You are on page 1of 13

A Teoria de Aprendizagem Sócio-Cognitiva

de Albert Bandura
(versão corrigida)

Thomas Arabis
Universidade Católica
Mestrado em Ciências de Educação – Orientação de Aprendizagem
Disciplina: Aprendizagem, Cognição e Linguagem
Professor: Guilhermina Miranda
12 de Julho, 2003

Neste texto pretendo apresentar 1 apenas os elementos fundamentais desta teoria. 2 T. comportamentos que depois são aprendidos através dos mecanismos do behaviorismo: reforços. assim questionaram-se se existe um factor mediador entre os dois como por exemplo o hábito de William James. Paralelamente psicologistas sociais. 1982). Havia descontentamento entre alguns teóricos behavioristas com o caminho linear unidireccional entre estímulo e resposta. Assim esta teoria sugere um relacionamento recíproco entre o 1 Há variações desta teoria. o instinto de Freud e as cognições de Tolman (Stone. mas esta apresentação descreverá apenas a teoria de Bandura. Stone (2003) descreve como estes dois autores teorizaram como é que o aprendiz observa os comportamentos de modelos. A Teoria de Aprendizagem Sócio-Cognitiva Introdução Como se aprende? Quais os papeis do meio. que em se tinha as suas raízes no behaviorismo. da cognição e do comportamento em si no processo de aprendizagem? A pessoa é activa ou passiva no processo? São estas algumas das perguntas a que uma teoria global de aprendizagem tem que responder. inserindo-o no contexto histórico em que surgiu. Arabis . como William James e Kurt Lewin. Também sugeriu que o comportamento de alguém pode servir como estímulo para outras pessoas. uma teoria formal que nasceu com a publicação de Social Learning and Imitation (Miller e Dollard. No entanto. adicionando também a possibilidade de um factor mediador interno—comportamento motivado por drives. a nova teoria continuava com uma ênfase na aprendizagem em vez de características inerentes (traits) e também na importância do meio social em vez de apenas as disposições internas como determinantes do comportamento (Maddi. 1941). Por interesse pessoal também apresento uma secção mais detalhada no fim do artigo sobre os processos de desligação dos controlos morais na auto-regulação. citando Woodward. com o propósito de expô-la na sua globalidade. e teóricos de personalidade. Nesta linha. participaram no desenvolvimento de conceitos e teorias chaves para a teoria de aprendizagem social. A teoria sócio- cognitiva de Albert Bandura dá respostas a estas questões. começo com uma breve apresentação desta teoria. punições e a extinção. como Adler Tolman. 1989). As raízes da teoria A teoria de aprendizagem sócio-cognitiva de Bandura desenvolveu-se a partir da teoria de aprendizagem social. pode-se considerar a teoria de aprendizagem social como uma tentativa de criar uma explicação mais completa em comparação com o behaviorismo em termos da complexidade da aprendizagem humana. No entanto. base da explicação da aprendizagem na abordagem behaviorista. 2003.

isto é. considerando que qualquer evento interno é apenas uma redundância na cadeia causal de comportamento. A Teoria de Aprendizagem Sócio-Cognitiva meio e comportamento e também o início de um factor mediador interno—elementos fundamentais para o desenvolvimento futuro da teoria da aprendizagem sócio-cognitiva. A teoria sócio-cognitiva contrasta com várias outras teorias que tentam explicar o comportamento humano e a aprendizagem. 1986:5) That insight into dubious unconscious psychodynamics has little effect on behavior does not mean that actions are uninfluenced by awareness of authentic determinants. No entanto. muitas delas inacessíveis à própria pessoa. Com a publicação em 1986 de Social Foundations of Thought and Action. teoria sócio- cognitiva. 2003 citando Woodward. Finalmente Bandura não está satisfeito com behaviorismo (1986) que considera o comportamento como resultado de uma causalidade unidireccional. 3 T. Segundo Bandura. Então. Bandura (1986) considera que esta teoria não tem eficácia preditiva. que sugere que existem disposições douradoras para agir de certas maneiras. concorda com esta teoria no sentido de acreditar em causas internas. Arabis . Várias versões da teoria da aprendizagem social se seguiram esta primeira publicação (Stone. Assim a teoria não tem tido muita eficácia em predizer o comportamento. Bandura (1986). nem eficácia para modificar o comportamento da pessoa. tal perspectiva baseia-se numa postura sobre a acção humana que é mecanista e não explica o comportamento humano mais complexo. These conscious determinants of behavior are readily demonstrable and amenable to empirical verification. nasceu com este livro o nome. disposições estas que controlam o comportamento das pessoas. citando um estudo que questiona a suposição fundamental desta teoria – Bandura sugere que as acções controladas por estas disposições douradoras resultariam em comportamento consistente em situações sociais diferentes e ao longo do tempo. 1982). também critica a teoria dos traços (trait theory). Não há lugar nesta teoria para causas comportamentais internas à pessoa. Bandura (1986) sugeriu um novo nome para a sua teoria que fazia parte até ali do campo de aprendizagem social. só em termos de controlo de estímulos externos antecedentes e consequentes. Ela não está de acordo com a teoria psicodinâmica que procura as causas de comportamento em forças internas. mas com uma grande diferença (Bandura. Além de críticas fundadas na conceptualização da teoria e na dificuldade de obter dados empíricos. People benefit more from changing and developing their conscious cognitive functioning than from searching for an unconscious mental life. Evidence will be reviewed later showing that awareness of the factors that contribute to one’s behavior and the effects it produces significantly influence emotional reactions and behavior.

ou outras forças motivacionais) (Bandura. . mas ao mesmo tempo exerce um controle sobre o seu meio e sobre o seu comportamento.A Introdução Da apresentação anterior. Arabis . Nos pontos seguintes secções abordam-se estes conceitos em mais pormenor. impulsos «drives». 1986). traços. Como Bandura diz (1986:18). Rather. esta teoria contrasta com o determinismo do meio (a pessoa sendo controlado apenas pelo meio) e também com o determinismo pessoal (a pessoa sendo apenas auto- controlado por instintos. 1986). Estes factores internos não são apenas inconscientes nem são apenas traços. Ou seja. e a natureza do ser humano como agente. na teoria de aprendizagem sócio-cognitiva o homem está influenciado pelo meio e também pelos comportamentos.Duas teorias de determinismo unilateral Contrasta também com um determinismo interactivo que seja unidireccional ou apenas parcialmente bidireccional (Bandura. os elementos fundamentais da sua teoria são determinismo recíproco triádico. human functioning is explained in terms of a model of triadic reciprocality in which behavior. cognitive and other personal factors. In the social cognitive view people are neither driven by inner forces nor automatically shaped and controlled by external stimuli. . como se apresenta na figura 2. Factores Comportamento Pessoais Fig. É importante para a teoria que se reconheça três elementos interactivos na questão da explicação causal do comportamento humano: o meio. Como se vê agora. Como já vimos. O Meio Comportamento OU . os factores internos da pessoa e o próprio comportamento. 1 -. Nesta opção tanto 4 T. and environmental events all operate as interacting determinants of each other. . Figura 1 ilustra estas duas teorias que considera que o comportamento seja controlado por factores ou externos ou internos. A Teoria de Aprendizagem Sócio-Cognitiva Os elementos fundamentais da teoria .B Determinismo recíproco triádico É este conceito de determinismo recíproco triádico que é o mais fundamental da teoria. pode-se já discernir alguns contornos fundamentais da teoria sócio-cognitiva.

o determinismo recíproco triádico aponta para um trio de fontes causais: comportamento. Factores Pessoais Co mp o r ta me eio M n to Fig. etc. sem estes dois elementos em interacção. 2 -. O Meio Comportamento Factores Pessoais Fig. Arabis . 1986:24) como se vê na figura 3. Todos os elementos operam interactivamente como determinantes dos outros e também como sendo influenciados pelos outros. Então.Determinismo interactivo Em contraste.Determinismo recíproco triádico O exemplo da televisão é útil (Bandura. As preferências (factor pessoal) estão influenciadas também pela qualidade dos programas. Este comportamento influencia futuramente que programas serão disponíveis (meio). e influências do meio. A Teoria de Aprendizagem Sócio-Cognitiva o meio como a cognição influenciariam o comportamento mas em separado. 3 -. 5 T. etc. 1986). factores pessoais como a cognição. vê-se facilmente que os três factores se influenciam mutuamente. e pode ser representado assim (Bandura. As preferências do telespectador (factor pessoal) influenciam quando e que programas que ver entre todas as alternativas possíveis (comportamento). (meio).

. meio para a pessoa) que sejam mais cómodas e respeitadoras. o indivíduo e as circunstâncias. sexo. ◊ Este conceito de reciprocidade não implica necessariamente que os três factores interajam simultaneamente. Também há o segmento entre a cognição e o meio.e. e é raro estudar (pelo menos até 1986) mais que um subsistema de interacções ao mesmo tempo. as influências unidireccionais daquele momento). mas também que o comportamento altera as condições do meio. A Teoria de Aprendizagem Sócio-Cognitiva Bandura (1986:23-30) oferece as seguintes clarificações sobre o conceito de determinismo recíproco triádico: ◊ O termo “recíproco” refere-se à acção mútua entre os factores causais. ◊ A reciprocidade não implica simetria na força das influências bidireccionais. A modelagem e a persuasão social são bons exemplos da influência do meio na cognição sem efeitos directos no comportamento. crenças. É claro que o meio altera o comportamento. Não significa que uma acção seja completamente determinada por uma sequência prévia de causas operando independentemente do indivíduo. Ao mesmo tempo as pessoas evocam reacções diferentes do seu meio só devido às suas características físicas como a sua idade.. É interessante considerar com um pouco mais de pormenor estes três segmentos. raça. Por exemplo. ◊ Há várias sub-ramos da psicologia que se especializaram no estudo de um segmento destas interacções. Os factores produzem os seus efeitos mútuos sequencialmente durante um tempo variável. ◊ O termo “determinismo” significa a produção de efeitos pelos factores. 6 T. Todavia Bandura acha legítimo estudar certos segmentos em isolamento e até certos elementos daquele segmento em isolamento (por exemplo. nem que o padrão e a força de influências mútuas sejam fixos. Arabis . Variam conforme a actividade. Entre cognição e comportamento certas pessoas estudam como é que fenómenos como concepções. atracção. pessoas com mais prestígio e poder encorajam reacções dos outros (i. intenções. Cada elemento é um factor causal e também influenciado pelos outros. e como estes comportamentos influenciam os seus padrões de pensamento e as reacções afectivas. Finalmente há o segmento entre o meio e o comportamento que é o mais estudado pelos behavioristas. atitudes e sentimentos moldam e orientam o comportamento. “Determinismo” quer dizer apenas a produção de efeito por algo neste esquema triádico.

Portanto. 2001:6). é legítimo falar de intenções baseadas em auto-motivadores influenciando a probabilidade de acções no futuro (Bandura. Através de símbolos as pessoas processam e transformam experiências passageiras para modelos internos que servem como guias para futuras acções. e também esta capacidade para premeditação (forethought) tem a mesma perspectiva.C A natureza humana de ser agente Como acabámos de ver. Todas as outras capacidades que serão apresentadas dependem desta capacidade de simbolizar porque com os símbolos a pessoa pode “mexer” e “aproveitar-se” do meio e do comportamento. Mais uma vez Bandura (2001:4) diz. Os símbolos também dão significado. Mas há mais um elemento fundamental para a teoria sócio-cognitiva – a natureza humana como sendo activa. ◊ Capacidade para premeditação (forethought). Ser agente humano requer certas capacidades. regula-se por premeditação. ◊ Capacidade de planear e agir com intencionalidade. o que implica intencionalidade. O homem planeia. 2001). Não é apenas uma expectativa ou previsão de uma acção futura. and satisfaction to their lives (Bandura.” Este aspecto da teoria aponta para o papel dos processos cognitivos auto-regulativos como sendo centrais na explicação da acção humana (Bandura e Jourden.] people are not just onlooking hosts of internal mechanisms orchestrated by environmental events. 1986:18). direction. um compromisso proactivo para realizá-la. entre elas: ◊ Capacidade de simbolizar. possuindo a qualidade de ser realizado com propósito. mas sim. forma e duração às experiências (Bandura. A maior parte de comportamento humano. Arabis .. They are agents of experiences rather than simply undergoers of experiences. enquanto interagindo com o meio e com o comportamento. Isto implica dar importância à actividade humana no funcionamento do determinismo recíproco triádico. 1997. A Teoria de Aprendizagem Sócio-Cognitiva Esta ideia de determinismo recíproco triádico postula uma rede de factores causais rica e funciona como base para toda a teoria. and cerebral systems are tools people use to accomplish the tasks and goals that give meaning. The sensory. As intenções e as acções são elementos distintos de uma relação funcional separados no tempo. 1991. “In the social cognitive view people are neither driven by inner forces nor automatically shaped and controlled by external stimuli” (Bandura. Uma intenção é uma representação de um futuro curso de acção a ser executado. É através de premeditação que a pessoa se motiva e orienta as suas acções 7 T. “[. motor. . A intencionalidade tem uma perspectiva temporal futura. 1994).. 1986:18). Harre & Gillet.

influenciam a sua potência de activar o processo de auto-regulação (Bandura. activando o processo de auto-avaliação que possibilita que a pessoa se sinta bem (auto-satisfação com o seu desempenho em relação aos alvos e padrões pessoais) ou que a pessoa se censure (Bandura. No entanto. uma situação futura motiva e regula o comportamento no presente. O primeiro passo desta auto-regulação é monitorização do próprio comportamento. salientar estímulos e provocar emoções. uma forma de aprendizagem que encurta bastante o tempo necessário para aprender (em vez de várias tentativas). Infelizmente há várias formas em que a pessoa pode limitar e negar a sua influência (Bandura. Assim pode-se moldar e regular o presente para se enquadrar no futuro desejado (Bandura. 2001). Aprende-se através da modelagem – a observação de acções e respostas emocionais de um modelo. 1986). Esta aprendizagem pode assumir várias formas: novos padrões de comportamento. Assim. a teoria sócio-cognitiva aponta para a capacidade de aprendizagem vicária que propõe que a maior parte da aprendizagem humana é feita através de observação. que leva à avaliação perante comparações com alvos e padrões pessoais. As características dos alvos. 2001:7. critérios de avaliação. Esta capacidade permite que se use o futuro e não estar apenas preso ao meio imediato. É um aspecto de metacognição – a possibilidade de reflectir sobre si mesmo e sobre a suficiência dos seus pensamentos. 8 T. Os alvos funcionam indirectamente como motivação. ◊ Capacidade de aprendizagem vicária. desinibir. A capacidade de auto-reflexão é a que gera a possibilidade de avaliação pessoal através do exame do seu próprio funcionamento. A acção moral também tem muita influência na capacidade de auto-regulação e tem a possibilidade de inibir acção e encorajar a acção (Bandura. e regras generativas para criar comportamentos (Bandura 1986:49-50). 2001). Já vimos que a pessoa pode antecipar o futuro através da intencionalidade e da premeditação. ◊ Capacidade de auto-reflexão e atitudes de auto-eficácia. motivações. O behaviorismo apontou para uma forma de aprendizagem através de estímulo e resposta onde a pessoa em si reage e assim aprende através de muitas tentativas. inibir. 1999) como veremos na parte seguinte. nomeadamente a sua especificidade. 2001). Outra capacidade é a de regular-se e motivar-se no presente. através da premeditação. competências cognitivas. Arabis . um processo que pode instruir. facilitar. A Teoria de Aprendizagem Sócio-Cognitiva em antecipação de algo futuro. nível de desafio e proximidade temporal. ◊ Capacidade de regular-se.

Simbolização. experiências indirectas e observadas (vicarious experiences). segundo A. 4 -. e acções. 2001. A figura 4 é uma tentativa de visualizar estas várias capacidades no contexto de determinismo recíproco triádico. e estados fisiológicos (Bandura. Claro que também cada capacidade também se aplica globalmente ao processo de aprendizagem. Aprendizagem vicária aproveita especialmente o meio (através de observar modelos). Nesta área da auto-reflexão encontra-se a atitude de auto-eficácia considerada por Bandura como sendo o mecanismo mais central e penetrante de todos e que é o fundamento da acção humana. A auto-eficácia desenvolve-se através da interacção com as seguintes fontes de informação: realizações de desempenho (performance accomplishments). auto-regulação e auto-reflexão são capacidades que se aplicam à interacção com os dois elementos de comportamento e de meio. persuasões verbais. E as capacidades de premeditação e intencionalidade funcionam num contexto futuro apoiando o elemento de comportamento potencial. Bandura 9 T. 1977). Define-se como a crença na sua própria capacidade de exercer algum controlo sobre o próprio funcionamento e sobre os eventos do meio (Bandura. COMPORTAMEN TO MEIO ACTUAL ACTUAL Aprendizagem vicária Simbolização Auto-regulação COMPORTAMEN TO Auto-reflexão POTENCIAL Premeditação X Intencionalidade ACÇÃO HUMANA Fig. Arabis .Capacidade e determinantes da acção humana. Bandura e Jourden. 1999). A Teoria de Aprendizagem Sócio-Cognitiva valores.

10 T. Acontece regularmente na conduta militar. Comportamento prejudicial torna-se aceitável pessoal e socialmente através de um processo cognitivo de pô-lo ao serviço de propósitos morais e ideológicos. Uma outra possibilidade é a forma passiva sem agente. linguagem eufemista) Esta primeira área tem a ver com o processo de reconstruir cognitivamente o comportamento repreensível em si para torna-lo não repreensível. Funciona por três vias. a não ser que outra fonte seja citada. como por exemplo (em inglês) formas de falar sobre o acto de matar: “soldiers waste people rather than kill them. 2 O material na seguinte secção é um resumo de Bandura. é apenas uma força que age. ignorar ou interpretar -Justificação moral -Deslocação de mal as consequências -Comparação que responsabilidade Vítima desculpa -Difusão de -Linguagem responsabilidade -Desumanizar a vítima eufemista -Atribuir a culpa à vítima Fig. Arabis . Assim. 5 -. uma resposta brutal para controlar terrorismo pode ser comparado com o terrorismo em si. comparação que desculpa.D Conduta repreensível (justificação moral. Pode-se criar uma justificação moral. 1999 citando Safire. Assim não há culpa pessoal. Este mecanismo é o mais forte porque elimina os factores auto-dissuasivos e ao mesmo tempo cria factores de auto- aprovação. Efeitos prejudiciais repreensível bilidade -Minimizar. por exemplo. Bandura (1999:72 adaptado) desenvolve quatro áreas através 2 das quais isto poderia acontecer representadas na figura 5: Conduta Responsa. A Teoria de Aprendizagem Sócio-Cognitiva A moralidade como parte da auto-regulação e maneiras de negar a sua influência Foi já referido que é possível limitar ou até negar a influência da acção moral na capacidade de auto-regulação. intelligence operatives terminate (them) with extreme prejudice (Bandura.Formas de negar a influência da acção moral na capacidade de auto-regulação . 1999:72-96. Justifica-se também a conduta prejudicial fazendo uma comparação com outra conduta de uma outra pessoa ou entidade. Há também o uso de linguagem eufemística na forma de expressões aliviadoras tornando respeitado algo que pode ser considerado deplorável. 1979). Pode-se usar comparações históricas para justificar um acto.

11 T. Ao contrário. por exemplo. ignorar ou interpretar mal as consequências de um acto através da atenção selectiva (lembrar informação prévia sobre os benefícios potenciais e não sobre os efeitos prejudiciais). A responsabilidade também se pode dispersar através de vários processos. Se alguém não se considerar a si mesmo como responsável pela sua conduta. Outra forma de “escapar” é atribuir a culpa do meu comportamento à vítima.F Efeitos prejudiciais (minimizar. No entanto. Arabis . Acontece. Acontece se uma autoridade legítima assume a responsabilidade das consequências de uma acção.G Vítima (desumanizar a vítima. então torna-se muito mais fácil maltratá-la. ou ainda da desacreditação das evidências.” sendo a sua conduta provocada pela outra pessoa. em discussões interpessoais e até em crimes sexuais. ficando cada um desresponsabilizado pela acção global. elimina a auto-censura e assim abre o caminho para realizar comportamentos normalmente inaceitáveis pela pessoa. A Teoria de Aprendizagem Sócio-Cognitiva . atribuir a culpa à vítima) Uma outra maneira de “desligar” os controlos internos morais do nosso comportamento é mexendo nas percepções dos recipientes da acção. . ou que a acção aconteceu devido às exigências da situação. Neste processo a pessoa considera-se como “vítima. Também acontece em decisões tomadas pelo grupo e em acções colectivas. esperanças. humanizar alguém fortifica bastante os controlos internos morais do comportamento. quando se vê a outra pessoa como sendo diferente e especialmente desumanizada.E Responsabilidade (deslocação ou difusão de responsabilidade) A responsabilidade fica entre o comportamento e os efeitos. Quando se considera a outra pessoa como sendo semelhante (ou seja. por exemplo dividindo o trabalho. activa reacções afectivas positivas. . humana como eu). incapaz de ser previsto. ignorar ou interpretar mal as consequências) É possível minimizar. e preocupações. ou da distorção cognitiva dos efeitos. Pode acontecer através da atribuição de características animais à pessoa. Acontece mais quando não se vê as consequências ou quando são distantes em termos de tempo e espaço. Portanto a pessoa maltrata da apenas um objecto em vez de um ser humano com sentimentos. Também percepções de responsabilidade causal diminuem se a pessoa achar as consequências como sendo sem intenção. Foi uma das estratégias dos Nazis nos seus campos de morte.

Bandura. (1991). (1986). NJ: Prentice Hall. Englewood Cliffs. Considero a teoria sócio-cognitiva complexa mas compreensível e aplicável a várias situações e tipos de aprendizagens. Meio simbolização intencionalidade premeditação COGNIÇÃO aprendizagem vicária Aprendizagem auto-regulação auto-reflexão Comportamento auto-eficácia Fig. A Teoria de Aprendizagem Sócio-Cognitiva Esquema do processo de aprendizagem A figura 6 é uma tentativa de esquematizar os elementos fundamentais apresentados neste resumo sobre a teoria sócio-cognitiva da aprendizagem de A. A. M. Social foundations of thought and action: a social cognitive theory. Gewirtz (Eds. Handbook of moral behavior and development (Vol. Pubs. auto- regulação e reflexão. Social cognitive theory of moral thought and action. Arabis . L. intencionalidade. 12 T. O ser humano é um agente controlador da sua aprendizagem através de várias capacidades humanas: simbolização. e aprendizagem vicária. 1-26. premeditação. A. 52. da cognição e do comportamento no processo de aprendizagem? Segundo a teoria sócio-cognitiva aprende-se através de um processo mutuamente interactivo entre o meio.). Bandura. A. NJ: Lawrence Erlbaum Associates. Nota-se que a cognição tem uma posição proeminente no conjunto dos três elementos que interagem reciprocamente para gerar a aprendizagem. Kurtines & J. Hillsdale. A pessoa é activa ou passiva no processo? Segundo esta teoria. 45-104). Bandura. (2001). Annual Reviews of Psychology. 1: Theory. 6 -. o comportamento e a cognição chamado determinismo recíproco triádico.Esquema do processo da aprendizagem Conclusão Como se aprende? Quais os papeis do meio. A cognição inclui um conjunto de capacidades importantes que regulam a acção humana que é fundamental para o processo de aprendizagem numa teoria de determinismo recíproco triádico. Referências Bandura. pp. In W. a pessoa é activa. Social cognitive theory: an agentic perspective.

New Haven. Arabis . J. (1991). 84(2). Pacific Grove. & Jourden. Maddi. Journal of Personality and Social Psychology. S. Psychological Review.R. CA: Brooks/Cole Pub. (1977). 1870-1980. http://hsc. Co. e Dollard. Stone. A. R. A. (1982).. Social learning and imitation.edu/~kmbrown/Social_Cognitive_Theory_Overview.). 60(6). American Psychologist. CT: Yale University Press. (1941). (1989). Self-regulatory mechanisms governing the impact of social comparison on complex decision making. 13 T.usf.htm Woodward. A Teoria de Aprendizagem Sócio-Cognitiva Bandura. Personality theories: a comparative analysis (5th ed.. Miller. 941-951.396-410. 37(4). J. F. The “discovery” of social behaviorism and social learning theory. Bandura. Social Cognitive Theory Overview. N. 191-215. (2003). Self-efficacy: toward a unifying theory of behavioral change. D. W.