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A Acção de Alimentos

Catarina Campos

JusNet 674/2002

1. Introdução

O dever de alguém prestar alimentos, ou seja, pagar pensão de alimentos, nem sempre é
cumprido de forma voluntária. Outras vezes, o alimentando considera que para o seu sustento
e face às suas despesas, necessita de uma pensão maior, mas o obrigado aos alimentos aceita
pagar uma quantia inferior.

É em sede de uma acção de alimentos que os conflitos sobre a pensão de alimentos se
resolvem. Trata-se uma acção judicial declarativa, em que o alimentando, por si ou através do
seu representante, pode requerer ao tribunal a fixação de alimentos ou a alteração de
alimentos anteriormente fixados.

O obrigado a pagar alimentos também pode usar da acção de alimentos para alterar o
montante da pensão a pagar, não obstante ter sido anteriormente fixada uma prestação de
montante superior, ou para fazer cessar a sua obrigação por virtude do alimentado já não
necessitar dos alimentos.

É importante distinguir, dentro da acção de alimentos, a acção de alimentos devidos a filhos
maiores ou emancipados, relativamente ao previsto no artigo 1880.º do Código Civil (JusNet
1/1966), e a acção de alimentos devidos a menor, nos termos do Decreto-Lei n.º 314/78, de
27 de Outubro (JusNet 13/1978).

Conforme refere o artigo 2015.º do Código Civil (JusNet 1/1966), a acção de alimentos pode
fundar-se, ainda, numa obrigação de alimentos por parte do cônjuge.

Por outro lado, prevê a lei um processo especial de execução por alimentos, que segue os
trâmites do artigo 1118.º e seguintes do Código de Processo Civil (JusNet 2/1961).

Nesta sede, importante é também distinguir entre alimentos provisórios e alimentos definitivos.

2. Noção de Alimentos

A acção de alimentos tem por objecto uma obrigação de alimentos, sendo que, o Autor, titular
do direito, usualmente pede a condenação do Réu a pagar-lhe uma quantia mensal, periódica,
e sucessiva, a título de alimentos. Em termos jurídicos, alimentos são «... tudo o que é
indispensável ao sustento, habitação e vestuário».

º do Código Civil (JusNet 1/1966) uma pessoa que viva com outra em união de facto. .Fazer cessar a obrigação de alimentos anteriormente fixados. Finalidade A acção de alimentos é uma acção de natureza declarativa. em princípio. no caso dos menores.  . os alimentos.  A) Nos termos do artigo 2020. numa das várias situações de parentesco ou vínculos. de saúde.  . para efeitos da obrigação alimentar reflectem-se.Alterar o montante de alimentos anteriormente fixados. há mais de dois anos. o titular do direito à pensão. a renda da casa. no caso de não conseguir obtê-los por via das alíneas a) a d) do artigo 2009. suficiente para cobrir e satisfazer as necessidades de sustento. O artigo 2009. em condições análogas às dos cônjuges. 4.º do Código Civil (JusNet 1/1966) enuncia quem está obrigado legalmente a prestar alimentos.Fixar o montante da pensão. em que o Réu ficará condenado a pagar. habitação e vestuário. com o intuito de fazer cessar a pensão ou alterar o montante para valor inferior. podem estar do lado activo ou do lado passivo da acção.Demonstrar o direito do requerente a alimentos. estão naturalmente compreendidas dentro da definição de alimentos. instaura uma acção de alimentos contra o obrigado.Assim. têm legitimidade para requerer a pensão de alimentos.  .  . as despesas de educação. por exemplo. pode ser o obrigado a instaurar uma acção contra o alimentado. que é instaurada com o fim. numa quantia pecuniária mensal. de:  . Em princípio. sem meios autónomos para se sustentarem (claro que. todos os que estejam em carência para a sua própria subsistência.Título executivo para execução especial por alimentos. tem direito a exigir alimentos da herança do falecido. as despesas com vestuário (sem exageros. em juízo. luxos ou caprichos). Por sua vez. Por outro lado. entre outras. como os obrigados a pagar alimentos. no caso do requerido não pagar voluntariamente a pensão ao requerente. essas pessoas têm de se encontrar. As despesas de alimentação.º do mesmo Código (JusNet 1/1966). referido no artigo anterior). pedindo que lhe seja fixada uma quantia a título de alimentos. relativamente ao obrigado. Legitimidade Tanto os titulares da pensão de alimentos. 3.

º do Código de Processo Civil (JusNet 2/1961). prevê-se a fixação e atribuição ao requerente de alimentos provisórios. mesmo enquanto espera pela sentença. 5. o . entre o momento em que os requeira e até receber a primeira prestação definitiva. Os alimentos provisórios são requeridos no âmbito de um procedimento cautelar especificado.º do Decreto-Lei n. sob pena da caducidade prevista no artigo 389. têm direito a alimentos.  B) Dispõe o artigo 2016.Pelas despesas necessárias da acção. Atribuição de Alimentos Provisórios Tendo em conta que a necessidade de receber alimentos não se compadece com a demora normal de uma acção. e que devem estar destrinçadas da pensão provisória.O representante legal do menor.O curador. por exemplo. . o . tendo em conta que a sua medida é aferida:  . habitação e vestuário do requerente.º do Código Civil (JusNet 1/1966) que em caso de divórcio e separação judicial de pessoas e bens.º 314/78.Pelo estritamente necessário para o sustento. enquanto não exista decisão na acção de alimentos respectiva (onde são fixados os alimentos definitivos). de 27 de Outubro (OTM) (JusNet 13/1978) dispõe quem tem legitimidade activa para dar início e interpor acção de alimentos a menor ou requerer a sua alteração: o . através dos alimentos provisórios.O director do estabelecimento de educação ou assistência a quem o menor tenha sido confiado. quando não beneficie o requerente de apoio judiciário. Os alimentos provisórios são fixados segundo o prudente arbítrio do juiz.  . vai recebendo uma determinada quantia. o cônjuge não considerado principal culpado na sentença de divórcio.A pessoa à guarda de quem o menor se encontre. por estar em causa a subsistência do requerente. O procedimento cautelar para alimentos provisórios (JusNet 7/2003) deve ser instaurado como dependência da acção em que se pede a prestação de alimentos (de forma principal ou acessoriamente).º do Código de Processo Civil (JusNet 2/1961). o . Assim. segundo a tramitação prevista no artigo 400. o alimentando.  C) O artigo 186. ou qualquer um dos cônjuges quando houve divórcio por mútuo consentimento.

ou não se chegar a acordo.2. Contestação (JusNet 13/1978) Se a conferência não tiver lugar. Tramitação Dispõe ao artigo 1412. 7. com as devidas adaptações. 6.1. é o facto de numa acção de alimentos provisórios.º do Código Civil (JusNet 1/1966)). no caso do alimentando ser menor. a cuja designação se aplicam as seguintes regras:  . para além de iniciar inquérito aos meios do requerido. Na contestação. artigo 2007. Depois de ter decorrido o prazo para o requerido contestar. o requerido é notificado para contestar. se não for autor na acção. deve o requerente juntar os documentos e certidões necessárias para assegurar a sua legitimidade: certidões comprovativas do grau de parentesco ou afinidade existentes entre o menor e o requerido e certidão da decisão que anteriormente tenha fixado os alimentos. o juiz designará o dia para uma conferência. 7. Também o rol de testemunhas deve ser imediatamente indicado no requerimento. é o juiz que oficiosamente deve fixar alimentos provisórios (cfr.º do Código de Processo Civil (JusNet 2/1961) que. se aplicam as regras dos menores.3. no caso da acção de alimentos relativa a filhos maiores ou emancipados. 7. Conferência (JusNet 13/1978) Nos quinze dias imediatos à entrega do requerimento. por qualquer motivo.  . são notificadas para estarem presentes na conferência. 7. é retirado o apoio judiciário ao requerente. Petição ou requerimento (JusNet 13/1978) À petição ou requerimento para alimentos.É importante referir ainda que. deve o requerido juntar as provas que tiver em seu poder. atribuir-se ao requerente uma quantia para custeio da demanda.O requerido é citado para a conferência (e deve estar presente na data designada). Um dos fundamentos para retirar o apoio judiciário entretanto concedido.O requerente e a pessoa que tiver o menor à sua guarda. . o juiz ordena as diligências que considerar necessárias. Valor da Acção de Alimentos O valor da acção de alimentos definitivos (JusNet 2/1961) é o quíntuplo da anuidade correspondente ao pedido. Neste caso.

 .Alimentos devidos a filho maior.7.  . o juiz profere a decisão. Decisão Se o requerido não tiver apresentado contestação.º 314/78.5. em casos graves de incumprimento.º Lei Orgânica dos Tribunais Judiciais (JusNet 5/1999). 8. nos termos da alínea f) do artigo 81. pelo que. regula o fundo de garantia de alimentos devidos a menores. 7. nos termos da alínea e) do artigo 146. o processo segue para a fase da audiência de discussão e julgamento.Alimentos entre cônjuges e entre ex-cônjuges . Nota: O Decreto-Lei n. nos termos da alínea e) do n. dispõe o alimentando deste mecanismo estatal para não sofrer com a falta de pagamento do obrigado (ainda que o obrigado fique sempre devedor das quantias que o fundo adianta).Alimentos a menor. . em qualquer dos seguintes casos:  . Audiência de discussão e julgamento Se o requerido apresentar contestação. Caso contrário.º 1 do artigo 82. então. a decisão só é proferida depois da audiência de discussão e julgamento.4.º da Lei de Organização e Funcionamento dos Tribunais Judiciais (JusNet 5/1999). Tribunais Competentes A competência para julgar as acções de alimentos é atribuída aos tribunais de família.º 164/99.º do Decreto-Lei n. de 27 de Outubro (JusNet 13/1978). de 13 de Maio (JusNet 78/1999).