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Percepção dos Agentes
Comunitários de Saúde sobre a
Violência Doméstica contra a
Mulher

Community Health Agents Perception about Domestic
Violence against Woman

Catarina Antunes Alves
Scaranto,
Maria Gabriela Haye
Biazevic &
Edgard Michel-Crosato

Universidade do Oeste de
Santa Catarina
Artigo

Registramos especial
agradecimento aos agentes
comunitários de saúde que
participaram do estudo e à
Secretaria Municipal de Saúde
do Município pela receptividade
e apoio.

PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO, 2007, 27 (4), 694-705

encontrar a forma de abordar as famílias e dar encaminhamento tanto aos casos de violência quanto de uso de álcool/drogas. É preciso dar subsídios teórico-práticos aos profissionais para detectar situações de violência. Violence against women needs consistent public politicies. community health agent. Utilizou-se a técnica de entrevista semi-estruturada como instrumento de coleta dos dados. so that it can be effectively considered a question of public health from an extended concept of health. Trata-se de um estudo qualitativo. Abstract: The objective of this paper was the investigation of the community health agents perception about violence against woman. mulher. Key words: domestic violence. Foram entrevistados vinte e seis agentes comunitários de saúde. psicológica ou econômica. . public health. The analysis of the results showed that there is domestic violence against women. either physical. saúde pública. It is necessary to give theoretical and practical subsidies for the professionals to help them and to detect violence situations. A violência contra a mulher necessita ser alvo de políticas públicas consistentes e deve ser. To analyse the data it was used the collective subject speech method. caused by partners. pertencentes aos vinte e cinco centros de saúde de um Município de médio porte da Região Sul do Brasil. 2007. 695 PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. find ways to get closer to the families and to deal with violence as well as with the cases of alcohol and drugs. woman. sexual. considerada questão de saúde pública a partir do conceito ampliado de saúde. 694-705 Resumo: O objetivo deste trabalho foi investigar a percepção dos agentes comunitários de saúde sobre a violência doméstica contra a mulher. 27 (4). It was developed through semi-structured interviews for the collection of data. Para análise dos dados. Twenty-six community health agents who work at the 25 health centers in a medium size town in Southern Brazil were interviewed in 2005. psychological or economic. This is a qualitative study of descriptive and exploratory kind. seja física. efetivamente. Palavras-chave: violência doméstica. A análise dos resultados mostrou relato de violência doméstica contra a mulher pelo companheiro. empregou-se o método do discurso do sujeito coletivo. em 2005. descritivo e exploratório. sexual. agente comunitário de saúde.

países”. data da luta em um problema de saúde pública em vários para a erradicação da violência contra a mulher. os homens dominam o espaço público sem perderem a dimensão No Brasil.816. p. é recente como los e que preenchessem critérios questão central de interesse pela comunidade epidemiológicos estabelecidos. 1998). crime. junho de 2004. 696 Percepção dos Agentes Comunitários de Saúde sobre a Violência Doméstica contra a Mulher A violência contra a mulher é definida. A proposta era de histórico que permeia a humanidade há muitos instalação dos serviços em unidades de saúde anos. a Lei nº 10. adquiriu um caráter endêmico e converteu-se No dia 25 de novembro de 2005. e como questão de saúde pública. Os olhares e propostas de intervenção sobre a culturalmente. 2005). vista como desprovida do direito de ter seus próprios sentimentos e opiniões. entre direitos humanos e violência baseada no gênero. pois. sexual ou Convenção de Belém do Pará . que trata a Americana de Saúde (OPAS. 694-705 . o Ministério da Saúde (2005) divulgou a criação do Serviço de Notificação Compulsória da A violência doméstica possui um percurso Violência contra a Mulher. incluídas as ameaças. Punir baseado no gênero que tem como resultado e Erradicar a Violência contra a Mulher - possível ou real um dano físico. década de 90.adotada pela psicológico. em 17 de de quem a sofre”. à assistência da necessidade de mudar o estado de coisas. a coerção ou Assembléia Geral da Organização dos Estados a privação arbitrária da liberdade. Não obstante. 244) afirmam que disposto no § 2º do artigo 5º da Constituição a violência é reconhecida pela Organização Federal vigente (BRASIL. que pode e deve tê-la como campo de intervenções e alvo Nossa sociedade está construída sob uma de ações específicas no âmbito das relações para ordem social que permanece patriarcal. o Presidente do Brasil. com força de lei interna. A mulher é relações (Brasil. já que não são sinônimos. ratificada pelo Brasil em 27 de novembro de 1995. Organização das Nações Unidas (OMS/OPS. o gênero hierarquiza e situa os violência começam a frutificar desde a relação homens acima das mulheres. 2007. 27 (4). não somente do Por se tratar de questão de saúde pública. também dos sérios efeitos para a saúde mental Luís Inácio Lula da Silva. seja na vida Americanos. conforme o Alves e Coura-Filho (2001. pelas Um importante documento para o Brasil é a Nações Unidas. e pública seja na vida privada (OMS/OPS. como todo ato de violência Convenção Interamericana para Prevenir. assinou. com pena de detenção de seis meses pelo número de vítimas e a magnitude de a um ano (Código Penal. que vem se estabelecendo desde a Sobre as relações entre homens e mulheres. de mecanismos e de mulheres se sujeitarem a ocupar espaço bem formas de coibir a violência no âmbito das mais limitado do que o homem. 1988). seu enfrentamento. A Organização Pan. apud Alves violência doméstica no Código Penal como e Coura-Filho. Segundo Soares (1999). por isso a garante-se o direito à proteção. mas para seu enfrentamento. natureza. e o controle do espaço doméstico. em 6 de junho de 1994. não sendo nova no contexto das em Municípios com capacidade de oferecê- sociedades. o gênero é uma categoria PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. desde a Constituição de 1988. 2001) analisa que “a violência. Diferentemente do sexo. a partir de diversos documentos os conceitos de sexo e gênero devem ser resultantes das Conferências Internacionais da discutidos. 1993. seqüelas orgânicas e emocionais que produz. pelo Estado. e ponto de vista dos traumatismos físicos. 1988). que é dado pela 1998). família e de todos os que a integram e também buscando romper essa condição de as a criação. Mundial da Saúde desde 1980 “como uma questão de saúde pública.

foi feita a transcrição literal observações feitas pelos agentes comunitários dos discursos pela pesquisadora. em 2005. em lugares. não entrevistados 02 ACS) da Secretaria Municipal apenas com relação ao desempenho de papéis de Saúde. descritivo e humanas significativas. segundo Saffioti (1994). de saúde com relação à violência doméstica. para se trabalhar com o método qualitativo. de acordo com a área e microárea delimitada como de sua função e abrangência. 2002). 8 (oito) horas diárias. Utilizou-se o discurso do sujeito coletivo sugerido por Lefèvre e Lefèvre (2000). Nesse tipo de pesquisa. identidade dos indivíduos. Análise dos dados Considerando esse contexto. direitos humanos (Schraiber et al. gerará um discurso ou um pensamento encadeado discursivamente População de estudo sobre o tema. domiciliares. estruturada. a violência doméstica. Maria Gabriela Haye Biazevic & Edgard Michel-Crosato PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. Aprende-se a ser comunitários de saúde (ACS). portanto. portanto. os custos agregados de atenção à saúde. na garantia da atenção de gênero e como uma questão de saúde e de básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Não têm sido observados estudos pré-testadas. partir dessas indagações. épocas e contextos é. num dos centros. baseada nas relações saúde da comunidade. Iniciou-se pela gravação em fitas que tenham adotado como temática as cassete e. Lefèvre e Lefèvre (2000) sustentam que. destacam-se a no Sul do Brasil. exploratório. que se encontravam em atividade sociais mas também na formação da própria em 2005. as intenções e os projetos dos atores a partir dos Metodologia quais as ações. muito menos na Região Sul do Brasil. Essa aprendizagem por centro. foram processa-se. sendo que. Coleta dos dados O impacto social. pertencentes aos homem ou mulher. são. Suas atividades são visitas diversos. e esse conjunto consistirá nas Foram entrevistados vinte e seis agentes representações sociais do assunto pesquisado. O conjunto de respostas obtidas. empatia com os motivos que levaram às ações.como um roteiro . diferentes. . nas Os ACS têm a responsabilidade. Homens e mulheres são o resultado de um processo construído Eles trabalham durante 40 horas semanais. situações em que o parceiro ou ex-parceiro de oferecer atenção integral às famílias. passa a ser concebida com o objetivo da prevenção e da promoção da de forma diferenciada. 2007. as estruturas e as relações entre pesquisador e pesquisados se tornam construções Tipo do estudo: qualitativo. a importância da abordagem agentes comunitários de saúde sobre a violência qualitativa acontece por uma aproximação doméstica contra a mulher em diferentes fundamental e de intimidade entre sujeito e microáreas de um Município de médio porte objeto. com a equipe. os custos à sociedade da Utilizou-se a técnica da entrevista semi- violência contra a mulher são. 27 (4). sempre aparece como o agressor. 697 Catarina Antunes Alves Scaranto. A maioria dos coleta de dados . o objetivo do Trata-se de pesquisa qualitativa. O gênero modela a psiquê vinte e cinco centros de saúde (sorteados um dos seres humanos. seguindo um roteiro de perguntas enormes. é Local do estudo: o Município estudado se importante que se construa um instrumento para localiza na Região Sul do Brasil. em seguida. isto socialmente. Para Minayo e presente estudo foi investigar a percepção dos Sanches (1993). Na década de 90. 694-705 historicamente construída. a agroindústria.com alguns moradores tem descendência italiana e questionamentos sobre o assunto a ser concentra suas atividades na agricultura e na pesquisado.

constatou-se que bem mais da Foram utilizadas três figuras metodológicas para Eu acho que é metade (65. para começar. e 34. violência doméstica é. às Em seguida. A partir da IC DSC: Eu acho que é agressão. que se propõe a “resgatar o discurso como pelo homem quanto por parentes. quem sofre mais com isso são as crianças. 27 (4). É também ou irmã. o discurso do sujeito coletivo de casa! Na pais. em que o pesquisador resgata o batem na mãe essencial do conteúdo discursivo dos segmentos IC-1: São brigas na família. eu acho chave (EC) que. quando Lefèvre . A predominância como a expressão do que pensa ou percebe foi de profissionais do sexo feminino. quando o homem não respeita e bate e em crianças. signo de conhecimentos dos próprios discursos” (Lefèvre e Lefèvre. sofrem bastante! Doméstica Contra a Mulher dando-lhes vez e voz no papel de protagonista na construção do IC-3: É o homem agredir com arma ou exigir Sistema Único de Saúde (SUS) no Município. 2000. e da identificação das EC. agressões de palavras. também. p. pais que agridem depoimentos” (Lefèvre e Lefèvre. 2007. 694-705 . 698 Percepção dos Agentes Comunitários de Saúde sobre a Violência Doméstica contra a Mulher o que revela o imaginário existente sobre o Foi portanto. justificar essa ação”.Os homens agridem da Família (PSF). envolve não só discursos. que. e em crianças. Sendo assim. existem pais experiências dos participantes com relação aos que agridem as crianças. mostrou que mais da metade dos ACS (65. há abuso contra a mulher e/ou crianças tanto família. entendida de escolaridade para o exercício da função. talvez as representações sociais de forma simplificada não pudessem ser destacadas. possível reconstruir alguns campos mesmo. que determinada população ou grupo. os filhos agridem os produto final. obteve-se o violência dentro na mulher. Filhos depoimentos. às vezes elas choram. Inicialmente. Por a organização dos relatos coletados (Lefèvre e completo. 18). que mulher. totalizou 92% dos entrevistados. procedeu-se à do Município superam a exigência do mínimo o marido bate na identificação da idéia central (IC). que a mulher tenha relação sexual sem dar seu PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. as crianças. de ordem subjetiva e fazer emergir questões de forma livre e espontânea a partir das vivências Lefèvre e Lefèvre (2000. Assim. Por exemplo. É às questões de pesquisa. envolve como a afirmação ou afirmações que não só a mulher é o ensino fundamental. para cada participante. que quem sofre a) Concepção de violência doméstica: foram constituem as transcrições literais de parte dos mais com isso são observadas 06 IC.6% viviam em linhas e distritos na zona rural. de outra forma. às vezes alguns A entrevista semi-estruturada possibilitou a homens dizem assim: sua monte! Vai fazer isso.1% estão na função desde 1999. p. Os dados demonstraram que os ACS exemplo. verbalmente as mulheres. foram destacadas as expressões- vezes. Considerações éticas É violência dentro de casa! Na família. O protocolo de pesquisa foi avaliado e aprovado IC-2: É o homem ofender a mulher por meio da por Comitê de Ética em Pesquisa.17-18) concebem no trabalho de ACS. agride os filhos. dentro de casa. apresentadas a seguir. as crianças. e elas sofrem muito relativos à Percepção dos ACS sobre a Violência com isso. Quanto à escolaridade.4%) podem-se entender as representações sociais residiam na zona urbana.4%) possuía o ensino médio agressão. 2000). O tempo de trabalho “permite(m) traduzir o essencial do conteúdo mas as crianças como ACS no PSF variou de 07 meses a 06 anos. que compõem o depoimento para responder agressão. quando foi implantado o Programa. formam-se os quando o marido bate na mulher. às vezes. palavra. O levantamento das variáveis sociodemográficas orientar. p. no seu cotidiano de trabalho. (DSC). existem discursivo explicitado pelos sujeitos em seus sendo que 23. agredir verbalmente.19). 2000. Filhos batem na mãe também ou irmã. “como um conhecimento muito próximo da ação cotidiana e que tem a função de guiar. eu acho que temas abordados. que retratam de modo unificado as a mulher mas as crianças também. Resultados DSC: Para mim. evolui para tapas. escuta dos diversos discursos dos agentes vai fazer aquilo! A partir dessas agressões de comunitários de saúde (ACS) no Programa Saúde palavras.

que são casados. quer dizer. Alguns homens educam o ele chegar em colocam na mulher quando estão bêbados. então ela não tem liberdade IC-5: É violência psicológica. E também tem caso do homem que leva a mulher para fazer b) Sobre a violência doméstica contra a mulher. de negligência do homem com relação aos filhos e saneamento básico.mas mulher está Isso já é um maltrato que a mulher está sofrendo. como aquela propaganda um maltrato que a violência! Não precisa bater. é o homem levar sua mulher a DSC: A violência gira em torno da não “fazer ponto”. na verdade) os pais idosos. na verdade foi o marido sofrendo. não a deixa ajeitado quando ferro quente na mulher! Esquentam um ferro e crescer como pessoa. Presenciei as crianças pressão sofrendo. não IC-3: Econômica ou financeira: fome. as mulheres não tão com Eu acho que a vontade de manter relação sexual e são obrigadas violência DSC: Tem pessoas idosas também que têm os pelo marido. abandono no afeto. IC-4: É os filhos abandonarem (no afeto. 27 (4). de saneamento. pra mim. porque a gente vê muitos dia. 2007. 694-705 consentimento. falta de possuem condições mínimas de vida. porque abuso de poder com a nora. e espancamento. das um desrespeito para com a mulher. submete. Ai da mulher se também! Socando. talvez da mulher ou do homem. até marcas de faca. isso é um sofrimento. na atenção. na IC-2: Violência física: hematoma. Tem aquela em que ele e às vezes espanca a mulher. maltratar! na televisão. que bateu! Apareceu com olho roxo. olho roxo. Alguns agride qualquer um. vivem na mesma casa. machões. na afeição. soco. As aquela em que se sentiu muito mal. então ela não tem liberdade casa! Eu acho cansei de ver homem puxar a mulher pelos que isso já é uma para nada! Acho que isso é uma pressão cabelos. hematoma no corpo. empurrando. cortes. muito mal. É. e ele fica em casa (IC) com relação aos tipos de violência o dia inteiro! Sabe? E ele acha normal! E a mulher percebidos: também acha normal. mas ele fez mesmo assim. até as crianças que estão ao cabelo. acompanhados do alcoolismo. por ter levado soco do que isso é uma pressiona psicologicamente a mulher. Maria Gabriela Haye Biazevic & Edgard Michel-Crosato PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. vivem violentada pelo marido dela nesse sentido. o jantar não estiver pronto e tudo ajeitado quando espancar. na atenção. marido.. para nada! Acho aquela em que o marido reprime. não a deixa crescer como verdade. o abuso de poder. coisa e tal. mas sentem esse emocionalmente. DSC: Eu já observei mulher com olho roxo. se prostituir. cidadãos que são. 699 Catarina Antunes Alves Scaranto.. necessidades. pedindo ajuda. das condições de alimentação. deixá-la dormir ao relento! Espancamento violência! Não psicológica em cima da mulher. na afeição. ferro quente no corpo. espancar. emocionalmente. uma violência que eu acho assim que empurrão. na verdade não caiu. pois o pai iria psicológica em cima da mulher. desemprego. desemprego. o que é qualificação. e ela foi direto lá ele reprime a pessoas deixam os idosos meio abandonados. . quer dizer. isso eu já vi. Até de encostarem pronto e tudo reprime a mulher. e são deixados. mulher. [Elas] vêm pra precisa bater. unidade [de saúde] cortadas. esposa ao deixá-los passar fome. machistas. isso aí é uma violência! IC-1: Violência sexual: na relação marido e esposa. marcas de faca. um abandono. é uma DSC: Quando ela é agredida por alguma arma violência que as pessoas enfrentam no seu dia a ou sexualmente. e ela também. às vezes elas maltratar! Isso já é ele chegar em casa! Eu acho que isso já é uma mentem. abandono. Foram identificadas 04 idéias centrais ponto. gritando. más condições de vida em que eles vivem. Uma senhora relatou que ela foi doméstica é um filhos que moram junto. Já filho e a mulher junto. se prostitui. IC-6: Violência doméstica é aquela em que a mulher ou o homem. Tem lado. puxão de pessoa. Ai acabar matando a mãe! Já vi mulher que foi DSC: Eu acho que a violência doméstica é um da mulher se o espancada pelo marido. dizem que caiu a lata na cabeça. dormir ao relento homens educam redor. marido que bebe demais jantar não estiver abuso de poder também. o filho e a mulher junto. pelo alimentação. DSC: Muitas vezes. nas áreas. muitas vezes. e registrou um Boletim de Ocorrência. de ela não queria. falta de alimentação.

situações. 694-705 . xingão. e a aqui [ao posto de saúde] para se consultar porque saúde é um direito de todos e dever do Estado. com a c) Sobre a concepção de saúde: 05 ICs foram “dor” emocional. luz. já que tem tantas portas abertas para até os filhos violentam psicologicamente. que geralmente algumas pessoas que trouxe a outra para dormir dentro da casa! O não possuem. preventivo. só eu que ponho dinheiro dentro de casa. às vezes essa dor vem de Mas é um direito de todos e tem que saber outras causas. ao meu ver. IC-3: Saúde é um conjunto. tonga. As queixas gratuitamente pelo SUS. psicológico e social. utilizando os serviços oferecidos passarem fome. é um direito de todos. muitas esposa. mas a saúde é um direito desrespeito com a esposa. não ter dor! Existe a saúde IC-2: Saúde é um direito. a pessoa tem que estar moral. Agride vida saudável. está com uma dor. atendimento) de todos e dever do Estado sem discriminações. não deixa a mulher estudar. eu acho que. físico. ter onde morar. que pode surgir de outras coisas/ observadas. não. ele chama! Chama de porca. usufruir. cortar e pintar o cabelo. algo físico. tantos exames. mas o marido não deixa. saúde já começa aproveitar. Então para mim. isso pode prejudicar a saúde. Há mulheres que ficam trancadas bem em todas as áreas para tu ter saúde. estudar. o todo: bem-estar eles não precisariam agredir. pintar os cabelos. ter uma casa. mas agressão física. DSC: A saúde é tudo. para tantas coisas. As pessoas confundem doença. vagabunda. de tudo! É pessoas da família. usufruir isso! Saúde é um direito de ali: ter onde morar. principalmente. porque sou só eu quem faz no contexto familiar. trabalho. ter em casa porque o marido não deixa sair. receber o marido não respeita a vontade da mulher/ atendimento gratuito e tal. é porque você não Estar doente é apenas um detalhe na vida da faz nada. ela não faz nada. eles agridem. Não que aconteceu: a mulher tentou até o suicídio! pense que. porque trabalham fora DSC: Saúde é estar bem. cortar. não deixa trabalhar fora. ter pelo menos as condições todo e qualquer cidadão. o paciente diminuem a auto-estima da mulher. como ter IC-1: Saúde é um direito (a um bom e rápido onde morar. burra. mesmo. esse tipo de coisa. moral. alimentação. Se a pessoa não vive bem PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. abertas. bater. as coisas aqui. DSC: Dá para perceber que os esposos são ruins. amigos e vizinhos. são mesmo de fome. o paciente não enxerga como portas trabalhar fora. O marido e porque. psicológica ciúmes. você não vale nada. não adianta a pessoa vim DSC: É o bem-estar físico mental e social. o machismo. Saúde pra mim e a mulher fica em casa. É uma violência! IC-4: Saúde não é só deixar de sentir dor. vezes. 700 Percepção dos Agentes Comunitários de Saúde sobre a Violência Doméstica contra a Mulher DSC: Eu tenho na minha área paciente que relata dever do cidadão cuidar de sua saúde e prevenir- que o marido bebe muito e deixa as crianças se de doenças. condição de Mesmo com palavras. Um direito e um dever do cidadão também IC-4: Violência psicológica. machucar. e que brigam bastante. Eu acho que prevalece bastante. Houve marido que água. mínimas para viver. com eqüidade. idiota pessoa se ela estiver bem em todas as áreas e que não sabe nada. 2007. Só o remédio não resolve a falta de condições mínimas de vida saudável. mas também é um emocional. Estar feliz. eles acham que. moradia. não deixa também. É mais envolve vários fatores. Eu acho que saúde não é só a saúde física. e mesmo o pai também. de todos e tem que saber aproveitar. vadia. chama de tudo quanto é estudar. se os pais brigam dia e noite dentro Algumas me disseram que gostariam muito de de casa. O marido está desempregado. tem ciúme. aqui no interior. boa alimentação. relacionar-se bem com as nome. mental. DSC: Saúde. trabalhar. os filhos terão uma saúde boa ou a mãe. machismo: pode chegar e ser atendido. tem uma boa saúde física.. 27 (4). verbalmente a mulher. mental..

e ele assim. e tudo isso acaba gerando desentendimentos. ambiente bom. Portanto. comportamento a gente vê muito disso também em classe média carinhoso dos pais com os filhos. pelas condições de gente vê que elas já estão dominadas pelo vício. ela com certeza não vai estar jeito para beber! E o rico também! Eu penso que bem. religiões diferentes. mais [a violência] nos finais de semana. Tanto é isso! Tem alguns casos que os filhos também. Quase sempre consomem álcool. DSC: Eu acho que existe. limpo. pode ser sempre a mãe é que vai estar ali. existe associação. em classe social alta. eles se tornam violentos. 99% é o homem quem agride está desempregado. não. muitas vezes. O que diferencia. e quanto rico. a situação financeira. gerar uma coisa da outra: a pobreza com a parceiro. carência econômica em que as pessoas vivem. se ele acha que pode brigam e discutem. não existe saúde. e) Sobre associação entre violência doméstica DSC: Saúde é a higiene. eu acho que o que vale para e/ou seus companheiros: 1 IC. vida boa. na cabeça das crianças. tanto pobre por motivo de droga. droga não é muito [freqüente]. namorado. eu acho que tudo. o desemprego. IC-2: Não há associação entre as condições DSC: O pai que agride a filha. carinho. até f) Quem é o agressor: 3 ICs. colocar quer sair com uma outra mulher ou não. um ambiente bom. limpo. o pobre. IC-2: É o homem: pai. Maria Gabriela Haye Biazevic & Edgard Michel-Crosato PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. às vezes espanca a mulher. . 701 Catarina Antunes Alves Scaranto. carinho. porque mulheres também bater na mulher ou não. Elas bebem. vamos dizer. e os homens. as pessoas a falta de cultura. quase todos! Geralmente acontece a pobreza. 27 (4). violência entre os casais/família. o que muda entre as classes é o tipo de agressão/violência cometida. agressão. quando está faltando alguma coisa na casa. Companheiro. se não tem dinheiro. tem tudo. família. de educação e informação. tudo vem a mulher. o homem mulher. 694-705 emocionalmente. condição de e alta. d) Sobre associação entre violência doméstica e mas tem homens e mulheres que usam. e. tem. É ter um gente não vê só na favela ou só em classe baixa. companheiro. se quer a culpa só no homem. Uso de condições socioeconômicas das pessoas: 02 ICs. porque. IC-1: É o homem: marido. Higiene. 2007. O que mais aparece socioeconômicas e a violência doméstica. mas a IC-1: Sim. geralmente. DSC: Eu acredito que não! O dinheiro não faz DSC: Às vezes algumas mulheres começam [a diferença se a pessoa quer agredir ou não! Se briga] também! Não é só o homem. para dar a cara a observada violência contra a mulher e/ou na tapa. os abusam um pouco e vão além. droga e álcool. beber. e a vítima é a não tem emprego. quando a mulher DSC: Agressor? Sempre o homem. porque a IC-5: Saúde começa com a higiene. Do marido que bebe demais e vida boa. isso não interfere tanto no financeiro. IC-3: O homem e a mulher. frustrações e impotência. mas não querem ser alcoólatras. média ou baixa. isso acontece tanto com o pobre quanto com o rico. eu não sei se existe [essa associação]. tua saúde é tudo. Não havendo higiene. Muitos homens usam álcool. Não é ter dinheiro. mas ter uma DSC: Sim. marido. dá um g) A reação das mulheres face à violência: 5 ICs. aí acontecem as meios de comunicação imbutem necessidades brigas. a higiene em primeiro e uso de álcool e/ou drogas pelas mulheres lugar para ter saúde. comportamento dos pais! Saúde é a pessoa ter IC-1 Há associação. e filhos.

mulher ainda reage muito mal! Porque ela esconde! Ela não costuma mostrar. o choro. Um único episódio de denunciar esse marido que agride e diz assim: se tu for lá fazer violência física pode intensificar enormemente tipo de coisa. foram praticadas no interior da residência (83. dizendo que o esposo tem o direito legal de acesso sexual ilimitado à esposa. outros continuam também. a mulher não entende o se defender. intimidadas segundo os autores. algumas se revoltam e partem pra de vários países indicam que 10 a 15% das agressão também. têm fato.3% e outras sofrem. 2007. mostrou que existe violência doméstica contra a mulher perpetrada pelo marido/companheiro DSC: A maioria fica quieta! Elas até desabafam dentro dos lares. O medo de ser abandonada pelo companheiro. mas elas não têm coragem de ir a desenvolveram estudo em dois hospitais públicos. intervenções. (2000) com a gente. ficam caladas. para o enfrentamento de uma cultura DSC: Olha. pelo menos em relação à denúncia do DSC: Para começar. Além novamente ou pela ameaça de morte. Alguns países. 1998). quando elas se queixam. elas ficam muito tristes. Essa prática foi recorrente. 1998). porém. mas ficam agüentando. choram violência em si mesma. Tem registrou essa realidade. 1998). (OMS/OPS. a maioria sofre. querendo que a gente resolva políticas públicas transversais que. e “viver com medo e aterrorizada” (OMS/OPS. sexual. pois talvez se sintam inferiores. se fecham! ter relações sexuais (OMS/OPS. conforme o DSC. 702 Percepção dos Agentes Comunitários de Saúde sobre a Violência Doméstica contra a Mulher IC-1: As mulheres comentam com os ACS. o que. legitima a agressão pela pelo medo de serem abandonadas. mas o significado e o impacto do maltrato emocional fica calada. a seja por vergonha em realizar a denúncia. na maioria A maioria fica quieta! Elas até DSC: Algumas se queixam na delegacia. caem em depressão. 694-705 . mas a “tortura mental” envergonhadas. consideradas reações próprias das mulheres. meu marido vai me deixar! E tem aquele psicológica e econômica. disso. gente. o desespero e o silêncio são observação cotidiana no trabalho dos ACS. vão modificando a discriminação e a incompreensão sobre os direitos das mulheres Discussão e passando a assimilar o fato de que os direitos das mulheres fazem parte dos direitos humanos. A mulher ainda reage pouco. Nossa pesquisa também desabafam com a prendem o marido. e PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO.9%). de ir a uma delegacia queixa. e encontraram como resultado que a maioria das agressões IC-2: Há mulheres que denunciam na delegacia. não costuma Em muitas sociedades. não costuma procurar ajuda. Deslandes et al. em suas o problema delas. casada ou vivendo com o agressor. uma delegacia denunciar esse tipo de coisa. procurar uma defesa. queixa. o agressor costuma ser o marido. poucas dos casos). Blay (2003) explica que. fazem-se necessárias situação] e explicar. A análise dos dados. caso ela esteja da mulher. às vezes responsabilidade com os filhos e as dificuldades pedem ajuda para o ACS e querem que ele financeiras também constituem fatores que resolva o problema. pois a mulher tem relatado que o pior aspecto dos maus tratos não é a IC-3: Ficam tristes. 27 (4). a IC-5: As mulheres sofrem violência. mas elas umas que permanecem caladas! Tem aquelas que não têm coragem apanham e pensam assim: se eu for lá e der O estudo encontrou violência física. no IC-4: As mulheres se revoltam e agridem matrimônio. contribuem para seu silêncio. outras caem numa depressão mulheres revelam que os maridos as obrigam a muito profunda. eu te mato! Então. seja por medo de ameaças do companheiro vergonha de contar! Elas têm vergonha! Eu sei. uma delegacia de defesa sexo forçado como violência. As pesquisas DSC: Ah. calam-se e escondem o fato. já reconhecem o estupro. no Município do Rio de Janeiro. E daí dos casos (56. através dos discursos e da A tristeza. como crime. algumas tentam te colocar [a par da machista (de gênero). de apanhar facilidade encontrada no interior do lar. reagem denunciando.

vem sendo tratado como de que pode haver violência tanto em lares de foro íntimo das pessoas nele envolvidas. domésticas ditas como essencialmente percebeu-se que esta não esteve associada à pertencentes às mulheres. O documento aborda a Adeodato et al (2005) mostram que. em mais da metade dos registros Conclusões pesquisados no Município de São Paulo. A intenso fora do lar não exclui suas obrigações concepção de saúde do ACS esteve associada a em realizar tarefas dentro do lar. respeitada toda e qualquer diferença e outros. de pesquisa. ACS. 2007. concebida pelos agentes como aquela que buscarem soluções para a ação. Maria Gabriela Haye Biazevic & Edgard Michel-Crosato PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. e. o problema para. Os ACS devem registrar suas impressões e levar mas entre e com outros membros da família. porém um grupo de ACS considerou que. não haviam recebido capacitação drogas. A obediência um bem-estar completo. em 64% importância de o agente lidar com a violência dos casos levantados em Delegacia da Mulher. o atendimento aos casos de violência na família Podemos constatar que o ACS pode ser o elo determina. há tempo. até o presente muitas vezes associada ao uso de álcool e/ou momento. Pessini e Barchifontaine denunciar. Nas atribuições do ACS. SAÚDE. A condição socioeconômica pode estar associada retirando da clandestinidade um problema grave à violência. no Município estudado. a partir de algumas questões violência esteve presente nas queixas de vítimas. A violência acontece não só contra a mulher. 2002). o que significa . com o instrutor-supervisor. na ajuda às pessoas envolvidas. tanto na classe alta quanto na média. pessoas ricas quanto pobres. podendo variar apenas o tipo Os discursos demonstram que as mulheres têm da violência. sem no Ceará. Há uma grande contradição nos (2000) afirmam que a sociedade precisa sentimentos das mulheres: o medo de que a compreender que ter saúde é muito mais do violência possa ser recorrente e. a condições de vida aos maridos/companheiros vai desde o cuidado saudáveis e sem violência. aprofundar o conhecimento sobre o fenômeno violência doméstica no Sul do Brasil. é lutar pela própria vida. 694-705 ficar calada ou reagir brigando ainda são e que possam encaminhar para o apoio as alternativas encontradas pelas vítimas para pessoas vítimas de violência (MINISTÉRIO DA sufocarem seus sentimentos e irem vivendo. possuem tarefas Ao discutir a concepção do ACS sobre saúde. o papel do álcool como catalisador e potencializador de O estudo pretendeu. a crença de que não mais irá acontecer de dignidade. já que. a partir do A vergonha pela violência sofrida é infinitamente direito já preconizado e garantido maior do que a coragem da mulher para constitucionalmente. na família. medicamentos insuportável. no cotidiano. plenitude e abundância. como dever do Estado. Apresenta-se não só pessoal até o desempenho sexual. entendendo que as vítimas e os fisicamente às agressões. Lutar pela saúde é mais do que também desestimulam a mulher. os acontece dentro de casa. e vida em individual de cada ser humano. mas também como dever do cidadão de cuidar de sua saúde. o enfrentamento da vergonha pode ser o do hospitais. associado e tem potencializado a violência. No entanto. em primeiro lugar. O ritmo de trabalho utilização de serviços médicos e de fármacos. 27 (4). profissionais de saúde. um papel social inferiorizado diante de seus companheiros. ao mesmo que não estar doente: é poder viver em condições tempo. que o agente entre a vergonha e a coragem para a mulher precisa ter conhecimento das leis e instituições denunciar o problema da violência. agressores são seres humanos e cidadãos com iguais direitos de receberem ajuda e orientação. no âmbito da família. 703 Catarina Antunes Alves Scaranto. Azevedo (1986) comenta que o uso de específica para a abordagem sobre violência nas álcool nas situações de agressão tem estado famílias. as mulheres reagiram verbalmente ou discriminá-las. O limite para lutar por mais postos e centros de saúde.

serviço. é um direito do cidadão o Município estudado até o presente momento. as comunicação incutem necessidades na cabeça desigualdades de saúde. ansiedade humanos. Sabe-se que existem das crianças. fazer o encaminhamento ser criados. de que as mesmas sejam incorporadas pela poder de compra e o próprio desemprego sociedade como cultura política. devem Os ACS apontam uma responsabilização da ser construídas melhores condições de vida mídia em relação à violência que acontece nas através de ações coletivas e individuais. para a criação de de abranger a amplitude das suas conseqüências novos espaços de discussão. Em seu sentido mais amplo de saúde. durante as entrevistas. 704 Percepção dos Agentes Comunitários de Saúde sobre a Violência Doméstica contra a Mulher que ele parece ser de fundamental importância de saúde pública. e. o que leva ao consumismo. deve procurar a unidade de saúde e prevenir-se Consideramos necessário. Por vezes. mais especificamente. que. dados que tenham a possibilidade produção do conhecimento. até violência entre os casais/ participação ampla da sociedade no atendimento família. corroborando a contribuição que o crime no âmbito jurídico. em certo momento. sejam até as pessoas. crianças e adultos. PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. das necessidades da população. mecanismos de proteção ou até mascarada por algum tipo de queixa vaga. Para tanto. oferecidos subsídios teórico-práticos aos mesmos enfim. frustrações ações. portanto. no entanto. detectar situações de violência. pois ela cria necessidades para as diminuiria as desigualdades entre os que vivem pessoas. não foram encontradas Espera-se. até o presente momento. ele também é responsável. contribuir para a informações. possam considerado pelos ACS. à mulher vítima de violência também precisam e. qualitativos ainda sejam foco de pesquisas em relação ao fenômeno violência doméstica. de referência tanto para os casos de violência sugere-se que levantamentos quantitativos e quanto para os de uso de álcool/drogas. em conseqüência. com esta pesquisa. haja a e impotência. de referência correto e eficiente na denúncia. a partir do pedido dos de doenças! De que forma a informação chega próprios ACS. fazendo-se respeitar campo da saúde coletiva pode dar tanto para a e valer os direitos da mulher. no leis específicas no País. em seu trabalho cotidiano. o processamento das mesmas. entendendo-se saúde como um na detecção da questão da violência. pois. 27 (4). é preciso entanto. parece governamentais e sociais. deve ser foco de atenção na no acolhimento das angústias dessas mulheres: promoção e prevenção da violência contra a no encorajamento para o relato de sofrimento. como é o caso da responsabilizar os usuários pela sua própria inexistência do serviço de notificação compulsória saúde. o que famílias. Os meios de em sociedade e. 694-705 . para que nas acabam gerando desentendimentos. saber a forma de abordar as famílias e dar encaminhamentos Sabendo da provisoriedade do conhecimento. como questão Psicologia quanto para a sociedade. no âmbito das políticas públicas. que pode processo de construção da autonomia dos seres estar acompanhada pela depressão. mulher. de dispositivos de sociais. a falta de condições financeiras. as leis são desconsideradas pelas práticas O ACS. A violência contra a mulher está presente intervenção em relação ao fenômeno violência nos lares e precisa ser denunciada e tratada como doméstica. 2007. numa lógica simplista: os serviços de da violência doméstica contra a mulher no saúde existem. o jeito de viver em sociedade não é para que.

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