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Acto I – Cena VIII

1. Contextualiza a cena na estrutura interna e externa da obra em que se insere.
Relativamente à estrutura externa, o excerto insere-se no acto primeiro, cena VIII, da obra Frei Luís de Sousa,
de Almeida Garrett; quanto à estrutura interna, integra-se no conflito.
2. Nesta cena estão em confronto Manuel de Sousa e Madalena.
2.1. Organiza os substantivos da lista que se segue, em função das personagens a que eles se
reportam.

 razão  determinação  emoção  honra
 lealdade  patriotismo  hesitação  terror
 lucidez  presente  passado  individualismo

Madalena: emoção, hesitação, passado, terror, individualismo.
Manuel de Sousa: razão, lealdade, lucidez, determinação, patriotismo, presente, honra.

2.2. Faz o levantamento dos argumentos que Manuel de Sousa Coutinho apresenta para convencer
Madalena da necessidade de se mudarem para a casa que foi de D. João.

Manuel de Sousa apresenta-se decidido, racional, tentando mostrar a Madalena que os receios que ela
revela são apenas “caprichos”: “Não temos outra casa para onde ir;”; “Eu não tenho ciúmes de um
passado que me não pertencia.” ; “Não há senão um temor justo (...) das más acções que fazemos”.

3. Baseando-te nas suas falas, explica por que razão podemos afirmar que Madalena de Vilhena é
uma personagem dominada pela emoção.
Madalena reage emocionalmente, de forma excessiva, à possibilidade de ter de mudar para a casa onde viveu
com o primeiro marido. Revela-se incapaz de argumentar de forma coerente, limitando-se a enunciar temores
que não consegue fundamentar, a profetizar catástrofes que recairão sobre a família, evidenciando a
convicção de que o passado poderá regressar e abater-se sobre o presente. Reconhece mesmo que se trata
de loucura. A emoção perpassa ao nível do próprio discurso, pleno de hesitações, suspensões, frases
exclamativas, interjeições e apelos pungentes.

4. Pelo contrário, de Manuel de Sousa Coutinho poderá dizer-se que se caracteriza pela
racionalidade.
4.1. Refere todos os elementos que, no discurso desta personagem, fundamentem a afirmação
anterior.
Manuel de Sousa Coutinho revela lucidez e capacidade de ajuizar sem se deixar perturbar pelas emoções. A
sua primeira fala revela-o como um homem que, embora respeite o passado, vive o presente, agindo de modo
pragmático e determinado, de acordo com os seus valores, nomeadamente o patriotismo e a honra: “Há-de
saber-se no mundo que ainda há um português em Portugal.”
Na segunda fala, Manuel de Sousa Coutinho revela uma fé inquestionável, embora temperada pela lucidez que
resulta da sua convicção na dignidade humana e na responsabilidade individual de cada um pelos seus actos.
É exactamente à fé que recorre como forma de aquietar D. Madalena, afirmando que rezarão ambos pela alma

“acabou mártir” são expressões que conferem a D. 9. à felicidade da família. que a impedem de aderir incondicionalmente. O seu apelo final à esposa vai no sentido de ela recuperar a postura digna que deve a si própria e aos seus antepassados e de não perturbar com receios injustificados uma acção que exige um empenho total de razão e emoção — “que as preciso inteiras nesta hora. a partir de um enunciado. Os conectores “pois” e “mas” estruturam a fala da personagem em dois sentidos opostos. João de Portugal elaborado por Manuel de Sousa predominam linhas semânticas que remetem para o conceito de santo: “aquela santa alma que está no céu”. 7. de informação não explicitada. característica evidenciada na busca de felicidade através da realização amorosa e no valor que atribuem aos seus sentimentos e ansiedades. ou seja. a força dos seus receios. 6. João de Portugal a marca da santidade. colocando-o num patamar de abstracção que o transforma necessariamente num espectro. lhe retira o estatuto de ameaça real.” 5. e ainda na descrição da sua figura como ameaçadora e portadora de destruição — “com uma espada de dous gumes (. João de Portugal como “sombra despeitosa”. à decisão do marido. na valorização que fazem da sua própria subjectividade. Encontra indícios do final trágico da acção nas falas de D. As figuras de estilo presentes são a metáfora e a ironia. Madalena. João de Portugal. logo também ela quererá. que condiciona as suas vidas ao mais íntimo e ínfimo pormenor e que será o impedimento final que encontrarão ao seu amor. Atendendo a que a pressuposição é um processo inferencial que consiste na dedução.. da figura que Madalena tanto teme. como desejaria. para Madalena. As referências de Madalena à sua infelicidade e morte certas corroboram também a antevisão do desenlace trágico da família.. Deste modo. “pelejando por seu Deus”. “santa batalha”. A metáfora tem a ver com a identificação da luz com o conhecimento: Manuel de Sousa protagonizará um gesto que irá criar luminosidade e essa luminosidade. Manuel de Sousa afasta D. expressão que remete para o carácter pernicioso da sua presença — “sombra” — e para o receio da sua reacção de ciúmes. visto que. Madalena de Vilhena e Manuel de Sousa Coutinho apresentam como traço comum a afirmação sem peias da sua personalidade. . Comenta o conteúdo da frase ‘vou dar um exemplo a este povo que os há-de alumiar” tendo em conta o conceito de pressuposição e identifica as figuras de estilo aí presentes. Estas são algumas das características das personagens que permitem inseri-las na cosmovisão romântica. No primeiro caso. Os indícios que anunciam o final trágico consistem na referência a D. concreta.) que a atravessa no meio de nós. Explica de que modo os conectores discursivos presentes na segunda fala de Madalena veiculam a sua instabilidade interior. Partilham ainda uma religiosidade essencial. 8. este veicula um carácter conclusivo. João do mundo dos vivos. O conector “mas” introduz na fala da personagem a sua divisão interior. característica que tem sido uma constante da relação de ambos. D. entre mim e ti e a nossa filha. ou seja. se Manuel de Sousa quer. No retrato de D. valor que até aí tinham apresentado como absoluto. Manuel de Sousa Coutinho pressupõe que o domínio filipino impôs ao povo português uma espécie de escuridão (cegueira) que o seu gesto irá dissipar [curar). que nos vai separar para sempre” . Estabelece uma ligação entre estas duas figuras e as características da cosmovisão romântica. irá despertar as consciências dos seus contemporâneos para a urgência de lutar pela pátria. simbolicamente. Identifica as linhas dominantes do retrato que Manuel de Sousa elabora de D.

mas querendo significar o seu sentido literal. ou seja. . Manuel de Sousa fá-lo no sentido metafórico. eles serão realmente “alumiados” por labaredas reais.Por outro lado. ao usar o termo “alumiar”.