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Psicologia USP http://dx.doi.org/10.

1590/0103-656420160028
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Reflexões sobre a formação do indivíduo: considerações sobre a ideia de compaixão
Alex Sandro Corrêa*
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. Bragança Paulista, SP, Brasil

Resumo: Este ensaio tem como objetivo apresentar e discutir alguns aspectos do conceito de compaixão na
filosofia da chamada Teoria Crítica da Sociedade e na tragédia grega na tentativa de compreender os significados
e as formas a ele atribuídos. O intuito é chegar aos aspectos relacionados com a formação social dominante,
indagando como se configuram as relações humanas, o processo de sociabilidade e a ideia de experiência. Para
essa discussão, o texto está dividido da seguinte forma: será feita uma breve introdução do tema com base em
alguns escritos de Horkheimer e Adorno; em seguida, serão discutidas as ambiguidades e contradições atribuídas
ao conceito de compaixão; serão apresentados alguns episódios presentes nas tragédias gregas nas quais o
sentimento de compaixão aparece. E, finalmente, serão discutidos aspectos relacionados com a formação social
dominante no contexto da sociedade de massas.

Palavras-chave: compaixão, formação do indivíduo, tragédia grega, teoria crítica.

Introdução carências do indivíduo, o autor se surpreende com o pro-
cesso crescente de empobrecimento, quer no plano mate-
O objetivo deste ensaio consiste em apresentar e rial, quer no espiritual. Para o filósofo,
discutir alguns aspectos da vida social contemporânea, as
formas de sociabilidade, de experiência, o conceito de com- Nunca a pobreza dos homens se viu num con-
paixão, bem como a maneira como este é compreendido traste mais gritante com a sua possível riqueza
à luz da filosofia. Nesse sentido, tomaremos como refe- como nos dias de hoje, nunca todas as forças
rencial teórico alguns elementos da teoria crítica da socie- estiveram mais cruelmente algemadas como nes-
dade. Abordaremos, ainda, o processo de empobrecimento tas gerações onde as crianças passam fome e as
do indivíduo, destacando seu declínio e apresentando con- mãos dos pais fabricam bombas. (Horkheimer,
cepções e ideias relacionadas à compaixão, com base em 1990, p. 77)
alguns escritos de Horkheimer.
Vale dizer que as considerações presentes neste Considerando o contraste apontado nessa citação, o
ensaio não apresentam ideias indiscutíveis ou conclusão autor expõe o contexto, as características e as consequên-
determinista sobre as questões apresentadas. Com efeito, cias acerca do declínio do indivíduo3 e de suas expropria-
o propósito seria tão-somente expor um conjunto de ideias ções subjetiva e objetiva, na perspectiva da racionalidade
com vistas a refletir sobre a problemática da formação do instrumental4. Além disso, ele percebe que, diante do
sujeito no contexto da sociedade administrada1. Nessa cortejo de misérias, dor e sofrimento imposto ao homem
reflexão, pretende-se retomar o conceito de compaixão e contemporâneo no contexto do capitalismo tardio5, o pessi-
discuti-lo à luz das contradições apresentadas por alguns mismo teórico, ativo, associado às práticas da compaixão e
autores, em particular por Horkheimer. da solidariedade, deveria assumir a primeira reação como
Horkheimer (1990) volta sua atenção, sobretudo forma de resistência.
em seus escritos tardios2, ao tema do “outro”, isto é, da Na sociedade contemporânea, dominada pelo prin-
alteridade, assinalando as possibilidades reais de realiza- cípio da troca, cuja base tem sido a indiferença, a competi-
ção do indivíduo, bem como as contradições e tendências ção e, em muitos casos, a crueldade, a frieza e a exclusão,
que dificultam ou impedem esse processo. Considerando o sentimento de compaixão destacar-se-ia enquanto contra-
as maravilhas dos progressos científico, tecnológico e eco- ponto ao triunfo das formas bárbaras de que essa sociedade
nômico, capazes de suprimir a fome do planeta e reduzir as tem-se alimentado e que tem cultivado.
* Endereço para correspondência: correa.alex2007@hotmail.com 3 A expressão é utilizada pelo autor na obra Eclipse da razão (Horkheimer,
1 Expressão bastante utilizada por alguns autores da Escola de 2002), no capítulo intitulado “Ascensão e declínio do indivíduo” (p. 133).
Frankfurt. Sociedade administrada ou mundo administrado diz 4 Trata-se da razão voltada para a dominação das naturezas interna e
respeito ao processo de dominação econômica, política, cultural e externa. Desse modo, “a razão instrumental (evocada para dominar a
tecnológica que consiste em manter os mecanismos que alimentam natureza externa) subjuga a razão emancipatória. O feitiço se volta contra
o sistema capitalista e reduzem as possibilidades de libertação do o feiticeiro. A razão iluminista, que entrou em cena para subjugar o mito,
indivíduo. transforma-se, por sua vez, em mito”. (Freitag, 1986, p. 49)
2 Trata-se de uma fase que revela certa ruptura com os escritos da primeira 5 Trata-se da terceira fase do desenvolvimento capitalista, marcada, entre
teoria crítica. Nesta fase, o autor teria se distanciado do programa de outros aspectos, pela expansão das transacionais, dos capitais mundiais,
materialismo interdisciplinar que marcou seu pensamento nos anos 1930. do consumo de massa e da intensificação das trocas.

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Pois. 78) interiorizada da diferença entre ricos e pobres”. portanto. 98) Spinoza. 98). Ford. misterioso. como os sentimentos sublimes do filantropo e deste princípio. “. Kant ração da sua real condição de existência. 78) ao sofrimento. inspirado pela obra de Schopenhauer. e todo sofrimento é ruim. e da força. como Kant e Nietzsche. com certeza. dos que sofrem” (p. a compaixão tende a ser proscrita Considerada como vício e pecado. razão do momento histórico marcado pela “livre concor- fazendo do outro um destituído das possibilidades de supe. Horkheimer e Adorno (1985) sustentam a Entretanto. incapaz de autonomia. Em outro contexto. 109). 55). 99) Assim. da virtus romana não apenas a toda a humanidade. pois “[as] deformações narcísicas da geral. do princípio da eficiência Portanto. segundo Horkheimer. portanto. não a arrogância moral do assistente social. destacar a ética da compaixão. transmitida e. aprendida. . Nietzsche. o próprio Horkheimer (1990) volta a tese de que se. nota-se que a compaixão tem sus. p. reconhece na Adorno (1985). Alguns a defendem em nome da recusa mora nela a compaixão. enquanto virtude a ser ensinada. enquanto a morte fácil do indivíduo liberto piedade. da angústia não lhe parecer algo extrínseco. . 55). que Horkheimer se 240 Psicologia USP I www. nem pela compaixão. praticada. se torna Vista como recusa da autonomia individual. mas ao conjunto dos passando pelos Medicis até a efficiency da família seres vivos ou. afirma que conteúdo ou prática seria inoperante e destituído de víncu- quem adere à compaixão “perverte a lei universal: donde los com a virtude. (p. lembram Horkheimer e Adorno. podia esperar que do progresso ininterrupto da livre tuando a superioridade. pois via o mundo em ascensão sob o domínio compaixão. a compaixão acabaria reforçando a desigualdade e acen. um ser do outro. porque Nesse sentido. Por razões distintas. cujo interpretação de Horkheimer e Adorno (1985). 1985. É nesse horizonte que o autor admite a diata. 97) não teria “em si a dignidade da virtude” (apud Horkheimer Espécie de “preconceito mais compulsivo” & Adorno. por um lado. o caráter ambíguo e contraditório do con- lembra que “[a] compaixão tem má reputação. o autor considera que “[a] piedade sentimento de compaixão deveria ser. Apesar disso. Isso mente configurou-se sua rejeição. outro aspecto diz (1990) reconhece e tenta justificar o fato de Kant não ter respeito ao fato de que a compaixão fomentaria atitudes visto a compaixão com base no “sentimento moral” em marcadas pela superioridade daquele que se compadece. por exemplo. ressaltando os aspectos dra- víduos sua força.scielo. p.br/pusp . a moral ainda tiver uma razão para existir. enquanto virtude Já Horkheimer e Adorno (1985) assinalam. enquanto outros a recusam em favor da autonomia. quer na prática assistencial. Enquanto o indivíduo e o todo não se fundirem real- uma vez que reduz o sujeito à condição de objeto digno de mente. p. modo firme uma ação vigorosa sobre o mundo. 98) ciency da família Ford”. (p. p. longe de ser uma virtude. que seus objetivos essenciais citado diferentes concepções acerca de sua dignidade estão resguardados com a comunidade.” (1985. de acordo com Horkheimer e Schopenhauer (2014). ideia da compaixão como “virtude singular que nos abre o contrário do valor viril que. desde a “virtus romana” até a “effi- desumano. que aos olhos da razão separa totalmente social destituída de mérito. já no seu tempo. . com efeito. Assim. nem tampouco de senti-la. desaparecer e o eu não se tornar de modo algum o eu” (2014. à dor e ao desamparo. no sentimento de compaixão – a via duras críticas entre vários pensadores modernos e contem. a saber. absolutamente proscrito e rejeitado como prática de demarcação. são a confirmação era possível separar a compaixão da moral. na concepção desses é esse fato admirável. é com razão chamado Como se vê. Comte-Sponville (1999) nos outros aspectos. na como um mero sentimento vulgar e sem utilidade. luminosa por meio da qual a fronteira entre o eu e o outro porâneos. quem não é levado a ajudar os outros nem pela razão. Com relação à sua dignidade. por exemplo. resulta que a piedade. Sob esse olhar. de um sen- Compaixão: ambiguidades e contradições timento moral ligado às formas de sociabilidade que com- preendem a união e a solidariedade. Nessa vertente. dignidade ou virtude. os auto- a distingue. pelo menos. (Horkheimer & Adorno. pelo qual vemos a linha autores. 97). . a compaixão também teria sido alvo de piedade – portanto. da generosidade” (p. ele sabe. ninguém ceito de compaixão. o autor considera que “compadecer é sofrer com. para um verdadeiro vício tão pronto ela nos leva a interferir com Kant a compaixão resulta de “certa sentimentalidade” e uma desigualdade prescrita pelas leis da natureza”. Em res observam que: seguida. resistência e aptidão para expressar de máticos sob os quais padece o indivíduo. (p. estabelece uma relação assimétrica entre os indivíduos. mas ao mesmo tempo ‘mala inutilis’. o se dilui. entre investida de reputação. por outro. foi sempre a única virtude verdadeiramente caso contrário. rência”. quer na concorrência se originasse o aumento da felicidade filantropia em geral. Dessa forma.Alex Sandro Corrêa 240 Por outro lado. . a compaixão usurpa dos indi. Horkheimer (Horkheimer & Adorno. 1985. Como a compaixão poderia A commiseratio é a humanidade em sua figura ime- ser boa?” (p. enquanto. citando burguesa. 55). 1985. acentuando a maneira como historica- gosta de ser objeto dela. (p. Trata-se. é no horizonte desse pessimismo teórico. p.

tanto na perspectiva econômica como na técnico-científica” (p. deduzido uma espécie de solidariedade do proleta. Não cabe aqui uma aná- à dominação. pelo espetáculo ofe- enquanto seres humanos. Tanta justiça e com- compaixão. Nesse sentido. mergulha a espada na garganta e se suicida. é possível perceber ambiguidades e contra. o autor admite a ideia de que. ele teria rejeitado em várias ocasiões a ajuda dos deuses. (Silva. pacífico rebanho de ovelhas. em que o sentimento de rico capaz de ativar os campos de luta e de forças contrárias compaixão pode ser percebido. “na qualidade dade da descarga através da tragédia. enfrenta Ájax. é enriquecedor observar alguns sofo sustenta sua crítica com base em um pessimismo teó. ela surge da percepção da dor e ou no governo de suas emoções. pois. fazendo o De um lado. Com efeito. 379) 2017 I volume 28 I número 2 I 239-246 241 . há versos inteiros na poesia épica – bilidades de superação. o bem e o mal das paixões. ticado. seu inimigo. Silva (2011) interpretando a ética da em que esse aspecto aparece de forma cristalina. (Saint-Victor. p. Nesse contexto. mesmo em ocasiões nas quais dominam o em vista o pessimismo e a descrença alimentados por ódio. a solidariedade entre os Por exemplo. tendo Nesse aspecto. paixão. solidariedade de classe (no caso. pelo próprio suporte deste Nesse sentido. como essa inclinação lhes parecia suspeita. ou nas narrativas míticas. Ao constatar a falência da cultura. rigor. seja pelo Estado. a identificação com o outro se como fica claro na citação anterior. acreditando ver nelas os pró- põem as cenas das tragédias gregas. burguesa. para Horkheimer. ao perceber a agonia de Ájax. a tragédia tem uma finalidade educativa e forma- Assim. que sua prática. exemplos nos quais os sentimentos de piedade e compaixão se fazem presentes. trata-se da recido). Quando se dá conta do ato de demência pra- de Nietzsche duras críticas. tanta fraqueza”. Zaratustra prega: “Vejo compreender a maneira como problematiza o conceito de tanta bondade. segundo a narrativa. oferecer remédios para essas paixões. citar no espectador paixões que imitem (simulem ria apoiada na filosofia tardia deste autor a partir de duas e emulem) as que ele sentiria se. o filósofo passaria. ressal- ao conformismo perante a realidade existente. Nosso propósito é trazer alguns elementos para com- tos. Ela é a sabedoria suprema fere-o de loucura”. que não se trata do elogio preender o caráter ambíguo que o tema comporta. em “Ulisses: Apoiada em princípios que transcendessem as diferenças o mito do retorno”. a solidariedade universal. A tragédia e o sentimento de compaixão tal) e a apropriação. por isso deve sus- compaixão interpretada como solidariedade universal esta. nesse contexto. Chauí (2002) nos que ela “surge como alternativa à crueldade que persiste lembra que: com o triunfo do princípio de autoconservação. 222-223) podemos extrair. p. O espectador deve do sofrimento. Nesse aspecto. segundo Aristóteles os gregos sofriam frequente- mente de um excesso de compaixão: daí a necessi. uma vez que. 485-486) riado em face da existência de um grande abismo que separava os trabalhadores assalariados da classe Com base nessa e nas colocações de outros autores. de uma crença na faz presente. texto. Sobre o compaixão à luz das concepções de Horkheimer considera caráter “pedagógico” dessas narrativas. mas de uma tando. da consciência da nossa finitude aprender. Vemos assim de grande ofendida. significado transcendem o campo meramente religioso. 2011. a dora do caráter e das virtudes. perigosa para o Estado. episódios das tragédias gregas. . o fracasso das promessas iluministas. Palas Athena. sobretudo nos mais tardios. envergonhado. Neste contexto. como na Ilíada. por causa dos gregos terem-lhe negado frágil condição. Ulisses. Em uma delas. assume o ofício de Nêmese e sua vingança é terrível . o que podem reinterpretação horkheimerina de Marx. tira a necessária dureza e Desse modo. 6 Ájax é vítima de seu próprio orgulho. o filó. os acon- vertentes filosóficas: tecimentos trágicos acontecessem e deve. a queda de todos 1985. pp. de algumas tragédias. seja pelas empresas. Ulisses com Ájax. o predomínio da “razão subjetiva” (instrumen. pela mania6. faz com que os heróis se comportem como dições com as quais o autor trabalha e. -se conscientemente de sua realidade. (Horkheimer & Adorno. a inimizade. as armas de Aquiles. apropriando. Silva (2011) ressalta ainda que. tanta fraqueza. mulheres em prantos etc. a seguir. (pp. o rei grego. Ájax decapita um Não por acaso e sendo um dos aspectos que com. 222). 2003.. Este teria fazer de terrível ou de benéfico para os homens. a compaixão recebeu prios gregos. revelaria nossa cura. bem como das possi. conteúdo e postura capaz de admitir o sofrimento e a dor. apresenta três versões do encontro de de classes ou grupos sociais. Horkheimer ressalta em seus escri. Reflexões sobre a formação do indivíduo: considerações sobre a ideia de compaixão 241 reapropria dos conceitos de solidariedade e compaixão. De outro. que é a indiferença. o episódio na Odisseia em que Ulisses operários) para a defesa de uma solidariedade universal. por exemplo –. 98) os “valores em valor de troca”. Ájax é tomado pela lou- estimulada pelo sofrimento e pela dor. de fato. pela imitação (isto é. com base no pensamento de espectador sair do teatro emocionalmente liberado Schopenhauer. tal repúdio. lise aprofundada dos exemplos. da técnica desprovida de conteúdos éticos e morais. . ou a forma mais radical de Horkheimer desde os anos 1930. entre outros aspectos. a discórdia. Brandão (1999).

mostrando que um dos moti- o melhor e o mais poderoso – encobre a questão vos que suscitou nela a desobediência às ordens do rei foi essencial aos homens – a de seres expostos. Isso fica claro no instante em que Ulisses convence pectiva da tragédia grega. “[é] da pai – Agamêmnon. Assim. 1999. minha casa. para tentar ajudá-lo. 26). quando a deusa da inteligência. p. como mostra Sófocles em sua tragé- dia sobre Ájax. “Agamêmnon. pois. (p. p. bem suplicante. 1997. apelo que os homens carregam no sentido de serem reco. curavam formá-lo para o aperfeiçoamento dos seus De um modo geral. nesse instante. Com isso.scielo. não conheço nenhum e. Agamêmnon a permitir que sejam realizadas as honras cio de Ifigênia” à deusa Ártemis. Essa ati. a tragédia de Eurípides narra. 516) homens. escreve Aristóteles. vulne. qual a prisioneira. justamente o sentimento de compaixão devotado ao irmão ráveis. p. filha de Édipo. O diálogo entre pai e filha prossegue quase como quer na Ilíada. enquanto Agamêmnon per- cujo ensinamento faz lembrar uma questão que a contem. pergunta: “Como pode socorrer fim. compaixão ou pie- citada anteriormente valeria a pena retomar. ‘com a ideia de que podemos Ifigênia não consegue aplacar a convicção e o juízo do amá-lo mais tarde’” (p. que frágil defensor és dos teus parentes! Mas com o sofrimento do outro. Ifigênia aceita voluntariamente o martírio glorioso em um inimigo?” Ulisses responde: “Em sua morte é a minha nome da Grécia. conduzido pelo próprio fúnebres. Vergo a teus joelhos meu corpo. indaga a Ulisses “se. Ifigênia agarra Orestes e. Conhecida com o título de Ifigênia em sua intervenção persuasiva e corajosa junto a Agamêmnon Áulis. se minhas súplicas não te demoverem! (Eurípedes (Sófocles apud Brandão. mortal: ‘não se deve odiar um 516). sofrimento e súplica. 242 Psicologia USP I www. desperte a compaixão do pai: “Ó social e coletiva. na doce hospitalidade de Lamento seu infortúnio. acusada de ímpia em minha piedade?” (Sófocles da sociedade e da felicidade a partir da qual pro. quer na Odisseia. 61). 515) Percebe-se que há versos inteiros na poesia épica. o outro rei. diante do rei Creonte. Na sequência. rei recorrer. a possibilidade de identificar-se meu irmão. 19-20) penhado por Agamêmnon. dade. que resulta a reabilitação do herói morto. para devolver os cuidados que ampara- Em seu destino entrevejo meu próprio destino. ó paizinho. Receber-te-ei Não. Ifigênia apela para que seu irmão. pp. Ao Agamêmnon. concede-me um Todos quantos vivemos. ele tem para ti uma prece muda! Ah. 2003. Por outras razões. Matos (1997) lembra que a piedade o pai e diz: “Vê. é como o poder dos deuses. que eu vejo”.br/pusp . nhado por Ulisses foi radicalmente oposto àquele desem- (Matos. nada mais somos único olhar e dá-me um beijo. No entanto. a frieza tende a se ainda assim choras comigo e pedes ao pai que tua irmã não difundir como uma prática cada vez mais comum entre os morra!” (Eurípedes apud Saint-Victor. provavelmente ele o Dessa forma como contraponto à atitude de Ulisses fez movido pelos sentimentos de justiça. (p. compaixão do pai para que a liberte do martírio cruel. Se Ulisses foi capaz de superar seu ódio ou a oposição ao rival Ájax. nem tampouco demovê-lo da decisão tomada. . no entanto. pois. como um ramo de tando a proporção da desgraça que se abateu sobre ele. também o huma. o mencionado papel desempe- talentos e habilidades e para a concórdia na cidade. naturalizando-se enquanto defesa para que sobre. do oráculo é irrevogável”. em teu colo. 516) tude obscurece na humanidade as condições que a reduzem Nesse contexto. inimigo. Não me faças morrer antes do tempo. olha-me. p. que levarei comigo Que farrapos de ilusão e sombras vãs. Para a autora. ainda na pers. a resposta do para as profundezas da terra! Fui a primeira a cha- filho de Laerte não se faz esperar”: mar-te pai e a primeira que chamaste filha. o frá- poraneidade tende a esquecer e eliminar da experiência gil e pequeno Orestes. 300) suplicando a compaixão do rei: Por sua vez. é própria do gênero trágico. vale lembrar a semelhança das súpli- a seres efêmeros e mortais: cas de Ifigênia com o derradeiro lamento de Antígona. .Alex Sandro Corrêa 242 precipita-se sobre ele. um monólogo contínuo. esse outro frágil. mas não sem antes oferecer resistência. pai. p. Esmaga-o terrível fatalidade. permanece inflexível: o decreto nhecidos como os melhores e os mais poderosos. manece mudo. o famoso episódio do “sacrifí. serve erguer os olhos para os deuses e a que aliado fiel pode- suíam uma determinada interpretação do homem. a “tragédia quer participar de minha sorte e se amisera de minha vida! desperta esse sentimento de quem sabe ver um de si no Nada é mais doce para os mortais que contemplar a luz” (p. cujo valor é final- as súplicas da frágil Ifigênia na tentativa de despertar a mente reconhecido”. apud Almeida & Vieira. embora seja meu inimigo. inimigo’. a autora indica o forte rei. apesar de suas súplicas e de seu lamento. volta-se para Dessa forma. 1997. Este é o único momento no Experiência do absurdo e do orgulho dos homens. tão grato contemplar a luz! Não me forces a descer conhece um herói mais judicioso e valente. parece fazer uma a megalotimia – o desejo de ser reconhecido como concessão à sua fragilidade. 300) apud Saint-Victor. e nas tragédias em geral. Polinices: “Que divina lei terei eu transgredido? De que nismo da Renascença e o humanismo marxista pos. dei e recebi carícias ternas. na velhice. numa vivam num mundo que também tende à desumanização. mortais. . pois. 75). na tragédia de Sófocles. qual seja. última exposição de dor. 2003. ram minha infância? Pai. apresen. porventura. como ressalta Várzeas (2009. entre outros aspectos.

outro aspecto sobre o cuja identidade é. 26). . entre é executado sob o controle de uma vontade cons- outras questões. o desamparo alimen- ção suportou’. da nossa modernidade. o acolhimento ao estrangeiro e o senti. podemos a partir dessa reflexão suscitar novos ele. p. O autor considera que: sumido pela dor de pai. casual e má como resul- sem avisar. p. neste contexto. maneira pela qual “podemos nos opor a uma educação para lidade. guesa. aspectos. a condição de sofrimento e desamparo que os tas vezes praticados” (Várzeas. potencia- desejo que de alimentos e vinho te sacies. eis a lei da hospita. O processo não explora a forma como o texto de Homero valoriza. 16) lidade e da humanidade”. (Matos. casual y mala como resultado de la laboriosidad e exploração que acabaram por converter os indivíduos em de los indivíduos. Essa irracionalidade é expressa no sofri- quando Ulisses é recebido por Eumeu. por agora. todos nos mados e não reprimidos. assim. e esquecendo os feitos valorosos outrora tan. (p. mento da maioria dos homens. mas como processo natural. sua condição social ou religião. ‘meu costume é honrar o 16). e a existência global da sociedade. de desenvolver a experiência individual e coletiva. o autor escreve: educativo”. 2006. importa antes de tudo alimentá-lo e da experiência. sino como proceso natural. 171) zação das potencialidades humanas”. tradução minha)7 Athena transformara em homem idoso – exclama: ‘vem. os impulsos miméticos são subli- piedade do que ti. Desse modo. entre la competencia libre de los indivíduos. mesmo tratando-se de sua própria filha. conforme acreditava Aristóteles (Chauí. não há relação racional. tal como se apresenta na Odisseia. 2004. pois “[re]conhecer a dignidade de a identificação perversa com o todo social. ciente. Nesse sentido. tende a reduzir os indivíduos a meros agentes medio. cujo princípio consiste em governá-los por meio de Embora dilacerado pelo sofrimento e absolutamente con. diz Eumeu. Silva (2004) ‘De onde vens?’. 171) Em outro contexto. Matos (2006) mediado. “Nesse caso. A acentuação do heroísmo individual e do self made man nas A modernidade. consequentemente. A vida de todos mento de cordialidade dispensado ao hóspede que chega os homens resulta cega. O ato de humanidade – a hospita. industrias y Estados. como Outro aspecto diz respeito à questão da hospita. e seriam conduzidos para a reali- vêm de Zeus’. Agamêmnon “não é capaz de ver em processo teria contribuído para o “empobrecimento mate- Ájax mais do que um inimigo feroz que atentou contra rial e espiritual da sociedade”. entre a competência livre dos indivíduos. esse mendigo tado pelo universo da competição. (p. y la existencia global de la sociedad. como mediado. 485). insensibilidade e a impossibilidade da identificação com o gráfica. cuja tendência é a promoção do individualismo. mendigos. 2002. esquecendo as circunstâncias em Assim. depois lizados pelos dispositivos que fomentam o individualismo. Mediante os mecanismos de dominação. dissolução da individualidade e a redução do sujeito a mero tiva trágica na perspectiva de um ensinamento de “caráter objeto manipulável. tendo em vista a amplitude infeliz e. como lidade. acerca da formação voltada para a experiência. o autor destaca a importância A autora considera o fato de que primordialmente atribuída por Horkheimer ao processo educativo no sentido na história da cultura grega o processo de humanização. que não reconhece seu senhor – que p. uma vez que esse processo se consolida por meio da hóspede mesmo se me chegasse um mais digno de imitação. 109. Assim: tado da laboriosidade dos indivíduos. p. 2009. p. ele não hesitou em obedecer ao pedido do oráculo. entremos em minha tenda. Esse el sufrimiento de la mayoría de los hombres”. segue-me. Analisando as concepções de Horkheimer saciá-lo e só depois vêm as perguntas: ‘Quem és?’. contemporânea do “capitalismo 7 No original: “. na educação pela mimese. considera. a experiência formativa. Esta irracionalidad se expressa en autômatos destituídos de si e da relação com o outro. Nisso reside a crítica realizada por ción racional. . El proceso no se lleva a cabo bajo el control de una volun- Horkheimer (1999) aos novos mecanismos de dominação tad consciente. Reflexões sobre a formação do indivíduo: considerações sobre a ideia de compaixão 243 No entanto. o guarda. Todos os meios da cultura de massas servem para mentos para compreender o sentimento de compaixão à luz reforçar as pressões sociais sobre a individualidade. Horkheimer (1999) destaca. não importando seu nome. uma ação cega e irracional. A postura de indivíduos experimentam sob as leis da economia bur- Agamêmnon. Horkheimer (2002) denuncia Propomos. ancião. indústrias e Estados. meio. Quem é esse homem. dor de porcos. tinha seu lugar. evitando todas as possibilidades de que o indivíduo se preserve de algum modo em face dos mecanis- A modernidade e o sentimento de compaixão mos pulverizadores da sociedade. entre outros que o fez. considerando a narra. em Ifigênia em Áulis. 16) Nessa perspectiva. o papel desnecessário lidade – não se subordina a qualquer identificação: para “recomendações diretas ou chamada de atenção” (p. sendo a bem como os valores relacionados com a lei da hospita. p. origem étnica ou geo. (Matos. desconhecida? É um qual vale refletir é a formação. 77) as chefias do exército. a indiferença e. (Silva. (Horkheimer. retomar a concepção os mecanismos de dominação exercidos pela sociedade de horkheimeriana da compaixão problematizada à luz da massas. 1999. tu me dirás de onde vens e os males que teu cora. que reproduz a cada um. no hay rela- das leis da economia. La vida de la totalidad de los hombres resulta ciega. ‘Estrangeiro’. não foi menos radical. 2017 I volume 28 I número 2 I 239-246 243 . como tardio”. 2006. estrangeiros. sofrimento do outro”.

Si la juventud reconoce la contradicción dentais. o que é típico de uma sociedade se deja nublar la mirada por nacionalismos fanáticos o por teorías de fundada na lógica do desempenho e da competição. (Horkheimer. Los jóvenes huidos del Este. a resposta do sentimento moral a isto é a compaixão”. p. O caminho até essa meta passa pelo de opressão e dominação. p. mas como um possível membro de Horkheimer” (p. 101). assim também os indivíduos. de los que oponen resistencia. Distante da ideia de amizade e contrária a qualquer entre el estado de las fuerzas humanas y la situación de la tierra y no forma de solidariedade. a compaixão digo. Pero el conocimiento de la realidad indiferença que caracteriza. a adoração. observa que “o sentimento tema da identificação.” (Horkheimer. podemos esperar que la identificación y la solidariedad se hagan decisivas en sus vidas. (pp. têm experiência do que da Segunda Guerra Mundial. conhecimento tanto da ciência e da política como Horkheimer oferece várias pistas para pensarmos a das obras da grande literatura. a saudade” para muitos de seus escritos e reflexões. se a felicidade e a autonomia são arti. mas como objetos de um acidente cego da natureza y el terror en la sociedad generan como consecuencia la solidaridad . dos bens materiais. genocídio de populações por nacionalismos fanáticos ou por teorias de uma desarmadas. o conhecimento da realidade seria capaz de reno- batentes tinham voltado silenciosos do campo de batalha. o Chiarello (2001) acrescenta que “[o] desaparecimento autor observa: “Entretanto.br/pusp . felicidade e do bem-estar individual ou coletivo. De acordo com essa citação. No primeiro. . 8 No original: “La estructura inmisericorde de la eternidad podría generar la comunión de los desamparados. 1990. 2002. as democracias oci.Alex Sandro Corrêa 244 biografias e nos romances e filmes pseudorromân. da justiça e da solidariedade per- moral tem algo a ver com o amor. indiferentes. 2000. Con el terror. podemos esperar que a iden- tipo) que Horkheimer volta sua atenção para refletir sobre tificação e a solidariedade se tornem decisivas em as possibilidades de combate e luta contra todas as formas suas vidas. 57. a solidariedade pode ser ao impor modelos de imitação coletiva. 114-115) contradição entre o estado das forças humanas e É justamente no contexto das recaídas periódicas a situação da terra e não deixa obscurecer o olhar na barbárie (guerras civis. Interpretando o pensamento do autor. Em seguida. uma vez que: próprio princípio ao qual pretende estar servindo na aparência. uma pasa por el conocimiento tanto de la ciencia y la política como de las vez que a lógica do lucro não tolera suspender as leis da obras de la gran literatura”. o senti. apesar do terror e a retórica do individualismo na cultura de massas.scielo. (Horkheimer. carnificinas e fundamentalismos de todo o justiça transcendente. este amor não se refere à pes. inclusive. cuja expressão se mani- como os slogans de individualismo vigoroso são festa quer nas relações sociais de produção e de apropriação úteis politicamente para os grandes trustes que pro. Persecución y hambre atraviesan la histo- ria de la sociedad hasta hoy. pero finalmente se vuelven tristes porque no hay amistad. incapazes resistência. Assim inerente à sociedade capitalista. Horkheimer. uma humanidade feliz. (Nietzsche apud Horkheimer. sería capaz de renovarla. das formas atrozes de injustiça. questão da compaixão sob outra perspectiva. mas finalmente se tornam tristes já havia observado. 244 Psicologia USP I www. tradução minha)8 pistas é retomada em dois ensaios: “Materialismo e moral” e “Schopenhauer e a sociedade”. p. desmente o tomada como uma forma de resistência. Cada vez que opõem resistência. outro efeito que se mani. 76). a visão da perfeição. do mesmo Nessa perspectiva. modo que a injustiça e o terror na sociedade festa de forma cada vez mais cristalina nas sociedades geram como consequência a solidariedade dos contemporâneas é o declínio da experiência. El camino hacia esa meta mento de compaixão seria antiburguês por excelência. tivos mecânicos de autoconservação na verdade Horkheimer (2000) aponta a dimensão contraditória aceleram a dissolução da individualidade. ela leste. pelo qual se uniram para opor casas tornavam-se mudos.. 78) primeros meses son felices porque reina la libertad. . pp. também é apresentada como contraponto ao processo de desaparece también la felicidad. em particular entre os combatentes porque não há amizade. A esse respeito. economia. sobretudo no contexto da destrutividade social contemporânea. 1990. Benjamin (1994) reina liberdade. desaparece também a felicidade. tienen experiencia de lo que Em “Schopenhauer e a sociedade”. Esses incen. del mismo modo que la injusticia tino. por el que se unieron para oponerle resistencia. Com o terror. tornando fonte de inspiração o amor. que nos primeiros meses são felizes porque tende ao empobrecimento e ao vazio. camente para si mesmo. incapaz de estabelecer vínculos gos raros. que ao regressarem a suas digo. 76) Chiarello (2001) também considera o indivíduo voltado uni- No entanto. Uma dessas p. Os jovens foragidos do mais danificada e destituída de um papel formador. e não mais da sociedade até hoje. O autor considera que. isto é. vá-la. una justicia trancendente. 1990. que en los (Horkheimer. das relações amorosas (aquelas presididas pelo desejo de soa como sujeito econômico ou como um cargo na situação união) no mundo que se tecnifica é um tema recorrente em financeira de quem ama. pois na finalidade está meia o pensamento do autor. se o esquecimento do outro é a regra. adiando a relação custo-benefício em favor da ticos não invalidam essa observação. 162-163) a estrutura implacável da eternidade poderia gerar a comunhão dos desamparados. quer nas formas de sociabilidade entre curam isentar-se do controle social. observamos que o leitor de Nietzsche e de Kant. e se “percebemos os homens não como sujeitos de seu des. Mas de narrar o acontecido: “[Já] se podia notar que os com. Se a juventude reconhece a ricos”. Perseguição e fome atravessam a história Mais pobres em experiências comunicáveis.

as prerrogativas voluntariosas Mas o futuro está bloqueado por um sistema social da coletividade totalmente administrada de que faz em que o novo aparece na forma do sempre igual. tes – esse homem. todas as angústias paixão. pois o que os homens têm em O ponto relevante dessas análises. intensos. 2014. também. e isso é (Chiarello. uma espécie animal. o que possibilita apode. The aim is to reach the aspects related to the dominant social formation. para citar Benjamin. And finally we will discuss the aspects related to the dominant social formation in the context of mass society. e parte – coletividade esta convertida numa espécie o sempre igual sob a forma do novo. os que se constroem por meio das redes sociais. O futuro se mantém vivo. de relações mais difusas. A autora retoma lhe é indiferente. Assim. daquelas que. é justamente decepções. the process of sociability and the idea of experience. Nenhuma miséria fraternidade é. pessoa e os restantes homens. formation of the individual. como um animal ludibriado pelos desíg- nios de sua espécie. grifos do autor) rar-se do sofrimento e das angústias que afligem a huma- nidade. sos costumes. a sofrimentos infinitos de tudo quanto vive. não especulam mais sobre o futuro. linhagens de tablets. 102) essencial para que nada mude. dessa forma. 2001. considera como seus os Nessa perspectiva. O enfraqueci. no mercado de futuros . Reflexões sobre a formação do indivíduo: considerações sobre a ideia de compaixão 245 com os demais e sujeito a um egoísmo desmedido. in an attempt to understand the meanings and forms attributed to it. perturbam-lhe o espírito como se fosse ele “tristeza mimética” pela qual desejamos o fim do a vítima. cimento do contato” ou o “fim das experiências formativas” pronto a sacrificar-se pela salvação de seus semelhan. 2017 I volume 28 I número 2 I 239-246 245 . mesmo aquelas que lhe é possível conceber. p. a tendência que se configura é a uniformiza- ção de hábitos. No fundo. dirá Matos (2006. e sim no futuro – são mais acabada no processo. p. em que o indivíduo vence sua condição egoísta e supera as mas limitado ao curto intervalo de tempo entre duas diferenças entre ele e os demais. típicas em (Matos. o autor escreve: Assim. As pessoas O sentido desse amor encontra. Tudo muda: os smart- é um fanatismo coletivista. se ninguém possui mento dos laços de solidariedade e de amizade. e toma tanto interesse permeando seu conjunto. 113) sofrimento de outro nós mesmos. a si mesmo em todos os seres. caracterizando o que Adorno denominou o “adoe- prios. tende uma sociedade de massas. todos têm direito a ser compreendidos. Keywords: compassion. perdem sua durabilidade. a discussion of the ambiguities and contradictions attributed to the concept of compassion. em especial a verdade. A esse respeito. ressaltando tratar-se de uma: de que ouve falar. mas é criado com Conclusão a ampliação de nossa identidade e sensibilidade aos pormenores da dor. o futuro tornou-se um termo técnico da Bolsa. 2006. cujo propó- Quando a ponta do véu de Maia (a ilusão da vida sito é atender às formas renovadas de consumo. 64). descrito por Schopenhauer. convivência e experiência. tornando-se assim caritativo até a dedicação. O compadecimento funda-se em nossa o que aponta para uma crítica às formas contemporâneas capacidade de identificação. uma a servir: vez que a própria noção de futuro é destituída de sua pro- fundidade. isto é. presenting a few episodes in Greek tragedies in which the feeling of compassion appears. entre outros aspectos. saberemos que. . phones de 2012 são diferentes dos de 2011. talvez. da dor do mundo. (Schopenhauer. sua expres. Todos os tormentos que vê e tão as concepções defendidas por Horkheimer acerca da com- raramente lhe são dados suavizar. inseridas nas comum é serem todos suscetíveis a sofrimentos e reflexões desenvolvidas sobre a compaixão. 364. sem compaixão”. os níveis de indiferença e frieza. critical theory of society. aquelas imprescindíveis para o tal modo que já não faz diferença egoísta entre a sua arranjo das relações sociais. . (Adorno. É o tempo do animal altamente refinada. tendem a se tornar cada vez mais pelos sofrimentos estranhos como pelos seus pró. p. (p. 2000). Não é algo que se descobre na reflexão apenas. isto é. 64) Reflections on the formation of the individual: considerations about the idea of compassion Abstract: This paper aims to present and discuss some aspects of the concept of compassion in the philosophy of the Critical Theory of Society and in Greek tragedy. chegado ao ponto de se reconhecer preparam-nos para o convívio social e a aceitação do outro. inquiring about how human relations are configurated. Relativizando nos- de sociabilidade. p. e apodera. pensamentos e comportamentos. The text is divided as follows: a brief introduction of the topic based on some writings by Horkheimen and Adorno. Mesmo nas individual) se ergue entre os olhos de um homem. “sociedade que não se funda nos laços da amizade e da -se. A sociedade sem amor inferno. Greek tragedy. Rouanet (2013) escreve: cegamente.

Magia e técnica. (A. ANPEd. Paulo. SP: Scipione. São Paulo.). R. P. In A. In M. São Paulo. le processus de sociabilité et l’idée d’expérience. à la fin. en un intento de comprender los significados y formas que se le atribuyen. Educação e emancipação (2a ed. Perspectiva. Introdução à história da filosofia (2a ed. Pereira & J. SP: Unicamp. M. São Matos. In F. arte e política. In 27a Reunião Anual da Freitag. W. teoría crítica. As duas máscaras: a cultura da Chauí. Palabras clave: compasión. Caxambu. Almeida. (1994). Novaes Chiarello. MG. & Adorno. filosofia e educação. (1999). D. T.). SP: Brasiliense. RJ: Jorge Zahar. M. SP: Martins Fontes. Materialismo. ensuite. A. Horkheimer. F. Rouanet. (1997). on traitera des aspects de la formation sociale dans le contexte de la société de masses. Uberlândia. M. G. M. formation de l’individu. Autoridade e família. Recebido: 03/03/2016 Horkheimer. théorie critique. el proceso de la sociabilidad y la idea de la experiencia. da J. SP: Companhia das Letras. S. SP: Edipro. Referências Adorno. O. Deserto (Orgs. tempo. Rio de SP: Nova Alexandria. (1999). (2002). preguntando acerca de cómo se establecen las relaciones humanas. M. Saint-Victor. Amor e amizade em Sófocles. (2009). formación del sujeto. tragedia griega. Das lágrimas das coisas: estudo (Org. (2001). El objetivo es llegar a los aspectos relacionados con la formación social dominante. filosóficas sobre o mundo contemporâneo. Finalmente. SP: Perspectiva. 19- Horkheimer. Mutações: o futuro não é mais o que era (pp. W. SP: Paz e Terra. une brève introduction au sujet par la philosophie de Max Horkheimer et Theodor Adorno . Anhelo de justicia: teoría crítica y religión. MG: Edufo. Max Horkheimer: teoria crítica e Horkheimer. una discusión de las ambigüedades y contradicciones atribuidas al concepto de compasión y una presentación de algunos episodios en las tragedias griegas en las que se evidencia el sentimiento de la compasión. B. Comte-Sponville. esclarecimento. Le texte est présenté en trois parties : 1. 2. (1990). tragédie grecque. São Paulo. São Paulo. (2000). C. Mitologia grega (9a ed. (1985). Três tragédias gregas. Madrid: Trotta.).br/pusp . Janeiro.. (1999). Silva. Benjamin.Alex Sandro Corrêa 246 Réflexions sur la formation de l’individu : remarques sur l’idée de compassion Résumé: Cet article a comme but présenter et discuter quelques aspects du concept de compassion dans la philosophie connue comme Théorie Critique de la Société et dans la tragédie grecque en essayant de comprendre les significations et les formes qui lui sont attribuées. SP: Germape.). J. Schopenhauer. T. La recherche veut arriver aux aspects liés à la formation sociale en demandant comment sont configurés les relations humaines.) São Horkheimer. metafísica y moral 29). M. Porto: Universidade do Porto. Amor e amizade (pp. O. Brandão. se discuten los aspectos relacionados con la formación social dominante en el contexto de la sociedad de masas.. Reflexiones sobre la formación del sujeto: consideraciones acerca de la idea de la compasión Resumen: Este ensayo tiene como objetivo presentar y discutir algunos aspectos del concepto de compasión en la filosofía de la Teoría Crítica de la Sociedad y en la tragedia griega. Eclipse da razão. A teoria crítica: ontem e hoje. P. São Matos. Tempo. G. C. As dores do mundo. W.scielo.) Grécia no seu teatro. T. 3. M. Educação e compaixão: considerações virtudes. São Paulo. Horkheimer. M. (2006). tempo. F. Discretas esperanças: reflexões Paulo. SP: Revisado: 08/06/2016 Centauro. (2011). (2004). Rio de Janeiro. (2002). Maestre trad. São Paulo. El texto se divide de la siguiente manera: una breve introducción del tema basándose en algunos escritos de Horkheimer y Adorno. de (2003). SP: Várzeas. São Paulo. São Paulo. SP: Sesc. on discutera des ambiguïtés et contradiction du concept de compassion – ils seront présentés quelques épisodes présents dans la tragédie grecque où le sentiment de compassion apparaît . Filosofia a polifonia da razão: Paulo. (2014). (2000). S. Madrid: Tecnos. Pequeno tratado das grandes Silva. sobre o conceito de natureza em Max Horkheimer. & Vieira. a partir de Max Horkheimer. C. São Paulo. barbárie. São 357-370). (1986). (2013). RJ: Vozes. São Paulo. (1997). SP: Brasiliense. Aprovado: 24/08/2016 246 Psicologia USP I www. Dialética do Paulo. Mots-clés: compassion. Teoria crítica I. A.