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AS ORIGENS DAS LINGUAGENS - FALA E ESCRITA - NECESSIDADES

ESPECIAIS E A NEUROPEDAGOGIA
Prof. Rafael Bruno Neto, Dr.

Tudo na natureza é uma consequência de uma ou mais causas. O que é o ser
humano hoje é uma consequência também de “muitas causas”. De como era a terra há
milhões de anos, de como eram os animais que haviam se adaptado às condições que
o habitat oferecia em termos de composição da atmosfera (oxigênio e outros gases),
variações de temperatura ao longo do ano, formas de vida animal e vegetal existentes,
disponibilidade de água, e assim por diante, enfim, tudo dependia de qual era o custo
para se manter vivo.
Afinal, todas as formas de vida têm de se alimentar, se proteger (pelo menos)
até a idade procriativa (não importando a forma de reprodução), procriar em um ritmo
que pelo menos equilibrasse a velocidade de morte, sob pena de ser extinto.
Além disso, a vida teve de ir se adaptando (modificando, evoluindo?) à medida
em que todas essas condições terrestres foram se modificando. Por isso, muitas formas
de vida hoje não existem mais: não conseguiram acompanhar essas mudanças.
A evolução não ocorre por qualquer motivo ou de modo involuntário. Ocorre a
partir de pressões externas que promove o que foi chamado por Darwin de seleção
natural. Essa se desenvolve de modo muito simples. Todos os seres vivos – inclusive
nós – vieram desse sistema imposto pela natureza. Não há escolha se se quer fazer
parte ou não, apenas vive-se permeados por ela.
A seleção natural é algo muito simples: nada mais é do que ter filhos e esses
sobreviverem ou não; caso sobrevivam, o indivíduo terá o que é chamado de sucesso
reprodutivo, jogando suas características para frente, para as próximas gerações; mas
caso isso não ocorra, esse animal estará fadado ao fracasso. E, de modo mais
abrangente, se isso ocorrer com os diversos indivíduos de uma mesma espécie, essa
estará fadada ao fracasso: entrará em extinção.
A saga da origem e evolução da espécie humana, culminando com o homem
moderno (há cerca de pelo menos 40.000 anos ou mais), tem muitas vertentes que
tentam recriar esse percurso. As divergências vão desde como ocorreu todo o processo
a partir do ancestral mais antigo mamífero na árvore
de nossa evolução, até o momento em que a nossa
“versão contemporânea” de “homem moderno” o
Homo sapiens sapiens (homem inteligente
inteligente) surgiu (fig.01).
É sempre bom lembrar que evoluir é, entre
outras coisas, adaptar às novas necessidades em
primeiro lugar!
Na visão de uma corrente evolucionista,
compartilhada por 150 cientistas em um seminário
Figura 01 realizado na cidade de Cortana, na Toscana na Itália,
o precursor do ser humano atual surgiu há cerca de
65 milhões anos na África, a partir de um pequeno mamífero terrestre (Fig. 02).
A história contada por Chiarelli e Ciani começa
quando os musaranhos, acostumados aos campos,
passaram a subir às árvores das florestas. Nesse nicho
ecológico, com o decorrer das gerações, eles passaram a
desenvolver características mais adequadas ao novo
ambiente. Primeiro, começaram a desenvolver a visão
binocular, em que as imagens vistas pelos dois olhos se
confundem numa imagem única, tridimensional. A par
disso, surge a visão em cores. Isso multiplica as chances
Figura 02 de sobrevivência no ambiente multiforme da floresta, onde
perceber detalhes (um animal predador escondido na
folhagem) pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

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Outra adaptação anatômica de importantíssimas
consequências foi o surgimento do polegar, oponível aos
outros dedos da mão, o que facilita agarrar-se aos galhos
das árvores, permitindo ao animal caminhar entre elas
sem o risco de andar no chão exposto às feras. Sem
esses dois processos, o ser humano – descendente
daquele insetívoro parecido com o musaranho – não
poderia ter desenvolvido, dezenas de milhões de anos
depois, a capacidade de falar e entender o que os outros
falam. Isso porque, sem a visão tridimensional e colorida,
o ser humano não teria conseguido traçar um mapa
mental de seu ambiente – e assim não poderia comunicar
a outro ser humano onde achar comida. E sem o polegar
oponível aos outros dedos – uma característica que o
homem partilha com os demais primatas seus parentes, o
chimpanzé, o gorila e o orangotango – a mão não se teria
libertado da necessidade de ajudar o andar sobre o chão,
como fazem os quadrúpedes (CIANI e CHIARELLI, 1992).

Todo esse processo parece ter levado cerca de 50 milhões de anos para se
desenvolver. Somente há cerca de 15 milhões de anos podem ter começado as
alterações anatômicas e funcionais, efetivas, que viriam a permitir que o homem
desenvolvesse a capacidade da linguagem falada (fala).
O longo período arbóreo favoreceu o desenvolvimento da visão, do tato e da
audição, em substituição do olfato. Observe que a imensa maioria dos animais
“terrestres” (quadrúpedes) tem esse sentido como dominante, explorando e
reconhecendo os objetos, os animais e o meio ambiente ao redor, através de seus
sensores e conjunto de órgãos olfativo, vivenciando um mundo de cheiros. Ao passo
que os primatas avaliam, examinam e vivenciam os objetos e o ambiente com os dedos
e visualizando-os, coordenando ambas as funções sensitivas, concomitantemente ou
não, experimentando através do toque e/ou do olhar (LIMA, 1994). O que era de se
esperar, como consequência, isso conduziu a uma redução do focinho e a projeção dos
olhos para frente, deslocando-os da disposição levemente lateral (entre o focinho) para
frente, permitindo de tal modo a percepção de profundidade e volume.
Deve-se destacar que um órgão não somente se modifica sozinho,
individualmente. Ele traz consigo o desenvolvimento de outras partes do corpo que
também se adaptam concomitantemente para adequar e serem aptas à nova forma do
ser. Por exemplo, ao mesmo tempo em que se desenvolvem esses órgãos sensoriais,
desenvolve-se a estrutura corpórea e cerebral para comportar as novas características.
No caso do cérebro dos primatas, desenvolveu-se, além do seu volume, a sua forma,
sobretudo na área do córtex. Essa área mais externa do cérebro é a principal parte
responsável pelos órgãos sensitivos. Sua expansão foi tal que ele dobrou-se sobre si
mesmo, criando um conjunto intercalado de fissuras e circunvoluções, dando uma
aparência de “enrugado” ao cérebro (DALGALARRONDO, 2011).
Assim, acredita-se que as primeiras consequências de um primeiro mamífero ter
subido nas árvores foi uma progressiva alteração anatômica da mão e do
posicionamento dos olhos na face e, por consequência, da visão.
Posteriormente a isso, com a melhora tanto na capacidade de habilidades
manuais, quanto nas capacidades da visão, com a posição já ereta enquanto um bípede
de fato, toda a coluna vertebral muda sua estrutura, mudando o posicionamento do
tronco encefálico e sua conexão com a porção superior da coluna vertebral. Isso leva a
mudar o ângulo formado pelo pescoço, passando para uma posição mais reta, alinhada
com a coluna torácica.

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Essa mudança permite todo um rearranjo das estruturas anteriores do pescoço
(Fig. 03), da cabeça e orofacial (nariz, boca,
cavidade oral, faringe e laringe). Com essas
mudanças, a laringe desce. O osso hióide (Fig. 04)
sofre modificações, Figura 04
melhorando a sua mobilidade
e, portanto, a capacidade de
regular a movimentação de
Figura 03 subida e descida da laringe no
interior do pescoço. A língua é
deslocada mais para trás e para baixo, aumentando espaço na
cavidade oral e a complexidade dos movimentos, permitindo também a capacidade de
produção de sons complexos. Primeira condição para iniciar o desenvolvimento da fala.
Com isso, a laringe tornou-se assim uma caixa de ressonância bem mais aperfeiçoada
e a língua passou a ter mais espaço na boca – duas características fundamentais para
a funcionalidade do aparelho fonador humano.

Em algum momento esses animais que se veem forçados a abandonar esse
“seguro e verde abrigo” ao qual estavam adaptados para viver, aos poucos passam a
existirem em campos relativamente abertos e/ou savanas (LEAKEY & LEWIN, 1980).
Devido as constantes reduções das áreas bosqueanas, são “empurrados” a habitar as
novas regiões, sendo forçados a buscarem cada vez mais a sobrevivência de forma
distinta do original.
Os que permaneceram nas florestas continuaram sendo seres herbívoros tendo
toda estrutura da cabeça, face, dentes e habilidades manuais apropriadas para essa
alimentação essencialmente (ou exclusivamente) vegetariana e para se deslocar
saltando entre os galhos das árvores na floresta. A floresta é uma fonte rica de alimentos
vegetais para esses primatas, isso fez com que eles permanecessem, em sua maioria
relativamente fixos nesse ambiente sem se deslocar em busca de alimento.
Todavia, os grupos que migraram em direção à savana começaram a encontrar
um meio ambiente cada vez mais escasso de vegetais. Saíram de um ambiente onde
tinha boa proteção das copas das árvores para ambiente mais exposto e mais pobre em
alimentação. Cada vez tinham de buscar alimentos mais longe do local de habitação do
grupo, ficavam mais expostos à ação de predadores. Essa mudança forçou a novas
adaptações. Só sobrevivendo aqueles que se adaptaram a essa nova realidade.
A posição ereta assume importância vital para observar mais distante, enquanto
forma de vigilância, a visão de profundidade foi fundamental nesse processo.
Além disso, ao liberar as mãos da postura quadrúpede, pode utilizá-las para, no
início, melhor triturar o alimento e, depois, desenvolver formas de processar o alimento,
culminando com o cozimento dos alimentos. Com as mãos livres começam a
desenvolver habilidades para manusear e transformar instrumentos. De presas fáceis,
já que não podiam competir com carnívoros predadores desenvolvidos com essa
capacidade, podiam agora começar a se tornar caçadores suplementando a
alimentação vegetal escassa. Inicialmente, provavelmente, se alimentando de sobras
dos outros animais caçadores e depois caçando as próprias presas. Sim! O homem
começou a comer sobras de carne, carne podre!

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O hominídeo agora teve de aumentar o universo de deslocamento nesse novo
ambiente. Para sobreviver com vegetação escassa dependendo da caça ele teve de
fazer verdadeiras jornadas para longe do local seguro do grupo.
Novas relações sociais se tornam emergentes, se evidenciam. Isso ocorre à
proporção que se busca o alimento, conforme se aventura nesse novo ambiente mais
aberto. Empurrados a um novo mundo de incertezas que se abre diante desses
hominídeos. Havendo a necessidade de proteção – e devido à falta de mecanismos de
defesas naturais se comparados aos grandes caçadores – os grupos humanos se
tornam mais coesos, objetivando a proteção mútua, consequência da necessidade da
proteção de si. Busca-se no grupo a possibilidade de proteção individual ao mesmo
tempo em que se promove a proteção coletiva e social.
Além da proteção mútua surge uma nova forma de obtenção do alimento. O
atraso e a redução da capacidade, causada pelo andar mais lento, natural das fêmeas
grávidas e das crianças, os ruídos produzidos por elas (tanto das crianças quanto das
fêmeas que tomavam conta dessas e de sua educação) e a consequente redução na
capacidade do trabalho que necessitasse o uso de longas distâncias, provocam a
necessidade de uma “base doméstica”. O trabalho masculino e feminino se separa. O
alimento que era recolhido, seguindo a mentalidade cooperativa que permeava o bando
naquele momento, era levado para o local onde se encontrava os demais membros,
reunindo e partilhando o resultado da busca, mesmo que essa tenha terminado em
fracasso.
Essa necessidade fez com que seu cérebro desenvolvesse capacidades de
orientação espacial cada vez mais refinada para poder saber ir e voltar ao local de
origem, fez ainda, com que começassem a desenvolver a capacidade de organização
de grupos de caça e guerra cada vez mais sofisticados – sempre pensando na
sobrevivência, seja pela comida, seja pela luta pela própria vida contra predadores, seja
contra outros grupos de hominídeos.
Com essa nova realidade se instalando, a comunicação rudimentar de gestos,
gritos grunhidos, caretas, sons pobremente articulados, passaram a ser insuficientes
para a comunicação complexa que se exige para organizar estratégias de caça, ataque
e defesa, para se dar o testemunho, depoimentos e relatos dos sucessos e fracassos
dessas jornadas e incursões. Seria necessário uma audição mais refinada e um
aparelho fonador mais sofisticado!
É consenso hoje que hominídeos emitiam sons como os homens de hoje. Os
hominídeos que habitaram Atapuerca (uma jazida na Espanha com fósseis importantes
para o estudo do homem primitivo) há 350.000 anos, pertencentes a espécie Homo
heidelbergensis, emitiam sons similares aos da espécie humana atual, o Homo sapiens,
assegurou um dos codiretores das escavações dessa jazida espanhol, Juan Luis
Arsuaga.
O cientista argumentou, em declarações, que "há uma estreita relação entre o
que uma espécie determinada pode ouvir e o que é capaz de emitir" e afirmou que "a
reconstrução de um ouvido interno e de um ouvido médio a partir de fósseis achados
em Atapuerca permite assegurar que estes hominídeos tinham uma sensibilidade
auditiva similar à do homem atual".
Arsuaga lembrou que os estudos sobre a capacidade "fônica" do Homo
heidelbergensis começaram a partir do estudo do crânio número cinco, um dos restos
mais valiosos localizados em Atapuerca, que se descobriu na temporada de escavações
de 1992.
No entanto, acrescentou, foi há três anos quando se adotou a linha de pesquisa
que depois deu frutos, "ao enfocar o problema da capacidade de utilizar a linguagem
medindo a capacidade auditiva, para o que se reconstruiu um ouvido que finalmente foi
testado por métodos eletrônicos".
Estudos com fósseis com preservação dos ossos internos da cabeça sugerem
que a estrutura da cabeça do Homo erectus, mais antigo do que o Homo

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a nosso julgamento.000 Hz (20 KHz)... aquela língua que se aprende no convívio com a mãe durante a interação dos cuidados e criação. (Consoantes são sons criados quando o trato vocal é momentaneamente fechado ou 5 . A frequência fundamental (repouso da voz) varia de 80 a 250 Hz e de conversação. principalmente.. 06). [. A audição humana do homem contemporâneo é sensível (conforme figura 5) a frequências de 20 Hz (Hertz) a 20.] A despeito de diferentes trajetórias evolucionárias as propriedades funcionais da orelha média são amplamente similares. permitindo que ele pudesse ouvir sons próximos da faixa de frequência da fala humana. erros e acertos de pronúncia e gramática. (Figura 06) . publicado na revista especializada "Proceedings" da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Essas frequências são compatíveis com a sensibilidade auditiva do Homem de Neandertal. Entretanto. Uma questão fundamental permanece: como pode qualquer um dos comportamentos já controlados pelo lado esquerdo do cérebro (como alimentação. sotaques. "o que unido à sua capacidade craniana prova.000 Hz (12 KHz) que corresponde ao som mais agudo da voz feminina (registro soprano). comunicação com a mão direita) ser modificado para se tornar fala . Aprende palavras. por sua vez (Fig.. estudos recentes (STOESSEL e cols. 2016) indicam que o Homem de Neandertal (Neandertal.heidelbergensis. Esses resultados vêm reforçar afirmações anteriores em que as conclusões do estudo. tem uma extensão que vai de aproximadamente 60 Hz (voz masculina registro grave) até cerca de 12. região da Alemanha onde foi encontrado o fóssil). Rogers e Vallortigara (2009) imaginaram que era preciso a evolução da sílaba. A sílaba típica é uma alternância rítmica entre consoantes e vogais. é de que há uma diferença na capacidade auditiva do Homo heidelbergensis. que se comunicava de forma muito parecida ao homem atual". conforme afirmam: “[. Daí vem a denominação de “Língua Materna”.]”. e o chimpanzé.um dos passos mais monumentais da história da vida sobre a Terra? MacNeilage. entre 2 e 4 quilohertz. tem estrutura ossicular da orelha média muito próxima à do homem atual.Extensão vocal e espectro auditivo humano É importante lembrar que a (vide texto para detalhes) capacidade da fala está diretamente ligada à capacidade auditiva.. a estrutura do aparelho auditivo não permitia que sua audição fosse sensível a sons de frequências próprias da fala humana. por sua vez se situa entre 150 e 4000 Hz. pois a fala saudável se aprende por imitação da fala produzida pelos indivíduos com quem convivemos. a unidade básica organizacional sustentando uma fala no tempo apropriado. vocalização. dessa forma. assim como. A voz humana. como é intuitivamente sabido por todos. A humana frequência auditiva destes hominídeos é muito parecida à do homem atual. que se (Figura 05) -Espectro de audibilidade da orelha situa entre 1 e 8 quilohertz.

A partir do uso da linguagem é que o ser humano desenvolveu raciocínios mais complexos do que os animais. segundo a maioria dos zoólogos. além do homem. Assim. mostrou como a criança diz a si mesma. também está relacionada com a liberdade do ser humano. por exemplo. diferentes dos atos reflexos dos animais. a inteligência. Mas o seu pensamento não tem a ferramenta generalizadora da linguagem. A par disso. Essa primitiva. multiplicando suas possibilidades de sobrevivência. É muito possível que a linguagem seja qual for a origem. instintivos. mesmo que o animal possa tirar conclusões de um acontecimento. outros animais também pensam. a criatividade. dada a complexidade comportamental que se desenvolvia então. preparadores de alimentos. um comportamento já bem estabelecido pela mastigação. como estalos de lábios. que apenas comunica aos outros gansos o medo que está sentindo. o animal ou tem comportamentos inatos. Com a linguagem humana. Isso deve ter sido de fundamental importância. cresceu enormemente a malha de informações comuns ao grupo. da criatividade de cada sociedade. da inteligência de cada grupo. responsáveis pelas crianças. Com efeito. Alguns desses ciclos produzidos. Algum tempo depois. primeiro em voz alta e depois internalizadamente. O psicopedagogo soviético Lev Vygotsky (1896-1934). Já um homem pode dizer a outro não só que sente fome – o que podia indicar apenas com um grito -. Tudo que é humano – as pirâmides. Ao que parece. O fato de estar a linguagem relacionada com a divisão do trabalho pode ser indiretamente comprovado pelo estudo das abelhas. formando assim as palavras. podem ter começado a servir como sinais de comunicação entre os primeiros primatas. coletores de vegetais. foram os únicos. a habilidade de formar frases (linguagem) presumidamente foi desenvolvida quando os primeiros humanos combinaram os dois tipos de palavras que contêm o principal significado das frases: substantivos e verbos. ou tem comportamentos que aprendeu individualmente. Se a linguagem está relacionada ao trabalho e ao raciocínio lógico. Subsequentemente. os poemas e as naves espaciais – existe assim porque há 65 milhões de anos um mamífero que comia insetos começou a subir às árvores. como fazem até hoje muitos outros primatas. A linguagem para si mesmo é o pensamento que desencadeia os atos voluntários. a desenvolver uma linguagem com símbolos abstratos. seres que também trabalham coletivamente e que. Os primeiros agrupamentos humanos organizados já contavam com divisão de tarefas entre caçadores. 6 . não pode generalizá-las nem transmiti-las aos companheiros. Ela permitiu que fosse criado o universo específico do ser humano.) A sílaba pode ter sido desenvolvida como um subproduto de um alternado levantar (consoante) e abaixar (vogal) do maxilar. os comportamentos aprendidos individualmente puderam ser transmitidos aos outros indivíduos e às gerações sucessivas. A dança das abelhas comunica em que direção e a que distância há flores com mel – uma linguagem muito diferente. O homem sabe que na linguagem está a liberdade e tudo que o torna humano: o raciocínio. mas – na grande maioria das espécies – é capaz de transmiti-los a seus semelhantes. o que quer fazer e o que vai fazer. se tenha basicamente desenvolvido a partir das necessidades da divisão do trabalho. porém. mas que sentiu fome ontem.quase fechado. já complexa. as habilidades de vocalização da laringe podem ter se correlacionado com os estalos de lábios comunicativos para formar as sílabas que foram inicialmente utilizadas para simbolizar conceitos individuais. dos gritos do ganso quando vê uma fera. rede social exigia uma forma de comunicação mais sofisticada que o gesto ou o grito – a linguagem. cujos trabalhos tiveram sua divulgação restringida na era stalinista. embora esse assunto dê margem a intermináveis polêmicas entre os cientistas. e a possibilidade de comunicar a conquista do raciocínio de cada indivíduo. sucção e ato de lamber. vogais são os sons criados por meio da ressonância com o formato do trato vocal enquanto o ar circula relativamente livre para fora da boca aberta.

000 anos atrás.) Geralmente se assume Figura 07 que guerreiros montados da Europa Oriental conquistaram toda a Europa e substituíram as línguas nativas pelo seu próprio protoindo-europeu. é uma língua indo-europeia da subfamília germânica e sub-sub-família germânica ocidental. Só o inglês. 07). albanesa. mas sim como agricultores que plantavam e colhiam. absorvendo as populações que caçavam e coletavam. grega. durante centenas de milhares de anos. parece ter existido um conjunto de línguas primitivas denominadas “protoindo-europeu” (Fig. pode 7 . que é apenas uma das mais de 100 línguas descendentes do indo-europeu. distribuídas em oito subfamílias modernas (céltica. românica. 2009).000 desses anos. vindos do Oriente Médio — não como guerreiros. pela teoria que diz que os indo-europeus chegaram na Europa no fim da última Era Glacial. balto-eslava. 10. Documentada em registros escritos em quase 4. esses novos migrantes entraram gradualmente na Europa. armênia e indo-iraniana). Causa e efeito funcionaram em ambas as direções. na fila evolucionária. dinâmico e sinérgico (FISCHER. Enquanto o cérebro humano aumentava sua capacidade. Fig. Em troca. o indo- europeu compreende hoje Figura 08 uma das famílias linguísticas mais prósperas do planeta (ver ilustração. O indo-europeu é uma superfamília linguística — a mais bem-sucedida da história — que inclui quase todas as línguas faladas atualmente na Europa e suas vastas ex-colônias. A linguagem humana moderna parece continuar evoluindo dessa maneira com a química primordial e a linguagem de sinais virtualmente reduzidos à percepção subliminar. Segundo a nova teoria. germânica. na mesma razão. Essa interpretação foi posta em questão na década de 1980. por exemplo. a fala se tornou mais articulada e a dependência da química e dos sinais do corpo diminuiu. Na Europa e Ásia. e depois suprimiu todas as línguas locais enquanto a agricultura substituía lentamente a caça e a coleta. (O inglês. 08). Cada função alimentava a outra num sistema fechado. Sua linguagem 'superior' primeiro dominou. das Américas à Nova Zelândia. A linguagem vocal humana evoluiu simultaneamente com o cérebro humano e o desenvolvimento dos órgãos da fala. compondo um amplo universo continental. O pensamento primitivo e as vocalizações evoluíram progressivamente para o pensamento sofisticado e a fala articulada. isso exigiu a evolução de órgãos de fala especializados que demandavam uma maior capacidade cerebral para se adaptar à complexidade da sociedade engendrada por ele. cerca de um quilômetro por ano.

e depois Figura 09 imitada por muitas sociedades. Embora todos os glifos (abreviação para hieróglifo) primitivos compreendessem figuras simples. Em contraste. teria evocado imediatamente na mente de seu leitor a palavra egípcia para 'chacal' (LECOURS e PAREENTE. que significa “sagrado” e glýphein. É possível que a ideia da escrita tenha surgido uma única vez na história humana. Mesmo o mais antigo hieróglifo egípcio de cerca de 3400 a. mesopotâmia). b. como no alfabeto latino). medido ou pesado. c. escreveu. O modelo mais básico de linguagem escrita compreende três classes gerais. Ela começou imediatamente como a expressão gráfica da própria fala humana. Assim. os sistemas logográficos tendem a se tornar sistemas silábicos. é gradualmente substituída pelo conteúdo fonético ou sonoro: desse modo. representem vogais e consoantes individuais (a. como no primitivo hieróglifo egípcio). Não houve uma pessoa que 'inventou' a escrita. ele capturou a essência da escrita. Um negociante ou funcionário melhorou esse sistema descrevendo pictoricamente o bem que estava sendo contado. Hoje. ko-no-so para 'Konossos'.C. como 'mão') ou uma palavra inteira ('chacal'. em argila. e assim permaneceu. A escrita não 'evoluiu' gradualmente a partir de desenhos mudos.atualmente contar com mais falantes de primeira e segunda línguas do que o mandarim chinês. e com a frase. 1997). —Uma escrita alfabética permite que glifos.C.000 anos atrás. Com o tempo. —Uma escrita silábica. chamados 'letras'. um sumério anônimo. que imortalizou um Figura 10 chacal. aparentemente como resultado da melhora de um antigo sistema de contagem e classificação. que deu origem ao termo acádios ou acadianos. ou sentido. em que a semântica anterior. sua cidade mais importante foi Acad. o sistema de escrita alfabético é o único usado para representar graficamente línguas anteriormente sem escrita. com muitas variantes transicionais e combinações (escritas mistas): —Uma escrita logográfica permite que um glifo represente um único morfema (a menor unidade linguística significativa. nos escritos egeus da Era do Bronze). Possivelmente essa escrita teve origem na região do Uruk (na suméria. até então detentor do recorde linguístico. a evolução de uma língua inicialmente grafada como hieróglifos (do grego. mesmo os mais rudimentares representavam um significado fonético ou sonoro tirado diretamente da língua. hierós. para diminuir as ambiguidades. Cerca de 1300 a. aproximadamente equivalente a uma palavra – ver figura 09 ao lado). compreende glifos que têm significados apenas silábicos-fonéticos (por exemplo. os escribas fenícios de Biblos elaboraram um silabário altamente simplificado usando glifos derivados do princípio acrofônico ou 'da consoante 8 . 'Um escriba. cerca de 4. que quer dizer “escrita”) egípcios deu origem a uma escrita aos logogramas (uma representação gráfica que representam um significado. Ela surgiu pela primeira vez numa ampla faixa que vai do Egito até o Vale do Indo. a maioria dos escritos históricos reflete uma mudança de classe. o sistema alfabético permanece único: uma vez desenvolvida — iniciada no Levante (região mediterrânea no Oriente médio) e terminado na Grécia — foi subsequentemente adotada por centenas de línguas. cuja mão se iguala à boca é um escriba de verdade'.

11). inventaram duas novas letras para representar “sons vocálicos” que não haviam na língua semítica e criaram o conjunto de cinco vogais em uso até os dias de hoje. sucumbiu ao alfabeto consonantal que havia se desenvolvido através do alfabeto pictográfico de Canaã da Idade do Bronze. Essa 'alguma coisa' produziu o mais importante desenvolvimento da escrita desde seu surgimento em si: os gregos introduziram vogais no alfabeto consonantal levantino. (Línguas semíticas priorizam consoantes antes de vogais na formação de palavras. 9 . completando toda uma nova classe e escrita. em que as vogais são componentes gramaticais e produtores de sentido importantes. Eles Figura 11 emprestaram partes de glifos semíticos para produzirem vogais puras. eles logo descobriram que embora ele representasse eficientemente as línguas semíticas. o alfabeto fenício arcaico originou todos os alfabetos atuais. Assim. durou apenas até 1200 a. Os fenícios semitas não acharam que a representação das vogais era necessária em seu silabário.C. desse modo. a não ser em sua aparência externa: há quase 3. quando. Em nenhum outro lugar do planeta a invenção independente de um alfabeto vocálico e consonantal se repetiu. Assim. é suficiente reconhecer que uma escrita silábica era mais conveniente que a escrita logográfica dos egípcios. Talvez mais significativamente. essencialmente a mesma. como o grego. o mesmo método que usamos hoje. a falta de vogais causava muitas ambiguidades no caso de uma língua indo-europeia.) Esse novo silabário levantino. e. 10 e 11). Tudo o que eles tinham de fazer para escrever sua língua era combinar consoantes e vogais em sequências que formassem palavras inteiras. entre outros motivos não linguísticos para não usar a escrita egípcia. um protoalfabeto que foi usado de várias formas por centros comerciais no final da Idade do Bronze. os gregos montaram seu novo 'alfabeto'. uma palavra composta das duas primeiras letras gregas aλΦa (alfa) e βετa (beta). neste caso. A escrita alfabética grega permaneceu. Porém. nenhum sistema de escrita conseguiu nada mais eminentemente útil para a maioria — embora não todas — das línguas do mundo. No final desse processo os engenhosos escribas gregos estavam de posse de um pequeno e prático alfabeto de letras com consoantes e vogais individuais (Fig. O sistema é composto por 22 signos que permitem a elaboração da representação fonética de qualquer palavra (Figs. ainda parceiros comerciais regulares. A conquista grega foi tremendamente simples e impressionantemente eficiente. Os gregos.inicial'. também adotaram esse novo alfabeto consonantal. junto ao alfabeto cuneiforme. desde essa época.000 anos. Eles perceberam que alguma coisa deveria ser feita para criar um alfabeto conveniente tanto para o escritor quanto para o leitor de grego. para uma reprodução ainda mais fiel da língua grega como ela era falada.

C.C. falar à maneira dos romanos). quando Roma chegou ao poder e subsequentemente suprimiu todas as outras línguas itálicas da península. o provençal no sul da França. com ou sem mudanças. mas com o passar do tempo ele se tornou uma das grandes línguas da história. os glifos silábicos foram transformados em símbolos consonantais que melhor reproduzem as línguas semíticas da área que são orientadas pelas consoantes. qualquer língua que ainda precise de uma escrita é automaticamente transposta para a escrita alfabética. A forma de comunicação escrita mais eficiente já projetada (para a maioria. no século doze. cerca de 50 km ao norte de Roma) e latim estão. europeus pré-alfabetizados ou tomaram emprestada a ideia da escrita grega ou adotaram o alfabeto grego. o alfabeto grego foi adotado e imitado em todo o mundo por centenas. e a queda do Império Romano no Ocidente. eles sonorizaram o C. a mais importante adaptação do alfabeto grego foi feita pelos romanos que. As línguas latinas falisco (língua semelhante ao Latim falada em Falérios. No terceiro milênio d. Na Península Ibérica. cerca de 600 a. quando a necessidade de uma base de escrita clara e clássica foi sentida pelos instruídos conselheiros de Carlos Magno. Mas o alfabeto atual é muito pouco diferente do usado pelos romanos 2. Todas as escritas da Europa ocidental e oriental derivam do alfabeto grego. particularmente nos séculos dezenove e vinte da nossa era. o catalisador da maior contribuição grega para a cultura mundial: um alfabeto puro com sinais tanto para vogais quanto para consoantes. dando origem a dialetos que se denominava romanço (do latim romanice que significava.C. Hoje. as três línguas ibero-românicas espanhol. um século depois. se depararam com a escrita grega em solo italiano por intermédio dos vizinhos etruscos. senão milhares de línguas. e o J sofreu uma inovação para se distinguir da função consonantal da letra I. talvez estimulado pelo contato com a população pré-indo-europeia. criando a família linguística românica. A formação e a própria evolução da língua portuguesa contam com um elemento decisivo: o domínio romano. Os romanos mudaram muito pouco o original grego. a inteligibilidade entre os falantes atuais das línguas itálicas é muito maior do que entre os falantes de línguas germânicas. De longe. O latim surgiu no Lácio (Latium – Lazio . então. as línguas). o galego-português. português e catalão. sofreram influência contínua do latim clássico. exibindo uma fonologia indo-europeia arcaica e um vocabulário muito modificado. entre elas o catalão. Esse foi. deste último resultou a língua portuguesa. Com várias invasões bárbaras no século V.C. Entre os falantes semitas ocidentais do Levante. o castelhano.000 anos atrás. As maiores mudanças em sistemas de escrita parecem ocorrer quando falantes de outras línguas emprestam e adaptam sistemas que não se encaixam nelas. várias línguas se formaram. o latim passou por diversificações. Cada uma de suas línguas descendentes foi falada em suas protoformas durante muitos séculos até serem finalmente registradas em documentos: francês no século nove. o latim era simplesmente o dialeto local da vila de Roma. No início.Latim) no primeiro milênio a. surgiram vários destes dialetos. que em latim tem o som de [k] e o escreviam como G. provavelmente. As modificações finais no alfabeto foram terminadas cerca de 800 d. Por esse e outros motivos. O subsequente poder militar e econômico romano viu o latim escrito ser usado em todo o mundo ocidental. Ao encontrar o alfabeto grego. o italiano no século dez. O latim vulgar falado continuou a evoluir em substratos estrangeiros em todo o império romano. e numa evolução constituíram-se as línguas modernas conhecidas como neolatinas. entre as mais antigas línguas faladas na península. A letra V foi dobrada para se criar o W para o som [w]. e o romeno no século dezesseis. Todas as línguas românicas. Mais notavelmente. também em línguas de origem não latina como as célticas e germânicas. o alfabeto latino se tornou o sistema de escrita mais importante do planeta. o U foi inventado para se distinguir a vogal [u] da consoante V. com exceção do romeno. embora não todas. 10 . sem desprezar por completo a influência das diversas línguas faladas na região antes do domínio romano sobre o latim vulgar.

vê-se que a habilidade da escrita só foi adquirida bem recentemente. é importante ressaltar que a origem da língua portuguesa pode ser representada. correspondendo aos atuais territórios da Galiza e de Portugal. cerca de 6000 anos somente. Porém. A evolução do cérebro nessa habilidade foi rápida se se considerar toda evolução do homem a partir de cerca de 4 a 5 milhões de anos com o australopithecus quando surgiu o bipedalismo (capacidade de se locomover sobre dois membros) ou a cerca de 1 a 2 milhões de anos quando com o Homo erectus quando as vocalizações começaram a se tornar simbólicas. com a dilatação do império luso. era uma língua limitada a todo Ocidente da Península. consagra-se como língua oficial. de acordo com várias correntes de investigação. que ainda é falada na Galícia. era um falar geograficamente limitado a toda a faixa ocidental da Península.000 a 180. O português já nasceu fônico silábico – alfabético. cronologicamente limitado entre os séculos XII e XIV. Da evolução da língua portuguesa destaca-se alguns períodos: fase proto-histórica. podemos dizer que o homem está “recém alfabetizado”! 11 . derivado do romanço. A aquisição das habilidades da fala e da escrita são exemplos disso. sem mudança da sequência do genoma). o galego se estabeleceu como uma língua variante do espanhol. coincidindo com o período da Reconquista. possivelmente. através de uma ordem cronológica que se inicia nas primeiras línguas que fazem parte da grande família de línguas indo-europeias que têm como tronco mãe. de maneira simplificada. aumentando assim as diferenças entre o galego e o português. ora de sílaba completa. notadamente na região de Lisboa. Na entrada do século XIV. Em meados do século XIV. Ou seja. Assim. com o domínio de Castela. Já o português. O galego-português. notadamente da região de Lisboa. É de se ressaltar que a habilidade da linguagem falada começou a se desenvolver há cerca de 100. A consolidação de autonomia política. ao se comparar o tempo de evolução entre a linguagem falada propriamente dita e a linguagem escrita. O galego apareceu durante o século XII e XV. introduz-se o castelhano como língua oficial. Então temos. a língua portuguesa é nascida diretamente de linhagem de línguas com origem no Latim. por pressão adaptativa do ambiente em transformação (evolução?) e por fatores epigenéticos (adaptações do DNA. desde a consolidação da autonomia política e. seguida da dilatação do império luso consagrou o português como língua oficial da nação. Esse processo levou ao desenvolvimento do encéfalo com consequente aumento no seu tamanho. A partir do século XVI. o acadiano. percebe-se maior influência dos falares do Sul. do Português arcaico e do Português moderno. quando os cristãos expulsaram os árabes da península. as diferenças entre o galego e o português começaram a se acentuar. e o galego tem sua importância relegada a plano secundário. Somente no século XI. a evolução lenta e paulatina da capacidade de linguagem falada e escrita do Homo sapiens sapiens. situada na região norte da Espanha. Portanto. nas suas capacidades e na complexidade dessas capacidades. por um lado. O galego-português. aparecendo tanto em documentos oficiais da região de Galiza como em obras poéticas. evidenciaram-se os falares do sul. correspondendo aos territórios da Galiza e de Portugal. tida como a primeira língua grafofonêmica ao criar o alfabeto fenício com 22 letras com função ora de consoante.000 anos. o galego-português passou a ser falado e escrito na Lusitânia. onde também surgiram dialetos originados pelo contato do árabe com o latim. Ou seja. mais tarde. que desde o seu primórdio foi adaptado para uma escrita alfabética. Enquanto isso.

O balbuciar pressupõe. 13). Está bem documentado que essa evolução da linguagem escrita passou por uma primeira etapa lenta pictográfica. na criança. depois.000 anos surge a escrita grafo fonêmica silábica. há cerca de 6. uma ampla maioria de línguas no mundo adota o alfabeto grego como forma de representar os sons da linguagem escrita (Fig. Reforçando: o homem começou a falar sílabas. os gregos aperfeiçoam a representação das letras com a criação de duas novas vogais compondo o conjunto de cinco vogais que são utilizadas até hoje. p. i. durante os primeiros meses de vida – variações do “a. consolidando o conhecido ALFABETO. culminando com a escrita grafo fonêmica composta.000 anos. Pois bem. 12).000. Resumindo. a partir do movimento Figura 13 mastigatório.000 anos (pinturas rupestres). Essa fase começa em torno dos quatro meses de idade.) à saída do ar da boca ou uma resistência por fricção (/vê/. quando se instala a puberdade que é caracterizada pelas transformações próprias da adolescência. ó. no caso da língua portuguesa 26 letras. som bilabial. os pictogramas egípcios (hieróglifos. começou a escrever a partir de pictogramas. 14). necessariamente. a linguagem escrita tem um curso evolutivo bem marcado e elucidado. resultado da maturação do sistema nervoso e ação dos hormônios sexuais.000 anos. é constituída de sons básicos do choro e do grito.). logo ao nascimento. u”. sedo a fase 12 . ex. ê. A primeira fase da oralidade. é. São sons produzidos essencialmente pelas pregas vocais e modulados pelas mudanças da abertura da boca e posição da língua. e. bem recentemente na história humana. ao longo de pelo menos 40. daí o termo “Bal Bu ciar” (Fig. algum processo de articulação orofacial (elevação da mandíbula própria do fechar a boca ao mastigar) ou de obstrução (/bá/ ou /pá/. A partir disso. /fê/. ex. Muitas pessoas já chamam (erroneamente) essa fase de balbuciar. cerca de 4. O tempo demandado foi consequência de um processo evolutivo neurológico que foi sendo incorporado ao cérebro humano. seguido há cerca de 5. uma alusão às duas primeiras letras da escrita grega (alfa e beta). a cerca de 3. depois. p. passando por logogramas e silábica. ô. como é o desenvolvimento dessas duas competências? Primeira coisa a se observar é a discrepância entre a aprendizagem da linguagem falada (oralidade) e a linguagem escrita (alfabetização). A infância vai até cerca de 8 a 9. Fig. Em seguida vem a fase de vocalização (vocalizes) basicamente sons vocálicos sem quase nenhuma articulação ou obstrução à saída do ar pela boca. Geralmente começa pelo som bilabial plosivo ‘bê”. com início da pré-puberdade e termina em torno dos 10 -12 anos. as primeiras representações pictográficas Figura 12 estruturadas com características de escrita. considerando-se o tempo de desenvolvimento neuro-psico-motor-cognitivo da criança (DNPMC).

anterior ou despercebida ou ignorada. Os primeiros "mama/ã" e "papá") podem escapar aqui e ali. Isso vem depois. o que pensa e sente. seu vocabulário aumentará para até 300 palavras. já é um subproduto de um alternado levantar (consoante) e abaixar (vogal) do maxilar. É possível que você já entenda tudo o que ele diz. Ela usará nomes e verbos juntos para formar frases completas. dado o significado social que tem o balbuciar da criança: (Está falando “bãbãe” !!!). Pratica até mesmo a inflexão. ele começa usar uma ou mais palavras e sabe o que elas significam. quando quiser ser carregado. Ao longo da segunda metade do primeiro ano de vida com o amadurecimento do sistema nervoso da criança ela vai desenvolvendo a capacidade fonoarticulatória através do treinamento por repetição dos sons que está ouvindo dos pais e cuidadores. os dentes. e responde prontamente a uma pergunta. A criança percebe a importância da fala e o enorme poder que representa o fato de ser capaz de expressar suas necessidades. Será capaz de manter uma conversa e ajustar o tom. por exemplo. Também começará a desvendar os macetes dos pronomes. um comportamento já bem estabelecido pela mastigação. combinando consoantes e vogais (como "dadá" ou "babá". como "eu" e "você". Entre 2 e 3 anos. palavras mais simples com outras crianças. Os pronomes podem confundi- lo e é possível que você o pegue dizendo "nenê fez". Esse seria o movimento articulatório mais treinado pelo humano ao iniciar sua aprendizagem dos movimentos necessários para o desenvolvimento da fala articulada. Usará. não significam que o bebê já relacione direito as palavras aos cuidadores. mas será mais sofisticado com você. Evolutivamente essa habilidade. muitas delas nomes. infindáveis torrentes de palavras. por exemplo. exigidos para pronunciar os sons consonantais. O senso de identidade dele vai amadurecer e ele começará a falar sobre si - do que gosta e do que não gosta. A maioria das crianças nessa idade é fluente ao dizer o nome e a idade. sucção e ato de lamber. mas logo aprenderá. os padrões de fala e o vocabulário ao parceiro da conversação. Neste ponto. Algumas aprendem palavras novas a cada 90 minutos. elevando o tom ao fazer uma pergunta. embora simples. em vez de "eu fiz". vai começar a balbuciar. que é resultado do movimento elevação e abaixamento da mandíbula durante o triturar e mastigar o alimento vegetal. começará a usar frases com três palavras e cantará canções simples. como "co-lo?". Nesse momento a fala será usada com mais sofisticação. uma média impressionante. quando ele estiver com quase um ano. As tentativas dele de falar vão parecer um jorro de monólogos em outra língua qualquer. Aos três anos a criança terá um pouco de dificuldade para empregar o volume apropriado para falar. A partir dessa idade as crianças aprendem uma média de dez ou mais palavras por dia. Figura 14 Afinal. porém. A vocalização é uma brincadeira para a criança. acredita-se. Aos dois anos. como "Eu quero agora". A partir de um ano a uma ano e meio. o que diferencia uma consoante de uma vogal? As consoantes são sons criados quando o trato vocal é momentaneamente fechado ou quase fechado. que faz experiências usando a língua. vem da habilidade mastigatória que nossos ancestrais herbívoros tinham. Dos dezoito meses em diante o vocabulário pode incluir até 200 palavras. A sílaba típica (unidade básica organizacional sustentando uma fala no tempo apropriado). o céu da boca e as pregas vocais para 13 . As Vogais são sons criados por meio da ressonância com o formato do trato vocal enquanto o ar circula relativamente livre para fora da boca aberta.

Ela se diverte quando descobre que é ela quem faz tudo aquilo. bebidas e lugares impressos em rótulos e cartazes. proporcionalmente muito mais tempo. alfabético e ortográfico (para maiores detalhes ver Capovilla. Neste estágio. No estágio logográfico. Seabra. Com esse breve retrospecto do desenvolvimento infantil. 2008. a criança aprende o princípio da decodificação na leitura (isto é. No estágio alfabético. Observe-se que o processo se inicia nos dois primeiros meses de vida! A linguagem escrita. O Traçado não mais representa o pictograma (ou logograma. conforme descrito anteriormente. “escreve” o que vê (desenha). ao código de correspondências entre letras e combinações de letras (grafemas) e seus respectivos sons da fala (fonemas).S. É ensaiado durante a fase das garatujas. não atentando à sua característica alfabética. descreveram os três estágios pelos quais a criança passa no processo de domínio da linguagem escrita: logográfico. a criança trata a palavra escrita como se fosse uma representação pictoideográfica e visual do referente. 2002. como Frith (1990) e Morton (1989). A partir do estudo de crianças em aquisição de leitura e escrita e de pacientes neurológicos com distúrbios em tal aquisição. A escrita também se resume a uma produção visual global. tal processo é muito lento e a criança tende a cometer erros na leitura e escrita de palavras em que há irregularidade nas relações entre letras e sons (e. 14 . Iniciando-se com representações que remetem aos pictogramas egípcios e culminando com a escrita “silábico-fônica” (inversão proposital que faço aqui). podemos observar que durante os dois a três primeiros anos de vida a criança já adquire competência da fala suficientemente desenvolvida para se comunicar com relativa eficiência.g. sendo que a escolha e a ordenação das letras ainda não estão sob controle dos sons da fala. como trocas de palavras (paralexias) visualmente semelhantes. com o desenvolvimento da rota fonológica. Nessa etapa há um predomínio de representação das consoantes das sílabas tônicas das palavras. É uma fase essencialmente concreta. ou seja. 2012 e outros). Dessa forma. a psicolinguística tem mostrado que o aprendizado da leitura e da escrita se faz em três fases ou etapas: a logográfica; a alfabética e a ortográfica. o refinamento dessa escrita está diretamente relacionado ao seu controle da habilidade motora fina das mãos. diversos pesquisadores. 16 e 17)..G. o traçado tem a conotação de “tentar escrever” e não mais desenhar. de maneira similar ao observado nas línguas mais antigas do proto-indo-europeu. Frente ao crescente contato com material escrito e às instruções sobre a linguagem escrita. 2008. De início. Além disso. Neste estágio. essa demora. a manutenção de tal estratégia de leitura logográfica exigiria muito da memória visual e acabaria levando a uma série crescente de erros grosseiros. tanto para se iniciar quanto para adquirir eficiência razoável.produzir todo tipo de sons engraçados. táxi). fazendo a correlação evolutiva) (Figs. como seu próprio nome e os nomes de comidas.G. A escrita não mais é a representação fiel do objeto ou da figura. 15. A. 16 e 17). a criança começa a ingressar no segundo estágio.. a converter as letras do texto escrito em seus sons correspondentes) e o da codificação na escrita (converter os sons da fala ouvidos ou apenas evocados em seus grafemas correspondentes). as relações entre o texto e a fala se fortalecem e. Na figura acima são adicionados exemplos da escrita da criança nessa fase comparando com a escrita desenvolvida ao longo da história da “alfabetização da humanidade” (Figs. A. Esse estágio vem no momento em que a criança começa a trabalhar com conceitos abstratos. A sequência evolutiva nesse processo reproduz. a leitura consiste no reconhecimento visual global de algumas palavras comuns que a criança encontra com grande frequência. quase que fielmente o processo evolutivo do homem ao longo dos últimos seis mil anos. o alfabético. novamente. 15. fica estimulada a repeti-los e a procurar novos barulhos.

É importante ressaltar que. conseguindo ler as palavras familiares com cada vez maior rapidez e fluência. Tendo já passado pelo estágio alfabético. o alfabético. agora. é essencial para o desenvolvimento da leitura. Com a prática. seu sistema de leitura pode ser considerado completo e maduro. a criança aprende que há palavras que envolvem irregularidade nas relações entre os grafemas e os fonemas. e vai cometendo cada vez menos erros envolvendo as palavras irregulares. é essencial a consciência de que a fala tem uma 15 . como também passa a processar agrupamentos de letras cada vez maiores. a criança está deixando o segundo estágio e entrando no Figura 15 terceiro. na análise morfológica das Figura 16 palavras que lhe permite apreender seu significado. as três estratégias de leitura ficam disponíveis o tempo todo à criança. Neste ponto. E. Ela aprende que é preciso memorizar essas palavras para que possa fazer uma boa pronúncia na leitura e uma boa produção ortográfica na escrita. ao chegar a este último estágio. não significa que ela abandone as estratégias anteriores. Em verdade. No estágio ortográfico. a criança pode concentrar-se na memorização das exceções às regras (isto é. em vez das letras individuais. desde que as encontre com uma certa frequência. Neste ponto. por meio do reconhecimento visual direto (isto é. para que a rota fonológica seja competente. a rota Figura 17 fonológica que predomina no segundo estágio. à medida que a criança tem maior contato com a leitura e a escrita. ela vai se tornando cada vez mais rápida e fluente em tais habilidades. No entanto. o ortográfico. só porque a criança passa a ser capaz de fazer uso da estratégia lexical. em que aprendeu as regras de correspondência entre grafemas e fonemas. na ortografia das palavras grafofonemicamente irregulares). pela estratégia lexical). a criança não apenas deixa de hesitar. sendo que ela aprende a fazer uso da estratégia que se revelar mais eficaz para um ou outro tipo de material de leitura e escrita. De acordo com Share (1995). e no processamento cada vez mais avançado da sintaxe do texto. chegando a processar palavras inteiras se estas forem muito comuns e lendo-as de memória. no estágio ortográfico.

em 2000. concebido em primeiro lugar a consciência do fato de que a palavra pode ser descrita como uma sequência linear de fonemas. d’autre part. Já em de 1990. Esta geratividade.] [. a publicação da obra de Marilyn Jager Adams. pela oposição phonics versus whole language. É a constituição dessa representação ortográfica que permite com que tal palavra. no processo de alfabetização. com apoio em dados de pesquisas sobre a aprendizagem da leitura. pessoas com dificuldades para desenvolver a consciência fonológica (como ocorre com grande parte dos disléxicos) apresentam dificuldades na alfabetização. 1995). levara à substituição da oposição phonics versus whole-word. quando o debate que até então se fazia em torno da oposição entre métodos sintéticos (fônico. silabação) e métodos analíticos (palavração.. no final dos anos de 1990. ela passa a usar um sistema gerativo que converte a ortografia em fonologia.] sans une instruction explicite. o documento Apprendre à lire au cycle des apprentissages fondamentaux (Observatoire National de la Lecture. Em meados dos anos de 1990. a divulgar. desde o início dos anos de 1990 tem sido intensa a discussão sobre a aprendizagem da língua escrita na escola. desde que envolva correspondências grafo fonêmicas regulares. a whole language. “condition nécessaire. característica das ortografias alfabéticas. por outro lado. essencialmente. Logo. bastante semelhante à whole language. discussão que se concentra. o debate. 2003) a constatação de dificuldades de leitura e de escrita na população em fase de escolarização levou o Observatório Nacional da Leitura. sentenciação. até então. o que possibilita a leitura de qualquer palavra nova... possa ser lida pela rota lexical. é o próprio processo fonológico. Beginning to read : thinking and learning about print. em torno da qual se desenvolvia. (SOARES. Na França. em que. que les caractères (ou groupes de caractères) alphabétiques représentent les phonèmes. pelo National Institute of Child Health and Human Development (NICHD). Identifica-se um paralelo com o que ocorreu no Brasil aproximadamente na mesma época. visant d’une part la prise de conscience du fait que la parole peut être décrite comme une séquence linéaire de phonèmes. nos Estados Unidos. sobretudo por negar o ensino do sistema alfabético e ortográfico e das relações fonema–grafema de forma direta e explícita. ele a lerá por decodificação fonológica. bien que non suffisante. passou a ser contestada. daí por diante. quando a criança consegue perceber que a fala é segmentável em sons e que esses sons são mapeados pela escrita. que permitirá ulteriormente a leitura e a escrita lexicais competentes (Share. afirma-se que o conhecimento do código grafofônico e o domínio dos processos de codificação e decodificação constituem etapa fundamental e indispensável para o acesso à língua escrita. (em tradução livre: [. permite a autoaprendizagem pelo leitor pois.estrutura fonêmica subjacente. Os defensores do ensino direto e explícito das relações fonema–grafema. órgão consultivo do Ministério da Educação Nacional. encontraram reforço no relatório produzido. Isto porque. alarmado com os baixos níveis de competência em leitura que avaliações estaduais e nacionais de crianças em 16 . os caracteres (ou grupos de caracteres alfabéticos) representam fonemas) Nos Estados Unidos. em polêmicas que contrapõem a concepção holística – whole language – à concepção grafofônica – phonics.]sem instrução explícita.. sobretudo. em resposta à solicitação do Congresso Nacional.. ao se deparar com uma palavra nova. como a consciência fonológica e a decodificação são pré-requisitos para o domínio da linguagem escrita. Assim.. etapa que não pode ser vencida [. da Pesquisa e da Tecnologia. de la comprehénsion des textes” (grifo do original). que vinha tendo grande difusão no país desde meados dos anos de 1980. global) foi suplantado pela introdução da concepção “construtivista” na alfabetização. Tal processo aos poucos contribuirá para criar uma representação ortográfica daquela palavra. que depende da consciência fonológica. 1998).

entre as facetas consideradas componentes essenciais do processo de alfabetização – consciência fonêmica. Uma análise tanto do documento francês – Apprendre à lire – quanto do relatório americano – o National Reading Panel – evidenciam que a concepção de aprendizagem da língua escrita. diversos estudos também têm relatado que procedimentos para desenvolver consciência fonológica são eficazes em produzir a aquisição bem sucedida de leitura e escrita competentes. não basta apenas usar qualquer método fônico. o melhor é o fônico sintético. O subtítulo do relatório esclarece bem sua natureza: An evidence-based assessment of the scientific research literature on reading and its implications for reading instruction.processo de escolarização vinham denunciando: o National Reading Panel: teaching children to read é um estudo de avaliação e integração das pesquisas existentes no país sobre a alfabetização de crianças. sistemática e nunca sequência planejada. ajudando a desenvolver competência de compreensão e aprendizagem da ortografia e é mais impactante para as crianças de nível econômico mais baixo. O relatório também compara dois tipos de instrução fônica: A sintética. A analítica. ficou comprovado que o método funciona melhor para os que têm mais dificuldade. as evidências a que as pesquisas conduziam mostravam que têm implicações altamente positivas para a aprendizagem da língua escrita o desenvolvimento da consciência fonêmica e o ensino explícito. sendo que ele só analisa as relações entre letras e sons de palavras que já tenha aprendido anteriormente de modo a evitar pronunciar sons fora da palavra. em 1990. explícito. que usam a associação fonema-grafema. Anteriormente. a pesquisadora americana Marilyn Adams publicou uma revisão da literatura disponível desde 1960 e constatou que esses estudos revelavam a importância da consciência fonológica e fonêmica como fatores associados a fatores fortes de predição do sucesso da alfabetização. dentre as diversas variantes do método fônico. a mais eficaz é aquela que introduz os fonemas de forma explícita. que apresenta as relações de fonema e grafema de forma sistemática e explícita. sobretudo. em termos de antagonismo de concepções. O relatório conclui que. De modo geral. com o objetivo de identificar procedimentos eficientes para que esse processo se realizasse com sucesso. Ele também ressalta a importância das habilidades de fluência e de vocabulário para permitir uma maior compreensão do texto e maior facilidade em reter e relacionar as informações de texto. particularmente nos Estados Unidos. partiu de uma análise de 100 mil outros estudos e se concentrou em uma amostra de 68 pesquisas relevantes. Segundo Capovilla (2011). em ambos. Assim. quando implementados de maneira sistemática e explícita. a instrução sistemática associando letras especifica da palavra com seus respectivos sons. Adams conclui que métodos fônicos. que fornece informações sobre os fonemas na medida em que eles aparecem em textos. que ela seja objeto de ensino direto. e ofereceram a conclusão de que os métodos fônicos são mais eficazes do que os outros. vocabulário e compreensão –. que consistem no ensino explicito e sistemático das correspondências entre as letras e os sons. O segundo achado do relatório diz respeito à importância das instruções fônicas. e começa a se colocar assim também entre nós. em seguida. em que o educando é explicitamente ensinado a relacionar as letras e os conjuntos de letras individuais aos seus respectivos sons. fluência em leitura (oral e silenciosa). em que o educando é primeiro apresentado a unidades de palavras inteiras e. sistemático. a converter as letras em sons e combinar os sons para formar palavras reconhecíveis. (relações fonema–grafema). direto e sistemático das correspondências fonema–grafema. Esse levantamento feito nos Estados Unidos. a questão tem se colocado. Ainda segundo esse levantamento. é mais ampla e multifacetada que apenas a aprendizagem do código. o que ambos postulam é a necessidade de que essa faceta recupere a importância fundamental que tem na aprendizagem da língua escrita. Além disso. a meta-análise demonstrou que. uma oposição de grupos a favor e grupos contra o movimento que tem 17 . são mais eficazes do que os outros. que incluíam milhares de crianças. das relações grafofônicas. Entretanto. e não o método “contextualizado”.

fosse mesmo necessário curvá-la para o lado oposto. alfabético e ortográfico. e 2) aumento da circuitaria formada pela rede de conexões (sinapses) estabelecidas ao longo do desenvolvimento do indivíduo. ela mostra a rede neuronal do córtex cerebral de um feto (a). A figura ao lado (Fig. Quanto maior a complexidade sináptica. elucidou com maestria e simplicidade a forma como ocorre a memorização e a aprendizagem no sistema nervoso. Dessa forma. o que se propõe é. evolução essa. maior a complexidade funcional do sistema nervoso. é um retorno à sintonia do desenvolvimento aos mecanismos de evolução. das pressões das condições de vida do homem à época (conforme discutido acima). É um processo de formação de novas sinapses. e como decorrência. portanto da complexidade da função cerebral para coordenar esse comportamento. ou de outro. para endireitar a vara. a capacidade fonoarticulatória também o foi. O processo evolutivo da competência das linguagens falada e escrita foi resultado da evolução da complexidade cerebral. Figura 18 aumento nas ramificações produzidas pelos neurônios e nas conexões estabelecidas entre eles (sinapses). o recém- nascido tem cerca de 100 bilhões de neurônios. nessa breve revisão sobre o “processo de alfabetização”. entendida como processo de aquisição e apropriação do sistema da escrita. Se ao longo do desenvolvimento da infância até a adultícia há redução no número de neurônios (de cerca de 100 bilhões para cerca de 86 bilhões). Esses sons surdos exigiam pouco da mobilidade fonoarticulatória e. adolescente (c) e adulto (e). Em síntese. a necessidade de reconhecimento da especificidade da alfabetização. Assim. basicamente. indo sempre da unidade para o todo. como a participação em eventos variados de leitura e de escrita. ou como se o pêndulo devesse estar ou de um lado. da mesma forma que deve ter acontecido ao longo da evolução do homem. o número de sinapses aumenta de algumas centenas de trilhões! Isso se deve ao que é conhecido como plasticidade sináptica ou plasticidade cerebral. isso porque a rede sináptica é bem pobre se comparada ao adulto. ou seja. mas. e nem por isso é mais capaz do que o adulto. foi (acredita-se) a pronúncia de sílabas. em segundo lugar. através de dois processos: 1) aumento do número de neurônios do encéfalo – chegando no homem contemporâneo a cerca de 86 bilhões de neurônios no homem adulto. Notar que não há aumento no número de neurônios. e de atitudes positivas em relação a essas práticas O que vemos acima. no que se refere à etapa inicial da aprendizagem da escrita. Eric Kandel (Laureado Nobel de medicina e neurociências em 2000). a aquisição da 18 . recém-nascido (b). como prefiro referir. em primeiro lugar. entre outros fatores.sido denominado a “volta ao fônico” (back to phonics) – como se. À medida em que a circuitaria cerebral foi se complexando. conforme explicado anteriormente. possivelmente sons bilabiais plosivos. resultado. A forma mais elementar de “fala” desenvolvida pelo homem. A complexidade encefálica se faz. 18) exemplifica bem isso. a importância de que a alfabetização se desenvolva num contexto de letramento – entendido este. e o consequente desenvolvimento de habilidades de uso da leitura e da escrita nas práticas sociais que envolvem a língua escrita. do simples para o complexo.

A criança (o cérebro) primeiro deve aprender a executar os processos mais simples que constituem a base de um comportamento ou uma habilidade mais complexa antes de aprender o mais complexo. superando as antigas concepções. Essa forma de interagir com as necessidades vem mudando ao longo da nossa história. da letra para a sílaba. caminhando na atualidade para o contexto de escola inclusiva. de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde). NECESSIDADES ESPECIAIS E NEUROPEDAGOGIA Mas.6% (pouco mais de 5. acadiano) para desenvolver escrita incialmente silábica essencialmente consonantal (!).000) vão conviver com algum tipo de malformação ou comprometimento que vão caracterizar essas pessoas como portadoras de alguma forma de atividade adaptada na vida. ela reproduz exatamente o processo evolutivo. Esse relato da possível evolução das linguagens faladas e escritas mostra algumas possíveis causas dessas necessidades ao longo da evolução. sobrevivem cerca de 833. Resumindo. preconceitos.linguagem falada assim como a aquisição da linguagem escrita. Por isso que a humanidade primeiro (há cerca de 100 a 180 mil anos) falou SÍLABAS simples bilabiais e depois foi desenvolvendo as habilidades para pronunciar toda a gama de sons utilizadas na fala UNIVERSALMENTE. Recentemente a Neurociência (nas últimas décadas) vem dando importante contribuição na compreensão dessas necessidades e na melhor forma de abordar as necessidades especiais. Outros.hieroglifos). resgatando a necessidade premente de se partir do ensinamento do simples para o complexo. permeado pelo constante exercício da consciência fonológica. percebe-se a transposição da cultura segregacionista para a cultura integradora. O cérebro desenvolvendo faz o mesmo caminho do cérebro evoluindo. como na sua inclusão plena na sociedade. mais mil anos para desenvolver o conceito definitivo de alfabeto fônico-silábico na civilização grega antiga. portanto. Levou pelo menos cerca de 100 mil anos após aprender a falar para ter a sofisticação mental suficientemente desenvolvida para elaborar um sistema de escrita com alguma capacidade de transmitir conceitos abstratos (Egito antigo . seja na sua educação formal. seja nas suas necessidades individuais. de como a sociedade foi possibilitando aos indivíduos com deficiência o atendimento de 19 . Levou mais cerca de mil anos para migrar definitivamente de uma escrita logográfica (cidade de Uruk. Da mesma forma podemos ver que o homem desde seus primórdios tenta de alguma forma lidar com essas necessidades. Daí as conclusões nesse amplo trabalho de investigação sobre eficiência dos diferentes métodos de alfabetização. que compões um conjunto de cerca de 50 sons representados por cerca de 80 letras.000) abortam espontaneamente por conterem malformações tão severas que tornam incompatível com a vida.000 nascidos vivo. conforme a evolução científica e como um todo vai ocorrendo. portanto. conceitos que a sociedade tem em relação à deficiência é necessário inserir a questão no contexto histórico. morrem logo após o parto. tanto no caráter de independência do indivíduo. mesmo dentro da vida intrauterina. criando o conjunto de 26 letras que até hoje é utilizado para a escrita na ampla maioria das sociedades do mundo. de cada um milhão de fecundações cerca de 15 porcento (150. Para compreender o universo de mitos. Na trajetória histórica da educação especial. não se justifica o salto de etapas durante esse processo. destas. 17. cerca de 0. passando pela educação como um todo. se observarmos as fases do desenvolvimento infantil da alfabetização. Essas necessidades são enfocadas e trabalhadas dentro do que é conhecido como portadores de necessidades especiais. também respeita esse processo. da sílaba para a palavra.000 crianças.

concebidas como castigo dos céus para expiação dos pecados de seus ancestrais ou criaturas possuídas pelo demônio. com direitos e deveres como qualquer outro cidadão. da caça e do extermínio de seus dissidentes. dependendo para sua sobrevivência. Na Grécia antiga. em função da assunção das idéias cristãs. ao manco e ao leproso – a maioria dos quais sendo pedintes ou rejeitados pela comunidade. não podiam mais ser exterminadas. como convém. defeituosas e/ou mentalmente afetadas (provavelmente deficientes físicas. na qual a pessoa com deficiência não tinha direito à vida. já que também eram criaturas de Deus. eram banidas da sociedade com a morte. as sociedades demonstraram dificuldades em lidar com as diferenças entre as pessoas e de aceitar as deficiências. em todas as culturas. No século XVI a deficiência passou a ser tratada por meio de alquimia.suas necessidades básicas de vida. com medo que infectem o rebanho. inválidas e incapazes. impondo o dever de amar o próximo. da boa vontade e caridade humana. degolamos as ovelhas doentes. ou “endemoniados”. por caridade os deficientes acabam sendo acolhidos em instituições religiosas. etnias. nós a afogamos: não se trata de ódio. as pessoas com deficiência também passaram a sofrer perseguições. Desde a antiguidade até os dias atuais. saúde. A partir do século XII instalaram-se e sucederam. Com o advento do cristianismo houve significativa mudança na organização político-administrativa surgindo no cenário político um novo segmento: o clero Assim. passando à condição de filhos de Deus. as autoridades os esconderão. que nos convida a separar das partes sãs. torturas e exterminação. lazer. Assim. Seguindo a evolução histórica. as pessoas com deficiências foram reconhecidas como portadoras de alma. Os preceitos de Sêneca (filósofo e poeta romano nascido em 4. os touros ferozes e indomáveis. visto que a Igreja na tentativa de proteger-se de manifestações e da insatisfação de discordantes dentro e fora dela iniciou um dos períodos mais negros e tristes da História da Humanidade: o da perseguição. seja pelo medo de doença. doentes. Esse atendimento caritativo das instituições é conhecido como etapa do assistencialismo. aquelas que podem corrompê-las” (Sobre a Ira). as pessoas eram ignoradas a própria sorte. no transcorrer de cinco séculos momentos de tensão e gravidade. mesmo as crianças. Sob essa visão cristã. sob o argumento de que eram hereges. asfixiamos os recém-nascidos mal constituídos. aC. mas da razão. como relata texto de Platão: “Quanto aos filhos de sujeitos sem valor e aos que foram mal constituídos de nascença. vistas como. sensoriais e mentais).) assim se expressava: “Nós matamos os cães danados. O caráter cristão conferiu à sociedade. variando a forma de conceber a deficiência e de como lidar com seus portadores ao longo dos séculos. se forem débeis ou anormais. educação. onde a perfeição do corpo era cultuada. Algumas passagens bíblicas permitem inferir sobre como eram tratadas as pessoas com limitações funcionais e necessidades diferenciadas com referências ao cego. num lugar secreto que não deve ser divulgado” (A República). valores éticos. chegando até hoje onde constroem sua própria trajetória. trabalho. encontra-se a etapa de extermínio. Assim. Pessoas doentes. participando dos diferentes segmentos da sociedade. 20 . Esta fase de exclusão social vem caracterizada um profundo cunho assistencialista. níveis sociais e econômicos. seja porque se pensava que eram amaldiçoados pelos deuses. os portadores de deficiência eram sacrificados ou escondidos. da magia e da astrologia.

como não produtivas. Escolas. tenham suas especificidades atendidas (BRASIL. independentemente de sua diferença. trazendo todo tipo de crenças. sem exceção. Hospitais e Residências clínicas eram utilizadas como locais de educação especial. os relatórios. Nesse sentido. Mesmo com a evolução da Medicina. Mas trata-se de um movimento unilateral. mais do que oferecer oportunidades educacionais. de viver e conviver em comunidade. a Institucionalização do deficiente em conventos. O século XVII foi palco de avanços no conhecimento produzido na área da Medicina. as classes especiais existentes no interior das escolas regulares. desenvolvida entre os anos 60 e 70 fez surgir movimentos à favor da desinstitucionalização ganhando espaço a idéia de educar em ambientes menos restritivos. portanto. Essa etapa histórica é conhecida como etapa da segregação institucional. Por absoluta impossibilidade de acesso às escolas comuns para com as crianças e jovens com deficiências suas famílias buscaram meios de criar escolas especiais. no sistema regular de ensino. D’Antino (1998) também aponta a necessidade de se discutir em qual realidade os alunos das escolas especiais são trabalhados. Posturas discriminatórias ainda persistem. Em relação à educação dispensada a essas pessoas. as decisões sobre agrupamento de alunos nas escolas e nas salas de aula. A reação contra a segregação institucional dos portadores de deficiência. Isto inclui o currículo. como o de terem se transformado em espaços de discriminação sócio- educacional. se o de atendimento embasado no protecionismo e na caridade. O objetivo é garantir o acesso e participação de todas as 21 . como um todo. a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva propõe o delineamento de ações educacionais que visam superar a lógica da exclusão no ambiente escolar e na sociedade de forma geral. defende a matrícula dos alunos. classes especiais e salas de recursos. a avaliação. mitos preconceitos e ainda considerando a pessoa com deficiência um fardo pesado para a sociedade. iniciando assim a fase de integração. que podem tolher as possibilidades de inclusão social. foram se tornando verdadeiros depósitos de todos aqueles que por uma razão ou outra não se enquadravam no sistema escolar revelando. não cidadãs (MONROY. A inclusão escolar deve ser entendida como um processo de reforma e de reestruturação das escolas. os registros. Com a integração pretendia- se que os alunos com necessidades especiais alcançassem um nível educacional pré- estabelecido. educacional e de trabalho. Avanços significativos foram registrados no decorrer do século XX. pleno século XXI a etapa do direito de ser diferente. Crianças e jovens considerados mais aptos eram encaminhados às escolas comuns. hospitais psiquiátricos permaneceu por mais de 500 anos. 2003). O que se entende por inclusão escolar: A Política Nacional de Educação busca instituir sistemas educacionais que consideram igualdade e diferença como valores indissociáveis e constitutivos de nossa sociedade. pois a integração pouco exige da sociedade em modificar atitudes. em seu funcionamento. a necessidade de se repensar a organização das escolas de maneira que os alunos. mesmo com toda evolução alcançada (MONROY. antes de freqüentar a educação comum. 2008). Essa etapa é chamada inclusão. como não consumidoras. aspectos negativos. encontrando- se hoje. 2001). espaços físicos ou práticas sociais. razão porque. Para efetivar tal propósito. O mundo viu chegar o século XX. Há. organizado para assegurar condições adequadas para um processo educacional igualitário a todos nos diferentes níveis de ensino. na fase de integração duas formas de atendimento coexistem: classes especiais para atender os menos prejudicados e escolas especiais para atender casos considerados de maior gravidade. lazer e recreação. bem como oportunidades de esporte. sendo as pessoas com deficiência vistas como objeto de piedade. a pedagogia e as práticas de sala de aula. afirma Mazzotta (1994). asilos. cultural.

O desafio da inclusão reside encontrar uma forma de unir: o desenvolvimento do currículo. 22 . ou seja. de adaptar-se às regras da inclusão. • Capacidade de determinar quais estímulos educativos deve oferecer ao aluno. 2006). Obstáculos à Inclusão: Rotina do professor . A visão geral da inclusão escolar é que todas as crianças sejam atendidas em escolas comuns. rotineira que permita determinar em que nível de desenvolvimento o aluno se encontra. no processo ensino-aprendizagem deve facilitar ao aluno novas situações de aprendizagem. oferecendo tempos educacionais maiores. diária. buscando. Avaliação: Processual. Materiais: Variados. mas a escola. Sob a ótica educacional. Condições para que a inclusão aconteça: Professor com: • Conhecimento do conteúdo curricular – Competência curricular. • Conhecimento do desenvolvimento mental e nível de conhecimento do aluno. a proposta de educação no contexto inclusivo. Organização da sala de aula: • Ativa. • Apresentar motivação ativa. uma mudança na concepção social e cultural. com diferentes níveis de dificuldades possibilitando que cada aluno encontre o seu nível. possibilitando a construção do saber. quais conhecimentos estão sendo somados e a qualidade destes.dificulta modificar as práticas pedagógicas. através de diferentes estratégias. favorecendo relações entre: o professor-aluno . segundo Monroy (2001) produziu mudanças fundamentais nos valores e normas sociais. Na inclusão não é o aluno que deve se adaptar a escola. em classes comuns. com parceiros da mesma idade (SANCHES PALOMINO e TORRES GONZÁLES. que faça possível seu avanço e propicie uma intervenção mediadora do professor.aluno consigo mesmo. A inclusão assume que a convivência e a aprendizagem em grupo é a melhor forma de beneficiar a todos. 1998). Aluno: • Ser autor de sua aprendizagem. que permitam atender ritmos individuais. com agrupamentos flexíveis. a organização da escola e o desenvolvimento profissional do professor.crianças em todas as oportunidades oferecidas pela escola e impedir o isolamento e a segregação (PETER MITTLER. Organização da Escola: • Por idades. de questionar. provocar mudanças internas nos esquemas de conhecimento. de confrontar.aluno-aluno .

Cultura da escola – acomodação diante do conflito. fraternidade.949 – Promulga esta Convenção no Brasil. passando a idéia que tudo funciona bem.) Na perspectiva da educação inclusiva.B.D. • Conferência Mundial de Educação Para Todos – 1990 Jomtien – Tailândia. disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do ensino regular L. cooperação.. que implicam em transtornos funcionais específicos. alterações de função. • Revolução Francesa – com seus ideais de liberdade. • (. Formação do professor .. focalizando a formação em habilidades didáticas e conceituais somente para determinada área de conhecimento..Decreto nº 3. a educação especial atua de forma 23 . • Convenção de Guatemala -1999 – Eliminação de Toda forma de discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência . recursos. trabalho conjunto. transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. O professor da classe trabalha isolado do professor de apoio. nada precisa mudar. • Conferência Mundial Sobre Necessidades Educativas Especiais – 1994. Especializações – leva a compartimentalizar o saber e a responsabilidade. entre eles o Direito à Educação.956/01. • Avanços nas áreas das Ciências. • Surgimento da Filosofia da Normalização e Integração. a educação especial passa a integrar a proposta pedagógica da escola regular. EDUCAÇÃO ESPECIAL • (. Acontecimentos mundiais que favoreceram avanços na forma de tratar e abordar as deficiências. tempo. (1996). esquece de preparar para a participação. Estrutura e funcionamento da escola – reduzidos espaços. • Proclamação dos Direitos Humanos. O professor de apoio ao aluno é o especialista e responsável. etapas e modalidades.Salamanca – Espanha.) uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis. Nestes casos e outros..Tanto a formação inicial do professor. realiza o atendimento educacional especializado. igualdade – cria movimento humanitário em favor das pessoas reclusas. • Convenção Sobre os direitos das pessoas com Deficiência -2007- ONU. responsabilidades muito centradas em funções.Decreto nº 6. promovendo o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência. como a continuada ou permanente. Individualismo – não compartilhar novas descobertas. entre outros podem ser citados: • Revolução Industrial – exigências de novas competências.

grandes transformações. com índice de analfabetismo de 85% entre as pessoas. atual Instituto Benjamin Constant. pelo Imperador D. ou quando a Revolução Industrial.428. seja como fator condicionante de voto ou requisito para a garantia do poder. educação para seus filhos. e Mazzotta (1995) a história da Educação Especial no Brasil tem seu início no período final do Brasil Colônia. orientando para o atendimento às necessidades educacionais especiais desses alunos (MEC. registrando-se apenas internamentos em hospitais psiquiátricos. 1. A economia brasileira se organizava em torno do café. No período colonial prevaleceu o descaso a essa educação. Eram provavelmente os mais lesados. através da Sociedade Pestalozzi. 24 . Os que não eram assim a olho nu. 28). no Rio Grande do Sul. Até o advento da República. de 12/09/1854. no Brasil. ao explicar a inexistência de registros históricos sobre os deficientes mentais “este silêncio foi tão grande que nem se encontrou quem eram estes educando abrigados nos estabelecimentos para deficientes mentais. A Educação Especial tem sofrido nas últimas décadas. quando produtos tropicais eram exportados e importando produtos manufaturados. A prática do favor e da caridade. através do Decreto Imperial n o. com a criação do “Instituto dos Meninos Cegos”. instituiu o caráter assistencialista que permeou a atenção à pessoa com deficiência e à educação especial desde seu início. conforme se encontra registrado em Jannuzzi (1985). em uma sociedade basicamente rural. ultrapassando a simples concepção de atendimentos por categorias para a inclusão da pessoa com vistas ao pleno exercício da cidadania. com suas mudanças no sistema de produção exigiram mão de obra mais instrumentalizada. em relação aos portadores de deficiência mental pode ser registrada. numa sociedade rural desescolarizada” (JANNUZZI. Segundo Jannuzzi (1985). 1985. Preocupação de caráter privado e de forma isolada. estariam incorporados às tarefas sociais simples. Pedro II. açúcar e algodão. articulada com o ensino comum. a Educação foi preocupação dos segmentos dominantes. 2008). em 1889. A sociedade brasileira passou do Período Imperial até o início do Período Republicano. sem nenhum atendimento educacional especializado. p. em 1920. havia no país seis instituições de ensino atendendo deficientes físicos. com o surgimento da primeira instituição. auditivos e visuais. Este foi criado no Rio de Janeiro. França e Portugal. ONTEM HOJE Deficiente Portador de necessidades especiais Cliente/doente Sujeito do processo educacional Visão terapêutica Visão educacional sócio-histórica Deficiência Potencial Tratamento Educação Assistencialismo Direito Dependência Participação BASES HISTÓRICAS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL Historicamente. A aristocracia rural não precisava da educação. Os deficientes mentais continuavam isolados em instituições psiquiátricas. tão comum no País naquela época. apenas quando dela sentiram necessidade. representada pelos senhores de engenho e grandes cafeicultores buscou no exterior. como enxada e o arado. ou pelo aspecto global ou pelo comportamento altamente divergente. os que mais se distinguiam se distanciavam os que incomodavam. Enquanto foi possível a elite brasileira. em Canoas. pois a economia agrária utilizava instrumentos rudimentares.

autônomas e de caráter filantrópico.146/2015. A educadora também participou ativamente do movimento das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs). antes de referir-se à deficiência. mudanças substanciais na forma de abordar as deficiências. preferencialmente na rede regular de ensino”. ao direito de viver e conviver em comunidade. membros da National Association for Retarded Children (NARC). substituindo a palavra “excepcional” usada para designar quaisquer desvios físico. por exemplo. passando o atendimento 25 . O artigo 205 preceitua que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família. pelo menos no aspecto legal. Estabelece no artigo 203 . como pessoa ao introdução no texto legal das palavras integração comunitária. 2) Estatuto da Criança e do Adolescente (1990). a utilização da palavra pessoa. garante atendimento educacional para todos. 5) Diretrizes Nacionais da Educação Especial na Educação Básica (2001).Inciso IV: “a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração comunitária” (grifo nosso) representa o reconhecimento. DOCUMENTOS NACIONAIS NORTEADORES DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO CONTEXTO INCLUSIVO. sendo responsável no Brasil pela criação de serviços de diagnósticos. organização fundada em 1950 nos Estados Unidos (MAZZOTTA.N (1996).571.D. As APAEs tornaram-se a maior prestadora de serviço na educação e habilitação das pessoas portadoras de deficiência em todo o país. 1994).611/12 – Revoga o anterior. Esse artigo constitucional é extremamente importante no combate à segregação e estigmatização. como. 6) Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva (2008). nascida na Rússia em 1882. tendo em vista a inclusão do aluno com necessidades educacionais especiais. classes e escolas especiais.CRONOLOGIA 1) Constituição da República Federativa do Brasil (1988). termo utilizado pela primeira vez em um texto legal. 7) Parecer CNE/CEB n° 4/2009: Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado . O resultado desses movimentos foi o aparecimento de instituições especializadas no atendimento ao portador de deficiência. veio ao Brasil. através da Fundação da Sociedade Pestalozzi de Belo Horizonte. 4) L. Nesse aspecto. Helena Antippoff. convidada por Francisco Campos. através da orientação do casal norte-americano Beatrice e George Bemis. 3) Política Nacional de Educação Especial (1994). exigindo da sociedade. o que denota reconhecer o portador de algum tipo de excepcionalidade.B. O artigo 208-III preceitua: “o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia do atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência. reconhecendo o direito de viver e conviver em comunidade. CONSTITUIÇÃO FEDERAL Na Constituição Federal (1988) constam importantes medidas constitucionais em favor dos Direitos das pessoas portadoras de deficiência.2008 – Decreto nº 6. para dirigir o Laboratório de Psicologia da Escola de Aperfeiçoamento de Professores. 9) Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei nº 13. 8) Decreto n º 7. na cidade do Rio de Janeiro. então Secretário de Educação do Estado de Minas Gerais. sensorial ou psíquico.

66 – assegura aos adolescentes com deficiência o direito ao trabalho protegido. sensoriais ou intelectuais.F. de caráter permanente. proclamando a educação para todos. independente das condições dos alunos. cujas necessidades. quando assim for recomendado.227 C. associada às dificuldades de aprendizagem e não necessariamente está vinculado à deficiência. portanto. O documento utiliza a denominação “alunos com necessidades educacionais especiais” para se referir às crianças e jovens.). o País determinou uma profunda transformação do sistema educacional brasileiro. Ao assumir tal compromisso. A expressão “portador de necessidades educacionais especiais”. • Art. com qualidade e igualdade de condições. assumindo uma proposta educacional inclusiva. nem sempre é um portador de deficiência. 26 . indiscriminadamente. e a facilitação de acesso aos bens e serviços coletivos. em 1990..educacional a ser realizado em escolas comuns. • Art. POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL . • Assegura direitos constitucionais estabelecidos (art..1994 O Brasil tornou-se signatário de importantes convenções internacionais que repercutiram na organização da educação nacional. mediante treinamento para o trabalho e a convivência. bem como a integração social do adolescente portador de deficiência. decorrentes de fatores inatos ou adquiridos. é adotada pelo Brasil através de sua Política Nacional de Educação Especial. Pessoa com necessidades especiais. O artigo 227 preceitua: “É dever da família. como a eliminação de preconceitos e obstáculos arquitetônicos. A Política Nacional de Educação Especial (1994) foi elaborada no mesmo ano em que o Brasil assinou a Declaração de Salamanca. na Espanha. A expressão necessidades educacionais especiais está. a menos que haja razão convincente para o contrário. que acarretem dificuldades em sua interação com o meio físico social”. junto a outras crianças.) I – criação de programas de prevenção e atendimento especializado para os portadores de deficiência física. independente das diferenças dos alunos. comprometendo-se a oferecer educação para todos. decorrem de sua elevada capacidade ou de suas dificuldades para aprender. cujo documento final é conhecido como “Declaração de Salamanca” tendo assumido o compromisso de assegurar a democratização da educação. significativas diferenças físicas. da sociedade e do Estado assegurar (. na Tailândia. de forma a poder acolher a todos. Os conceitos elaborados pelo MEC/SEESP (1994) esclarecem: Pessoa com deficiência é “Aquela que apresenta em comparação com a maioria das pessoas. 54 confere direito ao atendimento especializado aos portadores de deficiência. como a Conferência de Jomtien. sensorial e mental. Em 1994 torna--se signatário da Conferência Mundial Sobre Necessidades Educativas Especiais. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (1990) • O ECA foi instituído pela Lei 8069/90.

Portanto. para atendimento especializado. Indica o artigo 59 da LDB que os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I. quando necessário. reconhecendo a importância da Educação Especial. alteraram-se as questões relativas à organização escolar e a formação de professores. sempre que. dispondo normas no capítulo V. condutas típicas ou ainda altas habilidades.. métodos. para atender as peculiaridades da clientela de educação especial. alguma deficiência física. professores de Educação Especial trabalhando em diferentes funções e em contextos diversificados: 27 .. recursos educativos e organização específicos. aparecerão no quadro da Educação Nacional. O artigo 58 da LDB conceitua educação especial a Educação Especial como sendo: “a modalidade de educação escolar. em razão da legislação. oferecida preferencialmente na rede regular de ensino. mas com possibilidades de atendimento em lugares diferenciados. Ela institui a obrigatoriedade do portador de necessidades educacionais especiais freqüentar a rede regular de ensino ao mesmo tempo em que estabelece a criação de serviços de apoio especializados nas escolas regulares para o atendimento das necessidades do aluno.LEI NO 9. encontra-se explicitado que haverá. 58. bem como prescreve para os sistemas de ensino. Nos parágrafos 1º e 2º do mesmo artigo. em razão do grau de dificuldades exigem adaptações significativas no currículo. não pode ser subestimada. em caráter permanente ou temporário. LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL – LDB . bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. como o atendimento em escolas especiais para os alunos que. múltiplas. que a escola comum não pode proporcionar. na escola regular. em função das condições específicas dos alunos. para educandos portadores de necessidades especiais”. organização curricular específica. b) b) professores com especialização adequada em nível médio ou superior para o atendimento especializado. Assim. o que representa um avanço significativo para a educação especial. escolas ou serviços especializados. necessita de recursos especializados para desenvolver mais plenamente os seu potencial e ou superar ou minimizar suas dificuldades”.) III . Com a publicação da LDB e da adoção da política de educação inclusiva.mas é “Aquela que por apresentar. serviços de apoio especializado. podendo o atendimento educacional especializado ser feito em classes. 59 e 60. currículos. refere-se a dois tipos de professores para atuação com alunos com necessidades educacionais especiais: a) professores capacitados para viabilizar a inclusão dos alunos com necessidades especiais nas classes comuns. não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. a atual lei educacional brasileira. tornando-se uma das modalidades de educação nacional. professores com especialização adequada em nível médio ou superior. O inciso III do artigo 59 da LDB. para atender às suas necessidades (.394/96 Estabelece os rumos e os fundamentos da educação brasileira. indica manter o atendimento da Educação Especial em um só sistema de ensino. técnicos. cognitiva. art. sensorial. técnicas e recursos educacionais adequados e voltados para o atendimento educacional destes educandos. A importância da atual Lei de Diretrizes e Bases no que concerne à educação especial. com utilização de métodos.

professores intérpretes das linguagens e códigos. e de outros profissionais e recursos necessários à aprendizagem.678/02 Aprova diretriz e normas para o uso. bem como os referenciais e parâmetros curriculares nacionais. compreendendo o projeto da Grafia Braile para a Língua Portuguesa e a recomendação para o seu uso em todo o território nacional. para atendimento dos alunos que requeiram atenção individualizada nas atividades da vida autônoma e social. 2003 – PORTARIA Nº 2. • Escola especial – destinada à educação escolar dos alunos que “apresentem necessidades educacionais especiais e que requeiram atenção individualizada nas atividades de vida autônoma e social. o ensino. à locomoção e à comunicação dos alunos. • Oferecer sala de recursos – com a complementação ou suplementação curricular. seguindo as diretrizes curriculares para a Educação Básica. • Função de intérprete para apoiar alunos surdos. realizando flexibilizações e adaptações curriculares tão significativas que a escola comum não possa atender. mediante serviços de apoio especializado na: • classe comum – com a atuação de professor de educação especial. • Função de professor de classe especial. locomoção e à comunicação. LEI Nº 10436/02 Reconhece a Língua Brasileira de Sinais/Libras como meio legal de comunicação. bem como na itinerância intra e interinstitucional fornecendo apoios necessários à aprendizagem. recursos.098/2000 Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e outras providências. na classe comum e/ou na sala de recursos. • Classe especial – de maneira extraordinária e em caráter transitório. surdos- cegos ou que apresentem outros sérios comprometimentos de comunicação e sinalização. utilizando equipamentos e materiais específicos. LEI 10. • Função de professor em escola especial. realizando adaptações de acesso ao currículo e adaptação nos elementos curriculares. bem como a inclusão da disciplina de Libras como parte integrante do currículo nos cursos de formação de professores e de Fonoaudiologia. bem como adaptações curriculares tão significativas que a escola comum não tenha conseguido 28 . ajudas e apoios intensos e contínuos. cegos. a produção e a difusão do Sistema Braille em todas as modalidades de ensino. DIRETRIZES NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO ESPECIAL NA EDUCAÇÃO BÁSICA DE 03/07/2001 – APROVADA PELO PARECER Nº 17/2001 Faz recomendações aos Sistemas de Ensino e orienta como deve ser o atendimento educacional aos portadores de necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino. • Função de apoio pedagógico especializado.

MODALIDADE EDUCAÇÃO ESPECIAL (RESOLUÇÃO Nº 4 DE 2/10/09) . • Desloca a ênfase das deficiências e desvantagens centradas no aluno para a escola e contexto educacional. arquitetônica... • Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados de ensino. prover. nos mobiliários. nos transportes. podem ser atendidos (. • Formação continuada de professores para atendimento educacional especializado.571/08 A. • Enfatiza a importância dos ambientes heterogêneos para a aprendizagem de todos os alunos São objetivos desta Política: • Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior. transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. DIRETRIZES OPERACIONAIS PARA O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO NA EDUCAÇÃO BÁSICA. na comunicação e informação.E.. transtornos globais de desenvolvimento e das altas habilidades/superdotação a partir da compreensão de que as pessoas se modificam transformando o contexto no qual se inserem. .Atendimento Educacional Especializado: 29 .IMPLEMENTA O DECRETO Nº 6.571 Dá diretrizes para o estabelecimento do atendimento educacional especializado no sistema regular de ensino (escolas públicas ou privadas). • Formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão escolar. • Continuidade de estudos e acesso aos níveis mais elevados. 2008 – Decreto nº 6. • Oferta de atendimento educacional especializado. equipamentos. assegurando-se que o currículo escolar observe as Diretrizes Curriculares Nacionais (Parecer 17/2001).E. • Acessibilidade urbanística. • Atendimento Educacional Especializado. • Acesso com participação e aprendizagem no ensino comum..) em escolas especiais. orientando os sistemas de ensino para garantir: • Acesso e a inclusão escolar de alunos. POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA (2008) A ressignificação dos conceitos de deficiência. • Participação da família e da comunidade.”. • Acessibilidade universal. recursos e serviços para atender a especificidade dos alunos com deficiência. permite uma atuação pedagógica voltada para a inclusão. • Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas. Assim a nova política proclama a organização de um sistema educacional capaz de definir estratégias.

571/2008. na comunicação ou estereotipias motoras (autismo clássico. c) matrícula em classe comum e em centro de Atendimento Educacional Especializado de instituição de Educação Especial pública. intelectual. • DFN (Deficiência Física Neuromotora). Os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência. sendo contemplada: a) matrícula em classe comum e em sala de recursos multifuncionais da mesma escola pública. comprometimento nas relações sociais. d) matrícula em classe comum e em centro de Atendimento Educacional Especializado de instituições de Educação Especial comunitárias. mental ou sensorial. 4º. • TGD (Transtorno Global no Desenvolvimento). 5º. no âmbito do FUNDEB. os alunos matriculados em classe comum de ensino regular público que tiverem matrícula concomitante no AEE. • Alunos com transtornos globais do desenvolvimento: quadro de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor. no turno inverso da escolarização. 1º. Sala de Recursos Multifuncional – Tipo II • DV. b) matrícula em classe comum e em sala de recursos multifuncionais de outra escola pública. confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos. Art. conforme registro no Censo Escolar/MEC/INEP do ano anterior. Síndrome de Rett. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino regular e no atendimento educacional especializado (AEE) ofertado em classes de recursos multifuncionais ou em centros de atendimento especializado da rede pública ou de instituições comunitárias. Art. Serão contabilizados duplamente. de acordo com o Decreto nº 6. etapas e modalidades de ensino. ou também em instituições. confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos. Sala de Recursos Multifuncional – Tipo I • DI (Deficiência Intelectual). 10º. Art. a educação especial será ofertada como forma complementar ou suplementar. Considera-se público alvo do atendimento educacional especializado: • Alunos com deficiência. O projeto pedagógico da escola de ensino regular dever institucionalizar a oferta de AEE prevendo: 30 . 3º. O AEE é realizado prioritariamente na sala de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra escola de ensino regular. 6º. Art. Art. 8º. Em casos de atendimento educacional especializado em ambiente hospitalar ou domiciliar. • Alunos com altas habilidades/superdotação. • Altas Habilidades /Superdotação. Art. Art. transtorno desintegrativo da infância (psicoses) e transtornos invasivos sem outra especificação. física. O financiamento da matrícula no AEE é condicionado à matrícula no ensino regular da rede pública. A Educação Especial se realiza em todos os níveis. Síndrome de Asperger. Parágrafo único. tendo o AEE como parte integrante do processo educacional.

31 . no âmbito do sistema educacional geral.611/11 REVOGA O DECRETO – Nº 6. 1º . asseguradas adaptações razoáveis de acordo com as necessidades individuais. • Outros profissionais. • Estabelecer articulação com os professores da sala comum. de acessibilidade e estratégias. não exclusão do sistema educacional geral sob alegação de deficiência. VII. acessibilidade e equipamentos específicos. garantia de ensino fundamental gratuito e compulsório. § 1º . adoção de medidas de apoio individualizadas e efetivas. em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social. produzir e organizar serviços. Art. IV. aprendizado ao longo de toda a vida. oferta de educação especial preferencialmente na rede regular de ensino.571/08 DECRETA: Art. • Cronograma de atendimento aos alunos. com vistas a facilitar sua efetiva educação. recursos. visando disponibilizar recursos. • Orientar professores e família sobre os recursos pedagógicos e acessibilidade. sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades. de acordo com a meta de inclusão plena. especializadas e com atuação exclusiva em educação especial. V. VI.Para fins deste Decreto. higiene e locomoção. elaborar. guia interprete e outros que atuem no apoio para a alimentação. mobiliário. recursos pedagógicos. • Ensinar e usar a tecnologia assistiva. materiais. • Plano de AEE. • Professores para o exercício da docência do AEE. tradutor. promovendo autonomia e participação. oferta de apoio necessário. considera-se público-alvo da educação especial as pessoas com deficiência. garantia de um sistema educacional inclusivo em todos os níveis. e VIII. II. • Estabelecer parcerias com áreas intersetoriais. com transtornos globais do desenvolvimento e com altas habilidades ou superdotação. DECRETO Nº 7. avaliando a funcionalidade e aplicabilidade dos recursos e de acessibilidade. • Sala de recurso. • Acompanhar a aplicabilidade do item anterior. interprete. Atribuições do professor do AEE: • Identificar. III. 13º. • Elaborar e executar o plano de AEE. espaço.O dever do Estado com a educação das pessoas público-alvo da educação especial será efetivado de acordo com as seguintes diretrizes: I. apoio técnico e financeiro pelo Poder Público às instituições privadas sem fins lucrativos.

A educação especial deve garantir os serviços de apoio especializado voltado a eliminar as barreiras que possam obstruir o processo de escolarização de estudantes com deficiência. pensamento criativo ou produtivo. intelectuais e sociais. de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas. • Pessoas com Altas Habilidades ou Superdotação: A Política Nacional de Educação Especial (1994) define como portadores de altas habilidades/superdotados os educandos que apresentarem notável desempenho e elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos. A educação constitui direito da pessoa com deficiência. mental. Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei nº 13. 27. É dever do Estado. aptidão acadêmica especifica. • Pessoas com Transtornos Globais do Desenvolvimento: Os Transtornos Globais do Desenvolvimento . podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.No caso dos estudantes surdos e com deficiência auditiva serão observadas as diretrizes e princípios dispostos no Decreto nº 5. § 2º .TGD .626. em interação com diversas barreiras. interesses e necessidades de aprendizagem. capacidade de liderança. Art. MEC Estrutura de Atendimento para alunos com NEE. talento especial para artes e capacidade psicomotora. sensoriais. segundo suas características. os quais. da comunidade escolar e da sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência. Classes comuns + AEE Ensino Regular Classes especiais Estimulação Essencial Educação Infantil Escolas Especiais Ensino Fundamental I EJA Educação Profissionalizante Público-Alvo: • Pessoas com deficiência: Conforme a CDPD (ONU/2006): Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física. intelectual ou sensorial. isolados ou combinados: capacidade intelectual geral. 2º . transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. colocando-a a salvo de toda forma de violência. 32 . da família. de 22 de dezembro de 2005.representam uma categoria na qual estão agrupados transtornos que têm em comum as funções do desenvolvimento afetadas. Parágrafo único. assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida. negligência e discriminação.146/2015 Art.

em cursos de nível superior e de educação profissional técnica e tecnológica. de guias intérpretes e de profissionais de apoio. 28. Art. de tradutores e intérpretes da Libras. IX. promovendo sua autonomia e participação. PARANÁ Deliberação nº 2/03 de 2/6/2003: Estabelece normas para a Educação Especial no Sistema de Ensino do Estado do Paraná. do Sistema Braille e de uso de recursos de tecnologia assistiva. levando-se em conta o talento. por meio da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão plena. aprimoramento dos sistemas educacionais. adoção de medidas de apoio que favoreçam o desenvolvimento dos aspectos linguísticos. sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades. 33 . participação e aprendizagem. acesso à educação superior e à educação profissional e tecnológica em igualdade de oportunidades e condições com as demais pessoas. de forma a ampliar habilidades funcionais dos estudantes. oferta de ensino das Libras. de elaboração de plano de atendimento educacional especializado. culturais. II. entre outros. incentivar. oferta de educação bilíngue. em Libras como primeira língua e na modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua. inclusão em conteúdos curriculares. formação e disponibilização de professores para o atendimento educacional especializado. X. de equipamentos e de recursos de tecnologia assistiva. III. pesquisas voltadas para o desenvolvimento de novos métodos e técnicas pedagógicas. vocacionais e profissionais. adoção de práticas pedagógicas inclusivas pelos programas de formação inicial e continuada de professores e oferta de formação continuada para o atendimento educacional especializado. assim como os demais serviços e adaptações razoáveis. V. IV. XII. participação dos estudantes com deficiência e de suas famílias nas diversas instâncias de atuação da comunidade escolar. adoção de medidas individualizadas e coletivas em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos estudantes com deficiência. a criatividade. criar. permanência. projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional especializado. bem como o aprendizado ao longo de toda a vida. a permanência. de materiais didáticos. favorecendo o acesso. de organização de recursos e serviços de acessibilidade e de disponibilização e usabilidade pedagógica de recursos de tecnologia assistiva. XIII. VII. em escolas e classes bilíngues e em escolas inclusivas. VI. VIII. XI. para atender às características dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade. as habilidades e os interesses do estudante com deficiência. a participação e a aprendizagem em instituições de ensino. visando a garantir condições de acesso. planejamento de estudo de caso. desenvolver. XIV. implementar. promovendo a conquista e o exercício de sua autonomia. Incumbe ao poder público assegurar. acompanhar e avaliar: I. de temas relacionados à pessoa com deficiência nos respectivos campos de conhecimento. Documento preliminar “Diretrizes Curriculares da Educação Especial para a Construção dos Currículos Inclusivos” a SEED/PR 2006.

. Educação de Jovens e Adultos PAC – Professores de Apoio PAEE – Professores de Apoio 34 . pais e professores. que deverá adaptar-se às particularidades de todos os alunos “(. entendendo que algumas crianças. SRM – Instrução nº 16/11 CAE – Centros de Atendimento Classe Comum Especializado. 2002.P. jovens e adultos com graves comprometimentos e problemas de desenvolvimento não apresentam as mesmas condições de aprendizagem acadêmica formal dos demais alunos.DV e DA 1. Evidencia-se que não há consenso no meio social sobre as concepções e práticas de inclusão escolar.600 . O texto considera três tendências sobre o modo de pensar e praticar o processo de inclusão em sala de aula: • Inclusão condicional – considerada a forma mais conservadora. nesse documento. O Paraná buscou discutir os diferentes caminhos trilhados pela inclusão educacional. tais como: “só se todos os professores forem capacitados antes”. Resolução nº 3. especializado Intérprete em Libras Educação Essencial 2. pois apresenta condições. O governo do Paraná. com tendências contrárias ao posicionamento nacional. com alternativas de atendimento e uma rede de apoio aos educandos. mantendo as classes especiais e instituições especializadas como rede de apoio. desde o início. alternativa Classe Especial PAEE – Professores de Apoio ed. não deixar ninguém de fora do sistema escolar. a SEED/PR adota uma terceira posição.2011 EJA Educação Profissional SRM – Tipo I – Instrução nº 14/11 3. optando também por programas alternativos e propostas curriculares diferenciadas. “A meta da inclusão é. Ensino Fundamental e Médio PAC – Professores de Apoio na Regular com.) (MANTOAN..600/11 Transforma as Escolas Especiais em Escola Básica na modalidade Educação Especial. • Inclusão total ou radical. expõe sua política educacional. S. que se apresenta como direção oposta ao primeiro movimento.) • Inclusão responsável – Diante dos dois extremos. A esse posicionamento político educacional denomina “inclusão responsável”. Escola Básica na modalidade Educação Infantil Educação Especial Ensino Fundamental I Resolução nº 3. “quando todas as escolas estiverem adaptadas” entre outras. conforme quadro a seguir: Estrutura de atendimento para alunos com NEE (Necessidades Educacionais Especiais).

Estratégias que muitas vezes. a adaptação ao ritmo de aprendizagem do aluno que é além ou aquém do ritmo da atividade proposta. 2 PROCEDIMENTOS PEDAGÓGICOS QUE FAVORECEM A INCLUSÃO DE ALUNOS COM NEE Ao analisar as dificuldades que os professores enfrentam em sala de aula para incluir alunos que apresentam NEE verificamos que estas são de natureza diversas. dos recursos disponíveis. devido ter que atender às dúvidas e acompanhar os demais alunos. também favorecem as aprendizagens acadêmicas de todos. o clima emocional e afetivo. aos conhecimentos sistematizados. Portanto o desenvolvimento de tais práticas prescinde de uma cuidadosa reflexão que deve ser compartilhada por toda equipe pedagógica da escola. bem como os apoios que o aluno recebe nesse processo. especialmente nas práticas pedagógicas desenvolvidas na classe comum. É muito comum as atividades propostas em sala de aula serem iguais para todos os alunos. de acordo com suas habilidades. visando aprimorar o atendimento ao aluno que apresente qualquer condição que acarrete dificuldades para permanecer e ter sucesso no contexto escolar. bem como orientar a todos para que apóiem uns aos outros durante a realização das atividades. tais como: dificuldades no processo de socialização de tais alunos. ou seja. mas que carecem da avaliação sobre sua pertinência. aliados aos fatores motivacionais presentes na sala de aula. Consideramos que os procedimentos ora discutidos se agregam e complementam as informações que são contempladas no presente curso de especialização. 35 . Para isso o professor deverá desenvolver com mais freqüência atividades em grupo. Ao analisar essa situação corriqueira percebemos que os procedimentos descritos precisam ser reformulados. Aqui temos o intuito de contribuir com análises e sugestões a respeito da organização das condições de ensino de modo amplo. Dado a diversidade de dificuldades que demandam diferentes procedimentos pedagógicos nos deteremos a apresentar algumas sugestões para favorecer a socialização dos alunos que apresentam NEE. Para minimizar as dificuldades inerentes a essa situação temos a proposta de trabalho em grupos cooperativos e de tutoria que favorecem a efetivação dos princípios inclusivos que primam pela valorização das capacidades ao invés das incapacidades e pelo desenvolvimento de pessoas mais colaborativas umas com as outras. os aspectos extrínsecos ao indivíduo. exigindo que cada um as realize individualmente. a necessidade de adaptação dos materiais para que o aluno possa ter acesso ao conhecimento. principal objetivo da escola. a rejeição dos demais alunos ao aluno com NEE. considerando as características específicas do aluno com NEE presente na sala de aula. As sugestões apresentadas pressupõem que o processo de aprendizagem de todos os alunos (com e sem NEE) têm como fatores determinantes importantes. Na sequencia apresentaremos algumas sugestões de procedimentos com ênfase no acesso dos alunos com NEE ao currículo. e até mesmo. nos quais pode haver variação nas exigências de desempenho de cada membro. bem como a aceitação dos demais alunos. destacamos que as orientações apresentadas se configuram como sugestões que podem ser aplicadas nas situações concretas em sala de aula pelo professor regente. visto que em outras disciplinas são estudas as especificidades individuais dos alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem e distúrbios de aprendizagem com ênfase na compreensão de seus aspectos neurológicos e necessidades específicas. Considerando que a educação inclusiva implica em uma reforma na escola. nesse contexto o professor sofre por perceber que o aluno com NEE não consegue acompanhar a atividade proposta e por não conseguir dar a ele os apoios que necessita. os quais podemos identificar que perpassam pela qualidade das interações estabelecidas.

elaborava pequenas frases orais. menos resistente as regras. era resistente às regras. na fase alfabética. Como tive oportunidade de fazer alterações no planejamento já existente tendo como objetivo atender a todos. O aluno terminou o ano apresentando as seguintes características: Sempre presente em todas as atividades do grupo. Os conteúdos eram apresentados de forma lúdica. e conhecia algarismos até 15 e contava até 10. outros desenhavam e outros pintavam ou recortavam. na integra: Recebi um aluno com síndrome de Down em classe que tinha completado 9 anos e havia cursado a primeira série em outra escola. invertia letras e números. Uns escreviam. O objetivo era estudar um novo gênero textual: Tirinhas em quadrinhos. apresentava dificuldades em escrever palavras iniciadas com vogais. era escolhido para trabalhos em grupo. era dependente do adulto para realizar tarefas. para que até o final do ano todos os alunos tivessem trabalhado com todos os seus colegas de classe. Ele estava em processo de alfabetização. foi retirado de Gil (2005. foi possível atingir os objetivos propostos. realizava todas as atividades sem ajuda e não mexia mais com os colegas. O relato a seguir. lia com maior desenvoltura. reconhecia numeral até 70 e ordem de grandeza(.. realizei excursões. que também se alteravam periodicamente. cansava-se facilmente das atividades de classe. Sempre as carteiras ficaram dispostas em duplas ou trios. significativa e acadêmica para sistematização. muitos materiais variados e atividades diversificadas. aceitava refazer as tarefas quando não estavam bem feitas. No início do ano ele apresentava as seguintes características: circulava pela escola. organizei também diversas tarefas para serem realizadas em grupo. respeitando a sequencia. No momento de realizar os registros das atividades todos contribuíam de acordo com suas capacidades naquilo que tinham mais facilidade. 46-50) e o resumiremos. aulas de laboratório. com alterações das disposições com certa regularidade e periodicidade. em busca de uma estratégia que possibilitasse o envolvimento e a participação de todos os alunos (pensava na melhor maneira de atender o aluno). não conseguia fazer recortes. e suas características tais como o uso de balões para indicar diálogos. não gostava de trabalhar em grupo. dizia: se eu não fizer como vou aprender. não entendia a mensagem das frases. mantendo algumas falas da professora denominada Mara.) (Grifo Nosso) Ao ler este relato surge a questão: como ocorreu o processo de aprendizagem desse aluno? A professora Mara relata que: Ao realizar o planejamento eu ia. fala 36 . gostava de atividades com recortes. Montei jogos. fazia desenhos com cores variadas. Com o objetivo de ilustrar com um exemplo prático estas orientações a seguir apresentamos o relato de uma professora que ao incluir um aluno com síndrome de Down desenvolveu procedimentos que favoreceram seu processo de aprendizagem e socialização. preferia brincar. O objetivo era fazer com que todos os alunos aprendessem a trabalhar com todos os colegas respeitando as características individuais de cada um. aceitando-os como são. elaborava frases orais e as registrava. necessitava de muito espaço para escrita. sempre que possível.. usava apenas lápis preto em seus desenhos. dentre elas destacamos: Numa aula da disciplina de Português havia uma atividade que deveria ser realizada no livro didático.. apresentava ainda inversão de letras e números. p. ficava pouco em sala de aula. mexia com os colegas. utilizei vídeos. gibis. Ela ainda cita vários exemplos de atividade..

Outro aspecto que se destaca em seus relatos é que não houve comentários sobre possíveis punições aos comportamentos inadequados do aluno em questão. tomava como base seu conhecimento sobre o aluno e suas reflexões sobre as diversas possibilidades de atingir seus objetivos de ensino a partir da organização de atividades diversificadas. Este relato nos mostra a importância do planejamento do professor previamente. Outro aspecto que se destacou foi a sua crença na capacidade do aluno. nos quais ficou evidente sua preocupação em deixar simples. Estes são apenas alguns dos exemplos de atividades que a professora Mara desenvolveu. pois todos leram e compartilharam suas histórias e conteúdos com os demais. a disposição dos alunos na sala e os apoios que serão oferecidos. as atividades que serão utilizadas como meio de promover as aprendizagens desejadas. Esperei que o aluno em questão escolhesse uma delas. gravuras e/ou desenhos. com textos. bem como a sua socialização e a aceitação de seus colegas de classe. As aulas de Ciências eram planejadas de uma forma que houvesse um maior envolvimento do aluno como um todo. se espalhassem pelo chão e se divertissem com sua leitura. significativas. Considerando tais questões apresentamos algumas sugestões de Duk (2005. que se envolveu e deu respostas adequadas levando-se em conta suas dificuldades. expressões dos personagens etc. Oralmente fui fazendo adaptações das atividades do livro. e sim a descrição de estratégias que utilizou para estimular sua participação e promover a sua aprendizagem acadêmica. Em seguida alguns contaram suas histórias. visto que planejava condições para sua participação. A 37 . Os alunos jogavam o dado e andavam no percurso definido no jogo de acordo com número sorteado. Como vimos havia sempre. cujos personagens faziam parte da tirinha do livro. Para que houvesse maior envolvimento do aluno. na classe ou no pátio. Eu apresentava os conteúdos planejando por meio de várias estratégias onde pudesse contemplar as diferentes capacidades dos alunos. inclusive ele e depois retornamos às carteiras para fazer as atividades propostas pelo livro. tinha a expectativa ele iria aprender se lhe fossem dadas oportunidades adequadas. Os objetivos propostos para essa atividade foram atingidos. A leitura dos gibis proporcionou um envolvimento maior. com experimentos no laboratório. Além disso. e para toda classe que ficou mais interessada. Proporcionei um tempo para que todas as crianças escolhessem um gibi. lúdicas e motivadoras. Organizava jogo de dados para desenvolver atividades de Estudos Sociais e regras de trânsito. solicitei que as respostas fossem dadas de acordo com as histórias dos gibis que eles haviam lido. Apresentava textos apenas no final do planejamento para sistematizar o que foi trabalhado durante o processo. 172) pertinentes ao espaço da sala de aula considerando que: A sala de aula é um dos contextos educacionais de maior importância no desenvolvimento dos aluno(a)s. fossem para o fundo da classe. eu trouxe para a classe uma cestinha com vários gibis da Turma da Mônica. Para conseguir organizar tais condições.de narrador. p. ou seja. Realizavam pesquisa. especialmente do aluno com deficiência. organizando os conteúdos que serão trabalhados levando em conta os objetivos. compreensível e agradável as tarefas a serem realizadas pelos alunos. a preocupação de valorizar as capacidades do aluno e aproveitá-las por meio de estratégias que possibilitaram o desenvolvimento de um espírito cooperativo entre todos os alunos. visse sozinho a história e depois pedisse que alguém lhe contasse. já que é na sala de aula que têm lugar os processos de ensino e aprendizagem. envolveu-se e trabalhou com o conteúdo apresentado. Dessa forma. Interagiu com todos os seus colegas. o aluno participou. percebe-se que seu objetivo na organização das atividades de sala de aula era possibilitar a participação e o envolvimento de todos os alunos. foi mais interessante para o aluno em processo de inclusão.

pela qualidade dos processos educacionais que acontecem na classe e pela capacidade do professor(a) de analisar e refletir sobre sua prática a fim de tomar decisões que promovam a aprendizagem e a participação de todo(a)s. a aprendizagem não é um processo linear de acumulação de conhecimentos. facilitando tal processo de construção. Nesta perspectiva. 173) Considerando estas análises para o professor tornar a aprendizagem significativa é importante que conheça o que os seus alunos sabem sobre o que pretende ensinar. Os aluno(a)s chegam à aula trazendo uma série de conceitos sobre o mundo físico e social que lhes servem de base na apropriação dos novos conhecimentos estabelecidos no currículo escolar. que diz respeito tanto ao “saber sobre algo” (esquemas conceituais).os conteúdos escolares objeto da aprendizagem . b) Organizando os processos de ensino para viabilizar a aprendizagem e a participação de todos os aluno(a)s 38 . mas tendo em vista que eles se entrelaçam na atuação cotidiana do professor. a qual se encontra entre o que o aluno(a) pode fazer por si só e o que é capaz de fazer e aprender com a ajuda de outros mais capazes (DUK. Neste processo de construção modificam-se conhecimentos e esquemas prévios e cria-se uma nova representação ou conceituação. qualidade da aprendizagem dos educando(a)s é influenciada. neste caso. ainda. 2005. A autora considera que o professor deve evitar atividades mecânicas e repetitivas. que serve de mediador entre os aluno(a)s e os conteúdos. como o “saber o que fazer” e. e . Além disso. que constroem significados referentes aos conteúdos de aprendizagem. postulada por Vigostsky.os aluno(a)s. pois essas dificilmente são significativas. para que possa a partir desse conhecimento levá-los a desenvolver novos conteúdos com base científica. Estes conceitos prévios ou alternativas podem ser “errôneos” e. de modo especifico. em grande parte. P. a) Aprendizagem significativa A aprendizagem significativa implica proceder a uma representação interna e pessoal dos conteúdos escolares. Os processos de ensino e aprendizagem na sala de aula articulam a interação de três elementos básicos: . A seguir destacamos cada um. serão reconstruídos na sala de aula. a partir da qual “conceitos científicos” serão aprendidos. como “como que se sabe” (esquemas de procedimentos) e o “saber quando utilizá-lo” (conhecimentos sobre em que situações usar o que se sabe). Isto significa que o ensino deve situar-se na chamada “zona de desenvolvimento próximo”. Para isso deve aproveitar as diversas oportunidades cotidianas para questioná-los e observá-los. é importante levar o aluno construir e compreender os conceitos. assim como o estabelecimento de relações entre eles e a sua aplicação. estabelecendo relações substantivas entre o novo conteúdo de aprendizagem e o que já se sabe.um professor(a). Baseada em algumas teorias cognitivistas e interacionistas a mesma autora seleciona alguns fatores que o professor deve estar atento ao planejar a sua aula. mas uma nova organização do conhecimento. também evitar apresentar conceitos acabados.

p. • Explorar as ideias prévias antes de iniciar nova aprendizagem Especialmente quando inicia um novo conteúdo o professor deve conhecer o que os alunos sabem a respeito. Considerando esses aspectos. de que maneira aprendem melhor. ou seja. todas as crianças executam as mesmas tarefas. seus interesses e motivações. e • o dever de casa é planejado com a finalidade de reforçar e ampliar a aprendizagem (DUK. Dar resposta à diversidade significa romper com o esquema tradicional. A questão central da aula inclusiva é a capacidade que o docente tem de organizar as situações de ensino de modo a tornar possível personalizar as experiências comuns de aprendizagem. O Planejamento quando apresenta as características citadas abaixo tem se mostrado mais eficaz. • Ajudar os aluno(a)s a atribuir um significado pessoal à aprendizagem Levar o aluno compreender como e onde pode aplicar os seus conhecimentos (por quê e para quê). no qual uma aula é planejada e organizada para todas as crianças ao mesmo tempo. especialmente se tiver um histórico de fracassos escolares. chegar ao maior nível possível de interação entre os estudantes e participação de todos nas atividades propostas. para alguns alunos será necessário fazer ajustes nas exigências das atividades e nos apoios que ele deve receber para ter êxito nas atividades. muito menos se considera o conhecimento prévio do aluno(a). atividades em grupo. p.175). Nesta aula não se considera diferenças de estilos. da mesma forma e com os mesmos materiais.174). ou seja. dos critérios e procedimentos de avaliação etc (DUK. Duk (2005) também recomenda que o professor esteja atento em: • Motivar os aluno(a)s e conseguir uma predisposição favorável para aprender Deve levar o aluno a valorizar o seu esforço na tarefa e não apenas aos resultados. • as estratégias são planejadas para permitir que os aluno(a)s encontrem o sentido das atividades na sala de aula. Muitas das dificuldades vividas pelos aluno(a)s no processo de aprendizagem derivam da maneira como o professor(a) organiza este processo. Para isso pode realizar conversas. p. entre outros aspectos” (DUK. seus níveis de aprendizagem e de competência curricular. • os esquemas de aula são variados; • a organização da aula é adequada em resposta à informação proporcionada pelos aluno(a)s durante as aulas. 175). para poder mediar o quanto de apoio 39 . vídeos. 2005. dos materiais. p. suas necessidades educacionais específicas. 174) “O planejamento precisa levar ao difícil equilíbrio entre dar resposta ao grupo como um todo e dar resposta a cada aluno individualmente” (DUK. Para facilitar a obtenção de bons resultados em sua aula. Para atender esses requisitos o planejamento precisa ser aberto e flexível e para isso o professor precisa “conhecer bem seus aluno(a)s. ritmos e interesses de aprendizagem. das metodologias que utiliza. sem perder de vista as necessidades concretas de cada um e em particular daqueles com maior risco de exclusão em termos de aprendizagem e participação.

este é um aspecto de grande valia para o professor e para o próprio aluno. É importante dispor de material específico ou adaptado.176) A mesma autora também alerta que deve ser lembrado que os alunos que apresentam NEE aprendem de forma semelhante aos demais alunos. A utilização deste tipo de técnica pressupõe uma grande ajuda para o professor(a). sequencias e ritmo diferentes e as vezes de outros recursos. [. competência e interesses distintos.] Assim. o professor deve estar atento ao nível de desenvolvimento do seu aluno para realizar as tarefas sem supervisão. Além disso. que possam escolher como realizá-las. • Utilizar estratégias de aprendizagem cooperativa – apoio criança-criança É fato comprovado à sociedade que as crianças não aprendem apenas com o professor(a). • Preparar e organizar os materiais e recursos de aprendizagem de forma significativa para os estudantes No atendimento às diferenças dos aluno(a)s é preciso que haja uma variedade de materiais e recursos de aprendizagem que permitam desenvolver ampla gama de atividades e trabalhar determinados temas ou conteúdos com diversos níveis de complexidade e diferentes formas de utilização. nas relações sociais e no desenvolvimento pessoal. para atender a certos aluno(a)s com necessidades 40 . além disso. As estratégias de aprendizagem cooperativa têm efeitos positivos no rendimento escolar.176). 2005.. por facilitar trabalho autônomo dos aluno(a)s. • Dar oportunidade para que pratiquem e apliquem com autonomia o que foi aprendido É importante que os alunos tenham oportunidade de utilizar as habilidades e conhecimentos adquiridos. p. o que os difere é que podem necessitar de mais apoios. pois indica a necessidade de apresentar novos desafios. por meio de questionário. • Variar as estratégias e possibilidades de escolha Não existe um método único ou uma estratégia ideal para todos. Estes materiais não precisam ser necessariamente sofisticados ou caros. 2005. mas devem ser criados para oportunizar e garantir a participação de todos nas atividades propostas. conversas etc. permitindo-lhe dedicar mais atenção àqueles que dela mais necessitam (DUK. porque cada aluno(a) tem formas de aprendizagem. o professor(a) precisa contar com grande repertório de estratégias instrucionais que dêem resposta às variadas necessidades e situações de aprendizagem (DUK. desenhos.precisam para chegar ao nível de aprendizagem desejada. uma estratégia que pode ser muito eficaz para um aluno(a) pode não dar resultado com outro. mas também com as outras crianças. p. Para isso pode explorar as idéias prévias dos alunos evitando a conotação de avaliação prévia.. Tais procedimentos auxiliam os alunos a se tornaram mais responsáveis por suas aprendizagens. Também é importante para o desenvolvimento da autonomia dos alunos que lhes sejam oferecidas possibilidades de escolhas entre diferentes tipos de atividades. na auto-estima.

Para alguns pesquisadores e educadores da área esta prática é recomendada para os casos de alunos com deficiência intelectual que apresenta uma grande defasagem entre seu nível de compreensão e a série ou nível de ensino em que se encontra. incluindo as estratégias e atividades de ensino às necessidades e aos estilos de aprendizagem dos aluno(a)s e assim. desta forma como última alternativa temos a possibilidade de flexibilizar o currículo. 2005. p176). 177). São um processo de tomada de decisões para atender às necessidades educacionais especiais de um aluno(a) quanto ao que deve aprender. é primordial para planejar as aulas de forma compatível com as características de todos os aluno(a)s. • Monitorar permanentemente o processo de aprendizagem dos aluno(a)s para ajustar o ensino. prevê-se como último nível de ajuste da resposta educacional as flexibilizações curriculares . e qual a melhor forma 41 . assim como o apoio de que alguns aluno(a)s podem precisar. bem como escolher o momento nos quais se realizem atividades individuais que lhes possam servir de reforço ou aprofundamento (DUK. aos níveis de sucesso que têm alcançado e às relações que estabelecem. Esta estratégia facilita a aprendizagem do aluno em todas as áreas. p. c) A flexibilização curricular Quando. apesar da ajuda que lhes é oferecida. tais como a possibilidade de eliminação de objetivos de ensino. por exemplo. considerando o tipo de metodologia e as atividades a realizar. específicas. As flexibilizações curriculares constituem uma estratégia de planejamento e de atuação do professor(a). 2005. O professor deve oferecer oportunidades para que relacione os conteúdos das diferentes áreas de conhecimento que são abordadas em seu currículos. em particular às estratégias cognitivas que utilizam. • Organizar o processo de ensino/aprendizagem levando em consideração interdisciplinaridade. o Braille e a reglete para os alunos cegos ou um computador ou prancha de sinais para um estudante com dificuldades motoras (DUK. os aluno(a)s não conseguem participar e progredir. Para os demais alunos que apresentam NEE o procedimento a ser utilizado é denominado diferenciação curricular e engloba os procedimentos de ensino recomendados supracitados.176). como e quando. É importante organizar a rotina diária em função da natureza dos conteúdos a desenvolver tendo em mente o nível de atenção e de concentração dos aluno(a)s. Estar atento aos processos que os aluno(a)s seguem para aprender. • Organizar o horário de aula. as quais deverão ser planejadas no contexto do conteúdo curricular também trabalhado com os outros alunos. 2005. alcançar os resultados desejados (DUK. Ao observar as estratégias até o momento citadas observamos que estas não envolvem aspectos diretamente relacionados ao currículo. A seguir apresentamos a caracterização da flexibilização curricular e da diferenciação curricular segundo Duk (2005).

o docente organiza a aula pensando em todos os estudantes e criando oportunidades igualitárias de acesso ao conteúdo trabalhado com todos (DUK. aos conhecimentos acadêmicos. 2005. de organizar o ensino para que todos saiam beneficiados. Esse aspecto é denominado por alguns de meios de acesso ao currículo. d) Meios de acesso ao currículo Consistem na provisão de recursos materiais específicos ou na modificação das condições de interação. com contrastes ou letras especiais para aluno(a)s com baixa visão. Dentre eles. 178). e 42 . entre outros). Atualmente o procedimento denominado diferenciação curricular tem sido reconhecido como o mais adequado em salas de aulas inclusivas. Destacamos a seguir a diferença que podemos estabelecer entre flexibilização curricular e diferenciação curricular. Só em último caso as flexibilizações curriculares representam um produto. tais como: material com impressão em relevo para aluno(a)s cegos. seqüências ou temporalizações distintas. uma proposta individual de atividade é preparada para atender um aluno(a) específico. vimos o trabalho pedagógico da professora Mara. avaliamos que independente se o professor optar por organizar um plano individualizado de ensino (flexibilização curricular) ou uma diferenciação curricular ele deve observar e providenciar os meios de acesso ao currículo. Esses meios são essenciais. buscando respeitar o seu ritmo de aprendizagem e possibilidades. que possibilitem acesso e circulação nos diferentes locais da escola. dado o fato que contempla o princípio de respeito às diferenças e pressupõe o trabalho pedagógico com o mesmo objetivo para todos. 2005. A seguir analisamos alguns aspectos que dizem respeito à acessibilidade do aluno ao currículo proposto. uma programação que pode conter alguns objetivos e conteúdos diferentes para o aluno(a). visto que ela manteve seus objetivos de ensino semelhante para todos os alunos e propiciou apoios e atividades variadas para que seu aluno com síndrome de Down pudesse realizar as atividades com os demais. sobretudo para os alunos que apresentam deficiência. sistemas de informática e de tradução. ou seja. entre outros. O que diferencia a abordagem da flexibilização curricular para a diferenciação curricular é que na flexibilização. 179). relatado anteriormente. Vale enfatizar que o ponto de partida é o atendimento às necessidades individuais a partir de uma metodologia comum e não exatamente buscar métodos e técnicas de trabalho diferentes para o aluno(a) com maior nível de dificuldade (DUK. variando os níveis de exigências e os apoios oferecidos. para compensar dificuldades experimentadas pelos aluno(a)s. p. p. Como exemplo de diferenciação curricular. critérios e procedimentos de avaliação adequados a seu nível e propostas metodológicas e de organização da aula que facilitem a aprendizagem e sua participação. bem como melhorar as condições de sonorização ou de luminosidade e de realização das atividades propostas. • material de apoio e/ou didático de caráter específico. podem ser citados os seguintes: • flexibilizações nos espaços e no equipamento (mobiliário especial. na diferenciação.

em idioma padrão. devido à deficiência (intelectual. Materiais pedagógicos variados e as tecnologias assistivas para os alunos que apresentam dificuldades para aprender. os objetivos e os conteúdos podem ser adaptados de diversas maneiras. 178). desta forma. • utilização de sistemas de comunicação complementares ou alternativos ao de linguagem oral. tanto pessoalmente como envolvendo os colegas no apoio (apoio criança a criança). auditiva. partir do simples para o mais complexo. também se constituem em meios de acesso ao currículo. 2005. Na sala de aula inclusiva. p. pois sem a interpretação o aluno surdo não tem acesso ao conhecimento. é importante que o docente divida a tarefa em passos mais simples criando formas do estudante responder à mesma. • Eliminar certos objetivos ou conteúdos: é possível também que alguns aluno(a)s com necessidades educacionais 43 . visual. O intérprete de Libras para os alunos surdos se constitui em meio de acesso ao currículo. sem que isto implique desistência da realização da tarefa. tais como tradutores. neste caso. ou física) ou a um distúrbio. • Simplificar o nível de exigência do objetivo: quando o aluno(a) demonstrar um desempenho inferior ao de seu colegas. É fundamental que o professor(a) compreenda as diferenças de ritmos de aprendizagem e apóie os aluno(a)s na consecução da tarefa. conforme a seguir: • Priorizar determinados objetivos: selecionar os objetivos considerados fundamentais ou chaves para alcançar aprendizagens posteriores. o que possibilita aumentar o grau de complexidade ou de dificuldade do objetivo ou do conteúdo e. as decisões sobre a flexibilização ou a diferenciação do currículo devem sempre ampliar as oportunidades de aprendizagem do educando(a). • Acrescentar objetivos ou conteúdos não previstos no currículo comum: é possível. potencializar sua capacidade. e) Flexibilizações nos diversos componentes do currículo Trata-se da revisão ou flexibilização de um ou vários itens do planejamento educacional e curricular: objetivos e conteúdos de aprendizagem e estratégias de ensino e avaliação. ainda. Assim. Deve-se sempre garantir a disponibilização de materiais e recursos básicos para que o aluno(a) possa participar da atividade proposta em sala de aula. que uma criança com necessidades educacionais especiais precise de alguns objetivos complementares ou alternativos aos conteúdos abordados na sala de aula. Para isso o professor(a) deve conhecer o desempenho e progressos do estudante. • Ampliar ou elevar o nível de exigência do objetivo: pode ocorrer que determinadas crianças demonstrem maior habilidade ou melhor desempenho em certas disciplinas. o professor(a) deve verificar se a atividade solicitada não apresenta um nível de complexidade inacessível ao aluno(a). • Modificar a temporalização dos objetivos: algumas crianças podem necessitar de mais tempo para alcançar determinado objetivo. computadores com sintetizadores de voz etc (DUK. No que se refere ao enfoque inclusivo.

(DUK. bem como do contexto familiar.179) Para se proceder a uma flexibilização nos objetivos de ensino é necessário uma criteriosa avaliação do aluno com NEE. 17 de novembro de 2011.pdf.). do clima emocional presente na sala de aula. Dispõe sobre o direito das pessoas portadoras de deficiência. incluir outros ou atribuir prioridade a alguns pode resultar na renúncia a determinados objetivos. Disponível em: http://portal. 190º da Independência e 123º da República. Brasília. especiais não consigam desenvolver todos os objetivos e conteúdos do currículo e precisem eliminar os menos importantes ou de importância secundária. Vale destacar que o termo flexibilização curricular é sinônimo para alguns pesquisadores de adaptação curricular e adequação curricular e. Brasília. nas entrevistas com o aluno(a). da metodologia utilizada pelo professor. é não suprimir aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento do aluno(a) (DUK. bem como do contexto escolar. Julio Groppa.º 2 de 11 de setembro de 2001. entre outros (e não em testes psicológicos). DF: Presidência da República. de 17 de novembro de 2011. 44 .gov.mp. (org.611.179) bem como observações no contexto da sala de aula e entrevistas com os professores.txt Acesso em: 20 de nov. São Paulo. Resolução CNE/CEB n. Decreto nº 7. Brasil: Summus. “Este tipo de avaliação se baseia na observação direta do educando(a). 7853. Brasília. disponível em: http://www. Quando não há atendimento especializado em contra turno em Sala de Recurso Multifuncional na escola em que o aluno estuda. Acesso em: 12/10/2012. (1989). In: Aquino.br/portal/page/portal/Educacao/Legislacao/Federal/Decreto_n% C2%BA_7611_171111_Educa%C3%A7%C3%A3oEspecial. p. com os pais e colegas. que envolve a relação do aluno em questão com o grupo. BRASIL. 135-151).br/seesp/arquivos/txt/res2. Devemos considerar que o aluno com NEE frequenta o atendimento especializado em período de contra turno. Por isso quando se observa a necessidade de se realizar uma flexibilização curricular que envolve os objetivos de ensino é necessário o envolvimento de toda equipe pedagógica da escola.mec. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AQUINO. Ética na escola: a diferença que faz diferença.gov. Por outro lado. 2005. bem como do setor de Educação Especial disponível na própria escola ou no seu respectivo sistema (estadual ou municipal). 1996) prevê a possibilidade de adaptações curriculares para atender os alunos que apresentam NEE. Julio Groppa et al. em todo caso. 2005. O professor que atua nesse atendimento deve estar permanentemente se atualizando e ampliando seus saberes para responder adequadamente as diferentes necessidades dos alunos atendidos por ele. 2007. Os atendimentos ocorrem em média duas vezes por semana por um período de duas horas. que a nossa legislação a partir da LDB publicada em 1996 (BRASIL. Nesse atendimento o professor propõe atividades próprias para desenvolvimento das áreas defasadas ou oportuniza atividades desafiantes para alunos com altas habilidades/superdotação. p. ele poderá ser atendido em uma escola próxima que ofereça tal atendimento. Institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. (1998). Lei n.sp. BRASIL. O importante. especialmente da sala de aula. BRASIL. Diferenças e preconceitos na escola: alternativas teóricas e práticas (pp.

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