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EDUCAÇÃO INCLUSIVA
Teoria e Práticas
Pedagógicas

Prof. Emílio Figueira

© 2016– Emílio Carlos Figueira da Silva

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permissão, por escrito, do autor. Os infratores serão punidos pela Lei no. 9.610/98.

SUMÁRIO
ENTENDENDO A EDUCAÇÃO INCLUSIVA .......................................................................... 6
Aula 1 - O Que É Educação Inclusiva ................................................................................ 7
Aula 2 - A Transição Da Educação Especial para A Educação Inclusiva ............................ 8
Aula 3 - Diretrizes Da Política Nacional .......................................................................... 11
Aula 4 - Novos Desafios Para A Educação Especial ........................................................ 14
Aula 5 - Na Educação Inclusiva somos e podemos mais do que o Governo! ................. 16
Aula 6 - Lei Brasileira da Inclusão: saiba o que muda no ensino.................................... 19

A ESCOLA INCLUSIVA ...................................................................................................... 21
Aula 7 - Características e Benefícios da Escola Inclusiva ................................................ 22
Aula 8 - Uma Transição Palatina E O Papel Do Professor ............................................... 25
Aula 9 - O Projeto Político Pedagógico E As Adaptações Curriculares ........................... 29
Aula 10 - Currículo De Classe .......................................................................................... 33
Aula 11 - Sistema De Apoio ............................................................................................ 37
Aula 12 - Metodologia E Avaliações ............................................................................... 39
Aula 13 - Passo a passo da adaptação na sala de aula ................................................... 42
Aula 14 - 10 itens que podem fazer sua sala de aula mais inclusivas ............................ 46
1. A tabela grande....................................................................................................... 46
2. Tecnologia............................................................................................................... 46
3. Manipulatives ......................................................................................................... 47
4. Auxiliares Visuais .................................................................................................... 47
5. Sistema de Gestão de Comportamento Positivo ................................................... 47
6. Livros de alta de juros nivelados ............................................................................ 48
Gráfico 7. Job .............................................................................................................. 48
Sticks 8.Popsicle .......................................................................................................... 48

........................ 96 TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO ............ 90 Aula 27 ........... 79 Aula 23 ....................................................................................Adaptações Curriculares Na Prática Para Alunos Com Deficiência Física ............... 100 Aula 29 .......................... 112 .............................. Informações sobre os Estudantes Binder ..........................................................Adaptando A Escola Para Alunos Com Deficiência Física ........ 89 Aula 26 ..................................................Síndrome De Asperger .....................................................As Relações Entre Alunos Com E Sem Deficiência .Características e Tipos .............................................................. 101 Aula 30 ....................... Jogos ....... 102 Aula 31 .................................................................................................... 54 Aula 17 . 72 Aula 22 ............................................... 48 9............................. 62 Aula 20 .............................................................................................................................................. 60 Aula 19 .........................As Deficiências Múltiplas........................... 87 DEFICIÂNCIAS SENSORIAIS . 49 PEDAGOGIA DIFERENCIADA .......................... 93 Aula 28 ...As Deficiências Auditivas .................... 104 Aula 32 ...............................O Que São TGDs .................................................................................................................................................................................................................................................................. 107 Aula 33 – Autismo................................. 50 Aula 15 – Características da Pedagogia Diferencia ......... 9...................................................................... 81 Aula 24 ..............O Desenvolvimento Global Do Aluno E Os Efeitos Positivos Das Deficiência .As Múltiplas Inteligências E De Um Aluno Com Deficiência ............ 71 Aula 21 .........................................................Atendimento Educacional Especializado............................ 53 O AEE COMO RECURSO DE APOIO ...............................................As Deficiências Visuais............................ 55 Aula 18 ............................................ 84 Aula 25 .................................Transtorno Desintegrativo Da Infância (TDI) .............................Paralisia Cerebral .. 66 DEFICIÊNCIAS FÍSICAS ..............................................................................A Ansiedade Como Primeiro Desafio A Ser Vencido ..............................................Síndrome De Rett ............................................................... 51 Aula 16 – Avaliações de Alunos ..........................................

.............................................................................................. 118 OUTRAS DEFICIÊNCIAS..................................................Aula 35 .....................................................................As Pessoas Com Deficiência E Os Novos Desafios Ao Ensino Superior No Brasil ...........................A Língua Brasileira De Sinais .................................................................... 148 RECURSOS DE TECNOLOGIA ASSISTIVA .........................LIBRAS . 122 Aula 36 – TDAH .. 170 Aula 48 ................................Uma Conversa De Consultório Sobre A Importância Das Terapias Complementares ................................................................................................. 143 Aula 40 .................................A autoestima das pessoas com TDAH ........ 167 A INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO SUPERIOR ...... 163 Aula 47 ................................................................................. 125 Aula 37 .............................Os Superdotados Se Dividem Em Vários Perfis ........................................... 174 SOBRE O AUTOR . 171 Aula 49 – A Universidade e a Sociedade Inclusiva ................Comunicação Alternativa (CA) .......... Escola E Comunidade ........................................................................................................................................................................................ 151 Aula 42 .......... 156 Aula 45 ......................................... 162 Aula 46 .......................................................................Superdotados: Onde Buscar Apoio ..................... 129 Aula 38 – Dislexia .................................................................. 144 Aula 41 ............... 158 EDUCAÇÃO INCLUSIVA E A FAMÍLIA ......................... 139 ALTAS HABILIDADES ........................ 154 Aula 44 ............Orientações Para Promover A Aprendizagem Do Aluno Com TGD Na Escola .....................................................................................................................Deficiência Intelectual E Síndrome De Down ................. 121 Aula 34 ....................A Parceria Entre Família....................................................................................O Braille .................... 152 Aula 43 ............................................................................................................ 175 . 132 Aula 39 ...............Tecnologia Assistiva..........................................................................................................................................................................Dificuldades de Aprendizagem............................................................................................................................

Emílio Figueira .ENTENDENDO A EDUCAÇÃO INCLUSIVA EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.

Políticas e Práticas em Educação Especial”. algumas décadas atrás. cada vez mais vemos crianças e pessoas com deficiência em nossas escolas. Agora. A intenção principal da integração social era preparar essas pessoas para ingressarem e conviverem em sociedade como todos nós. Antes. surgiu a “Declaração de Salamanca – Princípios. Emílio Figueira . essas pessoas eram habilitadas ou reabilitadas para fazer todas as coisas que as demais por meio da integração social e passavam a conviver conosco em sociedade. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. proclamada na Conferência Mundial de Educação Especial sobre Necessidades Educacionais Especiais. clubes sociais especiais. nasceu o conceito de integração social. pessoas com deficiência ficaram por muito tempo escondidas do convívio social até que. Devemos estar preparados para essa convivência. Por este motivo. No ano de 1994. Somos nós que estamos nos preparando. Esse documento reafirmou o compromisso para com a “Educação para Todos”. por exemplo. nos espaços de lazeres e em todos os lugares da vida diária.O Que É Educação Inclusiva Talvez esta seja a primeira dúvida: O que é Educação Inclusiva? Historicamente. reconhecendo a necessidade de providenciar educação para pessoas com necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular de ensino. um novo conceito ganhou forças: a inclusão escolar e social. associações desportivas e centros de reabilitação dedicados a elas. aceitando as diferenças e a individualidade de cada pessoa. na inclusão escolar e social. Aula 1 . uma vez que o conceito de inclusão mantém este lema: Todas as pessoas têm o mesmo valor. as iniciativas são nossas. Assim. Surgiram. entidades. criando caminhos e permitindo que elas venham conviver conosco.

indicando se esse deve receber a Educação Especial. onde o aluno frequenta meio período na classe comum e meio na Classe Especial.A Transição Da Educação Especial para A Educação Inclusiva Desde meados do século XIX. como em todos setores que envolvem a questão deficiência. estaduais e municipais. Escolas despreparadas para integrar esses alunos em salas comuns de aula. houve em todo o país. E a Educação Especial constitui numa dessas ações. Crianças não conseguindo ser orientadas. Falta de verbas federais. Emílio Figueira . em internatos. professores com formações precárias. estes. via designada como Especial. indo muitas vezes. vivendo em torno da família. ocorrendo basicamente de duas maneiras: Via comum com raras iniciativas. em salas de recursos adequados. Em alguns casos. ou mesmo uma de ensino regular que o aceitasse em seu quadro de alunos. em hospitais. através dos mesmos recursos e serviços geralmente organizados para todos. uma preocupação em proporcionar um atendimento especializado em várias ações para pessoas que apresentam limitações e deficiências mais acentuadas. a criança com deficiência não tinha maiores problemas. Dilema. encaradas com preconceitos e discriminações. em casa. estavam de mãos atadas. sendo assistida e recebendo toda a proteção do lar. A clientela na Educação Especial é diversificada. devido à falta de recursos e o desinteresse pelos poderes governamentais. abrigando crianças classificadas nas categorias de suas deficiências. acentuando-se mais na década de 1950. mediante a utilização de auxílios e serviços especiais que não estavam disponíveis nas situações comuns de educação. Problemas a parte. Durante muitas décadas de isolamento e nos primeiros anos de vida. e não apenas a presença de uma EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. porque. Mas ao atingir a idade escolar. Aula 2 . essas Classes serviam/servem de auxílio. pensionatos para alunos externos ou através de planos coorporativos. iniciava-se o dilema: a procura de escolas especializadas com vagas. E a outra. a Educação Especial sempre foi ministrada em vários locais: em escolas residenciais. acabavam sendo isoladas em Classes Especiais. Porém. escolas especiais. a Educação Especial também sempre enfrentou problemas. sempre houveram dois principais recursos no Brasil: As Escolas e Classes Especiais. poucos centros especializados. Essa última mantida em escolas comuns (estaduais e municipais). classes especiais. de encontro às necessidades e condições educacionais e condições individuais de cada aluno. Mesmo com boa intenção de alguns órgãos responsáveis.

psicológico e profissionalmente para o mercado de trabalho. Emílio Figueira . como treinamento da fisioterapia. necessitavam de uma metodologia adequada. que não “conseguiam acompanhar” o currículo das escolas comuns. qualificação ou habilitação profissional. realizados pelos professores e todos aqueles que trabalham na escola. Não há profissionais para tal e os que existem. Profissionais da área Com relação aos profissionais. Todas as escolas especializadas. terapia ocupacional. o que era um mito. iniciação para o trabalho. seja em nível de sondagem de aptidões. São inúmeras as atividades periódicas de uma instituição. também são crianças muito carinhosas e às vezes carentes. fazer travessuras e se for preciso. precisam de um carinho e atenção mais intensos: É aqui que entendia-se que entra o papel da Escola Especial. Claro que. até brigar. educáveis e as treináveis em alguma profissão ou atividade de dia-a-dia. E as crianças com deficiência intelectual eram classificadas por grau. Porém para desenvolver todas essas qualidades e tudo que possuem de bom. há no mercado de Educação uma carência de profissionais especializados nesta área. rir. Serviços diretos ou indiretos. correr. Isto constitui um grande desafio aos educadores. o uso de próteses (braço-mecânico) pode facilitar seus movimentos. mesmo com suas limitações. pois eram vistos em primeiro plano. onde cada movimento de mão corresponderá a uma letra. Por outro lado. gritar. ofereciam/oferecem um treinamento pedagógico (alfabetização). estão sempre prontas para brincar. fonoaudiologia. são muitos mal remunerados. devido à carência e problemas financeiros das entidades. Seu programa escolar era dirigido a crianças de 6 a 16 anos com algum tipo de deficiência. crianças com deficiências motoras (paralisado cerebral) já contam com uma série de recursos que foram caracterizando esse atendimento. segundo conceitos da época. A “mão-de-obra” especializada na Educação Especial sempre foi uma grande dificuldade. tomadas estas como condições individuais. aprendizagem profissional metódica. entre nós. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. só pelo que “eles não podiam ou conseguiam fazer”. a criança deficiência física poderá normalmente acompanhar o currículo comum escolar e dependendo de sua gravidade. A ação educacional tem sido.deficiência ou superdotação. jogar bola. São crianças que. de difícil concretização. como a criança deficiência visual que usa o alfabeto em Braille: a auditiva aprende através do alfabeto digital.

Muitas vezes a realidade de sua classe ou do aluno é bem diferente daquilo que ele aprendeu em seu curso. Muitas vezes um profissional tende a se fixar numa esfera emocional. o papel de mãe). é comum.tanto pedagógico como profissionalmente – é algo muito gratificante. enfermeiro. atendente e. será a maior recompensa a esses profissionais. Sofre também a falta de outros profissionais mais especializados em sua volta para orientação. amor. psicólogo. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.Para trabalhar nessa área. troca de informações ou ideias. sobretudo. O professor acaba por adotar atitudes que refletem muito mais aspectos pessoais do que preparação técnica. A arte de reabilitar . assistente social. Mas lidar com crianças com deficiência é algo que exige muita dedicação e. Ao ver o aluno com alguma limitação ou algo parecido. ser incluído socialmente. um profissional tem que estar muito bem preparado. que o leva a assumir vários papéis (médico. Emílio Figueira .

prorrogada pela Portaria nº 948. Emílio Figueira . de 5 de junho de 2007. disponibilizando-lhes programas de enriquecimento curricular.  Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino. a participação e a aprendizagem dos alunos com deficiência. arquitetônica. o Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial). mas de forma complementar e/ou suplementar a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela.  Atendimento educacional especializado. garantindo:  Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior. na comunicação e informação. de 09 de outubro de 2007. nos mobiliários e equipamentos. Aula 3 . elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos. articulados com a proposta pedagógica do ensino comum e acompanhados por meio de instrumentos que possibilitem monitoramento e avaliação da oferta EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Segundo o referido documento.  Participação da família e da comunidade. o “atendimento educacional especializado tem como função identificar. considerando suas necessidades específicas”. estabelecendo como objetivo o acesso. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas regulares. não sendo substitutivas à escolarização. e  Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas. nos transportes.  Acessibilidade urbanística. orientando os sistemas de ensino para promover respostas às necessidades educacionais especiais.  Formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar.Diretrizes Da Política Nacional O governo federal lançou um importante documento intitulado “Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva” (documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 555. com o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização e tecnologia assistiva. Sugere que as atividades desenvolvidas diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum.

a riqueza de estímulos nos aspectos físicos. emocionais. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Desse modo. psicomotores e sociais e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais. “a formação deve contemplar conhecimentos de gestão de sistema educacional inclusivo. na própria escola ou centro especializado que realize esse serviço educacional. Envolvem-se nisto as condições de acesso aos espaços. à promoção de ações de assistência social. na modalidade de educação de jovens e adultos e educação profissional.realizada nas escolas da rede pública e nos centros de atendimento educacional especializados públicos ou conveniados. A Educação Inclusiva começa já na educação infantil. segundo o MEC/SEESP (2007). assegurando mediante a eliminação de barreiras arquitetônicas. que objetivam otimizar o processo de desenvolvimento e aprendizagem em interface com os serviços de saúde e assistência social. Principalmente nas políticas públicas onde. desenvolvendo as bases necessárias para a construção do conhecimento e desenvolvimento global do aluno. das formas diferenciadas de comunicação. na edificação – incluindo instalações. ele acentua que “do nascimento aos três anos. o respeito e a valorização da criança. urbanísticas. bem como as barreiras nas comunicações e informações. Transcrevendo novamente trecho do documento. Em todas as etapas e modalidades da educação básica. de forma a atender as necessidades educacionais de todos os alunos. equipamentos e mobiliários – e nos transportes escolares. Deve ser realizado no turno inverso ao da classe comum. 2007) Ao longo dos próximos capítulos veremos muitos outros pontos fundamentais para o desenvolvimento e implantação de atitudes educacionais inclusivas. o atendimento educacional especializado se expressa por meio de serviços de estimulação precoce. aos recursos pedagógicos e à comunicação que favoreçam a promoção da aprendizagem e a valorização das diferenças. tendo em vista o desenvolvimento de projetos em parceria com outras áreas. o atendimento educacional especializado é organizado para apoiar o desenvolvimento dos alunos. por meio do lúdico. constituindo oferta obrigatória dos sistemas de ensino. trabalho e justiça”. Uma acessibilidade. Emílio Figueira . cognitivos. aos atendimentos de saúde. formação para ingresso no mundo do trabalho e efetiva participação social” (MEC/SEESP. visando à acessibilidade arquitetônica. as ações da educação especial possibilitam a ampliação de oportunidades de escolarização.

ensino de iguais. Romeu Sassaki traça em seu livro “Inclusão: construindo uma sociedade para todos” (WVA. co-ensino.  Novas formas de avaliação escolar – dependendo cada vez menos de testes padronizados. treinamento em habilidades de estudar. as principais características que deve ter uma Escola Inclusiva:  Um senso de pertencer .  Liderança – o diretor envolve-se ativamente com ativamente com a escola toda no provimento de estratégias. adaptação curricular. Emílio Figueira . ensino recíproco. de iguais.).  Ambientes flexíveis de aprendizagem – espera-se que os alunos se promovam de acordo com o estilo e ritmo individual de aprendizagem e não de uma maneira para todos.filosofia e visão de que todas as crianças pertencem à escola e à comunidade e de que podem aprender juntas.  Estratégias baseadas em pesquisas – aprendizado cooperativo. psicólogos atuam mais junto aos professores nas salas de aula.Sintetizando tudo que foi dito.  Padrão de excelência – os altos resultados educacionais refletem as necessidades individuais dos alunos.  Novos papéis e responsabilidades – os professores falam menos e assessoram mais. instrução assistida por computador. aprendizado cooperativo. 1997). quando necessário. etc. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. ensino em equipe. sistema de companheiro. a escola usa novas formas de avaliar o progresso de cada aluno rumo aos respectivos objetivos. equipe de assistência aluno-professor. etc. é oferecida tecnologia assistiva. todo o pessoal da escola faz parte do processo de aprendizagem. instrução direta.  Parcerias com os pais – eles são parceiros igualmente essenciais na educação de seus filhos. treinamento em habilidades sociais.  Desenvolvimento profissional continuo – aos professores são oferecidos cursos de aperfeiçoamento contínuo visando a melhoria de seus conhecimentos e habilidades para melhor educar seus alunos.  Acessibilidade – todos os ambientes os ambientes físicos são tornados acessíveis e.  Colaboração e cooperação – envolvimento de alunos em estratégias de apoio mútuo (ensino.

ao longo de sua vida. dos muitos mantidos em instituições somente para eles.Novos Desafios Para A Educação Especial Durante muitos anos o conceito de Educação Especial teve uma forte aceitação em nosso país. Proporcionar. Essa equipe tinha como meta. dentre outros. instituições que mantinham equipes multidisciplinar. Emílio Figueira . Surgiu o conceito e política da Inclusão Escolar. Não nos cabe aqui apontar os benefícios ou erros da Educação Especial. psicólogos e outros profissionais menos comuns. Aula 4 . E. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente. chegam a dizer que por trás da chamada Educação Especial. ou reabilitar aquelas que. viesse adquire alguma deficiência. Ou seja. médicos. fisioterapeutas.  para crianças e jovens de sete a 14 anos: o atendimento educacional especializado é sempre complementar e não substitutivo da escolarização em salas de aula de EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. formada por professores especializados. terapeutas ocupacionais. quando necessário. E com muitos resultados positivos. estes devem ser os novos focos da atuação das instituições/escolas especiais:  para crianças de zero a seis anos: oferecer atendimento educacional especializado. Hoje. passando-se a perceber que grande parte dos alunos com deficiência não precisavam necessariamente desse tipo de educação. Era um modelo educacional-médico. esquecendo-se de tais resultados positivos. acidentes. Fato concreto é que nas últimas duas décadas esse quadro começou a mudar. embora não fosse a intenção de muitos. Eram os profissionais que preparam crianças ou pessoas com deficiência para depois integrá-los na sociedade. que não dispensam atendimentos individualizados. habilitar as pessoas que nasciam com algum tipo de deficiência. Sem se falar ainda. e dos altos custos para mantê-la. sem qualquer contato social. que o método estava realmente promovendo a discriminação ao isolarmos tais alunos dos demais. seja por meio de doenças. podendo estar em escolas de ensino comum. devendo este ser incentivado pela instituição como forma de garantir a inclusão da criança. secundo a cartilha “O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular” (2004). fonoaudiólogas. que pode envolver formas específicas de comunicação. atendimentos clínicos. alguns mais radicais. esses atendimentos não podem ser oferecidos de modo a impedir o acesso à Educação Infantil comum. apenas quando este atendimento não ocorrer nas escolas comuns de Educação Infantil.

públicas ou privadas. o atendimento educacional especializado que se fizer necessário a cada caso. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.ensino comum. de forma a possibilitar sua inclusão social e escolar. como complemento. desde que esses acordos não substituam a educação escolar em todos os seus níveis. a instituição especializada pode celebrar acordos de cooperação com escolas comuns do ensino regular.  caso as escolas comuns se recusem a fazer tais matrículas ou cessem as já existentes.  para adultos e adolescentes maiores de 14 anos que não estiverem aptos a frequentar o ensino médio: além dos cursos profissionalizantes e outros oferecidos. através de capacitação e do apoio jurídico em casos que necessitarem de interdição judicial. incentivando sempre que possível a interdição parcial. de maneira que estas matriculem as crianças e adolescentes em idade de Ensino Infantil e Fundamental atualmente atendidas nos espaços educacionais especiais. em horário distinto daquele em que frequentam a escola comum. realizar convênios com cursos profissionalizantes e/ou para Educação de Jovens e Adultos.  para garantir maior qualidade no processo de inclusão de seus alunos. esses alunos devem ter providenciado o atendimento educacional especializado na instituição. Emílio Figueira . é importante que a instituição especializada responsável pelo encaminhamento comunique o Ministério Público local tendo em vista o crime previsto na Lei 7.853/89. Quando necessário. para que a pessoa possa continuar exercendo atos de cidadania. artigo 8º. as instituições especializadas devem incentivar as matrículas desses alunos em instituições regulares de Educação Profissional.  para adolescentes e adultos com idade para o trabalho: é importante facilitar a inserção efetiva dessas pessoas no mercado de trabalho. podendo oferecer.

E um universo precisa de tempo para ser conhecido. Pegando uma carona nessas observações. se não recalcadas. Surpresa? Não para mim. Como se tudo pudesse acontecer de maneira mágica por meio de decreto-lei ou simplesmente tendo recursos financeiros. Mas gente. Uma aluna de psicologia que trabalha como professora na Rede Municipal de Mogi das Cruzes. inseguranças e temores são coisas para fracos. já pronto tanto no sentido de leis como de investimentos e recursos. ela lerá agora. E eu lhe disse (não sei se ela compreendeu a minha dicção. abrir os braços e receber alunos a ser incluídos. Medos. sendo incluídos. Emílio Figueira . mas se não. das bases e com o envolvimento de todos. vejo que ainda temos muito da cultura paternalista de esperar que tudo venha de cima. Vejam que sensibilidade linda. entre síndrome de Down e deficiência intelectual salvo engano. teve essa professora. Nós somos os outros 90%. não para pessoas de coragens que já demonstram isso ao escolherem a carreira de professor no Brasil! Posso endossar o que estou dizendo com um relato que tive nesse encontro. relatou-nos que em sua escola há três alunos. nós mudamos o mundo! E com a Educação Inclusiva não é diferente. que não está em nenhum manual de regras pedagógicas. Ela não trouxe para discussão as dificuldades ou impedimentos que poderia ter encontrado ao lidar com a inclusão escolar desses alunos. trará um novo universo para dentro do seu universo. O professor que se despir de seus conceitos e preconceitos. ser explorado sem medos e ansiedades. que se no processo pedagógico essas potencialidades forem EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. trarão muito mais coisas positivas. o Governo representa 10% da população. E com o tempo ela passou a notar um potencial muito grande em certas áreas do desenvolvimento deles.Na Educação Inclusiva somos e podemos mais do que o Governo! Durante as minhas palestras. E as descobertas. Defendo que ela só terá sucesso se for realizada de baixo para cima. Se quisermos.. pois ficou minha amiga!). E isso me incomodou ainda mais naquela semana quando li em um grande jornal que o Governo tucano de São Paulo era um dos piores do país para a Educação Inclusiva. Creio que um dos caminhos mais certos para a Educação Inclusiva seja a afetividade. o coração.. por exemplo. por algumas vezes o pessoal toca na questão de que muito pouco tem sido feito por parte do Governo. Ela foi sensível ao ponto de preferir destacar o positivo. Aula 5 .

o desenvolvimento global de alunos incluídos como os aspectos psicológicos que precisam ser observados. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. ajudará muito. dar treinamentos. Entrando no campo pedagógico. Devemos exigir maiores investimentos. e muito. que certamente irá refletir na relação educador/educando e no processo de ensino e de aprendizagem. é que o professor dentro de uma Sala de Aula Inclusiva é o personagem direto da Inclusão Escolar. Enfim. os atendentes. da limpeza. Família e Sociedade! Mas então devemos deixar o Governo de lado? Claro que não. mas se puder contar com a afetividade de todos os envolvidos. Mas também por que todos precisam se desenvolver e aprender só as mesmas coisas. Emílio Figueira . poderão receber apoio e auxiliares na sala de aula. Todos. O trabalho em equipe entre os profissionais de uma escola pode contribuir. se necessário. o que quero dizer com tudo isso. valorização dos pontos positivos de uma deficiência. tirar dúvidas. Fundamental para o seu sucesso não será apenas jogar essa responsabilidade nas costas dos professores. há a importância de uma parceira em tripé: Escola. adaptações físicas e de recursos para as escolas. mas por trás dele. para uma convivência harmoniosa. a visita dos professores itinerantes e/ou outros especialistas no assunto para avaliar como anda o processo. os diretores. E se tiver afetividade. os demais alunos. as famílias e comunidade em geral estejam envolvidos no mesmo objetivo. Mas há uma grande necessidade. terapias e acompanhamentos especializados. principalmente por parte dos pais. verbas. A importância de se atentar às necessidades específicas de cada criança. melhor! Professores com alunos em processo de inclusão. eles terão um desenvolvimento muito além das nossas expectativas que serão motivos de orgulho para essa e outras professoras que educam esses três alunos. os inspetores. Treinamentos e constantes reciclagens para o pessoal da Educação. passar instruções. A escola receber de tempos em tempos.focadas e trabalhadas corretamente. possibilidades de uma criança se desenvolver em outras áreas que não sejam impostas pelos padrões culturais. construída coletivamente. Esses educadores precisarão de treinamentos constantes. da manutenção. deverá estar todo um arsenal de apoio material e humano. não é mesmo? A Educação Inclusiva é um processo pedagógico. Qualquer escola precisa estar preparada para receber alunos inclusivos. o pessoal da cantina. Pode até ser que não tenham o mesmo nível de aprendizagem dos demais alunos. se desenvolverão em outras áreas de aptidões e cognições.

Esquecemos que quem os coloca lá somos nós com o nosso voto.Digo exigir. Aliás. deixar de sermos cordeirinho e nos unirmos numa sociedade politicamente articulada. Pois os governos executivos e legislativos nada mais são do que funcionários do povo. impondo-nos e deixando claro o que queremos para melhorar tanto a Educação Inclusiva como qualquer outro setor que nos é de fato e de direito. temos uma das maiores cargas tributárias do mundo. é quem paga a conta. culpar o Governo por tudo. provém dos impostos pagos. Deixarmos de reclamar. E disso. Emílio Figueira . justificando mesmo que de forma inconsciente a nossa inércia. E pagamos muito caro por isto. eu não tenho o mínimo orgulho!!! EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Mas sim temos que criar uma nova cultura: A de quem manda. Precisamos unir a nossa parte de 90%. porque temos outra velha visão cultural que o Governo é um “ser superior” que não podemos alcançá-lo. Que o dinheiro que é negado para a melhoria da Educação e outros setores é nosso. ou ficar passando o chapéu atrás de migalhas.

um verdadeiro avanço na inclusão de pessoas com deficiência na sociedade. que prevê o pagamento de um salário mínimo para idosos EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Justamente por isso.Lei Brasileira da Inclusão: saiba o que muda no ensino Após 15 anos de tramitação no Congresso Nacional. deixando de ser um atributo à pessoa e passando a ser o resultado da falta de acessibilidade que a sociedade e o Estado oferecem. os que usam próteses ou qualquer tipo de material especial no cotidiano. na Câmara dos Deputados. por exemplo. Com a ajuda da sociedade conseguimos alterar. o Código Eleitoral. e um número mínimo deve ser reservado à condomínios e moradias que permitem uma vida independente para pessoas com deficiência. o Código de Defesa do Consumidor. um benefício da Política de Assistência Social. e pelo senador Romário. Aula 6 . não nas pessoas. O documento entra em vigor no dia 2 de janeiro de 2016 e prevê mudanças em diversas áreas. Código Civil. o Estatuto das Cidades. A lei foi relatada pela deputada Mara Gabrilli. como:  Cinemas e cursos de idiomas e informática deverão oferecer materiais e recursos de acessibilidade.  O Benefício de Prestação Continuada (BPC). o FGTS poderá ser sacado para aquisição desses itens. e dá seis meses para instituições públicas e privadas se adaptarem antes de entrar oficialmente em vigor. a LBI mostra que a deficiência está no meio.  Para usuários de cadeiras de rodas. incluindo livros. “u seja. não podemos deixar de falar que a sanção da LBI é uma conquista não só das pessoas com deficiência. foi sancionada a Lei Brasileira de Inclusão. muitas mudanças dizem respeito à acessibilidade. alterando leis que não atendiam ao novo paradigma da pessoa com deficiência ou que simplesmente a excluíam de seu escopo. A Lei Brasileira de Inclusão conseguiu reformular toda a legislação brasileira. mas da democracia. não era assistida – muitas vezes era até excluída. no Senado. Além disso. Foco na acessibilidade Mara explica que um dos mais notáveis efeitos desta lei é que ela muda a visão sobre o conceito de deficiência. como trabalho e educação.  Os hotéis deverão ter 10% de dormitórios acessíveis. Emílio Figueira . de alguma forma. a CLT… Pense que em todas essas leis a pessoa com deficiência.

mais uma vez. tirando dos pais uma preocupação a mais. A oferta de profissionais de apoio escolar. desde o começo. a LBI conta. acima de 65 anos e pessoas com deficiência. que deveria. passa por adaptações no critério para maior integração das 50 milhões de pessoas com deficiência no Brasil. claro. também é defendida no documento. ser do próprio Estado. que garante uma renda extra para o cidadão com deficiência que entrar para o mercado de trabalho. uma vez que o objetivo é ter uma equipe totalmente preparada para os cuidados da criança na escola. Ensino Tal qual toda criança. agora sendo obrigatória abordar disciplinas sobre o tema. casos surgiram de escolas que cobravam uma taxa extra dos pais para o cuidado dos pequenos ao invés de investirem em profissionais capacitados. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. como uma forma de garantir a igualdade desses direitos. Emílio Figueira . as portadoras de deficiência têm direito a um ensino de qualidade e que atenda às suas necessidades. com a proibição de cobranças extras de alunos com deficiência.  A criação de um novo benefício. Apesar de ser proibido por um decreto do ano passado. Até mesmo o currículo do ensino superior passa por adaptações. colocando a inclusão dos filhos nas mãos dos familiares. e esse veto se estende também aos planos de saúde. o Auxílio Inclusão. Agora. tanto que o tema também foi abordado na lei sancionada.

Emílio Figueira . A ESCOLA INCLUSIVA EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.

2 – vanguarda: uma escola inclusiva é uma escola líder em relação às demais. tendo em vista a criação de uma rede de autoajuda. O alvo a ser alcançado é a inclusão da criança com deficiência na comunidade. O suporte ao professor de classe comum é essencial para o bom andamento do processo de ensino- aprendizagem.Características e Benefícios da Escola Inclusiva Como já dito. Ela se apresenta como a vanguarda de processo educacional. em que todas as crianças com de necessidades especiais e de distúrbios de aprendizagem têm direito à escolarização a mais próxima possível do normal. 5 – mudança de papéis e responsabilidades: a escola inclusiva muda os papéis tradicionais dos professores e da equipe técnica da escola. A escola inclusiva é uma escola integrada à sua comunidade. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. não basta simplesmente colocar um aluno com algum tipo de deficiência em uma classe normal e pronto: está feita a inclusão! É preciso que a Escola Inclusiva passe por adaptações de grande porte (de responsabilidade exclusivas dos órgãos federais. Aula 7 . Emílio Figueira . 3 – altos padrões: há em relação às escolas inclusivas altas expectativas do desempenho por parte de todas as crianças envolvidas. Seu objetivo maior é fazer com que a escola atue por meio de todos seus escalões para possibilitar a integração das crianças que dela fazer parte. estaduais e municipais) e de pequeno porte. 6 – estabelecimento de uma infra-estrutura de serviços: gradativamente a escola inclusiva irá criando uma rede de suporte para separação das suas maiores dificuldades. O processo deverá ser dosado de acordo com as necessidades de cada criança. as principais características das Escolas Inclusivas precisam ser: 1 – um direcionamento para a munidade: na escola inclusiva o processo educativo é entendido como um processo social. cabendo aos professores especializarem para saber como transmitir ensinamentos para esses alunos especiais. O objetivo é fazer com que as crianças atinjam seu potencial máximo. 4 – colaboração e cooperação: há um privilegiamento das relações sociais entre os participantes da escola. Os professores se tornam mais próximos dos alunos quando percebem suas maiores dificuldades. Assim.

BENEFÍCIOS Quais os benefícios da educação inclusiva para todos os estudantes.  Estão melhor preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada através da educação em salas de aula diversificadas:  Frequentemente experimentam apoio acadêmico adicional da parte do pessoal da educação especial. os alunos.7 – parceria com os pais: os pais são parceiros essenciais no processo de inclusão de criança na escola. publicado em 1994: Para os estudantes com deficiência:  Desenvolvem a apreciação pela diversidade individual.  Adquirem experiência direta com a variação natural das capacidades humanas. 8 – ambientes educacionais flexíveis: os ambientes educacionais têm de visar ao processo de ensino-aprendizagem do aluno. pais e professores. aprofundando-os. segundo o Programa da ONU em Deficiências Severas.  Demonstram crescente responsabilidade e melhorada aprendizagem através do ensino entre os alunos. 12 – continuidade no desenvolvimento profissional da equipe técnica: os participantes da escola inclusiva deverão procurar dar continuidade aos seus estudos. Emílio Figueira . 11 – acesso: o acesso físico à escola deverá ser facilitado aos indivíduos portadores de deficiência.  Podem participar como aprendizes sob condições instrucionais diversificadas EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. 9 – estratégias baseadas em pesquisas: as modificações na escola deverão ser introduzidas a partir das discussões com a equipe técnica. 10 – estabelecimento de novas formas de avaliação: os critérios antigos deverão ser mudados para atender às necessidades dos alunos portadores de deficiência.

(aprendizado cooperativo, uso de tecnologia baseada em centros de aprendizagem,
etc.)

Para os estudantes sem deficiência:

 Têm acesso a uma gama mais ampla de modelos de papel social, atividades de
aprendizagem e redes sociais;
 Desenvolvem, em escala crescente, o conforto, a confiança e a compreensão da
diversidade individual deles e de outras pessoas;
 Demonstram crescente responsabilidade e crescente aprendizagem através do
ensino entre os alunos;
 Estão melhor preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada através
da educação em salas de aula diversificadas;
 Recebem apoio instrucional adicional da parte do pessoal da educação comum;
 Beneficiam-se da aprendizagem sob condições instrucionais diversificadas.

Não podemos esquecer também que, na vida de qualquer ser humano, sua formação
escolar é a preparação para uma vida profissional. E para quem tem uma deficiência
também não é diferente. A escola inclusiva tem muito a colaborar com o futuro desses
alunos.

Segundo um trecho da famosa Declaração de Salamanca, “os jovens com necessidades
educacionais especiais devem receber ajuda para fazer uma eficaz transição da escola
para a vida adulta produtiva. As escolas devem ajudá-los a se tornarem
economicamente ativos e prover-lhes as habilidades necessárias no dia-a-dia,
oferecendo treinamento em habilidades que respondam às demandas sociais e de
comunicação e às expectativas da vida adulta. (…) Estas atividades devem ser
executadas com a participação ativa de conselheiros profissionais, agências de
colocação, sindicatos, autoridades locais e diferentes serviços e entidades
interessadas”.

EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Emílio Figueira

Aula 8 - Uma Transição Palatina E O Papel Do
Professor

Embora muitos tenham como discurso promover a Educação Inclusiva de forma
radical, continuo pertencendo ao grupo que a defende como uma forma de transição
entre a Educação Especial e a Educação Inclusiva. Essa forma palatina é apoiada por
todos aqueles que acreditam na possibilidade de novas relações entre os seres
humanos, por meio de processos que resgatem sua autoestima e melhorem sua
capacidade de se comunicar, de conviver, de respeitar as diferenças individuais e
culturais, de amar e de lutar pela cidadania plena.

Mais isso não significa que, aos poucos, seria a forma mais organizada de Inclusão. Um
aluno com necessidades educacionais especiais – assim como qualquer outro - não
pode esperar, pois à cada dia que se passa, um atraso no desenvolvimento é
concretizado. Acredito efetivamente no sucesso desse processo, penso que será o
principal meio para uma inclusão verdadeira, trabalhando deste o nascimento as
potencialidades dos alunos.

Educação Inclusiva não é somente colocar o aluno na escola; incluir significa dizer que
devemos garantir o acesso de todos na escola participando, aprendendo e
desenvolvendo suas potencialidades. E para que isso aconteça se faz necessário que a
escola mude não apenas as barreiras estruturais, mas a postura, as atitudes e
mentalidades dos educadores e da comunidade escolar em geral para aprender a lidar
com a heterogeneidade e conviver com a diferença.

Atender o “diferente” ainda tem sido um dos maiores entraves do processo de
educação inclusiva. O sistema de ensino deve dar respostas às necessidades
educacionais de todos os alunos. Para que isso ocorra é necessário uma nova escola
que aprenda a refletir criticamente, pesquisar, inovar, questionar o que ai está posto
e, em resposta á necessidade de inclusão, promovê-la e torna-se uma escola cidadã
com novos paradigmas, novos preceitos, mudança nas propostas educacionais e
investir, principalmente na formação continuada dos professores. É preciso tornar o
espaço escolar adequado às diversas necessidades.

A Educação Inclusiva é um caminho árduo a ser percorrido. Para termos uma escola
inclusiva é necessário que os professores, assim como todos os profissionais que
trabalhem na escola, devem ACREDITAR na inclusão. E isto não é algo que aconteça de
forma radical, ou seja, agora a escola vai ser inclusiva e todos os professores vão
trabalhar de tal forma. Seria mais uma ditadura do que uma escola inclusiva. E para
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que isso ocorra, algumas coisas não podem ficar esperando os professores repensarem
sua postura. Educação Inclusiva dá trabalho e, infelizmente, encontramos professores
acomodados e resistentes à mudanças. Nesses casos podemos pensar em um pouco
de radicalismo. Tudo é um processo... E, tratando de uma educação, trata-se de uma
reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas de modo
que estas respondam à diversidade de alunos que se tem como objetivos o
crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos.

O PAPEL DO PROFESSOR

Se olharmos cada criança como um ser único, com suas diferenças, capacidades,
habilidades e dificuldades, próprias de cada uma, se encararmos a Deficiência como
mais uma dessas características, não precisaríamos da inclusão, pois todos estariam
participando do processo. Mas isso depende de cada um e respeitar esse tempo
também é saber trabalhar com as diferenças. O problema de aceitação e da adaptação
das crianças com necessidades educacionais especiais ainda ocorrem com muita
frequência; não basta simplesmente impor a inclusão, temos que realizar um trabalho
de conscientização para que realmente possa haver a verdadeira inclusão. E o papel do
professor é fundamental neste processo!

É preciso que estratégias sejam traçadas, passando pelo preparo de professores e
alunos sem deficiência para receberem colegas com deficiência, desenvolvendo
políticas de Inclusão Escolar com o seguinte planejamento:

 conhecendo o perfil dos alunos a serem incluídos;
 suas reais necessidades;
 o desenvolvimento de estudos, gerando conhecimento acerca das práticas e
procedimentos que melhor atenderão às suas peculiaridades, necessidades e
possibilidades;
 desenvolver projeto pedagógico consistente com todos os dados colhidos;
 realizar um bom projeto pedagógico que valorize a cultura, a história e as
experiências de todos.

Falar em Inclusão Escolar também se esbarra em questões culturais e/ou de
comodismo. O conceito que um professor tem de um aluno com deficiência pode
determinar o modo de relação e trabalhos entre ambos. O educando, antes de sua
deficiência, alguém com necessidades educacionais especiais, precisará ser visto como
uma pessoa que têm desejos, expectativas e dificuldades. Em uma avaliação de
repertório funcional deve ser apoiada em três diretrizes básicas garantindo ao aluno:

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Ser um espaço comum de cidadania. esse aluno deve estar motivado para aprender. tendo em vista o objetivo geral que é o de tornar o aluno cada vez mais independente e possivelmente produtivo. tentando entender as relações presentes no mesmo. o professor deve acreditar que é capaz de promover o crescimento do aluno e da classe a que pertence. embora essas mesmas tenham nos contextos aberturas para o chamado “ensino para todos”. incorporando todos os valores sem promover hierarquias. 5. um currículo escolar com diretrizes únicas para todas as EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. 4. Quebrar tais paradigmas. dúvidas e a estima algumas vezes prejudicada. adaptando-se aos novos tempos para sempre somar e nunca excluir. uma realmente escola para todos. tanto no sentido de implantá-lo como de mantê-lo. nivelando todos por iguais sem rótulos já será uma mudança cultural. mas que o seu envolvimento com a aquisição de novos repertórios é fator importante para que o processo educacional tenha êxito. possibilitando que eles entendam suas dificuldades e organizem-se para resolvê-las. temos no Brasil uma Educação padronizada. o professor deve conscientizá-lo de que pode ajudá-lo. um grande passo para tornar uma Escola Inclusiva. sem substantivos que façam dela um exemplo a ser seguido. deve-se envolver a família e o grupo de alunos para que comunguem juntos os mesmos objetivos e que entendam que a sua participação é importante no processo.  independência social e  a sobrevivência. tem que estar em constante transformação. 2. deve-se estabelecer metas e cumpri-las. Emílio Figueira . estático. livre exercício político e espaço público de manifestações das diferenças. 3. a escola têm seus paradigmas em classificar “alunos regulares” e “alunos especiais”. independência pessoal. Como todo segmento da sociedade. há alguns pontos fundamentais: 1. A escola não é algo acabado. entendendo o seu papel ativo no processo. para alcançar essas diretrizes. Infelizmente. inserido num contexto. QUESTÕES CULTURAIS A política de Inclusão Escolar esbarra em questões das nossas leis educacionais. Aliás. revendo suas ações pedagógicas. sendo ele alguém que chega à escola cheio de anseios. E. visando generalizar sua adequação para outras áreas de convivência do aluno. em um trabalho conjunto. Na contramão. independente da capacidade de cada aluno. destruindo uma imagem e conceito de “aluno padrão”.

o que alguns pontos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) determina:  a organização em turmas não precisa ser feita com base no rendimento.  há total liberdade quanto à forma de avaliação. não dando aos alunos a liberdade para aprender ao seu ritmo e de acordo com as suas condições. semestrais. Emílio Figueira . ela pode ser feita com base em relatórios bimestrais.  a avaliação é válida para conhecer o aluno e seus progressos. logo. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. e não para rotular crianças. inclusive idade.. Nossos métodos de avaliações procuram nivelar todos por iguais. tenha ele uma deficiência ou não. não levam em conta na hora da avaliação. E. afinidade por projetos. nivelando todo o alunado por igual. ao contrário. etc.  escrita.regiões. leitura e cálculo (04 operações) são objetivos a serem alcançados até o final do ensino fundamental.. e não necessariamente com base em notas. aluno nenhum poderia ser impedido de prosseguir porque ainda não aprendeu isso até as chamadas terceira ou quarta séries. portanto. possibilitando a identificação do que ainda precisa ser mais bem trabalhado. exigindo o alcance de notas. etc. pode ser feita de acordo com critérios bastante amplos.

Necessário que os planos para incluir alunos com necessidades educacionais especiais estejam presentes. a converter as prioridades em metas educacionais e outras concretas. levando em consideração a diversidade existente na escola. escolhendo-se as melhores estratégias o que facilita seu trabalho. a concepção de homem e de sociedade que se pretende construir. Quanto maior a soma de informações. Aula 9 . visando conhecer como esse processo tem sido tratado na prática. Diferenciando-se do planejamento pedagógico. já que toda escola deve ter definida.O Projeto Político Pedagógico E As Adaptações Curriculares Um bom ambiente escolar passa necessariamente pelas questões básicas das características que deve ter uma Sala de Aula Inclusiva. tratando-se de inclusão escolar. permitindo aos alunos o acesso igualitário a um currículo básico. Emílio Figueira . a decidir o que fazer para alcançar as metas de aprendizagem. Pensar um projeto de educação de forma inclusiva significa pensar o tipo e qualidade de escola. dando segurança à escola. serviço malfeito. não apenas em sua dimensão pedagógica. uma identidade e um conjunto orientador de princípios e de normas que iluminem a ação pedagógica cotidiana. continua correndo um descompasso entre o discurso e a ação. deixando. seu EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. a medir se os resultados foram atingidos e a avaliar o próprio desempenho. Uma delas são as estratégias metodológicas e ações pedagógicas. assim de contemplar os propósitos e intencionalidades das instituições de ensino como um espaço que ofereça uma educação de qualidade com condições igualitárias de acesso ao espaço comum. Sabe-se o que se pretende e o que deve ser feito para se chegar aonde se quer. melhor será a elaboração do PPP. Para evitar isto. evita-se a improvisação. auxiliando na definição das prioridades estratégicas. o PPP é o conjunto de princípios que norteiam a elaboração e a execução dos planejamentos. o PPP ainda é visto como um documento administrativo que deve ser elaborado para cumprir as exigências burocráticas das leis que normatizam a educação. rico e uma práxis pedagógica de qualidade. continuo insistindo na importância do acumulo cada vez maior de informações. Só que. perda de tempo e de dinheiro. com sua perspectiva estratégica. envolvendo diretrizes mais permanentes e bem definidas. pois o mesmo está fundamentado no Projeto que norteia toda Unidade Escolar. Infelizmente. Esse PPP é uma ferramenta gerencial. para si mesma e para sua comunidade escolar. no Projeto Político-Pedagógico (PPP). que buscar um ideal comum: fazer com que todos os alunos aprendam.

objetivo de pesquisa e a execução da inclusão escolar. em conjunto com a Secretaria de Educação Especial e o MEC.  a flexibilidade quanto à organização e ao funcionamento da escola. serviços de apoio e outros. flexibilizando a prática educacional para atender a todos e propiciar seu progresso em função de suas possibilidades e diferenças individuais. cujas propostas para a educação especial visam promover o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais. atitude favorável da escola para diversificar e flexibilizar o processo de ensino- aprendizagem.  a possibilidade de incluir professores especializados. em lugar de uma concepção uniforme e homogeneizadora de currículo. O acho tão esclarecedor. para atender à demanda diversificada dos alunos. uma vez que esta deverá ser oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. DOCUMENTO OFICIAL A Secretaria de Educação Fundamental. Emílio Figueira . como um recurso para promover o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. para favorecer o processo educacional. lançaram um dos documentos que mais me agradam em se tratando de Educação Inclusiva: “Parâmetros curriculares nacionais: Adaptações Curriculares / Estratégias para alunos com necessidades educacionais especiais” (MEC/SEF/SEESP. tendo como referência a elaboração do projeto pedagógico e a implementação de práticas inclusivas no sistema escolar nos seguintes aspectos: 1. considerando-se os seguintes aspectos:  a atitude favorável da escola para diversificar e flexibilizar o processo de ensino- aprendizagem. de modo a atender às diferenças individuais dos alunos. que decidi escrever todo esse capítulo baseado nele. Essas concepções destacando a adequação curricular como um elemento dinâmico da educação para todos e a sua viabilização para os alunos com necessidades educacionais especiais. não convencionais.  a identificação das necessidades educacionais especiais para justificar a priorização de recursos e meios favoráveis à sua educação. Para o seu bom desempenho o PPP é fundamental para orientar a operacionalização do currículo.  a adoção de currículos abertos e propostas curriculares  diversificadas. 1998). de modo a atender às diferenças individuais dos alunos.

não um novo currículo. longa duração ou ao longo da vida para alunos com deficiências múltiplas ou agravantes. em lugar de uma concepção uniforme e homogeneizadora de currículos. Em seu contexto. pervasivo: alta intensidade.  que formas de organização do ensino são mais eficientes para o processo de aprendizagem. alterável. 3. limitado: reforço pedagógico para algum conteúdo durante um semestre. flexibilidade quanto à organização e ao funcionamento da escola para atender à demanda diversificada dos alunos. possibilidade de incluir professores especializados. Considera-se apoio os diversos assim classificados: 1. 5. adoção de currículos abertos e propostas curriculares diversificadas. desenvolvimento de um programa de psicomotricidade.  como e quando aprender. Como também é um lugar para se abrigar e lidar como as diferencias. intermitente: quando se dá em momentos de crises e em situações específicas de aprendizagem. numa citação livre do MEC. Sempre digo que a escola não é algo estático e nem poderia ser. as adaptações curriculares implicam a planificação pedagógica e a ações docentes fundamentadas em critérios que definem:  o que o aluno deve aprender.2. das distintas formas de organização do ensino e de avaliação da aprendizagem com ênfase na necessidade de previsão e provisão de recursos e apoio adequados. cheia de vida e transformações diante de cada época. O hoje essas adaptações são cada vez mais necessárias pelas peculiaridades dos alunos com necessidades especiais. mas um currículo dinâmico. Nessas circunstâncias. 2. identificação das necessidades educacionais especiais para justificar a priorização de recursos e meios favoráveis à sua educação. 4. Emílio Figueira . para favorecer o processo educacional. 4. atendimento itinerante.  como e quando avaliar o aluno. o documento traz indicadores do que os alunos devem aprender. 3. serviços de apoio e outros não convencionais. Envolve equipes e muitos ambientes de atendimento. E. extensivo: sala de recursos ou de apoio pedagógico. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. para que atenda realmente a todos os educandos. isto é. E uma forma de se fazer isto são as adaptações curriculares e suas possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos. passível de ampliação. modalidades de atendimento complementar ao da classe regular realizado por professores especializados. Ela é dinâmica. de como e quando aprender.

embora não o façam com a mesma intensidade. levando em conta as suas características individuais. Se alguns não conseguem atingir os objetivos. adotadas em situações de real impedimento do aluno para integrar-se aos procedimentos e expectativas comuns de ensino.  atinjam o mesmo grau de abstração ou de conhecimento. dentre outras habilidades adaptativas.Estamos falando de Educação Inclusiva. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. em necessariamente de igual modo ou com a mesma ação e grau de abstração. mas sim que envolvem atividades relacionadas ao desenvolvimento de habilidades básicas. buscando conteúdos curriculares de caráter mais funcional e prático. bem como da eficiência dos procedimentos pedagógicos empregados na sua educação. São os chamados currículos funcionais e ecológicos. levando em conta a participação da família e ser acompanhadas de um criterioso e sistemático processo de avaliação pedagógica e psicopedagógica do aluno. psíquico e sensorial. poderá ser decorrente de dificuldades orgânicas associadas a déficits permanentes e. mesmo diante dos esforços persistentes empreendidos pela escola. em face de suas condições pessoais identificadas.  desenvolvidas pelos demais colegas. destacando-se entre eles:  a preparação e a dedicação da equipe educacional e dos professores. vindo a constituir deficiências múltiplas graves.  o apoio adequado e recursos especializados. num tempo determinado. conteúdos e componentes propostos no currículo regular ou alcançar os níveis mais elementares de escolarização. ao treinamento multissensorial. ao exercício da independência e ao relacionamento interpessoal. O que não significará currículos especiais. Emílio Figueira . quando forem necessários. aos cuidados pessoais e de vida diária.  as adaptações curriculares e de acesso ao currículo. Daí surgirá a necessidade de realizar adaptações/diversificações significativas no currículo para o atendimento desses casos. E para que todos os alunos com ou sem deficiência participem integralmente em um ambiente rico de oportunidades educacionais com resultados favoráveis. degenerativos que comprometem o funcionamento cognitivo. muitas vezes. à consciência de si. alguns aspectos precisam ser considerados. Tais currículos adaptados/elaborados de modo tão distinto dos regulares implicam adaptações significativas extremas. levando em conta a organização de aprendizagens acadêmicas que o aluno revelar impossibilidade de alcançar.

sistema bliss ou similares etc. interativa e bem definida do ponto de vista de papéis.  o planejamento é organizado de modo que contenha atividades amplas com diferentes níveis de dificuldades e de realização.  a organização do espaço e dos aspectos físicos da sala de aula considera a funcionalidade. os sistemas de comunicação que utilizam. envolvendo situações individuais e grupais.  a avaliação é flexível de modo que considere a diversificação de critérios. sistema braille. eliminados ou adaptados de modo que atenda às peculiaridades individuais e grupais na sala de aula. as atividades e procedimentos de ensino são organizados e realizados levando-se em conta o nível de compreensão e a motivação dos alunos. com diferentes tipos de execução.  os objetivos são acrescentados.  as metodologias. a organização temporal dos componentes e dos conteúdos curriculares e a coordenação das atividades docentes.  a relação entre colegas é marcada por atitudes positivas. equipamentos e mobiliários realizam-se de modo que favoreça a aprendizagem de todos os alunos.  a seleção. a boa utilização e a otimização desses recursos. à programação das atividades da sala de aula. cooperativamente.Currículo De Classe As adaptações curriculares de classe são realizadas pelo professor e destinam-se. favorecendo a experiência. a participação e o estímulo à expressão.  a organização do tempo é feita considerando os serviços de apoio ao aluno e o respeito ao ritmo próprio de aprendizagem e desempenho de cada um. de instrumentos. Aula 10 . principalmente.). procedimentos didático- pedagógicos e destacam o como fazer. favorecendo comportamentos de ajuda mútua.  o trabalho do professor da sala de aula e dos professores de apoio ou outros profissionais envolvidos é realizado de forma cooperativa.  os alunos são agrupados de modo que favoreça as relações sociais e o processo de ensino e aprendizagem. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. competência e coordenação. procedimentos e leve em conta diferentes situações de ensino e aprendizagem e condições individuais dos alunos.  as atividades são realizadas de várias formas. Emílio Figueira . bem como a sua aprendizagem. a adaptação e a utilização dos recursos materiais. inclusive a necessidade que alguns têm de utilizar sistemas alternativos (língua de sinais. de modo que favoreça a efetiva participação e integração do aluno. Vejamos exemplos ilustrativos:  a relação professor/aluno considera as dificuldades de comunicação do aluno.

de modo que permita alterações constantes e graduais nas tomadas de decisão. muitas vezes necessários e indispensáveis ao aluno. vamos falar das adaptações de acesso ao currículo que correspondem ao conjunto de modificações nos elementos físicos e materiais do ensino. Individualizando o Currículo Focando a atuação do professor na avaliação e no atendimento do aluno.  o respeito ao seu caráter processual. tendo como referência o currículo regular. as medidas adaptativas podem se distinguir em duas categorias: adaptações de acesso ao currículo e nos elementos curriculares. bem como aos recursos pessoais do professor quanto ao seu preparo para trabalhar com os alunos. As seguintes medidas constituem adaptações de acesso ao currículo: EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. devendo ser utilizadas para os que estudam em escolas especializadas. visando a organização do tempo de modo a incluir as atividades destinadas ao atendimento especializado fora do horário normal de aula. Por fim. por níveis.  a avaliação do nível de competência curricular do aluno. não se aplicam exclusivamente à escola regular. norteando a organização do trabalho consoante com as necessidades do aluno (adaptação processual). Além da classificação. seja para atender alunos nas classes comuns ou em classes especiais. Alguns aspectos devem ser previamente considerados para se identificar a necessidade das adaptações curriculares. bem como na identificação dos fatores que interferem no seu processo de ensino-aprendizagem.Essas adaptações no nível da sala de aula precisam necessariamente tornar possível a real participação do aluno e a sua aprendizagem eficiente no ambiente da escola regular. Emílio Figueira . Não esquecemos que as adaptações curriculares. quando a inclusão não for possível. Para o MEC. São definidas como alterações ou recursos espaciais. adotam formas progressivas de adequá-lo. as adaptações têm o currículo regular como referência básica. materiais ou de comunicação que venham a facilitar os alunos com necessidades educacionais especiais a desenvolver o currículo escolar. em qualquer nível:  a real necessidade dessas adaptações. seu papel principal na definição do nível de competência curricular do educando.

 adaptar materiais escritos de uso comum: destacar alguns aspectos que necessitam ser apreendidos com cores. a atenção e o interesse do aluno. ambientais e materiais para o aluno na sua unidade escolar de atendimento.  favorecer a participação nas atividades escolares. poderão receber apoio e auxiliares na sala de aula.  apoiar o uso dos materiais de ensino-aprendizagem de uso comum. destacar imagens. se necessário. criar condições físicas. o pessoal da cantina. gráficos que ajudem na compreensão.  adotar sistemas de comunicação alternativos para os alunos impedidos de comunicação oral (no processo de ensino-aprendizagem e na avaliação). a visita dos professores itinerantes e/ou outros especialistas no assunto para avaliar como anda o processo. o sucesso..  providenciar softwares educativos específicos.  encorajar. aluno-adultos. menos valia e fracasso. da limpeza. passar EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. A escola poderá receber de tempos em tempos. da manutenção. atendentes. inspetores. a participação.  despertar a motivação. Fundamental para o sucesso da Escola Inclusiva não será apenas jogar essa responsabilidade nas costas dos professores. os demais alunos. traços.  favorecer o processo comunicativo entre aluno-professor. a iniciativa e o desempenho do aluno.  atuar para eliminar sentimentos de inferioridade. estimular e reforçar a comunicação. desenhos. diretores. Professores com alunos em processo de inclusão. aluno. Sugestões do MEC que favorecem o acesso ao currículo:  agrupar os alunos de uma maneira que facilite a realização de atividades em grupo e incentive a comunicação e as relações interpessoais. Esses educadores precisão receber treinamentos constantes.  providenciar adaptação de instrumentos de avaliação e de ensino-aprendizagem.  propiciar o mobiliário específico necessário.  propiciar os melhores níveis de comunicação e interação com as pessoas com as quais convive na comunidade escolar. incluir desenhos.  propiciar ambientes com adequada luminosidade.  adaptar materiais de uso comum em sala de aula. sonoridade e movimentação. as famílias e comunidade em geral estejam envolvidas no mesmo objetivo. cobrir partes que podem desviar a atenção do aluno. modificar conteúdos de material escrito de modo a torná-lo mais acessível à compreensão etc. Emílio Figueira . Todas as demais pessoas.  fornecer ou atuar para a aquisição dos equipamentos e recursos materiais específicos necessários.

o que quero dizer com tudo isso. que certamente irá refletir na relação educador/educando e no processo de ensino e de aprendizagem. e muito. deverá estar todo um arsenal de apoio material e humano. Enfim. para uma convivência harmoniosa. dar treinamentos. mas por trás dele. é que o professor dentro de uma Sala de Aula Inclusiva é o personagem direto da Inclusão Escolar. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.instruções. construída coletivamente. O trabalho em equipe entre os profissionais de uma escola pode contribuir. Emílio Figueira . tirar dúvidas.

orientadores. da organização do processo de ensino- aprendizagem.  as deliberações e decisões políticas. Emílio Figueira . bem como os papéis de cada um nas situações de aprendizagem do aluno. dentre outros:  as pessoas: familiares. informações e relações no ambiente em que vive. das metodologias adotadas.  a identificação dos tipos mais eficientes de apoio em função das áreas e aspectos definidos. a integração e a funcionalidade no ambiente escolar e comunitário. podemos utilizar estes elementos de apoio.).  os programas e serviços de atendimento genéricos e especializados.Sistema De Apoio As decisões sobre adaptações curriculares podem incluir as modalidades de apoio que favorecem ou viabilizam a sua eficácia na educação dos alunos incluídos. Visando favorecer a autonomia.  as situações em que o apoio deve ser prestado: dentro ou fora da sala de aula. legais. as decisões sobre modalidades de apoio devem ser compartilhadas pelas pessoas envolvidas no processo de ensino-aprendizagem (consenso entre os educadores e profissionais que atendem ao aluno. de sala de recursos. sendo algumas mais válidas e adequadas para certos alunos e determinados contextos de ensino e aprendizagem (dependem do tipo de necessidades especiais do aluno. administrativas. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. monitores. os valores. das atitudes prevalescentes com relação ao aluno etc. colegas. definindo apoio como recursos e estratégias que promovem o interesse e as capacidades da pessoa. prévia ou posteriormente às atividades de ensino- aprendizagem regulares. de apoio).  as atitudes.  os recursos técnicos e tecnológicos. há diversas modalidades de apoio. das áreas curriculares focalizadas. professores (itinerantes. em grupo ou individualmente.  as funções e tarefas dos diferentes profissionais envolvidos na prestação do apoio. 2. Todas as decisões sobre apoio devem considerar:  as áreas prioritárias a serem apoiadas. adoção de critérios comuns para o trabalho pedagógico e ação conjunta). profissionais. a produtividade. as crenças. materiais e ambientais. considerando os seguintes pressupostos: 1. os princípios. Aula 11 . amigos. bem como oportunidades de acesso a bens e serviços.  os recursos físicos.

Indicado para alunos com deficiências mais agravantes ou múltiplas deficiências. sem tempo limitado (exemplo: atendimento na sala de recursos ou de apoio psicopedagógico. nem sempre necessário.). as modalidades de apoio devem estar circunscritas ao projeto pedagógico da escola (atender aos critérios gerais adotados pela comunidade escolar. atendimento itinerante). definição das funções do apoio. limitado: por tempo determinado e com fim definido (exemplo: reforço pedagógico para algum conteúdo durante um semestre. número de alunos a serem contemplados. desenvolvimento de um programa de psicomotricidade etc. em situações específicas de aprendizagem). dentro ou fora da sala de aula. em ambientes definidos. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. envolvendo equipes e muitos ambientes de atendimento. 5. 4.3. transitório e de pouca duração (exemplo: apoio em momentos de crise. Emílio Figueira . pervasivo: constante. extensivo: regular. ao local e ao momento onde será ministrado. grupos homogêneos ou mistos. 7. tomadas de providências etc. as modalidades de apoio devem estar associadas ao número e às características dos alunos.). temporário ou permanente etc. 8. intermitente: episódico. com alta intensidade e longa duração (ou ao longo de toda a vida).). bem como à sua duração e frequência (individual ou grupal. 6.

feitas em dois grupos: Adaptações Metodológicas e Didáticas:  situar alunos nos grupos com os quais possa trabalhar melhor.  adotar métodos e técnicas de ensino-aprendizagem específicas para o aluno. a família ou os colegas. substituindo-os por outros acessíveis. as que ele esteja impossibilitado de executar. sem prejuízo para as atividades docentes. Adaptações nos Conteúdos Curriculares no Processo Avaliativo  adequar os objetivos. conteúdos e critérios de avaliação. significativos e básicos. quando necessário. Aula 12 . critérios e procedimentos de avaliação. ainda. verbal e gestual ao aluno impedido. em suas capacidades.  introduzir atividades individuais complementares para o aluno alcançar os objetivos comuns aos demais colegas. modificando-os de modo a considerar. na sua consecução. a capacidade do aluno em relação ao proposto para os demais colegas. individualmente ou em grupo. que possam ser realizadas nas salas de recursos ou por meio do atendimento itinerante. sem alterar os objetivos da avaliação nem seu conteúdo. conteúdos e critérios de avaliação.  utilizar técnicas. atividades e metodologias para atender às diferenças individuais dos alunos.  propiciar apoio físico. Emílio Figueira . procedimentos e instrumentos de avaliação da classe. na operacionalização dos conteúdos curriculares. apoio oferecido pelo professor regente. de modo a permitir a realização das atividades escolares e do processo avaliativo. visual.  introduzir atividades complementares específicas para o aluno. conteúdos. na sala de recursos ou por meio do atendimento itinerante. pelo professor de sala de recursos. realizadas na própria sala de aula. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. devendo realizar-se de forma conjunta com os professores regentes das diversas áreas. pelo professor itinerante ou pelos próprios colegas. temporária ou permanentemente.Metodologia E Avaliações Nas Adaptações Curriculares teremos um conjunto de modificações que se realizam nos objetivos.  suprimir objetivos e conteúdos curriculares que não possam ser alcançados pelo aluno em razão de sua deficiência.  eliminar atividades que não beneficiem o aluno ou restrinjam sua participação ativa e real ou.  priorizar determinados objetivos.

na modalidade escrita . gestão etc. social. currículo.). atuação do professor. conteúdos e critérios de avaliação de desempenho do aluno em Língua Portuguesa. tipos preferenciais de agrupamentos que facilitam a aprendizagem e condições físico-ambientais mais favoráveis para aprender). dentre outros aspectos: EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. dar ênfase a objetivos concernentes à(s) deficiência(s) do aluno não abandonando os objetivos definidos para o seu grupo. interesses acadêmicos.  o estilo de aprendizagem (motivação. tratando-se de alunos com necessidades educacionais especiais. relações interpessoais.  mudar a temporalidade dos objetivos.  o nível de competência curricular (capacidades do aluno em relação aos conteúdos curriculares anteriores e a serem desenvolvidos).  o contexto escolar (projeto pedagógico. emocional. para a minimização de suas dificuldades e desenvolvimento do seu potencial.). capacidade de atenção. condições físico- ambientais. em um período mais longo de tempo. funcionamento da equipe docente e técnica. clima organizacional. o processo avaliativo deve focalizar.considerar que o aluno surdo pode alcançar os objetivos comuns do grupo. organização.acrescentar esses elementos na ação educativa pode ser indispensável à educação do surdo. estratégias próprias de aprendizagem. pode-se verificar a consecução dos objetivos propostos ao longo do ano letivo. Quando direcionado ao contexto familiar. ou pelo período de duração do curso frequentado pelo aluno. Por meio dos critérios de avaliação correspondentes. considerando a deficiência que possui. Emílio Figueira . o processo avaliativo deve focalizar:  o contexto da aula (metodologias. intelectual. individualização do ensino. Deve-lhe ser concedido o tempo necessário para o processo ensino-aprendizagem e para o desenvolvimento das suas habilidades. E. objetivos e critérios de avaliação . mas acrescentado aqueles relativos às complementações curriculares específicas. conteúdos e critérios de avaliação não pressupõe a eliminação ou redução dos elementos constantes do currículo oficial referentes ao nível de escolarização do aluno. procedimentos didáticos.  introduzir conteúdos. motor. flexibilidade curricular etc. Quando direcionado ao contexto educacional. comunicação e linguagem). O acréscimo de objetivos. o processo avaliativo deve focalizar:  os aspectos do desenvolvimento (biológico.

É imprescindível que se analise o contexto. as atitudes e expectativas com relação ao aluno. escolar e familiar. seu sucesso e promoção escolar. contando com o apoio da DRE/Secretarias de Educação (dirigente da Educação Especial) da localidade. com a orientação do corpo dirigente. as programações individuais do aluno devem ser definidas.  a competência curricular. autonomia e aprendizagem. O MEC recomenda alguns aspectos precisam ser considerados para orientar a promoção ou a retenção do aluno na série. a fim de que possa haver mudanças adaptativas necessárias à educação do aluno. motor. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. no que se refere à possibilidade de atingir os objetivos e atender aos critérios de avaliação previstos no currículo adaptado.  as condições socioeconômicas.  a dinâmica familiar.  apoio propiciado ao aluno e à sua família. ciclo (ou outros níveis):  a possibilidade do aluno ter acesso às situações escolares regulares e com menor necessidade de apoio especial. se necessário. organizadas e realizadas de modo a não prejudicar sua escolarização. bem como sua socialização. quando necessário. intelectual. emocional. Esses processos avaliativos deve seguir os critérios adotados para todos os demais alunos ou adotar adaptações. Emílio Figueira . as avaliações relativas às condições do aluno e do seu contexto escolar e familiar devem ser realizadas pela equipe docente e técnica da unidade escolar. motivação para os estudos. as adaptações curriculares devem estar contextualizadas e justificadas em registros documentais que integram a pasta do aluno.  o efeito emocional da promoção ou da retenção para o aluno e sua família. desenvolvimento biológico.  a valorização de sua permanência com os colegas e grupos que favoreçam o seu desenvolvimento. As adaptações curriculares devem ser precedidas de uma rigorosa avaliação do aluno nos seguintes aspectos: competência acadêmica. competência social e interpessoal. etapa. entre outros que indiquem ser as adaptações realmente indispensáveis a sua educação.  as possibilidades e pautas educacionais. linguístico. comunicação.  a participação na escola.

Os laudos médicos são importantes para que conheçamos algumas características que costumam estar presentes em alunos com alguns tipos de deficiência. já nos aponta uma meta possível de ser alcançada neste primeiro momento”. a partir daí. explica.Passo a passo da adaptação na sala de aula Para flexibilizar o conteúdo. sobretudo nos casos de alunos que apresentam algum tipo de deficiência intelectual. 1º Diagnosticar Lembre-se de que. Nesta situação imaginada pela especialista é preciso estimular o estudante a ampliar seu repertório de letras. Tire o foco do diagnóstico médico e proponha situações desafiadoras para descobrir até onde o aluno pode chegar. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. ainda não aprendeu a escrever. o estudante precisa contar com um ponto de partida. manter o olhar atento sobre o que o aluno conhece. você precisa sondar o que o aluno já sabe. Isso pode ser feito. Por meio de uma sondagem (um diagnóstico inicial ) descubra o que ele já sabe e verifique como pode contribuir com o coletivo. mas não contribuem para planejar o dia a dia em sala de aula. ao contrário dos colegas. mas isso raramente ajuda. Aula 13 . É muito comum. em São Paulo. embora não escreva da forma convencional. veja a descrição de cada uma dessas etapas. traçar uma meta de aprendizagem. Se isso acontece o professor deve investigar o que a criança já sabe em relação à escrita e. que a preocupação seja sobre o que “está faltando”. foque nas possibilidades de aprendizagem. da Escola da Vila. A educadora Maria da Paz Castro. qual a sua participação em projetos e trabalhos em grupo e em todas as atividades cotidianas. com algum conhecimento já construído por ele e que esteja relacionado ao conteúdo estudado no momento. Em vez de olhar para as dificuldades. no dia a dia. Ela cita o caso de um aluno que. Emílio Figueira . muito amplo. verificar que. faz tentativas de escrita utilizando as letras que compõem seu nome. Você pode propor uma atividade diagnóstica específica e. sobre aquilo que ele não sabe. por meio da apresentação dos nomes dos colegas. complementa com um exemplo. “Saber que ele precisa ser alfabetizado é muito pouco. isto é. para que perceba a existência de outras letras e reflita sobre a melhor forma de utilizá-las. e não nos aponta um caminho. adaptar o que for necessário e fazer uma boa avaliação. Por outro lado. Abaixo. para construir novos conhecimentos.

Todos os alunos precisam aprender e construir procedimentos e posturas condizentes com a condição de estudantes. 22. junto à equipe pedagógica da escola. para a classe. 2º Adaptar (ou flexibilizar) Lembre sempre que as atividades são planejadas com base no contexto da sala de aula. na maioria das vezes já sabem escrever. temos. visuais ou táteis. o educador poderia estabelecer algumas metas. física ou auditiva. 23. reconhecer a necessidade de o aluno contar com intervenções que se diferenciam de forma significativa das aplicadas ao resto da classe. a construção de procedimentos do escritor relativos ao texto informativo.Outra hipótese. visual e auditiva. lançando mão de mais recursos sonoros. por exemplo. como propor uma contagem mais longa e a construção de outros conhecimentos sobre a organização do sistema de numeração. você deverá flexibilizar os meios para realizar certas atividades. 32. Vejamos: no caso de um projeto que propõe a produção de um livro de animais para crianças do 3º ano. No caso dos alunos que apresentam deficiência visual. Portanto. Para este exemplo. que. que a cada dez números contados a sequência de unidades se repete (21. 24. se for preciso. Em outros casos. observando e analisando o material de pesquisa onde se encontram palavras familiares. de fundamental importância para que o aluno consiga resolver problemas matemáticos no futuro. entre outros. aparelhos. Em algumas situações de adaptação curricular. objetivos que visam a sistematização da escrita. a escrita das palavras já fazendo uso de muitas regras de ortografia. podemos ter como meta os avanços que estes alunos podem ter escrevendo os nomes dos animais. nada de deixar seu aluno com deficiência como “café com leite” da turma. tais como. lupas. é necessário transformar apenas os objetivos das sequências didáticas. por exemplo.. mas consegue considerar. lançando mão dos recursos conhecidos. o sistema braile e até das “nossas mãos”. 33. listamos algumas orientações gerais de flexibilização para casos de deficiência intelectual. agora na disciplina de Matemática. Para exemplificar. 34). Veja: EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. física. 31. nossa função é fornecer-lhes o acesso ao material. arriscando-se a escrever pequenas legendas (ainda que não consigam fazê-lo da forma convencional) etc.. Emílio Figueira . O currículo deve ser adaptado ou personalizado se o professor. Para aqueles alunos que ainda estão em fase de construção da compreensão das regras do sistema alfabético. É possível que haja um estudante que não se mostra capaz de fazer um cálculo simples.

Deficiência Visual: em parceria com o AEE.Deficiência Intelectual: cada um destes alunos é único. ofereça registros escritos em braile ao aluno cego. É fundamental considerar que. deverá ser construída a partir do que foi trabalhado com ele. Deixe que ele grave as aulas e. Deficiência Física: se o seu aluno possui deficiência física nos membros superiores. para que a criança consiga perceber texturas. Eles podem participar jogando com as mãos e você pode adaptar algumas modalidades para que todos joguem nas mesmas condições. ofereça bons registros escritos e em imagens e ajude o seu aluno no dia a dia. Abuse dos estímulos visuais e táteis. Conte com vários instrumentos de avaliação e selecione aqueles que proporcionem maior número e qualidade de EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. É comum que estes estudantes tenham dificuldades com conteúdos abstratos. 3º Avaliar Determine metas. esse aluno também deverá ser submetido à situação de avaliação que. Emílio Figueira . estímulos táteis. Proponha que ele sente nas carteiras da frente e procure falar olhando para o aluno. intervenções e objetivos de aprendizagem específicos para os alunos que apresentam algum tipo de deficiência. formas e aromas. assim como os demais. já que a avaliação é sempre pautada no que já foi dado em sala de aula. não desista. Consequentemente. Isso não quer dizer que daremos a eles “todo o tempo do mundo”. auditivos e olfativos. Outra sugestão é flexibilizar o tempo de realização da atividade conforme o ritmo da criança e repetindo as etapas sempre que for preciso. este não é um motivo para excluir o aluno das aulas de Educação Física. Providencie. ofereça a ele pranchetas com apoios para que tenha firmeza ao escrever. se a sua escola ainda não contar com a ajuda deste profissional. a avaliação desses estudantes vai refletir as adaptações que você fez para ensinar. Contextualizar as atividades e os conteúdos com situações do cotidiano podem ajudá- la a aprender. Se houver limitação nos membros inferiores. Deficiência Auditiva: ter um intérprete de Libras na escola é um direito. se a classe inteira está fazendo uma prova. caso ele seja capaz de fazer a leitura orofacial. Os lápis e canetas também devem estar envoltos em espuma. obviamente. respeite o tempo de escrita desta criança (que pode ser maior que o dos colegas). Mas. Por isso. ainda. esses alunos precisam ser desafiados a fazer as atividades em um tempo cada vez mais curto. se tiver uma máquina braile. é preciso conhecer os pontos fracos e fortes dessa criança para fazê-la avançar pelos meios mais adequados. pois. para que não escorreguem.

Isso vai ajudá-lo a traçar um panorama de aprendizagem e focar. por exemplo. e ele com os cálculos simples. o aluno deve ser submetido à prova que aborda estes cálculos.informações acerca do desempenho. Não se esqueça de fazer bons registros de todas as atividades realizadas com a turma e de guardar as produções dos alunos. mas nenhum deles substitui outro. Emílio Figueira . deve ser orientado para estudar. Podemos dizer que este é um princípio importantíssimo para seu processo de inclusão efetivo. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Ainda que a classe esteja trabalhando na área de Matemática com as frações. todos os instrumentos são importantes. ou outra situação formal de aprendizagem. que não os avaliados em uma prova. Assim. os pontos em que o aluno ainda precisa avançar. sistema de avaliação (notas ou conceitos) e correção/devolução no mesmo dia e na mesma hora do grupo. e sua prova deve ser montada como as outras. Detalhes como cabeçalho idêntico ao da prova regular. são importantíssimos. É sempre bom lembrar que os alunos com deficiência precisam passar pelos momentos avaliação ao mesmo tempo que os colegas. A observação do aluno em momentos de aprendizagem ou de atuação coletiva é mais um instrumento bastante valioso e oferece a possibilidade de avaliar outros tópicos. Você também deve criar relatórios periódicos com as análises quantitativa e qualitativa do desempenho dos alunos e utilizar esses dados no momento de replanejar as aulas ou de repensar algumas atividades. no planejamento.

em uma sala de aula de ensino geral. ter discussões ou usar como um espaço de trabalho alternativo. A educação inclusiva é dependente de acesso do aluno ao currículo. Emílio Figueira . EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. equipamentos de áudio / visual ou dispositivos de assistência. aqui estão 10 itens que podem fazer sua sala de aula mais inclusivas: 1. iPads. Tecnologia Tecnologia é vital para a sala de aula do século 21. Tendo uma tabela permite que o professor agrupar os alunos e fornecer-lhes vários tipos de programação de ensino que atendam às necessidades do grupo. Trata-se de educar todos os alunos. As escolas devem criar oportunidades que utilizam atividades. Não só permitem aos alunos acompanhar o nosso mundo em mudança. 2. a tecnologia pode desempenhar vários papéis em sala de aula inclusiva. Quer se trate de um computador. Essencialmente. que fornece acesso para o currículo para alunos com necessidades especiais. tecnologia apela para a maioria dos grupos de estudantes e apoia a inclusão de várias maneiras. A tabela é geralmente colocado em uma área de destaque da sala. A tabela grande Não há nenhuma peça de mobiliário mais importante em uma sala de aula inclusiva do que uma mesa grande o suficiente para pequenos grupos de alunos. Altamente envolvente. Pode oferecer software educacional. Se você estiver trabalhando em uma sala de aula inclusiva ou está no caminho para se tornar um. juntamente com colegas da mesma idade e pares com capacidades variáveis.Aula 14 .10 itens que podem fazer sua sala de aula mais inclusivas A educação inclusiva é amplamente baseado em uma atitude no sentido de educar os alunos com necessidades especiais. os estudantes podem encontrar na mesa para trabalhar juntos em projetos. ele não diferencia entre os alunos que estão com desenvolvimento típico e estudantes que não são. fornecer um currículo acessível a crianças com necessidades especiais e ajudar a diferenciar lições. e facilita muitas oportunidades para os alunos a ser membros de um grupo. espaço e materiais para que todos os estudantes podem aprender. Além disso.

cartazes. Apoiando o comportamento dos alunos. 5. Para uma descrição detalhada de um sistema de gestão de comportamento positivo usado em salas de aula inclusivas. televisão ou iPad. ótimo. permitindo que os alunos demonstrem o seu conhecimento. Emílio Figueira . eles preferem um "hands-on" abordagem para ajudá-los a entender as lições. você pode se referir a minha estratégia secreta para Gestão de Sala de Aula bem sucedido. Além disso. diagramas. desenvolver novos níveis de compreensão e explorar conceitos mais profundos. gráficos organizadores e diferentes tipos de papel. manipuláveis são uma maneira fácil de fazer uma sala de aula mais inclusivas. tais como alinhado. itens muito importantes na sala de aula inclusiva. Ele permite que o professor para destacar e reforçar os pontos fortes individuais dos alunos. 4. Sistema de Gestão de Comportamento Positivo Um sistema de gerenciamento de comportamento positivo pode suportar e manter um ambiente de aprendizagem seguro. gráficos. a manutenção de um ambiente de aprendizagem calma e fornecendo rotinas previsíveis ajudar a dar a todos os alunos condições de aprendizagem óptimas. ele fornece aos alunos com sugestões para o bom comportamento. Manipulatives Salas de aula inclusivas fornecem currículo para diferentes tipos de alunos. colocados em recipientes de plástico e colocar em prateleiras ao redor da sala.Manipulatives pode apoiar este processo. explicar uma idéia ou ajudar um aluno a compreender a lição. Um assessor visuais também pode ser um SMART Board. Alguns exemplos incluem: horários. simples ou gráfico. sem dúvida. Auxiliares Visuais Auxiliares visuais são. Útil para todas as idades. Assessores visuais vir de várias formas e deve haver uma variedade disponível em uma sala de aula para facilitar a inclusão. linhas telefónicas de números. Para alguns alunos.Eles atraem o interesse dos alunos. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Manipulatives podem ser facilmente agrupados. acomodar ou modificar uma lição. Salas de aula inclusivas sempre tem vários tipos de auxiliares visuais úteis para ajudá entregar.3.

Livros de alta de juros nivelados Salas de aula inclusivas reconhecer que os alunos aprendem de maneiras diferentes em diferentes taxas. 9. tais como avaliações. observações. Muitas vezes esquecido.6. Sticks 8. Oferecendo livros (ou livros de áudio) que são adequadas à idade. Há muitas estratégias para isso. Sempre que o professor exige que os alunos para fazer equipes. Dados importantes. Job Uma Carta Job serve a vários propósitos em uma sala de aula.Empregos de classe são geralmente rodados semanalmente. interessante e podem ser lidos por leitores em diferentes níveis são uma forma importante de fazer uma sala de aula mais inclusivas. completar uma tarefa. mas uma maneira simples e fácil que garante que todas as crianças na sala de aula tem a oportunidade de ser incluído é chamado de palitos de picolé. ou responder a uma pergunta. mas muito eficaz. um palito de picolé é escolhida aleatoriamente a partir do frasco. é extremamente importante que os professores rastrear os pontos fortes e necessidades de cada aluno. Não só os professores querem fornecer lições que abordam as diferentes habilidades. Primeiro. Esta estratégia garante que todas as crianças na sala de aula tem uma chance de ser convidado a completar a tarefa e feito de uma maneira imparcial. Em segundo lugar. uma sala de aula inclusiva também deve fornecer livros que podem ser lidos para a apreciação.Popsicle Os professores precisam de ter um método de escolher os alunos para atividades em sala de aula de uma forma justa. Finalmente. Gráfico 7. Bem como livros didáticos. com alunos participantes da melhor maneira possível para a melhoria do grupo. ele ajuda a manter a sala de aula em funcionamento. mas também fornecer materiais de sala de aula que todos os alunos podem usar. Emílio Figueira . um gráfico de trabalho classe pode incluir todos os alunos na sala de aula de várias maneiras. Este método envolve colocar o nome de cada criança em um palito de picolé (encontrado em lojas de artesanato) e colocando todas as varas em um frasco. ele pede a ajuda dos alunos e faz com que a carga de trabalho mais leve. permite que todos os alunos a contribuir para o bom funcionamento da sala de aula. IEPs e notas EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Informações sobre os Estudantes Binder Porque uma classe inclusiva congratula-se com os alunos de todos os níveis. e mais importante.

Emílio Figueira . eles também desempenham um grande papel em ensinar os alunos as habilidades sociais e trabalho em equipe. O professor pode usar esta informação para garantir que todos os estudantes são incluídos e participar no programa de sala de aula. Jogos Jogos como jogos de cartas. No entanto.podem ser mantidos juntos em um só lugar. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. os jogos podem permitir que os alunos a relaxar no ambiente de aprendizagem. 9. Um professor pode facilmente combinar informações em um Informações sobre os Estudantes Binder que irá apoiar a implementação de um currículo inclusivo. desfrutar de uma empresa e formar relacionamentos uns dos outros. eles oferecem muitas maneiras diferentes em que um aluno pode participar. Mais importante. jogos de tabuleiro e jogos de sala de aula são muitas vezes utilizados pelos professores para reforçar um conceito novo. Porque as escolhas são infinitas do jogo.

PEDAGOGIA DIFERENCIADA EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Emílio Figueira .

Por conseguinte. É a camada Pedagogia Diferenciada ou da Diversidade. reconhecendo. visando:  Favorecer o desenvolvimento do aluno nas áreas socioafetiva. No fazer pedagógico precisa contar com a exploração de temas transversais e a integração entre as diversas disciplinas: ao exercício da cidadania. para assegurar a todos os seus alunos as melhores condições de desenvolvimento e aprendizagem.  Promover o desenvolvimento da confiança do aluno em suas potencialidades e a consciência das suas limitações e das do outro. para que desenvolva e aprimore suas formas de expressão nas diferentes linguagens (corporal. criticidade. Emílio Figueira . os alunos poderão atuar de forma mais consciente e responsável. a elaborar hipóteses que os aproximem cada vez mais da formalização das noções e conceitos trabalhados. psicomotora e cognitiva. por meio de constantes questionamentos. na diversidade. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. deveres. sensível às diferenças. O desafio da inclusão exige uma mudança global na organização e funcionamento da escola. porém ao mesmo tempo igual. único. Aula 15 – Características da Pedagogia Diferencia Em Educação Inclusiva. cênica. atento à dinâmica e às demandas de cada classe como um todo e aos limites e possibilidades de cada aluno. como mediador desse processo inclusivo. didáticos. necessidades e em valor. incentivando a construção de sua autoconfiança. pautada na reflexão da prática educativa com um “novo olhar”. o professor. essenciais à vida em sociedade. oral. plástica. musical. familiarizando-se com as estratégias cognitivas aplicadas por eles na resolução de situações-problema. responsabilidade e autonomia. semelhante em direitos. reconhecendo-se capazes de agir para transformar.  Estimular o potencial criativo do aluno. singular. escrita e lógico-matemática). que necessita adaptar o seu projeto político-pedagógico. à aceitação das diferenças e ao desenvolvimento do sentimento de pertinência à nação brasileira. revendo paradigmas psicológicos. oferecendo-lhe modelos positivos para a estruturação de valores morais e éticos. Dessa forma. socioculturais e administrativos. uma oportunidade para ampliação dos seus conhecimentos e enriquecimento das relações interpessoais. poderá ajudá-los. precisa conhecer de perto seus alunos.  Promover a formação do cidadão.

 Formar cidadãos que conheçam e valorizem as riquezas naturais e a diversidade do patrimônio sociocultural brasileiro. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Favorecer a apropriação de conhecimentos socioculturais e científicos. para possibilitar ao aluno a ampliação da sua visão de mundo e uma atuação consciente frente à realidade. fundamentais na estruturação da identidade pessoal e nacional. Emílio Figueira .

Aula 16 – Avaliações de Alunos Em Educação inclusiva. por fatores diversos. para avaliarmos. principalmente.  Interativa: comprometendo nesse processo. procedimentos. Emílio Figueira . psicomotora e cognitiva.  Diferenciada: definiremos metas de aprendizagem adaptadas e/ou instrumentos/intervenções diferenciados. por ser:  Integral: abrangendo todas as áreas de desenvolvimento - socioafetiva.  Contínua: realizada em diferentes momentos e através de diversos procedimentos. caracterizada. o desempenho dos alunos que. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.  Acumulativa: os principais conteúdos (conceitos. além do professor. fatos. de maneira justa. estejam com dificuldade de superar os desafios propostos ao seu grupo-classe. os próprios alunos e seus familiares. valores e atitudes) trabalhados em cada etapa serão aprofundados e reavaliados nas etapas seguintes. demais educadores e membros da escola. o aluno precisa passar pela modalidade de avaliação formativa (processual).

O AEE COMO RECURSO DE APOIO EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Emílio Figueira .

de 25 de agosto de 2009. organizados institucional e continuamente. o Atendimento Educacional Especializado compreende um conjunto de atividades. a Educação Especial é a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. intelectual ou sensorial. para alunos com deficiência. a Educação Especial integra a proposta pedagógica da escola regular. O Atendimento Educacional Especializado (AEE). recursos de acessibilidade e pedagógicos. de 20 de dezembro de 1996. Emílio Figueira . promovendo o atendimento educacional especializado. prestados de forma complementar à formação de estudantes com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. O AEE complementa e/ou suplementa a formação do aluno com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. preferencialmente na rede regular de ensino. de 17 de novembro de 2011. "pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo. etapas e modalidades. Segundo a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU/2006). considerando as suas necessidades específicas. ratificada no Brasil com status de emenda constitucional e promulgada por meio do Decreto nº 6. e suplementar à formação de estudantes com altas habilidades/superdotação. os quais. é gratuito aos estudantes com deficiência. podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas". mental. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. O que é o AEE (Atendimento Educacional Especializado) Um serviço da educação especial desenvolvido na rede regular de ensino que organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem barreiras para a plena participação dos alunos.611. de natureza física.394. e deve ser oferecido de forma transversal a todos os níveis.949/2009. em interação com diversas barreiras. Lei nº 9.Atendimento Educacional Especializado Na perspectiva da Educação Inclusiva. De acordo com o decreto. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. definido pelo Decreto nº 7. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Aula 17 .

aqueles que tem impedimento de longo prazo de natureza física. transtornos gerais de desenvolvimento e altas habilidades  disponibiliza o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização  oferece tecnologia assistiva – TA  adéqua e produz materiais didáticos e pedagógicos. Para alunos com altas habilidades o AEE oferece programa de ampliação e suplementação curricular. embora suas atividades se diferenciem das realizadas em salas de aula de ensino comum. sensorial (visual e pessoas com surdez parcial ou total) Alunos com transtorno gerais de desenvolvimento e com altas habilidades (que constituem o público alvo da educação especial).  Adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos e outros. intelectual. utilização de recursos ópticos e não ópticos.  Tecnologia assistiva. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.  Sistema Braille. Língua Portuguesa na modalidade escrita. tendo em vista as necessidades especificas dos alunos  oportuniza ampliação e suplementação curricular (para alunos com altas habilidades)  O AEE deve se articular com a proposta da escola comum. como segunda língua para pessoas com surdez. orientação e mobilidade. também podem ser atendidos por esse serviço.  Desenvolvimento de processos mentais.O que faz o AEE  apoia o desenvolvimento do aluno com deficiência. sorobã. Emílio Figueira .  Atividades de vida autônoma. desenvolvimento de processos mentais superiores e outros. Para quem O AEE se destina a alunos com deficiência. Por quem O AEE para pessoas com deficiência é realizado mediante atuação de professores com conhecimentos específicos no ensino de:  LIBRAS.

Emílio Figueira . produzir e organizar serviços. preferencialmente na própria escola do aluno e em sala de recursos multifuncionais.Quando e Onde – rede municipal de SBC O AEE é realizado no período inverso ao da classe comum frequentada pelo aluno. recursos pedagógicos. de acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos público-alvo da Educação Especial. III – organizar o tipo e o número de atendimentos aos alunos na sala de recursos multifuncionais. avaliando a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade. promovendo autonomia e participação. V – estabelecer parcerias com as áreas intersetoriais na elaboração de estratégias e na disponibilização de recursos de acessibilidade. elaborar. IV – acompanhar a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade na sala de aula comum do ensino regular. 13. VII – ensinar e usar a tecnologia assistiva de forma a ampliar habilidades funcionais dos alunos. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. São atribuições do professor do Atendimento Educacional Especializado: I – identificar. VI – orientar professores e famílias sobre os recursos pedagógicos e de acessibilidade utilizados pelo aluno. bem como em outros ambientes da escola. Atribuições do professor AEE De acordo com a Resolução CNE/CEB nº 04/2009 Art. II – elaborar e executar plano de Atendimento Educacional Especializado.

acionando OP e EOT para discussão do caso. a unidade escolar encaminha ficha resumo para SE-115. equipe gestora e professor AEE discutem o caso apresentado. professor da turma e professor AEE observam as dificuldades e potencialidades do aluno e preenchem ficha RAE indicando a pertinência ou não de atendimento em sala de recurso multifuncional no contraturno. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.VIII – estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum. para acompanhamento dos Projetos (DI educação infantil ou ensino fundamental. a equipe gestora. Havendo necessidades de apoio de recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem barreiras. Alunos com múltiplas deficiência poderão ter atendimento num único Projeto. para acompanhamento dos Projetos (DI educação infantil ou ensino fundamental. Encaminhar para o serviço de saúde e indicar o serviço de apoio pedagógico mais adequado. Aluno com laudo médico Quando se matricula um aluno com deficiência que apresente laudo médico. Preenchem ficha RAE. DA ou DV). Aluno sem laudo médico Professor da turma. a critério da equipe. Emílio Figueira . Havendo necessidades de apoio de recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem barreiras. Alunos com múltiplas deficiência poderão ter atendimento num único Projeto. por exemplo PAA . visando à disponibilização dos serviços. dos recursos pedagógicos e de acessibilidade e das estratégias que promovem a participação dos alunos nas atividades escolares. As discussões do acompanhamento do aluno no decorrer do ano letivo devem ser registradas ficha RAE. DA ou DV). enquanto aguarda resposta do serviço médico. AEE ou outro de acordo com plano elaborado.2. a unidade escolar encaminha ficha resumo para SE-115.2.

Oferecimento do AEE é dever de Estado. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. todavia lembramos que cabe a família a aceitação. Emílio Figueira .As discussões do acompanhamento do aluno no decorrer do ano letivo devem ser registradas ficha RAE. Casos de desligamento poderão ser solicitados pela família ou mediante estudo de caso.

Enquanto psicólogo.Aula 18 . EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. coração batendo rápido. tais como uma sensação de vazio no estômago. pegando confiança e o jeito um do outro. mas um estado de ansiedade e. em muitos casos mesmo que seja de forma inconsciente. aperto no tórax e transpiração. nos primeiros dias. conheçam-se mutuamente. Emílio Figueira . tenho notado que os discursos de várias pessoas que falam em Inclusão Escolar também esbarram em questões culturais e/ou até certo comodismo por parte de algumas pessoas envolvidas. canso de ouvir professores dizerem que não estão preparados para receberem alunos com deficiência. Nossas ansiedades são uma característica biológica do ser humano.A Ansiedade Como Primeiro Desafio A Ser Vencido Hoje. A dica é que primeiro o receba e. um novo modelo social que retirou todo aquele caráter médico que envolvia questões referentes às pessoas com deficiência. Ora. mas vivências interpessoais e problemas na primeira infância podem ser importantes causas desses sintomas. Diante da Educação Inclusiva. É muito comum eu receber em meu consultório muitas pessoas desorientadas. pais. falamos muito de Inclusão Social ou Escolar. Tanto a ansiedade quanto o medo não surgem na vida da pessoa por uma escolha. a aprendizagem e o desenvolvimento humano são individuais e ninguém tem um modelo a seguir. marcadas por sensações corporais desagradáveis. professores e outros envolvidos querem rapidamente encontrar soluções de como trabalhar com aquele aluno. querendo entender o que realmente é essa Educação Inclusiva e como seu filho com deficiência pode participar e ter sucesso nela! Ou recebo e-mais de professores e diretores de escolas me pedindo orientações e aconselhamentos. medo intenso. pois imaginam que a deficiência está associada ao estado de doença e/ou que não as pessoas com deficiência não se desenvolvem ou aprendem como as demais. Não há maldade nisto. um mecanismo de defesa contra algo desconhecido. as quais antecedem momentos de perigo real ou imaginário. Por outro lado. Para a maioria dos professores e para a grande parte da população ainda há aqueles velhos conceitos culturais referentes às pessoas com deficiência.

Ao mesmo tempo em que for buscando o maior número possível de informações sobre o aluno e formas de trabalhar com ele. o professor descobrirá naturalmente no dia a dia suas próprias técnicas e adaptações de atuação em cada caso. sendo a Educação um processo feito por etapas. Afinal. Será importante que os pais também não se angustiem ou procurem respostas rápidas da parte da escola. Emílio Figueira . São dicas sobre isso que veremos nos capítulos a seguir! EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. por que diante da Inclusão Escolar muitos procuram respostas rápidas? O reflexo da vida moderna que nos cobram resultados e que geram nossas ansiedades não podem entrar na sala de aula inclusiva.

o desenvolvimento psicomotor de todas as crianças. Meu progresso foi pequeno. no início da adolescência. muitas vezes tive que me superar para acompanhá-los. ele será estimulado a imitar e autoestimulará. o ato de promover de forma natural a interação social entre todos. um filme passa por minha memória dessa época: a maneira natural que fui aceito no grupo escolar. fui transferido para uma pequena cidade do interior paulista. estudei por nove anos numa instituição totalmente fechada para pessoas com deficiência – época da institucionalização. para chegar a este estágio. Acredito que o processo de Inclusão Escolar e Social tem muito mais chances de sucesso em cidades pequenas. professores. superando suas próprias deficiências. inclusive. do qual tenho o privilégio de. entendo a Inclusão Escolar não só como o processo de transferir o conteúdo aos alunos. Isso porque quando um aluno com algum tipo de deficiência vê seus colegas sem deficiência realizando certas tarefas. Há importâncias e benefícios em se colocar uma criança com deficiência entre crianças sem deficiência. físico e intelectual. Ali. Hoje. também. Estímulos estes que seu uma criança com deficiência não teria se ficasse em instituições especializadas entre alunos com deficiências semelhantes. Tudo é natural. alguns caminhos e mudanças de mentalidades precisam ocorrer. há quase trinta anos.O Desenvolvimento Global Do Aluno E Os Efeitos Positivos Das Deficiência Dentro da Escola. Só que. ainda ter a amizade e contatos com alguns professores e amigos daquela época. indo estudar numa escola de ensino regular. escola. Ali sim ocorreu o meu real desenvolvimento pessoal. O desenvolvimento global do aluno precisa passar por um sistema de cooperação e convivência entre família. quero falar um pouco sobre um teórico que gosto muito: Lev Semionovitch Vygotsky (1896-1934). mas. mas.Aula 19 . psicólogo bielo-russo. Nesses lugares. descoberto nos meios acadêmicos EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. ainda encontramos algo fundamental no coração das pessoas: amor e capacidade de auxiliar e incluir a todos nos mesmos círculos de relações. colegas e sociedade em geral. Entretanto. É sobre elas que vamos conversar neste capítulo. tanto na escola quanto nas atividades e brincadeiras por toda a cidade. posso afirmar isto com conhecimento de causa. Precisa-se promover noções de respeito entre as diferenças e. convivendo com amigos sem deficiência. Emílio Figueira . dentre outros aspectos. Durante os anos 70.

restrição/perda de atividade. Uma situação de desvantagem às demais pessoas sem deficiência. destacando que esses instrumentos EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. sequelas nas partes anatômicas do corpo. tudo aquilo que uma pessoa com deficiência não consegue realizar em função de sua limitação. profissionais de saúde e de reabilitação. em termos de traços psicológicos refletidos nos testes de psicologia. Esse nosso amigo focalizou o desenvolvimento de criança com deficiência. não apenas de suas diferenças orgânicas. A partir dessa divisão. Vygotsky foi pioneiro na noção de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida. educadores. mas principalmente de suas relações sociais. Ao longo de uma década. Suas forças eram muito mais importantes do que suas faltas. destacando os aspectos qualitativamente diversos. social e em atitude. tais como órgãos. dano ou anormalidade de estrutura ou função do corpo. podemos dizer que. Em “Obras Completas – Elementos da Defectologia”. membros e seus componentes.  eficiência secundária: São as consequências. Vygotsky rejeitava as descrições simplesmente quantitativas. incluindo a parte mental e psicológica com um desvio significativo ou perda. Emílio Figueira . ou seja. restrições de participação ao se envolver em situações de vida em ambiente físico. No caso. tenho estudado muito a obra de Vygotsky. enquanto família. Pensador importante. sim. precisamos focar nossas atividades em ajudar a criança e/ou a pessoa a superarem suas deficiências secundárias e não focarmos principalmente nas deficiências primárias. Ele afirmava que essas crianças e pessoas não são menos desenvolvidas em determinados aspectos que as sem deficiência e. podendo o indivíduo encontrar limitações na execução de atividades.ocidentais depois da sua morte causada por tuberculose aos 37 anos. Creio que a família e principalmente os pais sabem disso melhores que ninguém! Concentrando atenção e estimulando as habilidades das crianças e pessoas com deficiência. descrevendo que elas têm dois tipos de deficiências:  Deficiência primária: Trata-se da deficiência propriamente dita – impedimento. o qual já tomo a liberdade de chamá-lo de meu amigo. dificuldades e desvantagens geradas pela primária. podemos formar a base para o desenvolvimento de suas capacidades integrais. gerando ideias e um novo modo de ver tais questões. desenvolvem- se de outra maneira. abordou de forma pioneira e sistemática assuntos relacionados à criança ou à pessoa com deficiência com grande significado. na qual as pessoas vivem e conduzam sua vida.

. confiar nas descrições qualitativas da organização de seus comportamentos. Assim. então. Será fundamental que. mas como um desafio e processo criativo da luta dele contra tudo que o limita. ao nascer ou ao adquirir uma deficiência. Os conflitos surgem a partir do contato dela com o meio exterior e podem criar estímulos para sua superação. devido a uma deficiência funcional. as leis que regem o desenvolvimento cognitivo e psicológico dessa criança são as mesmas que guiam o desenvolvimento das crianças ditas normais. Entendendo melhor. Emílio Figueira . enquanto pais. Mas onde realmente podem surgir os conflitos na vida de uma criança com deficiência? Simples. conhecendo essa visão que Vygotsky descrevia sobre as crianças com deficiência. Talvez. menores serão os impactos e efeitos negativos limitantes decorrentes de seu problema.apenas indicavam uma visão incompleta ou unidimensional sobre a criança. o grau de normalidade de seu filho depende de sua adaptação social. Embora o desenvolvimento apresente algum desvio fora da normalidade. estimulem as crianças com deficiência a encarar suas limitações não como obstáculo. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. dado que estas nada mais são que a falta de um conhecimento prévio. ou seja. Preferia. São o que Vygotsky intitulou de efeitos positivos da deficiência. mas também estimulariam processos cognitivos. a criança passa a ocupar certa posição social especial. Se um órgão. seguindo caminhos especiais. família e educadores. o sistema nervoso central e o aparato mental compensam a deficiência pela criação de uma superestrutura psicológica que permite superar o problema. a criança ou pessoa com deficiência sempre encontrará alguma forma ou adaptações necessárias para conseguir fazer o que deseja de uma forma ou outra. familiares e educadores poderão diminuir suas ansiedades. pois na minha vida pessoal sempre foi assim. Isso é verdade. Contudo. não é capaz de enfrentar uma tarefa. levando-a a ter relações com o mundo de maneira diferente dos relacionamentos que envolvem as crianças ditas normais. pais. Aprendi com o Vygotsky que. marcando a singularidade do desenvolvimento da criança ou pessoa com deficiência. ele afirmava que uma deficiência para uma criança ou adulto pode e deve ser encarada como uma constante estimulação para o desenvolvimento mental.. as deficiências poderiam causar limitações e obstáculos para o desenvolvimento da criança. dizendo que o grau de normalidade depende da adaptação social e que os efeitos positivos das deficiências podem estimular o desenvolvimento cognitivo e psicológico de seus filhos. Desta forma. quanto mais uma criança ou adulto com deficiência estiver incluído e participando do maior número possível das atividades de sua comunidade. caminhos no curso do desenvolvimento que permitem atingir determinados objetivos ou funções.

de modo cultural. Enquanto familiares e profissionais de educação ou psicologia e áreas afins. como elas interagem com o mundo. a internalização dos papéis vividos. entenderemos que as suas histórias de vida são propostas lançadas já há muitas décadas pelo nosso amigo Vygotsky. podemos concluir que. ainda que seja vaga. as concepções que se têm sobre si mesmas. sempre atribuímos uma série de qualidades negativas a uma criança ou pessoa com deficiência. a participação ou exclusão da vida social. sobre o que ela possui e sobre o que ela é”.Infelizmente. no que falta na pessoa. Emílio Figueira . focando principalmente as dificuldades de seus desempenhos. dado que pouco conhecemos das suas particularidades positivas. para Vygotsky “é impossível apoiar-se no que falta a uma criança e naquilo que ela não é. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Torna-se necessário ter uma ideia. Desta forma. precisamos perder essa cultura de focar a deficiência em si mesma. ou seja. Todavia. organizam seus sistemas de compensações (as trocas e as mediações que auxiliam na sua aprendizagem). Devemos buscar outros entendimentos de como se apresenta processo de desenvolvimento dessas pessoas.

Gardner criou a Teoria das Múltiplas Inteligências como alternativa para o conceito de inteligência. tendo possíveis semelhanças entre as áreas. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.As Múltiplas Inteligências E De Um Aluno Com Deficiência Esses dias estive pensando. As habilidades humanas não são organizadas de forma horizontal. as ocupações ilustram bem a necessidade de uma combinação de inteligências. segundo ele. 1994). independentes áreas intelectuais. geral e única que permite aos indivíduos uma performance. defendendo que todos os indivíduos são capazes de uma atuação em pelo menos sete diferentes e. até certo ponto. Aula 20 . Assim como eu. em vez de haver uma faculdade mental geral como a memória. podem desenvolver outras atividades? É isto que vamos conversar neste capítulo. descritas no seu livro “Estrutura da Mente: A teoria das Inteligências Múltiplas” (Porto Alegre. Mas já pensou que há outras possibilidades de nossos filhos ou alunos atingirem sucesso e serem integrados numa sociedade produtiva? Que eles. Gardner propõe que se pense nessas habilidades como organizadas verticalmente e que. queremos que nossos filhos estudem como qualquer criança e atinjam uma faculdade e uma carreira de sucesso. mas. mas não necessariamente uma relação direta. Mesmo sendo essas inteligências até certo ponto independentes uma das outras. que a entende como uma capacidade inata. principalmente àquele com deficiência mais acentuada. maior ou menor. elas raramente funcionam isoladamente. Sempre usamos os padrões estabelecidos como metas a serem atingidas. esse teórico duvida da possibilidade de se medir a inteligência por meio de testes de papel e lápis e dá grande importância a diferentes atuações valorizadas em culturas diversas. psicólogo da Universidade de Hervard que se baseou nestas pesquisas para questionar a tradicional visão da inteligência.. Por exemplo. Emílio Figueira . Nas Múltiplas Inteligências. os seres humanos dispõem de graus variados de cada uma das inteligências e maneiras diferentes com que elas se combinam e se organizam.. O interessante é que Gardner aponta que não existem habilidades gerais. memória e aprendizado em cada área ou domínio. utilizando-se dessas capacidades intelectuais para resolver problemas e criar produtos. Partindo desse ponto de vista. Vou apresentar as Múltiplas Inteligências e suas muitas possibilidades. na maioria dos casos. em qualquer área de atuação. Elas foram desenvolvidas por Howard Gardner. Artes Médicas. talvez existam formas independentes de percepção.

Inclui discriminação de sons. demonstrando uma grande habilidade atlética ou uma coordenação fina apurada. Gardner. o potencial especial nessa inteligência é percebido pela habilidade com quebra-cabeças e outros jogos espaciais. É a inteligência característica de matemáticos e cientistas. A criança com especial aptidão nesta inteligência demonstra facilidade para contar e fazer cálculos matemáticos e para criar notações práticas de seu raciocínio. temperamentos. artes cênicas ou plásticas no controle dos movimentos do corpo e na manipulação de objetos com destreza. sensibilidade para ritmos.  Inteligência musical: Habilidade para apreciar. agradar. a partir das percepções iniciais.  Inteligência cinestésica: Habilidade para resolver problemas ou criar produtos por meio do uso de parte ou de todo o corpo.  Inteligência lógico-matemática: Uma sensibilidade para padrões. ordem e sistematização. Há. frequentemente. usando a coordenação grossa ou fina em esportes. estimular ou transmitir ideias. Há habilidade para explorar relações. texturas e timbre e habilidade para produzir e/ou reproduzir música. embora o talento científico e o talento matemático possam estar presentes num mesmo indivíduo. A criança com EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. tendo-se habilidade para lidar com séries de raciocínios. categorias e padrões por meio da manipulação de objetos ou símbolos. A criança pequena com habilidade musical especial percebe desde cedo os diferentes sons no seu ambiente e. experimentações de forma controlada. reconhecendo e resolvendo problemas.Estabelecidos os critérios acima. equilíbrio e composição numa representação visual ou espacial. Habilidade para usar a linguagem para convencer.  Inteligência espacial: Capacidade para perceber o mundo visual e espacial de forma precisa com habilidade para manipular formas ou objetos mentalmente e.  Inteligência interpessoal: Habilidade para entender e responder adequadamente a humores. explica que. habilidade para perceber temas musicais. criar tensão. porém. foram identificadas as seguintes inteligências:  Inteligência linguística: Uma sensibilidade para os sons. dos engenheiros e dos arquitetos. manifesta-se por meio da capacidade de contar histórias originais ou de relatar com precisão as experiências vividas. canta para si mesma. motivações e desejos de outras pessoas. É a inteligência dos artistas plásticos. ritmos e significados das palavras. além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem. atentando-se a detalhes visuais. Enquanto os matemáticos desejam criar um mundo abstrato consistente. também. A criança especialmente dotada dessa inteligência move-se com graça e expressão a partir de estímulos musicais ou verbais. os cientistas pretendem explicar a natureza. compor ou reproduzir uma peça musical. os motivos que movem as ações dos cientistas e dos matemáticos não são os mesmos. Em crianças pequenas. No universo infantil. Emílio Figueira .

Um ambiente educacional mais amplo e variado. professores. sonhos e ideias. aos estágios de desenvolvimento das várias inteligências e à relação existente entre estágios. usando habilidosamente para funcionar de forma efetiva. políticos e vendedores bem-sucedidos. Com relação à educação de uma criança com deficiência dentro da escola regular. desejos e inteligências próprias. necessidades. Na sua forma mais primitiva. as implicações da teoria de Gardner para a educação são claras quando se analisa a importância dada às diversas formas de pensamento. Apresentam alternativas para algumas práticas educacionais atuais. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.  Pode ser excelente num campo fora da matemática. Como esta inteligência é a mais pessoal de todas. o qual dependa menos do desenvolvimento exclusivo da linguagem e da lógica. 3. É o reconhecimento de habilidades. O desenvolvimento de avaliações que sejam adequadas às diversas habilidades humanas. As Múltiplas Inteligências podem ser aplicadas na Educação Inclusiva e no rendimento educacional de uma criança com deficiência? Sim. a inteligência interpessoal manifesta-se em crianças pequenas como a habilidade para distinguir pessoas. e na sua forma mais avançada como a habilidade para perceber intenções e desejos de outras pessoas. Emílio Figueira .  Inteligência intrapessoal: É o correlativo interno da inteligência interpessoal. reagindo apropriadamente a partir dessa percepção. Uma educação centrada na criança com currículos específicos para cada área do saber. Crianças especialmente dotadas demonstram muito cedo uma habilidade para liderar outras crianças. que uma criança que aprende a multiplicar facilmente não é necessariamente mais inteligente que uma criança que tenha habilidades mais fortes em outro tipo de inteligência. sendo a habilidade para ter acesso aos próprios sentimentos. ela só é observável pelos sistemas simbólicos das outras inteligências. ou seja. podemos focar. musicais ou cinestésicas. aquisição de conhecimento e a cultura. 2. uma vez que são extremamente sensíveis às necessidades e sentimentos de outros. por meio de manifestações linguísticas. discriminando-os e lançando mão deles na solução de problemas pessoais. A criança que leva mais tempo para dominar uma multiplicação simples:  Pode aprender melhor a multiplicar por meio de uma abordagem diferente. oferecendo uma base para: 1. essas habilidades é mais bem-apreciada na observação de psicoterapeutas. por exemplo. Há capacidade para formular uma imagem precisa de si.

a me barbear com o barbeador elétrico. Minha família me leva ao aeroporto e me busca de lá. cada conquista e cada autonomia de fazer sozinho as coisas têm um valor e uma alegria imensos. isso me dá uma sensação de liberdade incrível. a cuidar da minha higiene pessoal. o parágrafo 4 (quatro) da Declaração de Salamanca diz que “uma pedagogia centrada na criança é beneficial a todos os estudantes e. algumas ações. é importante que se tire o maior proveito das habilidades individuais. a sair sozinho para estudar e trabalhar. Pode até está olhando e compreendendo o processo de multiplicação num profundo nível fundamentalmente. a qual é baseada na ideia de que "um tamanho serve a todos". ao mesmo tempo. Ao longo da minha reabilitação. Escolas centradas na criança são. dentre outras coisas. consequentemente. Por isto recomendo em alto e bom som: ATENÇÃO E VALORIZAÇÃO ÀS PEQUENAS CONQUISTAS DE QUEM TEM UMA DEFICIÊNCIA! Voltando ao que se refere à educação centrada na criança com deficiência. sair de casa. dentre outras coisas corriqueiras para quem não tem deficiência. tais como aprender a alimentar-me pelas minhas próprias mãos. voando. sempre tiveram um valor muito grande para mim. além do mais. rumo ao encontro de pessoas que nunca vi. Isto também nas pequenas coisas. família e educadores devem criar de prestar atenção e valorizar pequenas conquistas na vida diária da criiança com deficiência. A experiência tem demonstrado que tal pedagogia pode consideravelmente reduzir a taxa de desistência e repetência escolar (que são tão características de tantos sistemas educacionais) e. Contudo. a EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. O hábito que os pais. auxiliando os estudantes a desenvolverem suas capacidades intelectuais. à sociedade como um todo. garantir índices médios mais altos de rendimento escolar. que são frequentes consequências de uma instrução de baixa qualidade e de uma mentalidade educacional. quero conversar um pouco sobre um assunto que acho fundamental. apesar de uma compreensão menos detalhada do processo de multiplicação. Na vida diária. assim como fazer tudo isso sozinho é rotina na vida de qualquer um. Tenho recebido muitos convites para fazer palestras pelo Brasil. Durante as atividades do dia a dia. vestir-se. uma compreensão mais profunda pode resultar em lentidão que parece e pode esconder uma inteligência matemática potencialmente maior que a de uma criança que rapidamente memoriza a tabuada. Uma pedagogia centrada na criança pode impedir o desperdício de recursos e o enfraquecimento de esperanças. embarcando entre gentes desconhecidas. por exemplo. Aqui. tomar banho. para nós que temos uma deficiência. a vestir-me. Emílio Figueira . desembarcando em lugares que nunca estive antes. sinto-me cada vez mais confiante diante de minhas limitações. Posso até contar uma passagem. Fundamentalmente. mas quando me sinto sozinho caminhando lá dentro. comer.

 Favoreçam o desenvolvimento de combinações intelectuais individuais. A primeira implicação da teoria das Múltiplas Inteligências é que existem talentos diferenciados para cada atividade específica. a partir da avaliação regular do potencial de cada um. que tem prestado mais atenção aos impedimentos do que aos potenciais de tais pessoas”. tentar garantir que cada um recebesse a educação que favorecesse o seu potencial individual. Emílio Figueira . favorecendo o perfil intelectual individual. que respeita tanto as diferenças quanto a dignidade de todos os seres humanos. As escolas precisam favorecer o conhecimento de diversas disciplinas básicas. que essa limitação seja da escolha de cada um. Quanto ao ambiente educacional. as quais:  Encorajem seus alunos a utilizar esse conhecimento para resolver problemas e efetuar tarefas que estejam relacionadas com a vida na comunidade a que pertencem. Uma mudança de perspectiva social é imperativa. sendo mesmo bastante difícil o domínio de um só campo do saber.  O segundo ponto é igualmente importante: enquanto na Idade Média um indivíduo podia pretender tomar posse de todo o saber universal.base de treino para uma sociedade baseada no povo. embora as escolas declarem que preparam seus alunos para a vida fora da escola. em vez de oferecer uma educação padronizada. Por um tempo demasiadamente longo. os problemas das pessoas com deficiência têm sido compostos por uma sociedade que inabilita. as escolas deveriam. o que aumenta em muito as possibilidades de sucesso em alguma área para o uma criança com deficiência! EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. se há a necessidade de limitar-se à ênfase e à variedade de conteúdos. Assim. a vida certamente não se limita apenas a raciocínios verbais e lógicos. E com relação a essa educação centrada. há dois pontos importantes que sugerem a necessidade de se focar na individualização:  O primeiro diz respeito ao fato de que. se os indivíduos têm perfis cognitivos tão diferentes uns dos outros. hoje em dia essa tarefa é totalmente impossível.

Emílio Figueira . DEFICIÊNCIAS FÍSICAS EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.

temos o seguinte quadro: NOMES DESCRIÇÂO Monoplegia condição rara em que apenas um membro é afetado Diplegia são afetados os membros superiores Hemiplegia são afetados os membros do mesmo lado Triplegia condição rara em que três membros são afetados atinge todos os membros. além de déficits sensitivos e motores. inferiores ou ambos. Pode-se também ocorrer uma paresia (do grego paresis que significa relaxação. Trauma que altera a função medular. Aula 21 . Há casos de paresias em que a motilidade se apresenta apenas num padrão abaixo do normal referente à força muscular. amplitude do movimento e a resistência muscular localizada. que pode ir do córtex cerebral até o próprio músculo ou quando todo movimento nestas proporções são impossíveis. precisão do movimento. Emílio Figueira . Quadriplegia afeta apenas os membros inferiores. quando o movimento está apenas limitado ou fraco. sendo que a maioria dos pacientes com este quadro Tetraplegia ou apresentam lesões na sexta ou sétima vértebra. a uma semiparalisia. debilidade). perda da capacidade de contração muscular voluntária. alterações EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.Características e Tipos As deficiências físicas caracterizam-se por disfunções ou interrupções dos movimentos de um ou mais membros. podendo ter como causa resultante uma Paraplegia lesão medular torácica ou lombar. produz como consequências. superiores. Levando-se em conta o número e da forma como os membros são afetados pela paralisia. conforme o grau do comprometimento ou tipo de acometimento da paralisia. um comprometimento parcial. por interrupção funcional ou orgânica em um ponto qualquer da via motora.

tabagismo. mergulho em águas rasas.R. agentes tóxicos. Emílio Figueira . a criança ou adulto deverá ser encaminhada para um diagnóstico correto. Um profissional pode fazer a identificação fazendo a observação quanto ao atraso no desenvolvimento neuropsicomotor do bebê (não firmar a cabeça. Lesões por esforços repetitivos (L. falta de saneamento básico e outros menos comum. sedentarismo. erros inatos do metabolismo. Lesões nervosas periféricas. Câncer. Patologias degenerativas do sistema nervoso central (esclerose múltipla. Distúrbios posturais da coluna. da força muscular ou da sensibilidade para membros superiores ou membros inferiores. identificação precoce pela família seguida de exame clínico especializado favorecem a prevenção primária e secundária e o agravamento do quadro de incapacidade. Outras causas Malformações congênitas. Notado algumas dessas alterações. processos degenerativos e outros causas vasculares. uso de drogas. aneurisma cerebral. não falar. traumas. epidemias ou endemias. tumor cerebral e outras por ferimento por arma de fogo. atenção para perda ou alterações dos movimentos. ferimento por arma branca. controle de gestação de alto-risco. Lesão cerebral (paralisia cerebral. acidentes de Lesão medular trânsito. Sequelas de patologias da coluna. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.) e Sequelas de queimaduras Dentre os fatores de risco que levam às deficiências físicas estão a violência urbana. Traumatismos diretos. malformações congênitas. causas metabólicas e Amputações outras Febre reumática (doença grave que pode afetar o coração). quedas. hemiplegias). acidentes desportivos. não sentar. acidentes do trabalho. Miastenias graves (consistem num grave enfraquecimento muscular sem atrofia). maus hábitos alimentares. esclerose lateral amiotrófica). identificação de doenças infecto-contagiosas e crônico- degenerativas.E. Miopatias (distrofias musculares). Reumatismos inflamatórios da coluna e das articulações. processos infecciosos. Distúrbios dolorosos da coluna vertebral e das articulações dos membros. viscerais e sexuais Hemiplegias por acidente vascular cerebral. no tempo esperado).

passando por quadros gripais. Essa fase de recuperação é seguida de estabilidade funcional. sendo comum os pacientes que deixam de lado o uso de órteses e outros métodos de auxílio à marcha. SÍNDROME PÓS-PÓLIO Em meados da década de 1970. pode desenvolver quadros assintomáticos. ausência de outras doenças que expliquem a ocorrência dos sintomas. Instalado o quadro paralítico. um paciente que ficou com fraqueza na EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. começaram a surgir relatos de pacientes com antecedentes de poliomielite que. meningite asséptica e sua forma paralítica aguda. às condições sanitárias locais e ao nível sócio-econômico. conjunto de sintomas tardios da doença. intestinais. por exemplo. particularmente em membros inferiores. mas sim à uma sobrecarga dos músculos e nervos relacionados ao segmento do corpo que foi acometido pela paralisia. A vacinação em massa se mostrou como um método eficaz de erradicação da doença na América. quando da ingestão de água ou alimentos contaminados. Sua infecção ocorre por via oral. dando origem a muitas crianças e adultos jovens com sequelas e incapacidades variadas. nova fraqueza em membro previamente acometido ou não. A origem dessa nova fraqueza e fadiga não se deve a uma reativação viral. após o período de estabilidade. caracteristicamente. Cerca de 1% das infecções pelo vírus resultam em quadro paralíticos agudos. período de estabilidade funcional de ao menos 15 anos. Ela inclui alguns critérios diagnósticos: quadro prévio de poliomielite. onde a transmissão inexiste desde 1994. flácida e pode acometer centros bulbares de controle da respiração. causando insuficiência respiratória. teve uma enorme propagação. desenvolvem nova fraqueza no membro afetado e nos membros não acometidos anteriormente.POLIOMIELITE (Paralisia Infantil) A Poliomielite (conhecida popularmente como “paralisia infantil”). nos dias de hoje. na qual o paciente não nota ganho ou perda frente a suas incapacidades. ocorrendo um gradativo aumento da capacidade funcional. Assim. estando claramente associada. dor no aparelho locomotor. assimétrica. a evolução da doença é para uma recuperação natural da força em um período de dois anos. fadiga. Emílio Figueira . Surgia a Síndrome Pós-Pólio. atingindo a população de todo o mundo no século XX. A transmissão é mais comum nas regiões de pior controle sanitário. Alguém com infecção aguda pelo vírus da poliomielite.

não existindo exame laboratorial que comprove o que o paciente tem. de fadiga. pode contar ainda com uso de bengalas e muletas. Períodos de repouso são recomendados no meio da manhã e da tarde. correntes elétricas e medicamentos e fisioterapia incluindo exercícios físicos de alongamento é fundamental. quando a pessoa se apoia sobre um membro de forma inadequada ou realiza movimentos anômalos. Todavia. O condicionamento físico. seja por natação. de fraqueza – tipos de personalidade e acometimento de certas estruturas do sistema nervoso central que são responsáveis pela atenção e concentração. instruindo técnicas de economia de energia. Terapia ocupacional. Ele deverá ter uma nova estruturação de horários e tarefas diárias. Deve-se tomar como base apenas os relatos do paciente de perda de força e fadiga. Dores ocorrem pelo desarranjo de forças musculares e sobrecarga local em virtude de suas tentativas de compensação. O envelhecimento e o avanço de deformidades deve ser sempre seguido por um acompanhamento psicológico e médicos de reabilitação com o objetivo de antever essas complicações e tratá-las antes que surjam de forma efetiva. cardíacas. levando-se em conta as doenças associadas que podem estar complicando o quadro (respiratórias. assim como o acompanhamento da evolução do paciente. que se tornam fontes de dor. causando tensão nas articulações e músculos. frio. aparelhos ortopédicos e locomoção com veículos motorizados. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. anemia entre outras). visando reduzir seu gasto de energia. Essa redução do gasto energético. Emílio Figueira . e uma parada para dormir é indicada após o almoço. O diagnóstico da Pós-Pólio é clínico. Seu tratamento será multidisciplinar. é de grande valia para evitar fadiga. a prescrição de órteses e medicamentos que possam melhorar a capacidade funcional também são da sua responsabilidade.coxa direita e não consegue estender seu joelho direito de forma adequada. mas continua andando sem aparelhos ou bengalas está mais propenso a desenvolver fadiga local e nova fraqueza. a Síndrome Pós-Pólio é um exemplo de que a incapacidade adquirida não deve ser encarada nunca como algo estável e imutável. As dores serão controladas por uso de calor. caminhadas ou bicicleta ergométrica também aumenta a capacidade funcional do paciente.

Utiliza-se medicamentos. dores articulares. Potenciais Evocados para avaliar a condução do impulso nervoso pelo Sistema Nervoso Central. sensação de formigamento e/ou adormecimento em partes do corpo. leva à destruição da bainha de mielina que recobre e isola as fibras nervosas do Sistema Nervoso Central (principalmente o cérebro. Para o seu diagnóstico leva-se em conta uma história clínica detalhada. perda de audição. impotência sexual. turvação visual. Mesmo sem cura. ou tamanho bem EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. nem hereditária. NANISMO Conhecida pelo pejorativo “anão”. incontinência ou retenção urinária e/ou fecal. A pessoa passa a ter fraqueza muscular em uma ou mais extremidades. alteração de fala e deglutição. descrita inicialmente em 1860 pelo médico francês Jean Charcot. visando diminuir o número e a intensidade dos surtos minimizando assim as sequelas. Um tratamento reabilitacional adequado pode melhorar a qualidade de vida da pessoa com Esclerose Múltipla. zumbidos e vertigens. mas desmielinizante. associada ao exame clínico e neurológico completos e confirmado por três exames complementares basicamente: Ressonância Nuclear Magnética para avaliação das placas de desmielinização. alteração de sensibilidade. o nervo óptico e a medula espinhal). Sua forma mais comum de apresentação é em "surtos" (período de agravamento dos sintomas) e "remissões" período de estabilização da doença. rigidez muscular. sendo mais comum nas mulheres e nos indivíduos de raça branca. neurite óptica que pode causar visão dupla. alteração de equilíbrio e coordenação motora. Suas primeiras manifestações geralmente ocorrem entre 15 e 45 anos. a pessoa com Nanismo tem sua altura muito menor que a média de todos os sujeitos que pertencem à população. Nem contagiosa. dificuldade para andar. fadiga intensa-depressão. tremores. Punção lombar para retirada de líquor da medula para pesquisa do aumento das gamaglobulinas. dor ocular e perda de acuidade visual uni ou bilateral. não é uma doença fatal e a perda total de movimentos é muito rara mesmo nos casos progressivos.ESCLEROSE MÚLTIPLA A Esclerose Múltipla é uma doença neurológica crônica de causa desconhecida. Emílio Figueira .

Também conhecido como nanismo desproporcional. como o fêmur e a tíbia. impedindo o desenvolvimento normal dos ossos longos. causando perda auditiva leve a moderada  Hidrocefalia: crescimento exagerado do crânio por excesso de líquido no cérebro. e os nanismos desproporcionais. em comparação com os indivíduos não-nanistas. O problema mais comum. O nanismo pode ocasionar problemas decorrentes como:  Dificuldades para andar  Problemas ortopédicos moderados ou severos  Encurtamento da coluna e das pernas  Apneia central: parada temporária de respiração por compressão das estruturas cerebrais ou da coluna vertical  Infecções frequentes de ouvido. mas o tronco tem tamanho próximo ao normal. não atingem o tamanho considerado normal. mas o tamanho dos órgãos mantém a mesma proporção. deficiências de hormônio de crescimento e de tireoide e doença que afastam o metabolismo do feto. Sua causa pode ser genética ou hormonal e ser provocada por cerca de 200 doenças diferentes. o nanismo é dividido em dois grandes grupos: o dos nanismos proporcionais. Ambos os tipos normalmente têm causas genéticas e podem ou não ser hereditários. porém alguns órgãos mantém-se em tamanho maior em relação à altura. Geralmente. Sua estatura pode variar entre 85 cm (embora a história registra tamanhos inferiores) e 1. entre as quais problemas genéticos que atingem os ossos (como displasias esqueléticas e síndrome de Turner). de forma homogênea. Os membros se encurtam. É resultado de uma mutação genética no feto: mesmo com pais normais. onde o tamanho do indivíduo é bem mais baixo que o normal. a média é de 1. é a acondroplasia.30 m. Emílio Figueira . responsável por 70% dos casos. Para a doença de origem genética não existe tratamento. Se for de origem hormonal. devido ao pequeno tamanho dos orifícios de drenagem localizados no encéfalo Ocasionalmente. seus genes sofrem alteração. onde a estatura do indivíduo é baixa. pode ser diagnosticado a partir do quinto mês de gestação. também chamados displasias esqueléticas. os casos de origem hormonal são também chamados de nanismo proporcional porque todos os segmentos do corpo. A condição de estar abaixo da altura esperada como o resultado de EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. A partir da morfologia. o termo nanismo é aplicado somente às baixas estaturas desproporcionais.inferior à média das pessoas da mesma idade. pode ser feita a reposição.45 m.

como “palhaços” ou tratados como aberrações da natureza. sendo em muitas ocasiões. por possuírem uma característica física fora dos padrões impostos pela sociedade. Além disso. são pessoas discriminadas de uma forma geral. Já na mídia de uma forma geral. Na sociedade. Ele pode ser causado pela secreção insuficiente do hormônio do crescimento: Nanismo Hipofisário. tanto corporal quanto facial. não tendo chances de empregos em igualdade em relação as pessoas de estatura normal. Ainda é muito tímida a indignação da sociedade de uma forma geral e até mesmo dos anões contra esses preconceitos. telefones e banheiros públicos.uma parada prematura do crescimento esquelético. Emílio Figueira . EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. também são rotulados de pessoas com uma aparência feia. como por exemplo. são tratados como pessoas muito diferentes do normal. Outro fator bastante importante que não pode ser esquecido é a falta de acesso apropriado para elas aos diversos bens públicos.

A classificação desses alunos.). requer recursos pedagógicos e metodologias educacionais específicas” (MEC/SEESP. abdutor de pernas. condutas típicas (problemas de conduta). A grande maioria de alunos com deficiência física pode ser beneficiada com algumas modificações no ambiente físico. física e múltipla. pátio de recreio. Adaptação curricular para alunos com deficiência física. ponteiras. banheiro. pg. mesas e carteiras). materiais de apoio (andador. elevador. linguagem codificada). 2003. faixas restringidoras etc. computadores que funcionam por contato. mobiliário (cadeiras. ideográficos e arbitrários. adaptação dos elementos materiais: edifício escolar (rampa deslizante. auditiva. consta da referida Política e dá ênfase alunos com: deficiência mental. visual. Se a criança tem só a deficiência física. por pressão 4. 1. coletes. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Mas cada caso é um caso.Adaptações Curriculares Na Prática Para Alunos Com Deficiência Física Mesmo que as necessidades especiais na escola sejam amplas e diversificadas. Emílio Figueira . materiais de apoio pedagógico (tesoura. alargamento de portas etc. tecnologia microeletrônica). 3. “Nessa perspectiva. superdotação. nos materiais e equipamentos utilizados para a atividade escolar. 2. sistemas que combinam símbolos pictográficos. a escola regular deve lhe disponibilizar as devidas adaptações. ou outros tipos de adaptação etc. Aula 22 . barras de apoio. a atual Política Nacional de Educação Especial aponta para uma definição de prioridades no que se refere ao atendimento especializado a ser oferecido na escola para quem dele necessitar. em desenhos lineares. sistemas aumentativos ou alternativos de comunicação adaptado às possibilidades do aluno impedido de falar: sistemas de símbolos (baseados em elementos representativos.). auxílios físicos ou técnicos (tabuleiros de comunicação ou sinalizadores mecânicos. para efeito de prioridade no Atendimento Educacional Especializado-AEE (preferencialmente na rede regular de ensino). define como aluno portador de necessidades especiais aquele que por apresentar necessidades próprias e diferentes dos demais alunos no domínio das aprendizagens curriculares correspondentes à sua idade. 28). sistemas baseados na ortografia tradicional. comunicação total e outros.).

cobertura de teclado etc. 7.5. presilha de braço. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.. suporte para lápis. 6. utilização de pranchas ou presilhas para não deslizar o papel. textos escritos complementados com elementos de outras linguagens e sistemas de comunicação. Emílio Figueira . deslocamento de alunos que usam cadeira de rodas ou outros equipamentos. facilitado pela remoção de barreiras arquitetônicas.

vale lembrar.neste caso. o professor. Ter uma lesão cerebral não significa. a criança com paralisia cerebral também precisa de um cuidador que a ajude a ir ao banheiro ou a tomar o lanche. pode ser provocada por traumatismos. há também problemas na fala. nesse caso. Na sala de aula use canetas e lápis mais grossos. como os pais. Como lidar com a paralisia cerebral na escola? Para dar conta das restrições motoras da criança com paralisia cerebral. com uma carteira inclinada. "banheiro". "sair" etc. como "sim".Paralisia Cerebral A paralisia cerebral é uma lesão cerebral que acontece. Aula 23 . Em alguns casos. envenenamentos ou doenças graves. ser acometido de danos intelectuais. Assim. O professor deve escrever com letras grandes e pedir para que o aluno com paralisia cerebral sente-se na frente. o professor pode preparar cartões com desenhos ou fotos de pessoas e objetos significativos para o aluno. quando falta oxigênio no cérebro do bebê durante a gestação. que todos devem EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. para que ele se expresse pela escrita. Os papeis são fixados em pranchetas para dar firmeza e as folhas avulsas. são mais recomendáveis que os cadernos. Caso isso não seja possível. a paralisia danifica o funcionamento de diferentes partes do corpo. como sarampo ou meningite. A principal característica é a espasticidade. providencie uma prancha de comunicação. por exemplo. que dá mobilidade e facilita a escrita. "não". Mas. em geral. envoltos em espuma e presos com elástico para facilitar o controle do aluno. se possível. vale adaptar os espaços da escola para permitir o acesso de uma cadeira de rodas. necessariamente. Se o aluno apresentar problemas na fala e na audição. um desequilíbrio na contenção muscular que causa tensão e inclui dificuldades de força e equilíbrio. o aluno aponta para as figuras. "entrar". para indicar o que quer ou o que sente. os colegas. mas em 75% dos casos as crianças com paralisia cerebral acabam sofrendo comprometimentos cognitivos. a lesão provoca alterações no tônus muscular e o comprometimento da coordenação motora. no parto ou até dois anos após o nascimento . diferentes comidas. "sede". Emílio Figueira . o time de futebol. na visão e na audição. Em alguns casos. o abecedário e palavras-chave. Dependendo do local do cérebro onde ocorre a lesão e do número de células atingidas. Em outras palavras.

dos encontros consonantais: braço/baço – prato/pato. Crianças na forma atetoide DIFICULDADES: . dificultando a manutenção da postura na posição sentada e dificultando.Esta forma tem como característica a dificuldade na coordenação dos movimentos. Emílio Figueira . Substituir a escrita com lápis por letras do alfabeto e numerais. . EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. com omissões de alguns fonemas.estimular a autonomia da criança. AÇÕES PEDAGÓGICAS: .As atividades orais como as leituras de textos devem ser substituídas por leitura silenciosa com interpretação de textos escritos. podemos nos orientar pelo seguinte síntese: Crianças na forma espástica: DIFICULDADES: .Podemos colocar um tampo na mesa adaptado na cadeira de rodas. sendo a fala da maior parte dos alunos rudimentar. causando prejuízo na estruturação da linguagem oral que é de difícil compreensão. Se as letras e os numerais fores imantados facilitará ao aluno o seu manuseio.Na leitura oral o professor deve ignorar as omissões. AÇÕES PEDAGÓGICAS: . .Apresentam um enrijecimento da musculatura em geral. respeitando suas dificuldades e explorando seus potenciais. Pela escrita pode-se verificar se o aluno tem constituído o encontro consonantal ou não. a escrita. também. Casos específicos como alunos com paralisia cerebral. por exemplo. .Possuem dificuldades nas articulações orofaaciais. As folhas digitadas com respostas de múltipla escolha são sempre bem-vindas.A aquisição de linguagem é muito dificultada.

Mantendo esta postura. os movimentos involuntários. estaremos inibindo os movimentos involuntários dos membros inferiores. Enquanto a mão não comprometida estiver escrevendo.Para ajudar o aluno na escrita podemos confeccionar pulseiras revestidas de chapinha de metal ou chumbo..Apresenta um lado do corpo comprometido. para a utilização da escrita e atividades da vida diária. fazendo um ângulo de 90 graus. Crianças na forma hemiplégica DIFICULDADES: . A presença de um peso nas extremidades (pés ou punhos) diminui por certo tempo.Sentar o aluno com os pés no chão. O professor deverá estimular o lado não comprometido. Emílio Figueira . O professor precisa verificar a dominância lateral do aluno. a outra deverá estar em cima da mesa apoiando o papel.O professor deverá estimular o uso de mão comprometida. e colocar sacos de areia para apoiar os pés. descrevendo as funções do mesmo. . EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. AÇÕES PEDAGÓGICAS: .

Aula 24 .Adaptando A Escola Para Alunos Com Deficiência Física Todas as escolas brasileiras. públicas e particulares. Existem muitos outros aspectos a serem considerados conforme o tipo da porta. inclusive de elevadores. devem ter um vão livre de no mínimo 0.A entrada de alunos deve estar preferencialmente localizada na via de menor fluxo de tráfego de veículos. e a Norma Brasileira 9050. mas a inclusão e extensão do uso destes por todas as parcelas presentes em uma determinada população. ambulatórios. como piscinas. serviços e informação. O aspecto físico também tem um grande peso. interligando o acesso dos estudantes a todos os ambientes da escola. Mas apenas cerca de 30% das instituições de ensino privadas são acessíveis. de 19/12/2000. Portas -As portas.As lousas devem ser instaladas a uma altura inferior máxima de 0. Todos os elementos do mobiliário interno.90 m do piso. devem ser acessíveis.70m e 0. Atualmente estão em andamento obras e serviços de adequação do espaço urbano e dos edifícios às necessidades de inclusão de toda população. locais de hospedagem.098. Nas escolas que possuírem outras instalações complementares.10 m. segundo dados do último Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC). pois algumas coisas precisam ser modificadas na escola inclusiva para receber estes estudantes. Entrada e circulação . Os alunos cadeirantes são os que mais sofrem com a falta de estrutura física adequada. Emílio Figueira . Os corrimãos das rampas devem ser instalados em duas alturas: 0. ou seja. garantir áreas suficientes para aproximação e manobra de cadeira de EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. são obrigadas por lei a fazer as modificações arquitetônicas necessárias para atender aos requisitos da acessibilidade. da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). etc. a acessibilidade tem sido uma preocupação constante nas últimas décadas.80 m e altura mínima de 2. estes também devem ser acessíveis. inclusive a lousa. de acordo com a Lei 10. livre de escadas e com espaço suficiente para a circulação de uma pessoa em cadeira de rodas. isto é. o decreto 5296.92m do piso. incluindo a área administrativa. Para conhecer todas as recomendações consulte a norma da ABNT. Na sala de aula . Também devem ser respeitadas as distâncias de aproximação frontal e lateral. Na arquitetura e no urbanismo. Deve existir pelo menos uma rota acessível. Acessibilidade significa não apenas permitir que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida participem de atividades que incluem o uso de produtos. de 02/12/2004.

como nos exemplos citados acima com relação às portas e ao mobiliário interno de sala de aula. tendo como base as primeiras imagens vindas da fria Europa. usando um "cobertor xadrez" sobre as pernas. Recomenda-se também que. uma vez que a pessoa na cadeira de roda tem pouca circulação sanguínea nas pernas. 10% dos outros sejam adaptáveis à acessibilidade. assim como o manuseio dos copos. As cadeiras de rodas Em tempos de Inclusão Escolar e Social. Bebedouros . guichês e balcões de atendimento. alguns militares combatentes adquiriram deficiências e consequentemente passaram a utilizar-se de cadeiras de rodas para sua locomoção. E também a falta de atenção dos profissionais de comunicação colabora para uma visão errônea. respeitando as áreas de aproximação e manobra. Emílio Figueira .Pelo menos 5% dos sanitários tantos dos alunos como dos professores – com no mínimo um para cada sexo – devem ser acessíveis. Os banheiros devem possuir barras de apoio para o vaso sanitário e para os lavatórios. nada justifica que continue a utilização do "cobertor xadrez" sobre as pernas dessas EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.73 m do piso. deve estar posicionado na altura entre 0. Banheiros .Todos os elementos do mobiliário urbano da edificação. quando reproduzem exaustivamente a imagem da pessoa em cadeira de rodas. tendo uma sensibilidade ao frio ainda maior. onde no pós-guerra. uma questão que merece uma profunda reavaliação de conceito. Aqui encontraremos um dos maiores erros de visão cometida pela sociedade. No caso dos bebedouros. a faixa de alcance visual dos cadeirantes. Nos países europeus o clima gelado é constante na maior parte do ano e. para a disposição do mobiliário e outros objetos. justifica-se o uso desses cobertores. como bebedouros. Mas no Brasil. Essa imagem é transmitida historicamente.rodas. além disso.20 m do piso. Para conhecer todas as medidas e padrões verifique a norma da ABNT. um país tropical e praticamente quente durante todo o ano. 50% dos equipamentos – no mínimo um – precisam ser acessíveis com altura livre inferior de no mínimo 0. Carteiras . As mesas ou superfícies devem possuir altura livre inferior de no mínimo 0.80 m e 1.Pelo menos 1% do total das carteiras – com no mínimo uma para cada duas salas de aula – deve ser acessível a cadeirantes. é com relação as pessoas com deficiência que se utilizam de cadeiras de rodas para a sua locomoção. Também deve ser levada em conta.73 m do piso. A mesma regra serve tanto para as mesas em sala de aula quanto para os refeitórios. O acionamento dos bebedouros. devem ser acessíveis.

em peças de teatros. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. sendo um instrumento para suprir a dificuldade de locomoção de seu usuário. As pessoas com deficiência desejam ser consideradas apenas como pessoas. o que também pode significar uma conotação negativa da intenção de esconder a parte paralisada do corpo. nos cinemas e em campanhas de utilidade pública que ainda não desenvolveram uma percepção crítica em relação a este estereótipo que reforça. Expressões como "condenados". "presos" à uma cadeira de rodas. hoje o correto mesmo é dizer “cadeirante”! De uma forma geral. Essa imagem reproduzida sem qualquer critério ou avaliação.pessoas. para a vida! Por isso. com direitos e deveres iguais aos dos demais cidadãos. Cada indivíduo é único e deve ser respeitado como tal. deformação. Emílio Figueira . Superestimar ou subestimar o indivíduo. baseando-se apenas no que denota sua deficiência. troquemos essas ultrapassadas expressões para "pessoas que utilizam-se de cadeiras de rodas para sua locomoção" ou simplesmente "usuários de cadeiras de rodas". feiúra e depressão. tornando-se um instrumento para a sua independência. Aliás. as alusões a pessoa com deficiência devem ser feitas evitando-se a valorização excessiva de deficiência. "confinados". é constante na mídia. para sua libertação. a ideia de vergonha do corpo. é um sério erro que sempre reforça estigmas e preconceitos. além de acabarmos com a estereotipada imagem do "cobertor xadrez". Elas refletem totalmente o contrário do verdadeiro significado de uma cadeira de rodas. Um outros erro que também cometemos e precisamos corrigir é com relação às expressões que usamos ao nos referir a essas pessoas. principalmente em países quentes como o Brasil. nas telenovelas.

segundo o Programa da ONU em Deficiências Severas.  Estão mais bem preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada através da educação em salas de aula diversificadas:  Frequentemente experimentam apoio acadêmico adicional da parte do pessoal da educação especial.Aula 25 . diretores.As Relações Entre Alunos Com E Sem Deficiência Fundamental para o sucesso da Escola Inclusiva não será apenas jogar essa responsabilidade nas costas dos professores. Emílio Figueira . se necessário.  Demonstram crescente responsabilidade e melhorada aprendizagem através do ensino entre os alunos. as famílias e comunidade em geral estejam envolvidas no mesmo objetivo. Neste contexto. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. o que quero dizer com tudo isso. E os benefícios da educação inclusiva para todos os estudantes. A escola poderá receber de tempos em tempos. Professores com alunos em processo de inclusão. inspetores. mas por trás dele. atendentes. Enfim. deverá estar todo um arsenal de apoio material e humano. Esses educadores precisão receber treinamentos constantes.  Adquirem experiência direta com a variação natural das capacidades humanas. a visita dos professores itinerantes e/ou outros especialistas no assunto para avaliar como anda o processo. da limpeza. da manutenção. os demais alunos. Todas as demais pessoas. tirar dúvidas. O trabalho em equipe entre os profissionais de uma escola pode contribuir. o pessoal da cantina. Uma escola realmente plural. as relações professores e alunos devem adquirir uma dimensão de transparência e respeito. e muito. poderão receber apoio e auxiliares na sala de aula. construída coletivamente. publicado em 1994. para uma convivência harmoniosa. é que o professor dentro de uma Sala de Aula Inclusiva é o personagem direto da Inclusão Escolar. dar treinamentos. são: Para os estudantes com deficiência:  Desenvolvem a apreciação pela diversidade individual. passar instruções. que certamente irá refletir na relação educador/educando e no processo de ensino e de aprendizagem.

 Podem participar como aprendizes sob condições instrucionais diversificadas
(aprendizado cooperativo, uso de tecnologia baseada em centros de
aprendizagem, etc.).

Para os estudantes sem deficiência:

 Têm acesso a uma gama mais ampla de modelos de papel social, atividades de
aprendizagem e redes sociais;
 Desenvolvem, em escala crescente, o conforto, a confiança e a compreensão da
diversidade individual deles e de outras pessoas;
 Demonstram crescente responsabilidade e crescente aprendizagem através do
ensino entre os alunos;
 Estão mais bem preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada
através da educação em salas de aula diversificadas;
 Recebem apoio instrucional adicional da parte do pessoal da educação comum;
 Beneficiam-se da aprendizagem sob condições instrucionais diversificadas.

Essa convivência abre a oportunidade para a escola trabalhar essas questões como um
tema transversal, pois ela é local de dialogo, de aprender a conviver, vivendo a própria
cultura e respeitando as diferentes formas de expressão cultural. O grande desafio da
escola será investir na superação da discriminação e dar a conhecer a riqueza
representada ela diversidade etnocultural que compõe o patrimônio sociocultural
brasileiro, valorizando a trajetória particular dos grupos que compõem a sociedade.

Em uma livre citação, no geral, pensar em Inclusão Escolar, é levar em conta as
palavras da pedagoga Maria Teresa Eglér Mantoan: “É a nossa capacidade de entender
e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas
diferentes de nós. O grande ganho, para todos, é viver a experiência da diferença. Se
os estudantes não passam por isso na infância, mais tarde terão muita dificuldade de
vencer os preconceitos”.

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DEFICIÂNCIAS SENSORIAIS

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Aula 26 - As Deficiências Visuais

Deficiência Visual é o comprometimento parcial (de 40 a 60%) ou total da visão. Não
são deficientes visuais pessoas com doenças como miopia, astigmatismo ou
hipermetropia, que podem ser corrigidas com o uso de lentes ou em cirurgias.

Segundo critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) os
diferentes graus de deficiência visual podem ser classificados em:

- Baixa visão (leve, moderada ou profunda): compensada com o uso de lentes de
aumento, lupas, telescópios, com o auxílio de bengalas e de treinamentos de
orientação.

- Próximo à cegueira: quando a pessoa ainda é capaz de distinguir luz e sombra, mas já
emprega o sistema braile para ler e escrever, utiliza recursos de voz para acessar
programas de computador, locomove-se com a bengala e precisa de treinamentos de
orientação e de mobilidade.

- Cegueira: quando não existe qualquer percepção de luz. O sistema braile, a bengala e
os treinamentos de orientação e de mobilidade, nesse caso, são fundamentais.

O diagnóstico de deficiência visual pode ser feito muito cedo, exceto nos casos de
doenças degenerativas como a catarata e o glaucoma, que evoluem com o passar dos
anos.

Como lidar com a deficiência visual na escola?

A escola pode recomendar aos pais e responsáveis que busquem fazer o exame de
acuidade visual das crianças sempre que notarem comportamentos relacionados a
dificuldades de leitura, dores de cabeça ou vista cansada durante as aulas.

Compartilhe a organização dos objetos da sala de aula com o aluno, a fim de facilitar o
acesso e a mobilidade. Mantenha carteiras, estantes e mochilas sempre na mesma
ordem, comunique alterações previamente e sinalize os objetos para que sejam
facilmente reconhecidos.

O aluno cego tem direito a usar materiais adaptados, como livros didáticos transcritos
para o braile ou a reglete para escrever durante as aulas. Antecipe a adaptação dos
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com sinalização em braile. Mas cabem ao gestor da escola e às Secretarias de Educação a administração e o requerimento dos recursos para essa finalidade. corredores desobstruídos e piso tátil. O aluno com deficiência visual não precisa de um currículo diferente dos demais. descrevendo-os com detalhes e ajude-o na exploração tátil. mas de adaptações e complementações curriculares. Faça com que o aluno manipule os objetos de estudo. de 17 de setembro de 2008. O material didático deve ser composto de outras ferramentas que não somente livro didático. Vale lembrar que. Gravações do livro em fita cassete podem ser uma saída. escadas com contrastes de cor nos degraus. que deve contar com máquinas braile. os banheiros. procedimentos metodológicos e EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. é mais uma medida importante para a inclusão de deficientes visuais.textos junto dos educadores responsáveis pela sala de recursos. o pátio. tais como adequação de recursos específicos. Oferecer ambientes adaptados. espaço. O professor deverá buscar atualização quanto às peculiaridades do trabalho com a criança cega. É importante informar a toda a comunidade escolar (funcionários. para que o aluno não tenha prejuízos no seu processo de construção de conhecimento na classe comum. de acordo com o Decreto 6. Os programas de orientação e mobilidade e as atividades de vida diária (AVDs) são complementações curriculares que devem ser desenvolvidas em outro período em sala de aula de recurso ou em centros especializados. buscando parceria com a família e instituição especializada. o Estado tem o dever de oferecer apoio técnico e financeiro para que o atendimento especializado esteja presente em toda a rede pública de ensino. Emílio Figueira . A escola deve providenciar a material pedagógico adequado à pessoa com cegueira. alunos e professores) sobre a condição visual da criança. com a instalação de sinais sonoros nos semáforos e nas áreas de saída de veículos próximas da escola. O entorno da escola também deve ser acessível. impressora e equipamentos adaptados. mas com o suporte essencial do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Procurar por exemplo ter acesso ao sistema de leitura e escrita em Braille.571. O professor ou algum colega da turma pode percorrer com o aluno que tenha deficiência visual os ambientes mais utilizados na escola – a sala de aula. a cantina -. A alfabetização em braile das crianças com cegueira total ou graus severos de deficiência visual é simultânea ao processo de alfabetização das demais crianças na escola. modificação do meio. tempo.

Estas deverão ser as adaptações curriculares para alunos com deficiência visual:  materiais desportivos adaptados: bola de guizo e outros.  organização espacial para facilitar a mobilidade e evitar acidentes:  colocação de extintores de incêndio em posição mais alta. evitando-se os maneirismos comumente exibidos pelos que são cegos. sorobã. pistas olfativas para orientar na localização de ambientes.... EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.  recursos ópticos. facilitado pela disposição do mobiliário.  apoio físico..  braille para alunos e professores videntes que desejarem conhecer o referido sistema.  posicionamento do aluno na sala de aula de modo que favoreça sua possibilidade de ouvir o professor.  máquina braille. softwares educativos em tipo ampliado.  materiais de ensino-aprendizagem de uso comum: pranchas ou presilhas para não deslizar o papel. verbal e instrucional para viabilizar a orientação e mobilidade. livro falado etc.  explicações verbais sobre todo o material apresentado em aula.  textos escritos com outros elementos (ilustrações táteis) para melhorar a compreensão. computador com sintetizador de vozes e periféricos adaptados etc. corrimão nas escadas etc. Emílio Figueira . relevo.  boa postura do aluno. bengala longa.  adaptação de materiais escritos de uso comum: tamanho das letras.didáticos e processos de avaliação adequados às suas necessidades. textura modificada etc.  material didático e de avaliação em tipo ampliado para os alunos com baixa visão e em braille e relevo para os cegos. lupas. reglete. visando à locomoção independente do aluno. tipos escritos ampliados.  deslocamento do aluno na sala de aula para obter materiais ou informações. de maneira visual.  sistema alternativo de comunicação adaptado às possibilidades do aluno: sistema braille. espaço entre as carteiras para facilitar o deslocamento.

como projeções e registros no quadro negro. Quanto mais agudo o grau de deficiência auditiva. Para isso. é recomendado.o para as primeiras carteiras e fale com clareza. É importante que professores da escola solicitem treinamento para aprender libras ou peçam o acompanhamento de um intérprete em sala. para permitir a leitura orofacial no caso dos alunos que sabem fazê-lo. aparelhos e órteses ajudam parcialmente. a aquisição da Língua Brasileira de Sinais é fundamental para a comunicação com os demais e para o processo de alfabetização inicial. em média) e profunda (quando não escuta sons emitidos com intensidade menor que 91 decibeis). mas o aprendizado de Libras e da leitura orofacial. Para os alunos com perda auditiva severa ou surdez. Em graus mais avançados. Traga. É importante lembrar que a perda da audição deve ser diagnosticada por um médico especialista ou por um fonoaudiólogo. Aula 27 . EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Dê preferência ao uso de recursos visuais nas aulas. maior a dificuldade de aquisição da língua oral. causada por má- formação (causa genética). evitando cobrir a boca ou virar de costas para a turma. Isso garante a inclusão mais efetiva dos alunos. recomenda-se que a direção da escola entre em contato com a Secretaria de Educação responsável. nas salas de AEE. O aprendizado de libras ocorre no contraturno. como na perda auditiva severa (quando a pessoa não consegue ouvir sons abaixo dos 80 decibeis. sempre que possível. A deficiência auditiva moderada é a incapacidade de ouvir sons com intensidade menor que 50 decibeis e costuma ser compensada com a ajuda de aparelhos e acompanhamento terapêutico. posturas simples do professor em sala facilitam o aprendizado do aluno surdo. Como lidar com a deficiência auditiva na escola? Toda escola regular com alunos com deficiência auditiva tem o direito de receber um intérprete de Libras e material de apoio para as salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE). lesão na orelha ou nas estruturas que compõem o aparelho auditivo.As Deficiências Auditivas As deficiências auditivas são a perda parcial ou total da audição. No dia a dia. Emílio Figueira . Perdas auditivas acima desses níveis são consideradas casos de surdez total.

gestos. esses serviços são as salas de recursos. expressões faciais e corporais).Com relação aos alunos com deficiências auditivas. 2004). A Resolução do CNE n. os professores intérpretes ou de apoio fixo. ou seja. Isso facilita a leitura orofacial. ouvindo os profissionais especializados em cada caso. o atendimento educacional de crianças surdas deve ser feito em Escola Especial. em momentos diferentes. a educação dos alunos com surdez pode ser bilíngue. realizando orientações sobre as adequações curriculares necessárias aos alunos surdos (metodologia. Este é o perfil desses profissionais:  Professor de apoio fixo – profissional especializado que presta atendimento integral às turmas do ensino comum em que estiverem matriculados alunos surdos. bem como a “leitura das outras pistas visuais” (língua de sinais. Na escola regular. o aluno com surdez deve sentar-se em local que possa ver o professor. As situações criadas pelo professor em sala de aula. a depender da escolha pedagógica da escola e da família”. determina que a escola tenha apoio Pedagógico especializado. Essa opção por uma educação bilíngue oferece às crianças com surdez o ensino da língua de sinais com a primeira língua (L1) e o da língua portuguesa com a segunda língua (L2). cujo objetivo principal é o enriquecimento das atividades já desenvolvidas em sala de aula. (. não se perdendo de vista a objetividade e a clareza aos promoverem-se EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. O apoio especializado consistirá em um trabalho de complementação curricular. Emílio Figueira . recursos e estratégias. facultando-lhes e às suas famílias a opção pela abordagem pedagógica que julgarem adequada. avaliação). Esse apoio deverá ser oferecido no contra-turno em que a criança estuda. para as quais o aluno surdo apresente maiores dificuldades. 02/2001. com professores diferentes. Escola regular com Intérprete de LIBRAS e Classe Especial (na escola regular).. devem ser sempre agradáveis e significativas. “conforme o estabelecido na Resolução do CNE n.. 002/2001. Segundo o livro “Saberes e práticas da inclusão: dificuldades acentuadas de aprendizagem: deficiências auditivas” do MEC/SEESP (Brasil. em especial seu rosto iluminado e de frente e não distante dele. periodicamente.  Professor itinerante – profissional que presta apoio às escolas. para atender as turmas que tenham alunos surdos. Sua função principal é a de permitir o acesso às informações veiculadas em sala de aula.  Professor intérprete – profissional bilíngue (língua de sinais e língua portuguesa) que atua na interpretação/tradução dos conteúdos curriculares e atividades acadêmicas da escola.) A educação bilíngue para crianças brasileiras surdas consiste na aquisição das duas línguas: a língua brasileira de sinais (LIBRAS) a e língua portuguesa (modalidades oral e escrita).

tablado..  material visual e outros de apoio. Suas adaptações curriculares precisam:  materiais e equipamentos específicos: prótese auditiva.. linguagem gestual e de sinais. língua de sinais e outros. de leitura ou de qualquer outra forma utilizada. rítmico etc.atividades de linguagem escrita.  salas-ambiente para treinamento auditivo. Emílio Figueira . treinadores de fala. de fala. para favorecer a apreensão das informações expostas verbalmente.  posicionamento do aluno na sala de tal modo que possa ver os movimentos orofaciais do professor e dos colegas. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.  textos escritos complementados com elementos que favoreçam a sua compreensão: linguagem gestual.  sistema alternativo de comunicação adaptado às possibilidades do aluno: leitura orofacial. softwares educativos específicos etc.

associado aos estímulos que essa pessoa vai receber ao longo da vida. diz. Daniela Alonso. usando estimulação sensorial e buscando formas variadas de comunicação. Como lidar com a deficiência múltipla na escola? De acordo com a psicopedagoga especialista em Educação Inclusiva. é preciso levar em conta que há consequências nos diversos aspectos do desenvolvimento da criança que influenciam diretamente a sua maneira de conhecer o mundo externo e desenvolver habilidades adaptativas". a orientação aos educadores deve ser feita caso a caso. que também podem causar deficiência múltipla em indivíduos adultos. Não existem estudos que comprovem quais são as mais recorrentes. físicas ou ambas combinadas. o modo como cada deficiência afetará o aprendizado de tarefas simples e o desenvolvimento da comunicação do indivíduo varia de acordo com o grau de comprometimento propiciado pelas deficiências. São pessoas com diferentes níveis de motivação. Emílio Figueira . As causas podem ser pré-natais. se não tratadas. os que portam deficiências múltiplas apresentam diferencias significativas no seu processo de desenvolvimento. Em relação à maioria dos alunos. Alunos. aprendizagem e interação social. "Mais do que a somatória de deficiências. Ela aponta que é preciso ficar atento às competências do aluno com deficiência múltipla. diz: “O desempenho e as competências dessas crianças são heterogêneos e variáveis.As Deficiências Múltiplas A deficiência múltipla é a ocorrência de duas ou mais deficiências simultaneamente - sejam deficiências intelectuais. Mas. O livro “Saberes e práticas da inclusão: dificuldades acentuadas de aprendizagem: deficiências múltiplas” do MEC/SEESP (2003). Aula 28 . por má-formação congênita e por infecções virais como rubéola ou doenças sexualmente transmissíveis. que apresentam formas incomuns de agir e se comunicar. dependendo dos tipos e do grau de comprometimento do aluno. Segundo a Associação Brasileira de Pais e Amigos dos Surdocegos e dos Múltiplos Deficientes Sensoriais (Abrapascem). esses alunos também possuem variadas potencialidades e possibilidades funcionais que devem ser compreendidas e consideradas. com níveis funcionais básicos e EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. para identificar a maneira mais favorável de interagir com o aluno.

isto é. sinais. sistematizadas e contextualizadas. A abordagem pedagógica para alunos com deficiência múltipla deve ser apresentada de forma lúdicas e informal. neurologistas. objetos e símbolos. terapeutas ocupacionais e psicólogos. Podem e devem frequentar o atendimento especial ao mesmo tempo em que cursam a escola comum. caótica. teatro. uma pessoa para estar o tempo todo com esse aluno a fim de garantir a sua comunicação com o mundo. Outros. são indicados:  Incluso do brinquedo no interior da escola:  Uso de linguagens. principalmente se ela for surdocega congênita. olhar. uma ação complementar de uma equipe multidisciplinar. visando um desenvolvimento global do aluno com deficiência. crianças e jovens de sua comunidade. música. Com relação específica ao aluno com surdocegueira. movimento e literatura. apoios intensos. Segundo Figueira (2014). com profissionais das diferentes áreas do conhecimento. fonoaudiólogos. pois dificuldade de comunicação é o principal obstáculo a ser superado pela pessoa surdocega. Para que haja avanço no processo de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos com deficiência múltipla é necessário muitas vezes. a convivência com outros alunos sem deficiência. por exemplo. As ações integradas de saúde e educação são imprescindíveis para o desenvolvimento e a aprendizagem de pessoas com necessidades educacionais especiais. A surdocegueira faz com que a criança perceba o mundo de forma fragmentada. Emílio Figueira . A maioria desses alunos não apresenta linguagem verbal. entretanto. fisioterapeutas. possibilidades de adaptação ao meio podem e devem ser educados em classes comum. dança. com a mesma faixa etária. mas pode comunicar-se por gestos. contínuos e currículo alternativo que correspondam às necessidades na classe comum” (pg. esse necessitará de um intérprete. movimentos corporais mínimos. 11). poderão necessitar de processos especiais de ensino. enfatizando a brincadeira e experiências significativas. plásticas. pois. que assiste ao aluno em sala de recursos. “nunca é demais lembrar que o fato de que a inclusão de aluno com deficiência múltipla no ensino EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. aumentam as suas possibilidades cognitivas. O trabalho dessa equipe seria informar e orientar a família e a escola. expressivas de forma integrada: arte visuais. em companhia de outros alunos. como. Assim. uma ação coletiva maior. Sem uma intervenção especializada adequada e precoce essa crianças poderá desenvolver sérios transtornos psíquicos. mediante a necessária adaptação e suplementação curricular. com mais dificuldades. onde o professor de ensino regular deve trabalhar em conjunto com o docente especializado.

como: ateliê. cantinhos. 65). entregá-los. À partir do resgate da autoestima dessas crianças e da grande dedicação dos professores envolvidos. passam a utilizar seus sentidos normais para substituir seus sentidos perdidos. Os estudos sobre a defectologia.  acesso à atenção do professor. As adaptações de acesso para esses alunos devem considerar as deficiências que se apresentam distintamente e a associação de deficiências agrupadas: surdez-cegueira. Portanto.  apoio para que o aluno perceba os objetos. por exemplo. com atenção e orientação apropriados. As Borboletas De Zagorsk Como complemento desta unidade. as crianças de Zagorsk passaram de meras lagartas presas ao chão a belas borboletas capazes de alçar voos inimagináveis. a ir para a universidade ou até mesmo a aprender a se comunicar em inglês. As adaptações de acesso devem contemplar a funcionalidade e as condições individuais do aluno:  ambientes de aula que favoreça a aprendizagem. deficiência física-auditiva etc. Através do toque das mãos e da vibração da voz. recomendo muito que assista a este documentário:As Borboletas de Zagorsk (The Butterflies of Zagorsk. brincar com eles. presentes na teoria de Vygotsky enfatizam que as pessoas com deficiência. a 80 km de Moscou. principalmente da forma como a escola vai recebê-los. inspirado nos estudos de Lev Vygotsky. A obra tem 58 minutos de duração e se passa na cidade de Zagorsk. demonstrem interesse e tenham acesso a eles. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.  materiais de aula: mostrar os objetos. estimulando os alunos a utilizá-los. mas. oficinas. regular não depende do nível da sua deficiência. acolhê-los e atendê-los” (pg. 1990) é um documentário produzido pela BBC em 1990 que trata do trabalho desenvolvido em uma escola russa com crianças surdas e cegas. Emílio Figueira . eles são uma prova de que é possível viver e se adaptar ao mundo tão bem quanto uma pessoa em perfeito exercício de suas habilidades físicas. através de mecanismos compensatórios. eles não devem ser simplesmente isolados e relegados à margem da sociedade como um grupo que não tem direito a uma vida digna. Com apoio e dedicação. a ter acesso ao conhecimento. podemos perceber que mesmo aqueles com necessidades especiais têm um grande potencial que pode ser desenvolvido. deficiência visual-intelectual.

deveriam ser ensinadas a desenvolver seus outros sentidos ao ponto deles poderem ser usados para compensar o que foi perdido"."Crianças deficientes não devem ser abordadas através de sua deficiência. Lev Vygotsky EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Emílio Figueira . Em vez disso.

Emílio Figueira . TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.

Emílio Figueira . Algumas evitam o contato visual e demonstram aversão ao toque do outro. bastante inovadoras. Podem estabelecer contato por meio de comportamentos não-verbais e.fenômeno conhecido como ecolalia . na coordenação motora. Estas anomalias qualitativas constituem uma característica global do funcionamento. assim como pelo estreitamento nos interesses e nas atividades. Mudanças de humor sem causa aparente e acessos de agressividade são comuns em alguns casos.ou. A “Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento” (CID-10). Os TGD são distúrbios nas interações sociais recíprocas que costumam manifestar-se nos primeiros cinco anos de vida. por exemplo. A compreensão dos transtornos classificados como TGD. O Transtorno Global do Desenvolvimento descrevem diferentes transtornos que têm em comum as funções do desenvolvimento afetadas qualitativamente. além de contribuir para a compreensão dessas funções no desenvolvimento de todas as crianças. essas crianças podem repetir as falas dos outros . Os Transtornos Globais do Desenvolvimento também causam variações na atenção. na concentração e. ainda. mantendo-se isoladas. Ações repetitivas são bastante comuns. preferem ater-se a objetos no lugar de movimentar-se junto das demais crianças. estereotipado e repetitivo. fazendo uso de jargões. como observar determinados objetos. Já na comunicação verbal. define o Transtornos Globais de Desenvolvimento como: “Grupo de transtornos caracterizados por alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e modalidades de comunicação e por um repertório de interesses e atividades restrito. a partir das funções envolvidas no desenvolvimento. ao brincar. em todas as ocasiões” . Aula 29 . EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. tanto clínicas quanto educacionais. crianças com TGD apresentam dificuldades em iniciar e manter uma conversa. eventualmente.O Que São TGDs Muitas vezes dentro do processo de Inclusão surgirão os alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento ditos (TGD). comunicar-se por meio de gestos ou com uma entonação mecânica. Com relação à interação social. Caracterizam-se pelos padrões de comunicação estereotipados e repetitivos. aponta perspectivas de abordagem. As crianças apresentam seus interesses de maneira diferenciada e podem fixar sua atenção em uma só atividade.

especialmente EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. o Transtorno de Rett e o Transtorno de Asperger. Por definição. repetitivos e estereotipados de comportamento. após um período de pelo menos 2 anos de desenvolvimento aparentemente normal. jogos ou habilidades motoras. após o qual pode ocorrer alguma melhora limitada. Os alunos com este transtorno exibem os déficits sociais e comunicativos e aspectos comportamentais geralmente observados no Transtorno Autista. os dados mais recentes sugerem que a condição é mais comum no sexo masculino. habilidades sociais ou comportamento adaptativo. a perda de habilidades alcança um platô. para avaliar a presença de uma condição médica geral. mas o Transtorno Desintegrativo da Infância parece ser muito raro e muito menos comum que o Transtorno Autista. Em outros casos. controle intestinal ou vesical. é particularmente importante realizar um exame físico e neurológico minucioso. Geralmente. Aula 30 . embora apenas raramente esta seja pronunciada. Na maioria dos casos. Após os primeiros 2 anos de vida (mas antes dos 10 anos). Embora estudos iniciais sugerissem uma distribuição igual entre os sexos. relacionamentos sociais. Quando o período de desenvolvimento normal foi bastante prolongado (5 anos ou mais). a criança sofre uma perda clinicamente significativa de habilidades já adquiridas em pelo menos duas das seguintes áreas: linguagem expressiva ou receptiva. Os dados epidemiológicos são limitados. O desenvolvimento aparentemente normal é refletido por comunicação verbal e não-verbal. jogos e comportamento adaptativo apropriados à idade.Transtorno Desintegrativo Da Infância (TDI) Hoje na Educação Inclusiva fala-se muito do Transtorno Desintegrativo da Infância que envolvem também o Transtorno Autista. Existe um prejuízo qualitativo na interação social e na comunicação e padrões restritos. o Transtorno Desintegrativo da Infância apenas pode ser diagnosticado se os sintomas forem precedidos por pelo menos 2 anos de desenvolvimento normal e o início ocorrer antes dos 10 anos. seguidos por uma perda da fala e outras habilidades. Emílio Figueira . irritabilidade e ansiedade. Sua característica essencial é uma regressão pronunciada em múltiplas áreas do funcionamento. podendo ser insidioso ou abrupto. o início dá-se entre os 3 e os 4 anos. interesses e atividades. Os sinais premonitórios podem incluir aumento nos níveis de atividade.

As dificuldades sociais. Até esse período. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. apropriados à idade. a perda de habilidades é progressiva.quando o transtorno está associado com uma condição neurológica progressiva. o diagnóstico da infância ou adolescência segue alguns critérios: Primeiramente. o transtorno manifesta-se por meio de uma regressão pronunciada em múltiplas áreas do funcionamento. vitalício. interesses e atividades. Emílio Figueira . os quais são considerados. assim como dos relacionamentos sociais. O transtorno segue um curso contínuo e. na maioria dos casos. incluindo estereotipias motoras e maneirismos. o que ocorre após os dois primeiros anos de vida. repetitivos e estereotipados de comportamento. comunicativas e comportamentais permanecem relativamente constantes durante toda a vida. a criança com TDI perderá habilidades já adquiridas em pelo menos duas das seguintes áreas:  linguagem expressiva ou receptiva  habilidades sociais ou comportamento adaptativo  controle esfíncteriano  jogos  habilidades motoras Outro critério utilizado como diagnóstico consiste em ter funcionamento “anormal” em pelo menos duas das seguintes áreas:  comprometimento qualitativo da interação social  comprometimento qualitativo da comunicação  padrões restritos. a criança apresenta um desenvolvimento normal da comunicação verbal e não-verbal. jogos e comportamentos adaptativos. antes dos 10 anos. Segundo o DSM-IV. Entretanto. Síndrome de Heller Esse Transtorno Desintegrativo da Infância também é conhecido como Síndrome de Heller e é um tipo de Transtorno Global do Desenvolvimento. segundo a lógica do DSM.

que consistem em:  Critérios necessários (presentes em todas as pacientes):  desenvolvimento pré-natal (antes do nascimento) e perinatal (pouco tempo depois de nascer) aparentemente normal. comprometendo progressivamente as funções motora e intelectual. culminando na perda das habilidades manuais e estagnação do desenvolvimento neuropsicomotor. Psicomotricidade. Mas devido as regressões psicomotores. Na Síndrome de Rett ocorre uma regressão dos ganhos psicomotores. Aparece em todos os grupos étnicos. lavar as mãos e esfregá-las). ocorrendo microcefalia adquirida. a psicomotricidade ocorre através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Um dos tipos mais graves de autismo. Emílio Figueira . até então normal. a menina desenvolve de forma aparentemente normal entre 8 a 18 meses de idade. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Para entendermos. Está relacionada ao processo de maturação. desenvolvimento psicomotor normal até os 6 meses de idade. aperto. bater de palmas. acometendo quase que exclusivamente crianças do sexo feminino. O crescimento craniano. portanto. como neurologistas e pediatras. aproximadamente 1 em cada 10. Aos poucos. No caso típico. afetivas e orgânicas. e provoca distúrbios de comportamento e dependência. surgem movimentos estereotipados das mãos (contorções. em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade. demonstra clara tendência para o desenvolvimento mais lento. sua linguagem e sua socialização.Síndrome De Rett Síndrome de Rett é uma anomalia no gene mecp.000 a 15. deixa de manipular objetos. o intelecto e o afeto. a criança com Sindrome de Rett torna-se isolada e deixa de responder e brincar. é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado. levar as mãos à boca. Critérios de Diagnósticos Seus critérios de diagnóstico são baseados na avaliação clínica da paciente e deve ser feito por um profissional habilitado para tal.000 meninas nascidas vivas(os meninos normalmente não resistem e morrem precocemente). É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento. depois começa a mudar seu padrão de desenvolvimento. Aula 31 . que causa desordens de ordem neurológica. onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas.

 perímetro cefálico (circunferência da cabeça) normal ao nascimento.  Critérios de exclusão (ausentes nas pacientes): órgãos aumentados (organomegalia) ou outro sinal de doenças de depósito. perda de palavras aprendidas. embora se conheçam todos os aspectos que podem interferir. se considerarmos o quanto uma criança com 36 meses pode aprender. Evolução clínica. Emílio Figueira . "lavar as mãos" ou levá-las à boca).  retardo no crescimento. tônus muscular anormal.  perda do uso propositado das mãos. apertar. prejuízos na compreensão. distúrbios vasomotores periféricos (pés e mãos frios ou cianóticos). raciocínio e comunicação. Aprendizagem e Escolarização Ainda se tem poucos dados objetivos sobre como se desenvolve a aprendizagem nas crianças com Síndrome de Rett. Estudos já apontaram que há intencionalidade no olhar de meninas com Síndrome de Rett. ainda que levando em conta suas possibilidades e seus limites. expulsão forçada de ar e saliva.  evidência de dano cerebral antes ou após o nascimento.  movimentos manuais estereotipados (torcer. bater palmas. aerofagia).  cifose/escoliose progressiva. esfregar.  bruxismo (ranger os dentes). equivalendo ao desempenho de crianças normais de 36 meses de idade. prejudicar ou auxiliar esse processo. Desse modo.  pés e mãos pequenos e finos. atrofia óptica e catarata. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. agitar. apneia.  distúrbios do sono. presença de doença metabólica ou outra doença neurológica progressiva.  desaceleração do perímetro cefálico após 6 meses de idade. que a aquisição de conceitos básicos é bastante prejudicada e ainda de difícil avaliação.  Critérios de suporte (presentes em algumas pacientes):  distúrbios respiratórios em vigília (hiperventilação. fica fácil entender o quanto uma pessoa com Síndrome de Rett também pode aprender.  afastamento do convívio social.  doença neurológica resultante de infecção grave ou trauma craniano.  retinopatia. mesmo quando a pessoa com Síndrome de Rett já está em idades mais avançadas.

Faça ajustes nas atividades sempre que necessário e procure apresentar os conteúdos de maneira bem visual. O principal é estabelecer sistemas de comunicação que ajudem a criança - como placas com desenhos e palavras. recomenda-se que a criança com Síndrome de Rett. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Emílio Figueira . é um espaço para o desenvolvimento e para a aprendizagem de habilidades básicas da criança e para a sua socialização. sobretudo. a escolarização de crianças e jovens com Síndrome de Rett deve obedecer critérios de decisão da família e considerar. desde que apresente boas condições de saúde não a exponham a qualquer risco. já que muitas crianças com essa síndrome necessitam de equipamentos para caminhar. A escola deve ser um espaço acessível. deverá ser estabelecida forte aliança entre a família. e a equipe terapêutica que acompanha a criança ou jovem.Até os 5-6 anos de idade. ainda não existem meios de avaliar objetivamente. De toda forma. frequente escolas que ofereçam a Educação Infantil. A partir dos 7 anos. a família deverá fazer a sua opção por mantê-la no Ensino Fundamental regular ou por buscar Atendimento Educacional Especializado para a criança. os objetivos efetivos desse processo. a escola e os professores. para que ela possa indicar o que deseja. mas apenas subjetivamente. mais do que acadêmico. além dos sistemas de suporte municipais ou estaduais. No caso de mantê-la na escola regular. de modo que essa escolarização não interfira negativamente mais do que positivamente no desenvolvimento e na qualidade de vida da pessoa com Síndrome de Rett. para facilitar a compreensão. Respeite o tempo de aprendizagem de cada criança e conte com a ajuda do Atendimento Educacional Especializado (AEE). por ora. Esse espaço. o rendimento escolar desse alunado É preciso criar estratégias para que as meninas com Síndrome de Rett possam aprender. já que.

A síndrome foi reconhecida pela primeira vez no Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais(DSM-IV). diferenciando-se do autismo clássico por não comportar nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo. movimentos desajeitados e descoordenados. Quando adultos. Alguns sintomas desta síndrome são:  dificuldade de interação social  falta de empatia  interpretação muito literal da linguagem  dificuldade com mudanças  perseveração em comportamentos estereotipados No entanto.  Peculiaridades na fala e na linguagem. em 1994. Aula 32 .  Transtornos motores. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. um psiquiatra e pediatra austríaco cujo trabalho não foi reconhecido internacionalmente até a década de 1990. A validade do diagnóstico de SA continua incerta. na sua quarta edição.  Problemas com comunicação. como qualquer outra pessoa que não possui a síndrome. sendo caracterizada por:  Interesses específicos e restritos ou preocupações com um tema em detrimento de outras atividades. isso pode ser conciliado com desenvolvimento cognitivo normal ou alto.  Habilidade de desenhar para compensar a dificuldade de se expressar verbalmente. "Prémio Nobel" da Economia de 2002). Emílio Figueira . O termo "síndrome de Asperger" foi utilizado pela primeira vez por Lorna Wing em 1981 num jornal médico.  Comportamento socialmente e emocionalmente impróprio e problemas de interação interpessoal. Há indivíduos com Asperger que se tornaram professores universitários (como Vernon Smith.Síndrome De Asperger A Síndrome de Asperger. é uma síndrome do espectro autista.  Rituais ou comportamentos repetitivos. que pretendia desta forma homenagear Hans Asperger.  Padrões de pensamento lógico/técnico extensivo. muitos podem viver de forma comum. mas já se sabe ser mais comum no sexo masculino.

não conseguem "ler". ou na impossibilidade de identificar o que é socialmente "aceitável". linguagem corporal. são incapazes de prever o que se pode esperar dos demais ou o que estes podem esperar deles. As pessoas com SA não têm a habilidade natural de enxergar os subtextos da interação social. and Communities. Os não-autistas são capazes de captar informação sobre os estados cognitivos e emocionais de outras pessoas baseadas em "pistas" deixadas no ambiente social e em traços como a expressão facial. As regras informais do convívio social que angustiam os portadores de SA são descritas como "o currículo oculto". não podem interpretar nem compreender os desejos ou intenções dos outros e. No texto Asperger's Syndrome. Emílio Figueira .propensos a comportamento egocêntrico. Isso geralmente leva a comportamentos impróprios e anti-sociais. Sem isso. as dificuldades com o convívio social são praticamente universais. Este fenômeno também é considerado uma carência de teoria da mente. e. humor e ironia. o que é às vezes chamado de "cegueira emocional". também são um dos critérios definidores mais relevantes. Já os portadores de SA não têm essa capacidade. lógica como matemática. sarcasmo e metáforas. Aspergers não captam indiretas e sinais de alertas de que seu comportamento é inadequado à situação social. Os Aspergers precisam aprender estas aptidões sociais intelectualmente de maneira clara. começam a temer cometer novos EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.  Interpretar as palavras sempre em sentido denotativo . os indivíduos com SA não conseguem reconhecer nem entender os pensamentos e sentimentos dos demais. e quando olham.  Ser considerado grosso. gírias. Clinics. Tony Attwood categoriza as várias maneiras que a carência de "teoria mental" ou abstração podem afetar negativamente as interações sociais de portadores de Asperger:  Dificuldade em compreender as mensagens transmitidas por meio da linguagem corporal . em vez de intuitivamente por meio da interação emocional normal. Intervening in Schools.  Aperceber-se de erros sociais . seca.pessoas com SA geralmente não olham nos olhos.Diferenças sociais Apesar de não haver uma única distinção comum a todos os portadores de SA.indivíduos com SA têm dificuldade em identificar o uso de coloquialismos. portanto. rude e ofensivo . portanto.à medida que os Aspergers amadurecem e se tornam cientes de sua "cegueira emocional". Desprovidos dessa informação intuitiva. e podem não ter capacidade de expressar seu próprio estado emocional. ironia. resultando em observações e comentários que podem soar ofensivos apesar de bem-intencionados.

quando um indivíduo com SA começa a entender o processo de abstração. portadores de SA tendem a processar informações de relacionamentos muito mais lentamente do que o normal. geralmente fazem tudo da maneira que acham mais confortável. Por isto.  Reconhecer sinais de enfado . Na mão inversa. Isto muito frequentemente leva a exaustão mental.pessoas com SA tendem a ser menos afetadas pela pressão dos semelhantes do que outras.  Lidar com críticas . Uma vez que o conflito se resolva. levando a pausas ou demoras desproporcionais e incômodas. Emílio Figueira . pessoas com SA têm problemas para distinguir a diferença entre atitudes deliberadas ou casuais dos outros.uma falta de empatia em geral leva a comportamentos ofensivos ou insensíveis não-intencionais.como respondem às interações sociais com a razão e não intuição.  Vestimenta e higiene pessoal . o que por sua vez pode gerar uma paranoia.apesar do fato de pessoas com SA terem compreensão intelectual de constrangimento e gafes.por causa da "cegueira emocional".  Exaustão .como Aspergers reagem mais pragmaticamente do que emocionalmente. suas expressões de afeto e rancor são em geral curtas e fracas. precisa treinar um esforço deliberado e repetitivo para processar informações de outra maneira. são incapazes de aplicar estes conceitos no nível emocional.ser incapaz de entender outros pontos de vista pode levar a inflexibilidade e a uma incapacidade de negociar soluções de conflitos.indivíduo com SA têm dificuldade de entender seus próprios sentimentos ou o seu impacto nos sentimentos alheios. como um professor ou um chefe.  Lidar com conflitos . Como resultado.  Compreensão de embaraço e passo em falso .  Introspecção e autoconsciência . erros no comportamento social.  Consolar os outros .  Velocidade e qualidade do processamento das relações sociais . mesmo quando são cometidos por pessoas em posição de autoridade. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. sem se importar com a opinião alheia. pessoas com AS têm pouca compreensão sobre como consolar alguém ou fazê-los se sentirem melhor.como carecem de intuição sobre os sentimentos alheios. o remorso pode não ser evidente.  Consciência de magoar os outros . Isto é válido principalmente em relação à forma de se vestir e aos cuidados com a própria aparência.a incapacidade de entender os interesses alheios pode levar Aspergers a serem incompreensivos ou desatentos.  Paranoia . pessoas com SA geralmente não percebem quando o interlocutor está entediado ou desinteressado.  Amor e rancor recíprocos . e a autocrítica em relação a isso pode crescer a ponto de se tornar fobia.pessoas com SA sentem-se forçosamente compelidas a corrigir erros. podem parecer imprudentemente ofensivos.

um foco quase obsessivo e uma memória impressionantemente boa para dados factuais (ocasionalmente. na caligrafia. Isto pode tornar-se um raro dom para humor (especialmente trocadilhos. Um estudo de 2003 investigou a linguagem escrita de crianças e adolescentes com SA. Comportamentos típicos na SA Outros comportamentos típicos são ecolalia (repetição ou eco da fala do interlocutor) e palilalia (repetição de suas próprias palavras). Na escola. A diferença de crianças com SA é a intensidade incomum desse interesse.Há as diferenças de fala e linguagem. não foram encontradas diferenças significativas entre os padrões de ambos os grupos. claramente capazes de superar seus colegas em EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Em qualquer caso. Algumas vezes. os interesses são vitalícios. são normalmente um ou dois interesses de cada vez. A Síndrome de Asperger na criança pode se desenvolver como um nível de foco intenso e obsessivo em assuntos de interesse. Alguns são tão apurados no domínio da língua escrita que podem ser considerados hiperléxicos. Emílio Figueira . Uma fonte potencial de humor é a percepção eventual de que suas interpretações literais podem ser usadas para divertir os outros. especialmente quando discorrer sobre seu(s) assunto(s) de interesse. pesquisa recente sugere que geralmente não é esse o caso. No entanto. Pessoas com Síndrome de Asperger podem ter pouca paciência com coisas fora destes campos de interesse específico. Alguns pesquisadores sugeriram que essas "obsessões" são essencialmente arbitrárias e carecem de qualquer significado ou contexto real. Ao perseguir estes interesses. Uma criança de cinco anos de idade com essa condição pode falar regularmente como se desse uma palestra universitária. usando um registro formal muitas vezes impróprio para o contexto. até memória eidética). Crianças com SA podem usar palavras idiossincráticas. mas têm dificuldade em produzir escrita de qualidade. em outros casos. vão mudando a intervalos imprevisíveis. Outra análise de exemplos de texto escrito constatou que pessoas com Asperger produzem quantidade de texto similar às dos neurotípicos. Pessoas com SA tipicamente tem um modo de falar altamente "pedante". jogos de palavras e sátiras). portadores de SA frequentemente manifestam argumentação extremamente sofisticada. os participantes com SA produziram letras e palavras consideravelmente menos legíveis do que as do grupo neurotípico. muitos dos quais são os mesmos de crianças normais. Nas técnicas de escrita. podem ser considerados inaptos ou superdotados altamente inteligentes. entretanto. incluindo neologismos e justaposições incomuns. As amostras foram comparadas aos seus pares neurotípicos num teste padronizado de escrita e legibilidade da caligrafia.

Outros podem ser hipermotivados para superar os colegas de escola. Entretanto. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. tal como abordar um desconhecido e iniciar um longo monológo sobre um assunto de interesse especial em vez de se apresentar antes da maneira socialmente aceita. Emílio Figueira .seu campo do interesse. e ainda assim constantemente desmotivados para fazer deveres de casa comuns (às vezes até mesmo em suas próprias áreas de interesse). A combinação de problemas sociais e de interesses específicos intensos pode conduzir ao comportamento incomum. em muitos casos os adultos podem superar estas impaciências e falta de motivação e desenvolver mais tolerância às novas atividades e a conhecer pessoas.

Aula 33 – Autismo Autismo é uma disfunção global do desenvolvimento. rigorosas e controladas levaram à hipótese da existência de alteração cognitiva que explicaria as características de comunicação. apesar de autistas. causado pela incapacidade de mães e/ou pais de oferecer o afeto necessário durante a criação dos filhos. Nesse período de tempo. O novo modelo permite uma compreensão adequada de outras manifestações de transtornos dessas funções do desenvolvimento que. e não havia comprovação empírica. Posteriormente. Ao ser estudado e compreendido enquanto um transtorno do desenvolvimento. de estabelecer relacionamentos e de responder apropriadamente ao ambiente — segundo as normas que regulam essas respostas. novos estudos evidenciavam a presença de distúrbios neurobiológicos. Os diversos modos de manifestação do autismo também são designados de espectro autista. 2010. estudos de Wing e Gould deram origem ao conceito de Espectro Autista. outras apresentam sérios retardos no desenvolvimento da linguagem. Algumas crianças. as pesquisas fundamentadas em dados estabeleceram importantes modelos explicativos (BELISÁRIO FILHO E CUNHA. É uma alteração que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo. pg. explicado e descrito como um conjunto de transtornos qualitativos de funções envolvidas no desenvolvimento humano. Alguns parecem fechados e distantes. Durante as duas décadas seguintes. indicando uma gama de possibilidades dos sintomas do autismo. Esse modelo explicativo permitiu que o autismo não fosse mais classificado como psicose infantil. surgiram escolas específicas para pessoas com autismo. Isto porque em 979. linguagem. Além disso. Até a década de 60. constituem quadros diagnósticos diferentes. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. 14). A formulação dessa hipótese se baseava apenas na descrição de casos. apresentam inteligência e fala intactas. Posteriormente. pois estudos mostraram que não havia diferença significativa entre os laços afetivos de pais de crianças autistas e de outras crianças. pesquisas empíricas. termo que acarretava um estigma para as famílias e para as próprias crianças com autismo. Emílio Figueira . embora apresentem semelhanças. interação social e pensamento presentes no autismo. outros presos a comportamentos restritos e rígidos padrões de comportamento. o autismo deixou de ser apontado como uma psicose infantil para ser entendido como um Transtorno Global (ou Invasivo) do Desenvolvimento. o autismo foi considerado um transtorno emocional. essa correlação se mostrou falsa.

uma criança autista fica isolada em seu canto observando as outras crianças brincarem. O Espectro Autista é um contínuo. por exemplo. mas como dito acima nem todos são assim: é difícil definir se uma pessoa tem retardo mental se nunca teve oportunidades de interagir com outras pessoas ou com o ambiente. é porque simplesmente ela tem dificuldade de iniciar. Um dos mitos comuns sobre o autismo é de que pessoas autistas vivem em seu mundo próprio. Incluem: EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Não se conseguiu até agora provar qualquer causa psicológica no meio ambiente dessas crianças. manter e terminar adequadamente uma conversa. os Transtornos Globais do Desenvolvimento e outros que não podem ser considerados como Autismo. Acomete cerca de 20 entre cada 10 mil nascidos e é quatro vezes mais comum no sexo masculino do que no feminino. verificados pela anamnese ou presentes no exame ou entrevista com o indivíduo. Emílio Figueira . É incapacitante e aparece tipicamente nos três primeiros anos de vida. que possa causar a doença. propriamente ditas. Outro mito comum é de que quando se fala em uma pessoa autista geralmente se pensa em uma pessoa “retardada” que sabe poucas palavras (ou até mesmo que não sabe nenhuma). na comunicação e por um padrão restrito de conduta. não é porque ela está desinteressada dessas brincadeiras ou porque vive em seu mundo. são crianças afetadas por dificuldades na reciprocidade social. na interação social e no uso da imaginação. A incidência foi praticamente cinco vezes maior do que a incidência nuclear do autismo. ou outro TGD. 19).  Segundo a ASA. e apresenta-se em diferentes graus. sem que sejam autistas. Há. Portanto. É encontrado em todo o mundo e em famílias de qualquer configuração racial. em alguns casos. o que permitiu atenção e ajuda a um número maior de crianças. São as crianças com Espectro Autista (pg. nesse contínuo. Definição da Autism Society of American – ASA (1978) Autism Society of American = Associação Americana de Autismo. A dificuldade de comunicação. Se. mas que apresentam características no desenvolvimento correspondentes a traços presentes no autismo. étnica e social.Ao estudarem a incidência de dificuldades na reciprocidade social. está realmente presente. isto não é verdade. interagindo com o ambiente que criam. O autismo é um transtorno definido por alterações presentes antes dos três anos de idade e que se caracteriza por alterações qualitativas na comunicação. perceberam que as crianças afetadas por essas dificuldades também apresentavam os sintomas principais do autismo. os sintomas são causados por disfunções físicas do cérebro. não uma categoria única. O autismo é uma inadequacidade no desenvolvimento que se manifesta de maneira grave por toda a vida.

colocar-se de pé numa perna só. tato.  Relacionamento anormal com os objetivos. dor. audição.usa gesticular e apontar no lugar de palavras  Acessos de raiva . Uso de palavras sem associação com o significado. restrita compreensão de ideias. gustação e maneira de manter o corpo.pode não querer chutar uma bola. resistência à mudança de rotina  Não tem real medo do perigo (consciência de situações que envolvam perigo)  Procedimento com poses bizarras (fixar objeto ficando de cócoras. presentes ou não.  Distúrbios no ritmo de aparecimentos de habilidades físicas. As funções ou áreas mais afetadas são: visão. Respostas não apropriadas a adultos e crianças.  Fala e linguagem ausentes ou atrasadas. somente liberando-a após tocar de uma determina maneira os alisares)  Ecolalia (repete palavras ou frases em lugar da linguagem normal)  Recusa colo ou afagos  Age como se estivesse surdo  Dificuldade em expressar necessidades . Objetos e brinquedos não usados de maneira devida.  Reações anormais às sensações. impedir a passagem por uma porta. mas pode arrumar blocos É relevante salientar que nem todos os indivíduos com autismo apresentam todos estes sintomas. porém a maioria dos sintomas está presente nos primeiros anos de vida da criança. Ritmo imaturo da fala. eventos e pessoas. equilíbrio. Certas áreas específicas do pensar. Emílio Figueira . Nas características descritas pela ASA (Autism Society of American). olfato. Estes variam de leve a grave e em intensidade de sintoma para EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.demonstra extrema aflição sem razão aparente  Irregular habilidade motora . modos arredios  Rotação de objetos  Inapropriada fixação em objetos  Perceptível hiperatividade ou extrema inatividade  Ausência de resposta aos métodos normais de ensino  Insistência em repetição. sociais e linguísticas. indivíduos com autismo usualmente exibem pelo menos metade das características listadas a seguir:  Dificuldade de relacionamento com outras crianças  Riso inapropriado  Pouco ou nenhum contato visual  Aparente insensibilidade à dor  Preferência pela solidão.

EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. 2002). Adicionalmente. Para que um sistema educacional inclusivo seja bem sucedido é necessário o envolvimento de toda a comunidade escolar no processo de transição ou ingresso de um aluno que antes se encontrava em programas especiais ou sem frequentar a escola.sintoma. Algumas até podem ser integradas às salas do ensino regular. tais como vestir. as crianças autistas devem ter acesso ao sistema escolar.  O professor deve favorecer ao aluno autista a aquisição de consciência do mundo e de si mesmo. usando-se técnicas comportamentais e lhes ensinando noções básicas de funcionamento. as alterações dos sintomas ocorrem em diferentes situações e são inapropriadas para sua idade. conhecimento e domínio de recursos instrucionais específicos. serviços de monitoria e auxiliar do dia. bem como desenvolvimento de novo repertório de competências. porque a síndrome de que são portadoras não as impede do aprendizado acadêmico.  As atividades desenvolvidas devem ser claras e objetivas e devem possibilitar o entendimento da relação causa consequência. etc. O manual “Estratégias e orientações para a educação de alunos com dificuldades acentuadas de aprendizagem associadas às condutas típicas” (MEC/Brasil. diz na página 24: “A educação inclusiva favorece sempre novas formas de oferta de serviços educacionais para atender a grande diversidade que é uma comunidade escolar. que só é conseguido através do uso da comunicação. Estratégias Escolares para Ensinar Crianças com Autismo A abordagem pedagógica com crianças autistas deve ser semelhante à das que tem deficiência intelectual. higiene etc.  Professores precisam desenvolver a capacidade de observação de modo a perceber com clareza os indicadores de um comportamento inadaptado. Isto exige uma reestruturação da escola que deve ampliar as oportunidades de participação de todos de forma a responder às necessidades educacionais de seus alunos”.  O ambiente deve ser estruturado para envolver e motivar os alunos. Ainda de acordo com esse documento apresentamos algumas ideias para o professor:  Salas de aula devem ter uma regra principal: respeito ao outro. comer. Embora requeiram dos professores orientação técnica. Aprender esses conceitos básicos é necessário para que tenham o melhor desempenho possível dentro da sociedade. Emílio Figueira . Isto pode ser desenvolvido por meio do envolvimento de alunos como colaboradores e co- responsável pelas atividades desenvolvidas em sala de aula. como por exemplo.

Se você continuar repetindo. enquanto instruções escritas são constantes e podem se concernir facilmente. Devido às diferenças de fiação cérebro seu processamento é diferente e precisa de certas acomodações. Quebre as tarefas em partes menores. Muitas das crianças têm problemas de processamento auditivo. maiores as hipóteses da informação ficar confusa e perdida. a criança tem que começar a processar tudo de novo. 5. 3. Use frases curtas e frases com apenas o ponto principal. os pânicos cerebrais vão reagir com “luta ou fuga”. Se o fizermos. pois. Isso é muito frustrante e desgastante. Estamos constantemente tentando acelerar essas crianças até mesmo forçando para processar mais rápido do que deveríamos. Se possível. Use modelos visuais sempre que possível para demonstrar o que você quer. 8 Dicas para Apoiar e não pressionar seu Aluno com Autismo O autismo tem uma diferença de processamento de informações que muitas vezes consiste em um processamento com atraso. As palavras são fugazes. Escreva algumas instruções de assuntos escolares. de EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. 4. Eu vejo isso o tempo todo. em vez de depender de instruções verbais. abaixo estão Listados algumas diretrizes para a transição destas diferenças de processamentos. Quanto maior o tempo com frases e muitas palavras usadas. Não podemos empurrá-lo mais rápido do que seu cérebro pode processar. Reduza suas palavras! Forneça orientações concretas e as encurte. Dê à criança tempo para processar. Fragmente as tarefas em partes para desacelerar. Emílio Figueira . 2. Só use as palavras importantes. Dê instruções visuais. evitar uma metodologia tentativa/erro. Como o processamento tem atraso é importante dar à criança pelo menos 10-20 segundos para responder (ainda mais para algumas crianças). esses alunos podem acabar “aprendendo o erro” ao invés do “acerto”. passo a passo sequencialmente. Isso muitas vezes ocorre porque a criança tem que processar conscientemente o que para outras crianças pode vir de forma intuitiva. sem possuir a capacidade de fazer generalizações. Contudo. Há altura das nossas expectativas para as necessidades de processamento da criança. 1. Permita a criança manter seu próprio ritmo e performance. antes do processamento ser concluído. para chegar direto ao ponto.

e outros modelos que ajudem a criança a organizar e categorizar as informações importantes. e dá-lhes um quadro de referência para organizar a informação. deixe-os dar respostas verbais. Se você precisar que escreva. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. mas deixe ele terminar! É importante concluir uma tarefa antes de ir para outra. Se for esse o caso. 6. organizar e armazenar as informações.uma uma lista de verificação para marcar conforme ele fizer cada etapa. Se você quer descobrir o que sabem. saiba que ele não pode pensar sobre como escreve e sobre o que escrever ao mesmo tempo. dando-lhe “arquivos” mentais para classificar. esquematizações. Emílio Figueira . Dê ao aluno um esboço que defina os pontos importantes para que o aluno poça categorizar as informações que são dadas. deixe-os escolher o método e lhe dizer. Considere o uso de planilhas. Isso destaca as áreas de importância para ajudar a direcionar a sua atenção. Permita que a criança use a sua forma preferida de comunicar o que sabe. Não espere que seu filho seja multitarefa! Permita-lhe mais tempo para fazer. Muitas das crianças têm dificuldade em classificar a informação relevante do irrelevante. Se possível de uma”pré-visualização” do aprendizado antes do tempo. Um esquema simples irá destacar a ele quais informações são importantes para se concentrar. 8. 7. para dar um quadro mental do que está sendo apresentado. Prepare uma antecipação. Muitas crianças têm problemas de escrita. Use modelos visuais.

Começando por evitar atitudes que agravam os problemas emocionais desses alunos:  forçar a criança a ficar no espaço sem dialogar:  ridicularizar seus sentimentos. Também cabe ao professor identificar as potências dos alunos. Emílio Figueira . Boa parte dessas crianças precisa de ajuda na aprendizagem da autorregulação e estas são sugestões pedagógicas e serem trabalhadas na sala de aula:  Fazer da organização da sala uma rotina diária. harmonioso e tranquilo.  usar chantagens e subornos. Os alunos com TGD costumam procurar pessoas que sirvam como 'porto seguro' e encontrar essas pessoas na escola é fundamental para o desenvolvimento. Invista em ações positivas. Muitos professores se sentem desamparados quando recebem alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento.  Utilizar música ao fundo.  ignorar o medo para ver se a criança esquece. A inserção na escola de alunos com TGD deve ser respeitando-se as limitações deles. Na escola. deixando para o final aquelas que são mais agradáveis e estimulantes. estimule a autonomia e faça o possível para conquistar a confiança da criança. Acreditamos que um dos motivos para o surgimento dessa sensação seja certo desconhecimento sobre o assunto. mesmo com tempos diferentes de aprendizagem.Orientações Para Promover A Aprendizagem Do Aluno Com TGD Na Escola Estas são orientações para professores e/ou orientadores pedagógicos. Apresentar as atividades do currículo visualmente é outra ação que ajuda no processo de aprendizagem desses alunos. Aula 35 . com elogios e “recompensas” por comportamentos adequados. para que seja EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Isto criará um equilíbrio em relação às chamadas de atenção para os alunos quando eles fazem algo errado. Estabelecer rotinas em grupo e ajudar o aluno a incorporar regras de convívio social são atitudes de extrema importância para garantir o desenvolvimento na escola.  Adotar uma atitude positiva. com recursos visuais e auditivos. esses alunos devem ser incluídos em classes com os pares da mesma faixa etária. proporcionando um clima agradável.  Iniciar as aulas pelas atividades que requerem atenção.  Dividir as atividades em atividades menores. Fazer ajustes nas atividades sempre que necessário e conte com a ajuda do profissional responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE).

e nos casos das crianças com TGD ela é indispensável.  Tendo a participação de escolarização de qualquer aluno. formas e tamanhos  Participe de rodas de conversas. a parceria entre família e a escola é primordial. caso seja necessário. Nas intervenções pedagógicas de alunos com TGD os professores precisam focar em três áreas: sociabilização. Essa inclusão pode acontecer respeitando os seguintes aspectos:  Sendo de maneira grupal. pronomes e conjunções adequadamente  Nomeie seus próprios desenhos. quanto para àqueles que não tenha. que deve estar junto do aluno em tarefas durante a permanência na escola. pessoas o pelo ambiente  Identifique-se dentro de um grupo  Aceite contato físico com os colegas  Procure contato afetivo  Imite ações  Expresse sentimentos  Compartilhe objetos  Coopere com os outros  Compreenda e obedeça as regras sociais  Realize atividades com independência e participe de atividades cooperativas em grupo  COMUNICAÇÃO  Reconheça o seu ambiente  Responda e imite gestos  Atenda a comando simples  Compreenda o sentido do “sim” e do “não”  Reconheça partes do corpo em si e nos outros  Reconheça e aponte abjetos e figuras  Repita e emita sons onomatopaicos  Emita palavras isoladas. designando suas necessidades  Use palavras significativas  Diga seu próprio nome e de pessoas conhecidas  Empregue artigos.  Com a companhia de um acompanhante terapêutico. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. comunicação e cognição. Emílio Figueira . Isto equivale a dizer que o professor deve estimular o aluno para que:  SOCIABILIZAÇÃO  Mantenha contato visual  Manifeste interesse por objetos.benéfica tanto para estudantes que tenha deficiência. bem como cores. respeitando o tempo de adaptação do aluno.

perceba e localize fontes sonoras  Reconheça e reproduza canções  Rabisque ou desenhe  Realize atividades de encaixar peças  Folheie livros e revistas  Monte quebra-cabeças  Faça dobraduras simples e se tiver condições. complexas também  Monte e desmonte brinquedos  Realize modelagem com argila. massa de modelar  Perceba as partes e todo em objetos. bem como frases e texto. COGNIÇÃO  Mantenha contato visual  Procure por objetos que estejam fora de sua linha de visão  Explore e toque objetos  Interprete estímulos visuais com: intensidade de luz. gravuras e desenhos  Realize rasgaduras e recortes de papéis  Escreva seu nome e dependendo do estágio de outras pessoas. espessura e altura  Saiba discriminar semelhança e diferenças  Discrimine. cor. tamanhos. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. forma. Emílio Figueira .

Emílio Figueira . OUTRAS DEFICIÊNCIAS EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.

Aula 34 - Deficiência Intelectual E Síndrome
De Down

O aluno com deficiência intelectual, como qualquer outro aluno, precisa desenvolver a
sua criatividade, a capacidade de conhecer o mundo e a si mesmo. O nosso maior
engano é generalizar a capacidade intelectual das pessoas com deficiência em níveis
sempre muito baixos, carregados de preconceitos sobre a possibilidade que esses
alunos têm de progredir na escola, acompanhando os colegas. Desse engano derivam
todas as ações educativas que desconsideram o fato de que cada pessoa é uma
pessoa, que tem antecedentes de formação, experiências de vida e que sempre é
capaz de apreender e de exprimir um conhecimento.

Mesmo com dificuldades e lentidão no desenvolvimento dos alunos com deficiências
intelectuais, estudos demonstram que o intelecto reage satisfatoriamente a
solicitações adequadas de estímulos. Esses alunos têm, como os demais, dificuldades e
potencialidades. O trabalho pedagógico com estas pessoas consiste em reforçar e
fortalecer o desenvolvimento de suas potencialidades, proporcionando os apoios
necessários e suas dificuldades. O MEC/SEESP (2003, pg, 54), diz que “adaptam-se as
práticas escolares para que essas pessoas consigam desenvolver, ao máximo, suas
capacidades, oferecendo-lhes um ambiente de aprendizagem que os ajude a
abandonar a postura passiva de receptores de conhecimento, assim planejado”:

 Ambientes de aula que favoreçam a aprendizagem, tais como: atelier, cantinhos,
oficinas, etc.
 Desenvolvimento de habilidades adaptativas: sociais e de comunicação.
 Desenvolvimento de hábitos de cuidado pessoal e autonomia.

Uma escola comum sempre teve como função principal a produção do conhecimento.
Mas a inclusão escolar de alunos com deficiência intelectual traz um desafio à escola,
traçado pelo desafio particular de lidar com o saber, distante do padrão considerado
ideal pela comunidade escolar, sendo essas as adaptações curriculares para alunos
com deficiências intelectuais:

 ambientes de aula que favoreçam a aprendizagem, tais como: atelier, cantinhos,
oficinas etc.;

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 desenvolvimento de habilidades adaptativas: sociais, de comunicação, cuidado
pessoal e autonomia.

Pedagogicamente, uma vez na qual a criança com Síndrome de Down apresenta déficit
intelectual que se evidencia na dificuldade de lidar com o raciocino abstrato, seu
atendimento educacional deve ser semelhante ao das crianças com Deficiência
Intelectual, respeitando-se as diferencias individuais. A criança com deficiência mental,
neste caso, também as crianças com Síndrome de Down, devem ser expostas o mais
precocemente possível a um ambiente educacional que favoreça as suas
potencialidades.

Desta forma, os professores devem estar atentos às necessidades educacionais
especiais de seus alunos, adequado as atividades. Esse atendimento educacional deve
ser semelhante ao das crianças com Deficiência Intelectual, respeitando-se as
diferenças individuais, mas expondo o mais precocemente possível a um ambiente
educacional que favoreça as suas potencialidades.

Os professores permanecerão atentos às necessidades educacionais especiais de seus
alunos, adequando as atividades curriculares ao desenvolvimento individual. A ação
pedagógica deve ser flexibilizada em diferentes áreas do conhecimento, avaliando-se
continuamente a eficácia do processo educativo, devendo os docentes atuar em
equipe, buscando auxilio de professores especializados em educação especial.

O uso de dinâmicas de grupo deve ser considerado como uma valiosa ferramenta para
interação e desenvolvimento do aluno com síndrome de Down, pois, estas dinâmicas
auxiliam no desenvolvimento emocional e das relações entre os alunos, possibilitando
a inclusão desses alunos na classe regular. Veja algumas sugestões práticas de como
proceder para promover a educação inclusiva de pessoas com síndrome de Down:

 Ofereça ambientes de aula que favoreçam a aprendizagem, tais como: atelier,
cantinhos, oficinas etc.
 Ofereça, também, um ambiente emocionalmente acolhedor para todos os alunos.
 Proporcione o desenvolvimento de habilidades adaptativas: sócias, de
comunicação interpessoal.
 Estimule a atenção dos alunos para as atividades escolares
 Incentive o desenvolvimento de habilidades de cuidado pessoal e autonomia,
ensinando-lhe a pedir informações que necessita, a solicitar ajuda etc.

Para o desenvolvimento integral dos alunos com síndrome de Down, é necessário que
eles convivam em ambientes favoráveis. Espaços acolhedores, estimulantes e
desafiantes, adequado às suas necessidades, vão permitir que seu desenvolvimento

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venha em seu próprio tempo, sem nenhum tipo de pressão externa negativa,
ajudando-os a superar os próprios limites.

Com relação à adaptação curricular para alunos com condutas típicas de síndromes e
quadros clínico, o comportamento desses alunos não se manifesta por igual nem
parece ter o mesmo significado e expressão nas diferentes etapas de suas vidas.
Existem importantes diferenças entre as síndromes e quadros clínicos que
caracterizam as condições individuais e apresentam efeitos mais ou menos limitantes.
As seguintes sugestões favorecem o acesso ao currículo:

 encorajar o estabelecimento de relações com o ambiente físico e social;
 oportunizar e exercitar o desenvolvimento de suas competências;
 estimular a atenção do aluno para as atividades escolares;
 utilizar instruções e sinais claros, simples e contingentes com as atividades
realizadas;
 oferecer modelos adequados e corretos de aprendizagem (evitar alternativas
do tipo “aprendizagem por ensaio e erro”);
 favorecer o bem-estar emocional.

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inquietude e impulsividade. Antes de sugerir que um aluno tem hiperatividade. Nesses casos. em São Paulo. as causas são emocionais. 1. de causas genéticas. Em inglês. Emílio Figueira . vale analisar se a causa não está na forma como você organiza a aula. nunca é demais lembrar que o diagnóstico precisa de respaldo médico. propostas abaixo (ou muito acima) do nível cognitivo da turma e ambientes desorganizados e que favoreçam a dispersão. Veja cinco pontos essenciais sobre o transtorno. sempre haverá um ou dois que precisam de remédio? Não. que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. "Geralmente. diz Mauro Muszkat. Ele é chamado às vezes de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção). são três os sintomas principais: agitação.que devem estar presentes em pelo menos dois ambientes que a criança frequenta. Quando ocorre o TDAH. diz José Salomão Schwartzman. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção. ADHD ou de AD/HD. Quando o caso é mesmo de TDAH. que muita gente conhece somente como hiperatividade. o acompanhamento psicológico é suficiente. Agitação não é hiperatividade Há dias em que alguns alunos parecem estar a mil por hora e nada prende a atenção deles. se o problema for bagunça ou desatenção. E. Em outras ocasiões. neurologista especialista em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Na maioria das vezes. especialista em Neuropsicologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). por exemplo. a inquietação costuma estar mais relacionada com a dinâmica da escola do que com o transtorno".atividades que exijam concentração muito superior à da faixa etária. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Quer dizer então que. numa classe de 30 alunos. O problema pode ter raízes na própria aula . Cinco pontos essenciais sobre esse transtorno: À primeira vista. dificuldade de atenção e impulsividade . a estatística soa alarmante: de 3 a 6% das crianças em idade escolar sofrem com o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (o nome oficial do TDAH). Por tudo isso. também é chamado de ADD. os sintomas geralmente são transitórios. Aula 36 – TDAH O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico. Isso não significa que sejam hiperativos. veja se é sua aula que não anda prendendo a atenção. "Questões como a morte de um familiar e a separação dos pais podem prejudicar a produção escolar".

eles se mantêm e são tão exacerbados que prejudicam a relação com os colegas. "Em muitos casos. o aluno fica isolado e.a ideia de tratar com remédios todo tipo de problema de sala de aula. A investigação para o diagnóstico costuma ser bem detalhada. podem trazer resultados satisfatórios".2 milhão de receitas. não há exames físicos que o problema. Por isso. juntamente com o acompanhamento psicológico. O medicamento não cura. por exemplo). traços pessoais e histórico médico são esquadrinhados para excluir a possibilidade de outros problemas e verificar se os aspectos que marcam o transtorno estão mesmo presentes. Diversos especialistas criticam essa elevação. 2. segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Emílio Figueira . o transtorno não se confirma". Muitas vezes. Hábitos. explica Schwartzwman. Quando isso não é possível. como outros medicamentos. mas ajuda a controlar os sintomas . o transtorno não é tão prejudicial e iniciativas como alterações na rotina da própria escola. O diálogo com a família é essencial Em alguns casos. "Muitas vezes. outros nove à hiperatividade e mais outros três à impulsividade. a venda de medicamentos indicados para o tratamento cresceu 80%. Ao todo são 21 .o que se espera é que. Nem todos precisam de remédio Entre os anos de 2004 e 2008. os professores conseguem participar das reuniões com os pais e o médico. Vale lembrar que o remédio é vendido somente com receita e. Cabe ao médico avaliá-los. ele auxilia na concentração e no controle da impulsividade. o TDAH é definido por uma lista de sintomas. mesmo hiperativo. afirma Muszkat. Como ocorre com a maioria dos problemas psicológicos (depressão. 4. para acolher melhor o comportamento do aluno. Só o médico dá o diagnóstico Um levantamento realizado recentemente pela Unifesp aponta que 36% dos encaminhamentos por TDAH recebidos no setor de atendimento neuropsicológico infantil da instituição são originados da escola por meio de cartas solicitando aos pais que procurem tratamento para o filho. É EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Ao elevar o nível de alerta do sistema nervoso central. ansiedade e síndrome do pânico. 3.nove referentes à desatenção. não conversa. os estimulantes à base de metilfenidato são os mais prescritos pelos médicos. Quando a medicação é necessária. apontando-a como um dos sinais da chamada "medicalização da Educação" . as dificuldades se reduzam e deixem de atrapalhar a qualidade de vida. conversas com a família e relatórios periódicos enviados para o profissional da saúde são indicados para facilitar a comunicação. pode causar efeitos colaterais. chegando a cerca de 1.

Durante os momentos de maior tensão. manter o tom de voz num nível normal e tentar estabelecer um diálogo é a melhor alternativa. 5. da falta de organização e da apreensão de informações. é uma reflexão importante para motivar não apenas os estudantes com TDAH. É importante que a escola se preocupe com o desempenho global do aluno e esteja próxima dos valores da família e aberta à discussão e ao entendimento com esta. mas toda a turma. que favorece a concentração.  Observe de que maneira a criança aprende melhor. Existem várias estratégias que podem ser utilizadas com essas crianças na escola e em sala de aula. "Se o adulto grita com a criança. Emílio Figueira . O professor pode ajudar (e muito) Adaptar algumas tarefas ajuda a amenizar os efeitos mais prejudiciais do transtorno. Deixar alunos com TDAH próximos a janelas pode prejudicá-los.importante lembrar ainda que não é por causa do transtorno que professores e pais devem pegar leve com a criança e deixar de estabelecer limites .  Busque qualidade nas tarefas em vez de quantidade.  Descubra formas de fazer a criança desfrutar da aprendizagem e obter ganhos em vez de frustrações. A abordagem é geralmente individualizada. ela pode pensar que está sendo rejeitada ou mal compreendida". Esta. medos e aborrecimentos. ambos acabam se exaltando rápido e. uma vez que o movimento da rua ou do pátio é um fator de distração. Seguem algumas recomendações gerais aos professores:  Encontre um profissional. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Também é importante reconhecer os momentos de exaustão considerando a duração das tarefas. como distribuir e organizar o material das atividades. quando o estudante está hiperativo. vale sempre avaliar se as atividades propostas são desafiadoras e se a rotina não está repetitiva. e procure trocar ideias com ele. AÇÕES PEDAGÓGICAS Já para alunos com TDAH. aliás. Já a energia típica dessa condição pode ser canalizada para funções práticas na sala. é um caminho para o aluno retomar o trabalho quando estiver mais focado. Outra dica é o trabalho em pequenos grupos. por exemplo. em vez de compreender as regras. diz Muszkat.  Procure desenvolver um contato visual mais frequente como o aluno com TDAH e mantenha-o o maior tempo possível sob sua observação. Propor intervalos em leituras longas ou sugerir uma pausa para tomar água após uma sequência de exercícios. Evitar salas com muitos estímulos é a primeira providência. De resto. como um professor especializado nessa área ou um psicólogo com treinamento específico.a maioria das dificuldades gira em torno da competência cognitiva. e não da relação com a obediência.

 Confira ao aluno responsabilidades apropriadas à idade dele. criando uma situação de estresse familiar e matrimonial” (pg.  Permitam que seu filho ouça música para dormir.  Ajudem a criança a organizar-se com os materiais de trabalho ou o estudo. Procurem entrar em contato com o professor dele para saber sobre as atividades escolares.  Use um caderno que sirva para a comunicação diária com os pais.  Ajudem seu filho a fortalecer a autoestima e a autoconfiança dele.  Estabeleçam a prática de um esporte.  Se vocês acharem que as atividades são excessivas. em que ele possa aprender melhor.  Ensine a criança a interagir com os demais e a olhar nos olhos.  É importante que a criança saiba que ela não está sendo reprimida. sim. estabelecendo uma agenda de atividades.  Utilizem bilhetes autoadesivos para fazê-lo lembrar-se de eventos e situações especiais. o comportamento dela. acentua que “e natural que os pais de crianças com TDAH se sintam frustrados e sós. Estabeleça um sistema de pontos que levem o aluno à obtenção de um prêmio (algo atrativo para a criança).  Propiciem um ambiente adequado.  Ajudem seu filho a planejar o tempo e as tarefas.  Estimule o aluno a procurar um companheiro para os estudos. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. juntos. sugere-se que:  Conheçam as características do TDAH que seu filho manifesta. às vezes. um meio-termo. pois esse distúrbio põe à prova os mais altos limites da paciência. os pais concentram todas as energias nos filhos que apresentam o TDAH. Emílio Figueira . Para os pais. 85).  Procurem não esquecer também dos outros filhos.  Dê menor importância às infrações da criança que não sejam graves e aja com firmeza nas que forem graves. assim como as qualidades dele.  Percebam as áreas com as quais seu filho se identifica. falem com o professor e busquem. mas. pois. O MEC/SEESP (2003).

por ela ser ‘do jeito que é’. frequentemente são de critica. Isto se deve em parte porque. A autoestima é permeada por vários fatores. contribuem severamente para que sintam como se estivessem sempre errados ou fazendo besteiras. “Isto é preguiça”. e seu comportamento é imediatamente reconhecido como ‘inconveniente’. O tempo todo. repressão. como a escola. Claro que isto contribui para que a criança com TDAH sinta como se estivesse sempre fazendo alguma coisa errada. Enquanto uma criança deprimida. Sentem-se incompetentes e incapazes de fazer qualquer coisa direito.). irritação e impaciência naqueles que estão ao seu redor. “Isto é má vontade”. e como se as pessoas não gostassem dela. negativamente. no parque. professores. “Você não presta atenção porque não quer”. a criança com TDAH tende a gerar frustração. expondo-o a uma situação de embaraço. pessoas com tdah não conseguem esconder que têm o transtorno. chefes. Crianças e adultos com TDAH são particularmente mais vulneráveis a baixa auto-estima do que as outras pessoas. ter TDAH muitas vezes coloca a criança mais perto da extremidade mais baixa de seus sentimentos gerais de autoestima. A inabilidade para esconder o distúrbio e o feedback negativo que eles recebem. o TDAH não causa simpatia. por todos os lados a criança ouve: “Pare de se mexer”. Infelizmente. Emílio Figueira . entretanto. a impulsividade do tdah o denuncia rapidamente. colegas de classe ou trabalho. como autoconfiança e a auto-aceitação. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. a autoestima de seus portadores. a respeito de si mesmas. onde as crianças com TDAH podem desenvolver sentimentos positivos. por exemplo. etc. descrédito ou chacota. ”Pare de interromper”. no trabalho. Algo que colabora ainda mais para a autoestima negativa é que. ao contrário de outros distúrbios.Aula 37 . as respostas vindas do meio externo (família. e nas ocasiões de convivência em geral. família e entre os amigos. No colégio. “Pare de falar tanto”. Crianças com TDAH costumam ter baixa autoestima nos principais grupos de convívio. Por outro lado.ABDA O TDAH é reconhecido como o transtorno que mais afeta.A autoestima das pessoas com TDAH Artigo da Associação Brasileira do Déficit de Atenção . Existem outras áreas. geralmente é tratada com carinho e paciência. etc. ao contrário de alguns distúrbios.

"Eu sou benquisto/malquisto") quanto emoções associadas. Os professores dizem que ela é distraída. estudar é sinônimo de suplicio. o que poderá melhorar sua autoestima. Emílio Figueira . a configuração pode mudar. descobrir outros campos de atividades e relações sociais onde a criança possa ter um talento natural e desenvolvê-los. de fazê-lo bem. Se. como sendo intrinsecamente positiva ou negativa em algum grau. Nem os pais e nem os professores. você sabe o que é verdadeiramente autoestima e quais as consequências na vida de uma pessoa com baixa autoestima? A autoestima basicamente se refere a uma avaliação subjetiva que a pessoa faz de si mesma num todo. Os pais a chamam de preguiçosa. se ninguém a aceita. passar a ser incluída em alguns grupos. A partir desta perspectiva. Inclui as convicções de saber e conseguir fazer alguma coisa ou coisas específicas. respeito a si próprio sem comparar-se aos outros em escalas de ‘melhor’ ou ‘pior’. Por mais que todos se empenham. Desta forma. Uma pessoa com TDAH passa a vida toda sem ter conhecimento do transtorno. e a criança vai de mal a pior na escola. esta mesma criança for muito boa em um esporte. e apesar dela continuar se sentindo incapaz de aprender. de acordo com suas próprias expectativas. Em poucos anos de vida escolar. sem autoconfiança (não se sente capaz). Esta pessoa chega à vida adulta sem auto-aceitação (afinal. Inclui elementos como estar satisfeito e. vamos pegar um exemplo fictício. com autoestima muito baixa. de conseguir alcançar alguma coisa. e por consequência. por exemplo. e tiver a oportunidade de descobrir e mostrar este talento. nada funciona. Ela tem problemas na escola. (triunfo/desespero. A autoestima envolve tanto crenças pessoais. de suportar determinadas dificuldades e de poder prescindir de algo. no entanto.Mas. orgulho/vergonha). A autoconfiança é uma postura positiva com relação às próprias capacidades e desempenho. Para entender melhor. ‘não quer nada com a vida’. A auto-aceitação é uma postura positiva com relação a si mesmo. não consegue aprender – porque na verdade não consegue se concentrar. por que ela se aceitaria?). EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. os colegas de classe fazem chacota e a excluem. sem o diagnóstico. mas ela não sabe disto. é uma das melhores ferramentas para ajudar a alavancar uma imagem positiva de si mesmo. ela poderá atingir um nível de aceitação social. Ela pode vir a ter o respeito dos colegas. Ela tem certeza de que é ‘burra’ e incapaz de aprender. ("Eu sou competente/incompetente". ela adquire autoconfiança quanto ao seu talento esportivo.

onde possa se sentir bem com ela mesma. particularmente aquelas que envolvem potencial para o fracasso ou rejeição social. certifique-se de criar experiências simples que ofereçam uma chance altíssima de sucesso.br/br/artigos/textos/item/1046-a-auto-estima-das- pessoas-com-tdah.html#sthash. na medida em que surjam. as crianças são capazes de expressar como se sentem sobre si mesmas em uma variedade de áreas.tdah. são ‘expressos’ espontaneamente pela própria criança. os pais devem ficar atentos aos interesses e inclinações naturais da criança. ABDA® Todos os direitos reservados. Quanto mais atividades e experiências a criança tiver. Copyright 2014. Emílio Figueira . È importante que os pais não projetem suas fantasias e desejos nos filhos Em geral na pré-escolar.org. e se privam de novas experiências.Mas lembre-se que os talentos naturais. visando incentivá-los. Como muitas crianças com TDAH se inibem facilmente.nSMFaw4B. Chamamos isto de ‘aptidão’. neste sentido. por medo de errar. maior será seu potencial de desenvolvimento.dpuf EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. -FONTE: http://www.

impossibilidade de fazer uma “leitura diagonal” e problemas em extrair as ideias fundamentais de um texto. Coordenação EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Leitura Leitura lenta e pouca exacta. Estas dificuldades resultam frequentemente de um défice na componente fonológica da linguagem e são muitas vezes inesperadas relativamente a outras capacidades cognitivas e face ao fornecimento de instrução eficaz. mesmo com palavras simples. Aula 38 – Dislexia A dislexia é uma perturbação específica da aprendizagem de origem neurobiológica. Leitura. Dificuldades na gramática e na construção de frases. A velocidade e sequências da escrita é afectada – os estudantes perdem com facilidade “a sequência lógica” do que estão a escrever/ler. o que pode impedir o desenvolvimento do vocabulário e do conhecimento geral. Caracteriza-se por dificuldades no reconhecimento preciso e/ou fluente das palavras escritas. por dificuldades ortográficas e por dificuldades na descodificação. em pronunciar palavras pouco familiares. Emílio Figueira . Pontuação ausente ou pobre. Escrita Oralidade Dificuldades em ler em voz alta. Consequências secundárias podem incluir problemas na compreensão da leitura e experiência de leitura reduzida. Números Problemas com capacidades básicas ligadas à matemática e ciências como dificuldades em memorizar e relembrar sequências de números. Sinais de dislexia: manifestações mais frequentes Escrita Dificuldades ortográficas persistentes. Dificuldade em estruturar uma apresentação oral.

A escrita pode ser lenta e pouco ordenada.

Organização

Deficiente organização e gestão do tempo.

Orientação Espacial

Em alguns casos pode verificar-se deficiente orientação espacial, por exemplo
dificuldade em distinguir a esquerda da direita, leitura de mapas e seguir instruções de
direcção.

Memória

Deficiente memória de curto prazo. Perda de objectos com facilidade por não se
lembrar onde os deixou, esquecimento de nomes e números de telefones, etc. Pouca
atenção.

Problemas Visuais

Em alguns casos pode apresentar dificuldade em ler um texto de uma determinada
cor, ou quando tem um fundo de uma cor específica. Os estudantes disléxicos podem
ver os textos de forma diferente, por exemplo, ver espaços onde não existe qualquer
espaço, palavras que se movimentam, etc.

Boas práticas

Estratégias de ensino

As seguintes sugestões de boas práticas serão particularmente úteis para os
estudantes com dislexia, mas podem ser úteis aos estudantes em geral. Para além
destas sugestões achamos muito importante que o Professor obtenha mais
informação sobre dislexia e contacte com os estudantes, no sentido de saber o que
para eles é mais útil.

O estudante disléxico na Universidade:

É importante estar alerta para a eventualidade de ter um estudante disléxico entre os
que frequentam as suas aulas. Assim deverá:

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– estar consciente de que ele aprende de forma diferente da convencional;

– tentar obter informações acerca dos problemas com que o estudante disléxico se
confrontou no secundário, especialmente no que diz respeito:

– à capacidade de auto-gestão

– ao seu sentido de organização

– à capacidade de tomar notas

– à gestão do tempo

– à gestão dos projetos e trabalhos a realizar

– ao ensino unidimensional;

– reconhecer a frustração que estudante disléxico deve sentir;

– reconhecer que as classificações podem ficar muito aquém do potencial do
estudante;

– reconhecer problemas de autoestima e de depressão;

– demonstrar simpatia, atenção e preocupação;

– oferecer-se para ser o professor tutor ou nomear-lhe um;

– saber ouvir e aconselhar quando necessário e nas alturas previstas para tal;

– ajudar a organizar os trabalhos;

– planificar os trabalhos com datas bem determinadas (por exemplo, o primeiro
trabalho sobre o primeiro capítulo na data x, o segundo na data y… e assim
sucessivamente);

– indicar as leituras obrigatórias nas bibliografias de referência;

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– assegurar que os direitos previstos na lei em benefício dos estudantes disléxicos são
respeitados, nomeadamente em matérias de exames: intervalos, tempo suplementar,
leituras, utilização de computadores portáteis, etc.;

– ajudar os estudantes a preencher formulários e a redigir pedidos relacionados com
os seus direitos;

– insistir no reforço dos talentos naturais do estudante.

Nas aulas

Os estudantes com dislexia leem e escrevem mais lentamente do que os outros
estudantes, assim é para eles muito difícil acompanhar as aulas tirando notas. Estes
estudantes podem também encontrar dificuldades em ler acetatos/apresentações nas
aulas, pois têm dificuldade em compreender o que leem e em copiar.

Fornecer um resumo quando se introduz um novo tópico, de forma a iniciar a
familiarização do estudante com o assunto – salientar as ideias principais e palavras-
chave;

– fornecer textos de apoio às aulas, de forma a diminuir a quantidade de notas que o
estudante tem que tirar numa aula;

– usar múltiplas formas de apresentar a informação: vídeos, slides, demonstrações
práticas, bem como ir falando ao longo da apresentação de textos;

– prever tempo para os estudantes lerem os textos de apoio às aulas, sobretudo se
esses textos vão ser mencionados no decurso de uma aula;

– introduzir tópicos e conceitos novos de uma forma óbvia – explicar termos e
conceitos novos;

– dar exemplos para ilustrar um ponto de vista, uma perspectiva, um assunto;

– fazer pausas regulares para permitir que os estudantes possam acompanhar;

– perguntar ao estudante disléxico se está a conseguir acompanhar o trabalho nas
aulas;

– fornecer material escrito, formatando-o num estilo simples, claro e conciso;

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– são de evitar as tintas vermelha e verde. diagramas. – imprimir em papel de cor pode ser mais fácil de ler para alguns estudantes com dislexia. – não usar blocos densos de texto. – usar formas alternativas de apresentar conteúdos como gráficos. diferentes tipos de cabeçalhos. Trabalhos práticos EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. É aconselhável o uso de parágrafos. pois estas cores são particularmente difíceis de ler.– usar preferencialmente material impresso em detrimento de notas escritas à mão. – destacar partes de textos ou palavras usando preferencialmente o negrito em detrimento do sublinhado ou itálico. Emílio Figueira . etc. Estes estudantes podem igualmente usar um tipo de linguagem mais básica. – combinar com os estudantes disléxicos a data de entrega de trabalhos. símbolos gráficos a destacar partes de textos e numerar textos. – evitar fundos com imagens ou figuras. Avaliações Em situação de avaliação as capacidades de escrita e ortografia do estudante disléxico podem piorar devido à pressão do tempo. – não devem ser usadas demasiadas fontes diferentes num mesmo texto. Alguns estudantes com dislexia usam acetatos de cor que colocam por cima do texto para facilitar a leitura. – uma fonte clara como o Arial ou o Comic Sans é mais fácil de ler do que fontes como o Times New Roman. evitando palavras longas que lhes torna mais lento o processo de expressão escrita. As perguntas devem ser expressas em linguagem clara e concisa. – permitir a este estudantes o uso de corretores ortográficos e/ ou outras formas de trabalho que os ajudem a detectar e corrigir os próprios erros.

bem como conter muitos erros ortográficos. Estratégias de apoio à avaliação e classificação Deve sempre dar feedback ao estudante sobre a avaliação que fez do trabalho apresentado por ele.Podem surgir dificuldades quando estes trabalhos exigem apresentações escritas com prazos muito curtos – trabalhos escritos à mão podem ter uma péssima apresentação. Sempre que necessário deve conversar com ele sobre esse assunto. Material Curisineire e Material Dourado.  evitar ou dar mais tempo para que copie do quadro. Lidando com um aluno disléxico.  uso de gravuras. Deve ser permitida a entrega destes trabalhos impressos. como desenhar.  dar um tempo maior para realizar as avaliações escritas. pois ela sempre acha sua letra horrível e não gosta de vê-la no papel.  não forçar a modificar sua escrita. portanto escritos usando o computador. A modulação da caligrafia é um processo longo. Quando pontua um trabalho use marcadores diferentes para diferenciar o conteúdo da apresentação (ortografia e gramática. Os estudantes disléxicos podem ter dificuldades em seguir instruções.  máscara para leitura de texto. o professor deve ter conhecimento e sensibilidade. Algumas estratégias podem usadas para facilitar o aprendizado do aluno disléxico:  uso frequente de material concreto: relógio digital.  folhas quadriculadas para matemática.  fazer revisões frequentemente. Uma tarefa EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. fotografias(a imagem é essencial para sua aprendizagem).  para ler palavras longas. gravador. Emílio Figueira .  dar menos dever de casa e avaliar a necessidade e aproveitamento deste.  confecção do próprio material para alfabetização.  letras com várias texturas. pois isso é sempre um problema. de forma que estas devem ser claras e simples. montar uma cartilha. bem como organização das ideias). calculadora. ensinar a separá-las com uma linha a lápis.

Sua própria voz é de muita ajuda para melhorar a memória. A habilidade de uso de dicionário deve ser cuidadosamente ensinada. tirando pontos de seu trabalho. Toda criança precisa de apoio e paciência e mais ainda o aluno disléxico. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Ele precisa de mais compreensão com suas dificuldades e atenção individualizada sempre.  uma língua estrangeira é muito difícil para eles.  suas habilidades devem ser julgadas mais em sua respostas orais do que nas escritas. de modo que a professora possa observá-la e encorajá-la a solicitar ajuda.  sempre que possível . em que a criança não disléxica leva 20 minutos para realizar. Dar lista de palavras com uma mesma regra para a criança aprender.  evitar dar várias regras de escrita numa mesma semana.  procurar não dar suas notas em voz alta para toda classe. a criança deve ser encorajada a repetir o que lhe foi dito para fazer. sendo uma a cada semana.  usar sempre uma linguagem clara e simples nas avaliações orais e principalmente nas escritas. Por exemplo.  não esperar que ela use corretamente e autonomamente um dicionário para verificar como é a escrita correta da palavra. preguiçosa ou compará-la aos outros alunos da classe.  procurar não reforçar sentimentos que minimizam sua auto-estima.  ela não deve ser forçada a ler em voz alta em classe a menos que demonstre desejo em fazê-lo.  não riscar de vermelho seus erros ou colocar lembretes tipo: estude!  precisa estudar mais! precisa melhorar. por mais difícil que seja. isso a humilha e a faz infeliz.  demonstrar paciência. compreensão e amizade durante todo o tempo. Algumas atitudes e comportamentos podem ser feitos para isso:  evitar dizer que ela é lenta. Nunca é tarde demais para ensinar uma criança a ler.  a criança disléxica deve sentar-se próxima à professora. os vários sons do "C" ou "G". a disléxica pode levar duas horas. já tão frágil. Emílio Figueira . fazer suas avaliações sempre em termos de trabalhos e pesquisas. O professor deve ter muita sensibilidade para que suas atitudes não diminuam a auto estima do aluno disléxico.  não considerar as trocas na escrita como erro por falta de cuidado. isto inclui mensagens.

A criança com problemas específicos de aprendizagem tem padrões pouco usuais em perceber as coisas no ambiente externo. A criança com esse problema não pode fazer o que outros com o mesmo nível de inteligência podem conseguir. fazer esportes ou completar atividades simples. Sua tendência é escrever as letras. escrita e/ou matemática. pelo que fracassa no trabalho escolar. processar e dominar as tarefas e informações. Os pais devem estar atentos e conscientes dos sinais mais frequentes que indicam a presença de um problema de aprendizagem. – Apresenta dificuldade para distinguir entre a direita e a esquerda. pode ter um nível normal de inteligência. Aula 39 . EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Uma criança com problemas de aprendizagem. de acuidade visual e auditiva. – Falta-lhe coordenação ao caminhar. É uma criança que se esforça em seguir as instruções. em concentrar-se. e logo a desenvolvê-las posteriormente. quando a criança: – Apresenta dificuldade para entender e seguir tarefas e instruções. Eles podem ser detectados em crianças a partir dos 5 anos de idade e constituem uma grande preocupação para muitos pais. tais como apontar um lápis ou amarrar o cordão do sapato. – Apresenta dificuldade para relembrar o que alguém acaba de dizer. – Não domina as destrezas básicas de leitura. Emílio Figueira . soletração.Dificuldades de Aprendizagem Os problemas de aprendizagem atingem a 1 de cada 10 crianças em idade escolar. e portar-se bem em sua casa e na escola. etc. para identificar palavras. Sua dificuldade está em captar. Não é nada difícil detectar quando uma criança está tendo problemas para processar as informações e a formação que recebe. Seus padrões neurológicos são diferentes das outras crianças da mesma idade. palavras ou números ao contrário. já que afetam o rendimento escolar e as relações interpessoais dos seus filhos. No entanto. têm em comum algum tipo de fracasso na escola ou em sua comunidade.

– apresentam problemas de limitação visual. – assina. Emílio Figueira . – Tem dificuldade para entender o conceito de tempo. pula e lê a mesma linha duas vezes. confundindo o “ontem”. substitui.Leitura (visão) – A criança se aproxima muito do livro. segundo a lista obtida do “When Learning is a Problem/LDA (Learning Disabilities Association of America)”. Características dos problemas de aprendizagem As crianças que têm problemas de aprendizagem. com o “hoje” e/ou “amanhã”. – fica vesgo ao ler. características e/ou deficiências em: 1. – diz palavras em voz alta. soletração pobre. – vê duplicado. entre outras. – tende a esfregar os olhos e queixar-se de que coçam. como os livros e outros artigos. – não lê com fluidez. – Manifesta irritação ou excitação com facilidade. – pestaneja em excesso.Escrita EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. 2. com frequência apresentam.– Apresenta facilidade para perder ou extraviar seu material escolar. omite e inverte as palavras. – omite consoantes finais na leitura oral. – tem pouca compreensão na leitura oral.

– respira pela boca. resfriado. 4. – põe a televisão e o rádio em volume muito alto.Auditivo e verbal – A criança apresenta apatia. – fica branco quando lhe falam. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. – move e coloca o papel de maneira incorreta. – depende de outros visualmente e observa o professor de perto. 3.Matemáticas – O aluno inverte os números. etc. – pronuncia mal as palavras. – pobre compreensão e memória dos números. Emílio Figueira . alergia e/ou asma com frequência. – pega o lápis desajeitado e não tem definido se é destro ou canhoto.– A criança inverte e troca letras maiúsculas. – não responde a dados matemáticos. etc. – não deixa espaço entre palavras e não escreve em cima das linhas. – não pode seguir mais de uma instrução por vez. – trata de escrever com o dedo. queixa-se de problemas do ouvido. etc. – tem o pensamento pouco organizado e uma postura pobre. – sente-se enjoado. – tem dificuldade para saber a hora.

Emílio Figueira .5. com baixa autoestima e atenção.Social / Emocional – Criança hiperativa. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.

Emílio Figueira . ALTAS HABILIDADES EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.

alta pontuação em testes e desempenho excepcional na escola. até o ano passado.Os Superdotados Se Dividem Em Vários Perfis Trabalhar com alunos com altas habilidades requer.Aptidão Acadêmica Específica Nesse caso. Especialistas ressaltam que nem sempre esses alunos são os mais comportados e explicam que as altas habilidades são divididas em seis grandes blocos: . a diferença está em: concentração e motivação por uma ou mais disciplinas. compreensão e memória elevadas. Para dar um atendimento mais qualificado a esse público. Segundo: o fato de eles terem raciocínio rápido não diminui o trabalho do professor. alta capacidade de desenvolver o pensamento abstrato. muita curiosidade intelectual e um excepcional poder de observação. . haviam sido identificados 2. o Ministério da Educação (MEC) criou em 2005 Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação em todos os estados.só apresentam mais facilidade do que a maioria em determinadas áreas. Apesar de ainda pouco estruturados. No Brasil. antes de tudo. esses órgãos que têm o papel de auxiliar as escolas quando elas reconhecem alunos com esse perfil em suas salas de aula.Pensamento Criativo Aqui se destacam originalidade de pensamento. eles precisam de mais estímulo para manter o interesse pela escola e desenvolver seu talento . Emílio Figueira . imaginação. derrubar dois mitos.5 mil jovens e crianças assim. capacidade de resolver problemas ou perceber tópicos de forma diferente e inovadora. Ao contrário. não são gênios com capacidades raras em tudo . EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. . A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que pelo menos 5% da população tem algum tipo de alta habilidade. podem até se evadir. Primeiro: esses estudantes. Aula 40 . capacidade de produção acadêmica. também chamados de superdotados.Capacidade Intelectual Geral Crianças e jovens assim têm grande rapidez no pensamento.se não.

A descoberta das altas habilidades é o primeiro passo para melhorar esses comportamentos. musicais. sensibilidade ao ritmo musical.Capacidade Psicomotora A marca desses estudantes é o desempenho superior em esportes e atividades físicas. imaginativo. porque muda o olhar do professor. pode ser usada para desafiar o professor e os colegas. Emílio Figueira . . Mesmo os mais aplicados dificultam a aula ao monopolizar a atenção. facilidade para expressar ideias visualmente. literárias ou cênicas. velocidade. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. não convencional. 1 Aprende fácil e rapidamente. . por exemplo.. controle e coordenação motora fina e grossa. O estudante com altas habilidades costuma ter um interesse tão grande por uma das disciplinas que acaba negligenciando as demais. 2 É original. É provável que você encontre mais do que um estudante em cada item. 3 Está sempre bem informado. E também porque o próprio jovem passa a aceitar melhor as diferenças. agilidade de movimentos. poder de persuasão e de influência no grupo. capacidade de resolver situações sociais complexas. 4 Pensa de forma incomum para resolver problemas. força. dramáticas. atitude cooperativa. criativo. resistência. inclusive em áreas não comuns. Utilize essa lista (preparada pelo MEC) como uma "associação livre" e de forma rápida. Quem exibir consistentemente vários dos comportamentos tem fortes chances de apresentar altas habilidades. A facilidade de expressar-se.Talento Especial para Artes Alto desempenho em artes plásticas. Como identificar a superdotação Reserve alguns minutos para listar os nomes dos alunos que logo vêm à sua mente quando você lê as descrições abaixo. Primeiro. Muitos não querem trabalhar em grupo por não entender o ritmo "mais lento" dos colegas.Capacidade de Liderança Alunos com sensibilidade interpessoal.

frequentemente de forma argumentativa. estrelas. dança. tem múltiplos interesses. 16 Tem bom julgamento. é capaz de influenciar os outros. 18 Versátil. 20 Demonstra alto nível de sensibilidade e empatia com os outros. 21 Apresenta excelente senso de humor. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. está sempre curioso sobre o como e o porquê das coisas. 8 Inquisitivo e cético. 13 Tem vocabulário excepcional. é lógico. desenho etc. Lua. 19 Mostra sacadas e percepções incomuns. independente. 11 Tem muitas habilidades nas artes (música. 7 Mostra senso comum e pode não tolerar tolices. solo etc. 15 Trabalhador independente. Emílio Figueira . 23 Expressa ideias e reações. Sol.). 10 É esperto ao fazer coisas com materiais comuns. 17 É flexível e aberto. 12 Entende a importância da natureza (tempo. alguns deles acima da idade cronológica. 9 Adapta-se com bastante rapidez a novas situações e a novos ambientes. 22 Resiste à rotina e à repetição.).5 É persistente. autodirecionado (faz coisa sem que seja mandado). 6 Persuasivo. 24 É sensível à verdade e à honra. 14 Aprende facilmente novas línguas. é verbalmente fluente.

4. sentimentos de isolamento etc. É dever da escola encorajar a produtividade criativa e intensificar a qualidade de experiências de aprendizagem para todos os estudantes e não só para os que se destacam por suas capacidades intelectuais superiores.. murais. Recomenda-se estas adaptações curriculares: 1. além de oferecerem técnicas diversas de eventos. de persistência na tarefa e o engajamento em atividades cooperativas.  Convidar profissionais de diversas áreas para dar palestras.. AÇÕES PEDAGÓGICAS Enquanto professores não podemos mais ver as altas habilidades como um dom como muitos pensam. pôsteres. ambientes favoráveis de aprendizagem como: ateliê. Essas propostas curriculares enriquecidas e/ou aprofundadas poderão ser utilizadas pelo professores de classes comuns. pesquisa. 3. rejeição dos demais colegas. e de elementos que despertam novas possibilidades. materiais. Isto pode ser feito por meio da Aceleração ou do Enriquecimento. laboratórios. 5. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. os currículos e programas para alunos com altas habilidades/superdotados são os mesmos das escolas comuns. uma vez que apresentam alternativas variadas de manejo de classe e de conteúdos. de forma inclusiva. equipamentos e mobiliários que facilitem os trabalhos educativos. obedecendo às prescrições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação com as necessárias adequações e cm programas de enriquecimento/aprofundamento. evitar sentimentos de superioridade. mas sim como uma características e comportamentos que podem e devem ser aperfeiçoados na interação com o mundo e que se apresentam em uma variedade grande de combinações. Isso pode despertar interesses ainda desconhecidos. No geral. bibliotecas etc. materiais escritos de modo que estimule a criatividade: lâminas. imagens etc. Cabe a nós professores:  Observar os talentos e os interesses de cada um e trazer para a sala textos.  Propor atividades desafiadoras e que exijam reflexão.. os recursos e o encorajamento necessários para atingir o seu potencial máximo. 2. inclusão de figuras. Emílio Figueira . livros e materiais para que os alunos se aprofundem em seus temas prediletos. não separando o grupo dos superdotados daqueles que não o são oferecendo a cada aluno as oportunidades. criação e elaboração de soluções diferentes. gráficos.

do mais bagunceiro ao braço direito da professora. e o Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais da Universidade Federal do Paraná. 3 Está sempre bem informado. com atividades extraclasse e orientações para o professor e a família. Portanto. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. passando pelo tímido. Os núcleos têm a obrigação de indicar uma psicopedagoga para avaliar se a criança ou o jovem têm mesmo uma alta habilidade . Raramente. Quem exibir consistentemente vários dos comportamentos tem fortes chances de apresentar altas habilidades. sensíveis a temas mais abordados por adultos e que não gostem de rotina. Instituições não governamentais também apoiam professores e familiares que procuram ajuda para desenvolver talentos. contestadores.Superdotados: Onde Buscar Apoio O superdotado pode ter qualquer perfil. O Ministério da Educação montou um formulário com 24 frases que ajudam a identificar estudantes assim (confira a lista no quadro "Como identificar a superdotação"). os superdotados têm múltiplas habilidades. perfeccionistas. O que o torna diferente é a habilidade acima da média em uma área específica do conhecimento.e encaminhá-lo ao programa oficial de estímulo. Alguns exemplos são o Instituto Rogério Sternberg. Aula 41 . Emílio Figueira . no Rio de Janeiro. procure o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação na Secretaria de Educação de seu estado. Como identificar a superdotação Reserve alguns minutos para listar os nomes dos alunos que logo vêm à sua mente quando você lê as descrições abaixo. O professor deve desconfiar de estudantes com vocabulário avançado. imaginativo. 2 É original. Isso pode ter razões genéticas ou ter sido moldado pelo ambiente em que o aluno vive. criativo. não convencional. uma boa pista para encontrá-los é reparar no desempenho e no interesse muito maiores por um determinado assunto. inclusive em áreas não comuns. Utilize essa lista (preparada pelo MEC) como uma "associação livre" e de forma rápida. É provável que você encontre mais do que um estudante em cada item. 1 Aprende fácil e rapidamente. Se você reconhece um de seus alunos como possível superdotado.

Sol. 18 Versátil. 9 Adapta-se com bastante rapidez a novas situações e a novos ambientes. alguns deles acima da idade cronológica. 19 Mostra sacadas e percepções incomuns. 7 Mostra senso comum e pode não tolerar tolices. 13 Tem vocabulário excepcional. está sempre curioso sobre o como e o porquê das coisas. dança. 10 É esperto ao fazer coisas com materiais comuns. é verbalmente fluente. é lógico. 5 É persistente. é capaz de influenciar os outros. 8 Inquisitivo e cético. 17 É flexível e aberto.4 Pensa de forma incomum para resolver problemas. 16 Tem bom julgamento. Lua.). Emílio Figueira .). 12 Entende a importância da natureza (tempo. 6 Persuasivo. 15 Trabalhador independente. tem múltiplos interesses. desenho etc. 11 Tem muitas habilidades nas artes (música. 20 Demonstra alto nível de sensibilidade e empatia com os outros. 21 Apresenta excelente senso de humor. frequentemente de forma argumentativa. 23 Expressa ideias e reações. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. 22 Resiste à rotina e à repetição. independente. solo etc. estrelas. 14 Aprende facilmente novas línguas. autodirecionado (faz coisa sem que seja mandado).

24 É sensível à verdade e à honra. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Emílio Figueira .

RECURSOS DE TECNOLOGIA ASSISTIVA EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Emílio Figueira .

considera-se pessoa surda aquela que. “Art. não basta apenas conhecer sinais. Da mesma forma que nas línguas orais-auditivas existem palavras. embora existam algumas propostas.626.A Língua Brasileira De Sinais . juntos compõem as unidades básicas dessa língua.Libras e dá outras providências. 1o Este Decreto regulamenta a Lei no 10. Assim sendo. Emílio Figueira . de 19 de dezembro de 2000 e Art. Como em qualquer língua. Portanto. “Art. A diferença é sua modalidade de articulação. movimentos e de pontos de articulação — locais no espaço ou no corpo onde os sinais são feitos. como a SignWriting. e o art. É derivada tanto de uma língua de sinais autóctone quanto da língua gestual francesa. por ter perda auditiva. nas línguas de sinais também existem itens lexicais. usada pela maioria dos surdos dos centros urbanos brasileiros e reconhecida pela Lei. sintaxe e semântica. estabelecendo comunicação. é semelhante a outras línguas de sinais da Europa e da América. como as outras línguas de sinais. oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. que estão sendo EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. e sim uma língua à parte. Regulamentada pelo DECRETO Nº 5. 2o Para os fins deste Decreto.436. de 24 de abril de 2002.436. regulamentada pela LEI Nº 10. É necessário conhecer a sua gramática para combinar as frases. Como as diversas línguas naturais e humanas existentes. 18 da Lei no 10. que recebem o nome de sinais. que Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais .Libras e outros recursos de expressão a ela associados”. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais . A Libras. manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras”.Aula 42 . não tem um sistema de escrita largamente adotado. Os sinais surgem da combinação de configurações de mão. também na Libras existem diferenças regionais. A LIBRAS não é a simples gestualização da língua portuguesa. compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais.098. a saber visual-espacial. ou cinésico-visual. DE 24 DE ABRIL DE 2002. para se comunicar em Libras. a Língua Gestual Portuguesa (LGP). DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005. deve-se ter atenção às suas variações em cada unidade federativa do Brasil. por isso. A Libras se apresenta como um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos. os quais. ela é composta por níveis linguísticos como: fonologia. como o comprova o fato de que em Portugal usa-se uma língua de sinais diferente. morfologia.LIBRAS A língua brasileira de sinais (LIBRAS) é a língua de sinais (língua gestual). para outros.

a Libras tem sido transcrita usando palavras em português que correspondam ao significado dos sinais. Na falta de uma escrita própria. Por exemplo: LUA. Para designar que a palavra em português indica um sinal. EU IR.. Emílio Figueira . EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. é grafada convencionalmente em letras maiúsculas. BOLO. Os verbos são usados no infinitivo.usadas em algumas escolas e publicações.. Exemplo: LOJA.

O papel é marcado da direita para a esquerda. este não seja perfurado. A reglete é uma placa de metal com orifícios em uma de suas faces. passando de um grupo de 12 pontos para um grupo de apenas 6 pontos. o que trará uma força muito maior de viver para cada uma delas apesar da sua deficiência. Aula 43 . Ler em braille é muito fácil. O sistema foi inventado em 1825 e até hoje é utilizado em todo o mundo. o sistema não conseguiu ainda progredir e atingir todos os meios da sociedade. seja com o tato ou com a visão. etc. passou a utilizá-lo e logo depois o modificou. O agrupamento de seis pontos possibilita a constituição de 63 símbolos diferentes que servem para representar caracteres na literatura. Emílio Figueira . Ao terminar o papel é virado e pode-se ler normalmente. setores públicos. Basta que se conheça os símbolos e pode-se ler normalmente. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. conheceu o sistema. Quando o francês Louis Braille. e sim apenas marcado. formado por duas colunas com três pontos cada. para que. Os caracteres são lidos da esquerda para a direita e até sinais de pontuação são representados através dos pontinhos em alto relevo. cartazes informativos. mas com a extremidade arredondada. Sendo assim. conhecido como Braille.O Braille O sistema de leitura para cegos. na informática e na música. etc. é colocado em cima dessa placa e pressionado com o punção. e na maioria das vezes os equipamentos. na matemática. Apesar da sua eficiência em proporcionar o acesso das pessoas cegas a informações. vários outros se manifestam. Assim como esse caso. no sentido contrário ao da escrita. não trazem as informações escritas em braile. leitura. Torna-se difícil até mesmo utilizar o banheiro. placas com o nome das ruas. ao pressionar o papel contra os orifícios da reglete. São utilizados dois instrumentos chamados reglete e o punção. Esse problema seria facilmente resolvido se as letras da placa na porta dos banheiros públicos tivessem a inscrição em braile. O papel. entre muitas outras. que era cego. Cardápios. pois não têm como saberem se o banheiro é feminino ou masculino. um pouco mais grosso que o comum. Para escrever é necessário um pouco mais de técnica. um instrumento semelhante a uma agulha. o cego enfrenta muitas dificuldades pois dificilmente encontra outras pessoas que conheçam o sistema. surgiu a partir de um sistema de leitura no escuro desenvolvido por Charles Barbier. estudo. para uso militar. O sistema braille ainda tem que ser difundido para que as pessoas cegas sejam realmente incluídas na sociedade e possam ter maior autonomia.

Há computadores que já conseguem traduzir do braile e para o braile. entre outros recursos que facilitam o acesso de cegos à informática. relógios que permitem a verificação das horas por meio do tato. sistemas em locais públicos. etc. Atualmente há até alguns que conseguem imprimir páginas em frente e verso. Estas se encaixam no teclado de modo que o cego pode digitar normalmente. já fazem uso desse método. Há outros equipamentos que não utilizam o braile e sim o som. para que os cegos possam ter melhor acesso. computadores. Emílio Figueira . reconhecer voz e transformá-la em braile. Muitos sites. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Há ainda outros equipamentos como brinquedos de montar. etc. Há também capas para teclado com as teclas em braile.

expressões faciais e corporais podem ser utilizados e identificados socialmente para manifestar desejos. a partir de outros canais de comunicação diferentes da fala: gestos. Em Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. estou bem. Com o objetivo de ampliar ainda mais o repertório comunicativo que envolve habilidades de expressão e compreensão. os serviços de tradutor/intérprete de Libras e Língua Portuguesa e o ensino da Libras para os demais alunos da escola. documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 555. olá.AAC. necessidades. Aula 44 . quero (determinada coisa para a qual estou apontando).Comunicação Alternativa (CA) Há uma área que se destina especificamente à ampliação de habilidades de comunicação denominada de Comunicação Alternativa (CA). Essa CA pode acontecer sem auxílios externos e. o ensino da Língua Portuguesa como segunda língua na modalidade escrita para alunos surdos. posicionamentos. opiniões. Emílio Figueira . na CA são organizados e construídos auxílios externos como cartões de comunicação. no Brasil encontramos também as terminologias "Comunicação Ampliada e Alternativa . sons. por meio de software específico. vocalizadores ou o próprio computador que. prorrogada pela Portaria nº 948. Os recursos de comunicação de cada pessoa são construídos de forma totalmente personalizada e levam em consideração várias características que atendem às necessidades deste usuário. a educação bilíngue – Língua Portuguesa/Libras desenvolve o ensino escolar na Língua Portuguesa e na língua de sinais. tchau. de 09 de outubro de 2007.CSA".CAA" e "Comunicação Suplementar e Alternativa . O termo Comunicação Aumentativa e Alternativa foi traduzido do inglês Augmentative and Alternative Communication . A CA é organizada para pessoas sem fala ou sem escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade de falar e/ou escrever. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Além do termo resumido "Comunicação Alternativa". pode tornar-se uma ferramenta poderosa de voz e comunicação. não. de 5 de junho de 2007. banheiro. sinto dor. estou com fome e outros conteúdos de comunicação necessários no cotidiano. neste caso. Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial. pranchas alfabéticas e de palavras. está recomendado: “Para o ingresso dos alunos surdos nas escolas comuns. dinheiro. pranchas de comunicação. tais como: sim. ela valoriza a expressão do sujeito.

dos programas de enriquecimento curricular. Devido à diferença linguística. do desenvolvimento dos processos mentais superiores. Emílio Figueira . da comunicação alternativa. da utilização de recursos ópticos e não ópticos. da orientação e mobilidade.O Atendimento Educacional Especializado para esses alunos é ofertado tanto na modalidade oral e escrita quanto na língua de sinais. da adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos. do Soroban. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. do sistema Braille. O atendimento educacional especializado é realizado mediante a atuação de profissionais com conhecimentos específicos no ensino da Língua Brasileira de Sinais. da tecnologia assistiva e outros”. das atividades de vida autônoma. da Língua Portuguesa na modalidade escrita como segunda língua. orienta-se que o aluno surdo esteja com outros surdos em turmas comuns na escola regular.

Encontramos também terminologias diferentes que aparecem como sinônimos da Tecnologia Assistiva. amigos e sociedade. materiais protéticos e milhares de outros itens confeccionados ou disponíveis comercialmente. produto ou sistema fabricado em série ou sob medida utilizado para aumentar. Arquitetura.Tecnologia Assistiva Muitas vezes o bom sucesso de uma inclusão escolar precisará contar com o apoio da Tecnologia Assistiva. experimentação e treinamento de novos equipamentos. equipamentos de comunicação alternativa. Fonoaudiologia. Visando a realização de avaliações. recursos para mobilidade manual e elétrica. manter ou melhorar as capacidades funcionais das crianças e pessoas com deficiência. dispositivos para adequação da postura sentada. Medicina. comprar ou usar os recursos que precisarem. Serviços definidos como aqueles que auxiliam diretamente uma pessoa a selecionar. Emílio Figueira . Engenharia. NA PRÁTICA Proporcionar à criança ou pessoa com deficiência maior independência. habilidades de seu aprendizado. estratégias e práticas concebidas e aplicadas para minorar os problemas encontrados pelos indivíduos com deficiências. “Tecnologia de Apoio“. Em Tecnologia Assistiva os Recursos são todo e qualquer item. Psicologia. que contemplam questões de acessibilidade. Enfermagem. Design e técnicos de muitas outras especialidades. Educação. “Tecnologia Adaptativa” e “Adaptações”. as categorias da Tecnologia Assistiva foi construída com base nas diretrizes gerais. trabalho e integração com a família. equipamento ou parte dele. utilizado para identificar todo o arsenal de Recursos e Serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de criança ou pessoas com deficiência. softwares e hardwares especiais. um termo ainda novo aqui no Brasil. por meio da ampliação de sua comunicação. mas pode variar. Trata-se de uma ampla gama de equipamentos. variando de uma simples bengala a um complexo sistema computadorizado. chaves e acionadores especiais. qualidade de vida e inclusão escolar ou social. aparelhos de escuta assistida. controle de seu ambiente. auxílios visuais. Aula 45 . computadores. os serviços de Tecnologia assistiva são normalmente transdisciplinares envolvendo profissionais de diversas áreas: Fisioterapia. tais como “Ajudas Técnicas”. Terapia ocupacional. serviços. incluindo brinquedos e roupas adaptadas. mobilidade. dando-lhe maior chances de independência e de Inclusão Escolar e Social. A importância das EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.

EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. desenvolvimento. vestir-se. assentos e encostos anatômicos). que permitem a comunicação expressiva e receptiva das pessoas sem a fala ou com limitações da mesma.Cadeiras de rodas manuais e motorizadas. organização de serviços. pesquisa. apoios etc. por membros artificiais ou outros recurso ortopédicos (talas. Emílio Figueira . Recursos de acessibilidade ao computador .). através de rampas.adaptações estruturais e reformas na casa e/ou ambiente de trabalho. Adequação Postural . acionadores. sistemas de segurança. catalogação e formação de banco de dados para identificação dos recursos mais apropriados ao atendimento de uma necessidade funcional do usuário final: 1.adaptações para cadeira de rodas ou outro sistema de sentar visando o conforto e distribuição adequada da pressão na superfície da pele (almofadas especiais. 4.equipamentos de entrada e saída (síntese de voz. que permitem as pessoas com deficiência a usarem o computador. andadores. promoção de políticas públicas.classificações se dá pela promoção da organização desta área de conhecimento e servirá ao estudo. manutenção da casa etc. bases móveis.troca ou ajuste de partes do corpo. de luz). faltantes ou de funcionamento comprometido.materiais e produtos para auxílio em tarefas rotineiras tais como comer. entre outros. Órteses e próteses . 3.Comunicação aumentativa (suplementar) e alternativa . escritório. 5. como os gravadores de fita magnética ou digital que funcionam como lembretes instantâneos.recursos.sistemas eletrônicos que permitem as pessoas com limitações moto-locomotoras. CAA (CSA) . 8. que retiram ou reduzem as barreiras físicas. Auxílios de mobilidade . Braille). bem como posicionadores e contentores que propiciam maior estabilidade e postura adequada do corpo através do suporte e posicionamento de tronco/cabeça/membros. eletrônicos ou não. tomar banho e executar necessidades pessoais. Sistemas de controle de ambiente . teclados modificados ou alternativos. localizados em seu quarto. 6. casa e arredores. controlar remotamente aparelhos eletro-eletrônicos. elevadores. facilitando a locomoção da pessoa com deficiência. auxílios alternativos de acesso (ponteiras de cabeça. Inclui-se os protéticos para auxiliar nos déficits ou limitações cognitivas. 2. Auxílios para a vida diária . cozinhar. São muito utilizadas as pranchas de comunicação com os símbolos PCS ou Bliss além de vocalizadores e softwares dedicados para este fim. etc. sala. Projetos arquitetônicos para acessibilidade . softwares especiais (de reconhecimento de voz. scooters de 3 rodas e qualquer outro veículo utilizado na melhoria da mobilidade pessoal.). adaptações em banheiros entre outras. 7.

Auxílios para grupos específicos que inclui lupas e lentes. que seja seguro e acolhedor e que entenda a diferença como um fator positivo. prorrogada pela Portaria nº 948. prevalecendo na avaliação os aspectos qualitativos que indiquem as intervenções pedagógicas do professor. cultural e científico. Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial. a discutir e a trocar experiências e pontos de vista. 11. elevadores para cadeiras de rodas. maneira bem mais ampla como ações que levem a reformas escolares. Uma escola que se ajuste a todas as crianças. Tecnologia Assistiva e Educação Inclusiva A Educação Inclusiva trouxe consigo a necessidade da escola de atender a diversidade total das necessidades dos alunos nas escolas comuns. Alunos introduzidos no mundo social. Braille para equipamentos com síntese de voz.acessórios e adaptações que possibilitam a condução do veículo. melhorias nos programas de ensino e novas medidas de justiça social. grandes telas de impressão. em vez de esperar que uma determinada criança com deficiências se ajuste a escola e sua tarefa de ensinar aos alunos a compartilharem o saber. entre outros. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Auxílios para cegos ou com visão subnormal? .auxílios que inclui vários equipamentos (infravermelho. 9. O documento Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. FM). 10. camionetas modificadas e outros veículos automotores usados no transporte pessoal. publicações etc. Emílio Figueira . sistemas com alerta táctil-visual. Adaptações em veículos . elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 555. sistema de TV com aumento para leitura de documentos. os sentidos das coisas. de 5 de junho de 2007. Auxílios para surdos ou com déficit auditivo . Surgem novas estratégias de ensino. aparelhos para surdez. estabelece que a avaliação pedagógica como processo dinâmico considera tanto o conhecimento prévio e o nível atual de desenvolvimento do aluno quanto às possibilidades de aprendizagem futura. telefones com teclado — teletipo (TTY). as emoções. Com o apoio da Tecnologia Assistiva pode-se ter um ambiente de aprendizagem escolar que tenha altas expectativas a respeito de seus alunos. configurando uma ação pedagógica processual e formativa que analisa o desempenho do aluno em relação ao seu progresso individual. Práticas inovadoras e o planejamento ser feito de forma colaborativa entre todos os seus integrantes incluindo também a família e comunidade. de 09 de outubro de 2007.

recursos. tradutor/intérprete de Libras e guia-intérprete. incapacidades ou mobilidade reduzida. entre outras. Emílio Figueira . 105-394. locomoção. alimentação. práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Compõe. o professor deve criar estratégias considerando que alguns alunos podem demandar ampliação do tempo para a realização dos trabalhos e o uso da língua de sinais. No Brasil. estratégias. instituído pela PORTARIA N° 142. O termo Assistive Technology. S. de característica interdisciplinar. foi criado em 1988 como importante elemento jurídico dentro da legislação norte-americana conhecida como Public Law 100-407 e foi renovado em 1998 como Assistive Technology Act de 1998 (P. o Comitê de Ajudas Técnicas . relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência. Cabe aos sistemas de ensino. metodologias. com outras leis.L. que exijam auxílio constante no cotidiano escolar. de informática ou de tecnologia assistiva como uma prática cotidiana.Presidência da República). bem como de monitor ou cuidador dos alunos com necessidade de apoio nas atividades de higiene. de textos em Braille.Secretaria Especial dos Direitos Humanos . qualidade de vida e inclusão social" (ATA VII . que regula os direitos dos cidadãos com deficiência nos EUA. independência. disponibilizar as funções de instrutor.Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE) . ao organizar a educação especial na perspectiva da educação inclusiva.No processo de avaliação.CAT.2432). visando sua autonomia. que engloba produtos. o ADA - American with Disabilities Act.Comitê de Ajudas Técnicas (CAT) . DE 16 DE NOVEMBRO DE 2006 propõe o seguinte conceito para a tecnologia assistiva: "Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento. além de prover a base legal dos fundos públicos para compra dos recursos que estes necessitam. traduzido no Brasil como Tecnologia Assistiva.

Emílio Figueira .EDUCAÇÃO INCLUSIVA E A FAMÍLIA EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.

Penso assim: jogaram inclusão nas escolas sem saber se estavam preparadas para tal. eles orientam os professores. Cheguei a ouvir de professores que eles não podiam fazer nada. mas. pois todos os dias me pergunta se tem que retornar no dia seguinte. pois havia muitos alunos. recebi em meu consultório uma jovem senhora que chamarei aqui de Maria para preservar sua identidade. pois acredito que hoje ele é agressivo porque na escola as professoras não souberam lidar com as dificuldades apresentadas. Está no segundo ano sem saber ler e escrever e não tem coordenação motora. Como o senhor.Uma Conversa De Consultório Sobre A Importância Das Terapias Complementares Algum tempo atrás. Após nos cumprimentarmos e sentarmos para uma conversa. que eu teria que ajudá-lo em casa. Atualmente. ele estuda na escola da prefeitura de uma pequena cidade no interior de São Paulo. Se eu preciso. Só quando a coisa está fora do limite é que eles se preocupam! Há professores de educação especial na Secretaria de Educação. ajudaria muito! Fui forçada a levá-lo a um psiquiatra que o medicou contra minha vontade. bate nos professores e em algumas crianças quando contrariado ou até mesmo sem motivos.Aula 46 . posso dizer que sou um pouco mais ajudada. tendo alguns métodos de aprendizagem para ele que são um pouco diferenciados. meio afoita em seu discurso. pode ver. eles caem em cima de mim para correr atrás de médicos como se eles fossem solucionar o problema dele na escola. sou mãe do Pedro [também troco o nome] de sete anos que os médicos dizem ter aparentemente atraso no desenvolvimento psicomotor e na fala. pelo que sei.Meu nome é Maria. Ele sempre foi tratado com uma criança diferente. enfrento um grande problema. nunca tentaram introduzi-lo no meio das crianças normais. Acho que a falta é de uma professora com educação especial. mas nunca vi o trabalho deles ajudar no desenvolvimento do EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. A escola me cobra muito referente a levá-lo aos especialistas. ela. Hoje. Emílio Figueira . sendo que o que vejo hoje é que elas não estão. ele tem uma professora de apoio e uma professora que quer ajudá-lo. como mãe. a qual exige que eu o leve para fazer os procedimentos médicos. foi me contando sem que eu a interrompesse: . enfim. Hoje chego a crer que Pedro tem trauma da escola. que tem paciência com ele. Hoje. quando a coisa está difícil. nunca consigo saber o que acontece dentro da sala. mas não vejo cooperação nenhuma dos professores em tentar ter paciência. Desde que ele entrou na escola tem acompanhamento da Secretaria de Educação. não tem especialidade nenhuma em educação especial que. pois ele é uma criança agressiva. sou uma mãe preocupada com o desenvolvimento do meu filho na escola e vou atrás de qualquer coisa se for melhor para meu filho! Exijo muito também. Doutor. Eu.

diagnóstico e tratamento feito. mas antes de eu fazer meus apontamentos. O que sinto é que. mas não sei se essa é a sua vontade. farei algumas considerações sinceras.Ele já teve alguma experiência em Escolas Especiais? . foi mais pelo convívio com outras crianças e por acharem que isso ajudaria nas outras dificuldades. é difícil. mesmo porque onde moro só há uma e. Emílio Figueira . pois me disseram que se eu o colocasse numa escola especial ele poderia regredir. Pensei em até fazer alguns comentários. Já era o momento de começar meus aconselhamentos: .Quando entrou na escola. Maria. escola e família. pois quando vim até aqui foi para ver e para ter mais informações.. infelizmente. vocês. Hoje. como fala e coordenação. como ele não tem diagnóstico.Bem. Eu posso compreender bem o universo do seu filho por ter a mesma deficiência que ele. estão focando somente na parte intelectual do EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Eu agradeceria muito! . Nunca foi mandado para uma escola especial..Por minha vontade também. ouvi seu relato e percebi vários pontos nele que me despertaram a atenção.Ele está numa escola regular por sua vontade de mãe ou pela política da inclusão escolar? . começar minha investigação por aí e disse: . então.Bem. .Bem.meu pequeno. quero fazer três perguntas a você: Seu filho faz ou já fez algum tipo de terapia? . mas. Resolvi. acho que desabafei demais..Claro que pode fazer os comentários que quiser. ela demonstrava até certa resistência com relação a isto. . ele é agressivo! Bom. o fato só se agrava. . na escola. Confesso que esse primeiro discurso de Maria me deixou muito encabulado.. se você quiser. podemos conversar sobre o caso do seu filho e estudar melhores caminhos para orientá-lo... e somente mais agora pela política da inclusão. Maria. mas em nenhum momento ela falou sobre a real deficiência de Pedro.O único tratamento que ele fez foi com fonoaudióloga e psicóloga por seis meses. Maria. O tempo todo ela acusou a escola e os professores pelo fracasso de seu filho. Pelo contrário.

. poderia estar muito melhor na escola. – Viu como eles têm a mesma visão que a minha? . se estimulado corretamente por outros profissionais de acordo com as reais necessidades. qual aprendizado esse menino pode ter? EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. esses professores também estão perdidos. pois todos os dias ele me pergunta se tem que retornar no dia seguinte. .Na escola.Fui forçada a levá-lo a um psiquiatra que o medicou contra minha vontade – às vezes Maria repetia os mesmos discursos.Mas não vejo cooperação nenhuma dos professores tentarem ter paciência. pois pelo pouco que sei o caso do seu filho não é para psiquiatra e sim para terapias de apoio que ele nunca teve e das quais necessita muito! . Assim. pois seu filho. Ele tem noção que não é totalmente igual aos demais colegas e. e a questão de ele ser uma criança agressiva. ele sempre foi tratado como uma criança diferente. bater nos professores e algumas crianças às vezes quando é contrariado ou às vezes sem motivo? .A escola me cobra muito referente a levá-lo em especialistas. ajudaria muito! .Pedro e não estão se atentando para outras reais necessidades que ele tem. tanto no comportamento como na aprendizagem. eles não têm especialidade nenhuma em educação especial que. Uma criança com problema de desenvolvimento psicomotor precisa ser assistida por fisioterapeuta e terapeuta ocupacional para se desenvolver ao máximo sua maneira global. . pelo que sei. Vejo em Pedro um trauma da escola.No fundo. aqui questiono: será que essa vontade de manter o Pedro numa escola dessa não está tendo um efeito retroativo? Em vez de ele gostar. nunca tentaram introduzi-lo entre os colegas.. dia a dia ele está tomando mais mágoa da escola. concordo com você. isso se manifesta nele em forma de agressividade.. Emílio Figueira . ao ver seus coleguinhas. isso também é reflexo da falta do desenvolvimento global.Então.Então. enfim. Maria.Doutor.Aqui. por não ter sido preparado para chegar ao mais próximo de suas possibilidades e lidar com suas limitações. . .

necessidades de fonoaudiologia para sua fala.Maria ficou pensativa.. E. acredito que não. quando ele entrou na escola. Ele tem toda a condição de ser educado numa escola normal. mas ter ao mesmo tempo noção que ele é uma criança com necessidades especiais: necessidades de fisioterapia para o seu desenvolvimento psicomotor. trabalhar a agressividade e a autoestima dele. estou renovando com outro plano que me dê maior cobertura. pois meu plano de saúde não dava cobertura e. Emílio Figueira . Esse é o modelo que tem dado certo para muitas crianças. necessidades de uma psicopedagoga para ser um reforço escolar na aprendizagem dele e necessidades de uma psicóloga realmente especializada em crianças com necessidades especiais para. principalmente. Pense bem. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Em relação à escola especial.. Neste momento e com tudo isto. ele deslanchará na escola pública. Maria deixou meu consultório e voltou à sua cidade. precisa enxergar o Pedro como uma criança normal sim. Quando eu era pequeno. Você. sei que direção tomar e digo mais: ainda neste ano retornarei às consultas dele de fono e retornarei a um psicólogo. as crianças com deficiência estavam indo para uma escola convencional. como mãe. Se você se atentar para isso. ao longo do tempo. pois ali ele encontrará profissionais realmente preparados para lidar e superar as necessidades dele. Maria. pois pelo SUS sempre foi mais difícil tal acompanhamento! Vou me focar agora mais que nunca com estes tratamentos. Correrei atrás de uma terapia ocupacional. de modo geral. mas para que isso realmente ocorra. acredito mesmo que seu filho não deva ir para uma Escola Especial. não sei nem como agradecer o senhor pela sugestão e aconselhamento dados a mim. Maria. não sei ainda se tem aqui na minha cidade. pois estes também são vítimas de uma política mal-entendida da Educação Inclusiva. ou seja. E hoje sou um Doutor! Após essa conversa. Percebi que ela começou a ficar emocionada e continuei: . minha mãe fez tudo isso por mim. pois.Veja bem. um estudo de forma mista. necessidades de terapia ocupacional para desenvolver suas autonomias o quanto mais possíveis nas atividades diárias. Muito obrigada por tudo. por isso. mas que ela seja o apoio que o Pedro precisa. seu filho terá possibilidades enormes para vida dele. Dias depois. ela me enviou este e-mail: Doutor. sem uma resposta.Minha sugestão. Continuei com minhas observações: . Isso não significa que o lugar dele seja a Escola Especial. não basta só colocá-lo na escola e exigir dos professores. a qual ele não fazia ainda. é que ele esteja meio período numa Escola Especial e meio período na escola da prefeitura.

Papéis que pais e professores desempenham no desenvolvimento e educação da criança são próximos e complementares e podem proporcionar à criança melhores oportunidades no desenvolvimento de suas capacidades. Quero mostrar doze pontos do texto “The Kansas checklist for identifying characteristics of effective inclusive programs”. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Escola E Comunidade Começo este capítulo reafirmando que é de fundamental importância que a família esteja engajada diretamente neste projeto de Escola Inclusiva.  A escola desenvolver informações sobre os serviços de apoio à família. Michelle Luksa e Julie Mohesky-Darby. O documento também foi compilado por Terry Rafalowski-Welch. Emílio Figueira . adaptar o currículo e compartilhar sucessos. Posso propor a você.  Ser incorporados pela escola como parceiros de planos da equipe. Quanto maior for essa aceitação maior será o envolvimento no processo terapêutico e educacional da criança. tendo uma reimpressão em dezembro do ano seguinte.) com o qual ambas as partes concordam. pois nesta interação escola/família. pai. seja qual for a sua limitação.A Parceria Entre Família. Este documento foi escrito por um grupo de técnicos e pais das seguintes cidades do Kansas: Horton. Segundo o texto. Eudora. a Inclusão Escolar obterá muito mais êxitos. entre a escola e a família. a qual só reencontrará o equilíbrio com a aceitação do fato. Aula 47 . ocorre envolvimento da família nas práticas inclusivas da escola quando:  Existe. Sua primeira edição saiu em novembro de 1993. cadernos etc. Hiawatha. Não podemos esquecer inicialmente que o nascimento de uma criança com algum tipo de deficiência já traz várias reações e sentimentos à família e uma desorganização emocional. participando de todos os aspectos operacionais da escola. mãe e/ou familiares. Hugoton e Lakin. fazendo uma revisão do que foi feito na sala de aula nesse dia e tendo atitudes como estas:  Participar de reuniões da equipe escolar para planejar. que uma das primeiras formas para realizar isto pode ser a de fazer a “lição de casa” com seu filho. um sistema de comunicação (telefonemas.  Estar nas atividades extracurriculares e terem acesso a treinamentos relevantes. Sublette.

membros do conselho da escola. práticas educativas atuais.). também. à sua inclusão escolar e social. planejamento centrado na pessoa. Além da parceria entre escola e família. informações sobre deficiências etc.  A escola respeita a cultura e a etnicidade das famílias e reconhece o impacto desses aspectos sobre as práticas educativas. membros da Associação de Pais e Mestres. Todos sairiam ganhando com a geração de um espaço de trocas e cooperação. há opções como os centros de esportes. saúde.  Existem à disposição de membros das famílias serviços de apoio na própria escola (aconselhamento e grupos de apoio. Para esse sucesso. Os pais participam nas reuniões da equipe escolar para planejar. Para isso. Todos esses pontos comprovam que a Escola Inclusiva envolve a participação da família e da comunidade. notícias da escola etc. Emílio Figueira .). treinadores etc.  Existem recursos para as necessidades especiais da família (reuniões após o horário comercial. base essa que será completada com partes do conteúdo curricular. ambas devem buscar parcerias com outros setores da sociedade.).  Os pais recebem ou têm acesso a treinamento relevante.  Os pais recebem informações sobre os serviços de apoio à família. será de fundamental importância o envolvimento de todos! Como eu já disse no capítulo anterior e volto a frisar sobre a importância de se dar “atenção e valorização às pequenas conquistas de uma criança com deficiência”! Isto já será uma atitude positiva dos pais em relação à participação e às potencialidades dele e.  As famílias são reconhecidas pela escola como parceiras plenas junto à equipe escolar. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof.).  Os pais são estimulados a participarem em todos os aspectos operacionais da escola (voluntários para salas de aula. adaptar o currículo e compartilhar sucessos. as quais podem contribuir para fortalecer e multiplicar as ações inclusivas.  Os pais são incluídos no treinamento com a equipe escolar. recreação e juventude.  As prioridades da família são utilizadas como uma base para o preenchimento do Plano Individualizado de Educação (PIE) do seu filho. intérpretes da língua de sinais. Isto prova mais uma vez que professores e diretores não podem promover a inclusão de uma criança com necessidades educacionais especiais sozinhos.  Os pais recebem todas as informações relevantes (os direitos dos pais. materiais traduzidos etc. visando promover meios para que as pessoas com deficiência sejam inseridas nesses espaços e para que a própria comunidade se desfaça de resistências e preconceitos.

Fechando este capítulo. soroban (também chamado ábaco) para cegos e intérpretes de língua de sinais para surdos. por exemplo. pode proporcionar um mobiliário mais adequado a estas necessidades. exames de acuidade visual. uma parceria feita com uma marcenaria.” (pgs. seja para trazer profissionais do posto para que possam falar para os alunos e seus pais sobre temas diversificados. tais como higiene bucal. estes contatos ajudam a elevar a qualidade do atendimento escolar. o qual aborda o envolvendo da comunidade escolar: “É muito importante que a escola faça contatos com a sua comunidade. São Paulo. A pessoa pode manter um diálogo constante com os postos de saúde. Nas instituições especializadas no atendimento às pessoas com deficiência. 72-73). Uma pessoa da comunidade que saiba linguagem de sinais (Libras) já é suficiente para que este conhecimento possa ser multiplicado e cada vez mais compartilhado com outras pessoas. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Muitas vezes. seja para encaminhar as crianças caso percebam algum sinal de deficiência. para colocação de guias rebaixadas. lupa. No caso do atendimento às pessoas com deficiência. 2005). importância de vacinação etc. Emílio Figueira . quero mostrar como forma ilustrativa este trecho do livro- cartilha “Educação Inclusiva: o que o professor tem a ver com isso?” (Rede Saci. Por meio das Associações de Bairro pode-se melhorar a acessibilidade nas ruas daquela comunidade. por exemplo. pode-se conseguir: equipamentos como reglete.

A INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO SUPERIOR EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Emílio Figueira .

o Brasil tinha 45. ainda estímulo ao acesso por meio de iniciativas como o Programa Universidade para Todos (Prouni). Emílio Figueira . o número de matriculados no ensino superior como um todo teve um grande incremento e o ingresso de PcD nestas instituições também cresceu. por meio de ações que visem à eliminação de barreiras físicas.67% tinha ensino médio completo ou superior completo e apenas 6. Isto porque no Brasil. desde 2008. Outros 14.9% da população. mostram que em um período de dez anos.15% tinha ensino fundamental completo ou médio incompleto. social e profissional. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. No caso do ensino superior. 61. Fatores como criação de novas instituições e cursos e.Aula 48 . do MEC. promove a transformação dos atuais sistemas de ensino em sistemas educacionais inclusivos. visa assegurar as pessoas com deficiência (PcD) o seu ingresso e as oportunidades de desenvolvimento pessoal.606. o que representava 23.13% não tinha instrução ou tinha somente o ensino fundamental completo. bem como não restringir sua participação em determinados ambientes e atividades em razão da deficiência. essa política. Dados do Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Programa de Financiamento Estudantil (Fies).048 PcD a. tendo como foco a promoção da autonomia e a igualdade de direitos dos alunos com deficiência. assim como nos ambientes. Um número que se elevou. deu um salto no país. o acesso de pessoas com deficiência ao ensino superior. Tem como estratégias a garantia do acesso e a permanência dos estudantes com deficiência. 17. Em termos educacionais. entre 2004 e 2014. entre as PcD com mais de 15 anos no país. No último Censo do IBGE. consolidada por uma ampla legislação composta por leis. pedagógicas e na comunicação. a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. em 2010.As Pessoas Com Deficiência E Os Novos Desafios Ao Ensino Superior No Brasil As universidades e faculdades brasileiras estão vendo a presença cada vez maior de graduandos com algum tipo de deficiência em seus campi.66% concluíram um curso superior.

incluindo a parte mental e psicológica com um desvio significativo ou perda. descrevendo que essas pessoas têm dos tipos de deficiências:  Primária – trata-se da deficiência propriamente dita – impedimento. dificuldades e desvantagens geradas pela primária. devido a uma deficiência funcional ou morfológica. A partir dessa divisão. podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas”. Segundo a Convenção das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência define em seu artigo 1º: “Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física. gerando ideias e um novo modo de ver tais questões. membros e seus componentes. sequelas nas partes anatômicas do corpo. hoje a pergunta precisa ser: Como nós professores universitários e demais membros da academia devemos atuar para ajudar alunos com algum deficiência a ter mais autoestima e um desenvolvimento acadêmico satisfatório? Em Obras Completas – Elementos da Defectologia. os quais. Vygotsky afirma que uma deficiência é. São o que ele intitula de efeitos positivos da deficiência. social e em atitude no qual as pessoas vivem e conduzam sua vida. em interação com diversas barreiras. Os conflitos surgem a partir do contato da deficiência com o meio exterior e podem criar estímulos para sua superação. que permite superar o problema. Se um órgão. podendo o indivíduo encontrar limitações na execução de atividades. Uma situação de desvantagem às demais pessoas sem deficiência. mental. Assim. restrição/perda de atividade. restrições de participação ao se envolver em situações de vida em ambiente físico. Emílio Figueira . o sistema nervoso central e o aparato mental compensam a deficiência pela criação de uma superestrutura psicológica. uma constante estimulação para o desenvolvimento intelectual. as deficiências podem causar limitações e obstáculos para o desenvolvimento do aluno.Esse crescimento traz novos desafios ao ensino superior. intelectual ou sensorial. mas também pode estimular processos cognitivos comultativos. não é capaz de enfrentar uma tarefa. como órgãos. Lev Vygotsky abordou de forma pioneira e sistemática assuntos relacionados à criança ou pessoa com deficiência com grande significado. tudo aquilo que uma pessoa com deficiência não consegue realizar em função de sua limitação. Ou seja. Se antes a pergunta era “O que são pessoas com deficiência?”. para o indivíduo. Vygotsky passou a defender que profissionais de saúde e educadores precisam enfatizar suas atividades em ajudar a pessoa a superar suas deficiências secundárias e não focar nas deficiências primárias.  Secundária – são as consequências. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. dano ou anormalidade de estrutura ou função do corpo.

o desenvolvimento sustentável. num contexto de justiça dos direitos humanos. Fomentar e desenvolver a pesquisa científica e tecnológica. O acesso aos estudos superiores será igual para todos. na Conferência Mundial sobre a Educação Superior. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. gerar e difundir conhecimento por meio da pesquisa. a fim de garantir o desenvolvimento deste tipo de ensino. Emílio Figueira . das ciências humanas e das artes. No contexto universitário. Promover. também recebe destaque nas políticas propostas pela UNESCO. O Estado conserva uma função essencial no financiamento do ensino superior. No universo do ensino superior a prática docente frente a alunos com deficiência necessita além de políticas públicas. O educador universitário também precisa de capacitação.Incluir os alunos com deficiência na universidade é uma forma de tornar a sociedade mais democrática. se tratando do ensino superior a inclusão é uma discussão recente. sendo papel de todos os cidadãos transformar as instituições de ensino em espaços legítimos de inclusão. Este novo refere-se ao desconhecido. O financiamento público da educação superior reflete o apoio que a sociedade lhe presta e dever-se-ia continuar reforçando. valorizando a diversidade em todos os espaços e fazendo valer o verdadeiro sentido da inclusão enquanto processo que reconhece e respeita diferentes identidades e que aproveita essas diferenças para beneficiar a todos. sempre mais. d) Responsabilidade social. e. de aumentar a sua eficiência e manter a qualidade e pertinência. a concepção de direitos iguais para todos. Para consolidar. formar cidadãos que participem ativamente na sociedade. a democracia e a paz. este diferente. Só que. A educação superior deve fazer prevalecer os valores e os ideais de uma cultura de paz. c) Apoio à pesquisa. b) Responsabilidade do Estado. realizada em Paris em outubro de 1998. preparação que garanta o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos necessários a uma ação segura por parte desses profissionais. exige do educador ações pautadas não só em políticas públicas como também numa prática reflexiva. apresentando como principais postulados ideias em contraposição a concepção atual de ensino superior: a) Acesso ao ensino. ao mesmo tempo que a pesquisa no campo das ciências sociais. de ações compartilhadas capazes de orientar o educador na formação de sujeitos.

sobretudo. cabe as instituições de ensino superior. onde a sociedade se adapta para poder incluir em seu contexto as pessoas com deficiência. Mas. o que abre várias possibilidades de através do acesso irrestrito e de sua formação também em nível superior. por outro lado. decidindo sobre soluções. E a academia tem muito a colaborar nesse processo. suas verdadeiras potencialidades a serem estimuladas de forma individual e coletiva. interações sociais. instituir políticas de inclusão e demover ações de exclusão. relacionamentos familiares e afetivos. visando equacionar problemas. Emílio Figueira . valorizando cada vez mais. assim. na busca do ser humano por de trás da pessoa com qualquer tipo de limitação: suas reais necessidades. efetuando equiparações de oportunidades para todos. ações pautadas no respeito a diversidade. considerando o papel que as mesmas assumem ao longo da história da sociedade. educacionais. Na inclusão. Estaremos. EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. necessidades de atividades profissionais e. Será uma forma de parceria entre a sociedade e a academia. realmente criando um ensino superior inclusivo e com um relacionamento prático entre as universidades e alunos com deficiência. Aula 49 – A Universidade e a Sociedade Inclusiva Assim. essas mesmas pessoas precisam ser preparadas para assumir seus papéis na sociedade. as iniciativas são da sociedade.

Figueira é professor e conferencista de pós-graduação. SOBRE O AUTOR Por causa de uma asfixia durante o parto. psicanalista. Site: www.com. Hoje com cinco graduações e dois doutorados. Ator e autor de teatro. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades.br EDUCAÇÃO INCLUSIVA – Teoria e Práticas Pedagógicas – Prof. Emílio Figueira . Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969. no jornalismo.emiliofigueira. ficando com sequelas na fala e movimentos. Está fazendo certificações em Coaching e em Programação Neurolinguística. teólogo e Life Coach. Nas artes. Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais. uma vasta produção científica. é psicólogo.