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Direito Processual Penal
Obra organizada pelo Instituto IOB – São Paulo: Editora IOB, 2014. ISBN 978-85-63625-34-2

Informamos que é de inteira responsabilidade do autor a emissão dos conceitos.
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a
prévia autorização do Instituto IOB. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na
Lei nº 9.610/1998 e punido pelo art. 184 do Código Penal.

Sumário
Capítulo 1 Aplicação da Lei Penal, 7
1. Lei Processual Penal no Tempo, 7
2. Sistemas Processuais Penais, 8

Capítulo 2 Princípios Aplicáveis ao Direito Processual
Penal, 10
1. Princípios: Devido Processo Legal, Contraditório e
Ampla Defesa, 10
2. Princípios: Duplo Grau de Jurisdição, Não
Culpabilidade e Identidade Física do Juiz, 11
3. Princípios: Imparcialidade, Inadmissibilidade das Provas
Ilícitas, Verdade Real, 12

Capítulo 3 Inquérito Policial, 14
1. Conceito e Natureza Jurídica, 14
2. Características do Inquérito Policial, 15
3. Formas de Instauração do Inquérito Policial, 15
4. Outras formas de investigação e Prazos, 16
5. Prazos e Diligências, 17
6. Arquivamento, 18
7. Art.28, CPP, 19

Capítulo 4 Prisões, 21
1. Prisão em Flagrante, 21
2. Espécies de Prisão em Flagrante, 22

3. Prisão Preventiva, 23
4. Prisão Preventiva: admissibilidade, 24
5. Medidas Cautelares Diversas da Prisão, 25
6. Rol das Medidas Cautelares, 26
7. Rol das Medidas Cautelares (continuação), 26
8. Prisão Temporária, 27

Capítulo 5 Ação Penal, 30
1. Ação Penal: princípios, 30
2. Ação Penal: espécies, 31
3. Ação Penal Pública, 31
4. Ação Penal Pública Condicionada. Ação Penal Privada,
32
5. Ação Privada Subsidiária da Pública. Ação Penal
Privada Personalíssima, 33
6. Ação Penal Privada Personalíssima. , 34

Capítulo 6 Sujeitos do Processo, 36
1. Sujeitos Processuais. Juiz, 36
2. Ministério Público. Assistente de Acusação. Acusado,
37
3. Defesa no Processo Penal, 39

Capítulo 7 Atos de Comunicação do Processo, 41
1. Citação Pessoal, 41
2. Citação por Edital, 42
3. Citação por Hora Certa. Intimação e Notificação, 43

49 4. Recuso em Sentido Estrito. Habeas Corpus. 48 3. 45 1. Recurso Extraordinário. Recurso Especial . Conceito e Características. 45 Capítulo 8 Recursos.. 51 7.Capítulo 8 Provas. 62 . 51 6. 50 5. 47 1. Provas. Apelação. Recurso Ordinário Constitucional. 47 2. 52 Gabarito.

.

Princípio da imediatidade: a lei processual penal deve ser aplicada desde logo. Tempus regit actum Os atos que foram praticados antes da vigência da nova lei continuam válidos Quando ao art. Interpretação extensiva é o alargamento do alcance da norma. Esta paz é atingida por meio do processo penal. 2º do CPP: Art. Passando à aplicação da lei penal no tempo.Capítulo 1 Aplicação da Lei Penal 1. b) pacificação social: o Estados age porque o cidadão espera que quando um sujeito pratica um crime. Assim. 3º do CPP. sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei pretérita. é necessário que se retome a paz na sociedade. a lei processual. porque o . para os atos que se suce- derem à vigência da lei). sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. depois de inserida no mundo jurídico. importa consignar que a lei processual penal admite a interpretação extensiva e a aplicação analógica. observe o que determina o art. tem aplicação imediata (aplicando-se mesmo aos processo em cursos. Observe que sem processo não há que se falar em aplicação de pena. Lei Processual Penal no Tempo O processo penal existe basicamente por dois motivos: a) o processo é instrumento de aplicação da lei penal material. Já a aplicação analógica é a aplicação de uma determinada lei à um outro caso análogo. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo.

8 Direito Processual Penal

legislador não consegue prever todos os casos em que a norma pode ser aplicada.
Ambos os institutos são aceitos e aplicados no processo penal.

Exercício
1. Julgue a assertiva:
Tratando-se de lei processual penal, não se admite, salvo para beneficiar o
réu, a aplicação analógica.

2. Sistemas Processuais Penais

Os sistemas processuais existem porque o processo penal passou por uma evolu-
ção. Desta feita, ao longo do tempo podem ser identificados 3 sistemas proces-
suais distintos.

Sistema Processual Inquisitório

Sistema Processual Acusatório

Sistema Processual Misto

Em toda sílaba, deve existir uma vogal e só pode haver uma vogal. Contudo,
quando duas ou mais vogais existirem em uma sílaba, uma será vogal e as outras
serão semivogais.

Sistema Inquisitivo ou Inquisitório
Nesse sistema, as garantias fundamentais do acusado. São características des-
te sistema:
- todas as funções (acusação, defesa e julgamento) se concentram nas mãos
de uma única pessoa, qual seja, o juiz;
- juiz parcial;
- inexistência dos direitos e garantias fundamentais do acusado;
- prevalência do sistema de provas tarifadas.

Sistema Acusatório
Esse é o sistema adotado pelo Código de processo Penal brasileiro. São carac-

Direito Processual Penal 9

terísticas deste sistema:
- todas as funções (acusação, defesa e julgamento) são muito bem definidas
e limitadas;
- juiz imparcial;
- o acusado é encarado de sujeito de direitos e não objeto do processo;
- prevalência do sistema de provas tarifadas.
Observação: o sistema adotado no Brasil não é considerado um sistema acu-
sado um sistema acusatório puro. Isso porque nosso sistema autoriza que o juiz
busque provas dentro do processo, sem que, desta forma, saia da posição de
julgador imparcial.

Sistema Misto ou Formal
Esse sistema é dividido basicamente em 3 fases:
- fase de investigação: atuação da polícia judiciária, em conjunto com o Mi-
nistério Público;
- juiz busca provas;
- juiz imparcial, exercendo a função pura de julgador.

Exercício
2. Assinale a alternativa correta.
a) A legislação brasileira adota expressamente o sistema acusatório, em ra-
zão de não prever a investigação criminal realizada por magistrados.
b) A legislação brasileira adota expressamente o sistema acusatório, em ra-
zão de prever a possibilidade tribunais populares exercerem a jurisdição
criminal nos crimes contra a vida.
c) A legislação brasileira adota expressamente o sistema inquisitivo, em ra-
zão de prever a investigação criminal realizada por magistrados.
d) A legislação brasileira adota expressamente o sistema misto, em razão de
a investigação criminal estar confiada à polícia judiciária.
e) A legislação brasileira não adota expressamente qualquer sistema proces-
sual penal.

Capítulo 2
Princípios Aplicáveis ao
Direito Processual Penal

1. Princípios: Devido Processo Legal,
Contraditório e Ampla Defesa
O estudos dos princípios em processo penal inicia-se no art. 5º, LIV da CF, que traz
o princípio do devido processo legal:
Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo
legal.
Importante, neste momento, não confundir processo (atuação das partes e do
judiciário) com procedimento (conjunto de atos pré-determinados que têm como
objetivo uma decisão final).
O devido processo legal é uma garantia fundamental: não haverá aplicação de
pena sem a observância do devido processo legal.
Os princípios do processo penal devem ser observados tanto pelo legislador, na
sua atividade legiferante, como pelo próprio julgador, na sua atividade judicante.
Além do princípio do devido processo legal, temos também o princípio do
contraditório (art. 5º, LV):
Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral
são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes.
O princípio do contraditório, também conhecido como princípio da bilateralida-
de de ação ou de audiência, significa que no processo penal a parte tem o direito
de saber de quais os fatos que estão sendo utilizados para a acusação. É o direito à
ciência para que o acusado o possa exercer a sua ampla defesa.
Trata-se de princípio aplicável para todas as partes no processo (e não apenas
à acusação).
A ampla defesa é caracterizada pela não limitação da defesa: a parte tem o
direito de exercer a sua defesa com todos os meios legítimos, lícitos e legais dispo-

Direito Processual Penal 11

níveis para tanto.
A ampla defesa subdivide-se em:
a) autodefesa: é a realizada pelo próprio acusado. Por este aspecto da ampla
defesa, garante-se ao réu o direito de audiência.
b) defesa técnica: o acusado tem direito a ser defendido por um defensor téc-
nico.

Exercício
3. São princípios constitucionais do processo penal:
a) presunção de inocência, contraditório e verdade real.
b) devido processo, ampla defesa, verdade real e dispositivo.
c) juiz natural, presunção de inocência, ampla defesa e contraditório.
d) devido processo, presunção de inocência, ampla defesa, contraditório e
verdade real.
e) devido processo, presunção de inocência, ampla defesa, contraditório e
dispositivo.

2. Princípios: Duplo Grau de Jurisdição, Não
Culpabilidade e Identidade Física do Juiz
O princípio do duplo grau de jurisdição representa a possibilidade de as parte
recorrer de decisão que não lhe seja satisfatória..
Este princípio não tem previsão expressa na Constituição Federal, mormente
porque há determinadas situações em que não será possível o recurso de uma
decisão insatisfatório, como se vê nos casos de julgamento em primeira instância
pelo STF.
O próximo princípio a ser estudado é o da presunção de inocência ou não
culpabilidade.
A previsão está no art. 5º, LIII:
Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença
penal condenatória.
O cidadão acusado de ter cometido um crime só pode ser dito culpado após
sentença penal condenatória transitada em julgado. Este princípio relaciona-se
com o ônus probatório: a acusação deverá fazer a prova de que um determinado
sujeito praticou o crime. Assim sendo, não é o cidadão que precisará provar a
sua inocência, porque esta já é presumida. E mais: o acusado só poderá ser preso

LVII): Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade compe- tente. de todas as maneiras. deverá absolver. 12 Direito Processual Penal preventivamente (antes de sentença penal condenatória transitada em julgado) em último caso. Provas ilícitas: a) provas ilícitas estrito senso: ferem norma de direito penal material. Assim. as decisões todas devem ser muito bem fundamentadas. Princípios: Imparcialidade. 5º. b) provas ilegítimas: ferem norma de direito processual penal. tanto os dados trazidos pela acusa- ção quanto os argumentos oferecidos pela defesa. Por fim. LVI: São inadmissíveis. ainda que a prova seja uma prova cabal para incriminar o acusado. Por fim. 3. analisando. temos o princípio da identidade física do juiz (art. temos ainda o princípio da verdade real. as provas obtidas por meios ilícitos. os fatos da forma como realmente ocorreram no mundo real. inclusive quando da apreciação das provas O princípio da inadmissibilidade das provas ilícitas está previsto no art. As provas obtidas por meios ilícitos não poderão ser valoradas. Segundo este sistema. não poderá ser utilizada para fundamentar a condenação. Inadmissibilidade das Provas Ilícitas. . imparcialmente. que determina que o julgador deve buscar. Verdade Real O princípio da imparcialidade do juiz refere-se ao seguimento aos ditames constitucionais. tem-se o brocardo in dubio pro reo: se o juiz não estiver plenamente convencido de que o acusado praticou o crime. Ainda relacionado ao princípio da presunção de inocência. no processo. O juiz deve ser competente para tratar do caso. 5º. A pacificação social não poder ser baseada em provas ilícitas. deve ser o juiz defini- do pelas normas de processo penal para julgar aquele caso. ou seja. Já verificamos que hoje vige no Brasil o sistema acusatório.

Direito Processual Penal 13 No Brasil.crime. que apresenta a impu- tação em juízo através de denúncia ou de queixa. c) do Promotor natural. no processo penal. a partir delas. A regra que. Exercício 4. e) da presunção de inocência. formular sua decisão. o juiz não deverá buscar provas. mas analisar as provas que já estão carreadas aos processos. . com o princípio da verdade processual: analisará os fatos e provas trazidas aos autos. b) do devido processo legal. O juiz trabalha. d) da ampla defesa. o ônus da prova é decorrência do princípio: a) do contraditório. em verdade. O juiz deve con- servar a sua função judicante e o ônus de buscar as provas é do órgão acusador. Desta forma. e. podemos afirmar que este princípio não é aplicado no processo penal brasileiro. atribui à acusação.

A polícia militar tem caráter ostensivo r age antes da prática do crime. O IP é realizado em uma fase pré-processual. procedimento administra- tivo. § § 1º e 4º. para que ele não ocorra. E observe-se que o inquérito policial é o instrumento de trabalho das polícias federal ou civil. Por fim. Passamos agora a analisar o conceito de inquérito policial. 144 da CF prevê duas formas de polícias: polícia preventiva e polícia judi- ciária. A natureza jurídica do inquérito policial é. bem . Inquérito Policial é um procedimento administrativo inquisitivo que tem como finalidade carrear. inquisitivo e preliminar à ação penal. antecede a ação penal. portanto. presidido pelo Delegado de Polícia. destinado à apu- ração da infração penal. que trata da polícia militar. Conceito e Natureza Jurídica O art. Estas têm função investigatória e repressiva. § 5º. 144. Observe que natureza jurídica é função de determinado instituto no ordena- mento jurídico brasileiro. ou seja. importa consignar que a expressão inquérito policial tem dois senti- dos: a) sentido objetivo: é um procedimento que tem como finalidade a coleta de informações a respeito da autoria e da materialidade da infração penal. A polícia preventiva tem previsão no art. encontram-se as polícia judiciárias: polícia fede- ral e polícia civil. Em outras palavras: é um procedimento administrativo. amealhar e colher elementos relacionados ao fato criminoso. não há que se falar em contraditório e ampla defesa no inquérito policial). inquisitivo (se acordo com a maioria da doutrina brasileira. No mesmo artigo.Capítulo 3 Inquérito Policial 1.

todas as funções. que garante ao defensor o acesso ao inquérito. Sobre o sigilo e a defesa. não se alcançaria a efetividade desejada. mas não em uma situação flagrancial. já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária. Não pode-se interpretar este dispositivo literalmente. respeita-se o direito fundamental à privacidade e intimidade do acu- sado. b) sentido subjetivo: é um procedimento conduzido pela polícia judiciária. pode ser fomen- tada das seguintes maneiras: a) Portaria: será utilizada quando a autoridade policial tem ciência da prática de um crime. reduzidas a escrito ou datilografadas e. que preside o inquérito policial. Ademais. no IP. hoje. importa consignar que o STF editou a súmula vin- culante 14. vídeo etc. porque esta característica já nasce com o IP. porque existem provas. Veja-se: É direito do defensor. . Características do Inquérito Policial São características do Inquérito Policial: a) Procedimento inquisitivo: não há que se falar. que materializa o inquérito. digam respeito ao exercício do direito de defesa. b) Procedimento escrito: observe o que determina o art. em contraditório e ampla defesa (estes princípios estão relacionados com o processo penal propria- mente dito).) c) Procedimento sigiloso: o sigilo não precisa ser decretado pela autoridade judicial ou policial. que não são escritas (áudio. o Delegado de Polícia. ter acesso amplo aos elementos de prova que. 2. Os motivos são dois: se fosse dada publicidade às investigações. Observe. neste caso. contudo. num só processado. 9º do CPP: Todas as peças do inquérito policial serão. Direito Processual Penal 15 como fornecer informações ao titular da ação penal e ao juiz. Formas de Instauração do Inquérito Policial A peça inicial do inquérito policial. rubricadas pela autoridade. Interpreta-se a expressão “escrito” do citado artigo como aquilo que está do- cumentado. tem. que o sigilo não será imposto ao juiz. à acusação e à defesa. 3. no interesse do representado. em suas mãos.

Comissão Parlamentar de inquérito (CPI) . 10 do CPP: . além do inquérito policial. tomando conhecimento da possível ocorrência de um delito. no caso da ação penal pública. A partir do momento em que a autoridade policial tem ciência da ocorrência de um crime. Este o conteúdo do princípio da oficialidade. apenas o juiz terá o poder de arquivá-lo. Este o conteúdo do princípio da oficialidade. Princípio da oficiosidade: a autoridade policial e o Ministério Público. e a partir dessa lavratura o inquérito tem o seu início. regra geral. a autoridade policial não poderá encerrá-lo: somente o juiz poderá encerrar (arquivar) o inquérito. arquivá-lo. porque esta ati- tude é privativa do juiz. no caso do inquérito. Observe o que determina o art. Instaurado o inquérito. ele não poderá encerrá-lo. . 4. Existem ainda outras formas de investigação.o MP. ou seja. deverá agir de ofício (desde que se trate de crime de ação penal pública incondicionada). 16 Direito Processual Penal b) Auto de prisão em flagrante: será lavrado quando indivíduo é capturado praticando um delito. Princípio da oficialidade: a pretensão punitiva do Estado deve se fazer valer por órgãos públicos. e o Ministério Público. a autoridade policial. pode investigar crimes e materializa esta investigação por meio de um PIC (procedimento investigatório criminal) O inquérito policial sempre terá prazo para a conclusão. de acordo com posição mais recente do STF. não aguardando qualquer provocação. deverão agir ex officio (daí o nome princípio da oficiosidade). ou seja. embora o Delegado de Polícia seja o responsável pelo início do inquérito policial. e exatamente por isso se diz que o inquérito policial é dispensável.materializa a investigação por meio de um inquérito parlamentar. Esta característica demonstra a indisponibilidade do inquérito policial: instau- rado. São exemplos de outras formas de investigação: . Outras formas de investigação e Prazos Conforme visto.

única vez. Direito Processual Penal 17 Art. 6º e 7º do CPP traz algumas diligências que podem ser determinadas e/ou realizadas pelo Delegado de Polícia. mediante requisição do Ministério Público. Se. prorrogável por uma 30 dias. prorrogável por uma única vez. quando estiver solto. Instaurado o inquérito. mediante fiança ou sem ela. o prazo de conclusão do inquérito policial pode variar de acordo com o status libertatis do investigado. nes- ta hipótese. Nos casos de ação penal pública incondicionada. prorrogável Justiça Federal 15 dias. . prorrogável por mais 20 dias. As formas de instauração do inquérito policial variam de acordo com a natu- reza do delito. O art. Inquérito Militar 20 dias 40 dias. Mas é importante anotar que na Lei de Economia Popular o prazo será de 10 dias. Prazos e Diligências Conforme já estudamos. a autoridade policial conclui o inquérito. a partir do dia em que se executar a ordem de prisão. Investigado preso Investigado Solto CPP 10 dias 30 dias. mediante requerimento do ofendido. única vez. se o indiciado tiver sido preso em flagrante. Realizadas todas as diligências. prorrogável. ou estiver preso preventivamente. a instaura- ção do inquérito policial pode se dar: a) de ofício pela autoridade policial. ou no prazo de 30 dias. o prazo efetivamente varia (há um prazo para investigado preso e outro para investigado solto). Nas situações que estudamos anteriormente. Exercício 5. e por auto de prisão em flagrante. contado o prazo. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias. Lei de Drogas 30 dias. no relatório. o Delegado entender que não há motivos suficientes para a instauração da ação penal. 5. 10. estando o acusado preso ou solto. por meio de uma peça conclusiva denominada relatório. a autoridade policial deverá determinar as diligências para normal andamento do procedimento. prorrogável por uma 90 dias. não poderá proceder o arquivamento do inquérito.

e por auto de prisão em flagrante. Concluído o inquérito. porque depende de manifestação do MP e de decisão judicial. mediante requerimento do Ministério Público. mediante requisição do ofendido. e por auto de resistência. fará a análise do IP e decidirá sobre a possibilidade de oferecimento da denúncia. ato privativo do juiz. d) de ofício pelo Ministério Público. O MP irá pedir o arquivamento ao juiz. 18 Direito Processual Penal b) de ofício pelo Ministério Público. b) diligências. mediante requerimento do ofendido. por sua vez. mediante requerimento do Ministro da Justiça. Em havendo indícios de autoria e prova da materialidade. assim. O arquivamento policial pode ser classificado em algumas espécies: a) Objetivo/Subjetivo: . e por auto de resistência. e) de ofício pela autoridade policial.a ação penal. Neste caso. Este é o caso de arquivamento. mediante requerimento do ofendido. mediante requisição da autoridade policial. ajuizando-se. enquanto titular da ação penal. O arquivamento do IP é um ato complexo. Por fim. a autoridade policial fará a remessa ao juiz que. solicitando ao Delegado que proceda a diligência faltante. c) relatório. o MP devolve os autos ao juiz. O MP. pode ser dividido em 3 fases: a) instauração. Pode ainda ocorrer de o MP entender que falte alguma diligência. Arquivamento O Inquérito Policial. ainda que todas as diligências possíveis já tenham sido realizadas. mediante requisição do ofendido. encaminhará os autos ao Ministério Público. a denúncia será oferecida. Somam-se as vontade do MP e do juiz. e por auto de resistência. 6. c) de ofício pela autoridade policial. pode ainda ocorrer a hipótese de o MP entender que não é caso de denúncia. mediante requisição da autoridade policial.

ou insistirá no pedido de arquivamento. designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la. Quando o juiz. devolverá. b) Direto/Indireto: O arquivamento direto ocorre quando o MP requer ao juiz o arquivamento e o juiz entende que prospera este pedido. b) pode o PGJ concordar com o juiz. os autos ao juiz. este promotor designado estará obrigado a oferecer a de- núncia. solicitar novas diligên- cias. É a na hipótese do art. ao qual só então estará o juiz obrigado a atender. Já o arquivamen- to indireto ocorre quando o juiz não concorda com o pedido de arquivamento do Ministério Público. CPP O estudo do arquivamento indireto passa pelo art. Direito Processual Penal 19 No arquivamento objetivo. Este é o caso denominado de arquivamento indireto. fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral. 28 o CPP. c) pode o PGJ concordar com o juiz e designar outro membro do MP para oferecer a denúncia. no caso de considerar improcedentes as razões invocadas. também. No arquivamento subjetivo. o juiz.  Se o órgão do Ministério Público. mas. e) pode. existe mais de um investigado. ao receber o pedido de arquivamento pelo MP. Art. quando da análise destes fatos pelo MP. decidindo neste sentido. porque atua como longa manus do PGJ. 7. ao receber os autos do IP. então. e o arquivamento ocorre em relação a um ou alguns deles. 28/ do CPP. o procedimento a ser seguido é: a) juiz deve remeter os autos do IP ao Procurador Geral de Justiça. que deverá proceder o arquivamento.28. requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação. d) pode o PGJ entender que é caso de arquivamento. Art. existe mais de um fato. entender que o caso é de propositura da ação penal. o promotor entende que algum ou alguns deles não ocor- reu. o PGJ. Exercício . prosseguindo com os outros. 28 CPP. e este ofere- cerá a denúncia. ao invés de apresentar a de- núncia. e oferecer a denúncia.

20 Direito Processual Penal 6. por falta de base para a denúncia. por falta de base para a denúncia. a autoridade policial somente poderá proceder a novas pesquisas com autorização da autoridade judiciária que determinou o arquivamento. por falta de base para a denúncia. a autoridade policial não poderá proceder a novas pesquisas se de outras provas tiver notícia. segundo o disposto no Código de Processo Penal. a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas se de outras provas tiver notícia. d) Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária. e) A autoridade policial poderá mandar arquivar autos de inquérito somente nos casos em que for constatada atipicidade da conduta . Assinale a alternativa correta no que tange ao arquivamento do Inquérito Policial. c) Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária. b) A autoridade policial poderá mandar arquivar autos de inquérito. a) Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária.

Desta forma. . c) prisão temporária. tem-se a prisão penal (decorrente de sentença penal condenatória). b) prisão preventiva. portanto. o é porque foi pego cometendo ou tendo acabado de cometer um delito. Deste artigo. quais sejam. prisão civil (decorrente do de- vedor de alimentos) e tem-se. quais sejam: a) prisão em flagrante. A prisão em flagrante medida cautelar que funciona como ferramenta de preservação social admitindo o encarceramento daquele que é surpreendido praticando delito celebrando-se. fa- cultativo (qualquer do povo pode capturar) e flagrante obrigatório (as autorida- des policias e seus agentes devem capturar). daquela cena. 301 do CPP: Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito. O Código de Processo Penal trata de 3 espécies de prisão. A prisão em flagrante está prevista no art. ele deve ser retirado. Aquele que é preso em flagrante. A expressão flagrante vem do latim flagrare. tratada pelo Código de Processo Penal. que significa queimando.Capítulo 4 Prisões 1. ao menos naquele momento. Prisão em Flagrante A prisão vem tratada em diversos ramos do direito. também. para que não continue cometendo crimes. a prisão processual. assim. podemos destacar duas espécies de flagrante. e objeto do nosso estudo. a “constatação visual do crime” (Touri- nho Filho). Isto porque quando um sujeito é preso em flagrante delito.

um estímulo para que determinado sujeito pratique o crime.é perseguido. quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consuma- ção. 302 traz outras espécies de flagrante: Considera-se em flagrante delito quem: I . para obter maiores dados e informações a respeito do funcionamento. outras tam- bém podem ocorrer.está cometendo a infração penal. 22 Direito Processual Penal Já o art. objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. pelo ofendido ou por qualquer pessoa. III . no inciso IV.é encontrado.acaba de cometê-la. Os incisos I e II deste artigo trazem as hipóteses de flagrante próprio. espe- rando que os criminoso iniciem os atos do crime e efetuam o flagrante. por parte dos agen- tes policias. Pior fim. Ocorre quando os policiais. dos componentes e da atuação de uma organização criminosa . que não pode ser descontinuada. Flagrante prorrogado. com a notícia de que um crime está para ocorrer. Flagrante preparado ou delito de ensaio ou delito putativo por ordem do agente provocado: é hipótese ilegal de flagrante. Sobre este tema. armas. É espécie legal de prisão em flagrante. com instrumentos. que s é a possibilidade de que a polícia possui de retardar a realização da prisão em flagrante. importante a leitura da súmula 145 do STF: Não há crime. pela autoridade. O inciso III traz o chamado flagrante impróprio ou quase flagrante: apresenta como requisitos o lapso temporal (“logo após”) e a perseguição.. permanecem em tocaia. IV . O estado não pode fomentar uma prisão praticando atos ilegais. Existe. logo após. diferido. II . logo depois. temos o flagrante presumido ou ficto. postergado ou retardado: vem previso nas Lei de Organização Criminosa e na Lei de Drogas. Flagrante esperado: é uma criação doutrinária. 2. Espécies de Prisão em Flagrante Aforas as espécies de flagrante que estudamos na aula passada. em situação que faça presumir ser autor da infração.

São requisitos para a decretação da prisão preventiva indícios de autoria e pro- va da materialidade. por conveniência da instrução criminal. poderá a preventiva ser decretada. A prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares. Trata-se. por exemplo. É possível ainda a aplicação da prisão preventiva quando as medidas cautela- res diversas da prisão anteriormente aplicadas ao acusado não forem bastantes. de prisão com natureza cautelar (e não prisão pena). A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública. coagindo testemunhas ou destruindo provas. só pode ser decretada antes da sentença penal condenatória transitada em julgado. 312 do CPP regulamenta o tema: Art. • Conveniência da instrução criminal: se o acusado estiver. Parágrafo único. O art. portanto. 3. obviamente. pode o juiz decretar a preventiva. pode a preventiva ser de- cretada (até mesmo de ofício). fugir. especialmente. o sujeito continuará praticando crimes. Presentes estes requisitos. respectivamente. portanto. É necessária autorização judicial. Prisão Preventiva A prisão preventiva é uma prisão processual. ou para assegurar a aplicação da lei penal. Flagrante forjado: é. Será sempre decretada pelo juiz. quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. . Direito Processual Penal 23 (Guilherme Nucci). por exemplo. • Assegurar a aplicação da lei penal: entendendo o juiz que o suposto sujei- to do crime pode. 312. e. passa-se à análise das hipóteses de cabimento: • Garantia da ordem pública: entendendo que. O juiz deverá sempre fundamentar sua decisão de decretação da prisão. solto. • Garantia da ordem econômica: relaciona-se à prática de crimes ligados à ordem econômica (em virtude. da Lei Antitruste). da ordem econômica. mas poderão representar ou requerer esta prisão tanto o delegado de polícia quanto o Ministério Público. espécie ilegal de flagrante.

E. exercício regula do direito ou estrito cumprimento do dever legal). estado de necessidade. Prisão Preventiva: admissibilidade O art. lembrar sempre que a liberdade. enfermo ou pessoa com deficiência. por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da . deverá o sujeito ser posto em liberdade. idoso.848. 313 traz os casos em que a prisão preventiva é admitida Art.se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher. em sentença transitada em julgado. a “exceção da exceção” é a prisão. a prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública. salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida Importante consignar que a prisão preventiva não poderá ser decretada quan- do o agente agiu amparado por alguma das causas excludentes de ilicitude (art. criança. é a regra. Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la. adolescente. assim que for identificado. para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. Parágrafo único. devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação. em processo penal. 313. será admitida a decretação da prisão preventiva: I .nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima supe- rior a 4 (quatro) anos.legítima defesa. 64 do Decreto-Lei nº 2. Nos termos do art. por fim. A exceção à esta regra são as medidas cautelares diversas da prisão. 312 do Código de Processo Penal. Exercício 8. II . ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. Mas poderá ser decretada a prisão preventiva no caso de o sujeito não se iden- tificar civilmente ou não fornece os dados para sua identificação. 4. III .se tiver sido condenado por outro crime doloso. Código Penal . 312 deste Código. da ordem econômi- ca. Nesta situação. 24 Direito Processual Penal A este propósito.Código Penal (observe que aqui não há a necessidade de crime doloso: basta que o sujeito já tenha sido condenado ante- riormente para que seja admissível a prisão preventiva). 23. de 7 de dezembro de 1940 . De acordo com o art.

fiquem impedidos de frequentar um estádio. d) indício suficiente de autoria. Direito Processual Penal 25 lei penal quando houver: a) indícios da existência do crime e prova suficiente de autoria. apenas. b) prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. São medidas cautelares diversas da prisão: I . o juiz deve agir com proporcionalidade: a medida escolhida deve ser adequada ao fato praticado. Art. aqui. deva o indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações (um ótimo exemplo de aplicação desta medida é o caso de brigas em estádios de futebol: pode o juiz determinar que certos sujeitos. o acusado poderia ficar em liberdade ou. por circunstâncias relacionadas ao fato. c) indícios da existência do crime e indício suficiente de autoria. antes de decretar a preventiva. 5. A partir de 2011. É importante. por responderem a processo de brigas. poderia ser colocado no cárcere. Assim.proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando. que o juiz determine. rixas ou lesões corporais. Essas medidas estão tratadas nos arts. É importante lembrar que na escolha da medida cautelar. e) prova da existência do crime. . Medidas Cautelares Diversas da Prisão Até 2011. o CPP tratava como medida cautelar apenas a prisão e a prisão pre- ventiva. Portanto. por meio de uma decisão fundamentada o juiz. quais são os lugares que o agente está proibido de frequentar). o juiz tem à sua disposição outras possibilidade (medidas cautelares) menos gravosas. antes da sentença condenatória transitada em julgado. apenas. o legislador estabeleceu que medidas cautelares diversas da prisão devem ser analisadas pelo juiz antes que decrete o cerceamento da liberdade do acusado. 319. no prazo e nas condições fixadas pelo juiz. na sentença. 319 e 320 do CPP.comparecimento periódico em juízo. para informar e justificar atividades (trata-se de medida que visa a assegurar a aplicação da lei penal e a eficiência do processo). II .

(. da lei penal). Rol das Medidas Cautelares (continuação) Ainda falando sobre as medidas cautelares diversas da prisão: Art.recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos (este inciso não pode ser confundido com a prisão domiciliar: aqui. garantir a ordem pública). tendo e vista que a ideia é. Mas observe que o inciso não é aplicado apenas para funcionários públicos.. de lesões corpo- rais praticadas pelo marido contra a esposa.. por cir- cunstâncias relacionadas ao fato. 319 do CPP.fiança. 319. na verdade.) III . e que. quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi -imputável (art. (. à testemunha). 319. nos horários noturnos e de folga. A restrição de contato não se restrin- ge à vitima. 26 do Código Penal) e houver risco de reiteração (o caso da inter- nação provisória diz respeito apenas aos inimputáveis ou semi-imputáveis. V . mas sim a presunção que o indivíduo trabalha durante o dia.. também. para assegurar o comparecimento a atos do processo. Art. e apenas é cabível quando houver violência ou grave ameaça na prática do crime).proibição de manter contato com pessoa determinada quando. deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante (trata-se de medida adequada em casos.internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou grave ameaça. evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial (o arbitramento da fiança visa a garantir a presença . Rol das Medidas Cautelares Seguiremos o estudo do rol das medidas previstas no art. não temos prisão.) VI . VIII . 26 Direito Processual Penal 6.proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conve- niente ou necessária para a investigação ou instrução (esta medida pode visar à garantia. Pode ser aplicado. sendo necessária a perícia médico-legal. IV . 7. por exemplo. deve estar recolhido à sua residência) . nas infrações que a admitem. VII .suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prá- tica de infrações penais (exemplo de aplicação desta medida é o caso do funcio- nário público que utiliza-se das sua funções para a prática de crimes. por exemplo..

o sujeito indiciado é colocado em liberdade imediatamente. Importante saber que quando se tratar de crimes hediondos. Prisão Temporária Prisão temporária é também uma espécie de prisão cautelar. desde que sejam compatíveis entre sim. IX . Este prazo pode ser prorrogado pelo mesmo período. em decisão fundamenta- da. que trata da prisão temporária. Mas não poderá o juiz decretar de ofício este tipo de prisão: é imprescindível que ocorre a provocação ou pelo Delegado de Polícia (representação) ou pelo Ministério Público (requerimento). Direito Processual Penal 27 do acusado ao processo sempre que chamado. sistema em que o acusado passa a ser vigiado pelo sistema de persecução. § 3º (Revogado). sob pena de perda da fiança). 8. • Crimes do rol do art. • Quando o investigado não apresentar residência fixa ou não apresentar dados para a sua identificação civil. a temporária tem prazo definido. § 1º (Revogado). 1º. ou seja. podendo ser cumulada com outras medidas cautelares. findo o prazo estabelecido na lei. § 4º A fiança será aplicada de acordo com as disposições do Capítulo VI deste Título. As medidas cautelares diversas da prisão podem ser aplicadas cumulativamente. podendo ser prorrogado pelo mesmo período.960/89.monitoração eletrônica (é a chamada tornozeleira eletrônica. a depender do caso concreto). § 2º (Revogado). Trata-se de prisão autorrevogável. o prazo da pri- são temporária é de 30 dias.960/89 Art. mas que tem como peculiaridade o fato de ser específica da fase investigatória. Diferentemente da prisão preventiva (que se perdura enquanto houver ne- cessidade. o legislador estabeleceu que o prazo desta é de até 5 dias. A prisão temporária é decretada somente pelo juiz.. 1º. III da Lei 7.) .. São requisitos deste tipo de prisão: • Imprescindibilidade para as investigações policiais. independentemente inclusive de alvará de soltura. (. A Lei 7.

caput. 121. caput. e pará- grafo único). f) estupro (art. quando houver fundadas razões. e seus §§ 1° e 2°). caput. 2° e 3°). de 1° de outubro de 1956). 1°.106/2005) . Exercício 9. que poderá ocorrer em conjunto com o inciso I ou com o inciso II. b) não possibilita a liberação do agente pela autoridade policial sem alvará de soltura expedido pelo juiz que a decretou. g) atentado violento ao pudor (revogado pela Lei n. 11. 157. 213. caput.TRF 1ª Região) A prisão temporária: a) pode ser prorrogada tantas vezes quantas forem necessárias. 1º da Lei: é sempre necessário a presença do inciso III. n) tráfico de drogas (art. 267. 148.368. e seu § 2°). 285). A doutrina majoritária conjuga os incisos do art. independentemente de represen- . c) pode ser decretada pelo juiz de ofício. caput. h) rapto violento (revogado pela Lei n. desde que seja imprescindível para a investigação do delito. de 21 de outubro de 1976). Recebido o pedido da prisão temporária. ainda que tenha terminado o prazo de sua duração.106/2005) . de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal. 11.492. e seus §§ 1°. 270.889. e sua combinação com o art. o) crimes contra o sistema financeiro (Lei n° 7. 223. em qualquer de sua formas típicas. 12 da Lei n° 6. caput. caput. (FCC . j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte (art. i) epidemia com resultado de morte (art.2011 . caput. e) extorsão mediante sequestro (art. o juiz tem 24 horas para decidir sobre o tema. Todos os crimes hediondos são passíveis de prisão temporária. e seus §§ 1° e 2°). 28 Direito Processual Penal III. todos do Código Penal. de 16 de junho de 1986). combinado com art. de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes: a) homicídio doloso (art. l) quadrilha ou bando (art. 159. d) extorsão (art. e seus §§ 1°. 2° e 3°). 158. 288). b) sequestro ou cárcere privado (art. m) genocídio (arts. § 1°). c) roubo (art. 2° e 3° da Lei n° 2.

quando se tratar da apuração de infração penal de natureza grave. . se houver prova da mate- rialidade do delito e indícios veementes da autoria. e) é uma modalidade de prisão cautelar. Direito Processual Penal 29 tação da autoridade policial. d) só pode ser decretada no curso da ação penal. cuja finalidade é assegurar uma eficaz investigação policial.

mesmo que existam indícios da autoria e provas da mate- rialidade. é obrigado a ajuizar a ação penal (não há. e. Para que uma pena seja aplicada. portanto. Assim. a pena será aplicada. Este direito de ação é justamente o direito subjetivo de ver aquele que comete determinado crime ser processado. Importante lembrar que em regra os crimes do Código Penal são de ação penal pública. . aqui. a) Princípio da oficialidade: o MP é o órgão oficial encarregado de promover a ação penal pública. Somente será privada se o legislador expressamente mencionar. b) Princípio da obrigatoriedade: sempre que o MP tiver em mãos indícios de autoria e prova da materialidade. Ação Penal: princípios Ação penal é um direito subjetivo que todo cidadão tem de provocar o Estado- Juiz.Capítulo 5 Ação Penal 1. Por outro lado. é necessário que o Estado-Juiz seja provocado para que o fato seja analisado conforme todas as normas procedimentais. O cidadão tem o direito. ao final. o juiz tem o poder-dever de aplica sanções àqueles que come- tem crimes e que são condenados. Trataremos dos princípios que se aplicam à ação penal pública. o MP não pode mais desistir dela. o sistema processual que rege o ordenamento processual penal é o acusatório. No Brasil. alguns princípios relacionam-se à ação penal privada: a) Princípio da oportunidade e da conveniência: o ofendido só propõe a ação penal se quiser. c) Princípio da indisponibilidade: a partir do momento que a ação penal pú- blica foi proposta. se a sentença for condenatória transitada em julgado. de provocar o Estado-Juiz sempre que se sentir lesado. discricionariedade).

somente poderá fazê-lo se ajuizar a ação em face das duas pessoas. mas o MP. o ofendido. • Ação penal personalíssima: apenas a vítima pode se propor e não há que se falar em sucessão. que deveria propor determinada ação. 49. portanto: • Ação penal pública incondicionada: o MP não precisa preencher nenhu- ma condição. CP). • Ação penal privada: proposta pelo ofendido. • Ação penal pública condicionada à representação do ofendido: o MP pre- cisa da autorização/opinião do ofendido. 3. e não poderá ajuizar apenas em relação a uma ou a outra. Será privada apenas quando o legislador expressamente mencionar esta característica. é possível que tal ação seja encerrada antes de uma sentença. A denúncia é a peça inicial acusatória da ação pena pública. e o far). diante da inércia. Ação Penal: espécies Seguimos no estudo dos princípios da ação penal privada: b) Princípio da disponibilidade: após iniciada a ação penal privada. e em outros casos será privada (a vítima deve acionar o Estado-Juiz para que o processo seja iniciado. Em determinados casos a ação penal será pública (a promoção do processo será pelo Ministério Público. se decidir pelo processo. • Ação penal privada subsidiária da pública: trata-se de uma ação pena pública. As ações penais podem ser das seguintes espécies. vamos cuidar da ação incondicio- nada. ). Direito Processual Penal 31 2. Sabendo-se que duas pessoas praticaram um crime. O titular desta ação é o próprio Ministério Público. Se dei- xar de processar algum dos autores do crime. e ela é regida pelo princípio da obrigatoriedade. Ação Penal Pública Dando início ao estudo da ação penal pública. c) Princípio da indivisibilidade: a ação penal privada não pode ser cindida. o ofendido então pode propor a ação. mas não o faz e. As . Ação penal é o gênero. a regra é que a ação penal pública. será extinta a punibilidade de todos (art. Conforme já mencionamos.

Trata-se de ação também de titularidade do MP. Diz-se que a representação é uma condição de procedibilidade da ação penal. se mais de uma pessoa foi autora do crime. mas há uma peculiaridade. b) pública condicionada à representação da vítima. . contados a partir do conhecimento da autoria do fato. a peça inicial também é a denúncia. Para que o Ministério Público ofereça a denúncia. De regra. Importante lembrar que oficiosidade não se confunde com oficialidade. e) pública incondicionada 4. no polo passivo da ação. aqui. a representação concede ao MP o direito de processar todas as pessoas que participaram do fato. não vigora. c) exclusivamente privada. Portanto. ele deve ser provocado pelo ofendido. as partes também são autor e réu. Por isso diz-se que a representação tem eficácia obje- tiva. ao descendente e ao irmão (nesta ordem de preferência). A segunda espécie de ação penal pública e a condicionada à representação do ofendido. Exercício 10. A ação penal pública fica restrita ao prazo prescricional previsto no Código Penal (não há que se falar em decadência aqui). Ação Penal Privada A representação relaciona-se ao fato. e a vítima tem prazo de 6 meses para que ocorra esta provocação. 32 Direito Processual Penal partes na ação penal pública são chamadas de autor (MP) e réu ou acusado. Não há qualquer formalidade relacionada à representação. Logo. Trata-se de prazo decadencial. d) subsidiária privada. Em caso de falecimento do ofendido. não podendo agir de ofício. o princípio da oficiosidade. ao ascendente. a ação penal é: a) pública condicionada à requisição judicial. o direito de representação pode ser re- passado ao cônjuge. Ação Penal Pública Condicionada. A provocação do ofendido é denominada representação.

porque o MP é dotado de independência funcional e. O prazo para a propositura da ação penal privada é de 6 meses. Os sucessores são o cônjuge. 30. As partes. são denominadas querelante (autor da ação. cabendo ao Ministério Público aditar a queixa. ou propriamente dita. Direito Processual Penal 33 Outra espécie de ação penal pública é a condicionada à requisição do Ministro da Justiça. o Ministério Público participa como fiscal da lei e não como parte. a vítima tem a opção de propor ou não a ação penal. A ação penal privada terá como peça inicial a queixa-crime. e da disponibilidade. não fica vinculado à requisição do Ministro. 29: Art. e aqui também se aplicam as regras de suces- são do direito de queixa. 5. após proposta. descendente e irmão (CADI). e. nesta ordem. Ao ofendido ou a quem tenha qualidade para representá-lo caberá intentar a ação privada. Outra espécie de ação penal privada é a ação penal privada subsidiária da pública. 30 do CPP: Art. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública. . Estudamos na aula anterior ação penal privada exclusiva. que é a que tem como titular o ofendido. Mas observe que a requisição não deve ser encarada como ordem. A ação penal privada é regida pelos princípios da oportunidade/conveniência. O fundamento legal está no art. portanto. ou seja. se esta não for intentada no prazo legal. poderá desistir da ação desde que haja concordância da outra parte. aqui. que ocupa polo ativo) e querelado (ocupa o polo passivo da ação penal privada). Nesta espécie de ação penal. A fundamentação legal deste tipo de ação está no art. ascendente. o Ministro da Justiça tem a possibilidade de requisitar ao MP que instaure a ação penal. Ação Penal Privada Personalíssima A Ação Penal Privada é permeada pelos princípios da disponibilidade e da opor- tunidade. Em determinados crimes que envolvem a soberania nacional. contados a partir do conhecimento da autoria. Outra espécie de ação penal é a ação penal privada. Ação Privada Subsidiária da Pública. 29.

Trata-se de ação que de- pende de uma prévia ação na esfera cível de anulação do casamento. o MP tem o prazo de 5 (réu preso) ou 15 dias (réu solto). O MP poderá retomar a ação e continuar como parte em caso de negligên- cia da vítima (sendo a vítima diligente e comprometida com o processo. O prazo para vítima propor a ação penal é de 6 meses. Da data em que recebe o IP. Somente o cônjuge enganado poderá propor e dar andamento à ação. Só existe um caso. O MP. no caso de ação penal privada subsidiária da pública é chamado de interve- niente adesivo obrigatório. O fato de a vítima ter iniciado a ação penal não retira do MP a titularidade da ação. 34 Direito Processual Penal repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva. Inicialmente. para se manifestar. este será extinto imediatamente. a última espécie de ação penal privada é a denominada persona- líssima. interpor recurso etc. ou seja. Por fim. a vítima a propõe. Assim sendo. Trata-se da situação em que uma pessoa casa-se com outra que foi induzida em erro ou em que foi ocultado algum impedimento. a vítima/ofendido propor a ação. Se a vítima falecer no curso do processo. interpor recurso e. Mas. tendo o MP quedado inerte na proposição da ação. fornecer elementos de prova. não há que se falar em sucessão aqui. É o caso do crime do art. 236 do Código Penal. Observe que. Nesta. poderá. É caso deste tipo de ação o art. no Código Penal. propor meios de provas. ocorre a decadência para a vítima. então. intervir em todos os termos do pro- cesso. contados a partir do fim do prazo de manifestação do MP. e a ação se torna privada subsidiária da pública. não poderá o MP retomar a ação para si). Ação Penal Privada Personalíssima. 6. 236. retomar a ação como parte principal. a todo tempo. Passado este prazo. o MP permanece inerte no prazo que tinha para propor a ação pe- nal. Passado este prazo sem que haja tal manifesta- ção. a ação penal é pública. em que a ação penal será do tipo ação penal privada personalíssima. mesmo a vítima oferecendo a queixa crime. a vítima perde o direito de ação. o MP pode com- pletar ou repudiar a queixa. no caso de negligência do querelante. Trata- . ou seja. Trata-se de ação em que apenas a vítima tem o direito de propor. nasce para a vítima a pos- sibilidade de provocar o Estado Penal.

quando se dará a ação penal privada subsidiária . e não depende de qualquer representação do ofendido ou requisição do Ministério da Justiça. sendo inviável a substitui- ção de titularidade. Sendo o Ministério Público o dominus litis. 13. somente ele. Exercício Identifique as afirmativas a seguir como verdadeiras ou falsas 11. em todas as hipóte- ses de ação pena pública. Direito Processual Penal 35 se de condição de procedibilidade e de prosseguibilidade. 12. 14. é quem pode propô-la. Pode haver ação de iniciativa privada nos crimes de ação pena pública se o Ministério Público não oferecer denúncia no prazo legal. A ação penal pública é de titularidade exclusiva do Ministério Público. Diz-se que uma ação pena é privada quando a lei expressamente a declara e apenas o ofendido ou quem tenha a qualidade de representá-lo pode propô -la mediante queixa.

A ausência destes. O juiz é a pessoa que aplica o direito ao caso concreto. adquirida por concurso pú- blico de provas e títulos. Art. mantendo- se a equidistância em relação ao autor e ao réu. em linha reta ou colateral até o terceiro grau. • Imparcialidade: é o não benefício a qualquer uma das partes. Sujeitos Processuais. São pressupostos subjetivos que envolvem o juiz: • Competência (capacidade para julgar): o juiz deve ser competente para julgar determinado fato. devendo ser sempre imparcial. auxiliar da justiça ou perito. O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que: I . consanguíneo ou afim.tiver funcionado seu cônjuge ou parente. É a pessoa que conhe- ce o direito e a quem os fatos são encaminhados. • Investidura: trata-se de capacidade funcional. 252. 252 e 254 do CPP. Observe que a imparcia- lidade tem ligação direta com os arts. Juiz Sujeitos do processo são as pessoas que compõem a relação jurídica processual. temos os sujeitos principais e os sujeitos secundários. No processo penal. no entanto. como defensor ou advogado. . mas são pessoas mui- to importante para o processo. O juiz deve manter equidistância em relação às partes: não pode beneficiar nenhuma das partes.Capítulo 6 Sujeitos do Processo 1. São sujeitos principais o juiz e as partes. Os sujeitos secundários não compões a relação jurídica. ór- gão do Ministério Público. não causa qual- quer dano ao processo. autoridade policial. inclusive. A participação destes é imprescindível ao processo.

consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau. acionista ou administrador de sociedade interessada no pro- cesso.se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles. seu cônjuge. seu cônjuge. sobre a questão. ou parente. ou afim. Ministério Público. III . Ex.se ele. IV . IV . de fato ou de direito.se for credor ou devedor.se for sócio. 254.se ele. inclusive. inclusive. II . tutor ou curador.: Tribunal do Júri). Os órgãos jurisdicionais podem ser classificados em monocráticos (formados por apenas um magistrado) ou colegiados (composto por mais de um magistra- do). não será removido a não ser que assim o solicite ou de comprovado interesse pú- blico. 2. se não o fizer. Art. sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes. ascendente ou descendente. Importante também verificar as garantias do juiz: • Vitaliciedade: ocorre após 2 anos de efetivo exercício no cargo. a perda do cargo só pode ocorrer a partir de uma sentença transitada em julgado. O juiz dar-se-á por suspeito.se tiver aconselhado qualquer das partes. Assistente de Acusação. Existem órgãos colegiados homogêneos e órgãos colegiados heterogêneos (duas ou mais espécies de juízes atuam conjuntamente. III .ele próprio ou seu cônjuge ou parente. Vl . Direito Processual Penal 37 II . • Inamovibilidade: quando o juiz se torna titular de uma determinada co- marca. V .tiver funcionado como juiz de outra instância. poderá ser recusado por qualquer das partes: I . após adquirida. • Irredutibilidade de subsídios. estiver respondendo a processo por fato análogo. e. sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia. consanguíneo. for parte ou diretamente interes- sado no feito. e. até o terceiro grau. pronunciando-se. de qualquer das partes. Acusado .ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha. para resguardar sua independência e imparcialidade.

O assistente de acusação pode entrar no processo a partir do recebimento da denúncia até o trânsito em julgado da sentença. em decisão irrecorrível. MPM e MPDFT. Poderá inquirir testemunhas.727 decidiu pela possibilidade de investigação pelo MP. No processo penal. produzi provas. Pode ser o próprio ofendido. em específico. 127 a 129 da CF. e receberá o processo no estado em que se encontra. A divisão do MP. O acusado é aquele que ocupa o polo passivo da relação jurídica processual . nos arts. interpor recurso. b) exercer o controle externo da atividade policial. e previsão legal.” Recentemente. 257 e 258 do CPP. o que determina a súmula 243 do STJ: “A Participação de membro do Ministério Público na fase investiga- tória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia. • MPTC. enquanto órgão acusador. participar de debates orais. Lei posterior deverá regulamentar esta investigação. seu representante ou o CADI. as finalidades do Ministério Público são as de: a) titular da ação pena pública. ocupando o polo ativo. contudo. que o corréu não poderá atuar como assistente de acusação. nos arts. tra- tando inclusive de procedimento resguardando os direitos do investigado. MPT. do regime democrático e dos direitos individuais e sociais indisponíveis. c) requisitar diligências. Ele é admitido no processo para auxiliar a atuação do MP. O MP tem previsão constitucional. a este propósito. trata-se daquele que auxilia a acusação. o STF. acompanhando a forma federativa de Estado. O assistente da acusação será admitido pelo juiz. Observe. o que significa que os atos já praticados não serão repetidos. Importante observar. • MPR. Não tem legitimidade para atuar no IP e nem na execução penal. representa um sujeito principal da relação jurí- dica processual. ocorre da seguinte maneira: • MPU: MPF. etc. por meio do recurso 593. sendo esta a finalidade deste sujeito pro- cessual. Quanto ao assistente de acusação. 38 Direito Processual Penal O MP. É a parte autora da relação processual. O MP tem como funções a defesa da ordem jurídica.

No sistema processual penal brasileiro. A defesa técnica. A autodefesa é facultativa: o réu pode permanecer calado e até mentir no pro- cesso (porque não é obrigado a produzir prova contra si mesmo). • Direito de presença. O Defensor Público é agente que também foi aprovado no Exame da Ordem. que tem a capacidade postulatória. mas a própria súmula ressalva que a sua deficiência anulará o processo apenas se comprovado o prejuízo para o réu. contrapondo-se ao autor da relação. e também aprovado em concurso público. O fundamento legal está no art. na súmula 523. Também terá capacidade postulatória. Nenhum acusado. Pessoa jurídica poderá ocupar o polo passivo da relação jurídico-processual quando praticar crimes ambientais. em processo penal. poderá ser dividida em 3 espécies: . profissional devidamente ha- bilitado nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil. ainda que ausente ou foragido. • Direito de audiência. quando realizada por defensor público ou dativo. Parágrafo único. temos: • Devido processo legal. será processado ou julgado sem defensor. A defesa técnica é realizada por um advogado. 261 do CPP: Art. O direito de defe- sa que existe no processo penal é exercido pelo próprio réu através da autodefe- sa. Em relação à defesa técnica. Defesa no Processo Penal Todo acusado. deve estar acompanhado de um advogado para que realize a sua defesa conforme preceito previsto na CF. o acusado é sujeito imputável maior de 18 anos. • Preso somente em razão de prisão preventiva. Quando às garantias do acusado. 3. Mas a defesa técnica é imprescindível. e por um profissional habilitado. O próprio STF. emanada de ordem judi- cial. será sempre exercida através de manifestação fundamentada. • Direito ao contraditório e à ampla defesa. determina que a falta de defesa no processo pe- nal constitui nulidade absoluta. através da defesa técnica. 261. Direito Processual Penal 39 penal.

que tinha um defensor dativo. Sendo certo que o processo penal não admite o desenrolar deste processo sem que haja a figura do defensor técnico. este substituirá o defensor dativo. mas que vai atuar apenas em ato específico. caso o réu não nomeie o seu defensor. • Defensor dativo: é o nomeado pelo juiz. O próprio réu chama o de- fensor para compor a sua defesa técnica. 40 Direito Processual Penal • Defensor constituído: é o escolhido pela parte. . • Defensor ad hoc: é também um defensor nomeado pelo juízo. nomeia um defensor constituído. e não para acompanhar todo o processo. Se no curso do processo um acusado. o juiz irá nomear um para assistir aquele acusado.

A citação por mandado tem fundamento em dois artigos do CPP: arts. Direito Processual Penal 41 Capítulo 7 Atos de Comunicação do Processo 1. V . IV . 352. . que. VII . II . VI . 357. na qual se mencionarão dia e hora da citação. vai ao encontro da pessoa a ser citada e lhe entrega a cópia com as duas finalidades acima mencionadas.o nome do querelante nas ações iniciadas por queixa. requisitos que devem constar do mandado) e 357 (requisitos extrínsecos. ou seja. os seus sinais característicos. o dia e a hora em que o réu deverá comparecer. A citação pode ser realizada de duas espécies: • Citação Pessoal: é aquela realizada por oficial de justiça. ou. O mandado de citação indicará: I . atos ou ações que devem ser realizados pelo ofi- cial de justiça quando fizer a citação): Art. se for desconhecido. Art. III . 352 (requisitos intrínsecos. e (ii) e é dada a oportunidade ao réu para que apresente a sua defesa. munido de um mandado de citação. Citação Pessoal A citação é realizada no processo penal com duas finalidades: (i) é através dela que o Estado-Juiz convoca o acusado para que passe a integrar a relação jurídi- co-processual.a residência do réu. se for conhecida. ou seja.o nome do réu.a subscrição do escrivão e a rubrica do juiz.o fim para que é feita a citação.o juízo e o lugar. São requisitos da citação por mandado: I .leitura do mandado ao citando pelo oficial e entrega da contrafé.o nome do juiz.

A previsão legal está no art. e sua aceitação ou recusa. na certidão. Citação por Edital A citação pessoal ou real é aquela que se realiza por mandado. poderá encaminhar a mesma carta precatória para esta outra comarca. 353: Art. e.. da entrega da contrafé. será citado mediante carta rogatória. 355 (.declaração do oficial. Quando a comunicação precisar ser feita entre juízos de países diferentes. a este remeterá o juiz deprecado os autos para efetivação da diligência. . 2. ainda. 353. o juiz da comarca deprecada não conseguir êxito na citação do réu.. A citação pessoa pode ainda ser realizada por meio de carta precatória. suspendendo-se o curso do prazo de prescrição até o seu cumprimento. mas tiver notícia de que o réu encontra-se em outra comarca. Trata-se da forma de comunicação entre juízos de comarcas diferentes: o juiz da comarca A (deprecante) expede a carta precatória para o juiz da comarca B (deprecado) solicitando a citação do acusado que se encontra na comarca B. § 1º do CPP: Art. 42 Direito Processual Penal II . também com endereço certo e sabido. A previsão legal está no art. Quando o réu estiver fora do território da jurisdição do juiz proces- sante. que tem previsão no art. É a chamada carta precatória itinerante. Se após a expedição da carta precatória. uma outra forma de citação: • Citação Fica: trata-se de uma ficção jurídica. 368. Não se tem certeza de que o réu tem certeza de que aquela citação aconteceu. em local certo e sabido. a partir da expedição da carta. Mas existe. 368 do CPP: Art. Estando o acusado no estrangeiro.) § 1º Verificado que o réu se encontra em território sujeito à jurisdição de ou- tro juiz. em lugar sabido. Importante notar que é requisito da carta rogatória que se saiba onde o acu- sado se encontre. ficará suspenso o processo e o prazo prescricional. 355. será feita por meio de carta rogatória. será citado mediante precatória. desde que haja tempo para fazer-se a citação.

o oficial informará à pessoa que atendê-lo que retornará em dia . O processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado. Verificando que o réu se oculta para não ser citado. decretar prisão preventiva. mas percebe que o réu está se esquivando para não ser citado. 362 do CPP: Art. Art. Se o réu não for encontrado. mas o juiz pode determinar a produção antecipada de provas. 363. I . Intimação e Notificação A citação por hora certa está prevista no art. se for o caso. A citação por edital ocorre com a publicação de um edital oficial ou de gran- de circulação. na forma estabelecida nos arts. 361. 361. o pro- cesso observará o disposto nos arts. o oficial de justiça certificará a ocorrência e procederá à citação com hora certa. não comparecer. de 11 de janeiro de 1973 . A citação por hora certa se inicia como uma citação comum: o oficial de jus- tiça vai até a casa do réu. § 2º (VETADO) § 3º (VETADO) § 4º Comparecendo o acusado citado por edital. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional. 362.869. 227 a 229 da Lei no 5. 312. Por três vezes. 366. Direito Processual Penal 43 Uma das subespécies desta citação é a citação por edital. percebendo que o réu está se esquivando da citação. nem consti- tuir advogado. 363 e 366 do CPP: Art. po- dendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. e dar-se-á o sujeito por citado.Có- digo de Processo Civil.(revogado). em qualquer tempo. com o prazo de 15 (quinze) dias. 394 e seguintes deste Código. mesmo sem a presença do réu. será citado por edital. § 1º Não sendo encontrado o acusado. O processo e o prazo prescricional ficam suspensos. nos termos do disposto no art. para citá-lo. será procedida a citação por edital. que tem previsão nos arts. Assim sendo. Art. o oficial tenta citar o réu. II . Citação por Hora Certa. Se o acusado. citado por edital.(revogado). 3. mas não consegue.

mas sim no Código de Processo Civil Por fim. e. em hora certa. e a notificação. Todo o procedimento será certificado pelo oficial de justiça. . temos a intimação. como atos de comunicação do processo. será considerado citado. ato que comunica as partes um ato que já ocorreu. 44 Direito Processual Penal certo. ato que comunica ou chama para a prática de ato futuro. caso não receba a citação. Este procedimento não está previsto no Código de Processo Penal.

Na fase investigatória são produzidos apenas elementos de informação. no processo penal. • Princípio na não autoincriminação: o ônus probatório pertence ao acu- sador. constitucional. vige o sistema do livre convencimento do juiz ou livre convenci- . que serão transformados em prova durante o processo penal. Durante a fase investigatória. Assim. não precisam de prova os fatos que saltam aos olhos (exemplo: feriados mundialmente conhecidos). A prova lícita pode ser classificada em lícita estrito senso (produzida de acordo com o direito penal material) e prova legítima (produzida de acordo com o pro- cesso penal). tem-se duas bases. porque não há neste momento a necessidade da realização do contraditório e da ampla defesa. Provas Prova é o instrumento utilizado para confirmar a veracidade de um fato. uma investigatória e uma processual. Assim. Direito Processual Penal 45 Capítulo 8 Provas 1. É tudo aquilo que possa. para ser admitida. para que uma prova seja utilizada deve passar por um filtro constitucional. legal e judicial. o réu não é obri- gado a produzir provas contra si mesmo (o ônus probatório no processo penal é daquele que acusa). comprovar um fato. legal e judicialmente. Observe os princípios que regem as provas: • Princípio da presunção da inocência: por este princípio. não são produzidas provas. Nem todos os fatos precisam ser provados. Por outro lado. A regra é que. No Brasil. alguns fatos são merecedores de prova. a prova no processo penal precisa ser lícita. • Princípio da judicialidade da prova: no processo penal.

Não há. no Brasil. As decisões judiciais devem sempre ser fundamentadas. portanto. decidir da forma que melhor lhe parecer com base nas provas apresentadas. O juiz pode. . provas tarifadas. mas deve fundamentar a sua decisão. 46 Direito Processual Penal mento motivado.

A partir daí. Cada recurso tem um prazo para ser interposto. por meio de duas petições: na primeira. a parte informa ao juiz que tem o desejo de recorrer. Surge então o direito de provocar um grau superior ou o próprio magistrado para que aquela decisão seja reavaliada. então é possí- vel que um juiz cometa um erro ao proferir uma decisão. Conceito e Características As partes podem não ficar satisfeitas com a decisão proferida pelo magistrado. Recurso é um meio voluntário de impugnação judicial. a parte terá outro prazo para apresentar as razões do recurso. e a preclusão temporal signi- fica justamente o fim de tal prazo. a invalidação de determinada decisão ou ainda a integração de determinada deci- são. desconsidera-se o dia da publicação e acrescenta-se o último dia. dentro da mesma rela- ção jurídica e anterior à consumação da preclusão temporal. Os recursos existem primeiro porque o ser humano pode errar. O recurso não faz nascer uma nova relação jurídico-processual. Uma carac- terística imprescindível do recurso é a continuidade de uma relação jurídica já existente: tendo a parte ficado insatisfeita. Trata-se de meio voluntário porque ninguém é obrigado a recorrer. prorroga esta relação. No processo penal. Direito Processual Penal 47 Capítulo 8 Recursos 1. Lembrando que a contagem de prazo em processo penal se dá de acordo com o art. ou seja. basicamente. . Os recursos têm como finalidades a reforma de uma determinada decisão. 798do CPP. os recursos são interpostos.

após o Ministério Público. somente poderá a parte apelar com base neste fundamento uma única vez.) § 1º Se houver assistente. O assistente de acusação poderá apresentar as razões de apelação. 600. De todas as hipóteses elencadas neste artigo. 593 do CPP: Art.das decisões do Tribunal do Júri. o prazo para as razões é de 8 dias. 593. O recurso cabível contra uma sentença é a apelação (art. Apelação A sentença é uma decisão final de um processo. II . Em processo penal. proferidas por juiz singular nos casos não previstos no Capítulo anterior. As hipóteses de cabimento da apelação estão elencadas no art. depois. e. este arrazoará.. § 1º do CPP: Art. os recursos são interpostos com duas peças: petição de interposição e petição das razões. CPP). . Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: I . III . após toda a prática de atos em procedimento determinado. em prazo contado após o fim do prazo para a acusação. 593. c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança. b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados. em relação à alínea d..das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular. quando: a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia. d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos. no prazo de três dias. é muito importante frisar que. 48 Direito Processual Penal 2. É o que determina o art.das decisões definitivas. ou com força de definitivas. 600. O prazo para a interposição da apelação é de 5 dias da publicação da deci- são. (.

de 2008) VII . (.que conceder. no todo ou em parte.que conceder ou negar a ordem de habeas corpus. em virtude de questão prejudicial. no sentido estrito..que julgar procedentes as exceções. Caberá recurso.que indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição ou de outra causa extintiva da punibilidade.que pronunciar o réu. não poderá ser usado o recurso em sentido estrito..que conceder. 581 do CPP. negar.que ordenar a suspensão do processo.689. arbitrar. muitas estão relacionadas à fase da execução penal. ainda que somente de parte da decisão se recorra.que anular o processo da instrução criminal. 593. Mas observe que dentre as 24 hipóteses ali previstas.que decretar a prescrição ou julgar. XI .) § 4º Quando cabível a apelação. § 4º: Art. e nestes casos. As hipóteses de cabimento do RESE estão previstas no art. XIV . salvo a de suspeição. XII . negar ou revogar livramento condicional. trouxe outra regulamentação: Art. XIII . IX . despacho ou sen- tença: I . X .que julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor.(Revogado pela Lei nº 11. O recurso em sentido estrito tem a característica de ser subsidiário. será cabível em relação às decisões interlocutórias A característica da subsidiariedade encontra fundamento no art. o recurso não será o RESE e sim o agravo em execução. extinta a punibili- dade.que incluir jurado na lista geral ou desta o excluir. da decisão.que concluir pela incompetência do juízo. posterior ao CPP. por outro modo. Assim. III . negar ou revogar a suspensão condicional da pena. indeferir requerimento de prisão preventiva ou revogá-la. pois a LEP. conceder liberdade provisória ou relaxar a prisão em flagrante. Direito Processual Penal 49 3. 581.que denegar a apelação ou a julgar deserta. XVI . V . Recuso em Sentido Estrito. VI . IV . . VIII . 593. cassar ou julgar inidônea a fiança.que conceder. II . XV .que não receber a denúncia ou a queixa.

XXI . Prequestionamento Prequestionar é discutir anteriormente a matéria na decisão recorrida.. c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. 105.julgar.que converter a multa em detenção ou em prisão simples. XXIII . a.que mantiver ou substituir a medida de segurança. A previsão está no art. XVIII . ou negar-lhes vigência. 50 Direito Processual Penal XVII . XXIV .que revogar a medida de segurança. O prazo para interposição do RESE é de 5 dias e de 2 dias para as razões. este artigo compreende um rol taxativo.) III .que decidir sobre a unificação de penas. Uma corrente minoritária. lembrando que a contagem deste prazo é feita de acordo com as regras do CPP. Recurso Especial O Recurso Especial . admite a interpretação em sentido contrário. nos casos do art. 774. XX . Importante observar que o RESE é cabível apenas nas hipóteses do art.é sempre direcionado ao STJ. 4. e está sempre relaciona- do com a interpretação da Lei Federal. em única ou última instân- cia. quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal.. depois de transitar a sentença em julgado. quando . 105. III. 581. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: (. XIX . para a maioria da doutrina. XXII . b e c da CF: Art.que decidir o incidente de falsidade.REsp .que decretar medida de segurança. contudo..que impuser medida de segurança por transgressão de outra. pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados. b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal. O prazo do REsp é de 15 dias. em recurso especial. nos casos em que a lei admita a revogação. Isso quer dizer que. do Distrito Federal e Territórios.que deixar de revogar a medida de segurança. as causas decididas.

Compete ao Supremo Tribunal Federal. Mas observe que a hipótese trazida pela alínea D é uma exceção à análise do pano de fundo. 6. e está no art. no mesmo ato. Ou seja.HC . Para que o RE seja recebido e analisado. Habeas Corpus O Habeas Corpus . e com a ameaça de violação a este direito. Recurso Extraordinário Trata-se do recurso de competência exclusiva do STF. O prazo para interposição é de 15 dias (igual o prazo do REsp) e não há ne- cessidade de petição recursal: o prazo é único para. 102. precipuamente. cabendo-lhe: III . a matéria constitucional levada à análise da Corte Superior já deve ter sido apresentada quando da inter- posição do recurso na instância inicial. interpor e apresentar as razões. Trata-se de remédio constitucional. III. assim como ocorre no Recurso Especial.julgar. A previsão também é constitucional. pois visa à manutenção do sistema federativo. as causas decididas em única ou última instância. b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. para a o recebimento e julgamento de Recurso Extraordiná- rio. Ha- . b .é um direito relacionado com a liberdade de ir e vir. é imprescindível o prequestiona- mento. c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Consti- tuição. d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. É imprescindível. quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição. Trata-se de requisito imprescindível para o recebimento do REsp. c e d: Art. ao lado do Mandado de Segurança. que questões constitucionais sejam ventiladas no recurso. que é a constitucionalidade. a guarda da Constituição. 102. 5. mediante recurso extraordinário. trata-se de apresentar ao juiz em primeira instância a matéria que futuramente se preten- de questionar em Recurso Especial. ou seja. Direito Processual Penal 51 se demonstra a tese que será utilizada no futuro recurso especial. a.

a: Art.ROC . Quando julgado pelo STF. Poderá impetrar HC qualquer pessoa. O HC comporta duas espécies: a) preventivo: utilizado quando houver ameaça à liberdade de locomoção. o mandado de segurança.está previsto nos arts. Compete ao Supremo Tribunal Federal. ele não está relacionado com a ação penal que gerou a prisão. • Não há prazo: o HC pode ser impetrado enquanto existir a ameaça ou a violência à liberdade de locomoção. 102. O próprio juiz pode conceder habeas corpus de ofício. A ordem emitida em HC preventivo se denomina salvo conduto. . 102. uma ação penal constitucional. em recurso ordinário: a) o habeas corpus. São características do HC: • Não representa uma espécie de recurso: enquanto o recurso dá segui- mento a uma relação jurídica já existente.conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção. independentemente até mesmo de ca- pacidade postulatória.julgar. b) repressivo: utilizado quando a violência já aconteceu 7. II. LXVIII da CF/88: Art.. precipuamente. A finalidade do HC é resguardar a liberdade de locomoção. 5º. Recurso Ordinário Constitucional O Recurso Ordinário Constitucional .. o HC é uma nova ação. 102 e 105 da CF. • Cabível contra decisão judicial ou administrativa. por ilegalidade ou abuso de poder. a guarda da Constituição. a previsão está no art. 52 Direito Processual Penal beas Data e Mandado de Injunção: instrumentos constitucionais utilizados a fim de garantir e efetivar os direitos fundamentais. (. Ainda que o HC venha combater uma prisão.) LXVIII . o habeas data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores. A previsão está no art. cabendo-lhe: II . se denegatória a decisão. 5º.

Contra essa decisão também cabe ROC. em recurso ordinário: a) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados. sob os mesmos fundamentos acima estudados.julgar. a previsão está no art. Direito Processual Penal 53 Quando julgado pelo STJ. quando a decisão for denegatória. o ROC tem uma importância quando tratamos de decisões denegatórias de HC. 109 da CF: este artigo atribui á justiça federal a competência para julgamento de crimes políticos. Na matéria processual penal. é possível ainda que um Mandado de Segurança seja impetrado en- volvendo questão processual penal. TSE. para interposição e razões Outra hipótese de cabimento do ROC está prevista no art. STM e TST). São hipóteses de cabimento do ROC: • STF: será julgado pelo STF o ROC contra decisões denegatórias de HC provenientes dos tribunais superiores (STJ. para o STF e para o STJ. Por fim. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: II . O prazo do ROC é de 5 dias. caberá ROC. . II. Contra decisão denegatória de MS. 105. do Distrito Federal e Territórios. • STJ: analisará o ROC contra decisões denegatórias de HC proferidas pelos tribunais (tribunais de justiça e TRFs). 105. a: Art.

9. Letra E. Letra A. 12. Errada. 5. 6. Letra C. Letra D. 3. Letra E. 10. Verdadeira. Letra D 8. 4. 54 Direito Processual Penal Gabarito 1. Letra B. 11. 2. 7. 13. Verdadeira. Letra C. Verdadeira . Letra E. Falsa 14.

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