM ANGOLA
Cronologia
1999 > lançamento do microcrédito
em Angola.
2001 > Criação do Banco sol,
primeira instituição bancária
vocacionada ao microcrédito.
2003 > Criação da rede angolana do
sector de micro empresas.
2004 > Criação do núcleo de
microfinanças do BNA.
> Criação do Novo Banco, virado
a microfinanças (hoje chamado
BAI Micro Finanças).
> Criação do programa empresarial
angolano em parceria com o
PNud e Chevron texaco.
> realização do primeiro fórum
nacional sobre microfinanças
em luanda.
2005 > Ano internacional do
microcrédito segundo a ONu.
> Governo disponibiliza 10
milhões de dólares para os
Bancos BPC e sOl expandirem
o microcrédito em todo o país.
2006 > realização do segundo fórum
sobre o microfinanças no
Kwanza sul.
2007 > Criação da comissão multi-
sectorial para o microcrédito.
2008 > realização do terceiro fórum
sobre microfinanças na cidade
de Benguela.
Fonte Intervenção da primeira-dama, Ana
Paula dos santos, na conferência de
Muhammad Yunus, em talatona.
Famílias beneficiadas
directamente
Pessoas beneficiadas
directamente
38 388
2006
91 940
2006
115 863
2008
579 315
2008
maio 2010 | 61
Clotilde saraiva nasceu na Ingombota em
luanda. Foi estudar para Portugal e regressou
em 2002. “sempre quis voltar”, confessa.
Quem a desafiou foram os seus alunos.
Clotilde dava aulas de Gestão na universidade
Autónoma, em lisboa. tinha muitos alunos
angolanos que lhe perguntavam porque não
regressava e se tornava professora. Por ironia
já está no pais há oito anos e nunca deu aulas
numa universidade. “tenho três convites em
carteira e ainda não aceitei nenhum. são todos
meus amigos. receio desiludir algum deles”.
Mas a sua actividade profissional está ligada
ao ensino. Fundou em 2004, com Ellsio Manuel,
a empresa de consultoria e formação It –
International talents. Na área da consultoria a
It acompanha, sobretudo,
as áreas administrativas e financeiras ou os
processos de reestruturação. Já a formação
incide sobre os temas de gestão embora a It
já tenha organizado cursos em áreas mais
técnicas como a dos petróleos. “Fazemos
cursos à medida das empresas. Consoante
as necessidades vamos à procura dos
formadores adequados”, esclarece.
Em 2009 a It, que também tem escritórios
em Portugal, resolveu crescer para o negócio
das conferências. Com esse objectivo criou
uma parceria com a multinacional HsM que
representa os grandes pensadores da área da
gestão em todo o mundo. A título de exemplo
é a HsM que organiza anualmente a Expo
Management, um ponto de encontro anual
entre os profissionais da gestão. O
posicionamento da It pretende ser diferente
das outras empresas que já estão no mercado.
“Não queremos trazer oradores internacionais
só porque estão na moda. Queremos trazer
especialistas reconhecidos, em áreas que têm
um interesse prático para o país”, confessa.
É nesse contexto que surgiu a ideia de trazer
Muhamad Yunus, o “pai” do microcrédito. “Foi
mais fácil do que pensávamos. É uma pessoa
muito acessível e tinha interesse em conhecer
Angola”, diz. A ideia nasceu em Outubro do ano
passado e os preparativos começaram em
Janeiro. Pela positiva, registe-se o
envolvimento das intituições angolanas, ao
mais alto nível, no sucesso do evento. “O
Governo forneceu a segurança de Muhamad
Yunus, a primeira-dama fez questão de estar
presente e fazer a comunicação de abertura
e o Nobel da Paz foi recebido no Palácio pelo
Vice-presidente”, esclarece Clotilde saraiva.
A parte que correu menos bem foi a
negociação com os potenciais patrocinadores,
cuja resposta que se arrastou até muito perto
da data do seminário. Isso fez com que a
campanha de marketing se atrasasse. “tinha
os materiais de comunicação todos prontos há
vários meses só aguardava pela confirmação
do patrocinador. Mas eu tinha decidido trazer
Yunus a Angola custe o que custar, mesmo que
perdessemos dinheiro. As dificuldades só nos
deram força para sermos ainda mais
determinados”, recorda. O certo é que talvez
devido à falta de divulgação atempada o
seminário registou apenas “meia casa”.
É, de facto, incompreensível como é que o
Banco sol, BPC ou BAI, instituições
especializadas em microcrédito, não apoiaram,
nem inscreveram mais participantes – ao
contrário do que fizeram alguns organismos
públicos e autoridades provinciais – num
seminário com a mais eminente referência na
matéria. Afinal não é todos os dias que Angola
recebe um Nobel. Bem mais fácil foi o
entendimento com a revista EXAME que
aceitou, em menos de 24 horas, o convite para
ser media sponsor do evento, a par das outras
publicações do grupo MediaNova. “sinto-me
realizada”, afirmou Clotilde saraiva com
orgulho no final da sua aventura.
Apesar das contrariedades Clotilde saraiva
já está a pensar no próximo evento. “Este foi o
primeiro de muitos seminários. Vamos
organizar mais uma grande conferência até ao
final do ano, com a mesma dimensão e numa
área com interesse para o país”. luanda, como
se vê, está realmente na moda no circuito
internacional de conferências.
OS PAIS...
DA CONFERÊNCIA
Clotilde Saraiva
idAdE 48 anos
nAturALidAdE luanda
ForMAção AcAdéMicA Gestão
cArgo CEO da It-Center
Elsio Manuel
idAdE 30 anos
nAturALidAdE luanda
ForMAção AcAdéMicA Gestão
cArgo Partner da It-Center
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gestão entrevista
do egoísmo ao altruísmo
No anterior modelo de sociedade – o egoísta –, as pessoas queriam
tudo para elas e nada para os outros. No novo modelo –o altruísta –,
sucede o oposto: tudo para os outros e nada para mim. Bem-vindo ao
mundo dos negócios sociais, tema do novo livro de Muhammad Yunus
Jaime Fidalgo
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do egoísmo ao altruísmo
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uhammad Yunus acredita que
as crises são uma boa oportu-
nidade para a mudança. Na
sua opinião esta é a altura per-
feita para erguer um novo modelo de orga-
nização, onde os “negócios sociais”, tema
do seu novo livro, ocupam lugar de des-
taque. Os negócios sociais apenas diferem
dos tradicionais pelo facto de o objectivo
não ser o lucro. Yunus dá como exemplos
a parceria do Grameen Bank, que fundou,
com a multinacional Danone para a pro-
dução de iogurtes saudáveis que comba-
tem a má nutrição. Ou a parceria com a
Adidas, que este mês vai lançar, uns novos
ténis que combatem as infecções nos pés e
custam menos de 1 dólar. Embarque nesta
viagem ao mundo dos negócios sociais con-
duzida pelo Nobel da Paz.
Na abertura do Congresso Mundial do
Microcrédito, realizado em Nairobi,
disse que o mundo precisa de
reinventar a banca. Como fundador
do Grameen Bank, como viu a crise
mundial de 2009 ano e as tentativas
de políticos como Obama para regular
o sistema fnanceiro à escala global?
A crise fnanceira foi uma chamada de alerta
para o mundo. Alguma coisa estava errada.
As pessoas tendem a encará-la como um
fenómeno isolado, mas isso não é verdade.
A crise de 2009, não foi apenas fnanceira.
Houve um conjunto de crises que começou
muito tempo antes. Em 2008, por exem-
plo, houve uma crise energética que fez dis-
parar o preço do petróleo. Muitos países
continuam a sofrer uma crise alimentar e
de escassez de água. As alterações climá-
ticas estão a gerar uma crise ambiental. O
que está em causa é algo mais vasto. Nós,
enquanto seres humanos, cometemos um
erro fundamental no modo como pensá-
mos e organizámos a nossa vida.
gestão entrevista
Os negócios
sociais devem
ser rentáveis. a
diferença é que
os lucros não
revertem para
os accionistas
rOque saNteirO Yunus diz que os vendedores de rua devem ser apoiados em vez de perseguidos. O seu espírito empreendedor é de louvar
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Como podemos emendar esse erro?
As crises são uma excelente oportuni-
dade de mudança. Não para falar, mas
para agir. “Pensos rápidos” não chegam.
É preciso repensar tudo e mudar as coi-
sas. As pessoas querem que tudo volte a
ser como era rapidamente. Eu não tenho
pressa nenhuma. Pelo contrário, acredito
que o mundo não deve voltar a ser o que
era. Temos de experimentar novas aborda-
gens. Este é o melhor momento para tentar.
O que podemos fazer de diferente?
As mudanças devem ser estruturais. Temos
vivido segundo um modelo em que as pes-
soas são movidas pelo interesse indivi-
dual. Pelo egoísmo. Pelo desejo de serem
ricas. Nós não somos máquinas de fazer
dinheiro. É a ganância e a ambição que
fazem com que o homem esteja a destruir
o ambiente. A crise fnanceira teve que ver
com essa ganância. O mercado não é um
casino. Há muito tempo que eu digo que os
bancos têm de estar centrados no mundo
real e não em mundos de papéis imaginá-
rios. A crise, repito, é uma oportunidade
para se redesenhar a actividade bancária.
No seu novo livro, Building Social
Business, fala de um novo modelo de
sociedade. Pode explicar-nos em que
consiste esse modelo?
É uma nova arquitectura que passa do inte-
resse egoísta (selfsh) para a ausência de
interesse individual (selfess). No anterior
modelo, o egoísta, as pessoas queriam tudo
para elas e nada para os outros. No novo
modelo, o altruísta, é o oposto: tudo para
os outros e nada para mim. Muitos dizem
que isso é impossível, mas a flantropia é
isso mesmo. Há pessoas que, chegados a
um certo ponto da sua vida, resolvem dar
tudo aos outros. Só que esse dinheiro vai e
não volta. No modelo que proponho, o dos
negócios sociais, o dinheiro é reciclado, no
sentido que vai e volta, continuadamente,
para benefício de todos.
Pode dar-nos exemplos?
No Bangladesh, cerca de 50% das crianças
têm problemas de nutrição. Em parceria
com a Danone nós criámos uma fábrica
de iogurtes que pretende resolver o pro-
blema. Os iogurtes foram enriquecidos com
todos os micronutrientes que as crianças
precisam. Basta as crianças tomarem dois
iogurtes por dia, durante nove meses, para
os problemas de subnutrição desaparece-
rem. Além de saudáveis, os iogurtes são
deliciosos e muito baratos. Não se gasta
dinheiro em marketing, nem em emba-
lagens luxuosas. A Danone, porém, não
ganha nenhum dinheiro com o negócio.
Mas também não perde. A ideia é que, den-
tro de dez anos, recupere todo o dinheiro
que investiu. Sem juros. É assim que fun-
MuLHeres Honram dívidas. São mais responsáveis do que os homens
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cionam os negócios sociais. São negócios
como os outros só que não geram lucros.
Ou melhor, a empresa pode ter lucros, os
accionistas é que não. Na parceria com a
Danone, em vez de perguntarmos quanto
dinheiro ganhámos, queremos saber o
número de crianças que salvámos.
Como é que convenceu a Danone?
Bom, ao princípio não foi fácil. Quando lhes
falei na parte de não ganharem dinheiro, o
entusiasmo esmoreceu. Ficaram um tempo
sem me dizer mais nada e eu até julguei
que tivessem desistido. Afnal resolveram
avançar e o êxito da Danone deu origem a
mais negócios sociais como o da Veolia, na
água, ou da BASF com as redes mosquitei-
ras para protecção da malária. A Adidas
também fez uma parceria connosco para
criar sapatos desportivos, a preços acessí-
veis, para os mais carenciados.
Quanto custarão os ténis da Adidas?
Pedi-lhes para “inventarem” sapatos que
custam menos de 1 dólar. Eles acharam
que eu estava a propor um desafo impos-
sível. Mas conseguiram. No próximo mês
vão trazer 10 mil pares de ténis para o
Bangladesh para testar se as pessoas gos-
tam do produto e se o preço é sufciente-
mente barato. Mais uma vez, serão sapatos
saudáveis. Muitas pessoas no Bangladesh
têm parasitas no pés. Os investigadores da
Adidas tentaram resolver esse problema.
A invenção é patenteada pela Adidas?
Outra característica dos negócios sociais
é que não há patentes envolvidas. Não há
copyright (direitos protegidos) há copylef
(risos). Como se diz em linguagem infor-
mática é tudo feito em open source (código
aberto) em que todas as pessoas têm acesso à
informação e podem colaborar no projecto.
Muitas pessoas dizem que estas multina-
cionais estão a usar o Grameen Bank para
promover a sua imagem. Sempre que ouço
dizer isto respondo: “Por favor usem-me.”
Como vê a actual popularidade
do microcrédito à escala mundial?
Com muito entusiasmo e optimismo mas
também com alguma apreensão. O conceito
de microcrédito foi criado para erradicar
os “tubarões” do crédito. No entanto, eu
hoje vejo que muitos bancos se apropria-
ram do conceito para cobrar taxas de juro
demasiado altas às populações necessita-
das. O microcrédito não pode ser um negó-
cio em que os ricos lucram com os pobres.
Por isso, acredito que a ideia do microcré-
dito funciona melhor se for gerido pelas
ONG do que pelos bancos.
Mas o seu banco também empresta
dinheiro a taxas de juro mais altas?
Sim. Mas o Grameen Bank é detido por
aqueles a quem se empresta o dinheiro. Se
houver lucros, o dinheiro regressa aos clien-
tes sob a forma de dividendos. Eu defendo
o modelo no livro, que os negócios devem
ser rentáveis. Apenas acrescento que esses
lucros devem servir apenas para recuperar
o investimento feito, não para enriquecer
os accionistas. A partir daí o dinheiro deve
ser “reciclado”. Ou reinvestido em novos
projectos, ou distribuído pelos benefciá-
rios dos empréstimos.
Quanto tempo levou a escrever o livro?
Cerca de dois anos. No meu livro anterior
Creating a World Without Poverty (Criar
Um Mundo sem Pobreza) eu já falava nes-
tas ideias. Durante as conferências que fui
fazendo pelo mundo fora, respondi a inú-
meras dúvidas e perguntas, às quais pro-
curava adicionar exemplos. As pessoas
perguntaram-me por que não escrevia um
livro com base no material das prelecções.
Foi assim que o livro nasceu. Ensina como
criar, passo a passo, um negócio social.
Hoje ,o conceito de microcrédito
está a ser estudado nas melhores
universidades em todo o mundo,
gestão entrevista
cHeias NO BaNgLadesH O país é vítima de inúmeras calamidades naturais. O microcrédito é um instrumento de coesão e solidariedade
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inclusivamente em programas de
MBA. Como vê o actual interesse da
academia pelos mais carenciados?
Os estudantes são o meu público predilecto.
Os jovens têm uma mente mais aberta, logo,
são mais propensos a aderir ao conceito
de negócios sociais. Um pouco por todo o
mundo estão a nascer os social business clubs
que, quando se tornam mais formais, dão
origem aos social business centers. No ano
passado, o Hautes Études Commerciales,
de Paris, criou uma cátedra em Negócios
Sociais. Outras universidades nos Estados
Unidos e na Alemanha também o fzeram.
Tudo isso são sinais muito positivos.
Como concilia as vertentes de orador
e escritor com a de banqueiro?
O banco já funciona por si próprio. Estou
mais de metade do ano em conferências
pelo mundo fora. É importante esse esforço,
pois o Grameen Bank está a fazer experi-
ências com microcrédito em vários locais
do mundo, exactamente da mesma forma
como o faz no Bangladesh. Uma das mais
interessantes começou há dois anos e meio
no bairro de Queens, em Nova Iorque. O
Grameen America tem 3 mil clientes, quase
todas mulheres. A média de empréstimos
ronda os 500 dólares e a taxa de recupera-
ção é de 99%. Não deixou de ser irónico ver
os bancos de Wall Street a colapsar com a
crise e o nosso programa de microcrédito a
forescer. Nos Estados Unidos, vamos abrir
este ano em Ohmaha, Nebrasca, Washing-
ton e São Francisco.
Como consegue ter taxas de retorno
dos empréstimos de quase 100%?
Isso só acontece no Bangladesh ou
também noutras partes do mundo?
Os problemas são iguais e a nossa meto-
dologia também é igual em todo o mundo.
Um cliente até pode não pagar o dinheiro
de volta e aguentar-se durante alguns anos.
Mas ao fm de um certo de tempo acaba
por vir ter connosco outra vez. As nossas
portas estão sempre abertas. Não fazemos
nenhum julgamento moral, nem vamos aos
tribunais. As pessoas só têm de pagar o que
devem, nem que seja em pequenas presta-
ções, e só depois é que voltam ao sistema.
Porque é que as mulheres são os
maiores clientes do Grameen Bank?
De facto, elas representam 97% dos clien-
tes. Isto sucede porque as mulheres têm
uma visão de longo prazo. A maioria tem
flhos que precisam de ser alimentados e
vestidos. São, em suma, mais sérias e mais
responsáveis do que os homens.
Em Angola existe um dos maiores
mercados a céu aberto de África, o
Roque Santeiro. Como é que o país
pode tirar o melhor partido dessa
energia empreendedora?
Essas pessoas deviam ser condecoradas.
Elas estão a tomar conta da sua vida. Não
precisam de licenças para isso. Para eles, o
mercado formal ainda é algo muito distante.
A pior coisa que o Governo pode fazer é
persegui-los e impor-lhes leis de ricos que
não são adequadas para os pobres. Deve,
parceria cOM daNONe Metade das crianças do país sofre de má nutrição. Os iogurtes têm todos os nutrientes que elas precisam
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Muitos bancos
apropriaram-se
do microcrédito
para cobrar juros
loucos. gostava
de abrir o grameen
Bank em angola
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gestão entrevista
Foi com apenas 27 dólares concedidos a 42 famílias,
em 1976, que Muhammad Yunus deu início ao
microcrédito, termo cunhado em 1970 para designar
um tipo muito específico de crédito cujo objecto
principal são as populações pobres, que não têm
acesso a qualquer outro tipo de crédito. a ideia de
microcrédito deu origem a uma nova visão do mundo
e da própria economia. passados 34 anos desde esse
primeiro empréstimo, Yunus, através do seu
grammen Bank, já concedeu financiamento a mais de
8 milhões de empreendedores, maioritariamente
mulheres. um sucesso que foi construído na base da
confiança e não em garantias. uma lição para todos
aqueles que vêem na erradicação da pobreza uma
utopia. Jimmy carter, antigo presidente do estados
unidos, escreveu que “dando aos pobres o poder de
se ajudarem a si próprios, Yunus ofereceu-lhes algo
muito mais valioso do que um prato de comida, mas
segurança na sua forma mais fundamental”.
Muhammad Yunus nasceu
a 28 de Junho de 1940
na aldeia de Bathua, no
Bangladesh, e era o terceiro de
14 filhos, dos quais cinco
morreram na infância. O seu pai
era um ourives de sucesso que
sempre incentivou os seus
filhos a estudarem. Mas foi na
sua mãe, sufia Khatun, que
sempre ajudou qualquer
pobre que batesse à porta,
que maior influência teve no
carácter de Yunus. isso
inspirou-o a comprometer-se
com a erradicação da pobreza.
ele foi o fundador, em 1983, do grameen Bank, que
significa “banco da aldeia”, fundado com base em
princípios de confiança e solidariedade. actualmente,
no Bangladesh o grameen Bank serve 2,1 milhões de
clientes em 37 mil aldeias, dos quais 94% são
mulheres e mais de 98% dos empréstimos são pagos
de volta, o que se traduz numa taxa de recuperação
dos créditos de meter inveja a qualquer banco. O
sucesso do grameen Bank valeu, em 1996, a Yunus o
prémio internacional simón Bolívar, que recompensa
as pessoas que trabalham pela liberdade,
independência e dignidade dos povos. e em 2006, por
toda a sua obra, Yunus e o grameen Bank foram
laureados com o prémio Nobel da paz.
Manuel Cruz
Muhammad Yunus, o
banqueiro dos pobres
NOMe
Muhammad
Yunus
Idade
70 anos
NacIONalIdade
Bangladesh
eStadO cIvIl
casado,
dois filhos
FOrMaçãO
acadéMIca0
Licenciado
em economia
em Bangladesh,
doutorado
nos estados
unidos, professor
na universidade
de dhaka
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em contrapartida, dar-lhes condições para
melhorarem o seu negócio. Por exemplo,
fechando as ruas ao trânsito em dias de
mercado. Ou colocando protecções para a
chuva e para o sol. O essencial é não deixar
esmorecer o espírito empreendedor dessas
pessoas. À medida que têm sucesso passa-
rão naturalmente para a economia formal.
Nunca teve problemas de segurança?
Pelo contrário. O nosso negócio é baseado
na confança. Muitas das pessoas com quem
lidamos são iletradas. Nós nem sequer as
obrigamos a assinar papéis.
O microcrédito em Angola é associado
à banca pública. É uma boa solução?
O importante é que quem trabalhe com o
microcrédito acredite no que está a fazer e
tenha um foco nas pessoas. Mas, em muitos
casos, creio que as ONG estão mais habili-
tadas a fazê-lo do que a banca tradicional.
No nosso tipo de negócio acreditamos nas
pessoas até prova em contrário. A banca
tradicional tende a desconfar das pessoas
até prova em contrário. É importante ter
legislação específca para microcrédito. E
os bancos que quiserem entrar nesse negó-
cio deverão criar estruturas autónomas.
Crê que existem boas oportunidades
para o microcrédito em Angola?
No Bangladesh somos 150 milhões de pes-
soas, não existem recursos naturais e as
catástrofes naturais são constantes. Angola
tem minérios, excelentes oportunidades na
agricultura, as pessoas são muito dinâmi-
cas. Vi inúmeras pessoas na rua a vender.
Não vejo razões para que não possa crescer.
A nossa metodologia funciona em qualquer
local do mundo. Temos uma equipa numa
das zonas mais pobres da Guatemala, que
nem sequer fala a língua e o negócio fo-
resceu. Em África temos um programa em
curso na Zâmbia e vamos agora iniciar a
actividade na Tanzânia.
Angola pode ser o próximo destino?
Gostávamos muito. Mas para isso preci-
samos de ser convidados por um parceiro
local do sector público ou privado.
Que objectivos é lhe falta alcançar?
A minha ambição é erradicar a pobreza.
Os objectivos do milénio traçaram a meta
de reduzir a pobreza em 50%, até 2015.
Penso que a próxima meta deverá ser a
de, nos 30 anos seguintes, erradicarmos
defnitivamente a pobreza. O meu desejo
intimo é que nessa altura se possa colocar
um cartaz de recompensa a quem encon-
trar um pobre. O meu objectivo íntimo é
o de colocar a pobreza num museu. b
daqui a
30 anos espero
que o mundo
já tenha
conseguido
colocar a pobreza
no museu

Livros de auto-ajuda para o planeta
a nova obra será lançada no dia 11 deste mês. O autor fez a antevisão para a eXaMe
O BaNqueIrO
dOS POBreS
Neste primeiro livro, que
se tornou um êxito
global, Yunus revela o
verdadeiro significado
da economia como
ciência social.
O Banqueiro dos Pobres
é uma aula sobre o
microcrédito que se mistura com a história
do seu mentor e do gramenn Bank. Yunus
escreve na primeira pessoa, traçando os
passos e os resultados que algumas das suas
ideias tiveram no terreno por via da sua
preocupação central de restituir à mulher
o papel principal no seio da família.
crIar uM MuNdO
SeM POBreza
Neste segundo livro
Yunus vai além do
microcrédito,
descrevendo o conceito
do negócio social, que
visa utilizar a criatividade
empresarial para
combater os problemas
sociais da pobreza, da poluição, dos cuidados
médios e do ensino. para isso, Yunus descreve as
várias parcerias que criou com alguns dos líderes
empresariais mundiais mais visionários com
quem teve oportunidade de trabalhar na
implementação dos primeiros negócios
exclusivamente sociais do mundo.
BuIldINg SOcIal
BuSINeSS
este terceiro livro é um
verdadeiro guia para a
aplicação do conceito
de negócio social,
desenvolvido na obra
anterior. segundo Yunus,
um negócio social é um
modelo de negócios inovador
que visa resolver um problema social e não
apenas maximizar o lucro. cada negócio social
gera emprego, boas condições de trabalho e
trata de desafios sociais específicos, tais
como a falta de educação, a saúde e a boa
nutrição. inclui casos de estudo como o da
danone, da adidas, da BasF, ou da Veolia.
Gestão2.0
D
esde os estudos de Michael Porter que a Estratégia se
tornou a disciplina nobre da Gestão. O problema é
que o distinto professor de Harvard nunca mais lan-
çou nenhuma ideia realmente nova desde o lança-
mento do livro Competitive Strategy, em 1990, que continua a ser
usado como obra de referência nas faculdades. Desde então, os
especialistas tentam encontrar o novo “rei” da estratégia. O norte-
-americano Gary Hamel e o indiano C. K. Prahalad foram indica-
dos por muitos (incluindo o autor deste artigo) como os grandes
candidatos à sucessão. A dupla escreveu a obra Competing for the
Future, em 1990, que infuenciou toda uma geração de gestores,
na qual os autores popularizaram os con-
ceitos de “intenção estratégica” (strategic
intent) e “competências distintivas” (core
competences). Este último foi particular-
mente útil. Numa época repleta de fusões
e aquisições falhadas, Hamel e Prahalad
aconselharam os gestores a centrarem os
seus esforços nas competências que real-
mente dominavam e onde eram melhores
do que a concorrência. “Faz apenas o que
sabes fazer bem e delega tudo o resto”, era
o pensamento dominante nessa época.
Nos anos seguintes, Gary Hamel passou
a dedicar-se mais aos temas da inovação,
aproveitando a “boleia” da “nova econo-
mia” e das redes sociais. Prahalad, por seu
turno, apostou no estudo da pobreza. O
autor indiano não percebia porque é que as
grandes empresas continuavam a lutar ferozmente por um pouco
mais de quota nos mercados saturados, quando nos países emer-
gentes — como a China, a Índia ou o Brasil — havia uma enorme
massa de consumidores com um poder de compra em ascensão. O
guru indiano chamou a esse grupo de consumidores o “fundo da
pirâmide” (bottom of the pyramid). São 2,5 mil milhões de pessoas
que vivem com menos de 3 dólares por dia, mas que representam
o maior mercado do mundo, um autêntico flão para as empresas.
Os factos deram razão a Prahalad. Nunca, como agora, se falou
tanto das oportunidades de negócio nos países emergentes, da
ascensão dos pobres à classe média e dos milhões de pessoas que
tentam aderir à economia formal. O guru (expressão indiana que
signifca “líder espiritual”) apontou as estratégias adequadas para
se ter sucesso junto dos consumidores com baixos rendimentos.
Muitos exemplos vêm da Índia, o seu país natal. É lá que pontifca
o grupo Tata, que se tornou famoso à escala global por ter criado
o Nano, o automóvel mais barato do mundo (custa menos de 2500
dólares). Mas há mais exemplos. Desde os computadores portáteis
a menos de 100 dólares, das cirurgias às cataratas por apenas 30
dólares, dos quartos de hotel a 20 dólares ou
das chamadas de telemóvel a menos de 1
cêntimo por minuto.
Coimbatore Krishnarao Prahalad, tam-
bém conhecido como o “guru da estratégia”,
faleceu no dia 16 de Abril, aos 68 anos de
idade, em San Diego, na Califórnia. Nascido
no estado de Tamil Nadu, foi sempre um
aluno brilhante. Apaixonado pela Gestão,
tirou a licenciatura da disciplina no Indian
Institute of Management e fez o mestrado
na prestigiada Harvard Business School,
nos Estados Unidos. A par da escrita e
da actividade de consultor, foi professor
catedrático da Universidade de Michigan.
Ao contrário de tantos outros pensadores,
C. K. Prahalad pôde assistir em vida ao
triunfo das suas ideias. Quem o conheceu na
vida privada defne Prahalad como um homem sábio e bom. Iguais
objectivos podem ser atribuídos a Muhammad Yunus, Nobel da Paz
em 2006, que esteve recentemente em Angola, a pregar as virtudes do
microcrédito e dos negócios sociais. Ambos têm a mesma missão na
vida: erradicar a pobreza. Ambos pertencem àquele grupo restrito
de pessoas que conseguiram mudar o mundo, não pela força, mas
pelo poder das suas ideias. Se houvesse mais pessoas como Prahalad
e Yunus, o mundo seria melhor para se viver. b
Faleceu C . K. Prahalad, um dos maiores especialistas em estratégia de sempre.
No seu último livro explicou como as empresas podem ter lucros e ajudar
os pobres. Pessoas como ele (e Yunus) tornam o mundo melhor para se viver
Por jaime fidalgo
O guru dos pobres
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gestão casos
Bancos de esperança
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Bancos de esperança
O BPC, em parceria com a ONG World Vision, criou vários bancos
comunitários que mudaram a vida de 4700 famílias no Huambo.
Saiba porque é que as mulheres são as campeãs do microcrédito.
Faustino Diogo
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microcrédito tem sido um
poderoso aliado no combate à
pobreza em todo mundo. No
nosso país começou a ganhar
forma, em 2005, através do fnanciamento
de 10 milhões de dólares, por parte do
Ministério das Finanças. O valor foi repar-
tido entre o Banco de Poupança e Crédito
(BPC) e o Banco Sol para a concessão de
crédito aos pequenos produtores agrícolas,
professores e enfermeiros das zonas rurais.
Paralelamente, o BPC foi criando outros
programas e parcerias com organismos
públicos e privados, visando o fnancia-
mento de pequenos negócios. Assim nas-
ceram três programas. O do Instituto
Nacional do Café (INCA), com sede no
Kwanza-Sul, que teve direito a uma linha
de crédito de 2 milhões e 500 mil dóla-
res. O do Ministério da Juventude e Des-
porto, de âmbito nacional, no valor de 2
milhões de dólares, dirigido aos jovens
que se encontram a exercer actividade no
mercado informal. E um bem-sucedido
programa de parceria com a ONG norte-
americana World Vision, no Huambo, no
valor de 1,25 milhões de dólares.
Tais parcerias têm gerado resultados
distintos em termos de retorno do capi-
tal. Segundo os responsáveis do BPC, o
crédito jovem é o que menos tem respon-
dido ao desafo lançado com uma taxa
de incumprimento de 64%. “A experiên-
cia do crédito jovem não foi muito agra-
dável. Trabalhamos com jovens que não
tinham experiência de gestão. A formação
incidiu mais na criação do negócio do que
na sua administração no terreno”, diz Isa-
bel Miguel, directora do microcrédito do
Banco de Poupança e Crédito.
O mesmo não se pode dizer do crédito
concedido às populações rurais, onde o
retorno dos empréstimos está na ordem
dos 95 por cento. Para esse valor muito
contribuiu a parceria com a Word Vision,
que de forma inovadora lançou no país os
bancos comunitários que envolvem (e res-
ponsabilizam) toda a comunidade para o
sucesso da operação. A parceria fez elevar
para mais de 30 mil pessoas o número de
benefciários do microcrédito cedido pelo
BPC. Destes, 19 mil (63%) são mulheres e
13 mil são homens, rácio que comprova
a tese de Muhammad Yunus, segundo a
qual as mulheres são o maior público-alvo.
A responsabilidade é solidária
Passados cinco anos, aquilo que come-
çou por ser uma experiência-piloto entre
o BPC e a World Vision transformou-
-se no sustento de mais de 4700 famílias
na província do Huambo. O microcré-
dito transformou a vida de mulheres e
homens da Caála, uma área rural de-
pendente da agricultura e da pecuária,
devolvendo-lhes os sonhos que o passa-
do quis apagar. O valor máximo posto à
disposição das mulheres agricultoras foi
de 22 500 kwanzas (240 dólares).
Em contrapartida, elas foram obrigadas
a formar um grupo (no máximo, com 20
pessoas) para terem acesso aos fnancia-
mentos. A criação de bancos comunitá-
rios foi a solução encontrada para dar o
melhor aproveitamento à verba de 1,2
milhões de dólares cedida pelo BPC.
gestão casos
BaNCO COmuNitáriO Mulheres formam grupo de 20 elementos e elegem órgãos sociais. Se uma delas não paga, o grupo assume a responsabilidade
a linha de crédito
inicial, para cada uma
das 20 mulheres
do grupo, é de apenas
240 dólares
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Assim nascia a primeira organização
comunitária da Caála, o Banco Comuni-
tário Esperança, onde a confança serve
de garantia entre os membros. Lidera-
do por Rosa Cecília, o Banco Esperança
começou a sua aventura com a referi-
da linha de crédito de 240 dólares para
cada uma das 20 mulheres do grupo. O
prazo de reembolso era de apenas qua-
tro meses, uma condição fundamental
para aceder a futuros fnanciamentos.
“Tínhamos que cumprir com os prazos.
Só assim poderíamos aumentar o valor
do fnanciamento na segunda solicitação
de crédito”, explica Rosa Cecília, 40 anos,
mãe de 10 flhos.
O sucesso da operação permitiu ao Banco
Esperança aumentar o crédito para 50
mil kwanzas (537 dólares) por pessoa. O
segundo microcrédito fez aumentar a capa-
cidade de investimento. Para além da venda
dos produtos do campo, as “zungueiras”
passaram a apostar noutros negócios como
o comércio de roupas e de outros bens vin-
dos de Luanda. Tal “salto qualitativo” tor-
nou as mulheres mais independentes e a
principal fonte de sustento das suas famí-
lias. “Os meus dez flhos e o meu marido
vivem do que faço”, diz a líder do Banco.
Muitas dessas empreendedoras, que já
vão no terceiro microcrédito entre 100 mil
e 250 mil kwanzas (2680 dólares), querem
lançar-se para um desafo ainda maior,
que passa pela solicitação de um emprés-
timo pessoal fora do banco comunitário.
Algumas confessaram à reportagem da
EXAME sonhar com o momento em que
poderão comprar um carro que lhes per-
mita o transporte de produtos para a cidade.
O êxito da experiência-piloto deu origem
ao nascimento de 25 bancos comunitários
espalhados pela província do Huambo.
“Todos têm por base o conceito de garantia
solidária: se um membro não poder pagar
a prestação a comunidade assume o reem-
bolso”, explica Imaculada, do Banco Comu-
nitário Okuseteka. “O lucro do primeiro
empréstimo foi de 70 mil kwanzas (cerca
de 750 dólares). Metade foi para pagar ao
BPC e o restante fcou na comunidade para
emprestar àqueles membros do banco que,
por qualquer situação, não possam reem-
bolsar o que pediram”, esclarece.
Pequenos em números, mas grandes em
acções, as comunidades rurais da Caála
estão a desenvolver-se com as mulheres
no comando. Os homens, por seu turno,
não querem fcar para trás e criaram coo-
perativas como o Clube de Multiplicado-
res de Sementes de Batata Rena, também
contempladas com um microcrédito do
BPC. O fnanciamento, que começou com
10 mil kwanzas (107 dólares) já vai em 40
mil kwanzas (430 dólares). Eduardo João
foi um dos benefciados. Ele orgulha-se
de fornecer sementes de milho, batata e
outros tubérculos mais produtivas e com
maior capacidade de germinação.
Mulheres honram os compromissos
As mulheres ainda são, no entanto, as
campeãs do microcrédito no Huambo.
Elas benefciam de mais de 75% dos 1,25
milhões de dólares postos à disposição da
população rural pelo BPC. Revelam uma
notável capacidade de trabalho e para hon-
rar os compromissos fnanceiros.
A sua vida, porém, não é fácil. Tipica-
mente são as mulheres que trabalham no
campo, assumem as lides domésticas e
cuidam dos flhos. Foi a pensar nelas que
a World Vision resolveu criar programas
de formação ligados ao microcrédito e à
alfabetização. “As mulheres sempre tive-
ram pouco acesso ao crédito e, mesmo
assim, sempre honraram os compromis-
sos”, revela Paula Alves, da World Vision.
Paula alVeS, da ONG norte-americana World Vision iSaBel miGuel, directora do microcrédito do BPC
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76 | www.exameangola.com
Os homens do campo, por seu turno,
gostam de assumir mais riscos, o que cria
mais difculdades para o reembolso do
crédito e para a própria “saúde” do pro-
grama. Este tem como base o aval solidá-
rio, onde cada membro responde por um
outro membro. “Os homens não querem
22 mil kwanzas, mas, sim, 100 mil kwan-
zas. Se eles não demonstraram que con-
seguem pagar 22 mil kwanzas como é que
nós lhes podemos emprestar 100 mil kwan-
zas?”, questiona Paula Alves. A compra de
uma motorizada para fazer “processo” (ser-
viço de táxi) é a justifcação dos homens
para a necessidade de um crédito de 100
mil kwanzas. “O problema é que eles não
fazem uma planifcação de como vai ser
feita a amortização do capital”, reforça.
O empenho das mulheres que trabalham
com o microcrédito é demonstrado por
Maria Madalena. Viúva de 47 anos e mãe
de 12 flhos, conseguiu reembolsar os seus
dois empréstimos, de 22 500 (241 dólares)
e 50 mil kwanzas (537 dólares). Ela já vai
no terceiro empréstimo, 100 mil kwanzas
(1073 dólares), com o intuito de alargar
a sua plantação de batatas e comerciali-
zar outros produtos. “Com este dinheiro
e com ajuda das minhas ‘irmãs’ (colegas)
tenho conseguido cuidar e educar os meus
flhos sem difculdades”, esclareceu a viúva.
A próxima aposta passa pela criação de
uma linha crédito para as mulheres de
500 mil kwanzas (5364 dólares). A taxa
de reembolso é de 3%. Os benefciários
podem deixar cativos 20% dos lucros de
cada membro do banco comunitário para
emprestar a outros membros, a uma taxa
de juro superior. Paula Alves, engenheira
de técnicas agrícolas, com especialidade
em microcrédito, acredita que a experiên-
cia dos bancos comunitários pode ser alar-
gada a outras regiões do país para melhorar
a qualidade de vida dos mais pobres. Em
umbumbu, acrescenta que tem um sonho:
“A criação de um banco de microcrédito
para ajudar os meus conterrâneos.” b
gestão casos
São as mulheres que
trabalham no campo,
asseguram as lides
domésticas e ainda
cuidam dos filhos
maria P. imaCulada, do Banco Okusuteka
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rOSa CeCília, presidente do Banco esperança
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FunDação
2004
ToTal De CréDiTo ConCeDiDo
45,4 milhões de dólares
ToTal Do MiCroCréDiTo
17,4 milhões de dólares (38%)
núMero ToTal De beneFiCiárioS
42 006
PROGRAMAS
Foram assistidas 200 mil pessoas
(o que equivale a 42 mil famílias)
nos cinco programas disponiveis
PrograMa Do governo
ÂMbiTo Nacional
CréDiTo 5, 4 milhões de dólares
beneFiCiárioS
18 104 (60% mulheres)
inSTiTuTo naCional Do CaFé
ÂMbiTo Kwanza-Sul
CréDiTo 2,5 milhões de dólares
beneFiCiárioS
4894 (70% mulheres)
CréDiTo JoveM
ÂMbiTo Nacional
CréDiTo 6,5 milhões de dólares
beneFiCiárioS
4800 (60% mulheres)
ParCeria WorlD viSion
ÂMbiTo Huambo
CréDiTo 1,9 milhões dólares
beneFiCiárioS
6000 (70% mulheres)
MiCroCréDiTo bPC
ÂMbiTo Cabinda, luanda,
Kwanza-Sul, Namibe
CréDiTo 1,2 milhões de dólares
beneFiCiárioS 316 (90% mulheres)
Fonte: BPC — relatório anual de microcrédito 2008.
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H
á coisas extraordinárias que
acontecem às pessoas comuns
através do microcrédito. Foi o
que sucedeu com José Valente,
benefciário do Banco Sol. Há nove anos,
era um simples vendedor de rua. Hoje, tor-
nou-se empresário, abriu dois colégios e
emprega 50 trabalhadores. Embora tenha
destacado a importância do microcrédito
para o início do seu negócio, José Valente
lamentou à reportagem da EXAME, a
burocracia associada e pediu mais apoios
para as PME. João Gonçalves, responsá-
vel pelo microcrédito na UNACA (União
Nacional de Camponeses), parceiro do
Banco Sol, identifcou outro tipo de pro-
blemas que se levantam às cooperativas
e pequenas unidades agrícolas. “Devido
às difculdades no escoamento dos exce-
dentes de produção, os benefciários do
microcrédito enfrentam difculdades no
reembolso”, alerta o especialista.
Feliciana Luís é outra cliente feliz.
Embora trabalhe há dez anos como comer-
ciante, só há dois é que aderiu ao microcré-
dito. Antes vendia 100 caixas de bebidas
diversas. Hoje vende 2 mil.
A sua colega Adriana José Manuel,
cliente do Banco Sol há cinco anos, já
conseguiu comprar duas viaturas Hia-
ces para o transporte urbano. Aliás, as
mulheres estão entre as mais destacadas
clientes do microcrédito. Geralmente,
elas são as líderes dos chamados “grupos
solidários” — compostos por cinco —,
pessoas onde todas são simultaneamente
fadores e responsáveis. Na prática, são elas
que gerem os negócios informais e a econo-
mia doméstica e que cuidam da educação
e da saúde dos flhos. Há mesmo pessoas,
como o senhor António, que diz ter come-
çado no seio de um grupo solidário que
recebia 500 dólares no ano 2000. Hoje,
ele trabalha com 10 mil dólares por mês.
67 mil clientes desde a fundação
Há dez anos, a situação não era tão riso-
nha. “Quando iniciámos a aventura do
microcrédito, em 2001, não poderíamos
imaginar que, volvido este tempo, já
tivéssemos concedido créditos no valor
de quase 68 milhões de dólares, a cerca
de 67 mil clientes”, afrma Paulo Sérgio
Lavrador, administrador do Banco Sol.
Depois de analisar as experiências
internacionais – sobretudo a do Nobel
Muhammad Yunus, no Bangladesh, e de
outros países na Ásia e América Latina —,
o Banco Sol decidiu avançar para o micro-
crédito. “Procurámos responder a um con-
texto nacional onde o lançamento de um
produto específco para as camadas mais
desfavorecidas era algo urgente”, afrma.
O início da actividade foi no ano 2001,
com experiências no Bengo (em Caxito,
Barra do Dande, Sassa e Musseque).
Actualmente, o microcrédito comercial é
desenvolvido em todos os municípios das
províncias de Luanda, Bié (Kuito, Chian-
guar e Kunje), Bengo, Huíla, Malanje e
Benguela. Em Abril de 2003, concederam-
-se os primeiros créditos rurais na provín-
cia da Huíla (na localidade de Humpata).
Hoje, o crédito rural desenvolve--se na
província do Bengo, nas localidades de
Boa Esperança, Mabuia e Dungo. “Em
2001, dois dias depois de termos começado
com a experiência de Caxito, no Bengo,
a localidade foi invadida — ainda existia
o confito armado — e saqueada”, conta
Paulo Lavrador. “Só voltámos na semana
À procura de um lugar ao sol
gestão casos
maio 2010 | 79
seguinte. As pessoas tinham perdido quase
tudo: bens pessoais, documentos, dinheiro.
Tivemos que ser fexíveis e recomeçar do
zero em termos de prazos e condições de
pagamento”, recorda.
A verdade é que a experiência de Caxito
— que decorreu num meio rural onde uma
abordagem comunitária era fácil — não
resultou em Luanda. Por isso, o Banco
Sol foi obrigado a moldar o microcrédito
à flosofa dos grupos solidários. “Ocor-
reram situações onde éramos recebidos à
porta com armas quando íamos saber das
garantias. No meio rural é mais fácil loca-
lizar as pessoas do que na cidade”, conta.
Hoje, a situação melhorou radicalmente.
O Banco Sol teve, em 2009, um resultado
líquido de 30 milhões de dólares, para os
quais o microcrédito contribuiu com uma
fatia de 20%. Só este ano serão disponibi-
lizados 20 milhões de dólares no âmbito
do programa de microcrédito para apoio
a pequenos negócios. Do total de benef-
ciários de microcrédito, 20% a 25% tor-
nam-se clientes normais na medida em
que atingem valores superiores ao tecto
máximo — 20 mil dólares.
Indagado sobre a rendibilidade do negó-
cio com este produto, Paulo Lavrador
mostra-se optimista: é um negócio ren-
tável, embora menor do que outros pro-
dutos. “A grande questão é o risco, mas
prefro fazer 1 milhão de dólares com 100
clientes do que com uma única empresa.
Assim diluo os riscos”, acrescenta.
Os desafos que falta ultrapassar
O administrador admite que as taxas de
juro do microcrédito são muito superiores
às do crédito normal, mas realça um ele-
mento positivo: “A taxa de incumprimento
é de 2% ao longo de dez anos e de quase
5% nos restantes produtos de crédito.”
Paulo Lavrador acredita no futuro do
microcrédito em Angola. “O microcré-
dito ajuda as pessoas a sair do sector
informal da economia. Algumas conse-
guem ultrapassar os limites da pobreza,
outras transformam-se em empreende-
doras bem-sucedidas”, alerta.
Outra das vantagens do microcrédito,
segundo Paulo Lavrador, é o aumento dos
níveis de “bancarização” do país. “Angola
é um país muito extenso e com uma popu-
lação pequena e dispersa. Como chegar às
pessoas?”, questiona Paulo Lavrador. “O
problema é que a maior parte da população
nem sequer possui bilhete de identidade”,
dizem os operadores do Banco. Estima-se,
por isso, que, apesar de existirem 20 ban-
cos em Angola, apenas 7% da população
estão no sistema bancário. “A dispersão
da população é um problema real”, subli-
nha Paulo Lavrador, que conta uma expe-
riência recente que ocorreu no Cubal, num
programa rural de parceria com a British
Petroleum. Nesta iniciativa, os benefciá-
rios residiam a 30 quilómetros da agência
mais próxima. Para mais, eles deslocavam-
-se à pé e não falavam português.
À procura de um lugar ao sol
O Banco Sol é um dos pioneiros do microcrédito no país.
em 2001, era um negócio insignificante. Hoje, é responsável
por 20% dos lucros do banco. Conheça também a oferta do
Banco micro Finanças, uma parceria entre o Bai e a Chevron
Mário Paiva
O microcrédito pode
aumentar os níveis de
bancarização. Só 7%
da população estão
no sistema bancário
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gestão casos
FunDação 2009 (refundação
do Novo Banco, criado em 2004)
ClienTeS aPoiaDoS 40 mil
ToTal De CréDiTo ConCeDiDo
10 milhões de dólares
CréDiTo MáxiMo Por ClienTe
50 mil dólares
Taxa De inCuMPriMenTo 25%
agênCiaS 9
CASO PRÁTICO
Se pedir 10 mil dólares ao banco
terá de pagar (em dólares) ...
eM 12 MeSeS
PreSTação MenSal 1059
ToTal a Pagar 12 708
eM 20 MeSeS
PreSTação MenSal 729
ToTal a Pagar 14 580
eM 24 MeSeS
PreSTação MenSal 649
ToTal a Pagar 15 576
eM 30 MeSeS
PreSTação MenSal 571
ToTal a Pagar 17 130
Taxas de juro
de referência
3,90%
MenSal
46,80%
anual
um acordo com a associação de Vendedores
ambulantes de São Paulo (aVaSP) para a
concessão de crédito é a mais recente
iniciativa do Banco micro Finanças (BmF), uma
instituição especializada neste segmento que
resulta de uma parceria entre o Bai (que detém
85% do capital social) e a petrolífera Chevron.
de acordo com ludgero Fernandes, director
comercial e do BmF, “esta iniciativa visa
fomentar o pequeno comércio, no sentido da
sua formalização, e estimular os vendedores
ambulantes a criar planos de negócios
rentáveis”. uma das consequências é forçar os
comerciantes a optar pela venda em mercados
licenciados pelas autoridades. aquele
responsável afirma que “o acordo
enquadra-se no programa do governo para o
combate à pobreza e para a melhoria das
condições da população”.
ludgero Fernandes acredita que a iniciativa
vai estimular a adesão dos vendedores
ambulantes aos programas de microcrédito,
uma vez que a própria aVaSP vai ser avalista
dos seus associados. dum universo de 30 mil
sócios, cerca de 60 foram seleccionados para
aderir ao programa. Zungueiras, engraxadores
e lavadores de automóveis são algumas das
profissões dos que recorrem ao financiamento
bancário e que se vão juntar às cerca de 40 mil
pessoas que já receberam apoios do BmF.
de acordo com Neusa ribeiro, administradora
da instituição, o BmF concedeu créditos no
montante de 10 milhões de dólares. O
objectivo, a prazo, é liderar o segmento:
“Vamos desenvolver e utilizar recursos e
capacidades, sistemas e relações para
conquistar a posição de líder no segmento do
microcrédito”, afirma. “O nosso alvo são as
micro e pequenas empresas e empresários,
sem descurar alguns nichos da banca de
particulares”, refere Neusa ribeiro.
apesar de a taxa de incumprimento atingir
cerca de 25%, Neusa ribeiro apresenta casos
de sucesso como, por exemplo, o do senhor
antónio Nekubu, que recebeu um crédito inicial
de 4 mil dólares para comercializar produtos
da Coca-Cola. actualmente, já lhe foram
concedidos mais quatro créditos para
expansão da actividade (no valor de cerca de
50 mil dólares). “Com o nosso apoio, ele
aumentou a capacidade de comercialização
para 30 mil grades”, refere Neusa ribeiro.
Outro exemplo similar é Norberto azevedo,
proprietário de uma pequena firma pesqueira.
Começou com um crédito de 8 mil dólares.
Hoje, já vai no terceiro crédito, no valor de 25
mil dólares. O financiamento serve para
aumentar a capacidade de produção e a
aquisição de duas novas embarcações.
Para se obter apoios semelhantes é preciso
preencher alguns requisitos, porque o risco é
elevado para o BmF. O primeiro deles, é ser
cliente do BmF. depois há que ter experiência
superior a um ano no negócio que se pretende
desenvolver. Possuir boas referências
pessoais e conseguir um avalista, são outras
exigências do BmF. recorde-se que o BmF foi
criado em 2004, então com a designação Novo
Banco, tem nove agências. É um micronegócio
onde participam o maior banco comercial
e a maior petrolífera do país.
Francisco moraes Sarmento
Banco pequeno, com coração grande
O Banco micro Finanças foi criado em 200 9 em substituição do Novo Banco.
a administradora assegura que o banco vai lutar pela liderança do segmento
as zungueiras, os
lavadores de carros
e os engraxadores
são profissões onde o
microcrédito funciona
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maio 2010 | 81
Outro problema a ultrapassar é o dos
seguros para o microcrédito. Nelo Bumba,
originário de Malanje, conta que a maio-
ria dos clientes do Banco vive em bair-
ros periféricos, onde reina a insegurança.
Embora em Angola as seguradoras não
façam um “microsseguro”, Carla Van
Dunem, directora de microcrédito, asse-
gura que o Banco Sol está disponível para
analisar os problemas caso a caso.
Por fm, há os que se queixam da falta
de legislação específca. Embora em textos
legislativos mais recentes existam referên-
cias ao microcrédito, acredita-se que esta
matéria deverá ser legislada em norma pró-
pria. Alguns analistas dizem que existe um
consenso entre os diferentes intervenien-
tes, incluindo o Banco Central, que ainda
não é a altura certa, pois o mercado está
muito verde. Com ou sem lei própria, a
verdade é que o microcrédito já conquis-
tou o seu lugar ao sol em Angola. b
FunDação 2001
CréDiToS DiSPonilizaDoS
68 milhões de dólares
núMero De ClienTeS 67 mil
luCroS eM 2009
6 milhões de dólares
ClienTeS-alvo
Pobres economicamente activos:
microempreendedores em actividades
de comércio tradicional, pequenas
unidades produtivas e serviços.
excluídos do sistema bancário clássico:
todos aqueles que dependem de
empréstimos familiares e amigos
para constituir um negócio.
Menu De ProDuToS
ProDuTo
TaxaS
De Juro
liMiTeS
(eM
DólareS)
PrazoS
(eM
MeSeS)
Microempresa
6,12%
mês
100
a 20 mil
de
12 a 18
grupo
comercial
6,12%
mês
100
a 10 mil
de
6 a 18
grupo rural
1,39%
mês
100
a 20 mil
até
18
Crédito
agrícola
1,39%
mês
100
a 20 mil
até
18
Crédito ao
consumo
1,39%
mês
até
10 vezes
o salário
até
18
MonTanTe DiSPonível Para 2010
20 milhões de dólares
82 | www.exameangola.com
D
ono de uma personalidade no-
tável e um excepcional espíri-
to empreendedor, Ray Kroc,
o criador da rede de fast food
McDonald’s, costumava dizer que não sa-
bia se a sua empresa estaria a vender ham-
búrgueres no ano 2000, mas tinha certeza
de que, seja lá o que estivesse a vender,
seria a líder mundial do sector. Passados
26 anos da morte de Kroc, o hambúrguer
ainda é o “prato forte” da maior empresa
de fast food do mundo, mas para manter
a liderança o McDonald’s mudou — nal-
guns casos tornando-se irreconhecível,
como demonstra a foto. Os bancos de
plástico, as mesas de “cantina de colégio”
e a decoração fora de
moda em tons de ver-
melho e amarelo, que
se tornaram um sím-
bolo da rede, são hoje
coisa do passado na
maioria das lojas. Até o
menu insípido e enfa-
donho — sempre com
o mesmo pão, carne ou
queijo, acompanhado
de batatas fritas e re-
frigerantes — rejuve-
nesceu. Um cliente que
visite hoje as lojas da
rede em busca da pre-
visibilidade de um Big Mac com Coca-
-Cola, com certeza fcará surpreendido
com as opções em cada país.
As unidades da McDonald’s espalhadas
em mais de 100 países, antes fechadas em
torno de um modelo de refeições padro-
nizadas, processos homogéneos e menus
idênticos, hoje incorporam elementos locais,
tanto na aparência, como nos produtos à
venda. Em França, por exemplo, os restau-
rantes da marca vendem vinho e as sanduí-
ches contêm ingredientes locais, como o
queijo Reblochon. Em Itália, a McDonald’s
oferece esparguete e em Inglaterra servem-
-se ovos e bacon ao pequeno-almoço. Na
Europa, onde a rede conta com cerca de 6
mil lojas, foram investi-
dos perto de 800 milhões
de dólares na mudança
de imagem das unidades
mais antigas e na instala-
ção de novos restauran-
tes que respeitem o gosto
dos europeus, conhe-
cidos por passar lon-
gas horas à mesa. Para
isso, o centro de design
da rede nos arredo-
res de Paris oferece aos
franchisados europeus
oito modelos diferen-
tes de restaurante, cria-
marketing estratégia
dos por arquitectos e designers de renome,
como o francês Phillipe Avanzi e o dina-
marquês Arne Jacobsen. Até nos Estados
Unidos, a pátria do hambúrguer, a rede
tem adoptado mudanças, como a inclu-
são de cafés especiais — uma espécie de
versão mais popular dos produtos ofere-
cidos pela rede Starbucks.
Acusada de promover a obesidade
A sofsticação da imagem da McDonald’s
começou há cerca de seis anos, quando
a rede passou a ser apontada como uma
das responsáveis pelos alarmantes índi-
ces de obesidade da população america-
na. Identifcada como um dos ícones do
ao gosto
do cliente
Mariana Barboza
Comida de plástico, em locais desconfortáveis, já era.
Depois de se render aos alimentos saudáveis, a cadeia
McDonald’s iniciou a nova etapa da sua mudança, com
lojas e serviços diferenciados para cada região do mundo
A segunda vida
da McDonald’s
Agora a rede procura adaptar-se ao
gosto específico dos consumidores de
cada país. Anote as novidades do menu
O desempenho
na Bolsa
Valorização das acções
da McDonald’s em Nova Iorque
(média mensal, em dólares)
Fonte: Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE).
42
Dez08
Dez09 Abr10
Dez07 Dez06 Set08
57
61 62 63
70
Crise
financeira
global
maio 2010 | 83
american way of life (estilo de vida ame-
ricano), a McDonald’s também se tornou
o alvo favorito dos protestos antiglobali-
zação, contra a guerra no Iraque, contra
os transgénicos e até contra a devastação
da Amazónia. A perseguição teve impac-
te nos números. Entre 2000 e 2003, o va-
lor da marca caiu 9%, de 27 mil milhões
para 24 mil milhões de dólares, segundo
um relatório da consultora especializada
Interbrand. Era preciso reagir.
Sob intensa pressão, a rede iniciou um
grande processo de reconstrução de ima-
gem. Alimentos saudáveis como saladas,
frutas, sumos e vegetais foram incorporados
no menu. Os sinais de que a McDonald’s
fnalmente havia encontrado um novo
rumo começaram a verificar-se a par-
tir de 2005, quando as acções voltaram
ao patamar do fm da década de 90, em
torno dos 30 dólares por acção. Actual-
mente, as acções da McDonald’s valem
mais do dobro (cerca de 70 dólares) e o
último relatório da Interbrand posiciona
o McDonald’s como a sexta marca mais
valiosa do mundo, avaliada em 32,275 mil
milhões de dólares. “A McDonald’s agiu
rápido e de forma enérgica para se rein-
ventar e se adaptar às novas condições do
mercado”, diz Alejandro Pinedo, director-
-geral da Interbrand. Em 2009, foi a empresa
mais bem-sucedida do sector, com uma
facturação de 22, 7 mil milhões de dóla-
res e um lucro de 4,5 mil milhões (cresci-
mento de 6% face ao ano anterior). É um
desempenho espectacular dado o avolu-
mar da crise internacional. b
Estados Unidos
A rede mudou o horário de atendimento dos
restaurantes, que agora abrem mais cedo
— para “esticar” o período do pequeno-almoço —
e fecham no início da madrugada — para atender
os noctívagos. Também reforçou a sua oferta
de café para concorrer com a “rival” Starbucks.
EUropa
A McDonald’s investiu em design e conforto
para atender melhor os consumidores que
costumam passar mais tempo à mesa. A rede
investiu também em cafés e introduziu menus
saudáveis com base em produtos biológicos
(leite, ovos e carnes brancas) e vegetais.
áfrica
O primeiro McDonald’s do continente abriu em
Marrocos, em Dezembro de 1982. Seguiu-se
o Egipto em 1994 e a África do Sul em 1995. Em
2006 abriu na Argélia e no Quénia. A marca é
uma das patrocinadoras e o restaurante oficial
do Mundial de Futebol de 2010 na África do Sul.
restaurante
da Mcdonald’s
na alemanha:
conforto e
design em vez
de talheres
e cadeiras
de plástico
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A marca é uma das
patrocinadoras e o
restaurante oficial
do Mundial de Futebol
da África do Sul
84 | www.exameangola.com
Marketing MARCAS
ecologia
já não é
um luxo
a
s grandes marcas de luxo sem-
pre foram conhecidas pela sua
incrível capacidade de lançar
tendências. Basta que um aces-
sório, uma cor ou um tecido seja apresen-
tado, com sucesso, nas passerelles, para a
novidade ser copiada desde as pequenas
fábricas dos “tigres asiáticos” até aos gran-
des costureiros de Paris ou Milão. A crise
económica inverteu esse processo. Agora,
são as grandes marcas que perseguem uma
“moda”: a da sustentabilidade.
Mais do que sentir um repentino amor
pelas forestas, pelos ursos polares ou pelos
países devastados pelas guerras e pela
miséria, as marcas de luxo foram sensibi-
lizadas por uma lógica puramente econó-
mica. Nos últimos dois anos, segundo os
dados da consultora Bain & Company, o
mercado do luxo sofreu uma retracção de
10% — o que equivale a 25 mil milhões de
dólares. A expectativa dos analistas é que
a retoma só irá ocorrer em 2012.
Para enfrentar esses tempos difíceis, as
marcas de luxo aderiram à consciência
ecológica e à postura “politicamente cor-
recta” de fazer com que o consumidor não
se sinta tão culpado quando desembolsa
uma pequena fortuna por uma simples
bolsa ou um vestido. “O ‘verde’ tornou-
-se a nova cor da moda no sector de luxo”,
afrma Manfredi Ricca, director da consul-
tora Interbrand em Milão, Itália.
Bono: o rocker das boas causas
Entre os jovens, esse apelo é ainda mais ef-
caz. Uma sondagem feita pela consultora
Luxury Institute, de Nova Iorque, junto de
mais de mil pessoas com idades entre 18 e
25 anos, mostrou que 60% dos consumido-
res são sensíveis à questão ecológica antes
de comprarem um produto de consumo
— versus 40% da média dos americanos.
O primeiro a aderir ao “luxo com cons-
ciência” foi o grupo francês LVMH, dono
de marcas como Louis Vuitton e Dior. Em
Maio de 2009, o maior império do luxo
do mundo adquiriu 50% de participação
na marca de vestuário Edun. Criada pelo
rocker das “boas causas” Bono Vox, voca-
lista da banda U2, a Edun nasceu para
promover o desenvolvimento económico
dos países pobres — o algodão usado nas
peças de roupa, por exemplo, é cultivado
por pequenos produtores africanos.
No mês seguinte, o grupo rival PPR,
dono das marcas Gucci e Yves Saint Lau-
rent, patrocinou um documentário de uma
hora e meia sobre a devastação do pla-
neta, que foi exibido em mais de 100 paí-
ses. Pouco tempo depois, a Tifany passou
a enfeitar as montras das suas lojas de jóias
em todo o mundo com corais sintéticos,
em vez dos naturais que, como é sabido,
correm risco de extinção.
Em Outubro, foi a vez da aristocrática
fabricante de carros Bentley lançar o seu
primeiro modelo com motor fex, o Con-
tinental Supersports, por uns “módicos”
As marcas mais prestigiadas renderam-se
ao marketing verde para conquistar novos
clientes. Desse modo, esperam aliviar a
consciência dos consumidores que pagam
caro pelos seus produtos
João Werner Grando
maio 2010 | 85
Bentley: AUTOMÓVEIS
O que fez Lançou o seu primeiro
modelo com motor flex, o Continental
Supersports, em Outubro. Segundo
a construtora, o automóvel emite cerca de
70% menos carbono. Isto se for considerada
toda a cadeia de fabrico do etanol, desde a
produção até a queima do combustível.
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O que algumas marcas
de prestígio estão a fazer
para adquirir uma atitude
mais ecológica
Muito luxo,
pouca culpa
Cartier: DIAMANTES
O que fez Lidera um programa mundial
de certificação na exploração de
pedras preciosas. A ideia é que a exploração
de ouro e o diamante das suas jóias não seja
feita em zonas de conflito armado, nem utilize
mão-de-obra infantil, sobretudo em África.
PPR: PELES NATURAIS
O que fez A estilista Stella McCartney,
que não utiliza couro nem peles naturais
nas suas peças de roupa, patrocinou um
documentário de uma hora e meia sobre a
devastação do planeta. O filme foi exibido
em mais de 100 países.
LVMH: COMÉRCIO JUSTO
O que fez A casa-mãe dos ícones do luxo como
a Louis Vitton e Dior adquiriu 50% da marca de
vestuário Edun. Criada pelo cantor bono Vox (dos U2),
e pela sua mulher, a Edun nasceu com o propósito de
ajudar países pobres. As suas roupas são feitas com
algodão do Uganda, do Quénia e da Índia.
Tiffany: JÓIAS
O que fez Deixou de
empregar corais no
fabrico das suas jóias.
Para assinalar essa
mudança, a tiffany
montou montras nas
suas lojas em todo o
mundo, com peças
sintéticas, que imitam
os corais verdadeiros.
86 | www.exameangola.com
Embora o ideal da empresa sustentável
se tenha intensifcado de 2009 para cá,
algumas marcas de luxo já se aventura-
vam numa espécie de “marketing ecoló-
gico”, há pelo menos cinco anos. Porém,
os resultados foram medíocres. Em 2004,
na tentativa de reduzir as suas emissões de
poluentes, a LVMH diminuiu o número de
viagens do grupo e pôs fm ao transporte
aéreo dos seus produtos. A PPR, por sua
vez, divulgou a criação de uma direcção
de responsabilidade social só para gerir
temas como o meio am bien te e a biodi-
versidade. No entanto, uma pesquisa rea-
lizada pela ONG ambientalista WWF em
2007, atirou um balde de água fria sobre
o impacte desse tipo de medidas isoladas
junto do público. No ranking de sustentabi-
lidade da organização, a nota obtida pelas
marcas de luxo foi um tímido “C+”, dado à
LVMH, à Hermès e à L’Oréal (a PPR fcou
com um “D”). Dentro desse grupo de pio-
neiros — geralmente mal-sucedidos —, a
alemã BMW é a excepção. A empresa está
a investir no desenvolvimento de tecnolo-
gias limpas desde 1995 e hoje é considerada
a “fábrica de CO
2
” pela Federação Euro-
peia para Trans porte e Meio Ambiente.
Além de reduzir quase 30% das emissões
dos seus 27 modelos, a BMW tomou outras
iniciativas originais como usar gás metano
de aterros sanitários para gerar energia
para as fábricas. “A maior parte das mar-
cas de luxo reconhece a
importância da susten-
tabilidade”, afrma Jem
Bendell, conselheiro do
WWF e um dos cria dores
do ranking. “O problema
é que elas não sabem
como colocar isso em
prática”, sustenta.
Apesar do empenhamento demons-
trado pelas marcas de luxo, ainda é cedo
para saber se o apelo ecológico veio mesmo
para fcar, ou se não passa de um mero tru-
que de marketing. “Como nenhuma des-
sas empresas revela quanto é que, de facto,
está a investir na sustentabilidade, é difí-
cil saber quão comprometidas elas estão,
realmente, com a mudança”, diz Carlos
Ferreirinha, diretor da consultora MCF,
especializada no sector do luxo.
O maior pesadelo para uma marca de luxo
seria a acusação de greenwash, termo que
designa as empresas que apenas simulam
um compromisso com a sustentabilidade.
A Mercedes-Benz pagou um preço alto ao
usar esse expediente. No fnal do ano pas-
sado, a construtora anunciou, em Ingla-
terra, os modelos E-Class com índices de
emissão de gás carbónico abaixo dos 139
gramas por quilómetro (a nova lei da União
Europeia prevê que as emissões sejam redu-
zidas a 140 g/km até 2012). O que a Merce-
des se “esqueceu” de avisar é que isso só é
possível em duas, das 24, combinações de
versões do mesmo carro. O anúncio foi sus-
penso pela Advertising Standards Autho-
rity, mas o estrago já estava feito. Blogues
especializados foram inundados de críti-
cas à construtora. “Comprar um produto
‘pintado de verde’ é mais grave quando se
trata do luxo”, diz Carlos Ferreirinha. “O
consumidor está disposto a pagar mais por
produtos ecológicos. Mas fcará furioso se
sentir que está a ser enganado”, diz. b
270 mil dólares. Nas últimas semanas, a
Lincoln, divisão de luxo da Ford, anunciou
que pretende fazer a mesma coisa. Nessa
corrida “verde”, algumas ideias chegam a
ser bizarras. A italiana Ermenegildo Zegna
lançou, em 2008, um casaco de couro com
pequenos painéis solares nas mangas, uti-
lizados para abastecer uma bateria que
aquece a gola da roupa. “A sustentabili-
dade e a ecologia são as grandes apostas
das marcas de luxo para se diferenciar e
continuar a crescer ”, diz Ricca.
Imagem verde, ou coração verde?
Uma das estratégias mais estruturadas é a
da Cartier, responsável pela compra de 1%
de todos os diamantes usados em jóias no
planeta. A empresa francesa mobilizou o
Responsible Jewellery Council, que reúne
150 fabricantes de jóias, para convencer
todos os associados a exigir dos seus for-
necedores uma certifcação ambiental e
social — de modo a garantir que as pedras
preciosas utilizadas nas suas peças não
tenham nenhuma ligação com zonas de
confitos armados, sobretudo em África.
“Depois do flme Diamante de Sangue,
em 2006, passámos a ser questionados nas
lojas no que diz respeito à procedência das
pedras”, diz Pamela Caillens, directora de
responsabilidade empresarial da Cartier.
“Apesar de os nossos diamantes não serem
provenientes de zonas de confito, decidi-
mos dar um passo além e mostrar aos con-
sumidores que somos uma empresa limpa.”
Cena do filme
Diamante
de Sangue:
a Cartier foi
questionada
sobre a origem
das suas pedras
O marketing ecológico
é um conceito em alta
desde 2009. Porém,
só agora é que chegou
às marcas de luxo
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Marketing MARCAS
10
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Nicky
Oppenheimer
& family
Gere o maior produtor mundial de
diamantes. Juntamente com o res-
to da família Oppenheimer controla
40% da De Beers. Possui a Tswalu
Kalahari Reserve, a maior reserva
de caça da África do Sul.
3 2
Nassef Sawiris
Filho mais novo de Onsi Sawiris,
o fundador do grupo Orascom, um
dos maiores do continente africa-
no. Nassef está à frente da divisão
de construção e fertilizantes desde
1998. Está a investir em projectos
em África e no Médio Oriente.
DinheiroVivo
CONSElhOS E DiCaS quE iNTERESSaM à Sua CaRTEiRa
ÁFRICA
Existem 11 africanos no ranking dos 500 homens mais ricos do mundo, publicado
anualmente pela revista americana Forbes. O nigeriano Mohammed al amoudi,
o egípcio Nassef Sawiris e o sul-africano Nicky Oppenheimer são o trio que
lidera a lista, dominada pelos grupos familiares. O petróleo, o sector mineiro,
a construção e as telecomunicações são as áreas de negócio mais apetecíveis.
Homens mais ricos...
88 | www.exameangola.com
Patrick
Shoo-Shiong
O pai era médico na China
e emigrou para a África do Sul
durante a Segunda Guerra Mundial.
hoje, vive nos Estados unidos.
a sua aPP Pharmaceutical vende
produtos para hospitais e a abraxis
desenvolve medicamentos.
4
Mohammed
Al Amoudi
Nasceu na Etiópia, mas vive na
arábia Saudita. É dono de duas
refnarias na Suécia que, desde
1974, opera no Mar do Norte e
em África. investiu mais de 3 mil
milhões de dólares na agricultura
e na indústria da Etiópia.
1
Onsi Sawiris
Fundador da dinastia empresarial
mais famosa do Egipto.
Reconstruiu o seu império depois
da nacionalização nos anos 60.
Os seus três flhos gerem
as divisões de construção,
telecomunicações e turismo.
5
5 mil milhões
Ranking mundial 154.º lugar
Nacionalidade Sul-africana
Sector Diamantes
Empresa De Beers
Idade 64 anos
Estado civil Casado, 1 flho
5,9 mil milhões
Ranking mundial 127.º lugar
Nacionalidade Egípcia
Sector Construção
Empresa Orascom
Idade 48 anos
5 mil milhões
Ranking mundial 154.º lugar
Nacionalidade Sul-africana
Sector Farmacêutico
Empresa abraxis
Idade 58 anos
Estado civil Casado, 2 flhos
10 mil milhões
Ranking mundial 64.º lugar
Nacionalidade Etíope
Sector Petróleo e construção
Empresa Svenska Petroleum
e Midroc
Idade 48 anos
Estado civil Casado, 8 flhos
3,1 mil milhões
Ranking mundial 307.º lugar
Nacionalidade Egípcia
Sector Construção
Empresa Orascom
Idade 80 anos
Estado civil Casado, 3 flhos
6
7
8
9
A África do Sul
e o Egipto são
os dois países
do continente
com maior número
de milionários
maio 2010 | 89
Naguib Sawiris
2,5 mil milhões
Ranking mundial 374.º lugar
Nacionalidade Egípcia
Sector Telecomunições
Empresa Orascom
Idade 55 anos
Estado civil Casado, 4 flhos
Filho mais velho do fundador
do conglomerado Onsi Sawiris.
É o presidente da divisão
de telecomunicações Orascom
Telecom, uma das maiores
operadoras de telemóveis no
Médio Oriente, África e Sul da Ásia.
6
Mohammed
Ibrahim
2,1 mil milhões
Ranking mundial 463.º lugar
Nacionalidade Sudanesa
Sector Comunicações
Empresa Celtel
Idade 64 anos
Estado civil Casado, 2 flhos
Nasceu no Sudão, mas vive em
inglaterra. Fundou a operadora
de telemóveis Celtel, que actua
em 23 países (em África e no
Médio Oriente). Criou a Mo ibrahim
Foundation, que se dedica
à flantropia em África.
10 7
Patrice
Motsepe
2,3 mil milhões
Ranking mundial 421.º lugar
Nacionalidade Sul-africana
Sector Minas
Empresa africa Rainbow
Minerals
Idade 48 anos
Estado civil Casado, 3 flhos
Nasceu num bairro pobre do
Soweto e hoje é o mais rico da
África do Sul. Começou a comprar
minas de ouro, em situação
precária, em 1994. hoje, produz
inúmeros minérios como platina,
níquel, crómio, ferro e carvão.
8
Johann Rupert
& family
2,3 mil milhões
Ranking mundial 421.º lugar
Nacionalidade Sul-africana
Sector luxo
Empresa Richemont
Idade 59 anos
Estado civil Casado, 3 flhos
É CEO do grupo familiar dedicado
ao luxo que detém marcas como a
Cartier e a Dunhill. É proprietário
de duas das vinhas mais famosas
da África do Sul, a Rupert &
Rothschild e l’Ormarins, e do mais
prestigiado campo de golfe do país.
9
Aliko Dangote
2,1 mil milhões
Ranking mundial 463.º lugar
Nacionalidade Nigeriana
Sector açúcar, cimentos
Empresa Dangote
Idade 52 anos
Estado civil Casado, 3 flhos
apesar dos problemas na Nigéria,
Dangote tem crescido de forma
sustentável nos cimentos devido
ao aumento da procura da China.
abriu novas cimenteiras no Senegal
e na Zâmbia. Está igualmente nos
têxteis, imobiliário, petróleo e gás.
O ranking da revista African Business é dominado
pelas empresas sul-africanas, em particular do
sector mineiro. inclui apenas empresas cotadas.
Na ordenação por países, seguem-se o Egipto e
Marrocos. Por sectores de actividade, o mineiro é
o mais importante. Nos lugares seguintes estão a
banca e as telecomunicações. O facto de o ranking
ser baseado no valor de mercado (que pressupõe a
cotação em Bolsa) impede gigantes estatais, como
a angolana Sonangol, a Nigeria National Petroleum
Corporation e a Sonatrach, da argélia, de fazerem
parte da listagem. Do mesmo modo, estão ausentes
empresas privadas não cotadas, como a De Beers.
... e as maiores
empresas
Valores emdólares. Fonte: Revista Forbes.
Valor de mercado emmil milhões de dólares. Fonte: Revista African Business.
BHP
Billiton
Minas
Anglo
American
Minas
SAB
Miller
Bebidas
Sasol
Petróleo
e gás
MTN
Group
Telecom
Anglo
American
Platinium
Minas
Standard
Bank
Group
Banca
Itissalat
Al Maghrib
Telecom
Impala
Platinium
Holdings
Minas
Kumba
Iron Ore
Minas
73 790
55 231
27 355
25 248
23 807
20 667
19 154
15 990
13 803 13 363
Aestrela marroquina. a itissalat al Maghrib
é a maior operadora nacional. Tem mais de
11 mil empregados e oferece serviços de
telecomunicações móveis, fxas e internet.
Sul-africanas dominam
Nove das dez maiores pertencem ao “país do arco-íris”.
90 | www.exameangola.com
Finanças perfil
a Oprah das finanças
Suze Orman já escreveu seis livros sobre investimentos e finanças pessoais. Um deles,
dirigido às mulheres, foi um sucesso mundial com vendas de 1 milhão de exemplares.
Homossexual assumida, ela anima um show de televisão e tornou-se uma celebridade
Giuliana Napolitano
O
tema de um dos primeiros pro-
gramas de 2010 da famosa apre-
sentadora da televisão Oprah
Winfrey foi investimentos e
planeamento fnanceiro. “O que é que eu
faço se fcar desempregado?” e “Como é
que negoceio a hipoteca da minha casa?”
estão actualmente entre os assuntos favo-
ritos dos americanos.
Oprah sabe bem como levantar as audi-
ências. Logo, para falar sobre fnanças pes-
soais em tempos de incerteza, a apresen-
tadora convidou uma mulher — a consul-
tora fnanceira Suze Orman. Autora de seis
livros sobre fnanças pessoais, que permane-
ceram durante várias semanas na lista dos
mais vendidos do Te New York Times, Suze
tinha acabado de publicar mais um poten-
cial best-seller, 2010 Action Plan — Keeping
Your Money Safe & Sound (Plano de Acção
2010 — Mantendo o Seu Dinheiro Seguro).
Os conselhos dados por Suze, no livro e no
programa de Oprah, pintaram um cenário
sombrio para os próximos anos — ela acre-
dita, por exemplo, que a Bolsa americana
só vai recuperar a partir de 2015. Apesar da
crise (ou talvez por causa dela), o desempe-
nho do seu livro tem sido excelente. A estra-
tégia de Suze — que diz ter escrito Keeping
Your Money Safe & Sound em apenas duas
semanas — foi permitir downloads gratui-
tos. Ainda assim, foram vendidas cerca de
1 milhão de cópias.
Conecida como a “Oprah das fnanças
pessoais”, numa referência ao seu estilo
auto-ajuda, Suze costuma ser criticada
pelos analistas do mercado
fnanceiro, que a acusam de
“propangandear” análises
simplistas dos problemas
fnanceiros. De facto, a autora
às vezes exagera na psicolo-
gia fnanceira e nos conselhos
de senso comum. Em entre-
vista à EXAME, Suze disse,
por exemplo, que ter dívidas
é um mau negócio porque “as
outras pessoas podem sentir
que nós estamos endivida-
dos. Nessa altura nós fca-
mos mais inseguros e isso
pode prejudicar a carreira ou
até impedir a conquista de uma promoção
no emprego”. Não é propriamente uma reve-
lação. Mas os livros de Suze Orman tam-
bém têm conselhos interessantes, fruto da
sua vasta experiência profssional. Antes de
abrir a sua empresa de consultoria fnan-
ceira, em 1987, Suze foi vice-presidente da
Prudential Securities, uma das maiores ges-
toras de activos dos Estados Unidos, e ges-
tora de contas do banco Merrill Lynch. Eis
cinco grandes conselhos da especialista.
1
Tenha uma reserva financeira de
emergência sufciente para cobrir oito
meses de despesas. “Dou esse conselho
há vários anos. Ter uma reserva fnanceira
é ainda mais importante num ambiente
de crise económica. Hoje, o risco de fcar
desempregado é maior e quem perde o
emprego demora mais tempo para encon-
trar outra vaga. Ainda que a
probabilidade de fcar sem
trabalho seja mínima, essa
reserva fnanceira deve ser-
vir para cobrir imprevis-
tos, como gastos médicos.
É um dinheiro que deve
fcar investido em aplicações
seguras, como a renda fxa.”
2
Pague as suas dívi-
das e não gaste mais
do que tem. “O ideal é atra-
vessar os períodos contur-
bados sem dívidas no cartão
de crédito ou em emprésti-
mos bancários. Um grande erro cometido
pelos consumidores ocidentais nos últimos
anos — e que acabou por ser responsá-
vel, em larga medida, pela crise actual —
foi gastar mais do que tinham e recorrer
aos empréstimos para cobrir a diferença.
É preciso evitar essa armadilha de “viver
acima das posses”. Não vale a pena com-
prar um carro e andar durante anos a
pagar o empréstimo. É melhor comprar
um modelo mais barato, mas que possa
ser pago em apenas alguns meses.”
3
Saia da Bolsa se precisar do dinheiro
aplicado em acções em menos de
cinco anos. “O mercado está arriscado de
mais, a sensação é de que tudo pode acon-
tecer. Quem pretende vender os títulos que
estão na Bolsa em menos de cinco anos
deve tirá-los do mercado agora e colocá-
Para quem investe no longo prazo, quanto mais a Bolsa cair, melhor. É uma oportunidade para comprar acções baratas
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maio 2010 | 91
-los em investimentos mais seguros, como
as obrigações de renda fxa. Pode ser que
a Bolsa valorize nesse período? Sim, mas
também pode acontecer que caia mais.
Não acho que haverá uma recuperação
real da Bolsa americana até 2015, o que
afectará os mercados fnanceiros de todo
o mundo. O prazo será menor em países
emergentes, como o Brasil e a China. Mas
actualmente, compensa ser conservador.”
Para quem investe no longo prazo, quanto mais a Bolsa cair, melhor. É uma oportunidade para comprar acções baratas
4
Compre acções a pensar no longo
prazo. “O investidor que tem o tempo
a seu favor, ou seja, que não vai precisar do
dinheiro aplicado por, no mínimo, dez anos,
deve ir para a Bolsa. Diria mais: quem tem
um horizonte de 30 anos para essa pou-
pança, já fez uma reserva fnanceira para
emergências e não tem dívidas de curto
prazo (no cartão de crédito, por exemplo)
deve colocar tudo o que sobra em acções.
5
Invista em títulos públicos. “Isso
pode ser mais interessante para quem
pretende investir por prazos longos. Em
1980, aconselhei os investidores a com-
prarem obrigações do Tesouro dos Estados
Unidos, de taxa fxa, que só venceriam em
2010. Na altura eles pagavam juros altos
— de 14,5% ao ano — se comparados com a
actual taxa de 3,5%. Desde então o investi-
dor recebe juros à taxa de 14,5% ao ano. b
Suze Orman
Idade
58
NacIoNalIdade
estados Unidos
ResIdêNcIas
Florida, Nova iorque e São Francisco
PRofIssão
consultora financeira, autora, oradora,
vedeta de televisão (anima o programa
The Suze Orman Show, na cBS)
lIvRos
• The Nine Steps To Financial Freedom (1997).
• You’ve Earned It, Don’t Lose It (1997).
• The Courage to Be Rich (1998).
• The Road to Wealth (2001).
• The Laws of Money, the Lessons of Life…
(2003).
• The Money Book for the Young Fabulous
and Broke (2005).
• Women and Money: Owing the Power to
Control Your Destiny (2007).
• Suze Orman’s 2009 Action Plan (2009).
• Suze Orman’s 2010 Action Plan (2010).
dIstINções
• emmy award (2004 e 2006) na categoria
de Show Host.
• Seis Gracie awards (televisão).
• eleita pela Time uma das 100 pessoas
mais influentes do mundo (2008 e 2009).
• Prémio Vito russo (2009) da Gay &
lesbian alliance against defamation.
• Prémio amélia earhart (2008)
pela pedagogia financeira
junto das mulheres.
Site
www.suzeorman.com
92 | www.exameangola.com
tecnologia internet
a
té há bem pouco tempo, uma boa
parte dos que ouviam falar do
Twitter não fazia ideia de como
funcionava. Apesar de existir
há três anos e contar com algumas cen-
tenas de milhares de utilizadores apaixo-
nados pelo mundo fora, o serviço de troca
de mensagens manteve-se restrito durante
muito tempo aos afcionados da tecnolo-
gia. O apelo de compartilhar ideias até
140 caracteres, em resposta à pergunta “O
que é que você está a fazer agora?”, pare-
cia pouco atractivo.
Desde o começo deste ano que muitas
pessoas decidiram experimentar o Twitter.
Muitas pessoas mesmo. Durante a Chirp,
conferência do Twitter que aconteceu no
mês passado em São Francisco, nos Esta-
dos Unidos, Biz Stone, um dos seus funda-
dores, revelou as mais recentes estatísticas
sobre a rede. O facto que mais chamou a
atenção da imprensa foi o seu crescimento
exponencial — a conquista de mais de 100
milhões de utilizadores desde a sua cria-
ção, em Março de 2006. Stone garantiu
que o Twitter tem mais de 105 milhões
de adeptos, ou seja, 25% da população do
Facebook, a rede social de maior populari-
dade no mundo (com 400 milhões de uti-
lizadores). Como é típico das inovações
tecnológicas de Silicon Valley, o Twitter
começou pequeno, ganhou popularidade
entre alguns utilizadores fanáticos, mas
ainda não dá lucro — ou, para ser mais pre-
ciso, nem sequer tem uma fonte de recei-
o que acontece
está no twitter
Camila Fusco e Luiza Dalmazo (com Jaime Fidalgo)
O serviço de troca de mensagens curtas conquistou o mundo. O número de
utilizadores já ultrapassou os 105 milhões. O Google e o Facebook estão preocupados
para ver quem atingiria primeiro a marca
simbólica de 1 milhão de seguidores.
Claro que os famosos podem ajudar
a divulgar o Twitter, mas são as pessoas
comuns, com os seus 50, 100 ou 150 segui-
dores, que fazem do serviço algo potencial-
mente transformador. Abastecido pelos
curtos — mas frequentes — comentários
dos utilizadores, o Twitter reúne, a cada
segundo, uma gigantesca base de dados
sobre o que as pessoas estão a falar. Com
isso, está a tornar-se o principal termó-
metro da Web. Uma busca no Twitter traz
resultados muito diferentes de uma pes-
quisa no Google. Por mais efciente que seja
o algoritmo desenvolvido pelos engenhei-
ros na Califórnia, o sofware automático de
pesquisa não é capaz de medir o pulso da
conversa global com tanta velocidade. “O
Twitter é uma janela aberta para as tendên-
cias do mundo”, diz Josh Bernof, vice-pre-
tas. Mas o dinheiro, por enquanto, é apenas
um detalhe. Com uma simplicidade frus-
trante, o Twitter é considerado uma ame-
aça crescente para o Google e o Facebook,
e uma oportunidade enorme de marketing
para todas as outras empresas do planeta.
O termómetro da Web
Parte do impulso recente do Twitter tem
que ver com a avalancha de celebridades
americanas que invadiram a rede. Arnold
Schwarzenegger, actor e governador da
Califórnia, está lá desde o início. Barack
Obama, o Presidente americano, também
aderiu quando ainda disputava a candida-
tura do Partido Democrata. Mais recen-
temente, a apresentadora Oprah Winfrey,
uma das personalidades públicas de maior
infuência da televisão americana, tornou-
se uma “tuiteira”. O actor Ashton Kutcher
travou uma disputa pública com a CNN
O furacão da internet
De ferramenta desconhecida, o Twitter passou a uma febre colectiva. Conheça as estatísticas.
Em dois anos, o Twitter
passou de 1 para 100
(em milhões de utilizadores).
novos registos
todos os dias.
180 milhões
de visitantes
únicos por mês.
300 000
do crescimento
registam-se fora
dos Estados Unidos.
55 milhões de
tweets por dia.
60%
é o número
médio de
seguidores
por cada
utilizador.
70
CrEsCimEnTO ExpOnEnsial
Fonte: CHirp; e-life e comscore.
1,3
105
março 2008 março 2010
maio 2010 | 93
Os fundadores
Evan Williams
e Biz Stone:
dois estudantes
de Berkeley
que mudaram
o mundo
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s
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tecnologia internet
A estrela
da Web
De acordo com os
dados da comscore
o Facebook foi
responsável por
41% do tráfego
entre as redes
sociais dos
Estados Unidos.
seguiram-se o
myspace (24%),
o Gmail (15%)
e o Twitter (8%).
Este, porém, foi
o que mais cresceu.
O Twitter é usado como um serviço de alerta,
para avisar sobre novas postagens em blogs
ou reportagens de sites de jornais e revistas.
Empresas fazem buscas regulares no Twitter
para saber, em tempo real, o que os clientes
estão a falar sobre os seus produtos e serviços.
InFOrmatIvO
mODElO DE UsO COmO FUnCiOna
PrOmOçãO
EvEntOS
mOnItOramEntO
Fonte: Empresas.
as empresas usam a rede para divulgar as suas
promoções. muitas aparecem no Twitter antes
das outras redes, e há casos de ofertas
exclusivas para os seguidores do Twitter.
O Twitter é usado para promover eventos
sociais, como espectáculos e festas, e depois
serve para medir a recepção do público.
sidente de inovação da Forrester Research
e co-autor do livro Groundswell, sobre
redes sociais. Por exemplo, uma busca no
Google por “vulcão na Islândia” decerto
gerará notícias e textos de referência sobre
o evento. No Twitter, os resultados pro-
vavelmente incluirão relatos em primeira
mão dos habitantes da Islândia sobre as
restrições impostas à circulação de aviões.
Sem custos fxos exorbitantes
Um tipo de busca não exclui a outra, é
claro, mas o Twitter já se tornou uma con-
sulta obrigatória para as empresas que que-
rem avaliar a sua reputação na internet.
Os especialistas dizem que hoje 30% das
opiniões sobre uma empresa na internet
vêm do Twitter. Num artigo do Te New
York Times, a jornalista Claire Cain Miller
citou o caso da fabricante de computado-
res Dell, que através do Twitter percebeu
que os clientes estavam a reclamar sobre
a proximidade das teclas do Dell Mini 9
e, de imediato, reparou o problema. Na
Starbucks, os clientes costumavam recla-
mar deixando as mensagens numa caixa
de sugestões. Agora, eles podem enviar
as reclamações ou sugestões via Twitter.
Mas a rede vai muito para além do uni-
verso das empresas. Ela representa um fenó-
meno cultural que tem despertado interesse
e perplexidade pelo mundo. Muitos tweets,
como são chamadas as mensagens troca-
das entre os utilizadores, são triviais. Uns
dizem o que comeram ao almoço. Outros
queixam-se que chegaram 50 minutos atra-
sados a uma reunião devido ao trânsito.
Outros partilham os restaurantes e flmes
favoritos. Há um pouco de exibicionismo
envolvido. Quem “tuíta” revela uma neces-
sidade incontrolável de se manter em con-
tacto com os outros. Mas será que só isso
explica o sucesso inacreditável da rede em
apenas dois anos?
Paul Safo, director do Instituto do Futuro
e professor da Universidade Stanford, na
Califórnia, disse que o Twitter recupera o
espírito dos primeiros tempos da internet.
Milhares de pessoas desconhecidas reú-
nem-se em torno de um tema sem preci-
sarem de aderir a um grupo de discussão
ou às tradicionais comunidades virtuais.
Um estudo da Universidade de Harvard
concluiu que apenas 10% dos usuários pro-
duzem 90% do conteúdo. Mas não é, por
isso, que o Twitter deixa de ser uma força
poderosa. Foi graças a ele que o fenómeno
da cantora escocesa Susan Boyle tomou o
mundo digital de assalto.
Mas há quem não concorde. Algumas
empresas de media estão a proibir o uso
do Twitter. Alegam que a limitação de 140
caracteres é prejudicial para um jorna-
lismo de qualidade. O escritor José Sara-
mago, vencedor de um Prémio Nobel da
Literatura, fez uma dura crítica ao Twit-
ter, dizendo: “Os 140 caracteres refectem
algo que já conhecíamos: a tendência para
o monossílabo como forma de comunica-
ção. De degrau em degrau, vamos descendo
até ao grunhido. O propósito do Twitter
não é literário, mas, sim, informativo.”
Recorde-se que o Twitter nasceu numa
universidade de prestígio (Berkeley, na
Califórnia) e conquistou a imaginação
colectiva, mesmo sem ter um modelo de
negócios defnido. Apesar disso, a empresa
já recebeu 55 milhões de dólares de capita-
listas de risco. Os fundadores, Jack Dorsey,
Biz Stone e Evan Williams, que criaram o
Blogger e depois venderam a empresa ao
Google, afrmaram que este ano haverá
mais novidades para além das alterações
de design na página de abertura. Alguns
especulam que o Twitter possa cobrar às
empresas que queiram fazer um uso comer-
cial da ferramenta. Uma outra alternativa
possível é publicar anúncios de acordo com
o perfl dos utilizadores. O que parece claro
é que, por enquanto, os fundadores não
têm motivos para ter pressa. Ao contrá-
rio do YouTube, que dá um prejuízo de 2
milhões de dólares por dia, o Twitter não
tem custos fxos exorbitantes.
Esse deve ter sido um dos motivos pelos
quais o trio rejeitou, em Novembro de 2008,
uma oferta de 500 milhões de dólares feita
pelo Facebook. Sem a aquisição, a maior
rede social do mundo partiu para a forma
mais sincera de admiração: a cópia. No ano
passado, o Facebook mudou o lay out do
site de modo a deixá-lo muito semelhante
ao do Twitter. Diz-se que o seu fundador,
Mark Zuckerberg, já começou a “tuitar”.b
www.exameangola.com
Siga as notícias do Portal eXAMe
pelo twitter (www.twitter.com/exameangola)
alguns alegam que
a limitação de 140
caracteres prejudica
a escrita de artigos
com qualidade
maio 2010 | 95
96 | www.exameangola.com
O
livro Crude World —Te Vio-
lent Twilight of Oil (numa tra-
dução livre, “Mundo Bruto
— O Crepúsculo Violento do
Petróleo”), do americano Peter Maass,
está a suscitar polémica. Apesar da situa-
ção em Angola não ser visada pelo autor,
as questões levantadas por Maass, jorna-
lista especializado em assuntos interna-
cionais, que já trabalhou em prestigiadas
publicações como o Wall Street Journal e
o Washington Post, e que está actualmente
no Te New York Times, merece a atenção
dos angolanos numa altura em que o país
se tornou o maior produtor de petróleo do
continente africano, suplantando a Nigéria
(cuja situação é largamente descrita nesta
obra). O que Maass aborda é o lado nega-
tivo muitas vezes associado à exploração
dos recursos naturais. Ele não defende que
exista um determinismo, ou seja, que ter
petróleo seja sempre nocivo para os países
— como outros estudiosos já fzeram, alu-
dindo ao que seria uma “maldição do petró-
leo”. O caso exemplar da Noruega prova o
contrário. O argumento do autor é que é
mais difícil evitar os problemas gerados
pela abundância do petróleo em nações
com um tecido político e social frágil.
A história do livro começa no século
xx, quando o combustível fóssil se tornou
a principal fonte de energia do mundo.
Em muitos países, tal
riqueza veio acompa-
nhada de efeitos secun-
dários como guerras,
corrupção, desigual-
dades sociais e catás-
trofes ambientais. As
mais recentes são rela-
tadas pelo autor, que viu
de perto muitas dessas desgraças, em par-
ticular no Médio Oriente e em África, e
conversou com alguns protagonistas. Para
escrever o livro, Peter Maass fez reporta-
gens nos Estados Unidos, Arábia Saudita,
Rússia, Iraque, Kuwait, Nigéria, Venezuela,
Equador, Azerbaijão e Afeganistão.
Veneno negro
José Roberto Caetano
Um rasto de violência, corrupção e desigualdades sociais acompanha
a história do ouro negro em muitos dos países no qual é abundante.
Chamam-lhe a maldição do petróleo. Vale a pena uma reflexão
Campos
de petróleo
que ardem
no Iraque:
ter petróleo
gerou mais
perdas do
que ganhos
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a

LiVrOs petróleo
maio 2010 | 97
Desde aquela altura
as coisas mudaram, mas
não necessariamente
para melhor. Maass
considera que, a partir
daí, a Venezuela come-
çou a galopar em direc-
ção a uma miragem.
Velhos problemas do
país, como as infra-estruturas precárias,
não foram resolvidos, o regime de Hugo
Chávez enveredou pelo culto à personali-
dade e a perseguição à oposição, a indús-
tria e a agricultura entraram em declínio.
A conclusão é que a política de Chávez,
apresentada como uma maneira de termi-
nar com a “maldição do petróleo”, está af-
nal a prolongar a “má sina” dos produtores.
O ocaso do petróleo, contudo, será lento.
O autor alerta que, até lá, é natural que
os confitos violentos no delta do Níger
se agravem. Ou que o caos e a corrupção
na Guiné Equatorial persista. Ou que os
petromilionários da Rússia e dos países
do Médio Oriente continuem a dar lar-
gas às suas excentricidades. Ou que Hugo
Chávez continue a liquidar o que resta da
economia venezuelana. Ou ainda que os
americanos continuem com a sua política
ambígua no Iraque. Ou, por fm, que o
ouro negro não se transforme afnal num
veneno para o planeta. A expectativa de
Maass é que o mundo acabe por mudar
de trajectória para o ouro verde, abando-
nando aos poucos o petróleo em favor de
fontes de energia renováveis menos lesivas
para o ambiente. O planeta agradece. b
Antes, como repórter dos jornais Te
Washington Post e International Herald
Tribune, já tinha viajado pela China, Japão,
Sudão, Cazaquistão e Noruega, nos quais
entrevistou príncipes, generais, bilionários,
ambientalistas, políticos, diplomatas, aca-
démicos, lobistas, geólogos e trabalhadores.
Do ouro negro para o ouro verde
Como resultado dessas investigações, Maass
defende que há um esgotamento do modelo
económico associado aos combustíveis fós-
seis e vaticina que a era do petróleo está
a entrar na fase de “crepúsculo”. O autor
acredita que o mundo está a caminhar
para uma situação de escassez crescente
do petróleo. Grandes reservas mundiais,
como a de Burgan, no Kuwait, a de Can-
tarell, no México, ou as do Mar do Norte,
já entraram em declínio. Maass concorda
com os especialistas que vislumbram sinais
de que também a Arábia Saudita, a maior
produtora e dona de 21% das reservas no
planeta, já estaria próxima de atingir o seu
limite de aumento da produção. Isso, no
mundo do petróleo, signifca a iminên-
cia da queda que teria como consequên-
cia inevitável uma nova alta de preços. O
mundo já teria experimentado um pouco
desse cenário apocalíptico antes da crise
fnanceira mundial, quando, em Julho de
2008, o barril alcançou o pico de 147 dóla-
res. Hoje, como é sabido, a cotação ronda
metade desse valor. Porém, Peter Maass
acredita que assim que a actividade eco-
Hugo Chávez de
visita à fábrica
da PDVSA:
um exemplo
de como o
petróleo pode
ser nocivo para
a economia
.
Editora Alfred A. Knopf, 278 pp.
Autor O jornalista Peter Maass
Crude World — Te Violent
Twilight of Oil
Ter petróleo pode ser a solução para
alguns problemas. Mas também ajudar
a criar novos problemas. não podemos desfazer
ageologia do planeta, mas podemos tentar tornar
os combustíveis fosseis menos valiosos no longo prazo.
afinal, o crepúsculo do petróleo, após um século
em que ele remodelou o mundo, irá levar anos.
a
F
P
nómica recuperar o ritmo anterior, a ten-
dência será para o reinício da escalada
dos preços para a casa dos três dígitos. O
prognóstico de um dos entrevistados no
livro, Matthew Simmons, ex-conselheiro
de Energia de George W. Bush, é de uma
subida não para 100, mas para várias cen-
tenas de dólares por barril.
Um capítulo inteiro do livro é dedicado
ao caso da Venezuela. Nos anos 90, quando
a maior parte da receita da PDVSA (com-
panhia pública do petróleo) era reinvestida
na operação, a empresa tinha um orça-
mento maior do que o do governo. Pos-
suia igualmente uma elite de funcionários
altamente qualifcados e bem pagos, num
país que permanecia pobre. Quando Hugo
Chávez foi eleito, a PDVSA era um poder
quase independente do governo.
98 | www.exameangola.com
ExameFinal
N
a refexão do papel do Estado e do sector privado
nas economias emergentes há três factos que têm
chamado a minha atenção. O primeiro, tem que
ver com a globalização económica; o segundo, com
a revolução digital; o terceiro, com o “capital social”. Os após-
tolos mais entusiastas da era da informação ao celebrarem o
esboroamento da hierarquia e da autoridade negligenciam, por
vezes, um factor crucial: a confança e as regras éticas partilha-
das que nela estão subjacentes. Esses três factos estão na origem
da profunda alteração que se verifca no paradigma da compe-
titividade entre as empresas, mas também entre as nações. A
competição entre as nações já não assenta, essencialmente, nas
vantagens comparativas, mas, sim, nas vantagens competitivas.
As primeiras, baseadas nas dotações naturais; as segundas, com
alicerces nas dotações adquiridas. São estas que explicam, fun-
damentalmente, a transição de países com estatuto de fguran-
tes para países com o estatuto de actores.
A este propósito, há a salientar que nunca a humanidade cres-
ceu e mudou tanto em tão pouco tempo. Nunca, na vida eco-
nómica mundial, houve tantos actores globais como os que
existem hoje. Na América do Norte (Estados Unidos e Canadá),
na Europa (Alemanha, Reino Unido, Itália, França, Espanha),
na Ásia (Japão, China, Índia, Coreia do Sul), na América do Sul
(México, Brasil), na Oceânia (Austrália) e em África (África do
Sul). A globalização da economia é, assim, uma das dimensões
da emergente reconfguração do mundo.
Os países pobres e subdesenvolvidos da América Latina, da
África e da Ásia ainda não são actores desse processo de glo-
balização: são meros fgurantes. Mas alguns deles, preenchidas
determinadas condições políticas, institucionais, económicas e
sociais, e num espaço de uma ou duas décadas, poderão passar
a ser actores. As importantes transformações estruturais a que
assistimos pelo mundo fora não são obra do acaso. São o resul-
tado de políticas deliberadas, formuladas e implementadas por
líderes visionários e audaciosos. O estatuto de actor ganha-se
com visão estratégica e com audácia. “Audaces Fortuna Juvat”
(A Fortuna Favorece os Audazes), escreveu Horácio, nas Odes.
No século xix, o modelo ocidental de empreendedor industrial
confunde-se com o dono da empresa. No século xx, o surgimento de
grandes empresas faz emergir o empresário inovador que é, frequen-
tes vezes, um assalariado. A transição para uma economia baseada
no conhecimento e na inovação exige, assim, um esforço signifca-
tivo de investimento naquilo que pode ser, actualmente, defnido
como investimento em conhecimento: investigação e desenvolvi-
mento (I&D), sofware, hardware de tecnologias de informação e
de comunicação (TIC), telecomunicações, educação e formação.
Verifca-se hoje uma importante mudança no padrão de produção,
disseminação e uso do conhecimento. Os países emergentes com-
preenderam esta alteração adaptaram-se a ela, e têm tirado partido
das grandes oportunidades em perspectiva, assumindo, desse modo,
uma posição dominante na economia global. Os “trabalhadores do
conhecimento” estão a surgir como grupo profssional dominante,
com níveis elevados de habilitações académicas, desenvolvimento
profssional contínuo e autonomia. Muitos deles já se encontram
ligados à comunidade global em evolução. Estes resultados espec-
taculares são o produto da combinação de acções governamen-
tais esclarecidas e estratégias empresariais audazes. Dito de outro
modo, combinação de Estados esclarecidos e de sectores privados
com capacidade de inovação. b
A globalização, a revolução digital e o “capital
social” são os três factos que estão a mudar
as regras do jogo da competitividade
entre as empresas e as nações
Por Vicente Pinto de AndrAde
Professor titular da Universidade Católica de Angola
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t
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s
O novo paradigma
da competitividade

CartadoDirector
Director: Carlos Rosado de Carvalho (carlosrosado@exameangola.com) Director Executivo: Jaime Fidalgo (jaimefidalgo@exameangola.com) Editores: Faustino Diogo (faustinodiogo@exameangola.com) Francisco Moraes Sarmento (moraessarmento@exameangola.com) Assistente de Redacção: Ninette Figueiredo (ninette@exameangola.com) Arte: Jorge Ribeiro (director), Filipa Silva e Frederico Fernandes (editores) Armindo Dalas, Demóstenes Paulino e Pedro de Oliveira Monteiro (paginadores) Fotografia: Carlos Moco (editor), Carlos Augusto, Daniel Miguel, Jacinto Figueiredo, Malocha, Pedro Nicodemus, Nuno Santos (fotógrafos), Rojú (assistente) Colaboradores Regulares: Herculano Coroado, Manuel Cruz, Mário Paiva (texto) António Martins (revisão); Kamene Traça (fotografia), Jorge Ribeiro e Frederico Fernandes (infografia) e Horácio Dá Mesquita (caricatura) Colaboraram nesta edição: Camila Fusco, Felipe Carneiro, Giulliana Napolitano, João Wenger Grando, José Roberto Caetano, Luiza Dalmazo, Mariana Barbosa, Tatiana Gianini Direitos Internacionais: Exame Brasil (texto e imagens), AFP, Graphic News e IStockPhoto Multimédia e Internet: Géraldine Correia (directora), Nara Rosa e Isabel Dalla (site@exameangola.com) Marketing: N’Dalo Rocha

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banalização do crédito bancário é uma das imagens de marca da sociedade contemporânea. Apesar da crise financeira que assolou o planeta, anúncios cor-de-rosa continuam a prometer-nos dinheiro para comprar este mundo e o outro. Casas, mobílias, electrodomésticos, carros ou férias de sonho estão à distância de uma simples visita à agência bancária mais próxima. Se nos dias que correm, em quase todo o mundo, obter crédito para comprar não importa o quê é fácil, por vezes demasiado fácil, as franjas mais vulneráveis da sociedade que recorrem aos bancos para pedir um pequeno empréstimo para criar ou manter o seu próprio emprego esbarram com um sem-número de obstáculos. Se, além de pobre, quem necessitar do crédito for mulher, as coisas pioram. Sem acesso aos bancos, muitos dos muito pobres que precisam de meia dúzia de tostões para trabalhar acabam por cair nas mãos de agiotas sem escrúpulos que cobram juros exorbitantes. A ausência de garantias e o facto de os empréstimos envolverem quantias muito baixas — que não cobrem sequer os custos com a papelada — são as duas principais razões que fazem com que os bancos rejeitem dar a mão a pessoas a quem a vida virou as costas. Para quebrar este ciclo vicioso em que milhões de pobres não têm acesso ao crédito, porque são pobres e não conseguem sair da pobreza porque ninguém lhes dá crédito, Muhamad Yunus criou, em 1974, no Bangladesh, seu país natal, um novo modelo de negócio bancário. Trata-se do microcrédito, que consiste em emprestar pequenas quantias a pessoas com competências profissionais para criarem o seu próprio emprego, mas que por alguma razão não têm acesso aos canais bancários tradicionais. Ao longo de quase 40 anos, o trabalho de Yunus, laureado em 2006 com o Prémio Nobel da Paz, provou que emprestar dinheiro aos pobres numa óptica comercial é possível. Os pobres que beneficiam do microcrédito sabem que o auto-emprego é o passaporte para saírem da pobreza e por isso são os primeiros interessados em pagar os empréstimos que obtêm. Esta é a principal garantia para quem lhes concede crédito. O pai do microcrédito esteve em Luanda, no final de Abril, para partilhar com os angolanos a sua experiência e deixar uma mensagem muito clara: o acesso ao crédito é um direito de todos e não um privilégio de alguns consumistas compulsivos. Como prova o especial que publicamos nesta edição, a semente lançada por Yunus começa a dar frutos em Angola. Ainda bem! b

O acesso ao crédito é um direito de todos e não um privilégio de alguns consumistas compulsivos

maio 2010 | 3

CarlOs MOCO

Nobel da Paz. entre as quais. Estónia. o GlObal magnífica sobre Luanda. O T5 duplex custa 10 milhões de dólares Progroup tem 11 filiadas. a mediadora Proimóveis nEGÓCIOS 46 Índia Os irmãos Ambani são dois dos homens de negócios mais daniel Miguel 50 Europa Em 2005. a Chevron Este ano tem 20 milhões de dólares para apoio aos pequenos negócios Muhammad Yunus gostava de abrir um Grameen Bank em Angola 82 Consumo A McDonald’s já não quer ser associada ao fast-food. o BAI. veio 62 Microcrédito/Entrevista O novo livro de Yunus é sobre a chegada 72 Microcrédito/BPC Em parceria com a World Vision.com o país Microcrédito: as mulheres são mais sérias e gerem melhor as poupanças Editorial Cartas Primeiro Lugar Grandes Números Mundo Plano Gestão Moderna Gestão 2. A Danone e a Adidas são dois casos pioneiros a Luanda explicar como o conceito já tirou milhões da pobreza João Venichand e José Luis de Carvalho: capital 100% angolano 78 Microcrédito/SOL Foi a primeira instituição de microcrédito do país. a Louis Vuitton ou fInançaS Agora oferece lojas e serviços diferenciados para cada mercado aBentley — renderam-se ao marketing verde para conquistar clientes 90 Perfil Chamam-lhe “a Oprah das finanças”. Hoje. fruto da parceria entre o maior banco a operar em Angola. Letónia e Lituânia ainda estão a braços com a crise 40 62 54 Microcrédito/Seminário Muhammad Yunus. A rede social tem 105 milhões de utilizadores e quer bater o Google e o Facebook 96 Petróleo Peter Maas explica o que é a “maldição do ouro negro” SECçõES lIvrOS 72 4 | www. KaMene traça markEtInG 84 Ecologia As marcas do luxo — como a Cartier. GEStãO ricos do mundo. Suze Orman ensina às tECnOlOGIa mulheres os segredos do investimento e tornou-se uma celebridade 92 Twitter Dizem que é uma espécie de SMS da internet.exameangola. e a maior petrolífera. 80 Microcrédito/BMF Nasceu em 2009. o BPC criou bancos comunitários que já mudaram a vida de 5 mil famílias dos negócios sociais. eram conhecidos como os “Tigres do Báltico”.REVISTA mEnSAl — AnO 1 — n.O 5 — mAIO DE 2010 TIRAGEm DESTA EDIÇÃO: 10 000 EXEmPlARES — FOTO DE cAPA: kaMEnE Traça 34 Imobiliário A Torre Ambiente tem 120 metros de altura e uma vista 40 Estratégia Há 18 anos tinha apenas duas empresas. A zanga entre os dois é igualmente lendária Hoje.0 Dinheiro Vivo Exame Final 3 8 10 18 44 53 70 88 98 .

30 Capa 20 Jacinto figueiredo 20 aLBIna aSSIS A comissária nacional acredita que esta vai ser a melhor participação de Angola numa exposição mundial. devido à organização deste evento www.exameangola. Conheça a equipa que está a zelar pela imagem do país As esculturas do Mestre Makiese têm lugar de honra no pavilhão 30 EXPO XanGaI Dizem que Xangai é a sala de visitas da China. Q uer ter 70 milhões de visitantes .com/exameangola a Maior fonte de inforMação econóMica sobre angola Faça a sua AssinAturA diGitAL em www.facebook.tv FACeBook www. Saiba o que mudou na cidade.twitter.com 100 u s por anod maio 2010 | 5 apenas Jiang ren ©afp A expo Xangai já é a maior de sempre.blip.exameangola.com CAnAL de Vídeo http://exameangola.com/exameangola twitter www.

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cinco filhos 7. os veteranos amancio ortega.ª Warren buffett mIl mIlhõES 47 3. líder da maior empresa do país. Bernard arnault. ambos foram ultrapassados pelo empresário mexicano Carlos slim. Luís Lélis Banco BAI Para a equipa e para a revista votos de sucesso Emídio Pinheiro Presidente do BFA Li com um sorriso no rosto a “nossa” revista EXAME. detém a Zara) e o alemão Karl albrecht. sim. Espero num futuro próximo poder ser assinante desta vossa revista e recebê-la sempre “quentinha”.ª JACqueline MArs Fortuna: 11 mil milhões Sector: alimentar (mars) Nacionalidade: norte-americana 9.ª sAvitri JindAl Fortuna: 20 mil milhões Sector: aço e energia (Jindal Group) Nacionalidade: indiana 5. Estamos todos de parabéns. na última listagem.º lilliAne bettenCourt Fortuna: 20 mil milhões Sector: Cosmética (l’oréal) Nacionalidade: Francesa 3. mas. pela excelente iniciativa que tiveram em representar e publicar a realidade económica angolana e não só.5 mil milhões Sector: luxo (lmVh) Idade: 61 anos Nacionalidade: Francesa Residência: Paris Estado civil: Casado. ligeiras.ª bill Gates Carlos Barria ©reuters luis aCosta ©aFP diVulGação mIl mIlhõES Valores em dólares. fundador do grupo galego inditex (que.exameangola. Acredito que rapidamente se tornará.com abril 2010 | 77 . Os meus parabéns.6 mil milhões Sector: distribuição (Wall mart) Nacionalidade: norte-americana 2. Inokcelina dos Santos Directora coordenadora do BAI Estou certo de que a revista EXAME será um êxito em Angola. Carlos José Silva CEO do Banco Privado Atlântico Desejos do maior sucesso neste novo lançamento da revista EXAME. António Botto Escritor/Jornalista Felicito-vos pela revista EXAME. agora com o nosso cunho e sobre a nossa economia e mercado. Manuel Gonçalves Presidente da ENSA Ler com um sorriso Publicação de referência Os maiores votos de sucesso para a revista EXAME. Ricardo Silva Chairman Zenki Group Angola Os nossos sinceros parabéns. 53 2.Cartas&e-mails SEMPRE “QUENTINHA” Parabéns.º eike bAtistA Fortuna: 27 mil milhões Sector: minérios e petróleo Idade: 53 anos Nacionalidade: Brasileira Residência: rio de Janeiro Estado civil: divorciado. Teresinha Lopes FBSL – Advogados Estou certo do maior sucesso da EXAME. a linguagem é tecnicamente clara e digerível para quem a lê. Ganhou a revista. da grossista aldi.5 mil milhões Sector: seguros (Fidelity) Nacionalidade: norte-americana 6. O nível de qualidade também está num excelente patamar. dior e moet & Chandon.º AliCe WAlton Fortuna: 20.ª Fortuna: 47 mil milhões Sector: Fundo de investimento Idade: 79 anos Nacionalidade: norte-americana Residência: omaha (nebraska) Estado civil: Viúvo. completam CArlos sliM a lista de 2010. caiu para o sexto lugar. dois filhos 5. dois filhos 8.5 mil milhões Sector: telecomunicações Idade: 70 anos Nacionalidade: mexicana Residência: Cidade do méxico Estado civil: Viúvo. mas. Fonte: revista Forbes. uma iniciativa de grande relevância para o jornalismo económico em Angola. e lakshmi mittal.1 mil milhões Sector: automóvel (BmW) Nacionalidade: alemã 7.º lAkshMi MittAl Fortuna: 28. três filhos 4. fundador da arcelor mittal. Fortuna: 53. a reliance industries.ª lAWrenCe ellison Fortuna: 28 mil milhões Sector: informática (oracle) Idade: 65 anos Nacionalidade: norte-americana Residência: Califórnia Estado civil: Casado.com 76 | www. a sua fortuna ultrapassa o PiB de mais de 100 países no mundo (igual ao de angola em 2007). uma publicação de referência no meio empresarial angolano.º bill GAtes AMAnCio orteGA Fortuna: 25 mil milhões Sector: Vestuário (Zara) Idade: 74 anos Nacionalidade: espanhola Residência: la Coruña Estado civil: Casado. Munir Aly Comandante Gika A edição angolana da EXAME só vem confirmar a qualidade da revista que todos nós conhecemos. mukesh ambani. três filhos 9.5 mil milhões Sector: distribuição (aldi) Idade: 90 anos Nacionalidade: alemã Residência: mulheim an der ruhr Estado civil: Casado. todas as edições do vosso bom trabalho se continuem a pautar pela imparcialidade e pela crítica racional. seis filhos Mukesh AMbAni Fortuna: 29 mil milhões Sector: Petroquímica. subiu oito lugares e ocupa a sétima posição. pela edição de algo mais do que uma revista.º bernArd ArnAult Fortuna: 27.º birGit rAusinG Fortuna: 13 mil milhões Sector: embalagens (tetra laval) Nacionalidade: sueca 4.ª susAnne klAtten Fortuna: 11. à frente do milionário brasileiro eike Batista. três filhos mIl mIlhõES 53.ª Anne Cox ChAMbers Fortuna: 10 mil milhões Sector: Media e telecom (Cox) Nacionalidade: norte-americana 10. Espero que. ganhou o país. o presidente da lVmh. entre outras.5 Carlos slim 1. pelo lançamento desta importante revista de economia e negócios em Angola.exameangola. a maneira como os assuntos têm sido expostos é espectacular. invariavelmente Bill Gates e Warren Buffett alternam-se na liderança. Eike Batista. dois filhos 6. três filhos AbiGAil Johnson Fortuna: 11. lawrence ellison.º iris fontbonA Fortuna: 11 mil milhões Sector: mineiro (antofagasta) Nacionalidade: Chilena 8.ª Fortuna: 53 mil milhões Sector: informática (microsoft) Idade: 54 anos Nacionalidade: norte-americana Residência: medina (Washington) Estado civil: Casado. o presidente da oracle. num mercado em que somos cada vez mais interpelados para a qualidade. na altura da divulgação da listagem da revista Forbes de 2009 Os homens mais ricos do mundo… todos os anos a revista Forbes divulga a lista dos homens mais ricos do mundo. petróleo e gás Idade: 52 anos Nacionalidade: indiana Residência: Bombaim (Índia) Estado civil: Casado.º … e as dez mulheres mais afortunadas Christy WAlton Fortuna: 22. O mercado angolano estava ávido por um periódico com a qualidade apresentada e que já pode ser considerado um sucesso. nesta que é já há muito e em bons lugares como uma das melhores vias de informação (a revista ExamE).ª 8 | www. O Brasil tem ser o número um da lista da Forbes. dois filhos 10. a maior empresa de aço do mundo. Votos de muitos sucessos neste novo empreendimento. Josino Samora Licenciado em Relações Internacionais Quero dar os parabéns a toda a vossa equipa pelo excelente trabalho que estão a fazer na revista EXAME. os investimentos mais sonantes de Carlos slim helú são as empresas telmex e américa móvil. Provando que o sector do luxo é imune às crises. que construiu um império na telecomunicações. os leitores e. sem dúvida. dono da empresa de petróleo e gás oGX. mas. tal como sucedeu até agora.º kArl AlbreCht Fortuna: 23. confusões de nomes. um merecedor destaque para o sector finan- DinheiroVivo Conselhos e diCas que interessam à sua Carteira O meu objectivo é destronar o Bill Gates em cinco anos. Notei algumas. dona de marcas como WArren buffett RANKING DOS BILIONÁRIOS a louis Vuitton.5 mil milhões Sector: distribuição (Wall mart) Nacionalidade: norte-americana 1. relativa a 2009.7 mil milhões Sector: aço Idade: 59 anos Nacionalidade: indiana Residência: londres (inglaterra) Estado civil: Casado. nos dez primeiros estão dois indianos. Mario Plácido Cirilo de Sá Ita Adorei a revista.

Entenda por que Jorge Paulo Lemann.com maio 2010 | 9 . quanto da portuguesa.br E D I Ç Ã O 9 57 N º 23 2 / 1 2 / 20 0 9 A N O 4 3 - R $ 1 2 .0 0 Edição Quinzenal ceiro com o relevo que merece no nosso país após provas dadas de recuperação. Desejo sucesso na trajectória. meritocracia. Alexandre Diniz Think Positive O consultor Vicente Falconi Os meus calorosos parabéns. EXAME Angola ficou linda. comercialmente. interessante. Cláudia Vassalo Directora da EXAME Brasil Os maiores sucessos à empreitada da revista EXAME e à sua liderança do mercado.exame.EspEcial — a mãE dE todas as bolhas vEm por aí? www. fico satisfeito com o arrojo do grupo MediaNova em lançar a edição angolana. editorialmente. O Brasil já emergiu” O guru do Brasil Bom senso. Como angolano. Norberto Benjamim Funcionário Público A sua opinião é importante! Envie as suas sugestões e críticas para: info@exameangola. por terem trazido a revista EXAME para Angola! Abigail Dressel Chefe do Gabinete de Imprensa e Cultura Embaixada dos Estados Unidos da América Irmã brasileira e portuguesa Apreciador da revista EXAME. fruto do competentíssimo trabalho de todos vocês. fala a EXAmE: “Emergente? Não. CEO TailorMade Media Parabéns. Demonstra a viabilidade do mercado e a necessidade de diversificar a oferta. metas. o maior banqueiro da atualidade. tanto da versão brasileira. empolgante. resultados. Com uma fórmula óbvia — mas eficiente —. sinto-me honrado pelo surgimento de iniciativas que dignifiquem o nosso país. Está mesmo muito boa.com. Jorge Gerdau e Pedro moreira Salles escutam quando ele fala Parabéns. o consultor Vicente Falconi se tornou uma espécie de oráculo de alguns dos maiores empresários do país. Ian Levy Founder. pela revista EXAME. Mário Cruz Director do BPA JAmIE DImON. trazendo boas práticas e métodos ao nosso mercado.

presidente executivo da Sabmiller Angola. O que mudou foi a embalagem e o logotipo. numa primeira fase. um dos maiores do mundo. Segundo eles a N’Gola é uma cerveja especial porque é produzida com a água captada na nascente da fenda da Tundavala. Durante a festa foi também apresentado o video promocional. imprensa e outdoors. sofisticado a nível tecnoloógico. director de marketing. moderno e apelativo. A sessão de boas vindas ficou a cargo de Samuel Jerónimo. carlos moco O baixo investimento na agricultura foi a principal razão para a fome e a má nutrição em África Jacques Diouf. Segundo os responsáveis. A festa de apresentação da nova imagem.exameangola. detentor. não retornável. da cerveja que apela ao coração dos angolanos (de referir que “N´Gola” é a antiga designação bantu de “Angola”). kizomba e semba. O objectivo é. A cerveja é produzida na Huíla. Tem um logotipo elegante. “A N´Gola é uma marca jovem. rádio. E a garrafa. onde estão os consumidores mais fieis. decorreu no Chill na Ilha de Luanda e contou com as actuações da cantora Pérola e de um grupo de 60 bailarinos que animaram a noite com exibições de kuduro. director-geral da FAO durante a 26ª Conferência Regional realizada em Luanda 10 | www. afirmaram divertidos. Peroni e Grolsch – decidiram apostar forte na N´Gola e transformar a marca regional em nacional.PrimeiroLugar angola essencial. das cervejas Miller. Numa segunda fase chegar a todas as províncias. Foi decerto a pensar nisso que os donos – o grupo sul-africano Sabmiller.com carlos moco A festa da N´Gola foi ao estilo de Hollywwod. A promoção da marca está a ser apoiada por uma forte campanha de marketing e publicidade. e de Luís Fernandes. Faz igualmente parte dos planos de expansão da Sabmiller a internacionalização da marca para os países vizinhos. ganhar quota de mercado em Luanda e nas províncias do Norte. tem curvas sexy”. entre outras. a fórmula da cerveja manteve-se inalterável. que inclui televisão. sendo uma referência no sul de Angola. “N´Gola é Angola” é o slogan . Castle. A dupla fez a apresentação da nova garrafa de 330 ml assim como do restyling do logótipo e do rótulo. pequenas notícias sobre um grande país carlos moco consumo N’Gola superstar A marca de cerveja já existe há 34 anos e é das que têm maior notoriedade em Angola.

da Rocha. Imperdível. Actualmente é professor de Economia e Relações Internacionais na Universidade de Princeton. do Fundo Monetário Internacional. Manuel Nunes Júnior. Estarão também presentes neste Fórum de Estratégia e Competitividade. No plano profissional. com o Prémio Nobel da Economia “pela sua análise dos padrões do comércio e da localização das actividades económicas”. Krugman foi consultor do Banco da Reserva Federal de Nova Iorque. em 2008. das Nações Unidas e da Comissão Europeia. organizado pelo FACIDE e em que a revista EXAME é media partner. Foi galardoado.Krugman Mais um Prémio Nobel em Angola Paul Krugman é um economista que desperta amores e ódios na Academia. o Ministro da Coordenação Económica. da “nova economia” miKe clarKe ©aFp . Carlos Rosado Carvalho e Jorge Foi critico de Bush e Vasconcellos e Sá. do Banco Mundial. o presidente da ANIP Aguinaldo Jaime Krugman gosta de ir e os professores universitários Manuel Alves “contra a corrente”. Virá a Luanda para animar um seminário no dia 24 de Junho no Centro de Convenções de Talatona.

PrimeiroLugar
conferência

Constituição em debate
“Os Grandes Desafios da Nova Constituição de Angola” foi o tema escolhido para a primeira conferência realizada pela firma angolana de advogados LCF e a portuguesa SRS que juntou no Hotel de Convenções de Talatona os especialistas do ramo. O evento teve como principal orador o constitucionalista português Marcelo Rebelo de Sousa, que salientou ser importante que a nova Constituição angolana não se transforme num factor de discórdia, “O grande desafio é não se começar a falar já da revisão da Constituição”, esclareceu. Durante a sua intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa argumentou ainda que entre os desafios mais imediatos na aplicação da Lei Magna estão a estabilidade constitucional, a legitimação, a concórdia institucional e a pedagogia. O evento contou com a presença do procurador-geral da República, João Maria de Sousa, o conselheiro do Tribunal Constitucional, Anofre dos Santos, o bastonário da Ordem dos Advogados, Inglês Pinto, entre outras figuras.
O professor Marcelo Rebelo de Sousa diz que a Constituição é ambiciosa Nuno Serôdio, administrador da Fil — Tubos Angola (à esquerda): “Queremos exportar para África”
carlos augusto

indústria

Fábrica de tubos plásticos de parabéns
o vice-ministro de geologia, minas e indústria, Kiala gabriel, e o coordenador da agência nacional de investimento privado, aguinaldo Jaime, visitaram a fábrica de tubos plásticos Fil — tubos angola (foto acima), localizada na zona industrial do município de Viana, que começou a ser erguida em 2008, numa área total de 80 mil metros quadrados, com um investimento de 20 milhões de dólares e serve o mercado nas áreas da construção civil, infra-estruturas e rega agrícola. a Fil — tubos angola, que apenas tem postos de distribuição em luanda e no lobito, pretende expandir para as outras províncias do país e exportar para mercados em África. recorde-se que a empresa angolana é uma filiada do grupo Fersil, que emprega 300 pessoas em portugal e espanha. o grupo ibérico tem uma facturação anual de 120 milhões de dólares. a Fil — tubos angola conta com 100 trabalhadores, dos quais 80 são angolanos e 20 estrangeiros.

Banco

Caixa Totta quer estar nos dez maiores
o banco caixa totta (bct) resulta da reestruturação do banco totta de angola (bta). com 109 milhões de dólares de capital social, a nova instituição conta com a participação da sonangol, ep (24%), da sonangol Holding, lda. (1%) e da partang (51%), uma empresa detida pela caixa geral de depósitos e pelo banco santander, em partes iguais. antónio mosquito e Jaime Freitas também participam na estrutura accionista, cada qual com 12%. daniel chambel lidera a comissão executiva, constituída por santos domingos (vice-presidente), mário nélson e Valentim barbieri. recorde-se que o bta é a instituição bancária privada mais antiga do pais, com 11 agências (sete das quais em luanda). registou no ano passado um crescimento de 35,76% em depósitos (que corresponde a uma quota de mercado de 1,7%) e 8,15% no crédito a clientes (quota de 1,3%). o banco encerrou o ano passado com um activo total de 768 milhões de dólares e um resultado líquido de 45 milhões (aumento 63% face ao ano anterior). com a nova marca, a intenção é posicionar o bct no top ten dos bancos angolanos. durante este ano, o número de agências crescerá para 21 e a rede comercial abrangerá todas as províncias. laranja, amarelo e azul são as cores do bct que traduzem os valores da nova instituição: tradição, rigor e confiança. “uma conduta, uma voz, uma identidade, um objectivo e uma ambição” são os pontos-força do bct.
O banco vai abrir mais dez agências ao longo de 2010

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diVulgação

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PrimeiroLugar
ipad sima 2010

Mais parcerias com África do Sul
empresários sul-africanos estiverem a debater, em luanda, as oportunidades de investimento em diferentes sectores da económia angolana, numa iniciativa da parceria de infra-estruturas para o desenvolvimento africano (ipad). segundo o secretário de estado para a indústria, Kiala gabriel “os 11 pólos industriais do país estarão abertos ao investimento privado e contribuirão para o desenvolvimento das regiões onde estão inseridos”. o director executivo da câmara do comércio África do sul/angola, roger ballard-tremeer, disse que “os empresários sul-africanos estão especialmente bem preparados para investir na exploração de petróleos e energia eléctrica. recordou que existem parcerias em curso entre os dois países como a indústria de tubos e a fábrica que fornece gás industrial. o desenvolvimento da cooperação regional, assim como o papel dos corredores logísticos na promoção do comércio, foram outros temas em foco durante o 2.º Fórum ipad.

Os vencedores são...
os responsáveis do sector imobiliário estiveram em peso na primeira edição do salão imobiliário de angola (sima), que decorreu nas instalações da Filda, em luanda. co-organizado pela associação dos profissionais imobiliários de angola (apima) e a Feira internacional de luanda (Fil), o sima decorreu de 6 a 9 de maio e contou com a participação de 103 expositores. no final do evento, a organização distinguiu as melhores participações no certame. Foram premiadas as empresas do sector imobiliário escom (melhor stand sima 2010); a lr grupo (melhor projecto social) e a província de benguela (melhor representação provincial). Foram distinguidos com menções honrosas os governadores das províncias do Kwanza-norte, Huambo, benguela e de luanda, Henriques Júnior, Faustino muteka, armando da cruz neto e Francisca do espírito santo, respectivamente.

Matos Cardoso: presidente da Fil, em luanda

Conferência no Belas: Angola vai assumir a presidência regional da FAO, nos próximos dois anos

fao

Fome de soluções
os ministros da agricultura de África estiveram reunidos, em luanda, na 26.ª sessão da conferência regional da Fao, na busca de estratégias para o desenvolvimento da produção agrícola e da segurança alimentar no continente. questões como as mudanças climáticas, a reforma do comité de segurança alimentar, o grau de cumprimento das recomendações da última conferência que se realizou em nairobi, quénia, mereceram a atenção dos cerca de 400 participantes que se deslocaram ao nosso país. sob o lema “investir na agricultura em África para uma segurança alimentar sustentada”, a conferência de luanda serviu também para angola assumir, durante os próximos dois anos, a presidência regional do Fundo das nações unidas para a alimentação e agricultura (Fao). o seu director-geral, o senegalês Jacques diouf, alertou na abertura da conferência, para o facto de apenas nove países africanos terem atribuído 10% do orçamento ao sector agrário, um compromisso assumido pela união africana em 2003.

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carlos augusto

Kiala Gabriel, secretário de Estado para a indústria

carlos augusto

daniel miguel

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na cidade do lubango. no âmbito do programa de expansão da rede hoteleira que o governo pretende implementar ate 2012. Zidane em Benguela.. pela business initiative directions (bid). disse que angola está a ter uma preciosa ajuda da estrela do futebol. messi e companhia vão ter à sua disposição o novo estádio da tundavala construído de raiz para o can. no dia 21 de maio. que vai contar com a participação de antigas estrelas do futebol como Romário. coordenador da comissão de reestruturação da agência nacional de investimento privado (anip). outra razão é a qualidade das infra-estruturas já testadas durante o can. na categoria de diamante. A receita do jogo. “quando pelé vem a angola e aceita emprestar o seu nome a vários projectos. entre outros. Frank Rijkaard.. FrancK FiFe ©aFp 16 | www.º da cidade. que começa a 11 de Junho. com pompa e circunstância. NAMiBE uM pORTO dE diAMANTE o porto do namibe foi distinguido. está a fazer a promoção da marca angola em todo o mundo”. a cidade do lubango foi o palco escolhido pela selecção da argentina para o seu último estágio antes da participação no mundial da África do sul. Chiquinho Conde. este mês. em saudação ao 393. Os amigos de Akwá. atribuído anualmente. no próximo dia 15 de Maio.º aniversário da empresa.. anunciou. que falava no acto provincial alusivo ao dia nacional do mineiro e das festividades do 15. o prémio. ele é também um dos investidores. a construção de 14 hotéis. Desailly. nos municípios que compõem a província da Huíla. tem características semelhantes às do lubango ao nível da altitude. e do internacional português Luís Figo vão realizar uma partida de carácter solidário na província de Benguela. no Huambo. que foi inaugurado em benfica. José manuel ganga Júnior.exameangola. será lançado o segundo condomínio “bem morar”. solidariedade . Pelé na Cidade Alta o rei pelé voltou a angola para promover o complexo habitacional bem morar.PrimeiroLugar CURTAS luANdA HOSpiTAl dO CAxiTO RECupERAdO a construtora edifer angola e o cisa (centro de investigação na área da saúde em angola) formalizaram um acordo para a reconstrução do laboratório do Hospital do caxito. Zidane. segundo o encarregado de negócios da embaixada da África do sul em angola. Abel Xavier. avaliada em 500 mil dólares. pelo presidente da república. no palácio presidencial. mundial de futeBol Messi no Lubango. vai reverter a favor de um lar da terceira idade e da Aldeia CS Criança. com 50 quartos cada um. luNdA-Sul pREçO dO QuilATE SOBE a sociedade mineira de catoca (smc) registou um aumento entre 49 e 70 dólares no preço de venda do quilate de diamantes. ex-capitão dos Palancas Negras. afirmou. o que justificou o facto de ter sido recebido. destina-se a reconhecer a excelência empresarial e foi entregue em paris..com o país canal+ / tHe Kobal collection ©aFp Juan mabromata ©aFp ... a selecção azul-celeste optou pela província da Huíla dado que a cidade de Joanesburgo. onde jogará na primeira fase. imoBiliÁrio . aguinaldo Jaime. informou directorgeral da empresa... localizado 60 quilómetros a norte de luanda. José eduardo dos santos. com o international star aword for qualitiy. dirigido à classe média. que acompanhou pelé e a delegação brasileira à cidade alta. e ainda uma rede hoteleira renovada à altura das necessidades dos pupilos de diego armando maradona. pedro mutindi. o astro não é apenas o rosto do marketing da empresa build brasil. HuílA MAiS HOTéiS NO luBANGO o ministro da Hotelaria e turismo.

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4 -3.2 expLICAção leis do trabalho restritivas e elevado custo dos despedimentos LIberDADe NeGóCIos 43.9 -21. o que representa uma subida de 1.1 eM LINHA CoM A MÉDIA * GAstos Do GoverNo 62.3 81.4 expLICAção restrições às importações e os custos de desalfandegamento AbAIxo DA MÉDIA LIberDADe MoNetárIA 62. registo de propriedade é caro -16.exameangola.org).2 LIberDADe De trAbALHo 45.2 do pib o que é um valor aceitável -2.2 62.8 expLICAção Gastos representam 35.1 expLICAção as restrições ao investimento estrangeiro ainda são elevadas rANkING MuNDIAL HoNG koNG sINGApurA AustráLIA NovA ZeLâNDIA IrLANDA suIçA CANADá estADos uNIDos DINAMArCA CHILe 89.6 62.9 77. os impostos individuais são baixos (máximo 15%).4 pontos face ao ano anterior.2% do pib. 18 | www.4 expLICAção criar um negócio demora 68 dias versus a média mundial de 35 dias.8 60.º lugar entre 183 países no ranking da liberdade económica da Heritage Foundation. a nível continental ocupa o 33.6 expLICAção Taxa de inflação média foi de 12.5 -14 LIberDADe INvestIMeNto 35 Melhores do mundo maurícias são um paraíso africano.5 entre 2006 e 2008 LIberDADe FINANCeIrA 40 expLICAção inauguração da bolsa de luanda continua adiada -8 20 Direitos de propriedade 19 Nível de corrupção -8.4 78. a melhoria mais significativa ocorre na liberdade de investimento.º lugar entre 46 nações angola obteve a classificação geral de 48.4 40 62.2 DIreItos De proprIeDADe 20 -21.3 70.1 80. expLICAção o sistema legal e judicial é ineficiente.4 59. Hong-Kong é a mais livre do mundo rANkING áFrICA MAurICIAs botswANA MADAGásCAr áFrICA Do suL uGANDA NAMíbIA CAbo verDe GANA burkINA FAso ruANDA 76.1 81.2 59.7 As notas de angola a escala vai do 0 aos 100 (nota máxima) Liberdade fiscal Gastos do Governo Liberdade de comércio Liberdade monetária Liberdade financeira Liberdade de investimento Liberdade detrabalho Liberdade de negócios 35 45.4 .5 * Quando o desvio é inferior a cinco pontos.heritage.GrandesNúmeros para saber ler os sinais de uma economia em mudança Os campeões da liberdade económica angola registou uma ligeira melhoria e está no 154.2 43.2 61.8 70.com .0 77.5 NíveL De Corrupção 19 expLICAção o próprio presidente da república já alertou para o problema -21. os que incidem sobre empresas são altos (max:35%) Desvio face à média +9.8 62.2 62.6 82. Fonte: The Heritage Foundation (www.1 expLICAção as receitas fiscais representam 6.1 82.7 86. a corrupção continua a ser a principal causa do mau desempenho ACIMA DA MÉDIA LIberDADe FIsCAL 85.4 MÉDIA 85.8 LIberDADe CoMÉrCIo 70.3 63.

dezembro 2009 | 19 .

Nagoya.com . No dia seguinte. Ontem. onde está a ser exibido um filme a três dimensões sobre as paisagens de Angola. durante 148 dias. Lisboa. Trata- -se de uma sala para 24 pessoas. Japão (2005). ao passo que a decoração esteve a cargo da Lunatus. Recorde-se que a construção do pavilhão foi entregue à Spice Idea. Albina Assis. na Expo Xangai. diz Albina Assis. mais do triplo das verificadas no dia anterior. quando surgem as imagens das quedas de Kalandula. O espectador imagina que está no local. de Barcelona. “Chamamos-lhe Angola 4D porque a quarta dimensão é a sensorial.capa Expo xANGAI angola SEDUZ china Fruto da relação de amizade e cooperação com os chineses. O pavilhão fechou por volta das 21h30. GUIA PRÁTICO LocaLização do PaviLhão Zona C (ao lado dos pavilhões da Argélia e Nigéria) Área 1000 metros quadrados investimento 10 milhões de dólares número de visitantes estimado 4. registando grandes filas de espera.º dia) 2750 visitantes datas da exPosição 1 de Maio a 31 de Outubro ParticiPações de angoLa Sevilha. Por exemplo. Xangai. Espanha (2008).” Este foi o relatório enviado à EXAME pela equipa angolana que está no terreno. China (2010) 20 | www. as cadeiras tremem e os espectadores sentem as gotas de água”. Os visitantes gostaram da música e ficaram muito interessados em aprender as nossas danças. a comissária nacional explica por que valeu a pena Jaime Fidalgo ‘‘ D ia 30 de Abril de 2010. Angola investiu cerca de 10 milhões de dólares na Expo Xangai. A julgar pelo que aconteceu nos primeiros dias. Os visitantes têm elogiado a arquitectura moderna e arrojada do pavilhão. Os shows foram superanimados. que narra a história de um casal chinês que ganha uma viagem turística ao país como prenda de casamento. Abertura oficial do Pavilhão de Angola. O espaço Angola 4D continua a ser a atracção mais procurada pelo público. Portugal (1998). A empresa catalã é também a responsável pelo Angola 4D acima referido.exameangola. inspirada na planta do deserto Welwitschia mirabilis. Espanha (1992). que também foi muito apreciada. foi aberta a exposição do artista plástico angolano Leutério Sanches. com o registo de 2750 visitantes. recebemos 8890 visitas. Saragoça. a dar o seu contributo para que a presente Expo seja a melhor de sempre. Abrimos as portas do pavilhão às 11h30 e demos assim início à maior participação de sempre de Angola em exposições mundiais.8 milhões número de visitantes (1. comissária nacional para a Expo Xangai 2010. esse objectivo deverá ser atingido. espécie rara e endémica do Sul de Angola.

em saragoça” KAMENE trAçA .albina assis africano: “temos a obrigação de fazer melhor do que em 2008.

surge a área “Angola Moderna”. aeroportos e hospitais. Como o tema desta Expo é dedicado às cidades sustentáveis (“Better City.com catedraL do kuLumbimbi A réplica das ruínas de uma das catedrais mais antigas de África. Destacam-se as imagens de arte rupestre e a réplica da igreja ancestral erguida em Mbanza Kongo. a actual capital da província do Zaire. localizada no M’Banza Congo. nomeadamente no que diz respeito à indústria. onde surgem as imponentes colunas com estátuas da Rainha Ginga e do Rei do Congo. 3 IMAGENS: DIvuLGAçãO .capa Expo xANGAI A componente dos negócios não foi esquecida. O pavilhão tem um business center. 2 angoLa antiga O visitante pode observar painéis que arte rupestre que provam que Angola é habitada desde há milhões de anos. Destaque para os reinos antigos. intitulada “Angola Antiga”. tais como pontes. um símbolo de Angola. A entrada tem um painel gigante com imagens das dunas no deserto e da própria planta. onde são expostas as grandes construções e infra-estruturas. portos. moderna e arrojada.exameangola. A construção foi entregue à Spice Idea e a decoração foi da responsabilidade da Lunatus. Mas a grande referência são as duas colunas com as imponentes estátuas da rainha Ginga e do rei do Congo. a primeira área. 1 exterior do PaviLhão A arquitectura. num contraste de belo efeito visual. prevendo-se que possa ser visitado por cerca de 5 milhões de visitantes. estradas. “Trata-se da representação exacta da primeira igreja erguida a sul do Equador. Uma montra mundial para a cultura angolana A cultura é. inglês e chinês — com toda a legislação angolana sobre urbanismo e habitação. No átrio seguinte. em especial o Congo e o NDongo. Tal preocupação é visível logo à entrada do Pavilhão de Angola. uma empresa especializada de Barcelona. agricultura. Melhor Qualidade de Vida”) a comunicação dá ênfase ao sector imobiliário. Espanha. procura mostrar ao mundo que o país já detinha cidades organizadas e um povo com uma cultura forte e diversificada. turismo e energias renováveis. onde pontificam os folhos coloridos. antes da chegada dos colonizadores portugueses. na África Negra”. no entanto. é inspirado na Welwitschia mirabilis. da autoria do artista angolano conhecido como Mestre Makiese (veja caixa “Visita guiada”). onde o visitante encontrará documentação actualizada sobre oportunidades de negócios em todas as províncias do país. construído em parceria com a ANIP — Agência Nacional de Investimento Privado e a Associação Industrial de Angola. esclarece Albina Assis. Os potenciais investidores têm a oportunidade de ver vídeos promocionais que espelham o crescimento económico de Angola e as prioridades em termos de parcerias. Better Life” — “Melhores Cidades. VIsITA GUIAdA O recinto ocupa 1000 metros quadrados. Para dinamizar os investimentos estrangeiros no sector foi elaborada uma brochura em três línguas — português. assinala a entrada na área da “Angola Moderna”. Angola já tinha cidades organizadas e uma cultura rica antes da chegada dos colonizadores 22 | www. muitas delas feitas em parceria com técnicos chineses. o principal ingrediente das exposições mundiais. No interior do pavilhão.

além da passagem de um filme sobre as belezas naturais de Angola em 3D. bar e restaurante Espaço de degustação de comida angolana preparada pelo chefe do Miami Beach. finalmente. símbolo nacional e uma espécie que corre risco de extinção. . pescas e turismo. um tema em foco na presente edição da Expo Xangai dedicada à qualidade de vida nas cidades.4 zona institucionaL Inclui os dados essenciais sobre o país e os seus principais órgãos de soberania. 14 7 animação 4 d Chama-se Angola 4D porque. Área económica A descrição das principais riquezas do país desde a indústria. fornece documentação actualizada sobre as oportunidades de negócios em todas as províncias. 8 stands sonangoL e endiama As maiores empresas nacionais nos dois sectores importantes da economia — petróleo e diamantes – têm direito a uma zona própria. transportes. 16 PaLco de diversões vários artistas nacionais vão animar este espaço de festa e divulgação da cultura angolana. No pavilhão da Sonangol pode ficar a saber tudo sobre petróleo. 6 13 gaLeria de arte Obras variadas. ao escudo e. que serviu como moeda) à macuta (moeda de cobre). 5 história da moeda Do zimbo (búzio do tamanho de um bago de café. 9 10 business center Construído com a colaboração da Agência Nacional de Investimento Privado e da Associação Industrial de Angola. o visitante terá uma dimensão adicional: a de se imaginar dentro do filme e de sentir as experiências como se estivesse realmente no local. camPo e cidade O constraste entre a Angola rural e a urbana. em particular a pintura e escultura. o Presidente da república. em particular. resPonsabiLidade sociaL Painel sobre o que as empresas fazem de positivo pelos trabalhadores. 15 Área desPortiva Imagens dos atletas mais conceituados (caso dos campeões africanos de basquetebol) e dos quarto novos estádios de futebol. No da Endiama a atracção é o diamante virtual. da autoria de artistas angolanos. à agricutura. ao angolar. 11 12 natureza e ecoLogia Destaque para os esforços feitos para salvar a palanca negra gigante. ao kwanza.

com COMISSãO NACIONAL PArA A EXPO 2010 XANGAI-CHINA / EXPO ANGOLA 2010 . Tito Morais e Manecas Gomes. Existe uma galeria de arte.exameangola. Pérola. As Gingas do Maculusso. No seu conjunto. Yola Semedo.8 milhões de visitantes (um acréscimo de 20% face aos 4 milhões registados em Espanha). 24 | www. Há que divulgar os kuduristas. Há ainda um espaço dedicado ao entretenimento. onde o Pavilhão de angola recebeu 2750 visitantes Mais uma vez a cultura não foi esquecida. Patrice Ngangula. os modelos da agência Step Models e a estilista Lucrécia Moreira. segundo confidencia Albina Assis. Agre G. um restaurante de pratos típicos de Angola e o Mussulo Bar no qual está montado um palco. Gabriel tchiemba. Big Neto. Ary. Margareth do rosário e Danny L. “Estarão presentes os principais nomes do semba e do kuduro. o recinto de Angola ocupa 1000 metros quadrados (o dobro da Expo de Saragoça. A caravana cultural inclui as cantoras Pérola. os grupos de violinos Kapossoka. Noite e Dia. Young Game. Gabriel Xiema. em 2008). as Gingas. onde serão expostas várias peças de artes plásticas. Nanutu. Matias Damásio. ANGOLA dÁ sHOW 25 de maio — dia de ÁFrica A primeira caravana de artistas que participarão na Exposição Mundial de Xangai vai exibir-se de 18 a 29 deste mês para assinalar o Dia de África (25 de Maio). 31 de JuLho — dia da muLher aFricana Para comemorar a efeméride. O valor do investimento. Para comemorar o Dia de África (25 de Maio) está agendada a actuação de Paulo Flores. diz a comissária nacional com indisfarçável orgulho. Semba Muxima e o grupo feminino de precursão da Celamar. da Samba. Margareth do Rosário são outros dos artistas convidados. prevendo-se que possa ser visitado por cerca de 4. Será composta pelos músicos Paulo Flores. Helga Santos e Milu. A primeira dessas caravanas vai actuar já este mês. Yuri da Cunha. o grupo Kituxi e ainda o cabo-verdiano tito Paris e o guineense Manecas Costa. Haverá animações permanentes por parte de artistas angolanos que vão actuar no pavilhão por um período de 15 a 20 dias. deve rondar os 10 milhões dólares. O “prato forte” serão as actuações musicais ao vivo.capa Expo xANGAI imagens do dia da abertura da exposição. Nos dias especiais (veja caixa “Angola dá show”) haverá “caravanas artísticas” com shows ao vivo dos melhores músicos angolanos da actualidade. Bonga. Genoveva Lino. Lina Alexandre. Agre G. Yuri da Cunha. Nanutu. Big Nelo. o certame vai contar com a presença da ministra da Família e Promoção da Mulher. 26 de setembro — dia de angoLa Estarão presentes os músicos Bonga. Malta da Paz e da Alegria. que integrará o pequeno kudurista Alegria. 1 de Junho — dia da criança Está prevista uma delegação de músicos infantis. o grupo de dança Kilandukilo. fotografia e artesanato. um estilo que nasceu em Angola e está a conquistar os mundo”. a Orquestra Sinfónica das Crianças.

Pós-graduações (modelos económicos e práticas económicas restritivas . Luanda. Professor Associado na Universidade Católica de Angola. MEDIA PArTNErS: .facide. Carlos Rosado de Carvalho Docente na Universidade Católica de Angola. Licenciatura em Economia (ISEG). What Peter Drucker would have told us” de Jorge Vasconcellos e Sá 11h45 : Almoço 14h00 : CoMPETiTiViDADE NACioNAl Conferência i Key Note Speaker : Dr. Prémio Nobel da Economia e autor de “The Returnof Depression Economics and the crisis of 2008” help Desk 222 326 650 924 843 882 924 650 174 www. Aguinaldo Jaime Presidente da Agência Nacional para o Investimento Privado Ex Governador do Banco Nacional de Angola e Ministro das Finanças Professor Manuel Nunes Júnior Ministro da Coordenação Económica Professor de Economia da Universidade Agostinho Neto Ph.com ThINK TANK: TrAINING EXECUTIVE MANAGErS: Professor Paul Krugman mundiais.Nomeado “mais importante colunista americano”pela Washington Monthly e “Colunista do ano” pela Editor and Publisher magazine.Professor de Economia da Universidade de Princeton . Investigador e consultor económico.Vencedor da medalha John Bates Clark da American Economic Association para “Melhor economista com menos de 40 anos“ . Vasconcellos e Sá MBA Drucker School PhD Columbia University Cátedra Jean Monet Dr.Membro do President’s Council of Economic Advisors. Jorge A. “ WhAT PETER DRUCKER WoUlD hAVE TolD US” Key Note Speaker: Jorge Vasconcellos e Sá 11h45 : Questões e Respostas 12h30 : Apresentação da obra “Drucker on Carving Sucess out of the crise.fec 24 de Junho | Centro de Convenções do Talatona key note speakers fórum estratégia e competitividade programa 9hoo : CRESCiMENTo VS DiSTRibUição Do RENDiMENTo Key Note Speaker: Professor Manuel Alves da Rocha 9h40 : AbC. Aguinaldo Jaime 15h30 : CoMPETiTiViDADE NACioNAl Conferência ii Key Note Speaker : Professor Manuel Nunes Júnior 16h00 : Questões e Respostas 16h40 – 18h30 CoMo CoNSTRUiR UMA ECoNoMiA foRTE Key Note Speaker : Paul Krugman. PolíTiCA ECoNóMiCA ANgolANA: AS liçõES DA CRiSE Key Note Speaker: Professor Carlos Rosado de Carvalho 10h20 : oN CARViNg SUCESS oUT of ThE CRiSE.UK Mestre em Economia Internacional pela Universidade de Essex CoMo CoNSTRUiR UMA ECoNoMiA foRTE Professor Paul Krugman iNSCRiçõES liMiTADAS: Uma iniciativa direccionada a gestores de topo. líder em economia internacional.França).com facide@facide. Prémio Nobel da Economia Um dos mais aclamados top contributors das políticas económicas . Director da revista EXAME. Professor Manuel Alves da Rocha Conferencista. a classe empresarial e decisores políticos. .D em Economia pela York University .

capa Expo xANGAI Apesar de se estar a entregar ao projecto de alma e coração. a nível institucional. Albina Assis responde: “Não creio que seja caro. têm um espaço próprio no interior do pavilhão. A Expo Xangai é uma grande oportunidade para dar a conhecer o país na vertente cultural. ao passo que a Nigéria. justifica. Em Saragoça. esclarece.” Os benefícios ao nível da imagem externa também foram enfatizados por Albina Assis. aliás. Curiosamente. a SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral) pediu-nos para sermos nós a organizar o dia dessa instituição”. construiu um recinto próprio no valor de 40 milhões de dólares. “Nem tudo corre como planeado.exameangola. Para mais. persistente e um bom negociador. “Temos algumas dividas por pagar a fornecedores. A próxima será realizada na Coreia. Foram solicitados pedidos de patrocínio a outras entidades e empresas privadas que não tiveram resposta. por vezes. em 2006. “Há 30 pessoas a trabalhar na Comissão.” Outro ponto que Albina Assis critica é a falta de pacotes de viagens a preços acessíveis. Albina Assis confessa que organizar a presença numa exposição mundial é uma tarefa muito exigente. lamenta. económica e social e para promover a riqueza e a diversidade do seu povo. Albina Assis queixa-se que tem tido dificuldades em honrar os compromissos financeiros. Com Albina Assis? “Quem sabe”. Hoje. diz a comissária com um sorriso largo. b KAMENE trAçA a jovem equipa de albina assis está confiante: “será a melhor participação de sempre” Aos que julgam ser um valor elevado. por exemplo. em 2008.” A comissária explica porquê: “A China é um parceiro privilegiado de Angola. argumenta. Na Expo do Japão. Os apoios também escasseiam por parte dos privados. a equipa que trabalha no terreno (ver foto à esquerda) é composta maioritariamente por jovens dedicados e entusiastas. Agora. numa altura em que o país tem uma economia mais forte e que está a ganhar outra projecção internacional nós tínhamos de fazer mais e melhor. Temos de ter uma presença condigna. Paralelamente. As agências de viagens têm de se entender com a Taag de modo a oferecer pacotes atractivos para os visitantes angolanos”. desta vez . na China. dez meses antes da inauguração. Falta de patrocinadores e apoios financeiros Angola sentiu dificuldades acrescidas porque não planeou a participação no evento com a antecedência devida. “Fizemos a inscrição tardia. ou seja. não era suposto eu ser a comissária nacional. diz. esclarece. Só que os prazos começaram a derrapar e eu lá acabei por ser nomeada novamente. Só entrei oficialmente em funções em Julho de 2009. “Apenas recebemos patrocínios financeiros da Sonangol e da Endiama. É preciso ser determinado. também é preciso ter paciência e saber lidar com as adversidades”. Infelizmente. que. já construímos um pavilhão individual que custou cerca de 4 milhões de dólares. “Muitos países têm feito queixas devido aos problemas na concessão de vistos. a Comissão incluir representantes de vários organismos públicos. “Gostava de ver mais angolanos a visitar a Expo. Angola estava num pavilhão comum. A título de exemplo.com . Mas. a Taag subiu o preço das tarifas. Também vamos ter de recorrer aos serviços de profissionais chineses para a tradução”.” Apesar de. Mas é visível que o governo chinês está fortemente empenhado no sucesso desta exposição”. “Não podemos esquecer que hoje Angola tem responsabilidades acrescidas ao nivel de África e do mundo. Ainda só nos disponibilizaram 50% do orçamento”. o que é um prazo muito curto para planear todos os detalhes. ao excesso de zelo relativamente à segurança e ao elevado preço das construções. o director do nosso pavilhão é um angolano que vive na China. As relações de amizade e cooperação com os chineses têm produzido resultados visíveis. Tais problemas serão decerto esquecidos finda mais uma exposição mundial onde Angola terá deixado a sua marca de originalidade e riqueza cultural. Angola tem responsabilidades acrescidas no mundo 26 | www. O relacionamento como a organização nem sempre é fácil.

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capa Expo xANGAI

A dAMA dE XANGAI
Os engenheiros são conhecidos pelo seu rigor e paixão pelos números. Albina Assis é engenheira de formação e passou grande parte da sua carreira no sector dos petróleos. No início da sua carreira foi professora de Físico-Química. Esteve oito anos no Laboratório Nacional de Saúde Pública. E foi engenheira da refinaria de petróleos da antiga Fina (hoje total), onde trabalhou durante dez anos. O seu talento não passou despercebido à Sonangol, onde chegou a presidente do conselho de administração em 1991. Em Dezembro do ano seguinte, foi nomeada ministra dos Petróleos, cargo que exerceu durante seis anos. Foi a primeira mulher nomeada ministra para uma área técnica. No ano 2000, passou a assumir a tutela da Indústria e a partir daí tornou-se conselheira do Presidente da república para a Integração Económica e regional. A par dos cargos públicos, Albina Assis nunca abandonou o seu vínculo ao mundo académico. Estudou a fundo as matérias relacionadas com o petróleo. Defendeu, com veemência, o aprofundamento das relações de cooperação com a Noruega, pais que é considerado um caso exemplar de boa gestão dos recursos petrolíferos. “A minha tese de mestrado, desenvolvida na universidade Getúlio vargas, no Brasil, foi sobre a gestão sustentável do petróleo bruto angolano. Foi escrita em 2005, quando o caso da Noruega ainda não era tão conhecido. Os noruegueses colocam parte das receitas do petróleo num fundo soberano que reverte para as gerações futuras. tantos anos, depois Angola vai finalmente seguir esse exemplo”, diz satisfeita. Exemplo que a Nigéria, por sua vez, não tem seguido. O país que parecia estar em vias de se tornar uma potência económica regional está hoje mergulhado em dificuldades económicas e conflitos violentos. Com tal currículo sempre associado a áreas técnicas, parece estranho que Albina Assis tenha sido nomeada comissária nacional para as últimas três exposições mundiais em que Angola participou: Japão, Espanha e agora China. A ligação à cultura não é, no entanto, estranha a Albina Assis, conhecida pela simpatia, profissionalismo e frontalidade com que encara os desafios. A própria confessa que gosta de poesia e chegou a fazer teatro na juventude. também gosta muito de música. “Sou fã de Carlos Burity”, confessa. A sua entrada no mundo das exposições sucedeu por acaso. “Fui visitar a Expo de Hanover, na Alemanha, como ministra da Indústria e fiquei chocada pelo facto de Angola não estar representada.” A primeira Expo, sob a sua liderança, foi a do Japão. “Apesar de estarmos num pavilhão comum, tudo correu muito bem. A interacção com a organização foi muito fácil.” A melhor, no entanto, terá sido, segundo Albina Assis, a de Saragoça. “tivemos imensa sorte. Ficámos numa zona movimentada em frente à entrada principal, por isso, registámos 4 milhões de visitantes. Claro que havia muitos angolanos, muitos deles vindos de Lisboa, mas a maior parte dos visitantes eram estrangeiros. recordo que houve angolanos que choraram quando visitaram o nosso pavilhão”, conta. Albina Assis gosta do trabalho que faz, embora se queixe de algum cansaço. “Já não estava à espera de ser nomeada para este cargo. tivemos muito pouco tempo para preparar uma presença condigna.” A sua determinação é elogiada pelos membros da sua equipa que destaca as suas artes de negociadora e a capacidade para obter consensos. Mas Albina Assis também não receia dizer o que pensa e exercer a sua autoridade. recorda, por exemplo, uma célebre greve na refinaria que teve de gerir com pulso e mão de ferro. Sobre os alegados gastos excessivos de Angola na Expo Xangai, limita-se a desdramatizar. “Angola tem de estar presente nos grandes eventos internacionais. A China está na moda e Xangai é uma cidade cosmopolita. Chamam-lhe a sala de visitas da China. Não podíamos ficar de fora do evento”, justifica.

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HOrÁCIO DÁ MESQuItA

capa Expo xangai

Xangai
Jaime Fidalgo
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no centro do mundo
Já começou a maior exposição mundial de sempre dedicada ao tema das cidades sustentáveis. Uma oportunidade de ouro para a cidade de Xangai se posicionar como uma grande metrópole mundial.

Os Jogos Olímpicos de Pequim de 2008 foram unanimemente considerados um dos melhores jamais organizados. O mundo tão cedo não esquecerá a monumental cerimónia de abertura no Estádio Olímpico. O ano de 2010 vai ser inesquecível para os chineses devido à realiza- ção da Expo Xangai. que já entrou na história como a maior exposição mundial de sempre. cujo anfitrião foi o Presidente Hu Jiantao.2 mil milhões de dólares (o dobro do que foi gasto com os Jogos Olímpicos). encheu os chineses de orgulho no país MASCOTE Inspirado num carácter chinês que significa “pessoa”. é portador de boa sorte. que os verdadeiros custos são de 58 mil milhões de dólares. obra de grande complexidade técnica que demorou três anos e meio a concluir. Os números oficiais dizem que o governo investiu 4. segundo a tradição chinesa repleta de superstições. .A MAIOR EXPO DE TODOS OS TEMPOS dias de Expo (até 31 de Outubro) 184 países participantes 190 22 táxis a circular na cidade 55 000 420 de visitantes esperados (estimativa) 70 000 000 dólares custa um bilhete para um dia normal quilómetros de linhas de metropolitano 58 000 000 000 de dólares investidos (estimativa) espectáculos previstos 20 000 13 jornalistas registados para cobrir o evento 13 000 hectares de área ocupada 525 portas de entrada no recinto voluntários treinados para a Expo 1 700 000 LOGóTIPO A imagem com três pessoas abraçadas simboliza a grande família humana em harmonia e felicidade. É inspirada no carácter chinês que significa “mundo”. no entanto. O nome é fácil de decorar e. incluindo os investimentos em infra-estruturas. o s chineses já habituaram o mundo à sua capacidade de mobilização para os grandes eventos. a mascote chama-se Haibao (cuja tradução é “Tesouro do Mar”). conhecido como o “Ninho de Pássaro”. do número de visitantes (esperam-se 70 milhões) e do orçamento. A imprensa diz. Os chineses pulverizaram todos os recordes ao nível da área edificada (525 hectares). maio 2010 | 31 SHAngHAI DAIly ©AFP A cerimónia de abertura.

de cor vermelha. onde estiveram presentes. África está na zona “C” (Angola tem um pavilhão próprio. uma prova das boas relações entre a potência asiática e os países do continente. A cosmopolita Xangai é a sala de visitas da China. 55% da população mundial vivem em cidades. Tem uma população de 18 milhões de habitantes 32 | www. Durão Barroso (que fez questão de visitar o Pavilhão de Angola). um número que não cessa de aumentar. o líder francês Nicolas Sarkozy e o presidente da Comissão Europeia. com melhores acessos. em 2008). Subordinada ao tema “Melhor Cidade. A pianista Lang Lang e o cantor Andrea Bocelli foram alguns dos artistas convidados. Cada qual terá direito a escolher o seu dia nacional de celebração (o de Angola será no dia 26 de Setembro). Com 18 milhões de habitantes. ao lado dos da Argélia e da Nigéria). Os chineses dizem com orgulho que foi o maior espectáculo do mundo. entre outros. Ninguém discute a pertinência do tema. ao longo das margens do rio Huangpo. tida como a mais cosmopolita da China. está o monumental Pavilhão da China. maior eficácia energética e menos poluição. com um espectacular fogo-deartifício (arte em que os chineses são exímios). No centro. a mesma da Cidade Proibida. ao urbanismo e ao desenvolvimento sustentável. Os restantes pavilhões estão divididos pelas cinco primeiras letras do alfabeto. em 148 dias (dos quais. apenas um quinto será de estrangeiros) e um “exército” de 70 mil voluntários com a missão de orientar os turistas. o slogan da Expo 2010 é baseado na ideia de espaços urbanos mais humanos e sustentáveis. designado por “Coroa Oriental”. o maior e o mais alto de toda a Expo. de dois novos terminais de aeroportos e da requalificação da nova “marginal” junto ao rio Huangpo. Xangai é uma das dez maiores cidades mais populosas do mundo. Mas o verdadeiro espectáculo realizou-se no exterior. assumir a sua “candidatura” à posição de uma das grandes metrópoles mundiais. No total haverá pavilhões de 190 países (onde se incluem estreantes como a Coreia do Norte e Timor-Leste) e de várias organizações internacionais. b SHAngHAI PACIFIC InSTITUTE ©AFP .exameangola. Melhor Qualidade de Vida”. fontes de água dançantes e raios laser. em Pequim. segundo as estimativas.capa Expo xangai A Expo Xangai é a maior em termos de área ocupada. É uma estrutura inspirada na arquitectura imperial. Afinal. Outro recorde importante é do número de presenças africanas (43 nações).com A Expo Xangai ocupa mais de 5 quilómetros quadrados (é 20 vezes maior do que a realizada em Saragoça. A exposição mundial é também uma oportunidade de ouro para a cidade de Xangai. deverá receber 70 milhões de visitantes. O Presidente Hu Jintao fez a abertura da Expo. de orçamento e de número de visitantes Entre elas destaca-se a construção da maior rede de metropolitano do mundo. Existirão ainda cinco pavilhões temáticos ligados às cidades. De Maio a Outubro. A cerimónia foi apresentada pela cantora chinesa Song Zuying e pelo actor Jackie Chan. segundo dizem os especialistas.

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Haja Deus! . 120 metros de altura e uma vista deslumbrante sobre a baía de Luanda. Tem 28 pisos. Os T5 Duplex custam cerca de dez milhões de dólares.com É o novo ex-líbris do luxo.xxxxxxxx xxxxxxxxxxxxx NeGÓcioS IMOBILIÁRIO A cAtedrAl do imobiliário Francisco Moraes Sarmento 34 | www.exameangola.

maio 2010 | 35 JacinTO FigueireDO .

Carlos Serralheiro. afirma-nos que a veneração a Nossa Senhora da Nazaré — Mama Nasi como é conhecida entre os crentes — tem aspectos miraculosos que nunca reconheceu noutros cultos à Virgem Mãe. O contraste é evidente entre as linhas arredondadas da torre sineira e as linhas mais duras e contemporâneas de um arranha-céus. “Há também os que a Ela recorrem por causa dos negócios”. a CR Roca. seja em Fátima (Portugal) ou Guadalupe (México). piscina exterior. “Nossa Senhora da Fecundidade”. Um novo templo da arquitectura moderna A alusão ao mundo dos negócios é justificada por outra razão. senhora de rosto vivido. refere a madre divertida. localização entre o 26. olhar alegre e sorriso aberto. Santa Ifigénia da Etiópia.950 milhões de dólares aParTaMenToS PiSoS 17 Área ToTal 21 900 m2 (apartamentos de luxo) aParTaMenToS T4 . T1 – 16) ÁreaS DoS aParTaMenToS entre 93 m2 e 1167 m2. mantém-se como um refúgio espiritual da cidade. de várias confissões religiosas. encimados por um heliporto. a mais carismática. abaixo Do Solo caveS 5 DeScrição para estacionamento. que marca o perfil de Luanda. Hoje. Monumento nacional.95 milhões 36 | www. Construída em 1664. A nova “catedral” do imobiliário em Luanda chama-se Torre Ambiente. Esta empresa é constituída por três empresários com provas dadas no mercado angolano: José Cristóvão. um T1. Preço Por MeTro quaDraDo 10 mil dólares SéTiMo PiSo Área 1100 m2 DeScrição restaurante e esplanada com deck de madeira.º andar DeScrição Mais de 1000 m2.exameangola. começam nos 9. piscina privativa. T3 . É que a poucos metros da pequena igreja salta à vista um edifício imponente com 28 andares que se erguem a 120 metros de altura.NeGÓcioS IMOBILIÁRIO Q uem vem da marginal de Luanda e se dirige ao Largo do Ambiente poderá ver à sua esquerda a discreta Igreja de Nossa Senhora da Nazaré. O templo era um lugar de peregrinação para os “caluenses” (gentes do mar). “À Mama recorrem pessoas com e sem fé. com 40 mil metros quadrados de área bruta. ligado do sector de transporte e logística. Longe vão os tempos em que o templo era banhado pelas águas da baía. e Rogério Leonardo. nome que a promotora. ginásio e Spa eScriTórioS PiSoS 6 Área 12 000 m2 DeScrição em open space. custa 930 mil dólares. é a mais antiga de Luanda e. totalmente em terra firme e vários metros do mar. com capacidade para 300 automóveis .30. são outros nomes que os crentes adoptam conforme o problema que apresentam à virgem. proprietário do conhecido Hotel Presidente. T5 Duplex. foi buscar ao largo. carlos Serralheiro e rogério Leonardo) arquiTecTo Luís Marvão HeliPorTo T5 DuPlex aParTaMenToS 4 ÁreaS entre 995 m2 e 1167 m2. T2 -24. terraços e uma vista soberba sobre a baía de Luanda e a cidade Preço começa nos 9. com áreas que variam entre 222 m2 e 1111 m2. homem relacionado com construção civil.º e o 28. A madre Catarina. diz-nos lembrando-se de que está a falar para a EXAME. Até os maldosos chegam a visitar-nos antes de cometerem o crime”. para muitos.com PiSoS 2 Área 2800 m2 loJaS cinco. Os mais caros.16. com entrada independente e quatro elevadores exclusivos Preço Por MeTro quaDraDo 8 mil dólares coMércio O apartamento mais barato. a igreja é conhecida pelos seus belos painéis de azulejos e pela “santa negra”. e promotor do Edifí- Uma torre com ambiente de luxo ToTal 28 pisos inauguração início de 2011 alTura 120 m Área bruTa 40 mil m2 ProMoTora cr rOca (detida por José cristóvão. “Nossa Senhora da Aflição”.

com SPa . res tau rante e pisc ina DivuLgaçãO . escritó rios hab itação de luxo. hea lth club.com érc io.

Destacase pela qualidade de construção. O preço de venda destes apartamentos (quatro no total) é de 9.60 m2. dado que geralmente os escritórios têm um custo mais elevado do que as habitações. Os seis primeiros pisos da Torre Ambiente destinam-se a escritórios.35 m2. esclarece Marco Cardoso. dois terraços (um com 10. T4 18..º andares. sala comum com 175 m2 .exameangola. salienta que “o empreendimento pretende ser uma referência na cidade em termos de arquitectónicos. piscina e vista para a marginal. com entrada independente e quatro elevadores exclusivos. dois terraços (o maior com 283 m2). O que os distingue são as suas grandes áreas. A este propósito. dois quartos. porte e presença no skyline de Luanda”.” A este propósito Marco Cardoso salienta: “Os arquitectos souberam tirar partido de uma localização única e de uma vista exclusiva.º. T5 DuPlex 26. Entrega no primeiro semestre de 2011 No total. terraços e uma vista soberba sobre a baía de Luanda.95 milhões de dólares* Área 995 m2 DeScrição cinco suites.” Além dos átrios amplos e altivos.86 milhões de dólares* Área 386 m2 DeScrição Duas suites. entrada para os pisos de escritório é independente.995 milhões de dólares e ocupam os 26. entre 93 e 1167 metros quadrados. 30 apartamentos T4. destaca o responsável comercial do empreendimento.º andar Preço 930 mil dólares* Área 93 m2 DeScrição uma suite. “A alvenaria foi substituída pelo vidro. uma das características mais apreciadas do edifício é a ausência de paredes exteriores. Marcos Cardoso sublinha que “o preço do metro quadrado está dentro do mercado para a habitação de luxo. quarto de serviço. O metro quadrado custa 8 mil dólares (ao passo que a habitação é cerca de 10 mil). * 10 mil dólares por metro quadrado. outro com 64. Marco Cardoso. sala comum com 109. a Torre Ambiente é constituída por 90 fogos com tipologias de T1 a T5 Duplex e áreas diversificadas. cozinha e um terraço com 22 m2. o que faz subir o preço de venda”. Portugal. 27. com piscina. autor de projectos de referência noutros países tal como o Hotel Mirage.. Mas a “imagem de marca” da Torre Ambiente são os luxuosos T5 Duplex com áreas que variam entre 995 e 1167 metros quadrados. o que permite aos seus futuros habitantes desfrutarem constantemente da vastidão do horizonte e garante luminosidade natural no interior dos apartamentos”. no entanto. “Neste momento. a norma do mercado. No total. o edifício possui 21 900 metros quadrados dedicados à habitação de luxo (19 pisos). 16 de tipologia T3. qualidade de construção e localização”.com DivuLgaçãO . Os traços do edifício saíram do estirador do arquitecto Luís Marvão. sala comum. quarto de serviço. num total de 12 mil metros quadrados.65 m2 ) T1 11.º e 28.º andar Preço 3. 38 | www. 24 fogos T2 e 16 do tipo T1. director comercial da CR Roca. Preço é 8 mil dólares por metro quadrado DivuLgaçãO Essa não é. Prevê-se que a construção da Torre Ambiente possa estar terminada no início do próximo ano.NeGÓcioS IMOBILIÁRIO cio Rey Katyavala. cerca de 40% do edifício já estão vendidos”. “A Torre Ambiente é um edifício marcante. afirma Luís Marvão que acrescenta: “A sua forma permite a integração no local e um diálogo estreito com o meio envolvente. em Cascais. Quanto custa. assim distribuídos: 4 duplex T5.º andar Preço 9.

entre a área de escritórios e habitação. do rio de Janeiro. quatro quartos. ou. Ao nível da rua grandes montras marcam o espaço. com terraço. em nova iorque. segundo Marco Cardoso. refere Marco Cardoso com orgulho..O preço por metro quadrado está dentro dos valores de mercado para a habitação de luxo. cerca de 40% do edifício já está vendido O apartamento mais barato situa-se no oitavo andar. cinco casas de banho e acesso ao clube de golfe com piscina. “O edifício ganhará vida própria e vai responder aos desafios do século em termos de qualidade de vida. “um espaço exclusivo de lazer com ambiente seleccionado e distinto”. a luminosidade e a vista são argumentos de venda .. esplanada. um SPA e piscina exterior. Spa. seis casas de banho. Os valores são comparáveis aos dos edifícios mais caros do mundo tais como o Donald Trump Building. sauna e ginásio ou. em nova iorque.. Abaixo do solo. Fonte Semanário económico maio 2010 | 39 .. vocacionados para o comércio... vista panorâmica sobre Manhatan compra-se. totalmente equipado com móveis armani. com esse dinheiro o apartamento de ToM cruiSe. o apartamento de giSele bunDScHen no gávea green residencial.º piso. No 7. Os promotores prevêem a entrega do imóvel durante no primeiro semestre de 2011.. existe um plateau com restaurante panorâmico. um terraço e jacuzzi privativo. No total são 2800 metros quadrados. A esplanada tem um deck de madeira com vista para a baía de Luanda. biblioteca. na Donald Trump Building. em Manhattan (veja comparativo abaixo). b a localização mesmo em frente à baía. Trata-se de um T1 com 93 metros quadrados que custa 930 mil dólares.. Três apartamentos semelhantes ao de MaDona e JeSuS luz. com capacidade para 300 automóveis. um ginásio. a Torre Ambiente dispõe de cinco caves para estacionamento. Trata-se de uma área com 1100 metros quadrados. no upper east Side Building. com quatro suites. tecnologia e segurança”.

Hoje. Entre elas. é líder em mediação imobiliária Faustino Diogo A história do Progroup é mais um exemplo do espírito empreendedor e da capacidade de adaptação dos empresários nacionais que. formação. Limpeza a bordo dos aviões da TAAG A qualidade do serviço é outra bandeira do Progroup. angolanos e treinados para resolver os problemas dos clientes”. Paralelamente. na sua maioria. o Quality Award Century Quality Era — Business Initiative Directiones. consultoria. o director-executivo do grupo. Garantia que fez com que a TAAG lhe adjudicasse a responsabilidade de limpar as suas aeronaves. que se orgulha de ter a primeira empresa angolana no ramo da limpeza com a certificação de qualidade ISO 9001-200. de acordo com as circunstâncias do mercado. é uma holding com 11 filiadas. A ProGroup ambiciona terminar igualmente o processo de certificação ICAO. Esse esforço é promovido através do seu “braço” ligado à formação. diz José Luís de Carvalho. limpeza. atribuído na Suíça. fundador e principal accionista. José Luís de Carvalho sustenta que a aposta no capital humano é a prioridade número um da empresa. O grupo tem 4 mil funcionários (90% dos quais são nacionais) distribuídos por quase todo o país e gasta cerca de 1 milhão de dólares em despesas com o pessoal.com “Os nossos técnicos são. reforça João Venichand. O Progroup é um grupo empresarial de capital angolano. com o objectivo de se tornar líder de mercado nos segmentos em que actua — desde o imobiliário. 40 | www. petróleo e construção — e uma referência no mercado internacional. alimentação. “Este crescimento só foi possível porque as pessoas acreditaram em nós”. segurança. segundo os responsáveis. . vão criando novos produtos e serviços inovadores.Negócios estratégia Um grupo de prós Há dezoito anos tinha apenas duas empresas: na área de protecção pessoal e na de limpezas. que.exameangola. tendo ganho. destaca-se a Proimóveis. em 2004. a Prometeus. a Proforma. a Protector (empresa de segurança) também adopta as melhores práticas do programa ISO 9001. o que não impede que alguns aviões voem já com o brilho Prometeus. O plano de desenvolvimento da Progroup para este ano requer um investimento de 11 milhões de dólares.

o mais utilizado pelas médias e grandes empresas no país. estudos de viabilidade para a construção de empreendimentos. Procerâmica Fabricação de tijolos para construção civil.director-executivo iDaDe 37 anos naCionaliDaDe Luso-moçambicana estaDo Civil Casado seCtor Imobiliário Criação 2006 A empresa actua em todas as áreas do segmento de imóveis: venda e arrendamento de imóveis de particulares. específicos para cada tipo de limpeza. Pronutry seCtor Restauração Criação 2007 É a proprietária do Restaurante Mamma Mia. É a representante do software Primavera. inforgestão Prometeus seCtor Limpeza Criação 1991 É uma das primeiras empresas privadas a oferecer soluções completas no sector de limpeza industrial. seCtor Consultoria e formação Criação 2007 Foi criada inicialmente para atender as empresas do grupo e agora oferece um serviço de consultoria especializada nas áreas administrativa e de informática. Premium technoil noMe JOSÉ LuíS dE CARVALHO Cargo PCA – Fundador do grupo e sócio maioritário naCionaliDaDe Angolana estaDo Civil Casado seCtor Serviços para petrolíferas Criação 2005 A Technoil oferece diversos serviços de assistência técnica e suporte para a indústria petrolífera. As escoltas. Data De FunDação 1991 trabalhaDores 4 mil (90% nacionais) Capital 100% angolano sóCio Maioritário José Luís de Carvalho investiMento previsto para 2010 11 milhões de dólares Protector seCtor Segurança Criação 1991 Foi a primeira empresa do grupo e é 100% angolana. higiene e conservação de imóveis e áreas públicas. maio 2010 | 41 . cadastros actualizados das lojas disponíveis em Luanda. Os serviços de segurança pessoal e patrimonial correspondem a 80% do volume de trabalho.Carteira diversificada O Progroup criou 11 empresas nos últimos18 anos. Proforma Prestação de serviço e formação. É responsável pela produção de mais de dez produtos químicos. no Bellas Shopping. renaissance Prestadora de serviço de catering. assessoria a empresas. seCtor Gestão de condomínios Criação 2010 Foi criada como marca de um serviço da Progroup para a gestão de condomínios. A Proimóveis faz também acróPole Promoção imobiliária. A adesão por parte dos clientes justificou a criação de um negócio independente. desde o fornecimento de mão-de-obra especializada até ao transporte e o aluguer de longa duração de viaturas. Proimóveis noMe JOãO VEnICHAnd Cargo CEO . transporte de valores e aluguer de viaturas representam os restantes 20%.

Possui vivendas (T4 e T5).proimoveis. no entanto. Aluga-se. • Assessorias a empresas.. Ele trabalha no sector desde os 13 anos. quem os pudesse promover e comercializar de forma profissional.. diz Cleber. com formação em Direito. uma pessoa bem preparada desem- Vende-se. • Gestão de património imobiliário. dois lugares para viaturas e cozinha completa.exameangola. Está presente nos segmentos: • Venda de lançamentos. ville verMont 42 | www.de fidelizar sível uma empresa ou os melhores um estrangeiro vir para mediadores Angola sem contar com o capital nacional”. segurança 24 horas e o conforto de dois lugares de estacionamento por apartamento e arrecadação. Casas acessíveis à classe média Tal como sucede na casa-mãe.com lançaMento novembro de 2009 target Classe média-alta loCalização Benfica preço A partir de 398 mil dólares. com apartamentos T4 e coberturas dúplex. o mercado de arrendamento e a avaliação e venda de terrenos. recordando o início dessa aventura empresarial. depois de os responsáveis do grupo terem verificado que estavam a nascer diversos projectos habitacionais faltando. “O trabalhador é fiel à empresa se sentir que ela está a apostar em si. com forte grau de crescimento e alta rentabilidade nos investimentos. cada uma com anexos. o grupo apostou na mediação de imóveis novos. a Proimóveis procura apostar a fundo na formação. Está localizado numa das áreas mais valorizadas da cidade. Por outro lado. porém. • Cadastros actualizados de lojas. A equipa de mediadores é formada por 19 assalariados — 15 dos quais angolanos — aos quais se juntam 25 comissionistas (que não têm salário mensal — só ganham comissões sobre as vendas).Negócios estratégia Dentro das participadas do grupo.. Numa primeira fase. DesCrição Condomínio fechado. • Atendimento individualizado para empresas e repartições. altura em que a empresa se juntou ao pai para se investe na dedicar ao comércio de formação casas na metrópole de como forma São Paulo..com . passou para os usados. “É impos. a Proimóveis é a maior empresa de gestão e mediação imobiliária a operar em Angola. saber gerir os rendimentos das comissões porque há períodos bons e outros menos bons. Saber mais: www. Segundo os responsáveis. piscina. É necessário. A empresa foi liderada. • Estudo de viabilidade para a construção de empreendimentos. pelo brasileiro Cleber Corrêa. uma das empresa que tem revelado maior dinamismo é a mediadora imobiliária Proimóveis. Quinta Das Mangueiras lançaMento Junho de 2010 target Classe média-alta loCalização Benfica preço A partir de 600 mil dólares. 43 anos. justifica Cleber Corrêa. segurança 24 horas. • Aluguer e venda de imóveis de particulares. “Anos de grandes lucros como os de 2007 e 2008 muito dificilmente se voltarão a repetir”. “Ganham uma comissão que vale a pena”. sustenta o director-geral. DesCrição Condomínio fechado. Os próprios garantem que a falta de um salário no final do mês em nada prejudica a motivação. desde o início. Foi fundada em 2006. Depois.

que ainda não existe.”b lançaMento Outubro de 2008 target Classe alta loCalização Talatona preço A partir de 923 mil dólares DesCrição O mais vantajoso e aconchegante condomínio de vivendas no coração do Talatona. Trabalha. mas desde muito cedo se mostrou interessada em contribuir para que o sonho da casa própria. os bancos. São 54 apartamentos de luxo T3 e T4. Você sabe que essa pessoa é um bom profissional e que pode contar com ela para fazerem negócios juntos”. Estamos a propor algo que é novo no mercado. com preços entre 75 mil e 80 mil dólares cada uma. comum à maioria dos jovens angolanos. Quanto mais se preparam as pessoas. em muitos casos. A Proimóveis atenta a essa “democratização” do mercado já está a trabalhar nesse segmento. piscina e salão de festas. questiona Cleber Corrêa. que permitem à classe trabalhadora comprar imóveis mais baratos”. terraço com churrasqueira para todas as unidades. eDiFíCio são paulo maio 2010 | 43 . se tornasse uma realidade. o Edifício São Paulo ergue-se com uma área de contrução de 14 000 m2. diz Isabel Almeida. “Estamos a propor aos promotores algo inusitado. como campos de ténis. um clube privativo com diversas opções de lazer.penha melhor as suas actividades. Há na honestidade ainda outras 500 casas. a formação é um bom negócio para ambos. infelizmente. O cliente pode receber a chave antes de pagar a casa Para os profissionais da mediação a mudança é positiva. QueDas De KalanDula lançaMento Outubro de 2009 target Classe alta loCalização Centro preço A partir de 990 mil dólares DesCrição Situado em pleno coração de Luanda. Porquê não apostar na honestidade das pessoas e dar um voto de confiança”. Cleber Corrêa acredita que o mercado imobiliário está a mudar devido a dois factores principais: “ao mesmo tempo que existe menos liquidez no mercado. Antigamente. “É uma alegria quando ajudamos alguém a concretizar o seu sonho. mais as empresas ficam competitivas. Mesmo que essa pessoa saia e vá para a concorrência será sempre alguém que saiu do nosso seio. “Hoje. ainda se vão praticando na nossa praça”. por exemplo. Antes era técnica média de construção civil. a venda de casas entrou no roteiro de vida de Isabel. director-geral com 120 metros quada proimóveis: drados de área vai cus“apostamos tar 168 mil dólares. onde uma casa Corrêa. na comercialização de 2800 apartamentos na zona do Camana e de 400 apartamentos em Cleber Viana. das pessoas” também em Viana. uma mediadora que está na profissão há dois anos. têm surgido projectos com um menor custo por metro quadrado. os imóveis já começaram a baixar os preços. Logo. o que facilita a compra de uma casa. na Avenida Ho-Chi-Min. o que não acontecia até aqui. Hoje. justifica. não concediam empréstimos devido aos altos valores das habitações que. A novidade é que o comprador poderá dispor da chave antes de ter pago a casa. que é o cliente pagar a casa depois que entra nela.

os preços de casas e apartamentos nalguns bairros da cidade subiram 75% no último ano. muitas obras estão paradas. improvável num país assolado por guerras e pobreza. O plano de expansão inclui o aumento da rede de distribuição do produto no país. a empresa americana vai colocar em acção um plano para triplicar as suas vendas na China.exameangola. roberT harding PicTure librarY lTd/alamY Cabul: casas mais caras. 44 | www. como o dubai. Actualmente.MundoPlano Tendências que marcam a agenda do gesTor global China Coca-Cola cresce a todo o gás Nos próximos dez anos. a verdade é que a cidade de 3 milhões de habitantes ficou pequena para tanta procura. Cada chinês consome hoje uma média de 28 garrafas de refrigerante por ano. Por incrível que pareça é o caso de cabul. Potencial não falta. nalguns deles.com imaginechina Coca-Cola na China: um símbolo dos novos tempos . a capital do afeganistão? os analistas dizem que está a formar-se uma bolha imobiliária. a alta ocorreu graças ao aumento da procura por parte dos estrangeiros e dos afegãos ricos que costumavam investir em dubai. onde a procura está mais efervescente do que nunca. de acordo com corretores locais. com quase 15% do mercado de bebidas gaseificadas. apesar da guerra aFEGaniSTÃO A bolha improvável desde 2008 que a maioria dos países sofre os efeitos da bolha imobiliária. há outros. porém. atingindo os 200 mil milhões de dólares de receitas anuais. a Coca-Cola quer duplicar a sua facturação. mas que agora migraram para cabul. com a criação de quase 5 milhões de novos pontos de venda. no mercado afegão. o mesmo que a média africana. a Coca-Cola é líder na China. Para o objectivo ser alcançado.

presidente da Associação Internacional de Transportes Aéreos. os produtores vendem apenas para o exterior e aos comerciantes marroquinos autorizados pelo estado. Vivendo um período de estabilidade política desde 2008. A nova versão de We Are the World: uma das campeãs do iTunes haiTi Uma ajuda de 60 milhões de dólares lançada no mês passado. o líbano vê finalmente a sua economia a prosperar. um dos sectores em ascensão é a moda. a tolerância religiosa tem permitido à indústria do vinho prosperar. que podem revendê-los aos turistas. a receita reverte em benefício das vítimas do terramoto que devastou o haiti em Janeiro. as suas criações estão na moda e já foram usadas pelas estrelas angelina Jolie e beyoncé. liderada por artistas como quincy Jones. no ano passado. a nova versão do video We Are the World. é cada vez maior o número de lojas de alta-costura de estilistas libaneses consagrados. segundo os dados do Fmi. Giovanni Bisignani. beirute. em árabe). sobre o caos nos aeroportos provocado pela erupção do vulcão na Islândia marrOCOS Um pecado tolerado Para os muçulmanos. em marrocos.4 mil milhões de dólares no ano passado. Desfile em Beirute: alta-costura árabe está na moda maio 2010 | 45 diVulgação abdelhak senna/aFP PhoTo nabil mounZer/ePa/corbis Degustação de vinho: 35 milhões de garrafas produzidas por ano LíbanO A conquista das passarelas . esta crise é devastadora. mas. produzida há 25 anos. quantia amealhada pela primeira versão da música.Para uma indústria que já tinha perdido 9. já entrou para a lista de músicas mais vendidas do iTunes. georges hobeika e elie saab. o consumo de álcool é considerado um haram (pecado. Tony bennett e barbra streisand. os autores esperam que a nova versão supere rapidamente a marca de 60 milhões de dólares. o crescimento do Pib em 2009 foi de 7%. o país produziu 35 milhões de garrafas de vinho. na capital do país. como georges chakra.

Os problemas de relacionamento entre Mukesh e Anil tornaram-se públicos em 2002. A divisão do grupo. Onde. não foi suficiente para selar a paz entre os herdeiros varões. Tal como sucede nos dramas familiares do cinema. A mãe é a mediadora do conflito Anil tem em curso um processo judicial contra o irmão mais velho por difamação. de 49. os irmãos indianos Mukesh Ambani.exameangola. ano da morte de Dhirubhai Ambani. Seguindo a tradição de uma sociedade patriarcal como é a indiana. O motivo da acção foi uma entrevista que Mukesh concedeu ao jornal americano The New York Times. ficou claro que os irmãos não se entenderiam e o grupo foi dividido em dois. estão separados pela ambição. liderando uma rede de lobistas e espiões para ser beneficiado nos acordos com o governo indiano e prejudicar as actividades dos concorrentes. Na altura. o primogénito. dois MAnAn VATSYAYAnA ©PHOTO dos homens mais ricos do mundo. Inconformado com as declarações. A Mukesh. É mais do que têm Carlos Slim. os Ambani. controlam uma fortuna de 85 mil milhões de dólares. continuam a lutar — publicamente e na Justiça. os três homens mais ricos do mundo segundo a revista Forbes. porém. Mukesh (4. Anil foi para os .com ambani x ambani J grupo Reliance. com mais de 100 empresas. Warren Buffett ou Bill Gates. um dos maiores conglomerados empresariais da Índia. a Reliance Industries Limited.º) e Anil (36. pelo ressentimento e pelas lutas do poder. Anil passou a controlar os bancos e as empresas de telecomunicações. unidos para sempre por laços de sangue. o empresário insinua que Anil fazia “jogo sujo” nos negócios. patriarca da família e fundador do 46 | www. as duas filhas de Dhirubhai — Deepti e Nina — permaneceram alheadas dos negócios. segundo o ranking da Forbes. coube a gestão da área industrial. e Anil. de 51 anos.global índia Mukesh: dono da maior empresa privada da Índia Os irmãos indianos Mukesh e Anil Ambani estão entre os homens mais ricos do planeta.º). Controlam impérios empresariais e lideram uma das maiores guerras familiares do mundo Tatiana Gianini untos.

outros 500 hipermercados com a bandeira do Reliance deverão ser inaugurados na Índia. As suas áreas de actuação vão da exploração de petróleo e gás à produção de petroquímicos. três filhos nEGócIos Reliance Industries Limited. foi Kokilaben que ajudou a convencer Mukesh e Anil de que a divisão do Reliance seria a melhor solução para os negócios. Na altura da morte do fundador do grupo. os irmãos que hoje administram os negócios da família mais poderosa da Índia. em ambos os casos. um juiz apelou a Kokilaben. que abrange negócios de telecomunicações. entre outros. para que ela se tornasse a mediadora de um novo acordo entre os seus filhos. no Norte do país.Anil: dono da maior produtora de Bollywood PUnIT PARAnjPE/LAnDOV tribunais. ForMAção Licenciado em Ciência. petroquímicos. Essa não foi a única batalha entre os dois que foi parar à Justiça. exigindo uma indemnização de 2 mil milhões de dólares e um pedido oficial de desculpas do irmão. Devido à frequência com que os Ambani comparecem nos tribunais. na cidade de Ahmadabad. IDADE 49 anos Anil Ambani ForTunA pEssoAl 42 mil milhões de dólares FAMÍlIA Casado. A Reliance Industries Limited. a matriarca da família. pela Universidade de Bombaím. a parte que coube à Mukesh Ambani. envolve uma disputa pela distribuição de gás de um campo controlado por uma das empresas de Mukesh. Outro processo. O grupo de empresas registou um volume de negócios de 34. o Reliance Mart. e pós-graduado em Administração pela escola de administração Wharton. o grupo empresarial liderado por Mukesh abriu o seu primeiro hipermercado — e o maior da Índia —. que Anil agora alega ser impraticável. Até ao final deste ano. com uma facturação que corresponde a cerca de 3% do PIB do país. que resultou na divisão do grupo Reliance. um aumento de 27% em relação ao ano anterior. produtos têxteis e distribuição. o que representa. é hoje a maior empresa privada da Índia. maio 2010 | 47 . que reúne a carteira de investimentos do grupo nas áreas de exploração e produção de petróleo e gás. da Universidade da Pensilvânia. No acordo.7 mil Família em conflito Quem são Anil e Mukesh Ambani. dona do grupo Reliance Mukesh Ambani IDADE 51 anos ForTunA pEssoAl 43 mil milhões de dólares FAMÍlIA Casado. têxtil e distribuição. Mukesh comprometeu-se a fornecer gás ao irmão a um preço determinado. infra-estruturas. energia e entretenimento. também em curso. ForMAção Licenciado em Engenharia Química. Em Agosto de 2007. na Índia. Fonte: Forbes milhões de dólares e um lucro de 6 mil milhões. pela Universidade de Bombaím. dois filhos nEGócIos Reliance ADA Group.

ávido por impressionar a sociedade em que vive e — talvez ainda mais — o irmão rival. carregando o corpo do fundador. Anil e Mukesh aparecem lado a lado. b PAnkAj nAnGIA/LAnDOV PRAkASH SInGH ©AFP Entre os negócios de Anil estão empresas de telecomunicações. Adora ver críquete . facturou no último ano fiscal 4.8 mil milhões de dólares. O seu funeral levou às ruas de Bombaim milhares de indianos. Nas horas 48 | www. mercadores. em Naroda — perto da cidade de Bapunagar —.global índia Em 2007. montou um moinho têxtil. a emergente indústria cinematográfica indiana. Ao morrer. cargo de Anil cinema com capacidade para 50 pessoas e um heliporto com espaço para três helicópteros. os irmãos Ambani encontram a sua própria maneira de ser infelizes.” O império Reliance nasceu nos anos 50. Orçada em 2 mil milhões de dólaos negócios res. nas horas vagas. Já Anil é sociável. presenteou a sua mulher com uma aeronave Airbus A319 de 70 milhões de dólares. Foi uma das últimas vezes em que foram vistos juntos. Mukesh tem o negócio da Vindo de uma casta de distribuição. a Reliance fechou um acordo com o famoso realizador Steven Spielberg para criar um novo estúdio na meca americana do cinema. e nos negócios gosta de saber os detalhes do chão da fábrica. a Reliance da família Commercial Corporation. Adora roupas de estilistas famosos e. passa o tempo com os seus três filhos e a mulher assistindo a jogos de críquete do Mumbai Indians. Como na obra-prima de Dostoievski. Em Outubro do ano passado. Mukesh é introspectivo. Mukesh.8% em relação ao ano anterior. equipa que comprou por 112 milhões de dólares. Em breve.com vagas. pequeno escritório em Bombaim que começou por exportar especiarias para o Iémene e importar de lá fibras de poliéster. em 1958. Dhirubhai prosperou e expandiu-se para outras áreas. a sua principal empresa. Anil investirá 550 milhões de dólares nesta parceria. Casou com uma ex-estrela de cinema. a sua família deve mudar-se para uma mansão de 27 pisos e 167 metros de altura. Mukesh é mais introspectivo. é um típico bilionário. de quem teve dois filhos. “Os dois são muito diferentes. corre maratonas — sempre seguido por seguranças. Menos de uma década depois. Dhirubhai uma tradição Ambani estabeleceu. Anil aprecia a fama e os holofotes Anil casou-se com a ex-estrela de Bollywood Tina. Mukesh sempre foi mais tímido e tradicional. adora conhecer pessoas e era a face pública da empresa. A Reliance Communications. à frente do cortejo. porém. a nova mansão dos na área das Ambani terá nove elevacomunicações dores. tornou-se uma lenda dos negócios. Os irmãos têm estilos opostos — embora ambos amem o poder e tenham lutado por ele. ou assistindo a filmes de Bollywood (vê cerca de três por semana no seu cinema privado). infra-estruturas. erguida numa das ruas mais sofisticadas de Bombaim. Anil é sociável. Dhirubhai percebeu que ficaria rico se as conseguisse produzir na Índia. energia e entretenimento. Os planos agora são ainda mais ambiciosos: entrar em Holly wood. e criou a famosa marca de tecidos Vimal. O seu grupo controla uma das maiores produtoras de Bolly wood.exameangola. parque de estacioficaram a namento para 168 carros. o que representa um crescimento de 31. Nas fotos da cerimónia.

armazenagem.: (00244) 222 291 108 — Fax: (00244) 222 291 075 António J. preparação da encomenda e entrega ao cliente.Prestamos os nossos serviços Para que Possa melhorar a qualidade dos seus! ❱ ❱ dispomos de armazéns totalmente equipados com estruturas e veículos adequados ao processamento e preparação das várias tipologias dos produtos dos nossos clientes. TransporTes e LogísTica em ActividAde deSde 1992 www. ❱ Praticamos a logística clássica que consiste na recepção. ❱ também efectuamos serviços mais especializados de acordo com as necessidades de cada cliente.Angola Tel. em transporte somos especialistas! Sede: Rua Martin Luther King.: 917 651 759 / 925 363 789 PARque: Rua da Moagem Kwada.Angola Tel.antoniojsilva./Fax: (00244) 222 443 929 — Tlm. ldA. conferência. Km 12 — Viana . 13 — Luanda . SilvA.com .

como a endividamento excessivo. o preço do metro quadrado nas capitais destes países superou o das ricas Copenhaga ou Estocolmo. O Parex. O novo cenário atraiu várias empresas da Europa Ocidental. descobriram atracções como o esplendor barroco de Vilnius. o governo pediu um empréstimo de 11 mil milhões de dólares ao FMI. a União Europeia (com 27 países) apresentou. Salvem os felinos Aos poucos. ainda não chegou — cinco meses depois — à emergente região do mar Báltico. Em Abril.2%. Na fase mais aguda da recessão. Essa sensação momentânea de alívio. A adesão do trio à União Europeia. Mas a crise desfez o sonho da Estónia. da Letónia e da Lituânia. maior banco privado letão. travados no passado pela “Cortina de Ferro”. coordenador do Centro de Estudos Bálticos da Universidade de Tartu. numa referência ao crescimento brutal das nações asiáticas durante a década de 90. um em cada cinco letões estava desempregado. As lojas e os restaurantes estão “às moscas” nas capitais desses países. o consumo desenfreado e a especulação imobiliária. Com a deterioração da economia. capital da Lituânia.com encontrar construções interrompidas. Os turistas. porém. na vida real. até pouco tempo. porém. a União Europeia anunciou oficialmente a sua saída da recessão. Os cidadãos da Lituânia. só fez aumentar a euforia em torno dos Tigres do Báltico. onde se tornou comum 50 | www. com 1. afirmou à EXAME Viktor Trasberg. Apesar dos vaticínios tenebrosos dos analistas. respectivamente.4 milhões de habitantes. E o que era uma maravilha ontem pode tornar-se um pesadelo amanhã. cuja retoma ainda parece distante Felipe Carneiro E m Novembro. apesar de ter terminado o ano com um decréscimo de 4. cresceu mais de 7%. “Quando a crise global chegou. esses países começaram a envenenar-se com as mesmas substâncias tóxicas que abalaram as outras grandes economias. Em 2007. a Estónia. os investimentos estrangeiros fugiram e as exportações caíram. o que pensadores como Keynes já diziam no passado — há muito de imponderável na economia. A palavra-passe para o progresso foi dada nos anos 90.1%. nesse trimestre. São obras começadas no início desta década. a maior dessas economias.2%. eram conhecidos por “tigres”. em busca de mão-de-obra barata. No mês seguinte.Global europa os tigres perderam os dentes Antes chamavam-lhes os “Tigres do Báltico”. quando esses países cresciam acima da média europeia. No auge desse processo. as economias da região entraram em colapso e ficaram sem armas para reagir”. em 2004. As suas economias terminaram 2009 com as maiores taxas de contracção do PIB da Europa: –14. o primeiro-ministro Ivars Godmanis não resistiu aos maiores protestos populares . O pesadelo já chegou para estes três países. um crescimento económico de 0. quando essas ex-repúblicas soviéticas atingiram uma certa estabilidade política e conseguiram realizar reformas fundamentais — desde a privatização das velhas empresas públicas até à abertura ao capital externo.exameangola. na Estónia. berço de três países que. da Estónia e da Letónia comprovam hoje. –18% e –15%. foi nacinalizado em Novembro de 2008 para evitar a bancarrota e a possível contaminação de todo o sistema financeiro.

enquanto o resto da Europa inicia o processo de retoma. a desvalorização das moedas nacionais.amaral@mndistribuidora.co.8% 7. Hoje.8% 9. os países adoptaram medidas de emergência.2% 10% 2008 2009 -4.2% 2008 2009 -3.8% 2009 -15% Fonte: EurosTATs. b assinatura EmprEsarial Receba todos os meses a ExamE confortavelmente no seu escritório! prEços EspEciais para mais dE 10 assinaturas ContaCte-nos! tariana amaral Tel. Enquanto não resolvem o dilema cambial. que poderia estimular a recuperação das exportações. tem sido adiada.6% 12. A expectativa é que essas políticas suavizem a queda.ao . desde o fim da era soviética e demitiu-se no início de 2009. Os governos temem que uma queda na cotação terá um impacte imediato nas dívidas nacionais. os Tigres Bálticos estão longe de ver a luz ao fundo do túnel. como cortes nos gastos públicos em 40%. capital da Letónia: um em cada cinco habitantes está desempregado 2005 2006 2007 2008 7.Crise no Báltico Depois de um período de euforia. todas elas cotadas em euro.: +244 928 230 000 e-mail: tariana. os países da região registam algumas das piores taxas de crescimento da Europa (crescimento do PIB) estónia 2005 2006 2007 9.4% 10% 7. a tempo dos grandes da União Europeia terem força suficiente para tirar os ex-Tigres do fundo do poço. Uma das medidas mais urgentes.8% 2.6% -18% Lituânia InTs KALnIns/rEuTErs Comércio em Riga.1% Letónia 2005 2006 2007 10.6% -14.

Sector Talatona. Luanda Sul.SEMANÁRIO ECONÓMICO 6A Quer toda a informação sobre mercados e finanças? O Semanário Económico dá-lhe a informação pelo ângulo da facilidade e da transparência. 222 005 880 Telem. Leia e ganhe e da transparência. Casa Castanha Lote 5. com mercado angolano. Luanda Sul.as feiras. O Semanário Económico dá-lhe a informação pelo ângulo da facilidade capacidade de decidir norecursos infográficos. decidir no mercado angolano. 1977 Tel. 222 005 880 Telem. CP. Condomínio Palanca Negra. CP. Leia e ganhe capacidade de À venda todas as 5. Sector Talatona. 929 4177 791 República de Angola Casa Castanha Lote 5. Condomínio Palanca Negra. 1977 Tel.as feiras. com recursos infográficos. 929 4177 791 República de Angola . À venda todas as 5.

também os gestores podem reunir num único painel os indicadores-chave da sua empresa. mBa pela Florida state university e doutoramento em gestão pela Harvard Business school. saber mais www. co-autor do conceito de balanced scorecard em luanda Guru das finanças nOme david norton experiência prOfissiOnal Fundador e presidente da consultora palladium group e co-fundador da Balanced scorecard collaborative fOrmaçãO Licenciatura em engenharia eléctrica pelo Worcester polytechnic institute. para animar um seminário sobre a metodologia do balanced scorecard. em novembro de 2008. máquinas e capital) e 20% a intangíveis (marca. ainda. o conceito significa. da qual é autor. a aquisição dos activos intangíveis necessários para o crescimento futuro. cerca de 80% do valor de mercado das empresas era relativo aos seus activos tangíveis (edifícios. quantificar o desempenho da empresa através de indicadores quantitativos que fazem o balanceamento entre quatro perspectivas: financeira. só que essa informação incide apenas sobre o passado e o património quantificável da empresa. monitorando. recorde-se que a ferramenta do balanced scorecard foi escolhida pela prestigiada revista Harvard Business Review como uma das práticas de gestão mais importantes e revolucionárias dos últimos 75 anos.º1). já tinha convidado Tom peters (ver EXAME n. no passado. o método chama-se balanced scorecard e um dos seus autores. habituados a compilar os mais diversos indicadores sobre o desempenho económico e financeiro da sua empresa – desde os rácios mais simples. o balanced scorecard reflecte o equilíbrio entre os objetivos de curto e longo prazo. como o próprio nome indica.iirangola. Prahalad.com David norton. C. aprendizagem e crescimento. pessoas ou talento). entre as perspectivas interna e externa de desempenho. livrOs co-autor de cinco livros que venderam um milhão de cópias e estão traduzidos em mais de 23 idiomas. segundo Kaplan e norton. até aos mais sofisticados. The Balanced scorecard (1996) The strategy-focused Organization (2000) strategy maps (2004) alignment (2006) The execution premium (2008) O mal dos gestores não é a falta de recursos. juntamente com robert Kaplan. O problema está na falta de imaginação. permite que as empresas tenham simultaneamente um “pé” no presente e outro no futuro. entre indicadores de tendências e ocorrências e. veio a Luanda explicar a metodologia. david norton. mas como contabilizar activos que. não são mensuráveis? e como tornar o somatório dessas informações num auxiliar para a gestão estratégica? É essa a especialidade de david norton. dessa forma contribui para que as empresas acompanhem os seus resultados actuais. em termos simplistas.GestãoModerna ideias para gerir a sua empresa. que esteve em Luanda no passado dia 20 de abril. essa nova realidade é o pesadelo dos gestores financeiros. guru da estratégia falecido no dia 22 de Abril maio 2010 | 53 . o seminário foi organizado pela empresa especializada em formação e eventos iir que. ou seja. david norton já escreveu cinco livros sobre o tema (ver lista à direita). cliente. K. entre medidas financeiras e não-financeiras. negócio ou carreira O painel de bordo dos executivos Tal como os pilotos controlam o avião através da leitura dos intrumentos que estão no cockpit. ao mesmo tempo. Hoje a relação é inversa: 80% intangíveis versus 20% tangíveis. processo interno.

gestão microcrédito A bAncA Do 54 | www.com .exameangola.

uma ideia que tirou milhões de pessoas da pobreza. nasceu no Bangladesh e chama-se Grameen Bank. Esse banco existe. é considerado o pai do microcrédito. O Nobel da Paz esteve em Angola para partilhar a sua experiência Jaime Fidalgo KAMENE trAçA maio 2010 | 55 . Muhammad Yunus.os PobRes Imagine ser dono de um banco que cobra taxas de juro acima do mercado e em que 99% dos clientes pagam a dívida a tempo e horas. o fundador.

as vítimas de minas e os portadores de deficiência — e do Comité Nacional para a Promoção da Mulher Rural. ainda antes de começar. mais de ordem prática do que filosófica. Fernando da Piedade Dias dos Santos. o Bangladesh tem um clima de monções. em Washington. um deles matou 136 mil pessoas. O Bangladesh tem um PIB per capita de apenas 1300 dólares (o 153. começou a sua palestra. confessou Clotilde Saraiva. a principal actividade. cronologicamente. “Ele é uma pessoa simples e encantadora. das autoridades provinciais e de organismos públicos que aproveitaram o período de debate para colocar questões. O país tem uma população de 150 milhões de pessoas (a sétima maior do mundo) e uma área de 144 mil quilómetros quadrados. a conferência também terminou de uma maneira institucional. numa expressão bem angolana. “Muhammad é um herói nacional. “Quando chega a época das chuvas o país pára.com ANA PAulA dOs sANtOs “Yunus é uma inspiração para o combate à pobreza” -geral da Golfrate. Outras calamidades como as inundações são normais todos os anos. É o caso do Fundo de Solidariedade Social Lwini — que apoia. a comunidade recebeu a visita de Yunus e fez questão de homenagear o distinto compatriota. surge um novo momento que fez as delícias da comunicação social. que “viver no Bangladesh é complicado”. A economia é rudimentar. director56 | www. salienta Isahaque Ali. Skip ou Dona Xepa. O responsável salientou as virtudes do microcrédito: “Uma poderosa ferramenta de combate à pobreza e da prossecução dos objectivos do milénio. caracterizado por chuvas intensas. Nobel da Paz em 2006. temperaturas moderadamente quentes e uma elevada humidade. Muhammad Yunus foi chamado à Cidade Alta para uma audiência com o Vice-presidente de Angola. Todos o adoram”. Sunlight. ao palestrante. Devido a estar localizado próximo do Trópico de Câncer. iria fazer a intervenção de abertura do seminário. No dia seguinte ao evento. Da mesma forma que abriu. as principais iniciativas já realizadas em Angola e colocou especial enfâse nas instituições de responsabilidade social a que preside. O país é afectado por ciclones a uma média de 16 por década. Regressado ao Centro de Convenções de Talatona. Logo. Alguns habitantes do Bangladesh podem não saber quem é o Presidente actual. Em Maio de 1991. Não é todos os dias que Angola tem a honra de receber um Prémio Nobel.” De salientar ainda a presença na audiência de representantes do Governo.exameangola. com o discurso de Manuel Nunes Júnior. Se as águas chegam ao nível do solo das casas. relativos à redução da pobreza até 2015. na qual o convidou a visitar o Bangladesh e a conhecer como funciona o microcrédito. mas todos conhecem Yunus”. Através do vibrante grupo ficámos a saber que existem cerca de 200 naturais do Bangladesh a trabalhar em Angola.º em 181 países). é prejudicada pelas catástrofes naturais. é a nação com a maior densidade populacional do planeta. ministro de Estado e da Coordenação Económica. O evento começou atrasado. Talvez a presença mais notada tenha sido a comitiva de cinco compatriotas de Yunus que não escondiam a emoção de estar na sua companhia. que organizou a conferência e que teve a EXAME como media partner. como o Omo. entre outros. líder da International Talents. este evento já era um grande sucesso mediático. Caso para dizer que.gestão microcrédito e ra grande a expectativa. Ana Paula dos Santos confessou ser uma admiradora de Muhammad Yunus que já conhecera na Cimeira de Microcrédito de 1997. primeira-dama de Angola. que produz e comercializa em Angola algumas marcas da multinacional Unilever. A primeira-dama recordou. Ana Paula do Santos. O “guru” confessou. a vida continua sem sobressal- KAMENE trAçA . Não tem quaisquer recursos naturais e a agricultura. Uma ideia que nasceu no Bangladesh E foi precisamente a falar da sua terra natal que Muhammad Yunus.

Nos primeiros anos. Se chega ao nível das camas as pessoas são obrigadas a dormir no telhado e muitas crianças escorregam durante a noite e morrem. em quase tudo. Passados dois meses veio finalmente o parecer favorável. afirma. O jovem Yunus estava cheio de esperança de ser útil à jovem nação e participar no esforço de reconstrução nacional. No total. procurava ajudar uma pessoa. No Grameen Bank o banco é que se desloca até ao cliente e não o contrário. só ganhou formalmente o estatuto de banco em 1983. “É como o futebol na Europa e nos Estados Unidos. foi assim que o microcrédito se desenvolveu no Bangladesh. numa das partes mais comoventes da sua apresentação realizada no dia 30 de Abril. conta Muhammad Yunus. Essa legislação MANuEl NuNEs JúNIOr “Microcrédito tem potencial de crescimento em Angola” tos. Foi para lutar contra os agiotas que criei o Grameen Bank especifica faz sentido porque o Grameen Bank difere. uma instituição totalmente vocacionada para os pequenos empréstimos dirigidos aos pobres. Nascido em 1976. Foi numa dessas visitas à aldeia de Jobra. enquanto para a banca tradicional quanto mais rico é o cliente. via as pessoas a morrer de fome e sentia-me impotente. logo após a independência face ao Paquistão. Prémio Nobel da Paz. Uma das diferenças mais importantes é o facto maio 2010 | 57 KAMENE trAçA . Em 1965. através de uma lei especial. Regressou a “casa” em 1971. cobrando juros altíssimos. Passados uns dias.do professor Yunus o pedido foi remetido à sede que. Muhammad Yunus não viveu sempre no Bangladesh. ganhou uma bolsa de estudo e foi estudar para os Estados Unidos. mas depois. para o microcrédito é o inverso — quanto mais pobre. eram 41 aldeões que deviam apenas 47 dólares. recorda. que Yunus verificou que havia agiotas que emprestavam dinheiro. Tinha de fazer algo. Mas o verdadeiro impulso só surgiu quando se criou o Grameen Bank. Passei a ir às aldeias onde. são os beneficiários que detém a propriedade. Quando as chuvas chegam aos telhados. foi perguntar ao banco mais próximo porque é que eles nunca tinham pensado em emprestar dinheiro aos aldeões. mas as regras são totalmente distintas. oito meses depois. Devido à insistência Os ricos não podem ganhar dinheiro à custa dos pobres. A palavra é a mesma. sublinha. Até que o economista decidiu oferecer-se como avalista do empréstimo.” De facto. quando saía à rua. “Se o banco der lucro. esse montante é distribuído pelos clientes sob a forma de dividendos”. da banca tradicional. continuava sem dar resposta. Essa era a minha meta: auxiliar uma pessoa por dia”. melhor. as pessoas perdem tudo e têm de recomeçar a vida do zero”. melhor. A resposta foi desconcertante: eles não podiam emprestar dinheiro aos pobres. no Centro de Congressos de Talatona. recebi o dinheiro de volta”. Por fim. “Resolvi pagar as dívidas do meu próprio bolso. país onde se licenciou e tirou um mestrado em Economia. O banco é que vai ter com o cliente Animado com a experiência. todos os dias. Dava aulas de Economia na Universidade de Dhaka. “Nas aulas eu dizia aos alunos que a economia resolvia todos os problemas do mundo.

Os empréstimos são remunerados a uma taxa superior à do mercado. Hoje. o Grameen Bank empresta cerca de 100 milhões de dólares por mês. Nos homens não vemos o mesmo progresso”. todas merecem uma oportunidade de trabalhar essencialmente com mulheres. “Há 25 anos as mulheres tinham seis filhos. Para nós. com ou sem instrução. Valeu a pena o esforço. afirma. O banco encarrega-se de financiar os estudos. Yunus justifica: “Uma das condições que colocamos a quem emprestamos dinheiro é que os filhos vão à escola. As mulheres revelaram-se excelentes empresárias e hoje representam 99% dos clientes do Grameen Bank. Filhos dos beneficiários têm de ir à escola As taxas de juro são diferenciadas consoante a natureza da operação. “Quando as mulheres têm sucesso no negócio isso reflete-se imediatamente na família. O financiamento também não vem da sede. recorda. Os filhos vão à escola e estão melhor alimentados e vestidos. “Elas eram uma classe ignorada pelos bancos. Vem dos depósitos dos clientes e dos juros dos empréstimos. mas. A maioria nunca tinha tocado em dinheiro e recusava-se a conversar comigo. em contrapartida. Tive de usar as minhas estudantes como intermediárias. Quando começámos o banco eu coloquei como objectivo ter 50% de mulheres. Essa mudança teve reflexos na própria organização social do Bangladesh. já temos famílias que recorreram ao microcrédito e cujos filhos são estudantes 58 | www. ricas ou pobres. A pouco e pouco fui ganhando a confiança”. Hoje.com . diz. Esse capital não vem do governo ou do sistema financeiro. podem ser empreendedoras.gestão microcrédito COMPAtrIOtAs dE YuNus “Existem cerca de 200 naturais do Bangladesh a trabalhar em Angola. “Cada agência actua localmente e é auto-suficiente”. em média. Pelo menos que tenham a instrução básica. o crédito à habitação e à educação são sujeitos a uma taxa inferior. Muhammad é um herói nacional” todas as pessoas.exameangola. revela. hoje têm apenas três”. O problema é que as aldeãs não queriam essa responsabilidade.

em regra. Yunus acredita piamente que todas as pessoas. Apesar de nunca terem estudado marketing eles sabem segmentar os clientes por produto. podem ser empreendedoras. bebidas. UMA IDEIA QUE MUDOU O MUNDO SEdE Bangladesh FundAção 1983 AgênciAS 2564 LocALidAdES 81 351 aldeias e vilas EMPréStiMoS 9. A instituição é gerida de uma forma que faz inveja aos gigantes do sector. “Demos-lhes dinheiro para eles comprarem fruta.07 milhões (97% dos quais são mulheres) PEdintES 111 713 (19 193 tornaram-se vendedores porta a porta) BoLSAS dE EStudo 2. Quando vejo uma filha universitária ao lado de uma mãe sem instrução. Grameen Bank só ganha dinheiro com os empréstimos 20% Empréstimos 15% taxa de juro do mercado 10% remuneração dos depósitos 8% Crédito à habitação 5% Crédito à educação 0% Apoio social (pedintes. Eles sabem. As promoções são atractivas e inteiramente justificadas pelo mérito.” Outro desafio foi ajudar os cegos.. As coisas correram tão bem que a maioria tornou-se vendedor porta a porta. deficientes. o que fazer com ele”. também a fundo perdido.) .09 mil milhões de dólares (97% taxa de recuperação) cLiEntES 8.. A pobreza resulta da falta de oportunidades”. Agências cinco estrelas Como o Grameen BanK reconhece e premeia o mérito lucrativa b EStrELA AzuL Agênciamais dinheiro em caixa do que empréstimos EStrELA VioLEtA Com b EStrELA VErdE 100%de taxa de reembolso b EStrELA cAStAnhA 100% clientes estão na escola b EStrELA VErMELhA 100% famílias deixaram de ser pobres b maio 2010 | 59 . Recorde-se que nós não damos qualquer formação. Cada agência é avaliada segundo o sistema de cinco estrelas (veja caixa à direita). Cada empregado é avaliado segundo o mesmo sistema.. as dívidas não Outra razão de orgulho para Muhammad Yunus é o facto da taxa de reembolso dos empréstimos ser de quase 100%.com Quanto cobra. “Quando percebemos que eles. Mais uma vez funcionou. Máximo tolerável. penso sempre que a diferença entre elas é apenas uma: a sociedade nunca deu uma oportunidade à mãe. Os salários são similares aos dos bancos do Estado.grameen. Só emprestamos dinheiro. Logo é promovido quem tiver mais estrelas. doces e brinquedos. etc.12 milhões de dólares (para 113 643 crianças) FuncionárioS 23 133 funcionários remunerados SABEr MAiS www. ricas ou pobres. melhor do que nós. para montarem uma pequena banca de comércio. A partir dos dez anos de “casa” o trabalhador é livre de partir e acumular o rendimento com outras actividades.. resume.de mestrado. Clientes são perdoados.. A diferença é que as reformas são melhores. A prová-lo está o facto de há quatro anos o Grameen Bank ter começado a emprestar dinheiro (sem juros) aos pedintes. Os trabalhadores estão motivados. esclarece. um spread superior a 15% não é moralmente aceitável 10% acima da do 1 VErdE AtéAté 15% acima taxa de jurojuro mercado AMArELo da taxa de do mercado 1 VErMELho Acima dos 15% já não é microcrédito 1 KAMENE trAçA . com ou sem instrução.. pediam dinheiro em locais estratégicos — debaixo de árvores em ruas de grande circulação — resolvemos emprestar-lhes dinheiro. Para o Nobel de Paz a explicação está na metodologia do Grameen Bank que tem sido testado em todo o mundo com a mesma taxa de sucesso.. Os funcionários beneficiam de seguros de saúde e planos de pensões..

O objectivo foi atingido dois anos depois.gestão microcrédito Outra máxima de Yunus é que as dívidas nunca são perdoadas. Ana Paula dos santos. Na altura eu disse que queria chegar a 2015 com 100 milhões de pessoas abrangidas. diz. sim. recorda. Mas terá de pagar o que deve. “Não conseguimos chegar lá. > Criação do programa empresarial angolano em parceria com o PNud e Chevron texaco. Quando a tragédia passa as pessoas têm de restituir o dinheiro.” Nem as catástrofes naturais são motivo para excepção.com . virado a microfinanças (hoje chamado BAI Micro Finanças). no México. > Governo disponibiliza 10 milhões de dólares para os Bancos BPC e sOl expandirem o microcrédito em todo o país. 2008 > realização do terceiro fórum sobre microfinanças na cidade de Benguela. No ano anterior. 2005 > Ano internacional do microcrédito segundo a ONu. > realização do primeiro fórum nacional sobre microfinanças em luanda. “No início havia apenas 7 milhões de pessoas abrangidas pelo microcrédito. diz acrescentando: “Qualquer banco que cobre juros superiores a 15% acima do preço do mercado já não é microcrédito”. em 2007. para um fundo de emergência. b Bancos tradicionais ricos Homens Cidades Garantias reais Burocracia Cliente vai ao escritório Há créditos malparados É detido pelos accionistas Baseado em contratos Visa maximizar o lucro vs Microcrédito Pobres Mulheres Aldeias Não há garantias Não há papéis Escritório vai ao cliente taxa de reembolso é quase de 100% É detido pelos clientes Baseado na confiança Visa tirar pessoas da pobreza MICROCRÉDITO EM ANGOLA 115 863 38 388 2006 2008 579 315 2008 91 940 2006 Famílias beneficiadas directamente Pessoas beneficiadas directamente Cronologia 1999 > lançamento do microcrédito em Angola. já tinha sido definida uma nova meta ambiciosa — 175 milhões de famílias abrangidas até 2015. “Todos os gastos são apontados. Um dos casos de abuso mais mediáticos foi o do banco Compartamos. justifica. Nessa altura.” A ONU deu uma ajuda considerando 2005 como o ano Mundial do Microcrédito. que cobrava taxas de juro astronómicas e acabou por se tornar uma estrela de Wall Street. em talatona. Utopia? Yunus já nos habituou a ter uma taxa de 100% no cumprimento de objectivos difíceis. primeira instituição bancária vocacionada ao microcrédito. Fonte Intervenção da primeira-dama. sem juros.exameangola. Yunus recorda que dois terços da população mundial ainda não têm acesso ao sistema bancário. 2004 > Criação do núcleo de microfinanças do BNA. As estatísticas provam que ainda há muito trabalho a fazer. em Halifax. O montante não vai para a agência. na conferência de Muhammad Yunus. Se a pessoa voltar será recebida de braços abertos. das quais 5 milhões estavam no Bangladesh. Alerta contra os tubarões do crédito O problema é que há quem se aproveite das fraquezas alheias. Nesse mesmo ano pretende-se que 100 milhões de famílias passam a ganhar mais de 1 dólar por dia. 2007 > Criação da comissão multisectorial para o microcrédito. mas ficámos muito perto”. “O conceito foi criado para combater os tubarões do crédito. 60 | www. Todos julgaram que eu era louco. 2003 > Criação da rede angolana do sector de micro empresas. sentencia Muhammad Yunus. a principal missão das agências passa a ser a de salvar pessoas”. “O microcrédito não pode ser uma forma dos ricos lucrarem com os pobres”. 2001 > Criação do Banco sol. 2006 > realização do segundo fórum sobre o microfinanças no Kwanza sul. no Canadá. mas. > Criação do Novo Banco. não para os beneficiar”. “Se alguém não conseguir pagar o empréstimo nós não accionamos qualquer processo legal.

confessa. As dificuldades só nos deram força para sermos ainda mais determinados”. com a mesma dimensão e numa área com interesse para o país”. esclarece Clotilde saraiva. “Fazemos cursos à medida das empresas. Afinal não é todos os dias que Angola recebe um Nobel. como se vê. DA CONFERÊNCIA Clotilde saraiva nasceu na Ingombota em luanda. Consoante as necessidades vamos à procura dos formadores adequados”. Clotilde dava aulas de Gestão na universidade Autónoma. são todos meus amigos. BPC ou BAI. resolveu crescer para o negócio das conferências. nem inscreveram mais participantes – ao contrário do que fizeram alguns organismos públicos e autoridades provinciais – num seminário com a mais eminente referência na matéria. “Foi mais fácil do que pensávamos. maio 2010 | 61 KAMENE trAçA . Quem a desafiou foram os seus alunos. Com esse objectivo criou uma parceria com a multinacional HsM que representa os grandes pensadores da área da gestão em todo o mundo.. Em 2009 a It. um ponto de encontro anual entre os profissionais da gestão. incompreensível como é que o Banco sol. Apesar das contrariedades Clotilde saraiva já está a pensar no próximo evento. Queremos trazer especialistas reconhecidos. com Ellsio Manuel. ao mais alto nível. em áreas que têm um interesse prático para o país”.. registe-se o envolvimento das intituições angolanas. É. luanda. o convite para ser media sponsor do evento. “sinto-me realizada”. “tinha os materiais de comunicação todos prontos há vários meses só aguardava pela confirmação do patrocinador. “sempre quis voltar”. que também tem escritórios em Portugal. o “pai” do microcrédito. instituições especializadas em microcrédito. “O idAdE 48 anos nAturALidAdE luanda ForMAção AcAdéMicA Gestão cArgo CEO da It-Center Clotilde Saraiva KAMENE trAçA idAdE 30 anos nAturALidAdE luanda ForMAção AcAdéMicA Gestão cArgo Partner da It-Center Elsio Manuel Governo forneceu a segurança de Muhamad Yunus.OS PAIS. receio desiludir algum deles”. mesmo que perdessemos dinheiro. cuja resposta que se arrastou até muito perto da data do seminário. de facto. confessa. A ideia nasceu em Outubro do ano passado e os preparativos começaram em Janeiro. a empresa de consultoria e formação It – International talents. O certo é que talvez devido à falta de divulgação atempada o seminário registou apenas “meia casa”. está realmente na moda no circuito internacional de conferências. Foi estudar para Portugal e regressou em 2002. É nesse contexto que surgiu a ideia de trazer Muhamad Yunus. recorda. Pela positiva. esclarece. sobretudo. não apoiaram. O posicionamento da It pretende ser diferente das outras empresas que já estão no mercado. Na área da consultoria a It acompanha. Por ironia já está no pais há oito anos e nunca deu aulas numa universidade. no sucesso do evento. diz. “Não queremos trazer oradores internacionais só porque estão na moda. É uma pessoa muito acessível e tinha interesse em conhecer Angola”. A título de exemplo é a HsM que organiza anualmente a Expo Management. em lisboa. A parte que correu menos bem foi a negociação com os potenciais patrocinadores. “tenho três convites em carteira e ainda não aceitei nenhum. em menos de 24 horas. tinha muitos alunos angolanos que lhe perguntavam porque não regressava e se tornava professora. Já a formação incide sobre os temas de gestão embora a It já tenha organizado cursos em áreas mais técnicas como a dos petróleos. Bem mais fácil foi o entendimento com a revista EXAME que aceitou. “Este foi o primeiro de muitos seminários. as áreas administrativas e financeiras ou os processos de reestruturação. afirmou Clotilde saraiva com orgulho no final da sua aventura. Fundou em 2004. a primeira-dama fez questão de estar presente e fazer a comunicação de abertura e o Nobel da Paz foi recebido no Palácio pelo Vice-presidente”. a par das outras publicações do grupo MediaNova. Mas eu tinha decidido trazer Yunus a Angola custe o que custar. Vamos organizar mais uma grande conferência até ao final do ano. Mas a sua actividade profissional está ligada ao ensino. Isso fez com que a campanha de marketing se atrasasse.

No novo modelo –o altruísta –.gestão entrevista No anterior modelo de sociedade – o egoísta –. sucede o oposto: tudo para os outros e nada para mim.exameangola. tema do novo livro de Muhammad Yunus Jaime Fidalgo do egoísmo a 62 | www. Bem-vindo ao mundo dos negócios sociais. as pessoas queriam tudo para elas e nada para os outros.com .

o altruísmo maio 2010 | 63 KaMeNe traça .

uns novos ténis que combatem as infecções nos pés e custam menos de 1 dólar. Na sua opinião esta é a altura perfeita para erguer um novo modelo de organização.exameangola. como viu a crise mundial de 2009 ano e as tentativas de políticos como Obama para regular o sistema financeiro à escala global? A crise financeira foi uma chamada de alerta para o mundo. tema do seu novo livro. houve uma crise energética que fez disparar o preço do petróleo. Yunus dá como exemplos a parceria do Grameen Bank. disse que o mundo precisa de reinventar a banca. não foi apenas financeira. As pessoas tendem a encará-la como um fenómeno isolado. com a multinacional Danone para a produção de iogurtes saudáveis que combatem a má nutrição. O que está em causa é algo mais vasto. As alterações climáticas estão a gerar uma crise ambiental. Nós. onde os “negócios sociais”. mas isso não é verdade. Alguma coisa estava errada. Embarque nesta viagem ao mundo dos negócios sociais conduzida pelo Nobel da Paz. realizado em Nairobi. 64 | www. a diferença é que os lucros não revertem para os accionistas m uhammad Yunus acredita que as crises são uma boa oportunidade para a mudança. Na abertura do Congresso Mundial do Microcrédito. Ou a parceria com a Adidas. ocupam lugar de destaque. Os negócios sociais apenas diferem dos tradicionais pelo facto de o objectivo não ser o lucro. enquanto seres humanos. Houve um conjunto de crises que começou muito tempo antes. Em 2008. Como fundador do Grameen Bank. por exemplo.gestão entrevista rOque saNteirO Yunus diz que os vendedores de rua devem ser apoiados em vez de perseguidos. cometemos um erro fundamental no modo como pensámos e organizámos a nossa vida. que fundou. O seu espírito empreendedor é de louvar Os negócios sociais devem ser rentáveis. Muitos países continuam a sofrer uma crise alimentar e de escassez de água.com . que este mês vai lançar. A crise de 2009.

No seu novo livro. Não para falar. A crise. Pode dar-nos exemplos? No Bangladesh. no sentido que vai e volta. No modelo que proponho. repito. o dos negócios sociais. A ideia é que. continuadamente. Os iogurtes foram enriquecidos com todos os micronutrientes que as crianças precisam. Eu não tenho pressa nenhuma. para os problemas de subnutrição desaparecerem. cerca de 50% das crianças têm problemas de nutrição. Building Social Business. A Danone. Além de saudáveis. É preciso repensar tudo e mudar as coisas. As pessoas querem que tudo volte a ser como era rapidamente. É assim que funmaio 2010 | 65 O país O país . nem em embalagens luxuosas. Nós não somos máquinas de fazer dinheiro. Em parceria com a Danone nós criámos uma fábrica de iogurtes que pretende resolver o problema. recupere todo o dinheiro que investiu. São mais responsáveis do que os homens Como podemos emendar esse erro? As crises são uma excelente oportunidade de mudança.MuLHeres Honram dívidas. A crise financeira teve que ver com essa ganância. não ganha nenhum dinheiro com o negócio. para benefício de todos. Este é o melhor momento para tentar. mas para agir. Muitos dizem que isso é impossível. O que podemos fazer de diferente? As mudanças devem ser estruturais. o dinheiro é reciclado. É a ganância e a ambição que fazem com que o homem esteja a destruir o ambiente. No novo modelo. é uma oportunidade para se redesenhar a actividade bancária. Mas também não perde. Há muito tempo que eu digo que os bancos têm de estar centrados no mundo real e não em mundos de papéis imaginários. Basta as crianças tomarem dois iogurtes por dia. dentro de dez anos. Pelo contrário. Há pessoas que. acredito que o mundo não deve voltar a ser o que era. mas a filantropia é isso mesmo. Pode explicar-nos em que consiste esse modelo? É uma nova arquitectura que passa do interesse egoísta (selfish) para a ausência de interesse individual (selfless). é o oposto: tudo para os outros e nada para mim. Pelo egoísmo. as pessoas queriam tudo para elas e nada para os outros. Pelo desejo de serem ricas. Sem juros. os iogurtes são deliciosos e muito baratos. Temos vivido segundo um modelo em que as pessoas são movidas pelo interesse individual. fala de um novo modelo de sociedade. O mercado não é um casino. porém. Temos de experimentar novas abordagens. resolvem dar tudo aos outros. “Pensos rápidos” não chegam. No anterior modelo. o altruísta. durante nove meses. chegados a um certo ponto da sua vida. Só que esse dinheiro vai e não volta. o egoísta. Não se gasta dinheiro em marketing.

Eu defendo o modelo no livro. às quais procurava adicionar exemplos. Como é que convenceu a Danone? Bom. o dinheiro regressa aos clientes sob a forma de dividendos. Ou reinvestido em novos projectos. As pessoas perguntaram-me por que não escrevia um livro com base no material das prelecções. O conceito de microcrédito foi criado para erradicar os “tubarões” do crédito. Os investigadores da Adidas tentaram resolver esse problema. Ficaram um tempo sem me dizer mais nada e eu até julguei que tivessem desistido. aFp . O microcrédito é um instrumento de coesão e solidariedade cionam os negócios sociais. a empresa pode ter lucros. Sempre que ouço dizer isto respondo: “Por favor usem-me. Quanto custarão os ténis da Adidas? Pedi-lhes para “inventarem” sapatos que custam menos de 1 dólar. queremos saber o número de crianças que salvámos. para os mais carenciados. Hoje . No entanto. A invenção é patenteada pela Adidas? Outra característica dos negócios sociais é que não há patentes envolvidas. em vez de perguntarmos quanto dinheiro ganhámos. um negócio social. Não há copyright (direitos protegidos) há copyleft (risos). Mas o seu banco também empresta dinheiro a taxas de juro mais altas? Sim. Apenas acrescento que esses lucros devem servir apenas para recuperar o investimento feito. que os negócios devem ser rentáveis. Muitas pessoas no Bangladesh têm parasitas no pés.” Como vê a actual popularidade do microcrédito à escala mundial? Com muito entusiasmo e optimismo mas também com alguma apreensão. eu hoje vejo que muitos bancos se apropriaram do conceito para cobrar taxas de juro demasiado altas às populações necessitadas. na água. serão sapatos 66 | www. ou da BASF com as redes mosquiteiras para protecção da malária. Quanto tempo levou a escrever o livro? Cerca de dois anos. A partir daí o dinheiro deve ser “reciclado”. passo a passo. Ou melhor.com saudáveis. Por isso.exameangola. a preços acessíveis. ao princípio não foi fácil.o conceito de microcrédito está a ser estudado nas melhores universidades em todo o mundo. A Adidas também fez uma parceria connosco para criar sapatos desportivos. Durante as conferências que fui fazendo pelo mundo fora. Foi assim que o livro nasceu. Mas conseguiram. Afinal resolveram avançar e o êxito da Danone deu origem a mais negócios sociais como o da Veolia. ou distribuído pelos beneficiários dos empréstimos.gestão entrevista cHeias NO BaNgLadesH O país é vítima de inúmeras calamidades naturais. o entusiasmo esmoreceu. Quando lhes falei na parte de não ganharem dinheiro. respondi a inúmeras dúvidas e perguntas. acredito que a ideia do microcrédito funciona melhor se for gerido pelas ONG do que pelos bancos. Mais uma vez. os accionistas é que não. Ensina como criar. São negócios como os outros só que não geram lucros. Muitas pessoas dizem que estas multinacionais estão a usar o Grameen Bank para promover a sua imagem. No meu livro anterior Creating a World Without Poverty (Criar Um Mundo sem Pobreza) eu já falava nestas ideias. O microcrédito não pode ser um negócio em que os ricos lucram com os pobres. Mas o Grameen Bank é detido por aqueles a quem se empresta o dinheiro. Eles acharam que eu estava a propor um desafio impossível. não para enriquecer os accionistas. Na parceria com a Danone. Como se diz em linguagem informática é tudo feito em open source (código aberto) em que todas as pessoas têm acesso à informação e podem colaborar no projecto. Se houver lucros. No próximo mês vão trazer 10 mil pares de ténis para o Bangladesh para testar se as pessoas gostam do produto e se o preço é suficientemente barato.

Não deixou de ser irónico ver os bancos de Wall Street a colapsar com a crise e o nosso programa de microcrédito a florescer. Uma das mais interessantes começou há dois anos e meio no bairro de Queens. maio 2010 | 67 graMeeN BaNK . em Nova Iorque. Como consegue ter taxas de retorno dos empréstimos de quase 100%? Isso só acontece no Bangladesh ou também noutras partes do mundo? Os problemas são iguais e a nossa metodologia também é igual em todo o mundo. O Grameen America tem 3 mil clientes. pois o Grameen Bank está a fazer experiências com microcrédito em vários locais do mundo. Outras universidades nos Estados Unidos e na Alemanha também o fizeram. o mercado formal ainda é algo muito distante. em suma. o Roque Santeiro. o Hautes Études Commerciales. quando se tornam mais formais. logo. Um cliente até pode não pagar o dinheiro de volta e aguentar-se durante alguns anos. Não fazemos nenhum julgamento moral. mais sérias e mais responsáveis do que os homens. exactamente da mesma forma como o faz no Bangladesh. e só depois é que voltam ao sistema. É importante esse esforço. Um pouco por todo o mundo estão a nascer os social business clubs que. Deve. vamos abrir este ano em Ohmaha. dão origem aos social business centers. Tudo isso são sinais muito positivos. A pior coisa que o Governo pode fazer é persegui-los e impor-lhes leis de ricos que não são adequadas para os pobres. Elas estão a tomar conta da sua vida. nem vamos aos tribunais. Washington e São Francisco. Em Angola existe um dos maiores mercados a céu aberto de África. As nossas portas estão sempre abertas. Porque é que as mulheres são os maiores clientes do Grameen Bank? De facto. Muitos bancos apropriaram-se do microcrédito para cobrar juros loucos. A média de empréstimos ronda os 500 dólares e a taxa de recuperação é de 99%. criou uma cátedra em Negócios Como concilia as vertentes de orador e escritor com a de banqueiro? O banco já funciona por si próprio.graMeeN BaNK parceria cOM daNONe Metade das crianças do país sofre de má nutrição. Não precisam de licenças para isso. No ano passado. Como é que o país pode tirar o melhor partido dessa energia empreendedora? Essas pessoas deviam ser condecoradas. Isto sucede porque as mulheres têm uma visão de longo prazo. Como vê o actual interesse da academia pelos mais carenciados? Os estudantes são o meu público predilecto. Estou mais de metade do ano em conferências pelo mundo fora. gostava de abrir o grameen Bank em angola inclusivamente em programas de MBA. São. elas representam 97% dos clientes. de Paris. Nebrasca. Os iogurtes têm todos os nutrientes que elas precisam Sociais. são mais propensos a aderir ao conceito de negócios sociais. As pessoas só têm de pagar o que devem. quase todas mulheres. Mas ao fim de um certo de tempo acaba por vir ter connosco outra vez. Os jovens têm uma mente mais aberta. nem que seja em pequenas prestações. A maioria tem filhos que precisam de ser alimentados e vestidos. Nos Estados Unidos. Para eles.

Jimmy carter. no Bangladesh o grameen Bank serve 2. que recompensa as pessoas que trabalham pela liberdade. doutorado nos estados unidos. em 1996. professor na universidade de dhaka 68 | www. O seu pai era um ourives de sucesso que sempre incentivou os seus filhos a estudarem. ele foi o fundador. dos quais 94% são mulheres e mais de 98% dos empréstimos são pagos de volta.1 milhões de clientes em 37 mil aldeias. Manuel Cruz NOMe Muhammad Yunus Idade 70 anos NacIONalIdade Bangladesh eStadO cIvIl casado. maioritariamente mulheres. e era o terceiro de 14 filhos. isso inspirou-o a comprometer-se com a erradicação da pobreza. Yunus e o grameen Bank foram laureados com o prémio Nobel da paz. Muhammad Yunus nasceu a 28 de Junho de 1940 na aldeia de Bathua. Mas foi na sua mãe. que significa “banco da aldeia”. actualmente. uma lição para todos aqueles que vêem na erradicação da pobreza uma utopia. que sempre ajudou qualquer pobre que batesse à porta. um sucesso que foi construído na base da confiança e não em garantias. e em 2006. escreveu que “dando aos pobres o poder de se ajudarem a si próprios. dos quais cinco morreram na infância. que maior influência teve no carácter de Yunus. em 1983.com HOráciO dá Mesquita . já concedeu financiamento a mais de 8 milhões de empreendedores. independência e dignidade dos povos. que não têm acesso a qualquer outro tipo de crédito.exameangola. Yunus ofereceu-lhes algo muito mais valioso do que um prato de comida. que Muhammad Yunus deu início ao microcrédito. sufia Khatun. através do seu grammen Bank. por toda a sua obra. antigo presidente do estados unidos. em 1976. fundado com base em princípios de confiança e solidariedade. passados 34 anos desde esse primeiro empréstimo. dois filhos FOrMaçãO acadéMIca0 Licenciado em economia em Bangladesh. mas segurança na sua forma mais fundamental”. o que se traduz numa taxa de recuperação dos créditos de meter inveja a qualquer banco.gestão entrevista Muhammad Yunus. termo cunhado em 1970 para designar um tipo muito específico de crédito cujo objecto principal são as populações pobres. O sucesso do grameen Bank valeu. do grameen Bank. a Yunus o prémio internacional simón Bolívar. no Bangladesh. o banqueiro dos pobres Foi com apenas 27 dólares concedidos a 42 famílias. a ideia de microcrédito deu origem a uma nova visão do mundo e da própria economia. Yunus.

No nosso tipo de negócio acreditamos nas pessoas até prova em contrário. traçando os passos e os resultados que algumas das suas ideias tiveram no terreno por via da sua preocupação central de restituir à mulher o papel principal no seio da família. dos cuidados médios e do ensino. Nunca teve problemas de segurança? Pelo contrário. O meu desejo intimo é que nessa altura se possa colocar um cartaz de recompensa a quem encontrar um pobre. Os objectivos do milénio traçaram a meta de reduzir a pobreza em 50%. ou da Veolia. A banca tradicional tende a desconfiar das pessoas até prova em contrário. excelentes oportunidades na agricultura. Muitas das pessoas com quem lidamos são iletradas. BuIldINg SOcIal BuSINeSS este terceiro livro é um verdadeiro guia para a aplicação do conceito de negócio social. Mas. creio que as ONG estão mais habilitadas a fazê-lo do que a banca tradicional. da adidas. que nem sequer fala a língua e o negócio floresceu. nos 30 anos seguintes. até 2015. b Livros de auto-ajuda para o planeta a nova obra será lançada no dia 11 deste mês. O essencial é não deixar esmorecer o espírito empreendedor dessas pessoas. cada negócio social gera emprego. Ou colocando protecções para a chuva e para o sol. fechando as ruas ao trânsito em dias de mercado. dar-lhes condições para melhorarem o seu negócio. Por exemplo. Yunus revela o verdadeiro significado da economia como ciência social. para isso. Em África temos um programa em curso na Zâmbia e vamos agora iniciar a actividade na Tanzânia. que visa utilizar a criatividade empresarial para combater os problemas sociais da pobreza. Nós nem sequer as obrigamos a assinar papéis. inclui casos de estudo como o da danone. E os bancos que quiserem entrar nesse negócio deverão criar estruturas autónomas. descrevendo o conceito do negócio social. erradicarmos definitivamente a pobreza. Não vejo razões para que não possa crescer. É importante ter legislação específica para microcrédito. Angola tem minérios. O nosso negócio é baseado na confiança. À medida que têm sucesso passarão naturalmente para a economia formal. O microcrédito em Angola é associado à banca pública. maio 2010 | 69 .daqui a 30 anos espero que o mundo já tenha conseguido colocar a pobreza no museu em contrapartida. tais como a falta de educação. O autor fez a antevisão para a eXaMe O BaNqueIrO dOS POBreS Neste primeiro livro. Que objectivos é lhe falta alcançar? A minha ambição é erradicar a pobreza. segundo Yunus. um negócio social é um modelo de negócios inovador que visa resolver um problema social e não apenas maximizar o lucro. em muitos casos. Vi inúmeras pessoas na rua a vender. as pessoas são muito dinâmicas. Temos uma equipa numa das zonas mais pobres da Guatemala. da poluição. da BasF. A nossa metodologia funciona em qualquer local do mundo. Angola pode ser o próximo destino? Gostávamos muito. O Banqueiro dos Pobres é uma aula sobre o microcrédito que se mistura com a história do seu mentor e do gramenn Bank. Mas para isso precisamos de ser convidados por um parceiro local do sector público ou privado. crIar uM MuNdO SeM POBreza Neste segundo livro Yunus vai além do microcrédito. não existem recursos naturais e as catástrofes naturais são constantes. boas condições de trabalho e trata de desafios sociais específicos. que se tornou um êxito global. Yunus descreve as várias parcerias que criou com alguns dos líderes empresariais mundiais mais visionários com quem teve oportunidade de trabalhar na implementação dos primeiros negócios exclusivamente sociais do mundo. Penso que a próxima meta deverá ser a de. a saúde e a boa nutrição. Yunus escreve na primeira pessoa. desenvolvido na obra anterior. O meu objectivo íntimo é o de colocar a pobreza num museu. Crê que existem boas oportunidades para o microcrédito em Angola? No Bangladesh somos 150 milhões de pessoas. É uma boa solução? O importante é que quem trabalhe com o microcrédito acredite no que está a fazer e tenha um foco nas pessoas.

em San Diego. mas pelo poder das suas ideias. b Julio BitteNCourt / VAlor / Ag. foi professor catedrático da Universidade de Michigan. Pessoas como ele (e Yunus) tornam o mundo melhor para se viver esde os estudos de Michael Porter que a Estratégia se tornou a disciplina nobre da Gestão. “Faz apenas o que sabes fazer bem e delega tudo o resto”. era o pensamento dominante nessa época. Desde os computadores portáteis a menos de 100 dólares.exameangola. Quem o conheceu na vida privada define Prahalad como um homem sábio e bom. nos Estados Unidos. na qual os autores popularizaram os conceitos de “intenção estratégica” (strategic intent) e “competências distintivas” (core competences). Nos anos seguintes. das cirurgias às cataratas por apenas 30 dólares. que influenciou toda uma geração de gestores. O guru indiano chamou a esse grupo de consumidores o “fundo da pirâmide” (bottom of the pyramid). apostou no estudo da pobreza. Apaixonado pela Gestão. Iguais objectivos podem ser atribuídos a Muhammad Yunus. Prahalad.Gestão2. Prahalad. Desde então. A dupla escreveu a obra Competing for the Future. Ambos pertencem àquele grupo restrito de pessoas que conseguiram mudar o mundo. o gloBo . Numa época repleta de fusões e aquisições falhadas. aproveitando a “boleia” da “nova economia” e das redes sociais. foi sempre um aluno brilhante. Coimbatore Krishnarao Prahalad. quando nos países emergentes — como a China. que se tornou famoso à escala global por ter criado o Nano. o seu país natal. C. K. O problema é que o distinto professor de Harvard nunca mais lançou nenhuma ideia realmente nova desde o lançamento do livro Competitive Strategy. dos quartos de hotel a 20 dólares ou das chamadas de telemóvel a menos de 1 cêntimo por minuto. No seu último livro explicou como as empresas podem ter lucros e ajudar os pobres. É lá que pontifica o grupo Tata. K. o mundo seria melhor para se viver. os especialistas tentam encontrar o novo “rei” da estratégia. também conhecido como o “guru da estratégia”. Hamel e Prahalad aconselharam os gestores a centrarem os seus esforços nas competências que realmente dominavam e onde eram melhores do que a concorrência. um autêntico filão para as empresas. K. Mas há mais exemplos. Gary Hamel passou a dedicar-se mais aos temas da inovação. aos 68 anos de idade. a Índia ou o Brasil — havia uma enorme massa de consumidores com um poder de compra em ascensão. Se houvesse mais pessoas como Prahalad e Yunus.com D Os factos deram razão a Prahalad. como agora. faleceu no dia 16 de Abril. O autor indiano não percebia porque é que as grandes empresas continuavam a lutar ferozmente por um pouco mais de quota nos mercados saturados. da ascensão dos pobres à classe média e dos milhões de pessoas que tentam aderir à economia formal. Nascido no estado de Tamil Nadu. O guru (expressão indiana que significa “líder espiritual”) apontou as estratégias adequadas para se ter sucesso junto dos consumidores com baixos rendimentos. Nunca.0 Por jaime fidalgo O guru dos pobres Faleceu C . mas que representam o maior mercado do mundo. em 1990.5 mil milhões de pessoas que vivem com menos de 3 dólares por dia. Ambos têm a mesma missão na vida: erradicar a pobreza. que esteve recentemente em Angola. a pregar as virtudes do microcrédito e dos negócios sociais. Muitos exemplos vêm da Índia. 70 | www. São 2. O norte-americano Gary Hamel e o indiano C. em 1990. Este último foi particularmente útil. A par da escrita e da actividade de consultor. Nobel da Paz em 2006. não pela força. Prahalad foram indicados por muitos (incluindo o autor deste artigo) como os grandes candidatos à sucessão. o automóvel mais barato do mundo (custa menos de 2500 dólares). Prahalad pôde assistir em vida ao triunfo das suas ideias. tirou a licenciatura da disciplina no Indian Institute of Management e fez o mestrado na prestigiada Harvard Business School. Ao contrário de tantos outros pensadores. se falou tanto das oportunidades de negócio nos países emergentes. um dos maiores especialistas em estratégia de sempre. que continua a ser usado como obra de referência nas faculdades. na Califórnia. por seu turno.

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exameangola.gestão casos Bancos de 72 | www.com .

esperança O BPC. em parceria com a ONG World Vision. criou vários bancos comunitários que mudaram a vida de 4700 famílias no Huambo. Saiba porque é que as mulheres são as campeãs do microcrédito. Faustino Diogo maio 2010 | 73 daNiel miGuel .

rácio que comprova a tese de Muhammad Yunus. diz Isabel Miguel.exameangola. directora do microcrédito do Banco de Poupança e Crédito. para cada uma das 20 mulheres do grupo.25 milhões de dólares. segundo a qual as mulheres são o maior público-alvo. no valor de 2 milhões de dólares. O valor foi repartido entre o Banco de Poupança e Crédito (BPC) e o Banco Sol para a concessão de crédito aos pequenos produtores agrícolas. O do Instituto Nacional do Café (INCA). A parceria fez elevar para mais de 30 mil pessoas o número de beneficiários do microcrédito cedido pelo BPC. Segundo os responsáveis do BPC.2 milhões de dólares cedida pelo BPC. por parte do Ministério das Finanças. a linha de crédito inicial. Tais parcerias têm gerado resultados distintos em termos de retorno do capi74 | www. 19 mil (63%) são mulheres e 13 mil são homens. o BPC foi criando outros programas e parcerias com organismos públicos e privados. no Huambo. elas foram obrigadas a formar um grupo (no máximo. no valor de 1. visando o financiamento de pequenos negócios. de âmbito nacional. Destes. E um bem-sucedido programa de parceria com a ONG norteamericana World Vision. o grupo assume a responsabilidade o microcrédito tem sido um poderoso aliado no combate à pobreza em todo mundo. é de apenas 240 dólares daNiel miGuel .gestão casos BaNCO COmuNitáriO Mulheres formam grupo de 20 elementos e elegem órgãos sociais. dirigido aos jovens que se encontram a exercer actividade no mercado informal. com sede no Kwanza-Sul. Para esse valor muito contribuiu a parceria com a Word Vision. professores e enfermeiros das zonas rurais. Se uma delas não paga. “A experiência do crédito jovem não foi muito agradável. O valor máximo posto à disposição das mulheres agricultoras foi de 22 500 kwanzas (240 dólares).com tal. através do financiamento de 10 milhões de dólares. em 2005. No nosso país começou a ganhar forma. O microcrédito transformou a vida de mulheres e homens da Caála. o crédito jovem é o que menos tem respondido ao desafio lançado com uma taxa de incumprimento de 64%. com 20 pessoas) para terem acesso aos financiamentos. A formação incidiu mais na criação do negócio do que na sua administração no terreno”. Em contrapartida. Assim nasceram três programas. que de forma inovadora lançou no país os bancos comunitários que envolvem (e res- ponsabilizam) toda a comunidade para o sucesso da operação. A responsabilidade é solidária Passados cinco anos. onde o retorno dos empréstimos está na ordem dos 95 por cento. devolvendo-lhes os sonhos que o passado quis apagar. Trabalhamos com jovens que não tinham experiência de gestão. Paralelamente. O do Ministério da Juventude e Desporto. O mesmo não se pode dizer do crédito concedido às populações rurais. A criação de bancos comunitários foi a solução encontrada para dar o melhor aproveitamento à verba de 1. uma área rural dependente da agricultura e da pecuária. que teve direito a uma linha de crédito de 2 milhões e 500 mil dólares. aquilo que começou por ser uma experiência-piloto entre o BPC e a World Vision transformou-se no sustento de mais de 4700 famílias na província do Huambo.

as “zungueiras” passaram a apostar noutros negócios como o comércio de roupas e de outros bens vindos de Luanda. “Os meus dez filhos e o meu marido vivem do que faço”. O segundo microcrédito fez aumentar a capacidade de investimento. também contempladas com um microcrédito do BPC. mas grandes em acções. as campeãs do microcrédito no Huambo. O prazo de reembolso era de apenas quatro meses. batata e outros tubérculos mais produtivas e com maior capacidade de germinação. Mulheres honram os compromissos As mulheres ainda são. Revelam uma notável capacidade de trabalho e para honrar os compromissos financeiros. por qualquer situação. O financiamento. Muitas dessas empreendedoras. mãe de 10 filhos. que já vão no terceiro microcrédito entre 100 mil e 250 mil kwanzas (2680 dólares). Só assim poderíamos aumentar o valor do financiamento na segunda solicitação de crédito”. 40 anos. mesmo assim. do Banco Comunitário Okuseteka. por seu turno. esclarece. da ONG norte-americana World Vision iSaBel miGuel. o Banco Comunitário Esperança. “Tínhamos que cumprir com os prazos.25 milhões de dólares postos à disposição da população rural pelo BPC. O sucesso da operação permitiu ao Banco Esperança aumentar o crédito para 50 mil kwanzas (537 dólares) por pessoa. não possam reembolsar o que pediram”. no entanto. uma condição fundamental para aceder a futuros financiamentos. Tal “salto qualitativo” tornou as mulheres mais independentes e a principal fonte de sustento das suas famílias. explica Imaculada. revela Paula Alves. que começou com 10 mil kwanzas (107 dólares) já vai em 40 mil kwanzas (430 dólares). “As mulheres sempre tiveram pouco acesso ao crédito e. Para além da venda dos produtos do campo. onde a confiança serve de garantia entre os membros. Os homens. A sua vida.daNiel miGuel Paula alVeS. Algumas confessaram à reportagem da EXAME sonhar com o momento em que poderão comprar um carro que lhes permita o transporte de produtos para a cidade. Eduardo João foi um dos beneficiados. Metade foi para pagar ao BPC e o restante ficou na comunidade para emprestar àqueles membros do banco que. não querem ficar para trás e criaram coo- perativas como o Clube de Multiplicadores de Sementes de Batata Rena. Tipicamente são as mulheres que trabalham no campo. Liderado por Rosa Cecília. as comunidades rurais da Caála estão a desenvolver-se com as mulheres no comando. Ele orgulha-se de fornecer sementes de milho. da World Vision. “Todos têm por base o conceito de garantia solidária: se um membro não poder pagar a prestação a comunidade assume o reembolso”. Foi a pensar nelas que a World Vision resolveu criar programas de formação ligados ao microcrédito e à alfabetização. Elas beneficiam de mais de 75% dos 1. que passa pela solicitação de um empréstimo pessoal fora do banco comunitário. O êxito da experiência-piloto deu origem ao nascimento de 25 bancos comunitários espalhados pela província do Huambo. querem lançar-se para um desafio ainda maior. o Banco Esperança começou a sua aventura com a referida linha de crédito de 240 dólares para cada uma das 20 mulheres do grupo. “O lucro do primeiro empréstimo foi de 70 mil kwanzas (cerca de 750 dólares). Pequenos em números. sempre honraram os compromissos”. maio 2010 | 75 daNiel miGuel . assumem as lides domésticas e cuidam dos filhos. não é fácil. explica Rosa Cecília. diz a líder do Banco. porém. directora do microcrédito do BPC Assim nascia a primeira organização comunitária da Caála.

Paula Alves.4 milhões de dólares (38%) núMero ToTal De beneFiCiárioS 42 006 PROGRAMAS daNiel miGuel Foram assistidas 200 mil pessoas (o que equivale a 42 mil famílias) nos cinco programas disponiveis maria P. Viúva de 47 anos e mãe de 12 filhos. Este tem como base o aval solidário.5 milhões de dólares beneFiCiárioS 4800 (60% mulheres) ParCeria WorlD viSion ÂMbiTo Huambo CréDiTo 1. Se eles não demonstraram que conseguem pagar 22 mil kwanzas como é que nós lhes podemos emprestar 100 mil kwanzas?”.com daNiel miGuel .5 milhões de dólares beneFiCiárioS 4894 (70% mulheres) CréDiTo JoveM ÂMbiTo Nacional CréDiTo 6. imaCulada. A compra de uma motorizada para fazer “processo” (serviço de táxi) é a justificação dos homens para a necessidade de um crédito de 100 mil kwanzas. onde cada membro responde por um outro membro. asseguram as lides domésticas e ainda cuidam dos filhos O empenho das mulheres que trabalham com o microcrédito é demonstrado por Maria Madalena. do Banco Okusuteka rOSa CeCília.exameangola.9 milhões dólares beneFiCiárioS 6000 (70% mulheres) Os homens do campo. o que cria mais dificuldades para o reembolso do crédito e para a própria “saúde” do programa. MiCroCréDiTo bPC ÂMbiTo Cabinda. São as mulheres que trabalham no campo. “O problema é que eles não fazem uma planificação de como vai ser feita a amortização do capital”. engenheira de técnicas agrícolas. conseguiu reembolsar os seus dois empréstimos. questiona Paula Alves. 4 milhões de dólares beneFiCiárioS 18 104 (60% mulheres) inSTiTuTo naCional Do CaFé ÂMbiTo Kwanza-Sul CréDiTo 2. “Os homens não querem 22 mil kwanzas. Os beneficiários podem deixar cativos 20% dos lucros de cada membro do banco comunitário para emprestar a outros membros. luanda.2 milhões de dólares beneFiCiárioS 316 (90% mulheres) Fonte: BPC — relatório anual de microcrédito 2008. “Com este dinheiro e com ajuda das minhas ‘irmãs’ (colegas) tenho conseguido cuidar e educar os meus filhos sem dificuldades”.4 milhões de dólares ToTal Do MiCroCréDiTo 17.” b 76 | www. de 22 500 (241 dólares) e 50 mil kwanzas (537 dólares).gestão casos FunDação 2004 ToTal De CréDiTo ConCeDiDo 45. gostam de assumir mais riscos. A taxa de reembolso é de 3%. Kwanza-Sul. Namibe CréDiTo 1. mas. presidente do Banco esperança PrograMa Do governo ÂMbiTo Nacional CréDiTo 5. com o intuito de alargar a sua plantação de batatas e comercializar outros produtos. reforça. sim. 100 mil kwanzas. acrescenta que tem um sonho: “A criação de um banco de microcrédito para ajudar os meus conterrâneos. Em umbumbu. com especialidade em microcrédito. esclareceu a viúva. acredita que a experiência dos bancos comunitários pode ser alargada a outras regiões do país para melhorar a qualidade de vida dos mais pobres. A próxima aposta passa pela criação de uma linha crédito para as mulheres de 500 mil kwanzas (5364 dólares). 100 mil kwanzas (1073 dólares). a uma taxa de juro superior. Ela já vai no terceiro empréstimo. por seu turno.

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Aliás. Antes vendia 100 caixas de bebidas diversas. administrador do Banco Sol. a situação não era tão risonha. Mabuia e Dungo. era um simples vendedor de rua.com A sua colega Adriana José Manuel. Foi o que sucedeu com José Valente. já tivéssemos concedido créditos no valor de quase 68 milhões de dólares. e de outros países na Ásia e América Latina —. Na prática. as mulheres estão entre as mais destacadas clientes do microcrédito. Huíla. a cerca de 67 mil clientes”. conta Paulo Lavrador. a burocracia associada e pediu mais apoios para as PME. “Em 2001. Feliciana Luís é outra cliente feliz. pessoas onde todas são simultaneamente fiadores e responsáveis. 67 mil clientes desde a fundação Há dez anos. Malanje e Benguela.gestão casos À procura de um H á coisas extraordinárias que acontecem às pessoas comuns através do microcrédito. Embora tenha destacado a importância do microcrédito para o início do seu negócio. só há dois é que aderiu ao microcrédito. no Bangladesh. Há nove anos. que diz ter começado no seio de um grupo solidário que recebia 500 dólares no ano 2000. já conseguiu comprar duas viaturas Hiaces para o transporte urbano. tornou-se empresário. Embora trabalhe há dez anos como comerciante. O início da actividade foi no ano 2001. são elas que gerem os negócios informais e a economia doméstica e que cuidam da educação e da saúde dos filhos. Há mesmo pessoas. Hoje. ele trabalha com 10 mil dólares por mês. Geralmente. volvido este tempo. no Bengo. nas localidades de Boa Esperança. João Gonçalves. Barra do Dande. dois dias depois de termos começado com a experiência de Caxito. Hoje vende 2 mil. os beneficiários do microcrédito enfrentam dificuldades no reembolso”. afirma. o crédito rural desenvolve--se na província do Bengo. como o senhor António. 78 | www. “Devido às dificuldades no escoamento dos excedentes de produção. não poderíamos imaginar que. Sassa e Musseque). Depois de analisar as experiências internacionais – sobretudo a do Nobel Muhammad Yunus. Em Abril de 2003. Bengo. com experiências no Bengo (em Caxito. Hoje. Hoje. “Só voltámos na semana . a localidade foi invadida — ainda existia o conflito armado — e saqueada”. alerta o especialista. beneficiário do Banco Sol.exameangola. em 2001. cliente do Banco Sol há cinco anos. parceiro do Banco Sol. elas são as líderes dos chamados “grupos solidários” — compostos por cinco —. identificou outro tipo de problemas que se levantam às cooperativas e pequenas unidades agrícolas. José Valente lamentou à reportagem da EXAME. Chianguar e Kunje). Bié (Kuito. “Procurámos responder a um contexto nacional onde o lançamento de um produto específico para as camadas mais desfavorecidas era algo urgente”. “Quando iniciámos a aventura do microcrédito. o microcrédito comercial é desenvolvido em todos os municípios das províncias de Luanda. afirma Paulo Sérgio Lavrador. responsável pelo microcrédito na UNACA (União Nacional de Camponeses). o Banco Sol decidiu avançar para o microcrédito. Actualmente. concederam-se os primeiros créditos rurais na província da Huíla (na localidade de Humpata). abriu dois colégios e emprega 50 trabalhadores.

No meio rural é mais fácil localizar as pessoas do que na cidade”. por isso. Hoje. acrescenta. Algumas conseguem ultrapassar os limites da pobreza. Assim diluo os riscos”. alerta. é responsável por 20% dos lucros do banco. “O microcrédito ajuda as pessoas a sair do sector informal da economia. segundo Paulo Lavrador. apesar de existirem 20 bancos em Angola. O Banco Sol teve. A verdade é que a experiência de Caxito — que decorreu num meio rural onde uma abordagem comunitária era fácil — não resultou em Luanda. Outra das vantagens do microcrédito. questiona Paulo Lavrador. “A grande questão é o risco. em 2001. Indagado sobre a rendibilidade do negócio com este produto. em 2009. um resultado líquido de 30 milhões de dólares. era um negócio insignificante. Hoje. “Angola é um país muito extenso e com uma população pequena e dispersa. para os quais o microcrédito contribuiu com uma fatia de 20%. apenas 7% da população estão no sistema bancário. uma parceria entre o Bai e a Chevron Mário Paiva m lugar ao sol seguinte. Tivemos que ser flexíveis e recomeçar do zero em termos de prazos e condições de pagamento”. Só 7% da população estão no sistema bancário iStOCKPHOtO . dinheiro. embora menor do que outros produtos. é o aumento dos níveis de “bancarização” do país. Os desafios que falta ultrapassar O administrador admite que as taxas de juro do microcrédito são muito superiores às do crédito normal. Só este ano serão disponibilizados 20 milhões de dólares no âmbito do programa de microcrédito para apoio a pequenos negócios.O Banco Sol é um dos pioneiros do microcrédito no país. eles deslocavam-se à pé e não falavam português. sublinha Paulo Lavrador. recorda. os beneficiários residiam a 30 quilómetros da agência mais próxima. Do total de beneficiários de microcrédito. a situação melhorou radicalmente. “Ocorreram situações onde éramos recebidos à porta com armas quando íamos saber das garantias. mas realça um elemento positivo: “A taxa de incumprimento é de 2% ao longo de dez anos e de quase 5% nos restantes produtos de crédito. num programa rural de parceria com a British Petroleum. que conta uma experiência recente que ocorreu no Cubal. Conheça também a oferta do Banco micro Finanças. Estima-se. As pessoas tinham perdido quase tudo: bens pessoais. Paulo Lavrador mostra-se optimista: é um negócio rentável. mas prefiro fazer 1 milhão de dólares com 100 clientes do que com uma única empresa. que.” Paulo Lavrador acredita no futuro do microcrédito em Angola. Nesta iniciativa. Como chegar às pessoas?”. dizem os operadores do Banco. o Banco Sol foi obrigado a moldar o microcrédito à filosofia dos grupos solidários. “O problema é que a maior parte da população nem sequer possui bilhete de identidade”. Para mais. “A dispersão da população é um problema real”. outras transformam-se em empreendedoras bem-sucedidas”. Por isso. maio 2010 | 79 O microcrédito pode aumentar os níveis de bancarização. documentos. conta. 20% a 25% tornam-se clientes normais na medida em que atingem valores superiores ao tecto máximo — 20 mil dólares.

criado em 2004) ClienTeS aPoiaDoS 40 mil ToTal De CréDiTo ConCeDiDo 10 milhões de dólares CréDiTo MáxiMo Por ClienTe 50 mil dólares Taxa De inCuMPriMenTo 25% agênCiaS 9 Banco pequeno. no valor de 25 mil dólares. os lavadores de carros e os engraxadores são profissões onde o microcrédito funciona aquisição de duas novas embarcações. o BmF concedeu créditos no montante de 10 milhões de dólares. é liderar o segmento: “Vamos desenvolver e utilizar recursos e capacidades. O objectivo. refere Neusa ribeiro. já vai no terceiro crédito. Zungueiras. “O nosso alvo são as micro e pequenas empresas e empresários. aquele responsável afirma que “o acordo enquadra-se no programa do governo para o combate à pobreza e para a melhoria das condições da população”. eM 12 MeSeS PreSTação MenSal 1059 ToTal a Pagar 12 708 eM 20 MeSeS PreSTação MenSal 729 ToTal a Pagar 14 580 eM 24 MeSeS PreSTação MenSal 649 ToTal a Pagar 15 576 eM 30 MeSeS PreSTação MenSal 571 ToTal a Pagar 17 130 Taxas de juro de referência as zungueiras. o do senhor antónio Nekubu. sem descurar alguns nichos da banca de particulares”.gestão casos FunDação 2009 (refundação do Novo Banco. no sentido da sua formalização. Para se obter apoios semelhantes é preciso preencher alguns requisitos. ele aumentou a capacidade de comercialização para 30 mil grades”.90% MenSal 80 | www. O primeiro deles. sistemas e relações para conquistar a posição de líder no segmento do microcrédito”. “Com o nosso apoio. engraxadores e lavadores de automóveis são algumas das profissões dos que recorrem ao financiamento bancário e que se vão juntar às cerca de 40 mil pessoas que já receberam apoios do BmF. dum universo de 30 mil sócios. Começou com um crédito de 8 mil dólares. porque o risco é elevado para o BmF. com coração grande O Banco micro Finanças foi criado em 200 9 em substituição do Novo Banco. por exemplo. já lhe foram concedidos mais quatro créditos para expansão da actividade (no valor de cerca de 50 mil dólares). tem nove agências. então com a designação Novo Banco. actualmente. Francisco moraes Sarmento 46. de acordo com ludgero Fernandes. refere Neusa ribeiro.exameangola. uma instituição especializada neste segmento que resulta de uma parceria entre o Bai (que detém 85% do capital social) e a petrolífera Chevron. são outras exigências do BmF. a prazo. ludgero Fernandes acredita que a iniciativa vai estimular a adesão dos vendedores ambulantes aos programas de microcrédito. Hoje.com O PaíS . uma vez que a própria aVaSP vai ser avalista dos seus associados.. afirma. a administradora assegura que o banco vai lutar pela liderança do segmento um acordo com a associação de Vendedores ambulantes de São Paulo (aVaSP) para a concessão de crédito é a mais recente iniciativa do Banco micro Finanças (BmF). é ser cliente do BmF. administradora da instituição. Outro exemplo similar é Norberto azevedo. de acordo com Neusa ribeiro.80% anual 3. Neusa ribeiro apresenta casos de sucesso como. que recebeu um crédito inicial de 4 mil dólares para comercializar produtos da Coca-Cola. recorde-se que o BmF foi criado em 2004.. “esta iniciativa visa fomentar o pequeno comércio. O financiamento serve para aumentar a capacidade de produção e a CASO PRÁTICO Se pedir 10 mil dólares ao banco terá de pagar (em dólares) . apesar de a taxa de incumprimento atingir cerca de 25%. É um micronegócio onde participam o maior banco comercial e a maior petrolífera do país. uma das consequências é forçar os comerciantes a optar pela venda em mercados licenciados pelas autoridades. proprietário de uma pequena firma pesqueira. director comercial e do BmF. depois há que ter experiência superior a um ano no negócio que se pretende desenvolver. cerca de 60 foram seleccionados para aderir ao programa. Possuir boas referências pessoais e conseguir um avalista. e estimular os vendedores ambulantes a criar planos de negócios rentáveis”.

conta que a maioria dos clientes do Banco vive em bairros periféricos. Carla Van Dunem.12% mês 6. Crédito agrícola Microempresa grupo comercial grupo rural Crédito ao consumo 1. onde reina a insegurança. a verdade é que o microcrédito já conquistou o seu lugar ao sol em Angola. assegura que o Banco Sol está disponível para analisar os problemas caso a caso. acredita-se que esta matéria deverá ser legislada em norma própria. Alguns analistas dizem que existe um consenso entre os diferentes intervenientes.39% mês até 18 MonTanTe DiSPonível Para 2010 20 milhões de dólares maio 2010 | 81 . excluídos do sistema bancário clássico: todos aqueles que dependem de empréstimos familiares e amigos para constituir um negócio. que ainda não é a altura certa. Embora em textos legislativos mais recentes existam referências ao microcrédito.12% mês 1.39% mês liMiTeS PrazoS (eM (eM DólareS) MeSeS) 100 a 20 mil 100 a 10 mil 100 a 20 mil 100 a 20 mil até 10 vezes o salário de 12 a 18 de 6 a 18 até 18 até 18 FunDação 2001 CréDiToS DiSPonilizaDoS 68 milhões de dólares núMero De ClienTeS 67 mil luCroS eM 2009 6 milhões de dólares ClienTeS-alvo Pobres economicamente activos: microempreendedores em actividades de comércio tradicional.39% mês 1. originário de Malanje. Por fim. há os que se queixam da falta de legislação específica. Nelo Bumba. directora de microcrédito. Com ou sem lei própria. incluindo o Banco Central. Embora em Angola as seguradoras não façam um “microsseguro”.Outro problema a ultrapassar é o dos seguros para o microcrédito. pois o mercado está muito verde. pequenas unidades produtivas e serviços. b Menu De ProDuToS ProDuTo TaxaS De Juro 6.

Para 57 queijo. antes fechadas em bia se a sua empresa estaria a vender hamtorno de um modelo de refeições padrobúrgueres no ano 2000. 82 | www. como o francês Phillipe Avanzi e o dinamarquês Arne Jacobsen. em locais desconfortáveis. acompanhado isso.marketing estratégia ao gosto do cliente Comida de plástico. Os bancos de -se ovos e bacon ao pequeno-almoço. em dólares) menu insípido e enfados europeus. Em França. Identificada como um dos ícones do Fonte: Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE).exameangola. foram investimoda em tons de verdos perto de 800 milhões melho e amarelo. carne ou gas horas à mesa. o hambúrguer venda. Um cliente que franchisados europeus global visite hoje as lojas da oito modelos diferenDez 09 Abr10 Dez 06 Dez 07 Set 08 Dez 08 rede em busca da pretes de restaurante. a cadeia McDonald’s iniciou a nova etapa da sua mudança. como nos produtos à 26 anos da morte de Kroc. a McDonald’s guns casos tornando-se irreconhecível. mas para manter ches contêm ingredientes locais. oferece esparguete e em Inglaterra servemcomo demonstra a foto. a rede tem adoptado mudanças. quando a rede passou a ser apontada como uma das responsáveis pelos alarmantes índices de obesidade da população americana. as mesas de “cantina de colégio” Europa. já era. hoje incorporam elementos locais. Passados tanto na aparência. o criador da rede de fast food As unidades da McDonald’s espalhadas McDonald’s. seria a líder mundial do sector. como o a liderança o McDonald’s mudou — nalqueijo Reblochon. Acusada de promover a obesidade A sofisticação da imagem da McDonald’s começou há cerca de seis anos. a pátria do hambúrguer. mas tinha certeza nizadas. processos homogéneos e menus de que. Depois de se render aos alimentos saudáveis. to empreendedor. Até o tes que respeitem o gosto (média mensal. conhe70 donho — sempre com cidos por passar lon63 61 62 o mesmo pão. Até nos Estados Unidos. cria- A segunda vida da McDonald’s Agora a rede procura adaptar-se ao gosto específico dos consumidores de cada país. Anote as novidades do menu O desempenho na Bolsa dos por arquitectos e designers de renome. os restauainda é o “prato forte” da maior empresa rantes da marca vendem vinho e as sanduíde fast food do mundo. costumava dizer que não saem mais de 100 países. que de dólares na mudança se tornaram um símde imagem das unidades bolo da rede. com lojas e serviços diferenciados para cada região do mundo Mariana Barboza D visibilidade de um Big Mac com Cocaono de uma personalidade no-Cola. por exemplo.com . o centro de design de batatas fritas e reda rede nos arredoCrise frigerantes — rejuveres de Paris oferece aos 42 financeira nesceu. Na plástico. seja lá o que estivesse a vender. idênticos. com certeza ficará surpreendido tável e um excepcional espíricom as opções em cada país. como a inclusão de cafés especiais — uma espécie de versão mais popular dos produtos oferecidos pela rede Starbucks. Em Itália. onde a rede conta com cerca de 6 e a decoração fora de mil lojas. são hoje mais antigas e na instalacoisa do passado na ção de novos restauranValorização das acções da McDonald’s em Nova Iorque maioria das lojas. Ray Kroc.

áfrica O primeiro McDonald’s do continente abriu em Marrocos. Seguiu-se o Egipto em 1994 e a África do Sul em 1995. Também reforçou a sua oferta de café para concorrer com a “rival” Starbucks. Entre 2000 e 2003.Estados Unidos A rede mudou o horário de atendimento dos restaurantes. de 27 mil milhões para 24 mil milhões de dólares. b maio 2010 | 83 REUTERS/MIChAElA REhlE restaurante da Mcdonald’s na alemanha: conforto e design em vez de talheres e cadeiras de plástico . É um desempenho espectacular dado o avolumar da crise internacional. contra a guerra no Iraque. A perseguição teve impacte nos números. A rede investiu também em cafés e introduziu menus saudáveis com base em produtos biológicos (leite. sumos e vegetais foram incorporados no menu. contra os transgénicos e até contra a devastação A marca é uma das patrocinadoras e o restaurante oficial do Mundial de Futebol da África do Sul da Amazónia. a McDonald’s também se tornou o alvo favorito dos protestos antiglobalização. Os sinais de que a McDonald’s finalmente havia encontrado um novo rumo começaram a verificar-se a partir de 2005. as acções da McDonald’s valem mais do dobro (cerca de 70 dólares) e o último relatório da Interbrand posiciona o McDonald’s como a sexta marca mais valiosa do mundo. Em 2009. A marca é uma das patrocinadoras e o restaurante oficial do Mundial de Futebol de 2010 na África do Sul. em Dezembro de 1982. 7 mil milhões de dólares e um lucro de 4. foi a empresa mais bem-sucedida do sector. american way of life (estilo de vida americano). a rede iniciou um grande processo de reconstrução de imagem.5 mil milhões (crescimento de 6% face ao ano anterior). Actual- mente. diz Alejandro Pinedo. o valor da marca caiu 9%. “A McDonald’s agiu rápido e de forma enérgica para se reinventar e se adaptar às novas condições do mercado”. ovos e carnes brancas) e vegetais.275 mil milhões de dólares. segundo um relatório da consultora especializada Interbrand. Era preciso reagir. quando as acções voltaram ao patamar do fim da década de 90. Sob intensa pressão. avaliada em 32. que agora abrem mais cedo — para “esticar” o período do pequeno-almoço — e fecham no início da madrugada — para atender os noctívagos. director-geral da Interbrand. em torno dos 30 dólares por acção. frutas. Alimentos saudáveis como saladas. EUropa A McDonald’s investiu em design e conforto para atender melhor os consumidores que costumam passar mais tempo à mesa. com uma facturação de 22. Em 2006 abriu na Argélia e no Quénia.

vocalista da banda U2. a Edun nasceu para promover o desenvolvimento económico dos países pobres — o algodão usado nas peças de roupa. esse apelo é ainda mais eficaz. o Continental Supersports. são as grandes marcas que perseguem uma “moda”: a da sustentabilidade. afirma Manfredi Ricca. Uma sondagem feita pela consultora Luxury Institute. com sucesso.com Para enfrentar esses tempos difíceis. Criada pelo rocker das “boas causas” Bono Vox. Nos últimos dois anos. as marcas de luxo foram sensibilizadas por uma lógica puramente económica. A crise económica inverteu esse processo. esperam aliviar a consciência dos consumidores que pagam caro pelos seus produtos João Werner Grando a s grandes marcas de luxo sempre foram conhecidas pela sua incrível capacidade de lançar tendências. “O ‘verde’ tornou-se a nova cor da moda no sector de luxo”. uma cor ou um tecido seja apresentado. para a novidade ser copiada desde as pequenas fábricas dos “tigres asiáticos” até aos grandes costureiros de Paris ou Milão. Agora. 84 | www. de Nova Iorque.exameangola. Pouco tempo depois. Mais do que sentir um repentino amor pelas florestas. director da consultora Interbrand em Milão. Itália. as marcas de luxo aderiram à consciência ecológica e à postura “politicamente correcta” de fazer com que o consumidor não se sinta tão culpado quando desembolsa uma pequena fortuna por uma simples bolsa ou um vestido. nas passerelles. pelos ursos polares ou pelos países devastados pelas guerras e pela miséria. por uns “módicos” . Em Maio de 2009. o grupo rival PPR. segundo os dados da consultora Bain & Company. é cultivado por pequenos produtores africanos. como é sabido. por exemplo. Desse modo. Em Outubro. a Tiffany passou a enfeitar as montras das suas lojas de jóias em todo o mundo com corais sintéticos. em vez dos naturais que. Bono: o rocker das boas causas Entre os jovens. Basta que um acessório. que foi exibido em mais de 100 países. No mês seguinte. junto de mais de mil pessoas com idades entre 18 e 25 anos. A expectativa dos analistas é que a retoma só irá ocorrer em 2012. dono das marcas Gucci e Yves Saint Laurent. correm risco de extinção. patrocinou um documentário de uma hora e meia sobre a devastação do planeta. O primeiro a aderir ao “luxo com consciência” foi o grupo francês LVMH.Marketing MARCAS ecologia já não é um luxo As marcas mais prestigiadas renderam-se ao marketing verde para conquistar novos clientes. mostrou que 60% dos consumidores são sensíveis à questão ecológica antes de comprarem um produto de consumo — versus 40% da média dos americanos. o maior império do luxo do mundo adquiriu 50% de participação na marca de vestuário Edun. foi a vez da aristocrática fabricante de carros Bentley lançar o seu primeiro modelo com motor flex. o mercado do luxo sofreu uma retracção de 10% — o que equivale a 25 mil milhões de dólares. dono de marcas como Louis Vuitton e Dior.

e pela sua mulher. patrocinou um documentário de uma hora e meia sobre a devastação do planeta. A ideia é que a exploração de ouro e o diamante das suas jóias não seja feita em zonas de conflito armado. maio 2010 | 85 WWD/COnDÈ nASt/COrbIS O que fez A casa-mãe dos ícones do luxo como a Louis Vitton e Dior adquiriu 50% da marca de vestuário Edun. Tiffany: JÓIAS O que fez Lançou o seu primeiro modelo com motor flex. As suas roupas são feitas com algodão do Uganda. Bentley: AUTOMÓVEIS Muito luxo. a tiffany montou montras nas suas lojas em todo o mundo. nem utilize mão-de-obra infantil. O filme foi exibido em mais de 100 países.O que fez Deixou de empregar corais no fabrico das suas jóias. sobretudo em África. O que fez Lidera um programa mundial O que fez A estilista Stella McCartney. a Edun nasceu com o propósito de ajudar países pobres. desde a produção até a queima do combustível. Criada pelo cantor bono Vox (dos U2). pouca culpa O que algumas marcas de prestígio estão a fazer para adquirir uma atitude mais ecológica Cartier: DIAMANTES PPR: PELES NATURAIS de certificação na exploração de pedras preciosas. LVMH: COMÉRCIO JUSTO . o Continental Supersports. em Outubro. Isto se for considerada toda a cadeia de fabrico do etanol. que imitam os corais verdadeiros. do Quénia e da Índia. o automóvel emite cerca de 70% menos carbono. que não utiliza couro nem peles naturais nas suas peças de roupa. Para assinalar essa mudança. Segundo a construtora. com peças sintéticas.

por sua vez. Em 2004. O anúncio foi suspenso pela Advertising Standards Authority. especializada no sector do luxo. de facto. No ranking de sustentabilidade da organização. é difícil saber quão comprometidas elas estão. A Mercedes-Benz pagou um preço alto ao usar esse expediente. A empresa francesa mobilizou o Responsible Jewellery Council. directora de responsabilidade empresarial da Cartier. “Apesar de os nossos diamantes não serem provenientes de zonas de conflito. sobretudo em África. Apesar do empenhamento demonstrado pelas marcas de luxo. ainda é cedo para saber se o apelo ecológico veio mesmo para ficar. a LVMH diminuiu o número de viagens do grupo e pôs fim ao transporte aéreo dos seus produtos.” 86 | www. com a mudança”. a Lincoln. uma pesquisa realizada pela ONG ambientalista WWF em 2007. algumas ideias chegam a ser bizarras. diz. a nota obtida pelas marcas de luxo foi um tímido “C+”. afirma Jem Diamante Bendell. A PPR. dado à LVMH. diretor da consultora MCF. diz Carlos Ferreirinha. Porém.Marketing MARCAS a investir no desenvolvimento de tecnologias limpas desde 1995 e hoje é considerada a “fábrica de CO2” pela Federação Europeia para Transporte e Meio Ambiente. “Comprar um produto ‘pintado de verde’ é mais grave quando se trata do luxo”. utilizados para abastecer uma bateria que aquece a gola da roupa. mas o estrago já estava feito. diz Pamela Caillens. realmente. os resultados foram medíocres.exameangola. ou se não passa de um mero truque de marketing. conselheiro do de Sangue: a Cartier foi WWF e um dos criadores questionada do ranking. Imagem verde. Dentro desse grupo de pioneiros — geralmente mal-sucedidos —. Nas últimas semanas. diz Carlos Ferreirinha. em 2006. “O consumidor está disposto a pagar mais por produtos ecológicos. Blogues especializados foram inundados de críticas à construtora. diz Ricca. à Hermès e à L’Oréal (a PPR ficou com um “D”). O que a Mercedes se “esqueceu” de avisar é que isso só é possível em duas. decidimos dar um passo além e mostrar aos consumidores que somos uma empresa limpa. só agora é que chegou às marcas de luxo DIVULgAçãO . os modelos E-Class com índices de emissão de gás carbónico abaixo dos 139 gramas por quilómetro (a nova lei da União Europeia prevê que as emissões sejam reduzidas a 140 g/km até 2012). termo que designa as empresas que apenas simulam um compromisso com a sustentabilidade. divulgou a criação de uma direcção de responsabilidade social só para gerir temas como o meio ambiente e a biodiversidade. b 270 mil dólares. em Inglaterra. combinações de versões do mesmo carro. a construtora anunciou. Porém. Mas ficará furioso se sentir que está a ser enganado”. passámos a ser questionados nas lojas no que diz respeito à procedência das pedras”. Nessa corrida “verde”. A italiana Ermenegildo Zegna lançou. a alemã BMW é a excepção. anunciou que pretende fazer a mesma coisa. responsável pela compra de 1% de todos os diamantes usados em jóias no planeta. “A sustentabilidade e a ecologia são as grandes apostas das marcas de luxo para se diferenciar e continuar a crescer ”. “A maior parte das marcas de luxo reconhece a importância da sustenCena do filme tabilidade”. um casaco de couro com pequenos painéis solares nas mangas. sustenta. para convencer todos os associados a exigir dos seus fornecedores uma certificação ambiental e social — de modo a garantir que as pedras preciosas utilizadas nas suas peças não tenham nenhuma ligação com zonas de conflitos armados. atirou um balde de água fria sobre o impacte desse tipo de medidas isoladas junto do público. “Como nenhuma dessas empresas revela quanto é que. das 24. A empresa está O marketing ecológico é um conceito em alta desde 2009. No final do ano passado. No entanto. O maior pesadelo para uma marca de luxo seria a acusação de greenwash. “Depois do filme Diamante de Sangue. em 2008. “O problema sobre a origem é que elas não sabem das suas pedras como colocar isso em prática”. a BMW tomou outras iniciativas originais como usar gás metano de aterros sanitários para gerar energia para as fábricas. que reúne 150 fabricantes de jóias. algumas marcas de luxo já se aventuravam numa espécie de “marketing ecológico”. ou coração verde? Uma das estratégias mais estruturadas é a da Cartier. está a investir na sustentabilidade. divisão de luxo da Ford. Além de reduzir quase 30% das emissões dos seus 27 modelos. há pelo menos cinco anos.com Embora o ideal da empresa sustentável se tenha intensificado de 2009 para cá. na tentativa de reduzir as suas emissões de poluentes.

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1 mil milhões Ranking mundial 307. Nassef está à frente da divisão de construção e fertilizantes desde 1998. vive nos Estados unidos.º lugar Nacionalidade Etíope Sector Petróleo e construção Empresa Svenska Petroleum e Midroc Idade 48 anos Estado civil Casado..com . Os seus três filhos gerem as divisões de construção. Existem 11 africanos no ranking dos 500 homens mais ricos do mundo. investiu mais de 3 mil milhões de dólares na agricultura e na indústria da Etiópia. o egípcio Nassef Sawiris e o sul-africano Nicky Oppenheimer são o trio que lidera a lista. dominada pelos grupos familiares.exameangola. É dono de duas refinarias na Suécia que. 5. ÁFRICA A África do Sul e o Egipto são os dois países do continente com maior número de milionários 7 3 4 8 1 2 3 4 5 Mohammed Al Amoudi Nassef Sawiris Nicky Oppenheimer & family Patrick Shoo-Shiong Onsi Sawiris 10 mil milhões Ranking mundial 64.º lugar Nacionalidade Egípcia Sector Construção Empresa Orascom Idade 48 anos 5 mil milhões Ranking mundial 154. um dos maiores do continente africano. Filho mais novo de Onsi Sawiris. mas vive na arábia Saudita. 2 filhos O pai era médico na China e emigrou para a África do Sul durante a Segunda Guerra Mundial. Reconstruiu o seu império depois da nacionalização nos anos 60. o fundador do grupo Orascom. 8 filhos Nasceu na Etiópia. O nigeriano Mohammed al amoudi.DinheiroVivo CONSElhOS E DiCaS quE iNTERESSaM à Sua CaRTEiRa 6 2 5 9 10 1 Homens mais ricos.º lugar Nacionalidade Sul-africana Sector Diamantes Empresa De Beers Idade 64 anos Estado civil Casado.º lugar Nacionalidade Egípcia Sector Construção Empresa Orascom Idade 80 anos Estado civil Casado. Possui a Tswalu Kalahari Reserve. 5 mil milhões Ranking mundial 154.9 mil milhões Ranking mundial 127. 3 filhos Fundador da dinastia empresarial mais famosa do Egipto. a maior reserva de caça da África do Sul. Está a investir em projectos em África e no Médio Oriente.. telecomunicações e turismo. 1 filho Gere o maior produtor mundial de diamantes. desde 1974. 88 | www. a construção e as telecomunicações são as áreas de negócio mais apetecíveis. publicado anualmente pela revista americana Forbes. opera no Mar do Norte e em África. 3.º lugar Nacionalidade Sul-africana Sector Farmacêutico Empresa abraxis Idade 58 anos Estado civil Casado. O petróleo. a sua aPP Pharmaceutical vende produtos para hospitais e a abraxis desenvolve medicamentos. o sector mineiro. Juntamente com o resto da família Oppenheimer controla 40% da De Beers. hoje.

a Nigeria National Petroleum Corporation e a Sonatrach.º lugar Nacionalidade Egípcia Sector Telecomunições Empresa Orascom Idade 55 anos Estado civil Casado. Fonte: Revista Forbes. África e Sul da Ásia. que actua em 23 países (em África e no Médio Oriente). imobiliário. a itissalat al Maghrib é a maior operadora nacional. 2. ferro e carvão.1 mil milhões Ranking mundial 463. de fazerem parte da listagem. O facto de o ranking ser baseado no valor de mercado (que pressupõe a cotação em Bolsa) impede gigantes estatais. 3 filhos apesar dos problemas na Nigéria.º lugar Nacionalidade Nigeriana Sector açúcar. uma das maiores operadoras de telemóveis no Médio Oriente.3 mil milhões Ranking mundial 421. Dangote tem crescido de forma sustentável nos cimentos devido ao aumento da procura da China. a Rupert & Rothschild e l’Ormarins. Por sectores de actividade. Fundou a operadora de telemóveis Celtel. maio 2010 | 89 .. Fonte: Revista African Business. hoje. em situação precária. 2. petróleo e gás.º lugar Nacionalidade Sudanesa Sector Comunicações Empresa Celtel Idade 64 anos Estado civil Casado. em particular do sector mineiro. níquel. como a De Beers. 73 790 Sul-africanas dominam Nove das dez maiores pertencem ao “país do arco-íris”.. É o presidente da divisão de telecomunicações Orascom Telecom.. produz inúmeros minérios como platina.º lugar Nacionalidade Sul-africana Sector Minas Empresa africa Rainbow Minerals Idade 48 anos Estado civil Casado. Tem mais de 11 mil empregados e oferece serviços de telecomunicações móveis. da argélia. como a angolana Sonangol. Nos lugares seguintes estão a banca e as telecomunicações. cimentos Empresa Dangote Idade 52 anos Estado civil Casado. estão ausentes empresas privadas não cotadas. seguem-se o Egipto e Marrocos. Do mesmo modo.5 mil milhões Ranking mundial 374.1 mil milhões Ranking mundial 463. Começou a comprar minas de ouro. 4 filhos Filho mais velho do fundador do conglomerado Onsi Sawiris. 55 231 A estrela marroquina. crómio. fixas e internet. o mineiro é o mais importante. abriu novas cimenteiras no Senegal e na Zâmbia. É proprietário de duas das vinhas mais famosas da África do Sul. 27 355 25 248 23 807 20 667 19 154 15 990 13 803 13 363 BHP Billiton Minas Anglo American Minas SAB Miller Bebidas Sasol Petróleo e gás MTN Group Telecom Anglo Standard Itissalat Impala American Bank Al Maghrib Platinium Platinium Group Holdings Minas Banca Telecom Minas Kumba Iron Ore Minas Valor de mercado em mil milhões de dólares. 2 filhos Nasceu no Sudão. 3 filhos Nasceu num bairro pobre do Soweto e hoje é o mais rico da África do Sul. Valores em dólares. Está igualmente nos têxteis.º lugar Nacionalidade Sul-africana Sector luxo Empresa Richemont Idade 59 anos Estado civil Casado. 2. inclui apenas empresas cotadas. 3 filhos É CEO do grupo familiar dedicado ao luxo que detém marcas como a Cartier e a Dunhill. que se dedica à filantropia em África. em 1994. e as maiores empresas O ranking da revista African Business é dominado pelas empresas sul-africanas. Na ordenação por países. 6 7 8 9 10 Naguib Sawiris Patrice Motsepe Johann Rupert & family Aliko Dangote Mohammed Ibrahim 2. e do mais prestigiado campo de golfe do país. Criou a Mo ibrahim Foundation.3 mil milhões Ranking mundial 421. mas vive em inglaterra. 2.

É melhor comprar um modelo mais barato. para falar sobre finanças pessoais em tempos de incerteza. Mas os livros de Suze Orman também têm conselhos interessantes. mas que possa ser pago em apenas alguns meses. Suze tinha acabado de publicar mais um potencial best-seller. no livro e no programa de Oprah. A estratégia de Suze — que diz ter escrito Keeping Your Money Safe & Sound em apenas duas semanas — foi permitir downloads gratuitos. dirigido às mulheres. Ainda que a probabilidade de ficar sem trabalho seja mínima. “Dou esse conselho há vários anos. por exemplo. Não é propriamente uma revelação. “O mercado está arriscado de mais. Ter uma reserva financeira é ainda mais importante num ambiente de crise económica. essa reserva financeira deve servir para cobrir imprevistos. em larga medida. trar outra vaga. como a renda fixa. “O ideal é atravessar os períodos conturbados sem dívidas no cartão de crédito ou em empréstimos bancários. ela anima um show de televisão e tornou-se uma celebridade Giuliana Napolitano tema de um dos primeiros programas de 2010 da famosa apresentadora da televisão Oprah Winfrey foi investimentos e planeamento financeiro. Antes de abrir a sua empresa de consultoria financeira. Nessa altura nós ficamos mais inseguros e isso pode prejudicar a carreira ou até impedir a conquista de uma promoção no emprego”. Suze disse. Hoje. Ainda assim. Quem pretende vender os títulos que estão na Bolsa em menos de cinco anos deve tirá-los do mercado agora e colocá- 2 1 Tenha uma reserva financeira de emergência suficiente para cobrir oito meses de despesas. foram vendidas cerca de 1 milhão de cópias. o risco de ficar desempregado é maior e quem perde o emprego demora mais tempo para encon- 3 Para quem investe no longo prazo. que a acusam de “propangandear” análises simplistas dos problemas financeiros. Não vale a pena comprar um carro e andar durante anos a pagar o empréstimo.Finanças perfil a Oprah das finanças Suze Orman já escreveu seis livros sobre investimentos e finanças pessoais. 90 | www. Suze foi vice-presidente da Prudential Securities. É um dinheiro que deve ficar investido em aplicações seguras.” Saia da Bolsa se precisar do dinheiro aplicado em acções em menos de cinco anos. Um grande erro cometido pelos consumidores ocidentais nos últimos anos — e que acabou por ser responsável. pela crise actual — foi gastar mais do que tinham e recorrer aos empréstimos para cobrir a diferença. Autora de seis livros sobre finanças pessoais. Logo. e gestora de contas do banco Merrill Lynch. a apresentadora convidou uma mulher — a consultora financeira Suze Orman. como gastos médicos. Os conselhos dados por Suze. Conecida como a “Oprah das finanças pessoais”. fruto da sua vasta experiência profissional.com MicHael edwardS/redUx . uma das maiores gestoras de activos dos Estados Unidos. 2010 Action Plan — Keeping Your Money Safe & Sound (Plano de Acção 2010 — Mantendo o Seu Dinheiro Seguro). Eis cinco grandes conselhos da especialista. a autora às vezes exagera na psicologia financeira e nos conselhos de senso comum. quanto mais a Bolsa cair.exameangola. Em entrevista à EXAME. Homossexual assumida. De facto. que ter dívidas é um mau negócio porque “as outras pessoas podem sentir que nós estamos endividados. o desempenho do seu livro tem sido excelente. a sensação é de que tudo pode acontecer. Apesar da crise (ou talvez por causa dela). É preciso evitar essa armadilha de “viver acima das posses”. foi um sucesso mundial com vendas de 1 milhão de exemplares. que a Bolsa americana só vai recuperar a partir de 2015. Oprah sabe bem como levantar as audiências. em 1987. que permaneceram durante várias semanas na lista dos mais vendidos do The New York Times. “O que é que eu faço se ficar desempregado?” e “Como é que negoceio a hipoteca da minha casa?” estão actualmente entre os assuntos favoritos dos americanos.” Pague as suas dívidas e não gaste mais do que tem. por exemplo. numa referência ao seu estilo auto-ajuda. pintaram um cenário sombrio para os próximos anos — ela acredita. Suze costuma ser criticada O pelos analistas do mercado financeiro. Um deles.

aconselhei os investidores a comprarem obrigações do Tesouro dos Estados Unidos. Não acho que haverá uma recuperação real da Bolsa americana até 2015. deve ir para a Bolsa.5% ao ano. O prazo será menor em países emergentes. que só venceriam em 2010. Mas actualmente. • Prémio Vito russo (2009) da Gay & lesbian alliance against defamation. • Women and Money: Owing the Power to Control Your Destiny (2007). já fez uma reserva financeira para emergências e não tem dívidas de curto prazo (no cartão de crédito.5%.suzeorman. como as obrigações de renda fixa. • The Money Book for the Young Fabulous and Broke (2005).b melhor. oradora. na cBS) lIvRos • The Nine Steps To Financial Freedom (1997). Nova iorque e São Francisco PRofIssão consultora financeira. Site www. dIstINções • emmy award (2004 e 2006) na categoria de Show Host. • The Courage to Be Rich (1998). que não vai precisar do dinheiro aplicado por. compensa ser conservador. vedeta de televisão (anima o programa The Suze Orman Show. dez anos. Em 1980.5% ao ano — se comparados com a actual taxa de 3. o que afectará os mercados financeiros de todo o mundo. Don’t Lose It (1997). the Lessons of Life… (2003).com -los em investimentos mais seguros. Desde então o investidor recebe juros à taxa de 14. • eleita pela Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo (2008 e 2009). autora. 5 Invista em títulos públicos. • The Laws of Money. Na altura eles pagavam juros altos — de 14. • Suze Orman’s 2010 Action Plan (2010). Diria mais: quem tem um horizonte de 30 anos para essa poupança.” 4 Compre acções a pensar no longo prazo. É uma oportunidade para comprar acções baratas maio 2010 | 91 . de taxa fixa.Suze Orman Idade 58 NacIoNalIdade estados Unidos ResIdêNcIas Florida. “O investidor que tem o tempo a seu favor. no mínimo. “Isso pode ser mais interessante para quem pretende investir por prazos longos. por exemplo) deve colocar tudo o que sobra em acções. • You’ve Earned It. • Prémio amélia earhart (2008) pela pedagogia financeira junto das mulheres. Pode ser que a Bolsa valorize nesse período? Sim. • Suze Orman’s 2009 Action Plan (2009). mas também pode acontecer que caia mais. como o Brasil e a China. ou seja. • Seis Gracie awards (televisão). • The Road to Wealth (2001).

também aderiu quando ainda disputava a candidatura do Partido Democrata. CrEsCimEnTO ExpOnEnsial O furacão da internet 300 000 60% 55 novos registos todos os dias. mas ainda não dá lucro — ou. está lá desde o início. Uma busca no Twitter traz resultados muito diferentes de uma pesquisa no Google. o sofware automático de pesquisa não é capaz de medir o pulso da conversa global com tanta velocidade. o Twitter reúne. está a tornar-se o principal termómetro da Web. actor e governador da Califórnia. 100 ou 150 seguidores. Com isso. 105 1. revelou as mais recentes estatísticas sobre a rede. O apelo de compartilhar ideias até 140 caracteres. e-life e comscore. Stone garantiu que o Twitter tem mais de 105 milhões de adeptos. o Twitter passou a uma febre colectiva. Por mais eficiente que seja o algoritmo desenvolvido pelos engenheiros na Califórnia. O termómetro da Web Parte do impulso recente do Twitter tem que ver com a avalancha de celebridades americanas que invadiram a rede. uma gigantesca base de dados sobre o que as pessoas estão a falar. O facto que mais chamou a atenção da imprensa foi o seu crescimento exponencial — a conquista de mais de 100 milhões de utilizadores desde a sua criação. uma boa parte dos que ouviam falar do Twitter não fazia ideia de como funcionava. nos Estados Unidos. ou seja.3 março 2008 março 2010 Fonte: CHirp. o Twitter passou de 1 para 100 (em milhões de utilizadores). O Google e o Facebook estão preocupados a té há bem pouco tempo. por enquanto. . Arnold Schwarzenegger. Como é típico das inovações tecnológicas de Silicon Valley. para ser mais preciso. 180 milhões do crescimento registam-se fora dos Estados Unidos. é o número médio de seguidores por cada utilizador. Em dois anos. o Twitter começou pequeno. O actor Ashton Kutcher travou uma disputa pública com a CNN para ver quem atingiria primeiro a marca simbólica de 1 milhão de seguidores. nem sequer tem uma fonte de recei92 | www. uma das personalidades públicas de maior influência da televisão americana. Mais recentemente. e uma oportunidade enorme de marketing para todas as outras empresas do planeta. que fazem do serviço algo potencialmente transformador. 25% da população do Facebook.tecnologia internet o que acontece está no twitter Camila Fusco e Luiza Dalmazo (com Jaime Fidalgo) O serviço de troca de mensagens curtas conquistou o mundo. Claro que os famosos podem ajudar a divulgar o Twitter. mas são as pessoas comuns. Desde o começo deste ano que muitas pessoas decidiram experimentar o Twitter. Apesar de existir há três anos e contar com algumas centenas de milhares de utilizadores apaixonados pelo mundo fora. Barack Obama. vice-pre- De ferramenta desconhecida. Com uma simplicidade frustrante. um dos seus fundadores. O número de utilizadores já ultrapassou os 105 milhões. tornouse uma “tuiteira”. a rede social de maior popularidade no mundo (com 400 milhões de utilizadores). Mas o dinheiro. diz Josh Bernoff. o serviço de troca de mensagens manteve-se restrito durante muito tempo aos aficionados da tecnologia.exameangola. Biz Stone. a cada segundo. a apresentadora Oprah Winfrey. em Março de 2006. com os seus 50. o Presidente americano. milhões de tweets por dia. Durante a Chirp. ganhou popularidade entre alguns utilizadores fanáticos. é apenas um detalhe. em resposta à pergunta “O que é que você está a fazer agora?”. Muitas pessoas mesmo. “O Twitter é uma janela aberta para as tendências do mundo”. Abastecido pelos curtos — mas frequentes — comentários dos utilizadores. parecia pouco atractivo. Conheça as estatísticas. conferência do Twitter que aconteceu no mês passado em São Francisco. 70 de visitantes únicos por mês. o Twitter é considerado uma ameaça crescente para o Google e o Facebook.com tas.

maio 2010 | 93 sEbasTian willnOw ©aFp/GETTy imaGEs Os fundadores Evan Williams e Biz Stone: dois estudantes de Berkeley que mudaram o mundo .

Por exemplo. como são chamadas as mensagens trocadas entre os utilizadores. seguiram-se o myspace (24%). de imediato. foi o que mais cresceu. Fonte: Empresas. os resultados provavelmente incluirão relatos em primeira mão dos habitantes da Islândia sobre as restrições impostas à circulação de aviões.com dizem o que comeram ao almoço. em tempo real. director do Instituto do Futuro e professor da Universidade Stanford. Outros partilham os restaurantes e filmes favoritos. Agora. Quem “tuíta” revela uma necessidade incontrolável de se manter em contacto com os outros. são triviais.com/exameangola) . Mas será que só isso explica o sucesso inacreditável da rede em apenas dois anos? alguns alegam que a limitação de 140 caracteres prejudica a escrita de artigos com qualidade Paul Saffo. O Twitter é usado para promover eventos sociais. por enquanto. e há casos de ofertas exclusivas para os seguidores do Twitter. o que os clientes estão a falar sobre os seus produtos e serviços. eles podem enviar as reclamações ou sugestões via Twitter. na Califórnia.tecnologia internet isso.com Siga as notícias do Portal eXAMe pelo twitter (www. na Califórnia) e conquistou a imaginação colectiva. Outros queixam-se que chegaram 50 minutos atrasados a uma reunião devido ao trânsito. Alguns especulam que o Twitter possa cobrar às empresas que queiram fazer um uso comercial da ferramenta. Sem a aquisição. Este. Foi graças a ele que o fenómeno da cantora escocesa Susan Boyle tomou o mundo digital de assalto. sobre redes sociais. muitas aparecem no Twitter antes das outras redes. Apesar disso. Milhares de pessoas desconhecidas reúnem-se em torno de um tema sem precisarem de aderir a um grupo de discussão ou às tradicionais comunidades virtuais. vencedor de um Prémio Nobel da Literatura. o Gmail (15%) e o Twitter (8%). reparou o problema. uma oferta de 500 milhões de dólares feita pelo Facebook. mas o Twitter já se tornou uma consulta obrigatória para as empresas que querem avaliar a sua reputação na internet. afirmaram que este ano haverá mais novidades para além das alterações de design na página de abertura. No Twitter. para avisar sobre novas postagens em blogs ou reportagens de sites de jornais e revistas. O escritor José Saramago. e depois serve para medir a recepção do público. Na Starbucks. a maior rede social do mundo partiu para a forma mais sincera de admiração: a cópia. Uns 94 | www. o Facebook mudou o lay out do site de modo a deixá-lo muito semelhante ao do Twitter. vamos descendo até ao grunhido. Os fundadores. Mark Zuckerberg. que através do Twitter percebeu que os clientes estavam a reclamar sobre a proximidade das teclas do Dell Mini 9 e. sim. Há um pouco de exibicionismo envolvido. que criaram o Blogger e depois venderam a empresa ao Google. mOnItOramEntO PrOmOçãO EvEntOS sidente de inovação da Forrester Research e co-autor do livro Groundswell.b A estrela da Web De acordo com os dados da comscore o Facebook foi responsável por 41% do tráfego entre as redes sociais dos Estados Unidos.exameangola. Empresas fazem buscas regulares no Twitter para saber. Diz-se que o seu fundador. fez uma dura crítica ao Twitter. Ao contrário do YouTube. Jack Dorsey. Os especialistas dizem que hoje 30% das opiniões sobre uma empresa na internet vêm do Twitter. informativo. a empresa já recebeu 55 milhões de dólares de capitalistas de risco.twitter. mesmo sem ter um modelo de negócios definido. De degrau em degrau. mas. dizendo: “Os 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. como espectáculos e festas. que o Twitter deixa de ser uma força poderosa. Sem custos fixos exorbitantes Um tipo de busca não exclui a outra. as empresas usam a rede para divulgar as suas promoções.” Recorde-se que o Twitter nasceu numa universidade de prestígio (Berkeley. por www. os clientes costumavam reclamar deixando as mensagens numa caixa de sugestões. mODElO DE UsO InFOrmatIvO COmO FUnCiOna O Twitter é usado como um serviço de alerta. Algumas empresas de media estão a proibir o uso do Twitter. a jornalista Claire Cain Miller citou o caso da fabricante de computadores Dell. o Twitter não tem custos fixos exorbitantes. Biz Stone e Evan Williams. que dá um prejuízo de 2 milhões de dólares por dia. em Novembro de 2008. O propósito do Twitter não é literário.exameangola. No ano passado. Uma outra alternativa possível é publicar anúncios de acordo com o perfil dos utilizadores. porém. é claro. Mas não é. Muitos tweets. Um estudo da Universidade de Harvard concluiu que apenas 10% dos usuários produzem 90% do conteúdo. já começou a “tuitar”. uma busca no Google por “vulcão na Islândia” decerto gerará notícias e textos de referência sobre o evento. Ela representa um fenómeno cultural que tem despertado interesse e perplexidade pelo mundo. Num artigo do The New York Times. O que parece claro é que. Alegam que a limitação de 140 caracteres é prejudicial para um jornalismo de qualidade. Mas a rede vai muito para além do universo das empresas. Esse deve ter sido um dos motivos pelos quais o trio rejeitou. Mas há quem não concorde. disse que o Twitter recupera o espírito dos primeiros tempos da internet. os fundadores não têm motivos para ter pressa.

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que viu de perto muitas dessas desgraças. Equador. Iraque. que já trabalhou em prestigiadas publicações como o Wall Street Journal e o Washington Post. Kuwait. Venezuela. que ter petróleo seja sempre nocivo para os países — como outros estudiosos já fizeram. As perdas do mais recentes são rela. Em muitos países. Para escrever o livro. aludindo ao que seria uma “maldição do petróleo”.de petróleo nhada de efeitos secun.que ganhos tadas pelo autor. Henri BUreaU/COrBiS SYGMa . Apesar da situação em Angola não ser visada pelo autor. as questões levantadas por Maass. Vale a pena uma reflexão livro Crude World —The Violent Twilight of Oil (numa tradução livre.ter petróleo dades sociais e catás. jornalista especializado em assuntos internacionais. Nigéria. está a suscitar polémica. Ele não defende que exista um determinismo.com O (cuja situação é largamente descrita nesta obra). Rússia. suplantando a Nigéria 96 | www. desigual. do americano Peter Maass. O que Maass aborda é o lado negativo muitas vezes associado à exploração dos recursos naturais. corrupção e desigualdades sociais acompanha a história do ouro negro em muitos dos países no qual é abundante. tal Campos riqueza veio acompa. Azerbaijão e Afeganistão. no Iraque: corrupção. Peter Maass fez reportagens nos Estados Unidos. em particular no Médio Oriente e em África.LiVrOs petróleo Veneno negro José Roberto Caetano Um rasto de violência.exameangola. O caso exemplar da Noruega prova o contrário. ou seja. e que está actualmente no The New York Times. quando o combustível fóssil se tornou a principal fonte de energia do mundo.que ardem dários como guerras.gerou mais trofes ambientais. merece a atenção dos angolanos numa altura em que o país se tornou o maior produtor de petróleo do continente africano. e conversou com alguns protagonistas. A história do livro começa no século xx. Arábia Saudita. “Mundo Bruto — O Crepúsculo Violento do Petróleo”). Chamam-lhe a maldição do petróleo. O argumento do autor é que é mais difícil evitar os problemas gerados pela abundância do petróleo em nações com um tecido político e social frágil.

O ocaso do petróleo. quando. Ou ainda que os americanos continuem com a sua política ambígua no Iraque. a tendência será para o reinício da escalada dos preços para a casa dos três dígitos. a empresa tinha um orçamento maior do que o do governo. no México. . Peter Maass acredita que assim que a actividade eco- nómica recuperar o ritmo anterior. Autor O jornalista Peter Maass Ter petróleo pode ser a solução para alguns problemas. Maass um exemplo considera que. Quando Hugo Chávez foi eleito. Possuia igualmente uma elite de funcionários altamente qualificados e bem pagos. contudo. a de Cantarell. é natural que os conflitos violentos no delta do Níger se agravem. geólogos e trabalhadores. Desde aquela altura Hugo Chávez de as coisas mudaram. a Venezuela come. significa a iminência da queda que teria como consequência inevitável uma nova alta de preços. lobistas. O autor acredita que o mundo está a caminhar para uma situação de escassez crescente do petróleo. O mundo já teria experimentado um pouco desse cenário apocalíptico antes da crise financeira mundial. a economia Velhos problemas do país. já estaria próxima de atingir o seu limite de aumento da produção. ex-conselheiro de Energia de George W. Ou. Ou que Hugo Chávez continue a liquidar o que resta da economia venezuelana. o barril alcançou o pico de 147 dólares. O planeta agradece. generais. está afinal a prolongar a “má sina” dos produtores. já entraram em declínio.petróleo pode çou a galopar em direc. Hoje. Japão. mas visita à fábrica não necessariamente da PDVSA: para melhor. Mas também ajudar a criar novos problemas. Maass defende que há um esgotamento do modelo económico associado aos combustíveis fósseis e vaticina que a era do petróleo está a entrar na fase de “crepúsculo”. Sudão. no mundo do petróleo. afinal.Antes. é de uma subida não para 100. a partir de como o daí. como a de Burgan. Isso. b maio 2010 | 97 aFP . diplomatas. mas para várias centenas de dólares por barril. Ou que os petromilionários da Rússia e dos países do Médio Oriente continuem a dar largas às suas excentricidades. não podemos desfazer ageologia do planeta. ambientalistas. nos quais entrevistou príncipes. ou as do Mar do Norte. como as infra-estruturas precárias. Knopf. até lá. bilionários. o regime de Hugo Chávez enveredou pelo culto à personalidade e a perseguição à oposição. O autor alerta que. Um capítulo inteiro do livro é dedicado ao caso da Venezuela. a maior produtora e dona de 21% das reservas no planeta. apresentada como uma maneira de terminar com a “maldição do petróleo”. Matthew Simmons. como é sabido. Bush. num país que permanecia pobre. políticos. como repórter dos jornais The Washington Post e International Herald Tribune. abandonando aos poucos o petróleo em favor de fontes de energia renováveis menos lesivas para o ambiente. a PDVSA era um poder quase independente do governo. quando a maior parte da receita da PDVSA (companhia pública do petróleo) era reinvestida na operação. Nos anos 90. mas podemos tentar tornar os combustíveis fosseis menos valiosos no longo prazo. O prognóstico de um dos entrevistados no livro. já tinha viajado pela China. não foram resolvidos.ser nocivo para ção a uma miragem. será lento. 278 pp. após um século em que ele remodelou o mundo. Cazaquistão e Noruega. Crude World — The Violent Twilight of Oil Editora Alfred A. o crepúsculo do petróleo. Grandes reservas mundiais. Maass concorda com os especialistas que vislumbram sinais de que também a Arábia Saudita. a indústria e a agricultura entraram em declínio. que o ouro negro não se transforme afinal num veneno para o planeta. Porém. em Julho de 2008. Ou que o caos e a corrupção na Guiné Equatorial persista. Do ouro negro para o ouro verde Como resultado dessas investigações. A conclusão é que a política de Chávez. no Kuwait. A expectativa de Maass é que o mundo acabe por mudar de trajectória para o ouro verde. por fim. irá levar anos. académicos. a cotação ronda metade desse valor.

educação e formação. da África e da Ásia ainda não são actores desse processo de globalização: são meros figurantes. software. o terceiro. Os países pobres e subdesenvolvidos da América Latina. económicas e sociais. na vida económica mundial. sim. O estatuto de actor ganha-se com visão estratégica e com audácia. No século xix. assumindo. baseadas nas dotações naturais. por vezes. Espanha). mas. Na América do Norte (Estados Unidos e Canadá). poderão passar a ser actores. Brasil). na Ásia (Japão. formuladas e implementadas por líderes visionários e audaciosos. na Europa (Alemanha. mas também entre as nações. desse modo. A transição para uma economia baseada no conhecimento e na inovação exige. Itália. Verifica-se hoje uma importante mudança no padrão de produção. desenvolvimento profissional contínuo e autonomia. o segundo. e num espaço de uma ou duas décadas. nas Odes. Os apóstolos mais entusiastas da era da informação ao celebrarem o esboroamento da hierarquia e da autoridade negligenciam.com NUNo sANtos N determinadas condições políticas. um esforço significativo de investimento naquilo que pode ser. na América do Sul (México. fundamentalmente. Reino Unido. França. Dito de outro modo. Muitos deles já se encontram ligados à comunidade global em evolução. Coreia do Sul). “Audaces Fortuna Juvat” (A Fortuna Favorece os Audazes). São estas que explicam. Estes resultados espectaculares são o produto da combinação de acções governamentais esclarecidas e estratégias empresariais audazes. Nunca. com níveis elevados de habilitações académicas. essencialmente.ExameFinal Professor titular da Universidade Católica de Angola Por Vicente Pinto de AndrAde O novo paradigma da competitividade A globalização. Os países emergentes compreenderam esta alteração adaptaram-se a ela. as segundas. a transição de países com estatuto de figurantes para países com o estatuto de actores. na Oceânia (Austrália) e em África (África do Sul). O primeiro. frequentes vezes. tem que ver com a globalização económica. um factor crucial: a confiança e as regras éticas partilhadas que nela estão subjacentes. o surgimento de grandes empresas faz emergir o empresário inovador que é. Índia. China. A globalização da economia é. uma das dimensões da emergente reconfiguração do mundo. Esses três factos estão na origem da profunda alteração que se verifica no paradigma da competitividade entre as empresas. escreveu Horácio. definido como investimento em conhecimento: investigação e desenvolvimento (I&D). há a salientar que nunca a humanidade cresceu e mudou tanto em tão pouco tempo. assim. houve tantos actores globais como os que existem hoje. com a revolução digital. As importantes transformações estruturais a que assistimos pelo mundo fora não são obra do acaso. institucionais. b . combinação de Estados esclarecidos e de sectores privados com capacidade de inovação. A este propósito. hardware de tecnologias de informação e de comunicação (TIC). A competição entre as nações já não assenta. assim. Os “trabalhadores do conhecimento” estão a surgir como grupo profissional dominante. uma posição dominante na economia global. preenchidas 98 | www. um assalariado. com alicerces nas dotações adquiridas. com o “capital social”. telecomunicações. nas vantagens competitivas. As primeiras. disseminação e uso do conhecimento. No século xx.exameangola. actualmente. São o resultado de políticas deliberadas. o modelo ocidental de empreendedor industrial confunde-se com o dono da empresa. a revolução digital e o “capital social” são os três factos que estão a mudar as regras do jogo da competitividade entre as empresas e as nações a reflexão do papel do Estado e do sector privado nas economias emergentes há três factos que têm chamado a minha atenção. nas vantagens comparativas. Mas alguns deles. e têm tirado partido das grandes oportunidades em perspectiva.

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