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Ana Rita Rodrigues

RESUMOS DE PROCESSO EXECUTIVO
Prof. Doutor Miguel Teixeira de Sousa

ENQUADRAMENTO GERAL

Conceito de acção executiva
Art.º 10/4 CPC
Tem por finalidade a reparação efectiva de um direito violado. Na acção
executiva já não se trata de declarar um direito, mas sim de se providenciar ela
realização coactiva de uma prestação ao executado.
Na AE o exequente pede a realização coactiva de uma prestação ao executado.

LF = numa perspectiva normativa, é através da acção executiva que se passa da
declaração concreta da norma jurídica para a sua actuação prática, mediante o
desencadear dos mecanismos de garantia.

Importa notar que a definição do art.º 10º/4 não está completa.
Se olharmos para o artigo e para a definição ali presente perguntamo-nos se a acção
de execução específica do art.º 830º CC é uma verdadeira acção executiva.
Verdadeiramente não é uma verdadeira acção executiva pois na acção de
execução específica o juiz não pratica actos materiais quando se substitui ao
promitente faltoso.

Para ser uma verdadeira AE tem de haver a prática de actos materiais e no aso do art.º
830º CC não há.
O art.º 830º CC é antes uma acção constitutiva, não obstante ser uma acção específica
pelo facto de o autor pedir a emissão daquela declaração negocial em falta e não outra.
Contudo, quando o juiz se substitui ao promitente faltoso não está a praticar nenhum
acto material.

É a prática de actos materiais que torna a acção em AE.

A AE é aquela em que o autor requer como efeito jurídico as providencias adequadas à
realização de um direito/poder a uma prestação enunciado num título legalmente
suficiente.

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Ana Rita Rodrigues

As acções de condenação consubstanciam o exercício de um direito subjectivo a uma
prestação.
Tanto se está na presença de um autónomo direito relativo, como se pode tratar
do exercício de pretensões reais ou pessoais fundadas em direitos subjectivos
absoltos, reais ou pessoais, consubstanciando poderes sem autonomia.
Daí que se possa entender que o reu de um procedimento condenatório será
sempre um devedor lato sensu de uma prestação.

Este direito ou poder subjectivo encerra um direito de interpelar, judicial ou
extrajudicialmente, a parte devedora para cumprir, e encerra o exercício de um poder
de execução forçada, ou seja, um poder de impor ao devedor o cumprimento contra a
sua vontade.

Arts.º 817º e ss CC = realização coactiva da prestação
Arts.º 827º e ss CC = casos em que ocorre execução específica.

TS: o direito de execução resulta da incorporação da pretensão num título executivo,
sendo este titulo constitutivo daquele direito de execução.
Um título é executivo porque atribui exequibilidade a uma pretensão pois antes dele
pode haver direito à pretensão, mas não há exequibilidade da mesma.

Sujeitos da execução

 Exequente
 Executado

Títulos executivos = art.º 703º (taxativo)
Por os títulos não se reconduzirem unicamente à sentença, tal demostra que a
necessidade da AE não se explica com a simples insuficiência processual da
acção declarativa para só por si dar uma tutela final.
A necessidade da acção de execução justifica-se sim com a natureza
prestacional do objecto da preensão, necessariamente bilateral, logo passível de
não ser cumprida.

Modalidades da execução
Consoante o objecto da execução, assim será a sua modalidade:
São três – art.º 10º/6

 Pagamento de quantia certa = arts.º 724º a 858º.
Apenas nesta há o conceito de penhora.

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 Entrega de coisa certa = arts.º 859º a 867º
Aqui não há apreensão do bem pelo que não existe o conceito de penhora.
 Prestação de um facto positivo ou negativo = arts.º 868º a 877º.

Para sabermos qual destas acções é que vamos propor temos de prestar atenção ao
título executivo que possuímos pois é o título que vai determinar o fim e os limites da
execução.

Forma do processo = art.º 546º
Execução comum: art.º 550º

 Processo sumário – aplicável unicamente à execução para pagamento de
quantia certa e, apenas os casos do art.º 550º/2.
O art.º 550º/2 contém um elenco taxativo de excepções!
Contudo há sempre que atender ao disposto no art.º 550/3 que vem excepcionar
o que está no /2.

 Processo ordinário – restantes casos que não cabem no /2 ou que, cabendo são
excepcionados pelo /3

Execução especial: arts.º 933º a 937º (execução por alimentos) e o procedimento
especial de despejo.

Aspectos estruturantes da AE
São vários os Aspectos que caracterizam a AE:

 Não há lugar à tramitação de processos declarativos incidentais.
Na AE já não se discute se existe ou não o direito, aqui o que se tenta é a
realização coactiva de uma prestação.

 O processo executivo baseia-se num título executivo que tem de existir para que
possa ocorrer a formalização da execução.

 A execução comporta dois órgãos – tribunal e agente de execução.
O processo de execução é um processo descentralizado pois não está tudo
concentrado no tribunal.

 Transparência patrimonial
É a possibilidade de conhecimento dos bens penhoráveis e, na consequente
obrigação do executado informar quais são os bens de que dispõe que possam
ser penhorados.

 Registo informático – art.º 717º

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No entanto nada restringe os negócios entre as partes que restrinjam ou excluem a execução. Art. cabendo ao credor (exequente) dar o impulso processual com o requerimento executivo (art. bem como é possível limitar-se a responsabilidade do devedor a determinados bens.º 4º É uma igualdade meramente formal poi vigora com maio assertividade o princípio do favor creditoris. E meramente formal. cuja violação pode levar a responsabilidade civil por litigância de má-fé nos termos do art. Em sede de AE já temos uma presunção de que a pessoa deve.º 754º/1 a)). impõe um dever de prevenção (art.º 726º/4). Princípio da gestão processual: não tem a mesma expressão que na acção declarativa pois qualquer que seja o valor da acção os actos de execução terão de ser exactamente os mesmos. TS e Manuel de Andrade = entende o favor creditoris como identitário da AE. impõe ao agente de execução o dever de informar sempre o exequente sobre as diligencias realizadas (art. não se podendo renunciar a eles. Este principio traduz-se no ónus de incurso da execução. Princípio da cooperação: art.º 763º/1 – manifestação do princípio. impõe o dever de apresentação da coisa penhorada (art.º 767/2). Ana Rita Rodrigues Princípios processuais Princípio do dispositivo: o processo executivo assenta na disponibilidade das partes sobre a instância. bem como as penhoras também têm limites.º 750º/1). logo. 4 .º 7º Este traduz-se num dever de litigância de boa-fé (art. LF: no mesmo sentido entende que o facto de o exequente actuar com a garantia de um direito subjectivo pré-definido faz com que o executado não goze de paridade de posição com o exequente. Princípio do favor creditoris A AE estrutura-se de molde a beneficiar o credor. materialmente a igualdade não existe entre as partes. ou seja. Relacionando este princípio com a igualdade das partes entendem que nunca haverá igualdade material na AE precisamente pela força deste princípio que estrutura a acção de forma a que prevaleça sempre a posição do credor.º 724º). No entanto esta disponibilidade das partes é limitada pois elas não podem constituir títulos executivos diferentes dos que constam da lei.º 8º). é uma acção em favor e para o credor de uma prestação.º 542º Manifesta-se nos deveres do executado (at. Princípio da igualdade das partes: art.

 O executado pode opor-se ao acto de penhora levado a cabo pelo agente de execução – arts. Contudo isto não significa que o executado não beneficie de nenhuma proteção uma vez que tem mecanismos de “defesa” como a oposição à execução ou oposição à penhora e as impenhorabilidades. Apenas dita se pode ou não haver execução na perspectiva do executado.  Arts. pelo que não tem a mesma função desempenhada pela contestação. permitindo assim existirem garantias de defesa.º 740/2 e 751º/6.º 719º/4. Exemplos:  Ao requerimento executivo feito pelo exequente pode o executado opor a sua defesa mediante oposição à execução – art.ex. Princípio do contraditório Não obstante a AE ser uma acção que favorecer maioritariamente o exequente.  Regime das revelias com efeito cominatório pleno.º 733/1. Constitui um incidente declarativo que corre por apenso à execução.º 726/6.  Art. Contudo a oposição à execução não vem dita se o direito à prestação existe ou não.º 728º. o processo executivo é um processo que se desenvolve em comparticipação entre o exequente e o executado.  Art.  Eventual restrição das intervenções de terceiros provocadas pelo executado ou espontâneas do seu lado.: arts. 5 .  Possibilidade de execução provisória em determinada situações Decorre do postulado intrínseco da execução pois nesta acção o que se pretende é a realização coactiva da prestação.º 741/2 in fine. Deste acto de penhora também se pode defender um terceiro – art. pelo que a parte activa não pretende que lhe reconheçam um direito. 773/3.º 812º/1.º 342º.  Todas as questões de tratamento declarativo têm de ser colocadas fora da linha procedimental executiva em processos apensados. ou ainda pode dar-se o caso do art. mas sim está a exercer esse direito que está demonstrado no título executivo. Ana Rita Rodrigues Exemplos da presença do favor creditoris na AE:  Possibilidade de dispensa de citação prévia – 855º/3. 791/4 e 792/3. º 784º e 785º. O executado é citado para pagar ou para se opor – art.

Aqui todos os credores estão numa posição de igualdade.º 550/2 e 856/1) Trata-se de um fenómeno e sumarização do processo. Na sua fundamentação deverão indicar. interpretar e aplicar as normas jurídicas correspondentes – art. 2º modelo: critério da par conditio creditori.º 163/1. Inicia-se como singular e pode terminar como acção plural. º 726º e 734º) como para os actos do agente de execução pois ambos têm de decidir segundo a lei. podendo intervir na execução todos os credores do executado. Vigora desde 1961 em Portugal. Princípio da prevalência funcional: cada acto só será admitido se se apresentar justificado para a finalidade executiva – art.º 132º. estando vedada a intervenção na acção a qualquer outro credor do executado. É este princípio que fundamenta que possa ocorrer a penhora antes da citação do demandado e que possa ocorrer a forma sumária (arts. sendo a publicidade assegurada por ser um processo electrónico – art. Inicia-se como acção singular e permanece singular até ao fim. É uma restrição razoável e proporcional às garantias processuais m favor da celeridade necessária à eficácia concreta do processo.º 607/3. Princípio da publicidade: o processo civil é um processo público – art. modelo vigente em Portugal Podem outros credores intervir na execução? 1º modelo: o credor que instaura a AE é o único que pode intervir. Modelos de execução.º 712/1. Ana Rita Rodrigues Princípio da legalidade da decisão: Vale tanto para os despachos do juiz (arts. 3º modelo: neste modelo podem intervir outros credores do executado desde que tenham garantias reais sobre os bens penhorados. 6 . Vigora em França e Itália.

eles são exercidos em nome do tribunal pelo que cabe reclamação destes actos ou eventuais omissões do agente de execução para o tribunal – art.º 720º 7 . É um profissional liberal sendo designado pela secretaria do tribunal – art.º 723º/1 a) e 726º. Órgãos da execução São dois:  Tribunal (juiz) – exerce funções de: o Tutela: art. 782º/2.º 723/1 d). Ana Rita Rodrigues Responsabilidade do exequente O exequente pode ser responsável por instaurar uma AE! Temos dois tipos de responsabilidade:  Responsabilidade objectiva: o exequente é objectivamente responsável por ter proposto uma execução e. 814º/1. o Controlo: arts. Temos dois artigos – art. Art. 820º/1 829º/1 e 2 e 833º/2. Agente de execução A sua actividade tem duas vertentes:  Relação interna: posição perante o executado.º 719º e 723º.º 719º/1 e 720/6. Aqui é relevante a situação da execução provisória. 749º/7.º 723º/1 c) Temos uma repartição de competências por o juiz controla e decide e o agente de execução actua e executa = Art.  Relação externa: posição perante terceiros.  Agente de execução – cabe-lhe a promoção ds diligencias executivas. posteriormente essa execução se venha a mostrar não justificada. Embora sejam praticados pelo agente de execução.º 738/6. o Resolve duvidas: art. 773º/6. o Garantia de protecção de direitos fundamentais: arts. 764/4 e 767/1.º 866º no âmbito da execução para entrega de coisa certa.º 723º/1 b). o Assegurar a realização dos fins da execução: arts.  Responsabilidade por facto ilícito: esta é baseada na negligencia. 3 e 4. 757º.º 858º integrado na forma sumária e o art.º 759º.

Objecto imediato = dada a instrumentalidade do processo corresponde à situação de vantagem que aviria do cumprimento espontâneo do devedor. Objecto mediato = objecto da prestação devida.º 850º/1. Pedido de realização coactiva é um pedido de cumprimento específico da prestação. Ana Rita Rodrigues Está sujeito a um duplo controlo deontológico e processual.º 724º/1 f) = corresponde ao efeito jurídico pretendido. ou seja. Renovação da instância: muito comum no processo executivo.  Se não existirem bens penhoráveis a execução extingue-se.º 724º). corresponde à realização coactiva da prestação.º 719º/1: âmbito de competência funcional do agente e execução. contudo o art. Art. logo. Art.º 724º a 858º CPC 8 . Pedido: art.º 850º/5 permite a renovação da instancia caso sejam encontrados bens penhoráveis. Ocorre em duas situações:  Título ser de trato sucessivo. correspondendo este ao fim da execução. Aspectos da tramitação do processo executivo Objecto na acção executiva A tramitação inicia-se pela apresentação do título executivo através do requerimento executivo (art. respeite a prestações futuras – pode renovar-se a instancia nos termos do art. Espécies de pedidos da AE (pelo objecto mediato) Os pedidos são arrumados de acordo com o objecto mediato.º 723º.º 10º/6: tipos de AE (esquema tripartido) Execução para pagamento de quantia certa = arts. sendo os actos por si praticados controlados pelo juiz de execução – art.

 Aperfeiçoamento: o juiz pede que se sane alguma falha no processo.  Remessa para o tribunal competente em caso de incompetência relativa do tribunal: art. Art. Mesmo quando a execução tenha de seguir nos próprios autos (art. a citação é diferida. Art. Efeito pretendido: pagamento da quantia devida de forma a obter o mesmo efeito que teria se lhe tivesse desde logo sido paga a quantia pedida. /2: há possibilidade de reclamação para o juiz.º 626º) Art.º 724º/6 a): está puramente iniciado o processo no momento em que são pagos os honorários ao agente e execução. pois nesta forma.º 855º). Possibilidade de recurso – art.º 856º/1: se forem encontrados bens há a citação do executado no acto da penhora. Aplica-se directamente a norma legitimadora do art. Se o título for uma sentença que deva ser executada nos próprios autos então a citação é substituída por uma notificação pois o executado já foi citado como réu na anterior acção declarativa.  Forma sumária – arts.º 725º: situações de recusa do requerimento. Se for aceite segue-se logo para a fase da penhora. Apresenta duas formas de processo:  Forma ordinária. Art.º 817º CC. Art. Ana Rita Rodrigues Objecto mediato: entrega de uma quantia pecuniária em execução da obrigação pecuniária que originou o título executivo.º 726º/4. Art.º 749º relativamente a se encontrar bens penhoráveis.º 795º/1: modos de satisfação do interesse do credor no cumprimento da prestação. Se ao forem encontrados no espaço de 3 meses o exequente é notificado. 9 . Despacho liminar pode ser de:  Indeferimento: art.º 853º/3.º 855º/5: situações em que a forma sumária deve ser seguida com algumas especificidades aqui indicadas.º 855º e ss Aqui o requerimento é enviado ao agente de execução que o pode recusar (art.  Citação do executado.º 855º/3 remete para o art. A acção inicia-se com a entrada do requerimento na secretaria do tribunal – art.º 726º/2.º 259º/1.

Depois da fase inicial temos a penhora. Citação-intimação: quando a citação foi dispensada.º 822º CC. Tipo de citação:  Pessoal. Art. 10 .º 748º/2. há possibilidade de renovação nos termos do art.º 748º/1.º 550º/3: casos em que. Art. Ana Rita Rodrigues Regra: citação antecipada do executado – 726º/6 (citação prévia à penhora).º 728º.º 719º Oposição à execução = embargos de executado – art. Se não indicar bens à penhora cabe ao agente encontrar esses bens. Tem lugar quando não tenha havido citação prévia ou tendo havido não se tenha encontrado bens penhoráveis. Hipóteses de início da actividade de penhora: art.º 750º: diligencias caso não se encontrem bens. Antes de os encontrar tem de averiguar a situação do executado – art. contudo. não obstante terem de seguir a forma sumária pelo 550º/2. Se nem o exequente nem o executado indicarem bens à penhora a execução extingue- se por ser uma execução inútil. O executado fica citado para penhora e é intimado a indicar bens ara a penhora. Art.º 748º/3: a pendencia de outra execução não impede a busca de outros bens.º 749º/1: diligências para se encontrarem bens. Efeito essencial: art.  Edital Da competência do agente de execução: art. Citação diferida – o 727º permite a dispensa de citação prévia.º 724º ou 751º/2.º 850º. O 734º contém uma cláusula salvatória. seguem a forma ordinária por estarem excepcionados por este artigo. Art. Se o exequente indicar bens à penhora temos duas hipóteses: art.

º 740º e 786º: citação do cônjuge do executado. liquida e exigível são pressupostos processuais específicos.º 10º/5: toda a execução tem de ter por base um título. Execução para entrega de coisa certa = arts. líquida e exigível é pressuposto material da AE. liquida e exigível constitui a exequibilidade intrínseca. Art.º 868º a 877º Exequibilidade extrínseca Art. Art.º 786º e 788º: citação de terceiros que tenham garantias reais sobre os bens do executado.º 734º/1. Arts.º 729º a): a falta. A seguir à penhora temos a fase da venda e depois com o produto da venda proceder- se-á ao pagamento. Isto pode levar a uma extinção superveniente da execução – art. Estando na fase da penhora o executado pode fazer oposição à penhora. O título tem de demonstrar uma obrigação certa.º 859º a 867º Execução para prestação de facto = arts. entendendo que o título constitui a exequibilidade extrínseca e a obrigação ser certa. liquida e exigível – art.º 713º Anselmo de Castro = a exigência de título e de uma obrigação certa. TS = tem a mesma orientação que LF. insuficiência ou inexequibilidade do título são fundamento de oposição à execução. Se não tiver a secretaria (725º/1 d)) ou o agente de execução (855º/2 a)) recusam receber o requerimento quando não seja apresentado.º 726º/2 a): deve haver despacho liminar de indeferimento quando seja manifesta a falta ou insuficiência do título. A pretensão é intrinsecamente exequível quando em si reveste as características de que depende a sua susceptibilidade de constituir o elemento substantivo do objecto da 11 . Castro Mendes e LF = o título executivo é um pressuposto formal e a obrigação ser certa. Ana Rita Rodrigues Arts.

º 362º. condiciona a exequibilidade extrínseca da prestação ao permitir. O valor do título enquanto meio de prova determina que seja o executado a ter de provar a falsidade ou a veracidade da respetiva letra ou assinatura. o qual tem obrigatoriamente de acompanhar o requerimento inicial. O título. Funções do título:  Função de certificação: certifica a aquisição do direito à prestação pelo exequente. por sua vez. No plano subjectivo determina a legitimidade. O título é condição necessária da AE porque não há execução sem título. Contudo não tem uma função probatória em sentido próprio pois na AE não há nada a apreciar no plano dos factos por parte do tribunal ou do agente de execução. para o que basta ter como objecto uma pretensão que seja certa.º 53º e 54º/1).º 817º CC. e a declaração nele representada tem por objecto o facto constitutivo do direito de crédito. Art. Determina no plano objetivo o objecto da prestação e determina o quantum da mesma e a medida da penhora ou da apreensão. 12 . como tal. de modo autónomo relativamente ao direito a que se refere. O título integra e revela a obrigação exequenda.º 703º/1 b). O título demonstra a causa de pedir pois uma vez demonstrada pode ser deduzido o pedido de realização coactiva da prestação autorizado pelo art. 371º/1 e 376º/2 CC. O título extrajudicial ou judicial improprio é um documento que constitui prova legal para fins executivos. O título executivo Definição: documento pelo qual o requerente da realização coactiva da prestação demonstra a aquisição de um direito a uma prestação. a obrigação exequenda considera-se provada. pelo que são um objecto representativo duma declaração e. constitui meio de prova legal plena – arts. a execução da prestação sem a verificação da ocorrência do facto constitutivo do direito. TS: com a apresentação do documento que consubstancia o título executivo. líquida e exigível. a execução fica determinada tanto na sua causa de pedir como no seu pedido pelo conteúdo do título.  Função de delimitação: dada a instrumentalidade da execução perante o direito subjectivo. c) e d): são documentos escritos. dizendo quem pode ou não ser parte a execução e quem são os terceiros (arts. Ana Rita Rodrigues acção executiva.

Uma sentença constitutiva que contenha uma decisão de mérito favorável no é susceptível de ser executada pois o efeito constitutivo da sentença produz-se automaticamente. o Extrajudiciais: elaborados fora de um processo judicial. as constitutivas e modificativas.  Judiciais impróprios.º 703º/1 a) – sentenças condenatórias Exequibilidade da sentença condenatória: art. Tomando a sentença como referência: o Judiciais próprios: são as sentenças condenatórias. são as injunções. nada restando da sentença para ser executado. Enunciam um comando de cumprimento da obrigação pelo devedor. 3.º 703/1 a) + 704º. As sentenças de simples apreciação. autenticados e simples. Ao demonstrar a aquisição de um direito a uma prestação constitui o direito à execução. Efeito material do título em face do direito à prestação: o Constitutivos da aquisição do direito à prestação.  Particulares. por não conterem um comando de cumprimento de uma prestação não são título executivo. o Recognitivos da aquisição do direito à prestação. Ana Rita Rodrigues  Função constitutiva: TS = o título cumpre uma função constitutiva pois atribui a exequibilidade a uma pretensão. o Judiciais impróprios: enunciam um comando de actuação.º 703º (elenco taxativo) Art.  Administrativos o Títulos executivos privados:  Autênticos. Títulos possíveis admitidos por lei – art. O que pode 13 . 2. Características do título  Suficiência  Autonomia Classificação dos títulos executivos Temos três critérios para classificar os títulos: 1. Natureza da entidade autora dos efeitos jurídicos: o Títulos executivos públicos:  Judiciais. possibilitando que a correspondente prestação seja realizada através de medidas coactivas impostas ao executado pelo tribunal.

Nestes casos o credor terá de recorrer a uma acção declarativa. o credor que tem na sua posse uma sentença com uma condenação implícita tem de interpor uma acção declarativa ara reconhecer o seu direito à prestação em causa. ainda que implícito há um pedido. então o devedor não está à espera da execução. apenas as sentenças de condenação são passíveis de execução. 14 . Condenações implícitas É um problema que se coloca face a sentenças de simples apreciação e a sentenças constitutivas. ou seja. Se a condenação implícita pretende obter um efeito que não decorre directamente da lei.  Rui Pinto: entende que é errado falar-se em condenações implícitas. expressa ou implícita. Segundo esta posição. Ana Rita Rodrigues ser executado é uma decisão condenatórias. então a execução pode ser admitida pois o devedor pode contar com a mesma. não se podendo defender da mesma convenientemente. Neste tipo de sentenças o tribunal não exprimiu qualquer vontade sobre a questão em apreciação pelo que o problema apenas se coloca face às obrigações decorrentes directamente da lei. não devendo a execução ser admitida. Não fere o dispositivo pois há uma condenação implícita. que com esta se pode cumular.  TS: entende que é possível quando do texto da sentença se pode retirar uma condenação implícita em termos não surpreendentes para o devedor. Se a condenação implícita obriga o devedor a uma conduta que é obrigatória por efeito da lei. Cabe saber e discutir se estas sentenças com condenações implícitas valem ou não como título executivo – gera divergências doutrinárias.º 705º e incluem-se as sentenças homologatórias. Das sentenças judiciais. então haverá uma restrição desnecessária do direito de defesa do executado. São equiparadas às sentenças condenatórias as decisões arbitrais – art. Consegue-se retirar um pedido da acção. Não vila a segurança jurídica pois o executado acaba por estar a espera da condenação visto que se pode extrair a condenação da interpretação da sentença.  Alguma doutrina: entende que se a sentença não condena. As sentenças de simples apreciação também não constituem título pois elas apenas se limitam a declarar a existência de um direito ou facto jurídico. não sendo o réu condenado a nada com esta decisão. Não fere o contraditório pois a defesa do executado na acção executiva não seria substancialmente diferente da sua defesa na acção declarativa.

º 704º/2:  Extinguir a execução se for totalmente revogatória da decisão exequenda.  Modificar a execução se apenas em parte a decisão de recurso revogar a decisão exequenda. Ana Rita Rodrigues Exequibilidade provisória: arts. São situações em que.º 704º/4 e 5: é possível pedir-se a suspensão da execução. ou seja. Se o recurso tiver efeito suspensivo não é título executivo e não pode haver lugar a exequibilidade provisória. Contudo há a possibilidade de execução provisória da sentença. absolvendo o réu. visando evitar-se que o devedor peça recurso coma mera finalidade de adiar a execução. Fora destes casos há possibilidade de exequibilidade provisória da sentença no caso de ter sido interposto recurso com efeito meramente devolutivo – art. Neste caso. Se a decisão do tribunal de recurso for sujeita a novo recurso para tribunal superior. não podendo ser susceptível de recurso ordinário ou de reclamação – art. a decisão de recurso terá dois efeitos possíveis sobre a execução em curso – art.º 676º/1). ou seja. Regra geral: para uma sentença ser exequível tem de ter transitado em julgado. apesar de a decisão não estar transitada em julgado poder fundamentar uma execução. após a decisão final a execução: 15 .º 615º e 616º. a decisão 1 é parcialmente revogada.º 703º/1 a) e 704º Será título a sentença de condenação que tenha transitado em julgado – arts.º 647º/1) e recurso de revista (art.º 628º. a execução também há lugar a execução provisória se o recurso não tiver efeito suspensivo.º 704º/2 1ª parte. Quando a causa vier a ser definitivamente julgada. Ratio da exequibilidade provisória: ao permitirmos que o recurso não impeça a execução estamos a proteger os interesses do credor. Mantém-se uma condenação parcial do réu – art. sendo possível executar a sentença na pendencia do recurso. Art.º 704º/1. se o tribunal superior revogar completamente a decisão 1. Para que haja o recurso tem de ter efeito devolutivo Tipos de recurso com efeito devolutivo: recurso de apelação (art.

º 623º CC.º 839º/1 a)) + devolução dos bens ao executado (art. o exequente sofra em consequência da demora da execução. Esta é a mesma lógica do 704º/4.º 704º/3: não havendo suspensão da execução e prosseguindo não se admite o pagamento enquanto a sentença estiver pendente de recurso sem que haja lugar ao pagamento de uma caução por parte do exequente. 16 .  Prossegue tal como foi instaurada se o novo recurso para o STJ tiver efeito suspensivo. Isto porque a sentença está pendente de recurso e não se pode criar uma situação irreversível. As cauções são prestadas nos termos gerais do art.º 703º/1 b) – documento exarado ou autenticado por notário Estes são títulos extrajudiciais porque não se produzem em juízo. Ou. ou seja. Se. só podendo a execução ser extinta ou modificada com a decisão definitiva do STJ.º 704º/5 – desde que preste caução A caução serve para garantir o dano que. quando a decisão definitiva ocorrer antes da transmissão dos bens penhorados temos o levantamento da penhora.º 839º/3).º 704º/3:  Ineficácia da venda (art. no caso de confirmação da decisão recorrida. Se a decisão ocorrer já depois da transmissão dos bens penhorados. Excepção ao favor creditoris sendo assim uma protecção do executado. Art. A acção proposta na pendência do recurso também pode ser suspensa a pedido do executado – art.  Executado fica com a caução prestada pelos credores. Emergem de um negócio jurídico. Art. os bens já estão na esfera do terceiro adquirente e se já houve pagamento dos credores que tiveram de prestar caução – art.  Modificar-se-á se a decisão da Relação for parcialmente revogatória da decisão 1 e se o recurso interposto para o STJ tiver efeito devolutivo. Ana Rita Rodrigues  Suspender-se-á se a decisão da Relação for totalmente revogatória da decisão 1 e se o recurso interposto para o STJ tiver efeito devolutivo.

Esta aceitação tem de ser alegada e provada pelo exequente = arts.º 744 c) Os documentos autênticos também constituem título executivo quando dele conste o reconhecimento. Se não for não é título executivo. O art. à partida. 17 . duma obrigação pré-existente. por exemplo. O reconhecimento pode ser a confissão do acto que constitui a dita obrigação – arts. Isto importa-nos por uma questão de legitimidade. RP: entende que o título é a aceitação porque é ela que permite a constituição válida do título.º 744º CPC concretiza o art.º 2098º CC – se um bem pertencer ao património de um herdeiro. É a aceitação que confere legitimidade ao sucessor. Isto porque. e no caso de o testamento ser válido. portanto. este bem não vai responder pelas dívidas da herança. Ana Rita Rodrigues Por serem exarados por notário são documentos autênticos. LF: o título executivo é o testamento e nunca poderá ser a aceitação. ou seja.º 458º. Para fins de legitimidade. se o título é a aceitação ou se o título é o testamento há uma divergência doutrinária.º 54º/1 e 715/1. 358º/2 e 364º . sendo que a aceitação constitui condição de transmissão da dívida e. fundamento da legitimidade passiva do sucessor para a execução. Nestes casos há que ver se não há nenhum título escondido como seja uma garantia real. pelo 54º/1. uma hipoteca será sempre feita por escritura pública que constitui documento exarado por notário logo entra no elenco do 703º/1 b). pelo devedor. mas esse bem não advier da herança em causa. Quanto ao que é título. os legatários só respondem nos termos do seu legado. No entanto para que possa ser título executivo o testamento tem de ser válido formal e materialmente. Para ser título tem de se verificar a aceitação da herança pelo sucessor.º 352º. Contudo esta garantia tem de estar registada pois aqui o registo tem efeito constitutivo. Nestes casos o herdeiro tem de se opor à penhora – art.ou através de reconhecimento de dívida – art. Testamento Será título quando nele o testador assume uma dívida ou constitui uma dívida. Contudo o reconhecimento de dívida nele imposto será sempre válido porque para um reconhecimento apenas basta a forma escrita. incluindo-se aqui o testamento e a escritura pública.

º 707º Este artigo respeita à exequibilidade extrínseca das obrigações. cujo montante seja determinado ou determinável por simples cálculo aritmético.º 41/2013. a documentos particulares emitidos em data anterior à sua entrada em vigor. aprovado em anexo à Lei n.º.º 46º/1 c) têm força executiva. do Código de Processo Civil de 1961. de 26 de junho.º. assinados pelo devedor. alínea c).º 41/2013. n. O problema relativamente à revogação desta norma colocou-se face à supressão do valo de título de documentos particulares que já possuíam esse valor à data da entrada em vigor do novo CPC. é claro que o novo CPC eliminou do elenco dos títulos executivos os documentos particulares. Da redação do artigo 6. Veio então TC com base na violação do princípio da protecção da confiança declarar a inconstitucionalidade com força obrigatória geral do art. documentos particulares elaborados antes da entrada em vigor do CPC de 2013 que se encaixem no art. Estes contratos de abertura de crédito correspondem a uma promessa de mútuo decorrendo daqui as seguintes obrigações:  Banco (mutuário): obrigação de disponibilizar o crédito. 1ª parte: referente às obrigações futuras. com força obrigatória geral. 2ª parte: referente às obrigações virtuais. então exequíveis por força do artigo 46. Geralmente tem aplicação nos contratos de abertura de crédito. de 26 de junho.º 3.º 46º/1 c) do anterior CPC. Exequibilidade de documentos autênticos ou autenticados em que se convencionem prestações futuras – art. Ana Rita Rodrigues Documentos particulares elaborados antes da revisão de 2013 O Acórdão TC 408/2015 veio declarar. Daí que a questão da constitucionalidade tenha surgido do problema da sucessão de leis no tempo. da Lei n. que importem a constituição ou reconhecimento de obrigações pecuniárias.º. Aqui a relação negocial de onde emergem já se encontra constituída. Aqui a relação negocial de onde emergem ainda não se encontra constituída. n. A estes era conferida exequibilidade pelo art. a inconstitucionalidade da norma que aplica o artigo 703. Sendo assim. pelo que se não for junto o documento suplementar não existirá título executivo.º 6º/3 que manda aplicar o 703º aos documentos particulares anteriores à entrada em vigor do novo CPC.º 1.  Mutuante: 18 .

o Reembolsar o capital efectivamente mutuado. há que juntar um outro documento que prove que efectivamente o montante foi requerido. contudo a obrigação só se vence no final do prazo acordado. o Pagar os juros remuneratórios que vão incidir sobre o capital efectivamente mutuado. uma vez que esta é a única obrigação que se constitui no momento da celebração do contrato. Deste documento deve constar: o Convenção de prestações futuras (obrigações futuras) OU previsão de constituição de obrigações futuras (obrigações virtuais). ou seja.  Momento 2 – ocorrência de factos relevante para a obrigação exequenda: É o momento da constituição da obrigação exequenda que deve poder provar- se mediante o documento elaborado neste momento. o banco apenas pode pedir o pagamento das comissões pelo capital imobilizado. No que concerne às obrigações de reembolso e de pagamento de juros remuneratórios. Se este documento não for junto. Temos três momentos no art. OU.º 707º:  Momento 1 – elaboração do título: O documento aqui elaborado tem de ser um documento extrajudicial e. Podem também estar em causa contratos-promessa. O banco terá de prova que entregou a quantia pedida pelo mutuário. Deste documento deve resultar: o Alguma prestação que tenha sido realizada para a conclusão do negócio. o Identificação dos documentos elaborados no momento2 que podem complementá-lo. do título (contrato de abertura de crédito) apenas decorre a obrigação de pagamento das comissões. São indexadas à totalidade do valor disponibilizado. contratos reais quoad constituionem ou contratos-quadro (aqueles que instituem relações jurídicas duradouras e cujo conteúdo vai ser definido pelo decorrer do tempo). Este contrato (caso conste de documento particular autenticado) é um título complexo. Esta é uma obrigação que se constitui no momento da solicitação do crédito. Ana Rita Rodrigues o Pagar as comissões devidas pela imobilização do montante disponibilizado pelo banco. deve resultar que o exequente realizou a prestação respectiva. Aqui apenas é elaborado o documento que. em conjunto com o documento elaborado no momento2 revestirá força executiva. sendo a sua exequibilidade apurada nos termos deste artigo 707º. AINDA NÃO HÁ TÍTULO pois ainda não está constituída a obrigação exequenda. o Alguma obrigação foi constituída na sequencia da previsão das partes. É este documento que vai conferir exequibilidade extrínseca às obrigações de reembolso e de pagamento dos juros remuneratórios. 19 . Vejamos.

Relação cartular. Ana Rita Rodrigues Este documento pode ser judicial ou extrajudicial. 20 . quando a cartular se extingue a relação subjacente fica activa. . sem prejuízo de a causa da obrigação ser invocada no requerimento executivo e poder ser impugnada pelo executado. o que se está a executar é a relação subjacente.º 703º/1 c) – títulos de crédito São o cheque. a relação subjacente está adormecida. Após a relação cartular prescrever o título de crédito continua a poder valer como título executivo na sua forma de quirógrafo. Elas coexistem. juntamente com o título elaborado no momento 2. Quando dos títulos prescritos no conste a causa da obrigação há que distinguir consoante a obrigação a que se reporta emerja ou não de um negócio jurídico formal.Se não emergir de um negócio formal. Quirógrafo: documento particular de reconhecimento de dívida.º 221º/1 e 223º/1 CC. Art. Salvas as hipóteses em que o documento elaborado no momento 2 reveste força executiva.  Momento 3 – propositura da acção executiva/ prova dos factos relevantes: O título será composto pelo documento elaborado no momento 1. A prescrição tem de ser invocada na oposição à execução.20 anos: caso seja uma relação contratual. Quando se fala em títulos de crédito há que ter presente que neles coexistem duas relações distintas: .3 anos: caso seja uma relação extracontratual. . não se anulando. Se for apresentado como título de crédito o que se está a executar é a relação cartular. . a autonomia do título em face da obrigação exequenda e a consideração do regime de reconhecimento de dívida leva a admiti-lo como título executivo. Neste está sempre em causa a relação subjacente.Emerge de um negócio formal: sendo a causa do negócio um elemento essencial do mesmo. A relação subjacente prescreve ao fim de: . Quando a relação cartular está activa a subjacente permanece inactiva e. Ao se apresentar o título como quirógrafo. o documento não constitui título executivo – arts. a letra e a livrança. .Relação subjacente. Nos títulos de crédito não há novação pois enquanto a relação cartular está activa.

Quando o cheque é apresentado a pagamento após estes 8 dias temos de verificar se foi ou não revogado. após a verificação da prescrição da obrigação cartular e sem a concordância do executado – art.  Estarmos no domínio das relações imediatas (requisito material subjectivo). endossar o cheque a outro. Constitui a relação cartular e acontece quando o sacador assina o cheque. Se estes dois passarem o cheque está definitivamente prescrito como título de crédito. não pode fazê-lo posteriormente na pendencia do processo. Não há aceite porque esse é dado aquando da emissão do cheque. contudo já não se pode deitar mão da relação cambiária. Paulo Olavo Cunha entende que continua a poder ser usado como título executivo.º 32º LUC.  O exequente ter alegado a relação material subjacente (causa do cheque) que deve ser minimamente demonstrada para se evitar um indeferimento liminar por falta de aparência mínima do facto constitutivo do direito (requisito material objectivo 1) 21 . Se não foi revogado e foi apresentado fora do prazo – art. ainda que a título subsidiário no requerimento executivo. Tal implicaria a alteração da causa de pedir. Ana Rita Rodrigues Se o exequente não a invocar.º 264º. Temos:  Relações imediatas: entre o credor e o devedor originário. Saque: ordem de pagamento dada pelo cliente ao Banco para que este pague ao terceiro. Ver ainda o prazo do art. O endosso. Só pode valer como quirógrafo se reunir determinadas condições:  Assinatura do devedor (requisito formal). enquanto transmissão originária do título de crédito vai criar uma relação imediata (originária) entre quem endossa e o endossado e uma relação mediata entre o endossado e o credor originário. posteriormente. Cheque: Temos três sujeitos – banco (sacado).  Relações mediatas: quando temos endosso. Há que ter em atenção o prazo de 8 dias (art. Se foi revogado cessa a relação cambiária e passa a valer como quirógrafo. cliente (sacador) e o terceiro (beneficiário do cheque).º 52º/1 LUC. O beneficiário do cheque pode.º 29º/1 LUC) para apresentar o cheque a pagamento.

competindo ao executado demonstrar uma condição resolutiva ou uma excepção de não cumprimento. Pode ser:  Simples: dispensa o credor da prova. É substantiva pois é a verificação do facto do qual depende o cumprimento. tem como condição aparente o incumprimento da obrigação.º 601º CC. RP não entende as coisas deste modo pois defende que o facto negativo do incumprimento não chega a incorpora a causa de pedir pois o exequente não em de provar que a obrigação não foi pontual e integralmente cumprida. Sem exigibilidade não se justifica e sem as outras duas não é possível. Seria justificada com o incumprimento porque a execução do património do devedor. 22 . Ora. Ana Rita Rodrigues  A relação subjacente não exigir requisitos de forma mais solenes que o cheque. A certeza e a liquidez são respeitantes à possibilidade da execução.º 713º. TS: a exigibilidade é uma condição relativa à justificação da execução. A exequibilidade constitui a qualidade substantiva da obrigação que deve ser cumprida de modo imediato e incondicional após a interpelação do devedor. Exigibilidade RP: à partida exigibilidade de uma obrigação seria sinonimo de incumprimento da mesma pelo art. Têm natureza jurídica de condição material da realização coactiva da prestação.  Complexa: se um facto constitutivo complementar. Não são pressupostos processuais pois não respeitam à relação processual. Obrigação exigível = obrigação actual (aquela que está em tempo de cumprimento). liquida e exigível – arts. enquanto realização judicial da função de garantia do art.º 817º CC. com o decurso do prazo. sob pena deste servir para provar algo que apenas poderia ser provado por documento com força probatória mais elevada Exequibilidade intrínseca O título deve demonstrar uma obrigação certa. 725º/1 c) e 729º e) CPC. mas sim à obrigação.

Art. ou dependentes de contraprestação do credor. Importa notar que a exigibilidade não coincide necessariamente com o vencimento da mesma pois pode haver obrigação ainda não vencida. Obrigações com prazo O prazo presume-se a favor o devedor – art. 23 . Nestes casos. São exigíveis com o termo do prazo – art.º 716º/7. quando instaura a execução. No entanto podem ser exigidas antes se ocorrer a perda do benefício do prazo pelo devedor – art. Pode ainda ocorrer o caso de uma obrigação estar vencida. mas ainda não se exigível – caso das obrigações em que o credor está em mora. Não resultará de modo imediato se estivermos perante uma obrigação sujeita a condição suspensiva. à data da propositura da execução. enquanto o acertamento da outra parte pode ser feita na pendencia da mesma execução – art.º 777º/3 CC – ou.º 805º/2 a) CC. sob pena de incorrer em mora – arts. do próprio título executivo quando a obrigação esteja sujeita a prazo dele constante já vencido. Art. Prazo pode ser estipulado negocialmente – art. esteja vencida ou se vença mediante a interpelação (ainda que judicial) do devedor. demonstrar a ocorrência do facto do art. O credor tem de se apresentar no domicílio do devedor a pedir o cumprimento da obrigação no termo do prazo. caberá ao credor.º 716/8 e. contraprestação do próprio credor ou facto atinente aos termos do cumprimento. esta pode logo executar-se. sendo o caso.º 779º CC.º 715º/6: se apenas uma das partes da obrigação for exigível. nos termos do art.º 777º/2 CC.º 715º. ou seja. A exigibilidade pode resultar de modo imediato.º 780º CC. pelo tribunal – art. Ana Rita Rodrigues Uma obrigação é exigível quando.º 805º/1 a) CC = regra: a obrigação não está vencia enquanto o prazo não tiver decorrido. Requer-se a execução imediata da parte exigível. mas já ser exigível – caso das obrigações puras. Não pode esta obrigação estar dependente de contraprestação nem pode o devedor estar em mora.º 772º/1 e 813º in fine CC. Daí que não seja admissível uma execução in futurum (antes do vencimento de uma obrigação com prazo).

Temos três momentos:  Momento 1 – elaboração do título: 24 . vencer-se-á também com a citação do executado. Ana Rita Rodrigues Se do título se inferir que a obrigação ainda não está vencida. por isso luar a um despacho liminar onde ser feita a apreciação da pretensão da prova. Nestes casos a demonstração da prévia interpelação segue o regime o art.º 610º/2 b) Nestas obrigações. Cabe ao juiz apreciar os factos expostos.º 715º Referente à exequibilidade intrínseca.º 805º/1 CC. Obrigações puras Art. Aqui o exequente tem a vantagem de poder provar a citação prévia à execução no caso de querer alegar que a mora já se iniciou e. havendo. se estivermos perante uma condenação in futurum.º 715º/2. ter direito aos juros moratórios desde esse momento. Obrigações condicionais Art. ou seja. Regime do art. cumulativamente com a oposição à execução. no entanto o juiz pode decidir ouvir o executado.º 724º/1 h). Nestas situações será sempre seguido o processo ordinário. se a sua audição. Contudo aplica-se analogicamente o art. Nestes casos o exequente tem de proceder segundo este regime. conhecer sumariamente da prova e decidir da ocorrência do facto alegado pelo exequente. não temos nenhum regime específico. Geralmente estas diligências têm lugar antes da citação do devedor. até à data da citação não existe mora do devedor. Caso ainda não esteja vencida.º 715º. O exequente tem de demonstrar o facto externo da exigibilidade da obrigação. pelo que o direito aos juros moratórios apenas se conta desde a data da citação – a citação do executado vale como interpelação para o cumprimento – art. tendo de se provar que a suposta obrigação vincenda já se encontra vencida. tendo de fazer a exposição dos factos no requerimento executivo – art. sendo que neste caso será citado para contestar a verificação da condição ou prestação. deste modo.º 715º: aplica-se este regime quando a prestação da obrigação está dependente de condição suspensiva ou de uma contraprestação simultânea. Estes casos incluem-se no regime do 550º/3 a) que excepciona o 550º/2.

 Momento 2 – ocorrência de factos relevante para a obrigação exequenda: Este é o momento em que a obrigação se torna certa e exigível. Não é necessário apresentar prova complementar de factos ocorridos no momento 2 se estes forem factos notórios ou de conhecimento oficioso. mediante junção no requerimento executivo.º 715º/2 e 3.: verificação da condição suspensiva. Restantes meios de prova – examinados pelo juiz: art. o exequente deve. Ana Rita Rodrigues O título executivo pode ser judicial ou extrajudicial. sendo que estes factos que a tornam certa e exigível não têm de se provar documentalmente. cobrança frustrada no domicílio do devedor.º 715º/2. Ex. concentração e obrigações genéricas. É facto notório o vencimento de uma obrigação pois o decurso do prazo é uma condição obrigatória e o prazo é de conhecimento oficioso. Aplicável aos casos em que neste momento de elaboração do título a obrigação ainda não é certa nem exigível. Aqui os factos relevantes ocorrem ANTES da propositura da acção! Aqui o título é constituído por um único documento!! Bem como são admitidos todos os meios de prova – art. Aqui JÁ HÁ TÍTULO EXECUTIVO pois já está constituída a obrigação exequenda. 25 . realização da prestação devida pelo exequente num contrato sinalagmático. Este refere-se a obrigações condicionais e a obrigações inseridas numa estrutura sinalagmática. sendo admissível a prova testemunhal – art. Aplica-se analogicamente a todos os casos em que se verifiquem factos relevantes para a certeza e exigibilidade da obrigação exequenda no período que intermedeia a formação do título e a propositura da acção (momento 2).º 715º/2. Quando não possam ser provados por documento cabe ao juiz verificar se existe exequibilidade intrínseca.  Momento 3 – propositura da acção executiva/ prova dos factos relevantes: Quando sejam provados documentalmente estes factos constitutivos da exequibilidade intrínseca. escolha extrajudicial da obrigação. havendo lugar a despacho liminar. Esta produção de prova extradocumental pode ser contestada em sede de oposição à execução.º 715º/3. Apenas não há exequibilidade intrínseca. Prova documental – examinada pelo agente de execução: art. neste momento apresentar tais documentos ao agente de execução.

Nestas verifica-se uma indeterminação qualitativa.º 548º CC Art. Na execução esta operação de individualização é levada a cabo pelo agente de execução – art. Na falta de escolha – art.º 714º/1: se a escolha couber ao devedor e não houver prazo convencionado para a escolha ou.º 714º.º 550º/3 a) No art. Obrigações genéricas de quantidade: aqui a indeterminação respeita ao exemplar concreto. por isso. exercer a faculdade alternativa. ao mesmo tempo é notificado para.art.º 714º/3 in fine + art. Se a escolha couber ao credor. no prazo da oposição à execução. sendo.º 539º e ss) e as obrigações alterativas (arts. Neste caso vale o regime do art. 26 .º 714º os factos ocorrem depois da propositura da acção. será o devedor citado para a execução pelo agente de execução para se opor à execução e.º 714º/2: caso a escolha pertença a um terceiro.º 724º/1 h) 2ª parte. Caso não escolha sujeita-se à execução da obrigação principal. então o processo seguirá sempre a forma ordinária pela excepção ao 550º/2 do art.º 543º e ss). declarar por qual das prestações opta. por isso necessário um acto de especificação da qualidade da prestação. deve este ser citado para escolher. no mesmo prazo da oposição. existindo ainda não tenha transcorrido. ele deverá escolher a prestação quando instaura a acção executiva pois instaura-a de acordo com a sua escolha. Art. Falta concentrar a obrigação num objecto concreto. Ana Rita Rodrigues Certeza Levantando problemas de certeza temos em especial as obrigações genéricas de escolha (arts.º 408º/2 CC. Obrigação com faculdade alternativa pelo devedor: o credor deve promover a execução do direito à obrigação primária. de molde a permitir a inerente transmissão do direito de propriedade – art.º 861º/2. temos de recorrer ao 714º. cabendo ao executado. Se a escolha da prestação não ocorreu antes da propositura da acção e..

Ana Rita Rodrigues Liquidez O acertamento da obrigação cujo objecto não esteja quantificado em face do título é um dos pressupostos a execução – art. por isso necessária a liquidação antecipada. A operação de liquidação deve ocorrer antes da execução por força do art. não sendo. o excesso apenas pode ser sancionado com a improcedência do pedido.arts. Art. Temos três hipóteses de liquidação:  Liquidação antecipada – feita antes de ser instaurada a acção executiva.º 704º/6 (sentença de condenação genérica). havendo absolvição total ou parcial do pedido. Posto isto. Caso mais importante: art. Cheque: art. Art. ou seja. A mora ocorre segundo o art. em face do título e dos documentos complementares ou taxas legais de juros nos casos do art. dentro dos limites fixados pelo título.º 806º/1 CC. Se o pedido de liquidação não estiver contido dentro dos limites do título. Trata-se de uma obrigação cuja quantidade ainda não está determinada.º 716º/3. a partir do momento em que o devedor entra em mora – ter em atenção neste caso se é uma obrigação com prazo ou uma obrigação pura. a liquidação só ocorre após a apreensão dos bens. excepto nestes três casos: a) Juros vincendos – neste caso a liquidação é feita a final (art.º 703º/2. Qualquer obrigação tem de ser liquidada.º 716º/2) pelo agente de execução. pelo agente de execução. Os juros de mora vencem-se conforme o art.º 716º/7 – caso a liquidez resulte de esta ter por objecto uma universalidade e o autor não a puder concretizar. b) Sanção pecuniária compulsória – só será liquidada mensalmente e no momento da cessação da sua aplicação.º 10º/1.º 805º CC.º 48º/2 e 49º LULL. Constitui a regra geral.º 735º/3.º 806º/2 CC – taxa de juro aplicável: 4% para juros civis – Portaria 291/2003.º 45º/2 LUC. não podendo ser um modo de extensa do âmbito do título. notificando o executado da liquidação: art.  Liquidação liminar – possível no caso do 704º/6 quando a liquidação dependa de simples cálculo aritmético.º 804º/2 CC. Nestes casos só há título após a liquidação. 27 . Só poderia ser assim porque no decorrer da execução e até que o exequente seja pago a obrigação continua a vencer juros. Letras e livranças: 6% . c) Art. está claro que o exequente não pode formular um pedido ilíquido sem proceder à sua respectiva liquidação.

por não estarem abrangidos pela segurança do título executivo. Art. Regime aplicável – art. Este valor pode ser impugnado em sede de oposição à execução. Art. Apenas não se podem alterar os factos provados na sentença genérica. tendo o exequente de deduzir o incidente de liquidação do pedido antes de começar a discussão da causa – art. não são notórios nem de conhecimento oficioso.º 724º/1 h) Constituída por uma especificação dos valores que o exequente considera compreendidos na prestação devida. Deve ser feita pelo exequente no requerimento – art. Daí que careçam de um acertamento judicial que terá lugar num incidente de liquidação (procedimento declarativo).º 716º/4: executado é chamado para contestar a liquidação – trata-se de um incidente de liquidação nos termos do art. São admitidos todos os meios de prova pois estamos em processo declarativo. Liquidação por simples cálculo aritmético Assenta em factos abrangido pela segurança do título ou em factos que podem ser oficiosamente conhecidos pelo tribunal e agente de execução.º 716º/1.º 358º/1. São os factos notórios ou de conhecimento oficioso – art. Por não estarem em causa factos notórios e de conhecimento oficioso há que haver possibilidade de contraditório.º 716º/8: quando só é liquidada uma parte da obrigação. O credor tem o ónus de indicar o valor que lhe parece adequado e o devedor tem o ónus de contestar quer os factos quer o valor concluído. Deve concluir o requerimento com o pedido liquido – art. Liquidação não dependente de simples cálculo aritmético Assenta e factos que.º 729º e) Art.º 716º/5. Qualquer título pode ser alvo deste tipo de liquidação.º 5º/2 e 412º. Ana Rita Rodrigues Art. 28 .º 716º/2: feitas pelo agente de execução no final da execução nos casos supra mencionados.º 360º.  Liquidação diferida – art.º 556º/1: permite a dedução de pedidos genéricos.

o valor desta indemnização rege-se pelo art. renovando-se a instância declarativa entretanto extinta – art. salvo nos temos restritos do art.º 358º/2. vence juros d mora por efeito do disposto no art. Se contestar ou houver revelia operante – art.º 359º/1 – depois de proferida a sentença. Se o réu não contestar a liquidação.º 729º. então o momento é o do encerramento da discussão no próprio incidente de liquidação na acção executiva. Executando-se a sentença condenatória genérica esta integra no âmbito objectivo do caso julgado a ulterior concretização operada pela decisão do incidente de liquidação de sentença. como se trata de acção declarativa comum cai-se no regime da revelia – art. O objecto da prova está limitado à preclusão pois é vedado ao exequente fazer aqui prova sobre factos cuja veracidade não conseguiu provar na acção declarativa ou matéria que não alegou nesta última.º 293º/3. a decisão não poderá ser impugnada. Se a liquidação já ocorrer na execução da sentença. precludido ou uma vez que seja exercido o momento de defesa. mesmo antes da liquidação.º 566º/2 CC.º 360º/3. A decisão do incidente tem valor de caso julgado e. STJ veio interpretar restritivamente este preceito e entendeu que sempre que se trate de indemnização pecuniária por facto ilícito que tenha sido objecto de cálculo actualizado nos termos do 566º/2 CC. Ana Rita Rodrigues Liquidação de uma sentença genérica Neste caso o incidente de liquidação deve ser deduzido pelo autor em requerimento – art. o réu devedor fica em mora desde a data da liquidação – art. vale o regime do art. O réu é citado para contestar – art.º 611/1. A data mais recente a ser atendida é a data do encerramento da discussão em causa – art.º 805º/3 e 806º/1 CC. Este pedido não pode ultrapassar os limites do julgado na sentença a liquidar. Se estivermos perante a liquidação de uma indemnização em dinheiro. tenha sido objecto de liquidação. dita a 2ª parte que o devedor se constitui em mora desde a citação para a acção declarativa. 29 .º 293º/2. Liquidada a sentença. Contudo se se tratar de responsabilidade por facto ilícito.º 557º/1. ou seja.º 805º/3 1ª parte CC. a partir da decisão incidental e não da citação. ou seja.

º 716º/4 e 728/1. sendo a revelia inoperante. Depois o executado é citado pelo agente de execução para contestar a liquidação do exequente em oposição à execução – arts. Contudo. vale um efeito cominatório pleno pelo que a obrigação se considera fixada segundo os termos a liquidação feita pelo exequente no requerimento. Neste a decisão do incidente concretiza o objecto do título não judicial. LF = Este caso julgado obsta a que em nova execução fundada nesse mesmo título se volte a discutir a liquidação da mesma obrigação.º 726º4 – ou despacho superveniente no caso do art. Se contestar a liquidação ou. salvo nos casos de revelia inoperante – art. Ana Rita Rodrigues Liquidação em título diverso da sentença Rege o art.º 568º. Negado que seja o título ou. Com este fundamento pode implicar suspensão da execução – art. não sendo oponível o que se decidiu.º 716º/4 manda aplicar o art. o art. A iliquidez pode constituir fundamento de oposição à execução – art. O tribunal que conheça a iliquidez de um pedido deve proferir despacho liminar de aperfeiçoamento do requerimento – art. sendo apresentado outro título.º 729º e). esta não é uma decisão final pois vale suportada no e para o título. no entanto.º 733º/1 c). Consequências da iliquidez A dedução de pedido ilíquido é de conhecimento oficioso e é sanável. Se o executado não contestar a liquidação.º 716º/2 que dita que a liquidação deve ser deduzida no requerimento nos mesmos termos que é deduzida a liquidação por simples cálculo. A decisão apenas vale como caso julgado relativo à eficácia daquele título em específico que se liquidou. A verificação desta fixação é do juiz em sede de despacho liminar.º 360º/3 e 4.º 734º. caducará o respectivo valor. O executado tem o ónus de cumular a contestação da liquidação com a oposição à execução. 30 . Na falta de correção o requerimento deve ser indeferido. o valor liquidado pode voltar a ser discutido se a execução dessa obrigação for fundada noutro título.

º 358º a 360º. uma sentença de condenação genérica não constitui título executivo.º 716º/5.º 293º/2 (10 dias). Art. Aqui a liquidação é feita na acção executiva pois já existe título. Falta de contestação/revelia operante – arts. Falha a exequibilidade intrínseca do título. O autor apresenta um requerimento no indica os valores que julga compreendidos no seu crédito – art. Contestação do executado/revelia inoperante – art.º 704º/6. ou seja. Ana Rita Rodrigues Art. Art.º 703º/2 – factos notórios e de conhecimento oficioso.º 293º/3 e 567/1 (efeito cominatório pleno). Prazo de oposição – art. Apenas falta exequibilidade intrínseca.º 716º/4 – a liquidação ocorre na acção executiva pois já existe título executivo.  Títulos extrajudiciais: o Depende de simples cálculo  a liquidez é pressuposto de exequibilidade intrínseca pois complementa o título executivo. correndo junto do juiz de execução. Base legal: art.º 704º/6 – a sentença só constitui título executivo se for liquidada no processo declarativo.º 360º/3. Tem de se abrir um incidente de liquidação na acção declarativa – arts. 556.º 703º/2 – factos notórios e de conhecimento oficioso. 609º/2 e arts. 31 .º 716º/1.º 565º e 569º CC. Pode tornar-se num incidente de liquidação na acção executiva. Em síntese:  Título judicial: o Depende de simples cálculo  a liquidez é pressuposto de exequibilidade intrínseca pois vem completar o título executivo – arts.º 360º/3 e 4. ainda no processo declarativo. Dá-se a liquidação na acção executiva pois já existe título. A liquidação deve ser feita antes da propositura do processo executivo.º 716º/1. Art.º 358º/2. 2 e 3 Art. o Não depende de simples cálculo  continua a ser pressuposto de exequibilidade intrínseca pois complementa o título. Ou seja. o Não depende de simples cálculo  a liquidez é pressuposto de exequibilidade extrínseca pois ainda no há título (sentença de condenação genérica) Sentenças: arts. 2 e 3. Contestação/revelia inoperante – art. Dá-se a renovação da instancia – art.º 359º. já há exequibilidade extrínseca.

Prazo para contestar – 20 dias em oposição à execução (arts. é possível conhecer-se da falta de qualquer pressuposto processual.º 726º/2: possibilidade de indeferimento liminar com base nos pressupostos em falta.º 716º/5 e 360º/3 e 4).º 716º/4. indicando os valores que julga compreendidos no seu crédito – art. Competência nacional Competência em razão da jurisdição: Esta competência determina-se por um duplo critério: 32 . Nenhuma media decretada no estrageiro pode ser reconhecida e executada em Portugal. Art.º 716º/4. Segundo este princípio. o tribunal do foro de um estado só tem competência para as medidas a realizar no território desse mesmo estado. Os nossos tribunais não têm competência internacional para execuções sobre os bens que não se situem em território português. Pressupostos processuais Os pressupostos processuais condicionam a admissibilidade da realização coactiva da prestação.º 734º: até ao despacho que ordene a venda dos bens penhorados. Contestação e revelia inoperante – processo comum declarativo (arts.º 716º/1. Art. O factor de conexão relevante para a aferição da competência executiva internacional dos tribunais portugueses não pode deixar de ser a circunstancia de as medidas necessárias à realização coactiva da prestação poderem ocorrer em território português. 728º/1 e 856º/1. Ana Rita Rodrigues O exequente apresenta requerimento. Falta de contestação e revelia operante – efeito cominatório pleno – art. Do tribunal Competência Competência internacional O princípio da territorialidade da execução condiciona esta competência.

211º e 212º CRP.º 111º/2. Ou Trata-se de uma execução por multas.Critério da atribuição positiva: cabem na competência dos tribunais judiciais todas as acções executivas baseadas na não realização de uma prestação devida segundo as normas do direito privado. São casos de competência especializada os arts.º 85º a 88º e 90º. 112º/1 e 2. 126º/1 m) e 128º/3 LOSJ.º 85º a 90º CPC Aqui cabe distinguir consoante o título em causa:  Títulos judiciais (incluem-se as sentenças homologatórias): arts.º 33º e 42º LOSJ. .º 64º CPC. Competência em razão do território: arts. 40º/1 LOSJ. 3 e 4 + 710º + 89º/5.º 129º/2 LOSJ. Competência em razão da hierarquia: Apenas os tribunais de 1ª instancia têm competência para a acção executiva.º 129º/2 LOSJ) ou o tribunal que proferiu a decisão de condenação em multas. 113º/2.º 131º LOSJ) 33 . Competência em razão da matéria: Cabe ver se: A acção executiva deve correr perante um tribunal de competência especializada? – art. custas ou indenizações (art. Arts.º 89º Em caso de cumulação de pedidos e coligação: arts.º 131º LOSJ e 87º. Sim  a competência será do tribunal de competência especializada (art. Ana Rita Rodrigues .  Titulo extrajudicial (incluem-se as injunções): art.º 709º/2. custas ou indemnizações previstas na lei processual? – arts.º 85º/1 e 86º CPC + arts.Critério de competência residual: os tribunais judiciais são competentes para as acções executivas que não caibam no âmbito da competência atribuição tribunais de outra ordem jurisdicional. Arts.

Ana Rita Rodrigues Não  ver se existem secções especializadas de execução na comarca em causa (arts. Pode ser arguida pelas partes.º 97º/1. Capacidade: arts. Superior a 50.º 66º a 102º ROFTJ. Só pode ser arguida e conhecida até ao despacho saneador ou.º 11 e seguintes.º 129º/1 e 3 e 81º/3 ) LOSJ) Existem? Sim  é esta secção de execução que tem competência para a acção executiva.º 104º. Gera remessa para o tribunal competente nos termos do art. a incompetência absoluta aglutina a relativa e o vício “final” será a incompetência absoluta. Consoante a forma do processo: 34 .º 96º.º 99º/1 É insanável – art.000€ = competente o juízo local cível – arts.º 117º/1 b) LOSJ. Quando entrem em confronto numa mesma situação os dois tipos de incompetências.º 105º/3. Gera absolvição do executado da instancia – art.º 726º  Incompetência relativa – art.º 97º/2. Inferior a 50. Das partes Personalidade e capacidade judiciárias Personalidade: arts. Deve se arguida nos termos do art.000€ = competente o juízo central cível – art.º 15º e seguintes. Incompetências do tribunal  Incompetência absoluta – art. quando este não ocorra até ao início da audiência final – art. o vício mais gravoso aglutina o menos gravoso. Vemos se há secção pelos arts.º 81º/1 e 3 a) e b) e 130º/2 c) LOSJ. ou seja.º 102º. mas apesar disso deve ser conhecida oficiosamente pelo tribunal – art. Não  vamos ver qual é o valor da causa.º 103º ou pode ser conhecida oficiosamente nos termos do art.

Forma sumária: aqui caberá ao agente de execução. caso suspeite de alguma coisa. É o que acontece quando estamos perante um título ao portador. Terá legitimidade quem figure no título como devedor e como credor.º 855º/2 b)) Havendo despacho liminar o juiz deve indeferir liminarmente o requerimento se a falta de personalidade não for suprível ao abrigo do art. suscitar a intervenção do juiz (art.º 14º. Nestes casos o credor não consta directamente do título. Art.º 726º) . Nos restantes casos deve ser proferido despacho de convite à sanação. haverá lugar a despacho liminar onde o juiz deverá avaliar a questão (art.º 734º: possibilidade do juiz. Esta literalidade autoriza algumas situações excepcionais de indeterminação do credor em face do título. Art. A falta de personalidade e capacidade configura excepções dilatórias que podem servir de fundamento à oposição à execução – art.Forma ordinária: caso haja falta de capacidade ou personalidade. No caso do contrato a favor de terceiro.º 726º/4. desde que ainda não tenha pronunciado em termos concretos sobre determinado vicio. TS: legitimidade aberta.º 729º c). mas será determinado posteriormente nos termos contratados.º 53º: apela à literalidade do título executivo. sendo que esta determinação deve ser alegada e demonstrada no requerimento executivo. Também ocorre no contrato a favor de terceiro (443º/1 CC) e no contrato para pessoa a nomear (352º/1 CC). esse terceiro não tem legitimidade pelo art. Se o vício não for sanado o juiz deverá proferir despacho de indeferimento liminar. depois do momento inicial e. em que a acção deverá ser promovida pelo portador do título – art. Podemos antes aplicar analogicamente o 54/1 e provar que houve sucessão no direito de receber a coisa. 35 . Ana Rita Rodrigues . possa conhecer oficiosamente destas questões de falta de personalidade e capacidade. se a clausula a favor de terceiro for acordada verbalmente.º 53º/1. Legitimidade processual Legitimidade singular Credor e devedor originários Art. 27º e 28º ou 29º.º 53/2.

Ana Rita Rodrigues Devedores subsidiários Fiança: aqui o devedor garante.º 356º). Aval: pelo art.º 54º/1 – esta sucessão na obrigação pode ser mortis causa ou pode ocorrer por acto inter vivos nos termos do 577º CC e 595º CC. Se ninguém aceitar a herança não há legitimidade nem activa nem passiva. ainda que esta já não possa ser objecto de execução singular. terá de ser o contrato de fiança – art. Forma da fiança – art. mas anterior à proposição do requerimento executivo. Na fiança civil é permitido ao fiador recorrer ao benefício da excussão prévia – art. desde que não seja um vício de forma.º 634º CC). mantendo-se enquanto não se extinguir a obrigação do devedor principal. Sendo sua obrigação de pagamento perante o credor uma obrigação acessória.º 703º/ b). A assinatura é materialmente autónoma. com o seu património o pagamento da dívida alheia – art. mantendo-se ainda que seja nula a obrigação garantida. A ilegitimidade singular por falta desta sucessão pode ser alegada em oposição à execução – art. não gozando o avalista de beneficio da excussão previa – art.º 32º/1 LULL o dador do aval é responsável da mesma maneira que o afiançado. Se o facto ocorrer na pendencia da acção executiva. O 54º/1 reportar-se ao momento e que a pessoa morre ou em que ocorre o acto inter vivos.º 628º/1 CC. 3º momento: momento da propositura da acção.º 627º/1 CC.º 729º c). sendo que a obrigação se constitui formalmente pelo acto de assinatura do dador do aval.º 351º e ss) ou de adquirente ou cessionário (art. 36 .º 638º CC.º 638º e 640º a) CC) da integralidade da dívida (art. Contudo o fiador pode posicionar-se como devedor principal e solidário (arts.º 47º/1 e 2 LULL. é o momento em que ocorre o facto que origina a sucessão. Sucessores singulares e universais Art. ou seja. Implica três momentos: 1º momento: momento da formação do título. no caso de se querer demandar o fiador.º 703º/1 c). Aqui o título executivo serão título de crédito – art. Título executivo. Regra geral. o exequente deverá promover o incidente de habilitação de herdeiro (arts. 2º momento: fase da sucessão. o facto sucessório será posterior à formação do título.

O devedor permanece com o direito. Embora sejam sujeitos ao caso julgado. pelos arts. Terceiros abrangidos por sentença Art.º 635º/2.º 53º/1.º 531º e 538º/2 os co-credores solidários de obrigação indivisível podem beneficiar da sentença.º 55º: regra de legitimação passiva por extensão subjectiva imperativa do caso julgado. Ana Rita Rodrigues A transmissão pode ocorrer já depois dos bens estarem penhorados. o que é oponível é a indiscutibilidade do dever de prestar do réu também perante os demais credores. Assim sendo. contudo não terão legitimidade activa pelo art.º 55º por este só se referir ao lado passivo do direito à prestação.º 55º não é uma norma excepcional.º 55º. estando abrangido pela legitimidade do art. Do lado passivo.º 552º e 635º/1 CC. mas a apenas a indiscutibilidade do dever de prestar do réu. Do lado activo.º 263º/3. na medida do que for comum ao terceiro credor. RP entende que o princípio da extensão do caso julgado eventual é-o também quanto à força executória. eles não foram condenados. não estão sujeitos à exequibilidade do comando condenatório pois nestes casos só beneficiam da sentença se assim o quiserem. Apenas abrange a situação do art. nos termos do arts. por estarem sujeitos ao caso julgado da parte principal (art. O mesmo vale para o devedor principal não presente na causa que condenou o fiador – art. não 37 . TS é contra esta posição pois entende que o art. Quando o 531º CC vem autorizar que possa ser oposto ao devedor ou o 538º/2 refere que o caso julgado favorável a um dos credores aproveita aos outros. Se a sentença vincula um terceiro chamado à causa para parte principal nos termos do 316º este nunca será um terceiro porque foi citado para parte principal. Não se aplica por analogia dada a excepcionalidade do art. tanto o co-devedor solidário como o fiador não presentes em causa em que foi condenado o co-devedor ou o devedor principal. sendo antes uma expressão de um princípio geral. Os intervenientes como partes acessórias. LF: se estiver em causa a sua legitimidade passiva para efeitos do72º esta está excluída pois eles são meros auxiliares da parte principal. pis a condenação não acarreta o reconhecimento do direito aos outros contitulares.º 323º/4 e 332º) têm legitimidade pelo 53º/1. Contudo. o contraditório dita que esta extensão seja restrita. a extensão o caso julgado aos credores solidários não demandantes ou aos credores demandantes de uma prestação indivisível implica o reconhecimento da legitimidade executiva a estes credores.

É possível ao credor prescindir da garantia se assim o entender. o caso julgado entre credor e devedor não é oponível ao terceiro garante.º 53º. 54º/1 ou 55º CPC. de invocar fundamentos de oposição pessoais ao credor terceiro que não fora parte do processo.º 54º/2 e 3. Terceiros à dívida – bens de terceiro vinculados a garantia do crédito O crédito do exequente pode estar garantido por hipoteca ou outra garantia real sobre bens de terceiro à dívida. O não usar a garantia pode ocorrer: o Tacitamente: nem o credor nem o agente de execução indicam o bem onerado à penhora. o Expressamente: mediante declaração expressa por parte do credor de não exercício da garantia que é feita em declaração para os autos ou. pois tem de se atender à disponibilidade substantiva da garantia real. O título é uma sentença = o terceiro garante deverá também nela ter sido condenado pois por força da 635º/1 1ª parte (consignação de rendimentos ex vi 657º/2. Uma válida renúncia ou é feita extrajudicialmente (antes da execução). Os credores solidários ou de prestação indivisível não demandantes têm legitimidade executiva por força de um princípio que implica a interpretação extensiva do art. legitimado pelos arts. caso este houvesse sido parte. Admite-se pelos arts. A execução por dívida provida de garantia real sobre bens de terceiro conhece as regras do art. ou será feita no acto processual do próprio requerimento executivo apenas quando a formal legal o consinta. ao mesmo tempo o devedor terá. Ana Rita Rodrigues precludido.º 55º. O 54/2 e 3 só se aplica aos casos de garantias reais. O terceiro garante pode ser quem prestou a garantia inicialmente ou quem tenha adquirido posteriormente a coisa onerada. contudo o garante não será devedor principal mas unicamente garante do cumprimento da obrigação. salvo se os bens lhe forem transmitidos pelo devedor já onerados. Vias possíveis de actuação do credor condicionadas pela natureza disponível das garantias reais e pelo 697º a contrario CC:  Se o exequente não pretender fazer valer a garantia colocará a acção contra o devedor.º 735º/2 CPC. A não invocação da garantia real não se confunde com a renúncia ou extinção unilateral e voluntária da garantia pois esta só pode ter lugar segundo os modos previstos na lei civil para a renúncia a direito real.º 729º g) a possibilidade de invocar excepções perentórias que apenas ele teria legitimidade para invocar perante o credor. Se não tiver sido condenado. em sede do art.º 686º/1 e 818º 1ª parte CC articulados com o art. mesmo. Mas. 38 . penhor ex vi 667º/2 e hipoteca ex vi 717º/2). antes da execução.

cabe ao credor a escolha de acionar somente o terceiro. Querendo.º 54º/1 e 44º CPC. o que só pode ocorrer após a distribuição do produto da venda. Aquilo que não é possível é demandar apenas o devedor e.º 735º/2 quando permite a penhora de bens de terceiros. pode o exequente requerer.º 54º/2 1ª parte CC. que será demandado para a completa satisfação do crédito exequendo – art.º 54º/2 2ª parte.  O exequente faz valer a garantia (indicando o bem sem declarações de restrições quanto à garantia. Não pode permanecer extinta em face de um e não extinta em face do outro. a obrigação exequenda é a mesma. 39 . no mesmo processo. A legitimidade do terceiro justifica-se pelo art. Como o devedor não tem direito a que a penhora incida sobre os bens alheios (697º a contrario CC). Deve entender-se que o devedor que queira pagar voluntariamente deverá poder fazê-lo – art. Caso se reconheça a insuficiência dos bens onerados com a garantia real. mas não a retira ao devedor. o exequente poderá accionar em litisconsórcio voluntário o terceiro garante e o devedor desde início – art. Ana Rita Rodrigues Havendo renúncia. Embora haja uma diferente posição dos executados perante a dívida (um é devedor – deve cumprir – e o outro é garante real – deve responder pelo incumprimento). O exequente também pode demandar unicamente o terceiro sem sequer demandar o devedor – art. Tal geraria ilegalidade subjectiva da penhora que seria impugnável em embargos de terceiro e em acção de reivindicação. Terceiros à dívida – bens de devedor onerados por direito de gozo de terceiro Estamos no quadro da execução por dívida provida de garantia real sobre bens do devedor pelo que importa separar entre os bens onerados com direito de terceiro e os bens que não têm esse encargo.º 846º/1. seja aceitando que o agente individualize o bem de modo irrestrito).º 53º. Isto permite que a dívida se extinga sem que o devedor chegue a ir ao processo. O 54º/2 dá legitimidade ao terceiro. ou de acionar o terceiro e o devedor em coligação inicial ou superveniente. apenas tem legitimidade o devedor. Trata-se de uma intervenção principal compondo um litisconsórcio superveniente. o prosseguimento da acção executiva contra o devedor. No caso do bem com garantia real em que não incide direito de terceiro. apenas o devedor conserva legitimidade passiva – art. O 54º/2 é uma norma de legitimação passiva do terceiro e não uma previsão de litisconsórcio necessário desse terceiro com o devedor.º 54º/3. ao mesmo tempo executar a garantia. sem prejuízo dos arts.

Ficará como depositário se for a sua casa de habitação efectiva – art. .º 54º/4. a penhora e a venda para serem subjectivamente válidas. logo será um direito nos termos de um direito real de gozo. para efeitos do 351º/1. o terceiro possuidor terá ao seu dispor a oposição à penhora e a oposição à execução. Se o terceiro não for citado ao abrigo do 54º/4. Deste modo. deverá executar ab initio o terceiro ao abrigo da legitimação dada pelo art.º 54º/4 CPC.A lei não distingue.º 697º CC e art. . O 54º/4 é um caso de litisconsórcio voluntário conveniente uma vez que o fundamento material para a presença do devedor e para a presença do terceiro não é o mesmo. Uma vez citado como executado.º 752º/1 CPC. O art.RP: a chave é o conceito de “direito incompatível” para efeitos do art. deve considerar-se o art. se fosse caso disso. O devedor executado tem direito a que a penhora se inicie pelos bens sobre que incida a garantia e só depois pode cair nos outros quando se reconheça a insuficiência deles para conseguir o fim da execução – art. Se sobre o bem com garantia real incidir um direito de terceiro. um usufrutuário tanto pode ser citado pelo 56º/2 quando o objecto da garantia seja o usufruto.º 756º/1 a). mas está onerado por direito menor de terceiro que confere a posse a esse terceiro. por ser posterior à garantia do exequente. Os possuidores com direitos não oponíveis não obteriam vencimento na oposição à penhora. aquela caducidade tem como condição processual o terceiro ter sido citado para a execução nesta sede do art.: propriedade) e haja o usufruto a onerá-lo. como pode ser citado pelo 54º/2 quando o objecto da garantia seja um direito maior (ex.º 351º/1 (embargos de terceiro). Trata-se de um critério de legitimidade passiva plural. Se o terceiro possuidor tiver uma posse incompatível (substantivamente oponível) com a eminente ou já consumada penhora. Se o credor quiser realizar a sua garantia real na integra. mas que deva caducar com a venda executiva (824º/2 CC). Qual pode ser esse direito menor na titularidade do terceiro que confira a posse? . ou seja.TS: os possuidores (os que obteriam vencimento em embargos de terceiro) obteriam agora ganho na oposição à penhora.º 54º/4 assegura a legalidade da extensão objectiva da penhora. 40 . abrangendo a propriedade de raiz e incorporando o usufruto ou qualquer outro direito real onerador posterior à garantia. Abrange todos os direitos que consintam a posse. apenas poderão abranger a propriedade de raiz.º 54º/4. Aqui o direito a penhorar é da titularidade do devedor. Ana Rita Rodrigues Se o bem estiver na posse de terceiro aplica-se o 54º/4.

Neste caso o chamamento do devedor pressupõe a insuficiência do bem onerado com a garantia para pagar a dívida. ou seja. sendo que ambos devem constar do título apresentado. Forma sumária cabe-lhe suscitar a intervenção do juiz nos termos do 855º/2 b). estamos perante um litisconsórcio voluntário inicial.º 54º/2 in fine e 54/4. São demandados ao mesmo tempo.º 54º/3. Por ser uma garantia real o terceiro não pode invocar o benefício da excussão prévia. Se o vício não for sanado o juiz deverá proferir despacho de indeferimento liminar. Aqui a penhora não tem de começar pelo bem onerado com a garantia real. Art. Havendo despacho liminar o juiz deve indeferir liminarmente o requerimento se a falta de personalidade não for suprível ao abrigo do art. Os arts. Litisconsórcio voluntário sucessivo. deverá absolver o executado da instância e extinguir a execução. O tribunal que conheça da ilegitimidade deve proferir um despacho de indeferimento liminar – 726º/2 b). Nos restantes casos deve ser proferido despacho de convite à sanação. 27º e 28º ou 29º. Para que seja possível o devedor e o terceiro devem constar do título executivo apresentado. Não é necessário titulo contra o terceiro possuidor dos bens onerados. Ana Rita Rodrigues Em síntese: O exequente pode propor a acção executiva contra:  Devedor + terceiro garante = art. ao abrigo do 734º. Forma ordinária: se suspeitar de excepções dilatórias.  Devedor (a título principal) e terceiro garante (a título subsidiário) = decorre das regras gerais sobre legitimidade na acção executiva. 41 . Se for conhecida mais tarde. Temos um litisconsórcio voluntário sucessivo.º 726º/4. sendo que ambos devem constar do título apresentado. Ilegitimidade processual É de conhecimento oficioso e não é sanável. Por ser uma garantia real o terceiro não pode invocar o benefício da excussão prévia. o agente de execução não tem de fazer nada pois haverá sempre intervenção do juiz (art.º 726º).  Terceiro garante e o devedor = art.º 14º.º 752º/1 e o 697º CC não têm aplicação. O facto de se demandar primeiro o devedor não constitui renúncia à garantia real.

exigidos a ambos ao mesmo tempo. Na execução de prestação pecuniária o risco de perda ou oneração de bens indisponíveis é maior.º 33º/1: o litisconsórcio é necessário na acção executiva quando a realização coactiva de um direito a uma prestação apenas por todos os credores ou contra todos os devedores pode ter lugar. implica que todos tenham de estar na acção. Aqui ambos são citados enquanto devedores. vontade das partes ou indivisibilidade material da própria prestação. Regulam a disponibilidade comum sobre bens. seja por lei. dado o objecto processual não ser dispositivo.º 1404º e 1405º/1 que impõe um litisconsórcio passivo. Ex. No plano obrigacional são exemplos os que estão nos arts.: o automóvel está numa garagem que pertence a duas pessoas.º 2091º/1. Litisconsórcio necessário natural: exige uma indivisibilidade da própria prestação. Este é dificilmente configurável na acção de execução para pagamento de quantia certa porque o objecto da prestação é divisível. em tribunal. atentos os limites subjectivos das medidas judiciais. Ana Rita Rodrigues A ilegitimidade constitui uma excepção dilatória que pode ser fundamento de oposição à execução pelo executado – 729º c) e ss.º 535º/1. Nos litígios reais temos os arts.º 1682º CC para os bens móveis e o 1682º-A para os bens imóveis. nem onerador de bens da respectiva prestação. no art.º 496º/2 e 500º/1. A prestação apenas pode ser materialmente realizada em face de todos os credores ou por todos os devedores o que. Em matéria sucessória temos o art. O 34º/1 e 3 3ª parte aplicam-se apenas à execução para entrega de coisa certa. no art.: A acorda com B e C que os 10. Ex. Legitimidade plural Litisconsórcio necessário Art. ou quando somente um é executado vale o regime dos arts.000€ que lhe mutua apenas poderá ser.º 740º e 786º/1 a) 2ª parte que 42 . Litisconsórcio necessário convencional: existe quando as partes convertem uma obrigação parciária ou uma obrigação solidária numa obrigação unitária.º 34º CPC. Litisconsórcio necessário legal Há várias normas substantivas que impõe a presença de credores e devedores na acção executiva. próprios ou comuns. Na execução para prestação de facto não se põe o problema de perda de direitos ou de bens. sob pena de ilegitimidade.º 608º. tendo por objecto os casos dos arts. Em matéria conjugal temos o art.

na acção declarativa na qual se deveria ter verificado o litisconsórcio necessário e esse não tiver sido respeitado? – isto no caso do título ser uma sentença. A não sanação conduz ao indeferimento liminar ou ao indeferimento sucessivo consoante os casos – art. O tribunal que a conheça deve proferir um despacho liminar ou superveniente de aperfeiçoamento – 734º. São situações de dívidas contraídas por ambos. Funciona aqui uma situação de preclusão pois o título preclude a possibilidade de qualquer outro participar no título. ou dívida sobre um bem que só pelos dois pode ser disposto. A sanação dá-se pela intervenção principal provocada pelo interessado faltoso – 316º/1. Litisconsórcio passivo entre cônjuges: ambos constam do título executivo. Contudo decorre do regime comum do 32º CPC que sendo a obrigação parciária cabe ao exequente optar entre exigir a prestação acompanhado e/ou contra todos os devedores ou não.º 33º/1 CPC. Ana Rita Rodrigues é protetor dos bens comuns. A natureza solidária (512º CC) ou parciária (512º a contrario e 533º CC) de uma obrigação plural não obriga a que todos os credores e/ou devedores estejam como partes na execução. constituindo uma excepção dilatória que pode ser fundamento à oposição à execução pelo executado ao abrigo do 729º c). Neste caso. Deste modo o exequente consegue reabrir a instância. Também pode valer o regime do 786º/1 a) 1ª parte que é destinado às indisponibilidades sobre bens próprios. 43 . É de conhecimento oficioso e é sanável. mantendo todos os benefícios temporais da sua prévia propositura. No regime do 261º o exequente pode sanar o vício ainda em 30 dias sobre o trânsito em julgado formal do despacho de indeferimento. eventualmente indisponíveis. Litisconsórcio activo: a acção tem de ser instaurada pelos dois? Se aplicarmos estritamente o 34º/1 sim. Preterição de litisconsórcio necessário A preterição de litisconsórcio necessário é causa de ilegitimidade – art. dívidas comunicáveis. Todos têm legitimidade em face do 53º CPC. contudo trata-se de integrar um bem no património conjugal pelo que não parece ser necessário que tenha de ser instaurada por ambos. se não estiveram todos os interessados não há nenhuma forma de se alargar o título a quem não esteve na acção declarativa. em sede de acção executiva.º 726º/5. O que acontece se. Litisconsórcio voluntário Não havendo litisconsórcio necessário importa distinguir consoante estejamos perante uma obrigação exequenda plural ou de situação real em contitularidade.

bastando que um dos credores e/ou devedores intervenha para assegurar a legitimidade. já que a eventual alegação do benefício da excussão prévia não respeita à legitimidade. assume uma posição aberta de admissibilidade de intervenção principal na execução. quanto não se esgotarem os seus bens. Basta a intervenção de um deles para se poder executar a totalidade da prestação. se não houver suprimento. No caso das obrigações solidárias (512º/1 CC). o executado provocar a intervenção de um seu condevedor solidário.º 726º/3. Falta de patrocínio = art. Litisconsórcio superveniente TS = depois de restringir a intervenção acessória aos apensos declarativos. Se houver um devedor principal e um devedor subsidiário. A demanda plural de execução de obrigações parciárias configura-se como sendo um litisconsórcio voluntário conveniente. Para tal há que atender ao valor da execução. não pode requerer a intervenção principal deste por falta de interesse processual. tanto em composição de litisconsórcio necessário. Art. Inversamente.º 48º 44 .º 745º CPC. Irregularidade do patrocínio: art. admite a intervenção principal espontânea. Se foi o executado quem não constitui advogado. o regime é igual salvo que os actos do executado ficam sem efeito. no prazo da oposição à execução. em algumas situações pode ser feito por advogado estagiário ou por solicitador.º 41º Se o exequente não constituir advogado. o tribunal. mesmo quando obrigatório. oficiosamente (726º/4 e 734º) ou a requerimento da parte contrária.º 58º Tem a particularidade de. Neste caso o credor pode optar por demandar entre um deles ou ambos. como por parte de litisconsorte voluntário. também o devedor principal não pode provocar a intervenção do fiador. O mesmo regime vale para a execução de obrigações indivisíveis com pluralidade de credores (538º/1 CC). Ana Rita Rodrigues Se o credor se apresentar sozinho ou deduzir pretensão apenas contra um dos devedores apenas pode executar a respectiva quota-parte. ambos estão legitimados pelo 53º/1. O fiador deve é invocar o benefício da excussão prévia como o permite o 747º. Patrocínio judiciário = art. fá-la-á notificar para constituir dentro do prazo. Já o fiador. constante do título executivo juntamente com o devedor. sob pena de excesso de pedido sobre o título e indeferimento parcial do requerimento – art. maxime. Admite a intervenção principal provocada para sanar a preterição de litisconsórcio necessário – 261º/1 CPC – e para fazer intervir um litisconsorte voluntário. sob pena do executado ser absolvido da instância. também vale o 32º/2. O Prof.

pretendendo que todos sejam contemporaneamente procedentes. Não é admitida a cumulação de execuções com fins diversos pelo que nunca poderia um pedido executivo esvaziar o efeito útil de outro pedido com ele cumulado.º 709º/1. O 709º/1 c) exige a compatibilidade processual quanto à forma de processo.º 709º/1 a).º 186º/2 c) e 555º/1. A compatibilidade quanto à competência absoluta é exigida no art. Por ausência de referência legal à cumulação alternativa e à cumulação subsidiária dos arts. pelo que elas não podem ter fins diferentes. quase judiciais ou extrajudiciais) constituem pressupostos à cumulação na acção executiva:  Compatibilidade processual: tanto quanto à competência absoluta.º 711º de cumulação sucessiva torna desnecessário qualquer regime de cumulação subsidiária. A admissão no art. São ressalvadas as situações do 37º/2 e 3. O 709º/1 b) exige uma identidade funcional entre as execuções. que nesse mesmo processo se promova execução de outro título. contudo uma mera alternativa processual. ao permitir. Decorre das regras gerais dos arts. como quanto à forma de processo. Não é possível coligação alternativa.º 709º/1 CPC e nos arts. O tribunal competente quanto aos critérios de competência relativa será determinado pelo 709º/2 a 4.º 553º e 554º apenas podemos ter uma coligação simples ou subsidiária. Regime especial de cumulação simples de execuções. Na cumulação de execuções fundadas em títulos diferentes (judiciais. em que coubesse a escolha ao tribunal. Ana Rita Rodrigues Ao objecto Cumulação de pedidos Na acção executiva o credor tem a faculdade de cumular execuções contra o mesmo devedor ou contra vários devedores litisconsortes – art. Coligação inicial: arts. Regem qualquer que seja o tipo de título cumulado. já seria ilegal.º 711º. Deve existir uma identidade abstracta entre os objectos das prestações realizadas coactivamente.º 186º/2 c) e 555º/1.  Compatibilidade substantiva: quanto aos seus efeitos. enquanto uma execução não for julgada extinta. O exequente pode deduzir no mesmo processo uma pluralidade de pedidos executivos contra o devedor ou vários devedores. Execução de títulos diferentes Os pressupostos estão enunciados no art. A alternatividade é admitida no plano do objecto pelas obrigações alternativas – 714º CPC.º 709º e 710º Coligação superveniente: art. 45 .

Ana Rita Rodrigues

Para além de que um pedido de execução para pagamento de quantia certa é
sempre compatível com outro da mesma finalidade.
A insuficiência do património para pagar mais do que uma dívida não é em si
uma incompatibilidade substantiva.

Situações de incompatibilidade substantiva entre execuções:
o Executar dois créditos de entrega de uma mesma coisa ou de coisas
diversas mas interdependentes
Ex.: entrega de um piano em comodato é incompatível com a entrega do
piano em propriedade (caso 1).
Entrega imediata de uma carrinha de mercadorias, comodatada, colide
com a obrigação de entrega de madeira cortada ao mesmo credor
usando a mesma carrinha.

o Executar um crédito de entrega incompatível com uma prestação de facto
Ex.: entrega de um piano dia 14 fevereiro em Lisboa é incompatível com
realizar um sarau com esse piano no Porto no mesmo dia e hora.

o Executar duas prestações de facto incompatíveis entre si
Ex.: prestação de realizar um sarau de violino no Porto é incompatível
com a prestação de tocar no mesmo dia e hora em Coimbra.

É irrelevante se o título executivo é um só ou se se trata da execução de vários
títulos.

 Identidade funcional entre as execuções: este é um pressuposto relativo à
cumulação da execução de decisão judicial.
Não pode ser cumulada a execução da decisão judicial que corra nos próprios
autos.
Compreende-se a restrição pois se a sentença é executada nos próprios autos
da acção declarativa tal levantaria dificuldades perante a execução dos demais
títulos que têm a sua autonomia procedimental.

Execução de sentença
Art.º 710º CPC – pretende-se, ao cumprir o princípio da economia processual, permitir
a execução cumulada de pedidos que, apesar de provirem da mesma sentença, não a
admitiriam em sede do art.º 709º CPC
Ex.: sentença de despejo – a execução da condenação na entrega do locado já
pode ser cumulada com a execução de condenação no pagamento de rendas
em mora, de despesas ou indemnizações.
Admite-se a cumulação de execuções com fins diversos e ainda que incompatíveis
processualmente.

O legislador presume a compatibilidade processual entre as decisões contidas na
mesma sentença.
Se isto não acontecer em concreto, o juiz terá de usar do princípio da adequação
formal – art.º 547º CPC. Tal já se garantia por meio da remissão para o 37º/2 e
3.

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Ana Rita Rodrigues

Este princípio tanto pode permitir ao juiz compor um procedimento ad hoc, como
recusa a cumulação quando tal viole o princípio equitativo (afirmado
expressamente no 547º parte final).

Em qualquer circunstância não pode ser desconsiderada, mesmo nesta sede do 710º,
a necessidade de compatibilidade substantiva entre os efeitos das execuções.
Trata-se de um pressuposto genérico de qualquer objecto processual – arts.º
186º/2 c) e 555º/1.

Art.º 710º/5 – nas cumulações segue-se a forma ordinária.

Cumulação superveniente
Art.º 711º - permite a cumulação de pedidos superveniente.

Requisito específico: título diverso do inicial – “outro título”.
Deve ser uma dívida que conste de um título ainda não dado à execução.
Não pode o credor executar uma dívida que já estava originariamente constituída
ou reconhecida pelo título judicial.
Daí que o 711º não se possa aplicar à cumulação de pedidos julgados
procedentes em sentenças do 710º.

Não podem existir nenhuma das circunstâncias que impedem a cumulação, mas
dispensa-se a exigência de conexão funcional quando a execução iniciada com vista à
entrega de coisa certa ou de prestação de facto haja sido convertida em execução para
pagamento de quantia certa.

Arts.º 867º e 869º CPC.

Coligação
Há coligação quando à pluralidade de partes corresponde uma pluralidade de pedidos
executivos subjectivamente diferenciados.
Quando ocorre cumulação de pedidos com cumulação de partes,
correspondendo a cada parte um pedido.

Tal decorre da presença de uma pluralidade de situações jurídicas autónomas, mas
conexas entre si.

A coligação exige os requisitos da cumulação objectiva simples de pedidos do 709º e
os requisitos da conexão entre causas diversas.
Art.º 56º CPC = a coligação pode ser activa, passiva ou mista.
Todas exigem o que está aqui estabelecido.

Art.º 56º/1 – remete para o 709º.
Impõe-se a compatibilidade processual, quanto à forma de processo e quanto à
competência absoluta, a identidade funcional e, residualmente a compatibilidade
substantiva.

O 56º/1 e 2 acrescenta um pressuposto específico da conexão entre os vários objectos
processuais que justifique a junção numa mesma causa de litígios diferentes:

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Ana Rita Rodrigues

 Coligação activa é sempre admissível, sejam credores comuns, sejam
privilegiados com garantias reais – als. a) e b);
 Coligação passiva – em geral é admissível se os devedores estiverem obrigados
no mesmo título (als. b) 2ª parte) e, ainda que não estejam, se forem titulares de
quinhões no mesmo património autónomo ou de direitos relativos ao mesmo bem
indiviso (al c)). Tem de haver coligação subjectiva pois todos os executados têm
de constar do mesmo título ou estar na situação da al c).
Só é admissível para pagamento de quantia certa se a obrigação for líquida ou
liquidável por simples cálculo

A exigência de unicidade do título é bastante importante.

Art.º 56º/3 remete para o 709º/2 a 5 no que respeita à extensão da competência
territorial.

Regime da pluralidade ilegal de execuções
A falta de compatibilidade processual quanto à competência absoluta – 709º/1 a) CPC
gera incompetência absoluta para o pedido respectivo e indeferimento parcial do
requerimento executivo.

A falta de compatibilidade quanto forma de processo também leva ao indeferimento
liminar parcial, por erro na forma de processo quanto ao pedido.

A incompatibilidade substantiva é motivo de ineptidão da PI nos termos do art.º 186º/2
c), e não é sanável.
Contudo, será de defender, por mais adequado ao princípio da prevalência funcional do
litígio sobre o processo, que se essa incompatibilidade substantiva for em sede de
cumulação sucessiva – 711º, então apenas se deverá indeferir o novo pedido executivo.

A falta de identidade funcional por força do 709º/1 b), assim como a ausência de algum
dos requisitos do 56º/1 (conexão adicional) deve levar o tribunal a notificar o exequente
para, ao abrigo do 38º, escolher a execução que pretende manter, sob pena de
indeferimento de todas.

O conhecimento dos vícios e as eventuais diligências de sanação devem ter lugar no
momento liminar em despacho, conforme o 726º/4, ou em momento superveniente nos
termos do 734º.

Constituem excepções dilatórias que podem ser fundamento à oposição à execução
pelo executado ao abrigo dos arts.º 729º c) e ss.

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O próprio STJ fala de uma função instrumental da oposição à execução.º 856º1. Caso se oponha haverá lugar ao recebimento – art. É uma verdadeira acção declarativa. No final a sentença ditará a procedência ou improcedência do pedido do autor- executado. com todas as garantias daí advenientes. seja sobre a instância. 49 . De um modo geral podemos dizer que os fundamentos são de três tipos:  Inexequibilidade do título.  Exequibilidade intrínseca. O facto de uma pessoa ser citada para poder deduzir oposição e optar por não o fazer não faz com que o exequente entre em revelia pois não existe nenhum ónus de oposição à execuçao Oposição à execução Oposição à execução: meio processual pelo qual o executado exerce o seu direito de defesa ou de contradição perante o pedido do exequente. sendo o executado citado para.º 732º/1. correndo como acção declarativa incidental (fisicamente corre por apenso) à execução. São os embargos de executado. Consoante a forma de processo em causa esta será prévia ou ocorrerá no momento da penhora. A oposição à execução apresenta-se como uma acção declarativa funcionalmente acessória da acção executiva porquanto justificada pela oposição de uma defesa à dedução de uma pretensão executiva.  Falta de pressupostos da acção executiva. 846º a 849º. Sem execução nunca poderá haver oposição.º 728º/1  Forma sumária: a citação do executado tem lugar no acto da penhora.º 732º/2 ou haverá lugar a indeferimento – art. problemas de exequibilidade extrínseca. o Deduzir oposição a execução no prazo de 20 das – art. cumulativamente se opor à oposição e à penhora no prazo de 20 dias – art. Ana Rita Rodrigues Citação do executado Após o despacho liminar do juiz há lugar à citação do executado. sendo autónomo no seu objecto e procedimento. Na acção executiva o direito de defesa corporiza-se numa PI do executado de extinção da execução. seja sobre a dívida. ou seja.  Forma ordinária: citação prévia do executado para que este: o Pague voluntariamente as custas da oposição e a dívida nos termos dos arts. Estruturalmente a defesa do executado não integra o procedimento de execução. tendo por fundamento a impugnação de factos ou a afirmação de factos.

Para que consiga que este pedido proceda tem como fundamentos decisórios o reconhecimento da inexistência actual do direito exequendo. ou da falta de um pressuposto da acção executiva. 50 .º 731º. ilidindo a presunção nele estabelecida. Será este tipo de acção porque obsta ao prosseguimento da acção executiva mediante a eliminação.º 729º e 731º CPC e no art. LF: é uma acção de acertamento negativo da obrigação exequenda na oposição de mérito. além dos fundamentos de oposição do 729º CPC na parte em que sejam aplicáveis. da eficácia do título executivo.º 857º quanto à injunção. um pedido de substituição da penhora por uma caução idónea que garanta os fins da execução – art. Ana Rita Rodrigues A qualidade do título que se executa tem relevância para se saber quais são os fundamentos para a oposição à execução. o autor apenas pode invocar as causas de pedir específicas admitidas pela lei nos arts. A acessoriedade funcional justifica que o executado possa cumular com o pedido de extinção da execução. Pedido A oposição à execução visa a extinção da execução. a função de defesa permite que na execução de título diverso de sentença. Daí que a jurisprudência tenda a defender que a oposição se trata de uma acção se simples apreciação negativa da obrigação exequenda. O autor da oposição pretende o efeito extintivo da execução. Neste apenso o autor-executado deduz o mesmo pedido que deduziria numa contestação. por via indirecta. A extinção pode ser uma extinção por procedência de fundamento processual ou por procedência de fundamento substantivo Daí que a extinção da execução pode equivaler à absolvição da instância executiva se o fundamento for processual ou à absolvição do pedido se o fundamento for material.º 751º/7 CPC. à extinção da acção executiva. ou seja. possam ser alegados quaisquer outros que seria lícito deduzir como defesa no processo de declaração – art. pelo que conduz se os embargos forem julgados procedentes. deduz a sua própria absolvição na instância ou no pedido executivo. Não se trata de uma sentença de condenação. Consequências da acessoriedade No plano do objecto do processo. Em contrapartida.

São: . Contudo esta invocação só é possível se estivermos perante um título diferente de sentença pois se for uma sentença.Incompetência absoluta e relativa do tribunal. ex vi art. 581º e 582º/1 e 2. 580º. Podem ser invocados como causa de pedir os factos do art. .Falta de personalidade ou capacidade judiciária. dos arts.º 729º CPC na parte em que sejam aplicáveis e quaisquer outros que possam ser invocados como defesa no processo de declaração – art.A coligação indevida quando não exista a conexão exigida no 56º/1 CPC .Falta de autorização ou deliberação que o autor devesse obter. consoante o regime do vício. .Ilegitimidade de alguma das partes. inexequibilidade ou invalidade formal do título Relativamente ao título tanto pode ser arguida a sua inexistência (a não apresentação de título ou inexistência de aparência mínima de título) como a sua inexequibilidade (a 51 . 577º i). Fundamentos comuns Excepções dilatórias Relativamente à relação processual o oponente pode deduzir excepções dilatórias ao abrigo do art. Os factos admissíveis dependem do título em que se funda a execução.º 564º/1 c). . . deve o juiz da oposição promover oficiosamente a sua correcção por si próprio ou convidando o exequente ao suprimento.º 6º/2. .A nulidade de todo o processo. 731º e 857º/1. insuficiência ou irregularidade de mandato judicial por parte do mandatário que propôs a acção. Inexistência. .Requerimento de injunção ao qual tenha sido aposta fórmula executória A ratio desta restrição de fundamentos é a tendencial imutabilidade do caso julgado ou o princípio da preclusão no caso da injunção. Um sistema restritivo de fundamentos taxativos rege a execução de títulos públicos judiciais e judiciais impróprios: .Sentença: apenas são invocáveis os do art. Alguns destes vícios são sanáveis pelo que. que conduzem a não poder a oposição servir para se discutir o que se tenha decidido no âmbito da acção judicial ou procedimento anterior.º 729º.º 731º CPC. .Sentença homologatória: apenas são invocáveis os do art.º 730º. mas será sempre um facto jurídico legalmente previsto pois é a lei que determina o tipo de facto admissível e cuja demonstração conduz à extinção da execução.Litispendência ou o caso julgado: arts.º 729º c) e. por remissão. Ana Rita Rodrigues Causa de pedir A CP é heterogénea.º 729º a) a h). apenas são invocáveis os fundamentos previstos no art. .Falta de constituição de advogado quando imposto pelo 58º ou a falta.º 729º a) a g).

: preenchimento abusivo do título de crédito). esteja pendente de recurso com efeito suspensivo nos termos dos arts. não esteja assinada pelo juiz. nas relações entre subscritor. o O avalizado pode invocar a prova da intenção de prestar aval. . ainda a sua nulidade formal. Ana Rita Rodrigues não verificação dos pressupostos dos arts. sendo estrangeira não tenha sido revista e confirmada pela Relação pelos arts. configura materialmente uma defesa por impugnação.º 729º f). Relativamente à sentença esta não existe se o tribunal não tiver poder jurisdicional ou se está despida da parte decisória exigida pelo art. tenha sido revogada em recurso. ou seja. já que o executado nega o facto da existência do documento ou o seu valor jurídico. o O avalista pode invocar contra o beneficiário de livrança em branco o preenchimento abusivo do título de crédito ou a nulidade do aceite.: o aceite ter sido feito por procurador sem poderes) ou inconsistência da relação causal (ex. não valem os princípios cambiários da literalidade e abstração. a falsidade do processo ou sentença declarativos do 729º b) 1ª parte. por isso.Nulidades originais: a falta ou nulidade da citação para a acção declarativa quando o réu não tenha intervindo no processo nos termos do art.  Alteração das circunstâncias quanto ao contrato subjacente. 731º e 857º/1. por remissão dos arts. Podem ainda arguir-se indirectamente vícios formais e materiais (quanto à questão de mérito) da sentença exequenda e. o O executado pode:  Opor excepções fundadas sobre relações pessoais como.  Excepção de não cumprimento do contrato. Nulidade ou anulabilidade de confissão ou transacção na sentença homologatória do 729º h) Estes são fundamentos taxativos pelo que não se pode invocar outros vícios da sentença.Excepções dilatórias referentes ao caso julgado anterior à sentença que se executa: art.º 978º/1 e 979º CPC. beneficiário e quem assina no verso. não tendo entrado em circulação. 52 .  Demonstração de que nada deve ao exequente. ordinário ou extraordinário. Aqui a letra é independente da causa subjacente e.º 729º d). no fundo.º 607º/3.º 730º.º 703º a 708º CPC ou de normas avulsas) e. incluindo por extinção por compensação. eventuais vícios (ex.º 729º a) e. Relativamente às letras e livranças tem sido afirmado o seguinte:  Nas relações imediatas. vícios originários que dizem respeito à instância declarativa ou injuntória. Será inexequível a sentença que não contenha uma ordem de prestação ou condenação. A alegação da inexistência ou de inexequibilidade do título. . ao abrigo do art.º 704º/1 e 647º/2 a 4 CPC.

tenha procedido conscientemente em detrimento do devedor. 53 . com o subscritor avalizado (ex. com a concomitante restituição. vale a presunção do 516º CC. se extinguiu ou se modificou.  Constando do teor da letra o lugar onde deve ser paga. a menos que o portador. o Terá de alegar no requerimento executivo os factos justificativos da detenção das letras. mesmo que se não faça referência expressa à representação. Esta é ilidível na oposição à execução. Se não for ilidida esta presunção a assinatura será considerada da sacada. de como sucedeu ao banco endossado na qualidade de legítima  No caso da cláusula “sem despesas” não é condição da execução dos direitos do portador de livrança contra o avalista. Relativamente aos cheques tem-se afirmado o seguinte:  Tratando-se de cheque de garantia competirá ao executado alegar e provar que a relação fundamental que se pretendeu garantir não tem causa ou fundamento ou.  O pagamento parcial de uma letra de câmbio não lhe retira validade como título executivo. tanto o protesto prévio por falta de pagamento. mesmo no caso de na letra não ter sido feita menção do pagamento parcial. por parte deste ao banco.  No caso de desconto de letras que não foram pagas nos seus vencimentos. não pode o título ser dado a execução sem que o mesmo tenha sido aí apresentado. Ana Rita Rodrigues o Pode ser invocado que a livrança foi subscrita e avalizada como caução e garantia do bom pagamento duma fiança prestada pelo exequente aos oponentes e que a fiança foi extinta e por isso o exequente nunca chegou a desembolsar o que quer que fosse. ou seja. fora da relação subjacente.  Na pluralidade de avales.: violação do pacto de preenchimento) ou com os anteriores portadores que não o próprio pagamento da dívida.  A assinatura no lugar do aceitante em letra sacada contra uma sociedade presume-se do respectivo gerente em representação dela. se o sacador pretende dar à execução.º 17º LULL que o executado não pode opor as excepções fundadas sobre as relações pessoais dela com terceiros. tendo ocorrido a sua devolução pura e simples pelo banco ao sacador endossante. apenas permanece a obrigação do subscritor da livrança. ou seja. das importâncias recebidas. ao adquirir a letra. de que os condevedores solidários comparticipam em partes iguais na dívida.º 16º LULL. de duas uma: o Risco os endossos a favor da entidade bancária readquirindo a sua plena legitimidade como portador dos títulos nos termos do art.  Nas relações mediatas. ou perante o portador decorre do art.  Prescrita a obrigação cambiária do aval. como a apresentação a pagamento.

inexigibilidade ou iliquidez da obrigação exequenda são fundamento de oposição nos termos do art. falta de causa do aceite da letra ou livrança.º 730º.º 713º CPC.º 729º g) para onde remetem os arts. Os factos impeditivos consubstanciam a inexistência originária da obrigação. 731º e 857º. uma sentença transitada em julgado. emitido com data em branco e posteriormente completado pelo tomador ou a seu mando. nulidade não formal.  No cheque de conta colectiva. Os factos modificativos podem ser a modificação do contrato por alteração da circunstância. como é por exemplo a anulabilidade por incapacidade do devedor em sede do art. caso não tenham sido supridas na fase inicial da execução. Sede específica: art. a alteração das garantias. nem se obrigaram cambiariamente. não podendo estar dependentes de um evento futuro e incerto. Podem ser comuns. cada titular será o único e exclusivo sacador nos cheques que emitiu. a incerteza. A alegação da inexigibilidade da obrigação configura materialmente uma defesa por excepção perentória impeditiva relativa à exigibilidade do crédito. enquanto os restantes titulares não passaram de ter a qualidade de sacadores.º 731º CPC.º 729º e). incluída no art. Factos impeditivos. tanto na oposição à execução de sentença.º 576º/3 CPC. a substituição do objecto da prestação ou do direito real. Incerteza. inexigibilidade ou iliquidez da obrigação Correlativamente ao art. Os factos extintivos consubstanciam o que na jurisprudência se entende por “inexistência da obrigação”. obrigando-se cambiariamente com a aposição da sua assinatura. o ónus da prova da existência de acordo de preenchimento e da sua inobservância. como em sede do art. seja por falta ou nulidade formal do seu título material. por remissão dos arts. como a condição suspensiva e a excepção de não cumprimento. eventualmente coincidente com o título executivo. 731º e 857º CPC. Alguma jurisprudência defende que esses factos devem ter existência actual no momento em que são invocados. maxime. A alegação da incerteza ou da iliquidez é uma defesa por impugnação quanto ao quid ou ao quantum do crédito. 54 . Ana Rita Rodrigues  Cabe ao embargante subscritor do cheque exequendo. factos que consubstanciam a inexigibilidade da obrigação.º 730º.º 731º pois poderia ser deduzido na contestação.º 729º e). modificativos ou extintivos e impugnação do crédito exequendo Estas são excepções perentórias conforme o art.

º 728º/2 CPC. por exemplo. TS admite estes factos desde que importem a situações que permitam recurso de revisão de sentença – art. Uma segunda decisão contraditória da anterior não pode ser executada e constitui fundamento de oposição à execução. ou não dispunha do documento necessário para os provar? Se forem factos anteriores mas subjectivamente supervenientes? No plano literal. E se o executado não alegou esses factos. Há uma excepção a este regime de superveniência. Por isso. Como 1ª restrição apenas se admite facto extintivo ou modificativo que seja posterior ao encerramento da discussão na acção declarativa.  Vício da acção declarativa anterior. seja porque não tinha conhecimento. modificativos e extintivos constantes do art. por exemplo. Execução de sentença Sendo uma sentença existem várias restrições à oposição de factos impeditivos. legitimados ao abrigo do 55º CPC. pudessem ter sido alegados e. Factos que em si mesmos sejam posteriores a esse acto processual. O devedor executado por credores solidários que não foram parte na acção declarativa de condenação em prestação indivisível. mesmo quando o executado deles não tinha conhecimento ou não dispunha do documento necessário para os provar. conserva o direito processual de invocar excepções perentórias pessoais contra aqueles já que não o pudera fazer no processo declarativo. ou seja. São fundamentos:  Vícios da acção declarativa.  Falsidade do processo declarativo. Têm de ser posteriores ao encerramento da discussão no processo de declaração onde a sentença foi proferida. No plano funcional pode invocar-se ser incompreensível que na acção declarativa se admita a superveniência subjectiva até ao encerramento da discussão e não se admita o mesmo nesta nova instância. situação em que alguém forjou a decisão que constitui título executivo. quanto à existência e conteúdo da obrigação exequenda já tivessem sido definidos na sentença condenatória que serve de título executivo ou. o STJ já enunciou que factos anteriores. situação em que há caso julgado anterior à própria decisão que se executa. 55 . sem culpa.º 696º c) e laborando com a própria admissão de oposição à execução superveniente no art.º 729º g). não podem ser factos que. como tal foram precludidos pelo caso julgado. Ana Rita Rodrigues Podem ser específicos. factos velhos. Apenas se estão a admitir factos objectivamente supervenientes. não podem servir de fundamentos de oposição à execução.

56 . se a superveniência subjectiva de um facto que pode ser provado documentalmente é relevante como fundamento de recurso de revisão. TS: considera que esta limitação de defesa não se justifica. Esse tal facto superveniente tem de ser provado documentalmente. exige-se a prova documental. Esta exigência suscita algumas dúvidas. não faz sentido que não o seja como fundamento de embargos de executado. O que justifica esta restrição? Vale para todas as situações? TS: tem uma posição isolada porque entende que temos que fazer uma aplicação bastante restritiva desta exigência. pois só então pode a vontade negocial ser exigida. o facto que deve ser objectivamente superveniente deve ter a qualidade de facto extintivo ou modificativo da obrigação. Temos que ter presente que a lei dispensa esta exigência de prova documental face à prescrição.º 729º a) CPC. Defende ainda a possibilidade de se admitir uma superveniência subjectiva. Ana Rita Rodrigues Afinal. Como segunda restrição. Art. dado que a procedência daquele recurso implica a inexequibilidade do título executivo.º 729º g) que dita que as excepções perentórias supervenientes apenas poderão ser provadas por documento. esta limitação numa interpretação sistemática é ainda adequada. RP: é a favor da prova documental e considera que o 729º g) se equipara a um pedido de revisão da sentença do art. quanto às benfeitorias como fundamento da oposição também não faz sentido que tenham de ser provadas por meio documental. mas dependentes de declaração de vontade para a produção de efeitos jurídicos. Ao exigir-se a prova documental do facto superveniente será inconstitucional. Pretendeu-se que a oposição operasse como uma revisão mais restrita. pois.º 696º c). Sendo um fundamento possível de oposição à execução conforme o art. Nestes casos somente são supervenientes os factos que tenham concluído o seu iter formativo depois do encerramento da discussão na 1ª instância.º 839º/1 a) Os factos objectivamente supervenientes incluem os factos de formação complexa como a compensação ou a usucapião. a oposição à execução é uma verdadeira acção declarativa. Também no art. Neste artigo as limitações também existem e.º 860º. portanto. Como terceira restrição temos o art. Conclui TS que esta exigência só faz sentido quando a lei a exige. Foi opção do legislador não valorar o conhecimento superveniente salvo em sede de recurso extraordinário de revisão. ou seja. A exclusão dos factos impeditivos decorre da sua natureza necessariamente não superveniente.

Art. logo são exigíveis todos os pressupostos processuais exigidos em qualquer acção declarativa. Sendo uma nova relação processual exige-se que o executado assegure a presença dos pressupostos processuais positivos e comuns a qualquer causa.º 728º/1) e o exequente (art.º 728º/2. No caso de a compensabilidade apenas se verificar após o decurso do prazo para oposição à execução.º 91º/1 CPC.º 732º: os embargos correm por apenso à execução. RP considera que se deve lidar com esta alínea da mesma forma que se lida com a alínea g).º 732º/2) autor e réu da causa. logo pode fazê-lo em sede de oposição à execução. Quanto às partes elas devem apresentar personalidade.  No caso de ser embargada a assinatura do título executivo. cabe ao apresentante do título a prova da veracidade desse mesmo documento Pressupostos processuais Os embargos de executado são processo declarativo. permite-se um novo prazo – art.º 729º h) – quando se queira compensar o crédito. sendo o executado (art. 57 . É competente o tribunal da execução para o apenso da oposição à execução por força do art. Se o contra crédito se formou antes do encerramento da discussão na acção declarativa. Constitui um facto modificativo porque vem alterar a instância. Se se formou após o encerramento da discussão. ou seja. Contudo temos duas restrições:  Relativa à prova da verificação da condição suspensiva: aqui e com base no regime do CC. exige-se que o crédito seja superveniente e exige-se prova documental. o executado já poderia ter emitido a declaração de compensação. pelo principio da preclusão também já não o pode fazer na oposição à execução. o 715º/1 estabelece que tem de ser o exequente a provar essa condição suspensiva. Ónus da prova O ónus cabe ao embargante. Para efeitos de superveniência o que importa é o facto constitutivo do crédito. o exequente nunca poderia ter emitido a declaração de compensação na acção declarativa. Ana Rita Rodrigues No recurso de revisão também se exige prova documental de factos supervenientes Contra crédito sobre o exequente Art. capacidade e legitimidade. Se não o fez.

000€ e os embargos. O litisconsórcio necessário passivo não corresponde a um litisconsórcio necessário activo em sede de oposição à execução. apesar de não ser executado. 58 . Prazo para dedução dos embargos: A PI da oposição deve ser apresentado num prazo de 20 dias a contar da citação do executado – art.º 58º/1 quanto ao patrocínio judiciário. Art.000€ não haverá alteração da competência do juízo central cível. No caso de haver pluralidade de executados e/ou exequentes. na sequência da revogação do despacho que indeferiu liminarmente o requerimento executivo.º 293º e 294º ex vi 292º. por qualquer motivo terem valor superior.º~117º/3. por força do art.º 728º/3 que remete para o 569º.º 569º/1 2ª parte. Deduz isto do art.º 728º/1 CPC. o prazo para dedução da oposição. Quanto ao valor da causa: Se a execução estiver a correr no juízo central cível e se p valor dos embargos não coincidir com o valor de 50. logo não tem de haver nenhum litisconsórcio necessário. o juízo local cível não é competente e os embargos devem ser enviados para o juízo central cível.º 728º.º 787º/1. Contudo não é aplicável a faculdade que se concede relativo ao prazo do art. por se trata de um incidente aplica-se os arts. tal como sucederia com a legitimidade para interpor recurso do art. qualquer deles tem legitimidade singular para opor-se à execução.º 569º/2. 732º e 733º. Na oposição à execução não pode haver intervenção de terceiro pois esta intervenção supõe uma extensão decisória da oposição que ultrapassa a respectiva função acessória de estrita extinção a execução. Cada prazo quanto a cada um dos executados corre autonomamente. TS entende que na pluralidade de executados. Já na situação de a execução ter valor inferior a 50. Ana Rita Rodrigues Também o cônjuge goza de legitimidade activa nos termos do art. Quanto ao interesse processual temos de ter presente que a oposição à execução vale nos fundamentos previstos na lei. independentemente de aquela ser voluntária ou necessária.º 634º/1 CPC. ainda que em litisconsórcio necessário. No mais. Regras próprias de procedimento: arts. conta-se da notificação ao executado do despacho que ordenou o prosseguimento da execução e não da prévia citação. Tem de existir essencialmente quando tem de haver a participação do cônjuge para entrega de coisa certa. Existindo pluralidade de exequentes há litisconsórcio necessário passivo se o fundamento de oposição lhes for comum. Por força da aplicação analógica do art.

a exigibilidade ou a liquidação da obrigação exequenda nos termos do 729º e) Se a oposição não chegar sequer a ser recebida. não há lugar ao levantamento da penhora. A penhora prepara a venda executiva. enquanto estiver pendente a oposição à execução. As excepções ao efeito não suspensivo são as do art. Se não forem recebidos a instância fica extinta.º 732º/1 c). Para se poder decretar a suspensão da execução é condição indispensável o prévio recebimento dos embargos. Suspensa a marcha do processo. Se a execução não for suspensa nenhum credor pode ser pago sem prestar caução. 59 . mesmo que o executado que tenha prestado caução nos termos do art. regendo-se pelo princípio da concentração da defesa nos termos do art. em bom cumprimento do princípio da economia processual. A caução para suspensão e penhora cumprem funções diversas que até podem ser contemporâneas. sendo liminarmente rejeitada. que pode ser de indeferimento quando:  Art.  Art. a venda e pagamento. mantêm a sua eficácia os actos processuais já consumados. A da suspensão é exigida para garantir o pagamento da obrigação exequenda e cobrir a mora do processo suspenso. Ana Rita Rodrigues A PI da oposição constitui o momento oportuno para deduzir toda a defesa. Prestação de caução Tem natureza incidental nos termos dos arts. Daí que.º 733º/1 a). No 733º/2 determina-se uma restrição à suspensão. No 733º/5: permite-se a suspensão quando o bem penhorado seja a casa de habitação efectiva. no âmbito da oposição deduzida.º 590º/1.º 729º a 731º e 857º. Há lugar a despacho liminar. Daí que o oponente não pode deduzir facto posterior em outros embargos nos termos do art. mas não se promove ou aceita mais algum acto processual executivo. nomeadamente. A PI da oposição deve ser entregue na secretaria de execução ou na secretaria do tribunal competente para a execução.  Arts.º 733º/1 decorre que o recebimento dos embargos não suspende a marcha do procedimento executivo.º 906º e ss CPC sendo processada por apenso à causa pendente. não havendo nada a suspender.º 732º/1 a).º 728º/2 que não seja superveniente.  Art.º 733º/1 e se foi impugnada.º 573º. não pode haver suspensão da execução quando seria admissível. Do art. maxime a penhora.

Havendo absolvição da instância na oposição. Sentença A sentença de oposição deve ser proferida no prazo máximo de 3 meses contados da PI – art. Na contestação à oposição o exequente pode impugnar as excepções peremptórias. mais os juros se estes tiverem sido pedidos. Ana Rita Rodrigues Apenas o executado-embargante. deve o juiz in casu lançar mão do princípio da adequação formal. Contudo não se têm por confessados os factos que estiverem em oposição com os expressamente alegados pelo exequente no requerimento. Consideram-se confessados os factos articulados pelo oponente. Após a contestação não há mais articulados como impõe o art. Estes novos factos terão de ser sempre os permitidos pelos arts. podendo ter lugar a todo o tempo. Oposição superveniente O 728º/2 aceita que possa haver oposição deduzida depois deste momento quando ela se baseie em factos que ocorreram ou forma conhecidos depois daquele prazo inicial. Não havendo ainda penhora a caução deve cobrir o pagamento da dívida. na PI ou após o despacho de recebimento a pode requerer para efeito de suspensão da execução e não está sujeita a qualquer prazo.º 225º/2 ex vi art. pode alegar os factos contrários aos que consubstanciam as excepções dilatórias positivas. É uma simples faculdade do executado e a execução só deverá ser suspensa depois e se prestada a caução.º 729º a 731º e 857º. Notificação pessoal O exequente será notificado para contestar em 20 dias – art. Esta sentença é impugnável nos termos gerais.º 732º/2.º 567º/1 e no 485º.º 723º/1 b). à falta de contestação é aplicável o disposto no art. ou seja.º 732º/2. Pelo 732º/3. plasmado no art.º 728º/3 e 569º/2.º 279º/2. Pode ser prestada por terceiro. A notificação deve ser feita pessoalmente nos termos dos arts.º 250º. intentar nova oposição à execução no prazo de 30 dias? RP entende que sendo este um prazo processual ele deve ser interpretado e aplicado potenciando a tutela e não reduzindo-a.º 547º. Sendo vários oponentes. pode o executado servir-se da faculdade do art. as excepções dilatórias negativas e as nulidades formais do título executivo. a caução cobrirá apenas o eventual diferencial estimado entre o valor garantido pela penhora e o estimado. inexistência ou de inexequibilidade do título executivo ou a incerteza ou iliquidez do crédito. 60 . o prazo de 3 meses é contado singularmente e não a partir da última citação de executado – arts. Havendo penhora ou garantia real. Ora. sem prejuízo dos casos de revelia inoperante.

Havendo um litisconsórcio necessário na execução. Esta procedência deve ser definitiva Efeitos secundários: a venda fica sem efeito salvo se. 61 . quando sendo parcial a procedência. Não há caso omisso. TS: entende que se há litisconsórcio voluntário na acção executiva a decisão pode aproveitar. Sendo procedente o pedido de oposição extingue-se a execução no todo ou em parte consoante seja total ou parcialmente procedente.: ser o 3º garante do art. porquanto se o litisconsórcio necessário for legal então temos a extensão do caso julgado ao ausente que decorre da natureza do litisconsórcio. apesar de não serem oponentes. a decisão favorável vai aproveitar aos outros. salvo se o fundamento for pessoal. Havendo pluralidade de executados. ainda que em litisconsórcio necessário. Se for um litisconsórcio necessário convencional é defensável que a não dedução de oposição impede o executado de se prevalecer da situação integradora do litisconsórcio.º 634º/2 CPC por analogia. As penhoras pendentes serão levantadas embora por efeito da extinção da execução. tal como sucederia com a legitimidade para interpor recurso – art.: inexequibilidade do título) e se o executado não oponente for titular de interesse essencialmente dependente do interesse do executado oponente (ex. Fará caso julgado formal nos termos do art.º 54º/2 CPC) ou se o executado não oponente for um devedor solidário. LF: critica a posição de TS pois entende que nem ocorre caso omisso nem analogia se verifica.º 634º/1. qualquer deles tem legitimidade activa para opor-se à execução. Ana Rita Rodrigues A sentença pode determinar a absolvição do exequente da instância incidental quando o tribunal anule todo o processo de oposição à execução ou se verifique uma excepção relativamente à própria instância de oposição. Tem força obrigatória apenas dentro do processo. por ser uma decisão favorável. Daí que o caso julgado formal ou material só vincule os concretos executados e exequente(s) que foram partes na execução. Quanto aos que não foram parte o ponto é controvertido. O mesmo sucede no caso de litisconsórcio necessário natural pois não revestiria utilidade o prosseguimento da execução apenas contra o executado que não se opôs à execução.º 620º/1 CPC pois recai unicamente sobre a relação processual. A procedência a oposição dita vários efeitos processuais primários e secundários. Isto caso o fundamento seja comum (ex. a subsistência da venda seja compatível com a decisão tomada – art. aos demais nos termos do art. Aqui a instância executiva mantém-se.º 839º/1 a). O exequente terá de pagar as custas da execução e do próprio incidente de oposição à execução.º 732º/4 CPC. Efeito processual primário: art.

a parte poderá provar em acção autónoma que foi impedida de usar testemunhas que poderiam ter influenciado a decisão final e com isso pedir a restituição do indevido. Se o direito à prova tiver sido efectivamente limitado. tenha já havido citação dos credores – art. a eficácia dos actos já praticados mantém-se. regra geral a oposição não suspende a execução. Síntese O recebimento dos embargos.º 732º/2 que terá 20 dias para contestar.º 733º/1 e 5. RP: há que distinguir entre os fundamentos com e sem aptidão para alcançar o valor de caso julgado material. antes da suspensão. Consequências da procedência da oposição A natureza da sentença que julga procedente uma oposição à execução e a possibilidade de se formar caso julgado material com essa sentença são controvertidas na doutrina. A única restrição à suspensão prende-se com a possibilidade de realizar o apenso de verificação e graduação de créditos quando. Depende do credor a execução da obrigação apenas contra o executado que não se opôs à execução.º 733º/2. ela adquire força de caso julgado material. No caso de haver suspensão. mas também o objecto da mesma e por isso. Após o recebimento da petição inicial de embargos de oposição à execução há lugar à notificação do exequente – art. Ana Rita Rodrigues nem mesmo por um mecanismo de adesão. LF: devido às restrições probatórias do art.º 733º/5.º 732º.º 225º/2 ex vi 250º. Contudo pode acontecer que haja lugar à suspensão da execução – art. Contudo não se aceita mais nenhum acto processual executivo de venda ou pagamento. A notificação é feita pessoalmente – art. quando esta sentença transita em julgado. impedindo assim que o exequente proponha nova acção executiva sucessiva. Ainda que não determine a suspensão da execução impede que os credores sejam pagos não sua pendência sem que prestem caução – art. tem que ser feita uma ponderação casuística. a oposição surge como uma acção e revogação de um título e que a inexistência não é apenas o fundamento da decisão. Este entendimento é consentâneo com o art. não se levantando a penhora já realizada. Castro Mendes: o fundamento da procedência é relativo a um facto extintivo da causa de pedir da execução logo levaria à absolvição do pedido executivo.º 732º/5 que afirma que a decisão de mérito proferida nos embargos à execução constitui caso julgado quanto à existência. Dado isto resultaria num caso julgado material. 62 .º 733º/4 – ou o caso de a penhora incidir sobre a habitação efectiva do embargante – art. seguindo-se sem mais articulados os termos do processo comum. validade e exigibilidade da obrigação exequenda. Considera que quando o fundamento diga respeito à existência ou exigibilidade da dívida.

º 567º/1. Pode haver compensação-excepção. Sanções ao exequente no caso de procedência da oposição – art.  Absolvição do executado embargante da acção executiva – procedência do pedido de oposição pelo que a acção executiva se extingue total ou parcialmente (art. Após isto haverá lugar ao proferimento da sentença no prazo de 3 meses a contar da data da petição de oposição – art.  Absolvição do exequente embargado do pedido de embargos – improcedência do pedido de oposição pelo que a acção executiva prossegue. mas não compensação-renovação. A ação executiva mantém-se. Art. 63 . A sentença da oposição à execução que seja procedente no reconhecimento da existência de um crédito para compensar não serve de título executivo contra o exequente embargado. A reconvenção não é admissível em sede e oposição à execução pois trata-se de uma acção acessória da acção executiva que tem como peido a extinção da execução. Excepto nos casos de revelia inoperante. 568º e 732º/3. mesmo que o valor do contra crédito seja superior ao da obrigação exequenda.º 858º. Forma-se caso julgado formal. A compensação é sempre invocável como excepção perentória extintiva pelo executado. validade e exigibilidade da obrigação exequenda.º 723º/1 b) que pode declarar a oposição:  Absolvição do exequente embargado da instancia incidental – improcedência da oposição por verificação de uma excepção dilatória relativamente à oposição. A condenação do embargado no pagamento da diferença entre os créditos terá de ser obtida em sede de acção declarativa autónoma. Ana Rita Rodrigues A falta de contestação do exequente gera um efeito cominatório semipleno e não se consideram como confessados os factos que estiverem em oposição com os expressamente alegados pelo exequente – arts.º 732º/5 : faz caso julgado quanto à existência.º 732º/4).

 Art. A execução será fundada em sentença que condene os dois ou em título extrajudicial de onde os dois constem.º 1692º b) 2ª parte. como ambos constam do título. através do qual o juiz convidará o exequente a suscitar a intervenção principal do outro cônjuge – art.º 1691º. São dívidas próprias até que se prove a comunicabilidade da dívida. Por ambos constarem do título não há lugar a um incidente de comunicabilidade.º 1694º CC = sempre que a dívida onere um bem comum com uma garantia real. o Dívidas comunicáveis: têm por fonte um facto praticado por um dos cônjuges sem o consentimento do outro.º 1691º/1 b) a e) e 2. 1692º b) 2ª parte. Nestes casos não se pode logo por a acção contra os dois pois só um consta do título. Ana Rita Rodrigues Dívidas dos cônjuges Aqui estamos sempre a falar em obrigações pecuniárias pois quanto à prestação de facto não há especialidades a nível de responsabilidade e quanto à entrega de cosa certa vigora o litisconsórcio necessário legal do art. Neste caso. ainda que antes do casamento. voluntária ou legal. No caso de ambos constarem do título a comunicabilidade resulta do título LF entende que só há litisconsórcio voluntário pois o preceito do art. Se não for suprida.º 34º apenas se aplica à acção declarativa e. Esta é uma situação que não se coloca se não existirem bens comuns.º 34º/3 1ª parte para RP e TS. A comunicação legal consta dos arts:  Art. Responsabilidade subjectiva: “quem responde pelas dívidas?” A responsabilidade pode ser:  De ambos os cônjuges – importa ter em conta os arts.º 1691º/1 a) CC = sempre que a dívida seja constituída por ambos ou por um com o consentimento do outro.º 726º/4: chamamento à demanda e intervenção principal provocada. A comunicação voluntária resulta do consentimento dado para o acto pelo cônjuge que não contraiu a dívida. Há que suscitar o incidente de comunicabilidade da dívida.  Art. a excepção redunda na absolvição da instancia. mas que implica uma comunicação da responsabilidade. A ilegitimidade pode ser suscitada na oposição à execução.  Art. haverá litisconsórcio necessário – art. 64 .º 34º/1. A preterição deste litisconsórcio redunda na ilegitimidade do executado que poderá ser conhecida no despacho liminar. por força do favor creditoris. o credor poderá escolhe quem quer demandar. 1693º/2 e 1694º/1 CC: o Dívidas comuns: têm por fonte um facto praticado por ambos os cônjuges.

Responsabilidade objectiva: “que bens respondem pelas dívidas?” Aqui importa ter em conta o regime de bens do casal.º 1693º/2. . 1693º/2 e 1694/2 CC o Será uma execução com base num título judicial ou extrajudicial que apenas obrigue um deles.  Apenas daquele que se obrigou – dívidas próprias: o Regime regra. Assim.Se for ocorre uma extensão executiva subjectiva do título executivo. adquirindo o cônjuge o estatuto de executado. se não houver subsunção num dos tipos de comunhão de dívidas é esta a classificação que se atribui à dívida – carácter residual = art.º 1692º. no fim o juiz decidirá se a dívida deve ser comunicada ou não.  Dívidas comuns: o Regime de separação de bens: não há bens comuns a responder pelo que responde os bens próprios os cônjuges – art. considerando-se confessado que a dívida é comum. Ana Rita Rodrigues  Art. 65 . podendo ser penhorados os bens próprios de cada um deles até metade do valor da dívida. sem que o credor ou o devedor hajam alegado e feito a demonstração de que a dívida.º 1695º/2 in fine. sob pena de a dívida continuar a ser considerada própria. Cada cônjuge responde 50% pelas dívidas. o cônjuge pode defender-se e. Nestes casos abre-se o incidente de comunicabilidade. Quando o título seja diverso de sentença os arts. . Quando o título seja uma sentença a intervenção do cônjuge terá de ser provocada pelo credor na acção declarativa condenatória ou pelo cônjuge réu. Este tipo de coisa afere-se no plano substantivo.  Art. quando chegamos à acção executiva o título é contra os dois.º 1695º/1. Após passar a executado tem 20 dias para se pronunciar. a pedido do exequente ou do executado para provocar a comunicação da dívida.º 1694º/1 A comunicabilidade da dívida tem de ser provada.Se o cônjuge não se pronunciar há efeito cominatório semipleno. logo haverá litisconsórcio necessário porque o regime da responsabilidade por dívidas dos cônjuges é um regime substantivo imperativo que não pode ser afastado. embora contraída individualmente.º 741º e 742º permitem a intervenção provocada do cônjuge.º 1692º a) o Arts. pois. Pode haver dívidas comum nos casamentos em que o regime que vigora é o da separação de bens. é comum. parciariamente e não de modo solidário – art.

A falta de bens determina a inaplicabilidade do art. A penhora baseada num título comum contra o casal e regime de comunhão há-de ser fita sempre na presunção de que o bem penhorado é um bom comum. e na falta ou insuficiência deles.º 1696º/1 1ª parte Se for penhorado um bem imóvel ou um estabelecimento comercial. Respondem os bens comuns – art. ainda que seja um bem próprio numa execução por dívida própria. suspendendo-se a venda dos bens comuns penhorados. 66 .º 786º/1 a) obriga à citação do cônjuge. o Regime de comunhão de bens: podem penhorar-se os bens comuns. responde a sua meação sobre os bens comuns. na insuficiência dos bens deste. o Regime de comunhão de bens: respondem em primeiro lugar os bens próprios do cônjuge devedor e. solidariamente O incumprimento desta ordem pode ser fundamento de oposição à penhora. cabendo tal prova ao devedor O incumprimento desta ordem pode ser fundamento de oposição à penhora. Daí que o credor não tenha de demonstrar que o bem é comum. o art. podem ser penhorados os bens próprios de cada um dos cônjuges até ao valor total da dívida.º 1695º CC.º 82 pois o seu fim é a tutela de bens comuns.  Dívidas próprias: o Regime de separação de bens: não existem bens comuns.  Dívidas comunicáveis: o Regime de separação de bens: cada um dos cônjuges responde por 50% da dívida. Se forem penhorados bens comuns aplica-se o art. Ana Rita Rodrigues o Regime de comunhão de bens: respondem primeiro os bens comuns.º 740º/1 – o cônjuge é citado para requerer a separação dos bens. solidariamente. pelo que só podem ser penhorados os bens próprios do cônjuge devedor – art. podem ser penhorados os bens próprios de cada um dos cônjuges até ao valor total da dívida. e na falta ou insuficiência deles. podendo ser penhorados os bens próprios de cada um deles até metade do valor da dívida.

Abrem-se várias hipóteses: o Aceita: a dívida é considerada comum e o cônjuge do executado passa também a executado. solidariamente os bens próprios de cada um – art.º 1695º/1 CC Separação de bens: respondem os bens próprios dos executados parciariamente pois esta não é uma responsabilidade solidária – art.º 1695º/1 CC.º 1691º.º 741º/1 a contrario.º 741º e 742º. o Não aceita a comunicabilidade e requer a separação de bens: a dívida é considerada própria d executado e o seu cônjuge mantem o estatuto de cônjuge do executado. subsidiariamente os bens próprios de forma solidária. 67 . devem integrar a meação do cônjuge do executado. em virtude da separação. 1693º/2 e 1694º/1 CC Que bens respondem? Art. podendo a execução prosseguir sobre os bens comuns já penhorados e que.º 1695º/1: em primeira linha os bens comuns e.º 1695º/1: em primeira linha os bens comuns e.º 1691/1 a) CC Que bens respondem? Comunhão de bens: os bens comuns do casal e. mas a dívida é comunicável: Quem responde? Ambos os cônjuges = arts. Art. o Não se pronuncia: a dívida é considerada comum e age-se como se tivesse aceitado a comunicabilidade.º 1695º/2 CC RP e TS: há litisconsórcio necessário Só há título contra um dos cônjuges. Título extrajudicial = tanto o exequente como o executado podem alegar a comunicabilidade da dívida na acção executiva – art. subsidiariamente os bens próprios de forma solidária. Respondem os bens próprios do cônjuge do executado e a sua meação nos bens comuns.º 34/3 2ª parte CPC + art. não havendo comunicabilidade da dívida na acção executiva – art. O cônjuge tem 20 dias para reagir. Ana Rita Rodrigues Juntando os dois esquemas Há título contra os dois cônjuges – dívida comum Quem responde? Ambos os cônjuges – art. RP e TS: há litisconsórcio necessário pelo que a acção tem de ser proposta contra ambos – arts. Título judicial = a comunicabilidade tem de constar da sentença. o Não aceita a comunicabilidade e não requer a separação dos bens: a dívida é considerada própria e mantém o estatuto de cônjuge do executado. Aqui respondem os bens próprios do executado e todos os bens comuns porque não foram separados judicialmente.

numa execução por dívida própria. Contudo o regime de bens dura enquanto durar o casamento. AS DIVIDAS NÃO SE EXTINGEM COM A EXTINÇÃO DO CASAMENTO – a dívida mantém a sua classificação de comum ou própria.º 740º/1 – neste caso só pode requerer a separação. O cônjuge do executado é citado para requerer a separação de bens. bens imóveis ou estabelecimentos comerciais do outro cônjuge pelo art. de forma a proteger da penhora a sua meação nos bens comuns – art. Fica com o estatuto de cônjuge do executado – art.º 1692º CC Que bens respondem? Comunhão de bens: os bens que compõe o património próprio do cônjuge devedor e. 68 .º 741º/2 a 6 quanto à utilização do mecanismo de comunicabilidade da dívida.  É citado porque foram penhorados bens comuns. Ana Rita Rodrigues Separação de bens: o exequente apenas pode propor a acção contra o cônjuge obrigado no título executivo e respondem os bens do executado – isto no caso de título judicial. mas a dívida pode ser própria se não estiverem verificadas as situações de comunicabilidade da dívida.  É citado porque foram penhorados. A responsabilidade subjectiva e objectiva afere-se na data da constituição da dívida e não no momento da execução = art.  O cônjuge é executado: o Ab inition por dívida comum. numa execução por dívida própria pelo art.º 1690º/2 CC Importa sempre ter presente que bens comuns não se confundem com dívidas comunicáveis!! Se o cônjuge compra um bem e há comunhão de bens (geral ou de adquiridos) o bem é comum. Não se justifica a aplicação do art. nos termos gerais.º 740º/1 atendendo à inexistência de bens comuns. devendo a acção ser proposta apenas contra este. Se for um título extrajudicial discute-se a aplicação analógica das normas constantes do art. Título executivo contra um dos cônjuges e a dívida é própria: Quem responde? Apenas responde o cônjuge que contraiu a dívida = art. O incidente de comunicabilidade pode ser pedido pelo exequente e pelo executado. subsidiariamente os bens que compõe a meação do cônjuge devedor no património comum.º 787º. Separação de bens: respondem os bens próprios do executado. o Supervenientemente por dívida declarada comunicável. Daqui retira-se que o cônjuge pode assumir quatro posições distintas:  É totalmente alheio à execução. O exequente deve propor a acção contra o cônjuge devedor.º 786º/1 a).º 740º/1.

Quanto aos demais bens vale o regime da separação.º 784º/1 b). sem prejuízo do art.º 343º.º 723º/1 c). Nos regimes inominados fixados em convenção antenupcial – art. Traduz-se na apreensão judicial de bens do executado.º 1695º/1 pois não há comunhão de bens. Não será terceiro para efeitos do art. Se os esposados tiverem convencionado a comunicabilidade de certos bens (dentro dos limites do art.º 1695º/2. para promover a separação dos bens.º 1699º/1 d) e 2). sendo os embargos de indeferir quando a penhora dos bens comuns tiver sido acompanhada da sua citação.º 352º. A promoção da separação dos bens é um poder processual específico do cônjuge do executado – art.º 740º/1 e 735º/2. que respondem como devedores parciários e não como solidários pois a sua responsabilidade não é solidária – art.º 786º/6. Ana Rita Rodrigues No regime da separação de bens não se lhe aplica o art. valerá quanto a eles o regime da separação de patrimónios e de responsabilidade subsidiária de que trata o 1695º. O exequente pode reclamar do acto de penhora praticado pelo agente de execução – art. O credor apenas pode pedir a cada cônjuge a respectiva quota-parte na prestação. Tem a posição de terceiro?? Será terceiro sempre que a penhora dos bens comuns não tenha sido acompanhada da sua citação imposta pelos arts. Penhora Após a fase de oposição à execução iniciam-se os actos preparatórios do pagamento ao exequente – nomeadamente a penhora e a venda dos bens penhorados Acto processual pelo qual o Estado retira ao executado os poderes de aproveitamento e de disposição de um direito patrimonial na sua titularidade.º 1698º CC – tudo se rege pelas normas ali fixadas. É necessária para permitir a venda. O cônjuge do executado pode utilizar os embargos de terceiro para defender o seu direito sobre os bens comuns – art. Contudo deve indicar no requerimento de dedução o disposto no art. Apenas se encontram bem próprios no património de cada cônjuge pelo que não há relações de subsidiariedade na responsabilidade por dívidas dos cônjuges. 69 .º 784º/2. agora citando o cônjuge. Quanto muito há bens em compropriedade.º 787º. Pelas dívidas de responsabilidade de ambos podem responder de imediato todos os bens dos cônjuges. mas o exequente poderá requerer a penhora dos mesmos bens. O executado terá ao seu dispor o incidente de oposição à penhora para alegar que os bens penhorados eram comuns nos termos do art. Aqui a procedência dos embargos dita o levantamento da penhora.

º 735º CC: só em casos excepcionais estabelecidos na lei é que o património de terceiro pode responder pela dívida. Objecto imediato: são sempre direitos patrimoniais os que são susceptíveis de serem penhorados.Penhora de bens imóveis. E este princípio que justifica que haja preferência pela penhora de salário.Penhora de direitos. Princípios da penhora:  Princípio da economia – art. Efectivamente a penhora pode ser feita quando os bens d devedor estejam na posse de terceiro – art.º 751º/1: há aqui uma ideia de economia de meios. . Diz- nos para irmos ao património do executado e ver o que é que lá existe que seja de mais fácil penhora. num plano global. cabendo depois a esses terreiros embargar de terceiro se entenderem que têm um direito legitimamente oponível ao exequente. numa execução são penhoráveis os bens do devedor que respondendo substantivamente pela dívida. Desempenha uma função de garantia do cumprimento de obrigações. componham uma penhora proporcional na extensão e adequada na qualidade.º 751º/3. Não devem ser penhorados mais do que os bens necessários para satisfazer a divida. São: . Há também ainda uma ideia delimite mínimo que nos diz que não podem ser penhorados bens que não sejam suficientes para se pagar o crédito do exequente. Em termos simples. 70 . integrante da esfera jurídica do executado. O acto da penhora tem por objecto toda e qualquer situação jurídica activa disponível de natureza patrimonial. não estejam abrangidos por cláusulas especiais de exclusão que. desde que sejam executados.º 54º/4 e 747º/1. contudo há uma excepção a isto no art. Art. No fundo será o acto de apreensão judicial de bens para ulterior venda executiva. Ana Rita Rodrigues É legitimada pelo art. O acto de penhora não cumpre uma função sancionatória mas antes uma função instrumental.  Princípio da proporcionalidade – há um limite máximo e um limite mínimo para a penhora (art. cuja titularidade possa ser transmitida forçosamente nos termos da lei substantiva. . Objeto mediato: aquele que determina o procedimento da penhora.º 817º CC: sendo o património do devedor a garantia geral dos credores (art. Visa acautelar o exercício do direito de execução sobre o património do devedor.Penhora de bens móveis.º 735º/3).º 601º) tudo o que integra o património é susceptível de ser penhorado.

Ana Rita Rodrigues

 Princípio da fungibilidade – art.º 753º/3: a penhora pode ser substituída por um
valor equivalente, um valor caucionado pelo próprio executado pois é indiferente
se está a ser penhorado um bem ou uma caução o valor desse bem.

Competência funcional: agente de execução – art.º 719º/1
Art.º 823º/1: convolação da penhora.

Âmbito subjectivo; bens em poder de terceiro
No plano subjectivo a regra, tanto do art.º 53º CPC como a do 817º CC é a de que
apenas os bens do devedor estão sujeitos à execução.

Art.º 735º/2: admite que nos casos especialmente previstos possam ser penhorados
bens de terceiro à dívida.
Condição: a execução tenha sido movida contra o terceiro.
Aqui é terceiro em relação à dívida, não podendo ser terceiro ao processo.
Por isso há-de ter legitimidade:
- Art.º 54º/2 CC: um sujeito que tenha dado em garantia real de uma
dívida alheia a um bem seu;
- Art.º 818º e 616º/1 CC: um terceiro contra quem tenha sido obtida com
sucesso sentença de impugnação pauliana.
Trata-se de uma extensão subjectiva do âmbito primário da penhora a quem não é
devedor, sendo antes terceiro à dívida.

Assim, o devedor subsidiário não está abrangido pelo que o fiador e o sócio de
sociedade de responsabilidade ilimitada estão sujeitos à penhora nos termos do art.º
735º/1.

Art.º 747º/1: os bens do executado são apreendidos ainda que, por qualquer título, se
encontrem em poder de terceiro, sem prejuízo dos direitos a que este seja lícito opor ao
exequente.

O agente de execução deve indagar se esse título é o penhor ou o direito de retenção.
Se assim suceder, fará constar do auto de penhora o domicílio do credor, para posterior
citação para a reclamação de créditos nos termos do art.º 786º/1 b) e 4 CPC.
Esta averiguação justifica-se, em sede de reclamação de créditos, por se ter
restringido a citação dos credores com garantia real, que não careça de ser
registada – art.º 786º/1 b).

Aqui o objecto da penhora não é o direito do terceiro, contudo ela irá restringir ou mesmo
suprimir direitos de terceiro que não sejam licitamente oponíveis ao exequente.

Devemos ainda ter presente que o que se penhora não é o bem mas sim o direito que
o executado tem sobre esse bem.
Daí que o direito de uso fruto seja penhorável, o direito de aquisição, o direito de
superfície.

Também podem ser penhorados direitos de crédito, nomeadamente os direitos de
crédito do devedor.

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Ana Rita Rodrigues

As perspectivas de aquisição também são penhoráveis, os depósitos bancários, os
direitos e quotas de sociedades, estabelecimento comercial, salários, rendas e pensões.
No fundo é penhorável tudo o que tenha carácter patrimonial e que pertença ao devedor.

O objecto máximo potencial da penhora é a garantia das obrigações.

O objecto concreto tem 4 limites:
I. Limites substantivos: a lei estabelece limites quanto à responsabilidade pelas
dívidas e quanto à sua transmissibilidade.
II. Impenhorabilidades:

III. Princípio da proporcionalidade: mesmo que um certo bem responda para a
dívida, seja transmissível e possa ser penhorado, é preciso ter em atenção o
quantum pis a penhora só pode ter a extensão correspondente à dívida
exequenda e às dívidas acessórias.
Art.º 735º/3 – lida com uma dupla estimativa: valor dos bens e o valor das
despesas de justiça.
Este artigo vem impor ao agente de execução o dever legal de promover a
penhora apenas dos bens na medida necessária e suficiente para atingir os
limites estabelecidos naquela norma.
A violação do art.º 735º/3 é fundamento de oposição à penhora pelo executado
– art.º 863º-A/1 a) – ou de reclamação para o juiz pelo exequente – art.º 809º/1
c)

IV. Princípio da adequação: dentro dos bens que caibam no valor determinado
pelo princípio da proporcionalidade, devem ser penhorados os bens que melhor
se adequem ao interesse do credor, sendo mais facilmente transmissíveis e
resultando num melhor produto de venda.

Responsabilidade (limites substantivos)
A lei substantiva dita o alcance máximo do objecto da penhora.

Tanto para as pessoas singulares, como para as pessoas colectivas a regra é a da
responsabilidade universal e imediata do art.º 601º CC.
À partida responde todo o património do devedor de forma imediata e
incondicional enquanto garantia geral do credor.

O princípio da responsabilidade universal conhece várias excepções.
Podem existir limitações legais e convencionais de responsabilidade que
afastam a universalidade e a imediação da responsabilidade.

O 601º, na parte final ressalva a separação de patrimónios.

A segregação patrimonial pode ser plena – opera-se uma restrição à
universalidade da responsabilidade. O património só responde por certa
categoria de dívidas.

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Ana Rita Rodrigues

Também pode ser condicional pois opera-se uma restrição à imediação da
responsabilidade. O património responde primariamente por certas dívidas e
condicionalmente por todas as restantes.

Limitações legais de responsabilidade:
- Arts.º 197º/3 e 271º CSC;
- Art.º 831º e art.º 833º 2ª parte;
- Art.º 1181º/1 desde que esteja sujeito a registo pelo 1184º;
- Art.º 2292º CC
- Art.º 127º/2 CC.

Limitações convencionais de responsabilidade:
Os arts.º 602º e 603º CC contêm regimes de limitação negocial de responsabilidade.
O 602º tem uma limitação positiva (limitar a responsabilidade do devedor a
alguns dos seus bens) e uma limitação negativa (determinados bens sejam
excluídos da execução).
Nada impede que essa limitação esteja sujeita a condições ou só opere para
certas dívidas que o devedor tenha perante o credor.

Art.º 603º: regula um caso especial de limitação de responsabilidade no caso de
doação ou em testamento.

Fica claro que as partes podem restringir o objecto da penhora, mas não podem esvaziar
o direito à execução pois este é um direito irrenunciável.

Limitações decorrentes da separação de patrimónios:
A separação pode ser:
 Absoluta: o executado tem no seu património uma certa massa de bem que está
destinada à dívida.
Havendo plena autonomia patrimonial certos bens só respondem por certas
dívidas e mais nenhumas.

Ex.: art.º 744º - regime da penhora em execução de dívidas de herança contra
herdeiros do art.º 744º.
Na execução contra o herdeiro só podem penhorar-se os bens recebidos do
autor da herança.
Se depositaram em dinheiro aquilo que para eles representa o valor
remanescente da herança que receberam, depois de pago o passivo, esse
depósito pode ser penhorado.

 Relativa: há uma massa que responde preferencialmente pel dívida e outra que
responde subsidiariamente.
Não havendo autonomia patrimonial temos um fenómeno de responsabilidade
subsidiária.

Art.º 745º CPC.

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deve começar-se por penhorar o bem onerado com a garantia real por força do benefício da excussão real. na medida em que não responde de imediato por qualquer dívida. Se o executado entender que esta subsidiariedade não foi respeitada poderá. e que. Têm de se esgotar primeiro os bens do devedor sobre os quais incide a garantia real devido ao benefício da excussão real do art. Aqui a condição de penhora dos bens do executado que respondem em segunda linha é uma prognose fundamentada de falta ou insuficiência dos bens do executado que poderiam ser primariamente executados. em resultado da existência de separação de patrimónios. salvo se o exequente tiver renunciado ou expressamente não pretender exercer a garantia. Ana Rita Rodrigues Existem dois tipos de responsabilidade subsidiária: o Objectiva: a subsidiariedade tem lugar no interior do património do executado. autonomizada do restante património. Há uma parte constituída por bens que está delimitada.º 697º CC: o devedor que for dono da coisa hipotecada tem o direito de se opor não só a que outros bens sejam penhorados na execução enquanto não se reconhecer a insuficiência da garantia. Se estes se mostrarem insuficientes ou não existirem.º 745º/5 completado pelos arts. Se os bens onerados forem insuficientes. O agente de execução está vinculado a esta norma.º 740º a 742º e 786º/1 a) e do art. . Só na sua falta irá penhorar outros bens do devedor.º 697º CC.Bens comuns sendo a dívida própria (art. invocando a violação do 752º/1 e do 697º CC. Caso a garantia incida sobre bens de terceiro. 74 .º 1695º CC) ou bens próprios sendo a dívida comum (1696º). Art. Se a garantia incidir sobre os bens do devedor subsidiário. o agente pode autonomamente fazer a penhora de outros bens ao abrigo do 751º/4 b). o benefício da excussão prévia prevalece sobre a garantia real pelo que têm de primeiro ir aos bens do devedor principal. embora no caso do 54º/3 somente depois de ele estar na acção como executado.º 752º/1. mas apenas pelo pagamento de determinadas dívidas. Situações de bens que beneficiam de um regime de responsabilidade subsidiária objectiva: . o benefício da excussão prévia prevalece e o fiador pode recusar-se a pagar enquanto não for executado o bem de terceiro sobre o qual incide a garantia real. pelo que não pode deixar de promover primariamente a penhora dos bens sobre os quais incida a garantia do exequente.Bens onerados com garantia real a favor do credor (697º CC e 752º CPC) Art. deduzir oposição à penhora ao abrigo do 784º/1 b) CPC. relativamente aos bens onerados a execução se estenda além do necessário à satisfação do direito do credor.

consequentemente.º 640º e 641º/2 CC. o que acontece é que o fiador adquire o benefício da excussão real. Regime: art. onerados ou não. tem o fiador o direito de exigir a execução prévia das coisas sobre que recair a garantia real. do sócio de SNC e do sócio comanditado de sociedade em comandita. entre os respectivos patrimónios. em sede de oposição à penhora. Temos dois devedores. É apenas da estrita legitimidade do devedor principal a invocação. nos termos do art.º 639º CC. Se para a mesma dívida houver garantia real constituída por terceiro.º 697º O devedor subsidiário que seja singularmente demandado tem a seu favor a garantia de forma ordinária por força do art. A condição de penhora dos bens do devedor subsidiário é a verificação do esgotamento ou falta dos bens do património do devedor principal. só que um deles só responde pela dívida na falta ou insuficiência de bens do outro devido ao benefício da excussão prévia. São os casos de fiança. Fiador: na execução da obrigação afiançada é-lhe lícito recusar o cumprimento enquanto o credor não tiver excutido todos os bens do devedor sem obter a satisfação do seu crédito – 638º/1 CC. situações de execução de devedor subsidiário que seja singularmente demandado. não deixa de estar sujeito à dispensa de citação prévia por fundado receio de perda da garantia patrimonial nos termos do art. o Subjectiva: a subsidiariedade é entre as dívidas de dois sujeitos (um devedor principal e um devedor secundário) e.º 550º/3 d). No entanto. Este esgotamento só ocorre com um pagamento insuficiente resultante da venda.º 727º. Isto tem aplicação independentemente de ter ou não renunciado ao benefício da excussão prévia. Em todas as demais situações. o benefício da excussão real do art. Ana Rita Rodrigues Esta garantia tem de ser anterior à fiança. contemporânea da fiança ou anterior a ela. Se essa garantia real incidir sobre os bens do devedor principal será irrelevante enquanto tal para o fiador pois este reclamará a excussão prévia dos bens do devedor principal. do sócio da sociedade civil. desde que não haja renunciado ao benefício da excussão prévia. mesmo que os bens do devedor principal se hajam esgotado – art. Tecnicamente.º 745º/5 e 7. Só não será assim na fiança mercantil do 101º CCom ou quando o fiador tenha renunciado ao benefício da excussão prévia dos arts. 639/1 CC. mas com renúncia ao benefício da excussão prévia e execução conjunta de 75 . ou seja.

Pode haver eventual litisconsórcio sucessivo com o devedor principal. Este regime vale seja qual for a forma de processo.Suspender a execução contra os seus bens se indicar bens do devedor principal que hajam sido adquiridos posteriormente à excussão dos bens deste ou que não fossem conhecidos – art. máxime. singularmente ou com o devedor principal. Foi movida apenas contra o devedor subsidiário. não podem penhorar-se os seus bens.º 745º/2. Desde que não tenha renunciado expressamente a ele ou se. o devedor subsidiário é parte ilegítima. 76 . no próprio processo. a execução do devedor principal em litisconsórcio sucessivo – art.º 745º/1.º 745º/1 e 728º/1. a execução seguirá a forma ordinária ou sumária conforme o que decorra da aplicação do art. Ana Rita Rodrigues devedor subsidiário. O devedor subsidiário tem o ónus de invocar o benefício da excussão prévia em requerimento como objeção preventiva à penhora – art. Ainda dentro da responsabilidade subsidiária subjectiva: O art. A penhora imediata dos bens do devedor subsidiário só se verifica quando o exequente junte. denso apresentado título executivo judicial apenas contra o devedor subsidiário e este na acção declarativa não tenha provocado a intervenção do devedor principal na acção declarativa – renúncia tácia ao benefício da excussão prévia – art. Para que a penhora não se inicie pelos seus bens este pode . enquanto não estiverem excutidos todos os bens do devedor principal. Já não o poderá fazer se o título também for contra si. podendo opor-se à execução – art. um fiador = art. . Se for movida contra o devedor subsidiário. Pode suspender a execução contra os seus bens se indicar bens do devedor principal que hajam sido adquiridos posteriormente à excussão dos bens deste ou que não fossem conhecidos – art.º 745º/5 Se a acção foi movida contra o devedor subsidiário fundada em título contra o devedor principal.º 641º/2 CC.º 550º/1 a 3. Esta é uma opção que faz sentido se o credor souber que já não há mais nada para excutir no património do devedor principal.º 745º/4. prova de que o devedor principal não tem bens ou que o devedor subsidiário renunciou ao benefício de excussão prévia – art.º 745º/1.º 729º/1 c).º 745º/4. Será processo ordinário – art. Perante a alegação do benefício da excussão prévia o exequente ode requerer.Alegar o benefício da excussão prévia (20 dias desde a citação) = art.º 550º/3 d).º 745º vem estabelecer um regime mais simples através do qual possa o devedor subsidiário fazer valer os seus direitos específicos. com o requerimento executivo.

º 735º1 CPC com o art.º 745º/2) e se era execução do devedor subsidiário singularmente pode o exequente requerer a execução contra o devedor. em litisconsórcio sucessivo – art. Ana Rita Rodrigues Sendo deferido o requerimento suspende-se a execução quanto ao devedor subsidiário (art. no mesmo processo. portanto.º 745º/6 Impenhorabilidades Não obstante a regra geral do art. devendo entender-se que a dimensão patrimonial da esfera jurídica das pessoas é um meio para o desenvolvimento da sua dimensão pessoal. se era execução contra o devedor subsidiário e o devedor principal.º 735º/1 que sujeita todos os bens do devedor à penhora para responderem pela dívida exequenda. o Está aqui subjacente uma ideia de custo-benefício pois a penhora é sempre oneradora da esfera do devedor e.º 601º CC Impenhorabilidades:  Absolutas: aqui há uma isenção total da penhora!! o Art.º 745º3. prossegue apenas contra esta. executam-se os seus bens. só deve ser feita quando o benefício que o credor retira dela seja muito superior. existem certos bens que estão sujeitos a impenhorabilidades legais. que será citado para pagamento do remanescente. o Daí que a alínea c) vede a penhorabilidade dos bens de valor diminuto pois não aproveitariam ao exequente. o A alínea a) conjuga com o art. Se for movida apenas contra o devedor principal – art. o Na alínea e) faz-se referencia aos túmulos. 77 . Conjuga-se o art. À partida não serão penhorados bens do devedor subsidiário.º 280º CC que dita a nulidade do negócio jurídico. quando seja proposta acção condenatória contra o fiador e este não tenha invocado o benefício da excussão na contestação.Por cláusula de renúncia expressa no contrato.º 736º o São absolutamente impenhoráveis pois estão aqui em causa garantias constitucionais. mas se eles se revelarem insuficientes. Não faria sentido preparar um objecto para a venda executiva que viria a ser nula. para o que será citado para pagamento integral.Por renúncia tácita. Importa notar que o devedor subsidiário pode renunciar ao benefício da excussão prévia: . execução contra o devedor subsidiário. . pode o exequente requerer. tendo em conta a natureza do bem. o Na alínea d) não se exige que o local de culto esteja aberto todo ano mas somente que a frequência com que abre seja necessária apara a formação do culto. por este ser estranho à execução. Sempre que o exequente tenha título contra o devedor subsidiário. é possível a sua citação ulterior para a execução.

 O limite máximo da penhora são 3xsalário mínimo. o Dentro destes bens há que incluir as televisões pois a jurisprudência tem entendido que a televisão e imprescindível por uma questão de companhia e de acesso à cultura.º 737º o O conceito de “economia doméstica” só se refere aos bens que estão na casa de morada efectiva do executado e cuja penhora contunda com a dignidade da pessoa humana. Os bens adquiridos pelo mandatário ainda não transmitidos ao mandante. o Art. e que sejam adquiridos ao abrigo de um contrato de mandato sem representação. Ana Rita Rodrigues Há que ter em conta as situações em que estamos perante um jazigo vazio.º 739º . É um critério objectivo que tem de ser interpretado à luz do princípio da proporcionalidade.  1/3 (33%) é o limite de penhorabilidade estabelecido legalmente. descanso e higiene. podendo sofrer alguns desvios subjectivos a favor das circunstâncias concretas do executado. o Relativamente à nova alínea h) há que notar que independentemente do valor que tenha o animal de companhia é sempre impenhorável. não 78 . o RP: estas impenhorabilidades são irrenunciáveis. não podendo ser penhorado mais do que isso o Art.  Relativas: a isenção de penhora só ocorre dentro de determinadas circunstâncias. Art. o Art.º 738º o Os direitos de crédito só podem ser penhorados até um certo limite porque geralmente são destinados à garantia da subsistência do executado. Neste caso o executado fica obrigado a provar eu aquele depósito ou valor é proveniente de um crédito parcialmente penhorável. Contudo os prémios que tenha ganho já o são. sendo hoje em dia um padrão normal das famílias. o Art.º 1184º CC: caso de possível impenhorabilidade por indisponibilidade substantiva objectiva. Atende-se às necessidades mínimas de alimentação. No entanto há jurisprudência que defende a impenhorabilidade ainda que vazios pois devido à natureza do bem continua a ser atentatório dos falecidos a penhora. não podendo o devedor indicar estes bens à penhora.  O executado tem sempre de ficar com o valor do salário mínimo pelo que se for esse o seu vencimento não há lugar à penhora.º 738º/4 – caso seja um crédito de alimentos estes limites desaparecem pois entende-se que o direito à subsistência do exequente prevalece sobre o do executado. A diferença está em não os ter pois túmulo pressupõe que existem restos mortais la dentro.a protecção mencionado vale mesmo que estes créditos sejam pagos através de conta bancaria.  Parciais: a isenção de penhora é apenas parcial. Nestes casos há quem entenda que se pode penhorar pois não passa de um bem que serve para depositar restos mortais.

Se o exequente não prescindir da penhora. beneficiando de uma moratória temporal = art. não havendo intervenção da secretaria do tribunal.º 724º permite que o exequente indique logo bens do executado susceptíveis de penhora.º 750º.º 752º A penhora tem várias fases Actos preparatórios: Quando começa a penhora?? A penhora começa desde logo a delinear-se no requerimento executivo porque o art. Procedimento de penhora Antes de tudo tem sempre de haver a indicação dos bens:  Pelo exequente – art.  Pelo exequente e pelo executado no caso de não terem sido encontrados bens – art.  Dispensa de indicação de bens – art. o Art.º 724/2. o executado também se encontra obrigado a indicar bens à penhora.º 846º). Inicia-se antes da citação do executado.º 749º o Art.º 748º/2 + 717º = consultar o registo informático de execuções.º 807º) e quando o executado 79 .º 750º/1.º 751º/1.º 806º) ou pagar a dívida (art.º 855º/2 – inicia-se assim que o requerimento executivo é aceite pelo agente de execução.º 751º/3.º 754º/1 = o agente de execução informa o exequente de todas as diligências o Se o devedor chegar a acordo (art. verdadeiramente a penhora começa: o Forma ordinária: os actos preparatórios só podem começar após a notificação da secretaria ao agente de execução – art. Actos preparatórios: o Se o exequente indicou bens do executado. o Forma sumária: art. No entanto. ficando dispensado de procurar bens. o Eventual pesquisa de bens na falta ou insuficiência de bens indicados pelo executado – art. o agente tem de respeitar a indicação.º 748º/1. Não podem ser penhorados imediatamente determinados bens. os bens penhorados transformam-se em garantias reais (art. o princípio da proporcionalidade ou o art. Este preceito requer um juízo de prognose. salvo se as indicações ofenderem norma legal imperativa. desde que o mandato conste de documento anterior à penhora. a penhora levanta-se e a execução extingue-se. Ana Rita Rodrigues respondem pelas dívidas do mandatário. Igualmente pelo art.

º 757º: há que proceder à entrega do imóvel a um depositário que deve tomar posse efectiva do mesmo.º 755º: feita comunicação electrónica ao registo + art.º 757º/3. 5 e 7: como e quando pode ser feita a entrada no domicílio do executado. Art. 80 . Aqui cabe distinguir: .º 764/3 pode ser ilidida pelo executado ou terceiro mediante prova documental do direito de terceiro sobre o bem.Penhora de direitos: arts.º 772º .Penhora de bens imóveis: arts. Ana Rita Rodrigues não pague.faz-se a apreensão/ apossamento da coisa.~ Art.º 773º e ss São direitos de crédito ou de gozo que não estejam em titularidade e posse exclusiva.Móveis não sujeitos a registo: art.º 758º: extensão da penhora quando o seu objecto seja um imóvel: Abrange as partes integrantes e não as acessórias. . a instância pode ser reaberta. .º 756º quem pode ser depositário.º 755º porque tem de se seguir as regras do registo.º 768º/3: após a penhora e imobilização há que apreende os documentos do bem e proceder à sua remoção. Art.º 768º/2: possibilidade de imobilização. . Neste caso temos a penhora do crédito do executado sobre o terceiro devedor. Pode não haver remoção no caso do art. Art.º 764º e ss Art. Na penhora de créditos o executado é credor de terceiro que será. seguida da sua imediata remoção para depósito.Penhora de bens móveis: arts. podendo ainda considerar-se créditos futuros do executado sobre o terceiro.º 764º . A presunção do art. devedor do executado. apenas é uma autorização de entrada no domicílio.º 764/2. sendo vendidos os bens sobre que recaía a primeira penhora.º 755º e ss Art. contudo há que ter em conta o regime da solidariedade. A entrada só pode ocorrer entre as 7h e as 21h. bem como abrange os frutos que ainda não se tenham destacado. O facto de o crédito anda não estar vencido não é motivo pra que este crédito do terceiro não possa ser penhorado. É necessária autorização judicial – não se confunde com autorizar a penhora. por sua vez.aplicação subsidiária da penhora de imóveis. Também o facto de existirem outros credores desse crédito sobre o terceiro não é motivo de impedimento.Móveis sujeitos a registo: art. Art. Acto de penhora stricto sensu Quando aos actos a penhora está dividida em: .º 768º Aplica-se o art. O depositário é o agente de execução.

º 741 e chama-se o outro cônjuge mediante citação. Art. É um ónus do terceiro devedor. Neste caso poe-se o problema da natureza do bloqueio pois até ele acontecer não há penhora.º 781º: para direitos de compropriedade ou indivisos. quando este se vencer tem de o pagar a execução. por exemplo.º 780º: para depósitos bancários. Esta penhora tem duas fases: . No entanto o terceiro pode fazer uma confissão complexa. O agente deve comunicar o saldo existente na conta ou qual a quota-parte do executado e essa parte fica logo bloqueada desde a data da comunicação.Fase de bloqueio da conta. mas que só tem de o cumprir mediante contraprestação – aqui vai-se ao art. Se negar a existência o crédito.º 739º: se um crédito for impenhorável. contudo não será uma pré-penhora. por ser uma indisponibilidade semelhante às do art. Regime comum: Se se indicar o nome de um devedor do executado. não obstante pelo art. Art. Ana Rita Rodrigues No caso do crédito ser um bem comum de ambos os cônjuges aplica-se o art. o agente fará a notificação do terceiro que passa a ter o direito de vir confirmar ou negar que é devedor no prazo de 10 dias – arts.º 720º CC quanto às penhoras de crédito.º 740º/1 e aplica-se o regime do art.º 738º/5: não pode ser bloqueado montante correspondente ao salário mínimo.º 781º/4 o executado perder qualquer forma de movimentar as quantias e.º 773º. Entende que não é uma pré-penhora. sendo o crédito penhorado e vendido como crédito litigioso – segue-se o regime do art. não se abre nenhum incidente declarativo.º 776º/1 Regimes especiais: Art. Art.º 780º/7: estabelece uma ordem de venda. mas ainda há uma expectativa de aquisição da propriedade (reserva de propriedade ou leasing) e por isso pode haver penhora da expectativa e apreensão do bem. Art. o montante correspondente a esse crédito não conta também será impenhorável.º 780º/9. Se o terceiro devedor for o exequente.º 778º para direitos ou expectativas de aquisição – o executado não é o dono da coisa. .º 775º Se reconhecer o crédito. também é possível a penhora do crédito pois será uma estratégia processual.º 780º/1: como é feito o bloqueio. Parece a TS que a circunstancia da penhora.º 774º: para títulos de crédito – tem de haver apreensão. Art. Art. 81 . Concretamente a fase da penhora resulta do art.Fase de penhora Art. quando se efetivar retroage ao momento do bloqueio. dizer que o crédito existe.

Efeitos da penhora Os efeitos da penhora podem ser arrumados em dois grupos:  Subfunção de garantia (822º CC): a penhora permite ao exequente ser pago antes de todos os outros que não tenham garantia real anterior à penhora ou ao arresto dos bens penhorados. Ana Rita Rodrigues Art. quando tenha havido arresto. Não esquecer que na forma sumária. ficando numa posição de prevalência sobre os outros credores. o agente de execução lavre o auto de penhora. podendo o executado deduzir cumulativamente oposição à execução e à penhora (856º).º 853º Os atos de penhora devem ser dados a conhecer ao executado através da notificação da penhora. O exequente também tem. o Se houver vários credores a concorrer aos mesmos bens.  Oposição à penhora por simples requerimento.º 782º: para estabelecimento comercial Notificação: Art. previamente. Se o executado estiver presente no ato de penhora ele será notificado por contacto pessoal nesse momento. como seria aqui o caso. todos eles aparecerão na reclamação de créditos e os seus direitos serão graduados. o O exequente quando consegue penhorar um bem adquire um direito de garantia. Se o executado estiver ausente no ato de penhora ele será notificado nos 5 dias posteriores a este. RP considera que não se trata de uma garantia real porque não há sequela. pois ele também pode opor-se à penhora. porque se pode opor a outras execuções. além disso há garantias que são meramente obrigacionais.  Embargos de terceiro. Lebre de Freitas considera que se trata de uma garantia real processual. impugnar a penhora ou pedir o seu reforço. declarando e comprovando a penhora que foi feita: é este auto que vai servir de certidão de penhora e que vai ser enviada ao executado. As notificações devem incluir a menção ao direito de defesa. e é por isso que dá jeito a subfunção de garantia da penhora. não tendo o exequente que ficar em primeiro lugar: a execução singular transforma-se em execução coletiva. de ser notificado. obviamente. Formas de defesa:  Oposição à penhora por parte do executado. pois os bens já não saem da esfera do executado. com esta notificação também ocorre a citação para a execução. Para tal é preciso que. 82 .

 Atualmente a penhora implica que o bem penhorado não pode ser vendido. são eficazes os atos de oneração 83 . credores reclamantes e terceiros adquirentes na venda executiva). por ser aquele que tem mais consequências práticas.  A sanção não é a invalidade / nulidade. ele converte-se em penhora e esta fica com essa data anterior. se a penhora for levantada e o bem não for vendido executivamente.  São duas as manifestações deste efeito:  Quando o direito penhorado seja um direito de crédito sobre terceiro. o Indisponibilidade jurídica relativa: existe para evitar que o executado aliene os bens. há uma alteração do regime de cumprimento. o efeito do ato onerador ou de disposição produz-se retroativamente.  Objetivo: mesmo que sejam posteriores à penhora. porque o arresto tem os mesmos efeitos da penhora. corresponde a uma inibição de exercício dos poderes de gozo e aproveitamento sobre o bem. mas sim direcional. ou quando o exequente se opuser. nos termos do art. sob gestão do executado com fiscalização nomeada pelo juiz. mas sim a ineficácia relativa: o Os limites à ineficácia são:  Temporal: só dura enquanto houver penhora.º 822º/2 manda prestar atenção ao arresto porque se este existir antes da penhora.  Subjetivo: não se trata de uma ineficácia erga omnes. continuando depois o estabelecimento a funcionar normalmente. porque a lei determina que todos os atos de oneração e disposição dos bens penhorados são ineficazes. poderes esses que ficam à ordem do tribunal. na medida em que o ato em causa apenas não é oponível à execução (exequente. sob gestão de administrador nomeado pelo juiz (782º).  É o efeito mais importante. quanto à penhora de direitos. que é uma decorrência deste efeito: o terceiro cumprirá perante o agente de execução e já não perante o executado.  A penhora de estabelecimento comercial faz-se por auto ?????.  Corresponde à apreensão / desapossamento na penhora de coisas móveis.  Oneração inclui o arrendamento. enumerando-se todos os direitos existentes. 777º. Ana Rita Rodrigues o Art. como estes não estão associados a uma posse.  Subfunção de conservação dos bens: o Indisponibilidade material absoluta: existe para evitar que os bens desapareçam ou pereçam.

Quanto aos meios temos:  Se o impugnante for o executado: 84 . sendo apenas necessário mais um ato de notificação do preferente. o efeito real. o Esta ineficácia também opera se for o terceiro a extinguir a dívida. Oposição à penhora Seja qual for o meio utilizado.  Pacto de preferência depois da penhora: o Prof.  Os regimes de ineficácia são diferentes consoante os bens penhorados:  Se for penhora de direitos reais (819º CC): apenas não se produz o efeito translativo. considera que não. exceto se prejudicarem a execução. Ana Rita Rodrigues que sejam impostos por terceiro (princípio da proporcionalidade). porque o devedor do executado não pode extinguir o contrato devido à ineficácia da extinção do crédito. o Os contratos de longa duração levantam problemas. não se restringindo a venda executiva.  Hipoteca judicial. porque não se estabelece um preço. mas os efeitos modificativos podem operar.  Se for penhora de direitos de crédito (820º CC): não se produz o efeito extintivo. o pedido é sempre o mesmo: levantamento da penhora - extinção da penhora mediante a sua revogação. porque o contrato-promessa fixa um preço e isso restringe a venda executiva.  O prof. considera que sim.  Contrato-promessa depois da penhora já é mais discutível: o Prof.  Penhora posterior à primeira penhora. considera que quanto haja causa não dependente da vontade do executado a ineficácia não opera. para evitar extinções fraudulentas.

embora nenhum credor possa ser pago. sendo o prazo de 20 dias a contar do ato de penhora (856º/1). a menos que o executado preste caução (785º/3 CPC). pelo que se foram penhorados outros bens. mas há doutrina que considera que esta arguição deve ser feita à parte. Se forem deduzidas ambas as oposições de forma cumulada. que não caiba nos outros dois meios de impugnação. só podem ser penhorados bens recebidos na herança. utiliza-se este meio. Na opinião de Rui Pinto é o meio indicado para arguir a nulidade da penhora. princípio da proporcionalidade). o executado indicando outros bens da herança. Protege-se a casa de morada de família (733º/5. o Reclamação por simples requerimento dos atos do agente de execução: Qualquer outro vício. Há que distinguir se estamos:  Na forma ordinária: O prazo é de 10 dias a contar do ato de penhora (785º/1 CPC). pode requerer o levantamento daquela. A oposição à penhora não tem autonomia procedimental. nos termos gerais. o efeito suspensivo da oposição à execução estende-se à oposição à execução. todos do CPC É mais um incidente declarativo na ação executiva.  Na forma sumária: O incidente corre em termos cumulados com a oposição à execução. sendo o executado citado e notificado do ato de penhora no mesmo momento. durante a pendência do incidente. Ana Rita Rodrigues o Oposição à penhora: 784º e 785º + 856º. a menos que o executado apenas deduza oposição à penhora. Não tem efeito suspensivo. 85 . para o qual só o executado tem legitimidade ativa e cuja causa de pedir assenta na ilegalidade objetiva da penhora (regras da responsabilidade subjetiva e subsidiária. sem prestar caução (785º/6 CPC). regras das impenhorabilidades. o Oposição por simples requerimento (744º): Quando se execute uma dívida de herança. ex vi 785º/4 CPC).

não for uma parte na execução: o Embargos de terceiro: É um incidente declarativo da execução.  Efeitos da rejeição . Serve para o terceiro procurar demonstrar a aparência do "bom direito". cabendo à parte passiva o ónus da prova de que a caducidade já se verificou. o fumus boni iuris (345º CPC). Ana Rita Rodrigues A diferença radicará no prazo que o juiz tem para decidir do incidente.  Se o impugnante for o exequente: o Reclamação por simples requerimento dos atos de agente de execução. se o embargante a pedir. Atenção que este é um prazo material de caducidade e portanto é contado nos termos do CC e não nos termos do CPC. Tem natureza tipo cautelar.  Efeitos da receção .  Têm duas fases:  Introdutória: Decorre entre o terceiro e o tribunal. 344º/2 CPC: 30 dias a contar do ato da penhora ou do conhecimento desse ato. porque o despacho não faz caso julgado material. embora a penhora se mantenha.346º CPC: Não obsta a que se proponha outra ação de reivindicação ou de simples apreciação positiva. Começa com a petição inicial.347º CPC: Suspende o processo contra os bens em causa. não podendo por isso existir depois de extinta a execução. previsto no art. há despacho limiar.  Se o impugnante for um terceiro. sendo por isso um prazo não contínuo e de conhecimento oficioso. há prova e há um segundo despacho do juiz de rejeição ou recebimento dos embargos. Há um prazo especial. sendo regulado como um incidente de intervenção de terceiros (342º CPC).  Restitui-se provisoriamente a posse ao terceiro. 86 . mas nunca depois dos bens terem sido vendidos pois aí terá que seguir para ação de reivindicação.

os direitos reais de gozo na titularidade do terceiro e a posse no seu âmbito. porque o CPC define que estes credores devem utilizar a reclamação de créditos ou esperar que sejam citados.  Os direitos reais de garantia também são oponíveis à execução. porque estes são oponíveis erga omnes + a locação (1057º CC).  Contraditória: o Decorre entre o terceiro.  Notificam-se as partes primitivas para contestar (348º CPC). o Segue-se os termos do processo comum: despacho saneador. o Há uma ofensa concreta quando:  O direito é incompatível com o âmbito da penhora: a penhora é mais vasta do que devia ser e prejudica o terceiro pelo seu registo. o Este ato pode ser a penhora. o Tem uma natureza tipo declarativo. audiência prévia.  Isto só não é verdade se o terceiro com garantia real ou promitente- comprador forem terceiros perante o próprio executado. prima facie. porque nesse caso eles nunca vão ser citados: quando os direitos dos credores 87 . audiência de julgamento e sentença. bem como os direitos reais de aquisição. um arresto. o tribunal e as parte primitivas da ação executiva. Ana Rita Rodrigues o O terceiro fica como depositário. uma restituição provisória da posse ou qualquer outro ato. o Direitos ou posse incompatíveis são aqueles que sejam materialmente oponíveis à execução:  São. sob pena de nulidade (786º/6 CPC). mas não em sede de embargos de terceiro. pois esta figura é um meio de oposição não só aplicável à ação executiva. o  Têm uma causa de pedir complexa:  É necessário que tenha ocorrido um ato concretamente ofensivo de um direito ou da posse do terceiro.  O direito é incompatível com o ato da penhora: a penhora é mais vasta do que devia ser e prejudica o terceiro pelo desapossamento.

assim. ser ilidida perante o juiz. que a presunção só serve para resolver casos duvidosos e por isso. A presunção do 764º/3 CPC só pode. o agente de execução deve fazer sempre a penhora.  O possuidor em nome alheio (detentor) não pode embargar de terceiro. o Ação de reivindicação (1311º CC): Pode ser colocada a todo o tempo. Atenção ao protesto por reivindicação (840º CPC): Se o objeto da execução e da ação de reivindicação forem coisas móveis. Ana Rita Rodrigues oneram os bens do terceiro e não os bens do executado esta é a única via para eles se defenderem. não sendo admissível o protesto imediato nem por impenhorabilidade objetivas. Isto porque a ação de reivindicação é dirigida contra a execução (Estado. o agente de execução não tem como se certificar de que os bens pertencem ao executado. em litisconsórcio passivo). oficiosamente. desde que não tenha havido usucapião. 10 dias a contar do ato se o impugnante for parte na execução (aplicação do prazo supletivo estabelecido na lei para os atos processuais). Foi uma alteração da Reforma de 2003. quando seja manifesto que o bem é de terceiro o agente de execução. já não fará a penhora. Há doutrina que considera. sendo que quanto ao prazo podemos ter: 30 dias a contar do ato ou do conhecimento do ato se o impugnante for terceiro à execução (aplicação analógica do prazo de embargos de terceiro). na opinião da regência): Na penhora de bens móveis não sujeitos a registo. estas não podem ser entregues ao comprador em venda executiva e o produto da venda não é levantado sem que se preste caução. exequente e executado. razão pela qual existe a presunção do 764º/3 CPC: presume-se que são do executado os bens encontrados na sua posse. mesmo depois da extinção da ação executiva e da venda executiva. o Oposição à penhora por simples requerimento (protesto do ato de penhora. Na opinião de RP. a venda executiva é anulada. por prova documental inequívoca. nem por impenhorabilidades subjetivas. Para este incidente têm legitimidade: O terceiro proprietário do direito penhorado. todavia. 88 . Se a ação for procedente.

A citação será promovida pelo agente de execução por via postal – art. porque a data do documento não é clara e por isso não se sabe se o direito do terceiro é anterior ou posterior à penhora ou porque o documento é falso. o que implica que segue o regime geral da nlidade primária da falta de citação. não há caso julgado. por si próprio ou terceiro. Ana Rita Rodrigues O executado.º 786º/2 tem o mesmo efeito que a falta de citação do réu. O desrespeito pelas normas de procedimento e conteúdo da citação são causa de nulidade da citação nos termos gerais – art.º 191º/1. será efectuada mediante contacto pessoal do agente com o executado – arts.º 227º/1 2ª parte. conforme a sua competência – art. A pura e simples falta de citação do cônjuge do executado imposta pelo art. Esta falta de citação fica sanada se ele intervier na execução sem logo arguir esta falta de citação – art. a prova documental é inequívoca. Art. no caso de esta se frustar. O cônjuge deve ser informado do seguinte:  Art. Citação do cônjuge Consumada a penhora.º 227/2 – prazo para deduzir oposição à penhora.º 228º e. porque a sua decisão não faz caso julgado. ainda que não estejamos aqui perante um verdadeiro incidente declarativo. Pode ser invocada pelo cônjuge no prazo da oposição. determina o art. pelo que o terceiro pode recorrer aos outros meios de oposição à penhora. Se não houver oposição.º 786º/7: o cônjuge do executado tem de ser citado pessoalmente.  Art.º 786º/1. entre elas o cônjuge do executado e os credores que sejam titulares de uma garantia real sobre os bens penhorados para reclamarem o pagamento dos seus créditos. Aqui há que distinguir: 89 .º 189º/1. Se houver oposição do exequente ou do executado.º 227º/1. Uma vez feito o protesto o juiz tem que notificar as partes primitivas para que estas deduzam o seu contraditório. cabe ao juiz decidir se foi ou não posta seriamente em causa a veracidade do documento: Se o terceiro perder neste incidente.  Art.º 786º/1 e 2 e 5.º 231º e 232º. que o agente de execução.º 719º/1 procede oficiosamente à citação das pessoas mencionadas no art.

º 786º/1 a) 1ª parte = estão em causa bens que.º 787º. Relativamente aos restantes bens dos arts. deverá citar o cônjuge do executado – art. podendo deduzir oposição à execução e/ou à penhora.º 786º/1 a) 2ª parte + art. O estatuto de cônjuge do executado traz os direitos do art. 90 . Só cabem aqui os bens imoveis e o estabelecimento comercial que não possam ser alienados sem o consentimento do outro cônjuge. passando o seu património também a responder pela dívida. mediante a citação. o Se o exequente colocar a acção contra os dois será procedente a oposição à execução na qual se alegue a ilegitimidade da parte. o A comunicabilidade é um incidente que permite alargar o título executivo contra um dos cônjuges ao outro. dando-se apenas a conhecer a situação destes bens ao cônjuge. o A citação ocorre quando:  Art. É o agente de execução eu. Ana Rita Rodrigues  O credor tem título executivo contra ambos os cônjuges: o Ambos são executados – não há estatuto de cônjuge do executado. o Até que seja procedente a comunicabilidade da dívida o cônjuge terá o estatuto de cônjuge do executado. Isto sob pena de não se conseguir penhorar nada.º 740º/1 = estão em causa bens comuns do casal.  O credor tem título contra um relativamente a uma dívida própria: o O outro cônjuge tem o estatuto de cônjuge do executado. quando penhorar os bens comuns que haja escolhido.º 786º/5 + 741º + 742º e transforma o cônjuge do executado. o A citação ocorre pelo art.  Art. a comunicabilidade deveria ter sido feita nesta acção.º 740º/1 para este poder requerer a separação dos bens. porque estão a ser executados bens seus por uma dívida pela qual não tem responsabilidade. o cônjuge já não tem de dar o consentimento. À partida o cônjuge não aceitará a comunicabilidade e defender- se-á dela para não adquirir este estatuto e proteger os seus bens. Não há lugar a citação do cônjuge. A partir do momento da procedência da comunicabilidade passa a ser executado. É citado para requerer a separação de bens. o executado não pode alienar sem o consentimento do outro. embora sejam próprios.  Tem título contra um relativamente a dívida comunicável: o Se o título for judicial não pode haver comunicabilidade porque já houve acção declarativa anterior e.º 1682º e 1682º-A. Nomeadamente poder opor-se à penhora e requerer a separação dos bens.

º 788º/3. podendo importar o disposto no art.º 785º/ 1. A sua citação é feita nos termos gerais = arts.º 227º e ss.º 202º CC.º 740º/1 e 786º/1 a) 2ª parte. Quanto aos direitos reais de garantia que não estejam registados. Cabe a esse agente a realização das citações que devam ter lugar por causa da penhora e aquando da penhora – art.º 740º/1 – requerer a separação dos bens (art. eles são conhecidos no processo por alguma das vias especialmente criadas para o efeito:  O exequente pode indicar credores que conheça no requerimento executivo. A omissão da citação do cônjuge do executado tem o mesmo efeito que a falta de citação do réu. o cônjuge pode no prazo para a posição (20 dias) – art. São citados pelo agente de execução que tem competência para tal – art. ocorre a citação dos credores reclamantes. Ana Rita Rodrigues A citação é promovida oficiosamente pelo agente de execução – art.  Oficiosamente pelo agente de execução no acto de apreensão do bem = art. Citação dos credores reclamantes Após a penhora ocorre.º 719º/1.º 786º/1 e 2. segundo a medida do dano provocado pela pessoa a quem seja imputável a falta de citação. Art.  O juiz pode conhecer oficiosamente da existência de uma garantia real O credor que seja conhecido por alguma destas vias deve ser citado.  O executado tem o dever de indicação de direitos. 2 e 5. Pelo mesmo artigo é conferido ao cônjuge o direito a uma indemnização segundo a medida o enriquecimento sem causa do exequente oi de outro credor pago na vez dele e.º 825º/5) ou juntar certidão de ação de separação pendente já requerida. A citação destes credores apenas pode ser pessoal. independentemente de o executado ter sido citado previamente à penhora ou só depois desta.º 786º/6.º 786º/1 a). O credor desconhecido do processo pode reclamar espontaneamente o seu crédito – art.º 753º/3. Contudo a nulidade pode ser suprida por repetição do acto de citação do cônjuge – art. ónus e encargos não registáveis que recaiam sobre o bem penhorado.º 747º/2. Citado nos termos dos arts. Procede assim o agente de execução à citação oficiosa destes credores titulares de garantias reais – art. Fica suspensa a execução mas não o fica a penhora. a par da citação do cônjuge. 91 .º 786º/1 a). no prazo da oposição e sob pena de condenação como litigante de má-fé = art.

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