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O nemo tenetur engloba: (a) a negativa em declarar, ou seja, de

permanecer em silêncio ou responder somente ao questionamento
que não resulte em autoincriminação; (b) condutas ativas, tais como
o comparecimento à restituição de fatos, comparecimento para
depor, fornecimento de documentos para exame grafotécnico e
assoprar no etilômetro; (c) comportamentos passivos que possam
induzir à formação do substrato probatório incriminatório (nemo
tenetur se ipsum acusare), tais como a submissão ao reconhecimento
e à extração coativa de material para ser analisado (coleta de sangue,
de esperma, de saliva, urina, v.g.); (d) a invasividade interna, como a
instrução de agulhas para extração de sangue ou outros líquidos do
corpo, a introdução de de substâncias químicas via sondas (eméticos,
v.g.), a intervenção cirúrgica, com o objetivo de obtenção de prova
(implante subcutâneo v.g.); (e) a invasividade externa, por manter
relação com a interna, como a extração de cabelos, pêlos, unhas.
(GIACOMOLLI, Nereu José. O devido processo penal: abordagem
conforme a Constituição Federal e o Pacto de São José da Costa Rica.
São Paulo: Atlas, 2014. p. 193)

Nos interessa a vertente ligada à proteção das declarações do sujeito submetido
a uma investigação, ou seja, o direito que ele tem de não prestar declarações de cunho
incriminatório, conhecido como direito ao silêncio.

Esse direito está previsto em nosso ordenamento no art. 5º, inc. LXIII, da
Constituição Federal e embora faça referência ao direito de permanecer em silêncio no
momento da prisão, tal garantia é estendida a todos os suspeitos ou acusados e em todas
as situações processuais. Além disso, o Código de Processo Penal também conta com
dispositivo específico (art. 186), que estabelece que “após a qualificação do réu e da
comunicação da acusação, o interrogando deverá ser cientificado pelo magistrado de seu
direito de permanecer calado e não responder às perguntas formuladas”. Há também seu
reconhecimento no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (art. 13.3, “g”), bem
como na Convenção Americana de Direitos Humanos (art. 8.2,”g”), que estabelecem
como garantia mínima a toda pessoa acusada o “direito de não ser obrigada a depor
contra si mesma, nem a confessar-se culpada”.